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                    <text>Eixo - 2 Práticas
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS EM TEMPOS DE PANDEMIA: UM RELATO DE
EXPERIÊNCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA
UNIVERSITY LIBRARIES IN TIMES OF PANDEMIC: AN EXPERIENCE REPORT FROM THE
FEDERAL RURAL UNIVERSITY OF AMAZONIA
Jean Pereira Correa 11
Letícia Lima de Sousa 22
Regiane Vanessa de Souza Baía 33
Sheyla Gabriela Alves Ribeiro 4 4

Resumo: Trata-se de um relato de experiência de bibliotecas universitárias, onde tem como objetivo discorrer sobre as
experiências de atividades educativas e culturais realizadas por bibliotecas dos campi da Universidade Federal Rural da
Amazônia (Belém, Capanema e Capitão Poço) durante o período da pandemia do COVID-19, onde as mesmas tiveram
que se adequar à nova realidade no oferecimento de serviços em formato virtual. A metodologia utilizada foi por meio
de revisão bibliográfica e pesquisa documental como forma de registrar os relatos de experiências. Como resultado,
observa-se que as bibliotecas realizaram lives no instagram; criação de canais do youtube, eventos, promoções via
instagram; indicação de filmes e leituras semanais, além de eventos em canal no youtube e instagram. Com isso,
constata-se a perfeita adequação das bibliotecas universitárias ao formato virtual, interagindo e dando suporte
acadêmico aos usuários mesmo à distância, oferecendo diversos serviços às comunidades acadêmicas de seus
respectivos campi e demais pessoas que tiverem interesse nos temas abordados.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias - atividades remotas. Bibliotecas universitárias - ações culturais. Bibliotecas
- eventos virtuais.
Abstract: It is an account of experience of university libraries, where it aims to discuss the experiences of educational
and cultural activities carried out by libraries of the campus of the Rural Federal University of Amazon (Belém,
Capanema and Captain Poço) during the period of the pandemic Covid-19, where they had to suit the new reality in the
offering of virtual format services. The methodology used was by a bibliographic review and documentary research as a
way to record the reports of experiences. As a result, it is observed that libraries performed live on Instagram; YouTube
channel creation, events, promotions via Instagram; Indication of movies and weekly readings, as well as channel
events on YouTube and Instagram. As a result, the perfect suitability of university libraries to the virtual format,
interacting and giving academic support to users right away, offering various services to the academic communities of
their respective campuses and other people who are interested in topics addressed.
Keywords: University libraries - remote activities. University libraries - cultural actions. Libraries - virtual events.
1

Especialista em Gestão de Unidade de Informação. Bibliotecário da UFRA(Campus Capanema) -.
jean.correa@ufra.edu.br.
2
Doutoranda em Economia. Bibliotecária da UFRA(Campus Belém) - leticia.sousa@ufra.edu.br.
3
Mestra em Ciência da Informação (PPGCI/ICSA/UFPA). Bibliotecária da UFRA(Campus Capitão Poço) vanessa.baia@ufra.edu.br
4
Mestranda em Ciência da Informação (PPGCI/ICSA/UFPA). Bibliotecária da UFRA(Campus Capitão Poço) gabriela.ribeiro@ufra.edu.br

�1 INTRODUÇÃO
A pandemia iniciada em 2020 compilou as pessoas ao isolamento social onde o mesmo fez-se
primordial para a contenção do vírus altamente contagioso. Isto fez com que instituições de ensino
remodelassem o formato de aprendizagem, assim como as bibliotecas universitárias (BU). Neste
sentido, as BU tiveram que se adequar ao novo formato, disponibilizando seus serviços
massivamente online. Além disso, várias ações culturais e educativas foram incluídas em suas
programações, todas no formato online, mostrando a diversidade de atividades que podem ser
realizadas por uma biblioteca universitária mesmo que de forma remota.
Neste relato de experiência, apresentar-se-á as atividades desenvolvidas em três das
bibliotecas da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e as mudanças ocorridas na forma
de interagir com o público.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Paula e Silva (2020) fizeram um estudo sobre a atuação das bibliotecas universitárias na
região Norte durante a pandemia e uma das ponderações da pesquisa é que a inovação é um fator
estratégico a ser considerado no aprimoramento dos serviços existentes. Diante dessa perspectiva,
na divulgação das suas atividades, as BU devem utilizar-se de recursos, tais como, os já conhecidos
sites e, agora, com mais intensidade as redes sociais como Sala, Sanches e Brito (2020) concluem
que “as bibliotecas necessitam refletir e adotar posturas inovadoras no acesso à informação” diante
do contexto da pandemia. E é nesse contexto que as bibliotecas da UFRA estabeleceram meios de
desempenhar um trabalho de interação educacional com os seus usuários e de fomentar a cultura
por meio do incentivo do hábito da leitura, utilizando as diversas ferramentas tecnológicas para
melhor satisfação dos usuários em relação aos serviços prestados pelas bibliotecas.
3 RELATO DE CASO
Biblioteca da UFRA campus Capanema
A Biblioteca Universitária da UFRA Campus Capanema desenvolveu durante a pandemia
serviços de informações culturais e educativas para a comunidade acadêmica e à população

�externa à universidade, por meio dos seus canais de comunicação virtuais, tais como: Instagram,
Facebook, Youtube, site e e-mails. Nas redes sociais da biblioteca, por exemplo, são divulgados
informações pertinentes à indicações de leitura para estudo e entretenimento, dicas de filmes, séries
e documentários, cursos gratuitos na internet, fontes de informações confiáveis e normalização de
trabalhos acadêmicos, além de lives temáticas, frases inspiradoras de autores renomados,
declamações de poesias, avisos importantes sobre os serviços e produtos da biblioteca, dentre
outras informações. No serviço de referência virtual convém citar algumas atividades de natureza
cultural e educativa promovida aos usuários, conforme descritos a seguir:
- Evento em alusão a Semana (Virtual) do Livro e da Biblioteca do Campus Capanema. Com o
tema: Biblioteca Universitária: Lugar Democrático de Informação e Socialização do
Conhecimento; Criação do canal no Youtube da biblioteca como mais um meio de comunicação e
interação com o público.
Foi realizada nas redes sociais uma homenagem ao dia internacional da mulher na qual
foram convidadas as mulheres que fazem parte da UFRA Campus Capanema (servidoras e
discentes) para expressarem, em uma breve frase, a reflexão da condição da mulher na sociedade. E
uma promoção em alusão ao dia dos namorados, onde foram enviadas fotos criativas dos casais
participantes e as mesmas foram postadas no perfil do instagram. Ganhou o prêmio o casal com a
foto que recebeu mais curtidas. Além das ações mencionadas, foram ministrados de forma virtual,
via Google meet, minicursos sobre as normas da ABNT para trabalhos acadêmicos e sobre o portal
de periódicos da Capes.
Biblioteca da UFRA campus Belém
O Projeto Bibliobreak é um projeto da Divisão de Referência e Empréstimo da biblioteca
UFRA campus Belém que visa disseminar informações sobre o universo acadêmico de maneira
rápida e descontraída, enquanto os estudantes descansam no horário de intervalo do almoço, isso
quando estava em atendimento presencial. No contexto da pandemia, o projeto continuou de forma
online, com indicações de filmes e séries por meio das redes sociais com a participação da
comunidade acadêmica. (Figura 2).
Servidores e discentes da UFRA foram convidados a fazer recomendações de filmes e estas
foram divulgadas nas redes sociais. Ao todo foram quarenta e oito indicações.

�Biblioteca da UFRA campus Capitão Poço
A Biblioteca Universitária Maria Auxiliadora Feio Gomes (BUMAFG) da UFRA Campus
Capitão Poço comumente promove ações e eventos de cunho cultural, preponderando a temática de
incentivo e ao hábito da leitura. No entanto, aconteceu a pandemia de covid-19 e a BUMAFG se viu
desafiada a seguir com a proposta de fomentar o hábito da leitura no cenário de isolamento social.
E, assim, surgiu o projeto intitulado #SextouLiterário: a literatura de lazer como atividade de
desenvolvimento intelectual, cultural e emocional. Consiste na participação do público em geral que
envia os seus vídeos espontâneos e curtos (com duração máxima de sessenta segundos) fazendo a
indicação de uma obra literária como sugestão de entretenimento para o final de semana. Deste
modo, todas às sextas-feiras, sempre a partir das dezoito horas, a BUMAFG apresenta o post
“Sextoouu!” no feed da rede social Instagram (@bibliotecaufraccp).
O projeto também insere as crianças como motivadoras do público infanto-juvenil e
inspiradoras para os demais. Diante disso, as crianças colaboradoras do #SextouLiterário
participaram do evento online em alusão ao dia nacional do livro infantil no formato de contação de
histórias. Na oportunidade, fora homenageado o escritor Monteiro Lobato, assim, as crianças e o
público que acompanhava a transmissão pelo canal no Youtube, puderam se divertir com a Emília e
sua turma. Em junho do ano corrente o projeto completou um ano de execução e para comemorar
realizamos um evento online - I ano do #SextouLiterário: a influência da leitura na vida das pessoas
- transmitido ao vivo pelo canal da biblioteca no YouTube (Biblioteca UFRA Capitão Poço), nos
moldes de uma roda de conversa discutimos sobre a experiência do primeiro contato com a leitura.
Atualmente, o projeto soma um total de sessenta e oito vídeos enviados com indicações de obras
literárias de lazer.

�Fonte: Arquivos das Bibliotecas da UFRA (2021)

4 METODOLOGIA
A metodologia utilizada na construção deste relato de experiência foi por meio da utilização
de pesquisa documental e revisão bibliográfica, a fim de registrar os relatos experienciados pelas
bibliotecas da UFRA.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do contexto da pandemia, novos formatos de serviços passaram a ser oferecidos com
auxílio das ferramentas tecnológicas, possibilitando a continuidade do atendimento mesmo em
tempo de isolamento. Neste sentido, as bibliotecas universitárias ao se readequarem a esse novo
formato buscaram oferecer diversos serviços educativos e culturais com o intuito de dar suporte a
comunidade acadêmica mesmo à distância.
REFERÊNCIAS
PAULA, Rejane Sales de Lima; SILVA, Elaine; WOIDE, Luana Maia. A inovação nas bibliotecas
universitárias em tempo de pandemia da região norte do Brasil. Revista Digital de
Biblioteconomia
e
Ciência
da
Informação.
Disponível
em
:
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8661184/23300. Acesso em: 20
set. 2021.
SALA, Fabiana; LOPES; Fernando Cruz; SANCHES, Gisele Aparecida Ribeiro; BRITO, Tânia
Regina de. Bibliotecas universitárias em um cenário de crise mediação da informação por meio das
redes sociais durante a pandemia de COVID-19. Revista Informação em Pauta, Fortaleza (CE), v.
5, n. 1, p. 10-32, jan./jun. 2020. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/52754.
Acesso em: 20 set. 2021.

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                    <text>Eixo 1 - Tradição
BIBLIOTECONOMIA EDUCATIVA: A EXPERIÊNCIA DE LEITURAS, DEBATES E
DISCUSSÕES A PARTIR DE TEMÁTICAS TRANSVERSAIS NA CASA DA LEITURA, IFPI –
CAMPUS FLORIANO
EDUCATIONAL LIBRARY: THE EXPERIENCE OF READINGS, DEBATES AND DISCUSSIONS
BASED ON TRANSVERSALS THEMES AT CASA DA LEITURA, IFPI – CAMPUS FLORIANO
Andreina Alves de Sousa Virginio 1
Roberta Kellen Borges de Oliveira 2

Resumo: O projeto “Encontros transversais: leituras, debates e discussões” teve como objetivo abordar diferentes
temáticas, com base nos temas transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), como:
ética, meio ambiente, educação sexual, saúde, cidadania, entre outros. As dinâmicas das leituras, debates e
discussões foram realizadas tendo como meio, diferentes gêneros textuais, a saber: contos, poesias, crônicas,
músicas, fotografias, charges, filmes, documentários, que compõem o acervo da Biblioteca e Casa da Leitura do
IFPI – Campus Floriano. Cada encontro partiu de um debate, ancorado por mediadores e convidados em torno de
determinado tema, avançando pela leitura sobre a temática abordada, discussão e reflexão do assunto, seguidos
por produção de atividades, divulgação e avaliação do encontro. O projeto foi aberto para o número de 30 (trinta)
participantes, com duração de 03 (três) meses, e contou com uma carga horária de 08 horas semanais. Os
encontros aconteceram na Casa da Leitura, IFPI – Campus Floriano e resultaram em ciclos de discussões
dialógicas com estímulos na participação, escuta e negociações, fundamentando o caráter educativo, social e
cultural da biblioteca.
Palavras-chave: Biblioteca – Temas transversais. Biblioteconomia educativa. Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs).

Abstract: The project "Transversals Encounters: readings, debates and discussions" aimed to address different
themes, based on the transversals themes proposed by the National Curriculum Parameters (PCNs), such as:
ethics, environment, sexual education, health, citizenship, among others . The dynamics of readings, debates and
discussions were carried out using different textual genres as a medium, namely: short stories, poetry, chronicles,
songs, photographs, cartoons, films, documentaries, which make up the collection of the Library and Casa da
Leitura of IFPI - Campus Floriano. Each meeting was based on a debate, anchored by mediators and guests
around a certain theme, advancing by reading about the topic addressed, discussion and reflection on the subject,
followed by the production of activities, dissemination and evaluation of the meeting. The project was open to a
number of 30 (thirty) participants, lasting 03 (three) months, and had a workload of 08 hours per week. The
meetings took place at Casa da Leitura, IFPI – Campus Floriano and resulted in cycles of dialogic discussions
with stimuli for participation, listening and negotiations, supporting the educational, social and cultural nature of
the library.
Keywords: Library – Transversals themes. Educational library. National Curriculum Parameters (PCNs).
1

Doutoranda em Ciência da Informação (USP). Instituto Federal do Piauí – Campus Floriano. E-mail:
andreina@ifpi.edu.br
2
Especialista em Biblioteconomia (FIJ). Instituto Federal do Piauí – Campus Floriano. E-mail:
robertaborges@ifpi.edu.br

�1 INTRODUÇÃO
O projeto “Encontros transversais: leituras, debates e discussões” foi uma iniciativa da
Biblioteca e da Casa da Leitura do IFPI – Campus Floriano e teve como intuito tratar,
dialogicamente, de assuntos pertinentes a sociedade tendo como fito o aprofundamento, o debate e
as negociações em busca de uma discussão consciente e crítica, necessárias e urgentes na
contemporaneidade.
Sabendo que os temas transversais são trabalhados pelos professores no cotidiano da sala de
aula e que incorporam a dinâmica do fazer pedagógico numa perspectiva interdisciplinar, conforme
recomenda os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (BRASIL, 1998), a Biblioteca e Casa da
Leitura, numa iniciativa pautada no caráter educativo destes espaços, articularam encontros onde
alunos de licenciatura e demais interessados puderam experienciar momentos de entrelaces
dialógicos no espaço simbólico e significativo da Casa da Leitura.
Nesse sentido, os espaços biblioteconômicos do IFPI – Campus Floriano, abriram caminhos
necessários para propor novas perspectivas para o sentido de biblioteca ao passo em que criaram
oportunidades para explorar diferentes formas de significar tais espaços. Diante disso, ao conceber
o projeto “Encontros transversais: leituras, debates e discussões” buscamos: a) Estimular o interesse
dos participantes pelos diferentes problemas em torno das temáticas propostas, que atingem a
sociedade; b) Buscar soluções, ações positivas e transformadoras do contexto social; c) Ajudar a
desenvolver os diferentes valores humanos, éticos e morais que venham a contribuir para a
formação de uma consciência cidadã; d) Formar lideranças na comunidade que atuem como
protagonistas e agentes transformadores da realidade; e) Significar o espaço da biblioteca,
fomentando-o como lócus educativo, dialógico e cultural frente as demandas sociais.

2 MÉTODO

A metodologia proposta foi, eminentemente, colaborativa. Para Ibiapina (2008) na pesquisa
colaborativa, o pesquisador sai de sua centralidade, de geração dos saberes, para tornar-se
coparticipante no processo. Sobre isso, Virginio (2018) aponta que o viés colaborativo

�implica em uma postura de pesquisa que considere, sobremaneira, o outro
com seus saberes e experiências. Desta forma, entendemos a pesquisa colaborativa
como meio de construção participativa do conhecimento, a partir de uma posição
cuja mutualidade entre os partícipes é a mola propulsora para o desenvolvimento
da investigação (VIRGINIO, 2018, p. 67).

Atrelado a isto, o desenvolvimento metodológico pautou-se em três prerrogativas propostas
por Desgagné (2007) para pesquisas colaborativas: a) co-construção de um objeto de conhecimento;
b) atividade de produção de conhecimento e; c) como meio de mediação entre o pesquisador e um
determinado contexto.
A partir deste entendimento, a proposta dos encontros foi feita apoiada a uma perspectiva
intersemiótica na usabilidade de diferentes gêneros textuais: contos, crônicas, poesia, fotografias,
documentários, filmes, jornais, música, cartazes, charges, quadrinhos etc, nos seus variados
suportes, tendo por base o acervo da Biblioteca e Casa da leitura.
A cada encontro, um convidado especializado na temática, “apertava o botão para engrenar
as rodas”, que por sua vez, viabilizava o avanço pelas etapas de exposição do tema proposto, leitura,
interpretação e reflexão do assunto abordado, buscando ouvir as opiniões dos participantes e suas
relações com outras leituras. Após desenvolvimento de cada temática, foram realizadas atividades
desenvolvidas pelos participantes, como: produção de texto, cartazes, folhetos informativo,
dinâmicas e/ou jogos, tendo por base o tema explorado. Os trabalhos produzidos foram divulgados
no pátio do IFPI-Floriano e compartilhados nas salas de aula numa dinâmica cíclica. A realização
das atividades seguiram as seguintes etapas: a) Introdução ao tema proposto – informações básicas
do tema a ser discutido naquele encontro; b) Exposição do tema abordado através de texto escrito
ou audiovisual; c) Reflexão e debate acerca do assunto proposto – nesse momento o mediador teve
o papel de despertar os participantes para a compreensão da questão abordada e extrair do grupo
suas impressões e considerações sobre o tema; d) Atividades diversas sobre a temática abordada –
que pode ser dinâmica de grupo para interação, descontração ou reflexão para os participantes, bem
como para intensificar os conceitos trabalhados no encontro; e) Atividades de produção, seja de
texto escrito, desenho, folders, cartazes, pintura, etc.; g) Divulgação da produção: os participantes
(em grupos temáticos) foram convidados para compartilhar e expor seus trabalhos com os demais
grupos nos murais e/ou pátio e salas de aula do IFPI-Floriano; h) Avaliação: o grupo avaliou como

�foi o encontro, as atividades realizadas, as dúvidas, o que aprenderam, o que gostaram e o que não
gostaram e propor sugestões para os próximos encontros.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O giro de cada roda viabilizou um entrelaçamento de ideias, discussões e negociações
extremamente ricas e significativas, vindas das seguintes direções: a) Educação sexual: mudanças
físicas; necessidade do respeito à condição de adolescente; crise dos papéis sociais; primeira
experiência sexual; Infecções Sexualmente Transmissíveis; b) droga: tabagismo alcoolismo drogas
ilícitas prevenção, recuperação e tratamento; c) questão do gênero: feminicídio, machismo,
homofobia e cultura do patriarcado; d) suicídio, focando as causas e prevenção; e) religião e suas
correntes: umbanda e candomblé espiritismo protestantismo catolicismo budismo ateísmo com foco
no respeito a diversidade; f) Ética, abordando os pontos: moral, honestidade, ciência e corrupção; g)
Cultura: miscelâneas, tendo foco nos aspectos: racismo preconceito intolerância diversidade cultural
cotas (ações afirmativas) e h) Meio Ambiente, focando os seguintes aspectos: água, desequilíbrio
ecológico, lixo, sociedade moderna de consumo, preservação ambiental, poluição, percepção
ambiental e energias renováveis.

4 CONCLUSÕES

Consideramos, de modo bem particular, que a experiência discursiva no ambiente da
biblioteca viabilizou trocas, negociações e aprendizagens para além dos paradigmas Templum (da
conservação cultural) e Emporium (da difusão cultural)3 tão emblemáticos para o dispositivo
biblioteca.
A oralidade, muitas vezes interditada nas bibliotecas, foi aqui acolhida e ressignificada de
modo a integrar todos os suportes já organizados, com objetivo de construir conhecimento na
3

Os paradigmas Templum, Emporium e Forum foram desenvolvidos pelos professores: Edmir Perrotti e
Ivete Pieruccini do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação ECA/USP, em especial junto ao
Grupo de Pesquisa em Biblioeducação – GPEB (USP)

�coletividade e nos conflitos que surgem, naturalmente, nas relações humanas. Isto implica pensar a
biblioteca como instância educadora e protagonizadora, tendo no paradigma Fórum (da
comunicação cultural) uma vertente importante para o desenvolvimento da democracia cultural e
para a valorização da mediação como meio expressivo em direção ao caráter interdisciplinar,
sociointeracionista e dialógico desta biblioteca pautada no fazer bibliotecário educativo.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e
quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ttransversais.pdf.
Acesso em 10 out. 2021.
DESGAGNÉ, Serge. O conceito de pesquisa colaborativa: a ideia de uma aproximação entre
pesquisadores universitários e professores práticos. Revista Educação em Questão, Natal, v. 29, n.
15, p. 7-35, maio/ago.2007. Disponível em:
https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/article/view/4443/3629. Acesso em: 15 jul. 2016.
IBIAPINA, Ivana Maria L. de M. Pesquisa colaborativa: investigação, formação e produção de
conhecimentos. Brasília: Líber Livro Editora, 2008.
PERROTTI, Edmir; PIERUCCINI, Ivete. Mediação Cultural: um modelo epistêmico, além das
práticas, 2020. Power Point apresentado na disciplina Mediação Cultural: teoria e prática, do
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação ECA/USP, período 2020.2.
VIRGINIO, Andreina Alves de Sousa. Biblioteca, oralidade e conhecimento: uma contribuição
aos estudos de mediação e apropriação cultural. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciência da
Informação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.
Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-25072018-153201/pt-br.php.
Acesso em: 10 out. 2021.

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                <text>O projeto “Encontros transversais: leituras, debates e discussões” teve como objetivo abordar diferentes temáticas, com base nos temas transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), como: ética, meio ambiente, educação sexual, saúde, cidadania, entre outros. As dinâmicas das leituras, debates e discussões foram realizadas tendo como meio, diferentes gêneros textuais, a saber: contos, poesias, crônicas, músicas, fotografias, charges, filmes, documentários, que compõem o acervo da Biblioteca e Casa da Leitura do IFPI – Campus Floriano. Cada encontro partiu de um debate, ancorado por mediadores e convidados em torno de determinado tema, avançando pela leitura sobre a temática abordada, discussão e reflexão do assunto, seguidos por produção de atividades, divulgação e avaliação do encontro. O projeto foi aberto para o número de 30 (trinta) participantes, com duração de 03 (três) meses, e contou com uma carga horária de 08 horas semanais. Os encontros aconteceram na Casa da Leitura, IFPI – Campus Floriano e resultaram em ciclos de discussões dialógicas com estímulos na participação, escuta e negociações, fundamentando o caráter educativo, social e cultural da biblioteca.</text>
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                    <text>Eixo 1 – Tradição
BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DA ASSOCIAÇÃO DE MULHERES RENDEIRAS DE
PETROLINA-PE: PROJETO DE EXTENSÃO SIBI UNIVASF
COMMUNITY LIBRARY OF THE ASSOCIATION OF WOMEN LACE-MAKERS OF PETROLINAPE: UNIVASF SIBI EXTENSION PROJECT
Jaqueline Silva de Souza1
Ana Paula Lopes da Silva2
Lucídio Lopes de Alencar 3
Louise Machado Freire Dias 4
Adriana Santos Magalhães 5

Resumo: O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf)
realiza projetos de extensão no âmbito de suas unidades de informação com objetivo de incentivar à leitura e à
cultura, buscando constante interação com sua comunidade externa. No ano corrente, em parceria com o Núcleo
Temático de Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido da Univasf, o SIBI desenvolve um projeto de apoio à
estruturação de bibliotecas comunitárias, sendo alvo desta ação a Associação Mulheres Rendeiras de Petrolina-PE.
Desse modo, o presente paper procura apresentar o relato de experiência da proposta de implantação da Biblioteca
da Associação Mulheres Rendeiras de Petrolina, ainda em curso, devido as restrições impostas pela pandemia.
Dessa forma, os resultados parciais apontam a necessidade de bibliotecas comunitárias que promovem a formação
de leitores, com políticas internas associadas a atividades de ação cultural, sobretudo em bairros em estado de
vulnerabilidade social, que a população raramente tem acesso a informações e cultura. As considerações finais
endossam a importância da continuidade desse projeto estendendo para outras cidades que possuam campus da
Univasf.
Palavras-chave: Extensão Universitária; Biblioteca Comunitária; Associação de Mulheres Rendeiras de
Petrolina.
Abstract: The Integrated Library System of the Federal University of São Francisco Valley (SIBI/Univasf)
carries out extension projects within the scope of its information units in order to encourage reading and culture,
seeking constant interaction with its external community. In the current year, in partnership with the Thematic
Center of Dynamics of Development of the Semi-arid of Univasf, SIBI is developing a project to support the
structuring of community libraries, and the target of this action is the Association of Women Farmers of PetrolinaPE. Thus, the present paper seeks to present the experience report of the proposed implementation of the library of
the Associação Mulheres Rendeiras de Petrolina, still in progress due to the restrictions imposed by the pandemic.
Thus, the partial results point to the need for community libraries that promote the formation of readers, with
internal policies associated with cultural action activities, especially in neighborhoods in a state of social
vulnerability, where the population rarely has access to information and culture. The partial considerations
endorse the importance of continuing this project and extending it to other cities with Univasf campuses.
Keywords: University Extension; Community Library; Association of Women Rendeiras of Petrolina.

Universidade Federal do Vale do São Francisco. jaqueline.souza@univasf.edu.br
Universidade Federal do Vale do São Francisco. paula.lopess@univasf.edu.br
3 Universidade Federal do Vale do São Francisco. lucidio.alencar@univasf.edu.br
4 Universidade Federal do Vale do São Francisco. louise.dias@univasf.edu.br
5 Universidade Federal do Vale do São Francisco. adriana.magalhães@univasf.edu.br
1

2

�1 INTRODUÇÃO
A Associação de Mulheres Rendeiras, localizada no bairro José e Maria, na cidade de
Petrolina-PE, foi fundada em 1999, por um grupo de mulheres, que buscavam uma alternativa para
ampliar os recursos financeiros para sustento das famílias. O projeto tem como principal alvo as
donas de casa, que são chefes de família e desempregadas, que precisam ficar em casa para cuidar
dos filhos. A instituição também tem como objetivo discutir sobre os direitos e deveres das
mulheres, buscando refletir sobre seu papel na sociedade, nesse sentido, realiza atividades que
visam ao empoderamento feminino e a elevação da autoestima. Em grupo, elas desenvolvem cursos
de bordados, artesanato, culinária e outros, trabalhando sempre as questões da cidadania e
conscientização de seu papel na sociedade atual.
Essa destaca-se na área do empreendedorismo, por ganhar vários premios e por ter
reconhecimento e respeito nos meios de comunicação nacional e internacional. Em 2013, a
Associação recebeu visitas de jovens alemães que participaram da Jornada Mundial da Juventude
no Rio de Janeiro e passou, desta forma, para os limites internacionais de divulgação do trabalho
surgido a partir da ideia de donas de casa, que procuravam se fortalecer e buscar saída para as
dificuldades geradas pelas questões sociais do Brasil. O espaço onde funciona a Associação foi
cedido pela Prefeitura de Petrolina, e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco
e do Parnaíba (Codevasf) juntamente com a Universidade Federal do Vale do São Francisco
(Univasf) conseguiram recursos e construíram a estrutura do prédio atual.
A Univasf é uma grade parceira da Associação e durante anos o seu Núcleo Temático de
Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido da Univasf realiza diversos projetos com as rendeiras
de Petrolina-PE. Desse modo, o SIBI Univasf visando propiciar o acesso à informação e o incentivo
a formação de leitores do bairro José e Maria, desenvolveu essa proposta de implantação da
Biblioteca Comunitária das Rendeiras. Assim, o objetivo do presente relato é apresentar a proposta
de implantação da Biblioteca Comunitária da Associação de Mulheres Rendeiras de Petrolina.
Os resultados parciais revelam a necessidade de bibliotecas comunitárias que promovem a
formação de leitores, com políticas internas associadas a atividades de ação cultural, sobretudo em
bairros em estado de vulnerabilidade social, que a população raramente tem acesso a informações
e cultura.

�As considerações finais autorizaram a importância da continuidade desse projeto
estendendo para outras cidades que possuam campus da Univasf.
2 MÉTODO
 PRIMEIRA ETAPA – DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
Etapa relacionada ao diagnóstico, nessa foram realizadas diversas reuniões de forma
remota com a equipe do SIBI Univasf e os responsáveis pela Associação Mulheres Rendeiras, com
o intuito de realização do diagnóstico organizacional e avaliação da unidade, para assim planejar as
atividades da serem desenvolvidas.


SEGUNDA ETAPA – CAPACITAÇÃO EQUIPE
Essa etapa está relacionada à intervenção organizacional. Realização de Capacitação para

orientar os integrantes e colaboradores da Associação sobre as atividades necessárias à implantação
e funcionamento de uma biblioteca.


TERCEIRA ETAPA – CAPITAÇÃO DE RECURSOS
Etapa de subimissões de propostas em editais de fomento, para provimento de recursos que

custeem a instituição na implantação da biblioteca e assim auxiliar a retomada das atividades
presencias.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
 PRIMEIRA ETAPA – DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
No diagnóstico organizacional foi identificado que o acervo da biblioteca possui aproximadamente
1.943 exemplares, incluindo livros, materiais didáticos e cartilhas educativas, que estão dispostas
em 5 estantes de aço.

�Figura 1- Sala de leitura da Associação

Fonte: Associação de Mulheres Rendeiras.

O material encontra-se sem nenhum tipo de registro para controle do acervo, não há sistema
de classificação e organização das obras que estão dispostas de forma desordenada nas estantes. A
biblioteca não dispõe de sistema de gerenciamento para informatização do acervo, controle de
usuários e serviço de circulação (empréstimos, devoluções, etc.)
Percebe-se ainda que não há ações de preservação e conservação do acervo, as obras, bem
como estantes e espaço encontram-se sem limpeza, higienização, ventilação adequada. os livros
estão dispostos uns sobres os outros facilitando sua deterioração.


SEGUNDA ETAPA – CAPACITAÇÃO EQUIPE
A Capacitação buscou orientar os integrantes e colaboradores da Associação sobre as

atividades necessárias à implantação e funcionamento de uma biblioteca. Foi realizado um
minicurso de maneria remota, devido ao momento pandemico da COVID-19. Esse abordou
conteúdos referentes a história dos livros e das bibliotecas, as rotinas administrativas no âmbito das
bibliotecas, divididos em quatro módulos, pensado com base em cursos de Auxiliar de Biblioteca,
tendo o conteúdo programático adaptado à realidade do projeto.
O minicurso foi realizado nos dias 16 e 17 de agosto de 2021, na modalidade a distância
por meio da Plataforma Google Meet, com aulas ministradas pela equipe do SIBI Univasf
responsável por auxiliar no projeto de organização da biblioteca, aos integrantes do quadro de
pessoal que atuam na biblioteca da referida associação, aos alunos e colaboradores do projeto. O
objetivo do treinamento foi capacitar a equipe responsável pelo setor na Associação das Mulheres
Rendeiras do Vale, orientando sobre as atividades necessárias para a organização e funcionamento

�da biblioteca.


TERCEIRA ETAPA – CAPITAÇÃO DE RECURSOS
Foi submetida uma proposta no mês de setembro do ano corrente ao edital do Itaú social:

Comunidade, Presente! Edital 2º SemestrePARTICIPANTE ASSOCIACAO DAS MULHERES RENDEIRAS DO BAIRRO JOSE
E MARIA.
Figura 2- Logo do Projeto Itaú Social

Fonte: site do Itaú: https://www.itausocial.org.br/editais/ em 18/10/21.

Tendo em vista os aspectos observados, a presente proposta apresentou dificuldades e
limitações durante a sua execução, devido às limitações correspondentes ao cenário da pandemia do
novo coronavírus (SARS-Cov-2). Desse modo, o planejamento para a retomada das atividades
presencias está em processo, para assim realizamos os próximos passos da implantação.
Os resultados parciais revelam a necessidade de bibliotecas comunitárias que promovem a
formação de leitores, com políticas internas associadas a atividades de ação cultural, sobretudo em
bairros em estado de vulnerabilidade social, que a população raramente tem acesso a informações
e cultura.
4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As bibliotecas comunitárias são fundamentos, pois promovem a formação de leitores, com
políticas internas associadas a atividades de ação cultural, sobretudo em bairros em estado de
vulnerabilidade social, que a população raramente tem acesso a informações e cultura.
Botelho (2012) indica que muitas pessoas, moradoras de comunidades periféricas,
desconhecem diversos dispositivos culturais oferecidos pelas bibliotecas comunitárias. Essas nunca
tiveram acesso a cinema, teatro, museu e livros.

�Assim, as bibliotecas comunitárias transformam de forma positiva a vida de crianças, jovens
e adultos, muitas vezes sem acesso ao processo de aprendizagem expostas a vulnerabilidade social.
Em virtude do que foi mencionado, as considerações finais endossam a importância da
continuidade desse projeto estendendo para outras cidades que possuam campus da Univasf.
REFERÊNCIAS
ALVES, Mariana de Souza. Biblioteca comunitária: conceitos, relevância cultural e políticas.
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 16, p. 1-29, 2020. Disponível em:
http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/135660. Acesso em: 30 jul. 2021.
BOTELHO, Cristian do Nascimento. A formação do bibliotecário e as bibliotecas comunitárias.
Informe, Recife. V. 1, n. 1, p. 50-64. 2012. Disponível em:
http://www.repositorios.ufpe.br/ojs2/index.php/informe/article/viewFile/15/288. Acesso em: 16 out.
2021.
FOLHETO para a criação de bibliotecas comunitárias auto-geridas. Programa de ensino, pesquisa e
extensão A Tela e Texto; Setor de bibliotecas comunitárias. [2010?]. Disponível em:
http://www.letras.ufmg.br/atelaeotexto/folheto_biblioteca.pdf. Acesso em 24 jul. 2021.
GUEDES, Roger de Miranda. Bibliotecas comunitárias e espaços públicos de
informação. [20--?]Disponível em:
https://www.ufmg.br/proex/cpinfo/cultura/docs/11a_Bibliotecas_comunitarias__Roger_Guedes.pdf. Acesso em: 29 jul. 2021.
HORTA, Nicole Marinho; ROCHA, Felipe Santiago Flores. Bibliotecas comunitárias: organização
sociocultural e instrumento para a democratização do acesso à informação e para a valorização
cultural. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 13, n. esp. CBBD 2017.
Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/891. Acesso em: 29 jul. 2021.
ILVA, Ana Pricila Celedonio da; CAVALCANTE,Lídia Eugenia; COSTA, Maria de Fátima
Oliveira. O dialogo entre biblioteca e comunidade : um estudo de caso acerca do perfil e das
percepções dos usuários das bibliotecas comunitárias de itaitinga, ceará. Perspectivas em Ciência
da Informação, v. 23, n. 1, p. 39-54, 2018. Disponível em:
http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/36847. Acesso em: 04 ago. 2021.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>Biblioteca Comunitária da Associação de Mulheres Rendeiras e Petrolina-PE: projeto de extensão da UNIVASF.</text>
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                <text>Souza, Jaqueline Silva de, Silva, Ana Paula Lopes da, Alencar, Lucídio Lopes de, Dias, Louise Machado Freire, Magalhães, Adriana Santos </text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Resumo: O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf) realiza projetos de extensão no âmbito de suas unidades de informação com objetivo de incentivar à leitura e à cultura, buscando constante interação com sua comunidade externa. No ano corrente, em parceria com o Núcleo Temático de Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido da Univasf, o SIBI desenvolve um projeto de apoio à estruturação de bibliotecas comunitárias, sendo alvo desta ação a Associação Mulheres Rendeiras de Petrolina-PE. Desse modo, o presente paper procura apresentar o relato de experiência da proposta de implantação da Biblioteca da Associação Mulheres Rendeiras de Petrolina, ainda em curso, devido as restrições impostas pela pandemia. Dessa forma, os resultados parciais apontam a necessidade de bibliotecas comunitárias que promovem a formação de leitores, com políticas internas associadas a atividades de ação cultural, sobretudo em bairros em estado de vulnerabilidade social, que a população raramente tem acesso a informações e cultura. As considerações finais endossam a importância da continuidade desse projeto estendendo para outras cidades que possuam campus da Univasf.</text>
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                    <text>EIXO 3 - INOVAÇÕES
DA AÇÃO CIDADÃ ÀS REDES SOCIAIS CIENTÍFICAS: A CIÊNCIA ABERTA COMO
CAMINHO PARA A DIFUSÃO CIENTÍFICA NA UEPB
FROM CITIZEN ACTION TO SCIENTIFIC SOCIAL NETWORKS: OPEN SCIENCE AS A PATH
TO SCIENTIFIC DISSEMINATION IN UEPB
Danielle Harlene da Silva Moreno 11
Liliane Braga Rolim Holanda de Souza 22
Juliana Ferreira Marques 33
Gabrielle Torres de Lima 44
Douglas Nascimento de Santana 55

Resumo: Utilizada pela humanidade para explicar fenômenos que possibilitaram a evolução da sociedade, a
ciência desenvolveu-se e ressignificou práticas adequando-se às tecnologias da informação e comunicação e aos
ideais de transparência e colaboração demandados por essa realidade que o conhecimento científico ajudou a
construir. Nesse contexto, enquanto espaços informacionais que possibilitam a aproximação entre o conhecimento
e os sujeitos informacionais, as bibliotecas universitárias consolidam-se como espaço profícuo para a difusão
científica. A partir disso, no âmbito do campus V da Universidade Estadual da Paraíba, utilizando o arcabouço
teórico-metodológico da ciência aberta, foi realizada a ação de extensão “Nas trilhas da difusão científica: a
visibilidade dos projetos do campus V da Universidade Estadual da Paraíba”, que visava difundir as iniciativas de
ensino, pesquisa e extensão dos cursos do campus da UEPB em João Pessoa. Esse trabalho colaborativo, de
partilha do conhecimento possibilitou uma aproximação entre o conhecimento científico e a comunidade.
Palavras-chave: Difusão científica. Ciência aberta. Comunicação científica. Projetos acadêmicos.
Abstract: Used by humanity to explain phenomena that enabled the evolution of society, science has developed
and given new meanings to practices adapting to information and communication technologies and to the ideals of
transparency and collaboration demanded by this reality that scientific knowledge has helped to build. In this
context, as informational spaces that enable the approximation between knowledge and informational subjects,
university libraries are consolidated as a useful space for scientific diffusion. From this, within the scope of
campus V of the State University of Paraíba, using the theoretical-methodological framework of open science, the
extension action “On the paths of scientific diffusion: the visibility of projects on campus V of the State
University of Paraíba” was carried out ”, which aimed to spread the initiatives of teaching, research and extension
courses on the UEPB campus in João Pessoa. This collaborative work, sharing knowledge, made it possible to
bring scientific knowledge closer to the community.
Keywords: Scientific diffusion. Open science. Scientific communication. Academic projects.

1

Mestre em Ciência da Informação. UEPB. danielleharlene@gmail.com.
Doutoranda em Ciência da Informação. UEPB. lilianebragas@gmail.com.
3
Doutoranda em Ciência da Informação. UEPB. julifmarques@gmail.com.
4
Aluna de Arquivologia. UEPB. gabtorres114@gmail.com.
5
Aluno de Arquivologia. UEPB. douglasnascimento1877@gmail.com.
2

�1 INTRODUÇÃO
Resultado de um conjunto de conhecimentos falíveis e verificáveis produzidos por meio de
uma atividade racional, sistemática e metódica sobre um dado objeto e/ ou realidade, a ciência é
utilizada pelo homem desde os primórdios para elucidar questões e explicar fenômenos que o
permitam dominar o mundo e viver nele. Ao longo de seu desenvolvimento o conhecimento
científico adaptou-se ao campo social no qual esteve inserido e buscou atender às demandas
características de cada tempo, ganhando novos escopos de atuação, construindo e desconstruindo
conceitos, abrindo caminhos para evoluções, revoluções, rupturas.
Nesse sentido, com a produção de dados em larga escala e consequente preocupação com a
transparência e o acesso a esse conteúdo surgiu um termo que, segundo Silva, Ramalho e Garcia
(2019) envolve movimentos e abordagens que direcionam e ampliam produtos, tecnologias,
processos, habilidades e conhecimentos, de forma colaborativa e aberta, o conceito de Ciência
Aberta.
Ainda em desenvolvimento do ponto de vista ontológico e epistemológico, a Ciência Aberta é
identificada por Ribeiro (2020) como um movimento guarda-chuva que pode ser ilustrado a partir
de vertentes como “Acesso Aberto”, “Educação Aberta”, “Recursos Educacionais Abertos” “Dados
Abertos”, “Código Aberto”, “Softwares Livres”, “Ciência Cidadã”, entre outros. Fernandéz e
Tarragó (2018, p. 4) destacam que:

Este é um conceito complexo, ainda em construção, mas que implica em mudanças nos
comportamentos e nas práticas dos pesquisadores com relação a como se investiga e se
comunica na ciência. Nessa nova visão, a Ciência Aberta representa um esforço consciente
de investigar e comunicar com maior transparência e colaboração de maneira a 5
potencializar a reprodutibilidade dos resultados, a circulação e o reuso da informação e dos
dados para criar uma ciência de mais qualidade.

Diante disso, ao refletir sobre o papel social das universidades no sentido de desenvolver
iniciativas que as aproximem da sociedade a partir do conhecimento que produzem, e no intuito de
produzir ações que, no contexto da extensão universitária, possam evocar o verdadeiro potencial de
construção coletiva e colaborativa que a ciência aberta traduz. Ainda no contexto universitário nos
permite pensar a imprescindibilidade da biblioteca no desenvolvimento do conhecimento científico,
a partir dos processos de gestão da informação - particularmente aqui os de disseminação e
divulgação da informação - necessários para que a comunicação científica funcione adequadamente
para a construção de da ciência, surgiu o projeto “Nas trilhas da difusão científica: a visibilidade
dos projetos do campus V da Universidade Estadual da Paraíba”.

�2 MÉTODO
Esta iniciativa foi realizada no campus V da Universidade Estadual da Paraíba, localizado em
João Pessoa que, embora tenha sido criado em 2006 e contar, atualmente, com três cursos de
graduação (Arquivologia, Ciências Biológicas e Relações Internacionais), um curso de pósgraduação (Relações Internacionais), e um Núcleo de Línguas, que juntos contam com mais de 1
mil alunos envolvidos em iniciativas de ensino, pesquisa e extensão, ainda é pouco conhecido na
região onde está inserido.
Com projetos nas áreas de comunicação, saúde, educação, cidadania, empreendedorismo,
ecologia, sustentabilidade, tecnologia, cultura, entre outras, o Centro de Ciências Biológicas e
Sociais Aplicadas tem se destacado em editais de fomento regionais, nacionais e internacionais, e
ultrapassado os limites territoriais que o cercam, produzindo ciência e tecnologia nos mais variados
campos do conhecimento. Mas, ainda assim, sobretudo no âmbito da comunidade paraibana, ainda
havia a necessidade de difusão do conhecimento produzido no local.
Diante disso, a partir de fevereiro de 2020 até o presente momento o projeto desenvolveu-se,
inserido na linha de atuação voltada à divulgação científica e tecnológica e orientado pelo
arcabouço da Ciência Aberta, sobretudo no que concerne aos pilares de ciência cidadã, uma vez
que, tal iniciativa conta com a participação e envolvimento da comunidade nas atividades, e redes
sociais científicas, que são fomentadas a partir dos laços que se estabelecem entre pesquisadores de
setores e departamentos diversos do Campus V da UEPB.
Além de bibliotecárias, a ação conta com a contribuição de uma assessora de comunicação,
um arquivista e estudantes de Arquivologia que operacionalizam as atividades utilizando
plataformas como Google Meet, para reuniões, Instagram, para a realização de lives/eventos
semanais de difusão científica e debates de temas relacionados aos programas e projetos, e sites
institucionais, que também foram vias de divulgação das atividades para a comunidade.
A perspectiva de desenvolvimento desta pesquisa, de acordo com Vergara (2000), poderia
ser definido com metodologia aplicada, por ter uma finalidade prática: com a realização de eventos
de disseminação e divulgação dos projetos vinculados ao CCBSA/UEPB, proporcionando o
desenvolvimento junto à comunidade da reflexão e do debate sobre os temas relacionados aos
programas/projetos, pode-se avaliar os resultados das ações com os dados coletados após as
atividades para a aplicação para o próximo ano de execução do projeto.

�3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram realizados eventos como a recepção dos calouros, na qual foi promovida pelo projeto
uma exposição de banners dos trabalhos já desenvolvidos e premiados na mostra científica realizada
anualmente no câmpus V e uma mesa redonda que nos permitiu a reflexão e o desenvolvimento de
debates sobre a atuação dos bolsistas premiados dos programas e projetos. Com pandemia de covid19 foi preciso reajustar as ações. Passamos a utilizar o Instagram para a continuidade dos eventos,
porém em formato de lives no perfil Ciência Aberta UEPB (@cienciaabertauepb) com os programas
e projetos do campus V. Sempre que concluídas as atividades, realizamos reuniões para análise e
sua reorganização, priorizando o grau de satisfação e os pontos a serem otimizados para a realização
das demais ações.
Diante disso, realizamos ao todo, oito transmissões ao vivo com um total de 1.481
visualizações; oficinas de formação voltadas, sobretudo à base teórico-conceitual desta iniciativa:
“Ciência Aberta”; e, em 2021, a iniciativa foi ampliada com a proposta do programa “Da ação
cidadã às redes sociais científicas: os laços e possibilidades da Ciência Aberta na UEPB”, que reúne
projetos com a atuação de bibliotecárias, arquivista e assessora de comunicação voltados à fortalecer a
difusão científica e promover a comunicação institucional, a transparência de dados institucionais e a
competência informacional.
4 CONCLUSÕES
Nesse sentido, entendemos que o projeto nas trilhas da difusão científica segue rendendo
frutos e a atuação da equipe multidisciplinar fortalece esta iniciativa e pode possibilitar a
consolidação da UEPB, sobretudo no que concerne ao campus V, podendo servir de modelo de
inovação para ser empreendido e adotado no âmbito de outras bibliotecas universitárias mesmo
após o retorno das atividades presenciais.
Com esse propósito, no âmbito da inovação, os bibliotecários e demais profissionais da
informação envolvidos com o projeto idealizaram uma maneira de disseminar e divulgar
informações necessárias no âmbito acadêmico, dando um novo significado para o papel da
biblioteca universitária, buscando além dos muros da biblioteca contribuir com ações de
comunicação científica no ambiente da universidade e para a sociedade de uma forma geral.

�Além de contribuir com a difusão científica desta Universidade, possibilitou à equipe
envolvida o aprimoramento para o uso das ferramentas tecnológicas e a aproximação entre
estudantes, docentes e a comunidade atendida pelo projeto, que são usuários da biblioteca, e
bibliotecários envolvidos nesta iniciativa.
Ademais, a utilização do contributo da ciência aberta pôde abrir caminhos para novas
possibilidades e vertentes que podem ser contempladas por este projeto, no âmbito do combate à
desinformação, do estímulo às ações de gestão documental como forma de implementar a
transparência, do desenvolvimento da competência crítica informacional, dentre outras perspectivas
futuras.
REFERÊNCIAS
FERNÁNDEZ, R. C.; SÁNCHEZ-TARRAGÓ, N. Construindo uma ciência aberta:
olhares diversos. IRIS - Revista de Informação, Memória e Tecnologia, v. 4, n. 1, p. 4-7,
2018. Disponível em: &lt;http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/105977&gt;. Acesso em: 13
nov. 2020.
RIBEIRO, Daniel Strauch. Evolução do escopo temático da ciência aberta: um estudo
exploratório. Disponível em:
https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/1080/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o_DANIEL_STRA
UCH_RIBEIRO.pdf. 2020
SILVA, F. M. A.; RAMALHO, F. A.; GARCIA, J. C. R. Barreiras informacionais na ciência
aberta. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 20,
2019. Anais.... Florianopólis: ANCIB, 2019. Disponível em:
http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/124025. Acesso em: 13 nov. 2020.
VERGARA, Sylvia C (2000). Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 3. ed.
São Paulo: Atlas.

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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Moreno, Danielle Harlene da Silva, Souza, Liliane Braga Rolim Holanda de, Marques, Juliana Ferreira, Lima, Gabrielle Torres de, Santana, Douglas Nascimento de </text>
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                <text>Utilizada pela humanidade para explicar fenômenos que possibilitaram a evolução da sociedade, a ciência desenvolveu-se e ressignificou práticas adequando-se às tecnologias da informação e comunicação e aos ideais de transparência e colaboração demandados por essa realidade que o conhecimento científico ajudou a construir. Nesse contexto, enquanto espaços informacionais que possibilitam a aproximação entre o conhecimento e os sujeitos informacionais, as bibliotecas universitárias consolidam-se como espaço profícuo para a difusão científica. A partir disso, no âmbito do campus V da Universidade Estadual da Paraíba, utilizando o arcabouço teórico-metodológico da ciência aberta, foi realizada a ação de extensão “Nas trilhas da difusão científica: a visibilidade dos projetos do campus V da Universidade Estadual da Paraíba”, que visava difundir as iniciativas de ensino, pesquisa e extensão dos cursos do campus da UEPB em João Pessoa. Esse trabalho colaborativo, de partilha do conhecimento possibilitou uma aproximação entre o conhecimento científico e a comunidade.</text>
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                    <text>Eixo 1 – Tradição

AÇÕES PARA REABERTURA DAS BIBLIOTECAS DA UESC E DA UEFS EM TEMPOS DE
PANDEMIA: CONSIDERANDO O BAIXO ÍNDICE DE CONTAMINAÇÃO PELA COVID-19
ACTIONS TO REOPEN THE UESC AND UEFS LIBRARIES IN TIMES OF PANDEMICS:
CONSIDERING THE LOW INDEX OF CONTAMINATION BY COVID-19
Suely Santana1
Manoelita Maria dos Santos2
Silvana Reis Cerqueira3
Maria José Serrão Nunes4
Rejane Maria Rosa Ribeiro5

Resumo: As bibliotecas universitárias da UESC e SISBI –UEFS estão sob o impacto da pandemia da COVID-19,
e por este motivo tiveram que adotar procedimentos que modificaram profundamente a forma do atendimento de
toda a comunidade acadêmica inseridas em suas competências gerenciais. A partir do ano de 2020 as operações de
prestações dos serviços das bibliotecas acima especificadas passaram a obedecer a regras de distanciamento e de
atividades administrativas pelo sistema home office. Com os atuais índices de controle pandêmico através da
vacinação em massa, as atividades dessas bibliotecas aos poucos estão se organizando para voltar à normalidade,
adotando progressivamente vários cuidados com a utilização dos acervos. Este trabalho dá uma dimensão
panorâmica da evolução das atividades caracterizadoras pela prestação de serviços da biblioteca.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Pandemia. Coronavírus. Protocolo. Usuários da biblioteca.
Abstract: The university libraries of UESC and SISBI –UEFS are under the impact of the COVID-19 pandemic,
and for this reason they had to adopt procedures that profoundly changed the way in which the entire academic
community was attended to, inserted in their managerial competences. As of 2020, the operations of services
provided by the above-specified libraries began to comply with rules of distance and administrative activities by
the home office system. With the current rates of pandemic control through mass vaccination, the activities of
these libraries are gradually organizing themselves to return to normality, progressively adopting several
precautions with the use of the collections. This work gives an overview of the evolution of activities that
characterize the provision of library services.
Keywords: University library. Pandemic. Coronavirus. Protocol. Library Users.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias brasileiras no mês de março de 2020 ficaram diante de uma
pandemia causada pelo Coronavirus, o que mudou completamente a rotina, as interações com os
usuários e a forma de trabalhar. A priori, a maioria das bibliotecas fechou as portas, atendendo a
1

Especialização em Arquivologia e MBA em ADM e Gestão do Conhecimento. Biblioteca Central da UESC. suelys@uesc.br.
Especialização em Planejamento Educacional e em Biblioteconomia. Biblioteca Central da UESC. mano@uesc.br.
3
Especialização em MBA em ADM e Gestão do Conhecimento. Biblioteca Central da UESC. silvana@uesc.br.
4
Especialização em Arquivologia e MBA em ADM e Gestão do Conhecimento. Biblioteca Central da UESC. marjose@uesc.br.
5
Especialização em IES e em Metodologia do Ensino Superior. Sistema de Bibliotecas da UEFS. rribeiro@uefs.br.
2

�recomendação do Ministério da Saúde de isolamento social como medida para conter a propagação do
vírus. Esse contexto de mudança impactou o mundo de maneira inesperada e atingiu todos os setores
da sociedade, de modo especial a prática educativa, que teve que transformar a forma de ensino
presencial para a modalidade de ensino remoto, ou seja, para o ensino não presencial ou ensino
remoto emergencial. Por consequência, os serviços tradicionais que eram realizados presencialmente
nas bibliotecas, tiveram do mesmo modo que ser substituídos por um modelo virtual e dinâmico para
atender ao novo estado social ditado pela pandemia do coronavírus. O trabalho passou a ser remoto e
as redes sociais se constituíram como ferramentas, que tornaram possível continuar interagindo,
atendendo e disponibilizando alguns serviços aos usuários, bem como, o correio eletrônico: e-mail.
Diante do crescimento da imunização vacinal em uma grande parte da população, contra a Covid-19,
as Universidades atualizaram os seus calendários de retorno de algumas atividades presenciais. Entre
os setores nos quais os serviços serão restabelecidos presencialmente nesse corrente ano, estão: os
laboratórios, onde serão realizadas as aulas práticas, e as bibliotecas que disponibilizarão os serviços
de circulação dos recursos informacionais, isto é, o empréstimo e devolução.
Desse modo, as Universidades adotaram o formato de ensino híbrido, que combina atividades
nas modalidades presenciais e remotas. O ensino híbrido é a modalidade de ensino que tem sido
adotada nesse período pandêmico pelas diversas instituições de ensino. De acordo Moran, ensino
híbrido significa:
O ensino híbrido é um programa de educação formal no qual um aluno aprende, pelo menos
em parte, por meio do ensino on-line, com algum elemento de controle do estudante sobre o
tempo, lugar, modo e/ou ritmo do estudo, e pelo menos em parte em uma localidade física
supervisionada, fora de sua residência. (MORAN, 2015).

Nessa perspectiva, com a adoção do ensino híbrido nas Universidades, as Bibliotecas buscam
aos poucos criar um novo normal, e se adaptar a uma reabertura no contexto atual da pandemia,
proporcionado pela vacina. Assim, houve a criação de Protocolos com recomendações para a
retomada das atividades presenciais, ações desenvolvidas pela Biblioteca Central da Universidade
Estadual de Santa Cruz e do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana
(SISBI-UEFS).

2 MÉTODO
A pesquisa é de natureza qualitativa e de cunho descritivo, e o método é a pesquisa
bibliográfica com abordagem nas temáticas de Biblioteca e Pandemia da Covid-19. Fundamentadas
na referida metodologia, as Bibliotecas da UESC e da UEFS criaram Protocolos para reabertura das

�mesmas, os quais orientarão sobre os cuidados necessários e os serviços que serão realizados no
retorno das aulas.

2.1 UESC:
A Biblioteca Central da UESC por meio da sua equipe de Bibliotecários e demais
funcionários, criou um Protocolo de Procedimentos para reabertura da mesma com as seguintes
ações:
- Uso diário do conjunto de produtos e EPI’s recomendados;
- Higienização sempre das mãos com água e sabão e/ou alcool gel 70%;
- Respeito ao distanciamento de pelo menos dois metros entre as pessoas;
- Manter, quando possível, portas e janelas abertas da sala que estará ocupando;
- Limite e permanência de apenas 03 (três) pessoas na sala de convivência;
- No atendimento ao público o acesso será restrito a 02 (duas) pessoas por atendimento e a
circulação e permanência na biblioteca no período da pandemia serão proibidas;
- Os serviços de empréstimo domiciliar e devolução no primeiro momento serão apenas para
os alunos matriculados em componentes curriculares práticos;
- Atendimento: empréstimo e devolução de obras bibliográficas e outros materiais afins,
busca de materiais nas estantes (o usuário não deve ter contato com o acervo);
- Os materiais recebidos/devolvidos serão encaminhados no espaço separado para a
quarentena.
A Biblioteca Central durante a pandemia continuou com os serviços online como: acesso
virtual dos usuários da UESC na Biblioteca Virtual Pearson, com acesso a milhares de livros em
formato digital e à disposição onde o usuário estiver; Editus digital: Livros publicados pela Editora
da UESC, também disponíveis na plataforma Scielo livros. Para isso, são disponibilizados livros da
Editora em formato digital e em acesso aberto após seis meses de publicação do título impresso;
acesso ao Portal de Periódicos da Capes e Portal de Periódicos eletrônicos da UESC; recepção
virtual para alunos; fontes de pesquisa técnico-científicas de acesso livre de todas as áreas do
conhecimento; atendimento ao usuário por e-mail; elaboração de fichas catalográficas; catalogação
de Teses e Dissertações no PERGAMUM; tutoriais para orientação de acesso a Biblioteca Virtual
Pearson.

�2.2 SISBI-UEFS:
A Biblioteca Central através da sua equipe de Bibliotecários criou um Protocolo de
Procedimentos para reabertura do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual de
Feira de Santana, frente ao cenário atual da COVID-19, com as seguintes ações:
- Equipe de trabalho, aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPI);
- Ambiente das bibliotecas: adaptação dos espaços de uso coletivo dos funcionários, como
forma de respeitar o distanciamento social para a segurança de todos; sanitização dos ambientes e
orientações ao pessoal que executa o serviço de higienização, para realização de uma limpeza
rigorosa e constante;
- Acesso a biblioteca: procedimentos de marcações dos espaços, conforme norma de
segurança da Organização Mundial da Saúde de dois metros para distanciamento social, respeitando
também o limite máximo permitido no espaço físico;
- Empréstimo e devoluções: inicialmente o serviço de empréstimo ficou suspenso, após a
liberação do serviço, foram adotadas algumas medidas tais como: orientação aos usuários para
solicitar o material do seu interesse por e-mail e somente dirigir-se à biblioteca após a confirmação
de que as obras estão separadas para retirada;
O SISBI continuou executando seus serviços online, tais como: solicitação de fichas
catalográficas; processo de incentivos; ISSN; ISBN; declaração de nada-consta; levantamento
bibliográfico; serviço de disseminação da informação por meio do Podcast Fala aí, Julieta! E
criação de novos serviços: Disponibilização de conteúdo eletrônico gratuito (sites, ebooks,
bibliotecas virtuais e digitais temáticas); Lectio (plataforma de conteúdo digital que possibilita a
leitura de milhares de livros e periódicos digitais, em língua portuguesa).
A comunicação com o Sistema de Bibliotecas foi intensificada através das redes sociais, do
e-mail e do site institucional.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Diante da real situação da pandemia da COVID-19 em que usuários das bibliotecas, os
funcionários do atendimento, como também todo o seu corpo administrativo estiveram
impossibilitados de transitarem e realizarem todas as suas atividades, restaram apenas às
alternativas impostas pelos protocolos instituídos pelas autoridades de saúde pública. Não só no
ambiente interno das bibliotecas, mas, em todas as áreas, ou espaços de ambas as unidades do
ensino superior o trânsito de pessoas foi vetado.

�Uma das alternativas encontradas foi a do acesso virtual, para o qual os usuários foram
orientados através da comunicação via site, e-mail e redes sociais. A plataforma da Pearson
constituiu uma ferramenta importante para solução emergencial de todos os interessados
acadêmicos. Além disto, o Portal de Periódicos da Capes atendeu as atividades de pesquisa, bem
como, as teses e dissertações em formato online que foram disponibilizadas através de vários links
de pesquisa científica de acesso gratuito, fazendo parte da página da web da biblioteca. Além disso,
para que os trabalhos realizados pelos funcionários das bibliotecas não fossem interrompidos,
computadores de ambas as instituições foram disponibilizados para aqueles funcionários que não
possuíam computadores ou notebook em casa, continuassem suas atividades, na modalidade home
office.
4 CONCLUSÕES
Os efeitos causados pelos protocolos de isolamento mais rígido, instituídos pelas autoridades
de saúde pública estão sendo minimizados progressivamente de forma a reduzir as dificuldades do
acesso a informação nas bibliotecas, ocasionadas pela Covid-19. Trata-se de uma questão de gestão
que teve um começo traumatizante a partir do ano de 2020 e se mostra em fase de atenuação no
corrente ano de 2021. Com a vacinação em massa há uma grande possibilidade de que brevemente
os percalços dessa pandemia sejam coisas do passado, compondo os históricos de funcionamento da
Universidade Estadual de Santa Cruz e Universidade Estadual de Feira de Santana.
REFERÊNCIAS

BIBLIOTECA CENTRAL DA UESC. Minuta-Protocolo de reabertura Biblioteca CentralUESC. Ilhéus, BA: UESC, 2020.
BIBLIOTECA CENTRAL DA UESC. Noções de funcionamento da Biblioteca Central da
UESC. Ilhéus, BA: UESC, 2020.
MORAN, José. Educação híbrida: um conceito-chave para educação, hoje. In: BACICH, TANZI &amp;
TREVISANI (Orgs.). Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação. Porto Alegre:
PENSO, 2015. p. 40-57. Disponível em: https://www2.ifal.edu.br/ensino- remoto/professor/apostila
s-e-livros/ensino-hibrido.pdf/. Acesso em: 20 set. 2021.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Sistema Integrado de Bibliotecas.
Protocolo de procedimentos para reabertura do Sistema Integrado de Bibliotecas da
Universidade Estadual de Feira de Santana pós-distanciamento social. Feira de Santana: SISBIUEFS, 2020.

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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ações para reabertura das bibliotecas da UESC em tempos de pandemia: considerando o baixo índice de contaminação pela Covid-19.</text>
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                <text>Santana, Suely, Santos, Manoelita Maria dos, Cerqueira, Silvana Reis, Nunes, Maria José Serrão, Ribeiro, Rejane Maria Rosa </text>
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                <text>As bibliotecas universitárias da UESC e SISBI –UEFS estão sob o impacto da pandemia da COVID-19, e por este motivo tiveram que adotar procedimentos que modificaram profundamente a forma do atendimento de toda a comunidade acadêmica inseridas em suas competências gerenciais. A partir do ano de 2020 as operações de prestações dos serviços das bibliotecas acima especificadas passaram a obedecer a regras de distanciamento e de atividades administrativas pelo sistema home office. Com os atuais índices de controle pandêmico através da vacinação em massa, as atividades dessas bibliotecas aos poucos estão se organizando para voltar à normalidade, adotando progressivamente vários cuidados com a utilização dos acervos. Este trabalho dá uma dimensão panorâmica da evolução das atividades caracterizadoras pela prestação de serviços da biblioteca. </text>
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                    <text>Eixo 2 - Prática
ENTRE ESTANTES:
PROJETO DE ESTÍMULO A LEITURA EM BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
ENTRE ESTANTES:
A PROJECT OF AN ACADEMIC LIBRARY THAT ENCOURAGES READING
Solange Alves Santana 1
Regiane Pereira dos Santos 2
Fernanda Ady Becker de Oliveira 3
Marcella Alves dos Santos4
Paula Bassi5

Resumo: O presente trabalho relata a experiência da Biblioteca Cyro de Andrade da Escola de Educação Física e
Esporte da Universidade de São Paulo no desenvolvimento e implementação do Projeto Entre Estantes. Com
intuito de estimular o hábito da leitura, o projeto criado em Junho de 2021, consiste na produção de vídeos em que
membros da comunidade da Escola de Educação Física e Esporte (docentes, discentes e servidores) fazem a
indicação de livros de sua preferência, sejam eles relacionados ou não às áreas de Educação Física e Esporte. Os
vídeos de curta duração são disponibilizados mensalmente nas redes sociais da biblioteca. Para a edição dos
vídeos, inicialmente, a equipe da biblioteca elaborou a identidade visual do projeto, incluindo efeitos visuais e
sonoros para vinheta, créditos e para a inserção de legendas. No período de Junho a Outubro de 2021, foram
publicados seis vídeos. Por meio do monitoramento dos dados de visualizações e compartilhamentos, bem como
dos comentários, observou-se que as publicações têm aproximado a biblioteca da comunidade, fortalecendo
vínculos por meio do incentivo à leitura.
Palavras-chave: Incentivo à leitura. Bibliotecas universitárias. Redes sociais.
Abstract: The present essay reports the experience of the Library Cyro de Andrade, belonging to School of
Physical Education and Sport of University of São Paulo on the development and implementation of the Projeto
Entre Estantes (Between Shelves Project). With the aim of stimulate reading habits, the project created in June,
2021 consists on the production of videos in which members of the community of School of Physical Education
and Sport (professors, students and employees) indicate books of their preference, whether the books are or not
related to the areas of the Physical Education and Sport. The short videos are made available monthly on the
social networks of the library. Initially, to edit the videos, the library team drew up the visual identity of the
project, including visual and sound effects to the vignette, the final credits and the subtitles insertion. In the period
between June and October, 2021 six videos were published. Through the monitoring of the visualizations,
sharings, as well as the comments, it was observed that the publications are approaching the library and the
community, strengthening ties by encouraging reading.
Keywords: Reading incentive. Academic library. Social networks.

1

Mestra em Ciência da Informação. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: sol@usp.br
Bacharela em Biblioteconomia. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: regisper@usp.br
3
Graduanda em Letras. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: fernanda.adybecker@usp.br
4
Bacharela em Psicologia. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: marcella.adss@gmail.com
5
Especialista em Jornalismo Multimídia. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: paulabassi@usp.br
2

�1 INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos ocorridos nas últimas décadas impulsionaram uma revolução digital,
gerando novas formas para o compartilhamento de informações e conhecimento e facilitando o acesso
a diversos tipos de conteúdos por meio das tecnologias da informação e comunicação (TICs).
Segundo Morigi e Pavan (2004), “a utilização de tais tecnologias cria e recria novas formas de
interação, novas identidades, novos hábitos sociais, enfim, novas formas de sociabilidade” e, neste
contexto, as bibliotecas como instituições sociais, também passaram a utilizar técnicas e processos
automatizados, buscando um uso cada vez mais intenso e amplo das TICs. Para Maness (2007) as
bibliotecas devem analisar o novo contexto que se apresenta, buscando descobrir novas formas de
levar a informação a seus usuários. Nesse cenário, as redes sociais têm se estabelecido como um meio
de se comunicar com os usuários, uma vez que eles, cada vez mais, utilizam essas ferramentas. Cabe
ressaltar que numa sociedade, caracterizada atualmente pela rapidez na disseminação de informações,
as bibliotecas e serviços de informação podem lançar mão de diferentes recursos e tecnologias de
informação, a serem concebidos e disponibilizados de forma específica para se adequarem às
necessidades do usuário. Neste viés, as bibliotecas universitárias procuram ampliar suas fronteiras,
inovando em suas atividades, oferecendo serviços, utilizando e explorando as TICs, a fim de criar um
ambiente mais interativo. Diante desse cenário, o presente trabalho apresenta a experiência da
Biblioteca Cyro de Andrade da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo
(EEFE-USP) no desenvolvimento e implantação do Projeto Entre Estantes que visa, por meio das
redes sociais, estimular o hábito da leitura.

2 MÉTODO

A proposta do Projeto Entre Estantes surgiu a partir de interlocuções entre a equipe da
Biblioteca Cyro de Andrade da EEFE-USP e usuários durante o período em que as atividades
acadêmicas e administrativas passaram a ser realizadas em modalidade remota devido ao período de

�quarentena ocasionado pela pandemia de Covid-19. Muitos usuários relataram que, nesse período,
estavam dedicando mais tempo à leitura de obras literárias e trocando dicas de leitura de obras
literárias entre seus pares. Partindo da observação dessa demanda por tais indicações e recomendações
de leitura, o Projeto Entre Estantes foi concebido, visando o atendimento ao público e o estreitamento
dos vínculos entre biblioteca e comunidade.
O Projeto Entre Estantes consiste na produção de vídeos em que membros da comunidade da
EEFE-USP (docentes, discentes e servidores) fazem a recomendação de livros de sua preferência,
sejam eles relacionados ou não às áreas de Educação Física e Esporte. Os vídeos de curta duração são
disponibilizados mensalmente nas redes sociais da biblioteca (Instagram, Facebook, Twitter e
Linkedin).
Durante a fase de elaboração do Projeto, foi realizado um levantamento de ferramentas
gratuitas para edição de vídeos. Após a análise, foram selecionadas as ferramentas InShot 6 para a
edição dos vídeos e Canva7 para a edição de capa, vinheta e créditos. Em seguida, foi definida a
identidade visual do projeto (paleta de cores, layout, fontes e efeitos sonoros), conforme indicado na
Figura 1.
Figura 1 - Layout do vídeo para o Projeto Entre Estantes

Fonte: Projeto Entre Estantes (2021).

6
7

Disponível em: https://inshot.com/
Disponível em: https://www.canva.com

�3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O primeiro vídeo do Projeto Entre Estantes foi publicado nas redes sociais da Biblioteca Cyro
de Andrade da EEFE-USP no dia 4 de junho de 2021 (Figura 2).

Figura 2 - Vídeo de lançamento do Projeto Entre Estantes

Fonte: Instagram da Biblioteca Cyro de Andrade da EEFE-USP (2001).
No período de Junho a Outubro de 2021, foram publicados seis vídeos do Projeto Entre
Estantes nas redes sociais da Biblioteca Cyro de Andrade da EEFE-USP.
Por meio do monitoramento dos dados de visualizações e compartilhamentos, bem como dos
comentários, observou-se que as publicações têm aproximado a biblioteca da comunidade,
fortalecendo vínculos por meio do estímulo à leitura. Nesse período, foram contabilizadas
aproximadamente

7.500

interações

com

os

vídeos

publicados

(entre

visualizações,

compartilhamentos, downloads e comentários).
O Projeto foi destaque na página institucional da EEFE-USP, com a matéria “Docentes e exdocentes compartilham dicas de leituras no Instagram da Biblioteca da EEFE” (UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO, 2021). A publicação da matéria contribuiu para ampla divulgação da iniciativa
entre o público da Escola e a comunidade em geral.

�Risso, Borges e Nunes (2020) ressaltam que a leitura se caracteriza como um dos fatores
principais para o desenvolvimento da sociedade, pois “permite formar cidadãos críticos e preparados
no ambiente em que estão inseridos” e, nesse viés, o Projeto Entre Estantes tem se pautado a fim de
trazer indicações que contemplem uma diversidade de temas e gêneros literários, contribuindo para a
formação crítica de seu público.

4 CONCLUSÕES

O Projeto Entre Estantes, por meio da publicação de vídeos com indicações de leitura, tem
buscado incentivar o hábito da leitura e diversificar o repertório literário de seu público, contribuindo
ainda para uma mudança significativa na percepção que o usuário tem de uma biblioteca universitária,
na qual, muitas vezes, as relações se estabelecem por meio de atividades imediatas do curso ao qual
sua comunidade está vinculada. Desse modo, a criação e continuidade de iniciativas como o Projeto
Entre Estantes ampliam as possibilidades de desenvolvimento de ações culturais futuras que
dialoguem diretamente com o público e reforcem os vínculos com a comunidade.
.
REFERÊNCIAS

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sociabilidades nas bibliotecas universitárias. Ciência da Informação, v. 33, n. 1, p. 117-125, 2004.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/v33n1/v33n1a14.pdf. Acesso em: 12 out. 2021.
RISSO, C.; LUCIA BORGES, V.; NUNES, V. ações de estimulo a leitura em biblioteca escolar.
Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 5, n. 3, p. 1, 2013. Disponível em:
https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65464. Acesso em: 12 de out. 2021.
ROZZI, Iuli Carla; BORTOLIN, Sueli; SANTOS NETO, Arlindo dos. Práticas inovadoras para
biblioteca escolar: o uso do Twitter no incentivo à leitura. In: COLÓQUIO EM ORGANIZAÇÃO,
ACESSO E APROPRIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO. 2., 2017,
Londrina/PR. Anais... Londrina, 2017.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Escola de Educação Física e Esporte. Docentes e ex-docentes
compartilham dicas de leituras no Instagram da Biblioteca da EEFE. Site EEFE-USP, São Paulo, 20
set. 2021. Disponível em: http://www.eefe.usp.br/node/1158. Acesso em: 12 de out. 2021.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Entre estantes: projeto de estímulo a leitura em Biblioteca Universitária.</text>
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                <text>Santana, Solange Alves, Santos, Regiane Pereira dos, Oliveira, Fernanda Ady Becker de, Santos, Marcella Alves dos, Bassi, Paula </text>
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                <text>O presente trabalho relata a experiência da Biblioteca Cyro de Andrade da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo no desenvolvimento e implementação do Projeto Entre Estantes. Com intuito de estimular o hábito da leitura, o projeto criado em Junho de 2021, consiste na produção de vídeos em que membros da comunidade da Escola de Educação Física e Esporte (docentes, discentes e servidores) fazem a indicação de livros de sua preferência, sejam eles relacionados ou não às áreas de Educação Física e Esporte. Os vídeos de curta duração são disponibilizados mensalmente nas redes sociais da biblioteca. Para a edição dos vídeos, inicialmente, a equipe da biblioteca elaborou a identidade visual do projeto, incluindo efeitos visuais e sonoros para vinheta, créditos e para a inserção de legendas. No período de Junho a Outubro de 2021, foram publicados seis vídeos. Por meio do monitoramento dos dados de visualizações e compartilhamentos, bem como dos comentários, observou-se que as publicações têm aproximado a biblioteca da comunidade, fortalecendo vínculos por meio do incentivo à leitura.</text>
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                    <text>Eixo: 1 - Tradição
ATUAÇÃO DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA
CRUZ - UESC: DURANTE A CRISE DA PANDEMIA DO COVID 19, A PARTIR DO ANO DE
2020
PERFORMANCE OF THE CENTRAL LIBRARY OF THE STATE UNIVERSITY OF SANTA CRUZ
- UESC: DURING THE COVID 19 PANDEMIC CRISIS, FROM THE YEAR 2020
Maria José Serrão Nunes 1
Suely Santana 2
Silvana Reis Cerqueira 3
Manoelita Maria dos Santos 4

Resumo: A Biblioteca Central da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC atende toda comunidade
acadêmica da instituição, os discentes dos cursos de graduação e pós-graduação, servidores, docentes e técnicoadministrativos, assim como comunidade externa. A partir do ano de 2020, com o surgimento da pandemia do
COVID 19, esta biblioteca teve que se adequar a novas e surpreendentes realidades quanto ao seu modo de operar
a prestação dos seus serviços, posto que ficou submetida a cumprimentos de protocolos de distanciamento, pelo os
quais as suas atividades passaram a serem exercidas de forma remota. Mas, no decorrer do presente mês de julho
de 2021, com grande parte da população imunizada pela vacina da Covid-19, e consequentemente com os índices
de contaminação da doença em decréscimos, começam as discussões para retorno das atividades na modalidade
presencial de forma segura. Este relato informa como as atividades desta biblioteca foram e estão sendo
desenvolvidas durante o período da crise pandêmica.
Palavras-chave: Pandemia. Biblioteca. COVID-19. Protocolos.
Abstract: The Central Library of the State University of Santa Cruz – UESC serves the entire academic
community of the institution, undergraduate and graduate students, civil servants, professors and administrative
technicians, as well as the external community. From the year 2020, with the emergence of the COVID 19
pandemic, this library had to adapt to new and surprising realities regarding its way of operating the provision of
its services, as it was subject to compliance with distancing protocols, through which its activities began to be
carried out remotely. But, during the present month of July 2021, with a large part of the population immunized
by the Covid-19 vaccine, and consequently with decreasing rates of contamination of the disease, discussions
begin to safely return to face-to-face activities. This report informs how the activities of this library were and are
being developed during the period of the pandemic crisis.
Keywords: Pandemic. Library. COVID-19. Protocols.

1

Especialização em Arquivologia e MBA em ADM e Gestão do Conhecimento. Biblioteca Central da UESC.
marjose@uesc.br.
2
Especialização em Arquivologia e MBA em ADM e Gestão do Conhecimento. Biblioteca Central da UESC.
suelys@uesc.br.
3
Especialização MBA em ADM e Gestão do Conhecimento. Biblioteca Central da UESC. silvana@uesc.br.
4
Especialização em Planejamento Educacional e em Biblioteconomia. Biblioteca Central da UESC. mano@uesc.br.

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Central da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC é um órgão
suplementar da instituição destinado a atender a toda comunidade acadêmica, discentes e servidores
docentes e técnico-administrativos. Alguns serviços são extensivos a todos os pesquisadores
interessados, bem como a toda comunidade externa, ainda que fora de seu próprio território e
ambiente específico. A UESC compõe o elenco das universidades do Estado da Bahia e fica
localizada no município de Ilhéus. Os cursos oferecidos pela instituição são em níveis de graduação
e pós-graduação nas modalidades lato e stricto sensu.
Os serviços da biblioteca da UESC são oferecidos de modo alternativo pelo qual todos os
seus usuários podem optar pelas modalidades presencial ou virtual, de acordo com a escolha que
melhor satisfizer ao usuário, sendo que durante o período pandêmico todos os serviços passaram
para a modalidade remota.
A Organização Mundial da Saúde, em março de 2020, apresentou o surto epidêmico da
contaminação do coronavírus (Sars-Cov-2), ou COVID 19, como uma pandemia. A partir de então
a proliferação deste vírus espalhou-se pelos continentes e chegou ao Brasil. A partir do mês de
março de 2020, o impacto da pandemia da COVID 19 impossibilitou de maneira irreparável todas
as atividades presenciais da UESC e em especial os da sua biblioteca. As aulas foram suspensas, os
professores, alunos, funcionários e qualquer pessoa, todos ficaram impedidos do acesso às
dependências desta Universidade. A opção do acesso virtual passou a prevalecer como atividade
principal da biblioteca, resolvendo assim a impossibilidade da presença dos acadêmicos da UESC.
No relato a seguir serão apresentados os fatos das causas e dos efeitos da pandemia do COVID 19
na Biblioteca da UESC.

2 MÉTODO

A pesquisa é de natureza qualitativa e de cunho descritiva com base em estudo de caso, e
fundamentada na pesquisa bibliográfica de órgãos competentes sobre os protocolos para o
enfrentamento da pandemia de COVID 19. O relato descreve sobre o impacto causado por essa
pandemia na biblioteca e as soluções encontradas para minimizá-los.

�2.1 IMPACTO DA PANDEMIA DO COVID-19 SOBRE A BIBLIOTECA DA UESC

O protocolo do distanciamento social obrigou a UESC a suspender todas as suas atividades
acadêmicas. Nessa circunstância está inserida a sua biblioteca com sérios prejuízos das suas
atividades. No contexto da crise pandêmica da COVID 19, a Biblioteca da UESC foi marcada de
forma inédita e aguda pela modificação das suas atividades administrativas e adoção de medidas
extraordinárias de distanciamento. Pois, estando isolada pelo protocolo do distanciamento para o
combate à contaminação da COVID 19, sem a presença de seus funcionários, os serviços da
Biblioteca da UESC passaram a ser feitos de maneira remota, o que não corresponde nem substitui
atividades que são necessárias e realizadas essencialmente de forma presencial. Sem acesso ao
acervo físico, a comunidade acadêmica intensificou o acesso ao Acervo virtual.
Os trabalhos e serviços da biblioteca que são mais realizados remotamente são: renovação e
cadastramento de novos usuários no sistema da biblioteca, fichas catalográficas, catalogação de
teses e dissertações, relatórios de cursos, relatório geral da biblioteca, agendamento para devolução
de livros emprestados a alunos em conclusão de curso, COMUT, orientações de pesquisa na
biblioteca virtual da Pearson, Portal de Periódicos da Capes e em sites de pesquisa acadêmica, entre
outros. O meio de comunicação eletrônica passou a ser a ferramenta utilizada para o desempenho
das atividades da biblioteca.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Uma das soluções para minimizar os efeitos do impacto do isolamento pandêmico na UESC
é a Biblioteca Virtual da PEARSON que já estava previamente instalada, cujo acesso é feito através
de uma senha pessoal fornecida pela biblioteca para cada usuário exclusivo da comunidade
acadêmica e que pode ser utilizada em tempo integral. Em caso de qualquer dificuldade de acesso
virtual o usuário está instruído a comunicar o fato via e-mail para um determinado funcionário
remoto habilitado para prestar as informações e instruções necessárias e resolver toda a questão
pertinente. A plataforma da PEARSON demonstrou e demonstra ser uma ferramenta enriquecedora
para a informação, principalmente para esta ocasião. Além disso, temos outros recursos
informacionais que estão disponíveis para subsidiar a pesquisa, o ensino e aprendizagem da
comunidade acadêmica, entre os quais estão o Portal de Periódicos da Capes, as dissertações e

�Teses em formato online, dos programas stricto sensu da instituição, o COMUT e relação de links
de sites de pesquisa científica de acesso gratuito incluídos na página da Biblioteca.
Os trabalhos elegíveis a serem realizados na modalidade de home Office estão sendo
agilizados pelos funcionários da biblioteca no recesso dos seus lares. A biblioteca disponibilizou
computadores para utilização em domicílio pelo funcionário que assim o quiser.
Como prognóstico futuro para os serviços da biblioteca da UESC, recentemente foi
aprovado pelo Conselho Universitário da instituição (CONSU) uma Normativa para o retorno
parcial de algumas atividades presenciais por determinados setores da UESC, entre eles está a
Biblioteca. A Biblioteca elaborou um protocolo que servirá como guia para os serviços que serão
oferecidos nesse período. Vale salientar que esses serviços presenciais serão restritos aos
acadêmicos matriculados nas disciplinas que terão aulas práticas nos laboratórios da Universidade.
Desde início da pandemia, os funcionários da Biblioteca subdividiram-se em equipes para
realizarem estudos referentes aos procedimentos a serem adotados para a ocasião em que as
atividades presenciais da biblioteca voltar à normalidade. E desse estudo resultou no Protocolo da
Biblioteca para ser utilizado quando for aprovado o retorno definitivo das aulas presenciais.
Eventualmente esse retorno se vislumbra com o declínio dos índices de contaminação, internamento
e mortes depois da vacinação da população brasileira. Importa dizer que esta provável volta dos
funcionários exige continuidade do uso de máscaras, luvas descartáveis, álcool em gel, lavagem das
mãos constantemente, além de um distanciamento físico mínimo de 2 metros entre todos que
estiverem no recinto da biblioteca.
Quanto aos livros emprestados anteriormente, está estabelecido no protocolo que serão
entregues na portaria da biblioteca, onde um funcionário com máscara e luvas e mantendo a
higienização das mãos com álcool gel, estará recebendo. O material recebido será separado e
colocado numa quarenta de 07 dias. Quanto ao acesso às estantes, os usuários não terão o livre
acesso, como acontecia antes da pandemia. Os livros serão apanhados nas estantes exclusivamente
por funcionários indicados para essa atividade. Qualquer material da biblioteca que for emprestado
cumpre um prazo máximo de 15 dias para serem devolvidos e submetidos a uma quarentena de 07
dias, para que possam ser emprestados novamente.
No protocolo está também decidido que todas as salas e os sanitários da biblioteca precisarão de
uma limpeza especial, inclusive nos seus aparelhos de refrigeração ambiental. Também haverá
cuidados com o piso da biblioteca que deverá ser demarcado e sinalizado para orientação da posição

�do distanciamento. Da mesma forma, os cuidados acontecerão com os balcões de atendimento da
biblioteca – estes terão divisórias de proteção para os funcionários do atendimento aos usuários.
Além disso, os cuidados estendem-se ao número de mesas e cadeiras para estudos que manterão um
distanciamento de dois metros entre um usuário e outro.
4 CONCLUSÕES
A continuidade da pandemia do COVID 19 ainda não possibilita uma previsão final do seu
total controle, apesar dos resultados favoráveis a um retorno à normalidade proporcionado pela
vacinação em massa de toda a população. Assim, todos os procedimentos adotados para a proteção
da comunidade acadêmica da UESC, ainda são temporários e precários, apesar das autoridades do
setor educativo, em todos os níveis, tomarem posições de um retorno controlado por flexíveis regras
de distanciamento, uso de máscaras, utilização do álcool em gel, entre outras medidas de segurança.
A Biblioteca da UESC toma uma posição de prontidão aguardando o transcorrer das decisões a
serem determinadas pelos seus dirigentes.
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recomendações para salvaguarda de acervos em bibliotecas. 2020. Disponível em:
https://www.crb8.org.br/covid-19-recomendacoes-para-salvaguarda-de-acervos-em-bibliotecas/.
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TANNURE, L. A.; FARIA, D. R.; PESSOA, D. A.; VELOSO, R. R. (org.). Protocolo de
enfrentamento à COVID-19: reabertura da Biblioteca Universitária da UFLA. Lavras, MG: UFL,
2020. Disponível em: http://biblioteca.ufla.br/site/images/Protocolo-de-Enfrentamento--COVID-19para-a-reabertura-da-Biblioteca-Univesitria-da-UFLA.pdf. Acesso em: 5 jun. 2021.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Nunes, Maria José Serrão, Santana, Suely, Cerqueira, Silvana Reis, Santos, Manoelita Maria dos </text>
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                <text>A Biblioteca Central da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC atende toda comunidade acadêmica da instituição, os discentes dos cursos de graduação e pós-graduação, servidores, docentes e técnico-administrativos, assim como comunidade externa. A partir do ano de 2020, com o surgimento da pandemia do COVID 19, esta biblioteca teve que se adequar a novas e surpreendentes realidades quanto ao seu modo de operar a prestação dos seus serviços, posto que ficou submetida a cumprimentos de protocolos de distanciamento, pelo os quais as suas atividades passaram a serem exercidas de forma remota. Mas, no decorrer do presente mês de julho de 2021, com grande parte da população imunizada pela vacina da Covid-19, e consequentemente com os índices de contaminação da doença em decréscimos, começam as discussões para retorno das atividades na modalidade presencial de forma segura. Este relato informa como as atividades desta biblioteca foram e estão sendo desenvolvidas durante o período da crise pandêmica.</text>
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                    <text>Eixo 1 - Tradição
EXPOSIÇÃO VIRTUAL MEMÓRIAS OLÍMPICAS:
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA EM INTERLOCUÇÃO COM A MEMÓRIA ESPORTIVA
VIRTUAL EXHIBITION OLYMPIC MEMORIES:
THE UNIVERSITY LIBRARY IN AN INTERLOCUTION WITH THE SPORTIVE MEMORY
Solange Alves Santana1
Regiane Pereira dos Santos 2
Paula Bassi 3
Fernanda Ady Becker de Oliveira4
Marcella Alves dos Santos5

Resumo: O presente trabalho relata a experiência da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São
Paulo na organização da Exposição Virtual Memórias Olímpicas. A exposição virtual foi concebida pela equipe
da Biblioteca Cyro de Andrade em parceria com a Seção de Relações Institucionais e Comunicação e realizada no
período de 23 de julho a 5 de setembro de 2021. Com objetivo de divulgar documentos textuais e iconográficos
pertencentes ao acervo da Biblioteca relacionados aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos e de apresentar o
levantamento de nomes e respectivas modalidades esportivas de membros e ex-membros da Escola que
participaram de edições do evento, as equipes envolvidas no projeto realizaram a curadoria, digitalização,
legendagem e categorização dos itens informacionais selecionados para a exposição (livros, teses, encartes,
reportagens, fotografias, pôsteres e cartazes), bem como o levantamento dos participantes dos Jogos vinculados
Escola. A exposição foi estruturada em três eixos principais: Arquivo, EEFE Olímpica e Dicas Culturais e foi
disponibilizada no site institucional da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.
Durante o período de realização, foi possível observar que a exposição se caracterizou como lócus de memória
institucional e importante elemento de divulgação do acervo da biblioteca e de democratização do conhecimento,
ampliando os espaços de interlocução entre a academia e sociedade.
Palavras-chave: Exposição. Memória. Biblioteca. Jogos Olímpicos. Jogos Paralímpicos.
Abstract: The present essay reports the experience of School of Physical Education and Sport of University of
São Paulo in the organization of the Virtual Exhibition Olympic Memories. This virtual exhibition was concepted
by the team of Library Cyro de Andrade in a collaboration with the Section of Institutional Relations and
Communication and realized on the period of July 23rd and September 5th, 2021. With the aim of disclose textual
and iconographic documents belonging to the collection of the library related to the Olympic and Paralympic
Games and to present a survey of names and respective sportive modalities of members and ex-members of
School who participated of the past editions of the event, the crews involved in the project realized the curation,
digitalization, subtitling and categorization of the informational items selected for the exhibition (books, thesis,
inserts, reports, fotographs, posters and banners), as well as a survey of the participants of the Olympics linked to
the School. The exhibition was structured in three principal axes: Archive, Olympic EEFE and Cultural Tips and
was released on the institucional website of School of Physical Education and Sport of University of São Paulo. In
the period of the realization, it was possible to observe that the exhibition was characterized as a institucional

1

Mestra em Ciência da Informação. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: sol@usp.br.
Bacharela em Biblioteconomia. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: regisper@usp.br
3
Especialista em Jornalismo Multimídia. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: paulabassi@usp.br
4
Graduanda em Letras. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: fernanda.adybecker@usp.br
5
Bacharela em Psicologia. EEFE-USP, São Paulo, SP, Brasil. E-mail de contato: marcella.adss@gmail.com
2

�memory locus, an important element of divulgation of the library acquis and of the democratization of knowledge,
expanding the interlocution spaces between the academy and the society.
Keywords: Exhibition. Memory. Library. Olympic Games. Paralympic Games.

1 INTRODUÇÃO
Tendo em vista a realização dos Jogos Olímpicos de Verão e dos Jogos Paralímpicos em
Tóquio, durante o período de julho a setembro de 2021, a equipe da Biblioteca Cyro de Andrade da
Escola de Educação Física e Esporte de São Paulo (EEFE-USP), em parceria com a Seção de
Relações Institucionais e Comunicação da EEFE-USP, organizou a Exposição Virtual Memórias
Olímpicas.
Segundo Proni (2008), os Jogos Olímpicos da Era Moderna foram concebidos para ser um
evento singular do calendário esportivo mundial, um grande festival para o congraçamento das
nações. Desde Atenas-1896, os Jogos cresceram em tamanho e importância e ganharam símbolos e
rituais próprios. Rubio (2005) destaca que
Os Jogos Olímpicos se apresentam como o evento esportivo de maior dimensão e repercussão
no mundo contemporâneo, tanto por seu caráter simbólico, pela reapresentação em escala
planetária de uma prática que mobiliza representações arquetípicas, como pela dimensão
material que envolve milhões de pessoas direta e indiretamente em sua preparação e
realização (RUBIO, 2005, p. 2).

Por se caracterizarem como megaeventos esportivos, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos
possuem uma enorme capacidade de atrair um número elevado de participantes de diversas
modalidades e nacionalidades, bem como, segundo Rubio (2010), chamar a atenção dos meios de
comunicação com uma ressonância global. Considerando esse caráter mobilizador, a equipe da
Biblioteca Cyro de Andrade da EEFE-SP concebeu a proposta de realização da Exposição Virtual
Memórias Olímpicas, visando a divulgação de (1) documentos textuais e iconográficos relacionados
aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, pertencentes ao acervo da Biblioteca da EEFE-USP, (2) nomes e
respectivas modalidades de membros e ex-membros da Escola que participaram de edições dos Jogos
Olímpicos e Paralímpicos, e (3) dicas culturais relacionadas à temática do evento. A iniciativa
também buscou estimular e reforçar - por meio da divulgação de materiais informacionais, histórias,
imagens e narrativas relacionados aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos - interações sociais e afetivas
entre a Escola e a sociedade. Desse modo, o presente trabalho relata a experiência da EEFE-USP na

�organização da Exposição Virtual Memórias Olímpicas, realizada entre os meses de julho a setembro
de 2021.

2 MÉTODO

Para a realização da Exposição Virtual Memórias Olímpicas, a equipe da Biblioteca Cyro de
Andrade da EEFE-USP realizou o levantamento, curadoria e seleção de itens informacionais
pertencentes ao acervo da biblioteca. Após essa primeira etapa, foram selecionados livros, teses,
encartes, reportagens e material iconográfico (fotografias, pôsteres e cartazes) para a exposição. Na
sequência, os itens informacionais foram digitalizados em alta resolução, legendados e categorizados
em pastas temáticas disponibilizadas no Google Drive. Os documentos textuais e iconográficos foram
ordenados em três tópicos principais: Tópico 1 - Arquivo (composto pelos documentos textuais e
iconográficos do acervo da biblioteca); Tópico 2 - EEFE Olímpica (listagem de membros e exmembros da Escola que participaram de edições dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos), acompanhada
das respectivas modalidades e ano de atuação); Tópico 3 - Dicas Culturais (composto por indicação
de filmes relacionados a tema da exposição). Na etapa seguinte, a equipe da Seção de Relações
Institucionais e Comunicação desenvolveu a identidade visual da exposição e, utilizando a ferramenta
Google Slides, organizou o conteúdo da exposição em apresentações e definiu a estrutura de
navegação da exposição virtual.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A Exposição Virtual Memórias Olímpicas foi realizada de 23 de julho a 5 de setembro de
2021 e disponibilizada no site institucional da Escola de Educação Física e Esporte por meio do
hotsite www.eefe.usp.br/memoriasolimpicas (Figuras 1 a 5).
Figura 1 - Reprodução da tela inicial da Exposição Virtual Memórias Olímpicas

Fonte: Site institucional EEFE-USP (2021).

�Figura 2 - Estrutura de navegação da Exposição Virtual Memórias Olímpicas

Fonte: Site institucional EEFE-USP (2021).

Figura 3 - Categorização do tópico Arquivo, relativo aos itens do acervo da Biblioteca da
EEFE-USP. Exposição Virtual Memórias Olímpicas

Fonte: Site institucional EEFE-USP (2021).

Figura 4 - Categorização do tópico EEFE Olímpica. Exposição Virtual Memórias Olímpicas

Fonte: Site institucional EEFE-USP (2021).

Figura 5 - Categorização do tópico Dicas Culturais. Exposição Virtual Memórias Olímpicas

Fonte: Site institucional EEFE-USP (2021).

A divulgação da exposição virtual foi realizada meio de mailing e das redes sociais
institucionais (Blog, Instagram, Facebook, Twitter e LinkedIn).
Cumpre destacar que a Exposição Virtual Memórias Olímpicas foi tema de matéria publicada
pelo Jornal da USP (BORGES, 2021a), que destacou informações e curiosidades como a dos 14
membros formados pela EEFE-USP que integraram a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de

�Tóquio 2020. A exposição também contribuiu com informações para a realização de uma matéria do
mesmo jornal sobre uma ex-aluna da EEFE-USP que integrou a seleção brasileira feminina de Rúgbi
(BORGES, 2021b) que competiu em Tóquio.

4 CONCLUSÕES

Por meio da reunião e disponibilização de documentos textuais e iconográficos, a Exposição
Virtual Memórias Olímpicas se caracterizou como um importante elemento de divulgação do
acervo da biblioteca da EEFE-USP, bem como de democratização do conhecimento e, sobretudo, de
ampliação dos espaços de interlocução entre a academia, a sociedade e sua memória esportiva.

AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Edison de Jesus Manoel, às servidoras Márcia Regina de Sá e Ana Lúcia de
Viveiros de Santana e à monitora Fabiola de Lourdes da Silva pelas relevantes contribuições à
Exposição Virtual Memórias Olímpicas.

REFERÊNCIAS
BORGES, Victoria. No clima das Olimpíadas: conheça membros da USP que já participaram dos
jogos. Jornal da USP, São Paulo, 6 ago. 2021a. Disponível em:
https://jornal.usp.br/universidade/no-clima-das-olimpiadas-conheca-membros-da-usp-que-japarticiparam-dos-jogos/. Acesso em: 12 de out. 2021.
BORGES, Victoria. Da USP para as Olimpíadas: quando o esporte universitário rompe barreiras.
Jornal da USP, São Paulo, 20 set. 2021b. Disponível em: https://jornal.usp.br/universidade/da-usppara-as-olimpiadas-quando-o-esporte-universitario-rompe-barreiras/. Acesso em: 14 de out. 2021.
PRONI, Marcelo Weishaupt. A reinvenção dos Jogos Olímpicos: um projeto de marketing. Esporte
e Sociedade, v. 3, n. 9, p. 1-35, jul./out. 2008.
RUBIO, Katia. Os Jogos Olímpicos e a transformação das cidades: os custos sociais de um
megaevento. Scripta Nova, v. 9, n. 85, p. 1-18, ago. 2005.
RUBIO, Katia. Jogos Olímpicos da Era Moderna: uma proposta de periodização. Revista
Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 24, n. 1, p.55-68, jan./mar. 2010.

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                <text>Santana, Solange Alves, Santos, Regiane Pereira do, Bassi, Paula, Oliveira, Fernanda Ady Becker de, Santos, Marcella Alves </text>
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                <text>O presente trabalho relata a experiência da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo na organização da Exposição Virtual Memórias Olímpicas. A exposição virtual foi concebida pela equipe da Biblioteca Cyro de Andrade em parceria com a Seção de Relações Institucionais e Comunicação e realizada no período de 23 de julho a 5 de setembro de 2021. Com objetivo de divulgar documentos textuais e iconográficos pertencentes ao acervo da Biblioteca relacionados aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos e de apresentar o levantamento de nomes e respectivas modalidades esportivas de membros e ex-membros da Escola que participaram de edições do evento, as equipes envolvidas no projeto realizaram a curadoria, digitalização, legendagem e categorização dos itens informacionais selecionados para a exposição (livros, teses, encartes, reportagens, fotografias, pôsteres e cartazes), bem como o levantamento dos participantes dos Jogos vinculados Escola. A exposição foi estruturada em três eixos principais: Arquivo, EEFE Olímpica e Dicas Culturais e foi disponibilizada no site institucional da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo. Durante o período de realização, foi possível observar que a exposição se caracterizou como lócus de memória institucional e importante elemento de divulgação do acervo da biblioteca e de democratização do conhecimento, ampliando os espaços de interlocução entre a academia e sociedade.</text>
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                    <text>Eixo 1 - Tradição
A BIBLIOTECA HISTÓRICA DA FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA
DE SÃO PAULO: TRADIÇÃO, USO, ACOLHIMENTO E PESQUISA
THE HISTORICAL LIBRARY OF THE FOUNDATION SCHOOL OF SOCIOLOGY AND
POLITICS OF SÃO PAULO: TRADITION, USE, WELCOME AND RESEARCH
Éderson Ferreira Crispim1
Marina Pereira Santos Araújo2
Valéria Martin Valls3
Resumo: Buscou-se apresentar pistas sobre a construção e a formação da biblioteca histórica da Fundação Escola
de Sociologia e Política de São Paulo. Realizou-se um levantamento bibliográfico de textos institucionais que
relatam a história da Fundação para apoiar a revisão de literatura e a pesquisa documental encontrada. A partir do
contato com a documentação descobriu-se que a organização de uma biblioteca universitária de Ciências Sociais
fez-se parte relevante no projeto de fundação da Escola Livre de Sociologia e Política. Pela perspectiva de tradição
destacam-se alguns elementos: o empréstimo circulante, uma bibliografia com base em pesquisas de docentes e
acolhimento de acervos afins. Ao longo de nove décadas a biblioteca histórica da Fundação Escola de Sociologia
e Política de São Paulo tornou-se em uma importante fonte de informações para a elaboração de dezenas de estudos
e pesquisas, como foi apontado e certamente se constitui em um legado para a Biblioteconomia Brasileira.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Tradição. Sociologia e Política. Biblioteconomia. São Paulo.
Abstract: We sought to present clues about the construction and formation of the historical library of the São
Paulo School of Sociology and Politics Foundation. A bibliographic survey of institutional texts that relate the
Foundation's history was carried out to support the literature review and the documentary research found. From
the contact with the documentation, it was discovered that the organization of a university library of Social
Sciences played an important role in the founding project of the Free School of Sociology and Politics. From the
perspective of tradition, some elements were highlighted: circulating loan, a bibliography based on research by
professors and hosting of related collections. Over nine decades, the historical library of the São Paulo School of
Sociology and Politics Foundation has become an important source of information for the preparation of dozens
of studies and researches, as pointed out and certainly constitutes a legacy for Librarianship Brazilian.
Keywords: University library. Tradition. Sociology and Politics. Librarianship. São Paulo.

1 INTRODUÇÃO

A Escola Livre de Sociologia e Política, segundo Manoel Tosta Berlinck, originou-se da
ideia de se criar um centro de estudos em São Paulo para compreender o Brasil em consequência
aos acontecimentos da Revolução de 1932. (BERLINCK, M., 2009, p. 163).

1

Mestre em História da Ciência. Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
ecrispim@fespsp.org.br
2
Especialista em Gestão de Documentos de Arquivos. Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
(FESPSP). mpsantos@fespsp.org.br
3
Doutora em Ciências da Comunicação. Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
valls@fespsp.org.br

�Médicos, advogados e engenheiros dirigentes, com destaque para os politécnicos
fundadores Dr. Roberto Simonsen e Cyro Berlinck, se convenceram de que “um negócio
chamado ‘sociologia’” era o conhecimento que faltava naquele contexto de crise política e social
para orientar e formar cientificamente uma elite de intelectuais em funcionários técnicos para
lidar com a realidade brasileira. (BERLINCK, M., 2009, p. 163).
Pouco tempo depois é implantado o curso de Biblioteconomia da Escola Livre de
Sociologia e Política em 1940 (MORAES, 2009). Nesse contexto, a Biblioteca da Escola Livre,
também chamada de “Biblioteca das Ciências Sociais”, inicia sua expansão e melhoramentos a
partir do recrutamento de “bibliotecários competentes [do curso de Biblioteconomia] que
organizaram a Biblioteca conforme as normas da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos”
(BERLINCK, C., 1964, p. 296), gerando, dessa aproximação, as raízes de um acervo histórico
que tem representado um importante legado para a Sociologia e Biblioteconomia brasileiras.

2 MÉTODO

Foi realizado um levantamento bibliográfico de textos que relatam a história da
Fundação para apoiar a revisão de literatura e pesquisa documental.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Em relação à Escola de Biblioteconomia e sua trajetória (da Prefeitura de São Paulo à
Escola Livre), é interessante observar que durante a gestão do prefeito Fábio Prado a Escola de
Biblioteconomia paulista funcionou inicialmente no Departamento Municipal de Cultura a
partir de 1936. O curso tinha um ciclo de 2 semestres onde Rubens Borba de Moraes ministrou
aulas sobre a História do Livro e Bibliografia e a bibliotecária Adelpha Rodrigues de Figueiredo
ministrou aulas de Catalogação e Classificação até seu encerramento, durante a gestão do
prefeito Prestes Maia em 1939. (NORONHA; APÓSTOLO; PAULINO, 2000).

�A passagem da Escola de Biblioteconomia para a Escola Livre de Sociologia e Política
de São Paulo, segundo Rubens Borba de Moraes, se deu por ideia do diretor e secretário Cyro
Berlinck (MORAES, 2009, p. 206).4 Foi a partir da preparação dos programas das Escolas e,
mais precisamente, da contratação dos professores estrangeiros [no contexto da Escola Livre:
Horace Davis, Samuel Lowrie; e, depois, Donald Pierson] e da elaboração das aulas
introdutórias, que se começou “a formar uma biblioteca” (MORAES, 2009, p. 203).
Aliás, vale ressaltar, a formação da biblioteca não ficou ao acaso dos eventos. Há
indícios de que sua organização inicial se deu imediatamente como parte do programa de
fundação. Inclusive, de acordo com a documentação levantada, a biblioteca chegou a se destacar
pelo emprego do sistema de empréstimo circulante a discentes e docentes, considerado, à época,
pioneiro no ensino superior paulista. (BIBLIOTHECA, [1935], p. 8-9).
A tradição circulante também é indicada em outros documentos, como por exemplo, no
Anuário de 1940, no tópico sobre a Biblioteca e Arquivo, escrito e destacado, ao que tudo
indica, pela bibliotecária Profa. Maria Conceição Figueiredo:
A Biblioteca e Arquivo [...] possui atualmente um número considerável de obras de texto
e publicações documentárias. Na organização da Biblioteca e Arquivo foi feita a
classificação das obras de texto de acordo com as disciplinas lecionadas na Escola,
enquanto que as publicações documentárias foram classificadas por países de origem.
A colocação dos livros nas estantes obedece à classificação por assunto, favorecendo
aos consulentes o livre acesso às obras. Em cada classe os livros também são
classificados pelo sobrenome do autor. Existe o catálogo topográfico relativo às obras
de texto, estando por ser feito o do arquivo. O catálogo dicionário contém o onomástico
de autores, com a reprodução completa do conteúdo de cada livro. A Biblioteca além de
ser de livre acesso, ainda é circulante. Tanto os professores como os alunos da Escola
podem retirar livros de texto para leitura domiciliar. A Biblioteca também tem
distribuído regularmente as publicações dos professores da Escola às instituições de
ensino superior nacionais e estrangeiras, bibliotecas públicas, etc. (FIGUEIREDO,
1940, p. [111], grifo do(a) autor(a)).

Em 1943 outro destaque é dado à biblioteca. O diretor Cyro Berlinck faz menção às
instruções dadas em aula inaugural pelo professor assistente Antônio Rubbo Müller aos alunos
e alunas das Ciências Políticas e Sociais e do curso de Biblioteconomia sobre a importância do
“uso da Biblioteca da Escola” e da “necessidade da leitura sistemática, como complemento
indispensável dos trabalhos de aula e pesquisa.” (BERLINCK, C., 1943, p. 10).

4

De acordo com o Anuário de 1940, Cyro Berlinck ocupava o cargo de Secretário. O Relatório Anual do Diretor
de 1939 é assinado por Cantídio de Moura Campos.

�É preciso deixar registrado, salvo alguns exageros, que o acervo da Biblioteca da Escola
em seus anos de formação e seguintes pôde contar com o apoio de doações de instituições
filantrópicas internacionais. Para citarmos ao menos três: The Rockefeller Foundation,
Smithsonian Institution e American Library Association (MACIEL; KANTOR, 2009, p. 30).
Durante as quase nove décadas de criação da Escola Livre de Sociologia e Política, a
Biblioteca e seus acervos foram fonte de pesquisa para inúmeras obras, destacando-se:
BIBLIOTECONOMIA: passado e futuro de uma profissão. São Paulo: Sociologia e Política,
c2020. 84 p. ISBN 978-85-62116-14-8. Disponível em:
http://biblioteca.fespsp.org.br:8080/pergamumweb/vinculos/000010/000010fb.pdf. Acesso em:
29 out. 2020.
BICUDO, Virgínia Leone. Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo. Organização:
Marcos Chor Maio. São Paulo: Sociologia e Política, 2010. 190 p. ISBN 978-85--62116-03-2.
DEL VECCHIO, Angelo; DIÉGUEZ, Carla (org.). As pesquisas sobre o padrão de vida dos
trabalhadores da cidade de São Paulo: Horace Davis e Samuel Lowrie, pioneiros da
sociologia aplicada no Brasil. São Paulo: Sociologia e Política, 2009. [252] p. ISBN 978-8562116-00-1 (broch.).
KALIL, Isabela Oliveira; ALMEIDA, Rodrigo Estramanho de (org.). As ciências sociais em
revista: temas e debates na Revista Sociologia: 1939-1966. São Paulo: Sociologia e Política,
2015. 338 p. ISBN 978-85-62116-05-6 (broch.).

Vale mencionar também algumas coleções acolhidas por doações (2011-2021) de
grande importância para a composição do acervo histórico da Fundação, tais como: a Coleção
Laura Russo (Catalogada) e o Acervo Jorge Nagle &amp; Ênio Casalecchi (Em processamento),
além de itens de destaque histórico como a obra de 1876 de Melvil Dewey: A classification and
subject index for cataloguing and arranging the books and pamphlets of a library.

4 CONCLUSÕES

Como foi apontado, o acervo da biblioteca histórica da Fundação Escola de Sociologia
e Política de São Paulo é uma importante fonte de informações para a elaboração de dezenas de
estudos e pesquisas e certamente se constitui em um legado para a Biblioteconomia Brasileira.

�REFERÊNCIAS
BERLINCK, Cyro. Liderança e liberdade. Sociologia: revista dedicada à teoria e pesquisa nas
Ciências Sociais, São Paulo, v. 26, n. 3, p. 281-305, 1964. Disponível em:
http://biblioteca.fespsp.org.br:8080/pergamumweb/vinculos/000011/00001102.pdf. Acesso
em: 18 out. 2021.
BERLINCK, Cyro. Relatório anual do diretor (1942). Anuário da Escola Livre de
Sociologia e Política de São Paulo: (Instituição Complementar da Universidade de São
Paulo), São Paulo,10. ano letivo, p. [9-16], 1943.
BERLINCK, Manoel Tosta. A criação da ELSP. In: KANTOR, Iris; MACIEL, Débora Alves;
SIMÕES, Júlio Assis (org.). A Escola Livre de Sociologia e Política: anos de formação:
1933-1953: depoimentos. 2. ed. São Paulo: Sociologia e Política, 2009. [292] p. ISBN 97885-62116-01-8. p. 163-170.
BIBLIOTHECA. In: ESCOLA LIVRE DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO.
Memorial apresentado pela Escola Livre de Sociologia e Política aos Exmos. Srs.
Deputados a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. [São Paulo: Assembleia
Legislativa, 1935]. p. 8-9.
FIGUEIREDO, Maria Conceição. Biblioteca e Arquivo. Anuário da Escola Livre de
Sociologia e Política de São Paulo: (Instituição Complementar da Universidade de São
Paulo), São Paulo, 7. ano letivo, p. [111], 1940.
KANTOR, Iris; MACIEL, Débora Alves; SIMÕES, Júlio Assis (org.). A Escola Livre de
Sociologia e Política: anos de formação: 1933-1953: depoimentos. 2. ed. São Paulo:
Sociologia e Política, 2009. [292] p. ISBN 978-85-62116-01-8.
MORAES, Rubens Borba de. Da Semana de Arte Moderna à Fundação da Escola Livre: no
calor de 1932. In: KANTOR, Iris; MACIEL, Débora Alves; SIMÕES, Júlio Assis (org.). A
Escola Livre de Sociologia e Política: anos de formação: 1933-1953: depoimentos. 2. ed.
São Paulo: Sociologia e Política, 2009. [292] p. ISBN 978-85-62116-01-8. p. 199-208.
NORONHA, Daisy Pires; APÓSTOLO, Maria das Mercês Pereira; PAULINO, Evanda (org.).
Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação: retrato de uma escola: 1940-2000.
São Paulo: FESPSP, 2000. 112 p.

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                <text>Buscou-se apresentar pistas sobre a construção e a formação da biblioteca histórica da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Realizou-se um levantamento bibliográfico de textos institucionais que relatam a história da Fundação para apoiar a revisão de literatura e a pesquisa documental encontrada. A partir do contato com a documentação descobriu-se que a organização de uma biblioteca universitária de Ciências Sociais fez-se parte relevante no projeto de fundação da Escola Livre de Sociologia e Política. Pela perspectiva de tradição destacam-se alguns elementos: o empréstimo circulante, uma bibliografia com base em pesquisas de docentes e acolhimento de acervos afins. Ao longo de nove décadas a biblioteca histórica da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo tornou-se em uma importante fonte de informações para a elaboração de dezenas de estudos e pesquisas, como foi apontado e certamente se constitui em um legado para a Biblioteconomia Brasileira.</text>
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                    <text>Eixo 1 - Tradição
BIBLIOTECÁRIO DE BU’S NO SÉCULO XXI: NECESSIDADES, DESAFIOS E
POSSIBILIDADES REALÇADOS PELA PANDEMIA
BU’S LIBRARIAN IN THE 21ST CENTURY: NEEDS, CHALLENGES AND POSSIBILITIES
STRESSED BY THE PANDEMICSTRESSED BY THE PANDEMIC
OLIVEIRA, Larissa Rosa de1
SILVA, Karla Rodrigues da22

Resumo: Apresenta um olhar sobre os principais desafios que afetam o bibliotecário universitário na atualidade, com
enfoque naqueles realçados pela COVID-19 nos últimos dois anos. Objetiva apontar os desafios inerentes à prática
bibliotecária ao longo do século XXI, em especial no que se referem a habilidades necessárias para o desenvolvimento
de suas atividades profissionais, a partir de percepções derivadas das percepções teórico-conceituais da literatura sobre
a questão. Tem como procedimentos metodológicos a realização de pesquisa descritiva-explicativa, com abordagem

qualitativa e natureza aplicada. Aponta como resultados um levantamento das habilidades necessárias para a
prática profissional, desde as chamadas habilidades técnicas – que são inerentes à própria profissão do
bibliotecário – quanto às chamadas habilidades socioemocionais, essenciais em um período de mudanças tão
bruscas como tem sido os anos de 2020 e 2021. Conclui que, apesar da relevância de habilidades técnicas e
gerenciais, se faz cada vez mais premente o desenvolvimento de habilidades emocionais, que permitam uma
atuação profissional mais pautada nas necessidades do usuário, compreendendo suas limitações e dificuldades.

Palavras-chave: Bibliotecário. Biblioteca universitária. Habilidades e competências. Pandemia de COVID-19.
Abstract: It presents a look at the main challenges that currently affect the university librarian, focusing on
those highlighted by COVID-19 in the last two years. It aims to point out the challenges inherent to library
practice throughout the 21st century, especially with regard to the skills needed for the development of their
professional activities, based on perceptions derived from the theoretical-conceptual perceptions of the
literature on the issue. Its methodological procedures are to carry out descriptive-explanatory research, with
a qualitative approach and applied nature. The results indicate a survey of the skills needed for professional
practice, from the so-called technical skills - which are inherent to the librarian's profession itself - to the
so-called socio-emotional skills, essential in a period of such sudden changes as the years 2020 and 2021. It
concludes that, despite the relevance of technical and managerial skills, the development of emotional skills
is increasingly urgent, allowing a professional performance more based on the user's needs, understanding
their limitations and difficulties.
Keywords: Librarian. University library. Skills and competences. COVID-19 pandemic.

1 INTRODUÇÃO
Segundo a Lei nº 9.674, de 25 de junho de 1998, o exercício da profissão de
bibliotecário é privativo ao bacharel em Biblioteconomia, com registro apropriado no órgão
de classe (BRASIL, 1998, online). Toda biblioteca deve ser regida por um bibliotecário, visto
que a atuação profissional demanda habilidades e competências específicas para o
desenvolvimento de suas atividades. E isso se faz cada vez mais acentuado com a revolução
tecnológica que vivenciamos nos últimos anos, já que o uso dos mais variados recursos
1

Mestranda em Ensino na Educação Básica pelo PPGEEB-Cepae/UFG. E-mail: Larissa.nef@gmail.com.
Mestranda em Ensino na Educação Básica pelo PPGEEB-Cepae/UFG. Bibliotecária na Biblioteca Central –
UFG. E-mail: rodrigues.krs@hotmail.com
2

�tecnológicos (computadores, smartphones, smart speakers, smartwatches, smart tvs,
lâmpadas inteligentes...) é cada vez mais comum em nossa sociedade.
Nessa rotina cada vez mais tecnológica, percebe-se que a educação e as bibliotecas
também acabam sendo afetadas por esses processos, fazendo com que os profissionais
necessitem cada vez mais do desenvolvimento de novas habilidades e competências para se
inserir e se capacitar a esse mercado.
As bibliotecas universitárias são afetadas pelas tecnologias de informação e pelo
desenvolvimento tecnológico. Entretanto, mesmo perante a realidade que possibilita o acesso
à documentos das bibliotecas através de um clique, por meio dos repositórios e bibliotecas
digitais, muitas bibliotecas ainda têm acervos constituídos em sua maioria por valiosos
materiais em formato impresso e não digitalizados: obras raras, coleções especiais, além de
seus acervos gerais; e estes muitas vezes, são essenciais para pesquisas científicas e históricas.
De forma geral, este trabalho objetiva apontar as principais dificuldades e desafios na
atuação do bibliotecário universitário na atualidade. Para isso, objetiva especificamente:
• elencar as habilidades e competências necessárias para a atuação bibliotecária em
BU’s;
• discutir sobre o papel da tecnologia e as implicações da COVID-19 na prática
profissional do bibliotecário;
• apontar os principais desafios e possibilidades em relação à atuação bibliotecária no
século XXI.
A partir das observações levantadas, pretende-se discutir sobre o impacto do panorama
social na prática bibliotecária no século XXI, em especial no que diz respeito às habilidades
profissionais e pessoais necessárias para o exercício da função nas BU’s, após a deflagração
da crise mundial de COVID-19.
2 MÉTODO
Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, visto que adota enfoque
interpretativista e compreende que “o mundo e a sociedade devem ser entendidos segundo a
perspectiva daqueles que o vivenciam” (GIL, 2021, p. 63), ao mostrar as competências e
habilidades inerentes à prática profissional do bibliotecário e as dificuldades realçadas pela
pandemia de COVID-19 na sua atuação frente às bibliotecas universitárias.
Possui natureza aplicada, pois busca ampliar o conhecimento científico (PERDIGÃO;
HERLINGER; WHITE, 2012), apresentando levantamento teórico sobre as principais

�habilidades e competências necessárias para a prática profissional bibliotecária no século
XXI.
Em relação à classificação, configura-se como pesquisa descritiva-explicativa, já que
vai “além da simples identificação de existência entre as variáveis, pretendendo determinar a
natureza dessa relação” (GIL, 2021, p. 27), ao apontar o impacto causado pelas dificuldades
sociais, tecnológicas e profissionais na atuação dos bibliotecários em BU’s durante a
pandemia de COVID-19 no Brasil.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Segundo o Dicionário Online de Português (2021), habilidade é a “capacidade” de se
executar uma ação, ao passo que competências são o conjunto dessas habilidades ou
conhecimentos. No que tange ao bibliotecário universitário, autores como Oliveira e Moraes
(2020) apontam dezessete (17) competências e habilidades necessárias para a atuação como
gestor de uma BU: a capacidade de gerir a unidade de informação; comunicação; liderança
e trabalho em equipe; atuação ética; responsabilidade; habilidades técnicas inerentes à
profissão; concentração; criatividade e inovação; solução de problemas de forma lógica;
planejamento; fluência em outros idiomas; organização; mediação de conflitos; ser capaz
de delegar; dinamicidade; proatividade e flexibilidade.
Percebe-se que as autoras citam características inerentes tanto às especificidades
técnicas da atuação profissional do bibliotecário, quanto a habilidades e competências
interpessoais. Todas essas características são essenciais na prática do bibliotecário universitário,
mas observamos que, com o avanço tecnológico, outras necessidades passaram a ser
observadas.
E com a deflagração da pandemia, e consequente passagem para o ensino remoto, mais
desafios surgiram e se fizeram presentes no cotidiano das BU’s, de modo que esses espaços – e
profissionais - precisaram encarar novos desafios para conseguir oferecer serviços e produtos
condizentes à realidade com o intuito de atender seus usuários. Para tanto, substancialmente fezse necessário o uso das tecnologias existentes que se atualizam e sofrem mudanças constantes a
fim de adaptar as metodologias e práticas existentes e adotar novas possibilidades.
Não obstante, os bibliotecários nelas atuantes precisaram desenvolver competências e
habilidades necessárias diante desse cenário, assim como profissionais de outras áreas.
Empresas voltadas para a seleção de candidatos, como a plataforma Vagas (2021), listam
algumas dessas competências necessárias, corroborando os estudos de Reis (2020) e Oliveira e

�Moraes (2020), como: adaptabilidade e flexibilidade; habilidades digitais; criatividade e
inovação; conhecimento em dados; pensamento crítico e autonomia e inteligência
emocional.
Segundo Reis (2020), o bibliotecário do futuro (e do presente) precisa desenvolver as
chamadas soft skills, consideradas por Goleman como “competências baseadas nas
competências socioemocionais” (GOLEMAN, 1995 apud REIS, 2020, on-line). Para a autora,
são cinco as soft skills essenciais para a atuação bibliotecária no século XXI: colaboração,
resiliência; liderança; empatia e comunicação eficaz.
Tanto Reis (2020) quanto Oliveira e Moraes (2020) listam habilidades socioemocionais
como essenciais, em especial em um período de mudanças tão bruscas como tem sido os anos
de 2020 e 2021. A pandemia de COVID-19 realçou dificuldades sociais, emocionais,
econômicas e de saúde pública. Impactou o ensino, ao fazer com que universidades, que antes
tinham ensino predominantemente presencial, se adaptassem às tecnologias para minimizar
perdas na relação de ensino-aprendizagem a partir da utilização do ensino remoto emergencial.
E isso é descrito por Reis (2020), quando afirma que é necessário que bibliotecários
compreendam a necessidade do equilíbrio entre o lado técnico da profissão e o lado humano.
Para a autora, o bibliotecário do século XXI, e porque não dizer, o profissional que se necessita
pós-crise, é aquele que tem a:
habilidade técnica (hard skill) de entender a tecnologia e capacidade humana (soft
skill) de mediar para outro ser humano. O bibliotecário é o profissional capaz de
traduzir a necessidade do usuário, de transformá-la e entregá-la através da mediação. É
isso que nos torna humanos em biblioteconomia. E isso que nos faz sobreviver (REIS,
2020, on-line).

Desse modo, podemos concluir que, apesar de todas as mudanças tecnológicas
vivenciadas ao longo da crise decorrente da COVID-19, fica claro que a principal habilidade a
ser desenvolvida pelo bibliotecário do século XXI é a empatia. A capacidade de se importar. A
capacidade de sermos, efetivamente, humanos.
4 CONCLUSÕES
É fundamental que o bibliotecário atuante nas bibliotecas universitárias (BU’s) se
adapte às mudanças sofridas pelo seu ambiente profissional, as BU’s. A pandemia da COVID19 veio realçar a necessidade de o profissional bibliotecário estar sempre se atualizando,
desenvolvendo habilidades e competências necessárias à boa execução de seu trabalho.
E, apesar de todas as habilidades técnicas que se espere de um profissional de
Biblioteconomia, que englobem o tratamento temático e descritivo da informação, sua

�recuperação e acesso, é necessário que o bibliotecário desenvolva, também, suas habilidades
gerenciais e humanas.
É necessário que esse profissional seja capaz de gerir sua biblioteca ou unidade de
informação, que desenvolva habilidades de liderança, de flexibilidade, de crítica e autocrítica,
mas principalmente, que desenvolva as habilidades que o configurem como ser social. Que se
importe com o outro e que tenha, em seu âmbito profissional, a capacidade de entender as
necessidades de seu usuário e, a partir delas, solucionar o problema informacional desse
indivíduo, se lembrando necessidades específicas daquele que busca atender. De forma
resumida, é mediar a ponte entre informação e usuário. É ser justo com as demandas que lhe
são atribuídas. É ser empático. É ser, literalmente, humano.
REFERÊNCIAS
6 COMPETÊNCIAS pós-coronavírus que todo bom colaborador deve ter. Vagas for
business. 2021. Nome do site, ano. Disponível em: https://forbusiness.vagas.com.br/blog/6competencias-pos-coronavirus/. Acesso em: 17 out. 2021.
BRASIL. Lei nº 9.674, de 25 de junho de 1998. Dispõe sobre o exercício da profissão de
Bibliotecário e determina outras providências. Brasília, 1998. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9674.htm. Acesso em: 18 ago. 2021.
COMPETÊNCIA. In.: Dicio, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2021.
Disponível em: https://www.dicio.com.br/habilidade/. Acesso em: 16 set. 2021
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2021.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que define o que é ser
inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996.
HABILIDADE. In.: Dicio, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2021.
Disponível em: https://www.dicio.com.br/competencia/. Acesso em: 16 set. 2021
OLIVEIRA, Larissa Rosa de; MORAIS, Marizângela Gomes de. Percepções conceituais
sobre a atuação do bibliotecário na gestão de bibliotecas universitárias. In: CORDEIRO,
Douglas Farias; CASSIANO, Kátia Kelvis; SANTOS, Andréa Pereira dos; SILVA, Núbia
Rosa da. Mídias, informação e ciência de dados: pesquisas, tendências e interfaces.
Goiânia: Cegraf UFG, 2020. p.262-274.
PERDIGÃO, Dulce Mantella; HERLINGER, Maximiliano.; WHITE, Oriana Monarca.
Teoria e prática da pesquisa aplicada. Rio de Janeiro, RJ, Brasil: Elsevier, 2012.
REIS, Andreza. Soft skills: porque devemos desenvolver humanidades em Biblioteconomia.
In: Doce Biblioteca, Rio de Janeiro, jun. 2020. Disponível em:
https://docebiblioteca.com.br/soft-skills-como-desenvolver-na-bibliotecomia/. Acesso em: 14
set. 2021.

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                <text>Apresenta um olhar sobre os principais desafios que afetam o bibliotecário universitário na atualidade, com enfoque naqueles realçados pela COVID-19 nos últimos dois anos. Objetiva apontar os desafios inerentes à prática bibliotecária ao longo do século XXI, em especial no que se referem a habilidades necessárias para o desenvolvimento de suas atividades profissionais, a partir de percepções derivadas das percepções teórico-conceituais da literatura sobre a questão. Tem como procedimentos metodológicos a realização de pesquisa descritiva-explicativa, com abordagem qualitativa e natureza aplicada. Aponta como resultados um levantamento das habilidades necessárias para a prática profissional, desde as chamadas habilidades técnicas – que são inerentes à própria profissão do bibliotecário – quanto às chamadas habilidades socioemocionais, essenciais em um período de mudanças tão bruscas como tem sido os anos de 2020 e 2021. Conclui que, apesar da relevância de habilidades técnicas e gerenciais, se faz cada vez mais premente o desenvolvimento de habilidades emocionais, que permitam uma atuação profissional mais pautada nas necessidades do usuário, compreendendo suas limitações e dificuldades.</text>
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                    <text>Eixo Temático 3: Inovações
AÇÃO CULTURAL EM TEMPOS DE PANDEMIA: DO PRESENCIAL AO VIRTUAL NA
BIBLIOTECA DO IFRJ/CVR
CULTURAL ACTION IN TIMES OF PANDEMIC: FROM PRESENTIAL TO VIRTUAL IN THE
IFRJ/CVR LIBRARY
CINTIA VALERIA WAGNER1

Resumo: O presente trabalho se caracteriza como uma ação cultural que por sua importância tornou-se abertura da
Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão que ocorre anualmente no campus Volta Redonda do Instituto Federal do Rio
de Janeiro destacando o estimulo a leitura e promovendo socialização e integração entre os usuários da comunidade
acadêmica dentro do ambiente da biblioteca. Para a construção do trabalho foi realizada revisão de literatura acerca do
tema ação cultural em ambientes virtuais. Como metodologia utilizamos a pesquisa bibliográfica em artigos e livros
acerca da temática e por meio de pesquisa observacional foi constatada a satisfação dos usuários. Concluímos que com
a chegada da pandemia aconteceu um impacto de aceleração e transformação nas interações com os usuários através da
internet como meio facilitador e fundamental para a execução das demandas. Com uma atuação cada vez maior nos
meios digitais as bibliotecas se adequaram e ofereceram serviços onde às demandas presenciais passaram a ser virtuais.
De uma forma positiva as ações culturais em formato digital atingiram êxito esperado.

Palavras-chave: Bibliotecas Técnicas. Projeto Café Literário. Ação Cultural. Formato Digital.
Abstract: The present work is characterized as a cultural action that for its importance became the opening of the
week of Teaching, Research and Extension that occurs annually on the Volta Redonda campus of the Federal
Institute of Rio de Janeiro highlighting the encouragement of reading and promoting socialization and integration
among users of the academic community within the library environment. To build this work, a literature review
was carried out about the theme cultural action in virtual environments. As a methodology we used the
bibliographic research in articles and books about the theme and through observational research it was verified the
satisfaction of the users. We conclude that with the arrival of the pandemic there was an acceleration and
transformation impact on the interactions with users through the internet as a facilitator and fundamental means
for the execution of demands. With an increasing performance in the digital media, libraries have adapted and
offered services where face-to-face demands have become virtual. In a positive way, the cultural actions in digital
format have achieved the expected success.
Keywords: Technical Libraries. Literacy cofee Project. Cultural Action. Digital Format.

1

Bibliotecária Especialista. IFRJ/CVR. Cintia.wagner@ifrj.edu.br

�1 INTRODUÇÃO
A ação cultural desenvolvida na biblioteca visa estimular a criatividade dos usuários além de
integra-los e socializa-los a este ambiente. Em tempos de pandemia tivemos que nos adaptar e passar
está demanda do presencial para o virtual devido ao isolamento social imposto pelo governo para
salvaguardar a integridade física dos cidadãos.
Como um meio facilitador a internet foi fundamental na construção de mecanismos gratuitos
promovendo a interação da atividade cultural e o usuário possibilitando seu compartilhamento e
derrubando fronteiras geográficas que antes no presencial eram limitadoras e ao passar para o virtual
se tornou sem fronteiras. O presente trabalho apresenta de forma sucinta a essência do projeto, suas
características, métodos e resultados.

2 MÉTODO

Café Literário, projeto cultural da SEMEPE (Semana de Pesquisa, Ensino e Extensão), é um
evento temático para alunos, servidores e comunidade local do IFRJ campus Volta Redonda no qual
são realizadas diversas atrações culturais como música, dramatização, dança e arte culinária.
Tem como objetivo divulgar a cultura regional através da arte em seus variados aspectos tais
como dramatizações, músicas, danças e arte culinária, focando a autor (a) homenageado (a). Em sua
organização são definidas sugestões de três autores nacionais para a comunidade acadêmica
escolher via formulário eletrônico. O vencedor será o autor (a) homenageado (a) do ano e a partir
desta definição todo o evento é focado e desenvolvido com base na vida, região e bibliografia do
autor. O regulamento do evento descreve as diretrizes do mesmo.

Resultado da votação para escolha do autor pelo formulário Google

�O marketing é feito por canais oficiais do Instituto e outros canais digitais como Facebook,
Instagran, Twiter abrindo período para inscrições. Os inscritos mandam seus vídeos gravados ou
podem participar ao vivo no dia e horário definido para o evento. O evento acontece na plataforma
Even3 e depois é disponibilizado no Youtube. Os certificados de participação para quem apresentou
atividades são confeccionados e remetidos via e-mail.
.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Revendo as estatísticas do evento em anos anteriores, a média do público que prestigiou foi
à mesma, no entanto com o fator virtual podemos constatar que participantes de outras instituições
de ensino de outros municípios e estados se inscreveram para apresentar suas atividades e
acompanhar a exibição do evento. Este novo horizonte que se abriu devido ao uso da tecnologia nos
deixou muito entusiasmados. Neste contexto as mídias sociais, são ambientes virtuais que
propiciam a troca de informações, bem como outros tipos de interação e relacionamento entre
pessoas, grupos e instituições.
A ideia de “mídia social”, aqui, busca salientar o efeito do canal, principalmente através de
sua apropriação social emergente como eco, reforço e amplificação de informações. A
própria estrutura da internet dá potencial de mídia de massa às informações geradas nos
sites de rede social, amplificando os efeitos do dito neste espaço. (RECUERO, 2013, p.2)

Já a importância da ação cultural nas bibliotecas de acordo com Coelho e Távora (2011, p.2)
argumentam que “A Biblioteca como instrumento de ação cultural tem como missão promover
serviços de apoio à aprendizagem e fornecer informação aos membros da comunidade seja ele
pública, especializada ou universitária, oferecendo-lhes a possibilidade de se tornarem pensadores
críticos”.

�Tela do Youtube: abertura do evento Café Literário 2020

No que tange ainda sobre os resultados foi analisada a satisfação dos participantes e o seu
feedback por meio de pesquisa observacional, ao qual foi constatado que os mesmos estavam muito
satisfeitos com o projeto neste novo formato e pretendem participar nas próximas edições.

4 CONCLUSÕES

Usar a internet de forma assertiva não deixa dúvidas dos resultados obtidos nesse processo
ao longo da quarentena imposta por causa da pandemia do Coronavírus. Levando em consideração
a adaptação do presencial para o virtual o projeto teve boa receptividade por parte dos usuários
ampliando sua atuação em território nacional.
Aleixo (2014) também aponta que o acompanhamento das ações postas em prática e a
verificação do retorno por parte do usuário possibilita um direcionamento das próximas estratégias
a serem utilizadas. Desta forma, é possível verificar o que é eficaz, o que funciona, o que pode
melhorar detectar falhas e, assim, solidificar a imagem para atingir um determinado público-alvo.
Pode-se afirmar que este formato chegou para ficar. Pensamos em realizar este evento no
futuro próximo de forma hibrida presencial/virtual de modo que amplifique ainda mais o raio de
ação do mesmo.

�REFERÊNCIAS

ALEIXO, S. R. et al. Marketing Digital e o Uso das Redes Sociais como Ferramenta no
Processo de Recrutamento e Seleção no Setor Offshore. XI Simpósio de Excelência em Gestão e
Tecnologia. 2014.
COELHO, Maria Elvira Rodrigues, TAVORA, Vladmir de Araújo. Unidades de informação com
instrumentos de ação cultural e educativa. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIENCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2011,
Maceió. Anais ... Maceió: FEBAB, 2011.
RECUERO, R. A Rede é a mensagem: Efeitos da Difusão de Informações nos Sites de Rede
Social. In: Eduardo Vizer. (Org.). Lo que Mcluhan no previó. v. 1. 1. ed. Buenos Aires: Editorial La
Crujía, p. 205-223. 2013.

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                <text>O presente trabalho se caracteriza como uma ação cultural que por sua importância tornou-se abertura da Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão que ocorre anualmente no campus Volta Redonda do Instituto Federal do Rio de Janeiro destacando o estimulo a leitura e promovendo socialização e integração entre os usuários da comunidade acadêmica dentro do ambiente da biblioteca. Para a construção do trabalho foi realizada revisão de literatura acerca do tema ação cultural em ambientes virtuais. Como metodologia utilizamos a pesquisa bibliográfica em artigos e livros acerca da temática e por meio de pesquisa observacional foi constatada a satisfação dos usuários. Concluímos que com a chegada da pandemia aconteceu um impacto de aceleração e transformação nas interações com os usuários através da internet como meio facilitador e fundamental para a execução das demandas. Com uma atuação cada vez maior nos meios digitais as bibliotecas se adequaram e ofereceram serviços onde às demandas presenciais passaram a ser virtuais. De uma forma positiva as ações culturais em formato digital atingiram êxito esperado.</text>
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                    <text>Eixo 1 – Tradição
PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO X TECNOLOGIAS: UMA FAMILIARIDADE
NECESSÁRIA
INFORMATION WORKER VS. TECHNOLOGIES: A NECESSARY FAMILIARITY
Camila de Cássia Brito1
Resumo: Este resumo tem como objetivo apresentar a visão da equipe Help Desk de uma Biblioteca
universitária no que tange as dificuldades e possibilidades de oferta de treinamentos do Portal de Periódicos da
Capes, na modalidade online utilizando plataformas de web conferência baseados no fundamento de direito a
educação pela Constituição (1988) e nos estudos de Yamashita (2012) e Crisostimo (2017) referentes a
capacitação do profissional da informação e na adaptação de serviços a partir do uso de Tecnologias. Como
resultados, apresenta-se uma análise geral da equipe Help Desk com pontos positivos e negativos para além da
subjetividade em que apontam quais desafios ainda são enfrentados por falta de recursos e conclui-se refletindo
acerca da importância de capacitação constante de bibliotecários atuantes nestas novas modalidades de
treinamento, mas também apresenta como o uso de tecnologia possibilita um maior alcance de usuários, visando
a continuidade do apoio ao desenvolvimento acadêmico cientifico.

Palavras-chave: Biblioteca – capacitação. Profissional da informação. Portal de Periódicos da Capes.
Treinamento de usuários.
Abstract: The current study aims to present the view of the Help Desk team of a university library,
demonstrating the difficulties and possibilities of offering training on the CAPES Journal Portal, in online mode,
using web conference platforms based on the foundation of the right to education by the Constitution (1988) and
in the studies by Yamashita (2012) and Crisostimo (2017) regarding the training of information professionals
and the adaptation of services based on the use of technologies. The results showed a general analysis of the
Help Desk team with positive and negative points beyond the subjectivity in which they point out which
challenges are still faced due to lack of resources. We conclude on the importance of constant training of
librarians who are active in these new training modalities, but also show how the use of technology enables a
greater reach of users, aiming at the continuity of support for scientific academic development.
Keywords: Library – training. Information professional. Capes Journal Portal.

1 INTRODUÇÃO
O presente estudo é resultado da necessidade de novas modalidades de disseminação
da informação a partir do ambiente digital ao tocante a experiência de oferta de treinamentos
online mediante o contexto sanitário mundial ocasionado pela pandemia do Coronavírus
(Sars-CoV-2)2 no mundo em meados de 2020 – 2021, por uma Universidade Federal Pública

1

Mestranda em Linguagens e Saberes na Amazônia (UFPA). Especialista em Gestão de Unidades de Informação (IPGC).
Bacharel em Biblioteconomia (UFPA). Bibliotecária -UFPA – Setor de Periódicos. Email:camilacbrito@ufpa.br .
2 É um vírus que causa uma doença respiratória —a covid-19— pelo agente coronavírus, identificado em dezembro de 2019
na China, que se espalhou pelo mundo, No Brasil os primeiros casos foram identificados no inicio do ano de 2020 e em
março do mesmo ano, a Organização Mundial da Saúde decretou estado de calamidade pública mundial oficializando
Pandemia.

�no município de Belém – PA. Sendo a educação direito de todos (BRASIL, 1988), a
Universidade, em suas diferentes instâncias formativas, fortalece a interação acadêmica em
torno de serviços e produtos ofertados a partir da Biblioteca que versem sobre a produção e
disseminação

do

conhecimento,

focado

na

responsabilidade

social

universitária.

(CRISOSTIMO, 2017). A missão da Biblioteca em disseminar e desenvolver conhecimento
garanti a adequada continuidade na oferta de serviços aos usuários levando em consideração a
modalidade de oferta mediante as condições necessárias para dar prosseguimento ao apoio
acadêmico até então, oferecido presencialmente, pretendendo alcançar maior público.
Entretanto, o foco desse estudo se concentra no processo de adaptação da equipe de
bibliotecárias responsáveis pela oferta dos serviços de treinamento online mostrando como a
tecnologia pode disponibilizar a informação numa maior abrangência de usuários, sendo
usada como opção a ser explorada pelo profissional na disseminação da informação, mas
também pode ser um grande desafio quando não se tem capacitação suficiente dos
profissionais que a utilizam. pois “as tecnologias desafiam o bibliotecário no desempenho de
seu trabalho e até mesmo na sua função social, além de tornarem a mediação um processo
mais significativo para o acesso à informação”. (YAMASHITA, 2012, p. 166).
Partindo dessa concepção, a proposta deste estudo consiste como objetivo geral
apresentar dados relacionados aos treinamentos oferecidos no período de Janeiro a Junho (1º
semestre de 2021), no Portal de Periódicos da Capes pela equipe Help Desk da Biblioteca
Central da Universidade Federal do Pará (UFPA) expondo o crescimento na quantidade de
usuários atendidos ao longo desse período refletindo a grande procura pelo serviço, e como
objetivo especifico elucidar os pontos positivos e negativos na oferta desses treinamentos na
visão da equipe de bibliotecárias atuantes, fazendo a discussão acerca da constância em
capacitações e das condições necessárias para a continuidade da atividade, mesmo após a
finalização das restrições de segurança sanitária.
2 MÉTODO
Este estudo foi baseado em um levantamento de natureza quali-quantitativo a partir
dos relatórios construídos, haja vista que apresentam dados numéricos relacionados a
demanda de procura pelo treinamento do Portal de Periódicos da Capes na modalidade
online. Para coleta destes dados, utilizou-se os formulários de inscrições e de avaliações,

�onde também foram identificados os pontos positivos e negativos acerca da promoção do
serviço pela equipe Help Desk. Dessa maneira, para o Treinamento do Portal de Periódicos
da Capes no formato de web conferência, consideramos como metodologia, a utilização das
plataformas de web conferência já disponíveis que passaram a ser as principais ferramentas
de uso, que são as plataformas Google Meet3 e a RNP4.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Qualquer treinamento necessita de preparação do instrutor. Segundo Yamashita
(2012), um bom planejamento para uso de tecnologias de informação, possui um conjunto de
processos de trabalho da biblioteca podendo oferecer as vantagens tangíveis da utilização
dessas ferramentas por causa da transmissão viral e exponencial da informação
principalmente nas redes sociais. Neste caso, são realizadas atividades de início, meio e fim
para a realização do mesmo, como podemos visualizar a seguir no quadro 1, vejamos:
Quadro 1 – Planejamento do treinamento e suas fases

INICIO

Confirmação da solicitação de
treinamento para turmas de
alunos ou demais profissionais
(via email);
Oferta via calendário para
público aberto com data e horário
pré definidos pela equipe.

Abertura da sala via plataforma de
web conferencia com pelo menos
30 minutos antes do início.

Disponibilização da ficha de
inscrição para controle de
quantitativo a partir da
plataforma utilizada e
controle de frequência.

Confecção da folha
de frequência e de
formulário de
avaliação;

Envio do link de acesso a sala
(por whtassap e
email) para os inscritos,
acompanhado das orientações
quanto ao uso de microfone e
câmera durante o treinamento.

Gravação ou não do
treinamento
mediante
autorização prévia
dos participantes de
acordo com as
funcionalidades da
plataforma usada.
Informes gerais para
contato institucional;

MEIO

Inicio do Treinamento

FIM

Envio da folha de frequência ao
assistente (bolsista) para
confecção e envio dos
certificados após avaliação;

Controle dos links da lista de
frequência e do formulário de
avaliação;

A partir da existência da gravação, envio aos
participantes que a solicitam e arquivamento para fins
de uso institucional.

Preparação do
treinamento a partir
da identificação das
áreas acadêmicas
dos inscritos
(análise das
inscrições)

Apresentação e
considerações
iniciais acerca do
Treinamento;

Finalização do
treinamento e da
web conferencia.

Relatório final e
avaliação da equipe
(pontos negativos e
positivos, alterações
etc)

Fonte: Autora, 2021
3

Google Meet é um serviço de comunicação por vídeo desenvolvido pelo Google. É um dos dois serviços que substituem a
versão anterior do Google Hangouts, o outro é o Google Chat.
4 É uma rede avançada de alcance nacional para educação superior, pesquisa e inovação. Criada pelo Ministério de Ciencia e
Tecnologia (MCT), com o objetivo deconsturi uma infraestrutura nacional de rede de internet de âmbito acadêmico.

�3.1 Discussão
Mesmo já existindo a bastante tempo a modalidade de ensino da EAD (Educação a
Distância), foi readaptada a situação emergencial no Brasil com a utilização profunda das
plataformas de web conferências. Entretanto, esses recursos são passíveis de algumas
limitações e desafios pessoais de profissionais da informação que até então não os utilizavam
em seu ambiente de trabalho. Na avaliação da equipe Help Desk em questão, há vários pontos
que devem ser analisados pela Instituição visando a melhoria na oferta do serviço a partir da
constante capacitação profissional e da disposição de equipamentos com qualidade necessária
para o desenvolvimento dos treinamentos. vejamos a seguir:
Quadro 2 - Pontos negativos e positivos
Pontos negativos

Resultados

Dependência constante de conexão de
internet

A internet pode ter oscilações conforme o uso da rede que pode
ocorrer por fatores como ações naturais, como chuva, queda de energia
etc.
Impossibilita a participação do usuário que não possua acesso a
internet
Necessita-se de capacitações constantes das plataformas e outras
ferramentas que auxiliem na realização dos treinamentos
É necessária uma atenção maior às dúvidas e compreensão dos
participantes, visto que quase sempre não se há o contato visual na
modalidade online.

A falta de familiaridade com as
plataformas de web conferência

Qualidade dos treinamentos

Dessa maneira, aumenta o tempo de treinamento influenciando em um
desgaste físico e psicológico pelos participantes e pelo instrutor.

Pontos positivos

Resultados

Não necessita de deslocamento físico

Os participantes podem está em qualquer lugar com acesso à internet
Integra participantes de diferentes localidades, garantindo uma
quantidade maior de participações

Maior inclusão a diferente púbicos

Integra participantes de diferentes localidades, garantindo uma
quantidade maior de participações

Maior oferta

No modo remoto, é mais rápido o atendimento às solicitações, já que
não necessita de deslocamento físico do instrutor e dos participantes,
podendo ser ofertado várias vezes ao mês

Fonte: autora, 2021

Todavia, os pontos positivos não anulam os negativos, pois os primeiros só
conseguem existir se as mínimas condições forem dadas para que os pontos negativos sejam
superados e⁄ou minimizados. Entretanto, mesmo diante desse panorama a procura pelos
treinamentos online aumentou consideravelmente, dando continuidade as capacitações de
alunos, servidores públicos e demais profissionais de diferentes áreas. O gráfico 1 a seguir,

�nos apresenta o crescimento exponencial de participações no período de janeiro a junho de
2021.
Gráfico 1 – Quantidade de usuários atendidos (Janeiro – Junho ) 2021.

Fonte: Autora, 2021

Ressalta-se que essa crescente participação se deu pela inserção da oferta de
treinamentos online no calendário de eventos da Biblioteca Central possibilitando também a
participação de usuários externos à instituição.
4 CONCLUSÕES
Nessa modalidade de ensino – aprendizagem, são várias as dificuldades recorrentes da
falta de recursos tecnológicos, mas também subjetivos, como preparação, conhecimento,
adaptação pessoal a novas modalidades de trabalho que devem ser consideradas nestas
situações de mudanças repentinas de oferta educacional. E nesse contexto, a falta de
capacitação do profissional da informação é extremamente prejudicial no desenvolvimento de
tais tarefas com utilização das TIC’s influenciando na qualidade de oferta dos serviços já
existentes que foram adaptados à realidade remota por conta de medidas restritivas pela
calamidade sanitária mundial.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF:
Senado Federal: Centro Gráfico, 1988
CRISOSTIMO , Ana Lúcia; SILVEIRA, Rosemari Monteiro Castilho Foggiatto (Orgs). A
extensão universitária e a produção do conhecimento: caminhos e
intencionalidades.Guarapuava: Ed. da Unicentro, 2017. 242 p. Disponível em:
https://www3.unicentro.br/ppgen/wp-content/uploads/sites/28/2017/11/A-Extens%C3%A3oUniversitaria-e-a-Produ%C3%A7%C3%A3o-de-Conhecimento.pdf. Acesso em: 20 set 2021.
YAMASHITA, D. S.; CASSARES, N. C.; VALENCIA, M. C. P. Capacitação do
bibliotecário no uso das redes sociais e colaborativas na disseminação da informação. CRB8
Digital, v. 5, n. 1, 2012. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/9819.
Acesso em: 17 out. 2021.

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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este resumo tem como objetivo apresentar a visão da equipe Help Desk de uma Biblioteca universitária no que tange as dificuldades e possibilidades de oferta de treinamentos do Portal de Periódicos da Capes, na modalidade online utilizando plataformas de web conferência baseados no fundamento de direito a educação pela Constituição (1988) e nos estudos de Yamashita (2012) e Crisostimo (2017) referentes a capacitação do profissional da informação e na adaptação de serviços a partir do uso de Tecnologias. Como resultados, apresenta-se uma análise geral da equipe Help Desk com pontos positivos e negativos para além da subjetividade em que apontam quais desafios ainda são enfrentados por falta de recursos e conclui-se refletindo acerca da importância de capacitação constante de bibliotecários atuantes nestas novas modalidades de treinamento, mas também apresenta como o uso de tecnologia possibilita um maior alcance de usuários, visando a continuidade do apoio ao desenvolvimento acadêmico cientifico.</text>
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                    <text>Eixo 1 Tradição
SETEMBRO AMARELO: AÇÕES NA BIBLIOTECA DO IQSC
YELLOW SEPTEMBER: ACTIONS IN THE IQSC LIBRARY
1

Bernadete de Lourdes da Costa Barbosa Figueiredo Filho
2
Cibele Cristina David Baldan
3
Clelia Junko Kinzu Dimário
4
Eliana de Cassia Aquareli Cordeiro

Resumo. Este relato de experiência tem como objetivo apresentar ações e atividades culturais e sociais realizadas
em bibliotecas universitárias, mais especificamente no Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de
Química de São Carlos da Universidade de São Paulo. A proposta consiste em esclarecer e orientar os alunos
quanto ao tema da prevenção do suicídio. O objetivo é o de facilitar uma maior integração com a comunidade,
promover palestras, atividades e práticas que fossem acolhedoras e em sintonia com as expectativas dos alunos.
Entende-se que instituições educadoras podem criar ambientes mais acolhedores, mais estimulantes para o
desenvolvimento de competências, habilidades sociais e emocionais. Para além de fornecer conhecimento, deve-se
favorecer a criação de estratégias que possam acolher usuários em prol de uma interação social mais ativa. A
ampla participação da comunidade do Instituto de Química da USP de São Carlos, nas atividades oferecidas,
demonstrou o interesse e o êxito da proposta.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Ações sociais. Biblioteca universitaria – usuário. Bibliotecas
universitárias – usuário - interação
Abstract: This experience report aims to present cultural and social activities carried out in university libraries,
more specifically in the Library and Information Service of the Institute of Chemistry of São Carlos, Universidade
de São Paulo [University of São Paulo]. The proposal consists of clarifying and guiding students on the topic of
suicide prevention. The objective is to facilitate greater integration with the community, promote lectures,
activities and practices that are welcoming and in line with students' expectations. It is understood that educational
institutions can create more welcoming environments, which are more stimulating for the development of
competences, social and emotional skills. In addition to providing knowledge, the creation of strategies that can
welcome users in for a more active social interaction. The broad participation of the Chemistry Institute from USP
at São Carlos, in the activities offered, demonstrated the interest and success of the proposal.

Keywords: University libraries. Social actions. University library - user. University libraries - user - interaction.

1

Bacharel em Biblioteconomia. Serviço de Biblioteca e Informação IQSC/USP. bernadete@iqsc.usp.br.
Bacharel em Química. Serviço de Biblioteca e Informação IQSC/USP. cibele@iqsc.usp.br

2
3

MBA em Gestão Estratégica de Pessoas. Serviço de Biblioteca e Informação IQSC/USP. clelia@iqsc.usp.br

4

MBA em Sistemas de Informação. Serviço de Biblioteca e Informação IQSC/USP. eliana@iqsc.usp.br

�1 INTRODUÇÃO
A biblioteca é uma instituição secular que precisa estar em constante transformação para
manter um papel cada vez mais relevante na sociedade. Ranganathan, já em 1928, ao elaborar as
“Cinco Leis da Biblioteconomia”, observava em sua quinta lei que “a biblioteca é um organismo em
crescimento”. Ademais, no entendimento do autor trata-se de uma instituição social, que deve
interagir continuamente com a comunidade e suas necessidades (PEREIRA DE SOUSA, 2016, p. 26).
Devido à sua constante vivacidade, a biblioteca universitária encontra-se em um vigoroso período de
mudanças no que diz respeito à consulta e busca pela informação. Essas mudanças se refletem no
ambiente físico, tecnológico e, principalmente, social. Logo, constata-se a necessidade de uma
adaptação à realidade e às necessidades de sua comunidade interna e externa.
Silva (2017, p.70) comenta que o processo de inovação em serviços oferecidos pelas
bibliotecas universitárias – cujo foco é o usuário - pode ser inserido em vários setores, isto é, deve-se
contemplar a “aplicação de tecnologias de informação adequadas ao atendimento a usuários do ensino
a distância, instalações físicas com a adoção de abordagens como Design Thinking, Information
Commons e a gestão do acervo”. Ainda nessa perspectiva, Sena e Chagas (2010, p. 167) também
afirmam que “[...] as bibliotecas universitárias precisam se inovar constantemente, acompanhando as
mudanças de seu público”.
Considerando as perspectivas apresentadas, torna-se premente a conscientização sobre a
atuação das bibliotecas contemporâneas, ampliando sua dimensão social, agregando novos objetivos e
responsabilidades. Esse novo olhar sobre a biblioteca deve contemplar seu espaço físico, suas
políticas de coleção do acervo e seus serviços oferecidos.
Alonso-Arévalo (2020, p.74) observa que é necessário disponibilizar um espaço físico que
favoreça, além da aprendizagem tradicional, à socialização, comunicação e cooperação entre as
pessoas: “Por eso podemos decir que el espacio se convierte en um servicio, en un recurso
estratégico de la biblioteca del siglo XXI”.
Em relação ao Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos
(SBI/IQSC), nos últimos cinco anos (2015-2020), com a mudança de pensamento proveniente de um
novo estilo de gestão, há a promoção de ações efetivamente centradas nas necessidades dos usuários,
visando assim uma maior interação e engajamento com toda a comunidade acadêmica. A biblioteca

�tem adotado a prática do estudo e análise do contexto da comunidade, sempre atenta às
mudanças sociais, aos novos comportamentos e às atitudes dos usuários.
A partir dos aspectos apresentados, observa-se que, em um mundo de transformações
contínuas, que exigem a adoção de novas formas de relacionamento e de comunicação, é imperativo i)
o estudo da utilização das diversas tecnologias e ii) as suas consequências no estado físico, mental e
emocional do ser humano. O ritmo acelerado das inovações tecnológicas facilita de forma
extraordinária o cotidiano das pessoas, mas, por outro lado, pode prejudicar os fatores associados aos
seus vínculos afetivos, emocionais e de convívio social. Igualmente, convém ressaltar que a
comunidade acadêmica não pode ficar alheia ao aumento do número de ideações suicidas em
estudantes universitários, que tem crescido de maneira estarrecedora e que exige desafios e formas de
agir voltadas para sua prevenção e intervenção.
O Serviço de Biblioteca e Informação (SBI/IQSC), dando mais um passo na direção para
ratificar seus objetivos de atuar efetivamente junto à comunidade, promoveu em 2019 a “Campanha
do Setembro Amarelo”, isto é, um evento com atividades para a conscientização sobre a prevenção do
suicídio. Entende-se que são várias as formas de realizar atividade cultural em uma biblioteca
universitária. Essas atividades vêm tendo cada vez mais importância na contribuição de um novo
paradigma para a biblioteca universitária moderna, criativa e atualizada.
Em linhas gerais, ao compartilhar essas experiências de ações centradas nas necessidades dos
usuários, o SBI/IQSC pretende demonstrar como a mudança para uma nova postura pode transformar
a biblioteca em um espaço de socialização da vida universitária, com ambientes e recursos que
favoreçam a criação do conhecimento e uma maior integração com a vida acadêmica.
2 MÉTODO
As mudanças ocorridas desde 2015 foram fundamentais para modificar a imagem e a rotina da
biblioteca do IQSC e resultaram em incentivo à equipe e maior participação dos alunos. Foram
efetivadas novas parcerias, novas iniciativas e novos serviços (tanto acadêmicos quanto sociais).
Como instituição educadora, a biblioteca pode criar ambientes mais acolhedores, mais estimulantes
para o desenvolvimento de competências, de habilidades sociais e emocionais e, assim, favorecer a
criação de estratégias que possam acolher usuários em prol de uma interação social mais ativa.

�No âmbito da interação e da demonstração dos métodos empregados, foram desenvolvidos
projetos em parceria. Por exemplo, a partir do convite do Centro de Convivência do IQSC, realizou-se
a ação nomeada de Setembro Amarelo, no ano de 2019.
Inicialmente, o intuito foi o de identificar e esclarecer o significado da palavra suicídio, ou
seja, pensar em modos de como abordar o assunto principal que, por si, é tão complexo e delicado.
Após conversa com a profissional do Projeto Apoia USP, definiu-se o tema da semana. “Setembro
Amarelo: prevenção do suicídio e valorização da vida.”
Delimitado o assunto e a abordagem, posteriormente, a proposta foi a de esclarecer e orientar
os alunos quanto ao tema, com o objetivo de facilitar uma maior integração com a comunidade,
promovendo palestras e atividades práticas que fossem acolhedoras e em sintonia com as expectativas
dos alunos.
Convém ressaltar que a programação foi organizada de forma a possibilitar que os alunos
conciliassem sua participação com os horários de aulas. As atividades foram realizadas no período de
10 a 30 de setembro, em horários diversificados:
- prática de meditação; palestras proferidas por psicanalistas, intituladas “O que você
precisa saber sobre o suicídio”, “Rompendo o silêncio” e “Suicídio: uma epidemia silenciosa";
roda de conversa conduzida por psicóloga do campus da USP de São Carlos, intitulada “Empatia e
ação”, divulgação de atendimento em horários diferenciados, dando oportunidade de contemplar um
maior número de interessados pela psicóloga contratada pelo IQSC; mesa redonda com a participação
de psicólogas do campus, com o tema “Tudo bem não estar bem”; apresentação de cartazes com
frases motivacionais no interior da biblioteca; distribuição de frases motivacionais com laços
amarelos que foram disponibilizadas no balcão de empréstimo (“Corrente do Bem”); elaboração do
“Mural da Gratidão” 5.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Percebeu-se que houve bastante interesse da comunidade, que participou ativamente das
atividades oferecidas, colaborando e contribuindo com as discussões sobre um assunto tão

5 O painel foi confeccionado pela equipe da biblioteca, contendo flores de material EVA em formato de girassóis, para que os alunos pudessem agradecer por
situações significativas.

�complexo e delicado. A biblioteca recebeu um retorno bastante positivo sobre a importância
dos eventos e sugestões para que sejam realizadas mais iniciativas como a apresentada.
Com a participação em atividades, o bibliotecário realizou suas funções técnicas, mas
também adotou uma postura de abertura à criação de novas ideias e parcerias e, consequentemente,
à execução de novas ações.
4 CONCLUSÕES
O desejo primordial é divulgar novas propostas, incentivar e estimular outras bibliotecas a
agir em prol da sociedade. O importante é que as atividades apresentadas sejam exploradas e,
consequentemente, implantadas nas organizações para o desenvolvimento da instituição, de
funcionários e alunos.
Para finalizar, indica-se um texto de Lankes (2012), que corresponde ao conceito almejado
pela biblioteca do IQSC nos últimos anos: “Bibliotecas ruins fazem coleções. Bibliotecas boas
realizam serviços. Bibliotecas excelentes criam comunidades” (LANKES, 2012).
... bibliotecas boas, ruins, excelentes, têm coleções? Sim. Mas as bibliotecas
excelentes percebem que a coleção não é o que está nas estantes, mas o público e
seus mundos. O foco é no desenvolvimento de conexão, não no desenvolvimento
de coleção. Excelentes bibliotecas sempre têm grandes bibliotecários que engajam
a sua comunidade e ajudam a identificar e a preencher suas aspirações. (LANKES,
2012, tradução nossa).

É muito importante o desenvolvimento de ações culturais nas bibliotecas, uma vez que
através delas é possível divulgar a informação e trazer o usuário até o ambiente de leitura, criação
do conhecimento e integração.

�REFERÊNCIAS

ALONSO-ARÉVALO, J. ; FLÓREZ HOLGUÍN, R. El espacio como estrategia en la biblioteca del
siglo XXI. Desiderata, Sevilha, v. 13, p. 72-81, 2020. Disponível em:
https://universoabierto.org/2020/01/07/el-espacio-como-estrategia-en-la-biblioteca-del-siglo-xxi/.
Acesso em: 23 jan.2020.
LANKES, D. Beyond the bullet points: beyond the bullet points: dad libraries build collections,
good libraries build services, great libraries build communities. Columbia, 11 March. 2012.
Disponível em: https://davidlankes.org/beyond-the-bullet-points-bad-libraries-build-collectionsgood-libraries-build-services-great-libraries-build-communities/. Acesso em: 23 jan.2020.
PEREIRA DE SOUSA, M. E.; TARGINO, M. G. Cinco leis da biblioteconomia / cinco leis de
Ranganathan: resistindo bravamente ao tempo. Ciência da Informação em Revista, Maceió, v. 3, n.
1, p. 11-29, jul. 2016. Disponível em: http://www.seer.ufal.br/index.php/cir/article/view/2334.
Acesso em: 23 jan. 2020.
SENA, P.M.B.; CHAGAS, M.T. A biblioteca universitária na educação a distância: papel,
características e desafios. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 20, n. 4,
p.163-180, out./dez. 2010.
SILVA, E.E.S.S.; HORIMI, D.; REIS, S.G.O; ZANINELLI, T.B. Estratégias de inovação em
bibliotecas universitárias: foco nas gerações Y e Z. In: COLÓQUIO EM ORGANIZAÇÃO,
ACESSO E APROPRIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO, 2., 2017, Londrina.
Anais... Londrina: UEL, 2017. p. 68-85.

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                <text>Este relato de experiência tem como objetivo apresentar ações e atividades culturais e sociais realizadas em bibliotecas universitárias, mais especificamente no Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo. A proposta consiste em esclarecer e orientar os alunos quanto ao tema da prevenção do suicídio. O objetivo é o de facilitar uma maior integração com a comunidade, promover palestras, atividades e práticas que fossem acolhedoras e em sintonia com as expectativas dos alunos. Entende-se que instituições educadoras podem criar ambientes mais acolhedores, mais estimulantes para o desenvolvimento de competências, habilidades sociais e emocionais. Para além de fornecer conhecimento, deve-se favorecer a criação de estratégias que possam acolher usuários em prol de uma interação social mais ativa. A ampla participação da comunidade do Instituto de Química da USP de São Carlos, nas atividades oferecidas, demonstrou o interesse e o êxito da proposta.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS EM TEMPOS DE COVID-19: RELATO DE EXPERIÊNCIA
DA BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DA UFC
USER EDUCATION IN TIMES OF COVID-19: EXPERIENCE REPORT FROM UFC’S
LIBRARY OF HEALTH SCIENCES
Maria Naires Alves de Souza 1
Rosane Maria Costa 2
Resumo: Relata a experiência vivenciada pela Biblioteca de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará com
a educação de seus usuários no contexto da pandemia do COVID-19, refletindo, especificamente, os treinamentos
ministrados nos anos de 2019, 2020 e 2021. Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, com abordagem
quantitativa e qualitativa, na modalidade relato de experiência. Os dados utilizados foram coletados dos relatórios
técnicos da biblioteca. Descreve a situação vivida pelos bibliotecários entre dificuldades e ganhos com o atendimento
remoto aos usuários realizados via plataformas de videoconferências. Enfatiza o aumento do número de usuários
treinados no período de 2020 até outubro de 2021, em comparação ao ano de 2019, quando os treinamentos foram
realizados de forma presencial, exclusivamente. Conclui que a pandemia foi um momento de superação por parte da
comunidade universitária como um todo e que a biblioteca, em particular, precisou se articular para aumentar a oferta
de serviços on-line a fim de atender seu público a distância.

Palavras-chave: Educação de usuários. Treinamentos. Videoconferências.
Abstract: It reports the experience lived by the Health Sciences Library of the Federal University of Ceará with
the education of its users in the context of the COVID-19 pandemic, specifically reflecting the training provided
in 2019, 2020 and 2021. an exploratory and descriptive study, with a quantitative and qualitative approach, in the
experience report modality. The data used were collected from the library's technical reports. It describes the
situation experienced by librarians between difficulties and gains with remote service to users via videoconference
platforms. It emphasizes the increase in the number of users trained in the period from 2020 to October 2021,
compared to 2019, when the training was carried out in person, exclusively. It concludes that the pandemic was a
moment of overcoming on the part of the university community as a whole and that a library, in particular, needs
to be articulated to increase the offer of online services in order to serve its public at a distance.
Keywords: User education. Trainings. Video conferences.

1 INTRODUÇÃO

A Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) compõe o Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Ceará (UFC) e está localizada no campus do Porangabuçu. É uma evolução da
Biblioteca da Faculdade de Medicina, instalada em 1948. É credenciada, mediante convênio, para
atuar como Sub-Centro do BIREME – Centro Latino-Americano e do Caribe de Informações em
Ciências da Saúde OPAS/OMS. (BU/UFC, 2021).

1

Mestre em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior. Universidade Federal do Ceará. marianaires@ufc.br
Especialista em Tecnologias Aplicadas ao Gerenciamento da Informação. Universidade Federal do Ceará.
rosane.costa@ufc.br
2

�Desde meados dos anos noventa a BCS mantém contínuos treinamentos com a finalidade de
educar os seus usuários referentes ao uso das bases de dados digitais. Inicialmente, eles eram sobre as
Bases de dados do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde
(BIREME) que aquela época eram bases de dados disponíveis em CD-ROM.
O avanço das tecnologias digitais trouxe outras demandas de educação para os usuários das
bibliotecas universitárias e consequentemente para BCS.
A educação de usuários é um termo estendido que reúne vários tipos de ferramentas que
vão desde a instrução, o treinamento, a apresentação de interfaces amigáveis, o marketing, a
divulgação de artigos e reportagens, manuais, passeios, cursos de acesso a bases de dados,
até a orientação bibliográfica. (DUDZIAK; GABRIEL, VILLELA,2000, p.8).

A BCS oferece à comunidade universitária aulas, palestras e treinamentos sobre as seguintes
temáticas gerais: construção de estratégia de buscas, pesquisa em bases de dados em ciências da
saúde, normalização do trabalho acadêmico, gerenciadores de referências. Também ministramos
aos estudantes recém ingressos palestras a respeito dos recursos e serviços da biblioteca.
O objetivo deste estudo é relatar a experiência vivenciada pela BCS com a educação de
usuários no contexto da pandemia do COVID-19, refletindo, especificamente, os treinamentos
ministrados nos anos de 2019, 2020 e 2021.
Justifica-se a seleção desses três anos por que o ano de 2019 foi o último ano de
treinamentos totalmente presenciais possibilitando o confrontamento com os anos seguintes, 2020 e
2021, em que houve a transição e efetivação do atendimento presencial para o remoto.
2 MÉTODO
O presente estudo trata-se do tipo exploratório e descritivo, com abordagem quantitativa e
qualitativa, na modalidade relato de experiência sobre o que foi vivenciado relativo à educação de
usuários na Biblioteca de Ciências da Saúde da UFC no período de 2019 a 2021 no contexto da
COVID-19.
Segundo Gil “uma pesquisa descritiva é aquela que visa descobrir a existência de
associações entre variáveis, e pretendem determinar a natureza dessa relação” (2010, p. 28),
enquanto exploratórias são aquelas que têm como propósito proporcionar maior familiaridade com
o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipótese” (2010, p.27).
Um relato de experiência que pode ser compreendida por uma narração detalhada de uma
experiência vivida. Ainda sobre a abordagem, segundo Pereira et al “Os métodos qualitativos são

�aqueles nos quais é importante a interpretação por parte do pesquisador com suas opiniões sobre o
fenômeno em estudo” (218, p.67).
Os dados utilizados foram coletados dos relatórios técnicos da BCS/UFC.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A BCS trabalha com a educação de seus usuários, tradicionalmente, por meio de
treinamentos, aulas, palestras etc. e com forte envolvimento dos docentes dos cursos aos quais
atende, a saber: medicina, fisioterapia, enfermagem, odontologia e farmácia. Todos os semestres os
professores responsáveis pelas disciplinas que versam sobre metodologia da pesquisa e orientação a
pesquisa bibliográfica agendam, junto a biblioteca, palestras e treinamentos para as turmas de
alunos de graduação e pós-graduação. Enfatiza-se que essas atividades são executadas dentro da
disciplina do docente solicitante, no qual o(a)s bibliotecário(a)s participam como palestrante
convidado. Também são ministradas os mesmos treinamentos, palestras, aulas para os mais diversos
grupos de pesquisas ou para grupos de servidores interessados na temática de pesquisa em ciências
da saúde.
Em virtude da pandemia do COVID-19, a UFC pela Resolução do Conselho Universitário
nº08/CONSUNI, de 31 de março de 2020, suspendeu o atendimento presencial em todas as
unidades acadêmicas e administrativas da universidade, com isso as atividades presenciais da
Biblioteca foram suspensas e consequentemente seus atendimentos passaram a ser de forma remota.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2021).
Até o ano de 2019 todos os treinamentos solicitados foram realizados pela biblioteca na
modalidade presencial. Com a inusitada emergência sanitária do Covid-19, mais intensificada em
2020, e que perdura até 2021, a BCS precisou se reinventar e se adequar à nova realidade. Os
treinamentos de usuários que eram ofertados 100% em formato presencial, tiveram que ser
reformatados com urgência para atender as exigências do momento. Através de ferramentas de
videoconferência, a biblioteca e os bibliotecários precisaram acolher docentes e discentes no
formato remoto, com a mesma qualidade a que estes estavam acostumados, adequando conteúdos e
dominando o funcionamento de recursos tecnológicos que antes não eram inseridos nos
treinamentos.

�Os bibliotecários tiveram que ser autodidatas no uso das ferramentas e em curtíssimo tempo
passaram a atender os demandantes, com a mesma destreza que demonstravam nos treinamentos
presenciais.
Os resultados foram surpreendentes, pois o número de discentes atendidos aumentou
significativamente, bem como a procura por treinamentos por parte de docentes que antes não
buscavam esse apoio da biblioteca. Vejamos no quadro abaixo os dados que evidenciam esse fato:
Quadro 1 – Dados comparativos dos treinamentos efetivamente realizados entre 2019 e 2021
Ano Quantidade de treinamentos
Modalidade
Discentes participantes
2019
36
Presencial
805
2020
25
Presencial/Remoto
1085
2021
42
Remoto
3750
Fonte: as autoras a partir dos dados coletados do relatório de atividades da BCS/UFC.

No ano de 2019 foram realizados 36 treinamentos presenciais abrangendo um total de 805
participantes. Corresponde, costumeiramente, à média de treinamentos presenciais realizados pela
BCS.
Já no ano de 2020, a quantidade de treinamentos efetivamente realizados diminuiu em
relação ao ano de 2019, porém a quantidade de participantes aumentou, perfazendo o total de 1085
treinados. Ressalta-se que em 2020 houve a transição de treinamentos essencialmente presenciais
para remoto, dentro do contexto da pandemia. Neste momento, ocasião em que docentes, discentes
e bibliotecários, ainda estavam aprendendo a lidar com a situação, alguns treinamentos foram
cancelados. Do total de 34 treinamentos agendados, 9 foram cancelados e 25 foram efetivamente
realizados. Os treinamentos agendados no período de 02 a 12 de março de 2020 foram realizados no
formato presencial. Sendo que a partir de 06 de abril de 2020 todos os treinamentos foram
oferecidos no formato remoto, via google meet ou ConferênciaWeb RNP.
Os treinamentos que foram cancelados em 2020 situam-se no período compreendido entre
13 de março e 25 de maio de 2020. Estes foram reagendados pelos docentes para o ano de 2021.
No ano em curso, 2021, a quantidade de treinamentos aumentou em relação ao ano anterior
para 42, bem como a quantidade de treinados que até o mês de outubro totaliza 3750. Todos os
treinamentos de 2021 estão sendo realizados em formato remoto, abrangendo uma quantidade maior
de participantes.
Devido às mudanças no calendário acadêmico, o semestre de 2021.2 foi iniciado em 27 de
setembro último, de forma híbrida. Com a adesão dos docentes e discentes ao ensino remoto, as

�plataformas de videoconferência se tornaram essenciais para a aproximação da biblioteca com a
comunidade acadêmica da área de saúde da universidade.
4 CONCLUSÕES
Sem entrar no mérito, neste momento, se os treinamentos remotos contribuíram para uma
melhor apropriação ou não dos conteúdos, o que se percebeu nesta breve experiência foram as
dificuldades no manuseio das ferramentas tecnológicas, no acesso a uma rede de internet mais
robusta e na produção de conteúdos que despertassem o interesse dos alunos.
O domínio das ferramentas de vídeoconferência por parte dos bibliotecários também foi uma
dificuldade a ser superada bem como a interação com o público através dessa tecnologia.
O aumento do quantitativo de participantes nos treinamentos demonstra que apesar das
dificuldades enfrentadas é viável a adoção de tais ferramentas de forma contínua, devendo,
portanto, ser estimulado o uso das mesmas e a sua inserção nas atividades da biblioteca.
O contexto da pandemia do COVID-19 foi de algum modo um momento em que se
percebeu as fragilidades e as potencialidades de cada segmento da universidade. A biblioteca, por
sua vez, foi desafiada a prestar serviços on-line, para além dos já existentes, dando suporte ao seu
público agora fisicamente distante. Como pesquisa futura, pretende-se coletar as percepções dos
participantes desses treinamentos de como foi passar por essa experiência de atendimento remoto.
REFERÊNCIAS
DUDZIAK, E.A.; GABRIEL, M.A.; VILLELA, M.C.O. A educação de usuários de bibliotecas
universitárias frente à sociedade do conhecimento e sua inserção nos novos paradigmas
educacionais. 2000. Disponível em: http://eprints.rclis.org/3799/. Acesso em: 18 out. 2021.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2010.
PEREIRA, A.S.; SHITSUKA, D.M.; PEREIRA, F.J.; SHITSUKA, R. Metodologia da Pesquisa
Cientifica. Santa Maria (RS): UFSM, 2018. Disponível em:
https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/15824/Lic_Computacao_MetodologiaPesquisaCientifica.pdf?sequence=1. Acesso em: 15 out. 2021.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA. Biblioteca de
Ciências da Saúde Professor Jurandir Marães Picanço. Disponível em:
https://biblioteca.ufc.br/pt/bibliotecas-do-sistema/bibliotecas-no-campus-deporangabucu/biblioteca-de-ciencias-da-saude-bcs-2/. Acesso em: 14 out. 2021.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. Resolução nº08/CONSUNI, de 31 de março de 2020.
Disponível em: https://www.ufc.br/images/200401_resolucao_consuni.pdf. Acesso em: 14 out.
2021.

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                <text>Relata a experiência vivenciada pela Biblioteca de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará com a educação de seus usuários no contexto da pandemia do COVID-19, refletindo, especificamente, os treinamentos ministrados nos anos de 2019, 2020 e 2021. Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, na modalidade relato de experiência. Os dados utilizados foram coletados dos relatórios técnicos da biblioteca. Descreve a situação vivida pelos bibliotecários entre dificuldades e ganhos com o atendimento remoto aos usuários realizados via plataformas de videoconferências. Enfatiza o aumento do número de usuários treinados no período de 2020 até outubro de 2021, em comparação ao ano de 2019, quando os treinamentos foram realizados de forma presencial, exclusivamente. Conclui que a pandemia foi um momento de superação por parte da comunidade universitária como um todo e que a biblioteca, em particular, precisou se articular para aumentar a oferta de serviços on-line a fim de atender seu público a distância.</text>
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                    <text>Eixo: Inovações
“BIBLIOTECAS PODEM MUDAR O MUNDO?”: UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE A
INOVAÇÃO SOCIAL E A SUSTENTABILIDADE INFORMACIONAL
"CAN LIBRARIES CHANGE THE WORLD?": A BRIEF REFLECTION ON SOCIAL
INNOVATION AND INFORMATIONAL SUSTAINABILITY

Diego Leonardo de Souza Fonseca1
Resumo: “Bibliotecas podem mudar o mundo”? Essa breve reflexão de pesquisa traz uma provocação para essa
proposta de discussão. O objetivo desse estudo foi de discutir e refletir sobre o papel da biblioteca a partir das
perspectivas da inovação social e da sustentabilidade informacional. Trata-se de uma revisão bibliográfica, com
uma abordagem de natureza qualitativa. O levantamento teórico-conceitual foi realizado a partir do acesso as
seguintes bases de dados: SciELO, Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da
Informação (Brapci) e os documentos técnicos disponíveis no site institucional da ONU. O propósito desse estudo
é trazer à luz das discussões da Ciência da Informação e da Biblioteconomia reflexões pontuais sobre o papel da
biblioteca no contexto da inovação social e da sustentabilidade informacional. Desse modo, depreende-se que a
inovação social e a sustentabilidade informacional, para além de suas implicações no desenvolvimento de
soluções e a ampliação das discussões sobre o papel da biblioteca como agente de transformação social, tornam-se
caminhos viáveis para possibilitar a construção de novas alternativas para o mundo.
Palavras-chave: Bibliotecas. Inovação social. Sustentabilidade informacional.

Abstract: "Can libraries change the world"? This brief research reflection brings a purposeful provocation to this
discussion. The objective of this study was to discuss and reflect on the role of the library from the perspectives of
social innovation and informational sustainability. This is a literature review, with a qualitative approach. The
theoretical and conceptual survey was carried out by accessing the following databases: SciELO, Reference
Database of Journal Articles in Information Science (Brapci) and the technical documents available on the
institutional site of the UN. The purpose of this study is to bring to light the discussions of Information Science
and Librarianship reflections on the role of the library in the context of social innovation and information
sustainability. Thus, it is understood that social innovation and informational sustainability, in addition to its
implications in the development of solutions and the expansion of discussions about the role of the library as an
agent of social transformation, become viable paths to enable the construction of new alternatives for the world.
Keywords: Libraries. Social innovation. Information sustainability.

1 INTRODUÇÃO
“Bibliotecas podem mudar o mundo”? Essa breve reflexão de pesquisa traz uma provocação
proposital para essa discussão. A Federação Internacional de Associações e Instituições de
Bibliotecas (IFLA), recentemente, nas discussões sobre o papel das bibliotecas nesse atual contexto
de pandemia de COVID-19, se posicionou sobre a necessidade de reconhecimento da biblioteca e
1

Doutorando em Ciência ada Informação. Universidade Estadual de Londrina. diego.leonardo@uel.br

�dos bibliotecários como atores-chaves em nível nacional e global para tratar sobre as mudanças
sociais, informacionais e ambientais.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) apresentados pela Organização das
Nações Unidas (ONU) na Agenda 2030, em 20151, retratam a tentativa de construção de um
panorama global sustentável para as próximas gerações. Nesse sentido, é fundamental compreender
como as bibliotecas podem colaborar para o cumprimento das metas e diretrizes estabelecidas nessa
agenda, ao passo que a sociedade está, cada vez mais, imergindo em um ambiente dialético sobre a
produção da informação e os seus impactos em diferentes nichos sociais.
Posto isto, o objetivo desse estudo foi de discutir e refletir sobre o papel da biblioteca a
partir das perspectivas da inovação social e da sustentabilidade informacional. Desse modo, apesar
de uma breve discussão, buscou-se compreender como esses instrumentos podem ser utilizados
pelas bibliotecas na tentativa de construir uma sociedade melhor.
Os procedimentos metodológicos para esse estudo foram baseados em uma revisão
bibliográfica, com uma abordagem de natureza qualitativa. O levantamento teórico-conceitual foi
realizado a partir do acesso as seguintes bases de dados: SciELO, Base de Dados Referenciais de
Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (Brapci), repositórios institucionais das
universidades públicas brasileiras e os documentos técnicos disponíveis no site institucional da
ONU.
2 INOVAÇÃO SOCIAL E SUSTENTABILIDADE INFORMACIONAL
As definições sobre inovação social são múltiplas na literatura científica, sendo possível
observar as diferentes perspectivas de abordagem sobre esse tema. De acordo com Fleury (2001), a
inovação social é um processo que visa produzir efeitos de reconstrução das relações sociais com os
sistemas sociais. Já, para Goldenberg (2004), a inovação social é um processo de desenvolvimento e
de aplicação de novas atividades e ações voltados para os desafios sociais e econômicos.
Desse modo, compreende-se que tratar sobre inovação social é olhar para múltiplas
perspectivas sociais. No campo da Biblioteconomia, mais especificamente nos debates que tratam
sobre o papel social da biblioteca, discute-se como essa unidade de informação pode impactar a
sociedade a partir do desenvolvimento de seus serviços e produtos. Bernardino e Suaiden (2011)
1

Em setembro de 2015, a ONU juntamente com 193 Estados-membros, se reuniram para apresentar a Agenda 2030.
Esse documento apresentou diretrizes e objetivos para a erradicação da pobreza, formas para diminuir a desigualdade
social e como maior desafio ampliar as discussões sobre o desenvolvimento sustentável e a diminuição do impacto das
mudanças climáticas no mundo (ONU, 2015).

�refletem sobre o reconhecimento da biblioteca como um espaço plural, social e diversificado, do
ponto de vista do seu papel como elemento de transformação social.
Outrossim, pode-se mencionar a sustentabilidade informacional como um relevante campo
de discussões sobre o posicionamento das bibliotecas e dos bibliotecários no atual contexto
socioambiental. A construção conceitual do termo “sustentabilidade informacional” parte da
compreensão sobre ele no campo da Ciência da Informação, que como objeto de estudo, trata de
analisar as indagações sobre o processo de mudanças contemporâneas e das inovações tecnológicas
e sociais alinhadas as discussões globais sobre o meio ambiente e as suas relações com o individuo
e a informação (GERALDO; PINTO, 2021).
3 DISCUSSÕES E REFLEXÕES
O propósito desse estudo foi trazer, à luz das discussões da Ciência da Informação e da
Biblioteconomia, reflexões pontuais sobre o papel da biblioteca no contexto da inovação social e da
sustentabilidade informacional. Afinal, “Bibliotecas podem mudar o mundo?”, é

um

questionamento que gera inquietações e provoca bibliotecários, pesquisadores, alunos e todos
aqueles que estão envoltos nessa teia de relações entre a biblioteca, a sociedade e o meio ambiente.
Alguns autores apresentam perspectivas críticas sobre o papel social e ambiental da biblioteca,
possibilidades de inovação social discussões sobre a sua atuação na construção de um mundo mais
sustentável.
As discussões sobre a sustentabilidade informacional como um caminho viável para ampliar
o papel da biblioteca nas discussões globais sobre o meio ambiente e as suas implicações
(GERALDO; PINTO, 2021; BARROS, 2017; CARDOSO, 2010; GIRARD; PIRES, 2014) estão
presentes na Ciência da Informação, ainda que em processo de expansão, porém com contribuições
práticas e teóricas para construção de reflexões de atuação. Para além dessas percepções, a inovação
social e os impactos práticos das bibliotecas na sociedade também estão sendo discutidos na
literatura científica (CAMILLO; SILVA; WOIDA, 2021; DUARTE; SPUDEIT, 2018; FONSECA;
ZANINELLI, 2021). Esses estudos, sobre a concepção da inovação e do desenvolvimento
sustentável, apresentam propostas e reflexões sobre o papel da biblioteca no processo de impacto e
de transformação social e ambiental no contexto das suas relações com a sociedade.
Posto isto, pode-se inferir que a biblioteca, como unidade de informação, bem como o
bibliotecário como um mediador e peça-atuante no processo de gestão da informação, são
componentes-chaves para o desenvolvimento de ações e práticas informacionais que podem

�impactar a sociedade. Para além do cumprimento do seu dever organizacional, as bibliotecas
possuem um papel social fundamental para a construção de um novo panorama ambiental, com
impacto na proposição de soluções inovadoras para o meio ambiente.
4 CONCLUSÕES
Dessarte, as discussões sobre o papel social da biblioteca no contexto da inovação são
imprescindíveis para compreender o impacto que ela pode gerar na comunidade e nas futuras
gerações. Para tanto, os estudos sobre a sustentabilidade informacional, cujo tema se encontra em
ebulição na produção cientifica da Ciência da Informação, tornam-se cruciais para ampliar as
reflexões sobre a atuação das bibliotecas nas agendas sociais que tratam sobre as mudanças globais
no meio ambiente, tal como a Agenda 2030 da ONU.
Esse estudo, que traz apenas uma breve reflexão sobre essas intersecções, considera que
existem “respostas em andamento” para a pergunta “As bibliotecas podem mudar o mundo?”. Desse
modo, depreende-se que a inovação social e a sustentabilidade informacional, para além de suas
implicações no desenvolvimento de soluções e a ampliação das discussões sobre o papel da
biblioteca como agente de transformação social, tornam-se caminhos viáveis para possibilitar a
construção de novas alternativas para um mundo melhor.
REFERÊNCIAS
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Estocolmo aos dias atuais. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, Fortaleza, v.
13, n. 1, p.2923-2940, jan. 2017. Disponível em: https://brapci.inf.br/index.php/res/v/3404. Acesso
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CARDOSO, Nathalice Bezerra. A contribuição do bibliotecário para a Educação Ambiental.
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                <text>“Bibliotecas podem mudar o mundo”? Essa breve reflexão de pesquisa traz uma provocação para essa proposta de discussão. O objetivo desse estudo foi de discutir e refletir sobre o papel da biblioteca a partir das perspectivas da inovação social e da sustentabilidade informacional. Trata-se de uma revisão bibliográfica, com uma abordagem de natureza qualitativa. O levantamento teórico-conceitual foi realizado a partir do acesso as seguintes bases de dados: SciELO, Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (Brapci) e os documentos técnicos disponíveis no site institucional da ONU. O propósito desse estudo é trazer à luz das discussões da Ciência da Informação e da Biblioteconomia reflexões pontuais sobre o papel da biblioteca no contexto da inovação social e da sustentabilidade informacional. Desse modo, depreende-se que a inovação social e a sustentabilidade informacional, para além de suas implicações no desenvolvimento de soluções e a ampliação das discussões sobre o papel da biblioteca como agente de transformação social, tornam-se caminhos viáveis para possibilitar a construção de novas alternativas para o mundo.</text>
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DO PRESENCIAL AO VIRTUAL: O IMPACTO DA PANDEMIA NAS VISITAS
ORIENTADAS DA BU/UFSC
TITLE IN ENGLISH: SUBTITLE IN ENGLISH
Roberta Moraes de Bem 1
Joana Carla de Souza Matta Felicio2
Andréa Figueiredo Leão Grants 3

Resumo: Este trabalho apresenta um breve relato de experiência da Biblioteca Universitária da Universidade
Federal de Santa Catarina na adaptação do serviço de visita orientada para a modalidade virtual em virtude
da Pandemia pela Covid-19. Ao invés do tour pelos espaços físicos da biblioteca, apresentou-se um tour virtual
construído a partir da ferramenta marzipano.net/, em que é possível conhecer e explorar todos os espaços
disponíveis. A apresentação das estantes e da busca ao catálogo foi substituída por um exercício de navegação em
tempo real no site da BU/UFSC, apresentando os principais botões, além de uma apresentação em Power Point
com a descrição dos principais serviços e curiosidades sobre a Biblioteca. A experiência foi considerada exitosa,
tendo em vista que os professores se mostraram bastante satisfeitos com a disponibilidade da BU/UFSC em estar
próxima dos estudantes apesar da interrupção das atividades presenciais. Ademais, foi uma oportunidade de
mostrar a contribuição da Biblioteca neste período, dando enfoque aos recursos digitais.

Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Visita orientada. Pandemia.
Abstract: This paper presents a brief report on the experience of the University Library of the Universidade
Federal de Santa Catarina in adapting the guided visit service to the virtual modality due to the Pandemic by Covid
- 19. Instead of the tour through the physical spaces of the library, a tour was presented. virtual tour built using
the marzipano.net/ tool, in which it is possible to discover and explore all available spaces. The presentation of
the shelves and the catalog search was replaced by a real-time navigation exercise on the BU/UFSC website,
presenting the main buttons, as well as a Power Point presentation describing the main services and curiosities
about the Library. The experience was considered successful, considering that the professors were quite satisfied
with the availability of the BU/UFSC to be close to the students despite the interruption of classroom activities.
Furthermore, it was an opportunity to show the Library's contribution during this period, focusing on digital
resources.

Keywords: University Library. Guided visit. Pandemic..

1

Mestra e Doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Bibliotecária/Documentalista na UFSC. E-mail: roberta.bem@ufsc.br.
2 Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Bibliotecária/Documentalista na UFSC. E-mail: joana.felicio@ufsc.br.
3 Mestra e Doutora em Literaturas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bibliotecária/Documentalista na
UFSC. E-mail: andrea.grants@ufsc.br.

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
desenvolve vários serviços voltados à comunidade interna e externa da Universidade. Um
desses serviços é a visita orientada que ocorre há vários anos de modo presencial nos ambientes
da BU/UFSC e é ofertado como parte do Programa de Capacitação dos Usuários da BU/UFSC
pelos profissionais bibliotecários, especialmente pela equipe que trabalha no setor de
Circulação e Recuperação da Informação.
Trata-se de um atendimento previamente agendado que busca apresentar as principais
informações sobre os espaços e serviços oferecidos à comunidade acadêmica como, por
exemplo, a consulta ao catálogo da biblioteca, as normas da biblioteca, as bases de dados, como
localizar um livro na estante, propiciando aos usuários conhecerem os recursos e serviços da
unidade, além de fazerem a apreciação física do ambiente. É uma atividade/serviço muito
importante, especialmente para os “calouros” quando se fala de uma Universidade.
Por se tratar de um serviço eminentemente presencial, este foi diretamente afetado pela
pandemia da Covid-19 e as medidas sanitárias impostas, fazendo com que a atividade de visita
orientada precisasse ser adaptada. Desse modo, este trabalho pretende relatar como os
profissionais da BU/UFSC atuaram para transformar esse importante serviço para o formato
virtual e reformular as estratégias para a prestação do mesmo durante a vigência da pandemia
e consequentemente do ensino/trabalho remoto.
2 MÉTODO
A forma de construção de uma proposta de visita orientada se baseia na disponibilidade de
serviços e espaços que as bibliotecas dispõem e como eles se articulam para atendimento ao
usuário. Na BU/UFSC foi criado um roteiro com a sequência de ações a serem seguidas pelos
bibliotecários no momento do recebimento do grupo de pessoas, esse roteiro precisou ser
adaptado à realidade do atendimento virtual. Na reestruturação de uma proposta pensando em

�um cenário remoto, a nova versão da visita contou com slides, acesso on-line na página da
biblioteca e um tour virtual pelos espaços físicos da Biblioteca Central.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
No contexto da pandemia as bibliotecas foram atingidas em seu âmago: as aglomerações
estão desaconselhadas, os espaços físicos não são seguros, o empréstimo de materiais é
modificado. A reinvenção do fazer bibliotecário mostra-se urgente e inevitável (KERN, 2020).
Conforme apontado anteriormente, a BU/UFSC conta com um Programa de Capacitação
aos Usuários extenso, do qual a visita orientada é uma de suas modalidades. Se consideramos
o período pré-pandemia as visitas orientadas na Biblioteca Central eram realizadas em um
quantitativo médio de 65 visitas ao ano, atingindo um público médio de 1.650 pessoas, para os
mais variados cursos, em especial fases iniciais da graduação (UFSC, 2020).
A BU/UFSC adaptou as suas atividades para o modelo remoto assim que foi deflagrada a
pandemia da Covid-19, de modo que algumas atividades foram interrompidas, o que foi o caso
da visita orientada.
Todavia, a BU/UFSC mantém um serviço, denominado Bibliocentros, que tem o objetivo
de divulgar os serviços e as novidades da BU/UFSC às comunidades dos centros de ensino, nos
diferentes campi e no Ensino a Distância (EaD), além de promover a presença da BU/UFSC
nesses locais, havendo bibliotecários designados para atender cada centro de ensino. A partir
do Bibliocentros e da aproximação com os centros de ensino a BU/UFSC percebeu a
necessidade de ofertar algo que pudesse deixar os alunos, que ainda não tiveram a oportunidade
de conhecer a BU/UFSC, um pouco mais próximos da realidade e de como a biblioteca poderia
estar presente neste período de ensino remoto.
Então a visita orientada foi adaptada, ao invés do tour pelos espaços da biblioteca,
apresentou-se um tour virtual 4 construído a partir da ferramenta marzipano.net/, em que é
possível conhecer e explorar todos os espaços disponíveis (Figura 1). Essa ferramenta utiliza
4

Disponível em: https://buufsc.github.io/

�fotos panorâmicas com marcações de pontos com as informações sobre cada local de modo
sequencial, fazendo a transição entre as imagens e montando assim a visita virtual. A
apresentação das estantes e da busca ao catálogo foi substituída pelo acesso ao site da BU5,
apresentando os principais botões de navegação e uma apresentação em Power Point com a
descrição de serviços.6 Tudo isso com o intuito de mostrar aos usuários as funcionalidades da
biblioteca e deixá-los um pouco mais próximos da realidade quando do retorno às atividades
presenciais, além de explorar os recursos disponíveis on-line.
Figura 1 - Captura de tela do tour virtual

Fonte: https://buufsc.github.io/ (2021).

4 CONCLUSÕES
A visita orientada tem se mostrado uma importante ferramenta para a BU/UFSC mesmo
em tempos de pandemia. Foi perceptível a valorização dos docentes ao perceber a oferta da
BU/UFSC neste tipo de atividade em tempos de trabalho remoto. A BU/UFSC foi considerada
proativa e conseguiu cumprir a missão de dar as boas-vindas aos estudantes. A ideia da equipe
5
6

Disponível em: portal.bu.ufsc.br
Disponível em: http://portal.bu.ufsc.br/files/2021/08/Visita-virtual-BU.pptx

�da BU/UFSC é manter essa modalidade de visita durante o período de transição para o retorno
presencial e, até mesmo, incluí-la como permanente no quadro de capacitações ofertadas.
Por compreender que, a visita orientada é uma estratégia de marketing, visto que está
descrita por Ordovás e Pinto (2018) como uma atividade da ação “Recepção aos Calouros”
coordenada pela Comissão de Comunicação e Marketing (CCM) da BU/UFSC ressalta-se que
se trata de uma oportunidade de estar próximo do “cliente” e de “vender” os produtos e serviços
da biblioteca. Destaca-se a participação dos docentes que, por vezes, levam as turmas, ajudando
a fortalecer a parceria biblioteca-professor tão necessária para o crescimento e atribuição de
significado às funções da biblioteca. A visão que o usuário terá da biblioteca está totalmente
associada à maneira como ele é tratado e atendido (GUARIENTO, 2013).
REFERÊNCIAS
GUARIENTO, K. V. Receber Para Orientar: reflexões sobre a visita orientada da biblioteca dr.
enoque de oliveira. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO, 25., 2013, Florinaópolis. Anais [...] . Florianópolis: Febab, 2013. p. 1-9.
Disponível em: http://repositorio.febab.org.br/files/original/8/2245/1355-1368-1-PB.pdf.
Acesso em: 21 set. 2021.
KERN, L. M. A biblioteca universitária e o novo coronavírus: reflexões sobre e prospectivas.
Revista Informação e Universidade. v. 2, número especial, jul./dez. 2020. Disponível em:
http://reviu.febab.org.br/index.php/reviu/article/view/30/36 Acesso em: 21 set. 2021.
ORDOVÁS, G. B. J.; PINTO, M. D. de S. Comunicação e Marketing na BU/UFSC: aliados
estratégicos. In: GRANTS, Andréa Figueiredo Leão; BEM, Roberta Moraes de (org.). A
construção de saberes: protagonismo compartilhado em serviços e inovações na Biblioteca
Universitária da UFSC. Florianópolis: BU Publicações, 2018. Cap. 6. p. 117-140. (Gestão de
Bibliotecas Universitárias). Disponível em:
https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/192743
Acesso em: 17 set. 2021.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA.
Relatório de atividades BU/UFSC: de dezembro de 2018 a dezembro de 2019.
Florianópolis, 220. Disponível em:
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/209106/Relatorio%20de%20atividade
s%202019comErrata-10-03-21.pdf?sequence=3&amp;isAllowed=y Acesso em: 09 set. 2021.

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                    <text>Eixo 2 - Práticas

PROJETO DE CAIXA DE DEVOLUÇÃO 24 HORAS: MANUSEIO AUTOMÁTICO DE
MATERIAL BIBLIOGRÁFICO NA EESC
24 HOURS BOOK RETURN DESIGN: AUTOMATIC HANDLING OF BIBLIOGRAPHIC
MATERIAL AT THE EESC

Sergio Gomes Machado Filho1
Carlos Alberto Fortulan 2
Andressa de Carvalho3
Eduardo Graziosi Silva4
Elenise Maria de Araujo 5
Resumo: Dentre as tecnologias digitais que têm imposto mudanças nas bibliotecas universitárias, destaca-se a
implantação de acervos digitais, apesar do ensino de graduação ainda ser pautado, principalmente, pelo acervo físico, o
que se deve, sobretudo, ao caráter orgânico do aprendizado. Neste sentido, as atividades de empréstimo e devolução
ainda são bastante solicitadas, contrapondo com a diminuição do período de atendimento presencial, assim, a
implantação de coletoras automáticas de materiais flexibiliza a operação. Apresenta-se o projeto de uma máquina
coletora automática de materiais no Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes” da Escola de Engenharia
de São Carlos da Universidade de São Paulo, que foi elaborado a partir de uma metodologia de desenvolvimento de
projetos composta das etapas “fase informacional”, “projeto conceitual”, “projeto preliminar” e “projeto detalhado”.
Esse projeto substitui a coletora atual, com capacidade média para 30 materiais e design de uma caixa vertical com
recebimento pela ação da gravidade, o que favorece a danificação das obras. O projeto de uma máquina modular e
mecanizada para coleta automática de materiais apresenta capacidade de armazenamento três vezes maior que a atual,
melhora a preservação da integridade física das obras e prevê a implementação do sistema de leitor ótico para
identificação e registro da devolução das obras no sistema de automação do Serviço de Biblioteca, a separação das
obras e um mecanismo para controle de microrganismos.
Palavras-chave: Automação de biblioteca. Devolução automática de materiais. Devolução de materiais.
Abstract: Among the digital technologies that have imposed changes in university libraries, the implementation of
digital collections stands out, although undergraduate education is still guided mainly by the physical collection, which
is mainly due to the organic nature of learning. In this sense, loan and return activities are still very much in demand,
contrasting with the reduction in the period of face-to-face service, thus, the implementation of automatic material
collectors makes the operation more flexible. The project of an automatic material collecting machine in the Library
Service “Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes" from the São Carlos School of Engineering of the University of São Paulo,
which was elaborated from a project development methodology composed of the "informational phase", "conceptual
project", "preliminary project" and "detailed project". This project replaces the current collector, with an average
capacity of 30 materials and design of a vertical box with receipt by gravity, which favors damage to the materials. The
project of a modular and mechanized machine for the automatic collection of materials has a storage capacity three
1

Mestrando em Engenharia Mecânica. EESC/USP. sergio.gomes.filho@usp.br.
Doutor em Engenharia Mecânica. EESC/USP. fortulan@usp.br.
Bacharel em Ciências Contábeis. EESC/USP. andressac@usp.br.
4
Doutorando em Ciência da Informação. EESC/USP. edu.gs@sc.usp.br.
5
Doutora em Engenharia de Produção. EESC/USP. elenisea@sc.usp.br.
2
3

�times greater than the current one, improves the preservation of the physical integrity of the materials and provides for
the implementation of an optical reader system for identification and registration of the return of materials in the
automation system of the Library Service, the separation of materials and a mechanism for controlling microorganisms.
Keywords: Library automation. Automatic materials return. Materials return.

1 INTRODUÇÃO
A automação de bibliotecas é uma realidade presente há muito tempo nas bibliotecas
universitárias brasileiras. Ao longo do tempo, essas instituições envidaram esforços em adquirir
softwares que facilitassem a gestão de suas operações, dentre elas, as atividades de circulação de
acervo. Tanto o empréstimo quanto a devolução também já contam com soluções automatizadas que
contribuem para a preservação do acervo, haja vista que permitem manusear os materiais
adequadamente, apesar do custo de aquisição oneroso para muitas instituições.
A devolução automática de materiais faz parte do conceito de Manuseio Automatizado de
Materiais, do inglês Automated Materials Handling (AMH), que se refere a qualquer automação
que reduz ou elimina a necessidade de funcionários para realizar a identificação, seleção ou
transporte de materiais. Em seu estágio mais simplificado, temos um sistema simples de devolução
automática de materiais com uma máquina transportadora, subsequente separação dos mesmos e
posterior armazenamento em caixas. Esse tipo de sistema pode funcionar integrado ao sistema de
automação da biblioteca e registrar as devoluções automaticamente através da leitura de código de
barras ou RFID (GALECIA GROUP, 2020). Nesse sentido, apresenta-se o projeto de uma caixa de
devolução automatizada no Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes” da Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (SVBIBL/EESC/USP), que foi
desenvolvido em colaboração com um docente e um aluno do Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Mecânica da Escola.
2 MÉTODO
O projeto de revisão e atualização da caixa de devolução 24 horas prevê receber 24 horas
por dia/7 dias por semana os materiais emprestados com qualidade, ser passível de complementos e

�atualizações futuras, oferecer a possibilidade de desinfecção de vírus e bactérias e ter um custo
compatível (por assim dizer: diminuto) diante de um serviço que tem recebido diminuição no
investimento para acervos físicos. Neste sentido, a integração do SVBIBL com as especialidades da
Engenharia foi uma estratégia idealizada para um projeto personalizado e integrado com o ensino da
Engenharia em seus níveis de graduação e pós-graduação.
Nesta primeira etapa, foi aplicada uma metodologia composta por quatro fases para o
desenvolvimento de projetos: fase informacional, projeto conceitual, projeto preliminar e projeto
detalhado (PAHL et al. 2007). Na fase informacional, foram realizadas entrevistas com a equipe do
SVBIBL para identificar o “o que”, “como” e “por que” se fazia necessária a caixa de devolução
automática. No projeto conceitual, ocorreram sessões de brainstorming cujo objetivo era obter a
maior quantidade possível de ideias para identificar as melhores soluções e elaborar os conceitos
das máquinas. A fim de melhor compreender o problema e ser mais assertivo na proposição de
soluções, realizou-se o mapeamento e análise do processo de devolução de materiais. Já no projeto
preliminar, a caixa coletora foi dividida em estruturas modulares que foram exploradas e
desenvolvidas de acordo com os conceitos elaborados nas fases anteriores. A última fase, projeto
detalhado, constou da elaboração dos modelos digitais 3D e a realização dos detalhamentos das
peças e conjuntos mecânicos das máquinas com o software SOLIDWORKS®, enquanto que os
diagramas funcionais e layouts elétricos foram desenvolvidos no software AutoCad®.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A fase informacional identificou que, durante os horários em que os materiais são recolhidos
da caixa (8h, 12h, 14h, 18h e 21h), a maior média diária de devoluções é de 8,4 itens às 12h e a
capacidade estimada da caixa atual é de 30 itens. Quando não há expediente por períodos
prolongados, a porta da caixa é deixada aberta para que, caso seja devolvido um volume maior que
a capacidade, os materiais deslizem para o chão, o que causa danos nos mesmos. Além disso, o
acolchoamento interno da caixa está desgastado e ela não possui uma estrutura adequada para
absorver o impacto da queda das obras no fundo da mesma.

�Na fase do projeto conceitual, o conceito da nova caixa foi dividido em dois subsistemas:
uma máquina capaz de receber e armazenar os materiais e um sistema de identificação e
comunicação com o Sistema Aleph, utilizado nas Bibliotecas da USP, o qual será desenvolvido em
etapa posterior do projeto. Na fase do projeto preliminar, a seleção das soluções considerou os
seguintes itens: custos de matéria-prima, custos de fabricação, nível de especialização da
mão-de-obra necessária para a fabricação e montagem, manutenção, versatilidade, durabilidade e
possibilidade de integração com outros módulos. Assim, priorizaram-se soluções que possibilitaram
a instalação do sistema de identificação de materiais com alterações mínimas na estrutura e
acionamento da máquina. A estrutura da máquina foi concebida como um transportador por correia,
alinhado à abertura da caixa de devoluções atual, que transporta o material até um carro de
armazenamento, conforme ilustrado abaixo.

Figura 1 - Ilustração da máquina coletora de materiais, vista perspectiva

Fonte: Machado Filho (2021)

�O funcionamento geral da máquina é bastante simples e ocorre da seguinte forma: o material
é inserido na abertura da caixa de devolução e escorre por uma rampa até a correia transportadora,
um sensor presente na rampa identifica a presença do material e aciona o motor por tempo
suficiente para que a correia transporte-o até o carro de armazenamento. Caso outro material seja
depositado enquanto a esteira estiver em movimento, o sensor recompõe o tempo de acionamento
do motor. Foram observadas questões relativas às normas de segurança e ergonomia, NR 12 e NR
17, respectivamente, quanto às paradas de emergência, proteções, sinalizações e posição do
operador para remoção dos materiais da caixa de armazenamento com fundo elevatório e nível de
ruído agradável ao ambiente. Ao final, o projeto detalhado foi apresentado às partes interessadas e
aprovado pelo SVBIBL, o qual entendeu que ele atende a todas as premissas do projeto. Em
seguida, a Diretoria da EESC aprovou o financiamento da fabricação e, em posse de toda
documentação técnica, listas de materiais e orçamentos preliminares, iniciaram o processo de
aquisição dos itens e serviços necessários para a implementação da máquina.
4 CONCLUSÕES
A máquina coletora de materiais teve seu projeto desenvolvido e os custos de fabricação
levantados. Memoriais de cálculo e descritivo, projeto detalhado, diagrama elétrico, listas de
materiais, estimativas de custo e manual técnico foram entregues e aceitos pela equipe do SVBIBL
cliente. O projeto atendeu todos os requisitos e extrapolou as expectativas da equipe, tanto na
capacidade operacional quanto na simplicidade, robustez e custo de implementação.
Além disso, é um equipamento que se destaca dos modelos existentes no mercado, haja vista
que atendem as demandas específicas do SVBIBL de forma customizada, com uma estrutura que
minimiza o impacto da devolução dos materiais, contribuindo para sua preservação e conservação, e
a separação de materiais reservados e não reservados, solução que será posteriormente
implementada.
REFERÊNCIAS

�GALECIA GROUP. Automated materials handling: more information. 2020. Disponível em:
https://galecia.com/content/automated-materials-handling. Acesso em: 26 maio 2021.
MACHADO FILHO, Sergio Gomes. Desenvolvimento de mini máquinas baseadas em
transportadores de correias aplicados em dois estudos de caso: tape casting e esteira coletora de
livros. 2021. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) - Escola de Engenharia de São
Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos. [no prelo]
PAHL, G. et al. Engineering Design. 3rd ed. Londres: Springer, 2007.

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                    <text>Eixo 2 - Práticas
RODA DE LEITURA NA BIBLIOTECA LOURIVAL PINHO: DISCUSSÃO REFLEXIVA
SOBRE EDUCAÇÃO
READING WHEEL AT LOURIVAL PINHO LIBRARY: REFLECTIVE DISCUSSION ON
EDUCATION
Francisco Leandro Castro Lopes1
Resumo: A princípio houve um convite por parte de uma docente que ministrava a disciplina “Fundamentos Sócio

- Filosóficos da Educação” do Curso de Geografia para realizar uma roda de leitura na Biblioteca Lourival Pinho
do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Iguatu. A partir do convite feito pela
Professora organizou-se juntamente entre nós e os alunos a atividade que aconteceu dia 14 de dezembro de 2018
no âmbito da Biblioteca. Assim, procurou-se fazer com que os discentes refletissem sobre a importância da
educação e também interagir mais com o espaço da Biblioteca. Partiu-se para a escolha de um texto ou livro para a
discussão e interação em grupo. Foi escolhido o livro “Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica
educativa” de Paulo Freire. Levando a uma metodologia reflexiva de investigação em pesquisa social como
quadro compreensivo para se discutir os avanços e desafios do ensino e aprendizagem. Mostrando aos estudantes
a importância de uma leitura reflexiva e oralizada para os demais, principalmente no que tange a compreensão da
dimensão da educação.
Palavras-chave: Roda de leitura. Pratica educativa. Biblioteca Lourival Pinho.
Abstract: At first there was an invitation from a teacher who taught the subject “Social - Philosophical
Fundamentals of Education” of the Geography Course to hold a reading circle at the Lourival Pinho Library of the
Federal Institute of Education, Science and Technology of Ceará – Campus Iguatu . From the invitation made by
the Professor, the activity that took place on December 14, 2018 in the scope of the Library was organized
together between us and the students. Thus, we tried to make students reflect on the importance of education and
also interact more with the Library space. We decided to choose a text or book for group discussion and
interaction. The book “Pedagogy of autonomy: knowledge necessary for educational practice” by Paulo Freire
was chosen. Leading to a reflective research methodology in social research as a comprehensive framework to
discuss the advances and challenges of teaching and learning. Showing students the importance of reflective and
oral reading for others, especially with regard to understanding the dimension of education.
Keywords: Reading whell. Educational practice. Lourival Pinho Library.

1 INTRODUÇÃO

1

Graduado em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Especialização em Gestão Educacional
pela Universidade Federal de Santa Maria (UFMS) e Mestre em Pós-Graduação em Biblioteconomia pela Universidade
Federal do Cariri (UFCA). Bibliotecário do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE),
Campus Iguatu. E-mail: leandro.lopes@ifce.edu.br.

�A proposta foi realizar uma roda de leitura na Biblioteca Lourival Pinho do Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Iguatu, a partir do convite feito pela
Professora Célia Freitas, para a realização dessa atividade dentro da Biblioteca, fazendo assim, os
discentes refletirem sobre a importância da educação e em contrapartida interagirem mais com o
local.
Segundo Oliveira (2017, p.1) a roda de leitura vem ser “[...] momento da leitura, leitura
compartilhada, dentre outros derivados é uma pratica recorrente na sala de aulas [...]”, mas que pode
ser desenvolvida em outros ambientes.
Partiu-se para a escolha de um texto ou livro para a discussão e interação em grupo. Foi
escolhido o livro “Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa” de Paulo
Freire, a última obra em vida desse autor com direcionamento nas práticas educativas
correlacionadas a dimensão social do ser humano, influenciando diretamente na atuação do
educador(a) e no aprendizado dos estudantes.

2 MÉTODO

Inicialmente, antes de um planejamento de uma roda de leitura na biblioteca, é importante a
escolha do texto perfeito, ou daquele que possa atender e puxar discussões de maneira favorável
para um determinado tema proposto a ser trabalhado em grupo. Partindo para uma metodologia
reflexiva de investigação em pesquisa social como quadro compreensivo para se discutir os avanços
e desafios do ensino e aprendizagem. “A pesquisa social é sempre latente, mas, ao progredir,
elabora critérios de orientações mais precisos” (MINAYO, 2001, p.13).
Porém existem outros detalhes a serem levados em consideração como, objetividade da
atividade, se o acervo é eficiente, se o espaço de onde será feita atende as necessidades para a
realização, se haverá continuação da atividade, boa preparação para a leitura escolhida e a forma de
mediação direcionada a fluir melhor a roda de leitura.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

�Para a realização da roda de leitura, já com o livro escolhido, propomos juntamente com a
Professora Célia do Curso de Licenciatura em Geografia, mas especificamente na disciplina de
Fundamentos Sócio - Filosóficos da Educação do I semestre em 2018.2 esta atividade culminou
num diálogo reflexivo do livro citado acima, fazendo com que 30 (trinta) discentes se repartissem
em grupos, conforme a quantidade de capítulos do livro, que são 3 (três), por Freire (1996):
•

Não há docência sem discência;

•

Ensinar não é transferir conhecimento;

•

Ensinar é uma especificidade humana.

Possuindo um total de 43 (quarenta e três) exemplares da obra no acervo da Biblioteca
Lourival Pinho, uma quantidade suficiente para a realização da atividade proposta.
A roda de leitura foi feita no hall de estudo da biblioteca, oferecendo um ambiente espaçoso
e chamativo para esse verdadeiro estudo em grupo e contato direto com o acervo da biblioteca, onde
podíamos disponibilizar mais livros, caso alguém ou algum outro usuário necessitasse de algum
exemplar do livro para a participação.
Foi uma iniciativa promissora realizada nesse âmbito entre o Curso de Geografia e em
parceria com a biblioteca, que pode sim futuramente ter continuidade, pois causa autorreflexão em
todos os envolvidos, tivemos ainda a colaboração participativa do nosso Chefe de Departamento de
Ensino na época, Professor Francisco Heber, trazendo para a discussão suas vivências na educação.
Com o acompanhamento direto da Professora e a própria leitura afiada dos alunos trouxeram
dados, informações e conhecimentos que envolvem o saber e a educação no nosso país,
principalmente em nossa realidade, enquanto instituição pública e sua contribuição para a
sociedade, e também as vivências educacionais da maioria, frisando que muitos deles vêm de
escolas públicas.
Como mediadores a Professora e o Bibliotecário, Leandro Castro, fizeram com que tudo
fluísse de forma natural, sem escapar do cunho acadêmico, incentivando a participação dos
discentes e formulando perguntas importantes para questionamentos, focados na obra escolhida, a
partir das reflexões que o livro causa, trazendo todos para um mundo fantástico da leitura e o que
ela pode proporcionar na vida de alguém, podendo ser libertadora e transformadora.

�Todos juntos, podemos encantar nossos alunos com leituras relevantes e descobrir a real
satisfação de ter em mãos, abrir e ler um livro, para assim, obter um possível conhecimento.

4 CONCLUSÕES

A roda de leitura vem ser uma atividade importante na Biblioteca universitária, mas
precisamos sempre inovar para que essa atividade não caia na rotina. Pois sem repetições, e claro
saindo da mesmice, por meio de uma nova organização e criatividade, fazemos com que nossas
atuações nesse campo se tornem positivas, sejam verdadeiramente reflexivas e tragam discussões
pertinentes ao assunto tratado e nunca percam o foco de sua realização.
Portanto, uma roda de leitura não é somente juntar um grupo de pessoas, no nosso caso os
alunos em círculo para lerem juntos, a mesma traz uma percepção melhor daquilo que se propõe a
debater ou entender, enquanto intencionalidade de aprendizagem, a partir da leitura.
Proporcionando, encanto pelas palavras, pelos textos expostos e, além disso, o gosto de ler.

REFERÊNCIAS
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 28. ed. São Paulo:
Paz e Terra, 1996.
MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis:
Vozes, 2001.
OLIVEIRA, F. M. As Várias Rodas de Leituras Presentes no Ensino Fundamental de 9 Anos
I. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 05, ano 2, v.1. p. 529534, jul. 2017.

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A princípio houve um convite por parte de uma docente que ministrava a disciplina “Fundamentos Sócio - Filosóficos da Educação” do Curso de Geografia para realizar uma roda de leitura na Biblioteca Lourival Pinho do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Iguatu. A partir do convite feito pela Professora organizou-se juntamente entre nós e os alunos a atividade que aconteceu dia 14 de dezembro de 2018 no âmbito da Biblioteca. Assim, procurou-se fazer com que os discentes refletissem sobre a importância da educação e também interagir mais com o espaço da Biblioteca. Partiu-se para a escolha de um texto ou livro para a discussão e interação em grupo. Foi escolhido o livro “Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa” de Paulo Freire. Levando a uma metodologia reflexiva de investigação em pesquisa social como quadro compreensivo para se discutir os avanços e desafios do ensino e aprendizagem. Mostrando aos estudantes a importância de uma leitura reflexiva e oralizada para os demais, principalmente no que tange a compreensão da dimensão da educação.</text>
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                    <text>Eixo escolhido: Práticas
PROTOCOLOS DE BIOSSEGURANÇA EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DA
REGIÃO NORTE EM TEMPOS DE CRISE
BIOSAFETY PROTOCOLS IN UNIVERSITY LIBRARIES IN THE NORTHERN REGION IN TIMES
OF CRISIS
Janaína Cristina Ribeiro Dos Santos
Amanda de Queiroz Bessa
Danielly Oliveira Inomata
Resumo: Mapeia os protocolos de biossegurança em bibliotecas universitárias na Região Norte do Brasil,
considerando a retomada das atividades em cenário pandêmico causado pelo novo corona vírus. Face a essa nova
realidade pandêmica, ações de controle precisaram ser tomadas em todos os setores visando diminuir o número de
infecções de COVID-19. As bibliotecas buscam alternativas seguras para a reabertura, observando as medidas de
biossegurança sugeridas pelos órgãos competentes e adoção de protocolos para a retomada de suas atividades.
Com o intuito de identificar tais medidas, foi realizada pesquisa documental e pesquisa de campo por meio de
questionário eletrônico para caracterização e descrição dos elementos constituintes nos protocolos. Das 15
bibliotecas universitárias federais e estaduais da Região Norte, foram identificados nove protocolos de
biossegurança, que apontam medidas como o uso obrigatório de máscara, o distanciamento social, o atendimento
mediante agendamento prévio, o cuidado redobrado com as pessoas do grupo de risco, a priorização do
atendimento virtual e trabalho remoto, a quarentena obrigatória para os materiais impressos devolvidos e a
higienização constante das mãos, equipamentos e ambiente. Vislumbra-se com isto, que as bibliotecas
universitárias estão se adequando ao “novo normal” adotando as medidas necessárias para o retorno de suas
atividades, e que as tecnologias estão sendo essenciais nesse período pandêmico para a ampliação e
disponibilização de produtos e serviços informacionais, ressaltando a importância das bibliotecas investirem em
tecnologias para aprimoramento dos serviços existentes, bem como, a criação de novos.
Palavras-chave: Protocolo de biossegurança. Bibliotecas universitárias . Pandemia - Novo corona vírus. Medidas
de biossegurança - COVID-19.
Abstract: It maps biosafety protocols in university libraries in Northern Brazil, considering the resumption of
activities in a pandemic scenario caused by the new corona virus. In view of this new pandemic reality, control
actions needed to be taken in all sectors to reduce the number of COVID-19 infections. Libraries seek safe
alternatives for reopening, observing the biosafety measures suggested by Organs competent bodies and adopting
protocols for resuming their activities. In order to identify such measures, documental research and field research
were carried out through an electronic questionnaire to characterize and describe the constituent elements in the
protocols. Of the 15 federal and state university libraries in the North Region, nine biosafety protocols were
identified, which indicate measures such as the mandatory use of masks, social distancing, care by prior
appointment, increased care for people in the risk group, prioritization of virtual service and remote work,
mandatory quarantine for returned printed materials and constant hygiene of hands, equipment and the
environment. It can be seen with this, that university libraries are adapting to the "new normal" by adopting the
necessary measures to return to their activities, and that technologies are being essential in this pandemic period
for the expansion and availability of informational products and services, highlighting the importance of libraries
investing in technologies to improve existing services, as well as the creation of new ones.
Keywords: Biosafety protocol. University libraries. Pandemic - New corona virus. Biosecurity measures COVID-19.

�1 INTRODUÇÃO
A biblioteca universitária é o elo de aproximação do sujeito social com a informação, sendo
um ambiente que possibilita esclarecer dúvidas sobre os fenômenos que cercam os sujeitos, que
promova a apropriação de novas informações, que permita a ampliação e o desenvolvimento de novos
conhecimentos e que auxilie os sujeitos a desempenharem participação ativa em qualquer ambiente
social ao que pertençam (SANTOS; DUARTE, 2018).
Araújo (2017, p. 77) comenta que “desenha-se um amplo novo campo de atuação,
comprometido com valores tradicionalmente defendidos pelas bibliotecas: seu caráter público, a
busca pela inclusão, pela universalidade, pela pluralidade, pela ética, pela herança cultural, pela
educação e pela paz”. Vislumbra-se com isso, que a biblioteca universitária deve buscar
desenvolver novas competências informacionais frente as transformações da sociedade e das
inovações tecnológicas. Com criatividade disponibilizar serviços inovadores (novos e/ou novas
formas de se ofertar os existentes), espaços mais funcionais, uma gestão voltada para uma sociedade
que caminha de mãos dadas com a tecnologia, que não pode ser ignorada na tríade processos,
pessoas e tecnologia (PASSOS; VARVAKIS, 2017). Sobre as bibliotecas do futuro, os autores
complementam:
Espera-se que as bibliotecas no futuro sejam mais dinâmicas, inovadoras, mais acessíveis e
façam uso de recursos tecnológicos para prestar serviços mais eficientes e eficazes e,
especialmente, mais centradas nas pessoas, reunindo esforços no sentido de criar meios
para vincular as experiências, habilidades e culturas de sua comunidade (PASSOS;
VARVAKIS, 2017, p.8).

Diante do exposto, as bibliotecas universitárias caminham para a pontencialização do
vínculo social, com grande uso das tecnologias e maior interação com seus usuários, fomentando o
atendimento híbrido (presencial e virtual). O atual cenário pandêmico tem evidenciado que o papel
das bibliotecas ultrapassam os ambientes das universidades, ressalta-se a importância de
investimento em tecnologias para as bibliotecas, e que o bibliotecário, fazendo uso de sua
criatividade e dos recursos disponíveis, faz-se fundamental na mediação da informação.
Recente pesquisa realizada no Brasil, os bibliotecários apontaram desafios relacionados com
a mudança brusca do trabalho presencial para o remoto, sem uma preparação prévia (protocolos de
atuação, infraestrutura tecnológica, competências profissionais) (TANUS; SÁNCHEZ-TARRAGÓ,
2020). As bibliotecas universitárias, diante dessa realidade pandêmica, necessitam de novos
posicionamentos que devem ser adotados no sentido de favorecer o uso e compartilhamento de
informações, pois passam a preocupar-se também com o bem-estar dos seus usuários e
colaboradores, na prática da responsabilidade social e questões urgentes, como a COVID-19 (SALA

�et al., 2020). Nesse cenário, as bibliotecas universitárias trabalham para promover um retorno
seguro para seus colaboradores e usuários. Ademais, questiona-se: Como as bibliotecas estão se
planejando para a reabertura pós-pandemia? Quais os protocolos de biossegurança estão sendo
adotados? Esta pesquisa busca explorar os protocolos de biossegurança adotados por bibliotecas
universitárias na Região Norte do Brasil, com isso, tem como objetivo descrever o mapeamento dos
protocolos de biossegurança em bibliotecas universitárias na Região Norte do Brasil, considerando
a retomada das atividades em cenário pandêmico causado pelo novo corona vírus (SARS-COV-2),
causador da Covid-19.
O cenário pandêmico soma-se a crise econômica, política, social e sanitária que acarretam
complexidade em todas as áreas da vida cotidiana. O distanciamento social foi uma das primeiras
medidas para conter o contágio do vírus, o que impôs o fechamento de empresas, comércio, escolas,
universidades e demais organizações (TANUS; SÁNCHEZ- TARRAGÓ, 2020). ). A Federação
Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) (2020, não paginado) afirmou que
“Claramente, qualquer decisão de restringir serviços ou fechar uma biblioteca é difícil e precisa ser
tomada após uma avaliação dos riscos relativos”. Sabe-se que as abordagens foram diferentes em
cada país, avaliando-se a particularidade de cada local. No Brasil, as bibliotecas suspenderam suas
atividades presenciais por tempo indeterminado, os bibliotecários passaram a executar o trabalho
remoto, as bibliotecas tiveram que dispor de mecanismos para continuarem oferecendo alguns
serviços de forma virtual.
A Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e
Instituições (FEBAB) por meio da Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU)
orientam que as bibliotecas integrem o plano oficial de suas instituições obedecendo às diretrizes
gerais de proteção aos trabalhadores e recomendações específicas para bibliotecas sobre cinco
aspectos: equipes de trabalho; acesso físico à biblioteca; acervo; outros serviços técnicos e oferta de
serviços online.
2 MÉTODO
Quanto ao objetivo, esta pesquisa se classifica como descritiva, uma vez que buscou descrever
os instrumentos que determinam a retomada das bibliotecas universitárias, em atenção a protocolos de
biossegurança.
Quanto aos procedimentos, caracteriza-se como pesquisa documental e pesquisa de campo.
No que tange à pesquisa documental visou a análise dos protocolos de biossegurança das bibliotecas
universitárias da Região Norte do Brasil, sendo considerados para esta análise cinco aspectos (equipes
de trabalho; acesso físico à biblioteca; acervo; outros serviços técnicos e oferta de serviços online) de

�acordo com a FEBAB por meio da CBBU, onde foram analisados nove protocolos. Quanto ao
universo da pesquisa, trata-se das bibliotecas universitárias federais e estaduais da Região Norte, que
totalizaram 15 bibliotecas. A amostra da pesquisa trata-se de nove bibliotecas universitárias, desta
amostra verificou-se que apenas seis possuem protocolo de biossegurança disponíveis em seus sites,
três foram obtidos por meio de questionário eletrônico enviado por e-mail.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Conforme as informações coletadas na pesquisa de campo e documental, observou-se que as
bibliotecas da Região Norte, na sua maioria, estão adotando as medidas de biossegurança
recomendadas pelas autoridades compententes (OMS, Ministério da Saúde, IFLA, FEBAB/CBBU).
Alguns aspectos são apresentados a seguir:
Quanto a equipe de trabalho, a maioria das bibliotecas preveem a redução do horário de
atendimento presencial para 4 horas diárias, com o uso obrigatório de EPI’s. Estão priorizando o
atendimento virtual e o trabalho remoto, principalmente para os colaboradores que se enquadram no
grupo de risco. Quanto ao acesso físico à biblioteca, identificou-se que o atendimento presencial
será mediante agendamento prévio, visando controlar o acesso de usuários e evitar aglomeração.
Destacam também o uso obrigatório de máscara, o distanciamento social de 1,5m, bem como a
sinalização no piso marcando o espaçamento e a diminuição de mobiliários. A maioria trabalha no
sentido de instalar em seus ambientes dispenser de álcool em gel 70%, também na suspensão do uso
de áreas comuns como sala de estudos, laboratórios etc. Outras medidas citadas nos protocolos
referem-se a intensificação da higiene dos ambientes e equipamentos, e ampliar a divulgação sobre
o uso dos ambientes e dos serviços disponibilizados pelas bibliotecas.
Quanto o acesso ao acervo, identificou-se que a maioria das bibliotecas estão com acesso
restrito aos seus acervos, ou seja, apenas os colaboradores da biblioteca podem acessar, e que os
empréstimos e devoluções ocorrerão mediante agendamento. Algumas (UEPA, UFRA,
UNIFESSPA e UFT) citam a suspensão de empréstimos entre bibliotecas. Ressalta-se a importância
da quarentena para os materiais impressos comprados, consultados e emprestados. Os estudos ainda
variam entre o número de dias de isolamento para que esses materiais possam retornar ao acervo de
forma segura. No entanto, considerou-se nesta pesquisa as diretrizes da CBBU/FEBAB que
recomendam a quarentena mínima de 14 dias, o que pode ser apontado como

risco de

contaminação para as bibliotecas que possuem a recomendação inferior a esse período em seus
protocolos de biossegurança. Duas (UEA e UNIR) recomendam a quarentena de cinco dias, outras
duas (UFRA e UFRR) recomendam sete dias, duas (UFAM e UEPA) recomendam dez dias (a
UEPA diferencia a quarentena pelo tipo de material, o que pode aumentar a quarentena até 16 dias),
e apenas três bibliotecas (UFPA, UNIFESSPA e UFT) recomendam a quarentena de 14 dias.

�Quanto a outros serviços técnicos, a maioria suspendeu o recebimento de doações e a saída de
materiais para tratamentos especiais como reencardenações, tratando apenas os materiais adquiridos por
compra. As medidas de biossegurança adotadas para os demais serviços técnicos, estão de acordo com as
orientações da CBBU/FEBAB, com exceção de três bibliotecas que não descreveram sobre esse quesito no
documento. Quanto a oferta de serviços online, ficou evidente que todas as bibliotecas descreveram em seus
protocolos de biossegurança a disponibilização de serviços online. As mesmas estão priorizando o acervo
virtual com a aquisição de conteúdos eletrônicos (e-books, bases de dados, repositórios institucionais), bem
como aprimorando os serviços existentes, ofertando treinamentos online, atuando nos sites e redes sociais
com a divulgação de conteúdos sobre o período pandêmico e os serviços ofertados.
4 CONCLUSÕES
A pandemia trouxe novos desafios para o mundo, onde a sociedade precisou se adaptar ao cenário
atual e adquirir novos hábitos para enfrentamento desse período difícil. Diante disto, as bibliotecas adotaram
novos posicionamentos favorecendo o uso e compartilhamento de informações no ambiente virtual,
buscando alternativas seguras para a reabertura, que inclui mudanças na oferta de produtos e serviços e na
observância das medidas de biossegurança divulgadas pelos órgãos competentes, pois passaram a preocuparse também com o bem-estar dos seus usuários e colaboradores. As bibliotecas universitárias da Região Norte
do Brasil, em sua maioria, adotaram protocolos de biossegurança para enfrentamento da Covid-19. Dentre as
principais medidas contidas nos documentos, estão o uso obrigatório de máscara, o distanciamento social, o
atendimento mediante agendamento prévio, o cuidado redobrado com as pessoas do grupo de risco, a
priorização do atendimento virtual e trabalho remoto, a quarentena obrigatória para os materiais impressos
devolvidos e a higienização constante das mãos, equipamentos e ambiente.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, C. A. A. Biblioteconomia: fundamentos e desafios contemporâneos. Folha de Rosto: Revista de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Cariri, v. 3, n. 1, p. 68-79, jan./jun. 2017. Disponível em:
https://periodicos.ufca.edu.br/ojs/index.php/folhaderosto/article/view/193/150. Acesso em: 05 abr. 2021.
PASSOS, K. G. F. D.; VARVAKIS, G. J. O futuro da biblioteca universitária: tendências da revisão de
literatura. In.: Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, Anais... n. XVIII ENANCIB,
2017. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/105051. Acesso em: 05 abr. 2021.
SALA, F.; LOPES, F. C.; SANCHES, G. A. R.; BRITO, T. R. Bibliotecas universitárias em um cenário de
crise. Informação em Pauta, v. 5 No 1, n. 1, p. 10-32, 2020. DOI: 10.36517/25253468.ip.v5i1.2020.43933.10-32. Acesso em: 05 abr. 2021.
SANTOS, R. R.; DUARTE, E. N. Biblioteca universitária, um ambiente sistêmico propício ao acesso, ao uso
e à apropriação da informação: contribuições da web social para esse ambiente. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, v. 14, n. 1, p. 19-41, 2018. Disponível em:
http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/4435. Acesso em: 05 abr. 2021.
TANUS, G. F. S. C.; SÁNCHEZ-TARRAGÓ, N. Atuação e desafios das bibliotecas universitárias
brasileiras durante a pandemia de COVID-19. Revista Cubana de Información em Ciencias de la Salud,
v. 3, n. 31, p. 1-35, 2020. Disponível em:
http://www.acimed.sld.cu/index.php/acimed/article/view/1615/pdf_43. Acesso em: 05 abr. 2021.

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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santos, Janaína Cristina Ribeiro dos, Bessa, Amanda de Queiroz, Inomata, Danielly Oliveira</text>
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                <text>Mapeia os protocolos de biossegurança em bibliotecas universitárias na Região Norte do Brasil, considerando a retomada das atividades em cenário pandêmico causado pelo novo corona vírus. Face a essa nova realidade pandêmica, ações de controle precisaram ser tomadas em todos os setores visando diminuir o número de infecções de COVID-19. As bibliotecas buscam alternativas seguras para a reabertura, observando as medidas de biossegurança sugeridas pelos órgãos competentes e adoção de protocolos para a retomada de suas atividades. Com o intuito de identificar tais medidas, foi realizada pesquisa documental e pesquisa de campo por meio de questionário eletrônico para caracterização e descrição dos elementos constituintes nos protocolos. Das 15 bibliotecas universitárias federais e estaduais da Região Norte, foram identificados nove protocolos de biossegurança, que apontam medidas como o uso obrigatório de máscara, o distanciamento social, o atendimento mediante agendamento prévio, o cuidado redobrado com as pessoas do grupo de risco, a priorização do atendimento virtual e trabalho remoto, a quarentena obrigatória para os materiais impressos devolvidos e a higienização constante das mãos, equipamentos e ambiente. Vislumbra-se com isto, que as bibliotecas universitárias estão se adequando ao “novo normal” adotando as medidas necessárias para o retorno de suas atividades, e que as tecnologias estão sendo essenciais nesse período pandêmico para a ampliação e disponibilização de produtos e serviços informacionais, ressaltando a importância das bibliotecas investirem em tecnologias para aprimoramento dos serviços existentes, bem como, a criação de novos.</text>
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                    <text>Eixo 2 – Práticas
APLICATIVO PARA LOCALIZAÇÃO DE ACERVOS EM BRAILLE: UMA EXPERIÊNCIA
DESENVOLVIDA NO HACKATHON
APPLICATION FOR LOCATING COLLECTIONS IN BRAILLE: AN EXPERIENCE DEVELOPED
IN HACKATHON
Meirilane Socorro Leocadio1
Kátia Cidalina Santa Brígida Guimarães2
Evilane Leão Cordeiro3
Elizane Pereira Lima Mesquita4
Sillas Souza Vidal5
RESUMO:A inclusão das pessoas com deficiência ainda é um desafio para a sociedade, mesmo sendo pauta na agenda
das políticas públicas brasileiras. O tema é sensível, portanto, motivou a formação de uma equipe para disputar o
Hackathon, maratona tecnológica que reúne hackers, programadores, desenvolvedores e inventores para criar projetos
de inovação tecnológica que transformem informações de interesse público em soluções digitais, acessíveis a todos os
cidadãos. O objetivo deste artigo foi o relato de experiência no desenvolvimento de um aplicativo para auxiliar
deficientes visuais do município na localização de obras em braille. A equipe buscou desenvolver um aplicativo que
reunisse em um único banco de dados os acervos em braille por autor, título e endereço das instituições que
disponibilizem esses acervos. Também foi considerado as funcionalidades inclusivas, com interface amigável e
comunicação por áudio. O desenvolvimento deste projeto ofereceu a oportunidade de conhecer a área de tecnologia e também de
propiciar a inclusão dos usuários com deficiência visual, garantido assim o resgate de sua cidadania. A aplicação chamada
Accessbook, foi desenvolvida utilizando-se de programação apropriada para dispositivos móveis. A equipe não teve o projeto
premiado, no entando, o maior prêmio foi o reconhecimento de um usuário com deficiência visual que fez os testes com o aplicativo.
Palavras-chave: Accessbook – relato de experiência. Acervos em braille – divulgação. Deficiente visual – inclusão
digital.
ABSTRACT: The inclusion of people with disabilities is still a challenge for society, even though it is on the agenda of
Brazilian public policies. The topic is sensitive, therefore, it motivated the formation of a team to compete in the
Hackathon, a technological marathon that brings together hackers, programmers, developers and inventors to create
technological innovation projects that transform information of public interest into digital solutions, accessible to all
citizens . The aim of this article was to report an experience in the development of an application to help the visually
impaired in the city to locate works in Braille. The team sought to develop an application that would bring together in a
single database the collections in Braille by author, title and address of the institutions that make these collections
available. Inclusive features were also considered, with a friendly interface and audio communication. The development
of this project offered the opportunity to get to know the technology area and also to promote the inclusion of users with
visual impairments, thus guaranteeing the recovery of their citizenship. The application called Accessbook was
developed using appropriate programming for mobile devices. The team did not have the project awarded, however, the
biggest award was the recognition of a user with visual impairment who tested the application.
Keywords: Accessbook – experience report. Braille collections – disclosure. Visually impaired – digital inclusion.

1

Mestra. Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos. Email: meirilane.leocadio@unitpac.edu.br
Especialista. Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos. E-mail: katia.guimaraes@unitpac.edu.br
3
Mestra. Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos. Email: evilane.cordeiro@unitpac.edu.br
4
Especialista. Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos. E-mail: elizane.mesquita@unitpac.edu.br
5
Graduando. Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos. E-mail: sillasv91@gmail.com
2

�1 INTRODUÇÃO
A abordagem da temática da inclusão da pessoa com deficiência toca em questões da
sensibilidade da sociedade para com essa causa, apesar de configurar na agenda das discussões e
das políticas públicas brasileiras já a algumas décadas as pessoas com deficiência ainda são
consideradas invisíveis.
De acordo com o Censo do IBGE de 2010, o Brasil possue 45,6 milhões de pessoas que se
declararam possuir algum tipo de deficiência, representando 23,9% de nossa população. Com
deficiência visual são 18,8%, chegando a 3,4% pessoas com deficiência visual grave (Pimentel;
Pimentel, 2017).
Observando os aspectos históricos sobre os movimentos de inclusão no Brasil, oficialmente
em 1994 foi assinada a Declaração de Salamanca que preconizava a reformulação do sistema
educacional atendendo às demandas de inclusão social da pessoa com deficiência, sendo incluídas
nas políticas públicas inclusivas que a sociedade civil já exigia ( Pimentel; Pimentel, 2017). Ainda
neste contexto da escolarização, a educação especial passa a ser identificada como uma modalidade
de educação escolar a ser ofertada na rede regular de ensino, desde a educação infantil, atendendo
assim a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes para a educação especial, assegurando assim, aos
educandos com necessidades especiais: currículo, métodos, técnicas, recursos educativos e
organização específicos para atender às suas necessidades (Meletti; Bueno, 2011).
Considerando a importância da inclusão da pessoa com deficiência visual, a vivência nos
serviços ofertados pelas bibliotecas aos usuários especiais e a intenção de divulgar e dar acesso
mais facilitado aos acervos em braille, surge assim, a ideia de participar de um evento de inovação
tecnológica, assumindo o desafio de desenvolver um aplicativo que seja um elo de ligação entre
usuários com deficiência visual e acervos especiais ( braille ou áudio livros).
O problema que a equipe do Hackathon se propôs a resolver com a aplicação se refere a
dispersão dos acervos bibliográficos em braille ou audio livro localizados em três instituições
diferentes no município de Araguaína em Tocantins, sendo uma escola de ensino médio e duas
instituições de ensino superior privada e pública. As instituições possuem acervos com títulos
bastante diversificados de literatura geral, recebidos por doação pela Fundação Dorina Nowill para
cegos, instituição que promove autonomia e inclusão de pessoas cegas e com baixa visão.

�A proposta deste artigo é apresentar o relato de experiência dos autores numa maratona
tecnológica para o desenvolvimento de um aplicativo para auxiliar os deficientes visuais de nosso
município na localização de obras em braille.
2 O RELATO DA EXPERIÊNCIA
2.1 Hackathon: uma maratona tecnológica
O evento Hackathon é uma maratona tecnológica que ocorre em diversos países, reunindo
hackers, programadores, desenvolvedores e inventores para criar projetos de inovação tecnológica
que transformem informações de interesse público em soluções digitais, acessíveis a todos os
cidadãos (Edital Hackathon, 2021).
A maratona “Hackathon Cidade Empreendedora Araguaína” teve aproximadamente 50 horas de
atividades como palestras, workshops e mentorias para dar suporte aos hackathons na tarefa de criar projetos
interessantes. Todo o evento foi realizado on line pela plataforma digital Discord, onde os mais de 200
participantes ( divididos em equipes ) interagiam com mentores e organizadores do evento, cumprindo as
tarefas propostas.
2.2 O objetivo do projeto no Hackathon
O projeto teve como objetivo desenvolver um aplicativo para inclusão da pessoa com
deficiência visual, proporcionando uma experiência inovadora e inclusiva para localizar obras
literárias em formatos especiais disponíveis nas bibliotecas do Município de Araguaína/TO. Por
meio uma interface amigável e pela comunicação de audio, o aplicativo informa ao leitor qual obra
possue e seus dados de localização.
2.3 O desenvolvimento e as funcionalidades do aplicativo
Dentro do evento do Hackathon, a equipe formada por duas bibliotecárias, duas professoras
e um aluno de graduação em Sistema de Informação, se reunia virtualmente para discutir as
questões técnicas que seriam necessárias para o desenvolvimento do aplicativo, deste modo, foram
solicitadas informações dos acervos em braille ( quantitativo de títulos ) e endereço completo e

�telefone das bibliotecas. As listas dos acervos foram transformadas em um único banco de dados,
organizados por autor, título e biblioteca para o aplicativo.
As funcionalidades do aplicativo atendem as necessidades de acessibilidade para o
deficiente visual, com uma navegação amigável, além de listar as obras em braille, bem como
informar qual biblioteca está mais próxima do usuário, ainda permite uma interação
usuário/biblioteca de modo que o deficiente visual possa solicitar o livro que deseja, para que a
biblioteca providencie o empréstimo, oferecendo ainda um sistema de alerta para informar a
inserção de títulos novos.
2. 4 Accessbook
A aplicação criada para a maratona tecnológica ganhou o nome de Accessbook e foi desenvolvida
utilizando o padrão API Restfull, em que a API foi construída sobre a plataforma NodeJS na linguagem
Typescript. Além disso, o aplicativo para dispositivos móveis foi desenvolvido sobre a plataforma React
Native, também na linguagem de programação Typescript. Ademais, foram utilizadas as bibliotecas de voz
nativas do React Native e Expo para interações com o usuário portador de deficiência visual, tanto no quesito
de reconhecimento de voz quanto para passar informações para o usuário, com pouquíssimos recursos
gráficos ou de cores, a logomarca do aplicativo teve as letras “SS” em braille como uma homenagem a esses
usuários ( Figura 1).

�.
Figura 1: Interface do Aplicativo Acessbook

3 CONCLUSÕES
A construção de um projeto como este para a maratona tecnológica ofereceu uma oportunidade
única de conhecer a área de desenvolvimento em tecnologia e também de propiciar a inclusão de nossos
usuários com deficiência visual, garantido assim o resgate de sua cidadania e o sentimento de fazer parte da
comunidade. Nossa equipe não teve o projeto premiado, no entando, o maior prêmio foi o reconhecimento
de um usuário com deficiência visual que participou voluntariamente dos testes com o aplicativo, ele
esboçou grande satisfação em perceber que “existem pessoas preocupadas com a qualidade de vida deles”.
REFERÊNCIAS
PIMENTEL, Susana Couto; PIMENTEL, Mariana Couto. Acessibilidade para inclusão da pessoa
com deficiência: sobre o que estamos falando? Rev. FAEEBA – Ed. e Contemp. Salvador, v. 26,
n. 50, p. 91-103, set./dez. 2017.
MELETTI, Silvia Márcia Ferreira; BUENO, José Geraldo Silveira. O impacto das políticas públicas
de escolarização de alunos com deficiência: uma análise dos indicares sociais no Brasil. Linhas
Críticas. Brasília, v. 17, n. 33, p. 367-383, maio/agos. 2011.
EDITAL HACKATHON CIDADE EMPREENDEDORA ARAGUAÍNA 2021. Prefeitura de
Araguaína/SEBRAE. 2021. Disponível em:
https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/TO/Artigos/EDITAL%20HACKATHON
%20ARAGUA%C3%8DNA%20CIDADE%20EMPRENDEDORA.pdf. Acesso em maio/2021.

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Leocádio, Meirilane Socorro, Guimarães, Kátia Cidalina Santa Brígida, Cordeiro, Evilane Leão, Mesquita, Elizane Pereira Lima, Vidal, Sillas Souza</text>
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                <text>A inclusão das pessoas com deficiência ainda é um desafio para a sociedade, mesmo sendo pauta na agenda das políticas públicas brasileiras. O tema é sensível, portanto, motivou a formação de uma equipe para disputar o Hackathon, maratona tecnológica que reúne hackers, programadores, desenvolvedores e inventores para criar projetos de inovação tecnológica que transformem informações de interesse público em soluções digitais, acessíveis a todos os cidadãos. O objetivo deste artigo foi o relato de experiência no desenvolvimento de um aplicativo para auxiliar deficientes visuais do município na localização de obras em braille. A equipe buscou desenvolver um aplicativo que reunisse em um único banco de dados os acervos em braille por autor, título e endereço das instituições que disponibilizem esses acervos. Também foi considerado as funcionalidades inclusivas, com interface amigável e comunicação por áudio. O desenvolvimento deste projeto ofereceu a oportunidade de conhecer a área de tecnologia e também de propiciar a inclusão dos usuários com deficiência visual, garantido assim o resgate de sua cidadania. A aplicação chamada Accessbook, foi desenvolvida utilizando-se de programação apropriada para dispositivos móveis. A equipe não teve o projeto premiado, no entando, o maior prêmio foi o reconhecimento de um usuário com deficiência visual que fez os testes com o aplicativo.</text>
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                    <text>Eixo1 - Tradição
RELATO DO GRUPO DE TRABALHO DO CFB: A CONSTRUÇÃO DA RESOLUÇÃO DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
REPORT FROM THE CFB WORKING GROUP: THE CONSTRUCTION OF THE UNIVERSITY
LIBRARY RESOLUTION
Autor 11 Antônio Afonso Pereira Júnior
Autor 22 Patrícia Verônica Nascimento Dias Fernandes
Autor 33 Iole Costa Terso
Resumo: O resumo expandido vem detalhar o trabalho do Conselho Federal de Biblioteconomia e seu dever a
proteção da sociedade, como todo conselho profissional. Um breve relato sobre a elaboração da resolução da Biblioteca
Universitária que dispõe sobre estabelecimento de parâmetros para sua estruturação e funcionamento das Bibliotecas
Universitárias A dinâmica do trabalho foi feita por um grupo de trabalho bibliotecários universitários nomeados pela
portaria n. 08 de 2020 em 09 de setembro de 2020. O grupo de trabalho é uma maneira de representar o máximo de
tendências sobre o assunto. A composição do grupo de trabalho é sempre de especialistas da área, que são conselheiros
federais e regionais. Assegurar a qualidade aos serviços prestados pelas bibliotecas universitárias à sociedade. É
importante esta resolução ser um reflexo e dar a importância da biblioteca universitária no mundo contemporâneo, rever
sua história e seu valor institucional, seu alcance, sua funcionalidade dentro da comunidade acadêmica, assim propiciar
a produção de conhecimento e inovação para toda sociedade.

Palavras-chave: Conselho Profissional. Biblioteca Universitária. Resolução. Grupo de Trabalho.
Abstract: The expanded summary comes to detail the work of the Federal Council of Librarianship and its duty to
protect society, like any professional council. A brief report on the making of the University Library resolution that
provides for the establishment of parameters for University Libraries. The dynamics of the work was carried out by a
working group, university librarians appointed by ordinance n. 8 2020 on 9 September 2020. The working group is a
way to represent the maximum of trends on the subject. The composition of the WG is always made up of specialists in
the area, who are federal and regional advisors. Ensure the quality of services provided by university libraries to
society. It is important that this resolution is a reflection and gives the importance of the university library in the
contemporary world, reviewing its history and its institutional value, its reach, its functionality within the academic
community, thus providing the production of knowledge and innovation for the entire society.

Keywords: Professional Advice. University Library. Resolution. Work Group.
1 INTRODUÇÃO
O Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB tem como meta principal a proteção da
sociedade, como todo conselho profissional. Para isso, o CFB sempre precisa atualizar e rever sua
legislação e acompanhar as mudanças comportamentais e tecnológicas da sociedade.
1

Mestre em Ciência da Informação. Local de atuação UFMG. E-mail de contato: antonioapjr@yahoo.com.br
Doutora em Ciências da Educação. Local de atuação UFRB. E-mail de contato patriciafernandes.cfb@gmail.com
3
Mestre em Ciência da Informação. Local de atuação UFBA. E-mail de contato iterso@gmail.com
2

�O CFB adota a dinâmica de sempre realizar o grupo de trabalho – GT, para que possa
representar o máximo de várias tendências sobre um determinado assunto. A composição do GT é
sempre de especialistas da área, que são conselheiros federais e dos regionais. Para a nova resolução
que trata da biblioteca universitária o grupo é formado por:
 Anna Karla Morais Maia – CRB-15/274 - Faculdade de Ciências Educacionais e
Empresariais de Natal – FACEN;
 Antônio Afonso Pereira Júnior - CRB-6/2637 – Universidade Federal de Minas
Gerais - UFMG;
 Bárbara Alessandra Ribeiro de Miranda Lima – CRB 7/5907 - Universidade Federal
do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO;
 Cássio José de Paula – CRB 6/1463 - Pontifica Universidade Católica de Minas
Gerais – PUC Minas;
 Iole Costa Terso – CRB-4/2109 – Universidade Federal da Bahia – UFBA;
 Joana D’Arc Lima – CRB-4/2243 - Centro Universitário Tiradentes – Pernambuco;
 Leila Rabello de Oliveira – CRB-8/4037 - Centro Universitário Belas Artes de São
Paulo;
 Patrícia Verônica Nascimento Dias Fernandes – CRB-5/1353 – Universidade Federal
do Recôncavo da Bahia

2 FUNDAMENTAÇÃO
2.1. O Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB e sua história e estrutura
O Sistema CFB/CRB é composto pelo CFB e pelos Conselhos Regionais de
Biblioteconomia – CRB’s. O CFB completou 56 anos de atividades em 2021. Previsto na Lei 4.084
de 1962, foi oficialmente instalado em março de 1966, com a posse dos membros da sua primeira
gestão. No ano de 1966 a Resolução 04/66 criou 10 Conselhos Regionais de Biblioteconomia. Após
esta data foram criados mais 5 Conselhos regionais. Em 2009, o CRB 12 foi extinto e incorporado
pelo CRB6, atualmente o Sistema CFB/CRB conta com 14 Conselhos Regionais. (CFB, 2021).

�A Diretoria da atual da 18ª gestão 2019 - 2021 é composta por: Presidente Marcos Luiz
Cavalcanti de Miranda – CRB-7/4166, Vice-presidente Dalgiza Andrade Oliveira – CRB-6/1577,
Diretora Administrativo Leonardo de Oliveira Cavalcante – CRB-15/662, Diretora Técnica Eliane
Lourdes da Silva Moro – CRB-10/881 e Diretora Financeira Maria Elizabeth Baltar Carneiro de
Albuquerque – CRB-15/001. A Diretoria e o Plenário do CFB são auxiliados por Comissões
Permanentes compostas por três Conselheiros eleitos pelo Plenário. A Comissão elege o seu
Coordenador, deliberando por maioria de votos. Na falta ou impedimento de qualquer membro das
Comissões, o Presidente designará substituto ad hoc escolhido dentre os Conselheiros. (CFB, 2021).
As comissões são: Comissão de Legislação e Normas – CLN, composta por: Cristian José
Oliveira Santos Brayner – CRB-1/1812 (Coordenador), Regina Lúcia Freitas Holanda – CRB3/808, Iole Costa Terso Crb-4/2109. A Comissão de Divulgação e Valorização Profissional – CDV
composta por: Antônio Afonso Pereira Junior CRB-6/2637 (Coordenador), Dalgiza Andrade
Oliveira CRB-6/1577, Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque – CRB-15/001. A comissão
de Tomada de Contas – CTC composta por: Maria Marta Sienna – CRB-9/759 (Coordenadora),
Telma Socorro Silva Sobrinho – CRB-2/668, Patrícia Verônica Nascimento Dias Fernandes – CRB5/1353. A Comissão de Ética Profissional – CEP composta por: Telma Socorro Silva Sobrinho –
CRB-2/668 (Coordenadora), Cristian José Oliveira Santos Brayner – CRB-1/1812, Maria das
Mercês Apóstolo – CRB-8/5660. A Comissão de Licitação – CLI composta por: Cristian José
Oliveira Santos Brayner – CRB-1/1812 (Coordenador), Ailton Moreira da Rocha (Pregoeiro e
servidor do CFB), Tatiana de Paula Martins de Souza (Autoridade Competente e servidora do
CFB). A Comissão de Ensino e Formação Profissional – CENF composta por: Maria das Mercês
Apóstolo – CRB-8/5660 (Coordenadora), Maria da Glória Serra Pinto de Alencar – CRB-13/267,
Eliane Lourdes da Silva Moro – CRB-10/881. A Comissão de Fiscalização –CFI composta por:
Regina Lúcia Freitas Holanda – CRB-3/808 (Coordenadora), Patrícia Verônica Nascimento Dias
Fernandes – CRB-5/1353, Alessandra Atti – CRB-8/6568. As competências das Comissões
Temporárias e os GT’s obedecem às mesmas normas para as Comissões Permanentes. (CFB, 2021).
2.2. Grupo de Trabalho e as resoluções

�Os GT’s são órgãos de apoio técnico, criados pelo Presidente, com a finalidade de
desenvolver trabalhos específicos de natureza transitória ou não, compostos de, no mínimo, três
membros, sendo um, obrigatoriamente, Conselheiro Efetivo. O Presidente Marcos Miranda criou o
Grupo de Trabalho GT para o estabelecimento de parâmetros para Bibliotecas Universitárias (GTBU) através da portaria n. 08 de 2020 em 09 de setembro de 2020. Foram em torno de quinze
encontros, debates e estudos entre os membros para elaboração da resolução que contemplasse
todos os parâmetros para as Bibliotecas Universitárias no intuito de poder ser uma biblioteca
universitária contemporânea, que precisa para atender a comunidade acadêmica e a realidade
científica e tecnológica da atualidade. Um dos maiores desafios encontrados pelo GT foi em
procurar elaborar uma minuta que atendesse as diversidades regionais de um país tão desigual, de
diferentes realidades regionais. Contudo o GT teve como lema “a sociedade brasileira”.
A resolução está prestes a ser encaminhada para diretoria, após isso será avaliada pelo
CRB’s e depois para a plenária do CFB para apreciação de todos os conselheiros federais, sendo
aprovada pelo Pleno será publicada. A publicidade ao documento será um guia para os
bibliotecários universitários e universidades públicas e privadas.

As resoluções são atos

administrativos normativos que partem de autoridades superiores, através das quais disciplinam
matéria da sua competência específica. As resoluções não podem contrariar os regulamentos e os
regimentos, mas explicá-los. Será também considerada como norma expedida no sentido de
interpretar uma lei. (ACQUAVIVA, 1999). Portanto, a resolução é uma espécie documental que
orienta e normatiza, no caso os parâmetros da biblioteca universitária.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo do Sistema CFB/CRB é atuar em prol da sociedade brasileira por meio da sua
principal missão: fiscalizar o exercício profissional do bibliotecário, cuja operacionalização é feita
pelos Conselhos Regionais. Ao longo desses anos, o Sistema CFB/CRB acompanhou o
desenvolvimento da Biblioteconomia no Brasil. Os esforços em diversas frentes, entre elas destacase o acompanhamento para aprovação de Leis, que privilegiem a cultura, a educação e a visão de
bibliotecas como equipamentos culturais, educacionais e de produção do conhecimento.

�A importância da regulamentação profissional tanto para assegurar o exercício profissional
de pessoas qualificadas e habilitadas para tal, quanto para assegurar e defender os interesses de
todos os cidadãos, que procuram atendimento especializado, seja o médico no posto de saúde, seja o
farmacêutico na farmácia, seja o bibliotecário nas mais diversas unidades de informação.
A dinâmica adotada pelo CFB com os GT’s é fundamental para possibilitar aos especialistas
de diversas localidades do Brasil ampliando a pluralidade de ideias, tendências e visões sobre a
biblioteca universitária, este local de ensino, pesquisa e extensão. Portanto, assegurar a qualidade
aos serviços prestados pelas bibliotecas universitárias à sociedade. É importante esta resolução ser
um reflexo e dar a importância da biblioteca universitária no mundo contemporâneo, rever sua
história e seu valor institucional, seu alcance, sua funcionalidade dentro da comunidade acadêmica,
assim propiciar a produção de conhecimento e inovação para toda sociedade.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14724: Informação e
Documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Dicionário Acadêmico de Direito. São Paulo: Editora Jurídica
Brasileira, 1999.
BRASIL. Lei N° 4.084, de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a profissão de Bibliotecário e regula
seu exercício. DOU, Brasília, 2 jul. 1962. Disponível em: http://www.cfb.org.br/wpcontent/uploads/2017/01/Lei4084-30junho1962.pdf. Acesso em: 01 ago. 2021.

SISTEMA CFB/CRB. Sistema CFB/CRB. 2021. Disponível em:
http://www.cfb.org.br/institucional/historico/historico-introducao/ . Acesso em: 01 ago.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Relato do Grupo de Trabalho do CFB: a construção da resolução da Biblioteca Universitária.</text>
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                <text>Pereira Júnior, Antônio Afonso, Fernandes, Patrícia Verônica Nascimento Dias, Terso, Iole Costa</text>
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                <text>O resumo expandido vem detalhar o trabalho do Conselho Federal de Biblioteconomia e seu dever a proteção da sociedade, como todo conselho profissional. Um breve relato sobre a elaboração da resolução da Biblioteca Universitária que dispõe sobre estabelecimento de parâmetros para sua estruturação e funcionamento das Bibliotecas Universitárias A dinâmica do trabalho foi feita por um grupo de trabalho bibliotecários universitários nomeados pela portaria n. 08 de 2020 em 09 de setembro de 2020. O grupo de trabalho é uma maneira de representar o máximo de tendências sobre o assunto. A composição do grupo de trabalho é sempre de especialistas da área, que são conselheiros federais e regionais. Assegurar a qualidade aos serviços prestados pelas bibliotecas universitárias à sociedade. É importante esta resolução ser um reflexo e dar a importância da biblioteca universitária no mundo contemporâneo, rever sua história e seu valor institucional, seu alcance, sua funcionalidade dentro da comunidade acadêmica, assim propiciar a produção de conhecimento e inovação para toda sociedade.</text>
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                    <text>Práticas
COMISSÃO DE ANÁLISE DE CONTEÚDOS DE INFORMAÇÃO DA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA DA UFSC
COMISSION FOR INFORMATION CONTENT ANALYSIS OF UFSC´S UNIVERSITY
LIBRARY
Manoela Hermes Rietjens 11
Crislaine Zurilda Silveira 22
Karyn Munyk Lehmkuhl 33
Liliane Vieira Pinheiro 44
Luísa Chaves Café 55
Resumo: Relato de experiência na participação da Comissão de Análise de Conteúdos Informacionais (CACI)
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Apresenta e comenta as principais atividades desenvolvidas
pela Comissão, que envolvem: estudos sobre metodologias de análise, avaliação e recomendação de conteúdos
de acesso restrito ou aberto, elaboração de documentos para apoio à aquisição, análise para subsidiar decisão de
aquisição do Portal de Periódico da CAPES, curadoria de fontes confiáveis sobre COVID-19, divulgação de
recursos ofertados em modalidade temporária e posterior análise de uso destes recursos, com uso de
questionários e check-list elaborados pela Comissão. As práticas da Comissão resultaram no incremento da
oferta de recursos informacionais aos usuários da Biblioteca. Conclui que a análise realizada por bibliotecários,
especialmente quando atuam em diferentes setores da Biblioteca, assim como a participação de especialistas da
área analisada, são práticas enriquecedoras para as decisões sobre as coleções que irão impactar diretamente na
qualidade do serviço oferecido pela Biblioteca.
Palavras-chave: Recursos Informacionais. Seleção. Análise. Bibliotecas universitárias.
Abstract: Experience report about the participation of the Federal University of Santa Catarina’s (UFSC)
Commission for Information Content Analysis (CACI). Presents and comments the main activities carried out by
the Commission that involve: studies on analysis methodologies, evaluation and recommendation of restricted or
open access content, preparation of documents to support acquisition, analysis to support the Portal de Periódicos
da CAPES acquisitions, curation of reliable sources on COVID-19, dissemination of temporarily offered
resources and subsequent analysis of those resources usage with questionnaires and checklists prepared by the
Commission. The Comission practices resulted in increase of informational resources supply for the Library's
users. Concludes that the analysis carried out by librarians, especially when in collaboration with those who
work in different sectors of the library, as well as the participation of specialists, enriches the decisions made
around the collections that will directly impact the quality of the service offered by the Library.
Keywords: Informational resources. Selection. Analysis. University libraries.

1 INTRODUÇÃO

1

Mestra em Gestão de Unidades de Informação. Bibliotecária da UFSC. manoela.rietjens@ufsc.br.
Mestra em Gestão de Unidades de Informação. Bibliotecária da UFSC. crislaine.silveira@ufsc.br.
3
Mestra em Ciência da Informação. Bibliotecária da UFSC. karyn.lehmkuhl@ufsc.br.
4
Doutora em Ciência da Informação. Bibliotecária da UFSC. liliane.pinheiro@ufsc.br.
5
Doutoranda em Ciência da Informação. Bibliotecária da UFSC. luisa.cafe@ufsc.br.
2

�O crescimento na produção de recursos eletrônicos impõe vários desafios às bibliotecas
universitárias, principalmente àquelas vinculadas a organizações públicas que possuem
limitações de recursos financeiros e demandas crescentes nas diversas áreas do conhecimento.
Os recursos eletrônicos abarcam, por exemplo, os periódicos eletrônicos, os livros
eletrônicos, as bases de dados (LIXIN; THU, 2017). A diversidade dos recursos eletrônicos e o
cambiante cenário em que se apresentam incitam a necessidade de analisá-los criteriosamente e,
por consequência, reforçam o papel da seleção, uma atividade complexa que envolve o
planejamento da coleção, a definição de critérios para seleção que subsidiem a escolha do
recurso com melhor cobertura de assunto, o formato mais adequado, as ofertas de recursos
disponíveis no mercado e os modelos de negócios que melhor atendam à biblioteca
(RIETJENS, 2018).
Diante dessa complexidade, a Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa
Catarina (BU/UFSC), criou a Comissão de Análise de Conteúdos de Informação (CACI), cujo
objetivo é analisar conteúdos eletrônicos de informação a serem adquiridos pela BU e realizar
os estudos para embasar as aquisições. Portanto, o objetivo deste trabalho é descrever um relato
das atividades desta Comissão.

2 MÉTODO

O presente trabalho é um relato de experiência a partir das atividades da CACI. A
comissão é composta predominantemente por bibliotecários que atuam em diferentes áreas e
setores da BU/UFSC, como no Serviço de Seleção e Aquisição, no Serviço de Competência
em Informação e Suporte à Pesquisa e nas Bibliotecas Setoriais. Sempre que necessário, são
convidados demais profissionais e/ou especialistas para colaborarem com alguma atividade
específica.
A CACI é oficializada pela Portaria nº 2279/2017/GR, de 11 de outubro de 2017 e
atualizada pelas Portaria nº 633/2019/GR, de 29 de março de 2019 e Portaria nº 665/2020/GR,
de 15 de abril de 2020, que regulamenta duas horas semanais de dedicação dos membros aos
trabalhos da comissão. As reuniões são realizadas quinzenalmente, de forma presencial e
remota, duram em média duas horas.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

�As atividades desenvolvidas pela comissão são heterogêneas, porém voltadas a um
mesmo objetivo, o de fornecer recursos eletrônicos relevantes para a comunidade universitária
da UFSC. Na sequência descrevem-se algumas das atividades realizadas:
a)

Análise de conteúdos: a CACI atuou recebendo demandas e processando

análises de conteúdos (bases de dados, coleções de normas técnicas, livros eletrônicos) de
diversas áreas do conhecimento, demandados por alunos, professores, direção da BU, setores
da BU e também ofertados pelos fornecedores. O objetivo das análises foi verificar a
relevância do conteúdo para a UFSC, por meio da aplicação de metodologias, sendo que,
quando constatada a importância do recurso, resultou em: recomendações de recursos
informacionais de acesso restrito para aquisição, recomendações de recursos informacionais
de acesso aberto ou gratuito para divulgação no sítio da Biblioteca.
b)

Elaboração de metodologias de análise: para cada demanda, foi elaborada

metodologia de análise específica, considerando as características dos públicos-alvo e também
as tipologias e as características dos recursos. Algumas metodologias adotadas foram:
construção de critérios de seleção, consulta à comunidade, comparação de conteúdos de bases
de dados similares, comparação de conteúdos com planos de ensino, entre outros.
c)

Indicação de conteúdos de acesso restrito: quando as análises de conteúdos

indicaram a relevância de determinado recurso para a comunidade acadêmica da UFSC, a
CACI indicou para a direção da BU a importância da sua aquisição.
d)

Elaboração de documentos para aquisição: para os conteúdos que exigiram

investimento financeiro, a comissão elaborou as documentações exigidas para suas
aquisições, seguindo o disposto nas legislações vigentes.
e)

Indicação de conteúdos de acesso aberto ou gratuito: quando as análises

realizadas acarretaram descoberta de conteúdos de acesso aberto, estes foram indicados para
compor o sítio da BU e quando pertinente, encaminhados para verificação da incorporação
dos registros Machine Readable Cataloging (MARC) no catálogo. Também foram indicados
conteúdos disponibilizados gratuitamente por fornecedores.
f)

Análise de conteúdos do Portal de Periódicos da CAPES: desenvolveu

estudo sobre os periódicos da Association for Computing Machinery (ACM), a partir de
consulta da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES). Considerou-se os
índices de impacto, a relevância dos conteúdos para os Programas de Pós-Graduação da
UFSC, e demais aspectos, como recursos de usabilidade da plataforma. Devido à importância
em atender as consultas da CAPES com agilidade, a CACI elaborou modelo de estrutura para
apoio na escrita de futuros pareceres, mas ainda se considera necessário debater e desenvolver

�parâmetros de análise que sirvam para variados tipos de conteúdos, assim como sistematizar o
fluxo de análise considerando etapas de consulta aos especialistas da área.
g)

Questionário de avaliação de trials: foram aplicados questionários junto à

comunidade, com o objetivo de captar as percepções dos usuários acerca dos recursos
oferecidos temporariamente. Os questionários foram disponibilizados no sítio da BU
juntamente com as instruções sobre o trial em oferta. As questões se referiam a identificação
do vínculo do respondente com a UFSC, a área de atuação, a importância do conteúdo para a
área do conhecimento e a facilidade de uso do recurso, bem como espaço para comentários e
sugestões.
h)

Fluxo para avaliação de trials e Checklist: foi criado um fluxo para esta

atividade cujas ações perpassam pela divulgação do trial, disponibilização do questionário,
avaliação via checklist e recomendação final da CACI. O checklist é composto por perguntas
a serem respondidas pela Comissão após a disponibilização do recurso para a comunidade,
referentes às necessidades da comunidade (se havia demanda, se já havia contratação similar,
se algum recurso disponível possuía conteúdo semelhante, áreas do conhecimento atendidas);
ao conteúdo (cobertura, tipo de conteúdo, embargo, atualização, feedback dos usuários,
idioma, indexação do conteúdo); aos recursos disponíveis (download/impressão, busca
booleana e outros recursos de busca, histórico de busca, tradução automática); estatísticas de
uso; exigências de softwares ou plug-in e fornecimento de registros MARC.
i)

Projeto Especial COVID-19: recursos científicos: a Comissão reuniu em um

único sítio, todos os conteúdos de caráter científico, que poderiam interessar à comunidade,
sobre a COVID-19. Esta curadoria de informações foi dividida em dois tópicos: publicações
científicas e de divulgação da ciência. Foram 53 fontes divulgadas: 41 científicas e 12 de
divulgação da ciência, disponíveis em: http://portal.bu.ufsc.br/especial-covid-19/.
j)

Projeto bases de dados em teste: recursos para estudo a distância: também

diante da pandemia da COVID-19, a comissão trabalhou na identificação e disponibilização
de recursos eletrônicos disponibilizados gratuitamente pelos fornecedores, com o objetivo de
ampliar o acesso a conteúdos eletrônicos para a comunidade acadêmica. Ao todo, neste
projeto, foram disponibilizados 41 recursos, entre eles 13 de livros eletrônicos, 23 de bases de
dados, 1 videoteca, 1 recurso complementar, 2 ferramentas de busca, 1 de jornais.
k)

Divulgação: a comissão atuou também promovendo a divulgação dos recursos

eletrônicos que selecionou ou que disponibilizou em trial e dos seus projetos. Essas
divulgações ocorreram em diversos canais: e-mails personalizados para coordenações de

�cursos de graduação e pós-graduação, e-mails para listas, boletins da UFSC e da BU, posts
nas redes sociais e live.

4 CONCLUSÕES

A atuação da CACI possibilitou ampliar o olhar dos integrantes acerca dos recursos
eletrônicos e do mercado editorial. As análises realizadas possibilitaram a recomendação de
recursos que pudessem atender às necessidades informacionais da comunidade da UFSC.
O aprendizado obtido foi que o envolvimento de diferentes setores da BU/UFSC, por
meio das discussões na CACI, permitiu conhecer as diversas demandas dos usuários assim
como trocar experiências sobre a seleção de acervos, atividade esta que deve ser de
responsabilidade de todos, uma vez que as decisões sobre as coleções disponibilizadas irão
impactar diretamente na qualidade do serviço oferecido pela Biblioteca.
Recomendamos que os gestores de bibliotecas se sensibilizem para as atividades de
seleção de recursos eletrônicos e que estimulem discussões entre os bibliotecários e a
comunidade sobre a temática.
REFERÊNCIAS
LIXIN, Xia; THU, Khin Myo. E-resources collection development process. Journal of
Advances in Information Technology, v. 8, n. 4, p. 225-229, nov. 2017.
RIETJENS, Manoela Hermes. Seleção de recursos eletrônicos em bibliotecas
universitárias: o método Analytic Hierarchy Process (AHP) como ferramenta de apoio à
tomada de decisão. 2018. Dissertação. (Mestrado em Gestão da Informação) - Programa de
Pós Graduação em Gestão da Informação - Universidade do Estado de Santa Catarina,
Florianópolis, 2018.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Portaria n. 2279/2017/GR, de 11
de outubro de 2017. Disponível em: http://notes.ufsc.br/aplic/portaria.nsf. Acesso em: 05 ago.
2021.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Portaria nº 633/2019/GR, de 29 de
março de 2019. Disponível em: http://notes.ufsc.br/aplic/portaria.nsf. Acesso em: 05 ago.
2021.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Portaria nº 665/2020/GR, de 15 de
abril de 2020. Disponível em: http://notes.ufsc.br/aplic/portaria.nsf. Acesso em: 05 ago. 2021.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Relato de experiência na participação da Comissão de Análise de Conteúdos Informacionais (CACI) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Apresenta e comenta as principais atividades desenvolvidas pela Comissão, que envolvem: estudos sobre metodologias de análise, avaliação e recomendação de conteúdos de acesso restrito ou aberto, elaboração de documentos para apoio à aquisição, análise para subsidiar decisão de aquisição do Portal de Periódico da CAPES, curadoria de fontes confiáveis sobre COVID-19, divulgação de recursos ofertados em modalidade temporária e posterior análise de uso destes recursos, com uso de questionários e check-list elaborados pela Comissão. As práticas da Comissão resultaram no incremento da oferta de recursos informacionais aos usuários da Biblioteca. Conclui que a análise realizada por bibliotecários, especialmente quando atuam em diferentes setores da Biblioteca, assim como a participação de especialistas da área analisada, são práticas enriquecedoras para as decisões sobre as coleções que irão impactar diretamente na qualidade do serviço oferecido pela Biblioteca.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
O ATENDIMENTO AO USUÁRIO EM TEMPOS DE PANDEMIA
USER SERVICE IN TIMES OF PANDEMICS

Thalita Oliveira da Silva Gama1

Resumo: O presente relato de experiência aborda as atividades laborais desenvolvidas pela equipe da Divisão de
Atendimento ao Usuário do Sistema de Bibliotecas da UNIRIO durante a pandemia de COVID-19. A divisão tem
por finalidade atender as demandas informacionais da comunidade universitária e do público externo, tanto
presencialmente como por meios eletrônicos e demais meios de comunicação. Em virtude da nova realidade do
trabalho remoto diversas novas ações foram elaboradas como: Atendimento virtual da comunidade, treinamentos e
webnários, lives com professores, divulgação da produção acadêmica tanto do corpo discente, quanto do corpo
docente. Neste relato de experiência buscou-se contextualizar os serviços oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas
da UNIRIO durante a pandemia. Pretende-se dessa forma manter o registro sobre tal período tão conturbado e
gerar inspiração as próximas gerações. Conclui-se que a adaptação a nova situação exigiu trabalho e união da
equipe e abriu novas possibilidades de atuação para os bibliotecários universitários.

Palavras-chave: Biblioteca universitária. Pandemia. Serviço de referência virtual.
Abstract: This experience report addresses the work activities developed by the team of the User
Service Division of the UNIRIO Library System during the COVID-19 pandemic. The division is
intended to meet the informational demands of the university community and the external public,
both in person and by electronic means and other means of communication. Due to the new reality
of remote work, several new actions were developed, such as: Virtual community service, training
and webinars, lives with teachers, dissemination of academic production both by students and
faculty. This experience report sought to contextualize the services offered by the UNIRIO Library
System during the pandemic. It is intended in this way to keep a record of such a troubled period
and generate inspiration for future generations. It is concluded that adapting to the new situation
required work and team unity and opened up new possibilities of action for university librarians.

Keywords: University library. Pandemic. Virtual referral service

1

Mestranda em memória social. Bibliotecária no Centro de Ciências Jurídicas e Políticas da UNIRIO. Contato:
Thalita.gama@unirio.br

�1 INTRODUÇÃO
Em 30 de janeiro de 2020, de acordo com o histórico divulgado pela Associação Pan
Americana de Saúde (2021) a OMS – Organização Mundial de Saúde declarou que o surto do novo
coronavírus constitui uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) – o
mais alto nível de alerta da Organização, conforme previsto no Regulamento Sanitário
Internacional. Essa decisão buscou aprimorar a coordenação, a cooperação e a solidariedade global
para interromper a propagação do vírus. Em 11 de março de 2020, a COVID-19 foi caracterizada
pela OMS como uma pandemia. O termo “pandemia” se refere à distribuição geográfica de uma
doença e não à sua gravidade. A designação reconhece que, no momento, existem surtos de
COVID-19 em vários países e regiões do mundo.
A UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro observando, diante de tais
fatos, a necessidade de ações em prol da saúde dos trabalhadores da instituição criou o Grupo de
Trabalho Consultivo COVID-19, instituído pela Portaria GR no 251 /2020, de 10 de março de 2020.
Tal medida mostrou-se útil e acertada com a necessidade iminente de interromper as atividades
acadêmicas presenciais dos cursos de graduação e pós-graduação e no que couber a cada setor
implementar o trabalho remoto.
O sistema de bibliotecas da UNIRIO – (UNIBIBLI) diante de tais demandas e necessidades
focalizou sua força de trabalho na criação de inovações possíveis a nova realidade remota. Este
relato de experiência contextualiza esse período e aponta os benefícios e desafios dessa jornada.

�2 DISCUSSÃO
O avanço tecnológico propiciou novas demandas de produtos e serviços nas bibliotecas
universitárias que tem por objetivo apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Atendendo
alunos, professores, pesquisadores e comunidade acadêmica em geral. Tal realidade no Brasil na
última década alavancou o serviço de referência virtual, que para Accart (2012) pode ser definido
como:
Oferece um ponto de acesso único em linha que o usuário pode identificar imediatamente,
ao qual ele apresenta uma solicitação, entregue aos cuidados de profissionais qualificados,
solicitação esta que enseja uma resposta rápida, pertinente e de qualidade.

Uma das principais ações realizada pela Divisão de Atendimento ao Usuário (DAU) foi a
continua alimentação dos canais de comunicação do (UNIBIBLI), em especial o aplicativo
instagram e no youtube. Algumas novas formas de divulgar nosso acervo e informações foram
criadas, como por exemplo:

a) Joias da casa: Indicação de trabalhos acadêmicos dos professores da UNIRIO
b) Publicidade do Hórus: Indicação de trabalhos acadêmicos da pós-graduação da
universidade armazenados no repositório institucional
c) Dicas de leituras digitais: Indicação de ebooks gratuitos das mais diversas áreas
d) Lives com professores e sua relação com a biblioteca mediada pelos bibliotecários da
DAU
e) Treinamentos e webnários diversos ministrados pelos bibliotecários da instituição
f) Semana da Biblioteca com atividades diversas online
g) “Fale com o bibliotecário” horários pré-marcados onde um bibliotecário fica de
pronto atendimento para videochamadas com a comunidade acadêmica, tirando suas
dúvidas.
Tais atividades refletem a união de toda a equipe no objetivo de manter o trabalho laboral
em atividade durante a pandemia. Até o momento da elaboração desse relato, em agosto de 2021, as
atividades da universidade se encontrem ainda no modo remoto. Acredita-se que nos próximos anos
será uma tendência a incorporação dessa nova forma de trabalho as demandas do bibliotecário. O
trabalho híbrido e suas possibilidades se colocam como esperanças no futuro próximo.

�3 CONCLUSÕES

As novas demandas derivadas da quarentena e ações de segurança contra a COVID 19
agitaram todos os estratos da sociedade, e nas bibliotecas não foi diferente. Observamos a dinâmica
presencial perder força e surgir uma urgência por documentos digitais como os ebooks. Neste relato
de experiencia buscou-se contextualizar os serviços oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas da
UNIRIO durante a pandemia. Pretende-se dessa forma manter o registro sobre tal período tão
conturbado e gerar inspiração as próximas gerações.

REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência do presencial ao virtual. Brasília, DF: Briquet de
Lemos, 2012.
GROGAN, D. A prática do Serviço de Referência. Brasília: Briquet de Lemos,2001.
ORGANIZAÇÃO PAN AMERICANA DE SAÚDE. Histórico pandemia COVID -9. Disponível
em: https://www.paho.org/pt/covid19/historico-da-pandemia-covid-19 Acesso em: 04.jul.2021
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIRIO. Instagram. Disponível em:
https://www.instagram.com/bibliotecasunirio/ Acesso em: 04. Jul. 2021
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIRIO. Site oficial. Disponível em:
http://www.unirio.br/bibliotecacentral . Acesso em: 04. Jul. 2021

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                <text>O presente relato de experiência aborda as atividades laborais desenvolvidas pela equipe da Divisão de Atendimento ao Usuário do Sistema de Bibliotecas da UNIRIO durante a pandemia de COVID-19. A divisão tem por finalidade atender as demandas informacionais da comunidade universitária e do público externo, tanto presencialmente como por meios eletrônicos e demais meios de comunicação. Em virtude da nova realidade do trabalho remoto diversas novas ações foram elaboradas como: Atendimento virtual da comunidade, treinamentos e webnários, lives com professores, divulgação da produção acadêmica tanto do corpo discente, quanto do corpo docente. Neste relato de experiência buscou-se contextualizar os serviços oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas da UNIRIO durante a pandemia. Pretende-se dessa forma manter o registro sobre tal período tão conturbado e gerar inspiração as próximas gerações. Conclui-se que a adaptação a nova situação exigiu trabalho e união da equipe e abriu novas possibilidades de atuação para os bibliotecários universitários.</text>
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                    <text>Eixo Práticas
BIBLIOTECA E DIVERSIDADE: INICIATIVAS DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA
BIBLIOTECA CAJUÍ – CIDADE DE GOIÁS
LIBRARY AND DIVERSITY: HERITAGE EDUCATION INITIATIVES AT THE CAJUÍ LIBRARY GOIÁS CITY
Audrival Pereira Côrtes Filho1
Jaqueline Moraes Fernandes2

Resumo: A pluralidade cultural brasileira se reflete nas formas de expressão que constituem o patrimônio vivo da
sociedade, conhecido como patrimônio imaterial, que revelam muitos aspectos que assumem a forma da cultura
viva e presente de uma determinada sociedade. E a biblioteca, enquanto espaço não-formal de educação, mostrase imprescindível na disseminação e democratização do conhecimento, bem como na gestão dos saberes. Deste
modo, este relato apresenta as vivências realizadas na Biblioteca Seccional Campus Goiás – Cajuí da
Universidade Federal de Goiás, na cidade de Goiás-GO, desenvolvida durante a Semana do Livro e da Biblioteca
do ano de 2019. Afirma a importância de a biblioteca tornar-se parceira dos detentores do saber tradicionais da
comunidade em que estão inseridas, independentemente de seu público-alvo. Baseado nisso, faz-se necessário
apoiar a valorização das referências culturais da comunidade, proporcionando o ensino/aprendizado, através de
seus detentores, por meio de práticas educativas.
Palavras-chave: Bibliotecas. Patrimônio cultural. Educação Patrimonial.
Abstract: The Brazilian cultural plurality is reflected in the forms of expression that constitute the living heritage
of society, known as intangible heritage, which reveal many aspects that take the form of the living and present
culture of a given society. And the library, as a non-formal educational space, is essential in the dissemination and
democratization of knowledge, as well as in the management of knowledge. Thus, this report presents the
experiences carried out in the Library Sectional Campus Goiás - Cajuí of the Federal University of Goiás, in the
city of Goiás-GO, developed during the Book and Library Week of 2019. It affirms the importance of the library
becoming a partner of the traditional knowledge holders of the community in which they are inserted, regardless
of their target audience. Based on this, it is necessary to support the appreciation of the cultural references of the
community, providing teaching/learning, through its holders, by means of educational practices.
Keywords: Libraries. Cultural heritage. Heritage Education.

1 INTRODUÇÃO

1

Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Bibliotecário-Documentalista da Universidade Federal
de Goiás, Câmpus Goiás (UFG/CG). audrival_cortes@ufg.br.
2
Mestranda pelo Programa de Mestrado Profissional em Estudos Culturais, Memória e Patrimônio pela Universidade
Estadual de Goiás (PROMEP/UEG). Bibliotecária-Documentalista da Universidade Federal de Goiás, Câmpus Goiás
(UFG/CG). jmoraes@ufg.br.

�Diversas são as manifestações artísticas e culturais presentes na sociedade, em que podemos
observar traços do patrimônio imaterial, as quais remetem a práticas e aprendizagens passadas,
muitas vezes, entre gerações. Baseado nisso, faz-se necessário apoiar a valorização destas ações
enquanto bem cultural, proporcionando o ensino/aprendizado, através de seus detentores, por meio
de práticas educativas e o compartilhamento de saberes.
O objetivo deste relato é mostrar que os saberes e tradições populares podem ser ministrados
e compartilhados no ambiente da biblioteca universitária, em parceria com alguns detentores desses
saberes tradicionais. Com isso, podemos inferir que a educação patrimonial pode sim habitar
espaços que outrora não eram inseridos. As atividades aqui descritas, foram realizadas tendo como
lócus a Biblioteca Seccional Campus Goiás – Cajuí, que pertence ao Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal de Goiás (Sibi/UFG). Localizada na cidade de Goiás-GO, a biblioteca possui
caráter universitário e comunitário, atuando conjuntamente com a comunidade acadêmica bem
como a população da cidade em suas atividades.
Utilizando-se do caráter interativo e imersivo, a ação proposta foi realizada por meio de
oficinas, tendo como público participativo os alunos da UFG e a comunidade externa. O intuito foi
de aproximar a comunidade, interna e externa, das práticas de algumas referências culturais de
grupos da cidade, focando não apenas no objeto final proposto, mas nas habilidades que são
intrínsecas em patrimônios culturais imateriais: as vivências e experiências a serem compartilhadas
entre os detentores do saber e os participantes. As memórias e troca de saberes serão primordiais
neste trabalho de educação patrimonial, pautando na construção da memória e identidade cultural
destes detentores, no ambiente da biblioteca.

2 MÉTODO

O Brasil possui grande diversidade cultural, formando o patrimônio vivo da sociedade. O
patrimônio imaterial se baseia nessa pluralidade e é representado pelas manifestações artísticas e
culturais, como artesanato, uso de plantas como alimentos e remédios, culinária, danças e músicas,
os modos de falar, vestimentas, os rituais, as festas religiosas e populares, as relações sociais e
familiares, além dos modos de subsistência, que são repassados entre gerações (HORTA;
GRUNBERG; MONTEIRO, 1999).

�Quando estes elementos possuem grande importância a um grupo, torna-se um bem cultural,
e é por meio deste bem que o grupo se vê e quer ser reconhecido pelos outros (INSTITUTO...,
2016). Uma ação educativa envolve ações de construção e compartilhamento de conhecimentos,
investigações para se conhecer algo e entender a fim de transformar a realidade de um conjunto de
pessoas.
Quando estas ações são feitas considerando um patrimônio cultural, trata-se de Educação
Patrimonial, que não se baseia apenas em conscientizar, divulgar, transmitir ou reproduzir certo
conhecimento ou informação acerca de um patrimônio cultural. Consiste em envolver a comunidade
e possibilitar a construção de uma nova relação destas com seu patrimônio, fortalecendo os vínculos
e incentivando a participação social em sua proteção e promoção. Ela permite a mediação entre a
comunidade e o bem patrimonial, através de processos educativos formais e não-formais, criando
canais de interlocução com a sociedade, acolhendo e integrando as singularidades, identidades e
diversidades locais (FLORÊNCIO et al., 2014).
A ação proposta com o tema “Biblioteca e Diversidade”, aconteceu na Semana do Livro e da
Biblioteca, realizada em outubro de 2019. Tal evento possibilitou que fossem apresentadas a
comunidade, interna e externa da UFG, diversas manifestações e expressões culturais presentes na
cidade de Goiás. Foram convidados para ministrarem oficinas com suas respectivas temáticas no
evento: Ssá Artes – pseudônimo do artista Samuel de Sá - apresentando e confeccionando máscaras
africanas em argila; Oficina de Libras, com a especialista Solange Ribeiro – servidora técnicaadministrativa do Campus Goiás; Evexia: oficina do bem-estar com Damaris Morais – psicóloga e
servidora técnica-administrativa do Campus Goiás; Associação Mulheres Coralinas, com prática de
bordados em folhas secas – na pessoa da professora Dr.ª Ebe Maria de Lima Siqueira, professora de
literatura da UEG, Campus Cora Coralina; e a Prof.ª Dr.ª Maria Meire Carvalho, da Universidade
Federal de Goiás – Campus Goiás, e Adelbiane Conceição – mestranda pelo PROMEP/UEG,
Campus Cora Coralina, conversando sobre religião de matriz africana e junto, uma oficina de Ojás
(turbantes).
Importante enfatizar que estes conduziram toda a oficina, tendo total liberdade na
formulação, implementação e execução das atividades propostas, pois conforme Florêncio et al.
(2014, p. 20), na educação patrimonial “o que se almeja é a construção coletiva do conhecimento,

�[...] e não uma educação somente reprodutora de informações, como via de mão única e que
identifique os educandos como consumidores de informações”.
Com base nisso, foram traçadas as metodologias iniciais para a execução das oficinas, em
conjunto com os detentores do saber, pautando-se no objetivo de apresentar e aproximar a
comunidade das práticas que cada um iria apresentar. Na execução das ações, os oficineiros optaram
por uma roda de conversa com o público participante, com o intuito de mostrar e sensibilizar sobre
a temática proposta. Nesse momento os detentores dos saberes apresentaram e apontaram a
importância do conhecimento popular na comunidade, por meio de relatos, vídeos e fotos de sua
atuação.
Após a construção desta interação e reflexão acerca do patrimônio referido, realizou-se,
enfim, a roda de socialização e aprendizagem, em que os detentores ensinaram as práticas
propostas, permitindo a interação direta, contribuindo com a construção e troca de conhecimento e
experiências.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A sugestão das oficinas propondo variadas temáticas, ofereceu a garantia da apreensão de
conteúdos culturais a partir dos valores da própria comunidade. A socialização foi positiva, a ponto
de os detentores do saber manifestarem interesse em formalizar projetos em parceria com a
biblioteca, para que a transmissão dos saberes e fazeres fossem realizados de forma fixa. Ou seja,
possibilitando o compartilhamento desses conhecimentos com mais pessoas.
As interações propostas permitiram a compreensão dos conceitos de memória e identidade,
desde o momento em que a transmissão destes conhecimentos perpassa no que foi vivido pelos
detentores do saber, possibilitando que os receptores se identifiquem e julguem valor a estas
memórias coletivas.
Neste sentido, corrobora Scifoni (2015) de que a Educação Patrimonial compreende o
patrimônio a partir das histórias e significados atribuídos pela comunidade, e não na perspectiva de
ensinar ou levar conhecimento. Deve-se reconhecer a existência de um saber local, considerando o
olhar e vivência desses, visando a participação social no processo de identificação e proteção do
patrimônio.

�A experiência possibilitou que os detentores do saber tradicional em questão, mostrassem
suas vozes, e estendessem à comunidade esta oportunidade. Permitindo assim, que as identidades de
luta sigam relembradas durante as gerações e que haja também o resgate destas tradições, através
das novas gerações.

4 CONCLUSÕES

Ao propor as oficinas, buscou-se a valorização dos saberes tradicionais enquanto patrimônio
cultural e imaterial. Pretendeu-se assim, possibilitar a construção e o compartilhamento do
conhecimento. Buscando com isso, investigar, entender e transformar a realidade dos envolvidos e a
preservação desta herança cultural, tendo os detentores dos saberes como elaboradores e
realizadores da ação.
Enquanto espaço não-formal de educação, a biblioteca mostra-se imprescindível na
disseminação e democratização do conhecimento, bem como na gestão dos saberes. Deste modo,
deve-se tornar uma parceira dos projetos sobre patrimônio cultural na comunidade em que está
inserida, independentemente de seu público-alvo.
O bibliotecário, enquanto gestor da informação, deve buscar a ampliação dos espaços de
diálogo sobre patrimônio e educação patrimonial na biblioteca em que atua, identificando e
promovendo ações que vislumbrem as expressões culturais e contribuindo com a compreensão das
realidades locais pela comunidade.
REFERÊNCIAS
FLORÊNCIO, Sônia Regina Rampim et al. Educação patrimonial: histórico, conceitos e
processos. 2.ed. Brasília: Iphan/DAF/Cogedip/Ceduc, 2014.
HORTA, Maria de Lourdes P.; GRUMBERG, Evelina; MONTEIRO, Adriane Q. Guia básico da
educação patrimonial. Brasília: Iphan/Museu Imperial, 1999.
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Educação
patrimonial: inventários participativos - manual de aplicação. Brasília: IPHAN, 2016.
SCIFONI, Simone. Para repensar a Educação Patrimonial. In: PINHEIRO, Adson Rodrigo S. (org.).
Cadernos do patrimônio cultural: educação patrimonial, v. 1. Fortaleza: Secultfor: Iphan, 2015. p.
195-206.

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                <text>A pluralidade cultural brasileira se reflete nas formas de expressão que constituem o patrimônio vivo da sociedade, conhecido como patrimônio imaterial, que revelam muitos aspectos que assumem a forma da cultura viva e presente de uma determinada sociedade. E a biblioteca, enquanto espaço não-formal de educação, mostra-se imprescindível na disseminação e democratização do conhecimento, bem como na gestão dos saberes. Deste modo, este relato apresenta as vivências realizadas na Biblioteca Seccional Campus Goiás – Cajuí da Universidade Federal de Goiás, na cidade de Goiás-GO, desenvolvida durante a Semana do Livro e da Biblioteca do ano de 2019. Afirma a importância de a biblioteca tornar-se parceira dos detentores do saber tradicionais da comunidade em que estão inseridas, independentemente de seu público-alvo. Baseado nisso, faz-se necessário apoiar a valorização das referências culturais da comunidade, proporcionando o ensino/aprendizado, através de seus detentores, por meio de práticas educativas.</text>
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                    <text>Eixo Inovações
PODCASTS COMO PRÁTICA DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES NA ÁREA DA
SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE BIBLIOTECÁRIOS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
PODCASTS AS AN INFORMATION DISSEMINATION PRACTICE IN THE AREA OF HEALTH:
AN EXPERIENCE REPORT OF FEDERAL UNIVERSITY OF RIO GRANDE DO SUL
LIBRARIANS
Shirlei Galarça Salort1
Alexandre Chow2
Nalin Ferreira da Silva3
Giovana Soares Carneiro4
Erivaldo dos Santos Júnior 5
Resumo: Relata a experiência de bibliotecários da área da saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no
Projeto Biblioquês da Saúde, no qual tem-se a produção de podcasts com o objetivo de promover a saúde e a qualidade
de vida, a partir da divulgação de pesquisas e publicações em saúde. Apresenta também um breve histórico sobre as
iniciativas de produção de podcast relacionadas à bibliotecários e bibliotecas e como surgiu a ideia de promover a saúde
por meio de entrevistas on-line com pesquisadores e docentes da Universidade. Os episódios mensais são arquivados na
plataforma Anchor e distribuídos em outras plataformas como Spotify e Google Podcasts, além da divulgação em redes
sociais como Facebook e Instagram. Espera-se que a utilização dos podcasts como meio de divulgação de informações
na área da saúde possa, além de contribuir para uma melhor qualidade de vida das pessoas, contribuir para a
socialização e visibilidade do conhecimento em saúde gerado no ambiente acadêmico.
Palavras-chave: Webcast. Promoção da saúde. Disseminação da informação. Bibliotecários.
Abstract: It reports the experience of librarians in the health area of the Federal University of Rio Grande do Sul in the
Biblioquès da Saúde Project, in which podcasts are produced with the aim of promoting health and quality of life, based
on the dissemination of health research and publications. It also presents a brief history of podcast production initiatives
related to librarians and libraries and how the idea of promoting health came about through online interviews with
researchers and professors at the University. The monthly episodes are archived on the Anchor platform and distributed
on other platforms such as Spotify and Google Podcasts, in addition to dissemination on social networks such as
Facebook and Instagram. It is expected that the use of podcasts as a means of disseminating information in the health
area can, in addition to contributing to a better quality of life for people, contribute to the socialization and visibility of
health knowledge generated in the academic environment
Keywords: Webcast. Health promotion. Information dissemination. Librarians.
1

Mestre em Educação pela UNISINOS. Bibliotecária-chefe da Faculdade de Medicina da UFRGS. E-mail:
shirlei.salort@ufrgs.br.
2
Especialista em Adm. e Gestão do Conhecimento pela UNINTER. Bibliotecário da Faculdade de Medicina da
UFRGS. E-mail: alexandre.chow@ufrgs.br
3
Mestre em Informática na Educação pelo IFRS. Bibliotecária-chefe da Escola de Enfermagem da UFRGS. E-mail:
nalin.ferreira@ufrgs.br
4
Especialista em Gestão Pública pela UFRGS. Bibliotecária da Escola de Enfermagem da UFRGS. E-mail:
giovana.carneiro@ufrgs.br
5
Graduando em Biblioteconomia pela UFRGS. E-mail: erivaldojr86@gmail.com

�1 INTRODUÇÃO
A criação de podcasts para disponibilização de conteúdo por bibliotecas é uma atividade
relativamente nova, apesar de o primeiro podcast brasileiro datar de 2004 e de De Sarkar (2012)
mencionar a aplicação dos podcasts como um dos serviços em bibliotecas acadêmicas. Em estudo
recente divulgado pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de
Informação e Instituições (FEBAB), Sena (2021) identificou 17 podcasts da Biblioteconomia e
Ciência da Informação, possivelmente idealizados por bibliotecários. Dentre eles, verificou-se que a
maioria surgiu no biênio 2020/2021, período que coincide com a pandemia da COVID-19.
Em um momento em que o distanciamento e o isolamento social, foram necessários para
conter a pandemia de COVID-19, e que muitas pessoas migraram para o modelo de trabalho de home
office, o podcast se mostrou uma opção facilitada de acesso à informação, pois permite conciliar a
atenção despendida, pelo espectador, com outras atividades cotidianas.
Neste cenário, as bibliotecas precisaram adaptar seus serviços para o atendimento à
distância, em especial as bibliotecas da saúde foram buscadas para obtenção de informação
especializada. E conscientes de sua responsabilidade social na promoção da saúde e na prevenção
de doenças, a partir da disponibilização de informação confiável, as bibliotecas da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) criaram o projeto Biblioquês da Saúde.
O projeto Biblioquês da Saúde é uma ação de extensão, criada a partir da parceria entre a
Biblioteca da Escola de Enfermagem, a Biblioteca da Faculdade de Medicina e a Biblioteca do
Instituto de Psicologia da UFRGS. Iniciada em junho de 2021, prevê a publicação de podcasts
mensais com o objetivo de compartilhar a informação em saúde produzida através de pesquisas e
publicações desenvolvidas na Universidade. Os bibliotecários entrevistam pesquisadores para
contarem sobre suas pesquisas, publicações, fontes de informação, processo de escrita e/ou ações em
saúde. A série, também busca responder alguns "quês" e "porquês" em saúde.

2 MÉTODO

Atualmente, o projeto conta com cinco bibliotecários e um bolsista estudante de
Biblioteconomia, que realizam, para cada episódio, a seleção do tema, o roteiro de perguntas,

�o convite aos pesquisadores, a condução das entrevistas, a edição das gravações e conversões de
arquivo e a publicação e divulgação das versões finais dos episódios.
Pensando na identidade do projeto, foram criadas vinhetas (com breve apresentação e
música) para abertura e fechamento dos áudios dos episódios, assim como, uma identidade visual
(Figura 1), isso demandou dos bibliotecários maior aproximação com recursos tecnológicos
diferenciados.
Figura 1 - Identidade visual do Projeto

Fonte: Projeto Biblioquês da Saúde (2021)

As entrevistas com os pesquisadores são realizadas à distância, a partir da plataforma
Mconf, recurso utilizado pela UFRGS. Após a gravação, os arquivos são convertidos para o formato
mp3, editados (inclusão das vinhetas, amenização de ruídos, etc.) e publicados na plataforma
Anchor, que faz a distribuição para outras como Spotify e Google Podcasts. Os episódios também
são publicados em redes sociais como Facebook e Instagram.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Até agosto de 2021, foram publicados dois episódios do Projeto Biblioquês da Saúde. No
primeiro, foi realizada a entrevista com o autor do livro Memórias do front: vivências no
enfrentamento da COVID-19, o qual divulga os relatos dos profissionais de saúde que atuam nos
Centros de Terapia Intensiva para Covid-19, o Podcast entrevistou o pesquisador Ruy de Almeida
Barcellos, enfermeiro intensivista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

�Figura 2 - Imagens de divulgação dos episódios

Fonte: Biblioquês da Saúde (2021)

No segundo episódio, a entrevista ocorreu com o autor da obra Medicina do Amanhã: como
a genética, o estilo de vida e a tecnologia juntos podem auxiliar na sua qualidade de vida, Pedro
Schestatsky, médico neurologista e neurofisiologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e
docente da Faculdade de Medicina da UFRGS. A obra destaca a medicina preventiva e dá dicas em
saúde e em qualidade de vida, a partir do uso das tecnologias de informação e comunicação.
A criação de conteúdo no formato de podcast é enriquecedora para o profissional
bibliotecário, pois traz novos aprendizados e experiências, maior visibilidade para as bibliotecas,
além das contribuições sociais da promoção à saúde.
A exploração de novos formatos de disseminação da informação é essencial para a
modernização das práticas do bibliotecário. Para isso, é necessário que estes profissionais se
mantenham atualizados, a fim de continuarem exercendo seu importante papel junto à universidade
(SILVEIRA, 2019).

4 CONCLUSÕES

Na tentativa de mensurar os impactos do projeto na promoção da saúde e da qualidade de
vida, um formulário eletrônico foi disponibilizado na descrição de cada episódio do Podcast para
avaliação dos mesmos, pela comunidade ouvinte. No entanto, como os dados ainda estão sendo
coletados, não foram realizadas análises. Espera-se que a utilização de podcasts como meio de
divulgação de informações na área da saúde possa, além de contribuir para uma melhor qualidade

�de vida das pessoas, contribuir também para a socialização, democratização e visibilidade do
conhecimento em saúde gerado no ambiente acadêmico.
Consideramos que a produção de podcasts ainda é uma atividade desafiadora para o
profissional bibliotecário, embora esteja relacionada com o seu papel de disseminador de
informação.

REFERÊNCIAS
DE SARKAR, T. Introducing podcast in library service: an analytical study. VINE Journal of
Information and Knowledge Management Systems, Bingley, v. 42, n. 2, p. 191-213, 2012.
Disponível em: https://doi.org/10.1108/03055721211227237. Acesso em: 03 ago. 2021.
SENA, Priscila. Podcasts da Biblioteconomia e Ciência da Informação. São Paulo: FEBAB,
2021. Disponível em: https://febab.org/2021/05/11/podcasts-da-biblioteconomia-e-ciencia-dainformacao/. Acesso em: 03 ago. 2021.
SILVEIRA, Nalin Ferreira. O Information Commons nas bibliotecas universitárias brasileiras:
suporte à pesquisa e à inovação para o desenvolvimento científico e social. 2019. Dissertação
(Mestrado em Informática na Educação) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019. Disponível em: http://hdl.handle.net/10183/201776. Acesso
em: 03 ago. 2021
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioquês da Saúde: memórias do
front. Porto Alegre: UFRGS, 2021. Disponível em:
https://open.spotify.com/show/1rsBC7rJM0Ddbqsd429iX8?si=1leedULKTouIRrg24nskxA&amp;utm_s
ource=whatsapp&amp;dl_branch=1 . Acesso em: 02 ago. 2021.
___________. Biblioquês da Saúde: medicina do amanhã. Porto Alegre: UFRGS, 2021.
Disponível em:
https://open.spotify.com/episode/0BnRbLemEE1agAj8kZnMVB?si=D2iXrZCBR7KyWafteTIIGw
&amp;utm_source=whatsapp&amp;dl_branch=1 . Acesso em 02 ago. 2021.

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                <text>Relata a experiência de bibliotecários da área da saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no Projeto Biblioquês da Saúde, no qual tem-se a produção de podcasts com o objetivo de promover a saúde e a qualidade de vida, a partir da divulgação de pesquisas e publicações em saúde. Apresenta também um breve histórico sobre as iniciativas de produção de podcast relacionadas à bibliotecários e bibliotecas e como surgiu a ideia de promover a saúde por meio de entrevistas on-line com pesquisadores e docentes da Universidade. Os episódios mensais são arquivados na plataforma Anchor e distribuídos em outras plataformas como Spotify e Google Podcasts, além da divulgação em redes sociais como Facebook e Instagram. Espera-se que a utilização dos podcasts como meio de divulgação de informações na área da saúde possa, além de contribuir para uma melhor qualidade de vida das pessoas, contribuir para a socialização e visibilidade do conhecimento em saúde gerado no ambiente acadêmico.</text>
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                    <text>Eixo 2 – Práticas
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS EM CENÁRIO DE CRISE: ESTRATÉGIAS E MEDIDAS
ADOTADAS
UNIVERSITY LIBRARIES IN CRISIS SCENARIO: STRATEGIES AND MEASURES ADOPTED
Fabiana Sala 11
Tânia Regina de Brito 22

Resumo: Diante da necessidade de isolamento social compulsório imposto pelo surgimento da COVID-19, as
bibliotecas ao redor do mundo tiveram que se reinventar. O presente estudo tem por objetivo, identificar as estratégias e
medidas tomadas pelas bibliotecas do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) na organização de seus trabalhos, bem
como as ações que veem sendo desenvolvidas para atender sua comunidade no período de pandemia. Quanto à
metodologia adotada, trata-se de pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa. Os resultados demonstram que as
bibliotecas do IFSP têm trabalhado arduamente para atender a nova demanda e ofertar serviços remotos que
correspondam às necessidades de sua comunidade. O estado de pandemia causado pela COVID-19 mudou a forma
como as unidades de informação têm atuado e como será a experiência na retomada. As iniciativas criadas para suprir
serviços e relações que foram drasticamente interrompidos, certamente irão impactar o futuro das bibliotecas que,
mesmo após o final da quarentena, não poderão simplesmente abandonar esses canais de comunicação.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Serviço remoto. COVID-19. Rede de Bibliotecas. Instituto Federal de São
Paulo.
Abstract: Faced with the need for compulsory social isolation imposed by the emergence of COVID-19, libraries
around the world had to reinvent themselves. This study aims to present the strategies and measures taken by the IFSP
libraries in organizing their work, as well as the actions that have been developed to serve their community during the
pandemic period. As for the adopted methodology, it is a bibliographical research of a qualitative nature. The results
demonstrate that IFSP libraries have been working hard to meet the new demand and offer remote services that match
the needs of their community. The state of pandemic caused by COVID-19 has changed the way in which the
information units have acted and how the resumption will be experience. The initiatives created to supply services and
relationships that were drastically interrupted will certainly impact the future of libraries that, even after the end of
quarantine, will not be able to simply abandon these communication channels.
Keywords: Academic library. Remote servisse. COVID-19. Library Networks. Instituto Federal de São Paulo.

1 INTRODUÇÃO
Com o surgimento do novo coronavírus, o SARS-CoV2, causador da COVID-19 em
dezembro de 2019, uma nova realidade foi imposta a toda sociedade: o distanciamento social
compulsório, visando reduzir o contágio da doença entre as pessoas, por meio da diminuição do
contato físico. Como consequência do isolamento social e do espalhamento do vírus, estimativa
1

Doutoranda no Programa de Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Bibliotecária no
Instituto Federal de São Paulo (IFSP). E-mail de contato: fabianasala@ifsp.edu.br.
2
Doutoranda no Programa de Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Bibliotecária na
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). E-mail de contato: taniacgms@gmail.com.

�aponta que até novembro de 2020 mais de cinco milhões de crianças e adolescentes estavam sem
acesso à educação no Brasil (UNICEF, 2021). Alunos foram afetados pelo fechamento das escolas,
interrompendo temporariamente o direito à educação.
[...] em função dessa pandemia, o direito à educação tem sido abruptamente privado dos
estudantes em seus mais diversos níveis de ensino, pois assim como toda a sociedade, a
efeito das políticas públicas de saúde adotadas no país, estão em período de distanciamento
social, evitando qualquer tipo de aglomeração, como principal medida para reduzir o
contágio pelo vírus (OLIVEIRA; SOUZA, 2020, p. 16).

Com as atividades presenciais suspensas, o IFSP intensificou o uso de plataformas digitais
como alternativa para manter a conexão com os alunos e minimizar os prejuízos na formação
acadêmica. Desde então, vem realizando atividades de acolhimento, bate-papo, webinar,
conferência, cursos, palestras, entre outras atividades on-line. De acordo com a instituição:

[...] apesar da distância física necessária, a comunidade que dá vida ao IFSP está mais unida
do que nunca. Neste momento tão difícil, a Instituição tem lutado em várias frentes no
combate a esse inimigo invisível, colocando a serviço da sociedade o seu conhecimento e
expertise, conquistados com o suor de cada servidor e aluno (IFSP, 2020).

Com a suspensão das aulas em meados de março de 2020, os servidores do IFSP
organizaram seus trabalhos para manter a conexão com os alunos, incentivando e direcionando a
prática de estudo em casa, a fim de amenizar os prejuízos no retorno das aulas presenciais.
Para isso, os campi vêm utilizando recursos como redes sociais e plataformas digitais para
realizar diversas atividades. Dentre essas ações, as iniciativas desenvolvidas pelas
bibliotecas dos campi, gerenciadas pela Coordenadoria de Bibliotecas do IFSP, têm se
destacado e contribuído de forma significativa no papel de manter a conexão dos alunos
com a Instituição. (SALA; MOURA, 2020, p. 422).

Diante de todo o exposto, o presente estudo tem por objetivo, identificar as estratégias e
medidas tomadas pelas bibliotecas do IFSP na organização de seus trabalhos, bem como as ações que
vêm sendo desenvolvidas para atender sua comunidade no período de pandemia.

2 MÉTODO

Trata-se de pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa e caráter exploratório. Com a
finalidade de alcançar o objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica nas bases do
Google Acadêmico, para o levantamento do referencial teórico. A coleta de dados foi realizada, no
período de 01 a 30 de abril de 2020, por meio do site institucional e do correio eletrônico, a fim de
identificar as principais iniciativas desenvolvidas pelas bibliotecas do IFSP, durante o período de
atividades remotas, em virtude do distanciamento social.

�3 ESTRATÉGIAS E MEDIDAS TOMADAS PELAS BIBLIOTECAS DO IFSP EM
PERÍODO DE DISTANCIAMENTO SOCIAL

Diante da necessidade de isolamento social compulsório imposto pelo surgimento da
COVID-19, as bibliotecas ao redor do mundo tiveram que se reinventarem, no IFSP as equipes de
trabalho rearranjaram suas rotinas a fim de manter o acesso às informações e ofertar serviços sem
comprometer a segurança de seus usuários e servidores.
As bibliotecas de todo o mundo estão enfrentando escolhas difíceis sobre quais serviços
oferecer e como, variando de restrições mínimas ao fechamento total. Estamos cientes de
que os próprios governos estão adotando abordagens diferentes, às vezes ordenando o
fechamento de todas as instituições, outros indicando que a vida deve continuar como de
costume e outros simplesmente deixando as decisões para os diretores da biblioteca (IFLA,
2020).

Nesse cenário, as bibliotecas da rede do IFSP assumiram um papel de protagonista durante a
quarentena, disponibilizando à sua comunidade fontes de informações confiáveis e trabalhando na
criação de serviços digitais, que pode ser observado no Quadro 1:
QUADRO 1 - Principais iniciativas das bibliotecas do IFSP no período da quarentena.
ATIVIDADE

DESCRIÇÃO

Abraço Literário

Tem por objetivo o envio de áudios com contos e poesias para toda a comunidade por meio
do WhatsApp da biblioteca. Nele, estimula-se a prática do isolamento social e a realização
de ações que visem à manutenção da saúde mental.

Suporte ao ensino e à
comunidade acadêmica

Comunicação de informações e orientações de acesso às plataformas de conteúdo on-line.
Desenvolvimento de apresentações das bases de dados do Portal da Capes (CAFe) e
ABNT e respectivos treinamentos.

Combate à
desinformação e às fake
news

Divulgação de fontes de informações confiáveis sobre as atualizações e as formas de
controle da COVID-19, por meio do correio eletrônico e das redes sociais da biblioteca.
Atualização e divulgação dos dados locais a respeito da COVID-19. Divulgação das ações
que as Universidades Públicas e Institutos Federais veem desenvolvendo em combate ao
novo coronavírus.

Publicação de banners

Dicas de leituras, desafios, entretenimento e informações sobre COVID-19. Divulgação
de sites e plataformas que disponibilizam conteúdos grátis durante a quarentena. Indicação
de atividades culturais que possam ser feitas de casa, como visitas a museus e bibliotecas
que oferecem tour virtual e coleções on-line. Divulgação de cursos on-line e gratuitos para
aprimorar conhecimentos durante a quarentena.

Atendimento on-line

Plantão para respostas aos e-mails recebidos e realização de atendimento remoto aos
usuários (verificação e retorno de informações aos usuários, orientações de prazos de
devoluções de materiais, elaboração de fichas catalográficas, orientação quanto à
normalização de trabalhos acadêmicos e elaboração de referências). Esclarecimento de
dúvidas das normas de informação e documentação da ABNT.
Treinamento on-line sobre busca de informações científicas.

Elaboração de vídeos e
tutoriais

Orientações sobre os serviços remotos da Biblioteca. Orientações sobre o acesso à
Biblioteca Virtual Pearson. Orientações sobre sistema de gerenciamento de bibliotecas
Pergamum. Orientações sobre o Portal de Periódicos Capes.

Quarentena poética

Podcast de leitura de poemas e trechos de livros realizados via Spotify, que tem por

�objetivo espalhar alegria e bons sentimentos através de versos, em episódios semanais.
Clube de leitura virtual

Realização de encontros virtuais, em parceria com servidores de outros setores do câmpus,
para discussão de textos, contos e livros disponíveis em meio digital e de acesso gratuito.

Conhecendo a
biblioteca

Publicação nas redes sociais dos serviços que a biblioteca oferta à comunidade
educacional.

Dicas da comunidade

Elaboração de banner, convidando os alunos a indicarem livros por meio dos "stories" no
Instagram. Indicações de leitura da comunidade do IFSP, em que a pessoa pode gravar um
vídeo de até 3 minutos falando sobre um livro que o marcou e por quê.

Guia para elaboração
de artigos científicos

Orientações para alunos dos cursos, que têm como requisito para a conclusão do mesmo, a
entrega do trabalho final em formato de artigo.

Leituras de Mundo

Clube do livro virtual, onde são trabalhadas as obras do vestibular.

Diário de quarentena

Concurso de redação voltado aos discentes, desenvolvido em parceria com os professores
dos cursos integrados.
Fonte: (SALA; MOURA, 2020, p. 423-425).

Além dessas iniciativas, a Coordenadoria de Bibliotecas estabeleceu comissões para planejar
e desenvolver diretrizes que orientem a Instituição. São elas: 1- IFSP no combate às fake news:
atividades de combate às fake news e divulgação de informações de fontes confiáveis
disponibilizadas pelas bibliotecas do IFSP. 2- Protocolos para o funcionamento das bibliotecas
no período pós-quarentena: estudo preliminar da situação e elaboração de diretrizes que orientem
o funcionamento das bibliotecas do IFSP na retomada das atividades presenciais.
As bibliotecas foram surpreendidas com o distanciamento social imposto pela COVID-19, o
que de forma repentina e inesperada, extrapola qualquer plano de contingência, jamais pensado na
atualidade.

Isso fez com que os bibliotecários repensassem sua forma de atuação, buscando

diferentes opções de serviços e resgatando o papel social das bibliotecas, contribuindo para que suas
comunidades enfrentem o período de quarentena da melhor maneira possível.
O atual cenário exige inovação e criatividade para atuar no universo digital e responder às
demandas da comunidade que se encontra em quarentena. Dessa maneira, as bibliotecas do
IFSP têm se utilizado dos canais institucionais, redes sociais e diferentes plataformas digitais
para manter o contato com sua comunidade, disponibilizando diariamente suas iniciativas.
(SALA; MOURA, 2020, p. 427-428).

O período de distanciamento social que fez com que as bibliotecas reinventassem a sua
maneira de atendimento ao público, trouxe à tona a clareza de que o que faz de fato uma biblioteca
não é somente o seu espaço físico, mas sim, a comunidade que ela atende. A forma como as
bibliotecas do IFSP se organizaram para responder à crise sanitária, demonstra que possuem
iniciativa, criatividade, resiliência e compromisso social necessários para prestar serviços que
correspondam às necessidades, transmitindo confiança a sua comunidade mesmo em tempos
difíceis e incertos.

4 CONCLUSÕES

�As bibliotecas do IFSP, pela função científica, tecnológica, cultural e social que
desempenham, buscam ampliar sua atuação e propor novos serviços, visando atender aos desafios
da nova realidade. A fim de manter a conexão e o atendimento ao seu público de forma eficiente,
foram elaboradas diversas iniciativas. Para isso, foi necessário acompanhar as práticas no cenário
nacional e internacional e criar um novo plano de trabalho que possibilitasse sua atualização e
atuação constantes.
O estado de pandemia causado pela COVID-19 alterou tanto a forma como as unidades de
informação têm atuado, como leva à reflexão sobre a postura que deverá ser abordada pelas
bibliotecas na retomada das atividades presenciais. As ações criadas em caráter emergencial para
suprir os serviços, e as relações que foram interrompidos drasticamente, continuarão a impactar o
futuro das bibliotecas, que não poderão simplesmente abandonar esses canais de comunicação.
Dessa maneira, as bibliotecas passam a enfrentar novos desafios: refletir sobre a necessidade
de resgatar a empatia e entender que o bem-estar social deve estar acima do individual. Para isso,
devem interligar diferentes canais de comunicação (on-line e off-line) a fim de criar mecanismos de
conscientização expressiva sobre a importância de ações que priorizem aspectos sociais e o bem
comum, para que as bibliotecas sejam de fato um direito de todos.
REFERÊNCIAS
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO (IFSP).
Ações do IFSP no combate ao coronavírus. São Paulo, 2020a. Disponível em:
https://www.ifsp.edu.br/component/content/article/17-ultimas-noticias/1336. Acesso em: 15 maio
2021
INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND INSTITUTIONS
(IFLA). COVID-19 e o campo Biblioteca Global. Disponível em: https://www.ifla.org/covid-19and-libraries#actions. Acesso em: 06 abr. 2020.
OLIVEIRA, Hudson do Vale de; SOUZA, Francimeire Sales. Do conteúdo programático ao sistema
de avaliação: reflexões educacionais em tempos de pandemia (COVID-19). Boletim de
Conjuntura, ano 2 v. 2, n. 5, Boa Vista, 2020. Disponível em:
https://revista.ufrr.br/boca/article/view/OliveiraSouza. Acesso em: 21 maio 2021.
SALA, Fabiana; MOURA, Milene Rosa de Almeida. Bibliotecas do IFSP em um cenário de crise:
estratégias e medidas tomadas na pandemia de covid-19. In: SPUDEIT, Daniela; SOUZA, Claudia
(Org.). Atuação dos profissionais da Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia em época de
pandemia. Florianópolis: Rocha Gráfica e Editora, 2020. (Selo Nyota). p. 417- 432.
UNICEF. Cenário da exclusão escolar no Brasil: um alerta sobre os impactos da pandemia da
COVID-19 na educação. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/media/14026/file/cenarioda-exclusao-escolar-no-brasil.pdf. Acesso em: 03 ago. 2021.

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                <text>Diante da necessidade de isolamento social compulsório imposto pelo surgimento da COVID-19, as bibliotecas ao redor do mundo tiveram que se reinventar. O presente estudo tem por objetivo, identificar as estratégias e medidas tomadas pelas bibliotecas do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) na organização de seus trabalhos, bem como as ações que veem sendo desenvolvidas para atender sua comunidade no período de pandemia. Quanto à metodologia adotada, trata-se de pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa. Os resultados demonstram que as bibliotecas do IFSP têm trabalhado arduamente para atender a nova demanda e ofertar serviços remotos que correspondam às necessidades de sua comunidade. O estado de pandemia causado pela COVID-19 mudou a forma como as unidades de informação têm atuado e como será a experiência na retomada. As iniciativas criadas para suprir serviços e relações que foram drasticamente interrompidos, certamente irão impactar o futuro das bibliotecas que, mesmo após o final da quarentena, não poderão simplesmente abandonar esses canais de comunicação.</text>
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                    <text>Práticas
FUNCIONAMENTO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS EM TEMPOS DE
PANDEMIA: ESTUDO DAS INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS SITES
INSTITUCIONAIS
FUNCTIONING OF UNIVERSITY LIBRARIES IN TIMES OF PANDEMIC: STUDY OF
INFORMATION AVAILABLE ON INSTITUTIONAL SITES
Luciana de Oliveira1
Edna da Silva Angelo2
Resumo: O objetivo deste estudo é conhecer como as bibliotecas universitárias brasileiras divulgaram para os
usuários, em seus sites, os procedimentos para atendimento presencial durante a pandemia. Caracteriza-se como
descritivo-exploratório. Sobre os procedimentos de coleta e análise de dados, primeiramente, foram listados os
69 sites das bibliotecas das universidades federais brasileiras. Depois, as informações que constavam na página
da web foram registradas em uma planilha no Microsoft Excel. A partir da análise dos dados, constatou-se que
46% não possuem qualquer informação sobre atendimento presencial. Somente 6 bibliotecas possuem o plano de
retorno disponível e apenas 3 apresentam as possíveis mudanças do atendimento em fases, em consonância com
as variações da situação epistemológica da região. Sobre os procedimentos para a devolução de material
bibliográfico, a maioria não possui essa informação no site (55%). Quando há a descrição, a preferência é por
agendamento prévio (25%), seguida por devolução suspensa (9%). Também, a maior parte não divulgou os
procedimentos para empréstimo (58%). Quando há esse dado, depara-se com duas situações: agendamento
prévio (26%) e empréstimo suspenso (16%). Os serviços remotos descritos praticamente são os que já eram
ofertados à distância antes da pandemia. Por meio dos resultados, percebeu-se a falta e a dispersão de dados
relevantes, nas páginas das bibliotecas, sobre os serviços ofertados durante a suspensão das atividades
presenciais. Foi possível constatar que é preciso investir em um plano de comunicação para resultados
satisfatórios, alcançando maior visibilidade e divulgação para esses serviços, seja em qualquer situação. Só
assim, pode-se fortalecer o processo de publicação e o seu alcance.
Palavras-chave: Pandemia. Covid-19. Biblioteca universitária. Comunicação.
Abstract: The aim of this study is to know how Brazilian university libraries disclosed to users, on their
websites, the procedures for face-to-face care during the pandemic. It is characterized as descriptive-exploratory.
Regarding data collection and analysis procedures, the 69 sites of the libraries of federal universities in Brazil
were first listed. Afterwards, the information contained in the website was registered. For this purpose, a
spreadsheet was created in Microsoft® Excel®. 46% do not have any information about face-to-face assistance.
Only 6 libraries have the return plan available and 3 present possible changes in service in phases, in line with
the variations in the epistemological situation in the region. Regarding the procedures for returning bibliographic
material, most do not have this information on the website (55%). When there is a description, the preference is
for prior appointment (25%), followed by suspended return (9%). Most also did not disclose loan procedures
(58%). When there is this data, there are 2 situations: prior appointment (26%) and suspended loan (16%). The
remote services described are practically those that were already offered at a distance before the pandemic.
Through the results, it was noticed the lack and dispersion of relevant data about the services offered during the
suspension of in-person activities on the libraries' pages. It was possible to see that it is necessary to invest in a
communication plan for satisfactory results, achieving greater visibility and dissemination for the services
offered, in any situation. This is the only way to strengthen the publication process and its reach.
Keywords: Pandemic. Covid-19. University library. Communication.

1

Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Bibliotecária da
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).E-mail de contato: lucianabh@gmail.com
2
Doutoranda e Mestre em Gestão &amp; Organização do Conhecimento pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). Bibliotecária da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). E-mail de contato:
ednasangelo@gmail.com

�1. INTRODUÇÃO
Desde o início de 2020, o mundo tem vivenciado muitas mudanças em decorrência da
Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV). No Brasil, considerando a condição
de transmissão comunitária e a necessidade premente de envidar todos os esforços para
reduzir a transmissibilidade, em 20 de março de 2020 foram declaradas medidas de
isolamento em todo o território nacional (BRASIL, 2020).
Nesse infeliz cenário, atravessado pelo surgimento de velhas e novas formas de
desigualdade e múltiplas regressões socioeconômicas, recomenda-se, mais do que nunca, o
investimento na ciência (BABINI; ROVELLI, 2020).
A biblioteca universitária, com grande parte de seu acervo em formato físico, viu-se
diante de um grande desafio de repensar sua forma de oferecer produtos e serviços, uma vez
que, seu papel é fundamental para a guarda, a difusão e a circulação da informação.
O objetivo deste estudo é investigar como as bibliotecas universitárias
brasileiras divulgaram para os usuários, em seus sites, os procedimentos para atendimento
presencial durante a pandemia e os serviços que foram disponibilizados no formato remoto.
Propõe-se discutir a divulgação dos serviços que atendam as necessidades informacionais dos
usuários.
A pesquisa foi motivada pela prática profissional. Com a necessidade de criar
protocolo setorial de ações de retorno às atividades presenciais, a finalidade foi entender
como os demais sistemas de bibliotecas estavam lidando com a disposição dos serviços.
A importância da investigação, além de seu recorte histórico, auxilia a desvendar se as
unidades informacionais estão conseguindo expor dados suficientes e de forma inequívoca
para os usuários, contribuindo, assim, para o aprimoramento do exercício profissional.
2. MÉTODO
A pesquisa caracteriza-se como descritiva e exploratória (GIL, 2008) por proporcionar
maior familiaridade com o problema (explicitá-lo) e observar, classificar e descrever o
fenômeno dos dados dispostos nos sites de bibliotecas universitárias a respeito do
atendimento no período da Pandemia.
Sobre os procedimentos de coleta de dados, para este estudo, primeiramente, foram
listados os sites das bibliotecas das universidades federais no Brasil. Depois, foram coletadas
e registradas as informações que constavam na página web. Para tanto, foi elaborada uma
planilha no Microsoft® Excel®. Utilizou-se um formulário com 8 categorias, a saber: (1)
nome da universidade; (2) página web da biblioteca; (3) possui informações sobre

�atendimento presencial; (4) possui o plano de retorno disponível; (5) houve divisão de
atendimento em fases; (6) procedimentos para devolução; (7) procedimentos para
empréstimo; (8) serviços a serem mantidos no formato remoto. O levantamento foi realizado
no mês de julho de 2021.
Para a análise dos dados, foram utilizadas as informações divulgadas que pudessem
fornecer uma visão panorâmica dos procedimentos para atendimento presencial das
Bibliotecas Universitárias do Brasil durante a pandemia e os serviços que foram mantidos no
formato remoto. Os dados foram representados graficamente por meio do software
Microsoft® Excel®.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foi realizada uma varredura nos sites das bibliotecas das 69 Universidades Federais
para localizar os dados dos serviços ofertados no período de suspensão de atividades
administrativas em decorrência do COVID-19. Foi possível verificar que algumas dispõem
dessas informações logo na página principal, outras, na aba de notícias. Entretanto, 46% não
possuem qualquer informação sobre atendimento presencial, como apresentado no gráfico 1:
Gráfico 1 - Sites das bibliotecas das universidades federais brasileiras que possuem informações sobre
atendimento presencial no período de suspensão de atividades administrativas pelo COVID-19

Fonte: Dados da pesquisa, 2021

Em relação à abordagem do atendimento diferenciado, outro ponto a ser destacado é
que, até mesmo os que apresentam os horários reduzidos, a grande maioria ainda permanece
com os dados do horário de funcionamento integral. Esse fato configura uma divergência de
comunicação.
Somente 6 bibliotecas, das 69 pesquisadas, possuem o plano de retorno disponível e 3
apresentam as possíveis mudanças do atendimento em fases, em consonâncias com as
variações da situação epistemológica da região.
Admite-se que seja possível que algumas bibliotecas tenham um planejamento
estruturado e que a partir de uma solicitação do cidadão se mobilizem no sentido de oferecer
uma resposta à demanda. Entretanto, o foco dessa pesquisa é entender como a informação é
trazida para o usuário no site institucional da biblioteca, isto é, se há disponibilização da
informação de maneira espontânea (proativa) com a divulgação de modo que qualquer
interessado possa acessá-la diretamente.

�Sobre os procedimentos para devolução de material bibliográfico, a maioria não
possui essa informação no site (55%). Quando há a descrição, para evitar aglomerações e
respeitar o distanciamento previsto no protocolo das universidades, a preferência é por
agendamento prévio (25%), seguida por devolução suspensa (9%), como representado na
tabela 1.
Tabela 1 - Sites das bibliotecas das universidades federais brasileiras que possuem informações sobre devoluções
no período de suspensão de atividades administrativas pelo COVID-19
SITUAÇÃO

FREQUÊNCIA

PORCENTAGEM

Informação não divulgada

38

55%

Agendamento prévio

17

25%

Devolução suspensa

6

9%

Agendamento prévio para casos específicos

5

7%

Auto-devolução

2

3%

Regime de plantão

1

1%

Fonte: Dados da pesquisa, 2021

Da mesma forma que a maioria das bibliotecas não divulgou nos sites os
procedimentos para a devolução no período de suspensão de atividades administrativas pelo
COVID-19, também, não há dados para empréstimo (58%). Quando há informação, depara-se
com duas situações: agendamento prévio (26%) e empréstimo suspenso (16%), como
representado no gráfico 2.
Gráfico 2 - Sites das bibliotecas das universidades federais brasileiras que possuem informações sobre
empréstimo no período de suspensão de atividades administrativas pelo COVID-19

Fonte: Dados da pesquisa, 2021

Observa-se que quando se soma a omissão da informação com a negativa da oferta do
serviço, enquanto para devolução o percentual é 64%, para empréstimo, a frequência aumenta
para 74%.: A justificativa para esse aumento, pode ser, para evitar o aumento de pessoas no
mesmo espaço físico. Por ter que priorizar certas atividades, não é possível assegurar o
atendimento no período de tempo disponibilizado ou pelo desdobramento, que, ao se
emprestar, haverá maior demanda para a devolução.
A respeito de informações dos serviços que foram mantidos no formato remoto, não
há uma divisão clara. Os serviços remotos descritos, praticamente, são os que já eram

�ofertados à distância antes da pandemia, a exemplo, consulta ao catálogo, renovação, acesso à
base de dados, e-books, acesso ao Portal da Capes, treinamento/capacitação de base de dados,
Portal de periódico, Repositório institucional, confecção de ficha catalográfica, emissão de
declaração de Nada Consta.
.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa foi realizada com o olhar do usuário em busca de informação e foi possível
constatar que a grande maioria dos sites das bibliotecas não dispõe de informações básicas de
atendimento de forma compreensível e acessível. A maior parte não tem informações sobre o
atendimento presencial e quase nenhum disponibiliza o plano de ação de retorno e, ainda
menos, a divisão em etapas.
O site da biblioteca universitária é umas das principais ferramentas para se estabelecer
um bom relacionamento com o usuário, é nele que estão todas as informações que
proporcionam a visibilidade de produtos e serviços oferecidos além de facilitar e reduzir o
caminho para a celeridade e qualidade das respostas às demandas dos usuários.
Enquanto profissionais da informação que atuam em bibliotecas universitárias, é
grande a responsabilidade em ajudar os usuários a se manterem informados e atualizados,
principalmente, no momento atual da sociedade moderna que considera tudo urgente,
emergencial e instantâneo.
Por meio dos resultados, percebeu-se a falta e a dispersão de dados relevantes sobre os
serviços ofertados, durante a suspensão das atividades presenciais nas páginas das bibliotecas.
Foi possível constatar a necessidade de investimento em um plano de comunicação para que
haja resultados satisfatórios em relação à visibilidade e divulgação desses serviços, seja em
qualquer situação. Só assim, pode-se fortalecer o processo de publicação e o seu alcance.
REFERÊNCIAS
BABINI, Dominique; ROVELLI, Laura. Tendencias recientes en las políticas científicas de
ciencia abierta y acceso abierto en Iberoamérica. Ciudad Autónoma de Buenos Aires:
CLACSO;
Fundación
Carolina,
2020.
183
p.
Disponível
em:
http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/se/20201120010908/Ciencia-Abierta.pdf. Acesso em: 22
jul. 2021.
BRASIL. Ministério da saúde. Portaria nº 454, de 20 de março de 2020. Declara, em todo o
território nacional, o estado de transmissão comunitária do coronavírus (covid-19). Brasília,
DF: Presidência da República, 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou//portaria-n-454-de-20-de-marco-de-2020-249091587. Acesso em: 22 jul. 2021.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O objetivo deste estudo é conhecer como as bibliotecas universitárias brasileiras divulgaram para os usuários, em seus sites, os procedimentos para atendimento presencial durante a pandemia. Caracteriza-se como descritivo-exploratório. Sobre os procedimentos de coleta e análise de dados, primeiramente, foram listados os 69 sites das bibliotecas das universidades federais brasileiras. Depois, as informações que constavam na página da web foram registradas em uma planilha no Microsoft Excel. A partir da análise dos dados, constatou-se que 46% não possuem qualquer informação sobre atendimento presencial. Somente 6 bibliotecas possuem o plano de retorno disponível e apenas 3 apresentam as possíveis mudanças do atendimento em fases, em consonância com as variações da situação epistemológica da região. Sobre os procedimentos para a devolução de material bibliográfico, a maioria não possui essa informação no site (55%). Quando há a descrição, a preferência é por agendamento prévio (25%), seguida por devolução suspensa (9%). Também, a maior parte não divulgou os procedimentos para empréstimo (58%). Quando há esse dado, depara-se com duas situações: agendamento prévio (26%) e empréstimo suspenso (16%). Os serviços remotos descritos praticamente são os que já eram ofertados à distância antes da pandemia. Por meio dos resultados, percebeu-se a falta e a dispersão de dados relevantes, nas páginas das bibliotecas, sobre os serviços ofertados durante a suspensão das atividades presenciais. Foi possível constatar que é preciso investir em um plano de comunicação para resultados satisfatórios, alcançando maior visibilidade e divulgação para esses serviços, seja em qualquer situação. Só assim, pode-se fortalecer o processo de publicação e o seu alcance.</text>
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                    <text>Inovação
PLANO DE ADEQUAÇÃO DOS PERIODICOS CIENTÍFICOS À LEI GERAL DE PROTEÇÃO
DE DADOS PESSOAIS
PLAN FOR THE ADAPTATION OF SCIENTIFIC JOURNALS TO THE GENERAL PERSONAL
DATA PROTECTION LAW
Edna da Silva Angelo1

Resumo: O objetivo deste artigo é apontar, de maneira didática, como pode ser conduzida a gestão de adequação
à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais na perspectiva editorial. Estabelece recursos que ajuda a aprofundar a
compreensão do fenômeno. Trata-se de pesquisa empírica a partir das ações institucionais de adequação à lei da
Universidade Federal de Ouro Preto. No Brasil há poucas pesquisas de relatos de experiência de adequação à lei, e
muito menos publicações a partir da perspectiva pragmatista no âmbito da gestão editorial. A relevância deste
trabalho está em indicar possíveis direcionamentos para uma gestão de privacidade de dados de acordo com a lei
no meio editorial. Sob aspectos práticos, pode-se indicar seis etapas para a adequação dos periódicos científicos:
(1) Estudo da legislação; (2) Mapeamento dos dados pessoais; (3) Análise dos dados e avaliação dos riscos; (4)
Gestão de proteção de dados pessoais; (5) Treinamento e Disseminação da cultura de proteção de dados e (6)
Monitoramento. Estes são apenas os primeiros passos. Mesmo levando-se em conta que este é um estudo
introdutório, a aplicação dos critérios de análise aqui apresentada permite alavancar o processo de proteção de
dados.
Palavras-chave: Periódicos científicos. Gestão editorial. Proteção de dados pessoais. Lei Geral de Proteção à
Dados Pessoais. LGPD
Abstract: The purpose of this article is to point out, in a didactic way, how the management of compliance with
the General Law for the Protection of Personal Data can be conducted from an editorial perspective. Establishes
resources that help to deepen understanding of the phenomenon. This is an empirical research based on
institutional actions to adapt to the law of the Federal University of Ouro Preto. In Brazil, there are few surveys of
experience reports on compliance with the law, and much less publications from a pragmatist perspective in the
scope of editorial management. The relevance of this work is to indicate possible directions for data privacy
management in accordance with the law in the editorial environment. Under practical aspects, six steps can be
indicated for the adequacy of scientific journals: (1) Study of legislation; (2) Mapping of personal data; (3) Data
analysis and risk assessment; (4) Personal data protection management; (5) Training and Dissemination of the
data protection culture and (6) Monitoring. These are just the first steps. Even taking into account that this is an
introductory study, the application of the analysis criteria presented here allows us to leverage the data protection
process.
Keywords: Scientific journals. Editorial management. Personal Data Protection. General Personal Data Protection
Law. LGPD

1 INTRODUÇÃO
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD (Lei nº. 13.709, de 2018) dispõe sobre o
tratamento das informações pessoais, definindo as condições em que os dados pessoais podem ser
expostos publicamente e utilizados por terceiros. A finalidade é estabelecer mecanismos para proteger
os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade, e o livre desenvolvimento da personalidade da
pessoa natural.
1

Doutoranda e Mestre em Gestão &amp; Organização do Conhecimento pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). Bacharel em Biblioteconomia pela UFMG. Bibliotecária e Encarregada de tratamento de dados pessoais da
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). E-mail de contato: ednasangelo@gmail.com

�Com efeito, observa-se uma tendência à mudança de lógica segundo a qual a proteção de
dados pessoais passa a ser pensada e praticada segundo os parâmetros norteadores da lei. As
adequações envolvem renovar processos institucionais que devem alcançar os níveis estratégico,
tático e operacional desde a fase de concepção até a sua execução.
No campo dos periódicos científicos, são demandados estudos que visam verificar como a
LGPD afeta o processo editorial, visto que é realizado o tratamento de algumas informações pessoais
para o cadastramento das pessoas em seus diversos papéis de autor, editor, leitor etc. Além disso,
deve-se observar que podem atuar com múltiplos serviços e produtos. Por exemplo, com o objetivo de
aumentar a visibilidade, atuam na divulgação em redes sociais.
É com o objetivo de ajudar no processo de um maior esclarecimento do que se trata a LGPD,
de como se podem executada, e de que maneira os dados devem ser analisados, que se apresenta este
estudo. Busca-se destrinchar alguns aspectos metodológicos das ações de proteção de dados pessoais
no processo editorial científico.
No Brasil há poucas pesquisas de relatos de experiência de adequação à LGPD, e muito menos
publicações a partir da perspectiva pragmatista no âmbito da gestão editorial. A relevância deste
trabalho está em indicar possíveis direcionamentos para uma gestão de privacidade de dados, de
acordo com a LGPD, no meio editorial. Ao desenvolver este estudo, o artigo cria modelo que pode ser
replicado, utilizando os conhecimentos gerados no contexto das ações para adequação à lei na
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
2 MÉTODO
O objetivo deste artigo é apontar, de maneira didática, como pode ser conduzida a gestão de
adequação à LGPD na perspectiva editorial. Esse questionamento teve início durante a prática
profissional de duas atividades, mais especificamente atuando na equipe do Portal de periódicos e na
função de Encarregada de tratamento de dados pessoais, também conhecimento como Data
Protection Officer (DPO), na UFOP.
Trata-se, aqui, pois, de pesquisa empírica a partir das ações institucionais de adequação à
LGPD da UFOP, consolidada no plano elaborado entre os meses de dezembro de 2020 a junho 2021
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO, 2021), focalizando como se comportaram os elos
entre a teoria e prática ao longo do período e adaptando para o contexto editorial.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A partir da observância da LGPD, discorrendo de forma simples, sob aspectos práticos, podese indicar seis etapas para a adequação dos periódicos científicos: (1) Estudo da legislação; (2)

�Mapeamento dos dados pessoais; (3) Análise dos dados e avaliação dos riscos; (4) Gestão de proteção
de dados pessoais; (5) Treinamento e Disseminação da cultura de proteção de dados e (6)
Monitoramento.
3.1 Estudo da legislação
Antes de iniciar o processo, é preciso entender o que a lei menciona. Os ajustes do sistema
de hospedagem do periódico requerem conhecimentos técnicos e tecnológicos, com forte viés
jurídico. A LGPD prevê, em seu artigo 4º, as situações em que não pode ser aplicada. Uma delas é
para fins exclusivamente acadêmicos. Entretanto, para tornar o tratamento de dados pessoais lícito,
mesmo que para fins educacionais, deve-se apontar a finalidade e uma base legal. Além disso, devese ter claro e explícito, por exemplo, os agentes de tratamento controlador e operador (BRASIL,
2028).
Sendo os dados pessoais um desdobramento do direito à privacidade, outros direitos também
devem ser observados. O disposto na LGPD não dispensa de que trata, a exemplo, o direito de
acesso à informação, à educação e à cultura, em virtude da mesma importância atribuída à sua
proteção. Assim, torna necessário considerar o conhecimento de outras legislações correlatas e
ponderação, no emprego do caso em concreto (SOUZA, 2021).
3.2 Mapeamento dos dados pessoais
O mapeamento de dados pessoais é o registro das operações que envolve dados pessoais.
Além de ser exigido pela LGPD, como explica Vainzof (2019, p. 116), torna-se fundamental para
avaliação e enquadramento do tratamento em uma das bases legais previstas no artigo 7º ou 11 da
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
Em relação aos periódicos científicos, refere-se à apuração multisetorial de quais dados são
coletados, o local onde estão armazenados e o respectivo formato, políticas de acesso, justificativa
para a coleta, usos, tempo de armazenamento, identificação quanto à transferência ou
compartilhamento dos dados.
Devem ser observados os dados pessoais que são coletados para cadastro, correspondentes à
conta/perfil, cuja finalidade é o acesso para iniciar o processo de submissão. Também quais dados
são coletados no processo editorial de submissão e processo avaliativo. Quais são obrigatórios e
quais são opcionais. Deve-se observar se atende ao princípio da minimização dos dados, se coleta
apenas os necessários à finalidade do periódico (SOUZA, 2021).
3.3 Avaliação dos riscos
A avaliação de risco diz respeito à análise sistemática de todos os aspectos relacionados ao
tratamento de dados pessoais que identificará os processos vulneráveis suscetíveis à má utilização
ou tratamento inadequado das informações. Aponta eventuais inconformidades que possam

�ocasionar prejuízos ao órgão durante o tratamento de dados (BRASIL, 2020). Em conformidade
com o artigo 46 da LGPD, os agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e
administrativas, aptas a proteger os dados pessoais (BRASIL, 2018).
3.4 Gestão de proteção de dados pessoais
Após o entendimento da lei, a identificação dos dados pessoais no processo e avaliação dos
riscos, é possível consolidar de regras internas de conformidade a Proteção de Dados Pessoais.
Deve-se levar em conta, em especial:
• Ajustes e customizações do sistema de gerenciamento eletrônico com a adição do
Termo de uso e Política de Privacidade. Deve especificar claramente quais são esses
dados coletados, para ciência do usuário/autor/titular e sua concordância com essa
coleta. Deve-se deixar clara a necessidade de coleta de dados obrigatórios para o
funcionamento do processo e se há compartilhamento (SOUZA, 2021).
• A necessidade, prevista no inciso III da LGPD, de “[...] limitação do tratamento ao
mínimo necessário para a realização de suas finalidades, com abrangência dos dados
pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento
de dados” (BRASIL, 2018, on-line).
• A segurança, conforme inciso VII da LGPD, de “[...] utilização de medidas técnicas
e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de
situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou
difusão” (BRASIL, 2018, on-line).
3.5 Treinamento e Disseminação da cultura de proteção de dados
Como umas das etapas de adequação, deve-se considerar que pessoas que exercem funções
com responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais devem receber treinamento
diferenciado. É necessário estabelecer um Plano para os colaboradores da organização que estão
diretamente envolvidos em atividades que realizam tratamento de dados pessoais (BRASIL, 2020).
Envolve a realização de treinamentos internos para a apresentação e consolidação das
políticas de proteção de dados e segurança da informação. Além disso, apesar do conteúdo da
produção científica ser responsabilidade do autor e não sofre qualquer intervenção por parte dos
periódicos, os editores e avaliadores devem estar atentos para não aceitar documentos que possuem
no conteúdo dados pessoais sem o devido consentimento ou anonimização (SOUZA, 2021).
3.6 Monitoramento
Após adotar ações de adequação a LGPD e treinamento do pessoal envolvido no processo, é
preciso implementar um processo de análise que monitora e audita periodicamente as operações
relacionada a dados pessoais estão de acordo com legislação (BRASIL, 2020).

�Deve-se garantir a observância ao código de conduta editorial, o cumprimento da LGPD,
com vistas à proteção de dados pessoais contra acessos não autorizados ou situações acidentais de
divulgação de dados pessoais ainda durante o processo de submissão e avaliação da produção
científica (SOUZA, 2021).
4 CONCLUSÕES
Os periódicos agrupam um conjunto de publicações baseadas em investigações destinadas
ao desenvolvimento da ciência. De modo similar ao que ocorre em muitas organizações, são
sistemas complexos que utilizam diversos recursos e buscam múltiplos objetivos simultaneamente
para dar suporte as publicações periódicas.
Este artigo apresenta uma análise preliminar sobre como pode ser realizado o processo de
adequação à LGPD no âmbito da produção editorial, especificamente em segmentos que atuam na
gestão de periódicos.
Estes são apenas os primeiros passos. Mesmo levando-se em conta que este é um estudo
introdutório, a aplicação dos critérios de análise aqui apresentada permite alavancar o processo de
proteção de dados. Novos critérios podem ser estabelecidos. Além disso, aqueles propostos podem
ser discutidos e melhorados. O propósito central aqui é estabelecer recursos que ajudem a
aprofundar a compreensão do fenômeno.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
(LGPD). Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm. Acesso em: 04 jul. 2021.
BRASIL. Ministério da Economia. Secretaria de Governo Digital. Guia de elaboração de programa
de governança em privacidade: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Brasília, DF, 2020.
Disponível em: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/governanca-dedados/GuiaProgramaGovernanaemPrivacidade.pdf. Acesso em: 04 jul. 2021.
SOUZA, Rosilene Paiva Marinho de et al. Lei de Proteção de Dados Pessoais e o Open Journal
System: política de gestão de dados pessoais em revistas científicas. Brasília: Ibict, 2021. 58 p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO. Lei Geral de Proteção a Dados Pessoais. Ouro
Preto: UFOP, 2021. Disponível em: https://lgpd.ufop.br/. Acesso em: 04 jul. 2021.

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                <text>O objetivo deste artigo é apontar, de maneira didática, como pode ser conduzida a gestão de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais na perspectiva editorial. Estabelece recursos que ajuda a aprofundar a compreensão do fenômeno. Trata-se de pesquisa empírica a partir das ações institucionais de adequação à lei da Universidade Federal de Ouro Preto. No Brasil há poucas pesquisas de relatos de experiência de adequação à lei, e muito menos publicações a partir da perspectiva pragmatista no âmbito da gestão editorial. A relevância deste trabalho está em indicar possíveis direcionamentos para uma gestão de privacidade de dados de acordo com a lei no meio editorial. Sob aspectos práticos, pode-se indicar seis etapas para a adequação dos periódicos científicos: (1) Estudo da legislação, (2) Mapeamento dos dados pessoais, (3) Análise dos dados e avaliação dos riscos, (4) Gestão de proteção de dados pessoais, (5) Treinamento e Disseminação da cultura de proteção de dados e (6) Monitoramento. Estes são apenas os primeiros passos. Mesmo levando-se em conta que este é um estudo introdutório, a aplicação dos critérios de análise aqui presentada permite alavancar o processo de proteção de dados.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
O USO DAS MÍDIAS SOCIAIS PELAS BIBLIOTECAS DA UFAM
THE USE OF SOCIAL MEDIA BY UFAM LIBRARIES
Margarida dos Santos Valente Cruz1
Priscila Pessoa Simões2
Resumo: As Redes Sociais estão cada vez mais sendo utilizadas pelas bibliotecas universitárias para promoção
dos seus serviços e produtos, assim como uma comunicação mais eficaz com seu público alvo, principalmente
diante de um cenário que o uso das mídias são as que mais se adequam às novas demandas de interação. Mostra
as principais mídias sociais utilizadas pelas bibliotecas e seus principais resultados e público alcançado, para
reconhecimento da trajetória de gerenciamento e as possibilidades de ampliação de seus seguidores. Utilizou-se
uma abordagem quantitativa por meio das estatísticas geradas pelas mídias, o que resultou na grande maioria das
bibliotecas, na utilização do Facebook, e uma frequência diária de publicação, o que corrobora para criação de
dados mais estruturados na busca de um maior número de interação pela comunidade universitária, assim como a
necessidade de política que intensifica a produção de materiais de divulgação em consonância com as
necessidades do público alvo e a capacitação constante do profissional da informação que gerencia essas mídias.
Palavras-chave: Mídias Sociais. Bibliotecas Universitárias. SISTEBIB-UFAM.
Abstract: Social Networks are increasingly being used by university libraries to promote their services and
products, as well as more effective communication with their target audience, especially in the face of a scenario
that the use of media are the ones that best suit the new demands of interaction. It shows the main social media
used by libraries and their main results and audiences achieved, to recognize the management trajectory and the
possibilities of expanding their followers, since it uses a quantitative approach through the statistics generated by
the media, which resulted in the vast majority of libraries using the Facebook by the majority and a daily
frequency of publication which corroborates for the creation of more structured data in the search for a greater
number of interaction by the university community public, as well as a policy that intensifies the production of
dissemination materials in line with the needs of the target audience and the constant training of the information
professional who manages.
Keywords: Social Media. University libraries. SISTEBIB-UFAM.

1 INTRODUÇÃO
Por estarem cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas, as mídias sociais tem
modificado as formas de relacionamento e comunicação, sendo também uma importante
ferramenta para as organizações, que precisam constantemente mudar suas formas de
comunicação e se adequarem às demandas dos diversos públicos.
Existem diversas plataformas de mídias sociais que são desenvolvidas com o objetivo
de conectar pessoas e compartilhar informações entre elas, no Brasil, conforme o relatório
1

Mestra em Ciências da Comunicação (UFAM). Bibliotecária/Documentalista (UFAM).
margarida@ufam.edu.br.
2
Mestranda em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação – Profnit (UEA).
Bibliotecária/Documentalista (UFAM). priscilasimoes@ufam.edu,br.

�Digital 2020 da We Are Social e Hootsuite (Imagem 1) as mídias sociais mais acessadas no
último ano foram:
Imagem 1 - Plataformas de mídias sociais mais acessadas no Brasil

Fonte: Kemp, 2020.

Os dados do Relatório Digital 2020 ressaltam que, no Brasil, havia 140,0 milhões de
usuários de mídia social no Brasil em janeiro de 2020. O número de usuários de mídias
sociais no Brasil aumentou de 11 milhões (+ 8,2%) entre abril de 2019 a janeiro 2020.
(KEMP, 2020.)
Diante das inúmeras ferramentas e as possibilidades de comunicação e interação que
elas proporcionam para as bibliotecas estarem mais próximas de seus usuários Araújo e Freire
(2019, p. 40) afirmam que:
Fazer uso das plataformas de mídias sociais não se configura uma escolha e
sim um dever da biblioteca, uma vez que, a biblioteca deve interagir também nos
espaços virtuais de comunicação onde seus usuários estão presentes, não apenas
levando a informação fidedigna e atualizada, sobretudo, se comunicando, criando e
solidificando laços com seu público-alvo.

Do exposto, esta pesquisa buscou conhecer quais e como as mídias sociais são
utilizadas pelas bibliotecas do Sistema de Bibliotecas (SISTEBIB) da Universidade Federal
do Amazonas (UFAM).
2 MÉTODO
Para o alcance dos objetivos propostos nesta pesquisa utilizou-se uma abordagem
quantitativa por meio de uma análise documental dos relatórios métricos gerados pelas mídias
sociais utilizadas pelas bibliotecas.
Foram analisados os aspectos referentes a número de seguidores, visualização da
página, curtida na página, alcance das publicações, engajamento com as publicações, gênero

�dos seguidores, faixa etária dos seguidores, conteúdo compartilhado, crescimento, contas
alcançadas, e interações com o conteúdo. Os dados foram coletados no período de 16 de
outubro de 2020 a 26 de novembro de 2020.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O SISTEBIB-UFAM constitui-se por meio de uma estrutura organizacional e
administrativa parcialmente centralizada as quais os seguintes organismos fazem parte:
Biblioteca Central, e Bibliotecas Setoriais e de Extensão.
Atualmente, as Bibliotecas Setoriais são compostas por 07 (sete) bibliotecas situadas
na capital do Amazonas, Manaus, e 05 (cinco) bibliotecas localizadas nos campi do interior
do estado. O quadro abaixo demonstra quais são as plataformas as quais as bibliotecas
possuem cadastro:
Quadro 1 - Mídias sociais usadas pelas Bibliotecas da UFAM.
Bibliotecas

Instagram

Facebook

YouTube

SISTEBIB

NÃO

NÃO

SIM

Biblioteca Setorial do Setor Norte - BSSN

SIM

SIM

NÃO

Biblioteca Setorial de Ciências Exatas e Engenharias - BSCEE

SIM

SIM

NÃO

Biblioteca Setorial do Setor Sul - BSSS

SIM

SIM

NÃO

Biblioteca Setorial da Escola de Enfermagem de Manaus "Rosaly Rodrigues Taborda" – BSEEM

NÃO

SIM

NÃO

Biblioteca Setorial de Ciências da Saúde Professor "Manoel Bastos Lira"- BSCS

NÃO

SIM

NÃO

Biblioteca Setorial da Faculdade de Direito - Bibliotecária "Marieth Neves"-BSFD

SIM

SIM

NÃO

Biblioteca Setorial do Museu Amazônico - BSMA

NÃO

SIM

NÃO

Biblioteca do Instituto Natureza e Cultura - BINC (Benjamim Constant)

NÃO

NÃO

NÃO

Biblioteca do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia - BICET (Itacoatiara)

NÃO

NÃO

NÃO

Biblioteca do Instituto de Saúde e Biotecnologia - BISB (Coari)

SIM

SIM

NÃO

Biblioteca do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia - BICSEZ (Parintins)

NÃO

SIM

NÃO

Biblioteca do Instituto Educação, Agricultura e Ambiente "Marly Barros Costa" - BIEAA (Humaitá)

SIM

NÃO

NÃO

Bibliotecas na Capital do Amazonas

Bibliotecas no Interior do Amazonas

Fonte: As autoras, 2020.

Ao analisar os dados das bibliotecas pertencentes ao SISTEBIB-UFAM verifica-se
que as mídias sociais mais utilizadas pelas 12 bibliotecas setoriais são o Facebook e
Instagram, as quais 08 (oito) bibliotecas possuem cadastro no Facebook e 05 (cinco) no
Instagram.

�No que tange ao Facebook, verificou-se que 03 (três) bibliotecas possuem cadastro
apenas como perfil e 03 (três) bibliotecas possuem cadastro como perfil e página, todavia, os
conteúdos são postados com mais frequência no perfil.
Tal fato evidencia a necessidade de padronização para o uso de Fan Page do
Facebook, considerando as regras de uso da plataforma e as vantagens de se utilizar a esta
ferramenta, como número de fãs ilimitados; acesso a estatística de crescimento e informações
da página; acesso múltiplo; anúncios e outras. Abaixo se apresenta a média das principais
métricas das bibliotecas que utilizam o Facebook:
Gráfico 1 – Métricas do Facebook.

Fonte: As autoras, 2020.

Relativo ao Instagram constatou-se que as bibliotecas não possuem uma frequência
diária de publicações, fazendo que não haja tanto engajamento nos perfis, conforme pode ser
vislumbrado no gráfico 2:
Gráfico 2 – Métricas do Instagram.

Fonte: As autoras, 2020.

�Verificou-se, ainda, que algumas contas não estão cadastradas como comerciais, o que
demonstra a precisão da alteração dos perfis para contas comerciais, a fim de obter as
vantagens que a ferramenta traz.
Em relação ao gênero dos seguidores, em ambas as plataformas, identificou-se que a
maioria é do gênero feminino, da faixa etária de 18 a 24 anos.
4 CONCLUSÕES
Percebe-se que o uso das mídias sociais por parte das bibliotecas é um meio de se
aproximar e conhecer os usuários, compartilhando informações sobre os serviços oferecidos
pela biblioteca.
Há uma disparidade entre o total de pessoas que compõe a comunidade acadêmica da
UFAM e seguidores das mídias sociais das bibliotecas, indicando que há um público grande
para ser alcançado. O que demonstra a necessidade de ações de capacitação dos bibliotecários
responsáveis pelas mídias sociais, realização de estudo com os usuários para entender o
conteúdo que deve ser disponibilizado nas mídias, planejamento para produção de conteúdo
diário e até mesmo o uso de outras plataformas que não são utilizadas atualmente.
Destaca-se como limitante para essa pesquisa a falta de relatórios métricos de
bibliotecas que não utilizam as mídias sociais como contas comerciais, o que demonstra a
necessidade de padronização no uso das mídias sociais das bibliotecas integrantes do
SISTEBIB-UFAM.
Como uma contribuição, o estudo apresentado pode subsidiar a elaboração de uma
Política de Redes Sociais para o Sistema de Bibliotecas, que integra à política de comunicação
da UFAM e especificamente a produção e divulgação de materiais pelas bibliotecas, assim
como as dinâmicas de comunicação e promoção dos produtos e serviços para engajamento e
interação pela comunidade.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, W. da S.; FREIRE, G. H. de A. Marketing em mídias sociais: contribuições para
bibliotecas. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, [S. l.], v. 10, n. 2,
p. 39-54, 2019. DOI: 10.11606/issn.2178-2075.v10i2p39-54. Disponível em:
http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/149599. Acesso em: 30 nov. 2020.
KEMP, Simon. Digital 2020: Brazil. Disponível em: https://datareportal.com/reports/digital2020-brazil. Acesso em: 12 nov. 2020.

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                    <text>Eixo 1 - Tradição
A BIBLIOTECA NO CONTEXTO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA:
ORGANISMO EM CONSTANTE CRESCIMENTO
THE LIBRARY IN THE CONTEXT OF THE FEDERAL UNIVERSITY OF SOUTHERN
BAHIA: ORGANISM IN CONSTANT GROWTH
Raquel da Silva Santos1
Resumo: O relato aborda o desenvolvimento do Sistema de Bibliotecas no contexto da implantação da
Universidade Federal do Sul da Bahia. Tem como objetivo relatar o processo de evolução das bibliotecas
universitárias da instituição nos últimos sete anos a partir da perspectiva da Quinta Lei da Biblioteconomia com
a análise de três aspectos fundamentais: a) crescimento do acervo; b) expansão do número de usuários e; c)
desenvolvimento do quadro de pessoal. O método inclui a pesquisa bibliográfica para o arcabouço teórico e a
pesquisa documental para análise de dados e informações institucionais no período de 2014 a 2021. Os
resultados demonstram que o acervo cresceu gradativamente, conforme disponibilidade de recursos, assim como
o número de usuários crescia à medida que novos cursos eram implantados. Quanto ao quadro de pessoal, os
dados mostram que houve alterações no quantitativo, mas o resultado ficou aquém quando comparado aos dois
aspectos anteriores. O texto aponta de forma conclusiva a necessidade de garantir o crescimento do acervo a
partir da adequação da infraestrutura física das bibliotecas, incrementar a aplicação de recursos tecnológicos na
oferta dos serviços e garantir a adequação do corpo técnico ao desenvolvimento natural da instituição, dentre
outras ações.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Biblioteconomia. Universidades e faculdades públicas.

Abstract: The report addresses the development of the Library System in the context of the implementation of
the Federal University of Southern Bahia. Its objective is to report the evolution process of the institution's
university libraries in the last seven years from the perspective of the Fifth Law of Librarianship with the
analysis of three fundamental aspects: a) growth of the collection; b) expansion of the number of users; and c)
staff development. The method includes bibliographical research for the theoretical framework and documental
research for data analysis and institutional information in the period from 2014 to 2021. The results show that the
collection grew gradually, according to the availability of resources, as well as the number of users grew with the
as new courses were implemented. As for the staff, the data show that there were changes in the quantity, but the
result was below the two previous aspects. The text conclusively points out the need to ensure the growth of the
collection from the adequacy of the physical infrastructure of libraries, increase the application of technological
resources in the provision of services and ensure the adequacy of the technical staff to the natural development
of the institution, among other actions.
Keywords: Academic libraries. Library Science. Public universities and colleges.

1 INTRODUÇÃO
A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), criada pela Lei nº 8.818, de 5 de junho
de 2013, é o resultado de um processo construtivo iniciado em 2011 que culminou com o início
1

Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Espírito Santo com especialização na mesma área
pela Universidade Cândido Mendes. Coordenadora do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Sul da
Bahia. E-mail: raquel.silva@ufsb.edu.br.

�das atividades letivas no ano de 2014. O estudo apresenta o desenvolvimento das bibliotecas da
universidade no campus Jorge Amado (Itabuna), Paulo Freire (Teixeira de Freitas) e Sosígenes
Costa (Porto Seguro) a partir das atividades do Sistema de Bibliotecas da instituição.
Apesar da UFSB possuir como um dos aspectos da sua razão de ser a geração, difusão e
compartilhamento de conhecimentos e técnicas nas diversas áreas do conhecimento
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA, 2020), a importância da biblioteca
universitária como órgão de apoio ao cumprimento dessa missão ocorreu paulatinamente. Por
isso, torna-se necessário compartilhar os resultados alcançados nesse período, a fim de registrar
sua contribuição ao processo de implantação da instituição.
Sendo assim, neste relato de experiência questiona-se como a biblioteca universitária
tem se desenvolvido no contexto da UFSB no período que compreende os anos de 2014-2021
de forma a contribuir para o alcance de sua missão.
A publicação tem como objetivo principal relatar o processo de evolução das bibliotecas
universitárias da UFSB no decorrer de sua implantação, a partir da perspectiva de Ranganathan
no que tange a Quinta Lei da Biblioteconomia: a biblioteca é um organismo em crescimento.
Nessa perspectiva, serão analisados três aspectos fundamentais: a) crescimento do acervo; b)
expansão do número de usuários e; c) desenvolvimento do quadro de pessoal.
O conteúdo inclui a descrição dos recursos metodológicos adequados ao objetivo do
relato, a apresentação dos resultados obtidos pelo Sistema de Bibliotecas da UFSB dentro do
recorte temporal especificado e os aspectos relevantes para sua melhoria e crescimento.

2 MÉTODO

A construção do relato de experiência deu-se a partir da adoção de procedimentos de
pesquisa do tipo bibliográfica e documental, tipologias que melhor se adequaram ao propósito
do estudo.
A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida para elucidar aspectos teóricos relacionados
a obra de S. R. Ranganathan, As Cinco Leis da Biblioteconomia. Da mesma forma essa
tipologia permite a busca de referencial teórico para abordagens relacionadas a gestão de
bibliotecas universitárias nos três aspectos em questão: acervo, usuários e corpo técnico.
Por outro lado, adotou-se a pesquisa documental com o intuito de levantar e analisar
dados do Sistema de Bibliotecas da UFSB no período que compreende os anos de 2014 a
2021. Este procedimento foi realizado em três etapas: a) pré-análise: identificação de
documentos institucionais que tratam dos acervos, usuários e corpo técnico das bibliotecas; b)

�organização do material: seleção e fichamento dos dados levantados; c) tratamento dos dados:
análise da evolução das bibliotecas nos três aspectos fundamentais e sua relação com o futuro
das bibliotecas da UFSB. As principais fontes foram: relatórios, estatutos, resoluções,
portarias, atas de reuniões e processos administrativos internos e externos da universidade.
O conjunto de documentos e informações institucionais das bibliotecas da UFSB não
poderia ser completamente apresentado no relato. Contudo, a próxima sessão apresenta uma
análise sucinta das informações mais relevantes para a abordagem do problema.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

As bibliotecas universitárias possuem diversas facetas relevantes para a comunidade
acadêmica na qual está inserida. São apresentados a seguir apenas três dessas facetas, na
perspectiva de Ranganathan e sua evolução ao longo da existência do Sistema de Bibliotecas
da UFSB.
Ranganathan é objetivo ao pontuar que
Deve-se ter plena consciência de que um acervo de livros sem leitores não tem mais
direito de ser chamada de biblioteca do que um grupo de leitores sem livros, e que a
mera justaposição de livros e leitores sem o pessoal, que sabe promover o contato
entre o leitor certo e o livro certo, no tempo certo e do modo certo, tampouco
constitui uma biblioteca. (RANGANATHAN, 2009, p. 242)

O acervo das bibliotecas da UFSB, limitado inicialmente a livros impressos, começou
a se desenvolver em 2016, dois anos após a universidade iniciar suas atividades acadêmicas.
O Relatório de Gestão de 2018 (UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA, 2021)
mostra que a instituição aplicou mais de R$ 700 mil na compra de exemplares e documentos
internos apontam para a promoção de doação de livros, assim o acervo passou de 14.039 itens
em 2017 para 66.259 em no ano de 2020. Esse número não inclui os itens que estão em
processamento técnico.
Em sua obra Ranganathan aponta para a necessidade de planejamento do espaço físico
para o crescimento da coleção. Como a instituição não possui prédios próprios para suas
bibliotecas, o planejamento do espaço físico tornou-se um tema sensível exigindo especial
atenção da Diretoria de Infraestrutura da universidade e constante remanejamento do acervo
para garantir a organização dos volumes. Os desafios cotidianos apontam para a necessidade
premente de execução dos projetos arquitetônicos das bibliotecas da UFSB que estão em
estudo desde 2018.

�Em 2014 a UFSB iniciou suas atividades com o total de 27 cursos de graduação, esse
número ultrapassa a marca de 60 cursos em 2021. O crescimento do número de cursos e,
consequentemente, do número de alunos pressupõe maior demanda de atividades nas
bibliotecas. O serviço de circulação de materiais, em todas as suas facetas, e o serviço de
referência são aqueles nos quais se percebe imediatamente o impacto do crescimento da
instituição. O acompanhamento dos processos avaliativos dos cursos e a demanda por novos
serviços e produtos somam-se a lista aos fatores de impacto deste aspecto das bibliotecas
universitárias da instituição.
Por fim, vale a pena analisar como o quadro de pessoal das bibliotecas se desenvolveu
no contexto de crescimento dos dois aspectos citados anteriormente. Documentos
institucionais internos e processos administrativas mostram que em 2014 a universidade
contava com apenas uma bibliotecária no quadro de pessoal. Em 2017 esse número chegou à
marca de 05 profissionais, mas desde 2018 a instituição conta com apenas três bibliotecários
para atender as demandas técnicas de suas quatro unidades. Em 2021 o quadro de pessoal
conta com 05 servidores efetivos de cargos diversos e duas servidoras terceirizadas para dar
suporte aos bibliotecários das três bibliotecas e do Sistema de Bibliotecas.
O quadro técnico das bibliotecas da UFSB passou por poucas alterações nos últimos
três anos, sendo assim ele não acompanha as mudanças ocorridas no crescimento da coleção e
do público-alvo. Um dos maiores desafios da atual gestão, tanto das bibliotecas como da
instituição, é o equilíbrio entre as necessidades informacionais dos usuários e a capacidade de
oferta de serviços de qualidade no tempo e do modo que a comunidade precisa.
O processo evolutivo da biblioteca universitária no contexto de uma instituição tão
jovem pode ser lento e ao mesmo tempo vertiginoso, a depender da perspectiva e fatores
internos e externos. A próxima sessão aborda de forma conclusiva, algumas das inúmeras
medidas que precisam ser encaminhadas na instituição para melhoria dos processos
realizados.

4 CONCLUSÕES

O relato pontuou a evolução do Sistema de Bibliotecas da UFSB no que tange a três
aspectos principais, ainda que não sejam os únicos: a) acervo; b) usuários e; c) quadro técnico
na perspectiva da Quinta Lei da Biblioteconomia: a biblioteca é um organismo em constante
crescimento.

�Para finalizar considera-se relevante apontar aspectos gerais que precisam ser
desenvolvidos ao longo dos próximos anos: a) a necessidade de garantir o crescimento do
acervo a partir da adequação da infraestrutura física das bibliotecas; b) incrementar a
aplicação de recursos tecnológicos na oferta dos serviços; c) garantir a adequação do corpo
técnico ao desenvolvimento natural da instituição; d) institucionalizar o Sistema de
Bibliotecas (resolução, regimento, plano de desenvolvimento), dentre outras.
Evidente que o texto não apresenta a completude das ações e resultados do Sistema de
Bibliotecas da UFSB no período, nem mesmo todos os aspectos nos quais ainda precisa
evoluir. Contudo, não deixa de reforçar a importância da biblioteca universitária para o
desenvolvimento das atividades acadêmicas da instituição.
REFERÊNCIAS
RANGANATHAN, Shiyali Ramamrita. As cinco leis da biblioteconomia. Brasília, DF:
Briquet de Lemos, 2009.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA. Conselho Universitário. Resolução nº
16, de 17 jul. 2020. Alteração de disposições do Estatuto da Universidade Federal do Sul da
Bahia – UFSB. Itabuna: Conselho Universitário, 2020. Disponível em:
https://ufsb.edu.br/images/Resolu%C3%A7%C3%B5es/2020/Resolu%C3%A7%C3%A3o_n
%C2%BA_16__Disp%C3%B5e_sobre_altera%C3%A7%C3%B5es_no_Estatuto_da_UFSB.pdf. Acesso em:
22 maio 2021.
_________. Reitoria. Pró-Reitoria de Planejamento e Administração. Relatórios de gestão.
Itabuna, 2021. Disponível em: https://ufsb.edu.br/acesso-informacao/relatorios-gestao. Acesso
em: 19 jun. 2021

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CLUBE DE LEITURA VIRTUAL: LEITURA COMO REFÚGIO
VIRTUAL READING CLUB: READING AS A REFUGE
Vera Lucia Marques da Silva1
Cicero Alberto de Andrade Oliveira2

Resumo: Este trabalho relata a experiência de um clube de leitura virtual com alunos de diversas nacionalidades do
curso Português para pessoas em situação de refúgio, promovido pela biblioteca. Com o objetivo de fomentar a leitura,
a integração e a inclusão social no período de isolamento social devido a pandemia, a ação foi desenvolvida
integralmente no formato virtual. Considera a importância da mediação e da seleção dos textos voltados a este público
específico, para que se possa alcançar o potencial de interação e inclusão social em ações como esta, nas bibliotecas.

Palavras-chave: Clube de leitura. Refugiados. Inclusão Social
Abstract: This study reports the experience of a virtual reading club with students of different nationalities from the
Portuguese course for people in refugee situations, promoted by the library. Aiming to promote reading, integration and
social inclusion in the period of social isolation due to the pandemic, the action was fully developed in a virtual format.
It considers the importance of mediation and selection of texts aimed at this specific audience, so can reach the potential
of interaction and social inclusion in this actions in libraries.

Keywords: Reading Club. Refugees. Social Inclusion.

1 INTRODUÇÃO
A facilidade das conexões entre pessoas, propiciadas pelos mecanismos e ferramentas da
internet, possibilita que ações que sempre foram desenvolvidas presencialmente possam experimentar
sua realização em formato virtual. Foi este movimento de conexão digital que permitiu que o trabalho,
os estudos e a vida social, pudesse seguir no período em que a sociedade precisou se isolar para
contenção da pandemia do Covid-19, ainda que presentes muitas limitações e problemas.
Mesmo vivendo a anos em uma sociedade globalizada e fazendo uso das possibilidades da
internet, foi diante deste cenário de novas e necessárias conexões virtuais, que novas
1
2

Mestranda em Ciência da Informação. ECA-USP.veramarques@usp.br
Mestre em Letras. Senac São Paulo.cicero.aalboliverira@sp.senac.br

�possibilidades de interação foram criadas, que conexões ainda não experimentadas, tiveram a chance
de ser realizadas em ambientes que sempre priorizaram os espaços físicos e a presença, como no caso
das bibliotecas.
O fomento ao livro e a leitura, que sempre esteve no escopo de trabalho das bibliotecas
escolares e universitárias, precisou ser amplamente resinificado em um período em que todo o
universo da educação, das escolas, das aulas e da leitura foi restrito a telas de computadores,
notebooks e smartphones. Assim, dentre os inúmeros desafios enfrentados pelas bibliotecas neste
período de isolamento social forçado por uma pandemia mundial, esta realidade também foi estopim
para que inovações resultantes das várias possibilidades de conexões e de inclusão, propiciadas pelo
contato digital, pudessem ocorrer.
Este trabalho apresenta o relato de experiência de uma ação estruturada e desenvolvida pela
biblioteca em período de isolamento social, que foi realizada integralmente em formato virtual e que
teve como objetivo fomentar leitura, a integração e a inclusão social por meio da leitura, para um
grupo de alunos do curso de Língua Portuguesa para pessoas em situação de refúgio, alunos que em
alguma medida, se encontram a margem dos contatos sociais e culturais no país.

2 MÉTODO
O campo deste estudo está vinculado à rede Senac São Paulo de Bibliotecas pela unidade
Francisco Matarazzo – SP, que trabalha de forma hibrida e virtualmente no período de isolamento
social para contenção da pandemia, por meio da plataforma virtual Teams, onde foi possível a
realização do encontro para o clube de leitura. Os alunos de curso de Português para pessoas em
situação de refúgio é fruto de um convênio estabelecido entre Sesc/Senac de São Paulo, a Caritas –
Arquidiocesana de São Paulo e ACNUR – Agência da ONU para Refugiados e acontece
semestralmente em algumas unidades do Sesc São Paulo.
Pode-se qualificar esta pesquisa de natureza qualitativa, pois conforme esclarece Severino
(2007, p. 128) existe a intenção de permitir se utilizar do conhecimento, contribuindo para ampliá-lo
por mais ramificações de assuntos relacionados. Assim, pode-se relacionar este relato a estudos para
leitura, para mediação e inclusão social por meio das bibliotecas.

�3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A biblioteca cada vez mais tem se tornado ambiente de integração, um espaço democrático e
de múltiplas aprendizagens, espaço ideal para o desenvolvimento de competências básicas como a
prática da leitura. Em uma realidade de contatos virtuais a biblioteca, por meio da mediação realiza de
maneira plena seu objetivo de fomento a leitura uma vez que conforme explicita Martins (2017) a
mediação de leitura, seja ela literária ou informacional, é uma das práticas possíveis para o ambiente,
a ser realizada de diversas formas (MARTINS, 2017).
Os Clube do livro, ou círculo de leitura, ou ainda clube de leitura virtuais passam a ser uma
alternativa para promoção da leitura e da cultura pois, em geral, são constituídos de pessoas
interessadas, que participam de forma voluntária das discussões que podem se expandir para além da
leitura literária realizada, para abordar aspectos tais como o contexto cultural e temporal da leitura,
além de permitir a abstração para o campo de conhecimento e de vivencias dos participantes.
São muitos os benefícios e potencialidades de um Clube de leitura, já que sua criação, conforme
Pedrão (2017), “[...] torna possível a interação de pessoas e a troca de experiências, pois um livro e
uma leitura nunca são iguais para todos, e assim todo o processo de ler e interpretar uma história se
torna diferenciado e mais proveitoso” (PEDRÃO, 2017, p. 1218).
A atividade relatada neste trabalho se deu a partir da desafiante experiência de trabalho da
biblioteca do Senac Francisco Matarazzo no período de isolamento social da pandemia, onde foi
proposta uma ação que integrasse as ações de leitura já promovidas pela biblioteca com alunos de
idiomas, mais especificamente de Português para estrangeiros, aqui especificamente, para pessoas em
situação de refúgio, que ocorre a mais de 25 anos numa parceria Sesc/Senac SP.
Esta atividade coletiva, chamada inicialmente de Clube de leitura tratou-se de um momento de
troca de visões de mundo, em que estes alunos, vindos de diversas partes do mundo, a partir de todo o
seu repertório de vida, pode ouvir e compartilhar suas impressões sobre uma determinada história.
A primeira edição do Clube de Leitura aconteceu em 23/04/2021 das 19h00 às 20h30 e contou
com a presença do professor mediador e dos funcionários da Biblioteca Senac Francisco Matarazzo e
alunos de turmas diversas do curso de Português para estrangeiros.

�Por se tratar de um curso que é constituído por pessoas falantes de idiomas diversos, a seleção do
material foi uma das questões principais a serem pensadas antes do encontro. Levando-se em conta o
nível de contato e familiaridade dos alunos com a língua portuguesa decidiu-se pelo gênero crônica
como texto-base para leitura e provocação das discussões. Para escolha considerou-se pontos
relevantes como:


À disponibilidade de tempo dos alunos para leituras de maior ou menor fôlego. Um dos
mediadores inquiriu aos interessados se eles teriam tempo para ler livros mais extensos, e,
em virtude de reposta negativa, decidiu-se então trabalhar com textos mais curtos;



A qualidade de excelentes crônicas e cronistas brasileiros, o que permite aos alunos um
contato muito valioso com a tradição literária do Brasil; as crônicas tratam, em boa
medida, de temas cotidianos o que, em muitos casos, poderia aproximar tais histórias das
vivências dos alunos – hipótese este que acabou se revelando verdadeira.

Isto posto, no primeiro encontro, e como forma de criar laços e estabelecer conexões, a mediação
centrou-se, sobretudo, em aspectos dos textos que pudessem se vincular à biografia destes alunos.
Como ponto de partida, procurou-se interrogar os textos propondo para os alunos perguntas que
estabelecessem pontes entre aquilo que era de certa forma narrado e as experiências pessoais que
aqueles leitores haviam vivido, procurando também estimulá-los a contrastar essas vivências com
suas vidas no Brasil. Por exemplo:
Ao ler a crônica “África”, de Antônio Prata, que narra a história de dois adolescentes que – após
saberem por um adulto que se nadassem em linha reta pelo mar, dariam no continente africano –,
decidem se lançar em uma viagem à África para “ver uns leões, elefantes e rinocerontes e voltar a
tempo para o lanche”, e quase morrem afogados. Inicialmente, procurou-se sondar que tipo de
memórias esse texto lhes trazia; num segundo instante, questionou-se a associação das imagens de
animais à África, se isso não incomodava os alunos africanos, que viram nessa questão a oportunidade
de falar desses lugares comuns e que percebiam serem muito frequentes em falas de brasileiros sobre
a África. Aventou-se por exemplo, que boa parte dos brasileiros pensa África como um bloco,
ignorando por exemplo, as profundas diferenças (culturais, sociais e linguísticas, só para citar
algumas) que cada país ali possui.

�4 CONCLUSÕES
Testemunhou-se uma grande implicação dos alunos na atividade, assim como sua participação
ativa durante as quase 2 horas de interação, comentando o texto e trazendo histórias de suas
próprias vidas que os textos eventualmente ilustrassem. O que é bastante interessante e foi
ressaltado pelo professor, é que, ao contrário daquilo que por vezes se vê em sala de aula, por se
tratar de uma iniciativa aberta, os participantes se mostraram bastante envolvidos e procuraram
tomar a palavra e dizer suas experiências
Esta atividade coletiva, chamada inicialmente de Clube de leitura tratou-se de um momento de
troca de visões de mundo, em que estes alunos, vindos de diversas partes do mundo, a partir de todo
o seu repertório de vida, dá a ouvir e compartilhar suas impressões sobre uma determinada história,
o que faz ter certeza da importância da continuidade e da ampliação de tal ação, voltando-se para a
importância de pensar a mediação, a seleção de textos que deem conta do potencial envolvido em
clubes de leitura compartilhada como aporte para o acolhimento e inclusão social, como mais um
serviço dos espaços físicos ou virtuais de bibliotecas.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14724: informação e
documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
MARTINS, Luziane Graciano. Bibliotecário como mediador de aprendizagem: uma proposta a
partir do uso das TICs. Biblos: Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, [S.l], v.
31, n. 2, p. 73-98, jun./dez. 2017. Disponível em:
https://doaj.org/article/02440c460e794b55a08e9081630cc71a. Acesso em: 28 nov. 2019.
PEDRÃO, Gabriela Bazan. Clube de leitura fora da biblioteca: um relato de experiência. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 13, n. 2017, p.1207- 1219, out.
2017. Disponível em: . Acesso em: 08 jan. 2018.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e atual. São
Paulo: Cortez, 2007.

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                <text>Este trabalho relata a experiência de um clube de leitura virtual com alunos de diversas nacionalidades do curso Português para pessoas em situação de refúgio, promovido pela biblioteca. Com o objetivo de fomentar a leitura, a integração e a inclusão social no período de isolamento social devido a pandemia, a ação foi desenvolvida integralmente no formato virtual. Considera a importância da mediação e da seleção dos textos voltados a este público específico, para que se possa alcançar o potencial de interação e inclusão social em ações como esta, nas bibliotecas.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas

VISITAS VIRTUAIS E EXPOSIÇÕES NAS BIBLIOTECAS: CONSTRUINDO E VIABILIZANDO OS
ESPAÇOS PÚBLICOS DE CULTURA E DE APRENDIZAGEM EM TEMPOS DE ISOLAMENTO
SOCIAL
VIRTUAL VISITS AND LIBRARY EXHIBITIONS: BUILDING AND ENABLING PUBLIC SPACES FOR
CULTURE AND LEARNING IN TIMES OF SOCIAL ISOLATION
Danielle Thiago Ferreira 1
Gislaine Melo de Lima¹ *
Mariana Pedroso Teixeira¹ *
Michele Lebre de Marco ¹ *
Thatiane Soares de Souza ¹ *
Resumo: A situação, gerada pela pandemia, que levou o mundo a decretar isolamento social, fez com que
especificamente os espaços de cultura fechassem suas portas ao público. E com as Bibliotecas da Unicamp, não foi
diferente. Neste sentido, o projeto visa transformar esses espaços em espaços acessíveis a própria comunidade da
Unicamp e consequentemente a sociedade. O objetivo principal é criar visitas virtuais aos espaços físicos dessas
Bibliotecas dando visibilidade às coleções e aos serviços disponibilizados por meio de vídeos instrutivos trabalhando
com a proposta de divulgação institucional e organizar exposições virtuais, levando esses importantes acervos que são
patrimônio público ao alcance da sociedade. Por meio de editais da Diretoria de Cultura da Unicamp foram contratados
alunos/bolsistas do curso de Multimeios, do Instituto de Artes da Unicamp. Como resultados temos a produção de 2
vídeos principais que descrevem e apresentam os prédios da Bibliotecas Central e suas áreas e a Biblioteca de Obras
Raras, mais três vídeos curtos que apresentam em formato de visita virtual as coleções – Sergio Buarque de Holanda,
Fausto Castilho e Cesar Lattes e mais duas exposições virtuais históricas e comemorativas. Esses vídeos foram
divulgados nos portais, redes sociais e canais do Youtube das Bibliotecas e imprensa de um modo geral. Como
conclusão temos, além da produção dos vídeos, a clareza de que essas ações, que transcendem o contato físico e se
estendem para o virtual, são de extrema importância e é uma nova forma que torna conhecimentos, cultura e
aprendizados visíveis a sociedade.
Palavras-chave: Bibliotecas – visitas virtuais. Cultura – espaços virtuais. Divulgação e cultura.
Abstract: The situation, generated by the pandemic, which led the world to declare social isolation, made cultural
spaces specifically close their doors to the public. And with Unicamp Libraries, it was no different. In this sense, the
project aims to transform these spaces into accessible spaces for the Unicamp community itself and, consequently, for
society. The main objective is to create virtual visits to the physical spaces of these Libraries, giving visibility to the
collections and services made available through instructional videos working with the proposal of institutional
dissemination and organizing virtual exhibitions, bringing these important collections that are public heritage within the
reach of society. Through public notices from Unicamp's Board of Culture, students/scholarship holders from the
Multimeios course of the Unicamp Arts Institute were hired. As a result, we have the production of 2 main videos that
describe and present the buildings of the Central Libraries and their areas and the Library of Rare Works, plus three
short videos that present the collections in a virtual tour format – Sergio Buarque de Holanda, Fausto Castilho and
Cesar Lattes and two other historical and commemorative virtual exhibitions. These videos were disseminated on the
libraries' portals, social networks and Youtube channels and the press in general. In conclusion, in addition to the
production of videos, it is clear that these actions, which transcend physical contact and extend to the virtual, are
extremely important and are a new way of making knowledge, culture and learning visible to society.Keywords:
Libraries – virtual visits; Culture – virtual spaces; Dissemination and culture.
Keywords: Libraries – virtual visits. Culture – virtual spaces. Dissemination and culture.

1

Equipe técnica da Comissão de ações culturais e sociais da Biblioteca Central Cesar Lattes, Unicamp, Campinas, SP,
Brasil, cacs@unicamp.br

�1 INTRODUÇÃO
Com relação aos estudos sobre ações culturais e bibliotecas, aqui trazemos algumas
reflexões teóricas que consideramos importante destacar.
As bibliotecas ganham destaque no processo de democratização da informação e do
conhecimento por meio da leitura e da escrita proporcionada pelo seu ambiente. Visando uma
educação inclusiva socialmente não só como depositária de informação, mas trazendo novos
formatos de disseminação de ações educacionais e culturais para a comunidade universitária e para
os mais diversos públicos e idades, partindo do princípio de que a expressão “ação cultural”
consiste no desejo de fazer da arte e da cultura, instrumentos deliberados de mudança do homem e
do mundo, além de propiciar um rico campo de atuação para os bibliotecários. (BRITO FILHO,
2011).
Para Milanesi (1983) “a biblioteca, como núcleo de informação, é o serviço que dispõe as
informações para o público e aqui podemos considerar que a Biblioteca Universitária Publica tem o
dever de aprimorar a vida cultural do seu entorno criando serviços que sejam reflexões para a
sociedade.
E continuamos com Suaiden que diz que além de melhorar a qualidade de vida da
comunidade; a biblioteca pública é a base fundamental do sistema educacional e cultural; seu
objetivo principal é a formação do hábito de leitura e aqui complementamos também com a
formação cultural, por meio do contato com expressões artísticas e culturais (SUAIDEN, 1995,
p.19)
O objetivo, portanto, é levar a comunidade interna e externa da Universidade por meio de
visitas virtuais e vídeos os serviços e os acervos para que essas grandes Bibliotecas da Universidade
que são patrimônios públicos, tornem-se visíveis e acessíveis a sociedade, transcendendo o físico
com o intuito de levar conhecimentos, cultura e aprendizado aos mais diversos públicos.
A Biblioteca Central Cesar Lattes, assim como todas as Bibliotecas da Unicamp são
conhecidas por atender além de seus públicos composto por alunos de graduação, pós-graduação e
pesquisadores da Unicamp, diversos pesquisadores de outras instituições, de outros estados e país e
também as comunidades externas de Campinas e região. Circulam em média cerca de 1000
visitantes por dia e abarca grandes e importantes acervos. E como biblioteca pública universitária,
tem o dever de cumprir este papel de extensão à toda sua comunidade atendida.
Outras ações importantes que podemos destacar são que as Bibliotecas são espaços de
cultura que socializam informações e conhecimentos, assim temos agenda intensa que vai de

�exposições a saraus, intervenções e apresentações artísticas; todas essas realizadas em nossos
espaços e que foram canceladas por tempo indeterminado.

2 MÉTODO
A Biblioteca Central Cesar Lattes nos seus 30 anos de existência, faz parte do Sistema de
Bibliotecas da Unicamp – e abarca outras importantes bibliotecas do SBU, como a BAE e a BORA
- e tem como missão “prover informação, por meio de produtos e serviços de excelência, para as
atividades de ensino, pesquisa e extensão, garantindo um ambiente de respeito à diversidade e à
socialização”. Ou seja, além de apoiar os pilares do ensino, da pesquisa também possui
planejamentos e ações voltados para a extensão, onde além de disseminar conteúdos científicos,
também divulga, organiza e proporciona atividades culturais de incentivo à leitura e à cultura, com
agenda intensa que vão de exposições à saraus, intervenções e apresentações artísticas.
Com esse foco e com o objetivo de fomentar mais ações e revitalizar o espaço das
bibliotecas criamos em 2019 um GT de Ações Sociais e Culturais da Biblioteca Central que se
transformou em uma Comissão permanente de Ações culturais e sociais, para promover atividades
de extensão e ações de incentivo a leitura e a cultura.
Para viabilizar essas ações e atividades culturais foi submetido um projeto e este foi
contemplado no Edital da Diretoria de Cultura da Pro Reitoria de extensão e cultura. Também foi
submetido projeto para o Programa de apoio a projetos institucionais vinculado ao programa de
permanência estudantil do Serviço de apoio ao estudante da Unicamp (SAE), onde foram
contratados bolsistas do curso de Multimeios do Instituto de Artes da Unicamp.
As atividades dos bolsistas foram: trabalhar na elaboração de roteiros para os vídeos;
fotografar ou captar o material em vídeo; após a captação desse material, houve a edição dos vídeos
para o produto final.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Como resultados temos a produção de 2 vídeos principais que descrevem e apresentam os
prédios da Bibliotecas Central e suas áreas e a Biblioteca de Obras Raras, mais três vídeos curtos
que apresentam em formato de visita virtual as coleções – Sergio Buarque de Holanda, Fausto
Castilho e Cesar Lattes e mais duas exposições virtuais históricas e comemorativas. Esses vídeos
foram divulgados nos portais, redes sociais e canais do Youtube das Bibliotecas e imprensa de um
modo geral.
Apresentamos a seguir, os links de acesso aos vídeos elaborados no ano de 2020 e 2021,
com o apoio do Edital da Diretoria de Cultura da Pro reitoria de extensão da Unicamp:
Exposição Centenário de Clarice Lispector –
https://www.youtube.com/watch?v=FQGmbjI1qRQ

�Exposição Livros Censurados - https://www.youtube.com/watch?v=HIz9HPWjAlQ
Visita Virtual Coleção Sergio Buarque de Holanda
https://www.youtube.com/watch?v=I-jwhyuWEDQ
Visita Virtual Coleção Fausto Castilho
https://www.youtube.com/watch?v=f2gFDJEZ1Vk
Visita Virtual Espaço Cesar Lattes
https://www.youtube.com/watch?v=BXwifue7n0s
Visita Virtual Biblioteca Cesar Lattes
https://www.youtube.com/watch?v=ZwsfC052-_g
Visita Virtual Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho
https://www.youtube.com/watch?v=hGtqJsmgk8o

Figura 1: Exposição Livros Censurados e Centenário de Clarice Lispector - BORA

Figura 2: Imagem dos videos das visitas virtuais aos acervos

Figura 3: Imagem das visitas virtuais dos predios da Biblioteca Central e Biblioteca de Obras Raras

�4 CONCLUSÕES
De acordo com Silva (2015) pode-se dizer que o sucesso de uma ação cultural depende da
uma relação mútua entre a sociedade e equipe de mediadores, pois só o conhecimento partilhado e
posto em prática no conjunto, transforma-se em um novo conhecimento.
Nesse aspecto uma ação cultural, guarda uma dimensão educativa que pode ser expressa
pela frase de Paulo Freire (1983, p. 79): “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os
homens se educam entre si”. Temos obstáculo, mas acreditamos que cultura é a liberdade. E
acreditamos que trabalhando em parcerias, como é o caso das bibliotecas, e dos programas de
incentivo e Pró-reitorias da UNICAMP, com relação aos meios culturais, tem dado muito certo.
Avançar e incentivar atividades como essa são fundamentais e esperamos que sempre floresçam em
nossa Instituição e a missão das bibliotecas é dar continuidade a esses projetos.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14724: informação e
documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
BRITO, Jean Carlos Di Angelo. Conhecimento e prática do marketing estratégico: estudo com
os gestores das bibliotecas centrais universitárias federais da região sul do Brasil. 2010. Monografia
(Especialização em Gestão de Bibliotecas Universitárias) - Centro de Educação, Comunicação e
Artes, Departamento de Ciência da Informação,
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2010. p. 24-35. Disponível em:
http://eprints.rclis.org/bitstream/10760/14444/1/MONOJEAN2.PDF. Acesso em: 2 jul. 2021.
LUNCKES, Mariseti Cristina Soares. Os homens da ordem: uma nova polícia militar para os
sertões de Goiás - (1930-1964). In: ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA DA ANPUH, 15.,
2012, São Gonçalo, Rio de Janeiro. Anais eletrônicos [...]. São Gonçalo, Rio de Janeiro:
FFP/UERJ, 2012. Disponível em:
http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338428507_ARQUIVO_Oshomensdaor
dem.pdf. Acesso em: 2 jul. 2021.
MUDRAK, Ben. Escolhendo o tempo verbal correto para o seu artigo científico. In: Blog
American Journal Experts. Durham, c2019. Disponível em:
https://www.aje.com/br/arc/escolhendo-o-tempo-verbal-correto-para-o-seu-artigocient%C3%ADfico-guia-gratuito-para-baixar. Acesso em: 3 jul. 2019.
SILVA, Gracilete da. Ação cultural em bibliotecas: o caso da biblioteca pública de Niterói.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia). Universidade Federal
Fluminense, 215. Disponível em:
https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/2677/1/SILVA%2C%20Gracilete%20da.pdf. Acesso em 02 jul.
2021.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Visitas virtuais e exposições nas bibliotecas: construindio e viabilizando os espaços públicos de ultura e de aprendizagem em tempos de isolamento social.</text>
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                <text>Ferreira, Danielle Thiago, Lima, Gislaine Melo de, Teixeira, Mariana Pedroso, Marco, Michele Lebre de, Souza, Thatiane Soares de</text>
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                <text>A situação, gerada pela pandemia, que levou o mundo a decretar isolamento social, fez com que especificamente os espaços de cultura fechassem suas portas ao público. E com as Bibliotecas da Unicamp, não foi diferente. Neste sentido, o projeto visa transformar esses espaços em espaços acessíveis a própria comunidade da Unicamp e consequentemente a sociedade. O objetivo principal é criar visitas virtuais aos espaços físicos dessas Bibliotecas dando visibilidade às coleções e aos serviços disponibilizados por meio de vídeos instrutivos trabalhando com a proposta de divulgação institucional e organizar exposições virtuais, levando esses importantes acervos que são patrimônio público ao alcance da sociedade. Por meio de editais da Diretoria de Cultura da Unicamp foram contratados alunos/ bolsistas do curso de Multimeios, do Instituto de Artes da Unicamp. Como resultados temos a produção de 2 vídeos principais que descrevem e apresentam os prédios da Bibliotecas Central e suas áreas e a Biblioteca de Obras Raras, mais três vídeos curtos que apresentam em formato de visita virtual as coleções – Sergio Buarque de Holanda, Fausto Castilho e Cesar Lattes e mais duas exposições virtuais históricas e comemorativas. Esses vídeos foram divulgados nos portais, redes sociais e canais do Youtube das Bibliotecas e imprensa de um modo geral. Como conclusão temos, além da produção dos vídeos, a clareza de que essas ações, que transcendem o contato físico e se estendem para o virtual, são de extrema importância e é uma nova forma que torna conhecimentos, cultura e aprendizados visíveis a sociedade.</text>
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                    <text>Eixo 2- Prática
ACESSO À INFORMAÇÃO DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19 NA FIOCRUZ:
RELATO DE EXPERIÊNCIA DA CONCEPÇAO DO BOLETIM BIBLIOCOVID
INFORMATION ACCESS DURING COVID-19 PANDEMIC AT FIOCRUZ:
CASE REPORT OF THE CRIATION OF BIBLIOCOVID BULLETIN
Patrícia Carvalho Mendes1
Adriano da Silva2
Viviane Santos de Oliveira Veiga3
Gizele da Rocha Ribeiro4
Letícia Pinto Ramalho5
Resumo: Apresenta a metodologia para concepção do Boletim BiblioCovid, elaborado pela Rede de Bibliotecas da
Fiocruz, cujo objetivo é atender a demanda de informação provocada em face da pandemia de Covid-19. O projeto foi
proposto e realizado em parceria com os bibliotecários da Fiocruz com apoio do Centro Latino-Americano e do Caribe
de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) e da Direção da unidade. O lançamento do Boletim BiblioCovid foi
realizado a fim de evidenciar os impactos de sua implementação, identificados através da divulgação dos produtos e
serviços nas redes sociais e tendo alcance além do esperado, sendo inclusive divulgado por organizações que o
adicionaram em suas páginas na web. Os resultados obtidos com o alcance dos destaques publicados mostram o
desempenho positivo observado diante da ampla divulgação nas redes sociais, páginas institucionais e no repositório
Arca. Trata-se de uma iniciativa inovadora, posto que oferece um produto prático, dinâmico, na medida em que
apresenta informações relevantes para tomada de decisão, entendimento do cenário, prospecção e solução de problemas
diversos, como agrega valor e contribui para o acesso e a recuperação eficaz de informações, realização de pesquisas, e
a produção científica na área da saúde.
Palavras-chave: Pandemia. COVID-19. Bibliotecas. Infodemia. Informação em saúde.
Abstract: It presents the methodology for launching the BiblioCovid Bulletin, prepared by the Fiocruz Library
Network, whose objective is to meet the demand for information caused by the Covid-19 pandemic. The project was
proposed and carried out in partnership with Fiocruz's librarians with support from the Latin American and Caribbean
Center on Health Sciences Information (BIREME) and the unit's Management. The launch of the BiblioCovid Bulletin
was carried out in order to highlight the impacts of its implementation, identifying the dissemination of products and
services on social networks and having a reach beyond what was expected, being even disseminated by organizations
that have added it to their web pages. The results collected with the reach of the published highlights, the positive
performance observed from the wide dissemination in social networks, institutional pages and in the Arca repository.
This is an innovative initiative, as it offers a practical, dynamic product, as it presents relevant information for decision-

1

Mestre em Biblioteconomia. Coordenação Rede de Bibliotecas Fiocruz. patricia.mendes@icictfiocruz.br.
Doutor em Saúde Pública. Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli. adriano.silva.@fiocruz.br.
3
Doutora em Informação e Comunicação em Saúde. Coordenação da Rede de Bibliotecas Fiocruz.
viviane.veiga@icict.fiocruz.br.
4
Doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde IOC. Fiocruz. Bibliotecária da Biblioteca de Saúde Pública.ICICT.
Fiocruz. gizele.rocha@icict.fiocruz.br.
5
Graduanda em Conservação e Restauração. Coordenação da Rede de Bibliotecas Fiocruz.
leticia.ramalho@icict.fiocruz.br.
2

�making, understanding the scenario, prospecting and solving various problems, as it adds value and contributes to
access and effective information retrieval, conducting research, and scientific production in the health area.
Keywords: Pandemic. COVID-19. Libraries. Infodemic. Health Information

1 INTRODUÇÃO
Durante a pandemia da COVID-19, e das incertezas de uma doença nova, e altamente
contagiosa, percebeu-se nas bibliotecas da Fiocruz um aumento da demanda por informação. A
necessidade de oferecer visibilidade aos artigos atualizados, produzidos sobre a pandemia aos
pesquisadores, profissionais de saúde, professores e alunos interessados no tema tornou-se necessária
e urgente, dado o quadro de infodemia provocado pela crise sanitária (OPAS, 2020; UNESCO, 2020).
O acesso à informação de qualidade sobre os estudos mais recentes são os insumos necessários ao
desenvolvimento de pesquisas, na medida em que permite oferecer um maior entendimento sobre
aspectos até então desconhecidos como: diagnóstico, prevenção, transmissão, desenvolvimento de
vacinas etc.
Assim, o Boletim BiblioCovid foi desenvolvido por bibliotecários da Fiocruz sob a
coordenação da Rede de Bibliotecas que mediou o processo de planejamento, execução e realização
do projeto em colaboração com os integrantes das bibliotecas que a compõem, e que foram
convidados a participar. Após diversos debates houve consenso na elaboração de um boletim que
servisse como um produto prático, dinâmico e que pudesse apresentar informações relevantes para
tomada de decisão, entendimento do cenário, prospecção e solução de problemas diversos.
2 MÉTODO
A Coordenação da Rede de Bibliotecas da Fiocruz reuniu um grupo de bibliotecários a fim
de formar uma rede de referencistas para auxiliar no enfrentamento da desinformação e sobrecarga
informacional, emergentes da pandemia de Covid-19. Desde sua criação, tem sido o foco desta rede,
desde a compreensão das necessidades informacionais da comunidade científica da Fiocruz, até o
fornecimento de um conjunto de informações científicas, atualizadas no formato do boletim
BiblioCovid. As reuniões que precederam o início do trabalho, ocorreram no início de julho de
2020 com um grupo formado inicialmente, pela Coordenação da Rede de Bibliotecas da Fiocruz
junto com a colaboração de bibliotecários do Núcleo de Informação e Documentação Cecília
Minayo (NID/Claves/Fiocruz), Biblioteca de Saúde Pública (BIBSP/ICICT/Fiocruz) e da Biblioteca
de Ciências Biomédicas Eurydice Pires de Sant'Anna (Fiocruz Bahia). Com o desenho do escopo do

�projeto, observamos a necessidade de reunir um grupo maior de bibliotecários, uma vez que nosso
universo de pesquisa é amplo e diversificado.
Feitos os convites às bibliotecas integrantes, a equipe do boletim BiblioCovid passou a ser
composta por 19 bibliotecários, representantes da Coordenação da Rede de Bibliotecas Fiocruz e
das seguintes bibliotecas: (NID/Claves/Fiocruz), Fiocruz Bahia/BibIGM, (BIBSP/ICICT/Fiocruz),
Biblioteca do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco), Biblioteca de História
das Ciências e da Saúde (COC), Biblioteca do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e
Ecologia Humana, Biblioteca Emília Bustamante (EPSJV), Biblioteca Livre do Fórum Itaboraí
(Fiocruz Petrópolis), Biblioteca de Medicamentos e Fitomedicamentos (Farmanguinhos), Biblioteca
de Ciências da Saúde Professor Zigman Brener (Fiocruz Minas), Biblioteca do Instituto Nacional de
Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e Biblioteca da Coordenação de Gestão Tecnológica
(ENSP).
Uma das primeiras questões que surgiram, foi a necessidade de avaliar a experiência da
equipe no processo de elaboração de estratégias de busca bibliográfica em bases de dados,
importantes na produção do boletim. Identificamos assim, colegas mais experientes nestas
atividades, e outros que embora não possuíssem expertise, demonstraram grande interesse em
participar do grupo. Realizamos então quatro treinamentos, com foco na seleção e uso de fontes de
informação como metabuscadores, bases de dados bibliográficas, vocabulários controlados, seleção
de palavras-chave e descritores, e uso de operadores booleanos.
Em consonância com a avaliação das competências da equipe, foi identificada também a
necessidade de conhecer a comunidade acadêmica a quem se destina o boletim BiblioCovid, para
definir a quem, que, como, e de que forma o boletim seria estruturado. Elaborou-se então, com
auxílio do Google Forms, um questionário para avaliar a demanda de informação, e preferência de
formatos de entrega, que em seguida foi amplamente divulgado por e-mail a toda comunidade de
usuários, composta por pesquisadores, e alunos, no período de agosto de 2020 a janeiro de 2021. As
perguntas que compuseram o questionário foram formuladas com base em duas questões
norteadoras: Que tipo de informação o pesquisador da Fiocruz precisa para o enfrentamento da
Pandemia? e Como esta informação deve ser apresentada?
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

�Os resultados foram recebidos, tabulados e analisados pelo grupo, tornando possível
observar o universo de interesse dos usuários, sobre as temáticas relativas à COVID-19, e aspectos
relacionados à pandemia, conforme demonstrado na figura 1.
Figura 1 - Nuvem de palavras com as sugestões de temas enviados

Fonte: Os autores, 2021

A partir das primeiras respostas iniciou-se a elaboração do Boletim BiblioCovid composto
da seguinte forma, título, doi, resumo e referências bibliográficas em ABNT e os dez primeiros
artigos mais relevantes dos resultados das bases de dados utilizadas. Conforme ilustrado na Figura 2
seu primeiro exemplar foi lançado em agosto de 2020.
Figura 2: Primeira edição do Boletim BiblioCovid agosto 2020.

Fonte: ARCA – Repositório Institucional Fiocruz, 2020.

Até a presente data foram lançadas onze edições do Boletim BiblioCovid nos quais foram
discutidos os seguintes temas: COVID-19 e os profissionais de saúde: impactos na saúde física e
mental dos profissionais de saúde no enfrentamento da COVID-19, Serviços de saúde e pandemia
de COVID-19 no Brasil, Relações entre COVID-19 e doenças crônicas na população idosa,
Impactos da COVID-19 na população negra, Notícias falsas (fake news) e COVID-19, O SUS no
combate à Covid-19, COVID-19 e Suicídio, COVID-19 e Saúde da Mulher, População indígena e
Covid-19, Isolamento social e COVID-19 e COVID-19, Comorbidade e Fatores de Risco. A fim de

�dar sustentabilidade ao projeto, os bibliotecários se organizaram em duplas, geralmente formada por
um profissional mais experiente, e outro menos, para realizar estratégias.
Com intuito de preservar a memória institucional foi decidido em reunião que todos os
boletins seriam depositados no Arca - Repositório institucional da Fiocruz. Além disso, foi
acordado que o registro das estratégias utilizadas na elaboração do boletim será inserido no
Repositório de referências da Bireme (RefNET).
A divulgação dos boletins tem sido realizada nas redes sociais e páginas da internet, das
bibliotecas da Fiocruz, da Coordenação da Rede de Bibliotecas, o que tem permitido maior alcance
e visibilidade do boletim. O Boletim BiblioCovid tem sido mencionado em páginas de outras
instituições públicas e privadas como: RHS - Rede Humaniza SUS, Sociedade Brasileira para a
Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP), Associação Brasileira de Nutrição
(ASBRAN), Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul e Maranhão, Conselho
Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Conselho Federal de Enfermagem (COFEN),
Ministério da Comunicação e outros.
4 CONCLUSÕES
Os resultados obtidos com o alcance dos destaques publicados mostram o desempenho
positivo do produto conforme observado pela ampla divulgação nas redes sociais, páginas
institucionais e no repositório Arca. O lançamento do Boletim enquanto produto é uma iniciativa
inovadora, pois oferece informação revisada por pares de forma prática, dinâmica e permite que seu
uso possa levar informações relevantes, atualizadas para auxiliar a tomada de decisão, entendimento
do atual cenário da Covid, para estudos de prospecção e solicitação de problemas diversos. Agrega
valor e contribui para dinamizar o acesso e a recuperação eficaz de informações que façam a
diferença na realização de pesquisas científicas e para a produção do conhecimento na área da
saúde.
REFERÊNCIAS
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Folha informativa COVID-19 - Escritório da
OPAS e da Organização Mundial da Saúde no Brasil. 2020. Disponível em:
&lt;http://www.paho.org/pt/covid19&gt;. Acesso em 04 jul., 2021.
UNESCO. Stop COVID-19 disinformation at the root with media and information literacy. Paris, 7
maio, 2020.

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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Acesso à informação durante a pandemia da Covis-190 na FIOCRUZ: relato de experiência da concepção do Boletim BIBLIOCOVID</text>
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                <text>Mendes, Patrícia Carvalho, Silva, Adriano da, Veiga, Viviane Santos de Oliveira, Ribeiro, Gizele da Rocha, Ramalho, Letícia Pinto</text>
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                <text>Apresenta a metodologia para concepção do Boletim BiblioCovid, elaborado pela Rede de Bibliotecas da Fiocruz, cujo objetivo é atender a demanda de informação provocada em face da pandemia de Covid-19. O projeto foi proposto e realizado em parceria com os bibliotecários da Fiocruz com apoio do Centro Latino-mericano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) e da Direção da unidade. O lançamento do Boletim BiblioCovid foi realizado a fim de evidenciar os impactos de sua implementação, identificados através da divulgação dos produtos e serviços nas redes sociais e tendo alcance além do esperado, sendo inclusive divulgado por organizações que o adicionaram em suas páginas na web. Os resultados obtidos com o alcance dos destaques publicados mostram o desempenho positivo observado diante da ampla divulgação nas redes sociais, páginas institucionais e no repositório Arca. Trata-se de uma iniciativa inovadora, posto que oferece um produto prático, dinâmico, na medida em que apresenta informações relevantes para tomada de decisão, entendimento do cenário, prospecção e solução de problemas diversos, como agrega valor e contribui para o acesso e a recuperação eficaz de informações, realização de pesquisas, e a produção científica na área da saúde.</text>
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DESENHANDO UM PROJETO DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA

DESIGNING A HERITAGE EDUCATION PROJECT IN A UNIVERSITY LIBRARY
Rejane Maria Rosa Ribeiro1

Resumo: Apresenta a proposta da Biblioteca Central Julieta Carteado da Universidade Estadual de Feira de Santana de
criação de um Programa de Educação Patrimonial para Bibliotecas visando criar espaços de dialogo com a sociedade e
assim tornar publico e conhecido o patrimônio cultural da cidade a qual a biblioteca esta inserida. Para criar esses
espaços de dialogo a BCJC vai utilizar as ações culturais por ela desenvolvidas, permitindo que seus usuários conheçam
os bens culturais apresentados nessas ações e assim se apropriem de sua herança cultural. O Programa aspira ser um
referencial para que as bibliotecas transformem seus programas ou atividades de ação cultural em um programa de
educação patrimonial que evidencie e preserve o patrimônio cultural nacional ou local.
Palavras-chave: educação patrimonial. ação cultural. biblioteca universitaria.
Abstract: It presents the proposal of the Central Library Julieta Carteado of the State University of Feira de Santana to
create a Heritage Education Program for Libraries aiming to create spaces for dialogue with society and thus make
public and known the cultural heritage of the city in which the library is inserted . To create these spaces for dialogue,
BCJC will use the cultural actions developed by it, allowing its users to know the cultural goods presented in these
actions and thus appropriating their cultural heritage. The Program aspires to be a reference for libraries to transform
their cultural action programs or activities into a heritage education program that highlights and preserves national or
local cultural heritage.
Keywords: heritage education. cultural action. university library.

1 INTRODUÇÃO
De acordo com Palhares (2014, p.52) “Um dos lugares-comuns mais naturalizado é de que a
educação não se restringe à escola e que flui, de forma mais significativa, de experiências e
inserções na vida quotidiana, com maior ou menor grau de formalização.” O autor defende ainda
que “A educação não é só um ato intrinsecamente cultural, mas é também um processo de imersão

1

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Especialização em Instituições do Ensino Superior. Especialização em
Metodologia do Ensino Superior e Especialização em Gestão da Inovação Tecnológica. Mestranda em Desenho,
Cultura e Interatividade. Bibliotecária do SISBI-UEFS. rribeiro@uefs.br.

�nas dimensões expressivas da cultura e de construção de afinidades/disposições culturais múltiplas.”
(PALHARES, 2014, p. 57). Tomando como base as afirmações de Palhares podemos dizer que
além da escola que oferece uma educação formal, outros ambientes contribuem com a educação, a
exemplo das bibliotecas que disponibiliza aos seus usuários uma educação informal ou não formal.
E o que vem a ser a educação não formal? Para Garcia (2013, p. 474) “A definição de
educação não formal não está dada, ela está sendo criada, produzida e recriada.” A autora
argumenta que a educação não formal esta aberta a contribuições de varias áreas, para ela:
A educação não formal não é estática, é um campo aberto, que está em construção. É
composta de uma grande diversidade sendo um aspecto muito interessante para o campo
educacional, permitindo, além de contribuições de diversas áreas, a composição de
diferentes bagagens culturais. Por essas características, a educação não formal permite uma
certa irreverência ao lidar com aspectos do contexto educacional e com as relações que são
inerentes a esse contexto, favorecendo e possibilitando a criação. (GARCIA, 2013, p. 477)

Conforme o exposto, podemos concluir que as bibliotecas universitárias desenvolvem
atividades de educação formal e não formal através de ações culturais, cursos, treinamentos entre
outras. Dentre essas atividades, as ações culturais através das exposições artísticas, bazares,
apresentação de dança, peças teatrais, oficinas de desenho e pinturas etc., permitem que seus
usuários conheçam os bens culturais principalmente aqueles da região ao qual a biblioteca esta
inserida.
Assim a Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC) da Universidade Estadual de Feira de
Santana (UEFS) propõe um Desenho de Educação Patrimonial visando evidenciar a Biblioteca
Universitária como espaço de Educação Patrimonial. Como desenho segundo Isoda (2013, p.25)
[...] “é uma linguagem, uma técnica, mas é também, uma maneira de pensar, de ver, de entender,
de projetar, de idear, de executar, divagar, dialogar...” e que desenho é um processo cognitivo,
para ele (2013, p.45) “Cognição é o ato ou efeito de conhecer” e “Em suma, é a sapiência. Por
meio de processos cognitivos vemos e entendemos o mundo”. Desse modo para o autor:
O desenho nos permite perceber, atribuir e desvendar esses significados. E não só isso, mas
ajuda também a evidenciar e comunicar esses significados apreendidos. Usamos o desenho
tanto para entender quanto para transmitir o que entendemos. Seja pensando, seja rabiscando,
seja observando o mundo, seja vendo o desenho de todas as coisas que nos cercam. (p. 43)

Portanto o desenho de Educação Patrimonial proposto pela BCJC visa trabalhar o
patrimônio cultural da cidade de Feira de Santana, Bahia através das ações culturais desenvolvidas
pela biblioteca.

�2 MÉTODO

A Biblioteca Central da UEFS foi criada em 31 de maio de 1976 e desde sua criação
desenvolve atividades de ação cultural, segundo Coelho (1999, p.33) “[...] define-se a ação cultural
como o processo de criação ou organização das condições necessárias para que as pessoas e grupos
inventem seus próprios fins no universo da cultura.” Como publico a Biblioteca Central reunia toda
comunidade universitária e as ações culturais eram destinadas a esse publico ate a segunda metade
da década de 1980 onde contando com a divulgação pelos meios de comunicação os eventos
ganharam a atenção do publico externo a UEFS.
Em 45 anos disponibilizando entre seus serviços atividades culturais com o intuito de
cumprir com seu papel de promover e difundir a cultura, a BCJC nunca criou um programa formal
de Educação Patrimonial. Um programa desse porte visa situar o sujeito no mundo através de sua
cultura, da valorização do seu espaço, da sua cidade, resgatando a memória e assim conferindo ao
publico envolvido o sentimento de pertencimento do espaço em que habita.
A metodologia adotada para realização do trabalho é o estudo descritivo qualitativo.
Inicialmente foi realizada uma revisão de literatura para compreensão acerca do tema pesquisado,
depois foi realizado um levantamento das atividades culturais que a BCJC desenvolveu no período
de 2010 a 2020, para avaliar quais dessas atividades podem ser utilizadas no programa, também foi
realizada uma pesquisa bibliográfica sobre os bens culturais (materiais e imateriais) da cidade de
Feira de Santana e esta sendo construído um questionário para ser aplicado com o staff da BCJC
com questões abertas relativas a patrimônio cultural.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O desenho da Educação Patrimonial para bibliotecas universitárias esta em construção,
contudo espera-se que sirva como referencial para que as bibliotecas transformem seus programas
ou atividades de ação cultural em um programa de educação patrimonial que evidencie e preserve o
patrimônio cultural nacional ou local. De acordo com Grunberg (2007, p.4) patrimônio cultural
São todas as manifestações e expressões que a sociedade e os homens criam e que, ao longo
dos anos, vão se acumulando com as das gerações anteriores. Cada geração as recebe, usufrui
delas e as modifica de acordo com sua própria historia e necessidades. Cada geração dá a sua
contribuição, preservando ou esquecendo essa herança.

�A autora afirma também que
Patrimônio Cultural não são somente aqueles bens que se herdam dos nossos antepassados.
São também os que se produzem no presente como expressão de cada geração, nosso
“Patrimônio Vivo”: artesanatos, utilização de plantas como alimentos e remédios, formas de
trabalhar, plantar, cultivar e colher, pescar, construir moradias, meios de transporte, culinária,
folguedos, expressões artísticas e religiosas, jogos etc. (GRUNBERG, 2007, p.4)

Um programa de educação patrimonial vai contribuir para que as tradições culturais não
sejam esquecidas e que as novas gerações sintam orgulho de sua historia e cultura.

4 CONCLUSÕES

O Programa de educação patrimonial proposta para Biblioteca Central Julieta, visa criar
espaços de dialogo com a sociedade e assim tornar publico e conhecido o patrimônio cultural da
cidade de Feira de Santana, patrimônio este, desconhecido ou esquecido, devido supostamente, pelo
que, segundo Pesavento (1995, p.284-5), [...] “se poderia chamar uma "pasteurização" ou
uniformidade do urbano no pior dos sentidos: a destruição da memória, a substituição do "velho"
pelo novo, a uniformização das construções e a generalização do caráter de impessoalidade ao
contexto urbano.”
Para criar esses espaços de dialogo a BCJC vai utilizar as ações culturais por ela
desenvolvidas, permitindo que seus usuários conheçam os bens culturais apresentados nessas ações
e assim se apropriem de sua herança cultural.
REFERÊNCIAS
COELHO, Teixeira. Dicionário crítico de política cultural: cultura e imaginário. 2. ed. São Paulo:
Iluminuras, 1999.
GARCIA, Valéria Aroeira. Educação não formal: Autonomia e campo conceitual. In: PALHARES,
José Augusto; AFONSO, Almerindo Janela (Orgs.). O não-formal e o informacional em educação:
centralidades e periferias. Braga: CIEd, 2013. 3v. Disponível em:
http://www.spce.org.pt/PDF/AtasICICSE_IIIESE_Vol-I.pdf. Acesso em 16 nov. 2020.
GRUNBERG, Evelina. Manual de atividades práticas de educação patrimonial. Brasília, DF:
IPHAN, 2007. Disponível em:
http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/EduPat_ManualAtividadesPraticas_m.pdf. Acesso
em: 02 jul. 2021.

�ISODA, Gil Tokio de Tani e. Sobre desenho: estudo teórico-visual. 2013. Dissertação (Mestrado
em Design e Arquitetura) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São
Paulo, 2013. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16134/tde-12082013100125/publico/sobredesenho_giltokio.pdf. Acesso em: 04 jun. 2021.
PALHARES, J. A. Centralidades e periferias nos quotidianos escolares e não escolares de jovens
distinguidos na escola pública. Investigar em Educação, vol., n.1, 2014. Disponível em:
http://pages.ie.uminho.pt/inved/index.php/ie/article/view/5. Acesso em 09 jun. 2021.
PESAVENTO, Sandra jataby. Muito alem do espaço: por uma história cultural do urbano. Estudos
Históricos. Rio de Janeiro, v. 8, n. 16, p. 279-290, 1995. Disponível em:
https://drive.google.com/drive/folders/1mVvOZ8rYQd-qBkz2jYVxNQtJYC-fIOkF. Acesso em 14
jun. 2021.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Biblioteconomia&#13;
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta a proposta da Biblioteca Central Julieta Carteado da Universidade Estadual de Feira de Santana de criação de um Programa de Educação Patrimonial para Bibliotecas visando criar espaços de dialogo com a sociedade e assim tornar publico e conhecido o patrimônio cultural da cidade a qual a biblioteca esta inserida. Para criar esses espaços de dialogo a BCJC vai utilizar as ações culturais por ela desenvolvidas, permitindo que seus usuários conheçam os bens culturais apresentados nessas ações e assim se apropriem de sua herança cultural. O Programa aspira ser um referencial para que as bibliotecas transformem seus programas ou atividades de ação cultural em um programa de educação patrimonial que evidencie e preserve o patrimônio cultural nacional ou local.</text>
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                    <text>Tradição
USO E NÍVEL DE COMPREENSÃO SOBRE AS BASES DE DADOS ELETRÔNICAS EM
SAÚDE
USE AND LEVEL OF UNDERSTANDING ABOUT ELECTRONIC DATABASES IN HEALTH
Nilton César Mendes Pereira1
Marcelo de Oliveira Lima2
Nathalia Santos Serrão de Castro2
Resumo: Objetivo: Realizar o diagnóstico sobre o uso e o nível de compreensão de discentes e docentes de programas
de pós-graduação quanto as bases de dados eletrônicas em saúde. Foi desenvolvido um instrumento através da
plataforma Google forms contendo perguntas fechadas e um link de acesso foi enviado ao público-alvo. Resultados: 128
indivíduos responderam ao questionário online. Desses 69,5% eram discentes e 30,5% docentes. A maioria reportou já
ter utilizado o Scielo, PubMed e Lilacs. Quanto ao sistema terminológico, a maioria informou que não utiliza nenhum
sistema (Decs ou Mesh) durante as buscas. Uma parcela considerável (33,6%) reportou desconhecer o que seriam os
operadores Booleanos e o mesmo quantitativo informou que não utiliza nenhum organizador de citações e referências.
60,2% dos usuários reportaram que levam em consideração a quantidade de conteúdo que a base bibliográfica dispõe.
Quando foi questionado qual o grau de concordância com a afirmação “O Medline é o componente primário do
Pubmed", 52,3% dos respondentes ficaram indecisos com essa afirmativa. Quando questionados qual seria o grau de
conhecimento do usuário sobre as bases bibliográficas eletrônicas, 39,8% responderam que nem estão satisfeitos nem
insatisfeitos. 75% dos respondentes gostariam de receber algum treinamento sobre o tema. Conclusão: o presente
estudo identificou que discentes e docentes de programas de pós-graduaçao no Brasil fazem uso de bases eletrônicas
em saúde, porém apresentam limitações. Acredita-se que é importante discutir e desenvolver estratégias educacionais
voltadas para a melhor compreensão do usuário que permitam potencializar o uso pelos usuários das bases
eletrônicas em saúde.

Palavras-chave Disseminação de informação. Base de dados. Estudantes. Docentes.
Abstract: Objective: To perform the diagnostic about the use and level of understanding of students and professors of
graduate programs about electronic databases in health. An instrument was developed through the Google Forms
platform containing closed questions and an access link was sent to the target audience. Results: 128 answered the
online survey. 69.5% were students and 30.5% were professors. Most of them reported having used Scielo, PubMed and
Lilacs. Regarding the terminological system, most of them do not use any system (Decs or Mesh) during their searches.
A prominent portion (33.6%) reported not knowing what Boolean is and the same number informed that does not use
any citation and reference manager. 60.2% of users reported that they consider the amount of content available in the
bibliographic database. When asked what the degree of agreement with a statement "Medline is the primary component
of Pubmed", 52.3% of respondents were undecided with this statement. When asked what the user’s level of knowledge
about electronic bibliographic databases would be, 39.8% responded that they are neither incurring nor dissatisfied.
75% of respondents would like to receive some training on the subject. Conclusion: the present study identified that
students and professors of postgraduate programs in Brazil make use of electronic health databases, but they have
limitations. It is believed that it is important to discuss and develop educational strategies aimed at a better
understanding of the user that enhances the use by users of electronic databases in health.

1

Mestrando. Discente Programa de Pós-graduação em Epidemiologia e Vigilância em Saúde – Instituto Evandro
Chagas. niltonper@gmail.com
2
PhD. Docente Programa de Pós-graduação em Epidemiologia e Vigilância em Saúde – Instituto Evandro Chagas

�Keywords: Dissemination of information. Data base. Students. Teachers.

1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, as ferramentas para o uso da informação científica sofreram constantes
mudanças em virtude da melhoria dos recursos associados à informática, internet e sistemas de
informação. Essas mudanças transitaram gradualmente, de um modo puramente impresso para outro
altamente eletrônico. A demanda do usuário por periódicos eletrônicos inclusive demandou esforço
substancial por parte das editoras para converter o que antes era somente impresso para um formato
digital, o que trouxe um enorme benefício para os autores e leitores (JOHNSON; LUTHER, 2007).
Desse modo, as bases de dados surgem como um item considerado indispensável para os
cientistas em todo o mundo, principalmente àqueles ligados à áreas como as Ciências da Vida e da
Saúde e Ciências em geral (BAR-ILAN; PERITZ; WOLMAN, 2003; VIBERT et al., 2007).
O pesquisador precisa ter conhecimentos e habilidades quanto ao uso das bases de dados a
serem utilizadas no decorrer da pesquisa, caso contrário sua estratégia de busca não terá resultado
satisfatório. (TAVARES et al., 2014; LATORRACA et al. 2019).
O parâmetro para saber se uma base de dados é eficaz pode ser mensurado pelos indicadores
de qualidades disponíveis nas descrições das bases de dados tais como: atualização, abrangência,
alcance, cobertura por área do conhecimento, cobertura temporal, cobertura por formato (livros,
artigos), estrutura (texto completo, resumo), sistemas terminológicos, idioma, custo, portanto, esses
indicadores constituem instrumentos necessários quanto a utilização adequada das bases de dados.
(OLIVEIRA; ALMEIDA; SOUZA, 2015; XIA; WRIGHT; ADAMS, 2008).
O presente estudo tem como proposta realizar um diagnóstico sobre o uso e o nível de
compreensão de discentes e docentes de programas de pós-graduação sobre as bases de dados
eletrônicas. A partir desse estudo, espera-se discutir estratégias e alternativas metodológicas
educacionais que auxiliem o usuário quanto ao uso das bases eletrônicas de dados em saúde.

2 MÉTODO
Trata-se de um estudo de natureza exploratória e descritiva, uma vez que foi realizada a
coleta e análise de dados sobre o uso e o nível de compreensão sobre bases de dados em saúde pelos
discentes e docentes de pós-graduação no Brasil em Ciências da Vida e da Saúde.
Foi desenvolvido um instrumento a partir da plataforma Google forms. O instrumento foi
constituído de perguntas fechadas de múltipla escolha. Um link de acesso foi gerado pela

�plataforma e este foi enviado aos discentes e docentes por e-mail. A pesquisa foi realizada em
junho de 2021.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
128 indivíduos responderam ao questionário online. Desses 89 (69,5%) eram discentes e 39
(30,5%) docentes. Quanto as instituições de origem desses indivíduos, houve a participação de
programas de pós-graduação lotados nos Estados de São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Sul, Sergipe, Santa Catarina, Bahia e Maranhão.
Quanto as bases bibliográficas eletrônicas já utilizadas pelos usuários, 98,4% já utilizaram
Scielo, 94,5% o Pubmed, 74,2% a Lilacs, 64,8% o Medline, 45,3% o PubMed Central, 21,1% o
Paho, 2,3% o Pré-MedLine, 1,6% o MedCaribe, 0,8% o Wholis e 0,8% o OldMedline. Importante
informar que o usuário poderia marcar mais de uma resposta à esta pergunta.
Quanto ao sistema terminológico utilizado, 46,1% informaram que não utilizam nenhum
sistema terminológico, 37,5% utilizam o Decs e 16,4% utilizam o Mesh. Esse dado corrobora com
outros estudos que também identificaram a falta de uso dos sistemas terminológicos pelos usuários.
Estudos mostraram que a maioria dos termos empregados nas palavras chaves de artigos científicos
(56,3%) não estão de acordo com a listagem do DeCS e do MeSH. Infelizmente isso representa a
falta de prática de autores em pesquisar nas bases de dados especificas (BRANDAU; MONTEIRO;
BRAILE, 2005), ou a falta de conhecimento sobre a importância desses sistemas.
Quanto aos operadores Booleanos, 52,3% informaram que utilizam esses operadores durante
as buscas nas bases de dados eletrônicas, 33,6% informaram desconhecer o que seriam os
operadores Booleanos e 14,1% informaram que não fazem uso desse recurso.
Foi questionado se o usuário leva em consideração a quantidade de conteúdo que a base
bibliográfica dispõe. 60,2% informaram sim, pois conhecem a quantidade de conteúdo das bases
bibliográficas. 39,8% informaram não, pois desconhecem a quantidade de conteúdo das bases
bibliográficas e, portanto, usam as bases bibliográficas de maior preferência. Percebe-se, portanto,
que um quantitativo considerável (39,8%) desconhecem o quantitativo de cada uma das bases de
dados. Em decorrência do volume crescente de informações disponibilizadas pela Internet, tanto no
contexto acadêmico como no profissional os indivíduos devem possuir critérios para avaliar a
informação recuperada pela rede (GOMES; DUMONT, 2015). Portanto saber selecionar e avaliar a
qualidade das fontes de informação está relacionado à competência dos indivíduos para usar e,
consequentemente, incorporar a nova informação ao conhecimento existente.

�Quando foi questionado qual o grau de concordância com a afirmação “O Medline é o
componente primário do Pubmed", 52,3% ficaram indecisos, 35,9% concordaram, 6,3%
discordaram e 5,5% concordaram fortemente.
Quanto aos recursos eletrônicos utilizados para organizar citações e referências, 43,8%
responderam que utilizam o Mendeley, 33,6% não utilizam nenhum recurso eletrônico, 23,4% o
utilizam EndNote, 9,4% o Zotero e 0,8% o Reference Manager.
Quando questionados qual seria o grau de conhecimento do usuário sobre as bases
bibliográficas eletrônicas, 39,8% responderam que nem estão satisfeitos nem insatisfeitos, 38,3%
informaram que estão satisfeitos, 14,8% informaram que estão insatisfeitos, 4,7% informaram que
estão totalmente satisfeitos e 2,3% informaram que estão totalmente insatisfeito com seu grau de
conhecimento. Observa-se, portanto, que a percepção do usuário quanto ao seu próprio grau de
conhecimento é limitada.
Foi questionado se os usuários teriam interesse em receber treinamento sobre o uso das
bases bibliográficas eletrônicas, 75% responderam que sim, tem interesse. 21,9% responderam
talvez e 3,1% responderam não, não tem interesse. O presente resultado revela uma demanda,
potencialmente reprimida, por ações voltadas à educação sobre as bases eletrônicas em saúde.

4 CONCLUSÕES
O presente estudo identificou que as bases de dados eletrônicas em saúde são amplamente
utilizadas por discentes e docentes de programas de pós-graduação em Ciências da Vida e da Saúde
no Brasil. Porém esse uso é limitado uma vez que uma parcela significativa dos usuários não
utilizada indicadores de qualidade importantes como os sistemas terminológicos. É possível
concluir também que uma parcela considerável dos usuários reportou desconhecimento do que
seriam os operadores Booleanos e a falta de uso de organizadores de citações e referências (como
Mendeley e EndNote, por exemplo). Conclui-se que, apesar de amplo uso das bases eletrônicas em
saúde pelos discentes e docentes de pós-graduação, há pouco conhecimento destes quanto os
recursos que estas as bases dispõem. A partir desse diagnóstico serão delineadas estratégias
educacionais para esse público em questão.

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scientific articles. Brazilian Journal Cardiovascular Surgery, v. 20, n. 1, p. 7-9, 2005.
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Pereira, Nilton César Mendes, Lima, Marcelo de Oliveira, Castro, Nathalia Santos Serrão de</text>
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                <text>Objetivo: Realizar o diagnóstico sobre o uso e o nível de compreensão de discentes e docentes de programas de pós-graduação quanto as bases de dados eletrônicas em saúde. Foi desenvolvido um instrumento através da plataforma Google forms contendo perguntas fechadas e um link de acesso foi enviado ao público-alvo. Resultados: 128 indivíduos responderam ao questionário online. Desses 69,5% eram discentes e 30,5% docentes. A maioria reportou já ter utilizado o Scielo, PubMed e Lilacs. Quanto ao sistema terminológico, a maioria informou que não utiliza nenhum sistema (Decs ou Mesh) durante as buscas. Uma parcela considerável (33,6%) reportou desconhecer o que seriam os operadores Booleanos e o mesmo quantitativo informou que não utiliza nenhum organizador de citações e referências. 60,2% dos usuários reportaram que levam em consideração a quantidade de conteúdo que a base bibliográfica dispõe. Quando foi questionado qual o grau de concordância com a afirmação “O Medline é o componente primário do Pubmed", 52,3% dos respondentes ficaram indecisos com essa afirmativa. Quando questionados qual seria o grau de conhecimento do usuário sobre as bases bibliográficas eletrônicas, 39,8% responderam que nem estão satisfeitos nem insatisfeitos. 75% dos respondentes gostariam de receber algum treinamento sobre o tema. Conclusão: o presente estudo identificou que discentes e docentes de programas de pós-graduaçao no Brasil fazem uso de bases eletrônicas em saúde, porém apresentam limitações. Acredita-se que é importante discutir e desenvolver estratégias educacionais voltadas para a melhor compreensão do usuário que permitam potencializar o uso pelos usuários das bases eletrônicas em saúde.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
MASSIVE OPEN ONLINE COURSE (MOOC) COMO RECURSO PARA FORMAÇÃO EM
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ESTUDO DE CASO EM PORTUGAL
ONLINE OPEN MASSIVE COURSE (MOOC) AS A RESOURCE FOR TRAINING IN UNIVERSITY
LIBRARY: CASE STUDY IN PORTUGAL
Autor 11 Vivaldo Cordeiro Gonçalves

Resumo: O relato diz respeito a um estudo de caso realizado na Universidade do Minho, Portugal,
em 2019, Refere-se à produção e uso de Massive Open Online Courses, conhecidos como Mooc,
pela Biblioteca do Instituto Politécnico de Leiria em Portugal. Apresenta-se inicialmente uma
investigação sobre temas adjacentes, tal como a Educação a Distância no Brasil e em Portugal,
conceito e principais características da Ead, cenário atual e perspectivas futuras. São abordados
temas como a aprendizagem autônoma e o movimento dos cursos massivos no Brasil e em Portugal,
bem como aplicações, plataformas e iniciativas voltadas aos cursos. Reflete sobre cursos massivos
online e os novos desafios dos bibliotecários em favor das formações e alfabetização informacional.
O estudo incluiu visitas à biblioteca central do politécnico, bem como a aplicação de um
questionário para a equipe responsável pela preparação e oferta de formações na plataforma
desenvolvida pelo Instituto para ofertar os seus cursos. Foi realizada uma breve apresentação da
plataforma, bem como uma análise sucinta da avaliação de uma das formações produzidas e
ofertadas pela referida biblioteca. O questionário cobre tópicos relacionados aos motivos,
planejamento, dificuldades enfrentadas e benefícios obtidos. Após análise do cenário, questionário e
plataforma, constatou-se que a iniciativa logrou êxito, pois houve maior visibilidade na comunidade
interna e externa, diminuição de custos de recursos físicos e humanos, ampliou seus serviços para
além do seu espaço físico e fomentou uma sinergia entre os funcionários para uma atuação
multidisciplinar entre os setores envolvidos.
Palavras-chave: Educação a distância. MOOC. Tecnologias educativas. Formação em biblioteca.
Inovações.
Abstract: The report concerns a case study carried out at the University of Minho, Portugal, in
2019. It refers to the production and use of Massive Open Online Courses, known as Mooc, by the
Polytechnic Institute of Leiria Library in Portugal. Initially, an investigation is presented on
adjacent themes, such as Distance Education in Brazil and Portugal, concept and main
characteristics of Ead, current scenario and future perspectives. Topics such as autonomous learning
and the movement of massive courses in Brazil and Portugal are addressed, as well as applications,
platforms and initiatives aimed at courses. It reflects on massive online courses and the new
challenges for librarians in favor of training and information literacy. The study included visits to
the polytechnic's central library, as well as the application of a questionnaire to the team responsible
for preparing and offering training on the platform developed by the Institute to offer its courses.
1

Mestre em Ciências da Educação. Instituto Federal do Paraná –IFPR . vivaldo.cordeiro@ifpr.edu.br.

�A brief presentation of the platform was made, as well as a succinct analysis of the evaluation of
one of the formations produced and offered by that library. The questionnaire covers topics related
to motives, planning, difficulties faced and benefits obtained. After analyzing the scenario,
questionnaire and platform, it was found that the initiative was successful, as there was greater
visibility in the internal and external community, reduced costs of physical and human resources,
expanded its services beyond its physical space and fostered synergy between employees for a
multidisciplinary action between the sectors involved.

Keywords: Distance education. MOOC. Educational technologies. Library training. Innovations.

INTRODUÇÃO
Com o uso intensivo das novas tecnologias em todos os contextos e relações pessoais, o que
traz uma efetiva facilidade de acesso a uma massiva quantidade de informações, tornou-se comum
experienciar a sensação de obter conhecimentos de maneira instantânea. Nesse contexto, o papel
das bibliotecas e dos bibliotecários é o de se ajustar às diversas mudanças que vem ocorrendo e,
sobretudo, manterem-se em dia com as contínuas inovações que visam proporcionar melhores
serviços para os seus usuários. A tecnologia proporcionou um maior alcance de aprendizagem pela
educação a distancia e por conseguinte os cursos massivos, chamdos de MOOC, termo
originalmente cunhado em 2008, por Stephen Downes, pesquisador sênior da National Research
Council Canada, e por George Siemens, educador e pesquisador da Universidade de Athabasca, do
Canadá. Segundo Oliveira e Gomes (2013), no entanto,só a partir de 2011 os MOOC passariam a
ganhar popularidade, tornando-se possível explicar a sua rápida expansão em razão de fatores
como:
a) os cursos são abertos, o que implica em uma ampla flexibilidade para acessá-los;
b) Experimentar um curso, de modo a ter certeza se ele corresponde às suas expectativas;
c) Em geral eles são ofertados de forma gratuita;
Sob o olhar do tema de pesquisa ora apresentado, o MOOC pode representar um interessante
desafio às Bibliotecas Universitárias (BU). Nesse aspecto, Alman e Jumba (2017) destacam a
urgência do profissional bibliotecário atuarem em diferentes atribuições em torno da missão de
produzir e gerenciar MOOC, tais como:
a) Produção e oferta de MOOC

�b) Consultoria para a produção de MOOC
c) Consultoria em direitos autorais
d) Design instructional
e) Serviços de apoio aos alunos

Vianna (2018), em pesquisa relacionada a esse tema, reitera que os bibliotecários devem criar,
promover e, mesmo, assumir a liderança de programas voltados ao desenvolvimento das
competências informacionais de suas comunidades acadêmicas. Uma segunda categoria de
formações MOOC possivelmente viabilizadas pelos bibliotecários pode ter como foco cursos que
atendam a necessidade de minimizar a questão do analfabetismo funcional.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta pesquisa teve natureza qualitativa e como principal estratégia utilizada, optou-se pelo estudo de
caso. De acordo com Yin (2010), estudos de caso são aplicados quando o problema apresenta
questões do tipo “como” e “por que”, em circunstâncias em que o pesquisador tem pouco ou
nenhum controle sobre os eventos pesquisados. Esse método também é mais adequado para
investigar questões que se inserem em algum contexto da vida real. A pesquisa também é
caracterizada como exploratória-descritiva
APRESENTAÇÃOE DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Para introduzir e dar sustentação ao estudo de caso, optou-se por realizar uma breve apresentação da
plataforma UP2U2, desenvolvida pelo Politécnico de Leiria para ofertar os seus MOOC, bem como
considerou-se pertinente realizar uma análise da avaliação de um dos cursos produzidos e ofertados
pela BU da instituição.
Como parte do estudo de caso proposto nesta pesquisa, foi avaliado o MOOC intitulado “E-books
no Ensino Superior: outra forma de estudar”, produzido e ofertado pela biblioteca do Politécnico de
Leiria em 2014. Acarga horária prevista para esse curso era de 5 horas semanais.Além de 93 alunos
da própria IES, o cursorecebeu 184 inscrições externas provenientes de diferentes localizações

2

Disponível em: https://up2u.ipleiria.pt/

�geográficas: 16 do distrito de Leiria, 50 de outras localidades e 17 não informaram. Houve também
a participação de estudantes de outros países: 6 do Brasil, 1 da Holanda e 1 da Colômbia.
Sob a responsabilidade do setor de Serviços de Documentação do Politécnico de Leiria, o referido
curso foi avaliado por 51 de seus estudantes, cujos resultados podem ser sintetizado do seguinte
modo:
a) os objetivos esperados com o curso foram alcançados de modo satisfatório para 92% dos
respondentes;
b) 94% dos respondentes consideraram que o curso, de um modo geral, atendeu às suas
expectativas;
c) 90% dos participantes recomendaria o curso para outras pessoas.
Para compreender como a biblioteca do Politécnico de Leiria produziu o curso MOOC, foi aplicado
um questionário para cinco profissionais que encontravam-se diretamente envolvidos com a
produção dos MOOC “E-books nas Bibliotecas de ensino superior” e “Direitos de Autor e
Repositórios Institucionais”. A seguir apresenta-se a análise dos resultados obtidos.
a) Característica dos respondentes: 2 bibliotecárias, 1 designer multimédia, 1 designer instructional
e 1 técnico em informática.
b) Motivaçõesa: A oportunidade de contribuir com letramento informacional
c) A principal dificuldade apontada foi a falta de tempo exclusivo para levar as formações a efeito.
f) Visibilidade proporcionado, pois atinge um público que está além dos muros da instituição.
h) Contribuir com a formação dos estudantes, o que, ocorrendo de outro modo, implicaria em mais
tempo e custos mais elevados para levar as formações até os estudantes.
i) As desvantagens apontadas pelos respondentens são as mesmas tradicionalmente atribuídas ao
EAD, tais como menor interação, desinteresse, etc.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo ora apresentado demonstra que a perspectiva em torno de Bibliotecas Universitárias (BU)
produzirem e ofertarem MOOC em favor da comunidade acadêmica e da sociedade em geral é

�bastante positiva. O estudo reafirma e justifica a pertinência (e urgência) dos profissionais da
informação, em especial os bibliotecários, empreenderem esforços em torno da criação e oferta de
cursos MOOC e, desse modo, ampliarem de modo significativo a sua atuação em favor da
instituição onde atuam, da sua comunidade acadêmica e da sociedade em geral, sobretudo ao
favorecerem os estudantes com a aquisição de conteúdos relacionados à lida com a informação ou,
especificamente, de fortalecer o letramento informacional. Sob essa perspectiva, percebe-se que a
possibilidade de bibliotecários criarem e disponibilizarem cursos MOOC a partir da unidade de
informação onde atuam representaria uma contribuição deveras bem-vinda, senão necessária, às
tantas pessoas ainda carente de dominar competências tais como localizar, produzir e usar
informação de qualidade de maneira criteriosa. Em especial, fica claro que para que uma BU venha
a empreender realizações tais como a ora investigada, tal se tornará mais facilmente viável se a
unidade de informação contar com um departamento ou unidade na instituição cujo papel seja,
especificamente, o de produzir e ofertar cursos em formato MOOC. Considera-se, para concluir,
que a experiência prática ora relatada representa uma valiosa contribuição enquanto subsídios
factuais que inspiram e podem ser replicados.

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Biblioteconomia&#13;
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Massive open Online Course (MOOC) como recurso para formação em Biblioteca Universitária: estudo de caso em Portugal.</text>
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                <text>O relato diz respeito a um estudo de caso realizado na Universidade do Minho, Portugal, em 2019, Refere-se à produção e uso de Massive Open Online Courses, conhecidos como Mooc, pela Biblioteca do Instituto Politécnico de Leiria em Portugal. Apresenta-se inicialmente uma investigação sobre temas adjacentes, tal como a Educação a Distância no Brasil e em Portugal, conceito e principais características da Ead, cenário atual e perspectivas futuras. São abordados temas como a aprendizagem autônoma e o movimento dos cursos massivos no Brasil e em Portugal, bem como aplicações, plataformas e iniciativas voltadas aos cursos. Reflete sobre cursos massivos online e os novos desafios dos bibliotecários em favor das formações e alfabetização informacional. O estudo incluiu visitas à biblioteca central do politécnico, bem como a aplicação de um questionário para a equipe responsável pela preparação e oferta de formações na plataforma desenvolvida pelo Instituto para ofertar os seus cursos. Foi realizada uma breve apresentação da plataforma, bem como uma análise sucinta da avaliação de uma das formações produzidas e ofertadas pela referida biblioteca. O questionário cobre tópicos relacionados aos motivos, planejamento, dificuldades enfrentadas e benefícios obtidos. Após análise do cenário, questionário e plataforma, constatou-se que a iniciativa logrou êxito, pois houve maior visibilidade na comunidade interna e externa, diminuição de custos de recursos físicos e humanos, ampliou seus serviços para além do seu espaço físico e fomentou uma sinergia entre os funcionários para uma atuação multidisciplinar entre os setores envolvidos.</text>
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                    <text>Eixo 2- Práticas
MOVIMENTO DAS BIBLIOTECAS VERDES NO MUNICÍPIO DE PARAGOMINAS (PA)
THE GREEN LIBRARIES’ MOVEMENT IN THE PARAGOMINAS CITY (PA/BRAZIL)
Ana Larissa Freitas Silva1
Carla Daniella Teixeira Girard2
Cristiane Marina Teixeira Girard3
Gilma da Silva Pereira Rocha4
Sérgio Rodrigues de Santana 5
Resumo: O movimento das Bibliotecas Verdes vem se tornando crescente nos últimos anos, por isto, suas iniciativas vêm
motivando diversos tipos de bibliotecas, tais como as Bibliotecas Universitárias, que a partir de práticas de extensão vêm
inserindo a perpetuação de iniciativas para outros tipos de bibliotecas, tais como as Bibliotecas Escolares. Portanto, a
pesquisa é uma iniciativa de um projeto da Biblioteca Douglas Vale da Universidade Federal Rural da Amazônia, no
Campus de Paragominas, intitulado “Ecologia da informação: um estudo sobre as políticas públicas das Bibliotecas Verdes
nas Escolas de Paragominas (PA)”, visando o mapeamento de Bibliotecas Escolares que fomentem a Educação Ambiental,
por isto, foi realizada através da aplicação de questionários em quatro Bibliotecas Escolares do município de Paragominas,
no estado do Pará, com o intuito de mostrar a realidade das locais das mesmas, tendo um público de mais de 3.300 alunos
fazendo uso desses espaços com idades entre 06 e 14 anos, a pesquisa vem abrangendo infraestrutura, conscientização e
práticas ambientais. Buscando conhecer o trabalhado realizado por estas bibliotecas, a aplicação de diretrizes voltadas para
as atividades desenvolvidas pelas Bibliotecas Verdes no município e como essas mudanças afetam os estudantes daquela
localidade. Os resultados obtidos nos mostram que ainda faltam estrutura e investimento nesses locais, e que o contato
desses alunos com práticas ambientais vem a partir dos professores e dos bibliotecários responsáveis, por meio de
palestras, oficinas e conscientização dos alunos por meio de atividades lúdicas que os motivam a querer saber mais a
respeito do assunto.
Palavras-chave: Bibliotecas verdes. Biblioteca Universitária. Bibliotecas Escolares. Educação Ambiental.
Sustentabilidade.
Abstract: The Green Libraries’ movement has been growing in last years and from the extension practices have been
inserting the perpetuation of initiatives for other types of libraries, for exemple, the School Libraries. Therefore, this
research is an initiative from the Douglas Vale Library at the Federal Rural University of Amazônia state/Brazil, on
the Paragominas Campus, entitled "Information Ecology: a study on public policies for Green Libraries in the Schools
of Paragominas (PA)", aiming the mapping of School Libraries that promote Environmental Education, therefore, it
1

Discente de Zootecnica da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)/Campus Paragominas e Bolsista do
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica (PIBIC), financiado pelo Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) atuando na UFRA/Campus Paragominas. E-mail:
analarissafs1203@gmail.com.
2
Bibliotecária-Documentalista na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)/Campus Paragominas e
Doutoranda em Educação pela Universidade Luterana do Brasil (ULBA)/Campus Canoas. E-mail:
carla.girard@ufra.edu.br.
3
Bibliotecária-Documentalista na Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e Mestra em Letras pela UNIR.
E-mail: marinateixeiragirard@gmail.com.
4
Doutoranda em Educação pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA)/Campus Canoas. Mestra em Educação pela
Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). Professora da Educação Especial na Rede municipal de Santarém e
de Língua Portuguesa na Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará. E-mail: rochagsp@gmail.com.
5
Graduando em Biblioteconomia, Psicólogo, Mestre e Doutorando em Ciência da Informação pela Universidade
Federal da Paraíba (UFPB). E-mail: sergiokafe@hotmail.com.

�was carried out through the application of questionnaires in four School Libraries in the municipality of Paragominas, in
the state of Pará//Brazil, to show the reality of their locations, having a public of more than 3,300 students using these
spaces aged between 06 and 14 years, the research has covered infrastructure, awareness and environmental practices.
To know the work done by these libraries, the application of guidelines aimed at the activities developed by Green
Libraries in the city and how these changes affect students in that location. The results obtained showing that there is
still a lack of structure and investment in these places, and that the contact of these students with environmental
practices comes from the responsible teachers and librarians, through lectures, workshops and awareness of students
through playful activities that motivate you to want to know more about the subject.
Keywords: Green libraries. School libraries. University Students. Environmental Education.

1 INTRODUÇÃO
As Bibliotecas possuem um papel de grande relevância histórica na obtenção, produção e
disseminação de conhecimento através do seu espaço ao longo dos anos que se seguiram, por isto,
foram empregadas em diversas variações para que fosse possível alcançar cada vez mais público, de
modo que hoje em dia temos bibliotecas virtuais, comunitárias, universitárias, escolares, nacionais,
entre outras mais (BURKE, 2003; MARCELINO, 2009). Com início em 1990 e ganhando cada vez
mais força nos últimos anos, um movimento internacional intitulado de “Green Library”, que pode
ser compreendido como locais que visam a preservação do planeta, o uso racional dos seus recursos
e a disseminação de conhecimento ao público, a cada dia está tendo mais espaço nas bibliotecas
mundo a fora, sendo um espaço que vem com o intuito de juntar em um mesmo local:
aprendizagem, lazer e meio ambiente, no qual homem e natureza possam coexistir de maneira
positiva (VIJAYALAKSHMI, 2014).
De modo que o conceito de Bibliotecas Verdes não necessariamente precisa estar atrelado a
sua infraestrutura apenas, o que torna possível de ser empregado no cotidiano das escolas públicas,
mas também em atitudes que podemos tomar no nosso dia a dia, visando à minimização do impacto
causado no meio ambiente. Ações cotidianas como separar o lixo produzido, reutilizar a água da
chuva e praticar a reciclagem são atitudes nas quais abrange as atividades exercidas pelas
Bibliotecas Verdes, assim como compartilhar e informar a respeito de práticas ambientais (DIAS,
2015). Para Miller (2010) as Bibliotecas Verdes não recebem está denominação apenas por discutir
propostas voltadas ao meio ambiente, mas por colocarem em prática as mesmas e concretizar um
plano de ação tendo em vista projeto arquitetônico, atenção aos seus serviços e produtos e cada vez
mais colocando a Educação Ambiental e práticas culturais voltadas a esta perspectiva. Além disso,
ele o autor supracitado afirma que as bibliotecas são excelentes lugares que podem potencializar nas
práticas de conscientização ambiental, e para tal atitude faz-se relevante traçar alguns
procedimentos como: plano de ação, projeto arquitetônico; serviços e; Educação Ambiental. A

�partir disto, pode-se concluir que as Bibliotecas Verdes segundo o autor Vijayalakshmi (2014) são
visualizadas como uma biblioteca que coopera com o “balanceamento ecológico natural, e com a
preservação do planeta e de seus sistemas e recursos naturais”.
Com a crescente necessidade mundial de se colocar em pauta a preservação ambiental,
produção sustentável e preservação de recursos naturais, é necessário que se coloque em prática
ações que possam conscientizar a população, e as escolas públicas são o palco ideal, sendo o Brasil
um dos líderes mundiais em recursos naturais no mundo, de modo que o conceito de Bibliotecas
Verdes pode ser amplamente explorado nas escolas públicas e ter grande potencial para se
transformar em um centro de apropriação, produção e difusão de informações e conhecimento
ambiental, envolvendo assim as nossas próximas gerações, visando criar seres humanos mais
críticos quanto à preservação ambiental, podendo demostrar de maneira simples, didática e
interessante de que natureza e humanidade podem viver em conjunto.
Antes de fomentar sobre as Bibliotecas Verdes é necessário compreender o contexto em que
elas se encontram inseridas e sua relevância em sua implementação, pois se sabe que o processo de
disseminação à informação ambiental é de suma importância para benefícios sociais, tais como:
ampliação do conhecimento ambiental das pessoas, qualidade de vida e a promoção do
desenvolvimento sustentável. Assim, disseminar este tipo de informação reflete em atitudes e
comportamentos que podem suscitar uma percepção maior da consciência ambiental e
aplicabilidade dela no dia-a-dia do sujeito. A partir deste âmbito surgem as Bibliotecas Verdes
como mediadoras e disseminadoras de informações ambientais que configurem a preocupação de
uma construção de caráter sustentável. Portanto, a partir da Conferência das Nações Unidas sobre o
Meio Ambiente (ECO92) e da RIO+20 foram ressaltadas o cenário da situação em que o planeta se
encontra e se o mesmo persistir essas práticas irão agravar ainda mais o meio ambiente e as
gerações futuras irão sofrer consequências. Além disso, foi pontuada a atenção com as questões
ambientais fomentando o movimento verde (CARDOSO, 2015).

2 MÉTODO

A metodologia utilizada na pesquisa foi dada em forma de um questionário com dez
perguntas objetivas de sim ou não, voltadas para as diretrizes de Bibliotecas Verdes que foi aplicado
diretamente com os responsáveis por esses espaços. Ao todo foram entrevistadas quatro escolas de

�Ensino Infantil e Fundamental do município de Paragominas, com aproximadamente 3.300 alunos
com idades entre 06 e 14 anos.
Quadro 1 – Pesquisa realizada em 4 escolas do município de Paragominas (PA).
Perguntas
01

A Biblioteca da escola possui práticas voltadas para a preservação
ambiental?

Respostas
75% responderam que sim.

02

É realizado o descarte seletivo do lixo produzido?

03

É feito o reaproveitamento da água da chuva?

04

Os alunos são incentivados a trazer sua própria garrafinha de casa?

100% responderam que sim.

05

A escola possuí alguma fonte de energia renovável?

100% responderam que não.

06

É realizada palestras/oficinas voltadas para a preservação ambiental?

100% responderam que sim.

07
08
09

É feito um uso racional dos recursos disponibilizados para a Biblioteca
(energia, água, etc)?
A Biblioteca possuí uma edificação sustentável?
É feito o reaproveitamento do material utilizado na Biblioteca (Ex:
papel, plástico, vidro, etc)?

75% responderam que sim.
50% responderam que sim e 50%
que não.

75% responderam que sim.
100% responderam que não.
75% responderam que sim.

É realizada alguma ação na qual os alunos estejam diretamente
10

envolvidos em alguma prática ambiental na escola (Ex: elaboração de

100% responderam que sim.

um jardim, pomar, etc)
Fonte: Elaborada pelos autores (2021).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados obtidos nos mostram que a maioria das escolas (75%) possui práticas voltadas
para a preservação ambiental, sendo essas atividades: palestras e oficinas; o descarte seletivo do
lixo é realizado em três, das quatro escolas e o reaproveitamento da água da chuva para realizar a
limpeza de salas ou pátios e feita por metade das escolas; todas as escolas pesquisadas no município
não apresentam uma edificação sustentável ou fonte de energia renovável, como por exemplo,
placas solares; o material que é disponibilizado para a realização de atividades nas bibliotecas das
escolas, tais como: papeis, vidros, plásticos e etc. são reaproveitados para outras atividades em 75%
das escolas; todas as escolas realizam atividades ligadas diretamente com os alunos e professores,
com a ajuda da biblioteca, sendo essas atividades a criação de hortas e pomares nas dependências da
mesma, o que ilustra de maneira bem lúdica o que é ensinado para esses alunos sobre preservação
ambiental e mostra a eles o quão importante é esse contato humano e natureza.

�4 CONCLUSÕES

Com a evolução nos últimos tempos também veio a consciência de que os seres humanos
são completamente dependentes da natureza e a cada dia é mais destacado o quanto é necessário
que as próximas gerações sejam conscientes desse fato. As bibliotecas são fontes de conhecimento e
disseminação do mesmo, por isto, ter iniciativas trabalhadas pelas Bibliotecas Verdes na sociedade
contemporânea se fazem relevantes para a preservação do meio ambiente e práticas de Educação
Ambiental e sustentabilidade em prol de tais concepções. Por fim, as bibliotecas se tornam grande
influenciadoras de informação ambiental e incentivadores de práticas ambientais nos dias de hoje,
por isto os resultados obtidos nos mostram que ainda faltam estrutura e investimento nesses locais, e
que o contato desses alunos com práticas ambientais vem a partir dos professores e dos
bibliotecários responsáveis, por meio de palestras, oficinas e conscientização dos alunos por meio
de atividades lúdicas que os motivam a querer saber mais a respeito do assunto.

REFERÊNCIAS

BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 2003.
CARDOSO, Nathalice Bezerra. Bibliotecas Verdes e Sustentáveis no Brasil: diretrizes para
bibliotecas públicas. 2015. 80 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.
DIAS, Sandra Maria Moura. Sustentabilidade ambiental aplicada aos sistemas de informação:
estudo e proposta para as bibliotecas públicas em Portugal. Universidade de Lisboa: Faculdade
de Letras (FLUL). 2015.
MARCELINO, Silvia Castro. A contribuição da biblioteca para a construção e difusão do
conhecimento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ci. Inf., Brasília, DF, v. 38, n. 2,
p. 80-95, maio/ago. 2009.
MILLER, K. Public Libraries Going Green. Chigaco: ALA Editions, 2010.
VIJAYALAKSHMI, B. Green Library –An overview. International Conference on Library.
Disponível em: http://vijilibrarian.blogspot.in/. 2014. Acesso em 05 jan. 2021.

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Silva, Ana Larissa Freitas, Girard, Carla Daniella Teixeira, Girard, Cristiane Marina Teixeira, Rocha, Gilma da Silva Pereira,
Santana, Sérgio Rodrigues de</text>
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                <text>O movimento das Bibliotecas Verdes vem se tornando crescente nos últimos anos, por isto, suas iniciativas vêm motivando diversos tipos de bibliotecas, tais como as Bibliotecas Universitárias, que a partir de práticas de extensão vêm inserindo a perpetuação de iniciativas para outros tipos de bibliotecas, tais como as Bibliotecas Escolares. Portanto, a pesquisa é uma iniciativa de um projeto da Biblioteca Douglas Vale da Universidade Federal Rural da Amazônia, no Campus de Paragominas, intitulado “Ecologia da informação: um estudo sobre as políticas públicas das Bibliotecas Verdes nas Escolas de Paragominas (PA)”, visando o mapeamento de Bibliotecas Escolares que fomentem a Educação Ambiental, por isto, foi realizada através da aplicação de questionários em quatro Bibliotecas Escolares do município de Paragominas, no estado do Pará, com o intuito de mostrar a realidade das locais das mesmas, tendo um público de mais de 3.300 alunos fazendo uso desses espaços com idades entre 06 e 14 anos, a pesquisa vem abrangendo infraestrutura, conscientização e práticas ambientais. Buscando conhecer o trabalhado realizado por estas bibliotecas, a aplicação de diretrizes voltadas para as atividades desenvolvidas pelas Bibliotecas Verdes no município e como essas mudanças afetam os estudantes daquela localidade. Os resultados obtidos nos mostram que ainda faltam estrutura e investimento nesses locais, e que o contato desses alunos com práticas ambientais vem a partir dos professores e dos bibliotecários responsáveis, por meio de palestras, oficinas e conscientização dos alunos por meio de atividades lúdicas que os motivam a querer saber mais a respeito do assunto.</text>
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                    <text>INOVAÇÃO
Automação de serviços essenciais em sistema de Biblioteca Universitária - a experiência de
implantação do SABI (Sistema de Automação de Bibliotecas) do Sistemoteca da Universidade
Federal de Campina Grande (UFCG)
Automation of essential services in a University Library system - the experience of implementing
the SABI (Library Automation System) of the Systemoteca of the Federal University of Campina
Grande (UFCG)
Emanuel Varela Cardoso 11
Jesiel Ferreira Gomes 22
Kilvya Simone de Leão Braga 33
Marcos Silva de Lima 44
Paulo Henrique Maciel Oliveira 55
Resumo: O presente trabalho trata da divulgação da experiência da implantação do sistema de automação de bibliotecas
(SABI) desenvolvido pelo serviço de tecnologia da informação (STI) da Universidade Federal de Campina Grande
(UFCG) junto ao sistema de Bibliotecas da UFCG com o intuito de permitir maior segurança, controle e conservação
dos materiais que circulam entre os usuários em forma de empréstimo domiciliar. Por muitas décadas o sistema de
bibliotecas da UFCG controlou a circulação de seus materiais tomados por empréstimo de forma manual, mesmo tendo
em seu grupo de servidores pessoas muito capacitadas para o desenvolvimento e elaboração de sistema que servisse a
tal propósito. No segundo semestre do ano de 2016 o sistema foi implantado, e ao longo do ano de 2017 se consolidou
como uma ferramenta eficaz no controle, conservação e preservação do patrimônio informacional e cultural de todas as
bibliotecas do sistemoteca da UFCG, sendo hoje uma ferramenta indispensável para a gestão das bibliotecas.
Palavras-chave: Biblioteca – sistema de automação. Biblioteca universitária – circulação. 3. Biblioteca – automação –
serviços.
Abstract: The present work deals with the dissemination of the experience of implementing the library automation
system (SABI) developed by the information technology service (STI) of the Federal University of Campina Grande
(UFCG) with the UFCG Library system in order to allow greater security, control and conservation of materials that
circulate among users in the form of home loans. For many decades, the UFCG library system controlled the circulation
of its borrowed materials manually, even though its group of employees was very capable of developing and elaborating
a system that would serve this purpose. In the second half of 2016, the system was implemented, and throughout 2017 it
was consolidated as an effective tool in the control, conservation and preservation of the informational and cultural
heritage of all libraries in the UFCG system library, being today an indispensable tool for the management of libraries.
Keywords: Library – automation system. University library – circulation. 3. Library – automation – services.

Mestre em Administração Pública. Biblioteca Central da UFCG. emanuel.varela@tecnico.ufcg.edu.br
Mestre em Ciência da Informação. Biblioteca do Centro de Educação e Saúde (CES) da UFCG.
jesiel.ferreira@tecnico.ufcg.edu.br
3
Mestranda em Gestão Pública. Biblioteca Central - UFCG. kilvyabraga@hotmail.com
4
Especialista em Educação Musical. Biblioteca Central da UFCG. marcos.silva@tecnico.ufcg.edu.br
5
Especialista em Gestão de Projetos. Biblioteca Central da UFCG. paulo.henrique@tecnico.ufcg.edu.br
1

2

�1 INTRODUÇÃO
O presente resumo objetiva demonstrar as diretrizes e atividades que foram necessárias para
a primeira implantação do sistema SABI (Sistema de Automatização de Bibliotecas) no qual os
usuários/leitores de biblioteca da comunidade acadêmica puderam realizar consultas, empréstimos e
reservas do acervo das bibliotecas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Consultas
sobre a situação dos usuários relacionados a empréstimos e outras ações, puderam ser utilizadas
pela instituição, como a verificação de conclusão de curso e a exoneração de servidores, dentre
outros.
A implantação em questão permitirá apenas os usuários/leitores do tipo: discentes de
graduação, técnicos administrativos e docentes. O usuário/leitor confirmará o empréstimo de itens
do acervo de forma presencial e através de senha numérica digitada em equipamentos disponíveis
nas áreas de atendimento das bibliotecas. Para sua efetivação, deverão ser considerados os seguintes
aspectos: Atribuição de responsabilidades; Ajustes na legislação pertinente; Equipamentos e
Insumos; Desenvolvimento do sistema SABI; Implantação do sistema e, Cronograma de atividades.
CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA SABI
O sistema automatiza as atividades dos processos de empréstimos e reservas do acervo das
bibliotecas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) – descrito nas atividades do
processo de Empréstimos e Reservas do Acervo das Bibliotecas.
Quadro 1: Atividades do processo de Empréstimos e Reservas

Atividade
Atualizar Empréstimos e Reservas

Cadastrar Ficha de Leitor

Validar Ficha de Leitor
Bloquear Ficha de Leitor
Realizar Empréstimo
Devolver Empréstimo
Realizar Reserva
Quitar Multa de Empréstimo
Abonar Multa de Empréstimo
Comunicar Extravio
Devolver Extravio
Fonte: Elaborado pelos autores.

Descrição
Ação realizada pelo sistema.
Consiste na atualização, em período noturno, das situações de empréstimos e
reservas ativos. O sistema comunica, por meio de e-mails, aos leitores sobre
proximidade de prazos de entrega, atrasos, dentre outros.
Ação realizada pelo leitor.
O usuário previamente cadastrado no PSI, realiza seu cadastro no SABI
informando foto e senha de identificação para utilizar em operações de
empréstimos.
Ação realizada pelo atendente da biblioteca.
Ação realizada pelo atendente da biblioteca.
Ação realizada pelo atendente da biblioteca.
Ação realizada pelo atendente da biblioteca.
Ação realizada pelo leitor.
Ação realizada pelo atendente da biblioteca.
Ação realizada pela direção da Biblioteca.
Ação realizada pelo atendente/direção da biblioteca.
Ação realizada pelo atendente/direção da biblioteca.

�Implantação do SABI
Na primeira implantação do SABI serão contempladas as funcionalidades de acesso
conforme o tipo de usuário do sistema, sendo o Atendente/Administrador de biblioteca, o
profissional responsável pelo empréstimo, devolução e visualização/validação do cadastro; o
Usuário-leitor, aquele que solicita reserva, cancelamento, e renovação de empréstimo, além de
solicitar o cadastro preliminar. A comunidade acadêmica, de maneira geral, terá acesso a consulta
do acervo e da situação do usuário-leitor.
Ação

Quadro 2 – Etapas de implantação do SABI (continua)
Descrição
Revisão da Normatização das Bibliotecas – BC/STI

Análise de procedimentos normativos das atividades de empréstimos e reservas
Atividades da Implantação do

das bibliotecas da UFCG

SABI

Verificação da aplicação dos procedimentos no uso do sistema SABI
Verificar cadastros das chefias nas bibliotecas
Revisar os parâmetros do SABI
Realizar a aprovação de Requisitos
Validar as funcionalidades especificadas.

Desenvolvimento do Sistema –

Proceder Teste Interno – setor STI: cadastrar usuários, testar e reportar as falhas.

STI e BC

Proceder o Teste Piloto – setor Biblioteca de Cuité: cadastrar usuários, testar e
reportar as falhas.
Proceder correções de falhas reportadas nos testes
Equipe de implantação do SABI
Equipe de suporte

Designação dos responsáveis – BC

Administrador de acesso ao PSI para discentes
Administrador da estrutura organizacional (operadores de biblioteca)
Administrador do SABI
Implantar em todas as bibliotecas.
Estabelecer estratégia de implantação gradativa do sistema nos campi e setores.
Implantar empréstimos anteriores (manuais) pelas fichas que forem sendo.

Estratégia de Implantação – BC

Comunicar a estratégia e o cronograma da implantação do SABI às Bibliotecas
envolvidas validadas.
Utilização paralela do sistema manual e no eletrônico – 60 dias
Implantar o sistema SABI nos setores conforme a estratégia de implantação
definida

�Quadro 2 – Etapas de implantação do SABI (fim)

Treinamento de usuário do Sistema de Estrutura Organizacional – SIEO (Controle de
designação de atendentes e administradores de biblioteca)

Treinamento dos usuários – STI

Treinamento do administrador do sistema SABI

e BC

Treinamento de multiplicadores para usuários: Atendente e Administrador de
Biblioteca
Treinamento da equipe de suporte aos usuários finais.
Implantar o sistema SIEO - Funções.
Revisão dos equipamentos de Área de Atendimento aos Leitores nas bibliotecas –

Implantação do sistema SIEO –
STI e PRA/BC

BC
Realizar inventário e revisão dos computadores instalados nas áreas de atendimento
das bibliotecas conforme a estratégia de implantação.
Solicitar manutenção, aquisição ou remanejamento de equipamentos para o
atendimento dos leitores.

Cadastramento dos usuários:
Implantação do sistema SABI –

Leitores – Discentes de Graduação – STI/PRE
Atendentes e Administradores das Bibliotecas do quadro de terceirizados – BC/STI
Cadastrar Atendentes Terceirizados (Levantar dados e enviar para o STI)

STI e BC

Fonte: Elaborado pelos autores.
Cronograma de Atividades
Apresenta as datas de início e finalização das atividades da primeira implantação do sistema
Sabi.
Quadro 3: Cronograma das Atividades (continua)
Etapa
Revisão da Normatização
Desenvolvimento do Sistema– STI e BC:

Realizar a aprovação de Requisitos.

Início
10/02/2017
06/10/2014

Finalização

Designação dos responsáveis
Estratégia de Implantação
Estabelecer estratégia de implantação


10/02/2017
10/02/2017
10/02/2017

17/02/2017
15/02/2017
10/02/2017

Comunicar a estratégia e o cronograma de implantação aos interessados

Treinamento dos usuários– STI e Bibliotecas:

15/02/2017

15/02/2017




10/02/2017

Validar as funcionalidades especificadas.
Proceder Teste Interno – STI: cadastrar, testar e reportar falhas.


Proceder o Teste Piloto – Biblioteca de Cuité: cadastrar, testar e reportar
falhas.
Corrigir falhas reportadas nos testes.


�Quadro 3: Cronograma das Atividades (fim)

-

-

21/02/2017

21/02/2017

10/03/2017

10/03/2017

 Treinamento da equipe de suporte aos usuários finais.
Cadastramento dos usuários no PSI
 Leitores – Discentes de Graduação– STI/PRE

21/02/2017

21/02/2017

01/03/2017

15/03/2017

 Atendentes e Administradores das Bibliotecas do quadro de
terceirizados – BC/STI. BC enviar pro STI quais são os atendentes e
administradores das bibliotecas.
Implantação do sistema SIEO
Revisão dos Computadores de Atendimento
Implantar sistema Sabi
 Cadastrar Atendentes Terceirizados (Levantar dados e enviar para o
STI)
 Implantar o sistema Sabi em TODAS as Bibliotecas da UFCG para
serviço interno – atendentes e administradores.
 Implantar o sistema Sabi em TODAS as Bibliotecas da UFCG – para
usuários externos – leitores.
 Em cada biblioteca da implantação proceder
 Treinamento dos usuários
 Testar computadores de atendimento
 Efetivar o uso do Sabi pelos usuários Atendentes/Adm.
 Efetivar o uso do Sabi pelos usuários Leitores

10/02/2017

15/03/2017

10/02/2017

15/03/2017

10/02/2017

15/03/2017

10/02/2017

16/03/2017

10/02/2017

20/03/2017

 Treinamento de usuário do Sistema de Estrutura Organizacional –
SIEO (Controle de designação de atendentes e administradores de
biblioteca)
 Treinamento do administrador do sistema Sabi
 Treinamento de multiplicadores
Administrador de Biblioteca

para

usuários:

Atendente

e

Fonte: Elaborado pelo autor
Considerações Finais

O Serviço de Tecnologia da Informação – STI e a Comissão de Trabalho das Bibliotecas
estabelecem compromisso de proceder a implantação do Sistema de Automatização de Bibliotecas –
SABI, buscando o efetivo cumprimento das atividades e respectivos prazos descritos no presente
documento. Desde sua implantação que o sistema tem contribuído para a diminuição do trabalho
manual, melhorias na prestação de informação mais eficientes aos usuários e melhorou o controle
da circulação do patrimônio das bibliotecas.
REFERÊNCIAS
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE. Sistema de Integração de Biblioteca SABI. Disponível em: https://psi.ufcg.edu.br/manuais/Sabi_Manual_Usuario_Atendente.pdf.
Acesso em 25 jun. 2021

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Automação de serviços essenciais em sistema de Biblioteca Universitária - a experiência de implantação do SABI (Sistema de Automação de Bibliotecas) do Sistemoteca da Universidade 
Federal de Campina Grande (UFCG)</text>
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                <text>Cardoso, Emanuel Varela, Gomes, Jesiel Ferreira, Braga, Kilvya Simone de Leão, Lima, Marcos Silva de, 
Oliveira,  Paulo Henrique Maciel </text>
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                <text>O presente trabalho trata da divulgação da experiência da implantação do sistema de automação de bibliotecas (SABI) desenvolvido pelo serviço de tecnologia da informação (STI) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) junto ao sistema de Bibliotecas da UFCG com o intuito de permitir maior segurança, controle e conservação dos materiais que circulam entre os usuários em forma de empréstimo domiciliar. Por muitas décadas o sistema de bibliotecas da UFCG controlou a circulação de seus materiais tomados por empréstimo de forma manual, mesmo tendo em seu grupo de servidores pessoas muito capacitadas para o desenvolvimento e elaboração de sistema que servisse a tal propósito. No segundo semestre do ano de 2016 o sistema foi implantado, e ao longo do ano de 2017 se consolidou como uma ferramenta eficaz no controle, conservação e preservação do patrimônio informacional e cultural de todas as bibliotecas do sistemoteca da UFCG, sendo hoje uma ferramenta indispensável para a gestão das bibliotecas.</text>
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                    <text>INOVAÇÃO
PRESERVAÇÃO DIGITAL NA BIBLIOTECA ZÉ DE LUZIA EM CUITÉ: início do processo
de digitalização de trabalhos de conclusão de curso
DIGITAL PRESERVATION AT THE ZÉ DE LUZIA LIBRARY IN CUITÉ: beginning of the
process of digitization of course completion papers
Emanuel Varela Cardoso 11
Jesiel Ferreira Gomes 22
Kilvya Simone de Leão Braga 33
Marcos Silva de Lima 44
Paulo Henrique Maciel Oliveira 55
Resumo: Desde o ano de 2016 que a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) da Universidade Federal de
Campina Grande (UFCG) vem sendo trabalhada na questão normativa, estruturante e logística, haja vista a UFCG ser
uma universidade presente em todo o território paraibano. Com a pandemia, sentiu-se uma maior necessidade de
disponibilizar os materiais elaborados pelos usuários de suas bibliotecas, e como este é um trabalho contínuo, fez-se um
levantamento acerca dos materiais impressos ainda não inseridos na BDTD. Assim, iniciou-se a digitalização das
monografias dos cursos de ciência biológicas, física, matemática, química, enfermagem, farmácia e nutrição que ainda
não constam na coleção existente na BDTD que vem sendo alimentada desde o ano de 2017.
.
Palavras-chave: Biblioteca – repositório institucional. Biblioteca universitária – BDTD. 3. Digitalização - trabalhos
acadêmicos.
Abstract: Since 2016, the Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD) of the Federal University of Campina
Grande (UFCG) has been working on normative, structuring and logistical issues, given that UFCG is a university
present throughout the territory of Paraíba. With the pandemic, there was a greater need to make available materials
prepared by users of their libraries, and as this is an ongoing work, a survey was made about the printed materials not
yet included in the BDTD. Thus, the digitalization of the monographs of the courses in biological science, physics,
mathematics, chemistry, nursing, pharmacy and nutrition that are not yet included in the existing collection in the
BDTD, which has been fed since 2017, began.
Keywords: Library – institutional repository. University Library – BDTD. 3. Digitization - academic papers.

Mestre em Administração Pública. Biblioteca Central da UFCG. emanuel.varela@tecnico.ufcg.edu.br
Mestre em Ciência da Informação. Biblioteca do Centro de Educação e Saúde (CES) da UFCG.
Jesiel.ferreira@tecnico.ufcg.edu.br
3
Mestranda em Gestão Pública. Biblioteca Central - UFCG. kilvyabraga@hotmail.com
4
Especialista em Educação Musical. Biblioteca Central da UFCG. marcos.silva@tecnico.ufcg.edu.br
5
Especialista em Gestão de Projetos. Biblioteca Central da UFCG. paulo.henrique@tecnico.ufcg.edu.br
1

2

�INTRODUÇÃO
O Sistema de Bibliotecas (Sistemoteca) da Universidade Federal de Campina Grande
(UFCG), vem desde 2013, estruturando as condições necessárias para a implementação de sua
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), com a primordial finalidade de atender as
demandas de informação dos seus usuários internos e externos ao mesmo tempo em que
evidencia a instituição como de fundamental importância para a ciência e tecnologia regional e
nacional. A Biblioteca José Dias dos Santos (Zé de Luzia), como parte integrante deste sistema,
tem o compromisso de atentar para as políticas instituídas pela gestão maior e adequar os seus
trabalhos e procedimentos para melhoria das práticas de trabalho e atenção aos seus usuários.
Dentre os meios disponíveis de divulgação da produção acadêmica, a BDTD é uma
iniciativa que promove informação ao usuário em um único lugar, auxiliando as coordenações de
cursos na divulgação de sua produção científica em atendimento à determinação da CAPES sobre
sua obrigação em manterem seus arquivos digitais acessíveis por meio da internet, sendo
inclusive um requisito para o acompanhamento e avaliação desses programas o volume e a
qualidade dessas obras publicadas.
Enfatiza-se nesse relato de experiência a importância da digitalização dos documentos
mais antigos, e não disponíveis em meio digital/eletrônico, que possam colaborar para a BDTD
na promoção da informação institucional dos trabalhos acadêmicos de sua comunidade, havendo
a necessidade de dialogar e promover uma maior atenção no suporte informacional da biblioteca
para o exercício desse papel. Quais são os desafios que a biblioteca do CES terá de enfrentar para
tornar esse conhecimento publicizado para a comunidade acadêmica? As hipóteses mais
prováveis podem estar na comunicação entre os departamentos do campus.
CONSIDERAÇÕES
Desde que foi criado em 2017, a BDTD foi responsável pela inserção dos materiais de
cada uma das bibliotecas constituintes do Sistemoteca - UFCG, tendo hoje, um número
aproximado de 19.000 (dezenove mil) materiais já inseridos em seu repositório, que podem ser
consultados de qualquer lugar, onde for mais conveniente pelo usuário, através do endereço
bdtd.ufcg.edu.br.

�Várias pesquisas realizadas na universidade são bancadas com dinheiro público, ou em
parceria com instituições privadas, assumindo seus autores o compromisso de tornar público a sua
produção para a sociedade segundo determinação da CAPES por meio da Portaria nº 13, de 15 de
fevereiro de 2006. Tal obrigação faz juz ao custeio que a sociedade investiu na promoção daquele
programa e do conhecimento ali gerado. Inicialmente foi realizado um diagnóstico para saber o
quantitativo de materiais a serem digitalizados e o tipo de equipamento, além da dinâmica a ser
adotada para a inserção dos materiais após a digitalização.
As iniciativas isoladas dos programas de Pós-graduação em que disponibilizam seus
textos completos e criam suas próprias bibliotecas, de maneira descentralizada e independente,
não são eficazes para o acesso aos trabalhos, pois a produção discente aparece, muitas vezes, na
forma de listagem, sem opção de busca por palavra-chave, autor e título e busca booleana,
dificultando e limitando a recuperação da informação desejada. Ainda é importante frisar que o
conhecimento produzido pelos cursos de licenciatura, graduação e especialização, também são
componentes de conhecimento e informação para auxiliar na construção de saber dentro da
instituição UFCG.
Para que se possa dar andamento a digitalização do material impresso, foi adquirido um
aparelho de scanner de mesa com capacidade de digitalização de documentos folha a folha e que
converte os arquivos já em formato PDF/A. Os materiais são inicialmente preparados com o corte
das folhas, retiradas de objetos como grampos e limpeza das máquinas. Após a digitalização é feita
a marca de carimbo, inserção de figuras e preparação do arquivo para a inserção no repositório
BDTD.
O total de materiais a serem inseridos são ao todo 258 trabalhos acadêmicos, dos cursos de
Licenciatura (Ciências Biológicas, Física, Matemática e Química) e de Graduação (Enfermagem,
Farmácia e Nutrição) dos anos de 2010 até 2016.
Ainda há muito a ser feito na BDTD da UFCG, contudo, o Sistemoteca tem tido a postura de
trabalhar diariamente para que todos os seus materiais estejam inseridos no sistema, ao tempo que
conscientiza as coordenações de cursos de pós-graduação no sentido de valorizar e contribuir para o
amplo acesso ao conhecimento produzido na instituição e que sirva para construção de novos
saberes.

�RESULTADOS:
O projeto está em andamento, e atualmente há cerca de 1.700 trabalhos publicados no
repositório pela biblioteca Zé de Luzia do campus da UFCG em Cuité. Espera-se uma maior
publicidade dos conhecimentos produzidos em parceria com os cursos de graduação e pós, e
paralelamente a isso uma melhoria nos cuidados de preservação dos materiais que outrora eram
impressos. Ao visitar a página institucional do Centro de Educação e Saúde do campus Cuité o
visitante terá dificuldades de encontrar referências que levam o usuário a página ao repositório
institucional, inclusive na própria página da biblioteca setorial que traz poucas informações sobre o
próprio repositório, mas que está em andamento a atualização dessas informações junto ao setor de
Tecnologia da Informação.
Na página inicial do sítio institucional não há informações claras onde encontrar o
repositório da institucional. Ao navegar pelos cursos também não há menção à Biblioteca Digital. O
trabalho de conscientização e divulgação dessa ferramenta de gestão se dá por 3 vias: Por meio da
página do Sistemoteca – UFCG, sediada pelo campus central em Campina Grande, localmente no
campus, respeitando os protocolos sanitários, e pelas redes sociais na plataforma Instagram.
Contudo, houve um aumento considerável de visitas ao repositório do centro quando comparado a
dezembro de 2020, com incremento de mais de 100% de visitas no corrente ano nos últimos 6
meses:

Figura 1 – Estatística de visitas no repositório

Fonte: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG

�CONCLUSÕES:
Os trabalhos de inserção no repositório estão tramitando com eficácia, obedecendo os
protocolos sanitários e o distanciamento social. Há um bom volume de inserções e as estatísticas de
consulta se mantém em crescimento regular, apesar de não haver divulgação da página institucional.
Conclui-se que o trabalho via redes sociais é importante para ajudar na comunicação, mas que é
apenas um fôlego temporário para que o centro dê sequência a atualização de sua interface web para
tornar o acesso a informação mais fácil de ser encontrado.
REFERÊNCIAS
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TQM (Total Quality Management). Revista general de información y documentación. Madrid,
v.7, n.2, p.257-275, 1997.
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principais problemas e possíveis soluções. Cenário Arquivístico. Brasília, v.2, n.1, p.46-51,
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DUCATTI, Marcos Antonio et al. Elaboração de uma revista científica eletrônica da área de
informática em saúde – RECIS. Universidade Federal de São Paulo. Disponível em:
http://www.sbis.org.br/cbis/arquivos/1010.pdf. Acesso em: 17 mar. 2010.
GHANEM, Valéria Gouvêa ; FERNANDES, Leonita. Organização do arquivo da Assessoria
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PAULA, Rosália Paraíso Matta de. GIRI - Gestão integrada de recursos informacionais e
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PAZIN, Márcia. Arquivos de empresas: tipologia documental. São Paulo: Associação de
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RAMACCIOTTI, Angélica Santos; TAVARES, Elisabeth dos Santos. Criação e desenvolvimento
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE. Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações. Disponível em: http://bdtd.ufcg.edu.br/. Acesso em: 25 jun. 2021

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                <text>Preservação digital na Biblioteca Zé de Luzia em Cuité: início do processo de digitalização de trabalhos de conclusão de curso.</text>
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                <text>Cardoso, Emanuel Varela, Gomes, Jesiel Ferreira, Braga, Kilvya Simone de Leão, Lima, Marcos Silva de, Oliveira, Paulo Henrique Maciel </text>
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                <text>Desde o ano de 2016 que a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) vem sendo trabalhada na questão normativa, estruturante e logística, haja vista a UFCG ser uma universidade presente em todo o território paraibano. Com a pandemia, sentiu-se uma maior necessidade de disponibilizar os materiais elaborados pelos usuários de suas bibliotecas, e como este é um trabalho contínuo, fez-se um levantamento acerca dos materiais impressos ainda não inseridos na BDTD. Assim, iniciou-se a digitalização das monografias dos cursos de ciência biológicas, física, matemática, química, enfermagem, farmácia e nutrição que ainda não constam na coleção existente na BDTD que vem sendo alimentada desde o ano de 2017.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
DESIGN INSTRUCIONAL PARA CAPACITAÇÕES EM BIBLIOTECAS: A
EXPERIÊNCIA DO CURSO ONLINE CAFÉ COM MENDELEY
INSTRUCTIONAL DESIGN FOR LIBRARY INSTRUCTION: THE EXPERIENCE OF THE
ONLINE COURSE CAFÉ COM MENDELEY
Bárbara Ieger Vianna1
Wagner Bernardes Zimmermann2
Nalin Ferreira da Silveira3
Resumo: Relato de experiência da série de capacitações online intituladas Café com Mendeley, cujo objetivo foi
promover o uso eficiente do software de gerenciamento de referências Mendeley para a comunidade acadêmica
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), durante a pandemia de COVID 19. O conjunto de 3
webinars teve 150 participantes na primeira edição, 324 participantes na segunda e 659 participantes na terceira,
demonstrando um crescente interesse do público, fato que motivou os organizadores a incluir usuários externos à
UFRGS. O êxito da ação se deu principalmente pela utilização dos parâmetros do modelo de design instrucional
ADDIE (Analysis, Design, Development, Implementation e Evaluation) como ferramenta para o planejamento,
implementação e avaliação da atividade. O uso da metodologia de design revelou-se um modelo que pode ser
aplicado em iniciativas similares e um facilitador da experiência de construção de um webinar em um ambiente
de cooperação totalmente remoto, onde nenhum dos envolvidos tiveram contato presencial.
Palavras-chave: Design instrucional. Capacitação de usuários. Competência Informacional. Pandemia de
COVID 19.
Abstract: Experience report of the online library instruction series entitled Café com Mendeley, whose first
objective was to promote the efficient use of the Mendeley reference management software within the academic
community of the Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS), during the COVID 19 pandemic. The
webinar series had 150 participants in the first edition, 324 participants in the second and 659 participants in the
third, demonstrating a growing public interest, a fact that motivated the organizers to open the transmission to the
public outside the UFRGS. The success of the action was mainly due to the use of the parameters of the
instructional design model ADDIE (Analysis, Design, Development, Implementation and Evaluation) as a tool
for the planning, implementation and evaluation of the activity. The use of the design methodology proved to be
a model that can be applied in similar initiatives and a facilitator of the experience of building a webinar in a
totally remote cooperation environment, where none of those involved had face-to-face contact.
Keywords: Instructional Design. Library instruction. Mendeley. COVID 19 Pandemic.

1 INTRODUÇÃO
Durante muito tempo considerou-se que, para desenvolver uma capacitação online,
bastaria elaborar seu conteúdo autoral. Com o passar do tempo, a evolução e a disseminação
das plataformas e ambientes virtuais de aprendizagem deixou claro que a elaboração dos
1

Mestra em Tecnologias Educacionais em Rede pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Bibliotecária da Escola da Advocacia-Geral da União em Porto Alegre, RS (EAGU-RS).
barbara.vianna@agu.gov.br
2
Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bibliotecário do
Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS. wagner.zimmermann@ufrgs.br.
3
Mestra em Informática na Educação pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul ( IFRS). Bibliotecária da
Faculdade de Enfermagem da UFRGS. nalin.ferreira@ufrgs.br

�conteúdos é só uma das etapas que compõem um processo maior (PETERS, 2012). Com isso,
revelou-se a importância da utilização de modelos de design instrucional para melhor
aproveitamento do tempo e distribuição de tarefas em equipes multidisciplinares, uma vez que
cada fase de elaboração requer habilidades específicas (REINBOLD, 2013).
O presente trabalho é o relato do processo de criação e desenvolvimento do curso
online Café com Mendeley. O Café com Mendeley constitui-se de uma série de webinars que
visam capacitar membros da comunidade acadêmica - inicialmente restrito ao âmbito da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - no uso eficiente do gerenciador de
referências Mendeley. A primeira edição ocorreu na forma de uma transmissão única, e nas
três edições seguintes, o conteúdo do webinar foi ampliado e distribuído em cinco módulos de
duas horas de duração, totalizando 10 horas de capacitação em cada edição.
2 METODOLOGIA
O design instrucional (DI) é o processo de identificar, por meio de análise contextual,
caracterização do público alvo e o levantamento de potencialidades e restrições do contexto
educacional, uma necessidade de aprendizagem (problema), e desenvolver, implementar e
avaliar uma solução para esse problema (FILATRO; CAIRO, 2015).
Apesar de existirem diversos modelos de Design instrucional, o ADDIE foi
selecionado por ser uma metodologia bem estabelecida e de fácil compreensão e aplicação.
Desde sua criação, o modelo ADDIE foi modificado e adaptado diversas vezes, porém
manteve a mesma estrutura básica de cinco fases: Analysis (análise), Design, Development
(desenvolvimento), Implementation (implementação), e Evaluation (avaliação). De forma
geral, cada fase fornece subsídios para a execução da fase seguinte do processo (Figura 1),
mas a interação é flexível o suficiente para permitir rever e revisar as fases durante o processo
de design.
Figura 1 - Fases do ADDIE

Fonte: do Autor.

�O ADDIE é um modelo que permite ao bibliotecário desenvolver uma variedade de
interações instrucionais, desde capacitações e oficinas de curta duração até disciplinas
inseridas em cursos de graduação. Também permite considerar novas estratégias para avaliar e
adequar a metodologia de transmissão de acordo com os níveis de engajamento e aprendizado
dos participantes (HESS; GREER, 2016). As atividades e tarefas para o desenvolvimento de
todas as instâncias do Café com Mendeley, foram planejadas e distribuídas organicamente em
cada etapa do ADDIE, como segue:
a) análise: o primeiro Café com Mendeley no formato de roda de conversa, intitulado
“Tire suas Dúvidas”, teve o objetivo de verificar as necessidades do público alvo e
quais as possibilidades oferecidas pelo ambiente virtual;
b) design: estudo do MCONF, plataforma de videoconferência utilizada pela UFRGS;
definição pelo formato de cinco módulos de duas horas e definição das ferramentas de
transmissão;
c) desenvolvimento: elaboração e distribuição do conteúdo nos cinco módulos, teste de
ferramentas de transmissão, logística de apresentação; criação de ferramentas de
inscrição, controle de presença e avaliação; definição da equipe de apoio;
cadastramento sistema de extensão da UFRGS;
d) implementação: execução e transmissão dos webinars propriamente ditos de acordo
com a programação;
e) avaliação: foi realizada durante cada evento, através de formulário enviado aos
participantes e reuniões de equipe após cada webinar. A partir desses dados, foi
possível implementar algumas mudanças nas três edições.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Com a suspensão das atividades presenciais na UFRGS e a migração para o trabalho
remoto, os primeiros meses foram vistos como uma oportunidade de experimentação e análise
das necessidades e possibilidades de adaptação para o ambiente virtual.
A primeira edição foi uma transmissão de avaliação, intitulada “Café com Mendeley Tire suas Dúvidas”, em 8 de abril de 2020, com o objetivo de criar um espaço informal para
coletar dados sobre a necessidade de informação da comunidade acadêmica, especificamente

�sobre o gerenciador de referências Mendeley, durante o período de suspensão das atividades
acadêmicas em virtude do COVID-19. O evento contou com 47 inscritos.
A partir dessa primeira experiência, optou-se por ampliar o conteúdo do curso
presencial para 5 módulos, de acordo com o aprofundamento do conteúdo. Dessa forma, a
primeira edição estendida do Café com Mendeley ocorreu entre 15 e 29 de abril, e contou
com 85 inscritos.
Percebendo a possibilidade de ampliar a oferta do curso para pessoas em diferentes
lugares, optou-se por integrar o curso como ação de extensão e aumentar a divulgação para
além dos muros (virtuais) da UFRGS. Assim, a segunda edição contou com 430 inscritos, o
que gerou uma necessidade de reavaliação das ferramentas de transmissão e da equipe de
apoio.
A segunda edição, ocorreu entre 1 a 6 de junho, com transmissão para a página do
evento no facebook, tendo os vídeos disponibilizados posteriormente no youtube. Para
garantir a transmissão via facebook, e a interação nos chats, foi necessário ampliar a equipe de
apoio pedagógico da ação para três membros presentes em cada dia de ação. Também foi
criado um canal no youtube, para disponibilizar os vídeos do Mconf posteriormente.
Finalmente, a terceira edição do Café com Mendeley ocorreu entre os dias 27 a 31 de
julho, contando com 405 inscritos (Gráfico 1). As ministrantes e equipe de apoio utilizaram o
Mconf, porém com streaming ao vivo para youtube, utilizando o software OBS (Open
Broadcaster Software), o que garantiu mais estabilidade da conexão.
Gráfico 1 - Comparativo dos inscritos e participantes

Fonte: Do Autor

4 CONCLUSÕES

�A inserção das tecnologias da informação e comunicação na rotina das bibliotecas,
além de otimizar processos, instituiu uma nova dinâmica na produção, organização e
distribuição de produtos e serviços informacionais (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION,
2006). As bibliotecas atuais apresentam-se como um recurso pedagógico fundamental e não
apenas um serviço paralelo à atividade de ensino. Com a suspensão das atividades presenciais
das bibliotecas, houve uma demanda imediata de adaptação às necessidades institucionais,
permitindo aos bibliotecários a oportunidade de adquirir e descobrir novas habilidades, e no
caso relatado, desenvolver o potencial como educadoras e mediadoras do processo de
ensino-aprendizagem a distância.
A experiência de construção de um webinar em um ambiente de cooperação
totalmente remoto, onde nenhum dos envolvidos tiveram contato presencial foi um grande
desafio. Certamente o uso de uma metodologia de design instrucional facilitou a execução das
atividades e contribuiu para o sucesso do projeto, revelando um modelo que pode ser aplicado
em iniciativas similares.
REFERÊNCIAS
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Stantards for distance learning library Services.
2006. Disponível em: http://www.ala.org/acrl/standards/guideli nesdistancelearning. Acesso
em 01 set. 2020.
FILATRO, Andrea; CAIRO, Sabrina. Produção de conteúdos educacionais. São Paulo, SP:
Saraiva, 2015.
HESS, Amanda Nichols; GREER, Katie. Designing for engagement: using the ADDIE model
to integrate high-impact practices into an online information literacy course.
Communications in Information Literacy, [s. l.], v. 10, n. 2, p. 264–282, 2016. Disponível
em: &lt;https://doi.org/10.15760/&gt;. Acesso em: 9 jun. 2020.
PETERS, Otto. Um modelo pedagógico para utilização de espaços virtuais de aprendizagem.
In: _______. A educação a distância em transição. São Leopoldo: Unisinos, 2012. p.
155-194.
REINBOLD, Sarah. Using the ADDIE model in designing library instruction. Medical
Reference Services Quarterly, [s. l.], v. 32, n. 3, p. 244–256, 2013. Disponível em:
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02763869.2013.806859. Acesso em: 9 abr. 2020

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                <text>Relato de experiência da série de capacitações online intituladas Café com Mendeley, cujo objetivo foi promover o uso eficiente do software de gerenciamento de referências Mendeley para a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), durante a pandemia de COVID 19. O conjunto de 3 webinars teve 150 participantes na primeira edição, 324 participantes na segunda e 659 participantes na terceira, demonstrando um crescente interesse do público, fato que motivou os organizadores a incluir usuários externos à UFRGS. O êxito da ação se deu principalmente pela utilização dos parâmetros do modelo de design instrucional ADDIE (Analysis, Design, Development, Implementation e Evaluation) como ferramenta para o planejamento, implementação e avaliação da atividade. O uso da metodologia de design revelou-se um modelo que pode ser aplicado em iniciativas similares e um facilitador da experiência de construção de um webinar em um ambiente de cooperação totalmente remoto, onde nenhum dos envolvidos tiveram contato presencial.</text>
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                    <text>Eixo - Práticas
"VIDAS PRETAS IMPORTAM": PROJETO PRESENÇA DA BIBLIOTECA DO
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SANTA
CATARINA CÂMPUS JOINVILLE PARA A COMUNIDADE, ATRAVÉS DA
CONFECÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE MENSAGEIROS DA PAZ
"BLACK LIVES MATTER": PROJECT WITH THE PRESENCE OF THE LIBRARY OF THE
FEDERAL INSTITUTE OF EDUCATION, SCIENCE AND TECHNOLOGY OF SANTA
CATARINA CÂMPUS JOINVILLE FOR THE COMMUNITY, THROUGH THE
CONFECTION AND DISTRIBUTION OF MESSENGERS OF PEACE
Angela Morel Nitschke Dums1
Jussiane Ribeiro da Luz2
Resumo: A Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) Câmpus
Joinville participou pela segunda vez no Projeto "Presença" da RedSOLARE Brasil, organização que objetiva
chamar atenção da sociedade para a infância e sua cultura própria de vida, através da criação e distribuição de
bonecos de pano, "mensageiros da paz". O tema escolhido para essa campanha foi “Vidas Pretas Importam” para
despertar a importância da educação antirracista, respeito à diversidade racial e cultural. A realização de 2020
precisou ser na modalidade remota devido ao isolamento social imposto pela pandemia da COVID-19. Ainda
assim, foi possível mobilizar a comunidade via redes sociais. Foram criados 60 bonecos, os quais foram entregues
na entrada do IFSC Câmpus Joinville através drive tour. Para aqueles que não compareceram na entrega, foi
proposta a exposição dos bonecos nas janelas das casas. Diante da repercussão positiva do projeto, pretende-se
realizar novas edições, apesar de ainda estarmos enfrentando a pandemia.
Palavras-chave: Projeto Presença da Biblioteca do IFSC, Câmpus Joinville (2020). Eventos especiais.
Bibliotecas.
Abstract: The Library of the Federal Institute of Education, Science and Technology of Santa Catarina (IFSC)
Campus Joinville participated for the second time in the "Presence" Project of RedSOLARE Brasil, an organization
that aims to draw society's attention to childhood and its own culture of life, through of the creation and distribution
of rag dolls, "messengers of peace". The theme chosen for this campaign was “Black Lives Matter” to raise
awareness of the importance of anti-racist education, respect for racial and cultural diversity. The realization of
2020 had to be in the remote modality due to the social isolation imposed by the COVID-19 pandemic. Still, it was
possible to mobilize the community via social networks. 60 puppets were created, which were delivered at the
entrance of the IFSC Campus Joinville through a drive tour. For those who did not attend the delivery, it was
proposed to display the dolls in the windows of the houses. Given the positive impact of the project, it is intended
to carry out new editions, although we are still facing the pandemic.
Keywords: IFSC Library Presence Project, Joinville Campus (2020). Special events. Libraries.

¹ Mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). E-mail: angelamn@ifsc.edu.br.
² Mestranda do Programa de Pós Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT). Bacharel em
Biblioteconomia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). E-mail: jussiane.luz@ifsc.edu.br.

�1 INTRODUÇÃO
A primeira edição do projeto Presença da Biblioteca do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) Câmpus Joinville, ocorrido em 2019, trouxe
resultados positivos que motivou os organizadores a repetir a ação em 2020.
O Projeto "Presença" é uma iniciativa da RedSOLARE Brasil (Salvador, BA), uma
organização sem fins lucrativos que trabalha em defesa da cultura da infância e da política
pedagógica que torna o aluno autônomo na própria construção do conhecimento, através das
práticas de pesquisa e experimentações. Criado em 2012, o projeto incentiva crianças a
desenharem e produzirem bonecos de pano – os “mensageiros da paz” - para serem distribuídos
em espaço público. Instituições e comunidade podem aderir à iniciativa de forma voluntária e,
a cada ano, o projeto é incrementado. A partir de 2018, foi proposto temas paraas campanhas
que despertam os sentimentos de solidariedade e empatia e que pudessemtornar o mundo
em que vivemos mais harmonioso. Para a edição de 2020, o tema escolhidofoi “Vidas Pretas
Importam”, para ressaltar a importância da educação antirracista. (REDSOLARE Brasil, 2018).
O movimento Black Lives Matter – “Vidas Pretas Importam” - é um movimento surgido
em 2013, após a absolvição do policial americano, George Zimmerman, que assassinou o
adolescente negro Trayvon Martin. Em 2014, o movimento ficou conhecido em todo Estados
Unidos e, em 2016, expandiu-se pelo mundo. O movimento denuncia a violência policial,
questiona políticos e incita o debate público sobre questões relativas à desigualdade racial.
(RIBEIRO, 2019).
O IFSC atua em Joinville desde 1994, com o curso técnico em Enfermagem. Hoje,
oferece cursos técnicos concomitantes, subsequentes e integrados na área da saúde e industrial,
curso superior de tecnologia em Gestão Hospitalar e cursos de bacharelado em Engenharia
Mecânica, Engenharia Elétrica e Enfermagem.
A Biblioteca do IFSC Câmpus Joinville, na sua perspectiva social, propõe, mais uma
vez, essa ação porque percebe nela uma oportunidade de promover aos alunos experiências
ricas e marcantes no âmbito pedagógico e socioambiental, inclusive porque a temática escolhida
propicia trabalhar questões muito importantes, como antirracismo e valorização da diversidade
étnica e cultural. Rosa (2009) explica que a prática da ação cultural nas unidades

�de informação é importante devido a contribuição educativa que promove, podendo ter caráter
transformador da realidade social, na qual os indivíduos tornam-se sujeitos da cultura e
criação de novos conhecimentos. Silva (2018) também defende que “as bibliotecas públicas
universitárias devem se apresentar como sendo um espaço da comunidade acadêmica, mas
também da comunidade em seu entorno”, (SILVA, 2018, p. 783).
A proposta inicial era convidar os Centros de Educação Infantil (CEI’s) vizinhas a IFSC
Câmpus Joinville, contudo o compulsório isolamento social causado pela pandemia do COVID19 fez-se necessárias adaptações para se tornar possível a realização do projeto em 2020.
O objetivo geral do projeto foi aderir ao projeto Presença da RedSOLARE do Brasil
2020. Os objetivos específicos foram: inscrever o IFSC - Câmpus Joinville como voluntário
do projeto Presença 2020, da RedSOLARE Brasil; mobilizar a comunidade para a criação,
confecção e distribuição de bonecos de pano - "mensageiros da paz"; fortalecer o senso de
inclusão e responsabilidade social dos envolvidos no projeto; incentivar o reaproveitamento
de materiais; ressignificar a biblioteca escolar e universitária como espaço de acesso à
informação e construção do conhecimento através possibilidades variadas.
Com isso, principalmente, provocar a ressignificação da Biblioteca do IFSC Câmpus
Joinville como instituição que se preocupa com a formação integral de indivíduo, contribuindo
com o processo educativo através de propostas socioculturais acerca da convivência social,
respeito ao próximo, respeito ao meio ambiente e, sobretudo, a propagação de paz. Além do
caráter interdisciplinar, por proporcionar práticas que exigem noções de matemática, desenho
técnico, materiais, entre outras.
2 MÉTODO
Foi adotada a metodologia de pesquisa-ação para a execução do projeto, na qual o
pesquisador torna-se membro ativo da comunidade envolvida, usando a interação direta para a
compreensão do ambiente e análise das formas de atuação e transformação das situações
vivenciadas (THIOLLENT, 2007). Como o projeto precisou ser na modalidade remota, foi
difícil mensurar o quantitativo dos participantes antecipadamente, pois o convite foi feito pelas
mídias sociais e, verdade, direcionado aos alunos, servidores e familiares, mas também à
comunidade em geral. (IFSC CÂMPUS JOINVILLE, 2020).

�A proposta era realizar as atividades de desenhos e confecção dos bonecos de pano de
forma isolada (Fig. 1). Alguns foram feitos pela equipe da biblioteca e entregues na entrada
do IFSC Câmpus Joinville na modalidade de drive thru. Por fim, análise e reflexão sobre os
resultados alcançados.
Figura 1 – Etapa de criação dos mensageiros da paz

Fonte: elaborado pelos autores (2020).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram confeccionados 60 bonecos de panos. E, para a entrega, adotados todos os
procedimentos sanitários para evitar a contaminação do coronarívus entre os participantes.
Durante 2 horas, compareceram servidores com seus filhos, professores do Centro de Educação
Infantil Sonho de Criança - parceiros na edição de 2019, além de algumas pessoas da
comunidade que passaram casualmente pelo local que receberam bonecos prontos, ou apenas
os “corpos” para serem enfeitados com roupas e adereços pelas crianças das famílias. Foi
proposta a exposição dos bonecos nas janelas das casas, representando um “grito” pelo tema
“Vidas Pretas Importam”. (Fig. 2).
Figura 2 – Entrega dos mensageiros da paz

Fonte: elaborado pelos autores (2019).

4 CONCLUSÕES
Novamente o projeto “Presença” da Biblioteca do IFSC Câmpus Joinville teve
repercussão positiva e alcançou seus objetivos, mesmo num cenário desfavorável à interação

�social, devido à pandemia do COVID-19. Utilizar as redes sociais como principal veículo de
divulgação das atividades do projeto foi uma experiência inovadora para os idealizadores,
confirmando que é possível continuar com as ações de extensão mesmo à distância.
Foi possível por meio do tema “Vidas pretas importam” demonstrar que a reflexão sobre
questões sociais, dentro de uma biblioteca escolar e universitária é fundamental e contribui para
a formação do indivíduo. Espera-se romper com a representação clássica da biblioteca
tradicional, como depósito de livros, de regras rígidas e de silêncio.
Nesse sentido, a edição remota do Projeto Presença, mesmo não obtendo resultados
quantitativos expressivos, provocou amplamente o sentimento de responsabilidade social,
ambiental e, em especial na edição 2020, o respeito ao próximo, empatia, solidariedade e que
devemos ter consciência antirracista, valorizar a diversidade étnica e cultural. Neste sentido,
cada um fazendo a sua parte, todos serão beneficiados e os resultados serão mais significativos.
Por isso, pretendemos dar continuidade ao projeto independente das condições para sua
execução.
REFERÊNCIAS
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SANTA
CATARINA C MPUS JOINVILLE. Projeto Presença: convite. Disponível em:
https://fb.watch/6wol2YGy5J/. Acesso em: 03 jul. 2020.
REDSOLARE Brasil. Presença: o fio que nos une com a infância. Disponível em:
http://presencanomundo.blogspot.com/. Acesso em: 01 jul. 2021.
RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Cia. das Letras, 2019.
ROSA, A. J. S. A prática de ação cultural em bibliotecas. Revista ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina. Florianópolis, v. 14, n. 2, p. 372-381, jul./dez. 2009. Disponível em:
https://www.revista. acbsc.org.br/racb/article/view/675/pdf. Acesso em: 12 fev. 2019.
SILVA, Gilvanedja Ferreira Mendes da. As bibliotecas universitárias vistas sob a perspectiva
de centros culturais: informar, discutir e criar. In: Anais eletrônicos […]. Salvador:
EDUFBA, 2018. p. 777-794. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/27708.
Acesso em: 06 jun. 2019. 2 v.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 15. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
(Coleção Temas básicos de pesquisa-ação).

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                <text>A Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) Câmpus Joinville participou pela segunda vez no Projeto "Presença" da RedSOLARE Brasil, organização que objetiva chamar atenção da sociedade para a infância e sua cultura própria de vida, através da criação e distribuição de bonecos de pano, "mensageiros da paz". O tema escolhido para essa campanha foi “Vidas Pretas Importam” para despertar a importância da educação antirracista, respeito à diversidade racial e cultural. A realização de 2020 precisou ser na modalidade remota devido ao isolamento social imposto pela pandemia da COVID-19. Ainda assim, foi possível mobilizar a comunidade via redes sociais. Foram criados 60 bonecos, os quais foram entregues na entrada do IFSC Câmpus Joinville através drive tour. Para aqueles que não compareceram na entrega, foi proposta a exposição dos bonecos nas janelas das casas. Diante da repercussão positiva do projeto, pretende-se realizar novas edições, apesar de ainda estarmos enfrentando a pandemia.</text>
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                    <text>Eixo - Práticas
"PRESENÇA": UMA AÇÃO SOCIAL DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA CÂMPUS
JOINVILLE E DO CENTRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL SONHO DE CRIANÇA PARA
A COMUNIDADE, ATRAVÉS DA CONFECÇÃO E ENTREGA DE MENSAGEIROS DA
PAZ
"PRESENCE": A SOCIAL ACTION OF THE LIBRARY OF THE FEDERAL INSTITUTE OF
EDUCATION, SCIENCE AND TECHNOLOGY OF SANTA CATARINA CAMPUS
JOINVILLE AND OF THE CHILDREN'S EDUCATION CENTER DREAM OF CHILDREN
FOR THE COMMUNITY, THROUGH THE CONFECTION AND DELIVERY OF
MESSENGER
Angela Morel Nitschke Dums1
Jussiane Ribeiro da Luz2
Resumo: O Projeto "Presença" é uma iniciativa da RedSOLARE Brasil, organização que tem objetiva chamar
atenção da sociedade para a infância e sua cultura própria de vida, através da criação e distribuição de bonecos
de pano, "mensageiros da paz", em espaços públicos. As instituições e a comunidade podem participar do projeto
como voluntários. A Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina
câmpus Joinville e o Centro de Educação Infantil Sonho de Criança participaram dessa ação através da parceria
na qual as crianças da segunda fizeram os desenhos e os alunos da primeira confeccionaram os bonecos de pano
com materiais reutilizados. A aceitação do projeto foi além das expectativas que totalizaram 90 desenhos e 180
bonecos de pano, sendo possível entregar 1 (um) boneco para a criança que o desenhou e outro igual para a
comunidade. As atividades envolveram reflexões acerca do respeito ao próximo, respeito ao meio ambiente e,
sobretudo, da importância das ações interdisciplinares e sociais promovidas pelas bibliotecas. Diante repercussão
positiva do projeto pretende-se realizar novas edições.
Palavras-chave: Projeto Presença da Biblioteca do IFSC, Câmpus Joinville (2019). Eventos especiais.
Bibliotecas.
Abstract: The "Presence" Project is an initiative of RedSOLARE Brasil, an organization that aims to draw
society's attention to childhood and its own culture of life, through the creation and distribution of rag dolls,
"messengers of peace", in public spaces. Institutions and the community can participate in the project as
volunteers. The Library of the Federal Institute of Education, Science and Technology of Santa Catarina,
Joinville campus and the Child Education Center Sonho de Criança participated in this action through a
partnership in which the children of the second made the drawings and the students of the first made the rag dolls
with reused materials. The acceptance of the project went beyond expectations, which totaled 90 drawings and
180 rag dolls were made, being possible to deliver 1 (one) doll to the child who designed it and another similar
one to the community. The activities involved reflections on respect for others, respect for the environment and,
above all, the importance of interdisciplinary and social actions promoted by libraries. In view of the project's
positive impact, new editions are planned.
Keywords: IFSC Library Presence Project, Joinville campus (2019). Special events. Libraries.

¹ Mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bacharel em
Biblioteconomia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). E-mail: angelamn@ifsc.edu.br.
² Mestranda do Programa de Pós Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT). Bacharel em
Biblioteconomia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). E-mail: jussiane.luz@ifsc.edu.br.

�1 INTRODUÇÃO
O projeto Presença – “O fio da esperança que nos une” surgiu com o nome “Ausência
Gera Violência. Marque Presença!” e foi criado em 2012 pela RedSOLARE Brasil, uma
organização sem fins lucrativos, com sede em Salvador, que defende a cultura da infância e da
difusão das práticas educativas que reconhecem o processo pedagógico centrado no
desenvolvimento intelectual, emocional, social e moral que perpassa pelas experiências reais
obtidas por meio da pesquisa e de descobertas sensoriais dos próprios estudantes. O projeto é
uma mobilização contínua de criação e distribuição de bonecos de pano, batizados como
“mensageiros da paz”. As instituições e a comunidade podem participar do projeto como
voluntários. O Presença acontece em aproximadamente 50 cidades brasileiras e 18 países do
mundo. (REDSOLARE Brasil, 2018).
Nessa perspectiva, a Biblioteca do IFSC (Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de Santa Catarina), câmpus Joinville, sentiu-se motivada a participar dessa rede
voluntária em parceria com o CEI Sonho de Criança, ambas instituições de ensino localizadas
no mesmo bairro e que poderiam envolver a comunidade local. Inclusive, a biblioteca reconhece
sua importância no processo formativo do indivíduo, como defendido por Macedo e Santos
(2016) que destacam a biblioteca como instituição que precisa se reinventar, podendo inovar em
diversos aspectos, incrementando as atividades e eventos realizados, por meio da percepção
sobre os interesses dos usuários e a dinâmica do entorno, ampliando seu espaço de atuação
através da promoção de experiências para além de sua delimitação física, (MACEDO;
SANTOS, 2016). Silva (2018) reforça ainda: “as bibliotecas públicas universitárias devem se
apresentar como sendo um espaço da comunidade acadêmica, mas também da comunidade em
seu entorno”, (SILVA, 2018, p. 783).
O IFSC atua em Joinville desde 1994, com o curso técnico em Enfermagem. Hoje,
oferece cursos técnicos concomitantes, subsequentes e integrados na área da saúde e industrial,
curso superior de tecnologia em Gestão Hospitalar e cursos de bacharelado em Engenharia
Mecânica, Engenharia Elétrica e Enfermagem. Já, o Centro de Educação Infantil (CEI) Sonho
de Criança integra a rede municipal de ensino e atende crianças em período parcial, de 3 a 6
anos.

�O objetivo geral do projeto foi aderir ao projeto Presença da RedSOLARE do Brasil
em parceria com o CEI Sonho de Criança. Os objetivos específicos foram: inscrever o IFSC Câmpus Joinville como voluntário do projeto Presença, da RedSOLARE Brasil; estabelecer
parceria com o CEI Sonho de Criança para a criação dos desenhos dos bonecos; fortalecer o
senso de inclusão e responsabilidade social dos envolvidos no projeto, através da interação
entre instituições de ensino de modalidades distintas e a comunidade; incentivar o
reaproveitamento de materiais; mobilizar a comunidade acadêmica na confecção e
distribuição de bonecos de pano - "mensageiros da paz" - em espaço público; ressignificar a
biblioteca escolar e universitária como espaço de acesso à informação e construção do
conhecimento através possibilidades variadas.
Acreditava-se que promover envolvimento entre distintas instituições de ensino seria
positivo para ambas, porque tanto os alunos do ensino fundamental, como os alunos do ensino
médio, técnico e superior seriam incentivados à prática da criatividade, trabalho em grupo, trato
fino, sustentabilidade e responsabilidade social. Além de contribuir de forma interdisciplinar,
através das práticas que exigiram de noções de matemática, desenho técnico, materiais, até
questões socioambientais.
2 MÉTODO
Foi adota a metodologia de pesquisa-ação para a execução do projeto, na qual o
pesquisador tornar-se membro ativo da comunidade envolvida, usando a interação direta para
a compreensão do ambiente e análise das formas de atuação e transformação das situações
vivenciadas (THIOLLENT, 2007). O público alvo compreendeu os 127 indivíduos do CEI
Sonho de Criança (122 alunos e 5 professores), os 160 servidores do IFSC câmpus Joinville e
os familiares e transeuntes presentes no evento de entrega dos bonecos - estes últimos difíceis
de mensurar.
As atividades foram divididas em etapas: primeiramente as crianças da educação
infantil desenharam os bonecos; em seguida, começaram a confecção das roupas, acessórios,
cabelos e finalização dos bonecos pela comunidade do IFSC (Fig. 1); por fim, análise e
reflexão sobre os resultados alcançados, identificação dos aspectos positivos e negativos. A
intenção inicial era reproduzir, pelo menos, 1 (um) boneco para cada desenho criado.

�Figura 1 – Confecção dos bonecos de pano na Biblioteca IFSC câmpus Joinville

Fonte: elaborado pelos autores (2019).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A receptividade do CEI Sonho de Criança ao convite em participar do projeto com a
biblioteca do IFSC foi muito positiva. Foram feitos 90 desenhos e confeccionados 180
bonecos de panos – sendo possível entregar 1 (um) boneco para a comunidade e outro igual
para a criança que o desenhou.
Figura 2 – Entrega dos bonecos no CEI Sonho de Criança

Fonte: elaborado pelos autores (2019).

Surpreendente foi a visita in loco da percursora do projeto, a educadora Marília
Dourado (RedSolare Brasil), na biblioteca do IFSC câmpus Joinville, admirando-se com o
envolvimento de alunos de níveis de formação distintos e com a preocupação de entregar às
crianças suas próprias criações, segundo ela foram feitos “bonecos gêmeos”. No dia da
entrega, os bonecos foram distribuídos em rápidos 30 minutos. Muitas famílias que apenas
estavam nos brinquedos da praça com suas crianças, acabaram levando um “mensageiro da
paz” para casa, surpresos pela iniciativa. (Fig. 3).
Figura 3 – Organização e entrega dos bonecos de pano na praça pública

Fonte: elaborado pelos autores (2019).

�4 CONCLUSÕES
O projeto "Presença" desde sua concepção teve caráter extensionista, por envolver
distintas instituições de ensino e a comunidade, e caráter interdisciplinar, porque as atividades
propostas podendo envolver alunos de qualquer curso e modalidade, porque estimula
atividades técnicas de observação e reprodução, além da reflexão sobre o impacto social das
ações.
A realização do projeto Presença pela biblioteca do IFSC câmpus Joinville confirmou a
importância da biblioteca para a formação ampla e interdisciplinar da comunidade a qual
atende. Essa experiência promoveu a participação de todos num projeto de grande repercussão
social, que envolve solidariedade, comprometimento, trocas, reflexões e descobertas. Deixando
a vontade de tornar o projeto ainda maior nas próximas edições, ampliando o convite para
demais CEI´s do bairro, para os filhos dos servidores do IFSC e para outras instituições que
queiram colaborar de alguma forma.
REFERÊNCIAS
MACEDO, Paula Azevedo; SANTOS, Ana Marysa de Souza. Design Thinking para
Bibliotecas. In: PRADO, Jorge do (org.). Ideias emergentes em Biblioteconomia. São Paulo:
FEBAB, 2016. p. 69-77. Disponível em: http://www.febab.org.br/febab201603/wpcontent/uploads/2016/07/Ideias-Emergentes-Em-Biblioteconomia.pdf. Acesso em: 06 jun.
2019.
REDSOLARE Brasil. Presença: o fio que nos une com a infância. Disponível em:
http://presencanomundo.blogspot.com/. Acesso em: 01 jul. 2021.
SILVA, Gilvanedja Ferreira Mendes da. As bibliotecas universitárias vistas sob a perspectiva
de centros culturais: informar, discutir e criar. In: Anais eletrônicos […]. Salvador: EDUFBA,
2018. p. 777-794. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/27708. Acesso em: 06
jun. 2019. 2 v.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 15. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
(Coleção Temas básicos de pesquisa-ação).

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                <text>O Projeto "Presença" é uma iniciativa da RedSOLARE Brasil, organização que tem objetiva chamar atenção da sociedade para a infância e sua cultura própria de vida, através da criação e distribuição de bonecos de pano, "mensageiros da paz", em espaços públicos. As instituições e a comunidade podem participar do projeto como voluntários. A Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina câmpus Joinville e o Centro de Educação Infantil Sonho de Criança participaram dessa ação através da parceria na qual as crianças da segunda fizeram os desenhos e os alunos da primeira confeccionaram os bonecos de pano com materiais reutilizados. A aceitação do projeto foi além das expectativas que totalizaram 90 desenhos e 180 bonecos de pano, sendo possível entregar 1 (um) boneco para a criança que o desenhou e outro igual para a comunidade. As atividades envolveram reflexões acerca do respeito ao próximo, respeito ao meio ambiente e, sobretudo, da importância das ações interdisciplinares e sociais promovidas pelas bibliotecas. Diante repercussão positiva do projeto pretende-se realizar novas edições.</text>
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                    <text>Eixo3- Inovação
EM TEMPO DE PAZ OU EM TEMPO DE GUERRA, A BIBLIOTECA AVANÇA –
ATÉ CONTRA O CORONAVÍRUS
IN TIME OF PEACE OR IN TIME OF WAR LIBRARY FORWARDS – EVEN AGAINST
THE CORONAVIRUS
Maria de Fátima de Jesus Moreira1
Gerusa Maria Teles de Oliveira2
Rejane Maria Rosa Ribeiro3
Tatiane Souza Santos4
Resumo:Devido à pandemia pelo COVID-19, o mundo vem sofrendo transformações em sua trajetória e uma
dessas transformações está para o contato entre as pessoas, refletindo em toda dinâmica social. Nesta produção,
temos como objetivo apresentar, a partir de uma pesquisa bibliográfica de base qualitativa, que o Sistema
Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana não parou de funcionar e de atender as
demandas dos seus usuários, o que só foi possível com o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação
bem como das redes sociais, e em conformidade com a Administração Central, que nos deu condições para seus
colaboradores trabalharem de casa utilizando seu sistema informatizado de forma remota. As novas Tecnologias
de Informação possibilitaram ao nosso Sistema de Biblioteca alcançar todas as categorias de usuários nas suas
variadas necessidades de informação através da sua home page e das redes sociais institucionais. Por isso, a
importância de se investir no melhor da Tecnologia da Informação e Comunicação bem como na capacitação
profissional a fim de oferecer um trabalho de acordo com a expectativa da clientela.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Tecnologia de Informação. Serviços. Pandemia.
Abstract:Because of the COVID-19 pandemic, the world has been undergoing changes in its trajectory and one
of these changes is the contact between people, reflecting on all social dynamics. In this production, we aim to
present, from a qualitative bibliographic research, that the Integrated Library System of the State University of
Feira de Santana has not stopped working and meeting the demands of its users, which was only possible with
the use of Information and Communication Technologies as well as social networks, and in accordance with the
Central Administration, which gave us conditions for its employees to work from home using its computerized
system remotely. New Information Technologies have enabled our Library System to reach all categories of
users in their varied information needs through its home page and institutional social networks. Therefore, the
importance of investing in the best of Information and Communication Technology, as well as in professional
training, in order to offer a job in accordance with the clients' expectations.
Keywords: universitylibraries; information technology; services; pandemic.
.

1 INTRODUÇÃO

1

Graduação em Biblioteconomia e Documentação. Especialização em Gestão Pública. Especialização em
Desenho, Registro e Memória Visual. Bibliotecária do SISBI-UEFS. fmoreira@uefs.br.
2
Graduação em Biblioteconomia e Documentação. Especialização em Biblioteconomia. Especialização em
Gestão de Pessoas. Bibliotecária do SISBI-UEFS. gerusa@uefs.br.
3
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Especialização em Instituições do Ensino Superior.
Especialização em Metodologia do Ensino Superior e Gestão da Inovação Tecnológica. Bibliotecária do SISBIUEFS. rribeiro@uefs.br.
4
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Especialização em MBA em Administração com ênfase em
Gestão do Conhecimento. Bibliotecária do SISBI-UEFS. tatisantos@uefs.br.

�As bibliotecas universitárias, em conformidade com o avanço das novas tecnologias de
informação e comunicação, adotaram as redes sociais como aliadas na divulgação seus acervos,
produtos e serviços bem como para terem uma maior e mais efetiva comunicação com seus
usuários no entendimento de que:
[...] a informação tem papel fundamental e cada vez mais representativa para o
desenvolvimento social, científico e tecnológico em um país. Tal fato tem exigido dos
profissionais que lidam no dia a dia com esse insumo, em especial os bibliotecários,
uma nova postura profissional para atuação, levando em conta também a velocidade e
a explosão da geração de novos conteúdos. (RIBEIRO; FERREIRA, 2018, p.27).

Preocupados em informar e atender os nossos usuários, nós bibliotecários do Sistema
Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISB/UEFS) estamos
conscientes da nossa competência educativa, do nosso compromisso e da necessidade da
nossa participação nos diversos espaços.
O cenário atual, que começou a ser desenhado no início do ano de 2019 na China – a
pandemia causada pelo Coronavírus – em pouco tempo se alastrou pelo mundo provocando
caos e uma mudança radical nos hábitos e nas ações das pessoas. Os órgãos de saúde, visando
o controle da pandemia, aconselharam pelo isolamento social.
No caos e em meio às restrições impostas como medidas de enfrentamento ao novo
coronavírus, causador da COVID-19, chega o momento de nós bibliotecários apresentarmos,
uma nova postura profissional: não deixar de levar informações e continuar atendendo o
nosso público institucionalizado de 12 mil usuários e a comunidade como um todo, pois
SISBI-UEFS, diante da pandemia do Coronavírus, adotou as medidas de competência
direcionadas pela Administração Central para proteção coletiva e fechou as suas portas, e os
trabalhos passaram a ser realizados, remotamente, de acordo com o Decreto de nº 19.528 de
16 de março de 2020, que institui, no âmbito do Poder Executivo Estadual, o trabalho remoto,
na forma que indica, e dá outras providências: “[...] Art. 1º - Fica instituído, no âmbito do
Poder Executivo Estadual, o trabalho remoto, conforme atribuições regimentais, enquanto
perdurar o estado de emergência em saúde causado pelo coronavírus [...]” ( BAHIA, 2020
online).
Neste contexto, já iniciando as nossas atividades, inclusive de atendimento ao público,
fazendo uso das Tecnologias de Informação e comunicação (TICs), deixamos toda a
comunidade informada sobre a dinâmica do nosso atendimento, que passou a ser remoto.

�Entendemos que alcançamos grande parte dos usuários, pois a maioria tem acesso à
internet. Esta assertiva está sustentada nos resultados apresentados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), que afirma que houve um aumento de 3,6 pontos percentuais,
completando 82,7% de domicílios brasileiros com acesso à internet (BRASIL, 2019), apesar
deste mesmo Instituto sublinhar que 40 milhões de brasileiros não têm internet, (BRASIL,
2019). Otimistas, comunicamos a toda a comunidade que não deixaríamos de atendê-la e que
os serviços ofertados são atendidos. O nosso primeiro passo foi dado no sentido de direcionar
o atendimento. Assim foi estabelecido que o atendimento remoto aconteceria por meios
digitais Sei e e-mail, conforme aviso retratado na Figura 1.
Figura 1 - Comunicado: atendimento remoto

Fonte: Site do Sisbi4.

2 MÉTODO
Este trabalho se configura em uma pesquisa bibliográfica de base qualitativa a partir
da qual apresentamos a nossa dinâmica de trabalho e atendimento ao público, tendo as TICs
como principais ferramentas de apoio. As TICs já cumpriam o seu papel nos auxiliando no
gerenciamento do Sistema de Bibliotecas, mas no que diz respeito ao atendimento ao
público/usuário elas se tornaram fundamentais já que o atendimento presencial ainda não é
possível. Entendemos aqui TICs como: [...] o conjunto de técnicas, equipamentos e processos
necessários ao tratamento e processamento da informação. Vão, portanto, desde uma simples máquina
manual de datilografia até os mais avançados produtos da informática [...] (COSTA, 1995, p.4).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4

http://www.sisbi.uefs.br/

�Em conformidade
ormidade com as instâncias Federais, Estaduais, Municipais e da
Administração Superior, que promulgou medidas adotadas pela UEFS e usando
u
as redes
sociais e o sítio do Sistema de Bibliotecas, como já sublinhado, o nosso atendimento
atendime
está
ocorrendo, exclusivamente, pelos meios digitais, tornando possível o atendimento de um
público de 12 mil discentes
scentes que se somam a toda comunidade
com
externa.
Com o advento das novas TICs,
TICs houve uma aceleração no desenvolvimento das
atividades no âmbito das bibliotecas,
biblioteca tornando possível atingir todas as camadas de usuários
nas suas necessidades e especificidade das informaç
informações. O nosso consórcio com as TICs
TI nos
possibilitaram manter as nossas atividades e aqui apresentamos algumas ações, as mais
recentes, que nos possibilitaram
itaram o atendimento ao público: live "Pesquisa em Bases de
Dados" (Figura 2) é a primeira de uma série denominada "Competência em Informação", que
tem como principal objetivo orientar estudantes e pesquisadores ao acesso às bases de dados
científicos5.
Figura 2 – Live Pesquisa em Bases de Dados

Fonte:Site sisbi. Uefs.6

O SISBI-UEFS também reuniu indicações de e-books, áudio livros, bibliotecas
virtuais/digitais, periódicos, sites e outros materiais eletrônicos gratuitos, disponíveis para
download, que podem ser acessados no computador, smartphone ou tablet.7 Em parceria com
a Manole, disponibilizamos o acesso à plataforma Informed, que, por meio da metodologia
PBL, oferece acesso a artigos, CID-10,
CID 10, diagnósticos, informações de medicam
medicamentos, diretrizes
institucionais e outros conteúdos. Todas essas informações estão em português8. Essas ações
5

Maiores informações, acesse: http://www.sisbi.uefs.br/2021/05/78/Live-Pesquisa-em-Bases
http://www.sisbi.uefs.br/2021/05/78/Live
Bases-de-Dados.html
Para
http://www.sisbi.uefs.br/galeria/63/118/Live
Bases-de-Dados.html
maiores informações, acesse: http://www.sisbi.uefs.br/galeria/63/118/Live-Pesquisa-em-Bases
7
Para maiores informações, acesse: http://www.sisbi.uefs.br/2021/05/77/Conteudo-eletronico
eletronico-gratuito-paradownload.html
8
Para maiores informações, acesse: http://www.sisbi.uefs.br/2021/05/76/Conteudo-digital-com
http://www.sisbi.uefs.br/2021/05/76/Conteudo
com-acesso-gratuitopor-60-dias.html
6

�se somam aos serviços já oferecidos pelo SISB/UEFS, a exemplo da elaboração de ficha
catalográfica, emissão de Nada consta (Figura 3)
Figura 3 – Sobre Nada consta

Fonte: Site sisbi. Uefs9

Por meio do nosso endereço eletrônico, todos os serviços podem ser verificados e
solicitados. Na nossa home page10, todos que a acessarem também poderão ter conhecimento
sobre os eventos já realizados e os a serem realizados.

4 CONCLUSÕES
A pandemia trouxe inúmeros desafios, e a busca por adequações ao momento se
tornou o principal foco das nossas ações para superar as dificuldades ligadas às novas práticas
tecnológicas. Por isso, é de suma importância investimentos em tecnologia da informação e na
capacitação profissional a fim de que os profissionais bibliotecários possam oferecer a sua
clientela um trabalho de acordo com as suas expectativas.

REFERÊNCIAS

BAHIA. Decreto nº 19.528 DE 16 de março de 2020, institui, no âmbito do Poder Executivo
Estadual, o trabalho remoto, na forma que indica, e dá outras providências. Palácio do governo
do Estado da Bahia, 16 de março de 2020. Rui Costa.
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE. Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (PNAD), 2019.
COSTA, Sely Maria de Souza. Impactos sociais das tecnologias de informação. Revista de
Biblioteconomia de Brasília, v. 19, n. 1, p. 3-22, jan./jun. 1995. Disponível em:
https://repositorio.unb.br/handle/10482/17506. Acesso em: maio, 2021.
RIBEIRO, Anna Carolina Mendonça Lemos, FERREIRA, Pedro Cavalcanti Gonçalves.
Bibliotecário do século XXI: pensando o seu papel na contemporaneidade. Brasília: IPEA,
2018.
9

http://www.sisbi.uefs.br
http://www.sisbi.uefs.br

10

�</text>
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Biblioteconomia&#13;
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Oliveira, Gerusa Maria Teles de, Ribeiro, Rejane Maria Rosa, Santos, Tatiane Souza</text>
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                <text>Devido à pandemia pelo COVID-19, o mundo vem sofrendo transformações em sua trajetória e uma dessas transformações está para o contato entre as pessoas, refletindo em toda dinâmica social. Nesta produção, temos como objetivo apresentar, a partir de uma pesquisa bibliográfica de base qualitativa, que o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana não parou de funcionar e de atender as demandas dos seus usuários, o que só foi possível com o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação bem como das redes sociais, e em conformidade com a Administração Central, que nos deu condições para seus colaboradores trabalharem de casa utilizando seu sistema informatizado de forma remota. As novas Tecnologias  de Informação possibilitaram ao nosso Sistema de Biblioteca alcançar todas as categorias de usuários nas suas variadas necessidades de informação através da sua home page e das redes sociais institucionais. Por isso, a importância de se investir no melhor da Tecnologia da Informação e Comunicação bem como na capacitação profissional a fim de oferecer um trabalho de acordo com a expectativa da clientela.</text>
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                    <text>Tradição

DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO: DO FORMULARIO AOS SISTEMAS
INFORMATIZADOS

SELECTIVE DISSEMINATION OF INFORMATION: FROM FORM TO COMPUTERIZED
SYSTEMS
Rejane Maria Rosa Ribeiro1

Resumo: Aborda o Serviço de Disseminação Seletiva da Informação realizado no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Estadual de Feira de Santana desde a década de 1980, através da Biblioteca Central. Descreve como era
realizado o serviço antes da informatização do Sistema de Bibliotecas, pela Seção de Referencia que traçava o perfil dos
usuários através de entrevista e utilizava um formulário para divulgar as novas aquisições da biblioteca e eventos
culturais e científicos no campo de atuação dos cursos ofertados pela universidade. Destaca como a Disseminação
Seletiva da Informação trouxe uma inovação para biblioteca universitária, visto que era um serviço geralmente
desenvolvido por bibliotecas especializadas. Cita o Sumario Corrente de Periódicos, o Clipping de Jornais e o Boletim
Bibliográfico como produtos da Disseminação Seletiva da Informação e conclui apontando os resultados positivos
como o reconhecimento, por parte da administração superior e dos usuários, que consideram o sistema de bibliotecas
como dinâmico e atuante, um exemplo na região do semiárido baiano.
Palavras-chave: disseminação seletiva da informação; serviço de referencia. biblioteca universitaria.
Abstract: It addresses the Selective Information Dissemination Service carried out in the Library System of the
Universidade Estadual de Feira de Santana since the 1980s, through the Central Library. Describes how the service was
carried out prior to the computerization of the Library System, by the Reference Section that traced the profile of users
through an interview and used a form to publicize the new acquisitions of the library and cultural and scientific events
in the field of the courses offered by the University. It highlights how the Selective Dissemination of Information
brought an innovation to the university library, since it was a service generally developed by specialized libraries. He
cites the Current Summary of Journals, Newspaper Clipping and the Bibliographic Bulletin as products of the Selective
Dissemination of Information and concludes by pointing out the positive results as the recognition, by the top
management and the users, who consider the library system as dynamic and example, in the baiano semi-arid region.
Keywords: selective dissemination of information. reference service. university library.

1

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Especialização em Instituições do Ensino Superior. Especialização em
Metodologia do Ensino Superior e Especialização em Gestão da Inovação Tecnológica. Bibliotecária do SISBI-UEFS.
rribeiro@uefs.br.

�1 INTRODUÇÃO
A Disseminação Seletiva da Informação (DSI) surge como uma extensão dos Serviços de
Alertas, aqueles que tem por objetivo informar aos usuários qual informação nova a biblioteca tem
para oferecer. O diferencial do DSI é ser seletivo. Segundo Eirão (2009, p. 21) “... pode ser um
serviço personalizado, de valor agregado e direcionado para a necessidade particular de cada
usuário. ”. Lembrando três das cinco leis de Raganathan: Para cada Leitor, seu Livro; Para cada
Livro, seu Leitor; Poupe o tempo do leitor. O DSI consegue colocar em pratica essas três leis sendo
um instrumento eficiente entre a informação e o usuário.
De acordo com Sampaio e Moreschi (1990) a data de surgimento do DSI varia de 1958 a
1961, para essas autoras um estudo de usuário real e potencial onde se traça o perfil de interesses é
essencial para o sucesso do serviço.
A Biblioteca Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), criada em 31 de
maio de 1976 na região do semiárido baiano, em sua primeira década implanta o DSI, trazendo uma
inovação para biblioteca universitária, visto que DSI nesse período era serviço geralmente de
bibliotecas especializadas.

2 MÉTODO
Na década de 1980 a Biblioteca Central começou com o DSI sob responsabilidade da Seção
de Referência que fazia entrevista com o usuário para definir seu perfil e consequentemente sua
área de interesse, isso era feito com duas categorias de usuários, os alunos de pós-graduação e os
docentes. Então a Referência informava a esses usuários as obras disponíveis no acervo e os eventos
culturais e científicos relacionadas com seus interesses especiais.
A Referência criou um formulário onde colocava o título e número de chamada da obra e
enviava para o usuário (departamento, colegiado ou núcleo de estudo), era o endereço do vínculo
institucional e não endereço residencial. Então se a obra fosse de interesse o usuário se deslocava a
biblioteca para consultar ou emprestar.
Na década de 1990 a Biblioteca Central realizou sua primeira pesquisa para sondar o grau de
satisfação de seus usuários e aproveitou para mapear o perfil de interesse desses usuários. No fim
dessa década foram adquiridas as primeiras bases de dados. Com a aquisição das bases de dados a

�Bibliotecária do Programa de Comutação Bibliográfica (COMUT) dividia o tempo entre as
solicitações do Comut e pesquisa nas bases de dados e informava ou baixava artigos de interesse
dos usuários cadastrados, mas esse serviço de pesquisar nas bases não era um serviço formal de DSI
da biblioteca, era informal, a Bibliotecária fazia a depender da disponibilidade de tempo.
Os usuários adoravam receber por e-mail essa informação ou os artigos, verificação feita
através dos agradecimentos por ligações telefônicas ou e-mail. Nos anos 2000 a Biblioteca Central
substituiu o formulário por e-mail e com a informatização da biblioteca foi adotado o DSI do
Sistema adquirido, onde o usuário na própria base da biblioteca marcava suas áreas de interesse e
continua até hoje mesmo com a troca do Sistema pelo Pergamum.
O Pergamum traça um perfil de interesse do usuário definido pelo próprio usuário na tela de
consulta. Assim o Pergamum:
Permite que o usuário defina as áreas, assuntos e/ou autores que são do seu interesse em
receber as novas aquisições da Unidade de Informação através do Disseminação Seletiva da
Informação (DSI).
A criação do perfil do usuário poderá ser realizada utilizando os filtros: Áreas, Autores,
Assuntos, Unidade, Idioma e Tipo de obra. Também possibilita que usuário defina o período
em que ele deseja receber o DSI. (PERGAMUM, 2013, p. 94)

Baseado nesse perfil, o sistema notifica, por e-mail, ao usuário todo novo lançamento de
informações, na Base do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana
(SISBI-UEFS).
Na década de 80 e 90 o formulário era bem visto e as Seções de Referência e Periódicos
usavam muito. Outro instrumento do DSI foi o Sumário Corrente de Periódicos que era separado
por departamento, isto é, eram selecionados os Periódicos dos cursos ofertados por departamento.
Exemplo: para o departamento de Ciências Humanas e Filosofia eram separados os Periódicos de
Filosofia, História e Geografia.
A Biblioteca Central não mais faz o Sumário Corrente de Periódicos, agora fazemos o
Boletim através do Pergamum, é mensal e entra toda Aquisição feita no mês, isto para Biblioteca
Central, já para as setoriais é trimestral e/ou semestral, depende da setorial.
Assim o DSI começou antes da informatização do SISBI-UEFS, feito manualmente pelo
pessoal da Seção de Referência através do formulário, do Clipping, do Sumario Corrente de
Periódicos e o Boletim Bibliográfico. O Boletim continha as novas Aquisições e era feito no

�mimeógrafo a óleo, as obras no boletim eram separadas por classificação. Os primeiros boletins
bibliográficos são do fim dos anos 1970.
O Clipping, recortes de jornais, feito pela Seção de Periódicos era uma rica fonte de
informação, principalmente para os docentes do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia
que criaram um núcleo de pesquisas sobre a cidade de Feira de Santana e a cultura local e como não
existiam muitas publicações sobre a cidade os jornais eram uma boa e confiável fonte de
informação.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O DSI começou na Biblioteca Central, entretanto os usuários de todo Sistema de Bibliotecas
da UEFS, que conta com oito bibliotecas, através do Pergamum traçam seu perfil de interesse. A
Biblioteca Central que administra todo sistema está atenta as Novas Tecnologias de Comunicação e
Informação, aquelas providas por um computador, então através das redes sociais divulga as novas
aquisições do SISBI, bem como eventos de interesse das áreas de ensino, pesquisa e extensão
desenvolvidos na UEFS.

4 CONCLUSÕES
O DSI trouxe muitos benefícios ao Sistema de Bibliotecas da UEFS, desde sua implantação
na década de 80 do século XX, a receptividade dos usuários sempre foi positiva e contribuiu para o
reconhecimento da biblioteca como dinâmica e atuante por parte da administração superior, que se
evidencia em visitas do reitor às bibliotecas, congratulações no Dia do Bibliotecário e presença nos
eventos do SISBI.
REFERÊNCIAS
EIRÃO, T. G. Disseminação seletiva da informação: uma abordagem. RDBCI: Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 7, n. 2, p. 20-29, 5 ago. 2009. Disponível em:
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1972/2093. Acesso em: 12 fev.
2020.

�PERGAMUM. Consulta web: manual. 2013. Disponível em:
file:///C:/Users/User/AppData/Local/Temp/Rar$DIa2012.48245/PER-MAN-010Consulta%20Web%208.1.pdf. Acesso em 11 fev. 2020.
SAMPAIO, Maria Imaculada, MORESCHI, Erica Beatriz Pinto. R. Bras. Bibliotecon. e Doc., São
Paulo, v.23, n. 1-4, p. 38-57, jan./dez. 1990. Disponível em:
http://www.brapci.inf.br/index.php/article/view/0000002801/bfa9769d9f2bace8eb6428763f9da6b2/. Acesso
em 13 fev. 2020.

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                    <text>Eixo 2 - Práticas
POLÍTICAS DE GESTÃO E PRESERVAÇÃO DE OBRAS RARAS/HISTÓRICAS NAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DO RIO GRANDE DO SUL
MANAGEMENT AND PRESERVATION POLICIES OF RARE / HISTORICAL WORKS IN
UNIVERSITY LIBRARIES IN RIO GRANDE DO SUL
Vanessa Dias Santiago1
João Fernando Igansi Nunes2
Maria Helena Machado de Moraes3
Marcia Della Flora Cortes4
Resumo: As bibliotecas universitárias têm forte ligação com a memória, visto que além de preservar os registros
armazenados nas universidades, essas bibliotecas são também produtoras de memórias, pois desempenham processos no
desenvolvimento de acervos, na administração de recursos e na gestão de pessoas. Sendo assim o presente artigo
constitui-se uma revisão de literatura sobre a temática bibliotecas universitárias como lugar de memória através do
patrimônio bibliográfico científico e a preservação deste patrimônio em meio à relação documento, história e memória,
e o acesso à informação. E tem por objetivo demonstrar a questão preservação dos acervos para a preservação da
memória. Tendo em vista a continuidade da construção cientifica no campo de bibliotecas, patrimônio e memória,
salienta-se que não há pretensão de se esgotar a discussão e sim de colaborar para o avanço científico da temática,
oferecendo assim como produto um conhecimento cujos benefícios possam ser disseminados para toda a sociedade.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Patrimônio bibliográfico. Memória. Preservação de acervos.
Abstract: University libraries have a strong connection with memory, since in addition to preserving the records stored
in universities, these libraries are also producers of memories, as they perform processes in the development of
collections, in the administration of resources and in the management of people. Thus, this article constitutes a literature
review on the subject of university libraries as a place of memory through the scientific bibliographic heritage and the
preservation of this heritage in the midst of the relationship between document, history and memory, and access to
information. And it aims to demonstrate the issue of preserving collections for the preservation of memory. In view of
the continuity of scientific construction in the field of libraries, heritage and memory, it is emphasized that there is no
intention to exhaust the discussion, but rather to collaborate for the scientific advancement of the theme, offering as a
product knowledge whose benefits can be disseminated throughout society.
Keywords: University libraries. Bibliographic heritage. Memory. Preservation of collections

Bibliotecária da Universidade Federal do Rio Grande – FURG e Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e
Patrimônio Cultural – PPGMP/UFPEL. vanessadiasantiago@gmail.com
1

2

Professor Titular da Universidade Federal de Pelotas - UFPEL e Doutor em Comunicação e Semiótica. fernandoigansi@gmail.com

3

Professora Auxiliar da Universidade Federal do Rio Grande – FURG e Doutora em Educação em Ciências. hmachmor@gmail.com

4

Bibliotecária do Instituto Federal Farroupilha - IFFAR e Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e
Patrimônio Cultural – PPGMP/UFPEL. marciadfc@yahoo.com

�1 INTRODUÇÃO
As Universidades são espaços de produção de conhecimento, consequentemente, geradoras
de patrimônio bibliográfico, intelectual, tecnológico e artístico, os quais devem ser preservados.
Neste contexto a biblioteca universitária (BU), constitui-se em um importante instrumento de
recuperação, acesso, preservação e gestão de seus acervos.
Pode-se dizer ainda que a biblioteca universitária possui grande importância tanto para a
comunidade acadêmica na realização de pesquisas científicas quanto para a comunidade geral como
agente sociocultural. Torna-se sua responsabilidade salvaguardar e garantir o acesso público aos
livros os quais possuem valor histórico e cultural, sendo assim é relevante estudar quais políticas de
gestão e preservação para acervos raros e históricos são aplicadas na BUs, a fim de garantir este
acesso.
Corroborando Luck (2000, p. 2), afirma que a Biblioteca Universitária, deve ser considerada
como um recurso que permite à universidade atender às “necessidades de um grupo social ou da
sociedade em geral, através da administração do seu patrimônio informacional e do exercício de
uma função educativa, ao orientar os usuários na utilização da informação”.
Cabe dizer também que os acervos raros e históricos podem, segundo Rodrigues (2006) ser
usados como fonte de pesquisa para produzir novas informações, uma vez que informações antigas,
reutilizadas para uma nova ideia e inseridas no cotidiano de uma realidade existente no presente,
servem de base para a geração de informações futuras e se armazenadas e preservadas corretamente
servirão como fomento à memória do patrimônio cultural bibliográfico, ao qual cada instituição está
inserida.
Salienta-se que este estudo busca compreender como as Bibliotecas Universitárias Federais
do Rio Grande do Sul estruturam suas políticas de gestão e preservação de acervos raros e históricos
de forma a funcionar tanto como um instrumento eficaz de suporte à atuação do profissional
bibliotecário, quanto evidenciar a importância de políticas estruturadas para salvaguardar o acervo
considerado raro ou histórico, a fim de preservar a memória contida em seus acervos.

�2 METODOLOGIA

Neste trabalho apresenta-se o recorte da análise dos dados, sendo composto pelas perguntas
fechadas inerentes a pesquisa, as quais foram organizadas, comparados e estudados de forma que as
questões de múltipla escolha foram analisadas pelo processo de descrição através de tabelas
comparativas. As questões abertas que permitiam respostas subjetivas, foram examinadas através da
análise de conteúdo, proposta por Bardin (2011), todavia não serão discorridas neste momento.
um conjunto de técnicas de análise das comunicações a obter, por procedimentos
sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores
(quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições
de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (Bardin, 2011, p. 47).

Nessa análise, discute-se os dados levantados com a intenção de entender as características
ou estruturas que estão descritas nas mensagens expressas como resposta ao problema proposto no
estudo.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A amostra apresentada aqui será através do resultado da aplicação do questionário em 4
universidades, sendo elas: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL), Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS).
Salienta-se que o retorno até o momento é de 100%, visto que todas as universidades
responderam ao questionário, faltando apenas uma Universidade que faz parte do universo da
pesquisa, a qual ainda não recebeu o formulário.

�QUADRO 1 – Tratamento e gestão do Acervo
Instituição

4. A Instituição à qual você pertence 5. Como estas obras são armazenadas?
possui acervo de obras raras ou
históricas?

FURG

Sim, Obras históricas

São armazenadas em local separado do
acervo corrente

UFRGS

Sim, possui obras raras

São armazenadas em local separado do
acervo corrente

UFPEL

Sim, possui obras históricas

São armazenadas em local separado do
acervo corrente

UNIPAMPA Não possui obras raras e nem históricas

Não estão em local específico

5. Como estas obras são disponibilizadas? 6. A instituição a qual você pertence possui
políticas de gestão e preservação de obras
raras ou históricas?
FURG

Acesso fechado, sem consulta

UFRGS

Consulta local, com acesso fechado em Sim
algumas e aberto em outras

UFPEL

Acesso fechado, sem consulta

UNIPAMPA -

Não

Não para ambas
Não para ambas

14. Qual o setor do Sistema de Bibliotecas 16. Sua instituição possui condições de
é responsável pela gestão e preservação trabalhar com obras raras ou históricas?
destas obras?
FURG

Cada biblioteca é responsável pela sua Sim
gestão

UFRGS

Cada biblioteca é responsável pela sua Sim
gestão

UFPEL

Não existe um setor específico, cada Não
biblioteca faz a sua gestão

UNIPAMPA Não existe um setor específico

Não

Fonte: Dados da pesquisa

No quadro acima pode-se verificar que das quatro instituições respondentes apenas uma não
conta com acervo de obras raras ou históricas. Entretanto, apenas uma possui política de gestão e
preservação para estes acervos. Três das quatro instituições armazenam o acervo de obras raras ou
históricas em local separado do acervo corrente e somente o sistema de Bibliotecas da UFRGS
permite o acesso a estas obras em algumas de suas bibliotecas, as demais o acesso é fechado e sem
consulta.

�Ainda de acordo com o quadro acima, podemos observar que em todos os Sistemas de
Bibliotecas não existe um setor específico para trabalhar a gestão e preservação dos acervos de
obras raras ou históricas, sendo que cada biblioteca possui autonomia para gerir seus acervos.
Ainda, neste contexto, duas participantes dizem ter condições de trabalhar com este tipo de acervo
e as outras duas dizem não ter condições.

4 CONCLUSÕES

Por fim após a análise dos questionários, pretende-se colaborar no desenvolvimento de
possíveis propostas de políticas que deem suporte à atuação administrativa do profissional
bibliotecário, a qual funcione também como um instrumento para preservação da memória do
patrimônio cultural contido nas bibliotecas universitárias.
Com isso, observa-se que uma política efetiva de gestão e preservação de obras
raras/históricas em bibliotecas universitárias é necessária para também preservar a memória do
patrimônio bibliográfico que é construído a todo momento. Logo, a consciência de que os registros
da informação, criados no presente momento e que hoje não fazem parte de um acervo
raro/histórico poderão tornar-se patrimônios bibliográficos num futuro próximo é o primeiro passo
para a preservação.

REFERÊNCIAS
APPOLINÁRIO, Fabio. Metodologia da ciência: filosofia e prática da pesquisa. São Paulo:
Thomson, 2006.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. ed. rev. ampl. São Paulo: Edições 70, 2011.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
LUCK, Esther Hermes et al. A Biblioteca Universitária e as diretrizes curriculares do ensino de
graduação. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11.,
Florianópolis, 2000. Anais... Florianópolis: UFSC, 2000.
RODRIGUES, Márcia Carvalho. Como identificar obras raras. Ciência da Informação, Brasília, v.
35,
n.
1,
p.
115-121,
jan./abr.
2006.
Disponível
em:
http://www.scielo.br/pdf/ci/v35n1/v35n1a12.pdf. Acesso em: 10 set. 2020.

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Biblioteconomia&#13;
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Políticas de gestão e preservação de obras raras/históricas nas Bibliotecas Universitárias do Rio Grande do Sul. (Resumo expandido)</text>
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                <text>As bibliotecas universitárias têm forte ligação com a memória, visto que além de preservar os registros armazenados nas universidades, essas bibliotecas são também produtoras de memórias, pois desempenham processos no desenvolvimento de acervos, na administração de recursos e na gestão de pessoas. Sendo assim o presente artigo constitui-se uma revisão de literatura sobre a temática bibliotecas universitárias como lugar de memória através do patrimônio bibliográfico científico e a preservação deste patrimônio em meio à relação documento, história e memória, e o acesso à informação. E tem por objetivo demonstrar a questão preservação dos acervos para a preservação da memória. Tendo em vista a continuidade da construção cientifica no campo de bibliotecas, patrimônio e memória, salienta-se que não há pretensão de se esgotar a discussão e sim de colaborar para o avanço científico da temática, oferecendo assim como produto um conhecimento cujos benefícios possam ser disseminados para toda a sociedade.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
VISIBILIDADE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA UERJ SOBRE O NOVO
CORONAVÍRUS E COVID-19: RELATO DE CASO
VISIBILITY OF UERJ'S SCIENTIFIC PRODUCTION ON THE NEW CORONAVIRUS AND
COVID-19: CASE REPORT
Joice Soltosky Cunha1
Leila Cristina Rodrigues de Andrade2
Adriana Campos Jaña Caamaño3
Diana Amado Baptista dos Santos4
Ana Rachel Fonseca5
Resumo: Apresenta a organização de um projeto da Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro - para promover a visibilidade da produção científica da instituição sobre o novo
coronavírus e COVID-19, a partir do trabalho de prospecção de bibliotecários e da busca da parceria dos
docentes e pesquisadores, dividido em duas fases sendo a primeira, já em curso, por meio da criação de um
espaço de representatividade temática no site da Rede Sirius e a segunda, com a catalogação e disponibilização
dos materiais no catálogo online, com uso do módulo repositório da ferramenta. Com a reunião, tratamento e
divulgação dos estudos, o projeto busca dar visibilidade e transparência ao que a universidade está
desenvolvendo e colaborar para o enfrentamento da pandemia. Os resultados esperados incluem: contribuir com
a compreensão do fenômeno e das suas implicações; estimular a cultura de compartilhamento e favorecer o
desenvolvimento de novos estudos. Ampara-se na concepção da informação e conhecimento científico como
bens públicos que devem ter ampla disseminação para conhecimento da comunidade cientifica, favorecendo a
troca entre os pares e a disponibilização para a sociedade.
Palavras-chave: Acesso à informação. Pesquisa. Coronavírus. COVID-19. Produção científica.
Abstract: It presents the organization of a project by Rede Sirius - Rede de Bibliotecas of Universidade do
Estado do Rio de Janeiro to promote the visibility of the institution's scientific production on the new
coronavirus and COVID-19, based on the prospecting work of librarians and the search for the partnership of
professors and researchers. It is divided into two phases, the first of which is already underway, through the
creation of a space for thematic representation on the Sirius Network website and the second, with the cataloging
and availability of materials in the online catalog, using the system repository module. With the gathering,
treatment and dissemination of studies, the project seeks to give visibility and transparency to what the university
is developing and contribute to face the pandemic. The expected results include: contribute to the understanding
of the phenomenon and its implications; stimulate the culture of sharing; and foster the development of new
studies. It is supported by the conception of information and scientific knowledge as public goods that must have
wide dissemination for the knowledge of the scientific community, promoting the exchange between peers and
making it available to society.
Keywords: Access to information. Research. Coronavirus. COVID-19. Scientific production.
1

Mestranda em Comunicação e Informação em Saúde (FIOCRUZ). Bibliotecária na Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (UERJ). joice.cunha@uerj.br
2
Especialista em Gestão e Produção Cultural (UNESA). Bibliotecária na Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ). leilaa@uerj.br
3
Especialista em Informação Científica e Tecnológica em Saúde (FIOCRUZ). Bibliotecária na Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (UERJ). acjcaamano@gmail.com
4
Mestranda em Comunicação e Informação em Saúde (FIOCRUZ). Bibliotecária na Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (UERJ). dianaamadosantos@gmail.com
5
Mestre em Biblioteconomia (UNIRIO). Bibliotecária na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
fonseca.anarachel@gmail.com

�1 INTRODUÇÃO
A emergência de estudos sobre a pandemia do mais recente coronavírus humano
SARS-CoV-2, responsável por causar a doença COVID-19, está exigindo a produção de
pesquisas para compreender o fenômeno. Neste sentido, surge também a necessidade de
tratar, organizar e difundir essa produção. Reconhecendo esta necessidade, durante o período
de quarentena, a Rede Sirius – Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), a partir da iniciativa das biblioteca biomédicas, lançou o projeto piloto:
“Visibilidade da produção científica da UERJ sobre coronavírus (COVID-19)”, a fim de dar
visibilidade à produção científica institucional e colaborar com a democratização do acesso,
reunindo, organizando e divulgando os estudos produzidos e contribuir para o enfrentamento
da pandemia.
Cabe destacar, preliminarmente, que a universidade ainda não dispõe de um
repositório institucional, onde estes estudos seriam disponibilizados. No entanto, este projeto
foi pensado como alternativa a esta realidade e como resposta para o momento.
O objetivo geral é promover a visibilidade da produção científica dos pesquisadores da
UERJ sobre coronavírus e COVID-19. Os objetivos específicos são: 1) Identificar e coletar a
produção sobre o tema de pesquisadores da UERJ, em diversas fontes de informação
institucionais e externas, consolidando em uma lista de referências para disponibilização no
site. 2) Criar um espaço de representatividade temática dessa produção, primeiramente no site
da Rede Sirius, e posteriormente inseri-los no acervo digital e Catálogo Online, que inclui a
catalogação dos registros bibliográficos com a utilização do módulo repositório, para
disponibilização de textos na íntegra, respeitando as condições estabelecidas pelas
publicações.
Este projeto ampara-se na concepção de que as bibliotecas universitárias possuem um
importante papel na disseminação e promoção do conhecimento científico, e deste modo, em
apoio à pesquisa realizada na universidade, a sua realização possibilitará reunir e dar o
tratamento técnico necessário aos estudos em um único espaço, colaborando também para
futuros levantamentos da produção institucional sobre o tema.
Reforçamos ainda que esta é uma iniciativa preliminar de um projeto futuro e maior, a
ser desenvolvido por meio do repositório institucional da UERJ, que comportará toda a
produção técnica, científica, tecnológica, cultural e didática produzida por todos os segmentos

�da instituição. Desenvolvida, por ora, de forma pontual diante da relevância do acesso às
produções sobre o tema no contexto da pandemia, e reforçar a transparência e divulgação das
pesquisas e discussões desenvolvidas por pesquisadores da universidade.
No espaço ‘Rede Sirius na quarentena” há também outros materiais que foram
selecionados para dar suporte à comunidade acadêmica. Com a disponibilização da produção
no Catálogo Online da Rede Sirius, no módulo repositório, será possível levantar informações
de acesso e downloads. O mecanismo de busca para recuperação de informações permitirá a
recuperação por palavras no título, autor, assunto, além de várias opções de filtros e envio por
e-mail, exportação, recursos do próprio sistema, e da ferramenta de descoberta utilizada pela
Rede Sirius: EDS Descubra.

2 METODOLOGIA

Foram planejados dois cenários para o levantamento dos materiais: 1) o trabalho de
prospecção dos bibliotecários; 2) convite aos professores e pesquisadores para envio dos
materiais para as bibliotecas vinculadas às respectivas unidades acadêmicas. Cabe destacar
que a Rede Sirius é uma rede de bibliotecas setoriais.
No primeiro cenário - prospecção dos bibliotecários - com as seguintes etapas:
bibliotecários ficaram responsáveis pela identificação dos professores e pesquisadores
vinculados às unidades que as bibliotecas atendem; levantados em bases de dados por autores
e por afiliação (UERJ) e criação de alertas; acompanhamento de redes sociais acadêmicas.
Como critério para a seleção dos estudos, adotou-se que um dos autores tivesse a UERJ como
instituição de afiliação, sendo admitido estudos com autoria compartilhada. Variados tipos de
publicações foram admitidos como: artigos, relatórios, preprints, protocolos de pesquisa,
projetos de pesquisa, notas técnicas, e outros.
Foram inicialmente pensadas algumas fontes como: Portal de publicações da UERJ,
que agrupa os periódicos da universidade, e outras como: Scopus (Elsevier), Web of Science
(Clarivate Analytics), Embase (Elsevier), Cochrane Library, PubMed, Portal BVS, CINAHL
(EBSCO). Para identificação de estudos em fases preliminares, protocolos de pesquisa:
International Prospective Register of Systematic Review (PROSPERO), e o Registro

�Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC); para identificação de preprints: BioRvix – The
Preprint Server for Biology; MedRvix – The Preprint Server for Health Sciences e o Scielo
Preprints. Além destas fontes citadas também a consulta constante aos sites dos institutos e
faculdades, de revistas científicas que são mais frequentemente utilizadas pelos professores
para a publicação e de repositórios institucionais de instituições que costumam figurar em
parcerias nas produções. Também foi utilizado o Google Scholar.
No segundo cenário - convite aos professores e pesquisadores – foi planejada a
divulgação do projeto e a busca por apoio e colaboração para o envio voluntário dos
materiais.
Para a consecução da fase de catalogação dos registros, planejada para o fim da
quarentena, com o uso do módulo repositório do sistema, a consulta aos sites Diadorim6 e
SherpaRomeo7, a fim de verificar as políticas editoriais dos periódicos quanto ao
arquivamento de artigos.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A universidade possui um papel crucial no desenvolvimento de pesquisas e na
comunicação científica. Bueno (2014), no estudo que desenvolveu sobre a divulgação científica
– frente que visa comunicar a ciência para o amplo público, incluindo o leigo - em algumas
universidades no sul do país, onde analisou os portais das respectivas universidades, identificou
que esta atividade não recebe a atenção devida, dificultando o acesso aos stakeholders e à
sociedade.
Guimarães (2014) ao citar o Relatório sobre a Saúde do Mundo de 2004, Knowledge for
Better Health, destaca que
[...] o acesso equitativo à informação científica, publicada e não publicada, é uma ação
prioritária para combater iniquidade. Para alcançar o conjunto de usuários que deve se
beneficiar dos resultados das pesquisas (pesquisadores, tomadores de decisão, gestores
do sistema de saúde, profissionais de saúde, pacientes, público em geral), diferentes
estratégias de difusão de informação devem ser colocadas em prática [...]. É
necessário, portanto, identificar e ter acesso ao estoque de conhecimento já disponível,
e colocá-lo a favor da formulação de políticas públicas e de novas pesquisas
(GUIMARÃES, 2014, p. 69).

6
7

https://diadorim.ibict.br/
http://sherpa.ac.uk/romeo/index.php?la=pt

�Cox (2018) enfatiza o papel das bibliotecas universitárias em aproximação com a
pesquisa, exercendo com afinco o papel de publicadora da produção científica das
universidades, em uma atuação de liderança, compreendida como uma área estratégica,
considerando o macroambiente em que as universidades estão situadas que exige cada vez mais
a difusão das pesquisas. O autor destaca a atuação da biblioteca como um novo paradigma
“biblioteca de dentro para fora”.
4 CONCLUSÕES

As bibliotecas são unidades que podem contribuir para a promoção do acesso
democrático às informações científicas, e deste modo, os estudos selecionados e divulgados por
meio da iniciativa, sob a concepção de bem púbico, podem favorecer o desenvolvimento de
novas pesquisas e colaborar com a busca de soluções sobre os diversos aspectos relacionados à
pandemia da COVID-19. Além disso, considera-se que poderá estimular a cooperação interna
na instituição em prol do compartilhamento; promover acesso e transparência ao que a
universidade está produzindo sobre o tema, como entidade comprometida com os problemas
enfrentados pela sociedade, favorecendo também o conhecimento das pesquisas em curso na
universidade entre os próprios pesquisadores da instituição.
REFERÊNCIAS
BUENO, Wilson da Costa. A divulgação da produção científica no Brasil: a visibilidade da
pesquisa nos portais das universidades brasileiras. Ação Midiática – Estudos em
Comunicação, Sociedade e Cultura, Curitiba, PR, jul., 2014. DOI:
http://dx.doi.org/10.5380/am.v0i7.36340.
Disponível em: https://revistas.ufpr.br/acaomidiatica/article/view/36340/22901. Acesso em:
12 maio 2020.
COX, John. Positioning the academic library within the institution: a literature review. New
Review of Academic Librarianship, [London] v. 24, n. 3-4, p. 217-241, 2018.
DOI 10.1080/13614533.2018.1466342. Disponível em: https://doiorg.ez83.periodicos.capes.gov.br/10.1080/13614533.2018.1466342
Acesso em: 12 maio 2020.
GUIMARÃES, Maria Cristina Soares. Comunicar a ciência: da divulgação científica ao
engajamento em pesquisa. In: GUIMARÃES, Maria Cristina Soares et al. (org.). Divulgação
e jornalismo científico em saúde e ambiente na Amazônia. Manaus: EDUA, 2014. p. 6878. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/10018. Acesso em: 7 set. 2019.

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Biblioteconomia&#13;
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Visibilidade da produção científica da UERJ sobr o novo Coronavírus e Covid-19: relato de caso. (resumo expandido)</text>
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                <text>Joice Soltosky Cunha, Leila Cristina Rodrigues de Andrade, Adriana Campos Jaña Caamaño, Santos, Diana Amado Baptista dos, Fonseca, Ana Rachel </text>
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                <text>Apresenta a organização de um projeto da Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - para promover a visibilidade da produção científica da instituição sobre o novo coronavírus e COVID-19, a partir do trabalho de prospecção de bibliotecários e da busca da parceria dos docentes e pesquisadores, dividido em duas fases sendo a primeira, já em curso, por meio da criação de um espaço de representatividade temática no site da Rede Sirius e a segunda, com a catalogação e disponibilização dos materiais no catálogo online, com uso do módulo repositório da ferramenta. Com a reunião, tratamento e divulgação dos estudos, o projeto busca dar visibilidade e transparência ao que a universidade está desenvolvendo e colaborar para o enfrentamento da pandemia. Os resultados esperados incluem: contribuir com a compreensão do fenômeno e das suas implicações, estimular a cultura de compartilhamento e favorecer o desenvolvimento de novos estudos. Ampara-se na concepção da informação e conhecimento científico como bens públicos que devem ter ampla disseminação para conhecimento da comunidade cientifica, favorecendo a troca entre os pares e a disponibilização para a sociedade.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
ANÁLISE DA PRODUÇÃO TÉCNICA/CIENTÍFICA DO INSTITUTO TECNOLÓGICO
VALE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - ANOS 2017-2020
ANALYSIS OF THE TECHNICAL/SCIENTIFIC PRODUCTION OF THE
TECHNOLOGICAL INSTITUTE VALE SUSTAINABLE DEVELOPMENT - YEARS 20172020
Eddie Carlos Saraiva da Silva 1

Resumo: A produção técnica/científica no Brasil tem relevância para a geração de conhecimento e
informação, levando ao desenvolvimento e progresso de determinadas áreas do conhecimento. O Instituto
Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável, criado em 2010, objetiva o desenvolvimento de soluções e
práticas sustentáveis na cadeia de mineração e sustentabilidade, apoiando-se nos pilares da pesquisa,
capacitação e empreendedorismo. Este trabalho objetiva descrever produção técnica/científica do Instituto,
especificando por grupo de pesquisa e classificação de confidencialidade. A pesquisa se caracteriza como
descritiva, de caráter quantitativo e fundamenta-se em pesquisa documental realizada por meio de
documentos eletrônicos e relatórios fornecidos pela Biblioteca do Instituto. Podemos observar que no
período de 2017-2020, as produções técnicas/científicas quanto a confidencialidade do documento, as
produções públicas destacam-se; de 2018-2020 chegam a aproximadamente 50% da produção técnica/ano.
Quanto as publicações cientificas, destacam se por ano os grupos: Biodiversidade e Serviços
Ecossistêmicos (2017/2018); Genômica Ambiental (2019) e; Tecnologia Ambiental (2020).
Palavras-chave: Produção técnica. Produção científica. Instituto Tecnológico Vale.
Abstract: Technical/scientific production in Brazil is relevant to the generation of knowledge and
information, leading to the development and progress of certain areas of knowledge. The Vale Sustainable
Development Technological Institute, created in 2010, aims to develop sustainable solutions and practices
in the mining and sustainability chain, based on the pillars of research, training and entrepreneurship. This
work aims to describe the Institute's technical/scientific production, specifying by research group and
confidentiality classification. The research is characterized as descriptive, quantitative and is based on
documentary research carried out through electronic documents and reports provided by the Institute's
Library. We can observe that in the period of 2017-2020, the technical/scientific productions regarding the
confidentiality of the document, the public productions stand out; from 2018-2020 they reach
approximately 50% of the technical production/year. As for scientific publications, the following groups
stand out per year: Biodiversity and Ecosystem Services (2017/2018); Environmental Genomics (2019) e;
Environmental Technology (2020).
Keywords: Technical production. Scientific production. Vale Technological Institute.

1 INTRODUÇÃO

O Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV DS) proporciona a
interação e integração de três vertentes: pesquisa, ensino e empreendedorismo. Conta com
uma estrutura que comporta sala de aula, auditórios, biblioteca e nove laboratórios: fotônica,

1

Graduando em Biblioteconomia, Universidade Federal do Pará. eddiesaraiva@gmail.com

�microscopia óptica, proteômica, genômica, geral, citometria, microbiologia, modelagem
matemática e robótica. As bibliotecas vinculadas ao ITV DS têm como objetivo
[...] prover informações que atendam aos objetivos do Instituto, tanto ao que se
refere às pesquisas quanto ao ensino de pós-graduação, disponibilizando o material
informacional necessário para o desenvolvimento de suas atividades. As unidades I e
II estão situadas em Belém, no Pará, a primeira funciona no prédio do Instituto
Tecnológico Vale e a segunda no Ceamazon - Centro de Excelência em Eficiência
de Energia da Amazônia, no campus da UFPA - Universidade Federal do Pará [...]
(ITV, [20??], não paginado).

A biblioteca oferece apoio bibliográfico e normativo ao programa de pós-graduação de
Uso Sustentável dos Recursos Naturais de Regiões Tropicais e aos grupos de pesquisa que se
distribuem entre: Geologia Ambiental e Recursos Hídricos (GARH), Biodiversidade e
Serviços Ecossistêmicos (BSE), Genômica Ambiental (GA), Tecnologia Ambiental (TA),
Socioeconomia e Sustentabilidade (SS) e, Computação Aplicada (CA).

2 MÉTODO

Foi utilizado o método de pesquisa descritiva com a finalidade de estudar a produção
técnica/científica do ITV DS. Para isso, a pesquisa documental fundamenta-se em
documentos eletrônicos e relatórios internos disponibilizados pela Biblioteca do Instituto,
afim de contabilizar percentuais das produções. Como objetos de estudos apresentamos o a
produção técnica/científica do ITV DS, no período de 2017-2020. O estudo terá caráter
essencialmente quantitativo.

3 ANÁLISE DA PRODUÇÃO TÉCNICA E CIENTÍFICA DO ITV DS (22017-2020)

O ITV DS possuía até meados de 2020 91 pesquisadores (titulares e bolsistas)
distribuídos entre os grupos de pesquisa, os mesmos contam ainda com a participação de
discentes dos programas que tem seus trabalhos vinculados com algum projeto de pesquisa
desenvolvido no instituto. A pesquisa tecnológica e científica, a capacitação profissional e o
empreendedorismo são a base-tríplice do ITV DS, promovendo soluções e práticas
sustentáveis na área da mineração. Dos produtos técnicos/científicos elaborados por meio do
ensino e da pesquisa destacamos, e limitamos o trabalho, aos relatórios técnicos e artigos
submetidos a periódicos nacionais (Brasil) e internacionais. O estudo analisa a produção
dentro do período de 2017-2020 e avaliação o desenvolvimento e a variação dentre os grupos
ao longo desses anos.

�Os Relatórios Técnicos são produzidos de duas formas: entre os pesquisadores e com
participação dos discentes do Mestrado Profissional, sendo nesse segundo caso parte
integrante da dissertação para conclusão do curso. Uma das formas de classificar os
Relatórios Técnicos é no âmbito de confidencialidade dos dados, que podem ser: confidencial
(alta), restrito (média), uso interno (baixa) e público (nenhuma). Optou-se por demonstrar a
evolução através da classificação de confidencialidade, ressaltando o uso das três primeiras
classificações mencionadas ao uso de dados internos, respeitando as diretrizes de gestão,
estratégia empresarial e ética, e os classificados como públicos são depositados no site do ITV
DS (Gráfico 1).

Gráfico 1 - Produção técnica do ITV DS: classificação de confidencialidade/ano (2017-2020).

Fonte: ITV DS (Biblioteca Hilgard O’Reilly Stenberg), (2021).

Podemos observar um significativo aumento na produção técnica ao longo do período
2017-2020, onde em torno de 50% da produção anual é classificada como público, sem
nenhuma confidencialidade e para acesso aberto. Além disso, os documentos com alta e
média confidencialidade mantiveram um padrão de produção nos quatro anos analisados.
A produção científica publicada em periódicos nacionais (Brasil) e internacionais nos
anos de 2017-2020 totalizam 352 artigos, com uma média de 88 produções por ano (Gráfico
2). Podemos destacar três dos seis grupos de pesquisa, em ordem decrescente de publicações
totais: Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos; Tecnologia Ambiental e; Genômica
Ambiental. Dois dos grupos citados anteriormente compõe a linha de pesquisa de Uso
Sustentável de Recursos Biológicos (BSE; GA); e Tecnologia Ambiental fazendo parte da
linha Socioeconomia e Sustentabilidade na Mineração, junto com os demais grupos.

�Gráfico 2 - Produção científica em periódicos nacionais (BRA) e internacionais/grupo de pesquisa (2017-2020).

Fonte: ITV DS (Biblioteca Hilgard O’Reilly Stenberg), (2021).

Ainda sobre as produções científicas já publicadas pelo ITV DS, podemos
correlacionar com o Qualis Capes dos periódicos, que é “um sistema que faz a classificação
científica dos programas de pós-graduação brasileiros, no que diz respeito aos artigos
publicados em diversos peródicos, revistas [...]” (DOITY TEAM, [2018]).

Gráfico 3 - Percentual de produção/Qualis Capes

Fonte: ITV DS (Biblioteca Hilgard O’Reilly Stenberg), (2021).

�A classificação e estratificação do Qualis Capes, são: A1 e A2 (periódicos de
excelência internacional); B1 e B2 (periódicos de excelência nacional); B3, B4 e B5
(periódicos de média relevância) e; C (periódicos de baixa relevância, ou seja, considerados
não científicos ou inaceessives para avaliação) (DOITY TEAM, [2018]).
O ITV DS possui publicações nas categorias que vão de C até A1, e alguns não
possuem classificação e são mencionados no gráfico como Nâo se aplica (NA) (Gráfico 3).
Podemo observar que 51% das produções são publicados em periódicos de excelência
internacional (A1 e A2), enquanto que os demais 49%, são distribuídos entre B1 e B2 (36%);
B3, B4 e B5 (7%); e C (1%). Além disso, as publicações em periódicos que não possuem
classificaçao totalizam 5%, um percentual maior do que os periódicos de baixa relevância e
bem próximo dos que de média relevância.

4 CONCLUSÃO

As atividades do ITV DS giram em torno do Ensino e da Pesquisa, ambas as
atividades objetivam desenvolver soluções sustentáveis para as atividades oriundas da
mineração no Brasil. Tanto os Relatório Técnicos quanto os artigos publicados têm
fundamental importância, pois são as evidências dos resultados alcançados pelos pesquisas e
projetos implantados. Com relação aos Relatórios Técnicos observamos um aumento de em
média 60% na produção ao longo de 2017-2020, e a produção científica, nota-se uma variação
muito relevante dentro de cada grupo de pesquisa e entre os grupos no mesmo período,
entretanto, mas de 50% dessa produção foi submetida junto a periódicos de alta relevância
internacional.
REFERÊNCIAS
DOITY TEAM. Entenda o que é Qualis Capes e como é possível consultá-lo. [2018].
Disponível em: https://doity.com.br/blog/o-que-e-qualis-capes/. Acesso em: 14 abr. 2021.
INSTITUTO TECNOLÓGICO VALE. Belém: Vale, [20--?]. Disponível em:
http://www.itv.org/. Acesso em: 20 fev. 2021.
______. Relatório de Produção Técnica e Científica. Belém: ITV, 2021. (Biblioteca Hilgard
O’Reilly Stenberg).

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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Análise da produção técnica/científica do Instituto tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável - anos 2017-2020. (resumo expandido)</text>
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                <text>A produção técnica/científica no Brasil tem relevância para a geração de conhecimento e informação, levando ao desenvolvimento e progresso de determinadas áreas do conhecimento. O Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável, criado em 2010, objetiva o desenvolvimento de soluções e práticas sustentáveis na cadeia de mineração e sustentabilidade, apoiando-se nos pilares da pesquisa, capacitação e empreendedorismo. Este trabalho objetiva descrever produção técnica/científica do Instituto, especificando por grupo de pesquisa e classificação de confidencialidade. A pesquisa se caracteriza como descritiva, de caráter quantitativo e fundamenta-se em pesquisa documental realizada por meio de documentos eletrônicos e relatórios fornecidos pela Biblioteca do Instituto. Podemos observar que no período de 2017-2020, as produções técnicas/científicas quanto a confidencialidade do documento, as produções públicas destacam-se, de 2018-2020 chegam a aproximadamente 50% da produção técnica/ano. Quanto as publicações cientificas, destacam se por ano os grupos: Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (2017/2018), Genômica Ambiental (2019) e, Tecnologia Ambiental (2020).</text>
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                    <text>Eixo 2- Práticas
DESBUROCRATIZAÇÃO DOS SERVIÇOS EM BIBLIOTECA: UM ESTUDO SOBRE A
LEI Nº 13.726, APLICADA ÀS BIBLIOTECAS DO INSTITUTO FEDERL DE
PERNAMBUCO
DEBUREAUCRATIZATION OF LIBRARY SERVICES: A STUDY ON LAW No. 13.726, APPLIED
TO LIBRARIES OF THE FEDERL INSTITUTE OF PERNAMBUCO
Adna Márcia Oliveira de Sena 1
Andréa Cardoso Castro 2
Graziella da Silva Moura 3
Gustavo Aragão4

Resumo: Pesquisa realizada e apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Gestão
Pública, pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Aborda conceitos sobre a Lei nº 13.726 / 2018, que trata da
desburocratização dos serviços públicos, evidenciando sua aplicabilidade aos serviços ofertados pelas bibliotecas em
uma instituição pública de ensino. Tem como objetivo principal analisar o impacto da referida Lei no que diz respeito
aos procedimentos administrativos das bibliotecas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de
Pernambuco. Trata-se de uma pesquisa descritiva, com uma abordagem quantitativa e qualitativa para evidenciar o
problema de estudo, utilizando-se do questionário como instrumento para coleta dos dados, o qual foi enviado para
todos os profissionais lotados nas bibliotecas, com formação em Biblioteconomia. De posse dos resultados, constatou-se
que a maioria desses profissionais desconhecem a referida lei, não sendo possível, para estes, mensurar a necessidade de
mudança de algum procedimento administrativo no setor a fim de se adequarem ao que determina a lei. Nesse sentido, é
evidente a necessidade de constante atualização desses profissionais, assim como maior divulgação e fiscalização da
aplicação da Lei nas instituições públicas.

Palavras-chave: Biblioteca pública- Gestão. Gestão Pública. Serviços públicos - simplificação. Bibliotecários – IFPE.
Abstract: Research carried out and presented as a partial requirement for obtaining the title of Specialist in Public
Management, by the Federal Rural University of Pernambuco. It addresses concepts of Law No. 13.726 / 2018, which
deals with the reduction of bureaucracy of public services, showing its applicability to services offered by libraries in a
public educational institution. Its main objective is to analyze the impact of the referred Law regarding the
administrative procedures of the libraries of the Federal Institute of Education, Science and Technology of Pernambuco.
This is a descriptive research, with a quantitative and qualitative approach to highlight the study problem, using the
questionnaire as an instrument for data collection, which was sent to all professionals working in libraries, trained in
Library Science. With the results, it was found that most of these professionals are unaware of the aforementioned law,
and it is not possible for them to measure the need to change some administrative procedure in the sector in order to
adapt to what the law determines. In this sense, the need for constant updating of these professionals is evident, as well
as greater dissemination and inspection of the application of the Law in public institutions.
1

Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica - IFPE. Bibliotecária no IFPE- Campus Cabo de Santo Agostinho.
E-mail: adna.sena@cabo.ifpe.edu.br
2
Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica - IFPE. Bibliotecária no IFPE- Campus Olinda. E-mail:
andrea.cardoso@olinda.edu.br
3
Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica -IFPE. Bibliotecária no IFPE- Diretoria de Educação a Distância.
E-mail: graziellamoura7@gmail.com
4
Mestre em Ciência da Informação - UFPE. Professor Tutor na UFRPE. E-mail: gustavo@globalplanning.com.br.

�Keywords: Public library- Management. Public administration. Public services - simplification. Librarians – IFPE.

1 INTRODUÇÃO
Vive-se na era da informação. Isso significa que a população tem cada vez maior acesso às
informações e, consequentemente, torna-se mais consciente de seus direitos e deveres. Essa busca
por informações confiáveis e de qualidade, que agregam conhecimentos, além da busca por serviços
se dar principalmente na esfera pública, considerando que, como o próprio nome preconiza, são
instituições públicas cujo principal objetivo deve ser servir ao público, sendo obrigação do Estado
fornecer

à

população

uma

variedade

de

serviços.

No entanto, a maioria das pessoas deparam-se com grandes entraves na busca por
informações e serviços, principalmente na rede pública, seja pela morosidade, pelo excesso de
regras e normas, o que acaba causando a ineficiência do serviço e a instituição sendo
pejorativamente chamada e reconhecida como uma instituição burocrática.
Para Chiavenato, 2014, p. 258, a burocracia “é uma forma de organização humana que se
baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de
garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos”. Ou seja, trata-se da tentativa de
formalizar e coordenar o comportamento humano por meio da autoridade racional-legal para se
atingir os objetivos da organização. Esse é um pensamento alinhado ao defendido pelo cientista
político e sociólogo alemão Max Weber (1864-1920), principal estudioso e criador da teoria da
burocracia na administração.
Desta forma, o termo burocracia não deve ser confundido com burocratização, considerando
que este é a aplicação exagerada da normatização, regulação e hierarquização nas organizações,
caracterizado como as disfunções da burocracia. Embora a burocracia seja uma forma de organização
humana, cuja característica fundamental é a busca pela efetividade no controle dos abusos e da
eficiência no alcance dos objetivos institucionais, percebe-se que “a administração pública tende a
reagir de forma lenta e insatisfatória às mudanças econômicas e sociais que se processam a sua volta,
tornando mais acentuadas suas distorções e ineficiências.” (MATIAS-PEREIRA, 2016, p. 57)
Assim, a fim de amenizar os entraves enfrentados pelos cidadãos na busca de serviços
públicos, surge a Lei nº 13.726, publicada em 8 de outubro de 2018, que institui o Selo de
Desburocratização e Simplificação no serviço público, tendo por objetivo simplificar os

�procedimentos na administração pública, pondo um fim nas exigências e formalidades
desnecessárias, permitindo prestar melhor e mais ágil atendimento aos cidadãos.
A aplicabilidade dessa lei a fim de garantir melhores serviços aos usuários das bibliotecas do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) é o foco desta pesquisa,
tendo como objetivo principal analisar o impacto da Lei nº 13.726/2018, no que diz respeito aos
procedimentos administrativos das Bibliotecas do IFPE.
A realização desse trabalho justifica-se pela necessidade de obter maior conhecimento a
respeito da Lei nº 13.726, analisando as mudanças na rotina e execução das atividades
administrativas nas bibliotecas do IFPE advindas mediante essa Lei, e quais as implicações que a
mesma trará, na prática, para os servidores desse setor, àqueles que prestam serviços para a
comunidade e os cidadãos para quem os serviços são destinados. Também pretende servir como
apoio às discussões relacionadas a temática burocracia e gestão de bibliotecas universitárias e
escolares em instituições públicas de ensino no que tange ao processo de simplificação dos
procedimentos administrativos a fim de alcançar excelência no atendimento aos usuários.
Desta forma, surge a seguinte pergunta de pesquisa: como os bibliotecários, lotados no setor
biblioteca do IFPE, analisam a Lei nº 13.726 e quais mudanças/ melhorias houve nos procedimentos
administrativos e atendimento aos usuários das bibliotecas mediante a aplicação da referida lei?
O interesse pelo tema nasceu por já ter vivenciado os efeitos do excesso de burocratização
nos procedimentos de algumas instituições públicas, tanto na busca quanto na prestação de serviços,
e se desenvolveu após a realização de leituras sobre o tema.
Destaca-se o cunho social dessa pesquisa, mediante o ganho que toda sociedade terá através
da aplicabilidade das medidas de desburocratização dos serviços e consequentemente a
modernização do setor público, uma vez que é de conhecimento de todos que a sociedade deseja, na
obtenção de algum serviço público, um atendimento ágil, eficiente, de qualidade e sem custos
desnecessários, como por exemplo a autenticação de documentos.
Com a realização dessa pesquisa foi possível observar a necessidade de maior divulgação
dessa lei, não apenas entre os bibliotecários alvos deste estudo, mas para todos integrantes do
funcionalismo público, sejam os que ocupam cargo de gestão e tomam as decisões sobre produtos e
serviços a serem ofertados como aqueles que lidam diretamente no atendimento ao público.
Também constatou-se ser necessário maior fiscalização a fim de saber se a lei de fato está sendo
cumprida

em

todos

os

setores

das

organizações

públicas.

�Esta Pesquisa foi realizada e apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de
Especialista em Gestão Pública, pela Universidade Federal Rural de Pernambuco.

2 BUROCRACIA NO SERVIÇO PÚBLICO
Muito se ouve falar a palavra burocracia, embora nem sempre se saiba o seu real significado.
A ideia comumente repercutida por muitos é de que as práticas burocráticas são entraves para um
bom gerenciamento de qualquer organização. No entanto, o termo burocracia em seu sentido original
indica uma forma de organização que se baseia na racionalidade da lei, que atua em prol de todos.
Isto é, nas organizações modernas são as normas ou leis que regem o comportamento das pessoas e
não os interesses individuais e pessoais.
Para Silva (2008, p.146) “a burocracia como forma de organização das atividades humanas é
muito antiga; entretanto, com teoria desenvolvida, com objetivos específicos, só surgiu com Max
Weber” que denominou a sua teoria de Teoria da Burocracia por acreditar que todas as organizações
formais são burocracias, ou seja, são regidas por lei. Weber, foi o pioneiro a realizar estudos a
respeito dessa temática, na década de 20, que criou o conceito de tipo ideal de burocracia.
(MAXIMIANO, 2008).
Nesse modelo ideal, vislumbrado por Weber, a burocracia tem os seguintes princípios:
Divisão do trabalho: Funções bem definidas, subdivididas racionalmente em tarefas simples
e rotineiras; Impessoalidade: Os membros da organização têm direitos e deveres definidos
por regras aplicadas de forma uniforme a todos, de acordo com o seu cargo ou função;
Hierarquia: A organização dos cargos obedece ao princípio da hierarquia, cada cargo
inferior está sob o controle e supervisão do superior; Profissionalismo: O recrutamento é
feito por regras previamente estabelecidas, garantindo a igualdade de oportunidades no
acesso à carreira; Padronização e formalização: Existe um sistema de regras e
procedimentos escrito, padronizado e formalizado; Autoridade: A fonte da autoridade é a
regra, a lei. A obediência deve-se à ordem impessoal determinada pela regra; Separação de
domínios público e privado: Os membros do quadro administrativo devem estar
completamente separados da propriedade dos meios de produção e administração.
Paralelamente, existe completa separação entre o cargo da pessoa e a sua vida privada.
(SOBRAL; PECI, 2013, p.62)

Uma organização, é a estrutura de objetivos, relacionamentos, comunicações, poder dentre outros
fatores existentes resultando do trabalho conjunto de várias pessoas. Assim, o modelo de um sistema
burocrático concebido por Weber, conforme descrito acima, visava o que seria a burocracia ideal.
“Longe de serem inflexíveis, as burocracias foram estabelecidas para oferecer o meio mais eficiente de
obter o trabalho feito. Cada funcionário definiria precisamente sua atividade e a relação com outras
atividades. Burocratas eram gerentes habilidosos que faziam a organização funcionar.” (SILVA, 2008, p.
147).

�Porém, com o tempo o termo burocracia passa a ter conotações negativas, como se é
popularmente

conhecido

na

atualidade,

sendo

geralmente

associado

ao

excesso

de

formalismo, papéis e regulamentos exigidos e existentes principalmente nas instituições públicas,
exigências procedimentais desnecessárias, sendo sinônimo de morosidade, lentidão, rigidez e
ineficiência.
A esses problemas, consequências imprevistas da burocracia, geralmente decorrentes do
excesso de formalismo, tornando-se fins em vez de meios na busca de objetivos predefinidos, Weber
já os tinha previsto e os denominou de disfunções da burocracia. As disfunções da burocracia,
segundo Sobral e Peci (2013, p.64) pode ser definido como o “conjunto de problemas originados pela
obediência cega aos princípios burocráticos que causam ineficiência, lentidão e rigidez na gestão de
uma organização”, conforme melhor exemplificado na figura abaixo.

Figura 1: Excesso de burocratização e consequências imprevista da burocracia

Fonte: MARCELINO, D. A. (2008, p.5).

�A fim de amenizar os efeitos das disfunções da burocracia surge a Lei nº 13.726, publicada
em 8 de outubro de 2018, que institui o selo de Desburocratização e Simplificação no serviço
público, tema principal desta pesquisa.

3 METODOLOGIA

3.1 Caracterizações da Pesquisa
De acordo com os objetivos propostos, este estudo trata-se de uma pesquisa descritiva, cujo
principal objetivo é destacar as características de determinada população ou fenômeno sem
manipulá-los. Segundo Fernandes e Gomes (2003, p. 8)
a pesquisa descritiva trata-se, portanto, de uma modalidade de pesquisa cujo objetivo
principal é descrever, analisar ou verificar as relações entre fatos e fenômenos (variáveis), ou
seja, tomar conhecimento do que, com quem, como e qual a intensidade do fenômeno em
estudo. A pesquisa descritiva pode também ser utilizada para avaliação de programas; sendo
que tais estudos podem ou não trabalhar com a formulação de hipóteses e muitas vezes
podem servir de base para estudos de relações causais. (FERNANDES; GOMES, 2003, p.8)

Com isso, ao se extrair, adequadamente, uma amostra de determinada população, a qual se
deseja analisar, as características dessa amostra podem ser utilizadas para inferir as características da
população como um todo (RICHARDSON et al., 2009).
A pesquisa terá uma abordagem quantitativa e qualitativa. Para Richardson et al. (2009, p. 70)
o método quantitativo
[...] caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de
informações, quanto no tratamento delas por técnicas estatísticas. [...] representa, em
princípio, a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e
interpretação, possibilitando, consequentemente, uma margem de segurança quanto às
inferências. É frequentemente aplicado nos estudos descritivos. (RICHARDSON et al., 2009,
p.70)

Com relação à abordagem qualitativa da pesquisa, identifica-se por uma tentativa de
compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas pelos
questionados, que para Neves (1996, p.1)
dela faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do
pesquisador com a situação objeto de estudo. Nas pesquisas qualitativas, é frequente que o
pesquisador procure entender os fenômenos, segundo a perspectiva dos participantes da
situação estudada e, a partir daí, situe sua interpretação dos fenômenos estudados. (NEVES,
1996, p.1).

3.2 Cenário do estudo

�O estudo foi realizado com os bibliotecários, concursados e ocupantes do cargo de
bibliotecário assim como os de formação em Biblioteconomia que são concursados como auxiliares
de biblioteca e trabalham nas 18 (dezoito) Bibliotecas do FPE, distribuídas dentre os 16 (dezesseis)
Campi mais a Diretoria de Educação à Distância (DEaD) e Reitoria, que apesar de não existir
biblioteca no local conta com a presença de uma bibliotecária, estando a mesma como coordenadora
do Sistema Integrado de Bibliotecas do IFPE (SIBI).
O IFPE possui 16 Campi, distribuídos do litoral ao sertão do Estado de Pernambuco, são eles:
Abreu e Lima, Afogados da Ingazeira, Barreiros, Belo Jardim, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru,
Garanhuns, Igarassu, Ipojuca, Jaboatão, Olinda, Palmares, Paulista, Pesqueira, Vitória de Santo
Antão e Recife que conta com 2 bibliotecas sendo uma especializada em gestão ambiental. O
conjunto dessas bibliotecas compõe o SIBI.

3.3 População e Amostra
Fez parte da referida pesquisa o total de 28 (vinte e oito) bibliotecários lotados nas bibliotecas
do IFPE, distribuídos entre bibliotecários concursados nesse cargo e os formados em
Biblioteconomia, mas que desempenham a função de auxiliar de biblioteca.
3.4 Instrumento de Coleta de Dados
Para o desenvolvimento do estudo, o instrumento adotado para a obtenção dos dados foi o
questionário, que pode ser definido como “a técnica de investigação composta por um número mais
ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas tendo por objetivo o conhecimento
de opiniões” (GIL 1999, p.128).
O questionário foi composto por 9 (nove) perguntas, divididas em múltipla escolha,
dicotômica fechada e questões abertas. Para verificar a clareza do instrumento escolhido para coleta
dos dados, foi realizado um pré-teste do questionário com bibliotecários de 3 (três) bibliotecas, a
saber: Campus Cabo de Santo Agostinho, Olinda e Recife. O pré-teste refere-se à “aplicação prévia
do questionário a um grupo que apresente as mesmas características da população incluída na
pesquisa. Tem por objetivo revisar e direcionar aspectos da investigação” (RICHARDSON et al.,
2009, p.202). O questionário, assim como o pré-teste, foi enviado para o público alvo da pesquisa por
e-mail e pelo WhatsApp.
A análise dos dados foi feita de acordo com o tipo de pergunta existente no questionário. Para
a questão dicotômica fechada e as de múltipla escolha foi utilizado o método estatístico. Já as

�perguntas abertas, nas quais os usuários deram as mais variadas respostas, foram analisadas de forma
qualitativa.

4 RESULTADOS

O questionário foi enviado aos vinte e oito profissionais bibliotecários lotados nas bibliotecas
do IFPE, distribuídos entre bibliotecários concursados nesse cargo e os formados em
Biblioteconomia, mas que desempenham a função de auxiliar de biblioteca. Destes, obteve-se 23
(vinte e três) questionários respondidos, representando aproximadamente 82% da população total. É
importante observar a expressiva quantidade de questionário respondido se considerando à população
estudada, visto que na aplicação de questionários o retorno de respostas é em média de 25%
(MARCONI; LAKATOS, 2009).
Inicialmente, buscou-se saber em qual Campus o profissional respondente está lotado e em
qual faixa etária está inserido. Em relação ao Campus, obteve-se resposta de profissionais de 13
(treze) Campi além da Reitoria e da DEaD, sendo o maior número de respondentes do Campus
Recife, 14,3%. Isso se deve ao fato de ali está concentrado maior quantidade de profissionais alvo da
pesquisa. Com relação à faixa etária, 73,9% dos respondentes têm idades entre 26 a 40 anos,
demonstrando ser uma categoria de profissionais relativamente jovens.
Na questão de número 3 procurou identificar se esses profissionais participam da tomada de
decisão quanto aos serviços e produtos ofertados pela biblioteca, dos quais 82,6% afirmaram que sim
e 17,4% afirmaram que não. Apesar da maioria dos respondentes fazerem parte da tomada de decisão
é preocupante o fato deste não ser em sua totalidade, visto que devido a sua formação acadêmica
espera-se que esses profissionais possuam habilidade e conhecimentos necessários para participarem
dos processos decisórios nas bibliotecas, somando-se a isso a criação de maior relação de
pertencimento com a instituição na qual estão inseridos.
Quando indagados se tinham conhecimento da Lei nº 13.726/2018, conhecida como a lei da
desburocratização dos serviços públicos, conforme se pode observar no gráfico 1, apenas 21,7% dos
respondentes afirmaram ter conhecimento da lei através da leitura da mesma, 39,1% sinalizaram que
já ouviram falar mas nunca leram sobre o assunto, e esse mesmo percentual afirmou desconhecer a
lei, porém, destes, 21,7% afirmam que gostariam de conhecer sobre o assunto. É interessante
observar que mesmo se tratando de uma lei que pode impactar a forma de acesso aos serviços

�ofertados pelas bibliotecas, a maioria dos profissionais bibliotecários lotados nesse setor e
responsáveis pela tomada de decisão quanto à oferta desses serviços a desconhece.
Gráfico 1- Conhecimento sobre a Lei nº13.726/2018.

Fonte: Elaborado pela autora.

A questão 5, perguntou se a lei está sendo aplicada aos serviços da biblioteca nas quais eles
trabalham, obtendo-se as seguintes respostas, agrupadas no gráfico 2: 13% dos respondentes afirmam
que sim, totalmente; o mesmo percentual afirma que está sendo aplicada parcialmente, e
aproximadamente 74% não souberam responder por não ter conhecimento sobre a lei, reafirmando o
fato já averiguado na questão anterior.
Gráfico 2- Aplicação da lei aos serviços da Biblioteca

Fonte: Elaborado pela autora.

�Já as perguntas de números 6 e 7 inquiriram, respectivamente, se houve alguma alteração na
prestação dos serviços aos usuários a fim de cumprir o que determina a lei e em caso afirmativo para
essa pergunta, quais mudanças foram necessárias. Assim como ocorrido nas questões anteriores, a
maioria dos respondentes, dessa vez perfazendo o total de 65,2% relataram o desconhecimento sobre
a lei, enquanto os que a conhecem, 8,7% afirmaram que houve alteração na prestação dos serviços e
26,1% afirmam que não.
Para questão de número 7 que é complementar à questão anterior, dos que afirmam
conhecimento da lei obteve-se as seguintes respostas: 1- “Abono de multa através de negociação.
Ajudar os alunos nas orientações normativas para correções de trabalhos de TCC (mostrando os
erros).”; 2- “Apresenta digital de documentos na ausência dos mesmos.”; 3- “Não houve mudança
porque para os usuários terem acessos aos serviços ofertados não precisa de tanta burocracia”. Ao
analisar as respostas, observa-se que o mencionado no nº 1, apesar de se tratar de ações positivas e
benéficas que promovem maior aproximação entre usuário e biblioteca, por esta demonstrar
flexibilidade nas negociações das demandas daquele, não se aplica ao processo de desburocratização
dos serviços públicos, previstos na Lei nº 13.726/2018, visto que essa lei aplicada à biblioteca exclui
as exigências e/ou cobranças de apresentação de diversos documentos por parte dos usuários para a
utilização dos produtos e serviços ofertados.
A penúltima pergunta, indagou aos profissionais alvos da pesquisa se eles acreditam que a
Lei de fato ajuda a desburocratizar os serviços prestados pelas bibliotecas do IFPE. Por se tratar de
questão aberta para a qual é possível a obtenção das mais variadas respostas, algumas serão
elencadas

no

quadro

abaixo

para

melhor

visualização

e

análise.

Quadro 1: Opiniões sobre se a Lei nº 13.726/2018 desburocratizou os serviços ofertados pelas bibliotecas

Nº

Resposta

1

“Em partes. No caso dos trabalhos TCC verificamos que os professores muitas vezes deixam de fazer
os seus trabalhos e transfere para os bibliotecários. Querendo que a gente faça toda orientação dos
seus alunos referentes a Normas da ABNT.”

2

“Mesmo não tendo conhecimento sobre a Lei, acredito que se bem aplicada, certamente ajudaria na
desburocratização.”

3

“Sim, se aplicada com eficiência e disseminada sobre sua importância entre todos os funcionários.”

4

“Considerando que ingressei no IFPE há pouco tempo, ainda não consigo visualizar tal impacto.
Então, não sei informar quais mudanças aconteceram com a aplicação da referida Lei.”

�5

“Considero que a lei foi feita para desburocratizar os processos para os usuários dos serviços públicos.
Em nossas bibliotecas a burocracia está no nível mínimo, pedimos apenas que o usuário apresente o
documento oficial ou comprovante de pagamento de multas.”

6

“Conhecendo a lei e a realidade das bibliotecas do IFPE, que praticamente adotam os mesmos
procedimentos no atendimento aos usuários, para obtenção dos serviços não exige tanta burocracia.
Para empréstimos domiciliares do material existente no acervo, principal serviço ofertado aos
usuários, apenas é exigido um documento com foto podendo ser a carteira de estudante, isso por
questão de segurança já que o sistema utilizado para gerenciamento do acervo não permite o cadastro
da digital.”

Fonte: Elaborado pela autora.

O bibliotecário, enquanto profissional da informação, precisa estar atento às informações
atuais e relevantes, principalmente as que impactam diretamente em seu fazer profissional. Porém, ao
analisar essas respostas, pode-se reafirmar que o conteúdo da lei ainda é um mistério para alguns
desses profissionais, sendo dessa forma impossível para estes identificar se a lei está sendo aplicada a
fim de simplificar a prestação de serviços ofertados pelas bibliotecas. No entanto, considerando que
embora cada Campus disponha de certa autonomia, por se tratar de um sistema de bibliotecas,
espera-se que haja um mínimo de padronização na prestação de serviços, e baseado na resposta de
número 6 é possível inferir que mesmo que intuitivamente, às bibliotecas do IFPE cumprem o que
está disposto na lei.
A pergunta de número 9, última do questionário, questionou se algum Campus do IFPE
possui o Selo de Desburocratização e Simplificação, para a qual obteve-se a seguinte resposta: 17,4%
dos respondentes afirmaram que o Campus não possui, 82,6% dos respondentes não souberam
informar.
Segundo o Artigo 7, da Lei nº13.726/2018, o Selo de Desburocratização e Simplificação é
destinado a reconhecer e estimular projetos, programas e práticas que simplifiquem o
funcionamento da administração pública e melhorem o atendimento aos usuários dos serviços
públicos. O IFPE ainda não possui o referido selo. Os órgãos ou entidades estatais que receberem o
Selo serão inscritos no Cadastro Nacional de Desburocratização.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo desta pesquisa buscou refletir sobre o impacto da Lei n°13.726/2018 nos serviços
ofertados pelas bibliotecas do IFPE. Mediante os resultados obtidos na pesquisa, pôde-se constatar

�que a maioria dos profissionais pesquisados desconheciam a lei, não sendo possível, para estes,
avaliarem se é necessário que haja mudança de algum procedimento administrativo no setor a fim de
se adequarem ao que determina a lei. Entretanto, esse desconhecimento pode afetar o
desenvolvimento do trabalho, aumentando as demandas e burocratizando ainda mais os
procedimentos administrativos, à medida que se pode cobrar algum documento desnecessários aos
usuários para a obtenção de determinado produto ou serviço.
Espera-se que os profissionais com formação em Biblioteconomia possuam não apenas o
conhecimento técnico de sua área de atuação, mas também em outras áreas, mesmo que em nível
básico, tais como: administração, marketing, tecnologia da informação e comunicação, gestão da
informação, legislação aplicada às bibliotecas, dentre outras, as quais irão auxiliá-los nas tomadas de
decisões que podem impactar não apena o setor da biblioteca, mas a organização como um todo,
proporcionando atendimento de qualidade aos usuários e satisfação de suas reais necessidades
informacionais, devendo ser esse o principal objetivo das unidades de informação.
No entanto, sabe-se que nem sempre esses profissionais encontram uma instituição ou um
ambiente de trabalho propício para colocar em prática todos os conhecimentos e competências
adquiridas ao longo de sua formação.
No IFPE as bibliotecas são híbridas, ou seja, são ao mesmo tempo escolares e universitária
considerando a variedade de cursos ofertados em diversos níveis, no mesmo Campus. Assim, os
bibliotecários além das atividades técnicas, também abarcam as atividades de gestão, atendimento ao
público, treinamentos aos usuários em diversos programas e suportes informacionais, apoio aos
programas e projetos de ensino, pesquisa e extensão, dentre outras demandas. E o que se percebe, na
maioria das vezes, é o grande acúmulo de trabalho e profissionais em quantidade insuficiente para
realizá-los causando uma sobrecarga nesses profissionais lotados nas bibliotecas. Possivelmente, esse
é um dos motivos que os impedem de estar completamente atualizado em todas as áreas que dizem
respeito ao seu fazer profissional.
Desta forma, espera-se que este estudo seja uma importante ferramenta não apenas para os
bibliotecários, mas para todos os servidores que desempenham suas funções nas bibliotecas do IFPE,
visto que já trouxe ao conhecimento a temática antes desconhecida por muitos, a partir de então
tornando possível a reflexão sobre a forma de ofertar produtos e serviços no setor.
É preciso que haja discussões mais aprofundadas, em toda a esfera pública, sobre os
caminhos que devem ser traçados para desburocratização dos serviços e constante modernização do
setor, isso inclui busca do fortalecimento e valorização dos servidores públicos, garantindo-lhes

�melhores condições de trabalho para que seja entregue a sociedade um serviço de excelência, em
todos os níveis e setores organizacionais.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 13.726, de 08 de outubro de 2018. Racionaliza atos e procedimentos administrativos
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e institui o Selo de
Desburocratização e Simplificação. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder
Executivo, Brasília, DF, 09 out. 2018. Seção 1, p. 1.
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2014.
FERNANDES, Luciane Alves; GOMES, José Mário Matsumura. Relatórios de pesquisa nas ciências
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SOBRAL, Felipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro.2. ed. São Paulo:
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Pesquisa realizada e apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Gestão Pública, pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Aborda conceitos sobre a Lei no 13.726 / 2018, que trata da desburocratização dos serviços públicos, evidenciando sua aplicabilidade aos serviços ofertados pelas bibliotecas em uma instituição pública de ensino. Tem como objetivo principal analisar o impacto da referida Lei no que diz respeito aos procedimentos administrativos das bibliotecas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. Trata-se de uma pesquisa descritiva, com uma abordagem quantitativa e qualitativa para evidenciar o problema de estudo, utilizando-se do questionário como instrumento para coleta dos dados, o qual foi enviado para todos os profissionais lotados nas bibliotecas, com formação em Biblioteconomia. De posse dos resultados, constatou-se que a maioria desses profissionais desconhecem a referida lei, não sendo possível, para estes, mensurar a necessidade de mudança de algum procedimento administrativo no setor a fim de se adequarem ao que determina a lei. Nesse sentido, é evidente a necessidade de constante atualização desses profissionais, assim como maior divulgação e fiscalização da aplicação da Lei nas instituições públicas.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
POLÍTICA DE INDEXAÇÃO PARA BIBLIOTECAS MISTAS: UMA PROPOSTA DE
DISCUSSÃO E ELABORAÇÃO
INDEXING POLICY FOR MIXED LIBRARIES: A PROPOSAL FOR DISCUSSION AND
ELABORATION
Poliana Ribeiro Dourado1
Resumo: discute-se sobre a elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas. Objetiva expor acerca da
organização da informação, com foco no tratamento temático da informação e, indexação de itens das bibliotecas
mistas, fundamentada na política de indexação. Essa explanação se justifica pelas peculiaridades que as bibliotecas
mistas apresentam, sendo então bibliotecas escolares-universitárias, portanto, necessitam de uma gestão diferenciada e
mais especificamente, tratamento informacional diferenciado. Funda-se também na escassez literária no âmbito da
ciência da informação que discuta sobre a organização da informação no interior de tais unidades, no presente caso, da
elaboração de diretrizes como a política de indexação voltada para bibliotecas mistas. Consiste em pesquisa exploratória
e bibliográfica, amparando-se em artigos de periódicos e livros que abordam sobre a temática em questão.
Resumidamente, nos resultados e discussões é exposta uma proposta de elaboração de política de indexação para
bibliotecas mistas, elencando alguns pontos a serem analisados no que diz respeito à indexação dos itens das bibliotecas
mistas. Depreende-se que a política de indexação é um documento crucial no que concerne à organização da informação
temática e, quanto à política de indexação para bibliotecas mistas, é necessário que esse documento esteja alinhado às
diferentes demandas informacionais advindas pelos variados perfis de usuários presentes nessas unidades. Observou
também a importância de se expandir a discussão sobre o referido tema, visto que foi verificado há uma ínfima
produção bibliográfica que aborde sobre a elaboração de política de indexação para bibliotecas mistas.
Palavras-chave: Organização da informação. Tratamento temático. Política de indexação. Biblioteca mista.
Abstract: we discuss the development of the indexing policy for mixed libraries. It aims to explain about the
organization of information, focusing on the thematic treatment of information and indexing of items from mixed
libraries, based on the indexing policy. This explanation is justified by the peculiarities that the mixed libraries present,
being then school-university libraries, therefore, they need a differentiated management and more specifically,
differentiated informational treatment. It is also based on the literary scarcity in the field of information science that
discusses the organization of information within such units, in the present case, the elaboration of guidelines such as the
indexing policy aimed at mixed libraries. It consists of exploratory and bibliographic research, based on articles from
journals and books that address the subject in question. Briefly, in the results and discussions is exposed a proposal for
the development of indexing policy for mixed libraries, listing some points to be analyzed regarding the indexing of
items from mixed libraries. It follows that the indexing policy is a crucial document as regards the organisation of
thematic information and as regards the indexing policy for mixed libraries, It is necessary that this document is aligned
to the different informational demands arising from the varied profiles of users present in these units. It also noted the
importance of expanding the discussion on this topic, since it was verified that there is a tiny bibliographic production
that addresses the elaboration of indexing policy for mixed libraries.
Keywords: Organization of information. Thematic treatment. Indexing policy. Mixed library

1

Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás. Mestranda no Programa de Pós-graduação Stricto
Sensu Ambiente e Sociedade pela Universidade Estadual de Goiás. Bibliotecária-documentalista no Instituto Federal
Goiano – Campus Morrinhos. Contato: poliana.dourado@ifgoiano.edu.br.

�1 INTRODUÇÃO
A indexação se configura como a seleção de termos que representam os assuntos principais
trabalhados em determinada obra. De acordo com o UNISIST (1981, p. 4) “a indexação é vista
como a ação de descrever e identificar um documento de acordo com seu assunto”. Essa descrição
deverá considerar termos adequados ao documento analisado, os quais permitirão ao usuário
identificar se um item é útil ou não para os seus questionamentos, no momento da pesquisa.
A elaboração de uma indexação eficiente demanda alguns atributos por parte do indexador,
como por exemplo: conhecimento do assunto, conhecimento das necessidades do usuário,
experiência, capacidade de compreensão da leitura (LANCASTER, 2004). Além disso, o
desenvolvimento da indexação deve ser orientado pela política de indexação, sendo este um
documento norteador à representação temática dos documentos a fim de padronizar a organização
da informação, evitando assim discrepâncias e imprecisões.
Na inexistência de uma política de indexação, é importante que a unidade de informação
trabalhe em prol de produzir o referido documento, levando em consideração o tipo de unidade, o
acervo e o público-alvo. À vista disso, as políticas se diferenciam conforme o tipo de unidade a qual
ela atenderá, ou seja, a política de indexação de uma biblioteca universitária se distinguirá da
política de uma biblioteca especializada, que se distinguirá da política de uma biblioteca escolar e,
assim sucessivamente. Mas quando estamos tratando de política de indexação para bibliotecas
mistas, isto é, bibliotecas escolares e universitárias, como deverá ser a concepção desse documento
e quais são os principais desafios enfrentados durante esse processo? Uma vez que a literatura a
qual se discute sobre o referido tema é praticamente escassa.
Dessa forma, pretende-se explanar por meio da revisão de literatura conceitos e dados
pertinentes no âmbito da organização a informação, representação temática, indexação e política de
indexação. De posse dessas bases conceituais, discute-se sobre elementos a serem analisados
durante o processo de elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas, metodologia
utilizada, e, por fim, as considerações finais.

2. ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
A organização e o tratamento de informação surgiram da necessidade de facilitar o acesso e
recuperação dos conteúdos. Pesquisadores das áreas da Ciência da Informação e Documentação
desenvolveram instrumentos capazes de favorecer o adequado tratamento dos itens informacionais.

�Souza (2007) identifica quatro fatos marcantes que impulsionaram a criação de instrumentos de
classificação e desenvolvimento de métodos, além de técnicas de indexação visando a recuperação
de documentos. Essas fases são conhecidas como: caos documentário, explosão da informação,
avalanche do conhecimento e revolução tecnológica.
As mudanças tecnológicas que ocorreram durante a Segunda Grande Guerra ampliaram a
produção de informações. Por essa razão, houve a necessidade de se desenvolver métodos de
organização e recuperação da informação para atender a demanda que se manifestava. Organização
da informação pode ser caracterizada como um processo no qual envolve aplicações de métodos
que proporcionem posteriormente a recuperação do objeto informacional por parte do usuário.
Sendo assim, conforme Lima e Alvares (2012, p. 35), a organização e representação da informação
“é um processo de arranjo de acervos tradicionais e eletrônicos realizados por meio da descrição de
assunto de seus objetos informacionais”. Desse modo, a organização da informação envolve tanto a
representação descritiva, quanto a representação temática.
Com relação à evolução no campo da Ciência Informação, de acordo com Lancaster (2004),
os principais métodos de organização e recuperação de dados são as representações descritiva e
temática. A primeira diz respeito à individualização do item, enquanto que a segunda se refere à
indicação do conteúdo temático contido nos documentos.
Os principais métodos presentes na organização de informação, portanto, são a
representação descritiva e a representação temática. Dias e Naves (2007) os nomeiam como dois
grandes processos básicos no tratamento da informação, ou seja, a descrição física e a descrição
temática.
Para Dias e Naves (2007, p. 19), “o processo de descrição física compreende em primeiro
lugar, um exame do documento com o objetivo de identificar certos elementos nele constantes e que
vão servir para identificá-los”. Os elementos compreendem informações como responsabilidade
intelectual, local e data de publicação, características físicas como número de páginas, dimensão,
presença ou de ilustrações, entre outros.
As decisões a serem tomadas no processo de representação física “são geralmente tomadas
com base num código de catalogação, instrumento essencial a uma descrição física eficiente e
consistente, no caso de sistemas mais complexos”. (DIAS; NAVES, 2007, p. 19).
A representação descritiva ou descrição bibliográfica, como também é conhecida,
compreende uma das partes que integram a prática da catalogação, sendo elas a descrição
bibliográfica, pontos de acessos e dados de localização (MEY; SILVEIRA, 2009). De acordo com

�as autoras supracitadas, a representação descritiva é a parte da catalogação responsável pela
caracterização do recurso bibliográfico.
O objetivo da descrição bibliográfica é “extrair diretamente do recurso bibliográfico todas as
informações, de interesse para o usuário, que individualizam o recurso bibliográfico, tornando-o
único entre os demais” (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 94). Ou seja, para cada item presente no acervo
da unidade de informação (UI), haverá apenas uma descrição. Como acentuam Mey e Silveira
(2009, p. 95) “a descrição bibliográfica se refere à manifestação [...]. Cada manifestação possui
apenas uma descrição e cada descrição se aplica a uma única manifestação”.
Nessa perspectiva “o tratamento descritivo cuida daqueles aspectos mais objetivos capazes
de bem identificar, extrinsecamente, um documento: autor, o título, a editora, e elementos
similares”. (DIAS; NAVES, 2007, p. 17).
É importante lembrar que a descrição bibliográfica precisa seguir a norma Internacional
Standard Bibliographic Description (ISBD). Conforme Mey e Silveira (2009), o padrão
internacional de descrição bibliográfica (ISBD) foi criado em 1969, a partir da Reunião
Internacional de Especialistas em Catalogação (RIEC), sendo as decisões da RIEC incorporadas a
todos os códigos de catalogação a partir dos anos 1970, inclusive o Código de Catalogação AngloAmericano (AACR).
A fim de padronizar a descrição bibliográfica, “a ISBD dividiu as informações denominadas
descritivas em oito áreas, que correspondem aos tipos de informação, e que abarcam os elementos
[...]” (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 105). As oito áreas são:
Área 1: do título e da responsabilidade;
Área 2: da edição;
Área 3: dos detalhes específicos do material;
Área 4: dos dados de publicação;
Área 5: da descrição física;
Área 6: da série;
Área 7: das notas;
Área 8: do número internacional normalizado.
Em cada área descrita acima, se registram determinadas informações, as quais são
detalhadas a seguir:
Área de título e da responsabilidade para todos os tipos de materiais: onde se registram o (s)
título (s) do recurso bibliográfico, a designação geral do material e todos os responsáveis
por seu conteúdo intelectual [...]. Área de edição para todos os tipos de materiais: onde se

�registram o número e outras informações sobre a edição, ou versão do recurso eletrônico, e
os responsáveis por ela [...]. Área dos detalhes específicos do material: constitui-se de
informações específicas, é utilizada apenas para materiais cartográficos, música impressa,
publicações periódicas e recursos eletrônicos [...]. Área de publicação para todos os tipos
de materiais: onde se registram o local de publicação, o editor e a data de publicação, assim
como outras informações complementares [...]. Área de descrição física para todos os tipos
de materiais onde se registram a extensão do item e outras informações de caráter físico
[...]. Área de série para todos os tipos de materiais: onde se registram o título da série, seu
ISSN e o número do recurso da série, assim como outras informações complementares [...].
Área de notas para todos os tipos de materiais, onde se registram todas as informações de
interesse que não têm lugar específico nas demais áreas, inclusive as relações entre obras,
expressões, manifestações e itens. Área de número normalizado: onde se registram o ISBN
e todas as formas de aquisição; o ISMN, relativo à música impressa (partituras, partes e
outras); e o ISSN, para periódicos e séries considerados no todo [...]. (MEY; SILVEIRA,
2009, p. 109).

Após a síntese do que se trata a representação descritiva ou descrição bibliográfica, discorrese sobre a representação temática, a qual está presente na categoria pontos de acesso, que é uma das
partes que abrangem a prática da catalogação, citada acima. Podem-se definir pontos de acesso
como “um nome, termo, título ou expressão, pelo qual o usuário pode procurar e encontrar, ou
acessar, a representação bibliográfica de um recurso, ou o próprio recurso eletrônico de acesso
remoto” (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 145). Isto é, será por esses meios que o usuário, ao acessar o
catálogo da UI, encontrará o item de que necessita.
A respeito dos pontos acessos, aprofunda-se nos de assuntos, que são os meios pelos quais o
usuário pode encontrar a representação bibliográfica de que precisa, amparando-se na sua
representação temática ou indexação.
A indexação de determinado recurso, presente em uma UI, demandará do bibliotecário
conhecimento prévio sobre as demandas dos usuários. Como salienta Lancaster (2004, p. 9), “a
mesma publicação será indexada de modo bastante diferente em diferentes centros de informação, e
deve ser indexado de modo diferente, se os grupos de usuários estiverem interessados no
documento por diferentes razões”. Isto é, o tipo de UI e os perfis de usuários serão os fatores que
estipularão o grau de indexação. Como ressaltam Mey e Silveira (2009, p. 162), “apenas
conhecendo seus usuários pode o catalogador determinar o nível ótimo de indexação”.
Dessa forma, a fim de explicitar melhor a dimensão temática da organização da informação,
com foco na organização da informação temática e política de indexação, discorre-se nas seções

�seguintes sobre os referidos temas em suas particularidades e, também, sobre o processo de
elaboração da política de indexação no contexto das bibliotecas mistas.

2.1 REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA
A dimensão temática da organização da informação pode ser caracterizada como
representação, descrição ou tratamento temático. Inclui processos que visam atribuir e representar o
documento conforme o assunto tratado.
Diferente da representação descritiva, a qual é mais objetiva, a representação temática possui
“uma forte carga subjetiva, pois [...] visa caracterizar o documento do ponto de vista do seu
assunto” (DIAS; NEVES, 2007, p. 17). Portanto, ainda que se baseando no mesmo método, a leitura
técnica do documento, a representação temática tem como objetivo: “identificar o assunto ou os
assuntos do documento”.
Segundo Lancaster (2004), a indicação e representação do conteúdo ocorrem por meio da
indexação de assuntos e redação de resumos. O resumidor redige uma descrição narrativa ou síntese
do documento e o indexador descreve seu conteúdo ao empregar um ou vários termos de indexação,
comumente relacionados a partir de algum de vocabulário controlado. Posto isso, objetiva-se
discutir na próxima seção acerca da política de indexação, como também sobre os elementos
cruciais relativos ao documento em questão.

2.2 POLÍTICA DE INDEXAÇÃO
A indexação se constitui como um dos processos da representação temática de um item.
Segundo as autoras Oliveira, L.R. de e Oliveira, L. P de (2018) a indexação, no que diz respeito à
representação de assunto em uma unidade de informação, é um dos papeis mais relevantes. Nesse
sentindo, para Robredo e Cunha (1986, p. 26) “a indexação é um processo pelo qual se identificam os
conceitos de que trata o documento, expressando-o na terminologia usada pelo autor ou com o apoio
de vocábulos ou termos de significação unívoca.”. Os termos utilizados na indexação precisam ser
exatos, ou seja, que não haja abertura para interpretações ambíguas e que façam parte da linguagem
utilizada pelos usuários da UI.
Em consonância com Cardoso Filho e Santos (2012, p. 186) “indexação é organizar a
informação, significa traduzir o que está no documento para uma linguagem acessível e
padronizada, facilitando a busca e recuperação pelo usuário que dela necessita”. Ou seja, todo o

�processo que envolve a atividade de indexação tem como finalidade a recuperação por parte do
usuário, por isso é crucial que a linguagem adotada seja equivalente à utilizada pelo usuário.
Vista na perspectiva da catalogação de assunto e também enquanto processo técnico próprio
da dimensão temática, a indexação tem sua importância marcada pelo vínculo com a recuperação da
informação. Sendo assim, “a eficiente indexação de assuntos precisa levar em conta o usuário final.
O mesmo documento pode ser indexado de maneiras diferentes, de acordo com o público ao qual se
destina”. (CARDOSO FILHO; SANTOS, 2012, p. 188).
Sobre processos que envolvem a indexação, a partir da visão de Lancaster (2004), o mesmo
aponta duas etapas principais da indexação de assuntos. Sendo elas:
a) Análise conceitual;
b) Tradução.
A primeira etapa “[...] implica decidir do que trata o documento, isto é, qual o seu assunto”
(LANCASTER, 2004, p. 9). O fato de a indexação ser bastante subjetiva, por se tratar se uma
atividade que normalmente é realizada por seres humanos, faz com que determinada obra possa ser
indexada de diferentes formas. Portanto, nessa primeira parte da indexação, é indispensável que o
indexador possua aptidões no que se refere à apreciação do real assunto abordado no item analisado,
tendo em vista sempre o interesse do usuário.
Já a “tradução, segunda etapa de indexação de assuntos, envolve a conversão da análise
conceitual de um documento num determinado conjunto de termos de indexação” (LANCASTER,
2004, p. 18). Sobre essa etapa, Lancaster (2004) apresenta uma distinção que é a indexação por
extração e a indexação por atribuição.
A indexação por extração (derivativa) é a escolha de termos que realmente estão presentes
no documento indexado, já a indexação por atribuição são termos escolhidos, os quais partem de
fontes exteriores ao documento indexado (LANCASTER, 2004). Ou seja, o bibliotecário vai utilizar
de seus conhecimentos subjetivos ou de outros documentos para indexar determinado item,
conforme suas características e assuntos abordados.
Dependendo da necessidade, o bibliotecário pode optar pelo uso dos dois tipos de indexação
(derivativa e atributiva), para representar certo tipo de documento. Lancaster (2004) nos chama a
atenção quando se decide fazer uma indexação por atribuição, que é fazer o uso de um vocabulário
controlado. “Um vocabulário controlado é essencialmente uma lista de termos autorizados. Em
geral, o indexador só pode atribuir a um documento termos que constem da lista pela instituição
para a qual trabalha” (LANCASTER, 2004, p. 19).

�Os critérios estabelecidos pelo bibliotecário, para a formulação da indexação, definirão
também o nível de exaustividade, o qual pode ser exaustivo ou seletivo, o nível de especificidade,
sendo alto ou baixo e também, as formas de recuperação da informação, podendo gerar revocação
ou precisão.
Quanto à exaustividade, (RUBI, 2009, p. 85) define como o
Número de termos atribuídos como descritores do assunto do documento, ou seja, em que
medida todos os assuntos discutidos no documento são reconhecidos durante a indexação e
traduzidos na linguagem documentária da biblioteca.

Dependendo da quantidade de termos atribuídos, a exaustividade pode ser exaustiva ou
seletiva. Mais termos empregados, mais exaustiva; menos termos empregados; mais seletiva. Dessa
forma, a indexação exaustiva “é indicada, por exemplo, em bibliotecas de público variado e de
diferentes perfis, que podem buscar a informação com termos diferentes” (RUBI, 2009, p. 85).
Em relação à especificidade, esta diz respeito “ao nível de abrangência que a biblioteca e a
linguagem documentária permitem especificar os conceitos identificados nos documentos”. (RUBI,
2009, p. 85). Para uma melhor compreensão, segue um exemplo: “um livro cujo assunto seja
especificamente sobre “tilápias”, será indexado sob o assunto “peixes””. (RUBI, 2009, p. 85). Ou
seja, o bibliotecário atribuiu um termo mais amplo para representar o livro. Essa especificidade é
baixa, o que gera a revocação.
Nas palavras de Rubi (2009, p. 85),
A capacidade de revocação diz respeito ao número de documentos recuperados e pode ser
mensurada por meio da relação entre os números de documentos relevantes sobre
determinado tema, recuperados pelo sistema de busca e o número total de documentos
sobre o tema, existentes no registro do sistema.

Todos esses elementos aqui descritos devem estar previstos na política de indexação da UI,
pois assim, haverá uniformidade na catalogação dos assuntos. A política é um manual cuja
finalidade é conduzir a indexação. Segundo Fujita (2012, p. 17):
A política de indexação não deve ser vista como uma lista de procedimentos a serem
seguidos, e sim um conjunto de decisões que esclareçam os interesses e objetivos de um
sistema de informação e, particularmente, do sistema de recuperação da informação. A
política decide não só sobre a consistência dos procedimentos de indexação em relação aos
efeitos que se necessita obter na recuperação, mas, principalmente, sobre a delimitação de
cobertura temática em níveis qualitativos e quantitativos tendo em vista os domínios de
assuntos e as demandas dos usuários.

Sobre as demandas dos usuários, no domínio das bibliotecas mistas, sobre as quais será
discutido no próximo tópico, há diferentes perfis de usuários, portanto, diferentes demandas
informacionais. Por conseguinte, como deverá ser elaborada a política de indexação de uma UI, a
qual possui perfis de usuários heterogêneos?

�3. BIBLIOTECAS MISTAS
Recentes no contexto da Ciência da Informação, as bibliotecas mistas surgem como
respostas às demandas de adaptação e visão de negócio das instituições de ensino. (LANGEM;
MUSSARELI; CARLOS (2020). Nesse sentido, “a biblioteca mista é uma união da biblioteca
escolar e da universitária, tendo como público os alunos de educação infantil, ensinos fundamental,
médio e superior, docentes e funcionários da instituição”. (MATTOS; PINHEIRO, 2006, p. 4). Isto
é, são as bibliotecas intituladas bibliotecas escolares-universitárias.
Enquanto que o papel da biblioteca escolar é facilitar o processo de ensino e aprendizagem,
servindo como apoio ao trabalho do professor e de coordenação educacional para o
desenvolvimento curricular (ROCA, 2012) e, o papel da biblioteca universitária “explicita seus
objetivos em consonância com as realizações inerentes à Universidade e de suas unidades de
ensino/pesquisa/extensão” (MACEDO; DIAS, 1992, p. 42), a biblioteca mista e/ou biblioteca
escolar-universitária compreende todos os objetivos previstos na bibliotecas escolar e universitária.
Portanto, a biblioteca mista precisa ser gerida de maneira diferente quando comparada aos
outros tipos de unidades de informação. Mattos e Pinheiro (2006, p. 175) elencam algumas
particularidades que devem ser consideradas no que diz respeito às bibliotecas mistas:
Com relação à sua estrutura física, o que se percebe é que normalmente a biblioteca atende
ao público escolar e ao universitário em um mesmo ambiente físico, o que torna necessário
o planejamento de espaços separados para cada perfil. [...]. Quanto ao acervo, deve-se
atender às necessidades informacionais baseando-se, principalmente, nas propostas
pedagógicas de cada nível de ensino: de acordo com os planos de ensinos, a biblioteca deve
ser composta de um acervo rico em obras de referência, material didático e literatura
infanto-juvenil, além de material paradidático, mapas e multi-meios para atender ao ensino
fundamental. [...]. Já na formação do acervo de nível superior deve-se atentar,
principalmente, ao material sugerido como bibliografia básica nos planos de ensino de cada
curso, levando-se em conta a quantidade necessária para satisfazer à demanda de alunos.
[...]. O pessoal da biblioteca deve estar habilitado para atender desde crianças até adultos, e
ter treinamentos para agir de forma rápida e com qualidade. [...]. (MATTOS; PINHEIRO,
2006, p. 175).

Além desses fatores citados anteriormente, os quais deverão ser considerados no que
concerne às bibliotecas mistas, é crucial que o tratamento técnico do acervo também se adeque aos
diversos perfis de usuários atendidos pela UI. No âmbito do tratamento temático, ele deverá ser
guiado pela política de indexação, que deverá ser elaborada conforme as diferentes demandas
esperadas pelos usuários das bibliotecas mistas. Logo, discutiremos sobre a concepção desse
documento no contexto das bibliotecas mistas.

�4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa se sustenta na utilização de métodos científicos que, conceituados por Lakatos e
Marconi (2003), formam o conjunto de atividades sistemáticas e racionais, as quais com mais
segurança e economia, permitem alcançar o objetivo. Nesse sentido, o estudo se delimita no âmbito
da pesquisa bibliográfica e exploratória.
A pesquisa bibliográfica “procura explicar o problema a partir de referências teóricas
publicadas em artigos, livros, dissertações e teses”. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 61).
Portanto, a pesquisa bibliográfica se mostra como essencial no que concerne à fundamentação
teórica no âmbito dos estudos já realizados e em andamento sobre o desenvolvimento política de
indexação para bibliotecas mistas.
A priori, para a pesquisa bibliográfica, foram utilizados livros e, também artigos científicos
publicados em diversos periódicos na área da Ciência da Informação, sem que houvesse recorte
temporal e delimitação de termos na estratégia de busca. A pesquisa bibliográfica foi crucial no que
diz respeito à explanação de conceitos, os quais são pertinentes para melhor compreensão do tema
em questão.
Relativa à pesquisa exploratória, que é definida por Cervo, Bervian e Da Silva (2007, p. 63)
como “o passo inicial no processo de pesquisa pela experiência e um auxílio que traz a formulação
de hipóteses significativas para posteriores pesquisas”, é também aplicada no presente estudo, uma
vez que, há apresentação de pontos a serem analisados no processo de elaboração de uma política
de indexação para bibliotecas mistas, fundamentados em experiência.
Para os referidos autores, a pesquisa exploratória é recomendada quando há pouco
conhecimento sobre o problema a ser estudado. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007). À vista
disso, faz sentindo enquadrar a temática aqui trabalhada no contexto da pesquisa exploratória,
também, pois há poucos estudos abordando sobre a produção de política de indexação para
bibliotecas mistas.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Trata-se de uma proposta de discussão acerca da elaboração da política de indexação para
bibliotecas mistas. Essa proposição foi elaborada com base nas experiências profissionais da autora,
a qual atua como bibliotecária em uma biblioteca mista, além de ser presidente da Comissão de
Desenvolvimento e Tratamento Técnico e, que atualmente, conduz o desenvolvimento da Política
de Indexação do Sistema Integrado de Bibliotecas do IF Goiano. Além disso, foram realizadas

�consultas em demais propostas de produção de política de indexação para bibliotecas mistas, em
que se destacou o trabalho intitulado “Proposta de implantação de uma Política de Indexação no
IFCE Campus Crato”, publicado na Folha de Rosto – Revista de Biblioteconomia e Ciência da
Informação. O referido trabalho foi também utilizado como base pelo fato de se assemelhar à
seguinte proposta de discussão.
Posto isso, durante o processo de elaboração da política de indexação para bibliotecas
mistas, o primeiro fator a ser considerado é o estudo de usuários, pois ele será capaz de avaliar a
competência informacional de cada indivíduo e aferir a necessidade informacional de cada um. Em
consonância com Figueiredo (1994, p.7):
Os estudos de usuários são investigações que se fazem para saber o que os indivíduos
precisam em matéria de informação, ou então, para saber se as necessidades de informação
por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de informação estão sendo
satisfeitas de maneira adequada. Através destes estudos verifica-se por que, como, e para
quais fins os indivíduos usam a informação e quais os fatores que afetam o tal uso.

Portanto, torna-se imprescindível o estudo de usuário durante a concepção da política, pois
assim, os perfis de usuários e suas demandas estarão traçados, favorecendo uma organização da
informação temática alinhada às exigências informacionais dos usuários da biblioteca.
Sobre os elementos que devem constar na política de indexação, é importante que sejam
elaborados conforme a diversidade de usuários presentes numa biblioteca mista. De acordo com
Fujita et al (2016, p. 44),
Os elementos da política de indexação determinam os objetivos da indexação e determinam
a recuperação da informação. Os elementos que direcionam a política de indexação são:
cobertura temática, seleção e tipos de documentos, público alvo, indexador, concordância,
exaustividade, especificidade, correção, consistência e sistema de busca e recuperação por
assuntos.

A seguir, uma proposta de algumas questões a serem avaliadas em determinados elementos
contemplados pela política de indexação, no contexto das bibliotecas mistas.
Cobertura temática: importante que o bibliotecário indexador de uma unidade de informação
mista tenha conhecimento de quais áreas do conhecimento o acervo da biblioteca abarca.
Considerando, por exemplo, a presença de títulos voltados para os usuários do ensino superior e,
títulos voltados aos usuários do ensino fundamental/médio.
Público-alvo: é crucial que a política defina bem o seu público-alvo. Em relação às bibliotecas
mistas, é importante caracterizar bem os diferentes grupos de usuário da UI, ou seja, os grupos de
usuários do ensino fundamental, médio e superior.

�Exaustividade: segundo Fujita et al (2016, p. 48), “refere-se ao número de conceitos representados
pelos termos atribuídos a um documento pelo indexador [...]”. Portanto, relativo à indexação dos
itens das bibliotecas mistas, recomenda-se utilizar menos termos no acervo voltado para os alunos
da graduação e pós-graduação e, mais termos para o acervo voltado para os alunos do ensino
fundamental e médio.
Especificidade: provável que seja interessante adotar o nível de especificidade de acordo com
acervo voltado para os diferentes grupos de usuários, por exemplo:
Acervo voltado para usuários da graduação e pós-graduação: especificidade média e/ou alta
Acervo voltado para usuário de ensino médio e fundamental: especificidade baixa.
Concernente ao sistema de busca e recuperação por assunto, é crucial a avaliação da
recuperação de assuntos, para “comparar os índices de precisão e exaustividade na recuperação da
informação com amostra de livros indexados”. Importante avaliar os itens informacionais de acordo
com as diretrizes estabelecidas para os diferentes grupos de usuários.
Os autores Nunes et al (2017) apresentam em sua proposta de implantação de política de
indexação no Instituto Federal do Ceará – Campus Crato os seguintes padrões a serem adotados
durante o processo de indexação, de acordo com os diferentes grupos de usuários atendimentos pela
aludida unidade:
Quadro 1) Padrões a serem adotados para a nova política de indexação do IFCE
Padrões relacionados
ao:

Capacidade de
revocação e precisão
Nível de
especificidade
(Número de termos
recomendado)
Nível de exaustividade
(Número de termos
recomendado)
Formação do
indexador

Acervo dos cursos de
graduação (Zootecnia
e Sistemas de
Informação)
Resultados mais
precisos (menor
número de resultados)
Atribuição de 3 termos

Acervo dos cursos
técnicos
(agropecuária e
informática)
Resultados mais
precisos (menor
número de resultados)
Atribuição de 1 termo

Atribuição de 2 termos

Atribuição de 4 termos

Atribuição de 5 termos

Conhecimentos
específicos das áreas
de Zootecnia e Sistema
de Informação

Conhecimentos dos
jargões técnicos em
agropecuária e
informática

Conhecimentos gerais

Fonte: Elaborado com base em Nunes et al (2017).

Acervo do Ensino
Médio

Alta revocação (maior
números de resultados)
Atribuição de 1 termo

�Fundamentando-se nos padrões estabelecidos pelas unidades de informação do IFCE, é
possível também elaborar e ampliar a discussão a respeito das políticas de indexação para
bibliotecas mistas, para que estas sejam capazes de otimizar e tornar consistente o seu tratamento
temático, para que assim, todos usuários sejam atendidos conforme as suas diferentes demandas e
letramento informacional.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como documento norteado na tomada de decisão, a política de indexação é crucial no que
diz respeito ao tratamento temático dos itens das unidades de informação. Cada política deve se
adequar ao tipo de unidade e público-alvo que ela atenderá. Se tratando de política de indexação
para bibliotecas mistas, é importante se atentar às peculiaridades dessas unidades, já que elas
atendem demandas advindas de diferentes perfis de usuários e, que também, possuem um acervo
diverso, com a presença, por exemplo, de títulos infanto-juvenis e ao mesmo tempo, títulos
especializados.
Desse modo, o processo de elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas
acaba se tornando mais complexo. Além das características particulares que as bibliotecas mistas
possuem e, que foram citadas ao longo desse trabalho, há a escassa produção literária sobre o
desenvolvimento de política de indexação para bibliotecas mistas e, que poderia ser utilizada como
base para a produção desses documentos por parte dos bibliotecários e gestores dessas unidades.
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                <text>Discute-se sobre a elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas. Objetiva expor acerca da organização da informação, com foco no tratamento temático da informação e, indexação de itens das bibliotecas mistas,  fundamentada na política de indexação. Essa explanação se justifica pelas peculiaridades que as bibliotecas mistas apresentam, sendo então bibliotecas escolares-universitárias, portanto, necessitam de uma gestão diferenciada e mais especificamente, tratamento informacional diferenciado. Funda-se também na escassez literária no âmbito da ciência da informação que discuta sobre a organização da informação no interior de tais unidades, no presente caso, da elaboração de diretrizes como a política de indexação voltada para bibliotecas mistas. Consiste em pesquisa exploratória e bibliográfica, amparando-se em artigos de periódicos e livros que abordam sobre a temática em questão. Resumidamente, nos resultados e discussões é exposta uma proposta de elaboração de política de indexação para bibliotecas mistas, elencando alguns pontos a serem analisados no que diz respeito à indexação dos itens das bibliotecas mistas. Depreende-se que a política de indexação é um documento crucial no que concerne à organização da informação temática e, quanto à política de indexação para bibliotecas mistas, é necessário que esse documento esteja alinhado às diferentes demandas informacionais advindas pelos variados perfis de usuários presentes nessas unidades. Observou também a importância de se expandir a discussão sobre o referido tema, visto que foi verificado há uma ínfima produção bibliográfica que aborde sobre a elaboração de política de indexação para bibliotecas mistas.</text>
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                    <text>Eixo 3 – Inovações
A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E O USO DO GOOGLE LENS NA
CATALOGAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E INDEXAÇÃO:
PARA ALÉM DAS OBRAS RARAS
THE UNIVERSITY LIBRARY AND THE USE OF GOOGLE LENS IN
CATALOG, CLASSIFICATION AND INDEXING:
BEYOND THE RARE WORKS
Eliane Maria da Silva Jovanovich1

Resumo: As tecnologias estão cada vez mais incorporadas nas atividades dos bibliotecários. Atualmente várias
tarefas desenvolvidas pelos profissionais da informação são realizadas com a ajuda do computador ou dos
aparelhos smartphones ou androides. O presente artigo apresenta a história da catalogação mundial e no Brasil,
relata a experiência na utilização do aplicativo Google Lens na tradução das obras raras estrangeiras e
concomitante na atividade de catalogação, classificação e indexação das obras que incorporam o acervo corrente
do Sistema de bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina que é formado por quatro bibliotecas: Biblioteca
Central, Biblioteca Setorial de Ciências Humanas, Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos
Jurídicos e Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde. Todo material é processado tecnicamente na
Divisão de Processamento Técnico da Biblioteca Central e encaminhado para as bibliotecas setoriais. Os
aplicativos são ferramentas que facilitam o trabalho do bibliotecário e auxiliam no papel intelectual e objetivo do
catalogador.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Google Lens. Catalogação. Inovação. Bibliotecário.

Abstract: Technologies are increasingly incorporated into the activities of librarians. Currently, several tasks
performed by information professionals are carried out with the help of a computer or smartphones or androids.
This article presents the history of cataloging worldwide and in Brazil, reports the experience of using the Google
Lens application in the translation of rare foreign works and concomitantly in the activity of cataloging,
classifying and indexing works that incorporate the current collection of the Library System of the Londrina State
University which is formed by four libraries: Central Library, Human Sciences Sectoral Library, Legal Affairs
Application Office Sectoral Library and Health Sciences Center Sectoral Library. All material is technically
processed in the Technical Processing Division of the Central Library and forwarded to sector libraries.
Applications are tools that facilitate the librarian's work and assist in the cataloguer's intellectual and objective
role.
Keywords: University library. Google Lens. Cataloguing. Innovation. Librarian.

1

Doutoranda em Ciência da Informação. Universidade Estadual de Londrina. Biblioteca Central. Divisão de
Catalogação. E-mail: emsjovanovich@uel.br.

�1 INTRODUÇÃO
A catalogação é uma responsabilidade inerente à função de catalogador, é uma das atividades
executadas pelos bibliotecários. No atual contexto com o uso exacerbado da internet, o profissional
bibliotecário tem à disposição uma quantidade de ferramentas que podem ser utilizadas para facilitar o
seu trabalho.
Muito aplicativos são lançados, são conhecidos, mas não são utilizados para desenvolver
nossos trabalhos. Outras acabam totalmente desconhecidas, por isso o bibliotecário precisa revisitar
de tempos em tempos as plataformas que disponibilizam as ferramentas no intuito de atualizar-se e
verificar a possibilidade de agregá-las no exercício das suas atividades biblioteconômicas.
O profissional bibliotecário precisa ter competências técnicas para desenvolver as suas
atribuições de catalogador, indexador e classificador. É um processo que exige etapas para exercer
essa atividade. O bibliotecário catalogador como é mais comum chamá-lo, precisa ter familiaridade
com esses instrumentos e fazer um bom manuseio para que faça o uso efetivamente dos mesmos.
Para que a catalogação, a indexação e a classificação se tornam eficientes e objetiva, o
bibliotecário deve desempenhar o seu papel técnico com o objetivo de facilitar o encontro entre uma
obra e um usuário da informação na busca. O bibliotecário exerce o papel de mediador entre a
informação (fonte) que está inserida no catálogo da biblioteca e o pesquisador.
Na catalogação utilizamos vários instrumentos, tais como: o Anglo-American Catalouguing
Rules (AACR2), tabela de Classificação Decimal Universal (CDU), de Classificação Decimal de
Dewey (CDD), Classificação Decimal de Direito (CDDDóris), as tabelas de notação de autor
Tabela Cutter, Tabela da Heloisa de Almeida Prado (PHA), Thesauros, Vocabulários Controlados,
entre outros instrumentos e dependendo do tipo de biblioteca ainda se faz uso do Manual de
Catalogação da Faldini (1987) e o AACR 2002 da Ribeiro (2004).

2 HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA CATALOGAÇÃO

Segundo Mey (1995), Ruth French Strout (1956), foi responsável pelo primeiro
levantamento sobre a história dos catálogos e da catalogação. De acordo com seus estudos, as
primeiras listas de livros foram descoberto em 2.000 a.C., posteriormente no Egito e, 1.400 a.C., na

�Turquia pelos hititas em 1.300 a.C., em Níneve nas escavações da biblioteca de Assurbanipal por
volta de 650 a.C.,
Nos séculos III e II a.C., cerca de 20 mil tabletes foram descobertos no Egito, que
registravam o título, o número do tablete ou volume, as primeiras palavras do
tablete seguinte, o nome do possuidor original, o nome do escriba e um selo,
indicando tratar-se de propriedade real, o que foi inferido pelos pesquisadores ser
um embrião de catálogo. Nas as bibliotecas de Alexandria e Pérgamo, Calímacus
um dos sábios de Alexandria, elaborou seus Pínakes [Tabulas], cerca de 250 a.C.,
onde registrava o número de linhas de cada obra e suas palavras iniciais, assim
como dados bibliográficos sobre os autores. (MEY, 1995, p.12).

Quanto aos catálogos, os mais conhecidos (MEY, 1995) surgem no século IX: a biblioteca
de Richenau na Alemanha entre 822 e 842, em 831 no mosteiro beneditino de Saint Requier, na
França, no século X temos o catálogo do mosteiro de Bobbio, na Itália, o de Lorsch, na Alemanha
em 1247 a biblioteca de Glastonbury, na Inglaterra, no século XIV em York, 1372 organizada pelos
frades agostinianos, a lista do convento St. Martin, em Dover, de 1389.
As bibliotecas universitárias surgem no século XIV porém, elas não trouxeram contribuições
à catalogação. Foi n século XV que surgiram as remissivas pela primeira vez. (registros que
remetem a outros registros ou obras), no catálogo compilado por Amplonius Ratnick de Berka entre
1410 e 1412. O catálogo classificado do mosteiro Syon, em Isleworth, Inglaterra incluindo um
índice alfabético de autor surge no início do século XVI.
Ainda nos estudos de Stroutch (1956), o século XVII traz alguns avanços significativos. Sir
Thomas Bodley, diplomata aposentado, no início do século, ofereceu-se para a reconstituição da
biblioteca da universidade de Oxford, Inglaterra, destruída por um incêndio. Bodley criou um
código minucioso de catalogação. Entre outras normas, indicava o arranjo sistemático, com um
índice alfabético organizado pelo sobrenome dos autores, e incluía as entradas analíticas. No século
XVIII surge a pesquisa científica e as atividades de estudo, oportunizando um crescimento das
bibliotecas na Europa.
No século XIX e na concepção de Mey (1995, p. 4) é o período que acontecem diversos
episódios que “caracteriza-se por fatos notáveis na história da catalogação, com trabalhos de grande
importância e muita influência em nossa prática moderna. Bibliotecários e estudiosos publicavam
então inúmeros estudos a favor ou contra os catálogos alfabéticos e classificados.”
Mas é no século XX, especificamente no ano de 1901, onde cada biblioteca deveria fazer
sua própria ficha catalográfica que a Library of Congress (LC) dos Estados Unidos passa a imprimir
e vender fichas idênticas.

�No Brasil, adotou-se como código padrão de catalogação o AACR (1967). Durante a década
de 1970. Em 1977, a Biblioteca Nacional (BN) divulgava o CALCO, e a Fundação Getúlio Vargas
adotou o formato, implantado em 1980. “A entrada da BN na rede, em 1982, projetou o CALCO
como a rede nacional por excelência para acervos multidisciplinares. Durante a década de 1980,
adotou o nome de BIBLIODATA/CALCO.” (MEY, 1995, p. 9).
Gerenciado pela FGV, o Bibliodata/Calco se tornou um sistema de abrangência nacional,
hospedeiro do maior catálogo coletivo de bibliotecas brasileiras, contudo, o Bibliodata/Calco de
acordo com Vasconcellos (1996, p. 2) “[...] nunca atingiu plenamente a condição de uma rede
cooperativa, reservando-se às instituições filiadas uma atuação pouco participativa, limitando-se as
interações entre elas, quando existentes, às discussões para alimentação das bases de cabeçalhos de
assuntos e autoridades.” As bibliotecas cooperantes recebiam as fichas prontas para inserir em seus
catálogos.
Cunha (2011, p.1) salienta que “Em 7 de dezembro de 2011 foi realizada na sede do
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), um encontro intitulado
“Reunião de Análise Estratégica dos Serviços CCN, COMUT, ISSN e BIBLIODATA.”, com o
intuito de decidir se o Bibliodata/Calco passaria a ser responsabilidade do Instituto Brasileiro de
Ciência e Tecnologia (IBICT).

2 A CATALOGAÇÃO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UEL

O bibliotecário deve estar o tempo todo atento, tanto com as novidades da área tecnológica,
como nos instrumentos de trabalho, quanto com os colegas de trabalho, pois na Universidade
Estadual de Londrina (UEL), o Sistema de Bibliotecas (SB/UEL) é composto por quatro bibliotecas
setoriais e a Divisão de Processamento Técnico é responsável pelo processo técnico (catalogação,
indexação, classificação) e o processo físico das obras (carimbagem, e etiquetagem).
A Divisão atualmente conta com 3 bibliotecárias, 2 técnicas de biblioteca e 1 bolsista. Duas
bibliotecárias diretamente com o processamento técnico das obras e 1 bibliotecária responsável pelo
setor e atuante no Sistema Virtua e no que tange o processo técnico dos periódicos.

�As duas bibliotecárias são responsáveis em catalogar, indexar e classificar todo o material
que chega na biblioteca por compra e/ou doação. De acordo com o site da universidade, são 149
cursos ofertados pela UEL entre graduação, especialização, mestrado e doutorado.
Uma das tarefas desenvolvidas pelo bibliotecário é o tratamento das informações para que os
usuários possam acessá-la. Para isso a catalogação, a classificação e a indexação são etapas distintas
e relevantes, porém, com uma certa complexidade considerando que para desenvolver essas
atividades é necessário o uso de instrumentos e um certo rigor metodológico no processo de registro
de cada obra.
Para as atividades de catalogação descritiva são utilizados diversos instrumentos,
construídos sobre princípios, modelos e aspectos teóricos e práticos e apoiados em diversas
tecnologias. É necessário conhecer os sistemas de gerenciamento de bibliotecas, no caso da
BC/UEL, o Virtua, é importante conhecer sobre o MARC 21 e também as novidades quanto ao
RDA.
O Marc 21 é um formato bibliográfico que surgiu em 1960 para acompanhar o
desenvolvimento tecnológico. E no contexto da Biblioteconomia, especificamente da catalogação
automatizada na padronização do formato de intercâmbio de dados bibliográficos e catalográficos
MARC 21 em XML, importante formato de representação que auxiliam na recuperação e
disseminação de informações documentárias.
O formato MARC 21 compreende cinco formatos: para dados bibliográficos, de autoridade,
de coleção, de classificação e para informação comunitária. Inclui informação sobre material textual
impresso ou manuscrito, arquivo de computador, mapas, música, recurso contínuo, material visual e
material misto; os dados bibliográficos normalmente incluem título, nome, assunto, nota, dado de
publicação e descrição física.
O RDA Recursos: Descrição e Acesso (Resource Description and Access), segundo Modesto
(2011, p. 1):
Apesar de tratar da produção de registros que sejam armazenáveis, para
pesquisa e recuperação em catálogos tradicionais, aplica-se à utilização no
ambiente digital e com tecnologias de bases de dados existentes. O impacto
da sua aplicação é previsível nos catalogadores e, também, nos fornecedores
de sistemas para bibliotecas e de documentação.

Uma competência importante, além de conhecer esses instrumentos, é o conhecimento de
idiomas, pois em várias áreas do conhecimento muitas obras são estrangeiras e na coleção de obras

�raras da Biblioteca Central (BC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) muitos livros são
escritos em outras línguas, tais como: alemão, italiano, japonês, chinês, além das obras escritas em
letras góticas, entre outras. Observamos um volume maior de obras com essas características
quando fomos organizar e inserir os livros da coleção de obras raras no sistema.
O acervo de livros raros da Biblioteca Central (BC) da Universidade Estadual de Londrina
(UEL) está em fase de organização e inserção dos seus dados na base de dados do software Virtua
da VTLS2. O objetivo para a formação de coleções raras, é a necessidade de preservação de obras
que exigem cuidados diferenciados daquelas utilizadas frequentemente.
De acordo com os critérios de raridade estabelecidos pela Fundação Biblioteca Nacional
(BN), são livros raros:
todas as impressões dos séculos XV, XVI e XVII; impressões do século XVIII até
1720 (questões de espaço físico, alicerçada pela inclusão de mais 20 anos após a
virada do século, onde entende-se já estarem estabelecidas as técnicas de impressão
referente ao século anterior); obras editadas no Brasil até 1841(produção gráfica se
desenvolve a partir do Segundo Reinado – 1831-1840); edições de tiragens
reduzidas; edições especiais, de luxo para bibliófilos; edições clandestinas; obras
esgotadas; exemplares de coleções especiais, em geral com belas encadernações e
“ex libris”; exemplares com anotações manuscritas de importância, incluindo-se
dedicatórias. (BN, xxxx, p. 6).

Na BC a coleção de obras raras é formada por aproximadamente 2.000 livros. Dentre eles,
um número expressivo é da área de Direito. Muitas obras foram escritas em outras línguas que não a
língua portuguesa, como por exemplo italiano, alemão, letras góticas, e isso dificulta um pouco
mais na transcrição dos dados para o sistema.
Diante das dificuldades enfrentadas para catalogar, classificar e indexar algumas obras raras
por questões justamente dos idiomas, indaguei sobre a chatice de ficar utilizando o Google
Tradutor3 em uma conversa com a bolsista4 que é da geração Z5, e possui muita facilidade no uso
dos Smartphones com sistema operacional Andróide6 ou iOS7 e seus aplicativos.

2

É um software integrado para gerenciamento de bibliotecas da empresa VTLS (1996) Inc (USA).
Serviço gratuito da Google traduz instantaneamente palavras, expressões e até páginas da Web entre português e
mais de 100 outros idiomas.
4
Contratada temporariamente para exercer atividades de digitação na Biblioteca Digital da UEL. Ela é de uma geração
de jovens que nasceram em um contexto tecnológico desenvolvido. É uma geração nova que nasceu e cresceu com um
mundo mais conectado por meio dos aplicativos e possuem a facilidade de uso.
5
Uma geração de jovens que nasceram em um contexto tecnológico desenvolvido e completamente conectada e móvel,
e cresceu com um mundo mais conectado por meio dos aplicativos.
6
Conhecidos como telefones inteligentes, são telefones móveis que oferecem funções semelhantes às de um computador
e que se destacam pela sua conectividade.
7
iOS é um sistema operacional móvel da Apple Inc. desenvolvido originalmente para o iPhone, iPod Touch.
3

�Em uma rápida conversa ela me disse que estava fazendo uso de um aplicativo para leitura
de imagens. Fiquei curiosa e pedi que me mostrasse, ela foi muito solícita e me apresentou ao
aplicativo. Gostei muito do que vi e ouvi da bolsista, busquei o aplicativo no meu Smartphone e não
localizei instalado, na sequência acessei o Play Store8 do meu aparelho e fiz um download do
aplicativo Google Lens ou “Lente do Google” como é comumente chamado.
O logo do Google Lens é muito parecido com uma câmera fotográfica nas cores da Google:
amarelo, vermelho, azul e verde conforme a figura 1 apresentada.
Figura 1 – Logo do Google Lens.

Fonte: https://lens.google/ (2021).

O Google Lens é um aplicativo que funciona com a ajuda de uma inteligência artificial e que
oferece diversas funções, dentre elas a pesquisa de imagens, fotografias e ainda traduz textos em
fotos e possibilita realizar pesquisas na internet usando a câmera do smartphone. Os smartphones
passaram a ser muito utilizados principalmente nesse período de pandemia.
Não é de hoje que os aparelhos de telefone celulares estão sendo utilizados no fazer do
bibliotecário, estudos realizados por Jovanovich e Ribeiro (2014), Jovanovich (2016), Jovanovich e
Souza (2018) e Jovanovich e Cavalcante (2019) todos eles tratavam do uso da tecnologia de
comunicação e o uso do celular no cotidiano de bibliotecários e alunos de uma biblioteca jurídica.
Todo esse aparato vem reforçar o quanto os smartphones estão ocupando um lugar de fala no
contexto do desenvolvimento de serviços/produtos nas bibliotecas, a começar pelo acesso aos
catálogos de acervos eletrônicos compatíveis com dispositivos móveis.

3 MÉTODOLOGIA E APLICABILIDADE

8

É a loja de aplicativos da Google.

�O Google Lens é uma ferramenta gratuita que reconhece imagens e possibilita a recuperação
de informações sobre elas. Por meio da câmera do celular, o recurso está disponível em um
aplicativo para smartphones Android. É possível identificar lugares, reconhecer produtos e escanear
textos, entre outras funções, além de reconhecer o conteúdo das fotos e recuperar diferentes
informações para o usuário.
Após instalar o aplicativo, foram realizados diversos testes para verificar se realmente
deveria ser usado para aquela finalidade. Percebeu-se que é um aplicativo muito eficiente, e que
torna a atividade muito divertida que além de minimizar esforços, ao mesmo tempo agiliza o
processo de catalogação, classificação e indexação dessas obras, e ainda causa uma sensação boa de
descobrimento.
Após utilizar o aplicativo para as obras raras, no intuito de minimizar esforços e ao mesmo
tempo agilizar o processo de catalogação, classificação e indexação das obras que incorporam o
acervo corrente do Sistema de Bibliotecas da UEL, passei a fazer uso do Google Lens. O tempo
para se traduzir uma obra, mesmo que traduza apenas a sua folha de rosto é muito menor do que
tempo gasto no processo de localizar a obra em outras bibliotecas ou até mesmo utilizando o google
tradutor do computador.
Para fazer o teste abra o assistente segurando o botão Home do celular. O botão do recurso
deve aparecer no canto ou procure na tela onde você o salvou. Clique em continuar e libere a
utilização da sua câmera. Logo após aponte sua câmera para o local ou objeto que deseja e encontre
os pontos identificados pelo recurso.
Itens semelhantes também podem ser recuperados como por exemplo uma roupa que está
sendo vendida na internet e basta um toque para que as informações surjam de imediato.
Ao se deparar com uma obra em outro idioma e com o objetivo de melhorar a gestão das
informações e inclusive acelerar a atividade de catalogação de livros utilizando boas ferramentas
tecnológicas como aliadas neste processo foi que optou-se pelo uso da ferramenta que funciona da
seguinte maneira: com a obra em mãos, basta abrir o aplicativo, tirar uma foto da obra que
automaticamente é reconhecido o idioma e na sequência é realizada a tradução. De acordo com as
fotos 1 e 2.

�Foto 1 - Folhas de rosto originais

Fonte: Crédito da foto da autora para a pesquisa.

Foto 2 - Folhas de rosto traduzidas

Fonte: Crédito da foto da autora para a pesquisa.

Muitas vezes a tradução é literal, porém a interpretação e conhecimento mesmo que
insipiente sobre o idioma colabora para o entendimento da obra, sobre o que ela trata de maneira
que facilita e deixa o processo célere de acordo com o exposto nas fotos 3.

�Foto 3 - Folhas de rosto originais

Fonte: Crédito da foto da autora para a pesquisa.

Verificamos que a detecção do idioma é muito rápida e além disse o aplicativo abre um leque
de opções, a foto 4 revela essas possibilidades.

Foto 4 - Folhas de rosto traduzidas.

Fonte: Crédito da foto da autora para a pesquisa.

O século XXI revelou a criação de aparatos tecnológicos que são ferramentas imprescindíveis
para minimizar o tempo gasto no desenvolvimento de determinadas tarefas na área da
Biblioteconomia e outras áreas do conhecimento.

�4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O Google Lens facilita e agiliza o processo da catalogação, classificação e indexação das obras
em outros idiomas. No início foi utilizado para as obras raras, porém posteriormente foi inserido no
cotidiano da atividade, pois ao invés de usar o site do google tradutor, a praticidade e a agilidade no
uso do Google Lens fizeram com que fosse substituído o uso do site do Google tradutor com maior
rapidez e satisfação.
O aplicativo faz a leitura de qualquer objeto físico desde que seja localizado pela câmera do
smartphone, o aplicativo verifica o cenário e busca os resultados existentes na internet usando
realidade aumentada e inteligência artificial.

5 CONCLUSÕES

É sabido que no século XXI os bibliotecários precisam estar atentos para as tecnologias que
estão sendo criadas para auxiliar no fazer das atividades humanísticas. É inegável que o uso do
aplicativo dá uma autonomia ao bibliotecário, é possível fazer traduções instantâneas ao apontar a
câmera para um texto, além de que facilitou realizar pesquisas dos mais diversos tipos além dos
textos, livros ainda contamos com roupas e até códigos de barras.
Não se esqueça que o Google Lens é um recurso que transforma a câmera dos smartphones
em uma fonte de pesquisa. Assim, tudo que for fotografado pode ser buscado automaticamente na
internet. E a busca trará informações mais detalhadas.

�REFERÊNCIAS

JOVANOVICH, E. M. S. Dispositivos móveis e a utilização dos códigos qr na divulgação e
compartilhamento de informações em biblioteca jurídica. In: Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias, 2016, Manaus. Anais do XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias,
2016. p. 1-3.
JOVANOVICH, E. M. S.; CAVALCANTE, L. E. O uso do aparelho celular no inventário de
acervo: a experiência da Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos da
UEL. In: XXVIII CBBD, 2019, Vitória, ES. Anais do XXVIII CBBD, 2019. v. 28. p. 1-6.
JOVANOVICH, E. M. S. ; RIBEIRO, S. S. . Tecnologia de comunicação: o uso do celular no
cotidiano dos estudantes, uma mudança de comportamento. 2014. (Blog).
JOVANOVICH, E. M. S. ; SOUZA, S. O uso das TICs na realização do inventário do acervo da
Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos: relato de experiência da
BSEAAJ. 2018.
MEY, E. S. A. Breve histórico dos catálogos e da catalogação. In: MEY, E, S. A. Introdução à
catalogação. Brasília: Briquet de Lemos, 1995. Cap. 2, p. 12-35.
MODESTO, F. O formato da RDA reformata a formatação do formato bibliográfico e a reforma do
catalogador não reformado. INFOhome. Disponível em:
https://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=609. Acesso em: 11 set. 2021.
STROUT, R. F. The development of the catalog and cataloging codes. The Library Quarterly:
Information, Community, Policy, Chicago, 1956. v. 26, n. 4, p. 254–275. Dispinível em:
http://www.jstor.org/stable/4304573. Acesso em: 13 out. 2021.
VASCONCELLOS, Paulo A. G e. Bibliodata/CALCO: informação bibliográfica para o
desenvolvimento. Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 3, p. 450-453, 1996.
VTLS.

VIRTUA system guides: circulation.Version 16.0.

Blacksburg, VA : VTLS,1999.

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A Biblioteca Universitária e o uso do Google Lens na catalogação, classificação e indexação: para além das obras raras.</text>
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            <name>Date</name>
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            <description>A language of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>As tecnologias estão cada vez mais incorporadas nas atividades dos bibliotecários. Atualmente várias tarefas desenvolvidas pelos profissionais da informação são realizadas com a ajuda do computador ou dos aparelhos smartphones ou androides. O presente artigo apresenta a história da catalogação mundial e no Brasil, relata a experiência na utilização do aplicativo Google Lens na tradução das obras raras estrangeiras e concomitante na atividade de catalogação, classificação e indexação das obras que incorporam o acervo corrente do Sistema de bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina que é formado por quatro bibliotecas: Biblioteca Central, Biblioteca Setorial de Ciências Humanas, Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos e Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde. Todo material é processado tecnicamente na Divisão de Processamento Técnico da Biblioteca Central e encaminhado para as bibliotecas setoriais. Os aplicativos são ferramentas ferramentas que facilitam o trabalho do bibliotecário e auxiliam no papel intelectual e objetivo do catalogador.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
CÂMARA OBSCURA: AÇÃO INOVADORA EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
EM PARCERIA COM CURSOS DE GRADUAÇÃO
CÂMARA OBSCURA: INNOVATIVE ACTION IN UNIVERSITY LIBRARIES
IN PARTNERSHIP WITH UNDERGRADUATE COURSES
Bruna Heller1
Janice Moser Correa2
Tatiane de Oliveira Bourscheidt3

Resumo: O objetivo deste artigo é descrever ações inovadoras no contexto da biblioteca universitária, em especial
a implementação de uma câmara obscura, parceria da biblioteca com o curso de Fotografia da Universidade
Feevale. As avaliações institucionais têm como um dos componentes a infraestrutura da biblioteca, não somente
os espaços em si, mas o que eles agregam de inovador no processo de ensino-aprendizagem. A instalação de uma
Câmara Obscura, sala escura onde há apenas um buraco - específico para inserção de lente - que reflete a imagem
invertida do exterior da sala, contribui para a oferta de serviços diferenciados no âmbito da biblioteca, bem como
na relação de parceria com o curso de Fotografia da instituição e na redescoberta dos primórdios da fotografia,
aproximando a comunidade acadêmica da história do curso. Conforme algumas pesquisas, não foi relatado
nenhuma câmera obscura em bibliotecas no Brasil, assim sendo a Universidade Feevale pioneira e sempre
pensando na inovação em todos os seus espaços.
Palavras-chave: inovação; bibliotecas universitárias; curso de Fotografia; câmara obscura; avaliações
institucionais.
Abstract: This article is intended to describe innovative actions in the context of the university library, in
particular the implementation of a camera obscura, a partnership between the library and the Photography course
at Universidade Feevale. One of the components of institutional assessments is the library's infrastructure, not
only the spaces themselves, but what they add as an innovation in the teaching-learning process. The installation
of a Câmara Obscura, a dark room where there is only one hole - specific for the insertion of a lens - which
reflects the inverted image of the outside of the room, contributes to the offer of differentiated services within the
scope of the library, as well as in the relationship of partnership with the institution's Photography course and the
rediscovery of the beginnings of photography, bringing the academic community closer to the history of the
course. According to some researches, no camera obscura was reported in libraries in Brazil, thus being the
Feevale University a pioneer and always thinking about innovation in all its spaces.
Keywords: innovation; university libraries; Photography class; camera obscura; institutional assessments.

1 INTRODUÇÃO
As tendências mundiais acompanham a mudança de comportamento das sociedades, o que
exige das bibliotecas adaptações, seja no quesito tecnológico ou pela situação econômica de um país
1

Mestre em Ciência da Informação (PPGCIN/UFRGS). Bacharel em Biblioteconomia (FURG). Atualmente é
bibliotecária na Universidade Feevale. E-mail: brunahellerbh@gmail.com
2
Especialista em Literatura infantil e juvenil (UCS). Bacharel em Biblioteconomia (UFRGS). Atualmente é
bibliotecária na Universidade Feevale. E-mail: janmcor@gmail.com
3
Especialista em Gestão de Pessoas (Anhanguera Educacional). Bacharel em Biblioteconomia (FURG). Atualmente é
bibliotecária na Universidade Feevale. E-mail: tathyooliveira@hotmail.com

�ou ainda pelas mudanças sociais, para que o seu objetivo seja alcançado: atrair novos interagentes
quanto aos serviços e ao espaço da biblioteca.
Hoje muito mais do que o viés apenas bibliográfico, as bibliotecas são lugares em que o
principal objetivo do bibliotecário vem a ser criar o sentimento de pertencimento, para que o usuário
encontre nas bibliotecas o sentido de comunidade. Logo, as bibliotecas passam de simples lugares
para caminhos para encontrar sentidos e significados.
A biblioteca universitária é vinculada a uma instituição de ensino superior, pública ou
privada, tendo o alinhamento constante às atividades desenvolvidas por essa unidade. Apoia
atividades da tríade ensino, pesquisa e extensão, atende toda comunidade acadêmica: alunos,
professores, pesquisadores etc. Vem a ser fundamental com a oferta do acervo bibliográfico e
inovação a partir de seus serviços.
Esta preocupação com ofertar serviços diferenciados vai ao encontro de atender as
expectativas dos usuários que fazem parte dessa comunidade e que buscam por novas experiências,
captando a sua atenção para que conheçam o espaço de inter-relações que é a biblioteca, ou ainda,
continuem frequentando-o. Facilitar a vida dos usuários é tido como uma missão, proporcionando
rapidez nos processos e novas experiências.
Assim, o objetivo deste artigo é descrever ações inovadoras no contexto da biblioteca
universitária, em especial a implementação de uma câmara obscura, parceria da biblioteca com o
curso de Fotografia da Universidade Feevale.
2 CONTEXTO DA BIBLIOTECA FEEVALE

A Universidade Feevale tem como um de seus princípios norteadores a inovação,
entendendo esta como a melhoria ou a criação do novo que agregue valor tanto à instituição quanto à
sociedade, promovendo o conhecimento através de seus espaços e fazeres criativos e empreendedores.
Com o desafio de repensar suas ações, a Biblioteca Feevale diante do contexto de inovação
dá ouvidos às sugestões de seu público-alvo a partir de avaliações institucionais e sugestões,
acompanha tendências mundiais, com intuito de atender as necessidades do público, seja na questão
informacional como na questão de experiências. A exemplo disso, cita-se a implementação da
Biblioteca das Coisas, assim como do autoatendimento, que serão brevemente explorados neste
artigo.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES, que foi
institucionalizado por proposição do Ministério da Educação e Cultura (MEC), através da aprovação

�da Lei n.º 10.861/2004 alinha os objetivos da biblioteca universitária com a instituição na qual está
vinculada. É um importante sistema que exigiu das Instituições Superiores a adaptação a esse
processo de avaliação.
O sistema não apenas modificou os processos internos da avaliação nas universidades como
também reforçou a importância de se seguir o documento. A avaliação das bibliotecas universitárias
fica fortemente atrelada à Dimensão 7 - Infraestrutura, que será o foco deste trabalho.
As avaliações institucionais por parte dos acadêmicos manifestaram quesitos de melhoria na
infraestrutura e nos serviços, que contribuíram para a remodelação da infraestrutura física da
Biblioteca do Câmpus II, considerada a biblioteca central da universidade que localiza-se na cidade de
Novo Hamburgo-RS. A biblioteca foi ampliada e seguiu tendências mundiais contemporâneas no que
se refere aos seus ambientes, tornando-se mais convidativa e fugindo da tradicional biblioteca guardiã
de livros.
No total, a Universidade Feevale é composta por outras duas bibliotecas, além da biblioteca
do CII: a biblioteca do Câmpus I, também localizada em Novo Hamburgo-RS e a biblioteca do
Câmpus III, localizadas em Campo Bom-RS. A nova estrutura da biblioteca central, contou com um
investimento de cerca de R$ 10 milhões em 2017, foi ampliada em 3.300m², totalizando 5.900m²,
duplicando a sua área total.
Um novo conceito de biblioteca foi instaurado, configurando um espaço de inter-relações,
multifuncional, de experiências, instigando à comunidade com ambientes mais convidativos e
acolhedores, de certa forma interativos, saindo da função de somente depositária do acervo
bibliográfico para um conceito totalmente voltado para experimentações e vivências. Essa nova
proposição contribui para o estímulo ao acesso e construção do conhecimento, pelo seu ambiente
propriamente dito e pela oferta de novas tecnologias de informação e comunicação - TIC.
A interação com as TIC já inicia com a oferta de duas estações de autodevolução que são
disponibilizadas do lado de fora do prédio da biblioteca. A ideia é oportunizar ao aluno uma
experiência autônoma para efetuar as suas devoluções, além da agilidade e flexibilidade para aqueles
momentos em que o aluno precisa devolver o material emprestado inclusive em momentos em que a
biblioteca se encontra fechada ou antes de uma aula, por exemplo.
No andar Térreo, encontram-se duas estações de autoempréstimo, para que o público tenha a
experiência de pegar um livro na estante e se emprestar, com total autonomia no processo. Todos os
livros podem ser emprestados ao mesmo tempo graças à tecnologia de identificação por

�radiofrequência (do inglês radio frequency identification - RFID). Ainda na linha de autoatendimento,
a biblioteca disponibiliza uma máquina digitalizadora específica para materiais bibliográficos.
Configurando um espaço mais social, o Térreo possibilita o consumo de alimentos e bebidas,
diferente dos demais pisos que não é permitido este consumo. Há uma cafeteria neste piso. A questão
do silêncio também é mais flexível em virtude da proposta mais sociável do andar. Não há acervo
neste piso.
Como é um andar de maior proposição de serviços, ainda se tem: autosserviço de impressão,
balcão de atendimento, miniauditório com capacidade de 40 lugares e uma sala multimídia que possui
uma SmartTV e um computador, que possibilita realizar atividades diversas em pequenos grupos, e
utilizar a TV como monitor para diferentes dispositivos e aplicativos. Há estantes no estilo expositor
em que são destacados alguns livros do acervo, bem como novas revistas, convidando o usuário à
leitura em poltronas contemporâneas.
O layout dos pisos 1, 2 e 3 são semelhantes com pequenas variações de serviços entre eles.
Em todos os três pavimentos há lounge com poltronas confortáveis para leitura e estar, estações para
consulta ao acervo, balcão de informações, sanitários, ambiente aberto com mesas para estudo
compartilhado e salas de estudos em grupo fechadas. A distribuição das estantes que abrigam o acervo
de livros e periódicos conta com a mesma programação visual e diferenciam-se pelas áreas de
conhecimento. Os pisos se diferenciam na oferta de outros espaços como: um laboratório (35 lugares),
uma sala de estudo individual (35 lugares), três salas para estudo silencioso (8 lugares cada) e dois
acervos especiais ligados ao Curso de História. As salas de estudos fechadas já mencionadas,
totalizam 27 e estão distribuídas pelos três pisos e são inspiradoras porque oferecem vista privilegiada
para a cidade e para o câmpus.
A biblioteca da Feevale que já tinha iniciativas inovadoras como o empréstimo de recursos
inusitados, tais como sacolas retornáveis, guarda-chuvas, e notebooks, conhecido como Biblioteca das
Coisas, pôde inovar ainda mais com a nova estrutura. Com um ambiente mais convidativo, foi
possível consolidar o papel de agente cultural com ações propostas pela equipe de bibliotecárias, bem
como parcerias com a área acadêmica, e a partir disso, várias exposições ocorrem na biblioteca.
Como iniciativa da própria biblioteca, vem ocorrendo a Mostra Colecionáveis, já em sua
quinta edição em 2021, que tem por objetivo proporcionar um espaço na Biblioteca para a exposição
de coleções institucionais ou pessoais da comunidade, e compartilhar a partir de objetos diversos, um
pouco de história, conhecimento e experiências. A segunda edição, por exemplo, contou com a
exposição de aproximadamente 300 câmeras fotográficas e mais objetos com a temática fotografia. O

�acervo tratava-se da coleção pessoal de uma professora e ex-coordenadora do curso de Fotografia da
instituição.
Parcerias da biblioteca com o curso de Fotografia: a Câmara Obscura
Na perspectiva de parceria, foi formalizada uma com o curso de Fotografia que, devido às
características do local, escolheu a biblioteca como cenário para realizar a exposição dos trabalhos dos
formandos do Curso de Fotografia, ao qual vem ocorrendo semestralmente, e teve ao total seis
edições, interrompidas excepcionalmente devido à pandemia de Covid-19.
A partir deste ambiente de parceria, somado à existência da vista privilegiada que se obtém
dos lounges disponíveis em cada pavimento para apreciar a cidade e seu entorno, houve a proposta de
uma ex-coordenadora do curso de Fotografia para a construção de uma câmara obscura.
Trata-se de uma sala escura onde há apenas um buraco - específico para inserção de lente que reflete a imagem invertida do exterior da sala. As câmaras podem ser dos tamanhos mais
diversos. No caso da câmara implementada na biblioteca, esta reflete a imagem da cidade de Novo
Hamburgo/RS, uma vista privilegiada do 3º piso do prédio. Foi elaborada uma sala improvisada, no
tamanho de uma sala de estudos (aproximadamente 12 m²), junto ao lounge do 3º piso, conforme
ilustra a figura 1.
Figura 1 - Câmara Obscura vista da sua parte externa

Fonte: acervo da biblioteca.
A imagem projetada na sala aparece após alguns minutos em que o indivíduo está dentro da
sala. Conforme descreve Sabina (2017, não paginado)

�O princípio da propagação retilínea da luz permite que os raios luminosos que atingem o
objeto e passem pelo orifício da câmara sejam projetados no anteparo fotossensível na parede
paralela ao orifício. Esta projeção produz uma imagem real invertida do objeto na superfície
fotossensível. Quanto menor o orifício, mais nítida é a imagem formada, pois a incidência de
raios luminosos vindos de outras direções é bem menor.

A Câmara Escura foi a primeira grande descoberta da fotografia. É uma caixa composta por
paredes opacas, que possui um orifício em um dos lados, e na parede paralela a este orifício, uma
superfície fotossensível é colocada.
Existem poucas no mundo hoje, mas é possível ver algumas em Grahamstown na África do
Sul, Bristol na Inglaterra, Kirriemuir, Dumfries e Edinburgh na Escócia, Santa Monica e São
Francisco na Califórnia e no Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.
Figura 2 – Primórdios da câmara obscura

Fonte: Porto ([2015?]).

A proposta foi bem aceita pela gestão da biblioteca, principalmente impulsionada pela ação
inovadora, diante da não ocorrência de registros deste tipo de atração em uma biblioteca até então
conhecidas. Há registros de câmaras escuras que foram construídas como atrações turísticas, embora
poucas existam ainda hoje. Exemplos podem ser encontrados em Grahamstown na África; Bristol na

�Inglaterra; Kirriemuir, Dumfries e Edinburgh, na Escócia; Santa Monica e São Francisco, na
Califórnia. O projeto acabou sendo viabilizado em 2019 e contou com o apoio institucional,
culminando com a confirmação da visita in loco do MEC para renovação do reconhecimento do curso
de Fotografia.
Existe uma grande e bem montada câmara escura no Museu da Vida da Fundação Oswaldo
Cruz, no Rio de Janeiro. Em Lisboa, no Castelo de São Jorge, existe uma câmara obscura com
periscópio gigante, por meio do qual é possível observar imagens da cidade em movimento.
No ano de 2017 novos instrumentos de avaliação nos processos de regulamentação exercidos
pelo MEC foram publicados. O Instrumento de Avaliação Institucional Externa Presencial e a
Distância, no Eixo 5, que trata de Infraestrutura, engloba o indicador 5.9 referente à Biblioteca, e diz:

A infraestrutura para bibliotecas atende às necessidades institucionais, apresenta
acessibilidade, possui estações individuais e coletivas para estudos e recursos tecnológicos
para consulta, guarda, empréstimo e organização do acervo, fornece condições para
atendimento educacional especializado e disponibiliza recursos comprovadamente
inovadores. (MEC, 2017, p. 28)

Nos fóruns de discussão da área de bibliotecas universitárias, diversos bibliotecários
levantaram muitas dúvidas a respeito do que pode ser considerado pelo avaliador um recurso
inovador. E alguns profissionais, que receberam visita do MEC, fizeram relatos de que os avaliadores
não consideraram somente a oferta de recursos eletrônicos, via assinatura, como sendo uma ação
inovadora.
De acordo com o Glossário dos Instrumentos de Avaliação Externa, com respeito ao termo
inovação, esclarece que uma ação inovadora “[...] relaciona-se com a adoção de práticas e
procedimentos que oportunizem a criação ou o desenvolvimento de novos produtos ou ideias e
permitam a melhoria de processos, apontando para ganhos de eficiência e para a adaptação inédita a
situações que se apresentam.” (CAMERA…, 2019).
Logo, a implementação da Câmara Obscura não só culminou itens pontuados no instrumento
de avaliação, como a proposição de inovações, mas também implementou a possibilidade à
comunidade em geral de novas vivências na biblioteca, além de conhecer um recurso que hoje faz
parte da história da fotografia, e que por muito tempo foi a primeira e única forma de fotografar além
de registrar imagens por meio do reflexo.
3 RESULTADOS DA AÇÃO

�O curso de Fotografia recebeu a visita in loco, ainda no ano de 2019. No final do processo, o
curso recebeu o conceito 5, que é o conceito máximo. A biblioteca, como item individual, também
recebeu a nota 5. Um dos itens evidenciados como inovador foi a Câmara Obscura, assim como a
exposição da Mostra Colecionáveis com sua coleção de máquinas fotográficas.
Durante a visita, que a foi conduzida por integrantes da biblioteca, do instituto acadêmico,
professores do curso e os avaliadores, foi perceptível observar a curiosidade quanto à câmara, visto
que além de uma ação inovadora trata-se de um recurso que muitos desconheciam, logo instiga-se
para além da sua curiosidade.
No relatório, os avaliadores fizeram a seguinte observação em relação ao item 4.9
Laboratórios didáticos de formação específica:

[...] Como comemoração aos 50 anos da Feevale, a Coordenadora do curso de Fotografia
propôs a IES a instalação de uma "câmara obscura" em área específica da Biblioteca. Tendo
sido aceita, vale registrar que esse processo está em andamento e, mesmo sem estar
finalizado, o efeito obtido é merecedor de destaque, tanto quanto sua iniciativa. Do mesmo
modo, uma exposição de seu acervo de câmeras fotográficas que, do mesmo modo, chama
atenção. Em relação ao item 2.16. Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no
processo ensino-aprendizagem, os avaliadores ainda relataram:
[...] Na Biblioteca, os recursos tecnológicos para empréstimos e devoluções de títulos são
diferenciados e chegam a surpreender pela agilidade do processo automatizado. Apesar de
reconhecido como tendência mundial, acredita-se que sejam poucas as IES brasileiras que
podem contar com esses recursos.

Diante deste exemplo de parceria, dos resultados das autoavaliações e pelos bons conceitos
recebidos nas últimas visitas, que variaram entre o conceito 4 e 5, incluindo o resultado da visita do
curso de Fotografia, a biblioteca entende que diante do texto descrito no instrumento, somado ao
esclarecimento do glossário, teria condições de receber boas avaliações, visto a adoção de novas
tecnologias e pelas práticas inovadoras percebidas em processos e instalações. O pioneirismo é
verificado pelos registros de instituições que entram em contato com a Biblioteca Feevale, com vistas
a conhecer o processo e replicar em suas instituições.
Além da boa pontuação em avaliações futuras, diversas visitas foram recebidas no ano de
2019 de turmas do curso em questão, além da comunidade acadêmica e geral para conhecer a Câmara
Obscura. Em visitas guiadas da própria biblioteca, realizadas pela equipe de bibliotecárias, pôde-se
perceber curiosidade e admiração dos discentes e docentes quanto à implementação da ação
inovadora, pois muitos sequer conheciam um recurso semelhante.
Também, por meio da câmara obscura, a Universidade contribui contando a história da
Fotografia e dessa importante ferramenta que registra fatos, momentos históricos, experiências e
outros.

�4 REFLEXÕES FINAIS

A Câmara Obscura foi implementada no ano de 2019, em tempo da avaliação in loco para o
curso de Fotografia. No momento decidido a relatar a experiência de inovação na Biblioteca Feevale
neste artigo, pelo momento vivenciado da COVID-19, o projeto não teve um avanço quanto à sua
divulgação para o público. Não foi possível realizar uma grande divulgação até o momento, o que será
feito com toda cautela e tomando todas as medidas de segurança.
Cabe ressaltar que o estudo teve suas limitações, por não contemplar uma pesquisa
qualitativa junto aos usuários. Ainda assim, todos os visitantes até o momento ficaram encantados
com a Câmara Obscura, dada a sua proposta inovadora e experiência. Também, até a presente escrita,
não encontramos registros de haver uma câmara obscura em uma biblioteca.
Por fim, espera-se que o artigo sirva de referência para encorajar outras bibliotecas na oferta
de serviços semelhantes aos descritos neste estudo, visto os resultados positivos que pode vir a trazer
para a biblioteca e seus usuários, além das avaliações institucionais e dos processos avaliativos, como
o do MEC. Sem contar com a possibilidade de inspirar outros adoradores de fotografia a visitarem a
biblioteca para apreciar uma câmara obscura, apreciando essa experiência.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira. Instrumento de avaliação institucional externa: presencial e a distância. Brasília: Ministério
da Educação, out. 2017. Disponível em:
http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_institucional/instrumentos/2017/IES_recred
enciamento.pdf. Acesso em: 3 abr. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira. Glossário dos instrumentos de avaliação externa. 3. ed. Brasília: Ministério da Educação,
2018. Disponível em:
http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_institucional/apresentacao/glossario_3_edic
ao.pdf. Acesso em: 3 abr. 2019.
CAMERA Obscura. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú
Cultural, 2019. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo82/camera-obscura.
Acesso em: 23 set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
PORTO, Gabriella. Câmara Escura. Infoescola, [S.l], [2015?]. Disponível em:
https://www.infoescola.com/fotografia/camara-escura/. Acesso em: 20 out. 2021.

�QUEIROZ, Matheus. Propriedade vs Acesso: as Bibliotecas de Coisas podem mudar hábitos de
consumo?. Co.cada. [Brasil], 4 jul. 2017. Disponível em:
https://medium.com/cocadacolabora/propriedade-vs-acesso-as-bibliotecas-de-coisas-podem-mudarh%C3%A1bitos-de-consumo-4fb4dcade975. Acesso em: 19 mar. 2019.

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Biblioteconomia&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Câmara obscura: ação inovadora em Bibliotecas Universitárias em parceria com cursos de graduação.</text>
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                <text>O objetivo deste artigo é descrever ações inovadoras no contexto da biblioteca universitária, em   implementação de uma câmara obscura, parceria da biblioteca com o curso de Fotografia da Universidade Feevale. As avaliações institucionais têm como um dos componentes a infraestrutura da biblioteca, não somente os espaços em si, mas o que eles agregam de inovador no processo de ensino-aprendizagem. A instalação de uma Câmara Obscura, sala escura onde há apenas um buraco - específico para inserção de lente - que reflete a imagem invertida do exterior da sala, contribui para a oferta de serviços diferenciados no âmbito da biblioteca, bem como na relação de parceria com o curso de Fotografia da instituição e na redescoberta dos primórdios da fotografia, aproximando a comunidade acadêmica da história do curso. Conforme algumas pesquisas, não foi relatado nenhuma câmera obscura em bibliotecas no Brasil, assim sendo a Universidade Feevale pioneira e sempre pensando na inovação em todos os seus espaços.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
O QUE SINALIZAM OS TRABALHOS VOLTADOS AO LETRAMENTO INFORMACIONAL:
UM PROTOCOLO DE REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA
WHAT THE WORKS FOCUSED ON INFORMATIONAL LITERACY SIGNAL: A PROTOCOL
FOR THE SYSTEMATIC LITERATURE REVIEW
Graziella da Silva Moura 1
Maria do Carmo Paiva 2
Rosângela Maria de Melo 3

Resumo: Este artigo teve como objetivo apresentar um protocolo de revisão sistemática de literatura, visando
identificar a relevância do letramento informacional para a pesquisa escolar e acadêmica, revisando o papel educativo
do profissional bibliotecário e a contribuição da biblioteca para promoção da pesquisa, no âmbito da pós-graduação
nacional, utilizando para tanto as produções acadêmicas de mestrado e doutorado disponibilizadas na Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações e no Catálogo de Teses e Dissertações. Para condução da pesquisa foram
estabelecidas 3 (três), das fases que constituem o protocolo de revisão sistemática e o período utilizado para a busca
dos documentos compreendem os últimos 6 (seis) anos. As pesquisas resultaram em 8 (oito) documentos. As análises
dos documentos resultaram em um conjunto de estratégias e ações que vem sendo utilizadas pelos autores para
analisar a necessidade informacional dos estudantes e como o letramento informacional poderia melhorar a qualidade
das pesquisas científicas tanto escolares quanto acadêmicas.

Palavras-chave: Protocolo de Revisão Sistemática de Literatura. Letramento Informacional. Biblioteca.
Abstract: This article aimed to present a systematic literature review protocol, meaning to identify the relevance of
information literacy for school and academic research, reviewing the educational role of professional librarians and the
library's contribution to promoting research within the national postgraduation, using the academic productions of
master's and doctoral degrees available in the Digital Library of Theses and Dissertations and the Catalog of Theses and
Dissertations. To conduct the research, 3 (three) of the phases that constitute the systematic review protocol were
established, and the period used to search for documents comprises the last 6 (six) years. The surveys resulted in 8
(eight) documents. The analysis of the documents resulted in a set of strategies and actions that have been used by the
authors to analyze the informational need of students and how information literacy could improve the quality of
scientific research, both in schools and in academia.
Keywords: Systematic Literature Reviews Protocol. Information Literacy. Library.

1

Mestranda do Curso de Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica do Instituto Federal
de Pernambuco- IFPE. Graduada e Especialista em Biblioteconomia. Bibliotecária na DEaD- Diretoria de Educação a
Distância do IFPE, graziella.moura@ead.ifpe.edu.br;
2
Especialista em Gestão de Arquivos Públicos e Privados. Bibliotecária na Universidade Federal de Pernambuco UFPE. mcarmopaiva@hotmail.com ;
3
Doutora
em
Ciência
da
Computação e docente no Mestrado Profissional em Educação
Profissional e Tecnológica (PROFEPT) do IFPE, atuando na linha de Práticas Educativas em Educação Profissional e
Tecnológica (EPT), rosangela.melo@paulista.ifpe.edu.br

�1 INTRODUÇÃO
De acordo com Campello (2009), as sociedades da informação e do conhecimento propiciaram
um volume informacional, de maneira que algumas profissões ligadas, sobretudo à área da Ciência da
Informação, a exemplo dos bibliotecários, enfrentam desafios quanto a organização e disseminação da
informação em seus diversos meios, e para tanto, esses agentes da informação têm buscado desenvolver
metodologias para facilitar o acesso ao conhecimento. A necessidade de desenvolver habilidades de
busca e uso da informação de maneira eficaz, constituiu de acordo com Campello (2009), uma prática
educativa intitulada de letramento informacional (LI).
Ainda segundo a autora, o bibliotecário escolar ocupou durante muito tempo, o papel de
contribuir com a promoção da leitura. Mas a Sociedade da Informação permitiu evidenciar a habilidade
do profissional em lidar com diversas questões que envolvam a busca e o uso da informação. A
crescente utilização dos recursos informacionais de aprendizagem, sobretudo nas escolas que trabalham
com a premissa da pesquisa como princípio educativo, evidenciou a necessidade de preparar os
estudantes para além da orientação bibliográfica, e sim, de acordo com Campello (2009), para o uso do
aparato informacional.

De acordo com Souza (2019), uma pesquisa se inicia a partir do reconhecimento da
necessidade informacional. É esta necessidade que impulsiona o estudante a buscar informações
visando a construção do conhecimento. Ainda segundo a autora, os procedimentos que o estudante
irá adotar para realizar a busca da informação, responde a alguns fatores que irão impactar
diretamente no resultado da pesquisa: o conhecimento atual de mundo; as fontes de informações as
quais ele tem acesso e as suas experências, fruto de outras pesquisas já realizadas anteriormente.
Isto posto, Santos (2019) defende que há a necessidade de aplicar o letramento informacional, de
maneira a viabilizar processos que envolvem: Quais as fontes de informação que mais se adequam à
pesquisa? As fontes de informações são confiáveis? Onde podemos encontrá-la?
Este artigo tem como propósito realizar um protocolo de revisão sistemática de literatura,
cuja finalidade é identificar na literatura as iniciativas existentes com relação ao uso letramento
informacional pelas bibliotecas, em contribuição ao desenvolvimento da pesquisa científica no
âmbito escolar e acadêmico.
Para a elaboração desse protocolo de revisão sistemática utilizaremos as orientações de
Kitchenham e Charters (2007), para o qual a revisão sistemática constitui um meio de identificar

�e interpretar todas as pesquisas relevantes e disponíveis para uma determinada questão de
pesquisa, área temática ou fenômeno de interesse.
Este artigo está organizado da seguinte maneira: a seção 2 (dois) define o protocolo de
revisão sistemática, e apresenta o planejamento e o desenvolvimento das 3 (três) fases utilizadas
e dos critérios associadas ao protocolo de revisão. Na seção 3(três) apresentaremos as discussões
e análises dos trabalhos selecionados a partir das bases de dados: BDTD – Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações e do Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior - CAPES. Na seção 4 (quatro) apresentaremos os instrumentos e
estratégias identificadas para a implantação do letramento informacional. E, na seção 5 (cinco),
apresentaremos as considerações finais e os próximos passos.
2 PLANEJAMENTO DO PROTOCOLO DE REVISÃO SISTEMÁTICA DELITERATURA
Segundo Kitchenham e Charters (2007), o protocolo de revisão sistemática de literatura
consiste numa metodologia para identificar, avaliar e interpretar as pesquisas disponíveis acerca
de uma determinada questão de pesquisa ou fenômenos de interesse. Em seu estudo, Kitchenham
e Charters (2007) apontam algumas razões para a realização de um protocolo de revisão, entre os
quais destacamos a identificação de lacunas na pesquisa atual, de maneira a contribuir para
sugestão de áreas para futuras investigações. Como desvantagem para a utilização deste modelo
de revisão, Kitchenham e Charters (2007) apontam que este modelo demanda um esforço maior
que as revisões de literatura tradicionais.
Ainda segundo o autor, a revisão sistemática de literatura conduz a elaboração de uma
estratégia de pesquisa. Além, de levar os pesquisadores a identificarem pesquisas que reforcem e
não reforcem suas hipóteses, como demonstrado no protocolo de revisão, ao estabelecer critérios
para inclusão e exclusão de documentos.
Para a construção deste protocolo de revisão foram utilizadas 3 (três) das fases, definidas por
Sampaio e Mancini (2007), a partir de diretrizes baseadas no modelo de Kitchenham e Charters
(2007) para elaboração de uma revisão sistemática de literatura. As etapas adotadas nesta pesquisa
são apresentadas na Figura 1 e descritas, na sequência.

�Figura 1 – Fases do processo de revisão sistemática baseado em Kitchenham e Charters (2007)

Fonte: As Autoras, 2021.

Na fase 01(um) do protocolo de revisão foram apresentadas as questões da pesquisa,
com a finalidade responder o objetivo proposto no artigo. Na fase 02 (dois), definimos a
estratégia adotada para a busca e seleção do conteúdo que fomentou esta pesquisa. E para
tanto, foram elencados os recursos de busca, as bases de dados a serem consultadas para
construção do protocolo e a definição dos descritores de pesquisa utilizados para realização da
busca. Na fase 03 (três) foram definidos os critérios para inclusão e exclusão dos documentos,
com o propósito de selecionar apenas trabalhos cujos conteúdos fossem relevantes para a
pesquisa.
2.1

FORMULAÇÃO DAS QUESTÕES DE PESQUISA
Para os autores Dermeval, Coelho e Bittencourt (2020), a fase norteadora do processo de

pesquisa é a questão da pesquisa, seja na revisão sistemática de literatura ou em outros métodos de
pesquisa. No protocolo de revisão sistemática de literatura, a questão norteadora compreende a
principal fase do planejamento. Isto posto, duas questões norteadoras foram definidas para esta
pesquisa, apresentadas no Quadro 1 conforme orientações dos autores Sampaio e Mancini (2007),
além de Dermeval, Coelho e Bittencourt (2020) quanto a elaboração das questões norteadoras para o
protocolo de revisão sistemática de literatura.

�Quadro 1 – Questões do Protocolo de Revisão
QUESTÕES DE PESQUISA
DESCRIÇÃO
Qual a relevância do uso do letramento informacional
para o desenvolvimento de pesquisa no âmbito
Q1
escolar e acadêmico?
Quais as estratégias ou instrumentos que as
bibliotecas podem adotar para promover a prática
Q2
do letramento informacional voltadas à pesquisa
escolar e acadêmica?
Fonte: As Autoras, 2021.

2.2

DEFINIÇÃO DA ESTRATÉGIA DE BUSCA E DESCRITORES
De acordo com a Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF (2017), a CAPES e a

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações estão entre as bibliotecas eletrônicas mais procurados no
Brasil para realização de pesquisas científicas e tecnológicas. Com a finalidade de verificar a
produção científica sobre letramento informacional, resultante dos programas de Pós-Graduação no
Brasil, a nível de mestrado e doutorado, foi realizada pesquisa nas bases de dados mencionadas, a
fim de que contribuíssem para responder as questões norteadoras do protocolo de revisão apontadas
no Quadro 1.
As pesquisas foram realizadas utilizando um recorte temporal dos últimos 6 (seis) anos
compreendendo o período de 2015 a 2021. Os critérios de busca variaram de acordo com as bases
de dados utilizadas, conforme apontado no Quadro 2.
Quadro 2 – Bases de dados e métodos de busca
BASE DE DADOS

MÉTODO DE BUSCA/
DESCRITORES
Foram utilizados descritores
(“letramento informacional” AND
“biblioteca”) com recorte de tempo
preestabelecido de 2015 a 2021.

TIPO DE
DOCUMENTO
Teses e
Dissertações

Foram utilizados os descritores:
Teses e
("letramento informacional" OR
Dissertações
"LETRAMENTO INFORMACIONAL"
OR "Letramento Informacional" AND
"biblioteca" OR "Biblioteca" OR
"BIBLIOTECA")
e com recorte de tempo de 2015 a 2021.
Fonte: As Autoras, 2021.

ÁREA DE
CONCENTRAÇÃO
Ciência da
Informação/Letras/
Linguagem/Educação
e Novas Tecnologias

Ciência da
Informação/Educação/
Educação Profissional
e Tecnológica

Detalharemos o processo de busca dos dados nas bases de dados BDTD e no Catálogo de
Teses e Dissertações da CAPES. Com relação a base de dados BDTD, o campo de busca da base,

�além da busca simples, possibilita a consulta do tipo avançada, no qual são utilizados os campos:
título, autor, assunto e outros, além dos termos de correspondência: TODOS os termos,
QUALQUER termo ou NENHUM termo. E a consulta com operadores de busca, sendo estes:
operadores boleanos (E, +, OU, Não e -); caractere curinga; algoritmo Fuzzy; busca por
proximidade; busca por intervalo e ainda, incrementando um termo.
Para recuperação dos dados, optamos por utilizar operadores booleanos, visto que são os
operadores mais comumente utilizados para pesquisa nas bases de dados adotadas para este
protocolo de revisão sistemática de literatura. Neste caso, formulamos os descritores (+
"Letramento informacional" AND "biblioteca"). Esta base de dados, além da opção de uso dos
descritores para seleção dos trabalhos de pesquisa permite associar aos descritores o uso de diversos
filtros, de forma a refinar os resultados da busca. Sendo assim, utilizamos o símbolo de “+” para
garantir que o termo “letramento informacional” aparecesse obrigatoriamente em qualquer campo
do registro, e o “AND” para agregar ao resultado da pesquisa documentos que abordassem o
letramento informacional aplicado em bibliotecas.
A busca dos trabalhos utilizou além dos operadores booleanos, um recorte de tempo de
2015 a 2021. A base de dados não é sensível ao uso de letras minúsculas ou maiúsculas. Logo,
não há diferença no aspecto das letras desde que as palavras estejam corretas do ponto de vista
ortográfico.
A consulta no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES é realizada por meio de um
campo de busca simples. As opções de refino da pesquisa, como ano, assunto, programa de PósGraduação entre outros, aparecem após ser inserido o (s) descritor (es) inicial (is).
O campo de busca permite a utilização de operadores booleanos: AND, OR e NOT, além do
uso das aspas (“”), para garantir que os resultados obtidos com a pesquisa resultem em informações
que tragam o (s) descritor (es) utilizado (s). Esta base é sensível ao uso de letras maiúsculas e
minúsculas, sendo assim utilizamos descritores que variaram da seguinte maneira: ("letramento
informacional" OR "LETRAMENTO INFORMACIONAL" OR "Letramento Informacional" AND
"biblioteca" OR "Biblioteca" OR "BIBLIOTECA"). A busca nesta base utilizou um único filtro, um
recorte temporal entre os anos de 2015 a 2021.

2.3

DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE SELEÇÃO E EXCLUSÃO
Segundo os estudos de Dermeval, Coelho e Bittencourt (2020), uma das etapas do protocolo

de revisão sistemática de literatura é a definição de critérios para inclusão e exclusão de

�documentos. No Quadro 2, mencionamos as bases de dados utilizadas para construção deste
protocolo de revisão, a partir do qual, delimitamos um critério geral para a pesquisa: consultar bases
de dados cujos documentos armazenados abordassem publicações acerca do letramento
informacional, a nível de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) dos últimos 6 (seis) anos. A partir
deste critério geral, foram elencados os termos que caracterizaram os critérios para inclusão e
exclusão dos documentos que estão de acordo com o propósito do protocolo de revisão,
conforme apresentado no Quadro 3.
Quadro 3 – Critério de inclusão e exclusão dos trabalhos
CRITÉRIOS
INCLUSÃO

EXCLUSÃO

DESCRIÇÃO
Documentos que orientassem a compreensão do termo letramento informacional;
letramento informacional aplicado às bibliotecas de ensino médio e médio integrado,
superior; letramento informacional nos Institutos Federais ou em escolas privadas de
ensino médio ou técnico; comportamento informacional de estudantes no ensino
médio e/ou superior; função educativa do bibliotecário; biblioteca escolar; fontes de
informação na internet
para pesquisa escolar; pesquisa no ensino médio, pesquisas no ensino superior.
Documentos que tratam dos termos: alfabetização informacional e/ou competência
informacional; trabalhos repetidos nas bases pesquisadas; textos que não traziam o
termo “letramento informacional” no título ou nas palavras chave ou no resumo;
documentos que tratam do letramento informacional aplicado à outros contextos que
não educacional; outros serviços realizados pela biblioteca; textos não disponíveis
para download, apenas letramento.

Fonte: As Autoras, 2021.

3

RESULTADOS
Após serem elencados os procedimentos conforme os itens 2.1, 2.2 e 2.3 para o estabelecimento

da pesquisa de conteúdo por meio do protocolo de revisão sistemática de literatura, identificamos
que a busca no BDTD retornou 16 (dezesseis) pesquisas de Pós-Graduação, sendo 13 (treze)
dissertações e 3 (três) teses, considerando os anos 2015 a outubro de 2021. Deste quantitativo, 5
(cinco) foram considerados relevantes para pesquisa, de acordo com os critérios de inclusão e
exclusão, sendo, portanto, incluídos.
No Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES a pesquisa foi realizada no campo de busca
com os descritores apresentados no Quadro 2 e mencionados no item 2.2. Foram resgatados um
total de 24 (vinte e quatro) trabalhos entre teses e dissertações, sendo incluídos apenas 2 (duas)
dissertações e 1 (uma) tese, totalizando 3 (três) pesquisas de pós-graduação consideradas relevantes.
Do universo de 21 (vinte e um) trabalhos descartados, 12 (doze) estavam em duplicidade com o
BDTD e 1 (um) deles não possui divulgação autorizada. Após a apresentação do quantitativo dos

�trabalhos incluídos, provenientes das buscas realizadas nas bases analisadas para este artigo,
apresentamos os resultados obtidos expressos graficamente pela Figura 2.
Figura 2 – Sumarização dos trabalhos encontrados nas bases de dados do BDTD e CAPES

Fonte: As Autoras, 2021.

Dos 8 (oito) trabalhos selecionados nas bases de dados apresentadas na Figura 2,
identificamos que 4 (quatro) trabalhos respondem à questão norteadora de pesquisa Q1 e 4
(quatro) trabalhos respondem à questão norteadoras de pesquisa Q2.
As bases possuem ligação quanto à produção disponibilizada, visto que ambas tratam da
disseminação da produção de Pós-Graduação nacional em níveis de mestrado e doutorado. No
decorrer do processo de pesquisa nestas bases de dados, foi observado que o tema letramento
informacional tem sido discutido com mais frequência. Particularmente, não pudemos deixar de
observar também que o referido tema tem sido tratado tanto no âmbito da Ciência da Informação,
como em outras áreas do conhecimento, por exemplo: Ensino e Letras.
No entanto, apesar da percepção do aumento de pesquisas discutindo o letramento
informacional, poucos são os trabalhos que relacionam a temática com o profissional
bibliotecário, assim como a contribuição do profissional e da temática para a pesquisa no ensino
médio e educação profissional e tecnológica.
4

DISCUSSÃO
O processo de discussão visa responder as questões de pesquisas Q1 e Q2 apontadas no

Quadro 2, deste protocolo de revisão. Em Q1 buscamos contextualizar a relevância do letramento
informacional para o desenvolvimento de pesquisas, e para tanto, utilizamos das experiências de
Almeida (2015), Hanneman (2020), Dantas (2017) e Macedo (2015), a fim de justificar a

�necessidade de aplicação do Letramento Informacional para o desenvolvimento de pesquisas
escolares e acadêmicas.
Almeida (2015) e Hanneman (2020) discutem a necessidade do desenvolvimento de
habilidades para o acesso à informação por estudantes, para busca e uso da informação, em
decorrência, sobretudo, do crescimento exponencial da internet. O processo voltado ao
aprendizado dos mecanismos de busca da informação, seja nos suportes físicos ou em meio
eletrônico, é chamado de letramento informacional. De acordo com Almeida (2015), o letramento
informacional tem raízes nas práticas de educação de usuários, e reflete discussões na área da
Biblioteconomia quanto a função educativa do bibliotecário.
Igualmente à Almeida (2015) e Hanneman (2020), Macedo (2015) e Dantas (2017), também
discutiram em suas pesquisas a oferta de informações no qual os estudantes têm acesso.
Complementando as pesquisas de Almeida (2015) e Hanneman (2020), os autores destacam que
as escolas têm o papel de ensinar aos estudantes como lidar com o volume de informações, que
tanto podem criar facilidades para o acesso, como podem gerar empecilhos para a busca e seleção
de informações relevantes, confiáveis e fidedignas. E para tanto, ambos realizam uma análise da
influência do letramento informacional no aprendizado de estudantes em fase escolar.
Almeida (2015), Macedo (2015) e Hanneman (2020), utilizaram em suas pesquisas o mesmo
instrumento de coleta de dados, o questionário. E a partir da análise dos resultados obtidos com as
aplicações do instrumento, foi possível perceber que os 3 (três) autores corroboram para a defesa
da aplicação do letramento informacional como veículo de mudança na aprendizagem dos
estudantes.
De acordo com Almeida (2015) os sujeitos da pesquisa foram estudantes de Biblioteconomia,
a partir dos currículos dos cursos de graduação. De maneira a compreender como o letramento
informacional tem sido concebido na formação do bibliotecário.
Em Macedo (2015), os sujeitos da pesquisa foram estudantes do 9° ano do Ensino
Fundamental de um colégio católico da cidade de Brasília/DF. A aplicação da pesquisa revelou
pouco avanço no desempenho do grupo escolhido, embora tenha sinalizado mudanças
significativas no processo de aprendizagem.
Semelhante a Macedo (2015), Dantas (2017), utilizou como sujeitos da pesquisa estudantes do
ensino fundamental, porém do 8° ano de uma escola pública. Diferentemente dos resultados
apresentados por Macedo (2015), Dantas (2017) afirmou que os resultados de sua pesquisa foram
atingidos satisfatoriamente. Hanneman (2020) realizou uma análise da comunidade acadêmica da

�Universidade Federal do Paraná, com o objetivo de investigar se o Portal de Periódicos Capes
atendia a necessidade de informação dos sujeitos da pesquisa, e o grau de compreensão destes
quanto a utilização da base de dados.
Por sua vez, a questão norteadora Q2 nos impulsiona a discutir, por meio dos autores:
Alves (2015), Zinn (2016), Veiga (2017) e Santos (2019), as estratégias que as bibliotecas do
âmbito escolar e acadêmico podem adotar para promoverem o letramento informacional no ensino
médio integrado, a partir das estratégias vivenciadas pelos autores em suas pesquisas de mestrado
e doutorado.
Alves (2015), Zinn (2016), Veiga (2017) e Santos (2019) têm em comum em suas produções,
a aplicação do letramento informacional com seus respectivos sujeitos de pesquisa, de maneira a
buscar desenvolver nestes sujeitos, as habilidades informacionais necessárias para o acesso, busca
e uso da informação. Para Veiga (2017) a necessidade de capacitar os usuários da biblioteca para
lidar com a informação de forma eficiente, ampliou, segundo a autora, o papel da Biblioteconomia
com a inserção de práticas educativas voltadas ao letramento informacional.
Alves (2015), Zinn (2016) e Santos (2019) defendem a ideia da necessidade de se criar
autonomia nos indivíduos quanto ao acesso e uso da informação. As autoras partiram do princípio
de que os sujeitos não dominam ferramentas de busca, para desenvolver programas de instrução,
treinamento e/ou capacitação em letramento informacional para os estudantes. Alves (2015),
especificamente, defende o bibliotecário como sendo o profissional apto para promoção de ações
destinadas ao desenvolvimento do letramento informacional.
Em Zinn (2016) os sujeitos da pesquisa foram docentes do curso de artes, que a princípio
foram submetidos a um curso de formação em letramento informacional. Apesar dos resultados
positivos do curso ofertado, que demonstraram viabilidade da proposta do curso de formação, a
precariedade da infraestrutura da escola e a organização do currículo, foram mencionados como
pontos incipientes na pesquisa. Em Santos (2019), os sujeitos da pesquisa foram estudantes do
primeiro ano do ensino médio integrado. A autora também partiu de uma atividade prévia, uma
oficina de pesquisa, antes da coleta de dados que resultariam num produto para aplicação na
escola. A oficina de pesquisa de Santos (2019), buscou inserir os estudantes no contexto da
utilização de fontes de informações e normalização de trabalhos acadêmicos por meio das normas
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Alves (2015), teve como sujeitos da pesquisa profissionais bibliotecários. O objetivo da
pesquisa foi a inserção da prática do letramento informacional nas discussões sobre bibliotecas

�públicas no Brasil. Por outro lado, em Veiga (2017), os sujeitos da pesquisa foram a comunidade
acadêmica representada pelos bibliotecários, docentes e discentes do Instituto Federal de Roraima,
campus Porto Velho, com o objetivo de compreender as práticas de letramento informacional
desenvolvidos pelos sujeitos da pesquisa na Instituição. A pesquisa resultou no entendimento da
biblioteca como um espaço em transformação para o ensino e aprendizagem.

5

LETRAMENTO

INFORMACIONAL:

ANÁLISES,

DIFICULDADES,

USO

DE

INSTRUMENTOS E ESTRATÉGIAS
A análise dos trabalhos no item 4 (quatro) permitiu a compreensão da necessidade da
implantação de programas de treinamento e capacitação de usuários para o uso da informação,
assim como as práticas de letramento informacional, em face do volume de informações
disponibilizados, sobretudo na internet. Há o entendimento da biblioteca como espaço para o
desenvolvimento de práticas de letramento informacional, e bibliotecário como agente educador,
contribuindo para o desenvolvimento do LI. No Quadro 4 são apresentadas de forma sintetizada
os instrumentos utilizados pelos autores para pesquisa, assim como as ações e estratégias
adotadas.
Quadro 4 – Síntese das dificuldades, instrumentos, ações e estratégias encontradas nas pesquisas
DIFICULDADES ENCONTRADAS
Inviabilidade de aplicar propostas de
letramento informacional mais
aprofundadas, devido a necessidade de
atendimento das demandas do currículo
escolar;
Tempo insuficiente para formação dos
estudantes;
Dois aspectos não considerados no
início da pesquisa: falta de maturidade
dos estudantes e parcela de estudantes
do experimento que possuem laudo de
défict de atenção.
Desconforto demonstrado por parte dos
entrevistados, nas entrevistas que
ocorreram por telefone em virtude da
indisponibilidade de entrevistas
presenciais;
Limitações quanto a objetividade do
resultado das pesquisas decorrente da
escolha do método fenomenográfico,
que acarreta numa análise subjetiva dos
dados, por parte do pesquisador.
A não totalidade de participação dos
sujeitos da pesquisa.

INSTRUMENTO
Questionário,
observação
participativa,
avaliação e
entrevista não
estruturada

Entrevistas

Questionári
o

AÇÕES/ ESTRATÉGIAS
Identificação dos
conhecimentos prévios dos
estudantes acerca do letramento
informacional;
Elaborado um roteiro quanto ao
uso do letramento
informacional e um guia sobre
normalização, ambos entregues
aos estudantes.

Inserir as bibliotecas públicas no
contexto de discussão quanto a
adoção do letramento
informacional

Discutir a ressignificação do
papel do bibliotecário na
educação, a partir da formação
em letramento informacional.

AUTOR
MACEDO
(2015)

ALVES
(2015)

ALMEIDA
(2015)

�A coleta de dados online não obteve
sucesso esperado, visto que houve baixa
adesão ao primeiro questionário aplicado.

Questionário

Proposta para utilização do
letramento informacional para o
estudo e ensino de artes.

ZINN
(2016)

Poucos recursos informacionais
disponíveis na escola, e a dificuldade na
utilização de alguns espaços como sala
de mídia, por exemplo, para realização
da pesquisa.

Sequência
didática

Proposta de intervenção para
inserir o letramento
informacional, como atividade
didática, em turmas do ensino
fundamental.

DANTAS
(2017)

A não totalidade de participação dos
sujeitos da pesquisa.

Questionário;
Entrevista
semiestrutura
da

Desenvolvimento de um
programa educativo de
letramento informacional para
melhoria das atividades de
ensino oferecidas pela
biblioteca do campus Porto
Velho do IFRO.

VEIGA
(2017)

Escassez do uso das fontes de
informação, do ambiente da biblioteca e
das normas de referência, precisamente
a ABNT.

Parte dos e-mails enviados contendo o
questionário voltaram por motivo de
férias ou outros.

Oficina;
Roda de
conversa
Questionários

Aplicação do Letramento
Informacional por meio de uma
oficina de pesquisa,além da
criação de cartilha educativa.
Elaboração de um quadro com
vídeos e tutoriais, acerca das
fontes de informações mais
utilizadas pela comunidade
acadêmica que compõe a UFPR

SANTOS
(2019)

HANNEMAN
N
(2020)

Fonte: As Autoras, 2021.

Quanto a necessidade de implantação de programas de capacitação e treinamento de
usuários para o acesso e uso da informação, autores como Dantas (2017) e Santos (2019), apontam
para algumas dificuldades que envolvem recursos físicos, tecnológicos e de fontes de informações.
No entanto, ambos os autores propõem atividades didáticas como meio de implantação do
letramento informacional. Dantas (2017) propõe uma intervenção didáticas nas turmas de ensino
médio, enquanto Santos (2019), realizou em sua pesquisa oficinas e a elaboração de material
didático, do tipo cartilha.
Para Macedo (2015), o formato do curriculo escolar inviabializa a adoção de práticas de
letramento informacional, visto que exigem tempo para que o profissional bibliotecário possa
realizar a formação adequada dos estudantes. Como estratégia para o desenvolvimento da
ferramenta, o autor propos a elaboração de um roteiro para utilização do letramento informacional e
um guia sobre normalização de trabalhos acadêmicos.
Zinn (2016), Veiga (2017) e Hanneman (2020) discutem o letramento informacional
aplicado diretamente em algumas situações-problemas que envolvem o ensino, em Zinn (2016),
temos como estratégia o letramento informacional aplicado ao ensino de artes, em Veiga (2017) a
aplicação do LI é voltada às atividades de ensino desenvolvidas pela biblioteca do IFRO e em

�Hanneman (2020) o letramento informacional visava atender à comunidade acadêmica da UFPR.
Outro aspecto em comum às 3 (três) autoras é o instrumento de coleta de dados. Nas 3 (três)
pesquisas foram utilizados o questionário, no qual as autoras relataram terem encontrado
dificuldades quanto à participação dos sujeitos da pesquisa.
Sob outra perspectiva, os autores Almeida (2015) e Alves (2015), encontramos a discussão
acerca da biblioteca como espaço para a prática do letramento informacional, e o bibliotecário como
o profissional responsável pelo desenvolvimento do LI entre os estudantes, ocupando um papel de
agente educador. Estes autores utilizaram de questionário e entrevista respectivamente, como
instrumento de coleta de dados, e suas pesquisas não tiveram aplicações práticas com os sujeitos
estudados.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E PRÓXIMOS PASSOS A SEGUIR
Este artigo teve por objetivo identificar na literatura produzida no âmbito dos Programas de
Pós-Graduação, em nível nacional, e disponibilizada nas bases de dados do BDTD – Ibict e no
Catálogo de Teses e Dissertações da Capes, quais as discussões que estão sendo realizadas acerca
da adoção do letramento informacional pelas bibliotecas em contribuição à pesquisa científica no
ensino escolar e acadêmico. Para tanto, foi elaborado um protocolo de revisão de sistemática de
literatura, que apresentou resultados para atender as questões norteadoras de pesquisa estabelecidas
como Q1 e Q2.
De acordo com as regras que estabelecem o protocolo de revisão, foram atendidas as fases:
planejamento da pesquisa, a definição das duas questões norteadoras, os mecanismos de busca e os
critérios de inclusão e exclusão de documentos. A pesquisa foi realizada nas bases de dados: BDTD
– Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT, e no Catálogo de Teses e Dissertações da
Capes, no período de 2015 a 2021. A pesquisa nas bases resultou na inclusão de 8 (oito) trabalhos
para análise e discussão. Identificou-se os instrumentos, ações e estratégias utilizadas pelos autores
para o desenvolvimento do letramento informacional nos estudantes, apresentados no Quadro 4.
Percebemos com a revisão sistemática de literatura que a discussão acerca da prática do
letramento informacional para o ensino escolar e acadêmico, ainda é insuficiente. Em virtude do
recorte utilizado, percebemos a necessidade de incluir novas bases de dados nesse protocolo de
revisão sistemática de literatura a fim de que possamos identificar uma quantidade maior de
sinalizações sobre essas práticas. Além disso, reconhecemos há uma preocupação entre os autores
analisados, com o desenvolvimento de estudos mais aprofundados acerca da necessidade

�informacional do estudante, e como a implementação do letramento informacional poderia
contribuir para a promoção da pesquisa.
Os resultados obtidos por meio da elaboração deste protocolo de revisão, irão subsidiar a
continuidade desta pesquisa, expandindo-a para outras bases de dados que tratam da biblioteca,
letramento informacional e pesquisa, porém com ênfase no ensino médio integrado. Por fim, esperase que os resultados apresentados, até o momento por este artigo, possam contribuir para outros
pesquisadores, servindo de suporte para outras pesquisas correlatas.

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escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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                  <text>&#13;
Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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              <name>Type</name>
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              <name>Coverage</name>
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                  <text>Goiânia (Goiás)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O que sinalizam os trabalhos voltados ao letramento informacional: um protocolo de revisão sistemática de literatura.</text>
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                <text>Moura, Graziella da Silva, Paiva, Maria do Carmo, Melo, Rosângela Maria de</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Este artigo teve como objetivo apresentar um protocolo de revisão sistemática de literatura, visando identificar a relevância do letramento informacional para a pesquisa escolar e acadêmica, revisando o papel educativo do profissional bibliotecário e a contribuição da biblioteca para promoção da pesquisa, no âmbito da pós-graduação nacional, utilizando para tanto as produções acadêmicas de mestrado e doutorado disponibilizadas na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e no Catálogo de Teses e Dissertações. Para condução da pesquisa foram estabelecidas 3 (três), das fases que constituem o protocolo de revisão sistemática e o período utilizado para a busca dos documentos compreendem os últimos 6 (seis) anos. As pesquisas resultaram em 8 (oito) documentos. As análises dos documentos resultaram em um conjunto de estratégias e ações que vem sendo utilizadas pelos autores para analisar a necessidade informacional dos estudantes e como o letramento informacional poderia melhorar a qualidade das pesquisas científicas tanto escolares quanto acadêmicas.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas

NECESSIDADES E USO DA INFORMAÇÃO DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECA SETORIAL
DO CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA – CCEN DO CAMPUS I DA UFPB
NEEDS AND USE OF INFORMATION OF USERS FROM THE SECTORAL LIBRARY OF THE
CENTER FOR EXACT AND NATURE SCIENCES – CCEN DO CAMPUS I OF UFPB
Eliane B. Paiva 1
Gabriella Domingos de Oliveira 2
Isledna Rodrigues de Almeida 3

Resumo: Investigação realizada com os usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Exatas e da Natureza do
Campus I da Universidade Federal da Paraíba, que teve como objetivo analisar as necessidades e uso da informação dos
usuários da Biblioteca. Portanto se utilizou do referencial teórico de estudo de usuários, a partir da perspectiva
alternativa. A investigação desenvolvida através da pesquisa de campo, sendo descritiva, de natureza qualitativa,
realizada sob a ótica da abordagem Sense-Making, de Brenda Dervin. Os colaboradores da pesquisa trouxeram
parâmetros que, ao buscar a informação para atender às suas necessidades, os mesmos obtêm sucesso, apesar de não
utilizarem os treinamentos que o sistema de bibliotecas oferece. Alguns relataram que existem dificuldades, porém não
as explicitaram. No entanto os resultados potencialmente venham a ser utilizados na biblioteca para melhorar a
disseminação dos seus serviços. Dessa forma, sugere-se a aplicação desta pesquisa em outras unidades de informação.

Palavras-chave: Estudo de usuário. Sense-Making. Barreira informacional.
Abstract: Investigation carried out with users of the Sectoral Library of the Center for Exact Sciences and Nature of
Campus I of the Federal University of Paraíba, which aimed to analyze the needs and use of information by library
users. Therefore, the theoretical framework of the study of users was used, from an alternative perspective. The
investigation was developed through field research, being descriptive, of a qualitative nature, carried out from the
perspective of the Sense-Making approach, by Brenda Dervin. Research collaborators brought parameters that, when
seeking information to meet their needs, they are successful, despite not using the training that the library system offers.
Some reported that there are difficulties, but they did not explain them. However the results will potentially be used in
the library to improve the dissemination of its services. Thus, the application of this research in other information units
is suggested.

Keywords: User Study. Sense-Making. Informational barrier.

1 INTRODUÇÃO
Os estudos de usuários representam um subcampo da área da Ciência da Informação,
segundo Araújo (2010), e estão fortemente presentes nas pesquisas da área. O marco que originou
esses estudos foi a conferência sobre Informação Científica da Royal Society de Londres, realizada
em 1948. Dessa data em diante, foram desenvolvidas investigações voltadas para os hábitos
informacionais de cientistas correlacionados com variáveis de perfil (CASARIN, 2014, p.41).

1

Profª Drª em Linguística. Docente do Departamento de Ciência da Informação. Universidade Federal da Paraíba.
paivaeb@gmail.com
2
Doutoranda em Ciência da Informação. Universidade Federal da Paraíba. gabryellaholiveirah@gmail.com
3
Doutoranda em Ciência da Informação. Universidade Federal da Paraíba. isledna@gmail.com

�Os primeiros estudos foram desenvolvidos a partir da percepção da necessidade da
informação do público comum da biblioteca pública ou do uso das fontes de informação de
cientistas. Em ambos os casos, os estudos evoluíram e as novas correntes refletiram em uma
tentativa de transferir o foco do sistema para o usuário. O usuário que antes era considerado um ser
passivo diante da informação passa a ser visto como um ser ativo que constrói perguntas, respostas
e caminhos para suas demandas informacionais, quer para a satisfação pessoal ou para desempenhar
suas atividades profissionais.
Diante desse contexto, começaram a ser desenvolvidos estudos buscando saber como as
necessidades, as ações de busca e de uso da informação são socialmente condicionadas e
construídas. Visando obter um melhor conhecimento das necessidades e usos de informação dos
usuários, estudiosos como Brenda Dervin (1994); Ferreira (1997) Figueiredo (1999); Sanz Casado
(1994); entre outros, desenvolveram pesquisas e oferecem métodos e abordagens específicas de
pesquisas.
De modo geral, os autores discutem as diferentes abordagens para pensar sobre os elementos
que fundamentam uma pesquisa no campo dos estudos de usuários, sejam as necessidades e o uso
da informação, a sua natureza, a utilidade das diferentes abordagens para estudar o comportamento
dos usuários e as consequências do uso de diferentes modelos teóricos (CUNHA; AMARAL;
DANTAS, 2015).
Dentre essas abordagens está a abordagem alternativa, também conhecida como
“centralizada no usuário ou abordagem da percepção do usuário”. Ela se caracteriza por estudos
centrados no usuário da informação, com base nos métodos e técnicas de coleta de dados mais
utilizados nas pesquisas das ciências sociais, tais como: a observação, entrevistas, questionários,
diários, levantamento de opiniões, levantamento (surveys), análise de tarefa, grupo focal, entre
outros. (CUNHA; AMARAL; DANTAS, 2015).
O modelo teórico utilizado nesta pesquisa é o Sense Making Approach, desenvolvido por
Brenda Dervin. Sendo amplamente utilizado no Brasil, principalmente na área de Ciência da
Informação em estudos sobre as necessidades, interesses e usos dos meios de comunicação,
informação, sistemas de comunicação e mensagens de usuários, patrocinadores, público, pacientes,
clientes e cidadãos.

�A expressão sense making é utilizada pela autora (DERVIN, 1983) em dois sentidos:
Primeiro refere-se ao objeto de estudo, ao processo empírico por meio do qual os usuários de
informação atribuem sentido às situações em que se encontram (às lacunas cognitivas, às
necessidades de informação sentidas, ao engajamento no processo de busca da informação) e,
também, às informações que encontram, que utilizam e das quais se apropriam.
Outra forma ou sentido do sense making se refere à forma de estudar o comportamento
informacional dos usuários, isto é, ao tipo de metodologia preparada para analisar os processos
pelos quais os usuários atribuem sentido às situações em que se encontram e às informações que
utilizam.
Para Ferreira (1997) o modelo sense making tem sido considerado como a mais completa e
abrangente metodologia de estudo de usuários, ideal, eficiente e lógico para mapear as
necessidades, buscas e uso da informação dos usuários e as suas respectivas interações e
interferências ocorridas em decorrência das situações apresentadas durante o processo de captação
da informação.
Destaca-se ainda, que ao fazer o uso dessa informação o usuário consegue transpor os vazios
que aparecem no seu caminho, reduz as incertezas, informa-se, instrui-se, enfim faz progressos na
sua vida individual e social, escapa, completando assim, aquilo que seria a base da construção do
modelo de Brenda Dervin, o trinômio “Situação – Lacuna – Uso”. Dervin e Nilan (1986 apud
FERREIRA 1995, p. 46) caracterizam os estudos de comportamento de usuários sob esta
perspectiva por:
Observar o ser humano como sendo construtivo e ativo; Considerar o indivíduo
como sendo orientado situacionalmente; Visualizar holisticamente as experiências
do indivíduo; Focalizar os aspectos cognitivos envolvidos; Analisar
sistematicamente a individualidade das pessoas; Empregar maior orientação
qualitativa.

Diante do exposto acima,

investigar o comportamento e estudar os usuários da

informação possibilita diversas perspectivas. Nesta pesquisa será possível identificar como os
sujeitos se comportam diante de barreiras/dificuldades ao buscar informação para suprir suas
necessidades informacionais
2 METODOLOGIA
Como percurso metodológico, foi realizado o levantamento bibliográfico para compor a
revisão da literatura que possibilita o aporte teórico à pesquisa. Em seguida, foi desenvolvida a

�investigação através da pesquisa de campo, sendo descritiva e de caráter propositivo, de natureza
qualitativa, realizada sob a ótica da abordagem Sense-Making, enfatizando as categorias situação,
lacuna e uso de Brenda Dervin.
A pesquisa de campo foi realizada na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Exatas e da
Natureza – CCEN do Campus I da UFPB. Inicialmente realizou-se uma visita à Biblioteca para
solicitar a autorização de liberação para desenvolver a pesquisa. Então, explicou-se o objetivo da
pesquisa e a bibliotecária responsável autorizou a realização da pesquisa.
Realizaram-se quatro (04) visitas a Biblioteca e os questionários foram distribuídos
pessoalmente para os usuários que a frequentavam naquele momento. O total de participantes da
pesquisa foram 55 usuários. Todos os questionários foram entregues, respondidos e devolvidos.
Como instrumento de coleta de dados utilizou-se um questionário (Apêndice) com questões
abertas e fechadas por se tratar do instrumento mais utilizado para levantamento de informações e o
que mais se adequaria ao tipo de pesquisa, uma vez que necessitava levantar informações dos
usuários com relação ao seu perfil, as suas necessidades e uso da informação, assim como as
barreiras e/ ou dificuldades encontradas durante o processo de busca e uso da informação nesta
unidade de informação.
Após organizar os dados e informações contidas nos questionários preenchidos pelos
usuários, os mesmos foram analisados usando as abordagens do método qualitativo dos dados. A
seguir verificam-se os resultados obtidos com a aplicação do questionário da pesquisa.
3 RESULTADOS
Esta seção apresenta os resultados da pesquisa, obtidos por meio das respostas ao
questionário, através de tabelas, gráficos e/ou evidenciados através de discussões e reflexões. Para
maior compreensão os resultados estão organizados em duas seções: perfil do usuário e
necessidades e usos da informação.
2.1 PERFIL DO USUÁRIO
Para compreender e identificar os usuários da instituição pesquisada no questionário
solicitaram-se informações referentes à idade, curso, gênero, tipo de usuário, formação, frequência
de uso e horários que costumavam frequentar a biblioteca.
Gráfico 1- Perfil dos usuários

�Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

A pesquisa contou com 55 usuários, sendo 30 (54,55%) do sexo feminino, 23 (41,82%) do
sexo masculino e dois (3,63%) não responderam. Percebeu-se que os usuários do sexo feminino
frequentam mais a biblioteca que os do sexo masculino. Apesar de não ser uma grande diferença as
mulheres no momento da investigação estão mais adeptas à utilização da biblioteca.
Gráfico 2- Perfil dos usuários/Escolaridade

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Em relação ao nível de escolaridade, 52 usuários (94,5%), cursam graduação e apenas e 03
sendo (5,45%) cursam a pós-graduação. Dessa forma é possível constatar que durante o período que
da coleta dos dados, a maior parte dos estudantes que frequentaram a biblioteca estavam cursando a
graduação. Acredita-se que estes usuários da graduação tendem a ir com mais frequências, pela
realização de provas e estudos diários.
Gráfico 3 - Perfil dos usuários/Idade

�Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Em relação à idade, nota-se que a média de idade é de 22 anos. A média feminina (21) e a
média masculina (22) anos de idade, outros respondentes estão na faixa dos 30 anos. Entende-se
que os usuários mais jovens e recentes na universidade que frequentaram a biblioteca na época da
investigação.
Gráfico 4- Perfil dos usuários/Curso

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Na descrição dos cursos, que estes usuários estão matriculados, houve uma predominância
do curso de Química com 20 respostas (36%) dos usuários, em seguida Engenharia de Alimentos
com 09 usuários (16%), Licenciatura em Química com 07 pessoas (13%), Engenharia Química e
Geografia, com 06 respostas respectivamente (11%) cada, Ciência Biológicas com 05 usuários
cerca de (9%) e Matemática com 02 respostas, ou seja, (4%). Observa-se que tem uma maior
frequência dos alunos do curso de Química pelo mesmo ser ofertado nos três turnos e
potencialmente haver mais disponibilidade dos mesmos estarem na instituição.
Gráfico 5- Perfil dos usuários/Frequência de uso

�Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

No que diz respeito à frequência de uso da biblioteca no (Gráfico 5), 17 pessoas
demonstraram ir de duas a três vezes por semana, ou seja, (31%). Com 13 respostas, cerca de
(24%) disseram que vão à biblioteca raramente, já 11 usuários, que se refere a (20%) responderam
que vão no período de prova, 10 respondentes, disseram que frequentam a biblioteca uma vez por
mês, sendo (18%) e apenas 4 pessoas estão na unidade informação todos os dias, somente (7%) de
usuários.
Mesmo a coleta tendo sido realizada em período de prova, a maioria dos usuários
frequentam mais de duas vezes por semana. Isso fica claro que não vão apenas para estudar para
provas, eles utilizam também outros serviços oferecidos pela biblioteca. Porém vale salientar que a
biblioteca deveria utilizar os canais de comunicação virtual para divulgar a biblioteca e os seus
serviços, para que estes usuários que frequentam somente em período de provas passem a utilizar
mais o espaço e todos os serviços disponíveis na mesma.
Gráfico 6- Perfil dos usuários/horário

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

�Referente ao horário de frequência na biblioteca (Gráfico 6), o turno com mais usuários é o
turno da tarde com 30 respostas, cerca de (55%) de frequência, Já 16 pessoas frequentam os dois
turnos, (29,1%) e 09 pessoas responderam pela manhã, com (16,4%). Não foi encontrado usuários
no turno noturno (no momento da pesquisa). Acredita-se que por ser período de avaliações finais,
estando o horário da biblioteca reduzido, pois estava fechando às 19:00 horas.
3.2 NECESSIDADES E USOS DA INFORMAÇÃO
Levados pela constatação que a informação é necessária e útil para a sobrevivência do
homem e que está o estimula a ter uma visão crítica de sua realidade, possibilitando, também, uma
interiorização, reflexão e assimilação de conhecimentos, capazes de darem significados às ações ou
atividades desenvolvidas pelo homem.
Com a proposta de aplicar a técnica do incidente crítico no questionário da pesquisa incluiuse a seguinte pergunta: Hoje o que você veio fazer na biblioteca? O (Gráfico 7), a seguir, apresenta
o resultado das respostas apresentadas:
Gráfico 7- Necessidades da informação

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Compreende-se que 36 usuários responderam que estariam na biblioteca por ser um espaço
de leitura, ou seja, (30,3%) dos respondentes. Já 18 usuários responderam irem para solicitação de
empréstimos, no valor de (15,1%). Houve 09 pessoas que responderam irem na biblioteca para
consultas, cerca de (7,6%).
Sobre a renovação e reservas foram 13 usuários que corresponde a (4,2%) dos usuários. Para
17 respondentes que frequentam a biblioteca por acesso à internet (14,3%). Na pesquisa 03 pessoas
responderam levantamento bibliográfico, cerca de (2.5%) dos usuários, orientação para elaboração
de Trabalhos Acadêmicos 03 usuários (2,5%), e 03 pessoas vai ao espaço para orientação para
pesquisa (2,5%). Somente 07 mencionaram estudar (5,9%). Fazer renovação de empréstimos foram

�05 pessoas no total de (4,2%). Em relação às visitas dirigidas 03 usuários respondem que somam
(2,5%) irem ao local em visitas.
Vale salientar que os usuários que responderam ao questionário poderiam responder mais de
uma opção e que estavam em final de período e de provas finais. Entende-se que os usuários
frequentam a biblioteca com o intuito ter um espaço para ler e solicitação de empréstimos de
material informacional. Outro questionamento para compreender as necessidades e usos da
informação dos estudantes foi identificar: Para que estes usuários utilizam a informação? Os
resultados obtidos são apresentados no (Gráfico 8), a seguir:
Gráfico 8- Usos da informação

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Interpreta-se que os usuários frequentam a biblioteca para estudar e aumentar o
conhecimento, sendo que as respostas variaram entre (Ajudar no aprendizado, Melhorar o
desempenho, Ler, Buscar conhecimento, Enriquecer os estudos, Aumentar o conhecimento,
Desenvolvimento educacional, Crescer no curso, Pesquisar, Resolução de questionamento). Houve
8 pessoas que não responderam e 3 usuários que indagaram que descansam no ambiente, já que a
biblioteca tem um espaço aconchegante para descanso.
Nesta seção de necessidades e uso da informação, é necessário diagnosticar se as
informações que os usuários buscam na biblioteca correspondem ao aos seus anseios, e foi
questionado em outra pergunta no (Gráfico 9): A informação atendeu às suas necessidades?
Gráfico 9- Satisfação da informação

�Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Em relação ao atendimento das suas necessidades de informação, 52 usuários responderam
que sim, ou seja, (94,5%) informaram que estavam satisfeitos com as informações encontradas.
Somente 02 pessoas responderam que não (3,6%) e 01 pessoa não respondeu (1,8%). Foi
identificado que os usuários da biblioteca buscam sua necessidade informacional que atendem suas
demandas sem grandes dificuldades. Para ter mais exatidão nas respostas perguntou-se aos usuários
se os mesmos tiveram alguma dificuldade ou barreira para obter suas informações?
Gráfico 10 - Barreira informacional

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Dos resultados referentes às barreiras à informação 50 pessoas (90,9%) responderam que
não tem/tiveram alguma barreira de informação, e 05 disseram (9,1%) que sim, porém não
especificaram qual dificuldade encontrada. Somente duas respondentes enfatizaram que “faltava
mais espaço para estudos e o horário limitado de funcionamento”. Esta situação positiva coincide
com as resposta da pergunta anterior em relação à satisfação das necessidades informacionais dos
usuários.
A pergunta a seguir diz respeito a treinamentos que a biblioteca oferece aos seus usuários
para que os mesmos desenvolvam competência em informação.

Principalmente para que eles

�sejam autônomos e possibilitar que os usuários consigam filtrar as informações que os mesmos
desejam.
Gráfico 11 - Treinamento informacional

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Apesar dos mesmos responderem que não encontram dificuldades em acessar a informação,
por outro lado os mesmos, respondem que não realizam nenhum treinamento específico pela
instituição, 50 pessoas (90,9%) e 05 usuários (9,1%) dizem que fazem uso de treinamentos.
Compreende-se que potencialmente eles ao buscar informação, pedem auxílio de funcionários ou
somente buscam o material informacional desejado sem necessidade de amplo conhecimento de
competência informacional. Esse questionamento enfatizado no (Gráfico 12) esclarece a situação
anterior, onde foi questionado o seguinte: Quais serviços mais utilizados?
Gráfico 12 - Serviços de informação

Fonte: Dados da Pesquisa, 2019.

Os resultados evidenciam que 13 pessoas (25,5%) responderam que o serviço mais utilizado
é o empréstimo, 11 pessoas, no total de (21,6%) responderam que o utilizam o serviço de descanso
e acessar wifi, 07 usuários mencionaram que estudam (13,7%) e os demais utilizam os serviços de
consulta, devolução, biblioteca virtual, normalização e o serviço de acesso a computadores no local.

�Essas respostas estão de acordo com a primeira questão, onde é identificado que a maioria
dos usuários utiliza os serviços de empréstimo e o ambiente para estudar individualmente. E
compreende a resposta anterior (Gráfico 11) onde os mesmos apontam o que não fizeram
treinamentos para utilizar os serviços da biblioteca.
Uma última questão para elucidar as necessidades e usos da informação, foi solicitar
sugestões para que a biblioteca e com treinamentos, os usuários se tornem aptos a filtrar as
informações e saber avançar em relação às barreiras informacionais.
As respostas da questão aberta foram essas: “Estender o horário para quem estuda a noite”
“atualização do sistema e acervo”, “aumentar o acervo digital e presencial”. Outras questões de
infraestrutura também foram mencionadas como: “mais espaço para estudos, “instalação de
bebedouro no pavimento superior”, “consertar cadeiras e elevadores para deficientes”, “adquirir
mais computadores”, “mais espaço para colocar o material (guarda volumes)”, “mais espaço para
descanso” e aspectos administrativo como a abertura da biblioteca nas férias.
Essas sugestões servem para elucidar dificuldades dos gestores de interação com os usuários
e contemplar a curto e médio prazo as solicitações. Vale salientar que é importante ter uma caixinha
de sugestões na biblioteca, pois é um meio que o usuário tem de interagir e identificar os seus
anseios e dificuldades no/do ambiente.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa conseguiu atingir seu objetivo onde se buscava analisar as necessidades e uso da
informação dos usuários da Biblioteca. No entanto existiram dificuldades na coleta de dados e no
aprofundamento das respostas dos usuários. Pois por se tratar de final de período os mesmos
estavam todos concentrados nas provas e tiveram negações para responder. E a quantidade que
responderam nas questões abertas não forneceram tantas respostas.
No entanto os atores investigados trouxeram parâmetros de que ao buscar informação para
atender às suas necessidades de informação os mesmos obtêm sucesso, apesar de não utilizarem de
treinamentos que o sistema de bibliotecas oferece. E, consequentemente, não encontram barreiras
informacionais, resposta da maioria dos pesquisados. Alguns respondentes relataram que existem
dificuldades, porém estas não foram explicitadas nas respostas.

�Por fim, sugere-se que, para aprofundar esta investigação, estudos futuros sejam realizados
em um período de tempo menos “conturbado” para os estudantes e que exista uma troca de ideias
entre o entrevistado e o entrevistador, pois com isso pode-se sanar algumas dúvidas dos próprios em
relação a responder ao questionário, possibilitando que o pesquisador “explore” mais as respostas
dos usuários.
REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, Ednaldo Maciel; OLIVEIRA, Denise dos Santos RAMALHO, Francisca
Arruda. Necessidades e usos de informação: um estudo com os médicos das Unidades de Saúde da
Família, do Distrito Sanitário V, da cidade de João Pessoa - PB. Informação &amp; Sociedade:
estudos, João Pessoa, v.19, n 2, p.119-134, maio/ago. 2009.
AMARAL, S. A.; BRANDÃO, E.; CUNHA, Murilo. Manual de estudo de usuários da
informação. São Paulo: Atlas, 2015.
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila; PEREIRA, Giselle Alves; FERNANDES, Janaína Rozário. A
contribuição de B. Dervin para a Ciência da Informação no Brasil. Encontros Bibli: revista
eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, Florianópolis,v.14,n.28,out.2009. Disponível
em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2009v14n28p57/19554 Acesso
em: Acesso em: 20 out. 2021
CASARIN, Helen de Castro Silva (Org.). Estudos de Usuário da Informação. Brasília, D.F.:
Thesaurus, 2014.
CUNHA, Murilo Bastos da; AMARAL, Sueli Angelica do; DANTAS, Edmundo Brandão. Manual
de estudo de usuários da informação. São Paulo: Atlas, 2015.
FERREIRA, S. M. S. P. Estudos de necessidades de busca e uso de informação: das abordagens
tradicionais à abordagem de Sense-Making. Porto Alegre: [s.n], 1997.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Estudo de uso e usuários da informação.. Brasília: IBICT,
1994.
GONÇALVES, M. Abordagem sense-making na ciência da informação: uma breve
contextualização. RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 10, n.1,
p.1-11, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.20396/rdbci.v9i2.1906. Acesso em: 20 out. 2021
SANZ CASADO, Elías. Manual de estudios de usuarios. Madrid: Fundación Sánches Ruipérez,
1994.

�APÊNDICE - QUESTIONÁRIO
Prezado(a) usuário(a),
Solicitamos a sua colaboração para responder este questionário que se constitui o instrumento de
coleta de dados de uma pesquisa desenvolvida na disciplina Usuário da Informação do Programa de
Pós-graduação em Ciência da Informação. O objetivo da pesquisa é analisar as necessidades e uso
da informação dos usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Exatas e da Natureza –
CCEN As informações contidas neste questionário são de cunho científico sendo, portanto,
assegurado o anonimato do respondente e o compromisso de evitar qualquer constrangimento para
este. Antecipadamente agradecemos pela sua participação, pois é essencial para a nossa pesquisa.
Gabriella Domingos de Oliveira – Doutoranda PPGCI/UFPB– E-mail:
gabryellaholiveirah@gmail.com
Isledna Rodrigues de Almeida - Doutoranda PPGCI/UFPB– E-mail: isledna@gmail.com
1 - Perfil do usuário
Idade:___________________________
Curso: __________________________
Gênero: [ ] Feminino
[ ] Masculino
Tipo de usuário:
[ ] Estudante
[ ] Professor
[ ] Funcionário
[ ] Outro. Qual?________________________
Formação:
[ ] Pós Graduação
[ ] Superior Completo
[ ] Superior incompleto
[ ] Outro. Qual?________________________
1.1 - Frequência de uso da biblioteca:
[ ] Todos os dias
[ ] Uma vez por semana
[ ] Duas ou três vezes por semana
[ ] Uma vez por mês
[ ] Em períodos de prova
[ ] Raramente
1.2 - Horários que costuma frequentar a biblioteca:
[ ] Manhã
[ ] Tarde
[ ] Noite
2. Necessidades e uso da informação

�2.2 - Hoje, o que você veio fazer na biblioteca?
[ ] Consulta presencial e online
[ ] Empréstimo domiciliar
[ ] Reservas e Renovação presencial e online
[ ] Levantamento bibliográfico
[ ] Catalogação na fonte
[ ] Atendimento e orientação para pesquisa
[ ] Normalização bibliográfica
[ ] Visitas dirigidas (sala de aula, auditório e nas dependências da Biblioteca)
[ ] Espaço para leitura
[ ] Disseminação seletiva da informação
[ ] Orientação para Elaboração de Trabalhos Acadêmicos
[ ] Referência (orientação ao usuário)
[ ] Acesso a rede Wi-Fi
[ ] Divulgação e Marketing
[ ] Outro. Qual ? _______________________________________
2.3 - Para que você utilizará essa informação/serviço?
________________________________________________________________________________
2.4 - Essa informação atendeu às suas necessidades informacionais?
[ ] Sim

[ ] Não

Se não, que tipo de informação você precisava?
__________________________________________________________________________
2.5 - Você teve alguma dificuldade em utilizar a biblioteca?
[ ] Sim
[ ] Não Se sim, qual (is)?
________________________________________________________________________________
2.6 - Você já fez algum treinamento/capacitação para utilizar os serviços da biblioteca?
[ ] Sim
[ ] Não
Se sim, qual (is) e quando?
________________________________________________________________________________
2.7 - Que outros serviços você utiliza na biblioteca?
________________________________________________________________________________
3 - Deixe comentários e/ou sugestões sobre as suas necessidades informacionais e uso da
biblioteca.
________________________________________________________________________________

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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Necessidades e uso da informação dos usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Exatas e da Natureza- CCEN do Campus I da UFPB.</text>
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                <text>Investigação realizada com os usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Exatas e da Natureza do Campus I da Universidade Federal da Paraíba, que teve como objetivo analisar as necessidades e uso da informação dos usuários da Biblioteca. Portanto se utilizou do referencial teórico de estudo de usuários, a partir da perspectiva alternativa. A investigação desenvolvida através da pesquisa de campo, sendo descritiva, de natureza qualitativa, realizada sob a ótica da abordagem Sense-Making, de Brenda Dervin. Os colaboradores da pesquisa trouxeram parâmetros que, ao buscar a informação para atender às suas necessidades, os mesmos obtêm sucesso, apesar de não utilizarem os treinamentos que o sistema de bibliotecas oferece. Alguns relataram que existem dificuldades, porém não as explicitaram. No entanto os resultados potencialmente venham a ser utilizados na biblioteca para melhorar a disseminação dos seus serviços. Dessa forma, sugere-se a aplicação desta pesquisa em outras unidades de informação.</text>
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                    <text>Eixo 2 – Práticas

REDE DE BIBLIOTECAS DA UFRA: SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL
UFRA LIBRARY NETWORK: VIRTUAL REFERENCE SERVICE
Ana Cristina Gomes Santos1
Jean Correa Pereira2
Letícia Lima de Sousa3
Nilzete Ferreira Gomes 4
Resumo: Com a pandemia as bibliotecas tiveram que buscar empreender para continuar desenvolvendo seus serviços e
produtos. O objetivo deste artigo é apresentar o Serviço de Referência Virtual (SRV) ofertado pela Rede de Bibliotecas
da Universidade Federal Rural da Amazônia durante a pandemia do coronavírus. Utilizou-se a pesquisa quantitativa
analisando os dados estatísticos referentes aos serviços e produtos de informação ofertados e ao mesmo tempo a pesquisa
é do tipo documental, pois foram analisados os relatórios das atividades de cada unidade de informação que integram a
rede. Os serviços mais utilizados foram: resposta de dúvidas dos usuários (1.068 mensagens respondidas tanto por e-mail
quanto pelas redes sociais), depósito de trabalhos acadêmicos nos repositórios institucionais (884 trabalhos publicados),
treinamentos ofertados a comunidade acadêmica (610 pessoas capacitadas) e emissão dos documentos para a formatura
dos discentes (393 declarações). As bibliotecas postaram 475 conteúdos informativos nas redes sociais e fizeram o
processamento técnico de 2.797 exemplares. Conclui-se que as bibliotecas universitárias da Universidade Federal Rural
da Amazônia conseguiram adaptar seus serviços e produtos para dar prosseguimento ao atendimento da comunidade
acadêmica cumprindo seu papel de dar suporte ao ensino, pesquisa e extensão.
Palavras-chave: Trabalho colaborativo. Bibliotecas Universitárias. Serviço de Referência Virtual. Pandemia.
Abstract: With the pandemic, libraries had to seek to undertake to continue developing their services and products. The
objective of this article is to present the Virtual Reference Service (SRV) offered by the Library Network of the Federal
Rural University of Amazônia during the coronavirus pandemic. Quantitative research was used to analyze the statistical
data related to the services and information products offered and at the same time the research is of the documentary type,
as the reports of the activities of each information unit that make up the network were analyzed. The most used services
were: answering users' questions (1,068 messages answered both by email and on social networks), deposit of academic
papers in institutional repositories (884 published papers), training offered to the academic community (610 people
trained) and issuance of documents for the graduation of students (393 declarations). Libraries posted 475 informational
content on social networks and technically processed 2,797 copies. It is concluded that the university libraries of the
Federal Rural University of Amazon were able to adapt their services and products to continue serving the academic
community, fulfilling their role of supporting teaching, research and extension.
Keywords: Collaborative work. University Libraries. Virtual Reference Service. Pandemic.

1

Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Fernando Pessoa Porto/PT. UFRA. Email:
gomess_cristina@yahoo.com.br
2 Especialista em Gestão de Unidade de Informação. UFRA. Email: jean.correa@ufra.edu.br.
3 Mestra em Ciência da Informação. UFRA. Email: leticia.sousa@ufra.edu.br.
4 Mestra em Ciência da Informação. UFRA. Email: nilzete.gomes@ufra.edu.br.

�1 INTRODUÇÃO
A pandemia originada do novo coronavírus (Sars-Cov-2), anunciada em 2019 e agravada em
2020/2021, está sendo um marco histórico para a sociedade mundial, pois alterou toda a forma de
relações, sejam elas pessoais, profissionais ou sociais. A doença COVID-19 provocada pelo vírus,
viabilizou um desastre global em muitos aspectos, especialmente nos Sistemas de saúde, onde grande
parte deles entrou em colapso, causando muitas mortes. Tudo isso, agravou as desigualdades sociais,
evidenciando a pobreza no mundo, causadas pelo desemprego e fome.
As organizações públicas não ficaram alheias ao contexto da crise mundial provocada pela
COVID-19, muitas delas fecharam forçosamente as portas para conter o avanço da doença e tiveram
que se “reinventar”, especialmente para atuar no meio digital. Os gestores de todo o mundo tomaram
medidas para contornar a pandemia, principalmente em relação ao trabalho, pois agora, devido às
medidas de isolamento, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as atividades
teriam que ser desenvolvidas em home office, o que levou a novas formas de atuação no ambiente
digital. Diante disso, o artigo tratará a temática “A gestão pública no contexto da pandemia de
Covid-19”.
Entre as organizações afetadas pela instabilidade global da COVID-19, estão as
Universidades, elas que produzem conhecimentos para a sociedade, enfrentam hoje muitos desafios
e estão “remanejando recursos financeiros e humanos, aproveitando seus laboratórios e outras
estruturas, contando com o apoio de docentes, pós-doutorandos, estudantes de pós-graduação e de
iniciação científica” para a pesquisa e prestação de serviços de saúde (GIMENEZ; SOUZA;
FELTRIN, [2020?]).
Na Universidade, um dos principais apoio na pandemia são suas bibliotecas universitárias, as
quais também se adequaram para prestar serviços de forma virtual e continuar apoiando o ensino, a
pesquisa e a extensão. As bibliotecas também tiveram suas atividades suspensas, tendo que
reorganizar suas atividades, mesmo de forma virtual, para que os seus usuários não ficassem sem os
serviços essenciais, como emissão de documentos, ficha catalográficas, disseminação da informação
etc.
Muitas dessas bibliotecas universitárias trabalham em forma de Rede e nesse contexto da
pandemia, essa estruturação se fortaleceu para que todos trabalhassem em prol de um objetivo maior:
atender os usuários de forma mais satisfatória possível. Uma dessas que pode ser exemplo e será
tratada nesta pesquisa é a Rede de Bibliotecas da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA),
denominada Redeteca.

�A Redeteca está em fase de consolidação e aprovação nos conselhos da instituição, mas já
trabalha em rede desde a criação das bibliotecas nos campi do interior juntamente com sua equipe de
bibliotecários, é composta por seis bibliotecas dos campus universitários da UFRA das cidades de:
Belém, Capanema, Capitão Poço, Paragominas, Parauapebas e Tomé-Açu. Por isso, a presente
pesquisa tem como objetivo: compreender a atuação e os desafios da Redeteca no contexto da
pandemia provocada pela Covid-19.
Diante disso indaga-se: como a Redeteca buscou adaptar seus serviços diante de um cenário
desafiador da pandemia provocada pela Covid-19? Para responder à pergunta norteadora, as autoras
utilizaram como metodologia a pesquisa descritiva, com a análise de relatórios, sites e redes sociais
das bibliotecas, além do documento elaborado pela equipe da Redeteca para apoiar as atividades no
período da pandemia: Serviço de Referência Virtual (SRV).
Justifica-se o tema escolhido para o artigo por ser ambiente de trabalho das autoras e também
com o intuito de mostrar que as bibliotecas universitárias também são organizações e devem ser
estudadas dentro da gestão pública, já que o principal objetivo delas é oferecer serviços de informação
que apoiem o tripé: ensino, pesquisa e extensão, “pilares sustentadores e que caracterizam a
Universidade como instituição” (SALA et al., 2020, p.12).
No próximo tópico será abordado sobre as bibliotecas universitárias e os desafios de sua
gestão na pandemia, em seguida especifica-se a Redeteca e apresenta-se os dados de pesquisa e suas
análises e por fim as Considerações Finais.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NA PANDEMIA

As bibliotecas das universidades nasceram ainda na Idade Média e desde sua origem,
agregadas às instituições que a criaram, têm um papel primordial como mediadora entre a informação
e seus usuários. Elas são:
as entidades capazes de articular a rede de troca de informações que servirá a membros da
comunidade universitária e público externo. Elas são um reflexo das instituições de educação
superior a qual estão vinculadas e têm como objetivo essencial apoiar as atividades de ensino,
pesquisa e extensão por meio de seus acervos e serviços. Ao longo de sua evolução histórica,
as bibliotecas universitárias foram se adaptando às mudanças sociais, políticas, econômicas
e tecnológicas (TANUS; SÁNCHEZ-TARRAGÓ, 2020, p. 4).

Maciel e Mendonça (2006) entendem as bibliotecas como organizações, pois segundo elas,
essas instituições devem ser vistas como empresas e ter um planejamento eficaz para desenvolver
seus serviços de forma eficiente e eficaz.

�Na pandemia as bibliotecas universitárias tiveram que se adequar ao novo contexto, pois o
isolamento, recomendado pela OMS, foi uma forma de evitar o contato e a proliferação do vírus e
agora o desafio era como continuar atendendo minimamente os usuários para que estes tivessem
menos prejuízos no ensino a distância, proposto pelas universidades.

2.1 Estruturação da Redeteca
As redes de bibliotecas proporcionam um trabalho compartilhado e padrões comuns para as
bibliotecas envolvidas, proporcionam ainda “intercâmbio entre bibliotecas e dentre outros serviços
informacionais que visam atender de modo eficiente às necessidades de informação da comunidade
de usuários na qual está inserida” (CORRÊA et al., 2018, p. 936).
A Redeteca tem esse objetivo, de desenvolver uma rede de trabalho compartilhado das
bibliotecas, onde políticas, documentos e informações são pensados visando sempre atender com
eficiência os usuários das bibliotecas.
A Redeteca é a Rede de Bibliotecas Universitárias da Universidade Federal Rural da
Amazônia e foi pensada desde 2016, a partir de várias reuniões/encontros com as equipes de
bibliotecários de todos os campi: Belém, Capanema, Capitão Poço, Paragominas, Parauapebas e
Tomé-Açu, essa criação da Rede foi apresentado no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
pelas autoras desse artigo e colaboradores (CORRÊA et al., 2018).
A Redeteca tem por finalidade:
oferecer padronização técnica, definição de políticas informacionais e suporte para os
serviços e os produtos desenvolvidos pelas Bibliotecas Universitárias da UFRA, tendo em
vista a qualidade do processo de disseminação de informação para o desenvolvimento da
pesquisa, do ensino, da extensão e da administração da Instituição (UFRA, 2021).

A Redeteca apresenta muitos benefícios para a comunidade universitária, como a “promoção
do compartilhamento de dados, padrões comuns de linguagem de comunicação, intercâmbio entre
unidades de informação, catalogação cooperativa e redução de custos no processamento técnico”
(CORRÊA et al., 2018).
Isso reforça a importância de continuar os trabalhos em rede, pois os benefícios são para todos,
tanto para a equipe de trabalho com a celeridade nos processos técnicos e administrativos, quanto
para os usuários pelo acesso aos serviços de forma célere, padronizada e coerente nas informações.

2.1.1 Redeteca e a pandemia

�A Pandemia, como já relatado, trouxe muitas dificuldades para todas as organizações e para
as bibliotecas não foi diferente, com o fechamento elas tiveram que se adequar ao novo contexto e
propor serviços nos ambientes digitais.
As bibliotecas da Redeteca tiveram que buscar essas alternativas para continuar dando suporte
à comunidade acadêmica durante a pandemia, em uma ação conjunta foi proposto pelos bibliotecários
da Rede, o Serviço de Referência Virtual (SRV), que consiste na oferta de serviços remotos para
atendimento das necessidades informacionais. Entre as demandas atendidas de forma online estão: as
orientações individuais para uso das fontes digitais, também relacionadas à formatação de trabalhos
acadêmicos, ainda para a elaboração de projetos de pesquisa e artigos científicos, treinamentos online
para turmas como: CAPES e normalização, dentre outros serviços.
O SRV “consiste no atendimento da comunidade acadêmica utilizando Tecnologias de
Informação e Comunicação (TICs) para atender às necessidades informacionais da mesma por meio
de: e-mail, redes sociais, treinamentos virtuais coletivos e individuais de forma remota e
disponibilização de informações sobre o acesso a fontes científicas digitais” (SERVIÇO…, 2021, p.
4).
Esse serviço tem como função: acolher, informar, formar e orientar toda a comunidade
acadêmica de como serão disponibilizados os serviços e produtos das bibliotecas da Redeteca. Tem
finalidade tanto para os usuários discentes, quanto para os docentes na orientação das atividades
acadêmicas.
O SRV apresenta várias informações para os usuários das bibliotecas de como ter acesso aos
serviços e produtos como: fontes de informação científica digitais (CAPES, bases de dados,
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), repositórios institucionais (Repositório
Institucional da UFRA/RIUFRA e Biblioteca Digital de Trabalhos Acadêmicos (BDTA), Periódicos
científicos de acesso livre, Seleção de e-books); orientações, treinamentos, levantamentos
bibliográficos, ficha catalográfica, comutação bibliográfica, declarações, inserção de trabalhos nos
repositórios e acesso aos manuais, além dos canais de comunicação de todas as equipes: como emails, sites das bibliotecas e redes sociais.
A seguir será mostrado a apresentação dos dados e discussão dos resultados da pesquisa na Redeteca.

3 SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL DA REDETECA
Enquanto não era possível o retorno às atividades presenciais, a Redeteca buscou alternativas
para continuar dando suporte ao público, os seus serviços passaram a ser ofertados de forma online.

�As bibliotecas tiveram que repensar a forma de atender a comunidade acadêmica e em uma ação
conjunta propuseram o Serviço de Referência Virtual (SRV), oferecendo os serviços remotos para
atendimento das necessidades informacionais.
Entre as demandas atendidas de forma virtual estão: as orientações individuais para uso das
fontes digitais, também relacionadas à formatação de trabalhos acadêmicos, a elaboração de projetos
de pesquisa e artigos científicos; treinamentos online para turmas como: CAPES e normalização,
dentre outros serviços. Para facilitar as demandas dos usuários elaborou-se o fluxo de cada serviço
ofertado, a fim de facilitar a solicitação por parte da comunidade acadêmica.
A seguir mostraremos os serviços ofertados pelas Bibliotecas distribuídos por cada Campi:
•

Repositórios Institucionais: são as bases digitais da UFRA: Repositório Institucional da
UFRA (RIUFRA) e Biblioteca Digital de Trabalhos Acadêmicos (BDTA).

•

RIUFRA: base digital que agrega as produções científicas e acadêmicas dos servidores da
UFRA, compõe-se dos seguintes tipos de documentos: dissertações, teses, livros e capítulos,
artigos e arquivos multimídia. No RIUFRA cada Campus possui sua comunidade específica,
nos quais são publicados os trabalhos de acordo com o campus ao qual o discente, docente e
técnico administrativo está vinculado.
Foram inseridos ao todo 320 trabalhos técnico-científicos, ficando distribuídos da seguinte

forma: Belém: 195 (62%), Parauapebas: 90 (26%), Tomé-Açu: 9 (3%), Paragominas: 8 (2%) e
Capanema: 18 (6%) (Gráfico 1).
Gráfico 1 – Quantitativo de publicação de trabalhos acadêmicos no RIUFRA
3%
6%
Tomé-Açu
Capanema
28%

Parauapebas
Paragominas

61%

Belém
2%

Fonte: Redeteca (2021).

•

BDTA: base digital que agrega TCCs, monografias e relatórios dos cursos de graduação e
especialização da UFRA de todos os seis campi. Cada Campus possui sua comunidade

�específica dentro da BDTA, na qual são publicados os trabalhos acadêmicos, de acordo com
o campus ao qual o discente está vinculado.
Quanto aos trabalhos inseridos na BDTA foram um total de 564 itens. O quantitativo de trabalhos
inseridos dividiu-se da seguinte forma: Belém: 370 (66%), Capitão Poço: 79 (14%), Tomé-Açu: 54
(10%), Parauapebas: 35 (6%), Capanema: 19 (10%), Paragominas: 7 (1%) (Gráfico 2).
Gráfico 2 – Quantitativo de publicação de trabalhos acadêmicos na BDTA
3%

1%
10%

6%

Capanema

Parauapebas

14%

Belém
Capitão Poço
66%

Paragominas
Tome-Açu

Fonte: Redeteca (2021).

•

Declarações de nada consta: é o documento que atesta a inadimplência do usuário com a
biblioteca, quanto ao acervo bibliográfico.

Foram emitidas 222 declarações, conforme o gráfico 1, distribuídas conforme a biblioteca dos
campi: Belém: 147 solicitações (66%), Capitão Poço: 32 (15%), Parauapebas: 25 (11%), Capanema:
12 (5%) e Paragominas: 6 (3%). Vale destacar que nem todas oferecem esse serviço, como é o caso
da biblioteca do Campus de Tomé- Açu, a qual não se encontra registrada no Gráfico 3.
Gráfico 3 - Emissão de declarações de nada consta

Fonte: Redeteca (2021).

�•

Declarações de entrega de trabalho acadêmico: documento no qual se atesta que o usuário
entregou uma cópia de seu trabalho acadêmico aos repositórios. Tal serviço na pandemia foi
ofertado totalmente online para evitar o contágio com o vírus, facilitando também o acesso do
usuário de forma online.
Foram emitidas 171 declarações de entrega do trabalho acadêmico, distribuídas da seguinte

forma: Belém: 150 (82%), Parauapebas: 30 (17%) e Paragominas: 2 (1%). As bibliotecas de
Capanema, Capitão Poço e Tomé-Açu não emitem esse tipo de documento, pois são solicitados
diretamente para o email dos repositórios que ficam no campus de Belém, justificando-se a
quantidade maior na capital (Gráfico 4).
Gráfico 4 - Quantitativo de declarações de entrega do trabalho acadêmico

Fonte: Redeteca (2021).

Outro serviço oferecido foram os atendimentos via redes sociais das bibliotecas: facebook e
Instagram.
•

Redes Sociais: a publicação de postagens nas redes sociais as bibliotecas abordaram assuntos
relacionados à normalização de trabalhos acadêmicos, fizeram indicações de e-books de
acesso livre, eventos, projetos, divulgação do Serviço de Referência Virtual (SRV), entre
outros.
Ao todo foram 475 postagens distribuídas da seguinte forma: Belém: 200 (42%),

Paragominas: 103 (22%), Capitão Poço: 100 (21%), Tomé-Açu: 51 (11%), Capanema: 16 (3%) e
Parauapebas: 5 (1%), conforme Gráfico 5. Cada biblioteca possui seu perfil no Instagram tendo
autonomia para elaborar seus conteúdos de acordo com as necessidades da comunidade acadêmica a
qual atende.

�Gráfico 5 - Quantitativo de postagens nas redes sociais das bibliotecas

3%
1%

11%
22%

Tomé-Açu
Capanema
Parauapebas
Belém

21%

Capitão Poço

42%

Paragominas

Fonte: Redeteca (2021).

●

Treinamentos: os treinamentos oferecidos pelas bibliotecas são: portal da Capes,

Normalização e orientação para a formatação de artigos e projetos de pesquisa.
Os treinamentos na pandemia foram adaptados para o formato online para continuar atendendo as
demandas da comunidade acadêmica. No total foram capacitadas 610 pessoas, ficando o quantitativo
de usuários capacitados distribuídos da seguinte forma: Belém: 304 (50%), Capitão Poço: 110 (18%),
Paragominas: 100 (16%), Tomé-Açu: 57 (9%), Capanema: 29 (5%), Parauapebas: 10 (2%) (Gráfico
6).
Gráfico 6 – Treinamentos ofertados pelas bibliotecas da UFRA

16%

9%

5%

2%

Tomé-Açu
Capanema
Parauapebas

18%

Belém
50%

Capitão Poço
Paragominas

Fonte: Redeteca (2021).

�•

Atendimento via email e redes sociais:

•

Email: as bibliotecas atenderam por meio dos seus respectivos e-mails a comunidade
acadêmica. Ao todo foram respondidos 815 e-mails. Os usuários puderam agendar os serviços
e também esclarecer diversas dúvidas por meio deste canal de comunicação. O quantitativo
de e-mails respondidos ficou distribuído da seguinte forma: Belém: 350 (43%), Tomé-Açu:
240 (29%), Capitão Poço: 108 (13%), Paragominas: 65 (8%), Capanema: 32 (4%) e
Parauapebas: 20 (3%) (Gráfico 7).
Gráfico 7 – Quantitativo de e-mails respondidos pelas bibliotecas

Tomé-Açu

8%
13%

Capanema

29%

Parauapebas
Belém
43%

4%
3%

Capitão Poço

Paragominas

Fonte: Redeteca (2021).

•

Redes sociais (Facebook e Instagram): cada biblioteca possui seu perfil nas redes sociais e
responderam as mensagens enviadas pela comunidade acadêmica aos seus respectivos perfis
nas redes sociais. No total foram respondidas 253 mensagens, distribuídas da seguinte forma:
Belém: 95 (37%), Paragominas: 83 (33%), Capitão Poço: 50 (20%), Capanema: 20 (8%) e
Parauapebas: 5 (2%) (Gráfico 8).
Gráfico 8 – Quantitativo de atendimento por meio das redes sociais

Fonte: Redeteca (2021).

•

Processamento técnico do acervo bibliográfico: é o serviço de catalogação, classificação,
indexação e inserção de materiais no SIGAA, seguindo as orientações dos códigos de

�classificação (Classificação Decimal de Dewey (CDD)), catalogação (código AACR2 e
MARC21) e regras biblioteconômicas em geral.
•

Quantitativo de títulos das obras tratadas tecnicamente: 566 títulos, distribuídos da
seguinte forma: Belém: 177 (31%), Paragominas: 157 (28%), Capanema: 110 (28%),
Parauapebas: 103 (18%), Capitão Poço: 11 (2%) e Tomé- Açu: 8 (1%) (Gráfico 9).
Gráfico 9 – Quantitativo de títulos catalogados por biblioteca
1%

20%

28%

Tomé-Açu
Capanema
Parauapebas
Belém

18%

2%

Capitão Poço
Paragominas

31%

Fonte: Redeteca (2021).

•

Quantidade de exemplares inseridos no SIGAA: foram inseridos 2.797 exemplares. Belém:
589, Paragominas: 1.169, Capanema: 397, Parauapebas: 578, Capitão Poço: 49 e Tomé- Açu:
15 (Gráfico 10).
Gráfico 10 – Quantitativo de exemplares catalogados por biblioteca
Tomé-Açu

15

Parauapebas

578

Paragominas

1169

Capanema

397

Capitão Poço

49

Belém

589
0

200

Fonte: Redeteca (2021).

400

600

800

1000

1200

1400

�●

Agendamentos: os usuários realizaram os agendamentos dos serviços ofertados pelas

bibliotecas, tais como: treinamentos de normalização, portal de periódicos da CAPES, dentre outros.
No total foram 97 agendamentos distribuídos da seguinte forma: Capitão Poço: 74 (76%), Belém: 16
(17%), Paragominas: 6 (6%) e Parauapebas: 1 (1%) (Gráfico 11).
Gráfico 11 – Quantitativo de agendamentos dos serviços das bibliotecas
1%
6%
17%
Parauapebas

Belém
Capitão Poço
Paragominas

76%

Fonte: Redeteca (2021).

•

Levantamentos bibliográficos: a partir dos parâmetros oferecidos pelo docente realizaram
buscas em ambientes digitais sobre fontes de informação que dessem suporte informacional
para as suas disciplinas.
Houve no total 19 para as disciplinas, ficando distribuído da seguinte forma: Paragominas: 8

(42%), Parauapebas: 5 (26%), Tomé-Açu: 4 (21%) e Capanema: 2 (11%). O gráfico 12 mostra a
demanda por esse serviço por biblioteca.
Gráfico 12 – Quantitativo de levantamento bibliográfico

21%

Tomé-Açu

42%
11%

Capanema
Parauapebas
Paragominas

26%

Fonte: Redeteca (2021).

�●

Eventos online: palestras e eventos oferecidos pelas bibliotecas à comunidade acadêmica de

forma virtual. Houve a realização de 12 eventos online abordando temas de interesse acadêmico:
Paragominas: 8 (67%), Tomé-Açu: 2 (17%), Capanema: 1 (8%) e Capitão Poço: 1 (8%), conforme
Gráfico 13.
Gráfico 13 – Quantitativo de eventos realizados

8%

8%
Capitão Poço

17%

Paragominas
Tomé-Açu
Capanema
67%

Fonte: Redeteca (2021).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nessa pesquisa verificou-se nos dados apresentados os pontos positivos e/ou favoráveis no
que diz respeito aos trabalhos colaborativos das bibliotecas participantes da rede. Esse tipo de prática
auxilia nas trocas de ideias, experiências e comunicação, pois as unidades acabam tendo um padrão
comum de linguagem.
O mapeamento promovido permitiu identificar que as diversas atividades (técnicas,
administrativas, educativas, informativas, culturais, etc.) desenvolvidas pelas unidades de informação
durante o período de pandemia, foram realizadas de forma integrada, por meio do trabalho
cooperativo da REDETECA/UFRA. Observou-se a criatividade das bibliotecas pertencentes à rede
no que se referem ao serviço de referência virtual, as mesmas tiveram que se reinventar continuando
a atender a comunidade acadêmica bem como a população externa a universidade, promovendo a
informação e o conhecimento de maneira dinâmica, interativa e didática por meio de diferentes canais
de comunicação virtuais, tais como, redes sociais, emails, sites institucionais dentre outros.
Os resultados deste estudo mostram como é de fundamental importância o trabalho em rede,
tendo como um dos seus objetivos, justamente prestar serviços e produtos de informação de
qualidade tudo de forma conjunta sempre observando as necessidades informacionais dos usuários,

�gerando assim agilidade no atendimento às demandas diárias e a recuperação de informação
significativa, eficiente e acessível a todos os campi, contribuindo com as atividades de ensino,
pesquisas e extensão universitária.

REFERÊNCIAS

CORRÊA, J. P. et al. Redes de bibliotecas universitárias: um estudo de caso na Universidade
Federal Rural da Amazônia. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 20., 2020. Disponível em: http://repositorio.febab.org.br/items/show/5478.
Acesso em: 10 jun. 2021.
MACIEL, A. C.; MENDONÇA, M. A. R. Bibliotecas como organizações. Rio de Janeiro:
Interciência; Niterói: Intertexto, 2006.
GIMENEZ, A. M. N.; SOUZA, G.; FELTRIN, R. B. Universidades brasileiras e covid-19:
fortalecendo os laços com a sociedade. Disponível em:
https://portal.ige.unicamp.br/sites/portal8.ige.unicamp.br.portal/files/eventos/202004/Boletim%202_Final.pdf. Acesso em: 05 jun. 2021.
SALA, F. et al. Bibliotecas universitárias em um cenário de crise: mediação da informação por
meio das redes sociais durante a pandemia de COVID-19. Informação em Pauta: IP, Fortaleza,
CE v.5, n.1 jan./jun. 2020.
SERVIÇO de referência virtual das bibliotecas universitárias: versão 2.0: Redeteca. Disponível em:
https://portalbiblioteca.ufra.edu.br/. Acesso em: 10 jun. 2021.
TANUS, G. F. S. C.; SÁNCHEZ-TARAGÓ, N. Atuação e desafios das bibliotecas universitárias
brasileiras durante a pandemia de COVID-19. Revista Cubana de Información en Ciencias de la
Salud, Havana. Cuba, v. 31, n. 3, p. 1615, 2020.
UFRA. Regimento Interno da Redeteca. No prelo.
WELLICHAN, D. S. P.; ROCHA, E. S. S. As bibliotecas diante de uma pandemia: atuação e
planejamento devido a COVID-19. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Florianópolis, v. 25, n. 3, p. 493-508, ago./dez., 2020.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Com a pandemia as bibliotecas tiveram que buscar empreender para continuar desenvolvendo seus serviços e produtos. O objetivo deste artigo é apresentar o Serviço de Referência Virtual (SRV) ofertado pela Rede de Bibliotecas da Universidade Federal Rural da Amazônia durante a pandemia do coronavírus. Utilizou-se a pesquisa quantitativa analisando os dados estatísticos referentes aos serviços e produtos de informação ofertados e ao mesmo tempo a pesquisa é do tipo documental, pois foram analisados os relatórios das atividades de cada unidade de informação que integram a rede. Os serviços mais utilizados foram: resposta de dúvidas dos usuários (1.068 mensagens respondidas tanto por e-mail quanto pelas redes sociais), depósito de trabalhos acadêmicos nos repositórios institucionais (884 trabalhos publicados), treinamentos ofertados a comunidade acadêmica (610 pessoas capacitadas) e emissão dos documentos para a formatura dos discentes (393 declarações). As bibliotecas postaram 475 conteúdos informativos nas redes sociais e fizeram o processamento técnico de 2.797 exemplares. Conclui-se que as bibliotecas universitárias da Universidade Federal Rural da Amazônia conseguiram adaptar seus serviços e produtos para dar prosseguimento ao atendimento da comunidade acadêmica cumprindo seu papel de dar suporte ao ensino, pesquisa e extensão.</text>
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                    <text>Eixo 1 - Tradição
PATRIMÔNIO E MEMÓRIA: A EXPERIÊNCIA DA INCORPORAÇÃO DA BIBLIOTECA
PARTICULAR DE GILBERTO MENDONÇA TELES PELO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UFG

HERITAGE AND MEMORY: THE EXPERIENCE OF THE INCORPORATION OF THE
PIVATE LIBRARY OF GILBERTO MENDONÇA TELES BY THE LYBRARY SYSTEM OF
UFG

Inês Conceição da Silva1
Maria Silvério da Silva Siqueira 2

RESUMO
Este artigo tem como objetivo refletir sobre incorporação de biblioteca particular por biblioteca
universitária, através da experiência do recebimento da doação do acervo particular do professor,
poeta e crítico literário Gilberto Mendonça Teles, pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal de Goiás (Sibi/UFG). Para dar sustentação neste estudo utilizamos a obra de Vergueiro
(2010) entre outros, e de documentos disponibilizados e elaborados pelo Sibi/UFG. Esta pesquisa
elenca e apresenta algumas considerações feitas pelas bibliotecárias da seção de doação da
Biblioteca Central da UFG, que foram responsáveis pelo desenvolvimento do serviço técnico deste
acervo adquirido por doação, procurando pontuar diversas questões que precisam ser estudadas para
que se possa efetivar no processo de tratamento da informação em biblioteca particular doada para
biblioteca universitária. Evidencia a importância de políticas para desenvolvimento de coleções
especiais que inclua critérios para acolhimento de obras raras em bibliotecas universitárias,
enfatizando a avaliação, seleção e disponibilização de materiais recebidos por doação.

1

Bibliotecária, servidora do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás-Sibi/UFG.
ines.biblio@gmail.com
2
Bibliotecária, servidora do Sistema de Bibliotecas- Sibi/UFG, mestranda em Ensino na Educação Básica.
Programa de Pós-graduação Ensino na Educação Básica - CEPAE/UFG. msilverio.ufg@gmail.com

�Palavras-chave: Sistema de Bibliotecas-Sibi/UFG. Coleção especial. Biblioteca particular.
Gilberto Mendonça Teles.

RESUME
This article aims to reflect on the incorporation of a private library by a university library, through
the experience of receiving a donation of the private collection of professor, poet and literary critic
Gilberto Mendonça Teles, by the Library System of the Federal University of Goiás (Sibi/UFG). To
support this study, we used the work of Vergueiro (2010) among others, and documents made
available and prepared by Sibi/UFG. This research lists and presents some considerations made by
the librarians of the donation section of the UFG Central Library, who were responsible for the
deselopment of the technical service of this collection acquired through donation, seeking to point
out several issues that need to be studied so that it can be effective in the process of processing of
information in a private library donated to a university library. It highlights the importance of
policies for the development of special collections that include criteria for hosting rare works in
university libraries, emphasizing the evaluation, selection and availability of materials received by
donation.
Keywords: Library System-Sibi/UFG. Special collection. Private library. Gilberto Mendonça Teles.

1 INTRODUÇÃO

Na sociedade contemporânea, vivemos em meio a um enorme fluxo de informações,
transformando o ambiente perigoso e favorável para informações falsas. Assim, a desinformação
aliada com a falta de senso crítico tem impulsionado a desmoralização dos processos educacionais,
ocasionando prejuízos imensuráveis para a população. De maneira arbitrária, esse mesmo ambiente
oportuniza a produção de novos conhecimentos e a inovação tecnológica, onde a informação tem
cada dia maior importância nas tomadas de decisões do cidadão. Deste modo, a formação de acervo
de biblioteca requer dos profissionais bibliotecários uma atuação baseado sempre no conhecimento,
nas habilidades, na criatividade e responsável, em razão do descontrole provocado pela
contaminação do ambiente informacional, sendo assim, necessário filtrar, obedecendo normas e
padrões já definidos de seleção e de qualidade que assegura a utilização de obras e outros materiais
informacionais em diferentes suportes.
O Sibi/UFG é um sistema composto por dez bibliotecas universitárias que têm, como
comunidade principal, os estudantes de graduação e de pós-graduação, dos cursos presenciais e à
distância (EAD), bem como os servidores docentes e técnico administrativos vinculados à UFG; e
também por uma biblioteca escolar, cuja comunidade é composta por estudantes da educação

�básica, que contempla alunos do ensino infantil, fundamental I e II, e do Ensino Médio. A Política
de Desenvolvimento de Coleções do Sibi/UFG, “tem por objetivo geral definir critérios para a
seleção, aquisição, avaliação e descarte dos materiais que farão parte do acervo das bibliotecas do
Sibi/UFG”.(POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES-SIBI/UFG, 2019).
Leiptniz e Borin (2018) relatam como as bibliotecas sempre receberam doações de
bibliotecas particulares, desde os tempos em que ordens eclesiásticas e nobres os doavam para
serem incorporados, citando por exemplo a Universidade de Sorbonne, na França, que leva esse
nome em homenagem à Robert de Sorbon, de quem recebeu seus primeiros livros. Hoje, verifica-se
que as bibliotecas universitárias acabam por receber este tipo de material devido à credibilidade que
lhes é confiada, dada a garantia de que são fornecedoras de informação e material de pesquisa não
só ao seu público, como também ao público externo. Os autores acrescentam ainda que:

Um acervo bibliográfico pessoal traz as obras escolhidas que influenciaram a construção do
pensamento de quem colecionou aquele acervo. Pode-se percorrer as anotações durante a
leitura das obras, o fluxo de pensamento daquele leitor. Uma parte da vida de uma pessoa
organiza-se pelas leituras que acumula (LEIPTNIZ e BORIN, 2018, p. 43)

Lacerda (2017) ressalta que a partir da análise de bibliotecas particulares é possível conhecer
a mentalidade de uma época, refletindo o desenvolvimento social e memória social:

As bibliotecas particulares são importantes fontes de pesquisa e representam uma
abrangência inesgotável de investigação bibliográfica de interesse científico, literário,
cultural e artístico, cada uma abrange um universo do conhecimento particular de seu dono,
conforme o interesse intelectual ou artístico do proprietário.Estas bibliotecas agregam
materiais diversos, guardados ao longo de uma vida, objetos além de livros (materiais
bibliográficos), objetos pessoais que representam não somente a experiência individual,
mas do grupo social em que ele, o proprietário, está ou estava inserido (LACERDA, 2017,
p. 2676).

Lacerda (2021), trata da importância de se manter reunidos os acervos particulares
recebidos, considerando toda a historiografia daquele período, acrescentando ainda particularidades
do acervo como:
As bibliotecas particulares quando vão para instituições públicas chegam com muitas
particularidades da vida cotidiana de seu antigo proprietário, além do material bibliográfico
podem fazer parte das coleções outros materiais tanto de coleções como de material
pessoal, por exemplo: coleções de selos; de ex-libris; cartas, cartões postais; documentos
pessoais; manuscritos; etc. Muitas vezes encontram-se nestes acervos dedicatórias que
revelam a rede de amizades com suas trocas culturais e intelectuais da época, notas
marginais, grifos do leitor, que deixam explícito e preservado esse patrimônio e que
permitem a produção de conhecimentos vindouros (LACERDA, 2021, p. 106)

�Neste trabalho, trata-se de uma doação particular que gerou novas inquietações e percepção de
necessidades por parte da equipe, inclusive ao lidar com materiais raros, de extrema importância
para a cultura e história de Goiás, e até do Brasil. Desse modo, objetiva refletir sobre incorporação
de biblioteca particular por biblioteca universitária, através da experiência do recebimento da
doação do acervo particular do professor, poeta e crítico literário Gilberto Mendonça Teles, pelo
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (Sibi/UFG).

2 BREVE REGISTRO DA DOAÇÃO DO ACERVO PARTICULAR DE GILBERTO
MENDONÇA TELES RECEBIDA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFG

Gilberto Mendonça Teles é brasileiro e nasceu em Bela Vista de Goiás em 1931, poeta e
crítico literário traz em seu currículo a graduação em Letras pela Pontifícia Universidade Católica
de Goiás (1956), graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Goiás
(1957) e Doutorado em Lingüística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul (1969). Atualmente é professor pleno emérito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro, Doutor Honoris Causa da PUC Goiás, Professor Permanente do Programa de PósGraduação Stricto Sensu em Letras (Mestrado) - Literatura e Crítica Literária da Pontifícia
Universidade Católica de Goiás. Professor Visitante para el Dictado del Seminario de Doctorado en
la Escuela de Pos-Grado de la Facultad de Humanidades y Artes de la Universidad Nacional de
Rosario, Argentina e cadeira nº 44 da Academia Brasileira de Filosofia. Tem experiência na área de
Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: poesia,
literatura, lirismo, crítica e ficção.
No ano de 2017 aos 86 anos decidiu doar sua inestimável biblioteca particular para a
Universidade Federal de Goiás (UFG). O termo de doação foi acordado com o Reitor da UFG, na
época prof. Orlando Amaral, e os diretores da Faculdade de Letras (FL) prof Francisco Quaresma e
a do Sistema de Bibliotecas (Sibi/UFG) Maria Silvério e aprovado pelo Conselho Universitário da
UFG (CONSUNI). Neste termo de doação existem cláusulas acordadas entre as duas partes, tanto
do doador, bem como da instituição recebedora, entre elas vale ressaltar aqui que Gilberto
Mendonça Teles exige que a sua doação seja incorporada no acervo da Biblioteca Seccional de
Letras e Linguística (BSLL) a qual deverá ficar reunida em um único local, a não ser que a obra

�tenha mais de um exemplar, ficando as profissionais responsáveis desenvolvimento do
trabalho pela tomada de decisão do destino dos demais.
A tomada de decisão requer das bibliotecárias não só conhecimento da instituição e da
estrutura do Sibi/UFG, mas de todos os trâmites que passaram pelo processo de doação. Sendo
necessário que a tomada de decisão de seleção dos materiais esteja alicerçada por documentos e
embasado pela literatura. Vergueiro (2010), afirma as políticas de seleção como documentos
formais que auxiliam na tomada de decisão quanto à seleção e à aquisição dos materiais precisam
contemplar os critérios já definidos.

A política de seleção procura garantir que todo material seja incorporado ao acervo segundo
razões objetivas predeterminadas e não segundo idiossincrasias ou preferências pessoais.
Igualmente, é ela que garante que as lacunas existentes no acervo não são fruto do descaso
ou ineficiência do profissional responsável pela seleção, mas se coadunam com o processo
de planejamento vigente na instituição bibliotecária, sendo coerentes com os propósitos e
objetivos estabelecidos para sua atuação. (VERGUEIRO, 2010, p.17)

Portanto, o desenvolvimento de políticas para seleção de recursos informacionais deve ser
direcionado, para nortear os serviços a serem realizados. A existência de documentos que
normalizam a padronização de formação das coleções do acervo de uma biblioteca deve ser de
forma organizada, e não aleatoriamente, assim, facilita o esclarecimento de como está sendo
construído o acervo de determinada biblioteca, principalmente a bibliotecas universitárias que lida
com as questões de aprovação e avaliações de cursos. Segundo Miranda (2007) o foco maior da
biblioteca universitária é atender a demanda dos projetos político acadêmicos da instituição
mantenedora.

O principal papel da biblioteca universitária é atender as necessidades informacionais da
comunidade acadêmica (corpo docente, discente, pesquisadores e técnico-administrativo),
direcionando sua coleção aos conteúdos programáticos ou em projetos acadêmicos dos
cursos ministrados pela universidade a qual encontra-se inserida.(MIRANDA, 2007, p. 4).

Evidencia assim, que ao receber qualquer tipo de doação, o processo de avaliação do
material é exaustivo para alcançar uma seleção criteriosa, passando por várias etapas necessárias e
diferentes olhares que realiza leitura analítica do item, até chegar a disponibilização nas estantes
para os usuários.

�Lacerda (2021) faz um paralelo, onde relata que várias obras raras e importantes mesmo
para a criação daquela biblioteca, encontra-se disponível junto ao acervo comum, sendo facilmente
danificado. É necessário que as conjunturas sejam permanentemente avaliadas para conhecer o
material que compõe o acervo e readequá-lo conforme a necessidade:
... temos outra conjuntura, o acervo cresceu, a UnB e a BCE passaram por muitas
transformações, muitas obras que há mais de 50 anos não eram tidas como
especiais ou raras hoje se enquadram nesta categoria e devem, também, ser
recolhidas em local adequado. Estas coleções fazem parte do acervo
básicohistórico da BCE, formam, portanto, um conjunto memorial da instituição e
deve ser tratado como tal (LACERDA, 2021, p. 104)

Vale ressaltar que nesta doação em específico ficou a cargo da UFG a responsabilidade de
buscar o material doado no Rio de Janeiro, que está acontecendo em remessas a pedido do próprio
doador, devido à necessidade de tempo para sua seleção pessoal dos itens a serem doados e também
para a organização em caixas. Ressalta ainda, que o doador assinou também o termo de ciência e
doação, concordando, ou seja, dando autonomia para que sejam aplicados os critérios da Política de
Desenvolvimento de Coleções das bibliotecas do Sibi/UFG.

3 DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO
Para o mapeamento metodológico deste trabalho, foram utilizados para dar sustentação à
investigação e análise, o pensamento de Minayo (2015), que define metodologia da seguinte
maneira:

[...] o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. [...] Inclui as
concepções teóricas de abordagem, articulando-se com a teoria, com a realidade empírica e
com os pensamentos sobre a realidade. [...] Enquanto conjunto de técnicas, a metodologia
deve dispor de um instrumental claro, coerente, elaborado, capaz de encaminhar os
impasses teóricos para o desafio da prática. (MINAYO, 2015, p. 14,15).

Assim compreende que as teorias, são as explicações da prática utilizada na na realidade do
contexto exposto. Porém é preciso considerar a criatividade do investigador e sua capacidade de
interpretar os fenômenos e processos.
A doação do acervo particular do Gilberto Mendonça teles foi recebida em três etapas, na
primeira foram 4.087 itens, na segunda 1.782 itens e na terceira remessa 1.411 itens, totalizando
7.280 materiais entre livros, revistas, folhetos, catálogos etc… De tudo que a BC/UFG já recebeu

�até o momento 3.364 itens foram processados e já estão na biblioteca Seccional da Letras e
Linguística, localizada na faculdade de Letras, para empréstimo e pesquisa.
No momento da chegada da primeira remessa na BC, verificou-se a necessidade de uma
higienização inicial para manuseio do material.
Ficou decidido em reunião com a equipe da seção de doação e a gerente de desenvolvimento
de coleções que, no momento da seleção, deve ser construída uma planilha contendo os dados de
cada item: nome do autor, título da obra, edição, editora, local, ano, indicar se é uma coleção e
quantos volumes, além de quantidade de exemplar de cada título e se existe ou não no acervo do
Sibi, quantos tem e em qual biblioteca está alocado, a situação de conservação física do material e
seu destino final. Abaixo, modelo da planilha utilizada:

Planilha de coleta de dados da doação

Ficou decidido, ainda, que teria prioridade o tratamento das obras de autoria e coautoria de
Gilberto Mendonça Teles, e os que estudam e citam o autor.
Na etapa de seleção foi identificada as várias áreas da coleção, entre elas arte, linguística,
literatura, estudos literários, filosofia, sociologia, história, direito, literatura infanto-juvenil,
religioso, etc…A seleção do material está sendo feita em parceria com a FL/UFG. Quando há
dúvidas, o diretor da unidade Prof. Dr. Jamesson Souza tem frequentado a BC/UFG no intuito de
analisar o conteúdo para verificar a relevância do material, identificar as obras raras e definir as
obras de interesse da FL/UFG para fazer parte do acervo da BSLL.
Devido o grande grau de deterioração do acervo doado por Gilberto Mendonça Teles é
visível a necessidade de restauração, estes materiais mesmo que tenham sido selecionados pelo

�professor especialista da área, terão que ser avaliados pela equipe da seção de preservação e
encadernação da BC/UFG, para que dê um parecer das quais obras serão possíveis a recuperação e a
sua disponibilidade para pesquisa e manuseio. Infelizmente, obras que consideramos de importância
histórica acabaram por ser encaminhadas ao descarte, devido à falta de condições de uso.

�Foto 1: Material danificado

Foto 2: Obra de 1858 pertencente ao acervo de Gilberto Mendonça Telles

Houve também os casos de duplicidade de obras na BSLL, onde foi definido que seria feito
uma avaliação da condição física de cada exemplar para que se obtivesse através da análise a
decisão de qual exemplar irá permanecer no acervo da BSLL, dando preferência a permanecer os
exemplares da doação em questão, devido a existência de dedicatórias dos autores à pessoa do
Gilberto Mendonça Teles.
Dentro das principais propostas que foram decididas em conjunto com a Diretora do Sibi, a
Gerência de desenvolvimento de coleções do Sibi e o próprio Gilberto Mendonça Teles, que a
incorporação do material doado será da seguinte maneira:
● A maior parte do acervo deve ir para a BSLL;
● Parte deve ir para as bibliotecas do Sibi/UFG;
● Parte para a Biblioteca Municipal Celuta Mendonça Teles;
● E o restante para descarte levando em consideração o estado de conservação da obra.

�Aqui encontramos coerência com o trabalho realizado por Lacerda (2021) quando afirma
que o melhor nas doações particulares é que sejam mantidas reunidas, como maneira de melhor
organizar o conhecimento, não só segundo os princípios da biblioteconomia, mas também
considerando o contexto histórico e formativo daquele acervo. A autora sugere que até a ordem com
que os doadores organizaram as obras sejam mantidos, sendo assim possível criar um mapa mental
do mesmo.
Após essas etapas os materiais que foram destinados para o processamento técnico, está
sendo dado o tratamento devido como inserção no sistema gerenciador do acervo do Sibi, e
consequentemente é realizado o trabalho mecânico como, a etiquetação, fitagem, e encaixotamento
deixando pronto para o transporte para BSLL, localizada no prédio da Faculdade de Letras, que já
possui o espaço preparado para receber a coleção.
Este espaço físico demandou estudo envolvendo desde a as direções do Sibi/UFG e
FL/UFG, a coordenação da BSLL e profissionais da arquitetura para pensar nas modificações
necessárias do espaço para acolhida desta coleção e sempre com foco nos usuários para eles
pudessem manusear e retirar as obras pertencente deste acervo como empréstimo. Além da reforma
que foi realizada para melhor abrigar as obras, foi priorizado pela diretoria do Sibi/UFG e esforços
foram direcionado para compra de novas estantes para a BSLL, sendo substituídas todas as antigas
pelo o modelo novo e mais moderno, padronizando as cores e aumentando o seu quantitativo.
Os materiais excedentes em quantidade de exemplares com relação a demanda e interesse
das bibliotecas que compõe o Sibi/UFG, que estavam em bom estado de conservação para manuseio
e uso, a medida que chegue a um volume significativo encaixotados e encaminhados para a
Biblioteca Municipal Celuta Mendonça Teles, atendendo a solicitação feito pelo doador.
È importante frisar que encontramos evidências do relatado por Teles (2021) no que se
refere a informações adicionais contidas nas obras que acabam por valoriza-las ainda mais, nesta
doação observamos a presença de dedicatórias, cartas, selos, grifos e anotações realizadas por
Gilberto.
A autora afirma ainda a importância da divulgação destes acervos para que sejam
conhecidos e estudados, considerando que atualmente este trabalho aparentemente não é realizado,
prejudicando todo um processo historiográfico através da leitura e pesquisa de determinados
pesquisadores.

�CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao receber a doação do Gilberto Mendonça Teles, percebeu-se o grande desafio que é
receber a doação de um autor renomado de grande importância para a literatura brasileira, e ao
mesmo tempo esse desafio veio ao encontro da necessidade que o sistema de biblioteca da UFG
tinha em trabalhar as doações de grande volume recebidas pela BC.
Até o momento em que iniciou este trabalho do recebimento e de incorporação da doação da
biblioteca particular do Prof. Gilberto Mendonça teles, não havia sido registrado com detalhamento
de todas as atividades e etapas desenvolvidas em uma determinada doação de grande porte pelo
seção de doação da BC/UFG, ocasionando muitas vezes a falta de informação e controle do que
chegou como doação e a quantidade de fato do que é incorporado nas coleções do acervo das
bibliotecas. Sendo essa a oportunidade de realizar o trabalho do início ao fim registrando as
dificuldades que surgem durante o processo de classificação, seleção e avaliação, de acervos doados
por particulares.
Dentre essas dificuldades destacamos, a necessidade de capacitação de profissionais para a
identificação e tratamento de obras raras. E consequentemente para receber e guardar esse tipo de
obra, a biblioteca precisa ter espaço físico e políticas definidas. Ao receber o acervo particular
doado por Gilberto Mendonça Teles, percebeu-se a necessidade de políticas para desenvolvimento
de coleções especiais que incluem critérios para acolhimento de obras raras em bibliotecas
universitárias, enfatizando a avaliação, seleção e disponibilização de materiais recebidos por
doação. Até o presente momento, já foram trabalhadas 2 remessas do acervo doado, uma está
passando por processo de higienização, e há previsão da chegada de mais materiais.
Considerando todas as variáveis que envolvem uma doação como esta, conclui que a boa
comunicação com o doador faz toda a diferença, pois com a abertura para o diálogo, ajuda a sanar
as dúvidas, sem perder a motivação para o bom andamento e superação dos desafios que surgem no
desenvolvimento do trabalho.

�REFERÊNCIAS

GOIÁS. Conselho Universitário da Universidade Federal de Goiás. Universidade Federal de Goiás
(Ed.). RESOLUÇÃO - CONSUNI Nº 08/2016. 2016. Disponível em:
https://sistemas.ufg.br/consultas_publicas/resolucoes/arquivos/Resolucao_CONSUNI_2016_0008.p
df. Acesso em: 28 jun. 2021.

LACERDA, Ana Regina Luz. A importância das bibliotecas particulares incorporadas aos acervos
públicos: as coleções da biblioteca central da Universidade de Brasília. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 13, n. esp. CBBD 2017. Disponível em:
https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/825/964. Acesso em: 20/06/2021.

LEIPTNIZ, Fernando e BORIN, Marta Rosa. Bibliotecas universitárias: guardiãs de bibliotecas
particulares. PontodeAcesso, Salvador, v.12, n.1, p. 38-51, Abr. 2018. Disponível em:
https://periodicos.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/14047. Acesso em: 30/07/2021

LACERDA, A. R. L. Da Importância de se manter reunidas bibliotecas particulares. Memória e
Informação, v. 5, n. 1, p. 101-114, 27 maio 2021.
MIRANDA, Ana Cláudia Carvalho de. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas
universitárias. 2007. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 4,
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&lt;http://www.brapci.inf.br/_repositorio/2010/05/pdf_8d3e5e1ab3_0010629.pdf&gt;.
Acesso em: 08 jul. 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. Ciência, técnica e arte: o desafio da pesquisa social. In:
MINAYO, Maria Cecília de Souza. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 34 ed.
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RIBEIRO, Adriana et al. Política de desenvolvimento de coleções do sistema de bibliotecas da
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�VERGUEIRO, Waldomiro. Seleção de materiais de informação. 3. ed. Brasília: Brinquet de
Lemos / Livros, 2010.

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Biblioteconomia&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este artigo tem como objetivo refletir sobre incorporação de biblioteca particular por biblioteca universitária, através da experiência do recebimento da doação do acervo particular do professor, poeta e crítico literário Gilberto Mendonça Teles, pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (Sibi/UFG). Para dar sustentação neste estudo utilizamos a obra de Vergueiro (2010) entre outros, e de documentos disponibilizados e elaborados pelo Sibi/UFG. Esta pesquisa elenca e apresenta algumas considerações feitas pelas bibliotecárias da seção de doação da Biblioteca Central da UFG, que foram responsáveis pelo desenvolvimento do serviço técnico deste acervo adquirido por doação, procurando pontuar diversas questões que precisam ser estudadas para que se possa efetivar no processo de tratamento da informação em biblioteca particular doada para biblioteca universitária. Evidencia a importância de políticas para desenvolvimento de coleções especiais que inclua critérios para acolhimento de obras raras em bibliotecas universitárias, enfatizando a avaliação, seleção e disponibilização de materiais recebidos por doação.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
HEMEROTECA DIGITAL DA BCE/UNB: RECORTES DE MEMÓRIA DA UNIVERSIDADE
DE BRASÍLIA - RELATO DE EXPERIÊNCIA
BCE/UNB DIGITAL NEWSPAPER ROOM: JOLTS OF MEMORY FROM THE UNIVERSITY OF
BRASILIA – EXPERIENCE REPORT

Jefferson Higino Dantas 1

Resumo: O presente artigo tem por finalidade relatar a experiência do Setor de Coleções Especiais da Biblioteca
Central da Universidade de Brasília com a criação da Hemeroteca Digital. O acervo da coleção é composto de jornais
que têm como assunto a Universidade de Brasília. No relato será apresentada a metodologia utilizada, as estratégias na
gestão da preservação digital e a disponibilidade do conteúdo informacional.
Palavras-chave: Hemeroteca Digital. Desenvolvimento de Coleções. Biblioteca Digital.
Abstract: This paper aims at reporting the experience at the Special Collections Section in the Central Library at the
University of Brasilia with the creation of the Digital Newspaper Room. The collection consists of newspapers
containing information about the University of Brasilia. The methodology, the digital preservation management
strategies, and the availability of information content will be described in the report.
Keywords: Digital Newspaper Room. Collection Development. Digital Library.

1 INTRODUÇÃO
Este artigo é um produto da disciplina “Prática Supervisionada III”, integrante do Programa do
Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural, ofertado pelo Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, no âmbito do edital para servidor público turma 2019. A
disciplina prevê a realização de atividades a serem desenvolvidas na unidade de trabalho do discente,
que corresponde ao Setor de Coleções Especiais, da Biblioteca Central da Universidade de Brasília
(BCE/UnB). A atividade desenvolvida foi a elaboração e implantação do Projeto Hemeroteca Digital
da BCE/UnB.
A Biblioteca Central da Universidade de Brasília é o órgão complementar de provimento de
informações às atividades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade e tem como missão
preservar e disponibilizar o patrimônio documental. Inaugurada em 1962, a BCE/UnB desenvolveu
1

Mestrando no Programa do Mestrado Preservação em Patrimônio Cultural IPHAN. Universidade de Brasília.
jeffersondantas@bce.unb.br.

�diversas coleções ao longo das décadas; a partir de 1964, estabeleceu uma hemeroteca composta por
recortes de jornais e revistas com notícias sobre a própria UnB, além de artigos publicados pela
comunidade acadêmica. As hemerotecas são definidas como coleções de jornais e revistas
(publicações periódicas), que também servem à preservação da memória institucional.
Em agosto de 2020, o Setor de Coleções Especiais, no âmbito da Política de Formação e
Desenvolvimento de Acervos do Sistema de Bibliotecas da Universidade de Brasília (SiB-UnB), deu
início às atividades referentes à criação da Hemeroteca Digital, coleção que integrará a Biblioteca
Digital de Coleções Especiais da UnB (BDCE/UnB). A Hemeroteca Digital surge como mais um
recurso voltado à comunidade acadêmica e à sociedade sobre a memória da UnB.
2 HEMEROTECA E MEMÓRIA INSTITUCIONAL
Jornais e revistas semanais são classificados na Biblioteconomia como fonte de informação
primária; essas publicações representam um relevante contexto histórico, político, cultural e social,
oferecendo, assim, para a comunidade um conjunto de informações pertinentes à realização de
pesquisas científicas. “Jornais são publicações seriadas, que aparece em intervalos regulares, em
geral diariamente, com informações sobre a atualidade, de interesse para uma ampla comunidade,
acompanhadas de comentários e ilustrações”. (CUNHA, 2008, p. 217). Para historiadores jornais e
revistas são importantes fontes de pesquisas, pois ajudam na compreensão de um período histórico
conforme destaca Luca.
A ilustração, com ou sem fins comerciais, tornou-se parte indissociável dos jornais e
revistas e os historiadores incumbiram-se de transformá-la em outro fértil veio de
pesquisa. Ana Maria Mauad2 valeu-se da perspectiva histórico-semiótica da mensagem
fotográfica para discutir os quadros de representação social e os códigos de
comportamento da classe dominante carioca na primeira metade do século XX, tendo
como fontes privilegiadas imagens provenientes das revistas Careta e Cruzeiro.
(LUCA, 2005, p. 123).

O desenvolvimento de coleções de acervos em Bibliotecas Universitárias (BU) também conta
com a inclusão de jornais e revistas, cada uma buscando atender a missão da biblioteca e da
2

O autor cita o estudo de Ana Maria Mauad de Sousa Andrade, Sob o signo da imagem: a produção da fotografia e o
controle dos códigos de representação social da classe dominante no Rio de Janeiro, Tese (Doutorado), Rio de Janeiro,
UFP, 1990.

�instituição que está inserida, essas coleções são denominadas Hemerotecas, a descrição em jornais e
revistas com informações de períodos históricos, configuram um registro documental de importância
para as áreas de estudos das ciências humanas e das ciências sociais aplicadas.
A hemeroteca criada pela BCE/UnB tem desde sua origem o propósito de ser uma coleção de
memórias da Universidade de Brasília, a atividade de seleção (recorte) de artigos de jornais referentes
a UnB já se caracteriza como uma fonte de salvaguarda das informações que eram veiculadas pela
mídia impressa no Distrito Federal e que se consultadas hoje podem ajudar a compreender o momento
atual, como destaca Netto, “as hemerotecas constituem-se em lugar de preservação da informação.
Estes espaços auxiliam o pesquisador na busca de informações especificas e o cidadão comum na
busca de informações que contribuam para o resgate da história” (NETTO et al, 2014, p. 82).
Com a constante perspectiva de melhor suprir as necessidades informacionais de seus usuários
e preservar a memória sobre Brasília e sobre a Universidade de Brasília, a equipe da Biblioteca
Central montou, em 1964, a Hemeroteca da UnB. Este acervo é composto por recortes de jornais e
revistas, publicados entre 1960 e 2008, que discorrem sobre Brasília e sobre a UnB. Constituído por
849 pastas onde estão armazenados cerca de 84.000 itens. O acesso, por enquanto, se dá apenas por
consultas locais que são realizadas no Setor de Coleções Especiais da Biblioteca Central.
3 PROJETO HEMEROTECA DIGITAL - BCE/UnB
O projeto propõe a construção da Hemeroteca Digital BCE/UnB, uma coleção integrará a
Biblioteca Digital de Coleções Especiais da UnB. Para tanto, é necessário digitalizar os recortes,
inserir as imagens dos documentos na base, indexar o conteúdo, selecionar os metadados, construir
um vocabulário controlado e escolher programas que otimizem a pesquisa na hemeroteca digital.
Diante da importância intrínseca do acervo da Hemeroteca da UnB e da necessidade de
melhor preservá-lo e disponibilizá-lo aos usuários da BCE/UnB, a presente pesquisa representa uma
oportunidade.
O trabalho de digitalização de artigos de jornais e revistas é uma das atividades que está em
pleno desenvolvimento em bibliotecas e tem ajudado na preservação e no acesso ao conteúdo como
destaca Giordano: “é inegável a importância da digitalização de acervos antigos para facilitar o acesso

�a informações que antes só poderiam ser consultadas em endereços físicos únicos e nem sempre de
fácil ingresso a todos os usuários interessados”. (GIORDANO, 2016, p. 20).
O Projeto da Hemeroteca Digital da BCE/UnB terá o foco principal na preservação e no aceso
ao conteúdo, na perspectiva de permanência do acervo e na disponibilidade à comunidade acadêmica
com facilidades de recuperação dos artigos referentes a UnB. A organização em plataforma virtual,
via Tainacan, possibilitará garantir a longevidade, confiabilidade, conservação, segurança e acesso
com maior difusão do acervo através da pesquisa em catálogos online.
3.1 JUSTIFICATIVA
A consulta ao acervo da hemeroteca BCE/UnB, em formato impresso, ainda é realizada com
a utilização de índice de assunto, a partir da organização de pastas em ordem alfabética. Dessa
forma, o estabelecimento da Hemeroteca Digital da BCE/UnB, em plataforma online visa facilitar e
ampliar as possibilidades de pesquisa sobre a memória institucional da Universidade de Brasília,
além de democratizar o acesso à coleção. Do mesmo modo, a digitalização dos recortes de
periódicos impressos contribui para a preservação dos originais.
A forma de tratamento (processamento técnico) com o registro dos artigos de forma
individual facilita a busca a um conteúdo especifico, possibilita a utilização dos artigos para
pesquisas referentes ao passado com ligação as fatos do presente, possibilita identificar diversos
autores presentes na história da Universidade de Brasília, possibilita compreender mudanças nas
gestões existentes na UnB. A escolha do tratamento do artigo de forma individual diferencia da
digitalização do jornal na integra pois facilita a organização na base por assunto e a recuperação de
vários artigos com uma mesma temática.
3.2 OBJETIVOS
O objetivo principal da criação da Hemeroteca Digital da BCE/UnB consiste na
disponibilização integral, em plataforma online de acesso livre e gratuito, do conteúdo do acervo da
hemeroteca da UnB. Em relação aos objetivos específicos, tem-se:
 Ampliar a visibilidade da Hemeroteca da UnB;

� Resguardar o acervo físico da Hemeroteca da UnB;
 Facilitar a pesquisa histórico-institucional sobre a UnB;
 Fomentar a preservação da memória de Brasília e da UnB.
4 METODOLOGIA
O processo de construção da Hemeroteca Digital obedecerá as seguintes macroetapas:
1. Análise e seleção de recortes;
2. Digitalização (uso de OCR);
3. Inserção dos registros na BDCE (plataforma Tainacan).
As macroetapas serão subdivididas nos seguintes pontos: definição de metadados;
elaboração de um vocabulário controlado; e configuração do sistema Tainacan.
Quadro 1 – Atividades que serão realizadas para implementação da Hemeroteca
Digital
Etapas do Planejamento

Etapas de operacionalização

Levantamento bibliográfico sobre hemeroteca Definição dos temas iniciais que irão compor a
digital

coleção

Pesquisa

sobre

as

Hemerotecas

Digitais Avaliação das pastas e documentos

existentes;
Definição de Metadados

Seleção de itens a serem digitalizados

Elaboração de um Vocabulário Controlado

Digitalização

Determinação sobre o uso do OCR

Inclusão do Item na Hemeroteca Digital

Configuração do Sistema Tainacan

Catalogação no sistema Tainacan

A equipe será composta por 2 Bibliotecários e 1 Estagiário, com a utilização dos seguintes
recursos: 3 computadores e 1 mesa digitalizadora.

�4.1 PLATAFORMA DA BDCE - TAINACAN:
A BCE/UnB optou pela reestruturação utilização da plataforma Tainacan na qual conta com
a parceria do Laboratório de Pesquisa: Tainacan - software livre para a construção social de
repositórios digitais - Coordenado pelo Professor Dalton Lopes Martins da Faculdade de Ciência da
Informação – UnB.
Segue abaixo figura da tela inicial da Hemeroteca Digital da Universidade de Brasília:

Figura 1: Página Inicial da Hemeroteca Digital.

A figura 2 trata da tela de pesquisa na base da Hemoreteca Digital, onde é possível pesquisar
pelo assunto, autor do artigo e ainda filtrar por período de publicação e por editor responsável.

Figura 2: Página da Hemeroteca Digital

�4.2 SELEÇÃO DE ITENS POR TEMAS
Dentro das atividades de execução do projeto inclui a seleção de itens por temas, a
hemeroteca encontra-se categorizada por grandes assuntos: são temas que estão relacionadas com as
atividades da UnB, se destacam os assuntos referentes aos processos seletivos (vestibular e criação
do Programa de Avaliação Seriada – PAS), eventos culturais, semanas universitárias e artigos de
professores da UnB publicados nos jornais, dentre outros.

Figura 3 - Correio Braziliense 27 fev. 1964

�Cumprindo a temática desenvolvida na atividade supervisionada foi priorizado como tema
inicial para tratamento (digitalização e inclusão na base de dados) o assunto Cinema na UnB, a
seleção dos itens referentes ao cinema na UnB já irá subsidiar na curadoria das sessões do
Cineclube BCE/UnB, irá resgatar historicamente através dos artigos dos jornais a criação do Curso
de Cinema na UnB, a existência dos primeiros Cineclubes do DF, Publicações das Mostras e
Festivais de Cinemas que ocorreram no Distrito Federal e que tiveram a participação da UnB.

Figura – 4 Jornal de Brasília 28 maio 1974

4.3 INDEXAÇÃO E DEFINIÇÃO DE DESCRITORES:
Na perspectiva de construir um acervo digital acessível e continuo a escolha de um padrão
de metadados se passa pela estratégia prioritária, buscando padrão que possa contribuir para uma a
preservação digital, destaca Formenton et al,
... metadados propiciam a preservação por longo prazo e o acesso contínuo aos objetos
digitais, com garantias de autenticidade, de integridade e de confiabilidade. Neste
cenário, a determinação e, possivelmente, adaptação de padrões de metadados torna-se
uma ação indispensável e complexa, devendo-se incorporar os vários tipos específicos de
processos e de recursos digitais tratados e preservados, o rol abundante de informações a
serem registradas e fornecidas e, ainda, as decisões tomadas diante de um futuro de
imprevisões intrínsecas à preservação em ambientes digitais. (FORMENTON et al, 2017,
p. 85)

�Dublin Core é o formato utilizado nas bibliotecas digitais desenvolvidas pela BCE/UnB,
bastante utilizados e difundido entre as bibliotecas digitais no Brasil, O Dublin Core tem o esquema
flexível e extensível, simplicidade e grande adesão internacional, são características que justificam a
escolha desse formato. Segue os descritores que foram definidos para a Hemeroteca Digital da
BCE/UnB.


Título – Titulo do artigo conforme consta no documento;



Autor – Pessoa ou Organização / (autor/responsável intelectual pela obra);



Tipo - Artigo de jornal;



Abrangência - Local de Publicação;



Editor – Responsáveis pela publicação;



Data;



Formato – recorte de jornal;



Idioma - acordo com a ISO 639-2. Ex.: português: por ; alemão: deu ; latim: lat ; chinês:
zho;



Assunto - Palavras-chave, descritores, ou termos categóricos que representam o
conteúdo do item. Para os casos dos artigos de jornais: Autoridades (Nomes e
Instituições entram como assunto);



Tipo de mídia – PDF;



Notas - informações complementares sobre o artigo;



Sinônimos do autor - Ex.: Livro escrito pelo Alberto Caeiro, pseudônimo de Fernando
Pessoa;



Licença - Creative Commons 4.0 Não Comercial e Sem Derivações, CC BY-NC-ND
4.0;



Direitos - Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 Internacional;



Temática – História;



Unidade Responsável - BCE.

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Instituições de salvaguarda de documentos históricos possuem atividades continuas de
preservação e políticas de acesso, não se finalizam em apenas um projeto, no Projeto da
Hemeroteca Digital da BCE/UnB a atividade de tratamento técnico da coleção continua e vai desde
a seleção do artigo à definição de estratégia de busca em sistema de informação.
A atividade de digitalização transfere o documento para um novo patamar facilitando o seu
acesso, diminui o tempo de busca e torna mais acessível simultaneamente para um maior número de
pesquisadores. O desafio do Setor de Coleções Especiais da BCE/UnB amplia, pois terá o
documento em formato impresso e em formato eletrônico, terá que se preocupar com o tratamento
da forma de preservação do acervo em formato digital.
Organizar e disponibilizar informações, registros históricos da Universidade de Brasília que
foram publicados em jornais e revistas são atribuições que a Biblioteca Central da UnB vem
realizando desde a década de 60, disponibilizar esse conteúdo de forma mais acessível e ampla para
a comunidade acadêmica fortalece a missão da Biblioteca no que se refere a gestão da informações
da informação e do conhecimento para subsidiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão na
Universidade de Brasília.
REFERÊNCIAS
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Lemos/Livros 2008.
FORMENTON, Danilo et al. Os padrões de metadados como recursos tecnológicos para a
garantia da preservação digital. Biblios, Pittsburgh , n. 68, p. 82-95, jul. 2017. Disponível em:
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GIORDANO, Rafaela Boeira. Do jornal à ciência: a hemeroteca digital brasileira como fonte de
informação para a pesquisa científica. Rio de Janeiro: 2016. Disponível em:
http://ridi.ibict.br/handle/123456789/883. Acesso em: 30 jun.2021.
LUCA, Tania Regina de. História dos, nos e por meio dos periódicos: trajetórias e perspectivas
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�NETTO, Carlos. Xavier de Azevedo et al. A hemeroteca enquanto espaço documental,
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https://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/39462. Acesso em: 30 jun.2021.

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Biblioteconomia&#13;
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                <text>Hemeroteca Digital da BCE/UNB: recortes de memória da Universidade de Brasília - relato de experiência.</text>
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                <text>O presente artigo tem por finalidade relatar a experiência do Setor de Coleções Especiais da Biblioteca Central da Universidade de Brasília com a criação da Hemeroteca Digital. O acervo da coleção é composto de jornais que têm como assunto a Universidade de Brasília. No relato será apresentada a metodologia utilizada, as estratégias na gestão da preservação digital e a disponibilidade do conteúdo informacional.</text>
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                    <text>Eixo 2: Práticas
TDIC E FORMAÇÃO CONTINUADA DO BIBLIOTECÁRIO (A) UNIVERSITÁRIO
DICT AND CONTINUING TRAINING OF THE LIBRARIAN (A) UNIVERSITY STUDENT
Raimunda Ribeiro1
Soraya Albuquerque2
Resumo: Este estudo avaliou os meios utilizados pelos Bibliotecários(as) vinculados a Biblioteca Central da UFMA,
para a sua atualização profissional, em especial para o domínio das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
(TDIC), com vistas a sua atuação profissional. A pesquisa realizada foi do tipo bibliográfica, descritiva e interpretativa,
com abordagem qualitativa. Para tanto, utilizou-se para recolha de dados um questionário on-line enviado via e-mails
para os 21 Bibliotecários(as), vinculados a referida Biblioteca. Verificou-se primeiramente os tipos de atualizações
profissionais realizadas nos últimos dois anos, a saber: cursos de curta e longa duração realizados em sua área de
atuação ou áreas afins, bem como cursos realizados na área de tecnologias, na modalidade presencial ou a distância.
Verificou-se também a participação em eventos científicos nacionais e internacionais em sua área de atuação e áreas
afins com apresentação de trabalhos. Instigou-se os inquiridos ainda sobre os tipos de ambientes digitais utilizado, e a
contribuição destes para a sua atualização profissional. Avaliou-se também a percepção dos sujeitos desta pesquisa
sobre: qual o perfil do bibliotecário para atuar na contemporaneidade, o porquê de estes necessitarem dominar as TDIC
para o seu uso em seus fazeres cotidianos, e qual a contribuição do curso de Biblioteconomia para a sua formação
profissional, em especial no domínio das TDIC. Conclui-se com base nos resultados analisados, que os inquiridos
procuram as mais variadas formas de desenvolver a sua formação continuada já referidas, e são majoritariamente
conscientes da relevância da atualização profissional para uma atuação profissional qualificada no século XXI.
Palavras-chave: Bibliotecário (a) universitário. Formação continuada. TDIC. DIB. UFMA.
Abstract: This study evaluated the means used by Librarians linked to the UFMA Central Library, for their
professional updating, especially for the domain of Digital Information and Communication Technologies (TDIC), with
a view to their professional performance. The research carried out was of the bibliographical, descriptive and
interpretive type, with a qualitative approach. For this purpose, an on-line questionnaire sent via e-mails to the 21
Librarians linked to that Library was used. Firstly, the types of professional updates carried out in the last two years
were verified, namely: short and long-term courses carried out in their area of expertise or related areas, as well as
courses carried out in the technology area, in the on-site or distance learning modality. There was also participation in
national and international scientific events in their area of expertise and related areas with presentation of papers.
Respondents were further instigated about the types of digital environments used, and their contribution to their
professional updating. It was also evaluated the perception of the subjects of this research about: what is the profile of
the librarian to work in contemporaneity, why they need to master TDIC for their use in their daily activities, and what
is the contribution of the Librarianship course to their vocational training, in particular in the field of TDIC. Based on
the results analyzed, it is concluded that the respondents seek the most varied ways to develop their continuing
education already mentioned, and are mostly aware of the relevance of professional updating for a qualified
professional performance in the 21st century.
Keywords: University Librarian. Continuing training. DICT. DIB. UFMA.

1

Doutora em Multimédia em Educação - Universidade de Aveiro - Portugal. Professora Associada do Departamento de
Biblioteconomia da UFMA. raimunda.ribeiro@ufma.br.
2
Especialista em Gestão e Governança de Tecnologia da Informação – Universidade Pitágoras Unopar. Bibliotecáriadocumentalista da Biblioteca Setorial de Pinheiro/DIB/UFMA. soraya.albuquerque@ufma.br.

�1 INTRODUÇÃO

Bibliotecárias (os) universitários são responsáveis pelo tratamento e disseminação da
informação, e conhecimento científico, assim como pela inovação das suas práticas profissionais
nos meios acadêmicos, profissionais e científicos. Estes encontram-se na contemporaneidade
desafiados permanentemente pela inovação contínua das Tecnologias Digitais de Informação e
Comunicação (doravante TDIC). Essas inovações provocam a necessidade de formação continuada
para o uso das tecnologias como requisito fundamental para acompanharem as atualizações
ocorridas em suas áreas de atuação e áreas afins.
Evidencia-se, nesse contexto, a necessidade da construção de práticas inovadoras que
redimensionem seu fazer profissional, como um ato de pensar a formação como uma atividade
educativa necessária a: i) repensar constantemente a aperfeiçoar sua prática profissional; ii) ter
como referência a relação entre a aplicabilidade das técnicas com base em inovações teóricas e
tecnológicas atualizadas; iii) efetivar a pesquisa como uma ferramenta indispensável para a
atualização das suas atividades cotidianas (AGUIAR; GARÇÃO, 2009, p. 2).
Referidas ações dependem fundamentalmente de políticas educacionais pertinentes e contínuas
necessárias à implementação de uma cultura que fomente “a formação continuada como uma
atividade vital e social que, como processo educativo, pode assegurar aos profissionais a
apropriação de conhecimentos, habilidades e valores fundamentais da cultura humana [...]”
(ROSEMBERG, 2000, p. 9).
Por conseguinte, entende-se que o conhecimento e a informação vistos como matéria-prima de
trabalho na era da informação e da comunicação, em especial nas áreas de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, nos leva a refletir sobre as consequências das mudanças sofridas no final do
século XX e nas primeiras décadas do século XXI, advindas da inclusão maciça das TDIC,
particularmente o computador e a Internet, passando a exigir padrões de comportamentos
diferenciados para uso das plataformas digitais de interação e comunicação, para fins profissionais e
sociais (CASTELLS, 1999).
Todas essas transformações, que provocaram mudanças nos setores profissionais, inicialmente
nos países desenvolvidos, passaram a priorizar a formação contínua, como elemento diferenciador

�para o mundo do trabalho. Seu foco centra-se na atualização constante como requisito indispensável
ao acompanhamento da evolução das TDIC, das informações e do conhecimento. “Ou seja, a
educação continuada foi colocada como aprofundamento e avanço nas formações profissionais.”
(GATTI, 2008, p. 57).
É neste contexto que se enquadra o nosso interesse em avaliar os meios utilizados pelos
Bibliotecárias(os) vinculados a Biblioteca Central da Diretoria Integrada de Bibliotecas (DIB) da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), para a sua atualização profissional, em especial para o
domínio das TDIC, com vistas a sua atuação profissional.
Neste sentido apresenta-se a estrutura deste artigo que contém uma introdução, na qual delimita
os objetivos deste estudo, e justifica a sua relevância para a área profissional em estudo, e seu lócus
de investigação. Na sequência, encontram-se o referencial teórico sobre formação contínua e seus
aspectos teóricos e conceituais, além do enfoque sobre o seu contributo profissional. Em seguida,
apresenta-se a metodologia de investigação empregada, os resultados, a conclusão e a lista de
referências utilizadas.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A informação consiste em um elemento essencial para evolução do homem. Nesse sentido, vale
ressaltar que sua relevância é imprescindível para a sociedade, pois fomenta o desenvolvimento do
conhecimento e proporciona uma singularidade para o indivíduo que a possui. Assim sendo, Santos,
Duarte e Lima (2014, p. 38) afirmam que “na sociedade da informação os sujeitos que possuem
habilidades e competências em buscar, acessar, recuperar, compartilhar e se apropriar da
informação, destacam-se em relação a outros sujeitos.”
Ante o contexto expõe-se que diante da conjuntura de transformações que ocorreram no
panorama mundial devido as revoluções ocorridas na área da indústria e da tecnologia, houve um
avanço crescente que proporcionou mudanças nos aspectos relacionados a sociedade, as
organizações e à informação. Em consonância ao exposto, Soares (2016, p. 9) ressalta que com a
“[...] Segunda Guerra Mundial, devido ao crescimento significativo da produção científica, processo
denominado ‘explosão informacional’, ocorreram mudanças na forma como a sociedade obtinha a
informação.” Dessa forma, nota-se que por meio destas mudanças, ocorre o advento das

�Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) que estabelece de modo pontual uma nova
postura proativa do bibliotecário e a essência das unidades de informação, em destaque as
Bibliotecas Universitárias.
Neste panorama, Moreno et al. (2007) explica que o progresso dos meios de comunicação afetou
de modo direto ao fazer dos profissionais da informação, em destaque os bibliotecários, sinalizando
a importância da formação acadêmica bem estabelecida e associada a ela a educação contínua para
que não haja risco de perder espaço no mercado de trabalho e a competência exigida pela profissão.
Mediante o exposto, percebe-se que o avanço contínuo das inovações tecnológicas apresenta a
sociedade contemporânea as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC),
estimulando ainda mais a desenvoltura das habilidades, a prática profissional e as competências do
bibliotecário universitário de modo a atender a dinâmica crescente de informação que circunda o
espaço das bibliotecárias universitárias voltada a tríade ensino, pesquisa e extensão.
Cabe, salientar que a formação continuada também compreendida sob a terminologia de
educação continuada, dentre outras “[...] São atividades que proporcionam ao profissional um
conhecimento mais aprofundado que o obtido na graduação, em determinada área, bem como o
contato mais direto com um determinado ramo da área de formação.” (ANDRADE; FONSECA,
2016). Neste seguimento, Cunha (1984, p. 50) explicita que educação continuada é “[...] qualquer
aprendizagem, formal ou informal, feita a partir da primeira graduação. São de responsabilidade do
bibliotecário o planejamento e a implementação do seu desenvolvimento profissional ao longo da
sua vida.”
Sublinha-se, de acordo com Moreno et al. (2007) que as “[...] qualidades profissionais do
bibliotecário é imposta pela modernização de suas funções, com tecnologias informacionais
recentes e em transformação, além de usuários cada vez mais rigorosos na qualidade da
informação.” Nota-se que o bibliotecário, em destaque o bibliotecário universitário, além de realizar
essa auto qualificação, é relevante que ele compreenda e acompanhe a ação crescente das
transformações relacionadas a inovação do processo de aquisição da informação e da investidura da
tendência da TDIC. E concomitante a isso, que seja consciente de sua função de filtrar e demandar a
informação de modo eficiente ao usuário considerando a atualidade. Sendo assim, Santos Neto e
Oliveira (2019, p. 6) afirmam que “[...] é necessário e essencial que o bibliotecário tenha uma

�educação continuada para seu desenvolvimento pessoal e profissional e para o aperfeiçoamento e
atualização de suas habilidades e competências.
Destarte, os autores confirmam que atribuído ao relevante ato da contínua educação é associado
ao profissional bibliotecário a integração de habilidades e competências, agregando a este
profissional a multidisciplinariedade e o perfil multifacetado que permeia sua qualitativa inserção
no mercado de trabalho e sua perspectiva em outros ambientes a partir das TDIC. Logo, é
significativo que os bibliotecários reforcem a práxis no que concerne as relações humanas, a gestão
e o domínio das TDIC, tendo como foco principal o exercício constante de sua inovação
educacional na sociedade contemporânea.
Neste cenário, a adoção do uso das ferramentas tecnológicas no âmbito das bibliotecas
universitárias progride a cada dia no desenvolvimento de seus espaços, serviços e produtos no
âmbito digital, tornando o vínculo com outras bibliotecas mais próximo, de modo a extinguir a
distância e a temporalidade entre elas. Isso corrobora com a importância da educação continuada
dos bibliotecários universitários que nelas atuam. Pois acompanhar essa inovação e se apropriar
dela é necessário, o que permitirá que o profissional esteja atualizado e de forma correspondente
com o ambiente de trabalho e com a qualidade na oferta de serviços aos seus usuários.
Consoante a essa inovação, acentua-se que a mudança de paradigmas das bibliotecas
universitárias para ambientes híbridos, em razão da oferta de serviços e produtos de forma física e
digital, norteia uma atitude profissional voltada para a gestão eficaz destas unidades de informação.
De acordo com essa evolução, reforça-se que “[...] é necessário que o profissional da informação
adquira novas e contínuas competências, comungadas a partir da soma de novos conhecimentos,
experiências, habilidades e atribuições.” (SANTA ANNA; CALMON, 2016, p. 54). No que tange
as habilidades e competências necessárias ao profissional bibliotecário, suscita-se, conforme a
literatura existente da área, o desenvolvimento do Moderno Profissional da Informação (MIP), e
essa transformação o direciona a estar atento as mudanças e a excelência na qualidade da gestão da
informação disseminada aos usuários.
Nesse processo, evidencia-se que as TDIC causam um efeito significativo na condução de novas
características que tende a ativar a formação continuada na trajetória profissional, buscando novas
competências exigidas à desenvoltura do profissional no ambiente de trabalho em que atua e na
excelência do atendimento aos usuários. “A formação continuada permite aos bibliotecários auxiliar

�e entender as próprias práticas profissionais, conhecer a comunidade usuária a qual atendem, trocar
conhecimentos com colegas de profissão por meio dos eventos científicos e ainda facilitar a
ascensão profissional [...].” (ALVES; FRITSCH, 2018, p. 84).
Então, a formação continuada contribui para que o profissional bibliotecário aprimore e amplie
seus conhecimentos, capacitando-o no campo de atuação de maior interesse e na eficiência de seu
trabalho. Conforme Moreno et al. (2007, p. 2) “[...] considera-se como educação continuada os
cursos de especialização, participação em eventos (palestras, seminários, simpósios, congressos,
etc.) e cursos de curta duração realizados pelo profissional bibliotecário após a sua educação
formal.”
Portanto, vislumbra-se que o bibliotecário universitário do século XXI é aquele que possui a
consciência da relevância de manter-se alinhado as demandas da profissão, de sua atuação na
contemporaneidade. Convém ressaltar que “[...] a postura profissional e as habilidades
comportamentais farão a diferença. Independentemente da área de atuação, a proatividade é uma
das características mais valorizadas, pois o amanhã é construído pelo que realizamos hoje.”
(SOUZA, 2018, p. 91).
Assim, reflete-se que o avanço dos fazeres do bibliotecário demonstra a necessidade da educação
continuada e caracteriza-o como Moderno Profissional da Informação construído a partir do
desenvolvimento de atitudes, habilidades e competências profissionais. O aprimoramento deste
perfil do bibliotecário emerge do evento de transformações, desde a explosão informacional em que
se deu o surgimento da Sociedade da Informação e do Conhecimento, pois as mudanças de
paradigmas permeadas neste dado momento repercutiram em vários campos, principalmente no que
diz respeito ao produto informação e na inovação tecnológica como o uso da TDIC.

3 METODOLOGIA

Para o desenho desta investigação, de acordo com o objetivo delineado, optou-se pelo estudo
descritivo e interpretativo de cariz qualitativa, tendo em vista que este possibilita avaliar os meios
utilizados pelos Bibliotecárias(os) da Biblioteca Central vinculados a Diretoria Integrada de

�Bibliotecas

3

da Universidade Federal do Maranhão (DIB/UFMA) para a sua atualização

profissional, em especial para o domínio das TDIC, com vistas a sua atuação profissional, e os seus
reflexos para a notoriedade e credibilidade frente a comunidade da UFMA, e da sociedade
ludovicense das atividades, serviços e produtos disponibilizados pela Biblioteca Central da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Assim sendo, procedeu-se um levantamento sistemático na Página da Biblioteca Central da
UFMA, para identificarmos o número de Bibliotecários (as) existentes nesse cenário, universo deste
estudo, bem como para localizar os seus respectivos e-mails, para envio do link referente ao
questionário on-line com questões fechadas e abertas disponibilizado no Google Forms. A época
complementamos a listagem desses e-mails com a colaboração da Bibliotecária da Biblioteca
Central, então chefe da Divisão de Atendimento ao Usuário.
A população alvo deste estudo é composta por 21 bibliotecárias (os) vinculados à biblioteca já
referida. A divulgação do questionário esteve a cargo das investigadoras autoras deste artigo, sendo
respondido entre os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2019 e este instrumento
foi construído e afinado tendo em conta o objetivo previsto e posteriormente aplicado aos sujeitos
desta pesquisa.
Destaca-se que o questionário utilizado neste estudo, teve como base o questionário da tese de
doutoramento, de uma das autoras deste artigo, a Profa. Dra. Raimunda Ribeiro, cujo o título da
referida tese, foi: Internacionalização e visibilidade da comunidade científica da área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação (Brasil e Portugal): análise da dialética entre formação
contínua e comportamento infocomunicacional, orientada pela Profa. Dra. Lídia Oliveira, e
defendida em novembro de 2018, na Universidade de Aveiro, em Aveiro, Portugal.
A análise dos dados recolhidos para este estudo, no que refere às questões abertas serão
discutidas em paralelo às questões fechadas apresentadas nas tabelas. As questões fechadas
envolvem algum tratamento em excel, ao nível de estatística descritiva básica, geradas, a partir do
google forms. Estes dados foram agrupados para análise, em conformidade com as seguintes
categorias:
a) Perfil das bibliotecárias (os) (anos/experiência profissional, faixa etária, gênero, grau
acadêmico, ano e IES de conclusão do curso de Biblioteconomia);
3

Antes denominada de Núcleo Integrado de Bibliotecas até meados de 2019.

�b) Formas utilizadas para atualização profissional;
c) Formação continuada / TDIC;
d) Perfil exigido para a atuação do (a) Bibliotecária (o) do Século XXI;
e) Papel que a (o) Bibliotecária (o) deve desempenhar na Biblioteca;
f) Contribuição da IES para a sua atualização profissional; e
g) Curso de Biblioteconomia e TDIC.
A realização deste procedimento, nos permitiu uma visão mais alargada do objeto em estudo,
bem como a compreensão da multiplicidade das respostas geradas, atendendo aos detalhes das
características que delas emergiram, de modo a obter uma visão holística acerca das
potencialidades das TDIC, como ferramentas indispensáveis à atualização profissional e formação
contínua da (o) Bibliotecária (o) no Século XXI.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Das (os) 21 bibliotecárias (os), da Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão
vinculadas (os) a Diretoria Integrada de Bibliotecas (DIB), convidadas (os) a participar neste estudo
respondendo ao questionário on-line, foram obtidas 19 respostas válidas cujos resultados são
descritos nesta seção, salvaguardando a identificação dos respondentes e preservando a
autenticidade das respostas coletadas.
Os resultados referentes ao perfil dos respondentes evidenciam que a maioria possui entre 6/10 e
11/16 anos de experiência profissional, a predominância do gênero é feminino, corroborando com o
que aponta a literatura da área em estudo. A faixa etária é de 31 a 40 anos, o que demonstra que a
Biblioteca Central da UFMA, cenário desta investigação, possui um quadro de profissionais jovens,
refletindo diretamente nos resultados obtidos nesta investigação. Em relação ao grau acadêmico,
percebe-se que a predominância maior se refere ao grau especialista, tendo como ano de conclusão
do curso de Biblioteconomia 2005, e a IES de formação a UFMA, Instituição onde estes atuam
profissionalmente.
Questionou-se os inquiridos sobre às formas utilizadas para a sua atualização profissional,
observa-se com base em suas repostas, que estes realizaram cursos de curta duração em sua maioria
na modalidade EaD, assim como participam de eventos científicos da área, bem como cursos lato

�sensu e stricto sensu. Outras formas de atuação apresentadas foram as leituras da área e conversas
com seus pares.
Para complementarmos as informações sobre as formas utilizadas para atualização profissional,
apresenta-se na Tabela 1, o quantitativo de cursos realizados nos últimos dois anos, evidencia-se
que os sujeitos desta pesquisa apresentam percentuais maiores de realização de 0 a 5 cursos, de
curta duração, na modalidade presencial e EaD, com percentuais significativos de cursos realizados
na área de tecnologia. Isso demonstra a preocupação desses profissionais em manter-se atualizados
no uso das tecnologias, para que possam atender às demandas informacionais dos espaços de
trabalhos contemporâneos com vistas a atender as expectativas dos usuários do século XXI.
Tabela 1 - Número de cursos realizados de curta duração nos últimos 2 anos
0a5
Número de cursos de curta duração que realizou
Participações, com publicações em eventos
científicos nacionais nos últimos dois anos em sua
área de atuação
Participações, com publicações em eventos
científicos internacionais nos últimos dois anos em
áreas afins a sua área de atuação
Número de cursos realizados na modalidade
presencial nos últimos dois anos
Número de cursos realizados na modalidade a
distância nos últimos dois anos
Número de cursos realizados na área de tecnologia
nos últimos dois anos
Fonte: Dados da pesquisa.

6 a 10

Nenhuma

Total

14/19

73,7%

5/19

26,3%

-

-

19

100,0

8/19

42,1%

2/19

10,5%

9/19

47,4%

19

100,0

8/19

42,1%

-

-

11/19

57,9%

19

100,0

16/19

84,2%

3/19

15,8%

-

-

19

100,0

17/19

89,5%

2/19

10,5%

-

-

19

100,0

12/19

63,2%

-

-

7/19

36,8%

19

100,0

Solicitou-se também aos inquiridos que especificassem os cursos realizados, e estes frisaram os
seguintes cursos: Office 2016 Avançado, Treinamento de uso das Bases de Dados do IEEE, Base de
Dados Portal de periódicos Capes, Libras, Ética no atendimento, Mestrado em Design com foco em
produtos Multimídia CANVA, Operadores booleanos para pesquisa na WEB, Folksonomia,
Planejamento Estratégico, Marcadores XML/JATS informática. O destaque destes cursos confirma
que o bibliotecário universitário estar consciente de que a educação contínua é o caminho para a
inovação de sua postura profissional frente ao espaço de trabalho e ao atendimento do usuário.
Quando questionados em quais áreas foram realizados os cursos de formação continuada, 36,8%,
7/19 afirmaram que foi em sua área de atuação profissional e 63,2%, 12/17 destacaram que foi em

�áreas afins. Desse modo, solicitamos que especificasse os cursos realizados em sua área de
formação, as respostas apresentadas no quadro 1, demonstram um índice elevado dos cursos na área
de gestão voltadas para as bibliotecas universitárias, seguidas das áreas de mediação de leitura,
tecnologias assistivas, acessibilidade, normas ISO, bases de dados, migração de Sistema OSJ 3.
Esses dados sinalizam mais uma vez, a preocupação desses profissionais com a sua formação
continuada, priorizando compromisso profissional e a consciência de que na contemporaneidade,
um dos requisitos fundamentais para uma atuação competente, é a educação ao longo da vida.
Quadro 1 - Cursos realizados em sua área de atuação.
Respondente A
Respondente B
Respondente C
Respondente D

Gestão da Informação e Documentação
Gestão de documentos, Gestão da Informação e Treinamento nas bases de Dados
Indexação, organização de bibliotecas, atendimento
Gestão de Bibliotecas e Avaliação do impacto e do valor das bibliotecas do Ensino Superior
recorrendo à Norma Internacional ISO16439.
Respondente E
Design, Gestão de Arquivo, Libras...
Respondente F
Tecnologias assistivas, Acessibilidade em Bibliotecas
Respondente G
Mediação de Leitura
Respondente H
Gestão Pública, Gestão de Arquivos, Administração
Respondente I
Avaliação do impacto e do valor das bibliotecas do Ensino Superior recorrendo à Norma
Internacional ISO16439
Respondente J
Gestão da Informação e documentação; Metodologia da Pesquisa Cientifica: Biblioteca
Universitária: qualidade e avaliação do MEC
Respondente L
Migração do sistema OSJ 3 (Open Journal System)
Respondente M
Gestão de bibliotecas públicas
Fonte: Dados da pesquisa.

Assim, quando voltamos o nosso olhar para as informações destacadas no quadro 1, tabela 2 e
quadro 3, observamos a coerência das respostas relacionadas aos tipos de cursos realizados, as áreas
de realização desses cursos, a modalidade escolhida, e os tipos de ambientes digitais, e com que
finalidades são utilizados. Dentre estes, destacam-se: Plataformas Moodle, Plataforma Dspace, sites
nacionais e internacionais, bases de dados, dentre outros. Isso expressa a preocupação destes em
utilizar as tecnologias para proporcionar abrangência de conhecimento por meio do diálogo com
seus pares, e de pesquisas que envolvam o seu fazer bibliotecário.
Tabela 2 – Ambientes digitais utilizados
Desenvolver competências infocomunicacionais específicas no domínio das TIC

2/19

10,5%

Inovar suas práticas profissionais, de comunicação e de pesquisa

12/19

63,2%

Corresponder às solicitações específicas da sua instituição

5/19

26,3%

Faz uso dos
ambientes
digitais, para

Fonte: Dados da pesquisa.

�Quadro 3 – Ambientes digitais utilizados para o desenvolvimento da formação contínua
Respondente A
Respondente B

Plataformas digitais, base de dados, portais eletrônicos, dentre outros
SEST-SENAT, Fundação Bradesco - escola virtual

Respondente C
Respondente D
Respondente E

sites interativos, ava
Bases de dados
sites, na maioria das vezes, de acesso restrito que disponibilizam cursos à distância reconhecidos
pelo Ministério da Educação.
Respondente F Plataforma Dspace, plataformas Moodle de EAD
Respondente G Enap, Fundação Bradesco, IPED, AVA Acadêmico - UFRB
Respondente H Plataformas de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). MOODLEs. MOOCs. YouTube
Respondente I
Bases de dados, Plataforma institucionais
Respondente J
AVA
Respondente L Plataforma Moodle
Respondente M Plataformas de cursos, blogs específicos, sites de instituições da área de biblioteconomia e afins,
bases de dados, etc
Respondente N Educação online
Respondente O Internet
Fonte: Dados da pesquisa.

Quando questionamos os inquiridos sobre as suas percepções e as contribuições das ferramentas
tecnológicas para a sua formação contínua e atualização profissional, é notório com base em suas
respostas, que reconhecem a importância das ferramentas tecnológicas como meios que garantem a
eficiência e eficácia da aprendizagem contínua, sem limites temporais e espaciais. Assim como a
atualização profissional por meio da pluralidade de ideias em escala global, com base no diálogo
com seus pares.
Percebe-se também a clareza das percepções dos sujeitos investigados com base em suas
respostas, sobre qual o perfil demandado para os (as) bibliotecários (as) no século XXI. Para estes é
prioritário que tenham domínio das tecnologias, priorizem a formação continuada, assim como as
competências e habilidades demandadas para a atuação do profissional e pelos espaços de trabalhos,
com vistas a atender as demandas e necessidades informacionais dos seus usuários em tempo hábil.
Tudo isso demanda certos atributos inovadores ao seu perfil, como destacaram: desenvoltura
profissional para atuar em equipes interdisciplinares, mediador e facilitador do processo
informacional, gentil e cortês no atendimento aos seus usuários, saber dialogar com os seus pares
nos departamentos/setores que compõem a estrutura da biblioteca visando atingir os objetivos e
metas organizacionais em prol da comunidade acadêmica e profissional a qual a biblioteca
universitária se encontra inserida.

�Para aprofundarmos mais as nossas analises e relacionarmos as percepções dos inquiridos sobre
atualização profissional e o perfil demandado no século XXI para a atuação do Bibliotecário
Universitário, questionou-se os inquiridos sobre qual papel estes devem desempenhar na Biblioteca
Universitária contemporânea. Estes destacam com maestria os papéis que devem desempenhar
nesses espaços, dentre esses destacamos com base em suas afirmações, as seguintes: desempenhar
as suas funções sociais, ser criativo e agir com empatia com os seus usuários, proporcionar aos seus
usuários as competências informacionais necessárias para o bom desempenho no uso das TDIC em
seus processos de pesquisa, ser um mediador entre o usuário e o conhecimento/informação, tornar
acessíveis as atividades, serviços e produtos disponibilizados pela biblioteca, manter um bom
relacionamento interpessoal com a equipe, gestor/líder, e mediador da informação em todos os
suportes, reunir as competências técnicas aliadas às éticas, informacionais, comunicacionais,
tecnológicas, e críticas, dentre outras demandadas para as (os)

bibliotecárias (os) na

contemporaneidade.
Questionamos também os sujeitos desta pesquisa sobre as motivações que os levam a querer
dominar as tecnologias com vistas a sua atuação profissional. Dentre estas, sublinharam a
necessidade em contribuir com eficiência e eficácia na oferta dos serviços oferecidos aos usuários,
tendo em vista tirar o melhor proveito das tecnologias em prol de satisfazer as demandas
informacionais dos seus usuários em tempo hábil.
Um ponto importante a ser enfatizado que vai na contramão de todas as respostas apresentadas
pelos inquiridos sobre a necessidade das TI para a sua atuação e atualização profissional, bem como
ferramenta de trabalho utilizadas em seu cotidiano, foi a resposta de uma inquirida que afirma “não
tenho muito interesse, apenas por necessidade do dia a dia”. Ainda bem que essa resposta é uma
exceção, isso é muito bom, e alinha com que a literatura hodierna apresenta, conforme destacado no
referencial teórico deste estudo, acerca das mudanças do perfil do profissional da informação,
alinhadas às necessidades dos espaços de trabalhos e usuários do século XXI.
Questionamos os inquiridos ainda, sobre qual a contribuição da IES a qual a biblioteca
universitária em que atuam encontra-se inserida no incentivo a sua capacitação e atualização
profissional. Estes destacaram que na liberação para capacitação, muitas vezes ofertadas pela PróReitoria de Gestão de Pessoas da IES, e participações em eventos científicos, bem como para
cursarem pós-graduação stricto sensu. Sublinharam também que em algumas situações a liberação

�não é tão fácil devido a quantidade limitada de recursos humanos, assim como a escassez de
dotações orçamentárias. Relativamente às questões orçamentárias a situação se agrava mais ainda,
pois vivenciamos uma das maiores crises em todos os poderes que representam a República
Brasileira, isso tem reflexos diretos na limitação dos orçamentos destinados às IES públicas na
esfera federal, cenário deste estudo.
No que se refere a contribuição do curso de Biblioteconomia para o domínio das TDIC como
ferramenta de trabalho, observa-se pelas respostas dos sujeitos investigados, em concordância com
as informações coletadas sobre o perfil dos nossos respondentes, que apresentam o ano em que
concluíram o referido curso. Percebe-se de forma evidente que aqueles que terminaram há mais
anos destacam que no momento da sua formação ainda não existia tanto essa potencialização dos
usos das tecnologias como ferramenta de trabalho nos fazeres cotidianos dos profissionais da
informação. No entanto, aqueles que se formaram em média nos últimos 5 a 10 anos, evidenciam
que o curso deu os ensinamentos básicos necessários, e que estes foram aprimorando e procuram
aprimorar ao longo da sua carreira profissional.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considera-se que com a explosão informacional, muitas categorias de profissionais foram
atingidas, bem como o profissional bibliotecário que teve neste momento a percepção de que
precisava se adequar às mudanças para manter-se no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, o
presente estudo procurou responder ao objetivo traçado, em conformidade com as categorias
estabelecidas nesta pesquisa, com vistas a avaliar a contribuição da formação continuada para o
desempenho profissional do bibliotecário universitário, visando elevar a performance de suas
práticas nos espaços de trabalho, as habilidades e competências informacionais e traçar um perfil
proativo e desenvolto.
Desse modo, a necessidade da atualização profissional tomando como premissa básica, a
expansão dos serviços e produtos ofertados, destaca a relevância de reflexões e discussões sobre o
real interesse e a demanda em acompanhar a atualização das inovações tecnológicas. Pois, isso
denota um senso crítico aguçado dos bibliotecários em refletirem sobre os porquês do
acompanhamento e uso das TI como ferramenta de trabalho, não por modismos, e sim por ser
adequadas ao fazer bibliotecário, de acordo com a realidade das suas comunidades usuárias.

�Portanto, evidencia-se que os bibliotecários universitários que atuam na Biblioteca Central da
DIB/UFMA possuem um perfil voltado a formação continuada, conscientes da importância em
desenvolver suas habilidades informacionais e em ter domínio no uso das TDIC. Isso, foi
demonstrado pela pluralidade de aprimoramentos revelando que estes estão atentos de que a
educação contínua é o caminho para a inovação de sua postura profissional frente ao espaço de
trabalho e ao atendimento eficiente e eficaz do seu usuário.
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71376">
                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71377">
                  <text>&#13;
Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <element elementId="41">
              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="71378">
                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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            <element elementId="39">
              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <elementText elementTextId="71379">
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                </elementText>
              </elementTextContainer>
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            <element elementId="45">
              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="71380">
                  <text>UFG</text>
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                <text>Este estudo avaliou os meios utilizados pelos Bibliotecários(as) vinculados a Biblioteca Central da UFMA, para a sua atualização profissional, em especial para o domínio das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), com vistas a sua atuação profissional. A pesquisa realizada foi do tipo bibliográfica, descritiva e interpretativa, com abordagem qualitativa. Para tanto, utilizou-se para recolha de dados um questionário on-line enviado via e-mails para os 21 Bibliotecários(as), vinculados a referida Biblioteca. Verificou-se primeiramente os tipos de atualizações profissionais realizadas nos últimos dois anos, a saber: cursos de curta e longa duração realizados em sua área de atuação ou áreas afins, bem como cursos realizados na área de tecnologias, na modalidade presencial ou a distância. Verificou-se também a participação em eventos científicos nacionais e internacionais em sua área de atuação e áreas afins com apresentação de trabalhos. Instigou-se os inquiridos ainda sobre os tipos de ambientes digitais utilizado, e a contribuição destes para a sua atualização profissional. Avaliou-se também a percepção dos sujeitos desta pesquisa sobre: qual o perfil do bibliotecário para atuar na contemporaneidade, o porquê de estes necessitarem dominar as TDIC para o seu uso em seus fazeres cotidianos, e qual a contribuição do curso de Biblioteconomia para a sua formação profissional, em especial no domínio das TDIC. Conclui-se com base nos resultados analisados, que os inquiridos procuram as mais variadas formas de desenvolver a sua formação continuada já referidas, e são majoritariamente conscientes da relevância da atualização profissional para uma atuação profissional qualificada no século XXI.</text>
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                    <text>EIXO 2: Práticas
PRESERVAR OBRAS RARAS E DOCUMENTOS HISTÓRICOS TAMBÉM É
PATRIMÔNIO CULTURAL: UMA PROPOSTA DE AÇÃO EDUCATIVA NA
FUNDAÇÃO CULTURAL FREI SIMÃO DORVI
PRESERVING RARE WORKS AND HISTORICAL DOCUMENTS IS ALSO
CULTURAL HERITAGE: A PROPOSAL FOR EDUCATIONAL ACTION AT THE
CULTURAL FOUNDATION FREI SIMÃO DORVI
Paulo Henrique Pereira Freitas1
Resumo: O presente artigo traz uma proposta de educação patrimonial em construção, tendo como objetivo a
valorização da preservação de acervos raros e documentos históricos enquanto patrimônio cultural,
proporcionando o conhecimento acerca de nossas raízes, em espaços não formais de fruição dos bens culturais,
espaços estes que atuem como equipamentos culturais, como bibliotecas e arquivos, que contribuam para a
inclusão social e para a formação completa de cada indivíduo, favorecendo o fortalecimento da história e a
memória coletiva local. Propomos, para este trabalho, que a ação seja desenvolvida em forma de oficina e que
seja realizada na Cidade de Goiás, berço do Patrimônio Histórico e Cultural localizado a noroeste do território
goiano, nas dependências da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, um lugar de memória, de valorização e
preservação de acervos raros e do patrimônio cultural em Goiás, em parceria com uma unidade de ensino do
município. A proposta da oficina terá como pressuposto aproximar a população com os bens culturais alheios à
tutela do órgão tombador, visando à criticidade do participante, de modo a instigar a percepção da existência de
outros patrimônios, além daqueles construídos de “pedra e cal” ou expostos em espaços museológicos.
Palavras-chave: Patrimônio cultural. Educação patrimonial. Memória. Arquivos e bibliotecas.
Abstract: The present article brings a proposal for heritage education under construction, with the objective of
valuing the preservation of rare collections and historical documents as cultural heritage, providing knowledge
about our roots in non-formal spaces for the fruition of cultural assets, spaces that act as cultural equipment, such
as libraries and archives, which contribute to social inclusion and the complete formation of each individual,
favoring the strengthening of history and local collective memory. We propose, for this work, that the action be
developed in the form of a workshop and that it be carried out in the City of Goiás, the cradle of the Historical
and Cultural Heritage located in the northwest of Goiás, at the premises of the Frei Simão Dorvi Cultural
Foundation, a place of memory, of appreciation and preservation of rare collections and of the cultural heritage
in Goiás, in partnership with a local teaching unit. The workshop's proposal will be to bring the population closer
to the cultural assets beyond the jurisdiction of the conservation agency, aiming at the participant's critical
thinking, in order to instigate the perception of the existence of other heritages, besides those built of "stone and
lime" or exposed in museum spaces.
Keywords: Cultural heritage. Heritage education. Memory. Archives and libraries.

Introdução
Até a constituição de 1988, o cunho da preservação no Brasil era focado nos aspectos
relacionados às edificações de bibliotecas e arquivos, e não o valor histórico e característico
de memória de seus respectivos acervos. Assim, o que tinha lá dentro ficava, por muitas
1

Graduado em biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), bibliotecário-documentalista no
Instituto Federal de Goiás - Câmpus Cidade de Goiás, mestrando do Programa de Mestrado Profissional em
Estudos Culturais, Memória e Patrimônio da Universidade Estadual de Goiás (UEG) – Câmpus Cora Coralina, email: paulodifer@gmail.com. orientador: Prof.ª Dr.ª Keley Cristina Carneiro.

�vezes, alheio à tutela do órgão tombador. Com isso, é preciso frisar que o patrimônio cultural
de um povo não se apresenta expresso apenas em edifícios de alvenaria e conjuntos urbanos
tombados, construídos de “pedra e cal”, mas conforme descrito no inciso IV, do art. 216 da
Constituição Federal, também em documentos.
O presente artigo abarca três questões. Em primeiro lugar nos apresenta os contextos
históricos que nortearam a criação da Fundação Educacional da Cidade de Goiás,
popularmente conhecida como Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, instituição localizada no
centro histórico da Cidade de Goiás, polo aurífero do século XVIII no planalto central
brasileiro. Na sequência, busca apresentar um breve contexto acerca do histórico do
patrimônio cultural no Brasil e a concepção do arquivo enquanto bem cultural e lugar de
memória. Por fim, pretende apresentar uma proposta de ação educativa patrimonial, a ser
realizada nas dependências da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, na sua concepção de
equipamento cultural, que, pelo dinamismo de seu espaço, ao abarcar em um mesmo ambiente
uma biblioteca e um arquivo histórico, proporciona à população local um lugar de apreensão e
disseminação do conhecimento, além de ponto de encontro, de memória e de laços de afeto da
comunidade vilaboense.
Para isso propomos que a ação será realizada através da mediação, conforme salienta
Tolentino (2016), utilizando de caráter participativo, interativo e coletivo, se desenvolverá
mediante uma visita orientada com a realização de uma oficina de higienização de livros raros
e documentos históricos com a bibliotecária e arquivista da fundação, de modo a ir ao
encontro da comunidade, possibilitando aos participantes, além da visualização e do manuseio
com o documento escrito, a compreensão e contextualização do que um dia já foi presente,
proporcionando ressignificação, novos aprendizados, como também a construção e
reconstrução da memória vilaboense.
Partindo do pressuposto que todo cidadão deva ter o direito de conhecer os seus bens
culturais e deles usufruir, dentro de uma noção de patrimônio cultural, que seja ampla,
integradora e participativa, que leve sempre por consideração e ponto de partida à
representatividade

da

memória

coletiva.

Será

proposto

aos

participantes

como

complementação da oficina, a construção de um quadro de fotomemórias, de modo a instigar
aos integrantes da ação, uma mudança no olhar em relação aos bens culturais, além de uma
reflexão crítica e uma nova leitura a respeito desse espaço, que não é um ambiente ao qual o
participante está habituado no seu dia a dia, permitindo assim, segundo ressalta Florêncio et.
al. (2015), “a possibilidade de construir uma relação afetiva com a comunidade” e despertar
neste cidadão sentimentos de pertencimento e elos de identidade com o seu patrimônio.

�A Fundação Cultural Frei Simão Dorvi: preservando memórias na Cidade de Goiás
Descrita e documentada no art. 2º de seu estatuto de criação, a Fundação Educacional
da Cidade de Goiás, também conhecida como Fundação Cultural Frei Simão Dorvi,2 é uma
instituição que tem como objetivo “incentivar e desenvolver trabalhos no sentido de preservar
o Patrimônio Histórico e Artístico da Cidade de Goiás, em estreita colaboração com os órgãos
públicos federais, estaduais e municipais”.
Funcionando em um espaço “hibrido” por mesclar no mesmo ambiente um arquivo
histórico e uma biblioteca, a Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, entidade sem fins
lucrativos, criada em 1970, pelo religioso italiano-vilaboense (Giuseppe Dorvi3) Frei Simão
Dorvi, desenvolve suas atividades em sede própria, em um prédio tombado na rua da Abadia,
no centro histórico da Cidade de Goiás, fazendo parte do conjunto urbano arquitetônico
tombado pela Unesco como patrimônio histórico e cultural da humanidade.
Buscando manter viva a história e a memória da antiga capital, além de incentivar e
desenvolver trabalhos no sentido de preservar o patrimônio histórico, cultural e artístico local,
a Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, através de seu arquivo e biblioteca, mantém e preserva
sobre sua guarda uma diversa gama de documentos e acervos históricos que datam a partir do
ano de 1723 até 1969. Ainda é incerta a quantidade de materiais ali armazenados, pois
existem muitas caixas de documentos que sequer foram tratadas e analisadas.
No acervo armazenado na unidade, são encontrados documentos da antiga Câmara
Municipal de Vila Boa, registros de irmandades, fóruns cartoriais (civil, crime e família),
jornais antigos variados, documentos relativos a Prefeitura de Goiás, do Hospital São Pedro
de Alcântara (1828 até 1969), Mercado municipal, documentos religiosos: certidões de
casamento, nascimentos e óbitos, batizados, testamentos, inventários, além de obras de
personagens que fizeram parte da história e da memória do município e do estado de Goiás.
Um dos maiores desafios enfrentados pelos responsáveis pela atual administração da
fundação é que atualmente a instituição carece de recursos, humanos e financeiros. Em razão
da inexistência de investimentos do poder público estadual, municipal e federal, a manutenção
do arquivo é proveniente, principalmente, das doações financeiras de uma ong internacional,

2

Em 25/02/1996 a Fundação Educacional da Cidade de Goiás em reconhecimento ao trabalho de (Giuseppe
Dorvi) Frei Simão Dorvi, dedicados a cultura do município de Goiás passa a se chamar Fundação Cultural Frei
Simão Dorvi.
3
Nasceu na Itália em 13/12/1907, desembarcou no Brasil em 1936, veio para a Cidade de Goiás na Semana
Santa de 1938 com mais dois padres e assumem o Convento do Rosário fundado em 1883 pelos dominicanos
franceses. Em 1972 recebe o Título de Cidadão Vilaboense pela Câmara Municipal de Goiás.

�da cobrança da taxa de pesquisa, da venda das publicações doadas pelos pesquisadores e do
aluguel de algumas vagas de garagens para veículos existente no terreno da instituição.
Apesar da ausência de políticas contínuas de preservação por parte do estado e do
município onde está situada, das dificuldades em relação ao fomento e à falta de recursos
humanos necessários ao seu funcionamento – fatores que dificultam a promoção e a difusão
da cultura e desses bens culturais para a população local -, faz-se importante frisar o crescente
número de estudiosos e pesquisadores de diversas partes do país, interessados em estudar e
extrair informações fundamentais para suas pesquisas, tais como teses e dissertações, devido
ao rico e extenso acervo existente na fundação, dentre os quais, muitos documentos e obras
consideradas raras ou inéditas.
O contexto do patrimônio e o arquivo enquanto patrimônio cultural e lugar de memória
Cotidianamente, em algum momento de nossa história, nos referimos ao termo
“patrimônio”, do latim patrimoniu (patri = pai + moniu = recebido), neste contexto,
relacionado ao conceito de herança. Conforme ressalta Gonçalves (2003), o termo está ora
agregado a bens de valor econômico e financeiro, ora relacionados a bens naturais. Há
também os patrimônios arquitetônico, ecológico, etnográfico, genético e, o ponto central desta
ação, os patrimônios históricos e culturais, que se dividem em bens tangíveis/materiais ou
intangíveis/imateriais.
A instituição e marco legal da política de preservação em relação ao patrimônio
histórico e artístico no Brasil se concretiza inicialmente, por intermédio do Decreto-Lei nº 25
de novembro de 1937, que trazia a seguinte definição para patrimônio histórico e artístico
nacional: “O conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de
interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por
seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”. (BRASIL,
1937).
O cunho da preservação no nosso país, por muitas décadas, esteve assentada na ideia
de edifícios, monumentos, obras de arte, entre outros, fortemente ligados ao estado-nação
brasileiro, estes, marcadamente ligados à história e à memória das elites e aos segmentos
dominantes de nossa sociedade, conforme salienta Tolentino (2018), e à concepção cristã e
europeia de patrimônio, segundo destaca Chuva (2003), em um processo de amplo
esquecimento das minorias, conforme ressalta Marchette (2016), “o distanciamento dessa
instituição em relação á sociedade em ter promovido a preservação da tradição branca,

�católica e colonial, deixando de lado a diversidade cultural nacional”, quando relata a crítica
que recaía ao IPHAN entre os anos de 1970 e 1990.
A vertente de Tombamento implantada nos primeiros anos esteve assentada nas
teses sobre as três raças formadoras da sociedade brasileira, graças à noção de
civilização material introduzida por Afonso Arinos de Melo Franco (O Branco
Português, O Negro Africano e o Índio). Essa perspectiva justificava o predomínio
da proteção de bens materiais, especialmente arquitetônicos, relativos ao período
colonial. (CHUVA, 2011, p.154)

Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, amplia-se a concepção do termo
patrimônio cultural e reconhece-se a grande diversidade cultural brasileira e a existência de
bens culturais de natureza material e imaterial, referentes à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira e admitindo a atribuição de sentidos e
valores, conforme descrito nos incisos do art. 216 da carta constitucional brasileira, ao
considerar as formas de expressão; os modos de fazer e viver; as criações cientificas, artísticas
e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às
manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico,
artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico, também são considerados
patrimônios culturais brasileiros.
Conforme ressalta Lopez (2016), com a ampliação do conceito, “estabelece-se o
vínculo indissociável entre os documentos de arquivo e o direito à cultura, reconhecendo o
direito de todos a participarem da vida cultural”. Porém, embora prevista na carta
constitucional brasileira de 1988, através do seu art. 216, em um avanço significativo em
relação à tutela do tombamento no país, ao reconhecer que os documentos podem ser
considerados bens culturais referenciais desta nação, é preciso frisar que a vertente do
patrimônio documental arquivístico no Brasil, ainda está aquém e muito distante de conseguir
a mesma rogativa e reconhecimento elencado sobre os bens culturais construídos
essencialmente de pedra e cal ou aqueles expostos em espaços museológicos, fatores que
comprometem a idealização de programas relativos à restauração e ao enquadramento de
memórias coletivas no território brasileiro.
A Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO),
através do Programa Memória Mundo (MoW), conceitua o termo “patrimônio documental ou
arquivístico”, como aquele que se refere ao patrimônio vinculado aos arquivos: “conjunto de
documentos ligados à história, às tradições, costumes culturais e ao modo de operação
administrativo dos povos”. Já o Arquivo Nacional Brasileiro (2005) define conceito de
patrimônio arquivístico, como um “conjunto dos arquivos de valor permanente, públicos ou

�privados, existentes no âmbito de uma nação, de um estado ou de um município”. Na
concepção do órgão nacional dos arquivos brasileiros, o reconhecimento dos documentos
arquivísticos enquanto patrimônio documental se dá pelo valor histórico a ele atribuído e o
seu legado para uma determinada comunidade.
De acordo com Cougo Junior (2019), existem geralmente, muitas citações e poucas
definições, que caracterizam o conceito do que é em síntese a categoria de patrimônio
arquivístico, patrimônio documental, patrimônio documental arquivístico ou patrimônio
arquivístico documental. Segundo o próprio autor, existem dois vieses na formação dos
arquivos ligados principalmente aos seus produtores e aos motivos para os quais foram
criados. O primeiro víeis está presente na construção do espaço, relaciona-se à ideia de posse
e propriedade, à natureza econômica, fiscal e jurídica dos documentos e interessa mais a quem
concebeu o arquivo do que às demandas culturais. Já o segundo viés presente na constituição
desse espaço, e essencialmente é essa concepção que nos interessa, relaciona-se diretamente
com o âmbito do patrimônio cultural, pois nele se apresentam as “ideias de legado e de
representatividade do passado e de caracterização das sociedades que faz parte”.
Os arquivos públicos ou privados e seus conjuntos documentais, consistem em fontes
de informação que nos permitem conhecer o passado e a legitimação do pragmatismo
histórico. Neste sentido, os arquivos têm a função primordial de guarda e de solidificação da
memória e o fortalecimento dos elos de identidade de uma nação, visto que os discursos, ao
serem construídos, dependem de coerência, credibilidade e de referências, pois conforme
salienta Pollack (1989), “o trabalho de enquadramento das lembranças coletivas, se alimenta
de material fornecido pela história”.
Na busca pela compreensão dos contextos acerca da patrimonialização em torno das
instituições de arquivamento brasileiras, Cougo Júnior (2019) nos apresenta quatro processos
possíveis para a “ativação do patrimônio cultural arquivístico” enquanto bem cultural no
Brasil. O primeiro processo de ativação se dá através da seleção e avaliação dos documentos à
luz da Lei Federal Nº 8.159 (Lei dos arquivos), em que os conjuntos documentais passam pelo
crivo de uma comissão para o reconhecimento de sua “valoração” e são avaliados seguindo
critérios relativos ao amparo da memória coletiva, ao auxílio na escrita da história ou ao
favorecimento dos traços culturais dos povos. Dentro deste processo os arquivos considerados
aptos para acautelamento patrimonial são classificados como “arquivos permanentes” com
“valores secundários”.
O segundo processo de ativação do patrimônio cultural arquivístico se efetiva através
do tombamento e foi instituído através do Decreto-Lei Nº 25 de 30 de novembro de 1937, que

�organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional brasileiro. Por intermédio do
tombamento, o Estado, através de seus agentes, avalia o conjunto documental por meio de
critérios técnicos e define pelo seu acautelamento, que pode ser tanto um arquivo público,
quanto privado. Porém na conjuntura brasileira, conforme salienta o próprio autor, ainda são
“escassas” as instituições de arquivamento tombados no Brasil.
O terceiro processo de ativação do patrimônio cultural arquivístico se materializa
através da “declaração de interesse público e social” (dips) na qual os arquivos privados, tanto
de pessoas físicas, quanto institucionais, podem ser declarados de interesse público e social.
Conforme salienta Cougo Júnior (2019), “pode ser caracterizado como uma espécie de
tombamento exclusivo para os arquivos”. Instaurado através da Lei nº 8.159, de 1991, a Lei
dos arquivos, e ancorado no Decreto Nº 4.073, de 2002, estabelece que caberá ao Conselho
Nacional de Arquivos (CONARQ), por meio dos trabalhos da Comissão Permanente de
Acervos, acolher ou não a solicitação de declaração de interesse público e social que
determinado arquivo privado possa abranger.
O quarto processo de ativação do patrimônio cultural arquivístico se concretiza através
da inscrição do arquivo no Programa Memória do Mundo (MoW), projeto de abrangência
internacional, instituído pela UNESCO em 1992. O programa tem contemplado patrimônios
documentais de relevância tanto locais, quanto regionais e mundiais, em arquivos públicos ou
privados, desde que sua conservação e preservação tenham importância para as gerações do
presente e do futuro. O Memória do Mundo apresenta três objetivos principais: facilitar a
preservação do patrimônio documental mundial, mediante as técnicas mais adequadas,
facilitar o acesso universal ao patrimônio documental e criar uma maior consciência em todo
o mundo da existência e importância do patrimônio documental”. Conforme Salienta Cougo
Junior (2019), esta quarta via de patrimonialização tem um sentido “menos impactante sob o
ponto de vista jurídico, mas importante para o viés simbólico, e conta com cerca de uma
centena de acervos arquivísticos nominados no programa”.
Como bem frisa Tolentino (2017), a representação das memórias coletivas e
consequentemente o campo do patrimônio cultural no Brasil, estão fortemente marcados por
“conflitos e disputas”, além de relações históricas de poder e de afirmação entre classes
dominantes sobre classes dominadas. Desta forma, os bens culturais arquivísticos, como todas
as outras correntes presentes no campo patrimonial, não ficam alheias a este contexto. Posto
isto, é necessário pensar a memória e o esquecimento nos quais historicamente foram
concebidos estes espaços, quais elementos foram esquecidos e quais foram lembrados, o que e
porque são preservados, além é claro, da questão acerca do papel de imparcialidade do

�profissional arquivista envolvido na preservação dos documentos. Essas são algumas das
narrativas presentes na concepção deste local.
Porém, faz-se importante frisar que o arquivo, enquanto lugar de memória, pode
abarcar as vozes dissonantes e a representatividade das minorias, inclusive as étnicas, que
antes eram esquecidas ou negligenciadas, e neste contexto se configurar em espaço de
resistência e instrumento de poder dos excluídos, fator que tem contribuído cada vez mais
para atrair historiadores, estudiosos e pesquisadores das mais diferentes áreas do
conhecimento, interessados em conhecer e estudar sobre as memórias coletivas em torno do
patrimônio cultural documental ou arquivístico.
Conforme salienta Nora (1993), os lugares de memória são simultaneamente:
“material, simbólico e funcional (os três sentidos)” ou seja, este só é um lugar de memória, se
o ritual se fizer presente, se tiver relevância especial para uma comunidade e se existir um
grande simbolismo. Neste sentido, é necessário frisar que os lugares de memória, nos
remetem simultaneamente, a duas facetas do patrimônio: os tangíveis e os intangíveis, a faceta
da tangibilidade se refere ao meio físico e à materialidade presente no lugar, já a faceta da
intangibilidade se refere ao simbólico, pois este só é um lugar de memória se o sentimento se
fizer presente.
Os lugares de memória segundo Nora (1993), “nascem e vivem do sentimento que não
há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários,
organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não
são naturais”. Nessa perspectiva, uma edificação, como o prédio de um arquivo ou de uma
biblioteca, também pode ser considerada um lugar de memória. Para isso é imprescindível que
o sentimento se faça presente, que haja vínculo do lugar com a comunidade ou com a sua
história, que seja importante dentro de seu cotidiano, conforme destaca IPHAN (2016), “as
edificações podem ser de diferentes épocas e estilos e servir para diferentes finalidades... o
importante é que eles representem uma referência para as pessoas”.
Nessa conjectura, o arquivo enquanto lugar de memória, na sua concepção de
equipamento cultural, além de promover a apreensão e a disseminação do conhecimento,
mantém e preserva diversos documentos referentes à história, às identidades e às memórias
coletivas locais, regionais e nacionais, favorecendo assim, a Lei Nº 12.527 - Lei de Acesso à
Informação, a preservação do patrimônio arquivístico documental, a inclusão social e os laços
de cidadania, pois são lugares nos quais a histórias locais, regionais e nacionais se legitimam e
se concretizam.

�A biblioteca e o arquivo histórico como palco de educação patrimonial: uma ação
educativa na Fundação Frei Simão Dorvi
Os documentos, conforme salienta Indolfo (2007), serviram e servem para autenticar
direitos, certificar o exercício do poder, bem como para registrar a memória. Neste sentido,
entendemos que a preservação de obras raras e documentos históricos em lugares de memória,
seja em arquivos, bibliotecas ou centros de documentação, é também uma forma manter viva
a memória e o patrimônio cultural de um povo. Mas faz-se importante ressaltar que parte
desses bens culturais são frequentemente esquecidos ou negligenciados pelo poder público,
pela iniciativa privada e pela própria comunidade, ficando assim, por muitas vezes, alheios ao
acautelamento pelos órgãos de tombamento do estado.

Figura 1: Fachada e alguns ambientes da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi

Fonte: - Acervo pessoal do Autor

Nessa conjectura, apresentaremos a seguir uma proposta de ação educativa tendo
como foco, a valorização e a preservação do patrimônio cultural nas dependências da
Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, em sua concepção de equipamento cultural e espaço não
formal de educação, em conjunto com uma unidade de ensino da Cidade de Goiás. O que se
pretende ao realizar a ação na Fundação Cultural Frei Simão Dorvi é aproximar a população
dos bens culturais locais, despertando nela laços de afeto com seu patrimônio, e realizar um
trabalho que vá além da sensibilização, que empodere a própria comunidade para que seja
agente de sua própria cultura, para que tenha voz e vez, e participe efetivamente e se
reconheça nas ações de cunho preservacional em torno de seu patrimônio.

�A educação patrimonial como componente essencial das atividades de
patrimonialização e, portanto, como direito social, implica em um processo de
diálogo a partir do qual se aprende/ensina, no qual se apreende os sentidos locais
conferidos aos bens e lugares, os saberes populares, as relações estabelecidas com as
coisas. Para haver diálogo é preciso, antes de tudo, valorizar o outro, se dispor a
aprender com ele. Não há diálogo possível quando o técnico de patrimônio olha para
o morador como aquele que é ignorante, degradador. Só há diálogo em relações que
são horizontais, entre iguais. (SCIFONI, 2019, p.30-31)

Faz-se imprescindível, na concepção desta ação educativa, que sejam adotadas
diversas metodologias, que instiguem a formação crítica e cidadã dos participantes de forma
que se valorize a memória e o patrimônio histórico e artístico ao seu redor, conforme aponta
Tolentino (2016), a “prática educativa pode e deve ser baseada em diferentes metodologias
que levem em conta as especificidades e peculiaridades de cada caso, dependendo do público
com quem se trabalha, do ambiente e dos diferentes contextos”.
Para isso, o que se propõe é que as metodologias sejam pautadas e desenvolvidas a
partir dos estudos de autores que trabalhem as vertentes da educação patrimonial, a
preservação da memória e do patrimônio histórico e cultural, de modo a fundamentar o
desenvolvimento e a evolução das próximas etapas do projeto, que proporcionarão
embasamento teórico aos alunos, até a etapa da visita orientada na Fundação Cultural Frei
Simão Dorvi e seu acervo de obras raras, locus central desta ação, de forma, a permitir que se
estude, além dos aspectos relacionados ao seu prédio físico, já que a sede da fundação
também é um bem tombado, mas também a magnitude e a diversidade de conteúdo do que seu
acervo de obras raras e documentos históricos pode vir a oferecer.
O desenvolvimento desta ação de educação patrimonial se concretizará ao longo de
diversas etapas. O primeiro momento será uma reunião conjunta entre a direção da escola, a
coordenação da unidade de ensino e a bibliotecária/arquivista da fundação, na qual serão
apresentados os pontos norteadores de todo o projeto de educação patrimonial, afim de
conseguir autorização para o seu desenvolvimento, firmar parceria com as instituições
participantes e delinear as próximas fases de desenvolvimento do projeto.
De forma a prosseguir com a ação, será desenvolvido junto com alunos, na própria
sala de aula, um diagnóstico, a partir de suas próprias concepções e realidades acerca do
patrimônio histórico e cultural. Nesse momento, serão trabalhados os principais conceitos da
educação patrimonial com foco central na Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, abordando os
objetivos com os quais foi criada, os aspectos relacionados a sua história, a sua estrutura física
e à memória vinculada à instituição, pois segundo Tolentino (2016), o essencial é o processo
dialógico e democrático da prática educativa, segundo a perspectiva trabalhada por Paulo
Freire, que considere as diferenças, pelo respeito à diversidade cultural e pela participação

�efetiva dos produtores e detentores do patrimônio como sujeitos sócio-históricos. Neste
sentido, Florêncio et al. (2014, p. 20), pondera que “o que se almeja é a construção coletiva do
conhecimento, [...] e não uma educação somente reprodutora de informações, como via de
mão única e que identifique os educandos como consumidores de informações”. Uma das
proposituras desta etapa será subsidiar as decisões acerca da próxima etapa, a realização da
oficina de educação patrimonial.
A visita orientada até a fundação deverá ser feita parte no transporte da escola e parte
a pé, de forma que os alunos percorrerão algumas ruas do centro histórico da cidade, e será
encerrada com uma oficina de higienização de documentos históricos. No decorrer da visita
orientada a biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, haverá, além da
exposição dos documentos, um debate entre a turma e a bibliotecária/arquivista da instituição,
acerca dos vários aspectos dos bens ali dispostos, para que os participantes possam
compreender que “o que um dia foi presente” e “hoje constitui passado” é também uma forma
de manter viva a memória e o patrimônio cultural de um povo, instigando, assim, um olhar
crítico e uma formação mais cidadã.
Essa atividade terá como propositura aproximar não só os alunos e professores das
práticas de preservação de livros e documentos raros que são disponibilizados na
biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei Simão, mas também a possibilidade de
fortalecer os elos do povo com os bens culturais nos espaços nos quais estão inseridos,
conforme salienta Florêncio et. al. (2014, p. 21), “Qualquer que seja a ação implementada ou
o projeto proposto, sua execução supõe o empenho em identificar e fortalecer os vínculos das
comunidades com o seu Patrimônio Cultural, incentivando a participação social em todas as
etapas da preservação dos bens”.
Paulatinamente, as políticas educativas foram se afastando de ações centradas em
acervos museológicos e restritas a construções isoladas... Seus efeitos se
potencializam quando conseguem interligar os espaços tradicionais de aprendizagem
a equipamentos públicos, como centros comunitários e bibliotecas públicas, praças e
parques, teatros e cinemas. (FLORÊNCIO et. al. 2014, p. 24)

Encerrada a oficina, e com objetivo de fortalecer os vínculos da comunidade com o
locus do projeto, será proposto aos alunos um próximo encontro, na qual será sugerido que
eles desenvolvam um quadro de “fotomemórias” a partir das fotografias previamente
solicitadas de seus/suas pais/avós/avôs e também pelo conjunto das fotografias registradas
durante a realização da oficina e no trajeto até chegar ao bem. Na construção do quadro,
estarão expostos além das fotos dos adolescentes participando da oficina, fotos de seus entes
queridos: pais/avós/avôs trazidas de casa pelos próprios alunos, de preferência ainda crianças

�e fotografadas em espaços de patrimônio pela cidade, permitindo que o público faça sua
própria leitura e interaja de diversas maneiras com o objeto da oficina. O objetivo será
rememorar lembranças, a partir de suas raízes, que despertem a busca por outras narrativas
dentro do próprio espaço, desta forma, permitindo a possibilidade que o ambiente da
biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi se transforme num “lugar de
memória”, que desperte sentimentos de pertencimento e identidade.
Para aferição dos resultados desta ação de educação patrimonial, propõe-se que a
avaliação das atividades ocorra de modo contínuo, priorizando as dinâmicas de grupo e as
rodas de conversa, para facilitar a interação e a troca de experiencias entre os participantes,
contribuindo, assim, com a construção de conhecimento e a formação de um olhar crítico
acerca das atividades propostas, de modo a se revelar, se os objetivos previamente traçados
durante o planejamento da ação foram ou não atingidos.
A avaliação final do projeto de educação patrimonial será através de uma roda de
conversa, com todos os participantes da ação, que apresentarão as suas opiniões acerca de
todas as atividades desenvolvidas; uma caixa de sugestões também será disponibilizada, a fim
de que os participantes possam instigar outros caminhos, ideias, metodologias e oficinas.
Desta forma, espera-se que a soma de todos esses elementos avaliatórios permita a
averiguação dos objetivos propostos e se os resultados foram ou não atingidos durante a
concepção do projeto, proporcionando fundamentos para a sua reformulação, aprimoramento
ou desenvolvimento dessa ou das próximas atividades de educação patrimonial a serem
desenvolvidas.
Considerações finais
Se as políticas preservacionistas empregadas em estados e municípios em torno do
patrimônio histórico e cultural no território brasileiro, seja ele material ou imaterial, tangível
ou intangível, forem contínuas e desenvolvidas com ações bem-sucedidas de educação
patrimonial que prezem pela coletividade e que sejam dialógicas, a tendência será de atenuar
o sentimento de indiferença empregado por uma parcela significativa da população, em
relação aos bens culturais tombados, conforme a problemática apresentada por Florêncio et.
al. (2015, p.23), “que no Brasil, nem sempre a população se identifica ou se vê no conjunto do
que é chamado de patrimônio cultural nacional”.
Sendo assim, se os projetos e ações educativas adotadas em relação aos bens culturais
forem construídas dentro de um processo de mediação, de modo a reduzir as disputas, os
conflitos e as relações de poder e dominação, sob os quais, historicamente, foram concebidas

�a maioria dos bens tutelados no Brasil, essas iniciativas tendem a produzir excelentes
resultados, de forma a garantir a ponte para uma nova relação entre a sociedade e os bens
patrimoniais tombados.
Se as modalidades do patrimônio material, imaterial e natural, forem trabalhadas com
ações efetivas de educação patrimonial pautadas dentro de um processo educativo contínuo e
dialógico, com “formação ampla, critica e humanista”, como salientou Scifoni (2019), este
viés, pode vir a se tornar um caminho plausível, em que os vínculos dos estudantes para com
o seu patrimônio poderão ser modificados, dentro do próprio universo da escola, fortalecendo
assim, laços de perenidade com os bens tutelados e promovendo a participação social dos
envolvidos.
Enfim, almeja-se que os participantes da ação educativa realizada dentro de um espaço
não formal de fruição dos bens culturais, que atue como equipamento cultural e contribua para
o fortalecimento dos laços de cidadania, como a biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei
Simão Dorvi, desenvolvam uma reflexão crítica acerca dos bens culturais locais e percebam
que existem outros patrimônios, além do bem cultural físico construído essencialmente de
“pedra e cal”, tutelado pelo Estado ou exposto em espaços culturais como peças
museológicas, e que, a partir disso, valorizem e reconheçam as diversas modalidades do
patrimônio cultural, que lutem pela sua preservação e também se identifiquem com o seu
patrimônio.
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                <text>O presente artigo traz uma proposta de educação patrimonial em construção, tendo como objetivo a valorização da preservação de acervos raros e documentos históricos enquanto patrimônio cultural, proporcionando o conhecimento acerca de nossas raízes, em espaços não formais de fruição dos bens culturais, espaços estes que atuem como equipamentos culturais, como bibliotecas e arquivos, que contribuam para a inclusão social e para a formação completa de cada indivíduo, favorecendo o fortalecimento da história e a memória coletiva local. Propomos, para este trabalho, que a ação seja desenvolvida em forma de oficina e que seja realizada na Cidade de Goiás, berço do Patrimônio Histórico e Cultural localizado a noroeste do território goiano, nas dependências da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, um lugar de memória, de valorização e preservação de acervos raros e do patrimônio cultural em Goiás, em parceria com uma unidade de ensino do município. A proposta da oficina terá como pressuposto aproximar a população com os bens culturais alheios à tutela do órgão tombador, visando à criticidade do participante, de modo a instigar a percepção da existência de outros patrimônios, além daqueles construídos de “pedra e cal” ou expostos em espaços museológicos.</text>
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                    <text>Eixo 2: Práticas

GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS INCLUSIVAS LUDOVICENSES
MANAGEMENT OF INCLUSIVE LUDOVICIAN UNIVERSITY LIBRARIES
Isabel Diniz 1
Raimunda Ribeiro2
Isabela Nascimento3
Rafaella Barcelos4
Vanessa Rodrigues5
Resumo: Objetiva-se avaliar a gestão das bibliotecas universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento
orçamentário, nas barreiras de comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura. Com base
no objetivo traçado, adotou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica e descritiva com abordagem qualitativa, tendo
como técnica de estudo a análise de conteúdo com base em Bardin, a partir dos discursos emanados pelas gestoras dos
sistemas de bibliotecas universitárias ludovicenses. Tem-se como resultados, a partir das análises realizadas das
entrevistas, que as inquiridas destacam as parcerias realizadas com os núcleos de acessibilidades, e o núcleo acadêmico
discente e docente, para conhecer as necessidades informacionais dos usuários com deficiência para o desenvolvimento
dos seus percursos acadêmicos. Conclui-se que apesar da infraestrutura ainda não ser a mais adequada, assim como o
quantitativo de profissionais necessários ao atendimento dos estudantes com deficiência, é notório o empenho das
bibliotecárias gestoras em buscar parcerias para biblioteca, assim como a IES que já possui em seu planejamento
estratégico ações voltadas para a inclusão e acessibilidade no contexto das IES, cenários desta investigação.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias inclusivas. Gestão. Acessibilidade. Inclusão. Usuários com deficiência.
Abstract: The objective is to evaluate the management of inclusive university libraries in Ludovico, with an emphasis
on budget planning, interpersonal and virtual communication barriers, assistive technologies and infrastructure. Based on
the outlined objective, bibliographic and descriptive research with a qualitative approach was adopted as a methodology,
with the study technique being content analysis based on Bardin, from the speeches emanated by the managers of the
Ludovician university library systems. As a result, from the analysis of the interviews, the respondents highlight the
partnerships made with the accessibility centers, and the academic student and teacher core, to know the informational
needs of users with disabilities for the development of their paths. academics. It is concluded that although the
infrastructure is not yet the most adequate, as well as the number of professionals needed to serve students with
disabilities, the commitment of managing librarians to seek library partnerships is notorious, as well as the HEI that
already has in its strategic planning actions aimed at inclusion and accessibility in the context of HEIs, scenarios of this
investigation.
Keywords: Inclusive university libraries. Management. Accessibility. Inclusion. Disabled users.

1

Doutora em Multimédia em Educação, Universidade Federal do Maranhão, isabel.diniz@ufma.br
Doutora em Multimédia em Educação, Universidade Federal do Maranhão, raimunda.ribeiro@ufma.br
3
Graduanda do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão, isabela.silva@discente.ufma.br
4
Graduanda do Curso de de Biblioteconomia, Universidade Federal do Maranhão, rafaella.barcelos@discente.ufma.br
5
Graduanda do Curso de de Biblioteconomia, Universidade Federal do Maranhão, vanessa.janiele@discente.ufma.br
2

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas desenvolvem-se de forma planejada e sempre em crescimento focadas em
beneficiar seus usuários e gerindo a realização de atividades culturais e disseminação da informação,
abrangendo quantidades significativas de integração, colaborativas e de inclusão, por meio de um
gestor as medidas diagnósticas e planejadas de forma estratégica, para a organização de o todo
conhecimento, tornando-se assim um espaço acessível e inclusivo.
Com base nessa fundamentação, de que é importante analisar os profissionais que atuam nas
bibliotecas universitárias, é de grande relevância explorar também o planejamento que é proposto
para essas unidades de informação através do trabalho de seus gestores, para melhorar seus produtos
e serviços na tentativa de oferecê-los a seus usuários.
Assim, alguns aspectos que devem ser levados em consideração, são as funções realizadas
pelos profissionais dentro das bibliotecas universitárias, onde seus desafios vão além apenas de
desempenhar funções técnicas, como indexação, catalogação entre outras, à vista disso, dentro das
organizações no que se refere a gestão de Bibliotecas Universitárias, Maia e Santos (2015) destacam
os processos de avaliação, que são necessários e importantes dentro das bibliotecas , porque através
dos instrumentos de avaliação que geralmente são realizados pelo Ministério da Educação (MEC),
tais resultados demonstram algumas falhas que a estrutura organizacional apresenta, em sua
infraestrutura, em seu acervo e também no local em que a biblioteca está inserida.
Diante desse contexto, evidenciou-se a necessidade de avaliar a gestão das bibliotecas
universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento orçamentário, nas barreiras de
comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura. Para tanto, o recorte
desta investigação integra os estudos desenvolvidos no âmbito do projeto de pesquisa em curso,
intitulado: “Comportamento infocomunicacional dos estudantes com deficiência no ensino superior
ludovicense: UFMA, UEMA, IFMA e UNICEUMA.”
Sendo assim, este artigo encontra-se estruturado, da seguinte forma: apresenta uma
introdução, que destaca o objetivo e justifica a relevância do estudo em tela, o referencial teórico que
contempla os principais conceitos e as teorias trabalhadas nas questões voltadas para a gestão de
bibliotecas inclusivas e o papel do bibliotecário gestor no enfrentamento das boas práticas inclusivas.
Contempla ainda a metodologia utilizada, os resultados apresentados e analisados, e as conclusões
tomando como parâmetros os objetivos traçados e os resultados apresentados.

�2 GESTÃO NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
As bibliotecas sempre foram organismos vivos, abrangendo quantidades significativas de
informações em diversos formatos, e para organizar todo conhecimento que nelas habitam, o
bibliotecário é uma figura de extrema importância para gerenciá-las, tornando assim futuramente um
espaço acessível e inclusivo para todos.
Com base na fundamentação, de que é importante analisar os profissionais que atuam nas
bibliotecas universitárias, é de grande relevância explorar também o planejamento que é proposto
para essas unidades de informação através do trabalho de seus gestores, para melhorar seus produtos
e serviços na tentativa de oferecê-los a seus usuários.
Posto isto, a gestão nesses ambientes se torna algo imprescindível, como enfatiza Moraes e
Teles (2013) que devem existir as atividades de planejamento, organização para dirigir e desenvolver
inúmeras tarefas, sendo fundamental o gestor possuir uma equipe bem capacitada para desempenhar
e buscar cumprir as finalidades que foram elencadas sendo frutos de seus planejamentos
organizacionais.
Portanto, a biblioteca tende a fazer seu gerenciamento de acordo com algumas particularidades
existentes dentro de suas construções institucionais, de acordo com a sua missão, visão e objetivos,
esforçando-se assim para cumprimento de todos. De acordo com Moraes e Teles, (2013):
O gestor necessita de habilidades e competências para que sua atuação possa atender as
necessidades de usuários e não ferir interesses político-administrativos, ratificando a
afirmação em que os objetivos e metas a serem atingidos devem englobar não só aos inerentes
ao setor, mas a instituição a qual pertence como um todo. (MORAIS; TELES, 2013, p. 36.).

Assim, conhecer as necessidades que a unidade de’ informação apresenta, é um processo que
requer bastante dedicação para a construção de um ambiente favorável, para qualquer tipo de usuário
que venha a usufruir de seus serviços, destacando a questão acerca do conhecimento sobre a
instituição que está inserida e sob quais diretrizes foram construídos seus objetivos, como no caso das
instituições de possuem sistemas de bibliotecas, estas por sua vez, deve atentar-se às políticas das
instituições em que estão subordinadas.
Outra questão que deve ser destacada é a necessidade de conhecer também a formação e
atualização do seu acervo, para analisar se há materiais disponíveis para todos. Deste modo, para
adentrar nas questões de inclusão, o gestor deve compreender de que forma pode ajudar nas melhorias
para incluir materiais acessíveis na composição de seu acervo, então é válido a afirmação acima do
conhecimento de instrumentos de avaliação para atender seus usuários com deficiência.

�Em função disso, complementar as necessidades dos usuários é algo ainda bastante crítico,
como acentua Maia e Santos (2015), pois, elencam algumas categorias em seus trabalhos e destacam
a questão orçamentária para análise, e pontuam que as Instituições de Ensino Superior (IES) têm
grande déficit na aquisição de acervos e materiais informacionais. Como salienta Nicoletti (2010)
“Considerando que as bibliotecas são instituições sem fins lucrativos, geralmente com orçamento
destinado apenas à aquisição de material bibliográfico, o investimento em acessibilidade não se
apresenta como prioridade”. Assim, é visível que grande parte das instituições não possuem acervos
para todos seus usuários, o que por consequente acaba prejudicando também as minorias daqueles
que a frequentam.
Dentro da estrutura de uma biblioteca, a busca por melhorias devem ser constantes e colocadas
em prática assim que possível, no caso dos Sistema e Redes de Bibliotecas Universitárias, é
interessante como aponta Moraes e Teles (2013), que há sempre muitas intervenções tanto internas
quanto externas e que a figura de um colaborador para gerenciar melhorias para esses espaços
informacionais é indispensável, requerendo assim uma ação de liderança para suprir as necessidades
das instituições em que trabalham.
Em vista disso, o gestor deve assumir uma postura administrativa, na qual seus atributos
devem ser compatíveis para a realização de ações que sejam voltadas para a resolução de problemas,
tendo em vista principalmente as questões trabalhadas neste artigo em relação às insuficiências
encontradas nas indagações acerca da acessibilidade. O responsável por gerir a biblioteca deve
compreender como adequá-la a uma parte de seus usuários, que se tratam por exemplo de pessoas
com deficiência (PcD), na busca pela inclusão desses sujeitos enquanto estudantes de uma
determinada IES, para Alves et.al (2001, p.34):
A universidade é um espaço privilegiado para que ocorra o processo de
construção da acessibilidade, pois envolve a formação de distintas categorias
de profissionais, e, além disso, as condições de acessibilidade que adota
possuem um efeito multiplicador, pois funcionam como um modelo para
várias outras instituições de ensino superior.

Portanto, como apontado por Alves, é necessário o preenchimento de todos os profissionais
envolvidos na gestão da biblioteca, como descreve Ribeiro (2016, p.6) “todos os recursos humanos
envolvidos no processo precisam planejar e executar suas atividades com o objetivo de transformar

�as bibliotecas em que trabalham em locais acessíveis." Então essas tarefas devem ser vistas como
algo rotineiro dentro da organização, dessa forma, a inclusão começa a acontecer.
As bibliotecas universitárias são subordinadas às suas respectivas instituições de ensino
superior em evidência as universidades federais, que estão estruturadas por meio de uma organização
física e estrutural que partem de níveis básicos até superiores onde recebem apoio
financeiro, compartilham dos mesmos objetivos, padrões, valores culturais e dificuldades em realizar
os planejamentos propostos, assumem o compromisso compartilhado, formar indivíduos para a
sociedade com qualidade, eficiência e visão de mundo mais humano e colaborativo.
Pupo e Santos (2001, não paginado) ressaltam que:
A biblioteca universitária, enquanto agente mediador entre o conhecimento
gerado e o usuário, na utilização de reciclagem dessas informações, tem o
compromisso de democratizar seus espaços, facilitando o acesso de qualquer
usuário, sem segregação ou discriminação, pois o direito à informação é a
cidadania em exercício pleno.

Por meio das Universidades as bibliotecas universitárias podem desenvolver um trabalho de
sensibilização e formação de usuários, como provedoras de acesso informacional em diversos
suportes e espaços. São responsáveis também por desenvolver práticas e estratégias integrativas para
o melhoramento das suas comunidades universitárias. Desse modo, ao observamos as mudanças
trazidas pelo uso de novas tecnologias, também é necessário fazer delas aliadas para a diversidade de
cada aluno e suas características próprias, apresentando um olhar mais humano, moderno e holístico
para às bibliotecas universitárias conseguirem resolver o desafio de prestar atendimento dentro do
princípio de acessibilidade, oferecendo ambientes acessíveis, eliminando barreiras físicas, atitudinais
e informacionais, e facilitando o acesso à informação em suportes e meios a todos os discentes. Nesse
sentido, as modernizações devem acompanhar os planejamentos.
Numa perspectiva mais holística e trabalhando a colaboração, a acessibilidade não pode ser
vista como um planejamento externo ou um projeto distante a realidade que precisa ser implementa
somente por um cumprimento legal, uma obrigação, deve ser vista como um parâmetro de qualidade
para ambos os envolvidos que visa primordialmente a excelência e qualidade no seu papel social,
sensibilização para deveres e práticas mais inclusivas bem estruturadas, e valorizando os mais
diversos perfis de usuários. Vale ressaltar que as ações inclusivas não se concluem sozinhas muito

�menos são finitas, pois cada novo aluno com deficiência que chega à biblioteca apresenta uma
demanda específica que deve ser atendida. Assim, o desafio de garantir a cada um o direito de usufruir
do conhecimento se apresenta como um processo contínuo e em constante mudanças. De acordo com
Zainko (2010, p. 116),
É fundamental que a “nova” universidade tenha como compromisso fazer com que a
educação superior, tendo a pesquisa como seu princípio educativo, seja parte
integrante e ativa do desenvolvimento cultural, socioeconômico e ecologicamente
sustentável das pessoas, das comunidades e das nações.

Faceira (2004, p. 16) salienta que
Pensar o ProUni como política de inclusão social é ressaltar o significado dessa
categoria teórica (“inclusão social”) como sinônimo do resgate da cidadania, da
plenitude dos direitos sociais, da participação social e política dos indivíduos
(cidadãos) em todos os aspectos da sociedade. Isto é, a inclusão social é caracterizada
pelo exercício da cidadania plena ou emancipatória, pela participação social, política
e cultural, além do acesso aos direitos básicos. Nesse sentido, a efetivação de uma
política pública voltada à inclusão social no ensino superior implica a garantia do
acesso e permanência do aluno, a equidade de oportunidades e efetivação da
democratização do espaço escolar.

Assim, o slogan Universidade para Todos é incerto, visto que não privilegia a universalização
do acesso. As ações e os gastos públicos direcionam-se a grupos específicos e transferir a educação
para o setor privado configura a omissão do Estado. O Programa INCLUIR, lançado pelo Ministério
da Educação (MEC) no ano de 2005, sob a responsabilidade da Secretaria de Educação Especial
(SEESP) e da Secretaria de Educação Superior (SESu), convoca as instituições federais de ensino
superior (IFES) para trabalharem com propostas de criação, reestruturação e consolidação de núcleos
de acessibilidade na instituição, a fim de que a acessibilidade esteja implantada em todos os ambientes
das IFES.
Souza (2010) salienta que o INCLUIR é a única iniciativa governamental estruturada voltada
ao atendimento dos alunos com deficiência, financiando ações nas IFES. Seu principal objetivo é
fomentar a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidades nas IFES que respondam pela
organização de ações institucionais para a integração de pessoas com deficiência à vida acadêmica,
eliminando barreiras comportamentais, pedagógicas, arquitetônicas e de comunicação. Falar em
sociedade e educação inclusiva envolve questões como igualdade de direitos, democracia e
responsabilidade estatal.
Nessa perspectiva, o Programa INCLUIR foi institucionalizado com o objetivo de implantar
os Núcleos de Acessibilidade, com vistas a promoção da multiplicação do número dos estudantes

�com deficiência no ensino superior, garantindo assim a sua entrada, permanência e êxito no
desenvolvimento da sua vida acadêmica, contribuindo para a sua formação profissional com a
qualidade exigida para a atuação nos mais diversos espaços profissionais, garantindo assim o que está
previsto na legislação de acessibilidade vigente.
3 METODOLOGIA
Para o desenho desta investigação, de acordo com o objetivo delineado, optou-se pela pesquisa
bibliográfica, descritiva com abordagem qualitativa, tendo em vista que esta possibilita o estudo
pormenorizado do fenômeno em tela, ou seja, avaliar a gestão das bibliotecas universitárias
ludovicenses, com foco na acessibilidade e inclusão dos estudantes com deficiência. Destaca-se que
este estudo integra o projeto de pesquisa, intitulado: “Comportamento infocomunicacional dos
estudantes com deficiência no ensino superior ludovicense: UFMA, UEMA, IFMA e UNICEUMA.”
Sendo assim, os resultados apresentados e analisados neste artigo são preliminares, considerando que
a pesquisa se encontra em curso.
A população alvo deste estudo é composta por duas bibliotecárias gestoras, vinculadas a uma
universidade pública e a outra privada. Nesse sentido, foi elaborado um roteiro de entrevista, e a
mesma foi realizada no mês de julho de 2021 via google meet, devido ao momento pandêmico que
vivenciamos. Esse instrumento de recolha de informações foi construído e afinado tendo em conta os
objetivos previstos no referido projeto de pesquisa.
A análise dos dados recolhidos para este estudo, no que refere às questões aplicadas na
entrevista, envolve a análise de conteúdo com base em Bardin (2014). Assim, as informações colhidas
foram agrupadas para análise, em conformidade com as seguintes categorias:
a - Perfil das gestoras.
b - Planejamento/ Gestão orçamentária.
c - Barreiras de comunicação interpessoal.
d - Barreiras de comunicação.
e - Barreiras de comunicação virtual.
A realização deste procedimento, nos permitiu uma visão mais alargada do fenômeno em foco,
bem como a compreensão da multiplicidade das respostas geradas durante a realização das
entrevistas, atendendo aos detalhes das características que delas emergiram, de modo a obter uma
visão holística acerca da atuação das gestoras das bibliotecas, cenários desta investigação no contexto

�ludovicense, no que se refere às ferramentas de gestão utilizadas para a efetivação da inclusão e
acessibilidade nesses cenários.
Desse modo, na próxima seção apresentaremos os resultados das discussões e análises, com
base nos discursos emanados pelas gestoras entrevistadas já referidas. Essas análises tomaram como
parâmetros o objetivo e as categorias delineadas para o desenvolvimento deste estudo.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No que diz respeito ao perfil das gestoras das respectivas bibliotecas cenários desta investigação,
observa-se que: a entrevistada A possui graduação em Biblioteconomia, e mestrado profissional em
Biblioteconomia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UNRIO) em andamento. A
entrevistada B possui graduação em Biblioteconomia, mestrado em meio ambiente em andamento
pela Universidade CEUMA (UNICEUMA).
De acordo com os discursos emanados pelas entrevistadas durante a realização das entrevistas,
percebeu-se que estas apresentam interesse e disponibilidade para pensar sobre aspectos inerentes a
acessibilidade e inclusão nas bibliotecas em que atuam. Possuem também empatia e preocupação
perante os usuários com deficiência ou algum tipo de limitação que os impeçam de ter acesso à
informação.
Na categoria Planejamento/Gestão orçamentária, a Respondente A evidenciou que a gestão
orçamentária está inserida no plano de desenvolvimento geral da IES, recentemente aprovado, que
contempla, dentre outros aspectos a adoção e implementação da acessibilidade em todos os setores
da universidade, em especial na biblioteca. No que tange, a Respondente B, esta informou que o plano
orçamentário da universidade prevê e avalia semestralmente os recursos de acessibilidade no âmbito
da biblioteca. (Figura 1).
Percebe-se que a gestão das bibliotecas prioriza a participação orçamentária direcionada para
aspectos de acessibilidade na unidade de informação. Assim, com base em literatura (PLETSCH;
LEITE, 2017; CIANTELLI; LEITE, 2016; MARTINS; LEITE; BROGLIA, 2015), pode-se verificar
que essa concepção de investir financeiramente na acessibilidade no contexto universitário, em
especial na biblioteca, é fruto das mudanças sofridas na IES em decorrência da implantação de alguns
programas desenvolvidos no país que tiveram forte impacto no processo de inclusão no ensino
superior brasileiro, como: Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES),
Programa Universidade para todos (ProUni), Programa de Acessibilidade na Educação Superior

�(INCLUIR), Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(REUNI) e Programa Nacional de Assistência Estudantil (PENAES).
Figura 1: Planejamento/Gestão orçamentária

Entrevistado A

"A gestão orçamentária está inserida
no plano de desenvolvimento
institucional da IES, que contempla o
período entre 2019 até 2023,
englobando os aspectos de
acessibilidade em todos os setores da
universidade, em especial a biblioteca."

Entrevistado B

"Acerca do planejamento
orçamentário, a gestão da universidade
prevê e avalia semestralmente os
recursos e/ou a continuidade da
acessibilidade no contexto da
biblioteca."

"Para a obtenção de recursos
financeiros, a gestão da biblioteca
argumenta, ou seja, justifica junto com
a gestão da universidade a importância
de uma biblioteca acessível a todos, no
que diz respeito à legislação em relação
à pessoa com deficiência."

"Em nossa IES, existe o Núcleo de
Acessibilidade que trabalha
sincronizado para conseguir os recursos
de acessibilidade para as bibliotecas".

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

Outro item bastante reflexivo, diz respeito a categoria Barreiras de comunicação interpessoal,
onde detectou-se que em ambas bibliotecas as respondentes A e B foram unanimes ao afirmarem que a
gestão da biblioteca não mantém um controle dos registros dos estudantes com deficiência que
frequentam a universidade e a unidade de informação. (Figura 2). Em continuidade, a Respondente B
enfocou que todo o acompanhamento ocorre semestralmente, porém feito pela equipe do NADD
(Núcleo formado por Pedagogos, Psicólogos e Intérpretes). Profissionais estes que têm contato mais
próximo e constante com os estudantes com deficiência. Além disso, evidenciou-se que todas as ações
desenvolvidas pela gestão da biblioteca, com vistas a contribuir para a entrada, permanência e conclusão

�dos percursos formativos dos estudantes com deficiência acontece com a contribuição e assessoria
direta do NADD (Figura 2).
Analisando esses dados, lembramos que Melo e Araújo (2018) que enfatizam em sua pesquisa
que após a implantação da CAENE, na UFRN, os indicadores passaram a apontar um crescimento
quanto ao número de estudantes com deficiência ingressantes na referida IES, especialmente, nos cursos
de graduação presenciais. Isto mostra a contribuição e o diferencial que os núcleos de acessibilidade
exercem nas universidades, porém afirmam que apesar dos avanços decorrentes da política educacional
inclusiva e do núcleo ainda estamos longe de uma participação efetiva desse público no Ensino
Superior. Portanto, cabe as bibliotecas investigadas buscarem parcerias com os núcleos de
acessibilidade de suas instituições, aproveitando as especialidades de cada profissional membro do
núcleo.
Figura 2: Barreiras de comunicação interpessoal

Entrevistado A
"Uma das barreira na comunicação
interpessoal nesta IES consiste na falta de
controle da mesma, em especial a biblioteca
sobre o registro do quantitativo de estudantes
com deficiência presennte no campus
universitário."

Entrevistado B
"Em relação às barreiras de comunicação interpessoal, a
gestão da biblioteca não mantém um controle dos
registros dos estudantes com deficiência que frequentam
a biblioteca.".
"O acompanhamento é realizado semestralmente pela equipe
do NADD (núcleo formado por pedagogos, psicólogos e
intérpretes). São eles que nos comunicam sobbre os estudantes
com deficiência, bem como tipos de deficiência que os mesmos
apresentam."
"As ações desenvolvidas pela gestão da biblioteca, com vistas a
contribuir para a entrada, permanência e conclusão dos
percursos formativos dos estudantes com deficiência (incluindo
nesse momento de pandemia e pós pandemia), conta com o
know how e apoio da IES que já está preparada para receber
esse público."
"A gestão da IES em parceria com a biblioteca sempre estão
preocupados em oferecer o melhor da acessibilidade, porque quando
se tem a procura de um aluno que já apresenta no ato de sua matrícula,
alguma deficiência já é acompanhado, mostrando qual é a estrutura
que a IES possui para ser ofertada a ele"

"Enumerando as ações que contribuem para permanência desses alunos,
seriam: identificação, a estrutura física preparada, os profissionais que
acompanham e a disponibilidade de intérprete."

Fonte: Dados da pesquisa.

No que se refere as barreiras de comunicação, a entrevistada A, sublinhou que o Núcleo de
acessibilidade da IES, acompanha todo o percurso do estudante com deficiência, desde a sua inscrição

�no processo seletivo. Já a entrevistada B, detalhou todo o processo de disponibilização dos serviços,
produtos e recursos informacionais acessíveis aos estudantes com deficiência, a exemplo do Call
Center, e dos acervos virtuais no padrão W3C, em especial as bases de dados. Enfatizou também que
no que tange em especial as barreiras de comunicação, são realizados estudos pelo NADD, para buscar
compreender os tipos de comportamentos infocomunicacionais apresentados pelos referidos estudantes
com deficiência.
Figura 3: Barreiras de comunicação

Entrevistado A
"O estudo sobre as possíveis barreiras de comunicação
vem sendo desenvolvida pela comissão de acessibilidade
desde quando o estudante se inscreve no processo seletivo
para entrar na universidade."

Entrevistado B
"A gestão da biblioteca dispõe de um meio
acessível para que os usuários com deficiência
possam emitir sugestões e críticas em relação aos
serviços da biblioteca e também de outros serviços
oferecidos pela instituição. "
"Dentre um dos meios acessíveis, a IES possui
serviço de Call Center, que recebe as reclamações e
sugestões, que são encaminhadas para os setores
responsáveis avaliar"
"Nesse momento pandêmico, os discentes que
necessitam do acesso à informação, são
acompanhados pelo NADD quando chegam à unidade
de informação. "

"O acervo virtual segue os padrões da W3C de acessibilidade,
incluindo as bases de dados que são adaptadas. Mas, caso o
estudante com deficiência visual ou com baixa visão ou
alguma limitação para acessar um texto impresso, este pode
fazer a solicitação do material necessário por email ou
mediante contato direto com o acompanhante disponibilizado
pelo NADD."
"Sobre as barreiras de comunicação, destaca-se que a IES, possui
estudos, realizados pelo NADD, que visa compreender os tipos de
comportamentos infocomunicacionais apresentados pelos
estudantes com deficiência no uso dos recursos informacionais
físicos ou digitais disponibilizados pela biblioteca.

Fonte: Dados da pesquisa.

�Na categoria Barreiras de comunicação virtual, ao interrogar as bibliotecárias gestoras sobre
quais os tipos de acervos acessíveis físicos e/ou digitais que a biblioteca disponibiliza para seus
usuários com deficiência. É de notar que o Respondente A evidenciou que a biblioteca sobre sua
responsabilidade disponibiliza material em braile; o NAPNE possui computador com programa de
voz que facilita a pesquisa; e o professor quando vai utilizar algum texto em sala de aula, com um
mês de antecedência envia para o NAPNE para que possa ser impresso em braile, e disponibilizado
para o estudante. No caso do Respondente B, este informou que a biblioteca sobre sua
responsabilidade disponibiliza para seus usuários com deficiência, um acervo contendo materiais em
braile e uma biblioteca virtual acessível (Figura 4).
Diante do exposto, ambas bibliotecas apesar de apresentarem alguns tipos de acervos
acessíveis físicos e/ou digitais ainda estão deixam muito a desejar. Urge mais investimento, talvez até
um maior conhecimento sobre os diversos tipos de acervos acessíveis que uma biblioteca pode ter, e
as parcerias que podem ser estabelecidas, com base, por exemplo no Tratado de Marraqueche que
visa disponibilizar materiais acessíveis para pessoas com deficiência visual, cega ou com alguma
mobilidade que a impossibilite de acessar o texto impresso.
Neste contexto, Stroparo (2014), Tabosa e Pereira (2013) e Diniz (2019) questionam se a
ausência de acervos acessíveis nas bibliotecas universitárias talvez não seja por falta de educação
continuada dos bibliotecários sobre acessibilidade e inclusão, sim por falta de uma estrutura
institucional adequada que possibilite a implementação de equipes interdisciplinares que contemplem
também profissionais qualificados nas áreas de estudos votadas para atender as demandas dos
estudantes com deficiência na bibliotecas, e em outros espaços acadêmicos.

�Figura 4: Barreiras de comunicação virtual

Entrevistado B

Entrevistado A
“No caso de um dos campus tem um aluno cego total,
mas nesse caso, aqui o aluno ler o braille e tem o NAPNE
que tem um computador específico para ele, então
geralmente para ver algum artigo, abaixo dozvox e ele
consegue escutar, tem programação, no caso todo
material para estudo dele, os professores tem que mandar
com um mês com antecedência para o NAPNE.”

"Dentre os recursos informacionais disponibilizados pela
biblioteca para seus usuários com deficiência cabe
destaque para os recursos de mídia localizado no serviços
de referência; o sistema pergamum; a disponibilidade de
auxiliares preparados para conduz o estudante na sua
pesquisa, dentre outros."
"Acerca das tecnologias assistivas que são disponibilizadas
para os estudantes com deficiência, a entidade possui sala
com tecnologias assistivas dentro da biblioteca, dispondo de
materiais como: fones de ouvidos; máquinas; máquinas;
computadores adaptados com sintetizadores de voz;
impressora em braile; escâner de vozes; linha de braille; lupa
eletrônica; teclado colmeia; tablets com aplicativos de
acessibilidade; mesa de jogos; dominó; alfabeto em braille."

"Quanto aos tipos de acervos acessíveis físicos e/ou digitais
que a nossa biblioteca disponibiliza para seus usuários com
deficiência, oferecemos: um acervo contendo materiais em
braille e uma uma biblioteca virtual acessível"

Fonte: Dados da pesquisa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base no objetivo traçado, para o desenvolvimento deste estudo que visa avaliar a gestão
das bibliotecas universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento orçamentário, nas
barreiras de comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura, nossas
análises puderam identificar um avanço na concepção gestora empregadas nas bibliotecas, lócus desta
investigação, mostrando o envolvimento das bibliotecárias gestoras, bem como das IES para enfrentar
os desafios e desbravar caminhos que garantam a plena participação dos estudantes com deficiência
no acesso à informação.
Outra questão evidenciada é a necessidade do envolvimento maior de toda a comunidade
acadêmica e profissional com a causa da acessibilidade e inclusão, principalmente voltadas para
garantir uma infraestrutura básica, que contemple a ampliação dos recursos humanos, matérias
acessíveis, e recursos tecnológicos.
REFERÊNCIAS
ALVES, João Bosco da Mota. et al. Aspectos que interferem na construção da acessibilidade em
bibliotecas universitárias. Ci. Inf., Brasília, v.30, n. 2, p. 29-34, maio/ago. 2001.

�DINIZ, Isabel Cristina dos Santos; ALMEIDA, Ana Margarida; FURTADO, Cassia Cordeiro.
University libraries: The role of an accessible campus on the inclusion of users with special needs.
Transinformação, 2019, v. 31,e180029. Disponível em:
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Rodrigues, jan. 2013.
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todos. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia)- Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponivel em: www.lume.ufrgs.br. Acesso em:
8 out. 2021.
PLETSCH, Márcia Denise; LEITE, Lúcia Pereira. Análise da produção científica sobre a inclusão
no ensino superior brasileiro. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, v. 33, n. especial 3, p. 87 - 106,
dez. 2017. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/er/a/HXgzbFY4WGCBsKPBrJgwv3R/?lang=pt&amp;format=pdf. Acesso em:
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Biblioteca Inclusiva. Folha de Rosto, v. 1, n. 1, p. 30-43, 21 jul. 2015.
VIEIRA, Leticia C.B. Biblioteca inclusiva: repensando políticas de acesso e inclusão para
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em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/16156.Aceso em: 10 out. 2021.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Diniz, Isabel, Ribeiro, Raimunda, Nascimento, Isabela, Barcelos, Rafaella, Rodrigues, Vanessa </text>
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                <text>Objetiva-se avaliar a gestão das bibliotecas universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento orçamentário, nas barreiras de comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura. Com base no objetivo traçado, adotou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica e descritiva com abordagem qualitativa, tendo como técnica de estudo a análise de conteúdo com base em Bardin, a partir dos discursos emanados pelas gestoras dos sistemas de bibliotecas universitárias ludovicenses. Tem-se como resultados, a partir das análises realizadas das entrevistas, que as inquiridas destacam as parcerias realizadas com os núcleos de acessibilidades, e o núcleo acadêmico discente e docente, para conhecer as necessidades informacionais dos usuários com deficiência para o desenvolvimento dos seus percursos acadêmicos. Conclui-se que apesar da infraestrutura ainda não ser a mais adequada, assim como o quantitativo de profissionais necessários ao atendimento dos estudantes com deficiência, é notório o empenho das bibliotecárias gestoras em buscar parcerias para biblioteca, assim como a IES que já possui em seu planejamento estratégico ações voltadas para a inclusão e acessibilidade no contexto das IES, cenários desta investigação.</text>
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                    <text>Eixo 2
ACESSIBILIDADE NAS BIBLIOTECAS PUC-RIO: INCLUSÃO E AUTONOMIA
ACCESSIBILITY IN PUC-RIO LIBRARIES: INCLUSION AND AUTONOMY
Paloma Rodrigues Moreira 11

Resumo: Para pessoas com deficiência a recuperação da informação é um desafio diário, pois muitos locais ainda não
possuem os recursos adequados. A biblioteca universitária deve promover a educação dos seus usuários e auxiliar nos
estudos, sendo facilitadora das boas práticas. Este estudo aborda a acessibilidade para os usuários com deficiência que
utilizam a Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC-Rio, com objetivo de apresentar os recursos, espaço e os
serviços disponibilizados. A pesquisa tem caráter bibliográfico e descritivo. Suporte, incentivo, investimentos e
capacitações criam um ambiente com mais oportunidades para todos. A criação de uma sociedade inclusiva tem início
com as práticas diárias, que facilitam o cotidiano e propiciam a inclusão. As Bibliotecas da PUC-Rio incentivam a
autonomia dos usuários e fornecem recursos para que essa prática tenha resultado satisfatório, permitindo que os
usuários que possuem deficiência consigam realizar suas pesquisas e utilizar os recursos de forma independente e
igualitária.

Palavras-chave: Biblioteca universitária. Pessoa com deficiência. Acessibilidade. Inclusão

Abstract: For people with disabilities, information retrieval is a daily challenge, as many places still do not have
adequate resources. The university library must promote the education of its users and assist in studies, facilitating good
practices. This study addresses accessibility for users with disabilities who use the Division of Libraries and
Documentation at PUC-Rio, in order to present the resources, space and services made available. The research is
bibliographical and descriptive. Support, encouragement, investments and training create an environment with more
opportunities for everyone. The creation of an inclusive society begins with daily practices, which facilitate daily life
and promote inclusion. PUC-Rio's Libraries encourage users' autonomy and provide resources for this practice to have
satisfactory results, allowing users with disabilities to carry out their research and use resources independently and
equally.
Keywords: University library. People with disabilities. Accessibility. Inclusion.

1

MBA em Gestão Empresarial, Especialista em Educação Infantil e Mestranda em Biblioteconomia.
Bibliotecária PUC-Rio. E-mail: biblio.paloma@gmail.com.

�1 INTRODUÇÃO

Para a formação acadêmica é imprescindível que o aluno tenha o acesso ao conhecimento. A
pessoa com deficiência (PcD), há anos, precisa transpor barreiras e se reinventar para obter a
informação necessária. Várias dificuldades existem e a Divisão de Bibliotecas e Documentação
(DBD) tem procurado facilitar o uso dos seus recursos, criando possibilidades acessíveis para seus
usuários, de modo que todos, tendo ou não deficiência, os acessem de forma igualitária. “Compete
às bibliotecas universitárias prover à comunidade acadêmica, incluindo os que apresentam limitação
visual, física e surdez, recursos de informação, oferecendo serviços e produtos diferenciados às suas
limitações e potencialidades. ” (PUPO; MELO; FERRES, 2008, p.47).
A DBD possui mobiliário adaptado para uso da pessoa com deficiência física, elevador
destinado ao cadeirante ou pessoa com dificuldade de locomoção, para acessar o segundo andar da
biblioteca, computadores com programas para pessoas com deficiência visual, livros falados e o
scanner de voz, SARA CE. Além disso, os funcionários da Seção de Atendimento e Pesquisa
(SAP) estão preparados para auxiliar os usuários nas pesquisas e recuperação de material
bibliográfico, orientar quanto ao uso do Scanner SARA CE e auxiliar na conversão de documentos
OCR.
É importante destacar que a capacitação de bibliotecários e funcionários da linha de frente
no atendimento é primordial para auxiliar os usuários que possuem deficiência, pois o atendimento
deve proporcionar um ambiente inclusivo, conforme dito por Gomes, 2017, p.3:
No ambiente biblioteca, o bibliotecário ou quem estiver no atendimento, precisa se preocupar
com as deficiências/necessidades de onde atuam, além de buscar ser acessível, cordial,
solícito com naturalidade e fazer com que as pessoas se sintam inclusas e não excluídas
daquele ambiente. Buscando atender de forma eficaz as necessidades de qualquer tipo de
usuário.

Esse trabalho visa apresentar a atuação das bibliotecas da PUC-Rio em relação aos recursos
e serviços utilizados para inclusão e acessibilidade dos usuários com deficiência.

�2 REVISÃO DE LITERATURA
As instituições precisaram se adequar e oferecer condições de acesso, como destaca Cury,
2002, p. 257 “o acesso à educação é um direito garantido por lei em praticamente todos os países, a
legislação age como instrumento de luta para a criação de condições de democratização da
educação e também para a socialização de gerações mais iguais e menos injustas.”
O termo acessibilidade é muito utilizado, mas nem todos entendem o seu sentido. Destaco o
conceito de acordo com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, através da Lei n. 13.146/2015, onde
diz que acessibilidade é:
[...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de
espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e
comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e
instalações abertos ao público, de uso público ou privado, de uso coletivo, tanto na zona
urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida.
(BRASIL, 2015, p. 2).

A acessibilidade ampliou o acesso dos estudantes com deficiências no ensino superior, mas
além do ingresso é necessário pensar na permanência desses alunos até a conclusão do curso, pois
muitos ingressam na universidade e não concluem seus cursos.
Para Sassaki, 2005, p.1:
(...) para garantir que as medidas de acesso e permanência na universidade sejam
implementadas de acordo com a nova visão de sociedade, de educação e de cidadania em
relação à diversidade humana e as diferenças individuais – todas as pessoas devem ser aceitas
e valorizadas pelo que cada uma possui para construir o bem comum, aprender e ensinar,
estudar e trabalhar, cumprir deveres e usufruir direitos.

A biblioteca universitária deve se adequar às mudanças de acordo com as necessidades e
demandas da comunidade. A inclusão e a acessibilidade são processos valiosos, Cunha, 2000, p.75
destaca que a biblioteca universitária deve examinar as possibilidades do futuro e entender que o
maior desafio será atender às necessidades da clientela em mudança, compreendendo-o como uma
oportunidade de renovação.

�Desse modo, o desafio da biblioteca universitária vai além da acessibilidade, pois cada
usuário possui uma necessidade. Obter a informação correta e alcançar o conhecimento contribuem
de forma positiva na formação dos estudantes.
Cabe à biblioteca universitária prover, além da acessibilidade e adaptação do espaço físico, a
promoção da informação aos indivíduos da comunidade universitária, inclusive aqueles com
qualquer tipo de deficiência, sem discriminação. Assim, é importante atender às necessidades
específicas oferecendo acesso à informação em diferentes formatos, contribuindo para a
formação intelectual e da cidadania. (STROPARO; MOREIRA, 2016, p. 215)

Os profissionais que trabalham na biblioteca precisam estar capacitados para fornecer um
bom atendimento para os usuários com deficiência. O ambiente universitário deve estar preparado
para receber e atender esses usuários, “A realidade em que vivemos, dentro de um contexto
globalizado, exige dos profissionais de todas as áreas melhor desempenho e mais eficiência.”
(SILVA; CUNHA, 2002, p. 80).
Fornecer acesso aos recursos disponíveis na biblioteca para os usuários com deficiência, faz
parte da inclusão. Qualquer usuário deve conseguir acessar e consultar as ferramentas, serviços e
recursos de forma acessível na vida acadêmica com interação e autonomia.
Podemos considerar que o processo de acessibilidade, dar acesso é o passo necessário para
que a inclusão aconteça. No meio universitário, seja na Biblioteca, Sala de aula, Secretaria de
Ensino, o conjunto por um todo deve estar acessível para que a vida acadêmica, a
aprendizagem e a interação efetivamente aconteçam. (SOUZA; MANOEL, 2008, p.14)

O processo dinâmico não pode parar, pois a sociedade está em constante desenvolvimento
e os estudantes que são estimulados hoje, serão os profissionais de amanhã, que empregarão o
conhecimento adquirido.
A acessibilidade é um processo dinâmico, associado não só ao desenvolvimento tecnológico,
mas principalmente ao desenvolvimento da sociedade. Uma sociedade que se preocupa em
garantir às pessoas portadoras de deficiência o direito de participar da produção e
disseminação do conhecimento certamente contarão com a participação dessas pessoas, de
forma ativa, em todos os demais setores da sociedade. (MAZZONI et al, 2001, p.34)

�3 BIBLIOTECAS PUC-RIO
A biblioteca tem um papel fundamental e está presente no cotidiano de diversos usuários.
Cada usuário tem seu objetivo ao entrar na biblioteca, como: utilizar o espaço físico para estudo,
realizar empréstimo de livros, acessar as bases de dados, utilizar os computadores para o preparo de
trabalhos acadêmicos, sanar dúvidas sobre referências, entre outras questões. Os usuários com
deficiência que frequentam a biblioteca, devem se sentir acolhidos e em um espaço acessível, sem
dificuldade para o uso e acesso.
Levando-se em conta que as universidades e as bibliotecas são instituições sociais que
desempenham o papel de ora criar o conhecimento, e ora facilitar o acesso a esse
conhecimento, essas também são atingidas pelas mudanças e, então, chamadas a refletir sobre
seu papel nesse contexto. (CARVALHO, 2004, p.102)

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) é uma instituição privada
sem fins lucrativos, que procura a excelência na pesquisa, no ensino e na extensão para formar
profissionais capacitados para exercer com primor suas funções. É considerada uma das principais
instituições de ensino de pós-graduação e pesquisa, além de ser pioneira no ensino de
empreendedorismo nos cursos de graduação.
A Divisão de Bibliotecas e Documentação é a unidade coordenadora do Sistema de
Bibliotecas da PUC-Rio, que por sua vez é um órgão vinculado à Vice-Reitoria Acadêmica. O
Sistema de Bibliotecas é composto pela Biblioteca Central e quatro Bibliotecas Setoriais: Biblioteca
Setorial dos Centros de Ciências Sociais, Teologia e Ciências Humanas (BS/CCS-CTCH);
Biblioteca Setorial do Centro Técnico Científico (BS/CTC), Biblioteca Setorial do Centro de
Estudos em Telecomunicações (BS/CETUC) e Biblioteca Setorial de Biologia (BS/BIO).
A DBD tem como missão facilitar o acesso e a difusão de recursos de Informação, para
benefício e crescimento intelectual dos usuários. Com o objetivo de desenvolver e disponibilizar
serviços/produtos para seus usuários.

�Os usuários da biblioteca são alunos de graduação, pós-graduação, extensão e EAD,
professores, ex-alunos, funcionários, visitantes e bibliotecas externas. A divulgação e o marketing
dos serviços disponíveis são feitos através das redes sociais (blog, instagram, twiter, facebook e
youtube), cartazes pela PUC-RIO e informações no site da biblioteca.
A Divisão de Bibliotecas busca manter seu acervo atualizado, de acordo com as
necessidades dos usuários, pois é fundamental tornar a informação e os serviços úteis.
3.1 Serviços

A DBD disponibiliza espaços, recursos e serviços para melhor atender os usuários. A seguir
estão listados alguns deles.
✔ Empréstimo
✔ Treinamentos
✔ Visitas guiadas
✔ Sala multimídia
✔ Sala de estudo e treinamento
✔ Versão mobile
✔ Acesso remoto/Área restrita
✔ Ficha catalográfica
✔ Formulário para solicitação
Oferece ainda serviços de referência virtual, atendimento via chat, acompanhamento e
recebimento de artigos via site, wi-fi em todas as dependências e serviço de acesso remoto, que
permite aos alunos e professores acesso a todos os recursos, mesmo fora do campus PUC-Rio.
Toda a coleção de teses e dissertações da Universidade está disponível para consulta em texto
completo na internet, com acesso através do catálogo da biblioteca.
São oferecidas orientações individuais para pesquisa e treinamentos nos recursos disponíveis.

�O depósito externo é uma extensão da biblioteca onde estão armazenados livros e periódicos
que possuem baixo índice de consulta e empréstimo. É possível solicitar obras que estão localizadas
no depósito externo através do formulário de solicitações.
O sistema de gerenciamento de bibliotecas utilizado é o Pergamum. Ele integra os serviços
de aquisição, processamento técnico, catálogo e empréstimo, além do registro de usuários.

3.2 Acessibilidade

A Divisão de Bibliotecas e Documentação considera muito importante oferecer um ambiente
acessível, seja virtual ou presencial e tem buscado melhorias para adequar seus recursos e serviços,
para melhor atender aos usuários com algum tipo de deficiência.
O papel das bibliotecas nesta conjuntura é de suma relevância, mas para que ela
exerça este papel é preciso que a biblioteca saia “da postura de armazenadora de
informações para assumir uma postura centrada no processo de comunicação”, o que
significa abandonar a paradigma da posse e assumir o paradigma de acesso, ou seja,
tornar esses recursos informacionais acessíveis, eliminando as possíveis barreiras
existentes. (CARVALHO; KANISKI, 2000, p.37 )

A Biblioteca Central possui dois andares que são abertos ao público, com acesso livre ao
acervo, salas de estudo em grupo e sala de treinamento. Para viabilizar o acesso ao segundo andar,
de pessoas cadeirantes ou com dificuldade de locomoção, há uma plataforma que permite acesso ao
andar superior. Dessa forma, nenhum usuário fica impedido de acessar os ambientes em comum,
visto que anteriormente só havia a escada para chegar ao segundo piso.
O mobiliário é adaptado para atendimento aos usuários cadeirantes: nos terminais para
breves consultas, no balcão de atendimento para empréstimo e nos terminais de consulta ao
catálogo. Os salões de estudo também possuem condições necessárias para utilização de usuários
com cadeira de rodas. Além disso existem mesas e armários preferenciais.
A Biblioteca Central e a Biblioteca Setorial do CTC possuem sala multimídia e, em ambas,
estão instalados softwares de acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou usuários com
baixa visão. Os programas são: NVDA e DOSVOX.

�A Fundação Dorina Nowill realizou uma doação de livros falados para o acervo da
biblioteca. São 235 títulos que podem ser consultados em computadores na sala multimídia ou
emprestados para alunos PUC-Rio. Os títulos estão disponíveis no catálogo on-line da biblioteca e
podem ser pesquisados por qualquer usuário.
A biblioteca adquiriu em 2019, o Scanner de voz SARA CE, que possibilita vários
benefícios e autonomia para usuários com baixa visão ou deficiência visual total. O Scanner possui
leitor autônomo que realiza a digitalização e leitura de materiais impressos. Possui rápida
tecnologia, tem uma câmera posicionada sobre o documento que digitaliza e lê o material impresso,
possui botões em braile. Na memória do scanner existem salvos 200 livros clássicos. É possível
realizar a digitalização de até 20 páginas por minuto, além disso tem suporte OCR a 18 idiomas.
A biblioteca possui parceria com o Núcleo de Apoio e Inclusão da Pessoa com Deficiência
(NAIPD), da PUC-Rio. O objetivo do NAIPD é assegurar condições de permanência na
universidade aos estudantes com deficiência. Através dessa parceria, a biblioteca, quando solicitada,
digitaliza os materiais didáticos para posteriormente converter em áudio e disponibilizar aos
usuários com deficiência e necessidades educacionais especiais.
Foram adquiridos jogos adaptados acessíveis (dama e dominó), que possibilitam a
interação entre usuários com ou sem deficiência, no momento de recreação. A biblioteca valoriza
propostas para inclusão social e equipamentos de acessibilidade. Os jogos podem ser utilizados no
espaço da biblioteca e também estão disponíveis para empréstimo.
Os recursos disponibilizados pela biblioteca permitem ao usuário com deficiência acesso à
informação, derrubando barreiras no ambiente universitário.

3 METODOLOGIA
A metodologia do artigo tem caráter bibliográfico e descritivo, pois apresenta embasamento
teórico e descreve a realidade vivenciada na Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC-Rio.

�4 DISCURSÃO E RESULTADO

Os usuários da DBD têm obtido resultados positivos em relação ao uso dos recursos
oferecidos e independência no acesso e recuperação da informação. Na Seção de Atendimento e
Pesquisa, os funcionários auxiliam e orientam os usuários com deficiência de forma que,
posteriormente, eles consigam realizar suas buscas com autonomia.
O uso do scanner SARA CE é realizado pelo próprio usuário com deficiência, da mesma
forma que o usuário sem deficiência realiza a própria digitalização no scanner disponível na Sala
Multimídia, ou seja, através das práticas diárias igualitárias, vemos bons resultados e a inclusão no
cotidiano.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se verificar que existem uma gama de serviços e recursos disponibilizados pelas
Bibliotecas da PUC-Rio, com intuito de cada vez mais proporcionar acessibilidade. A Universidade
oferece apoio e trata com seriedade ações que fomentem atividades de inclusão.
Cada conquista dos nossos usuários com deficiência é uma grande vitória, resultado de um
trabalho realizado em equipe e com empenho para que o acesso à informação e conhecimento seja
cada vez mais democrático.
Antes, nas bibliotecas universitárias em geral, a inclusão era um universo com barreiras, por
causa de obstáculos gerados pela falta de acessibilidade e hoje vemos a realidade mudar, com
pequenas ações diárias e atividades que facilitam a vida da pessoa com deficiência.
A DBD incentiva a autonomia dos usuários, investe em equipamentos, capacitações dos seus
profissionais e ações que gerem inclusão, a fim de propiciar uma sociedade com práticas de
acessibilidade e inclusão, para que os usuários com deficiência consigam realizar suas pesquisas e
utilizar os recursos de forma independente e igualitária.

�REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei 13.146 de 06 de julho de 2015. Institui a lei brasileira de inclusão da pessoa com
deficiência (estatuto da pessoa com deficiência). Brasília, DF, 2015.Disponível em:
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                <text>Para pessoas com deficiência a recuperação da informação é um desafio diário, pois muitos locais ainda não possuem os recursos adequados. A biblioteca universitária deve promover a educação dos seus usuários e auxiliar nos estudos, sendo facilitadora das boas práticas. Este estudo aborda a acessibilidade para os usuários com deficiência que utilizam a Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC-Rio, com objetivo de apresentar os recursos, espaço e os serviços disponibilizados. A pesquisa tem caráter bibliográfico e descritivo. Suporte, incentivo, investimentos e capacitações criam um ambiente com mais oportunidades para todos. A criação de uma sociedade inclusiva tem início com as práticas diárias, que facilitam o cotidiano e propiciam a inclusão. As Bibliotecas da PUC-Rio incentivam a autonomia dos usuários e fornecem recursos para que essa prática tenha resultado satisfatório, permitindo que os </text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
COMUNICAÇÃO INTERNA COM USO DE SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE TAREFAS
INTERNAL COMMUNICATION USING A TASK MANAGEMENT SYSTEM
Denise Ramires Machado1
Luísia Feichas Alves2
Zuleika de Souza Branco3
Resumo: Em organizações complexas uma comunicação interna eficiente é imprescindível. Este trabalho tem por
objetivo apresentar os motivos que levaram o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul a
adotar um sistema de gerenciamento de tarefas (Request tracker) visando otimizar a comunicação interna entre as
equipes do Sistema e sua Gerência Técnica. Apresenta alguns aspectos históricos da Gerência Técnica da Biblioteca
Central para contextualização das motivações que levaram a alteração dos canais de comunicação interna das 31
bibliotecas do Sistema. Relata as características do sistema utilizado, apresentando sua estrutura para o oferecimento de
serviço de resolução das solicitações feitas pelas equipes das bibliotecas por áreas de tarefas, sendo as principais:
serviços aos usuários, processamento técnico, aquisição e administração. Apresenta alguns dados oferecidos pelo
sistema utilizados em análises quantitativas sobre as principais demandas das equipes do Sistema e sobre a própria
Gerência Técnica, aprimorando o planejamento, a organização e avaliação dos serviços oferecidos.

Palavras-chave: Comunicação interna. Sistemas de gerenciamento de tarefas. Request tracker. Biblioteca
universitária.

Abstract: In complex organizations, efficient internal communication is imperative. This paper aims to present the
reasons that led the Federal University of Rio Grande do Sul’s Libraries System to adopt a task management system
(Request tracker) to optimize the internal communication between the teams of the System and its Technical
Management. It presents some historical aspects of the Central Library’s Technical Management to contextualize the
motivations that led to the change of the internal communication channels of the 31 libraries of the system. It reports the
characteristics of the system used, presenting its structure for the service of resolution of the requests made by the teams
of the libraries by task areas, being the main ones: user services, technical services, acquisition and administrative. It
presents some system’s data used in quantitative analyzes on the main demands of the System’s teams and on the
Technical Management itself, improving the planning, organization and evaluation of the offered services.

Keywords: Internal communication. Task management systems. Request tracker. Academic library.

1 INTRODUÇÃO
Bibliotecas são organizações prestadoras de serviços e, conforme Leitão (2005), agentes de
disseminação da informação que devem fazer jus aos recursos nelas investidos. Cabe às bibliotecas
universitárias, por meio da qualificação de seus serviços e produtos, instrumentalizar o usuário para
que este atinja seus objetivos de pesquisa e uso da informação. O Sistema de Bibliotecas da
1

Mestra em Ciência da Informação. Biblioteca Central da UFRGS. in memorian.
Mestra em Epidemiologia. Biblioteca Central da UFRGS. luisia.alves@bc.ufrgs.br.
3
Mestra em Ciência da Informação. Biblioteca Central da UFRGS. zuleika.branco@bc.ufrgs.br.
2

�Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SBUFRGS) possui uma estrutura formal complexa. É
integrado por 31 bibliotecas, administrativamente independentes, e distribuídas em 6 campi, com
mais de 200 servidores (cerca de 130 bibliotecários). Conforme Maciel e Mendonça (2006), estas
estruturas formais complexas, em que são desempenhadas tanto funções técnicas quanto
administrativas, precisam de mais atenção e reflexão para que o caos não se instaure
definitivamente. A importância da comunicação eficiente é reconhecida como um dos fatores a
qualificar os fluxos de trabalho. Referente a isso Oliveira et al. (2012) relataram as rotinas de
comunicação interna instituídas até aquele momento no SBUFRGS. As formas de gestão do
conhecimento oriundo da comunicação no SBUFRGS estão em constante avaliação, visando atingir
os objetivos de uma unidade de informação, principalmente com relação às questões técnicas,
comuns a todo o Sistema.
No ano de 2015, com a reformulação da estrutura de Gerência do Sistema de Automação de
Bibliotecas (SABi), ficou evidente a necessidade de reestruturar os procedimentos de comunicação
entre o SBUFRGS e sua Gerência Técnica. A maior mudança nos procedimentos foi a implantação
de um sistema de gerenciamento de tarefas, Request Tracker (RT), que permite a criação de filas
para segmentar as demandas (tíquetes) e as responsabilidades (proprietários).
De acordo com Stoner e Freeman (1994), a comunicação é um processo vital e complexo em
organizações, seja pelo tempo demandado para comunicações eficazes ou pela importância nos
processos de planejamento, organização, liderança e controle. Levando em conta que quaisquer das
atividades básicas de uma biblioteca são realizadas com vistas a disponibilizar conhecimento. Uma
rede de comunicação deve ser instituída para estruturar as informações necessárias ao
desenvolvimento destas atividades e para que aconteça a gestão de conhecimento como capital
intelectual essencial ao pleno funcionamento da biblioteca.
A Gerência do SABi tem este papel de reunir, registrar e disponibilizar os conhecimentos
sobre os procedimentos e políticas referentes ao Sistema atendendo as equipes de trabalho das
bibliotecas do SBUFRGS. Kunsch (2006) ressalta que a comunicação interna não é apenas de
ordem administrativa e replicação de informações, mas também funcional e instrumental, portanto,
a coordenação técnica e a comunicação interna eficiente são imprescindíveis para um bom
funcionamento do SBUFRGS, devido a suas características de dispersão geográfica e quantitativo
de colaboradores.
Inicialmente a coordenação técnica do SBUFRGS era distribuída entre a direção da
Biblioteca Central (BC) e a Comissão de Automação (COMAUT), composta por bibliotecárias e

�analistas de sistema vinculadas ao Centro de Processamento de Dados (CPD). Durante a existência
da COMAUT, a maior parte das solicitações eram atendidas por e-mail e telefone, caracterizando a
efemeridade destes registros.
Em 2015, a COMAUT foi extinta e as atividades relacionadas à gerência do SABi
(processamento técnico, aquisição, administração e serviços aos usuários) foram transferidas para a
BC. Tendo em vista a mudança de estrutura, equipe e dinâmica de trabalho, procurou-se uma
solução para gerenciar e armazenar solicitações e tarefas, bem como a informação resultante da
comunicação entre os envolvidos para resolvê-las. Conforme Duarte et al. (2006, p. 134): “Captar,
gerenciar, armazenar e permitir uma retroalimentação constante do conhecimento é o desafio das
modernas teorias empresariais, as quais veem na tecnologia uma aliada na administração dos
volumes e formas diversas desse recurso organizacional.” A partir destas mudanças estruturais
relacionadas a gerência do SABi, a BC adotou, sob indicação do CPD, o sistema de gerenciamento
de tarefas Request Tracker (RT) conforme descrito a seguir.

2 MÉTODO
Para centralizar as decisões técnicas do SBUFRGS e evitar duplicação de atividades e
trabalhos, foi feita a distribuição das responsabilidades, antes de apenas um grupo (composto por
seis bibliotecárias e três analistas de sistema), para quatro grupos (compostos por dez bibliotecárias
e uma assistente administrativa), mantendo o CPD como suporte para as questões específicas de
Tecnologia da Informação (TI).
Para a reestruturação, os pontos iniciais que nortearam a busca por uma solução tecnológica
foram:
a) direcionar as solicitações de acordo com as áreas e grupos responsáveis na Biblioteca
Central;
b) manter histórico das atividades desenvolvidas/questões resolvidas, contrapondo a
efemeridade dos até então utilizados e-mails.
Com conhecimento da demanda, o CPD então ofereceu o sistema Request Tracker (RT)
como uma possível solução para essas questões. O sistema RT, desenvolvido dentro das iniciativas
de código aberto pela empresa norte-americana Best Practical Solutions LLC ([201-]), permite o
gerenciamento de solicitações (tíquetes) e o armazenamento das mesmas, possibilitando sua
posterior recuperação e, conforme Ignácio (2009, p. 3), é utilizado largamente em universidades e
outras instituições como a Rede Nacional de Pesquisa, University of California Davis e Ruscert.

�Inicialmente foram criadas quatro filas no sistema de RT que atendiam às áreas de tarefas já
existentes:
a) Serviços aos usuários - DSU (quatro bibliotecárias);
b) Processamento técnico - DPT (quatro bibliotecárias);
c) Aquisição - NAQ (duas bibliotecárias);
d) Administração - NAD (uma assistente administrativa).
O comunicado desta mudança foi realizado, uma semana antes de sua implantação, em uma
reunião com as bibliotecas do SBUFRGS. E, visando auxiliar nesta transição e facilitar futuras
solicitações, foram criados formulários, com as informações essenciais, para enviar as questões para
a fila específica.
Estes formulários foram desenvolvidos e disponibilizados no site que o SBUFRGS já
dispunha para registro de políticas e manuais, o Documenta (Figura 1). Posteriormente foram
criadas novas filas para atender outras demandas latentes:
a) questões de indexação - GEI (bibliotecárias do grupo de estudos de indexação);
b) questões de periódico - PER (bibliotecária a frente de problemas de carga no CCN e
situações sobre controle de coleções de periódicos em geral);
c) solicitações de DOI - DOI (bibliotecária responsável pela atribuição de DOI para os
periódicos da UFRGS que respondessem aos critérios da Comissão de Periódicos da
Universidade);
d) atualização de versão do Aleph - V22 (fila para reunir discussões relativas a testes e
preparações para a atualização de versão do sistema de biblioteca);
e) assuntos da Direção - DIR;
f) questões da Secretaria da Biblioteca Central - SEC.

�Figura 1- Exemplo de formulário

Fonte: Autores.

Devido às necessidades e transformações de práticas, o Documenta tornou-se um portal de
informações e, além dos formulários para envio das solicitações, nele foi disponibilizada uma lista
das solicitações previstas com sua fila correspondente.
A cada nova solicitação, é preciso fazer uma análise da questão para responder
apropriadamente (Figura 2). Muitas das solicitações são tarefas rotineiras que já têm resolução
definida, como “Habilitação e cancelamento de operadores do SABi” e “Atualização de
informações no site do SBUFRGS”. No entanto, há ainda questões, principalmente no caso das
“Sugestões de inclusão”, em que é necessário reflexão e discussão antes de serem implementadas.

�Figura 2- Exemplo de fluxograma das solicitações no DPT

Fonte: Autores.

Os tíquetes novos e os abertos pertencentes ao usuário logado ficam em evidência ao entrar
no sistema RT (Figura 3) e também é possível visualizar todas as filas a que ele tem acesso e criar
tíquetes novos diretamente pelo sistema.
Toda semana os responsáveis recebem por e-mail uma lista de todas RTs que estão sob sua
responsabilidade (abertas ou pendentes).

�Figura 3 – Visualização de tíquetes novos e pertencentes ao usuário

Fonte: Autores.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Utilizando o sistema RT é possível gerar relatórios sobre o número de atendimentos e o
status dos mesmos (Figura 4).
Figura 4 – Exemplo de atendimentos por status

Fonte: Autores.

Com isso foi possível perceber um crescimento anual nas solicitações (2015 a 2019) com
alta taxa de resolução (98%). No ano de 2020 houve uma queda nas solicitações, motivada

�provavelmente pelo trabalho remoto que diminuiu as atividades ordinárias e foi necessário aumentar
a frequência de reuniões gerais e temáticas para dar suporte às bibliotecas neste período. Não foram
incluídos os dados de 2021, uma vez que seriam apenas parciais (Figura 5).
Figura 5 – Quantitativo de tíquetes por fila

Fonte: Autores.

Utilizar este sistema de gerenciamento de tarefas também agiliza o levantamento das
solicitações pendentes e os possíveis problemas que impedem sua solução. Além de contribuir para
o aprimoramento dos manuais e políticas disponíveis no Documenta.

�4 CONCLUSÕES
A implantação do sistema de RT otimizou a comunicação interna do SBUFRGS e
possibilitou análises quantitativas das demandas das bibliotecas do SBUFRGS e do desempenho de
sua Gerência Técnica, aprimorando o planejamento e a organização das atividades. As solicitações
são direcionadas automaticamente para os responsáveis, de acordo com a fila na qual têm
habilitação. O sistema guarda o histórico e permite o acompanhamento e a visão geral das tarefas
em andamento, sem interromper o atendimento (mesmo na ausência do “proprietário”). É possível
pesquisar tíquetes (também entre as solicitações já resolvidas), inclusive no conteúdo das
solicitações, após a atualização de versão prevista para este ano. Com isso, tem-se um
conhecimento acumulado e acessível, o que permite fazer levantamentos de demandas e
necessidades. Por exemplo, quando há um tipo de relatório muito solicitado, é possível planejar a
implantação de um modo mais automático de obtê-lo.
O sistema Request Tracker tem sido uma boa contribuição para o gerenciamento das tarefas.
Além dos benefícios mencionados anteriormente, como direcionamento das questões para os grupos
específicos, histórico das atividades, conhecimento acumulado e acessível para quem tem
autorização no sistema, há outras possibilidades ainda não utilizadas pelo SBUFRGS, como:
controle de prioridade e controle de tempo dispendido em cada tarefa. Há a possibilidade de
também ampliar o uso do sistema RT para atender os usuários externos que atualmente utilizam o
“Fale Conosco” do Catálogo SABi ou os e-mails e telefones de cada biblioteca. Além disso, quando
a versão atualmente utilizada pela UFRGS (4.0.2) for atualizada (atualmente está disponível a
versão 5.0), será possível fazer buscas mais amplas e criar relatórios com mais facilidade.

REFERÊNCIAS
BEST PRACTICAL. About. Somerville, [201-]. Disponível em: https://bestpractical.com/about/.
Acesso em: 17 jan. 2018.
DUARTE, Emeide Nóbrega et al. Vantagens do uso de tecnologias para criação, armazenamento e
disseminação do conhecimento em bibliotecas universitárias. Transinformação, Campinas, v. 18,
n. 2, p. 131–141, 2006. Disponível em: http://www.redalyc.org/html/3843/384334742005/. Acesso
em: 17 jan. 2018.
IGNÁCIO, Márcia Carlotto. Central de Atendimento: CPD - UFRGS. Workshop de Tecnologia da
Informação das IFES (3. : 2009 : Belém). [Anais...]. Belém: UFPA, 2009. Disponível em:
http://www.iiiwticifes.ufba.br/modulos/submissao/Upload/19675.pdf. Acesso em: 05 jan. 2018.

�KUNSCH, Margarida M. Krohling. Comunicação organizacional: conceitos e dimensões dos
estudos e das práticas In: MARCHIORI, Marlene. Faces da cultura e da comunicação
organizacional. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2006. p. 167-190.
LEITÃO, Bárbara Júlia Menezello. Avaliação qualitativa e quantitativa numa biblioteca
universitária. Niterói: Intertexto, 2005.
MACIEL, Alba Costa; MENDONÇA, Marília Alvarenga Rocha. Bibliotecas como organizações.
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OLIVEIRA, Zita Catarina Prates de et al. O papel da comunicação interna institucional na relação
COMAUT – SBUFRGS. Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (17. : 2012 : Gramado).
[Anais...]. Gramado: UFRGS, 2012. Disponível em:
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SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL.
Document@. Porto Alegre, [201-]. Disponível em: www.ufrgs.br/documenta. Acesso em: 17 jan.
2018.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. RT. Porto Alegre, [201-]. Disponível
em: rt.ufrgs.br. Acesso em: 17 jan. 2018.

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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="77423">
                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Em organizações complexas uma comunicação interna eficiente é imprescindível. Este trabalho tem por objetivo apresentar os motivos que levaram o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul a adotar um sistema de gerenciamento de tarefas (Request tracker) visando otimizar a comunicação interna entre as equipes do Sistema e sua Gerência Técnica. Apresenta alguns aspectos históricos da Gerência Técnica da Biblioteca Central para contextualização das motivações que levaram a alteração dos canais de comunicação interna das 31 bibliotecas do Sistema. Relata as características do sistema utilizado, apresentando sua estrutura para o oferecimento de serviço de resolução das solicitações feitas pelas equipes das bibliotecas por áreas de tarefas, sendo as principais: serviços aos usuários, processamento técnico, aquisição e administração. Apresenta alguns dados oferecidos pelo sistema utilizados em análises quantitativas sobre as principais demandas das equipes do Sistema e sobre a própria Gerência Técnica, aprimorando o planejamento, a organização e avaliação dos serviços oferecidos.</text>
              </elementText>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>Eixo 3: Inovação
INTERNET DAS COISAS: OPORTUNIDADES E USOS NA EDUCAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS
INTERNET OF THINGS: OPPORTUNITIES AND USES IN EDUCATION IN UNIVERSITY
LIBRARIES
Emmanuel Bohrer Júnior 1
Helena Alencor da Silva 2
Resumo: A Internet of Things (IoT) tem uma importância significativa nas discussões sobre empreendedorismo e
inovação tecnológica na atualidade, tendo em vista ser baseada em artefatos como a Internet e outros objetos
inteligentes, que afetam diretamente nos processos educativos. A pesquisa é qualitativa, exploratória e bibliográfica,
voltada para a Internet das Coisas, utilizando um viés direcionado para educação, onde se busca fazer os usuários a
pensar em sua vida produtiva e a programar suas ações para o futuro profissional, bem como a otimização dos serviços
e processos realizados nas bibliotecas universitárias. Os modelos convencionais de negócio não deixarão de existir, mas
modelos emergentes que utilizam plataformas, dispositivos e softwares específicos para IoT, com tecnologias que
propõe interconectar todos os dispositivos, equipamentos e coisas que utilizamos no dia a dia, criando uma rede global
de comunicação e informação.
Palavras-chave: Internet das Coisas. Empreendedorismo. Educação. Bibliotecas Universitárias.
Abstract: The Internet of Things (IoT) has a significant importance in discussions about entrepreneurship and
technological innovation today, considering that it is based on artifacts such as the Internet and other intelligent objects,
which directly affect educational processes. The research is qualitative, exploratory and bibliographical, focused on the
Internet of Things, using a bias directed towards education, which seeks to make users think about their productive lives
and plan their actions for their professional future, as well as the optimization of services and processes performed in
university libraries. Conventional business models will not cease to exist, but emerging models that use platforms,
devices and specific software for IoT, with technologies that propose to interconnect all the devices, equipment and
things we use on a daily basis, creating a global network of communication and information.
Keywords: Internet of Things. Entrepreneurship. Education. University Libraries.

1 INTRODUÇÃO
Em um cenário mundial onde a necessidade de se ampliar a interatividade, com custos
reduzidos é uma constante, a Internet of Thing (IoT), em português Internet das Coisas (IdC),
aparecer como um modelo para práticas inovadoras. Empreender em coisas inovadoras exige uma
avaliação estratégica, dos benefícios e dificuldades enfrentadas na aplicação da tecnologia e nessa
quebra de paradigma.

1

Doutorando do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências – Química da Vida e Saúde / UFRGS. Ministério
da Saúde/SESAI – Brasília/DF. bohrer2303@yahoo.com.br. ORCID 0000-0002-8826-4996.
2
Mestranda em Ciência da Documentação e Informação – Universidade de Lisboa. Cidade Universitária, Alameda da
Universidade, 1649-004 – Lisboa, Portugal. helena.alencor@gmail.com. ORCID 000-0002-2064-6832.

�Esse fenômeno M2M, a comunicação máquina a máquina chamada Internet of things, possui
inúmeras definições para este fenômeno, seguindo o pensamento de Segura e Hildebran (2014), os
quais afirmaram que a IoT é como um grande sistema de monitoramento de dados e informação que
auxilia a tomada de decisões em todos os aspectos, do ambiente empresarial, podendo formar
estratégias de gestão muito eficientes.
Singer (2012) menciona que a grande maioria dos eventos nacionais e internacionais sobre
Internet of Things são voltados para o meio empresarial sem grandes preocupações com a
privacidade, veracidade e propriedade intelectual das informações geradas nesse âmbito. Exemplifica,
ainda, o uso da Internet of Things no cotidiano e o foco quase sempre era o empresarial, no qual se
visa o processo de tomada de decisões e concorrência de mercado, mas, hoje em dia, podemos tratar
em diversas outras situações, como por exemplo, em uma situação de uma pessoa dirigindo um
automóvel onde este vai mostrando a rota menos congestionada e em sua casa um aspirador de pó
inteligente já está em ação limpando os cômodos, ou então programar uma máquina de fazer pão para
o horário em que se deseja que o pão esteja assado.
A nova geração dos nativos digitais, definida por Dutra, Novellato e Vianna (2016) como as
crianças que já cresceram na geração conectada, desde pequenos em contato com a internet,
computadores, smartphones e outros objetos conectados à rede, estão inseridos no meio do fenômeno
da IoT, mas pessoas mais velhas que nasceram em uma geração mais antiga percebem bem as
mudanças que ocorreram com a Internet.
É necessário refletir sobre o que se passa no âmbito da sociedade, pois influi nos fenômenos
educativos, principalmente em decorrência das transformações culturais e tecnológicas e, em especial
seu uso em bibliotecas universitárias, assim como na abordagem em que se deve ter para aproximar
cada vez mais os usuários ao que está acontecendo nesse mundo transformado.
Nesse contexto, por meio de busca em bases de dados – Web of Science, Scopus e Scielo, bem
como em livros, sites e outros documentos, foi efetuada uma revisão bibliográfica e integrativa sobre
o tema, elaborou-se uma pesquisa exploratória e aplicada para métodos qualitativos, focando os
princípios para o desenvolvimento da Internet das coisas, com oportunidade inovadora e
empreendedora na educação em bibliotecas universitárias. Fazem parte do corpus deste artigo 25
documentos. A seleção dos materiais foi realizada a partir da leitura dos resumos deles, para dar
embasamento teórico na pesquisa.

�1.1 OBJETIOS
Levando-se em conta o cenário inovador e transformador nos processos educativos em
bibliotecas universitárias, o objetivo geral deste estudo é analisar a IoT no contexto educacional do
ensino superior. Diante disso, foram considerados os seguintes objetivos específicos: descrever as
possibilidades empreendedoras e inovadoras na educação; conhecer conceitos relacionados a IoT; e
identificar as iniciativas empreendedoras e inovadoras em IoT na educação.
2

REFERENCIAL TEÓRICO
À medida que os dados deixam de ocupar espaços físicos e se começa a utilizar aplicativos e

processos analíticos com armazenamento na nuvem, o gerenciamento dos dados e da informação se
torna mais complexo. O mundo se tornou híbrido e, exigindo também, uma plataforma híbrida, com
gerenciamento de dados de modo seguro e rápido para os ambientes locais, nas nuvens e os híbridos
e, em muitas vezes de um centro integrador para essas competências.
2.1 INTERNET OF THINGS
Nesse início de século XXI, no qual acaba-se de passar pela primeira década do milênio, já
aconteceram inúmeras mudanças na sociedade. A internet desde seu aparecimento (CASTELLS,
1999) obteve uma aceitação e um crescimento exponencial; o seu alcance foi tanto a ponto de
conectar o mundo todo. Como resultado temos um mundo globalizado e interconectado entre si.
Inúmeros fenômenos e inovações surgiram com as mudanças na sociedade no século XXI, e
uma delas é a Internet of things. O termo que surgiu em 1999, formulado pelo pesquisador britânico
Kevin Ashton (2009), do Massachussets Institute of Tecnology (MIT) que veio a ser cofundador do
Auto-ID Center trabalhando com a criação de padrões para sensores para conectar coisas
(CARVALHO; SOUZA, 2015).
Konomi e Roussos (2007), definem o papel da Internet of Things como sistema, afirmando
que qualquer objeto físico do globo possui uma representação digital. Isso traz novas possibilidades
computacionais, por meio da ligação direta entre matéria e bits, tema explorado na computação
ubíqua.

�Jessup e Robey (2009), defendem que a IoT é uma tecnologia que possibilita novas maneiras
de organização, colaboração, coordenação, combinação e gerenciamento, abrindo assim novos meios
de ação e interação, onde pode ser entendido em nível individual, grupal e organizacional.
Koo (2011) prospectou algumas tendências futuras para IoT, tendo em vista que o território
web crescerá em redes de inteligências, na MetaWeb, independentemente sejam estas inteligências
pessoais, coletivas, híbridas, artificiais ou humanas.
Corroborando com Koo (2011), Steve Wheeler (2012), apresentou algumas características
futuras para o IoT, tais como: comunidades descentralizadas, mercado inteligente, mente corporativa,
mente grupal, rede de conhecimento, Web de relacionamento, Lifelogs, Weblogs semânticos e
cérebro global.
Para Li, Hou, Heng e Yi (2012) a IoT é um conceito que tem como base conceituações de
informação e tecnologia, sabendo que a IoT está intimamente ligada com as tecnologias de
informação e comunicação. Para os autores anteriores e Friedewald e Raabe (2011) a Internet of
things pode estar sendo relacionada com ubiquidade e a pervasividade. Os autores defendem que a
IoT é um fenômeno tecnológico sem precedentes e pode vir a trazer mudanças significativas a nível
global.
Segundo Li, Hou, Heng e Yi (2012), afirmam que a teoria estudada de IoT que são utilizadas
em negócios possuem três perspectivas: a focada em recursos (oportunidades e benefícios), sistemas
de informação (e-business) e estratégia (tomadas de decisão). Será abordado cada perspectiva como
uma tratativa, onde será conceituada cada uma e serão utilizados exemplos para um aprofundamento
do conhecimento sobre cada viés do uso da IoT aplicada na educação.
A tecnologia de comunicação e de informação são a base da vivência em rede, onde tudo está
conectado e se comunicando todo o tempo. Quando se fala de tecnologias de informação e
comunicação (TICs), isso abrange inúmeros dispositivos como tablet, smartphones, kindle, notebook,
iPad entre outros dispositivos ligados à rede que possibilitam a comunicação e pesquisa. Calixto e
Carrão (2012) consideram as TICs um agente que impulsionou a globalização e ajudou a levar a
sociedade industrial para o patamar de sociedade da informação, comunicação e conhecimento.

�O termo IoT vem tomando força a cada dia, com novos trabalhos e novos tipos de sensores
por parte do mercado. O conceito basilar deste tema é de objetos conectados à rede que podem se
comunicar entre si e dar resultados para as pessoas, sem que o ser humano precise interferir nessa
comunicação e ainda permite a comunicação online entre aparelhos e também a conexão contínua à
internet, sobrepondo os limites de espaço e de tempo (SANTAELLA, 2013).
Gubbi et al (2013), abordam a monitoração de ambientes, e trazendo a ideia para dentro das
unidades educacionais, possibilita a verificação da quantidade de usuários na unidade, sua localização
relativa em relação aos materiais desejados e tempo despendido para acessá-los, trazendo informações
valiosas sobre o comportamento do usuário que, aliado a estratégias de análise em Big Data, permitese trabalhar com grande quantidade de dados, fornecendo um panorama de como a unidade se
comporta.
Outra visão mais explicativa do termo IoT é de Segura e Hildebran (2014) o qual interpreta a
Internet of things (eletrodomésticos, sensores, dispositivos, objetos, etc.) como um gigante sistema de
monitoramento de dados e informação que auxilia a tomada de decisões em todos os aspectos (lazer,
consumo, negócio, política, saúde, educação, etc.), isso se dá através da comunicação máquina a
máquina ou M2M, sendo o potencial de comunicação entre objetos inteligentes, na qual essa
comunicação divide-se em três partes: aquisição, transporte e análise de dados.
Baccelli e Raggett (2015) definem a comunicação máquina a máquina como dispositivos
conectados direto a celulares ou à rede. Como exemplo pode-se citar as geladeiras que avisam quando
termina determinado alimento e já inclui na lista de compras; ou carros que podem descrever sua
localização em caso de roubo ou acidente.

�2.2 INTERNET OF THINGS E POSSIBILIDADES DE USO NOS PROCESSOS EDUCATIVOS
EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Segundo pesquisa TIC Domicílios3 152 milhões de pessoas usaram a rede regularmente em
2018. Metade da população rural e das classes C e D/E agora têm acesso à Internet., de forma
possibilitar cada vez mais fenômenos relacionados à rede e abrangendo mais o alcance da Internet
das Coisas (G1 ECONOMIA, 2020). De acordo com o relatório Digital in 20204, , que foi
divulgado pelos serviços online Hootsuite e We Are Social, o número de usuários da Internet em
2020 foi de 4,5 bilhões.
Por meio do uso da IoT novos conceitos nos processos de ensino e aprendizagem para a
educação estão sendo pesquisados, estudados e implantados. Os dinamismos das informações
permitem relacionar coisas à eventos, possibilitando melhorias no aprendizado, sendo este
convencional ou 3D, personalizando à educação.
Para que as organizações educativas e, neste caso inserindo neste contexto as bibliotecas
universitárias, possam efetivamente trabalhar com adoção de IoT se faz necessário que a unidade
de informação já tenha alguns pré-requisitos satisfeitos, tais como: possuir tecnologias apropriadas,
deter competência na arquitetura de serviços da informação e de comunicação, que sua equipe seja
inovadora, empreendedora, utilize ferramenta de Business Intelligence, Advance Analytcs ou outra
similar, que seja capaz de desenvolver plataformas para aplicações móveis, programas de sistemas
em tempo real, ter rede de sensores inteligentes, atuadores e interfaces de comunicação
devidamente instaladas, com garantias de segurança dos serviços. Além do mais, para todo os
projetos que forem desenvolver, se faz necessário flexibilidade de adaptação e ajustes do projeto
inicial, que se efetue prototipagem e testes de verificação, antes de colocarem os serviços à
disposição dos usuários e dos processos educativos nas bibliotecas universitárias.
Tendo em vista à ascensão das tecnologias móveis e da IoT, as bibliotecas universitárias
conseguem estar conectadas, em quase todos os processos: nas funções administrativas, tais como
recepção, segurança, bem como na própria gestão acadêmica, até nas atividades principais da lida
informacional, ou seja, o ato de compartilhar a informação e o conhecimento e, o profissional
atuante ser o mediador no ato de educar propriamente dito.
3

TIC Domicílios. Disponível em: http://basedosdados.org/dataset/tic-domicilios
We are social. Disponível em: https://datareportal.com/reports/digital-2020-global-digitaloverview#:~:text=Our%20new%20Digital%202020%20reports%20%E2%80%93%20published%20in,medi
a%20users%20have%20passed%20the%203.8%20billion%20mark.
4

�Atzori, Vieira e Morabito (2010) construíram uma caracterização da IoT, como sendo uma
presença pervasiva de múltiplos objetos/coisas com endereços únicos que seriam os sensores ou
RFID, onde é possível a interação e cooperação entre si com os objetos próximos que possuem
metas semelhantes. A base do funcionamento da tecnologia RFID é a utilização de etiquetas, esta
contém um microchip (o transponder) e uma antena; o microchip armazena dados do item que virá a
ser identificado, assim uma vez fixadas a um item ou objeto, possam ser ativados ao passarem por
um campo de ativação eletromagnético enviando seus dados para um leitor RFID, conectados e
presentes no ambiente, formando um sistema complexo de geração de troca de informação.
A Theorion Tec (2016) descreve algumas possibilidades de uso prático desta tecnologia,
como os portais instalados na saída das unidades que reagem aos micros sensores instalados nos
itens evitando o furto de objetos que fazem parte do acervo, bem como a possibilidade de rastreálos, dando mais segurança aos patrimônios, com uso de um sensor RFID conectado ao sistema,
mencionam que os serviços oferecidos devem ter ubiquidade – visão da sociedade que no futuro a
tecnologia será invisível, baseada tão somente em uma quantidade massiva de sensores que
permitem conexão em qualquer tempo e lugar através dos dispositivos móveis.
Os recursos de mídias locativas mais conhecidos são o GPS, sigla em inglês de Global
Positioning System, em português Sistema de Posicionamento Global e o GIS, sigla em inglês para
Geographic Information System, em português significa Sistema de Informação Geográfica. A
mídia locativa também pode ser nomeada como mídia tática, pois busca a produção de
sentido/direção, bem como de localização de qualquer ID móvel, mesmo quando é negado uma
posição estratégica, algo que está se difundindo cada vez mais no cotidiano da sociedade
(SANTAELLA, 2012).
Com o uso da metodologia BYOD5 (“traga o seu próprio aparelho”), os usuários são
estimulados a usarem seus próprios dispositivos e ou equipamentos dentro da sua rotina de
aprendizado (realização de tarefas educacionais) ou de trabalho. Com o uso de celular, tablets, etc. é
possível a leitura de QR Codes6, que unem o mundo físico com o mundo virtual, acessando a
recursos em tempo real para objetos e lugares, facilitando a aprendizagem virtual. Dentro dos QR
Codes podem imagens, textos, URL e uma gama de outras informações úteis aos professores e
alunos.
5
6

BYOD. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos16/352436.pdf
QR Codes. Disponível em: https://www.qr-code-generator.com/

�Existe uma gama de produtos oriundos das novas TICs que podem ser inseridas nas
bibliotecas, assim como o empréstimo dessas. As TICs são tecnologias que vêm sendo usadas em
inúmeras áreas inclusive no ensino, de forma a dinamizar o ensino e comunicação professor e aluno
(LOBO; MAIA, 2015), são tecnologias que podem ser aplicadas em muitas áreas inclusive na
educação.
Outro produto oferecido pelas escolas são os terminais de autoatendimento, que tomando
como exemplo de os serviços oferecidos em uma biblioteca, onde o usuário pode fazer empréstimo,
devolução e renovação do item desejado sem precisar ir ao balcão de atendimento, evitando filas e
trazendo mais autonomia no ambiente da biblioteca.
Além do uso governamental da tecnologia da IoT, empresas privadas no âmbito educacional
também oferecem serviços que utilizam essa tecnologia para otimização de serviços, como por
exemplo a CISCO (2020), garantindo a segurança de escolas e organizações educacionais que agora
precisam atuar de maneira virtual e remota, muitas vezes com o uso de uma VPN segura e estável, e
sobre outras abordagens de segurança cibernética como: Proteção DNS (proteção contra
ransomware na camada DNS no e-mail e no endpoint), Proteção de Endpoints (proteger as
empresas de malware e violações nas nuvens)

e Autenticação Multifatorial (verificando a

identidade dos usuários e se o dispositivo é confiável antes de conceder acesso às aplicações),
Webex Meetings (voltado para reuniões, sendo a solução ideal quando se tem como objetivo
interação entre os participantes, onde todos podem falar, mostrar vídeos, apresentar conteúdos,
sendo controlado pelo organizador sem tirar o foco da interação entre todos), Cisco Adaptive
Security Virtual Appliance7 (solução de segurança de rede virtualizada tradicional e de próximas
gerações) e Cisco AnyConnect Secure Mobility Client8 (permite que os usuários trabalhem de
qualquer lugar, nos notebooks da instituição educacional ou em seus próprios dispositivos móveis).
Fazendo uso destas facetas da tecnologia IoT, pode-se monitorar várias atividades
desenvolvidas nas bibliotecas universitárias, desde quantitativo de materiais emprestados, seleção
da tipologia desses materiais, bem como o de engajamento dos alunos em assunto específico.
Assim, é possível proporcionar mecanismos interativos de aprendizado personalizado, direcionado
ao estudante, de acordo com as características pessoais de cada um deles.
Cisco Adaptive Security Virtual Appliance. Disponível em:
https://www.cisco.com/c/en/us/products/security/virtual-adaptive-security-appliance-firewall/index.html
8
Cisco AnyConnect Secure Mobility Client. Disponível em:
https://www.cisco.com/c/pt_br/products/security/anyconnect-secure-mobility-client/index.html
7

�3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Brasil é incipiente ainda nos estudos de IoT, ainda há pouca literatura que relaciona a
Internet of Things com educação, entretanto, verifica-se que as unidades educacionais, para o
atendimento de seus serviços informacionais aos usuários, dentro das bibliotecas universitárias,
utilizam as ferramentas ligadas a IoT.
Existem muitas definições a respeito da IoT, que ligam com a computação ubíqua,
computação pervasiva, com os sensores ou microchips inteligentes conectados a suportes físicos,
que viabilizam as relações homem x objeto e máquina x máquina. Ressalta-se que as utilizações
podem ser pessoais e organizacionais.
Os benefícios verificados evidenciam de que as organizações educacionais terão o auxílio da
IoT no planejamento estratégico e na implementação dos recursos disponibilizados aos usuários,
trazendo mais agilidade e eficácia na comunicação, na recuperação da informação, na localização
dos objetos, na prestação dos serviços, nas questões de segurança e na tomada de decisão.
Segundo Schin e Callaghan (2013), com o uso da IoT, principalmente nas bibliotecas
universitárias os alunos podem tornar-se mais críticos. Aprender a gerenciar as informações,
entender melhor os algoritmos teóricos e, ainda, ser capazes de gerar soluções preditivas nos seus
estudos. A necessidade da interdisciplinaridade entre as matérias é necessária, para este tipo de
metodologia de aprendizado, criando e utilizando novas tecnologias.
Segundo Gerhard e Rocha Filho, (2012), os alunos perdem o interesse em absorver tantos
conteúdos diferenciados sem conexão, onde o conhecimento é separado por séries e disciplinas, as
avaliações têm notas individualizadas e não apresentam articulação. Por sua vez, exige-se de cada
educando desenvolvimento de capacidades e habilidades, tais como: autonomia intelectual,
pensamento crítico, ser capaz de resolver problemas, a frente de seu aprendizado e, assim por diante
(SANTOS; PINHEIRO, 2017).
O corpo docente pode transitar com interdisciplinaridade no uso da IoT, por diferentes áreas
do conhecimento e interagindo dentro e em suas propostas pedagógicas, com o desenvolvimento de
novas competências no processo de ensino e aprendizagem, usando metodologias ativas de
aprendizagem (SOUZA; FIALHO, 2018).

�A usabilidade, banda larga, conexão wi-fi (sem fio) e download, também tomaram outra
dimensão, tendo em vista a convergência das mídias, aumento exponencial de aplicativos e
aparelhos cada vez mais sofisticados com tela sensível ao toque – que deixam de ser um simples
telefone móvel e assumem um papel de conexão do indivíduo com a sociedade.

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Disponível

em:

&lt;http://www.slideshare.net/timbuckteeth/web-30-the-way-

forward/download&gt;. Acesso em: 20 fev. 2020.

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A Internet of Things (IoT) tem uma importância significativa nas discussões sobre empreendedorismo e inovação tecnológica na atualidade, tendo em vista ser baseada em artefatos como a Internet e outros objetos inteligentes, que afetam diretamente nos processos educativos. A pesquisa é qualitativa, exploratória e bibliográfica, voltada para a Internet das Coisas, utilizando um viés direcionado para educação, onde se busca fazer os usuários a pensar em sua vida produtiva e a programar suas ações para o futuro profissional, bem como a otimização dos serviços e processos realizados nas bibliotecas universitárias. Os modelos convencionais de negócio não deixarão de existir, mas modelos emergentes que utilizam plataformas, dispositivos e softwares específicos para IoT, com tecnologias que propõe interconectar todos os dispositivos, equipamentos e coisas que utilizamos no dia a dia, criando uma rede global de comunicação e informação.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
INOVAÇÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: SOB O OLHAR DO BIG DATA
INNOVATION IN UNIVERSITY LIBRARIES: UNDER THE VIEW OF BIG DATA
Emmanuel Bohrer Júnior 1
Helena Alencor da Silva 2
Resumo: O estudo aborda a temática da inovação em bibliotecas universitárias, com o uso do Big Data. As novas
tecnologias fundamentais, a utilização de variadas análises, os recursos dos softwares e pesquisas emergentes no Big
Data Analytics, possibilitando entregar informações extremamente importantes para a melhoria do desempenho e
obtendo-se soluções para quaisquer tipos de unidades de informação, centradas nos serviços informacionais para os
usuários. A forma inovadora de atuação permite uma melhor utilização dos recursos disponíveis, favorece um maior
entrosamento e promove um atendimento e serviços de qualidade a serem oferecidos. O estudo tem como objetivo
levantar o referencial teórico, bem como propiciar novas discussões nas temáticas envolvidas. Foi efetuada uma
pesquisa sistemática e integrativa na WEB of Science, SCOPUS e SCIELO, bem como em sites de instituições de
renome nacional e internacional.
Palavras-chave: Big data. Inovação. Bibliotecas Universitárias. Serviços informacionais.
Abstract: The study addresses the theme of innovation in university libraries, using Big Data. The new fundamental
technologies, the use of various analytics, software resources and emerging research in Big Data Analytics, making it
possible to deliver extremely important information for performance improvement and obtaining solutions for any type
of information units, centered on informational services for users. The innovative way of operating allows for better use
of available resources, favors greater rapport and promotes quality care and services to be offered. The study aims to
raise the theoretical framework, as well as provide new discussions on the themes involved. Systematic and integrative
research was carried out on WEB of Science, SCOPUS and SCIELO, as well as on websites of renowned national and
international institutions.
Keywords: Big data. Innovation. University libraries. Informational services.

1 INTRODUÇÃO
O conhecimento, que sempre foi um dos principais insumos para a geração de riqueza e bemestar social, passou a ser reconhecido como tal a partir da revolução da informação trazida pela
Internet. De acordo com Grimaldi e Rippa (2011) a inovação está associada com o corpo de
conhecimentos que são chamados coletivamente de gestão do conhecimento, mas para ser inovador
nas organizações altamente competitivas e nos mercados globais é preciso usar efetivamente o
conhecimento, sendo assim, para ser capaz de usar o conhecimento de forma eficaz é necessário que
ele seja gerenciado.

1

Doutorando do Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências – Química da Vida e Saúde / UFRGS. Ministério
da Saúde/SESAI – Brasília/DF. bohrer2303@yahoo.com.br. ORCID 0000-0002-8826-4996.
2
Mestranda em Ciência da Documentação e Informação – Universidade de Lisboa. Cidade Universitária, Alameda da
Universidade, 1649-004 – Lisboa, Portugal. helena.alencor@gmail.com. ORCID 000-0002-2064-6832.

�A existência de mecanismos que disseminam informações em toda a organização
descentraliza o poder de decisão e iniciativa, substituindo a comunicação horizontal para
comunicação vertical, estimulando a troca de informações entre os colaboradores, desenvolvendo o
trabalho em equipe (PÉREZ-LÓPEZ; JUNQUERA, 2013).
A inovação em bibliotecas universitárias, bem como em outras unidades de informação
(arquivos, museus, centros de informação etc.), visa melhorias de processos e serviços. Resultando
dessa forma a criação de novos modelos de serviços de atendimento e processos sistemáticos que
possuem valor agregado. A inovação possibilita a conquista de novos usuários e cria diferencial
estratégico. O estudo tem como objetivo levantar o referencial teórico, bem como propiciar novas
discussões nas temáticas envolvidas.
Havendo a inovação nas bibliotecas universitárias, é necessário que haja gestão dessa
inovação, para desenvolver os serviços e processos da unidade, e o profissional da informação
empreendedor será o elo chave desse processo. Portanto, um empreendedor, deve empoderar-se do
papel de gestor da informação, do conhecimento e da inovação.
Atualmente, o mundo está interconectado e em tempo real. Há rede de comunicação, a qual
produz inúmeros dados a cada segundo e se lida com bilhões de usuários de redes sociais,
computadores etc. ao redor do mundo – e todos eles gerando valiosos dados.
Com o propósito de solucionar essas questões do mundo de Big Data - no qual o volume de
dados é tão surpreendente quanto às velocidades exigidas para seu processamento e análise, foram
desenvolvidas tecnologias, ferramentas, serviços e produtos, para analisar os dados em tempo real.
Trazendo vantagem competitiva e melhorias estratégicas para todos.
Verificou-se a necessidade de um estudo bibliográfico para evidenciar como a literatura
acadêmica está abordando os temas Inovação e Big Data, bem como os mesmos termos em inglês
Innovations e Big Data, respectivamente. Neste sentido, a revisão sistemática foi elaborada utilizando
a base de dados Web of Science, Scopus e Scielo, visando a uma maior precisão na pesquisa. A
quantidade de artigos sobre os temas coletados – primeiramente somente com os filtros de língua –
inglês, espanhol e português na Web of Science, Scopus e Scielo para o termo Innovations foram
encontrados 167.071 documentos na Web of Science, 277.563 documentos na Scopus.
Em um segundo plano, para aprofundar a filtragem dos documentos e, para complementar de
forma mais embasa o estudo bibliográfico realizado, foram filtrados por área de conhecimento ou seja

�– Knowledge Manegement, Social Science e Information Science Library Science e, nos tipos de
documento, foi utilizado o filtro Research Article. Como resultado da filtragem os números de artigos
encontrados nas bases de dados foram os seguintes: para Innovations foram encontrados 458 artigos
na Web of Science, 12.766 artigos na Scopus e 75 artigos na Scielo, e para o termo Big Data foram
encontrados 132 artigos na Web of Science, 1.062 artigos na Scopus e 04 artigos na Scielo.
Após a realização de revisão bibliográfica a pesquisa foi complementada com uma revisão
integrativa, levantando e colhendo informações localizadas em sites e blogues de autores e
instituições de renome nacional e internacional ligados às temáticas.
1.1 OBJETIVOS
O estudo tem como objetivo levantar o referencial teórico. Diante disso, foram considerados
os seguintes objetivos específicos: conhecer conceitos relacionados a Inovação; descrever os serviços
em unidades de informação; conhecer conceitos relacionados a Big Data; descrever os cinco v’ do Big
Data e identificar as Tipologias de Análise, Tecnologias Fundamentais e Pesquisas Emergentes.
2

REFERENCIAL TEÓRICO
Graças a capacidade de agrupar e analisar grandes volumes de informações, com qualidade e

rapidez, está ocorrendo uma transformação na maneira como as instituições compreendam o
mercado e lidem com os seus usuários. A Big data é a tecnologia que permite a metodologia e a
análise de dados que utilizem grandes volumes, com variedade, velocidade e veracidade e valor aos
dados, permitindo transformá-los em informações primordiais, que por sua vez se modificam em
resultados para tomadas de decisão em tempo real.
2.1 INOVAÇÃO
A inovação se constitui como um dos elementos utilizados pelas organizações com o intuito
de se diferenciar e prevalecer no atual ambiente econômico ultracompetitivo repleto de incertezas e
riscos. Ela deve ser abordada de acordo com perspectivas teóricas e práticas, de forma empreendedora
e sistemática.

�O Manual de Oslo3 (OCDE, 2005, p.178), inovação é definida como:
“... transformação de uma ideia em um produto novo ou melhorado que se introduz
no mercado, ou em novos sistemas de produção, e em sua difusão, comercialização e
utilização. “Entende-se também por inovação tecnológica, a melhoria substancial de
produtos ou processos já existentes”.

Dentro desta abordagem diferencial que está havendo atualmente, nas questões de inovação,
dá-se o nome de vantagem competitiva (AAKER, 2012) à capacidade das organizações de se destacar
perante seus concorrentes, tanto no que diz respeito à produção e posicionamento de produtos e
serviços no mercado, quanto na satisfação de sua clientela. Para tanto, é preciso que a inovação seja
aplicada de maneira contínua, de modo a acompanhar e garantir a sua posição em relação aos
concorrentes. O Manual de Oslo (2005), classifica a inovação em quatro tipos, a saber: inovação de
produto, inovação de processo, inovação de marketing e inovação organizacional.
Bessant e Tidd (2008) mencionam que as organizações devem inovar, tendo em vista o
surgimento de novas tecnologias, novos mercados, emergência de novas regras políticas, mudanças
e/ou desregulamentação no regime regulatório, a sua sobrevivência, a realização de novas parcerias, o
aumento da receita, a obtenção de vantagens competitivas, o seu crescimento, dentre tantos outros
fatores.
A partir do exposto pode-se evidenciar alguns aspectos relevantes relacionados ao conceito de
inovação, tais como: a relação direta entre inovação e a concorrência das organizações; a percepção
de que a inovação é primordial na abertura de novas frentes de mercado, tanto no que se refere a
novos ou mesmos produtos e espaços geográficos; e a concepção de que o processo inovador está
associado com a criatividade individual, em particular, e com a aprendizagem organizacional, em
geral.
Se houver figuras, quadros e/ou tabelas, estas devem ser inseridas no texto e estar
devidamente citadas. As imagens devem estar em um dos formatos específicos: jpg, gif, cdr, tiff ou
bmp. As tabelas devem seguir as normas do IBGE4.

3
4

Manual de Oslo - https://www.oecd.org/science/oslo-manual-2018-9789264304604-en.htm
IBGE - https://www.ibge.gov.br/

�2.2 SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS OU OUTRAS UNIDADES DE
INFORMAÇÃO
Os serviços oferecidos em bibliotecas universitárias ou outras unidades de informação são o
grande diferencial de instituição para instituição. Como são ressaltadas por Alves (2006), as primeiras
bibliotecas da antiguidade que eram os centros de informação da época possuíam instrumento e
materiais de pesquisa muito rudimentares, com o passar dos anos e o advento da internet e das
tecnologias e comunicação e informação (TICs5), muitos processos internos e inclusive os serviços
que as unidades de informação foram mudando. Agora no século XXI muitos serviços informacionais
podem ser feitos de forma remota e online sem que os usuários precisem sair de casa.
Dorigon (2009) deixa claras as três características principais que definem algo como serviço
em vez de produto, a primeira característica é a intangibilidade, o serviço é obtido através de uma
ação, a qual não pode ser tocada ou estocada; a segunda característica é a produção e o consumo, que
é feito simultaneamente, a produção acontece ao mesmo tempo da entrega e do consumo e a terceira
característica é a participação do usuário na produção do serviço sendo ele que inicia o processo.
Quando se fala se serviços oferecidos direcionados às bibliotecas universitárias é preciso
salientar que estas “desempenham papel de grande importância na geração do conhecimento e na
disseminação da informação, através de seus serviços e produtos de informação” (NASCIMENTO;
CAMPOS, 2014, p. 79), para que isso aconteça, é necessário um estudo dos seus usuários para que
dessa forma a unidade possa focar no que o usuário realmente necessita.
As bibliotecas universitárias são centros de apoio ao conhecimento e devem sempre estar de
acordo com a missão da sua instituição propõe, oferecendo aos seus usuários os mais diversos
suportes informacionais necessários para subsidiar as necessidades informacionais dos usuários. É
necessário que a unidade possa disponibilizar um ambiente confortável, materiais para pesquisa como
computadores, rede wi-fi, livros e profissionais preparados para atender (NASCIMENTO; CAMPOS,
2014).
Blattmann e Rados (2000) evidenciam alguns serviços que podem ser prestados em bibliotecas
universitárias, tais como assistência em referências, instrução bibliográfica, assistência na pesquisa,
empréstimo inter bibliotecário e reserva eletrônica de livros ou periódicos.
A implementação de TIC em bibliotecas universitárias é complexa pois envolve tecnologia e o
processo de ensino e aprendizagem, de acordo com Correa e Paredes (2009), devido ao grande
número de mudanças que estes locais tem que se submeter, no caso do ensino superior pode ser
entendido como um elemento renovador do próprio processo e, para diminuir, é necessário

5

TIC em unidades de informação - https://minhabiblioteca.com.br/blog/novas-tecnologias-biblioteconomia/

�desenvolver nos alunos de cursos superiores treinamento digital que os auxilie na busca, seleção e
transformação da informação encontrado na Internet (MARÍN, 2013).
A qualidade das bibliotecas universitárias é de responsabilidade de seus gestores e dos
departamentos envolvidos (BEZERRA, 2010) e, segundo Lima (2014) para evidenciar o melhor uso
destas tem que ser identificado e definido os problemas ocorridos, vidando a melhoria e
aprimoramento dos serviços prestados. O uso da gestão da informação também foi levantado quanto
se pretender proporcionar aos usuários mais benefícios, principalmente apontando a relevância do
profissional da informação como mediador, pois aproxima as necessidades dos usuários do
bibliotecário.
Outro fator colocado como de suma importância para as bibliotecas universitárias é de
implementação de uma rede colaborativa de serviços e bens entre bibliotecas universitárias, que em
consequência proporcionaria aumento de ofertas de recursos a todos que fazem uso das mesmas
(ANDRADE, 2013).
2.3 BIG DATA
Há várias versões sobre a origem do conceito de Big Data6, assim como do início de suas
aplicações. Uma das mais conhecidas remete à NASA7, que no início da década de 1990 começou a
utilizar Big Data para descrever imensos conjuntos de dados complexos, que desafiavam os limites
convencionais da computação da época.
Antes de Big Data, fórmulas matemáticas, técnicas avançadas de probabilidades e estatística
(como análise de frequência, série histórica e estudos de médias móveis) eram executadas
manualmente – lidando, portanto, com uma capacidade reduzida de variáveis. Com o advento de
processadores de alta capacidade e velocidade impressionante, foi possível transitar todos esses
cálculos por meio de softwares desenvolvidos especialmente para transformar esses “rastros” em
informações estratégicas poderosas a qualquer segmento. Uma solução em Big Data trabalha com
algoritmos complexos, agregando dados de origens diversas, relacionando-os e gerando conclusões
fundamentais para a tomada de decisões corporativas.
Atualmente o mundo tem passado por uma série de transformações, principalmente devido
às inovações tecnológicas e invenções. Essas novas tecnologias não estão apenas afetando nossos
comportamentos, relacionamentos e atitudes, mas também em questões políticas, geográficas e
econômicas mundiais, principalmente devido à virtualização, computação em nuvens e
globalização, onde os recursos tecnológicos implantados para usuários finais, com participação
6
7

Big Data - https://www.oracle.com/br/big-data/what-is-big-data/
NASA - https://www.nasa.gov/

�ativa em atividades diárias e informação sobre utilitários e garantias sobre os serviços oferecidos
pelas organizações.
Graças ao uso de grande quantidade de dados foram criadas oportunidades, como uma das
tendências revolucionárias de TI, que tem ferramentas de análise e gestão de organizações podem se
beneficiar. Conforme Gartner (2013), o Big Data exige formas inovadoras de processamento de
informação, com vistas a melhorias na percepção e tomada de decisão.
2.3.1 Os cinco V’s do Big Data
A proposta de uma solução de Big Data é oferecer uma abordagem consistente no
tratamento do constante crescimento e da complexidade dos dados. Para tanto, o conceito considera
os 5 V’s do Big Data: o Volume, a Velocidade, a Variedade, a Veracidade e o Valor (SAS, 2016).
O volume no Big Data evidencia-se pelos fatos do quotidiano: diariamente, o volume de
troca de e-mails, transações bancárias, interações em redes sociais, registro de chamadas e tráfego
de dados em linhas telefônicas etc. Estima-se que atualmente o volume total de dados que circulam
na internet é de 250 Exabytes (1018 bytes) por ano. (INMOMENT, 2014) Todos os dias são criados
2,5 quintilhões de bytes em forma de dados, atualmente 90% de todos os dados que estão presentes
no mundo foram criados nos últimos dois anos (IBM, 2015). É importante também compreender
que o conceito de volume é relativo há variável tempo, ou seja, o que é grande hoje pode não ser
nada amanhã. (OHLHORST, 2012).
A velocidade para Taurion (2013) possui grande importância e em algum momento deverá
existir uma ferramenta capaz de analisar os dados em tempo real. Atualmente, os dados são
analisados somente após serem armazenados, mas o tempo gasto para o armazenamento em si já
desclassifica esse tipo de análise como uma análise 100% em tempo real. Informação é poder
(HSU, 2014), e assim sendo a velocidade com a qual você obtém essa informação é uma vantagem
competitiva das empresas. Velocidade pode limitar a operação de muitos negócios, quando
utilizamos o cartão de crédito, por exemplo, se não obtivermos uma aprovação da compra em
alguns segundos normalmente pensamos em utilizar outro método de pagamento.
A variedade envolve várias fontes de dados que fluem para o banco de dados. Facebook8,
Twitter9, Instagram10 entre outras redes sociais, possuem um vasto e distinto campo de informações
sendo ofertadas ao público a todo segundo (McAFFE; BRYNJOLFSSON et al., 2012). O Big Data
escalona a variedade de informações das seguintes formas (DUMBILL, 2012), por meio de dados

8

Facebook - https://pt.wikipedia.org/wiki/Facebook
Twitter - https://pt.wikipedia.org/wiki/Twitter
10
Instagram - https://pt.wikipedia.org/wiki/Instagram
9

�estruturados - são armazenados em bancos de dados, sequenciados em tabelas, dados
semiestruturados - acompanham padrões heterogêneos, portanto mais difíceis de serem
identificados, pois podem seguir diversos padrões e dados não estruturados - que é uma mistura de
dados com fontes diversificadas como imagens, áudios e documentos online. Dentre essas três
categorias estimam-se que até 90% de todos os dados no mundo estão à forma de dados não
estruturados. (ICD, 2011).
Em relação a veracidade, segundo informações do site da IBM (2015), um em cada três
líderes não confiam nos dados que recebem. Para colher bons frutos do processo do Big Data são
necessários obter dados verídicos, de acordo com a realidade. O conceito de velocidade é alinhado
ao de veracidade pela necessidade constante de análise em tempo real. A verificação dos dados
coletados para adequação e relevância ao propósito da análise é um ponto chave para se obter dados
que agreguem valor ao processo. (HURWITZ, NUGENT, HALPER, KAUFMAN, 2016).
O valor, quanto maior a riqueza de dados, mais importante é saber realizar as perguntas
certas no início de todo processo de análise. Valorar os dados desde a coleta até a análise (BROWN,
2014). Da mesma forma é importante estar atento aos custos envolvidos nessa operação, o valor
agregado de todo esse trabalho desenvolvido, coleta, armazenamento e análise de todos esses dados
têm que compensar os custos financeiros envolvidos (TAURION, 2013).
3 TIPOLOGIAS DE ANÁLISE, TECNOLOGIAS FUNDAMENTAIS E PESQUISAS
EMERGENTES
Organizações de diversos portes e segmentos estão empregando a filosofia de Big Data
Analytics como ferramenta de apoio estratégico, para melhorar seus processos de trabalho e adquirir
insights valiosos acerca das tendências de mercado, comportamento dos consumidores e suas
expectativas. Com o uso do Big é possível efetuar-se vários tipos de análise, que auxiliarão o
profissional da informação na tomada de decisão, como a Analítica Descritiva a qual se encarrega
de analisar os dados e verificar o que aconteceu, a Analítica Diagnóstica que analisa porque
determinado evento aconteceu, a Analítica Preditiva onde aponta o que irá (ou poderá) acontecer
(predição) e a Analítica Prescritiva que identifica o que se deseja que aconteça e o que pode ser
feito para alcançar esse objetivo (reforçar, modificar ou evitar uma predição) (SAS, 2016).
Abaixo encontra-se um quadro com tecnologias fundamentais utilizadas no Big Data
(CHEN, 2012).

�Quadro 1 – Tecnologias aliadas ao Big Data Analytics
Tipologia de Análise

Conceito

RDBMS

Sistemas de gerenciamento de base de dados.

BPM

Gerenciamento de processos de negócios.

ETL

Visa trabalhar com toda a parte de extração de dados de fontes externas, transformação para
atender às necessidades de negócios e carga dos dados dentro do Data Warehouse.

Agrupamentos

Clusterin ou segmentação possível nos dados.

OLAP
(Online É a capacidade para manipular e analisar um grande volume de dados sob múltiplas perspectivas.
Analytical Processing)
As aplicações OLAP são usadas pelos gestores em qualquer nível da organização para lhes
permitir análises comparativas que facilitem a sua tomada de decisões diárias. A arquitetura OLAP
possui ferramentas que são classificadas em cinco tipos que são: ROLAP, MOLAP, HOLAP,
DOLAP e WOLAP (software para análise e visualização rápida, consistente e interativa de dados
corporativos).
Classificação

Inputs são divididos em duas ou mais classes, e o que aprende deve produzir um modelo que
designa inputs não vistos a uma ou mais (classificação multe etiquetada) dessas classes.
Tipicamente abordado de forma supervisionada. Filtragem de spam é um exemplo de classificação,
onde o input são as mensagens de e-mails (ou outros) e as classes são "spam" ou "não spam”.

Análise de associação

Em todo projeto de análise de dados, a primeira etapa é sempre saber o que as coisas significam na
realidade. Logo, do ponto de vista do esporte, cada medalha significa muita coisa, vejamos alguns
exemplos: Reconhecimento pelo esforço e disciplina pessoal; Resultado da organização e
investimento dos países em cada modalidade (disciplina regional); Marcos históricos; Ranking de
qualidade etc.

Detecção de anomalias

Na mineração de dados, detecção de anomalias (detecção de outlier) são a identificação de itens,
eventos ou observações que não se conformam com um padrão esperado ou outros itens em um
conjunto de dados. Normalmente o item anómalas se traduzirá em algum tipo de problema tão
como fraude bancária, um defeito estrutural, problemas médicos ou erros em um texto. Anomalias
também são referidas como casos desviantes, novidades, ruído, desvios e exceções.

Redes neurais

O objetivo da rede neural é resolver os problemas da mesma maneira que o cérebro humano iria,
apesar de várias redes neurais serem muito mais abstrato. Projetos de redes neurais modernos
normalmente trabalham com alguns milhares a alguns milhões de unidades neurais e milhões de
conexões, que ainda é várias ordens de grandeza menos complexo do que o cérebro humano e mais
perto do poder de computação de um computador.

Algoritmos genéticos

Um algoritmo genético (AG) é uma busca heurística que imita o processo de seleção natural e usa
métodos como mutação e recombinação para gerar novos genótipos na esperança de encontrar
boas soluções para um dado problema. Um bom exemplo disso é o recente Projeto Genoma
Humano. Ao identificar todos os genes humanos a ciência e a sociedade esperavam um súbito
aumento na eficácia dos tratamentos de algumas doenças. No entanto, o que se viu no ano seguinte
foi uma redução de mais de 80% na quantidade de registros de medicamentos comparados com
anos anteriores.

Análise
multivariada

estatística A tabela traz dados de forma resumida para fácil visualização, porém a realidade de cada empresa
se desdobra em muito mais variáveis de entrada, muito mais oportunidades e riscos. Para isso é
altamente recomendável à utilização de algoritmos de análise multivariada para fazer priorização e
redução da complexidade do projeto.

Pesquisa heurística

É uma pesquisa realizada por meio da quantificação de proximidade a um determinado objetivo.
Heurística mais simples é gerenciada por um procedimento que visa explorar inteligentemente a
instância do problema e o seu espaço de soluções.
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).

�Quadro 2 – Uso oriundos do Big Data Analytics
Uso

Definição

Mineração sequencial, Fluxos de dados de alta velocidade e dados de sensores, de processos, de dados que
temporal e espacial
preservam a privacidade, de redes e na web. Na sequência os eventos estão ligados ao
longo do tempo. Pode-se descobrir, por exemplo, que quando se compra uma casa, em
65% às vezes se adquire uma nova geladeira no período de duas semanas; e que em
45% das vezes, um fogão também é comprado um mês após a compra da residência.
Data preparation

O termo refere-se a coletar, combinar, estruturar e organizar os dados para análise,
sendo que as organizações têm a possibilidade de tomar decisões mais precisas e,
sobretudo, antecipadas à concorrência. Decisões que, em um cenário de extrema
competitividade, podem ser o divisor entre o sucesso e a estagnação do seu negócio.

Identificar o perfil de A organização é capaz de entregar ofertas de serviços personalizados para variados
um
determinado tipos de usuários – como acontece em lojas virtuais, onde ao mostrar interesse por um
público
livro acabamos recebemos ofertas de outros semelhantes.
Data-driven Marketing Ferramentas de Big Data Analytics ajudam gestores e equipes de marketing a
analisarem os imensos volumes de dados gerados por ações e campanhas – se
focarmos apenas em marketing digital, pode falar de leads, cliques, views,
oportunidades, conversões e mais uma dezena de métricas – e extraírem então
informações valiosas para estratégias futuras.
Utilização
Streaming

do Por meio do streaming, todo o trabalho com os dados é feito em tempo real: agregação,
processamento e extração de informações.

Diminuição do churn

Os usuários propensos a cancelar a utilização de um serviço fornecem indicações sutis,
por meio do seu comportamento, de que estão prestes a suspender as atividades. Big
Data Analytics, por meio do desenvolvimento do perfil 360º de públicos-alvo, ajuda as
unidades de informação a identificarem estes sinais de forma preditiva e a terem tempo
de agir para evitar a perda do consumidor.

Governança de dados O data preparation vem junto de outra forte tendência de Big Data, a governança de
dados. As organizações já conseguem coletar, analisar e compreender os dados muito
bem, outros tipos de trabalhos serão feitos com eles, tais como de aumentar a segurança
e privacidade dos dados e mapeamento da árvore genealógica deles.
Ligado ao data preparation e governança, temos a integração de dados. De nada adianta
ter um modelo de análise de dados muito bom se ele não estiver integrado ao dia a dia
da organização. É essencial saber como fazer o deploy desse modelo (colocar os
algoritmos para rodar) com os processos da companhia da forma mais transparente,
fluida e fácil possível.
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).

Integração de dados

�4

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Atualmente um número significativo de bibliotecas universitárias estão ligadas na web e até

mesmo conectado entre si – em rede – trocando e compartilhando informações, criando dessa forma
novos modelos de negócio, com diferentes maneiras de oferecer serviços informacionais aos
usuários, bem como coletando informações que serão utilizadas no planejamento estratégico e na
tomada de decisões. Com um gerenciamento da informação e do conhecimento, trouxeram
vantagens competitivas para as organizações, mas ao mesmo tempo obrigou que houvesse o
desenvolvimento de novas competências para os profissionais que atuam nessas unidades de
informação.
Uma vez que o profissional da informação (bibliotecário, arquivista, museólogo, cientista da
informação, cientista de dados, arquiteto da informação, etc.) saiba aproveitar as oportunidades ao
verificar as lacunas existentes, portanto sendo empreendedor e desta forma, promovendo inovações
incrementais ou radicais nos processos e nos serviços, automaticamente criará um valor agregado
nos serviços informacionais oferecidos.
Tendo em vista que as tecnologias de informação estão em constante processo de
transformação, faz-se necessário que os profissionais envolvidos mantenham uma educação
continuada para poder lidar com os novos desafios, um deles é o próprio Big data, que
constantemente apresenta novos recursos, métodos e ferramentas que auxiliarão na visualização e
análise dos dados.
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Inovação em Bibliotecas Universitárias: sob o olhar do Big Data.</text>
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                <text>O estudo aborda a temática da inovação em bibliotecas universitárias, com o uso do Big Data. As novas tecnologias fundamentais, a utilização de variadas análises, os recursos dos softwares e pesquisas emergentes no Big Data Analytics, possibilitando entregar informações extremamente importantes para a melhoria do desempenho e obtendo-se soluções para quaisquer tipos de unidades de informação, centradas nos serviços informacionais para os usuários. A forma inovadora de atuação permite uma melhor utilização dos recursos disponíveis, favorece um maior entrosamento e promove um atendimento e serviços de qualidade a serem oferecidos. O estudo tem como objetivo levantar o referencial teórico, bem como propiciar novas discussões nas temáticas envolvidas. Foi efetuada uma pesquisa sistemática e integrativa na WEB of Science, SCOPUS e SCIELO, bem como em sites de instituições de renome nacional e internacional.</text>
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                    <text>Eixo 2
GESTÃO POR COMPETÊNCIA: MODELO DE GESTÃO NAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS FEDERAIS
COMPETENCY MANAGEMENT: MANAGEMENT MODEL IN FEDERAL UNIVESITY
LIBRARIES
Michelle Flores1
Wanda Aparecida Machado Hoffmann2
Resumo: A presente pesquisa visa identificar se as bibliotecas universitárias federais utilizam algum modelo de
gestão visando a competência. A pesquisa é quali-quantitativa, descritiva e exploratória. Através de questionário
aplicado à 65 gestores de bibliotecas universitárias federais, sendo que foram retornados 34 questionários
devidamente respondidos, correspondendo à 52,30% de respostas, foi possível identificar que: A gestão por
competência é um assunto de conhecimento dos gestores, porém sua aplicação não é seguida na íntegra. O
mapeamento de competências é feito na biblioteca toda ou em alguns setores, e gestores que não fazem, há
grande interesse em conhecer um modelo de mapeamento a ser aplicado. Os que fazem o mapeamento tem clara
a definição da missão, visão e objetivos da organização e identificam lacunas existentes. Os pontos positivos
mais apontados: Identificação de Competências individuais; Satisfação Profissional e Ambiente colaborativo, e
os pontos negativos, a Não participação e envolvimento dos servidores com o projeto e também a Dificuldade de
remanejamento dos servidores nos setores que necessitam. Contudo, os gestores apontam a importância de mais
discussão sobre a temática. O gestor é de “meia idade” entre 41 e 50 anos, com 1 e 4 anos na gestão,
predominantemente do sexo feminino, bibliotecário (a) de formação, com curso de especialização, nas áreas da
Ciência da Informação, e acreditam na importância da Gestão por Competência nas organizações, porém
encontram dificuldades para sua implantação, uma vez que a universidade é um órgão público e que há muitas
barreiras para serem derrubadas para alcançar um modelo diferente de gestão.
Palavras-chave: Competências. Gestão por Competência. Bibliotecas Universitárias Federais. Gestores de
bibliotecas universitárias.

Abstract: This research aims to identify whether federal university libraries use any management model aimed
at competence. The research is quali-quantitative, descriptive and exploratory. Through a questionnaire applied
to 65 managers of federal university libraries, with 34 properly answered questionnaires being returned,
corresponding to 52.30% of responses, it was possible to identify that: Competency management is a matter of
knowledge for managers, but its application is not followed in full. Competency mapping is done in the entire
library or in some sectors, and managers who do not do it, there is great interest in knowing a mapping model to
be applied. Those who do the mapping have a clear definition of the organization's mission, vision and
objectives and identify existing gaps. The most pointed positive points: Identification of individual competences;
Professional Satisfaction and Collaborative Environment, and the negative points, the non-participation and
involvement of servants with the project and also the difficulty of reallocating the servants in the sectors that
need it. However, managers point out the importance of further discussion on the topic. The manager is "middle
age" between 41 and 50 years old, with 1 and 4 years in management, predominantly female, trained librarian,
with a specialization course, in the areas of Information Science, and they believe in the importance
Management by Competence in organizations, but they face difficulties for its implementation, since the
university is a public agency and there are many barriers to be overcome in order to reach a different
management model.

1

Mestre em Ciência da Informação. Universidade Federal de Goiás - UFG. miflores@ufg.br.
Professora Titular no Departamento de Ciência da Informação. Universidade Federal de São Carlos - UFSCar.
wanda@ufscar.br.
2

�Keywords: Skills. Competency Management. Federal University Libraries. University library managers.

1.

INTRODUÇÃO
As frequentes mudanças ocorridas na sociedade advindas da globalização e da

tecnologia foram sentidas nas organizações e na maneira de administrá-las. Segundo Dutra
(2009), as mudanças nos modelos tradicionais de gestão de pessoas inspirados nos modelos
fordista e taylorista começaram a ocorrer a partir dos Anos 1960 e consolidaram-se no início
dos Anos 1980. Essas mudanças causaram impacto também nos comportamentos sociais e nas
relações interpessoais, influenciando nas relações com o ambiente interno e externo da
organização (HOFFMANN, 2012).
A gestão de pessoas surge nesse cenário como mudança da forma que a organização
passa a perceber as pessoas, não mais como insumos a serem administrados, mas como peça
importante e fundamental, agregando valor e competência à organização. E por sua vez, a
Gestão por Competência vem para auxiliar os gestores a utilizar as competências de seus
colaboradores, visando uma gestão mais igualitária, de qualidade nos produtos e serviços e
também de qualificação dos seus colaboradores.
Diante disso, a pesquisa pretendeu investigar o seguinte questionamento: A gestão das
Bibliotecas Universitárias Federais tem se baseado nas competências existentes? A Gestão por
Competência é modelo de gestão aplicado nas BUFs?
O objetivo geral ficou definido como: Analisar os tipos de Gestão por Competência
existente na literatura e identificar se esta é o tipo de gestão aplicada nas bibliotecas
universitárias federais, e os objetivos, como:
Compreender se a Gestão por Competência (GC) é o modelo adotado pelas bibliotecas
universitárias federais;
1) Identificar as bibliotecas que adotaram a GC como modelo de gestão;
2) Identificar os pontos positivos e negativos ao se adotar a GC;
3) Analisar os métodos e técnicas de mapeamento de competências existentes;
2.

COMPETÊNCIA
O conceito competência foi primeiramente abordado de forma estruturada em 1973,

por McClelland (1973), o qual abordou práticas mais efetivas, do que os testes de
inteligências realizados nas organizações em processos de escolha de pessoas para os cargos.

�A abordagem foi tão bem aceita que rapidamente o conceito “competência” passou a fazer
parte dos processos de avaliação e orientação de ações para o desenvolvimento profissional.
Outra abordagem mais estruturada foi de Boyatzis (1982) que passa a exigir ou esperar
comportamentos e ações a partir das especificações e demandas dos cargos. Foi Boyatzis
(1982) que apresentou, de forma ainda tímida, a preocupação de entrega da pessoa para a
organização, porém os autores americanos balizavam o conceito competência a capacidade de
efetuar tarefa ou um conjunto de tarefas prescritas de um cargo.
Os pensadores franceses Le Boterf (1994) e Zarifian (1996) trouxeram uma nova
discussão para o conceito competência, a de entrega e agregação de valor. Le Boterf (1995,
apud Fleury; Fleury 2001, p. 190) define competência como entrecruzamento de três eixos,
formados pela pessoa (sua biografia, socialização), por sua formação educacional e por sua
experiência profissional. Segundo Le Boterf, competência é um saber agir responsável, como
tal reconhecido pelos outros.
No Brasil, o conceito de competência começou a ser empregado a partir dos anos 90, e
de acordo com Dutra (2009) iniciou-se um novo período para gestão de pessoas no país,
buscando uma integração com os objetivos estratégicos da empresa e com a gestão de pessoas
em si.
Valentim (2002) aposta que as competências profissionais provem da capacidade que
o indivíduo possui em ministrar e aplicar seus conhecimentos e experiências em seu trabalho
de forma eficiente. A autora pesquisadora da área de Ciência da Informação defende que a
formação profissional precisa se apoiar nas competências, habilidades, atitudes,
procedimentos e novos paradigmas.
2.1

Competências organizacionais
Os debates sobre competências organizacionais foram iniciados por Wernerfeld (1984)

trazendo a discussão das competências para a teoria sobre os recursos da firma (Resource
Based view of the Firm), que afirmam que para as competências terem papel fundamental nas
organizações, elas devem atender três requisitos, como apontados abaixo, o que corroboram
com as core competências defendidas por Prahalad e Hamel (1990): a) Oferecer reais
benefícios aos consumidores; b) Ser difíceis de imitar; c) Prover acesso a diferentes mercados.
Para Zarifian (2001) as competências em uma organização são: sobre processos:
entender o processo de trabalho; técnicas: conhecer especificamente o trabalho a ser

�realizado; sobre a organização: saber organizar os fluxos de trabalho; De serviço: aliar à
competência técnica a pergunta “que impacto esse produto ou serviço terá sobre o consumidor
final? Sociais: saber ser, incluindo atitudes que sustentam os comportamentos das pessoas
com três domínios: autonomia, responsabilidade e comunicação.
Segundo Fleury (2002) a proposta feita por Zarifian esclarece a formação de
competência ligadas diretamente ao processo de trabalho de operações industriais,
relacionando a formação de competências à definição da estratégia organizacional.
Nas organizações públicas as competências organizacionais são consideradas como
somatório de sinergias entre as competências individuais de seus servidores (conhecimento,
habilidades e atitudes) e as necessidades da sociedade, visando uma entrega de serviços e
produtos de qualidade e eficiência. (BRASIL, 2013).
As competências essenciais expressam uma dimensão estratégica e crítica para a
sobrevivência da organização. As competências organizacionais como as atividades-chaves de
cada área de negócio fazem com que a empresa se diferencie das demais, sendo reconhecida
por seus clientes pelo diferencial. As competências de suporte são essenciais para manterem e
desenvolverem os processos da organização. Por último, mas fechando com êxito as
categorias, trata da capacidade dinâmica, capacidade da organização se adaptar e modificar
suas competências ao longo do tempo. Essa categoria traz uma dinâmica ao tema competência
até então não abordado, uma dinâmica que permite perceber um movimento de aprendizagem
até então não percebido nas organizações. (SANCHEZ; HEENE; THOMAS, 1996 apud
TAKAHASHI; ROSELI; FISCHER, 2009).
Segundo Amaral (2006), para entender como se desenvolvem as competências em
uma organização, é necessário percorrer um caminho que vai da aprendizagem individual para
a aprendizagem em grupo e para a aprendizagem na organização.
2.2

Competências individuais
A competência individual vai além do conhecimento que o indivíduo adquiriu nos

formatos educacionais tradicionais, seu know-how e conhecimento só ganha status de
competência quando estes são comunicados, transferidos e utilizados com eficiência pelo
receptor. (FLEURY, 2002, p. 55).
Segundo Fleury (2002) a noção de competência vem acompanhada dos verbos e
expressões: saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes múltiplos e complexos, ser capaz
de aprender, ter poder de se engajar, assumir responsabilidades, ter visão estratégica.

�Fleury (2002) observa que do lado da organização, as competências devem agregar
valor econômico e para o indivíduo, valor social. No caso de uma organização pública em que
o valor econômico não é o objetivo de sua existência, acredita-se que para organização o valor
agregado é o reconhecimento, este feito pela sociedade, com entrega de serviços de qualidade
e eficientes, objetivando o bem social das pessoas que necessitam desses serviços.
Ao profissional bibliotecário é exigido várias competências ao término de sua
graduação, pertinentes para que esses profissionais possam entrar no mercado de trabalho
capacitados para tais atividades. Segundo as diretrizes curriculares para o curso de graduação
de biblioteconomia (BRASIL, 2002), o graduando deverá apresentar as seguintes
competências e habilidades assim que se formarem:
Gerais: a) gerar produtos a partir dos conhecimentos adquiridos e divulgá-los; b)
formular e executar políticas institucionais; c) elaborar, coordenar, executar e avaliar planos,
programas e projetos; d) utilizar racionalmente os recursos disponíveis; e) desenvolver e
utilizar novas tecnologias; f) traduzir as necessidades de indivíduos, grupos e comunidades
nas respectivas áreas de atuação; g) desenvolver atividades profissionais autônomas, de modo
a orientar, dirigir, assessorar, prestar consultoria, realizar perícias e emitir laudos técnicos e
pareceres; h) responder a demandas sociais de informação produzidas pelas transformações
tecnológicas que caracterizam o mundo contemporâneo.
Específicas: a) interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e uso
da informação, em todo e qualquer ambiente; b) criticar, investigar, propor, planejar, executar
e avaliar recursos e produtos de informação; c) trabalhar com fontes de informação de
qualquer natureza.
Mesmo com as competências e habilidades adquiridas durante a sua formação, o
profissional bibliotecário precisará transformá-las em competências, pois essa mudança só
ocorre quando há uma transformação (ação) dos seus conhecimentos, habilidades e atitudes
(CHA) individuais, agregando valor tanto para o indivíduo quanto para organização a qual
está vinculado, entregando assim resultados de qualidade e eficientes.
3.

GESTÃO POR COMPETÊNCIA

Pensar em competitividade organizacional é necessário entender a organização como todo, ou
seja, sua missão, visão, objetivos, produtos, serviços, mas principalmente é necessário
entender o seu recurso humano, ou seja, as pessoas que fazem a organização. Brandão e

�Guimarães (2001) apontam que as pessoas são recursos determinante do sucesso
organizacional, uma vez que as empresas para se tornarem cada vez mais competitivas,
apostam com profissionais altamente capacitados.
A Gestão por Competência surge então como uma ferramenta para que o gestor
reconheça sua organização como um todo, identificando as lacunas existentes e suprindo-as
com recursos e qualificações, buscando assim uma maior competitividade no mercado,
oferecendo produtos e/ou serviços de qualidades para seus clientes e gerando pouco risco de
concorrência.
Para Carbone et al. (2009) a Gestão por Competência tem como objetivo orientar as
empresas nos esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da
organização (individual, grupal e organizacional), as competências necessárias à consecução
de seus objetivos. Corrobora Brandão e Guimarães (2001), quando defende que a Gestão por
Competência proporciona uma estratégia empresarial para direcionar e desenvolver as
competências necessárias para alcançar os objetivos da organização.
O gerenciamento dessas competências conforme Araújo Júnior e Martins (2014)
evidenciará uma integração maior entre os vários níveis de atuação da organização e
resultados planejados, dando a oportunidade para que a instituição possa adquirir certa
competitividade perante suas concorrentes.
4.

MATERIAIS E MÉTODO
Esta pesquisa é de abordagem quali-quantitativa, descritiva e exploratória e tem como

instrumento para coleta de dados, o questionário estruturado.
Para elaboração do questionário, a organização das respostas, o controle dos
respondentes e não respondentes, elaboração dos gráficos, foi escolhido o Google Docs, que
se demonstrou o ideal para esse tipo de instrumento.
O questionário é composto por 19 questões, sendo, 6 questões são abertas, porém 4
são de identificação e 2 referentes a temática, e 13 questões fechadas, divididas entre escala
binária (sim e não) e escala Likert (para mensurar a avaliação do respondente). O tempo
médio para responder o questionário varia entre 4 a 7 minutos.
O questionário é composto de duas partes: Parte 1 – Perfil Profissional e Parte 2 –
Perfil Social.

�A parte 1 é composta por 12 questões, que objetiva entender como a gestão por
competência é familiar aos gestores, as questões referem-se sobre o sistema de bibliotecas,
quantidade de bibliotecas gerenciadas, conhecimento do gestor sobre Gestão por
Competência, conhecimento sobre mapeamento de competências, interesse do gestor sobre a
Gestão por Competência.
A parte 2 é composta por 7 questões, que visa conhecer as características do gestor,
como: faixa etária, tempo de gestão, sexo, escolaridade e a última questão refere-se a um
espaço livre para o respondente expressar livremente sobre a pesquisa, ou sobre a temática, ou
fazer críticas, elogios ou sugestões.
Diante da quantidade de universidades federais foi possível chegar até o número de
bibliotecas universitárias federais, que conforme pesquisa em cada uma das universidades,
foram identificadas 639 bibliotecas de universidades federais.
As 639 bibliotecas estão divididas 69 grupos, ou seja, elas fazem parte de um sistema,
rede, biblioteca central ou biblioteca universitária, que as direcionam conforme políticas,
diretrizes, condutas, uniformização de produtos e serviços, e que possuem um gestor a frente
da organização e administração dessas instituições.
Após a identificação dos 69 grupos de bibliotecas foi realizada uma pesquisa exaustiva
dos sites das bibliotecas em busca de informações de contatos, como: nome do gestor(a),
diretor(a) ou coordenador(a) da biblioteca ou sistema ou rede; contato endereço eletrônico (email) e contato telefônico, que após contatos com alguns gestores, ficou confirmado que 4
(quatro) bibliotecas, ainda faziam parte de outro sistema, mesmo constando um
desmembramento, porém ficou decidido trabalhar com a quantidade de 65 bibliotecas
universitárias federais.
4.1

Análise de dados
Para análise de dados, a presente pesquisa adotou a análise de dados quantificáveis,

para as questões fechadas do questionário, sendo que sua mensuração é feita de forma a
quantificar e percentuar as respostas dadas pelos seus respondentes.
Para as questões abertas, onde há a necessidade de uma interpretação e percepção do
que o respondente quis comunicar com suas respostas, foi utilizado como método a Análise de
Conteúdo de Bardin (1977), pois segunda a autora e definição dada por Berelson, a análise de

�conteúdo é “uma técnica de investigação que através de uma descrição objetiva, sistemática e
quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações tem por finalidade a interpretação
destas mesmas comunicações” (BARDIN, 2011, p. 42)
Como mencionado anteriormente, as questões abertas, as quais possibilitam a análise e
também a aplicação de inferências, são no total de duas questões, sendo:
Q11

Quais os pontos positivos e negativos verificados após a implantação da Gestão por
Competência?

Q19

Questão livre para deixar uma consideração final sobre gestão por competência, podendo
ser dúvidas, críticas, sugestões, entre outras questões.

As

demais

questões,

totalizando

17

questões

fechadas,

serão

analisadas

quantitativamente, conforme a frequência de aparição do índice utilizado, que no caso foi a
escala de Likert, a qual faz a medição de atitude do respondente, e a escala binária, a qual
mede a frequência de aparição de dois pontos opostos (exemplo: sim ou não; feminino ou
masculino).
A análise das questões fechadas é de fundamental importância para a construção de
conhecimento e comunicação, que juntamente a teoria, dará base fundamentada para fazer
inferência e interpretação das questões abertas, necessário na análise de conteúdo.
5.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para a identificação das bibliotecas universitárias federais que adotaram a Gestão por

Competência (GC) foi aplicado o questionário a 65 (sessenta e cinco) gestores de bibliotecas
universitárias federais, e até o momento foram retornados 22 questionários devidamente
respondidos, correspondendo, a 33,84% de respostas.
Os resultados e suas análises serão apresentados conforme a ordem das perguntas do
questionário que está dividido em Parte 1: Perfil Profissional e Parte 2: Perfil Social, onde as
questões abertas serão analisadas utilizando a abordagem de Análise de Conteúdo de Bardin
(1977).
5.1

Perfil Profissional
Os resultados que serão apresentados são relacionados as respostas dos gestores

conforme aplicação e devolução dos questionários.

�Optou-se em identificar primeiramente o perfil profissional dos gestores para que ao
responderem o questionário percebe-se o intuito da pesquisa e também a importância de sua
participação, motivando-os a responder com mais entusiasmo e coerência.
O quadro 1 apresenta resumidamente o perfil dos gestores das bibliotecas
universitárias federais.
Quadro 1 – Perfil Profissional dos gestores de bibliotecas de universidades federais
Categoria
Região

Perfil Profissional dos Gestores
Variável
%
Nordeste
29,4
Norte

23,5

Mais de onze bibliotecas

20,6

Bom conhecimento

44,1

Bem seguido

35,3

Sim

26,5

Não

73,5

Interesse em conhecer um
modelo de mapeamento

Sim

100

Definição Missão, visão e
objetivos

Sim

100

Sim
Na biblioteca toda

77,8
44,4

Apenas em alguns setores

44,4

Identificação de Competências
individuais;
Satisfação Profissional;
Ambiente colaborativo;
Participação dos servidores (não);
Remanejamento dos servidores
(dificuldade)

50

Muito importante

76,5

Responsabilidade por gestor
Conhecimento em GC
GC como modelo seguido na
biblioteca
É realizado mapeamento de
competências

Identificação de lacunas
Aplicação do mapeamento

Pontos positivos após a GC

Pontos negativos após a GC
Importância da discussão
sobre GC em eventos da área

30
30
40
20

Fonte: Dados da pesquisa (2020)

Análise
Regiões com maior número de
universidades federais
Consolidação de sistemas de
bibliotecas ou rede
Gestores atualizados com a
temática
Modelo seguido, porém não na
íntegra
A maioria dos gestores não
fazem o mapeamento de
competências
Todos que não fazem o
mapeamento (73,5%) tem
interesse em conhecer um
modelo
Todos que fazem o mapeamento
(26,5%) tem definido a missão,
visão e objetivos da biblioteca
ou sistema.
Há identificação de lacunas
A aplicação de mapeamento é
feita na biblioteca toda e/ou em
setores.
A maioria aponta pontos
positivos após a implantação da
GC
Há pontos negativos
consideráveis na implantação da
GC
A temática deve ser mais
discutida nos eventos da área

�De acordo com os dados apresentados observa-se que a maioria dos gestores
respondentes são da região nordeste e norte, sendo que a região nordeste é a que possui o
maior número de universidades federais. Os gestores fazem a gestão de uma grande
quantidade de bibliotecas, verificando, portanto, a existência de sistemas de bibliotecas
consolidado, garantindo, assim, uma maior uniformização dos serviços e produtos oferecidos
aos usuários, independentemente da localização da biblioteca, oferecendo qualidade nos
serviços e produtos. A GC é um assunto de conhecimento dos gestores, porém sua aplicação
não é seguida na íntegra. Os que fazem o mapeamento de competências, fazem na biblioteca
toda ou em alguns setores, e os que não fazem, há grande interesse em conhecer um modelo
de mapeamento a ser aplicado. Os que fazem o mapeamento tem clara a definição da missão,
visão e objetivos estratégicos da organização e também identificam lacunas existentes, e que
precisam ser sanadas. Esses gestores identificam pontos positivos após a implantação da GC,
sendo que os mais apontados são: Identificação de Competências individuais; Satisfação
Profissional e Ambiente colaborativo. Os gestores apontam também alguns pontos negativos
como a não participação e envolvimento dos servidores com o projeto e também a dificuldade
de remanejamento dos servidores nos setores que necessitam. Contudo, os gestores
identificam como muito importante a discussão da GC em eventos diversos da área, o qual
possibilitam a atualização de seus conhecimentos e que possam levar a prática para sua(s)
biblioteca(s), inovando e modernizando seu modelo de gestão.
5.2

Perfil Social
Neste momento, a pesquisa objetiva conhecer o perfil pessoal dos gestores, suas

características, escolaridade, faixa etária, entre outros aspectos. O quadro 2 apresenta
resumidamente o perfil dos gestores.
Quadro 2 – Perfil profissional dos gestores de bibliotecas universitárias
(continuação)
Categoria
Faixa etária
Tempo de gestão
Sexo
Graduação
Modalidade de pósgraduação

Perfil Profissional dos Gestores
Variável
41 e 50 anos
1 e 4 anos
Feminino
Masculino
Biblioteconomia
Especialização

%
44,1
44,1
55,9
44,1
100
58,8

Análise
“Meia idade”
Pouco experiente
Predominância das mulheres
Todos bibliotecários (as)
Predominância da
especialização

�(conclusão)
Categoria
Área da pós-graduação

Opinião sobre GC

Perfil Profissional dos Gestores
Variável
Ciência da Informação
Administração
Educação
Importância da GC
Dificuldade de implantação em órgãos
públicos

%
35,3
29,4
23,5
61,5
38,4

Análise
Três áreas importantes

Categorias mais citadas

Fonte: Dados da pesquisa (2020)

De acordo com os dados apresentados, a maioria dos gestores de bibliotecas
universitárias federais é um gestor de “meia idade” entre 41 e 50 anos, está no primeiro
mandato de gestão, de 1 e 4 anos no cargo, predominantemente do sexo feminino,
bibliotecário (a) de formação, com curso de especialização, nas áreas da Ciência da
Informação, Administração ou Educação, e acreditam na importância da Gestão por
Competência nas organizações, porém encontram dificuldades para sua implantação, uma vez
que a universidade é um órgão público e que há muitas barreiras para serem derrubadas para
alcançar um modelo diferente de gestão.
6.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa teve como objetivo “Analisar os tipos de Gestão por Competência

existente na literatura e identificar se esta é o tipo de gestão aplicada nas bibliotecas
universitárias federais”.
De acordo com o primeiro objetivo específico, “Identificar as bibliotecas que adotaram
a GC como modelo de gestão”, foi possível perceber que a GC não é seguida pela maioria das
bibliotecas, pelo menos não na íntegra, sendo que alguns gestores fazem uso de alguns
procedimentos da GC, mas não como um projeto de gestão de início ao fim, visando orientar
seus esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis de organização
(individual, grupal e organizacional), as competências necessárias à consecução de seus
objetivos. (CARBONE, 2009).
O segundo objetivo específico, “Identificar os pontos positivos e negativos ao se
adotar a GC”, foi apontado pelos gestores e foram categorizados os pontos positivos como:
Identificação das competências individuais; Satisfação profissional e Ambiente Colaborativo.
Os gestores respondentes acreditam na importância da implantação da GC na
organização e entendem que sua implantação proporciona muitos benefícios tanto para
organização quanto para os seus colaboradores, porém eles admitem dificuldades em sua

�implantação também, e apontaram os seguintes pontos negativos: Não participação dos
servidores e a Dificuldade no remanejamento dos servidores.
Os gestores mencionam a dificuldade em fazer com que muitos servidores se
envolvam em um projeto como GC, não tendo interesse em participar e colaborar com o
projeto, assim também, relatam a dificuldade de remanejamento de servidor, quando tenta-se
alocar o colaborador conforme seus atributos e a necessidade da organização, por falta de
servidores, deixando alguns setores descoberto quando esse remanejamento é planejado.
O terceiro objetivo específico, “Analisar os métodos e técnicas de mapeamento de
competências existentes”, foi alcançado em partes, pois não foi possível identificar os
métodos e técnicas, mas sim como esse mapeamento é realizado.
Há na literatura muitos trabalhos referentes ao mapeamento de competências de
gestores, ou de um profissional específico, havendo poucas pesquisas abordando a
identificação das competências de todos os colaboradores, portanto, nesse estudo foi possível
identificar como é realizado esse mapeamento.
O mapeamento da biblioteca toda e em setores específicos foram as categorias que
mais foram apontadas, ou seja, há uma preocupação em inserir todos os colaboradores nesse
mapeamento, ou começando por um setor específico e ampliando futuramente para todos os
setores da biblioteca.
REFERÊNCIAS
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competências em Inteligência Competitiva. 2006. Dissertação (Mestrado) – Centro de
Ciências Exatas e de Tecnologia, Universidade Federal de São Carlos, 2006.
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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                  <text>&#13;
Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Gestão por competência: modelo de gestão nas Bibliotecas Universitárias Federais.</text>
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                <text>Flores, Michelle, Hoffmann, Wanda Aparecida Machado</text>
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                <text>Goiânia (Goiás)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <elementText elementTextId="77393">
                <text>UFG</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2020</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>A presente pesquisa visa identificar se as bibliotecas universitárias federais utilizam algum modelo de gestão visando a competência. A pesquisa é quali-quantitativa, descritiva e exploratória. Através de questionário aplicado à 65 gestores de bibliotecas universitárias federais, sendo que foram retornados 34 questionários devidamente respondidos, correspondendo à 52,30% de respostas, foi possível identificar que: A gestão por competência é um assunto de conhecimento dos gestores, porém sua aplicação não é seguida na íntegra. O mapeamento de competências é feito na biblioteca toda ou em alguns setores, e gestores que não fazem, há grande interesse em conhecer um modelo de mapeamento a ser aplicado. Os que fazem o mapeamento tem clara a definição da missão, visão e objetivos da organização e identificam lacunas existentes. Os pontos positivos mais apontados: Identificação de Competências individuais, Satisfação Profissional e Ambiente colaborativo, e os pontos negativos, a Não participação e envolvimento dos servidores com o projeto e também a Dificuldade de remanejamento dos servidores nos setores que necessitam. Contudo, os gestores apontam a importância de mais discussão sobre a temática. O gestor é de “meia idade” entre 41 e 50 anos, com 1 e 4 anos na gestão, predominantemente do sexo feminino, bibliotecário (a) de formação, com curso de especialização, nas áreas da Ciência da Informação, e acreditam na importância da Gestão por Competência nas organizações, porém encontram dificuldades para sua implantação, uma vez que a universidade é um órgão público e que há muitas barreiras para serem derrubadas para alcançar um modelo diferente de gestão.</text>
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                    <text>Eixo: Inovações
A INOVAÇÃO EM SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO E A “BIBLIOTECA DAS COISAS”: O
CASO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS
INNOVATION IN INFORMATION SERVICES AND THE “LIBRARY OF THINGS”: THE CASE
OF BRAZILIAN UNIVERSITY LIBRARIES
Diego Leonardo de Souza Fonseca1
Francisco Carlos Paletta2

Resumo: Tem como objetivo analisar algumas iniciativas de inovação a partir da implementação do serviço
informacional “bibliotecas das coisas” em bibliotecas universitárias brasileiras, com base nas perspectivas do
consumo colaborativo, da economia compartilhada e da sustentabilidade organizacional. Trata-se de uma pesquisa
descritiva e exploratória com base em uma abordagem qualitativa, cujo percurso da pesquisa foi divido em duas
etapas: levantamento da literatura cientifica a partir da pesquisa bibliográfica e levantamento de informações
através da ferramenta Google Trends para recuperar informações sobre bibliotecas universitárias que desenvolvem
a “biblioteca das coisas” como serviço informacional no Brasil. Identificaram-se quatro bibliotecas universitárias
que desenvolvem a “biblioteca das coisas” como serviço de informação no seu planejamento de atividades:
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina, Biblioteca Universitária da Universidade do
Estado de Santa Catarina, Biblioteca da Universidade Feevale e a Biblioteca Universitária da Unochapecó.
Discutiu-se na pesquisa a inovação em serviços de informação a partir da adoção da “biblioteca das coisas” como
uma prática de fomento ao consumo colaborativo, a economia compartilhada e a sustentabilidade organizacional
no contexto do planejamento de atividades das bibliotecas universitárias brasileiras analisadas. Foi possível
concluir que essas iniciativas são consideradas inovações em serviços de informação, cujas propostas inovadoras
estão alinhadas aos princípios da economia compartilhada, do consumo colaborativo e da sustentabilidade
organizacional.
Palavras-chave: Inovação em serviços de informação. Biblioteca das coisas. Bibliotecas universitárias. Economia
compartilhada. Consumo colaborativo.
Abstract: Its objective is to analyze innovation initiatives from the implementation of the information service
"libraries of things" in Brazilian university libraries, based on the perspectives of collaborative consumption,
shared economy and organizational sustainability.This is a descriptive and exploratory research based on a
qualitative approach, whose research path was divided into two stages: survey of scientific literature from the
bibliographic research and information gathering through the Google Trends tool to retrieve information about
university libraries that develop the "library of things" as an information service in Brazil. Four university libraries
that develop the "library of things" as an information service in their planning activities were identified:
University Library of the Federal University of Santa Catarina, University Library of the Santa Catarina State
University, University Library of Feevale and the University Library of Unochapecó. The research discussed the
innovation in information services from the adoption of the "library of things" as a practice to promote
collaborative consumption, the shared economy and organizational sustainability in the context of activity
planning of the Brazilian university libraries analyzed. It was possible to conclude that these initiatives are
1
2

Doutorando em Ciência da Informação. Universidade Estadual de Londrina. diego.leonardo@uel.br
Doutor em Tecnologia Nuclear. Universidade Estadual de Londrina. fcpaletta@gmail.com

�considered innovations in information services, whose innovative proposals are aligned with the principles of
shared economy, collaborative consumption and organizational sustainability.
Keywords: Innovation in information services. Library of things. University libraries. Sharing economy.
Collaborative consumption.

1 INTRODUÇÃO
A busca pela competitividade no atual cenário mercadológico global vem estimulando as
organizações a desenvolverem ações estratégicas orientadas para melhorar o oferecimento de seus
serviços e produtos, a fim de atender, com maior grau de qualidade, as necessidades dos seus clientes.
Observa-se, no contexto da competitividade de mercado, uma remodelação na proposta de
oferecimento de serviços, em que as organizações vêm priorizando a adoção de ações mais orientadas
para a inovação centrada no consumidor.
Compreende-se que as unidades de informação estão cada vez mais imersas no processo de
competitividade organizacional dos ecossistemas de inovação, tendo em vista que a informação é um
insumo que agrega um alto valor na construção do capital intelectual. Não obstante, pensar no
conceito de inovação em ambientes organizacionais, que desenvolvem suas ações estratégicas a partir
do uso da informação, é observar a necessidade de inovação como parte integrante da realidade atual.
Compreende-se, portanto, que inovar não é uma questão meramente estratégica de posicionamento de
mercado, mas trata-se de uma tática de sobrevivência mercadológica.
No contexto organizacional das bibliotecas, o aprimoramento de estratégias de gestão para
analisar tendências de mercado também devem ser desenvolvidos, principalmente no que se refere aos
estudos de usuário e de marketing. Deve-se salientar, ainda, a centralização das análises sobre a
percepção da tendência social das bibliotecas, centrada no usuário, e sobre o eixo de serviços
informacionais baseado na disseminação de produtos não tradicionais, como a “biblioteca das
coisas”.
Diante do exposto, objetiva-se analisar algumas iniciativas de inovação a partir da
implementação do serviço informacional “bibliotecas das coisas” em bibliotecas universitárias
brasileiras, com base na perspectiva do consumo colaborativo e da economia compartilhada. Como
contribuição, a pesquisa busca fomentar as discussões sobre o movimento da “biblioteca das coisas”
como um caminho viável de inovação em unidades de informação.
2 INOVAÇÃO

�De acordo com Schumpeter (1988), o termo “inovação” diz respeito a uma exploração ou a
um processo de geração de novas ideais a partir da identificação de uma necessidade de aplicação. Em
suma, o conceito de inovação pode ser definido a partir da complexidade dos fenômenos de
investigação em que se propõe um contexto de mudança. Há, basicamente, quatro linhas de pesquisa
sobre a inovação no cenário acadêmico: processos de inovação, contexto organizacional, perspectivas
teóricas e os atributos de inovação (WOLFE, 1994).
A Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento – OCDE, por meio do
Manual de Oslo (2005, p.50), define a inovação como “um novo ou relevante recurso para a empresa,
com o intuito de reafirmar uma posição competitiva”. Nesse sentido, compreende-se que a inovação
possui uma relação direta com a estratégia de gestão e planejamento da organização, estando no cerne
da mudança econômica e na remodelação dos padrões de desenvolvimento de novos serviços e
produtos.
Observando as interações e as relações da inovação com o mercado e o cenário
organizacional, pode-se inferir que o contexto de aplicação da inovação está inserido em um
complexo ambiente de agentes que compartilham entre si uma rede de relações: os ecossistemas de
inovação. De acordo com Teixeira et al (2015), um ecossistema de inovação pode ser definido como
um conjunto de interações e relações que influenciam o contexto e a dinâmica dos sistemas de criação
e co-criação em um determinado mercado.
Paralelo aos fluxos de interações que ocorrem na composição dos ecossistemas de inovação,
observa-se que, dentre os principais insumos de produção, está a informação. Segundo Castells
(1999), a denominada “nova economia” ou “economia da informação” refere-se aos diversos
domínios de atuação da informação no campo da ciência, da tecnologia e da inovação – o CT&amp;I.
Logo, compreende-se que a informação é um ativo de inovação, pois ela viabiliza o processo de
criação de novos serviços e produtos para atender a diferentes demandas.
2.1 INOVAÇÃO EM SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
Para definir a inovação em serviços, é imprescindível compreender o conceito de serviço. De
acordo com Kotler e Keller (2006), serviço é qualquer ação ou ato, essencialmente intangível, que
resulta em um oferecimento de algo ou prestação do seu resultado para atender a uma determinada
demanda. Para Rozados (2006), os serviços ofertam a um consumidor o usufruto do seu conteúdo,
seja por meio da prestação, do acesso ou do uso momentâneo. Pode, ainda, referir-se a uma tipologia

�de serviço que almeja garantir que a informação requerida pelo consumidor seja disponibilizada, a fim
de preencher uma lacuna de conhecimento.
Segundo abordam Zaninelli, Nogueira e Horimi (2019), a estrutura da inovação em serviços
de informação pode ser contextualizada no ambiente de uma biblioteca (unidade de informação), que
precisa organizar o seu setor de serviços para atender ao usuário a partir do uso de estratégias de
inovação, com a finalidade de satisfazer as necessidades dos seus usuários.
Desse modo, compreende-se que a inovação em serviços no contexto da informação está
atrelada, sobretudo, à necessidade do usuário-consumidor, ao passo que a garantia do acesso e uso
desse serviço deve permitir uma experiência e, consequentemente, uma satisfação de sua
desejabilidade em consumir um determinado serviço ou produto informacional. A Figura 1 busca
ilustrar o processo cíclico de inovação em serviços de informação:
Figura 1 – Processo cíclico de inovação em serviços de informação

Necessidades
do consumidor
Unidades de
informação
Estratégias de
inovação

Novas
desejabilidades

Experiências
de consumo

Tendência de
consumo

Fonte: Elaborada pelos autores

No processo de inovação em serviços de informação, as unidades de informação devem
analisar e acompanhar, orbitando de maneira holística e estratégica, todo o encadeamento cíclico de
construção da demanda informacional do seu usuário/consumidor, orientando a sua atenção,
principalmente, para as estratégias de inovação. É o que Passos et al (2016) observam como a
necessidade de garantir com que o usuário da informação obtenha uma experiência desejável de
consumo, o que tende a gerar um maior grau de relacionamento e confiança com a organização que o
forneceu o serviço de informação.

�A inovação em serviços de informação, conforme argumenta Rozados (2006), deve contribuir
para melhorar os processos organizacionais, a fim de agregar valor à criação de serviços e produtos
informacionais. Sendo assim, alude-se que o processo de criação de valor para a geração de novas
ideias, no contexto dos serviços de informação, deve levar em consideração a identificação das
necessidades dos consumidores da informação e a garantia de acessibilidade desse serviço.
Passos et al (2016) analisam que o processo de inovação em serviços de informação deve
priorizar, além da criatividade, a qualidade e o engajamento dos consumidores da informação, a fim
de que seja garantida a experiência do usuário. Logo, compreende-se que o processo de inovação em
serviços de informação deve estar centrado nas experiências e na desejabilidade do usuário quanto ao
tipo de informação que ele busca satisfazer as suas necessidades de consumo da informação.
3 “BIBLIOTECA DAS COISAS”
Por séculos, as bibliotecas foram tradicionalmente observadas como espaços de
oferecimento de serviços e produtos, cujo insumo principal do seu rol de atividades era o material
bibliográfico, em especial, o livro. Conforme argumenta Milanesi (2002), a biblioteca é um espaço
que surgiu, historicamente, como um local que armazena e disponibiliza livros e obras
bibliográficas para a consulta do leitor. A etimologia “biblion – livro” e “theca– depósito”
representa bem a sua origem histórica.
Milanesi (2002), argumenta que a biblioteca evoluiu como suporte, missão e representação
social. A evolução das bibliotecas, tanto como espaço de interação e disseminação, como de
produção e compartilhamento de informação e conhecimento, possibilitou o surgimento de novos
conceitos sobre criação e oferecimento de serviços e produtos, observando o usuário da informação
como o objeto central nesse novo processo de uso e apropriação da informação.
Queiroz (2017) discute sobre o surgimento de uma nova tendência na concepção de
biblioteca no que tange à disponibilização de serviços e produtos: a economia compartilhada e o
consumo colaborativo. O movimento “Library of things” (Biblioteca das coisas) surgiu
originalmente no Canadá, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, mais especificamente
na Inglaterra, em Londres. Uma das primeiras iniciativas de implantação desse serviço foi realizada
pela Biblioteca Pública de Sacramento, na Califórnia (EUA), que passou a incluir o empréstimo de
materiais de costura, videogames, scanners 3D e até instrumentos musicais em seu acervo
(JOHNSON, 2016).

�Outra iniciativa que representa bem esse movimento ocorreu na Biblioteca Pública de
Londres, que, após realizar uma campanha de crowdfunding3 em 2014, conseguiu implementar a
atividade de empréstimo de diversos materiais, tais como: vaporizador de papel, churrasqueiras,
bicicletas, kits de ferramentas, materiais de escritório, equipamentos de jardinagem, dentre outros
materiais (JOHNSON, 2016). Nota-se que, entre as características que representam a ideia de
inovação da “biblioteca das coisas” como serviço, destaca-se a sua relação com as necessidades do
usuário: ela pode atender a diferentes demandas.
O movimento da “biblioteca das coisas” caracteriza-se por acompanhar o cenário das novas
tendências de consumo e comportamento de consumidores, observando que as bibliotecas são
espaços que podem ofertar produtos não convencionais para atender a demandas que, geralmente,
não são disponibilizadas em bibliotecas tradicionais (QUEIROZ, 2017). Logo, a “biblioteca das
coisas” é um serviço de informação que pode ser representado por meio do tripé: economia
compartilhada, consumo colaborativo e sustentabilidade organizacional.
No Brasil, esse movimento foi influenciado pelas iniciativas das bibliotecas públicas
estrangeiras e pela mudança de comportamento do usuário, sendo adotado, principalmente, pelas
bibliotecas universitárias. Algumas iniciativas nas bibliotecas brasileiras, como na Biblioteca
Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e na Biblioteca Central da
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), podem ser observadas como um caminho
viável para a adoção dessa inovação em serviços de informação, compreendendo que a biblioteca
deve direcionar o seu olhar estratégico para as tendências sociais de comportamento do seu usuário
e para as novas necessidades de consumo da informação, independente do seu formato.
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória com base em uma abordagem qualitativa.
Quanto aos procedimentos, optou-se por uma pesquisa bibliográfica, a partir do acesso à literatura
científica sobre os temas abordados: “Biblioteca das coisas” e “Inovação em serviços de
informação”. Todo o processo de investigação foi realizado por meio de comunicação remota:
acesso ao atendimento virtual das bibliotecas, disponibilizado nos websites das instituições
(síncrona e assíncrona), e pelo contato direto por meio dos canais de comunicação digital: redes
sociais e serviços de mensagens instantâneas.

3

Financiamento coletivo.

�O percurso da pesquisa foi definido a partir de duas etapas. Na primeira etapa foi realizada
uma busca avançada na Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da
Informação (BRAPCI) com os termos “Biblioteca das coisas - Brasil” e “Bibliotecas
universitárias”. Foi recuperado um relato de experiência na BRAPCI. Na segunda etapa, foi
realizado um levantamento de informações através da ferramenta Google Trends4 para recuperar
informações a partir do uso dos termos: “Biblioteca das coisas”, “Brasil”, “Economia
compartilhada” e “Consumo colaborativo”. Nesse levantamento, foram localizados três sites
institucionais de bibliotecas universitárias que apresentavam o uso do serviço.
A partir do processo de coleta, foram identificados quatro exemplos de aplicação do serviço
“Biblioteca das coisas” em bibliotecas universitárias brasileiras. Para ser considerado um case de
sucesso, três elementos-chave foram considerados: identificação do problema, solução da proposta
e resultados alcançados (SEBRAE, 2017).
Como instrumento de coleta de dados, foi aplicado um questionário via Google Forms5
junto aos bibliotecários responsáveis pela coordenação do serviço. Com base em suas respostas, foi
realizada uma analise qualitativa sobre os seguintes aspectos: processo de implementação do
serviço, impactos observados na comunidade, estudo prévio de necessidades da comunidade e a
tipologia dos materiais oferecidos para empréstimo na biblioteca. O questionário foi aplicado entre
os dias 13 e 20 de maio de 2021.
5

A

“BIBLIOTECA

DAS

COISAS”

EM

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS

BRASILEIRAS
Algumas bibliotecas brasileiras, em especial as bibliotecas universitárias, vêm adotando a
“biblioteca das coisas” como um serviço informacional inovador no seu planejamento estratégico de
oferecimento de serviços e produtos para os seus usuários. A implementação desse serviço tende a
romper com a cultura tradicional da biblioteca quanto ao fornecimento de materiais para acesso.
Para além da prática inovadora de promover o acesso a materiais não bibliográficos, o incentivo ao
consumo colaborativo e à economia compartilhada promovem a inserção da biblioteca em um
contexto social mais sustentável.

4
Produto desenvolvido pela Google, capaz de coletar um determinado tema citado demasiadamente em uma área a
partir da realização de buscas combinadas ou buscas simples.
5
Produto desenvolvido pela Google para gerenciar pesquisas e coletar informações por meio de questionários em
formulários.

�De acordo com Nunes e Carvalho (2016), as bibliotecas universitárias podem ser
identificadas e caracterizadas como espaços de organização, tratamento e difusão da informação e
do conhecimento com o objetivo precípuo de atender a comunidade universitária juntamente com o
seu entorno. Entende-se, a partir dessa perspectiva, as bibliotecas universitárias como ambientes de
fomento de produção e de geração de novas ideias para implementação de novos serviços e
produtos, a fim de acompanhar a evolução do seu usuário. Para essa pesquisa, foram analisadas
bibliotecas universitárias que já desenvolvem a “biblioteca das coisas” como serviço de informação
no planejamento de atividades da biblioteca. Deve-se pontuar que se compreendeu as bibliotecas
analisadas nesse estudo como cases de sucesso quanto a inovação a partir desse serviço de
informação.
A estrutura do questionário aplicado junto aos bibliotecários foi composta pelas seguintes
perguntas:
P1: “A equipe da biblioteca se inspirou em alguma iniciativa para implementar a ‘biblioteca
das coisas’? Se sim, qual(is)?”
P2: “Em qual ano foi implementado o serviço na biblioteca?”
P3: “Quais os principais objetos e utensílios que a biblioteca oferece como empréstimo para os
usuários? Pode citar os que são mais emprestados”
P4: “Foi realizado um estudo prévio com a comunidade para a conhecer as suas necessidades e
demandas, antes da implementação do serviço?”
P5: “Foi possível observar algum impacto na mudança de comportamento do usuário a partir
da implementação do serviço? Se sim, qual(is) mudança(s)?”
As identificações P1, P2, P3, P4 e P5 foram utilizadas para mencionar as análises abaixo.
5.1 BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (BU/UFSC)
A Biblioteca Professor Silvio Coelho dos Santos (Biblioteca Central – UFSC) faz parte da
estrutura administrativa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e, em 1968, com a
consolidação do Campus Universitário, foi criada com a finalidade de reunir os acervos de diversas
faculdades: Direito, Ciências Econômicas, Farmácia, Odontologia, Medicina, Filosofia, Serviço
Social e Engenharia Industrial. A partir do final da década de 70 e inicio da década de 80, a
BC/UFSC passou a consolidar com a comunidade universitária a prestação de serviços e a
centralização dos acervos das bibliotecas da universidade, permitindo o aumento das Bibliotecas
Setoriais e expandido os serviços de informação para a comunidade (BU/UFSC, 201-?).

�A BC/UFSC é uma unidade que atende a diferentes demandas informacionais da
comunidade universitária, podendo ser caracterizada como uma biblioteca multidisciplinar. Além da
consulta local, empréstimo domiciliar e o serviço de referência, ela também disponibiliza serviços
específicos, tais como: empréstimo local de notebook, orientação de estágios, projetos de extensão,
indexação de artigos de periódicos, espaço de inclusão digital, ambiente de acessibilidade
informacional (AAI), dentre outros (BU/UFSC, 201?).
Conforme relatado pela bibliotecária responsável, esse processo de oferecimento de serviços e
produtos de informação também possibilitou à BC/UFSC o oferecimento de um serviço
informacional que buscou atender a uma demanda com acesso a materiais não bibliográficos – o
serviço da “biblioteca das coisas”.
Com base na P1 e na P2, a bibliotecária responsável relatou que o serviço foi implementado
em 2018, sendo inspirado em iniciativas observadas no Brasil e no exterior, bem como na tendência
de consumo dos usuários. Com base na P3, ela relatou que a biblioteca da BC/UFSC disponibiliza
no acervo da “biblioteca das coisas”: calculadora, notebooks, equipamentos de tecnologia assistiva
para leituras, jogos de tabuleiro, adaptador, carregador de celular, tablets e similares, dentre outros
objetos.
Com base na P4, foi relatado que, referente a realização de estudo prévio com a comunidade
para o reconhecimento das demandas informacionais, não houve a realização de um estudo dessa
natureza ou qualquer outro levantamento prévio antes de implementar o serviço.
Com base na P5, foi relatado que a biblioteca conseguiu observar um impacto de
comportamento após a implantação do serviço. Relatou-se que, apesar da aceitação pela
comunidade, o serviço ainda está em fase de aperfeiçoamento, principalmente quanto a divulgação
junto a comunidade. Também foi relatado sobre as dificuldades apresentadas sobre a demanda por
materiais, que é quase que exclusiva por tecnologias. De acordo com a bibliotecária responsável
pelo serviço, é necessário ampliar o nicho de materiais para outros tipos de utensílios.
Posto isto, considerou-se que o serviço da “biblioteca das coisas” desenvolvido pela
BU/UFSC pauta-se como um caso de sucesso, visto que ela apresentou uma solução proposta para
ampliar o oferecimento de novos materiais no acervo da biblioteca por meio do serviço. Ademais, o
impacto observado na mudança de comportamento dos usuários, conforme relatado, trata-se dos
resultados alcançados a partir da implementação do serviço, orientado principalmente para o
incentivo da cultura de economia compartilhada e consumo colaborativo na biblioteca.
5.2 BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA (UDESC)

�A Biblioteca Universitária da Universidade do Estado de Santa Catarina – BU (UDESC) é
um órgão suplementar da UDESC vinculada ao Gabinete do Reitor e compõe, juntamente com
outras dez (10) bibliotecas setoriais, uma rede descentralizada que oferece serviços de informação,
tendo a BU/UDESC como coordenadora técnica. O acervo das bibliotecas é composto por materiais
bibliográficos e técnicos que atendem aos cursos de graduação e pós-graduação: livros, teses,
dissertações, mapas, CD-ROM, DVD, bases de dados, e-books, peças de teatro, dentre outros
(UDESC, 201-?).
O sistema de funcionamento e operacionalização da BU/UDESC é descentralizado, no qual
as bibliotecas setoriais junto com a BU/UDESC adotam um padronizado e cooperativo,
principalmente a partir do processo de informatização e com o investimento em recursos de
ampliação do espaço digital e físico na universidade (UDESC, 2016). A BU/UDESC, dentro da sua
estrutura sistêmica, oferece os seguintes serviços: visitas guiadas, serviço de assessoria para
periódicos científicos, comutação bibliográfica, verificação de plágio, atribuição de DOI,
normalização e levantamento bibliográfico, empréstimo entre instituições e a biblioteca das coisas.
Com base na P1, foi informado que o serviço “Biblioteca das Coisas” da BU/UDESC foi
implantado em 2017 a partir do oferecimento inicial do serviço de empréstimo, porém somente no
ano de 2020 ela foi institucionalizada por meio da Instrução Normativa nº 05/2020. Ela tem o
objetivo de oferecer aos alunos e servidores (ativos e inativos) o empréstimo de objetos com a
finalidade de promover e estimular a cultura do compartilhamento.
De acordo com a P2, foi informado que a inspiração para a implantação do serviço veio da
Biblioteca Prof.ª Oneida Belusso da Unochapecó, que já havia implementado um serviço dessa
natureza. A partir da P3, informou-se que o acervo do serviço “Biblioteca das Coisas” da
BU/UDESC é composto por: kit de notebook, tablets e similares, guarda-chuva, régua, fones de
ouvido, canetas, carregadores de celular, dentre outros.
Com base na P4, foi explicado que a BU/UDESC não realizou nenhum estudo prévio para a
identificação das necessidades informacionais, tendo então optado somente por construir o seu
acervo de objetos a partir do processo de observação das necessidades no atendimento cotidiano aos
usuários. Sobre a P5, foi relatado que o serviço atraiu um público diferente para a biblioteca,
ampliando o número de usuários, com destaque para a ampliação das doações de itens para a
biblioteca com a intensificação da ideia de economia compartilhada na divulgação do serviço.
Dessarte, foi observado que o serviço “Biblioteca das Coisas” da BU/UDESC se caracteriza
como um caso de sucesso. Apesar de não realizar um estudo prévio com a comunidade para

�identificar as necessidades informacionais dos usuários, ela conseguiu observar resultados a partir
da ampliação do serviço para outros tipos de usuários (potenciais), além da adesão pela comunidade
identificada pela realização das doações de objetos para o acervo, tratando-se aqui do incentivo a
cultura da economia compartilhada e consumo colaborativo, sendo então uma prática que incentiva
a sustentabilidade organizacional.
5.3 BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE FEEVALE
A Biblioteca Feevale faz parte da Universidade Feevale, localizada no Estado do Rio Grande
do Sul, sendo composta por três (03) unidades físicas: a Biblioteca Gastão José Spohr – campus I
(CI), a Biblioteca Paulo Sérgio Gusmão – campus II (CII) e a Biblioteca do campus III (CIII). Ela
integra todo o processo de gestão do acervo bibliográfico, técnico e cultural da universidade,
disponibilizando os seguintes serviços: acesso e divulgação do acervo, tratamento técnico, acesso
físico e virtual do acervo, capacitações, visitas guiadas, empréstimo entre bibliotecas, empréstimo
domiciliar e a Biblioteca das coisas (UNIVERSIDADE FEEVALE, 201-?).
Foi informado, com base na P1 e na P2, que o serviço da “Biblioteca das Coisas” na
Universidade Feevale foi implantado em 2015, porém já em 2013 em um projeto denominado
“Moda em Produção da Universidade”, vinculado ao Curso de Moda, a ideia já havia sido
inicialmente desenvolvida para atender a um projeto de fomento a socialização e responsabilidade
do trabalho em grupo para produzir bolsas e vestimentas. Sendo assim, ela pode ser apontada como
uma das bibliotecas universitárias precursoras na implementação do serviço de “biblioteca das
coisas” no Brasil.
De acordo com os bibliotecários, o objetivo do serviço foi de, inicialmente, atender a
demandas de acesso a materiais que não poderiam ser localizados na biblioteca, tendo depois
aperfeiçoado para as necessidades locais mais pontuais. Com base na P3 foi relatado que o acervo
oferece os seguintes objetos para empréstimo: sacola retornável, guarda-chuva, notebook, cabos e
carregadores USB e adaptadores de tomada.
Com base na P4, foi informado que a biblioteca não realizou nenhum estudo prévio com a
comunidade. Em relação a P5, foi informado que foi possível identificar o impacto do serviço na
mudança de comportamento dos usuários, que passaram a emprestar os objetos na biblioteca com
maior frequência, além também de ser possível ter observado um aumento na doação desses
materiais para o acervo.

�Identificou-se que os resultados e experiências observados com a implementação da
“Biblioteca das coisas” na Universidade Feevale foi apresentado no Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD), no ano de 2019, por meio do
relato de experiência intitulado de “Biblioteca das coisas no contexto universitário: a experiência
da Biblioteca Feevale6”.
Assim sendo, foi possível considerar que o serviço “biblioteca das coisas” desenvolvido pela
Biblioteca da Universidade Feevale se caracteriza como um caso de sucesso. Observou-se que,
apesar de não ter sido realizado um estudo preliminar com a comunidade, o serviço foi originado
com base em um projeto de fomento a sustentabilidade, que serviu de base para a implementação do
serviço.
Quanto aos resultados alcançados, a identificação dos impactos de mudança do
comportamento dos usuários e a aderência dos usuários ao serviço, influenciou no aumento das
doações de materiais e no nº de empréstimos de materiais, caracterizando-se aqui uma influência na
cultura de economia compartilhada e consumo colaborativo na biblioteca.
5.4 BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE UNOCHAPECÓ
A Biblioteca Prof.ª Oneida Belusso integra a estrutura administrativa da Universidade
Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó. Ela está localizada no campus Chapecó e atende a
comunitária universitária e, também, a comunidade externa da região. Dentre os seus serviços e
produtos, ela oferece: acesso ao usuário, levantamento bibliográfico por meio do COMUT, acervo
online, guia do usuário, acesso aos portais de periódicos, acesso as bases de dados e bibliotecas
digitais, e a Biblioteca das coisas (UNOCHAPECÓ, 201-?).
Com base na P1 e na P2, foi informado que o serviço “Biblioteca das Coisas” foi introduzido
informalmente para teste em 2018, porém foi implantado oficialmente em 2019. A proposta do
serviço foi inspirada em cases de bibliotecas no Brasil e no exterior que implementaram como
tendência de inovação.
De acordo com a P3, informaram que o acervo do serviço é composto dos seguintes materiais:
chromebooks, guarda-chuvas, carregadores de celular, notebook, ecobags, mouse, fones de ouvido,
óculos para realidade virtual, dentre outros. Com base na P4, foi inforado que a biblioteca realizou um

6

Publicação nos Anais do CBBD, 2019: https://portal.febab.org.br/anais/article/view/2284

�estudo prévio de necessidade da comunidade para implementar o serviço, sendo possível identificar as
demandas iniciais para construir o acervo.
No que se refere a P5, foi relatado que os impactos observados após a implantação se
concentraram, principalmente, no comportamento dos usuários quanto a economia compartilhada e ao
consumo compartilhado, motivados pela política de multas da biblioteca, no qual o atraso na
devolução das obras pode ser substituído pela doação de objetos para o acervo, o que estimula o
usuário a coparticipar e contribuir na consolidação do serviço.
Outro aspecto relatado foi a ampliação do acesso ao acervo para os alunos de baixo poder
aquisitivo da universidade, que não possuem condições financeiras para adquirir determinados
equipamentos, no qual por meio da economia compartilhada houve a possibilidade do uso desses
utensílios na biblioteca.
Isto posto, observou-se que a Biblioteca Prof.ª Oneida Belusso pode ser caracterizada como
um case de sucesso quanto a implementação do serviço “biblioteca das coisas” no seu planejamento
de atividades. A realização do estudo preliminar com a comunidade para identificar as demandas
informacionais foi uma etapa fundamental para planejar o acervo. O impacto observado quanto a
adesão da comunidade no empréstimo dos objetos pode ser configurada como um incentivo à cultura
da economia compartilhada e do consumo colaborativo, visto que os usuários categorizados pela
biblioteca como “alunos de baixo poder aquisitivo” pôde ter acesso a equipamentos disponibilizados
pela biblioteca. Aponta-se, nesse caso, o claro cumprimento do exercício da biblioteca como uma
organização de fomento a prática de inclusão social.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O contexto da inovação em bibliotecas pode ser ilustrado pelas iniciativas de implementação
e desenvolvimento de ações inovadoras com fomento a serviços e produtos informacionais que
atendam às necessidades do usuário. Pensar em inovação nas unidades de informação, hoje,
significa investir em um planejamento a longo prazo para otimizar o posicionamento estratégico da
organização frente ao cenário social, ambiental e econômico.
As bibliotecas universitárias têm se destacado em algumas iniciativas de inovação em
serviços de informação, principalmente no âmbito da tecnologia, da responsabilidade social e da
sustentabilidade organizacional. Como foi apresentado no estudo, a “biblioteca das coisas” pode ser
observada como uma inovação em serviços de informação a partir do contexto social na qual a
biblioteca está inserida. Compreende-se que o objetivo da sua adoção, como prática de serviço por

�bibliotecas tradicionais, está envolto em um contexto que agrupa os princípios da economia
compartilhada, do consumo colaborativo e da sustentabilidade organizacional.
Discutiu-se nessa pesquisa, além da inovação em serviços de informação, a realidade de
algumas bibliotecas que estão desenvolvendo serviços e produtos informacionais de caráter
sustentável. Essa percepção de “inovar para sobreviver” é apresentada por Trott (2012) ao discutir
sobre a importância de inovar para além do âmbito interno da organização, ou seja, é crucial
repensar como a organização pode oferecer serviços e produtos que atendam a demanda do usuário
e, sejam viavelmente sustentáveis e contribuam para construir uma sociedade melhor.
Foi possível identificar, nos estudos de caso apresentados, um conjunto de características
que definem a “biblioteca das coisas” como um serviço de informação que potencializa o papel da
biblioteca como uma organização estratégica que viabiliza o processo de inovação na sua
comunidade. Observou-se que a influência das bibliotecas na imersão da comunidade em uma
cultura organizacional sustentável caracteriza a relevância do seu papel social. As bibliotecas
precisam estar mais centradas na necessidade do usuário e na evolução do seu comportamento como
consumidor da informação.
O movimento “library of things”, como foi apresentado nessa pesquisa, representa um
cenário prospectivo de inovação para as bibliotecas, compreendendo que a ideia da “biblioteca das
coisas” vai muito além do empréstimo de materiais não convencionais, ela aponta para um futuro
necessário de adaptação das unidades de informação como um contributo para a transformação da
sociedade em um ambiente mais sustentável, que atenda aos novos comportamentos informacionais
e tendências de consumo da informação.
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Biblioteconomia&#13;
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                <text>Tem como objetivo analisar algumas iniciativas de inovação a partir da implementação do serviço informacional “bibliotecas das coisas” em bibliotecas universitárias brasileiras, com base nas perspectivas do consumo colaborativo, da economia compartilhada e da sustentabilidade organizacional. Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória com base em uma abordagem qualitativa, cujo percurso da pesquisa foi divido em duas etapas: levantamento da literatura cientifica a partir da pesquisa bibliográfica e levantamento de informações através da ferramenta Google Trends para recuperar informações sobre bibliotecas universitárias que desenvolvem a “biblioteca das coisas” como serviço informacional no Brasil. Identificaram-se quatro bibliotecas universitárias que desenvolvem a “biblioteca das coisas” como serviço de informação no seu planejamento de atividades: Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina, Biblioteca Universitária da Universidade do Estado de Santa Catarina, Biblioteca da Universidade Feevale e a Biblioteca Universitária da Unochapecó. Discutiu-se na pesquisa a inovação em serviços de informação a partir da adoção da “biblioteca das coisas” como uma prática de fomento ao consumo colaborativo, a economia compartilhada e a sustentabilidade organizacional no contexto do planejamento de atividades das bibliotecas universitárias brasileiras analisadas. Foi possível concluir que essas iniciativas são consideradas inovações em serviços de informação, cujas propostas inovadoras estão alinhadas aos princípios da economia compartilhada, do consumo colaborativo e da sustentabilidade organizacional.</text>
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TÍTULO: O PAPEL

DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO CONTEXTO DA
INFORMAÇÃO DIGITAL

TITLE IN ENGLISH: THE

ROLE OF UNIVERSITY LIBRARIES IN THE CONTEXT OF
DIGITAL INFORMATION
Autor Robson da Silva Teixeira1

Resumo: O tema do relato de experiência é o uso do canal de vídeos da Biblioteca Plínio Sussekind Rocha do
Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro - IF UFRJ como ferramenta para desenvolver habilidades
informacionais dos usuários. O relato aponta uma problemática contemporânea a respeito da utilização de mídias
sociais nas Unidades de Informação e organização de conteúdos virtuais. Tem como objetivo avaliar a funcionalidade
do canal de vídeos da Biblioteca, objetivando assim enquadrá-lo como uma ferramenta de disseminação de informação
em consonância com as demandas do público alvo. O estudo se caracteriza na tipologia de caráter exploratório, teor
qualiquantitativo. E envolveu no seu desenvolvimento atividades ligadas a métodos e técnicas aplicados, e teve por
fontes basicamente as documentais e primárias. Os resultados indicaram que o canal de vídeos é uma importante
ferramenta para capacitar usuários na utilização de fontes de informação ligadas ao cenário científico da Física. Esperase que este relato contribua para a reflexão acerca do papel das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) nas
Bibliotecas Universitárias, de maneira que, tais instituições e seus profissionais encontrem, através dessa plataforma,
meio de comunicar, capacitar e disseminar informação. E por fim, a investigação se mostrou, no decorrer da pesquisa,
como um campo pouco explorado na literatura especializada.

Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Serviço de Referência. Canal de vídeos na Internet. Mídias Sociais.
Tecnologia da Informação e Comunicação.

Abstract: The theme of the experience report is the use of the video channel of the Pliny Sussekind Rocha Library of
the Institute of Physics of the Federal University of Rio de Janeiro - IF UFRJ as a tool to develop informational skills of
its users. The report points to a contemporary problem regarding the use of social media in the Information Units and
organization of virtual content. It aims to evaluate the functionality of the library's video channel, thus aiming to frame
it as a tool for disseminating information in line with the demands of the target audience. The study is characterized in
the exploratory typology, qualiquantitative content. And involved in its development activities related to applied
methods and techniques, and had basically documentary and primary sources. The results indicated that the video
channel is an important tool to train users in the use of information sources linked to the scientific scenario of Physics.
It is expected that this report will contribute to the reflection on the role of Information and Communication
Technologies (ITCs) in university libraries, so that such institutions and their professionals find, through this platform, a
means of communicating, empowering and disseminating information. Finally, the investigation proved, in the course
of the research, as a field little explored in the specialized literature.

Keywords: University Library. Reference Service. Internet video channel. Social Media.Information and
Communication Technology.

INTRODUÇÃO
O tema do relato de experiência é o uso do canal de vídeos da Biblioteca Plínio Sussekind Rocha do Instituto de
Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro - IF UFRJ, identificado no relato com a nomenclatura Biblioteca do IF
1

Doutor em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST). Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.
teixeira@if.ufrj.br

�UFRJ ou simplesmente Biblioteca IF, e tem como função ser ferramenta para desenvolver habilidades
informacionais dos usuários. Para tanto, a Biblioteca utiliza uma plataforma de compartilhamento de vídeos disponível
na Internet2.
O relato aponta para uma problemática contemporânea a cerca do papel das Bibliotecas Universitárias no
contexto da informação digital. Elas têm como função desenvolver competências e habilidades para que os usuários
saibam gerenciar a informação e transformá-la em conhecimento. Ou seja, sinaliza questão atual e relevante a respeito
da utilização de mídias sociais nas Unidades de Informação e organização de conteúdos virtuais.
Porém, segundo Assmann (2000, p. 8) “as bibliotecas vivem atualmente um momento de redescoberta, onde são
cobradas para que melhorem a qualidade dos serviços prestados aos seus usuários, ao mesmo tempo que há uma
explosão de recursos e fontes de informação eletrônicos”. Segundo a autora, “desenvolver produtos e serviços acertivos
aos usuários das bibliotecas através das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs é o desafio da Era da
Informação” (ASSMANN, 2000, p. 8).
No entanto, faz-se importante ressaltar que as Bibliotecas Universitárias desempenham um papel fundamental no
processo educacional no contexto universitário, a partir do apoio a pesquisa, ensino e extensão e oferecem suporte ao
aprendizado por meio do acesso à informação. Além disso, também apresentam serviços voltados ao ensino de métodos
e técnicas de busca e uso da informação e exploração de recursos informacionais, a fim de desenvolver as habilidades
informacionais dos seus usuários.
O desafio portanto é adaptar os recursos informacionais ao ambiente Internet, permitindo assim desenvolver
habilidades informacionais neste novo contexto, ou seja, o que falta é o aprimoramento e uso acertivo das mídias
sociais.
Neste sentido, compete às Bibliotecas Universitárias prover à comunidade acadêmica de recursos de informação,
oferecendo serviços e produtos diferenciados, como por exemplo, um canal de vídeos na Internet como ferramenta para
desenvolver habilidades informacionais do público alvo (PUPO, MELO, FERRES, 2008).
Dentro desta realidade, pode-se afirmar que há uma expressiva oportunidade de estudos para o Serviço de
Referência em Bibliotecas Universitárias. Cabe às universidades zelar pela excelência na prestação de serviços e
produtos. Corroborando Anjos e Martins (2012, p. 90) ressalta que é papel das Bibliotecas Universitárias, entendidas
neste relato de experiência como sendo as Unidades de Informação, oferecerem serviços e produtos especializados,
agregando valor, com criatividade em sua realização e formato, sem perder o foco nos usuários e na satisfação de suas
necessidades de informação.
É na perspectiva de facilitar o acesso à informação científica e tecnológica na área de Física que se insere o
presente relato, que visou à constituição de um canal de vídeos dinâmico, ágil e eficaz, que permita a busca de todo um
conjunto de conteúdos digitais originários da pesquisa e do ensino gerados pela comunidade científica do Instituto de
Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.
Elaborar questão é a etapa importante de todo e qualquer relato de experiência, assim, a fim de realizar uma
pesquisa relevante, que gere desdobramentos positivos na prática profissional, foi necessário elaborar questões
importantes dentro da temática escolhida e que sejam factíveis em sua realidade profissional. Portanto, dentro deste
cenário indagou-se:
Qual a importância de um canal de vídeos no contexto da informação digital, objetivando desenvolver
habilidades informacionais dos usuários?
2

YouTube é uma plataforma de compartilhamento de vídeos criada em fevereiro de 2005. Hospeda uma
grande variedade de filmes, videoclipes e materiais caseiros. A plataforma desenvolveu uma nova forma para
pessoas se entreterem, se educarem uma maneira como nunca foi vista. Os canais de YouTube permitem a
difusão de trabalhos ou de informações e ensinamentos variados. Por outro, são usadas estratégias de
Marketing com o objetivo de captura da atenção, de partilhas ou mesmo no encaminhamento para consumos
(de produtos ou de serviços) A tecnologia de reprodução dos vídeos do YouTube é baseada no Adobe Flash
Player. Essa tecnologia permite que o site exiba os vídeos com qualidade comparável a tecnologias mais
estabelecidas no mercado (como o Windows Media Player, QuickTime e RealPlayer) que geralmente
requerem um download e instalação de um plugin no navegador para a visualização. Fonte: Google lança
novo canal Youtube Edu. Disponível em: https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,google-lanca-novocanal-youtube-edu,1099490. Acesso em: 02 set. 2021.

�A ideia de desenvolver o canal de vídeos da Biblioteca do IF surgiu a partir do questionamento dos usuários
sobre a capacidade do Serviço de Referência de uma Biblioteca Universitária em atender de forma satisfatória às suas
necessidades. A partir desse questionamento e da constatação de que a Unidade de Informação necessitava de um canal
dinâmico e atual para capacitação e disseminação da informação, surgiu à necessidade de desenvolver o canal de vídeos
da Biblioteca do IF UFRJ.
Fato comprovado pela pesquisa de Teixeira (2018, p. 178), que no primeiro semestre de 2018 elaborou uma
pesquisa com 176 usuários sobre o Serviço de Referência da Biblioteca do IF UFRJ. A partir desta pesquisa de
avaliação chegou-se a alguns resultados que demandam ações a serem implementadas para otimizar o Serviço de
Referência, pois o serviço foi considerado relevante pela comunidade acadêmica do IF UFRJ, o que motivou o
engajamento da equipe para a criação do produto - canal de vídeos da Biblioteca do IF UFRJ (TEIXEIRA, 2018, p.
178).

Dentro desta perspectiva, complementa-se que os resultados da citada pesquisa permitiram
concluir que independente do Serviço de Referência está informatizado, ainda há muito trabalho a
ser realizado. Ele necessita de constantes revisões, ajustes e criação de novos canais de informação
através das mídias sociais (TEIXEIRA, 2018, p. 178).
Portanto, o movimento de criar um canal de informação baseado nas atuais mídias sociais é uma iniciativa dos
profissionais da informação da Biblioteca do IF UFRJ para enfrentamento aos desafios impostos pelas novas
Tecnologias da Informação e Comunicação, que alteraram significativamente a forma das Bibliotecas Universitárias
oferecerem produtos e serviços ao público alvo, fazendo com que elas tivessem que reavaliar e/ou adaptar seus produtos
e serviços.
Outra justificativa pertinente, que se fez presente no intuito de desenvolver o relato de experiência está voltada
para o “novo normal”, ou seja, durante a pandemia da COVID-193, com as medidas de distanciamento social que
levaram as instituições de ensino em todo o mundo a fecharem temporariamente os seus espaços físicos, as mídias
virtuais despontaram como alternativa de divulgação e possibilidade de serem ferramentas para oferecer produtos e
serviços voltados ao ensino de métodos e técnicas de busca e uso da informação e exploração de recursos
informacionais, a fim de desenvolver as habilidades informacionais dos usuários.

Portanto, o presente relato de experiência tem como objetivo avaliar a funcionalidade do canal
de vídeos da Biblioteca do IF UFRJ, objetivando assim enquadrá-lo como um instrumento de
disseminação de informação em consonância com as demandas dos usuários. Dentro desta
perspectiva, delimitou-se aos seguintes objetivos específicos: Identificar e descrever o quantitativo
de vídeos do canal da Biblioteca do IF produzido no período de outubro de 2019 a agosto de 2021;
Identificar o número de inscritos no canal no mesmo período; Identificar e analisar as visualizações
dos referidos vídeos no período temporal relatado.
Dessa forma, este relato de experiência, para fins didáticos, apresenta-se subdividido em seções que tratam
respectivamente da Biblioteca Universitária e o Setor de Referência; histórico da Biblioteca do Instituto de Física da
Universidade Federal do Rio de Janeiro; assim como aborda o seu canal de vídeos. A respectiva metodologia utilizada
pra criar e organizar a ferramenta; e por fim, apresenta os resultados, considerações finais e a lista de referências
utilizadas.

3

É uma doença causada pelo novo tipo de coronavírus identificado neste ano, que leva o nome de SARSCoV-2. Em 31 de dezembro de 2019, o escritório da Organização Mundial de Saúde na China foi informado
sobre casos de pneumonia de causa desconhecida, detectada na cidade de Wuhan, na província de Hubei.
Entre 31 de dezembro de 2019 e 3 de janeiro de 2020, um total de 44 pacientes foram notificados. Em 7 de
janeiro as autoridades chinesas identificaram em exames laboratoriais que a causa era um novo tipo de
coronavírus.Segundo a Fiocruz o Coronavírus chegou ao Brasil em janeirode 2020. Em 26 de fevereiro,
quando foi anunciado oficialmente o primeiro caso, o vírus já circulava pelo país fazia um mês. Fonte:
Secretaria de saúde do Rio Grande do Sul. Disponível em:https://coronavirus.rs.gov.br/o-que-e. Acesso em:
23 de dezembro 2020.

�BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E AS MÍDIAS SOCIAIS: CONSTRUINDO DEFINIÇÕES E
TEORIAS
Para Batista (2011, p. 61) “mídias sociais são ambientes disponibilizados na Internet que permitem aos
indivíduos compartilhar opiniões, ideias, experiências e perspectivas com os outros indivíduos. Estas mídias podem
permitir tanto a construção das redes sociais como a construção de comunidades virtuais”. Diante da ampla
possibilidade de interação, o uso de mídias sociais em vários setores da sociedade ganhou força e se estendeu também
às Bibliotecas Universitárias, já que suas funcionalidades proporcionam recursos possíveis de interagir, capacitar,
disseminar e comunicar-se com seus usuários (PRADO; CORREA, 2016; VIEIRA; BAPTISTA; CERVERÓ, 2013).
Dentro deste contexto, destaca-se a ferramenta utilizada pela Biblioteca do IF UFRJ, o canal de vídeos na
Internet, conhecido como plataforma de compartilhamento de vídeos4. De acordo com Muriel-Torrado e Gonçalves
(2017, p. 111), “os vídeos são um complemento ideal dentro da estratégia de capacitação de usuários interpostos pelas
mídias sociais”.
Observa-se ser evidente que as mídias sociais possibilitam a interação e a comunicação com o usuário das
Bibliotecas Universitárias e são significantes para a atuação do bibliotecário como disseminador de informação em
meio a um público que está conectado a diversos tipos de tecnologias, este é um caminho de aproximação com usuários
reais e potenciais (SALCEDO; ALVES, 2018).
Portanto, como parte integrante da Universidade, a Biblioteca Universitária pode ser definida, conforme Gomes
(2000, p. 65) como
[...] uma biblioteca dedicada ao fornecimento de suportes informacionais às instituições de
ensino superior para desempenhar suas atividades de ensino, pesquisa e extensão
universitária.
Esta unidade atua em um contexto acadêmico, desempenhando um papel importante para o desenvolvimento do
país. E vê nas novas Tecnologias da Informação e Comunicação uma parceira neste processo.
Portanto, os Sistemas de Informação e as Tecnologias da Informação e Comunicação nas instituições de ensino
representam, para a sociedade, potenciais ganhos de eficiência no uso de recursos, com impactos na produtividade e na
competitividade em um cenário nacional e internacional cada vez mais globalizado e competitivo. Desse modo, o
referencial teórico calcou-se, também, em alguns estudos sobre Sistemas de Informação.
Segundo Silva (2008, p. 11):
O Sistema de Informação pode ser tecnicamente definido como um conjunto de
componentes interrelacionados que coleciona ou recupera, processa e distribui informação.
Segundo a autora, os Sistemas de Informação priorizam adequar/adaptar, de forma constante, coleções e
arquivos disponíveis às necessidades de seus usuários, ordenando a demanda no uso do serviço para satisfação do
usuário (SILVA, 2008). Tendo em vista compreender as características do Serviço de Referência e Informação de uma
Biblioteca Universitária o estudo partiu para a sua definição que, conforme as ideias de Alves (2006), Serviço de
Referência é “o serviço pessoal prestado pelos profissionais da informação aos usuários na busca por informações”.
Assim, o serviço representa a relação direta entre a informação e o usuário, através do bibliotecário, que
responde às questões e auxilia com seus conhecimentos profissionais. Esta conceituação mais ampla do Serviço de
Referência e Informação permite vislumbrar o Setor de Referência na sua completude e a correta disseminação dos
recursos de informação disponíveis.
Acredita-se que este pensamento de Burin e Hoffmann (2015) vem de encontro com o papel desempenhado pela
Biblioteca do IF UFRJ no momento que ela pensou na criação de um canal de vídeos pela plataforma digital. Ou seja, as
Bibliotecas Universitárias estão diante de uma gama de oportunidades, via Internet, para melhorar o atendimento aos
seus usuários, e o surgimento dos canais de vídeos é uma dessas vias de melhorar os serviços e produtos oferecidos
através do Serviço de Referência.

4

Biblioteca do IF UFRJ. YOUTUBE. Disponível em: https://www.youtube.com/channel/UCHRoKh6bF1uZLY8rndZPIeA.
Acesso em: 09 set. 2021.

�Dentro desta perspectiva, e tendo como norte o uso das mídias sociais no Serviço de Referência das Bibliotecas
universitárias, pode-se afirmar que “as mídias sociais são sites na Internet que permitem a criação e o compartilhamento
de informações e conteúdos pelas pessoas e para as pessoas, nas quais o consumidor é ao mesmo tempo produtor e
consumidor da informação” (TORRES, 2009, p.113). Neste sentido, o serviço digital pelas redes sociais pode ser visto
como uma ferramenta fundamental para a prestação de serviços de referência aos usuários, uma vez que otimiza a
prestação de serviços e promove o acesso rápido ao trabalho prestado.
Considera-se as redes sociais digitais como um meio de possibilidades, estabelecido a partir dos elementos
virtuais e das relações entre os usuários. Estão inseridas no ciberespaço (LÉVY, 1999) cujo crescimento é agenciado
pela conexão entre computadores e celulares. Ou seja, reflete a necessidade de capacitação de pessoas para atuar nesse
novo contexto das mídias sociais, visando garantir o desenvolvimento do potencial dessas tecnologias e sua utilização
de forma eficiente.
Por assim dizer, “as redes consistem não apenas em pessoas e grupos sociais, mas também em artefatos,
dispositivos e entidades” (SANTAELLA; LEMOS, 2010, p. 40), isto é, consistem na interrelação entre sistemas de
objetos, e pessoas, pois “uma rede social é sempre um conjunto de atores e suas relações” (RECUERO, 2011, p. 69),
caracterizando-se como “[...] sites na Internet que permitem a criação e o compartilhamento de informações e conteúdos
pelas pessoas e para as pessoas” (TORRES, 2009, p. 113), onde os consumidores dos conteúdos aí veiculados são, ao
mesmo tempo, produtores e consumidores dos mesmos através da informação.
Pode-se afirmar que, neste período técnico-científico-informacional, a Internet, através das Tecnologias da
Informação e Comunicação (TICs), como possibilidade de comunicação e informação está modificando a maneira como
as pessoas se relacionam, se capacitam, aprendem e se comunicam. Nesse sentido, uma “convergência dos momentos”
(SANTOS, 2021, p. 196) se configura no substrato sócio-espacial em que se conjugam, num mesmo direcionamento,
mídia e TICs configurando, em grande medida, o aumento das redes sociais digitais que se tornam latentes na cultura e
sociedade contemporâneas.
Por outro lado, nas relações estabelecidas pelas redes sociais digitais existe o poder simbólico, isto é, um “poder
invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou
mesmo que o exercem” (BOURDIEU, 2010, p. 7-8). Neste sentido, em sua forma estruturante (meio comunicacional) é
possível encontrar a força das instituições de ensino, que dominam sobremaneira as ideais. Conforme Castells (2000),
as redes sociais digitais se configuram como a nova forma de organização social, quando diz que as
[...] redes constituem a nova morfologia social de nossa sociedade, e a difusão da lógica de
redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e
de experiência, poder e cultura. (CASTELLS, 2000, p. 497).
Para Santos (2014), tais aparatos de comunicação e informação representam uma simbiose extremamente
significativa entre as instituições de ensino superior público e o desejo latente dos indivíduos por se relacionarem
através dessas ferramentas comunicacionais. Nos dias atuais, é notório que as redes digitais, possibilitadas pelos
diversos objetos comunicacionais (computadores, celulares com acesso à Internet etc.), permitem que as pessoas criem
novos espaços sociais de relacionamento.
O autor ainda destaca que as redes sociais possibilitadas pela Internet estão gerando novas maneiras de
comunicação, novas formas de contato social. Nesse sentido, em função da rápida ascensão desses dispositivos e de
inter-relações diversas em evolução contínua, impõem-se a necessidade de implementação desses recursos em
Bibliotecas Universitárias.
Dentro deste cenário, Ferreira (2015) relata a importância do uso do canal de vídeos como ferramenta de
informação e comunicação em vários setores, incluindo aí também o ambiente de Unidades de Informação. Segundo o
autor, o uso desse recurso tem como um dos objetivos estabelecer um canal de comunicação com os seus usuários, que
através dele se capacitam e disseminam informação (FERREIRA, 2015).
Nesse contexto, conforme Shiozawa (2020), tem-se observado uma forte tendência de crescimento no uso de
mídias sociais, demonstrando o pioneirismo do uso das novas TICs no processo de comunicação nos variados
ambientes, como por exemplo nas Bibliotecas Universitárias e/ou Unidades de informação.
Portanto, pode-se afirmar que soluções simples, voltadas a inovação em Serviço de Referência em Bibliotecas
Universitárias, através da apropriação de um canal de vídeos via redes móveis revelam como as plataformas digitais
podem potencializar as relações tradicionais entre bibliotecas e usuários, mas não somente modificar a dinâmica das
relações de uso dos serviços e produtos das bibliotecas, mas também capacitar, otimizar e transformá-las em
mecanismos de excelência.

�O CANAL DE VÍDEOS DA BIBLIOTECA DO IF UFRJ
As Bibliotecas da UFRJ obedecem às normas estabelecidas pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (SiBI/UFRJ), que tem o objetivo de dar apoio aos programas de ensino, pesquisa e extensão,
desenvolvendo-se de acordo com o planejamento da Instituição e formando o seu acervo em consonância com as
ementas das diferentes disciplinas oferecidas, em nível de graduação e de pós-graduação.
Compondo o SiBI/UFRJ, a Biblioteca Plínio Sussekind Rocha, vinculada ao Instituto de Física, tem um acervo
de aproximadamente 13.000 livros e 267 títulos de periódicos (nacionais e estrangeiros). E seu público alvo são alunos
de graduação, pó-graduação, professores e funcionários, perfazendo um total de 2.847 usuários inscritos na Biblioteca
(2017-2020)5.
Dentro deste contexto, o canal de vídeos da Biblioteca do IF UFRJ foi criado em 2019 com a intenção de
facilitar o processo de busca de informação, assim como viabilizar um espaço colaborativo de informação e
conhecimento, abarcando uma gama de vídeos voltados para a comunidade acadêmica da Física e áreas afins. Sendo a
Biblioteca do IF UFRJ uma unidade com tradição de pesquisa consolidada, levou-se em consideração para a elaboração
do referido canal os benefícios que os interessados buscam como ganhar tempo na obtenção de dados ou, segundo
Arellano (2001, p. 12), de "informação útil e relevante via fontes de informação especializadas [...]". Neste diapasão, as
Unidades de Informação estão sendo designadas para cumprir essa função por facilitarem o acesso simples e efetivo a
recursos online.
As atuais Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) acarretaram mudanças no acesso à informação e
consolidaram a Internet como fonte de informação ampla e multivariada. Esta afirmativa encontra respaldo nas
argumentações de Prado, Peruzzo e Ohira (2005, p. 77), quando eles dizem que “por meio da Internet muitos produtos e
serviços passaram a ser oferecidos, gerando uma maior promoção das Unidades de informação”. Dentre elas, dá-se
destaque aos canais de vídeos das Bibliotecas universitárias, que necessitam de um planejamento e monitoramento para
obterem bons resultados.
A implementação do canal de vídeos tem como missão facilitar o acesso dos alunos, professores e funcionários à
informação e fornecer suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão. E nesse sentido, a principal motivação para
o desenvolvimento do canal consistiu em agir conforme as necessidades do público alvo e capacitá-los no uso dos
produtos e serviços prestados pela Biblioteca Plínio Sussekind Rocha do Instituto de Física da Universidade Federal do
Rio de Janeiro – IF UFRJ.

FABRICANDO UMA METODOLOGIA
A metodologia utilizada no presente relato de experiência foi de cunho quantitativo/qualitativo. E em se
tratando da metodologia, o relato se formaliza na tipologia de caráter exploratório 6, e apoiado em fontes documentais
primárias. O estudo se classifica, também, como pesquisa documental7. E envolveu no seu desenvolvimento atividades
que aplicaram recursos ligados a métodos e técnicas para a investigação.

Quanto aos fins, o estudo é descritivo, pois expõe características de determinada população
ou de determinado fenômeno (usuários da Biblioteca do IF UFRJ), isto é, informações sobre
5

Panorama do Sibi. Disponível em: http://www.sibi.ufrj.br/index.php/estatisticas-panorama. Acesso em: 07
set. 2021.
6
A pesquisa exploratória tem como objetivo maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo mais
explícito ou a construir hipóteses. A maioria dessas pesquisas envolve: levantamento bibliográfico,
entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos
que estimulem a compreensão. Fonte: GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed.São Paulo: Atlas, 2010.
7
A pesquisa documental é um tipo de pesquisa que utiliza fontes primárias, isto é, dados e informações que
ainda não foram tratados científica ou analiticamente. Permite fazer análises qualitativas sobre determinado
fenômeno, mas também é possível fazer análises quantitativas, quando se analisam bancos de dados com
informações numéricas.Fonte: J. R , Sá-Silva; C. D. Almeida and J. F. Guindani. “Pesquisa
documental: pistas teóricas e metodológicas.”Revista Brasileira de História &amp; Ciências Sociais, São
Leopoldo, ano. I, n.I, jul. 2009. 15 p.

�situações específicas e relacionadas de forma a proporcionar a visualização de uma totalidade (GIL,
2007). Além disso, segundo Gil (2007), utilizou-se o levantamento de dados, que é um
procedimento metodológico.
Portanto, este método de pesquisa foi desenvolvimento através de uma metodologia dividida
em procedimentos metodológicos. E utilizou-se, também, levantamento estatístico dos vídeos do
canal da Biblioteca IF UFRJ8, que é a plataforma de análise.
O primeiro procedimento metodológico foi levantamento de dados, ou seja, quantificar os vídeos existentes no
canal da Biblioteca, no período de 08 outubro de 2019 (data que o canal foi criado) e 09 agosto de 2021 (data da
postagem do último vídeo analisado);
Já o segundo procedimento consistiu em identificar quais eram os vídeos mais assistidos do canal. Para tanto,
baseou-se no número de visualizações do vídeo, através das informações disponíveis no endereço eletrônico:
www.youtube.com, pesquisa: biblioteca IF UFRJ, número de visualizações;
Em seguida, elaborou-se o levantamento de dados para calcular a movimentação dos vídeos no canal da
Biblioteca num determinado tempo, ou seja, número de novas visualizações; novos inscritos e quais os vídeos mais
acessados no período de 13 de julho a 9 de agosto de 2021. Nesta etapa, utilizou-se também, a plataforma de análise;
O quarto procedimento metodológico estava voltado para identificar os tipos de origem de tráfego 9, isto é, quais
os locais onde os usuários acessaram os vídeos do canal da Biblioteca IF UFRJ. Cabe ressaltar que o acesso pode ser de
dois tipos: 1. Interno: através do canal Youtube; 2. Externo: via redes social (aplicativo de mensagem), ou e-mail.
Por fim, o último procedimento analisou o desempenho do canal Biblioteca IF UFRJ, período 14 de dezembro de
2020 a 10 de agosto de 2021, desempenho do vídeo nas primeiras 24 horas. Foco da análise: 1. visualização, 2.
impressões, 3. taxas de cliques de impressões; 4. duração média da visualização; e 5. porcentagem de visualizada
média.

RESULTADOS
Como dito anteriormente, o canal de vídeos da Biblioteca do IF UFRJ foi criado em 08 de outubro de 2019. E até
o dia 10 de agosto de 2021, contava com 17 vídeos; 123 inscritos e 2.518 visualizações.
Desde total de vídeos baixados no canal da Biblioteca, 08 são voltados exclusivamente ao intuito de desenvolver
habilidades informacionais dos usuários (47,05%), outros 03 representam lives, ou seja, entrevistas com os professores
do Instituto de Física (17,65%). Já 04 vídeos destacam os produtos e serviços da Biblioteca do IF UFRJ (23,53%) e os
outros últimos 02 vídeos (11,77%) são sobre assuntos diversos, identificado como “outros” (vide Gráfico 1).

8

Youtube Studio é uma ferramenta que facilita o gerenciamento dos canais com o objetivo de manter a
produtividade. Com isso, o criador de conteúdo pode conferir estatísticas, responder comentários, receber
notificações personalizadas etc. Fonte: Praticidade para gerenciar conteúdos: o que é Youtube Studio?
Disponível em: https://blog.eadplataforma.com/tecnologia/o-que-e-youtube-studio/#. Acesso em: 27
agosto de 2021.
9

O relatório de tipos de origem de tráfego mostra como os visitantes encontraram o
seu conteúdo no YouTube e em origens externas. O relatório externo mostra os
Websites (utilizadas para fazer referência a uma página ou a um agrupamento de
páginas relacionadas entre si, acessíveis na internet através de um determinado
endereço) e as apps (aplicativos como Whatsapp) externos específicos onde os
visitantes encontraram o seu conteúdo. Fonte: Suporte Google. Disponível em:
https://support.google.com/youtube/answer/9314355?hl=pt. Acesso em: 27 agosto
de 2021.

�Gráfico 1. vídeos do canal da Biblioteca do IF UFRJ

Vídeos do canal
50.00%

45.00%
40.00%
35.00%
30.00%
25.00%
20.00%
15.00%
10.00%
5.00%
0.00%
Habilidade
informacional

Live

Produto e serviço

Outros

Fonte: o autor, 2021.

Dentre os oito vídeos voltados para desenvolver habilidades informacionais dos usuários da
Biblioteca do IF UFRJ, selecionou-se quatro vídeos direcionados, especificamente, ao
desenvolvimento de competência informacional dos usuários. Isto é, os vídeos foram desenvolvidos
com o objetivo de capacitar o público alvo da biblioteca sobre as fontes de informação para estudo,
pesquisa e extensão. São eles: Base Minerva – UFRJ, catálogo eletrônico para acesso ao acervo
(livros) das Bibliotecas da UFRJ. A Base Minerva é um Catálogo de acesso público online que
reúne e recupera o acervo catalogado em todas as Bibliotecas da UFRJ. A Base Minerva também
oferece acesso a textos completos de várias dissertações e teses, além de acesso a E-books (livros
eletrônicos).
O outro é um Vídeo explicativo com o passo a passo para pesquisa na base de Livros
Eletrônicos (E-books) da EBSCO10. A coleção contém uma vasta seleção de livros eletrônicos
multidisciplinares, garantindo assim que os usuários tenham acesso a informações relevantes para
as suas necessidades de pesquisa e estudo.
O terceiro vídeo é o passo a passo para pesquisa no Portal CAPES, que é um portal de
periódicos (revistas científicas), ou seja, uma biblioteca virtual que reúne e disponibiliza o melhor
10

EBSCO.Business Source Complete Business Source Complete é a mais completa base de dados
acadêmica na área de negócios do mundo. Oferece conteúdo bibliográfico, texto completo, índices e resumos
de periódicos científicos acadêmicos, relatórios econômicos, perfis de empresas, etc. Fonte: Ebsco.
Disponível em: https://sistema.bibliotecas-bdigital.fgv.br/bases/ebsco-business-sourcecomplete#:~:text=EBSCO.%20Business%20Source%20Complete%20Business%20Source%20Complete%2
0%C3%A9,cient%C3%ADficos%20acad%C3%AAmicos%2C%20relat%C3%B3rios%20econ%C3%B4mic
os%2C%20perfis%20de%20empresas%2C%20etc. Acesso em: 02 set. 2021.

�da produção científica nacional e internacional. Para as áreas de Física, Astronomia e Astrofísica
são mais de 1.100 títulos de periódicos.
E por fim, o vídeo sobre Ficha Catalográfica, que é um serviço disponível para os alunos da
Pós-graduação do IF UFRJ na etapa final de elaboração da tese e/ou dissertação.
No entanto, faz-se importante ressaltar que todos os vídeos produzidos têm como objetivo assessorar o usuário,
de todos os níveis acadêmicos, da Biblioteca do IF UFRJ. Segue abaixo, a descrição de todo o acervo de vídeos da
mídia social da Unidade de Informação:

Quadro 1. Vídeos do canal do Youtube da Biblioteca do IF UFRJ
TÍTULO
CATEGORIA
1. Museu Virtual do IF UFRJ – Coleção de
Instrumentos Científicos
Produto/ serviço
2. Live – Biblioteca do IF Entrevista a Professor Live
Fernando Nicacio;
3. Passo a passo – Reserva On-line na Base
Minerva/UFRJ
Habilidade informacional
4. Tutorial de Acesso a E-books na Ebsco Host
Habilidade informacional
5. Biblioteca do IF na live do SIBI – Dia do Outros
bibliotecário 2021
6. Passo a passo – Renovação online
Habilidade informacional
7. Passo a passo – Empréstimo Entre Bibliotecas – Habilidade informacional
EEB
8. Íntegra da live com o professor
Maurício Live
Pamplona sobre a licenciatura
9. Íntegra da live com o professor Carlos Zarro sobre Live
a graduação no IF/UFRJ
10. Física Médica – Guia da Biblioteca do IF
Produto/ serviço
11. Passo a passo – Acesso Remoto ao Portal CAPES Habilidade informacional
12. Passo a passo – Gerador de ficha catalográfica
Habilidade informacional
13. Quarentena Serviços oferecidos pela equipe da Outros
Biblioteca remotamente
14. Quarentena Emissão de Nada Consta enquanto as Produto/ serviço
atividades estiverem sendo efetuadas de forma remota
15. Pesquisa de periódico na Base Minerva/UFRJ
Habilidade informacional
16. Pesquisa de livro na Base Minerva/UFRJ
Habilidade informacional
17. Você conhece os serviços da Biblioteca do Produto/ serviço
IF/UFRJ?
Fonte: Canal: Biblioteca do Instituto de Física UFRJ (2021).
Quando o relato de experiência se debruça nas visualizações do canal da Biblioteca do IF e tendo como recorte
temporal o período de 08 outubro de 2019 (data que o canal foi criado) e 09 agosto de 2021 (data da postagem do
último vídeo analisado), os três vídeos com as maiores visualizações foram: Você conhece os serviços da Biblioteca do
IF/UFRJ?, com 517 visualizações; em segundo lugar: Passo a passo – Gerador de ficha catalográfica, com 406
visualizações; e por fim o video: Passo a passo – Acesso Remoto ao Portal CAPES, com 290 visualizações.
Num total de 1.213 visualizações dos vídeos no período pesquisado; conforme quadro abaixo:

�Quadro 2. Vídeos do canal do Youtube da Biblioteca do IF UFRJ
TÍTULO
1. Você conhece os serviços da Biblioteca do IF/UFRJ?
2. Passo a passo – Gerador de ficha catalográfica
3. Passo a passo – Acesso Remoto ao Portal CAPES
TOTAL
Fonte: Canal: Biblioteca do Instituto de Física UFRJ (2021).

VISUALIZAÇÕES
517
406
290
1.213

Este relato fez, também, um levantamento de dados das visualizações, usuários inscritos no canal e principais vídeos
acessados. O estudo possui recorte entre o período de 13 de julho a 9 de agosto de 2021, num total de 28 dias.
Percebeu-se que o canal da Biblioteca do IF UFRJ avaliado neste desenho temporal, têm os seguintes resultados: 235
visualizações, 11 inscritos e 6 principais vídeos acessados, o que demonstra o excelente desempenho do canal num
curto espaço de tempo, isto é, vinte e oito dias de análise do canal na plataforma digital. Fato comprovado através do
quadro abaixo:

Quadro 3. Vídeos do canal do Youtube da Biblioteca do IF UFRJ
TÍTULO
DURAÇÃO
MÉDIA
VISUALIZAÇÃO (%)
1. Museu Virtual do IF UFRJ – Coleção de 1:46 (27,7%)
Instrumentos Científicos
2. Passo a passo – Gerador de ficha 1:26 (47,5%)
catalográfica
3.
Pesquisa
de
livro
na
Base 0:56 (17,2%)
Minerva/UFRJ
4. Você conhece os serviços da Biblioteca 2:15 (34,9%)
do IF/UFRJ?
5. Tutorial de Acesso a E-books na Ebsco 0:46 (19,4%)
Host
6. Passo a passo – Renovação online
0:42 (38.3%)
Fonte: Canal: Biblioteca do Instituto de Física UFRJ (2021).

DE VISUALIZAÇÕES
123
20
19
15
14
9

Na plataforma de compartilhamento de vídeos, o termo tráfego se refere à movimentação de usuários que
navegam entre páginas no espaço cibernético. Ou seja, o tráfego na internet trata do fluxo de usuários. Por
isso, gerar tráfego significa atrair atenção, estabelecer relacionamentos, capacitar, segmentar a audiência e dialogar com
seu público-alvo
Dentro deste cenário, o relato de experiência analisou os tipos de origem de tráfego do canal de vídeos da
Biblioteca do IF UFRJ, isto é, como os visitantes encontraram o conteúdo do canal. Portanto, levantamento de dados
gerou os seguintes resultados: Externa (36,2%); Origem direta ou desconhecida (22,1%); Páginas do canal (14,0%);
Pesquisa do Youtube (13,2); Vídeos sugeridos (5,1%); Outros (94%). Conforme gráfico abaixo:

�Gráfico 2. Tipos de origem de tráfego

Fonte: Canal: Biblioteca do Instituto de Física UFRJ (2021)
A importância dos vídeos nas redes sociais no contexto do campo da Física é cada vez mais reconhecida, os
dados demonstraram que os vídeos do canal da Biblioteca do IF são mais acessados de forma externa, isto é, via rede
social (Whatsapp, Twitter, Instagram) ou por E-mail, o que reforça o trabalho bem sucedido na divulgação dos serviços
e produtos através das redes sociais da Biblioteca do IF UFRJ e do e-mail institucional.
A partir da analise da plataforma de vídeo online, apresentou-se uma lista dos vídeos mais vistos nas primeiras
24 horas, isto quer dizer, contém os principais vídeos online que receberam o maior número de visualizações em até 24
horas após o lançamento no canal da Biblioteca do IF UFRJ. Isto significa que, quando analisou-se o canal de vídeos,
delineando os vídeos baixados no período de 14 de dezembro de 2020 a 10 de agosto de 2021, desempenho do vídeo
nas primeiras 24 horas, têm-se os seguintes resultados:

�Gráfico 3. Desempenho do vídeo em 24 horas

Fonte: Canal: Biblioteca do Instituto de Física UFRJ (2021)
Como resultado dessa análise pode-se afirmar que os vídeos com os melhores desempenhos nas primeiras vinte e
quatro horas foram: Museu virtual do IF UFRJ; em seguida “Tutorial de Acesso aos E-books; depois o vídeo com a live
Biblioteca IF com o professor Fernando Nicacio.
O quarto vídeo no ranking foi Biblioteca do IF live com o Professor Zarro, e logo depois o vídeo de treinamento
de como fazer a reserva online de livros. Em seguida, a íntegra da live com o coordenador do curso de licenciatura em
Física Professor Maurício Pamplona.
Já o sexto vídeo com melhor desempenho foi outro vídeo de capacitação de usuário, “o passo a passo para
renovação de online de livros” e por último, outro importante vídeo para desenvolver habilidades informacionais dos
usuários, “Passo a passo para empréstimos entre bibliotecas”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O relato de experiência abordou o canal de vídeos da Biblioteca Plínio Sussekind Rocha do Instituto de Física da
Universidade Federal do Rio de Janeiro - IF UFRJ como ferramenta para desenvolver habilidades informacionais dos
seus usuários. Para tanto, a Biblioteca utiliza uma plataforma de compartilhamento de vídeos disponível na Internet.

�Os resultados da análise dos dados levantados e interpretados encaminharam verificar que uma parcela
significativa dos vídeos baixados no canal da Biblioteca do IF UFRJ estão voltados, exclusivamente, ao intuito de
desenvolver habilidades informacionais dos seus usuários. E, como já explicitado, cabe ressaltar que todos os vídeos
produzidos têm como objetivo assessorar o usuário de todos os níveis acadêmicos da Biblioteca do IF UFRJ.
O quadro investigativo elaborado pelo relato de experiência a partir do estudo do canal de vídeos da Biblioteca
do IF UFRJ identificou que é possível afirmar que os vídeos com as maiores visualizações tratam da capacitação dos
usuários na utilização das fontes de informação, tais como: Passo a passo na elaboração de fichas catalográficas; Acesso
Remoto ao Portal CAPES; Base Minerva – UFRJ;Vídeo explicativo com o passo a passo para pesquisa na base de
Livros Eletrônicos (E-books).
Quando tratou-se dos resultados no processo analítico e apresentados detalhadamente, estes apontaram
determinar que os vídeos são mais acessados de forma externa, isto é, via rede social (Whatsapp, Twitter, Instagram)
ou por E-mail, o que reforça o trabalho bem sucedido na divulgação através das redes sociais da Biblioteca do IF UFRJ
e do e-mail institucional.
E quando analisou-se os vídeos com os melhores desempenhos nas primeiras vinte e quatro horas encontrou-se,
dentre eles, vídeos para desenvolver habilidades informacionais do usuário; tais como “Tutorial de Acesso aos E-books,
“o passo a passo para renovação de online de livros” e “Passo a passo para empréstimos entre bibliotecas”.
Tendo como parâmetro o quantitativo de visualizações dos três vídeos com mais acessos ( 1.213 visualizações)
pode-se afirmar que o canal da Biblioteca do IF UFRJ é uma ferramenta para desenvolver habilidades informacionais
dos usuários, porque são vídeos que têm a função de desenvolver competências e habilidades, possibilitando assim
gerenciar a informação e transformá-la em conhecimento.
Nesta condição, afirma-se que o canal de vídeos da Biblioteca do IF UFRJ é uma importante ferramenta para
capacitar e disseminar informação aos usuários e, principalmente, permite aprimorar as fontes de informação
disponíveis na Unidade de Informação.

A situação abordada nos leva a perceber importância desse relato de experiência que
possibilitou demarcar o trabalho de qualidade exercido pela Biblioteca do IF UFRJ, um espaço
voltado para a pesquisa, ensino e extensão da comunidade acadêmica da Instituição que se mantém
em estado de prosseguimento. Os resultados obtidos permitiram, também, otimizar os serviços e
produtos oferecidos nas mídias sociais e organização de conteúdos virtuais pela Biblioteca do IF
UFRJ.
Portanto, todos os objetivos traçados para este relato de experiência foram cumpridos, os
resultados obtidos permitem comprovar a funcionalidade do canal de vídeos da Biblioteca do IF
UFRJ e, principalmente, enquadrá-lo como uma ferramenta de disseminação de informação em
consonância com as demandas do público alvo.
A forma tradicional de disponibilizar produtos e Serviços de Referência e Informação ainda é largamente
difundida, no entanto, acredita-se que buscar formas virtuais para melhor atender às necessidades de informação do
usuário é a forma dinamicamente mais efetiva de disponibilizar informação. Acredita-se que o canal de vídeos cumpre o
papel de ser disseminador da informação, fazendo com que a Unidade de Informação realize um trabalho ligado aos
interesses da comunidade científica, além de poupar o tempo do usuário, através da otimização do serviço.
Assim, a implementação do canal de vídeos aqui apresentado possibilitou alcançar de maneira mais ágil e efetiva
as demandas dos usuários que utilizam a Unidade de Informação e oferecer uma resposta eficaz e de fácil acesso, pois o
mundo contemporâneo exige das organizações uma gestão eficiente que pode ser facilitada com o suporte de recursos
inteligentes oferecidos pela Tecnologia e pelos diversos Sistemas de Informação à disposição.

Sendo assim, espera-se que este estudo contribua para a reflexão acerca do papel das mídias
sociais no contexto das Bibliotecas Universitárias, buscando ajustes no intuito de melhor exercer
seu papel como ferramenta de capacitação e disseminação da informação. Espera-se, também, que o
presente estudo possa contribuir para a discussão sobre o papel das novas TICs em relação ao
ambiente Biblioteca Universitária, de maneira que ela e seus profissionais encontrem através dessas
ferramentas meios de verdadeiramente revolucionar o fazer biblioteconômico.

�REFERÊNCIAS
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O tema do relato de experiência é o uso do canal de vídeos da Biblioteca Plínio Sussekind Rocha do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro - IF UFRJ como ferramenta para desenvolver habilidades informacionais dos usuários. O relato aponta uma problemática contemporânea a respeito da utilização de mídias sociais nas Unidades de Informação e organização de conteúdos virtuais. Tem como objetivo avaliar a funcionalidade do canal de vídeos da Biblioteca, objetivando assim enquadrá-lo como uma ferramenta de disseminação de informação em consonância com as demandas do público alvo. O estudo se caracteriza na tipologia de caráter exploratório, teor qualiquantitativo. E envolveu no seu desenvolvimento atividades ligadas a métodos e técnicas aplicados, e teve por fontes basicamente as documentais e primárias. Os resultados indicaram que o canal de vídeos é uma importante ferramenta para capacitar usuários na utilização de fontes de informação ligadas ao cenário científico da Física. Espera-se que este relato contribua para a reflexão acerca do papel das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) nas Bibliotecas Universitárias, de maneira que, tais instituições e seus profissionais encontrem, através dessa plataforma, meio de comunicar, capacitar e disseminar informação. E por fim, a investigação se mostrou, no decorrer da pesquisa, como um campo pouco explorado na literatura  especializada.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
O ATENDIMENTO AO PÚBLICO NA BIBLIOTECA: ATIVIDADE ESSENCIAL DO
BIBLIOTECÁRIO (A)1
THE ATTENDANCE TO THE PUBLIC IN THE LIBRARY: AN ESSENTIAL ACTIVITY OF THE
LIBRARIAN
Núbia Nogueira do Nascimento2
Atilena Carneiro Oliveira3
Roseane da Silva Pires4
Resumo: Entre várias atribuições do bibliotecário (a) tais como catalogar, classificar, indexar, umas das atividades
essenciais é o atendimento ao público. Este artigo traz como proposta alguns argumentos de como o bibliotecário (a)
universitário atua no atendimento ao público auxiliando com as informações indispensáveis ao usuário. Algumas destas
informações apenas os bibliotecários podem proporcionar com mais detalhes e clareza. A metodologia utilizada será a
resposta didática de um parecer recebido da Gestão Administrativa da Universidade à Biblioteca José Torquato
Carolino, para que os bibliotecários (as) realizassem uma carga horária de 8h diárias de trabalho, julgando neste parecer
de não realizar o atendimento ao público. Em resposta, os bibliotecários (as) redigiram um documento informando a
rotina e explicando minuciosamente quais são os serviços realizados na biblioteca e que de fato realizam atendimento
ao público tanto no balcão de atendimento, quanto o atendimento personalizado. Devidos as explicações, foi acordado
pela gestão da Universidade a permanência do turno de 30h semanais para os bibliotecários (as), uma vez que a
Biblioteca da Universidade Federal do Tocantins funciona em turno ininterrupto, com escala dos bibliotecários (as) nos
finais de semana e atendimento ao público realizado pela biblioteca/unidade de informação (UI).
Palavras-chave: Atendimento; biblioteca universitária; unidade de informação (UI); bibliotecários (as).
Abstract: Among the librarian's various attributions such as cataloging, classifying, indexing, one of the essential
activities is the service to the public. This article presents as a proposal some arguments of how the university librarian
acts in the care of the public assisting with the information indispensable to the user. Some of this information only
librarians can provide with more detail and clarity. The methodology used will be the didactic response of an opinion
received from the Administrative Management of the University to the José Torquato Carolino Library, so that
librarians perform a workload of 8 hours daily, judging in this opinion not to perform the service to the public. In
response, the librarians wrote a document informing the routine and explaining thoroughly what the services are
performed in the library and which in fact provide assistance to the public both at the service desk and personalized
service. Due to the explanations, it was agreed by the university's management to stay the 30-hour weekly shift for
librarians, since the Library of the Federal University of Tocantins operates in uninterrupted shift, with a schedule of
librarians on weekends and public service carried out by the library/information unit (IU).
Keywords: Service; university library; information unit (IU); librarians.

Este trabalho foi escrito anterior a pandemia mundial do Covid 19, em que as atividades aconteciam presencialmente.
Em virtude da pandemia a biblioteca da Universidade Federal do Tocantins está funcionando de forma remota e
presencial para alguns serviços.
2 Doutoranda em Geografia (UnB). Mestra em Geografia (UFT). Bacharel em Biblioteconomia (UFG). Bibliotecária
Documentalista da Universidade Federal do Tocantins (UFT/Palmas). nascimento.nubia@hotmail.com.
3 Bacharel em Biblioteconomia (UFPA). Bibliotecária Documentalista da Universidade Federal do Tocantins
(UFT/Palmas). Especialista em Formação de Leitores. atilena@uft.edu.br.
4 Bacharel em Biblioteconomia (UFPA). Bibliotecária Documentalista da Universidade Federal do Tocantins
(UFT/Palmas). Especialista em Formação de Leitores. rosepires@uft.edu.br.
1

�1 INTRODUÇÃO
O atendimento ao público é um serviço essencial das bibliotecas, pois, visa o acesso e a
comunicação direta entre o bibliotecário e seu usuário. Na biblioteca universitária este contato
torna-se ainda maior em virtude dos vários serviços que são disponibilizados na Biblioteca/Unidade
de Informação (UI). De acordo com Pinheiro (2004) umas das missões das Unidades de Informação
é de “cumprir seu papel social de forma dinâmica e útil voltado para os anseios e interesses da
população, contribuindo para a solução de problemas sociais, coordenando suas atividades com as
de outras instituições sejam elas educativas, sociais ou culturais.” As unidades de Informação,
também conhecida como bibliotecas, como bem lembrado por Macedo e Ortega (2019, p. 326-327)
“o termo é utilizado para contemplar as diversas instituições (ou setores delas) que se ocupam de
produzir e oferecer serviços e produtos de informação bibliográfica.”
No ano de 2018 a Biblioteca José Torquato Carolino da Universidade Federal do Tocantins,
recebeu Parecer nº 189/2019, neste parecer informava a mudança da carga horária para os
bibliotecários (as) de 6h diárias para 8h diárias. Exceto para os assistentes administrativos,
conforme o parecer os assistentes administrativos eram os únicos servidores na biblioteca que
prestavam atendimento ao público, o que de fato não é verídico. O atendimento ao público é
realizado pelo setor, ou seja, a biblioteca faz atendimento ao público. Com a leitura detalhada do
parecer verificamos que estava havendo um erro de interpretação entre: atendimento no balcão e
atendimento ao público. Uma vez que a gestão considerava apenas atendimento ao público, o
atendimento realizado em balcão.
Vamos propor uma análise de interpretação de terminologias para clarificar o que seria um
atendimento em balcão e atendimento ao público.
2 REVISAO DE LITERATURA
De forma simplória o atendimento ao público é todo tipo de informação que você presta e/ou
disponibiliza para uma pessoa. Conforme Ribeiro et al. (2008, p. 34) “na

�constante avaliação de postura em atendimento de qualidade, as Bibliotecas de Instituições de
Ensino Superior (IES) tende-se a tornarem mais úteis aos olhos dos clientes5.”
Após a análise e identificação da decisão no documento recebido para a mudança da carga
horária exclusiva para os Bibliotecários (as) fica claro o desfiguramento do termo atendimento ao
público, quando o associa apenas ao atendimento no balcão. Para ampliar a justificativa vamos
mencionar três documentos comprobatórios em que justificam uma das atividades essenciais do
bibliotecário, o atendimento, independentemente do lugar onde esteja. São eles: Regimento Geral
do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Tocantins (SISBIB/UFT); os três editais dos
concursos anteriores da referida instituição em que dispõe das atribuições do BibliotecárioDocumentalista, um deles, o atendimento ao público e por último o Código de Ética e Deontologia
do Bibliotecário do Conselho Federal de Biblioteconomia. Os três documentos citados mencionam
o atendimento ao público sendo
uma das atividades essenciais do bibliotecário (a).
De acordo com o Regimento Geral do Sistema de Bibliotecas da UFT (SISBIB), podemos
verificar, uma das atribuições do bibliotecário (a) é o atendimento ao público e o atendimento
especializado. Logo mais adiante vamos explicar a diferença existente entre essas duas
terminologias. Vejamos no parágrafo único:
Parágrafo Único: Compete aos demais bibliotecários:
II - disponibilizar informação: localizar e recuperar informações; prestar atendimento
personalizado; elaborar estratégias de buscas avançadas; intercambiar informações e
documentos; controlar circulação de recursos informacionais; prestar serviços de
informação on-line; orientar quanto ao uso das normas da ABNT na elaboração de trabalhos
técnico-científicos. (UFT/SISBIB, 2015, p. 11-12, grifo nosso).

Quanto ao atendimento personalizado, entende-se pelo modo habitual e diário através do
qual são respondidas as demandas do público de forma apropriada a cada situação, correspondendo
às atividades e serviços oferecidos a comunidade acadêmica através de forma física, on-line, e-mail
e via telefone. É o processo de trabalho que permeia o bibliotecário (a) e o usuário, com foco na
qualidade, utilizando habilidades, planejamento e eficiência no atendimento.
Em meados dos anos de 2012 até 2014 o atendimento para pagamento de multa se

5 Alguns estudiosos da biblioteconomia, ciência da informação e gestão da informação usam o termo “clientes para se
referir aos usuários da biblioteca e/ou unidade de informação.

�dava na linha de frente6. Quando os usuários chegavam com alguma pendência/multa na biblioteca,
como, por exemplo, multas indevidas, era de caráter constrangedor tratar-se deste assunto no balcão
de atendimento. Uma vez que no balcão de atendimento todos os usuários que estão perto acabam
ouvindo a conversa, isso torna-se constrangedor para os alunos, principalmente na análise de livros,
que é outra atividade complementar ao pagamento de multa. E, consequentemente a doação de
livros que é uma das alternativas e pré-requisito para compensação de multa, mas para isso é
necessário passar por uma análise criteriosa do bibliotecário (a).
Essas conversas geravam um certo desconforto para nosso usuário (a) que se encontravam
no balcão de atendimento juntamente com os demais alunos. Alunos que estavam estudando, alunos
que estavam devolvendo ou realizando empréstimo. Os usuários começaram a questionar que se
sentiam desmotivados a tratar sobre esses assuntos tão delicado no balcão de atendimento em que
todos estavam ouvindo. Muitos até zombavam, criticavam, gerando bulling ao aluno por ter perdido
o livro, sumido ou extraviado. A função da biblioteca é o acolhimento de todos os seus usuários sem
nenhuma discriminação, e que o conhecimento seja o ponto principal para a permanência do seu
público. Os livros são a chave para o conhecimento e a biblioteca é a porta, como afirma o
manifesto da IFLA/UNESCO (1994). Por este motivo a gestão da biblioteca na época tomou uma
decisão na qual deveria haver o atendimento especializado.
Este atendimento então, antes localizado no balcão de atendimento na entrada da biblioteca
foi transferido para uma sala no interior da biblioteca para que esses assuntos pudessem ser tratados
diretamente com o bibliotecário (a). Assim a conversa ficaria restrita entre duas pessoas, o
bibliotecário e o usuário. Dessa forma, os alunos não ficariam mais constrangidos em ir à biblioteca
para tratar sobre as pendências/multas.
Estão inclusos no Atendimento personalizado na Biblioteca José Torquato Carolino
a) atendimento ao público quanto a resoluções de problemas no Portal do aluno, no catálogo
online quanto a empréstimos, devoluções e renovações não realizadas que geram multas
indevidas, extravio de publicações do acervo para oportuna reposição;
b) atendimento ao público quanto às pesquisas no Portal CAPES via rede CAFE;

6

A linha de frente é onde os alunos fazem a retiradas de livros de empréstimos, devoluções e/ou renovações.
Popularmente conhecida pela existência de um balcão de atendimento.

�c) atendimento ao público para sanar dúvidas quanto ao preenchimento online da ficha
catalográfica no site da Universidade;
d) atendimento ao público quanto as dúvidas referentes as normas da ABNT sobre os trabalhos
acadêmicos e outros itens do desenvolvimento de trabalhos de conclusão de curso (TCC):
monografia, dissertação e tese;
e) atendimento ao público para avaliar doações de obras como forma de pagamento de multas
por atraso nas devoluções e avaliação das doações voluntárias do público interno e externo;
f) atendimento ao público quanto a solicitação em caráter de urgência na expedição do
documento “Nada Consta7”;
g) atendimento ao público para orientar os novos usuários e capacitar a comunidade acadêmica
para melhor utilização dos serviços da biblioteca e instruir na seleção e localização do
material bibliográfico nas estantes, assim como outras fontes de informação, ampliando a
visão de buscas, empréstimo domiciliar, reserva, renovação, devolução, entre outros;
h) atendimento ao público às demandas de coordenações de cursos quanto a instrução para a
entrega de trabalhos técnico-científico (monografias, teses e dissertações), listas
bibliográficas e levantamentos bibliográficos;
i) atendimento ao público para visitas orientadas a usuários externos da biblioteca (Escolas de
nível fundamental e médio), previamente agendadas, com objetivo de apresentar a estrutura
da biblioteca e os principais serviços oferecidos aos usuários.
j) atendimento ao público sobre dúvidas do treinamento de usuários online e entrega de
carteirinhas confeccionadas.
O segundo documento em análise buscamos as atribuições do bibliotecário nos três editais
do Concurso da Universidade Federal do Tocantins referente aos anos de 2005, 2009 e 2018
respectivamente em que houve vaga para o cargo de bibliotecário-documentalista.

7 O nada consta é um documento expedido pela biblioteca para comprovar que não há nenhuma pendência na unidade
de informação. É um dos documentos imprescindíveis para requerer o diploma de conclusão de curso.

�Quadro 1 – Descrição do Cargo de Bibliotecário-Documentalista – COPESE 2005, 2009 e 2018
CARGO
BIBLIOTECÁRIO-DOCUMENTALISTA
CONCURSO DE 2005

BIBLIOTECÁRIO-DOCUMENTALISTA
CONCURSO DE 2009
Podemos verificar que, no próprio edital menciona o
atendimento personalizado que o Bibliotecário realiza
para melhor atender seu público.
BIBLIOTECÁRIO-DOCUMENTALISTA
CONCURSO DE 2018
Podemos verificar na descrição do cargo de
bibliotecário uma das atividades são: “Assessorar nas
atividades de ensino, pesquisa e extensão”. Afirmando
aqui novamente o atendimento ao público.

DESCRIÇÃO DO CARGO
Atividade de nível superior, de natureza técnica,
relacionada à captação, armazenamento, conservação e
divulgação do acervo bibliográfico, à recuperação de
informações e ao atendimento ao usuário, bem como
à atualização, preservação e divulgação da
documentação técnica e histórica. Supervisão,
coordenação, programação ou execução especializada,
em grau de maior complexidade, referentes a trabalhos
de pesquisa, estudo e registro bibliográfico de
documentos e informações culturalmente relevantes.
Executar outras tarefas da mesma natureza e grau de
complexidade.
Disponibilizar informação: localizar e recuperar
informações; prestar atendimento personalizado;
elaborar estratégias de buscas avançadas; intercambiar
informações e documentos; controlar circulação de
recursos informacionais; prestar serviços de
informação on-line; normalizar trabalhos técnicocientíficos.
Disponibilizar informação em qualquer suporte;
gerenciar unidades como bibliotecas, centros de
documentação, centros de informação e correlatos,
além de redes e sistemas de informação. Tratar
tecnicamente e desenvolver recursos informacionais;
disseminar informação com o objetivo de facilitar o
acesso e geração do conhecimento; desenvolver
estudos e pesquisas; realizar difusão cultural;
desenvolver ações educativas. Assessorar nas
atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Fonte: UFT/COPESE, 2005, 2009, 2018.
Nota: Quadro elaborado por Núbia Nogueira do Nascimento, 2019.

No quadro a seguir podemos visualizar as palavras que estão em negrito. Na segunda
coluna refere-se à descrição das atividades típicas do cargo de Bibliotecário (a) Documentalista. No
concurso do ano de 2005 cita nas atribuições o atendimento ao usuário, já em 2009 cita o
atendimento personalizado descrito no Regimento do SISBIB/UFT. No último concurso de 2018
reforça a importância do bibliotecário (a) em atividade que envolvam o ensino, pesquisa e
extensão o que configura o atendimento ao público.
O terceiro documento refere-se ao Código de Ética e Deontologia do Bibliotecário (a),
elaborado pelo Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB). Em que menciona mais uma vez uma
das atribuições do bibliotecário em atender com presteza ao usuário. Pode ser vista

�§ 3º – Em relação aos usuários:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se
recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários com respeito e civilidade;
c) estimular a utilização de técnicas atuais objetivando a excelência da prestação de
serviços ao usuário;
d) assumir responsabilidades pelas informações fornecidas, de acordo com os preceitos do
Código Civil, do Código de Defesa do Consumidor e da Lei de Acesso à informação
vigentes. (CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2018)

Como podemos verificar na citação anterior em negrito em que destaca o atendimento ao
público mencionado pelo código de ética e deontologia do Bibliotecário. Podemos verificar três
documentos de suma importância. Dois documentos institucionais e um a nível federal que reafirma
o atendimento ao público realizado pelos bibliotecários (as).
3 METODOLOGIA - ATIVIDADES DESEMPENHADAS NA BIBLIOTECA
A Biblioteca Professor José Torquato Carolino, tem como atividade essencial e primordial o
atendimento ao público dos discentes, docentes, residentes, servidores, mestrandos, doutorandos e o
público externo.
A grandeza da biblioteca não pode ser mensurada pelo atendimento no balcão, já que este se
resume somente a empréstimos, devoluções e renovações. Sendo este último somente quando não
realizado no portal on-line, pelo próprio usuário. O balcão de atendimento é uma extensão do
atendimento personalizado atribuído pelo bibliotecário (a) documentalista. Quando o assunto não é
empréstimo, devolução ou renovação de livros o usuário é encaminhado para o bibliotecário (a)
para dar prosseguimento ao atendimento personalizado. Caso, o usuário queira realizar o
empréstimo e estiver com pendência/multa não conseguirá realizá-lo sem a resolução expressa do
bibliotecário (a). Pois, ele é único a ter acesso direto ao Sistema de Informação Educacional (SIE)8
para solucionar estes casos extremos. Os assistentes em administração da biblioteca só têm acesso
autorizado no SIE para realizar empréstimo, devolução e/ou renovação.
O bom atendimento é o elemento mais importante para promover o conceito da biblioteca
que foca o público como seu objeto principal. A busca da qualidade está em atendê-lo como pessoa
e não como produto. Diante disso, é sábio lembrar que a biblioteca funciona em horário contínuo e
ininterrupto, para justamente ampliar o seu atendimento. Cumprindo assim o que diz o artigo 3º do
8 Sistema de Informação Educacional (SIE). Sistema de biblioteca utilizado na Universidade Federal do Tocantins
(UFT).

�decreto 4.836, de 9 de setembro de 2003, e os artigos 17 e 18 da Instrução Normativa Nº 2, de 12 de
setembro de 2018.
Art. 3º Quando os serviços exigirem atividades contínuas de regime de turnos ou escalas,
em período igual ou superior a doze horas ininterruptas, em função de atendimento ao
público ou trabalho no período noturno, é facultado ao dirigente máximo do órgão ou da
entidade autorizar os servidores a cumprir jornada de trabalho de seis horas diárias e carga
horária de trinta horas semanais, devendo-se, neste caso, dispensar o intervalo para
refeições. (BRASIL, 2003)

A Biblioteca José Torquato Carolino abre de segundas-feiras as sextas-feiras das 7:30h às
22:30h. E aos sábados das 8:00h às 14:00h funcionando ininterruptamente sem fechar a biblioteca
em horário de almoço. Lembrando que a biblioteca é o único setor do Campus que mantém 15 horas
diárias em funcionamento, nenhum outro setor cumpre esta carga horária. Portanto tem-se turno
ininterrupto por funcionar mais de doze horas por dia e temos expediente no turno noturno.
Podemos verificar que a Biblioteca segue conforme o Art. 17 da Instrução Normativa de Nº 2 do
ano de 2018, citada abaixo, destacada em negrito:
Art. 17. No regime de turnos ou escalas em período igual ou superior a 12 (doze) horas
ininterruptas em função de atendimento ao público ou trabalho no período noturno,
quando os serviços exigirem atividades contínuas, é facultado ao dirigente máximo do
órgão ou da entidade autorizar o servidor a cumprir jornada de trabalho de 6 (seis) horas
diárias e jornada de 30 (trinta) horas semanais.
§ 1º O servidor que laborar em regime de turnos alternados por revezamento não poderá
ausentar-se do local de trabalho ao final de seu plantão antes da chegada do servidor que irá
sucedê-lo, devendo comunicar eventual atraso de seu sucedente à chefia imediata, que
deverá providenciar outro servidor para o turno subsequente.
§ 2º A escala mensal e suas alterações são decididas pelo dirigente da unidade.
§ 3º A escala mensal do servidor apenas poderá ser alterada pelo dirigente da unidade uma
vez por semana. (BRASIL, Instrução Normativa Nº 2, 2018, grifo nosso)

Na citação grifada seguinte, conforme a Instrução Normativa de Nº 2 do ano de 2018,
podemos verificar no Art. 18 a definição de atendimento ao público:
Art. 18. Considera-se atendimento ao público o serviço prestado diretamente ao
cidadão que exijam atividades contínuas em regime de escalas ou turnos, em período igual
ou superior a doze horas ininterruptas.
Parágrafo único. Não se considera atendimento ao público as atividades regulares dos
órgãos e entidades que tratem:
I - de Planejamento e de Orçamento Federal;
II - de Administração Financeira Federal;
III - de Contabilidade Federal;
IV - de Controle Interno do Poder Executivo Federal;
V - de Informações Organizacionais do Governo Federal - SIORG;
VI - de Gestão de Documentos de Arquivo - SIGA;
VII - de Pessoal Civil da Administração Federal - SIPEC;

�VIII - de Administração dos Recursos de Informação e Informática - SISP; e
IX - de Serviços Gerais - SISG. (BRASIL, Instrução Normativa nº 2, 2018, grifo nosso)

No Art. 18 da Instrução Normativa Nº 2, considera o atendimento ao público o serviço
prestado diretamente ao cidadão. As atividades exercidas tanto pelos bibliotecários (as) quanto
pelos assistentes em administração correspondem a esta definição.
No quadro a seguir vamos detalhar quantitativamente os servidores da biblioteca: assistentes
em administração e bibliotecário (a), bem como a rotina diária de trabalho.
Quadro 2 – Assistente em Administração da Biblioteca José Torquato Carolino 9
HORÁRIO

SERVIDOR

CARGO

7h30min
A
Assistente em administração
7h30min
B
Assistente em administração
13h as 19h
C
Assistente em administração
13h as 19h
D
Assistente em administração
13h as 19h
E
Assistente em administração
16h30min às
F
Assistente em administração
22h30min
16h30min às
G
Assistente em administração
22h30min
16h30min às
H
Assistente em administração
22h30min
16h30min às
I
Assistente em administração
22h30min
Fonte: Elaborado conforme a folha de ponto da Biblioteca/Palmas-UFT, 2019.

POSTO
Balcão de atendimento
Balcão de atendimento
Balcão de atendimento
Balcão de atendimento
Processamento Técnico
Processamento Técnico
Licença qualificação
Processamento Técnico
Licença capacitação

No quadro anterior podemos verificar os codinomes da escala de trabalho da biblioteca. Os
que estão em negrito realizam trabalho interno na biblioteca, ou seja, não fazem atendimento ao
público no balcão. O parecer de Nº 189/2019 simplesmente citou os nomes de todos os servidores
do cargo em assistente em administração que trabalham na biblioteca, alegando atendimento ao
público prestado por todos eles, sem ao menos saber quais as atividades distribuídas e realizadas na
biblioteca, lembrando que nem todos os assistentes em administração fazem atendimento, alguns
trabalham internamente.
Se realmente formos seguir o que consta no parecer de Nº 189/2019 apenas quatro
assistentes em administração fariam o horário de 6 horas diárias, seriam os assistentes: A, B, C e D.
Estes quatro assistentes em administração ficam no balcão de atendimento desde do horário que
chegam até sua saída. Deixam o posto do atendimento apenas para a reposição dos livros que são

9

Para preservar a identidade do assistente em administração, substituímos os nomes por letra de A até I.

�retirados das estantes e para o intervalo de 15 min. Nessa ausência se não houver um assistente em
administração do processamento técnico (Assistentes E, F, H) para ficar no balcão, um bibliotecário
(a) faz essa substituição no balcão de atendimento.
Para o funcionamento no balcão de atendimento nos três turnos os quatro assistentes em
administração não são suficientes, pois dois atendem no balcão pela manhã (Assistente A e B) e
dois a tarde (Assistente C e D). A noite não há servidores assistentes em administração que prestam
serviço de atendimento no balcão, havendo a necessidade de sempre entrar os bibliotecários e os
assistentes em administração que trabalham no processamento técnico para prestar o atendimento
no balcão de empréstimo, devolução e renovação de livros.
Os assistentes em administração E, F e H auxiliam no processamento técnico de livros como
etiquetagem de lombadas, pequenos reparos, organização dos trabalhos acadêmicos (monografias,
teses e dissertações), periódicos e multimeios, organização dos livros nas estantes e também fazem
atendimento no balcão de forma recorrente pela falta de servidores, assim como os bibliotecários.
Pois, há a necessidade de permanência no balcão de atendimento de no mínimo dois atendentes por
turno.
Todos os servidores da biblioteca não desempenham apenas uma atividade, existe essa
rotatividade justamente para que o trabalho seja algo prazeroso para que os servidores não caiam na
monotonia.
Por isso classificar um servidor e não outro para fazer o horário reduzido não faz sentido na
biblioteca. Pois na ausência de um servidor o outro vai assumir o balcão de atendimento. Se houver
essa classificação de horários na biblioteca, como ficam os assistentes em administração e/ou
bibliotecários (as) que realizam suas atividades no trabalho interno cumprindo às 8 horas diárias e
irá cobrir um servidor que fica no balcão de atendimento que cumpre a jornada de 6 horas diárias.
Seria injusto duas pessoas realizar a mesma rotina de trabalho sendo que um terá a carga horária
reduzida e o outro não.
Assim é para o bibliotecário (a), na ausência de qualquer servidor na biblioteca por motivos
de saúde pessoal e/ou familiar, além das ausências para compensar as reposições dos sábados
trabalhados10. Neste caso para não ficar apenas com um assistente em administração no balcão de
atendimento o bibliotecário assume este posto. O que de fato sobrecarrega as demais atividades que
o bibliotecário (a) exerce na biblioteca além das atividades descritas anteriormente, no que refere ao
10

O servidor que trabalha aos sábados deve-se ausentar um dia na semana anterior.

�atendimento personalizado.
Nos quadros a seguir vamos verificar a distribuição de pessoal na biblioteca bem como o
desfalque em virtude de afastamento dos servidores.
Quadro 3 – Bibliotecário (a) Documentalista da Biblioteca José Torquato Carolino 11
Horário
Servidor
Cargo
7h30min às 13h30min
J
Bibliotecária Documentalista
8h às 12h e 14h as 18
K
Bibliotecário Documentalista (Coord.)
8h às 14h
L
Bibliotecária Documentalista
8h às 14h
M
Bibliotecária Documentalista
14h às 20h
N
Licença qualificação
8h às 12h e 14h as 18
O
Licença qualificação (Coord.)
16h30min às 22h30min
P
Licença qualificação
Fonte: Elaborado conforme a folha de ponto da Biblioteca/ Palmas-UFT, 2019.

O quadro acima nos traz detalhadamente o quantitativo dos bibliotecários (as) lotados na
biblioteca do Campus de Palmas. Os que estão em negrito atualmente estão afastados de licença
qualificação, mas disponibilizamos os horários que trabalhavam antes do afastamento.
Atualmente a Biblioteca do Campus de Palmas conta com quatro bibliotecários (as) sendo um chefe
de divisão de biblioteca, e bibliotecários responsáveis pelas demais atividades da biblioteca,
incluindo o atendimento personalizado e o atendimento no balcão.
Quadro 4 - Flexibilização de horário atual – Bibliotecário (a) Documentalista
Horário
7h30min às
13h30min
8h às 12h e
14h as 18

Segunda-feira
Bibliotecária J

8h ás 14h

Bibliotecária M

Bibliotecário K

Terça-feira
Bibliotecária J
Bibliotecária M

Quarta-feira
Bibliotecária J
Bibliotecário K
Bibliotecária M

Quinta-feira

Sexta-feira

Sábado

Bibliotecário
K

Bibliotecário K

Bibliotecária L12

Bibliotecária
M

Bibliotecária M

13h30min às
Bibliotecário K
17h30mim
18h30min às
22h30min
16h30min às A Bibliotecária
Bibliotecária L
Bibliotecária
22h30min
L
J
Fonte: Elaborado conforme a folha de ponto da Biblioteca/ Palmas-UFT, 2019
Nota: Todo sábado é escalado um bibliotecário (a).

11
12

Bibliotecária J

Para preservar a identidade do Bibliotecário (a) Documentalista, substituímos os nomes por letra de A até I.
Todo sábado é escalado um bibliotecário para prestar o atendimento ao público.

�O quadro anterior nos traz os horários que são realizados pelos bibliotecários (as)
semanalmente. Ou seja, em todos os turnos de manhã, tarde e noite sempre tem bibliotecário,
inclusive aos sábados é escalado um para o atendimento. Assim, facilita os usuários que trabalham
durante a semana ou não podem comparecer para tirar alguma dúvida ou resolver pendência/multa.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O parecer de Nº 189/2019 enviado para biblioteca teve como proposta contrapor o não
atendimento ao público realizado pelos bibliotecários (as), o que foi amplamente justificado por
meio de três documentos importantes: o regimento geral do SISBIB da UFT, os três editais do
concurso da Universidade Federal do Tocantins nos anos de 2005, 2009 e 2018 e o Código de Ética
e Deontologia do Bibliotecário, este último pré-requisitos da profissão do bibliotecário (a).
Em resposta ao parecer sugerimos dois pontos para ser pensado, visando o atendimento nos
três turnos e a quantidade insuficiente de servidores assistentes em administração e Bibliotecários
na Biblioteca do Campus de Palmas da Universidade Federal do Tocantins.
Manter a carga horária de 30 h semanais para todos os servidores da biblioteca servidores
sem distinção de nível pois todos executam as mesmas funções quando se trata em atendimento ao
público. Uma vez que o Bibliotecário (a) executa as suas atividades técnicas, atendimento
personalizado e o atendimento no balcão realizando empréstimos, devoluções e renovações de
livros as mesmas atividades desempenhadas pelos assistentes em administração.
Caso seja aprovado o novo cumprimento de carga horária dos bibliotecários como estabelece
o parecer de Nº 189/2019 sendo das 8:00h às 12:00h e das 14:00h às 18:00h. Neste sentido, os
alunos do turno noturno, os cursos dos finais de semana como da Educação a Distância (EaD), do
Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), os residentes e os
cursos que têm o sábado como dia letivo, estes serão prejudicados com a ausência do bibliotecário
(a). Podendo apenas realizar empréstimos, devolução e renovação de livros no balcão de
atendimento caso não tenha nenhuma pendência/multa. Caso tenham dúvidas como normalização
de trabalhos acadêmicos, acesso ao Portal de Periódico da Capes, pendências sobre multas
indevidas, avaliação de doações de livros entre outros. Estes assuntos serão vistos somente no
período comercial, assim como os demais setores da universidade.

�O parecer enviado para biblioteca para mudança da carga horária nos remete uma ideia de
fordismo em que cada servidor realiza uma atividade em específico desmerecendo o trabalho em
conjunto. Na biblioteca trabalha-se na lógica do toyotismo em que a cooperação e o trabalho em
equipe é a peça fundamental para o bom desempenho. Mantendo assim, o diálogo e a comunicação
como ferramenta de expressão.
Este artigo é um exemplo em forma de documento para auxiliar os profissionais
bibliotecários (as) quantos as atribuições referentes ao atendimento ao público com base nas
legislações vigentes que nos asseguram o horário ininterrupto para o setor da biblioteca que presta o
atendimento diário acima de 12 horas.
Após as arguições apresentadas deste documento em formato de artigo, bem como o
esclarecimento das atividades exercitadas pelos bibliotecários (as) na Universidade Federal do
Tocantins (UFT), a Gestão da Universidade aderiu a permanência das 30 h semanais para o setor da
biblioteca.
A literatura ainda é incipiente aos estudos que argumente e disponibiliza a prática
vivenciada no ambiente de trabalho como meio de resposta algum documento formal, que
despertemos em disponibilizar e documentar as atividades realizadas pelos bibliotecários em seu
ambiente de trabalho. E, que possamos expressar por meio da escrita documental, pois, a maioria
das instituições que possuem bibliotecas/unidades de informações desconhecem os serviços
realizados e prestados. Um desses serviços é o atendimento ao público realizado pelos bibliotecários
(as).
REFERÊNCIAS
BRASIL. Decreto nº 4.836, de 9 de setembro de 2003. Altera a redação do art. 3º do Decreto
nº 1.590, de 10 de agosto de 1995, que dispõe sobre a jornada de trabalho dos servidores da
Administração Pública Federal direta, das autarquias e das fundações públicas federais.
Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 140, n. 175, p. 1, 10 set. 2003. ISSN 16777042. Disponível em:
http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&amp;pagina=1&amp;data=10/09/2003&amp;t
otalArquivos=139. Acesso em: 12 jul. 2020.
BRASIL. Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Instrução Normativa nº 2, de 12
de setembro de 2018. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 146, n. 177, p. 100-102,
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http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=13/09/2018&amp;jornal=515&amp;pagina=1
00. Acesso em: 12 jul. 2020.

�CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Resolução CFB nº 207/2018, 9 de
novembro de 2018. Aprova o Código de Ética e Deontologia do Bibliotecário brasileiro, que fixa
as normas orientadoras de conduta no exercício de suas atividades profissionais. Disponível em:
http://www.cfb.org.br/wp-content/uploads/2018/11/Resolu%C3%A7%C3%A3o-207C%C3%B3digo-de-%C3%89tica-e-Deontologia-do-CFB-1.pdf. Acesso em: 11 jul. 2020.
DAMASIO, Edilson. A importância da qualidade do atendimento ao usuário em bibliotecas de
instituição de ensino superior. Maringá Management, Maringá, v. 5, n.1, p. 33-41, jan./jun. 2008.
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS. Regimento Geral do
Sistema de Bibliotecas da UFT (SISBIB). Palmas, TO: UFT, 2015. Disponível em:
https://docs.uft.edu.br/share/s/VvbuftZGRkqIysVWdfn9Uw. Acesso em: 15 jul. 2019.
IFLA. Manifesto da IFLA/UNESCO sobre bibliotecas públicas, 1994. Disponível em:
https://www.ifla.org/wp-content/uploads/2019/05/assets/public-libraries/publications/PLmanifesto/pl-manifesto-pt.pdf. Acesso em: 20 set. 2021.
MACEDO, Solange Madalena Souza; ORTEGA, Cristina Dotta. Unidades de informação: termos e
características para uma diversidade de ambientes de informação. Em Questão, Porto Alegre, v. 25,
n. 2, p. 326-347, maio/ago. 2019. Disponível em:
https://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/84821/52404. Acesso em: 15 mar. 2020.
PINHEIRO, Danielle da Silva. O bibliotecário e o atendimento aos usuários com necessidades
especiais em unidades de informação. Revista de Iniciação Científica da FFC, Marília-SP, v. 4, n.
3, 2004.

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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Entre várias atribuições do bibliotecário (a) tais como catalogar, classificar, indexar, umas das atividades essenciais é o atendimento ao público. Este artigo traz como proposta alguns argumentos de como o bibliotecário (a) universitário atua no atendimento ao público auxiliando com as informações indispensáveis ao usuário. Algumas destas informações apenas os bibliotecários podem proporcionar com mais detalhes e clareza. A metodologia utilizada será a resposta didática de um parecer recebido da Gestão Administrativa da Universidade à Biblioteca José Torquato Carolino, para que os bibliotecários (as) realizassem uma carga horária de 8h diárias de trabalho, julgando neste parecer de não realizar o atendimento ao público. Em resposta, os bibliotecários (as) redigiram um documento informando a rotina e explicando minuciosamente quais são os serviços realizados na biblioteca e que de fato realizam atendimento ao público tanto no balcão de atendimento, quanto o atendimento personalizado. Devidos as explicações, foi acordado pela gestão da Universidade a permanência do turno de 30h semanais para os bibliotecários (as), uma vez que a Biblioteca da Universidade Federal do Tocantins funciona em turno ininterrupto, com escala dos bibliotecários (as) nos finais de semana e atendimento ao público realizado pela biblioteca/unidade de informação (UI).</text>
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                    <text>Eixo 2 – Práticas
ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
QUANDO O ESTÁGIO NÃO ACONTECE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
SUPERVISED CURRICULUM INTERNSHIP IN UNIVERSITY LIBRARIES: WHEN THE
INTERNSHIP DOESN'T HAPPEN: AN EXPERIENCE REPORT
Sara Costa Coelho Rodrigues1
Vanusa Jardim Borges2
Rafael Lima Medeiros Ferreira3
Resumo: Apresenta as experiência das atividades desenvolvidas durante o Estágio Curricular Supervisionado 1
(ECS-1), no período letivo de 2019/2, no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas
(SISTEBIB/UFAM), local designado para a realização das atividades e da qual informa-se que sua
operacionalização não ocorreu por motivos institucionais não informados. Sendo assim, cada Coordenação de
Estágio em cada curso da graduação ficou responsável por elaborar um Plano Emergencial para as disciplinas de
Estágio de modo que não houvesse maiores prejuízos aos discentes do curso de Biblioteconomia. Como de
costume, os discentes foram encaminhados às instituições concedentes e, assim que as atividades de estágio foram
interrompidas, adotou-se o referido plano. Das experiências vivenciadas durante a realização da disciplina e dos
procedimentos que ocorreram mediante o plano emergencial, esta comunicação propõe reflexões que envolvem o
ensino e as relações de aprendizagem entre a teoria e prática envolvidas no cumprimento efetivo ou não do ECS.
Conclui-se que o ECS contribui, de forma relevante, para o desenvolvimento das competências profissionais e
para a formação completa dos discentes em Biblioteconomia e que a não realização deste constitui-se em prejuízo
para o processo formativo.
Palavras-chave: Estágio curricular supervisionado. Relato de experiência. Bibliotecas universitárias.
Abstract: It presents the experience report of the activities developed during the Supervised Curricular Internship
I (ECS-1), in the academic period of 2019/2, in the Library System of the Federal University of Amazonas
(SISTEBIB/UFAM), place designated for the realization activities and of which it is reported that is operation did
not occur for unreported institutional reasons. Therefore, each Internship Coordination in each undergraduate
course was responsible for drawing up an Emergency Plan for the Internship subjects so the there would be no
greater damage to the students of the Library Science course. As usual, the students were referred to the granting
institutions and, as soon as the internship activities were interrupted, the aforementioned plan was adopted. From
the experiences lived during the execution of the discipline and procedures that occurred through the emergency
plan, this communication proposes reflections that involve teaching and the learning relationship between theory
and practice involved in the effective compliance or not of the ECS. It is concluded that the ECS contributes, in a
relevant way, to the development of professional skills and to the complete training of students in Library Science
and that the failure to do this constitutes a detriment to the training process.
Keywords: Supervised curricular internship. Experience report. University libraries.

1. Graduanda em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Amazonas; E-mail: sararod@bol.com.br;
2. Mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia pela UFAM; Docente do Curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal do Amazonas; E-mail: jardim.vanusa@gmail.com;
3. Doutorando em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo, bolsista CAPES; Mestre em Políticas Públicas
pela Universidade de Mogi das Cruzes; Bibliotecário-Documentalista da Universidade Federal do Amazonas; Email: faelmedeiros.br@gmail.com.

�1 INTRODUÇÃO
O O Estágio Curricular Supervisionado (ECS) faz parte da formação acadêmica dos
estudantes de Biblioteconomia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por ser, não apenas
um componente curricular complementar ao seu aprendizado teórico, mas também um elemento
integrante de sua qualificação profissional e pessoal. O ECS é fundamental para o aprendizado do
discente, pois propicia dentre outras coisas, o conhecimento das atribuições técnicas inerentes ao
trabalho do bibliotecário, bem como de suas funções cotidianas dentro da instituição, favorecendo o
desenvolvimento das habilidades necessárias ao desempenho da profissão.
Todos os campos de estágio, sejam instituições públicas ou privadas, por seu perfil
organizacional e tecnológico, possibilitam novos conhecimentos e apresentam diferentes desafios
profissionais, exigidos para suprir as necessidades informacionais em uma sociedade em constante
transformação. Desta forma, as Unidades de Informação onde se realizam as etapas do ECS, bem
como os profissionais que ali atuam, são fundamentais para a concreção dos objetivos propostos,
habilitando ou não, o futuro profissional para a inserção no mercado de trabalho.
O ECS em Biblioteconomia da UFAM se divide em quatro etapas possibilitando ao aluno
conhecer e atuar em diversos tipos de Unidades de Informação, identificando suas demandas e
peculiaridades, além de compreender a importância e multiplicidade do “fazer bibliotecário”.
Para contextualizar esse relato, parte do início das atividades de estágio no período letivo
2019/2, no qual foram designados discentes para realizar a disciplina no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM), estrutura de gestão e operacionalização de
produtos e serviços de informação acadêmica administrada pela Biblioteca Central da UFAM (BCUFAM).
O SISTEBIB/UFAM é um campo permanente de Estágio Curricular Supervisionado do Curso
de Biblioteconomia da Universidade, dada a sua importância enquanto parte integrante e essencial do
processo formativo dos discentes, além de exercer um papel fundamental de apoio às atividades de
Ensino, Pesquisa e Extensão no âmbito geral da instituição.

�Esta modalidade de biblioteca oferece uma grande diversidade de atividades atinentes ao fazer
de um bibliotecário. O estagiário inserido nesta unidade tem a oportunidade de conhecer sua estrutura,
produtos, serviços, seus usuários e demandas, bem como das diversas Bibliotecas Setoriais que
compõem o SISTEBIB/UFAM.
O ECS 1, objeto desse relato, teve início em agosto de 2019 na Biblioteca mencionada, sendo
esta, responsável por tratar e encaminhar os materiais bibliográficos para as Bibliotecas Setoriais, bem
como em gerir as questões administrativas relacionadas à biblioteca. As atividades decorridas nessa
etapa da disciplina de Estágio e a turma de discentes direcionadas para essa Biblioteca teve como
supervisora acadêmica a Professora Vanusa Jardim Borges e como supervisão de campo, o
Bibliotecário-Documentalista Rafael Lima Medeiros Ferreira, Vice-Diretor do SISTEBIB/UFAM.
O fato informado às Coordenações de Estágio Supervisionado da graduação foi que devido
aos trâmites burocráticos da instituição, o Seguro de Vida obrigatório dos discentes em estágio,
amparado por lei, não foi renovado em tempo hábil e todas as atividades de estágios em andamento na
Instituição foram suspensas. Como medida alternativa, as Coordenações de Estágio também foram
informadas que deveriam elaborar ações pedagógicas e de gestão administrativa para que se
cumprisse o mínimo de conteúdo e carga horária exigida ao cumprimento da disciplina. Com isso, a
Coordenação de Estágio do Curso de Biblioteconomia elaborou o documento denominado Plano
Emergencial de Estágios, apresentou aos professores da disciplina e do qual se obteve a aprovação
para executá-lo.
Este artigo trata do relato de experiências relativo ao ECS 1 do Curso de Biblioteconomia,
desenvolvido, parcialmente, no SISTEBIB/UFAM e em sala de aula, pautado neste último ambiente
pelo Plano Emergencial de Estágio e, tem como objetivo apresentar e descrever as atividades
desenvolvidas no decorrer do mesmo, bem como tecer considerações acerca da importância do
estágio na formação profissional e inserção no mercado de trabalho do futuro bibliotecário, bem
como, propõe refletir sobre a teoria e a prática e a não-prática do ECS 1, tecendo considerações e
sugestões acerca da disciplina.
A revisão do assunto na literatura, com base em obras de autores que se debruçam sobre o
tema, buscou os principais conceitos e conhecimentos acadêmicos e pedagógicos que nortearam a
situação vivenciada. Outrossim, este relato pretende contribuir, como parte do processo coletivo e
contínuo de construção de conhecimento sobre o tema na área da Biblioteconomia.

�2 O ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM BIBLIOTECONOMIA

Nos Cursos de Biblioteconomia, o ECS é prospectado de acordo com Projeto PolíticoPedagógico do curso, segundo orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais aprovadas pelo
Ministério da Educação para a área, e em consonância com a Lei 11.788/2008, que regulamenta a
prática do estágio de estudantes no país. Em seu Art. 1.º, a Lei estabelece:

Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que
visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o
ensino regular em instituições de educação superior e de educação profissional; e faz parte
do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando [...]
visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização
curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho
(BRASIL, 2008).

Os trechos acima destacados deixam claro que o estágio objetiva a preparação do discente
para suprir as demandas pedagógicas e do mercado de trabalho, apontando para a necessidade de
um processo educativo completo, que permita a formação de profissionais competentes na sua área
de atuação. Marran (2008, p.3) assevera a indissociabilidade das dimensões teórica e prática, como
um espaço de interação, “a partir da dinamicidade entre o saber e o saber fazer, entre situação de
formação e situação de trabalho”.
Destarte, o ECS deve oportunizar aos acadêmicos as experiências necessárias para suprir as
demandas de um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Essa preparação para o trabalho
produtivo deve ser a mais completa possível, com a aquisição de conhecimentos e competências
próprias à profissão.
Nas palavras de Alves (2013, p. 830) “Sem a vivência da prática haveria um distanciamento
do aluno em relação ao mercado de trabalho e à sua futura profissão”. Além disso, o estágio
oportuniza o conhecimento de regras de conduta de princípios profissionais e éticos, também
necessários para a formação profissional. A autora destaca ainda a importância do estágio como um
elemento “possibilitador” de competências bem como, de desenvolvimento de comportamentos e
atitudes que se espera de um profissional:

�Os estágios vêm assumindo maior importância diante das novas exigências do mercado de
trabalho que exige profissionais que além da capacidade técnica possuam criatividade,
liderança, ética e adaptabilidade às rápidas transformações informacionais e sociais além de
integração, conhecimento e familiaridade com o meio em que vão atuar (ALVES, 2013,
p.833).

Por sua vez, Marran (2008) ressalta a necessidade se formar um profissional crítico e
reflexivo, com autonomia para compreender e transformar a realidade ao seu redor, posto que o
estágio também permita ao aluno fazer sua própria leitura da realidade, o que favorece a apreensão
de informações necessárias para ações intencionais de uma prática emancipadora, de uma formação
profissional diferenciada para o trabalho produtivo, mas não-alienado. E acrescenta:

Este momento é uma possibilidade de reflexão e paralelismo sobre o curso, sobre as
solicitações das categorias destinadas à formação, no caso, a de trabalho produtivo, sobre a
interdisciplinaridade e a suficiência ou aprimoramento necessários à constituição da
inteireza profissional (MARRAN, 2008, p. 5).

Desta feita, espera-se que o ECS permita, além da prática e da autonomia do aluno, o
desenvolvimento do sendo crítico e de atitudes essenciais para o bom desempenho profissional, tais
como: ética, compromisso, responsabilidade e espírito de equipe.
A formação no campo da Biblioteconomia exige o domínio de um conjunto de
conhecimentos, habilidades e competências vinculados aos conteúdos teórico-práticos presentes nos
componentes curriculares, dentre eles o ECS. Para concreção dos objetivos propostos para o ECS,
este deve promover a realização de atividades programadas, de cunho profissionalizante, com vistas
a aprofundar os conhecimentos teórico-práticos do educando, capacitando-o para organizar e
administrar centros de informação.
Neste sentido, Alves (2013) destaca o papel do estágio como instrumento pedagógico e
ressalta que a boa relação entre a Instituição de Ensino Superior (IES) e a instituição concedente é
vital para o seu sucesso, sendo fundamental o acompanhamento e o comprometimento do
supervisor (a) de campo e do orientador (a) pedagógico, para a efetividade e qualidade das ações
desenvolvidas na prática do educando e sua integração ao meio profissional.
O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) por meio da Resolução nº 192/17, em seu
Art. 10, concede orientações quanto à supervisão de estágios de estudantes de Biblioteconomia e
quanto às normas de conduta do Bibliotecário quando em atividade de supervisão de estágio:

�O agente de educação e coordenador do curso deve:
a) assegurar-se que o orientador seja um professor com bacharelado em Biblioteconomia;
b) manter permanente supervisão dos procedimentos realizados por estudantes de
Biblioteconomia no trato com os problemas e soluções bibliotecárias;
c) dar a conhecer aos estudantes de Biblioteconomia todas as implicações éticas dos
diferentes procedimentos e das diferentes situações encontradas no trato com a
armazenagem, processamento, recuperação e disseminação da informação;
d) dar a conhecer aos estudantes de Biblioteconomia sob sua supervisão, as altas
responsabilidades sociais de Bibliotecário como classe e dos Bibliotecários em particular.

O ECS deve, portanto, ser um espaço para a complementação da base teórica do curso, sob a
supervisão de profissionais competentes e comprometidos com a formação do educando. Essa
interação com o meio profissional possibilita a reflexão do aluno quanto à realidade dos campos de
atuação profissional, preparando-o para enfrentar os desafios futuros.
Apesar de todas as legislações e orientações quanto à prática do estágio, inúmeras situações
podem dificultar sua efetivação ou mesmo, impedir os resultados propostos e esperados. Marquetis
(2001, p. 08) elenca como causas mais comuns, relacionados à supervisão e orientação: a falta de
envolvimento de professores orientadores, insuficiência da supervisão e postura de bibliotecários
supervisores; falta de integração/respeito dos profissionais, estagiar com profissionais
desmotivados.
Na maioria das vezes esses profissionais se encontram sobrecarregados de afazeres, ficando
desmotivados para mais esse ofício, mas isso não deve justificar esse tipo de postura. Nestes casos,
a postura do profissional bibliotecário fere ao código de ética profissional e enfraquece a imagem e
conduta profissional de uma categoria, não reconhecendo a importância de seu papel na formação
do aluno e deixando uma imagem negativa para o aprendiz.
Com relação às atividades realizadas, Souza e Nascimento (2009) e Marquetis (2001)
relatam em suas pesquisas, que para uma parcela das instituições concedentes, o estagiário é
encarado como mão de obra gratuita ou de baixo custo, sem os encargos trabalhistas,
especificamente no caso dos estágios obrigatórios.
Em outros casos, essa mão-de-obra dos estudantes que deveria ser tão proveitosa e
promissora para o aprendizado de conteúdos e condutas de sua futura profissão, se reduz ao
executar somente atividades técnicas, funções e tarefas não relacionadas aos seus cursos, ou para
suprir a carência da instituição, outros são encarregados de trabalhos repetitivos ou maçantes, sem
supervisão e sem possibilidade de expansão de seus conhecimentos.

�A execução do estágio dessa maneira é extremamente prejudicial, pois o estudante adquire
pouca ou nenhuma aprendizagem e deixa de construir as relações entre o conhecimento teórico e
prático relativo à profissão. O discente precisa vivenciar o maior aproveitamento em qualidade do
aprendizado e das experiências técnicas e administrativas ligadas ao seu curso, para que adquira
uma visão ampla da profissão e possa proporcionar a segurança para desenvolver suas futuras ações
profissionais.
Na mesma direção, Alentejo (2010) aponta para a questão do descumprimento do plano de
estágio pela Instituição concedente. A desvinculação entre teoria e prática, ocasionada por
problemas no planejamento do estágio, Alves (2013, p. 832) comenta que “a dissociação entre a
teoria e a prática pode ser ocasionada pela inadequação dos currículos dos cursos à realidade
profissional, impedindo a aplicação do conteúdo aprendido ou exigindo conhecimentos não
repassados pelos cursos universitários”. Neste caso, seria importante que orientadores pedagógicos
e supervisores de campo programassem em conjunto e de maneira periódica as atividades que a
instituição concedente tem condições de desenvolver com os estagiários, avaliando-as e adequandoas, quando necessário.
Alves (2013) também aponta para o despreparo de algumas bibliotecas quanto à realização
do estágio devido ao seu horário de funcionamento e tipos de serviços oferecidos e ainda a falta de
compromisso de alguns alunos. Para que haja uma aprendizagem significativa no decorrer do
estágio, além da adequação do currículo, das atividades e empenho dos profissionais, também é
essencial o comprometimento do aluno nesse processo e do reconhecimento individual da
participação deste no processo de aprendizagem e de progresso dos conhecimentos da própria área
de atuação e de seu campo profissional.
Pelo exposto pode-se observar que somente as legislações não são suficientes para
assegurar o alcance dos resultados projetados para o ECS, sendo necessário um empenho coletivo,
de todos os atores envolvidos, bem como, há que se pensar em novos modelos ou propostas de
contribuições técnicas e acadêmicas advindas de todos que envolta o tema.
Marquetis (2001, p.115) conclui que mesmo da experiência negativa na fase de estágio,
pode-se tirar proveito: “que o aluno tenha consciência do que não se deve fazer. Isso acaba
enriquecendo o aluno, se ele tiver uma postura positiva. Enxergar os problemas e as dificuldades e
os defeitos também contribuem para sua formação”.

�Dessa forma, seja a experiência positiva ou negativa, a realização do estágio viabiliza
valiosas contribuições à formação dos sujeitos, mas para que isso aconteça, é necessário abastecer e
conduzir o processo de estágio de maneira consciente, profissional e cidadã efetiva ao papel que
cada ator envolvido desempenha e da importância das funções e contribuições que esses atores
podem incrementar ou inovar nas disciplinas.
A não realização do estágio em Biblioteconomia implica, portanto, em andar na contra mão
do processo formativo de qualidade que se espera de um profissional da informação, o que afeta na
construção do seu perfil e consequentemente, em sua atuação profissional, tendo em vista que todos
esses aspectos estão interacionados.
Sobretudo no contexto atual, com o processo contínuo de mudanças e novas exigências
sociais e tecnológicas intervém no fazer na área, exigindo um profissional cada vez mais
qualificado e altamente competente na utilização desses recursos. Não basta a execução das rotinas
técnicas e de gestão, esse atual cenário exige que o profissional seja perspicaz, dinâmico, criativo,
crítico, flexível e multifacetado de modo a oferecer serviços informacionais e socioculturais
diferenciados e qualificados, fazendo um com que a unidade onde atue exerça influência ativa,
suprindo demandas da instituição e dos usuários da comunidade em que esteja inserida.
Na UFAM, as atividades de estágio estão regulamentadas pela Resolução nº 004, de
29/02/2000 do Conselho de Ensino e Pesquisa – CONSEPE e de acordo com Projeto Pedagógico do
Curso de Biblioteconomia da universidade, o Estágio Curricular Supervisionado (ECS) é requisito
obrigatório na formação do discente, como atividade integrante do curso, com vistas a proporcionar,
além da complementação curricular, a reflexão acerca dos conteúdos teóricos desenvolvidos na
academia, por meio de atividades práticas e das rotinas de trabalho em unidades de informação.
Desta forma, o estágio permite que a teoria apreendida seja posta em prática. O Projeto descreve o
perfil do profissional a ser formado:

A expectativa é formar profissionais para o desempenho proficiente e criativo das
atividades do ciclo documentário (reunião, tratamento e difusão de documentos e
informação) e do ciclo informacional (produção, transferência e uso de documentos e
informação) e a participação ativa nos processos de construção e reconstrução da realidade
social. (UFAM, 2008, p. 10).

�A disciplina compreende 240 horas/aula, distribuídas em quatro fases do curso,
integralizando 8 créditos, a serem cumpridas a partir da 4º período, com o Estágio I (60 horas)
informado nesse artigo como ECS 1. Estão incluídos na Matriz Curricular distribuídos nos demais
períodos do curso em ECSs II, III E IV, sendo realizado uma vez por semana, com carga horária
diária de 4 horas. Conforme o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) vigente desde 2009, destina-se a
execução de cada estágio em Unidades de Informação alternadas entre as tipologias Setor Público,
Setor Privado e Terceiro Setor, sendo que no último estágio ECS IV, a Coordenação de Estágio se
esforça para que o discente tenha a oportunidade de retornar à Unidade de Informação em que mais
estimou afinidade e identificação profissional para que a partir dessa experiência possa desenvolver
um projeto de pesquisa ou seu trabalho de conclusão de curso. Vale salientar que, nem sempre essa
alternância e retorno à Unidade de Informação preferida é oportunizada ao discente, visto a
quantidade de instituições concedentes e da disposição de profissionais regulamentados para
supervisão técnica em campo.
Além das documentações exigidas, relativas ao contrato de estágio, o seguro de vida é um
requisito obrigatório para a realização do ECS. O seguro obrigatório é estabelecido de acordo com a
Resolução 067/2011-CEG/CONSEPE/UFAM, em seu Art. 8º: “Ao estagiário será garantido seguro
obrigatório contra acidentes pessoais, o qual será custeado pela UFAM quando se tratar de estágio
obrigatório, e pela entidade concedente, quando se cogitar de estágio não obrigatório”.
A UFAM é uma Instituição de Ensino Superior pública, mantida pela União, por isso
mesmo, sua estrutura formal é muito rígida e dependente de órgãos superiores federais, inclusive,
dependente dos orçamentos financeiros governamentais. Na instituição, os procedimentos, bem
como, das legislações e normas que norteiam os Estágios Obrigatórios são atribuições da PróReitoria de Ensino de Graduação (PROEG) e, respectivamente no Setor específico denominado
Departamento de Programas Acadêmicos (DPA).

�3 SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Como centros de informação e de práticas sociais complementares, as bibliotecas
universitárias participam do processo de disseminação da informação e do conhecimento de forma
articulada com os projetos pedagógicos dos cursos, as atividades de Ensino, Pesquisa, Extensão e
contribuem efetivamente para o cumprimento da missão e o alcance dos objetivos da instituição
onde esteja inserida, considerando as suas áreas de atuação e o perfil sociocultural e as necessidades
e demandas do seu público alvo. Além disso, a biblioteca universitária é a responsável por difundir
e resguardar a produção intelectual da instituição.
De acordo com Macedo e Dias (1992), como objetivos técnicos, uma biblioteca universitária
deve organizar tecnicamente o acervo, orientar seu uso e disseminar as informações, controlando
operacionalmente seus sistemas. Como objetivos institucionais, visa direcionar suas atividades ao
cumprimento dos objetivos da instituição, apoiando as necessidades de Ensino, Pesquisa e
Extensão, bem como as de caráter administrativo, a fim de incrementar a produtividade científica e
acadêmica.
O SISTEBIB/UFAM foi criado em 12 de setembro de 1974, sendo este, um Órgão
Suplementar, responsável pela administração do Sistema de Bibliotecas, é subordinado diretamente
ao Reitor. Desde abril de 2002, ocupa o prédio da Biblioteca Setorial da Faculdade de Ciências da
Saúde, situada na Av. Ayrão, 1033A - Praça 14 de Janeiro, Manaus.
O SISTEBIB/UFAM exerce um papel fundamental de apoio às atividades de Ensino,
Pesquisa e Extensão, tendo uma organização centralizada que promove o empréstimo de todo
material bibliográfico e audiovisual necessário demandado pela comunidade universitária, bem
como o repasse de materiais bibliográficos às Bibliotecas Setoriais de acordo com as solicitações
realizadas (UFAM, 2019).
Segundo dados disponíveis no site da instituição, o SISTEBIB/UFAM é responsável pelo
gerenciamento da programação orçamentária, relativa ao acervo bibliográfico, bem como de todo
material informacional pertencente ao acervo da Fundação Universidade do Amazonas (FUA),
independente de sua localização. Todo material recebido por doação pelas Bibliotecas Setoriais, é
obrigatoriamente, remetido à Biblioteca Central para seleção, registro e processamento técnico.

�O SISTEBIB/UFAM constitui-se de um conjunto de Bibliotecas integradas sob os aspectos
funcional e operacional, cuja filosofia de atuação visa a unidade e a racionalização de serviços,
materiais e métodos, tendo por finalidade:
a) Integrar as suas bibliotecas à política educacional e administrativa da UFAM, servindo de
apoio aos seus programas de ensino, pesquisa e extensão;
b) Estimular a produção técnico-científica e cultural mediante o desenvolvimento de
serviços e produtos de informação;
c) Cooperar com redes e sistemas de informação para melhor aproveitamento e
racionalização dos recursos disponíveis, integrando-se aos planos nacionais de bibliotecas
universitárias e demais programas cooperativos;
d) Contribuir para a atualização e o aperfeiçoamento profissional da classe bibliotecária da
UFAM, e demais servidores que nela atuam, através da produção de eventos ou incentivos à
participação em atividades técnicas, congressos, seminários, cursos, etc.

O SISTEBIB/UFAM, por meio de uma estrutura organizacional e administrativa
parcialmente centralizada, constitui-se de uma Biblioteca Central e sete Bibliotecas Setoriais
instaladas em Manaus e cinco Bibliotecas nas Unidades no Interior do Estado.
Além do Estatuto e Regimento da UFAM, cada divisão tem suas atribuições especificadas
no Regimento interno do SISTEBIB/UFAM, compostas da seguinte forma:
a) Biblioteca Central (BC) – responsável pela administração e planejamento das atividades
do Sistema de Bibliotecas;
b) Divisão de Intercâmbio (DI) – responsável pelo estabelecimento de programas de
intercâmbio com entidades nacionais e internacionais;
c) Divisão de Seleção e Aquisição (DSA) – responsável pelo controle e supervisão das
atividades relacionadas aos processos de aquisição e de incorporação ao patrimônio da
UFAM de todo material informacional;
d) Divisão de Processamento Técnico da Informação (DPI) – responsável pela coordenação,
execução e controle do processamento técnico de todo material informacional e de sua
inserção no sistema de gerenciamento da utilização do acervo;

�e) Divisão de Documentação (DD) – responsável pelo planejamento, supervisão e avaliação
das atividades desenvolvidas pelo Serviço de Informação e Divulgação bem como pela
reunião, organização e preservação da memória documental da UFAM;
f) Divisão de Bibliotecas Setoriais (DBS) – responsável pela coordenação, supervisão e
avaliação das Bibliotecas Setoriais e de Extensão. Consideram-se Bibliotecas Setoriais
aquelas localizadas nas Unidades Acadêmicas e Órgãos Suplementares onde prestam
serviços. Todas estão destinadas a atender a comunidade da UFAM, alunos de graduação,
pós-graduação e servidores.

O SISTEBIB/UFAM possui Política de Formação e Desenvolvimento de Coleções, bem
como Política para Indexação de Acervo e utiliza o Sistema Pergamum de Gerenciamento de
Bibliotecas. Tanto a BC/UFAM quanto as sete Bibliotecas Setoriais contam com seus acervos
informatizados e as cinco Bibliotecas das Unidades fora da sede estão com seus acervos
parcialmente informatizados. O acervo das bibliotecas do SISTEBIB/UFAM é aberto ao público em
geral para consultas e pesquisas.
As universidades destacam-se por serem importantes geradoras de conhecimento, advindos
de pesquisas realizadas por pesquisadores, docentes e discentes. A BC/UFAM, a exemplo de outras
bibliotecas universitárias, contribui de forma significativa nesse processo, por intermédio de seus
recursos informacionais que são subsídios fundamentais para a pesquisa acadêmica, possibilitando a
construção de novos conhecimentos.

4 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

As atividades aqui enunciadas foram desenvolvidas e descritas em relatórios parciais, como
requisito para cumprimento e avaliação da disciplina ECS 1, no decorrer do 4º período do Curso de
Biblioteconomia da UFAM, no segundo semestre de 2019. Aqui são apresentadas apenas um
resumo das mesmas.

�4.1 Atividade 1: Repositório Institucional da UFAM (RIU) e Arquivamento de documentos

Essa atividade resulta dos dias de realização de atividades presenciais de estágio na
Instituição concedente e das ocorrências que puderam ser vivenciadas e aprendidas pelos discentes.
Nesta ocasião, foi apresentada a Divisão de Documentação responsável pelo Repositório
Institucional da UFAM.
O RIU, criado em 06 Julho de 2017, é uma plataforma digital, de acesso gratuito, público e
aberto, que tem por objetivo de armazenar, preservar e divulgar toda a produção técnica e científica
da UFAM, além de promover o intercâmbio intelectual com outras instituições nacionais e
internacionais.
Segundo a Portaria n° 1065/2017 que o institucionalizou, os conteúdos que integram o
repositório são: dissertações, teses, trabalhos de conclusão de cursos de graduação e pósgraduação lato sensu, artigos científicos, documentos de conferências, palestras, livros e capítulos
de livros, patentes, revistas da Ufam, relatórios e softwares livres, e outros documentos relevantes.
Estabelece ainda que o SISTEBIB/UFAM será responsável por sua operacionalização técnica,
garantindo a organização e atualização de seus dados.
O abastecimento do sistema é feito principalmente por meio de auto arquivamento de
documentos, que depois de revisados e aprovados pelo setor competente, são disponibilizados pelo
site, que se apresenta em três idiomas (português, espanhol e inglês).
O RIU é organizado em comunidades constituídas por um conjunto de coleções, nas áreas de
Ciências Agrárias; Biológicas; Saúde; Exatas e da Terra; Humanas; Sociais Aplicadas; Engenharias;
Linguística, Letras e Artes; e Multidisciplinar. As buscas podem ser feitas por autoria, assunto,
áreas de conhecimento, tipo de documento, data de publicação e tipo de publicação. O acesso é feito
pelo endereço eletrônico: http://riu.ufam.edu.br/.
Segundo Valentim (2017) as bibliotecas universitárias têm desempenhado um importante
papel na constituição de repositórios institucionais, uma vez que as universidades e os institutos de
pesquisa são os que mais geram conhecimento no país, conhecimento este advindo de pesquisas
realizadas por pesquisadores, docentes e discentes.

�Deste modo, o RIU é uma importante ferramenta digital criada para preservação e
divulgação da produção técnico-científica de pesquisadores, alunos e funcionários da instituição. A
disponibilização de seu conteúdo, de forma aberta, favorece o processo de comunicação científica,
oferecendo novas oportunidades para o compartilhamento da informação, contribuindo para o
desenvolvimento da ciência.
Após as devidas explanações acerca do histórico, das normativas, especificações e
funcionamento do sistema do Banco de Tese e Dissertações mantido pela BC/UFAM, o
bibliotecário responsável apresentou os formulários disponíveis no site, necessários para o
autoarquivamento de produções acadêmicas e cientificas. Também esclareceu como ocorre o
arquivamento de documentos de acesso embargado, posto que, normalmente, gerem patentes, é
feito de forma presencial.
Ato contínuo passou-se à demonstração prática do processo de alimentação de metadados no
RIU, de uma tese de acesso embargado. Os formulários de cada etapa foram preenchidos sob
orientação do supervisor de campo e a atividade foi executada com êxito.
O desempenho desta atividade ressaltou o reconhecimento de sua importância em relação à
disseminação do conhecimento em acesso aberto. Conhecer sua estrutura e funcionamento é
essencial para a formação profissional do bibliotecário, como gestor da informação.

4.2 Atividade 2: Realização do Estudo Dirigido

A segunda atividade realizada após a suspensão das atividades presenciais de Estágio e
prevista no Plano Emergencial de Estágio aconteceu mediante Estudo Dirigido, com base em um
texto intitulado: Estágio Curricular Supervisionado: algumas reflexões, de autoria de Ana Lúcia
Marran.
De acordo com Quadros (2011) o estudo dirigido é uma técnica didática cujo princípio é que
o professor não ensina, mas agiliza o processo de aprendizagem, auxiliando o aluno a aprender,
incentivando sua atividade intelectual, além de facilitar o desenvolvimento da criatividade e de
habilidades. Caracteriza-se pela divisão em etapas e Inclui atividades de leitura, exercícios e
autocorreção, sendo eficiente em qualquer área do conhecimento, pois auxilia no entendimento e na
memorização do conteúdo estudado.

�O texto em questão trata-se de um estudo que discute o ECS, suas concepções e desafios na
educação superior, por meio de reflexões fundamentadas em autores que se debruçam sobre o tema,
bem como por norteamentos trazidos pela Lei 11788/2008.
Dentre as reflexões do texto, a autora destaca a importância do ECS como sendo uma
atividade essencial à formação profissional do educando, pois cria oportunidades para a
complementação do processo de ensino-aprendizagem, unindo teoria e prática, devendo fazer parte
do projeto pedagógico de cursos de graduação.
Assevera a indissociabilidade entre a formação teórica e a prática e reitera que o estágio é
um espaço de interação interdisciplinar e produção do conhecimento numa perspectiva crítica, ética
e competente. Considera o estágio como o lócus propício ao desenvolvimento da identidade
profissional do aluno, construída a partir de uma ação vivenciada, reflexiva e crítica.
Aponta que a Lei n. 11.788/ 2008 (que norteia o ECS) traz em seu bojo uma conotação do
ECS como uma instrumentalização mecanicista para a execução de um “trabalho produtivo”. Tal
fato levanta os seguintes questionamentos: “que tipo de homem se pretende formar?” e encadeada a
esta: “Para que sociedade?” (MARRAN, 2008, p. 06).
Ressalta os desafios que envolvem a realidade do ECS perpassam por vieses ideológicos
diversos. Seu entendimento, através da prática reflexiva, confere aos atores envolvidos o
instrumental necessário para que o objetivo seja alcançado. E conclui que o principal objetivo do
estágio é construir a capacidade de autonomia profissional e política do estudante.
O estudo dirigido sobre o referido texto foi dividido nas seguintes etapas: a) destacar as
ideias principais do texto; b) esquematizar o texto partindo das ideias centrais para as ideias
secundárias; c) identificar no texto os conceitos, as características e outros elementos necessários à
compreensão do mesmo; d) pesquisar no dicionário ou glossário o significado de palavras ou
expressões desconhecidas; e) identificar ideias que se contradizem ou que se entenda alguma
contradição; f) quanto ao posicionamento do autor, você concorda ou não com ele? Justifique o seu
posicionamento relacionado ao autor.

�Respondidas as questões individualmente, o grupo foi reunido na sala de aula para
discussões sobre o texto e sobre as percepções da turma acerca do tema. O consenso geral foi de
que o texto é denso, porém as discussões são atuais e pertinentes e de que o ECS é de fato um
espaço de interação interdisciplinar e produção do conhecimento numa perspectiva crítica, ética e
competente, bem como é um importante instrumento para o processo formativo como um todo,
possibilitando o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais para os futuros
profissionais.

4.3 Atividade 3: Caracterização da Biblioteca

A terceira atividade consistiu em um relatório acerca das principais características da
biblioteca onde se iniciou o ECS, neste caso, a BC/UFAM, tendo por objetivo descrever, de forma
breve e sucinta, aspectos como sua tipificação, sua instituição mantenedora, sua função, seus
produtos e serviços, bem como, seus usuários.
A tipologia de uma biblioteca é determinada pelas funções e serviços que oferece, pela
comunidade que atende e pelo seu vínculo institucional. Dessa forma, a biblioteca universitária tem
características

diferenciadas

das

demais

(escolares,

especiais,

especializadas,

públicas,

comunitárias), sendo um equipamento não apenas cultural ou de apoio educacional, mas um espaço
privilegiado de mediação institucional na formação do pesquisador.
A UFAM, sua instituição mantenedora, é considerada uma das universidades mais antigas e
mais importantes do país e goza de grande destaque na Região Norte. Segundo informações
disponíveis no portal da instituição, a UFAM oferece atualmente 96 cursos de graduação e 39 de
pós-graduação stricto sensu credenciados pela Capes. Ao todo 31 cursos de Mestrado e 8 cursos de
Doutorado. Em nível de Pós-Graduação Lato Sensu, são mais de 30 cursos oferecidos anualmente.
No que se refere à Extensão, são mais de 600 projetos que beneficiam diretamente a população e 17
grandes programas extensionistas.
Entre os alunos dos cursos regulares de graduação ministrados em Manaus e no interior do
Estado e dos cursos de graduação conveniados, a Universidade reúne mais de 20 mil estudantes.
Nos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado) e Lato Sensu são mais de 2 mil
estudantes.

�De acordo com portal da UFAM (2019), a BC/UFAM tem como principais atribuições:

a) Adquirir, preparar, manter atualizado e disseminar o material informacional sobre os
assuntos relativos aos programas de ensino, pesquisa e extensão da Universidade do
Amazonas;
b) Atuar como um Centro Referencial de Informação Técnico-Científica e Cultural,
orientando os seus usuários às fontes que atendam a essas questões;
c) Reunir, preparar e manter a memória documental da UFAM;
d) Manter articulação permanente com o Departamento de Biblioteconomia para a
realização de estágios supervisionados;
e) Servir como entidade responsável pelo depósito legal da documentação bibliográfica
produzida e editada pela UFAM;
f) Programar, sistematicamente, em articulação com os Departamentos e Centros
Acadêmicos, curso de iniciação à pesquisa bibliográfica nos níveis básicos, profissional e de
pós-graduação, bem como treinamento de usuários;
g) Realizar cursos, treinamentos e outros que possam contribuir para o aperfeiçoamento do
pessoal técnico-administrativo.

Quanto aos serviços, o SISTEBIB/UFAM oferece: Circulação, Empréstimo Domiciliar,
Renovação (presencial ou online pelo MEU PERGAMUM) e Reservas; Referência, Comut
(Programa de Comutação Bibliográfica); Nada Consta (documento necessário para recebimento
de diploma, bem como para fins administrativos); Elaboração de ficha catalográfica; Depósito de
teses e dissertações e trabalhos de conclusão de curso; Salas de estudo.
Os Produtos ofertados são: Catálogo online; Repositório Institucional (RIU); Publicações e
Base de Dados nacional e internacional. Além disso, a BC/UFAM, por intermédio do
SISTEBIB/UFAM, oferece capacitações tais como: treinamento para usuários; tutoriais;
apresentações e materiais de apoio; apoio ao ensino. O apoio ao ensino consiste em uma série de
ferramentas digitais que estão disponíveis no portal da instituição.

�A BC/UFAM mantém um canal de comunicação direta através de chat, e-mail e telefones.
Também disponibiliza outras informações importantes por meio de informes e relatórios.
Com relação aos seus usuários, a BC/UFAM enquanto unidade técnico-administrativa do
SISTEBIB/UFAM, não oferece serviços de referência e empréstimos de obras como as Setoriais, a
maior parte de seus serviços e produtos são disponibilizados de forma virtual. Os usuários que,
presencialmente, procuram a BC/UFAM, o fazem para doação de obras, consulta às teses e
dissertações que são se encontram no repositório e depósito de teses e dissertações que vão gerar
patentes, além de servidores da UFAM, para emissão de Nada Consta.
Dessa forma, a BC/UFAM indiretamente atende a toda a comunidade acadêmica da UFAM,
por meio do SISTEBIB/UFAM, tendo como usuários: alunos dos cursos de graduação e pósgraduação, professores (efetivos, visitantes e substitutos), pesquisadores e técnicos administrativos.
Além de membros da comunidade em geral, sem vínculo com a instituição.
Esta etapa do trabalho permitiu a que se tivesse uma visão macro da estrutura organizacional
e funcional da instituição, bem como conhecer suas especificidades, o que a tornou ainda mais
interessante como campo de estágio.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não há dúvidas quanto à importância do ECS, seja pelo que se lê na literatura, seja pelo se
observa na prática. Teoria e prática são complementares. A teoria capacita o discente para a prática
e esta o aproxima da realidade do mercado de trabalho relativo à sua futura profissão.
Dada à sua importância para o discente, esta etapa do curso se reveste de grandes
expectativas, posto que a prática demonstre sua real aptidão e permita o conhecimento do seu perfil
profissional, sendo ainda o objetivo final de sua formação.
A BC/UFAM apresenta características diferenciadas, seja por sua estruturação complexa,
pela diversidade do público que atende ou pela variedade de atividades que desenvolve. Desta feita,
subtende-se, que a instituição seja um lócus privilegiado para o desenvolvimento do estágio e que as
práticas a serem desenvolvidas tenham um grande potencial para fomentar conhecimentos e
vivências que não se adquire na sala de aula o que, certamente, é de grande valia aos acadêmicos
em Biblioteconomia.

�De fato, O ECS 1 na BC/UFAM permitiu o conhecimento, parcial, do funcionamento uma
biblioteca universitária e um pouco do processo que envolve suas atividades, permitindo ainda a
percepção da realidade da ação profissional na Instituição e representando algo concreto quanto ao
mercado de trabalho.
Diante da interrupção das atividades regulares do Estágio nas Instituições, o que se pode
registrar é uma insatisfação coletiva de todos os envolvidos no processo pelos trâmites burocráticos
institucionais que impediram a operacionalização efetiva dos estágios, pois a BC/UFAM é um
excelente espaço de aprendizagem que oportuniza as relações de aprendizagem e experiências entre
teoria, prática e ação. Nesse local, os estagiários contam com ótima receptividade tanto da direção,
assim como, de toda a equipe de bibliotecários e demais funcionários, o que favorece a ambientação
do educando, facilitando a apreensão das novas práticas.
O Plano Emergencial de Estágio elaborado pela Coordenação de Estágio do Curso de
Biblioteconomia da UFAM foi satisfatório tendo em vista a busca de oportunidades e momentos de
aprendizado por meio de trabalhos que proporcionassem o essencial necessário para iniciar
experiência com o estágio no que se refere aos estudos e pesquisas sobre os aspectos teóricos da
disciplina, entretanto, cientes da privação de conteúdos, práticas e das expectativas naturalmente
criadas pelos discentes, considerando as demandas de aprendizagem exigidas pelo currículo,
contribuintes da formação profissional esperada.
Pode-se assim, afirmar que o estágio é de fundamental importância para o aprendizado e
para a formação do discente pelo valor agregado ao conhecimento teórico adquirido na universidade
e a não realização de uma das etapas, sem dúvidas, gera prejuízo ao processo formativo como um
todo. Em síntese, registrou-se a sensação de desapontamento individual e coletiva mediante a
interrupção do estágio já no primeiro contato onde se vislumbrou enxergar a teoria no campo de prática profissional, é
como se de fato, o estágio não houvesse acontecido.

Quando o estágio não acontece, perde-se a oportunidade de vivenciar novas experiências,
esclarecer dúvidas, realizar questionamentos, criar soluções inovadoras e conhecer novos espaços e
profissionais que exercem a profissão nas mais diversas tipologias de Unidades de Informação e da
percepção das condutas profissionais e cotidianas que são tão evidentes e perceptíveis ao processo
de aprendizagem e de formação. Enfim, o conhecimento adquire seu real valor, quando se pode
aplicá-lo.

�O que coube como sugestão é na próxima etapa em ECS-2, em 2020/1, que os discentes
possam ser direcionados novamente às instituições para as quais foram designados em 2019/2, a fim
de obter ganhos objetivos e subjetivos no aprendizado e nas experiências profissionais que os
discentes esperam vivenciar – o estágio curricular supervisionado.

REFERÊNCIAS

ALENTEJO, E. da S.; GOUVIN, M. G.; MARINHO, D. R. O CAMPO DE ESTÁGIO EM
BIBLIOTECONOMIA: o olhar dos estudantes, dos professores e dos bibliotecários das instituições
concedentes. In: XI Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação Inovação e
inclusão social: questões contemporâneas da informação. Rio de Janeiro, 25 a 28 de outubro de
2010. Disponível em:
http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/xienancib/paper/viewFile/3530/2655. Acesso em 13 fev.
2020.
ALVES, Marilia Amaral Mendes. Estágio: utopia ou realidade? Relato de experiência da
coordenação de estágio da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO. Revista ACB: Biblioteconomia
em Santa Catarina, Florianópolis, v.18, n.1, p. 829-845, jan./jun., 2013. Disponível em:
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BRASIL. Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Diário Oficial. República Federativa do
Brasil, Brasília, DF, 26 de set. de 2008. Disponível em:
&lt;https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 10/2008/lei/l11788.htm&gt;. Acesso em: 26 nov.
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2017. Disponível em:
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Disponível em:
http://edoc.ufam.edu.br/bitstream/123456789/922/3/RESOLU%C3%87%C3%83O%20067_2011%
20EST%C3%81GIO%20OBRIGAT%C3%93RIO%20E%20N%C3%83O%20OBRIGAT%C3%93
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https://biblioteca.ufam.edu.br/attachments/article/256/PPC%20BIBLIOTECONOMIA.pdf. Acesso
em 13 nov.2019.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS. Política sobre o Repositório Institucional da
Ufam. https://tede.ufam.edu.br/Politica_RepositorioInstitucionalUFAM.pdf. Acesso em: 13 nov.
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Manaus, UFAM, 2019. Disponível em: https://biblioteca.ufam.edu.br/sobre-sistebib/sobre-osistema Acesso em 20 out. 2019.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta as experiência das atividades desenvolvidas durante o Estágio Curricular Supervisionado 1 (ECS-1), no período letivo de 2019/2, no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM), local designado para a realização das atividades e da qual informa-se que sua operacionalização não ocorreu por motivos institucionais não informados. Sendo assim, cada Coordenação de Estágio em cada curso da graduação ficou responsável por elaborar um Plano Emergencial para as disciplinas de Estágio de modo que não houvesse maiores prejuízos aos discentes do curso de Biblioteconomia. Como de costume, os discentes foram encaminhados às instituições concedentes e, assim que as atividades de estágio foram interrompidas, adotou-se o referido plano. Das experiências vivenciadas durante a realização da disciplina e dos procedimentos que ocorreram mediante o plano emergencial, esta comunicação propõe reflexões que envolvem o ensino e as relações de aprendizagem entre a teoria e prática envolvidas no cumprimento efetivo ou não do ECS. Conclui-se que o ECS contribui, de forma relevante, para o desenvolvimento das competências profissionais e para a formação completa dos discentes em Biblioteconomia e que a não realização deste constitui-se em prejuízo para o processo formativo.</text>
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                    <text>Eixo Tradição
PRÁTICAS CULTURAIS E CIDADÃS DO BIBLIOTECÁRIO: EVIDENCIANDO AS POTENCIALIDADES
DA PRAÇA CÍVICA NA CIDADE DE GOIÂNIA
CULTURAL AND CITIZEN PRACTICES OF THE LIBRARY: EVIDENCE THE POTENTIALITIES OF
THE CIVIC SQUARE IN THE CITY OF GOIÂNIA
Johnathan Pereira Alves Diniz1
Bethania Oliveira Silva2
Hevellin Estrela3
Resumo
Discute-se a potencialidade, a partir da Praça Cívica em Goiânia-GO, para a formação cidadã dos bibliotecários. Partiuse da questão: o exercício da formação cidadã proporciona aos bibliotecários viver a cidade e executar suas práticas
sociais? Objetivamos, especificamente, mostrar que a Praça Cívica é retratada por meio dos seus diversos usos e
apropriações, pode ser discutida/compreendida enquanto lugar do encontro, de múltiplos usos e simbolismos,
reforçando seu potencial ao exercício das práticas cidadãs. Fundamentada numa abordagem qualitativa, buscou-se
ressaltar a relevância de incentivar a prática cidadã em espaços não-formais como estratégias complementares.
Aprender sobre a cidade formulando intervenções no espaço vivido, fazem os bibliotecários agregarem, em seus
olhares, proposições que contemplem a necessidade de exercício da cidadania e influenciam a promoção de práticas
culturais como mediadores da informação e valorizar o espaço que nela frequenta e ocupa.
Palavras-Chave: Bibliotecários. Formação Cidadã. Práticas culturais.
Abstract
It discusses the potential, from the Civic Square in Goiânia-GO, for the citizen formation of the Librarians. It started
from the question: does the exercise of citizen training provide the Librarians to live the city and perform their social
practices? Specifically, we aim to show that the Civic Square is portrayed through its diverse uses and appropriations,
can be discussed/understood as a place of encounter, multiple uses and symbolism, reinforcing its potential to exercise
citizen practices. Based on a qualitative approach, the study sought to highlight the importance of encouraging citizen
practice in non-formal spaces as complementary strategies. Learning about the city by formulating interventions in the
living space, make the Librarians aggregate, in their views, propositions that contemplate the need to exercise
citizenship and influence the promotion of cultural practices as mediators of information and value the space that
frequents and occupies.
Keywords: Librarians. Citizen Training. Cultural practices.

1 INTRODUÇÃO
O bibliotecário exerce atividades de organização, tratamento e disseminação de informações,
em bibliotecas tradicionais, centros de informação especializados ou em sistemas eletrônicos, em
arquivos, centros culturais e de memória, museus e hemerotecas. Se antes o foco era o acesso físico
ao documento, hoje a preocupação é com o acesso cognitivo da informação ao cidadão. Nesse
sentido, interessa-se por compreender a cidade, seus espaços e usos como elementos potenciais para
o exercício da cidadania, numa perspectiva que integra as práticas culturais com o cotidiano, a partir
1

Doutorando em Geografia pela UFG. Servidor do IF Goiano. bibliojohn@hotmail.com.
Mestra em Educação pela UFG. Servidora do IF Goiano. bethaniaoliveirasilva@gmail.com.
3
Mestra em Comunicação pela UFG. Servidora do IF Goiano. hevellinestrela@gmail.com.
2

�da vivência da e na cidade, como aspiração a uma formação cidadã dos bibliotecários da cidade de
Goiânia.
O recorte espacial escolhido para este estudo é a Praça Doutor Pedro Ludovico Teixeira,
conhecida usualmente como Praça Cívica, localizada na região central da cidade de Goiânia, Estado
de Goiás, por representar um marco político-administrativo e histórico-cultural importante da
cidade, além de uma referência espacial bastante conhecida da maior parte dos moradores da
cidade.
A diversidade de usos que a Praça Cívica possui (lazer, político, religioso, comercial, social,
histórico e educativo) pode ampliar e dar outra dimensão ao campo de trabalho do bibliotecário.
Essas necessidades compõem a nova realidade, que, por sua vez, convocam estes profissionais a
participarem de forma transformadora, favorecendo a ação cultural, o impacto na sociedade e a
mediação informacional (DANTAS; GARCIA, 2016). Diante o exposto, houve a necessidade de
pesquisar acerca da atuação cidadã do bibliotecário, mediante as práticas culturais, com o interesse
em compreender os arranjos da cidade e suas dinâmicas, assim como os agentes que dela se
utilizam ou são apartados e, deste como contribuir para que o espaço da cidade seja ao mesmo
tempo lido, ensinado, utilizado e, sobretudo, compreendido como elemento ativo no exercício da
cidadania.
Parte-se do pressuposto que as práticas cidadãs ocorrem nos espaços públicos, no qual os
sujeitos podem exercer práticas emancipatórias, democráticas e participativas e as bibliotecas e os
bibliotecários possuem papel de grande importância no exercício da cidadania completa. Assim, a
formação biblioteconômica dialoga muito estreitamente com a cidade e a espacialidade dos sujeitos.
Contudo, questiona-se, o exercício da uma formação cidadã proporciona aos bibliotecários viver a
cidade e executar suas práticas sociais? Essa foi a questão que norteou a elaboração deste texto e a
proposta de caminho a ser seguido por estes profissionais.
2 CIDADE, CIDADANIA E INFORMAÇÃO
Informação e cidadania são conceitos imprescindíveis um do outro, uma vez que o acesso à
informação está diretamente vinculado ao exercício da cidadania. A cidadania para Marshall (1967),
que pode ser considerada como uma abordagem mais tradicional sobre o tema, pode ser entendida
como o direito a ter direitos, pois este autor fez um estudo baseado na realidade britânica e
estabeleceu o que se conhece como a tipologia dos direitos da cidadania que são: os direitos civis,
os direitos políticos e os direitos sociais.

�Desse modo, a informação é um direito comum a todos. Targino (2006, p. 71) afirma que
“não há exercício da cidadania sem informação. Isto porque, até para cumprir seus deveres e
reivindicar seus direitos, sejam eles civis, políticos ou sociais o cidadão precisa conhecer e
reconhecê-los, e isto é informação”. Nesta perspectiva entende-se o conceito de informação sendo
contribuição social à conscientização dos sujeitos acerca dos seus direitos e seus deveres.
Marshall (1967) endossa que a cidade é permeada por um conjunto de direitos e deveres,
mesmo estando estendida a todos, mas que a cidadania em si transcende esse conjunto de direitos e
deveres, uma vez que há outros elementos que interferem na sua atuação, como a situação social
dos sujeitos.
Para Cavalcanti e Souza (2014) a cidade é um espaço multicultural, ambiente de copresença,
da coexistência. A sua gestão e seus projetos devem levar em consideração as diferenças entre os
grupos que habitam este espaço, bem como seus desejos, anseios, rotinas, estilos e a desigualdade
de participação social. Considerando a proposta de trabalhar a potencialidade da Praça Cívica na
cidade de Goiânia à formação cidadã é importante apresentar as contribuições de Gomes (2006) ao
tratar do conceito de espaço público. Para o autor este conceito deve ser pensado por duas vertentes:
por sua configuração física e pela dinâmica e práticas sociais. O autor conclui que assim, o espaço
público, se torna conjunto indissociável das formas com as práticas sociais (GOMES, 2006).
Essa linha argumentativa contempla o espaço a partir da ideia de bem comum, não se
resumindo à dicotomia entre o público e o privado, sendo que, nesse espaço as ações estão sujeitas
às normas e instituições (GOMES, 2012, p. 25), também sendo no espaço público o local onde os
problemas e tensões urbanas se tornam mais perceptíveis, a exemplo da mobilidade urbana,
segurança pública, dentre outros.
As práticas sociais desenvolvidas nos espaços públicos assumem características comuns
entre os indivíduos, dado à dimensão dos direitos iguais, previstos por exemplo na Constituição
Federal de 19884. A formação de cidadãos requer um projeto que contemple a participação política
da população nas decisões da sociedade e da cidade. No Brasil as propostas para o exercício da
cidadania se materializaram, por exemplo, nas legislações competentes, a exemplo do direito à
moradia, presente na Constituição Federal de 1988, ou mesmo no estatuto da cidade (2001), que
4

Preâmbulo: Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um
Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o
bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e
sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução
pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus (BRASIL, 1988).

�estabeleceu as diretrizes gerais para o uso e ocupação do solo nas cidades brasileiras (BRASIL,
1988; BRASIL, 2002)
De acordo com Morigi, Vanz e Galdino (2002) a cidadania tem a ver com os direitos civis
que estão ligados à liberdade individual, como o direito de ir e vir, o direito à justiça, direito à
propriedade, à liberdade de expressão individual e a de imprensa. Além dos direitos civis, temos
também os direitos sociais que são constituídos de condições que asseguram a vida digna, o bemestar social que está relacionado ao direito à educação, saúde, segurança, habitação e emprego
(MORIGI, VANZ, GALDINO, 2002).
Marfetan (2015) elucida a potencialidade dos espaços públicos para o desenvolvimento da
formação cidadã, tendo em vista que é possível a livre ocupação dele. De igual forma, a Praça
Cívica em Goiânia, deve ser considerada a partir de suas potencialidades como espaço que favorece
a formação cidadã para o exercício das práticas culturais dos sujeitos, especialmente, aos
bibliotecários.
Ortega y Gasset (2006) afirma, como missão do bibliotecário, um cuidado que vá além dos
recursos bibliográficos. O profissional deve ser aberto ao novo, deve ser perseverante, inovador e
apaixonado, para que possa compartilhar seu conhecimento, na união da técnica com o social,
favorecendo, dessa forma, o desenvolvimento informacional e cultural, dando prioridade às ações
de maior impacto na sociedade. E uma das formas de acesso que o cidadão pode adquirir
conhecimento dos seus direitos e deveres é através da mediação do bibliotecário que apresenta e
media esse acesso tornando assim o sujeito de fato cidadão.
Assim o exercício da cidadania deve possibilitar a leitura de mundo para além dos conceitos,
que permitam que os bibliotecários possam compreender seu papel enquanto cidadão no exercício
de suas práticas culturais, fazendo estes atuarem efetivamente no exercício de direitos e deveres, em
práticas emancipatórias do sujeito.
3 A PRAÇA CÍVICA E A FORMAÇÃO CIDADÃ A PARTIR DOS BIBLIOTECÁRIOS
O município de Goiânia é edificado no ano de 1933 para atender às demandas originárias do
governo federal. Inicialmente, destacava-se a relevância da localização do município que
contribuiria na proposta de ocupação do Oeste e Norte brasileiro. A edificação de Goiânia marcou,
nas palavras de Arrais (2016, p. 119) a redenção de um projeto regional, a partir das forças
modernizantes do Sul.

�Em Goiânia, a Praça Cívica representa o marco da centralidade goianiense. Além da
relevância de sua localização é perceptível a centralidade política, em conta do desenvolvimento da
gestão estadual no Palácio das Esmeraldas. Entretanto a função política da referida espacialidade
não se restringe, meramente às ações governamentais, tendo em vista que, nos últimos anos, a
exemplo de 2013, 2015 e 2019 manifestações políticas de diferentes cunhos ideológicos tiveram
como ponto de chegada à Praça Cívica.
A praça também é utilizada para outros usos e fins, como por exemplo festividades
tradicionais, como a festa de ano novo, eventos religiosos, atividades de cunho social, de lazer e
educativo. O acesso normalmente é gratuito, mas a questão que se coloca à reflexão é quais as
condições reais de acesso? Qual a interferência da questão social no acesso a tal equipamento?
Parte-se do pressuposto que as práticas cidadãs ocorrem nos espaços públicos, no qual os
sujeitos podem exercer práticas emancipatórias, democráticas e participativas e acreditamos que a
sala de aula possui papel relevante no exercício da cidadania. A Praça congrega a
multiculturalidade, a contradição, o conflito de ideais e as tensões, ou seja, uma arena de debates.
Todos estes usos do espaço público estão associados a uma observação inicial e refere-se à relação
do espaço público na cidade com o próprio meio urbano, sua morfologia e diversas formas de
apropriações, indicam que podem ser exercidas práticas cidadãs no cotidiano da cidade.
Diante os usos e finalidades que a Praça Cívica possui destaca-se o uso cultural, na qual
acreditamos ser essencial na constituição da cidadania, mediante práticas emancipatórias. Sendo
assim, levanta-se a seguinte problemática como exercer a cidadania completa, em um país de tantas
desigualdades socais? A resposta pode até parecer utópica, porém é possível se as entidades de
Classe se unirem e cobrar ação efetiva do Governo para proporcionar a emancipação cidadã. Diante
de todas as contradições existentes, reitera-se que o acesso à informação pode proporcionar o
exercício pleno da cidadania através, principalmente, da atuação do bibliotecário como um
profissional mediador e orientador do acesso à informação, às práticas culturais e, portanto, à ação
emancipatória.
4 COMPREENSÃO DOS ESPAÇOS DA CIDADE: A FUNÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO
MEDIADOR
Para Barreto (2002) a informação é um instrumento capaz de modificar a consciência do
indivíduo e de um grupo social, pois sintoniza o sujeito ao passado e as perspectivas do futuro. Com
isso entende que a informação não pode ficar presa em um local, ela deve se estender e alcançar
grande circulação estando disponível para aqueles que desejam.

�De acordo com o grande estudioso da área da Biblioteconomia o professor Almeida Júnior
(2008), a informação só acontece quando de fato ela é apresentada a um possível usuário, só a partir
do momento em que há a interação entre o usuário e a informação é que ela passa a existe e pode
assumir característica de conhecimento e entende-se que para facilitar a interação do usuário com a
informação o bibliotecário pode fazer a mediação.
A mediação da informação, ainda de acordo com Almeida Júnior (2008) trata-se de uma
ação de interferência realizada por um profissional da informação que pode fazer de forma
consciente ou inconsciente, direta ou indireta, de forma singular ou plural, individual ou coletiva,
mas propicia ao usuário ou indivíduo a apropriação da informação de forma a satisfazer a
necessidade informacional deste. Para Santos, Duarte e Lima (2014) o mediador possui um papel
fundamental no processo de desenvolvimento dos sujeitos, pois essa mediação é capaz de articular a
aproximação do usuário à informação desejada, auxiliando assim, o crescimento interpessoal e
potencializando as relações sociais. Neste sentido, temos os Bibliotecários como protagonistas neste
campo das práticas culturais.
O exercício das práticas culturais em espaços urbanos, possibilita inicialmente construir um
diálogo, no entendimento geral estabelecido para estes espaços são baseados essencialmente na
distinção configuram-se nas diversas localidades da cidade. Deste modo abre-se oportunidade de se
elaborar e aplicar atividades em espaços cujas funções não são essencialmente educacionais,
contemplando diferentes localidades urbanas como praças, monumentos, vias de circulação,
repartições, etc.
Assim, para alguma destas localidades urbanas terem alguma intencionalidade educativa, é
necessário abordá-la extrapolando sua função original, atribuindo um sentido instrutivo para os
frequentadores. Nesse sentido, a educação e as disciplinas escolares se articulam historicamente ao
projeto de formação da cidadania e das práticas cidadãs. Pela escola, pode-se empreender
significativos esforços para questionar o sentido mais restrito de cidadania e promover situações
que possibilitem o desenvolvimento da consciência crítica dos estudantes sobre a sua realidade
social, sobre seu direito a condições mais dignas de sobrevivência, direito às suas manifestações
culturais, sobre o direito de acesso ao conhecimento e aos espaços da cidade. Assim, atribui-se à
educação a responsabilidade direta e indireta com a cidadania. Direta, quando ela possibilita às
pessoas a construção do conhecimento e a tomada de uma consciência crítica sobre a realidade.
Indireta, quando se crê que o saber e a consciência crítica possibilitam outras práticas capazes de
mudar a realidade.

�Realizar uma prática educativa tendo como cenário as diferentes espacialidades da cidade
oportuniza aos sujeitos participantes, condições de ampliarem o entendimento e os sentidos de uso
dos espaços urbanos, superando a concepção de funcionalidades específicas destes locais, sobretudo
os classificados como públicos. Em aspecto mais amplo, o exercício de pensar as diversas
funcionalidades dos espaços públicos em uma atividade educativa consiste em entender a cidade
para além da lógica econômica-produtivista. Deste modo, denota-se aos alunos condições iniciais
para refletir e exercer uma participação cidadã.
Visando fortalecer a necessidade de bibliotecários socialmente envolvidos com a mediação
da informação e, consequentemente a promoção à cidadania, foi assinada em 2014 por mais de 600
organizações, inclusive pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e o Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), a declaração de Lyon, que apresenta um conjunto de
metas para uma maior democratização do acesso à informação. Os princípios desta declaração
defendem os grupos minoritários com dificuldade de emancipação, incluindo “mulheres, povos
indígenas, minorias, imigrantes, refugiados, pessoas com deficiência, idosos, crianças e jovens”
(IFLA, 2014, p. 2).
Essa declaração afirma ainda que o acesso à informação apoia o desenvolvimento,
capacitação das pessoas, proporcionando ações emancipatórias (IFLA, 2014). A atuação do
bibliotecário deve ser direcionada à emancipação das pessoas, para atuação em função de uma
sociedade mais justa e atuante nas esferas políticas, econômicas e sociais, garantindo um amplo
acesso à informação, para diferentes grupos, respeitando as singularidades e a identidade das
comunidades.
Os profissionais devem ser/estar proativos – perante a sociedade que dele mais necessita,
antecipando necessidades e suprindo aquelas óbvias que há tantos séculos rodeiam as sociedades,
atuar como mediadores da informação. O olhar sensível à prática profissional, atentará que ainda
existem sujeitos (e são muitos) que não têm acesso à informação e à cultura, portanto não exercem a
sua cidadania na sua completude (não são emancipados), sendo necessário pensar neles como parte
de uma sociedade para quem a informação também não chega, e proporcionar meios para que essa
informação possa chegar e que estes sujeitos possam desenvolver práticas culturais emancipatórias,
exercendo atuação cidadã.
O bibliotecário precisa agir de forma mais atuante em seu espaço, seja este qual for. Esta
perspectiva social não abrange apenas a biblioteca pública, mas também os diferentes espaços
informacionais. É seu papel realizar a provocação para fazer com que cada indivíduo reflita que é

�de sua responsabilidade minimizar as diferenças, por meio do conhecimento que pode ser obtido no
acesso à informação, seja nos parques, nas praças, nas ruas, o profissional precisa estar atento a sua
missão que é de mediador cultural. Os espaços, os processos e os estímulos a mediação cultural
capacitam os sujeitos a perceber, ver, sentir, apreciar e produzir, sendo assim, atores de sua história.
Além disso, conhecer as diversidades do cotidiano da cidade, ou seja, vivenciar, circular e
fruir no espaço urbano permite aos alunos terem contato com um vasto repertório de modos de ver,
pensar, agir e interagir na cidade. Deste modo, as práticas culturais atribuem aos diferentes
equipamentos públicos urbanos possibilidades de se ensinar e aprender não apenas ‘na cidade’, mas
‘para cidade’. Ou seja, ter processo de ensino-aprendizagem que extrapola a identificação das
formas espaciais da cidade e que contemple o entendimento sobre a organização espacial presente
no espaço urbano.
Parte-se da premissa de que os processos de mediação cultural que ocorrem nos espaços
educativos podem estimular o contato com a arte e, nessa interação, pode-se levar os sujeitos a
serem capazes de perceber, ver, sentir, apreciar e produzir, percebendo-se atores de sua história.
Duarte Junior (2010) explana que esse sujeito deve partir da educação dos sentidos, bem como a
forma como se habita, caminha, dialoga, se alimenta e interage entendendo seu papel cultural. Ao se
referir à palavra cultura, é necessário retomar o seu sentido primordial que é definido por Chauí
(2008) pois a palavra é oriunda do verbo latino colere, na origem cultura significa o cultivo, o
cuidado. Como cultivo, a cultura era concebida como uma ação que conduz à plena realização das
potencialidades de alguma coisa ou de alguém; era fazer brotar, frutificar, florescer e cobrir de
benefícios.
Com o tempo esse sentido de cultura foi entrando em desuso até que a expressão cultura
ressurge no século XVIII como sinônimo de civilização (CHAUÍ, 2008). Assim a cultura se
transforma em algo hierarquizado que remete ao sentido de evolução e progresso. Chauí (2008, p.
57) salienta que a cultura passa a ser compreendida como campo na qual os sujeitos elaboram
símbolos e signos, instituem práticas e valores, definem o sentido da linha do tempo, as diferenças
no interior do espaço e os valores que determinam o sentido da vida, da morte e das relações entre o
sagrado e o profano.
Borges (2013, p. 74) reitera, “assim concebida, a cultura é mediadora do mundo e da
existência, além de também ser reguladora de práticas sociais”. A autora enfatiza também que “na
condição [de] produto histórico, a cultura não é perpétua: ela é construída, reconstruída, elaborada e
reelaborada na interação do ser com o outro, com o espaço, com o território, enfim com o mundo”

�(BORGES, 2013, p. 74-75). Portanto, o lugar da cultura está no espaço territorial vivido, onde há
ação humana que posse atribuir sentido a ela.
Nessa perspectiva, entende-se que a mediação cultural é fundamental para que os vínculos
criados nesses espaços (o vivido) ultrapassem a efemeridade, não sejam episódicos, e que levem a
repercussões por meio das relações estabelecidas e alimentadas no cotidiano. O processo de
mediação cultural nos espaços educativos pode contribuir para que se fortaleçam a produção, a
dinamização, a interação, a diversidade metodológica que promove a formação estética e artística
dos sujeitos. Daí a relevância de se pensar os espaços culturais como lugares diferenciados para a
aprendizagem. Canton (2009) entende como “espaço”, termo utilizado de natureza genérica e que
“lugar” direciona a uma especificidade do espaço. Por fim, nas palavras do autor, trata-se de “[...]
um lugar particular, familiar, responsável pela construção de nossas raízes e nossas referências no
mundo” (CANTON, 2009, p. 15).
A leitura dos espaços assim como a ação das pessoas sobre esses espaços sinaliza práticas de
compreender como eles o relacionam com o mundo. O vivido dá-se no trânsito dos espaços e nas
práticas socais, pois ambas são fatores determinantes na transitoriedade. Nesta perspectiva,
ampliamos o leque da atuação profissional para além das bibliotecas, pois entende-se que os
bibliotecários, possam atuar em outros espaços (ou outras espacialidades) culturais como a sala de
aula, mas também de outros lugares ocupados, imaginados ou inventados, das formas de uso e
ocupação de espaços culturais como museus, galerias de arte etc., porque são eles também lugares
de diálogo que permitem o encontro das pessoas.
A compreensão da mediação cultural no processo de relação com a formação artística e,
também, com a formação estética, entendendo que o sujeito que se conhece é sensível ao seu
contexto e transforma-o, resulta em ação (ou práticas) a qual se define como práticas cidadãs.
Considera-se o espaço cultural como possibilidade de educação dos sentidos, que o estimula a
alargar suas percepções a respeito de si mesmo e de suas capacidades críticas, criativas e
expressivas, percebendo o outro sujeito e o espaço vivido e sua espacialidade.
Por educação dos sentidos, compreende-se o envolvimento de uma atitude harmoniosa e
equilibrada diante do mundo, deslocando o lugar que normalmente atribuímos ao sensível, como
elemento central do conhecimento, sem apartar o sensível do inteligível (DUARTE JUNIOR,
2010). Para Cavalcanti e Souza (2014) afirmam que o exercício da cidadania, não está garantido
formalmente, ao contrário pressupõe movimentos sociais constantes que promovem a discussão e a

�definição de pautas específicas em cada contexto, para o que contribui a formação básica dos
grupos sociais.
A cultura é percebida como fonte de desenvolvimento humano e a mediação efetuada
assume a responsabilidade de orientar e intermediar o processo de fruição, promovendo o diálogo
entre obra e público. Arroyo (2010, p. 163) frisa que “[...] o conhecimento, os valores e as
competências se aprendem no intercâmbio humano”. Ficando aqui destacada a missão do
bibliotecário como agente/mediador cultural e responsável por proporcionar aos demais sujeitos a
importância de acesso à informação e ao conhecimento, para se (re)conhecerem como cidadãos e,
enfim, praticá-la em sua totalidade. Deste modo é possível não apenas aprender sobre a cidade, mas
também formular intervenções nas mesmas, para que estes agreguem em seus olhares proposições
que contemplem a necessidade de exercício da cidadania para a população que nela frequenta e
ocupa o espaço.
5 UMA PROPOSTA METODOLÓGICA À PRAÇA CÍVICA EM GOIÂNIA
Pensar em propostas que valorizem o cotidiano e aproximem os conhecimentos desta ciência
à realidade vivida das pessoas constituem-se como uma perspectiva consolidada entre os
pesquisadores da área (CAVALCANTI, 2012; COSTELLA, 2011; CALLAI, 2013), contudo, a
natureza deste trabalho é a pesquisa qualitativa com os objetivos exploratórios e bibliográfica. Para
Minayo (2008) o importante da pesquisa qualitativa é a objetivação durante a investigação
científica, sendo necessário reconhecer a complexidade do objeto do estudo, além de esclarecer os
conceitos e teorias pertinentes ao tema estudado, usar técnicas de coleta adequadas e saber analisar
o material de forma específica e contextualizada. Nesse sentido, constituiu-se uma proposta de uso
do espaço público, tendo como referência a Praça Cívica, localizada no centro da cidade de Goiânia,
no sentido de contribuir que o acesso à informação e a cidadania nesses espaços é possível, através
da principalmente da atuação do bibliotecário como um profissional mediador e orientador do
acesso à informação e ao conhecimento.
Essa proposta, assenta-se nos seguintes pilares: a) a Praça enquanto espaço público e
constituinte da cidade possui um potencial educativo, histórico e cultural e não se restringe a palco
de ações humanas e, b) compete aos bibliotecários, tencionar e mobilizar os conhecimentos
necessários para a leitura de mundo, como mediadores da informação e da cultura, visando sua
participação cidadã no contexto das cidades. Desta forma, apresentamos o espaço da Praça Cívica
para percepção dos profissionais no exercício de suas práticas culturais:

�Figura 1 — A Praça Cívica, em Goiânia, como espaço cidadão para o exercício de práticas culturais

Fonte: elaborado pelos autores, 2021.

Assim, a Praça Cívica pode ser lida e interpretada sobre seus diferentes usos e
elementos/conhecimentos geográficos que abriga ou potencializa. Observa-se na imagem a
existência da Biblioteca Estadual Pio Vargas, fundada em 1967 e da Biblioteca Braile José Álvares
de Azevedo criada em 1988, em meio a ao centro administrativo da cidade, onde buscaram atender
às necessidades informacionais da comunidade desde que foram constituídas. Reafirmando como os
Bibliotecários podem agregar e contribuir na formação e desenvolvimento dos sujeitos, bem como,
explorarem as potencialidades de uso que esse espaço oferece, como o lazer, o cultural, trabalho,
político, como elementos que coexistem no mesmo espaço, conforme demonstrado pelas imagens
anteriormente.
Por meio das imagens e a associação com a experimentação do lugar, considera-se que a
leitura do espaço urbano se amplia e alcançam dimensões de difícil mensuração, na medida em que
o cotidiano citadino, contribui de modo contumaz para a constituição e sua construção como
cidadão habitante e usuário da cidade. Para justificar essa potencialidade, reflete-se a partir desta
questão: como não tencionar o pensamento dos bibliotecários ao confrontar os dilemas
socioculturais que podem ser percebidos (a exemplo do uso da Praça como moradia às pessoas em
condições de rua e aos espaços culturais que ali existem) e que influem nas suas práticas sociais?
Nesse entendimento, propomos a estes profissionais que concebam a Praça Cívica como
espaço de manifestações, artísticas, políticas, sociais, culturais e históricas, para tanto possa ser

�observada pela paisagem da cidade. A nosso ver, a observação da paisagem, representa um
importante elemento para o exercício das práticas culturais, uma vez que, permite a interpretação
desta, para além do caráter descritivo ou imagético estático, ultrapassa esses limites e alcança outros
sentidos, como, seus odores, movimentos, cheiros, sabores, sensações, enfrentamentos, oposições,
ou seja, uma apropriação mais completa do conceito de paisagem como preconizou Santos (2008).
Para o desenvolvimento desta proposta metodológica, exigiu-se a elaboração deste croqui de
todo o espaço da Praça Cívica, com todos os elementos básicos da cartografia que serão explorados.
Neste sentido, obtivemos contato com diversos estudiosos no campo da Geografia, para que
pudéssemos formular tal proposta. Nessa perspectiva, novamente, chama-se a atenção para a ação
combinada entre os bibliotecários, geógrafos e suas práticas pois, nesta atividade ambos os
profissionais devem, previamente, dominar os elementos de leitura e interpretação do espaço
público e realizar a mediação entre o exercício de sua atuação, enquanto cidadão e, também, em
relação ao seu pertencimento à cidade, enquanto habitante, evidenciando, portanto, o seu papel de
dinamizador da informação e do conhecimento, no exercício de práticas sociais, culturais e
emancipatórias.
Ao explorar os elementos de localização e orientação, a proposta ora construída, contribui
para o desenvolvimento das habilidades atinentes ao domínio da linguagem cartográfica, por meios
dos processos de alfabetização e letramento cartográfico, e associados à observação e leitura da
paisagem, contribuem para o desenvolvimento de um pensamento espacial que ultrapassam os
limites do olhar e alcançam os campos da autonomia do pensamento do sujeito, da ação e interação
social e da capacidade de compreender, mobilizar-se sobre o espaço vivido.
Uma forma de demonstrar que o bibliotecário pode e deve atuar nesse espaço geográfico é a
existência de aparelhos culturais dentro da Praça Cívica (biblioteca pública, Braile, Museus,
Cinema), que visa atender a demanda socioculturais da população. Posto isto, demostra que o
bibliotecário é, de alguma forma, entendido como profissional que agrega e contribui na formação e
desenvolvimento da cidade, pois está ali representada, juntamente com as áreas administrativas
mais importantes. E que pode não ter grande relevância ou visibilidade e reconhecimento
atualmente, mas pode ser bem simbólica a permanência e construção destes aparelhos culturais
neste espaço.
Portanto, apontamos a necessidade de integração entre bibliotecários, geógrafos,
comunicadores, entre outros, para o desenvolvimento desta e de outras metodologias, visando a real

�mediação da informação e da cultura. Por mais que o bibliotecário tenha uma formação cultural e
erudita, é importante agregar conhecimento e olhares de outras áreas, visando à atuação cidadã.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do debate realizado, entende-se que o estudo da cidade possui elementos potenciais
para o processo de formação do bibliotecário cidadão. Assim considera ser de grande relevância a
constituição de propostas metodológicas que avancem na relação entre as práticas culturais e a
cidade, assim como nas bibliotecas e nos espaços públicos. Ao propor a leitura da/na/para a cidade,
propomos aos bibliotecários dinamizar seu papel emancipador, assim como, oportuniza que os
conteúdos informativos e culturais se efetivem, materializam e tenciona a realidade vivida.
Mesmo existindo esse potencial a ser explorado, pouco se tem feito a respeito, percebe-se
uma postura passiva dos bibliotecários frente ao seu papel na formação cidadã. Direcionam o foco
para o trabalho técnico, fazendo com que práticas tradicionais da profissão fiquem arraigadas no
fazer profissional. Esse fenômeno poder se dar por duas situações, a primeira pela falta de
habilidade e competência, tendo como justificativa a deficiência na abordagem humanística e a
priorização da técnica, na formação profissional do bibliotecário. A segunda pelo mercado de
trabalho, onde as instituições de ensino superior absorvem o maior percentual desses profissionais,
com intuito de explorarem principalmente, o conhecimento técnico. O que ocasiona um
subaproveitamento destes profissionais, que poderiam ser direcionados a exercerem funções
educativas voltadas para o interesse coletivo, com finalidade de oferecer subsídios para o
desenvolvimento social e cultural.
Nessa conjuntura, considera-se, que há um grande caminho a percorrer para que propostas
dessa natureza avancem entre os profissionais, sobretudo, no que se refere à atuação cidadã, no que
tange à promoção de suas práticas culturais. Esse caminho exige que a prática cultural se inclua o
debate e as práticas que valorizem os espaços comuns a população da cidade como elementos
culturais distintos e complementares à vivência na cidade. Do mesmo modo que compreendam a
importância de aproximar o cotidiano da cidade à formação bibliotecária.
Os desafios que se colocam, mostram a necessidade de articulação entre as discussões
teóricas e as finalidades político-socioculturais, a partir das quais é possível promover junto aos
bibliotecários uma verdadeira formação cidadã. O bibliotecário, juntamente com sua formação
erudita e cultural, instituídas ao cotidiano citadino, demonstram a necessidade de compreender e
considerar, assim como estimular experiências para além das bibliotecas, emulando assim, uma

�Biblioteconomia mais social, valorizando práticas mais criativas e que sejam alternativas a estrutura
rígida de sua formação.
Deste modo, talvez, elucidamos que a atuação bibliotecária responda de modo efetivo a um
dos seus principais desafios: aprender a ler o espaço e suas interseções. Por isso esta proposta se
torna relevante, no tocante de compreender a Praça Cívica como espaço público e seus usos
direcionados à formação cidadã e à emancipação dos sujeitos, considerando-a como um espaço que,
potencialmente, possa ser requerida em suas práticas culturais.
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Práticas culturais e cidadãs do bibliotecário: evidenciando as potencialidades da Praça Cívica na cidade de Goiânia.</text>
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                <text>Discute-se a potencialidade, a partir da Praça Cívica em Goiânia-GO, para a formação cidadã dos bibliotecários. Partiu-se da questão: o exercício da formação cidadã proporciona aos bibliotecários viver a cidade e executar suas práticas sociais? Objetivamos, especificamente, mostrar que a Praça Cívica é retratada por meio dos seus diversos usos e apropriações, pode ser discutida/compreendida enquanto lugar do encontro, de múltiplos usos e simbolismos, reforçando seu potencial ao exercício das práticas cidadãs. Fundamentada numa abordagem qualitativa, buscou-se ressaltar a relevância de incentivar a prática cidadã em espaços não-formais como estratégias complementares. Aprender sobre a cidade formulando intervenções no espaço vivido, fazem os bibliotecários agregarem, em seus olhares, proposições que contemplem a necessidade de exercício da cidadania e influenciam a promoção de práticas culturais como mediadores da informação e valorizar o espaço que nela frequenta e ocupa.</text>
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                    <text>Eixo 3: Inovação
Os desafios da implantação de um sistema open source em uma biblioteca de um Instituto Federal
The challenges of deploying an open source system in a Federal Institute library
Gustavo César Nogueira da Costa1
Maria Eliziana Pereira de Sousa2
Thiago Ferreira Cabral de Oliveira3

Resumo: A integração entre as unidades de informação em uma instituição de ensino é um processo

que pode parecer trivial para instituições de ensino superior, contudo na rede formada pelos
Institutos Federais é algo que vem se estabelecendo na última década, no IFPB não foi diferente.
Nos últimos anos além do anseio pela criação de um sistema integrado de bibliotecas, a procura por
um sistema de automação que atendesse as mais variadas necessidades dos campi do IFPB, fez com
que o software Koha fosse escolhido para essa etapa. Este trabalho descreve a trilha burocrática,
administrativa e operacional na implantação do sistema. Os resultados demonstram um enorme
desafio enfrentado pelas bibliotecas e pelo Instituto, porém com significativos ganhos e crescimento
para todos envolvidos neste processo.
Palavras-chave: Sistema Koha. IFPB - Biblioteca. Automação de bibliotecas.

Abstract: The integration between information units in an educational institution is a process that may seem
trivial for higher education institutions, however in the network formed by the Federal Institutes it is something
that has been established in the last decade, in the IFPB it was no different. In recent years, in addition to the
desire to create an integrated library system, the search for an automation system that would meet the most varied
needs of the IFPB campuses, led to the Koha software being chosen for this stage. This work describes the
bureaucratic, administrative and operational path in the implementation of the system. The results demonstrate an
enormous challenge faced by libraries and the all IFPB, but with significant gains and growth for everyone
involved in this process..
Keywords: Koha System. IFPB - library. Library automation.

1

Especialista. Instituto Federal da Paraíba. gustavocnogueira@gmail.com
Mestre. Instituto Federal da Paraíba. elizianaps@gmail.com.
3
Especialista. Instituto Federal da Paraíba. ferreira.cabral@gmail.com.
2

�1 INTRODUÇÃO
O atendimento ao usuário e as práticas profissionais têm sido objetivo do
aperfeiçoamento constante das atividades laborais nas bibliotecas, em especial às bibliotecas de
instituições de ensino.
Assim, a necessidade de melhoria das atividades técnicas em consonância com as
necessidades de aperfeiçoamento do atendimento ao usuário, abriu um nicho de mercado valioso na
produção de softwares e sistemas que buscam oferecer cada vez mais serviços e facilidades neste
sentido.
Tais necessidades atreladas à acelerada evolução das tecnologias de informação e
comunicação atraem os olhos não apenas dos profissionais bibliotecários, mas também de outras
áreas como programadores, analistas e desenvolvedores de sistemas dentre outros.
Neste sentido, conseguimos perceber essa tendência, quando observamos a crescente
quantidade de estandes de representantes de empresas de softwares de automação nos eventos que
tem como público alvo bibliotecários e bibliotecas.
A presença desses representantes como também as ferramentas e facilidades por eles
apresentados em seus produtos além do apelo comercial utilizado, aguçam os desejos dos
profissionais em adquirirem os produtos, buscando por via de regra a melhoria e ampliação dos
serviços oferecidos, como ainda atender a necessidade eminente de acompanhar a evolução
tecnológica dentro das suas unidades de informações.
Os sistemas de automação de bibliotecas, em sua infinidade entram nessa maratona de
soluções tecnológicas para as bibliotecas e por isso apresentam diversos requisitos que auxiliam
num melhor desempenho e atendem a biblioteca de diversos perfis.
A presença dos representantes de empresas desenvolvedoras de softwares de automação
para bibliotecas nos eventos não é o único aspecto influenciador, “Conhecer os tipos de softwares
disponíveis no mercado é uma tarefa simples, pois, catálogos de empresas com softwares
proprietários são recebidos constantemente pelas instituições” (RIBEIRO;DAMÁSIO, 2006, p.71),
ou seja, se você não vai ao evento onde estão os representantes, eles vão até você.

�Dentre tantas possibilidades, o movimento de escolha se torna um processo complexo e
de difícil decisão. Como bem afirma Café, Santos e Macedo (2001, p. 70) “a decisão por um
software que automatize de forma eficiente uma biblioteca não é uma tarefa fácil. A variedade de
opções existentes aliada às peculiaridades de cada biblioteca dificulta ainda mais a escolha.”
Essa presença maciça nos eventos e nas campanhas de divulgação desencadeia o
chamado efeito manada, que de acordo com Reis (2019) “é a tendência humana de repetir ações
feitas por outras pessoas, ainda mais se estas forem influentes, esperando assim ter o melhor
resultado possível em um mar de escolhas”, onde podemos perceber uma tendência de escolha ao
que é mais visto e falado, pois seguir a manada é mais seguro sem que necessariamente se confirme
que tal escolha atende melhor suas necessidades.
Se faz importante mencionar também, que existe um apelo forte por parte de quem
vende esses softwares como se fossem soluções mágicas para a automação de bibliotecas, enfatizam
o conforto, praticidade, comodidade além de que o bibliotecário se sente seguro pelo simples fato
de poder cobrar melhorias na aplicação por estar pagando por aquele serviço.
Não diferente de outras áreas e em paralelo aos sistemas proprietários, os softwares e
sistemas de biblioteca também oferecem opções alternativas, por assim dizer, que seriam os
softwares livres.
Entende-se por software livre como “[...] aquele que possui seu código fonte aberto a
qualquer usuário, que queira ou necessite de modificações e adaptações, seja para uso doméstico,
institucional ou empresarial.” (RIBEIRO; DAMÁSIO, 2006, p. 74) podemos entender que sua
utilização é permissiva não apenas no ambiente doméstico, mas também com aplicações de forma
institucionalizada, assim se tornando um possível concorrente aos softwares proprietários.

2 AUTOMAÇÃO NAS BIBLIOTECAS DO INSTITUTO FEDERAL DA PARAÍBA
O Instituto Federal da Paraíba (IFPB), é uma Instituição de ensino pública federal, que
faz parte da RFEPCT (Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica). Tem sua
sede administrativa superior na Reitoria, na cidade de João Pessoa, Capital do Estado da Paraíba.
Possui atualmente 22 campi entre Campus e Campus Avançado. Nesse universo possui 15
bibliotecas em funcionamento.

�Até o ano de 2014 as bibliotecas do IFPB eram totalmente independentes tanto de forma
administrativa como no aspecto técnico. O profissional que estivesse à frente da unidade do campus
tinha total liberdade para escolha dos padrões técnicos e operacionais da biblioteca.
No ano de 2015 foi criado para atender os processos sistêmicos de avaliações o
Departamento de Bibliotecas - DBIBLIO, com a finalidade de representar os interesses comuns das
bibliotecas e estabelecer padrões técnicos e operacionais com vistas ao estabelecimento de um
software de bibliotecas que atuasse de forma sistêmica.
Nesse mesmo ano foi apresentado aos profissionais pelo Departamento de Gestão e
Tecnologia da Informação (DGTI) e DBIBLIO, o software livre Koha. Esta escolha foi feita com
base em critérios internos da DGTI. Os bibliotecários foram apresentados ao sistema através de uma
apresentação feita pela bibliotecária do Colégio Pedro Segundo, instituição de ensino integrante da
RFEPCT, apresentada como referência na utilização desse sistema no Brasil. Após apresentação a
DGTI garantiu total apoio a implantação do software Koha no IFPB, como ainda suporte técnico
para implementação e manutenções futuras.
Nesta mesma ocasião foi aberta inscrições para estudo e parametrização do Koha pela
equipe de bibliotecários do IFPB como também foram formados grupos de estudos para tal fim.
É importante destacar que o software Koha Integrated Library System, “é um sistema
de gerenciamento digital de bibliotecas totalmente operado via internet, considerado o primeiro
sistema completo de de gestão de bibliotecas e centros de documentação em formato de software
livre e aberto” (SCHIESSL, 2017, p. 20).
Como mencionado, foram formados duas equipe, uma com a finalidade de estudar
softwares de automação proprietários, disponíveis no mercado e suas características e a outra equipe
ficou responsável por estudar o sistema Koha como uma possível possibilidade para as bibliotecas
do IFPB, uma vez que esta era um software livre, e assim a instituição não necessitaria dispor de
um investimento financeiro na compra de um produto e ainda com o passar dos anos necessitar
fazer renovações de contratos.
É importante destacar que a principal motivação pela escolha do Koha, deveu-se ao fato
de a DGTI oferecer apoio técnico e disponibilidade em estudar as linguagens de programação que
constituía o software além da questão financeira e de renovações apontadas no parágrafo anterior
que a instituição teria que fazer caso optasse por usar um sistema proprietário.
Abordaremos na seção seguinte sobre como se deu as atividades no campus que fez a
primeira implantação do sistema Koha no IFPB, denominado de campus piloto de implantação.

�3 O KOHA NA BIBLIOTECA DO CAMPUS CAMPINA GRANDE
O primeiro campus do IFPB que se propôs a estudar o sistema Koha foi o campus Campina
Grande na biblioteca Poeta Zé da Luz.
A biblioteca do campus Campina Grande do IFPB iniciou suas atividades no mês de maio
de 2008. Inicialmente o local era utilizado pelos alunos para realizar pesquisas na internet e
produção de trabalhos escolares, disponibilizando então 15 computadores aos usuários. Durante o
ano de 2008 a biblioteca atendeu aos usuários, funcionando nos três turnos, com um quadro
pequeno de servidores, um bibliotecário e apoio de três alunos bolsistas. Nesse período estavam
sendo adquiridos o mobiliário, os equipamentos e os livros para o acervo da biblioteca, que
começaram a chegar no final do mesmo ano (IFPB, 2020).
A partir do início do ano de 2009 iniciou-se o processamento técnico dos livros recebidos,
como também a disponibilização na estantes para armazenar os livros que estavam disponíveis
apenas para consulta local. Com a chegada de mais outro servidor e início das aulas, foi feito o
cadastramento dos usuários para retirada dos livros por empréstimo. Posteriormente, durante o
recesso escolar, foi implantada a automação dos processos e alimentação do banco de dados do
sistema com o acervo disponibilizado para funcionamento pleno com o retorno das aulas no
segundo semestre (IFPB, 2020).
O sistema utilizado para gestão das atividades na biblioteca Poeta Zé da Luz era o software
livre Gnuteca, todas as atividades técnicas que envolviam catalogação e classificação eram feitas de
forma exclusiva no sistema. As atividades de circulação eram feitas no sistema e em concomitância
registradas também de forma manual, devido falta de manutenção e atualização do sistema, os
bibliotecários não se sentiam seguros em utilizar somente ele para tais finalidades.
Na biblioteca Poeta Zé da Luz, era utilizado a versão 2.2 do Gnuteca, que permitia realizar
algumas atividades e serviços de modo intranet. Ou seja, existiam algumas limitações
principalmente no que se refere a possibilidade de utilização do sistema fora do domínio do campus
Campina Grande, impedindo assim atividades básicas, como renovação de livros, reservas e
consultas ao catálogo. Assim, o sistema Gnuteca era utilizado para realizar atividades de
catalogação, circulação de materiais (empréstimos, devoluções, multas e reservas) e contava com o
relatório de inventário.

�Quanto ao cadastro de usuários era feito no sistema em concomitância com o uso da ficha de
papel. Para realização de cadastro do usuário, primeiro era feito o preenchimento de uma ficha com
os dados pessoais do usuário, era solicitado uma foto 3x4 e oferecido o prazo de até 24h para que
esse dados fossem inseridos no sistema. O processo era realizado desta forma, porque o gnuteca não
era unificado com o sistema acadêmico ou mesmo recursos humanos para receber dados dos alunos,
professores ou técnicos administrativos do campus.
O empréstimo e devolução de livros era feito no sistema e ao mesmo tempo na ficha de cada
usuário como já mencionado anteriormente. Como o Gnuteca não oferecia a opção de senha para as
atividades de circulação, desta forma era necessário que o usuário assinasse na sua ficha pessoal
assegurando que o mesmo estava emprestando ou devolvendo determinada obra.
A cobrança de multa como penalidade caso o usuário devolvesse as obras em atraso, era
feita também de forma manual, devido ao sistema não oferecer a possibilidade de marcarmos um
calendário excluindo finais de semanas, feriados e/ ou férias escolares.
O único relatório que o sistema oferecia acesso, era o relatório de inventário, o que
impossibilitava fazer algum planejamento para a biblioteca com base em relatórios de uso do setor
para identificar as principais necessidades administrativas.
Quanto às reservas no sistema, apresentavam falhas. Quando do cancelamento de uma
reserva, o sistema não permitia que fosse feita esta mesma reserva para o outro usuário
impossibilitando o mesmo de reservar aquele livro.
Com a apresentação do sistema Koha a coordenação da biblioteca decidiu investigar a
fundo o sistema em busca de esclarecer se esta seria uma alternativa viável à necessidade iminente
de mudança de sistema ou se seria necessário a escolha de outra opção de automação.
Nesse contexto, o bibliotecário Gustavo César Nogueira da Costa foi designado para
investigar o sistema e suas possibilidades, visto que a apresentação feita pela bibliotecária do
Colégio Pedro II como mencionado anteriormente, estava dentro de uma realidade que não se
adequava exatamente às mesmas necessidades do IFPB.
Os bibliotecários do campus Campina Grande, faziam parte de comissão criada para
estudar e parametrizar o Koha assim como todo avanço do campus Campina Grande era
compartilhado com a comissão.

�Em meados de 2016 a comissão concluiu a parametrização da planilha de catalogação
de livros e nos dias 17 e 18 de agosto do mesmo ano foi realizado um treinamento para toda equipe
de bibliotecários do IFPB.
O treinamento consistiu em uma atualização dos conhecimentos em MARC 21,
AACR2 e nas ferramentas de catalogação do Koha. O treinamento foi ministrado pela equipe do
campus Campina Grande no IFPB campus Patos-PB.
Após o treinamento todos estavam aptos a iniciar o trabalho de catalogação na planilha
de Catalogação de Livros do sistema. A biblioteca do campus Campina Grande então decidiu
interromper as catalogações no sistema Gnuteca e começar o processo de inserção de livros no
sistema Koha.
No primeiro momento, optou-se por realizar a migração do banco de dados do Gnuteca
para o Koha, porém sem sucesso. Então, mesmo fazendo uso do MarcEdit4, ocorreu apenas a
migração da catalogação dos títulos. Foram migrados 1.980 registros Marc de catalogação de
títulos. Dessa forma foram inseridos de forma manual um total de 10.321 exemplares que o acervo
corrente possuía, como ainda o ajuste dos indicadores dos campos Marc, visto que esse dado
também não foi contemplado na migração.
Assim o processo de inserção dos exemplares se dava da seguinte forma: Pesquisa e
localização o título no sistema Koha, abrir o registro para correção dos indicadores dos campos
Marc, correção da pontuação referente a catalogação em AACR2 e por fim inserção dos exemplares
de acordo com o quantitativo informado no relatório do Gnuteca.
Foram inseridos todos os exemplares indicados pelo sistema Gnuteca, incluindo os que
estavam emprestados e extraviados. O motivo para esse procedimento se deu com base na intenção
de que após inserir todos os exemplares, seria feito um inventário, para que o sistema estivesse o
mais fiel possível à realidade dos acervos nas estantes.
Toda a equipe da biblioteca Poeta Zé da Luz se envolveu nesta tarefa, sendo que os
auxiliares ficaram responsáveis para dar um suporte na inserção de exemplares, que foi muito
importante para realização desta atividade.
O envolvimento de toda biblioteca nesta transição para o sistema Koha foi essencial
para que todos se sentissem parte do processo de mudança, se familiarizassem com o layout e
funções do sistema, além de auxiliar no encontro de novas possibilidades que o Koha podia oferecer

4

Software de edição de metadados para manipulação e/ou criação de arquivos no formato MARC21.

�ou identificar falhas que necessitavam de ajustes. Esse modelo de trabalho serviu como padrão para
orientação a todos os campi no processo de implantação.
Durante esse processo de transição entre sistemas de automação, a equipe da biblioteca
enfrentou alguns desafios que se faz necessário pontuar: no período de testes, estudos e utilização
do Koha para catalogação e inserção de exemplares, a biblioteca não fechou, então as atividades de
rotina continuavam acontecendo normalmente a exemplo de: compra e recebimento de livros novos,
doações, atividades de circulação como também a mudança física de prédio que demandou intenso
trabalho da equipe.
Neste intervalo ocorreram cobranças pela inserção de livros novos e / ou doações no
Gnuteca para os usuários utilizarem. A biblioteca também passou pela avaliação do Ministério da
Educação (MEC) referente a avaliações de cursos superiores do campus, então existia essa
inquietação por parte de algumas coordenações para que os livros como também os trabalhos de
conclusão de cursos estivessem disponíveis na biblioteca.
A equipe da biblioteca não tinha como trabalhar com inserção de dados de catalogação em
dois sistemas ao mesmo tempo, por isso era importante concluir todo o trabalho de inserção de
exemplares no Koha, o que demandava tempo e cuidado para que não fosse perdido dados na
transição como também compreensão de todas a comunidade acadêmica e escolar que faziam parte
desse processo à exemplo de alunos, professores, coordenadores de curso, direção e técnicos
administrativos.
Após finalizada a inserção de exemplares dos títulos que já migrados, foi feito a inserção
dos livros novos que havia sido comprado para compor o acervo, feito isso a equipe da biblioteca
precisou se preparar para o momento de transição das atividades totais do sistema Gnuteca para o
Koha, compreendendo os seguintes passos e datas: fim das atividades de circulação no Gnuteca. No
dia 17 de abril de 2017, após reunião da biblioteca com a direção de ensino foi determinado que a
biblioteca juntamente com assessoria de imprensa do campus avisasse amplamente, através dos
murais, páginas no facebook e site do IFPB Campina Grande sobre a interrupção das atividades de
empréstimos, renovações e reservas nos sistema Gnuteca para dia 28 de abril do mesmo ano.
A escolha desta data foi possível devido a interrupção também do período acadêmico de
aulas bimestral para o ensino médio e semestral para o ensino superior e início do novo ano letivo.
Com isso no dia 28 de abril de 2017 foram interrompidas todas as atividades listadas acima, porém
continuamos com o serviço de devolução e cobrança de multas no sistema gnuteca.

�Foi estabelecido a data de 12 de maio de 2017 para devolução dos livros que estavam
emprestados no gnuteca sob pena de multa financeira para os usuários que não cumprissem esse
prazo.
Como nem todos devolveram os livros no prazo estabelecido, a equipe de auxiliares da
biblioteca precisou inserir as informações relacionadas a atrasos de livros e multas do Gnuteca no
sistema Koha, com a prerrogativa de que quando o aluno devolvesse o livro, era necessário dar
baixa nos dois sistemas.
O treinamento da equipe da biblioteca no módulo circulação do sistema Koha, ocorreu no
período de 08 a 12 de maio de 2017. Se faz oportuno mencionar que foi elaborado um tutorial e

disponibilizado na internet para os usuários da biblioteca com informações sobre o uso no novo
sistema, a fim de que ninguém fosse pego de surpresa.
A equipe da DGTI criou um relatório no sistema de gestão acadêmica onde conseguimos
exportar os dados dos servidores (docentes e técnicos) e dos estudantes, separados por campus. A
extração segue as indicações do sistema Koha disponíveis em Ferramentas › Importar usuários.
Para a implantação do serviço de empréstimos ainda faltavam ser atendidas três
necessidades, que até então a instalação do Koha não contemplava:
1 - solicitação de senha para validação do empréstimo;
2 - envio dos comprovantes via e-mail;
3 - empréstimo de livros em lote (emprestar mais de um exemplar por vez ao mesmo usuário
sem ter que repetir a operação para cada exemplar).
A solicitação de senha e o envio dos comprovantes por e-mail foram solucionados pela
equipe da DGTI, responsável pela instalação, manutenção e suporte referente à infraestrutura de
Tecnologia da Informação.
A função do sistema que permitia, empréstimo em lote, ficou disponível durante o
treinamento da equipe de auxiliares de biblioteca para atuarem no módulo circulação.
No dia 15 de maio de 2017, foram iniciadas as atividades de circulação no sistema Koha a
saber: empréstimo, devolução, reserva de material, penalidade por atraso de material devolvido,

�pesquisas no acervo e o uso do opac, catálogo online. Tal implantação ocorreu concomitantemente à
implantação do serviço de guarda-volumes também no sistema Koha. Assim, todos os serviços de
atendimento oferecidos pela biblioteca estavam sendo registrados no sistema.
Com a adoção do sistema Koha, não havia mais necessidade de continuar com as fichas de
cadastros e empréstimos manuais, pois como foi visto, ele possibilita o carregamento de usuários
diretamente do sistema acadêmico, e envio de comprovantes de todas as operações realizadas no
cadastro do usuário via e-mail, além de possibilitar, renovações, reservas e consultas ao catálogo do
acervo em qualquer lugar que o usuário esteja que possua internet.
O envio de comprovantes via e-mail é importante porque oferece um conforto para a
biblioteca e para os usuários que dispõe de todas as operações registrados em seu nome, além de
que o sistema também, envia alertas com informações quando os empréstimos estão próximos de
vencer ou de uma reserva de material disponível para que o usuário venha fazer a retirada na
biblioteca.
Atualmente, o sistema Koha é responsável pela gestão de todas as atividades dentro da
biblioteca do campus de Campina Grande, desde a entrada do usuário no setor, fazendo uso de
sistema para empréstimo de chaves para guardar seus materiais no guarda volumes, empréstimo de
livros, devolução, reservas, consulta ao catálogo online, uso de salas de estudos, de computadores
para pesquisas, bibliografias de cursos, organização de listas por categorias, relatórios diversos
dentre outras funções.
É necessário mencionar que todo esse processo de escolha, mudança, customização,
configuração, testes e utilização de um novo sistema necessitou da união de muitos esforços e do
comprometimento mútuo dos profissionais da equipe da biblioteca e dos profissionais de TI do
IFPB.
Uma mudança ou troca de sistemas de automação gera consequentemente muitas demandas,
além de desafio constante que representa o “novo”. Para a equipe da biblioteca campus Campina
Grande essa mudança ocasionou um ganho muito significativo para todos, devido a troca de
sistemas também ter acompanhado o crescimento do acervo e do número de usuários a ser
atendidos pelo novo software.
4 CATÁLOGO ONLINE DAS BIBLIOTECAS DO IFPB OPAC
A comissão de parametrização optou por utilizar o catálogo online, Online Public Access
Catalog, (OPAC) do Koha, como página principal de todas as bibliotecas seguindo o padrão de

�URL5 dos sistemas de bibliotecas de instituições de ensino superior, adotando o endereço
biblioteca.ifpb.edu.br.

Assim, as notícias, informes e principais comunicados que sejam de interesse de todos os
usuários das bibliotecas são publicados no OPAC.
Considerando que cada campus possui independência para estabelecer seus horários de
funcionamento, como também o fato de que só é possível realizar transferência de chamadas
telefônicas dentro de cada campus, optou-se por não informar nenhum número de telefone no
OPAC. Visto os fatores apresentados, foram preservadas as páginas individuais das bibliotecas em
seus campi, e no OPAC a criação de link direto para essas páginas locais, onde horário de
funcionamento, número de telefone e nome da equipe da biblioteca estão disponibilizados.
Com o intuito de tornar a página da biblioteca como principal ponto de partida nas pesquisas
dos usuários do IFPB, no OPAC foram adicionados links para acesso a algumas bases de dados,
como o portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Rede
Cafe, Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e posteriormente foi
adicionado o link para o portal Domínio Público e Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BTD.
Dessa forma os treinamentos de usuários para o uso de bases de dados, pesquisas, etc, é feito
tomando como base o endereço eletrônico da biblioteca do IFPB.
5 PROCESSOS DE IMPLANTAÇÃO INSTITUCIONAL
Nesta seção apresentamos uma breve cronologia da implantação do sistema Koha nas
bibliotecas no IFPB, abordaremos todos os processos de decisão e regulamentação que foram
importantes na consolidação deste novo software.
Os Institutos Federais de Educação, surgem como autarquias detentoras da autonomia
administrativa sendo elas, patrimonial, financeira, didático-científica e disciplinar, articulando a
educação básica de ensino técnico com graduações tecnológicas, licenciaturas e bacharelado, além
5

Uniform Resource Locator - Endereço de internet.

�de pós-graduação lato sensu e stricto sensu. “A oferta dos cursos, é baseada na transversalidade e na
verticalização, sendo a tecnologia o elemento transversal que se soma aos aspectos
socioeconômicos e culturais” (JOHANN, 2012, p. 39).

Durante as atividades da comissão e reuniões técnicas foram criados novos objetivos para
atuação da comissão de parametrização e comissão para assessorar e estudar outros sistemas de
gestão de biblioteca e assim dispor de uma alternativa eventual caso houvesse a desistência do
sistema Koha.
É importante evidenciar que o software Koha, sempre foi o plano principal segundo
Almeida (2010), o processo de planejamento das ações e atividades geralmente parte dos objetivos
específicos. São eles que vão determinar as ações a serem desenvolvidas para que sejam cumpridos.
Da mesma forma, a partir da definição das ações, determinam-se que atividades serão necessárias
para que as referidas ações sejam realizadas.
Em dezembro de 2016, foi convocado mais uma vez uma reunião técnica para apresentar o
relatório final da comissão de parametrização com satisfatória conclusão e resultados de comissão
de estudos de software de gerenciamento de biblioteca que corrobora com a escolha do sistema
Koha.
Dentro dos protocolos da DGTI para considerarmos o sistema Koha como implantado na
rede, por se tratar de um software de gestão, foi indicado que o IFPB deveria estar com mais uma
unidade com o Koha em circulação.
Em agosto de 2017, foi finalizada a catalogação de livros no campus Monteiro e início da
circulação. Finalizando assim, o processo de

implantação do sistema de gerenciamento de

biblioteca Koha e apresentando no II Encontro de Bibliotecários do IFPB: 1 ano de Koha, realizado
no campus de Campina Grande. Neste encontro, aconteceu um nova Reunião Técnica, com a

�apresentação do relatório final da comissão de implantação e a visualização in loco dos benefícios
do sistema já em pleno funcionamento.
Com a aprovação em plenária, foi enviada para a Pró- Reitoria de Ensino o relatório de
finalização da comissão de implantação e iniciou-se o processo de oficialização do sistema de
gerenciamento de biblioteca do IFPB.
No ano de 2018, tivemos a aprovação no CEPE6 na 32° Reunião do Conselho Superior e
convalidação do Sistema Koha como também a criação de um processo de gestão, através do
comitê gestor. Ainda no mesmo ano, tivemos a conclusão da catalogação das bibliotecas dos campi
de Cabedelo Centro, Cajazeiras, Picuí como também o início da circulação em todas elas.
No Início de 2019, tivemos a aprovação do Regimento do Comitê Gestor do Sistema de
Automação de Bibliotecas no âmbito do IFPB no Conselho Superior e a abertura de infraestrutura
de chamados através do sistema SUAP7 e início da circulação no campus Catolé do Rocha, Patos,
Cabedelo e Guarabira.
Iniciamos o ano de 2020, com 10 bibliotecas em circulação, totalizando 29.729 (vinte e
nove mil, setecentos e vinte e nove) usuários cadastrados no sistema e um total de 28.289 (vinte e
oito mil, duzentos e oitenta e nove) títulos catalogados num total de 102.619 (cento e dois mil,
seiscentos e dezenove) exemplares.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos considerar que o processo de implantação do sistema Koha foi demorado,
compreendendo um período de dois anos até a primeira biblioteca estar com o serviço de circulação
funcionando, contudo após o campus piloto desenvolver de forma plena todas as atividades da
biblioteca, os demais campi seguiram o mesmo processo e com a criação do comitê gestor no ano
de 2018, para estudo e gerenciamento, a implantação do sistema, nas demais bibliotecas aconteceu
de forma mais acelerada, eficiente e com a incidência menor de erros.
Atualmente o Koha está em pleno uso, ou seja com catalogação e circulação em
funcionamento, em 10 das 15 bibliotecas do IFPB, somando um total de 26.650 (vinte e seis mil
6
7

Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
Sistema Unificado de Administração Pública

�seiscentos e cinquenta) títulos e 99.497 (noventa e nove mil, quatrocentos e noventa e sete
exemplares.
Em 2019, em todas as bibliotecas que utilizam o Koha, foi registrado mais de 214.700
(duzentos e quatorze mil e setecentos) atendimentos no sistema. Esses números são referentes a
todos os atendimentos que precisa de um operador para ser realizado, ou seja, envolve desde o
empréstimo e a devolução de livros, uso do guarda volumes, cabines de estudo em grupo, uso de
computadores da biblioteca para pesquisa e reserva de material.
Esses números nos fizeram perceber o volume de trabalho das bibliotecas, que
costumeiramente possui por métrica apenas os empréstimos de livros, deixando de ser contabilizado
todos os outros processos que envolvem as equipes de trabalho.
Com esses números, percebemos o quanto as bibliotecas do IFPB desenvolvem um volume de
serviço que antes da implantação do Koha era um dado não quantificado. Assim passamos a ter
mais informações sobre a carga de trabalho e sair do discurso sem números de que “na biblioteca
trabalhamos muito”, afinal para a administração pública a expressão “muito” não é um dado
quantificável.
Um dos aspectos pouco falado, mas que traz um conforto muito grande ao sistema de
bibliotecas é o calendário e as regras de circulação do sistema ser independente por biblioteca,
podendo configurar prazos, penalidades, feriados, etc.. podendo de forma global, atingir todas as
bibliotecas de uma vez só, como também fazê-lo de forma individualizada, respeitando as
particularidades de cada unidade. Importante salientar que essas funções ficam a cargo da equipe
gestora das bibliotecas, sem necessitar solicitar a equipe de parametrização do sistema.
Durante a implantação, testes continuaram a acontecer buscando novas possibilidades com
todas as ferramentas do sistema e como todo teste, erros operacionais aconteceram. Durante esses
testes o comitê gestor do Koha percebeu a necessidade de realizá-los sem que estes pudesse
acarretar qualquer tipo de contratempo nos serviços aos usuários. Assim, foi solicitado a criação de
um ambiente de treinamento, sendo uma cópia fiel da versão de produção.
O sistema koha conta com uma base de treinamento para realização de todos os testes pela
equipe do comitê antes de ser implementado na base de produção do sistema. A base de
treinamento, possui todas as características existentes na base de produção do sistema como
também é amplamente utilizada para os treinamentos de novos bibliotecários que ainda não
conhecem o sistema.
É possível afirmar que o Koha vem atendendo todas as necessidades técnicas e práticas do

�sistema de bibliotecas do IFPB como também no aspecto da gestão e planejamento, possibilitando
inovação para alguns serviços pré-existentes e já apresenta avanços e inovações no próprio sistema
como foi mencionado o caso da senha para confirmação de empréstimos de materiais, não utilizado
antes por outras instituições que fazem uso deste mesmo sistema.
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[S.l: s.n.], 2000.
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A integração entre as unidades de informação em uma instituição de ensino é um processo que pode parecer trivial para instituições de ensino superior, contudo na rede formada pelos Institutos Federais é algo que vem se estabelecendo na última década, no IFPB não foi diferente. Nos últimos anos além do anseio pela criação de um sistema integrado de bibliotecas, a procura por um sistema de automação que atendesse as mais variadas necessidades dos campi do IFPB, fez com que o software Koha fosse escolhido para essa etapa. Este trabalho descreve a trilha burocrática, administrativa e operacional na implantação do sistema. Os resultados demonstram um enorme desafio enfrentado pelas bibliotecas e pelo Instituto, porém com significativos ganhos e crescimento para todos envolvidos neste processo.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
ANÁLISE DE DADOS E INTELIGÊNCIA DE NEGÓCIOS APLICADAS EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS
DATA ANALYSIS AND BUSINESS INTELLIGENCE APPLIED IN UNIVERSITY LIBRARIES
Giuliano Ferreira1

Resumo: Este trabalho propõe, através de estudo, relatar o processo de desenvolvimento do Dashboard Interativo
das Bibliotecas PUC-Rio. Analisa as diversas abordagens e plataformas disponíveis para criação desses painéis de
informações e sua utilização como mediadores na gestão de instituições, particularmente em bibliotecas
universitárias. Apresenta os objetivos da utilização das técnicas de análise de dados e inteligência de negócios
para otimizar o fluxo de conhecimento dentro das bibliotecas. Descreve os procedimentos adotados no
desenvolvimento da ferramenta de dashboard e apresenta detalhes do sistema planejado para controlar o fluxo de
dados dentro do mesmo. Aponta as medidas aplicadas para otimizar o funcionamento do sistema a partir do
monitoramento dos usuários. Destaca as mudanças de tipo e volume dos dados existentes nessas instituições
atualmente e propõe uma nova abordagem para coletar, processar e visualizar esses dados, a fim de extrair o
máximo de conhecimento possível, para tomada acertada de decisões. Analisa, então, os resultados parciais
alcançados durante o período do projeto piloto. Conclui, apontando os aspectos vantajosos que devem ser
considerados na implantação de um projeto dessa natureza.
Palavras-chave: Dashboard. Análise de dados. Inteligência de negócios. Gestão. Bibliotecas universitárias.
Abstract: This paper proposes, through a study, to report the development process of PUC-Rio’s library
Interactive Dashboard. It analyzes the different approaches and the available platforms for creating these
information panels and their use as mediators in the institutions management, particularly in university libraries. It
presents the objectives behind the decision to use data analysis and business intelligence techniques to optimize
the knowledge flow within libraries. It describes the procedures adopted in the development of the dashboard
tools and presents details of the system planned to control the data flow within it. It highlights measures adopted
to optimize the functioning of the system based on user monitoring. It highlights the changes in type and volume
of existing data in these institutions today, and proposes a new approach to collect, process and visualize this data
in order to extract as much knowledge as possible for correct decision-making. It then analyzes the partial results
achieved during the period of the pilot project. It concludes, by pointing out the beneficial aspects that should be
considered in the implementation of such a project.

Keywords: Dashboard, Data analysis. Business intelligence. Management. University libraries.

1

Analista de Sistemas. Divisão de Bibliotecas e Documentação – PUC-Rio. giuliano@dbd.puc-rio.br

�INTRODUÇÃO
Desde o início da Era da Informação, por volta de 1980, que não se gera tantos dados como
atualmente. Segundo NASSER (2020), já é definitivo, estamos vivendo a “Era dos Dados”. Nos
últimos dois anos geramos mais dados do que toda a humanidade gerou ao longo dos tempos.
SARKAR-BASU (2018) cita que pesquisas do International Data Corporation (IDC) estimam que em
2020 toda a informação digital mundial estaria na casa dos 44 ZB (zetabytes de informações - são 44
com 21 zeros no final, ou aproximadamente 9 trilhões de DVDs). Não estamos nem começando. O
Big Data que conhecemos hoje, só vai aumentar em volume e diversidade dos dados, com a
popularização iminente de tecnologias como IOT (Internet das Coisas), realidade virtual e aumentada
e impressões em 3D, citando apenas alguns exemplos.
Dentro desse contexto, estão inseridas as nossas bibliotecas universitárias. As “guardiãs da
informação”, da produção acadêmica e das bibliografias. Passamos os últimos 40 anos salvando tudo
que pudemos. Estudamos sobre bancos de dados, repositórios, preservação digital, armazenamento
em nuvem e ferramentas de descoberta.
Gerar e armazenar dados era o nosso objetivo, mas não o fim. Pouco se discutiu, naquela
época, sobre como realmente extrair conhecimento daquele volume monstruoso de dados que estava
para se formar. Focamos mais na catalogação e na recuperação da informação, do que na geração de
conhecimento, através da análise mais profunda dos dados.
Os tradicionais relatórios e listagens não fornecem mais uma visão ampla suficiente, para
visualizar o contexto de cima, e assim enxergar novas perspectivas em torno dos mesmos dados,
porém apresentados de uma forma mais eficiente.
Os estudos nas áreas de inteligência de negócios, normalmente mais focados no ambiente
corporativo, nos departamentos de marketing e finanças das grandes empresas, já utilizam de diversas
ferramentas e despendem um bom investimento, focado em novos tipos de visualizações de dados,
totalmente customizadas, para que equipes de cargos específicos possam realizar tomadas de decisões,
cada vez mais acertadas nos momentos críticos do negócio.
Foi em cima desse modo de pensar que iniciamos nas Bibliotecas PUC-Rio, os estudos nas
áreas de Business Intelligence (BI) e Data Science. O intuito era extrair o máximo de respostas
possíveis das nossas bases de dados, já existentes, que vinham armazenando dados de todo o

�funcionamento do Sistema Integrado de Bibliotecas, desde a aquisição, a catalogação até a consulta e
circulação dos materiais nos últimos vinte e poucos anos.
Decidimos criar um projeto piloto para avaliar a capacidade de extração de conhecimento,
utilizando essas técnicas, comparado aos relatórios do sistema que eram utilizados para as tomadas de
decisões na Biblioteca, até o momento. Nesse piloto seriam contemplados os dados relacionados a
uma área crítica na gestão das bibliotecas universitárias, que é a aquisição de novos títulos. Queríamos
entender todo o ciclo de utilização desses exemplares adquiridos. Decidimos então, avaliar a
aquisição, os empréstimos, as reservas e também, as consultas online nas bases de dados da versão
digital desses exemplares.
As perguntas a serem respondidas giravam em torno de entender o quanto eram
representativos aqueles títulos dentro da coleção. Queríamos visualizar também a participação nos
empréstimos e reservas, tentando justificar as aquisições ao longo do tempo. Indo mais longe,
procuramos identificar nas consultas e downloads dos usuários, a demanda por esses acervos.
Extrair dados não seria suficiente, pois isso já fazíamos antes com os filtros e relatórios do
nosso sistema. Queríamos mais! Queríamos poder ver a informação mais de cima, mais agregada e
mais customizada para as métricas que gostaríamos de representar. Foi aí que nos aprofundamos nas
técnicas e ferramentas de visualização de dados.
Ao primeiro contato já sabíamos que tínhamos acertado em cheio, pois os gráficos e tabelas
agrupadas na mesma página, com todos os filtros e possibilidades de separação dos dados, encantam e
informam ao primeiro olhar.
Era disso que precisávamos! E assim, decidimos que o nosso desafio seria criar um
Dashboard Interativo em tempo real, para monitorar todos os dados relacionados aos acervos da
Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC-Rio (DBD). Para construir tudo isso, estávamos
conscientes de que haveria muito estudo e trabalho a serem realizados.

REVISÃO DE LITERATURA

Dados, informação e conhecimento: estamos acostumados a ouvir sobre esses elementos o
tempo todo. Lidamos com muitos termos relacionados como processamento de dados, sistemas de
informação, gestão do conhecimento, entre outros. Mas qual a real diferença entre estes elementos, e
por quê estamos vivendo a Era dos Dados? De acordo com REZENDE (2015): “Dados são códigos

�que constituem a matéria prima da informação, ou seja, é a informação não tratada que ainda não
apresenta relevância.”.
Para se ter uma noção de para onde estamos indo, já se fala em Dataísmo, que segundo a
WIKIPEDIA (2021) seria “um termo que tem sido utilizado para descrever o modo de pensar ou
filosofia criada pela emergente importância da Big Data” e completa definindo como “uma ideologia
emergente ou mesmo uma nova forma de religião, em que o fluxo de informação é o valor supremo”.
Já a informação, seria mais relacionada com os dados já tratados. SILVA (2007) explica: “O
resultado do processamento de dados são as informações. As informações têm significado, podem
contribuir no processo de tomadas decisões“.
Por sua vez, completa SILVA (2007), “O Conhecimento vai além da informação, pois ele
além de ter um significado tem uma aplicação”, e adiciona “O saber, a instrução ou domínio científico
estão relacionados com o conhecimento”, e ainda conclui afirmando que “A soma da informação, do
conhecimento e das experiências aplicadas na prática (boas e ruins), é quando você adquire o
verdadeiro Know-How”.
Vivemos, portanto, um momento onde temos infinitamente mais dados do que informação e
conhecimento, principalmente quando se tratam dos nossos dados das bibliotecas universitárias.
Até o momento que este trabalho foi escrito, só na PUC-RIO, temos em mais de meio milhão
de exemplares cadastrados no sistema. Nossas bases de dados com os metadados dos acervos da
biblioteca, já passaram de 60 GB de informação puramente textual. Isso sem falar dos outros sistemas
da biblioteca e informações contidas em planilhas e outros formatos de dados.
Será que estamos conseguindo extrair todo o potencial de informação e conhecimento destes
dados, apenas emitindo relatórios nos nossos sistemas? Certamente não! Todos nós envolvidos na
gestão de informação das bibliotecas sabemos da dificuldade de avaliar qualitativamente todo aquele
dado quantitativo, listado em milhares de linhas e páginas dos relatórios, que cada seção da Biblioteca
emite periodicamente para a direção.
Então, como que os conceitos de BI, análise e visualização de dados podem nos ajudar nessa
tarefa? Com métricas, indicadores de desempenho, metas e gráficos! Muitos gráficos. A partir da
análise exploratória dos dados originais, conseguimos perceber de forma mais clara os
relacionamentos entre os dados, e assim mapear e projetar a melhor forma de exibir a informação
certa, para a pessoa certa, no tempo certo.

�Para definir esses elementos, ELIAS (2019) afirma que “Métricas são medidas brutas que
servem de subsídios aos indicadores. São compostas por vários tipos, como valor, quantidade, peso,
volume ou outro formato quantitativo. São a base para a constituição dos indicadores de desempenho
(Key Performance Indicator - KPI) ” e ainda complementa afirmando que “As métricas têm foco
operacional e os indicadores possuem foco no nível tático. Ambos dão suporte as metas no nível
estratégico da organização”.
Em um exemplo prático no nosso cotidiano das bibliotecas, GRANDI (2009) sugere criar um
novo indicador de desempenho chamado “Uso da coleção”, que seria calculado através de métricas
como “número de empréstimos”, “número de consultas” e “número total de acervos”. A meta em
cima desse indicador seria por exemplo “aumentar em 10% o uso da nossa coleção no próximo ano”.
A Figura 1 a seguir, explica como ficaria a definição e a fórmula do indicador de desempenho
“Uso da coleção”:
Figura 1 - Indicador Uso da Coleção

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)

O Business Intelligence (BI) se refere a metodologias, ferramentas analíticas e aplicativos
utilizados para análise de informações de negócios. O BI fornece aos gerentes de negócios e analistas,
a capacidade de conduzir análises apropriadas. Ao analisar dados históricos e atuais, os tomadores de
decisão obtêm novas percepções, que lhes permitem tomar decisões melhores.

�Para que esse estudo seja possível, os sistemas de BI dependem de datawarehouses como
fonte de informação. Um datawarehouse é um banco de dados centralizado que armazena dados
históricos. Esses dados são a princípio imutáveis e são obtidos por meio da coleta e processamento de
dados de várias fontes. Estes armazéns de dados são usados como suporte para a tomada de decisões
de negócios.
Então por que precisamos destes armazéns de dados? Por que a forma como emitimos nossos
relatórios atualmente, afeta diretamente diversos fatores da biblioteca como um todo. Podemos
destacar três grandes impactos: a performance, a customização e a visualização dos dados.
A performance, pois quando emitimos o relatório diretamente do sistema estamos na maioria
das vezes, utilizando como base de dados, a nossa própria base de produção. E quando precisamos
emitir relatórios que afetam várias tabelas do banco de dados, todas as seções da biblioteca sentem o
impacto na performance, prejudicando a produtividade dos colaboradores envolvidos.
A customização, porque os relatórios dos sistemas vêm pré-definidos e normalmente não
podem ser muito customizados. Embora tenhamos diversos relatórios para emitir, muitas vezes não
encontramos um que responde as perguntas específicas da gestão da biblioteca.
E por último, e talvez a mais importante, a visualização de dados, que consiste em exibir os
dados de forma agregada e customizada para o público alvo em questão. Nesse quesito entram
também os conceitos de Storytelling, que procura destacar as informações mais importantes de um
contexto como se fosse uma história.
Nesse momento, mais uma vez, a inteligência de negócios vem para nos ajudar com o
conceito de Dashboards Interativos, que contém dados agrupados, praticamente em tempo real,
extremamente customizados e com todos os filtros necessários para que as pessoas envolvidas na
gestão das bibliotecas, possam analisar as informações apresentadas de forma compacta e direta para
realizar a tomada de decisões com mais confiança.
A esse processo completo de extração, transformação e carga dos dados para o datawarehouse
a fim de ser analisado, dá-se o nome de ETL (Extract, Transform, Load). Existem vários desafios
nessa fase, pois as origens de dados são diversas e muitas vezes não padronizadas. Essa etapa costuma
ser a mais trabalhosa e mais custosa para o projeto. Precisa-se gastar um longo tempo analisando e
projetando a migração dos dados, para que eles estejam disponíveis de forma adequada no
datawarehouse.

�Existem muitas ferramentas no mercado que nos auxiliam nesse momento, mas elas costumam
ser apenas dominadas pela equipe de Tecnologia da Informação (TI). Portanto, é necessária uma boa
comunicação com o pessoal dá área tecnológica, para operacionalizar a automação do processo de
ETL e por fim, disponibilizar os dados em um formato de dashboard, para que a efetiva extração de
conhecimento aconteça. Esses passos serão descritos a seguir.

METODOLOGIA

A série de procedimentos proposta nesse trabalho, visa demonstrar como foi o ciclo de
desenvolvimento do Dashboard Interativo das Bibliotecas da PUC-Rio, desde a concepção do
projeto, passando pelo desenvolvimento das estratégias de extração de dados, até a criação do
datawarehouse e a integração com as ferramentas de visualização. Todo esse processo foi dividido
em cinco grandes etapas, que podem ser visualizados na parte inferior da Figura 2 a seguir:

Figura 2 - Fluxo de dados da automação

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)

�A primeira etapa foi a coleta de dados, onde mapeamos as diversas fontes que continham as
informações sobre os acervos. Nessa etapa mapeamos também os campos das tabelas e os
relacionamentos entre as fontes.
O levantamento é a segunda etapa, pois é necessário avaliar o que foi extraído e como foram
unificados os dados de tabelas diferentes, que possuem relacionamentos entre elas. Diversas limpezas
de dados são efetuadas e ocorre a desnormalização dos dados, para que os registros deixem de existir
em diversas tabelas e passem a ocupar uma grande tabela imutável e unificada.
O terceiro momento é a modelagem, processo no qual os dados são projetados para serem
recuperados da melhor forma possível, com a melhor performance disponível pelos servidores.
A quarta fase é a transformação. É quando escolhemos os dados que estarão disponíveis para
as ferramentas de visualização e tomada de decisões. Para esta tarefa utilizamos a automação
disponível nas ferramentas de ETL para agendar as cargas de dados, do datawarehouse para as
planilhas, que vão alimentar a visualização de dados.
O quinto e último procedimento é construir a ferramenta de visualização de dados, o
Dashboard Interativo das Bibliotecas PUC-Rio. Para essa etapa, utilizamos as plataformas gratuitas
disponíveis na Internet, que permitem a criação de painéis interativos com os dados que foram
extraídos e preparados nas etapas anteriores. Nosso objetivo era desenvolver uma ferramenta que
fosse acessada de qualquer lugar, em qualquer dispositivo, utilizando apenas um navegador.

RESULTADOS

Uma das vantagens de se adotar uma plataforma para o desenvolvimento de dashboards, é
justamente o fato de ter a disposição uma série de relatórios modelos e tipos de visualizações,
extremamente variados, para subsidiar as decisões e melhorias na ferramenta.
Nas figuras a seguir, teremos alguns exemplos de métricas e gráficos exibidos no Dashboard
durante a fase de implantação do projeto piloto. Esse piloto durou de fevereiro a agosto de 2021, e os
dados analisados foram baseados nos anos de 2018 e 2019.
Foram analisadas diversas métricas e estatísticas dos acervos e exemplares das respectivas
bibliotecas, fornecedores, localizações, categorias dos usuários, departamentos envolvidos,
empréstimos, reservas, aquisições e usuários que interagiram com a obra.

�Alguns números surpreenderam pela simplicidade e pelo poder informativo, como foi o caso
das participações em empréstimos dos exemplares, e também o custo médio por exemplar e
fornecedor para cada departamento da universidade. Insights que eram difíceis de serem obtidos nos
relatórios, agora eram nítidos em minutos de análise do dashboard.
Outro fator surpreendente foi a capacidade dos filtros por biblioteca, departamento, categoria e
localização, para auxiliar na avaliação em tempo real, por parte da gerência da biblioteca.
O processo de automação da carga e transformação dos dados se confirmou como a etapa mais
complexa e se reafirmou a necessidade de modelar e monitorar cuidadosamente o processamento dos
dados, a fim de obter uma boa performance e um processo confiável para efetivar o agendamento
desse tratamento.
O monitoramento dos usuários foi essencial para validação dos dados e para sugestões de
novas métricas e campos a serem considerados. Aliás, projetos como esse devem envolver o máximo
de pessoas possíveis, pois a fase de descoberta é muito importante para os desenvolvedores poderem
saber o que extrair da base de dados.

Figura 3 - Capa do Dashboard das Bibliotecas PUC-Rio

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)

�Figura 4 – Menu do Dashboard, métricas e filtros

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)
Figura 5 – Exemplos de análises efetuadas

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)

�Figura 6: Exemplos de análises efetuadas

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)

Figura 7 - Exemplos de análises efetuadas

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)

�Figura 8 - Exemplos de análises efetuadas

Fonte: Divisão de Bibliotecas e Documentação PUC-Rio (2021)

DISCUSSÃO

Dentro das bibliotecas PUC-Rio o processo de extração de valor dos antigos relatórios
emitidos pelas seções, era muito trabalhoso e muito custoso para ser processado e digerido de forma
qualitativa, para ser utilizado pela gerência da biblioteca em tomadas de decisões. O novo Dashboard,

além de atrativo e informativo, possibilita o acesso às principais estatísticas sobre a biblioteca e se
mostrou uma ferramenta que merece ser aprimorada e mais explorada nos ambientes acadêmicos.
O presente trabalho pretende levantar esta discussão, demonstrar como esse processo foi
executado nas Bibliotecas da PUC-Rio e também motivar outras instituições a adotar inciativas
similares, pois se trata de um projeto extremamente valioso para as pessoas que tomam decisões e
precisam lidar com grandes quantidades de dados, vindos de diversas fontes diferentes, como é
comum acontecer nas bibliotecas universitárias.

�CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como mencionado, a ascensão da Era dos Dados não aconteceu da noite para o dia. O fato
hoje é que estamos sobrecarregados de dados e com pouco conhecimento. As técnicas de BI e análise
de dados vêm conquistando cada vez mais usuários e instituições de todos os portes. A figura a seguir
apresenta as principais vantagens de utilizar Business Intelligence na sua instituição.

Figura 9 - Vantagens de utilizar BI

Fonte: DEVMEDIA (2021)
Segundo GARCIA (2020), o Gartner Group definiu que “Business Intelligence é o processo de
transformar dados em informação e, através da descoberta, transformar a informação em
conhecimento”. Esse processo é representado pela Figura 10 a seguir.

�Figura 10 - Vantagens de utilizar BI

Fonte: CETAX (2021)

A utilização de ferramentas de automação é essencial e indispensável para conclusão de um
dashboard interativo, principalmente por causa da etapa de ETL. Portanto, esteja preparado para ter
que lidar com múltiplos ambientes de desenvolvimento. Provavelmente será necessário testar diversas
ferramentas para verificar qual se adapta melhor a realidade dos seus dados.
A impressão visual causada por estas tecnologias é um convite para outras pessoas da
instituição participarem em projetos dessa dimensão. Baseando-se nessa reflexão, a PUC-Rio optou
por estudar essa tecnologia e desenvolver sua própria ferramenta de visualização.
Com esse estudo conclui-se que todo esforço dispendido, para entender melhor os dados das
instituições acadêmicas, fazendo uso de tecnologias inovadoras e ferramentas modernas do mercado,
é justificado quando se percebe o poder de extração de conhecimento de análises mais profundas e das
respostas adequadas para os nossos questionamentos.

�REFERÊNCIAS
A ERA DOS DADOS. Direção de Latif Nasser. Disponível em:
&lt;https://www.netflix.com/br/title/81031737&gt; Acesso em: 04 ago. 2021.
SARKAR-BASU, Parna. Embrace The Data Deluge To Drive Customer Engagement.
Disponível em: &lt;https://www.forbes.com/sites/forbescommunicationscouncil/2019/03/18/embracethe-data-deluge-to-drive-customer-engagement/?sh=33e172671b3f &gt; Acesso em: 04 ago. 2021.
REZENDE, Eliana. Dados, Informação e Conhecimento. O que são?. Disponível em:
&lt;http://eliana-rezende.com.br/dados-informacao-e-conhecimento-o-que-sao&gt; Acesso em: 04 ago.
2021.
DATAÍSMO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Disponível em:
&lt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Data%C3%ADsmo&gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.
SILVA, Heide Miranda da. SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO. Disponível em:
&lt;http://www.profcordella.com.br/unisanta/textos/tgs21_dados_info_conhec.htm&gt; Acesso em: 04
ago. 2021.
ELIAS, Diego. A diferença entre métrica e indicador. Disponível em:
&lt;https://www.binapratica.com.br/metrica-x-indicador&gt; Acesso em: 04 ago. 2021.
GRANDI, Marcia E. G. et al. Indicadores De Desempenho Para Bibliotecas Universitárias:
Projeto Desenvolvido No Sibi/Usp. Disponível em: &lt;https://pt.slideshare.net/esalq/si-bindicaprojeto-piloto&gt; Acesso em: 04 ago. 2021.
GARCIA, Marco. Business Intelligence tudo que você precisa saber. Disponível em:
&lt;https://www.cetax.com.br/blog/business-intelligence-tudo-que-voce-precisa-saber&gt; Acesso em: 04
ago. 2021.

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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este trabalho propõe, através de estudo, relatar o processo de desenvolvimento do Dashboard Interativo das Bibliotecas PUC-Rio. Analisa as diversas abordagens e plataformas disponíveis para criação desses painéis de informações e sua utilização como mediadores na gestão de instituições, particularmente em bibliotecas
universitárias. Apresenta os objetivos da utilização das técnicas de análise de dados e inteligência de negócios para otimizar o fluxo de conhecimento dentro das bibliotecas. Descreve os procedimentos adotados no desenvolvimento da ferramenta de dashboard e apresenta detalhes do sistema planejado para controlar o fluxo de dados dentro do mesmo. Aponta as medidas aplicadas para otimizar o funcionamento do sistema a partir do monitoramento dos usuários. Destaca as mudanças de tipo e volume dos dados existentes nessas instituições atualmente e propõe uma nova abordagem para coletar, processar e visualizar esses dados, a fim de extrair o máximo de conhecimento possível, para tomada acertada de decisões. Analisa, então, os resultados parciais alcançados durante o período do projeto piloto. Conclui, apontando os aspectos vantajosos que devem ser considerados na implantação de um projeto dessa natureza.</text>
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                    <text>Práticas
FORMAÇÃO DE COLEÇÕES DE LIVROS ELETRÔNICOS EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: ENFOQUE NA SELEÇÃO DE TÍTULOS PARA AQUISIÇÃO
PERPÉTUA
BUILDING ELECTRONIC BOOKS COLLECTIONS IN UNIVERSITY LIBRARY: WITH
ENPHASIS ON SELECTION OF TITLES FOR PERPETUAL ACQUISITION
Manoela Hermes Rietjens1
Liliane Vieira Pinheiro2
Resumo: As bibliotecas universitárias vêm disponibilizando cada vez mais livros eletrônicos em suas coleções,
sendo que a seleção se destaca como uma das atividades mais relevantes no processo de formação destas. Por
isso, este artigo objetiva relatar o procedimento adotado para subsidiar a seleção de livros eletrônicos em língua
portuguesa e de acesso perpétuo no âmbito da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa
Catarina. Caracteriza-se portanto como um relato de experiência. O procedimento adotado considerou o seguinte
fluxo: descoberta de títulos eletrônicos em língua portuguesa disponíveis para aquisição perpétua, verificações
dos títulos; definição e aplicação de critérios de seleção e definição das quantidades de acesso simultâneas
necessárias. A experiência relatada demonstra que a seleção título a título é valiosa na formação de coleções
relevantes para a comunidade universitária.
Palavras-chave: Seleção. Livros eletrônicos. Formação de coleções.
Abstract: University libraries have increasingly made available electronic books in their collections, and
selection stands out as one of the most relevant activities in their formation process. Therefore, this article aims
to report the procedure adopted to support the selection of electronic books in Portuguese and with perpetual
access in the scope of the University Library of the Federal University of Santa Catarina. Therefore, it is
characterized as an experience report. The procedure adopted considered the following flow: discovery of
electronic titles in Portuguese available for perpetual acquisition, verification of titles; definition and application
of selection criteria and definition of the required simultaneous access quantities. The experience reported
demonstrates that title-by-title selection is valuable in building collections relevant to the university community.
Keywords: Selection. Electronic books. Building collections.

1 INTRODUÇÃO
Historicamente, as bibliotecas constituem-se como organismos essenciais para o
desenvolvimento das atividades fins das universidades, seja o ensino, a pesquisa ou a extensão.
São as bibliotecas universitárias responsáveis por promover o estímulo ao desenvolvimento do
saber (LEITÃO, 2005), catalisar e difundir o conhecimento produzido pela comunidade

1

Mestra em Gestão de Unidades de Informação. Bibliotecária da UFSC. manoela.rietjens@ufsc.br.
Doutora em Ciência da Informação. Bibliotecária da UFSC. liliane.pinheiro@ufsc.br.

2

�universitária (NUNES; CARVALHO, 2016) e preservar a memória científica (SILVA FILHO,
2018).
Para apoiar o desenvolvimento dos pilares universitários, atingir seus objetivos e atender
as demandas informacionais da comunidade acadêmica, um dos elementos fundamentais das
bibliotecas universitárias são as suas coleções. Por coleções, Johnson (2014) entende a soma
dos materiais, independente do seu formato ou gênero, que uma biblioteca possui ou que
disponibiliza o acesso.
Com o avançar da humanidade e a consequente evolução das tecnologias, que
permitiram o desenvolvimento de diferentes suportes para registro das informações, as coleções
das bibliotecas vem sofrendo modificações ao longo da história. Nas últimas décadas essas
transformações foram intensificadas, sobretudo depois das inovações promovidas pelas
tecnologias de informação (TIC) e o advento dos documentos eletrônicos. Em decorrência disso
as bibliotecas passaram a disponibilizar eletrônicas juntamente com as coleções impressas,
tornando-se cada vez mais bibliotecas híbridas.
Entre os recursos eletrônicos disponibilizados nas bibliotecas atuais, estão os livros
eletrônicos, os periódicos eletrônicos e as bases de dados (LIXIN; THU, 2017). Foco deste
artigo, o livro eletrônico é “[...] um conteúdo que possui elementos textuais, porém não se
limitando apenas a estes, e que é consultado através de mediação de aparatos tecnológicos.”
(SERRA, 2015, p. 163).
É relevante destacar que a comercialização dos livros eletrônicos difere de pessoas
físicas para jurídicas. Assim, a aquisição destas obras por instituições de ensino fica limitada a
sua oferta no mercado e seguem determinados modelos de negócios. São exemplos destes: as
aquisições perpétuas, cujo pagamento institucional único garante o acesso permanente a obra
em determinada plataforma; e as assinaturas, cujo acesso a um recurso é contratado por período
determinado, dependendo de novo aporte financeiro no final do prazo estabelecido para que o
material continue acessível (GOMES; ZATTAR, 2016).
Ao trazer este contexto para a realidade da Biblioteca Universitária da Universidade
Federal de Santa Catarina (BU/UFSC), tem-se que: é composta por uma Biblioteca Central, dez
Bibliotecas Setoriais e duas Salas de Leituras. Sua estrutura atende as unidades de ensino da
UFSC em Florianópolis, Blumenau, Araranguá, Curitibanos e Joinville. Em sua totalidade,
possui uma coleção física de mais de 900.000 exemplares e uma coleção de livros eletrônicos
perpétuos de 27.530 títulos, sendo 226 na língua portuguesa. Também compõe a coleção
eletrônica disponibilizada, o Repositório Institucional, o Portal de Periódicos, bases de dados
que são assinadas, o conteúdo disponibilizado pelo Portal da CAPES e recursos de acesso

�aberto indicados em sua página na internet (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA
CATARINA, 2021).
Como pode-se observar, os livros eletrônicos em língua portuguesa disponíveis para a
comunidade acadêmica compõem uma pequena parcela da coleção e portanto, um dos objetivos
estratégicos da gestão 2018-2020 da BU/UFSC foi o de “desenvolver a coleção eletrônica (ebooks em língua portuguesa [...])” (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA,
2020a, p. 29). Importante ainda destacar que essa ação foi considerada urgente, tendo em vista a
pandemia do novo coronavírus e a consequente implementação do regime de teletrabalho,
regulamentados pelas Portarias nº 352/2020/GR de 16 de março de 2020 (UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2020b) e considerando o ensino remoto conforme
Resolução Normativa nº 140/2020/CUn, de 21 de julho de 2020 (UNIVERSIDADE FEDERAL
DE SANTA CATARINA, 2020c). Assim, uma das estratégias adotadas pela gestão da BU foi a
de canalizar esforços na seleção de livros eletrônicos de acesso perpétuo.
Diante do cenário relatado, é objetivo deste artigo relatar o procedimento adotado para a
seleção de livros eletrônicos em língua portuguesa de acesso perpétuo, no âmbito da BU/UFSC.

2 REVISÃO DE LITERATURA

Fruto das tecnologias de informação, os livros eletrônicos são uma realidade nas
coleções das bibliotecas universitárias brasileiras, como mostra o estudo elaborado por
Magalhães e Ceravolo (2015). Entretanto, seu advento trouxe grandes transformações que
impactaram e continuam a impactar “[...] na forma como os leitores, usuários de bibliotecas e
bibliotecários lidam com as fontes de informação e os suportes informacionais, especialmente
ao que se relaciona ao desenvolvimento de coleções [...]” (GOMES; ZATTAR, 2016, p. 63).
Como alguns dos desafios que as bibliotecas vêm enfrentando diante deste cenário,
pode-se citar o aumento do volume de publicações técnico-científicas neste suporte e as
questões mercadológicas que envolvem a comercialização para instituições, como as
bibliotecas universitárias (MAGALHÃES; CERAVOLO, 2015). No caso do serviço público
federal, Gomes e Zattar (2016) ainda citam como dificuldades o engessamento da legislação
brasileira no que se refere à aquisição destes materiais, pois não abrange os modelos de
comercialização dos livros eletrônicos.
Para contextualizar melhor a problemática dos modelos de negócios com que os livros
eletrônicos são comercializados, além da compra perpétua e da assinatura, que já foram
conceituados na introdução, a seguir descrevem-se outros existentes:

�a.

Aquisição orientada ao usuário: também conhecida por seus termos em inglês:

Patron-driven acquisition (PDA), Patron-driven selection ou Demand-driven acquisition
(DDA), em que a biblioteca cria um ponto de descoberta dos títulos, mesmo que ainda não
faça parte da sua coleção, a partir daí, dependendo do número de tentativas de acesso, pré
combinado com o fornecedor do recurso, automaticamente se inicia um processo de aquisição
do título (GOMES; ZATTAR, 2016).
b.

Empréstimo de curto prazo: conhecido em inglês como Short Term Loan

(STL), que consiste no acesso a uma fração da obra, mediante o pagamento de uma taxa, por
um período pré-determinado de tempo (GOMES; ZATTAR, 2016).
c.

Aquisição baseada em evidência: ou do inglês: ou no inglês Evidence-Based

Selection (EBS), que consiste em disponibilizar uma coleção de obras a comunidade,
mediante pagamento de uma taxa, permitindo que o bibliotecário avalie as estatísticas de uso
daqueles títulos, o que serve de base para a sua aquisição (GOMES; ZATTAR, 2016).
Outra problemática enfrentada pelas bibliotecas no fornecimento de livros eletrônicos,
está em lidar com os diferentes tipos de agentes do mercado, ou seja, aqueles que ofertam os
diferentes modelos de negócios. Serra e Santarém Segundo (2017) esclarecem que são
essencialmente três os tipos de fornecedores: editores, distribuidores e agregadores de
conteúdos, definidos a seguir:
a.

Editores: são aqueles que oferecem estrutura editorial aos autores, além de

estruturas de divulgação, distribuição e comercialização das obras. Como profissionais dos
livros, agregam valor ao conteúdo sendo que os títulos de uma editora podem ser
comercializados tanto por ela mesma, em plataforma própria, como pelos outros agentes,
como agregadores e distribuidores (SERRA; SANTARÉM SEGUNDO, 2017).
b.

Distribuidores: agem como intermediários, comercializando títulos de editores

ou de agregadores. Apesar de oferecerem a possibilidade de escolha de títulos de diferentes
editores, o acesso aos recursos se dará em plataforma daqueles que representam (editor ou
agregador) (SERRA; SANTARÉM SEGUNDO, 2017).
c.

Agregadores: Representam títulos de diferentes editores, sendo o acesso aos

títulos proporcionado em plataforma própria, que oferece diferentes funcionalidades (SERRA;
SANTARÉM SEGUNDO, 2017).
Outra característica deste mercado dos livros eletrônicos que merece destaque é que as
bibliotecas podem optar, dependendo das ofertas dos fornecedores, entre contratações de
títulos escolhidos de forma individual ou por pacotes. Comumente, os fornecedores
privilegiam a oferta de pacotes, que oferecem uma determinada quantidade de títulos sem

�possibilidade de seleção pela biblioteca, o que é considerado questionável, uma vez que nem
todos os títulos são relevantes e por ferir a autonomia do desenvolvimento de coleções das
bibliotecas (SERRA; SANTARÉM SEGUNDO, 2017).
Nas bibliotecas, a formação e desenvolvimento de coleções abarca as questões
referentes às fontes de informação disponíveis no mercado e subsidia as decisões acerca do
que cada unidade de informação irá colecionar. Como parte do planejamento, as políticas ou
planos do desenvolvimento de coleções visam formalizar os objetivos que pretende atingir
para a coleção, tanto de curto como de longo prazo, considerando alguns aspectos ambientais
como a demanda registrada, necessidade e expectativa de demanda da comunidade, além do
contexto informacionais já disponíveis e a história da coleção (EDELMAN, 1979).
Neste processo de formar coleções, a seleção constitui-se como uma atividade
fundamental e Evans e Saponaro (2012) inclusive chegam a considerá-la como o elemento
mais interessante.
A seleção, portanto, é um ato profissional que "[...] define o universo de informações a
que um grupo de usuários terá acesso [...]" (VERGUEIRO, 1997, p. 6). Para Broadus (1973),
selecionar materiais para as bibliotecas significa tomar decisões dia após dia. Essas decisões
envolvidas na atividade de seleção referem-se a
[...] definir, entre os milhares ou milhões de materiais de informação que são
lançados no mercado, quais os melhores para uma biblioteca específica. Não
simplesmente definir quais os melhores mas, isto sim, quais os melhores para um
determinado conjunto de usuários, alvo de uma coleção já existente (ou não).
(VERGUEIRO, 1993, p. 11).

De acordo com Weitzel (2002, p. 61) “[...] não há como formar e desenvolver coleções
sem se deparar com questões próprias da natureza do processo, tais como o que se vai
colecionar, por quê, para quê e para quem colecionar.” Percebe-se assim, que a seleção é uma
atividade que exige análises e tomadas de decisões e para isso, é essencial que os
bibliotecários tenham muito claro os objetivos que pretendem atingir nas unidades de
informação que atuam, principalmente em termos de coleções. Além disso, é essencial ainda
conhecer a coleção já disponibilizada e os interesses informacionais da comunidade que se
visa atender.
Para auxiliar na atividade da seleção, é comum que as bibliotecas possuam critérios
que auxiliam nas tomadas de decisões. Estes critérios, para Vergueiro (1997) devem ser
adaptados ao tipo de material que se está analisando. O autor salienta ainda que é essencial,
em alguns momentos, que os bibliotecários estabeleçam os seus próprios critérios.

�Em se tratando da seleção de livros eletrônicos, apesar das tecnologias estarem
permitindo que as bibliotecas adquiram títulos sem que necessariamente exista um processo
de seleção convencional, em que o bibliotecário participa como agente decisório, uma vez que
elas permitem modelos de aquisição como o PDA, que transfere para o usuário a
responsabilidade de formar a coleção, estudos como os realizados por Tyler et al (2019) e por
Walters et al (2020) reforçam e evidenciam o papel do bibliotecário na seleção. Para Walters
et al (2020, p. 619, tradução nossa), inclusive, “a seleção título por título continua sendo o
padrão ouro porque permite a correspondência mais próxima entre as necessidades dos
usuários e os recursos que podem atender a essas necessidades.”
Neste sentido, observa-se que apesar das tecnologias possibilitarem novas
funcionalidades e de trazerem novos paradigmas para as bibliotecas é essencial que os
bibliotecários usufruam dos recursos e possibilidades proporcionadas pelas tecnologias,
compreendendo seu papel enquanto agente inteligente deste processo.

3 MÉTODO

O presente trabalho é um relato de experiência a partir das atividades desenvolvidas no
Serviço de Seleção e Aquisição da BU/UFSC diante da demanda de aquisição perpétua de
livros eletrônicos em língua portuguesa. Assim, durante o ano de 2021 as bibliotecárias que
atuam no Serviço buscaram estabelecer um procedimento para subsidiar a seleção dos livros
eletrônicos de modo a atender a comunidade acadêmica da UFSC.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para atingir o objetivo de desenvolver a coleção de livros eletrônicos em língua
portuguesa de acesso perpétuo da BU/UFSC, mais especificamente no que diz respeito à
seleção título a título, foi necessário estabelecer um procedimento.
O procedimento adotado está descrito na Figura 1 e foi o seguinte: 1) descoberta de
títulos eletrônicos em língua portuguesa disponíveis para aquisição perpétua; 2) verificações
dos títulos; 3) definição e aplicação de critérios de seleção; 4) definição das quantidades de
acesso simultâneas necessárias.

�Figura 1: Procedimento de seleção

Fonte: elaboração das autoras, 2021.

O primeiro passo foi a identificação de fornecedores que comercializavam livros
eletrônicos no modelo de negócios de aquisição perpétua. Para tal, buscou-se em dados
coletados internamente na BU/UFSC entre março de 2020 e maio de 2021, relativos a uma
série de apresentações de fornecedores, seus produtos e relativos modelos de negócios,
reconhecer aqueles que atendiam a finalidade pretendida. Em seguida, os fornecedores
identificados foram contatados com o objetivo de obter as listas dos títulos disponibilizados.
Convencionou-se, para facilitar a próxima etapa do ciclo e devido ao grande número de títulos
obtidos, por separar as editoras em diferentes planilhas.
Em seguida, foram realizadas verificações nos títulos disponibilizados pelos
fornecedores, com o objetivo de coletar dados que permitissem a aplicação dos critérios de
seleção (etapa 3). Foram estabelecidos os seguintes pontos de verificação internos, coletados
no sistema gestor:
a.

existência da obra no acervo da BU/UFSC;

b.

uso das obras existentes no catálogo da BU/UFSC;

c.

existência da autoridade no catálogo da BU/UFSC;

d.

sugestão de aquisição;

e.

bibliografia de plano de ensino.

�Também foram considerados os seguintes pontos de verificação externos, coletados no
site do editor:
a.

ano/edição da obra;

b.

resumo da obra;

c.

disponibilidade da obra física;

d.

custo da obra física;

e.

ISBN.

Como não necessariamente todos os títulos comercializados pelas empresas seriam de
interesse da comunidade acadêmica, foi preciso analisá-los um a um, isto é, proceder uma
seleção título a título. Esta seleção ocorreu de forma manual, aleatória e devido a limitação de
tempo, para proceder a análise, não foi possível verificar a totalidade dos títulos de nenhum
dos fornecedores.
Considerando os dados coletados na fase anterior, foram estabelecidos os seguintes
critérios para seleção das títulos:
a.

Demanda formalizada: foi considerado para este critério a existência de

requisição de compra da obra cadastrada no Sistema Pergamum, tanto por docente, discente
ou técnicos, para os títulos constantes nas listas dos fornecedores.
b.

Pedido não atendido anteriormente: foi considerado se havia pedidos de

compras de obras que não foram atendidos anteriormente devido a indisponibilidade no
fornecedor ou obra esgotada no editor.
c.

Complemento de coleção: foi considerado se o título já integrava a coleção da

BU e se havia alta demanda, isto é, número alto de reservas e/ou empréstimos.
d.

Atualização: Também considerou-se uma possível lacuna ou atualização da

coleção quando o título não a integrava ou se tratava de uma edição mais recente.
e.

Relevância do assunto/tema: foi considerado se o enfoque da obra e se o

assunto eram pertinentes para as atividades que a BU apoia, isto é, relação com cursos e
pesquisas desenvolvidas na UFSC.
f.

Autoridade: foi considerado se já havia obras dos autores nas coleções, com o

objetivo de complementá-la. Considerou-se também a disponibilidade de obras de autores
clássicos.
g.

Ensino remoto em decorrência da pandemia: foi considerado se o formato

eletrônico representaria um valor agregado para a coleção, considerando que o acesso ao
formato impresso está indisponível devido a pandemia da COVID-19.

�h.

Bibliografia: foram consideradas as situações em que foi possível verificar a

indicação da obra como bibliografia de um dos cursos de graduação da UFSC. Essa
verificação ainda foi incipiente e limitada devido a inexistência de um sistema com os
programas e planos de ensino atualizados das disciplinas ministradas nos curso da instituição.
i.

Alcance: foram considerados temas/assuntos relevantes para diferentes cursos

ou campi, entendendo que seria vantajoso adquirir a versão eletrônica de obras que poderiam
estar disponíveis a mais usuários independentemente de questões geográficas.
j.

Custo: o custo da aquisição perpétua foi analisado em comparação ao custo do

exemplar físico e das quantidades necessárias para suprir as necessidades da BU/UFSC.
Após a seleção dos títulos, considerando os critérios estabelecidos, observou-se que
existem diferentes formas para comercialização dos livros eletrônicos em português, quando o
assunto é número de usuários simultâneos. Constatou-se, por exemplo, que existiam
fornecedores que comercializam os títulos eletrônicos unicamente com usuários simultâneos
ilimitados com um custo fixo, enquanto outros oferecem possibilidade de escolhas préestabelecidas do número de usuários simultâneos, cada um com um custo diferente.
Foi necessário, então, pensar em um sistema de seleção que regulasse todas as ofertas,
considerando os quantitativos de acessos simultâneos. Desta forma, para a indicação do
número de acessos simultâneos necessários a comunidade da UFSC, considerando os critérios
de seleção estabelecidos, e visando a homogeneidade da análise, estabeleceu-se o seguinte
parâmetro de indicação:
a.

1 acesso: quando o título ainda não faz parte do acervo da BU e/ou visando

diversificar a coleção; quando de interesse para múltiplos campi combinado com demanda
considerada baixa.
b.

3 acessos: quando de interesse para múltiplos campi combinado com demanda

considerada média, quando havia requisição de compra de obra impressa em quantitativos
similares a 3.
c.

acesso ilimitado: quando o título faz parte da coleção da BU e tem uso

significativo, quando de interesse para múltiplos campi combinado com demanda considerada
alta, quando obras clássicas, quando havia requisição de compra de obra impressa em
quantitativos superiores a 3.
Vale destacar que este sistema de atribuição padronizada do número de acessos
simultâneos indicados para as obras foi pensado visando facilitar a decisão dos gestores com
relação a uma possível aquisição, uma vez que poderiam ser constatadas divergências entre os

�quantitativos necessários para atender a necessidade informacional da comunidade acadêmica
e as ofertas disponíveis no mercado.
Como resultados da seleção a partir do procedimento ora explanado, pode-se sintetizar
que foram analisados três fornecedores (um editor e dois agregadores) que foram
identificados como ofertantes de livros eletrônicos em língua portuguesa de acesso perpétuo.
Tais fornecedores disponibilizaram listas de títulos totalizando 18.747 títulos em português
(516 do fornecedor A, 17.109 do fornecedor B e 1.122 títulos do fornecedor C. A seleção
continua em andamento, mas até o presente momento foram analisadas 23 editoras oferecidas,
sendo que 113 títulos do fornecedor A, do qual foram selecionados 86; 1042 do fornecedor B,
dos quais foram selecionados 599 títulos; e 24 títulos do fornecedor C, dos quais foram
selecionados os 24.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A seleção é atividade fundamental para formar coleções que atendam e suportem as
atividades desenvolvidas na Universidade. Assim, a experiência relatada demonstra que a
seleção título a título é valiosa como possibilidade de formar coleções mais otimizadas e
condizentes com o plano ou política de desenvolvimento de coleções.
A seleção realizada também indica a relevância da análise do bibliotecário e da seleção
título a título, uma vez que nem tudo o que é ofertado no mercado agrega valor à coleção.
Ainda nesse contexto, a seleção como uma atividade intelectual demanda tempo e
dedicação dos bibliotecários, requer expertise e conhecimento da coleção existente, tanto
impressa como eletrônica; da comunidade a ser atendida; das áreas do conhecimento e do
mercado editorial. É fundamental evitar a visão reducionista, a busca por receitas ou modelos
prontos, considerar o cenário e finalidade em que ocorre a seleção e buscar a contraposição de
inúmeros elementos e critérios, isto é, reconhecer a complexidade inerente a esse processo.

REFERÊNCIAS
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1973.
EDELMAN, Hendrik. Selection methodology in academic libraries. Library Resources &amp;
Technical Services, v. 23, n. 1, p. 33-38, winter 1979.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Planejamento estratégico da
Biblioteca Universitária 2019-2020. Florianópolis, 2020a. Disponível em:
http://notes.ufsc.br/aplic/portaria.nsf/86f8060c3d460e4283257cc9005e1cf2?OpenForm&amp;Pare
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Gabinete da Reitoria. Portaria
Normativa nº 352/2020/GR, de 16 de março de 2020. Estabelece, em caráter
temporário, excepcional e emergencial, a rotina das atividades técnico-administrativas e de
docência no âmbito da Universidade Federal de Santa Catarina
frente à emergência de saúde pública decorrente do coronavírus (Covid-19).
Boletim Oficial da UFSC, Florianópolis, n. 35-A, 16 mar. 2020b. Disponível em:
http://notes.ufsc.br/aplic/boletim.nsf/3f3a06701f450e330325630d004c4e29/81b3ba3
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Formação de coleções de livros eletrônicos em Bibliotecas Universitárias: enfoque na seleção de títulos para aquisição perpétua.</text>
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                <text>Rietjens, Manoela Hermes, Pinheiro, Liliane Vieira</text>
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                <text>As bibliotecas universitárias vêm disponibilizando cada vez mais livros eletrônicos em suas coleções, sendo que a seleção se destaca como uma das atividades mais  relevantes no processo de formação destas. Por isso, este artigo objetiva relatar o procedimento adotado para subsidiar a seleção de livros eletrônicos em língua
portuguesa e de acesso perpétuo no âmbito da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina. Caracteriza-se portanto como um relato de experiência. O procedimento adotado considerou o seguinte fluxo: descoberta de títulos eletrônicos em língua portuguesa disponíveis para aquisição perpétua,  verificações dos títulos, definição e aplicação de critérios de seleção e definição das quantidades de acesso simultâneas necessárias. A experiência relatada demonstra que a seleção título a título é valiosa na formação de coleções relevantes para a comunidade universitária.</text>
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                    <text>Eixo 3: Inovação
WEB SEMÂNTICA E WEB PRAGMÁTICA: EXPRESSÕES REGULARES EM
REFERÊNCIAS E CITAÇÕES NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SEMANTIC WEB AND PRAGMATIC WEB: REGULAR EXPRESSIONS IN REFERENCES AND
QUOTES IN UNIVERSITY LIBRARIES
Joyce Marie Silva Gomes1
Nayonara da Silva Rodrigues2
Denysson Axel Ribeiro Mota 3
Resumo: As universidades têm como maior atribuição à geração de conteúdo e conhecimento, disseminando-as perante
a sociedade, e sempre produzindo e consumindo informações para transformá-las em conhecimento. Utilizando de
programas estudantis e bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para validar todo
conteúdo produzido por estudantes e professores pesquisadores através de artigos e outras publicações em seus devidos
currículos. Sendo assim, a produção de dados está em constante crescimento, dificultando o acesso de informações aos
pesquisadores pelo excesso. O presente trabalho tem como objetivo desmistificar as produções, tornando o acesso de
pesquisas mais fácil, poupando o tempo do pesquisador através do uso das expressões regulares. Na cadeia
informacional, a cada etapa é atribuída importância variável, de acordo com as necessidades de informação dos grupos
interessados. Nota-se que a partir da dessa visão, a informação tem valores e importância, e cada organização gerencia
de maneira distinta a partir das decisões a serem tomadas. Com o uso das expressões regulares na busca de produções
na Universidade, espera-se que a produção de trabalhos científicos apresente uma taxa de crescimento, até o presente
momento nós conseguimos desenvolver um padrão para identificação de autores.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Web Semântica. Web Pragmática.
Abstract: Universities are most attributable to the generation of content and knowledge, disseminating them to society,
and always producing and consuming information to transform them into knowledge. Using student programs and
grants from the National Council for Scientific and Technological Development to validate all content produced by
students and research professors through articles and other publications in their respective curricula. Thus, the
production of data is constantly growing, making it difficult for researchers to access information due to the excess.
This work aims to demystify the productions, making access to research easier, saving the researcher's time through the
use of regular expressions. In the informational chain, each step is given variable importance, according to the
information needs of the interested groups. It is noted that from this viewpoint, information has values and importance,
and each organization manages differently based on the decisions to be taken. With the use of regular expressions in the
search for productions at the University, it is expected that the production of scientific papers present a growth rate, so
far we have managed to develop a standard for identifying authors.
Keywords: University Library. Semantic Web. Pragmatic Web.

1

Graduação. Universidade Federal do Cariri. joymar.sg@gmail.com.
Graduação. Universidade Federal do Cariri. nayonarar@gmail.com.
3
Doutor. Universidade Federal do Cariri. denysson.mota@ufca.edu.br.
2

�1 INTRODUÇÃO
A sociedade passa, constantemente, por diversas transformações sociais, políticas e
econômicas, e no que se diz respeito às informações e às tecnologias utilizadas não é diferente. Com
inúmeros acontecimentos e marcos que ocorrem, acaba-se gerando fluxo maior de registros, há a
necessidade de administrar e desenvolver uma estrutura de informações onde sejam capazes de
serem encontradas quando preciso, sendo esse um dos maiores ou senão o maior desafio das
instituições.
As bibliotecas universitárias (BUs) atualmente possuem de recursos para disseminação de
informação, através de computadores, plataformas, e mídias sociais, o usuário pode chegar ao que
deseja, porém, muitas vezes fazendo a busca de modo incompleto ou com resultados equivocados
ao que se almeja, por isso a importância do estudo em base de dados e padrões na biblioteca
universitária.
O surgimento da World Wide Web (daqui em diante chamada apenas de Web) nos anos 90,
revolucionou a era da informação, termo designado para os avanços tecnológicos advindos da
revolução industrial no século XX, sendo Tim Berners-Lee idealizador da rede. A Web trouxe a
perspectiva de uma vida online e prática, armazenando dados e guardando inúmeros tipos de
informações criadas de diferentes organizações e usuários. Entretanto, com a popularização da
Web, foi possível perceber a extensão de páginas criadas e a dificuldade de acesso a resultados
rápidos, sem que usuários tivessem filtros automáticos de pesquisa, o que requer um tempo
excessivo para obtenção do resultado final.
Simplificando, a Web tem como principal característica associar dados sem que esses
diferenciem ou leiam seus significados; contendo informações que se fundem independente da sua
busca, mesclando o formal e o informal, e sendo apresentados em diversos formatos, sem distinção
do entendimento humano ou processamento de máquinas.
Apesar da carência em objetividade, a Web apresenta papel fundamental no
desenvolvimento da sociedade, e a partir dela surge a Web Semântica e a Web Pragmática, voltadas
para a recuperação da informação.

�Tim Berners-Lee publicou em 2000 o livro intitulado como Weaving the Web: The
Original Design and Ultimate Destiny of the World Wide Web, e nele sugere a existência e
criação de uma nova web, e dá início a ideia do que seria a Web Semântica:
Eu tenho um sonho para a Web [no qual os computadores] serão capazes de analisar todos os
dados presentes na Web - os conteúdos, links e transações entre pessoas e computadores A
‘Web Semântica’, que deve tornar isso possível, ainda a surgir, mas quando isso acontecer os
mecanismos do dia-a-dia da burocracia, do comércio e das nossas vidas diárias serão tratados
por máquinas conversando entre si.

Portanto, cria-se a partir disso o conceito de web semântica, uma web onde as palavras são
agregadas aos seus contextos e significados.
Tratando-se de representação e recuperação na Web, faz-se necessário a compreensão da
linguagem, portanto o presente trabalho busca trazer a perspectiva da evolução da Web e a
recuperação de informações voltada para a Ciência da Informação, definindo essencialmente a
semântica e a pragmática, partindo da utilização de expressões regulares para localização de dados
em referências e citações, sem que este demande muito tempo da pesquisa feita pelos seus autores.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Assim como cada empresa tem características individuais para obter um desenvolvimento
diferente das demais, as universidades, por sua vez, também procuram a diferenciação entre outras
instituições, sejam elas privadas ou públicas. Possuindo as bibliotecas universitárias que se
constituem como suporte para pesquisa, ensino e extensão, tendo como função prover a
infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional (MAIA; SANTOS, 2015) tornando as
universidades instituições muito importantes para o desenvolvimento da sociedade.
Para Santos e Gomes (2014), o ambiente físico da biblioteca universitária possui uma
estrutura que favorece o acesso, uso e apropriação da informação pelo usuário, tendo assim o papel
mediador de selecionar, organizar e promover a disseminação da informação para que o utilizador
tenha mais conforto e segurança no desenvolvimento das suas práticas acadêmicas.
Nunes e Carvalho (2016) afirmam que a biblioteca universitária tem evoluído o bastante
para não só atender as necessidades de informação dos usuários como para também acompanhar as

�mudanças tecnológicas, favorecendo assim o processo comunicacional, indo além de espaços para
busca de informação, se tornando um local que favorece o crescimento social e cognitivo.
Como Maia e Santos (2015) declaram, as bibliotecas universitárias são de grande
importância para a formação dos indivíduos por assumirem o papel de mediadoras entre o que é
desenvolvido no ambiente acadêmico e também atuar a favor do conhecimento que a comunidade
acadêmica demanda. Logo, as bibliotecas universitárias significariam mais do que um ambiente
apenas de silêncio e estudo, como ainda é vista, trazendo um ponto de vista significativo como um
local mediador e criador de ideias, compartilhando conhecimento e informações.

3 WEB SEMÂNTICA
Robredo (2011), considera que a velocidade com que a internet tem se desenvolvido como
meio de divulgação e localização da informação é digna de uma pausa para refletir sobre como a
web semântica pode contribuir para o desenvolvimento da ciência da informação.
É do interesse da Ciência da Informação em conjunto da Ciência da Computação e
Linguística, uma Web que trate e recupere informações que sejam relevantes para o usuário, e
quando tratamos de representação e recuperação da informação, é necessário destacar a importância
da concepção de linguagem, caracterizando-a e definindo. E em decorrência da dificuldade de
encontrar meios eficientes para localização de dados, foi visto a necessidade de uma extensão para a
WWW, caracterizando assim a Web Semântica.
Em 1985, Morris definiu a semântica como “disciplina que estuda o significado das palavras
e sentenças e a relação dessas palavras, ou signos, com os objetos que eles representam ou
significam”. Com essa definição podemos traduzir o que seria a Web Semântica, onde a WWW
deixa de ser inconclusiva e faz a transição para o significativo.
A Web Semântica é, portanto, uma Web de dados que vai muito além de documentos
encontrados de modo aleatório, é uma extensão da World Wide Web, onde Berners-Lee, Hendler
and Lassila (2001) a definem como "(...) a web dos dados que podem ser processados direta e
indiretamente por máquinas”. Possibilitando a interação entre humano-computador, fazendo com
que trabalhem em conjunto, além de permitir que os programadores de software que utilizam a rede
compreendam e processem os dados de forma inteligente.

�Logo, a Web Semântica tem como objetivo conter padrões simples e de forma lógica,
apresentando significado entre os dados interligados através de documentos, e permitindo que a
máquina recupere informações de modo mais exato.
Entretanto, a Web Semântica continua em desenvolvimento e pouco se sabe sobre a
efetividade completa quanto a atribuição proposta de significados; ainda que atribuam padrões a
Web 3.0, a busca tende a ser confundida com outros meios interpretativos, e nessa noção de que
ainda falta algo a ser acrescentado, é onde surgem os estudos sobre a Web Pragmática.

4 WEB PRAGMÁTICA
Notando-se a necessidade de ir além dos significados das palavras que são atingidos pela
web semântica, começou a se desenvolver a web pragmática para que contextos sejam atribuídos
aos dados. Por possuir maior possibilidade de considerar o perfil do usuário no processo de busca,
como suas preferências, idiomas dominados e até mesmo seu perfil acadêmico facilita, assim, que
sejam obtidos resultados mais satisfatórios (MOTA; MARTINS, 2017).
Para que a Web Pragmática seja possível, é preciso ampliar os estudos acerca dela, que por
sua vez, é capaz de definir e representar os elementos pragmáticos considerados essenciais para
compreensão e interpretação de mensagens (MOTA; KOBASHI, 2016). Ainda assim, há muito o
que desenvolver na Web Pragmática, por saber que é preciso lidar não só com a interpretação
desses dados, mas também com a crescente demanda informacional e a forma com que ela é
chegada ao usuário, se está claro se deixamos a compreensão para todos os grupos de pessoas, e não
só a um grupo específico.
Como afirmado por Mota e Kobashi (2016), a Web Pragmática tem como foco permitir que
o contexto dos dados e do indivíduo sejam considerados para a recuperação da informação, dessa
forma, indo além do que é feito pela Web Semântica, buscando a pragmática conforme exposto por
Morris (1985).
A web pragmática traz a necessidade de contextualizar a informação, de forma que o usuário
fique no centro desse processo, a Web Pragmática emprega seu significado a vários grupos.
Contudo, o avanço e bom desempenho da Web Pragmática depende da aplicação de novas
tecnologias, onde grande parte é também oriunda das Tecnologias Web Semântica, que se utilizam

�dos princípios da Inteligência Artificial. Porém, a partir do momento em que a Web Pragmática traz
no contexto usuários e dados, as tecnologias de fundo não conseguem alcançar o que a Web está
propondo.
A recuperação da informação é relevante para o contexto informacional da Web e por meio
desses estudos é capaz se de observar a importância nas Bibliotecas Universitárias, bem como na
ciência da informação, de modo que visualize a interação entre o usuário e a Web.

5 EXPRESSÕES REGULARES
Lima (2020) define expressões regulares como um método formal de especificar um padrão
num texto, podendo ser utilizado para buscas textuais, pesquisas em profundidade, comparações
complexas de padrões e muitas outras aplicações. Já Jargas (2016) define de forma mais detalhada
como uma composição de caracteres com funções especiais que junto de caracteres literais formam
uma expressão que é interpretada como regra que indicará sucesso quando uma entrada de dados
combinar com as suas condições.
As expressões regulares são uma ferramenta importante para a busca por padrões textuais. O
benefício delas é amplamente utilizado desde aplicações relativamente simples, como validação de
CEP e CPF em formulários, até para encontrar e rastrear plágios em textos acadêmicos.
O uso previsto para este trabalho se assemelha ao primeiro exemplo: considerando que a
ABNT 10520 (2002) prevê formatos padrão para citações, acredita-se ser possível encontrar de
forma automática todas as referências de um texto e, com isto, identificar, de forma semiautomática,
as redes de colaboração e influência que são exercidas na produção textual.
A pesquisa aqui apresentada tem como foco a verificação desta hipótese para identificação
de rede de colaboração e influências teóricas em Ciência da Informação, de forma a validar e
expandir o proposto por Martins (2014) dentro do setor de Organização e Representação da
Informação e do Conhecimento, e com isto alcançar melhor compreensão da institucionalização
científica e cognitiva da área, ao passo que se contribui para a representação destas referências
dentro dos moldes propostos para a Web Semântica, contribuindo, possivelmente, para a
fundamentação de uma Web Pragmática.

�Com a expressão regular finalizada, e que possibilite identificar os diversos tipos de
materiais referenciados, é possível realizar a representação, nos repositórios de periódicos como a
Brapci, por exemplo, dos artigos citados pelos trabalhos de forma mais precisa, com indicação de
autores e trabalhos que influenciaram aquela obra, assim como, posteriormente, o uso de ontologias
como a CitO (PERONI; SHOTTON, 2012), que qualifiquem a forma de citação de cada uma destas,
ou outras formas de representação de citação e outros elementos do texto.
Com isto, é possível realizar buscas que retornem resultados mais precisos de acordo com as
referências utilizadas, nos moldes do que algumas ontologias já permitem, dentro da Web
Semântica, mas expandindo, e criando representações de contextos de interpretação, ao passo que
também contribui para os estudos de institucionalização científica das áreas.
6 RESULTADOS PARCIAIS
Previamente, em estudos já realizados (GOMES; OLIVEIRA; MOTA, 2018), foram
elaboradas expressões regulares que possibilitam a identificação de elementos de referências,
focando inicialmente em livros, mas com uma abordagem segmentada, que permitiria reuso de
trechos das expressões em referências de outros tipos de material. Os resultados completos estão
passando por análise e validação e, consequentemente, não poderão ser apresentados aqui mas
posteriormente em outros eventos. No estágio atual, alguns pedaços da expressão regular estão
validados: autoria, título de livro e identificação da edição (cidade, editora e ano). A expressão
completa, que valida os três itens simultaneamente, também está validada e está apresentada em
trabalho atualmente no prelo.
A proposta, na etapa atual da pesquisa, é expandir a expressão regular para abranger
periódicos, e posteriormente ampliar para cada tipo de material bibliográfico presente na ABNT
10520 (2002). No entanto, apesar da pesquisa iniciar aproveitando diversos itens do que já foi
produzido, como o nome dos autores, temos encontrado diversas barreiras, principalmente devido
às diversas formas de referências o nome do periódico.
Conforme ABNT 10520 (2002), é possível abreviar parte do nome da revista, o que tem
criado situações onde a expressão se perde e acaba identificando elementos desnecessários ou

�menos do que deveria, e com isto encontra-se apenas parte da referência, ou vai além e reconhece
como parte do nome da revista elementos que não são.
Novos esforços têm sido realizados neste sentido, no entanto ainda com resultados não
satisfatórios, mas acredita-se que até o final do período vigente do projeto se obterão resultados
melhores, assim como abrirá caminho para exploração de expressões para identificação de outros
tipos de materiais, incluindo, mas não limitando-se a monografias, dissertações e teses, capítulos de
livro e anais de congressos, entre outros. Modificações para identificação de campos não
preenchidos e/ou identificados, como por exemplo sem local ([s.l.]), sem data (s.d.) e outros estão
também sendo trabalhados atualmente.
7 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Ao longo das contribuições aqui trazidas, ressaltamos a importância da discussão acerca da
automatização dos recursos nas Bibliotecas Universitárias, que por sua vez, tem uma vasta carga
informacional depositada em seus repositórios, que podem vir a serem perdidas por desfalque na
busca dentro das plataformas utilizadas.
O trabalho de iniciação cientifica faz-se necessário para contribuição da disseminação de
informação e conhecimento dentro das unidades acadêmicas, que se deem de maneira perspicaz,
dentre suas formas, o estudo em WEB e Expressões Regulares são as que se destacam no âmbito
tecnológico de pesquisa, e com a continuação de suas pesquisas tendem a ter resultados promissores
para toda a comunidade científica.
Uma vez que a base de dados de uma biblioteca universitária é regularmente alimentada, vêse a carência de padrões que busquem os trabalhos depositados para outros usuários, a fim de
propiciar continuidade a outras pesquisas, sendo depositados em sites e plataformas digitais
específicas para uso de pesquisadores que não tenham acesso a instituição de forma presencial.
O estudo realizado nos permitiu perceber o poder de identificação de padrões mediante o
uso de Expressões Regulares, já trabalhadas previamente com sucesso, mas também as dificuldades
de lidar com as normas ABNT, devido ao grande número de variações possíveis ao citar um
documento oriundo de um periódico.

�No entanto, avanços têm sido alcançados, mesmo que aquém do proposto, e espera-se que
este trabalho possa trazer resultados satisfatórios até o final do período de execução, com
algoritmos que permitam a varredura de documentos e identificação dos padrões representados, por
meio das plataformas utilizadas nas bibliotecas universitárias, bem como nas demais plataformas de
pesquisa acadêmica.
Espera-se, também, que este trabalho possa colaborar com a disseminação e ampliação de
uso das expressões regulares na Ciência da Informação, assim como as colaborações diretas
pretendidas, voltadas para a análise e compreensão da construção da institucionalização científica
da área, com estudos de redes de colaboração e influência.

AGRADECIMENTOS
Agradecemos à Universidade Federal do Cariri (UFCA) e ao Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por terem financiado direta e indiretamente,
respectivamente, via projeto guarda-chuva, a pesquisa que deu origem a este trabalho, com bolsas e
recursos de custeio e capital.
REFERÊNCIAS
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documentação: citação em documentos. Rio de Janeiro, 2002.
BERNERS-LEE, T.; HENDLER, J.; LASSILA, O. The Semantic Web. Scientific American, p. 3443, May 2001. Disponível em: http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=the-semanticweb. Acesso em 21 fev. 2021.
BERNERS-LEE, T. Weaving the Web: the original design and ultimate destiny of the world wide
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GOMES, J. M. S.; OLIVEIRA, M. J. de; MOTA, D. A. R. Institucionalização Cognitiva e Social da
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JARGAS, A. M. Expressões regulares: uma abordagem divertida. São Paulo: Novatec, 2016.
LIMA, E. S. Expressões regulares: conceitos, usos e aplicações na web. [S.I]: Edkallenn Lima,
2020.

�MAIA, L. C. G.; SANTOS, M. S. L. Gestão da biblioteca universitária: análise com base nos
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                <text>As universidades têm como maior atribuição à geração de conteúdo e conhecimento, disseminando-as perante a sociedade, e sempre produzindo e consumindo informações para transformá-las em conhecimento. Utilizando de programas estudantis e bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para validar todo conteúdo produzido por estudantes e professores pesquisadores através de artigos e outras publicações em seus devidos currículos. Sendo assim, a produção de dados está em constante crescimento, dificultando o acesso de informações aos pesquisadores pelo excesso. O presente trabalho tem como objetivo desmistificar as produções, tornando o acesso de pesquisas mais fácil, poupando o tempo do pesquisador através do uso das expressões regulares. Na cadeia informacional, a cada etapa é atribuída importância variável, de acordo com as necessidades de informação dos grupos interessados. Nota-se que a partir da dessa visão, a informação tem valores e importância, e cada organização gerencia de maneira distinta a partir das decisões a serem tomadas. Com o uso das expressões regulares na busca de produções na Universidade, espera-se que a produção de trabalhos científicos apresente uma taxa de crescimento, até o presente momento nós conseguimos desenvolver um padrão para identificação de autores.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
OS EFEITOS DA PANDEMIA NO COTIDIANO DO MUSEU UNIVERSITÁRIO LITERÁRIO:
ACERVO DE ESCRITORES MINEIROS
THE EFFECTS OF THE PANDEMIC ON THE DAILY LIFE OF THE UNIVERSITY LITERARY
MUSEUM: ACERVO DE ESCRITORES MINEIROS
Autor 11Antônio Afonso Pereira Júnior

Resumo: A pesquisa analisa o museu universitário Acervo de Escritores Mineiros da Faculdade de Letras da
Universidade Federal de Minas Gerais quanto sua resposta para superar os desafios impostos pela Pandemia da Covid19. Um breve relato sobre as mudanças impostas pela pandemia e seus efeitos na sociedade. A importância do
patrimônio cultural e histórico de um povo e de como esse interesse permanente para a constituição de sua identidade A
pesquisa foi um levantamento do histórico do museu literário que apresenta uma história rica e a sua relevância para a
comunidade acadêmica. Os estudos de estudos de Benjamim (1987), Milanesi (2002), Julião (2015), Marques (2015),
Berti e Araújo (2017), Pinheiro (2007) e Smith (1999-2000). É importante o conhecimento da realidade dos museus,
das bibliotecas e dos arquivos das universidades, que possibilite uma visão atualizada e amparada pelas novas
tecnologias por meio de uma nova maneira de interagir com usuários, sejam pesquisadores e visitantes para estabelecer
contato com o passado e com a memória nacional.

Palavras-chave: Arquivo. Biblioteca. Museu. Pandemia.
Abstract: The research analyzes the university museum Acervo de Escritores Mineiros of the Faculty of Letters of the
Federal University of Minas Gerais regarding its response to overcoming the challenges posed by the Covid-19
Pandemic. A brief account of the changes imposed by the pandemic and its effects on society. The importance of the
cultural and historical heritage of a people and how this permanent interest to the constitution of their identity The
research was a survey of the history of the literary museum that presents a rich history and its relevance to the
academic community. The studies of studies by Benjamim (1987), Milanesi (2002), Julião (2015), Marques (2015),
Berti and Araújo (2017), Pinheiro (2007) and Smith (1999-2000). It is important to know the reality of museums,
libraries and university archives, enabling an updated vision supported by new technologies through a new way of
interacting with users, whether researchers and visitors, to establish contact with the past and with the national
memory.

Keywords: Archive. Library. Museum. Pandemic.

1

Mestre em Ciência da
antonioapjr@yahoo.com.br

Informação.

Universidade

Federal

de

Minas

Gerais.

E-mail

de

contato

�1 INTRODUÇÃO
O planeta está passando pela pandemia de coronavírus, também conhecida de COVID-19,
causada pelo coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave - SARS-CoV-2. O surto foi
identificado pela primeira vez na cidade Wuhan , na China, em dezembro de 2019. A Organização
Mundial da Saúde – OMS declarou o surto uma emergência de saúde pública de interesse
internacional em 30 de janeiro e uma pandemia em 11 de março. A pandemia atingiu o Brasil, em
26 de fevereiro, o primeiro caso foi em São Paulo. (BRASIL, 2021)
Os principais sintomas da COVID-19 são: tosse, febre, cansaço e dificuldades de respirar.
Vale ressaltar que algumas pessoas portadoras da doença podem apresentar sintomas leves ou
nenhum, e mesmo assim, podem contagiar outros indivíduos. É uma doença altamente contagiosa e
em muitos casos requer tratamento intensivo, especialmente para pessoas idosas e/ou que possuam
doenças preexistentes como diabetes, problemas cardíacos e/ou respiratórios. (BRASIL, 2021)
A pessoa infectada pode permanecer assintomática ou os sintomas podem surgir em um
período de dois a 15 dias após o contágio, sendo os sintomas iniciais próximos de uma gripe comum
podendo evoluir rapidamente para falta de ar e pneumonia severa, necessitando de internação e
tratamento intensivo. Em razão da velocidade de transmissão da COVID-19, milhares de pessoas
podem ser infectadas e progredir para estágios avançados da doença, causando mortes e um colapso
do sistema de saúde, por isso foram adotadas uma série de medidas de restrição social no país.
(BRASIL, 2021).
As medidas preventivas recomendadas incluem lavar as mãos, cobrir a boca ao tossir, ao sair
de casa e manter distanciamento de outras pessoas, usar máscara facial em locais públicos. O
isolamento social das pessoas que suspeitam estar infectadas. As autoridades em todo o mundo
responderam implementando restrições de viagens, bloqueios, controles de riscos no local de
trabalho e fechamento de escolas, universidades, museus, bibliotecas, cinemas e do comércio,
mantendo aberto somente os serviços essenciais para sobrevivência da população.

�Em 05 de agosto de 2021, mais de 200 milhões de casos de contaminação do COVID-19
foram relatados no mundo, em 240 países e territórios, resultando em mais de 4 milhões de mortes.
No Brasil foram contaminados mais 20 milhões pessoas e quase 560 mil mortes. Até agora, os
maiores números de confirmações e vítimas fatais de todo o período da pandemia em solo brasileiro
ocorreram no dia 23 de junho de 2021, com mais 115.228 casos, e em 9 de abril de 2021, com 4.249
óbitos. (BRASIL, 2021)
Na história da humanidade ocorreu várias epidemias. A segurança humana torna-se um fator
primordial para enfrentar o evento pandêmico. O conceito de segurança humana foi criado pela
Organização das Nações Unidas – ONU, em um contexto de pós-guerra, e em 2003 a Comissão de
Segurança Humana das Nações Unidas, definiu no relatório Human Security Now de 2003, que:

A segurança humana significa proteger as pessoas de situações críticas e ameaças
difundidas. A criação de sistemas políticos, sociais, ambientais, militares e culturais para
juntos oferecer às pessoas elementos básicos de sobrevivência, subsistência e dignidade.
(COMMISSION SECURITY NOW, 2003, p. 4, tradução nossa).

Um surto da magnitude do COVID-19 causa mudanças profundas no cenário mundial. Afeta
negócios, Governos e sociedade. O fechamento das escolas, universidades e espaços culturais
culminou em uma migração temporária para o mundo digital e o processo disruptivo na atuação das
bibliotecas, arquivos, museus e centros de memórias. O futuro das bibliotecas, centros de memória,
museus e demais espaços de conhecimento e pesquisa no mundo pandêmico e pós-pandemia será
muito discutido em pesquisas nos próximos anos. E com razão: as bibliotecas e os demais espaços
estão tentando encontrar o seu caminho em um momento tão delicado e conturbado para
humanidade. Essa disrupção aconteceu no Acervo de Escritores Mineiros – AEM, órgão
suplementar da Faculdade de Letras – FALE da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
Vamos conhecer mais sobre espaço a seguir.
2. O ESPAÇO DE CULTURA ACERVO DE ESCRITORES MINEIROS
O AEM é um espaço permanente de exposição, foi inaugurado em dezembro de 2003.
Ocupa uma área de 6980 m², do terceiro andar da Biblioteca Universitária da Universidade Federal
de Minas Gerais – UFMG, no campus Pampulha.

�Foi construído com apoio da Financiadora de Inovação e Pesquisa – Finep, uma empresa
pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, através do fundo setorial de
investimento CT-Infra/Finep, criado para viabilizar a modernização e ampliação da infraestrutura e
dos serviços de apoio à pesquisa desenvolvida em instituições públicas de ensino superior e de
pesquisas brasileiras, por meio de criação e reforma de laboratórios e compra de equipamentos, por
exemplo, entre outras ações. O Acervo de Escritores Mineiros presta atendimento a visitantes e
pesquisadores, recepciona órgãos oficiais, culturais e de imprensa, permitindo consulta no local,
com acesso ao banco de dados da UFMG.
O patrimônio cultural e histórico de um povo é de interesse permanente para a constituição
de sua identidade. Assim, o AEM é um espaço de preservação da memória da literatura mineira e
constitui-se no maior projeto do Centro de Estudos Literários e Culturais – CELC, da FALE.
Concebido a partir de uma perspectiva museográfica e cenográfica, recria o ambiente de trabalho
dos escritores nele representados, abrigando uma biblioteca com mais de 60 mil livros, dos quais se
destacam obras raras do período do modernismo brasileiro, bem como preciosas coleções de
periódicos, documentos, correspondência, fotografias, obras de arte e objetos pessoais. Além da
área reservada para a exposição dos acervos, há um espaço para o trabalho dos pesquisadores e
bolsistas, com sala de reuniões e infraestrutura operacional. Sistemas de iluminação, ventilação e
segurança dentro dos padrões técnicos apropriados garantem a conservação e preservação dos
acervos. O AEM conta atualmente com o acervo de 26 escritores, reunindo documentos, objetos
pessoais, livros, móveis, fotografias, medalhas e os mais diversos tipos de suportes informacionais
que preservam a história e a memória do escritor.
O primeiro acervo doado foi o fundo documental da escritora Henriqueta Lisboa, em 1989.
Para abrigar um acervo de escritor, consideram-se alguns critérios, a saber: a) a relevância literária
do escritor e sua obra; b) o valor histórico e cultural dos fundos documentais do escritor; c) as
condições de preservação do arquivo e as formas de seu repasse à Universidade. Para o recebimento
de um acervo, é necessário que a proposta seja aprovada pelo Conselho Diretor do CELC, a partir
de uma discussão sobre o interesse do acervo ou da coleção.

�O AEM consegue integrar três ambientes: museu, arquivo e biblioteca de forma harmônica.
Esse é o grande diferencial do setor: guarda a coleção bibliográfica, cartas, fotos, móveis de
escritório, objetos pessoais, coleção de quadros, obras de arte e idiossincrasias dos escritores. Isso
traz a biografia intelectual dos escritores que reflete o percurso de suas vidas e obras neste espaço
multifacetado, que é completo para que os pesquisadores possam tentar recuperar a memória do
escritor pesquisado.
Os livros do setor não são emprestados, por serem classificados como coleção especial, as
consultas das obras são feitas somente no local, até porque o AEM possui exemplar único de alguns
livros, que nem mesmo a Biblioteca Nacional do Brasil possui. Alguns livros com dedicatórias e
autógrafos de diversos escritores, como por exemplo, de Carlos Drummond de Andrade e grifos dos
próprios escritores mostrando anotações e destaques para a leitura que faziam das obras,
constituindo-se em fonte rica de pesquisa e sempre muito requisitada pelos usuários do AEM.
Os arquivos dos escritores representam a fonte de pesquisa mais utilizada pelos
pesquisadores. Fonte única e primária, como cartas, recorte de jornais, de revistas, fotografias,
manuscritos de seus livros, entre outros documentos pessoais e oficiais, já que a maioria era
servidor público, como Cyro dos Anjos que era assessor do Ministro da Justiça e imortal da
Academia Brasileira de Letras. Os espaços possuem uma elevação do plano expográfico para
exaltar a coleção em questão e para garantir a estética dos cenários museográficos. Tal disposição
permite que o visitante viaje no tempo. A estética proporciona uma experiência entre o
conhecimento e o entretenimento.
Os espaços são exposições permanentes que foram batizadas de Laboratório do Escritor,
tentando reproduzir o seu escritório, onde esses artistas criavam suas obras. Os documentos que
ficam expostos ao lado dos cenários são protegidos por vitrines, impedindo que as pessoas toquem
nos documentos, cartas, fotos e objetos pessoais. Buscar sua memória através de sua biblioteca e
arquivo, conhecer suas idiossincrasias, gostos, desejos, sonhos, fetiches, taras e medos do autor,
reproduzindo seu escritório através de sua galeria de museu.

�O fundo memorialístico dos escritores expostos no AEM é fruto de uma tríade: biblioteca,
arquivo e objetos pessoais, quer irão compor o cenário museográfico do escritor. A tradição separa
estas categorias, enfatizando as diferenças, ou especificidades e ignorando as semelhanças. Segundo
Smith (1999-2000), museus, arquivos e bibliotecas não nasceram separados, mas foram se
afastando ao longo do tempo. Smith (1999-2000) acredita que, ao que tudo indica, as primeiras
instituições acumulavam tanto materiais bibliográficos quanto de natureza arquivística – relações de
propriedades de terras e respectivos impostos. Smith (1999-2000) diz ainda que a área de
conhecimento da Ciência da Informação somente será reconhecida em sua utilidade social quando a
mesma conseguir propor soluções para problemas de acesso à informação.
A distinção entre biblioteca, museu e arquivo, em particular, não faz sentido no AEM, pois
tudo é único. A expressão do escritor atinge seu ápice somente com a união dos três ambientes na
busca da recuperação da memória do autor. Segundo Smith (1999-2000), o documento e a
informação são as duas faces da mesma moeda, sendo que uns prestam mais atenção a uma face,
outros à outra, mas não é possível descolar as faces da moeda. As ciências sociais geram uma tensão
entre documento e informação. A institucionalização da informação, operada pela Biblioteconomia,
Arquivologia e Museologia, encontra sua justificativa cultural, social e econômica à medida que
esta informação é disponibilizada para a sociedade, ou comunidade, que financia a manutenção
deste estoque.
Segundo Walter Benjamin (1987) disse que “dá para saber muito sobre uma pessoa pelos
livros que ela possui: gostos, interesses, hábitos. Os livros guardados, os que são descartados, os
lidos, bem como os que não são lidos, dizem algo sobre quem é você”.
A paixão pela escrita, pela impressão, pelo livro, sua portabilidade, resistência e origem.
Como um colecionador sagaz, ele argumentava que conseguia decifrar a essência de uma
pessoa através das suas leituras. A biblioteca era uma testemunha fiel da personalidade de
seu colecionador. As encadernações conseguem preservar seu colecionador, portanto o
colecionador vive nos seus livros. Dessa maneira, só depois que o colecionador colocasse o
seu último livro na prateleira de uma estante e morre, que sua biblioteca pudesse falar de
seu criador, sem a presença de seu dono para confundir, os fascículos poderiam revelar o
conhecimento e privacidade de seu proprietário. (BENJAMIN, 1987 p.279)

�Milanesi também disse sobre a biblioteca:
Em outras palavras, na medida em que um depósito de bens cresce, e há a necessidade de
controlá-lo, aumenta também a complexidade dos meios para achar no palheiro a agulha
desejada. Se esse endereço, por uma desgraça, for esquecido, o bem, provavelmente, se
perderá. Nesse caso, o depósito deverá ser reorganizado, com gastos e perda de tempo,
para, novamente, tornar-se útil. De geração em geração o estoque aumenta e quanto maior
for, mais difícil se torna a recuperar o que nele se encontra. A chave de acesso, dessa forma,
pode não ser um bem em si, mas é a possibilidade de tê-lo. As gerações em sequência não
só recebem o que foi acumulado anteriormente, mas também os meios para achar o que
precisam. Nesse sentido, acervos e códigos integram-se num complexo que se constitui no
mapa da produção humana, a grande memória que mantém vivos todos os cérebros mortos.
(MILANESI, 2002, p.14).

O museu é uma construção que permite aumentar a consciência através das significações e
ressignificações e múltiplas funções que os adornos, objetos, livros ganham no espaço. A estética, a
afetividade, o conhecimento, a lembrança, a experiência pessoal que cada um traz consigo da
cultura material e imaterial sobre o escritor formando uma nova memória daquele personagem
exposto.
Museus são instituições que, em última instância, desempenham o papel de dar extroversão
à dimensão imaterial do patrimônio que conservam e expõem. Eles transformam coisas em
objetos, quando as deslocam do ambiente cotidiano, distanciando-as do universo
estritamente concreto, e as ingressa em uma ordem simbólica, conferindo-lhes novos
significados. Mantermos com as coisas uma relação de instrumentalidade, contígua ao
nosso corpo. (JULIÃO, 2015 p. 88).

O Arquivo, o museu e a biblioteca tentam produzir o efeito de sacralizar o indivíduo, mas esses
documentos pessoais ao mesmo tempo que revelam sua personalidade, por vezes ocultam. Sobre o arquivo
do escritor, Reinaldo Martiniano Marques, professor da FALE/UFMG, pondera:
O interesse pela guarda e conservação de arquivos literários por parte de universidades e
fundações, públicas e privadas, assim como a disponibilização de seus documentos e
materiais para a consulta por pesquisadores, estudantes e a comunidade em geral, têm
propiciado o crescente interesse por pesquisa em acervos de escritores e fontes primárias da
literatura. (MARQUES, 2015, p. 90).

3. OS DESAFIOS DISRUPTIVOS PARA OS MUSEUS UNIVERSTÁRIOS
Neste mundo onde o distanciamento social é obrigatório o espaço digital é o local seguro
para trocar de informações para pesquisa e entretenimento. As informações ilimitadas disponíveis a
um clique do mouse. O mundo não é mais o mesmo. As tecnologias vão auxiliar nesta disrupção
drástica. A nova geração de usuários está mais aberta aos benefícios do mundo disruptivo.

�O AEM diante da pandemia estabeleceu novas práticas informacionais. A utilização maciça
das suas redes sociais para que o espaço nobre da memória mineira continue a entreter, educar e
emocionar as pessoas. O AEM durante o período em que vigora o isolamento social, decorrente da
pandemia do coronavírus, realiza atividades em ambiente virtual, elaboradas por dois dos seus
projetos de extensão - '‘leitura Dramática e Encenação no AEM’' e “Encontro Marcado”.
“Momento Leitura” – Série de vídeos com sugestões de leituras, publicados no Facebook e
Instagram às segundas-feiras. “Leituras” – Leitura dramática de textos literários realizada pelos
bolsistas e parceiros do projeto “Leitura Dramática e Encenação no Acervo de Escritores Mineiros”.
A cada sexta-feira, uma nova leitura é disponibilizada nas redes sociais do AEM. “Encontro
Marcado nas redes” – Quinzenalmente, às quintas-feiras, Kaio Carmona, o poeta e professor de
Letras, convida escritores para um bate-papo sobre o universo literário. Nos dias que antecedem o
evento, o público é convidado a encaminhar questões para serem incluídas na conversa.
No canal do Youtube, é possível encontrar disponível para acesso todo o conteúdo das ações
já desenvolvidas, como edições passadas do “Encontro Marcado”, vídeos que contam um pouco da
história do Acervo de Escritores Mineiros, entre outros. As redes sociais do Acervo dos Escritores
Mineiros:
https://www.instagram.com/escritoresmineiros/
https://pt-br.facebook.com/escritoresmineiros/
https://www.youtube.com/acervodeescritoresmineirosufmg
É com estas práticas informacionais que o AEM atraí novos públicos e mantêm vivo e fiel
seu público. Isso inclui repensar o próprio espaço físico tradicional do AEM, passando de um lugar
tranquilo, repleto de estantes com livros e objetos decorativos, onde criam o simulacro dos
escritórios dos autores, para algo totalmente diferente.
As Práticas informacionais representam a busca por informação pautada na relação
informacional influenciada pelas interações sociais, de modo que compreendem os usuários
e a informação em espaços diferentes, independentes, porém recíprocos. (BERTI &amp;
ARAÚJO, 2017, p.395)

Para que o AEM, qualquer centro de memória, ou museu permaneça relevante, precisa se
tornar um espaço vibrante para colaboração e atividades inovadoras, além de um espaço silencioso,
reflexivo para realização de estudo e pesquisas aos fundos memorialísticos.

�A Biblioteca do AEM é catalogada de acordo com o código de Catalogação AngloAmericano, 2ª edição (AACR2) e classificada pelo Sistema de Classificação Decimal de Dewey –
CDD.
A ordem de itens por tamanho, que atribui ao arranjo da coleção uma organização
simétrica, independentemente do conteúdo de cada item do acervo é o mais antigo sistema
de organização de bibliotecas que remonta às bibliotecas claustrais, denominado Sistema de
Localização Fixa, posto que implica a atribuição de notação que fixa o item em local
determinado. Este sistema, encarado como estético, posto que gerava uma biblioteca
visualmente organizada. (PINHEIRO, 2007, p. 28).

Os livros são cadastrados no Pergamum – Sistema Integrado de Bibliotecas, desenvolvido
pela PUC Paraná. Esse sistema contempla as principais funções de uma biblioteca, trabalhando de
forma integrada, com o objetivo de facilitar a gestão dos centros de informação, especialmente as
bibliotecas universitárias. E pode trabalhar de forma remota, através do que ficou popular em
tempos de pandemia, o famoso Home Office. A Rede Pergamum conta com aproximadamente 8000
bibliotecas em todo o Brasil, o que dá visibilidade ao acervo e ao trabalho do AEM. O
processamento da biblioteca, está sendo feito de modo remoto.
A parte arquivística está passando por um novo arranjo, pelo tipo de formato do documento,
para que melhore a questão da ocupação do espaço, visando otimizar já que o espaço físico do setor
é cada dia menor, pois não para de acrescentar novas coleções ao setor. Quando essa fase for
concluída criará um banco de dados com os metadados dos documentos e pôr fim a digitalização
dos mesmos para serem colocados e disponibilizados numa intranet. Promover a inclusão digital
gerará uma expansão ao acesso das informações do AEM.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pensar no futuro é difícil neste momento. A ajuda das tecnologias pode se tornar uma grande
aliada das instituições de educação, de pesquisa e de cultura ajudando-as a maximizar as
experiências de aprendizagem e acesso. Também podem estimular a colaboração interdisciplinar e a
livre troca de pesquisa e conhecimento. Essas funções oferecem um futuro inspirador para o AEM.
No entanto, hoje em dia o esforço do espaço tem sido para manter as tarefas diárias tradicionais,
com orçamentos bem limitados e cada vez menores.

�O AEM tem por objetivo resgatar a memória literária através de um ambiente onde a estética dos
espaços museográficos e a exaltação das personalidades ali expostas estejam aliadas às tecnologias de
conservação, preservação e difusão deste conhecimento para despertar o encantamento pelos artistas, pela
literatura, pela história e pelo próprio espaço e agora pelo mundo virtual. As novas formas de acesso o

AEM terá que se adaptar ao novo normal que a humanidade está passando. O setor está se
posicionando em relação aos desafios e descobertas desse novo mundo que surgirá pós-pandemia. É
necessário criar uma maneira de atuar e promover discussão sobre questões importantes: como o
papel do espaço de cultura, o equilíbrio do mundo digital e o físico diante das coleções e serviços
dos espaços culturais.
A implementação dos processos digitais otimiza a análise, a visualização e a própria
preservação da coleção. A adoção das redes sociais ajuda a melhorar a eficiência operacional,
reduzir custos operacionais com automação de processos. O gerenciamento dessas bases de dados
dos acervos pode ser compartilhado em consórcios de compartilhamento de dados é o futuro
promissor para as instituições. Tornando acessível a essência do AEM e desenvolve novas
perspectivas, novos serviços, novos produtos atraindo um público novo, isso tudo para melhor
atender os usuários no pós-pandemia. Esses serviços fornecem recursos relevantes para apoiar
atividades criativas para maximizar as experiências de aprendizado dos usuários. A consolidação de
plataformas digitais de conteúdo/streamings estabelece ganho como “ao vivo” em lives em tempo
real e o alinhamento de propósitos do momento criativo para o planejamento de cenários curto,
médio e longo prazo.
Olhar para a missão do espaço, a fim de sentir onde ela é essencial – direito à garantia da
informação. A construção coletiva de conhecimento para comunidade, visando minimizar sequelas
do isolamento social. A compreensão do papel da biblioteca, arquivo e museu contemporâneos e a
chancela da confiabilidade da informação do AEM é um trunfo para transpor o mundo digital
repleto de desinformação. Uma maneira de pensar sobre possível futuro é recriar um novo conjunto
de paradigmas ou visões do setor e de seus papéis diante do novo mundo. E manter a sua essência
na continuidade do papel útil no futuro da educação, entretenimento e utilidade pública.

�Escrever a história de algo, ou alguém é contar, ou recontar fatos, interpretar acontecimentos
sobre duas grandes dimensões tempo e espaço. O museu, o arquivo e a biblioteca tentam criar ou
recriar discursos para o futuro da coletividade, que orienta as gerações futuras, ou seja, a memória
que tenta vencer o esquecimento. As redes sociais do AEM vão recriar essa percepção, ou
reinventá-lo para este novo normal. Nesta nova realidade, imposta pela COVID-19 o mundo digital
estará cada vez mais presente nas nossas vidas para continuar a missão de contar histórias, entreter,
educar e admirar a arte e a história.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14724: informação e
documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
BENJAMIN, Walter; TORRES FILHO, Rubens Rodrigues. Rua de mão única: infância berlinense:
1900. São Paulo: Brasiliense, 1987. 278p.
BERTI, Ilemar Christina Lansoni Wey; ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. Estudos de Usuários e
Práticas Informacionais: do que estamos falando? Informação &amp; Informação, [S.l.], v. 22, n. 2, p.
389-401, out. 2017. ISSN 1981-8920. Disponível em:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/31462/22020. Acesso em: 01 jun.
2021. doi: http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2017v22n2p389.
BRASIL. Ministério da Saúde. O que você precisa saber. Disponível em:
https://coronavirus.saude.gov.br/. Acesso em: 05 ago. 2021.
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A pesquisa analisa o museu universitário Acervo de Escritores Mineiros da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais quanto sua resposta para superar os desafios impostos pela Pandemia da Covid-19. Um breve relato sobre as mudanças impostas pela pandemia e seus efeitos na sociedade. A importância do patrimônio cultural e histórico de um povo e de como esse interesse permanente para a constituição de sua identidade. A pesquisa foi um levantamento do histórico do museu literário que apresenta uma história rica e a sua relevância para a comunidade acadêmica. Os estudos de estudos de Benjamim (1987), Milanesi (2002), Julião (2015), Marques (2015), Berti e Araújo (2017), Pinheiro (2007) e Smith (1999-2000). É importante o conhecimento da realidade dos museus, das bibliotecas e dos arquivos das universidades, que possibilite uma visão atualizada e amparada pelas novas tecnologias por meio de uma nova maneira de interagir com usuários, sejam pesquisadores e visitantes para estabelecer contato com o passado e com a memória nacional.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações

CAMPANHA DE DIVULGAÇÃO, VINCULAÇÃO E UNIFICAÇÃO DOS IDENTIFICADORES
DIGITAIS DE DOCENTES DA EESC-USP: RESULTADOS DURANTE A PANDEMIA
CAMPAIGN FOR THE DISSEMINATION, LINKAGE, AND UNIFICATION OF EESC-USP
FACULTY’S DIGITAL IDENTIFIERS: OUTCOMES DURING THE PANDEMIC
Elenise Maria de Araujo1
Flávia Helena Cassin2
João Francisco Labela3
Antônio Nélson Rodrigues da Silva 4
Edson Cezar Wendland5

Resumo:
De acordo com a recomendações da USP é necessário que os pesquisadores realizem a criação e vinculação dos
Identificadores Digitais - IDs (Scopus ID, ResearcherID, ORCiD) para solucionar as inconsistências das variações de
nomes, visando substituí-las por um código numérico para representação nos repositórios da produção científica
seguindo as tendências internacionais de identificação autoral e institucional no âmbito da comunicação acadêmica. Em
2019, a Biblioteca da EESC em parceria com a Diretoria e a Comissão de Pesquisa iniciou a campanha de vinculação e
divulgação dos IDs dos docentes da Unidade, verificando a situação de cada um seguindo os procedimentos
metodológicos em 4 fases. O resultado obtido na fase 1 foi o mapeamento dos IDs Scopus para o total de 203
pesquisadores (171 ativos e 32 seniores com atividades de pesquisa na EESC); encaminhamento de notificações
personalizadas sobre a necessidade de fusão de perfis, confirmação de autoria e consolidados dos IDs na ferramenta
SciVal. Na fase 2, foram definidas as ações de vinculação e unificação dos IDs, estratégias e tutoriais. As fases 3 e 4
consistem na verificação de vinculação dos IDs consolidados anteriormente junto ao ORCiD. Atualmente, 52,7%
docentes da EESC apresentam ID regularizado que podem ser analisados no InCites e a tendência é que o conjunto de
IDs dos pesquisadores EESC esteja consolidado nas bases Scopus, Wos e Publons vinculados ao ORCiD, possibilitando
assim, a elaboração de análises bibliométricas em ferramentas de indicadores de produção científica como SciVal e
InCites.

Palavras-chave: Identificadores digital de autor. Perfis de pesquisador. Bibliometria. Cienciometria.
Abstract:
USP guidelines require that researchers create and link Digital Identifiers - IDs (Scopus ID, ResearcherID, ORCiD) in
order to solve inconsistencies as regards name variations, aiming to replace them with numerical codes for
representation in scientific production repositories in line with international developments in authorial and institutional
identification within the scope of academic communication. In 2019, the EESC library, in partnership with the Board of
Directors and the Research Committee, started a campaign to link and disseminate its faculty’s IDs, checking the status
of each one of them following methodological procedures in four phases. Phase 1 consisted of mapping Scopus IDs for
203 researchers (171 active researchers and 32 senior researchers at the EESC), forwarding personalized notifications
about the need for merging profiles, confirming authorship, and consolidating IDs in SciVal. In Phase 2, actions for

1

Chefe Técnica. Biblioteca da Escola de Engenharia São Carlos-USP. elenisea@sc.usp.br
Chefe da Seção de Apoio à Pesquisa e Comunicação Acadêmica da Biblioteca da Escola de Engenharia São CarlosUSP. cassinp@sc.usp.br
3
Técnico de Documentação e Informação da Seção de Apoio à Pesquisa e Comunicação Acadêmica da Biblioteca da
Escola de Engenharia São Carlos-USP. jflabela@sc.usp.br
4
Professor Titular e Presidente da Comissão de Pesquisa da Escola de Engenharia São Carlos-USP. anelson@sc.usp.br
5
Diretor e Professor Titular da Escola de Engenharia São Carlos-USP. ew@sc.usp.br
2

�linking and unifying IDs, strategies, and tutorials were defined. Phases 3 and 4 consist of verifying the linkage of Ids
previously consolidated in ORCiD. Currently, 52.7% of EESC faculty have complying IDs that can be analyzed in
InCites. In addition, EESC researchers’ IDs are increasingly being consolidated in Scopus, Wos, and Publons linked to
ORCiD, thus enabling bibliometric analysis in scientific indicator tools such as SciVal and InCites.

Keywords: Digital author identifiers. Researcher profiles. Bibliometrics. Scientometrics.

1 INTRODUÇÃO
Os rankings universitários têm provocado um amplo debate na contribuição do ensino
superior para a competitividade global de uma nação, com isso, governos têm implementado
mudanças significativas nos sistemas de ensino superior. Diante dessa realidade, cabe a
universidade traçar estratégias com vistas a alcançar as universidades de classe mundial, planejando
ações como: convergência entre os sistemas nacionais, criando um sistema de ensino superior capaz
de competir internacionalmente; estabelecer alianças organizacionais; efetuar comparações
nacionais e internacionais, identificando indicadores que possam melhorar o desempenho;
disponibilizar dados transparentes;

desenvolver programas acadêmicos competitivos; cultivar

novos talentos e recrutar líderes acadêmicos de classe mundial; aumentar a interação universidadeempresa promovendo inovação e transferência de conhecimentos; construir plataformas nacionais
de inovação em tecnologia científica, ciências humanas e sociais (MARCOVITCH, 2019).
O ranking THE - Times Higher Education (2020) indica que a USP – Universidade de São
Paulo, está posicionada como a melhor universidade nacional e está classificada em 2º lugar na
América Latina. A universidade vem se modernizando baseada em modelos internacionais de
sucesso, com a função de gerenciar indicadores de desempenho como instrumento para tomada de
decisão institucional, responder às demandas dos rankings e prestar contas à sociedade, apoiada por
uma estrutura tecnológica convergente e transparente (MÉTRICAS, 2020).
Para consolidar posições nacionais e regionais, as unidades USP precisam compreender as
necessidades e expectativas da Universidade, acompanhar indicadores; investir e repensar as
estratégias de disseminação de informações; envolver docentes e pesquisadores; propor
instrumentos para medir a qualidade do ensino e a importância das atividades de ensino, pesquisa e
extensão.

�Segundo a AGUIA - Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (2021)
(...) as universidades gerenciam informações de pesquisa em muitos sistemas diferentes.
Isso dificulta o acompanhamento das atividades e resultados de seus pesquisadores em
suas próprias instituições (...) Os ORCID iDs podem distinguir e identificar
inequivocamente seus pesquisadores e, por meio de APIs e integrações, podem melhorar
significativamente o fluxo de informações de pesquisa dentro e entre organizações em
todas as etapas do ciclo de vida da pesquisa, desde o pedido de concessão de
financiamento e publicação até os relatórios de gerenciamento de informações de
pesquisa.

Além disso, as agências de fomento, editoras e instituições internacionais vêm exigindo dos
pesquisadores a padronização dos Identificadores e registro em diretórios para padronização de seus
nomes para agilizar o processo de busca e a identificação das relações entre os nomes padrão e o
alternativo para a mesma pessoa.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A Universidade de São Paulo vem trabalhando em campanhas de sensibilização dos
pesquisadores para vinculação institucional e padronização de IDs ou código digital único que
permite identificá-lo em plataformas com conteúdos digitais de pesquisa acadêmica, como: Scopus
ID, ResearcherID e ORCiD. Em 15 de setembro de 2016, a USP passou a ser oficialmente membro
institucional da ORCiD e isso permite à USP autenticar, validar e atualizar automaticamente
informações e dados corporativos públicos de sua comunidade, tais como vínculo empregatício,
diplomas e graus de formação, prêmios, bolsas e mesmo publicações de sua comunidade
(estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos). (AGUIA,2021a).
Em estudo comparativo entre o ScopusID, ResearcherID, ORCiD e ISNI (International
Standard Name Identifier), Mering (2017) afirma que a adoção de um código digital único é
fundamental para a correta identificação dos autores e de suas publicações, garantindo o sucesso do
trabalho dos próprios pesquisadores, bibliotecários, gestores, editores, financiadores e demais
pessoas envolvidas no processo da comunicação acadêmica. Segundo Mering (2017), as principais
editoras, Elsevier e Clarivate Analytics estão comprometidas em trabalhar cooperativamente, pois a
partir da vinculação entre os IDs, os dados podem ser facilmente trocados permitindo maior
controle de autorias, publicações e indicadores de produtividade.

�Segundo Angelon e Colepicolo (2016) “os problemas da falta de padronização de nomes
ocorrem por várias razões, que levam a ambiguidades e conflitos, dificultando a localização de
pessoas”. Dentre essas ambiguidades de nomes pode-se citar: abreviatura do primeiro nome,
escolha do sobrenome principal, ortônimo e heterônimo, nome de solteira ou casada, homônimo,
pseudônimo.
O estudo realizado por Selivanova, Kosyakov e Guskov (2019) apontam que a duplicidade
de perfis na base de dados Scopus para uma amostra aleatória de perfis de 400 autores russos e 400
instituições, ocasionam alto nível de incerteza e erros em descrições bibliográficas. As análises
realizadas apontam que 76% das instituições e 24% dos autores possuem perfis duplicados na
Scopus e isso, conforme os autores, impactam na performance das instituições e dos autores.
Segundo Selivanova, Kosyakov e Guskov (2019) as instituições russas deixam de contabilizar em
média 17% das publicações e seus autores perdem 11% de suas publicações no conjunto de dados
que não foram vinculadas corretamente e/ou que deixaram de ter o perfil unificado de autoria.
Angelon e Colepicolo (2016) afirmam que a padronização de nome também é importante
para os autores pois possibilita o monitoramento consistente das citações de suas publicações, e o
agrupamento de toda sua produção em diretórios internacionais de grande visibilidade.
A produção científica dos docentes e pesquisadores da EESC - Escola de Engenharia de São
Carlos atingiu em 2020 o total de 31.158 publicações em revistas, congressos nacionais e
internacionais e isso promove a Unidade em rankings e processos de avaliação das agências de
fomento garantindo assim, ao longo de décadas, a excelência da formação de novos profissionais e
da pesquisa e inovação na Universidade. (ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA USP, 2020).
Aliada ao processo de conscientização da USP, a Biblioteca da EESC elaborou um plano de
ação para iniciar uma campanha local de divulgação e uso dos Identificadores de Pesquisador,
visando informar e apoiar individualmente os pesquisadores no processo de verificação de
inconsistências para consolidação de um perfil único e padronizado nas plataformas de conteúdo
digitais e bases de dados referenciais.
A Biblioteca contou com o apoio da Diretoria e da Comissão de Pesquisa da EESC que
motivaram os docentes e pesquisadores da Unidade a utilizar o serviço de orientação, controle da
normalização e vinculação dos identificadores oferecidos pela SCAPCA - Seção de Apoio à
Pesquisa e Comunicação Acadêmica. A Seção vinculada a Biblioteca foi criada recentemente e a
equipe vem se qualificando para atender as demandas institucionais como a elaboração e análise de

�indicadores da produção científica e técnica da EESC utilizando as ferramentas bibliométricas
disponíveis nas bases de dados, além de capacitar e assessorar a comunidade EESC nas atividades
de publicação científica, garantindo maior visibilidade do conhecimento produzido, divulgando e
mantendo atualizados os sistema de avaliação utilizados no âmbito nacional e internacional. Além
disso, a Seção apoia as Comissões organizadoras nos eventos científicos da graduação e pósgraduação, oferecendo serviços como elaboração de editais para eventos, orientação para
normalização de trabalhos em anais eletrônicos.
Durante os anos de 2019-2021 foi possível utilizar os indicadores de visibilidade científica
como o h-index, h5-index, fwci e g-index de todos os docentes com IDs consolidados na Unidade e
esse relatório subsidiou as discussões de avaliação de desempenho relativo e os parâmetros de
análise de impacto dos pesquisadores.
O objetivo deste trabalho é descrever as fases da campanha e a metodologia adotada pela
equipe da SCAPCA para oferecer análises bibliométrica conforme demanda do Dirigente da
Unidade, Comissões, Departamentos e Programas de Pós-graduação para tomada de decisão,
orientar os docentes de forma personalizada para regularização dos IDs nas bases de dados,
ferramenta ORCiD e DataUSP (2021) e criação de alertas para captação da produção científica e
posterior cadastro no Repositório e Banco de Dados Bibliográfico da USP - Dedalus.

3 METODOLOGIA

A Universidade de São Paulo, através da AGUIA (2021b), tem em seu portfólio as
assinaturas das ferramentas analíticas de produção científica como: o SciVal da Elsevier e o InCites
da Clarivate Analytics, além de ser membro oficial do ORCiD. Para uso dessas ferramentas e bases
de dados como Scopus, Web of Science e Publons, a equipe se qualificou com treinamentos,
intensificou a parceria com os representantes no Brasil e criou vários vínculos com o suporte
técnico internacional. A partir do processo de qualificação, a equipe da SCAPCA iniciou o
planejamento das ações para o lançamento da campanha.
A metodologia utilizada para realizar a campanha sobre os identificadores de docentes
EESC, compreende 4 Fases, sendo que a Fase 1, foi iniciada em 2019 com o levantamento dos
identificadores de docentes na Scopus - Elsevier. A partir da Fase 2, que ocorreu no período de

�maio de 2020 a maio de 2021, foi realizada a revisão dos Scopus ID dos docentes e o levantamento
da vinculação e sincronização nas Bases de Dados (Scopus - Elsevier; Web of Science e Publons Clarivate Analytics e na ferramenta ORCiD, incluindo a vinculação institucional ORCiD x USP,
solicitada pela Universidade) e a conferência desses indicadores no Perfil docente do DataUSP.
As atividades das fases 3 e 4, em execução, foram intensificadas durante o período da
pandemia. Abaixo, descrevem-se as atividades realizadas em cada fase:
Fase 1


Levantamento dos identificadores de docentes na Scopus;



Campanha de ação junto aos docentes para unificação de perfis na base de dados;



Mapeamento dos docentes por departamento para criação de Alertas na Scopus com
objetivo de aumentar o registro da produção científica no Banco de Dados
Bibliográficos da USP - Dedalus;



Treinamento e estudo da base Scopus e as funcionalidades da ferramenta de análise de
indicadores de produção científica SciVal - Elsevier;



Inserção e consolidação dos identificadores dos docentes na ferramenta SciVal,
possibilitando análises individuais, por departamento e Unidade;



Revisão e correção periódica dos IDs nos alertas da Scopus e na ferramenta Scival.

Fase 2


Apresentação da nova campanha de ação à Diretoria e Comissão de Pesquisa da
EESC;



Definição do grupo de docentes e pesquisadores ativos e seniores com atividade de
pesquisa na Escola;



Definição das ações para análise e tratamento dos identificadores dos docentes EESC;



Estudo dos identificadores nas bases de dados e ferramenta ORCiD;



Criação de estratégias de busca dos perfis nas bases de dados (buscas por nome e
sobrenome de autor na sua forma extensa e abreviada, para recuperação de vários
perfis do mesmo autor);



Elaboração de tutoriais 6 para os docentes. Foram preparados 10 tutoriais com as
seguintes instruções:

6

Disponível em: https://www.eesc.usp.br/biblioteca/post.php?guid=26&amp;catid=fontes

�■ Associação do ORCiD Institucional e DataUSP;
■ Primeira vinculação das publicações da Scopus ao ORCiD;
■ Vincular publicações do ORCiD à Scopus;
■ Reivindicar publicações da Web of Science e enviar ao Publons;
■ Sincronizar publicações do Publons ao ORCiD;
■ Criação do ORCiD;
■ Criação ou ativação do Publons;
■ Suporte Web of Science;
■ Unificar perfis de autores na Scopus;
■ Importar publicações da Web of Science para o Publons.
Fase 3


Solicitação da lista de docentes EESC à Assistência Acadêmica da Escola;



Análise dos perfis dos 203 docentes da EESC nas bases de dados, ferramenta ORCiD
e DataUSP;



Definição das etapas:
■ Vinculação das publicações da Scopus ao ORCiD,
■ Reivindicação das publicações da Web of Science para enviar ao Publons,
■ Sincronização das publicações do Publons ao ORCiD,
■ Criação do ORCiD ou realização do vínculo institucional,
■ Criação ou ativação do Publons,
■ Conferência do perfil do autor no DataUSP.



Envio de mensagens personalizadas, com os tutoriais das ações necessárias para cada
docente;



Controle da devolutiva das mensagens por parte dos docentes;



Agendamento de reuniões de atendimento virtual através do Google Meet com os
docentes;



Solicitação à equipe de suporte técnico das bases com as ações de regularização de
perfis de autor;



Acompanhamento das vinculações e unificações realizadas pelos docentes nas bases
de dados, ferramenta ORCiD e DataUSP;

�

Acompanhamento da vinculação institucional entre a USP e ORCiD, a partir da lista
mensal enviada pela AGUIA;



Revisão dos perfis dos 203 docentes nas bases de dados, ferramenta ORCiD e
DataUSP para elaboração de relatório parcial para Diretoria e Comissão de Pesquisa
da EESC.

Fase 4


Controle da devolutiva das mensagens por parte dos docentes;



Agendamento de reuniões de atendimento virtual através do Google Meet com os
docentes;



Solicitação à equipe de suporte técnico das bases com as ações de regularização de
perfis de autor;



Acompanhamento das vinculações e unificações realizadas pelos docentes nas bases
de dados, plataforma Publons, ferramenta ORCiD e DataUSP;



Acompanhamento da vinculação institucional entre a USP e ORCiD, a partir da lista
mensal enviada pela AGUIA;



Consolidação dos identificadores de autor para estratégias de buscas na base de dados
internacional Web of Science;



Mapeamento dos docentes por departamento para criação de Alertas na Web of
Science com objetivo de aumentar o registro da produção científica no Banco de
Dados Bibliográficos da USP - Dedalus;



Treinamento e estudo da base Web of Science, plataforma Publons e das
funcionalidades da ferramenta de análise de indicadores de produção científica InCites
- Clarivate Analytics;



Inserção e consolidação dos identificadores dos docentes na ferramenta InCities,
possibilitando análises individuais, por departamento e Unidade.

�4 RESULTADOS

Abaixo apresentam-se os resultados obtidos durante a campanha de adesão dos 203 docentes
da EESC para unificação e sincronização dos identificadores digitais nas bases de dados e a
ferramenta ORCiD, realizada no período de maio de 2020 a maio de 2021.
O Gráfico 1, exibe o resultado das ações realizadas com os 203 docentes da EESC, sendo
que 52,7% (107 docentes) realizaram todos os processos de vinculação e 5,9% (12 docentes) estão
aguardando a finalização dos processos nas bases de dados. Dos 84 docentes que faltam, 36% (73
docentes) não deram retorno e 5,4% (11 docentes) retornaram as mensagens da equipe, porém não
realizaram o processo.
Gráfico 1 - Resultado das ações realizadas com os docentes

Fonte: Elaborado pelos Autores (2021).

�O Gráfico 2, exibe o resultado das ações realizadas com os docentes EESC por
departamento, indicando os status como: realizado; aguardando; retornou, mas não realizou e não
retornou.
Gráfico 2 - Resultado das ações realizadas com os docentes por departamento

Fonte: Elaborado pelos Autores (2021).

O Gráfico 3, demonstra a quantidade de publicações não vinculadas ao ORCiD e ao ORCiD
USP por departamento.
Gráfico 3 - Quantidade de publicações não vinculadas por departamento

Fonte: Elaborado pelos Autores (2021).

�Retomando os objetivos principais da campanha, além de regularizar os perfis de docentes
nas bases de dados e ferramenta ORCiD, foi criar alertas nas bases de dados, consolidar do conjunto
de dados de docentes em ferramentas de análises bibliométricas e gerar relatórios.
A Seção utiliza uma conta institucional para criação de alertas na base de dados Scopus e na
ferramenta SciVal de acesso garantido pela USP. Ao todo, foram criados 18 alertas na base de
dados Scopus para todos os docentes dos 9 departamentos da EESC, separados em ativos e seniores.
Casos em que o docente não realizou a unificação dos perfis na base, a equipe inseriu nos alertas
todos IDs pertencentes ao docente.

5 DISCUSSÕES

5.1 Campanha
Dos 203 perfis de autores de docentes da EESC, conseguimos concluir o processo de
vinculação e sincronização de 52,7% de perfis. Considera-se que a campanha não obteve maior
adesão devido à sobrecarga dos docentes no trabalho didático pedagógico durante o ensino remoto
imposto pela pandemia e isolamento social, além das pesquisas, projetos e orientações em
andamento.
Com relação aos resultados do Gráfico 2, identifica-se que dos três departamentos da EESC
com maior número de docentes, os departamentos de Engenharia Elétrica e Hidráulica e
Saneamento tiveram adesão menor que 50% na campanha. A partir desta constatação, a equipe deve
rever as estratégias de comunicação com o Dirigente e a Comissão de Pesquisa da EESC para
reforçar a participação junto aos Chefes de Departamento.
Os resultados apresentados no Gráfico 3, demonstram que a EESC está com um déficit de
2.460 publicações não vinculadas ao ORCiD e 3.456 ao ORCiD USP. Em alguns casos, esses
números podem ser menores, se considerarmos que no momento da vinculação, o docente não tenha
deixado o status liberado para exibição pública.
Como demonstrado, a falta dos processos de vinculação nas Bases de Dados e na ferramenta
ORCiD, bem como, a vinculação institucional entre o ORCiD e a USP, interfere diretamente na
quantidade de publicações, citações e nas análises bibliométricas do Docente, Departamento,

�Unidade, Universidade e em alguns indicadores utilizados nas classificações dos rankings nacionais
e internacionais.
O processo de notificação ocorreu por e-mail com orientação personalizada, envio dos
tutoriais de acordo com a necessidade de cada perfil analisado e a sugestão de atendimento via
Google Meet para sanar dúvidas e/ou acompanhar os processos de unificação e vinculação. Em
média foram enviadas 5 mensagens por docente, sendo que até maio de 2021, do total de 107 perfis
regularizados, 70 docentes realizaram a orientação virtual (com aproximadamente 1h30 minutos por
atendimento), 24 realizaram a ação a partir das instruções por e-mail, 12 docentes aguardando o
processamento na base, 13 realizaram a ação de forma independente sem encaminhar retorno à
equipe e 11 docentes retornaram as mensagens, mas até o momento não realizaram o processo.
Em junho de 2021, os 73 docentes que não retornaram e os 11 que retornaram as mensagens,
mas não realizaram o processo, receberam nova mensagem da Diretoria e Comissão de Pesquisa da
EESC para aderir à campanha.
Durante as orientações individuais para unificação de perfis, com autorização dos docentes,
a equipe da Biblioteca solicitou 62 regularizações ao suporte técnico das bases Web of Science e 28
na Scopus.

5.2 Alertas
Deve-se salientar que os alertas são revistos periodicamente com o objetivo de identificar
novos perfis na base e informar os autores. Esse problema ocorre sempre que não são observados no
momento da submissão da publicação a forma correta de indicação da autoria e/ou afiliação.

5.3 SciVal
Na ferramenta SciVal foram criados para análises: 1 perfil do conjunto de autores da EESC,
9 perfis por conjunto de autor por departamento (considerando os ativos, seniores e aposentados em
atividades na Unidade) e 219 perfis de docentes, dos quais 16 perfis são de docentes com mais de
um ID. Esses perfis foram inseridos na plataforma para não prejudicar a análise por unidade,
departamento e individual, para regularizar a unificação, os docentes são notificados
periodicamente pela equipe, visto que a realização dessa ação é necessária na Scopus para posterior
inserção no SciVal e atualização dos indicadores.

�6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os relatórios encaminhados à Diretoria e a Comissão de Pesquisa da EESC descrevendo a
situação dos docentes com relação às ações propostas durante a Campanha subsidiaram o
planejamento estratégico da Unidade e ampliaram a parceria da Biblioteca junto aos docentes e
pesquisadores, visto o nível de confiança e colaboração alcançado durante as atividades.
O apoio do dirigente da Unidade, docentes, coordenador da Comissão de Pesquisa e dos
departamentos foi fundamental para o êxito desta campanha, que apoia as estratégias de
planejamento institucional, que apresenta dados de relevância analítica e cientificamente
comprovados e validados por instituições nacionais e internacionais.
Durante as reuniões de orientação virtual ou por e-mail para os docentes, a equipe SCAPCA
recebeu vários retornos positivos que demonstram a satisfação com suporte e o auxílio recebido. A
campanha aproximou ainda mais o grupo de docentes e a equipe da Biblioteca.
Os procedimentos metodológicos adotados durante a campanha tornaram-se um processo padrão e
contínuo no trabalho da equipe da Biblioteca. Ressalta-se, no entanto, que algumas ações devem ser
periodicamente retomadas para evitar inconsistência nas análises bibliométricas, tais como:


Verificar os perfis dos pesquisadores nas bases de dados para identificar novas
variações de nomes, ambiguidades e possíveis desligamento por morte ou
aposentadoria dos docentes;



Revisar os alertas das bases de dados para corrigir perfis que foram unificados;



Revisar os conjuntos de dados nas ferramentas de análise bibliométrica para corrigir
perfis que foram unificados;



Revisar os tutoriais diante das atualizações das interfaces das bases de dados;



Intensificar a campanha entre os docentes visando o aumento do cadastro das
produções técnicas-científicas publicadas em revistas e congressos nacionais e
internacionais no Repositório da Produção Científica da USP 7 e no Banco de Dados
Bibliográficos da USP - Dedalus.

7

Disponível em: https://repositorio.usp.br/

�Pretende-se na próxima fase da campanha realizar a criação de alertas na Web of Science
com os IDs regularizados e a inserção desses IDs para análise na ferramenta InCites. Com os
atendimentos realizados, notou-se a necessidade de apoio aos docentes para criar ou vincular perfis
e publicações no Google Scholar. Além disso, a equipe pretende estudar a criação de alertas por
grupos de docentes da EESC em outras bases de dados da área de engenharia.
A médio prazo, a equipe pretende realizar a disseminação periódica dos trabalhos científicos
publicados e indexados pelos alertas eletrônicos da Scopus, divulgando esses resultados em uma
linguagem informal para que a sociedade tenha acesso ao conhecimento científico e tecnológico
produzido da EESC.
A Biblioteca de posse desse conjunto de dados consolidados terá condições de oferecer
serviços e relatórios sobre a visibilidade científica para apoiar análises, planejamento e a tomada de
decisão dos Dirigentes e os docentes da Unidade.

REFERÊNCIAS
AGUIA- Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica. Por que o registro ORCiD é
importante para a USP e para o mundo? 2021a. Disponível em:
https://www.aguia.usp.br/noticias/registro-orcid-2021/. Acesso em: 3 ago. 2021.
AGUIA- Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica. Indicadores de pesquisa. 2021b.
Disponível em: https://www.aguia.usp.br/apoio-pesquisador/indicadores-pesquisa/ Acesso em: 3
ago. 2021.
ANGELON, Elisabete; COLEPICOLO, Eliane. Importância da padronização dos nomes de autores
nos periódicos para maior visibilidade. Periódicos UFSCar: Notícias. 2016. Disponível em:
http://www.periodicos.ufscar.br/noticias/importancia-da-padronizacao-dos-nomes-de-autores-nosperiodicos-para-maior-visibilidade. Acesso em: 3 ago. 2021.
DATAUSP. Conjunto de serviços analíticos para apoio à tomada de decisões da Universidade de
São Paulo. São Paulo: USP, 2021. Disponível em: https://uspdigital.usp.br/datausp/. Acesso em: 3
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MARCOVITCH, J. (org.). Repensar a Universidade II: impactos para a sociedade. São Paulo:
Com-Arte; FAPESP, 2019. 328 p.

�MERING, M. (Contributor) (2017) Correctly linking researchers to their journal articles: an
overview of unique author identifiers, Serials Review, v.43, n.3-4, p. 265-267, DOI:
10.1080/00987913.2017.1386056. Disponível em:
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/00987913.2017.1386056 . Acesso em: 03 ago. 2021.
METRICAS.EDU: desempenho acadêmico e comparações internacionais. São Paulo: FAPESP,
2020. Disponível em: https://metricas.usp.br/times-higher-education-latin-america-ranking-2020/.
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SELIVANOVA, I.V.; KOSYAKOV, D.V.; GUSKOV, A.E. The Impact of Errors in the Scopus
Database on the Research Assessment. Scientific and Technical Information Processing. v.46,
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA USP. 2020. Disponível em:
https://uspdigital.usp.br/anuario/br/acervo/AnuarioUSP_2020.pdf. Acesso em: 18 maio 2021.

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                  <text>&#13;
Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>De acordo com a recomendações da USP é necessário que os pesquisadores realizem a criação e vinculação dos Identificadores Digitais - IDs (Scopus ID, ResearcherID, ORCiD) para solucionar as inconsistências das variações de nomes, visando substituí-las por um código numérico para representação nos repositórios da produção científica seguindo as tendências internacionais de identificação autoral e institucional no âmbito da comunicação acadêmica. Em 2019, a Biblioteca da EESC em parceria com a Diretoria e a Comissão de Pesquisa iniciou a campanha de vinculação e divulgação dos IDs dos docentes da Unidade, verificando a situação de cada um seguindo os procedimentos metodológicos em 4 fases. O resultado obtido na fase 1 foi o mapeamento dos IDs Scopus para o total de 203 pesquisadores (171 ativos e 32 seniores com atividades de pesquisa na EESC), encaminhamento de notificações personalizadas sobre a necessidade de fusão de perfis, confirmação de autoria e consolidados dos IDs na ferramenta SciVal. Na fase 2, foram definidas as ações de vinculação e unificação dos IDs, estratégias e tutoriais. As fases 3 e 4 consistem na verificação de vinculação dos IDs consolidados anteriormente junto ao ORCiD. Atualmente, 52,7% docentes da EESC apresentam ID regularizado que podem ser analisados no InCites e a tendência é que o conjunto de IDs dos pesquisadores EESC esteja consolidado nas bases Scopus, Wos e Publons vinculados ao ORCiD, possibilitando assim, a elaboração de análises bibliométricas em ferramentas de indicadores de produção científica como SciVal e InCites.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
DIAGNÓSTICO DAS BIBLIOTECAS DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DA REGIÃO
SUDESTE: ANÁLISE RECURSOS TECNOLÓGICOS E ORÇAMENTÁRIOS.
DIAGNOSIS OF LIBRARIES OF FEDERAL UNIVERSITIES IN THE SOUTHEAST REGION:
ANALYSIS OF TECHNOLOGICAL AND BUDGETARY RESOURCES.
Autor 11Antônio Afonso Pereira Júnior

Resumo: A pesquisa analisa as bibliotecas universitárias das universidades federais brasileiras da região sudeste quanto
aos recursos orçamentários e tecnológicos para desenvolver serviços e produtos para comunidade acadêmica. O
universo do estudo reúne 19 bibliotecas universitárias federais da região sudeste do país, no recorte temporal de 2017 a
2019. A pesquisa foi um levantamento de marco teórico que apresenta a história da universidade no Brasil e da
biblioteca universitária. E a segunda à coleta dos dados, na forma de um questionário enviado as unidades de
informação. Para a análise dos dados coletados, foram selecionadas algumas categorias a partir do questionário. O
questionário foi elaborado a partir de estudos de Ferreira (1980), Carvalho (1981) e Lubisco (2011), nas questões que
provavelmente teriam maiores impactos nas bibliotecas universitárias. A coleta dos dados teve um retorno de 68,7%. A
investigação buscou interpretar as informações, tendo como base o referencial teórico que norteou o desenvolvimento
da pesquisa, com os gestores das bibliotecas. É importante um conhecimento mais específico da realidade das
bibliotecas universitárias das Universidades Federais, que possibilite uma visão atualizada dessas bibliotecas por meio
de um diagnóstico que permita estabelecer as áreas que devem ser desenvolvidas.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Universidades Federais. Orçamento público

Abstract:. The research analyzes the university libraries of Brazilian federal universities in the Southeast region
regarding budgetary and technological resources to develop services and products for the academic community. The
universe of the study brings together 19 federal university libraries in the southeast region of the country, in the time
frame from 2017 to 2019. The research was a theoretical landmark survey that presents the history of the university in
Brazil and the university library. And the second to data collection, in the form of a questionnaire sent to the
information units. For the analysis of the collected data, some categories were selected from the questionnaire. The
questionnaire was developed based on studies by Ferreira (1980), Carvalho (1981) and Lubisco (2011), on issues that
would likely have greater impact on university libraries. Data collection had a return of 68.7%. The investigation
sought to interpret the information, based on the theoretical framework that guided the development of the research,
with library managers. It is important to have a more specific knowledge of the reality of university libraries at Federal
Universities, which allows for an updated view of these libraries through a diagnosis that allows establishing the areas
that should be developed.

Keywords: University Library. Federal Universities. Public budget

1

Mestre em Ciência da
antonioapjr@yahoo.com.br.

Informação.

Universidade

Federal

de

Minas

Gerais.

E-mail

de

contato

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas possuem importante papel na difusão e na democratização do conhecimento,
bem como na gestão do saber. As bibliotecas dão suporte ao ensino difundido dentro da
universidade, assim como às atividades de pesquisa e extensão. As bibliotecas universitárias
brasileiras passaram por momentos de incentivo e de desmonte ao longo do tempo, mas tornaram-se
objeto de estudo de pesquisadores da Ciência da Informação e Biblioteconomia a partir de 1980,
data do primeiro Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias - SNBU. É importante um
conhecimento mais específico da realidade das bibliotecas universitárias das Universidades
Federais, que possibilite uma visão atualizada dessas bibliotecas por meio de um diagnóstico que
permita estabelecer as áreas que devem ser reforçadas para o melhoramento da biblioteca
universitária. Propõe-se uma pesquisa junto às 19 bibliotecas universitárias federais da região
sudeste para responder aos questionamentos e, assim, trazer novos conhecimentos sobre as mesmas.
A região sudeste é a que possui maior número de universidades federais e,
consequentemente, de bibliotecas universitárias. A pesquisa se justifica pela contribuição ao
conhecimento sobre bibliotecas universitárias públicas para a Ciência da Informação e um resgate
do marco teórico das universidades federais, das bibliotecas universitárias, do orçamento público
para universidades e sobre serviços e tecnologias e recursos humanos empregados nas mesmas.
1.1. Objetivo geral
Analisar as bibliotecas universitárias da rede pública na região sudeste quanto aos
recursos humanos, orçamentários e tecnológicos para desenvolver serviços e produtos.
1.2.2 Objetivos específicos
a) identificar o orçamento médio das bibliotecas universitárias;
b) levantar o número de bibliotecários de cada biblioteca;
c) mapear os serviços e os produtos oferecidos por essas bibliotecas;
d) levantar os recursos tecnológicos e de compartilhamento tecnológico existentes nas
bibliotecas.

�2 MARCO TEÓRICO, METODOLOGIA E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Para entender o histórico da biblioteca universitária, é preciso entender a história da
universidade brasileira, máxima corroborada por Toscano e Santos Júnior (2013) diante da
afirmação de que precisa haver uma compreensão histórica ao longo da trajetória das universidades
públicas. A universidade brasileira começou a ser desenhada no período colonial. De acordo com
Cid (1997), a Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola no século XVI, trouxe os jesuítas
que tiveram uma enorme importância no ensino superior dos países católicos. Segundo Moraes
(2006), a biblioteca universitária brasileira tem sua origem na Bahia com a expulsão da Companhia
de Jesus.
A biblioteca da Bahia, ligada ao ensino das ciências, possuía os livros de Newton e
Descartes. Em 1760, a biblioteca do Colégio de Santo Alexandre, no Pará, tinha mais de 2.000
volumes. No Rio de Janeiro, o Colégio dos Jesuítas tinha em torno 5.000 volumes no século XVIII.
Segundo Fávero (2000), com o regime republicano, o ensino superior foi mantido como atribuição
do poder federal, mas não de maneira exclusiva. Na Constituição de 1891 (art. 35, parágrafo 3º)
cita-se “ser atribuição do Congresso Nacional criar instituições de ensino superior e secundário nos
Estados”. Fávero (2000) relata que o projeto de universidade do governo Vargas propaga a ideia da
universidade técnica, voltada para a formação profissional do trabalhador brasileiro, dentro de uma
lógica autoritária e definidora da identidade nacional. Em 1964 ocorreu o golpe militar. Em 20 de
agosto de 1965, o presidente Castelo Branco sanciona a Lei nº 4.759, determinando que as
universidades e escolas técnicas das capitais sejam qualificadas pelo termo federal e denominadas
pelo respectivo estado-membro, por exemplo, a universidade de Minas Gerais passava a ser
chamada de Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); já aquelas que detinham sua sede fora
da capital do estado, seriam qualificadas como federais seguidas do nome da cidade.
A Reforma Universitária de 1968 não especificou diretrizes de mudança ou adaptação para a
biblioteca universitária, o que dificultou a interpretação quanto às alterações nas bibliotecas. No
advento da Nova República, em 15 de março de 1985, assumiu o governo do Brasil o senhor José
Sarney (1985 – 1990). Então emergiram princípios fundamentais para as universidades públicas: a
autonomia universitária e a necessidade de democratização do acesso à universidade pública, com
ampliação das vagas para um maior contingente populacional. (TOSCANO; SANTOS JÚNIOR,
2013).

�A primeira política pública feita para as bibliotecas universitárias, o Plano Nacional de
Bibliotecas Universitárias - PNBU, foi apresentada pela Secretaria de Ensino Superior - SESu do
Ministério da Educação - MEC por meio da Portaria nº 287, de 24 de abril de 1986. A criação do
PNBU, para Chastinet (1990), ocorreu devido ao fortalecimento da pós-graduação na década de 70,
o que refletiu positivamente na biblioteca universitária. Os profissionais realizaram discussões entre
as instituições e em 1979 criaram seu fórum de debates, o SNBU. A política nacional de educação
superior, feita pelo MEC, através da SESu, institucionalizou o PNBU.
A viabilidade do PNBU deveu-se ao empenho da coordenadora do plano e sua liderança,
Yone Chastinet e as articulações com os bibliotecários e dirigentes das universidades, pois as
condições institucionais frágeis e a questão orçamentária contribuíram para a desativar o programa.
Uma outra tentativa de política pública foi a sanção da Lei nº 13.005, de junho de 2014, que contém
o Plano Nacional de Educação – PNE, que propõe ampliar e reestruturar as bibliotecas da educação
superior.
Segundo Cunha e Diógenes (2016), a cooperação entre bibliotecas foi incentivada por
instituições, tais como o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT, antigo
Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação - IBBD, desenvolvedor de projetos de
cooperação. Entre esses projetos, destacam-se o Catálogo Coletivo Nacional de Publicação Seriadas
e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. O Catálogo Coletivo Nacional de
Publicação Seriadas - CCN, por sua vez, foi criado em 1954, pelo IBBD, atual IBICT reúne
informações de periódicos científicos abrigados nas bibliotecas das universidades federais. Ainda
nos anos 70 surgiu o projeto CALCO, segundo Lima (1999) o BIBLIODATA/CALCO paralisou
suas atividades porque a rede não conseguia gerar os recursos financeiros necessários para ampliar
os equipamentos que haviam sido inicialmente disponibilizados pela FGV para instalação do
catálogo coletivo. Outro destaque é a base cientifica Scientific Eletronic Library Online (SCIELO)
criada em 1998 e o Portal de periódicos da CAPES, de 2000.
Para Cunha (2000), a tecnologia é um vetor de mudança e afetará as atividades acadêmicas
e a própria natureza da educação superior. Krzyzanowski (2007) discorre que, no Brasil, a área da
informação técnico-científica, observa uma evolução crescente dos meios tradicionais para os
recursos informatizados.

�As implementações de experiências de interação nos serviços bibliotecários foram bemsucedidas, com o intuito de ampliar e facilitar a identificação e localização, para posterior obtenção
de documentos primários com o apoio da tecnologia de cooperação. Lubisco (2011) constatou que
até mesmo os serviços essenciais para o funcionamento de uma biblioteca necessitam de uma
tecnologia envolvida para funcionar.
Segundo Noh (2015), a evolução da web desenvolve o contexto da sociedade e por sua vez
da biblioteca universitária. A era do 1.0, da informação passiva, deu lugar à interatividade na
web2.0. Já a web 3.0 é a realidade para nativos digitais, que estão usando o mundo virtual cada vez
mais em todos os seus contextos, para lazer como redes sociais (Facebook e Instagram) para
educação (zoom, Teams), saúde (aplicativos de plano de saúde e do SUS para agendar consultas,
exames), finanças (internet banking). A era 4.0 será a do online constante, ou seja, “sempre ligado”.
A tecnologia e ser humano estarão permanentemente conectados.
O orçamento público constitui uma ferramenta dos diversos níveis de governo, no qual são
projetados os ingressos e gastos orçamentários a serem realizados em determinado período, com o
objetivo de executar os programas das políticas de governo, transferências constitucionais, legais e
voluntárias, além dos pagamentos de dívidas e encargos (BEZERRA FILHO, 2012). A execução
orçamentária contempla os gastos realizados pelos órgãos públicos em bens e serviços, com a
dotação autorizada pelo orçamento. O orçamento das universidades prevê a existência de
despesas não-obrigatórias (água, luz, trabalhadores terceirizados, bolsas acadêmicas, insumos de
pesquisa, compra de equipamentos básicos para laboratórios) e obrigatórias (salários dos servidores
e as aposentadorias), sendo variável em cada universidade. Apesar de a Constituição Federal fixar a
autonomia de gestão financeira para as instituições federais, a Emenda Constitucional nº 95 de
2016, impôs um crescente contingenciamento orçamentário restringindo o repasse financeiro da
União para as IFES, o que tem incentivado as universidades a uma busca gradativa por captação de
recursos próprios, as chamadas receitas próprias, que também são alvo das políticas de ajuste fiscal.
A realidade é corte de gastos e recursos cada vez mais finitos. A situação dos orçamentos
das bibliotecas universitárias deve ser comprometida devido tantos cortes. A pesquisa caracteriza-se
por ser descritiva e exploratória, utilizando os procedimentos de pesquisa bibliográfica e
documental para a abordagem do histórico da biblioteca universitária.

�Ocorreu a aplicação de questionários de análises quantitativa e qualitativa que foram
enviados a todas bibliotecas das universidades da região sudeste, pedindo os dados no período do
triênio de 2017 a 2019. A estratégia quantitativa é a pesquisa de levantamento, que segundo
Creswell (2010) proporciona uma descrição quantitativa de tendências, atitudes e características na
análise de uma população. Os questionários foram enviados por e-mail. Decorridos dois meses do
envio por e-mail, obteve-se o total de treze respostas, o equivalente a 68,42% da população.
Uma preocupação do estudo foi verificar o entendimento de cada unidade sobre os recursos
orçamentários a ela destinado. É bastante expressivo o índice daquelas universidades que destinam
recursos específicos para a biblioteca (76,9%). Este quantitativo é pertinente, mas não o ideal, já
que outras 23,1% não possuem recursos específicos.
Apesar disso, pode-se inferir que os gestores entrevistados possuem pouco conhecimento
acerca do orçamento da própria biblioteca em que trabalham. Os treze respondentes não possuíam
acesso a esses dados ou não tinham interesse em obtê-los.
Este fato pode demonstrar também uma posição passiva quanto a este desconhecimento e falta de
acesso aos dados orçamentários. A questão orçamentária é fundamental para o desenvolvimento da
biblioteca universitária. Para aqueles que responderam afirmativamente à existência de recursos
específicos para a biblioteca, foi solicitado informar o valor orçamentário nos anos de 2017, 2018 e
2019. Os resultados estão dispostos no Quadro a seguir:
QUADRO DO ORÇAMENTO E A MÉDIA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Fonte: Elaborado pelo autor, 2021.

�Apenas seis participantes da pesquisa (46,2%) apresentaram essa informação. Os valores
orçamentários estão discriminados em ordem crescente por ano, assim como uma média dos
mesmos. Comparando-se as médias, percebe-se um valor significativamente maior para o ano de
2018. Em 2019 temos valores depreciados em relação a 2018.
Os atendimentos especiais ofertados pelas bibliotecas, as respostas são diversas e
pulverizadas. Treinamentos específicos para os docentes/pesquisadores e empréstimo especial com
quantidade maior de itens bibliográficos contaram com mais de um respondente. A pesquisa
bibliográfica, que é um atendimento especial, só obteve uma resposta. Outras respostas se diluem
em termos bibliotecários, mas sem muita clareza da função dos mesmos. Perguntou-se sobre o tipo
de software usado pelas bibliotecas universitárias. As bibliotecas universitárias da região sudeste
usam somente softwares brasileiros. Pergamum é o software para gerenciamento da biblioteca e do
acervo mais utilizado, com 61,5% do total. O Pergamum - Sistema Integrado de Bibliotecas - é um
sistema informatizado de gerenciamento de dados, direcionado aos diversos tipos de centros de
informação. Foi desenvolvido e é assistido pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em
segundo lugar, com menos expressão, está o SophiA, com 23,1%. Este software foi desenvolvido
pela empresa Prima de São José dos Campos, São Paulo. Os canais de atendimento mais utilizados
pelos usuários são o telefone e o e-mail, ambos com 29,5% das respostas. Seguem, com percentuais
menos expressivos, o WhatsApp, o chat e o Messenger. Outros canais, mesmo o de referência
virtual são menos utilizados. Todas as bibliotecas universitárias apresentaram algum recurso
tecnológico. Não se percebem tecnologias de grande alcance para interação com outras bibliotecas
fora da universidade ou sistemas internacionais. Os itens mais citados, com 10,5% das respostas, se
referem a e-books, empréstimo entre bibliotecas e treinamento à pesquisa em bases de dados.
Seguem, também com índices expressivos, o repositório institucional da produção científica. A
biblioteca universitária pública no Brasil dentre outras bibliotecas é mais aquinhoada e poderia
contar com recursos tecnológicos mais sofisticados. Tais informações deixam impressão de que a
biblioteca universitária não está recebendo a atenção merecida.

�Sobre os recursos humanos os dados obtidos, pode-se verificar que as bibliotecas
universitárias da amostra, em sua maioria (61,6%), possuem até 30 bibliotecários. Duas bibliotecas
declararam dispor mais de cem bibliotecários e apenas uma declarou mais 200 bibliotecários em sua
unidade. Deve-se considerar, no entanto, o tamanho dessas universidades pois algumas possuem
mais de um campus e muitas bibliotecas setoriais.
O bom funcionamento da biblioteca universitária depende do número de bibliotecários, mas
também do quantitativo de professores e alunos que atende. No que diz respeito à comunidade
acadêmica, foram levantados os quantitativos de professores e alunos das universidades. Cabe
ressaltar que duas universidades passaram os dados de 2019, e as demais não especificaram o ano
de referência.

A maior concentração está nas universidades que contam com 500 a 1000

professores (38,5%).
Ao analisar essas informações observam-se duas questões importantes. Diz respeito à gestão
dos recursos humanos e orçamentários que não conta com a biblioteca universitária como liderança.
Como informa um dos respondentes, tais recursos variam de acordo com o tempo de cada reitor e
sua visão mais clara ou não quanto à funcionalidade inovadora da biblioteca universitária.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio das análises e resultados, percebe-se que apesar de perda orçamentária, redução de
número de bibliotecários e com recursos tecnológicos limitados, as bibliotecas universitárias da
região sudeste realizam com pouco esforço uma série de serviços para suas respectivas
comunidades acadêmicas.
É importante refletir sobre a questão orçamentária, tecnológica e os recursos humanos na
biblioteca universitária, rever sua história e seu valor institucional, seu alcance, sua funcionalidade
dentro da universidade federal assim como seu crescimento para melhorar a gestão e inovação.
A queda acentuada de orçamento pode se tornar uma oportunidade de parcerias e consórcios,
seja como possibilidade de amenizar ou mesmo solucionar possíveis problemas relacionados à
(falta) de verba orçamentária quanto a atingir novos patamares de acesso e uso de recursos
informacionais.

�Cada resposta obtida requer uma análise profunda de como os bibliotecários, que são os
gestores dos sistemas de bibliotecas, entendem os aspectos dos recursos humanos, orçamentários e
tecnológicos, como eles influem no cotidiano e na prestação de serviços à comunidade universitária.
O entendimento pode propor soluções para lidar com os cortes orçamentários, como proposições de
parcerias, consórcios.
E até mesmo o bibliotecário universitário poderá se reposicionar na estrutura da
universidade, tendo um destaque na gestão pública. Existe uma carência de estudos, sendo este um
estudo basilar de foco regional que poderá, posteriormente, motivar uma pesquisa em âmbito
nacional, com atores como Central Brasileira de Bibliotecas Universitárias da FEBAB ou o grupo
de trabalho de estudos sobre biblioteca universitária do CFB. Pode-se pensar, ainda, em estudos
comparativos entre países, como por exemplo Brasil e Estados Unidos, Rússia, China, entre outros.
Podem ser estabelecidos requisitos para qualificar uma biblioteca universitária, além do seu acervo.
Outro assunto que fica latente, e que pode ser observado nas entrelinhas da pesquisa, é a
questão da liderança do bibliotecário. Diante de tudo exposto, não há uma política específica e
muito menos sua inclusão explícita em planos, programas e ações governamentais para as
bibliotecas universitárias. Os bibliotecários gestores das bibliotecas universitárias precisam entender
sobre os meandros da burocracia federal, entender a questão orçamentária, entender de política e do
seu funcionamento dentro da universidade. Deve saber, ainda, sobre as instâncias que refletem os
valores acadêmicos.
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                <text>A pesquisa analisa as bibliotecas universitárias das universidades federais brasileiras da região sudeste quanto aos recursos orçamentários e tecnológicos para desenvolver serviços e produtos para comunidade acadêmica. O universo do estudo reúne 19 bibliotecas universitárias federais da região sudeste do país, no recorte temporal de 2017 a 2019. A pesquisa foi um levantamento de marco teórico que apresenta a história da universidade no Brasil e da biblioteca universitária. E a segunda à coleta dos dados, na forma de um questionário enviado as unidades de informação. Para a análise dos dados coletados, foram selecionadas algumas categorias a partir do questionário. O questionário foi elaborado a partir de estudos de Ferreira (1980), Carvalho (1981) e Lubisco (2011), nas questões que provavelmente teriam maiores impactos nas bibliotecas universitárias. A coleta dos dados teve um retorno de 68,7%. A investigação buscou interpretar as informações, tendo como base o referencial teórico que norteou o desenvolvimento da pesquisa, com os gestores das bibliotecas. É importante um conhecimento mais específico da realidade das bibliotecas universitárias das Universidades Federais, que possibilite uma visão atualizada dessas bibliotecas por meio de um diagnóstico que permita estabelecer as áreas que devem ser desenvolvidas.</text>
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                    <text>Eixo 2 – Práticas
MODELO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA AS BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIAS
STRATEGIC PLANNING MODEL FOR UNIVERSITY LIBRARIES
Célia Regina Simonetti Barbalho1
Resumo: Apresenta um modelo de planejamento estratégico para bibliotecas universitárias. Examina as questões
conceituais que envolve o planejamento, discutindo seus conceitos, importância e benefícios para prospectar as
ações que devem ser desenvolvidas pelas bibliotecas universitárias considerando o contexto em que atuam. Discute
os níveis de planejamento para introduzir uma reflexão acerca das características que envolvem o planejamento
estratégico. Expõe, de forma ampla, sobre dois modelos de planejamento estratégico desenvolvido para bibliotecas
universitárias. Descreve o modelo propostos discorrendo sobre suas etapas e implicações. Conclui que o contexto
do ensino superior é recorrentemente impactado pelas mudanças produzidas pelas tecnologias e pelas exigências de
uma formação que favoreça o amplo entendimento da ação do profissional e sua contribuição para o fortalecimento
da sociedade, o que exige que a biblioteca universitária se coloque como um agente proativo, corroborando para os
objetivos institucionais.
Palavras-chave: Planejamento. Planejamento estratégico. Bibliotecas universitárias.
Abstract: Presents a strategic planning model for university libraries. It examines the conceptual issues involved
in planning, discussing their concepts, importance and benefits to prospect the actions that should be developed by
university libraries considering the context in which they operate. It discusses planning levels to introduce a
reflection on the characteristics that involve strategic planning. Exhibits, in a broad way, about two strategic
planning models developed for university libraries. Describes the proposed model, discussing its steps and
implications. It concludes that the context of higher education is recurrently impacted by changes produced by
technologies and by the demand for training that favors a broad understanding of the professional's action and its
contribution to the strengthening of society, which requires the university library to position itself as a proactive
agent, supporting the institutional objectives.
Keywords: Planning. Strategic planning. Academic libraries.

1 INTRODUÇÃO
O preceito de atuar dinamicamente para favorecer o atendimento dos objetivos institucionais
tem sido foco de debates, pesquisas e estudos que buscam dimensionar a ação e importância do
planejamento para as unidades de informação.

1

Doutora em Comunicação e Semiótica. Professora titular do Curso de Biblioteconomia da
Universidade Federal do Amazonas (UFAM). simonetti@ufam.edu.br

�Especialmente quanto ao planejamento estratégico, enquanto um modelo para apoiar a ação
antecipada da gestão em eventos que afetem biblioteca com base na criatividade, inovação e intuição,
sua aplicação tem se configurado como uma postura gerencial necessária para promover a eficácia e
eficiência organizacional. A despeito desta assertiva, a pesquisa de Pacheco e Bedin (2017) apontou
que o planejamento estratégico para as bibliotecas se configura como uma ferramenta que auxilia na
tomada de decisões para o gestor, permitindo o monitoramento antecipado das ações que serão
executadas juntamente com toda a instituição para o alcance das situações pretendidas.
De fato, a postura estratégica é adotada com o intuito de oferecer um padrão que integre os
principais objetivos, políticas e ações da biblioteca em um todo institucional coeso a partir da reflexão
sobre a alocação de recursos, capitalização sobre os pontos fortes e mitigação dos pontos fracos, dentre
outros aspectos.
Contudo, no que pese a extensa literatura existente sobre a temática voltada para as bibliotecas,
independente de sua tipologia, a teoria do planejamento foi desenvolvida para atender as questões
relacionadas aos ambientes organizacionais competitivos e de organizações públicas, carecendo de uma
adequação para que possa se constituir em um conjunto sucessivo de fases que interagem
sistematicamente para fortalecer o melhor desempenho da biblioteca universitária, amparado no
conhecimento da sua realidade que apoia a decisão, a ação bem como uma posterior avaliação.
Neste sentido, é primordial que a biblioteca universitária dimensione seu planejamento
estratégico a partir de modelos que atentem para suas condições enquanto uma organização prestadora
de serviços informacionais especialmente no contexto em que a universidade passou a atuar como
centro de geração, transferência e implementação de inovação, mantendo as suas funções tradicionais.
Isso impacta de forma significativa na biblioteca, exigindo dela uma postura proativa e comprometida
com o projeto de desenvolvimento institucional. De fato, as bibliotecas universitárias estão enfrentando
enormes pressões que exigem respostas e adaptações constantes para que possam se manter relevante
para a comunidade universitária.
As bibliotecas universitárias estão cotidianamente envolvidas com o rápido desenvolvimento da
tecnologia, bem como com as mudanças nos processos de comunicação científica, gerenciamento de
dados e as mudanças nos métodos e técnicas que envolvem o ensino superior, elementos esses que
afetam as expectativas dos usuários e forçando-as a desenvolver novos recursos e serviços de forma
dinâmica. Concomitantemente, essas bibliotecas devem equilibrar as novas iniciativas com os serviços
tradicionalmente oferecidos, respondendo às tendências atuais e enfrentado o desafio de antecipar
necessidades futuras e desenvolver iniciativas inovadoras para atender a essas demandas. Diante tais
instigações, é fundamental que estas unidades de informação assegurem o emprego de mecanismos que

�conduzam com maior segurança a priorização e a alocação de recursos bem como a concentração de
esforços para atender as exigências do contexto em que estão inseridas.
Tendo em vista o exposto, este artigo tem por objetivo apresentar um modelo para o
planejamento estratégico de unidades de informação, sobretudo para as universitárias, desenvolvido
a partir das reflexões teóricas, estudos e práticas ocorridas nesse ambiente e previamente testado em
bibliotecas especializadas e universitárias.
Para atender a este objetivo, o texto foi estruturado em três momentos que fundamentam seu
desenvolvimento: uma breve revisão de literatura sobre o planejamento e sua tipologia, a exposição
e discussão do modelo e as conclusões.
2 PLANEJAMENTO COMO TRILHA
Enquanto um caminho existente ou estabelecido, com diferentes formas, comprimentos e
larguras, com o objetivo de aproximar ou conduzi-lo alguém a um lugar especial, uma trilha
representa uma rota segura a ser seguida. Em analogia, o planejamento se configura em um caminho
constituído com o propósito de conduzir uma instituição ao contexto em que ela deseja se inserir.
Drucker (1962, p.13) afirma que: “O planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas as
implicações futuras de decisões presentes e por isso é um processo sistemático e constante de tomada
de decisão cujos efeitos e consequências ocorrerão no futuro” e que, quando bem articulado, favorece
a composição de uma trilha a ser percorrida com base em processo lógico que determina a direção a
seguir, mensurando os recursos disponíveis e os necessários, implicando na compreensão da dinâmica
das mudanças oriundas do contexto.
As questões que envolvem o planejamento como um instrumento de gestão, emergiram da
necessidade de estabelecer uma racionalidade para a execução das atividades com o intuito de atingir
aos propósitos para as quais elas foram dimensionadas. Nesse sentido, a história destaca que desde a
Antiguidade, por meio de projetos como a construção das pirâmides no Egito ou a expansão do
Império Romano, por exemplo, é possível notar a existência da ação planejada para que um objetivo
seja atingido denotando que se trata efetivamente de um processo racional que requer a inteligência
organizada do homem para ser executado.
De uma maneira geral, a literatura aponta que a evolução do planejamento pode ser
compreendida pelo foco oferecido ao ato de planejar, como destaca a Figura 1.

�Figura 1: Linha do tempo do foco do planejamento.

Fonte: Elaboração própria (2021).

A Figura 1, ao expor a linha do tempo do planejamento, destaca que incialmente as
preocupações estavam pautadas em criar condições para a gestão financeira na década de 50,
chegando aos dias atuais com a visão pautada na projeção de ações que visem atentar para a
responsabilidade social e ambiental, elementos primordiais para a sociedade contemporânea.
Esta evolução permite compreender o planejamento como um processo utilizado para o
estabelecimento de objetivos alinhados com as políticas, metas e princípios, bem com os fatores de
relevância ao meio-ambiente organizacional.
Barbalho e Beraquet (1995, p.24), ao apresentarem um modelo para elaboração de um
planejamento estratégico para as bibliotecas, destacam que ele “surgiu com a necessidade das
organizações se adaptarem às constantes mudanças do ambiente, proporcionando além da
sobrevivência, o seu desenvolvimento integrado ao contexto onde atuam.”
Deste modo, pode-se inferir que o planejamento se configura como uma ferramenta
administrativa para tomada decisão, que por meio do processo de coleta, seleção, organização e
análise de evidências, transforma, dados em informações indicativas de tomada de decisão,
possibilitando assim a diminuição dos riscos e a melhoraria do desempenho nos processos decisórios.
Por se tratar de uma ferramenta de gestão, o planejamento se constitui como um processo que
envolve:

�a) um conhecimento da realidade sobre onde vai atuar, expressada por meio de um
diagnóstico;
b) uma intervenção no curso de certos acontecimentos com o propósito de alterar o contexto
em que se propõe a intervir;
c) tomada de decisões racionais que se traduzem uma série de atividades que procuram
alcançar determinadas metas e objetivos.
No sentido de ser uma ferramenta processual que emerge do conhecimento da realidade para
promover a tomada de decisões que promovam o cenário prospectado, o planejamento objetiva
antecipar situações previsíveis de modo a preparar a biblioteca universitária para enfrentar eventos
futuros conhecidos ou bastante prováveis a partir do dimensionamento para um futuro ou situação
desejável, considerando a coerência entre meios e fins para os quais ela foi criada e, sobretudo,
observando sua ação pautada nos preceitos estabelecidos pela instituição ao qual está vinculada.
Neste sentido, Crowe (2018), destaca que é fundamental para o sucesso de qualquer plano,
que a biblioteca constituía suas ações de planejamento de modo a corresponder à missão da
instituição, incluindo em seu diagnóstico, dados da organização que impactem de modo significativa
nas suas atividades. Corroborando com este preceito, a Association of College and Research Libraries
(ACRL), uma divisão da American Library Association (ALA), destaca que os padrões para as
bibliotecas de instituições de ensino superior devem estar alinhados com o contexto e a missão
institucional, cabendo a ela constituir meios para contribuir com os resultados organizacionais
almejados (CROWE, 2018).
De fato, o planejamento da a biblioteca universitária precisa estar atento àquilo que se a
instituição de ensino superior almeja para consolidar seu papel enquanto parte integrante e ativa deste
contexto. Assim, se a instituição almeja, por exemplo, aumentar a proporção de disciplinas de
pesquisa e líderes de pesquisa com classificação elevada para produção de conhecimento científico
de alto valor para a sociedade, a biblioteca pode dimensionar em seu planejamento elementos
contribuam para a existência a produção de materiais de aprendizagem que colaborem com a inovação
nas aulas por meio, por exemplo, da disponibilização de informações sobre ferramentas para a criação
de apresentações, linhas do tempo, mapas mentais, questionários, gerenciador de referências ou
outros que sejam importantes para o trabalho docente.
Para que tal princípio norteador seja observado, ou seja, gerenciar os recursos e prioridades
da biblioteca universitária de maneira organizada de modo a contribuir para o todo organizacional, é
necessário compreender que o planejamento se constitui de tipos diferenciados que se dedicam a
delinear de modo amplo ou mais detalhado a trilha a ser percorrida para atingir os objetivos propostos.

�2.1 NÍVEIS DE PLANEJAMENTO
A teoria destaca que existem três níveis de planejamento constituídos em relação ao aspecto
intencional e nível hierárquico ao qual está relacionado. Ao refletir sobre esta divisão tipológica
Almeida (2005, p.7) afirma que:
O planejamento é função de todos os membros de uma organização, podendo ser uma
atividade mais ou menos complexa e abrangente, dependendo do nível da estrutura
organizacional em que cada um está situado. Todos os níveis da organização estão envolvidos
na implementação de meios para a execução de planos. Como esses meios envolvem a
organização como um todo, são distribuídos em níveis ou subsistemas na organização. Por
isso, do ponto de vista das instâncias organizacionais, podemos identificar o planejamento
institucional, o intermediário e o operacional.

Conforme destaca a autora, os níveis envolvem o todo organizacional, atingindo todos as
esferas, conforme destaca a Figura 2.
Figura 2: Níveis de planejamento.

Fonte: Elaboração própria (2021).

A Figura 2 permite dimensionar a alcance dos níveis do planejamento envolvendo todo o
contexto organizacional sendo o estratégico constituído para o orientar a visão da instituição
favorecendo o entendimento de onde ela pretende chegar, o tático que desdobra essa visão em planos
de ação menores capazes de constituir elementos efetivos para que o operacional promova sua
execução.
Nesse sentido, observa-se o aspecto processual e lógico do planejamento que envolve desde
as etapas mais detalhadas do planejamento como um todo, definindo o que será realizado, quais

�colaboradores estarão envolvidos em determinada atividade e suas respectivas responsabilidades
conforme suas funções e divisão de tarefas, o que caracteriza o aspecto operacional, passando pelo
estabelecimento de elementos capazes de criar as condições necessárias para que as ações
estabelecidas no planejamento estratégico sejam atingidas, definindo as táticas para o alcance das
metas organizacionais em médio prazo.
O planejamento operacional e o tático são constituídos a partir das decisões constituídas pelo
nível estratégico, o qual define os objetivos centrais e a trajetória de crescimento do negócio, motivo
pelo qual a compreensão de sua composição é de extrema relevância para a biblioteca universitária.
2.1.1 Planejamento estratégico
Saunders (2015, p. 286), citando (Roberts e Wood (2012, p. 10) afirma que o planejamento
estratégico é “um processo sistemático de prever um futuro desejado e traduzir essa visão em metas
ou objetivos amplamente definidos e uma sequência de etapas para alcançá-los”, desatacando os
aspectos que influem no seu desenvolvimento.
Barbalho (1997, p.30) destaca que:
Entende-se por planejamento estratégico o processo utilizado para o estabelecimento de
objetivos alinhados com as políticas, metas e princípios, bem como os fatores de relevância
ao meio-ambiente organizacional, levando-se em conta o meio externo. Isto implica em uma
constante disposição pró-ativa, analisando as tendências do microambiente utilizando, em
ocasião oportuna, as suas vantagens e os possíveis impactos para a Unidade de Informação,
buscando a constante melhoria institucional.

Conforme exposto, o planejamento estratégico está pautado na busca da excelência
organizacional alinhada com contexto em que a biblioteca está inserida. Deste modo, ele cria o espaço
de pensamento para alinhar o trabalho da unidade de informação com a sua instituição. Esta é uma
ótima maneira de dimensionar o trabalho e ver como ele atende ao cenário mais amplo.
Enquanto um processo para articular a estratégia às metas institucionais, o planejamento
possibilita criar um diálogo próprio e demonstrar o valor e a relevância do trabalho executado para
os usuários além de oportunizar o preceito para conectar a biblioteca para atender aos objetivos que
lhe são apontados pela organização.
Para cumprir com os objetivos organizacionais, o planejamento estratégico da biblioteca
universitária deve ser motivado para pensar estrategicamente e desenvolver estratégias; vislumbrar
direcionamentos; estabelecer prioridades; dimensionar as consequências futuras de ações presentes;
desenvolver uma base coerente e defensável para a tomada de decisão; controlar as atividades; tomar

�decisões em diferentes níveis e funções; otimizar a performance; responder a situações mutantes e
desenvolver expertise (BRYSON, 1988).
Assim visto, o planejamento estratégico deve ser:
a) preciso, devendo prospectar os objetivos e metas mensuráveis além de incluir estratégias e ações
concretas para atingir tais objetivos;
b) viável, pois considera os recursos e a capacidade real da biblioteca. Não deve propor objetivos ou
estratégias que estejam fora do escopo de possibilidades organizacionais;
c) consistente uma vez que considera as diretrizes e planejamento da organização, quer a longo, curto
ou em médio prazo, para promover a eficiência institucional.

Para que tais requisitos sejam constituídos, o planejamento deve envolver elementos que estão
relacionados aos aspectos dispostos na Figura 3.
Figura 3: Aspectos do planejamento estratégico.

Fonte: Elaboração própria (2021).

As questões dispostas na Figura 3 apontam para os elementos que constituem o planejamento
estratégico para a biblioteca universitária constituindo os eixos norteadores dos modelos para sua
composição.
2.1.2 Modelos de planejamento estratégico
A literatura aponta alguns modelos para a elaboração de planejamento estratégico para as
bibliotecas universitárias especialmente baseados na estrutura proposta do Bryson (1988) para
organizações publicas e sem fins lucrativos. Um destes modelos foi constituído por Birdsall e Hensley
(1994 apud HIJJI, 2014) composto de seis etapas, a saber:

�a) selecionar os membros mais adequados da biblioteca para conduzir o planejamento;
b) promover a análise do ambiente, a partir da revisão da missão e visão da biblioteca universitária,
seguida por uma revisão da análise do impacto principal dos pontos fortes, pontos fracos,
oportunidades e ameaças;

c) analisar opções estratégicas que se apresentam a partir da análise ambiental;
d) projetar planos em consonância com as estratégias prospectadas;
e) conduzir o desenvolvimento das estratégias, o que envolve consolidar os objetivos existentes e
desenvolver novos, se necessário; e

f) promover a adoção do plano estratégico por todos os setores da biblioteca.
Na literatura nacional, Vital e Floriani (2009), ao alinharem os objetivos do planejamento
estratégico com as necessidades das unidades de informação propõem uma Metodologia para
Planejamento Estratégico e Gestão em Unidades de Informação (METUNI), composta de quatro
etapas, a saber:
A primeira etapa da METUNI é denominada ‘diretrizes operacionais’. Esta etapa constitui
uma fase essencial do planejamento, pois, nesse momento, a unidade de informação buscará
se conhecer melhor e estabelecer os princípios que a nortearão. A segunda etapa, nomeada
de ‘diagnóstico’, consiste no levantamento de informações internas à organização, bem como
a análise macro-ambiental referente ao ambiente externo. A terceira etapa consiste na
definição das estratégias onde a organização deverá nortear suas políticas referentes à gestão
de pessoas, marketing, segmentação de mercado, além de outras que considerar imperativo.
A última etapa da metodologia, denominada de controle e avaliação, supõe que a organização
se preocupe com formas de desempenho que venham mensurar as demais etapas do processo.
(VITAL; FLORIANI 2009, p.5).

Tanto o modelo proposto por Vital e Floriani (2009) como o de Birdsall e Hensley (1994 apud
HIJJI, 2014) apontam para a necessidade de inicialmente a biblioteca universitária dimensionar a sua
identidade como elemento primordial para a composição do planejamento estratégico.
Hijji (2014), ao discorrer sobre um modelo de gestão estratégica desenvolvido para as
bibliotecas universitárias, destaca que ele é composto de três etapas denominadas de: estágio de préplanejamento; estágio de planejamento; e estágio de pós-planejamento. A primeira etapa começa
fornecendo à equipe de planejamento habilidades e conhecimentos sobre gestão estratégica. A
segunda etapa é alcançada por meio do cumprimento de dois componentes: formulação e
implementação da estratégia. A última etapa, diz respeito ao processo de avaliação da estratégia para
garantir que a qualidade dos serviços prestados e o desempenho da biblioteca e de seus funcionários

�sejam compatíveis com a visão e objetivos da biblioteca e alinhados com os objetivos gerais da
instituição.
Visto sob este prisma, observa-se que o planejamento estratégico se configura como uma etapa
deste modelo de gestão que se constitui como preceito para que a biblioteca constitua sua ação pautada
em usa visão de futuro com objetivos alinhados a uma atuação proativa. Para que isto se torne efetivo
é necessário constituir, como exposto pelo autor, os responsáveis pela condução dos trabalhos que
envolvem o planejamento estratégico, os quais deverão por sua vez estabelecer como os trabalhos
serão conduzidos e conscientizar todo o pessoal da biblioteca sobre os objetivos e formas de
desenvolvimento do planejamento estratégico.
No aspecto da definição da sistematização do método de trabalho, a equipe responsável pelo
planejamento estratégico deve definir as fontes de informação que serão empregadas para o
levantamento de dados que subsidiarão o que será prospectado. Neste sentido, o grupo poderá lançar
mão de:
a) fontes orgânicas: regimentos, estatutos, relatórios, manuais de serviço e outros
documentos produzidos na instituição e na biblioteca.
b) consulta a literatura publicada sobre o serviço de informação para o qual está sendo
realizado o planejamento; e
c) enquetes com base em objetivos claramente delineados e questões previamente
preparadas.
Estas fontes de informação não são excludentes, podendo a equipe utilizar todas elas para
constituir elementos que favoreçam o planejamento. Contudo, cabe destacar que o levantamento de
informações primárias junto as partes interessadas no serviço que a biblioteca realiza deve ser
dimensionado considerando questões como a previa definição da amostragem e forma de aplicação
dos questionários e/ou entrevistas para as pesquisas de campo junto aos usuários da biblioteca.
Após estas reflexões iniciais, a Figura 4 apresenta os elementos que constituem o modelo a
ser empregado para a elaboração do planejamento estratégico.

�Figura 4: Modelo de planejamento estratégico para bibliotecas universitárias.

Fonte: Elaboração própria (2021).

O modelo destaca incialmente a necessidade de o planejamento atentar para o fato de que a
biblioteca é um órgão de uma instituição maior, sendo necessário conhecer antecipadamente as
ferramentas de planejamento organizacional para poder projetar o da biblioteca.
A identidade institucional é a expressão que confere personalidade e traduz o que se considera
ideal para a instituição, representada nos conceitos de missão, visão e valores. Deve responder as
seguintes questões: o que a organização faz, deseja ser e em que acredita e valoriza?
A missão se configura como a finalidade, a razão de ser, a mais elevada aspiração que legitima
e justifica social e economicamente a existência de uma organização e para a qual devem se orientar
todos os esforços. Sua composição é resultante da resposta das seguintes questões: qual é o negócio da
biblioteca? porque a biblioteca existe? o que a biblioteca faz e para quem? quem é o cliente? o que tem
valor para o cliente da biblioteca? como deveria ser o negócio da biblioteca?
A visão está relacionada com uma perspectiva de futuro. É a inspiração para um objetivo que a
biblioteca busca alcançar em longo prazo, podendo ser o que ela pretende se tornar a partir da missão
que cumpre na instituição e na sociedade. Para favorecer sua elaboração, as respostas as seguintes
questões podem contribuir para consolidar a sua visão: qual é a direção que devemos apontar nossos
esforços? onde estaremos em 20 anos? o que estamos ajudando a construir?
Os valores são os princípios éticos ou crenças que norteiam a conduta da biblioteca, para que
assim se cumpra o propósito e alcance a sua missão. Sua descrição determina os comportamentos e

�atitudes sobre o modo de se relaciona com os colaboradores, usuários, fornecedores e sociedade. Para
auxiliar na sua elaboração, a biblioteca universitária deve atentar para os seguintes questionamentos:
qual deve ser o comportamento dos funcionários de modo individual, entre si e com os usuários? como
a biblioteca trata seus usuários? qual a relação e responsabilidades com a comunidade? que valores,
crenças ou princípios são importantes para a biblioteca fazer o que faz, para quem faz, e para o que ela
quer se tornar?.
Após o estabelecimento da identidade, a etapa seguinte envolve a elaboração do diagnóstico
estratégico que permite que a biblioteca universitária mapeie informações relevantes para nortear o
direcionamento de suas ações. É com base no diagnóstico estratégico que a unidade de informação irá
se antecipar às nuances de seu contexto e preparar-se para agir em seus ambientes interno e externo.
Esta etapa busca responder à uma pergunta básica: qual a real situação da biblioteca quanto a seus
aspectos internos e externos? verificando o que existe de bom, de regular ou de ruim no seu processo
administrativo.
O diagnóstico estratégico é composto de uma avaliação externa e interna, o qual deve ser
conduzido a partir da técnica conhecida como Análise SWOT que tem como objetivo auxiliar na
avaliação e na compreensão da atual situação da biblioteca. O emprego desta técnica visa facilitar a
elaboração de um planejamento estratégico mais adequado aos objetivos da organização, além de
contribuir para a tomada de decisão. Dessa forma, a análise consiste no mapeamento das Strenghts
(forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças), sendo as duas
primeiras integrantes do diagnóstico externo e as últimas do interno.
A análise do ambiente externo busca identificar quais são os eventos sobre os quais a biblioteca
universitária não possui influência e que irão ocorrer independente de sua vontade podendo beneficiála ou não. Deste modo, é necessário dimensionar:
a) Oportunidades: aspectos que afetam ou podem vir a afetar positivamente a biblioteca,
contribuindo para o cumprimento de sua missão; e
b) Ameaças: aspectos que afetam ou podem vir a afetar negativamente a biblioteca,
contribuindo para o cumprimento de sua missão.
A análise do ambiente interno envolve o exame dos aspectos internos à biblioteca que favorecem
ou dificultam seu desempenho, desenvolvimento e crescimento. São fatores sobre os quais as
instituições possuem influência e podem ser dimensionados como:
a) Pontos Fortes: aspectos da biblioteca e dos indivíduos que nela trabalham que contribuem
para sua sobrevivência e consolidação; e

�b) Pontos Fracos: aspectos da biblioteca e dos indivíduos que nela trabalham que impedem a
sua sobrevivência e consolidação.
Para o levantamento de informações sobre o diagnóstico estratégico, conforme exposto, a
biblioteca pode empregar o uso de enquetes com os usuários, com objetivos claramente delineados e
questões previamente preparadas, a fim avaliar as questões inerentes aos aspectos relacionados serviços
prestados.
Triagem das estratégias demanda inicialmente do estabelecimento de uma metodologia para
analisar os dados visando oferecer uniformidade a decisão sobre as estratégias, podendo ser pautada no
preceito de que a biblioteca deverá analisar todos os pontos levantados e estabelecer aqueles que, de
fato, são estratégicos em consonância com a sua missão e com a visão prospectada sendo necessário a
organização e o exame dos dados levantados.
Com objetivo de dimensionar os elementos mais relevantes para a composição do planejamento
estratégico, o emprego da ferramenta Matriz GUT pode auxiliar de forma significativa na priorização
dos aspectos levantados. A análise GUT é muito utilizada naquelas questões em que é preciso de uma
orientação para tomar decisões complexas e que exigem a análise de vários problemas tendo em vista
que é possível classificá-los de acordo com a Gravidade, Urgência e Tendência (GUT).
Aplicada a Matriz GUT é possível então definir as estratégias que resultam das decisões que
foram priorizadas na etapa anterior, possibilitando compor um mapa estratégico. As estratégias, para
serem efetivadas, precisam estabelecer os preceitos que envolvem pontos inerentes a sua execução,
constituindo o plano estratégico para que as ações sejam conduzidas, o que pode ser realizado com o
apoio da ferramenta 5W2H que é uma metodologia que auxilia a compor a execução do que foi
deliberado para atingir uma meta, resultado, objetivo desejado ou para a resolução de um problema. A
ferramenta 5W2H se caracteriza como é um checklist de atividades específicas para criar e organizar
um projeto com o intuito de realizá-lo com o máximo de clareza e eficiência.
Ao finalizar as etapas do modelo exposto, a biblioteca universitária pode constituir um mapa
estratégico que é a representação gráfica e resumida do planejamento das estratégias constituídas, que
evidencia os desafios que terão de ser superados para concretizar sua missão e visão de futuro. Trata-se
de uma ferramenta de gestão visual, que faz parte do método Balanced Scorecard (BSC), criado pelos
pesquisadores Kaplan e Norton com o objetivo de ajudar as organizações a colocarem sua estratégia
em prática. Por meio do mapa estratégico, é possível começar a estruturar um plano de execução, tendo
em vista a proposta de missão, visão e valores da empresa e os objetivos estratégicos que ela quer
atingir.

�Com a elaboração do mapa estratégico, que possui a mesma função dos mapas militares, ou
seja, mostrar as trilhas e fazer com que todos caminhem na mesma direção, a composição do que foi
prospectado pode ser mais bem assimilada por todos favorecendo um amplo comprometimento com a
sua execução.
O modelo apresentado se configura como um instrumento a ser explorado de forma a favorecer
uma ação proativa das bibliotecas universitárias no contexto em que sua atuação se faz essencial para
atender as demandas impostas pela ampla gama de questões que envolver o ambiente universitário.
3 CONCLUSÕES
De uma maneira geral, a composição de estratégias que favoreçam a ação eficiente e eficaz da
biblioteca universitária contribui de forma significativa para ampliar a sua visibilidade no contexto
institucional.
Projetar o planejamento estratégico da biblioteca em torno dos objetivos da universidade é
condição essencial para o sucesso do trabalho considerando que seu papel e função é apoiar os
programas educacionais, de pesquisa, extensão e inovação desenvolvidos para atender aos preceitos
constituídos para a academia.
Nesse ambiente, as bibliotecas universitárias devem monitorar as tendências da do contexto em
que atuam a fim de determinar onde concentrar recursos e esforços, motivo pelo qual a execução de
uma ação planejada e articulada é condição fundamental para a sua sobrevivência.
O modelo proposto, composto por quatro eixos, deve ser amparado pelo uso do ferramental
disponível para a prospecção e gestão de um planejamento que conduza a biblioteca a cumprir com sua
função e se fazer competente para a comunidade universitária para a qual foi criada.
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                <text>Apresenta um modelo de planejamento estratégico para bibliotecas universitárias. Examina as questões conceituais que envolve o planejamento, discutindo seus conceitos, importância e benefícios para prospectar as ações que devem ser desenvolvidas pelas bibliotecas universitárias considerando o contexto em que atuam. Discute os níveis de planejamento para introduzir uma reflexão acerca das características que envolvem o planejamento estratégico. Expõe, de forma ampla, sobre dois modelos de planejamento estratégico desenvolvido para bibliotecas universitárias. Descreve o modelo propostos discorrendo sobre suas etapas e implicações. Conclui que o contexto do ensino superior é recorrentemente impactado pelas mudanças produzidas pelas tecnologias e pelas exigências de uma formação que favoreça o amplo entendimento da ação do profissional e sua contribuição para o fortalecimento da sociedade, o que exige que a biblioteca universitária se coloque como um agente proativo, corroborando para os objetivos institucionais.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
DESINFORMAÇÃO E FAKE NEWS NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS
DISINFORMATION AND FAKE NEWS IN THE CONTEXT OF UNIVERSITY LIBRARIES

Cibele Andrade Nogueira1
Roger Pereira Domingues2
Vagner Almeida dos Santos3
Resumo: Este trabalho discute sobre a desinformação e as fake news sob olhar das áreas da Biblioteconomia e
da Ciência da informação. A reflexão teve por objetivo identificar como os (as) bibliotecários (as) lidam com
este fenômeno no contexto da Biblioteca Universitária. Pela literatura, verificou-se que a desinformação e as fake
news estão atreladas à disseminação de informações potencialmente prejudiciais às pessoas e à sociedade,
propagadas principalmente em ambiente digital pela internet nas redes sociais. A pesquisa se caracteriza como
exploratória, sendo este estudo realizado com os (as) bibliotecários (as) das bibliotecas de seis universidades do
Estado de Mato Grosso do Sul. O instrumento de coleta de informações foi um formulário online com sete
questões enviadas aos informantes da pesquisa. O resultado indicou que os profissionais percebem o fenômeno
da desinformação e das fake news de forma tímida e, portanto, ainda não desenvolvem ações institucionais para
prevenir e orientar sobre a problemática.
Palavras-chave: Bibliotecário. Biblioteca universitária. Desinformação. Fake news.
Abstract: This work discusses misinformation and fake news under the perspective of Librarianship and
Information Science. The reflection aimed to identify how librarians deal with this phenomenon in the context of
the Academic Library. In the literature, it was found that misinformation and fake news are linked to the
dissemination of potentially harmful information to people and society, mainly propagated in the digital
environment. The research is characterized as exploratory, and this study was carried out with librarians from the
libraries of six universities in Mato Grosso do Sul. The data collection tools was an online form with seven
questions sent to the informants. The result indicated that professionals perceive the phenomenon of
misinformation and fake news timidly and, therefore, do not yet develop institutional actions to prevent and
provide guidance on the problem.
Keywords: Librarian. Academic Library. Misinformation. Fake news.

1Mestre em Ciência da Informação. Bibliotecária. Universidade Federal da Grande Dourados - cibelenogueira@ufgd.edu.br
2Graduado em Biblioteconomia pelo Instituto de Ensino Superior da FUNLEC - roger.b.p.domingues@gmail.com
3Mestre em Biblioteconomia. Bibliotecário. Universidade Federal da Grande Dourados - vagnerbibliotecario@hotmail.com

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária (BU) por natureza é um ambiente de informação e de
conhecimento. Seus principais recursos informacionais estão nas fontes tradicionais de
informação. Por serem mais difundidas, elas fornecem alguma segurança em relação à
qualidade e confiabilidade das informações, como é o caso dos livros, periódicos, bases de
dados, portais institucionais, repositórios etc.
Contudo, a BU pode ampliar seu compromisso com a mediação da informação nos
meios menos convencionais como é o caso das mídias eletrônicas e redes sociais. Assim, a
biblioteca e o(a) bibliotecário(a) como agentes de transformação necessitam assumir o
cuidado com as fontes, especialmente comprometidos com o enfrentamento à desinformação
e as fake news.
A desinformação é aqui entendida como “informações falsas e disseminadas de forma
deliberada e muitas vezes secretamente [...] a fim de influenciar a opinião pública ou
obscurecer a verdade” (MERRIAN-WEBSTER DICTIONARY, 2021).“Fake news” [...] são
informações falsas ou mentirosas que são compartilhadas como se fossem reais e verdadeiras,
em contextos virtuais, especialmente em redes sociais [...]” (DICIONÁRIO, 2021).
Então a BU assume responsabilidade sobre isso, uma vez que o “objeto de trabalho do
bibliotecário é a informação, artefato cultural, [...] oral, gestual, audiovisual e digital, por
meio da articulação de linguagens natural e/ou artificial” (CONSELHO FEDERAL DE
BIBLIOTECONOMIA, 2018 p. 1). Sendo os usuários ao mesmo tempo produtores e
consumidores de informação para estudos, pesquisas e informações gerais que têm direitos, as
bibliotecas e os bibliotecários(as) não podem ficar alheios a estes acontecimentos.
Por conta disso, decidiu-se realizar esta pesquisa cujo questionamento central foi
verificar qual a percepção dos(as) bibliotecários(as) da BU sobre a desinformação e as fake
news. Definiu-se como objetivo geral, identificar como os(as) bibliotecários(as) percebem o
fenômeno desinformação no contexto da BU. Os objetivos específicos são: a) identificar quais
ações de enfrentamento às fake news os(as) bibliotecários(as) realizam e; b) identificar quais
as razões que mais contribuem para propagação da desinformação.
Esta pesquisa foi realizada no contexto da pandemia de COVID-19 em que muitas
BUs estão com portas fechadas e muitas delas oferecendo serviços online. Quanto ao

�instrumento de coleta de informações, usou-se um formulário online semi-estruturado. O
instrumento foi enviado por e-mail aos(às) bibliotecários(as) das seis principais universidades
do Estado do Mato Grosso do Sul (MS).
2 INFORMAÇÃO, DESINFORMAÇÃO E FAKE NEWS
O ato de se informar é um fenômeno constante na sociedade humana, no âmbito da
BU tal fenômeno intensifica-se, com o surgimento da tecnologia o processo de obtenção da
informação tomou novas formas e adquiriu dinamicidade nunca vista: "É lugar comum
considerar-se a informação como condição básica para o desenvolvimento econômico
juntamente com o capital, o trabalho e a matéria-prima, mas o que torna a informação
especialmente significativa na atualidade é sua natureza digital" (CAPURRO, 2007, p. 149).
Segundo Araújo (2018), devido ao incremento tecnológico, exigiu-se maiores
capacidades humanas de abstração para se compreender suas próprias ações no contexto
social no que tange os aspectos de acesso e manipulação da informação. Ainda de acordo com
Araújo (2018), buscaram-se formas comuns de se definir informação na perspectiva da CI,
compartilhando das contribuições de diferentes autores, ele concluiu que o primeiro conceito
de informação na CI era restrito e vinculado à sua dimensão material, física; evoluindo
posteriormente para a dimensão cognitiva - dada por intermédio da interação entre dados e
conhecimento - e seu estudo profundamente relacionado à identificação de significados,
interpretações. Percebe-se que há complexidade em se definir o que seja a informação.
Em determinados contextos o uso estratégico da informação é capaz de moldar as
relações de poder: “[...] a ausência de informação pode estar à relação de poder e o que
uma classe dominante quer compartilhar com um grupo, o que teria relação direta com
a intencionalidade de omissão ou até mesmo engano proposital” (HELLER; JACOBI;
BORGES, 2020, p. 194). Assim, percebe-se a informação como processo social que está
passível de manipulação por intermédio do agente humano. Um agente disseminador de
desinformação pode se beneficiar com fins de suprir suas necessidades e interesses próprios,
trabalhando com a ambivalência da informação: a desinformação.
Mesmo que a desinformação sempre tenha existido paralelamente ao conceito de

�informação, ela nem sempre esteve evidente em seu aspecto social “é importante compreender
a relação que a informação (conteúdo) tem com a comunicação (relações)” (HELLER;
JACOBI; BORGES, 2020, p. 200).
Como observado por Heller, Jacobi, Borges (2020), geralmente se correlaciona
desinformação e fake news, os termos se confundem entre si, mas, no caso, há diferentes
tipos e níveis de desinformação em ação quando se trata de uma ou de outra. Desta forma, é
interessante avaliar a seguinte linha de pensamento:
[...] o termo desinformação é comumente usado para se referir a tentativas
deliberadas [...] para confundir ou manipular pessoas por meio de
transmissão de informações desonestas. [...] O termo “informação incorreta”
frequentemente refere-se a informações enganosas criadas ou disseminadas
sem intenção manipuladora ou maliciosa (IRETON; POSETTI, 2019, p. 7).

Uma notícia atende um propósito informativo, mas, no caso das fake news, o ato
informacional é totalmente manipulado, inventando-se situações inexistentes com elementos
presentes na realidade. Portanto, fake news não são informações, mas, são inverdades
fantasiadas de notícias que usam apelos para atrair atenção do público, seu conteúdo é uma
mescla de informações e fatos presentes no cotidiano com dados inverídicos. Desta forma, o
termo fake news afasta-se do universo informativo.
[...] Evita-se admitir que o termo fake news (“notícias falsas”) possua um
significado direto ou comumente compreendido. Isso ocorre porque
“notícias” significam informações verificáveis de interesse público, e as
informações que não atendem a esses padrões não merecem o rótulo de
notícias. Nesse sentido, então, a expressão “notícias falsas” é um oxímoro
que se presta a danificar a credibilidade da informação que de fato atende ao
limiar de verificabilidade e interesse público – isto é, notícias reais.
(IRETON; POSETTI, 2019, p. 7).

Na busca por compreender o universo da desinformação, nem sempre há uma
diferença clara sobre as definições do que venha a ser cada elemento no mundo das
informações falsas. Por mais que os conceitos sejam sinônimos e estejam interligados, é
necessário destacar suas diferenças, evitando-se classificar tudo como uma coisa só no
universo plural da desinformação.

�2.1 PÓS-VERDADE E INFODEMIA
Se deparar com informações inverídicas, ou de procedência duvidosa, se tornou uma
rotina em qualquer ambiente de comunicação digital. Desinformação, fake news e
informações incorretas, aliados ao mal uso dos recursos digitais, são componentes que deram
início a uma nova era na perspectiva informacional, a era da pós-verdade.
Para uma melhor contextualização do conceito é importante associar alguns fatos
históricos que trouxeram o foco para este fenômeno. O primeiro seria o fato da palavra pósverdade ter sido eleita a palavra do ano em 2016, segundo o dicionário Oxford, ano este em
que ocorreram as eleições presidenciais norte-americanas. O segundo fator responsável pela
popularização do termo foi a saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit
(ARAÚJO, 2020).
As fake news são um dos fatores que compõem a era da pós-verdade. “[...] O
fenômeno da pós-verdade precisa ser compreendido como resultado de determinadas
condições (tecnológicas, sociais, culturais) que se colocam nas relações das pessoas com a
verdade e, por extensão, com a informação” (ARAÚJO, 2021, p. 15).
Cabe ressaltar que informações e notícias falsas não são uma novidade, porém o que
caracteriza a era da pós-verdade é o acesso à informação, que nos dias atuais é extremamente
facilitado. Há de se destacar que ainda assim há uma parcela da população que não possui
esse acesso de maneira plena, pois suas condições econômico-sociais não o permitem.
Apesar de ser possível checar a veracidade de um fato, muitas pessoas não o fazem e
acabam compartilhando desinformação. Além disso há uma banalização da verdade e
opiniões pessoais a respeito de assuntos em geral, inclusive sobre o próprio conhecimento
científico são incentivadas e a credibilidade de autoridades e instituições é cada vez mais
questionada (ARAÚJO, 2021).
Neste fenômeno observa-se uma exaltação das emoções, do pessoal em prol do
coletivo, a razão é desvalorizada e mesmo sabendo que se trata de uma informação falsa que
prejudica alguém ou a determinado grupo, o que vale é o sentimento de pertencimento a um
determinado grupo que possui as mesmas convicções, ainda que essas convicções exalem o
ódio, preconceito e a intolerância. Isso pode ser observado até mesmo em casos de saúde

�pública como a pandemia de Covid-19 que o mundo tem enfrentado na atualidade.
O descrédito nas instituições, principalmente científicas, na democracia e nas
autoridades são fatores que contribuem para a proliferação de notícias falsas. O acesso a uma
vasta quantidade de informações disponíveis na web e a facilidade para acessá-las,
supostamente deveria também, ao mesmo tempo, ser um cenário no qual a checagem ou
barragem da desinformação também fosse uma prioridade.
É sabido que há grupos que se beneficiam diretamente da propagação em massa desse
tipo de conteúdo, seja por questões políticas ou econômicas. Mesmo se tratando de questões
de saúde pública, como a pandemia de coronavírus que assolou o mundo inteiro, as notícias
falsas não pararam de circular, ao contrário, houve uma gigantesca produção de notícias a
respeito, porém uma parcela significativa era falsa e foi propagada de maneira intencional.
Esse fenômeno pode ser definido como infodemia e afeta diretamente a vida das
pessoas e nesse caso a falta de informação correta pode sim, levar pessoas à morte. Se o
desafio das autoridades da área da saúde de lidar com a pandemia mundial, em si, não é nada
fácil, quanto mais quando se tem um problema tão grande quanto este, que é essa explosão de
fake news sobre as formas de contágio, vacinas, ações preventivas e de tratamento no controle
da doença.
É sintomático que a pandemia de COVID-19 tem servido de espaço para que
muitos indivíduos seguramente mal-intencionados pudessem proliferar
notícias relacionadas à doença sem nenhuma comprovação científica, desde
remédios que teriam efeito prontamente curativo, passando pela divulgação
de dados incompatíveis com as características do novo vírus até a insistência
de chefes de Estado em medidas contrárias àquelas recomendadas por órgãos
competentes para tal, o que tem afetado e influenciado o número de
contaminados e mortos pela doença bem como o comportamento de
indivíduos posicionando-se contrários a medidas do tipo do isolamento
social (CANTUÁRIO, 2020, p. 178).

Em uma escala internacional, nos discursos de Donald Trump, na época em que ainda
estava ocupando o cargo de presidente dos Estados Unidos, havia uma minimização do perigo
da doença e não eram colocadas em prática as recomendações provenientes das autoridades
em saúde (CANTUÁRIO, 2020).
Em nível nacional no Brasil, foi possível observar em diversos momentos discursos do
atual presidente, Jair Messias Bolsonaro agindo como Trump ao afirmar que a doença não

�passava de uma “gripezinha4” e que possuía histórico de atleta5 e dessa forma a doença não
iria se agravar. Em um de seus pronunciamentos até “imitou 6” como seria uma pessoa com
falta de ar. Em outros momentos foi contra o isolamento social7 e o uso de máscaras8.
A Unesco elaborou materiais sobre a desinformação e como combatê-la. “A nova
desinformação sobre a COVID-19 cria confusão referente à ciência médica, com impacto
imediato em todas as pessoas do planeta e em sociedades inteiras. Ela é mais tóxica e mais
letal que a desinformação sobre outros assuntos” (POSETTI; BONTCHEVA, 2020, p. 2).
Ainda, no sentido de combater a desinformação causada pela infodemia no cenário da
pandemia do novo coronavírus, deve-se entender a saúde como um direito básico do ser
humano e que o não acesso à informação fidedigna, proveniente das principais instituições
científicas de pesquisa, na área da saúde ou acesso à informações falsas coloca em risco a vida
de pessoas.
Algumas medidas sugeridas na luta contra à desinformação, segundo a UNESCO,
neste contexto são: “contrapor-se à contaminação da desinformação; apoiar o jornalismo
independente e de qualidade; empoderar a cidadania global com alfabetização midiática e
informacional; e, ajudar os Estados-membros a cumprir as normas internacionais de liberdade
de expressão” (POSETTI; BONTCHEVA, 2020, p. 4).
Os bibliotecários precisam atuar em prol dessas ações propostas pela UNESCO, pois o
objeto de estudo da Biblioteconomia e Ciência da Informação é a informação e na era em que
vivemos o principal desafio é lidar com o combate ao seu oposto - a desinformação, que é
criada para ser prejudicial, independente se foi compartilhada de forma intencional ou não.
3 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA, DESINFORMAÇÃO E FAKE NEWS
Com o fenômeno da infodemia se alastrando com rapidez, as bibliotecas têm traçado
estratégias por meio de algumas ações para que esse problema seja combatido. No caso das
BUs não seria diferente, ainda mais por se tratar de um tipo de biblioteca que está inserida
4 Fonte: https://cutt.ly/pQj3rcL
5 Fonte: https://cutt.ly/RQj96Hv
6 Fonte: https://cutt.ly/WQj4FN7
7 Fonte: https://cutt.ly/8Qj4Kyb
8 Fonte: https://cutt.ly/uQj4ZcI

�dentro de uma instituição científica. Seu papel, neste contexto, é de extrema relevância, pois
além da Biblioteconomia possuir como objeto de estudo a informação, acredita-se que um dos
enfoques que a área deve ter neste momento é o acesso à fontes de informações confiáveis.
É possível se deparar com termos como fake science e perceber como isso impacta na
qualidade de pesquisas científicas e na própria formação de pesquisadores e profissionais.
“Neste sentido, a Ciência é atingida porque conta com informações de interesse público, mas
também por ter um estatuto de credibilidade frente à população” (CUNHA; JEN CHANG,
2021, p. 142). Um exemplo é o movimento antivacina que tem ganhado força nos últimos
anos, fazendo com que doenças já erradicadas, como o sarampo, por exemplo, tenham voltado
a preocupar os profissionais da saúde, pelo aumento de pessoas diagnosticadas.
De acordo com Vidarte e Velasco (2021, p. 169) “as bibliotecas universitárias
precisam planejar ações comunicacionais com o objetivo de promover a visibilidade midiática
de seus conteúdos e serviços de forma eficaz, e desse modo minimizar a desinformação e a
infodemia”. Muito conteúdo digital foi oferecido pelas BUs, como treinamentos, lives, cursos,
entre outros. As redes sociais demonstraram grandes aliadas neste processo comunicacional.
Destacam-se algumas ações encontradas na literatura que propõem o enfrentamento à
desinformação e fake news, como as seguintes:





Guia Prático de Fontes de Informação: produtos e serviços digitais
das bibliotecas da UNESP (NICOLINO; MENDONÇA, 2020);
Desenvolvimento de ações da Competência em Informação no
combate às fake news (ALMEIDA, 2020);
Criação da Comissão de Confiabilidade Informacional e Combate à
Desinformação da Biblioteca Universitária da Universidade Federal
de Santa Catarina (VIDARTE; VELASCO, 2021);
Drops informativos - Biblioteca Universitária da Universidade
Federal de Santa Maria (VIDARTE; VELASCO, 2021).

Nota-se que todas as ações mencionadas são simples, porém significativas na luta
contra a desinformação. É essencial que cada vez mais as BUs usem da criatividade para
promover ações relacionadas ao tema, pois a tendência é que isso se alastre com muita
intensidade e acabe se tornando um problema maior do que já é.

�4 CAMINHOS METODOLÓGICOS
Realizou-se uma pesquisa do tipo exploratória, cuja finalidade, segundo Vergara
(2016), é estudar sobre temática que ainda não há muito conhecimento acumulado e por conta
disso, o(a) pesquisador(a) deseja aprofundar mais sobre o assunto.
Quanto aos meios de investigação, este estudo possuiu uma parte empírica, uma vez
que se realizou o levantamento por meio de um questionário para coleta de informações junto
aos participantes. A pesquisa também é bibliográfica devido a utilização de livros e artigos
científicos com conhecimentos publicados sobre a temática (VERGARA, 2016).
Com relação à abrangência, o estudo foi direcionado aos bibliotecários(as) de seis
universidades do estado do Mato Grosso do Sul, sendo: Universidade Federal da Grande
Dourados (UFGD); Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade
Federal

de

Mato

Anhanguera/Uniderp9,

Grosso
Centro

do

Sul

(UFMS)

Universitário

da

do

setor

Grande

público
Dourados

e

Universidade

(UNIGRAN)

e

Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) do setor privado. O levantamento e a análise dos
dados ocorreram em julho de 2021.
Aplicou-se um questionário com sete questões, sendo seis objetivas e uma aberta para
coletar as opiniões desses(as) bibliotecários(as). O instrumento de coleta foi um formulário
online disponibilizado pelo Google forms e enviado por e-mail para oportunizar que os
informantes registrassem suas informações acerca do tema.
As informações coletadas para a pesquisa foram descritas e analisadas segundo a
orientação que objetiva organizar e sumarizar os dados coletados e possibilite evidenciar se a
pergunta de partida (problema) foi ou não respondida seguindo-se de uma breve interpretação
das respostas correlacionadas aos objetivos e literatura apresentada (GIL, 1999).
5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Para verificar o resultado, dividiu-se as questões em dois grupos básicos. O primeiro
grupo, composto por duas perguntas, teve o objetivo de apresentar a instituição pesquisada e o
9Instituições de ensino pertencentes à rede Anhanguera - Anhanguera Uniderp e Anhanguera Dourados.

�panorama de atuação dos informantes.
A primeira questão (Gráfico 1) identifica as universidades participantes da pesquisa.
Pelas instituições públicas, a UFMS teve a maior participação com 4 informantes, (33,3%); a
UFGD com 2 informantes (16,7%) e a UEMS com apenas um(a) bibliotecário(a) (8,3%).
Pelas as instituições privadas, Unigran e Anhanguera/Uniderp tiveram 2 informantes (16,7%)
cada e, a UCDB com apenas um (8,3%) conforme mostra o gráfico a seguir.
Gráfico 1 - Universidades participantes da pesquisa

Fonte: Os autores, 2021

Apesar da quantidade de participantes neste estudo ter sido pequena, pelo menos um
profissional respondeu a pesquisa em cada universidade. Considerando que o número de
informantes foi relativamente pequeno, não houve diferença significativa nas respostas entre
as organizações privadas e as públicas.
Na segunda questão foi perguntado qual setor o informante ocupa. De sete alternativas
disponíveis, somente quatro foram respondidas pelos 12 participantes. Metade dos
informantes assinalaram que atuam no processamento técnico. Com isso ficou constatado que
esta atividade é aquela com maior índice de ocupação.
Nota-se que seis profissionais (85%), de um total de sete do setor público declaram
exercer suas atividades em setores específicos, diferentemente do setor privado em que quatro
(80%) do total de cinco, trabalham como responsável geral da unidade bibliotecária. Isso
permite constatar que os(as) bibliotecários(os) do setor privado representados nesta pesquisa
estão atuando em menor quantidade nas bibliotecas de suas organizações, ou seja, em sua
maioria atuam como responsáveis gerais, realizam e acumulam várias funções.
O segundo grupo de questões, composto por cinco perguntas, teve por finalidade
coletar a percepção dos informantes a partir de variáveis selecionadas como relevantes para as
pretensões neste estudo. Buscou-se identificar as perspectivas dos(as) bibliotecários(as) em

�relação a desinformação e as fake news.
Assim, a terceira questão do formulário indagou sobre a responsabilidade que tem o(a)
bibliotecário(a) no enfrentamento à desinformação e a fake news, cujas respostas possíveis
eram sim ou não. O resultado indica que 10 informantes (83,3%) disseram que sim, eles têm
esta responsabilidade. Os outros 2 informantes (16,7%), registram que este profissional não
tem este compromisso.
Importa destacar que o papel da biblioteca e do(a) bibliotecário(a)
[...] abrange a emancipação dos indivíduos, para atuação em função de uma
sociedade mais justa e atuante nas esferas políticas, econômicas e sociais,
garantindo um amplo acesso à informação, para diferentes grupos,
respeitando as singularidades e a identidade das comunidades (DUARTE,
2018, p. 75).

Considerando as palavras da autora e que os(as) bibliotecário(a) devem “interagir e
agregar valor nos processos de geração, transferência e uso da informação, em todo e
qualquer ambiente” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2001, p. 32), pode-se afirmar que este
profissional tem responsabilidade de avaliar todos os serviços informacionais ao alcance da
BU. A percepção predominante dos informantes de atribuir aos bibliotecários(as) a
responsabilidade social contra a desinformação, evidencia que eles podem assumir o
desenvolvimento de ações de combate às fake news e a desinformação.
A quarta e quinta questões tiveram por objetivo identificar se os informantes
promovem ações relacionadas ao enfrentamento à desinformação e as fake news nas
instituições que atuam. A maioria, com 11 informantes (83,3%) disseram que não realizam
atividade relacionada ao tema. Dois informantes justificaram porque não desenvolveram tais
atividades. Um registrou que “preciso me atualizar sobre o assunto e analisar as atividades
desenvolvidas pelo setor para responder com mais precisão sobre as ações”. O outro escreveu
que “não tive oportunidade da chefia”. Somente uma pessoa afirmou de forma categórica que
realiza tal atividade.
Comparando-se esta questão às anteriores (3 e 4), constata-se uma contradição, visto
que os mesmos profissionais que informaram ser papel do(a) bibliotecário(a) combater a
desinformação e as fake news, esses mesmos registram que não desenvolvem atividades nas
bibliotecas que atuam. O único informante que respondeu “sim” (8,3%) anotou na quinta

�questão que promove treinamentos com os usuários para que eles aprendam a identificar
fontes fidedignas de informação.
A sexta questão verificou o que os(as) bibliotecários(as) fazem após acessarem
informações nas redes sociais e em outros veículos de comunicação. Metade (50%) respondeu
que “checa a fonte, se falsa, avisa quem compartilhou". Outros quatro informantes (33,3%)
responderam que “avalia a relevância para decidir se compartilha” e, apenas um(a) registrou
que “checa a fonte apenas”. As opções “não checa a fonte e não compartilha” e “não checa a
fonte e compartilha” não obtiveram resposta conforme o Gráfico 2.
Gráfico 2 - Decisão dos(as) bibliotecários(as) ao acessar informações compartilhadas.

Fonte: Os autores, 2021

A última pergunta (Gráfico 3) indaga sobre o que os bibliotecários acreditam ser o
motivo que mais contribui para a disseminação de notícias e conteúdos falsos. Novamente
metade (50%) disse que é devido às "preferências pessoais (política, religião, entre outros)”; 4
informantes (33,3%) atribuíram ao “apelo da notícia (títulos chamativos e sensacionalistas)”.
Apenas um(a) bibliotecário(a) associou esta responsabilidade com a “autoridade (acreditar na
palavra de quem compartilhou)”.
Gráfico 3 - Fatores que contribuem para as pessoas compartilhem notícias e conteúdos falsos

Fonte: Os autores, 2021

�Com relação aos fatores responsáveis pela disseminação de notícias falsas, um(a)
bibliotecário(a) justificou que o compartilhamento de notícias e conteúdos falsos se deve à
ausência de competência à informação. De acordo com Presser e Silva (2015 apud NEVES e
BORGES, 2020, p. 10) “a alfabetização informacional pode ser caracterizada como o
processo no qual as pessoas desenvolvem competências em informação.” As autoras ainda
destacam que o desafio da desinformação permeia áreas como a educação, CI e comunicação,
e que a competência em informação é uma aliada em seu combate.
Ainda segundo Presser e Silva (2015 apud NEVES; BORGES, 2020, p. 10)
[...] as pessoas reproduzem no comportamento de busca e uso da informação
as normas sociais que indicam os padrões de comportamento aceitáveis no
grupo. Assim, para ser aceito no grupo, o indivíduo tende a reproduzir suas
práticas, ainda que sejam questionáveis, como o compartilhamento de
notícias sem verificação de veracidade.

É perceptível o quanto o critério de autoridade está relacionado com as preferências
pessoais, pois com o crescimento das chamadas bolhas informacionais, o indivíduo passa a ter
como referência, apenas sujeitos que seguem as mesmas ideologias que ele. Ainda que um
especialista em determinado assunto afirme algo que vá contra os seus ideais, muitas vezes ele
decide ignorar, porque simplesmente não concorda com aquilo.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na era da pós-verdade a atuação dos(as) bibliotecários(as) no enfrentamento à
desinformação é desafiadora. Esta pesquisa procurou observar de que forma este fenômeno
ocorre na região de Mato Grosso do Sul, no contexto das BUs.
Conforme observado na literatura sobre o tema e nos dados analisados nesta pesquisa,
os(as) bibliotecários(as) revelaram que acham importante sua atuação contra às fake news no
âmbito acadêmico, no entanto o que também se constata é que eles não desenvolvem tais
ações, segundo suas respostas.
Retomado-se aos objetivos, nota-se que os bibliotecários percebem o fenômeno como
assunto importante e relacionado à Biblioteconomia, contudo, no conjunto das respostas não
foi constatado ações pragmáticas significativas de enfrentamento a desinformação e as fake

�news nas instituições que atuam, apesar de a literatura demonstrar que estes profissionais
necessitam contribuir neste tema.
É válido ressaltar que a biblioteconomia e CI precisam se aproximar mais do
jornalismo, que já exerce o trabalho de checagem de fatos há muito tempo. Desta forma, a
interdisciplinaridade é benéfica para ambas, pois uma das preocupações das duas áreas é a
utilização de fontes de informação confiáveis.
Por fim, espera-se que este trabalho possa contribuir de alguma maneira, para que esta
realidade possa ser alterada e outros estudos ocorram.
REFERÊNCIAS
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e Universidade, v. 2, n. esp. Dossiê COVID-19, jul./dez. 2020.
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informação, vol. 25, 2020, pp. 1-17. Disponível em: https://cutt.ly/qQj7wEs Acesso em: 12
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ARAÚJO, Carlos A. Á. A pós-verdade como desafio para a ciência da informação
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ARAÚJO, C. A. A. O que é ciência da informação. Belo Horizonte: KMA Soluções
Gráficas, 2018.
CANTUÁRIO, V. A. P. “Isso é verdade?” a “infodemia”da pandemia: considerações sobre a
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CAPURRO, R. et al. O conceito de informação. Perspectivas em Ciência da Informação,
[S.l.], v. 12, n. 1, nov. 2007. Disponível em: https://cutt.ly/vQj7xbU Acesso em: 15 jul. 2021.
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Nogueira, Cibele Andrade, Domingues, Roger Pereira, Santos, Vagner Almeida dos</text>
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                <text>Este trabalho discute sobre a desinformação e as fake news sob olhar das áreas da Biblioteconomia e da Ciência da informação. A reflexão teve por objetivo identificar como os (as) bibliotecários (as) lidam com este fenômeno no contexto da Biblioteca Universitária. Pela literatura, verificou-se que a desinformação e as fake news estão atreladas à disseminação de informações potencialmente prejudiciais às pessoas e à sociedade, propagadas principalmente em ambiente digital pela internet nas redes sociais. A pesquisa se caracteriza como exploratória, sendo este estudo realizado com os (as) bibliotecários (as) das bibliotecas de seis universidades do Estado de Mato Grosso do Sul. O instrumento de coleta de informações foi um formulário online com sete questões enviadas aos informantes da pesquisa. O resultado indicou que os profissionais percebem o fenômeno da desinformação e das fake news de forma tímida e, portanto, ainda não desenvolvem ações institucionais para prevenir e orientar sobre a problemática.</text>
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                    <text>Eixo 2- Práticas
PLANEJAMENTO EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: DIRETRIZES E INDICADORES
PARA O DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL DAS BIBLIOTECAS DOS INSTITUTOS
FEDERAIS1
PLANNING IN UNITIES OF INFORMATION: GUIDELINES AND INDICATORS FOR THE
ORGANIZATIONAL DIAGNOSIS OF THE LIBRARIES OF THE FEDERAL INSTITUTES
Rosana de Vasconcelos Sousa2
Elieny do Nascimento Silva3
Resumo: Aborda o planejamento em unidades de informação no contexto das bibliotecas dos Institutos Federais, que
atendem diferentes perfis de usuários, devendo oferecer serviços e produtos característicos de bibliotecas escolares,
universitárias e especializadas. Focaliza a etapa de diagnóstico organizacional, que identifica as potencialidades e
limitações da instituição, com base em indicadores de qualidade oriundos de convenções técnicas nacionais e
internacionais. Diante disso, parte da seguinte questão problema: que indicadores devem ser utilizados para identificar
os pontos fortes, os pontos fracos e os pontos neutros das bibliotecas dos Institutos Federais? Objetiva identificar
categorias a serem analisadas no processo de diagnóstico em unidades de informação e indicadores de qualidade,
relacionados à estrutura organizacional, nos documentos regulatórios que estabelecem diretrizes para bibliotecas com
características similares às bibliotecas dos Institutos Federais. Utiliza como procedimentos metodológicos a pesquisa
exploratória, bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa. Para coleta e análise dos dados, utiliza a análise
de conteúdo. Em suas considerações finais, evidencia a importância do planejamento em bibliotecas; constata que a
análise de conteúdo de diretrizes para bibliotecas escolares e bibliotecas universitárias possibilitou a identificação de
importantes indicadores sobre estrutura organizacional das bibliotecas dos Institutos Federais; e que a padronização dos
conceitos e das formas de coleta dos dados no diagnóstico organizacional beneficiará o trabalho em rede realizado nos
Institutos Federais.
Palavras-chave: Planejamento em unidades de informação. Diagnóstico organizacional. Bibliotecas multiníveis.
Abstract: It addresses planning in unities of information in the context of the libraries of the Federal Institutes, which
serve different user profiles, and must offer services and products characteristic of school, university and specialized
libraries. It focuses on the organizational diagnosis stage, which identifies the institution's potential and limitations,
based on quality indicators from national and international technical conventions. Given this, part of the following
problem question: what indicators should be used to identify the strengths, weaknesses and neutral points of the
libraries of the Federal Institutes? It aims to identify categories to be analyzed in the diagnosis process in information
units and quality indicators, related to the organizational structure, in the regulatory documents that establish guidelines
for libraries with characteristics similar to the libraries of the Federal Institutes. It uses exploratory, bibliographic and
documentary research as methodological procedures, with a qualitative approach. For data collection and analysis, it
uses content analysis. In his final remarks, he highlights the importance of library planning; notes that the content
analysis of guidelines for school libraries and university libraries enabled the identification of important indicators on
the organizational structure of the libraries of the Federal Institutes; and that the standardization of concepts and ways
of data collection in the organizational diagnosis will benefit the network work carried out in the Federal Institutes.
Keywords: Planning in unities of information. Organizational diagnosis. Multilevel libraries.
1

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3

Este artigo apresenta os resultados parciais da pesquisa no âmbito do Mestrado em Biblioteconomia da Universidade
Federal do Cariri (UFCA).
Doutoranda em Difusão do Conhecimento pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA). Mestra em Biblioteconomia pela
UFCA, Especialista em Gestão de Bibliotecas Escolares pela Universidade Candido Mendes (UCAM) e Graduada em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Bibliotecária do Instituto Federal do Ceará (IFCE). Email: rosana.vasconcelos@ifce.edu.br.
Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Mestra em Ciência da Informação
pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Especialista em Metodologias para o Ensino de Língua Portuguesa e
Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Graduada em Biblioteconomia pela UFC.
Professora da graduação em Biblioteconomia e do Mestrado Profissional em Biblioteconomia da UFCA. E-mail:
elieny.silva@ufca.edu.br.

�1 INTRODUÇÃO
O conhecimento prévio dos aspectos gerenciais que envolvem uma unidade de informação é
essencial para o processo de planejamento de atividades, produtos e serviços dessa unidade, sejam
aspectos relacionados ao acervo disponibilizado, aos recursos humanos, sejam relacionados à
estrutura organizacional e física.
A realidade da instituição, com suas limitações e potencialidades, fundamenta a elaboração de
um plano de trabalho eficiente, com ações prioritárias e soluções viáveis para os problemas existentes.
A realização de um diagnóstico organizacional, compreendida por alguns autores como a primeira
etapa de um planejamento, permite conhecer essa realidade e promover as intervenções necessárias
(BARBALHO; BERAQUET, 1995; MACIEL, 1997).
Com o diagnóstico, é possível comparar o estado encontrado da unidade de informação com o
estado desejado, avaliando-se a eficácia com base em indicadores de qualidade e procurando
caminhos para diminuir a distância entre a situação existente e a situação desejada, amparando o
processo de gestão dessas unidades (ALMEIDA, 2005; BARBALHO; BERAQUET, 1995).
Diante da não localização, na literatura especializada da área, de um instrumento com
indicadores adequados às especificidades das bibliotecas dos Institutos Federais (IFs) e da escassez de
pesquisas que contemplem essa temática, configura-se a problemática desta pesquisa: que indicadores
devem ser utilizados para identificar os pontos fortes, os pontos fracos e os pontos neutros das
bibliotecas dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia?
Nesse contexto e considerando-se a importância do diagnóstico organizacional em um
planejamento, esta pesquisa tem como objetivo identificar categorias a serem analisadas no processo
de diagnóstico em unidades de informação e indicadores de qualidade, relacionados à estrutura
organizacional, nos documentos regulatórios que estabelecem diretrizes para bibliotecas com
características similares às bibliotecas dos IFs.
2 O DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL NO PLANEJAMENTO EM UNIDADES DE
INFORMAÇÃO
Ao preceder os processos de uma organização, o planejamento permite a elaboração e
implantação de um plano de trabalho coerente com os pontos fortes e os pontos fracos de tais
processos. Maximiano (2011) objetivamente explicita: planejar consiste em definir os objetivos, os
cursos de ação e os meios de execução. O planejamento atua em todos os níveis organizacionais,
podendo ser estratégico, tático e operacional (CHIAVENATO, 2014), podendo incluir períodos de

�longo a curto prazo, envolvendo uma organização inteira, um departamento ou apenas uma tarefa.
Diante desses conceitos da Administração, Tarapanoff (1987) entende que é importante
estabelecer uma definição de planejamento para a área de Biblioteconomia e conceitua:
Planejamento Bibliotecário - […] planejar e analisar a biblioteca em relação à organização à
qual está vinculada, desde que se aceite a premissa de que a biblioteca é uma instituição de
apoio, de prestação de serviços, portanto, vinculada a outra organização;
Planejamento de Sistemas de Informação - […] planejamento da informação num sentido
mais global - o acesso, recuperação, controle e disseminação da informação, sem associações
organizacionais, e pensando-se a informação como parte de um grande sistema, independe de
vínculos organizacionais ou geográficos (TARAPANOFF, 1987, p. 231).

Isso posto, o planejamento é essencial para orientar a melhor forma de utilização dos recursos
disponíveis, com a oferta de produtos e serviços alinhados com os propósitos da unidade de
informação e as demandas de seus usuários, devendo ser bem estruturado e atualizado
constantemente.
A otimização do tempo, a redução de riscos e de custos, a capacidade de monitorar o
desempenho das ações de um projeto e a possibilidade de avaliar seus resultados são exemplos de
vantagens do planejamento, que garante à organização o melhor uso de seus recursos, e consequentes
melhores indicadores de qualidade e produtividade (ALMEIDA, 2005).
De acordo com Valentim (1995), é importante que esse processo compreenda a organização
como um todo, seu contexto interno e externo, e isso é possível por meio do planejamento estratégico.
Para Almeida (2005, p. 7), o planejamento estratégico “[…] consiste no processo de decisão relativo
aos objetivos da organização, às mudanças nesses objetivos, aos recursos utilizados para atingi-los e
às políticas que deverão governar a aquisição, a distribuição e a utilização desses recursos”.
Almeida (2005, p. 8) assinala que, em unidades de informação, é mais frequente o
planejamento tático e o operacional, “[…] sendo o planejamento estratégico uma prerrogativa dos
níveis de direção da organização a que pertencem”. Mas pondera:
Isso não quer dizer que a unidade de informação não possa planejar de maneira estratégica, ou
seja, levando em consideração as forças restritivas (problemas e limitações) e as forças
propulsoras (vantagens) de seu ambiente e da instituição mantenedora, definindo objetivos,
traçando prioridades, ou avaliando alternativas de cursos de ação (ALMEIDA, 2005, p. 8).

Para se obter êxito no planejamento, é essencial conhecer suas etapas. Barbalho e Beraquet
(1995), com a contribuição de Almeida (2005), elucidam que planejar é um processo dinâmico e
interativo que pressupõe a execução das seguintes etapas: diagnóstico; objeto do planejamento;
formulação do planejamento; implementação; controle; avaliação.
Klöppel e Spudeit (2015) atentam que essas etapas não precisam obedecer a uma ordem

�rigorosa, pois variam de acordo com a cultura organizacional e se complementam entre si. A primeira
dessas etapas, objeto de estudo desta pesquisa, consta caracterizada na subseção a seguir.
2.1 DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL
As bibliotecas são, geralmente, subordinadas a alguma instituição, e isso não significa que não
devam ser caracterizadas como organizações e que não precisam ser administradas. Sobre
administração de bibliotecas, Prado (1992, p. 5) elucida: “O primeiro passo será procurar ter uma
visão total do empreendimento para que seja possível decidir a maneira de desenvolver os diversos
trabalhos, separando, em cada atividade, o que é essencial do que pode ser dispensado.”
Isto é, as estratégias de uma organização devem ser definidas a partir de uma análise
situacional do ambiente em que esta organização está inserida, como defendido por Almeida (2005),
que denomina essa análise como diagnóstico organizacional, nomenclatura que adotamos nesta
pesquisa.
Por definição, o diagnóstico identifica os pontos positivos e as deficiências do funcionamento
de uma organização, retratando sua realidade e apresentando seus principais problemas (CUNHA;
CAVALCANTI, 2008), tornando-se a base de atuação de quem planeja (MACIEL; MENDONÇA,
2006).
Isso posto, compreende-se como objetivos específicos do diagnóstico organizacional:
[…] identificar pontos fortes e fracos na estrutura e no funcionamento da organização;
compreender a natureza e as causas dos problemas ou desafios apresentados; descobrir formas
de solucionar esses problemas; e melhorar a eficiência e a eficácia organizacionais
(ALMEIDA, 2005, p. 53).

Adotamos as definições de Barbalho e Beraquet (1995) para compreensão dos conceitos de
ponto forte e ponto fraco; segundo elas, pontos fortes são vantagens estruturais relacionadas a
tecnologias, serviços, produtos, potencial humano que favorecem a organização, enquanto que os
pontos fracos são desvantagens que desfavorecem a instituição.
Considerando o contexto das bibliotecas dos IFs, que apresentam pluralidade de funções e
tipos de usuários, trabalharemos também com o conceito de ponto neutro, adaptando-o de Oliveira D.
(2013), em que são analisadas variáveis que não podem ser classificadas como ponto forte ou fraco da
instituição, por não serem favoráveis para um dos tipos de usuários atendidos, mas também não serem
desfavoráveis para a instituição como um todo. Maciel e Mendonça (2006) também ponderaram que
um mesmo aspecto, dependendo do contexto, pode ser considerado uma potencialidade ou uma
limitação da instituição.

�Por envolver fatores internos e externos à unidade informacional, muitos deles dinâmicos, é
importante que essa análise diagnóstica seja periódica, pois, além de possibilitar intervenções
imediatas baseadas na realidade identificada, o processo de diagnóstico possibilita uma avaliação dos
resultados do plano de trabalho desenvolvido quando realizado, também, após a aplicação do plano,
sendo comparado ao primeiro diagnóstico feito, apresentando, assim, as diferenças entre os dois
momentos na instituição.
É sabido que as unidades de informação devem estabelecer seus planos de ação alinhados aos
propósitos da instituição a que pertencem e ao público-alvo que atendem (ALMEIDA, 2005); e é na
etapa de preparação do diagnóstico, na qual são elencados os aspectos a serem analisados, que se faz
necessário o estudo de diretrizes que deem amparo técnico à tomada de decisão dos gestores.
Há padrões nacionais e internacionais oriundos de convenções técnicas que uniformizam e
estabelecem indicadores de qualidade para processos realizados em unidades de informação
(ALMEIDA, 2005), compreendidos nesta pesquisa como diretrizes. Barbosa e Franklin (2011, p. 105106) assim os definem: “Padrões são indicadores que alcançaram um nível ideal de satisfação, quer
em termos de quantidade, quer em termos de qualidade, e que passam a ser adotados pelas
organizações, como modelos a serem atingidos; podem ser entendidos como norma/diretriz a ser
seguida.”
Para compreensão do que são indicadores de qualidade, parte-se da concepção de indicadores
como variáveis, fundamentadas em diretrizes, que possibilitam a avaliação de algo, podendo ser uma
“expressão (numérica, simbólica ou verbal) usada para caracterizar atividades […], em termos
quantitativos e qualitativos, a fim de determinar o valor das atividades” (ISO, 2014, p. 5).
No caso das bibliotecas, que apresentam diversidade de produtos e serviços conforme sua
tipologia (escolar, universitária, especializada, pública etc.), as diretrizes são, quando necessário,
adequadas às especificidades de cada unidade, pois “[…] para se organizar uma biblioteca, é
indispensável ainda considerar o tipo da que se vai organizar, para que as diversas características
sejam observadas” (PRADO, 1992, p. 9).
Considerando que os aspectos explanados nessas diretrizes devem ser incluídos no diagnóstico
conforme as características da unidade informacional analisada, no caso das bibliotecas dos IFs,
caracterizadas na próxima seção, é fundamental que se considere a pluralidade dos diversos níveis e
modalidades de ensino dessas instituições, com funcionalidades de biblioteca escolar, universitária e
especializada.

�3 BIBLIOTECAS DOS INSTITUTOS FEDERAIS
Os Institutos Federais “São instituições de educação superior, básica e profissional,
pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de educação profissional e tecnológica nas
diferentes modalidades de ensino […]” (BRASIL, 2008, p. 1). Dada sua presença geográfica nacional,
pluralidade de cursos e modalidades de ensino, os 38 IFs, distribuídos pelos 26 estados brasileiros e
no Distrito Federal, lideram de forma absoluta as estatísticas da Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica, com 599 unidades, 10.245 cursos ofertados e 949.831
matrículas, considerando 2019 como ano base, conforme os dados da Plataforma Nilo Peçanha
(2020).
A história das bibliotecas dos IFs acompanha as mudanças da Rede Federal. Enquanto Escolas
Agrotécnicas Federais e Escolas Técnicas Federais, as bibliotecas tinham características, basicamente,
de bibliotecas escolares. Com o ensino estendido ao ensino superior, nos então Centros Federais de
Educação Tecnológica (CEFETs), as bibliotecas passaram a apresentar também características de
universitárias (SANTOS, 2017), ampliando seu público e a demanda por produtos e serviços.
Com a transformação dos CEFETs em IFs e a consequente oferta de cursos em vários níveis e
modalidades, além da equiparação às universidades, devendo atuar na tríade Ensino, Pesquisa e
Extensão, as bibliotecas do IFs passaram a atender um público diversificado: discentes e docentes dos
cursos ofertados nos institutos, servidores e público externo da instituição.
Inerentes aos processos de ensino, pesquisa e extensão que integram os IFs, suas bibliotecas
precisam atender as necessidades informacionais de diferentes perfis de usuários que compõem as
modalidades de ensino do Instituto, devendo oferecer serviços e produtos característicos de
bibliotecas escolares, universitárias e especializadas, conforme análise realizada por Santos (2012).
Isso tornou complexa a classificação das bibliotecas dos IFs em uma das tipologias utilizadas
na literatura biblioteconômica, cuja denominação se dá conforme os perfis dos usuários público-alvo
da biblioteca e/ou sua finalidade, podendo ser: biblioteca infantil, escolar, universitária, especializada,
nacional e pública (FONSECA, 2007; SILVA; ARAUJO, 2013).
Considerando essas tipologias, os usuários e as finalidades das bibliotecas dos IFs nos
permitem classificá-las como:
a) biblioteca escolar: pois fornecem material bibliográfico necessário e/ou complementar às
atividades de estudantes e professores/funcionários do ensino médio, desempenhando
importante papel na formação de leitores e no fomento à prática da leitura;
b) biblioteca universitária: pois atendem as necessidades de ensino, pesquisa e extensão de

�estudantes e professores/funcionários do ensino superior, devendo disponibilizar as
bibliografias básica e complementar dos cursos superiores ofertados nos IFs, conforme os
níveis (graduação ou pós-graduação) e as modalidades (presencial ou a distância) de
ensino;
c) biblioteca especializada: pois atendem a cursos, na maior parte das vezes, dentro de um
mesmo eixo tecnológico ou de uma área do conhecimento, criados conforme as demandas
socioeconômicas de sua região, disponibilizando, portanto, um acervo especializado.
É possível identificar também algumas características de biblioteca pública, por atenderem
estudantes e participantes das atividades de extensão, dos cursos FIC e dos cursos da EJA, que atuam
com todos os segmentos da sociedade, e integrar uma instituição federal pública.
Nesse contexto, alguns autores entendem que essas bibliotecas apresentam uma nova
identidade, e, consequentemente, devem integrar uma nova tipologia de biblioteca, mas também há
divergências quanto a essa nova nomenclatura. Moutinho e Lustosa (2011) denominaram biblioteca
tecnológica; já Oliveira e Firme (2013), biblioteca mista; para Oliveira G. (2013), é unidade de
informação técnico-científica; para Moutinho (2014), é biblioteca multinível4; Teixeira (2015), por
sua vez, denominou de biblioteca técnico-acadêmica; já para Santos (2016), é biblioteca híbrida.
Diante da atual falta de consenso entre os profissionais da área sobre qual seria a denominação
mais adequada para as bibliotecas dos IFs (ALMEIDA; FREIRE, 2018), consideramos que a
terminologia Biblioteca Multinível (MOUTINHO, 2014) é a que melhor atende às características
dessas bibliotecas e a adotaremos neste estudo.
Todos os aspectos abordados nesta seção devem ser considerados no processo de
planejamento e devidamente analisados na etapa de diagnóstico organizacional, estando, portanto,
incluídos nas categorias que compõem o instrumento proposto na pesquisa da qual este artigo
apresenta um recorte, cuja estrutura é detalhada na seção a seguir, assim como os demais
procedimentos metodológicos utilizados no desenvolvimento desta pesquisa.
4 METODOLOGIA
Este artigo apresenta os resultados parciais de pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa,
que utilizou a pesquisa bibliográfica, por meio da análise da literatura científica da área de
Biblioteconomia e Ciência da informação que aborda a temática em estudo; e a pesquisa documental,
4

Almeida (2015, p. 45) considera a terminologia biblioteca multinível como a mais completa e abrangente para as
bibliotecas dos IFs e elaborou um conceito da finalidade desse novo tipo de biblioteca: “Atender às necessidades de
estudo, consulta e pesquisa de professores, servidores técnico-administrativos e alunos em nível profissionalizante,
médio, técnico, superior de graduação e pós-graduação (lato e stricto sensu) […].”

�analisando-se os documentos que estabelecem diretrizes e indicadores de qualidade para bibliotecas
escolares e universitárias (MARCONI; LAKATOS, 2003).
Buscando identificar indicadores de qualidade adequados às características das bibliotecas dos
IFs, analisamos qualitativamente documentos regulatórios que estabelecem diretrizes para bibliotecas
escolares, universitárias e para acessibilidade, identificados após a análise de pesquisas que abordam
diagnósticos nesses tipos de bibliotecas. Os indicadores identificados foram agrupados em categorias
derivadas de um princípio de classificação, processo de análise explicitado por Gil (2008).
Para análise desses documentos, utilizamos a análise de conteúdo proposta por Bardin (2016,
p. 48), compreendida como:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos
sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos
ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de
produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.

Nesse contexto, a análise do conteúdo dos documentos regulatórios que estabelecem padrões
de qualidade para processos realizados em unidades de informação nos permitiu identificar
indicadores adequados às características das Bibliotecas dos IFs, e esse método de análise de dados
abrange três fases: pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados, a inferência e a
interpretação (BARDIN, 2016, p. 125).
Na primeira fase, selecionamos e organizamos o material a ser analisado, fazendo uma leitura
superficial e estabelecendo as categorias de análise, conforme a recorrência com que elas apareciam;
na segunda, aprofundamos a leitura para identificação dos indicadores de qualidade; na terceira,
estruturamos, em um quadro, um instrumento com os indicadores identificados nas categorias
estabelecidas, conforme apresentado na subseção a seguir.
4.1 ESTRUTURAÇÃO DO INSTRUMENTO DE DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL
Após a análise dos documentos regulatórios que instituem diretrizes para bibliotecas, foram
estabelecidos indicadores de potencialidades e limitações considerando-se sete categorias do que
constitui uma biblioteca, a saber: estrutura física, estrutura organizacional, acessibilidade, recursos
humanos, usuários, acervo e serviços.
Consideramos os aspectos de cada categoria pertinentes às características das bibliotecas dos
IFs, sendo esses elementos organizados em um quadro, indicando-se a categoria analisada, os
aspectos abrangidos por essa categoria e os indicadores extraídos das diretrizes analisadas, seguidos
da indicação numérica que corresponde a essas diretrizes.

�Os indicadores que não são acompanhados por uma indicação numérica foram inseridos pelas
pesquisadoras, com base em suas vivências enquanto bibliotecárias. Junto a todos os indicadores, há
as colunas para indicação dos pontos fortes, fracos e neutros e para observações.
Quanto às denominações indicadas para a estruturação desse instrumento, entende-se por:
a) categoria: refere-se a um conceito que abrange elementos ou aspectos com características
comuns ou que se relacionam entre si. Isto é, possibilita o agrupamento de elementos, ideias
ou expressões em torno de um conceito capaz de abranger tudo isso (GOMES, 2002, p. 70);
b) diretrizes: são padrões nacionais e/ou internacionais oriundos de convenções técnicas que
uniformizam e estabelecem indicadores de qualidade para algo (ALMEIDA, 2005);
c) indicadores: são variáveis, fundamentadas em diretrizes, que possibilitam a avaliação de algo,
podendo ser uma “expressão (numérica, simbólica ou verbal) usada para caracterizar
atividades (eventos, objetos, pessoas), em termos quantitativos e qualitativos, a fim de
determinar o valor das atividades” (ISO, 2014, p. 5, tradução nossa).
Isto posto, os resultados parciais do levantamento, da análise e da organização dessas
dimensões, diretrizes e indicadores constam apresentados na seção a seguir.
5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Considerando-se que as especificidades das bibliotecas dos IFs nos permitem classificá-las
como escolares, universitárias e especializadas, foram analisadas diretrizes que contemplam esses
tipos de biblioteca — exceto para bibliotecas especializadas, por não encontrarmos parâmetros
exclusivos para esse tipo de biblioteca — e diretrizes que abordam a acessibilidade.
Ao todo, foi feita a análise do conteúdo de 16 documentos, listados a seguir, sendo
identificados 256 indicadores adequados às especificidades das bibliotecas dos IFs, cuja distribuição
por categoria analisada está apresentada no Quadro 1.
Diretrizes analisadas:
1) Lei nº 12.244/2010 (BRASIL, 2010);
2) Parâmetros para bibliotecas escolares (CAMPELLO, 2010);
3) Biblioteca escolar (CÔRTE; BANDEIRA, 2011);
4) Diretrizes da IFLA para a biblioteca escolar (IFLA, 2016);
5) Parâmetros para bibliotecas escolares: espaço físico (CAMPELLO, 2016);
6) Resolução nº 199/2018 (CFB, 2018);
7) Indicadores da Qualidade na Educação para o Ensino Médio (UNICEF, 2018);
8) Modelo de avaliação para a biblioteca universitária brasileira (LUBISCO; VIEIRA, 2009);

�9) Instrumento de avaliação institucional externa para recredenciamento (BRASIL, 2017a);
10) Instrumento de avaliação para reconhecimento, renovação de reconhecimento de cursos de
graduação (BRASIL, 2017b);
11) Formulário CENSUP 2018;
12) ABNT NBR 15599:2008 Acessibilidade - Comunicação na prestação de serviços (ABNT,
2008);
13) Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação (SASSAKI, 2009);
14) Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015);
15) ABNT NBR 9050:2015 Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos
urbanos (ABNT, 2015);
16) Diagnóstico organizacional: pontos fortes e fracos da unidade de informação (ALMEIDA,
2005).
Quadro 1 – Aspectos e número de indicadores por categoria analisada
Categoria
Estrutura
física
Estrutura
organizacional
Acessibilidade
Recursos
humanos
Usuários
Acervo
Serviços

Aspectos analisados
Localização, extensão, ruído, iluminação, temperatura e umidade, segurança,
sinalização, setores, mobiliário, equipamentos, limpeza
Funcionamento, documentos regulatórios, comunicação, recursos humanos,
recursos financeiros, planejamento, avaliação
Arquitetônica, instrumental, comunicacional, metodológica e atitudinal

Indicadores

Aperfeiçoamento de pessoal (especializado e apoio)

12

Estudo de usuários, categorias dos usuários etc.
Formação, desenvolvimento, processamento técnico e gerenciamento do acervo
Acesso, uso, tipos e avaliação dos serviços
Total
Fonte: Elaborado pelas autoras com os dados da pesquisa (2020).

90
24
55

6
25
44
256

Notadamente, a estrutura física é a categoria mais expressiva, sendo abordada por 12 dos 16
documentos analisados e, consequentemente, apresentando a maior quantidade de indicadores a
serem considerados no processo de diagnóstico das bibliotecas. A categoria acessibilidade também
é destaque no número de indicadores, tendo em vista que permeia todas as outras categorias,
devendo ser pauta prioritária não só nas bibliotecas, mas em todos os segmentos que formam os IFs
e no âmbito da educação nacional como um todo.
A análise dessas diretrizes resultou no instrumento de diagnóstico organizacional, produto
da pesquisa de mestrado da qual este artigo faz um recorte. Em virtude da extensão do conteúdo do
instrumento, considerando-se os 256 indicadores identificados, neste artigo apresentamos
exclusivamente os 24 indicadores da categoria estrutura organizacional, considerando-se seu
destaque como a segunda categoria com mais aspectos analisados e dada a importância desses

�aspectos para as bibliotecas, contemplando desde indicadores básicos de funcionamento das
unidades de informação à avaliação destas, conforme o Quadro 2.
Quadro 2 – Indicadores de potencialidades e limitações da categoria estrutura organizacional
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Aspectos
analisados

Indicadores de potencialidades e limitações*

➔ O horário de funcionamento contempla todos os turnos nos quais há atividades acadêmicas na
instituição2 ,6, 7, com 12h diárias ininterruptas, oferecendo todos os serviços8
Funcionamento
➔ O horário de funcionamento contempla horários de intervalo dos usuários (horário de almoço, por
exemplo), a fim de proporcionar acesso à informação de forma irrestrita6
➔ Há folheto/guia da biblioteca2
➔ Há um regulamento da biblioteca3, 16
➔ Há um manual de processos da biblioteca16
➔ Há política de acesso à internet4
➔ Há política de gerenciamento de riscos (salvaguarda e emergência)
➔ Há política de preservação e conservação do acervo
Documentos ➔ Há uma política que inclua um sistema de avaliação de desempenho8
regulatórios ➔ Há uma política pedagógica (que aborda métodos de aprendizagem na escola, necessidades de
aprendizagem dos alunos, necessidades dos professores, níveis de sucesso escolar,
desenvolvimento das competências de pesquisa, etc.)4
➔ Há plano de ações anual4
➔ Há plano de marketing da biblioteca4
➔ Há a elaboração de um relatório anual da biblioteca3, 4, 16
➔ Os eventos da Biblioteca são incluídos no calendário anual de eventos da instituição
➔ Possui mecanismos formais de comunicação interna (quadros de aviso, boletins informativos,
ramais telefônicos, e-mail, intranet, etc.)8 e informais (redes sociais etc.)16
Comunicação ➔ O e-mail da biblioteca é acompanhado diariamente16
➔ O site da Biblioteca, caso haja, possui conteúdo atualizado com regularidade16
➔ Há sistema de comunicação interna3
Recursos
➔ Há um programa de formação de servidores3 por categoria funcional8
humanos
Recursos
➔ Há dotação orçamentária anual adequada às demandas da biblioteca 4, 9, 16
financeiros
➔ Há o planejamento anual de atividades3, 16
Planejamento
➔ O planejamento está alinhado à missão e aos objetivos da instituição que a biblioteca integra16
➔ Faz-se avaliação de todos os aspectos relacionados à biblioteca regularmente16
Avaliação
➔ As avaliações realizadas fornecem subsídios informacionais para o processo de planejamento16
Fonte: Elaborado pelas autoras com os dados da pesquisa (2020).
Nota: *Os números sobrescritos que acompanham os indicadores correspondem às diretrizes das quais foram extraídos,
cuja relação está apresentada no início desta seção.

Os indicadores apresentados no Quadro 2 possibilitam uma análise diagnóstica detalhada da
estrutura organizacional das bibliotecas dos IFs, comtemplando também aspectos comuns a todos os
tipos de bibliotecas, e, consequentemente, proporcionam a visualização de potencialidades e/ou
limitações capazes de interferir diretamente nas demais categorias dessas unidades de informação,
como na oferta dos serviços, na organização do acervo, etc.
Dentre os sete aspectos analisados contemplados na categoria estrutura organizacional, o
item sobre documentos regulatórios apresenta 50% dos indicadores da categoria, destacando-se
como um dos aspectos mais contemplados nas diretrizes analisadas e apresentando uma relação de

�importantes mecanismos gerenciais e regulatórios que balizam todo o funcionamento das unidades
de informação.
Ademais, podemos destacar do quadro alguns aspectos pouco abordados na literatura
especializada da área, mas de suma importância para uma análise diagnóstica completa, como:
comunicação, que contempla indicadores sobre os mecanismos de comunicação interna e externa da
unidade de informação; recursos humanos sob a abordagem da importância de um programa de
formação que considere as funções de cada categoria de funcionários da biblioteca; e o de recursos
financeiros, que indica a necessidade de garantia de dotação orçamentária anual conforme as
demandas da unidade de informação.
Faz-se importante destacar também que esse quadro é uma ferramenta gerencial que
embasará a realização de análise diagnóstica, não devendo ser considerado como um documento de
requisitos obrigatórios para as bibliotecas, isto é, a existência ou não na unidade de informação de
indicadores apresentados nesse quadro será considerada ponto forte, fraco ou neutro conforme as
demandas de cada biblioteca, cuja análise preferencialmente deve ser feita pela equipe que atua na
unidade de informação e, consequentemente, conhece tais demandas.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa evidencia a importância do planejamento em bibliotecas, destacando a
necessidade de sua implementação mesmo que essas unidades de informação integrem uma
instituição maior, como nos casos dos IFs, cuja gestão superior de cada campus pode realizar o
planejamento da instituição; isso não exime a biblioteca da responsabilidade de elaborar um
planejamento próprio. Para isso, é importante a adoção de recursos gerenciais da Administração, a
exemplo do processo de diagnóstico organizacional explorado neste estudo.
A análise de conteúdo de diretrizes para bibliotecas escolares e bibliotecas universitárias
possibilitou a identificação de importantes indicadores sobre estrutura organizacional das
bibliotecas dos IFs. Faz-se importante a ressalva de que a apreciação desses documentos não esgota
os indicadores de cada tipo de biblioteca e da categoria abordada, podendo cada bibliotecário dos
IFs fazer inserções, sendo até possível a proposição de um trabalho conjunto para ampliação dos
indicadores, ou ser dada a continuidade da pesquisa com a análise de outros documentos.
Além disso, acredita-se que a padronização dos conceitos e das formas de coleta dos dados
no diagnóstico organizacional beneficiará o trabalho em rede realizado nos IFs, reduzindo o tempo
dos gestores na busca por parâmetros que possam ser referência para identificar pontos fortes,
fracos e neutros e a perda de recursos humanos e materiais na duplicação de esforços para

�implementação do planejamento nas bibliotecas.
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Sociedade) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, 2017.
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                <text>Aborda o planejamento em unidades de informação no contexto das bibliotecas dos Institutos Federais, que atendem diferentes perfis de usuários, devendo oferecer serviços e produtos característicos de bibliotecas escolares, universitárias e especializadas. Focaliza a etapa de diagnóstico organizacional, que identifica as potencialidades e limitações da instituição, com base em indicadores de qualidade oriundos de convenções técnicas nacionais e internacionais. Diante disso, parte da seguinte questão problema: que indicadores devem ser utilizados para identificar os pontos fortes, os pontos fracos e os pontos neutros das bibliotecas dos Institutos Federais? Objetiva identificar categorias a serem analisadas no processo de diagnóstico em unidades de informação e indicadores de qualidade, relacionados à estrutura organizacional, nos documentos regulatórios que estabelecem diretrizes para bibliotecas com características similares às bibliotecas dos Institutos Federais. Utiliza como procedimentos metodológicos a pesquisa exploratória, bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa. Para coleta e análise dos dados, utiliza a análise de conteúdo. Em suas considerações finais, evidencia a importância do planejamento em bibliotecas, constata que a análise de conteúdo de diretrizes para bibliotecas escolares e bibliotecas universitárias possibilitou a identificação de importantes indicadores sobre estrutura organizacional das bibliotecas dos Institutos Federais, e que a padronização dos conceitos e das formas de coleta dos dados no diagnóstico organizacional beneficiará o trabalho em rede realizado nos Institutos Federais.</text>
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                    <text>Eixo 2 Práticas
A ATUAÇÃO DO SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS DA UERN FRENTE A
PANDEMIA: DO TELETRABALHO À RESSIGNIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS AO
USUÁRIO
THE PERFORMANCE ON UERN INTEGRATED LIBRARY SYSTEM AGAINST THE
PANDEMIC: FROM TELEWORK TO RESIGNIFICATION OF USER SERVICES

Fernanda Andréa Siqueirade Souza¹
Francismeiry Gomes de Oliveira²
Joseane Maria da Paz Almeida³
Petrônio Pereira Diniz Junior4
Sebastião Lopes Galvão Neto5
Resumo: Diante de um cenário marcado por uma inesperada crise social, econômica e política mundial, causado
pela COVID-19, as bibliotecas universitárias também foram prejudicadas.Nesse contexto adverso, o presente
estudo, aborda sobre a atuação do Sistema Integrado de Bibliotecas da UERN (SIB-UERN), em função da
política de isolamento social determinadas pelos governos estaduais e municipais, e diante das incertezas geradas
pela Pandemia. Conclui que mesmo diante de uma realidade desconhecida para todos e em um contexto
turbulento, o SIB-UERN com resiliência conseguiu redefinir, mesmo com algumas limitações, seu modo
operante, bem como organizar o realinhamento dos seus serviços, oportunizando a sua comunidade científica o
acesso à informação, de forma a dar continuidade ao desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão .

Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Pandemia. Teletrabalho.
Abstract: Faced with a scenario marked by an unexpected global social, economic and political crisis, caused
by COVID-19, university libraries were also harmed. In this adverse context, this study addresses the
performance of the UERN Integrated Library System (SIB -UERN), due to the policy of social isolation
determined by state and municipal governments, and given the uncertainties generated by the Pandemic. It
concludes that even in the face of a reality unknown to everyone and in a turbulent context, the SIB-UERN with
resilience managed to redefine, even with some limitations, its operating mode, as well as organize the
realignment of its services, providing access to its scientific community. information, in order to continue the
development of teaching, research and extension.

Keywords: University Library. Pandemic. Telework.

1 INTRODUÇÃO
O ano de 2020 foi um ano, totalmente, atípico. A pandemia do novo Coronavírus, fez
a sociedade, de uma forma global, se adequar a uma nova maneira de socializar. Movimentos
antes comuns como: aperto de mão, abraço ou um simples beijo, se tornaram perigosos diante
dessa nova realidade. Desde a forma de convivência entre as pessoas até o modo de
desenvolver o trabalho no dia-a-dia, tudo teve que ser revisto e readequado.

�Conhecido como um local de disseminação da informação, diante desse novo contexto
de distanciamento social, as bibliotecas precisaram reavaliar seus serviços. A Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte (UERN), acompanhando as novas diretrizes do Estado,
suspendeu o atendimento presencial e procurou adequar-se a uma nova forma de atendimento
ao usuário.
O Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB), realinhando seus serviços, procurou formas
de oferecê-los de maneira online. Divulgação nas redes sociais, disponibilização de canais
para atendimento direto (WhatsApp, e-mail), prorrogação de empréstimos e parcerias com
base de dados, foram alguns dos serviços oferecidos para melhorar a vida do usuário, nessa
fase de isolamento social.
Sempre é discutida a importância da informação, nesse novo contexto que foi imposto
pela pandemia, isso ficou evidenciado. As Bibliotecas Universitárias (BU’s), sempre presente
no desenvolvimento da ciência, tem no seu histórico a importância de contribuir como um
fator decisivo para o desenvolvimento e aprimoramento sociocultural da sociedade. Apesar
das dificuldades, mostraram seu real valor como instrumento transformador.
Projetos idealizados e alguns já em uso, foram expandidos visando o bem-estar do
usuário. Ferramentas como o googlemeet auxiliaram de maneira decisiva para o bom
desempenho dos serviços oferecidos. Treinamentos do portal de periódicosCAPES,
conversando com autores, doses poéticas e minicursos das normas da Associação Brasileira
de Normas Técnicas(ABNT) são exemplos de como a biblioteca procurou superar as
adversidades e se destacar auxiliando a comunidade da UERN e a externa. A importância das
novas tecnologias alinhado com canais de disseminação e servidores capacitados, fez com que
essa nova realidade fosse posta em prática.

2 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E OS DESAFIOS DA PANDEMIA
A biblioteca, etimologicamente, significa depósito de livros. O que atualmente está
longe de ser apenas a sua composição, mas sim como o ambiente que comporta a compilação
de dados, informações e conhecimento, armazenados em meio físico, digital ou virtual.

�Ao longo do tempo, as bibliotecas demonstraram sua importância frente aos
acontecimentos históricos, às bibliotecas na antiguidade correspondiam ao seu acervo, em sua
maioria serviam apenas como depósito de livros, com o objetivo maior de esconder a
informação do que disseminá-la.
Nesse sentido, Nunes e Carvalho (2016) discorrem que:
Ao longo da sua história, as bibliotecas foram evoluindo e adaptando-se às
mudanças que estabeleceram suas atuais características e seu papel social. Elas estão
ligadas historicamente ao desenvolvimento humano e social, e neste sentido também
exercem uma importante tarefa para a mediação da informação, acompanhando não
apenas a evolução da produção escrita e da circulação do conhecimento, mas
também a evolução tecnológica que favorece o processo comunicacional. (NUNES;
CARVALHO, 2016, n. 20)

As Bibliotecas Universitárias (BU’s) acompanharam essa evolução e sempre
estiveram presentes no desenvolvimento da ciência no Brasil. Nessa perpectiva, Cunha e
Diógens (2016) mensuram que no final do século XVI, já existia em Salvador uma
biblioteca no colégio jesuíta. A biblioteca, ligada ao ensino das ciências, que começa na
Bahia com as matemáticas, em 1757, possuía as obras de Clavius, de Kricher e os livros de
Newton e Descartes. Em 1760, a biblioteca do colégio de Santo Alexandre, no Pará, tinha
mais de 2.000 volumes; já o colégio dos jesuítas do Rio de Janeiro tinha 5.434 volumes em
meados do século XVIII.
Ainda de acordo com Cunha e Diógenes (2016), no início do século XX, quando o
Brasil estava ainda em um estágio incipiente do desenvolvimento do ensino superior, foi
elaborada a legislação sobre o funcionamento de bibliotecas ligadas aos Institutos de Ensino
Superior, na ocasião em que o Presidente Campos Sales aprovou em 1º de janeiro de 1901, o
código dos Institutos Oficiais do Ensino Superior e Secundário.
Lemos e Macedo (1975, p. 167apudCUNHA; DIÓGENES, 2016) comentam que em
seu décimo nono capítulo, se referia detalhadamente ao funcionamento das bibliotecas,
especialmente as de uso do corpo docente e dos alunos, mas franqueadas a todas as pessoas.
Destaca-se ainda que as bibliotecas universitárias brasileiras foram introduzidas na reforma
universitária em 1968 embora de maneira tímida no qual não ficou definida diretrizes de
atuação.

�Nesse contexto, a Biblioteca Universitária de acordo com Tarapanoff (1981) é vista:
[...] como um resultado da sociedade à qual pertence de suas características e
prioridades socioeconômicas e culturais. É uma unidade subordinada à universidade
que pertence e, baseada nessas premissas, a Biblioteca reflete as características da
situação socioeconômica da instituição. (TARAPANOFF, 1981, p. 16)

Frente a isso, o relacionamento da universidade com seu meio ambiente se faz em
função das características da universidade como organização e do papel social em
determinado momento histórico.
Como se percebe, historicamente, a biblioteca universitária vem se fazendo presente e
importante desde o povoamento do Brasil, no qual, vem sofrendo constantes mudanças no seu
modo de atuação, frente a necessidades informacionais contemporâneas.
Nessa perpectiva, esse tipo de biblioteca por ser um centro que otimiza e dissemina o
conhecimento no ceio da universidade, tem uma característica muito peculiar em dentrimento
de ourtras bibliotecas. Nesse contexto da sociedade do conhecimento, é necessário que essas
bibliotecas compreendam que os seus desafios estão correlacionados com os setores
estratégicos do desenvolvimento econômico nacional e regional: Universidade, Estado e
Economia.
Partindo desse pressuposto, de que a biblioteca universitária é uma instituição
centenária que se faz presente desde a colonização do nosso país e que vem sofrendo
transformações constantes com o intuito de atender eficientemente cada vez mais a sociedade
contemporânea, deparou-se com um momento de incertezas, desenhado por esse contexto de
pandemia, definido desde março de 2020 pela OMS, que assola o mundo, no qual requer da
sociedade de um modo geral (governo, economia, universidade, biblioteca) um novo modelo
de convivência e partilhamento com o propósito de superar essa fase.
Diante do exposto, é pertinente ressaltar que a educação de um modo geral,
principalmente as universidades brasileiras passaram por grandes mudanças nesse período de
pandemia. Algumas, inicialmente, fecharam suas portas tendo em vista que o distanciamento
social no caso concreto, seria até então o maior aliado do combate ao coronavírus.
Nesse sentido, Tanus e Sánchez-Tarragó (2020) abordam que:

�A crise sanitária, econômica, política e social atrelada à pandemia da COVID-19
traz afetações complexas em todos os âmbitos da vida cotidiana. A necessidade de
conter os contágios por meio de distanciamento social impôs o fechamento de
escolas e universidades, empresas, lojas e outra ampla gama de entidades,
consideradas não essenciais. O teletrabalho foi adotado por muitas destas
organizações como alternativa para manter alguns serviços e atividades. (TANUS;
SÁNCHEZ-TARRAGÓ, 2020, p.4)

Ocorre que com o passar do tempo e com a demora da vacina contra o coranavírus as
universidades tiveram que traçar um plano de retomada, mesmo que fosse por via remota,
telepresencial, digital, afim de dar continuidade ao seu papel de formação na comunidade. A
biblioteca universitária teve que se reinventar nesse novo cenário, uma vez que, era necessário
o apoio pedagógico e o suporte ao ensino e extensão à comunidade acadêmica.
Um estudo realizado pelas professoras Tanus e Sánchez-Tarragó, 2020, intitulado
como “Atuação e desafios das bibliotecas universitárias brasileiras durante a pandemia de
COVID-19”, apontaram alguns desafios nesse novo cenário, que foram relacionados com a
mudança brusca do atendimento e trabalho presencial a teletrabalho e atendimento virtual,
sem uma preparação prévia (protocolos de atuação, infraestrutura, competências
profissionais). A reabertura das bibliotecas também é um outro grande desafio que inclui
mudanças nas instalações, aquisição dos equipamentos de proteção e o estabelecimento de
protocolos de higienização.
Imperioso destacar que a Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU)
disponibilizou um documento com “Recomendações para elaboração de planejamento de
reabertura das bibliotecas universitárias” que contém cinco dimensões: equipes de trabalho;
acesso físico à biblioteca; acervo; outros serviços técnicos e oferta de serviços online. O
documento ressalta que "cada biblioteca é um universo distinto, com realidades assimétricas
neste nosso país de proporções continentais" (CBBU, 2020).
No caso concreto, trazendo para o âmbito do Sistema Integrado de Bibliotecas da
Universidade do Estado do Rio grande do Norte, desde o início da pandemia, manteve-se o
atendimento em funcionamento, através das redes sociais, e-mails, telefone, WhatsApp, não
interrompendo todos os seus serviços, minimizando o prejuízo a comunidade acadêmica.

�Outra ação tão importante e que deve ser considerada foi o fato do semestre letivo da
UERN 2020.2 ter iniciado totalmente online e a biblioteca ter condicionado sua reabertura
parcialmente e por agendamentos, com intenção de continuar dando apoio a comunidade
científica com empréstimos de livros, seguindo todos os protocolos de segurança indicados
pelo setor de segurança do trabalho institucional e demais autoridades sanitárias. Estes e
outros serviços disponibilizados em tempos de pandemia pelas Bibliotecas da UERN, serão
arguidos oportunamente em seção própria.
Apesar de muitas deficiências tecnológicas, econômicas e humanas, falar da biblioteca
universitária e sobretudo, de sua atuação nesse momento delicado, pode ser prematuro, tendo
em vista que muitas instituições que trabalham com atendimento ao público, ainda se ver
deficiente e amedrontada. Porém, os desafios que essa situação coloca para essas instituições, é
sobretudo também, um momento de reflexão, no qual requer da biblioteca universitária e de
todos os seus atores, sejam bibliotecários, servidores, usuários, uma postura diferente e de
reinvenção, o que não será tão difícil tendo em vista que esses centros de informação vem
atravessando mudanças constantes, afim de se garantir importante e necessária à sociedade
como um todo.

3 A COVID-19 E O NOVO CENÁRIO NO SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS
DA UERN
Emergiu em 2020 o panorama mundial da pandemia acarretada pelo novo coronavírus,
doença denominada como COVID-19, uma enfermidade cuja a contaminação ocorre com
rapidez. Sobre esse aspecto Tanus e Sánchez-Tarragó (2020) discorrem que:
Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o surto
epidêmico decorrente de infecção por o novo Coronavírus (Sars-Cov-2) como uma
pandemia. [...] os primeiros casos foram diagnosticados em Wuhan, China, em
dezembro de 2019, a doença, nomeada como COVID-19, se expandiu rapidamente a
todas as regiões do mundo (TANUS; SÁNCHEZ-TARRAGÓ, 2020, p. 3).

Diante desse cenário ocasionado pelo surto epidêmico da COVID-19, uma das
medidas de enfrentamento para conter a propagação da doença, é o distanciamento social que

�estabeleceu o fechamento de serviços considerados como não essenciais, que foi o caso das
Instituições de Ensino Superior (IES), escolas, etc. Com isso, as bibliotecas das IES
consequentemente também tiveram que interromper o atendimento presencial, passando a
buscar outras estratégias para dar continuidade aos seus serviços no modelo on-line.
Nesse sentido, a UERN no dia 15 de março de 2020, publicou a Portaria nº 346/2020GP/FUERN, determinando a suspensão das atividades presenciais, acadêmicas e
administrativas, por 30 dias, e o encerramento do semestre letivo 2019.2 de forma on-line.
Com base nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Decreto Estadual
29.512, de 13 de março de 2020. (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO RIO
GRANDE DO NORTE, 2020).
Ante a incidência do aumento de casos da COVID-19, a UERN publica a Portaria
421/2020-GP/FUERN, em 15 de abril de 2020, estabelecendo a prorrogação por tempo
indeterminado da Portaria nº 346/2020-GP/FUERN, de 15 de março de 2020, como medida
de prevenção ao contágio da COVID-19. (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO
RIO GRANDE DO NORTE, 2020).
Frente a suspensão das atividades presenciais no âmbito da UERN, todos os setores
administrativos e acadêmicos tiveram que adaptar a forma de trabalho. Com isso, o SIB da
UERN, composto por oito bibliotecas, são elas: Biblioteca Central Reitor Padre Sátiro
Cavalcanti Dantas – Mossoró; Biblioteca Setorial da Faculdade de Enfermagem - Mossoró;
Biblioteca Setorial da Faculdade de Ciências da Saúde – Mossoró; Biblioteca Setorial Padre
Alfredo Simonetti - Assú; Biblioteca Setorial de Pau dos Ferros – Pau dos Ferros; Biblioteca
Setorial Professora Mônica Moura – Patu; Biblioteca Setorial do Campus Avançado de Natal
– Natal; Biblioteca Setorial do Campus Avançado de Caicó – Caicó (BIBLIOTECA DA
UERN, 2020). Precisou suspender o funcionamento de todas as bibliotecas que compõem o
SIB-UERN, passando a ofertar alguns serviços exclusivamente no formato on-line.
As mudanças repentinas na forma de trabalho das bibliotecas, perante ao cenário
ocasionado pela pandemia da COVID-19, suscitou readequações na prestação de serviços,
criação de novos projetos, ações e serviços, dentre outras medidas necessárias para que as
bibliotecas possam continuar disseminando a informação para a sociedade.

�Conforme Sala, et al. (2020, p. 30) “[...] a COVID-19 trouxe à tona novas demandas, e
as bibliotecas como equipamentos de transformação social precisam se adaptar novamente
para atender às expectativas de sua comunidade [...]”.
Nessa perspectiva, o SIB-UERN, necessitou ampliar a divulgação dos serviços que já
são ofertados on-line; alterar alguns serviços para o formato remoto; realizar parcerias com
bases de dados de publicações científicas; intensificar as publicações nas redes sociais
(divulgação dos serviços, das parcerias realizadas, dos projetos e cursos oferecidos pela
equipe do SIB-UERN, e elaboração de conteúdos digitais); dentre outras iniciativas
desenvolvidas para atender as necessidades dos usuários (comunidade acadêmica) e do
público externo.
3 A REINVENÇÃO DOS SERVIÇOS OFERECIDOS PELO SISTEMA
INTEGRADO DE BIBLIOTECAS DA UERN
As Bibliotecas de todo o país foram atingidas pelo impacto resultante do crescimento
dos casos do novo coronavírus, assim como o Sistema Integrado de Bibliotecas da UERN, em
meados de março de 2020, por normativa oficial de sua Reitoria, resolve fechar as portas
como medida de prevenção a disseminação do vírus.
Diante de uma crise sem precedentes, a criação de um plano de contingência para
auxiliar o desenvolvimento dos serviços que seriam oferecidos a partir daquele momento aos
usuários, foi obrigatoriamente necessário. A equipe de Bibliotecários, assim como os técnicos
administrativos lotados no setor, fora imprescindível para a continuidade da prestação de
serviços à comunidade acadêmica. Apesar das portas fechadas, a o SIB-UERN, transpôs as
paredes físicas e continuou a prestar apoio ao acesso a informação, dando prosseguimento a
alguns serviços e disponibilizando novos projetos resultantes do processo criativo da equipe.
Na ausência de planos e protocolos para a situação extrema que se apresentava,
mesmo sendo forçados a encerrar as atividades presenciais, o plano de contingência elaborado
formulou uma rápida reorganização dos serviços. O regime de teletrabalho foi adotado em
toda a Universidade. Com isso os Bibliotecários do Sistema reuniam-se semanalmente,
usando o google meet como ferramenta, visando traçar os rumos de um novo atendimento a
comunidade acadêmica.

�Em um momento onde o mundo passava pelas mesmas situações e onde a informação
era a fonte mais importante no combate a transmissão do vírus, grandes editoras,
universidades e institutos que são referência em fomentar pesquisas tiveram a iniciativa de
compartilhar seus bancos de dados com a comunidade científica.
Ganhou protagonismo o uso dos repositórios institucionais, bases de dados
multidisciplinares, acervos de livros eletrônicos pagos, que começaram a oferecer às
Biblioteca Universitárias acessos gratuitos. Na mesma proporção, ganhou destaque o uso das
redes sociais, Instagram e Facebook, como os meios principais de comunicação com o
usuário, assim como o WhatsApp como meio de atendimento.
A informação transformou-se em questão primordial de divulgação. Assim, o SIBUERN passou a utilizar o Instagram da Biblioteca Central como principal canal de
disseminação dos serviços oferecidos, divulgando informações sobre entretenimento, cultura,
questões relativas aos cuidados com a saúde em meio a pandemia, como forma de chegar
mais próximo ao usuário.
O primeiro passo foi disponibilizar as formas de comunicação com os integrantes de
cada equipe das bibliotecas setoriais, pois a priori, as maiores preocupações dos usuários eram
sobre a devolução das publicações.
O segundo passo foi prorrogar todos os empréstimos ativos, informando aos usuários
a medida tomada pela Biblioteca, através dos principais meios de comunicação com os
usuários.
Como o semestre estava finalizando para os discentes, foi dado continuidade ao
projeto existente, conversando com autores, no formato online, e lançado alguns projetos
novos nas Bibliotecas do SIB, divulgados nas páginas do Instagram:
1. Minutos de leitura: tem uma periodicidade semanal, onde o participante
indicava/indica uma obra e envia seu resumo, para os endereços eletrônicos, por meio
de áudio, e com todas as informações do livro.
2. Jah-li: projeto de incentivo a troca de livros usados ou lidos.
3. Doses poéticas: divulgação semanal de poesias de grandes escritores.

�4. Poetas da terra: projeto que divulga a arte de poetas do Rio Grande do Norte em forma
de vídeo, onde os artistas declamam suas composições.
Paralelo ao desenrolar desses projetos, surgiu a oportunidade de parcerias com
algumas bases de dados de livros digitais, gratuitamente, como a Cegange Learning, Proquest
e Infomed, para toda a comunidade acadêmica da UERN. O período de acesso foi limitado a
60 dias.
Com o prolongamento do isolamento e a definição do retorno remoto do calendário
acadêmico, tornou-se valioso o acesso as monografias, teses e dissertações da UERN em
formato digital. Não exatamente nos moldes específicos de um repositório, mas que pode ser
acessado pelos alunos e/ou professores e pesquisadores através do Siabi (Sistema
Automatizado de Bibliotecas) adotado pelas Bibliotecas da UERN.
Os treinamentos que eram realizados presencialmente, mudaram de formato, seguindo
as novas regras de interação, o uso de ferramentas como o google meet ou zoom. Com a
ausência dos empréstimos do acervo físico, cresceu a procura por treinamentos do Portal de
Periódicos da CAPES e Bases de dados de acesso aberto, assim como cursos para amenizar as
dúvidas no manuseio do acervo digital e direitos autorais. Além da programação de
minicursos no formato online sobre as normas mais conhecidas da ABNT que regem a
elaboração do trabalho científico.
A recepção dos calouros e as visitas orientadas, também se renderam ao formato
digital. Os professores agendam com os bibliotecários do campus o dia em que será
necessário acessar o link da aula, para conversar com a turma sobre os serviços oferecidos
pela Biblioteca e de que forma eles podem ter acesso a esses.
A solicitação de Nada Consta, geralmente era retirado impresso pelo usuário,
atualmente é gerado e encaminhado ao solicitante pelo whatshap ou via e-mail, em formato
pdf. O serviço de emissão de ficha catalográfica não teve alteração, pois sua confecção é
gerada pelo próprio usuário por um sistema automatizado, disponível na página da Biblioteca,
no site da UERN.

�Na segunda quinzena de Agosto, nas reuniões semanais de planejamento, a equipe de
Bibliotecários se deparou com o desafio de elaborar um plano para uma possível retomada,
gradual, do funcionamento presencial da Biblioteca, visto a necessidade visível do corpo
docente e discente ter acesso ao acervo físico. Após várias análises, estudos das orientações
da Federação Brasileira de Bibliotecas e da Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias,
a observação das instituições que voltavam ao atendimento, reuniões com as Pró- Reitorias de
Gestão de Pessoas, Planejamento e Setor de Engenharia de Segurança do Trabalho da
Universidade, foi traçado um plano de retorno seguindo todas as medidas de segurança para
os funcionários e usuários.
Somente após a visita da Engenheira de Segurança do Trabalho e sua equipe a cada
Biblioteca Setorial, a reorganização do ambiente, higienização e o setor devidamente
equipados com despensers para álcool gel, definição de distanciamento nos pisos, fixação de
cartazes de avisos e orientações, recebimento de materiais de combate a transmissão do vírus
para os funcionários, como máscaras, luvas, face shilds e álcool gel, a abertura foi
efetivamente liberada.
Para o atendimento presencial foi definido dias específicos da semana e horário
reduzido, com agendamento prévio para empréstimo e devolução e meia hora para cada
usuário. Um formulário foi criado especificamente para esse período, sendo disponibilizado
na página do Sistema Integrado de Bibliotecas no site da UERN, para que os usuários
preencham o dia escolhido e a hora que deseja ser atendido. Como o acervo físico continua
fechado e objetivando agilizar o atendimento, é solicitado que seja informado no formulário
de agendamento quais publicações pretende-se levar por empréstimo. Todos os outros
continuaram de forma remota.
Adaptados estruturalmente, as Bibliotecas da UERN retomaram suas atividades
presencias desde o dia 29 de setembro de 2020, seguindo o padrão de uma “nova
normalidade”.
Diante dessa nova realidade Santos (2020, p. 29) diz que:

�A pandemia e a quarentena estão a revelar que são possíveis alternativas, que as
sociedades se adaptam a novos modos de viver quando tal é necessário e sentido
como correspondendo ao bem comum. Esta situação torna-se propícia a que se pense
em alternativas ao modo de viver, de produzir, de consumir e de conviver [...]
(SANTOS, 2020, p.29)

A pandemia e seus desafios obrigaram o Sistema Integrado de Bibliotecas a mudar e
adaptar a maneira de oferecimento de seus serviços, para continuar a desempenhar a sua
missão de ser pilar de sustentação do desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão, além
do poder de agir como equipamento de transformação social.

5 CONCLUSÃO
No cenário atual, perante uma anormalidade social e econômica, as bibliotecas assim
como todas as áreas estão sofrendo com esse momento de pandemia e de situação excepcional
que nos colocam no momento mais difícil do SIB-UERN. Muitos dos nossos planos
precisaram ser interrompidos, nosso modo operante precisou ser redefinido, a cada dia
vivemos um novo dia de incertezas.
Diante desse panorama o SIB-UERN, vem realinhando seus serviços, procurando
formas de oferecê-los de forma online.Ferramentas como o googlemeet auxiliaram de maneira
decisiva para o bom desempenho dos serviços oferecidos. Treinamentos do portal de
periódicos CAPES, o projeto conversando com autores, doses poéticas e minicursos da ABNT
são exemplos de como a biblioteca procurou superar as adversidades e se destacar auxiliando
a comunidade da UERN.
Ressalta-se também, a reabertura parcialmente de alguns serviços presenciais, após
início remoto do semestre letivo da UERN 2020.2, a fim de continuar dando apoio à
comunidade científica.
Diante disso, teve-se a oportunidade de mostrar que as bibliotecas universitárias são
instituições essenciais para o acesso a fontes de informação confiáveis e verdadeiras, tanto
para a comunidade acadêmica, quanto para a sociedade em geral, apesar de seus serviços
presenciais estarem limitados.

�O processo de reafirmação e de ressignificação pela qual passa as BU’s, tem gerado
uma importante reflexão, além de disponibilizar recursos tecnológicos em um ambiente onde
o foco é a informação, é imprescindível que as instituições tenham uma visão holística de
todo o caminho que norteia os serviços de busca, do acesso e da utilização desses dados
informacionais, sempre focando na necessidade do usuário.
Os serviços antes direcionados ao processo de acesso foi redefinido, com uma visão
mais humanística diante do caos ocasionado pelo vírus, às bibliotecas universitárias, assim
como outras instituições, voltaram-se para ouvir, interpretar e colocar em prática os principais
anseios do usuário, deixando para a trás, ou temporariamente em desuso, o processo
mecanicista de acesso a informação.
Ainda vale ressaltar, que o momento evidenciou as fragilidades e os desafios
enfrentados pela biblioteca e bibliotecários, tanto quanto as transformações que se espera para
um futuro, logo após a diminuição da transmissão do vírus. Nesta nova normalidade póspandemia, vislumbra-se uma fase de mudanças importantes no oferecimento dos serviços, nas
rotinas de trabalho e na própria percepção do usuário frente à biblioteca universitária,
repensando juntos a questão do acesso a informação, a construção do conhecimento com
estratégias que nos levem a contribuir, enquanto centros de informação, na construção de uma
nova sociedade.

REFERÊNCIAS
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Bibliotecas - CBBU para elaboração de planejamento de reabertura das bibliotecas
universitárias [Internet]. 2020 Disponível em:
http://www.febab.org.br/cbbu/wpcontent/uploads/2020/05/Recomenda%C3%A7%C3%B5es&lt;14-demaio1.pdf?fbclid=IwAR1MOcFmitwZuiKtQsgn8zFQLOZsMV7FCdr069s3Em2w1wxymmb
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                <text>Souza. Fernanda Andréa Siqueirade, Oliveira, Francismeiry Gomes de, Almeida, Joseane Maria da Paz, Diniz Junior, Petrônio Pereira, Galvão Neto, Sebastião Lopes </text>
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                <text>Goiânia (Goiás)</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Diante de um cenário marcado por uma inesperada crise social, econômica e política mundial, causado pela COVID-19, as bibliotecas universitárias também foram prejudicadas.Nesse contexto adverso, o presente estudo, aborda sobre a atuação do Sistema Integrado de Bibliotecas da UERN (SIB-UERN), em função da política de isolamento social determinadas pelos governos estaduais e municipais, e diante das incertezas geradas pela Pandemia. Conclui que mesmo diante de uma realidade desconhecida para todos e em um contexto turbulento, o SIB-UERN com resiliência conseguiu redefinir, mesmo com algumas limitações, seu modo operante, bem como organizar o realinhamento dos seus serviços, oportunizando a sua comunidade científica o acesso à informação, de forma a dar continuidade ao desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão.</text>
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                    <text>Eixo 3: Inovações
REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS COMO FONTE DE DADOS PARA PESQUISAS: UM
ESTUDO SOBRE O FORMATO DE APRESENTAÇÃO DAS DISSERTAÇÕES DO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS
E NUCLEARES
INSTITUTIONAL REPOSITORIES AS A DATA SOURCE FOR RESEARCH: A STUDY ON THE
FORMAT OF PRESENTATION OF THE POSTGRADUATE PROGRAM OF THE INSTITUTE
FOR ENERGY AND NUCLEAR RESEARCH
Meirilane Socorro Leocadio1
Mery Piedad Zamudio Igami2
Delvonei Alves de Andrade3

Resumo: Os trabalhos científicos apresentados na academia devem estar de acordo com padrões estéticos para serem
submetidos a banca examinadora, que avaliam conteúdo e forma, sendo necessário seu depósito em repositórios
institucionais de modo que a produção intelectual das instituições sejam disseminadas. Como isso, o presente artigo tem
por objetivo apresentar a capacidade dos repositórios institucionais como fonte de dados para pesquisas, propondo ainda
avaliar as dissertações depositadas no Repositório Digital da Produção Técnico-Científica do Instituto de Pesquisas
Energéticas e Nucleares quanto ao formato, verificando sua adequação às normas de apresentação propostas pelo
Insituto e comparando a adesão dos trabalhos às normas entre alunos que cursaram e alunos que não cursaram a
disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica ofertada pelo programa. Este estudo é descritivo, exploratório e
Survey, realizado diretamente nas dissertações depositadas no repositório do instituto. A amostra foi de 172
dissertações. Os resultados do estudo apontaram para a predominância de trabalhos muito adequado em todas as
variáveis avaliadas nos dois grupos. Na aplicação dos testes estatísticos, observou-se que, 5 variáveis categóricas
apresentaram-se com resultados significativos na comparação entre os 2 grupos da pesquisa (alunos que cursaram a
disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica e alunos que não cursaram). Foi possível evidenciar a importância e
alcance dos repositórios institucionais como fonte de dados de pesquisa e a contribuição do guia de normas e da
disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica na apresentação geral das dissertações.
Palavras-chave: ABNT – normas de apresentação; dissertações – análise; Repositórios institucionais
Abstract: Scientific papers presented at the academy must comply with aesthetic standards to be submitted to the
examining board, which assess content and form, requiring their deposit in institutional repositories so that the
institutions' intellectual production is disseminated. As such, this article aims to present the capacity of institutional
repositories as a data source for research, also proposing to evaluate the dissertations deposited in the Digital Repository
of Technical-Scientific Production of the Institute for Energy and Nuclear Research regarding the format, checking their
adequacy the presentation standards proposed by the Institute and comparing the adherence of works to the standards
between students who attended and students who did not attend the Scientific Research Methodology subject offered by
the program. This study is descriptive, exploratory and Survey, carried out directly in the dissertations deposited in the
institute's repository. The sample consisted of 172 dissertations. The results of the study pointed to the predominance of
very suitable works in all variables evaluated in both groups. In the application of statistical tests, it was observed that 5
categorical variables presented significant results in the comparison between the 2 research groups (students who
attended the Scientific Research Methodology discipline and students who did not attend). It was possible to highlight
the importance and reach of institutional repositories as a source of research data and the contribution of the standards
guide and the Scientific Research Methodology discipline in the general presentation of the dissertations.
Keywords: ABNT – presentation standards; dissertations – analysis; institutional repositories

Mestra. Bibliotecária da Universidade Federal do Tocantins. Email: meirilane@uft.edu.br
Doutora. Bibliotecária do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. Email: mery@ipen.br
3
Doutor. Professor do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. Email: devolnei@ipen.br
1
2

�1 INTRODUÇÃO
O processo de padronizar ou normatizar "algo" é uma realidade em vários segmentos da
sociedade, desde a indústria, o comércio e até mesmo em serviços que necessitam de normas
técnicas para conferir um padrão de qualidade a qualquer bem que venha a ser produzido. A
normatização possibilita aos produtos, processos e serviços estarem disponíveis de forma adequada
para serem utilizados e tem como objetivos principais facilitar a comunicação, simplificar os
processos e proteger o consumidor (PRESTES, 2009).
A própria sociedade já reconhece a importância da padronização quando questiona a
qualidade de um produto ou serviço. Mesmo não sendo percebida por nós, a normalização orienta a
melhoria da qualidade de vida, com normas relativas à segurança, saúde e meio ambiente
(PRESTES, 2009).
Não seria diferente nas instituições de ensino superior (IES), que, no âmbito do ensino,
pesquisa e extensão, têm se preocupado com a estética de suas produções, pois, além dos aspectos
relativos ao conteúdo, o aspecto visual e a padronização dos dados também são avaliados nas
defesas e submissões a eventos (PRESTES, 2009).
As dissertações e teses são defendidas perante uma comissão julgadora ou banca
examinadora, que procedem a uma avaliação criteriosa, observando a originalidade do tema,
objetivos da pesquisa, metodologia e os aspectos estéticos do trabalho. Após aprovação, o trabalho
será reestruturado e transformado em artigos, capítulos de livros ou mesmo em livro para
publicação (RIBEIRO e SANTOS, 2006).
Neste contexto da validação e da produção intelectual de um programa de pós-graduação é
importante observar que esses trabalhos são depositados nos repositórios institucionais após todo o
processo de produção e defesa, com isso, haverá mais uma forma de disseminação de
conhecimento, possibilitando ainda a visibilidade das Instituições de Ensino Superior (IES) e dos
pesquisadores ( orientandores e orientandos ), junto à comunidade científica. Como isso, é
extremamente relevante apresentar essa vertente dos repositórios, pouco explorada ainda.
Este artigo é parte de um estudo mais aprofundado apresentado em um programa de pósgraduação de mestrado, e tem por objetivo apresentar a capacidade dos respositórios institucionais
como fonte de dados para pesquisas e ainda se propõe a avaliar as dissertações depositadas no
Repositório Digital da Produção Técnico-Científica do IPEN no período de 2007 a 2016 quanto ao

�formato, verificando sua adequação às normas de apresentação propostas pelo Insituto e
comparando a adesão dos trabalhos às normas entre alunos que cursaram e alunos que não cursaram
a disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica ofertada pelo programa, mas que não é
obrigatória.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Repositórios
Os repositórios surgem como alternativa tanto para agilizar o processo de comunicação
científica quanto para a gestão do conhecimento científico (GCC), sendo cada vez mais
disseminados entre as instituições de ensino e pesquisa, onde permitem reunir, preservar, dar acesso
e disseminar boa parte do conhecimento da instituição, aumentando a visibilidade de sua produção
científica (LEITE e COSTA, 2006).
Para o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), os RDs são
bases de dados online que reúnem e organizam a produção científica de uma instituição ou área
temática, armazenando arquivos de diversos formatos. Têm como objetivo principal promover
maior visibilidade dos resultados de pesquisas, propiciando ainda a preservação da memória
científica da instituição (BRASIL, 2019).
Os RDs constituem ainda uma das estratégias propostas pelo "movimento de acesso aberto"
para a promoção da literatura científica de forma livre, aberta e sem custos de acesso. Todo esse
cenário começou a surgir a partir da última década do século XX, quando se iniciou a reorganização
dos processos e produtos da comunicação científica. Por meio da adoção de tecnologias da
informação e comunicação, foi possível consolidar a "iniciativa de arquivos abertos" e o "movimento
de acesso livre", que possibilitaram a construção de condições necessárias para permitir acesso livre à
produção científica de forma legítima, alterando não somente o processo de aquisição de informação
científica, mas também a sua produção, disseminação e uso (WEITZEL, 2006).
Cada tipo de RDs possui funções específicas e aplicações voltadas para o ambiente no qual
está inserido e será utilizado, podendo ser de três tipos: repositórios institucionais (RIs), que têm
como objetivo reunir a produção intelectual de uma instituição; repositórios temáticos ou
disciplinares, que reúnem produção intelectual de áreas do conhecimento em particular; e

�repositórios de teses e dissertações, que se preocupam em reunir exclusivamente as dissertações e
teses dos programas de pós-graduação de uma instituição (LEITE, 2009).
Os RDs são caracterizados por:

terem uma organização, armazenamento, acesso e

distribuição de documentos digitais; apresentarem padrões abertos de acessibilidade; utilização de
metadados como padrão internacional; visibilidade por meio de rankings internacionais; e
autodepósito do trabalho e monitoração, controle e elaboração de indicadores (IGAMI, 2016).
2.2 Vantagens na implantação dos repositórios
A literatura aponta várias vantagens para a implantação de um repositório. Abaixo, no
quadro 1, são elencadas as principais, separadas por segmentos que utilizam e/ou disseminam os
documentos indexadas nos repositórios.
Quadro 1: Vantagens dos repositórios
Benefícios
pesquisador

para

o

Benefícios
para
os
administradores acadêmicos

Benefícios
universidade

a

Benefícios
para
Comunidade Científica

Aumenta a visibilidade de
suas descobertas científicas;
• facilita o gerenciamento da
produção científica;
• oferece ambiente seguro
para os trabalhos;
• identifica os trabalhos
científicos armazenados;
• facilita o acesso aos
conteúdos;
• diminui as possibilidades de
plágios;
•oferece
indicadores
do
impacto dos resultados das
pesquisas;
•incentiva
outros
pesquisadores a disponibilizar
seus trabalhos;
• acessíveis 24 horas;
• melhora o entendimento
sobre direitos autorais;
• supre as demandas das
agências de fomento em
relação à disseminação de sua
produção científica.

Provê novas oportunidades
para o arquivamento e
preservação dos trabalhos em
formato digital;
•
provê
relatórios
das
atividades científicas;
•
facilita
a
pesquisa
interdisciplinar;
• reduz a duplicação de
registros e inconsistências;
• reduz algumas das atividades
típicas da gestão de coleções
digitais
à
medida
que
automatiza tarefas e a coleta de
metadados por outras fontes.

Favorece o uso e reuso de
informações produzidas;
• provê um ponto de
referência para os trabalhos
acadêmicos que podem ser
interoperáveis com outros;
• aumenta a visibilidade,
reputação e prestígio da
instituição;
• melhora a precisão e
completude dos registros dos
documentos;
• facilita gerenciamento dos
direitos de propriedade
intelectual da instituição;
• reduz custos de gestão da
informação científica;
• contribui para o processo
de avaliação das atividades
de pesquisa;
• oferece flexibilidade e
possibilidade de integração
com outros sistemas de
gestão;
• contribui para a missão e
valorização da instituição.

Contribui
para
a
colaboração na pesquisa,
por meio da facilitação de
troca livre de informação
científica;
•
contribui
para
o
entendimento público das
atividades e esforços de
pesquisa;
• reduz custos (ou pelos
menos
direciona
sua
realocação) associados com
assinaturas de periódicos
científicos;
• favorece a colaboração em
escala global na medida em
que explicita resultados de
pesquisa e põe autores em
evidência.

Fonte: Adaptado de LEITE, F.C.L., 2009.

2.3 Repositório digital do IPEN (RD-IPEN)

para

�Vale ressaltar que antes de iniciadas as atividades de implantação do repositório digital do
IPEN (RD-IPEN), por meio de sua unidade informacional, a produção científica do instituto estava
organizada e atualizada desde sua criação, em 1956. Com isso, a tecnologia da informação veio
contribuir oferecendo uma plataforma digital para agilizar o acesso à produção científica (IGAMI,
2016).
O projeto de implantação do Repositório Digital da Produção Técnico-Científica do IPEN
(RD-IPEN) teve início em 2013. Em 2014 operava apenas internamente como uma base de dados
referencial, sendo disponibilizado na internet em junho de 2015. Na atual plataforma, foi utilizado o
software livre Dspace, desenvolvido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), e a
descrição dos metadados adota o padrão Dublin Core1 compatível com o protocolo de arquivos
abertos (OAI) permitindo assim interoperabilidade com repositórios de âmbitos nacional e
internacional. Atualmente encontra-se disponível no endereço eletrônico: http://repositorio.ipen.br,
onde está localizada toda a produção intelectual dos pesquisadores do instituto (livros, artigos de
periódicos, resumos, dissertações, teses, relatório técnico, iniciação científica), de 1955 até a
presente data, em um total aproximado de 25.989 publicações (INSTITUTO DE PESQUISAS
ENERGÉTICAS E NUCLEARES, 2019).
O RD-IPEN é uma ferramenta institucional de acesso aberto, criado com o objetivo de
reunir, preservar, disponibilizar e conferir maior visibilidade à produção científica publicada pelo
instituto, desde sua criação, em 1956. Seu gerenciamento está sob a responsabilidade da "Biblioteca
Terezine Arantes Ferraz", do IPEN. Para participar do RD-IPEN, é necessário que pelo menos um
dos autores tenha vínculo acadêmico ou funcional com o instituto (INSTITUTO DE PESQUISAS
ENERGÉTICAS E NUCLEARES, 2019).
A coleta das publicações é realizada periodicamente pela equipe da Biblioteca Terezine
Arantes Ferraz, do IPEN, extraindo os dados das bases internacionais, tais como a Web of Science,
Scopus, International Nuclear Information System (INIS), SciElo, além de verificar o currículo
lattes dos pesquisadores. O RD-IPEN apresenta também um aspecto inovador no seu
funcionamento, que utiliza metadados específicos vinculando-os ao sistema de gerenciamento das
1

Padrão Dublin Core é um conjunto de metadados que fornecem um grupo de elementos de textos, pelos quais a
maioria dos objetos digitais pode ser descrita, como, por exemplo, vídeos, sons, imagens e sites da Web. Disponível em:
https://www.portalgsti.com.br/2013/08/o-que-e-dublin-core.html. Acesso em: 05 set. 2019.

�atividades do Plano Diretor Anual do IPEN (SIGEPI) (INSTITUTO DE PESQUISAS
ENERGÉTICAS E NUCLEARES, 2019).
Com o objetivo de fornecer dados numéricos para a elaboração dos indicadores da produção
científica institucional, disponibiliza uma tabela estatística registrando em tempo real a inserção de
novos itens. Nesse sentido, foi criado um metadado que contém um número único para cada
integrante da comunidade científica do IPEN. Esse metadado se transformou em um filtro que, ao
ser acionado, apresenta todos os trabalhos de um determinado autor, independente das variáveis na
forma de citação do seu nome (INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES,
2019).
2.4 Vantagens na utilização das normas
As normas asseguram as características desejáveis de produtos e serviços, como qualidade,
segurança e confiabilidade, bem como respeito ambiental; tudo isso a um custo econômico
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2019). Sua utilização oferece as
seguintes vantagens aos usuários:


tornam o desenvolvimento, a fabricação e o fornecimento de produtos e serviços mais
eficientes, mais seguros e mais limpos;



facilitam o comércio entre países tornando-o mais justo;



fornecem aos governos uma base técnica para saúde, segurança e legislação ambiental e
avaliação da conformidade;



compartilham os avanços tecnológicos e a boa prática de gestão;



disseminam a inovação;



protegem os consumidores e usuários em geral, de produtos e serviços; e



tornam a vida mais simples provendo soluções para problemas comuns.
Quando os produtos e serviços atendem às expectativas dos consumidores, a tendência é

atribuirmos isso como certo e a não termos consciência do papel das normas. Mas quando os
produtos se mostram de má qualidade, não se encaixam, são incompatíveis com equipamentos que
já temos, não são confiáveis ou são perigosos, isso gera preocupação. Portanto, normas têm uma

�enorme e positiva contribuição para a maioria dos aspectos de nossas vidas (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2019).
2.5 Guia do IPEN
A iniciativa de criar um padrão para a apresentação das dissertações e teses do programa de
pós-graduação do IPEN partiu da equipe da Biblioteca Terezine Arantes Ferraz, que elaborou sua
primeira versão em 1995. Embora tendo como fundamento as normas da ABNT, apresentava
algumas adequações devido à especificidade da área.
Em 2002, é apresentada a segunda versão intitulada Guia para a elaboração de dissertações e
teses: preparado para orientação dos alunos de Pós-graduação do IPEN, versão disponibilizada à
comunidade acadêmica até 2017 (indisponível no site), sendo utilizada nesta pesquisa para verificar
a adequação das dissertações às normas de apresentação.
Atualmente, o IPEN oferece a terceira edição atualizada do guia, em PDF, intitulada Guia
para a elaboração de teses e dissertações: programa de Pós-graduação Tecnologia Nuclear –
IPEN/USP,

versão

2017.

Disponível

em:

https://intranet.ipen.br/portal_por/conteudo/biblioteca/arquivos/NOVO_GUIA_TESES_E_DISSER
TACOES.pdf, possui ainda um guia rápido para referências bibliográficas.
3 METODOLOGIA
O desenvolvimento desta pesquisa foi conduzido por meio de um estudo descritivo, exploratório
e Survey , realizada nas dissertações do programa da pós-graduação do IPEN, que se encontram em
arquivos PDF disponíveis no Repositório Digital da Produção Técnico-Científica do IPEN, no
endereço eletrônico: http://repositorio.ipen.br.
A amostra foi do tipo probabilística, obtida por meio do software Epi InfoTM2, em que foram
utilizados os seguintes parâmetros: razão entre participantes expostos e não expostos de um (1)
valor mínimo do risco a ser detectado de 2,3; frequência do evento de interesse no grupo de não
expostos 15%; nível de significância de 5% e poder do teste de 80%, chegando-se assim a 172
participantes, que foram divididos em dois grupos: Grupo 1: dissertação de alunos que cumpriram a
2

O software Epi InfoTM é um programa de domínio público, desenvolvido pelo Centers for Diseases Control and
Prevention (CDC), que auxilia na coleta, análise e visualização dos dados. (Disponível em: Manual de análise no
Vigitel no Epi Info (versão 7.2.2.6)).

�disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica (expostos); Grupo 2: dissertação de alunos que
não cumpriram a disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica (não expostos).
O formulário utilizado para a coleta dos dados foi construído com afirmativas sobre a
estrutura do trabalho, utilizando-se da "escala de Likert" para mensuração, apresentando-se com 3
(três) opções de respostas: 1 - muito inadequado (não atende ao guia), 2 - neutro (atende
parcialmente ao guia) e 3 - muito adequado (atende ao guia). No estudo completo, foram elencadas
39 ( trinta e nove ), no entanto, para este artigo foram apresentadas 5 ( cinco ) variáveis.
A análise dos dados foi feita por meio do programa IBM SPSS Statistics 21, sendo efetuado
um exame quantitativo das 5 (cinco) questões fechadas, por intermédio do levantamento de
frequências das respostas. As comparações entre as variáveis categóricas foram testadas em pares
pelo teste qui-quadrado de Pearson, utilizando-se, assim, o qui-quadrado de independência, que se
propõe a verificar se há associação entre duas variáveis categóricas.
O banco de dados desta pesquisa foi composto de 5 variáveis categóricas, representadas por
5 questões avaliativas para os dois grupos (dissertações de alunos que cursaram a disciplina de
Metodologia da Pesquisa Científica e dissertações de alunos que não cursaram essa disciplina).
Com isso foi possível estabelecer as seguintes hipóteses: hipótese nula: não há diferença
significativa para a presente questão avaliativa entre os grupos, os que cursaram e os que não
cursaram a disciplina e hipótese alternativa: há diferença significativa para a presente questão
avaliativa entre os grupos, os que cursaram e os que não cursaram a disciplina. O teste quiquadrado de independência mostrou se houve associação entre adequação ou não para os critérios
estabelecidos pelas questões avaliadas e o fato de ter cursado ou não a disciplina (X2 (valor de quiquadrado), grau de liberdade (df), valor p (p)) para todas as questões.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Neste artigo foram apresentados os resultados significativos para variáveis submetidas aos
testes estatísticos (valor de qui-quadrado), grau de liberdade (df), valor p (p)), ou seja, as 5 variáveis
que confirmaram a hipótese alternativa, onde há diferença significativa para a questão avaliada
entre os grupos, os que cursaram e os que não cursaram a disciplina.
Os elementos textuais dos trabalhos acadêmicos se referem à redação propriamente dita,
considerando-se introdução, desenvolvimento e conclusão, divisão que a NBR 14724 nos apresenta

�para a parte interna; fica sob a responsabilidade do pesquisador fazer subdivisões de acordo com os
objetivos do trabalho.
A questão com maior divergência nos resultados e com grande frequência de resposta
neutro, de 16% para o grupo 1 e 25,1% para grupo 2, foi a afirmativa 21, que consistiu em
identificar se o trabalho tinha a revisão da literatura e principalmente se estava identificada com
esse título. Durante a avaliação das dissertações, foi possível perceber que alguns trabalhos haviam
embutido a revisão da literatura na introdução, ou seja, não apresentando esse tópico
separadamente, ou até mesmo ignorando a existência dele. Entretanto, não foi possível realizar um
aprofundamento a respeito, pois essa abordagem não foi objetivo da pesquisa.
Esse resultado apresentou-se significativo quando os dois grupos foram comparados,
validando assim a hipótese alternativa (Gráfico 1).

Gráfico 1 - Resultado significativo (variável 21)

***1 – Cursou a disciplina. 2 – Não cursou a disciplina

�Na análise das referências bibliográficas, representada pela variável 27, observou-se que
com a aplicação dos testes estatísticos na comparação entre os dois grupos, concluiu-se que o
resultado significativo confirma a hipótese alternativa, a inadequação às normas foram evidentes no
dois grupos pesquisados (Gráfico 2).
Gráfico 2 - Resultado significativo (variável 27)

A análise da variável 29 se referiu à apresentação do título da lista de referências
bibliográficas em negrito, confirmou-se a hipótese alternativa, segundo a qual há diferença
significativa entre os dois grupos pesquisados (Gráfico 3).

�Gráfico 3 - Resultado significativo (variável 29)

A análise dos resultados da variável 30, que tratou do estilo gráfico do título das referências
bibliográficas, os testes estatísticos validaram a hipótese alternativa, demonstrando, assim,
diferenças significativas nos dois grupos (Gráfico 4).

�Gráfico 4 - Resultado significativo (variável 30)

Na análise da variável 32, que avaliou o ordenamento da lista de referências bibliográficas,
que, no caso do guia do IPEN, deve figurar em ordem alfabética de acordo com o sistema de
chamada de citação autor-data, os resultados submetidos aos testes estatísticos apontaram a
validação da hipótese alternativa, qual seja a de que há diferenças significativas entre os grupos 1 e
2 (Gráfico 5). Vale ressaltar que a ABNT apresenta uma norma específica para construção das
referências, que vai da apresentação da lista até os formatos específicos para cada documento citado
no trabalho. Com isso, percebe-se a grande dificuldade em atentar a tamanho nível de detalhamento
preconizado.

�Gráfico 5 - Resultado significativo (variável 32)

5 CONCLUSÃO
Neste estudo foi possível evidenciar a importânia e alcance dos Repositório Institucionais
como fonte de dados de pesquisa, com potencial para vários tipos de estudo, tanto qualitativos
quanto quantitativos, gerando indicadores para medir qualidade ou uso das informações. E ainda,
com aplicação dos testes estatísticos para validação dos dados, observou-se que 5 variáveis foram
validadas pela hipótese alternativa, em que houve diferença significativa entre os dois grupos
pesquisados, considerando ainda a contribuição do guia de normas do instituto e a disciplina de
Metodologia da Pesquisa Científica como uma importante ferramenta para auxiliar os alunos do
programa na redação de sua dissertação.

�REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. História da normalização brasileira.
Rio de Janeiro: ABNT, 2011. 112p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Importância e benefício. Disponível
em: http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/importancia-beneficios. Acesso em 14 out. 2019.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. FUNDAÇÃO CAPES. Sobre avaliação. 2017.
Disponível em: http://www.capes.gov.br/avaliacao/sobre-a-avaliacao. Acesso em 14 fev. 2017.
BRASIL. MINISTÉRIO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA. INSTITUTO BRASILEIRO DE
INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Repositórios Digitais. Brasília/DF: MCTIC,
2019. Disponível em: http://www.ibict.br/informacao-para-a-pesquisa/repositorios-digitais. Acesso
em 12 set. 2019.
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http://repositorio.ipen.br/themes/Mirage/images/RDIs.pdf. Acesso em 14 abril 2020.
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https://www.ipen.br. Acesso em 29 ago. 2019.
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Produção Técnico e Científica. Disponível em: http://repositorio.ipen.br/. Acesso em 06 ago.
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Os trabalhos científicos apresentados na academia devem estar de acordo com padrões estéticos para serem submetidos a banca examinadora, que avaliam conteúdo e forma, sendo necessário seu depósito em repositórios institucionais de modo que a produção intelectual das instituições sejam disseminadas. Como isso, o presente artigo tem por objetivo apresentar a capacidade dos repositórios institucionais como fonte de dados para pesquisas, propondo ainda avaliar as dissertações depositadas no Repositório Digital da Produção Técnico-Científica do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares quanto ao formato, verificando sua adequação às normas de apresentação propostas pelo Insituto e comparando a adesão dos trabalhos às normas entre alunos que cursaram e alunos que não cursaram a disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica ofertada pelo programa. Este estudo é descritivo, exploratório e Survey, realizado diretamente nas dissertações depositadas no repositório do instituto. A amostra foi de 172 dissertações. Os resultados do estudo apontaram para a predominância de trabalhos muito adequado em todas as variáveis avaliadas nos dois grupos. Na aplicação dos testes estatísticos, observou-se que, 5 variáveis categóricas apresentaram-se com resultados significativos na comparação entre os 2 grupos da pesquisa (alunos que cursaram a disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica e alunos que não cursaram). Foi possível evidenciar a importância e alcance dos repositórios institucionais como fonte de dados de pesquisa e a contribuição do guia de normas e da disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica na apresentação geral das dissertações.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
DESAFIOS PARA BIBLIOTECAS VOLANTES FRENTE À PANDEMIA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA DO CARRO-BIBLIOTECA DA UFOP
TCHALLENGES FOR MOBILE LIBRARY IN FRONT OF THE PANDEMIC: EXPERIENCE
REPORT OF CARRO-BIBLIOTECA DA UFOP
Cristiane Maria da Silva1
Elton Ferreira de Mattos2
Marília de A. M. de Paiva3

Resumo: O Sistema de Bibliotecas e Informação (SISBIN) é o órgão da Universidade Federal de Ouro Preto
(UFOP) responsável pela gestão de 12 bibliotecas setoriais e uma biblioteca itinerante. As bibliotecas itinerantes
buscam democratizar o acesso ao livro e incentivar a leitura, e o Carro Biblioteca da Universidade Federal de
Ouro Preto é um projeto de extensão criado com esse propósito. A leitura é um direito humano universal, contudo
as desigualdades sociais no Brasil comprometem o seu acesso. O advento da Covid-19 impediu as atividades
presenciais desenvolvidas pela universidade, assim como, as atividades de extensão desenvolvidas por ela junto à
comunidade, criando o desafio de se manter a continuidade das ações de acesso e incentivo à leitura por meios
virtuais. Esse relato de experiência busca conhecer os desafios encontrados pelo projeto e os caminhos
desenvolvidos para superá-los, seja criando perfis em mídias sociais ou dialogando com um novo público
diferente do usuário real do projeto. Para embasar esse artigo foram pesquisados e analisados relatórios anuais de
atividades desenvolvidas apresentadas ao SISBIN e também à Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PROEX), e por
fim, houve o acompanhamento das mídias do projeto.
Palavras-chave: Carros-biblioteca. Incentivo à leitura. Inclusão social. COVID-19 (Disease).
Abstract: Abstract: The Sistema de Bibliotecas e Informação (SISBIN) is the Universidade Federal de Ouro Preto
(UFOP) organ responsible for managing 12 sector libraries and one itinerant library. The itinerant libraries seek to
democratize access to books and encourage reading. The Bookmobiles of the Federal University of Ouro Preto is
an extension project created for this purpose. Reading is a universal human right, but social inequalities in Brazil
compromise its access. The advent of Covid-19 has prevented the face-to-face activities developed by the
university and the extension activities developed by it with the community, creating the challenge of maintaining
the continuity of the actions of access and encouragement to reading through virtual means. This experience
report seeks to get to know the challenges faced by the project and the paths developed to overcome them,
whether by creating profiles on social media or by dialoguing with a new public different from the actual users of
the project. Annual reports of developed activities presented to SISBIN and the Pró-reitoria de Extensão e Cultura
(PROEX) were researched and analyzed to support this scholarly article. Finally, the project's media was
monitored.
Keywords: Bookmobiles. Reading promotion. Social integration. COVID-19 (Disease).

1

Mestranda em Gestão e Organização do Conhecimento pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Bibliotecário/Documentalista no Sistema de Bibliotecas e Informação da UFOP. Cristiane.maria@ufop.edu.br.
2
Mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Bibliotecário/Documentalista no Sistema de
Bibliotecas e Informação da UFOP. eltonmattos@ufop.edu.br .
3
Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas
Gerais. Professora da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais.
biblio.marilia@gmail.com

�1 INTRODUÇÃO
O Sistema de Bibliotecas e Informação (SISBIN) é o órgão da Universidade Federal de Ouro
Preto (UFOP) responsável pela gestão de 12 bibliotecas setoriais e uma biblioteca itinerante. Por meio
de sua estrutura, acervo e serviços, o SISBIN promove o acesso à informação contribuindo para o
desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, possuindo unidades nos três campi da
UFOP. Suas bibliotecas são: Biblioteca de Obras Raras da Escola de Minas – BIBORAR (1878);
Biblioteca da Escola de Farmácia – BIBEFAR (1889); Biblioteca do Departamento de Geologia e
Mineração – BIBDEGEO (1972); Biblioteca da Escola de Nutrição – BBENUT (1979); Biblioteca do
Instituto de Filosofia, Artes e Cultura – BIBIFAC (1979); Biblioteca do Instituto de Ciências
Humanas e Sociais – BBICHS (1981); Biblioteca do Instituto de Ciências Exatas e Biológicas –
BIBICEB (1982); Biblioteca da Escola de Minas – BIBEM (1995); Biblioteca do Instituto de
Ciências Exatas e Aplicadas – BIBICEA (2002); Biblioteca do Departamento de Música –
BIBDEMUS (2006); Biblioteca da Medicina – BIBDEMUS (2007) e Biblioteca do Instituto de
Ciências Sociais Aplicadas – BIBICSA (2009), em 2010 o Carro Biblioteca da UFOP (UFOP, 2021).
Conforme estabelece a Organização das Nações Unidas (ONU) “toda a pessoa tem o direito de
tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso
científico e nos benefícios que deste resultam” (ONU, 1948, p. 6). A mesma declaração defende que a
educação é direito de todos e gratuita pelos menos nos níveis fundamentais e elementares.
A leitura, no Brasil, reflete mais uma das desigualdades sociais, historicamente sendo
acessível sobretudo às classes de maior poder (TELES, SILVA, 2010; ASSIS, PALHARES, 2015).
Segundo Mortatti (2010) após a Proclamação da República a escrita e a leitura passam a possuir o
caráter escolarizado, com metodologias e técnicas de ensino. No entanto, somente a partir da Era
Vargas (1930), passou-se a medir e avaliar índices de analfabetismo da população. No século XXI no
Brasil, a Lei 10753/2003 assegura ao cidadão o acesso ao livro, levando-o em conta como principal e
insubstituível meio “da difusão da cultura e transmissão do conhecimento, do fomento à pesquisa
social e científica, da conservação do patrimônio nacional, da transformação e aperfeiçoamento social
e da melhoria da qualidade de vida” (BRASIL, 2003, p. 1), donde se vislumbraria a leitura como
direito social universal.
Marinho (1993), Candido (2011), Assis e Palhares (2015) relatam que a leitura, por seu caráter
essencialmente social, pode ser considerada uma porta para a participação na democracia, levar a
construção de cidadania e colaborar para produzir ajuste social do indivíduo à sociedade, contribuindo

�para a formação integral do indivíduo. A leitura também é fundamental para criar a relação entre
passado e presente, o que possibilita estabelecimento de relações que faça o cidadão questionar o
ambiente em que vive. Castrillón (2011, p. 25), em sua visão da leitura como um “direito histórico e
cultural e, portanto, político”, deixa claro que “uma verdadeira democracia participativa necessita de
espaços que permitem a todos os cidadãos acesso à informação, ao conhecimento e às manifestações
da cultura e da arte” e que as bibliotecas devem se assumir como tais espaços. Candido (2011), por
sua vez, decreta o caráter humanizador da leitura literária, e afirma que como direito humano, o
acesso a ela não pode ser negado a ninguém.

2 BIBLIOTECA AMBULANTE
A biblioteca ambulante (também chamada volante ou itinerante) possui objetivo de “por
documentos à disposição de usuários que, por razões diversas, não tem acesso às próprias bibliotecas”
(CUNHA, CAVALCANTI, 2008, p. 49) e com isso permite democratizar o acesso aos livros,
informação, cultura, inclusão digital e, principalmente, inclusão social. As bibliotecas ambulantes não
estão em locais fixos, são aquelas que possuem mobilidade de acesso, conhecidas também como
bibliotecas itinerantes, volantes, bibliotecas sobre rodas. Nesse contexto, são fundamentais para a
promoção da leitura e da informação, chegando onde as bibliotecas tradicionais não conseguem
chegar. As primeiras surgiram na Inglaterra. No Brasil a partir de 1936 são relatadas as primeiras com
essas características (ASSIS, PALHARES, 2017; MATTOS, 2021).
Uma das maneiras de viabilizar a biblioteca ambulante como promotora da leitura e da
disponibilização da informação, realiza-se por meio da extensão universitária, tendo como públicoalvo a população das regiões periféricas das cidades e das zonas rurais onde as ações extensionistas
atuam – onde, via de regra, não são atendidos por vários serviços públicos, dentre eles as bibliotecas.
Isso posto, é salutar trazer à baila um conceito atual de extensão. Na legislação brasileira a extensão é
um dos tripés da educação universitária, ao lado do ensino e da pesquisa, constituindo-se em um
processo interdisciplinar, político, educacional, cultural, científico, tecnológico, que possibilita o
diálogo transformador das universidades com a sociedade, que produz conhecimento para aplicá-lo de
forma articulada e permanente com a pesquisa e o ensino (BRASIL, 2018).
Neste sentido, as bibliotecas ambulantes como um projeto de extensão têm um grande
potencial para abarcar estudantes universitários de vários cursos. Destaque para as possibilidades de
formação do graduando que atua nesses projetos que, orientado por um profissional bibliotecário,

�poderá colocar em prática o aprendizado técnico adquirido nos cursos universitários e também
promover a inclusão social e digital, o letramento informacional dos seus usuários, terá a
oportunidade de mediar à leitura. No caso específico do Carro Biblioteca da UFOP, tanto o
bibliotecário, que atua na extensão como os estudantes universitários, contribuirão para formação de
cidadãos mais conscientes e críticos, que serão capazes de avaliar com autonomia a confiabilidade e
credibilidade da informação, evitando a desinformação social, em nossos tempos identificadas com as
fake news, por exemplo.
No contexto globalizado atual, o projeto da biblioteca ambulante foi impactado, como de resto
todas as atividades humanas, pela doença Coronavirus Disease 2019 (Covid-19), surgida na China ao
final de 2019. Por causa de sua transmissão por contato com gotículas e secreções das pessoas
contaminadas, disseminou-se pelo mundo e foi decretada pandemia mundial em março de 2020 pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) (PALETTA, OHMAYE, 2020). No Brasil foi confirmado o
primeiro caso em fevereiro de 2020, e então as medidas de contenção da disseminação da doença
passou a ser o “distanciamento social, etiqueta respiratória e de higienização das mãos, uso de
máscaras, limpeza e desinfeção de ambientes, isolamento de casos suspeitos e confirmados, e
quarentena dos contatos dos casos de covid-19” (BRASIL, 2021). Assim, por meio da decisão do
Conselho Universitário da Universidade Federal de Ouro Preto (CUNI/UFOP), as atividades
presenciais da Universidade Federal de Ouro Preto foram suspensas em 17/03/2020 (UFOP, 2020a),
incluindo, claro, as atividades do Carro Biblioteca.
Neste relato de experiência objetiva-se identificar as potencialidades do Carro Biblioteca da
UFOP no incentivo à leitura por meio de atividades virtuais durante o período da crise sanitária da
Covid-19. Para isso foram analisadas as ações do projeto durante a pandemia, bem como as práticas
voltadas para o incentivo à leitura, desenvolvidas nas mídias sociais do projeto através da manutenção
do perfil do Facebook, criação da Fanpage e criação do perfil no Instagram, tendo como base os
relatórios anuais apresentados pelo projeto ao SISBIN e a Pró-reitora de Extensão e Cultura (PROEX)
da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e também análise dos perfis nas redes citadas.

2.1 CARRO BIBLIOTECA DA UFOP

Em 2004 houve um levantamento informacional para identificar as necessidades e demandas
de atividades culturais e educacionais nos bairros periféricos da cidade de Ouro Preto, que explicitou
haver uma grande carência de espaços educativos e culturais para atendimento de parcela da

�população ouro-pretana que estava fora do Centro Histórico. Através desse levantamento verificou-se
a existência de uma um centro rico com atividades culturais e uma periferia carente dessa mesma
riqueza (UFOP, 2019a).
Devido a essa demanda, em 2005 surge a proposta de uma de parceria entre SISBIN, através
da Biblioteca do Instituto de Filosofia Artes e Cultura (IFAC), e o Departamento de Artes Cênicas
(DEART), para trabalharem juntos em um projeto que unisse o grupo universitário de teatro
“Mambembe, música e teatro itinerante” a uma biblioteca itinerante, e que atendesse exclusivamente
essas comunidades periféricas de Ouro Preto (UFOP, 2019a).
A parceria com o DEART foi fundamental, uma vez que os alunos desempenham a função de
monitores/mediadores nas comunidades atendidas, estando em contato com o universo literário,
realizando várias propostas artísticas e culturais para crianças, jovens e adultos, de forma que o
projeto possibilita aprendizagens recíprocas, tanto os acadêmicos em formação quanto os leitores que
se enriquecem com as atividades culturais disponibilizadas pelo Carro Biblioteca da UFOP (UFOP,
2019a).
Em 2009 a administração da UFOP cedeu um micro-ônibus para ser adaptado e se tornar
Biblioteca ambulante. Optou-se por um acervo bibliográfico que contemplasse todas as faixas etárias,
composto por obras: de referência, infanto-juvenil, histórias em quadrinhos (HQ), livros recreativos,
de conhecimentos gerais, história, literatura nacional e estrangeira, clássicos e best-seller (UFOP,
2019a).
A partir de 2010 o Carro Biblioteca da UFOP começa a atuar em três comunidades. A
princípio, foram selecionadas duas comunidades localizadas na sede do município e uma em um dos
distritos rurais (Santo Antônio do Leite). Atualmente as visitas são realizadas em três dias da semana
(durante as segundas-feiras com visita ao Morro Santana; nas quintas-feiras visita ao Morro Alto da
Cruz; nas sextas-feiras visita Morro da Piedade), atendendo uma gama enorme de crianças (em sua
maioria), adolescentes e adultos (UFOP, 2019a). Em 2019 o Carro Biblioteca da UFOP foi
reconhecido por seus trabalhos junto à comunidade ouro-pretana, tornando-se um projeto de extensão
institucional da UFOP (MATTOS, 2021).
Tabela 1 - Quantidade de empréstimos anuais
EMPRÉSTIMOS ANUAIS
ANO
QUANTIDADE
2017
1215
2018
1140
2019
910
2020
240
Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos relatórios anuais, 2021.

�3 METODOLOGIA

Esse relato de experiência foi realizado utilizando de pesquisa documental e análise
qualitativa, que adotou o levantamento bibliográfico e documental para coleta de dados; a análise
documental dos relatórios anuais apresentados pelo projeto ao SISBIN e à PROEX; análise
documental das fichas de inscrição e das mídias sociais do projeto.
Realizou-se o levantamento bibliográfico para embasamento da importância da leitura como
direito humano, da importância da leitura para construção de bens sociais e como as bibliotecas
ambulantes atuam, ampliando o acesso desses bens para as comunidades sociais menos abastadas.
Posteriormente, foram analisados os relatórios anuais do Carro Biblioteca da UFOP apresentados ao
SISBIN a partir de 2017, quando a diretoria do órgão iniciou essa prática. E também os relatórios
anuais das atividades extensionistas apresentadas à PROEX nos anos de 2019 e 2020. Através do
arquivo documental presente no SISBIN foi possível acessar as fichas de inscrição dos usuários do
projeto, em uma tentativa de disponibilizar aos usuários reais o acesso ao mesmo conteúdo
disponibilizado nas mídias sociais. Por fim, acompanhou-se as mídias sociais do projeto para relatar
seu crescimento.

4 AÇÕES DO CARRO BIBLIOTECA DA UFOP DURANTE A PANDEMIA

Em 2020, devido à pandemia de Covid-19, onde uma das formas mais eficiente de evitarmos a
propagação da doença é o distanciamento físico, a UFOP suspendeu as atividades presenciais,
incluindo as atividades presenciais do Carro Biblioteca junto às comunidades atendidas por ele. Uma
vez que grande parte do público do projeto são crianças e idosos, seria impossível estar em contato
com eles e evitar o abraço, o aperto de mão, coisas muito caras ao Carro Biblioteca e a sociedade
ouro-pretana. As visitas às comunidades não foram mais possíveis, assim sendo, as atividades do
projeto passaram a desenvolver-se virtualmente (UFOP, 2020b; UFOP, 2020c).
Segundo o relatório, no início das atividades remotas houve a sensação de não saber por onde
começar, como e quais atividades deveriam ser realizadas, como os processos seriam desenvolvidos
sem as visitas presenciais, e as incertezas e medos não permitiram uma atitude proativa do grupo.
Houve uma divisão de tarefas, mas não foram exitosas devido a fatores como falta de equipamento

�adequado aos bolsistas e falta de treinamento. Foram cinco meses buscando soluções que pudessem
reavivar o projeto (UFOP, 2020c).
Em agosto de 2020 a Universidade Federal do Ceará ofereceu o minicurso “Introdução à
Design para Redes Sociais”. Esse minicurso foi considerado um “divisor de águas”, pois possibilitou
ao projeto repensar seus objetivos, planejar suas ações e traçar estratégias para estar em contato com o
público alvo (UFOP, 2020c).
Após o minicurso foram definidas algumas ações de trabalho:
• A realização de duas postagens semanais (terças e quintas);
• que haveria ao menos uma contação de história durante o mês, e
• que deveria ser criada uma identidade visual entre as postagens e a imagem da plotagem do Carro,
para isso, foi solicitada pelo SISBIN, junto à Comunicação da UFOP, a criação de uma imagem para
as capas das mídias sociais que fosse semelhante à arte da plotagem do Carro Biblioteca da UFOP
sendo alteradas as capas antigas, que não possuíam identidade visual com o veículo que transita nas
comunidades, para novas que possuem imagens quase idênticas às do micro-ônibus (UFOP, 2020c).
Antes da pandemia, o projeto contava apenas com o perfil do Facebook. Em março de 2020
foram criadas a Fanpage no Facebook e a página do Instagram. Vejam abaixo o crescimento de
seguidores do projeto junto às mídias (UFOP, 2020c).
Tabela 2: Quantidade de seguidores nas mídias
Crescimento de seguidores nas mídias
Facebook
Mar. 2020
630
Nov. 2020
805
Mar. 2021
871
Jul. 2021
881

Fanpage
0
71
284
284

Instagram
0
218
336
382

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos relatórios anuais, 2021.

Relatório de 2020 (UFOP, 2020c) informa que as reuniões foram realizadas com uma
periodicidade de uma reunião a cada duas semanas, com o objetivo de planejar a elaboração dos
conteúdos abordados nos posts e analisar a aceitação e impactos dos conteúdos postados nas semanas
anteriores.
Com a virtualização dos trabalhos percebeu-se que uma nova clientela, composta por pessoas
que simpatizam com o projeto, em sua maioria universitários, profissionais da educação, artistas
(principalmente da área do teatro), contadores de histórias, escritores (UFOP, 2020c). O maior desafio
no momento é a atuação junto ao usuário real do Carro Biblioteca da UFOP, considerando que o

�público presencial apresenta vulnerabilidade econômica, composto principalmente por crianças e
idosos. Muitos desses usuários não possuem acesso aos meios digitais e de Tecnologias da
Informação e Comunicação (TICs) utilizados para o acesso às mídias sociais (UFOP, 2020c).
Tentou-se um novo contato virtual com os usuários reais, utilizando as informações contidas
nas fichas de inscrição, onde havia ao menos um número de contato telefônico, e desse modo buscouse realizar aproximação através do WhatsApp. Criou-se uma lista de transmissão, onde os posts
publicados nas outras mídias eram replicados, mas percebeu-se que a lista não permitia uma
interlocução com os usuários. Então um grupo de WhatsApp foi elaborado, houve uma apresentação
para os integrantes, informando sobre os objetivos daquele grupo, sem, contudo, obter o resultado
esperado, pois vários números de contato telefônico estavam desatualizados. Outra informação
importante é que quase todos os números dos telefones pertenciam aos adultos que haviam
preenchido a ficha de inscrição, e muitos desses adultos não permitiam que suas crianças (usuárias do
Carro Biblioteca da UFOP) tivessem acesso ao equipamento (UFOP, 2020c).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Carro Biblioteca da UFOP é um projeto reconhecido na cidade de Ouro Preto, que atua há
mais de dez anos nas comunidades periféricas da cidade, com o objetivo de democratizar o acesso aos
bens culturais, através da literatura e dos livros, promovendo assim a inclusão social.
Com o advento da pandemia o projeto se reinventou, descobrindo novas formas de promover
essa democratização através das mídias sociais. Essa tentativa nem sempre conseguiu atingir o
público real do projeto, pois trata-se de uma parcela da população que o acesso à internet se mostra
muito dispendioso. Ao levar em consideração que as crianças são a maioria dos usuários, esse acesso
fica ainda mais deficitário. Contudo um novo perfil surgiu em suas mídias sociais, que são os adultos
simpatizantes do projeto.
Na virtualidade ou presencialmente, os desafios para o Carro Biblioteca da UFOP são grandes,
desafios esses que impulsionam aos envolvidos no projeto o desejo que a leitura seja uma prática cada
vez mais valorada nas comunidades e na cidade, na busca de soluções para uma sociedade cada vez
mais inclusiva.
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Desafios para bibliotecas volantes frente a  pandemia: relato de experiência do carro-biblioteca da UFOP.</text>
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                <text>2020</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>O Sistema de Bibliotecas e Informação (SISBIN) é o órgão da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) responsável pela gestão de 12 bibliotecas setoriais e uma biblioteca itinerante. As bibliotecas itinerantes buscam democratizar o acesso ao livro e incentivar a leitura, e o Carro Biblioteca da Universidade Federal de Ouro Preto é um projeto de extensão criado com esse propósito. A leitura é um direito humano universal, contudo as desigualdades sociais no Brasil comprometem o seu acesso. O advento da Covid-19 impediu as atividades presenciais desenvolvidas pela universidade, assim como, as atividades de extensão desenvolvidas por ela junto à comunidade, criando o desafio de se manter a continuidade das ações de acesso e incentivo à leitura por meios virtuais. Esse relato de experiência busca conhecer os desafios encontrados pelo projeto e os caminhos desenvolvidos para superá-los, seja criando perfis em mídias sociais ou dialogando com um novo público diferente do usuário real do projeto. Para embasar esse artigo foram pesquisados e analisados relatórios anuais de atividades desenvolvidas apresentadas ao SISBIN e também à Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PROEX), e por fim, houve o acompanhamento das mídias do projeto.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>Eixo Práticas
AÇÕES DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS FRENTE À NOVA REALIDADE
COVID-19: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NAS BIBLIOTECAS DA UFF
UNIVERSITY LIBRARY ACTIONS IN THE FACE OF THE NEW REALITY COVID-19: THE
SUPERVISED INTERNSHIP IN UFF LIBRARIES
Verônica de Souza Gomes1
Ana Paula Matos Bazilio2
Camila do Nascimento Cultri3
Resumo: No período pandêmico COVID-19 observa-se diversas ações dos bibliotecários, que mesmo não
atendendo seus usuários de forma presencial optaram por ações no ambiente remoto, exercendo assim a
biblioteca universitária sua responsabilidade social junto com a universidade, de auxílio às atividades de
ensino, pesquisa e extensão. A pesquisa objetiva relatar ações dos bibliotecários atuantes em bibliotecas
universitárias no contexto pandêmico. Apontamos alguns serviços on-line oferecidos, com destaque para a
realização do estágio supervisionado de forma remota, mais especificamente relatamos a experiência das
bibliotecas da Universidade Federal Fluminense. Metodologicamente a pesquisa é de natureza qualitativa,
com o método da observação participante. Com o planejamento das atividades pré-definidas realizou-se os
encontros semanais, pela plataforma Google Meet, com apresentações, treinamentos, correções e avaliação
das atividades realizadas pelos estagiários. Considera-se que o estágio supervisionado constitui uma rica
troca de experiências entre discentes, docentes e bibliotecários.
Palavras-chave: Estágio supervisionado. Biblioteca Universitária. Trabalho remoto. Covid-19.
Abstract: In the pandemic period COVID-19 it was observed several actions of librarians, who even not
serving their users in person, opted for actions in the remote environment, thus exercising the University
Library its social responsibility with the university, to support the activities of teaching, research and
extension. The research aims to report the actions of librarians working in University Libraries in the
pandemic context. We point out some online services offered, with emphasis on the remote supervised
internship, more specifically we report the experience of the libraries of the Universidade Federal
Fluminense. Methodologically, the research is qualitative in nature, using the participant observation
method. With the planning of the pre-defined activities, weekly meetings were held using the Google Meet
platform, with presentations, training, corrections and evaluation of the activities performed by the interns.
It is considered that the supervised internship constitutes a rich exchange of experiences between students,
teachers and librarians.
Keywords: Supervised internship. University Library. Remote work. Covid-19.

1

Doutoranda em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela UFSCar. Universidade Federal Fluminense.
veronisg22@gmail.com.
2
Doutoranda em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela UFSCar. Universidade Federal Fluminense.
anapaulambazilio@gmail.com.
3
Doutoranda em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela UFSCar. Universidade Federal Fluminense.
milacultri@gmail.com.

�1 INTRODUÇÃO
O século XXI foi marcado pela pandemia COVID-19, um vírus que assolou o mundo,
acirrando as desigualdades sociais principalmente nos países subdesenvolvidos como o Brasil.
Todos os segmentos da sociedade como a economia, educação, saúde, entre outros estão sendo
afetados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou o distanciamento social e
medidas preventivas como o uso de máscara e álcool gel, com isso as instituições de pesquisas
foram fechadas, resultado de uma medida a fim de reduzir o contágio. No setor educacional
surge então o ensino remoto emergencial, o ensino híbrido, no mercado de trabalho tivemos o
teletrabalho, telemedicina, home office, delivery, ou seja, novas formas de adaptação para esta
triste realidade.
Acompanhando este contexto social, as instituições de ensino e pesquisa, mais
especificamente as universidades federais permanecem fechadas nesse contexto pandêmico,
adotando assim o trabalho remoto. Interagindo com o ambiente externo temos a biblioteca
universitária, que tem por missão zelar pelo patrimônio educacional, informacional e cultural da
universidade, orientar os usuários nessa função informacional constitui uma responsabilidade
social da biblioteca universitária, nesse âmbito emergem novas formas de transmitir e propagar
a informação científica (MACHADO; DIAS, 2011, p. 2719).
Dentre os trabalhos adotados pelos bibliotecários e profissionais de informação nesse
período pandêmico foram os mais variados possíveis a serem listados a seguir: implementação e
desenvolvimento de mídias sociais (blogs, twitter, facebook e Instagram); inserção e atualização
de dados em softwares das bibliotecas; inserção da produção científica em repositórios
institucionais; orientações para normalização de teses e dissertações; orientações a usuários online; auxílio remoto às pesquisas científicas; surgimento dos repositórios de Eprints com
materiais específicos sobre COVID-19; estágio supervisionado de alunos a ser realizado de
forma remota; e auxílio às atividades discentes e docentes.
O futuro incerto é um dos grandes desafios dos profissionais da informação “o que mais
preocupa o profissional da área é pensar como será o retorno de suas atividades presenciais,
uma vez que a biblioteca, possui naturalmente aglomerações e em sua maioria, possui
dificuldades na higienização devido a equipe reduzida e materiais diversificados em grandes
quantidades”. (WELLICHAN; ROCHA, 2020, p. 495).

�Por tudo isto, o presente trabalho tem por objetivo retratar algumas ações dos
profissionais de informação atuantes em bibliotecas universitárias no contexto pandêmico,
apontamos alguns serviços on-line oferecidos pelas bibliotecas universitárias, com destaque
para a realização do estágio supervisionado de forma remota, mais especificamente relatamos a
experiência das bibliotecas da Universidade Federal Fluminense.

2 FUNÇÕES E AÇÕES REALIZADAS PELAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
A biblioteca universitária tem como o objetivo principal: “atender às necessidades de
um grupo social ou da sociedade em geral, através da administração do seu patrimônio
informacional e do exercício de uma função educativa, ao orientar os usuários na utilização da
informação”. (LÜCK, 2000).
A esse respeito Cunha (2000) afirma que a biblioteca universitária por estar inserida em
uma instituição de ensino e pesquisa, ou seja, a universidade que tem por objetivo principal o
ensino, a pesquisa e extensão, a biblioteca universitária também deve atender às demandas
educacionais por meio das atividades de ensino e aprendizagem.
[...] é considerada como um meio educativo, indispensável para o desenvolvimento do
processo ensino-aprendizagem, que tem como finalidade a formação de cidadãos, de
informar e disponibilizar conhecimentos técnicos e científicos para o aprimoramento
da comunidade acadêmica e universitária, como também está inserida, ser participativa
e interagir entre si e, principalmente, no campo educacional (CASTRO FILHO, 2008,
p. 2).

Grosso modo, referente a função informacional, a biblioteca universitária possui a
função de fornecer materiais informacionais a comunidade acadêmica, docentes, discentes e
colaboradores. Sobre a atividade de extensão podem ser consideradas as ações voltadas para a
comunidade externa, chamadas ações extramuros. Por fim, mencionamos a função da biblioteca
universitária como:
A biblioteca universitária (BU) destaca-se por proporcionar suporte a comunidade
acadêmica, promovendo facilidades de acesso e socialização do conhecimento
científico. Os objetivos das BUs devem ser compatíveis com os princípios da própria
universidade: ensino, pesquisa e extensão. Os profissionais destas unidades podem
contribuir muito com processos de mediação e com ações inovadoras que
potencializam a apropriação da informação, o crescimento intelectual e científico dos
usuários. (CULTRI, BAZILIO, GOMES, 2020).

�Destacamos alguns serviços criados pelos profissionais e bibliotecários atuantes em
bibliotecas universitárias no contexto pandêmico, conforme Cultri, Bazilio e Gomes (2020):


treinamentos e cursos on-line para usuários;



orientações técnicas on-line para usuários;



atendimento pelo WhatsApp institucional e mídias sociais;



maior aderência e uso das mídias sociais pelas bibliotecas;



reuniões de equipe on-line;



oferecimento de palestras com pessoas das bibliotecas on-line (lives);



capacitação dos técnicos por meio de cursos e palestras on-line.
Wellichan e Rocha (2020) abordam como alguns serviços oferecidos estão sendo

utilizados:


As mídias sociais têm sido usadas como fonte de comunicação entre bibliotecários e
usuários, principalmente Instagram e facebook. Salientamos também que estas mídias
devem conter materiais informativos sobre a biblioteca, conteúdos relevantes para a área
de atuação dos professores e alunos;



O WhatsApp está sendo utilizado pelas bibliotecas para rápida comunicação com os
usuários. Através de um canal fale conosco;



Drive-thru de livros, o usuário solicita o livro pelo sistema de bibliotecas em seguida,
um funcionário da biblioteca verificará o pedido no acervo e deixará o livro disponível e
higienizado na portaria da instituição;



A ação cultural está ocorrendo de forma on-line, como: oficinas, cursos, seminários,
eventos, contação de história e lives sobre determinado tema.
Outro serviço criado na pandemia pelos bibliotecários atuantes em bibliotecas

universitárias foi o repositório Eprints contendo materiais específicos sobre covid-19.
Entendemos por repositório institucional “o armazenamento, a disseminação, à preservação e a
promoção de maior visibilidade à produção científica de uma instituição”. (CARVALHO;
GOUVEIA, 2017, p. 4). Destacamos a relevância do repositório institucional no contexto
pandêmico, por ser uma ferramenta de agilidade no processo de comunicação científica. Os
pesquisadores e cientistas sentem a necessidade de divulgarem os seus resultados de pesquisa de
forma cada vez mais rápida. Por tudo isso, constatamos neste período o crescimento dos
repositórios de Eprints (materiais ainda não avaliados pelos pares).

�Acrescentamos ainda outro serviço a ser destacado no contexto pandêmico, o estágio
supervisionado de alunos sendo realizado de forma on-line, foco de observação direta do nosso
trabalho. Visto a importância da realização do estágio, por ser um processo de aprendizagem e
de experimentação no campo de atuação, com a supervisão de um profissional da área (BEDIN,
2020).
Parece que o futuro antecipou a Biblioteconomia e a Ciência da Informação. A ideia do
bibliotecário voltada para os livros como uma das principais fontes de transmissão da cultura
está sendo cada vez mais ressignificada no período pandêmico. Muito importante nesta fase é a
relação intrínseca entre bibliotecários e usuários na biblioteca universitária. A esse respeito os
autores mencionam que:
Muitas bibliotecas têm divulgado conteúdos culturais em redes sociais, tendo o
trabalho, inclusive, de fazer um grande apanhado de informações, sendo
centralizadora e praticando a ação mediadora entre a informação disponível em rede e
o usuário que a busca. A biblioteca universitária tem potencial para tornar-se o grande
pólo cultural da academia. São diversas postagens divulgando lives culturais, círculos
de leitura, opções de dramaturgia gratuitas na rede, visitas virtuais a museus e
bibliotecas do mundo todo, entre outros serviços interessantes que a biblioteca
universitária divulga atualmente. (KERN, 2020, p. 15).

O autor faz a seguinte reflexão: profissionais da informação discutem há décadas sobre a
informação virtual, os fluxos informacionais em rede, a passagem do livro físico para o ebook.
Com a pandemia covid-19 houve uma aceleração desta realidade, visto que o livro físico em
papel pode ser um disseminador do vírus, assim como as aglomerações na biblioteca. Os
desafios desencadeados pela pandemia são discutidos há anos pelos bibliotecários atuantes em
bibliotecas universitárias que vivem em constante transformações advindas da sociedade.
Desde os anos 2000 autores como Cunha (2000) e Santa Ana (2018) já previam a
passagem da biblioteca tradicional com ênfase no livro para o novo paradigma da biblioteca
universitária com a inserção das novas tecnologias digitais de comunicação e informação e
afirmam que: as bibliotecas tradicionais o principal suporte da informação é o papel livro texto,
em um futuro próximo passarão a ser as bibliotecas digitais, onde o acesso dependerá
exclusivamente de um conjunto de mecanismos eletrônicos que facilitarão a localização e o
acesso a informação, ligando recursos, bibliotecários e usuários. Caberá ao bibliotecário o
gerenciamento desta informação on-line. Ao invés de investirem no tamanho do acervo físico,
será investido verba no acesso remoto à informação, em bases de dados e redes virtuais. E o

�grande diferencial na formação da coleção passará do tamanho do acervo para a quantidade de
verba destinada ao acesso remoto à informação científica nas bibliotecas virtuais.
Com os desafios e adventos da COVID-19, houve também a impossibilidade da
realização do Estágio Supervisionado in loco, pois de acordo com a portaria N° 544, de 16 de
junho de 2020, no período pandêmico as aulas presenciais devem ser substituídas por aulas em
meios digitais (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2020). Assim, os cursos buscaram alternativas
para que o estudante mantivesse a aproximação da teoria com a prática por meio do estágio
supervisionado.
O estágio supervisionado integra as diretrizes curriculares dos cursos de graduação.
Apresenta-se como uma disciplina, em que o estudante busca mesclar a teoria da sala de aula
com a prática, e assim obter um aprendizado de competências para seu desenvolvimento
profissional e para com a sociedade. Pois proporciona uma aproximação com a área de atuação,
uma troca de experiências, com interações e aprendizados. Segundo a Lei 11.788 de 25 de
setembro de 2008, que regulamenta a prática do estágio, esta evidência que:
Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho,
que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam
frequentando o ensino regular em instituições de educação superior [...]. O estágio visa
ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à
contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida
cidadã e para o trabalho. (BRASIL, 2008).

Desta maneira, a importância do estágio na formação profissional não está atrelada
apenas “como “possibilitador” de competências como também elemento fundamental para o
desenvolvimento de comportamentos e atitudes que se espera de um profissional desse mundo
em constante mudança.” (ALVES, 2013, p. 834).
No caso das bibliotecas universitárias, após uma estrutura da proposta de estágio
supervisionado nos cursos de Biblioteconomia, realizado presencialmente e pensando em como
propiciar uma real experiência, para um formato remoto, exigiu-se soluções inovadoras das
bibliotecas, principalmente nas unidades em que os cursos são oferecidos. Nesse sentido,
apresentamos em nossos resultados, como a atividade de estágio supervisionado vem sendo
desempenhada nas bibliotecas da Universidade Federal Fluminense (UFF).

3 METODOLOGIA

�Caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa. "O objetivo das pesquisas
qualitativas seria não apenas testar o que é conhecido, mas de fazer novas descobertas e
desenvolver novas teorias com base na experiência empírica” (BRAGA, 2007, p. 28). Com o
método da observação participante. Nesse método, o pesquisador da coleta de dados participa
do grupo, da organização ou instituição, observando um grupo de pessoas seus
comportamentos com base na experiência cotidiana (BECKER, 1994). Na presente pesquisa o
autor também faz parte da instituição a ser estudada nas bibliotecas da Universidade Federal
Fluminense.
O campo empírico abrange as bibliotecas universitárias, com uma análise mais
aprofundada de uma ação realizada pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
Fluminense, o estágio supervisionado de forma remota, requerido na disciplina do curso de
Biblioteconomia da UFF, implementado a partir de setembro de 2020.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A pandemia modificou muito a vida em sociedade, a forma de se trabalhar, de estar em
contato com as pessoas, e isso não foi diferente no âmbito das universidades e mais
especificamente nas bibliotecas. Mesmo não podendo estar atendendo de forma presencial, as
bibliotecas assim como outros setores, buscaram possibilidades de atenderem mesmo que
minimamente seus usuários, visto que, as mesmas desempenham um papel fundamental junto à
universidade para que as ações de ensino, pesquisa e extensão se concretizem. (RIO, OSÓRIO,
SANTOS, SANTOS, CARVALHO, 2020).
Acreditamos que tanto para as bibliotecas, quanto para os estudantes, a modalidade de
aprendizado de forma remota é um grande desafio para ambos. Porém, a necessidade de
contribuir para a formação profissional dos estudantes com a troca de experiências e o fazer
biblioteconômico cotidiano, não pode deixar de acontecer. Bem como, todas as ações
desenvolvidas e as inovações implementadas no período da pandemia, contribuíram para o
desenvolvimento do Sistema de Bibliotecas como um todo e nas particularidades.
Dentre as ações desempenhadas no Sistema de Bibliotecas da UFF, destacamos a
realização do estágio supervisionado de forma remota. Inicialmente, a Coordenação de
Bibliotecas (CBI) verificou junto às bibliotecas quais delas poderiam receber os alunos do curso
de Biblioteconomia. Em média, foram oferecidas vinte vagas de estágio supervisionado em

�cada semestre (1/2020, 2/2020 e 1/2021). A atividade de estágio supervisionado de forma
remota teve início a partir do mês de setembro de 2020. Mas, diante das condições das equipes
das 30 bibliotecas do Sistema, as vagas durante todo esse período foram solicitadas por seis a
sete bibliotecas, sendo variado o número de estagiários por biblioteca, umas com um a três
(geralmente as menores) e outras com uma média de cinco estudantes.
Contudo, para a realização do estágio supervisionado nas bibliotecas da UFF foi
necessário: uma diminuição da carga horária do período de estágio supervisionado, que passou
de 120h para 90h; que estudantes e supervisores do estágio (bibliotecário) tenham os
equipamentos necessários disponíveis; e desenvolver um "Plano de Atividades do Estudante da
Universidade Federal Fluminense" (Quadro 1), contendo uma síntese das atividades previstas a
serem desenvolvidas no estágio, realizadas em caráter excepcional e emergencial, de forma
remota (desenvolvido pela CBI juntamente com as bibliotecas).

Porém,

cada

biblioteca

desenvolveu um planejamento com as atividades a serem desenvolvidas, conforme as suas
especificidades, necessidades e possibilidades.
Ressaltamos que os supervisores, juntamente com as equipes das bibliotecas buscaram
cumprir o objetivo principal da realização de um estágio, em conformidade com a Lei de
Estágio nº 11.788 de 25 de setembro de 2008, no que tange o aprendizado das competências
necessárias para o desenvolvimento do seu trabalho e para a vida cidadã. Além das técnicas da
profissão, se faz necessário desenvolver novas capacidades, diante dos desafios e exigências
advindas da sociedade, como: criatividade, ética, adaptações, e até mesmo de liderança.
Quadro 1: Atividades previstas no estágio supervisionado de forma remota nas bibliotecas da UFF.
Acolhimento aos estagiários pela
Coordenação de Bibliotecas (CBI)




Atividades a serem desenvolvidas nas
unidades




Situar o Sistema de Bibliotecas dentro da Superintendência de
Documentação da Universidade Federal Fluminense
(SDC/UFF);
Apresentar os supervisores que irão receber os estagiários.
Apresentação da equipe, o funcionamento, os instrumentos
(manuais, regulamentos, normas);
Apresentação dos fluxos de trabalho (descrevendo os
produtos e serviços da biblioteca).

Serviço de seleção e aquisição




Apoio na seleção de e-books disponíveis na Internet;
Auxílio na pesquisa de obras no Pergamum e cotação de
títulos para aquisição em sites de editoras.

Serviço de referência e circulação



Apoio na realização de pesquisas em bases de dados
especializadas na área de atuação da biblioteca;

�



Processamento técnico







Apoio em levantamentos bibliográficos;
Atualização de listagens de usuários;
Colaboração na criação de posts e postagens nas mídias
sociais (blog, instagram e facebook) e análise de redes sociais
de algumas bibliotecas brasileiras;
Cadastro de perfis dos usuários.
Apresentação do sistema Pergamum e suas funcionalidade;
Catalogação: inserção de dados e correção de campos Marc
21 no Pergamum;
Apoio nas atividades do Repositório Institucional com a
inserção de documentos;
Pré-catalogação dos periódicos do acervo que ainda não estão
no Pergamum;
Colaboração na elaboração ou organização de listagens de
teses e dissertações do sistema.

Fontes: Adaptado de Coordenação de Bibliotecas (2020).

Como se pode observar no quadro 1, muitas das atividades realizadas in loco fizeram
parte do plano de atividades previstas a serem realizadas de forma remota, algumas
precisaram ser adaptadas ou substituídas, a exemplo da catalogação que por falta do material
físico não poderia ser feita de forma completa, porém muitas unidades em seus treinamentos
desenvolveram exercícios na base de homologação para que os estudantes pudessem ter um
pouco de prática, o que ocorreu também com a parte de empréstimo e devolução de material.
Nos relatos, sabe-se que a maioria das bibliotecas do Sistema da UFF adotaram pelo
menos um ou dois encontros remotos por semana com os estagiários, via plataforma Google
Meet, para realizar as apresentações, treinamentos, discutir e avaliar o desempenho do estágio.
Além dos encontros remotos, utilizou-se os e-mails e o WhatsApp como meios de contato e
para dar orientações.
A exemplo de uma das bibliotecas do Sistema, em seu planejamento se estabeleceu as
ocorrências semanalmente, com as datas dos encontros a serem realizados, foram elencados
os temas dos treinamentos e o ministrante (integrantes da equipe), e descrito de forma
sintetizada as atividades da semana, as atividades não foram muito diferentes das contidas no
plano de atividades (Quadro 1). Os encontros ocorreram semanalmente dentro do período de
realização do estágio, duravam em média duas horas, contava com a participação dos
estudantes, do supervisor do estágio e com a equipe completa na maioria dos encontros. Ao
final de cada período de estágio, foi solicitado pelo supervisor um feedback, pensando em
melhorar ou adequar os processos adotados no semestre.
Por fim, ressaltamos que a realização do estágio supervisionado em tempos de
pandemia só foi possível, primeiramente com o aceite dos bibliotecários, em se dispor a

�vivenciar novas experiências, desenvolver novas competências e habilidades, superando os
desafios advindos com a crise pandêmica, e juntamente com seu compromisso social, ao
contribuir na formação dos futuros profissionais da informação. Não podemos esquecer que a
cooperação e o comprometimento dos envolvidos (Coordenação do curso, Coordenação de
Bibliotecas, Bibliotecas e estudantes) também é de grande importância para que os objetivos
propostos fossem alcançados.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos desafios impostos pela pandemia, as bibliotecas universitárias tiveram que
se reinventar, inovar na oferta de seus produtos e serviços, principalmente no que tange o
suporte informacional aos seus usuários, demonstrando a importância do seu papel social e ser
uma fonte de muitas possibilidades.
Os impactos refletiram no desenvolvimento de muitas ações por parte das bibliotecas
de diversas universidades brasileiras, em prol de minimizá-los. Acredita-se que muitas das
ações on-line continuarão existindo após a pandemia, por terem apresentado bons resultados.
Ao bibliotecário também cabe o papel de contribuir para a formação e o desenvolvimento do
aluno da área, e que diante da crise instalada uma das etapas mais importantes da vida
acadêmica não poderia deixar de ser realizada, o estágio supervisionado.
O estágio supervisionado é uma complementação das atividades teóricas adquiridas ao
longo do curso de graduação de Biblioteconomia e Documentação, que visa um crescimento
profissional por meio das experiências trocadas no fazer cotidiano. Proporciona uma maior
compreensão do perfil da profissão e uma reflexão quanto ao campo de atuação.
Apesar dos estagiários não vivenciarem o ambiente tradicional da biblioteca,
principalmente na questão relacionada ao contato com os usuários, a dinâmica adotada nas
bibliotecas da UFF facilitou as interações e o desenvolvimento das atividades propostas.
Quanto às dificuldades, inicialmente foi a baixa aderência das bibliotecas, sobrecarregando
um pouco as que se prontificaram em desempenhar a atividade de estágio de forma remota.
Contudo, leva-se em consideração a falta de equipamentos de muitos bibliotecários, por
estarem em home office e o sentimento de não estar apto para conduzir a atividade. Também,
houveram ocorrências que atrasaram a entrega das atividades por parte dos estagiários
(pessoais, tecnológicas, demandas do curso), e mudanças no planejamento realizado pela

�biblioteca (pessoais, saúde), mas que de um modo geral não interferiram nas execuções das
principais atividades planejadas.
Considera-se que o estágio supervisionado remoto constitui uma experiência positiva
para os discentes, professores e bibliotecários, mesmo ocorrendo em um tempo atípico e tendo
como consequência diversas mudanças para a biblioteca universitária.

REFERÊNCIAS

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escola de biblioteconomia da unirio. Revista ACB, v. 18, n. 1, p. 829-845, 2013. Disponível
em: https://www.brapci.inf.br/index.php/res/v/76700. Acesso em: 20 abr. 2021.
BECKER, H. Métodos de pesquisa em Ciências Sociais. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1994.
BEDIN, J. Estágio supervisionado em época de Covid-19: experiência da Biblioteconomia da
Unochapecó. AtoZ: novas práticas em informação e conhecimento, v. 9, n. 2, p. 241-247,
jul./dez. 2020. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/atoz/article/view/76155/42606. Acesso
em: 22 mar. 2021.
BRAGA, Kátia Soares. Aspectos relevantes para seleção de metodologia adequada “a
pesquisa social em Ciência da Informação. In: MUELLER, Suzana. Métodos para a
pesquisa em Ciência da Informação. Brasília, DF: Thesauros, 2007. cap. 1, p. 17-39.
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substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais, enquanto durar a situação de
pandemia do novo coronavírus - Covid-19, e revoga as Portarias MEC n° 343, de 17 de março
de 2020, n° 345, de 19 de março de 2020, e n° 473, de 12 de maio de 2020. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 17 jun. 2020. p. 62. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou//portaria-n-544-de-16-de-junho-de-2020-261924872. Acesso em: 22 mar. 2021.
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Biblioteconomia&#13;
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ações das bibliotecas universitárias frente a nova realidade Covid-19: o estágio supervisionado nas bibliotecas da UFF.</text>
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                <text>No período pandêmico COVID-19 observa-se diversas ações dos bibliotecários, que mesmo não atendendo seus usuários de forma presencial optaram por ações no ambiente remoto, exercendo assim a biblioteca universitária sua responsabilidade social junto com a universidade, de auxílio às atividades de ensino, pesquisa e extensão. A pesquisa objetiva relatar ações dos bibliotecários atuantes em bibliotecas universitárias no contexto pandêmico. Apontamos alguns serviços on-line oferecidos, com destaque para a realização do estágio supervisionado de forma remota, mais especificamente relatamos a experiência das bibliotecas da Universidade Federal Fluminense. Metodologicamente a pesquisa é de natureza qualitativa, com o método da observação participante. Com o planejamento das atividades pré-definidas realizou-se os encontros semanais, pela plataforma Google Meet, com apresentações, treinamentos, correções e avaliação das atividades realizadas pelos estagiários. Considera-se que o estágio supervisionado constitui uma rica troca de experiências entre discentes, docentes e bibliotecários.</text>
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                    <text>Eixo 3 Inovações
DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS PARA AS BIBLIOTECAS DIGITAIS SOB A
PERSPECTIVA DO CAPITALISMO INFORMACIONAL
CONTEMPORARY CHALLENGES FOR DIGITAL LIBRARIES FROM THE PERSPECTIVE OF
INFORMATION CAPITALISM
Carla Daniella Teixeira Girard1
Cristiane Marina Teixeira Girard2
Gilma da Silva Pereira Rocha3
Sérgio Rodrigues de Santana4
Ronne Clayton de Castro Gonçalves5

Resumo: A Biblioteca Digital constitui um novo modo de distribuição de conteúdo e um novo mercado, assim elas
despertam os interesses comerciais por empresas que estão fortemente alinhadas à lógica comercial do capitalismo
informacional. Essa comunicação objetiva analisar a Biblioteca Digital Bookplay como formas de negócio por
despertarem interesses de empresas capitalistas. Esta comunicação tem abordagem qualitativa, como fio teórico adotouse os Estudos Culturais. Portanto, foi possível identificar que é um tipo de negócio que se torna atrativo aos interesses
comerciais, pela dinâmica social e tecnológica onde os materiais impressos deixam de ser os únicos a serem
consumidos na perspectiva informacional e torna-se possível o alcance a muito mais conteúdos através das Bibliotecas
Digitais. Por fim, observa-se que as Bibliotecas Digitais não possibilitam a democratização da informação, tendo em
vista que a classe menos favorecida não tem acesso, devido ao condicionamento de quem pode ter acesso as mesmas,
assim, o capitalismo informacional acarreta um funcionamento que parte de uma dinâmica de pseudodemocratização.

Palavras-chave: Biblioteca Digital. Capitalismo Informacional. TIC. Estudos culturais.

Abstract: The Digital Library constitutes a new way of distributing content and a new market, so they arouse
commercial interests by companies that are strongly aligned with the commercial logic of informational capitalism. This
communication aims to analyze the Digital Bookplay Library as forms of business because they arouse the interests of
capitalist companies. This communication has a qualitative approach, and Cultural Studies was adopted as a theoretical
thread. Therefore, it was possible to identify that it is a type of business that becomes attractive to commercial interests,
due to the social and technological dynamics where printed materials are no longer the only ones to be consumed from
1

Bibliotecária-Documentalista na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)/Campus Paragominas e
Doutoranda em Educação pela Universidade Luterana do Brasil (ULBA)/Campus Canoas. E-mail:
carla.girard@ufra.edu.br.
2
Bibliotecária-Documentalista na Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e Mestra em Letras pela UNIR.
E-mail: marinateixeiragirard@gmail.com.
3
Doutoranda em Educação pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA)/Campus Canoas. Mestra em Educação pela
Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). Professora da Educação Especial na Rede municipal de Santarém e
de Língua Portuguesa na Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará. E-mail: rochagsp@gmail.com.
4
Graduando em Biblioteconomia, Psicólogo, Mestre e Doutorando em Ciência da Informação pela Universidade
Federal da Paraíba (UFPB). E-mail: sergiokafe@hotmail.com.
5
Bibliotecário-Documentalista na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)/Campus Itaituba. Mestre em
Ensino (UNIVATES). E-mail: ronnecastro@hotmail.com.

�an informational perspective and it becomes possible to reach much more content through Digital Libraries. Finally, it is
observed that Digital Libraries do not allow the democratization of information, considering that the less favored class
does not have access, due to the conditioning of who can have access to them, thus, informational capitalism entails a
functioning that starts of a pseudo-democratization dynamic.
Keywords: Digital library. Informational Capitalism. ICT. Cultural studies.

1 INTRODUÇÃO
Entende-se que os reflexos acarretados pelas tecnologias digitais e o emprego intensificado
dos ambientes web evidencia uma promoção transformadora essencial na sociedade em sua
totalidade, abarca usuários e instituições, nos mais distintos segmentos sociais. Na esfera
informacional, profissionais e unidades estão incluídos em um ciclo de mudança, devido prover as
necessidades e tendências que se apresentam, a todo instante, por parte dos utilizadores dos
produtos e serviços de informação.
No âmbito específico das bibliotecas, a adesão às tecnologias digitais representou uma
grande reviravolta nas tradicionais práticas bibliotecárias realizadas nessas instituições no decorrer
dos tempos. A transição do século XX para o XXI foi assinalada por debates, previsões e
controvérsias inerente à Biblioteca Digital. A Biblioteca Digital configura um espaço sinérgico de
uma gama variada de âmbitos da Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e várias outras
disciplinas e áreas de pesquisa, como Biblioteconomia, Ciência da Informação, Museologia,
Arquivologia e Gestão do Conhecimento, ressaltando algumas tidas como relevantes.
Deve ser destacado que, presentemente, a Biblioteca Digital é levada em conta como modo
de apropriação do mundo da informação pelo comércio eletrônico. Para o capitalismo
informacional, as Bibliotecas Digitais determinam um novo mercado global, constituindo, para
alguns autores, um caso específico de economia da informação. Esse contexto demonstra que a
tecnologia pode ser significada, apropriada, ressignificada e transformada pelas pessoas, na
mesma proporção a em que os transforma.
No cenário presente, progressiva e continuamente, as Bibliotecas Digitais estão sendo
investigadas sob diversos olhares e em várias áreas de conhecimento, principalmente no âmbito da
Educação. Cada um desses olhares conduz a uma contribuição frente aos desafios e espaços que se
configuram face às inovações tecnológicas. Essas bibliotecas tornam possível aos usuários, a
utilização de seus acervos e a ajuda para inúmeras pesquisas, principalmente as Bibliotecas Digitais
de acesso livre, exemplificada na “Livro Aberto” do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência
e Tecnologia (IBICT).

�Nessa perspectiva surge o seguinte problema de pesquisa: como as Bibliotecas Digitais
enquanto forma de negócio despertam interesses comerciais por empresas que estão fortemente
alinhadas à lógica comercial do capitalismo informacional? Esta problemática emergiu a partir da
vivência e leituras e reflexões da Disciplina de Educação e Pós-Modernidade no semestre 2021.1,
do Programa de Educação da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA)/Campo Canoas, assim
essa comunicação objetiva analisar como a Biblioteca Digital Bookplay se reconfigura/constitui no
âmbito do capitalismo informacional.
A escolha do tema justifica-se ao considerar que as principais transformações sofridas pelas
Bibliotecas Tradicionais (convencional/física) ao levar em conta o acesso e uso das Bibliotecas
Digitais, essas que têm ou mais precisamente para o âmbito digital são devido a intensificado a
lógica do capitalismo informacional assim criando novas práticas de leitura (cultura da leitura).

2 MÉTODO

Esse trabalho tem como método a pesquisa descritiva e interpretativa, já que visualiza a
análise de uma Biblioteca Digital, denominada Bookplay a luz do capitalismo informacional. Tais
metodologias são evidenciadas pela ótica de Masini (2004) pelo viés descritivo, tendo em vista que
ele proporciona uma definição mais detalhada e densa dos fenômenos por meio de seu contexto
natural e a dimensão descritiva pelos autores Mendes Júnior e Ferreira (2010) por mostrarem a
interpretação no sentido de compreender a perspectiva do pesquisador diante da compreensão livre
e orientada através de uma reflexão ponderada, assim, esta interpretação faz com que o pesquisador
ao se afastar do objeto de pesquisa faça a mensuração de compreender a realidade e o interdiscurso
colocado.
Pensando na concepção de que o viés teórico se apoiou nas teorias da Revolução da
Tecnologia da Informação que ancora as discussões sobre os processos que permeiam o fazer
profissional em Biblioteconomia pela cultura do acesso, uso e reflexos das Web 2.0, TIC, bits e da
informação. Esta comunicação tem abordagem qualitativa, de acordo com Godoy (1995), pois as
buscas as essências dos objeto de estudo, assim destaca a Biblioteca Digital Bookplay, enquanto
forma de negócio despertam interesses comerciais por empresas que estão fortemente alinhadas à
lógica comercial do capitalismo informacional ao qual refletem sobre as Bibliotecas Tradicionais
(convencional/física) e criação novas práticas de leitura (cultura da leitura).

�3 REFERENCIAL TEÓRICO

O capitalismo informacional constitui o período econômico e social do presente. Está
assinalado pelo avanço da Globalização e todo o progresso científico tecnológico e intrinsecamente
atrelado à Sociedade da Informação. Seus aspectos essenciais são: a ampliação e evolução das TIC;
aceleração e elevação dos fluxos de capitais, mercadorias, informações, pessoas e a disseminação
do conhecimento. Advento que carreou novas práticas sociais e culturais com o uso intensivo da
tecnologia configurando uma nova estrutura social. Pensar nesta acepção por meio de uma
perspectiva Pós-Moderna, pode-se suscitar que os vínculos sociais ligados a lógica do capitalismo
evidencia-se segundo Lyotard (2009, p. 27) como seu “redesdobramento” econômico de sua fase
atual, possibilitando assim, que sejam ressignificadas formas de técnicas e de tecnologias
propriamente ditas, que ocasionaram modificações do papel do Estado, fazendo com que as
sociedades passem a ser mais reguladas para a tomada de decisões por meio de informações que são
disponibilizadas advindas de diversas perspectivas, principalmente, centralizadas em dispositivos
ou plataformas digitais, trazendo para o contexto deste estudo, caráter que antes era intermediada
apenas por administradores. Diante disto, afirma-se que:
O acesso às informações é e será da alçada dos experts de todos os tipos. A classe dirigente
é e será a dos decisores. Ela já não é mais constituída pela classe política tradicional, mas
por uma camada formada por dirigentes de empresas, altos funcionários, dirigentes de
grandes órgãos profissionais, sindicais, políticos, confessionais (LYOTARD, 2009, p. 27).

Refletindo nesta concepção do autor supracitado, nota-se que a nova lógica do capitalismo
Pós-Moderno permite que a centralidade de informações referentes as produções e constituição de
mercado sejam regulados por plataformas digitais, os quais, ultimamente, algumas empresas ou
outros tipos de organizações, como as de caráter educacional, adquiram plataformas cujo propósito
anunciado é propagar a informação e auxiliar na aprendizagem de seus usuários, usando, para tanto,
estratégias como mecanismos de Inteligência Artificial.
O cenário da pandemia do Covid-19 contribuiu para uma massiva propaganda e, também,
para a demanda, por parte de muitos usuários, por Bibliotecas Digitais, as quais se anunciam como
capazes de promover melhorias na educação, cuja não pode estagnar, mesmo em tempos como
esses. Neste nexo, em consonância com Sayão (2008-2009, p.10):
Numa visão otimista, para o mundo editorial, a biblioteca digital constitui um novo modo
de distribuição de conteúdo e um novo mercado – bastante competitivo – a ser conquistado,

�num contexto de mudança da economia da informação. Para isso os editores estão se
adaptando ao paradigma da publicação eletrônica, integrando mídias, criando novos
modelos de negócio, como os portais agregadores, e estabelecendo parcerias com
organizações mais próximas ao mundo da internet.

Partindo desta premissa, faz-se pertinente verificar os conceitos das Bibliotecas Digitais que
estão muitas vezes associados e tidos como uma continuidade da biblioteca tradicional, isso permite
pensar-se que toda e qualquer biblioteca é um organismo em crescimento independente do ambiente
(físico ou digital) ao qual encontra-se atrelada. A partir disto, vislumbra-se que a temática
Biblioteca Digital está conjuminada a diversas conjecturas, desde catálogos on-line de comércio
eletrônico até coleções ligadas a programas de computadores, ressalta-se que as demais temáticas se
encontram presentes nos conceitos da própria terminologia biblioteca.
Destaque-se igualmente que, as Bibliotecas Digitais geram tanto a noção de armazenamento,
disseminação, recuperação, acesso e uso das informações eletrônicas como de compartilhamento de
informações digitais. Isso possibilitou olhar para as Bibliotecas Digitais como serviços variados via
coleções de conteúdos distribuídos, tendo o gerenciamento autônomo, destarte, interoperáveis.
Segundo Sayão (2008-2009, p. 8) as Bibliotecas Digitais emergem “[...] de uma nova economia da
informação e de modelos de negócios que vão moldando as novas possibilidades de distribuição de
conteúdos de toda natureza via rede de computadores”.
As novas formas de configurações do mercado sob o viés do capitalismo informacional fazse por entender o capitalismo de forma geral como uma solução ao aspecto de cunho científico, pois
influi diretamente na pesquisa, já que as Bibliotecas na atualidade se modificaram de forma
tradicional para digital por proporcionarem investimentos em pesquisas, pois, segundo Lyotard
(2009, p. 82):
[...] diretamente, financiando os departamentos de pesquisa nas empresas, onde os
imperativos de desempenho e de recomercialização orientam com prioridade os estudos
voltados para as “aplicações”; indiretamente, pela criação de fundações de pesquisa
privadas, estatais ou mistas, que concedem créditos sobre programas a departamentos
universitários, laboratórios de pesquisa ou grupos independentes de pesquisadores, sem
esperar do resultado dos seus trabalhos um lucro imediato, mas erigindo em princípio que e
preciso financiar pesquisas a fundo perdido durante um certo tempo para aumentar as
chances de se obter uma inovação decisiva e, portanto, muito rentável.

No âmbito da educação, as Bibliotecas Digitais são visualizadas como recurso estratégico
para as aprendizagens que superem as desigualdades informacionais e de acesso, visando assim, um
melhoramento da alfabetização e de práticas de leitura, além de programas de inclusão digital. Ou
seja, na ótica dos educadores e professores as Bibliotecas Digitais se configuram como um “novo

�recurso de aprendizado, apoiados por conteúdos multimídia, interatividade e integração de
informações heterogêneas de que o ensino [...] não podem prescindir” (SAYÃO, 2008-2009, p. 10).
O ambiente da biblioteca digital é um espaço dinâmico, constituído de informações
eletrônicas, com níveis diferenciados de granularidade, e serviços que possibilitam
inúmeras configurações nas suas formas de disseminação e uma gama extraordinária de
usos e reuso para os seus estoques informacionais e para as representações correspondentes
(SAYÃO, 2008-2009, p. 14).

Pensando neste caráter traz-se as concepções do texto de Gallo (2008), ao apontar aspectos
inerentes a modernidade sobre o pensamento da educação, onde tem-se e observa-se que as
Bibliotecas Digitais consideradas como processos educativos que vão de encontro a um pensamento
ligado a um projeto político, cujo qual podem possibilitar tanto um viés de conservadorismo, de
reformas ou até mesmo de transformações, como no caso dessas bibliotecas, que estão modificando
os comportamentos dos usuários que estavam habituados ao seu modo tradicional, enraizado pela
vertente de seu caráter físico e agora, principalmente no contexto pandêmico da COVID-19, vem se
instaurando um aspecto intensificado de relevância a ambientes digitais, cujos quais partem do
princípio de uma política em prol de uma cultura da leitura diferenciada, colocadas por discursos
instaurados pelo capitalismo informacional. Partindo deste pressuposto o autor complementa que
pensar uma educação moderna sobre a perspectiva de:

[...] um projeto de emancipação do homem, articulada com projetos de emancipação nos
âmbitos do social, do econômico, do cultural etc. Penso que a filosofia moderna foi
animada por esse “desejo de emancipação”: emancipação do conhecimento do jugo da fé
pelo exercício da razão, articulado por um método; emancipação do poder soberano pelo
livre exercício do poder pelo conjunto dos cidadãos, no contexto de uma sociedade
democrática; emancipação do homem em relação à natureza pelo uso tecnológico permitido
pelos conhecimentos científicos; emancipação da ignorância pela universalização do acesso
aos processos educativos, e assim por diante... (GALLO, 2008, p. 52).

Assim, observa-se que os usuários das Bibliotecas tradicionais (ou físicas) partem do
pressuposto de emancipação, já que sua ordem social, econômica e cultural foram modificadas,
partindo do pressuposto de que com as tecnologias digitais, o conhecimento se tornou mais
acessível e mais “libertador”, pois, por mais que o foco deste estudo sejam por plataformas digitais
de acesso comercial, existem plataformas que compactuam com a proposta da política de acesso
livre ao conhecimento, permitindo que o usuário da informação perpasse em diversos espaços seja
ele físicos como digitais, inserindo-se no que Gallo (2008, p. 56) acredita ser relevante que é “saber
se as práticas culturais estão voltadas para a manutenção das coisas ou para a sua transformação”.

�Outro foco que pode ser discutido referente a estas bibliotecas (principalmente as físicas e as
digitais) são o caráter político, ou por assim dizer suas respectivas divisões, macropolítica (política
maior) e micropolítica (política menor), onde a primeira pode partir do pressuposto das legislações
instituídas pelo Ministério da Educação (MEC) de que as bibliotecas precisam ter em grande parte
um acervo físico, mas também compor do seu caráter digital, mesmo que em menor parcela. E
quanto a micropolítica, pode ser visualizada as organizações locais que evidenciam tais regras
maiores, criando, assim suas próprias institucionalizações de preceitos e regimentos internos sobre
eventualmente biblioteca. Por isto, ambas partem do que Gallo (2008, p. 54) diz que “toda
sociedade e todo indivíduo são, pois, atravessados por duas segmentariedades ao mesmo tempo:
uma molar e outra molecular”.
Além disso, faz-se relevante dizer que tanto a macropolítica quanto a micropolítica já eram
visualizadas desde os tempos primitivos por este atravessamento social, portanto, sobre esta visão
Gallo (2008) traz acepções de Deleuze e Guatarri, onde instauram-se sobre o viés de que nenhuma
sociedade humana foge do seu caráter de segmentação, partindo do pressuposto de que todo tipo de
relação política é a todo instante estabelecida. Assim, “se há ações políticas mais gerais, globais, é
porque elas assentam-se sobre essas relações localizadas” (GALLO, 2008, p. 53). Assim, Deleuze e
Guatarri (1996, p. 85) afirmam que:
O sistema político moderno é um todo global, unificado e unificante, mas porque implica
um conjunto de subsistemas justapostos, imbricados, ordenador, de modo que a análise das
decisões revela toda espécie de compartimentações e de processos parciais que não se
prolongam uns nos outros sem defasagens ou deslocamentos.

Nessa conjuntura, leva-se em conta que tanto a utilização quanto a apropriação das
tecnologias digitais são, antes de tudo, produções culturais de certa sociedade e seu caráter
histórico, sendo as tecnologias componentes vitais da produção e reprodução de cultura. Dessa
forma, confronte à hipótese da existência de uma cultura específica oriunda da presença dos meios
eletrônicos na sociedade atual, uma cultura digital, “o termo digital estaria representando uma
forma particular de vida de um grupo ou de grupos de sujeitos em um determinado período da
história” (BORTOLAZZO, 2016, p. 11).
Nesse caso, a cultura digital é olhada como um marcador cultural que abarca tanto os
artefatos digitais como os sistemas de significação e comunicação distintos, capazes de explicitar as
transformações no modo de vida contemporâneo. Sob este aspecto é inevitável que essas mudanças
tenham, da mesma maneira, um impacto na dimensão pedagógica de uma sociedade. Pensando no
protagonismo juvenil no ambiente escolar. Naumann (2016, p. 26) apresenta uma proposta baseada

�em três situações da cultura digital que devem ser considerados no que concerne às práticas
pedagógicas: “(1) a possibilidade da autoria como produção própria de conhecimento; (2) a
oportunidade de acesso à informação e de elaboração autoral dos conteúdos acessados, como forma
de participação e protagonismo; (3) a autoria como inclusão digital”.
Neste nexo, seria levada em consideração não somente o conhecimento escolar, mas a
experiência prévia do aprendente, seu cotidiano e conhecimentos construídos a partir dele
(BANNELL et al., 2016; PISCHETOLA, 2016; SELWYN, 2011a, 2011b). A partir desta afirmativa
faz-se relevante abordar a concepção de Machado (2002) em contribuir de forma reflexiva a se
pensar que o conhecimento na efetividade de ter como meta não é dispor a verdade, pois tem-se a
noção de que o conhecimento não precisa em suma ser visível, mas ele tem que ser inovado, como é
o caso das Bibliotecas Digitais que estão cada vez mais se reinventando para atender sobre diversos
conhecimentos tendo em vista as necessidades e competências informacionais dos usuários. Desta
forma, “ao criador não interessa reproduzir, mas produzir o real” (MACHADO, 2002, p. 103).
Sobre a ótica nietzschiana referente ao valor embutido no conhecimento que é disseminado
por estas Bibliotecas Digitais, insere-se a percepção de que não se pode apenas isolar o valor apenas
ao conhecimento propriamente dito que é produzido, recuperado e propagado pelas mesmas, mas
sim, parte-se do pressuposto de que “exige que se leve em consideração outros valores. O
conhecimento é um valor que deve ser situado entre uma pluralidade de valores e que não deve,
entre eles, gozar de nenhum privilégio particular” (MACHADO, 2002, p. 50).
Deste modo, tais discursos tanto pelo viés das empresas quanto dos jovens que usufruem dos
serviços oferecidos pelas mesmas acarretam a se pensar a perspectiva trabalhada por Foucault
(1996), cujo qual expõe que tais produções discursivas produzidas por ambos não abordam a
realidade de forma natural, pois os discursos vêm carregados de acepções históricas, instituindo
assim, uma quebra entre o que foi pensado e pela institucionalização do poder que é exacerbado por
aquele que o detém, o que percebe-se que encontra-se instituído nas Bibliotecas Digitais de ordem
comercial, tendo em vista a dominação consolidada pelo capitalismo informacional, e por isto, é
propagado que tais plataformas são as tendências do momento, atraindo tais jovens a consumirem
seus produtos, haja vista que, elas não tem como atrativo expor apenas a compra de livros, mas
disponibilizar várias opções de serviços oferecidos, tais como: descontos em lojas, oferta de
produtos que não tem a ver com leitura, dentre outros aspectos.
Tendo em vista este caráter, pode-se suscitar que se observa que na ordem do discurso
trazido por Foucault (1996), há mecanismos de controle de tudo que se é produzido socialmente,

�quem o produz e como é compartilhado os discursos, que no caso, os discursos produzidos pelas
Bibliotecas Digitais de ordem comercial. Destarte que em toda sociedade o autor conjectura que os
discursos produzidos por estas plataformas são mecanismos de controles, muito bem articulados,
regulados e propagados seguindo processos que instituem os seus poderes e governam os diversos
acontecimentos embutidos pelas suas propagandas comerciais através do oferecimento de serviços
que atinja seus diversos consumidores, porém, a “verdade” que se prega nessas plataformas é de
que elas contribuem para a educação, ressaltando a aprendizagem e apoiam a perspectiva da prática
da leitura.
Contribuindo com tal noção de discurso, Foucault (1996, p. 49) assevera que:

O discurso nada mais é do que a reverberação de uma verdade nascendo diante de seus
próprios olhos; e, quando tudo pode, enfim, tomar a forma do discurso, quando tudo pode
ser dito e o discurso pode ser dito a propósito de tudo, isso se dá porque todas as coisas,
tendo manifestado e intercambiado seu sentido, podem voltar à interioridade silenciosa da
consciência de si.

O discurso traz efeitos da verdade que são produzidas pelos comerciantes das Bibliotecas
Digitais de cunho comercial oferecendo soluções de que este tipo de biblioteca é o futuro que
promove a educação de qualidade e sua democratização; e, quanto aos jovens, no sentido de
entender como eles se apropriam destes anúncios e como eles entendem estas plataformas em sua
utilização. Portanto, seguindo a lógica de Veiga-Neto (2003) a intenção de analisar os discursos é
no sentido de afastar-se da ordem ideológica colocada e “mascarada” na construção de memórias
impostas pelas relações de poder da sociedade.
Isso porque, em suma, pressupõe-se que alguns discursos atuam na reafirmação de atributos
aceitos e mais valorizados de uma única identidade, considerada desejável; outros, entretanto,
orientam-se para uma busca de quebra de estereótipos e de afirmação de novas identidades, que
também buscam espaços para se auto representarem e terem seus direitos reconhecidos e atendidos.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A Biblioteca Digital Bookplay (Figura 1) com conteúdo educacional, informativo e de
entretenimento. Seu acervo possui mais de 4.000 e-books, 1.500 audio-livros, 1.000 cursos online,
600 video-aulas, 60 revistas, jornal e ainda curso de inglês do básico ao avançado.

�Figura 1 - Biblioteca Digital Bookplay.

Fonte: Bookplay, 2021.

Atualmente possui cerca de 120 mil usuários, e tem uma política de Marketing que atende aos
seus diversos grupos, universitários; crianças; leitores de comédia e humor; grupos de leitores
literários; grupos de “concurseiros”; grupos religiosos; estudantes de cursos técnicos; leitores de jornal
e revistas. Esse dado em si demarca que não há um usuário de informação específico, assim a filosofia
é de atendimento a um número grande de sujeitos, e com isso a tese que visualiza o lucro. Para o
capitalismo informacional, as Bibliotecas Digitais determinam um novo mercado global, assim ao
visualizar que a Bookplay atende diversos segmentos isso não significa que ela é marcada pela
filosofia da democratização da informação, mas pela economia da informação em sua lógica mais
fundamental. Essa lógica é marcante no pensamento de Sayão (2008-2009) ao mencionar que o
acesso e uso das Bibliotecas Digitais promovem essa economia da informação.
Ao considerar a) a compra é realizada por meio de um formulário na plataforma através do
plano Bookplay ou um plano BookPlay Kids, b)

O plano custa 159,90 por mês, com os seguintes

serviços: plano ilimitado, livros, Audiolivros, cursos, videoaulas, jornal e revistas, curso de inglês,
bookplay kids, clube de benefícios e 3 usuários simultâneos e c) disponibilização do Clube de
benefícios (desconto) aos seus usuários/consumidores nas áreas de alimentos e bebidas, lazer, bemestar e saúde, educação e produtos e serviços. Se vê a lógica da economia informacional capitalista,
por duas perspectivas, a e b figuram o lucro em si, e c se destaca como uma política de fidelidade dos
usuários para mantê-los acessando os conteúdos.

�Figura 2 - Biblioteca Digital Bookpla e parcerias.

Fonte: Bookplay, 2021.

O capitalismo informacional se faz presente nesta plataforma digital conforme a Figura 2,
delimitando a dimensão econômica-social, e reflete a globalização como o progresso científico
tecnológico e intrinsecamente atrelado à Sociedade da Informação, uma vez que se visualiza da
ampliação, evolução e alcance das TIC; a aceleração e elevação dos fluxos de capitais, mercadorias,
informações, pessoas e a disseminação do conhecimento. E todas essas lógicas se intersecionam, ao
qual os editores estão adaptados ao paradigma, uma vez que se visualiza a diversidade de
publicação eletrônica, a integração de mídias, a criação de novos modelos de negócio, os portais
agregadores, e estabelecendo parcerias com a Bookplay conforme Figura 2, enquanto organização.
As Bibliotecas Digitais enquanto forma de negócio despertam interesses comerciais por que
empresas que estão fortemente alinhadas à lógica comercial do capitalismo informacional, veem
nelas o potencial de produção infinito e vertiginosa, o estabelecimento das parcerias conforme a
Figura 2, evidencia essa dimensão.
E as principais transformações sofridas pelas Bibliotecas Tradicionais (convencional/física)
ao considerar o acesso e uso das Bibliotecas Digitais, dá-se pela lógica de infinito, vertiginosa com
o potencial e atualização do seu acervo, lógicas marcantes no capitalismo informacional, assim
criando novas práticas de leitura também para as classes privilegiadas, ao mesmo tempo que
distância ainda mais as classes menos afortunadas.

�5 Considerações

Este estudo abordou as bibliotecas digitais na perspectiva do capitalismo informacional. Em
particular, evidenciou a Biblioteca Digital Bookplay, sendo assim, foi possível identificar que ela
apresenta características educacionais, informativas e de entretenimento. Reúne variados conteúdos
e em diferentes formatos, através deles consegue alcançar diversos perfis de usuários, em virtude
disso, possui mais de 100 mil usuários cadastrados, que consomem esse tipo de serviço
potencializado pela evolução das tecnologias informacionais.
Este estudo possibilitou identificar que se trata de um serviço não gratuito, com cobranças
mensais e que permitem acesso limitado e concomitante para no máximo 3 usuários. Entretanto,
por se adequar a um contexto informacional capitalista, esta biblioteca digital além de disponibilizar
seus produtos com o objetivo de obter lucro, promove aos usuários alguns benefícios exclusivos,
como descontos para realizar compras em empresas parceiras e que nesse cenário, potencializam a
fidelização e conquista de novos usuários.
É um tipo de negócio que se torna atrativo aos interesses comerciais, pela dinâmica social e
tecnológica onde os materiais impressos deixam de ser os únicos a serem consumidos na
perspectiva informacional e torna-se possível o alcance a muito mais conteúdos através das
bibliotecas digitais.
Portanto, as bibliotecas digitais quando entendidas como um negócio, possibilitam um fluxo
de informações que podem atender diferentes públicos. Entretanto, o acesso não se torna
democrático de fato, as classes mais favorecidas potencialmente podem ser ou se tornarem usuários,
porém, infelizmente não é a mesma realidade de parte da sociedade, ou seja, o capitalismo
informacional funciona em uma dinâmica de pseudodemocratização.

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Desafios contemporaneos para as bibliotecas digitais sob a perspectiva do capitalismo informacional.</text>
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                <text>Girard, Carla Daniella Teixeira, Girard, Cristiane Marina Teixeira, Rocha, Gilma da Silva Pereira, Santana, Sérgio Rodrigues de, Gonçalves, Ronne Clayton de Castro </text>
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                <text>A Biblioteca Digital constitui um novo modo de distribuição de conteúdo e um novo mercado, assim elas despertam os interesses comerciais por empresas que estão fortemente alinhadas à lógica comercial do capitalismo informacional. Essa comunicação objetiva analisar a Biblioteca Digital Bookplay como formas de negócio por despertarem interesses de empresas capitalistas. Esta comunicação tem abordagem qualitativa, como fio teórico adotou-se os Estudos Culturais. Portanto, foi possível identificar que é um tipo de negócio que se torna atrativo aos interesses comerciais, pela dinâmica social e tecnológica onde os materiais impressos deixam de ser os únicos a serem consumidos na perspectiva informacional e torna-se possível o alcance a muito mais conteúdos através das Bibliotecas Digitais. Por fim, observa-se que as Bibliotecas Digitais não possibilitam a democratização da informação, tendo em vista que a classe menos favorecida não tem acesso, devido ao condicionamento de quem pode ter acesso as mesmas, assim, o capitalismo informacional acarreta um funcionamento que parte de uma dinâmica de pseudodemocratização.</text>
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                    <text>Eixo 1 - Tradição
AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA DA UFF
SOB A PERSPECTIVA DE USUÁRIOS
EVALUATION OF THE MATHEMATICS AND STATISTICS LIBRARY AT UFF
FROM THE USERS' PERSPECTIVE
Renata da Silva Lemos Manhães1
Lucí Hildenbrand2
Resumo: O estudo, produto de dissertação do Mestrado Profissional em Avaliação, teve por objetivo avaliar a
satisfação dos alunos de graduação e pós-graduação quanto à infraestrutura, aos serviços e ao acervo da
Biblioteca do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal Fluminense. A temática considerou
teorizações sobre qualidade de serviços e produtos e sua relação com estudos de satisfação do usuário de
bibliotecas universitárias. A avaliação foi fundamentada na abordagem centrada em consumidores e em critérios
avaliativos advindos de estudos de usuários sobre bibliotecas universitárias. O questionário aplicado, com
características psicométricas asseguradas, foi em parte construído, em parte extraído de estudo equivalente. Foi
enviado eletronicamente para os 273 alunos inscritos na Biblioteca, obtendo-se retorno de 45 usuários. O
componente quantitativo foi analisado a partir de técnicas de estatística descritiva e o qualitativo, pela análise de
avaliação. Das treze categorias, seis foram avaliadas; o melhor desempenho coube à Inscrição na Biblioteca e os
piores, à Condições físicas e materiais e ao Empréstimo de livros. As demais subcategorias alcançaram
desempenho nulo: os seus aspectos não foram julgados pelos usuários. Concluiu-se que a Biblioteca não atingiu
desempenho favorável em nenhuma das categorias avaliadas (Infraestrutura, Serviços e Acervo), apresentando
valores abaixo do ponto de corte arbitrado (0.70).
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Satisfação do usuário. Avaliação.
Abstract: The study, the product of the thesis of the Professional Master's Degree Program in Evaluation, had
the objective of assessing undergraduate and graduate students’ satisfaction considering the infrastructure,
services, and collection of the Institute of Mathematics and Statistics Library at the Fluminense Federal
University/UFF. The research took into consideration theories about the quality of the service and products and
its relationship with the study of users’ satisfaction regarding the university library. The evaluation was based on
the consumer-centered approach and the evaluation criteria derived from users’ studies with respect to university
libraries. The applied questionnaire, with guaranteed psychometric characteristics, was partly constructed and
partly drawn from an equivalent study. The instrument was sent electronically to the 273 students enrolled in the
Library, 45 users returned them. The quantitative component was analyzed using Descriptive Statistics
techniques, the qualitative by Evaluation Analysis. Of the 13 subcategories, 6 were evaluated; the best
performance was for the Library Enrolment and the worst, for the Physical and Material Conditions and Book
Loan. The further subcategories reached a null performance: their aspects were not evaluated by the users. It was
concluded that the Library did not reach a favorable performance in any of the categories evaluated
(Infrastructure, Services, and Collection); it presented values below the arbitrated cut-off point (0.70).
Keywords: University libraries. User’s satisfaction. Evaluation.

1

Mestra em Avaliação pela Faculdade Cesgranrio. Bibliotecária Documentalista na Universidade Federal
Fluminense. renatalemos@id.uff.br.
2
Doutora em Ciência da Comunicação pela USP. Professora Adjunta na Faculdade Cesgranrio.
lucihildenbrand@yahoo.com.br.

�1 INTRODUÇÃO

Este artigo é produto acadêmico derivado do estudo avaliativo desenvolvido no âmbito
do Mestrado Profissional em Avaliação da Faculdade Cesgranrio. O estudo se propôs a
avaliar a satisfação dos alunos de graduação e pós-graduação quanto à infraestrutura, aos
serviços e ao acervo da Biblioteca do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade
Federal Fluminense (BIME/UFF). A questão avaliativa formulada foi a seguinte: Até que
ponto os estudantes estão satisfeitos com a qualidade da infraestrutura, dos serviços e do
acervo da Biblioteca?
A relevância do estudo deveu-se ao fato de expressar demanda da própria BIME, que
pactua do compromisso público da UFF, em prestar atendimento à comunidade acadêmica em
nível de excelência, e buscar a contínua melhoria qualitativa de seus cursos e da própria
Instituição. Também justificou-se porque a Unidade ainda não havia sido avaliada na
perspectiva de seus usuários.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO

A elevação das expectativas sociais, quanto a qualidade do que vem sendo ofertado
pelas organizações, tem desencadeado respostas de diversas ordens que pretendem dar conta
das demandas emergentes. A qualidade adquiriu status de ferramenta fundamental das
instituições, pois a sua gestão não só reconhece as necessidades das pessoas, mas ainda
estabelece e vislumbra os melhores padrões para atendê-las (CAMPOS, 2014).
No que se refere às Unidades de Informação, ao longo do tempo, os avanços
tecnológicos provocaram profundas mudanças em seus ambientes, a exemplo do aumento do
fluxo de informação mediado pelas novas formas comunicativas, impactando as relações
interpessoais. Com isso, as Unidades deixaram de ser vistas como repositórios de obras em
diferentes formatos, que valorizavam a qualidade e o tamanho do acervo, e transformaram-se
em espaços comprometidos com o acesso, o uso, a disseminação da informação e com a
incorporação das expectativas e dos anseios de seus usuários (AMARAL, 2005). Apesar dos

�esforços dispensados para uma atuação mais dinâmica, algumas bibliotecas ainda enfrentam
problemas relacionados à prestação de serviços, tornando fundamental que os profissionais
que nela trabalham identifiquem requisitos de qualidade essenciais para o bom atendimento
aos usuários (BARBOSA; FRANKLIN, 2011). Além disso, importa que reconheçam a
avaliação como processo imprescindível a ser executado nas e pelas bibliotecas, por meio do
qual se determina o valor dos produtos e serviços oferecidos, conduzindo às melhorias
desejadas.
Embora as bibliotecas universitárias sejam avaliadas no âmbito do Sistema Nacional
de Avaliação da Educação Superior, a inclusão de procedimentos específicos e/ou
complementares ao Sistema tem sido adotada, em favor de julgamentos mais precisos e
adequados, considerando as suas especificidades locais e especialidades.
Nesse sentido, a apropriação de dados da realidade da BIME, feita a partir de buscas
em seus Sistema Informacional e documental, apontaram significativa queda na solicitação de
materiais por empréstimo domiciliar no intervalo de 2014 a 2019. Além disso, constatou-se
haver baixa requisição dos usuários por levantamentos bibliográficos, pela orientação de
bibliotecários para a normalização de trabalhos acadêmicos, e pela pesquisa no espaço físico
da Unidade. Tal problemática favoreceu alguns questionamentos: Que motivos justificariam
os dados identificados? Estariam a infraestrutura, os serviços e o acervo da BIME alinhados
às expectativas e necessidades de seu público-alvo? Seriam seus critérios de qualidade
suficientes para o bom atendimento aos usuários?

2.1 BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA DA UFF

A princípio, denominada Biblioteca Setorial de Pós-graduação em Matemática, a
Biblioteca do Instituto foi criada em 1983, para atender as demandas de formação dos alunos
e professores dos cursos de mestrado do Instituto de Matemática. Inicialmente, ao seu acervo
advindo da transferência de obras da Biblioteca Central do Valonguinho da UFF, integraramse doações de outras bibliotecas, do Núcleo de Pesquisas Científicas do Rio de Janeiro,
vinculado ao Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, do
governo alemão, por meio de seu consulado situado na cidade do Rio de Janeiro, e de

�professores da área e da Sociedade Brasileira de Matemática. Posteriormente, após ser
reestruturada, a Biblioteca passou a atender todos os cursos oferecidos pelo Instituto e, em
2011, teve seu nome alterado para Biblioteca do Instituto de Matemática e Estatística
(UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, 2005).
Em relação à sua infraestrutura, o espaço físico ocupa um andar inteiro de prédio
localizado no Campus do Valonguinho, e inclui sala de processamento técnico, balcão de
atendimento e salão climatizado, para estudo individual e em dupla, contendo mesas, cadeiras
e armários com chaves, para guardar os pertences dos usuários, além de quatro computadores
com acesso à internet. Seu horário de funcionamento é das 8h30 às 20h30, de segunda a
sexta-feira, e suas atividades são desenvolvidas por quatro bibliotecários.
Os serviços ofertados são: orientação para acesso à informação; consulta local ao
acervo; inscrição na Biblioteca; empréstimo domiciliar; empréstimo entre bibliotecas;
renovação e reserva de obras; levantamento bibliográfico; orientação para normalização de
trabalhos acadêmicos; visita guiada à Biblioteca; redes sociais Facebook e Instagram; e ficha
catalográfica.
No que se refere ao acervo físico, contém 10.261 títulos e 13.637 exemplares de livros,
teses, dissertações, monografias, anais de eventos, periódicos e obras de referência.
Publicações eletrônicas e digitais, como periódicos e e-books, também estão disponíveis. As
dissertações e teses mais recentes podem ser acessadas e baixadas a partir do Repositório
Institucional da UFF e os periódicos eletrônicos, acessíveis a partir do Portal CAPES.

3 REVISÃO DE LITERATURA

O conceito de qualidade tem desafiado os estudiosos da temática, uma vez que varia
de acordo com o contexto e as circunstâncias de oferta do produto ou serviço e, ainda, e achase fortemente relacionado ao valor percebido pelo cliente ou usuário (FILARDI et al., 2016;
REEVES; BEDNAR, 1994). No estudo, adotou-se a concepção de Townsend (1990 apud
PAIM; NEHMY; GUIMARÃES, 1996, p. 1), segundo a qual “qualidade é aquilo que o
cliente percebe quando sente que o produto ou serviço vai ao encontro das suas necessidades e
corresponde às suas expectativas”.
A preocupação com a qualidade nasceu nas organizações com fins lucrativos, na

�forma de estratégia adotada para o controle da produção (GOMES, 2004). Ao longo do
tempo, as teorias construídas extrapolaram os ambientes originais, sendo também absorvidas
por organizações dedicadas à prestação de serviços. Preocupadas com a falta de qualidade do
atendimento, com a ineficiente utilização de recursos e com o distanciamento da sociedade, as
instituições públicas não tardaram a incorporar o conceito, buscando não só elevar o padrão
dos serviços prestados, mas também o nível de exigência de seus usuários em relação ao que
lhes era ofertado (SOUSA, 2007).
No âmbito da Administração Pública, a busca pela qualidade parece ter tido origem
nos anos 80, quando um movimento mundial pró-reforma administrativa defendia que a
modernização do Estado dependia da eficiência no atendimento ao cidadão-usuário
(COUTINHO, 2000, p. 40). No Brasil, o movimento ganha força em 1990, quando propôs um
modelo gerencial em que
a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao cidadão assume um papel muito
importante. Tratou-se de abandonar o caráter auto-referido da administração
burocrática, voltada exclusivamente aos interesses dos aparelhos do Estado, para
colocar em prática as novas ideias gerenciais, oferecendo à sociedade um serviço
público de melhor qualidade, em que todas as atenções são centradas nos cidadãos.

Coutinho (2000) destaca que o primeiro passo para a implantação de melhorias no
atendimento ao público consiste em realizar um bom planejamento das mudanças e inovações
pretendidas, atentando para que a qualidade se faça presente desde o início. Pautado na
orientação, o Estado brasileiro passou a implementar ações de aprimoramento da qualidade, a
exemplo do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização, do Modelo de
Excelência em Gestão Pública e da Lei nº 13.460/2017b, cujo artigo 6º, Capítulo I, enfatiza o
direito de o usuário poder participar do acompanhamento da prestação e da avaliação dos
serviços públicos. Sublinhou-se, então, o entendimento de que a satisfação do usuário deveria
ser medida e enfatizada nos processos avaliativos concernentes à qualidade.
Assumida como um conceito global, a satisfação do usuário expressa-se na resposta de
realização do consumidor, quando julga que os produtos ou serviços fornecidos possuem
caraterísticas que lhe agradam (OLIVER, 2010, tradução nossa). Frequentemente utilizada
em estudos acadêmicos sobre a avaliação da qualidade de instituições públicas e privadas,

�mostra o quão relevante é para as organizações conhecer o ponto de vista daqueles a quem
atendem, para bem servi-los (COSTA, 2013). Desde o início dos anos 90, essa tendência vem
ganhando força nas bibliotecas (GUIMARÃES, 2019; MALHEIRO, 2019), muito embora sua
origem remonte ao século XX, no contexto da Revolução das Ciências, marcada pela
explosão informacional e pela criação e expansão das tecnologias de informação e
comunicação (SILVA, 2012).
No campo da Biblioteconomia, os estudos de satisfação emergiram no contexto dos
estudos de usuários, iniciados nos anos 30 e apoiados em reflexões de estudiosos sobre as
necessidades de informação dos indivíduos e seus efetivos usos (FIGUEIREDO, 1994). Costa
e Ramalho (2010) explicam que os conteúdos informacionais, contidos nos produtos, sistemas
e serviços de uma biblioteca, ao serem apropriados pelos usuários, promovem modificações
em seus estados de conhecimento, habilitando-os para novas ações em conformidade com
suas expectativas anteriores, satisfazendo-os em decorrência (Figura 1).
Figura 1 – Modelo de Atributos de Produtos e Serviços aplicado
à satisfação no uso da informação
Uso efetivo da informação com qualidade/atribuição de
valor ao uso

Produto/serviço
de informação

Características
esperadas

Geradores de
encantamento

SATISFAÇÃO

Expectativas quanto à atenção com as necessidades informacionais

Fonte: MANHÃES (2021) adaptado de OLIVER (1996) apud COSTA; RAMALHO (2010).

A literatura tem procurado demarcar a evolução dos estudos de usuários, considerando
as mudanças ocorridas em seus focos (SILVA, 2012; COSTA; RAMALHO, 2010;
FIGUEIREDO, 1994; FERREIRA, 1997). Ao que enfatiza, entre as décadas de 1940 e 1960,

�esses estudos de usuários se enquadravam numa abordagem tradicional ou clássica,
centrando-se no processo de uso de documentos e importando conhecer, quantitativamente, o
que e o quanto se usava em bibliotecas ou centros de informação. Entre os anos 1970 e 1980,
surge uma nova tendência que confere ao usuário posição central e converte a satisfação de
suas necessidades informacionais em importante objeto de interesse. Qualificados como
abordagem alternativa, abordagem da percepção do usuário ou abordagem centrada no
usuário, os estudos da nova tendência, de cunho qualitativo, deram espaço às subjetividades,
às necessidades e à satisfação dos usuários. A partir de 1980, a satisfação de usuários de
informação torna-se frequente temática de destaque em pesquisas e avaliações (FERREIRA,
1997).
Junto às bibliotecas universitárias brasileiras, estudos de satisfação de usuários têm
sido amplamente desenvolvidos em decorrência da finalização de cursos de graduação e pósgraduação. A escala SERVQUAL assumiu a condição de principal instrumento de avaliação da
satisfação de usuários de informação frente à prestação de serviços. O LibQUAL - adaptação
do SERVQUAL destinada a coletar dados referentes às especificidades das bibliotecas - tem se
tornado instrumento recorrente em estudos dessa natureza. Os critérios que embasam a
construção desses dois instrumentos de medida e avaliação têm servido à elaboração de novos
instrumentos, como os de Silva (2019) e Cóquero (2014). As literaturas especializadas em
Biblioteconomia, Ciência da Informação e Avaliação, bem como a experiência dos
profissionais dessas áreas também têm fornecido critérios avaliativos e orientações para
fundamentar estudos sobre o tema.

4 METODOLOGIA

Para avaliar o mérito e o valor de serviços e produtos ofertados pela BIME, a
abordagem teórica selecionada foi a centrada nos consumidores (STUFFLEBEAM, 2001),
focando nos estudantes de graduação e pós-graduação dos cursos atendidos pela Unidade.
Alinhada à tendência que, no campo da Avaliação de Serviços e Produtos Informacionais,
privilegia o componente qualitativo, o estudo trouxe à tona informações referentes à
satisfação de usuários quanto àquilo que lhes é ofertado pela Biblioteca.

�A identificação dos critérios avaliativos considerados se fez a partir dos estudos
acadêmicos de Cavalcante (2017), Silva (2019) e Vergueiro e Carvalho (2001), favorecendo a
seleção de três categorias, 13 subcategorias e 52 indicadores. Esse referencial deu base ao
instrumento utilizado para a coleta de dados - um questionário com 72 itens, sendo 57
fechados e 15 abertos. Foram utilizados a estrutura, as quatro seções e os 42 itens do
instrumento elaborado e validado por Cavalcante (2017). Outros 30 itens foram construídos
por Manhães (2021) e validados por especialistas em Avaliação, que verificaram o
atendimento aos critérios de relevância, clareza, precisão e objetividade. Os itens fechados
remeteram às opções de resposta: Satisfeito, Pouco Satisfeito, Insatisfeito e Não Sei Informar.
O questionário foi enviado eletronicamente para os e-mails e WhatsApp dos potenciais
respondentes - os 273 alunos cadastrados na BIME. No prazo estipulado, 45 questionários
foram respondidos.
A análise e interpretação dos dados quantitativos foi feita com base na estatística
descritiva, envolvendo a tabulação e distribuição de frequências. O ponto de corte arbitrado
(0.70) possibilitou o julgamento do nível de satisfação dos alunos em relação aos aspectos
avaliados. Esse mesmo padrão norteou a avaliação do desempenho da BIME frente às
categorias e subcategorias.
Os dados qualitativos foram apreciados por meio da análise de avaliação - método da
análise temática – capaz de revelar julgamentos positivos e negativos dos informantes a partir
de seus discursos (QUIVY; CAMPENHOUDT, 2013). À semelhança de Rezende, Lopes e
Egg (2004), cumpriram-se a pré-análise, a exploração do conteúdo informado pelos
respondentes e a análise e interpretação dos resultados, permitindo identificar os problemas da
BIME relacionados à infraestrutura, aos serviços e aos acervos.

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Dos 45 respondentes, oito eram pós-graduandos e 37 graduandos, sendo a
representação dos primeiros proporcionalmente superior à dos segundos. Constatou-se uma
distribuição equivalente na participação de ambos os sexos. No que diz respeito à faixa etária,
a maioria das mulheres tinha idade igual ou superior a 30 anos e a dos homens variava entre
26 e 29 anos. A maior parte dos graduandos cursava entre o 3ª e 8º período, sugerindo que

�dispunham de conhecimentos suficientes sobre o funcionamento e as condições gerais da
BIME. Contrapondo-se a maioria dos estudantes, que revelou frequentar a Unidade mensal ou
semestralmente, um único graduando disse frequentá-la diariamente.
Os resultados do estudo avaliativo são apresentados, em seguida, por categorias e
subcategorias. Enfatizam os aspectos julgados satisfatórios (acima de 0.70) e os problemas
apontados pelos respondentes, identificados a partir da análise de avaliação.
Quanto à Infraestrutura da BIME, os resultados são detalhados a seguir.
Condições Físicas e Materiais. Dos nove aspectos avaliados, quatro foram
considerados satisfatórios: iluminação, limpeza, acústica e segurança dos pertences. Os
problemas identificados evidenciaram falta de: ergonomia/suficiência da mobília para estudo;
condições de acessibilidade para pessoas com deficiência; e de espaço específico para estudo
em grupo. Todos comprometem as condições do trabalho acadêmico e a sua reparação
envolve negociações político-administrativas entre a Unidade e instâncias superiores da UFF.
A sinalização para mobilidade dos usuários, nos espaços internos e externos à Biblioteca, foi
considerada insuficiente, dificultando, por exemplo, não só a obtenção de materiais para
estudo, mas também o contato com profissionais dos setores específicos.
Condições de Funcionamento. Dos quatro aspectos avaliados, dois satisfazem as
necessidades acadêmicas da maioria dos alunos: dias e horários de atendimento presencial.
Pequeno número de respondentes alegou que o horário de funcionamento da Biblioteca não
atende às suas necessidades acadêmicas, quando não abrange os três turnos dos cursos.
Contudo, esse julgamento não encontra respaldo na realidade, pois, ciente da demanda
estudantil, a Biblioteca passou a atuar em horário integral, desde período anterior à pandemia
da Covid-19. A localização da Biblioteca foi o aspecto que alcançou as maiores concentrações
de respondentes pouco satisfeitos e insatisfeitos, uma vez que o Instituto e a BIME situam-se
em campus universitários distintos, implicando em longo e cansativo deslocamento, que tem
sido agravado pelas restrições do transporte universitário. Essa demanda estudantil tem sido
debatida em fóruns da Universidade, mobilizando toda a comunidade acadêmica para a busca
de solução. A conexão wi-fi foi considerada fraca, lenta e instável, demandando respostas
urgentes.
Condições dos Equipamentos. Nenhum dos dois aspectos avaliados satisfez às
expectativas de boa parte dos respondentes. As principais críticas concentraram-se na falta de

�atualização e de manutenção dos computadores disponibilizados, gerando frequentes falhas
de funcionamento. Admite-se que a falta de investimentos no Sistema Informacional da
Biblioteca possa estar desestimulando a utilização dos equipamentos. A relação entre os
números de computadores e de alunos atendidos também foi julgada insuficiente. Por serem
considerados recursos tecnológicos imprescindíveis à busca e ao acesso às informações de
interesse, o número deficitário de computadores por aluno, minimamente, limita as
oportunidades de aprendizagem previstas para a formação.
A avaliação dos Serviços obteve os resultados apresentados em seguida.
Atendimento da equipe da Biblioteca. Dos cinco aspectos apreciados, três alcançaram
julgamentos satisfatórios: atendimento presencial, confiabilidade das informações e rapidez
no fornecimento das informações. Os problemas apontados indicaram haver insuficiente
número de funcionários na Unidade, além de inadequação do formato da mídia, do local e do
prazo em que se divulgam as eventuais interrupções no funcionamento da BIME.
Inscrição na Biblioteca. Os três aspectos abordados obtiveram julgamentos
satisfatórios:

documentos

necessários,

prazos

de

finalização

da

inscrição

e

de

recadastramento. O fato de o Sistema Informacional da Unidade não estar integrado ao
Sistema Acadêmico foi apontado como problema por um respondente, na medida em que
atuam com duplicidade de informações. Estratégias de segurança da informação vem sendo
estudadas pela UFF, no sentido de permitir essa integração, oportunizando a renovação e o
cancelamento automático do cadastro dos alunos na Biblioteca.
Empréstimo de livros. Quantidade de livros para empréstimo, condições de renovação
e prazo para devolução de obras foram três, dos sete aspectos, apreciados positivamente.
Embora algumas regras tenham sido consideradas inadequadas - limitação do número de
obras; impedimento do consumo exclusivo da obra durante período letivo e adoção do serviço
de empréstimo em número de dias como sanção para atrasos na devolução – argumenta-se
que padronizações do serviço se fazem necessárias para assegurar a toda comunidade
universitária tratamento igualitário.
Visita guiada; Redes sociais; Orientação e auxílio aos usuários; Ficha catalográfica.
Número elevado de respondentes, variando entre 31 e 36, disse Não Saber Informar sobre os
11 aspectos abordados. Em relação aos três primeiros serviços, destaca-se que a falta de: (a)
vivência da visitação guiada favorece o desconhecimento da Unidade de Informação, por

�parte do aluno, limitando a utilização dos serviços, do acervo e da infraestrutura; (b)
exploração das redes sociais, disponibilizadas pela BIME, restringe as oportunidades de
aprendizagem e de construção de conhecimentos, mediados por tecnologias; e (c) requisição
de orientação e de auxílio especializado pode limitar a qualidade da produção acadêmica dos
estudantes e a construção de conhecimento técnico elementar à produção de trabalhos
científicos. No que tange ao quarto serviço - ficha catalográfica online - compreende-se que o
desconhecimento informado pelo alunado justifique-se porque seu uso prioritário é atribuído
aos concluintes de curso, durante a elaboração do trabalho final.
Os julgamentos referentes ao Acervo da BIME são relatados na sequência.
Livros. Dos quatro aspectos apreciados, metade obteve resultado satisfatório: a
disponibilidade dos títulos por ementa e a conservação do acervo. Os problemas enfatizados
disseram respeito à insuficiência, desatualização e falta de conservação do acervo,
sublinhando a estreita relação entre a quantidade de obras e o seu estado de conservação.
Segundo pós-graduandos, há casos em que o pequeno número de títulos põe em risco o acesso
a informações acadêmicas essenciais. A falta de atualização dos livros disponíveis na
Biblioteca e o fato de o acervo não contemplar editoras consagradas nas áreas da Matemática
e Estatística também provocaram descontentamentos.
Periódicos. Nenhum dos três aspectos obteve julgamento favorável. Os problemas
atribuídos concentraram-se na pequena quantidade de títulos e na sua desatualização. E, por
certo, essas insatisfações resultaram do desconhecimento de que a principal tendência da
UFF, e das demais Instituições de Ensino Superior, é ampliar a oferta de serviços online, na
forma de portais acadêmicos, bibliotecas eletrônicas, virtuais ou digitais, repositórios
institucionais, dentre tantos outros.
Acervo eletrônico/digital. Os quatro aspectos avaliados não corresponderam às
expectativas dos respondentes, que, em sua maioria, alegaram desconhecer o uso das
tecnologias de tecnologias digitais de informação e comunicação, disponibilizadas pela
Biblioteca - a exemplo do catálogo online, do e-book, das bases de dados e do Portal de
periódicos da CAPES. A problemática identificada exige a promoção de iniciativas
institucionais que contribuam para o desenvolvimento da competência informacional dos
usuários, favorecendo-lhes o acesso e a apropriação dos conteúdos mediados pelas
tecnologias.

�Número expressivo de respondentes Não Souberam Informar acerca dos aspectos em
julgamento relacionados aos Periódicos e ao Acervo eletrônico/digital. No que se refere aos
primeiros, cerca de 0.60 deles se declararam sem aptidão para apreciar a completude, a
atualidade e a conservação das coleções. No que se refere ao segundo, valores em torno de
0.70 remeteram ao quantitativo de respondentes que não se sentiu em condições de julgar o
acesso às tecnologias digitais ofertadas. A subutilização dos acervos da BIME, constatada
pelo estudo, reitera a urgência de respostas que favoreçam a divulgação e o consumo desses
bens informacionais quaisquer que sejam os seus formatos de publicação.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A construção da resposta à questão avaliativa – Até que ponto os estudantes de
graduação e pós-graduação estão satisfeitos com a infraestrutura, os serviços e o acervo da
Biblioteca do Instituto de Matemática e Estatística da UFF? – ampara-se no desempenho da
BIME frente aos critérios avaliativos considerados.
Os dados obtidos no estudo avaliativo permitiram concluir que a Infraestrutura, os
Serviços e o Acervo da Biblioteca não satisfazem às expectativas dos respondentes, pois os
desempenhos dessas categorias corresponderam, respectivamente, a 0.40, 0.35 e 0.18, não
alcançando o padrão mínimo estabelecido (0.70).
Das 13 subcategorias, apenas Inscrição na Biblioteca teve julgamento satisfatório,
atingindo desempenho igual a 1,00 e expressando a avaliação positiva de todos os seus
aspectos. Condições físicas e materiais, condições de funcionamento, atendimento da equipe
da Biblioteca, empréstimo de livros e acervo de livros tiveram desempenhos insatisfatórios,
assumindo valores entre 0.60 e 0.43. Condições dos equipamentos, visita guiada, redes
sociais, orientação e auxílio aos usuários, ficha catalográfica online, periódicos e acervo
eletrônico/digital obtiveram desempenhos nulos uma vez que nenhum de seus aspectos teve
avaliação positiva.
Cerca de um terço dos aspectos avaliados (17, em 52) apresentou desempenho
satisfatório (0.96 a 0.71). Os mais altos desempenhos, acima de 0.90, foram atribuídos à
qualidade do atendimento presencial da equipe da Biblioteca, à limpeza do ambiente, à
credibilidade das informações prestadas à comunidade acadêmica e à suficiência da

�informações da documentação requisitada para fins de inscrição.
As principais insatisfações, representadas pelos julgamentos pouco satisfeitos e
insatisfeitos de, no mínimo, 15 alunos, concentraram-se sobre as sinalizações interna e externa
da Biblioteca, o conforto da mobília e a quantidade de exemplares de livros por título. A
localização da Unidade correspondeu a máxima insatisfação identificada.
O estudo avaliativo não teve acesso à apreciação dos alunos quanto à metade dos
aspectos considerados (26, em 52), porque significativo número deles disse Não Saber
Informar. Admite-se que a reparação dessas dificuldades dependa da adoção de estratégias e
ações cooperativas entre a Biblioteca e a Universidade, requerendo estudos e tomadas de
decisão que contem com a efetiva participação da comunidade do Instituto de Matemática e
Estatística na defesa de seus interesses.

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                <text>O estudo, produto de dissertação do Mestrado Profissional em Avaliação, teve por objetivo avaliar a satisfação dos alunos de graduação e pós-graduação quanto à infraestrutura, aos serviços e ao acervo da Biblioteca do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal Fluminense. A temática considerou teorizações sobre qualidade de serviços e produtos e sua relação com estudos de satisfação do usuário de bibliotecas universitárias. A avaliação foi fundamentada na abordagem centrada em consumidores e em critérios avaliativos advindos de estudos de usuários sobre bibliotecas universitárias. O questionário aplicado, com características psicométricas asseguradas, foi em parte construído, em parte extraído de estudo equivalente. Foi enviado eletronicamente para os 273 alunos inscritos na Biblioteca, obtendo-se retorno de 45 usuários. O componente quantitativo foi analisado a partir de técnicas de estatística descritiva e o qualitativo, pela análise de avaliação. Das treze categorias, seis foram avaliadas, o melhor desempenho coube à Inscrição na Biblioteca e os piores, à Condições físicas e materiais e ao Empréstimo de livros. As demais subcategorias alcançaram desempenho nulo: os seus aspectos não foram julgados pelos usuários. Concluiu-se que a Biblioteca não atingiu desempenho favorável em nenhuma das categorias avaliadas (Infraestrutura, Serviços e Acervo), apresentando valores abaixo do ponto de corte arbitrado (0.70).</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
ACESSIBILIDADE EM SITES DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DO ESTADO DE
ALAGOAS
ACCESSIBILITY ON UNIVERSITY LIBRARY SITES IN THE STATE OF ALAGOAS
Wagner Cristian dos Santos1
Francisca Rosaline Leite Mota2
Nelma Camêlo de Araujo3
Djalba Joaquim dos Santos4
Resumo: Em uma sociedade em franco processo de evolução, as Bibliotecas Universitárias possuem papel
decisivo e devem se adequar as novas demandas de todos os seus usuários e, em especial, daqueles com
deficiência. As Bibliotecas Universitárias devem dar suporte à educação superior inclusiva aos estudantes com
deficiência (física, visual, auditiva, intelectual, etc.), contribuindo para que as barreiras sejam eliminadas e,
incluindo os mesmos no contexto da aprendizagem universitária. Neste sentido, o objetivo da pesquisa é: estudar a
acessibilidade nos sites das Bibliotecas Universitárias das Instituições de Ensino Superior públicas do estado de
Alagoas. O percurso metodológico adotou a pesquisa exploratória com abordagem qualitativa. A pesquisa foi
realizada no mês de maio de 2021. A amostra foi composta pelos sites das Bibliotecas Universitárias da
Universidade Federal de Alagoas, Universidade Estadual de Ciências da saúde do Estado de Alagoas e
Universidade Estadual de Alagoas. Os sites pesquisados não estão dentro dos padrões desejáveis de
acessibilidade, mas, já se pode observar algumas iniciativas neste sentido. É possível concluir que cabe a estas
instituições vislumbrarem e implementarem estratégias que possibilitem que as portas de acesso ao conhecimento,
seja no meio tradicional ou virtual, estejam sempre abertas para receber as pessoas com deficiência.
Palavras-chave: Acessibilidade. Pessoas com Deficiência. Bibliotecas Universitárias.
Abstract: In a society undergoing a clear process of evolution, University Libraries have a decisive role and must
adapt to the new demands of all their users and, in particular, those with disabilities. University Libraries must
support inclusive higher education for students with disabilities (physical, visual, auditory, intellectual, etc.),
contributing to the elimination of barriers and including them in the context of university learning. In this sense,
the objective of the research is: to study the accessibility on the websites of University Libraries of public Higher
Education Institutions in the state of Alagoas. The methodological path adopted exploratory research with a
qualitative approach. The survey was conducted in May 2021. The sample consisted of the websites of the
University Libraries of the Federal University of Alagoas, State University of Health Sciences of the State of
1

Graduando em Biblioteconomia. Universidade Federal de Alagoas. E-mail de contato:
wagner.cristian@ichca.ufal.br
2
Doutora em Ciência da Informação. Universidade Federal de Alagoas. E-mail de contato:
Francisca.mota@ichca.ufal.br
3
Doutora em Ciência da Informação. Universidade Federal de Alagoas. E-mail de contato:
nelma.araujo@ichca.ufal.br
4
Graduando em Biblioteconomia. Universidade Federal de Alagoas. E-mail de contato:
js.djalba@gmail.com

�Alagoas and State University of Alagoas. The sites surveyed are not within the desirable accessibility standards,
but some initiatives in this regard can already be observed. It is possible to conclude that it is up to these
institutions to devise and implement strategies that enable the doors of access to knowledge, whether in the
traditional or virtual environment, to be always open to receive people with disabilities.
Keywords: Accessibility. Person with a Disabled. University Libraries.

1 INTRODUÇÃO
Acessibilidade é um assunto que deve ser tratado com bastante atenção quando tratamos de
questões sociais. A acessibilidade permite a inclusão de pessoas com deficiência em várias atividades,
inclusive naquelas por vezes consideradas não aptas para elas, tanto no contexto físico quanto
intelectual. Uma condição essencial para acessibilidade relaciona-se diretamente com o acesso a
informação.
Nessa perspectiva, Targino (1991, p. 159) argumenta que “a qualidade de vida do cidadão
passa pela difusão da informação. Passa por uma postura fundamentalmente social, passa pela
democracia que tem assim, na informação o seu pressuposto maior e que significa força conjunta,
engajamento social e político, ou seja, cidadania”.
A reflexão postulada pela autora supracitada nos leva a entender a importância da informação
para o exercício da cidadania. Deste modo, é importante que todos, indistintamente, possam ser
incluídos e ter acesso a informação em qualquer tipo de suporte. Ribas e Ziviani (2007, p. 50)
afirmam que:
[...] o acesso à informação é condição fundamental para o desenvolvimento da cidadania, um
pré-requisito para os direitos civis, políticos e sociais, uma vez que é por meio da
conscientização desses direitos, pela tomada de consciência dos indivíduos, que o Brasil
conseguirá se tornar uma sociedade mais inclusiva.

Com o avanço tecnológico, a acessibilidade é potencializada e cada vez mais se discutem
questões afetas à inclusão digital, que proporciona conhecimentos e práticas para que os usuários
tenham acesso a estas novas tecnologias de informação. A inclusão digital é fundamental para que as
pessoas com deficiência tenham mais facilidades em interagir, aprender, trocar experiências e evoluir.
Neste cenário temos que as Instituições de Ensino Superior (IES) possuem papel preponderante no
continuo evolutivo das pessoas com deficiência e devem disponibilizar ambientes tradicionais e
virtuais que busquem atender com maior amplitude os seus usuários. E no tocante ao acesso à
informação nas Instituições de Ensino Superior, as Bibliotecas Universitárias possuem papel decisivo
e devem se adequar as novas demandas de todos os seus usuários e, em especial, daqueles com

�deficiência. Neste sentido, nos inquieta a seguinte questão: os sites das Bibliotecas Universitárias das
IES no estado de Alagoas são acessíveis aos seus usuários?
Eis, portanto, que o presente trabalho possui o objetivo de estudar a acessibilidade nos sites
das Bibliotecas Universitárias das Instituições de Ensino Superior públicas do estado de Alagoas. Isto,
por acreditarmos que as Bibliotecas Universitárias devem dar suporte à educação superior inclusiva
aos estudantes com deficiência (física, visual, auditiva, intelectual, etc.), contribuindo para que as
barreiras sejam eliminadas e, incluindo os mesmos no contexto da aprendizagem universitária.
2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E ACESSIBILIDADE
2.1 Acessibilidade em bibliotecas universitárias
Acessibilidade é um termo bem comum nos dias de hoje, onde é mais vista para a inclusão de
pessoas com deficiência, com menor restrição possível, em seus meios de transporte, ambientes
físicos entre outros.
A Lei Federal Nº 13.146, de 6 de julho de 2015, define o termo acessibilidade como:
[...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de
espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e
comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e
instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona
urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida. (BRASIL,
2015).

O conceito acessibilidade também varia de acordo com vivências do cotidiano no que se refere
a sua observação, avaliação. Assim cria-se condições acessíveis a determinada situações. Segundo
Tavares filho et al. (2002) a acessibilidade:
conceituada pela Lei 10.098 como sendo a possibilidade e condição de alcance para a
utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das
edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de
deficiência ou com mobilidade reduzida, refere-se a dois aspectos, que embora tenham
características distintas, estão sujeitos a problemas semelhantes, no que diz respeito à
existência de barreiras que são interpostas às pessoas com necessidades especiais: o espaço
físico e o espaço digital. (TAVARES FILHO et al., 2002).

Como é possível observar, a acessibilidade está relacionada não só aos espaços físicos mas,
também ao espaço digital. Neste sentido, as tecnologias cada vez mais vem ganhando seu espaço,
acesso à internet, aplicativos, Smartphones, Smart tvs, e torna-se cada vez mais necessário encontrar
mecanismos que propiciem a inclusão digital das pessoas com deficiência.

�A inclusão digital é um ótimo meio para acessos às novas tecnologias da informação, sendo
assim o usuário pode usufruir destas tecnologias agregando positivamente em sua vida social,
exemplo disso é a educação a distância (EAD) que proporciona o estudante a ter ensino em qualquer
lugar de sua preferência. Para Sassaki (1997, p.47) o termo inclusão digital é visto como:
[...] um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade, através de
transformações pequenas e grandes nos ambientes físicos (espaços internos e externos,
equipamentos, aparelhos e utensílios, mobiliários e meios de transporte) e na mentalidade de
todas as pessoas.

A Inclusão digital, pressupõe portanto, um processo de democratização do acesso às
tecnologias da Informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação
(WIKIPÉDIA, 2018). É de suma importância que políticas de inclusão digital sejam prioritárias,
capacitando usuários, formação de auxiliares para deficientes, dessa forma difundir meios
tecnológicos para melhoria do acesso à informação.
A inclusão digital contribui para a inclusão social pois, possibilita o acesso a informação, a
interação com grupos sociais sem que existam algum tipo de exclusão, pois a internet ela abre
fronteiras independente de suas condições físicas. Assim:
Uma sociedade inclusiva compreende o processo de cooperação, de solidariedade, de respeito,
de compreensão e de aceitação de diferenças, da vivência em comunidade, da valorização das
diferenças da melhoria e da qualidade de vida para todas as pessoas e do exercício da
cidadania. Essa sociedade inclusiva pode ser caracterizada como a sociedade que possibilita o
acesso à informação e ao conhecimento, utilizando o processo de interação com o outro e o
grupo social, tendo como chave de acesso a inclusão de todas as pessoas inclusive as pessoas
com deficiência. Uma sociedade inclusiva é uma sociedade que aprende a conviver com a
diversidade. (MORO; GIACUMUZZI, 2015, p.60).

Então, podemos entender que a inclusão social e a inclusão digital caminham juntas e buscam
garantir a presença de todos numa sociedade sem que haja preconceitos com suas limitações. Isto,
sem dúvida nenhuma, inclui o acesso à educação de qualidade em todos os níveis, do ensino infantil
ao superior.
No tocante ao ensino superior, as Bibliotecas Universitárias, possuem papel de indiscutível
importância para a acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência. O número de matrícula
destes usuários, ainda que infinitamente menor em relação aos demais, tende a apresentar um
crescimento significativo nos próximos anos. Murça (2020, p.01) chama atenção para o fato de que de
“2017 para 2018, o número de estudantes com deficiência matriculados na universidade por meio da
reserva de vagas cresceu mais de 70%”. O autor destaca ainda que “o número de matriculados PcD

�com cotas passou de 2.962 (0,04% do total de matriculados), em 2017, para 5.053 (0,06% do total de
matriculados), em 2018”.

É mister esclarecer que independente da quantidade de pessoas com deficiência que usam os
serviços das Bibliotecas Universitárias, estas devem estar preparadas para atender a todos,
indistintamente. Sabemos que é um grande desafio pois, a falta de investimentos em recursos
humanos e materiais torna tudo muito mais difícil, mas, é necessário um grande esforço, por parte
destas bibliotecas, para contornar as dificuldades e se tornar mais acessível e inclusiva possível.
2.2 A realidade da pessoa com deficiência no Brasil
Conforme ao último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE, 2010) são mais de 45 mil brasileiros que possuem algum tipo de deficiência física, que
enfrentam várias dificuldades no seu dia a dia pela falta de acessibilidades em várias vertentes, sendo
assim se sentindo “excluídas” pelo poder público ou outras entidades que não se mobilizam para
corrigir essas falhas que são frequentes.
As pessoas com deficiência sempre foram tratadas com indiferença pela sociedade, assim
como afirma Maciel (2000, p.51) a sociedade, desde os seus primórdios, sempre inabilitou as pessoas
com deficiência, “marginalizando-os e privando-os de liberdade. Essas pessoas, sem respeito, sem
atendimento, sem direitos, sempre foram alvo de atitudes preconceituosas e ações impiedosas.”
De acordo com o Art.1º da Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência: “Pessoas
com deficiência são aquelas que tem impedimentos da natureza física, intelectual ou sensorial, as
quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na
sociedade com as demais pessoas”. (BRASIL, 2012, p. 26).
O Decreto nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004 classifica os tipos de deficiência de acordo
com a tabela a seguir:

�Tabela 01: Tipos de deficiência

Fonte: Decreto nº 5296 de 02 de dezembro de 2004, art. 5

As principais dificuldades apresentadas as pessoas com deficiência, de acordo com a literatura,
são:
§ Falta de infraestrutura;
§ Falta de transportes adaptados;
§ Falta de intérpretes para surdos e monitores para deficientes visuais;
§ Sistemas sem acessibilidade.
Barreiras são encontradas de várias formas pelas pessoas com deficiência, essas barreiras são
consideradas como “entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que impeça a participação da

�pessoa” (MORO; ESTABEL, 2015, p.34). As autoras também classificam algumas dessas barreiras
(p.35) que são:

§ Barreiras urbanísticas (Vias de espaços públicos ou privados);
§ Barreiras arquitetônicas (Edifícios públicos e privados);
§ Barreiras nos transportes (meios de transportes);
§ Barreiras nas comunicações e na informação (Impossibilidade de comunicação);
§ Barreiras tecnológicas (Impedimentos às tecnologias).
Como é possível notar, existe uma série de barreiras que dificultam consideravelmente o
acesso das pessoas com deficiência aos espaços físicos e ao digital. E é papel do bibliotecário atentar
para alternativas que minimizem o impacto destas barreiras.
2.3 O papel do bibliotecário
O acesso a informação “[...]é um direito constitucional em nosso país, pois propicia
desenvolvimento social, intelectual e econômico, além de ser fundamental à formação da cidadania e
do senso crítico das pessoas”. (MORO; ESTABEL; NICOLETTI, 2016 p.9). Para o bibliotecário a
disseminação da informação é muito importante pois, como mediador da informação, deve estar
atento de como a informação está sendo passada para seus usuários. As pessoas com deficiência
também são usuárias de informação. Deste modo, o bibliotecário deve refletir sobre como as
informações chegam ou são acessadas por esses usuários, considerando que a acessibilidade
tecnológica é uma forma de atendê-los.
Salcedo e Silva (2017, p.29), a respeito do bibliotecário e a mediação, enfatizam que “a
profissão do bibliotecário deverá estar preocupada, em primeiro lugar, com a mediação da
informação, pois uma vez que a mediação se transforma em seu escopo de trabalho, o bibliotecário
acaba por transformar o ambiente ao qual se encontra inserido”.
A informação é uma meio fundamental para que os obstáculos e o preconceito sejam vencidos,
pois quando buscamos por ela, praticamos o entendimento da diversidade humana, ou seja, não

�verificamos o estado físico das pessoas e sim sua necessidade informacional, e assim tornamos uma
sociedade mais inclusiva.

3 METODOLOGIA
O percurso metodológico adotou a pesquisa exploratória com abordagem qualitativa. O
universo da pesquisa é composto pelos sites das Bibliotecas Universitárias das Instituições de
Ensino Superior do estado de Alagoas. Estabelecemos como amostra, trabalhar apenas com as
instituições circunscritas na esfera do ensino público. Deste modo, a amostra elegível contou com
os sites das Bibliotecas Universitárias das seguintes instituições:
•

Universidade Federal de Alagoas (UFAL) – Fundada em 1961, a UFAL, instituição federal
de ensino superior, instalada no Campus A.C. Simões, em Maceió, São cerca de 26 mil
alunos matriculados nos 84 cursos de graduação, distribuídos em 23 Unidades Acadêmicas,
na capital (53), e nos campi de Arapiraca (19) e do Sertão (8). Na modalidade de pósgraduação, são 39 programas strictu sensu oferecidos, sendo 30 mestrados e nove
doutorados, que contam com 2.312 alunos, e 13 especializações;

•

Universidade Estadual de Ciências da saúde do Estado de Alagoas (UNCISAL) – A
UNCISAL iniciou sua história como Escola de Ciências Médicas de Alagoas – ECMAL –
em 1968, com o curso de medicina, que foi reconhecido pelo Decreto 73.754, de 06 de
março de 1974. Em 1975 surgiu a Fundação de Saúde de Alagoas Governador Lamenha
Filho – FUNGLAF – como mantenedora da ECMAL, agregando à estrutura da Fundação, a
Unidade de Emergência Dr. Armando Lages e Hospital Dr. José Carneiro. Em 2003 a
UNCISAL é reestruturada pela Lei nº 6.351 e passa a ser composta de Faculdades, Hospitais
e Escola Técnica de Saúde Professora Valéria Hora. Em dezembro de 2005, após visita de
avaliadores externos e homologação de Parecer pelo Conselho Estadual de Educação de
Alagoas, a UNCISAL passa à condição de Universidade, através da Lei nº 6.660, de 28 de
dezembro de 2005;

�•

Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) - É na primeira metade dos anos 1970 que
surge a Fundação Educacional do Agreste Alagoano (FUNEC), com sede em Arapiraca,
constituindo-se como mantenedora da Faculdade de Formação de Professores de
Arapiraca - FFPA. Após a estadualização da FUNEC, o que, de certa forma fortalece a
FFPA, com a implantação do ensino gratuito, suas portas se abrem à expansão, chegando até
Santana do Ipanema, com a Escola Superior de Ciências Humanas, Físicas e Biológicas
do Sertão (ESSER); em seguida, chega também a Palmeira dos Índios, com a Escola
Superior de Ciências Humanas e Econômicas de Palmeira dos Índios (ESPI), além de
ter ampliado seu atendimento na própria sede, em Arapiraca, criando a Faculdade de
Administração, Ciências Contábeis, Jurídicas e Sociais do Estado de Alagoas
(FAJEAL). É oportuno ainda destacar que, em 20 de março de 2012, através da Resolução
n.º 003, do Conselho Superior da Universidade Estadual de Alagoas - CONSU/UNEAL,
foi criado o Campus VI da UNEAL, em Maceió, com a compreensão de que se fazia
necessário o fortalecimento da IES na capital alagoana, com todos os seus indicadores
sociais.
Na coleta dos dados determinamos identificar a existências de alguns elementos básicos que

podem tornar um site acessível para pessoas com deficiência:
§

Audiolivros;

§

Audiodescrição das imagens;

§

Legenda nos vídeos;

§

Controle do tamanho do texto;

§

Ferramentas de leitura em Libras;

§

Ferramentas de autocontraste.

A coleta foi realizada no mês de maio de 2021. Isto posto, após a coleta iniciamos a análise
dos dados, conforme será relatado na próxima seção.
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados encontrados nos apresentam uma realidade de certo modo preocupante e que
clama por providências firmes e rápidas. Como é possível observar na Tabela 02, as Bibliotecas

�Universitárias pesquisadas ainda não disponibilizam sites que possam ser considerados acessíveis
para as pessoas com deficiência.

Tabela 02 – Análise dos sites das Bibliotecas Universitárias
Tipo

UFAL

UNCISAL

UNEAL

Aúdiolivros

Sim

Não

Não

Audiodescrição das imagens

Não

Não

Não

Legenda nos vídeos

Sim

Não

Não

Controle do tamanho do texto

Sim

Não

Sim

Ferramentas de leitura em Libras

Não

Não

Não

Ferramenta de autocontraste

Sim

Não

Não

Fonte: Dados da pesquisa, 2021.

O site do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Alagoas (SiBi/UFAL), no
tocante a acessibilidade, apresenta somente vídeos com legenda. Tais vídeos possuem conteúdo de
boas-vindas e também tutoriais para o uso dos serviços ofertados. É necessário ressaltar que esta
biblioteca oferece acesso a Biblioteca Virtual Pearson e, por conseguinte, permite acesso a
aúdiolivros. Tal biblioteca possui um acervo de livros digitais e conta com mais de “25 editoras
parceiras e com milhares de títulos em diversas categorias profissionais e literárias”5. Conforme
informações disponíveis no site da Pearson, a Biblioteca Virtual é aprovada pelo MEC e já está
presente em várias Instituições de Ensino Superior no país. Contudo, por mais que a referida
biblioteca disponibilize os livros em formato de aúdiolivros, o áudio apresenta muitas falhas que,
em alguns casos, prejudica a compreensão do usuário. Não encontramos no site do SiBi/UFAL e
nem na Biblioteca Virtual Pearson audiodescrição das imagens ou ferramentas de LIBRAS,
dispondo somente ferramentas de controle do tamanho do texto e autocontraste.
Acreditamos que a tendência do SiBi/UFAL é se adequar cada vez mais ao atendimento das
demandas de acessibilidade. Ressaltamos que o site da Universidade Federal de Alagoas já
5

https://br.pearson.com/ensino-superior/solucoes-digitais/biblioteca-virtual-3-0.html

�disponibiliza o acesso em LIBRAS por meio do VLIBRAS, que conforme informações do site6 “é
um conjunto de ferramentas gratuitas e de código aberto que traduz conteúdos digitais (texto, áudio
e vídeo) em Português para Libras, tornando computadores, celulares e plataformas Web mais
acessíveis para as pessoas surdas”. A ferramenta é fruto da parceria entre o Ministério da Economia
(ME), por meio da Secretaria de Governo Digital (SGD), e a Universidade Federal da Paraíba
(UFPB), através do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAVID).
O site do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
(UNCISAL) não apresenta nenhum dos elementos listados em nossa pesquisa. Contudo, não é
omissa a questão da acessibilidade e disponibiliza um espaço que trata sobre “acessibilidade
informacional” e menciona as ferramentas VLIBRAS, DOSVOX, Delta Talk, Virtual Vision, Jaws,
Openbook, Magic, além de citar importantes instituições como Fundação Dorina Nowill, Instituto
Benjamin Constant e Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (CEBRAV).
Assim como o site geral da UFAL, o site da UNCISAL também utiliza o VLIBRAS. Consideramos
importante que a referida biblioteca envide esforços no sentido de implementar ferramentas de
acessibilidade em seu site.
O site da Biblioteca da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) oferece somente o
recurso de controle do tamanho do texto. Não há indicativos de informação sobre acessibilidade e
há apenas a divisão por campus, onde ao clicarmos em cada link somos remetidos a pastas com os
nomes dos cursos e, em cada curso, é disponibilizada uma lista de links para revistas científicas e
portais de periódicos. No entanto, só o primeiro campus, o de Arapiraca possui conteúdo. De todos,
os sites estudados este nos traz especial preocupação e recomendamos que a acessibilidade passe a
ser um dos horizontes a ser vislumbrado pela equipe gestora. O site geral da UNEAL traz uma aba
intitulada acessibilidade, mas, as informações são vagas e não refletem a importância que a temática
demanda.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa revelou que, no estado de Alagoas, as Bibliotecas Universitárias no contexto das
Instituições de Ensino Superior na esfera pública, ainda possuem um longo caminho para trilhar.
Não fica claro na análise dos sites se existem iniciativas, no contexto tradicional, que contemplem
as demandas de acessibilidade. Não é possível identificar se presencialmente são ofertados acervos

6

https://www.gov.br/governodigital/pt-br/vlibras

�em braile, aúdiolivros ou mesmo visitas guiadas para pessoas com deficiência. É muito importante
que, caso tais serviços existam, possam ser divulgados nos sites para que as pessoas com deficiência
possam acessar, quando possível, de forma presencial. Isto já pode ser uma boa iniciativa. Por fim,
nos resta reafirmar que as Bibliotecas Universitárias possuem papel decisivo quando se trata do
acesso à informação, principalmente por pessoas com deficiência. Cabe a estas instituições
vislumbrarem e implementarem estratégias que possibilitem que as portas de acesso ao
conhecimento, seja no meio tradicional ou virtual, estejam sempre abertas para receber este tipo de
usuários.
REFERÊNCIAS
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5296.htm&gt;. Acesso em: 01
fev. 2019.
BRASIL, Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Protocolo Facultativo à
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Decreto Legislativo nº 186, de 09 de
julho de 2008: Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. 4ª Ed., rev. e atual. Brasília: Secretaria de
Direitos Humanos, 2012. 100p.
BRASIL. Lei Nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
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&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/ Lei/L13146.htm&gt;. Acesso em: 01
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http://http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/1595#:~:text=2013.,BRASIL.,2007.
INCLUSÃO DIGITAL. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation,
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&lt;https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Inclus%C3%A3o_digital&amp;oldid=54559564&gt;. Acesso
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LIMA, C. C; LIMA, K. A auto-imagem do bibliotecário versus a visão social: uma análise da
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�MURÇA, G. Número de estudantes com deficiência cresce no Ensino Superior, mas permanência
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OLIVEIRA, Sílvio Luiz de. Tratado de Metodologia Científica: projetos de pesquisa, TGI,
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Disponível
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12acf/&gt; Acesso em: 01 Fev. 2019.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santos, Wagner Cristian dos, Mota, Francisca Rosaline Leite, Araujo, Nelma Camêlo de, Santos, Djalba Joaquim dos</text>
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                <text>Em uma sociedade em franco processo de evolução, as Bibliotecas Universitárias possuem papel decisivo e devem se adequar as novas demandas de todos os seus usuários e, em especial, daqueles com deficiência. As Bibliotecas Universitárias devem dar suporte à educação superior inclusiva aos estudantes com deficiência (física, visual, auditiva, intelectual, etc.), contribuindo para que as barreiras sejam eliminadas e, incluindo os mesmos no contexto da aprendizagem universitária. Neste sentido, o objetivo da pesquisa é: estudar a acessibilidade nos sites das Bibliotecas Universitárias das Instituições de Ensino Superior públicas do estado de Alagoas. O percurso metodológico adotou a pesquisa exploratória com abordagem qualitativa. A pesquisa foi realizada no mês de maio de 2021. A amostra foi composta pelos sites das Bibliotecas Universitárias da Universidade Federal de Alagoas, Universidade Estadual de Ciências da saúde do Estado de Alagoas e Universidade Estadual de Alagoas. Os sites pesquisados não estão dentro dos padrões desejáveis de acessibilidade, mas, já se pode observar algumas iniciativas neste sentido. É possível concluir que que cabe a estas instituições vislumbrarem e implementarem estratégias que possibilitem que as portas de acesso ao conhecimento, seja no meio tradicional ou virtual, estejam sempre abertas para receber as pessoas com deficiência.</text>
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                    <text>Eixo escolhido: Práticas
ATUAÇÃO BIBLIOTECÁRIA NO ENFRENTAMENTO À PANDEMIA: O CASO DA REDE
DE BIBLIOTECAS FIOCRUZ
LIBRARIANS ACTIVITIES IN FIGHTING THE PANDEMIC: THE CASE OF THE FIOCRUZ
LIBRARY NETWORK

Viviane Santos de Oliveira Veiga 1
Patrícia Carvalho Mendes 2
Giovania Santos de Jesus 3
Letícia Pinto Ramalho 4
Resumo: Este artigo objetiva apresentar ações realizadas pelas bibliotecas da Fiocruz para o enfrentamento da
pandemia do novo coronavírus. A abordagem metodológica é descritiva e utiliza como ferramenta de coleta de dados
questionários online e levantamento bibliográfico. O fio condutor da reflexão é as cinco leis da Biblioteconomia. O
desenvolvimento de serviços e produtos perpassam o cuidado com seus trabalhadores e com seus acervos e a escuta
atenta das necessidades dos usuários. São apresentadas ações e produtos como: o documento Dez Recomendações para
as Bibliotecas da Fiocruz; o Plano de Convivência com a Covid; a Plataforma Integrada Covid-19; a Plataforma
Mourisco; o Catálogo Mourisco em texto completo; o Boletim BiblioCovid; a coleção Covid-19 no repositório Arca;
Rede Virus Outbreak Data Network no Brasil, a VODAN BR, entre outras. É apresentada as cinco leis das bibliotecas
do campo da saúde, com vistas a mostrar a relevância social da biblioteca nos dias atuais e seu papel como estação de
triagem e geradora de conhecimento.

Palavras-chave: Bibliotecas. Informação. Pandemia. COVID-19, Sars-Cov-2.
Abstract: This article aims to present the actions carried out by Fiocruz's libraries to face the new coronavirus
pandemic. The methodological approach is descriptive and used as a data collection tool, online questionnaires and
bibliographic survey. The guiding thread of the reflection is like five laws of Librarianship. The development of
services and products permeates care for its workers and services and attentive listening to the needs of users. These are
actions and products such as: the document Ten Recommendations for Fiocruz's Libraries; the Covid Coexistence Plan;
a Covid-19 Integrated Platform; the Mourisco Platform; the Moorish Catalog in full text; the BiblioCovid Bulletin; a
Covid-19 collection in the Arca repository; Virus Outbreak Data
Keywords: Libraries. Information. Pandemic. COVID-19, Sars-Cov-2.

1

Doutora em Informação e Comunicação em Saúde. Coordenação da Rede de Bibliotecas Fiocruz.
viviane.veiga@icict.fiocruz.br.
2
Mestre em Biblioteconomia. Coordenação da Rede de Bibliotecas Fiocruz. patricia.mendes@icictfiocruz.br.
3
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Coordenação Rede de Bibliotecas Fiocruz.
giovania.jesus@icict.fiocruz.br
4
Graduanda em Conservação e Restauração. Coordenação da Rede de Bibliotecas Fiocruz.
leticia.ramalho@icict.fiocruz.br

�1 INTRODUÇÃO
A corrida científica em torno do novo coronavírus não envolve apenas médicos, biólogos,
epidemiologistas e demais pesquisadores da área biomédica. Para que a ciência avance em suas
descobertas, é fundamental o trabalho de quem atua para ampliar e facilitar o acesso ao
conhecimento científico, como bibliotecários e profissionais da informação. O enfrentamento de
uma nova doença se baseia em dados e informações, porém, estes, muitas das vezes são
disponibilizados de forma fragmentada e sem recursos para sua adequada recuperação e reuso. A
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) atua de forma estratégica no combate à pandemia e desenvolve
várias ações do Ministério da Saúde, desde a produção de vacinas, fornecendo mais de 64 milhões
de doses para a população brasileira até hoje (FIOCRUZ, 2021), como no monitoramento dos casos
de Covid-19 por meio do MonitoraCovid, na produção de peças educativas para os diferentes
nichos da sociedade, como o SeLiga no Corona5, na produção de Notas Técnicas (para apoio da
gestão na crise sanitária e na formulação de políticas públicas), até o desenvolvimento de
instrumentos que facilitem o acesso aos pesquisadores, gestores, alunos e profissionais de saúde a
dados e informações que subsidiam todas as ações supracitadas. É o caso das ações desenvolvidas
no âmbito da Rede de Bibliotecas Fiocruz. Com o isolamento social imposto pela pandemia, as
bibliotecas da Fiocruz garantiram o atendimento remoto aos usuários com serviços de levantamento
bibliográfico, elaboração de fichas catalográficas, treinamentos no acesso à fontes de informação,
entre outros serviços realizados tradicionalmente no modelo presencial. Concomitantemente,
desenvolveram-se estratégias para ampliar o acesso à produção científica e técnica em saúde. Este
artigo visa apresentar algumas das ações realizadas pelas bibliotecas da Fiocruz para o
enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, utilizando as 5 leis da biblioteconomia de
Ranganathan. Estas ações perpassam o cuidado com seus trabalhadores e com seus acervos, a escuta
atenta das necessidades dos nossos usuários e, a partir destas necessidades, o desenvolvimento de
serviços e produtos. Alguns destes se expressam nas seguintes ações e produtos: Dez
Recomendações para as Bibliotecas da Fiocruz; o Plano de Convivência com a Covid; a Plataforma
Integrada Covid-19, com mais de dez milhões de registros 6sobre a doença; a Plataforma Mourisco,
5

SE LIGA no Corona. Disponível em:&lt; https://portal.fiocruz.br/se-liga-no-corona&gt;. Acesso em 05 jul, 2020.
Dados coletados Plataforma Integrada. Disponível em:&lt;https://portal.fiocruz.br/rede-de-bibliotecas&gt;. Acesso em: 03
de jul, 2021
6

�com mais de noventa e nove milhões 7de documentos; o Catálogo Mourisco em texto completo,
onde os usuários podem ter acesso a mais de trinta mil itens em texto completo. O Boletim
BiblioCovid, que apresenta estratégias de busca replicável sobre os temas mais solicitados
relacionados à Covid-19 e os principais artigos disponíveis em texto completo; A coleção Covid-19
no Arca, Repositório institucional da Fiocruz, que representa a produção intelectual da instituição e
está integrado na Plataforma Mourisco; A coordenação da Rede Virus Outbreak Data Network no
Brasil, a VODAN BR; Promoção de treinamentos para profissionais de informação e da saúde e
coordenação e participação em webinários sobre o tema.

2 REVISÃO DA LITERATURA
A crise sanitária provocada pela pandemia da COVID-19 apresentou grandes desafios para
as bibliotecas especializadas do campo da saúde e estabeleceu um ponto de inflexão no campo da
informação e comunicação em saúde. Binoche e Barrau (2020) afirmam que a crise nos estimula a
realizar profundas reformas de objetivos e valores. É inevitável repensar o papel do bibliotecário e
da biblioteca, como nos ensina Oyarzún (2020) para além do espaço físico e o acervo que
salvaguarda, mas “redobrar seus esforços de reflexão em como fornecer leitura, informação,
serviços de apoio” para sua comunidade.
Vivemos um cenário de infodemia, definido pela Organização Panamericana de Saúde
(OPAS) como “um excesso de informações, algumas precisas e outras não, que tornam difícil
encontrar fontes idôneas e orientações confiáveis quando se precisa” (ORGANIZAÇÃO, 2020,
p. 2). Neste ambiente de excesso de informação é crucial a ação bibliotecária, não somente na
gestão, organização e disponibilização de informação confiável, mas na entrega da informação
adequada, para o sujeito adequado, no momento adequado. As cinco leis da biblioteconomia
(RANGANATHAN, 1931; GARFIELD, 1985) preconizadas por Shiyali Ramamrita Ranganathan
(1892–1972) em 1931, se mostram atuais e aplicáveis na reflexão e ação da biblioteca do campo de
saúde na pandemia.
A primeira lei “os livros são para uso” aponta que os materiais e serviços da biblioteca
devem ser acessíveis aos usuários. Nos tempos atuais, vemos várias barreiras para o acesso à
7

Dados coletados da Plataforma Mourisco. Disponível em:&lt;https://portal.fiocruz.br/rede-de-bibliotecas&gt;. Acesso em:
03 de jul, 2021.

�informação, como o pagamento de taxas para acesso a artigos e dados. Em um tempo de decretos
que impedem a abertura dos espaços físicos das bibliotecas, como garantir o acesso aos
pesquisadores e alunos da Fiocruz e dos profissionais do campo da saúde no Brasil? A segunda lei
“para cada leitor, o seu livro” afirma que as bibliotecas devem desenvolver coleções para e em
torno das demandas de seus usuários. Como, em uma pandemia, criar coleções sobre a Covid-19 e
conhecer as necessidades específicas dos usuários no tema? A terceira lei “para cada livro, seu
leitor” aponta a necessidade de uso de técnicas de organização do conhecimento para disseminação
do conteúdo da biblioteca de forma que os usuários possam encontrá-lo e fazer conexões. A quarta
lei “Poupe o tempo do leitor” afirma a necessidade de as bibliotecas fornecerem acesso eficiente aos
materiais e serviços. Esta lei abrange treinamentos, catálogos online, resolvedores de links,
metabusca, protocolos de comunicação, entre outros. A quinta e última lei "A biblioteca é um
organismo em crescimento” diz que as bibliotecas precisam se planejar para o crescimento, para a
expansão, para a mudança (RANGANATHAN. 1931)
À luz das cinco leis de Ranganathan, conhecidas como as cinco leis da biblioteconomia,
foram elaboradas as cinco Leis das Bibliotecas do Campo da Saúde que nortearam o plano de ação
da Rede de bibliotecas Fiocruz no enfrentamento da pandemia. Este artigo descreve o caminho
metodológico e as ações geradas pela Rede de Bibliotecas que apoiaram e continuam a apoiar a
Fiocruz e a sociedade brasileira no enfrentamento da pandemia da COVID-19.

3 METODOLOGIA
Diante da interrupção abrupta dos serviços presenciais das bibliotecas da Fiocruz, em função
da política de isolamento social determinada pelas autoridades sanitárias em março de 2020, e
devido às incertezas geradas pela pandemia provocada pelo novo coronavírus (denominado SARSCoV-2), a Rede de Bibliotecas Fiocruz precisou elaborar um plano de ação que apoiasse a
instituição e a sociedade brasileira no enfrentamento à pandemia, com foco nos profissionais,
pesquisadores e alunos no campo da saúde. A abordagem utilizada é descritiva e qualitativa,
refletindo sobre as expertises bibliotecárias no desenvolvimento de ações em situações pandêmicas.
Destaca-se as iniciativas atuais e as melhores práticas para serviços de biblioteca digital durante
uma crise de saúde pública.

�As leis de Ranganathan foram analisadas e interpretadas neste estudo e nortearam a
elaboração das cinco Leis das Bibliotecas do Campo da Saúde em Tempos de Pandemia (LBCS),
que embasaram as ações da Rede de Bibliotecas Fiocruz no enfrentamento da pandemia.
A primeira lei “os livros são para uso”, na LBCS afirma que “Os dados e a informação em
saúde são para uso” - esta lei norteou o delineamento de ações de preservação e que facilitassem o
uso da informação e de dados confiáveis disponíveis sobre o tema da pandemia para o uso dos
profissionais, pesquisadores e alunos da Fiocruz, no âmbito deste trabalho todos sendo considerados
pesquisadores. A segunda lei “para cada leitor, o seu livro”, na LBCS afirma que “para cada
pesquisador, seu dado e sua informação” - esta lei norteou a elaboração de estratégias que nos
fizessem conhecer as demandas específicas dos diversos perfis e subdomínios do campo da saúde
em que a Fiocruz atua. A terceira lei “para cada livro, seu leitor”, na LBCS afirma “para cada dado
e informação, seu pesquisador” - esta lei norteou a elaboração de estratégias para que os dados e a
informação fossem disseminados de forma seletiva, a encontrar seu leitor, alinhando diversas
ferramentas e técnicas. A quarta lei “Poupe o tempo do leitor”, na LBCS afirma “poupe o tempo do
pesquisador” e norteou a implantação de ferramentas tecnológicas e uso de técnicas da ciência da
biblioteconomia que apoiasse os pesquisadores na busca de produção científica e técnica de forma
rápida, integrada e eficiente. A quinta lei “a biblioteca é um organismo em crescimento”, na LBCS
afirma “a biblioteca é um organismo em crescente relevância social, uma estação de triagem e
geradora de conhecimento” esta lei norteou as ações que evidenciam a relevância das ações para a
sociedade, para a construção de triagem dos diferentes conteúdos produzidos no contexto da
pandemia e o registro do conhecimento gerado no desenvolvimento de políticas, métodos, produtos
e serviços, apoiando a outras instituições e unidades de informação e de saúde.
Desde março de 2020, as atividades de acesso presencial estão suspensas. No entanto, a
Rede de Bibliotecas tem apoiado suas bibliotecas e aqueles que produzem conhecimento na busca
por debelar a epidemia. Para melhor atender às nossas necessidades de saúde no trabalho e
continuar a atender nossos pesquisadores e alunos a terem acesso à informação, utilizamos as cinco
Leis das Bibliotecas do Campo da Saúde para definir as ações em 3 pilares: Preservação, Acesso à
Informação e Organização do Conhecimento.
Foram organizados diversos encontros dos bibliotecários da Rede de Bibliotecas a partir de
março de 2020 para elaborar um plano para o desenvolvimento de ações em resposta à pandemia. A

�partir destes encontros, várias ações foram desenvolvidas e questionários online foram criados,
objetivando apresentar as demandas de informação e serviços durante a pandemia. Foram
elaborados e aplicados aos pesquisadores, profissionais e alunos da instituição.
A metodologia de pesquisa quanto à natureza trata-se de pesquisa aplicada que considera o
conhecimento baseado na experiência ao abordar estudo de caso da Rede de Bibliotecas no suporte
às equipes da Bibliotecas da Fiocruz durante o enfrentamento da pandemia da COVID-19, tendo
como principal referencial teórico as cinco leis de Ranganathan.
RESULTADOS
Os dados e a informação em saúde são para uso
A primeira iniciativa foi a Preservação. Pensando que os dados e a informação, presentes na
biblioteca deveriam ser preservados, diante de incertezas do comportamento do vírus. Quando
abordamos este tema somos remetidos a preservação e conservação do acervo físico, que está no
espaço de salvaguarda da biblioteca, mas em nosso plano de ação, diante da ascensão da taxa de
transmissibilidade do Sarsc-CoV2 em solo nacional, adicionou-se no plano de ação como objetivo
principal a preservação da vida. A vida é condição sine qua non para que a informação seja
utilizada.
Fundamentado na pouca literatura disponível à época e buscando seguir as orientações
internas da Fundação Oswaldo Cruz em seu plano de contingência e considerando o papel
estratégico da informação em saúde no combate à pandemia global de Covid-19, desenvolvemos
uma lista com dez recomendações às equipes de bibliotecas e centros de informação sobre medidas
de prevenção e regimes especiais. O documento, Dez Medidas de Prevenção Para as Bibliotecas da
Fiocruz8 foi publicado no Portal da Fiocruz no dia 17 de março de 2020. As diretrizes visavam
contemplar tanto as equipes de trabalho quanto os usuários dos serviços, de forma a evitar a
interrupção de estudos e pesquisas sobre o tema.
Após este momento de apoio emergencial com ação que preservasse a vida e o acervo das
bibliotecas em março de 2020, buscou-se realizar um levantamento bibliográfico e articulação com
outros atores institucionais que nos apoiasse em planejamento a longo prazo das medidas que
deveriam ser implementadas em curto, médio e longo prazo. A pandemia de COVID-19 mudou o
comportamento da população mundial e levou a refletir e adotar medidas voltadas para prevenir,
8
DEZ
Medidas
de
Prevenção
para
as
Bibliotecas
da
Fiocruz.
Disponível
em:
&lt;
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/40527/3/ANEXO%20I%20%2010%20MEDIDAS%20DE%20PREVENCAO%20PARA%20AS%20BIBLIOTECAS%20DA%20FIOCRUZ_.pdf
&gt;. Acesso em: 03 jul, 2021.

�reduzir e eliminar riscos que possam comprometer a saúde da população e do meio ambiente.
Consequentemente, tornou-se necessária a elaboração de um plano que assegure a convivência no
contexto das bibliotecas, com medidas de prevenção à COVID-19. Neste processo, foi fundamental
a articulação com o Instituto de Tecnologia em Imunobiologia Bio-Manguinhos e o Laboratório de
Conservação e Preservação de Acervos.
A Rede de Bibliotecas Fiocruz teve como desafio a elaboração de um plano baseado nas
evidências científicas disponibilizadas até o momento e alinhado às diretrizes nacionais e
institucionais. O plano intitulado, Plano de convivência com a Covid-19: recomendações às
bibliotecas da Fiocruz (FIOCRUZ, 2020), foi publicado em 03 de agosto de 2020. O Plano objetiva
apresentar recomendações gerais que apoiem a elaboração dos planos específicos de cada
biblioteca, visto que as bibliotecas possuem realidades diferentes, com três focos principais:
Segurança dos trabalhadores das bibliotecas, segurança dos usuários e segurança dos acervos
(INTERNATIONAL, 2020; MÉXICO, 2020). Estas recomendações poderão ser atualizadas a
qualquer momento, diante de novas descobertas da comunidade científica ou de determinações de
autoridades sanitárias locais.
Como ação do projeto de elaboração do Plano de Convivência com a Covid-19 para as
bibliotecas da Fiocruz, foi organizado um evento para discutir com a comunidade científica,
acadêmica e bibliotecária os estudos realizados para a prevenção dos trabalhadores, usuários e
acervos das bibliotecas da Fiocruz e as práticas que estavam sendo adotadas nas bibliotecas
européias, que naquele momento começavam a reabrir os espaços físicos para atendimento ao
público. O evento foi realizado no dia 17 de julho de 2020, em parceria com o Centro de Estudos do
ICICT, ASCOM-ICICT e VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz e teve mais de 2.700 visualizações
até junho de 2021. O evento contou com uma mesa redonda composta por Eloy Rodrigues
(Universidade do Minho - Portugal), Bernardina Morales (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Michel
Sucupira (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e Marcelo Oliveira (ICICT/Fiocruz), com moderação da
coordenadora da Rede de Bibliotecas Fiocruz, Viviane Veiga. Acesso ao webinário pelo link:
https://www.youtube.com/watch?v=TGMfuqcwCKk
Para cada pesquisador, seu dado e sua informação
O Grupo de Trabalho de Modernização da Rede de Bibliotecas Fiocruz elaborou um
questionário para conhecer as demandas dos nossos usuários e sua percepção quanto aos serviços
oferecidos pelas bibliotecas. O questionário foi aplicado em 2019 e nos ajudou a conhecer as

�necessidades informacionais dos nossos usuários. Durante a pandemia foi elaborado novo
questionário com foco no acesso à informação em tempos de crise sanitária. Estas ações de
conhecimento das demandas dos diversos perfis da Fiocruz apoiaram as ações que serão
apresentadas a seguir.
Para cada dado e informação, seu pesquisador
A gestão do conhecimento está presente no meio organizacional das Bibliotecas há algumas
décadas, nesse contexto, surge com o desafio de organizar a informação e disponibilizá-la de forma
rápida e confiável.
A Rede de Bibliotecas organizou sua equipe de bibliotecários referencistas da Fiocruz que
desenvolveu o projeto do Boletim BiblioCovid. O primeiro passo foi elaborar e aplicar um
questionário de levantamento de demandas, a toda comunidade da Fiocruz, com vistas a identificar
os temas de maior interesse dos nossos pesquisadores e alunos. Duas perguntas nortearam o
questionário. Que tipo de informação e dado o pesquisador da Fiocruz precisa para o enfrentamento
da Pandemia? Como esta informação deve ser apresentada?

Figura 1: Levantamento de demanda de Pesquisadores

Fonte: Os autores, 2021

�Após o levantamento destas informações, com as primeiras temáticas definidas, foi lançado
o Boletim BiblioCovid criado durante a pandemia, com o objetivo de levar artigos atualizados que
estão sendo produzidos sobre a pandemia aos pesquisadores, profissionais de saúde, professores e
alunos. Com periodicidade mensal, pode ser acessado pelo Repositório Arca e retrata os temas mais
solicitados pelos pesquisadores. Os temas do Boletim são definidos a partir das solicitações dos
pesquisadores a partir do preenchimento do formulário BiblioCovid_sugestão_de_tema. Foram
publicados 11 Boletins de agosto de 2020 a junho de 2021.

Figura 1: Compilado de capas dos boletins publicados

Fonte: Os autores, 2021

As estratégias de busca elaboradas pelos bibliotecários da Rede são registradas no
Repositório de estratégias de busca da Bireme - https://bvsalud.org/queries/?l=pt_BR
Poupe o tempo do pesquisador
O acesso à informação confiável é fundamental no contexto de pandemia e infodemia9. A Rede de
Bibliotecas, juntamente com a colaboração de outros setores como a Gestão de Acervos, estava no

9
Infodemia: Superabundância de informações - algumas precisas e outras não - ocorrendo durante uma epidemia.
World Health Organization – WHO. 1st WHO Infodemiology Conference [Internet]. Geneva: World Health
Organization;
2020
[cited
2021
Jul
1].
Available
from:
https://www.who.int/newsroom/events/detail/2020/06/30/default-calendar/1st-who-infodemiology-conference

�processo de implementação de serviço de integração de diferentes fontes de informação e, com a
pandemia, o trabalho foi acelerado, tendo como foco principal atender às demandas por pesquisas
sobre a Covid-19. Deste esforço, foi implementada e lançada a Plataforma Integrada Covid-19,
ainda em março de 2020, uma ferramenta que possibilita realizar buscas em várias fontes de
informação, de acesso aberto e acesso restrito, através de uma única caixa de busca. Em abril de
2020 já permitia acesso a mais de cem mil publicações sobre Covid-19, em junho de 2021 dava
acesso a mais de mais de três milhões de registros10 sobre a doença; neste momento de grande
profusão científica sobre a Covid-19, em diversas tipologias documentais, os pesquisadores têm
ressaltado a importância desta plataforma, pois ela facilita encontrar registros do mundo inteiro, em
diversas línguas, incluindo notícias, artigos científicos, relatórios técnicos, livros eletrônicos,
resenhas, livros, conferências, teses e dissertações, patentes, áudios e vídeos.

A

Plataforma

reúne conteúdo das principais fontes de informação científica nacionais e internacionais, incluindo
bases como Dynamed, Lancet, Medline, Portal de Periódicos Capes, UpToDate, Repositório Arca,
entre outras, agilizando as descobertas com mais de 15 mil acessos e 11 mil downloads até janeiro
de 2021, em um momento em que agilidade pode ser vital.
Figura 2: Plataforma COVID19 Fiocruz

Fonte: Os autores, 2021.

10

Dados coletados da Plataforma Mourisco. Disponível em:&lt;https://portal.fiocruz.br/rede-de-bibliotecas&gt;. Acesso em:
03 de jul, 2021

�Figura 3: Nuvem de palavras dos assuntos mais pesquisados na Plataforma de mar a dez de 2020

Fonte: Os autores, 2021.

A Plataforma Integrada Covid-19, expandiu seu escopo e foi recentemente nomeada como
Plataforma Mourisco. Possibilita a pesquisa em todas as temáticas, com mais de noventa e nove
milhões11 de registros. Pesquisadores vinculados à instituição têm acesso a coleções e bases de
dados assinadas, de forma integrada, a partir de login institucional. Desta forma, o usuário não
precisa pesquisar em várias bases de dados. Através de uma única interface, pode-se pesquisar
diversas fontes sobre Covid-19 e outros temas.
Catálogo Mourisco
Figura 4: Plataforma Integrada Covid-19

Fonte: Os autores, 2021.
11

Dados coletados da Plataforma Mourisco. Disponível em:&lt;https://portal.fiocruz.br/rede-de-bibliotecas&gt;. Acesso em:
03 de jul, 2021

�Durante a pandemia da Covid-19, a Rede de Bibliotecas da Fiocruz criou uma base de dados
de textos completos dentro do Catálogo Mourisco, a base Catálogo Mourisco em Texto Completo,
para auxiliar pesquisadores, estudantes e demais interessados em diversas áreas a realizar suas
pesquisas. A Base Mourisco em Texto Completo reúne mais de 30 mil registros e reflete o esforço
das bibliotecas da Fiocruz em disponibilizar seus acervos em texto completo. Todo o conteúdo é
oferecido de forma online e gratuita. O Catálogo Mourisco reúne os metadados do acervo das
bibliotecas que integram a Rede de Bibliotecas Fiocruz, permitindo acesso a todas as publicações
disponibilizadas para consulta física e online, por meio de buscas simples e avançadas. Com esta
ferramenta é possível verificar a disponibilidade de itens para empréstimos, além de solicitar
reservas.
Seguindo os nossos 3 pilares para o enfrentamento da Pandemia da COVID-19, a
organização do conhecimento em tempo de pandemia neste contexto, emerge como uma
competência organizacional crucial, tanto para resposta imediata em meio ao turbilhão de
informações disseminadas, quanto para criação de um novo patamar para a gestão destas
informações no futuro, tão presente.
Figura 5: Catalogo Mourisco em Texto Completo

Figura 6: Plataforma Mourisco

Fonte: Os autores, 2021.

Fonte: Os autores, 2021.

�O projeto Virus Outbreak Data Network (Vodan), coordenado internacionalmente pela
iniciativa GO FAIR, é liderado no Brasil pela coordenação da Rede de Bibliotecas Fiocruz no
âmbito da Rede GO FAIR Brasil Saúde. A VODAN BR - uma rede para desenvolvimento de
infraestrutura e tratamento de dados de pacientes com Covid-19 internados em hospitais no Brasil é
coordenada pela Fiocruz em parceria com a UFRJ e UNIRIO. A VODAN BR ganhou prêmio
internacional no evento do RDA como melhor projeto e financiamento de edital da UNIRIO. Temse atuado com os dados de três hospitais atualmente: Hospital Municipal São José, em Duque de
Caxias, Hospital Universitário Gaffrée Guinle, no Rio de Janeiro e Hospital Albert Einstein, em São
Paulo, com aprovação no Comitê de ética em Pesquisa. O Projeto tem sido apresentado em varios
eventos nacionais e internacionais, como a ConfOA (https://confoa.rcaap.pt/2020/programa/), O
RDA (https://www.rd-alliance.org/rda-16th-plenary-meeting-poster-sessions) e o II Congresso
Internacional

em

Humanidades

Digitais

da

Cidade

do

Rio

de

Janeiro

(HDRio

-

https://www.youtube.com/watch?v=iShcCjUPop4).
A coleção Covid-19 no Repositório Arca (https://www.arca.fiocruz.br/), representa um
esforço das bibliotecas da Fiocruz, juntamente com a coordenação executiva do Repositório, em
catalogar e dar acesso à produção institucional sobre o tema. Atualmente esta coleção abrange mais
de mil e trezentos registros.
Figura 7: Arca - Repositório Institucional da Fiocruz

Fonte: Os autores, 2021.

�4 Considerações finais: A biblioteca é um organismo em crescente relevância social, uma
estação de triagem e geradora de conhecimento
As leis da biblioteconomia, preconizadas por Ranganathan, podem apoiar as reflexões dos
bibliotecários em apoiar a sociedade no enfrentamento de epidemias e pandemias e guiá-las na
ampliação de sua relevância social. O entendimento de Ranganathan sobre a Biblioteca como um
organismo em crescimento, mostra a mutação intrínseca do fazer bibliotecário e do ente biblioteca.
Novos serviços foram oferecidos para ampliar o acesso à informação em saúde neste
período, como disponibilização de uma plataforma integrada sobre COVID-19, promoção de
treinamentos e palestras on-line, orientação ao acesso remoto às fontes de informação assinadas na
Instituição, divulgação de bases de dados e periódicos científicos em acesso aberto,
desenvolvimento e disseminação da Base Catálogo Mourisco em texto completo, elaboração e
distribuição do Boletim BiblioCovid – Boletim com estratégia de busca em COVID-19, Plataforma
com dados de Covid-19, entre outros.
Além dos eventos, com ministração de palestras, que apoiaram na capacitação e atualização
dos profissionais da Rede, foram realizados treinamentos com as equipes para que pudessem atuar
no enfrentamento da pandemia, na construção de estratégias de busca sobre Covid-19, na
elaboração do Boletim BiblioCovid e na utilização do sistema de gerenciamento de acervos das
bibliotecas. Alguns destes treinamentos foram ministrados pelos próprios bibliotecários da Rede de
Bibliotecas como o treinamento “O processo de catalogação no Sistema Mourisco” e o curso
“Bibliotecas Fiocruz no Enfrentamento da Pandemia”, este último dividido em 4 módulos. A Rede
ofereceu curso de capacitação em catalogação do sistema Catálogo Mourisco (online). Além de
viabilizar o acesso remoto para as equipes de catalogação dos acervos via VPN.
Entre outras ações específicas para enfrentamento da Covid-19, mantivemos ações
importantes para as bibliotecas, a criação de infográficos para acesso remoto ao Portal de Periódicos
Capes; e as ações dos Grupos de trabalhos de Normalização dos trabalhos acadêmicos,
Modernização das bibliotecas da Fiocruz, Política de Indexação da produção científica na Fiocruz e
Acesso aberto e dados de pesquisa e as bibliotecas.

�A informação e os dados em saúde são fundamentais para produção de vacinas, protocolos
de segurança, produção de testes diagnósticos de Covid-19, assistência à saúde, delinear ações para
populações vulnerabilizadas, monitoramento de casos de Covid-19, entre outros. A Biblioteca e os
bibliotecários são a estação de triagem por onde perpassa estas informações e que devem ser
organizadas para chegar aos seus usuários, assim a biblioteca, geradora de conhecimento e
disseminadora de conteúdos informacionais, cumpre seu papel de forma decisiva no enfrentamento
da pandemia. Dados e informações salvam vidas.

REFERÊNCIAS
BINOCHE, J. y BARRAU, A. (2020). Please, let’s not go back to normal.
Le Monde. Disponível em: https://www.lemonde.fr/idees/article/2020/05/06/
please-let-s-not-go-back-to-normal_6038793_3232.html. Acesso em: 5 mai. 2021
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Plano de convivência com a Covid-19: recomendações às
bibliotecas
da
Fiocruz.
Rio
de
Janeiro,
2020.
18
p.
Disponível
em:
https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/42956. Acesso em: nov. 2020.
INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND INSTITUTIONS IFLA. COVID-19 and the Global Library Field: Statement by the IFLA President and Secretary
General. In: IFLA. Netherlands, 23 MAR. 2020. Disponível em: https://www.ifla.org/node/92969.
Acesso em: 18 jun. 2020.
MEXICO. Secretaria de Salud. Guía básica: reapertura de espácios culturales retorno seguro
saludable y solidário. S. l.: Secretaria de Salud, 2020. Disponível em:
https://contigoenladistancia.cultura.gob.
mx/assets/uploads/blog/documentos/guia-reaperturaespacios-ok.pdf. Acesso em: 18 jun. 2020.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICA DA SAÚDE - OPAS. Entenda a infodemia e a desinformação
na luta contra o COVID-19. Departamento de evidência e inteligência para a ação em saúde. Brasil,
2020. https://iris.paho.org/handle/10665.2/52054
Ranganathan, S. R. The Five Laws of Library Science. Madras, India: Madras Library Assoc.,
1931; Disponível em: http://dlist.sir.arizona.edu/1220/. Acesso em: 8 fev 2003
GARFIELD, E., Father of Library Science in India: a tribute to S.R. Ranganathan.Herald of
Library Science, v.24, n.3, p.151-64, July 1985. p.153-154.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este artigo objetiva apresentar ações realizadas pelas bibliotecas da Fiocruz para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. A abordagem metodológica é descritiva e utiliza como ferramenta de coleta de dados questionários online e levantamento bibliográfico. O fio condutor da reflexão é as cinco leis da Biblioteconomia. O desenvolvimento de serviços e produtos perpassam o cuidado com seus trabalhadores e com seus acervos e a escuta atenta das necessidades dos usuários. São apresentadas ações e produtos como: o documento Dez Recomendações para as Bibliotecas da Fiocruz, o Plano de Convivência com a Covid, a Plataforma Integrada Covid-19, a Plataforma Mourisco, o Catálogo Mourisco em texto completo, o Boletim BiblioCovid, a coleção Covid-19 no repositório Arca, Rede Virus Outbreak Data Network no Brasil, a VODAN BR, entre outras. É apresentada as cinco leis das bibliotecas do campo da saúde, com vistas a mostrar a relevância social da biblioteca nos dias atuais e seu papel como estação de triagem e geradora de conhecimento.</text>
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                    <text>Eixo 2- Práticas
A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS: RELATO DE
EXPERIÊNCIA NA FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS/ CENTRO
UNIVERSITÁRIO ARTHUR SÁ EARP NETO.
THE IMPORTANCE OF USER TRAINING: REPORT OF EXPERIENCE AT THE
FACULTY OF MEDICINE OF PETRÓPOLIS/ CENTRO UNIVERSITÁRIO ARTHUR SÁ
EARP NETO.
Jordânia da Silva Cler 1
Jaqueline da Silva2
Volmer de Almeida Geronimo 3
Resumo: O presente estudo de relato de experiência tem como objetivo descrever a experiência da
Biblioteca Charles Alfred Esbérard do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/ Faculdade de Medicina de
Petrópolis (UNIFASE/FMP) e Docentes como mediadores nos processos de aprendizagem em relação aos
recursos informacionais do acervo da Biblioteca. A metodologia selecionada utilizou abordagem quantitativa,
descritiva, retrospectiva e corte temporal. O método aplicado é a pesquisa documental, com análise dos relatórios
anuais da Biblioteca da UNIFASE/FMP e da Elsevier, editora proprietária da base de dados. No recorte
temporal, alinhado às capacitações realizadas pelos Bibliotecários da instituição, o estudo permitiu verificar a
evolução a evolução do uso da plataforma Clinical Key pelos usuários da Instituição. A análise dos dados aponta
que após o início dos treinamentos com abordagem metodológica dinâmica e específica, em um período de
quatro anos, o número de acessos para utilização da base cresceu em 70%. Conclui-se que a partir do momento
em que esforços são empreendidos para identificar as necessidades dos usuários e para desenvolver parcerias
com docentes que estejam abertos a novas perspectivas, os resultados são produtivos e reforçam o laço entre
Discente, Docente e Biblioteca. Trazem, como produto, melhor capacidade de busca, seleção e empregabilidade
de informação atualizada. Acrescenta qualidade e resulta em produção de produtos acadêmico-científicos e
assistenciais mais refinados por usuários mais qualificados.
Palavras-chave: Capacitação de usuários. Letramento Informacional. Bibliotecas Universitárias. Processo
de Aprendizagem.
Abstract: This experience report study aims to describe the experience of the Charles Alfred Esbérard Library
of the Arthur Sá Earp Neto University Center/Petropolis Medical School (UNIFASE/FMP) and Faculty as
mediators in the learning processes in relation to the informational resources of the Library collection. The
selected methodology used a quantitative, descriptive, retrospective and temporal cut approach. The method
applied is documentary research, with analysis of the annual reports of the Library of UNIFASE/FMP and of
Elsevier, publisher that owns the database. In the time frame, in line with the training carried out by the
institution's Librarians, the study allowed us to verify the evolution of the use of the Clinical Key platform by the
Institution's users. Data analysis shows that after the beginning of training with a dynamic and specific
methodological approach, in a period of four years, the number of accesses to use the base grew by 70%. It is
concluded that from the moment efforts are made to identify users' needs and to develop partnerships with
professors who are open to new perspectives, the results are productive and reinforce the bond between Student,
Professor and Library. They bring, as a product, better search capacity, selection and use of updated information.
It adds quality and results in the production of more refined academic-scientific and care products by more
qualified users.
Keywords: User training. Informational Literacy. University Libraries. Learning process.

1

Bibliotecária. Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto. bib.jordania@fmpfase.edu.br.
Enfermeira Desenvolvendo Atividade Docente na Graduação, Mestrado e Doutorado na UFRJ.
jackiedasilva@hotmail.com
3
Bibliotecário. Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto. bib.volmer@fmpfase.edu.br.
2

�1 INTRODUÇÃO
Ao final da primeira década do século XXI a informação e as tecnologias estão cada
vez mais rápidas e para que se possa acompanhar todas essas mudanças é preciso estar em
constante aprendizado. As Bibliotecas se apresentam de forma totalmente diferente de como
foram concebidas e conhecidas décadas atrás. Muito mais do que “guardiãs de livros” as
Bibliotecas hoje se apresentam como centros de informação, cultura, ciência, aprendizado e
lazer. Além da mutação na forma de atuar, possuem também uma nova forma de
apresentarem seus acervos. Na modalidade virtual, concentram bases de dados que surgiram
ao passar dos anos, tanto com o enfoque cultural, com títulos literários, como no segmento
científico, onde temos bases com publicações de artigos, teses, livros, imagens, vídeos, dentre
outros. O objetivo deste relato de experiência é demonstrar, através dos relatórios
disponibilizados pela editora, como a capacitação de usuários em uma Biblioteca
Universitária pôde alterar a usabilidade da base de dados disponibilizada.
Segundo Campello (2009)
O letramento informacional constituiria uma capacidade essencial,
necessária aos cidadãos para se adaptar à cultura digital, à
globalização e à emergente sociedade baseada no conhecimento.
Implicaria fundamentalmente que as pessoas tivessem a capacidade de
entender suas necessidades de informação e de localizar, selecionar e
interpretar informações, utilizando-as de forma crítica e responsável.
(CAMPELLO, 2009, p. 12-13).

A Biblioteca universitária, como mediadora dos processos de ensino-aprendizagem
tem o bibliotecário como facilitador do crescimento dos discentes, atualização da comunidade
acadêmica e assistencial. Mais do que disponibilizar instrumentos de busca, cabe ao
Bibliotecário realizar estudos, identificar demandas, propor capacitações para seus usuários.

2 RELATO DE EXPERIÊNCIA
Estudo com abordagem qualitativa, utiliza o método de análise documental, descritivo,
corte temporal de 2012 a 2019. Os documentos analisados foram os relatórios de uso do
produto Clinical Key ®, da editora Elsevier, assinado pela UNIFASE/FMP desde dezembro
de 2011, quando a base ainda se chamava “MD Consult”.
No período de 2012 – 2015 a análise da consulta à base Clinical Key para acesso a ebooks ocorreu na modalidade demanda espontânea. Discreto acréscimo entre 2012 (3.186) e
2013 (5.810), discreta queda em 2014 (4.102) com retomada crescente em 2015 (6.390).

�A partir de 2016 tem início o projeto ----------- da equipe de Bibliotecários da
UNIFASE/FMP.
Os objetivos foram apresentar a base de dados CK, demonstrar possibilidades e
ferramentas e incrementar a utilização de recursos disponíveis aplicáveis a experiências de
ensino-aprendizagem e estudos para estudante de graduação dos cursos da UNIFASE/FMP. A
implementação de estratégias proativas em três modalidades implementadas no intervalo de
2016-2019.
Neste estudo, em um primeiro momento, iremos tratar do uso dos Ebooks consultados.
O gráfico 1 demonstra o crescimento de acessos desde a contratação da base até o ano de
2019.
Gráfico 1 – Evolução do acesso aos Ebooks Clinical Key – FMP/UNIFASE – 2012 a 2019
AECG

AECG

AECG

X

X

X

AEPCD

X

X

X

X

ATPLCG

Estratégia espontânea

Estratégia proativa

Fonte: autoria própria
Legenda:
Aula expositiva cursos graduação (AECG)
Aula expositiva programa de capacitação docente (AEPCD)
Aula teórico-prática laboratórios curso graduação (ATPLCG)

�Gráfico 2 – Evolução de acesso à toda a base Clinical Key – FMP/UNIFASE – 2012 a 2019
AECG

AECG

AECG

X

X

X

AEPCD

X

X

X

X

ATPLCG

Estratégia espontânea

Estratégia proativa

Fonte: autoria própria
Legenda
Aula expositiva cursos graduação (AECG)
Aula expositiva programa de capacitação docente (AEPCD)
Aula teórico-prática laboratórios curso graduação (ATPLCG)

No gráfico acima, podemos observar o salto de acessos do ano de 2016, onde se
iniciou este projeto de capacitação até ano de 2019. Dentro de aproximadamente quatro anos,
praticamente dobrou o número de acessos. Em consonância com Campello, acreditamos e
esperamos que “com a aplicação dessa estratégia se formem usuários autônomos de
informação, conscientes de seu processo de aprendizagem, capazes de usar informações de
forma criativa e crítica para a solução de problemas.” (Campello, 2009, p. 71).
A partir da tímida utilização dos recursos disponíveis pelos estudantes, no período de
2016-2017 foi implementada a estratégia de modalidade um. A equipe de Bibliotecários fez
contato com Docentes do primeiro período dos cursos de Administração, Enfermagem,

�Medicina, Nutrição, Psicologia e Recursos Humano. Durante o primeiro ano letivo, a Base
Clinical Key foi apresentada em sala de aula, na modalidade expositiva aos estudantes de
graduação e informação sobre a disponibilidade de ajuda junto à Biblioteca sobre dúvidas. No
período a análise de consultas à base CK, apresentou aumento significativo de 2015 (6.390)
para 2016 (10.507) e discreta redução em 2017 (10.404).
Ao final do ano de 2017, na avaliação quantitativa de utilização da base e na avaliação
qualitativa do tipo de intervenção, teve lugar o planejamento e introdução de nova estratégia.
Foi mantida a modalidade um, junto a disciplinas ministradas a estudantes cursando o
primeiro período dos cursos de graduação e no mesmo ano letivo durante o programa de
desenvolvimento docente, foi realizada apresentação expositiva aos professores dos cursos de
graduação e informação da disponibilidade de colaboração pela Biblioteca.
Ao avaliar a estratégia de número um e dois e os resultados ao final do período, foram
identificados desafios como:


Apresentação de grande quantidade de conteúdos, até então desconhecidos;



Dificuldade de projeção às futuras necessidades acadêmicas pelos graduandos e



Ambiente de aula comum sem recursos tecnológicos para experiência práticas.
Ao final do ano de 2018, foi verificado aumento importante em relação ao ano anterior

(13.617). Em novo momento avaliativo construtivo da intervenção anterior, a equipe
desenvolveu e introduziu estratégia alternativa ou modalidade três.
Com base nas experiências e desafios anteriores, a equipe de Bibliotecários
estabeleceu contato e parceria com quatro professoras de disciplinas instrumentais e/ou
metodológicas dos cursos de graduação em Administração, Enfermagem, Medicina, Nutrição,
Odontologia e Recursos Humanos. Esses professores incluíram o conteúdo ministrado pelos
Bibliotecários no conteúdo de suas disciplinas, a mudança de ambiente para o laboratório de
informática, possibilitou que cada usuário acessasse a base e acompanhasse em tempo real via
computador, o que permitiu uma melhor absorção do conteúdo.
Na aula, quanto ao Clinical Key, lhes foi apresentado:


Possibilidades de buscas na base;
O usuário pode realizar sua pesquisa através da busca geral, onde ele pode digitar o
assunto e a base lhe responderá com os resultados obtidos dentro de todas as fontes de
informação. Também é possível navegar por fontes específicas, realizando sua busca
direcionada para um formato de documento.

�

Utilização dos filtros disponíveis;
Ao realizar uma busca no geral, geralmente se obtém milhares de resultados. Para
facilitar a vida do pesquisador, a plataforma lhe oferece filtros para que o conteúdo
procurado possa ser localizado. Dentre os mais utilizados estão: Tipo de fonte (Livro,
Imagens, Artigos completos, Testes Clínicos, Diretrizes, Educação do Paciente,
Clinical Overviews, Vídeos, Procedimentos, Systematic Reviews, Meta-analyses entre
outros.), Especialidade e Data de Publicação.



Estratégias de navegação;
Nos livros, periódicos, multimídia, vídeos de procedimentos, clinical overviews e
educação ao paciente. Em todas as opções, são apresentados os filtros de
especialidade, uma barra alfabética, e uma barra de busca, que conforme o texto é
digitado, a base sugere assuntos relacionados.



Alerta e assinatura;
Opção de assinar um periódico, criar alerta para publicações novas sobre o assunto
pesquisado; A base de dados permite assinar o periódico de sua preferência, assim,
toda vez algo novo for publicado, o usuário será notificado em seu e-mail de cadastro.
Um recurso importante, pois o interessado não precisará voltar à base repetidas vezes à
procura de atualizações da área.



Organização de acervo pessoal;
Ferramentas de salvar em PDF, podendo se ele um artigo, um capítulo de livro, ou
ainda um encarte de educação ao paciente; Este recurso permite ao usuário salvar o
material desejado e ler em momento e lugar oportuno, seja a caminho de casa depois
dos estudos/trabalho, na sala de aula, ou mesmo em seu local de prática. Tem a
oportunidade de estar ou não on-line para possuir a informação.



Seleção de favorito;
“Favoritar” qualquer tipo de documento dentro da base, podendo-se criar “tags”; Esta
é uma importante ferramenta para o professor, que tem a opção de selecionar todo o
material de uma aula ou um semestre e compartilhá-la com seus alunos, podendo
assim aproveitar melhor o tempo de sua aula, uma vez que o assunto a ser tratado já
vai ter sido disponibilizado. Para o estudante, que pode compartilhar com seus

�colegas: material para estudo de uma prova, para a confecção de um trabalho ou para
melhor desempenho em sua prática profissional.
A exposição dialogada dos recursos e processos em tela teve um retorno produtivo,
pois além dos usuários já estarem inseridos no mundo acadêmico, tinham um propósito a ser
alcançado e com isto se tornou muito mais dinâmica a capacitação. Segundo Campello, 2009
Trabalhando juntos, professor e bibliotecário exercem a função de
facilitadores no processo que permite ao aluno familiarizar-se com o
universo informacional complexo e diversificado. (CAMPELLO,
2009, p. 71).

Através deste projeto, obtivemos um satisfatório retorno. Assim podemos contribuir na
formação do letramento informacional, fazendo com que o usuário se torne autônomo, capaz
de identificar onde encontrar a informação que necessita e como usá-la em benefício seu e da
sociedade ampliada.

3

DISCUSSÃO
O presente relato apresenta crescente e significativo uso da plataforma após as

estratégias propostas e implementadas pelos Bibliotecários e equipe. Nota-se que as
estratégias evoluíram assim como a utilização da base. O gráfico abaixo mostra a evolução do
uso da plataforma de forma geral, assim como dos ebooks.

�Gráfico 3 - Visão compilada de Acesso Geral e Acesso Ebooks na utilização do
Clinical Key 2012-2019.

Fonte: Autoria própria

As disciplinas instrumentais foram potencialmente mais eficazes devido às
possibilidades de implementação e utilização na prática, fortalecendo a fixação do
conhecimento e possibilitando a troca de experiências entre Bibliotecários x Estudantes x
Professores.
Segundo Campello,
A escola não pode mais contentar-se em ser apenas transmissora de
conhecimentos que, provavelmente, estarão defasados antes mesmo que o
aluno termine sua educação formal; tem de promover oportunidades de
aprendizagem que deem ao estudante condições de aprender a aprender,
permitindo-lhe educar-se durante a vida inteira. (CAMPELLO, 2012, p.
11)

Trabalhando em conjunto, Professores e Bibliotecários criam um novo cenário, onde
alunos passam a aprender as “habilidades necessárias para localizar, interpretar, analisar,
sintetizar, avaliar e comunicar informação, esteja ela em fontes impressas ou eletrônicas”
(CAMPELLO, 2012, p. 9-10). Com isso, os estudantes terão um desenvolvimento de

�competências informacionais cada vez mais sofisticadas, tornando-se capazes de se atualizar
constantemente e consequência desenvolvendo práticas mais avançadas e inovadoras. Sendo
assim, a atualização informacional é uma demanda inevitável.
Em momento avaliativo subsequente, foi traçada nova estratégia. Tem como objetivo
manter a modalidade três e aplicá-la também aos professores durante o Programa de
Desenvolvimento Docente, conforme descrito no esquema gráfico abaixo.
Gráfico 4 – Estratégias de aplicação dos treinamentos

2016

2017

AECG

AECG

X

2018

2019

2021

AECG

X

x

X

AEPCD

X

x

X

X

X

ATPLCG

ATPLCG

X

X

X

X

ATPD

Aula expositiva cursos graduação (AECG)
Aula expositiva programa de capacitação docente (AEPCD)
Aula teórico-prática laboratórios curso graduação (ATPLCG)
Aula teórico-prática laboratórios docentes (ATPD)
Fonte: autoria própria.

Esta aplicação, além do crescimento do uso da base, que eles possam utilizar os
recursos apresentados em suas práticas pedagógicas, fortalecendo o uso de metodologias
ativas e com isso incentivar a seus alunos a buscarem informações que contribuam para o seu
crescimento pessoal e profissional.
Segundo Costa,
Educar não é somente transmitir ou transferir conhecimentos de uma
pessoa para outra. Educar é, antes de tudo, contribuir para pensar bem,
isto é, estabelecer relações de ajuda que possibilitem o surgimento de
hábitos do pensamento, sentimentos e ações. (COSTA, 2000, p. 10)

�4

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo permitiu distinções de como a capacitação de usuários de acessos às

plataformas digitais e recursos da Biblioteca pode acontecer em contexto de uma instituição
de ensino superior. Em particular de forma a subsidiar o desempenho de atividades de vida
acadêmica, da aprendizagem de competências, de busca e uso da informação, em parcerias
junto a Docentes e Bibliotecários.
O profissional da informação, enquanto educador deve desenvolver novas práticas
educacionais ligadas ao letramento informacional, a fim de auxiliar aos usuários a aperfeiçoar
habilidades informacionais para que possam interagir no ambiente no ambiente
educacional/informacional.
Como resultado, após a disponibilização dos treinamentos, observou-se a melhoria no
desenvolvimento das pesquisas, possibilitando a independência e autonomia dos usuários na
realização das buscas, embasadas em fontes seguras e de teor científico.
Pudemos analisar também, uma melhoria nos Trabalhos de Conclusão de Curso
(TCCs) e nos trabalhos propostos nas disciplinas de Português Instrumental e Análise do
Discurso e Produção de Texto, além da aproximação da Biblioteca com seus usuários.

�REFERÊNCIAS
CAMPELLO, Bernadete Santos. Biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica.
Belo Horizonte: Autêntica. 2º ed. 2012, 66 p.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Letramento informacional no Brasil: Práticas educativas
de bibliotecários em escolas de ensino básico. 2009. 212 f. Tese (Doutorado) - Curso de
Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.
Disponível em: &lt;http://livros01.livrosgratis.com.br/cp083474.pdf&gt;. Acesso em: 12 nov. 2019.
COSTA, Heloniza Oliveira Goncalves. O processo de construção e da Rede UNIDA. Divulg.
Saúde Debate, [s. l], v. 22, n. -, p. 9-17, dez. 2000.

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                <text>A importância da capacitação de usuários: relato de experiência na Faculdade de Medicina de Petrópolis/Centro Universitário Arthur Sa Earp Neto.</text>
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                <text>O presente estudo de relato de experiência tem como objetivo descrever a experiência da Biblioteca Charles Alfred Esbérard do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/ Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE/FMP) e Docentes como mediadores nos processos de aprendizagem em relação aos recursos informacionais do acervo da Biblioteca. A metodologia selecionada utilizou abordagem quantitativa, descritiva, retrospectiva e corte temporal. O método aplicado é a pesquisa documental, com análise dos relatórios anuais da Biblioteca da UNIFASE/FMP e da Elsevier, editora proprietária da base de dados. No recorte temporal, alinhado às capacitações realizadas pelos Bibliotecários da instituição, o estudo permitiu verificar a evolução a evolução do uso da plataforma Clinical Key pelos usuários da Instituição. A análise dos dados aponta que após o início dos treinamentos com abordagem metodológica dinâmica e específica, em um período de quatro anos, o número de acessos para utilização da base cresceu em 70%. Conclui-se que a partir do momento em que esforços são empreendidos para identificar as necessidades dos usuários e para desenvolver parcerias com docentes que estejam abertos a novas perspectivas, os resultados são produtivos e reforçam o laço entre Discente, Docente e Biblioteca. Trazem, como produto, melhor capacidade de busca, seleção e empregabilidade de informação atualizada. Acrescenta qualidade e resulta em produção de produtos acadêmico-científicos e assistenciais mais refinados por usuários mais qualificados.</text>
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                    <text>Práticas
GESTÃO DE DADOS DE PESQUISA NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ELABORAÇÃO
DE UM PLANO DE AÇÃO À LUZ DO SISTEMISMO DE BUNGUE
RESEARCH DATA MANAGEMENT AT THE UNIVERSITY LIBRARY: DEVELOPING AN
ACTION PLAN IN THE LIGHT OF BUNGUE’S SYSTEMISM
Crislaine Zurilda Silveira1
Karyn Munyk Lehmkuhl 2
Sirlene Pintro3
Thayse Hingst4
Resumo: O aumento da produção e a utilização cada vez maior de dados de pesquisa leva à necessidade da gestão
desses recursos para garantir a disponibilização, o acesso e a reutilização dos mesmos. Entre os atores atuantes nesse
contexto encontra-se a Biblioteca Universitária, a qual cada vez mais tem desempenhado um papel importante no
referido processo. Assim, este trabalho tem como objetivo elaborar um plano de ação para a gestão de dados de
pesquisa, a partir da análise do metamodelo C-E-S (Composition-Environment-Structure), considerando a atuação da
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina (BU/UFSC). Trata-se de uma pesquisa-ação, na
qual utilizou-se o metamodelo C-E-S para delineamento do cenário de atuação da Comissão de Concepção do Serviço
de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados de Pesquisa da BU/UFSC, o qual, após sua análise, permitiu a elaboração do
plano de ação para gestão de dados de pesquisa. Foram definidas seis etapas que envolveram os membros da comissão,
que identificaram 91 atividades para compor o plano de ação baseado na ferramenta 5W2H (What - O que? / Why - Por
quê? / Where - Onde? / When - Quando? / Who - Quem? / How - Como? / How much - Quanto custará?). O objetivo
foi alcançado devido à participação ativa e colaborativa dos membros da comissão, os quais destacaram que a referida
atividade colaborativa auxiliou na organização das atividades e ações da comissão, ampliou o entendimento dos
objetivos e direcionou os novos passos a serem seguidos pela comissão.
Palavras-chave: Sistemismo. Modelo CESM de sistema. Gestão de dados de pesquisa. Biblioteca Universitária.

Abstract: The research data increased production and use has led to the need of managing these resources in order to
ensure their availability, access and reuse. Among the players involved in this context is the University Library, which
has been playing an important role in this process. Thus, this work objective is drawing up an action plan for research
data management at the Federal University of Santa Catarina University Library (BU/UFSC). The action plant was built
following the analysis of the Composition-Environment-Structure (C-E-S) metamodel. Regarding the methodology, this
is an action-research, in which the C-E-S metamodel was used to outline the scenario for the Working Committee for
the Design of a Research Support and Research Data Management Service at BU/UFSC. After the metamodel analysis
it was possible to draw up an action plan for research data management. Based on the 5W2H tool (What? Why? Where?
When? Who? How? How much?), with the working committee members involvement, 91 activities that must
compound the action plan were pointed out. This was achieved thanks to the committee members active and
collaborative participation. They pointed out that this collaborative activity helped them to organize the committee's
activities and actions, it increased their understanding about the committee goals and directed the committee next steps.
Keywords: Bunge’s systemism. Research data management. University library.

1

Mestra em Gestão de Unidades de Informação. Bibliotecária da UFSC. E-mail de contato: crislaine.silveira@ufsc.br.
Mestra em Ciência da Informação. Bibliotecária da UFSC. E-mail de contato: karyn.lehmkuhl@ufsc.br.
3
Doutora em Ciência da Informação. Bibliotecária da UFSC. E-mail de contato: sirlene.pintro@ufsc.br.
4
Bacharela em Biblioteconomia. Bibliotecária da UFSC. E-mail de contato: thayse.hingst@ufsc.br.
2

�1 INTRODUÇÃO
A constante evolução da pesquisa científica na contemporaneidade traz consigo a produção
cada vez maior de dados de pesquisa e, em conjunto, a maior utilização dos mesmos para a
exploração de novos conhecimentos. Chega-se a um momento do contexto científico em que os
dados de pesquisa não são apenas produtos decorrentes do trabalho de pesquisa, mas fazem parte de
uma conjuntura que estabelece a necessidade e a garantia de disponibilização, acesso e reutilização
dos mesmos.
Entende-se, também, que o aumento da produção de dados de pesquisa acentua ainda mais a
necessidade de gestão dos mesmos para disponibilização à comunidade e consequente reuso. Nesse
contexto, o uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) é imprescindível para um bom
gerenciamento.
A gestão de dados de pesquisa tem se tornado presente no âmbito da comunidade científica,
especialmente no contexto do acesso aberto à informação. As demandas pela gestão destes dados
envolvem uma série de atores (pesquisadores, agências de fomento, revistas científicas,
bibliotecários) que preocupados com o armazenamento, recuperação, disponibilização, uso (e reuso)
preocupam-se com as formas de se dar apoio a estes processos.
A Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina (BU/UFSC) desde
2016 tem se preocupado com a demanda referente à gestão de dados de sua comunidade de
pesquisadores e, por isso, estabeleceu por meio da Portaria nº 1202/2016/GR de 25 de maio de 2016
a Comissão de Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados de Pesquisa.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2016).
Ao longo das reuniões muitos assuntos foram discutidos e um cenário se delineou com base
em um trabalho de análise das atas. A consolidação deste cenário foi realizada a partir do
metamodelo C-E-S (Composition-Environment-Structure)5, que é base da abordagem sistemista de
Mario Bunge, sendo que o sistemismo é uma visão de mundo que pode ser utilizada como base para
estudos empíricos de qualquer sistema na área da Ciência da Informação, incluindo sistemas
técnicos e sociais que tenham foco em informação, sejam unidades ou serviços de informação
(SILVA; VIANNA; KERN, 2016).
5

Cabe ressaltar que a consolidação da figura C-E-S foi realizada num trabalho submetido para avaliação neste evento.

�A análise do desenho C-E-S se constituiu como fonte para a elaboração de um plano de ação
para nortear os trabalhos da comissão supracitada. Assim, este trabalho tem como objetivo elaborar
um plano de ação para a gestão de dados de pesquisa, a partir da análise do metamodelo C-E-S.

2 GESTÃO DE DADOS DE PESQUISA

As consequências dos avanços tecnológicos influenciaram no crescimento das publicações
científicas e muito fortemente nos dados que são produzidos durante todo o trabalho de pesquisa. É
o cenário da e-Science que se caracteriza pelo uso intensivo de tecnologias de informação e
comunicação, pela geração exponencial de dados de pesquisa e a possibilidade do trabalho em rede
por parte dos pesquisadores (GORE, 2011).
Nesse contexto, os dados científicos ou de pesquisa se configuram em um recurso rico e que
merece a devida atenção. As potenciais recompensas de realizar a gestão de dados de pesquisa
incluem evitar o retrabalho, garantir a longevidade dos dados, proporcionar o compartilhamento e
uso multidisciplinar possibilitando novos insights e o fortalecimento da integridade na ciência
(LEWIS, 2010). De modo geral, toda a sociedade pode se beneficiar da disponibilidade dos dados,
especialmente quando seguem os preceitos do acesso aberto. O compartilhamento e o acesso aos
dados de pesquisa, em especial aquelas que contaram com financiamento público, além de
contribuir para outras possíveis pesquisas também representam um retorno do financiamento
público em pesquisa (OECD, 2007).
Assim, as demandas relacionadas à gestão de dados de pesquisa já se fazem sentir no
contexto internacional. As publicações periódicas científicas têm solicitado aos autores que
informem formas de acesso aos dados vinculados ao artigo a ser submetido ou mesmo que constem
em algum repositório e em acesso aberto. Diversas agências de fomento à pesquisa exigem planos
de gerenciamento de dados no momento da solicitação de financiamento, bem como a
disponibilização dos dados em repositórios. No Brasil, temos o exemplo da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a qual reconhece a importância da gestão adequada
dos dados como parte essencial às boas práticas de pesquisa. A FAPESP disponibiliza em seu site
uma página dedicada a explicar a importância dos dados de pesquisa, bem como informa que, para
determinados editais, um plano de gestão de dados faz parte dos anexos obrigatórios das propostas
submetidas à agência (FAPESP, [2017]).

�Diante desse cenário, recai sobre as instituições de pesquisa e de ensino superior atender a
essa nova demanda de gestão dos dados produzidos por seus pesquisadores. Mais especificamente,
às bibliotecas universitárias coube o compromisso de oferecer soluções e serviços que permitam a
disponibilização e preservação dos dados de pesquisa (LEHMKUHL; GAVRON; ALVES; BEM,
2018).
A atuação da biblioteca universitária e do bibliotecário na gestão de dados de pesquisa é
discutível. Lewis (2010) comenta que a gestão de dados científicos é uma extensão do papel da
biblioteca universitária. Por outro lado, os desafios em termos de infraestrutura, habilidades e
mudanças de cultura demandam ações orquestradas por várias partes interessadas e por isso de
grande complexidade. Porém, Hey e Hey (2006) defendem que as bibliotecas serão colocadas no
centro do desenvolvimento da infraestrutura de pesquisa da próxima geração.
Os bibliotecários sempre precisaram reinventar seus papéis, expandindo suas experiências e
competências tecnológicas (LATHAM, 2017). Portanto, sendo os dados de pesquisa uma fonte
valiosa de informação, a biblioteca naturalmente passa a ocupar um papel de destaque nesse
contexto e aos bibliotecários caberá preparar-se para atuar com gestão de dados.
Assim, a Biblioteca Universitária da UFSC, desde 2016 vem discutindo a gestão de dados
científicos e as ações necessárias para a implantação de serviços relacionados a ela. As discussões
são diversas e complexas e o trabalho precisa contar com organização e sistematização. Assim, a
adoção do metamodelo C-E-S auxilia na organização das diferentes frentes de trabalho da comissão.

3 SISTEMISMO BUNGUIANO

Bunge (1979) considerava que o individualismo e o holismo são inadequados para estudar
os fatos sociais, pois o primeiro ignora as propriedades emergentes de qualquer sociedade, como
coesão social e mobilidade social, e o último se recusa a explicá-las de maneira concreta. Dito de
outra forma, essas teorias não conseguiam abarcar de forma abrangente o estudo de problemas
sociais, onde estes sendo sistêmicos não podem ser resolvidos fazendo uma coisa de cada vez, visto
que afetam vários outros sistemas ao mesmo tempo - biológico, econômico, cultural e político, e
envolvem muitos recursos inter-relacionados (BUNGE, 2000).
Para abarcar toda a complexidade envolvida no estudo de problemas sociais, Bunge (2004)
propõe o sistemismo, o qual considera uma abordagem adotada por qualquer pessoa que se esforça

�para explicar a formação, manutenção, reparo ou desmontagem de uma coisa concreta e complexa,
considerando suas partes e suas relações com outras disciplinas.
Na perspectiva sistemista de Bunge tudo no universo é, foi ou será parte de um componente
num sistema. Sistema é um objeto complexo, cujas partes ou componentes são mantidos juntos por
laços de algum tipo, que podem ser lógicos, no caso de um sistema conceitual, ou materiais, no caso
de um sistema concreto, sendo que a coleção de todas essas relações forma sua estrutura (BUNGE,
2004).
Os fundamentos do sistemismo podem ser explicados pelos postulados, redução sistemista
ou modelo de sistema e sete regras metodológicas (SILVA; VIANNA; KERN, 2016). Os
postulados bunguianos são:
a)

tudo, que seja concreto ou abstrato, é um sistema, um componente real ou potencial

componente de um sistema;
b)

sistemas possuem características sistêmicas (emergentes) que não se encontram em

seus componentes;
c)

todos os problemas devem ser abordados de forma sistêmica e não fragmentada;

d)

todas as ideias devem ser colocadas juntas em sistemas (teorias); e

e)

o teste de qualquer coisa, seja ideia ou artefato, assume a validade de outros itens,

que são tomados como benchmarks, pelo menos de forma provisória (BUNGE, 2000).
A partir dos postulados, os sistemas podem ser reduzidos ou modelados a partir do
metamodelo CESM ou composition-environment-structure-mechanism, no qual a composição é a
coleção de partes ou componentes de um sistema, o ambiente é a coleção de itens externos que
influenciam ou que são influenciados pelos componentes, a estrutura é a coleção de ligações entre
componentes e entre esses e os itens do ambiente e o mecanismo é a coleção de processos que
geram a novidade qualitativa causando crescimento, manutenção ou o desmantelamento do sistema
ou de alguma de suas partes (BUNGE, 1997).
Já as regras metodológicas que orientam a modelagem dos sistemas são descritas em sete
itens:
a) coloque cada fato social em seu contexto mais amplo (ou sistema);
b) divida cada sistema em sua composição, ambiente e estrutura;
c) descreva os vários níveis do sistema e exiba suas relações;
d) identifique o(s) mecanismo(s) que mantém o sistema funcionando ou que pode(m) levar a
seu crescimento ou decadência;

�e) certifique-se de que o mecanismo proposto é compatível com as leis e normas conhecidas
e, se possível, verifique as hipóteses ou teorias, alterando experimentalmente as variáveis;
f) prefira hipóteses, teorias e explicações mecânicas (dinâmicas) a fenomenológicas
(cinemáticas);
g) em caso de mau funcionamento do sistema, reexamine o CESM e busque consertar o
sistema, alterando alguns ou todos os seus componentes (BUNGE, 1997).
Considerando o objetivo deste trabalho, serão abordados apenas os três primeiros itens das
regras bunguianas.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A criação de um plano de ação com a participação da equipe, conforme foi conduzido,
configura-se como uma pesquisa-ação. Esta é apresentada por Thiollent (1985, p. 14) como “Um
tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma
ação ou ainda, com resolução de um problema coletivo”.
A metodologia possui um caráter prático e situacional, lidando com a busca à resolução de
um problema específico de uma determinada comunidade (SEVERINO, 2007; GIL, 2010). Além do
caráter prático da pesquisa-ação, outro aspecto principal reside na participação ativa do grupo
envolvido, quando “[...] as pessoas implicadas tenham algo a ‘dizer’ e a ‘fazer’” (THIOLLENT,
1985, p. 16).
Hernández Sampieri, Fernández Collado e Baptista Lucio (2013) apontam ciclos para que
seja realizada a pesquisa-ação, 1) detecção do problema; 2) elaboração do plano de ação; 3)
implementação e avaliação do plano; 4) Feedback. O plano de ação é considerado por Thiollent
(1985) como uma exigência fundamental para que a resolução do problema coletivo seja obtida.
Assim, no presente trabalho, a detecção do problema se deu a partir da análise da
complexidade realizada por meio da verificação das atas de reuniões (2016 a 2020), o qual foi
consolidada por meio do metamodelo C-E-S e será detalhado na próxima seção.
A elaboração do plano se deu através de ações que visaram envolver os membros da
Comissão de Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados de Pesquisa da
BU/UFSC. Esse envolvimento se consolidou por meio de reuniões e aplicação de questionários que
buscaram dividir a complexidade em atividades, sintetizá-las e elaborar o plano por meio da
ferramenta 5W2H (What - O que? / Why - Por quê? / Where - Onde? / When - Quando? / Who -

�Quem? / How - Como? / How much - Quanto custará?). A etapa de implementação e avaliação não
foi realizada neste trabalho devido à falta de tempo hábil. É importante ressaltar que os participantes
das atividades propostas são bibliotecários membros da comissão supracitada e vinculados à
BU/UFSC. Por fim, foi aplicado um questionário para verificar a percepção dos membros quanto à
elaboração participativa do plano.

5 RESULTADOS

A elaboração do plano de ação para a gestão de dados de pesquisa, visando nortear os
trabalhos da Comissão de Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados de
Pesquisa., seguiu diversas etapas, as quais podem ser visualizadas na Figura 1. Ressalta-se que
todas as etapas foram realizadas durante as reuniões da referida Comissão, sendo um total de quatro
reuniões nas quais houve a participação de todos os membros.
Figura 1 – Etapas da elaboração do plano de ação

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Na primeira etapa, análise da complexidade, foi apresentado o metamodelo C-E-S elaborado
a partir da síntese das atas de reuniões de 2016 a 2020. A partir disso, foram discutidos os papéis
dos componentes (C) do sistema (Biblioteca, Pesquisadores, Repositório de dados e dados de

�pesquisa), as ligações (E) com os elementos do ambiente (S) (Reitoria, Centros de Ensino,
Movimento de Acesso aberto...), conforme pode ser verificado na Figura 2.
Figura 2 – Metamodelo do sistema de gestão de dados de pesquisa da UFSC

Fonte: Silveira, Kern, Lehmkuhl (2021)6
Notas:
* Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ)
** Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SETIC)
*** Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)

Na discussão do metamodelo de sistema em conjunto com os participantes foi possível
relembrar antigas discussões, tornando o conhecimento uniforme entre aqueles que já fazem parte
da Comissão desde o início e os novos membros. Ainda, foi sugerido que o metamodelo fosse
utilizado para ambientação de futuros novos integrantes. Durante a discussão foi possível perceber
que a implementação de um sistema de gestão de dados de pesquisa é algo complexo que envolve
vários atores internos e externos à universidade, além da criação de várias políticas.
Na etapa seguinte, visando dividir a complexidade, foi solicitado que os participantes
avaliassem a figura (Figura 2) e identificassem grandes temas que fariam parte das próximas fases
da elaboração do plano de ação. Os temas sugeridos pelos membros da comissão foram:
a) Depósito de dados (disponibilização dos dados);

6

Trabalho em avaliação.

�b) Gestão dos dados de pesquisa;
c) Acesso Aberto;
d) Capacitações (orientação, sensibilização);
e) Captação de recursos;
f) Segurança das informações;
g) Melhores práticas;
h) Diagnóstico organizacional;
i) Políticas de gestão;
j) Preservação digital;
Com a ideia de estímulo dos participantes a manifestarem suas opiniões, incentivou-se que
os mesmos falassem sobre temas relacionados à gestão de dados de pesquisa e, dessa forma,
algumas categorias mostraram-se semelhantes.
Na fase seguinte, transformar em atividades, foi solicitado que os participantes sugerissem
atividades a serem desenvolvidas no âmbito da Comissão que tivessem relação com os grandes
temas. Com a realização de reuniões online surgiu o desafio de estimular a participação para isso,
utilizou-se a ferramenta Mentimenter7. As respostas eram anônimas e visavam estimular que os
participantes indicassem ações que possuíam relação com os grandes temas. Foram lançadas 14
questões e os participantes tiveram, em média, três minutos para responder cada uma. Foram
registradas 150 atividades.
Na etapa de síntese foram identificadas as atividades em duplicidade e as atividades que
tivessem relação com outros grandes temas foram reagrupadas, totalizando 90 atividades para
compor o plano de ação.
A etapa seguinte consistiu na definição do plano de ação, o qual foi elaborado usando a
ferramenta 5W2H, sendo consolidado numa planilha do software Excel, conforme exemplo
disponível no Quadro 1.

7

Mentimenter é uma ferramenta online que permite criar apresentações e interagir com o público por meio de quizzes,
perguntas e respostas, nuvens de palavras em tempo real. Disponível em: https://www.mentimeter.com/.

�Quadro 1 – Síntese as ações através do plano 5W2H
What?

Why?
É preciso criar políticas e diretrizes que permeiem toda a etapa de
Criar de políticas de gestão de dados
gestão de dados. Portanto poderão ser criadas várias políticas.
Captar recursos para implementar a
É preciso pensar quais recursos serão necessários para a
gestão de dados
implementação da gestão de dados na UFSC
Capacitar a comissão
Para elevar o nível de conhecimento da comissão sobre a temática
Capacitar os profissionais das
A capacitação da equipe é fundamental para que ela possa ser
bibliotecas setoriais e setor de
disseminadora das informações acerca da gestão de dados de
Circulação da Biblioteca Central
pesquisa
A capacitação da comunidade é um etapa importante para que ela
Capacitar a comunidade
entenda o que é a gestão de dados e se envolva com a temática
A identificação das melhores práticas é uma tarefa importante, pois
Identificar as melhores práticas
a troca de experiências auxilia nas tomadas de decisão
Abarcar outros pesquisadores e verificar se as necessidades foram
Atualizar o Diagnóstico organizacional
alteradas em relação ao diagnóstico anterior .
Selecionar a ferramenta para a gestão de A definição da ferramenta de gestão de dados é uma tarefa de suma
dados
importância.
São importantes, pois visam divulgar para comunidade da UFSC e
Criar ações de divulgação
para instituições externas informações sobre a gestão de dados de
A segurança dos dados é de suma importância, portanto esta
Garantir a segurança das informações
temática precisa estar contemplada nas decisões da Comissão
Sensibilizar a Administração da Central Para que os representantes da instituição colaborem e incentivem a
UFSC
comunidade a gerir os dados de pesquisa
É importante que a instituição tome ciência e se posicione acerca
Estimular o acesso aberto na UFSC
das ações que envolvem o acesso aberto.
Realizar um diagnóstico tecnológico
É preciso verificar junto a SETIC e TECDI a situação tecnológica da
institucional
UFSC
A definição dos fluxos será uma etapa importante, pois poderá
Definir fluxos para a gestão de dados
impactar na elaboração das políticas
Verificar práticas de preservação digital É preciso verificar as práticas de preservação que estão sendo
externas à UFSC
discutidas fora do âmbito da UFSC
A definição dos serviços que envolverão a gestão de dados é uma
Definir serviços a serem oferecidos
etapa importante, pois ajuda a prever quais recursos serão
necessários: pessoal, espaço, tecnologias

How?
13 atividades
9 atividades
8 atividades
8 atividades
8 atividades
7 atividades
6 atividades
6 atividades
6 atividades
6 atividades
3 atividades
3 atividades
3 atividades
2 atividades
2 atividades
1 atividade

Fonte: Elaborado pelas autoras.

As informações de Where, Who, When e How Much serão definidos de acordo com cada
atividade. O What? (o quê?) consistiu em definir objetivos gerais que permearão o planejamento
das atividades a serem realizada pela Comissão; o Why (por quê?) consistiu em estimular uma
reflexão dos membros sobre os objetivos da comissão e do plano; o How? (como?) consistiu em
vincular aos objetivos gerais as atividades identificadas na etapa de transformação em atividades,
totalizando 91 atividades. Por fim, para cada atividade foi definido o Where? (onde?), isto é, onde
cada atividade poderá ser realizada; o Who? (quem?), isto é, quem serão os setores envolvidos; o
When? (quando?), isto é, prazos previstos para cada atividade ser iniciada e o How much?
(quanto?), uma previsão de custos a serem investidos na gestão de dados.

�Por fim, foi realizada a avaliação da atividade, visando identificar junto à equipe as lições
aprendidas e os pontos que poderiam ser melhorados. Quanto às lições aprendidas os participantes
pontuaram:
- a importância de organizar as atividades e ações da Comissão para melhorar a execução;
- o auxílio no aprofundamento das reflexões sobre a gestão de dados e na maneira de
trabalhar de forma colaborativa;
- a ampliação do entendimento dos objetivos e os caminhos da Comissão;
- a importância de os membros participarem tanto do planejamento quanto da execução das
ações.
Dentre os pontos a melhorar, a equipe pontuou a necessidade de ampliar o tempo para as
discussões e para organização das ações dentro das grandes áreas, além de usar ferramentas mais
visuais como o Jamboard e o Padlet.

6 DISCUSSÕES

Com base no relato apresentado é possível perceber que a temática gestão de dados inclui
tarefas complexas e morosas. No caso da UFSC, para tentar dirimir essas duas questões, em 2016
foi criada a Comissão de Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados de
Pesquisa. Nesses anos de atuação da Comissão muitas discussões ficaram pelo caminho, sendo que
não foram dados os encaminhamentos necessários. Por isso, o trabalho colaborativo de construção
de um plano de ação foi importante pois possibilitou reativar antigas discussões e fornecer uma
perspectiva futura para os trabalhos da Comissão.
Nesse sentido, o uso da ferramenta 5W2H para elaborar o plano de ação ajudou a ordenar as
atividades levantadas pela Comissão, pois é uma ferramenta de gestão que consiste em estruturar o
pensamento de forma organizada e materializada antes de se implantar alguma solução (BEHR;
MORO; ESTABEL, 2008).
Ao se analisar o metamodelo C-E-S foi possível realizar um diagnóstico e perceber que a
temática referente à gestão de dados de pesquisa envolve vários atores institucionais, sofre
influências do ambiente externo e afeta vários sistemas, exigindo uma visão sistêmica e não setorial
para a resolução dos problemas (BUNGE, 2000).
Dentre as ações que mais apareceram durante a elaboração do plano de ação se destacam
aquelas relacionadas à capacitação dos próprios membros da comissão, da comunidade e de outros

�bibliotecários pertencentes ao sistema de bibliotecas, além de ações voltadas à sensibilização dos
setores estratégicos da instituição, tais como a Reitoria e as Pró-reitorias e criação de ações para a
divulgação sobre a temática para toda a comunidade.
Além disso, a definição de políticas para a gestão de dados e a definição de diretrizes para a
disponibilização dos dados no repositório também foram atividades que ganharam destaque nas
discussões.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A percepção da necessidade de gestão dos dados de pesquisa, considerando o contexto do
acesso aberto à informação, intensificou os esforços da BU/UFSC no sentido de apoiar e
desenvolver ações relacionadas a esse processo dentro da comunidade acadêmica e científica da
UFSC. A partir da criação da Comissão de Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão
de Dados de Pesquisa, em 2016, diversas foram as atividades desenvolvidas com o propósito de
estimular, ampliar e fortalecer a gestão de dados de pesquisa dentro da instituição.
Dentre as diversas atividades já desenvolvidas desde o início da comissão e ainda a serem
desenvolvidas, estabeleceu-se a elaboração de um plano de ação para a gestão de dados de pesquisa
a partir da análise do metamodelo C-E-S, objetivo deste trabalho. Pode-se afirmar que o objetivo foi
alcançado, visto que foi obtido êxito na estruturação do plano de ação, o qual foi detalhado no
decorrer da explanação.
Durante a elaboração do plano de ação, em todas as fases propostas, houve a participação
ativa e colaborativa dos membros da comissão, os quais destacaram que a referida atividade
colaborativa auxiliou na organização das atividades e ações da comissão, ampliou o entendimento
dos objetivos e direcionou os novos passos a serem seguidos pela comissão.
Dentre os desafios enfrentados na execução das etapas propostas é possível afirmar que a
etapa de síntese das ações foi a que apresentou maiores dificuldades, pois a restrição do tempo e o
desconhecimento de uma ferramenta que ajudasse a melhorar a visualização e identificação das
ações semelhantes foram fatores limitantes.
Pode-se afirmar que o metamodelo C-E-S é uma ferramenta que colaborou com a Comissão
de Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados de Pesquisa na tomada de
decisões e análise da complexidade da temática de gestão de dados, sendo válido e eficaz para o
alcance do objetivo do trabalho.

�Dentre os desafios a serem enfrentados pela Comissão, a curto prazo está a definição das
prioridades de ação e, a médio e longo prazo, estão a implementação das atividades, o estímulo ao
envolvimento dos pesquisadores e as burocracias para a aprovação das políticas.
Por fim, espera-se que esse trabalho possa auxiliar profissionais bibliotecários nas tomadas
de decisão que envolvam problemas complexos.

REFERÊNCIAS
BEHR, A.; MORO, E. L. S.; ESTABEL, L. B. Gestão da biblioteca escolar: metodologias, enfoques
e aplicação de ferramentas de gestão e serviços de biblioteca. Ciência da Informação, Brasília, v.
37, n. 2, p. 32-42, maio/ago. 2008. Disponível em:
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http://notes.ufsc.br/aplic/portaria.nsf/4776580cad62c24303256261005f49bd/711274346f11db07832
57fc5004baaac?OpenDocument&amp;Highlight=2,1202%2F2016. Acesso em: 23 jun. 2021.

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                <text>O aumento da produção e a utilização cada vez maior de dados de pesquisa leva à necessidade da gestão desses recursos para garantir a disponibilização, o acesso e a reutilização dos mesmos. Entre os atores atuantes nesse contexto encontra-se a Biblioteca Universitária, a qual cada vez mais tem desempenhado um papel importante no referido processo. Assim, este trabalho tem como objetivo elaborar um plano de ação para a gestão de dados de pesquisa, a partir da análise do metamodelo C-E-S (Composition-Environment-Structure), considerando a atuação da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina (BU/UFSC). Trata-se de uma pesquisa-ação, na qual utilizou-se o metamodelo C-E-S para delineamento do cenário de atuação da Comissão de Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados de Pesquisa da BU/UFSC, o qual, após sua análise, permitiu a elaboração do plano de ação para gestão de dados de pesquisa. Foram definidas seis etapas que envolveram os membros da comissão, que identificaram 91 atividades para compor o plano de ação baseado na ferramenta 5W2H (What - O que? / Why - Por quê? / Where - Onde? / When - Quando? / Who - Quem? / How - Como? / How much - Quanto custará?). O objetivo foi alcançado devido à participação ativa e colaborativa dos membros da comissão, os quais destacaram que a referida atividade colaborativa auxiliou na organização das atividades e ações da comissão, ampliou o entendimento dos objetivos e direcionou os novos passos a serem seguidos pela comissão.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO: EXPERIÊNCIA NA SUPERVISÃO REMOTA
COMPULSORY CURRICULAR INTERNSHIP: EXPERIENCE IN REMOTE SUPERVISION
Gracirlei Maria de Carvalho Lima1
Ana Carolina de Oliveira 2
Camila Lodi 3
Eustáquio Aparecido de Jesus4

Resumo: Com a implantação do trabalho remoto, o setor de referência da biblioteca da Escola de Engenharia teve
que redefinir e planejar produtos e serviços, para realizar o atendimento de qualidade à comunidade acadêmica.
Diante da descrita realidade, o setor de referência empenhou esforços em ações de divulgação dos produtos e
serviços por meio das redes sociais e de e-mails institucionais. Mas um grande desafio foi o planejamento para
receber os alunos do estágio curricular obrigatório na modalidade remota. Assim, o planejamento do estágio
obrigatório traçou: projetos, elaboração de manuais e iniciativas que contribuíssem com as atividades do setor de
referência – foco do estágio. Com isso, apresenta-se três projetos desenvolvidos pelos estagiários, sob supervisão
da bibliotecária de referência: proposta para elaboração de um manual de boas práticas em mídias sociais para a
Biblioteca Mário Werneck; projeto de produção de conteúdo para redes sociais; proposta de projeto de marketing
na Biblioteca Professor Mário Werneck, baseado no histórico de engenheiros notáveis formados na Escola de
Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais. Como resultado, considerou-se positivo o estágio curricular
remoto, com grande contribuição tanto para o setor de referência quanto para o aprendizado prático dos estagiários,
atendendo, assim, à proposta do plano de estágio para ensino emergencial remoto.
Palavras-chave: Estágio supervisionado. Estágio curricular obrigatório. Supervisão remota. Biblioteca
Universitária.
Abstract: With the implementation of remote work, the reference sector of the School of Engineering library had
to redefine and plan products and services, in order to provide quality service to the academic community. In light
of this reality, the reference sector made efforts to publicize products and services through social networks and
institutional e-mails. But a big challenge was the planning to receive students from the mandatory curricular
internship in the remote modality. Thus, the planning of the mandatory internship outlined: projects, preparation of
manuals and initiatives that contributed to the activities of the reference sector – focus of the internship. Thus, three
projects developed by the interns are presented, under the supervision of the reference librarian: proposal for the
elaboration of a manual of good practices in social media for the Mário Werneck Library; content production project
for social networks; proposal for a marketing project at the Professor Mário Werneck Library, based on the history
of notable engineers trained at the School of Engineering of the Federal University of Minas Gerais. As a result, the
remote curricular internship was considered positive, with a great contribution both to the reference sector and to
the practical learning of the interns, thus meeting the proposal of the internship plan for remote emergency
education.
Keywords: Supervised internship. Compulsory curricular internship. Remote supervision. university library.

1

Mestre em Ciência da Informação. Biblioteca da Escola de Engenharia da UFMG. gracirleimaria@eng.ufmg.br.
Bacharel em Biblioteconomia. ana.aco.oli15@gmail.com.
3
Bacharel em Biblioteconomia. camilabiblio97@gmail.com.
4
Bacharel em Biblioteconomia. tacao0209@hotmail.com.
2

�1 INTRODUÇÃO
Diante da realidade imposta pela pandemia da covid-19, a biblioteca da Escola de Engenharia
da Universidade Federal de Minas Gerais (EEUFMG), conjuntamente com as demais bibliotecas do
Sistema de Bibliotecas da referida Universidade, precisou adotar modelos de trabalho remoto, tendo
que se adaptar a um formato completamente diferente do modelo tradicional de operação. Afinal, a
Escola de Engenharia possui uma comunidade acadêmica composta por, aproximadamente, 330
professores, 160 funcionários e 8.000 estudantes (de graduação, pós-graduação, especialização e
extensão). A biblioteca em questão esteve dentre os setores cujos serviços permaneceram altamente
requisitados, apesar da suspensão das aulas presenciais, destacando-se, em tal contexto, o setor de
referência e atividades voltadas ao atendimento dos usuários. Assim, fez-se necessária a adoção de
novas medidas e de boas práticas que viabilizassem o funcionamento da biblioteca e serviços
essenciais por ela ofertados na modalidade remota, para atender a toda a comunidade acadêmica e às
demandas do ensino remoto emergencial adotado pela UFMG.
Um dos desafios encontrados foi a supervisão do estágio curricular obrigatório do curso de
biblioteconomia. Comumente, todos os semestres, a biblioteca recebe uma grande demanda de
solicitação de estágio curricular obrigatório, principalmente, por parte dos alunos oriundos da Escola
de Ciência da Informação da UFMG. A biblioteca e, especialmente, o setor de referência, sempre
estão dispostos a colaborar com a complementação do ensino e da aprendizagem, em termos de
treinamento prático, de aperfeiçoamento técnico-cultural, científico e de relacionamento humano,
conforme a proposta do estágio curricular. Além disso, consideramos que o Sistema de Bibliotecas
da UFMG é um grande laboratório de aprendizado. Assim, é nosso dever, também como biblioteca
universitária, “atender aos objetivos da universidade, a saber, o ensino, a pesquisa e a extensão de
serviços à comunidade” (VERGUEIRO, 1989, p. 19).
Para assumir o compromisso de colaboração, o setor de referência teve que planejar novas
atividades para atender os alunos durante a realização do estágio remoto, de forma a contribuir com
a formação profissional e proporcionar uma interação com a realidade da biblioteca, sem
comprometer a prática do aprendizado acadêmico.
Diante do aqui exposto, vamos apresentar três experiências do estágio curricular remoto sob
a supervisão da bibliotecária Gracirlei Lima, realizado no setor de referência da biblioteca da Escola

�de Engenharia da UFMG, no período entre agosto de 20205 e março de 20216. As atividades realizadas
foram elaboradas com foco no marketing da biblioteca como forma de potencializar a comunicação
entre a biblioteca e o público, além de divulgar os serviços oferecidos pela unidade.
2 DESENVOLVIMENTO
As atividades propostas foram elaboradas em consonância com a professora supervisora do
estágio obrigatório curricular, que pontuou o desafio de reinventar novas formas de continuidade da
Disciplina Estágio Supervisionado em Biblioteconomia, no formato remoto. Dentre as atividades
propostas, no cenário pandêmico, estavam: redação de manuais; pesquisas; projetos; divulgação de
serviços como blogs; atividades que pudessem contribuir com trabalhos desenvolvidos na biblioteca.
Salienta-se que o estágio curricular obrigatório tem o seu planejamento, acompanhamento e
execução, de acordo com a programação estabelecida no plano de atividade e no termo de
compromisso, celebrado entre a Instituição/Universidade e o estudante. O termo foi atualizado com
a previsão de que as atividades a serem cumpridas seriam realizadas remotamente, com duração de
200 horas, e deveriam ser desenvolvidas por intermédio de um supervisor de estágio, profissional do
quadro de pessoal, com a função de supervisionar, acompanhar e avaliar as atividades. Além disso, o
supervisor no campo de estágio deveria proporcionar todas as oportunidades e condições necessárias
para o pleno desenvolvimento das atividades propostas no plano de atividades, e, ao final, fazer a
avaliação do estágio e do desempenho do aluno.
Assim, durante o estágio, foram realizados encontros semanais, por meio da plataforma de
videochamada Google Meet7, com a participação de todos os estagiários, bem como encontros
individualizados. Nos dois tipos de reuniões, eram discutidos o andamento das atividades realizadas
pela biblioteca (com ênfase nas atividades do setor de referência realizadas no período de trabalho
remoto) e as atividades do projeto que cada um se propôs a desenvolver.

5
6

Na UFMG, o primeiro período letivo da graduação teve início em 3 de agosto de 2020 (2020/1).
O segundo período letivo teve início em 30 de novembro de 2020 (2020/2).

7 Google Meet é um serviço de comunicação por vídeo desenvolvido pelo Google.

�2.1 PROPOSTA PARA ELABORAÇÃO DE UM MANUAL DE BOAS PRÁTICAS EM
MÍDIAS SOCIAIS PARA A BIBLIOTECA PROFESSOR MÁRIO WERNECK 8
Diante da nova realidade pandêmica iniciada em 2020, a biblioteca teve que se adaptar a um
formato completamente diferente do seu modelo de funcionamento. Dentre os setores cujos serviços
permaneceram altamente requisitados, apesar da suspensão das aulas presenciais, destaca-se o setor
de referência e as atividades dele voltadas ao atendimento dos usuários.
Assim, faz-se necessária a adoção de novas medidas e boas práticas que viabilizem o
funcionamento da biblioteca e serviços essenciais por ela realizados na modalidade remota; o
documento, portanto, propôs a elaboração de um manual de utilização de mídias sociais, como forma
de potencializar a comunicação entre a biblioteca e o público, além de divulgar os serviços oferecidos
pela unidade. Assim, a proposta teve como objetivo propor diretrizes adequadas ao uso das redes
sociais Facebook e Instagram, por parte da Biblioteca Professor Mário Werneck, objetivando tanto a
divulgação de produtos e serviços quanto a melhor comunicação com a comunidade atendida.
2.1 Diretrizes da política
Destaca-se aqui a importância de uma política da instituição bem definida, que estabeleça
critérios para os variados tipos de publicação e interação nos perfis institucionais, orientando quais
posturas a serem seguidas e que não violem a política da instituição. Assim, o documento abordou
tópicos como: responsabilidade; linguagem; publicação; interação; gestão de crise e outras medidas
como o planejamento; métricas e identidade visual. Dito isso, apresentaremos um resumo do
documento proposto.
O primeiro ponto a ser abordado, responsabilidade, é também o mais importante. Antes da
criação de perfis institucionais em redes sociais, deve-se sempre lembrar que a responsabilidade sobre
as publicações é das instituições representadas, e não do indivíduo que fez a publicação. Portanto, é
preciso muita cautela e imparcialidade antes de tomar alguma atitude no perfil institucional – uma

8

LODI, C. Proposta para elaboração de um manual de boas práticas em mídias sociais para a biblioteca
do professor Mário Werneck. Belo Horizonte, 2020.

�forma de fazer isso é se questionando se a publicação reflete a sua opinião pessoal a respeito de
determinado tema, e como pode afetar a instituição e a opinião pública: a repercussão na rede.
Quanto à linguagem, recomendou-se o uso de linguagem impessoal, simples e objetiva – tanto
nas publicações (evitando textos longos) quanto nas interações com os demais usuários.
Acredita-se que tal linguagem proporciona maior aproximação com o público, tornando as
interações as mais naturais e confortáveis possíveis para todos.
No quesito publicação, em geral, as mídias sociais normalmente permitem que se façam
publicações em texto, imagens e/ou vídeos. Recomendou-se que todas as publicações do perfil sejam
padronizadas, sempre considerando fatores como: a tipologia da publicação e objetivo (por exemplo,
uma imagem de divulgação de evento); a política institucional; as diretrizes da plataforma; a
legislação, principalmente em relação ao direito autoral sobre o conteúdo publicado ou
compartilhado. O último ponto deve ser ressaltado, pois todo conteúdo produzido por terceiros deve
ser compartilhado somente mediante autorização do(s) respectivo(s) autor(es), a quem devem-se
atribuir os devidos créditos, se autorizada a publicação.
Acerca da versatilidade de interações, ela é uma característica marcante das mídias sociais –
destarte, o “coração” das redes encontra-se aí. Desde ferramentas como botões (para favoritar,
compartilhar, gostar ou não de publicações) até comentários e mensagens privadas, há várias maneiras
de interação com o público e entre o público, sendo fundamental que as interações com os usuários
ocorram respeitosamente. Portanto, a instituição deve prezar para que conteúdos de cunho ofensivo,
difamatório, discriminatório, obsceno, imoral ou ilegal, ameaçador ou qualquer tipo de postura que
viole os direitos de outrem sejam repudiados, ocultados, excluídos, e, principalmente, devidamente
denunciados à plataforma e às autoridades legais competentes – de modo que o perfil do(s) autor(es)
também seja(m) banido(s) de interações posteriores com o perfil institucional, se necessário.
Mas sempre haverá crises, por isso, a importância do tópico de gestão de crise, pois, no meio
digital, tal qual o meio físico, não se está isento de crises; todavia, os catalisadores são distintos, tendo
em vista que a dinâmica virtual é outra. É necessário, assim, ter ciência de tais diferenças, e prepararse para enfrentar situações adversas, sendo importante compreender o que caracteriza uma crise.
Entretanto, é igualmente importante identificar o oposto: o que não é uma crise. De tal modo, é
possível reconhecer e distinguir as situações que podem se desenrolar em uma crise e, assim,
providenciar as medidas cabíveis de antemão.

�Outro ponto a ser considerado é o planejamento, etapa essencial para qualquer negócio,
inclusive, no âmbito digital. Para obter-se os resultados desejados, convém planejar o que será
publicado, a partir de uma “programação de conteúdos”, que pode ser realizada considerando-se a
finalidade da publicação e a quem ela interessa. As métricas são ponto importante das redes sociais,
são a capacidade de mensuração, por meio da qual pode-se identificar quais publicações têm maior
alcance e são mais eficientes, o público atingido, melhores horários e frequência para publicação etc.
Uma forma de se fortalecer a presença da instituição no meio digital é por meio da identidade visual,
que pode ser reconhecida pelo uso padronizado de cores e de publicações, em imagens ou multimídia.
Assim, a proposta de elaboração de um manual de uso de redes sociais buscou colaborar para
tal questão, tendo o foco na relação entre a biblioteca e a comunidade. O documento foi construído
para introduzir o conceito de um instrumento idealizado para orientar e aprimorar a interação entre
bibliotecas e usuários na internet, bem como facilitar o caminho de possíveis decisões a serem
tomadas para o desenvolvimento de tal manual caso ele venha a tornar-se uma realidade.
2.2 PROJETO DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA REDES SOCIAIS 9
Pensando em como a biblioteca pode se aproximar dos usuários e divulgar as informações
pertinentes a ela, decidiu-se criar uma página no Facebook10, em 2016, para auxiliar tanto no
atendimento e marketing quanto para que os usuários tivessem acesso a informações que não estão
disponíveis, devido à falta de um site da biblioteca. O Facebook seria, assim, extremamente útil para
o serviço de referência, principalmente, nesse momento de distanciamento social.
Assim, após a elaboração da proposta da política, a aluna estagiária Ana Carolina de Oliveira
se comprometeu a elaborar e executar o projeto, que buscava desenvolver conteúdo para as redes
sociais da biblioteca: banners; vídeos; nota de doação; PDF/A; e demais publicações para a biblioteca.
Além disso, buscou-se contribuir para o desenvolvimento da página da biblioteca no Facebook, para
que ela se torne um instrumento de interação, além da criação de um canal no YouTube11, para que

9

OLIVEIRA, A. C. Projeto de produção de conteúdo para redes sociais. Belo Horizonte, 2021.
Facebook é uma mídia social e rede social.
11
YouTube é uma plataforma de compartilhamento de vídeos.
10

�ele seja uma ferramenta a ser usada tanto no Facebook, ao se postar links para acesso aos vídeos do
YouTube quanto para dar resposta a questionamentos dos usuários.
Considerando que a periodicidade de publicações de uma página é importante para mostrar
que a página é legítima e está ativa, fez-se necessário o desenvolvimento do projeto, para decidir o
que seria postado e como. Além disso, o projeto cria uma oportunidade de encontrar outros usos das
redes sociais para a biblioteca, não só promovendo serviços, como também oferecendo novos, como
recomenda Zaidan (2016, p. 88).
2.2.1 Desenvolvimento das ações
Primeiramente, foi feito um estudo do Facebook e das ferramentas disponíveis nele e que
seriam úteis à biblioteca, como a programação de postagens, a função de botão e o chat. Uma revisão
de literatura foi feita para que fossem identificados os tipos de conteúdo a serem pensados e alguma
outra função que fosse interessante, ficando estabelecido, para o desenvolvimento do projeto, que as
tipologias de publicações seriam: divulgação de eventos, divulgação de serviços, tutoriais, novas
aquisições, status para informações rápidas e outras postagens pertinentes que poderiam aparecer no
dia a dia da biblioteca.
Figura 1 - Acesso ao catálogo on-line

Fonte: Oliveira (2021)

�Além disso, foi identificado que o YouTube seria uma boa ferramenta para armazenagem dos
vídeos e também para compartilhamento tanto para o Facebook quanto para responder perguntas dos
usuários. Por fim, foi estabelecido o uso do site Canva12, para criação das publicações e dos vídeos
(que, no entanto, poderiam ser editados em outra ferramenta à escolha dos bibliotecários).
Após a fase de estudo, a estagiária começou a produzir as publicações nas tipologias pedidas
pela supervisora (banner, vídeos etc.), havendo a postagem de alguns desses materiais, além de fazer
alterações para melhorar a página do Facebook, como a criação do FAQ13 no chat.

Figura 2 - FAQ da biblioteca

Fonte: Facebook da biblioteca

Para o YouTube, após a criação do canal, foram feitos cinco vídeos de tutorial, usando a opção
de “salvar como vídeo”, nas apresentações do Canva, para responder a perguntas frequentes dos
usuários. Após a criação, a estagiária ainda fez a edição, adição de música e postagem.

12

Canva é uma plataforma de design gráfico que permite aos usuários a criação de gráficos de mídia social,
apresentações, infográficos, pôsteres e outros conteúdos visuais.
13
FAQ é a sigla em inglês Frequently Asked Questions, em português, Questões Frequentemente Perguntadas, mais
conhecida simplesmente como Perguntas Frequentes.

�No período da realização do estágio, a UFMG fez a aquisição de várias plataformas de EBooks, duas com foco nas áreas das Engenharias. Assim, de acordo com planejamento das atividades,
a estagiária ficaria responsável pela criação de diversas postagens para a divulgação dos materiais
disponíveis e o acesso às plataformas. Então, conjuntamente com a bibliotecária supervisora, foi
realizado o levantamento dos materiais mais emprestados e reservados e a conferência da
disponibilidade deles nas plataformas. Depois, foram criadas diversas publicações com informações
sobre a plataforma na qual o título estava disponível e as orientações de acesso às
plataformas. Por fim, com o objetivo de tornar as ações de divulgação contínuas, foi produzido um
calendário de postagem com as ações e a frequência de publicações e o upload dos materiais
produzidos para o Google Drive da biblioteca.

Figura 3 - calendário de postagens

Fonte: Oliveira (2021)

Concluímos este tópico com a constatação de que as redes sociais podem ser ótimas
ferramentas para o trabalho de Referência de uma biblioteca, mas, para que funcionem de maneira
que as tornem verdadeiramente úteis e não somente um acessório, é necessário que haja um
comprometimento de toda a equipe em garantir que elas estejam sempre atualizadas e ativamente
interagindo com os usuários.

�2.3 PROPOSTA DE PROJETO EM MARKETING NA BIBLIOTECA PROFESSOR MÁRIO
WERNECK BASEADO NO HISTÓRICO DE ENGENHEIROS NOTÁVEIS FORMADOS
NA ESCOLA DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 14
A graduação em engenharia, capacita profissionais para um amplo mercado de trabalho, no
qual a possibilidade de conseguir altos salários é possível, mesmo em início de carreira. Os fatores
boa formação e alta demanda de mercado contribuem para que os cursos da área de engenharia
estejam entre os mais concorridos dos processos seletivos para graduação. Atualmente, existem, no
Brasil, mais de vinte habilitações da Engenharia, que possuem uma alta carga horária de disciplinas
da área das ciências exatas, tais como: cálculo, matemática e física.
Após mais de um século de existência, a Escola de Engenharia da UFMG é reconhecida,
nacional e internacionalmente, por sua competência e capacitação no ensino, na pesquisa científica
na tecnologia e na extensão. No contexto da escola, cabe destacar a atuação da Biblioteca Mário
Werneck, responsável pelo armazenamento bibliográfico da escola e pelo oferecimento de produtos
e serviços à comunidade acadêmica da engenharia e aos demais usuários.
2.3.1 Desenvolvimento das ações
O aluno estagiário Eustáquio Aparecido de Jesus, entre as opções de projetos apresentadas,
escolheu pela temática instigado pela curiosidade, pelo fato de ter a engenharia como primeira
graduação, e pela proposição de um projeto visando o marketing da biblioteca. O projeto propôs a
pesquisa sobre o histórico singular de engenheiros notáveis formados pela Escola de Engenharia da
UFMG, que atuando em sua área de formação, ou como agentes sociais ou políticos, contribuíram ou
ainda os que contribuem para o progresso da sociedade. Para isso, realizou-se uma intensa pesquisa
em meio documental, composto por literatura e consultas a portais na internet, materiais que
apresentassem histórico de engenheiros formados na Escola da Engenharia da UFMG e que tivessem
exercido contribuições notáveis à sociedade.

14

JESUS, E. Proposta de projeto em marketing na biblioteca professor Mário Werneck baseado no histórico de
engenheiros notáveis formandos na Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo
Horizonte, 2021.

�O projeto foi realizado no decorrer do estágio, com limitação a dezesseis engenheiros, devido
à impossibilidade de se fazer uma lista exaustiva, dado que inúmeros engenheiros passaram pela
escola, nos mais de cem anos de sua história, contribuíram e ainda contribuem, para o progresso da
sociedade. Entre os notáveis estão: políticos, empresários, professores e cientistas.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.

Eliseu Resende
Otacílio Negrão de Lima
Tárcio Primo Belém Barbosa
Luiz Machado
João Camilo Penna
Marcelo Guimarães Fenelon
Maura Menin Teixeira de Souza
Beatriz Alvarenga Alvares
Adelelmo Nunes Muniz
Rubens Menin Teixeira de Souza
Ítalo Aurélio Gaetani
Fábio Lúcio Rodrigues Avelar
Paulo Safady Simão
José da Costa Carvalho Neto
Gabriel Andrade Janot Pacheco
Eduardo Janot Pacheco
Sabe-se que ao longo de mais de 100 anos de história, milhares de alunos passaram pelas

carteiras da EEUFMG. Assim, tanto durante a graduação quanto depois, vários deles escreveram, de
alguma forma, seus nomes na história da ciência, tanto no estado de Minas Gerais, como no país e no
mundo. Diante do exposto, seria uma ingênua pretensão nossa imaginar que o projeto proposto
esgotasse as possibilidades com uma lista de dezesseis (16) nomes. Dessa forma, a biblioteca pretende
dar continuidade ao projeto, com ampliação das pesquisas e planejamento de um projeto maior a ser
implementado no retorno dos atendimentos presenciais.

�3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerou-se a supervisão do estágio curricular obrigatório um grande desafio, mas, por
meio do planejamento das ações e das atividades, o resultado foi muito positivo, como evidenciado
na elaboração de projetos que realmente colaboraram com o serviço do setor de referência e que
contribuíram para as ações de marketing da biblioteca. Por outro lado, em comparação com o estágio
presencial, notou-se que a questão da complementação do ensino e da aprendizagem em treinamento
práticos não foram totalmente consolidadas, pois, no formato remoto, ficou limitado o aprendizado e
a prática aos serviços e atividades on-line, não havendo a oportunidade de ter acesso ao serviços
presenciais, como, por exemplo: os atendimentos no setor de referência; a parte de circulação do
acervo; e também o contato com o usuário no dia a dia, que é cerne do setor de referência e que faz
muita diferença para o aprendizado, para a questão do relacionamento humano e para a interatividade
dentro da biblioteca.
Conclui-se que, dentro do modelo proposto conjuntamente com a professora supervisora, os
objetivos do estágio curricular obrigatório remoto foram atingidos, pois ele propiciou a prática dos
conhecimentos teóricos adquiridos ao longo da graduação, que foram relacionados aos projetos e
atividades executadas, como planejamento, marketing e pesquisa. Além disso, o estágio propiciou
aos alunos a conclusão da graduação sem atrasos.

REFERÊNCIAS
JESUS, E. Proposta de projeto em marketing na biblioteca professor Mário Werneck baseado
no histórico de engenheiros notáveis formandos na Escola de Engenharia da Universidade
Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2021.
LODI, C. Proposta para elaboração de um manual de boas práticas em mídias sociais para a
biblioteca do professor Mário Werneck. Belo Horizonte, 2020.
OLIVEIRA, A. C. Projeto de produção de conteúdo para redes sociais. Belo Horizonte, 2021
VERGUEIRO, W. C. S. Desenvolvimento de coleções: uma nova visão para o planejamento de
recursos informacionais. Ciência da Informação, v. 22, n. 1, 1993, p. 13-21.

�ZAIDAN, T. E. As mídias digitais online no contexto da comunicação organizacional das
bibliotecas. BIBLOS - Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, v. 30, n. 2, p.
86-114, 2016. Disponível em: https://periodicos.furg.br/biblos/article/view/5434. Acesso em: 22
jan. 2021.

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                <text>Com a implantação do trabalho remoto, o setor de referência da biblioteca da Escola de Engenharia teve que redefinir e planejar produtos e serviços, para realizar o atendimento de qualidade à comunidade acadêmica. Diante da descrita realidade, o setor de referência empenhou esforços em ações de divulgação dos produtos e serviços por meio das redes sociais e de e-mails institucionais. Mas um grande desafio foi o planejamento para receber os alunos do estágio curricular obrigatório na modalidade remota. Assim, o planejamento do estágio obrigatório traçou: projetos, elaboração de manuais e iniciativas que contribuíssem com as atividades do setor de referência – foco do estágio. Com isso, apresenta-se três projetos desenvolvidos pelos estagiários, sob supervisão da bibliotecária de referência: proposta para elaboração de um manual de boas práticas em mídias sociais para a Biblioteca Mário Werneck, projeto de produção de conteúdo para redes sociais, proposta de projeto de marketing na Biblioteca Professor Mário Werneck, baseado no histórico de engenheiros notáveis formados na Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais. Como resultado, considerou-se positivo o estágio curricular remoto, com grande contribuição tanto para o setor de referência quanto para o aprendizado prático dos estagiários, atendendo, assim, à proposta do plano de estágio para ensino emergencial remoto.</text>
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                    <text>Eixo 1: Tradição
LETRAMENTO INFORMACIONAL NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS E O PAPEL DAS
BIBLIOTECAS
INFORMATION LITERACY AT THE FEDERAL INSTITUTE OF GOIÁS AND THE ROLE OF
LIBRARIES
Maria Aparecida Rodrigues de Souza 11
Beatriz Cebreiro López 22
Renata Luiza da Costa 33

Resumo: O artigo apresenta o resultado parcial do projeto de pesquisa cadastrado no Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de Goiás tendo por objetivo identificar os impactos do letramento informacional em instituição de
ensino superior e sua inter-relação com o papel da biblioteca e do bibliotecário no contexto do avanço das tecnologias
digitais de informação e comunicação. A pesquisa foi fundamentada na metodológica descritiva por meio de revisão de
literatura, análise documental e pesquisa de campo. Para recolher os dados o instrumento utilizado foi o questionário.
Participaram da pesquisa três bibliotecários e três docentes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica. A partir dos resultados e discussões dos dados identificamos que na instituição não foi implementada um
programa de letramento informacional institucionalizado. Concluímos por impacto no papel das bibliotecas a
necessidade desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre docente e bibliotecário com o intuito de explorar os
recursos de informática e de fontes de informação disponível na internet durante o processo de pesquisa.

Palavras-chave: Letramento informacional. Educação profissional e tecnológica. Biblioteca. Trabalho
colaborativo.
Abstract: The article presents the partial result of the research project registered at the Federal Institute of Education,
Science and Technology of Goiás aiming to identify the impacts of information literacy in higher education institution
and its interrelation with the role of the library and the librarian in the context of the advancement of digital information
and communication Technologies. The research was based on descriptive methodological through literature review,
documentary analysis and field research. To collect the data, the instrument used was the questionnaire. Three librarians
and three professors from the Federal Network of Professional, Scientific and Technological Education participated in
the research. Based on the results and discussions of the data, we identified that an institutionalized information literacy
program was not implemented in the institution. We conclude by impact on the role of libraries the need to develop a
collaborative work between professor and librarian in order to explore the resources of information available on the
Internet during the research process.

Keywords: Informational literacy. Professional and technological education. library. Collaborative work.

1

Doutora em Educação. Bibliotecária-documentalista no Instituto Federal de Goiás. E-mail de contato
maria.souza@ifg.edu.br.
2
Doutora em Educação. Professora na Universidade de Santiago de Compostela. E-mail de contato
cebreiro@usc.rai.es.
3
Doutora em Educação. Professora no Instituto Federal de Goiás. E-mail de contato renata.costa@ifg.edu.br.

�1 INTRODUÇÃO
Apresentamos, nesse artigo, o resultado parcial do projeto cadastrado no Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), executado no período de agosto/2017 a julho/2019,
intitulado Alfabetização informacional em universidades: implicações no papel das bibliotecas.
Na sociedade do conhecimento, com informações disponibilizadas em formato digital, as
bibliotecas se veem impulsionadas a ofertar recursos informacionais e informáticos interligados a
rede de computadores.
Entendendo que a informação na sociedade do conhecimento é matéria prima e a educação
fator chave para o desenvolvimento humano e social (CEBREIRO LÓPEZ, 1999, 2007;
CEBREIRO LÓPEZ; FERNÁNDEZ MORANTE, 2003) esses dois elementos necessariamente
precisam caminhar juntos ante ao avanço tecnológico. Portanto, a sociedade do conhecimento exige
uma formação técnico-científica sólida, baseada em competências informacionais e digitais para
aprendizagem ao longo da vida. Assim, cabe às instituições de ensino superior promover formação
acadêmica inserindo o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) como
ferramenta de acesso à informação ao longo da vida (VARELA PRADO; CEBREIRO LÓPEZ;
FERNÁNDEZ MORANTE, 2013).
Há cobranças a nível mundial para que as instituições de ensino superior alfabetizem seus
estudantes para busca e uso da informação ao conhecimento através das TDIC. Essas instituições
têm por papel na sociedade do conhecimento a produção, disseminação e acessibilidade à
informação com vistas a possibilitar aos cidadãos seu uso e apropriação para se chegar ao
conhecimento. As instituições de ensino, ao disponibilizar em suas bibliotecas tecnologias digitais
para acesso e apropriação da informação ao conhecimento implica em alfabetizar o cidadão para
busca e recuperação de informação na rede mundial de computadores.
No Brasil, as universidades que implementaram programa de letramento informacional, por
meio dos serviços ofertados por suas bibliotecas, estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste do
País (URIBE TIRADO; PINTO MOLINA, 2013). No caso dos Institutos Federais, apesar de ofertar
ensino superior, não há registro na literatura sobre programas de letramento informacional em
bibliotecas. Além disso, o diferencial de suas bibliotecas é a diversidade de público que atende estudantes do ensino médio, de graduação e de pós-graduação – em atendimento à Lei nº 11.892, de
29 de dezembro de 2018. Assim surgiu a necessidade de analisar os currículos dos cursos de

�graduação de um dos institutos, dentre os 39 espalhados pelo Brasil, na tentativa de identificar se
houve inserção dessa temática nos projetos pedagógicos dos cursos e a abordagem dada ao papel
das bibliotecas nesses documentos.
Diante do exposto, o objetivo geral do estudo foi: identificar o papel das bibliotecas de
instituições de educação profissional e tecnológico a partir das implicações do letramento
informacional conferida no projeto pedagógico do curso. Compreender também o contexto do
trabalho desenvolvido em bibliotecas a partir da perspectiva dos bibliotecários e docentes, para que
ocorra o uso e apropriação da informação ao conhecimento pelo estudante.

2 REVISÃO DE LITERATURA: LETRAMENTO INFORMACIONAL NO ENSINO
SUPERIOR E SUA INTERRELAÇÃO COM A BIBLIOTECA

As discussões acerca do avanço das TDIC para o desenvolvimento do conhecimento
científico vêm acompanhadas da necessidade de formação em letramento informacional e digital
para dar resposta às demandas socioeducativas (CABERO; MARTÍN DÍAZ; LLORENTE
CEJUDO, 2012). Nesse sentido, ampliam-se os debates sobre letramento informacional no final da
década de 1990. Nos países, onde a competência em informação conquistou o reconhecimento dos
gestores educacionais, ela já está inserida na política e nos programas das instituições de ensino
superior, como é o caso dos Estados Unidos, França, Inglaterra, Bélgica, Colômbia e Espanha
(CABERO; MARTÍN DÍAZ; LLORENTE CEJUDO, 2012). Esses programas são estabelecidos e
administrados de formas variadas, de acordo com a estrutura organizacional da instituição e visam
atender às necessidades dos acadêmicos e docentes. Além disso, estão integrados, de alguma
maneira, às atividades de formação ofertadas pelas bibliotecas.
O sucesso dos programas de letramento informacional depende da cooperação entre as
unidades acadêmicas e da forma como os agentes envolvidos percebem sua importância por meio
das políticas educacionais. Investigar as implicações do letramento informacional no contexto das
instituições de ensino tem sua relevância socioeducativa no que tange a educação para a informação
obtendo por resultado um cidadão autônomo, capaz de construir conhecimentos úteis à vida
(PINTO MOLINA; SALES; OSORIO, 2008).

�O avanço científico e tecnológico na sociedade para o conhecimento amplia o acesso aos
bens científicos e culturais. Isto, por um lado, tem facilitado o processo de organização da
informação e, por outro, dificultado, exigindo do cidadão um maior conhecimento de informática e
de funcionalidade da internet para utilizar as fontes informacionais (URIBE TIRADO; MOLINA
PINTO, 2013). Nesse sentido, a partir do surgimento das TDIC, há uma demanda maior das
bibliotecas de instituições de ensino superior redimensionar seus serviços, infraestrutura e recursos
informacionais em resposta às necessidades dos usuários de acessar a informação disponível na
internet.
Com internet disponível nas bibliotecas essas passam a ter condições de oferecer aos
usuários o acesso a textos de base digital. Agregado a isso, vem o desafio de não só de adquirir
suporte informacional e organizá-los de maneira que os usuários a encontrem a informação
desejada, mas também tornar-se espaço de formação para o desenvolvimento da autonomia na
busca e uso da informação (GASQUE, 2012) em seus vários formatos e ambientes.
Com a internet o acesso à informação é intensificado por eliminar a barreira distância
geográfica e temporal. Em contradição, surge a brecha digital devido o cidadão não saber utilizar os
recursos informáticos para busca e recuperação de informação. Na concepção das pesquisadoras
brasileiras, Campello (2009) e Gasque (2012), o conceito letramento informacional constitui uma
capacidade necessária aos cidadãos e às cidadãs para se adaptarem à cultura digital, à globalização e
a emergente sociedade baseada no conhecimento. Implica fundamentalmente que esses tenham
capacidade de entender suas necessidades de informação, sabendo localizar, selecionar e interpretar
dados de forma crítica e responsável.
As instituições de ensino superior ao disponibilizar em suas bibliotecas tecnologias digitais
para acesso e apropriação da informação ao conhecimento surgi a necessidade de se alfabetizar o
cidadão para busca e recuperação de informação.

3 METODOLOGIA

Para realização da investigação utilizamos o enfoque de abordagem qualitativa. Segundo
Martinez Miguélez (2006), esse tipo de abordagem nos possibilita compreender o dinamismo
interno da realidade investigada, no campo educacional. O procedimento inicial da pesquisa foi

�levantamento e estudos bibliográficos acerca do tema. Esse teve um caráter descritivo visando
conhecer a realidade do letramento informacional em instituições de ensino superior no Brasil e
explorar a possibilidade construção de um modelo para ser implementado em instituições de
educação profissional e tecnológica que responda os avanços científicos no campo.
Elegemos o IFG para realizar a pesquisa de campo pela acessibilidade aos currículos. A
análise de currículo se configurou em procedimento de pesquisa utilizado para descrever e
interpretar o conteúdo dos documentos (MORAES, 1999). O estudo foi conduzido por meio de
descrições sistemáticas por ajudar na interpretação dos conteúdos e na compreensão de seus
significados, num nível que vai além de uma leitura comum.
A base teórico-metodológica da pesquisa foi o método dialético (MARX, 2003). Essa
abordagem nos permitiu considerar a totalidade das relações sociais. Partindo da contribuição do
método dialético, a presente pesquisa propôs-se a identificar as implicações do letramento
informacional com limites e avanços no papel das bibliotecas visando a formação de acadêmicos
para construção do conhecimento utilizando as TDIC.
A pesquisa, por ter envolvido aplicação de questionário com docentes e bibliotecários,
dependeu de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e, consequentemente, da anuência da
instituição envolvida e na construção e validação dos instrumentos de pesquisa.
Para compreender o processo trabalho desenvolvido pelos bibliotecários e docentes da
disciplina de Metodologia Científica na instituição, na efetivação da ALFIN, elaboramos o
instrumento de coleta de dados no formato de questionário e aplicado por recurso Google Forms. O
questionário foi composto por perguntas abertas e fechadas. Para garantir o anonimato dos
participantes utilizamos a letra B para bibliotecário e D para docente.
O roteiro foi constituído por seis perguntas semiestruturadas. As entrevistas ocorreram no
mês de março/2018. A proposta de pesquisa visou identificar práticas pedagógicas para o
desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre bibliotecário e docente na formação em
letramento informacional e digital no processo de pesquisa. Para tanto, foi analisado os discursos
dos participantes da pesquisa.
O método dialético foi fundamental para a realização da análise do discurso e determinados
conceitos, como, por exemplo, tecnologia e informação. A contribuição do método dialético se
revela nas suas categorias e processo analítico, tal como totalidade, abstração, entre outros aspectos.

�Por meio da dialética percebemos os fenômenos como algo histórico, determinado, sendo uma
totalidade inserida em outra totalidade. Assim, as categorias de historicidade e totalidade são
fundamentais para analisar as ideologias e discursos. Isso serve para lançarmos certos
questionamentos sobre as ideologias e os discursos: Quais suas determinações? Qual era o contexto
social, cultural, discursivo em que emergiu? Esse questionamento nos desafiou a ir além do texto,
analisando o contexto, tanto dos discursos quanto das ideologias.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
As abordagens conceituais de letramento informacional presentes na literatura estudada
(PINTO MOLINA; SALES; OSORIO, 2008; CAMPELO, 2009; GASQUE, 2012) apresentam
situações de formação que implicam no papel das bibliotecas. Ao empregar o método dialético foi
possível identificar a condução de experiências em formação de usuários para o desenvolvimento
em letramento informacional em bibliotecas de universidades que não são realidades nos institutos
federais de educação profissional e tecnológica.
No contexto internacional, segundo Pinto Molina (2005) e Lamarca Langa et al. (2012),
dentro do Espaço Europeu de Educação Superior (EEES), utiliza-se um modelo de ensino centrado
na aprendizagem baseada em uma série de competências que integram as TDIC no letramento
informacional. Esse modelo de aprendizagem requer dos estudantes habilidades em localizar,
organizar, avaliar, utilizar e apropriar da informação ao conhecimento. É importante que os
acadêmicos desenvolvam autonomia de pensamento que os permitam adquirir, compartilhar e
transferir conhecimento durante toda sua vida. Nesse sentido, cabe as instituições de ensino superior
assegurar a educação para a informação aos acadêmicos por meio dos recursos informacionais
(CEBREIRO LÓPEZ, FERNÁNDEZ MORANTE, 2003). Nestas circunstâncias a instituição de
ensino deve incorporar esta aprendizagem de interagir e gerenciar informações eficazes, tanto na
academia e no trabalho e incorporá-lo em seu aprendizado como um instrumento necessário para a
aprendizagem ao longo da vida.
O desafio das instituições de ensino superior na sociedade do conhecimento está em
possibilitar formação a estudantes e pesquisadores para desenvolvimento de competência
informacional (CABERO; MARTÍN DÍAZ; LLORENTE CEJUDO, 2012). No contexto das
bibliotecas, no final da década de 1980, o Comitê Presidencial da American Library Association

�reconhece a importância do letramento informacional para manutenção de uma sociedade
democrática. Para a constituição desse tipo de sociedade os cidadãos precisam saber usar as TDIC
no uso e apropriação da informação. Portanto, é papel das bibliotecas promover capacitação de
usuários de forma colaborativa, mediar a busca e recuperação da informação (CAMPELLO, 2003).
No contexto internacional ocorreram mudanças no processo de ensinar e aprender, com a
presença das TDIC nos espaços das bibliotecas. Para Dominguez Aroca (2005), há uma necessária
colaboração entre bibliotecário/docente para efetiva busca e recuperação da informação pelo
estudante para uso e apropriação da informação ao conhecimento. Para tanto, estabelecer um
trabalho colaborativo entre bibliotecário/docente é primordial para usabilidade e apropriação da
informação pelo estudante para construção do conhecimento (PINTO MOLINA; SALES; OSORIO,
2008).
Da revisão de literatura compreendemos que as TDIC estão produzindo transformações que
afetam a organização da informação para uso da sociedade científica. Conforme Cebreiro López
(2007), experimentar e aplicar na educação os avanços das TDIC supõe, a todos, um processo de
mudança reflexiva.
Da análise das políticas educacionais abstraímos que, no Brasil, o Plano Nacional da
Educação (PNE) 2014-2024 (BRASIL, 2014), documento regulamentador das ações educacionais
para o decênio, não há menção de formação em letramento informacional no ensino superior,
embora as instituições de ensino superior tenham autonomia didática-científica, garantida pela Lei
de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/1996). Isso proporciona diversificação no plano
político pedagógico de cada universidade apresentando disciplina como proposta obrigatória ou
como temas transversais.
Na ocasião da pesquisa, em 2018, o IFG ofertava 33 cursos de nível superior. Desses,
selecionamos nove para análise do projeto pedagógico. O critério de seleção foi o currículo estar
disponível na internet.

�Quadro 1: Projetos Pedagógicos de Cursos disponibilizados no site do IFG
Fonte: Elaborado pelas pesquisadoras a partir das informações expedidas pelo Sistema de Informação do IFG.

O papel das bibliotecas do IFG no processo de apoio a pesquisa nos cursos seja bacharelado
ou licenciatura, independentemente da área de conhecimento, conforme os nove projetos
pedagógicos analisados, é essencialmente tradicional. As bibliotecas são suporte informacional por
meio de seus acervos físico ou digital. No que se refere a formação em letramento informacional
como sendo papel das bibliotecas não há menção quanto a isso.
No que se refere ao letramento informacional, o que se percebe nos currículos analisados são
proposições optativas e ofertadas sob o enfoque de temas transversais. Nesse sentido, é um desafio
ao IFG prover a competência informacional nos graduandos no formato de ensino em execução.

�Nesse cenário, apresenta-se por hipótese: para que os cursos ofertados nas instituições de educação
profissional e tecnológica conduzam a formação em letramento informacional há que relacioná-lo
com o trabalho colaborativo de bibliotecários e docentes e mudar o papel tradicional de biblioteca
de ser somente apoio informacional ao conjugar acesso ao uso e apropriação da informação ao
conhecimento.
Eleva-se a competência informacional do estudante se a instituição de ensino incluir
alfabetização digital no currículo trabalhando sala de aula em conjunto com a biblioteca. Dentre os
nove projetos pedagógicos de curso analisados, selecionamos os três Câmpus mais antigos para
realizar a pesquisa de campo, a saber: Goiânia, Jataí e Inhumas. Os três projetos são de cursos da
área Ciências Exatas da Terra - Licenciatura em Física, Bacharelado em Sistemas de Informação e
Bacharelado em Química. A Biblioteca, nos três documentos analisados, é mencionada como
suporte de apoio a investigação científica. Independentemente da especificidade de cada curso, as
bibliotecas do IFG devem funcionar como espaço de estudo e pesquisa por meio da organização e
disponibilização dos recursos informacionais e formação de usuários.
O Sistema Integrado de Bibliotecas do IFG, constituído por 14 bibliotecas, é franqueado ao
estudo e pesquisa de estudantes de ensino médio, superior e pós-graduação, para construção do
conhecimento científico. A Instituição, buscando manter-se atual aos avanços tecnológicos, por
meio de compras, assinaturas e convênios, apresenta em sua estrutura ferramentas tecnológicas de
base digital para o processo de busca e recuperação de informação. O sistema oferece anualmente
aos estudantes ingressantes treinamento presencial para uso dos serviços e recursos informacionais
oferecidos (Resolução nº 05/2013) conforme especificidade e autonomia de cada Câmpus.
A primeira pergunta dirigida aos participantes foi sobre o processo de educação acadêmica
para a busca e uso de informação utilizando tecnologias digitais. Para eles a responsabilidade pela
formação do estudante para busca da informação durante a pesquisa, na sociedade atual é, na
perspectiva do:
a) Bibliotecário:
Qualquer profissional que lida com processo ensino-aprendizagem, principalmente o/a
bibliotecário/a (B1).
Acredito que todos os profissionais tem sua responsabilidade! (B2)
Bibliotecários, professores de diversas áreas do conhecimento e profissionais da área de
comunicação (B3).

�b) Docente:
Docente e bibliotecário (D1).
Todos os profissionais envolvidos na Educação (D2).
Todos são responsáveis (D3).

A resposta obtida ao questionamento reforça o pensamento de Dominguez Aroca (2005) de
que o processo de ensino-aprendizagem na sociedade do conhecimento, com a presença de TDIC e
para o desenvolvimento do letramento informacional, deve ocorrer de maneira corresponsável em
colaboração com todos os profissionais da educação (bibliotecários, docentes, dentre outros).
Na avaliação dos participantes, o maior índice de incentivo para construir conhecimento
seria por meio de fomento à bolsa de iniciação científica, igualmente disponibilizando acervo de
consulta aos acadêmicos. A promoção de curso de formação de estudantes para a informação tem
menor importância em detrimento das duas primeiras alternativas, denotando o desconhecimento
dos participantes de ação dessa natureza na instituição.
Ao aprofundar acerca da metodologia adotada pelo participante no processo de letramento
informacional (Gráfico 1) tentando identificar a forma de recebimento de educação para
informação, chegamos ao resultado de que pouco se tem desenvolvido sobre o assunto.
Gráfico 1 - Metodologia adotada no processo de formação de usuários da informação

Fonte: Elaborado pelos pesquisadores.

Numa sociedade de base digital, as bibliotecas devem ofertar serviços de busca interligada à
rede de computadores (GASQUE, 2010). Os bibliotecários como um dos responsáveis pelo
letramento informacional o treinamento de usuários (presencial e/ou online) pelas bibliotecas seria
uma das formas de prover isto. No IFG a exploração do treinamento de usuários é de uso mediano,
assim como é pouco explorado o uso de tutoriais com dicas de acesso à informação (50% nunca

�utilizou), embora avaliam o grau de importância das TDIC (Gráfico 2) no processo de mediação da
informação.
Gráfico 2- Impacto das TDIC no trabalho de mediação do bibliotecário e do docente

Fonte: Elaborado pelos pesquisadores.

A oferta de cursos utilizando as TDIC, a disponibilização de recursos informacionais e o
trabalho colaborativo, são estratégias acadêmicas que, segundo Cebreiro López e Fernández
Morante (2003), desenvolvem autonomia de pensamento que permitem aos estudantes usar,
compartilhar e transferir informação ao longo da vida. A sociedade do conhecimento tem a sua
disposição as TDIC que implicam, necessariamente, por um letramento que não centre somente nos
meios impressos, mas também pela diversidade de mídias.
Tendo por resposta à pergunta Você executa ou já executou alguma atividade de formação
de usuários/as em parceria com outro profissional de sua instituição? um Sim e cinco Não. As
respostas negativas foram significativas para compreendermos a ausência de um trabalho
colaborativo a partir da perspectiva do:
a) Docente:
Não sei dizer a razão (D1).
Ainda não fui convidada para fazer essa parceria (D2).
Percebo que a educação é conservadora, que os professores priorizam somente a "jaula" de
aula para o processo educativo. Ignoram o fato de usar a biblioteca como local para
aprendizagem o que me inibe de fazer convites para interdisciplinaridade (D3).

b) Bibliotecário:
Ausência de pessoal (B2).
Não houve ainda oportunidade para tanto (B3).

�A resposta positiva à pergunta, no que se refere ao trabalho colaborativo, ocorreu por meio de
“Elaboração de tutoriais para utilização de algumas funções do Software Sophia e o ReDi IFG”
(B1). Um desafio percebido ao analisar os dados se dá na proposição de execução de atividade de
formação de usuários de maneira colaborativa entre docente e bibliotecário. Pois somente um
participante da pesquisa afirmou já ter vivenciado essa experiência por meio de elaboração de
tutoriais para utilização de algumas funções do sistema gerencial de acervo. Os demais (cinco deles)
relataram por impedimento de fazer um trabalho interdisciplinar por falta de convite, ou devido ao
conservadorismo de priorização da sala de aula como ambiente de ensino aprendizagem e
ignorando a biblioteca como local para aprendizagem. Considerando que o principal motivo de não
ocorrência de um trabalho colaborativo entre docente e bibliotecários, na instituição em análise foi
por falta de iniciativa e convite gerando manutenção da tradição e a crença que para a mudança de
paradigma necessita de mais pessoas envolvidas, tendo em mente que tais informações são
determinantes - o que, o como e para que é produzido.
A participação dos bibliotecários e docentes na pesquisa foi de suma importância por
entender que qualquer profissional da educação é responsável pela formação de estudantes no
processo de busca, uso e apropriação da informação ao conhecimento.

5 CONSIDERAÇÕES

As bibliotecas de instituições de educação profissional e tecnológica direcionam os
estudantes para a construção de conhecimento científico ao disponibilizarem seu acervo físico e
digital. Nesse sentido, tornar seus serviços conhecido dos usuários faz toda diferença, segundo os
participantes da pesquisa.
As ações de formação de usuários para a informação na Instituição precisam ser aprimoradas
no que tange aos serviços da biblioteca de: treinamento online ou presencial de usuários e
disponibilização de tutorial no formato digital com dicas de acesso a informação. Uma vez que o
impacto das TDIC no trabalho de quem é mediador da informação é relevante na avaliação dos
participantes.

�A modelagem de um trabalho colaborativo para formação de estudantes em letramento
informacional considerando a sociedade do conhecimento e as observações dos participantes da
pesquisa é fundamental visando atender a especificidade de cada instituição.

REFERÊNCIAS

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O artigo apresenta o resultado parcial do projeto de pesquisa cadastrado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás tendo por objetivo identificar os impactos do letramento informacional em instituição de ensino superior e sua inter-relação com o papel da biblioteca e do bibliotecário no contexto do avanço das tecnologias digitais de informação e comunicação. A pesquisa foi fundamentada na metodológica descritiva por meio de revisão de literatura, análise documental e pesquisa de campo. Para recolher os dados o instrumento utilizado foi o questionário. Participaram da pesquisa três bibliotecários e três docentes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. A partir dos resultados e discussões dos dados identificamos que na instituição não foi implementada um programa de letramento informacional institucionalizado. Concluímos por impacto no papel das bibliotecas a necessidade desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre docente e bibliotecário com o intuito de explorar os recursos de informática e de fontes de informação disponível na internet durante o processo de pesquisa.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
APLICAÇÕES DA GESTÃO DO CONHECIMENTO NA ATUAÇÃO PROTAGONISTA DO
BIBLIOTECÁRIO NA FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA
APPLICATIONS OF KNOWLEDGE MANAGEMENT IN THE PROTAGONIST PERFORMANCE
OF THE LIBRARIAN IN UNIVERSITY EDUCATION
Arielle Lopes de Almeida1
Ieda Pelógia Martins Damian2

Resumo: O bibliotecário possui potencial para contribuir com a efetivação da formação universitária ao
desenvolver atividades de gestão do conhecimento, de interferência e mediação no processo de construção de
conhecimento e na maneira de apropriação da informação. A vista disso, o objetivo deste trabalho é identificar corelacionamentos entre as ações de mediação da informação, desenvolvimento da competência em informação e
gestão do conhecimento para a formação universitária. Para tanto, foi adotado como procedimento metodológico a
revisão de literatura. Foi possível identificar que o bibliotecário atua na formação universitária, contribuindo com
o desenvolvimento da autonomia de pesquisa. Dentre as formas de atuação do bibliotecário se destaca a atividade
de interfacear a relação usuário/informação para a apropriação da informação por meio do desenvolvimento de
competências para contextualizar e avaliar a informação.
Palavras-chave: Formação universitária. Gestão do conhecimento. Mediação da informação. Competência em
informação.
Abstract: Librarians have the potential to contribute to the realization of university education by developing
knowledge management activities, interference and mediation in the process of knowledge construction and
information appropriation. In view of this, the objective of this work is to identify co-relationships among
information mediation actions, development of Information literacy and knowledge management for university
education. Therefore, the literature review was adopted as a methodological procedure. It was possible to identify
that the librarian works in university education, contributing to the development of research autonomy. Among
the forms of action of the librarian, the interface activity in relation to the user / information stands out for the
appropriation of information through the development of Information literacy to contextualize and evaluate
information.
Keywords: University education. Knowledge management. Information mediation. Information literacy.

1 INTRODUÇÃO

A universidade, cuja função social é promover a formação integral de seu corpo discente e,
consequentemente, incentivar o pensamento crítico, a criatividade, a autonomia, dentre outras
características, necessita estar em constante reflexão sobre a efetivação desta função.
Nesse contexto, observa-se o potencial do bibliotecário para contribuir com a efetivação da
1

Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Bibliotecária na Pontifícia
Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). ari.lopes101@gmail.com.
2
Doutora em Administração de Organizações pela Universidade de São Paulo (USP). Docente na Universidade de São
Paulo (USP) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp). iedapm@usp.br.

�formação integral dos discentes ao desenvolver atividades de gestão do conhecimento ao gerenciar
a informação e promover seu compartilhamento e uso, estabelecendo uma relação de interferência
na relação usuário e informação, presente nas ações de mediação, visando a apropriação da
informação de maneira consciente, buscando a democratização ao acesso da informação, a partir do
desenvolvimento de competência em informação.
Assim, este trabalho se justifica pela necessidade de o bibliotecário poder atuar de forma
protagonista e reflexiva na apropriação do conhecimento, podendo contribuir significativamente na
formação universitária. A vista disso, o objetivo foi identificar co-relacionamentos entre as ações de
mediação da informação, desenvolvimento da competência em informação e gestão do
conhecimento para a formação universitária.
Para tanto, este trabalho possui a natureza qualitativa, do tipo exploratório, precedida por
uma revisão da literatura sobre os conceitos de formação universitária, a gestão do conhecimento, a
mediação da informação e a competência em informação. Em seguida, a análise desta revisão de
literatura para contextualizar os conceitos desenvolvidos e estabelecer os relacionamentos e propor
uma reflexão.

2 FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA

O grande problema da universidade, segundo Santos (2011), tem sido o fato de passar por
aquilo que o não é ou não deve ser. Para esta pesquisa, entende-se universidade como uma
instituição social, que “[...] tem como objetivo os princípios de formação, criação, reflexão e crítica
da autonomia do saber e, portanto, de sua legitimidade” (ANASTASIOU, 2006, p. 150). Desse
modo, o ensino na universidade “[...] constitui um processo de busca, de construção científica e de
crítica ao conhecimento produzido, ou seja, ao seu papel na construção da sociedade” (PIMENTA;
ANASTASIOU, 2002, p. 164).
Chauí (2014) explica que a autonomia universitária é defendida pelo conceito de ser regida
por suas próprias normas desde que contribua com os interesses da sociedade, porém, as ideias de
autonomia colapsaram perante o fenômeno global da industrialização (SANTOS, 2008). Assim, há
um embate no interior da universidade, entre os que julgam a universidade como uma organização
com horizontes e destino no mercado, e os que julgam a universidade como uma instituição social
que busca o conhecimento, portanto, a reflexão, a crítica e a formação. Neste embate, pode-se
afirmar que existem dois paradigmas na educação atuando concomitantemente. Um se refere a

�proposta pedagógica em que prepondera a reprodução de conhecimento cientificamente acumulado,
fragmentado e reducionista, e o outro que concebe o conhecimento como processo de construção,
em que a dúvida e a incerteza são estímulos ao aprendiz (CUNHA, 2007, p. 169). O enfoque na
reprodução
[...] tem origem na inspiração positivista que influenciou o sistema científico e escolar
brasileiro e foi ratificado pelos interesses e práticas sociais, presentes em nossa história. Os
conteúdos são universalmente definidos e quase sempre não respeitam a diversidade de
interesses, particularidades e posições dos diferentes grupos sociais, reforçando a
hegemonia (CUNHA, 2007, p. 170).

A autora supracitada destaca ainda que, neste enfoque, é desconsiderado o conhecimento
prévio do discente. Por outro lado, o enfoque na construção de conhecimento evidencia que o
discente possui saberes prévios, sendo estes “[...] a matriz das novas experiências de aprendizagem.
Concebe o conhecimento em movimento e sempre inacabado” (CUNHA, 2007, p. 170). Torna-se
fundamental uma praxis educativa, ou seja, a relação dialética entre reflexão e ação (FREIRE,
1993). Assim, a construção do conhecimento possibilita que docentes e discentes interfiram direta e
indiretamente sobre a realidade social, a partir de necessidades nela identificadas, numa dinâmica
que reconhece a prática social como importante critério valorativo do que se produz, tanto em
relação aos conhecimentos, bens e serviços, quanto em relação às capacidades desenvolvidas nos
formandos (MARTINS, 2008).
É importante ressaltar que o ato de ensinar, contém, em si, duas dimensões: uma utilização
intencional e uma de resultado, ou seja, a intenção de ensinar e a efetivação da meta pretendida
(ANASTASIOU, 2003, p.13). No entanto, muitos “[...]docentes universitários ensinam geralmente
como foram ensinados” (CUNHA, 2004, p. 528-529). Assim, a atuação docente ainda lida com o
conhecimento, como sendo um produto que se repassa (SEVERINO, 2003), portanto, não reflete
sobre a efetivação do ensino. Porém, Buarque (2003) destaca que o conhecimento está em fluxo
contínuo, tem de ser constantemente atualizado e a universidade não é mais um estoque de
conhecimentos que o graduado adquiria para durar por toda a vida.
Para que esta atualização seja possível, Freire (1980) destaca que a conscientização é mais
que uma simples tomada de consciência, é um desenvolvimento crítico dessa consciência
relacionando-a com o mundo. A conscientização não pode existir fora das praxis, ou seja, sem ação
e reflexão, pois é um compromisso histórico dos sujeitos que devem assumir o fazer e refazer o
mundo. Para esta busca de conscientização, Anastasiou (2003) apresenta a importância dos
processos de profissionalização continuada que possibilitem aos docentes um novo olhar sobre os

�espaços e função da disciplina inter-relacionando, tanto o quadro teórico-prático global do curso,
como a influência que esta disciplina pode ter sobre o futuro profissional. Para tanto, faz-se
necessário esforços em conjunto, de ações docentes e discentes, para a articulação de
conhecimentos, de modo a superar a fragmentação fortemente existente no modelo curricular
tradicional.
As universidades, afim de evitar a perda da função social e se tornarem reprodutoras de
conhecimento, precisam pensar a indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão de modo interrelacionado, visando uma aprendizagem de dimensões técnicas relacionadas as condições históricosociais e com recursos afetivo-cognitivos imprescindíveis para que os educandos possam conhecer
com o devido rigor, cientificidade e criticidade de seu futuro exercício profissional (MARTINS,
2008). Promovendo, assim, uma formação humana, integral e emancipatória para construção de
conhecimento.
Para refletir sobre a construção de conhecimento, a gestão do conhecimento contribui
identificando elementos para melhor gerenciar esse processo.

3 GESTÃO DO CONHECIMENTO

No âmbito da Gestão do Conhecimento, o termo conhecimento apresenta-se de modo mais
genérico, abrangente e suscetível a distintas interpretações. Assim, para compreender sua definição.
Davenport e Prusak (1998, p.6) definem conhecimento como:
[...] uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight
experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas
experiências e informações. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas
organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas
também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais.

Assim, o conhecimento reside na mente dos indivíduos. Sua construção começa sempre com
os indivíduos que, por sua vez, têm algum insight ou intuição para realizar melhor suas tarefas
(CHOO, 2003).
Um conhecimento novo não pode ser criado sem uma interação intensiva, a partir da
internalização dos aprendizados e habilidades compartilhadas (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Para tanto, a construção conhecimento exige do indivíduo algumas competências. Entre elas, saber
pensar; observar; questionar; aproveitar o conhecimento acumulado e construir outro. Com isso, a

�gestão do conhecimento promove a transformação do conhecimento não estruturado em um
conhecimento explícito, passível de compartilhamento, assimilação e uso (VALENTIM, 2003).
Nonaka e Takeuchi (1997), mesmo considerando a criação de conhecimento individual,
definem o processo de conversão do conhecimento, de forma ontológica, começando no nível
individual, seguindo para o nível organizacional, proporcionando a criação e o acúmulo de
conhecimento por meio de um processo dinâmico e contínuo, denominado pelos autores de “espiral
do conhecimento”, tendo como base cinco condições capacitadoras:
a) Intenção organizacional, que pode ser definida como a aspiração de uma organização às
suas metas. Tendo por essência o desenvolvimento da capacidade organizacional de
adquirir, criar, acumular e explorar o conhecimento.
b) Autonomia aos membros da organização, ampliando a chance de introduzir
oportunidades inesperadas e possibilitando a automotivação dos indivíduos para a
criação de novos conhecimentos.
c) Flutuação e caos criativo, que estimulam a interação entre a organização e o meio
ambiente externo, possibilitando a exploração da ambiguidade, da redundância e dos
ruídos dos sinais ambientais, aprimorando seu sistema de conhecimento.
d) Redundância, informações que transcendem as exigências operacionais imediatas dos
membros da organização.
e) Variedade de requisitos dos membros da organização, o que facilita que se enfrentem
muitas situações com o acesso rápido a mais ampla gama de informações (NONAKA;
TAKEUCHI, 1997).

Nessa perspectiva, a criação do conhecimento não ocorre na simples troca de um
conhecimento por outro, mas pela modificação da visão anterior e agregação de novos
componentes, gerando a aprendizagem organizacional.
O termo ‘organização de aprendizagem’ foi preconizado, em 1990, por Peter Senge, para
caracterizar “[...] organizações inerentemente mais flexíveis, adaptáveis e mais capazes de
continuamente reinventarem-se” (SENGE, 2006, p.12), em um contexto no qual, cada vez mais, é
exigido das organizações novos padrões e adaptação a diferentes conjunturas.
O aprendizado é uma atividade social, ou seja, o aprendizado ocorre em grupos. “Grupos
que aprendem, comunidades de prática, possuem características especiais. Surgem por consenso

�[...]. Atraídas umas às outras por uma força que é tanto social quanto profissional” (STEWART,
1998, p.86).
Pode-se definir a aprendizagem organizacional como uma estratégia para desenvolver
atividades de aprendizagem dentro de uma organização, visando não apenas sua sobrevivência, mas
principalmente, a flexibilidade de criar e inovar. “A organização que aprende é a que dispõe de
habilidade para criar, adquirir e transferir conhecimentos, e é capaz de modificar seu
comportamento, de modo a refletir os novos conhecimentos e ideias” (GARVIN, 2001, p.54).
Nesta perspectiva, a gestão do conhecimento deve ser entendida como um processo
sistemático de busca, seleção, organização, caracterização e apresentação da informação de forma
que aumente a sua compreensão (SANTOS; LEITE; FIRARESE, 2007). Para isso, se constitui em
um conjunto de estratégias para criar, adquirir, compartilhar e utilizar ativos de conhecimento, de
modo a estabelecer fluxos que garantam a informação necessária no tempo e formato adequados, a
fim de auxiliar a geração de ideias, a solução de problemas e o processo decisório (VALENTIM,
2003). Para atingir seu objetivo, a gestão do conhecimento depende de ações de mediação e exige o
desenvolvimento de algumas competências para apropriação da informação. Por tanto, está
interligada ao campo de atuação do bibliotecário.

4 ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NA FORMAÇÃO DO USUÁRIO

O bibliotecário vem ganhando espaço na medida que se envolve cada vez mais em ações que
promovem uma interação com a sociedade, tornando protagonista na transformação desta,
principalmente, ao atuar na formação crítica dos usuários da informação para a construção de
conhecimento. Para tanto, destaca-se duas atuações deste bibliotecário: Mediação da informação e
Competência em informação.

4.1 MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO

A mediação possui enfoques diferenciados, mas, na Ciência da Informação, ela precisa ser
arremetida como algo que está presente em todas as ações do ciclo informacional. Desde a geração
de conhecimento, com o aprendizado que só é possível pela mediação com as pessoas e com o
mundo, na seleção/aquisição, representação, armazenamento, recuperação, distribuição onde a
escolha e o tratamento possibilitam influenciam na mediação, no uso e na geração de novas

�informações. Assim, a mediação da informação necessita de profissional atuante na política de
acesso, uso e apropriação da informação.
De acordo com a abordagem de Freire (2005, apud GOMES, 2014), tem-se a mediação
como uma ação por meio da qual o homem pode se transformar em sujeito, já que na vivência do
processo de mediação se pode refletir acerca da situação vivida, sobre seus interlocutores, sobre o
mundo e sobre si mesmo, experiência que potencializa a formação da consciência que faz nascer o
homem comprometido e capaz de intervir na realidade, enfim, capaz de se transformar em um
protagonista e, simultaneamente, contribuir para a formação do protagonismo social.
Por tanto, “toda experiência humana é dependente das práticas de comunicação, como
também da transmissão cultural, que constituem o locus da mediação, envolvendo um processo de
compartilhamentos objetivo e intersubjetivo [...]” (GOMES, 2014, p. 48). Assim, neste artigo, a
mediação da informação é definida como:
Toda ação de interferência – realizada em um processo, por um profissional da informação
e na ambiência de equipamentos informacionais –, direta ou indireta; consciente ou
inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva; visando a apropriação de
informação que satisfaça, parcialmente e de maneira momentânea, uma necessidade
informacional, gerando conflitos e novas necessidades informacionais (ALMEIDA
JÚNIOR, 2016).

Destaca-se a ação de interferência que vai além da relação usuário/informação, “enfocando
práticas que tornem o trabalho do bibliotecário, agora entendido como mediador, subjetivo.
Trabalho esse que configure a unidade de informação como um espaço intersubjetivo no
compartilhamento de informação” (SANCHES; RIO, 2010, p. 108). Assim, “constatamos que na
mediação alguém está entre duas ou mais pessoas/coisas, facilita uma relação, serve de
intermediário, sugere algo, sem agir pela pessoa ou lhe impor alguma coisa” (BICHERI, 2008, p.
93).
Como foco deste trabalho, tem-se a mediação como um processo de interferência por um
bibliotecário:
O bibliotecário, entendido como mediador, é o profissional que se utiliza de ferramentas
existentes para manejar a informação de forma a interfacear a relação usuário/informação,
propiciando novos espaços formadores de subjetividades capazes de objetivar o mundo e as
relações que o envolve, de maneira a serem críticos e transformadores de suas realidades
(SANCHES; RIO, 2010, p. 118).

Assim, na mediação não há, nem pode haver, uma neutralidade, tanto por parte do usuário
como por parte do mediador da informação. O mediador da informação não pode ser visto como um
profissional passivo. O que deve ser analisado é “como o profissional bibliotecário reúne as

�condições necessárias para intermediar a relação entre usuário/informação atividades, ora
entendidas como neutras, sejam substituídas por ações de interferência” (SANCHES; RIO, 2010).
Assim, é fundamental que o mediador tenha clara a sua função. A mediação da informação
pressupõe técnicas, instrumentos, suportes, recursos, agentes e processos que deixam de representar
simples artifícios de transferência de conteúdos passando a se constituírem dispositivos geradores
de sentidos (PERROTTI; PIERUCCINI, 2007). Para tanto a necessidade de desenvolver algumas
competências.

4.2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO

Para o processo de construção do conhecimento e para a intervenção na realidade social, fazse importante incluir o estudo da Competência em informação. Beluzzo (2017) indica a
transversalidade da Competência em informação com o ensino e aprendizagem, a pesquisa, a
inovação, o desenvolvimento social e a construção do conhecimento para o exercício da cidadania.
A Competência em informação, no mundo educativo, engloba o conjunto de procedimentos,
conceitos e valores necessários à resolução de problemas que envolvem a procura, seleção,
organização, análise e comunicação da informação. É um componente fundamental para qualquer
cidadão em uma sociedade em que o conhecimento muda continuamente e a quantidade de
informação disponível nas múltiplas modalidades e suportes os superam. Ter a capacidade de se
informar plenamente e, ao mesmo tempo, fazer uso crítico e criativo da informação, permite
aprender ao longo da vida e lidar com as demandas que o trabalho e a vida sempre colocam
(GÓMEZ HERNÁNDEZ, 2000).
O uso crítico da informação torna-se a característica distintiva para se construir uma base de
conhecimento. Para tanto, torna-se necessário colocar as informações em um contexto mais amplo,
incluindo os aspectos históricos, temporais ou sociais (BRUCE, 2003). Essa condição é necessária
para a sua compreensão, já que a informação “[...] necessita de um contexto para ser compreendida”
(FREIRE; FREIRE, 2009, p. 92).
Destaca-se a importância de pensar a competência em informação como um processo
contínuo de aprendizado. Kuhlthau (1993 apud VICTORELLI, 2011) observa que a competência
em informação manifesta nas pessoas uma nova visão de mundo, baseada nas informações que já
possuem, e quando novos conhecimentos e habilidades são adquiridos, estes são agrupados à
estrutura cognitiva pré-existente, contribuindo para a construção do conhecimento.

�Desenvolver a competência em informação, segundo Belluzzo, Kobayashi e Feres (2004,
p.95), “significa ter habilidades para encontrar, avaliar, interpretar, criar e aplicar a informação
disponível na geração de novos conhecimentos”. Ainda segundo as autoras supracitadas, a
competência em informação “inegavelmente, está ligada ao aprendizado e à capacidade de criar
significado a partir da informação, sendo uma condição indispensável que as pessoas saibam
‘aprender a aprender’ e realizem o ‘aprendizado ao longo da vida’” (BELLUZZO; KOBAYASHI;
FERES, 2004, p.87).
Na visão de Pontes Junior e Tálamo (2009, p.83), a competência em informação permite
uma “interação através da qual o usuário progride na competência e capacidade de julgar com
perícia a informação de que ele necessita, ao mesmo tempo, ele pratica suas habilidades, elevandoas de acordo com as competências adquiridas ao longo do processo”.

5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Metodologicamente, este trabalho se apresenta do tipo exploratório, possui a natureza
qualitativa, precedida por uma revisão da literatura para investigação sobre os conceitos de
formação universitária, a gestão do conhecimento, a mediação da informação e a competência em
informação. Em seguida, é realizado uma análise desta revisão de literatura para contextualizar os
conceitos desenvolvidos e estabelecer os relacionamentos e propor uma reflexão.

6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

6.1 INTENÇÃO

A intenção organizacional pode ser definida como a aspiração que uma organização tem
para atingir suas metas, tendo por essência o desenvolvimento da capacidade organizacional de
adquirir, criar, acumular e explorar o conhecimento. Assim, é importante que haja uma visão sobre
o tipo de conhecimento que deve ser desenvolvido (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
A universidade, partindo do pressuposto que possui uma função social, deveria ter como
intenção, a formação do discente para que este possa contribuir na transformação da sociedade.
Porém, a universidade precisa ter a intenção de ensinar e a efetivação da meta pretendida

�(ANASTASIOU, 2003, p.13). Caso contrário, pode direcionar para a reprodução de conhecimento
cientificamente acumulado
Assim, a atuação do profissional bibliotecário, por meio da mediação da informação,
promove a construção de conhecimento. Pois, compreende a mediação da informação com ações de
interferência para a apropriação de informação (ALMEIDA JÚNIOR, 2016). Consciente da não
neutralidade de sua ação e através de ferramentas existentes para manejar a informação de forma a
interfacear a relação usuário/informação, o bibliotecário propicia novos espaços de formação de
maneira a serem críticos e transformadores de suas realidades (SANCHES; RIO, 2010).

6.2 AUTONOMIA
Ao proporcionar autonomia aos membros da organização, amplia-se a chance de introduzir
oportunidades inesperadas e possibilita a automotivação dos indivíduos para a criação de novos
conhecimentos (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Na universidade, a autonomia precisa ser garantida ao docente, mas visando a contribuição
com os interesses da sociedade. Porém, as ideias de autonomia colapsaram perante o fenômeno
global da industrialização (SANTOS, 2008). Assim, que há um embate no interior da universidade,
entre os que julgam a universidade como uma organização com horizontes e destino no mercado, e
os que julgam a universidade como uma instituição social que busca o conhecimento, portanto, a
reflexão, a crítica e a formação (CHAUÍ, 2014).
Visando contribuir com a autonomia, o bibliotecário atua no desenvolvimento de
competência em informação. Pois, a formação continuada, tanto de docentes quanto de discentes,
depende do processo de conscientização é mais que uma simples tomada de consciência, é um
desenvolvimento da autonomia para a construção de conhecimento de forma crítica.
Ao desenvolver a competência em informação, adquire-se uma nova visão de mundo,
baseado nas informações que já possuem, novos conhecimentos e habilidades são agrupados à
estrutura cognitiva pré-existente, contribuindo para a construção de novos conhecimentos
(KUHLTHAU, 1993 apud VICTORELLI, 2011). Assim, a competência em informação ligada a
uma condição indispensável de ‘aprender a aprender’ e ‘aprendizado ao longo da vida’ pode
contribuir com o desenvolvimento do pesquisador autônomo, capaz de refletir e agir na sociedade e
transformação do conhecimento.

�6.3 FLUTUAÇÃO E CAOS CRIATIVO

A flutuação e o caos criativo estimulam a interação entre a organização e o ambiente
externo, possibilitando a exploração da ambiguidade, da redundância e dos ruídos dos sinais
ambientais, aprimorando seu sistema de conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Para a construção de conhecimento, na universidade, é de extrema importância esta
interação, pois propicia estudos sobre o impacto deste conhecimento na sociedade. Assim, o
princípio de indissociabilidade do ensino pesquisa e extensão garante uma aproximação mais
orgânica da universidade com a sociedade, o questionamento da realidade, a realidade históricosocial que os sustenta e na qual seus fundamentos devem ser desvelados (MARTINS, 2008).
A competência em informação, atua também, para esta interação uma vez a
indissociabilidade visa a contextualização e o uso crítico da informação, necessitando coloca-la em
um contexto mais amplo, incluindo os aspectos históricos, temporais ou sociais (BRUCE, 2003).
Esta contextualização é ampliada quando se desenvolve a competência em informação, pois, esta
engloba o conjunto de procedimentos, conceitos e valores necessários à resolução de problemas que
envolvem a procura, seleção, organização e avaliação da informação.

6.4 REDUNDÂNCIA

A redundância se refere ao fato de transcender as exigências operacionais imediatas dos
membros da organização, ou seja, refere-se à superposição de informações sobre atividades da
instituição. Para que haja redundância é necessário que haja compartilhamento de conhecimento,
mesmo considerando que este não seja útil para o outro neste momento. Assim, se acelera o
compartilhamento de conhecimento e o processo de criação de novo conhecimento (NONAKA;
TAKEUCHI, 1997).
Para essa condição, a universidade deve atuar visando à formação continuada dos docentes.
Culturalmente “[...]docentes universitários ensinam geralmente como foram ensinados” (CUNHA,
2004, p. 528-529), mas a formação continuada possibilita aos docentes um novo olhar sobre os
espaços e função da disciplina. Assim, introduz ao pensar pedagógico, a reflexão sistemática da
ação já em exercício. A formação continuada formaliza uma cultura de compartilhamento, torna-se
um canal de comunicação, e é um mecanismo de captação e sistematização o conhecimento.
O bibliotecário, ao identificar necessidades de informação e seu público, pode utilizar deste

�espaço para promover sua atuação. Pois, a mediação da informação pressupõe técnicas,
instrumentos, suportes, recursos, agentes e processos para se constituírem dispositivos geradores de
sentidos (PERROTTI; PIERUCCINI, 2007) e a competência em informação está ligada ao
aprendizado (BELLUZZO; KOBAYASHI; FERES, 2004).

6.5 VARIEDADE DE REQUISITOS

A variedade de requisitos facilita que os membros da organização enfrentem muitas
situações com o acesso rápido a mais ampla gama de informações (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Na universidade, o conhecimento, principalmente, na proposta pedagógica de reprodução do
conhecimento, promove um conhecimento fragmentado. Para evitar superar essa fragmentação,
fortemente existente no modelo curricular tradicional, faz-se necessário esforços em conjunto, de
ações docentes e discentes, para a articulação de conhecimentos e propor ações inter ou
transdisciplinares.
Como a gestão do conhecimento se constitui em um conjunto de estratégias para criar,
adquirir, compartilhar e utilizar ativos de conhecimento, de modo a estabelecer fluxos que garantam
a informação necessária (VALENTIM, 2003) e uma atividade que precisa ser promovida pelo
bibliotecário no contexto universitário a fim de promover superação da fragmentação do
conhecimento. Um exemplo, são o desenvolvimento de repositórios institucionais que podem captar
e divulgar as pesquisas produzidas no ambiente acadêmico. Mas, para tanto, necessita de uma
gestão deste conhecimento, para que seja apropriado pela instituição.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para uma formação universitária que compreende o desenvolvimento da visão crítica e
autônoma do discente faz-se necessário uma reflexão sobre a ação da universidade, especialmente
sua função social, a intenção e a efetivação do ensino e a autonomia para esta atuação.
Considerando os aspectos da formação universitária, o bibliotecário tem potencial em atuar
nesta formação, por meio de ações de gestão do conhecimento, mediação da informação e
desenvolvimento da competência em informação. Para tanto, o bibliotecário precisa identificar
necessidades de informação da comunidade envolvida e interfacear a relação usuário/informação
para contribuir com a apropriação da informação por meio do desenvolvimento de competências de

�contextualizar e avaliar a informação, portanto, contribuir com o desenvolvimento da autonomia de
pesquisa.
Se faz necessário ressaltar a importância da própria formação do bibliotecário. Pois, para
contribuir de forma protagonista para a formação universitária dos discentes, este profissional
precisa, também, de uma formação crítica, reflexiva, criativa e conscientização do processo de
construção de conhecimento, por meio da reflexão e ação na sociedade.
Este trabalho limitou-se a identificação de relacionamentos já estabelecidos na atuação do
bibliotecário para a formação universitária. Nesse cenário, mas propõe, para estudos futuros, uma
reflexão sobre a efetivação desta atuação protagonista do bibliotecário na formação universitária.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Almeida, Arielle Lopes de, Damian, Ieda Pelógia Martins </text>
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                <text>O bibliotecário possui potencial para contribuir com a efetivação da formação universitária ao desenvolver atividades de gestão do conhecimento, de interferência e mediação no processo de construção de conhecimento e na maneira de apropriação da informação. A vista disso, o objetivo deste trabalho é identificar co-relacionamentos entre as ações de mediação da informação, desenvolvimento da competência em informação e gestão do conhecimento para a formação universitária. Para tanto, foi adotado como procedimento metodológico a revisão de literatura. Foi possível identificar que o bibliotecário atua na formação universitária, contribuindo com o desenvolvimento da autonomia de pesquisa. Dentre as formas de atuação do bibliotecário se destaca a atividade de interfacear a relação usuário/informação para a apropriação da informação por meio do desenvolvimento de competências para contextualizar e avaliar a informação.</text>
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                    <text>Eixo 2: Práticas
PLANEJAMENTO DA RETOMADA DAS ATIVIDADES DA BIBLIOTECA CENTRAL DA
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19
REOPENING PLAN OF ACTIVITIES OF THE CENTRAL LIBRARY OF THE UNIVERSITY OF
BRASÍLIA DURING THE COVID-19 PANDEMIC
Ana Flávia Lucas de Faria Kama1
Marília Augusta de Freitas 2
Miguel Ângelo Bueno Portela3
Ricardo Vinícius Mendes Rosa4

Resumo: A pandemia da covid-19 alterou sobremaneira o cotidiano do mundo e do Brasil e seus impactos foram
percebidos pela Biblioteca Central da Universidade de Brasília em março de 2020, com a alteração inédita de seu
funcionamento. O objetivo deste artigo foi apresentar as ações realizadas para a confecção do Plano de retomada
das atividades da biblioteca. Foram indicadas todas as ações realizadas pela instituição a fim de tornar possível
seu funcionamento dentro da realidade da pandemia da covid-19, por meio da descrição de metodologias e
projetos executados. O planejamento do retorno das atividades da Biblioteca Central da Universidade de Brasília
trouxe segurança para seu público e corpo funcional, e resultou em uma retomada planejada e adaptada aos
protocolos exigidos para a pandemia, de forma a cumprir sua missão de fornecer atendimento de excelência em
prol da educação, da ciência e da emancipação democrática e cidadã de seus usuários e usuárias.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Covid-19. Coronavírus. Serviço remoto bibliotecário. Plano de
retomada.
Abstract: The COVID-19 pandemic has caused a severe change in the routine of the whole world, including
Brazil. The impact of the pandemic was felt by the Central Library of the University of Brasilia (BCE) in March
2020 as demonstrated by their unprecedented shift in its operation. The objective of this article was to present the
actions taken to build the Library’s Reopening Plan. All the measures adopted by the institution have been
reported with a description of the methodologies and projects used. These measures had the intention of enabling
its operation within the reality of the COVID 19 pandemic. The planning of activities from the Central Library of
the University of Brasília (BCE) that would be resumed brought safety to their users and staff. These resulted in a
well-thought recovery plan. The plan was adapted to the safety protocols required due to the pandemic. Thus, the
institution was able to carry out its mission of supplying a service of excellence on behalf of education, science,
and the democratic empowerment of its users.
Keywords: Academic Library. COVID-19. Coronavirus. Library remote service. Reopening Plan
1

Bibliotecária e doutoranda em Ciência da Informação (PPGCInf/FCI/UnB). Biblioteca Central da Universidade de
Brasília (BCE/UnB), anakama@unb.br.
2
Bibliotecária e doutora em Ciência da Informação (PPGCInf/FCI/UnB). Biblioteca Central da Universidade de
Brasília (BCE/UnB), mariliaaf@unb.br.
3
Bibliotecário (FCI/UnB). Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB), miguelportela@unb.br.
4
Bibliotecário (FCI/UnB). Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB), ricardorosa@unb.br.

�1 PANDEMIA DA COVID-19: UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA E BIBLIOTECA
CENTRAL
Na segunda semana de março de 2020, durante as comemorações do dia das bibliotecárias e
dos bibliotecários, a Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB) sentiu de fato as
consequências do vírus Sars-CoV-2 em sua rotina e funcionamento. No dia 11.03.2020, a
Organização Mundial de Saúde (OMS) classificaria a covid-19 como pandemia e acenderia o sinal
de alerta para todos os países do mundo. Diante do aumento e da previsão de novos casos da doença
no Brasil, o Governo Federal, por meio da portaria do Ministério da Saúde nº 356, de 11 de março
de 2020, e o Governo do Distrito Federal (GDF), por meio do decreto nº 40.520, de 14 de março de
2020, orientaram a população e órgãos oficiais com medidas restritivas para contenção da
transmissão da doença. Em consonância com o decreto do GDF, a administração superior da
universidade publicou o Ato da Reitoria da UnB nº 419, de 16 de março de 2020, que suspendeu as
atividades administrativas e, por consequência, o funcionamento ao público das unidades do
Sistema de Bibliotecas da UnB (SiB-UnB), do qual a BCE pertence e é coordenadora.
A segunda-feira do dia 16.03.2020 ficou registrada como o primeiro dia de um longo e
inédito período de funcionamento extraordinário da instituição. Inesperadamente a BCE precisou se
reinventar e se adaptar às novas formas de funcionamento, buscando em toda medida continuar
seguindo sua missão e valores, os quais confluem para um mesmo objetivo: o fornecimento de uma
atendimento de excelência em prol da educação, da ciência e da emancipação democrática e cidadã
de seus usuários e usuárias.
Esse artigo irá caminhar pelos desafios impostos à Biblioteca Central da UnB, desde o dia
16.03.2020, que culminaram num amplo planejamento de retomada de suas atividades, elaboração
de medidas de segurança e de apoio à contenção da pandemia da covid-19 na universidade, além de
situações totalmente novas para a gestão, corpo funcional e público da instituição.
Na certeza de que o compartilhamento de experiências, de conhecimentos técnico e
científico são as melhores defesas para lidar com este momento delicado do país e mundo, serão
registrados aqui o que de melhor a BCE buscou fazer para continuar sendo a instituição que sempre

�foi de apoio ao ensino, pesquisa e extensão da UnB, assim como uma referência ao acesso à
informação do DF.
2 PRIMEIRAS AÇÕES
2.1 Suspensão das atividades
Apesar da suspensão das atividades presenciais acadêmicas e administrativas na UnB,
alguns serviços não foram interrompidos. Pautada em seus valores, especialmente equidade e
democracia, a BCE entendeu que algumas atividades voltadas a estudantes em condição de
vulnerabilidade socioeconômica precisavam ser continuadas, mesmo durante a pandemia, como o
empréstimo emergencial de notebooks e desktops para estudantes incluídos na Assistência
Estudantil da universidade. Além disso, alguns serviços remotos foram reformulados e outros
criados de forma a atenderem às novas necessidades de ensino, pesquisa, extensão e acesso à
informação da comunidade acadêmica e externa.
2.2 Ampliação e criação de serviços remotos
Com a suspensão das atividades presenciais na UnB, foi necessária não apenas a adaptação
de serviços antes prestados presencialmente, mas também, e principalmente, a ampliação e a criação
de novos serviços.
Serviços remotos:
● atendimento remoto: atendimento por e-mail já era oferecido, mas foi intensificado
durante a pandemia, tendo se estabelecido como um dos principais canais de
comunicação com a comunidade, especialmente no início do isolamento, no qual o
e-mail foi por um breve período o único canal de comunicação com o público;
● criação do atendimento via chat na página inicial da BCE, na qual o/a usuário/a
recebe atendimento em tempo real;
● alteração do atendimento via WhatsApp, que antes era uma comunicação de via
única, isto é, funcionava apenas como lista de transmissão para envio de
informativos, mas passou a funcionar como mais um canal de comunicação síncrona.

�Criação e reformulação de serviços:
● digitalização de trechos de itens do acervo, no limite de até 10% de cada obra, a fim
de não infringir o estabelecido na Lei de Direitos Autorais;
● reformulação das capacitações, que passaram a ser realizadas por meio de aplicativo
de videoconferência. Além disso, foram criadas mais cinco capacitações, em
comparação a quatro que eram oferecidas antes da pandemia no formato presencial,
totalizando agora nove ações que visam ao desenvolvimento de competências para
identificação, recuperação, uso, organização e comunicação da informação;
● atendimento individualizado para orientação quanto à elaboração de estratégias de
busca em bases de dados e a criação de salas virtuais de tira-dúvidas para orientar
grupos na busca em base de dados ou no uso de normas para elaboração de trabalhos
acadêmicos. Ambos os serviços de certa forma replicam em ambiente virtual o
atendimento presencial que era feito no balcão do Setor de Referência aos estudantes
e pesquisadores da UnB;
● levantamento bibliográfico para estudantes de pós-graduação e docentes, consistindo
na realização de pesquisas no acervo da BCE e nas bases de dados de acesso restrito
disponíveis na universidade;
● migração para o ambiente on-line dos serviços e ações culturais do Clube de Leitura
da BCE/UnB e do Cineclube BCE/UnB, dando continuidade em suas reuniões, agora
de forma virtual e transmitida ao vivo no canal da BCE no Youtube.
Alguns serviços remotos também foram planejados inicialmente apenas para discentes da
pós-graduação e docentes, como uma forma de pôr em teste os serviços pensados, a fim de analisar
a demanda em relação à capacidade de atendimento da equipe.
3 ELABORAÇÃO DO PLANO DE RETOMADA
Diante do cenário imposto pela pandemia da covid-19, a biblioteca foi obrigada a
virtualizar seus serviços, permanecendo com o atendimento exclusivamente remoto. Entretanto,
com o fim da suspensão do calendário acadêmico e a retomada das aulas na universidade, ainda que

�virtuais, tornou-se necessário que a biblioteca retomasse alguns serviços presenciais, em especial o
empréstimo de livros, tendo em vista a necessidade de oferecer suporte bibliográfico ao ensino.
Sendo assim, a BCE começou a elaborar o planejamento para retomada das atividades presenciais
(UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2021b), assim como a confecção de cartilha para seu público
(UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2021a). Para tal, foram constituídas duas comissões
responsáveis por planejar e acompanhar a retomada das atividades presenciais no âmbito da BCE.
A primeira comissão foi nomeada com o objetivo de prestar informações ao Comitê de
Coordenação das Ações de Recuperação (CCAR/UnB), responsável pelo planejamento da retomada
no âmbito da Universidade de Brasília. Esta comissão é responsável por acompanhar as inspeções
dos ambientes de trabalho e espaços da biblioteca realizadas pela área de segurança do trabalho da
UnB. Além disso, é responsável por acompanhar e solicitar que adaptações sejam realizadas com a
finalidade de prevenir o contágio da covid-19 no ambiente da BCE.
A segunda comissão foi criada com o intuito de elaborar o Plano de Retomada das
Atividades na Biblioteca Central, sendo de sua responsabilidade acompanhar o andamento das
atividades e atualizar o plano sempre que necessário.
O Plano de Retomada apresenta diretrizes para retomada segura e gradual das atividades
presenciais desenvolvidas na BCE frente aos impactos da pandemia da covid-19. Ele foi elaborado
em consonância com o Plano Geral de Retomada das Atividades na Universidade de Brasília
(UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2020a) e prevê um retorno gradual e escalonado dividido em
05 etapas.
Em outubro de 2020, a atividade de empréstimo de livros foi retomada. Naquele momento,
foi liberado apenas para categoria de docentes, que corresponde a um público em potencial de 3.702
pessoas, representando 7% da quantidade de usuários total aptos a realizarem empréstimo na BCE.
O plano prevê que, conforme a universidade avance nas etapas, a biblioteca consiga ampliar as
categorias que serão atendidas com o empréstimo agendado.
Na etapa 1, iniciada em abril de 2021, o empréstimo de livros foi ampliado para a categoria
de discentes de pós-graduação, aumentando para 23% o público atendido em potencial total. A
biblioteca encontra-se atualmente nessa etapa.

�O quadro 01 apresenta as etapas do Plano de Retomada das Atividades na BCE, de acordo
com as etapas previstas no Plano Geral de Retomada das Atividades na UnB.
Quadro 01: Etapas de retomada das atividades da UnB e BCE
Etapas

Plano Geral de Retomada das Atividades na UnB

●
Etapa 0

●
●
●

Etapa 1

●
●
●

Etapa 2

●
●

continuidade das atividades administrativas essenciais que só́
podem ser realizadas presencialmente;
realização das demais atividades administrativas de forma
remota;
planejamento e retomada das atividades acadêmicas de forma
não presencial.
início da retomada gradual presencial das demais atividades
administrativas essenciais que devem ser realizadas
presencialmente;
manutenção das demais atividades administrativas de forma
remota;
planejamento e preparação para o início da Etapa 2.
continuidade das atividades administrativas essenciais de
forma presencial;
retomada gradual presencial das atividades administrativas
necessárias ao funcionamento das atividades acadêmicas
presenciais;
planejamento e preparação para o início da Etapa 3.

Plano de Retomada das Atividades na BCE

●
●
●

empréstimo agendado para docentes;
devoluções emergenciais;
empréstimo agendado de notebooks.

●

empréstimo agendado para docentes
e discentes de pós-graduação;
devoluções emergenciais;
empréstimo agendado de notebooks.

●
●

●
●
●
●

●
Etapa 3

●

retomada gradual de forma presencial das demais atividades
administrativas ainda executadas de forma remota;
planejamento e preparação para o início da Etapa 4.

●
●

Etapa 4

●

retomada completa de todas as atividades administrativas e
acadêmicas de forma presencial.

●

empréstimo agendado para docentes,
discentes de graduação e
pós-graduação;
devoluções emergenciais;
empréstimo agendado de notebooks.
empréstimo agendado para docentes,
discentes de graduação e
pós-graduação;
liberação dos espaços de estudo
mediante agendamento prévio;
liberação dos laboratórios de acesso
digital mediante agendamento
prévio.
retomada completa dos serviços
presenciais oferecidos pela
Biblioteca Central.

Fonte: Plano de retomada das atividades da BCE/UnB (UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2021b)

O plano de retomada da BCE prevê que todo o atendimento realizado nas etapas 0, 1, 2 e 3
serão mediante agendamento prévio, mantendo-se assim, o acervo fechado, com acesso somente aos
colaboradores da biblioteca.

�Os espaços de estudo e laboratórios somente serão liberados na etapa 3, mediante
agendamento prévio e com suas capacidades reduzidas, seguindo os protocolos oficiais de
enfrentamento à covid-19 e as recomendações dos especialistas da UnB.
Além da retomada gradual dos serviços de atendimento, o plano prevê a retomada das
atividades administrativas presenciais, que somente serão aquelas essenciais para manter o
atendimento aos usuários previsto nas etapas 0, 1, 2 e 3, bem como aquelas para atender demandas
específicas, como manutenções do catálogo, recebimento de compras e doações e outras rotinas que
não foram interrompidas durante a pandemia. Essas atividades são retomadas de acordo com a
necessidade e seus procedimentos estão descritos nos apêndices do plano de retomada:
Procedimentos para atendimento de empréstimo agendado, Procedimentos para recolocação do
acervo, Procedimentos de recebimentos de materiais, Procedimentos de inventário, Procedimentos
para avaliação e desfazimento do acervo, Procedimentos de restauração do acervo, Procedimentos
do Setor de Coleções Especiais e Procedimentos de digitalização. As demais atividades
permanecem remotas enquanto durar a pandemia da covid-19.
O plano estabelece também os procedimentos para descontaminação dos livros devolvidos,
determinando um período de quarentena de 03 dias, como margem de segurança devido aos
diversos materiais que compõem os livros e o tempo de permanência do vírus nas diversas
superfícies.
3.1 Avaliação do ambientes, riscos e contingências
A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UnB) elaborou o Guia Metodológico para
Avaliação de Ambientes de Ensino Pós Covid: Estudo de Caso da Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo da UnB (UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2020b) com intuito de dar suporte
metodológico e informacional para os gestores das unidades e órgãos da universidade na
organização da ocupação de seus espaços físicos, de forma segura e dentro dos protocolos indicados
de contenção à covid-19.
O documento prevê, dentre outras questões, uma análise e classificação dos ambientes
físicos numa escala de complexidade, tendo em vista práticas de segurança recomendadas na

�literatura e por fontes oficiais, onde: A – são considerados de baixa complexidade, B – devem
seguir as medidas de média complexidade e C – devem seguir medidas de alta complexidade. Os
critérios de classificação dessa escala foram:
●

possibilidade de higienização constante das superfícies;

●

possibilidade de abertura de janelas e portas;

●

dependência de condicionamento artificial para funcionamento.

No Guia metodológico da FAU/UnB está indicado as medidas que devem ser seguidas para
cada escala de complexidade dos espaços físicos.
A fim de avaliar a ocupação do prédio da BCE, tendo em conta seu uso majoritário, os
espaços físicos da biblioteca foram dispostos em acadêmicos: possível uso e circulação de
colaboradores e colaboradoras e, principalmente, de usuários e usuárias da biblioteca; e
administrativo: uso e circulação de colaboradores e colaboradoras da biblioteca.
A análise de todos os espaços físicos da BCE - excluídos banheiros, halls de acesso e áreas
de circulação -, foi realizada com base nas plantas baixas, de acordo com a metodologia apresentada
anteriormente e dividida pelos pavimentos presentes no prédio da biblioteca: 2º subsolo, 1º subsolo,
térreo e 1º andar.
Foi constatado que a BCE possui um maior número de espaços com alta complexidade de
intervenção, classificados como C, seguido por maior número de espaços A, mais seguros e com
baixa complexidade de intervenção. São nesses ambientes que se concentram a maior parte dos
ambientes destinados ao atendimento e trabalho presencial durante as etapas de retomada das
atividades da BCE, na pandemia da covid-19.
As informações obtidas nesta avaliação serviram de suporte para a elaboração e atualizações
dos procedimentos de limpeza, segurança e vigilância da BCE para o período. Cabe destacar que os
protocolos de limpeza adotados em razão da pandemia da covid-19, bem como os protocolos que
devem ser seguidos pelos porteiros e vigilantes para o controle da entrada de pessoas no ambiente
da biblioteca, estão descritos no apêndice do Plano.
Tendo sido elaborada uma análise dos ambientes físicos da BCE, foram identificados alguns
riscos para a retomada das atividades da biblioteca. Eles foram categorizados em: riscos biológicos,

�riscos físicos, riscos de saúde e riscos econômicos. Para análise de probabilidade e impacto de cada
risco identificado, foram elaborados quadros interpretativos, os quais auxiliam na visualização de
medidas mais eficazes para as ações preventivas e de contingência. Por fim, o plano apresenta o
protocolo que os colaboradores da Biblioteca Central com suspeita ou confirmação de covid-19
devem seguir.
3.2 Ações e medidas adotadas para prevenir o contágio no ambiente da BCE
Após planejamento das ações de retomada das atividades da BCE, assim como a avaliação
de seus espaços físicos e identificação e gestão dos riscos desse retorno, a biblioteca realizou o
levantamento dos materiais, equipamentos de proteção individual e coletivo, além dos produtos
necessários ao funcionamento da instituição de modo a promover da melhor forma possível a
segurança de todas as pessoas envolvidas no retorno das atividades presenciais consideradas
essenciais, conforme a evolução de cada fase planejada no Plano de contingência para retomada das
atividades presenciais da UnB (2020b).
Desta forma, foram adquiridos equipamentos de proteção individual (EPIs), que foram
distribuídos em kits pessoais para cada colaborador e colaboradora da biblioteca, além de proteções
de acrílico instaladas nas estações de trabalho onde há atendimento ao público, termômetros
infravermelhos para verificar a temperatura das pessoas nas entradas da BCE, tapetes higienizantes
e totens de dispersão de álcool em gel dispostos em locais estratégicos do prédio da biblioteca.
A BCE ainda instruiu, em junho de 2021, processo de compra visando a aquisição de totens
com termômetro para auto-medição de temperatura e dispersor automático de álcool em gel. A
princípio, foram demandados dois equipamentos do tipo, porém, com o interesse de outras unidades
administrativas e acadêmicas da UnB, chegou-se ao número de 156 totens automatizados que se
encontram em processo de aquisição (julho de 2021).
Deve-se destacar que no ano de 2020 foram renovados antecipadamente os contratos das
bases de dados de periódicos e de livros eletrônicos garantindo a prestação de serviços de
informação de forma ininterrupta pela BCE, principalmente no ambiente virtual.

�3.3 Aquisições produtos e materiais - adequação dos espaços
Foram necessárias também adaptações nos ambientes de trabalho presencial, de forma a
prevenir a disseminação da covid-19, conforme laudos de inspeção da Diretoria de Saúde e
Qualidade de Vida no Trabalho da UnB (DSQVT/CEST/UnB). Nesse aspecto, as estações de
trabalho foram espaçadas para promover o distanciamento social. Houve a disponibilização de
lixeiras próprias para descarte de EPIs e outros materiais que possam ser contaminantes. Também
foi necessário que as rotas de entrada e saída da biblioteca fossem demarcadas com fitas zebradas e
sinalizadas com avisos.
As torneiras dos bebedouros comuns foram trocadas por outras automatizadas, onde não há
a necessidade de toque para acioná-las. Com o mesmo intuito, a universidade está em processo de
troca de todas as torneiras de banheiros para àquelas automáticas, preservando cada vez mais a
comunidade dos perigos oriundos da covid-19.
3.4 Instalação máquinas de autoatendimento RFID
Nos anos de 2019 e 2020, a Biblioteca Central passou por um processo de aquisição e
implementação da tecnologia de segurança e gestão de acervos por radiofrequência, conhecido
como RFID. Foi um planejamento e atividade de compra robusta, que resultou na disponibilização
de equipamentos de autoatendimento e auto-devolução em todas as bibliotecas do SiB-UnB,
incluindo a BCE.
No enfrentamento à pandemia, verificou-se que as máquinas de autoatendimento RFID
seriam essenciais no auxílio ao enfrentamento da covid-19. Atualmente, a BCE possui em seu
saguão de entrada três terminais de autoatendimento e uma máquina de autodevolução, que
permitem realizar o empréstimo e a devolução de livros de forma automatizada.
As máquinas foram adquiridas anteriormente à emergência mundial da covid-19, porém a
instalação ocorreu no decorrer da pandemia, desafio enfrentado pela equipe da BCE, tendo em vista
que esses equipamentos foram instalados em março de 2020, primeiro mês efetivo em que as
atividades foram interrompidas.

�Muito embora a instalação dos equipamentos tenha sido feita durante a emergência da
covid-19, pode-se observar positivamente o resultado da atividade, quando em outubro de 2020 foi
necessário retomar o empréstimo, mesmo que agendado, e a devolução de livros. As máquinas
permitiram a devolução de todos os livros do acervo da BCE, mesmo aqueles sem etiqueta RFID.
Ou seja, foi possível automatizar perto de 100% da atividade de atendimento ao usuário no que
tange ao serviço de circulação de materiais da biblioteca, tornando a atividade altamente segura
para o público e para a equipe da BCE.
Assim, a BCE desde o início se empenhou, com o apoio das outras instâncias da
universidade, a se antecipar da melhor forma possível com informações e planejamento, de forma a
oferecer equipamentos de proteção individuais e coletivos, assim como as melhores práticas para
promover a segurança de todas as pessoas no desempenho de suas atividades conforme a previsão
das fases do plano de contingência para a retomada das atividades presenciais na UnB.
4 PLANO DE COMUNICAÇÃO
Um dos pilares para a eficiente aplicação de um plano de retomada e contingência
institucional é a sua estratégia de comunicação, principalmente em um momento de tão constante
mudança de entendimentos e descobertas científicas, como a vivenciada nesta pandemia. Ou seja,
para que as partes envolvidas e interessadas de um plano ou projeto estejam conscientes e
envolvidas em suas diversas etapas, é preciso que elas conheçam e internalizem seu funcionamento,
assim como seus objetivos, suas atualizações e entregas.
O Plano de Retomada das Atividades da Biblioteca Central foi pensado desde o início em
conjunto com sua estratégia de divulgação e comunicação, dentre seu o corpo funcional e seu
público-alvo de usuários e usuárias. Desta forma, a estratégia de comunicação do Plano da BCE foi
traçada nos seguintes eixos de atuação: canais de comunicação &gt; produtos &gt; ações.
4.1 Canais de comunicação
Os canais de comunicação elencados para uso foram aqueles já existentes na biblioteca e
universidade, aliada a uma potencialização e ampliação do funcionamento de alguns. São eles o site

�de biblioteca, bce.unb.br, com a criação do chat on-line: m.me/unb.bce, seção de notícias e avisos,
criação de páginas específicas com informações sobre a covid-19 e funcionamento da BCE e a
criação do Repositório de Informações Administrativas da BCE: repositorioadm.bce.unb.br; e-mail
institucional;

plataforma

Microsoft

Office

Teams,

reuniões

on-line;

Instagram:

instagram.com/bceunb; Facebook: facebook.com/unb.bce; Twitter: twitter.com/bceunb; WhatsApp,
com a lista de transmissão para usuários e servidores, (61) 98298-1163 ou wa.me/556182981163;
YouTube: youtube.com/BCEUnB; Google business - página BCE: g.page/r/CZw3KU3yAs19EBA;
aapoio da Secretaria de Comunicação da UnB (Secom/UnB) com divulgação de notícias e produtos
da BCE na página unb.br e Twitter oficial da UnB: twitter.com/unb_oficial; e sinalizações e cartazes
impressos em pontos estratégicos do prédio da BCE.
A gestão desses canais é feita em conjunto com as equipes da Direção, da Coordenadoria de
Administração e Orçamento e da Comissão Permanente de Comunicação em Mídias Sociais da
BCE. Esta última, criada em 2017, é formada por servidores e servidoras de diversos setores da
biblioteca, responsáveis pela produção de conteúdo e artes para as mídias sociais da instituição,
gerindo suas publicações, interações e funcionamento.
4.2 Produtos
Alguns produtos de informação foram criados para a divulgação das etapas e procedimentos
de retomada das atividades da BCE, dentre eles:
● Plano para retomada das atividades da Biblioteca Central durante a quarentena da
Covid-19, de 11.08.2020;
● Cartilha para servidores e servidoras: plano para retomada das atividades da
Biblioteca Central durante a quarentena da Covid-19, de 11.08.2019;
● Plano de retomada das atividades na Biblioteca Central, de 07.06.2021;
● Cartilha para usuários e usuárias: plano de retomada das atividades da Biblioteca
Central, de 31.08.2021;
● Repositório de Informações Administrativas da BCE;
● artes para publicação nas mídias sociais e sites da BCE e UnB;

�● cartazes impressos para divulgação no prédio da BCE.
Uma iniciativa da BCE lançada durante a pandemia da covid-19 foi a criação de seu
Repositório de Informações Administrativas, que disponibiliza acesso aos normativos da biblioteca,
bem como documentos administrativos de interesse público como relatórios, planos, políticas,
editais, contratos e licitações. Elaborado na plataforma Tainacan, ele é organizado em seis coleções:
Instruções Normativas; Relatórios; Editais; Tutoriais; Contratos e Licitações; Planos e Políticas; e
Cartilhas. Nas duas últimas coleções é possível ter acesso integral a todas as versões do Plano de
Retomada das Atividades da BCE, assim como à Cartilha para usuários e usuárias do Plano.
4.3 Ações
Para que os canais de comunicação e produtos de informação, assim como os serviços
relacionadas à retomada e planejamento das atividades da BCE fossem amplamente conhecidos e
acessados pelo corpo funcional, usuários e usuárias da biblioteca, algumas ações foram planejadas,
quais sejam:
● envio de mensagens via e-mail e por meio da lista de transmissão para o corpo
funcional da BCE, com informações e atualizações sobre as atividades da retomada
da biblioteca;
● divulgação constante de informações sobre o funcionamento da BCE para seus
usuários e usuárias, por meio de seus canais de comunicação;
● reunião on-line amplificada com a Direção da BCE e servidores, em 03.08.2020, via
plataforma Teams, na qual foram apresentadas e debatidas as ações para a retomada
das atividades presenciais da biblioteca;
● reunião on-line amplificada com o corpo funcional da biblioteca, com a participação
dos professores Jonas Brant e Larissa Polejack, ambos membros do Comitê Gestor
do Plano de Contingência da Covid-19 da UnB (Coes/COVID/UnB). Evento
ocorrido em 13.08.2020, ocasião na qual foram esclarecidas dúvidas dos servidores
com os especialistas convidados, sobre a retomada da BCE;

�● participação em evento on-line "Biblioteconomia para todas as pessoas - Dia do/a
bibliotecário/a Centro-Oeste 2021 - Painel Bibliotecas e COVID 19: Apresentação
de protocolos, serviços e soluções adotadas pelas bibliotecas para adequação às
circunstâncias causadas pela pandemia", com a palestra "Bibliotecas Universitárias:
protocolos de segurança, produtos e serviços em tempos de pandemia – o caso da
BCE/UnB", em 25.03.21. Disponível em: youtube.com/watch?v=QBGS9KK82dc;
● reunião on-line amplificada com a Direção da BCE e servidores, ocorrida em
07.06.2021, para apresentação das atualizações e novo documento do Plano de
retomada das atividades da BCE;
● participação na "4ª Oficina Planos de contingência das unidades acadêmicas e
administrativas da UnB", com a apresentação "Plano de retomada das atividades na
Biblioteca

Central",

realizada

em

18.06.2021.

Disponível

em:

youtube.com/watch?v=CZJOszA5odI.
5 CONCLUSÃO
A Biblioteca Central da Universidade de Brasília buscou priorizar desde o início da
pandemia seu papel acadêmico, científico e social diante da comunidade da UnB e do Distrito
Federal. Com a covid-19 desafios nunca antes vistos foram impostos à toda sociedade, alcançando
também instituições de ensino e pesquisa.
A BCE, com o apoio da Administração Superior da UnB, antecipou-se sendo uma das
primeiras bibliotecas do Distrito Federal a publicar seu plano de contingência e retomada, assim
como em promover adaptações físicas ao seu funcionamento. Muitos desafios foram impostos,
muitas decisões foram revistas, um amplo e sólido plano de comunicação foi colocado em prática.
Atualizações, estudos e melhorias são realizadas constantemente pelas equipes da BCE a fim de
tornar o funcionamento da biblioteca o mais seguro e democrático.
Desta forma, entendendo sua missão em disponibilizar informação de qualidade ao seu
público, assim como promover o máximo possível o acolhimento de seus usuários e servidores, foi
demonstrado neste artigo o percurso que a instituição percorreu para continuar com suas atividades.

�Trabalho esse que só foi e continua sendo possível de ser realizado com a contribuição de
bibliotecas e órgãos parceiros no DF, Brasil e mundo, que divulgam suas ações, planejamentos e
atividades, por meio do compartilhamento do conhecimento científico e técnico das várias áreas
envolvidas.
A Biblioteca Central da Universidade de Brasília continua suas atividades de planejamento
para que seu retorno seja o mais seguro e breve possível, buscando sempre contribuir com
informação científica, técnica e acadêmica de qualidade para a promoção do conhecimento e senso
coletivo democrático e cidadão, as principais defesas contra a pandemia da covid-19.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Comitê de Coordenação das Ações de Recuperação. Plano
geral de retomada das atividades na Universidade de Brasília. Brasília: Universidade de
Brasília, 2020a. Disponível em:
https://www.unb.br/images/Noticias/2020/Documentos/UnB_PlanodeRetomada_11-2020.pdf.
Acesso em: 03 jul. 2021.
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Comitê de Coordenação de Acompanhamento das
Ações de Recuperação (CCAR/UnB). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
(FAU/UnB). Guia metodológico para avaliação de ambientes de ensino pós
covid: estudo de caso FAU/UnB. Brasília: LaSUS FAU, 2020b. Disponível em:
https://unb.br/images/Noticias/2020/Documentos/FAU_CCAR_INFRA_Guia_Resumo-2020.pdf.
Acesso em: 20 jun. 2021.
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Biblioteca Central. Cartilha para usuários e usuárias: plano
de retomada das atividades da Biblioteca Central. Brasília. Universidade de Brasília, 2021a.
Disponível em:
http://repositorioadm.bce.unb.br/cartilhas/cartilha-para-usuarios-e-usuarias-retomada-das-atividades
-da-biblioteca-central. Acesso em: 01 jul. 2021.
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Biblioteca Central. Plano de retomada das atividades na
Biblioteca Central. Brasília: Universidade de Brasília, 2021b. Disponível em:
http://repositorioadm.bce.unb.br/planos-e-politicas/plano-de-retomada-das-atividades-na-bibliotecacentral. Acesso em: 03 jul. 2021.

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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                <text>Kama, Ana Flavia Lucas de Faria, Freitas, Marília Augusta de, Portela,  Miguel Ângelo Bueno, Rosa, Ricardo Vinícius Mendes</text>
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                <text>A pandemia da covid-19 alterou sobremaneira o cotidiano do mundo e do Brasil e seus impactos foram percebidos pela Biblioteca Central da Universidade de Brasília em março de 2020, com a alteração inédita de seu funcionamento. O objetivo deste artigo foi apresentar as ações realizadas para a confecção do Plano de retomada das atividades da biblioteca. Foram indicadas todas as ações realizadas pela instituição a fim de tornar possível seu funcionamento dentro da realidade da pandemia da covid-19, por meio da descrição de metodologias e projetos executados. O planejamento do retorno das atividades da Biblioteca Central da Universidade de Brasília trouxe segurança para seu público e corpo funcional, e resultou em uma retomada planejada e adaptada aos protocolos exigidos para a pandemia, de forma a cumprir sua missão de fornecer atendimento de excelência em prol da educação, da ciência e da emancipação democrática e cidadã de seus usuários e usuárias.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
FEIRA DE TROCA DE LIVROS COMO INCENTIVO À LEITURA LITERÁRIA PARA
ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
BOOK EXCHANGE FAIR AS AN INCENTIVE TO LITERARY READING FOR STUDENTS OF
PROFESSIONAL AND TECHNOLOGICAL EDUCATION
Letícia Rodrigues dos Santos1
Elisângela Ladeira de Moura Andrade2
Emmanuela Ferreira de Lima3
Juliana Cristina da Costa Fernandes4
Jussara de Fátima Alves Campos Oliveira5
Resumo: A leitura literária é uma ferramenta utilizada para formar indivíduos com senso crítico, que possam
questionar, avaliar e contribuir para a sociedade. A Educação Profissional e Tecnológica tem o ideário de uma formação
omnilateral, que visa ao direito a uma formação completa para a leitura do mundo e da sociedade, para a atuação como
cidadão pertencente a um país, integrado e atuante em sua comunidade. Uma das funções da biblioteca é incentivar o
prazer pela leitura, para isso, realizou-se uma feira de troca de livros com o objetivo de democratizar o acesso a livros
literários e incentivar a leitura dos estudantes do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde. O estudo desenvolveu
uma pesquisa qualitativa, descritiva, por meio de revisão de literatura e método de observação, para análise dos
objetivos propostos. Este trabalho investiga a importância da leitura literária para a formação omnilateral do indivíduo,
descreve como a feira de troca de livros foi realizada e avalia os resultados atingidos. Verificou-se que a feira de troca
de livros foi um evento que possibilitou a divulgação da biblioteca, a renovação dos acervos particulares de livros
literários dos alunos, tendo proporcionado a eles discussões acerca da importância da leitura, além de contribuir para a
cultura e integração social dos estudantes da Educação Profissional e Tecnológica.
Palavras-chave: Leitura literária. Feira de troca de livros. Formação omnilateral. Instituto Federal Goiano.
Abstract: Literary reading is a tool used to train individuals with a critical sense, who can question, evaluate and
contribute to society. Professional and Technological Education has the ideal of an omnilateral education, which aims at
the right to a complete education to read the world and society, to act as a citizen belonging to a country, integrated and
active in its community. One of the functions of the library is to encourage the pleasure of reading. For this, a book
exchange fair was held with the aim of democratizing access to literary books and encouraging reading by students at
the Goiano Federal Institute – Rio Verde Campus. The study developed a qualitative descriptive research, through
literature review and observation method, to analyze the proposed objectives. This work investigates the importance of
literary reading for the omnilateral formation of the individual, describes how the book exchange fair was carried out
and evaluates the results achieved. It was found that the book exchange fair was an event that enabled the dissemination
of the library, the renovation of the students' private collections of literary books, providing them with discussions about
the importance of reading, in addition to contributing to culture and integration of the students of Professional and
Technological Education.
Keywords: Literary reading. Book exchange fair. Omnilateral formation. Goiano Federal Institute.

Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica. IF Goiano – Campus Rio Verde.
leticia.santos@ifgoiano.edu.br.
2
Mestra em Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: elisladeirama@gmail.com.
3
Doutora em Química. IF Goiano – Campus Morrinhos. E-mail: emmanuela.lima@ifgoiano.edu.br.
4
Doutora em Educação. IF Goiano – Campus Avançado Ipameri. E-mail: juliana.fernandes@ifgoiano.edu.br.
5
Doutora em Educação. IF Goiano – Campus Avançado Ipameri. E-mail: jussara.oliveira@ifgoiano.edu.br.
1

E-mail:

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Faustina Alves de Castro, pertencente ao Sistema Integrado de Bibliotecas
(SIBi) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IF Goiano) - Campus Rio
Verde, possui um acervo de aproximadamente 10 mil exemplares entre livros, monografias, cd´s e
dvd´s, porém a classe literária não atende a contento os usuários, sendo que os recursos financeiros
destinados à compra de materiais bibliográficos são escassos, e priorizam livros técnicos para
atender às demandas das ementas dos cursos oferecidos pela instituição.
Com o objetivo de democratizar o acesso a livros literários e incentivar a leitura para
estudantes do IF Goiano - Campus Rio Verde, surgiu a ideia de realizar uma feira de troca de livros
durante a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca (SNLB), no ano de 2019. A SNBL é um
evento realizado anualmente pelo SIBi, em todas as bibliotecas dos campi do IF Goiano, com o
intuito de oferecer atividades que colaborem com a missão das bibliotecas, que contemplem a
promoção do acesso à informação, por meio da sua estrutura, de acervo, de serviços e da difusão de
inovações, com excelência, contribuindo para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa
e extensão, que acompanhem e atendam as transformações tecnológicas, sociais e culturais e
expectativas no âmbito do IF Goiano.
Percebe-se que a leitura de livros literários é imprescindível para a formação de um leitor
crítico, que consiga entender e questionar a realidade da sociedade, além de contribuir para a
interpretação e formulação de diversos textos, inclusive científicos e acadêmicos. Nessa
perspectiva, a feira de troca de livros pode contribuir para que os estudantes tenham acesso à leitura
literária, além de propiciar um evento cultural, havendo a interação entre alunos de cursos e
semestres diferentes, com trocas de experiências, de hábitos e preferências de leitura. Corroborando
com essa afirmativa, Almeida (2009, p. 04) defende que:
A leitura literária como experiência estética pode contribuir para um melhor desempenho
escolar dos estudantes pela aquisição das habilidades linguísticas, uma vez que o texto
literário é polissêmico e exige do leitor durante o ato da leitura um processo de troca e de
aprovação, o que lhe dá ilusão de independência e de escolha, mas que na verdade envolve
as memórias históricas coletivas e individuais, muitas vezes já determinadas pelo próprio
texto.

�Este trabalho descreve como a leitura literária pode colaborar com a formação omnilateral
almejada pela Educação Profissional e Tecnológica (EPT), e relata como a feira de troca de livros
foi organizada, seu regulamento e os resultados que ela proporcionou aos estudantes do IF Goiano –
Campus Rio Verde.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para este estudo, realizou-se uma pesquisa de abordagem qualitativa, que se afirma no
campo da subjetividade e do simbolismo. Essa abordagem realiza uma aproximação entre sujeito e
objeto, uma vez que “ambos são da mesma natureza: ela se volve com empatia aos motivos, às
intenções, aos projetos dos atores, a partir dos quais as ações, as estruturas e as relações tornam-se
significativas” (MINAYO; SANCHES, 1993, p. 244), de caráter descritivo, visando descrever as
características de determinada população ou fenômeno (MATIAS-PEREIRA, 2016).
A coleta de dados foi feita por meio de revisão de literatura para apresentar os conceitos de
leitura literária e educação profissional e tecnológica, no viés da formação omnilateral. Aplicou-se
o método de observação, que Andrade (2010, p. 112) define como “fatos observados, registrados,
analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Isto significa que os
fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não manipulados pelo pesquisador”, para
verificar os resultados que a feira de troca livros apresentou.

3 A LEITURA LITERÁRIA E A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

A educação profissional e tecnológica objetiva a formação humana integral, uma formação
ampla, de compreensão das partes na sua totalidade ou da unidade no diverso. Uma formação
omnilateral, oposta à unilateralidade, e não apenas à satisfação do mercado de trabalho
contemporâneo (Ramos, 2005). Manacorda (2010, p. 94), sustentando os pressupostos marxianos,
define omnilateralidade como “desenvolvimento total, completo, multilateral, em todos os sentidos,
das faculdades e das forças produtivas, das necessidades e da capacidade da sua satisfação”.
Viabilizando, assim, uma reflexão crítica da realidade, a apropriação do conhecimento, a autonomia
e emancipação do sujeito.

�Dessa forma, as bibliotecas, com seus produtos, serviços e ações, podem oferecer uma gama
extensa de subsídios que colaborem com essa formação omnilateral pretendida pela educação
profissional e tecnológica. Dentre elas, está o apoio, acesso e incentivo à leitura literária. A leitura
literária vai além do prazer pela leitura, Cosson (2012, p. 27) defende que, “é nas diversas
experiências de leitura que o ser humano se constitui como sujeito histórico, potencializando, assim,
sua maneira de ver o mundo e de estar nele”.
Atestando a importância da leitura para a concepção do indivíduo crítico, Almeida e Britto
(2009, p. 03) sintetizam que:

Ao ler o leitor reativa suas aquisições culturais anteriores e estabelece uma produção de
sentido, remodelando seu universo intelectual, pois o seu repertório é acrescido de
representações, numa nova contextualização, com um outro sentido, multiplicando os
pontos de vista sobre o mesmo espetáculo ou acontecimento, um processo de ruptura,
portanto no mundo da cultura erudita.

Eco (2003, p.12) afirma que, “as obras literárias nos convidam à liberdade de interpretação,
pois propõe um discurso com muitos planos de leitura e nos colocam diante das ambiguidades e da
linguagem da vida”. Neste sentido, a leitura literária tem muito a contribuir com o desenvolvimento
do ser humano, pelo viés da omnilateralidade, que prima pelo desenvolvimento total, multilateral,
que propicie aos indivíduos compreender a realidade em suas várias dimensões, possibilitando
transformá-la.
Conforme Alves (2015), a leitura literária pode ser utilizada como fonte de descobertas, de
inquietações e de construção de sujeitos críticos e reflexivos, capazes de interpretar o contexto
experienciado nos textos de modo a modificar suas atitudes e a forma de ver o cotidiano e,
consequentemente, tornar-se analítico frente à realidade de mundo ao qual pertence.
A leitura literária, comprometida com a EPT, faz parte do desenvolvimento omnilateral do
sujeito, sendo que, é nas diversas experiências de leitura que o ser humano se constitui como sujeito
histórico, potencializando, assim, sua maneira de ver o mundo e estar nele (VARGAS, 2009).
Segundo Turchi e Silva (2006, p. 35), “a obra literária é simbólica, ela permite leituras plurais,
dando-se a interpretação sempre de um modo novo, pelas possibilidades de combinações de
signos.”

�A omnilateralidade prevê que o ser humano compreenda as relações histórico-culturais que
compõem a sociedade, despertando o senso crítico e a postura ativa perante as relações sociais,
tornando-se, portanto, um indivíduo protagonista. Nesta perspectiva, a leitura representa uma
dimensão singular da experiência humana e possibilita registrar e entremear pensamentos e fatos de
diferentes tempos e espaços culturais e sociais (YUNES, 2009).
De acordo com Turchi e Silva (2006, p. 35):

[...] a obra literária é portadora de informações, ideias, sentimentos, e acima de tudo, de
questões sobre o homem e o mundo, que provocam o leitor; esse, por sua vez, no ato de ler,
responde, à sua maneira, às indagações que recebe e formula novas questões, em um
movimento de diálogo constante.

Assim sendo, faz-se necessário que a leitura literária seja introduzida aos estudantes da EPT,
pois a mesma corrobora com as múltiplas facetas que compõem a formação omnilateral. Em
concordância, Ramos, Marangoni e Maciel (2016, p. 1018), afirmam que “o efeito literário, síntese
resultante do processo, pode referendar valores sociais dos receptores ou contribuir para modificar
sua conduta e concepção de mundo”.

4 FEIRA DE TROCA DE LIVROS

A leitura literária traz para o indivíduo leitor uma gama de conhecimentos acerca de vários
temas, potencializa sua visão crítica, sua escrita, vocabulário e interpretação de textos. Além de
desenvolver a criatividade, a imaginação e possibilitar a aquisição de cultura, por meio dos
múltiplos cenários que essa leitura pode apresentar. Ramos, Marangoni e Maciel (2016, p. 10181019) declaram que:

[...] o texto literário, tomado como produção cultural que assimila, em sua estrutura, a
realidade externa, traz implicações de caráter social, histórico e ético. Trata-se, assim, de
um construto que, gerado na esfera do “fazer”, incide sobre o “agir”, domínios humanos
através dos quais se pode definir a dimensão do “ser”, uma vez que o sujeito, inserido na
cultura, se constitui a partir deles.

�Com o intuito de oferecer aos estudantes o acesso a livros literários e incentivar a leitura
como elemento auxiliador da formação omnilateral, realizou-se a feira de troca de livros na
Biblioteca Faustina Alves de Castro do IF Goiano - Campus Rio Verde. Para que se alcançasse o
público pretendido, foi efetivada a divulgação para os alunos do IF Goiano – Campus Rio verde por
meio de distribuição de cartazes em todo o campus e publicações em redes sociais. Confeccionou-se
um regulamento específico para a realização da feira, que trazia as normas referentes à participação
dos alunos e as regras para a troca dos livros. A Tabela 1 demonstra as regras de participação.

Tabela 1: Regras de participação da Feira de troca de livros.

Regras de Participação
A entrada na feira de troca de livros é livre.
A participação na feira de troca de livros é restrita àqueles que tiverem o vale-troca fornecido pela
biblioteca do IF Goiano - Campus Rio Verde.
A biblioteca fornece vale-troca ao participante que apresentar livros, gibis e/ou mangás que
atendam às regras de troca da biblioteca, sendo 01 vale-troca por cada item apresentado.
O prazo para apresentação na biblioteca dos itens de leitura é de 15 dias de antecedência até o dia
da feira de troca de livros.
Fonte: elaborado pelas autoras (2021).

A Tabela 2 elenca as regras aplicadas para que as trocas de livros fossem efetivadas,
apresentando, assim, as normas que os participantes deveriam considerar.

�Tabela 2: Regras para a troca na Feira de troca de livros.

Regras de Troca
Não serão aceitos: livros didáticos, enciclopédia, apostilas; revistas e jornais; guias e dicionários.
Somente serão aceitos para troca itens em bom estado de conservação.
Não serão aceitos para troca itens de propriedade desta ou de outras bibliotecas.
Cada participante receberá 01 vale-troca que corresponde ao item apresentado.
Da mesma forma cada vale-troca só poderá ser trocado por 01 item do mesmo tipo. Exemplo: 01
livro por um vale-troca “livro”; 01 gibi por um vale-troca “gibi”.
Se ao fim da feira de troca, o participante não houver efetuado nenhuma troca e quiser a
devolução do item originalmente apresentado à biblioteca, não garantimos que o mesmo e exato
estará disponível.
A biblioteca não se responsabiliza por perda ou extravio de vale-trocas e não fornecerá outro
para reposição.
Fonte: elaborado pelas autoras (2021).

Os livros foram coletados antecipadamente e colocados em exposição na biblioteca para
despertar o interesse dos estudantes, instigá-los com os materiais expostos e incentivá-los a
desapegarem de seus livros particulares para fazerem a troca de materiais no dia que aconteceria a
feira.
A luz dos estudos de Campos e Boscoli (2015, p. 242):

A leitura é algo essencial para o processo de aprendizado dos jovens, por isso deve-se
valorizar o livro e a biblioteca – e através destes dar a oportunidade para os jovens e adultos
de estar sempre em contato com a cultura. A leitura formal é importante para as crianças e
os jovens, para que eles consigam formar referências, e portanto, se tornem capazes de se
aprofundar o conhecimento sobre o mundo, assimilando e analisando os fatos que ocorre
durante a vida de modo mais profundo e racional.

Destarte, cabe à biblioteca realizar ações que incentivem o prazer pela leitura, para que os
estudantes possam, cada vez mais, terem suas visões de mundo ampliadas, para que, apropriados de
conhecimentos, possam formular suas próprias opiniões. Observou-se durante toda a feira de troca
de livros a interação entre alunos, a discussão sobre hábitos e preferências de leitura, comentários

�sobre autores e estilos literários, além de debates relativos aos livros a serem trocados, enfatizando
o caráter social do evento, que proporcionou aos alunos discussões inerentes ao seu cotidiano.
Andrade (2002) enfatiza que a biblioteca é uma instituição milenar, que durante séculos
garantiu a sobrevivência dos registros do conhecimento humano, também é partícipe fundamental
do complexo processo educacional. Pode, portanto, contribuir efetivamente para preparar crianças e
jovens para viverem no mundo contemporâneo, em que a educação e conhecimento assumem
destaque central. A autora reitera que a biblioteca faz realmente a diferença.

5 RESULTADOS

A feira de troca de livros da biblioteca Faustina Alves de Castro teve seu objetivo alcançado
e o resultado foi extremamente positivo entre os alunos do IF Goiano – Campus Rio Verde. Na
feira, do ano de 2019, participaram 54 alunos, foram trocados 189 itens, sendo todos livros
literários,

incluindo

best-sellers,

biografias,

romances

espíritas,

romances

épicos,

autoconhecimento, ficção e não ficção. Por meio de observação, pôde-se coletar alguns relatos de
participantes da feira, os quais serão descritos a seguir.

Gostaria que a feira fosse realizada mais vezes no ano, assim poderia trocar os livros logo
que tivesse lido (PARTICIPANTE A, 2019).
Estou formando esse ano, mas gostaria de ser avisado quando for ocorrer a feira de troca de
livros para que eu possa participar novamente (PARTICIPANTE B, 2019).
Fiquei muito satisfeito com minhas trocas, agora estou com minha biblioteca pessoal
renovada (PARTICIPANTE C, 2019).

Vários foram os elogios à feira de troca de livros, a participação foi considerada excelente
pelos servidores da biblioteca e os alunos mostraram-se muito entusiasmos pelos livros e satisfeitos
com suas trocas. Assim, amplia-se o campo de leitura que os alunos têm acesso, vários comentaram
sobre os livros que leram e deram suas opiniões, incentivando e instigando seus colegas ao hábito
da leitura e gerando discussões em torno do tema.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

�A leitura proporciona, além do prazer do ato de ler, instrumentos importantes para a
formação omnilateral do indivíduo, pois favorece o pensamento reflexivo e analítico, ampliando
suas visões de mundo.
A intenção da feira de troca de livros era incentivar a leitura de livros literários, almejou-se
oferecer aos alunos um evento cuja leitura literária fosse exaltada, em que os livros fossem os
protagonistas e os alunos de diversos cursos e semestres pudessem interagir entre si, expondo seus
hábitos e preferências de leitura.
Percebeu-se que a feira de troca de livros foi muito produtiva, não somente pelos itens de
literatura permutados, mas também pela troca de conhecimentos sobre as rotinas de leitura de cada
participante, levantaram-se várias discussões, dentre elas, como a leitura de livros literários podia
contribuir para os estudantes acadêmicos, além de divulgar a biblioteca que realizou a ação e sediou
a feira.
Os alunos demonstraram enorme satisfação em participar da feira, houve vários elogios e
sugestões para que fossem realizadas mais atividades nessa temática, alguns afirmaram estar
ansiosos pela próxima edição do evento.
Verificou-se a necessidade de incluir no meio acadêmico e científico mais incentivo à leitura
de livros literários, sendo que estes despertam grande interesse dos alunos. Sugere-se que seja
incorporado na instituição atividades como clube do livro ou da leitura, dentre outras ações que
estimulem o gosto pela leitura pelos alunos da EPT.
A Biblioteca Faustina Alves de Castro pretende realizar outras edições da feira de troca de
livros para fomentar a leitura entre os alunos do IF Goiano – Campus Rio verde, devido à demanda
gerada e o resultado positivo alcançado nesta edição.

REFERÊNCIAS

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Médio: perspectivas de intervenção metodológica. In: 17º Congresso de Leitura do Brasil, 2009,
Campinhas. Anais eletrônicos... Disponível em:
http://alb.org.br/arquivomorto/edicoes_anteriores/anais17/cadernodeatividades.pdf. Acesso em: 22
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�ALVES, Juciléa Campos. Letramento literário: aprendendo a compreender os textos literários
com o auxílio das estratégias metacognitivas. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte. Faculdade de Letras e Artes. Programa Mestrado Profissional em
Letras. Pau dos Ferros, RN, 2015.Disponível em:
https://www.uern.br/controledepaginas/defesas2015/arquivos/3539jucila%C2%A9a_campos_alves.
pdf. Acesso em: 25 jun. 2021.
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração
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CAMPOS, Vitor Martinez Arruda; BOSCOLI, Maria Alessandra Bacaro. Espaço de cultara e artes
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COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. 2.ed. São Paulo, SP: Contexto, 2012.
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FRIGOTTO, Gaudêncio; CIAVATTA, Maria; RAMOS, Marise (orgs.). Ensino Médio Integrado:
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MANACORDA, Mario Alighiero. Marx e a pedagogia moderna. Campinas: Alínea, 2010.
MATIAS-PEREIRA, José. Manual de metodologia da pesquisa científica. 4. ed. rev. São Paulo,
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MINAYO, Maria Cecilia de S.; SANCHES, Odécio. Quantitativo-Qualitativo: oposição ou
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RAMOS, Flávia Brocchetto; MARANGONI, Marli Cristina Tasca; MACIEL, Rochele. A leitura
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TURCHI, Maria Zaira; SILVA, Vera Maria Tietzmann. Leitor formado, leitor em formação:
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�VARGAS, Suzana. Leitura: uma aprendizagem de prazer. Rio de Janeiro: J. Olympio, 2009.
YUNES, Eliana. Tecendo um leitor: uma rede de fios cruzados. Curitiba: Aymará, 2009.

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>A leitura literária é uma ferramenta utilizada para formar indivíduos com senso crítico, que possam questionar, avaliar e contribuir para a sociedade. A Educação Profissional e Tecnológica tem o ideário de uma formação omnilateral, que visa ao direito a uma formação completa para a leitura do mundo e da sociedade, para a atuação como cidadão pertencente a um país, integrado e atuante em sua comunidade. Uma das funções da biblioteca é incentivar o prazer pela leitura, para isso, realizou-se uma feira de troca de livros com o objetivo de democratizar o acesso a livros literários e incentivar a leitura dos estudantes do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde. O estudo desenvolveu uma pesquisa qualitativa, descritiva, por meio de revisão de literatura e método de observação, para análise dos objetivos propostos. Este trabalho investiga a importância da leitura literária para a formação omnilateral do indivíduo, descreve como a feira de troca de livros foi realizada e avalia os resultados atingidos. Verificou-se que a feira de troca de livros foi um evento que possibilitou a divulgação da biblioteca, a renovação dos acervos particulares de livros literários dos alunos, tendo proporcionado a eles discussões acerca da importância da leitura, além de contribuir para a cultura e integração social dos estudantes da Educação Profissional e Tecnológica.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
A BIBLIOTECA COMO INCENTIVADORA DA PRODUÇÃO TEXTUAL: CONCURSO
LITERÁRIO “FAROL CULTURAL”
THE LIBRARY AS AN ENCOURAGER OF TEXTUAL PRODUCTION: “CULTURAL
LIGHTHOUSE” LITERARY CONTEST
Letícia Rodrigues dos Santos1
Elisângela Ladeira de Moura Andrade2
Emmanuela Ferreira de Lima3
Juliana Cristina da Costa Fernandes4
Jussara de Fátima Alves Campos Oliveira5
Resumo: A produção textual é uma importante ferramenta metodológica para a emancipação dos alunos. A biblioteca,
atuando como suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, pode contribuir de várias formas para o incentivo à
produção textual. Neste trabalho, objetiva-se mostrar a importância da produção textual para os alunos da Educação
Profissional e Tecnológica, elucidar as contribuições da biblioteca para esses alunos desenvolverem essa prática, além
de descrever o concurso de contos literários, Farol Cultural, promovido no Instituto Federal Goiano. O estudo foi
realizado por meio de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter descritivo, por meio de revisão de literatura
para melhor compreensão sobre a importância da produção textual para a formação dos alunos. Foi utilizado o método
estudo de caso, a fim de abordar os incentivos que a biblioteca pode oferecer ao seu público em seu exercício,
exemplificando o projeto Farol Cultural. Conclui-se que a produção textual, bem como a promoção de projetos que
incentivem sua prática, tem suma importância para o desenvolvimento e emancipação dos alunos da Instituição.
Palavras-chave: Produção textual. Farol Cultural. Biblioteca. Instituto Federal Goiano.
Abstract: Textual production is an important methodological tool for students' emancipation. The library, acting as a
support for teaching, research and extension activities, can contribute in many ways to encourage textual production. In
this work, the objective is to show the importance of textual production for students of Professional and Technological
Education, to elucidate the contributions of the library for these students to develop this practice, in addition to
describing the contest of literary tales, cultural lighthouse, promoted at the Goiano Federal Institute. The study was
carried out through a research with a qualitative approach, with a descriptive character, through a literature review for a
better understanding of the importance of textual production for the students education. The case study method was
used in order to address the incentives that the library can offer its public in its exercise, exemplifying the cultural
lighthouse project. It is concluded that textual production, as well as the promotion of projects that encourage its
practice, have a paramount importance for the development and emancipation of the institution's students.
Keywords: Textual production. Cultural Lighthouse. Library. Goiano Federal Institute.

Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica. IF Goiano – Campus Rio Verde.
leticia.santos@ifgoiano.edu.br.
2
Mestra em Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: elisladeirama@gmail.com.
3
Doutora em Química. IF Goiano – Campus Morrinhos. E-mail: emmanuela.lima@ifgoiano.edu.br.
4
Doutora em Educação. IF Goiano – Campus Avançado Ipameri. E-mail: juliana.fernandes@ifgoiano.edu.br.
5
Doutora em Educação. IF Goiano – Campus Avançado Ipameri. E-mail: jussara.oliveira@ifgoiano.edu.br.
1

E-mail:

�1 INTRODUÇÃO
O Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia Goiano (IF Goiano) tem a finalidade de proporcionar funcionamento integrado,
otimizando a utilização e a gerência de acervos das bibliotecas no âmbito da instituição. O SIBi é
responsável por definição de normas e diretrizes que objetivam subsidiar as bibliotecas e demais
unidades de informação dos campi do IF Goiano, na prestação de serviços e produtos de
informação, visando atender as demandas da tríade ensino, pesquisa e extensão. Atualmente, é
composto por 12 unidades de informação, lotadas nos seguintes campi do estado de Goiás: Catalão,
Ceres, Cristalina, Hidrolândia, Ipameri, Iporá, Morrinhos, Posse, Rio Verde, Trindade, Urutaí e na
Reitoria, situada em Goiânia.
Com o intuito de estimular o prazer pela leitura e pela escrita, por meio da valorização da
produção textual, foi desenvolvido, no ano de 2013, o concurso de contos literários “Farol
Cultural”, inicialmente idealizado por uma bibliotecária lotada no Campus Morrinhos e,
posteriormente, reconhecida a importância do projeto, ampliou-se sua abrangência para contemplar
todos os campi do IF Goiano, por intermédio do SIBi.
Neste trabalho, objetivamos mostrar a importância da produção textual para os alunos da
Educação Profissional e Tecnológica (EPT), elucidar os incentivos que a biblioteca proporciona
para a efetivação dessa prática, além de descrever o concurso de contos Farol Cultural.
A atividade de produção textual, enquanto ensino da escrita, não é uma tarefa fácil. Guedes
(2009) afirma que a pedagogia tradicional acabou criando o famigerado gênero ‘redação escolar’,
que leva a uma escrita para ninguém ler. Porém, a produção de texto, no ambiente escolar, precisa
buscar o “uso consciente dos recursos expressivos da língua com a finalidade de produzir
deliberados efeitos de sentido sobre bem determinados leitores” (GUEDES, 2009, p. 52).
Nos tópicos a seguir, será descrita a importância da produção textual para os alunos da EPT,
bem como será explicitada uma das atividades realizadas pelo SIBi para o incentivo a essa prática, o
concurso de contos literários Farol Cultural, realizado pelo IF Goiano.

�2 METODOLOGIA

Para este trabalho, desenvolvemos uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter
descritivo. Chizzotti (2009, p. 79) descreve essa abordagem como “uma relação dinâmica entre o
mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo
indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito”.
A fundamentação teórica foi realizada por meio de revisão de literatura, com o objetivo de
referenciar os estudos anteriormente publicados, evidenciando as contribuições relacionadas à
produção textual e ao projeto Farol Cultural. O procedimento estudo de caso foi utilizado com o
intuito de efetivar um estudo profundo e exaustivo, que permita seu amplo e detalhado
conhecimento (MATIAS-PEREIRA, 2016). Realizamos a análise e discussão dos resultados, a fim
de descrevermos a importância do projeto Farol Cultural, realizado pelo IF Goiano, como
incentivador da produção textual.

3 A PRODUÇÃO TEXTUAL NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

A EPT preconiza um projeto de integração entre a formação geral e a formação profissional,
em busca da superação do dualismo entre trabalho manual e intelectual, na defesa da democracia e
da escola pública (FRIGOTTO; CIAVATTA; RAMOS, 2005). Essa educação está baseada nos
alicerces do trabalho, ciência, cultura e tecnologia como uma unidade, indissociáveis para a
formação humana. Trabalho, aqui, entendido como atividade ontológica, inerente ao ser humano,
que transforma sua relação com a natureza para sua própria sobrevivência. Ciência, visando
propiciar aos alunos o domínio dos fundamentos das técnicas diversificadas utilizadas na produção.
Cultura e tecnologia, visando ao desenvolvimento de todas as potencialidades humanas (RAMOS,
2014).
Nesse sentido, a produção textual colabora com os princípios da EPT, uma vez que possui
potencial emancipador, quando trata da preparação do aluno para o uso consciente dos recursos da
língua, levando-o à argumentação crítica e persuasiva. A professora Ana Elisa Ribeiro (2018, orelha

�do livro) nos diz que “escrita é poder. Sem expressão pode ser que uma massa de jovens leitores
torne-se apenas uma massa que silencia suas boas ideias”. E esse poder não pode ser reduzido à
busca pelo único gênero ‘redação escolar’, que deixa de levar em conta a realidade histórico-social
dos alunos, aquilo que eles já sabem, suas histórias de vida, em função de uma técnica ensinada e
aprendida exclusivamente para o ingresso no ensino superior, como a preparação para a redação do
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Não estamos afirmando que a preparação para a redação Enem não seja importante, muito
pelo contrário, há que se preparar os alunos para o mundo do trabalho e os exames para ingresso no
ensino superior fazem parte dessa preparação. Porém, a prática da produção textual no ambiente
escolar não pode se reduzir a isso.
“Todo texto é um evento sociocomunicativo, que ganha existência dentro de um processo
interacional” (KOCH; ELIAS, 2018, p. 13). A oralidade possui a característica de ter marcada uma
coprodução entre interlocutores. Há a participação direta e ativa de quem escuta. Já no texto escrito,
essa dialogicidade é uma relação ‘ideal’, o escritor considera determinado tipo de leitor, prevendo
suas respostas e reações. Mas essa comunicação entre interlocutores tem que existir, não se escreve
para ninguém ler, ou, como acontece com as redações escolares, não se pode trabalhar a escrita
pensando somente em um único interlocutor: o professor quem corrige os textos.
Guedes (2009, p. 90, grifo do autor) afirma que “produção de texto pressupõe leitores que
vão dialogar com o texto produzido: concordar e aprofundar ou discordar e argumentar, tomando o
texto como matéria-prima para seu trabalho”. A luz dos estudos do autor, considera-se a produção
textual numa perspectiva de língua como discurso, dotado de estreita relação entre locutor e
possíveis interlocutores, inserido num contexto histórico significativo. Os possíveis leitores de um
texto escrito em atividade escolar não pode ser somente o professor que os corrige, pois “texto é
coisa pública, publicável” (GUEDES, 2009, p. 44).
O concurso Farol Cultural, do qual trataremos mais à frente, consiste num concurso de
textos do gênero ‘conto’. Cada gênero textual, conforme Marcuschi (2008, p. 150) “tem um
propósito bastante claro que o determina e lhe dá uma esfera de circulação”. O conto, em particular,
muito comum na tradição literária brasileira, consiste numa narrativa curta que envolve apenas um
conflito que cria um universo de seres, de fantasia ou acontecimentos. É comum que o conto
apresente poucos personagens, espaço ou cenário limitado e recorte temporal reduzido.

�Importante salientar que a escrita de um conto pode permitir que o aluno expresse, mesmo
que de forma camuflada, suas experiências de vida, suas histórias, seus traumas, alegrias e tristezas.
Considera, portanto, o que Paulo Freire (2011) chama de ‘palavramundo’. “A leitura do mundo
precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade
da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente” (FREIRE, 2011, p. 19-20).
Nessa perspectiva, consideramos que o projeto Farol Cultural vai ao encontro de
prerrogativas do tipo de formação ofertado pelo IF Goiano, quando permite ao aluno uma produção
criativa, publicável, que considera diversos tipos de leitores. Um projeto que merece ampla
divulgação por seu caráter emancipador, diante de uma realidade escolar que, como mencionamos,
nem sempre valorizou tal característica na atividade de produção textual.

4 AS BIBLIOTECAS DO IF GOIANO
Em 2008, por meio da Lei nº 11.892, foi instituída a Rede Federal de Educação Profissional,
Científica e Tecnológica, e criou-se os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.
Dessa lei, originou-se o Instituto Federal Goiano, atualmente constituído por 12 campi, distribuídos
no Estado de Goiás. Segundo essa Lei:

Os Institutos Federais são instituições de educação superior, básica e profissional,
pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de educação profissional e
tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de
conhecimentos técnicos e tecnológicos com as suas práticas pedagógicas (BRASIL, 2008,
p. 01).

Corroborando com a afirmativa exposta, Pacheco (2010) defende que os Institutos Federais
trazem elementos singulares para sua definição e identidade, assumindo um papel representativo de
uma verdadeira incubadora de políticas sociais, uma vez que constroem uma rede de saberes que
entrelaça cultura, trabalho, ciência e tecnologia em favor da sociedade.
Para atender as necessidades dos Institutos Federais, as bibliotecas precisam ser atuantes e,
em consonância com os objetivos e funções da instituição, aptas a atenderem a demanda
informacional de seus usuários, respeitando as especificidades e heterogeneidades de seu público,
garantindo, dessa maneira, que sejam verdadeiramente úteis e atraentes para o público e não apenas

�uma infraestrutura física. A identidade das bibliotecas dos Institutos Federais ainda está em
construção e, de acordo com a literatura, ainda não se tem um consenso quanto à sua nomenclatura,
sendo tratadas como híbridas, mistas ou multiníveis. Por acolherem um público muito diversificado,
oriundo de cursos de nível médio, técnico, tecnológico, graduação e pós-graduação, ofertados por
eixo tecnológico, e alunos de cursos de formação continuada e comunidade externa, congregando,
dessa forma, características de bibliotecas escolares, universitárias, especializadas, comunitárias e
públicas em uma única biblioteca. Moutinho (2014) defende que:
[...] após a criação da lei nº 11.892/2008, essas bibliotecas se tornaram escolares,
universitárias e especializadas, pois passou a ter demandas dos níveis: ensino médio,
técnico, graduação, pós-graduações tecnológicas, programas como PIBIC, PARFOR,
Mulheres Mil, Certific, entre outros. Com essa grande quantidade de cursos e modalidades,
surge uma instituição ímpar em nosso país, uma instituição multinível e multimodal, sendo
necessária uma classificação para o tipo de biblioteca que essa instituição possui, a que
classificaremos como bibliotecas multiníveis, pois atende a usuários de vários níveis de
ensino (MOUTINHO, 2014, p. 71).

Com a implantação do IF Goiano, percebeu-se a necessidade de formar um sistema
integrado de bibliotecas, objetivando o compartilhamento e melhorias de serviços e produtos,
integração entre as unidades de informação, desenvolvimento de gestão participativa, criação de
política de controle e disseminação da informação e o trabalho cooperativo, integrado e
participativo entre os profissionais desses espaços. O SIBi foi instituído por meio da Resolução CS
nº 010, de 21/02/2014, com o intuito de propiciar funcionamento integrado entre as bibliotecas do
IF Goiano. Conforme seu regulamento, tem por objetivo atender às necessidades e demandas da
comunidade do IF Goiano e assessorar as bibliotecas dos campi, a fim de estabelecer condições e
procedimentos para a utilização dos serviços, materiais e instalações, de forma a garantir o perfeito
funcionamento de suas atividades e a qualidade do acervo e dos serviços oferecidos, com foco no
atendimento aos usuários. São 12 as bibliotecas que compõem o SIBi, cada uma residente em um
campus do IF Goiano. Com base nas finalidades dos Institutos Federais, o SIBi elabora ações que
convergem no melhor atendimento das necessidades dos seus usuários. Dentre estas ações, temos o
projeto “Farol Cultural: contando histórias de Goiás a Paraty”, que será explicitado a seguir.

�5 O PROJETO FAROL CULTURAL

O projeto Farol Cultural teve início em 2013, desenvolvido por uma bibliotecária no
Campus Morrinhos. Com a instauração do SIBi, em 2014, percebeu-se a relevância do projeto no
incentivo à produção textual e optou-se por estendê-lo a todos os campi do IF Goiano. Em 2019, o
concurso encontrava-se em sua sétima edição. Devido à sua expansão, realizou-se parceria com a
Pró-Reitoria de Extensão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (PROEX)
e o Núcleo de Arte e Cultura do IF Goiano (NAIF), os quais colaboram com a execução do projeto
promovido pelo SIBi. O objetivo do projeto é estimular o prazer em ler e escrever, por meio da
valorização da produção literária. Para alcançar esse desígnio, é realizado um concurso de contos
literários direcionado a alunos matriculados nos cursos regulares do IF Goiano.
O concurso tem por finalidade fomentar a produção literária dos alunos do IF Goiano,
oportunizando a participação da comunidade acadêmica no desenvolvimento de ações de Ciência,
Arte e Cultura. Busca-se também contribuir para a formação profissional, cidadã e crítica dos
alunos, bem como estimular a produção e difusão de conhecimentos científicos, tecnológicos,
culturais, sociais e artísticos. O concurso de contos é destinado aos alunos do IF Goiano
regularmente matriculados em cursos de nível superior ou em cursos técnicos de nível médio
(técnico integrado, subsequente, concomitante e EJA), nas modalidades presencial e a distância.
Para avaliar os contos, é formada uma comissão de professores de Língua
Portuguesa/Literatura que analisam os seguintes critérios: originalidade, criatividade, bom uso da
língua e a exploração de recursos inerentes ao conto, tais como personagens, narração, conflito e
resolução do conflito. São escolhidos os três contos mais bem avaliados de cada campus,
totalizando 36 contos de autores diferentes. Os participantes classificados recebem medalhas e
certificados e podem divulgar seus contos, por meio das atividades da Semana do Livro e da
Biblioteca. Os contos classificados são publicados em um livro, revista ou e-book de coletâneas
organizado pelo IF Goiano. Os três primeiros colocados, na classificação geral, são premiados pelo
Instituto e os três autores dos melhores contos avaliados em cada campus recebem bolsas para
poderem participar da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que ocorre em Paraty – Rio de
Janeiro. Em 2019, foram realizadas 144 inscrições, sendo selecionados 36 contos.

�6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A produção textual, no ambiente escolar, é uma importante ferramenta metodológica para o
desenvolvimento da criticidade e da persuasão, uma vez que carrega consigo elementos de
expressividade consciente por meio da língua escrita. Além disso, possui um poder emancipador,
quando dá aos alunos a voz necessária para a participação efetiva nas diversas ocasiões de uso
formal da linguagem.
O concurso de contos literários, Farol Cultural, contribui com o incentivo às produções
textuais literárias para os alunos pertencentes à EPT. Essa atividade estimula a prática da produção
textual considerando diferentes interlocutores, inserindo os alunos numa realidade necessária de que
textos precisam ser lidos e que não escrevemos pensando somente no professor como interlocutor.
Além disso, o concurso proporciona aos alunos a oportunidade de escreverem sobre temas do seu
próprio interesse, considerando o que sabem, o que trazem consigo, ou seja, suas realidades
histórico-sociais e culturais. A contribuição da produção textual no desenvolvimento crítico e social
dos alunos, se faz extremamente relevante em sua formação, principalmente quando se trata de uma
instituição como o IF Goiano, comprometida com a formação omnilateral dos indivíduos.
Entendemos que o projeto propicia não somente o incentivo à produção textual, mas também
fornece aos alunos a possibilidade do conhecimento de novas culturas, de integração entre colegas
de outros campi, pertencentes a outros níveis de instrução e de cursos diferentes, oferece
conhecimento a novas regiões do país e literatura nacional e internacional, além de possibilitar
contato com indivíduos do mundo inteiro, que estão participando da FLIP. Os alunos mostram-se
entusiasmados em participar do projeto e percebe-se que o número de adeptos, bem como o número
da produção dos contos literários, aumenta a cada edição.
É nítida a necessidade de haver mais projetos dessa natureza na EPT, com vistas à formação
cultural dos alunos, possibilitando a unidade entre trabalho, ciência, cultura e tecnologia,
preconizada por este tipo de formação. O SIBi pretende dar continuidade ao projeto Farol Cultural,
como forma de incentivar as produções textuais dos alunos da EPT, realizando as edições anuais do
projeto, no âmbito do IF Goiano, com vistas à esta formação que integra trabalho, ciência, cultura e
tecnologia.

�REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação
Profissional, Cientifica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e
Tecnologia, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil,
Brasília, 30 dez. 2008a, Seção 1, p. 1.
CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 10. ed. São Paulo, SP: Cortez,
2009.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 51. ed. São Paulo,
SP: Cortez, 2011.
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santos, Leticia Rodrigues dos, Andrade, Elisângela Ladeira de Moura, Lima, Emmanuela Ferreira de, Fernandes, Juliana Cristina da Costa, Oliveira, Jussara de Fátima Alves Campos</text>
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                <text>A produção textual é uma importante ferramenta metodológica para a emancipação dos alunos. A biblioteca, atuando como suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, pode contribuir de várias formas para o incentivo à produção textual. Neste trabalho, objetiva-se mostrar a importância da produção textual para os alunos da Educação Profissional e Tecnológica, elucidar as contribuições da biblioteca para esses alunos desenvolverem essa prática, além de descrever o concurso de contos literários, Farol Cultural, promovido no Instituto Federal Goiano. O estudo foi realizado por meio de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter descritivo, por meio de revisão de literatura para melhor compreensão sobre a importância da produção textual para a formação dos alunos. Foi utilizado o método estudo de caso, a fim de abordar os incentivos que a biblioteca pode oferecer ao seu público em seu exercício, exemplificando o projeto Farol Cultural. Conclui-se que a produção textual, bem como a promoção de projetos que incentivem sua prática, tem suma importância para o desenvolvimento e emancipação dos alunos da Instituição.</text>
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                    <text>Eixo 1 - Tradição

Imprimindo qualidade às informações do Currículo Lattes e da Plataforma Sucupira:
a contribuição do bibliotecário universitário
Providing quality to information in the Lattes Curriculum and the Sucupira Platform: the librarian's
contribution
Rosane Teles Lins Castilho1

Resumo: Produção Bibliográfica é um dos quesitos do Relatório Coleta Sucupira de avaliação para o Sistema
Nacional de Pós-graduação (SNPG) que mais contribui para o aumento ou diminuição do conceito de um
Programa de pós-graduação Stricto Sensu. Apesar da importância desse quesito, são constatados no relatório
diversos tipos de inconsistências nos dados que podem causar impactos no reconhecimento dos cursos e em
seu fomento, bem como comprometer a qualidade das informações que serão agregadas aos sistemas de gestão
da informação e de indicadores acadêmicos. Os objetivos deste trabalho são: apontar as inconsistências mais
frequentes encontradas em dados da produção bibliográfica do Currículo Lattes e seus impactos na Plataforma
Sucupira, base das informações para o Relatório; apresentar estratégias para atenuar a incidência dessas
inconsistências; defender a participação do bibliotecário universitário em trabalho sobre os dados da
Plataforma Sucupira, visando imprimir qualidade às informações, bem como sua participação mais intensiva
no universo da produção acadêmica da comunidade.

Palavras-chave: Currículo Lattes. Plataforma Sucupira. Relatórios da Produção Acadêmica. Bibliotecário
Universitário. Qualidade da Informação.
Abstract: Bibliographic Production is one of the requirements of the Sucupira Coleta Report for the
evaluation of the National Postgraduation System that contribute most to increase or decrease the score of a
postgraduation program. Despite the importance of this issue, several types of inconsistencies are found in data
of the report that can impact the accreditation of courses and their funding, as well as affect the quality of the
information that will be aggregated to the information management and academic indicators systems. The
objectives of this work are: to point out the most frequent inconsistencies found in data of the bibliographic
production in the Curriculum Lattes and its impact on the Sucupira Platform, source of information for the
Report; to outline strategies to mitigate the incidence of these inconsistencies; to advocate the participation of
the university librarian in a work on the Sucupira Platform data to provide quality to the information, as well as
its more active participation in the universe of the community academic production.

Keywords: Curriculum Lattes. Sucupira Platform. Academic Production Reports. University Librarian.
Information Quality.

1 INTRODUÇÃO
A Plataforma Lattes, do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) (CNPq, s.d.) e a Plataforma Sucupira, da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) (CAPES, 2016), são as mais

1

Graduação em Biblioteconomia e Documentação – UNIRIO, Mestrado em Ciência da Informação –
PPGCI-IBICT/UFRJ. E-mail de contato: rosanetlcastilho@gmail.com.

�importantes fontes de informação para o ecossistema de gestão da informação e avaliação da
pesquisa nacional.
O Currículo Lattes, um dos sistemas que integram a Plataforma Lattes é a base de
dados curricular da Plataforma Lattes, onde docentes de universidades e pesquisadores de
instituições de pesquisa científicas efetuam, a períodos, o cadastramento de informações
sobre suas atividades de pesquisa e produção – bibliográfica, técnica, artística e cultural.
Apesar de sua importância, não só às atividades operacionais de fomento do CNPq, bem
como às ações de fomento de outras agências federais e estaduais, e evolução tecnológica
experimentada ao longo dos últimos anos, recebe críticas da comunidade científica
quanto a dificuldades no cadastramento dos dados sobre suas atividades de pesquisa e
produções, em especial da Produção Bibliográfica, foco do presente trabalho, resultando
na ocorrência de diversos tipos de inconsistências em seu “povoamento” e, como
consequência, em prejuízo da qualidade da informação (MARQUES, 2010).
A Plataforma Sucupira, uma ferramenta de atualização e compartilhamento de
informações acadêmicas e que funciona também como uma base de referência para o
Sistema Nacional de Pós-Graduação (CAPES, 2014), interage com o Currículo Lattes,
através da importação dos dados da Produção Bibliográfica, seção do currículo onde
encontram-se reunidas informações sobre os resultados dos trabalhos científicos, conforme
cadastradas pelos docentes, alunos e pesquisadores. Ao importar essas informações da base
de dados do Currículo Lattes, a Plataforma Sucupira leva nessa importação todas as suas
ambiguidades e inconsistências, decorrentes de lacunas de informações e cadastramentos
incorretos, exigindo revisões e acréscimos de dados de modo a imprimir qualidade às
informações, tendo em vista que vai gerar importante relatório, o relatório consolidado
Coleta Sucupira, anual e quadrienal, destinado à avaliação dos Programas de PósGraduação, pelo Sistema Nacional de Pós-Graduação – SNPG (PACHECO, 2018a;
PACHECO, 2018b).
Aliado à essas questões, o Lattes e a Sucupira, doravante denominadas assim
também neste trabalho, passam a se constituir fontes de informação para um novo
componente do ecossistema gerencial de informação da pesquisa nacional, o Esppiral, um
repositório de produtos intelectuais da pós-graduação, em fase de implementação pela
CAPES (2019), destinado também a otimizar a produção de indicadores em Ciência e

�Tecnologia para o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Assim, cresce
ainda mais a necessidade de garantir integridade e fidedignidade às informações.
Considerando que Produção Bibliográfica é um dos quesitos do relatório Coleta
Sucupira que mais contribui para o aumento ou diminuição do conceito de um Programa em
sua avaliação (TEIXEIRA; PEREIRA; ZUGE, 2019), julgam-se necessárias ações que
atenuem a importação das inconsistências em dados do Currículo Lattes, antes de serem
replicadas nas bases de dados da Plataforma Sucupira, como também efetuar a sua
retificação, na etapa de pós-importadas, antes do seu emprego na produção do relatório
consolidado e proveito por outros repositórios e plataformas, como o BrCRIS (CNPq, 2021).
A motivação para realizar o presente trabalho vem da participação da autora na
elaboração do relatório quadrienal da produção bibliográfica do Programa de Pós-Graduação
de uma unidade acadêmica, o relatório consolidado Coleta Sucupira, onde constatou
diversas inconsistências em dados importados do Lattes pela Plataforma Sucupira que, se
mantidas, se refletiriam no relatório consolidado do Programa, trazendo impactos negativos
em sua avaliação pelo SNPG. Essas inconsistências em dados de ambas as plataformas já
haviam sido constatadas, por ocasião de um trabalho mais abrangente de levantamento e
compilação da produção bibliográfica da mesma unidade, compreendendo cinquenta anos de
produções (CASTILHO, 2019). No entanto, a inspiração em realizar este trabalho, surgiu de
um estudo realizado pela autora sobre o projeto de um sistema CRIS (Current Research
Information Systems) nacional, o BrCRIS (PEREIRA, 2017; PEREIRA; CHAVES;
ARAÚJO, 2019), para a disciplina Estruturas e Fluxos da Informação, do PPGCI/IBICT, em
2018. Nesse estudo sobre o BrCRIS, cujo projeto previa a utilização das plataformas Lattes
e Sucupira como principais fontes de informação para o desenvolvimento do ecossistema
gerencial de informação e avaliação da pesquisa nacional, foram tecidas considerações sobre
a qualidade dos dados da produção bibliográfica de ambas as plataformas e evidenciada a
necessidade de sua ampla revisão, antes de serem utilizadas para os fins definidos pelo
projeto (CASTILHO, 2018).
A repercussão dessas inconsistências sobre os relatórios da produção do Programa
local, como de outros Programas, cujas plataformas são basilares, levaram a autora a refletir
e compreender ser necessário investir na melhoria da qualidade dos dados da produção
bibliográfica de ambas as plataformas Lattes e Sucupira para cumprirem com a sua missão.
Assim, este trabalho tem por objetivo: 1) apresentar um panorama das inconsistências mais

�frequentes encontradas em dados da produção bibliográfica de docentes, alunos e outros
pesquisadores do Programa de Pós-graduação de uma unidade acadêmica, no Lattes, com
impactos na Plataforma Sucupira e, por extensão, no relatório Coleta Sucupira, uma situação
local, mas vivenciada por muitos outros Programas; 2) apresentar estratégia para mitigar a
incidência dessas inconsistências em futuros relatórios; 3) defender o envolvimento do
bibliotecário em trabalho sobre os dados da Sucupira importados do Lattes, visando
imprimir qualidade às informações que serão agregadas ao sistema de gestão da informação
e avaliação acadêmica nacional.
2 Metodologia
Trata-se de um trabalho que apresenta características de uma curadoria de informação
(ALEIXO, et al, 2020), realizado por bibliotecário universitário, em dados de ambas as
plataformas Lattes e Sucupira, por ocasião da elaboração do relatório quadrienal da
produção bibliográfica do Programa de Pós-Graduação de uma unidade acadêmica, o
relatório consolidado Coleta Sucupira, para o SNPG. O trabalho compreendeu,
primeiramente, analisar os registros da produção bibliográfica do Currículo Lattes dos
docentes do Programa, no período 2017-2020, cerca de 700 registros, e levantar as
inconsistências encontradas, dados incompletos e incorretos, e descrever essas
inconsistências. A segunda etapa, compreendeu identificar na Plataforma Sucupira os
registros importados do Lattes que replicavam as inconsistências, bem como os registros
que apresentavam inconsistências inerentes à Plataforma. Um levantamento dessas
inconsistências no Lattes e na Sucupira é apresentado adiante. A etapa seguinte consistiu
na revisão meticulosa, correção e preenchimento de lacunas em dados dos cerca de 700
registros da Plataforma destinados a gerar o relatório Coleta Sucupira para o SNPG. Os
resultados positivos da curadoria justificam a necessidade do envolvimento contínuo do
bibliotecário

universitário

nesse

processo,

visando

mitigar

os

impactos

das

inconsistências na qualidade da informação e impedir que se repitam reiteradamente. O
trabalho conclui exortando o envolvimento mais intensivo desse bibliotecário no universo
da produção bibliográfica acadêmica. Para embasar o presente trabalho foi realizado
levantamento bibliográfico na base de dados BRAPCI e no buscador Google Acadêmico,
onde a literatura pertinente sobre o tema tratado foi selecionada, utilizada e referenciada.

�3 Quadro Teórico das Plataformas de Gestão da Informação Acadêmica Nacional
A Plataforma Lattes, um sistema de currículos virtual criado e mantido pelo CNPq,
pelo qual integra as bases de dados curriculares, grupos de pesquisa e instituições em um
único sistema de informações das áreas de Ciência e Tecnologia, atuando no Brasil, tem sido
o principal veículo de registro da trajetória acadêmica e de integração a grupos e projetos de
pesquisa institucionais (CNPq, s.d.). A adesão a este sistema é elemento indispensável aos
processos de análise de mérito e competência por instituições de fomento à pesquisa no país.
No Sistema de Currículos Lattes, a base de dados curricular da Plataforma Lattes, docentes e
alunos de universidades e pesquisadores de instituições de pesquisa científica efetuam, a
períodos, o cadastramento de informações sobre suas atividades de pesquisa e produção –
bibliográfica, técnica, artística e cultural. Trata-se de uma tarefa relevante porque, através
desse sistema, o seu desempenho é avaliado pela unidade acadêmica à qual estão vinculados,
pelos pares, como também pelas agências de fomento (CNPq, s.d.).
Lançada em 2014 pela CAPES, a Plataforma Sucupira (CAPES, 2016) é um sistema
informatizado de coleta de informações, análises e avaliações a serem utilizadas como base
padronizadora do SNPG. Denominado Coleta, o sistema coleta informações da Plataforma
sobre os Programas de Pós-Graduação strictu sensu (Mestrados acadêmicos e profissionais e
Doutorados acadêmicos) de instituições privadas e públicas do país que são usadas para
avaliar os Programas, manter uma "memória" da pós-graduação brasileira e possibilitar à
CAPES o planejamento de suas políticas em relação à pós-graduação do país, com a
vantagem da oferta de consultas em tempo real de forma ágil e transparente (SAORIN;
GARCIA, 2015). A informações da Sucupira são parcialmente preenchidas manualmente
pelos Programas, outra parte é importada do Lattes para sua base de dados, cabendo ao
Coleta fazer a captura de todas essas informações para gerar o relatório consolidado,
documento emitido anual e quadrienalmente pelos Programas de Pós-Graduação – PPGs,
como parte das ações de avaliação, com impactos no reconhecimento dos cursos e ações de
fomento (TEIXEIRA; PEREIRA; ZUGE, 2019).
O Lattes e a Sucupira são sistemas amplamente conhecidos pela comunidade
acadêmico-científica nacional, e se constituem, tradicionalmente, nas mais importantes
fontes de informação e de gestão para o ecossistema gerencial de informação e avaliação da
pesquisa nacional. Em breve, o ecossistema passará a contar com duas novas plataformas, o

�repositório Esppiral e o Consórcio Nacional em Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação –
CONECTI que passam a produzir informações, relatórios de gestão e de avaliação e
indicadores da Ciência e Tecnologia nacionais (CONECTI, 2019).
O Esppiral, cujo acesso será restrito aos avaliadores, é um repositório de produtos
intelectuais da pós-graduação, que tem por objetivo disponibilizar todos os tipos de
produção, como artigos que já finalizaram o prazo de embargo das editoras, livros, produtos
técnicos e tecnológicos, produtos artísticos, teses e dissertações, devendo receber uma carga
dos dados já cadastrados pelos Programas de Pós-Graduação (PPG) na Plataforma Sucupira,
referentes a anos mais recentes (CAPES, 2019). Com isto, a CAPES visa atender a demanda
da avaliação qualitativa da produção da pós-graduação, como também a necessidade de
maior transparência e divulgação da produção brasileira, e tornar a Sucupira uma ferramenta
de gestão, não só para a agência, mas para toda a comunidade científica
A integração entre as três plataformas, Lattes, Sucupira e Esppiral, se fará através do
CONECTI, o Consórcio Nacional em Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação
(CONECTI, s.d.), uma iniciativa multi-institucional recém lançada, capitaneada também
pela CAPES, que conta com a participação dos demais atores da ciência e tecnologia
nacional. Para essa integração, o CONECTI adota a modelagem e organização da estratégia
da plataforma DSpace CRIS (PEREIRA, CHAVES, ARAUJO, 2019), prevê o uso dos
identificadores persistentes ORCID, DOI, ISSN, ISBN, ISNI (IBICT, 2019), fará sua ligação
às bases de dados Web of Science e Scopus e à base americana de patentes USPTO Patents
e ao Semantic Scholar para apoiar os pesquisadores na localização de seus artigos.
4 Considerações sobre o “Povoamento” das Plataformas de Gestão da Informação
Acadêmica Nacional
O processo de cadastramento das informações no Currículo Lattes tem sido foco de
muitas queixas da comunidade científica nacional, devido ao alto grau de detalhamento
exigido, especialmente, informações de natureza bibliográfica, com suas múltiplas
especificidades. Contribui para essa dificuldade a ausência no Lattes de orientações
interativas que direcionem ao correto preenchimento dos metadados da plataforma,
resultando no fornecimento de dados incorretos e, consequentemente, em prejuízo da
qualidade da informação. Adicionalmente, as dúvidas no preenchimento dos registros

�bibliográficos exigem do docente tempo extra para se dedicar à atividade, então, os dados
nem sempre são completados, ou revisados, e as ações terminam por ser encerradas sem os
devidos fechamentos (MARQUES, 2010).
Quanto à Plataforma Sucupira, grande parte dos dados da base da produção
bibliográfica de docentes e pesquisadores é importada do Lattes e, nesse processo, as
inconsistências do Lattes são levadas para a base de dados do sistema, o módulo Coleta,
replicando-as e, do mesmo modo, comprometendo a qualidade da informação gerada pelos
relatórios consolidados (FERRAZ; QUONIAN; MACCARI, 2014). Ao mesmo tempo, há
divergências entre os dados que o Lattes pede que sejam inseridos como obrigatórios e
aqueles de que a Sucupira necessita, o que torna complexa a integração de boa parte dos
dados à plataforma, na medida em que, caso os dados não se encontrem disponíveis no
Lattes, vão ocorrer lacunas no detalhamento da produção e seu eventual descarte para efeitos
de avaliação, a menos que se recorra a fontes externas para o preenchimento manual das
lacunas (TEIXEIRA; PEREIRA; ZUGE, 2019).
A Plataforma Sucupira permite acesso apenas ao Coordenador de cada Programa,
com senha única e pessoal, porém, é comum que a compartilhe com a secretaria de sua
unidade ou com bolsistas do Programa, na busca de suporte à grande quantidade e
especificidade exigidas pelos registros bibliográficos. No entanto, muitas vezes foge à
competência do Coordenador, do bolsista ou da secretaria identificar incorreções ou julgar a
integridade e a fidedignidade da produção bibliográfica dos docentes e pesquisadores do
Programa, importada do Lattes, para permitir que os dados sejam considerados confiáveis,
mesmo que se recorra a mecanismos de busca online, que podem devolver resultados
incorretos ou incompletos.
Assim, não havendo garantia de consistência nos dados importados do Lattes pela
Sucupira, para fins do trabalho aqui apresentado, tornou-se necessário efetuar um
levantamento das situações que geram inconsistências em dados no Lattes, para pensar em
estratégias que viessem a mitigar seus impactos na Sucupira, obstar a sua reedição no futuro
e propor ações que permitissem assegurar integridade e confiabilidade, de modo regular, às
informações que vão produzir os relatórios de gestão e de avaliação para o SNPG.
Na próxima seção é apresentado o levantamento das inconsistências encontradas em
ambas as plataformas, acrescido das situações elencadas por outros autores, para ilustrar que
são situações comuns a vários Programas.

�5 Situações que contribuem para geração de inconsistências no Currículo Lattes e na
Plataforma Sucupira
No Currículo Lattes, as situações levantadas são as seguintes: a) currículos de
homônimos, que por si só já seria um problema, mas torna-se ainda mais crítico sempre que
o nome do pesquisador é utilizado para o estabelecimento de qualquer tipo de relação entre
currículos; b) formas divergentes de autoria que são adotadas por um autor para referenciar
trabalhos, por exemplo, alternando-se entre utilizar nome e sobrenome, por extenso ou
abreviado, as designações Filho, Júnior, Neto etc., sobrenome do meio como principal;
sobrenomes precedidos de preposição; c) incorreções no conteúdo de metadados que adotam
a linguagem natural, isto é, textos e frases em linguagem livre, seja por erros de digitação,
descuido ou por imprecisão (MARQUES, 2010); d) artigos duplicados, cada um deles
contendo apenas parte dos autores: o docente permanente presente em um registro, os outros
coautores em registro separado; e) produções sem o nome de pelo menos um autor,
produções em periódicos sem indicação do título, ausência de indicação da página inicial e
final dos artigos; f) produções classificadas de modo equivocado: capítulos de livros,
resenhas, prefácios, traduções, editoriais cadastrados como artigos plenos; registros de
artigos e livros idênticos, duplicados, em diferentes tipologias (DIGIAMPIERI, 2015); g)
divergências entre a grafia dos títulos dos artigos, do veículo da produção (periódicos, anais,
etc.), do nome dos autores e ordem da autoria, referentes a uma mesma publicação, quando
cadastradas por diferentes coautores; h) artigos publicados em português, mas cadastrados
em outro idioma; i) endereço de acesso à página da produção (URL) “quebrado”, ou
inexistente; ausência de DOI; j) informações defasadas, em virtude da frequência irregular
das atualizações dos currículos, resultando, por exemplo, em artigos publicados que ainda
constam como aceitos; inversamente, artigos aceitos que são registrados como publicados;
k) eventos científicos cadastrados sem qualquer preocupação de padronização das suas
entradas, gerando inúmeras divergências entre títulos de conferências, congressos, e outros
eventos; l) ausência da aplicação dos princípios de Organização da Informação na seleção
dos termos das palavras-chave dos registros bibliográficos, naturalmente, fora do domínio
dos docentes, que geram problemas na recuperação dos currículos na base de dados do Lates
(CNPQ, 2009), com impactos na realização de estudos métricos da produção científica

�nacional e na construção de indicadores de ciência e tecnologia nacionais (SILVA; SMIT,
2009).
Apesar dos grandes avanços tecnológicos implementados no Currículo Lattes, nos
últimos anos, ainda não são percebidas melhorias expressivas nas mediações do sistema com
os usuários, especificamente, orientações para o preenchimento dos dados, considerando que
a comunidade envolvida em seu preenchimento nem sempre está familiarizada com os
recursos de informação bibliográfica. Algumas instruções são fornecidas na página de ajuda
do Lattes, mas não contribuem satisfatoriamente para o cadastramento qualitativo dos dados
(BRITO, 2016). Também não são observadas atualizações nos mecanismos de validação do
conteúdo dos metadados, tais como, correções gramaticais, entre outros, e de novas
implementações nos recursos de interoperabilidade entre os sistemas Lattes e Sucupira
(SILVA; SMIT, 2005).
Na Plataforma Sucupira, as situações que mais contribuem para a geração de
inconsistências envolvem a importação da produção bibliográfica do Lattes, porém, há
dados dos registros que são demandados, e até mesmo registros completos, que ausentes do
Lattes, não são importadas e necessitam ser finalizados ou cadastrados manualmente. Esta
pode ser uma tarefa de simples execução, porém, sendo mais complexa, exige expertise na
consulta a fontes externas, a bases de dados, por exemplo. E, para complicar mais ainda o
processo, tal como o Lattes, a Sucupira não oferece orientações destinadas ao preenchimento
dos conteúdos dos metadados de natureza bibliográficos da plataforma (MACIEL, 2017).
Acrescente-se a essas situações, a duplicidade de registros, além de outras,
relacionadas a seguir, decorrentes do cadastramento manual dos metadados: a) produções
que são cadastradas e classificadas na tipologia incorreta, por exemplo: títulos de séries
cadastrados como periódicos; trabalhos publicados em anais de eventos cadastrados na
tipologia capítulo de livro; capítulos de livros, resenhas, prefácios, traduções, editoriais
cadastrados como artigos de periódicos; b) coautores estrangeiros para os quais é exigida a
data de nascimento (informação de difícil acesso) para seu cadastramento na Plataforma, o
que induz ao lançamento de datas fictícias, ou a opção por não vinculá-lo ao programa, neste
caso, prejudicando a avaliação da produção no quesito internacionalização; c) artigos de
periódicos que requerem o cadastramento complementar do local de publicação e editora dos
periódicos, dados também não disponíveis no Lattes, como também no Qualis CAPES,
integrado à Plataforma Sucupira, um conjunto de procedimentos que afere a qualidade dos

�artigos e de outros tipos de produção de docentes das Instituições de Ensino Superior (IES),
para o SNPG, a partir da análise dos periódicos científicos em que foram publicados; d)
anais de eventos, cujos registros também requerem acréscimos, tais como, local de
publicação e editora, cidade e local de realização, os códigos dos indicadores persistentes
DOI, ISBN, ISSN e eISSN; como os eventos científicos são importados do Lattes, eles
padecem igualmente da ausência de padronização das suas entradas, gerando divergências
entre os títulos das conferências, congressos e outros eventos. Algumas áreas, como a
Computação, contam com um Qualis Conferências, no entanto, maior ênfase é dada à
estratificação das conferências, deixando de lado preocupações quanto à padronização das
entradas dos títulos; quanto aos

títulos

dos

anais,

não

havendo regra para o

preenchimento do metadado, a informação é livre e, em geral, equivocada; e) livros e
capítulos de livros que requerem uma lista interminável de dados ao seu cadastramento,
compreendendo também seus ISBN, URL e DOI; f) livros, capítulos de livros, artigos de
periódicos e de anais de eventos, não indexados nas bases de dados ou Google, cujo
cadastramento manual completo demanda noções dos tipos de publicação científica e
normas de referenciação bibliográfica; g) informações sobre Áreas e Subáreas do
Conhecimento às quais a produção deve ser vinculada, baseada na árvore hierárquica de
áreas da CAPES, nem sempre atualizada (SILVA;SMIT, 2009; CAPES, 2021); i) dados
bibliográficos incompletos de registros das áreas das Ciências Sociais e Humanas, que sem
cobertura nas bases de dados mais tradicionais, WoS ou Scopus, demandam perícia em
buscas nas bases de dados que cobrem essas áreas, nos websites dos pesquisadores,
repositórios e editoras para localizar e completar as referências.
A lista de inconsistência em ambos Lattes e Sucupira vai além, podendo ser citadas
outras situações, como por exemplo, se um livro editado ou traduzido pode ter sua autoria
atribuída ao docente; determinar se uma publicação é, de fato, relatório ou livro científico;
decidir como cadastrar as comunicações em conferências, uma vez que os anais podem
terminar por ser publicados como artigos de periódico ou capítulo de livro; se artigos
publicados exclusivamente em mídia eletrônica, exceto os online first das grandes editoras,
podem não ser tão bem avaliados e ser excluídos da avaliação.
5 Resultados

�As inconsistências encontradas na Plataforma Sucupira em dados importados do
Lattes foram essas elencadas na seção 5, que no processo de curadoria demandaram revisão,
ampla e meticulosa, incluindo a checagem de links, correção e preenchimento de lacunas,
mudança da tipologia das publicações, entre outras, do mesmo modo que aquelas
encontradas em metadados preenchidos manualmente. Concluída essa curadoria nos dados
da produção bibliográfica na Sucupira, pode-se afirmar que ela atingiu os objetivos
almejados, sobretudo porque contou com a competência de um bibliotecário universitário
para realizá-la. Desse modo, ao interagir com esse ambiente dos relatórios da produção
bibliográfica acadêmica, esse profissional reafirma sua relevância no processo de elaboração
do relatório e viabiliza o redirecionamento das equipes das secretarias dos Programas a se
dedicarem à outras seções da Plataforma Sucupira que lhes são mais afetas.
Entende-se que essas inconsistências podem ser atribuídas a dois principais fatores:
a)

fatores

tecnológicos

inerentes

a

ambas

as

plataformas,

compreendendo

a

interoperabilidade entre os sistemas, a validação de conteúdo dos metadados e a carência de
mediações do sistema com os usuários; b) fatores humanos relacionados a lacunas em
capacitação nas normas de informação e documentação, especialmente, em referenciação do
trabalho científico, por parte dos discentes, docentes e pesquisadores e das equipes de apoio
da coordenação do Programa.

As atualizações tecnológicas das plataformas, tão

demandadas pela comunidade, quando forem implementadas pelas próprias agências,
poderão trazer muitas melhorias aos processos. Quanto a melhorar a qualidade dos dados, é
necessário intensificar a oferta de programas de capacitação nas Normas de Informação e
Documentação e no preenchimento do Currículo Lattes à comunidade, podendo ser cogitado
um modelo de capacitação que combine ambos.
No entanto, para promover a uniformidade e a conformidade das ações e sobre os
dados da Sucupira considera-se necessária a participação do bibliotecário universitário,
realizando um trabalho de curadoria, cujo objetivo final é imprimir qualidade às
informações, de modo a possibilitar uma justa avaliação da produção acadêmica da unidade
pelo SNPG. A curadoria assemelha-se em acuidade ao trabalho realizado pelos
bibliotecários junto aos repositórios institucionais, principalmente, aqueles que abrem a
possibilidade de auto depósito. Porém, a maior diferença entre ambos reside de presteza com
que os dados da Sucupira necessitam estar liberados para produzir o relatório consolidado
Coleta Sucupira, a ser enviado para avaliação pelo SNPG, num curto prazo de tempo.

�6 Discussão sobre a Participação do Bibliotecário Universitário no Cenário do
Currículo Lattes e da Plataforma Sucupira.
As bibliotecas universitárias são orientadas ao atendimento das necessidades dos
membros da comunidade acadêmica à qual pertencem, onde cada uma das suas atividades é
desenvolvida com o intuito de agir para ampliar o acesso à informação e contribuir para a
missão da universidade. A diversidade na oferta de serviços e produtos constitui uma das
suas características mais marcantes e, com a evolução das novas tecnologias e o crescimento
da informação gerada, é necessário que se adeque às novas demandas de serviços e produtos
da comunidade acadêmica, do mesmo modo que os bibliotecários, para se inserirem em
novos cenários, dinâmicos e diversificados (LIMA et al, 2017).
Assim, no contexto da Plataforma Sucupira, alunos, docentes, pesquisadores e
Coordenadores das unidades acadêmicas poderão contar também com as competências do
bibliotecário universitário para aprimorar os relatórios da produção bibliográfica em suas
diversas especificidades. No entanto, é essencial que essas competências sejam combinadas
à execução de um trabalho diligente de curadoria nos dados na Sucupira, ajustado ao perfil
das unidades, junto aos Coordenadores de Programas, uma vez que as práticas de publicar
variam de acordo com cada área. Esse profissional poderá atuar também com propriedade
junto às diversas entidades e agências envolvidas com a gestão da produção acadêmica, aqui
mencionadas, desse modo, o conhecimento científico gerado poderá ser avaliado
devidamente por sua qualidade, disseminados à comunidade científica e preservados para
uso futuro (BRYANT, 2017).
7 Considerações Finais
Este trabalho pretendeu evidenciar que são necessárias ações do bibliotecário
universitário no sentido de obstar a incidência de inconsistências em dados do Currículo
Lattes na Plataforma Sucupira e seus impactos sobre outras plataformas, na medida em que é
provável que vão se avolumar com o crescimento da comunidade científica brasileira e o
respectivo aumento da produção acadêmica. Ainda que tecnologias mais avançadas sejam
incorporadas à coleta e ao cadastramento de informações das plataformas, os mecanismos

�não serão suficientemente eficazes para realizar o controle da qualidade dos dados. Assim,
não há como prescindir do bibliotecário universitário para realizar uma curadoria sobre
dados da produção bibliográfica da Plataforma Sucupira, uma espécie de certificação de sua
qualidade, uma vez que produzirão o relatório das atividades e da produção acadêmica mais
importante para o sistema de gestão e de avaliação da pós-graduação.
Caberá às bibliotecas e aos bibliotecários universitários promover essa aproximação
das unidades acadêmicas e apresentar-lhes os ganhos pela sua participação e contribuição ao
universo da gestão da produção bibliográfica acadêmica. São ações que lhes proporcionarão
novas oportunidades de dar suporte aos docentes e pesquisadores das unidades e às metas
institucionais, atitudes que certamente, contribuirão para ampliar a sua visibilidade no seio
da comunidade acadêmica e na instituição.
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Imprimindo qualidade as informações do Curriculo Lattes e da Plataforma Sucupira: a contribuição do bibliotecário universitário.</text>
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                <text>Produção Bibliográfica é um dos quesitos do Relatório Coleta Sucupira de avaliação para o Sistema Nacional de Pós-graduação (SNPG) que mais contribui para o aumento ou diminuição do conceito de um Programa de pós-graduação Stricto Sensu. Apesar da importância desse quesito, são constatados no relatório diversos tipos de inconsistências nos dados que podem causar impactos no reconhecimento dos cursos e em seu fomento, bem como comprometer a qualidade das informações que serão agregadas aos sistemas de gestão da informação e de indicadores acadêmicos. Os objetivos deste trabalho são: apontar as inconsistências mais frequentes encontradas em dados da produção bibliográfica do Currículo Lattes e seus impactos na Plataforma Sucupira, base das informações para o Relatório, apresentar estratégias para atenuar a incidência dessas inconsistências, defender a participação do bibliotecário universitário em trabalho sobre os dados da Plataforma Sucupira, visando imprimir qualidade às informações, bem como sua participação mais intensiva no universo da produção acadêmica da comunidade.</text>
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                    <text>Eixo escolhido – Práticas
A NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS COMO SERVIÇO NAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS
STANDARDIZATION OF ACADEMIC WORKS AS A SERVICE IN BRAZILIAN ACADEMIC
LIBRARIES
Thais Lima Trindade1
Thiago Giordano de Souza Siqueira2

Resumo: Pesquisa exploratório-descritiva com abordagem quali-quantitativa, a fim de identificar quais e de que
forma são oferecidos os serviços de normalização de trabalhos acadêmicos nas bibliotecas universitárias brasileiras.
Entre os resultados, destaca-se a maior participação de bibliotecas de instituições privadas; com maior participação
de Instituições de Ensino superior nas regiões sudeste, sul e norte. A maior parte das instituições oferecem, em
maior ou menor grau, algum serviço orientado à normalização e utilizam as redes sociais como principal meio de
divulgação para comunicar a oferta do serviço. A maior parte dos informantes da pesquisa informaram que ofertam
serviços referentes à normalização de documentos, todavia a busca por esse tipo de serviço é muito baixa, ocorrendo
de forma ocasional ou rara. Algumas instituições criam manuais e guias próprios, mas nem sempre há fidelidade e
similaridade quanto à informação contida nos critérios de normalização dos principais organismos normalizadores
nacionais e internacionais.
Palavras-chave: Normalização. Padronização de trabalhos acadêmicos. Bibliotecas universitárias – serviços.
Serviços informacionais.
Abstract: Exploratory-descriptive research with a qualitative and quantitative approach, in order to identify which
and in what way Academic Work Standardization services are being offered in Brazilian university libraries. Among
the results, the greatest participation of libraries from private institutions stands out, with greater participation of
Higher Education Institutions in the Southeast, South and North regions. Most institutions offer, to a greater or
lesser degree, some standardization-oriented service and use social networks as a means of dissemination to
communicate the service's offer. Most of the survey respondents reported that they offer services related to
document normalization, however the search for this category of service is incredibly low, occurring occasionally
or rarely. Some institutions create their own produced manuals and guides, but there is not always fidelity and
similarity regarding the information contained in the standardization criteria of the main national and international
standardization bodies.

1

Bacharel em Biblioteconomia, Universidade Federal do Amazonas. Especialista em Gestão de Arquivos Empresariais,
Universidade Federal do Amazonas. Mestre em Comunicação, Universidade Federal do Amazonas. Doutoranda no
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, Universidade de Brasília. thais.bibliotecaria@gmail.com
2
Bacharel em Biblioteconomia, Universidade Federal do Amazonas. Mestre em Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Universidade de Buenos Aires. Doutorando no Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação,
Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". Bibliotecário na Universidade Federal do Amazonas.
thiago.giordano@gmail.com

�Keywords: Standardization. Standardization of academic works. Academic libraries – services. Information
services.

1 INTRODUÇÃO
Pensar a universidade como um lugar privilegiado e favorável à reflexão, construção de
pensamentos e de conhecimentos, com bases científicas múltiplas e diversas nos obriga a buscar uma
solução para integrar as pequenas partes unitárias que compõem o quebra-cabeças acadêmico. Nesse
sentido, para codificar mensagens tão distintas em suas origens, que tratam de objetos tão variados
em seus fins e para permitir um modo de comunicação capaz de disseminar todas as especificidades,
surge a normalização como possibilidade metodológica de uniformizar sua expressão escrita
(RODRIGUES; LIMA; GARCIA, 1998).
A normalização no contexto universitário apresenta-se como atividade essencial por permitir
unificar formatos que possibilitam, em maior significância, a recuperação e transferência de conteúdos
informacionais em sistemas de informação. Rodrigues, Lima e Garcia (1998, p. 153) caracterizam as
normas como “[...] o resultado de um processo de uniformização conduzido sob princípios estabelecidos
por equipes multidisciplinares, convocadas pelos órgãos nacionais de normalização”.
Assim, os requisitos formais da apresentação são exigidos porque “[...] há indícios de que a
qualidade formal poderia vir a interferir na qualidade do trabalho científico como um todo, ou, pelo
menos, na recepção/percepção desse trabalho pelos pares/concorrentes” (RODRIGUES; LIMA;
GARCIA, 1998, p. 151).
No Brasil, a entidade oficialmente encarregada de elaborar os critérios de normalização é a
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), criada em 1940 e reconhecida pelo Governo
Federal como fórum Nacional de Normalização. Trata-se de uma entidade privada e sem fins
lucrativos, membro dos principais organismos normalizadores internacionais, tais como: Organização
Internacional de Normalização (ISO), a Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas (COPANT),

�a Associação Mercosul de Normalização (AMN) e a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC).
(ABNT, 2014).
No âmbito de Bibliotecas Universitárias (BU), uma das coleções mais significativas existentes
no acervo é constituída pelas produções acadêmicas como os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC),
também encontrados em algumas instituições pelos nomes de Trabalhos de Graduação Integrado (TGI),
Trabalhos Final de Graduação (TFG), além das dissertações e teses.
A normalização no Serviço de Referência e Informação (SRI) pode figurar no sentido de fazer
um dos papéis possíveis para a BU – a capacitação de usuários para a elaboração de TCC em geral,
dissertações, teses, artigos, projetos de pesquisa e demais produções acadêmicas. É comum que as
instituições de ensino superior disponibilizem adaptações das normas da ABNT, apresentadas em
formato de guias ou manuais institucionais, estes apresentados em disciplinas específicas de
metodologia, porém ainda assim, espera-se que os alunos possam buscar orientação quanto ao uso das
normas de documentação na biblioteca.
Nesse sentido, o estudo tem como objetivo identificar quais e de que forma estão sendo
oferecidos os serviços de normalização de trabalhos acadêmicos nas bibliotecas universitárias
brasileiras, com a finalidade de evidenciar a relevância deste serviço para o desenvolvimento do papel
da biblioteca universitária como apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão nas instituições
de ensino superior.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A ABNT define como normalização “a atividade que estabelece, em relação a problemas
existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção
do grau ótimo de ordem em um dado contexto” (ABNT, 2014, p. 1). Tal definição aplica-se à
produção e fornecimento de produtos e serviços em geral.
Tem como missão prover a sociedade brasileira de conhecimento sistematizado, por meio de
documentos normativos, que permitam a produção, a comercialização e o uso de bens e serviços de
forma competitiva e sustentável nos mercados interno e externo, contribuindo para o desenvolvimento

�científico e tecnológico, proteção do meio ambiente e defesa do consumidor. No âmbito dos serviços
voltados à informação e à produção acadêmica, destaca-se o Comitê Brasileiro 14 (CB14),
responsável pela normalização das práticas adotadas em bibliotecas, centros de documentação e de
informações, serviços de indexação, resumos, arquivos, ciência da informação e publicações, no que
concerne a terminologias, requisitos, serviços e generalidades destes. (ABNT, 2014).
A comunicação científica, em especial as produções acadêmicas no ambiente universitário, se
utiliza da normalização documentária como forma de resguardar a unificação de formatos e
procedimentos na produção de documentos e informações, visando ao controle, à manutenção, à
confiabilidade e ao registro, estejam estes documentos em meios impressos ou eletrônicos.
Desta forma, a exigência pela normalização das publicações no ambiente acadêmico
direciona-se a dois aspectos principais: os relacionados aos formatos e apresentação (sumário,
numeração progressiva, recursos gráficos, recursos textuais, entre outros); e os que buscam garantir
a acessibilidade e a credibilidade das fontes utilizadas na elaboração (citações, referências, atribuição
de créditos dos autores de recursos gráficos, anexos etc.).
Por sua vez, a BU tem como missão oferecer produtos e serviços que atendam às necessidades
informacionais da comunidade universitária, bem como da sociedade. Deve, também, orientar seus
usuários quanto à normalização documentária, em especial às normas aplicáveis aos trabalhos
acadêmicos, bem como propagar sua importância no ambiente acadêmico e científico. É comum que
boa parte das BU ofereça serviços nesse sentido, em especial as normas da ABNT, uma vez que
conforme exposto, trata-se do padrão oficial nacional, porém em alguns casos este serviço não é visto
como essencial nas rotinas da BU.
Para dar suporte às pesquisas e à produção intelectual da comunidade acadêmica, são
importantes que a BU disponibilize recursos que deem suporte nesse processo, uma vez que:
É necessário que os alunos dominem os conhecimentos referentes à estrutura formal dos
documentos, pois a correta aplicação da normalização permite a simplificação de todo o
processo de elaboração dos documentos científicos. Para tanto, devem adotar as normas
técnicas – no Brasil, normalmente as da ABNT relacionadas ao tipo de trabalho que deverão
desenvolver (CRESPO; RODRIGUES, 2011, p. 49).

�Diante do exposto, ficam claras a importância e a necessidade de a comunidade acadêmica
ter, à disposição, produtos e serviços que possam garantir o acesso a estas informações.
Corriqueiramente, observa-se que as universidades costumam dispor de instrumentos voltados à
orientação da normalização documentária no âmbito institucional. Esses materiais são desenvolvidos
pela própria instituição e, na maioria dos casos, compilam as normas da ABNT e agregam algumas
outras recomendações institucionais. Entre estes, os instrumentos mais comuns são os guias ou
manuais para normalização dos trabalhos acadêmicos produzidos no âmbito da instituição,
geralmente disponibilizados pela BU em formato online no site e nas redes sociais da instituição.
Em face a essa realidade, busca-se compreender este contexto nos ambientes das BU no Brasil,
relacionado aos aspectos de demandas, motivação, competências e viabilidade quanto à oferta de
serviços e produtos voltados à orientação da normalização documentária.

3 METODOLOGIA
A pesquisa configura-se de caráter exploratório, do tipo descritiva. Fazendo uma abordagem
quali-quantitativa, a fim de identificar quais e de que forma estão sendo oferecidos os serviços de
Normalização de Trabalhos Acadêmicos nas BU brasileiras, com a finalidade de dimensionar a oferta
e evidenciar a relevância deste serviço para o desenvolvimento do papel da BU como apoio às
atividades de ensino, pesquisa e extensão nas instituições de ensino superior.
Foi utilizado como instrumento de coleta de dados um questionário eletrônico estruturado no
Google Forms, composto por 16 questões entre abertas e fechadas – sendo a maioria de múltipla
escolha. Encaminhado por e-mail na lista de Transmissão da Comissão brasileira de Bibliotecas
Universitárias (CBBU).
Ressaltando que a participação na pesquisa foi de caráter totalmente livre e voluntário. O
questionário ficou ativo no período de 4/3/2021 a 3/5/2021. Foram coletadas 87 respostas e uma
encontrava-se duplicada, por esse motivo foi descartada. Houve tratamento dos dados em Excel para
realizar a geração dos gráficos e tabelas para análise posterior.

�4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Quanto à distribuição geográfica dos participantes da pesquisa, nota-se a distribuição dos
participantes em todas as regiões do país. A maior ocorrência no sudeste, sul e norte, respectivamente
– isso pode estar relacionado ao grau de engajamento da comunidade destas regiões na lista de
transmissão ser maior.
Gráfico1 - Estado onde está situada a biblioteca

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

O Gráfico 2 ilustra que houve maior participação de bibliotecas de instituições privadas.
Observa-se que 47% dos participantes da pesquisa são IES privadas, 30% são de IES federais, 20%
são de IES estaduais.

�Gráfico 2 - Categoria da Instituição participante

40

26
17
1
Privado

Federal

Estadual

Comunitária

1

1

Instituição
Filantrópica,
Pública de
sem fins
Direito Privado lucrativos

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

No que diz respeito à oferta de produto ou serviço voltado à orientação de normalização de
trabalhos acadêmicos, 93% informaram que ofertam e apenas 7% não ofertam. As barreiras para a
oferta de produtos e serviços orientados à normalização mencionadas por algumas das instituiões
participantes foram: Recursos humanos insuficientes (5), Não foi pensado nesse serviço (1) e
Ausência de espaço físico apropriado na biblioteca (1).
83 (97%) dos participantes informaram que a IES dispõe de manual, guia ou outro material
institucional para orientar a comunidade acadêmica quanto ao uso das normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para produção de trabalhos acadêmicos e esse material é
atualizado de acordo com a frequência apresentada no Gráfico 3.

�Gráfico 3 - Frequência de atualização do material institucional

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

As redes sociais (28%) são os meios de divulgação mais usuais pelas bibliotecas para
comunicar a oferta do serviço; seguido do uso de boletins informativos (19%) e o site da biblioteca
(10%).
Nota-se que há baixa articulação com a coordenação dos cursos, que poderia ser uma
estratégia efetiva para trabalhar em parceria com os docentes - principalmente aqueles que trabalham
em disciplinas de Metodologia do Trabalho Científico ou similares que possuem aspectos de
elaboração de projetos ou Trabalhos de Conclusão de Curso.

�Gráfico 4 – Canais de comunicação e divulgação do serviço

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

Poderia ser explorado o site institucional e não apenas o da biblioteca, pois a possibilidade
deste ser mais acessado que o específico da biblioteca é maior, ampliando a visibilidade da oferta do
serviço. Isso pode estar diretamente relacionado ao que se observa no Gráfico 6.

�Gráfico 5 – Capacitação de usuários quanto a normalização de trabalhos acadêmicos

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

A respeito da frequência da procura por orientações quanto à normalização acadêmica,
observa-se (Gráfico 6) que a maior parte não respondeu a essa questão, mas alguns participantes da
pesquisa informaram que se trata de um serviço procurado ocasionalmente ou raramente por docentes
e discentes. A baixa demanda pode estar diretamente relacionada à baixa divulgação para as
potenciais partes interessadas. Sendo necessário divulgar mais abertamente e a realização de uma
estratégia de marketing poderia apoiar o posicionamento estratégico da biblioteca.

�Gráfico 6 – Frequência da procura por orientações quanto à normalização acadêmica
68
68

Vazia
Nunca

2
0
6

Raramente

2
9
9

Ocasionalmente
Muito frequente
Frequentemente

1
3
0
4

Docentes

Discentes

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

Dentre os serviços em BU segeridos por Figueiredo (1996) no Serviço de Referência e
Informação, temos a orientação ao usuário caracterizada por: provisão de guia, consulta orientada,
cursos de instrução bibliográfica, promoção de serviços, auxílio editorial, preparação de obras
individuais, no qual pode ser inserida a Normalização de trabalhos acadêmicos.
Na maioria dos casos, os universitários têm seu primeiro contato direto ou aprofundado com
as normas da ABNT ao ingressar nos cursos de graduação, em especial nas disciplinas relacionadas
com metodologia, tais como: metodologia científica, metodologia do trabalho acadêmico,
metodologia da pesquisa, entre outras.
Ocorre que no Brasil, tradicionamente, tais disciplinas são ministradas por docentes com
formações diversas (especialistas em docência no ensino superior, mestres ou doutores de quaisquer
áreas), sem que haja uma exigência de que estes tenham domínio da normalização de trabalhos
acadêmicos. Geralmente, a preocupação direciona-se às questões do desenvolvimento metodológico,
tornando o domínio das normas da ANBT uma exigência secundária, subtentendo que seja uma

�atividade automaticamente inclusa no perfil de formação de tais docentes. Por esse motivo, o ensino
das normas acaba sendo subestimado e, muitas vezes, limita-se aos conteúdos de fontes sedundárias,
tais como livros de metodologia, guias, sites, entre outros materiais compilados das normas
propriamente ditas, acarretando em prejuízos quanto ao aprendizado e à interpretação do uso das
normas técnicas por ambas as partes: professores e alunos.
Conforme exposto, as NBR são intrumentos de uso instrucional e contínuo, ou seja, servem
para nortear os processo de padronização e normalização dos documentos no âmbito acadêmico,
profissional e científico, portanto trata-se de uma documentação de linguagem técnica, e o ensino
dessas deve ser realizado por profissionais que tenham o pleno dominio quanto ao seu uso e
aplicabilidade.
Partindo do exposto, surge a segunda hipotése, que está relacionada à questão do
desconhecimento da comunidade acadêmica quanto ao papel do bibliotecário nesse contexto. A
formação em Biblioteconomia no Brasil inclui, nos currículos, disciplinas especificamente orientadas
ao ensino da normalização documentária (aplicação das NBR no âmbito acadêmico e técnicocientífico) e, consequentemente, esta competência torna-se inerente à formação do bibliotecário.
Porém, ainda se observa, no cotidiano do ambiente universitário, o desconhecimento de tais
habilidades do bibliotecário, por professores, alunos e demais membro da comunidade. Tal realidade
corrobora, em alguns casos, para a baixa frequência na procura por esse tipo de serviço nas BU. Além
disso, muitas vezes, a BU não realiza a divulgação de forma efetiva desses serviços como parte de
suas competências, dando continuidade ao desconhecimento e à desvalorização da importância, tanto
da aplicação da normalização documentária, quanto do papel do bibliotecário no contexto das
universidades.
Somado a isso, apresentamos ainda uma outra hipótese que podemos apresentar para a baixa
procura deste serviço. Destaca-se que essa parte do serviço bibliotecário pode ser substituído pela
existência de programas automatizados que prometem o auxílio na formatação de trabalhos

�acadêmicos de acordo com as normas da ABNT, a saber: Menthor3, Mettzer4 e Fast Format5. Tais
programas prometem realizar, de forma automatizada, a aplicação das normas da ABNT em textos,
direcionando-se à normalização completa de itens como: sumário, lista de imagens ou tabelas, notas
de rodapé, numeração de páginas ou capítulos, margens, espaçamento etc..
Entre os que informaram ofertar treinamentos, identificou-se que 7% ofertam "quando
solicitado", 6% ofertam"semestral". No que se refere à permissão de consulta às normas da ABNT na
íntegra, 11 afirmaram que disponibilizam; 7 não disponibilizam e os demais não responderam a essa
questão. Outras normas utilizadas Vancouver (5), Modern Language Association (MLA) (1) e Norma
própria da Pós-Graduação local, sem aprovação da Biblioteca (1)

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A maior parte dos informantes da pesquisa informaram que ofertam serviços referentes à
normalização de documentos, todavia a busca por esse tipo de serviço é muito baixa, ocorrendo de
forma ocasional ou rara. Entre os informantes que não realizam algum tipo de serviço nesse âmbito,
destacam-se como barreiras: recursos humanos insuficientes, ausência de espaço físico apropriado na
biblioteca ou mesmo por não terem pensado nesse serviço até a fase da coleta de dados da pesquisa.
Destaca-se a questão da aplicação das NBR de forma correta, pois assim como no caso dos
materiais como: manuais e guias produzidos pelas instituições, muitas vezes não há fidelidade quanto
à informação contida no documento original e, assim, criam princípios, interpretações e versões
próprias para apropriação e uso de algo que viria ser as normas da ABNT pela própria instituição.
Entendemos que recepcionar uma norma e adequar à realidade é importante, mas sobretudo,
é necessário compreender e destacar as diferenças. E se uma instituição se predispõe a criar um
documento baseado, seria interessante estabelecer um fluxo de trabalho que seja capaz de manter as

3

Promete editar textos nas normas da ABNT e ela é totalmente online e gratuita. (MENTHOR, [2020?]).
Editor completo aliado do seu trabalho acadêmico. Uso gratuito por 7 dias. (METTZER, 2021).
5
Promete formatar trabalhos automaticamente em diversas normas, como ABNT e revistas nacionais e internacionais.
(FASTFORMAT, [2021?]).
4

�atualizações de modo contínuo, sob o risco de guias e manuais de publicações institucionais estarem
constantemente desalinhados com as normas vigentes.
É importante reconhecer a prática de orientação para o uso das NBR dentro do Serviço de
Referência e Informação das BU e, portanto, é necessário que os bibliotecários se apropriem dessa
função que lhes é de competência, uma vez que possuem disciplinas específicas dentro das grades
curriuculares de formação. Assim, os bibliotecários podem empreender mecanismos para articular,
com efetividade, formas de ampla divulgação interna dentro das instituições, as quais fazem parte.
Essa atitude pode reduzir o desconhecimento de tais habilidades do profissional bibliotecário pelos
professores, alunos e demais membros da comunidade universitária.
Como recomendação de pesquisas futuras, é importante, principalmente para as instituições
que participaram neste estudo, avaliarem o serviço internamente, a fim de conhecer se as partes
envolvidas: professores, pesquisadores e alunos entendem a importância da normalização, conhecem
o serviço ofertado ou qual a percepção de valor, caso o serviço fosse implantado na IES.

REFERÊNCIAS
ABNT. Missão, Visão e Valores. 2014. Disponível em: http://www.abnt.org.br/abnt/missao-visaoe-valores. Acesso em: 7 jun. 2021.
CRESPO, Isabel Merlo; RODRIGUES, Ana Vera Finardi. Normas Técnicas e Comunicação
Científica: enfoque no meio acadêmico. RDBCI, Campinas, v. 9, n. 1, p. 36-55, jul./dez. 2011.
Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1918/pdf_2.
Acesso em: 7 jun. 2021.
FASTFORMAT. Uma forma inovadora para escrever seus documentos. [2021?]. Disponível
em: https://fastformat.co/. Acesso em: 3 maio 2021.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Textos avançados em referência &amp; informação. São Paulo:
Polis: Associação Paulista de Bibliotecários, 1996.
MENTHOR. Cansado de sofrer com a ABNT?. [2020?]. Disponível em: https://menthor.co/. Acesso em: 3
maio 2021.

�METTZER. Todos os trabalhos acadêmicos em um só lugar. 2021. Disponível em:
https://www.mettzer.com/. Acesso em: 3 maio 2021.

RODRIGUES, Mara Eliane Fonseca; LIMA, Márcia H.T. de Figueiredo; GARCIA, Márcia Japor
de Oliveira. A normalização no contexto da comunicação científica. Perspectivas em Ciência da
Informação, v. 3, n. 2, nov. 2007. ISSN 19815344. Disponível em:
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/603/372. Acesso em: 26 maio 2021.
SANTOS, Mara Roxanne Souza; SAMPAIO, Denise Braga. Normalização na prática: um breve
relato sobre normalização e a experiência do grupo normalizadores. InCID: Revista de Ciência da
Informação e Documentação, v. 5 n. 1, n. 1, p. 151-165, 2014. DOI: 10.11606/issn.21782075.v5i1p151-165 Acesso em: 3 maio 2021.
SILVA, Douglas Lenon. Orientação à normalização: caminhos para o auxílio nas diretrizes de
utilização das normas de documentação em uma biblioteca universitária. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, v. 21, n. 3, p. 487-496, 2016. Disponível em:
http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/68272. Acesso em: 3 maio 2021.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Pesquisa exploratório-descritiva com abordagem quali-quantitativa, a fim de identificar quais e de que forma são oferecidos os serviços de normalização de trabalhos acadêmicos nas bibliotecas universitárias brasileiras. Entre os resultados, destaca-se a maior participação de bibliotecas de instituições privadas, com maior participação de Instituições de Ensino superior nas regiões sudeste, sul e norte. A maior parte das instituições oferecem, em maior ou menor grau, algum serviço orientado à normalização e utilizam as redes sociais como principal meio de divulgação para comunicar a oferta do serviço. A maior parte dos informantes da pesquisa informaram que ofertam serviços referentes à normalização de documentos, todavia a busca por esse tipo de serviço é muito baixa, ocorrendo de forma ocasional ou rara. Algumas instituições criam manuais e guias próprios, mas nem sempre há fidelidade e similaridade quanto à informação contida nos critérios de normalização dos principais organismos normalizadores nacionais e internacionais.</text>
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                    <text>Eixo 3 – Inovações
ESTRUTURAÇÃO DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL PARA OS ALUNOS DO
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS NA
MODALIDADE A DISTÂNCIA
STRUCTURING THE VIRTUAL REFERENCE SERVICE FOR STUDENTS OF THE
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS LIBRARY SCIENCE COURSE IN THE DISTANCE
EDUCATION MODE
Wesley Silva Ferreira1
Filipe Reis2
Resumo: A pesquisa tem como objetivo apresentar o processo de implementação do serviço de referência virtual
para os discentes do curso de Biblioteconomia na modalidade a distância, da Universidade Federal de Goiás.
Para tanto, a metodologia utilizada inicialmente, buscou verificar na literatura existente, informações e conceitos
sobre o serviço de referência virtual. Com base nisso, procede-se a um estudo descritivo com caráter
exploratório, utilizando uma abordagem qualitativa, e como instrumento de coleta de dados utiliza-se o método
da observação participante para apresentar e descrever as informações relacionadas a elaboração do serviço.
Desse modo, é realizado um diagnóstico do curso de biblioteconomia a distância e em seguida é descrito o
processo de estruturação dos serviços e produtos disponibilizados pelo serviço de referência virtual. A
elaboração desse serviço surge de uma lacuna presente na graduação, no que se refere a assistência
informacional aos discentes da graduação de biblioteconomia a distância. A partir disso, conclui-se que o serviço
de referência virtual aplicado ao ensino a distância mostra-se fundamental para resolução das demandas
informacionais dos ingressantes.
Palavras-chave: Serviço de referência. Serviço de referência virtual. Biblioteconomia. Ensino a distância.
Abstract: The research aims to present the process of implementation of the virtual reference service for
students of the distance education course of Library Science at the Universidade Federal de Goiás. Therefore, the
methodology used initially, sought to verify in the existing literature, information and concepts about the virtual
referral service. Based on this, a descriptive, exploratory study is carried out, using a qualitative approach, and as
a data collection instrument, the participant observation method is used to present and describe information
related to the development of the service. In this way, a diagnosis of the distance librarianship course is carried
out and then the process of structuring the services and products provided by the virtual reference service is
described. The development of this service arises from a gap present in undergraduate courses, with regard to
informational assistance to distance librarianship undergraduate students. From this, it is concluded that the
virtual reference service applied to distance learning is fundamental for solving the informational demands of
newcomers.
Keywords: Reference service. Virtual reference service. Librarianship. Distance education.

1 INTRODUÇÃO

Em virtude dos avanços tecnológicos, associado ao comportamento e as novas
demandas informacionais dos usuários, a forma de prestação de serviços tem se modificado
1

Graduando em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás. wesleysilvavjj@gmail.com.
Professor do curso de Biblioteconomia da UFG e doutorando em Ciência da Informação pela Universidade
Federal de Minas Gerais. filipereis@ufg.br.
2

�nas bibliotecas, em especial, o serviço de referência. Com isso, a organização de espaços
virtuais mais dinâmicos, acessíveis e que estabeleçam uma comunicação direta e efetiva com
os usuários, a fim de atender ou prestar assistência as suas questões informacionais é cada vez
mais requisitado. De acordo com Cunha e Cavalcanti (2008), as necessidades de informação
são aquelas originadas da urgência de resolução de problemas, tomadas de decisão e
desenvolvimento adequado de determinada atividade.
Em vista disso, muitas unidades de informação têm implementado o serviço de
referência virtual3, com o propósito de fornecer assistência remota a estudantes e
pesquisadores. Grogan (2001) dispõe que o serviço de referência não é uma exclusividade das
bibliotecas, uma vez que há inúmeros bibliotecários empreendedores que oferecem de
maneira consultiva esta assistência as necessidades de pesquisa dos seus clientes.
Desse modo, a diversidade e dinamicidade das demandas informacionais exigem do
serviço de referência determinada versatilidade, além de colocar o usuário como ponto
estratégico para compreender e articular as demais atividades desenvolvidas em uma
organização (SIQUEIRA, 2010). Diante disso, confere ao bibliotecário estabelecer e efetivar
um serviço adequado e coerente com o seu público, seja dentro ou fora de uma unidade de
informação.
Em decorrência dessa situação, este artigo tem como objetivo apresentar o processo de
implementação do serviço de referência virtual para os discentes do curso de Biblioteconomia
na modalidade a distância (BibEaD), da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para tanto,
estabeleceu-se como objetivos específicos: realizar diagnóstico do curso BibEaD e descrever
o processo de implementação e estruturação do serviço de referência virtual.
Posto isto, esta pesquisa permite compreender o processo de implementação e
estruturação de um serviço de referência virtual, desenvolvido durante o estágio
supervisionado do curso de biblioteconomia presencial, no qual foi aplicado ao Ensino a
Distância (EaD). Esse projeto surge como resposta a uma lacuna presente no curso de
graduação, no que se refere ao auxílio e suporte informacional direcionado aos ingressantes.
Desse modo, a metodologia utilizada inicialmente, para elaboração desse estudo
consistiu em um levantamento bibliográfico, de modo a apresentar os conceitos sobre

Neste trabalho, adota-se o sentido de “virtual” como analógico, cibernético e não como algo potente, possível,
exequível.
3

�biblioteca universitária, serviço de referência e serviço de referência virtual. E,
posteriormente, por meio de uma pesquisa qualitativa, de cunho descritivo-exploratória e
utilizando o método de observação participante, buscou apresentar e descrever a
implementação e estruturação do serviço de referência virtual no curso BibEaD.

2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Diferente das colônias espanholas, as colônias portuguesas tardaram na criação de
universidades. A chegada da família real portuguesa no Brasil, em 1808, garantiu a criação
das primeiras universidades. Desde então, o número de universidades foi crescente, o que
condicionou a criação de Bibliotecas Universitárias (BU) também, com vista as suas
históricas contribuições para a comunidade acadêmica. No Brasil, desde 1963, o Conselho
Federal de Educação incluíra, entre outros requisitos, que um curso superior deveria possuir
uma biblioteca para obter reconhecimento de ensino superior (OLIVEIRA, 2004).
A Reforma do Ensino Superior, em 1968, garante a obrigatoriedade da biblioteca
universitária nas Instituições de Ensino Superior (IES) no Brasil. Demonstrando assim, a
importância do papel educativo, ou seja, da função formativa que a biblioteca pode
proporcionar à comunidade acadêmica. Os objetivos da BU devem estar em harmonia com os
parâmetros da universidade. Tarapanoff (1981) afirma que a biblioteca universitária deve:
a) Preocupar-se com as funções e atividades da universidade a qual pertence;
b) Planejar os serviços, relacionando-os aos objetivos de ensino, pesquisa e extensão
da universidade;
c) Reestruturar suas atividades, em relação às da universidade;
d) Integrar-se aos níveis hierárquicos quando estabelece os seus objetivos para estar
coerente com a política geral da instituição e orientar sua própria política;
e) Ter objetivos e essencialmente dinâmicos que devem sempre representar as
necessidades da universidade a qual pertence.
A biblioteca universitária é um ambiente que tem como propósito atender as
necessidades informacionais dos discentes, professores e corpo administrativo da
universidade. Da mesma forma, tem o intuito de atender as exigências das bibliografias dos

�cursos de graduação, além de oferecer suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão
(CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Desse modo, Silva e Lima (2018) evidenciam a importância deste espaço no ambiente
acadêmico para possibilitar o acesso à informação de qualidade, a fim de viabilizar o processo
de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, Lima et al. (2017) descreve que o advento das novas
tecnologias de informação e comunicação modificou os ambientes informacionais, uma vez
que buscaram a modernização e o desenvolvimento de novos produtos e serviços, de modo a
alcançar os novos perfis de usuários, um exemplo é o serviço de referência virtual.
Mota e Borges (2021) destacam que os serviços de referência nas bibliotecas
universitárias estão se expandindo, por meio da inserção de novas tecnologias na atuação do
bibliotecário de referência. Entretanto, Santos e Andrade (2019) relatam que a realidade desse
serviço parece incerta para algumas unidades de informação, devido a aspectos estruturais e
financeiros.
Diante disso, Grogan (2001) enfatiza a existência e o crescimento do serviço de
referência fora das bibliotecas, sem um acervo físico. Sendo assim, o autor esclarece que
muitos bibliotecários de referência prestavam esse serviço em linha, como consultores, isto é,
por meio do telefone. No entanto, atualmente há diversos meios de estabelecer essa
comunicação. Portanto, pode-se inferir que o serviço de referência virtual está cada vez
ganhando mais espaço nas instituições e se adequando as tecnologias.

3 SERVIÇO DE REFERÊNCIA
De acordo, com Accart (2012, p. 7) o serviço de referência surge “[...] no final do
século XIX nas bibliotecas públicas norte-americanas com o nome de referece services”, de
modo a contribuir com as consultas às fontes informacionais realizadas pelos usuários. Isso
ocorreu, principalmente, devido à expansão da indústria editorial associada a alta
alfabetização da sociedade, por meio da ampliação do ensino público. Diante disso, surge um
novo público leitor, que juntamente aos pesquisadores demandavam do auxílio de
profissionais na busca de fontes informacionais cada vez mais específicas (GROGAN, 2001).
Posto isto, o serviço de referência pode ser definido como um suporte informacional
que tem como propósito prestar assistência no atendimento as demandas informacionais dos
usuários, estabelecendo uma comunicação direta entre bibliotecários e utilizadores do serviço

�(MACIEIRA; PAIVA, 2007). Desse modo, Grogan (2001) estabelece oito passos
fundamentais que envolvem a prática do serviço de referência, sendo eles: o problema, a
necessidade de informação, a questão inicial, a questão negociada, a estratégia de busca, o
processo de busca, a resposta e a solução. Enquanto Figueiredo (1992) sinaliza seis passos: a)
seleção da mensagem, b) negociação da questão de referência, c) desenvolvimento da
estratégia de busca, d) busca, e) seleção da resposta, f) renegociação.
Diante disso, Silva e Lima (2018) reforçam que o serviço de referência é considerado
indispensável em uma unidade de informação, pois possibilita a conexão entre bibliotecário e
usuário, e isso dentro de uma biblioteca favorece a supervisão e a realização de outras
atividades como a circulação e o empréstimo de materiais. As autoras ainda descrevem que a
internet junto aos avanços tecnológicos proporcionou a elaboração de um serviço de
referência que excedesse o ambiente da biblioteca, sendo este o serviço de referência virtual,
no qual faz uso de recursos eletrônicos, mas que mantém os objetivos do serviço tradicional.

3.1 SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL

O serviço de referência virtual pode ser considerado uma extensão do serviço
tradicional que é realizado presencialmente nas unidades de informação, no entanto também
pode ser considerado como um serviço em separado (ACCART, 2012). Com base nisso,
Santos e Andrade (2019, p. 18) relatam que o serviço de referência virtual surge “[...] com o
intuito de acompanhar e explorar as novas tecnologias [...]”, além de que a inclusão deste
serviço possibilita a modernização das instituições, assim como permite alcançar usuários
potenciais que não podem utilizar o serviço presencial. Diante disso, Accart (2012) destaca
que esta modalidade virtual de prestação de serviços informacionais, pouco difere do serviço
presencial, posto que as diferenças se encontram no uso de recursos tecnológicos e na
interação com o usuário.
Dessa maneira, o serviço de referência virtual é definido por Siqueira (2010, p. 125)
como “[...] aquele que através da interface da rede virtual permite a interação entre o
profissional da informação e o usuário, disponibilizando recursos a partir da tecnologia
comunicacional da rede fora do ambiente da biblioteca física”.
A partir disso, este serviço pode ser disponibilizado de duas formas, sendo elas
assíncrona e síncrona. No entanto, vale destacar que ambos os formatos se referem ao tempo

�de resposta em relação a dúvida apresentada pelos usuários. A primeira, conforme Siqueira
(2010) acontece quando não há uma resposta imediata do bibliotecário para o usuário,
podendo levar horas e até dias para efetivar a comunicação. A segunda, ocorre quando o
bibliotecário atende a demanda em tempo real, isto é, no mesmo momento que a demanda é
encaminhada pelo usuário (SIQUEIRA, 2010).
Nesse sentido, os meios de comunicação que podem ser utilizados entre bibliotecários
e usuários compreende telefones, chats, blogs, e-mails, teleconferência e formulários, que por
vezes são disponibilizados nas páginas das bibliotecas que ofertam o serviço (OLIVA, 2009).
A vista disso, pode-se inferir que as tecnologias de comunicação facilitaram e proporcionaram
maior comodidade aos usuários, no que se refere a assistência em relação as respostas as
demandas informacionais.
Assim sendo, Accart (2012) destaca alguns pontos a serem observados antes e durante
a implementação do serviço de referência virtual, são eles: os aspectos normativos e legais
relacionados aos direitos de autor e reprodução de materiais, seleção e definição das
ferramentas comunicacionais a serem disponibilizadas para o usuário, a forma de
atendimento, definição do sistema, os aspectos organizacionais a qual o serviço está
submetido entre outros.

4 METODOLOGIA

Este estudo utilizou como método inicial, uma pesquisa bibliográfica, de modo a
apresentar, de forma brevíssima, conceitos e informações que fundamentam os principais
temas deste trabalho. De acordo com Gil (2008, p. 50), “a pesquisa bibliográfica é
desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos
científicos”, o que possibilita uma maior compreensão dos fenômenos estudados.
Sendo assim, esta pesquisa é classificada como descritiva, uma vez que há o registro e
a descrição das características pertencentes a uma comunidade ou a um fenômeno específico.
Da mesma forma, apresenta caráter exploratório, em razão da exemplificação e delimitação
do tema (GIL, 2008).
Nesse sentido, é utilizado uma abordagem qualitativa, em função da descrição e
análise dos fatos apresentados. Com isso, Prodanov e Freitas (2013) definem esta abordagem

�como um método que possibilita a interpretação de fenômenos objetivos e subjetivos entre o
mundo real e o indivíduo, dispensando as técnicas estatísticas.
Posto isto, o método utilizado para coleta de dados consistiu na observação
participante, uma vez que se buscou apresentar, por meio da observação do pesquisador os
desdobramentos para estruturação e implementação do serviço de referência virtual. Gil
(2008) descreve que neste método o pesquisador se insere na comunidade pesquisada, ou seja,
é “[...] a técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior
dele mesmo” (GIL, 2008, p. 103).

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Esta seção apresenta o diagnóstico realizado do curso de Biblioteconomia na
modalidade a distância da UFG, por meio da análise do Projeto Pedagógico Nacional do
Curso (PPN), a fim de identificar as características da graduação. Ademais, busca-se
descrever, com base na observação do pesquisador, a forma como o serviço de referência
virtual é estruturado e implementado no ambiente virtual de aprendizagem do Moodle Ipê da
UFG para os estudantes do curso BibEaD.

5.1 DIAGNÓSTICO

O curso de Biblioteconomia EaD, identificado como Bacharelado em Biblioteconomia
na modalidade a distância, ofertado pela Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) tem
suporte do Centro Integrado de Aprendizagem em Rede da Universidade Federal de Goiás
(CIAR/UFG), no que tange a estruturação de cursos à distância. No entanto, de forma ampla,
o curso foi desenvolvido por meio da Diretoria de Educação a Distância (DED) juntamente ao
Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), ambos coordenados pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), como forma de suprir as demandas
existentes, além de democratizar e possibilitar a formação de indivíduos residentes em
diferentes regiões do Brasil (BRASIL, 2017).

�Com base no exposto, o corpo docente4 do curso de Biblioteconomia à distância é
formado por 17 professores. Isto posto, e conforme o PPN da graduação, a faculdade oferta
um total de 270 vagas, em que são divididas entres os polos de Anápolis, Aparecida de
Goiânia, Jataí, Catalão e Uruaçu, no qual foram eleitos a partir de critérios específicos, como
a existência de Instituições Públicas de Ensino Superior (IESP) e escolar, e o ingresso no
curso ocorre por meio da realização de vestibular, respeitando as normativas da UFG
(BRASIL, 2017).
Ainda conforme o PPN (BRASIL, 2017), o curso tem como intuito atingir um público
que já tenha concluído o ensino médio e que não possam frequentar a graduação
presencialmente, além de que esses indivíduos trabalhem ou tenham a intenção de laborar em
uma unidade de informação. Sobre a qualidade do curso, de acordo com Rodrigues (2008), a
UFG investe em educação a distância antes do surgimento da UAB, isto possibilitou que a
instituição disponibilizasse diferentes cursos e formações virtuais, e esta questão confere a
universidade determinada experiência no ensino virtual e a distância.
No que se refere a forma de acompanhamento do discente, esta ocorre mediante tutoria
com suporte do professor, no qual ficou estabelecido por meio do PPN 18 alunos por tutor,
além disso o acompanhamento acontece também através dos relatórios gerados no Moodle.
Diante disso, para atender de forma satisfatória os estudantes, a equipe de docentes fará parte
de um programa de capacitação designado ao ensino à distância, além de que os discentes
receberam suporte pedagógico, administrativo entre outros durante a realização do curso
(BRASIL, 2017).
Em relação ao ambiente de aprendizagem, as atividades serão desenvolvidas em sua
maioria no espaço virtual do Moodle, local que ficará armazenada toda a produção dos alunos
do curso, além deste espaço há também as formas de atendimento aos discentes, como e-mail,
mídias sociais e videoconferências. Todo o suporte necessário para realização das atividades
pode ser encontrado nos polos de ensino, caso os discentes não possuam estrutura tecnológica
em suas residências (BRASIL, 2017).
Nesse sentido, após a exposição das principais características apresentadas e
identificadas no curso BibEaD, buscou-se através da análise SWOT (Strenghts, Weakness,
Opportunities, Threats), estabelecer quais os pontos fortes e fracos da graduação, assim como
4

Corpo docente Biblio EaD. Disponível em: https://biblioteconomia.fic.ufg.br/p/36613-corpo-docente-biblioead. Acesso em: 10 mar. 2021.

�as oportunidades e ameaças que podem surgir. Conforme Silva Filho (2015), esse modelo de
análise permite identificar em categorias os pontos positivos e negativos do empreendimento,
listando informações sobre o ambiente e sua atuação no mercado. Desse modo, no Quadro 1
elencou-se os seguintes aspectos:

Interno

Externo

Quadro 1 – Análise SWOT do curso BibEaD
Fatores positivos
Fatores negativos
Strengths (Força)
Weakness (Fraquezas)
- Polos de ensino estruturados em regiões
estratégicas;
- Poucas informações relacionadas ao perfil do
- Disponibilização de materiais didáticos
ingressante;
próprios;
- Restrição de disponibilização de materiais com
- Aumento da oferta de vagas;
direitos autorais;
- Ensino e formação qualificada;
- Baixa relação estudante / professor;
- Corpo docente especializado;
- Ausência de uma biblioteca bem estruturada nos
- Ensino gratuito;
polos de apoio ao discente.
- Suporte ao estudante;
- Experiência com educação a distância.
Opportunities (Oportunidades)
Threats (Ameaças)
- Questões orçamentárias;
- Expansão do curso;
- Evasão dos discentes;
- Colocação de profissionais qualificados no
- Decisões governamentais;
mercado;
- Possíveis dificuldades com a utilização de
- Atendimento a Lei 12.244/2010;
tecnologias de informação e comunicação;
- Captação de novos alunos;
- Possíveis instabilidades tecnológicas;
- Convênios com novas instituições.
- Gerenciamento do tempo.
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).

A partir do detalhamento do PPN do curso, e por meio da análise SWOT, pode-se
delimitar quais os pontos fortes e fracos, levando em consideração fatores internos e externos,
presentes na graduação de biblioteconomia a distância. Diante disso, observa-se que o curso é
bem estruturado, no qual busca soluções para possíveis problemas, um deles é a questão da
disponibilização de materiais informacionais, que por sua vez sofrem com restrições dos
direitos autorais, além da baixa estruturação das bibliotecas presentes nos polos de ensino.
Prevendo esta limitação, a coordenação juntamente ao corpo docente optou por
disponibilizar materiais didáticos elaborados pelo próprio curso, com intuito de oferecer o
melhor conteúdo para o ingressante, assim como implementar um serviço de referência virtual
direcionado aos discentes.

5.2 IMPLEMENTAÇÃO DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL

�A implementação do serviço de referência virtual aconteceu, primeiramente, por meio
da elaboração de uma proposta estruturada com base no diagnóstico realizado do curso de
biblioteconomia a distância da UFG. Desta forma, a proposta apresentava em seu escopo a
necessidade de ofertar um serviço de referência virtual que auxiliasse os ingressantes do curso
em suas pesquisas, bem como na elaboração de trabalhos acadêmicos, uma vez que os polos
de ensino carecem de bibliotecas bem estruturadas.
Portanto, um dos objetivos do serviço de referência virtual, aqui apresentado, foi
possibilitar o acesso dos discentes a conteúdos informacionais de qualidade. E da mesma
forma, viabilizar o alcance a outras fontes, como complemento dos materiais didáticos.
Posto isto, estruturamos o serviço de referência virtual durante a realização do estágio
supervisionado obrigatório do curso de Biblioteconomia, modalidade presencial. Diante disso,
os produtos e serviços foram organizados e desenvolvidos no ambiente virtual de
aprendizagem do Moodle Ipê da universidade, a mesma plataforma que os estudantes utilizam
na graduação. Em vista disso, buscou-se elaborar algumas etapas para efetivar a
implementação do serviço de referência virtual, como é apresentado no Quadro 2.

ETAPAS

Quadro 2 – Etapas de implementação do serviço de referência virtual
DESCRIÇÃO DAS ETAPAS DE IMPLEMENTAÇÃO

1° etapa

- Estruturação e organização do ambiente virtual de aprendizagem do Moodle.

2° etapa

- Definição dos serviços a serem ofertados.
- Levantamento e seleção de fontes de informação gerais e especializadas de acesso aberto,
com foco na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação.
- Seleção dos meios de comunicação que serão utilizados entre o bibliotecário e o usuário —
e-mail, videoconferência, chats entre outros — para esclarecimentos de dúvidas ou
solicitações de serviços;
- Elaboração de guias e manuais de pesquisa elencando fontes de informações diversas, assim
como métodos e estratégias de pesquisa simples e avançadas utilizando operadores booleanos,
truncagem entre outros recursos.
- Treinamento com os usuários para apresentação dos serviços de referência virtual.

3° etapa
4° etapa

5° etapa
6° etapa
7° etapa

- Avaliação do serviço de referência virtual.
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).

Desse modo, observando as orientações de implementação proposta por Accart (2012),
o serviço de referência virtual é pensado para atender as necessidades informacionais dos
discentes do curso BibEaD, uma vez que o acesso ao serviço ocorre de forma remota. Nesse
sentido, os produtos e serviços elaborados para compor o serviço de referência,
compreenderam, inicialmente, a construção de um guia com fontes de informação disponíveis

�gratuitamente na internet, com preferência a área de Biblioteconomia e Ciência da
informação. Também foram elaborados manuais com métodos e estratégias de pesquisa em
bases de dados, no qual apresentavam instruções de como usar os operadores booleanos,
truncadores entre outros recursos de busca.
De forma aprofundada, busca-se por meio do serviço de referência virtual, organizar
informações gerais que possam auxiliar os estudantes na realização dos trabalhos acadêmicos.
Assim sendo, é criado algumas abas dentro da plataforma com o intuito de sanar dúvidas dos
discentes em relação às normas da ABNT. Do mesmo modo, há informações sobre o que é
plágio e como o evitar. Ademais, é disponibilizado manuais com métodos e formas de realizar
estratégias de busca e pesquisa em bases de dados e metabuscadores, como o Google.
Além das informações descritas anteriormente, o espaço destinado ao serviço
apresenta concepções gerais sobre o que é o serviço de referência virtual, levantamento
bibliográfico e expõem o passo a passo para ter acesso às normas da ABNT e ao Portal de
Periódicos da Capes. Por fim, é elencado alguns links úteis que possam direcionar os
estudantes a sites importantes da universidade. Desta forma, para a solicitação de algum
serviço, é disponibilizado na plataforma chats e fóruns de dúvidas.
Sendo assim, como penúltima etapa de implementação, realizou-se um treinamento
on-line com os ingressantes, intitulado “Busca e Uso da Informação”, em que tinha o
propósito de apresentar todos os recursos do serviço de referência virtual disponível na
plataforma, assim como mostrar e ensinar métodos refinados de pesquisa em bases de dados e
metabuscadores. O treinamento também teve como propósito explicar sobre o que era o
plágio acadêmico e como o evitar, além de apresentar fontes de informação específicas da
área.
Durante o treinamento, os discentes apresentaram sua avaliação do serviço por
intermédio do chat, em que descreveram a importância das informações que foram repassadas
e sugeriram novos treinamentos para serem aplicados.

5.2.1 Avaliação da aplicação do serviço de referência virtual

Com base no diagnóstico elaborado sobre o curso de biblioteconomia a distância e por
intermédio da observação do pesquisador, pode-se identificar a importância da implementação
deste serviço direcionado aos discentes do curso em questão, uma vez que a ausência de uma

�biblioteca estruturada nos polos de ensino poderia comprometer a qualidade no
desenvolvimento de pesquisas e na realização de trabalhos acadêmicos.
Por esse motivo, iniciou-se a construção de uma proposta que pudesse fundamentar a
estruturação de um serviço de referência virtual orientado aos discentes do curso BibEaD, de
modo a promover o acesso à informação gratuita e de qualidade, disponível na internet. Desta
forma, para embasar a proposta foram levantadas informações referentes ao curso, realizando
assim um diagnóstico, a fim de compreender as diferentes esferas da graduação.
Com base no diagnóstico realizado, principalmente, por meio da avaliação do PPN do
curso, pode-se constatar que a graduação detém de bases bastantes consistentes e estruturadas,
uma vez que o PPN busca propor soluções para possíveis problemas ou disfunções que
possam vir a acontecer. Entretanto, não tratava sobre a forma de disponibilização e auxílio a
fontes de informação especializada. Nesse sentido, pode-se afirmar que o serviço de
referência virtual é desenvolvido para responder a uma lacuna verificada no PPN sobre a
busca e o uso da informação no ambiente web. Portanto, a necessidade e a relevância de
elaborar um serviço remoto que possibilitasse a assistência informacional dos discentes
mostrou-se essencial.
Desta maneira, o serviço é elaborado de forma personalizada com o propósito de
auxiliar e prestar assistência as demandas informacionais dos estudantes do curso BibEaD,
por meio do contato assíncrono com o bibliotecário responsável pelo serviço, no qual
utilizam-se as ferramentas de informação e comunicação para efetivar o diálogo entre os
discentes e o serviço de referência virtual. Outrossim, os estudantes mostram-se no
treinamento satisfeitos com o serviço ofertado, apesar das limitações relacionadas a
disponibilização de materiais que incorrem na quebra dos direitos de autor.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como apresentado no corpo teórico da pesquisa, o serviço de referência tem se
modificado ao longo do tempo, e incorporado cada vez mais as novas tecnologias para se
adequar ao novo perfil comportamental de seus usuários e modernizar os serviços da
instituição. Diante disso, surge o serviço de referência virtual, que possibilita uma
comunicação remota e virtual entre bibliotecário e usuário.

�Desta maneira, este estudo teve como objetivo apresentar e descrever as etapas de
implementação de um serviço de referência virtual direcionado aos estudantes do curso de
Biblioteconomia a distância da UFG, uma vez que os discentes não têm acesso a bibliotecas
bem estruturadas nos polos de ensino. Em decorrência dessa situação, desenvolve-se o serviço
de referência virtual, que possibilitou aos ingressantes uma orientação ao acesso as principais
fontes de informação da área, bem como viabilizou a comunicação assíncrona entre
bibliotecário e usuário para resolução das demandas informacionais.
Portanto, esse artigo permite demonstrar o processo de elaboração e aplicação de um
serviço de referência virtual personalizado e aplicado ao ensino a distância na universidade.
Vale destacar algumas limitações encontradas durante a implementação do serviço, que estão
relacionadas a disponibilização e acesso aos conteúdos informacionais, que violam os direitos
autorais e a ausência de recursos humanos e financeiros suficientes para manter o serviço.
Em síntese, salienta a importância e a necessidade do serviço de referência virtual
aplicado ao ensino a distância, uma vez que facilita e viabiliza a prestação de serviços
informacionais por meio do contato virtual, que independe da distância geográfica. Sendo
assim, sugere-se uma maior atenção a esse serviço, bem como a sua ampliação.

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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A pesquisa tem como objetivo apresentar o processo de implementação do serviço de referência virtual para os discentes do curso de Biblioteconomia na modalidade a distância, da Universidade Federal de Goiás. Para tanto, a metodologia utilizada inicialmente, buscou verificar na literatura existente, informações e conceitos sobre o serviço de referência virtual. Com base nisso, procede-se a um estudo descritivo com caráter exploratório, utilizando uma abordagem qualitativa, e como instrumento de coleta de dados utiliza-se o método da observação participante para apresentar e descrever as informações relacionadas a elaboração do serviço. Desse modo, é realizado um diagnóstico do curso de biblioteconomia a distância e em seguida é descrito o processo de estruturação dos serviços e produtos disponibilizados pelo serviço de referência virtual. A elaboração desse serviço surge de uma lacuna presente na graduação, no que se refere a assistência informacional aos discentes da graduação de biblioteconomia a distância. A partir disso, conclui-se que o serviço de referência virtual aplicado ao ensino a distância mostra-se fundamental para resolução das demandas informacionais dos ingressantes.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
CLUBE DE LEITURA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NA BIBLIOTECA
SETORIAL DO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS (CCH) DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO MARANHÃO (UFMA)
READIND CLUB: AN EXPERIENCE REPORT IN THE SECTORIAL LIBRARY OF THE
CENTER OF HUMAN SCIENCES (CCH) OF THE FEDERAL UNIVERSITY OF
MARANHÃO (UFMA)
Amanda Rocha Belfort1
Erlane Maria de Sousa Alcântara2
Luciana Palacio de Morais3
Resumo: A promoção de clubes de leitura ou livro em bibliotecas universitárias como atividades culturais de
incentivo ao hábito de leitura é premissa deste artigo. O presente trabalho tem por objetivo relatar a
experiência de criação do Clube de Leitura da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas da
Universidade Federal do Maranhão. Trata-se de uma pesquisa descritiva e qualitativa, cujo foco é a descrição
do processo de implantação e desenvolvimento do Clube de Leitura. Realizou-se uma pesquisa, através de
um questionário, com 8 perguntas abertas e fechadas com o objetivo de cintilar sobre o perfil leitor dos
usuários da biblioteca, os prováveis clubistas do projeto.

Palavras-chave: clube de leitura; leitura literária; hábito de leitura.
Abstract: The promotion of reading clubs or books in university libraries as cultural activities to encourage
the habit of reading is the premise of this article. The paper aims to report the experience of creating the
Reading Club of the Sectorial Library of the Human Sciences Center of the Federal University of Maranhão.
It is a descriptive and qualitative, research where the focus is the description of the process of implantation
and development of the Reading Club. A survey was carried out, through a questionnaire, with 8 open and
closed questions with the objective af shining of the reader profile of the library’s users, the probable club
members of the Project.
Keywords: reading club; literary reading; reading habit.

1 INTRODUÇÃO
A leitura é uma atividade inerente ao ser humano e no meio acadêmico é uma
prática absolutamente imprescindível para a completude na formação do universitário. No
artigo “Importância da leitura para estudantes universitários” publicado pelo Portal
Educação, ressalta que:
Por meio de observações a estudantes universitários, tem-se constatado que
muitos deles lêem apenas o que lhes são imposto de forma inadequada, apenas
1

Graduada em Bibliotecnomia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Atua na Diretoria
Integrada de Bibliotecas (DIB) na UFMA. E-mail: Amanda.belfort@ufma.br.
2
Graduada em Bibliotecnomia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Graduando do PROFNIT.
Atua na Diretoria Integrada de Bibliotecas (DIB) na UFMA. E-mail: erlane.maria@ufma.br.
3
Graduada em Bibliotecnomia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Atua na Diretoria
Integrada de Bibliotecas (DIB) na UFMA. E-mail: luciana.palacio@ufma.br.

�para obter uma nota, mas quando tem que fazer alguma produção de texto
escrito, a maioria tem dificuldade. (CORTES, 2014, p. 3)

É provável que o universitário quando não tem o hábito de ler, na perspectiva da
leitura literária, tem mais dificuldade de tornar-se um leitor de obras literárias durante o
percurso da vida acadêmica, visto que os estudos exigirão basicamente a leitura técnica, ou
seja, a leitura de conteúdos técnico e científicos do seu curso.
A problemática da prática de leitura literária perpassa toda a escolaridade do
indivíduo, desde a infância até a fase adulta, isto é, da educação infantil ao ensino superior.
Quando o indivíduo chega à universidade já traz uma carga histórico, cultural e social de
(não) prática da leitura. Silva et al (2015, p. 61) afirma:
[...] que o estudante de nível universitário no país, em sua maioria, despreza a
leitura como fonte de entretenimento, informação e crescimento pessoal,
limitando-se, na maior parte das ocasiões, a apenas ler aquilo que é obrigado por
necessidade das disciplinas cursadas, como atividades, apostilas e livros
passados pelos professores.

A leitura técnica traz consigo uma relevância axiomática na formação do aluno de
universidade, porém, até certo ponto, é uma leitura engessada na perspectiva da
interpretação, isto é, emanada de singularidade e pretensão de verdades de questões
científicas. Diferentemente da leitura literária que por natureza leva o leitor a múltiplas
reflexões. Por isso, é relevante que na universidade existam espaços voltados ao incentivo
à leitura literária, nesse sentido, incluímos a biblioteca universitária não somente como
instrumento de acesso à informação técnico-científica, mas como alternativa de acesso a
leitura literária.
Descreve um artigo no Blog Coletivo Leitor (2019, grifo do autor) que: “o direito à
literatura é uma necessidade social justamente porque colabora para a formação de cada
cidadão”, assim corrobora com a atual Lei nº 13.696 de 12 de julho de 2018, sobre a
Política Nacional de Leitura e Escrita - que promove o livro, a leitura, a escrita, a literatura
e o acesso a biblioteca - cujo segundo inciso, do artigo 2º consta como uma das diretrizes:
O reconhecimento da leitura e da escrita como um direito, a fim de possibilitar a
todos, inclusive por meio de políticas de estímulo à leitura, as condições para
exercer plenamente a cidadania, para viver uma vida digna e para contribuir com
a construção de uma sociedade mais justa. (BRASIL, 2018, p. 1).

Fomentar o hábito da leitura no espaço da biblioteca através de atividades culturais
voltadas ao livro e a literatura pressupõe dar significado ao direito à leitura. Essas práticas
culturais oportunizam àquele que tem contato com a leitura possibilidades para sua
formação cidadã. A biblioteca tem uma responsabilidade social quando por meio destas
atividades e outras competências, aproxima o usuário da informação e a partir desse

�processo (que se faz com leitura) surge o conhecimento que aplicado adequadamente se
torna um bem social.
Por isso é sabido que a leitura contribui para a formação de um leitor com
capacidade crítica e reflexiva, assim, corroboram Paixão e Torre (apud GUALHARDO;
PEREIRA, 2016, p. 89):
Por meio da leitura, podemos ter ganhos primários, tais como uma melhora na
capacidade de nos expressar, verbal e literariamente, da nossa capacidade
cognitiva/intelectual e maior chance de nos apropriarmos e de nos adaptarmos ao
mundo contemporâneo, atribuindo-lhe significados.

Um dos objetivos da Política Nacional de Leitura e Escrita (2018, p. 1) é “valorizar
a leitura e o incremento de seu valor simbólico e institucional por meio de campanhas,
premiações e eventos de difusão cultural do livro, da leitura, da literatura e das
bibliotecas”, dessa forma, atribui à biblioteca o papel de socialização da leitura.
A democratização do acesso a mecanismos que proporcionem o hábito da leitura é
um dos eixos principais desta Política (2018, p. 1, grifo nosso): “Democratizar o acesso ao
livro e aos diversos suportes à leitura por meio de bibliotecas de acesso público, entre
outros espaços de incentivo à leitura [...]”.
Os clubes de leitura constituem-se em espaços de incentivo à leitura que
possibilitam a socialização desse direito. São iniciativas plausíveis que tem como fim
fazer-se preservar o hábito da leitura daqueles que não sabem viver sem a leitura, além de
fazer nascer o hábito daqueles que não se consideram um leitor. Veroneze, Javarez e Nadal
corroboram (2019, p. 316): “Os Clubes de Leitura apresentam-se, assim, como espaços
propícios à mediação de leitura e, quando flexíveis, à curiosidade e criatividade de
seus participantes.”
Promover estes espaços de leitura na biblioteca universitária é fundamental para
resgatar o gosto pela leitura e preservar a leitura literária no âmbito acadêmico, já que
prevalece a leitura técnica na formação universitária.
É preciso considerar que espaços de incentivo à leitura dentro das universidades são
fundamentais para trazer à tona a conscientização e o entendimento à comunidade
universitária de que a leitura é importante para a construção social do indivíduo. Contudo,
a leitura de entretenimento contribui e pode auxiliar o universitário na sua própria
formação acadêmica. Ressaltam Pena et al (2014, p. 7) que:
[...] atividades de estímulo à leitura, em particular o clube do livro, na
universidade, podem ser fontes de transmissão da cultura letrada para as novas
gerações, porque são espaços em que há mais liberdade de leitura literária e

�interpretação do texto transcendendo a aplicação instrumental típica dos livros e
artigos científicos utilizados na formação profissional ou científica.

Por isso, a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas (CCH) da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que faz parte da Diretoria Integrada de
Bibliotecas (DIB), tomou a iniciativa de promover uma atividade cultural que valorize a
leitura literária dentro da biblioteca e da universidade, surgindo assim o “Clube de Leitura
da Biblioteca do CCH”.
Os clubes de leitura têm a premissa do compartilhamento de ideias. São encontros
de leitores que ao compartilharem suas impressões, pontos de vistas, emoções oriundas das
leituras e menções a quaisquer aspectos da obra lida fazem da leitura solitária tornar-se
uma leitura socializada.
Diante do mundo das mídias sociais em que o conceito é compartilhar conteúdos,
só que sem o contato físico entre os agentes; a proposta do clube da leitura é aproximar as
pessoas para que numa conversa desenvolta e descontraída elas compartilhem seus
conteúdos e idéias sobre a leitura da obra.

2 IMPLANTAÇÃO DO CLUBE DE LEITURADA BIBLIOTECA DO CCH
O projeto do clube de leitura foi idealizado pelas bibliotecárias da Biblioteca
Setorial do Centro de Ciências Humanas (CCH), da Universidade Federal do Maranhão
(UFMA), com o objetivo geral de estimular e conscientizar o hábito da leitura como uma
atividade democrática e prazerosa na comunidade acadêmica, preservando a prática de
leitura daqueles que se consideram leitores e incentivando a formação de novos leitores. O
clube tem os seguintes objetivos específicos: fomentar práticas que promovem o acesso e
democratização da leitura; conscientizar a comunidade universitária sobre importância da
leitura literária; impulsionar o ato da leitura como prazer e como fonte de informação e
conhecimento; socializar a leitura; incentivar o hábito de frequentar a biblioteca; promover
encontros agradáveis e descontraídos entre os participantes do clube da leitura, e
oportunizar a leitura literária desprovida de análise técnica e científica da obra literária.
A proposta do Clube da Leitura da Biblioteca Setorial do CCH é promover
encontros periódicos de pessoas interessadas em compartilhar descontraidamente suas
ideias, concepções e experiências acerca da leitura de um livro. O clube da leitura é
mediado pelas bibliotecárias da Biblioteca Setorial do CCH e os encontros acontecem
bimestralmente, na última quinta-feira do mês, com duração de aproximadamente uma
hora e meia.

�As mediadoras e também coordenadoras do Clube de Leitura indicam três obras,
que não estão inseridas em um gênero específico, podendo ir do romance à ficção
científica, da literatura clássica à contemporânea, dos desconhecidos aos best-sellers. Essas
indicações vão para votação em um grupo de aplicativo de mensagens onde é escolhida a
obra mais votada entre os clubistas, com exceção das coordenadoras, que não têm direito a
voto. Este grupo de mensagem é utilizado como meio oficial de comunicação do Clube,
onde são noticiadas informações relevantes, a exemplo do regimento do clube, regras,
novidades e procedimentos de votação.
Cabe ressaltar que a intenção do projeto não é desenvolver em seus participantes a
capacidade de análise técnica literária da obra lida. Deve-se considerar a interpretação
genuína de cada leitor sobre a obra lida - um objeto de valor literário - e não cabe
evidenciar o conhecimento dos participantes do Clube acerca do conceito técnico de
literatura. O valor literário está no fato de que a leitura possibilita encantamento do leitor e
transforma a sua visão de mundo e suas experiências futuras após leitura da obra.
O público alvo do Clube de Leitura constitui-se de todo o corpo que compõe a
comunidade acadêmica da UFMA.

2.1 Pesquisa perfil leitor
Com o intuito de subsidiar o Projeto Clube de Leitura realizou-se uma “Pesquisa
Perfil Leitor” in loco, no mês de março de 2019. Esta pesquisa teve como objetivo
evidenciar o perfil leitor dos usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências
Humanas (CCH), fazendo um levantamento de dados e características que puderam cintilar
sobre o hábito de leitura destes usuários, por meio de um questionário que foi aplicado no
próprio balcão de atendimento no serviço de referência. Preparamos um cartaz
identificando a pesquisa e fazendo o convite para participação. Durante os 21 dias úteis do
mês de março foram respondidos 121 questionários.
Quanto ao perfil dos respondentes, buscou-se identificar características quanto ao
gênero, a idade, o curso, o gosto pela leitura e quais barreiras impedem a frequência da
leitura literária. Constatou-se que dos 121 respondentes, 64% são do gênero feminino e
36% do gênero masculino, o que mostra uma predominância feminina na amostra da
pesquisa. O gráfico a seguir representa estes dados:

�Gráfico 1 – Sexo

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Quanto à idade, a pesquisa identificou que 51% dos usuários estão na faixa etária
entre 17 e 21 anos, 25% entre as idades de 22 a 25 anos, 15% na faixa etária dos 26 a 30
anos e 9% tem mais de 30 anos, o que significa que a maior parte dos usuários é bastante
jovem.
Gráfico 2 - Idade

Fonte: Elaborado pelas autoras.

A amostra identificou que cerca de 97,5% responderam que gostam de ler, ou seja,
118 usuários disseram sim para a pergunta: Você gosta de ler?

�Gráfico 3 – Você Gosta de Ler?

Fonte: Elaborado pelas autoras.

A maior parte dos respondentes são alunos de cursos de graduação, ou seja, 90%
dos usuários, enquanto 9,9% são alunos de cursos de pós-graduação. E por a biblioteca ser
anexo do Centro de Ciências Humanas (CCH), identificou que os usuários em sua grande
maioria são do próprio centro, com predominância do curso de Letras, em primeiro lugar
com 31 respondentes, seguida do curso de Filosofia com 15 respondentes e Direito com 11
respondentes.
Gráfico 4 – Usuários por curso

Fonte: Elaborado pelas autoras.

�O gráfico mostra que os 11 dos respondentes do curso de Direito, fazem parte do
Centro de Ciências Sociais (CCSO), evidenciando que parte dos usuários da biblioteca do
CCH não são só do próprio centro. E que 12 respondentes são alunos de pós-graduação.
Gráfico 5 – Usuário distribuídos por cursos de graduação e pós-graduação

Fonte: Elaborado pelas autoras.

A pesquisa quis saber do gosto pela leitura e identificou que um número bastante
significativo, 26% dos respondentes realizam leitura técnica, isto é, leem conteúdo do
próprio curso, enquanto que 24% leem obras literárias. Dos respondentes apenas 5% tem
preferência por jornais e/ou revistas e 2% conteúdo de mídias sociais. É preciso considerar
que 42% dos usuários marcaram duas ou mais alternativas, dificultando a identificação da
preferência pelo tipo de leitura.
Gráfico 6 – Tipo de leitura dos respondentes

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Quanto ao número de obras literárias lidas durante o percurso de um ano, o gráfico
a seguir mostra um número muito satisfatório de usuários que disseram que leem mais de 6
obras literárias, ou seja, 40% dos respondentes. Identificou-se que 31 % dos usuários

�responderam que leem de 4 a 6 obras literárias por ano e 26% leem de 1 a 3 obras
literárias. Da amostragem 3% respondeu que não ler nenhuma obra literária.
Gráfico 7 – Obras literárias lidas por ano

Fonte: Elaborado pelas autoras.
Gráfico 8 – Barreiras para a frequência na leitura literária

Fonte: Elaborado pelas autoras.

A pesquisa identificou que a maior barreira para a frequência na leitura literária,
segundo 85 respondentes é o tempo, ou melhor, a falta de tempo para realizar a leitura
literária. A lentidão na leitura é a segunda barreira que 16 respondentes considera como
barreira para a frequência da leitura literária.

�3 RELATO DA EXPERIÊNCIA DO CLUBE DE LEITURA
O Clube de Leitura teve início em abril de 2019. Entre o dia 12 de março a 12 de
abril, ocorreu a divulgação do projeto para comunidade acadêmica através de cartazes.
Nesse ínterim, na própria biblioteca Setorial do CCH, aconteceram as inscrições dos
interessados em fazer parte do Clube de Leitura, onde já se certificava a data do primeiro
encontro. A princípio foi estabelecido o número de 15 participantes, mas, devido à grande
demanda da Lista de Espera, foi necessário aumentar o número para 22 clubistas.
No início do mês de abril iniciamos a criação do grupo no aplicativo de mensagens
e votação das primeiras indicações: O sol é para todos, de Harper Lee, A mulher da cabine
10, de Ruth Ware, O tatuador de Auschwitz, de Heather Morris e O conto da aia, de
Margaret Atwood.
O primeiro encontro aconteceu no dia 6 de junho de 2019 e contou com a presença
de 15 clubistas. A obra escolhida em votação pelos clubistas foi O conto da aia, de
Margaret Atwood. A obra é considerada um best-seller e uma distopia que traz relevantes
temáticas da contemporaneidade, por meio de uma narrativa intensa e surpreendente.
Figura 1: Participantes do 1º Encontro do Clube de Leitura

Fonte: Site oficial da Diretoria Integrada de Bibliotecas (DIB)/UFMA.

�Ainda no mês de junho foi realizada a votação da obra para o segundo encontro que
foi realizado no dia 29 de agosto de 2019, observando assim o espaço de tempo necessário
para o acesso e a leitura da obra.
A escolha da obra para o segundo encontro foi entre as seguintes obras: A estrada,
de Comarc Mccarthy, O 11º mandamento, de Abraham Verghese e O sorriso da hiena, de
Gustavo Ávila, que foi o vencedor com 17 votos. O livro O Sorriso da Hiena, é
um thriller psicológico que vai muito além da caça ao um serial killer, abordando questões
que colocam o próprio leitor em complexos dilemas morais.Este encontro contou com a
participação de 14 clubistas e resultou em trocas de experiências literárias, debates e
discussões saudáveis e com muita aprendizagem.
Figura 2 – Participantes do 2º Encontro do Clube de Leitura

Fonte: Ascom/UFMA

Para o terceiro encontro do ano de 2019, as obras indicadas para a votação foram
Americahah, de Chimamanda NgoziAdichie, A cor púrpura, de Alice Walker e A
bibliotecária de Auschwitz, de Antonio G. Iturbe. A obra escolhida em votação pelos
clubistas foi A Bibliotecária de Auschwitz, do autor e jornalista espanhol Antonio G.
Iturbe. Baseada em uma história real, o livro retrata a vida de Dita Adlerova, uma menina
judia de 14 anos que era responsável por cuidar de 8 livros no bloco 31 de Auschwitz, onde
funcionava uma escola informal e clandestina, liderada pelo inspirador Fredy Hirsch.

�Figura 3 – Participantes do 3º Encontro do Clube de Leitura

Fonte: Site oficial da Diretoria Integrada de Bibliotecas (DIB)/UFMA.

No último encontro do ano os clubistas foram presenteados e surpreendidos
com um vídeo enviado gentilmente pelo autor da obra, agradecendo pela escolha do livro e
parabenizando pela iniciativa proposta pelo clube.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo principal deste trabalho foi apresentar a experiência de um clube de
leitura formado em uma Universidade Federal, tendo a finalidade de estimular o prazer da
leitura literária em um ambiente acadêmico, onde é possível perceber através das análises
documentais que a maioria dos estudantes universitários no Brasil costuma priorizar as
leituras técnicas, ou seja, aquelas que lhe são impostas para a obtenção de notas.
A prática da leitura possibilita uma expansão em demasia do conhecimento e é
imprescindível para o sucesso acadêmico. Na maioria das vezes, os alunos tendem a adiar
as leituras, e quase nunca vão além da bibliografia sugerida pelo professor da disciplina.
No entanto, notou-se através da pesquisa perfil-leitor, realizada in loco, com o
propósito de fazer um levantamento sobre os hábitos de leitura dos usuários da Biblioteca
Setorial do CCH, que os potenciais clubistas consultados dão bastante valor às obras
literárias para suas leituras de lazer. De acordo com a pesquisa realizada em 2019, o gosto
por este tipo de leitura obteve um percentual de 24%, mesmo com 42% marcando duas ou
mais alternativas, o número é significativo.

�No tocante ao Clube da Leitura, foco deste estudo, a intenção é que os alunos
extrapolem as leituras técnicas e conteudistas, mas, experenciem depoimentos advindos de
leituras literárias que outrora fizeram, mas também o projeto intenciona abranger um maior
número de leitores literários no contexto acadêmico .
Consolidar a educação universitária na perspectiva discursiva formando leitores e
escritores é necessário. Dessa forma, estimular e trabalhar sistematicamente através de
ações que insiram os sujeitos no universo da cultura escrita, por intermédio da leitura
literária é a intencionalidade do projeto em evidência, foco deste artigo.
Sendo assim, pretendeu-se com este artigo mostrar também a importância de incluir
práticas culturais no espaço da Universidade para dar a este aluno um momento de lazer, e
que não fuja dos objetivos da Academia, que é formar cidadãos conscientes e capazes de
formar opiniões. E a biblioteca tem a responsabilidade social na formação destes leitores.

REFERENCIAS
BRASIL. Ministério da Cultura e do Ministério da Educação. Lei nº 13.696, de 12 de
julho de 2018. Institui a Política Nacional de Leitura e Escrita. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13696.htm. Acesso em:
06 fev. 2019.
CORTES, Celiane do Lago Novaes. Importância da leitura para estudantes universitários.
Portal Educação. Disponível em:
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/importancia-da-leitura-paraestudantes-universitarios/5715. Acesso em: 06 fev. 2019.
DIREITO à literatura: uma necessidade social. Coletivo leitor. 9 jan. 2019. Disponível em:
https://www.coletivoleitor.com.br/direito-a-literatura/. Acesso em: 10 fev. 2019.
GALHARDO, Diego Paulino; PEREIRA, Ondina Pena. O clube do livro identidade: uma
análise fenomenológica e gestáltica. Revistada Abordagem Gestáltica,v. 22, n. 1, p. 8996, jan./jun., 2016. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rag/v22n1/v22n1a11.pdf.
Acesso em: 12 mar. 2020.
SILVA, Maria de Fátima da et al. O hábito da leitura dos universitários. Revista Leitura,
v. 2, n. 56, p. 60-73, jul./dez. p. 60-73. 2015. Disponível em:
http://www.seer.ufal.br/index.php/revistaleitura/article/view/2336/2039.Acesso em: 07 fev.
2019.
PENA, André de Souza et al. Políticas institucionais de incentivo à leitura em bibliotecas
universitárias: estudos de caso no Brasil, Espanha e Moçambique.In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 18., 2014, Belo Horizonte, MG.
Anais [...], Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em:

�https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wp-content/uploads/trabalhos/154-2227.pdf. Acesso
em: 12 fev. 2020.
VERONEZE, Caroline Candido; JAVAREZ, Jeanine Geraldo; NADAL, Lisandra Maria
Kovaliczn. Clubes de leitura em movimento: integração nas bibliotecas do IFPR. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 15, n. esp., p. 314-326, 2019.
Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/1350-4860-1-PB%20(3).pdf. Acesso em:
01 maio 2021.

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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A promoção de clubes de leitura ou livro em bibliotecas universitárias como atividades culturais de incentivo ao hábito de leitura é premissa deste artigo. O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência de criação do Clube de Leitura da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão. Trata-se de uma pesquisa descritiva e qualitativa, cujo foco é a descrição do processo de implantação e desenvolvimento do Clube de Leitura. Realizou-se uma pesquisa, através de um questionário, com 8 perguntas abertas e fechadas com o objetivo de cintilar sobre o perfil leitor dos usuários da biblioteca, os prováveis clubistas do projeto.</text>
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                    <text>Eixo 3 - Inovações
BUSCA E USO DA INFORMAÇÃO NA WEB PARA PESQUISA EDUCATIVA
SEARCH AND USE OF INFORMATION ON THE WEB FOR EDUCATIONAL RESEARCH
Vera Lucia Marques da Silva1
Vânia Mara Alves Lima2

Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar um panorama de como estão sendo realizadas pesquisas que
possuem propósito educativo pela web, sob a perspectiva da Ciência da Informação. Investiga as fontes digitais de
informação que mais são utilizadas pelos estudantes, conforme levantamento de dados obtidos por revisão bibliográfica,
por meio de estudos que observaram o fenômeno, sob a perspectiva educativa. Considera que a busca e uso de
informação com propósito educativo na web são realizadas de forma autônoma e dinâmica, e que isso requer estratégias
de análise e criticidade em relação às fontes de informação, para que se obtenha maior efetividade e confiabilidade nos
resultados que possuem propósitos de aprendizagem.
Palavras-chave: Fontes de informação. Informação na web. Pesquisa educativa.

Abstract: This paper aims to present an overview of how researches that have educational purposes are being carried
out on the web, from the perspective of Information Science. It investigates the digital sources of information that are
most used by students, according to data acquired obtained through a literature review, through studies that observed the
phenomenon from an educational perspective. It considers that the search and use of information for educational
purposes on the web are conducted in an autonomous and dynamic manner, and that this requires analysis and criticality
strategies in relation to the sources of information, in order to obtain greater effectiveness and reliability in the results
that have purposes of learning.

Keywords: Information sources. Information on the web. Educational research.

1 INTRODUÇÃO
Atualmente a busca por informação no ambiente digital faz parte daquilo que se entende
como ‘pesquisar na internet’ e quando esta busca tem propósitos educativos, as fontes de
informação que serão utilizadas demandam maior atenção e cuidado, uma vez que no mundo digital

1
2

Mestranda em Ciência da Informação. PPGCI ECA/USP. veramarques@usp.br.
Professora Doutora em Ciência da Informação. ECA/USP. vamal@usp.br.

�as possibilidades se multiplicam e os conteúdos podem transmitir valores e pontos de vista
divergentes, quanto a credibilidade e a intencionalidade.
Ao situar a busca e uso da informação digital para fins educativos, na perspectiva da ciência
da informação, convém investigar além do que está relacionado à inclusão e destreza digital, para
entender quais são os novos desafios frente a pesquisa e as fontes de informação utilizadas,
verificando se este uso tem atendido expectativas de qualidade e efetividade na prática colaborativa
e educativa da pesquisa feita pela web.
Com a intenção de analisar estes desafios, inerentes ao comportamento de busca e o uso da
informação digital na web para fins educativos, este artigo faz um levantamento de estudos que
tratam estes fenômenos, para que se possa levantar conhecimentos sobre este assunto no campo da
ciência da informação e com isso começar a perceber como, na era digital, são entendidos e
operacionalizados os processos de pesquisa com propósitos educativos no universo web.
Esta pesquisa traz para a discussão sugerida neste artigo a reflexão de que os desafios
relacionados às fontes de informação digital para uso educativo, pode se encontrar em entender a
lógica e os mecanismos que subsidiam o acesso e a organização da informação no mundo digital,
pois como os artigos demonstram “parece que o Google está fornecendo experiências de
aprendizagem para os alunos e, portanto, tem o poder de influenciar significativamente a sociedade,
orientando e moldando a mentalidade de futuros pesquisadores e profissionais”(SALEHI, S; DU,
J.T; ASHMAN, H., 2018, p.26).

2 MÉTODO
Esta pesquisa apresenta análises e conceitos por meio de abordagem documental, que considera
diversas visões de mundo, em que a função do pesquisador é de acessar o conhecimento, explicitálo e defini-lo (LAVILLE; DIONE, 1999).
É uma pesquisa exploratória e seletiva, que tem a intenção de explorar os estudos ligados à
busca e uso da informação digital para fins educativos, no campo da ciência da informação, para
que se possa produzir reflexões e discutir tendências sob a perspectiva da organização da
informação em ambiente digital.
Com isso, a pesquisa, feita por levantamento bibliográfico, traz descrições de fontes
secundárias obtidas em bases de dados das áreas de ciência da informação e da

�educação, abordando o assunto em seu caráter inter e multidisciplinar, para que se tenha subsídios
para novos desdobramentos e discussões.
3 PESQUISA EDUCATIVA NA WEB
Adotar a pesquisa como princípio educativo significa superar a pedagogia da resposta e da
exclusão, que é baseada na transmissão de conhecimento, como elucida Jélvez (2013). Significa
consolidar a pedagogia da pesquisa e da aprendizagem, produzindo conhecimentos úteis e
significativos, pesquisar, analisar e aplicar conhecimentos de diferentes fontes, desenvolvendo a
capacidade de buscar informação que adquira significado e que seja transformada em
conhecimento, pelo pesquisador.
A pesquisa é um princípio educativo na medida em que pode promover a emancipação, a
formação de um sujeito crítico, capaz de compreender a condição histórica da qual faz parte, capaz
de construir o próprio aprendizado. Portanto, pesquisar torna-se um processo de criação, um projeto
de emancipação social e um diálogo crítico com a realidade, por isso que é preciso rever o processo
pedagógico de ensino-aprendizagem, restritos, muitas vezes, a condições de instrução, reprodução,
informação, de escuta e receptividade (DEMO, 2011).
Ao explorar a literatura, sobre como estão sendo categorizados os comportamentos de busca
de informação digital, verificou-se que o modelo de Ellis (Information-Seeking Behavior Model)
pode ser utilizado como um passo a passo para busca e seleção de informação na web . Shankar et
al. (2005) realizou uma adaptação do modelo, para um contexto que se entende como processo
criativo de solução de problemas na busca de informações em ambiente digital e na geração de
conhecimento. São seis passos: Inicio, Encadeamento, Navegação; Diferenciação; Monitoramento e
Extração (SHANKAR et al., 2005), a definição de cada um dos passos será transcrito a seguir:
Início: Corresponde ao começo, ao início da busca por qualquer informação. É o ponto
inicial ou, mais propriamente, no caso da busca na Internet, o termo iniciado nos motores de
pesquisa ou a sinalização por fontes de interesse. Pode ser subdividido em início primário e início
secundário. O Início Primário diz respeito a comandos mais simples, de acordo com os quais o
indivíduo se restringe a usar palavras ou termos-chave solicitados pela atividade.

�O Início Secundário, por sua vez, diz respeito a entradas de busca mais bem formuladas (não
necessariamente melhores), ao uso estratégico das questões, pretendendo obter melhores resultados
e/ou sanar dúvidas sobre a busca ou, mesmo, sobre a própria palavra-chave.
Encadeamento: Trata-se do processo de projetar (encadear) a informação através de links,
proporcionando conexões entre uma fonte e outra, ou seja, entre uma página e outra. Pode ocorrer
tanto Para Frente (forward) quanto Para Trás (backward). O Encadeamento Para Frente se realiza
quando o indivíduo identifica e se projeta em outras fontes (páginas) a partir de uma referência
primeira/inicial. O Encadeamento Para Trás ocorre num processo inverso, quando o indivíduo volta
às referências do estágio anterior (à página de partida), seja através do caminho inverso, seja por
intermédio de outros recursos, como novos links que remontam ao conteúdo anterior.
Navegação: Diz respeito a uma ação hoje já popularizada: o ato de navegar. Compreende a
visualização de páginas, sites, blogs, imagens e afins, visando acessar informações relevantes para
os propósitos da busca.
Diferenciação: Corresponde ao procedimento de seleção de informações, considerando
fatores determinantes, como a qualidade, a confiabilidade e a natureza das informações. Está
expressamente vinculada ao interesse pela busca e à subjetividade do indivíduo. Subdivide-se em
primária e secundária. A Diferenciação Primária pode ser compreendida como o ato de analisar uma
informação ou um link específico, tendo como parâmetro somente o conteúdo, ou
seja, desconsiderando completamente outros aspectos que poderiam ser relevantes. Já na
Diferenciação Secundária, ao contrário da primeira, a seleção das informações é realizada com base
na avaliação da autoridade de quem disponibiliza os dados e na precisão e confiabilidade das
informações.
Monitoramento: Trata-se da ação de manter-se informado a respeito dos acontecimentos de
um campo de interesse por intermédio de serviços de notificação, tais como e-mail, sistemas de feed
e/ou Rich Site Summary (RSS).
Extração: Corresponde ao procedimento de retirada (extração) tanto de informações quanto
de imagens específicas. A extração de informações apresenta duas subdivisões, podendo ser
chamada de Primária e Secundária. A Extração Primária compreende ocorrências reducionistas do
procedimento, sem objetividade ou, mesmo, síntese na assimilação das informações encontrados.
Em outras palavras, corresponde ao popular “Ctrl + C”; “Ctrl + V” (copiar e colar).

�A Extração Secundária, por outro lado, abrange maior precisão de resultados, ao transpor
informações relevantes e com sinteticidade. Pode haver ainda a Extração de Imagem, a qual não
apresenta subdivisões, por corresponder a um sistema sígnico que não permite tanta flexibilidade
quanto o verbal (PINHO, 2019).
Embora este processo seja desenhado a partir de uma lógica sequencial, em ambiente digital
ele não é linear, como elucida Pinho (2019) e conforme forem os processos e os objetivos da
pesquisa, alguns destes estágios conceituais de busca podem não acontecer ou seguirem diferentes
sequências e repetições.
O estudo de Kuhlthau (1991), que baseia sua referência conceitual em teóricos que
apresentam aspectos cognitivos e afetivos envolvidos no processo de busca, desenvolveu o
Information Search Process (ISP) que é um modelo de busca de informações, sob a perspectiva do
usuário e que possui um ciclo informacional de início, seleção, exploração, formulação, acumulação
e apresentação da informação. Estão inseridas nestas dinâmicas, a identificação das necessidades de
informação, sobretudo ao contextualizar estas necessidades aos sistemas tecnológicos. Para a
autora, permeiam este processo os pensamentos, os sentimentos e as ações e estes são os grandes
desafios para o processo cognitivo do usuário, em uma situação de busca de informação.
Nesta lógica, convém apresentar no contexto da realidade brasileira, um panorama de uso da
internet no cotidiano de estudantes, no que se refere a pesquisa com propósitos educativos, feita de
forma autônoma ou orientada com recursos digitais, para que se tenha a medida do uso da internet
para esse fim, por meio dos relatórios que quantificam dados sobre uso das TICs.
O Juventude conectada é um estudo da iniciativa privada que propõe captar as impressões e
tendências mais relevantes sobre os usos e apropriações das TIC pelos jovens brasileiros de todas as
regiões do país, explorando entre pesquisas relacionadas à educação e aprendizagem. O estudo faz
levantamentos sobre o acesso e o uso de tecnologias nas escolas e na vida educativa de jovens,
relacionando gênero, escolaridade e classe social entre outros aspectos e combina múltiplas
metodologias de investigação, aplicando-as em etapas quantitativas e qualitativas, a pesquisa que
vem sendo feita desde o ano de 2013 e apresenta os resultados de sua terceira edição em 2019.
A tabela a seguir, retirada deste estudo, adiciona reflexões que ampliam o conteúdo deste
artigo, ao demonstrar a percepção destes jovens, em relação ao aprendizado por meio das
tecnologias ao passar destes anos no Brasil:

�Figura 1 - Tecnologias digitais em práticas e relações de aprender

Fonte: (Juventude e Conexões, 2019, p. 96)

Este panorama pode salientar as expectativas que são criadas pelo acesso ao universo
tecnológico a que a internet expõe, pois conforme o estudo na visão dos participantes:
“Existe a percepção de que a internet tornou o conhecimento mais acessível e que
aquilo que quiserem buscar estará sempre ao alcance das mãos. Para eles, o
ambiente digital otimiza pesquisas, permite acessar fontes diversas, é mais
atualizado do que a escola, permite aprofundamento de determinado tema e
proporciona mais flexibilidade de tempo. Essa percepção se reforça quando 44%
concordam totalmente que a internet possibilita aprender no próprio ritmo, horário e
local adequados às necessidades”. (JUVENTUDE, 2019, p. 92)

Ao verificar que estudar é uma das das principais funções da internet na percepção de
estudantes, percebe-se que o comportamento informacional digital tende a compreender fontes de
informação como principal ferramenta de estudo na atualidade.

�4 FONTES DE INFORMAÇÃO NA WEB
Ao explorar o tema relativo à escolha dos recursos e fontes de pesquisa por meio da web,
Purdy (2012) realizou um estudo por meio de um levantamento de quanto os jovens estudantes
americanos utilizam a internet em suas pesquisas escolares, e obteve o resultado de que “quase 75%
dos estudantes pesquisados relataram usar a Internet mais do que a biblioteca para pesquisa[...]
Usavam motores de busca comerciais em vez de sites de universidades e bibliotecas” (PURDY,
2012, p.118).
Pesquisadores que fizeram parte deste estudo, encontraram as mesmas justificativas de
motivação para a escolha de buscadores da internet como principal fonte de pesquisa: a facilidade, a
simplicidade e a variedade no acesso às respostas, não havendo grande preocupação, por parte dos
estudantes em aprofundar o assunto e discernir sua relevância.
Purdy (2012) chama atenção para o fato de que, ao indicar que o estudante procure fontes de
informação acadêmicas na internet, pode-se tirar o peso de avaliar criticamente a relevância e o
contexto em que essa informação será aplicada: “Precisamos esclarecer para os alunos que
uma fonte acadêmica apropriada para uma tarefa pode não ser apropriada para outra. Que uma fonte
é “erudita” não a torna universalmente utilizável” (PURDY, 2012).
Resultados semelhantes são obtidos nos estudos de Salehi; Du; Ashman (2018), onde se
verificam o uso dos mecanismos de busca como principal ferramenta para seus estudos, não só por
estudantes de graduação, como também por estudantes de pós-graduação, mesmo tendo
conhecimento de outras fontes de pesquisa acadêmica.
Na figura 2 o gráfico representa, por meio dos indicadores da escala Likert de 1 a 5, a
frequência do quanto são utilizados cada um dos recursos de informação na pesquisa para fins
educativos:

�Figura 2 - Frequência de uso de recursos de informação acadêmica

Fonte: (SALEHI, S; DU, J.T; ASHMAN, H.,2018)

Verifica-se que o grau de dependência de estudantes para os recursos da internet, na busca
de informação para propósitos educativos é muito alto, mesmo em grupos de alunos com
conhecimentos de recursos especializados de pesquisa da universidade.
Os resultados destas pesquisas deixam clara a preferência por recursos digitais para suprir as
necessidades informacionais educativas e principalmente a prevalência do buscador Google
como principal fonte para este fim, pois os alunos selecionaram o Google como favorito, “três vezes
a mais do que o próximo recurso favorito, o Google Acadêmico, ainda um produto do Google.
Juntos, todos os recursos de pesquisa que não são do Google representaram apenas 26,4% dos
recursos de pesquisa favoritos dos alunos” (PURDY, 2018), reforçando o domínio do Google e sua
avaliação positiva entre estes alunos.
Em outro trabalho, Hea e Eisenberg (2009) conduziu pesquisas em seis instituições
educacionais americanas para avaliar como estudantes usavam a web em suas pesquisas educativas
e traz um outro ponto de vista, ao concluir que a maior parte dos estudantes entrevistados possuem

�um “padrão relativamente consistente de uso da informação, ou seja, parecem ter aprendido por
rotina a usar um pequeno conjunto de recursos, quase todas as vezes”. E estes recursos são aqueles
que mais satisfazem as suas necessidades em relação a conteúdo, acessibilidade e utilidade.
Figura 3: Fontes utilizadas no contexto da pesquisa

Fonte: (HEA; EISENBERG, 2009, p. 17)

Esta dependência aos buscadores da internet, tornam mais fácil ou mais difícil o acesso a
informação relevante e de qualidade, já que buscadores como o Google, trabalham com os fatores
de personalização da pesquisa, ou seja, os resultados das buscas são prioritariamente baseadas na
localização, na informação de conta registrada e no histórico de navegação do usuário, conforme
Salehi, Du e Ashman, (2018) e o objetivo desta personalização é justamente levar maior relevância
e qualidade aos primeiros resultados da pesquisa. Pois, já se sabe que os usuários de buscadores na
web têm tendência maior a clicarem nos primeiros resultados das páginas web.
No que se refere à pesquisas relacionadas a conteúdos educativos, algo ainda mais relevante
é constatado neste experimento, no que diz respeito a qualidade das informações, uma vez que se
observa quais os domínios, ou seja a extensão que identifica a quem pertence o site que abriga a
informação que está sendo relacionada nos primeiros resultados de busca. Os domínios .gov
(governo) e .edu (educacionais) que são reservados para instituições governamentais e

�educacionais oficiais, como universidades e que são os que mais em teriam confiabilidade,
apareceram sempre a partir da segunda página de resultados, limitando o alcance desta informação.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os estudos que se debruçam sobre a prática de pesquisa em ambientes web, muito tem
contribuído para identificar as competências ou habilidades necessárias para buscar informações no
ambiente digital, no entanto, menos se tem discutido sobre as etapas que permeiam o
comportamento informacional digital na busca e uso de informações, levantando dados sobre as
motivações para este uso e investigando os recursos e fontes de informação utilizadas para a
pesquisa com propósito educativo.
Pode-se inferir que usuários alunos confiam nos meios digitais da web para suas pesquisas e
tarefas educacionais. Pautados pela relativa familiaridade com a busca de informações na internet,
definem suas próprias estratégias para buscar informação que atendam suas questões educativas.
Neste sentido, pode-se vislumbrar a importância de análises que identifiquem e investiguem,
através da lógica da organização da informação para o acesso, recuperação e uso, os contextos e
políticas as quais estão inseridas às fontes de informação na internet, avaliando e pontuando sua
relevância para a intencionalidade educativa. Isto demandará aos profissionais de ciências da
informação, novos conhecimentos e estratégias acerca de uma nova realidade do contexto
informacional.
Este estudo traz reflexões iniciais para uma investigação mais aprofundada e concentrada
das discussões sugeridas, que intencionam revelar novos conhecimentos em relação a busca, uso e a
organização da informação no mundo digital e a tendência comportamental de estudantes, frente o
desenvolvimento de pesquisas com propósito educativo na internet. Para com isso, conectar saberes
e encontrar novas estratégias e métodos que promovam maior eficiência e qualidade no uso da
informação na web.

�REFERÊNCIAS
DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. 14 ed. São Paulo: Cortez, 2011.
HEA, Alison; EISENBERG, Michael. Lessons Learned: How College Students Seek Information
in the Digital Age. SSRN, v.1, 2009. Disponivel em &lt;https://ssrn.com/abstract=2281478&gt;
JÉLVEZ, Julio A. Q. A pesquisa como princípio pedagógico no ensino médio. In: AZEVEDO,
José C.; REIS, Jonas T. (orgs.) Reestruturação do Ensino Médio: pressupostos teóricos e
desafios da prática. São Paulo: Fundação Santillana, 2013, p.117-137.
JUVENTUDE Conectada 2. São Paulo: Fundação Telefônica Vivo, 2016. Disponível
em:&lt;http://fundacaotelefonica.org.br/projetos/juventude-conectada/juventude-conectada-ed-2/&gt;
KUHLTHAU, C. Inside the search process: information, seeking from the user’s perspective.
Journal of the American Society for Information Science. 42, 361-371, 1991.
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de metodologia da
pesquisa em ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG, 1999.
PINHO, Alexandre Martins. Letramento informacional digital: um estudo de caso do
comportamento de busca e seleção da informações realizado por professores em formação.
2019. Dissertação (Mestrado em Letras), Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados,
2019.
PURDY, James P. Why first-year college students sellect online research resources as their
favorites. First Monday, v.7, n. 9, 2012. Disponível em:
&lt;https://www.webcitation.org/6y0HIXad4&gt;
SALEHI, S; DU, J.T; ASHMAN, H. (2018). Use of Web search engines and personalisation in
information searching for educational purposes. Information Research, n. 23, v.2, 788.
Disponível em: &lt; http://InformationR.net/ir/23-2/paper788.html &gt;
SHANKAR, S. et al. A Profile of Digital Information Literacy Competencies of High School
Students. Issues in Informing Science And Information Technology, Nayang, v.2, n. 2, p. 355368, 2005.

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                <text>Este artigo tem como objetivo apresentar um panorama de como estão sendo realizadas pesquisas que possuem propósito educativo pela web, sob a perspectiva da Ciência da Informação. Investiga as fontes digitais de informação que mais são utilizadas pelos estudantes, conforme levantamento de dados obtidos por revisão bibliográfica, por meio de estudos que observaram o fenômeno, sob a perspectiva educativa. Considera que a busca e uso de informação com propósito educativo na web são realizadas de forma autônoma e dinâmica, e que isso requer estratégias de análise e criticidade em relação às fontes de informação, para que se obtenha maior efetividade e confiabilidade nos resultados que possuem propósitos de aprendizagem.</text>
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                    <text>Práticas
GESTÃO DE DADOS DE PESQUISA: MODELO DO SISTEMA NA PERSPECTIVA
SISTEMISTA DE MARIO BUNGE
RESEARCH DATA MANAGEMENT: SYSTEM MODEL FROM MARIO BUNGE'S
SYSTEMIST PERSPECTIVE
Crislaine Zurilda Silveira 1
Vinícius Medina Kern2
Karyn Munyk Lehmkuhl3
Resumo: A atual tendência em direção a uma ciência aberta inclui a transparência dos dados de pesquisa, o que
demanda um sistema de gestão desses dados. O objetivo deste artigo é descrever a gestão de dados de pesquisa
na Universidade Federal de Santa Catarina. A abordagem é a abstração ou modelagem de sistemas baseada no
metamodelo de sistema composição-ambiente-estrutura-mecanismo de Mario Bunge. O modelo resultante é
apresentado em um diagrama que descritivo das partes detectáveis do sistema (composição, ambiente e estrutura)
e uma conjetura explicativa (ou mecanismo) do funcionamento típico do sistema, usando um diagrama de
Boudon-Coleman. O uso metamodelo composição-ambiente-estrutura-mecanismo possibilitou verificar que a
gestão de dados de pesquisa é uma tarefa complexa que envolve vários componentes institucionais. A descrição
do sistema de gestão de dados usando o metamodelo permitiu verificar a potencialidade do uso da abordagem
sistemista de Bunge na avaliação da complexidade de problemas reais presentes em sistemas de informação.
Foram identificadas pesquisas potenciais para a Ciência da Informação.
Palavras-chave: Gestão de dados de pesquisa. Biblioteca Universitária. Sistemismo bunguiano.
Abstract: The current trend towards open science assumes transparency of research data, which demands a
research data management system. This article aims at describing the research data management at the Federal
University of Santa Catarina. The methodological approach is the abstraction or system modeling based on
Mario Bunge's composition-environment-structure-mechanism system metamodel. The resulting model
comprises a diagram with the syste's detectable parts (composition, environment and structure), as well as an
explanatory Boudon-Coleman diagram of a conjecture (or mechanism) of the typical functioning of research data
management. The use of composition-environment-structure-mechanism metamodel made it possible to verify
that research data management is a complex task that involves several institutional components. The description
of the data management system using the metamodel allowed us to verify the potentiality of using Bunge's
systemic approach in evaluating the complexity of real problems present in information systems. We point out
potential research topics for information science.
Keywords: Research data management. University library. Bunge’s systemism.

1 INTRODUÇÃO
A atual tendência em direção a uma ciência aberta inclui a transparência dos dados de
pesquisa, o que demanda um sistema de gestão desses dados. Portanto, dados e informações
1

Mestra. Bibliotecária da UFSC. E-mail de contato: crislaine.silveira@ufsc.br.
Doutor. Professor da UFSC, bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. E-mail contato:
v.m.kern@ufsc.br.
3
Mestra. Bibliotecária da UFSC. E-mail de contato: karyn.lehmkuhl@ufsc.br.
2

�digitais gerados pelas pesquisas necessitam de cuidados específicos, sendo necessária a
criação de modelos de gestão de conteúdos científicos digitais que incluam ações de
arquivamento seguro, preservação, formas de acrescentar valor e de otimização da sua
capacidade de reuso (SAYÃO; SALES, 2012).
Sendo assim, a gestão de dados de pesquisa pode ser considerada um fato social que
interfere na política e na cultura do ambiente onde ele é produzido e gerido. Além disso, sua
gestão, pode impactar na estrutura econômica das instituições de pesquisa e na sociedade,
uma vez que o reuso dos dados e a transparência nas pesquisas têm sido fatores motivados
pelo Movimento do Acesso Aberto.
Uma proposta de gestão de dados de pesquisa precisa considerar toda a rede de atores
envolvidos. Por isso, é preciso o uso de um modelo que abarque toda essa complexidade, o
metamodelo Composition (C) (composição), Environment (E) (ambiente), Structure (S)
(estrutura) e Mechanism (M) (mecanismo) (CESM), proposto por Mario Bunge, pode ser uma
possível solução.
Nesse sentido, objetivo deste artigo é descrever a gestão de dados de pesquisa na
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), usando o metamodelo CESM. Este assunto
tem sido discutido na Comissão para Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão
de Dados Científicos da Biblioteca Universitária da UFSC, da qual as autoras deste artigo
fazem parte, por isso esta foi a motivação para realizar este trabalho.
Essa discussão se inicia brevemente na introdução, na seção 2 é apresentada a
abordagem sistemista de Bunge com seus postulados, na seção 3 é contextualizada a gestão de
dados de pesquisa, na seção 4 são apresentados os procedimentos metodológicos, na seção 5
são apresentados os resultados, na seção 6 são realizadas as discussões, na seção 7 as
considerações finais e por fim, são listadas as referências utilizadas.

2 ABORDAGEM SISTEMISTA DE BUNGE

Na Ciência da Informação o sistemismo bunguiano vem sendo estudado por Kern
(2011), o qual verificou sua contribuição para o estudo e compreensão de grandes sistemas de
informação.

�O sistemismo não é uma teoria para substituir outras, mas uma estratégia para
desenhar projetos de pesquisa, cujo intuito é descobrir características de sistemas de um tipo
particular (BUNGE, 2004). Na perspectiva sistemista de Bunge (2004) tudo no universo é, foi
ou será parte um componente num sistema. Sendo que sistema é um objeto complexo, cujas
partes ou componentes são mantidos juntos por laços de algum tipo, que podem ser lógicos,
no caso de um sistema conceitual, ou materiais, no caso de um sistema concreto e a coleção
de todas essas relações forma sua estrutura (BUNGE, 2004).
Nesse sentido, Bunge (2000) sugere os seguintes postulados:
a) tudo, que seja concreto ou abstrato, é um sistema, um componente real ou
potencial componente de um sistema;
b) sistemas têm características sistêmicas (emergentes) que faltam em seus
componentes;
c) todos os problemas devem ser abordados de forma sistêmica e não setorial;
d) todas as ideias devem ser colocadas juntas em sistemas (teorias); e
e) o teste de qualquer coisa, seja ideia ou artefato, assume a validade de outros itens,
que são tomados como benchmarks, pelo menos de forma provisória.
Kern (2011) afirma que com esses postulados, Bunge declara que os sistemas estão em
todos os lugares, isto é, não há nada permanentemente isolado e por isso aconselha uma visão
sistêmica que pode ser construída a partir do metamodelo CESM.
Nessa perspectiva, um sistema concreto pode ser descrito por meio do acrônimo
CESM, onde a Composição, é a coleção de partes ou componentes do sistema, o Ambiente é a
coleção de itens externos que influenciam ou que são influenciados pelos componentes, a
Estrutura é a coleção de ligações entre componentes e entre esses e os itens do ambiente e o
Mecanismo é a coleção de processos que geram a novidade qualitativa causando crescimento,
manutenção ou o desmantelamento do sistema ou de alguma de suas partes (BUNGE, 1997).
Embora não exista um método para conjecturar mecanismos, Bunge (1997) descreve
sete passos que orientam o uso do CESM:
a) coloque cada fato social em seu contexto mais amplo (ou sistema);
b) divida cada sistema em sua composição, ambiente e estrutura;
c) descreva os vários níveis do sistema e exiba suas relações;

�d) identifique o(s) mecanismo(s) que mantém o sistema funcionando ou que pode(m)
levar a seu crescimento ou decadência;
e) certifique-se de que o mecanismo proposto é compatível com as leis e normas
conhecidas e, se possível, verifique as hipóteses ou teorias, mexendo
experimentalmente nas variáveis em questão;
f) prefira hipóteses, teorias e explicações mecânicas (dinâmicas) a fenomenológicas
(cinemáticas);
g) em caso de mau funcionamento do sistema, examine o CESM e busque consertar o
sistema, alterando alguns ou todos os seus componentes.
Em síntese, a regra 1, recomenda colocar o fato social em seu sentido mais amplo o
que significa não isolá-lo do sistema social que será estudado; a regra 2 está voltada para a
descrição dos aspectos observáveis do sistema; a regra 3 expressa a identificação de macro e
microssistemas dentro do sistema em foco e como suas relações se estabelecem; a regra 4
busca identificar (de forma conjecturada) mecanismos que impactam no sistema; a regra 5
recomenda testar e verificar as conjecturas; a regra 6 busca identificar as melhores práticas
para promover explicações mais profundas e a regra 7 é uma sugestão de intervenção para
promover os efeitos sistêmicos almejados (KERN, 2011).
Neste artigo, cujo objetivo é descrever um sistema voltado para gestão de dados de
pesquisa pela Biblioteca da UFSC, será dado um enfoque nos quatro primeiros itens das
regras bunguianas.

3 GESTÃO DE DADOS DE PESQUISA

Ao se pensar em dados de pesquisa é preciso considerar a interdisciplinaridade e a
natureza díspar e heterogênea intrínseca do objeto “dado de pesquisa”, que pode se originar
em diferentes áreas de conhecimento, com metodologias, jargões, práticas e fluxos específicos
de cada domínio (SALES; SAYÃO, 2019). Sendo assim “[...] dado de pesquisa é todo e
qualquer tipo de registro coletado, observado, gerado ou usado pela pesquisa científica,
tratado e aceito como necessário para validar os resultados da pesquisa pela comunidade
científica” (SALES; SAYÃO, 2019, p. 36).

�A gestão de dados de pesquisa envolve os aspectos de planejamento, aquisição,
organização, estruturação, definição de fluxos analíticos e a seleção de uma ferramenta
computacional apropriada para o armazenamento de dados (BERTIN; VISOLI; DRUCKER,
2017; SAYÃO, SALES, 2015). Além disso, atua nas questões relativas à manipulação,
organização, documentação e agregação de valor, e tem um papel crucial como facilitador nos
processos de compartilhamento dos dados, na garantia da sustentabilidade e acessibilidade
dos dados em longo prazo. Sendo que os pesquisadores e os bibliotecários possuem papéis
cruciais nesta gestão (BERTIN; VISOLI; DRUCKER, 2017; SAYÃO, SALES, 2015).
Ainda de acordo com Sayão e Sales (2015) os pesquisadores, atuam na aquisição e
planejamento dos dados, enquanto os bibliotecários, atuam na organização, estruturação,
definição de fluxos analíticos e ferramenta computacional, os dados de pesquisa, considerados
o insumo de todo o processo de gestão e a ferramenta computacional, representada pelo já
consolidado

termo

“repositório”

para

o

armazenamento

de

dados,

promovendo

compartilhamento dos dados, na garantia da sustentabilidade e acessibilidade dos dados em
longo prazo.
Em relação ao envolvimento da biblioteca Cox et al. (2017) afirma que existe um
amplo debate profissional sobre a natureza exata desse envolvimento na gestão de dados de
pesquisa. Questiona-se até que ponto as bibliotecas podem realizar um papel de liderança,
quais os tipos de serviços que precisam ser fornecidos e o nível de infraestrutura que deve
estar disponível.
As bibliotecas ao gerir dados precisam se atentar que estão lidando com um conjunto
complexo de desafios associados à gestão de dados em suas instituições. Destes desafios
podem ser incluídos: baixos níveis de envolvimento com as principais partes interessadas
(incluindo os pesquisadores), a incerteza sobre os níveis de técnica, infraestrutura necessária,
capacidade da força de trabalho, qualificação do bibliotecário para atuar com a gestão de
dados, obtenção de recursos, a falta de "reconhecimento da necessidade" de uma abordagem
em nível de instituição para gerenciamento de dados, garantias de preservação dos dados,
direitos de acesso e uso, local de armazenamento dos dados (ANNA; DIAS; MACULAN,
2019; COX et al., 2017).

�As atividades e serviços de gestão de dados de pesquisa não são desenvolvidos pelo
bibliotecário isoladamente, há uma série de outras partes interessadas importantes, no âmbito
do planejamento, por exemplo: departamento de TI da instituição, diferentes personagens do
meio acadêmico, como pesquisadores, coordenadores de cursos, agências de fomento e
editores (ANNA; DIAS; MACULAN, 2019; COX et al., 2017).

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Considerando que o objetivo do artigo que é descrever a gestão de dados de pesquisa,
na UFSC, usando o metamodelo CESM, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e
documental para levantar elementos que subsidiassem sua a concretização.
De acordo com Silva, Vianna e Kern (2016), Bunge prescreve, mas não detalha,
diretrizes para elaborar a descrição de componentes, itens do ambiente e ligações do sistema.
Por isso foram seguidas as etapas da pesquisa descritas por Silva, Formoso, Kern (2013) e
Silva (2014), que buscaram descrever os aspectos observáveis do Sistema (C-E-S).
Posteriormente, o mecanismo (M) foi desenvolvido a partir do diagrama Boudon-Coleman.
As etapas da pesquisa incluem: (1) a seleção de fontes abrangentes; (2) a marcação dos
componentes, itens do ambiente e ligações reconhecidos nessas fontes; (3) a consolidação
dessa marcação por meio da discussão em grupo; e (4) a síntese do modelo, seguida por sua
consolidação por consenso entre pesquisadores. Posteriormente, Silva (2014), acrescentou (5)
a discussão da síntese com peritos na área, e finalmente (6) a síntese de um único modelo
abrangendo a análise, discussão e consolidação de todas as fontes analisadas (textos e peritos).
Neste artigo, a seleção das fontes abrangentes se constituiu de 90 atas das reuniões da
Comissão para Concepção do Serviço de Suporte à Pesquisa e Gestão de Dados Científicos,
do período de 2016 a 2020 (1). A partir das leituras (2), foi realizada a identificação dos
componentes, itens do ambiente e ligações. A as etapas (3) e (4) foram consolidadas durante a
disciplina “Abordagem Sistemista da Informação” vinculada ao Programa de Pós de
Graduação em Ciência da Informação” da UFSC, ministrada no mês de maio de 2021. A
etapa (5) foi realizada com os membros da comissão, cujo objetivo foi validar a modelagem
proposta, em reunião realizada em 01 de junho de 2021 e finalmente foi realizada a síntese do
modelo (6), disponível na figura 1.

�Cabe ressaltar que, por ser uma abstração realizada a partir de atas de reuniões, alguns
elementos diretamente relacionados com a gestão de dados de pesquisa podem não ter sido
contemplados nas atas ou durantes as discussões, o que não significa que esses não sejam
importantes para o sistema.
O mecanismo foi conjecturado seguindo as orientações contidas no diagrama BoudonColeman que busca explicar o mecanismo através de ações macro e microníveis, onde tudo
que ocorre em nível de sistema afeta o indivíduo que por sua vez reage, afetando o sistema e
provocando seu crescimento, manutenção ou o desmantelamento (STOLTZ, 2014).
Já o mecanismo foi proposto a partir de uma suposição de seus impactos para o
sistema de gestão de dados. Pois, de acordo com Bunge (2004), a maioria dos mecanismos
são ocultos de modo que eles precisam ser conjecturados. Isto é, na prática, não existe
nenhum método, muito menos uma lógica, para realizar tal atividade.

5 RESULTADOS

A descrição do sistema de gestão de dados de pesquisa da UFSC foi realizada a partir
da leitura das atas, conforme destacado na seção de procedimentos metodológicos, onde
foram sendo identificados os componentes, itens do ambiente e ligações, conforme quadro 1.
Quadro 1 – Identificação dos componentes, dos itens do ambiente e das ligações.

Fonte: elaborado pelos autores.

�Notas:
* Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ)
** Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SETIC)
*** Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)

A UFSC é uma universidade com uma grande variedade de cursos em nível de
graduação e pós-graduação, por consequência, as pesquisas em diversas áreas do
conhecimento produzem dados que refletem essa variabilidade, o que acarreta um grande
desafio a sua gestão. Portanto, o sistema apresentado na figura 1 envolve vários atores. É
importante ressaltar que se trata de um sistema técnico e social. Ou seja, seus componentes
referem-se a atores que influenciam e são influenciados pelo sistema e por um aparato
tecnológico, no caso o repositório de dados que será responsável por colaborar na efetivação
da gestão do sistema.
Figura 1 – Sistema de gestão de dados de pesquisa da UFSC

Fonte: elaborado pelos autores.
Notas:
* Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ)
** Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SETIC)
*** Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)

�Sendo assim, é possível verificar que o sistema tem como componentes:
a) a biblioteca, a qual é atribuído o papel de orientar os pesquisadores quanto ao
depósito de dados, de selecionar a melhor ferramenta que tornará possível esse
depósito e será responsável por criar políticas de gestão dos dados de pesquisa
juntamente com outros atores da UFSC;
b) os pesquisadores, que se ligam ao repositório de dados a partir do depósito dos
dados, cujo reuso permite minimizar retrabalhos;
c) os dados de pesquisa, cujos tipos irão definir os metadados que serão utilizados
pelo repositório de dados. O que de certa forma, irá influenciar a decisão da
biblioteca de qual a melhor ferramenta escolher para a gestão dos dados e;
d) o repositório de dados que efetivará a gestão dos dados.
As ligações que estruturam o sistema se concentram na biblioteca, uma vez que,
atualmente na UFSC, ela é a responsável por articular as ações com os outros atores da
instituição que irão influenciar diretamente o sistema.
Os componentes do ambiente são aqueles que irão influenciar o funcionamento do
sistema. Esses componentes são:
a) a Reitoria: que se liga a biblioteca através da criação de políticas institucionais
que norteiam o depósito e preservação dos dados e se liga aos pesquisadores, com
políticas de incentivo ao depósito de dados;
b) a Pró-reitoria de Pesquisa (PROPESQ) que é responsável por fornecer
informações sobre os pesquisadores da instituição para a biblioteca, que por sua
vez são a base para o diagnóstico institucional em relação aos dados de pesquisa,
além de ser responsável por gerenciar as pesquisas em andamento na UFSC;
c) grupos de pesquisa participaram de um diagnóstico institucional sobre dados de
pesquisa da UFSC;
d) outras instituições que servem com benchmarking para que a biblioteca
identifique as melhores práticas a serem ser adotadas;
e) a Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e
Comunicação (SETIC) responsável por efetivar as políticas de preservação e de
armazenamento dos dados produzidos pelos pesquisadores da UFSC, de forma

�articulada com a biblioteca, além disso, a SETIC também é responsável por
proporcionar a segurança das informações constantes no repositório de dados;
f) o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) que se
liga o repositório de dados, através da criação de políticas de preservação que
podem ser adotadas pelas instituições brasileiras;
g) as agências de fomento que se ligam a biblioteca, proporcionando a captação de
recursos para efetivar a gestão de dados de pesquisa, além disso, elas se ligam aos
dados de pesquisa, através da exigência de disponibilização dos dados;
h) os periódicos científicos se ligam aos dados de pesquisa, quando exigem dos
pesquisadores sua disponibilização;
i) o Movimento do Acesso aberto, percursor de toda a discussão sobre a
disponibilização de dados de pesquisa, o qual influencia a biblioteca a criar
políticas mandatórias de acesso aberto;
j) os Centros de ensino cujo objetivo é sensibilizar seus pesquisadores a
depositarem seus dados;
k) a Câmara da Pós-graduação cujo objetivo é sensibilizar os pesquisadores a
depositarem seus dados;
Baseado no sistema apresentado na figura 1, o diagrama Boudon-Coleman, quadro 2,
busca conjecturar o impacto da criação de um sistema de gestão de dados de pesquisa na
instituição. Esse mecanismo foi conjecturado por ser crucial ao crescimento e
desenvolvimento do sistema, uma vez que ele envolve vários atores da universidade e impacta
na cultura de pesquisa da UFSC.
Quadro 2 – Impacto da criação de um Sistema de gestão de dados de pesquisa.

Fonte: elaborado pelos autores.

�Sendo assim, no macronível (1) a proposta de criação de um sistema para gerir os
dados de pesquisa produzidos pelos pesquisadores da UFSC, poderá influenciar no micronível
(2) que seria a obrigação dos pesquisadores a realizar o depósito no repositório de dados,
neste sentido (3), como resposta a essa obrigação, os pesquisadores realizariam o auto
depósito dos dados de pesquisa no repositório, o que poderá impactar diretamente na (4)
transparência das pesquisas realizadas pela a instituição na perspectiva da sociedade, no
macronível do sistema. Portanto, esse mecanismo conjecturado poderá ajudar a BU e os
demais atores envolvidos a pensar em ações de sensibilização e políticas de incentivo ao
depósito de dados.

6 DISCUSSÃO
De acordo com o diagrama do mecanismo com base no metamodelo CESM, é possível
verificar que o assunto é complexo. Afinal, requer o desenvolvimento de políticas de gestão
cujo processo envolve múltiplas partes interessadas (biblioteca, serviços de TI, escritório de
pesquisa, escritório jurídico e colaboradores acadêmicos) (COX et al., 2017).
Além disso, as instituições acadêmicas e as agências de fomento à pesquisa começam
a entender que estes dados, se preservados e bem gerenciados, constituem uma fonte
imprescindível de recursos informacionais que podem ser compartilhados e reutilizados como
insumo para novas pesquisas. Por isso, agências do mundo inteiro exigem uma adequada
gestão destes dados, evidenciando a necessidade de assegurar meios e mecanismos para
preservação e reutilização dos mesmos por meio de políticas que regulem a abertura de dados
de pesquisas financiadas com recursos públicos (ESTEVÃO; ARNS; STRAUHS, 2019;
SALES; SAYÃO, 2019).
No Brasil, as instituições financiadoras de pesquisas também têm exigido que os
pesquisadores e as instituições garantam, através de um plano de gestão de dados, que os
dados de pesquisa possam ser preservados e acessados por outros pesquisadores (GRÁCIO;
ARELLANO, 2020).
Grácio e Arellano (2020, p. 2) também pontuam outros desafios que impactam gestão
dos dados de pesquisa

�A explosão da quantidade de informação digital produzida a partir das pesquisas
realizadas;
A obsolescência do hardware e do software que tratam essa informação;
As mudanças no formato dos arquivos onde a informação é registrada;
As mudanças nas mídias de armazenamento;
As mudanças e avanços muito rápidos nas TICs;
A busca e recuperação dessa informação digital;
Os custos elevados das novas tecnologias para gerenciar essa informação;
As necessidades de recursos humanos e tecnológicos para manter o acesso aos dados
de pesquisa e aos seus resultados;
A capacidade de assimilação das mudanças tecnológicas e de procedimentos dentro
da organização, ou seja, a mudança na cultura organizacional.

Por isso, os bibliotecários, ao planejar serviços de informação, devem ficar atentos à
realidade e ao contexto institucional, observando as necessidades da comunidade. Essas
podem ser identificadas a partir da realização de diagnósticos organizacionais junto aos
departamentos e unidades responsáveis não só pela produção das pesquisas, mas por aquelas
que têm interesse em usar os dados resultantes das pesquisas (ANNA; DIAS; MACULAN,
2019).
De acordo Cox et al. (2017) estudos indicam que os serviços de dados de pesquisa
desenvolvidos pelas bibliotecas tendem a focar em atividades de consultoria, suporte e
treinamento (treinamento para pesquisadores ou produção de guias às fontes de dados) em
maior extensão do que os serviços técnicos (realizando a gestão, armazenamento e
preservação dos conjuntos).
Nesse contexto, a curadoria digital de dados científicos, surge com o desafio de
preservar não somente o conjunto de dados, mas preservar, sobretudo, a capacidade que ele
possui de transmitir conhecimento para uso futuro das comunidades interessadas. (SAYÃO;
SALES, 2012).
O reuso de dados de pesquisa só se torna possível se os dados forem recuperados,
acessados, compreensíveis e sejam estáveis ao longo do tempo. Por isso os dados de pesquisa
precisam ser organizados e estruturados de modo a permitir seu armazenamento nos formatos
adequados, sua preservação e acesso, e a garantir sua confiabilidade, autenticidade e
integridade (GRÁCIO; ARELLANO, 2020; SALES; SAYÃO, 2019).
Portanto, a importância da disponibilidade dos dados da pesquisa se dá principalmente
pela possibilidade de compreender o processo de geração daquele conhecimento, sem

�obscuridades. Nessa perspectiva, a disponibilidade de dados da pesquisa ampliaria o reuso dos
mesmos não apenas para validações, mas para novas inferências a partir de abordagens
distintas, tornando o processo de construção científica transparente, aberto e democrático
(ESTEVÃO; ARNS; STRAUHS, 2019).

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A descrição do sistema de gestão de dados de pesquisa da UFSC usando o
metamodelo CESM possibilitou verificar que esta é uma tarefa complexa que envolve vários
componentes institucionais (Reitoria, Pró-Reitoria de Pesquisas, Câmaras de Pós-Graduação,
Centros de Ensino, SETIC, pesquisadores e a biblioteca) e aspectos externos que influenciam
diretamente essa gestão, portanto, é preciso criar várias políticas que permeiam o processo de
gestão.
Para a Biblioteca Universitária espera-se que esse trabalho, usando o metamodelo
CESM, forneça subsídios para que a comissão envolvida tenha uma visão do que já foi
discutido, fornecendo um diagnóstico das atividades e um plano de ação para os próximos
passos.
A descrição do sistema de gestão de dados usando o metamodelo CESM possibilitou
verificar potencialidade do uso da abordagem sistemista de Bunge na avaliação da
complexidade de problemas reais presentes em sistemas de informação que envolvem as
unidades de informação.
A conjectura do mecanismo permitiu identificar algumas possibilidades de pesquisas
para a Ciência da Informação no que condiz a gestão de dados e práticas de pesquisa, dentre
elas estão: identificar quais as competências poderão ser necessárias para os cientistas no
contexto da Ciência Aberta; verificar se as ferramentas biblioteconômicas usadas no
tratamento técnico da informação, serão úteis para a gestão dos dados; identificar o grau de
maturidade no tratamento técnico de dados de pesquisa; identificar o grau de maturidade da
preservação dos dados nas instituições e, identificar pesquisas que envolvam os aspectos
éticos relacionados ao uso e reuso dos dados de pesquisa.

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https://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/58347/37135. Acesso em: 16 maio 2021.
STOLTZ, D. Diagrams of theory: Coleman's boat. In: STOLTZ, D. Blog, 25 jan. 2014.
Disponível em: https://www.dustinstoltz.com/blog/2014/01/26/diagrams-of-theory-jamescolemans-boat-bathtub. Acesso em: 21 maio 2021.

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                <text>A atual tendência em direção a uma ciência aberta inclui a transparência dos dados de pesquisa, o que demanda um sistema de gestão desses dados. O objetivo deste artigo é descrever a gestão de dados de pesquisa na Universidade Federal de Santa Catarina. A abordagem é a abstração ou modelagem de sistemas baseada no metamodelo de sistema composição-ambiente-estrutura-mecanismo de Mario Bunge. O modelo resultante é apresentado em um diagrama que descritivo das partes detectáveis do sistema (composição, ambiente e estrutura) e uma conjetura explicativa (ou mecanismo) do funcionamento típico do sistema, usando um diagrama de Boudon-Coleman. O uso metamodelo composição-ambiente-estrutura-mecanismo possibilitou verificar que a gestão de dados de pesquisa é uma tarefa complexa que envolve vários componentes institucionais. A descrição do sistema de gestão de dados usando o metamodelo permitiu verificar a potencialidade do uso da abordagem sistemista de Bunge na avaliação da complexidade de problemas reais presentes em sistemas de informação. Foram identificadas pesquisas potenciais para a Ciência da Informação.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas

AÇÕES PARA INCENTIVO À LEITURA E À CULTURA
NA BIBLIOTECA CENTRAL CESAR LATTES DA UNICAMP:
PROJETO ‘CONTAROLANDO HISTÓRIAS’ – DO PRESENCIAL AO VIRTUAL
ACTIONS TO ENCOURAGE READING AND CULTURE AT THE CESAR LATTES
CENTRAL LIBRARY AT UNICAMP:
PROJECT 'CONTAROLANDO HISTÓRIAS' - FROM FACE-TO-FACE TO VIRTUAL
Danielle Thiago Ferreira 1
Gislaine Melo de Lima¹ *
Mariana Pedroso Teixeira¹ *
Michele Lebre de Marco ¹ *
Elaine Moraes 2
Resumo: Apresenta o projeto ‘Contarolando histórias’, idealizado pela Contadora de histórias Elaine Villalba de
Moraes e equipe da Comissão de Ações Culturais e Sociais da Biblioteca Central Cesar Lattes da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp) foi idealizado inicialmente para ser realizado de modo presencial. Os objetivos principais do
projeto é trazer o público até os espaços da biblioteca e oferecer atividades e ações com foco na extensão no ambiente
universitário e no incentivo à leitura e à cultura. A partir do decreto de isolamento social pela Universidade Estadual de
Campinas (UNICAMP) em março de 2020, o projeto então foi totalmente remodelado e adaptado para que as contações
de história ocorressem e fossem levadas ao público de modo virtual. Como metodologia, foram planejados os
cronogramas e a adaptação do presencial para o virtual que foi possível pelo canal do youtube do Sistema de bibliotecas
da Unicamp. Foram programadas quatro sessões compostas por até três histórias cada, selecionadas para o público geral
e infantil. Os custos com materiais lúdicos, cenário, material de divulgação e a profissional contratada para a atividade
foram cobertos pelo subsídio financeiro obtido através do Edital para ações culturais da Diretoria de Cultura da Próreitoria de extensão e cultura da Unicamp que ocorreu em 2019. Como resultados verificou-se que os vídeos tiveram
bom alcance dentro dos dados analisados, considerando o número de visualizações e os espectadores únicos. Podemos
considerar que o meio de divulgação foi efetivo, havendo a necessidade realizar com frequência para se manter a
rotatividade e possivelmente podem ser cadastrados em outras plataformas de indexação para melhor alcance. Também
confirmou que existe um nicho que a biblioteca pode suprir com informações voltadas para as questões culturais,
sociais e artísticas com as práticas da contação de histórias.
Palavras-chave: Contação de histórias. Incentivo à leitura. Cultura. Bibliotecas.

.

1

Equipe técnica da Comissão de ações culturais e sociais da Biblioteca Central Cesar Lattes, Unicamp, Campinas, SP,
Brasil, cacs@unicamp.br
2

Contadora de História, autônoma, Campinas, SP, Brasil, moraes.elaine@gmail.com

�Abstract: It presents the project 'Contarolando histórias', conceived by Storyteller Elaine Villalba de Moraes and team
of the Commission for Cultural and Social Actions of the Central Library Cesar Lattes of the State University of
Campinas (Unicamp), which was initially conceived to be carried out in person. The main objectives of the project are
to bring the public to the library spaces and offer activities and actions with a focus on extension in the university
environment and encouraging reading and culture. From the decree of social isolation by the State University of
Campinas (UNICAMP) in March 2020, the project was then completely remodeled and adapted so that the storytelling
could take place and be taken to the public in a virtual way. As a methodology, the schedules and the adaptation of the
classroom to the virtual were made possible by the YouTube channel of the Unicamp Library System. Four sessions
were programmed consisting of up to three stories each, selected for the general public and children. The costs of
recreational materials, scenery, promotional material and the professional hired for the activity were covered by the
financial subsidy obtained through the Notice for Cultural Actions of the Directorate of Culture of the Dean of
Extension and Culture of Unicamp that occurred in 2019. As results it was found that the videos had good reach within
the data analyzed, considering the number of views and unique viewers. We can consider that the means of disclosure
was an effect, with the need for it to be carried out frequently to maintain the rotation and possibly they can be
registered in other indexing platforms for better reach. It also confirmed that there is a niche that the library can supply
with information aimed at cultural, social and artistic issues with the practices of storytelling.

.
Keywords: Storytelling. Reading encouragement. Culture. Libraries.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas ganham destaque no processo de democratização da informação e do
conhecimento por meio da leitura e da escrita proporcionada pelo seu ambiente. Visando uma
educação inclusiva socialmente não só como depositária e trazendo novos formatos de
disseminação de ações culturais para todas as idades, partindo do princípio de que a expressão
“ação cultural” consiste no desejo de fazer da arte e da cultura, instrumentos deliberados de
mudança do homem e do mundo, além de propiciar um rico campo de atuação para os
bibliotecários. (BRITO FILHO, 2011).
As Bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), são conhecidas por
atender além de seus públicos composto por alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores,
diversos pesquisadores de outras instituições, de outros estados e país e também as comunidades
externas de Campinas (SP) e região.
A Biblioteca Central Cesar Lattes, que faz parte do Sistema de Bibliotecas da Unicamp, é uma
biblioteca pública universitária que tem o dever de cumprir este papel de extensão à toda sua
comunidade atendida.
A Biblioteca Central Cesar Lattes nos seus 30 anos de existência, bem como o Sistema de
Bibliotecas da Unicamp3 tem como missão “prover informação, por meio de produtos e serviços de
excelência, para as atividades de ensino, pesquisa e extensão, garantindo um ambiente de respeito à
diversidade e à socialização”. Ou seja, além de apoiar os pilares do ensino, da pesquisa também
possui planejamentos e ações voltados para a extensão, onde além de disseminar conteúdos
científicos, também divulga, organiza e proporciona atividades culturais de incentivo à leitura e à
cultura, com agenda intensa que vão de exposições à saraus, intervenções e apresentações artísticas.
3

http://www.sbu.unicamp.br/sbu/missao-sbu/

�Nesta Biblioteca, que se localiza numa área central da Universidade, ao qual chamamos
também de Ciclo Básico, circulam em média cerca de 1000 visitantes por dia e abarca grandes e
importantes acervos que estão disponíveis fisicamente para a comunidade, como o acervo da
Biblioteca Comunitária, que se constitui em um novo projeto no âmbito do SBU e que tem por
objetivo atender especificamente o público externo da região de Campinas e o acervo da Biblioteca
da Área das Engenharias e Arquitetura, também constituída a quase 30 anos e que atende às 5
Faculdades de Engenharia da Universidade bom como o curso de Arquitetura contando com
acervos técnicos nesta área; além de contar com serviços de informação importantes como os da
área de Difusão da informação e o Centro de Recursos de aprendizagem e que visam o acesso ao
conteúdo informacional físico e virtual disponível por essas as Bibliotecas oferecendo serviços de
levantamento bibliográfico, capacitações e treinamentos nestes conteúdos e que são imprescindíveis
para a vida acadêmica de seus alunos, docentes e cidadãos.
O projeto ‘Contarolando histórias’ foi idealizado pela Contadora de histórias Elaine Villalba de
Moraes e equipe da Comissão de Ações Culturais e Sociais da Biblioteca Central Cesar Lattes,
autoras desse relato, que concorreu e foi contemplado no edital da Diretoria de Cultura da Próreitoria de extensão e cultura da Unicamp (PROEC-DCult 2019) e nasceu como uma forma de
reflexão sobre a Importância da contação de histórias e a importância de oportunizar momentos
para o processos de construção de identidade social e cultural e o desenvolvimento da linguagem,
da criatividade e raciocínio lógico do público ouvinte. Segundo Moraes (2016) “a forma lúdica de
ouvir histórias propicia uma maior aproximação do público com a leitura. O prazer da leitura
mediada é estímulo para formação dos novos leitores. ” - aqui remetemos a uma das missões que as
bibliotecas propiciam. Além disso, permitir que se desenvolva o hábito da leitura é processo de vital
importância para a educação do cidadão (Blog Árvore de Livros, 2016).
Este projeto, portanto, foi idealizado inicialmente para ser realizado de modo presencial,
bem como a maioria dos projetos vencedores do edital de apoio cultural da pró-reitoria de extensão
da universidade e que são das mais diversas áreas. A princípio, tínhamos como intuito trazer o
público até os espaços da biblioteca que estaria preparado para ser palco das mais diversas histórias;
haviam cronogramas pré-definidos e a participação de uma profissional especializada que já possuía
repertório e cenários previstos.
A situação atual que levou o mundo, o país, os estados e as cidades decretarem isolamento
social, em decorrência do coronavirus e o surto de contágio da doença COVID-194, fez com que a
área artística e espaços de cultura e conhecimento fechassem suas portas aos mais diversos
públicos. E com a universidade e suas bibliotecas não aconteceu diferente. A partir do decreto de
isolamento social pelo Estado de São Paulo, e pelo município de Campinas, fez com que a
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em março de 2020, também suspendesse suas
4

“..o primeiro caso da pandemia pelo novo coronavírus, SARS-CoV2, foi identificado em Wuhan, na China, no dia 31
de dezembro do último ano. Em fevereiro, a transmissão da Covid-19, nome dado à doença causada pelo SARS-CoV2,
no Irã e na Itália chamaram a atenção pelo crescimento rápido de novos casos e mortes, fazendo com que o Ministério
da Saúde alterasse a definição de caso suspeito para incluir pacientes que estiveram em outros países. No mesmo dia,
o primeiro caso do Brasil foi identificado, em São Paulo.Em março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o
surto da doença como pandemia. Poucos dias depois, foi confirmada a primeira morte no Brasil, em São Paulo”. Fonte:
Coronavírus Brasil - https://covid.saude.gov.br/

�atividades administrativas e acadêmicas. E o projeto ‘Contarolando histórias’, a partir do isolamento
social, foi totalmente remodelado e adaptado para que as cotações de história ocorressem e fossem
levadas ao público de modo virtual.
Portanto, este relato nos traz um pouco deste planejamento e da adaptação do presencial
para o virtual que foi possível visto a dedicação de todos os profissionais e equipes envolvidas para
que os objetivos do projeto fossem alcançados e as histórias chegassem (e ainda continuam
chegando) aos mais diversos públicos da comunidade da UNICAMP e demais públicos com este
projeto. Além de analisar como se deu as visualizações dos vídeos e a prospecção para atividades
virtuais futuras.
O Projeto
O Projeto “Contalorando Histórias” foi idealizado com a seguinte proposta: propiciar atividades
de Contação de Histórias por meio de Narrativas Orais e Mediação de leituras, tendo como local de
realização a Biblioteca Central Cesar Lattes da UNICAMP. Conforme mencionado anteriormente,
a Biblioteca Central Cesar Lattes possui uma Comissão de Ações Culturais e Sociais, formada por
bibliotecárias de diversos setores da unidade da Biblioteca Central e que são responsáveis por
organizar eventos culturais e projetos sociais na Biblioteca.
Com o objetivo de propiciar algumas ações rotineiras e que entrasse na agenda das atividades
da Biblioteca, a Comissão propôs que fossem realizadas Contações de História em parcerias com
profissionais já conhecidos e participativos na rotina do nosso trabalho, assim, essas atividades
seriam realizadas uma vez por mês e conduzidas pela contadora de história Elaine Cristina Villalba
de Moraes, profissional com formação em filosofia e psicanálise, atriz e contadora de histórias com
mais de 15 anos de experiência, além de já atuar em atividades colaborativas com a Biblioteca
Central há bastante tempo, participando de Semanas do Livro e da Biblioteca e palestras internas
para a equipe de colaboradores das Bibliotecas sobre o tema.
Para que essas atividades fossem apresentadas com qualidade de cenários e tecnologias de
apoio, propomos a submeter esse projeto ao Edital PROEC-DCult5 - da pró-reitoria de extensão e
cultura da Unicamp que apoia essas iniciativas na Universidade, com o objetivo de obter subsídio
para essa proposta. O público beneficiado, além da própria comunidade, incluindo discentes,
docentes e funcionários, também incluiria as crianças atendidas pela Divisão de Educação Infantil e
Complementar da Unicamp (DEDIC), que é constituído pelo Centro de Convivência Infantil
(CECI) e o Programa de Integração e Vivência da Criança e do Adolescente PRODECAD), da qual
temos parcerias de longa data junto a Biblioteca e que permanecem em período integral nesses
centros e programas, além do público externo em geral.
Então seriam propostas histórias para todos os públicos, as seções seriam divulgadas focando o
público alvo, bem como as características das histórias e cenários.

5

https://www.dcult.proec.unicamp.br/

�Portanto mesmo com a pandemia, os cenários das apresentações presenciais foram reelaborados
bem como as seções de histórias repensadas em formato virtual, apresentados no canal do Youtube
do Sistema de Bibliotecas da Unicamp - sendo possível continuar com o projeto, com as
apresentações das contações programadas para o ano de 2020 e monitorar todos os nossos vídeos,
visualizações e aceitação do público, talvez indo além do que esperávamos nas sessões presenciais.
2 MÉTODO E RESULTADOS
Neste item será apresentado como se deu a produção e a divulgação dos vídeos deste projeto de
extensão, bem como, a análise da aceitação dos vídeos por meio de estatísticas geradas pela
plataforma de exibição, o Youtube.
Para oferecer sessões mensais de Contação de Histórias com Mediação de Leitura no espaço
da Biblioteca Central César Lattes foram planejadas, inicialmente, quatro sessões compostas por
até três histórias cada, selecionadas para o público geral e infantil, com o intuito de fomentar a
reflexão e proporcionar conhecimentos gerais. O cronograma inicial era composto pelas seguintes
seções:
●
●
●
●

Primeira sessão: (25 de março de 2020) - Histórias ao pé da cama I - público adulto;
Segunda sessão: (29 de abril de 2020) - Um jardim de histórias I - público infantil;
Terceira sessão: (27 de maio de 2020) - Histórias ao pé da cama II - público adulto;
Quarta sessão: (24 de junho de 2020) - Um jardim de histórias II - público infantil.

Os custos com materiais lúdicos, cenário, material de divulgação e ajuda de custo para a
profissional contratada para a atividade foram cobertos pelo subsídio financeiro obtido através do
Edital PROEC-Dcult.
Pouco antes da realização da primeira sessão foi decretado o isolamento social em virtude da
pandemia do coronavírus, que acarretou na suspensão de todas as atividades presenciais na
Unicamp. Com a biblioteca fechada e nenhuma perspectiva de retomada das atividades presenciais
a médio prazo a equipe da Comissão para Projetos Culturais e Sociais da Biblioteca Central Cesar
Lattes, em parceria com a profissional contadora de histórias, idealizou uma proposta de adaptação
do projeto para o formato virtual, utilizando a produção de vídeos de contação de histórias, que foi
submetida e aprovada pela PROEC-Dcult.
Assim, foram estabelecidos novos métodos para a realização do projeto, que seguiu as
seguintes etapas:
2.1 Produção de vídeos
Optou-se por produzir seis vídeos curtos, com cerca de 10 minutos cada, contemplando uma
única história. Cada vídeo seria voltado a um tipo de público: infantil e/ou adulto. Os cenários
utilizados também foram produzidos de acordo com a proposta da história e do público-alvo,
contando com apoio de materiais lúdicos que a profissional contadora de histórias utilizou para
interagir com o público.

�Os vídeos foram gravados pela própria profissional contadora de histórias em sua clínica,
sendo ela a responsável por selecionar o repertório de histórias, fazer a produção do cenário,
providenciar o figurino e materiais lúdicos.
2.2 Arte e edição
Após a gravação dos vídeos a profissional contadora de histórias encaminhava o material para a
equipe da Biblioteca Central Cesar Lattes que realizava a edição final utilizando um software de
edição, deixando-os prontos e no formato adequado para divulgação.
O software utilizado para edição é a versão online não gratuita da ferramenta “MOVAVI Vídeo
Editor Plus 2020”, o que permite a incorporação de músicas, limpeza de ruídos, animação,
estabilização de vídeos, detecção de batidas, entre outros recursos avançados, o que permite
qualidade aos vídeos publicados.
2.3 Divulgação
Com o material já pronto, optou-se pela divulgação no canal do Sistema de Bibliotecas da
Unicamp no YouTube. Foi criada uma playlist para o projeto “Contarolando Histórias”, onde foram
inseridos os seis vídeos. Para cada história criou-se uma breve descrição sobre o conteúdo e
propósito do projeto.
Após o carregamento dos vídeos na plataforma do YouTube elaborou-se um plano de
divulgação virtual, que envolveu a criação de artes digitais para publicação nas redes sociais do
Sistema de Bibliotecas da Unicamp, encaminhamento de divulgação em listas de e-mails, grupos de
discussão relacionados a arte e cultura e sites da Unicamp.
Neste item podemos destacar que uma das hipóteses era que a divulgação nesse meio gerasse
maior alcance dos vídeos, diferentemente do que ocorre no trabalho local e presencial. E podemos
dizer que como toda essa adaptação, realmente isso ocorreu, sendo que mostraremos a partir dos
próximos tópicos esse alcance.
2.4 Análise das Estatísticas dos vídeos
Neste tópico pretendemos mostrar a importância das análises da movimentação e o alcance
dos vídeos em seu período de publicação, e outras informações que pudessem ser consideradas para
enfatizar a escolha pela adaptação do projeto e a escolha da plataforma digital utilizada para a
veiculação das histórias.
Todos os dados estatísticos foram coletados da Categoria “Estatísticas” dentro da área
Studio do Youtube, no perfil do canal do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. As informações
constam na análise individual dos vídeos, do período de sua publicação até a data da coleta ocorrida
em 24 de agosto de 2020.
A veiculação dos primeiros vídeos começou em maio de 2020 e apresentou resultados
imediatos, com muitas visualizações e compartilhamentos logo nas primeiras horas. Passados três
meses da publicação na plataforma do YouTube, os seis vídeos somam 2.730 visualizações, até a

�data de coleta dos dados estatísticos, mas permanecem em constantes acessos, mesmo que não com
a mesma intensidade que os primeiros dias, conforme está apresentado nos gráficos abaixo.
Conforme a explicação do Youtube, “as visualizações informam quantas vezes um vídeo foi
assistido. Elas podem ser um indicador importante do desempenho de um conteúdo. ” (YOUTUBE,
2020).
Além das visualizações, foram analisados outros dados que se mostraram relevantes para
compreensão da aceitação do trabalho divulgado, como quantidade de inscritos no período,
espectadores únicos, inscritos no período, curtidas, origem do tráfego, entre outras estatísticas.
A seguir temos as imagens de gráficos estatísticos por categorias dos últimos 90 dias, para
melhor compreensão da movimentação dos vídeos.
2.4.1.1 Visualizações

Figura 1: Gráfico estatístico de visualização dos últimos 90 dias.

Nota-se na Figura 1, que o período de maior acesso aos vídeos, ocorreu entre o mês de junho
e julho, porém, mesmo com menos frequência, os vídeos continuam tendo acessos esporádicos.

Figura 2: Gráfico estatístico de visualizações por vídeo

�Na Figura 2 o vídeo “Tigela Rachada” mostra ser o de mais acesso, com 952 visualizações,
seguido do vídeo “A Fábula da Verdade”, mesmo assim, o primeiro tendo o dobro de visualizações
do segundo.
2.4.1.2 Espectadores únicos

Figura 3: Gráfico estatístico de espectadores únicos na visualização doso dos vídeos

Nesta categoria atingiu a marca de 1.788 espectadores únicos, ou seja, público que acessou
pela primeira vez o vídeo no canal. Segundo o Youtube (2020) “mostra uma visão mais objetiva
sobre o tamanho do seu público, ou seja, a estimativa do número de pessoas diferentes que
assistiram seus vídeos em um determinado período. ”
Essa modalidade é considerada mesmo quando o espectador assiste ao vídeo em dispositivos
diferentes e mais de uma vez.
2.4.1.3 Inscritos no período

Figura 4: Inscritos no período de publicação dos vídeos

�Nesta imagem verifica-se que houve a inscrição de 76 novos usuários no canal do SBU, a
partir da publicação dos vídeos, dentro de cada período, como será mostrado na ficha técnica de
cada vídeo mais adiante. O dado é pertinente para visão geral para comparação do alcance atingido
e interessados em se manter vinculado ao canal.
2.4.1.4 Curtidas (Likes)

Figura 5: Gráfico de "gostei" a partir de cada vídeo

Os vídeos alcançaram uma marca de 185 (gostei), tendo apenas 2 marcações (não gostei) até
o período.
No gráfico 6 é possível ver que o vídeo “Tigela Achada” possui a maior quantidade de
“likes”, seguido pelo vídeo “Maria vai com as outras”.

Figura 6: Gráfico de "não gostei" a partir de cada vídeo

Verificamos com essas análises que a ferramenta escolhida atendeu as expectativas pois
conforme apresentado podemos fazer análises das mais diversas formas, e entender a partir de
aspectos positivos levantados sobre os vídeos; o público que os visualizou e qual tema abordado nas

�histórias tiveram maior aceitação, podendo ser um norte para os próximos projetos e produções
culturais do SBU.
2.4.2 Estatística individualizada dos vídeos
Neste tópico, foi descrito todos os aspectos da estatística conforme os gráficos fornecidos
pela plataforma que foram aqui transformados em tabelas. Assim, optou-se por apresentar a tabela
de cada vídeo, com os dados na ordem a seguir: data de publicação no Youtube, quantidade de
visualizações na plataforma, espectadores únicos que representa o total de pessoas que assistiram o
vídeo sem inscrição no canal, os dados das pessoas inscritas neste período de visualização, as
curtidas ou não curtidas no período também representando a aceitação do material e a origem do
tráfego que representa os dados de onde as pessoas tiveram o acesso ao conteúdo.
Tabela 1: Dados estatísticos da história “O Caso do Bolinho”

Tabela 2: Dados estatísticos da história “A tigela achada”

Tabela 3: Dados estatísticos da história “Maria vai com as outras”

�Tabela 4: Dados estatísticos da história “A Mensagem dos Pássaros”

Tabela 6: Dados estatísticos da história “ Fábula da Verdade”

Tabela 7: Dados estatísticos da história “A Menina e o Pássaro”

Considerando os dados apresentados tivemos a contação da história “A tigela achada” da
escritora Tatiana Belinky a que mais movimentou espectadores e que consequentemente é a que
gerou mais curtidas.
Outro dado que nos chamou a atenção é que grande parte da origem do tráfego é externa, ou
seja, o público não se encontra inscrito no canal, e consideramos, portanto, com este dado que foi
efetivo o alcance do vídeo e a forma de divulgação.
Outro dado que podemos observar na estatística de dois vídeos, foi o tráfego por “Outros
recursos do Youtube”, e estes estão relacionados a forma de divulgação utilizada pelo Youtube, ou
seja, o contato com o conteúdo se deu por meio de cards, vídeos sugeridos, telas finais, playlists, ou
buscas no Youtube, dentre outros.
2.4.3 Outros dados estatísticos
Neste tópico apresentaremos outros indicadores produzidos pela ferramenta Youtube sobre

�os vídeos publicados e que agregam valor a esta análise.
2.4.3.1 Compartilhamento dos vídeos

Figura 7: Estatística Serviço de compartilhamento dos vídeos

Neste gráfico é possível ver que a forma mais compartilhada dos vídeos entre os
espectadores ocorre a partir do “WhatsApp”. Sendo o Facebook a segunda ferramenta de
compartilhamento mais utilizada.

2.4.3.2 Impressões por vídeo

Figura 8: Estatística de Impressões por vídeo

Esse dado foi de interesse, pois apresenta a impressão do espectador em relação a aparência
do vídeo, ou seja, a miniatura da tela, ao título apresentado, informações ligadas ao conteúdo
externo, as cores, imagem, logotipos e ilustrações apresentadas, etc.
Pode-se considerar que o público se sente atraído pela aparência das informações externas
ao vídeo, e assim poderá acessar o vídeo, mesmo que este não seja no primeiro momento o alvo do
seu interesse direto.

�2.5 Resultados
Verificou-se a partir dos dados coletados, que os vídeos tiveram boa movimentação próximo
aos dias em que foram publicados, pois acredita-se que os compartilhamentos das informações
foram mais intensos neste período. Com o passar das semanas e meses, o acesso diminuiu, porém,
não deixou de ocorrer, o que nos fez comprovar o sucesso da aceitação desta adaptação do projeto
de extensão cultural no meio digital.
Mas acreditamos que a movimentação do vídeo poderia ser maior se for indexado na
Plataforma Youtube Kids, por ser direcionado a um público específico, no caso infantil e pais e/ou
responsáveis por crianças, que tenham acesso a ferramenta. Na publicação dos vídeos, estes foram
sinalizados como sendo conteúdo voltado para o público infantil, porém, ao pesquisar no Youtube
Kids, verificamos que estes não foram indexados. Não foi compreendido se a não indexação ocorreu
devido ao fato do canal do SBU não ser um canal infantil, ou por algum outro problema. Dentro das
políticas de criação de conteúdo do Youtube, específico para o Youtube Kids, não consta a
informação da obrigatoriedade do canal ser voltado para o público infantil, mas sim o conteúdo do
vídeo, portanto, como recomendação do estudo temos a demanda desta nova indexação em
categoria específica.
Verificou-se que os vídeos tiveram bom alcance dentro dos dados analisados, considerando
o número de visualizações e os espectadores únicos. Podemos considerar que o meio de divulgação
foi efetivo, havendo a necessidade de que seja realizado com frequência para se manter a
rotatividade. Porém, ao analisar os dados de visualização e espectadores únicos com a quantidade
de inscritos, considera-se o número muito abaixo do esperado. Acredita-se diante desses resultados,
que o público que acessou aos vídeos pode ser considerado específico, e estavam em busca de algo
voltado para o meio infantil, e/ou ações culturais e artísticas.

Figura 9: Imagem de uma das divulgações dos vídeos nas redes sociais

�Figura 10: Divulgação na Agenda Cultural da Unicamp

Essas análises revelam a importância das bibliotecas, e podemos aqui considerá-las como
um ‘organismo vivo’ e não somente depositário pois dentre suas funções sociais, também são
considerados espaços que oferecem atividades voltadas para as questões culturais, sociais e
artísticas e que, segundo Brito Filho (2011) rompe com seus paradigmas tradicionais dentro das
escolas e universidades, deixando de ser apenas um suporte ou uma extensão da sala de aula ou
caracterizada pelo excesso de burocracia, tecnicismo e pelo zelo por seu acervo ou por seu espaço
físico.
3

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A biblioteca como instituição que tem como sua função social oferecer o acesso à informação
a todos os indivíduos, e esta é a missão do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. Também nos
preocupamos com as condições de promoção desse acesso entendendo tanto as necessidades
específicos educacionais dos indivíduos quanto pensamos novas formas e formatos de oportunizar
as informações e conhecimentos estimulando o desenvolvimento da cultura, da leitura e da
aprendizagem.
Adaptar atividades e propor novos modelos diante de necessidades específicas, como o da
necessidade de isolamento social diante de uma pandemia como a que vivemos em 2020, é também
uma maneira de contribuir com a sociedade, mantendo a missão de proporcionar e disseminar a
cultura, mesmo que adaptada a diferentes meios e formatos, como o virtual.
A biblioteca universitária, assim como outras instituições educacionais, deve promover esse
processo de aprendizagem e inclusão por meio de projetos sociais, e aqui citamos o exemplo da
contação de histórias, que por si só leva a situações de reflexões, diante das leituras e das escutas.

�Considera-se também, a partir dos resultados, que pode ser pertinente a criação de um canal,
interligado ao Sistema de Bibliotecas da Unicamp, voltado somente para questões Culturais e
Sociais, buscando atrair públicos que não estejam em consonância somente com os conteúdos
acadêmicos.
Buscar entendimento sobre o funcionamento do Youtube Kids, é considerado necessário para
que outros conteúdos relacionados ao público infantil, sejam indexados nessa plataforma, sendo
assim direcionados ao perfil de espectadores mais interessados no conteúdo.
Assim mesmo diante do isolamento social, se deu a promoção de conteúdo cultural e foi
oferecido ao seu público as sessões da contação de histórias, proposta maior deste projeto, fazendo
com que a cultura e todo o conhecimento produzido circulasse nas mídias, nos fazendo refletir
novamente sobre a importâncias das bibliotecas e de seus serviços e espaços tanto físicos como
virtuais.

REFERÊNCIAS
Blog Árvore de livros (2016). Qual a importância da leitura na educação infantil. Recuperado de:
http://blog.arvoredelivros.com.br/educacao/importancia-leitura-educacao-infantil/
BRITO FILHO, Ednilson Medeiros de (2011). Ação Cultural em Bibliotecas Universitárias: (in)
visibilidade na web. Monografia (Conclusão de curso). Faculdade de Biblioteconomia, Centro de
Ciências Sociais e Aplicadas, Universidade Federal da Paraíba. Recuperado de:
https://security.ufpb.br/biblio/contents/tcc/tcc-2011/acao-cultural-em-bibliotecas-universitarias.pdf
MORAES, E. C. V. de (2016) . Relatos de experiências. In: Contação de histórias: tradição poética
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ajudar.
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da
Comunidade.
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de:

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Biblioteconomia&#13;
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                <text>Apresenta o projeto ‘Contarolando histórias’, idealizado pela Contadora de histórias Elaine Villalba de Moraes e equipe da Comissão de Ações Culturais e Sociais da Biblioteca Central Cesar Lattes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi idealizado inicialmente para ser realizado de modo presencial. Os objetivos principais do projeto é trazer o público até os espaços da biblioteca e oferecer atividades e ações com foco na extensão no ambiente universitário e no incentivo à leitura e à cultura. A partir do decreto de isolamento social pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em março de 2020, o projeto então foi totalmente remodelado e adaptado para que as contações de história ocorressem e fossem levadas ao público de modo virtual. Como metodologia, foram planejados os cronogramas e a adaptação do presencial para o virtual que foi possível pelo canal do youtube do Sistema de bibliotecas da Unicamp. Foram programadas quatro sessões compostas por até três histórias cada, selecionadas para o público geral e infantil. Os custos com materiais lúdicos, cenário, material de divulgação e a profissional contratada para a atividade foram cobertos pelo subsídio financeiro obtido através do Edital para ações culturais da Diretoria de Cultura da Pró-reitoria de extensão e cultura da Unicamp que ocorreu em 2019. Como resultados verificou-se que os vídeos tiveram bom alcance dentro dos dados analisados, considerando o número de visualizações e os espectadores únicos. Podemos considerar que o meio de divulgação foi efetivo, havendo a necessidade realizar com frequência para se manter a rotatividade e possivelmente podem ser cadastrados em outras plataformas de indexação para melhor alcance. Também confirmou que existe um nicho que a biblioteca pode suprir com informações voltadas para as questões culturais, sociais e artísticas com as práticas da contação de histórias. </text>
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                    <text>Eixo temático - Inovações
UNIVERSIDADE E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO: UMA PERSPECTIVA
INTERNACIONAL
UNIVERSITY AND KNOWLEDGE PRODUCTION: AN INTERNATIONAL PERSPECTIVE
Normaci Correia dos Santos Sena1
Weslayne Nunes de Sales2
Raymundo das Neves Machado3

Resumo: Este estudo tem por objetivo apresentar e analisar o ranking elaborado pelo CWTS desenvolvido pela
Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender a relevância e o impacto na produção do conhecimento no
contexto universitário no âmbito internacional e nacional. O Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia Leiden
Rankings, assim como outros rankings, refletem e valorizam a produção intelectual e a avaliação da qualidade das
instituições de ensino superior. A universidade, enquanto produtora do conhecimento e partícipe da construção de uma
sociedade, é uma instituição que fortalece o trabalho dos pesquisadores e, consequentemente, da divulgação das suas
produções. Trata-se de um trabalho descritivo com observação quantitativa e análise bibliográfica. O estudo evidenciou
que as universidades brasileiras têm evoluído constantemente no que diz respeito à produção científica, mas as
universidades dos países americanos continuam no topo dos rankings. Os desafios ainda são muitos, mas é necessário
que o acesso à educação superior no Brasil seja expandido, e, como consequência, acredita-se que ocorrerá aumento da
produção científica, novas descobertas, avanços e valorização da ciência.

Palavras-chave: Universidade. Produção do conhecimento. Ranking universitário
Abstract: Tradução do texto para o inglês.
Keywords: Tradução dos termos para o inglês.

1 INTRODUÇÃO
O hiato entre o Brasil e o mundo continua em ascensão no que toca à ciência e à tecnologia.
A universidade de hoje é uma instituição moderna e a ciência existe graças às pesquisas
desenvolvidas nas universidades e também aos investimentos públicos que fortificam os trabalhos
dos pesquisadores. Ao longo do tempo, a ciência foi estabelecida como o caminho privilegiado e
mais seguro de acesso à realidade. Nesse período, vários modelos de instituições acadêmicas foram
1

Doutoranda em Ciência da Informação (Ufba). Mestre em Ciência da Informação (Ufba). Graduada em
Biblioteconomia (Ufba). E-mail: normaci.correia@yahoo.com.br.
2
Doutoranda em Ciência da Informação (Ufba). Mestre em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior. Graduada
em Biblioteconomia (Uespi). Bibliotecária na Universidade Federal do Ceará. E-mail: weslaynesales2@gmail.com.
3
Doutor em Ciência da Informação (IBICT/UFRJ). Professor Associado do Departamento de Fundamentos e Processos
Informacional do Instituto de Ciência da Informação (Ufba). E-mail: raymacha@ufba.br.

�sendo desenvolvidos e, com isso, foi estabelecida uma nova configuração na relação entre ciência,
sociedade e universidade. Gradativamente, a universidade incorporou o objetivo basilar de fazer
ciência, viabilizar seus resultados de pesquisa e, consequentemente, produzir conhecimentos úteis
capazes de transformar pessoas e atender às necessidades de um mundo laboral moldado pelas
mesmas ciência e tecnologia.
Sem dúvida, a ciência, entendida como um conhecimento com alto grau de certeza, permitiu
que esse elo acontecesse, considerando que a universidade vai além dos campos administrativos,
organização curricular e procedimentos acadêmicos, perpassa também o núcleo da comunidade
social. O estudo do conhecimento científico comumente o distingue dos conhecimentos filosóficos,
religiosos e empíricos. Atribui-se à ciência a característica de comprovável. Nesse sentido, a
universidade é o ambiente que oportuniza o conhecimento crítico e é responsável pela produção do
conhecimento (AZEVEDO; CATANI, 2013; BOSCO, 2017).
A instituição de ensino superior é a principal protagonista na função educativa pelo processo
de formação que realiza, além do fortalecimento do desenvolvimento socioeconômico e cultural de
um país. As transformações da sociedade bem como os avanços tecnológicos exigiram novas
formas de gestão e disseminação do conhecimento pelas instituições de ensino superior, o que
implica em maior responsabilidade social pelas universidades (SOBRAL, 2001). Com isso, toda
sociedade passa a ter acesso a essa produção; e essa ideia ganha força com o movimento da Ciência
Aberta – conjunto de atividades científicas praticadas de modo aberto, cooperativo e transparente,
fortalecendo, assim, a democracia, a ciência e a relação com a sociedade (ALBAGLI, 2015).
Para Azevedo e Catani (2013), a Universidade tem como essência a produção do
conhecimento. O processo de produção do conhecimento implica em aspectos intrínsecos, como o
processo cognitivo, e também no contexto da sua relação com a sociedade. Isso porque a circulação
de ideias e a educação necessariamente resultam em compartilhamento de cultura e de
conhecimento.
Diante do exposto, pretende-se apresentar e analisar o ranking elaborado pelo CWTS
desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender a relevância e o
impacto na produção do conhecimento no contexto universitário no âmbito internacional e
nacional. Além disso, espera-se que seja possível contribuir com a reflexão a respeito do papel da
universidade no âmago da sociedade, enquanto produtora e disseminadora de todo saber oriundo do
exame sistemático e cuidadoso dos temas referentes ao ser humano e evidenciar alguns tópicos que

�constituem temas de debates e que devem compor o rol de discussões nas universidades brasileiras,
a exemplo do acesso aberto às produções científicas.
Nesse contexto, no âmbito das redes de políticas globais, os critérios e as metodologias dos
rankings universitários tendem a validar tendências globais acerca da “qualidade e da excelência na
educação superior” (LIMA; AZEVEDO; CATANI, 2008). Esses indicadores bibliométricos muitas
vezes são utilizados para comprovar os indicativos para a ação política governativa com base nos
padrões dos países centrais e dos organismos internacionais. Por isso, foram analisados indicadores
do ranking desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender as
contradições e a relevância da produção do conhecimento no contexto universitário.

2 UNIVERSIDADE E CIÊNCIA

Chibeni (2008) apresenta a visão de que a ciência, tal como é vista hoje, teve origem a partir
da filosofia natural em meados do século 17. A ideia de ciência pode ser entendida em diferentes
conceitos e proporções. Aqui, restringe-se à ciência praticada nas universidades, e para melhor
contextualização, propõe-se narrar um pouco sobre a história dessas instituições.
Ao realizar uma pesquisa sobre como se deu o início das universidades, é comum que se
tenha como referência o período medieval e o ensino na Grécia antiga, sempre com forte influência
da religião. Perkin (2007) propõe um recorte cronológico que explica a história das universidades a
partir de cinco etapas. A saber:
 século 12 a 1530: a ascensão da universidade cosmopolita europeia e seu papel na

destruição da ordem mundial medieval na Reforma do século;
 1530-1789: nacionalização da universidade pelos estados-nação emergentes das

guerras religiosas e seu declínio durante o período conhecido como Iluminismo;
 1789-1939: o renascimento da universidade após a Revolução Francesa e seu papel

tardio mas crescente na sociedade industrial;
 1538-1960: a migração da universidade para o mundo não europeu e sua adaptação

às necessidades das sociedades em desenvolvimento e a reação anticolonial;


1945 – presente: a transição do ensino superior de elite para o de massa e o papel da
universidade e seus desdobramentos na sociedade pós-industrial.

�Para Perkin (2007), o avanço do ensino universitário surgiu num contexto em que a
sociedade se voltava aos centros urbanos. As demandas por um ensino universitário advinham de
uma elite treinada para servir à burocracia e ao alto clero, que ansiavam por profissões emergentes
como o direito e a medicina.
O título de primeira universidade ainda é uma disputa não resolvida, contudo Salermo foi
apontada por Perkin (2007) como a primeira escola a receber o título de universidade, ao menos no
que diz respeito à medicina; em seguida, Paris, que, no século 18, havia se transformado em uma
espécie de complexo universitário com privilégios, confirmado pelo Papa (1194) e pelo Rei da
França (1200). Em 1170, portanto, Paris já contava com uma guilda de mestres.
Sobre a universidade como instituição voltada à pesquisa, Perkin (2007) observa que seu
surgimento quase acidental iniciou na Escócia e na Alemanha. Em detrimento da conservação do
conhecimento tradicional, esses países inventaram, de forma independente, dispositivos para
economizar dinheiro. A partir dessa inovação não intencional e com suas ciências sociais pioneiras,
e a economia política de Adam Smith, a escola escocesa ganhou visibilidade na Europa e na
América como instituição de pesquisa.
A universidade estendeu-se para o mundo não europeu a partir dos conquistadores e colonos
na intenção de educar os governantes e elites mercantis, e depois como uma forma de impor aos
povos subjugados uma cultura europeia. O avanço da universidade em países não europeus causou
impactos e apresentou formas diferentes de avançar e se desenvolver, mas em todos esses países a
universidade tornou-se um instrumento do nacionalismo e do anticolonialismo, contrariando,
portanto, as intenções dos colonos. Na América Latina, por exemplo, o avanço das universidades se
dá principalmente a partir da Espanha e de Portugal. Enquanto a Espanha tinha adotado um modelo
mais protetor em relação aos povos latinos, Portugal propunha um ensino voltado à elite europeia e
aos grandes proprietários de terra.
Segundo Perkin (2007), no Brasil, a primeira Universidade foi fundada em 1920. Mas antes
disso, em 1916, em termos da institucionalização da ciência, houve a criação da Sociedade de
Ciência Brasileira, que posteriormente seria chamada de Academia Brasileira de Ciências. Outro
importante marco para a ciência brasileira foi o início da publicação dos Anais da
Academia Brasileira de Ciências em 1929. Essa é a revista científica mais antiga do país e
permanece com publicações trimestrais de seus fascículos (ACADEMIA BRASILEIRA DE
CIÊNCIAS, 2020).

�O ensino universitário avançou com a sociedade pós-industrial. A partir desse momento foi
possível observar a revolução nos sistemas de comunicação, além das formas de organização em
rede, valorizando a informação multi-interdisciplinar de livre circulação e acessibilidade. Essa nova
estrutura contrastante com a experiência humana de então trouxe desafios para a Universidade no
que tange à produção do conhecimento e abertura dos dados de pesquisas.
A expansão da ciência no Brasil não aconteceu de modo igualitário; hoje as universidades
das regiões do Sul e Sudeste do país aparecem com maior frequência e em melhores posições em
rankings que medem a produção científica (Quadros 1 e 2). Porém, o país avançou, tanto que hoje
conta com universidade públicas em todos os estados da nação. Com, por exemplo, a criação do
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), foi
possível ampliar o número de vagas nas instituições públicas de ensino superior e com o
estabelecimento de cotas e políticas afirmativas foi possível diminuir o fosso existente entre
diferentes classes, raças e gêneros, proporcionando um acesso menos desigual à educação superior
pública no Brasil (REESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS,
2010).
Cabe destacar que a ciência hoje é um aprimoramento do conhecimento empírico
desenvolvido por povos mais antigos. Portanto, a constituição da ciência é um processo lento e
gradativo de amadurecimento. Destaca-se ainda que o surgimento da ciência é muitas vezes
confundido com o surgimento das universidades, contudo estas promovem a institucionalização da
ciência, que já vinha sendo experimentada fora dos muros acadêmicos.
3 METODOLOGIA
O problema de pesquisa deste estudo tem por objetivo apresentar e analisar o ranking
elaborado pelo CWTS desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender
a relevância e o impacto na produção do conhecimento no contexto universitário no âmbito
internacional e nacional. Para tanto, foram analisados os rankings publicados e disponibilizados
em sítios eletrônicos pela CTWS, nos anos de 2019 e 2020. Trata-se de trabalho descritivo com
observação quantitativa e pesquisa bibliográfica.
Cada universidade foi posicionada com base em quatro indicadores: impacto científico,
colaboração (interinstitucional, internacional e com a indústria) e artigos publicados na modalidade
de acesso aberto e diversidade de gênero (número de autorias masculinas e femininas). Essas
dimensões são avaliadas em cinco áreas do conhecimento: Ciências Biomédicas e da Saúde,

�Ciências da Terra e da Vida, Matemática e Ciências da Computação, Ciências Físicas e Engenharia
e Ciências Sociais e Humanidades.
Para análise deste estudo, considerou-se o ranking de todas as áreas citadas acima e cada
indicador publicado nos dois últimos anos: 2019 e 2020. Em 2019, o CTWS avaliou essas áreas
dentro do período de 2014 a 2017; e em 2020, dentro do período de 2015 a 2018. Essas informações
são consolidadas e descritas na sessão 4.
4 A UNIVERSIDADE E A PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Desde o princípio, a sociedade é alimentada constantemente por conhecimento em
decorrência da necessidade de compreensão do mundo, contudo, atualmente, o conhecimento é
considerado como instrumento econômico e muitas vezes é equivocadamente usado como sinônimo
de informação. Os conceitos de informação e conhecimento são amplamente discutidos em várias
áreas da ciência; na Ciência da Informação, por exemplo, informação é compreendida como um
processo pelo qual o ser humano realiza e reúne elementos psico-socioculturais (ARAÚJO, 1998;
BUCKLAND, 1991; SARACEVIC, 1999), ou seja, só é informação quando a mensagem é capaz de
transformar o estado de conhecimento do receptor. Dessa maneira, o conhecimento envolve a
subjetividade do ser humano, em outras palavras, enquanto a informação está relacionada à
semântica, o “[...] conhecimento está associado com pragmática, isto é, relaciona-se com alguma
coisa existente no ‘mundo real’ do qual se tem uma experiência direta.” (SETZER, 2015, p. 7, grifo
do autor).
Por esse ângulo, as universidades, enquanto representantes institucionais do conceito de
produção de ciência, evidenciam a sua função de produtora e difusora do conhecimento por meio do
processo de comunicação entre seus pares; e para esse processo, as instituições dependem
dos cientistas, que sintetizam e publicizam seus novos conhecimentos em um campo científico,
como afirma Thomas Kuhn (2006).
Os rankings universitários têm ganhado notoriedade nos cenários global, nacional e local e,
por isso, têm fortalecido as governanças universitária e a transnacional, no que diz respeito aos
âmbitos institucional e educacional, principalmente, nas relações desse fenômeno (rankings) com o
modelo de Universidade de Classe Mundial (UCM), que vem sendo difundido pelos organismos
internacionais (OIs) (THIENGO; BIANCHETTI; DE MARI, 2018). Frequentemente, os rankings
são utilizados como ferramentas estratégicas para as reformas educacionais dos Estados, bem como
para ditar as regras de conduta das universidades.

�Considerando que os rankings internacionais universitários apresentam rotulações, as quais,
em decorrência disso, passam a ser utilizadas como indicador de produtividade e como formas de
qualidade das produções científicas, este estudo procura analisar os indicadores do CWTS Leiden
Rankings, num contexto em que o rótulo de UCM representa um valor a qualidade e/ou validade de
uma instituição dentro do campo de análise da educação superior em âmbito mundial (THIENGO;
BIANCHETTI; DE MARI, 2018).
Os rankings avaliam a produção científica das universidades do mundo; no caso deste
estudo, os rankings analisados foram realizados pelo Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia
(CWTS). O CWTS Leiden Ranking é baseado em dados bibliográficos do banco de dados Web of
Science da Clarivate Analytics, Filadélfia (EUA). Ele, além de oferecer importantes insights sobre o
desempenho científico de grandes universidades em todo o mundo, em comparação com outros
rankings universitários, oferece indicadores bibliométricos mais robustos e apresenta uma variedade
de métricas, o que possibilita explorar o desempenho das universidades de diferentes ângulos.
Os rankings da CWTS foram publicados em diferentes anos, em 20194 e em 20205. Neste
ranking, além da classificação geral, foram analisados os indicadores das instituições no período de
2014 a 2017 (publicado em 2019) e de 2015 a 2018 (publicado em 2020) em quatro dimensões:
impacto científico, colaboração (interinstitucional, internacional e com a indústria) e também
artigos publicados na modalidade de acesso aberto e diversidade de gênero (número de autorias
masculinas e femininas). Essas dimensões são avaliadas em cinco áreas do conhecimento:
Ciências Biomédicas e da Saúde, Ciências da Terra e da Vida, Matemática e Ciências da
Computação, Ciências Físicas e Engenharia e Ciências Sociais e Humanidades.
Com base nesses indicadores, no ano de 2019, foram classificadas 963 universidades,
considerando a pesquisa acadêmica produzida e a produção científica publicada na Web of Science,
no período de 2014 a 2017.
Na classificação geral de todas as áreas, no topo desse ranking, no que tange ao quesito
impacto científico, encontra-se a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com total de
33.168 produções científicas, seguido da Shanghai Jiao Tong University, China, 22.367; University
of Toronto, Canadá, 22.154; Zhejiang University, China, 22.100; Tsinghua University, China,
18.404; University Michigan, Estados Unidos, 18.203; Johns Hopkins University, Estados Unidos,
16.902; e em 8º lugar está a Universidade de São Paulo, com 16.846.

4
5

https://www.leidenranking.com/ranking/2019/list
https://www.leidenranking.com/ranking/2020/list

�Ainda nesse quesito, no Brasil, além da Universidade de São Paulo (USP), outras
universidades também foram bem avaliadas; na 138ª posição está a Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho (Unesp), com 6.325 publicações; na 183ª posição, a Universidade Esta dual
de Campinas (Unicamp), com 5.562; e na 192ª posição, a Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), com 5.372, e outras que ficaram mais distantes, conforme mostra o Quadro 1.
Quadro 1 - Ranking da produção científica das universidades públicas brasileiras
no quesito impacto científico, no período de 2014 a 2017
Posição
8ª
138ª
183ª
192ª
229ª
281ª
420ª
480ª
532ª
578ª
634ª
652ª
679ª
691ª
692ª
707ª
751ª
812ª
841ª
860ª
880ª
927ª
933ª

Universidade
Universidade de São Paulo
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Universidade de Estadual de Campinas
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Minas Gerais
Universidade Federal de São Paulo
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal de Pernambuco
Universidade Federal de São Carlos
Universidade de Brasília
Universidade Federal de Santa Maria
Universidade Federal de Viçosa
Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal de Fluminense
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade do Estado de Maringá
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Goiás
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal da Paraíba
Universidade Federal de Uberlândia

Sigla
USP
Unesp
Unicamp
UFRGS
UFRJ
UFMG
Unifesp
UFSC
UFPR
UFPE
UFSCar
UnB
UFSM
UFV
UFC
UFF
UFRN
UEM
UERJ
UFG
Ufba
UFPB
UFU

Nº de publicações
16.846
6.325
5.562
5.372
4.781
4.121
2.992
2.597
2.269
2.057
1.839
1.761
1.666
1.636
1.629
1.576
1.439
1.288
1.228
1.192
1.156
1.068
1.053

Fonte: CWTS.

Com relação aos quesitos colaboração e acesso aberto, as universidades americanas
continuam em evidência, seguidas das chinesas; já entre as do Brasil, a melhor ranqueada foi a
USP, que ocupa a 12ª posição, seguida da Unesp, 166ª; a UFBA ficou na 811ª posição.
Em relação ao item diversidade de gênero, a USP ocupa a 3ª posição, e a Universidade de
Havard e a de Toronto ocuparam a 1ª e a 2ª, respectivamente. Nesse item, a UFBA ocupa a 682ª
posição.
Em 2020, o CWTS apresentou um novo ranking, avaliado no período de 2015 a 2018. Para
esse período, a instituição classificou 1.175 universidades em todo o mundo. A Universidade de
Harvard continua liderando, já as universidades brasileiras obtiveram uma mudança significativa,
outras universidades foram ranqueadas conforme o Quadro 2. O levantamento realizado pelo Centro

�de Estudos da Universidade de Leiden, que tem como base de dados a plataforma Web of Science
aponta a Universidade de São Paulo como a universidade brasileira com maior destaque no ranking,
ocupando a posição n.º 7, no quesito impacto científico. Destaca-se ainda que, dentre as
universidades brasileiras, as nove primeiras posições do ranking são ocupadas predominantemente
por instituições localizadas no Sul e Sudeste do país. A região Nordeste só encontra representação a
partir da 10ª posição, com a Universidade Federal de Pernambuco.
Entre as instituições do nordeste brasileiro, recebem destaque a Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE), na posição 581ª, considerando os dados globais; e, como dito anteriormente, é
a primeira do nordeste brasileiro. A Universidade Federal do Ceará (UFC) ocupa a 684ª posição
global, a segunda do nordeste brasileiro. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
por sua vez, ocupa a 733ª posição global, terceira do nordeste brasileiro.
Quadro 2 - Ranking da produção científica das universidades públicas
brasileiras no quesito impacto científico (2015-2018)
Posição
Universidade
7ª
Universidade de São Paulo
137ª
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
178ª
Universidade de Estadual de Campinas
195ª
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
231ª
Universidade Federal do Rio de Janeiro
274ª
Universidade Federal de Minas Gerais
444ª
Universidade Federal de São Paulo
459ª
Universidade Federal de Santa Catarina
524ª
Universidade Federal do Paraná
581ª
Universidade Federal de Pernambuco
619ª
Universidade Federal de São Carlos
625ª
Universidade de Brasília
651ª
Universidade Federal de Santa Maria
675ª
Universidade Federal de Viçosa
684ª
Universidade Federal do Ceará
685ª
Universidade Federal de Fluminense
733ª
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
795ª
Universidade do Estado de Maringá
828ª
Universidade Federal de Goiás
853ª
Universidade Federal da Bahia
858ª
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
934ª
Universidade Federal da Paraíba
936ª
Universidade Federal de Uberlândia
958ª
Universidade Federal de Pelotas
972ª
Universidade Federal do Pará
981ª
Universidade Estadual de Londrina
1021ª
Universidade Federal de Lavras
1065ª
Universidade Federal de Mato Grosso
1069ª
Universidade Federal do Espírito Santo
1143ª
Universidade Federal de Juiz de Fora
Fonte: Baseado no ranking da CWTS.

Sigla
USP
Unesp
Unicamp
UFRGS
UFRJ
UFMG
Unifesp
UFSC
UFPR
UFPE
UFSCar
UnB
UFSM
UFV
UFC
UFF
UFRN
UEM
UFG
Ufba
UERJ
UFPB
UFU
UFPEL
Ufpa
UEL
Ufla
UFMT
Ufes
UFJF

Nº de publicações
17855
6754
5931
5699
5032
4460
3009
2927
2458
2178
2012
1992
1880
1771
1743
1740
1606
1461
1363
1304
1298
1153
1153
1116
1070
1058
985
917
912
830

�No ano de 2020, nos quesitos colaboração e acesso aberto, as universidades americanas
continuam em evidência, seguidas das chinesas; já entre as do Brasil, a mais bem ranqueada é a
USP, ocupando a 13ª posição, seguida da Unesp, 165ª, a UFBA, na 794ª posição.
No item diversidade de gênero, a USP continua na 3ª posição, e a Universidade de Havard,
e a de Toronto na 1ª e na 2ª posição, respectivamente. Nesse item, a Ufba apresenta uma pequena
melhora, ocupando a 668ª posição.
O monitoramento da atividade científica bem como a avaliação por indicadores de
desempenho, caso deste estudo, são importantes por três motivos:
a) para assegurar que a ciência participasse efetivamente na consecução dos objetivos
econômicos e sociais dos diferentes países; b) porque a disponibilidade de recursos para
esta atividade é limitada e obviamente compete com os demais setores de investimento
público; c) porque o procedimento de deixar a decisão de alocar os recursos para ciência
exclusivamente com os próprios participantes dessa atividade deixava muito a desejar.
(VELHO, 1985 apud LETA, 2011, p. 65).

Com a análise bibliométrica e de seus indicadores, é possível entender e descrever o cenário
da produção do conhecimento no mundo, assim como os temas, autores e coautores. Os quadros 1 e
2 sinalizam para um aumento significativo de produções científicas e de universidades brasileiras
que estão se destacando em decorrência da evolução na produção científica. Obviamente, em
comparação com os outros países de colocação melhor, é preciso considerar fatores econômico,
social, cultural e, principalmente, político para o avanço da ciência de cada um.
Sabe-se que a elaboração desses rankings colocam as instituições em um nível de
competição de tal maneira que aquelas que ocupam a melhor posição são consideradas as melhores
instituições, mas é preciso considerar a relatividade desses dados e analisar os números com
cautela; afinal, o desenvolvimento da ciência e, consequentemente, a veiculação da produção
científica são primordiais para o progresso do país. O ranking é importante não só para verificação
da produção científica, mas como instrumento de exercício de poder para fazer a atribuição de
publicações e citações a cada instituição acadêmica, considerando-se como norma dominante o
ensino superior global. Além disso, funciona como importante informação para tomada de decisão;
seus indicadores se baseiam no desempenho da pesquisa, nos resultados de inovação e no impacto
social, medidos pela visibilidade obtida pela produção científica e seu consequente impacto no
investimento econômico para as instituições.
Outro ponto que merece destaque é o fato de que a distribuição orçamentária para as
universidades públicas só conseguiu alcançar patamares menos desiguais em meados de 1994 com a

�publicação da Portaria Ministerial n.º 1.285/MEC, que estabeleceu um marco regulamentador para a
distribuição dos recursos entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Embora esse
decreto diminua o abismo no que diz respeito à distribuição dos recursos entre uma instituição e
outra, é válido destacar que ele cobre as IFES, mas não as universidades estaduais, e que ele surge
como uma medida de diminuição de subjetividade na distribuição dos recursos, porém não garante
a igualdade entre as instituições.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A compreensão do papel da Universidade diante da produção e gestão do conhecimento tem
evoluído constantemente na sociedade. Consequentemente, essa instituição enfrenta novos desafios
na produção e na organização do conhecimento. Se antes o conhecimento científico era
independente do conhecimento técnico/industrial, hoje o conhecimento científico é fundamental
para a evolução do conhecimento técnico, o que, de certa forma, é demandado das necessidades da
população.
A crescente produção do conhecimento possibilitou que as universidades, especialmente as
públicas, liderassem em número de publicações. Contudo, mensurar a produção científica é uma
atividade complexa, custosa e que envolve múltiplos fatores. Como dito anteriormente, os rankings
que buscam essa mensuração nem sempre cobrem a totalidade da produção, logo não se pode falar
de índices absolutos de medição de escala da produção, embora os existentes possam revelar uma
parte dessa produção.
Destaca-se que não é possível estudar a produção do conhecimento de forma isolada, pois
ela está atrelada a fatores sociais, econômicos, mercantilista e histórico; afinal, o estudo da
produção do conhecimento científico é também um estudo da sociedade e de seu desenvolvimento.
A pesquisa bibliográfica realizada neste estudo traz algumas reflexões sobre o papel da
universidade, da sociedade do conhecimento, da evolução e valorização da ciência e também da
produção científica no mundo e no Brasil. Além disso, leva a refletir sobre o papel da biblioteca
nesse contexto.
Desse modo, nessa perspectiva, as possibilidades de participação da biblioteca poderiam
envolver não só a divulgação da produção científica institucional, que já é uma atividade
tradicional da biblioteca, mas também a elaboração de rankings de suas próprias instituições com a
intenção de promover maior visibilidade para publicações que não são contempladas nos rankings

�mais tradicionais. O profissional bibliotecário, nesse sentido, com conhecimento da literatura
cinzenta produzida na instituição à qual está vinculado, poderá desenvolver métodos de mensuração
e escalonamento das produções e, juntamente com a divulgação dos trabalhos e das medições,
trabalhar também com a conscientização do público sobre a necessidade de considerar que a
produção científica vai além dos tradicionais artigos de periódicos.
Pondera-se ainda que as bibliotecas detêm potencial para averiguar as produções científicas
realizadas em suas instituições, mesmo as de literatura cinzenta. Isso poderia ser feito mediante a
constituição de uma rede colaborativa entre os pesquisadores institucionais que informariam a
biblioteca sobre suas produções e, após verificação das questões relacionadas aos direitos morais e
patrimoniais do autor, as produções poderiam ser divulgadas nos repositórios institucionais,
favorecendo assim o acesso da comunidade aos textos e, como consequência, fomentando o acesso
aberto. Empiricamente, observa-se que essa já é uma prática em algumas instituições, mas ainda
falta ser expandida para todo território nacional.
Sabe-se que os rankings valorizam a produção intelectual; na verdade, busca utilizar
excelência seguindo padrões internacionais, muitas vezes, com altas burocracias e restrições. Nesse
sentido, este estudo almeja, contudo, maior valorização das instituições de ensino não apenas no
aspecto econômico, mas político nesse processo. Ademais, considera-se necessário que o país
repense o processo de conhecimento que envolve novas instituições e que as insira massivamente na
competição com o mundo entre as melhores universidades públicas, produtoras e disseminadoras de
conhecimento, o que, de certa forma, já vem sendo praticado. Mas isso não quer dizer que os
rankings não possam ser questionados; a criticidade no meio acadêmico é fundamental para o
progresso científico e deve ser usada constantemente. É preciso compreender como funciona, para
que serve, buscar a qualidade, e não apenas os valores agregados. Todavia, é consenso que os
rankings são mecanismos de avaliação da qualidade das instituições de ensino superior. E com
certeza, com alguns ajustes educacionais, investimentos e valorização da ciência, por parte do
estado, essa competitividade é possível.
Outro ponto relevante, é que o reconhecimento explícito do papel das universidades como
defensoras da democracia, assim como geradoras de conhecimento, acompanha os desafios que a
própria instituição tem de enfrentar nos novos moldes de se fazer ciência. Essas novas
transformações exigem que o conhecimento científico seja compartilhado, transparente e aberto
para que a sociedade participe mais ativamente e dialogue com a Universidade, refletindo, assim, de
maneira positiva no país. É preciso, portanto, acompanhar e se inserir nos movimentos de

�acessibilidade e transparência das produções científicas, por exemplo, no quarto paradigma das
universidades, que é a Ciência Aberta.
Os desafios ainda são muitos. Por isso, é necessário que o acesso à educação superior no
Brasil seja expandido; como consequência dessa expansão, acredita-se que ocorrerá aumento da
produção científica, novas descobertas, inventos e avanços.
REFERÊNCIAS
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Sena, Normaci Correia dos Santos, Sales, Weslayne Nunes de, Machado, Raymundo das Neves </text>
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                <text>Este estudo tem por objetivo apresentar e analisar o ranking elaborado pelo CWTS desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender a relevância e o impacto na produção do conhecimento no contexto universitário no âmbito internacional e nacional. O Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia Leiden Rankings, assim como outros rankings, refletem e valorizam a produção intelectual e a avaliação da qualidade das instituições de ensino superior. A universidade, enquanto produtora do conhecimento e partícipe da construção de uma sociedade, é uma instituição que fortalece o trabalho dos pesquisadores e, consequentemente, da divulgação das suas produções. Trata-se de um trabalho descritivo com observação quantitativa e análise bibliográfica. O estudo evidenciou que as universidades brasileiras têm evoluído constantemente no que diz respeito à produção científica, mas as universidades dos países americanos continuam no topo dos rankings. Os desafios ainda são muitos, mas é necessário que o acesso à educação superior no Brasil seja expandido, e, como consequência, acredita-se que ocorrerá aumento da produção científica, novas descobertas, avanços e valorização da ciência.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DA CIDADE DE
GOIÂNIA, GO

STRATEGIC PLANNIG IN UNIVERSITY LIBRARIES
Marizangela Gomes de Morais1
Geisa Müller de Campos Ribeiro2

Resumo: O objetivo do estudo consiste em compreender se as bibliotecas universitárias de instituições particulares da
cidade de Goiânia, Goiás desenvolvem planejamento estratégico e identificar seu cenário a partir da utilização das
ferramentas de planejamento estratégico 5 forças de Porter e das análises SWOT (Streghts, Weaknesses, Opportunities e
Threats). Para se alcançar o objetivo geral buscou-se: identificar os tipos de planejamento presentes na unidade de
informação; identificar os pontos fortes, fracos e ameaças e oportunidades. Classifica-se a pesquisa como básica e de
natureza qualitativa. Quanto aos objetivos é pesquisa exploratória e adota os procedimentos técnicos de pesquisa
bibliográfica, documental e estudo de caso. O instrumento de coleta de dados utilizado é a entrevista com três
bibliotecárias que atuam nas instituições em estudo. A análise é realizada a partir da ferramenta de planejamento
estratégico modelo das 5 forças de Porter e SWOT. Tomando como base a análise dos dados coletados é possível
afirmar que as bibliotecas estudadas não desenvolveram planejamento estratégico próprio alinhado com o da
organização e as bibliotecárias responsáveis não se sentem aptas a este desenvolvimento. Somente uma biblioteca
possui Missão, Visão e Valores definidos, as demais não possuem. O quadro de entrevistas alinhado as cinco forças de
Porter evidenciaram que as unidades de informação pesquisadas possuem visão superficial das forças estratégicas e do
ambiente externo em que estão inseridas.

Palavras-chave: Planejamento. Biblioteca universitária. Análise SWOT. Forças de Porter.
Abstract: The general objective of the study is to understand if university libraries of private institutions in the city of
Goiânia, Goiás develop strategic planning and to identify their scenario based on the use of strategic planning tools 5
Porter's forces and SWOT analyzes (Streghts, Weaknesses, Opportunities and Threats). In order to achieve the general
objective, we sought to: identify the types of planning present in the information unit; identify strengths, weaknesses
and threats and opportunities. Research is classified as basic and qualitative in nature. As for the objectives, it is
exploratory research and adopts the technical procedures of bibliographic, documentary research and case study. The
data collection instrument used is the interview with three librarians who work in the institutions under study. The
analysis is performed using the strategic planning tool model of the 5 forces of Porter and SWOT. Based on the analysis
of the collected data, it is possible to affirm that the studied libraries did not develop their own strategic planning
aligned with that of the organization and the responsible librarians do not feel able to this development. Only one
library has defined Mission, Vision and Values, the others do not. The interview table aligned with Porter's five forces
showed that the researched information units have a superficial view of the strategic forces and the external
environment in which they are inserted.
Keywords: Planning. Library. SWOT Analysis. Porter's forces.

1

Doutora em Psicologia com ênfase na área comportamental. Mestre em Administração. Professora do curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás. E-mail: marizangelagomes@ufg.br.
2
Doutoranda em Comunicação, mídia e cultura. Professora do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de
Goiás. E-mail: geisamuller@ufg.br

�1 INTRODUÇÃO
A palavra estratégia tem origem grega e tem como significado "a arte do general", sendo
utilizada por muito tempo para fins militares dando auxílio para os generais na criação de melhores
planos e caminhos a serem realizados na guerra. A partir do seu sucesso nas guerras, a estratégia
passou a ser incorporada no mundo corporativo pelos mesmos motivos que eram utilizadas
anteriormente, como a definição de melhores planos e caminhos a serem percorridos para que as
organizações alcançassem seus objetivos almejados (OLIVEIRA, 2010).
Deste modo, devido a competição enfrentada atualmente pelas organizações, surge a
necessidade de definir estratégias que estejam em conformidade com seu perfil empresarial e o
ambiente no qual estão inseridas para que consigam alcançar seus objetivos organizacionais.
Segundo Oliveira (2010), para que se formule uma estratégia pode-se utilizar de um modelo para
elaboração e implementação do planejamento estratégico nas organizações, modelo esse que se
divide em 6 etapas, quais sejam: análise do ambiente e do cenário na qual a organização está
inserida; definição dos valores, visão e missão da mesma; definição dos objetivos, estratégias e
metas a serem atingidas; elaboração de planos de ação; implementação e controle desses planos de
ação para verificar as mudanças ocorridas na organização; e feedback.
Para que ocorra a análise do ambiente e do cenário existe uma matriz denominada análise
SWOT que determina os pontos fortes e fracos do ambiente interno da organização e, as
oportunidades e ameaças da organização em relação ao seu ambiente externo. Ainda, para análise
do cenário em que a organização se encontra existem cincos forças que analisam a organização por
meio de cinco variáveis: "ameaças de novos entrantes, ameaças de produtos substitutos, poder de
barganha dos fornecedores, poder de barganha dos clientes e rivalidade entre concorrentes"
(PORTER; BRAGA, 2004).
Incorporados a gestão das bibliotecas, essas cinco forças auxiliam na percepção do mercado
em que a organização está atuando e a planejar qual o próximo caminho a ser seguido.
A partir do exposto, o estudo busca responder a seguinte problemática de pesquisa: As
bibliotecas universitárias de instituições particulares desenvolvem planejamento estratégico?
O objetivo geral do estudo consiste em compreender se as bibliotecas de Instituições de
Ensino Superior particulares de Goiânia - GO desenvolvem planejamento estratégico e identificar

�seu cenário a partir da utilização das ferramentas de planejamento estratégico 5 forças de Porter e
das análises SWOT (Streghts, Weaknesses, Opportunities e Threats).
2 ESTRATÉGIA E MODELO DAS CINCO FORÇAS DE PORTER

Segundo Oliveira (2010), a palavra estratégia é de origem grega, "strategos" que significa a
arte do general. Com isso é utilizada desde a antiguidade para demonstrar a função dos militares, no
caso o chefe, onde eram elaborados os planos de guerra.
Hitt, Hoskisson e Ireland (2008), defendem que a estratégia é um conjunto que reúne todos
os compromissos da organização explorando suas competências e gerando, assim, vantagem
competitiva frente aos seus concorrentes. Ou seja, podem ser considerada diretrizes que
oportunizam a direção para que a empresa consiga atingir os objetivos que almeja (ANSOFF, 1990
apud OLIVEIRA, 2010).
Neste contexto, é primordial que a organização conheça as maiores forças de seus
concorrentes, as atividades que são desenvolvidas pela organização e quais delas agregam maior
valor. São estes elementos que oportunizam maior vantagem competitiva. (BORNHOLDT, 1997).
Porter e Braga (2004) apresentam cinco forças básicas nas condições de concorrência de
mercado, que são consideradas pilares para a formulação e implementação de estratégias, sendo
elas: ameaça de novos entrantes, poder de negociação dos compradores, ameaça de produtos
substitutos, poder de negociação dos fornecedores e rivalidade entre as empresas existentes.
A primeira força é a rivalidade entre concorrentes caracterizada pelas disputas de preços,
publicidade, lançamentos etc. Os fatores estruturais determinam a rivalidade do setor. Segundo
Porter e Braga (2004) um mercado com alta concorrência nem sempre é atrativo para quem está à
procura de ambiente para investir. Os crescimentos podem ser mais lentos, os custos fixos ou
variáveis altas, e as barreiras de saída podem ser altas.
A segunda força é o poder de negociação dos clientes que também impacta na obtenção dos
lucros. Esse poder se dá quando os produtos comprados não são padronizados e diferenciados ou o
produto não é importante para a qualidade dos produtos ou serviços do comprador. Também ocorre
quando o custo para mudar de fornecedor não é tão significativo, e quando o cliente conhece como
funciona a produção do produto/serviço em questão.
Por conseguinte, tem-se o poder de negociação dos fornecedores. Esta força de negociação
costuma ser mais alta e pode favorecer ao aumento de poder de negociação nos seguintes casos:

�quando houver poucos fornecedores, diminuindo o poder de barganha da empresa; quando o
fornecedor não depende da receita que obtém com vendas para a empresa e também quando houver
um elevado custo de migração de fornecedor.
A quarta força de Porter é a ameaça de novos entrantes. Esta força está ligada a existência ou
não de barreiras de entrada em um determinado mercado. Dentre algumas barreiras, tem-se o custo
de migração de clientes quando maiores; as exigências de capital; e política governamental
restritiva.
Por último, mas não menos importante, é a ameaça de produtos substitutos. Produtos
substitutos são aqueles que concorrem indiretamente com os produtos de uma determinada empresa.
A ameaça costuma ser maior quando: o produto for melhor do ponto de vista do custo-benefício; a
migração do produto substituto custar pouco para o comprador; e quando o produto substituto
estiver próximo ao produto segmentado da empresa.
Observa-se a partir do exposto que as cincos forças são necessárias para a formulação e
alcance de estratégias organizacionais. É importante que o gestor tenha noção do mercado que está
atuando e consiga planejar qual o próximo passo a ser seguido.
2.1 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO
O planejamento como instrumento de gestão, segundo Valentim (2017), é um processo que
deve ser realizado de forma contínua e visa à definição dos objetivos, metas e estratégias da ação de
curto, médio e longo prazo em ambientes organizacionais de qualquer natureza ou tipo. Ou seja,
“planejar é uma atividade essencial para qualquer gestor cumprir sua função e suas
responsabilidades” (VALENTIM, 2017, p. 17).
Neste contexto, o Planejamento Estratégico enquanto área da Administração que busca
nortear o gerenciamento eficientemente de todos os recursos que se tem disponíveis, contribui para
a definição das estratégias a serem tomadas pelas organizações para que as mesmas possam
alcançar o tão sonhado sucesso empresarial (OLIVEIRA, 2010).
Apesar de ser uma temática muito discutida na área de administração, e possuir papel
importante nas Unidades de Informação, não é uma prática muito comum na gestão da maioria das
instituições, por diversos motivos como: falta de conhecimento, falta de recursos, valorização de
seu pessoal, entre outros. A verdade é que muitas organizações perdem muito tempo com processos

�improvisados e decisões sujeitas a soluções imediatistas (ALMEIDA, 2005), mas não investem
tempo para definir seus objetivos, metas e estratégias de ação para o crescimento e projeção de
futuro da Unidade.
Barbalho e Beraquet (1995) entendem por planejamento estratégico o processo utilizado
para o estabelecimento de objetivos alinhados com as políticas, metas e princípios, bem como os
fatores de relevância ao meio-ambiente organizacional levando-se em conta o meio externo. Isto é,
deve-se estar orientado ao futuro, o que implica conhecimento de sua área de eficácia e eficiência,
bem como seus limites e variáveis que compõem o ambiente. Por esta razão, para Almeida (2005)
deve ser um processo contínuo e flexível, permitindo sempre revisões alinhadas com os objetivos da
unidade de informação.
São estes processos que auxiliam gestores de bibliotecas na criação e controle do futuro das
unidades de informação. Também contribui para identificação da direção pela qual devem seguir,
utilizando, para isso, a interação com os fatores externos à ela e, ainda, a diferenciação e a
"inovação como vantagens competitivas" (OLIVEIRA, 2010). Além disso é importante que
bibliotecários busquem formação na área que atuam para desenvolvimento de conhecimentos
técnicos e administrativos para tal função.
Existem diversas abordagens com pontos comuns sobre às metodologias de elaboração e
implementação do planejamento estratégico das organizações, como por exemplo, a definição da
missão, visão, valores, metas, a análise do ambiente interno e externo, a definição dos objetivos e
estratégias. Oliveira (2010) apresenta quatro fases, sendo: diagnóstico estratégico; missão da
empresa; instrumentos prescritivos e quantitativos; e controle e avaliação.
Fase I: Diagnóstico estratégico: envolve a definição da Visão (onde a organização pretende
chegar, o que quer ser no futuro levando em conta as expectativas dos acionistas e executivos da
empresa); identificação dos Valores (são os princípios e crenças que sustentam toda as decisões);
Análise externa (identificando as oportunidades e ameaças do setor, no que tange a fornecedores,
mercado nacional e internacional, enfim tudo que influencia externamente a empresa); Análise
interna (identificando os pontos fortes e fracos da organização, no que tange aos produtos e
serviços, comercialização, tecnologia, enfim tudo que influencia internamente a empresa em si);
Análise dos Pontos Neutros da organização, ou seja, aqueles que não constituem nem ameaças e

�oportunidades, nem forças e fraquezas; Análise dos concorrentes (encontra-se dentro da análise
externa também).
Fase II: Missão da empresa: estabelecimento da missão da empresa (é a razão central de
existir da empresa); estruturação e debate de cenários (são as medidas que analisam a influência que
o presente exercerá no futuro da organização, são as hipóteses, suposições).
Fase III: Instrumentos prescritivos e quantitativos: nessa fase serão estabelecidos o objetivo
(situação que se quer alcançar a longo prazo) e a meta (decomposições do objetivo em menores
prazos, como anos, semestres); definição da estratégia em si (os meios para se atingir os objetivos e
metas); definição dos programas e planos de ação (para saber quem é o responsável e quando
deverá ser concluída cada atividade da empresa).
Fase IV: Controle e Avaliação: identificando possíveis problemas para que assim possam ser
corrigidos fazendo com que os resultados obtidos estejam próximos dos esperados. (OLIVEIRA,
2010).
Para realizar uma melhor análise do ambiente pode-se utilizar, como base, uma ferramenta
chamada Matriz SWOT. Essa ferramenta analisa os pontos fortes e fracos dentro do ambiente
interno, e as oportunidades e ameaças dentro do ambiente externo. A mesma surgiu ao longo das
décadas de 60 e 70, e foi desenvolvida por Kenneth Andrews e Roland Christensen (BASTOS,
2014).
Planejar estrategicamente alude em integrar a Unidade de Informação aos processos sócioeconômicos do ambiente macro e micro das instituições em que está subordinada, em concordância
com as necessidades de informações que impliquem no seu desenvolvimento com qualidade. Para
garantir eficiência e eficácia a sua elaboração e implementação, “[...] o Planejamento Estratégico
deve ser integrado em todos os setores da Unidade de Informação, sendo, portanto, necessário que
todos os funcionários conheçam e participem das estratégias estabelecidas” (BARBALHO;
BERAQUET, 1995, p. 45).
3 METODOLOGIA
Este estudo classifica-se como pesquisa básica pois "objetiva gerar conhecimentos novos,
úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista" (GANGA, 2012, p. 207). Quanto a
abordagem, é pesquisa de cunho qualitativo. De acordo com Gil (2009), a pesquisa qualitativa

�procura contato direto com a situação estudada para entender o fenômeno em estudo e suas
relações.
Relacionado aos objetivos, classifica-se como pesquisa exploratória. As pesquisas
exploratórias procuram "proporcionar a compreensão inicial de um problema pouco explorado,
amplo e desconhecido, e quando se torna difícil formular hipóteses precisas e operacionalizáveis
sobre tal fenômeno" (GANGA, 2012, p. 203).
No que tange aos procedimentos técnicos para a realização do trabalho, empregou-se a
pesquisa bibliográfica, documental e estudo de caso.
Pesquisa bibliográfica: Consiste na utilização de referências já publicadas para dar
embasamento teórico ao problema em estudo. Foi realizada ao longo de todas as etapas da pesquisa
para melhor entendimento do campo em estudo.
Pesquisa documental: Guiou somente a observação do planejamento estratégico e missões
das três instituições universitárias em estudo. Este é um recurso que complementa outras formas de
obtenção de dados.
Estudo de caso: Para Yin (2001), o estudo de caso é uma investigação que utiliza a vivência
e experiência do pesquisador para obter dados importantes e relevantes a respeito de algum
fenômeno da vida real para, assim, compreender o fenômeno como um todo. O estudo foi realizado
a partir das bibliotecas de três Instituições de Ensino Superior privadas localizadas na cidade de
Goiânia, Goiás.
Para coleta dos dados, foi utilizado como instrumento entrevistas semiestruturadas. Para
Cervo e Bervian (2002), a entrevista é uma técnica muito importante para a coleta de dados,
podendo utilizar de uma conversa frente a frente entre o pesquisador e o entrevistado, fazendo uso
de um modelo para obtenção de informações sobre algum fenômeno. Geralmente, uma entrevista
semiestruturada utiliza de perguntas abertas feitas em determinada ordem de acordo com a
característica de cada entrevistado. No entanto é imprescindível que o pesquisador saiba fazer boas
perguntas e também interpretar cada resposta do entrevistado (LAVILLE; DIONNE, 1999).
A entrevista foi realizada com 5 bibliotecárias das Instituições de Ensino Superior
particulares localizadas na cidade de Goiânia, Goiás. As entrevistas visam saber como a aplicação
dos princípios do planejamento estratégico podem colaborar com o sucesso da unidade de
informação e também conhecer o cenário em que a unidade de informação está inserida.

�A partir das respostas, foi realizada uma relação com as duas ferramentas estratégicas: o
modelo das cinco forças de Porter e SWOT. Segue quadro com dados das instituições em pesquisa:
Quadro 1 – Dados das instituições de ensino superior
Instituição

Biblioteca1

Biblioteca 2

Biblioteca 3

Biblioteca 4

Biblioteca 5

Missão da biblioteca

Atender as necessidades de informação de nossos
usuários, fornecendo suporte de informação
pertinente, atualizado e de forma ágil, contribuindo
para o crescimento intelectual, pessoal e
profissional dos usuários.
Contribuir para construção e disseminação do saber
e para o desenvolvimento da sociedade,
proporcionando a formação integral do educando,
garantindo-lhe o crescimento intelectual e o
fortalecimento de valores éticos e morais, essenciais
ao comprometimento profissional e ao exercício
pleno da cidadania.
Observação: Missão da faculdade e não da
biblioteca
Acreditar na educação como forma de promover o
crescimento pessoal, intelectual e profissional do
indivíduo preparando-o para os desafios do
mercado e da vida. Promover a formação
profissional compromissada com a inovação
tecnológica, a sociedade sustentável, a equidade
social e os direitos humanos. Formando cidadãos
éticos e comprometidos com a sociedade e com o
desenvolvimento econômico, político e ambiental
do país e do mundo.
Observação: Missão da faculdade e não da
biblioteca
Atender às necessidades dos cursos e demais
atividades da Universidade afinada com as
tendências mundiais
Constituir-se num centro de geração e difusão do
saber articulando as atividades de ensino, de
pesquisa e extensão, em consonância com as
demandas da sociedade contemporânea e do mundo
do trabalho.
Observação: Missão da faculdade e não da
biblioteca
Fonte: Elaborado pelas autoras

Tempo de mercado
da instituição de
ensino
Iniciou suas atividades
em 1998.

Instituição de ensino
superior privada,
fundada em 1973 e
regularizada pelo
Decreto nº 71.832/73,
de 09/02/1973.

Instituição de ensino
superior privada,
fundada em 2009.

Instituição de ensino
superior privada,
fundada em 2010
Instituição de ensino
superior privada
fundada em 2008

4 ANÁLISE DOS DADOS

A partir das respostas das bibliotecárias, que serão identificadas como Bibliotecária 1,
Bibliotecária 2 e Bibliotecária 3, 4 e 5 o capítulo de análise dos dados se estrutura em duas partes.

�Primeiro, o planejamento estratégico nas unidades de informação, que busca responder sobre
o entendimento e envolvimento das profissionais em sua elaboração, formação e o quadro que
expressa trechos literais das entrevistadas adaptado aos elementos estratégicos que compõem o
modelo das 5 forças de Porter. Segundo, apresenta-se a Matriz SWOT com as percepções das
bibliotecárias quanto aos pontos fortes, fracos e as ameaças e oportunidades das unidades que
atuam.
4.1 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: DESENVOLVIMENTO NAS BIBLIOTECAS
Como observado nos capítulos anteriores, o desenvolvimento do planejamento estratégico é
de extrema importância para orientar o futuro das organizações. Quando questionado sobre seu
desenvolvimento nas bibliotecas, a bibliotecária 1 e a 2 ressaltaram que as instituições de ensino em
que trabalham já realizaram planejamento estratégico e que todos os departamentos participaram.
Contudo, nunca foi feito um planejamento estratégico especifico para a biblioteca. A bibliotecária 3
destacou que nunca participou de um planejamento estratégico e que não sabe se a faculdade
desenvolve esse tipo de planejamento. As bibliotecárias 4 e 5 comungam a prática de que já
desenvolveram o planejamento estratégico, porém não foi implantado. A esse respeito Barbalho e
Beraquet (1995) dizem que é importante para unidade de informação conhecer toda a organização
que está subordinada e as estratégias institucionais adotadas para poder desenvolver seu próprio
planejamento estratégico. Este planejamento também deve estar integrado em todos os setores da
unidade, sendo necessário o conhecimento das estratégias estabelecidas e a participação de
funcionários.
Todo gestor precisa possuir habilidades técnicas e características que permitam o alcance
dos resultados esperados e a execução de boas práticas. Quando questionado sobre a criação de um
planejamento estratégico, quatro das entrevistadas relatam que não se sentem aptas para
desenvolverem, visto que, não adquiririam esse conhecimento na faculdade. Porém, reconhecem a
relevância de se preparar estrategicamente para o futuro. A bibliotecária 1 destaca que participa
sempre das reuniões estratégicas da faculdade e que o seu diretor exige sempre novas ações,
atividade e produtos na biblioteca. A mesma ainda comenta que apesar se não ter feito um
planejamento estratégico somente para a biblioteca, percebe que a unidade de informação é sempre
incluída nos processos de tomada de decisão da Instituição.

�Como já apresentado nos capítulos acima sobre às metodologias de elaboração e
implementação do planejamento estratégico das organizações exposto por Oliveira (2010), a
primeira fase que compreende o diagnóstico estratégico envolve a definição da Missão (o que a
empresa é, e sua função na sociedade), Visão (onde a organização pretende chegar, o que quer ser
no futuro levando em conta as expectativas dos acionistas e executivos da empresa); e Identificação
dos Valores (são os princípios e crenças que sustentam toda as decisões). Quando as bibliotecárias
foram questionadas se as unidades de informação possuem Missão, Visão e Valores definidos,
apenas as bibliotecárias 1 e 4 apresentaram os documentos mostrando que suas bibliotecas possuem.
As demais bibliotecárias relatam que suas unidades de informação utilizam a missão e valores da
Faculdade e que não possuem uma própria para a biblioteca.
Segundo Spudeit e Kroeff (2017, p. 7), Drucker já dizia que o maior problema das
instituições está na falta de gestão que é sempre um desafio quando se trata de mobilizar recursos
para atingir resultados em prol de objetivos comuns. Pensar em gestão de unidades de informação
exige o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos para oferta de serviços voltados para a
formação de capital intelectual, social e humano e infelizmente nem sempre os profissionais estão
preparados.
A grande maioria dos cursos de Biblioteconomia no Brasil ofertam em suas grades
curriculares somente a disciplina de Administração de Unidade de Informação que já não é mais
suficiente para abarcar a gama de conteúdos necessários, como, gestão financeira, avaliação,
planejamento, gestão de processos, marketing, gestão de pessoas, controle de qualidade, gestão de
projetos e outros pontos que abarcam as demandas de ensino na formação de bibliotecários
gestores. Por essa razão, é extremamente necessário que profissionais busquem formações
complementares para inovarem em suas “unidades de informação e promoverem um diferencial
para esses ambientes a fim de agregar valor às organizações no qual estão inseridas e,
principalmente, à comunidade atendida por elas”. (SPUDEIT; KROEFF, 2017, p. 7).
Seguem abaixo, alguns trechos literais expressados pelas entrevistadas adaptado aos
elementos estratégicos que compõem o modelo das 5 forças de Porter:

�Quadro 2: resumo das entrevistas com os bibliotecários
Modelo das forças
de Porter

Fornecedores

Concorrentes

Novos entrantes

Produtos
substitutos

Clientes

Trechos literais das falas dos bibliotecários
“Temos fornecedores de diversos tipos de segmentos e estão localizados em várias
regiões do Brasil;”
“O preço é fator determinante na escolha do acervo, porém nem todos prestam serviços
de qualidade.”
“A escolha do fornecedor depende da necessidade da biblioteca, da necessidade do
usuário, de cada curso”
“Considero como fornecedores, as bases de dados que assinamos as editoras, os sites de
informação confiável, os professores que fornecem informações sobre o que adquirir,
os jornais e revistas impressas que assinamos, enfim os parceiros externos da
biblioteca.”
“bibliotecas não tem concorrentes”
“Acredito que temos concorrentes indiretos como as bases de dados não confiáveis,
pois muitos alunos trocam a biblioteca por essas fontes”
Temos também concorrentes diretos como as bibliotecas universitárias das federais,
muitos alunos preferem buscar nessas bibliotecas por que são maiores e tem um acervo
mais completo que o nosso”
“Acho que a gente concorre com a própria internet, a gente usa a internet a nosso favor,
mas ela também é um concorrente nosso”
"Atualmente é difícil entrar um novo concorrente, físico por que as bibliotecas não
visam lucro, então ninguém monta uma biblioteca se não for necessário o obrigado”
“Acho que os novos entrantes tem dificuldade por que existem leis que regulam as
bibliotecas, tem a exigência de um bibliotecário, tem que ter conhecimento então não
existem aventureiros nessa área”
“Acredito que existam novos entrantes sim, pois muitas pessoas acreditam que podem
gerir uma biblioteca sem ter formação e muitas instituições contratariam auxiliares
administrativos para ficar em nosso lugar, só não fazem isso por causa do MEC.”
“Já passamos da fase do produto substituto, quando achavam que a internet iria
substituir os livros e as bibliotecas iriam acabar”
“O principal produto substituto ainda é a internet a informação virtual, apesar se
também lidamos com a tecnologia na biblioteca muitos ainda buscam informações em
fontes não confiáveis”
“Nossos usuários são nossos clientes, são os alunos, professores e funcionários em
geral da faculdade”
“Os alunos e professores são nossos maiores usuários mais temos períodos sazonais,
eles buscam mais a biblioteca em época de TCC”
“Temos um público fixo que são funcionário que usam o horário de almoço para ler
jornal e revista aqui todos os dias, temos os alunos que usam as salas de estudo para
fazer seus trabalhos e até para descansar e um público esporádico que freqüenta a
biblioteca somente quando o professor solicita algo”
Fonte: Elaborado pelas autoras

O quadro acima apresenta a percepção das entrevistas em relação as cindo forças de Porter.
A força fornecedores, de acordo com os entrevistados é compostos por editores, empresas de
equipamentos e de mobiliário, empresas de software, entre outros. São parceiros de negócios da
unidade de informação que entregam os insumos que lhe permita melhorar e fornecer com

�qualidade produtos e serviços. A força concorrentes de acordo com as entrevistas são as estratégias
que estão entrando no mercado e podem impactar na freqüência e procura do usuário para com a
unidade de informação. Também pode afeta-la em termos de concorrentes e de oferta de produtos e
serviços que venham a competir com os da biblioteca. A força produtos substitutos mostra pela
pesquisa a preocupação com a internet. Observa-se por meio das entrevistas que a internet trouxe
muitos benefícios a sociedade, mas também se tornou um forte concorrente das bibliotecas
tradicionais. A possibilidade de acesso à informação em casa, acabou por reduzir o número de
usuários nas bibliotecas. A força novos entrantes apresenta preocupação entre os pesquisados
somente no fato da entrada de profissionais de outros segmento na gestão de unidade de
informação. Menosprezando todo o conhecimento técnico do profissional bibliotecário. Entende-se
os usuários como consumidores das unidades de informação. Eles exercem forte influência em
cada processo realizado na biblioteca e os participantes demonstraram conhecer as características
dos seus consumidores-usuários.

4.2 MATRIZ SWOT
Para realizar uma melhor análise do ambiente utilizou-se a ferramenta estratégica chamada
Matriz SWOT que surgiu ao longo das décadas de 60 e 70, e foi desenvolvida por Kenneth
Andrews e Roland Christensen (BASTOS, 2014). Por meio da utilização da ferramenta é possível a
obtenção de um diagnóstico mais preciso da realidade da unidade e/ou serviço de informação, como
também analisar os pontos fortes e fracos no ambiente interno, as oportunidades e ameaças no
ambiente externo, visto que, propicia a contextualização no âmbito micro e macro, local e não local.
Durante a entrevista as participantes apresentaram a suas percepções quanto aos pontos
fortes, fracos e as ameaças e oportunidades das unidades de informação que atuam. Abaixo serão
apresentadas as principais percepções das três bibliotecárias em relação as bibliotecas universitárias
em que atuam.
Quadro 3: Ameaças
O surgimento acelerado e o crescimento de outras Instituições de Ensino Superior – IES em
Goiânia e entorno e suas devidas unidades de informação.
Pouco incentivo a pesquisa de extensão das intuições particulares.
Os conteúdos disponíveis em base de dados não confiáveis e a falta de informação dos alunos a
esse respeito
A falta de envolvimento de docentes orientadores de trabalhos acadêmicos de graduação e de

�pós-graduação
Exceções como demandantes de recursos junto a agências de fomento, e ausência de Programas
que contemplem bibliotecas universitárias de instituições particulares
Falta de apreciação dos itens do acervo bibliográfico, compromete o efeito pretendido pelos
investimentos, a credibilidade e a própria imagem da instituição;
Não há políticas públicas, que abranjam bibliotecas universitárias, no que tange ao fomento à
criação e manutenção de acervos culturais enquanto estruturas de preservação e acesso à
memória social;
A falta do envolvimento da biblioteca em todas as etapas do planejamento e avaliação de cursos
de graduação e de pós-graduação;
A falta de cultura em se freqüentar bibliotecas;
O desrespeito de usuários ao patrimônio cultural,
Fonte: Elaborado pelas autoras

Para Barbalho e Beraquet (1995) as ameaças são consideradas situações que estão
localizadas em todo ambiente que interage com a unidade de informação e que podem trazer algum
prejuízo ou malefício ao local. Estas situações podem impedir sua ação, crescimento ou sua
manutenção.
Quadro 4: Oportunidades
Aumento do acervo digital
As instituições oferecem alguns cursos para a qualificação e aperfeiçoamento dos colaboradores
da biblioteca.
O aumento de registros bibliográficos referentes ao acervo em formato digital de padrão
internacional.
Troca de informações entre os profissionais de biblioteconomia;
Quadro docente preparado e qualificado em diversas áreas do conhecimento.
Fonte: Elaborado pelas autoras

As oportunidades são forças externas que favorecem a interagem de forma positiva com a
unidade de informação. Ter o conhecimento sobre as oportunidades permitem a canalização de
recursos e esforços que poderão contribuir para o desenvolvimento local (BARBALHO;
BERAQUET, 1995).
Quadro 5: Pontos Fortes
A cultura típica do profissional da biblioteca que visam a democratização do acesso e a
ampliação do compartilhamento de informações;
Os servidores se consideram dedicados à instituição e as suas atividades;
O acervo bibliográfico mesmo necessitando de atualização constante e condizente com o
crescimento também constante das instituições,
Existe liberdade do pessoal das bibliotecas para tomar iniciativas visando parcerias e elaboração
de projetos, sem descuidar da necessária sintonia com as diretrizes institucionais;
Os servidores dizem que buscam continuamente qualificação pessoal e profissional;
A chefias de Bibliotecas possuem formação profissional;
Fonte: Elaborado pelas autoras

�Os pontos fortes implicam no conhecimento das atividades que a unidade de informação
melhor realiza e que possuem maiores índices de aceitação pela comunidade que atende e pelos
funcionários.
Quadro 6: Pontos Fracos
O quadro de RH da biblioteca permanece insuficiente para atender as demandas da comunidade
acadêmica.
O relacionamento entre docentes e biblioteca não é eficiente
É difícil a conciliação entre a manutenção dos serviços e a necessária qualificação
Existe saturação do espaço físico da Biblioteca
São inapropriados os procedimentos para a conservação preventiva e corretiva do acervo
bibliográfico (rotinas e laboratório), inclusive provocando problemas de saúde nos servidores
derivados de insalubridade, falta de proteção adequada, falta de condições de combate a fungos e
outros agentes constantes no convívio;
Há dificuldade na melhor organização, acesso e divulgação das obras raras disponíveis no
acervo bibliográfico;
Inexistem estudos regulares para avaliação e acompanhamento das demandas dos usuários;
A inexistência de mecanismos que garantam a manutenção constante dos equipamentos
compromete a prestação de serviços;
Há incerteza quanto à disponibilidade de recursos, especialmente os humanos, para completar o
processo;
Fonte: Elaborado pelas autoras

Os pontos fracos implicam no reconhecimento das atividades que são pouco expressivas no
desempenho geral da unidade. Em outras palavras, atividades que apresentam falhas estruturais e
reclamações de usuários (BARBALHO; BERAQUET, 1995).
Observou-se ao final das entrevistas que as bibliotecárias gostariam de levantar alguns
objetivos e metas para a unidade de informação que atuam a médio e longo prazo, sendo:
Atendimento à comunidade em geral; Ampliação dos canais de comunicação interna das
faculdades; Otimização da utilização, pelos usuários, dos recursos informacionais disponibilizados
pela biblioteca; Manter e aprimorar a integração da biblioteca com a comunidade universitária e
também com a sociedade em geral; Ampliar e melhorar a qualidade dos eventos realizados pela
biblioteca; Adequar os espaços físicos, a climatização, o mobiliário e a sinalização interna das
bibliotecas, a fim de atender adequadamente os usuários com deficiência; Melhorar o
relacionamento interpessoal entre demais departamentos e a biblioteca.
Estes objetivos e metas estão em conformidade com as metodologias de elaboração e
implementação do planejamento estratégico das organizações exposto por Oliveira (2010), na
terceira fase denominada de Instrumentos prescritivos e quantitativo onde são estabelecidos o

�objetivo (situação que se quer alcançar a longo prazo) e a meta (decomposições do objetivo em
menores prazos, como anos, semestres) da organização.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo buscou compreender se as bibliotecas universitárias de instituições
particulares da cidade de Goiânia, Goiás desenvolvem planejamento estratégico e identificar seu
cenário a partir da utilização das ferramentas de planejamento estratégico 5 forças de Porter e das
análises SWOT (Streghts, Weaknesses, Opportunities e Threats).
Tomando como base a análise dos dados, é possível afirmar que as bibliotecas estudadas não
desenvolveram planejamento estratégico próprio alinhado com o da organização e as bibliotecárias
responsáveis não se sentem aptas a este desenvolvimento, mas reconhecem a necessidade de se
prepararem estrategicamente para o futuro. Somente uma biblioteca possui Missão, Visão e Valores
definidos, as demais não possuem.
O quadro de entrevistas alinhado às 5 forças de Porter evidenciou que as unidades de
informação de instituições particulares têm percepções superficiais acerca de suas bibliotecas em
relação ao ambiente externo a qual estão inseridas. A análise Swot mostrou sua relevância para as
bibliotecas por ser uma técnica que viabiliza que a organização conheça o ambiente que a cerca e
que está presente, podendo através desse mecanismo visualizar pontos que de alguma maneira possa
lhe deixar vulnerável, o que já explorado nos capítulos anteriores. Este é um cenário prejudicial
para uma organização que precisa adotar uma postura competitiva nesse novo cenário global e que
visa pelo melhoramento dos produtos e serviços que oferece.
Conclui-se que os objetivos do estudo foram alcançados e cabe registrar que esta pesquisa
sinalizou indicativos para investigações futuras sobre o tema e ampliação do quadro de bibliotecas.
Além disso, espera-se que possa contribuir para ampliar o campo de conhecimento da
Biblioteconomia e pesquisas sobre Gestão de unidades de informação.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação.
2. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Lemos Informação e Comunicação, 2005.
BARBALHO, Célia Regina Simonetti; BERAQUET, Vera Silvia Marão. Planejamento
estratégico para unidades de informação. São Paulo: Polis, 1995.

�BASTOS, Marcelo. Análise SWOT (Matriz) - Conceito e aplicação. Disponível em:
http://www.portal-administracao.com/2014/01/analise-swot-conceito-e-aplicacao.html. Acesso em:
22 fev. 2015.
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ciências humanas. Belo Horizonte, Editora UFMG, 1999, 340
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técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
SPUDEIT, Daniela. KROEFF, Marcia Silveira. Gestão de unidades de informação. São Paulo:
FEBAB, 2017.
VALENTIM, Marta Ligia Pomim. Planejamento em ambientes de informação. In: SPUDEIT,
Daniela. KROEFF, Marcia Silveira. Gestão de unidades de informação. São Paulo: FEBAB,
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YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
LA NOTTE. Direção: Michelangelo Antonioni. Roteiro: Michelangelo Antonioni e Tonino Guerra.
1961. (122 min), mono, p &amp; b.

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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O objetivo do estudo consiste em compreender se as bibliotecas universitárias de instituições particulares da cidade de Goiânia, Goiás desenvolvem planejamento estratégico e identificar seu cenário a partir da utilização das ferramentas de planejamento estratégico 5 forças de Porter e das análises SWOT (Streghts, Weaknesses, Opportunities e Threats). Para se alcançar o objetivo geral buscou-se: identificar os tipos de planejamento presentes na unidade de informação, identificar os pontos fortes, fracos e ameaças e oportunidades. Classifica-se a pesquisa como básica e de natureza qualitativa. Quanto aos objetivos é pesquisa exploratória e adota os procedimentos técnicos de pesquisa bibliográfica, documental e estudo de caso. O instrumento de coleta de dados utilizado é a entrevista com três bibliotecárias que atuam nas instituições em estudo. A análise é realizada a partir da ferramenta de planejamento estratégico modelo das 5 forças de Porter e SWOT. Tomando como base a análise dos dados coletados é possível afirmar que as bibliotecas estudadas não desenvolveram planejamento estratégico próprio alinhado com o da organização e as bibliotecárias responsáveis não se sentem aptas a este desenvolvimento. Somente uma biblioteca possui Missão, Visão e Valores definidos, as demais não possuem. O quadro de entrevistas alinhado as cinco forças de Porter evidenciaram que as unidades de informação pesquisadas possuem visão superficial das forças estratégicas e do ambiente externo em que estão inseridas.</text>
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                    <text>EIXO 1 Tradição
SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NA BIBLIOTECA PROF. GERALDO FARIA
CAMPOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
BLACK CONSCIOUSNESS WEEK AT THE PROF. GERALDO FARIA CAMPOS LIBRARY
OF THE FEDERAL UNIVERSITY OF GOIÁS
Basilio, Esdra1
Resumo: Neste artigo, nos propomos a apresentar ações educativas realizadas durante a Semana da Consciência Negra
que ocorreu entre os dias 19 a 23 de novembro do ano de 2019, na Biblioteca Seccional Prof. Geraldo Faria Campos
localizada no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação, da Universidade Federal de Goiás. O evento foi
realizado nas dependências da biblioteca com o objetivo de destacar obras de algumas escritoras negras e problematizar,
em rodas de conversa com as crianças, temas importantes para refletirmos sobre representatividade, diversidade
cultural, social, étnica e racial, a partir dos livros que compõem o acervo, em especial os livros de literatura infantil e
juvenil. Trata-se de um artigo de cunho descritivo por meio do qual buscamos evidenciar os resultados obtidos mediante
ações realizadas e ainda demostrar a relevância de tais ações para a promoção da biblioteca em relação às temáticas
antirracistas e inclusivas. Compreendemos que a biblioteca tem o papel fundamental de promover debates e estratégias
de combate ao racismo.
Palavras-chave: Escritoras Negras. Consciência Negra. Práticas antirracistas. Universidade Federal de Goiás.
Abstract: In this article, we propose to present educational actions carried out during the Black Awareness Week that
took place between the 19th to the 23rd of November, 2019, at the Professor Geraldo Faria Campos Library located at
the Center for Teaching and Applied Research to Education, at the Federal University of Goiás. The event was held on
the premises of the library with the aim of highlighting the works of some black writers and problematizing, in
conversation circles with children, themes which are important to reflect on representativeness, cultural, social, ethnic
and racial diversity, based on the books that make up the collection, especially books on children's and youth literature.
It is a descriptive article through which we seek to emphasize the results obtained through actions taken and also to
demonstrate the relevance of such actions for the promotion of the library in relation to anti-racist and inclusive themes.
We understand that the library has a fundamental role in promoting debates and strategies to combat racism.
Keywords: Black Writers. Black Consciousness. Anti-racist practices. Federal University of Goiás.

1

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em História na UFG. Bibliotecária no Sistema de Bibliotecas da UFG,
Biblioteca Seccional do CEPAE. basilioesdra@ufg.br.

�1- INTRODUÇÃO
A Biblioteca do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) compõe o
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás, é intitulada Biblioteca Seccional CEPAE
Prof. Geraldo Faria Campos (BSCEPAE) 2 . Ela é uma entre as dez bibliotecas que fazem parte do
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (SiBi/UFG) e a única de caráter escolar e,
nesse sentido, possui particularidades de Biblioteca Escolar. Seu público-alvo são os alunos da
educação básica do primeiro ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio, bem
como professores, alunos da pós-graduação e servidores. Sob esse aspecto, a biblioteca também
recebe todos os alunos da universidade que podem solicitar empréstimo de livros constantes do
acervo e utilizar o espaço para estudo. Alguns serviços e produtos são oferecidos apenas para os
usuários que possuem vínculo com a instituição UFG. O acervo, composto por 31.719 exemplares,
é aberto para a comunidade em geral, porém, para este público, o material informacional deve ser
utilizado apenas dentro da biblioteca, isto é, não é possível realizar o empréstimo domiciliar.
O horário de funcionamento é das sete da manhã às cinco horas da tarde, de segunda a sextafeira e conta com uma equipe composta por uma bibliotecária, um bolsista (estudante) e três
técnicos administrativos. Semanalmente, a biblioteca recebe alunos da primeira fase do ensino
fundamental, do primeiro ao quinto ano, sendo dez turmas ao todo, e cada turma é composta em
média por trinta crianças. Vale ressaltar que todas as crianças vão à biblioteca pegar livros
emprestados, devendo, obrigatoriamente, levá-los para casa.
Neste artigo, explanaremos sobre algumas práticas educativas realizadas na biblioteca entre
os dias dezenove e vinte e três do mês de novembro de 2019, na semana em que se comemora a
Consciência Negra3

no Brasil, quando realizamos uma exposição de obras de intelectuais e

escritoras negras existentes na biblioteca. Colocamos os livros em destaque na estante expositora,
2

Doravante, será utilizada a sigla (BSCEPAE) para nos referirmos à biblioteca da escola.
O dia da consciência negra foi instituído pela lei 12.519 em 10 de novembro de 2011. Para Araújo (2020, p.1),
“Conquista arrancada pelo Movimento Negro para assinalar a persistência do racismo que estrutura e dá forma ao
Brasil, a data segue sendo uma construção renovada pelas forças vivas da negritude e homenageia nosso líder
quilombola, revolucionário, Zumbi dos Palmares”. ARAUJO, Vera Lúcia Santana. Racismo mata: o caso do Carrefour
e outros tantos Brasil adentro. Portal Geledés. Disponível em: &lt; https://www.geledes.org.br/racismo-mata-o-caso-docarrefour-e-outros-tantos-brasil-adentro/&gt;. Acesso em: 20 abr. 2021.
3

�que fica em frente à entrada da biblioteca, trabalhamos com todas as turmas durante essa semana,
dialogando sobre a importância de ler livros escritos por escritoras negras, estabelecemos uma roda
de conversa para discutir sobre o motivo de o acervo da biblioteca ser composto, em grande medida,
por livros escritos por homens em detrimento de livros escritos por mulheres e mulheres negras.
Outra reflexão levantada com as crianças foi problematizar o fato de existir poucos
personagens negros/as na literatura infantil e juvenil, sobretudo personagens de destaque como
protagonistas das histórias. Para Araújo (2018, p. 4), “a literatura endereçada ao público infantil e
juvenil estaria marcadamente, desde seus primórdios, comprometida com a perpetuação de relações
de dominação racial, tendo a população negra como coadjuvante da história desse gênero literário”.

Figura 1 - Cartaz de divulgação da exposição da exposição

Fonte: Cartaz elaborado por Vanessa Rocha/BSCEPAE/UFG (2019).

Tais perguntas suscitaram um profícuo debate em todas as turmas, e, além da discussão
realizada, foi apresentado um livro da escritora bell hooks 4 intitulado ‘Meu Crespo é de Rainha’,
(publicado originalmente em 1999). No Brasil, a publicação foi lançada em 2018 pela editora
Boitatá e trata-se de um livro ilustrado em forma de poema que apresenta diferentes possiblidades
de penteados para cabelos cacheados e crespos. A autora busca inspirar as meninas a perceberem a
diversidade de beleza existente e possível de cabelos diversos.
4

Escritora, ativista e professora universitária, nasceu nos Estados Unidos em 1952. bell hooks é uma grande expoente
no campo do feminismo negro, publicou mais de trinta livros que foram traduzidos em diversos países, suas obras
abordam os conceitos de raça, classe e gênero na educação.

�Compreendemos que é fundamental apresentar para as crianças, na biblioteca, escritoras
negras, no sentido de evidenciar a importância dessas mulheres na literatura e também demostrar
que existe, por parte do mercado editorial, uma resistência em publicar obras de mulheres negras e
elucidar que este acontecimento está diretamente ligado ao fato de elas serem mulheres. Para tanto,
acreditamos que uma forma de combater esse tipo de cerceamento é justamente por meio da leitura
de escritoras, sobretudo as intelectuais escritoras negras e, também, ao problematizar a
representatividade e a questão do racismo5
As escritoras negras, em particular, têm sido sub-representadas nas histórias e críticas
literárias. Os seus textos, na maioria das vezes são ignorados ou tidos como literatura de
“inferior qualidade”. Foram vários e eficientes os recursos utilizados pelos “donos” do
campo literário para, através do silenciamento, tornar inaudíveis as vozes de mulheres
negras que tentavam reescrever suas histórias e inseri-las na produção textual brasileira.
(SANTIAGO, 2012, p. 9, grifo da autora).

Dessa maneira, as obras literárias das escritoras selecionadas para a exposição, destinadas ao
público infantil e juvenil, têm em comum a perspectiva de escreverem a literatura, seja poesia ou
prosa, a partir da própria experiência, portanto, assumindo nuances políticas. Afinal, por meio da
imaginação é possível denunciar injustiças e opressões, evocando memórias e sonhos. Nesse
sentido, ressaltamos a relevância desse tipo de trabalho ser realizado na biblioteca, instituição
social, que deve promover ações relevantes para combater as desigualdades sociais provocadas pela
discriminação e preconceito racial.
2- REVISÃO DE LITERATURA: DIÁLOGOS ENTRE BIBLIOTECA, LEITURA E
COMPETÊNCIAS INFORMACIONAIS
Compreendemos que ter um/a Bibliotecário/a habilitado/a, consciente do papel social que a
biblioteca deve desempenhar e ainda ter competência informacional é fundamental para o êxito de
5

Segundo Almeida (2018, p. 37), “Em uma sociedade em que o racismo está presente na vida cotidiana, as instituições
que não tratarem de maneira ativa e como um problema a desigualdade racial irão facilmente reproduzir as práticas
racistas tidas como “normais” em toda a sociedade. É o que geralmente acontece nos governos, empresas e escolas em
que não há espaços ou mecanismos institucionais para tratar de conflitos raciais e de gênero”. ALMEIDA, Silvio Luiz
de. O que é racismo estrutural? Belo Horizonte: Letramento, 2018.

�uma biblioteca. Para Valério e Campos (2009, p. 4), “o papel social que uma biblioteca possui
contribui para o debate e discussões diversas, corroborando na construção de uma sociedade
melhor”. De acordo com as diretrizes criadas pela Federação Internacional de Associações de
Bibliotecários e Instituições (IFLA) em relação à competência que o/a bibliotecário/a deve possuir
para atuar em uma biblioteca escolar, destacamos o seguinte trecho:
O bibliotecário deve criar um ambiente de entretenimento e aprendizagem que seja atrativo,
acolhedor e acessível para todos, livre de qualquer medo ou preconceito. Todos aqueles que
trabalham na biblioteca da escola devem ter bom relacionamento com crianças, jovens e
adultos. (IFLA, 2005, p. 12).

Ezequiel Theodoro da Silva (1992, p. 36) afirma que
a maioria das escolas não possui bibliotecas, e aquelas que possuem são geralmente mal
utilizadas (inexiste renovação de acervo, não há bibliotecárias formadas em escolas oficiais,
os locais são inapropriados.

Concordamos com Silva (1992) ao afirmar que a ausência de bibliotecas escolas
devidamente equipadas, isto é, com local adequado, profissional habilitada em biblioteconomia e
acervo atualizado é uma realidade no Brasil. Porém, a biblioteca BSCEPAE, excepcionalmente,
atende aos pré-requisitos de uma biblioteca escolar de qualidade, em contraste com a maioria das
bibliotecas escolares do Brasil, principalmente em se tratando da rede municipal e pública de
ensino. Nesse sentido, podemos afirmar que a biblioteca BSCEPAE cumpre a função de biblioteca
escolar, na medida em que fomenta ações de promoção a leitura e de práticas que geram
aprendizados para a cidadania. Sobre a leitura, Silva afirma:
Compreender a mensagem, compreender-se na mensagem, compreender-se pela
mensagem, eis aí os três propósitos fundamentais da leitura, que em muito ultrapassam
quaisquer aspectos utilitaristas, ou meramente, “livrescos”, da

comunicação leitor-texto.

Ler é em última instância, não só uma ponte para a tomada de consciência, mas também um
modo de existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela
escrita e passa a compreender-se no mundo. (SILVA,1992, p. 45, grifo do autor).

�Nessa perspectiva, nosso acervo é aberto, e as crianças podem passear pelas estantes,
escolher os livros de forma espontânea. Além de disponibilizar a oferta de livros, que sempre estão
dispostos na mesa em frente ao local do empréstimo, também motivamos as crianças a escolherem o
livro a ser lido nas estantes. Sobre a leitura, Ferreira destaca:
A leitura, como produção de sentidos, permite emergir a biblioteca vivida, a memória de
leituras anteriores e de dados culturais. Dessa forma, não há jamais sentido constituído
imposto pelo livro em leitura, é preciso construí-lo. Da mesma forma que a biblioteca
trabalha o texto oferecido, o texto lido trabalha em compensação a própria biblioteca.
(FERREIRA, 2009, p. 75).

Dessa maneira, realizamos atividades pedagógicas na biblioteca BSCEPAE com o propósito
de torná-la um ambiente dinâmico e inclusivo, onde as crianças podem ter uma vivência e
percepção do que é uma biblioteca democrática com diversidade cultural. Para tanto, promovemos
atividades distintas diariamente, entre elas: contação de história, empréstimo de livros, leitura livre,
exposição de livros literários, encontro com escritoras/res regionais, realizamos a exposição de
livros artesanais confeccionados pelos/as alunos/as, temos ainda o projeto Encontro Literário, que
consiste em um encontro mensal voltado para os/as alunos/as do ensino médio durante o qual
realizamos uma roda de conversa com o objetivo de dialogar sobre indicações de leitura e discutir
sobre alguma obra que tenha destaque para um dos participantes, sendo ainda realizada a projeção
de curta metragens com filmes educativos para as turmas do ensino fundamental. Todas as
atividades e os projetos desenvolvidos na biblioteca são direcionados para a circulação e
apropriação da leitura, com o objetivo principal de formar leitoras/es e escritoras/es competentes.
Para Girotto e Souza (2009, p. 38), “Certamente, desde muito cedo, a criança precisa
constituir para si mesma um universo imaginário que se tornará uma chave cultural para a sua
própria interpretação do mundo”. Nessa perspectiva, frisamos que a biblioteca escolar deve ser um
ambiente interativo, deve ser um organismo vivo e ainda um espaço cultural que aguce a
curiosidade das crianças.

�3- METODOLOGIA UTILIZADAS
Para atingir os objetivos propostos, mediante as ações realizadas durante a Semana da
Consciência Negra, foram executadas algumas etapas para a realização das ações, assim definidas:
evidenciar os livros de intelectuais e escritoras que compõem o nosso acervo; realizar uma pesquisa
no acervo para descobrir os livros existentes, sendo eleitas dez escritoras. Após ter sido feita a
pesquisa no catálogo, foram recolhidos os livros do acervo, e o passo seguinte foi realizar uma
pesquisa na internet para descobrir a bibliografia e a trajetória de cada escritora selecionada.
As escritoras elegidas para participar da exposição foram: Carolina Maria de Jesus 6,
Chimamanda Ngozi7, Heloisa Pires Lima8, Carmen Lúcia Campos9, bell hooks,
Elisa Lucinda10, Esmeralda Ribeiro11, Geni Guimarães

12

, Renata Felinto13 e Ana Flávia

Magalhães14. Fizemos cartazes contendo a mini bibliografia de cada escritora e, além da exposição
das obras das escritoras, também escolhemos exibir um curta metragem onde a contadora de
histórias Samara Rosa15 narra o livro Meu Crespo é de Rainha, da escritora bell hooks. Após a
exibição do curta, decidimos realizar um debate com as crianças sobre a temática do livro, que é a
questão da representatividade e da diversidade e beleza dos cabelos crespos e cacheados.

6

Escritora, compositora e poetisa, nasceu em Minas Gerais em 1914 e morreu aos 62 anos em São Paulo. É considerada
uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.
7
Escritora, ativista e palestrante, nasceu em Enugu, na Nigéria, em 1977. Por meio de seus livros, a autora enfatiza as
desigualdades sociais ocasionadas pelo racismo, além de abordar as temáticas do colonialismo e política no continente
Africano.
8
Escritora, antropóloga e ativista, nasceu em Porto Alegre em 1955, autora de livros infantis e juvenis. Em seus livros
voltados para a educação antirracista, a autora ressalta o empoderamento das meninas negras.
9
Escritora e editora, nasceu em São Paulo e é autora de quinze obras de ficção para crianças e jovens. Suas obras
abordam o problema do preconceito racial, os personagens protagonistas nas histórias sempre são negros/as.
10
Escritora, jornalista, cantora e atriz, nasceu no Espírito Santo em 1958. O foco de suas obras literárias destinadas ao
público infantil e juvenil é mostrar a possiblidade de belezas e de poesia na diversidade.
11
Escritora e jornalista, nasceu em São Paulo em 1958, atua na construção e visibilidade de uma literatura negra,
sobretudo com a participação das mulheres, evidenciando a memória das tradições afro-brasileiras.
12
Escritora, poetiza e professora, nasceu em São Paulo em 1947, seus livros abordam questões sociais, ligadas à
afirmação da afrodescendência e o combate ao racismo.
13
Escritora, educadora e artista visual, nasceu em São Paulo em 1978, em suas obras a autora evidencia a arte e o
protagonismos de pessoas negras.
14
Escritora, professora, ativista, nasceu em Planaltina, Distrito Federal em 1979, em suas obras, apresenta
pensadoras/os negras/os, com o objetivo de destacar a importância os intelectuais negros/as, apagados da história
oficial.
15
Disponível em: &lt;https://www.youtube.com/watch?v=DO_FN-mEn84&gt;. Acesso em: 10 fev. 2020.

�FIGURA 2- Estante expositora de livros

Fonte: Esdra Basílio/BSCEPAE/UFG (2019)

Com a programação fechada e o público-alvo escolhido, solicitamos a assessoria de
comunicação da Universidade Federal de Goiás para divulgar, em seus meios de comunicação, a
exposição que estávamos realizando. O público escolhido foram todas as turmas da primeira fase do
ensino fundamental, que vão até a biblioteca semanalmente, sempre na companhia do/a professor/a
de português. Nesse sentido, nós conversamos com os docentes sobre as ações que seriam
realizadas durante toda a semana com todas as turmas. A recepção das ações propostas por parte
dos/as professore/as foi excelente, ao relatarem ter gostado bastante da iniciativa da biblioteca no
sentido de discutir a representatividade das mulheres escritoras durante a Semana da Consciência
Negra.
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS
A invisibilidade de escritoras negras é construída historicamente. Reconhecemos que houve,
nos últimos anos, uma certa evidência por parte das editoras de publicar obras de algumas escritoras

�negras, como, por exemplo, as escritoras Conceição Evaristo 16 e Djamila Ribeiro17. Entretanto, essa
pequena abertura do mercado editorial é nsipiente, sendo necessária a realização de ações
educativas nas escolas, nas universidades e nos meios de comunicação para que a hegemonia de
escritores homens brancos seguidos das escritoras brancas seja modificada em relação ao mercado
editorial e, por conseguinte, reflita nos acervos das bibliotecas para que a democratização da leitura
seja efetivamente implementada com a representatividade de escritoras negras. Em relação ao papel
dos/as bibliotecários/as frente às competências informacionais necessárias para atuar em uma
biblioteca, Valério e Campos afirmam:
os (as) bibliotecários (as) competentes em informação étnico-racial cooperam para a
desconstrução do racismo, do preconceito e de práticas de discriminação em geral com o
intuito de incluir os grupos historicamente discriminados na sociedade da informação. Em
consideração a amplitude profissional, a prática da competência informacional leva o (a)
bibliotecário (a) a executar seu papel social que, no contexto das bibliotecas,
independentemente

de

sua

tipologia

(analógica

ou

digital),

contribui

para

o

desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária, promovendo o acesso e o uso
de mecanismos contrários ao retrocesso: o livro, a leitura e a literatura. (VALÉRIO;
CAMPOS, 2009, p. 322).

Esperamos que este artigo permita uma reflexão e que seja uma inspiração para todas as
bibliotecárias e bibliotecários atuantes em bibliotecas sejam escolares, universitárias, ou públicas,
como incentivo para a promoção de ações, estratégias e práticas exitosas no sentido de contribuir
para o fomento de práticas antirracistas, nos pautando sempre no princípio de busca pela igualdade
e por ambientes saudáveis na escola e na da biblioteca. Dessa forma, contribuímos, ainda, para que
se eleve a autoestima das meninas e dos meninos negros/as que participaram das atividades por
meio do diálogo e da reflexão sobre a representatividade, a discriminação racial e a diversidade
cultural. Para tanto, faço minhas as palavras de Silva (2019, p. 203) quando afirma: “Nada melhor

16

Escritora e Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, nascida em Belo Horizonte,
MG, autora de diversos livros de poesia, contos, romances que já foram traduzidos em outros países. Ganhou o Prêmio
Jabuti, na categoria ‘‘Contos e Crônicas’’, com o livro ‘Olhos D’agua’, no ano de 2015.
17
Escritora e Mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, nascida em Santos, SP, e autora de
vários livros onde discute o racismo e o feminismo, tem obras traduzidas em vários países. E ganhou no ano de 2020, o
Prêmio Jabuti, na categoria ‘‘Ciências Humanas’’, com seu livro ‘Pequeno manual antirracista’.

�que um bibliotecário ou uma bibliotecária para transformar a realidade em que vivemos e promover
o acesso à cidadania e dignidade de todos os seres humanos”.

�5- REFERÊNCIAS
ARAUJO, Debora Cristina de. As relações étnico-raciais na Literatura Infantil e Juvenil.
Educar em Revista, Curitiba, Brasil, v. 34, n. 69, p. 61-76, maio/jun. 2018.
FEDERAÇÃO Nacional de Associações de Bibliotecários e Instituições. Diretrizes da
IFLA/UNESCO para biblioteca escolar. Tradução de Neusa Dias Macedo, Helena Gomes de
Oliveira. São Paulo: IFLA, 2005. Disponível em:
&lt;http://archive.ifla.org/VII/s11/pubs/SchoolLibraryGuidelines-pt_BR.pdf &gt;. Acesso em: 06 mar.
2020.
SILVA, Ezequiel Theodoro da. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia
da leitura. 6. ed. São Paulo:Cortez,1992.
FERREIRA, Eliane. A leitura dialógica como elemento de articulação no interior de uma biblioteca
vivida. In: SOUZA, Renata Junqueira(org.). Biblioteca escolar e práticas educativas: o mediador
em formação. São Paulo: Mercado de Letras, 2009. p. 69-96.
GIROTTO, Cyntia; SOUZA, Renata de. A hora do conto na biblioteca escolar: o diálogo entre a
leitura literária e outras linguagens. In: SOUZA, Renata Junqueira(org.). Biblioteca escolar e
práticas educativas: o mediador em formação. São Paulo: Mercado de Letras, 2009. p. 19-47.
SANTIAGO, Ana Rita. Vozes literárias de escritoras negras. Cruz das Almas, BA. Editora
UFRB, 2012.
Silva, Franciéle Carneiro Garcês da. Representações sociais acerca das culturas africana e afrobrasileira na educação em Biblioteconomia no Brasil. 2019. Dissertação (Mestrado em Ciência
da Informação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Comunicação, Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação, Rio de Janeiro, 2019. p. 521. Disponível em: &lt;
https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/1047/1/GARCES_Franciele_Versao
%20%20%20Final_novembro_2019.pdf&gt;. Acesso em: 21 out. 2020.
VALÉRIO, Erinaldo Dias; CAMPOS, Arthur Ferreira. Competência informacional para uma
formação bibliotecária antirracista. Revista ACB, [S.l.], v. 24, n. 2, p. 321-332, ago. 2019. ISSN
1414-0594. Disponível em: &lt; &lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1612&gt;. Acesso em: 20
set. 2020.

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Neste artigo, nos propomos a apresentar ações educativas realizadas durante a Semana da Consciência Negra que ocorreu entre os dias 19 a 23 de novembro do ano de 2019, na Biblioteca Seccional Prof. Geraldo Faria Campos localizada no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação, da Universidade Federal de Goiás. O evento foi realizado nas dependências da biblioteca com o objetivo de destacar obras de algumas escritoras negras e problematizar, em rodas de conversa com as crianças, temas importantes para refletirmos sobre representatividade, diversidade cultural, social, étnica e racial, a partir dos livros que compõem o acervo, em especial os livros de literatura infantil e juvenil. Trata-se de um artigo de cunho descritivo por meio do qual buscamos evidenciar os resultados obtidos mediante ações realizadas e ainda demostrar a relevância de tais ações para a promoção da biblioteca em relação às temáticas antirracistas e inclusivas. Compreendemos que a biblioteca tem o papel fundamental de promover debates e estratégias
de combate ao racismo.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
TAXONOMIAS EM PORTAIS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: UMA ANÁLISE DA
COMPOSIÇÃO DOS RÓTULOS DE ASSUNTO NOS MENUS PRINCIPAIS

TAXONOMIES IN UNIVERSITY LIBRARIES WEBSITES: AN ANALYSIS OF THE COMPOSITION
OF THE SUBJECT LABELS IN THE MAIN MENUS
Yasmin Pereira de Oliveira 1
Lais Pereira de Oliveira 2
Resumo: Aborda as taxonomias no contexto de websites institucionais. Objetiva analisar a forma de composição dos
rótulos de assunto nos menus principais dos portais de bibliotecas universitárias brasileiras. Adota literatura em
Biblioteconomia e Ciência da Informação acerca do assunto, na forma de artigos de periódicos, anais de eventos e
capítulos de livro. Metodologicamente constitui estudo descritivo de natureza quantitativa. Utiliza a técnica de
observação sistemática para coleta dos dados, desenvolvida mediante navegação individualizada em cada portal de
biblioteca. Os resultados demonstram que as taxonomias se estabelecem a partir de 7 ou 6 rótulos, a grande maioria
deles sem derivações, com dois, três ou quatro níveis hierárquicos na estrutura, na forma de termos compostos, no
plural e com pequeno número de siglas e palavras estrangeiras. Conclui-se que a organização da informação digital em
bibliotecas universitárias é feita prioritariamente a partir de rótulos de designação institucional e utilitária, demarcando
aspectos da estrutura e de serviços dessas unidades.
Palavras-chave: Organização da Informação Digital. Taxonomia. Representação Temática da Informação. Portal
Institucional.
Abstract: Its approaches the taxonomies in institutional websites. It aims to analyze the way of composition of the
subject tags in the principal menus on the websites of Brazilian university libraries. Its aplicated Library and
Information Science literature about the subject, in the form of journals articles, proceedings and books chapters.
Constitutes descriptive study of quantitative nature. Uses systematic observation technique for the data collect,
developed by the individualized navigation in each website. The results show that taxonomies establish from seven or
six tags, most of them without any derivation, with two three or even four hierarchical levels on the structure, in the
form of compound terms, plural and with a small number of acronyms and foreign words. It concludes that digital
information organization it is mostly done as of utilitarian institutional designation tags, marking aspects of structure
and departments of these unities.
Keywords: Digital information organization. Taxonomy. Subject representation of information. Institutional website.

1 INTRODUÇÃO
Pressuposto central para o acesso, a organização da informação configura-se como atividade
eminentemente mediadora (GUIMARÃES, 2009), interessada no trato informacional via
1

Graduanda em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). yasmin.pereira@discente.ufg.br.
Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Docente
do curso de graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG). laispereira2@ufg.br.
2

�representação descritiva e temática (DZIEKANIAK, 2010). Sua função determinante no processo
de absorção e compreensão dos conjuntos informacionais, pelo usuário, não pode ser ignorada, já
que para ser acessada a informação demanda estruturação e tratamento, até ser disponibilizada para
busca e recuperação, seja em âmbito físico ou digital.
Na Ciência da Informação, uma ferramenta de organização intelectual comumente
empregada em portais institucionais e bibliotecas digitais, é a taxonomia (CAMPOS; GOMES,
2007). Essa ferramenta, que surgiu como uma outra forma de representação informacional
(BENTES PINTO, 2019), integra os sistemas de organização da informação (SANTOS, 2018),
viabilizando a navegação e o acesso aos conteúdos dispostos digitalmente, de forma estruturada.
A taxonomia busca qualificar coisas e objetos com base na semelhança de suas
características (MENDES; BENTES PINTO, 2019). Pode possibilitar, ainda, que os usuários
aprendam com sua estrutura de conceitos (CAMPOS; GOMES, 2007), presente em repositórios
informacionais, intranets, sites noticiosos ou informativos, blogs e muitos outros canais.
Nessa medida, é crucial investigar esse entorno taxonômico digital, que auxilia na
organização dos portais institucionais, para acesso rápido do usuário às informações de uma dada
instituição. Sobretudo porque tais portais evoluíram “no sentido de disponibilizar conteúdos
específicos para usuários definidos, procurando abrir um canal de compartilhamento entre os
colaboradores e com os clientes da organização” (VITAL, 2012, p. 30).
Os websites cumprem, pois, com relevante papel. Ademais, devem manter um grau de
compreensibilidade aos usuários que se enquadram como o foco de público daquela organização.
Considerando tais aspectos, o presente estudo tem como objetivo analisar a forma de composição
dos rótulos de assunto nos menus principais dos portais de bibliotecas universitárias brasileiras.
A pesquisa auxilia na resolução da problemática de organização da informação digital, na
medida em que busca compreender como as taxonomias estão organizadas nos menus principais dos
portais das bibliotecas de universidades federais do Brasil. Nessa medida, pode contribuir com a
compreensão da disposição dos conteúdos na web e dos meios priorizados nessa organização. Além
disso, o estudo pode agregar ao corpo de conhecimentos produzidos sobre taxonomia na perspectiva
da Biblioteconomia e Ciência da Informação e, tão crucial a todos os demais campos do saber.

2 ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO DIGITAL

�A organização da informação, em uma perspectiva histórica, mostra-se como assunto de
interesse humano desde a Antiguidade. Com o advento da Internet, os meios e suportes
informacionais se alteraram, mas, a necessidade de organizá-los continua tão crucial quanto antes,
quando predominavam registros físicos em formato impresso.
O trato informacional requer o desenvolvimento e a aplicação de modelos de representação
comuns a todo e qualquer tipo de usuário (VITAL, 2012). Ainda mais em se tratando do contexto
digital. Afinal, a velocidade e a quantidade de informações compartilhadas se multiplicou
exponencialmente. Dentro dessa perspectiva, Dziekaniak (2010, p. 46) destaca duas revoluções:
a documentária, processo pelo qual passou e passa a comunidade científica mundial, através
da expressividade crescente da publicação de documentos, principalmente através dos
periódicos e, principalmente a revolução tecnológica, focalizada no âmbito das tecnologias
da informação e comunicação fornecendo aparato tecnológico para a produção e
disseminação da informação.

Apesar disso, Pontes e Lima (2012, p. 19-20) explicitam que:
aparentemente, as teorias e técnicas desenvolvidas pela biblioteconomia, ao longo dos anos,
não vêm sendo amplamente aplicadas e ou adaptadas para o contexto das bibliotecas
digitais. Isso ocorre, principalmente, no que diz respeito ao uso de estruturas de
representação e organização do conhecimento.

Dessa forma, é extremamente importante explorar as prerrogativas de organização da
informação no contexto digital. Nesse ponto, a compreensão das estruturas empregadas nessa
finalidade é crucial. Assim como perscrutar as técnicas e métodos empregados na ordenação de
estoques informacionais em meio físico, passíveis de utilização no arranjo de acervos dispostos em
ambiências digitais. Principalmente considerando que “já se concebe a convergência do impresso
para o eletrônico, bem como o documento nato-digital (que já nasce no formato digital)”
(DZIEKANIAK, 2010, p. 46).
Nesse sentido, para além dos tradicionais sistemas de classificação, política de indexação,
tesauros e norma de resumo, comumente empregados para instrumentalizar o macroprocesso de
tratamento temático da informação, na forma dos processos técnico-intelectuais de classificação,
indexação e elaboração de resumo, instrumentos de outra ordem, como taxonomias e ontologias,
também têm agido em prol da organização da informação digital.
No entorno digital, a taxonomia corporifica-se como novo mecanismo de consulta,
juntamente com as ferramentas de busca (CAMPOS; GOMES, 2007), visando assim ordenar os
termos para organização categórica da informação (SANTOS, 2018), da mais genérica para a mais

�específica, de forma que a estrutura hierárquica é uma das formas mais comuns de caracterizá-la
(VITAL; CAFÉ, 2007).
2.1 TAXONOMIAS EM PORTAIS INSTITUCIONAIS

A evolução tecnológica passa a demandar meios automatizados para filtragem da informação
(VITAL, 2012). Afinal, “novos suportes e ferramentas proporcionaram, não somente um aumento
exponencial da informação registrada em suportes analógicos e digitais, como também, seu fluxo e
alcance tornaram-se inimagináveis” (MENDES; BENTES PINTO, 2019, p. 36).
Buscando gerenciar a grande massa informacional na web criam-se os portais institucionais na
Internet (VITAL, 2012), que surgem como uma forma de reunião das informações em um mesmo
ambiente (VITAL; CAFÉ, 2007). Nestes, uma prática sistematizada de organização e distribuição
ordenada dos conteúdos é exigida, como forma de estabelecer uma navegação direcionada e propícia
ao acesso lógico dos conjuntos de informação armazenados.
Deve-se considerar a evolução dos portais institucionais para prover conteúdos específicos a
usuários definidos, contexto no qual a categorização da informação torna-se importante para a
organização (VITAL, 2012). Nesse ponto, a taxonomia tem muito a contribuir, na medida em que
permite alocar informações de forma lógica (CAMPOS; GOMES, 2007). No ambiente digital, a
taxonomia relaciona-se à forma automatizada de criação da informação (AQUINO; CARLAN;
BRÄSCHER, 2009), ganhando importância com o avanço do sistema web (MENDES; BENTES
PINTO, 2019).
Taxonomia é, de modo geral, a ciência da identificação (BICUDO, 2004). Oriunda de um dos
ramos da Biologia (AQUINO; CARLAN; BRÄSCHER, 2009; MENDES; BENTES PINTO, 2019), a
taxonomia surge como “ciência das leis da classificação de formas vivas” (CAMPOS; GOMES, 2007,
não paginado) e, portanto, enquanto sistema dicotômico de classificação de espécies (GOMES, 2014).
Ademais, a taxonomia remonta à evolução humana e à necessidade do homem de classificar e
nomear (MENDES; BENTES PINTO, 2019). Por definição, é uma classificação sistemática
(CAMPOS; GOMES, 2007), que define classes de objetos e suas relações (ROBREDO, 2010). Nesse
sentido, a taxonomia pode ser vista como um elemento da arquitetura da informação, pertencente ao
sistema de acesso e navegação (GOMES, 2014), adotado para servir à organização e recuperação de
informações (AQUINO; CARLAN; BRÄSCHER, 2009).
A taxonomia, nesse âmbito, fornece uma lista estruturada de termos de um dado domínio
(CAMPOS; GOMES, 2007), permitindo a navegação e localização das informações. Ainda assim, é

�importante que a taxonomia reflita a necessidade dos clientes, a partir de categorias funcionais
(GOMES, 2014).
Geralmente desenvolve-se a taxonomia a partir da segmentação do universo. Categorias são,
então, ordenadas hierarquicamente e, a partir disso, definem-se os níveis das subcategorias (PONTES;
LIMA, 2012). No caso dos websites, verificam-se, comumente, menus e submenus nos quais os
rótulos de assunto são distribuídos. A partir da navegação por essas estruturas, o usuário acessa os
conjuntos informacionais ali dispostos.

3 METODOLOGIA

A pesquisa é descritiva de natureza quantitativa, com emprego da técnica de observação
sistemática para coleta dos dados. A prospecção foi realizada mediante acesso aos portais
institucionais das bibliotecas universitárias brasileiras, com a concomitante navegação individualizada
sobre os menus principais de cada página.
Diante do universo de instituições, a investigação contemplou especificamente, como amostra,
bibliotecas de universidades públicas federais, localizadas nas capitais do Brasil. Obteve-se, a partir
desse recorte, o número de 28 universidades – considerando a existência de duas no Rio de Janeiro –
sendo: 7 no Norte do país; 9 no Nordeste; 4 no Centro-Oeste; 5 no Sudeste; e 3 no Sul. A restrição do
escopo analítico se deve à simples convenção da pesquisa de mapear bibliotecas universitárias em
pontos estrategicamente dispostos, de modo que não incluiu universidades federais fora das 26
capitais brasileiras e do Distrito Federal.
Durante a prospecção analítica das taxonomias presentes nos menus principais dos sites,
alguns aspectos foram constatados. Antes de mais nada, ressalta-se a dificuldade de encontrar certos
websites e, posteriormente, de definir o menu principal em alguns deles. Isso em função da
estruturação do portal e da forma de disposição dos conteúdos, desestruturada e um tanto confusa.
Finalmente, os elementos observados e analisados na estrutura taxonômica dos menus
principais, durante a observação sistemática nos sites de bibliotecas universitárias, foram: a
quantidade total de rótulos de assunto na taxonomia; o número de rótulos com e sem derivação, ou
seja, submenus; o total de níveis hierárquicos presentes na taxonomia; e, o quantitativo de termos
simples, compostos, no singular, no plural, na forma de siglas e de palavras estrangeiras, na estrutura.

�A planilha do Excel serviu à finalidade de registro dos dados prospectados mediante
navegação nos portais institucionais das bibliotecas universitárias. Posteriormente, apoiou a
sistematização dos dados e a constituição de tabelas e gráficos demonstrativos dos resultados obtidos.

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Em função das variadas estruturas de portais institucionais de bibliotecas universitárias
observou-se, em um primeiro momento, de qual categoria de website se tratava. Constatou-se haver
uma maior parcela de sites de Sistemas de Bibliotecas (SIBI). Ainda assim, houve uma expressiva
quantidade de portais de Bibliotecas Centrais (BC), como segue:
Gráfico 1 – Tipo de portal.

SIBI

46,4%
53,5%

BC

Fonte: dados da pesquisa (2020).

É possível depreender, do Gráfico 1, que os portais institucionais estudados são, em sua
maioria, representados a partir da estrutura de um sistema de bibliotecas. Mas, não se trata de uma
lógica exclusiva e única, considerando aqueles que se apresentam mediante sua biblioteca central.
Entretanto, deve-se ressaltar que, por reunirem informações em um mesmo ambiente, os portais
institucionais (VITAL; CAFÉ, 2007) precisam ser cuidadosamente arranjados e ordenados, de modo
que sua composição fique, também, bastante clara.
Fazendo um paralelo com as estruturas de representação e organização do conhecimento e a
aplicação das técnicas biblioteconômicas nesse entorno, como expresso por Pontes e Lima (2012),
tem-se uma demanda inicial e urgente para as bibliotecas universitárias, de busca pela unicidade
estrutural em seus portais na forma como são dispostos e apresentados para o público acadêmico.
Especialmente por ser este, bastante diverso e passível, portanto, de distintas assimilações.

�Em seguida, o foco da pesquisa foi sobre os menus principais propriamente ditos, contidos em
cada portal institucional. Nestes, verificou-se a quantidade de rótulos de assunto, aqueles com e sem
derivação presentes na estrutura taxonômica, assim como o número de níveis hierárquicos existentes,
de acordo com a tabela a seguir:
Tabela 1 – Formato dos rótulos de assunto.
UNIVERSIDADES

QUANTIDADE DE
RÓTULOS
UFG
5
UFMS
9
UFMT
7
UnB
8
UFAL
6
UFBA
7
UFC
19
UFMA
4
UFPB
2
UFPE
13
UFPI
4
UFRN
6
UFS
15
UFAC
2
UFAM
10
UFPA
7
UFRR
8
UFT
2
UNIFAP
15
UNIR
7
UFES
23
UFMG
14
UFRJ
7
UNIFESP
5
UNIRIO
6
UFPR
4
UFRGS
6
UFSC
8
Fonte: dados da pesquisa (2020).

RÓTULOS COM
DERIVAÇÕES
5
0
5
5
4
4
0
4
2
0
4
0
5
0
4
6
0
2
0
7
11
4
3
3
4
3
5
0

RÓTULOS SEM
DERIVAÇÕES
0
9
2
3
2
3
19
0
0
13
0
6
10
2
6
1
8
0
15
0
12
10
4
2
2
1
1
8

NÍVEIS
HIERÁRQUICOS
4
1
2
3
4
2
1
2
2
1
2
1
2
1
4
3
1
2
1
3
3
3
3
3
2
3
2
1

Conforme apresenta a Tabela 1, a grande maioria dos portais – 5 de um total de 28 – possui 7
rótulos de assunto no menu principal. Outros 4 trazem 6 rótulos na estrutura taxonômica. Dessa
forma, priorizam taxonomias com quantitativo razoável para divisão e ordenação de informações no
ambiente digital das bibliotecas universitárias. Sendo a categorização importante para a organização
(VITAL, 2012), o contexto investigado atende, em certa medida, a esse aspecto.
Ainda assim, alguns websites optam por utilizar uma quantidade um tanto pequena com, por
exemplo, 2 rótulos apenas; ou bastante elevada, como é o caso daqueles que trazem 13, 14, 15, 19 e

�até 23 rótulos de assunto. Exemplos esses que pecam pela forma reducionista ou extremamente ampla
de suas taxonomias.
Assim, ao expressarem de forma bastante sintética e direta os rótulos de assunto no menu, as
bibliotecas dificultam a assimilação das informações contidas em seu portal. Empregando, por sua
vez, uma enormidade de categorias temáticas na estrutura, praticamente sem divisões hierárquicas,
tornam a navegação mais conturbada na página, demandando até mesmo rolagem para visualização
completa do extenso menu disponibilizado ao usuário. De modo que, sendo a taxonomia um novo
mecanismo de consulta (CAMPOS; GOMES, 2007), é crucial que seja devidamente planejada e
estruturada, sem carecer ou exceder as possibilidades de busca, lembrando que é, também, uma forma
de qualificação (MENDES; BENTES PINTO, 2019).
Com relação às derivações na taxonomia, ou seja, aos submenus originados a partir dos
tópicos centrais e, portanto, a eles vinculados hierarquicamente, perfazem o total de 90 rótulos.
Numericamente, predominam aqueles sem derivações, em um total de 139. Nesse ponto, há que se
lembrar que a estrutura de conceitos deve ser dada até para que o usuário aprenda com ela (CAMPOS;
GOMES, 2007). Sendo, pois, mais enxuta e sem divisões hierárquicas, estará induzindo a uma
navegação linear no menu e sem lista hierárquica de rótulos com possíveis subtemas.
Correlacionando com os dados supramencionados, observa-se nos portais que apresentam
grande quantidade de rótulos de assunto, uma grande parcela sem derivação hierárquica na forma de
submenus. Já entre os que apresentam 7 ou 6 rótulos, a maioria traz derivações, abarcando assim,
muitos assuntos subordinados na estrutura, ou seja, vinculados ao tópico maior. Logo, a estrutura
hierárquica, tão comum nas taxonomias (VITAL; CAFÉ, 2007), é vista de forma prática naqueles
websites de biblioteca que apresentam número médio de rótulos de assunto. Quanto mais rótulos,
menos derivações indicativas de subtemas.
Já o número de níveis hierárquicos predominante é de dois, em cada taxonomia, o que foi
constatado em 9 portais institucionais. Em outros 8, surgem 3 níveis ao todo e somente em 3, há 4
níveis. A navegação é, portanto, um tanto abreviada nessas estruturas. O usuário acessa o rótulo
central do menu e tem como opção, uma, duas, três ou no máximo quatro divisões na hierarquia de
tópicos de assunto. Esse sistema de acesso e navegação (GOMES, 2014) que é a taxonomia, se
configura, nos sites das bibliotecas investigadas, com pequenos níveis de subcategorias (PONTES;
LIMA, 2012).

�Partindo, a seguir, para a forma de composição dos rótulos, verificou-se a existência de termos
simples e compostos, no singular e no plural, com a utilização de siglas ou de termos estrangeiros,
como demonstrado na tabela abaixo:
Tabela 2 – Forma de composição dos rótulos de assunto.
UNIVERSIDADES

TERMOS
SIMPLES

UFG
4
UFMS
7
UFMT
2
UnB
3
UFAL
2
UFBA
3
UFC
3
UFMA
3
UFPB
1
UFPE
3
UFPI
4
UFRN
6
UFS
7
UFAC
1
UFAM
8
UFPA
7
UFRR
2
UFT
1
UNIFAP
8
UNIR
2
UFES
5
UFMG
4
UFRJ
3
UNIFESP
5
UNIRIO
4
UFPR
0
UFRGS
6
UFSC
3
Fonte: dados da pesquisa (2020).

TERMOS
COMPOSTOS
1
2
5
5
4
4
17
1
1
10
0
0
8
1
2
0
6
1
7
5
18
10
4
0
2
4
0
5

TERMOS
NO
SINGULAR
1
2
2
5
2
4
5
2
2
4
1
4
7
1
4
2
3
2
10
4
10
2
3
4
3
3
3
4

TERMOS
NO
PLURAL
4
7
5
3
4
3
14
2
0
9
3
2
8
1
6
5
5
0
5
3
13
12
4
1
3
1
3
4

TERMOS
ESTRANGEIROS

SIGLAS

0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
2
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0

0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0

Conforme mostra a Tabela 2, os portais das bibliotecas universitárias priorizam rótulos
compostos em suas taxonomias, ou seja, com dois ou mais radicais, na forma plural e empregando
poucas siglas ou termos estrangeiros. Aspecto esse que pode refletir a preocupação das instituições
em empregar categorias funcionais (GOMES, 2014) e, portanto, mais compreensíveis pelo usuário do
site. Ademais, como ferramenta de organização intelectual (CAMPOS; GOMES, 2007), a taxonomia
deve procurar ser o mais intuitiva possível, para fazer sentido a quem a utiliza.
O fato de haver pouco uso de siglas nas estruturas taxonômicas dos sites, viabiliza uma
compreensão mais assertiva das informações ordenadas sob os rótulos. Isso para a comunidade

�acadêmica interna e também para usuários externos à universidade. Afinal, os portais disponibilizam
conteúdos específicos para usuários definidos (VITAL, 2012). Trata-se, contudo, de uma estrutura
aberta e pública, na qual podem navegar muitas outras pessoas, não necessariamente conhecedoras
desse entorno acadêmico.
Acerca dos rótulos de assunto mais utilizados e, portanto, mais presentes nas taxonomias,
constatou-se que:
Tabela 3 – Rótulos de assunto nas taxonomias.
TERMOS
Acervo
Acervos
Acervos Digitais
Acervos especiais
Acesso a informação
Acesso ao CAPES
Acesso Rápido
Auditório
Agenda do Auditório
Agenda de Treinamentos
Ajuda
Aquisições
Aquisição e doação
BDTD – Biblioteca digital de Teses e Dissertações
Biblioteca digital de Teses e Dissertações – BDTD
Bases de Dados
Bases de Dados Online
Biblioteca
Biblioteca Acessível
Biblioteca Central
Biblioteca Digital
Biblioteca na quarentena
Bibliotecas
Bibliotecas do SIBI
Bibliotecas Setoriais
Bibliotecas do Sistema
Bibliotecas UFPS
Bibliotecas UFMS
Capacitação
Capacitações
Catálogo
Calendário BU 2020
Calendário de Treinamentos
Cargos Comissionados
Conteúdo digital
Contatos
Contato
Consulta do Acervo
Consulte o acervo
Consulta ao catálogo

CENTROOESTE
0
2
0
0
0
0
0
0
0
0
1
1
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
2
0
0
0
0

NORTE

NORDESTE

SUDESTE

SUL

0
0
0
0
1
0
0
0
1
1
0
0
0
0
0
1
1
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
1
0
0

2
0
1
0
0
1
1
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
2
1
1
0
0
3
1
0
1
1
0
0
0
2
1
1
1
1
0
1
1
0
0

2
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
2
0
0
0
0
0
1
2
0
0
2
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1

0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
1
1
1
0

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Novas aquisições bibliográficas
O SIBI
Orientação para pagamento de multa
Outros Links
Pagamento de multas

0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
0
1
0
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
1
0
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Como explicita a Tabela 3, são muito presentes os rótulos: “acervo”, “bibliotecas” e
“serviços” (vide Figura 1). Estes aparecem no singular e no plural. Alguns apresentam variantes na
forma dos radicais, tanto simples quanto compostos. É o caso de “bibliotecas”, “bibliotecas do SIBI”,
“bibliotecas do sistema” e “bibliotecas setoriais”, por exemplo, que representam modos distintos de
designar a instituição e o sistema do qual faz parte. O aspecto organizacional, portanto, é bem
representado nas taxonomias.

�Avizinha-se o atributo institucional também em outros tipos de rótulos. É o caso de: “sobre”,
“sobre a BCE”, “sobre a BU”, “sobre o SIBI” e “sobre o sistema”. E também, “SIBI/UFAL”, “SIBI
UFPR”, “SISTEBIB” e “SISBIB”.
Deve-se ressaltar, ainda, que alguns rótulos contemplados no escopo de “serviços”, insurgem
como tópicos individuais na estrutura dos menus. É o caso de “bases de dados” e “catálogos”. Além
destes, há alguns que aparecem em menor quantidade, como: “publicações”, “rede sem fio”, “reserva
auditório” e “treinamentos”. Isso demonstra o cuidado da biblioteca em tornar evidente elementos
centrais resultantes de seus esforços diários.
Figura 1 – Nuvem de tags dos rótulos mais presentes nas taxonomias.

Fonte: dados da pesquisa (2020).

Também aparecem bastante os rótulos: “institucional”, “notícias” e “perguntas frequentes”.
Nessa medida, as taxonomias de biblioteca universitária acabam por priorizar aspectos que informam
e esclarecem sobre a estrutura da unidade, de seu funcionamento e de suas atividades.

5 CONCLUSÕES

A pesquisa buscou analisar a forma de composição dos rótulos de assunto nos menus
principais dos portais de bibliotecas universitárias brasileiras. Constatou-se que estes aparecem em
uma média de 7 ou 6 rótulos, majoritariamente sem derivações, a partir de dois, três ou quatro níveis
hierárquicos na estrutura, apresentando-se essencialmente na forma de termos compostos, no plural e
com pequena parcela de siglas e palavras estrangeiras.
A organização da informação digital, em contexto universitário, se estabelece prioritariamente
a partir de rótulos de designação institucional e utilitária, isto é, com demarcações de aspectos da

�estrutura e de serviços das bibliotecas. Aspecto indicativo da necessidade de outros desdobramentos
temáticos, que contemplem a enormidade de funções da biblioteca universitária.
Estudos futuros podem se dedicar à prospecção sobre taxonomias existentes em outros pontos
dos sites que não exclusivamente o menu principal. Além disso, podem estabelecer-se a partir de
outros pontos analítico-interpretativos, que não somente a forma de composição dos rótulos, mas
também, o tipo de informação congregada em cada um deles e a categorização observada em cada
propósito organizativo.
REFERÊNCIAS
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construção de taxonomias. PontodeAcesso, Salvador, v. 3, n. 3, p. 196-215, dez. 2009.
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representação indexal. In: ALBUQUERQUE, Maria Elizabeth Baltar Carneiro de; MARTINS,
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Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 17, n. 4, p. 18-40, out./dez. 2012.
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                <text>Aborda as taxonomias no contexto de websites institucionais. Objetiva analisar a forma de composição dos rótulos de assunto nos menus principais dos portais de bibliotecas universitárias brasileiras. Adota literatura em Biblioteconomia e Ciência da Informação acerca do assunto, na forma de artigos de periódicos, anais de eventos e capítulos de livro. Metodologicamente constitui estudo descritivo de natureza quantitativa. Utiliza a técnica de observação sistemática para coleta dos dados, desenvolvida mediante navegação individualizada em cada portal de biblioteca. Os resultados demonstram que as taxonomias se estabelecem a partir de 7 ou 6 rótulos, a grande maioria deles sem derivações, com dois, três ou quatro níveis hierárquicos na estrutura, na forma de termos compostos, no plural e com pequeno número de siglas e palavras estrangeiras. Conclui-se que a organização da informação digital em bibliotecas universitárias é feita prioritariamente a partir de rótulos de designação institucional e utilitária, demarcando aspectos da estrutura e de serviços dessas unidades.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
INDEXAÇÃO DE ASSUNTO NO SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: ENFOQUE ANALÍTICO SOBRE AS PALAVRAS-CHAVE ATRIBUÍDAS
PELOS AUTORES
INDEXING IN SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
ANALYTICAL FOCUS ON THE KEYWORDS ASSIGNED BY THE AUTHORS
Lais Pereira de Oliveira 1
Resumo: Aborda a indexação de assunto no contexto científico, considerando as palavras-chave que acompanham os
resumos documentários das publicações. Fundamenta-se teoricamente sobre o processo de indexação, discutindo-o
também junto às produções científicas, entendendo que nesse âmbito, se configura a partir das palavras-chave
empregadas pelo autor da publicação. Objetiva analisar as características da indexação realizada pelos autores nos
trabalhos publicados junto aos anais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Metodologicamente, constitui
estudo descritivo de natureza quantitativa, com teor analítico bibliográfico e bibliométrico. Tem como corpus de
pesquisa 187 trabalhos, na forma de comunicações, apresentados na última edição do referido evento, realizada no ano
de 2018. Os resultados demonstram que a indexação pelo autor no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias é
prioritariamente seletiva, utilizando termos compostos e no singular, uma pequena parcela de siglas e expressões
estrangeiras, mas, significativamente embasada em palavras derivadas do título dos trabalhos. Conclui-se que os autores
que submetem ao evento se pautam pelo assunto principal dos trabalhos para indexá-los, trazendo especificações a
partir dos radicais e da combinação dos termos, com grande recorrência ao título para a especificação temática via
palavras-chave.
Palavras-chave: Indexação pelo autor. Palavras-chave. Representação temática. Comunicação científica. Anais do
SNBU.
Abstract: Its approaches the indexing in the scientific context, considering the keywords that accompany the
documentary summaries of the publications. It is theoretically based on the indexing process, also discussing it with
scientific productions, understanding that in this context, it is configured based on the keywords used by the author of
the publication. It aims to analyze the characteristics of the indexing performed by the authors in the works published in
the proceedings of the Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Methodologically, it is a descriptive study of a
quantitative nature, with bibliographic and bibliometric analytical purport. It has as research corpus 187 works, in the
form of communications, presented in the last edition of that event, held in 2018. The results demonstrate that the
indexing by the author at the Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias is primarily selective, using compound
terms and in the singular, a small portion of acronyms and foreign expressions, but, significantly based on words
derived from the title of the works. It is concluded that the authors who submit to the event are guided by the main
subject of the works to index them, bringing specifications from the radicals and the combination of terms, with great
recurrence to the title for the thematic specification by keywords.
Keywords: Indexing by the author. Keywords. Subject representation. Scientific communication. Proceedings of the
SNBU.

1

Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Docente
do curso de graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG). laispereira2@ufg.br.

�1 INTRODUÇÃO
A organização da informação, interlocutora entre sua produção e utilização (FICHT; DEL
CONTE; LUNARDELLI, 2017) e, meio segundo o qual sua recuperação e seu acesso acontecem de
forma qualificada (PANDO, 2018), representa uma atividade técnica-intelectual basilar no cotidiano
biblioteconômico, configurada a partir do tratamento descritivo e temático. Na Biblioteconomia,
aliás, há processos cuidadosamente pensados e desenvolvidos com vistas a apoiar a atividade de
organização de acervos (OLIVEIRA; ROCHA, 2019). Entre os que se dedicam ao trato de conteúdo
estão a classificação, a indexação e a elaboração de resumos.
Indexar é o ato de representar o assunto de um documento mediante emprego de termos
caracterizadores significativos. Juntamente com o resumo documentário, cuja representação se faz
em forma textual condensada, a indexação viabiliza a recuperação e o acesso aos conteúdos. O
índice de assuntos e o resumo são, pois, produtos da organização da informação, complementares
entre si (OLIVEIRA; MARTÍNEZ-ÁVILA; GUIMARÃES, 2020).
A indexação realizada pelo especialista humano se configura, então, como um processo
manual mediante o qual se extraem termos ou palavras, utilizando-as na representação do
documento (OLIVEIRA; BRANQUINHO FILHO, 2017). Também é passível de realização
automática. Nas bases de dados, o ato de indexar viabiliza a inclusão das publicações de forma
estruturada, sendo importante para revistas e autores (MARTINS; MARINO; PINTO, 2020). O
desenvolvimento da indexação pode resultar, ainda, na constituição de índices (FUJITA, 2003) ou
em práticas ordenadoras e inventariantes sistematizadas de grandes editoras e bancos de dados.
Mas, a indexação não acontece somente nas bases de dados ou pelas mãos de profissionais
indexadores de assunto. Também está presente nas produções científicas – na forma de artigos de
periódicos, capítulos de livro e anais de eventos – armazenadas, sobretudo, em âmbito digital. Em
tais publicações, os autores explicitam suas constatações em um construto textual, que tem entre
seus itens, as palavras-chave. Estas, por sua vez, encabeçam a publicação juntamente com o título e
o resumo, acompanhando diretamente este último.
Fato é que, com a evolução do conhecimento humano, emerge a necessidade de organização
das coleções (SILVA; MARDEGAN, 2019). E, em razão da oferta crescente de repositórios de
documentos (DYCK; DUTRA; VIERA, 2019) no amplo contexto digital, é preciso se ater às
possibilidades de busca e recuperação. A disponibilização de informação relevante, aliás, torna-se
um desafio diante de tantas fontes na web (PEREIRA et al., 2015).

�Nesse aspecto, a forma como são representados os assuntos em uma dada produção
científica, tem muita importância. Inclusive porque a publicação digital é calcada no modelo de
publicação impressa (MARCONDES, 2011), apresentando limitações para acesso assertivo,
específico e direcionado a um dado conteúdo. Razão pela qual a discussão sobre a atribuição de
palavras-chave é fundamental.
Diante disso, a pesquisa em questão objetiva analisar as características da indexação
realizada pelos autores nos trabalhos publicados junto aos anais do Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU). Avizinha-se, pois, sobre o número de termos, a forma das
palavras, o nível de coordenação, a presença de siglas e expressões estrangeiras e sua recorrência no
título.
Nessa medida, a investigação agrega à problemática de representação temática da
informação científica, via indexação, por parte dos autores. Além disso, ajuda a evidenciar a
tematização estabelecida junto ao SNBU, considerando as palavras-chave empregadas nos trabalhos
dos últimos anais desse evento. De forma que o estudo pode contribuir, em termos teóricos, para o
conhecimento produzido acerca do ato de indexar a produção científica. E, em âmbito prático, para
o reconhecimento de padrões de indexação pelo autor.

2 O PROCESSO DE INDEXAÇÃO

A indexação é um processo de tratamento temático da informação, com ênfase na
especificação do conteúdo via termo. Visa, portanto, determinar o conjunto de palavras-chave ou
assuntos de cada documento (BANDIM; CORREA, 2019). O profissional indexa, pois, “com vistas
à intermediação entre o documento e o usuário no momento da recuperação da informação, seja em
índices, catálogos ou bases de dados” (RUBI, 2009, p. 81).
Juntamente com outras técnicas de análise documentária, a indexação aumenta a
possibilidade de visibilidade e encontrabilidade da informação (PEREIRA et al., 2015). Sobretudo
porque delimita os termos caracterizadores do conteúdo de um item, que permitem a busca por
assunto junto ao sistema de recuperação da informação.
O processo de indexação se concretiza fundamentalmente com ação profissional do
bibliotecário indexador. Este, em seu ato cotidiano de evidenciar assunto, explicita o atributo temático
de cada documento ao mesmo tempo em que viabiliza sua recuperação com base no conteúdo contido
na informação.

�Indexar é a via para que o item seja recuperável a partir de seu assunto, o que demanda
cuidado no exame e seleção conceitual tanto quanto durante a atribuição do termo pelo bibliotecário
indexador. Sendo que, “quanto mais exaustiva for a indexação, mais termos ela vai empregar” (RUBI,
2009, p. 85), enquanto que, no caso da seletividade, tem-se o uso de menos descritores (LOPES;
NASCIMENTO; COSTA, 2019), abrangendo somente o conteúdo principal do documento
(LANCASTER, 2004).
Também é possível inter-relacionar os termos por subgrupos de assunto (VICKERY, 1971).
Vieira (1988) destaca a possibilidade de expressá-los por meio de linguagem coordenada, destacando
suas relações lógicas. Outro aspecto é o uso de singular e plural, recurso que inclusive permite
distinguir termos homógrafos (BOCCATO, 2009). Tem-se a opção de uso dos termos compostos, que
compõem conceitos simples e únicos, mas que combinam palavras (VIANA et al., 2013). Há ainda a
possibilidade de utilização de siglas, que acaba por reduzir palavras e termos, que deixam de ser
descritos na íntegra (SANTOS; NEVES, 2018).
Assim sendo, “ao fazer a escolha dos conceitos, o indexador deve ter em mente a função de
recuperação da informação” (SOUSA; FUJITA, 2014, p. 25), atentando para a necessidade de
identificação dos conceitos pertinentes ao conteúdo, correlacionando-os devidamente com o assunto
que será pesquisado (DUARTE, 2007). Essa acurácia deve ser observada, também, pelos autores das
produções científicas, durante a composição de suas palavras-chave.
Fato é que a indexação se intensificou desde o aumento da literatura técnico-científica e das
publicações periódicas, que incitaram o controle bibliográfico em centros de documentação (FUJITA,
2003; FICHT; DEL CONTE; LUNARDELLI, 2017). Entretanto, o ato de indexar precisa ser pensado
para além desse contexto documentário. Afinal, permeia naturalmente o universo da ciência
cotidianamente produzida e publicada por pesquisadores das mais diversas áreas, cuja representação
temática é feita a partir da elaboração das palavras-chave e do resumo.
Nessa medida, “uma orquestrada ação organizativa, de todo e qualquer tipo de material,
precisa ser concebida e intercalada com a cadeia de produção, disseminação e uso” (OLIVEIRA;
ROCHA, 2019, p. 745). Aspecto que também precisa ser pensado em relação à produção científica de
um autor, que assume o papel de indexador e resumidor durante a elaboração de seu texto científico.

2.1 INDEXAÇÃO DE ASSUNTO NAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS

�Encontrar documentos, de forma rápida e efetiva, tem sido um problema recorrente a partir de
sua proliferação na web (OLIVEIRA; BRANQUINHO FILHO, 2017). Junto às produções científicas
a dificuldade permanece, especialmente porque no mundo científico a especificidade ao selecionar
conteúdo é imprescindível (FUJITA, 2012). Nesse ponto, a indexação tem muito a contribuir, na
medida em que descreve e identifica o documento a partir de seu assunto (FUJITA; FERREIRA;
INÁCIO, 2008). Há, de fato, uma intrincada relação entre o ato de indexar e o fluxo da comunicação
científica. Sobretudo porque:
o conhecimento precisa ser divulgado por meio da comunicação científica. Entre os
instrumentos que potencializam a comunicação científica, se destacam as bases de dados de
publicações científicas. Essas bases realizam o processo de indexação dos assuntos das
publicações científicas, objetivando o acesso e recuperação das informações armazenadas.
(BANDIM; CORREA, 2019, p. 2)

Deve-se ressaltar, ainda, que “os assuntos tratados nos documentos, refletidos nos termos
usados como descritores nos periódicos e nos títulos dos trabalhos, têm sido objetos de importantes
estudos” (DUARTE, 2007, p. 58). Logo, “o trabalho do indexador é cada vez mais relevante e o
âmbito de sua atuação está aumentando em razão do crescimento da literatura publicada em forma
impressa e eletrônica” (FUJITA; FERREIRA; INÁCIO, 2008, p. 164). Assim também o é a ação do
pesquisador, na constituição das palavras mais relevantes, para indexação do seu texto (AQUINO;
AQUINO, 2013).
Nesse sentido, Fujita, Agustín-Lacruz e Terra (2018, p. 322, tradução nossa) lembram que
“hoje em dia os próprios autores são responsáveis por fornecer os elementos de representação do
documento (título, resumo e palavras-chave) de seus trabalhos”. São, portanto, verdadeiros agentes na
divulgação e propagação do que publicam, principalmente a partir das palavras-chave que designam
para representar seu texto, as quais potencializam o acesso ao conteúdo (MIGUÉIS et. al., 2013).
Dessa forma, ao empregar palavras-chave designativas do conteúdo dos artigos que produz, o
autor está viabilizando a representação do conteúdo, tanto quanto sua recuperação posterior. É nessa
prática, portanto, que também constitui uma ação de indexação, que ele sinaliza para o teor de sua
própria produção científica. A palavra-chave corresponde, então, a uma escolha do autor (MIGUÉIS
et. al., 2013), que precisa ser devidamente planejada e estruturada.
Ademais, a palavra-chave empregada pelo autor do texto será indexada pelos motores de
busca (SERRA; FERREIRA, 2014). Por isso é importante que seja adequadamente construída,
atentando-se para elementos vazios de sentido e imprecisos, que tornem a indexação redundante.
A indexação “é uma combinação metodológica altamente estratégica entre o tratamento do
conteúdo de documentos e sua recuperação por um usuário” (FUJITA, 2003, p. 61). Nessa medida,

�quando desenvolvida pelo próprio autor do texto, precisa ser pensada como tal, considerando o
alcance e o potencial de recuperação e uso que terá. Isso sem esquecer da caracterização temática que
proporciona à publicação da qual faz parte.
A importância da indexação não está, afinal, restrita apenas a bibliotecas e editoras. Encontra
aplicação em recursos digitais de informação (LANCASTER, 2004), sendo assim reconhecida.

3 METODOLOGIA

A pesquisa é descritiva e de natureza quantitativa. Caracteriza-se, ainda, como bibliográfica,
uma vez que se volta à literatura em biblioteca universitária, publicada nacionalmente, na forma de
anais de evento. Sobre esta, emprega aportes bibliométricos, com teor analítico-interpretativo.
O corpus é representado pelos anais do XX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias,
publicado digitalmente em dois volumes, no ano de 2018. A 40ª edição do evento foi promovida pela
Federação Brasileira das Associações de Bibliotecários (FEBAB) e pela Comissão Brasileira de
Bibliotecas Universitárias (CBBU), juntamente com o Sistema Universitário de Bibliotecas da
Universidade Federal da Bahia (SIBI/UFBA).
Enquanto evento bienalmente realizado, o SNBU concretiza-se como fórum científico de
trabalhos de bibliotecários e outros profissionais da informação, sobretudo voltados à temática da
biblioteca universitária. A decisão de investigar somente sua última edição leva em consideração a
indisponibilidade de todo o conjunto de anais anteriores do SNBU. Além do que, possibilita enfocar
as produções mais recentes, em tal formato, sobre o tema biblioteca universitária, no cenário nacional.
Junto ao XX SNBU, foram prospectadas comunicações dos três eixos do evento: 1- Inovação
e Criação; 2- Pesquisa e Extensão; e 3- Ensino. Os pôsteres não compuseram, portanto, o escopo
analítico. O estudo descerrou-se a partir da leitura do título e das palavras-chave dos trabalhos.
Analisou-se, em cada um: a quantidade de palavras-chave empregadas; o número de termos simples e
compostos e, no singular e no plural; o quantitativo de termos pré-coordenados; o uso de siglas e
expressões estrangeiras; e a recorrência de palavras também presentes no título.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

�A partir da prospecção sobre as comunicações presentes nos anais do XX SNBU, constata-se
que grande parte dos trabalhos emprega 5, 4 ou 3 palavras-chave na indexação. Tem-se, portanto, a
seguinte configuração, considerando os eixos do evento:
Gráfico 1 – Quantidade de palavras-chave.
30
20

Eixo 1
Eixo 2

10

Eixo 3
0
7

6

5

4

3

2

Fonte: dados da pesquisa (2020).

Dessa forma, de um total de 187 trabalhos, 53 empregam 5 palavras-chave; 62 empregam 4
palavras-chave; e 69 empregam 3 palavras-chave. Nos 3 trabalhos restantes há 7, 6 e 2 palavraschave. Entre os três eixos do SNBU, o de inovação e criação é o que congrega maior número de
termos. De modo complementar ao Gráfico 1, tem-se:
Tabela 1 – Percentual de palavras-chave, por eixo do SNBU.
Eixo 1
Eixo 2

Eixo 3

Total

Palavraschave

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

7
6
5
4
3
2

0
1
26
25
24
0

0%
0,5%
13,9%
13,3%
12,8%
0%

0
0
19
24
29
1

0%
0%
10,1%
12,8%
15,5%
0,5%

1
0
8
13
16
0

0,5%
0%
4,2%
6,9%
8,5%
0%

1
1
53
62
69
1

0,5%
0,5%
28,3%
33,1%
36,8%
0,5%

Total
76
40,6%
Fonte: dados da pesquisa (2020).

73

39,03%

38

20,3%

187

100%

Tem-se, portanto, a atribuição de uma média de 3 a 5 palavras-chave pelos autores, o que
corresponde a 98,2% do conjunto total de termos de todos os trabalhos. Retrato esse que configura
uma indexação de ordem mais seletiva no SNBU, com menos termos, expressando, pois, somente o
conteúdo principal (LOPES; NASCIMENTO; COSTA, 2019; LANCASTER, 2004). Além do que
está dentro das normativas da 20ª edição, a qual delimitou no mínimo três e no máximo cinco
palavras-chave para as submissões.

�Nesse sentido, a indexação pelo autor, no XX SNBU, é expressa predominantemente com
base nas normativas de submissão. Ademais, reflete o emprego pontual de termos, em sua quase
totalidade, de modo que apenas três casos fogem a essa regra: dois que extrapolam o quantitativo
máximo de palavras-chave e um que adota abaixo do mínimo estabelecido.
No que diz respeito à forma das palavras-chave utilizadas pelos autores, observa-se
primeiramente um alto grau de termos compostos em detrimento de termos simples, conforme
disposto a seguir:
Gráfico 2 – Termos simples e compostos.
250
200
150

Eixo 1

100

Eixo 2
Eixo 2

50
0
Simples

Composto

Fonte: dados da pesquisa (2020).

Novamente, segundo se observa no Gráfico 2, o eixo 1, de inovação e criação, é o que
congrega maior quantidade de termos, essencialmente na forma de palavras compostas. Já o eixo 2,
de pesquisa e extensão, é o destaque na soma de termos simples. Comparativamente, tem-se:
Tabela 2 – Percentual de termos simples e compostos, por eixo do SNBU.
Eixo 1
Eixo 2
Termos
simples

Eixo 3

Total

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

58

7,8%

64

8,7%

32

4,3%

154

20,8%

Qtd
250

%
34,01%

Qtd
216

%
29,3%

Qtd
115

%
15,6%

Qtd
581

%
78,9%

Total
308
41,9%
Fonte: dados da pesquisa (2020).

280

38,09%

147

20%

735

100%

Termos
compostos

O emprego de termos compostos, na forma de conceitos simples combinando palavras
(VIANA et al., 2013) é, portanto, grandemente utilizado no XX SNBU. Aspecto esse que sinaliza
para o intento de representação mais ampla de assunto, por parte dos autores.
Com relação ao uso de singular e plural, nota-se o destaque do primeiro, apesar de haver um
quantitativo expressivo de termos também no plural, conforme exposto abaixo:

�Gráfico 3 – Termos no singular e no plural.
200
150

Eixo 1

100

Eixo 2

50

Eixo 3

0
Singular

Plural

Fonte: dados da pesquisa (2020).

Há, portanto, o uso do recurso de singular e plural (BOCCATO, 2009) de modo bastante
expressivo, como mostra o Gráfico 3. Aqui, o destaque é para os eixos 1 e 2, de inovação e criação
e de pesquisa e extensão. O primeiro totaliza 188 termos no singular e 120 no plural. Já o segundo,
soma 194 palavras-chave no singular e 86 no plural. Os percentuais são apresentados a seguir:
Tabela 3 – Percentual de termos no singular e no plural, por eixo do SNBU.
Eixo 1
Eixo 2
Eixo 3
Singular

Total

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

188

25,5%

194

26,3%

103

14,01%

485

65,9%

Qtd
120

%
16,3%

Qtd
86

%
11,7%

Qtd
44

%
5,9%

Qtd
250

%
34,01%

Total
308
41,8%
Fonte: dados da pesquisa (2020).

280

38%

147

19,9%

735

100%

Plural

Quanto ao nível de coordenação dos termos, percebe-se a presença da pré-coordenação em
alguns deles, ou seja, palavras distintas coordenadas entre si, com separação por hífen, mas
formando um mesmo descritor. Assim:
Gráfico 4 – Termos pré-coordenados.
25
20
Eixo 1

15

Eixo 2

10

Eixo 3

5
0
Pré-coordenação

Fonte: dados da pesquisa (2020).

Conforme o Gráfico 4, a maior parte dos termos pré-coordenados aparece nos trabalhos dos
eixos 1 e 2, como no dado anterior. Importante ressaltar que, apesar do pequeno quantitativo de

�palavras coordenadas, é significativo esse tipo de combinação na indexação pelo autor. Isso porque
demonstra a preocupação de intercalar temas representativos, com proximidade entre si, na
representação temática do trabalho. Além do que evidencia a presença dos ditos subgrupos de
assunto (VICKERY, 1971) e de relações lógicas entre os termos (VIEIRA, 1988). Tem-se então:
Tabela 4 – Percentual de termos pré-coordenados, por eixo do SNBU.
Eixo 1
Eixo 2
Précoordenação

Qtd

%

20
2,7%
Fonte: dados da pesquisa (2020).

Eixo 3

Total

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

21

2,8%

5

0,6%

46

6,1%

A utilização de siglas na indexação foi outro ponto explorado na investigação. Observa-se
uma pequena quantidade de siglas entre as palavras-chave empregadas pelos autores, como segue:
Gráfico 5 – Uso de siglas entre os termos.
10
8
6

Eixo 1

4
2

Eixo 2
Eixo 3

0
Siglas

Fonte: dados da pesquisa (2020).

De acordo com o Gráfico 5, no caso das siglas, percebe-se uma utilização um tanto
incipiente entre as palavras-chave. A maior quantidade está presente no eixo 1, de inovação e
criação, conforme segue:
Tabela 5 – Percentual de siglas, por eixo do SNBU.
Eixo 1
Eixo 2
Siglas

Qtd

%

10
1,3%
Fonte: dados da pesquisa (2020).

Eixo 3

Total

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

9

1,2%

8

1,08%

27

3,5%

Assim sendo, esse recurso de redução de palavras, que deixam de ser descritas integralmente
(SANTOS; NEVES, 2018), se apresenta ainda de forma embrionária, com frequência bastante baixa
nos trabalhos apresentados junto ao XX SNBU.

�A presença de expressões estrangeiras foi outro aspecto observado no estudo. Nota-se uma
utilização considerável de palavras em outro idioma, conforme se apresenta a seguir:
Gráfico 6 – Uso de expressões estrangeiras entre os termos.
40
30

Eixo 1

20

Eixo 2

10

Eixo 3

0
Expressões estrangeiras

Fonte: dados da pesquisa (2020).

Mais uma vez, segundo o Gráfico 6, concentra-se no eixo 1, de inovação e criação, o uso de
palavras estrangeiras. Aspecto esse que pode representar a intenção de aumentar a visibilidade e a
encontrabilidade da informação (PEREIRA et al., 2015), na medida em que se designam aspectos
mais reconhecidos pela nomenclatura em outro idioma. Pode corresponder, também, à busca dos
autores por uma estratégia metodológica no trato do conteúdo (FUJITA, 2003). Dessa forma, tem-se
os seguintes percentuais:
Tabela 6 – Percentual de expressões estrangeiras, por eixo do SNBU.
Eixo 1
Eixo 2
Expressões
estrangeiras

Qtd

%

31
4,2%
Fonte: dados da pesquisa (2020).

Eixo 3

Total

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

17

2,3%

3

0,4%

51

6,9%

Por fim, verificou-se o emprego de termos já presentes no título dos trabalhos. Percebe-se
um uso também significativo. Assim:
Gráfico 7 – Uso de termos presentes no título dos trabalhos.
150
100

Eixo 1
Eixo 2

50

Eixo 3
0
Termos presentes no título

Fonte: dados da pesquisa (2020).

�De acordo com o Gráfico 7, a maior parte das palavras-chave que refletem termos presentes
também no título dos trabalhos está no eixo 1, de inovação e criação. Trata-se de um percentual
expressivo, considerando a totalidade de termos, conforme tabela a seguir:
Tabela 7 – Percentual de termos do título, por eixo do SNBU.
Eixo 1
Eixo 2
Palavras do
título

Qtd

%

111
15,1%
Fonte: dados da pesquisa (2020).

Eixo 3

Total

Qtd

%

Qtd

%

Qtd

%

90

12,2%

58

7,8%

259

35,1%

Tal constatação se torna importante levando em conta os estudos que vêm sendo feitos sobre
o uso de descritores nos títulos dos trabalhos. Ademais, considerando a necessidade de identificar
conceitos pertinentes ao conteúdo correlacionados ao assunto (DUARTE, 2007), o retrato aqui
obtido pode representar essa intenção por parte dos autores. De modo que, ao empregar termos do
título entre suas palavras-chave, acabam por reforçar a presença daquele assunto em seu trabalho.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa buscou analisar as características da indexação realizada pelos autores nos
trabalhos publicados junto aos anais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias.
Distingue-se, pois, como seletiva, empregando pequena quantidade de termos, sobretudo compostos
e no singular. Entretanto, insurge em alguns – ainda que em menor número – a pré-coordenação,
assim como siglas e expressões estrangeiras. Significativo, porém, é o número de palavras-chave já
empregadas nos títulos dos trabalhos.
Nessa medida, a indexação pelo autor no SNBU se mostra essencialmente atrelada ao
assunto principal dos trabalhos, priorizando especificações na forma dos radicais, assim como por
meio da combinação e, da recorrência a termos do título. Essa característica na atribuição das
palavras-chave demonstra uma prerrogativa comum na especificação temática dos trabalhos sobre
biblioteca universitária.
Estudos futuros podem se dedicar a explorar as palavras-chave mais utilizadas nas edições
do SNBU, parametrizando o desenho temático do evento. Há ainda, a possibilidade de identificar a
ocorrência dos termos empregados também no texto, correlacionando às seções em que aparecem,
visando depreender de onde derivam, assim como a motivação para sua utilização.

�REFERÊNCIAS
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em artigos científicos na área de ciências agrárias publicados no período de 1999 a 2011.
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Biblioteconomia&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Indexação de assunto no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias: enfoque analítico sobre as palavras-chave atribuidas pelos autores.</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Goiânia (Goiás)</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Aborda a indexação de assunto no contexto científico, considerando as palavras-chave que acompanham os resumos documentários das publicações. Fundamenta-se teoricamente sobre o processo de indexação, discutindo-o também junto às produções científicas, entendendo que nesse âmbito, se configura a partir das palavras-chave empregadas pelo autor da publicação. Objetiva analisar as características da indexação realizada pelos autores nos trabalhos publicados junto aos anais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Metodologicamente, constitui estudo descritivo de natureza quantitativa, com teor analítico bibliográfico e bibliométrico. Tem como corpus de pesquisa 187 trabalhos, na forma de comunicações, apresentados na última edição do referido evento, realizada no ano de 2018. Os resultados demonstram que a indexação pelo autor no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias é prioritariamente seletiva, utilizando termos compostos e no singular, uma pequena parcela de siglas e expressões estrangeiras, mas, significativamente embasada em palavras derivadas do título dos trabalhos. Conclui-se que os autores
que submetem ao evento se pautam pelo assunto principal dos trabalhos para indexá-los, trazendo especificações a partir dos radicais e da combinação dos termos, com grande recorrência ao título para a especificação temática via palavras-chave.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas
BIBLIOTECA NA REDE: O USO DA REDE SOCIAL INSTAGRAM NO
COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES
LIBRARY ON THE NET: THE USE OF THE SOCIAL NETWORK INSTAGRAM IN THE SHARING
OF INFORMATION
Claudina Assunção de Moraes1
Thiago Giordano de Souza Siqueira2

Resumo: A investigação aborda as redes sociais como uma ferramenta de promoção da aprendizagem na web, por
meio do perfil de uma biblioteca universitária no Instagram . A rede social existe desde 2018, mas os dados coletados e
estudados foram do período de abril a dezembro de 2020, em decorrência da pandemia as atividades tornaram-se
totalmente online e a rede social passou a desempenhar função protagonista em relação a conexão entre os profissionais
bibliotecários e seus usuários. Trata da mudança na forma de comunicar notícias onde passaram a abranger informes
relacionados a toda comunidade acadêmica, a biblioteca passou a ofertar serviços direcionados a educação. Com maior
interação entre usuário e bibliotecário, surgiram as demandas via chat na rede social (direct), cada demanda foi
aproveitada planejamento de conteúdo para futuras publicações na rede. Durante o período de pesquisa, também foram
realizados atendimentos de usuários que apesar da ampla oferta de webnars optaram por atendimentos individualizados,
com produção de material adaptado conforme seus conhecimentos prévios no assunto tratado, estreitando assim o
vínculo entre o bibliotecário e o usuário. As demandas levaram a necessidade por automatizar ao máximo os processos
das atividades relacionadas ao direct, como a implementação de horário de expediente e mensagens automáticas de
atendimento. O objetivo é tornar a interação da Rede Social conforme os padrões da web 2.0 onde há interação entre
usuário e bibliotecário, ocasionando constantes mudanças nesse percurso em decorrência dos novos eventos.

Palavras-chave: biblioteca, web, interação, aprendizagem, rede social, Instagram.
Abstract: The investigation approaches social networks as a tool to promote learning on the web, through the profile of
a university library on Instagram. The social network has existed since 2018, but the data collected and studied were
from April to December 2020, as a result of the pandemic, activities became completely online and the social network
started to play a leading role in relation to the connection between professionals librarians and their users. It deals with
the change in the way of communicating news where it began to cover reports related to the entire academic
community, the library started to offer services directed to education. With greater interaction between user and
librarian, demands arose via chat on the social network (direct), each demand was used to plan content for future
publications on the network. During the research period, calls were also made to users who, despite the wide offer of
webnars, opted for individualized calls, with the production of material adapted according to their previous knowledge
on the subject treated, thus strengthening the link between the librarian and the user. The demands led to the need to
fully automate the processes of activities related to direct, such as the implementation of office hours and automatic
service messages. The objective is to make the interaction of the Social Network according to the web 2.0 standards
where there is interaction between user and librarian, causing constant changes in this path as a result of new events.

Keywords: library, web, interaction, learning, social network, Instagram

1

Mestranda em Tecnologias Emergentes da Educação, Musta University. Pós graduação em Gestão de Arquivos e
Informações, Instituto AVM. Bibliotecária na Universidade Federal do Amazonas. camclaudina@gmail.com
2
Mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação, Universidade de Buenos Aires. Bibliotecário na Universidade
Federal do Amazonas. thiago.giordano@gmail.com

�1 INTRODUÇÃO
A aprendizagem não se limita à sala de aula, se estende a Instituição de Ensino até chegar à
Biblioteca. Esta investigação é um estudo de caso exploratório-descritivo, realizado em uma das 7
bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB), a

Biblioteca Setorial de Ciências Exatas e Engenharias (BSCEE). A pesquisa se deu de modo qualiquantitativa por meio de avaliação do seu desempenho na rede Social Instagram e pesquisa
bibliográfica. Em decorrência do período pandêmico do novo corona vírus (SARS-COV-2)
enfrentado em 2020 notou-se mudança nas práticas dos serviços que passaram a ser remotos e a
rede social tornou-se protagonista no atendimento aos usuários da comunidade universitária, fato
que ocasionou o tema desta pesquisa onde os dados foram coletados de março a dezembro de 2020.
Concentrou-se no compartilhamento de informações do perfil social, as atividades tornaram-se
Home Office e a Biblioteca assumiu uma postura informativa a notícias referentes a aos produtos e
serviços ofertados pela biblioteca (webnares, cursos, treinamentos, difusão de recursos educacionais
de fomento ao ensino e aprendizagem) para a comunidade acadêmica, a partir dessas interações
resultaram em novas demandas de serviços tais como ensino dirigido também chamado de
Adaptative Learning e uma necessidade por automatizar alguns serviços, visto que conforme ocorra
o crescimento do número de seguidores também ocasionará aumento das demandas, com isso a
incerteza de atendimento em tempo hábil..

2 Desenvolvimento

2. 1 A biblioteca como agente informacional
Nas práticas educacionais, a Biblioteca tem papel fundamental nas práticas educacionais, ela
interage diretamente com pelo menos dois atores nesse processo: docentes e discentes, o discente
realiza sua pesquisa com determinada ideia pré-estabelecida geralmente formada por um autor

�específico, e passará a ter uma percepção de outros autores a partir dos documentos aos quais teve
acesso para leitura. Como exemplo pode-se citar um aluno cujo procura determinado livro sobre
Cálculo aplicado de um autor específico, mas todos os exemplares dessa obra estão indisponíveis,
cabe ao Bibliotecário a tarefa de indicar outra obra de conteúdo similar e talvez até com uma
temática mais didática para os estudos.
Enquanto serviços presenciais, a Biblioteca também realizava orientações em grupo
(treinamentos ou cursos), onde eram apresentados os produtos oferecidos pelo SISTEBIB tais
como:
● Pesquisa com estratégias de busca: uso de operadores boleanos, criação de termos de
busca;
● Bases de dados: portais de periódicos e artigos científicos;
● Utilização dos Repositórios Institucionais e Biblioteca de Teses e Dissertações;
●

Orientação para Normalização de Trabalhos Científicos segundo Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), dentre outras orientações.

Com o passar do tempo a Biblioteca identificou-se a necessidade estratégica de aproximar os
conteúdos ao perfil do público, cada vez mais jovem e por sua vez mais conectado nas redes sociais,
quando em 2018 foi criada o perfil da Biblioteca no Instagram3, observou-se maior sintonia entre os
alunos e a biblioteca, nesta mesma época também foi observado que postagens humorísticas
(memes4) tinham melhores envolvimentos com o público.

3
4

Perfil no Instagram @bibliotecabscee

Meme: “são imagens, vídeos ou gifs de conteúdo engraçado, e que acabam se espalhando na internet por
meio das redes sociais ou fóruns.” mas a palavra foi usada primeiramente pelo biólogo Richard Dawkins
“para descrever uma forma de propagação cultural. Assim como o gene tem a capacidade de repassar a

�Sabe-se que na primeira década deste século acentua-se a discussão de uma temática mais
ampla a respeito da chamada sociedade da informação e da chamada sociedade do
conhecimento. As facilidades oferecidas pelos recursos de informação e comunicação
associadas com a informática viabilizaram novas estratégicas de acesso ao conhecimento.
Mas não apenas isso, estas transformações apresentam profunda influência nas normas,
princípios e valores que norteiam a vida social dos indivíduos, bem como dos profissionais
bibliotecários e dos usuários de bibliotecas Universitárias. (SOUZA; SILVA, 2014, p. 115)

Conforme citado acima, os recursos tecnológicos ligados à comunicação e internet só vieram
a acrescentar. Tecnologia esta que foi consolidada a partir do evento Pândemico que tornou as
atividades totalmente remotas, com a inserção do trabalho Home Office, com isso a rede social
Instagram passou a funcionar como um dos meios de comunicação conforme figura 1, o Instagram
encontra-se como o ponto de partida para as práticas da web 2.0.

A rede social do
Instagram

então

passou a ser usada
como

ferramenta

de transmissão de
aprendizagem tanto
para

discentes,

Figura 1 Fonte: Autoria própria, 2021
Figura SEQ Figura \* ARABIC 1 Fonte: Própria autora, 2021

docent

es como para a Comunidade em geral.

informação genética de uma pessoa, o meme poderia se espalhar entre os individuos, propagando uma ideia
ou comportamento” (STEIN, 2020)

�2.1.1 Compartilhamento de produtos e serviços
A partir de março de 2020 com o serviço remoto, a Biblioteca passou a dedicar-se mais nas
práticas do ensino a distância, conforme apresentado na imagem a seguir. Os bibliotecários
passaram a ofertar cursos de Guia
em Bases de Dados assim como
também

para

o

ferramentas que

uso

de

auxiliam

normalização

de

acadêmicos

tais

na

trabalhos
como

“Mendeley” e “Endnote Web”
conforme na imagem ao lado.
Essa

demanda

de

compartilhamentos de conteúdo

Figura 2 Fonte: Instagram @bibliotecabscee, 2020

levou a outro desafio, os links (endereços da web) para realização de inscrições, pois o Instagram
permite que somente um link seja informado, cujo fica disposto na “Bio” do perfil. Empregou-se o
site Linktree5 em sua versão gratuita, de modo a organizar e disponibilizar todos os endereços de
sites referentes as notícias compartilhadas no feed além de alguns endereços para consulta pública
tais como o site do Sistema de Bibliotecas, o Portal da Universidade, Repositório Institucional e
Biblioteca de Teses e Dissertações por exemplo.
Dessa forma foram intensificadas as práticas de compartilhamentos de notícias acerca sobre
e para a Comunidade Acadêmica, dos treinamentos e webinares, dos produtos e serviços oferecidos
5

URL: https://linktr.ee/

�pelo Sistema de Bibliotecas, resultando num maior envolvimento com os usuários com inscrições
realizadas. Essa prática relatada está em conformidade com as idéias de (MANESS, 2007), quando
afirma que “os usuários interagem e criam recursos (conteúdo) uns com os outros e com os
bibliotecários. De várias formas, é uma realidade virtual para Bibliotecas, uma manifestação Web
da biblioteca como lugar. ”.
Com maiores visualizações vieram também as demandas e interações com o público, em sua
maioria pelo Chat, conhecido como direct. As interações no período de pesquisa se deram conforme
figura 3:
No período retratado,
foram

realizados

41

atendimentos, e categorizados
consoante as demandas dos
usuários,

a

atendimentos

partir

desses

passaram

a

surgir dados para criação de
novos conteúdos ou até ofertas
de serviços.
Figura 3 Fonte: Autoria própria, 2021

Outro dado de destaque

foram as orientações individuais solicitadas pelos usuários 6, que apesar da vasta oferta por webnares
observou-se preferência por um ensino personalizado, no gráfico categorizado como orientação

6

Por ser uma rede social, não existe controle de usuários, podendo ser da comunidade acadêmica ou não. O
atendimento não visa diferenças e foi realizado com o mesmo cuidado em todas as ocasiões.

�individual, mas também podendo ser chamado de Adaptative Learning que será tratado no
subtópico a seguir.
Conforme figura 3 surgiram as demandas de pedidos de compartilhamentos de serviços
administrativos de outros setores da Universidade. Passando a ser adotao então adotado o
compartilhamento em larga escala de conteúdo de interesse à Comunidade Acadêmica, servidores e
comunidade acadêmica, Com isso fora notado maior envolvimento com o público chegando a um

crescimento de 25% conforme a postagem a seguir, que trata de uma webnar acerca do processo de
progressão dos servidores da Universidade.

Figura 4 Fonte: Autoria própria, 2021

Outro método de publicações já adotado antes do período de pesquisa e sempre com
resultados positivos é a utilização de memes, de modo humorado a Biblioteca passa alguma
informação de aos seus usuários. Como afirma (FARIAS, 2018, p. 12) “Essa nova era de linguagem
e expressão beneficia a todos, mas tem agradado muito a juventude. A geração que já nasceu com
celulares ou tabletes a disposição dedica grande parte do seu tempo para a apreciação”, os memes

�têm ligação direta com o público mais jovem, ocasionando maiores interações como curtidas e
comentários nas postagens, também atua como ponto de distração em meio à realidade vivida no
ano de 2020.

2.1.2 Prestação de Serviços de Serviços de atendimentos por meio de Chats
Com base no gráfico da Figura 3, o atendimento de orientação dirigida já utilizado em
outros tempos dentro da Biblioteca de forma presencial migrou para web, quando foi recebido
demandas de alunos quanto Normalização, consulta de artigos científicos, orientação para uso do
Repositório Institucional, depósito de Dissertações e Teses, assim como orientações até então não
solicitadas como por exemplo uso de ferramentas da web7.
“... sala de aula invertida colabora com os professores possibilitando a personalização do
processo de ensino e aprendizagem para cada aluno, além de possibilitar, por meio das
tecnologias, o ensino adaptativo (adaptive learning), que permite ao aluno avançar nos
estudos considerando seus gaps e seu ritmo de aprendizagem.” (LOMBARDOZZI, 2015, p.
8)

Como assinala Lombardozzi, o ensino passou a
ser dirigido conforme a demanda do aluno. Onde
previamente

era

repassada

a

uma

bibliotecária

disponível que avaliava o “nível” do aluno, para criação
de material novo ou adequação de um já existente, e por
meio uma videochamada pelo Meet o atendimento era

Figura 4 Autoria própria, 2021
7

Uso de apresentadores como Prezi, Canva, ferramentas Google.

�realizado. Resultando assim nas práticas do ensino Adaptative Learning.
O material foi produzido sob o nível de familiaridade do mesmo em relação ao formato de
imagens e suas usabilidades, sites para pesquisas gratuitas de fotos ou ilustrações, e sites para
criação dos variados tipos de posts nos formatos estáticos ou animados. Na ocasião foi realizada
uma reunião por meio vídeo chamada, com tela compartilhada junto ao material disponibilizado no
formato PDF para visualização e fixação do conteúdo.
Outro fator de destaque nesse período foi a inclusão de um horário de atendimento, algo não
implementado anterior à pandemia pela falta de demanda após seu expediente 8. Realidade alterada
em decorrência da nova prática de Home Office, o que levou a pesquisa por meios de delimitar o
atendimento aos usuários, de modo que não ficassem sem alguma resposta para ocasionais
perguntas fora do período de serviço.
O perfil do Instagram que desde a sua criação fora alterado para o modo “comercial”, então
foi realizado pesquisas acerca das funcionalidades desse perfil, de modo que possibilitasse o
atendimento automatizado.
Dessa maneira foi possível estruturar respostas automáticas do próprio sistema para usuários
que contatassem fora do horário de expediente, pois recebem mensagem de aviso informando do
atendimento no próximo dia útil. Esse recurso também permitiu a gravação de respostas
automáticas para algumas perguntas frequentes, afacilitando a gestão de atendimentos e
possibilitando maior celeridade aos atendimentos mais simples.

8

A Biblioteca Setorial de Ciências Exatas e Engenharias funcionava de segunda à sexta de 8h às 20h. E com
a migração para o online, os questionamentos passaram a surgir em finais de semana e fora de expediente.

�2.1.1 Obter um feedback rápido
Ao ampliar o conceito de aprendizagem para fora de sala de aula, um desses ambientes vem
a ser a Rede Social, onde com seu ambiente informal permite transmitir conhecimento,
informações, estabelecer um feedback rápido por meio de curtidas, visualizações e conversas diretas
no feed. Como reitera (SANTOS, 2020, p. 5) a “educação não formal permite um processo
educacional menos hierarquizado, burocrático, e é desenvolvido fora do ambiente formal de ensino,
em que a certificação não é um requisito no final do processo de aprendizagem. É a educação que
ocorre em movimentos sociais...”.
Então pode-se afirmar que o feedback de aprendizado dar-se por meio das interações obtidas
dos usuários, nos feedbacks com as dúvidas que geraram novos conteúdos para informação na
plataforma. Assim como a constante busca por ferramentas que viabilizem melhor interação com
usuários cada vez mais automatizadas.

3 Considerações Finais
Considerando que a aprendizagem é algo natural e livre de uma “sala de aula” bastando ser
criado seu ambiente de aprendizagem, foi apresentado neste paper a atuação de uma biblioteca
setorial universitária na rede Social Instagram no ano de 2020 durante a Pandemia do COVID-19.
Onde sua função principal foi informar e conforme surgiam dúvidas equivalentes ao conhecimento
dos profissionais bibliotecários, tornou assim uma ponte entre o profissional e seu usuário final.
Alguns desafios terão continuidade, pois ainda existem ferramentas desconhecidas no Instagram, e
seu uso poderá tornar mais eficiente e intuitivos no atendimento aos usuários com respostas
automáticas para as perguntas frequentes sem a necessidade de um atendente online. Como desafio

�constante sempre o maior alcance da informação por meio de mais seguidores e maiores
visualizações, que serão possíveis mediante maior engajamento de usuários assim como uma
programação de publicação de conteúdo. O perfil da rede Social do Instagram não existe para
avaliar o nível de conhecimento do usuário, está vinculada em trazer soluções, seja por meio de uma
publicação informativa ou de atendimento individual personalizado, para assim atingir o objetivo da
Biblioteca Universitária que é o ensino, pesquisa e extensão.

Referências
FARIAS, L. G. MEMES COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA: A IRREVERÊNCIA E A
CRITICIDADE CRITICIDADE DAS REDES SOCIAIS NA SALA DE AULA. Porto Alegre:
[s.n.].
LOMBARDOZZI, C. Tendências Educacionais : Blended Learning , Flipped Classroom e
Adaptive Learning Tendências Educacionais : Blended Learning ,. [s.l: s.n.].
MANESS, J. M. TEORIA DA BIBLIOTECA 2.0: Web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas.
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia, v. 2, n. 2, p. 43–51, 2007.
SANTOS, T. DOS. Tendências educacionais: e-learning e o papel do professor. Must University,
p. 16, 2020.
SOUZA, F. DAS C. DE; SILVA, A. C. P. DE O. DA. Práticas éticas em bibliotecas e serviço de
informação: Investigações brasileiras. 1a ed. Rio de Janeiro: [s.n.].

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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A investigação aborda as redes sociais como uma ferramenta de promoção da aprendizagem na web, por meio do perfil de uma biblioteca universitária no Instagram . A rede social existe desde 2018, mas os dados coletados e estudados foram do período de abril a dezembro de 2020, em decorrência da pandemia as atividades tornaram-se totalmente online e a rede social passou a desempenhar função protagonista em relação a conexão entre os profissionais bibliotecários e seus usuários. Trata da mudança na forma de comunicar notícias onde passaram a abranger informes relacionados a toda comunidade acadêmica, a biblioteca passou a ofertar serviços direcionados a educação. Com maior interação entre usuário e bibliotecário, surgiram as demandas via chat na rede social (direct), cada demanda foi aproveitada planejamento de conteúdo para futuras publicações na rede. Durante o período de pesquisa, também foram realizados atendimentos de usuários que apesar da ampla oferta de webnars optaram por atendimentos individualizados, com produção de material adaptado conforme seus conhecimentos prévios no assunto tratado, estreitando assim o
vínculo entre o bibliotecário e o usuário. As demandas levaram a necessidade por automatizar ao máximo os processos das atividades relacionadas ao direct, como a implementação de horário de expediente e mensagens automáticas de atendimento. O objetivo é tornar a interação da Rede Social conforme os padrões da web 2.0 onde há interação entre usuário e bibliotecário, ocasionando constantes mudanças nesse percurso em decorrência dos novos eventos.</text>
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                    <text>Eixo 2 – Práticas
CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DE FONTES DE INFORMAÇÃO DIGITAL
DIGITAL INFORMATION SOURCES EVALUATION CRITERIA
Vítor Vasata Macchi Silva1
Andreia Petró da Rosa2
Resumo: Apresenta um estudo que objetiva identificar critérios que podem ser utilizados para determinar a
confiabilidade e a credibilidade de fontes de informação digital. Destaca aspectos que caracterizam a informação
digital e a avaliação de fontes de informação digital. Duas fases compõem os procedimentos metodológicos e
norteiam o desenvolvimento do trabalho: a primeira detalha aspectos que podem ser observados para que sejam
avaliadas tais fontes de informação e a segunda discute os resultados alcançados e identifica perigos que podem
decorrer do compartilhamento de informações sem que haja a avaliação da credibilidade de suas fontes. Os
resultados destacam quatro aspectos que devem ser observados durante a avaliação de fontes de informação
digital: autoridade, objeto, interface e sistema. Conclui que a avaliação correta da credibilidade das fontes de
informação digital corresponde a uma atividade de vital importância, pois pode inibir uma série de contratempos
para quem disponibiliza a informação e, principalmente, para quem utiliza as informações providas por tais
fontes.
Palavras-chave: Fontes de informação. Avaliação de fontes de informação. Informação digital.
Abstract: Presents a study that aims to identify criteria that could be used to determine reliability and credibility
of digital information sources. Highlight aspects that characterize digital information and evaluation of digital
information sources. Two steps compose the methodology and guide the study development: the first one detail
aspects that could be observed to evaluate such information sources and the second discuss the results achieved
and identify problems that could arrive from information sharing without evaluating credibility of information
sources. The results highlight four aspects that should be observed over evaluations of digital information
sources: authority, object, interface and system. Concludes that evaluate digital information sources credibility
corresponds to an important activity, because this evaluation could inhibit setbacks to who share information
and, mainly, to who uses the information provided by such sources.
Keywords: Sources of information. Evaluation of information sources. Digital information.

1

Bacharel em Biblioteconomia e em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia de Produção.
vasata@hotmail.com.
2
Bacharel em Biblioteconomia. andreia.petro@hotmail.com.

�1 INTRODUÇÃO
A informação pode ser vista como algo que, mesmo retirada do fluxo cotidiano, pode ser
inserida em um processo de comunicação específico (JORENTE; SANTOS, 2014). Neste
cenário, segundo Jorente e Santos (2014), a informação corresponde àquele aspecto que pode
ser extraído da correnteza ininterrupta das virtualidades possíveis e pode ser formatado,
registrado e representado sobre suportes. Capurro e Hjorland (2007), de modo complementar,
destacam que informação é aquilo que pode responder questões importantes relacionadas às
atividades de um grupo-alvo. A geração, coleta, organização, interpretação, armazenamento,
recuperação, disseminação e transformação da informação deve, portanto, ser baseada em
visões e teorias sobre os problemas, questões e objetivos que a informação deverá satisfazer
(CAPURRO; HJORLAND, 2007).
A informação digital corresponde àquela informação que pode ser acessada em todo o
mundo, copiada para preservação, armazenada e recuperada rapidamente (CUNHA, 2008).
Neste cenário, segundo Cunha (2008), entende-se que uma coleção de informação digitalizada e
organizada (uma biblioteca digital) tem um potencial informacional que dificilmente será
alcançado por alguma biblioteca convencional. Isso se justifica, pois, segundo esse autor, tal
coleção pode ser entregue diretamente na mesa do usuário. Além disto, tal organização permite
a execução de estratégias de busca por palavras isoladas ou por expressões inteiras; o seu
conteúdo informacional, por sua vez, seja ele textual, sonoro ou em imagens, não sofre os
desgastes naturais decorrentes do uso intensivo do documento impresso.
Uma fonte de informação pode corresponder a um manuscrito, a uma publicação
impressa ou a um objeto, como obra de arte ou peça museológica (CUNHA, 2001). No entanto,
com o surgimento da Internet e a evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação, foi
modificado o processo de busca e acesso a conteúdos informacionais. Isso ocorreu, pois os
novos recursos tecnológicos possibilitaram o acesso mais rápido e sem barreiras geográficas às
fontes de informação (INAFUKO; VIDOTTI, 2012). Neste contexto, o crescimento dos
recursos disponíveis na internet e o aumento da facilidade de acesso à rede fez com que novas
formas de busca e de disponibilização da informação surgissem. Assim, as fontes de informação
tradicionais, como livros e jornais impressos, passaram a dividir espaço com recursos
informacionais, como sites de busca, bibliotecas digitais e repositórios (TOMAÉL et al., 2001).

�Rodrigues e Blattmann (2014) complementam ao destacar que, com o aumento do
número de usuários, serviços e acessos à Internet, o ambiente digital tornou-se uma
indispensável fonte de informação. Neste cenário, Brum e Barbosa (2009) destacam que
distintas tipologias de fonte de informação caracterizam a internet. São elas: listas de discussão;
correio eletrônico (e-mail); informativos via correio eletrônico (newsletters); informativos
comerciais via correio eletrônico; salas de bate papo virtual (chat); mensageiros instantâneos
(instant messengers); sítios de busca ou ferramentas de busca, intranets, extranets e os próprios
sites disponíveis na web.
Sales e Almeida (2007), de modo consonante, destacam que a internet, a qual era
utilizada inicialmente para fins científicos e acadêmicos, revolucionou o processo de busca de
informação. No entanto, apesar dos aspectos positivos inerentes à própria existência dessa teia
comunicacional e informacional, grandes problemas passaram a resultar em obstáculos na busca
de uma informação (TOMAÉL et al., 2001). Entre esses problemas, segundo Tomaél et al.
(2001), destacam-se a dificuldade em delimitar a confiabilidade das informações coletadas e,
também, a dificuldade de determinar a autoridade de sites especializados em uma área do
conhecimento.
A partir dos aspectos citados, aponta-se que o objetivo geral deste trabalho é identificar
critérios que podem ser utilizados para determinar a confiabilidade e a credibilidade de fontes
de informação digital. O objetivo específico, por sua vez, é identificar os perigos que decorrem
do compartilhamento de informações sem que haja a avaliação da credibilidade de suas fontes.
Tal estudo se justifica pelo crescente número de informações compartilhado na web e, também,
pela ausência de uma lista de critérios que oriente a tomada de decisão quanto à confiabilidade e
à credibilidade de fontes de informação digital. Neste cenário, compreender os aspectos que
caracterizam a informação digital, e apresentar os critérios que podem ser utilizados para a
seleção de suas fontes, deve contribuir para a diminuição do compartilhamento de informações
errôneas ou imprecisas.
As próximas seções apresentam: (i) o referencial teórico que explicita os conceitos
abordados no estudo; (ii) os procedimentos metodológicos adotados para que os objetivos deste
trabalho fossem atendidos; (iii) os resultados e a discussão dos aspectos observados; e (iv) as
considerações finais sobre o estudo desenvolvido.

�2 REFERENCIAL TEÓRICO
Esta seção divide-se em: (i) informação digital; e (ii) avaliação de fontes de informação
digital.
2.1 Informação digital
Uma informação disponível em meio digital pode estar presente em diversos objetos
digitais, ser armazenada em distintos suportes e, também, ser acessada de diversas formas
(GRÁCIO; FADEL, 2010). Compreende-se, assim, segundo Grácio e Fadel (2010), que essa
diversidade nas formas de suporte e acesso é uma das principais diferenças entre a informação
disponível em meio digital e a informação armazenada em um meio analógico, como o papel.
Araya e Vidotti (2010), de modo complementar, destacam que a informação digital, comparada
com a informação analógica, é aquela codificada em um formato que o computador pode
interpretar (codificação binária). Neste cenário, segundo essas autoras, a computabilidade
(necessidade de um computador acompanhando um software ou um algoritmo preciso) é uma
de suas propriedades.
A informação digital, quando acessada por meio da Internet, traz consigo uma das
principais características que a distingue da informação em meio analógico: o hipertexto. Neste
cenário, segundo Sales e Almeida (2007), a possibilidade de uma leitura não linear, ou seja,
uma exploração de informações que não fica restrita ao caminho proposto pelo suporte,
possibilita que o usuário acesse a informação da maneira que lhe for mais adequada, por meio
de links que o levam a outros conteúdos. Dessa forma, o próprio leitor tem controle sobre quais
conteúdos acessar e, também, sobre a ordem que julgar mais adequada (SALES; ALMEIDA,
2007).
Outro elemento importante a ser relacionado com a informação digital é a preservação
do conteúdo disponibilizado nesse formato. Arellano (2004), neste âmbito, destaca que, com o
aumento da produção de informação em formato digital, tem sido questionada cada vez mais a
importância de se ter garantida a sua disponibilização e a sua preservação por longos períodos
de tempo. Ferreira (2006), de modo complementar, ressalta que o papel da preservação digital é

�garantir que seja possível a comunicação entre um emissor e um receptor, mesmo que ocorram
mudanças nas ferramentas responsáveis pela transmissão da informação digital.
2.2 Avaliação de fontes de informação digital
O processo de avaliação consiste na verificação de requisitos a serem observados a partir
de critérios previamente estabelecidos. No que se refere à informação, mais especificamente a
digital, a avaliação tenciona verificar sua qualidade sob diversos aspectos como autenticidade,
relevância e atualidade. Tomaél et al. (2001), neste âmbito, destaca que avaliar fontes de
informação virtual possibilita verificar a inconstância de sua qualidade, a qual pode ser
observada a partir de seu conteúdo e sua apresentação.
Ademais, Lopes (2004) destaca a qualidade como importante filtro que auxilia a
minimizar o excedente de informações disponibilizadas, especialmente em meio digital onde
seu crescimento se dá de modo exponencial. De modo convergente, Sales e Almeida (2007)
salientam que este crescimento exponencial suscita o esforço de avaliar as fontes de informação,
sendo imprescindível a elaboração de critérios para este fim.
Tendo em conta que a internet proporcionou condições mais céleres e dinâmicas de
comunicação, compartilhamento e acesso a informação, conduzindo a produção de novas
informações em um fluxo vertiginoso, bem como possibilitando sua publicação sem revisões,
filtragens ou avaliações preliminares, e gratuitamente, Salvador-Oliván (2001) destaca a
importância da avaliação da qualidade não só desta informação disponibilizada de forma caótica
e descontrolada, mas também dos sistemas utilizados para sua recuperação.
Assim a avaliação de fontes de informação corresponde a um fator cada vez mais
importante, pois, segundo Hjorland (2011), a informação deixou de ser um recurso escasso para
se tornar um recurso abundante em nossa sociedade. Neste cenário, por consequência, o desafio
enfrentado pelas bibliotecas e centros de informação deixou de ser ajudar os usuários a
encontrar informações e passou a ser ajudá-los a selecionar a informação mais confiável.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta seção divide-se em: (i) caracterização do método de pesquisa; (ii) caracterização do
método de trabalho.

�3.1 Caracterização do método de pesquisa
Este estudo é considerado uma pesquisa aplicada, pois objetiva buscar novos
conhecimentos e é orientada para um fim ou objetivo específico (DE MARCHI, 2005). Isso
ocorre, pois pretende-se, a partir de pesquisa bibliográfica, identificar critérios que podem ser
utilizados para avaliar fontes de informação digital. Quanto à natureza, este estudo é
considerado exploratório, pois, conforme afirma Gil (2010), pesquisas exploratórias
caracterizam-se por proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo
mais explícito.
A abordagem a ser utilizada para atingimento dos objetivos propostos é a abordagem
qualitativa, a qual se caracteriza por incorporar os conhecimentos adquiridos nas análises. A
técnica de pesquisa escolhida foi a de pesquisa bibliográfica, pois, conforme afirma Gil (2010),
essa técnica se distingue por permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos
muito mais ampla do que aquela que poderia ser pesquisada diretamente.
3.2 Caracterização do método de trabalho
Para atingimento dos objetivos propostos neste estudo, o método de trabalho foi dividido
em duas etapas. Na primeira etapa foram identificados estudos que abordam o tema “avaliação
de fontes de informação digital”. Posteriormente buscou-se detalhar os aspectos que
caracterizam a avaliação de fontes de informação desse tipo. A partir de tal detalhamento, foram
propostas categorias de análise que devem ser observadas durante a avaliação de fontes de
informação digital. A segunda etapa, de modo complementar, caracterizou-se por discutir os
resultados alcançados na primeira etapa. Além disto, esta etapa também se caracterizou por
identificar os perigos que decorrem do compartilhamento de informações sem que haja a
avaliação da credibilidade de suas fontes.

�4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esta seção divide-se em: (i) critérios para definição de confiabilidade e credibilidade de
fontes de informação e (ii) discussão.
4.1 Critérios para definição de confiabilidade e credibilidade de fontes de informação
Para realizar a avaliação de fontes de informação, Hjorland (2011) destaca que um
método muito popular entre bibliotecários e especialistas em informação é o checklist. Neste
âmbito, Skov (2000)3 apud Hjorland (2011) e Tomaél et al. (2001) propuseram oito e dez
critérios, respectivamente, que podem ser utilizados em um checklist para a avaliação de fontes
de informação. No Quadro 1 são apresentados os critérios apresentados por esses autores e é
proposto um detalhamento que apresenta questões que podem auxiliar na compreensão desses
critérios. São apresentadas também as macro-categorias em que se enquadram os critérios
citados por esses autores.
Quadro 1 - Critérios para avaliação de fontes de informação digital
Macrocategoria

Skov (2000)

Tomaél et al. (2001)
Informações de
identificação

Autoridade

3

Autoridade /
Responsabilidade

Suporte ao usuário
Consistência das
informações

Detalhamento
São disponibilizados dados detalhados da
pessoa física ou jurídica responsável pelo
site?
São disponibilizados elementos que
fornecem auxílio aos usuários e que são
importantes no uso da fonte?
São detalhadas e completas as informações
disponibilizadas?
O autor da fonte demonstra
formação/especialização?

Objeto

Conteúdo

Objeto

Adequação à
proposta

Adequação da fonte

A linguagem utilizada é adequada ao
objetivo da fonte?

Sistema

Atualização

Links

Existem recursos ativos que complementam
as informações percebidas e permitem
acesso a outras fontes?

Confiabilidade das
informações

SKOV, A. Kvalitetsvurdering af web-sider [texto em dinamarquês]. 2000.

�Macrocategoria

Skov (2000)

Tomaél et al. (2001)
Facilidade de uso

Detalhamento
É fácil explorar/navegar no documento?
Existem recursos que auxiliam o deficiente
no uso da fonte?

Interface

Navegação

Interface

Design/Estilo

Lay-out da fonte

As mídias utilizadas são relevantes e
coerentes? O texto é legível?

Sistema

Disponibilidade

Restrições percebidas

Existem direitos de uso que impedem a
navegação? O servidor está disponível?

Outras observações
percebidas

A partir da análise do Quadro 1, pode-se perceber que os oito critérios propostos por
Skov (2000) se relacionam diretamente com os critérios propostos por Tomaél et al. (2001), os
quais são apresentados de forma mais detalhada. O critério "conteúdo", por exemplo,
apresentado por Skov (2000), foi apresentado por Tomaél et al. (2001) como "consistência das
informações" e "confiabilidade das informações", aspectos que, se analisados, podem garantir
que as informações disponibilizadas pela fonte são completas e confiáveis.
Além do aspecto citado, destaca-se que, a partir da análise do Quadro 1, pode-se
perceber que os critérios de avaliação de fontes de informação digital podem ser agrupados em
quatro macro-categorias relacionadas aos seguintes elementos: autoridade, objeto, interface e
sistema. Neste âmbito, destaca-se que o critério autoridade relaciona-se com a possibilidade de
identificação dos responsáveis pela fonte de informação; o critério objeto se relaciona com a
consistência e a confiabilidade das informações e, também, com a adequação desses elementos
à proposta da fonte de informação; o critério interface se relaciona com o design da fonte e,
também, com a facilidade de uso da fonte de informação; e o critério sistema, por fim, se
relaciona com a disponibilidade do servidor e dos links disponibilizados pela fonte de
informação.
4.2 Discussão
Os documentos digitais podem ser vistos como importantes fontes de informação, visto
que o número de usuários que acessam a esses documentos é cada vez maior. O aumento do
número de fontes de informação disponíveis em meio digital e virtual, no entanto, resulta em
uma dificuldade para os usuários, pois aumenta a complexidade do processo de escolha da fonte
de informação mais adequada para cada informação que é buscada. Além disto, conforme
apresenta Eppler (2006), a qualidade da informação disponível em meio digital também pode

�ser afetada por aspectos como a sobrecarga de informação, o erro de julgamento de
informações, a interpretação errada da informação e o uso indevido de informação.
No cenário apresentado, torna-se mandatório o estabelecimento de critérios para a
avaliação de fontes de informação digital. Neste âmbito, a proposta deste trabalho é que as
fontes de informação digital sejam avaliadas conforme quatro macro-critérios: autoridade,
objeto, interface e sistema. Quanto aos elementos a serem avaliados em cada um desses
critérios, propõe-se que sejam avaliados os aspectos citados por Skov (2000) apud Hjorland
(2011) e Tomaél et al. (2001) a partir do detalhamento em forma de questões proposto neste
trabalho. Desta forma, espera-se que seja assegurado que as fontes utilizadas forneçam
informações adequadas, confiáveis, atualizadas e precisas.
O perigo que decorre do compartilhamento de informações sem que haja a avaliação da
credibilidade de suas fontes pode ser inestimável – como, por exemplo, para informações
relacionadas à área da saúde. Em outras áreas, o retrabalho que tal compartilhamento pode gerar
também pode ter grandes proporções. Isso se justifica, pois trabalhos que utilizam informações
incorretas em seu desenvolvimento podem requerer meses para serem corrigidos. Além destes
casos, a propagação de informações imprecisas por parte de uma instituição pode resultar no
prejuízo da imagem desta e, também, na necessidade de emissão erratas e comunicados de
retratação. Compreende-se, assim, que avaliar corretamente as fontes de informação que são
utilizadas, seja ela digital ou não, corresponde a um aspecto de vital importância para pessoas e
organizações, pois pode inibir contratempos como retrabalho e prejuízo de imagem.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste trabalho foi identificar critérios que podem ser utilizados para
determinar a confiabilidade e a credibilidade de fontes de informação digital. A partir de
pesquisa bibliográfica foram identificadas quatro macro-categorias que podem orientar a
avaliação de tais fontes: autoridade, objeto, interface e sistema. Neste âmbito, foi identificado,
também, que os aspectos citados por Skov (2000) apud Hjorland (2011) e Tomaél et al. (2001)
podem ser utilizados para verificar aspectos como a adequação, a confiabilidade, a atualização e
a precisão das fontes de informação utilizadas. Foi também destacado, ao final, que o perigo que
decorre do compartilhamento de informações sem que haja a avaliação da credibilidade de suas
fontes pode ser inestimável, dependendo da área em que a informação se situa. A avaliação
correta da credibilidade das fontes de informação digital torna-se, neste cenário, uma atividade

�de vital importância, pois pode inibir uma série de contratempos para quem gera e,
principalmente, para quem utiliza a informação provida por tais fontes.
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                <text>Apresenta um estudo que objetiva identificar critérios que podem ser utilizados para determinar a confiabilidade e a credibilidade de fontes de informação digital. Destaca aspectos que caracterizam a informação digital e a avaliação de fontes de informação digital. Duas fases compõem os procedimentos metodológicos e norteiam o desenvolvimento do trabalho: a primeira detalha aspectos que podem ser observados para que sejam avaliadas tais fontes de informação e a segunda discute os resultados alcançados e identifica perigos que podem decorrer do compartilhamento de informações sem que haja a avaliação da credibilidade de suas fontes. Os resultados destacam quatro aspectos que devem ser observados durante a avaliação de fontes de informação digital: autoridade, objeto, interface e sistema. Conclui que a avaliação correta da credibilidade das fontes de informação digital corresponde a uma atividade de vital importância, pois pode inibir uma série de contratempos para quem disponibiliza a informação e, principalmente, para quem utiliza as informações providas por tais fontes.</text>
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                    <text>Eixo 2 – Práticas
SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO ESPECIALIZADOS: UM ESTUDO COMPARATIVO
SPECIALIZED CLASSIFICATION SCHEMES: A COMPARATIVE STUDY
Vítor Vasata Macchi Silva1
Resumo: Apresenta um estudo que objetiva comparar sistemas de classificação especializados utilizados por
bibliotecas universitárias da cidade de Porto Alegre/RS. Destaca aspectos que caracterizam sistemas de
classificação genéricos e sistemas de classificação especializados. Três fases compõem os procedimentos
metodológicos e norteiam o desenvolvimento do trabalho: a primeira apresenta as bibliotecas visitadas; a
segunda caracteriza os sistemas de classificação utilizados em cada biblioteca e; a terceira analisa as
similaridades e as diferenças existentes entre os sistemas de classificação identificados. Observa que as
bibliotecas visitadas adotam sistemas que utilizam notação alfanumérica, são gratuitos e estão disponíveis online.
Ressalta que a utilização de sistemas de classificação especializados, e adequados aos interesses de cada unidade
de informação, pode ser interessante para que seja coberta uma gama maior de assuntos pelas bibliotecas.
Conclui que a utilização de sistemas de classificação especializados pode contribuir para organização de acervos
e, também, para a posterior recuperação das obras contidas nesses acervos.
Palavras-chave: Bibliotecas. Bibliotecas universitárias. Sistemas de classificação. Linguagens documentárias.
Abstract: Presents a study that aims to compare specialized classification schemes used by academic libraries of
Porto Alegre/RS. The paper highlight aspects that characterize generic and specialized classification schemes.
The methodology comprised three steps: the first one present the libraries visited; the second characterize the
classification schemes used in each library and; the third one analyzes the similarity and the differences existents
between the classification schemes identified. Notes that libraries visited adopt schemes that uses alphanumeric
notation, are open access and are online available. Stands out that specialized classification schemes use,
adequate to each library interest, can be interesting to libraries cover a wider range of subjects. Concludes that
specialized classification schemes use can contribute to collections organization and, also, to subsequent
recovery of the works contained in these collections.
Keywords: Libraries. Academic libraries. Classification schemes. Index languages.

1

Bacharel em Biblioteconomia e em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia de Produção.
vasata@hotmail.com.

�1 INTRODUÇÃO
Os sistemas de classificação bibliográfica foram desenvolvidos com o objetivo de
organizar acervos de bibliotecas para facilitar o acesso às informações pelos usuários
(CARLAN, 2010). A área da Ciência da Informação, neste sentido, tem sido muito eficiente em
representar o conhecimento com linguagens de sistemas de classificação gerais (como a
Classificação Decimal de Dewey – CDD e a Classificação Decimal Universal – CDU), sistemas
de classificação especializados, tesauros, dicionários, glossários, vocabulários controlados,
cabeçalhos de assunto, palavras-chave, entre outros (ANJOS, 2008).
A CDD foi o primeiro sistema de classificação elaborado e influenciou a construção de
muitos outros sistemas. Tal sistema surgiu em um contexto histórico-científico e tem sido
atualizado desde então (CARLAN, 2010). Esse sistema de classificação se caracteriza por ter
sido construído sobre princípios sólidos de organização do conhecimento. A organização desses
princípios, por sua vez, resulta em uma notação significativa distribuída em numerais arábicos
universalmente reconhecidos, categorias bem definidas, hierarquias bem desenvolvidas e uma
rica rede de relacionamentos entre tópicos (DEWEY, 1996).
A CDU, por sua vez, desde sua origem tem sido um instrumento poderoso de
representação e organização do conhecimento humano. Mesmo com o advento da informática, a
cada dia torna-se mais evidente sua vitalidade, sua utilidade e sua condição de instrumento
indispensável ao gerenciamento da informação com qualidade. Quanto ao seu âmbito, o UDC
CONSORTIUM (2007) aponta que a CDU é uma linguagem de indexação e recuperação de
informação que abrange praticamente todos os assuntos e que pode ser utilizada em acervos que
lidem com qualquer tipo de suporte material.
Os procedimentos de organização do conhecimento, mais conhecido como “processos
de classificação”, que possibilitam a organização da informação têm se intensificado frente à
massa documentária inserida regularmente nas bibliotecas (ANJOS, 2008). Essa situação, no
entanto, segundo Anjos (2008), exige o aperfeiçoamento constante dos instrumentos de
organização do conhecimento para o posterior acesso e recuperação das informações desejadas.
Neste âmbito, o tema deste estudo relaciona-se com sistemas de classificação especializados
utilizados por distintas bibliotecas localizadas na cidade de Porto Alegre/RS. O objetivo geral

�deste trabalho é comparar sistemas de classificação especializados utilizados por diferentes
bibliotecas e analisar as similaridades e as diferenças existentes entre esses sistemas.
As próximas seções deste trabalho apresentam: (i) o referencial teórico que apresenta os
assuntos abordados ao longo do texto; (ii) os procedimentos metodológicos que apresentam as
etapas executadas para atendimento do objetivo proposto; (iii) os resultados e a discussão dos
aspectos observados; e (iv) as considerações finais sobre o trabalho desenvolvido.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Esta seção divide-se em: (i) sistemas de classificação e (ii) sistemas de classificação
especializados.
2.1 Sistemas de classificação
As classificações correspondem a linguagens documentais que utilizam descritores
ordenados de forma sistemática de modo a representar todos os conceitos e objetos de um
campo determinado do conhecimento (GUINCHAT; MENOU, 1994). Tais classificações
fundamentam-se, segundo Guinchat e Menou (1994), nas relações hierárquicas entre os termos,
no seu conjunto ou ao nível das diversas classes e subclasses. A utilização dessas classificações,
por sua vez, objetiva a descrição dos documentos de forma única.
No âmbito das unidades de informação, considera-se que os sistemas de classificação
correspondem ao aspecto que possibilita a distribuição útil dos documentos disponibilizados aos
usuários. Isso ocorre, pois tais sistemas proporcionam a aproximação de documentos sobre
assuntos relacionados, a fácil localização de documentos, a fácil devolução de itens à coleção e
a inserção de novos documentos à coleção sem quebrar a estrutura lógica do arranjo
(BATISTA, 1998). Neste cenário, cabe aos bibliotecários responsáveis pela administração e
direção de unidades de informação, a escolha do sistema de classificação que possibilita maior
eficácia ao sistema (MACIEL; MENDONÇA, 2006).
Existem vários tipos de classificações que podem ser utilizadas pelas bibliotecas
(GUINCHAT; MENOU, 1994). Entre esses tipos destacam-se a Classificação Decimal de
Dewey (CDD), a Classificação Decimal Universal (CDU) e a Library of Congress Subject
Headings (LCSH). A CDD, de autoria de Melvin Dewey, corresponde a uma classificação
decimal que comporta dez classes principais (000 – generalidades; 100 – filosofia e psicologia;
200 – religião; 300 – ciências sociais; 400 – linguística; 500 – ciências; 600 – tecnologia; 700 –

�artes e recreio; 800 – literatura e retórica; 900 – história e geografia) e subdivisões comuns de
lugar e forma. Assim, por exemplo, a classe de topo 800 corresponde a "Literatura e Retórica",
enquanto a classe 860 corresponde a "Literaturas Espanhola e Portuguesa" e a classe 869 a
"Literatura Portuguesa" (BORBINHA, 2000).
A CDU, de autoria de Pierre Otlet e Henry Lafontaine, caracteriza-se por possuir três
categorias de índices: os índices principais, as divisões analíticas e as divisões comuns. Os
índices principais, neste âmbito, dizem respeito a conceitos distribuídos em dez classes de
tabelas principais, enquanto as divisões analíticas referem-se às características gerais, aplicáveis
a todos os índices principais e subdivisões. As divisões comuns, por sua vez, correspondem às
características de língua, forma, população, tempo e ponto de vista que podem ser aplicadas aos
índices principais. Além destes aspectos, a CDU caracteriza-se por recorrer a sinais de
pontuação para distinguir os diversos tipos de índices. Assim, considera-se que a CDU é capaz
de descrever assuntos complexos com precisão, de forma hierárquica e enumerativa
(GUINCHAT; MENOU, 1994).
O sistema de classificação LCSH corresponde a um sistema elaborado e mantido pela
Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Tal sistema se caracteriza por possuir 21 classes
de topo, cada uma representada por uma letra do alfabeto. Além disto, este sistema se
caracteriza pelo fato dos termos ou nós da estrutura poderem ser etiquetados com códigos
formados por uma combinação de letras e números. Assim, por exemplo, o código para
"Geologia" é "QE", enquanto o código "QE 500-625" corresponderá a "Geologia Dinâmica e
Estrutural" (BORBINHA, 2000).
2.2 Sistemas de classificação especializados
Além dos sistemas de classificação genéricos, como os apresentados na seção anterior, é
comum encontrar outros sistemas destinados a domínios específicos, os quais são criados por
organizações ou entidades focadas nessas áreas (BORBINHA, 2000). Tais sistemas, chamados
de sistemas de classificação especializados, são construídos e voltados para necessidades
específicas. Entre esses sistemas destacam-se o ACM Computing Reviews Classification
System e o Mathematics Subject Classification (MSC).
O ACM Computing Reviews Classification System corresponde a um sistema criado
pela Association for Computing Machinery (ACM) que se destaca por estar organizado em
torno de uma árvore com onze nós principais (descritores de áreas), em que cada nó se divide
em um ou dois níveis de termos genéricos. Os descritores principais são referenciados pelas

�letras de A a K, e os níveis abaixo são referenciados por números separados por pontos (a
exceção é o último termo de cada ramo, que é sempre referenciado por “m”, de miscellaneous)
(BORBINHA, 2000). O sistema MSC, por sua vez, caracteriza-se por ser utilizado para a
classificação de obras da área da Matemática. Sua apresentação associa códigos de cinco
caracteres e três níveis de detalhe (na forma de dois números, uma letra e dois números) para
cada tema (BORBINHA, 2000).
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Nesta seção são descritos: o (i) método de pesquisa e o (ii) método de trabalho
utilizados neste estudo.
3.1 Caracterização do método de pesquisa
Este estudo é considerado uma pesquisa básica, pois objetiva gerar conhecimentos
novos e úteis para o avanço da ciência (SILVEIRA; CÓRDOVA, 2009). Isso se justifica,
pois, a partir da apresentação de sistemas de classificação especializados utilizados por
diferentes bibliotecas, espera-se facilitar a elaboração e o desenvolvimento de novos sistemas
de classificação especializados. Quanto aos objetivos, esse estudo é considerado exploratório,
pois busca proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais
explícito (GIL, 2010).
Além dos aspectos apresentados, destaca-se que esse trabalho corresponde a um
estudo de abordagem qualitativa, pois incorpora o conhecimento adquirido nas análises. Neste
âmbito, destaca-se que o estudo de caso corresponde ao procedimento utilizado, pois,
conforme indica Gil (2010), tal tipo de procedimento consiste no estudo profundo e exaustivo
de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento.
3.2 Caracterização do método de trabalho
Para atingimento do objetivo proposto foi estruturado um método de trabalho
organizado em três etapas. Tais etapas são apresentadas na Figura 1.

�Figura 1 - Etapas executadas para o atingimento dos objetivos propostos
Etapa 1

Etapa 2

Etapa 3

Apresentação das
bibliotecas visitadas

Caracterização dos
sistemas de
classificação
utilizados nas
bibliotecas visitadas

Análise dos
sistemas de
classificação
identificados

Fonte: Elaborado pelo autor

A primeira etapa do trabalho desenvolvido se relacionou com a apresentação das
bibliotecas visitadas. Neste âmbito destaca-se que, para essa pesquisa, foram visitadas duas
bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Ressalta-se ainda que a utilização de sistema de classificação especializado e a facilidade de
acesso por parte do autor deste trabalho foram os critérios de escolha utilizados para selecionar
as bibliotecas a serem visitadas. Com relação às informações levantadas nessa etapa, destaca-se
que essas se relacionaram com a identificação de aspectos como o sistema de classificação, o
tamanho do acervo, o espaço físico, o tamanho da equipe e o horário de atendimento das
bibliotecas visitadas.
Na etapa 2 do estudo foi realizada a caracterização dos sistemas de classificação
utilizados nas bibliotecas visitadas. Para tanto, foram observados os motivos que levaram à
adoção dos sistemas de classificação observados e, também, os modos como são estruturados
tais sistemas. Além disto, foram observadas particularidades de uso que distinguem os sistemas
de classificação analisados.
A etapa 3, por sua vez, caracterizou-se pela análise dos sistemas de classificação
utilizados pelas bibliotecas visitadas. Destaca-se, neste âmbito, que, além das características em
comum observadas nos sistemas de classificação identificados, também foram observadas
diferenças existentes entre tais sistemas. Por fim, na seção de considerações finais deste
trabalho, foi destacado, no âmbito das unidades de informação, em quais casos a utilização de
sistemas de classificação especializados pode ser interessante.

�4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esta seção divide-se em: (i) apresentação das bibliotecas visitadas; (ii) caracterização
dos sistemas de classificação utilizados nas bibliotecas visitadas e; (iii) análise dos sistemas de
classificação identificados.
4.1 Apresentação das Bibliotecas visitadas
As bibliotecas visitadas foram a Biblioteca Professora Ruth de Souza Schneider
(Biblioteca do Instituto de Física da UFRGS) e a Biblioteca da Faculdade de Medicina e do
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A Tabela 1 apresenta as informações básicas de cada
biblioteca. Tais informações foram coletadas junto às Bibliotecárias-chefe de cada unidade e,
também, a partir das páginas na web das bibliotecas (BIBLIOTECA PROFESSORA..., 2021;
BIBLIOTECA DA FACULDADE..., 2019).
Tabela 1 - Identificação das Bibliotecas visitadas

2ª a 6ª – 8h às 20h

Biblioteca da Faculdade de
Medicina e do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre
2ª a 6ª – 7h30min às 19h30min

12

18

770 m²
22637

900 m²
27637
Linguagem de classificação
disponibilizada pela National
Library of Medicine (NLM)

Biblioteca do Instituto de Física
Horário de atendimento
Tamanho da equipe (bibliotecários,
atendentes e bolsistas)
Espaço físico
Tamanho do acervo (itens)
Sistema de classificação utilizado

Physics and Astronomy
Classification Scheme (PACS)
Fonte: Elaborado pelo autor

A partir da análise da Tabela 1 pode-se identificar que as bibliotecas visitadas contam
com equipes que possuem tamanho médio, aproximadamente 15 colaboradores. Além disto,
pode-se observar que a Biblioteca do Instituto de Física e a Biblioteca da Faculdade de
Medicina possuem espaço físico de tamanho relativamente similar, visto que dispõem de cerca
de 800 m² cada uma. Quanto ao tamanho do acervo de cada unidade, pode-se identificar que a
Biblioteca da Faculdade de Medicina e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre possui um
acervo aproximadamente 15% maior ao da Biblioteca do Instituto de Física.

�Com relação aos sistemas de classificação de documentos, foi identificado que as
Bibliotecas visitadas utilizam sistemas de classificação especializados nas áreas em que atuam.
No caso da Biblioteca do Instituto de Física, o sistema utilizado é o Physics and Astronomy
Classification Scheme (PACS) e, no caso da Biblioteca da Faculdade de Medicina e do Hospital
de Clínicas de Porto Alegre, o sistema utilizado vincula-se à linguagem de classificação
disponibilizada pela National Library of Medicine (NLM).
4.2 Caracterização dos Sistemas de classificação utilizados nas Bibliotecas visitadas
As próximas seções apresentam os sistemas de classificação utilizados pelas bibliotecas
visitadas: o (i) Physics and Astronomy Classification Scheme e; a (ii) linguagem de
classificação disponibilizada pela National Library of Medicine.
4.2.1 Physics and Astronomy Classification Scheme
A Biblioteca Professora Ruth de Souza Schneider (Biblioteca do Instituto de Física da
UFRGS) utiliza o sistema de classificação Physics and Astronomy Classification Scheme
(PACS). A justificativa para o uso deste sistema é que a CDU não acompanhou o
desenvolvimento da área da Física. A partir disto, segundo a Bibliotecária-chefe da biblioteca
visitada, foram buscados outros sistemas de classificação e, após esta busca, o PACS foi
considerado o mais robusto para ser utilizado pela biblioteca.
O PACS é uma classificação especializada em Física e Astronomia, publicada desde
1975 pelo American Institute of Physics (AIP) com a colaboração de membros do International
Council on Scientific and Technical Information (ICSTI). Tal sistema é utilizado para a
indexação de artigos de periódicos na área da Física e da Astronomia pela AIP e por outros
editores internacionais de periódicos. É publicado bienalmente pelo consórcio AIP/ICSTI. A
edição corrente (PACS 2010) encontra-se disponível online em formato html e, também, em
formato pdf (AMERICAN PHYSICAL SOCIETY, 2021). Salienta-se, ainda, que a American
Physical Society está trabalhando em uma nova classificação, a Physics Subject Headings
(PhySH), a qual deve atualizar e substituir o PACS.
Quanto a sua organização, destaca-se que o PACS corresponde a um sistema
alfanumérico subdividido em níveis hierárquicos de assuntos, organizados do tema geral ao
tema específico. Além disto, destaca-se que tal sistema possui um suplemento para os assuntos
de Acústica e Geofísica, de Nanociência e Nanotecnologia e, também, um índice alfabético. A

�Tabela 2 apresenta um exemplo dos níveis hierárquicos abrangidos pelo PACS e, também,
notas que indicam características de cada nível.

Tabela 2 - Níveis hierárquicos que compõem o PACS
PACS (nível)

Hierarquia 3º nível

Hierarquia 4º nível
30. ATOMIC AND
MOLECULAR
PHYSICS

Hierarquia 5º nível
90. GEOPHYSICS,
ASTRONOMY, AND
ASTROPHYSICS

1

00. GENERAL

2

04. General relativity
and gravitation

32. Atomic properties
and interactions with
photons

91. Solid Earth
Physics

3

04.65.+e
Supergravity

32.10.-f Properties of
atoms

91.25.-r
Geomagnetism and
paleomagnetism;
geoelectricity

32.10.Hq Ionization
potentials, electron
affinities

91.25.F- Rock and
mineral magnetism

4

91.25.fd
Environmental
magnetism

5

Notas
Dez grandes classes
(00 até 90).
Acrescenta-se os
códigos de 1 a 9 ao
primeiro dígito do 1
nível.
O sinal de “-“ ou
“+” no quinto
caractere denota
presença ou
ausência,
respectivamente, do
4 nível.
O sinal de “-“ ou a
presença de letras
minúsculas no 6
caractere denota a
presença ou
ausência,
respectivamente, do
5 nível.
O quinto caractere é
o mesmo do 4
nível, mas grafado
em letra minúscula.

Fonte: Adaptado de Mesquita (2009)

A partir da análise da Tabela 2 pode-se observar que o PACS possui cinco níveis
hierárquicos organizado do tema geral ao tema específico. Além disto, pode-se observar
também que são utilizados caracteres alfabéticos e também sinais “+” e “-“ para indicar
especificidades de cada nível.
4.2.2 Linguagem de classificação disponibilizada pela National Library of Medicine
O sistema de classificação utilizado pela Biblioteca da Faculdade de Medicina e do
Hospital de Clínicas de Porto Alegre, por sua vez, caracteriza-se por utilizar a linguagem de
classificação disponibilizada pela National Library of Medicine (NLM). Tal linguagem,
desenvolvida a partir de um relatório de pesquisa publicado em 1944 pela Biblioteca Médica do
Exército dos Estados Unidos, caracteriza-se por recomendar um sistema de classificação misto
composto por letras e números. Esse sistema, semelhante ao sistema utilizado pela Library of

�Congress, foi oficialmente publicado pela primeira vez em 1951, em conjunto com a estrutura e
as práticas de classificação que deveriam ser adotadas.
Com relação à hierarquia adotada, a U. S. National Library of Medicine (2020) destaca
que a estrutura da classificação NLM é organizada em tabelas que abrangem a medicina e,
também, ciências afins. Tais tabelas utilizam as tabelas Q-QZ e W-WZ propostas pela Library
of Congress. Neste âmbito, ressalta-se que essas tabelas se caracterizam por destacar os
cabeçalhos de assunto de forma breve (por exemplo: enquanto a microbiologia e a imunologia
são representadas pelas letras QW, o sistema cardiovascular é representado pelas letras WG). A
partir disto, a U. S. National Library of Medicine (2020) destaca que as posições nas tabelas
foram organizadas de modo a incluir todo o sistema fisiológico e, também, as especialidades
ligadas a eles, como regiões do corpo direta e indiretamente envolvidas. As notações das tabelas
específicas e de algumas de suas seções, por sua vez, são compostas também por números de
formulário que representam o tipo de material que está sendo classificado. Tais números,
organizados do número 1 ao número 39, são utilizados como dispositivos passíveis de serem
utilizados em todo o sistema de classificação.
Quanto aos termos inseridos na classificação da NLM, a U. S. National Library of
Medicine (2020) destaca que esses estão aderentes com o arranjo dos descritores do tesauro
Medical Subject Headings (MeSH), utilizado para indexação e catalogação na área médica. Por
fim, com relação à disponibilização da linguagem de classificação, a U. S. National Library of
Medicine (2020) destaca que, desde 2002, a classificação tem sido publicada de forma
eletrônica e, também, atualizada de forma anual. Além disto, a NLM ressalta também que o
ambiente online oferece vantagens aos usuários, como a disponibilização de hiperlinks entre os
números de classe nos índices e as tabelas existentes na classificação NLM.
4.3 Análise dos sistemas de classificação identificados
A partir da caracterização dos sistemas especializados de classificação adotados pelas
bibliotecas visitadas, pode-se identificar que os sistemas de classificação possuem
características em comum. Entre as características identificadas, pode-se observar que os dois
sistemas utilizam um sistema de classificação que adota caracteres alfanuméricos para
representar os assuntos. Neste âmbito, destaca-se também que ambos os sistemas são
subdivididos em níveis hierárquicos de assunto, organizados do nível geral ao nível específico
da área do conhecimento que representam. Além disto, pode-se identificar também que os
sistemas utilizados pelas bibliotecas visitadas estão disponíveis de forma online e gratuita na

�web. Tal aspecto denota que tais sistemas podem ser considerados sistemas acessíveis, visto que
podem ser utilizados por qualquer biblioteca que deseje adotá-los.
Com relação às diferenças existentes entre os sistemas especializados de classificação
apresentados, pode-se observar que essas diferenças se vinculam, particularmente, com a
notação adotada por cada sistema. Neste âmbito, destaca-se que, enquanto o PACS utiliza uma
notação similar à notação adotada pela CDU, em que, quando apropriado, os caracteres
alfabéticos sucedem os caracteres numéricos, a linguagem disponibilizada pela classificação
NLM aloca os caracteres alfabéticos de forma precedente aos caracteres numéricos. Tal
característica, no entanto, não impacta na organização dos documentos nas estantes, visto que os
documentos, nos dois sistemas, são organizados de forma a alocar o sistema alfanumérico de
forma crescente.
Além do aspecto relacionado à notação utilizada pelos sistemas de classificação
observados, destaca-se que outra diferença se relaciona com a atualização de cada um desses
sistemas. Neste aspecto, destaca-se que, enquanto o PACS deixou de ser atualizado no ano de
2010, a linguagem de classificação disponibilizada pela NLM continua a ser atualizada
anualmente. Como consequência, pode-se inferir que tal característica pode impactar na
utilização do PACS como sistema de classificação em bibliotecas. Isso se justifica, pois a falta
de atualização pode tornar o PACS um sistema obsoleto para a área de Física e Astronomia,
uma vez que pesquisas nessa área podem resultar em novos descritores e esses não poderão
mais ser adicionados a esse sistema de classificação.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo buscou identificar sistemas de classificação especializados utilizados
por diferentes bibliotecas da cidade de Porto Alegre/RS e, também, analisar as similaridades e
as diferenças existentes entre esses sistemas de classificação. Para tanto, foi elaborado um
procedimento metodológico dividido em três fases para que pudessem ser atingidos os objetivos
propostos. A primeira fase relacionou-se com a apresentação das bibliotecas visitadas; a
segunda com a caracterização dos sistemas de classificação utilizados nas bibliotecas visitadas
e; a terceira com a análise dos sistemas de classificação identificados.
Com relação aos sistemas de classificação utilizados pelas bibliotecas visitadas, o
Physics and Astronomy Classification Scheme (PACS) e a linguagem de classificação
disponibilizada pela National Library of Medicine (NLM), foi destacado que eles possuem
similaridades e diferenças. As similaridades relacionaram-se com o fato de ambos os sistemas

�utilizarem notação alfanumérica e, também, com o fato de ambos os sistemas serem gratuitos e
estarem disponíveis online. As diferenças, por sua vez, relacionaram-se com o ordenamento das
notações e, também, com a atualização dos sistemas, que não vai mais ocorrer no caso do
PACS, e tende a continuar ocorrendo anualmente no caso da classificação NLM.
Quanto à utilização dos sistemas de classificação especializados pelas bibliotecas
visitadas, destaca-se que as visitas e os relatos coletados evidenciaram que a utilização de
sistemas de classificação especializados, e adequados aos interesses de cada unidade de
informação, pode ser interessante para que seja coberta uma gama maior de assuntos. Concluise, assim, que a utilização de sistemas de classificação especializados pode contribuir para
organização de acervos e, também, para a posterior recuperação das obras contidas nesses
acervos.
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(PACS). Online. [s. n.]: Maryland, 2021. Disponível em: &lt;https://journals.aps.org/PACS&gt;.
Acesso em: 25 jan. 2021.
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Biblioteconomia: uma visão histórico-conceitual crítica com enfoque nos conceitos de classe,
de categoria e de faceta. 2008. 291 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação, Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São
Paulo, 2008. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde10112010-114437/pt-br.php. Acesso em 25 jan. 2021.
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2019. Disponível em: &lt;https://www.ufrgs.br/bibmed/wp-content/uploads/RELATÓRIO2019.pdf&gt;. Acesso em: 26 jan. 2021.
BIBLIOTECA PROFESSORA RUTH DE SOUZA SCHNEIDER. BIBFIS: Biblioteca do
Instituto de Física da UFRGS. Online. [s. n.]: Porto Alegre, 2021. Disponível em:
&lt;http://www.ufrgs.br/bibfis/&gt;. Acesso em: 25 jan. 2021.
BORBINHA, J. L B. Bibliotecas digitais – o futuro através da biblioteca tradicional.
2000. 213 f. Tese (Doutorado em Engenharia Informática e de Computadores) – Instituto
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CARLAN, Eliana. Sistemas de organização do conhecimento: uma reflexão no contexto da
ciência da informação. 2010. 195 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade de Brasília.

�Departamento de Ciência da Informação e Documentação. Programa de Pós-Graduação em
Ciência da informação, Brasília, 2010. Disponível em:
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jan. 2021.

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                <text>Apresenta um estudo que objetiva comparar sistemas de classificação especializados utilizados por bibliotecas universitárias da cidade de Porto Alegre/RS. Destaca aspectos que caracterizam sistemas de classificação genéricos e sistemas de classificação especializados. Três fases compõem os procedimentos metodológicos e norteiam o desenvolvimento do trabalho: a primeira apresenta as bibliotecas visitadas, a segunda caracteriza os sistemas de classificação utilizados em cada biblioteca e, a terceira analisa as similaridades e as diferenças existentes entre os sistemas de classificação identificados. Observa que as bibliotecas visitadas adotam sistemas que utilizam notação alfanumérica, são gratuitos e estão disponíveis online. Ressalta que a utilização de sistemas de classificação especializados, e adequados aos interesses de cada unidade de informação, pode ser interessante para que seja coberta uma gama maior de assuntos pelas bibliotecas. Conclui que a utilização de sistemas de classificação especializados pode contribuir para organização de acervos e, também, para a posterior recuperação das obras contidas nesses acervos.</text>
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                    <text>Eixo 2 - Práticas

PANORAMA DA PRESERVAÇÃO DIGITAL NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
BRASILEIRAS
OVERVIEW OF DIGITAL PRESERVATION IN BRAZILIAN ACADEMIC LIBRARIES
Thiago Giordano de Souza Siqueira1
Claudina Assunção de Moraes2

Resumo: O uso e a criação de documentos no contexto digital é uma realidade. Parte dos dados produzidos e
armazenados atualmente encontram-se nesse meio. A preservação dos documentos digitais, sobretudo no contexto
das instituições de ensino superior é uma questão que surge na pauta de discussão no campo da Biblioteconomia e
Ciência da Informação, especificamente no âmbito da gestão das Bibliotecas Universitárias. O trabalho busca
apresentar um panorama de como vem sendo desenvolvida práticas nas bibliotecas universitárias brasileiras.
Trata-se de um estudo exploratório, do tipo descritivo. Utilizando-se de pesquisa bibliográfica para embasamento
dos assuntos pesquisados. Utilizando como instrumento de coleta de dados questionário eletrônico disponibilizado
em fórum de discussão especializado. A abordagem das análises de caráter quali-quantitativa. Destaca a
importância da existência de se definir formatos de arquivos sustentáveis para assegurar a recuperação a longo
prazo. A existência de políticas de preservação digital. E por fim, apresenta os pontos fortes e as debilidades
enfrentadas pelas instituições enquanto organização para gerenciar e desenvolver atividades pertinentes a essa
questão. Algumas instituições já iniciaram o diálogo sobre preservação digital, mas a maioria não possui um a
política. Identificou-se que as bibliotecas possuem restrições orçamentárias e de pessoal que impacta no
desenvolvimento das atividades. E que a solução seria o fortalecimento de ações de cooperação em rede para
otimizar os recursos.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Preservação digital. Documento digital. Políticas e estratégias. Brasil.
Abstract: The use and creation of documents in the digital context is a reality. Part of the data currently produced
and stored is found in this medium. The preservation of digital documents, especially in the context of higher
education institutions is an issue that appears on the agenda of discussion in the field of Library and Information
Science, specifically in the context of the management of Academic Libraries. The work seeks to present an
overview of how practices have been developed in Brazilian university libraries. This is an exploratory,
descriptive study. Using bibliographic research to support the researched subjects. Using an electronic
questionnaire as a data collection tool available in a specialized discussion forum. The qualitative and quantitative
analysis approach. It highlights the importance of defining sustainable file formats to ensure long-term recovery.
The existence of digital preservation policies. Finally, it presents the strengths and weaknesses faced by
institutions as an organization to manage and develop activities relevant to this issue. Some institutions have
already started the dialogue on digital preservation, but most do not have a policy. It was identified that libraries
have budgetary and personnel restrictions that impact on the development of activities. And that the solution
would be to strengthen network cooperation actions to optimize resources.
Keywords: Academic Library. Digital preservation. Digital document. Policies and strategies. Brazil.

1

Mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação, Universidade de Buenos Aires. Doutorando no Programa
Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". Bibliotecário na Universidade
Federal do Amazonas. thiago.giordano@gmail.com
2
Bacharel em Biblioteconomia, Universidade Federal do Amazonas. Especialista em Gestão de documentos e
informações, Instituto AVM. Mestranda em Tecnologias Emergentes da Educação, MUST University. Bibliotecária na
Universidade Federal do Amazonas. camclaudina@gmail.com

�1 INTRODUÇÃO
A sociedade atual sofre transformações e vêm organizando-se experimentando mudanças
culturais nos quais, a cada dia, ter acesso a uma maior quantidade de informação e, em consequência,
produzem mais documentos, que aparecem já em formato digital.
É comum a produção, distribuição e uso de informação em formato digital. As bibliotecas,
começaram a desenvolver suas coleções de forma a adquirir, receber ou produzir documentos digitais
que algumas vezes não existem em formato analógico, estabelecendo desta forma um novo tipo de
coleção e conformando um patrimônio digital.
Ademais, a preferência pelos documentos digitais se fortalece sob a justificativa de que ocupa
pouco espaço e se produz em volume desde o ponto de vista da capacidade de armazenamento da
informação, em comparação com a forma analógica equivalente. Somado a isso, permite o acesso
simultâneo de várias pessoas ao mesmo documento e são facilmente transferíveis, replicáveis,
editáveis e em alguns casos, permitem estabelecer vínculos entre os diversos conteúdos por meio de
uma conexão com outro documento (link).
Nesse contexto, surge a necessidade de fomentar a gestão de um novo tipo de informação, a
informação digital. Isso se deve ao fato que os documentos digitais baseados estão substituindo
rapidamente seus equivalentes em papel. É amplamente aceito que a tecnologia da informação vem
alterando os conceitos de documentos e registros e os documentos digitais. No entanto, são muito
mais frágeis que o papel. Na verdade, o registro de todo o período atual da história está em perigo.
Estas informações com conteúdo e o valor histórico de muitos registros governamentais,
organizacionais, legais, financeiros e técnicos, científicos bases de dados e documentos pessoais
podem ser irremediavelmente perdidos para as gerações futuras se não tomarmos medidas adequadas
para preservá-los (ROTHENBERG, 1998).
Ao passo que existe a rápida obsolescência dos formatos, equipamentos e softwares que
permitem criar, acessar e ver os documentos digitais, é importante destacar que os suportes físicos em
que se armazena a informação se deterioram muito rápido e entre outros fatores, a falta de padrões
entre outras condições podem interferir de modo negativo e favorecendo a perda da informação
registrada nesse formato. Portanto, a conservação requer um trabalho sistemático que inclui processos
de produção, armazenamento, manutenção e gestão.

�A Biblioteca Universitária (BU) é, ou deveria ser, o centro das instituições de ensino superior.
Isso porque apresenta a função de ser ferramenta que brinda o acesso a informação para alunos,
docentes, pesquisadores, além de atender a comunidade externa por meio das ações de extensão.
Assim, o tema desta investigação fundamenta-se na importância de mapear as práticas vigentes de
preservação digital no âmbito das bibliotecas universitárias brasileiras.
Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, de caráter quali-quantitativo. Utilizando de
pesquisa bibliográfica. Apresenta como objetivo geral identificar as práticas que estas bibliotecas
desempenham para que os documentos digitais incorporados às suas coleções possam ser acessados a
médio e longo prazo. Buscando apresentar conceitos-chaves que favoreçam a compreensão e
sensibilização para a temática; explorar os problemas, situações e estratégias referidas à preservação
do conhecimento em formato digital; e, por fim, avaliar as estratégias e procedimentos de preservação
dos documentos digitais pelas bibliotecas universitárias.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 O DOCUMENTO ELETRÔNICO
É cada vez maior a consolidação da produção ou transformação de documentos ao formato
eletrônico: livros, periódicos, bases de dados, planilhas, imagens, gravações sonoras, fotografias,
entre outros. As transformações não se detêm aos conteúdos nem a essência das mensagens
transmitidas, mas “[...] na forma e o meio através dos quais os documentos passaram a ser
produzidos e registrados: um meio mais leve, ágil e dinâmico em suas possibilidades de
processamento e comunicação” ALVARENGA (2001, p. 7).
Em ambientes organizacionais, orientados por processos de gestão, houve mudanças no
ciclo documental, desde a produção ao descarte, ocasionado pela digitalização dos documentos e
facilitados pela comunicação eletrônica. Ademais, se pode agregar que um documento pode conter
figuras, gráficos, dados estruturados, representações como vídeos, entre outros objetos informativos
com diferentes formas de visualização.
Isto posto, conforme assinala Moyano Grimaldo (2004) que os documentos eletrônicos
podem classificar-se como documentos de nascimento digital - representados por aqueles
documentos que tenham sido criados diretamente neste formato; e os documentos digitalizados –
aqueles cujo nascimento não tem sua origem nos computadores em vez disso, eles são digitais após
passarem por um processo de digitalização.

�Observa-se que o documento nativo digital é o que se cria diretamente neste formato, como
um documento gerado em um processador de textos ou em una página Web. O documento
transformado, por conseguinte, é aquele que foi digitalizado, estando o documento já existente em
formato analógico (impresso), mas que foi transformado em uma versão eletrônica pelas
tecnologias digitais. Como exemplo, o livro despois de ser digitalizado se converte em um arquivo
Portable Document Format (PDF).
O documento eletrônico é uma unidade de registro de informações, acessível por meio de
equipamento eletrônico. Segundo Lima (2004) os documentos eletrônicos são informação
manipulada e armazenada com o uso do computador ou outro dispositivo móvel, portanto, estão
intrinsecamente ligados à estrutura tecnológica em que estão inseridos, impossibilitando sua
consulta fora daquele ambiente.
Em vista do exposto, o documento eletrônico é entendido como informações fornecidas e
acessíveis por mecanismos eletrônicos, que podem estar disponíveis em programas de computador,
arquivos de texto, páginas da rede mundial de computadores (internet), entre outros. Desta forma,
podem ser: um gráfico, uma figura estática ou em movimento, sons ou uma combinação deles,
armazenados em diferentes modalidades de apresentação e em diferentes suportes.
A principal característica dos documentos eletrônicos e do crescimento exponencial em sua
utilização "[...] é sua estrutura organizacional, que torna mais rápida sua produção, seu
armazenamento e sua disseminação, quando comparado com documentos convencionais elaborados
em papel” ALVES (2004, p. 20). Ainda de acordo com Alves (2004), a utilização de documentos
eletrônicos apresenta várias vantagens, tais como: possibilidade de armazenamento de grandes
quantidades de informação, e principalmente o fato de permitir o acesso simultâneo e ilimitado em
qualquer momento ou lugar, além de permitir acesso aos textos completos.
Assim, o documento eletrônico dá origem a novos recursos, como repositórios. A palavra é
sinônimo de arquivo, ou seja, local de guarda de documentos, ou seja, no inglês: repository. Um
repositório configura-se como uma biblioteca digital com o objetivo de armazenar, preservar e
garantir o acesso gratuito, pela internet, a documentos e outras produções científicas no âmbito de
uma instituição.
Segundo Kuramoto (2009, p. 203) e Swan (2010, p.167) em uma instituição de ensino e
pesquisa, sobretudo, essa iniciativa permite maior visibilidade às pesquisas desenvolvidas e mesmo
ao quadro de pesquisadores da instituição. Além de ampliar a possibilidade de ter citações em
outros trabalhos, facilita a sua promoção de forma que assim seguramente o conhecerão como

�investigador/autor no meio acadêmico. Da mesma forma, estas instituições ao manter seus
repositórios atualizados se tornam mais competitivas à medida que alcançam a visibilidade de suas
produções – fator muito importante principalmente quando se tratam de pesquisas subsidiadas com
recursos financeiros públicos – sendo um retorno à sociedade.

2.2 PRESERVAÇÃO DIGITAL

De acordo com Ferreira (2006), a preservação digital se define como a capacidade de
garantir que a informação digital permaneça acessível e com qualidade de autenticidade para que
possa, no futuro, ser interpretada numa diferente plataforma de tecnologia que não é a mesma
utilizada no momento da criação.
A preocupação com a preservação se deve ao fato de que os documentos digitais apesar de
que tenham sido aplicadas as técnicas de preservação adequadas, defeitos mínimos em seu conteúdo
podem invalidar todos os arquivos. Isso ocorre porque as particularidades da tecnologia utilizada
para criar os arquivos e formar os grupos de bits3. Ou seja, que o conjunto de bits fixados em um
arquivo, conformam uma estrutura que necessita ser respeitada rigorosamente a fim de garantir o
acesso ao documento na íntegra.
Na Carta para la preservación del patrimonio digital a UNESCO (2003 p.80, tradução
nossa), apresenta o patrimônio digital como sendo “[…] recursos únicos que são fruto do saber ou a
expressão dos seres humanos. Compreende recursos de caráter cultural, educativo, científico ou
administrativo e informação técnica, jurídica, médica e de outras classes, que se geram diretamente
no formato digital ou se convertem a este a partir de material analógico já existente”.
A ciência e o fazer conhecimento acontece numa dinâmica onde cada vez mais são
produzidos documentos em formato digital, sejam: textos, fotos, planilhas, base de dados, gravações
sonoras, páginas web e muitos outros formatos digitais. São registros do saber e da produção
humana que mudaram de suporte e por isso, é uma herança comum a toda a humanidade – e que
necessita ser preservada.
Para isso, devem ser consideradas uma serie de estratégias que precisam ser desenhadas para
garantir a longevidade da preservação de um documento digital, esse estudo é preliminar e aqui se
limitará ao aspecto da existência de políticas de preservação no âmbito das universidades brasileiras
e sobre quais os formatos de arquivo que estas utilizam para lograr êxito na preservação.
3

Bits - (simplificação para dígito binário, em inglês, binary digit) é a menor unidade de informação que pode ser
armazenada ou transmitida.

�2.2 FORMATOS DE ARQUIVO DIGITAL

Primeiro há que entender que para cada formato de arquivo é gerado por um software em
particular, possui uma especificação técnica. Possivelmente, dentro desta especificação técnica,
haverá uma versão de um formato em particular, que por sua vez, também possuirá detalhes
técnicos específicos. E, dependendo do formato de arquivo, a versão poderá conter especificações
técnicas diferenciadas para cada versão distinta do mesmo formato.
A grande variação de formatos de arquivo se produziu com o surgimento dos
microcomputadores e computadores pessoais. Atualmente existe uma quantidade imensa de
especificações técnicas para esses formatos assim como também novos softwares sendo criados e
postos no mercado diariamente. As especificações de cada formato são de caráter muito técnico e
estão no âmbito dos desenvolvedores de software em geral – e ditas especificações tratam de
explicar com detalhe como as sequências de bits no arquivo devem ser estruturadas e onde cada tipo
de dado deve ser registrado. Evidentemente, para cada tipo de arquivo digital haverá diferenças nas
especificações.
De acordo com Arms; Fleishhauer; Murray (2013) são sete os fatores de sustentabilidade
que se aplicam a formatos digitais para todas as categorias de informação e influenciam a
viabilidade e o custo provável de preservar o conteúdo de informação em face de mudanças futuras
no ambiente tecnológico em que os usuários e as instituições de arquivamento operam. Conhecê-los
poderá significar o delineamento de uma estratégia baseada em ações de preservação sejam elas a
migração para novos formatos, a emulação de software atual em computadores futuros ou de uma
abordagem híbrida. Os setes fatores são: Abertura da especificação (Disclosure), Adoção
(Adoption),

Transparência

(Transparency),

Auto-documentação

(Self-documentation),

Dependências externas (External Dependencies), Impacto de patentes (Impact of patents),
Mecanismos de proteção técnica (Technical Protection Mecanisms).
Na verdade, ao ter em consideração tais fatores, permitirá definir sobre a sustentabilidade
dos formatos de arquivo mais adequados para preservação, estes aplicam-se em todas as categorias
de informação e influenciam a viabilidade dos processos.

2.3 GESTÃO DE COLEÇÕES DIGITAIS

�Uma grande parte cada vez maior de informações e documentos nascem em formato
eletrônico e tem ganhado cada vez mais adeptos no mundo e sobretudo nas bibliotecas
universitárias, as quais carecem de espaço físico ou recursos financeiros suficientes para a aquisição
de obras em duplicação suficiente para atender a comunidade universitária. Destaca-se que este
fenômeno tem aumentado substancialmente os desafios de construção de implementação de
políticas de desenvolvimento de coleções, especialmente as coleções digitais.
Em frente a gama de informações que a todo instante está disponível, tanto no meio
eletrônico como na forma impressa, saber selecionar o material e as fontes de informação confiáveis
não é uma tarefa fácil, nem para os usuários, tampouco para os bibliotecários. Profissionais estes
que além de selecionar, devem preocupar-se em permitir acesso e pensar forma de preservar esses
recursos a longo prazo.
O termo “longo prazo” pode ser entendido como “[...] tempo suficiente para se preocupar
com os impactos da evolução tecnológica, incluindo suporte a novas mídias e formatos de dados ou
com a mudança da comunidade de usuários” (Consultative ..., 2002, p.11, tradução do autor apud
Grácio, 2012, p.61).

3 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, de caráter quali-quantitativo. Para a coleta de
de dados foi estruturado um questionário on-line no software livre LimeSurvey otimizado pelo Centro
de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC) da Universidade Federal do Amazonas,
encaminhado pela lista de discussão da Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) da
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições
(FEBAB) e disponibilizado entre o período de 04 a 25 de fevereiro de 2021.
Obtiveram-se 61 respostas parciais, 29 completas, totalizando 90 respostas as quais
representam instituições distintas. Para análise, optou-se por analisar apenas os questionários
respondidos em sua totalidade, invalidando os respondentes que iniciaram a resposta ao questionário,
mas optaram por abandoná-lo em algum momento antes da finalização.
Foram descritas as percepções obtidas por meio dos questionários completos. Entre as
limitações da pesquisa encontram-se: a) a não obtenção do retorno de todas as bibliotecas
universitárias do país, considerando ainda que nem todas participam da lista da CBBU; b) a
possibilidade de que a pessoa que recebeu o e-mail com o convite para participar da pesquisa não

�possuir de informações suficientes no momento para preencher ao questionário e por isso tenha
abandonado a pesquisa.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Quanto ao perfil das bibliotecas que participaram da pesquisa, observa-se que 75.86% estão
vinculadas a instituições públicas de ensino e 24.14% a instituições privadas. No que se refere a
estrutura organizacional e administrativa, tratam-se de bibliotecas em sua maioria (62.07%)
centralizada em detrimento de 37.93% descentralizada.
No que diz respeito a plataforma que utilizam para guardar as coleções digitais, nota-se que
68.97%) utiliza o DSpace 31.03% utilizam alguma outra plataforma que possivelmente seja
desenvolvida por uma equipe técnica da própria instituição, uma vez que não foi assinalada alguma
das outras possíveis plataformas existentes no mercado: EPrints, Fedora, Greenstone, Islandora,
Ganesha, Invenio, GSDL, Dienst, NewGenlib, VuDL, XTS, Tainacan.
No Quadro 1, observa-se a dispersão geográfica das IES respondentes da pesquisa.
Quadro 1 - Estado está localizada a biblioteca

Estado
Minas Gerais (MG)
São Paulo (SP)
Sergipe (SE)
Rondônia (RO)
Rio Grande do Sul (RS)
Paraíba (PB)
Bahia (BA) (A5)
Amazonas (AM)
Santa Catarina (SC)
Roraima (RR)
Rio Grande do Norte (RN)
Rio de Janeiro (RJ)
Pernambuco (PE)
Paraná (PR)
Mato Grosso (MT)
Goiás (GO)
Ceará (CE)

Contagem
5
3
2
2
2
2
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1

Percentagem
17,24%
10,34%
6,90%
6,90%
6,90%
6,90%
6,90%
6,90%
3,45%
3,45%
3,45%
3,45%
3,45%
3,45%
3,45%
3,45%
3,45%

Fonte: Dados da pesquisa.

Compreendendo os serviços ofertados pelas bibliotecas, identificou-se que apenas 27.59% das
bibliotecas oferecem algum serviço de digitalização de documentos.
E indicaram ainda que os cinco tipos de documentos digitalizados com maior frequência,
evidenciando-se, conforme o Quadro 2.

�Quadro 2 – Tipos de documentos digitalizados

Ocorrências
6
3
3
3
2
1
1
1
1
1
1
1

Tipos de documentos
Artigos de periódicos
Capítulos de livros
Teses
Dissertações
Documentos administrativos
Capítulos de livros de docentes
Artigos de jornais de docentes
Documentos de projetos cadastrados na IES
Partes de teses e dissertações
Periódicos antigos editados pela Faculdade de Medicina
Disponibiliza scanners planetários para os usuários
Teses e Dissertações antigas da Faculdade de Medicina

Fonte: Dados da pesquisa.

Observa-se que uma das bibliotecas não presta o serviço, mas proporciona condições aos usuários
para fazê-lo, a medida em que disponibiliza o scanner para que o próprio usuário assim o faça.

Apenas 27.59% informaram realizar cópia de documentos para outra mídia. Destacando-se
como práticas: a cópia em CD; arquivamento no servidor da biblioteca; cópia temporária para
dispositivos móveis de armazenamento (HDD e SSD externos); inserção no Repositório Digital
Institucional; transformação em formato PDF ou PDF-A.
O papel dos formatos de arquivos é importante de serem diagnosticados por apresentarem
características em maior ou menor grau de adequação para a preservação em longos períodos. Na
cadeia de produção de documentos, principalmente os que já nascem em formato digital, devem ser
levadas em consideração no momento da criação. Os autores ao iniciar o ciclo de informação devem
dar os primeiros passos para garantir a persistência dos materiais digitais.
Por outro lado, 72,41% que informaram não realizar cópia, tinham um espaço onde
poderiam apontar os fatores que contribuíam para que isso não ocorresse, e sinalizaram as seguintes
questões: não dispor de pessoal suficiente no quadro de colaboradores (2); ainda não ser uma
prática discutida/estabelecida na IES (3); não possuir de equipamentos adequados para executar o
serviço (2); não possuir dotação orçamentária prevista para compra dos recursos necessários (1);
não tem projeto de digitalização (2); possuem um projeto mas ainda não foi executado (1); ainda
estão iniciando as articulações institucionais para o planejamento desta atividade (1) ou pelo fato de
ser uma biblioteca em implantação e por isso não dispor de materiais bibliográficos que necessitem
de cópia em mídias diferentes.

�Outro ponto a ser investigado foi a respeito das tipologias documentais que as bibliotecas
preservam ou possuem interesse em preservar utilizando-se da estratégia da realização de cópia em
outra mídia ou formato, podemos observar no Quadro 3.
Quadro 3 – Tipo de documento que as bibliotecas preservam ou tem a intensão de preservar

Tipo de documento
Livros, com texto completo, disponível na internet
Normas, com texto completo, disponível na internet
Patentes, com texto completo, disponível na internet
Periódicos de acesso livre
Periódicos eletrônicos assinados pela biblioteca
Dissertações e Teses, em formato eletrônico
Produção científica dos servidores (professores, técnicos,
pesquisadores, etc.), em formato eletrônico
Produção científica dos alunos, em formato eletrônico
Outros

Contagem
12
9
3
10
4
24

Percentagem
41,38%
31,03%
10,34%
34,48%
13,79%
82,76%

25

86,21%

23
3

79,31%
10,34%

Fonte: Dados da pesquisa.

No terceiro bloco de questões, buscou-se compreender como o tema da preservação digital vem
sendo percebido e tratado pelas IES. Nesse sentido, apenas 17.24% declararam possuir um plano/política de
preservação de documentos digitais e possuem um documento normativo institucionalizado. Os outros
82.76% informaram a não existência, no entanto, destes, 16,66% assinalaram que embora não
institucionalizado, já se encontra na fase de elaboração.

No que se refere ao tempo que vem sendo ou poderá ser feita a preservação do documento
digital na biblioteca – ainda que estejam dispostos em outro espaço físico, observa-se a Figura1.

Figura 1 - Tempo definido para preservação dos documentos digitais.

Fonte: Dados da pesquisa.

�A importância da existência de um documento institucionalizado, seja um plano, uma
política ou um conjunto de diretrizes a serem seguidas; definindo e estabelecendo as
responsabilidades; corrobora para que a cultura da preservação digital não fique restrita a iniciativas
individuais e sem padrão institucional bem como assegurar a que os processos de preservação
digital sejam mantidos como objetivos institucionais, mesmo com as mudanças periódicas de gestão
das IES. Isso porque a consolidação de uma cultura organizacional para preservação digital pode
requerer tempo.
Nesse sentido, Grácio (2012, p.89), afirma que
Nas IES, em função do grande volume de informações em formato digital produzido, dos
tipos de informação institucional e das características da informação digital, a preservação
digital precisa ser uma responsabilidade compartilhada. A gestão da instituição deverá
envolver as instâncias administrativas, legais, tecnológicas e informacionais, definindo as
responsabilidades de cada um.
[...] As instâncias superiores da IEs devem se
responsabilizar pela definição dos objetivos a serem alcançados com a preservação digital,
pela montagem da equipe multidisciplinar, pela disponibilização dos recursos permanentes
no orçamento da IESs e pela garantia da continuidade dos programas de preservação

digital.

Foram apresentadas como base para a escolha do tempo de preservação dos documentos: o
regimento do portal da IES; a Tabela do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) considerando
a tipologia do documento, bem como a Rede Cariniana de Preservação Digital4.
Buscou-se fazer uma análise organizacional com a intensão de conhecer se a instituição é
capaz de entender a necessidade da preservação digital, conhecer o envolvimento dos atores que
compõem a instituição e os entraves que presentes e que impactam no desenvolvimento de
atividades inerentes a preservação digital, conforme se observa no Quadro 4.
Quadro 4 – Fatores importantes para a biblioteca desenvolver atividade de preservação digital

Fatores importantes para a biblioteca
Ter tecnologia disponível
Ter verba destinada
Fazer migração (cópia, duplicação,
refrescamento) de conteúdos digitais
Obedecer a lei de direito autoral
Ter política de seleção de documentos digitais
Ter recursos humanos especializados

1
2
3
4
5
Não
Pouco
Muito
Neutro Importante
importante importante
importante
3,45%
10,34%
86,21%
3,45%
6,90%
10,34%
79,31%

3,45%

13,79%
3,45%
10,34%
3,45%

34,48%
6,90%
13,79%
27,59%

51,72%
89,66%
72,41%
68,97%

Fonte: Dados da pesquisa.
4

É uma rede de serviços de preservação digital de documentos eletrônicos brasileiros criada e coordenada pelo Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Para saber mais sobre a rede consulte:
https://cariniana.ibict.br/

�Os elementos destacados no Quadro 4 se relacionam entre si de alguma forma, no entanto,
mais que planejar é preciso pensar em estratégias de manutenção dessa prática, sendo, portanto,
necessário dispor de recursos financeiros suficientes para levar a cabo as atividades.
O fato de que a preservação digital é cara, os fundos são escassos e as responsabilidades são
difusas sugere que as atividades de preservação digital se beneficiam da cooperação.
Cooperação pode incrementar a capacidade de produtividade de um suprimento limitado de
fundos de preservação digital através do compartilhamento de recursos, eliminando
redundâncias e explorando a economia de escala. (LAVOIE, DEMPSEY, 2004, tradução
nossa).

No que se refere a atualização de equipamentos e recursos tecnológicos nas IES, é possível
comparar dados dos Quadros 4 e 5. Nota-se que, ter tecnologia disponível é fator muito importante
para o desempenho da atividade em questão, em contrapartida, grande parte também informou ter
média ou muita dificuldade para desenvolvê-la por conta da obsolescência tecnológica.
Como estratégia de preservação, é importante considerar duas questões: a primeira
relacionada ao suporte e a segunda ao conteúdo do objeto digital. Quanto ao suporte, são
comumente utilizados a migração (transferência periódica de um objeto digital para um
software/hardware mais atual), refrescamento (mudança de suporte) ou emulação (imitação de um
espaço virtual obsoleto). Para Dias e Weber (2013) o refrescamento não é considerado uma
estratégia de preservação digital, visto que se limita a atualização de plataforma do documento
digital. Não deve ser aplicado de forma isolada, mas utilizado junto às outras estratégias que fazem
parte da preservação digital.
Nessas circunstâncias, é possível inquerir que o sistema de preservação digital pode ser
desconstruído em várias camadas funcionais incluindo criação e gerenciamento de metadados,
processos para acessar e usar o conteúdo, validação da autenticidade ou integridade dos materiais.
Logo, temos funções diversas e que requer divisão do trabalho e um certo grau de especialidade.
A preservação digital é percebida como um fator muito importante que a biblioteca
considera para a temática da preservação digital, em contrapartida, é possível sinalizar que esta
ainda é uma ameaça aos direitos de propriedade intelectual e parte dos embates ou resistências que
possam existir nas IES podem ser atribuídas a lei de direitos autorais.

�Quadro 5 – Fatores que dificultam a prática da preservação digital nas bibliotecas

Fatores que dificultam viabilizar a preservação
digital
Falta de conhecimento da tecnologia envolvida na
preservação
Obsolescência tecnológica
Falta de recursos financeiros
Falta de profissionais qualificados nessa área
Falta de recursos para atualização dos
profissionais
Falta de política de seleção de documentos digitais
Falta de conhecimento suficiente do uso da lei de
direitos autorais
Falta de condições ambientais para
acondicionamento do material (desumidificador/
umidificador; excesso de poeira, climatização
inadequada, espaço físico)
Falta de segurança (muito material não
inventariado, furtado, depredado ou não
devolvido)
Outros

1
Não sei

2
3
4
5
Não há
Pouca
Média
Muita
dificuldade dificuldade dificuldade dificuldade
34,48%

37,93%

27,59%

6,90%

17,24%
17,24%
13,79%

41,38%
20,69%
37,93%

20,69%
62,07%
41,38%

6,90%

17,24%

42,38%

31,03%

13,79%

24,14%

20,69%

41,38%

20,69%

34,48%

27,59%

17,24%

6,90%

17,24%

20,69%

55,17%

3,45%

27,59%

24,14%

27,59%

17,24%

44,83%

10,34%

27,59%

6,90%

10,34%

3,45%

3,45%

17,24%

Fonte: Dados da pesquisa.

Nota-se que divisão de trabalho para preservação de materiais impressos está bem estabelecida. A
divisão de trabalho em relação à preservação digital ainda não foi determinada em algumas IES e é fator de
grande dificuldade apontada pelos respondentes da pesquisa. De fato, por ser uma tarefa que possui um certo
grau de complexidade da parte de infraestrutura tecnológica e operacional a distribuição das
responsabilidades de preservação digital torna-se uma tarefa de difícil tomada de decisão.
Apenas 2,03% (7) das bibliotecas sinalizaram que possuem na estrutura organizacional uma
pessoa/equipe/setor com dedicação para realização das atividades de preservação digital. A preservação
digital deve estar inserida nos objetivos institucionais e envolver a comunidade pertencente a IES como um
todo, para que tenha êxito é importante envolve-los e iniciar uma transição da cultura organizacional onde
estejam envolvidas a área de gestão institucional, a área administrativa, área técnica e operacional.
Assim, a cultura organizacional influencia o comportamento dos indivíduos e dos grupos existentes
na instituição diante se um problema e criam uma forma de resolvê-lo. Exige-se, portanto, maior interação
entre os atores envolvidos.

É sabido que as dificuldades são muitas e o trabalho em cooperação técnica pode ser a
estratégia mais efetiva sobretudo para as instituições públicas de ensino que sofrem a cada ano mais
limitações orçamentárias. No entanto, existe um método básico, testado e que já foi aceito como
solução por muitas instituições desde 2013. Trata-se da Rede Cariniana que surgiu no âmbito do
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) uma rede de serviços de

�preservação digital de documentos eletrônicos brasileiros, com o objetivo de garantir seu acesso
contínuo a longo prazo.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A evolução constante das TIC apresenta novas possibilidades para a preservação de acervos
documentais das bibliotecas universitárias brasileiras. Entretanto, sua aplicação deve ser conduzida
acompanhada de uma política de gestão da tecnologia e recursos essenciais, sob pena de expor o
acervo à fragilidade da informação digital.
Para que os formatos de arquivos possam continuar sendo acessados ao longo do tempo,
diversas decisões ações deverão ser tomadas. Pois, tecnologias de software e hardware não duram
mais que algumas décadas, assim, o sucesso das estratégias de preservação implica considerar
ações. E para isso algumas informações se tornam essenciais, como o nome do formato de arquivo
original e sua versão. Essas informações e várias outras, que dependem do formato de arquivo
específico, por exemplo, se é de áudio ou de vídeo (assim necessitando de algoritmos de
compressão específicos), serão preservados através de metadados.
Não existe uma estratégia única de preservação que solucione todos os problemas existentes.
Cada camada que compreende fases da preservação digital possui processos, técnicas e estratégias
distintas que podem ser adequadas a uma realidade, dependendo do tipo de documento digital que
se pretende preservar.
É importante que as IES se articulem em rede para traçar uma estratégia de definição de
formatos de arquivos e metadados para preservação. Apesar de, no Brasil, existir a Rede Cariniana,
que é um esforço conjunto o qual propõe parcerias com instituições de pesquisas no Brasil para
preservar acervos digitais de forma distribuída, observa-se que ainda não há um conjunto único e
largamente utilizado por todas as instituições. No entanto, parece ser este um excelente recurso
cooperativo a ser amplamente explorado.
REFERÊNCIAS
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contexto das bibliotecas tradicionais e digitais. DataGramaZero, v. 2, n. 6, 2001. Disponível em:
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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O uso e a criação de documentos no contexto digital é uma realidade. Parte dos dados produzidos e armazenados atualmente encontram-se nesse meio. A preservação dos documentos digitais, sobretudo no contexto das instituições de ensino superior é uma questão que surge na pauta de discussão no campo da Biblioteconomia e Ciência da Informação, especificamente no âmbito da gestão das Bibliotecas Universitárias. O trabalho busca apresentar um panorama de como vem sendo desenvolvida práticas nas bibliotecas universitárias brasileiras. Trata-se de um estudo exploratório, do tipo descritivo. Utilizando-se de pesquisa bibliográfica para embasamento dos assuntos pesquisados. Utilizando como instrumento de coleta de dados questionário eletrônico disponibilizado em fórum de discussão especializado. A abordagem das análises de caráter quali-quantitativa. Destaca a importância da existência de se definir formatos de arquivos sustentáveis para assegurar a recuperação a longo prazo. A existência de políticas de preservação digital. E por fim, apresenta os pontos fortes e as debilidades enfrentadas pelas instituições enquanto organização para gerenciar e desenvolver atividades pertinentes a essa questão. Algumas instituições já iniciaram o diálogo sobre preservação digital, mas a maioria não possui um a política. Identificou-se que as bibliotecas possuem restrições orçamentárias e de pessoal que impacta no desenvolvimento das atividades. E que a solução seria o fortalecimento de ações de cooperação em rede para otimizar os recursos.</text>
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                    <text>Eixo: Práticas
ACESSIBILIDADE ATITUDINAL NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE VIÇOSA: UM DIAGNÓSTICO
ATITUDINAL ACCESSIBILITY IN THE CENTRAL LIBRARY OF THE FEDERAL UNIVERSITY
OF VIÇOSA: A DIAGNOSIS
Alejandro de Campos Pinheiro1

Resumo: As mudanças estruturais nos espaços físicos são necessárias para a inclusão das pessoas com

deficiência, o que inclui o ambiente das bibliotecas universitárias. As bibliotecas universitárias
precisam avaliar aspectos, não somente aqueles restritos a mobilidade, mas também identificar se os
seus colaboradores estão capacitados para a realização do atendimento às pessoas com deficiência e se
estão aptos em promoverem a acessibilidade atitudinal. Essa pesquisa tem como objetivo realizar, um
diagnóstico de acessibilidade atitudinal praticado pelos bibliotecários e demais colaboradores da
Biblioteca Central da Universidade Federal de Viçosa às pessoas com deficiência, que utilizam os
seus produtos e serviços. A metodologia utilizada foi o uso de um instrumento norteador denominado
Check list, que consiste em verificar, como os bibliotecários e demais colaboradores realizam os seus
atendimentos quando são solicitados por usuários que apresentam algum tipo de deficiência.
Concluiu-se que, a equipe da biblioteca apresenta um conhecimento limitado sobre os usuários com
deficiência, nos aspectos relacionados a produtos e serviços direcionados a esse público. A ausência
de capacitação e treinamentos promovidos pela gestão dessa biblioteca é um fator determinante, que
contribui para a falta de criação e desenvolvimento de produtos e serviços que contemplem todos os
tipos de usuários. Sugere-se o investimento dos bibliotecários na educação continuada sobre
acessibilidade e inclusão, de modo a garantir condições aos usuários com deficiência usufruírem da
biblioteca universitária em todo seu potencial.
Palavras-chave: Acessibilidade atitudinal. Pessoas com deficiência. Biblioteca universitária. Universidade
Federal de Viçosa.
Abstract: Structural changes in physical spaces are necessary for the inclusion of people with disabilities, which
includes the environment of university libraries. University libraries need to evaluate aspects, not only those
restricted to mobility, but also to identify whether their collaborators are qualified to provide assistance to people
with disabilities and if they are able to promote attitudinal accessibility. This research aims to carry out a
diagnosis of attitudinal accessibility practiced by librarians and other employees of the Central Library of the
Federal University of Viçosa to people with disabilities, who use their products and services. The methodology
used was the use of a guiding instrument called the Check list, which consists of verifying how the librarians and
other collaborators perform their services when requested by users who have some type of disability. It was
concluded that the library team has limited knowledge about users with disabilities, in aspects related to products
and services aimed at this audience. The lack of capacitation and training promoted by the management of this
library is a determining factor, which contributes to the lack of creation and development of products and services
that include all types of users. It is suggested that librarians invest in continuing education on accessibility and
inclusion, in order to guarantee conditions for users with disabilities to enjoy the university library to its full
potential.
Keywords: Atitudinal acessibility. Deficient people. University library. Federal University of Viçosa.
1

Mestre em Ciência da Informação. Universidade Federal de Viçosa. alejandrocampos29@gmail.com

�1 INTRODUÇÃO
A sociedade tem modificado a sua forma de agir, pensar e praticar determinadas ações, a partir
do instante em que é submetida a novas perspectivas de pesquisas e descobertas, de comunicados
emitidos por autoridades ou fake news, o que podem influenciar e impactar no comportamento
positivo ou negativo das pessoas seja em diversas áreas do conhecimento, como a da saúde e social.
Os surtos de doenças em vários países do mundo, que antes eram consideradas extintas, como o
sarampo, retornaram e um dos principais motivos é o viés que questiona a real eficácia das vacinas
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019). As campanhas de vacinação eram consideradas como
sucesso em prevenção e até mesmo em erradicação de doenças e na segunda década desse século é
vista com desconfiança pela população. Do ponto de vista social, algumas atitudes de membros da
sociedade civil se transformaram no decorrer dos tempos e foram determinantes para que um grupo de
indivíduos, antes excluídos e considerados “invisíveis” pudessem ser ouvidos e contemplados em seus
direitos como cidadãos: as pessoas com deficiência.
As pessoas com deficiência foram submetidas por muitos anos ao modelo médico da
deficiência, que consistia segundo Sassaki (1997, p. 29) “a pessoa deficiente é que precisa ser curada,
tratada, reabilitada, habilitada etc. a fim de ser adequada à sociedade como ela é, sem maiores
modificações”. A partir desse modelo, a sociedade era caracterizada em ser resistente as mudanças
nos aspectos estruturais e atitudinais, de modo a possibilitar a inclusão da pessoa com deficiência no
ambiente social, educacional e profissional. Os centros de reabilitação eram vistos como soluções e
responsáveis em tratar e adaptar a pessoa com deficiência nos moldes exigidos pela sociedade na
década de 90. Assim, não havia integração social dessas pessoas, que era e ainda é alcançada por três
formas: mérito pessoal e profissional próprio sem a adequação do ambiente; por meio da adaptação
especifica no espaço físico que possibilite a interação social da pessoa com deficiência; e em lugares
em que haja um atendimento, horário ou espaço exclusivo para a pessoa com deficiência, mesmo
sendo considerado um ato segregativo (SASSAKI, 2006).
A partir de 1990, a Organização das Nações Unidas – ONU expõe o conceito de sociedade
para todos como uma meta a ser atingida e o termo sociedade inclusiva somente aparece por volta do
ano de 2010, a qual se refere Sassaki (2006, p. 168)

Uma sociedade inclusiva garante seus espaços a todas as pessoas, sem prejudicar aquelas que
conseguem ocupá-los só por méritos próprios [...]. Ela fortalece as atitudes de aceitação das
diferenças individuais e de valorização da diversidade humana e enfatiza a importância do
pertencer, da convivência, da cooperação e da contribuição que todas as pessoas podem dar
para construírem vidas comunitárias mais justas, mais saudáveis e mais satisfatórias.

�Esse conceito evoluiu ao decorrer dos anos e documentos como a Declaração de Salamanca e
Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência da Assembleia Geral da
ONU foram criados para possibilitar condições e oportunidades iguais para as pessoas com
deficiência. No Brasil, a Lei de Cotas para Deficientes e Pessoas com Deficiência (8.213/1991) e a
Lei Brasileira da Inclusão para Pessoa com Deficiência (13.146/2015) são considerados um marco na
legislação que asseguram os seus direitos e colaboram para o exercício da sua cidadania.
A mudança estrutural nos espaços físicos, sejam eles públicos ou privados, são necessários
para se adequarem as exigências da legislação, pois as pessoas com deficiência precisam ser tratadas
sem discriminação e sentir que fazem parte da sociedade. Nesse sentido, ambientes como o das
bibliotecas universitárias também precisam avaliar se os seus espaços estão preparados para
atenderem esses indivíduos. Além da instalação de pisos táteis, construção de rampas e elevadores
que promovam a acessibilidade é preciso identificar se os profissionais que fazem parte da equipe de
colaboradores das bibliotecas universitárias estão capacitados no atendimento as pessoas com
deficiência e aptos em promoverem a acessibilidade atitudinal. O presente estudo tem como finalidade
realizar um diagnóstico de acessibilidade atitudinal praticado pelos bibliotecários e demais
colaboradores da Biblioteca Central da Universidade Federal de Viçosa às pessoas com deficiência
que utilizam os seus produtos e serviços.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A seção discutirá elementos que embasarão a pesquisa realizada. Serão abordados os conceitos
de biblioteca universitária e acessibilidade atitudinal para maior compreensão sobre esse estudo
realizado.

2.1 A biblioteca universitária

A biblioteca universitária é um órgão normalmente subordinado a pró reitoria de ensino de
uma instituição e tem como objetivo em contribuir para que a universidade realize as ações de ensino,
pesquisa e extensão. É o espaço responsável por compilar os materiais técnico-científicos de interesse
da sua comunidade e disponibilizá-los nas formas de empréstimo ou consulta local para colaborar no
processo de ensino aprendizagem, pesquisa e investigação científica. Além disso, outras atribuições
são realizadas e divulgadas para auxiliar os seus usuários na busca pela informação e produção de
conhecimento, que consiste em: levantamento bibliográfico, orientação quanto ao uso de normas

�técnicas, visita técnica, disseminação seletiva da informação, treinamento para o uso de bases de
dados, entre outros produtos e serviços.
Segundo Cunha e Cavalcanti (2008), a biblioteca universitária é um espaço subordinado a
instituição de ensino superior e que deve ir ao encontro das necessidades informacionais da equipe
docente, discente e administrativo, com intuito em auxiliar nas atividades de ensino, pesquisa e
extensão. A biblioteca pode ser considerada única (geralmente uma biblioteca central) ou várias
(normalmente denominada biblioteca setorial, por estar localizada em um departamento e por
possuir um acervo específico), que são organizadas como sistema ou rede.
Para Martins e Martins (2012, p. [2]) as bibliotecas de ensino superior são essenciais para a
comunidade acadêmica, visto que possuem o papel de mediadoras no acesso à informação,
constituindo-se como um elo no auxílio ao ensino “e à investigação científica, para a produção do
conhecimento”. As autoras ainda ressaltam que, as bibliotecas universitárias incorporam na
atualidade uma responsabilidade na formação dos estudantes ao propiciar condições para que eles
atinjam os seus objetivos, “baseados em toda a informação que vão absorvendo no mundo que os
rodeia”.
Nesse sentido, as autoras supracitadas enfatizam a importância de inclusão da pessoa com
deficiência, uma vez que reafirmam o compromisso das bibliotecas universitárias reunirem “um
conjunto de serviços, recursos e equipamentos que permitam receber alunos com necessidades
especiais. Este processo deve ser iniciado a priori, de modo a que em caso de necessidades o serviço
esteja já funcional” (MARTINS; MARTINS, 2012, p. [4]).

A maioria das bibliotecas adotou medidas para tornar seus serviços acessíveis aos usuários
com deficiência. Mas mesmo as bibliotecas que pensam que não têm clientes com
deficiência devem estar preparadas para a eventualidade de ajudar esses clientes. A
preparação avançada coloca a biblioteca em uma posição mais confortável do ponto de
vista de serviço, ética e legal. Além disso, é um gesto de boas-vindas. Algumas bibliotecas
acreditam que, por não terem conhecimento de nenhum usuário com deficiência, não
precisam fornecer serviços acessíveis. Essa atitude é uma profecia auto-realizável; pessoas
com deficiência optarão por não ir a um lugar com barreiras. Bibliotecas inacessíveis
podem ter muitos usuários em potencial que estão excluindo. À medida que as bibliotecas
fornecem serviços e informações mais acessíveis, é mais provável que atraiam novos
usuários, incluindo aqueles com deficiência (POWER; LEBEAU, 2009, p. 5572, tradução
nossa).

Mazzota (2005, p. 65) destaca a importância de reconhecer e incentivar a participação das
pessoas com deficiência nas ações de planejamento e execução dos “serviços, produtos e recursos
que são destinados a esse público”, pois são medidas que buscam valorizar o aspecto humano e o
seu empoderamento na tomada de decisão para que se alcance uma “sociedade democrática e

�inclusiva em todos os seus espaços, efetivando, assim, na prática, o que a legislação brasileira
orienta”.
As bibliotecas universitárias têm a responsabilidade de atingir
a eliminação de diversas barreiras como a arquitetônica para pessoas com deficiência física
e/ou mobilidade reduzida, sinalização em Braille e piso tátil para os cegos, obras em
Braille, terminais de consultas com programa de voz e com monitores maiores, incluindo o
teclado em Braille, informações em tamanhos ampliados para pessoas com baixa visão,
equipe treinada e proativa para auxiliar os usuários, conhecimento em Libras, dentre outros
pontos, nos espaços de todas as bibliotecas setoriais, para que o usuário possa utilizar a
biblioteca que ele quiser. Por se tratar de um Sistema de Bibliotecas, presume-se que as
partes tenham que estar preparadas, coordenadas entre si, para formar um todo inclusivo e
que funciona como estrutura organizada e com o mesmo pensamento. (COSTA; DUARTE,
2017, p. 175).

Lazzarin e Sousa (2015, p. 80) reforçam a ideia de que “a acessibilidade nos ambientes
universitários é fundamental e, está associada à preocupação dispensada em promover a inclusão
social e a diversidade em seus espaços acadêmicos”. Logo, a biblioteca universitária tem a missão
em contribuir com o desenvolvimento acadêmico dos estudantes durante todo o período do curso,
então ela precisa adequar o seu espaço físico e digital às necessidades informacionais dos mesmos
oferecendo assim, condições para permanência desses alunos usufruir os produtos e serviços.
As pessoas com deficiência estão cada vez mais frequentando o ensino superior, em torno de
45 mil, conforme dados da Sinopse Estatística do Ensino Superior (INEP, 2019), e isso tem
impactado também na adequação do espaço, na prestação de produtos e serviços e nas formas de
atendimento dos profissionais das bibliotecas universitárias. É necessário que os bibliotecários e sua
equipe de colaboradores estejam atentos a sua comunidade acadêmica, que também é constituída
pelas pessoas com deficiência e verificar alternativas para incluir esse usuário, que por muitos anos
foram considerados invisíveis pela sociedade. Com o aumento desse público, a Biblioteca Central
da Universidade Federal de Viçosa precisa avaliar se a sua infraestrutura, os produtos, serviços e o
comportamento dos seus profissionais estão condizentes para satisfazer as necessidades das pessoas
com deficiência.
A Biblioteca Central (BBT) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) foi criada em 1969, se
encontra localizada no centro do campus universitário da cidade de Viçosa e está diretamente
vinculada a pró reitoria de ensino. Ela possui quatro andares, ocupa uma área aproximada de 13 mil
metros quadrados e realiza as atividades de “seleção, aquisição, classificação, catalogação,
organização,

armazenamento,

conservação,

restauração,

disponibilização,

treinamentos

e

disseminação das mais diversas fontes de informação aos seus usuários.” Oferece assistência às
bibliotecas setoriais do campus Viçosa e das bibliotecas dos campi de Florestal e Rio Paranaíba e
disponibiliza os serviços de “comutação bibliográfica, levantamento bibliográficos de assuntos

�específicos, catalogação na fonte, normalização de publicações, empréstimos de publicações,
treinamentos, cursos e orientações individuais aos usuários” (BIBLIOTECA CENTRAL DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, 2015).
A BBT da UFV conta com diversos produtos e serviços, conforme supracitados, que são
oferecidos a sua comunidade. No entanto, é preciso que o indivíduo responsável por fazer a sua
divulgação e mediação contemple todos os tipos de usuários, que inclusive tenha o conhecimento das
diretrizes e modelos de protocolos para atendimento a pessoa com deficiência. Conhecer quais as
formas de tratamento corretos para atender uma pessoa com deficiência são essenciais para que ela se
sinta valorizada como cidadão e incluída na sociedade da informação, além disso contribuirá para
prática e disseminação da acessibilidade atitudinal.

2.2 Acessibilidade atitudinal
Segundo Sassaki (2006, p. 69), a acessibilidade atitudinal se refere aquela “sem preconceitos,
estigmas, estereótipos e discriminações, como resultado de programas e práticas de sensibilização e de
conscientização dos trabalhadores em geral e da convivência na diversidade humana nos locais de
trabalho”. Dessa forma, cabe aos profissionais de todos os setores da sociedade e nesse contexto, o da
universidade, buscar meios para a remoção de barreiras, inclusive as atitudinais com intuito em
garantir a cidadania. Nesse sentido, a acessibilidade atitudinal será alcançada a partir de ações de
conscientização, do conhecimento e da tomada de atitude do bibliotecário, o que inclui a realização de
projetos de sensibilização, orientação e informação de toda a comunidade, que compõem a biblioteca
universitária (ASSIS, 2018).
Com a finalidade em atingir a acessibilidade atitudinal, algumas ações que se encontram
enraizadas na sociedade precisam ser alteradas para que o atendimento da pessoa com deficiência seja
realizado com respeito, atenção e igualdade. A seguir, alguns exemplos que estão condizentes para o
atendimento da pessoa com deficiência:

Quando desejar uma informação, dirija-se diretamente a pessoa com deficiência, não a seus
acompanhantes ou intérpretes; sempre que quiser ajudar ofereça sua colaboração e espere a
oferta ser aceita; lembre-se que cada tipo de deficiência possui singularidades e necessidades
próprias; pergunte de que forma pode ajudar (MELO, 2008; UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE, 2008; UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2018).

É necessário compreender que para realizar um atendimento apropriado para as pessoas com
deficiência, a equipe de colaboradores da biblioteca precisa conhecer quais atitudes adequadas devem
ser realizadas com o objetivo em atendê-los com satisfação e sem discriminação. Por falta de

�orientação ou informação dos colaboradores de uma instituição dependendo do tratamento oferecido
por eles a uma pessoa com deficiência, pode ser caracterizado como uma atitude preconceituosa,
baseada no estereótipo ou no senso comum. Nesse contexto, essas ações podem ser identificadas
como barreiras atitudinais, ao desestimular o uso do espaço, dos produtos e serviços da biblioteca
universitária prejudicando esse usuário no seu processo de ensino aprendizagem e resultando muitas
vezes na sua evasão do ensino superior.

as atitudes ou comportamentos podem impedir ou prejudicar a participação social da pessoa
com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais e oferecer-se uma
biblioteca com acessibilidade, implica em reduzir ou remover as barreiras que dificultem o
acesso da pessoa com deficiência aos serviços e produtos oferecidos (ASSIS, 2018, p. 26).

Ribeiro, Simões e Paiva (2017, p. 210) salientam que, atitudes negativas podem ser
identificadas em discursos impregnados de estigmas e conceitos estereotipados referentes as
peculiaridades das pessoas não pertencentes ao grupo dominante. Logo, isso gera preconceitos e
exclusões, que são considerados alguns dos elementos responsáveis pelas barreiras atitudinais. “A
discriminação pode ser entendida, neste contexto, como hábito culturalmente concebido, gerador de
sujeitos com atitudes preconceituosas com atores sociais não pertencentes ao mesmo campo social.”
O artigo 8, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, destacado no decreto
6.949, de 25 de agosto de 2009, aborda sobre a importância da conscientização, como item essencial
ao combate as barreiras atitudinais:

Conscientizar toda a sociedade, inclusive as famílias, sobre as condições das pessoas com
deficiência e fomentar o respeito pelos direitos e pela dignidade das pessoas com deficiência;
Combater estereótipos, preconceitos e práticas nocivas em relação a pessoas com deficiência,
inclusive aqueles relacionados a sexo e idade, em todas as áreas da vida; Promover a
conscientização sobre as capacidades e contribuições das pessoas com deficiência (BRASIL,
2009, online).

A educação da população é fundamental para que determinadas atitudes vexatórias, e
discriminatórias sejam evitadas. Sassaki (2005, p. 2) exemplifica com uma frase que demonstra
preconceito e que precisa ser abolida na sociedade: “apesar de deficiente, ele é um ótimo aluno”. A
forma correta em se expressar seria: “ele tem deficiência e é um ótimo aluno”. Assim, as pessoas com
deficiência são destacadas por estereótipos e excluídas por serem avaliadas como indivíduos
incapazes em trabalhar, estudar e realizar outras atividades. Conforme Ribeiro, Simões e Paiva (2018,
p. 223) elas “tendem a desenvolver estratégias para superar as barreiras impostas pelo ambiente social
e provar que conseguem ir além, aproximando-se ao máximo do que consideram como a normalidade
construída nos campos para se sentirem aceitas socialmente.”

�De acordo com Machado (2008) apenas a legislação não é suficiente para a política de
inclusão das pessoas com deficiência na universidade ou qualquer outra instituição. É necessário a
esses ambientes, uma mudança de postura, que compreenda o outro como indivíduo, que necessita de
acessibilidade não apenas nos aspectos físicos, mas também nas atitudes dos demais que o circundam
e interagem com ele socialmente.

3 METODOLOGIA

Para a realização do diagnóstico da acessibilidade atitudinal da BBT da UFV utilizou-se o
instrumento norteador Check list para bibliotecas, elaborado por Nicoletti (2010) afim de verificar,
como os bibliotecários e demais colaboradores realizam os seus atendimentos quando são
solicitados por usuários que apresentam algum tipo de deficiência, se estão capacitados ou recebem
treinamentos. O Check list foi usado no seu formato original, entretanto, para este estudo foi
selecionado um recorte deste instrumento apenas a parte de acessibilidade atitudinal, visto que era o
foco da pesquisa. Também se adaptou alguns termos no campo de questão para que
correspondessem com conjuntura social e a nomenclatura utilizada na atualidade.

4 RESULTADOS

Para uma visibilidade, análise e comparação das informações coletadas, um recorte do
Check list da BBT da UFV foi realizado no aspecto de acessibilidade atitudinal. As questões foram
avaliadas com sim, parcialmente e não e o resultado obtido se encontra exposto no quadro abaixo:
Quadro 1 - Check list BBT – UFV – Acessibilidade Atitudinal
Questão
O bibliotecário atualiza-se sobre a
questão da acessibilidade, recorrendo
às fontes disponíveis na área?
O bibliotecário tem conhecimento da
legislação pertinente à acessibilidade
em âmbito federal, estadual e
municipal? (Recomenda-se que a
biblioteca adquira a legislação
vigente e as normas relacionadas à
acessibilidade.)
O bibliotecário tem conhecimento
dos recursos de Tecnologia Assistiva
(TA) que promovem o acesso e uso
da informação?
O bibliotecário tem conhecimento do

Avaliação
Parcialmente

Observação

-

Parcialmente

-

Parcialmente

-

�custo de implementação de recursos
de TA que promovem o acesso e uso
da informação da biblioteca?
O bibliotecário tem conhecimento
das organizações não-governamentais
de pessoas com limitações físicas,
sensoriais e cognitivas?
O bibliotecário busca, junto às
organizações não-governamentais de
pessoas com limitações físicas,
sensoriais e cognitivas, consultoria
quanto à adequação à acessibilidade,
identificando pontos prioritários a
serem atendidos no contexto da
biblioteca?
A
biblioteca
investe
na
conscientização de todos da equipe
de trabalho sobre as questões
humanas e legais da inclusão de
PCD’s através do acesso e uso da
informação?
A biblioteca investe na capacitação
de todos da equipe de trabalho sobre
as diferentes necessidades que as
pessoas com limitações físicas,
sensoriais e cognitivas podem
apresentar no acesso e uso de
informação?
A biblioteca investe na capacitação
da equipe e dos usuários quanto ao
acesso e uso das Tecnologias de
Informação e Comunicação (TICs) e
dos recursos de TA, que promovem a
acessibilidade da informação no
contexto da biblioteca?
A equipe da biblioteca apresenta
criatividade na busca de possíveis
soluções aos problemas que surgem
no acesso e uso da informação pelos
usuários, especialmente para os que
apresentam necessidades especiais
sensoriais e cognitivas?
Para exercer a função de atendimento
aos usuários, a biblioteca designa
colaboradores que tenham perfil
adequado
a
essa
atividade?
(Recomenda-se que, além da
capacitação técnica para a função, a
pessoa seja comunicativa, prestativa e
atenta às diversas necessidades que o
usuário pode apresentar independente
de suas limitações.)
Os colaboradores responsáveis pelo
atendimento aos usuários acolhem as
diferenças
(limitações,
físicas,
sensoriais e cognitivas) de forma
natural e sensível, com a mesma
atenção e respeito dispensado a todos
os usuários?

Não

Parcialmente

Não

Não

-

-

-

-

Não

-

Não

-

Sim

-

Sim

-

Sim

-

�No balcão de atendimento, as PCD’s
recebem atendimento prioritário,
respeitando-se a opção das mesmas?
(Recomenda-se a sinalização, no
balcão de atendimento, dessa
prerrogativa para que não se
confundam privilégios com direitos.)
Os colaboradores da biblioteca
oferecem aos usuários atendimento
com naturalidade, sempre que
necessário, independente, se estes
apresentam ou não necessidades
especiais?
Os colaboradores acatam com
naturalidade as recusas de ajuda por
parte das PCD’s?
Os colaboradores da biblioteca
acolhem adequadamente os usuários
com limitação visual que estejam
acompanhados de cão guia, no
sentido de permitir o ingresso e a
permanência do animal no local?
(Lembrando que este é um direito
garantido por lei.)
Nas primeiras visitas de uma pessoa
com
limitação
visual
e
desacompanhada, a biblioteca dispõe
de um colaborador como guia
humano que a acompanhe nos
espaços internos, descrevendo e
orientando sobre o ambiente?
Os colaboradores da biblioteca
acolhem adequadamente as pessoas
com baixa visão, auxiliando-as se
necessário e a pedido?
A equipe da biblioteca dispõe de um
colaborador intérprete de LIBRAS?
(Recomenda-se que a localização
habitual
do
intérprete
seja
identificada
com
o
símbolo
internacional de surdez, além disso,
dias e horários de atendimento devem
ser divulgados.)
A equipe da biblioteca dispõe de um
colaborador guia intérprete de surdocegos, habilitado à orientação e
mobilidade de pessoas surdo-cegas
no acesso e uso biblioteca?
A biblioteca mantém um controle de
registro
sobre
as
PCD’s,
identificando suas limitações e
necessidades no acesso e uso de
informação?
A biblioteca realiza avaliação de seus
serviços e produtos a fim de torná-los
acessíveis para o maior número
possível de usuários?
Para detenção de recursos financeiros
a biblioteca argumenta/justifica junto
à instituição mantenedora quanto à

Os PCD’s recebem atendimento
prioritário, mas o balcão não possui
sinalização referente a esse direito.
Parcialmente

Sim

-

Sim
-

Sim

-

Sim

-

Sim

-

Parcialmente

Não

Possui um colaborador, mas a
localização habitual do intérprete não
é identificada com o símbolo
internacional de surdez, e não tem
dias e horários definidos para esse
tipo de atendimento.

Os usuários precisam ir diretamente a
direção para fazer sugestões e
críticas.

Sim

-

Não

-

�importância de uma biblioteca
acessível a todos, em respeito à lei e
aos usuários em suas diferenças
individuais?
A biblioteca busca estabelecer
parcerias com setores privados ou de
capital misto que tenham interesse
em investir em projetos de inclusão
de PCD’s através do acesso e uso da
informação?
A biblioteca atenta às oportunidades
oferecidas por órgãos governamentais
estaduais e municipais para a
liberação de verbas de apoio a
projetos específicos a PCD’s?
Fonte: Adaptado de Nicoletti (2010).

Não

-

Não
-

Não

-

5) DISCUSSÃO

O Check List elencou informações relevantes e preocupantes referente aos aspectos
direcionados a acessibilidade atitudinal na BBT da UFV. Conforme explicitado no quadro 1, o
bibliotecário possui um conhecimento parcial sobre a legislação de acessibilidade, tecnologia assistiva
e fontes de informação que abordam essas temáticas. Então, percebe-se a necessidade do bibliotecário
buscar alternativas para se instruir e dessa forma contribuir para a inclusão da pessoa com deficiência
no ambiente da biblioteca universitária. Conhecer profundamente a legislação de acessibilidade e os
recursos de tecnologia assistiva, que a biblioteca possa adquirir são meios de colaborar com a
permanência da pessoa com deficiência no ensino superior, ao possibilitar condições desse usuário
acessar fontes de informação condizentes com a sua deficiência.
De acordo com o quadro 1, em relação a resposta sim, a biblioteca possui um registro que
identifica as pessoas com deficiência e suas necessidades no acesso e uso da informação. Conhecer o
seu usuário com ou sem deficiência é fundamental para que a biblioteca entre em consonância com as
expectativas do indivíduo e satisfaça as suas necessidades informacionais. Ainda que, a biblioteca não
realize cursos de capacitação, treinamentos aos seus colaboradores para atender adequadamente esse
público, a equipe de colaboradores se mostra com pró-atividade e iniciativa quando se encontra em
situação de atendimento a uma pessoa com deficiência. Demonstram que são prestativos, buscam
alternativas e soluções possíveis para realizarem um atendimento satisfatório para aqueles usuários
que necessitam de uma atenção peculiar. Porém, segundo Diniz, Almeida e Furtado (2019, [p. 5])

É inconcebível que a biblioteca, como um organismo social, não invista na conscientização da
sua equipe de trabalho sobre as questões humanas e legais da inclusão de estudantes com
deficiência. Chega a ser uma contradição falar de inclusão sem conhecimento sobre as
questões humanas e legais dentro de um universo como a universidade.

�Infere-se que, a equipe de colaboradores da BBT possui características de empatia,
solidariedade, pró-atividade ao procurar atender a pessoa com deficiência, mesmo que o espaço não
possua a acessibilidade adequada, escassez de recursos tecnológicos disponíveis presencia-se
disposição e bom senso em satisfazer as necessidades do usuário.
Constatou-se que, os bibliotecários da BBT desconhecem os custos de implementação de
recursos de Tecnologia Assistiva, não procuram informações e auxílios em entidades não
governamentais direcionados as pessoas com deficiência e não desenvolvem projetos de captação de
recursos para a aquisição de materiais adaptados para esse público. Percebe-se então, que os
bibliotecários da BBT apresentam um conhecimento limitado sobre os usuários com deficiência, nos
aspectos relacionados a produtos e serviços direcionados ao perfil desse público. A ausência de
cursos de capacitação e treinamentos promovidos pela gestão da BBT para os bibliotecários e os
demais colaboradores, também é um fator determinante que contribui para a falta de criação e
desenvolvimento de produtos e serviços que contemplem todos os tipos de usuários.
A prática de ações inclusivas de uma biblioteca deveria ser iniciada pela capacitação dos seus
colaboradores. No entanto, a ausência de investimentos em cursos e treinamentos para a equipe de
trabalhadores impactam as suas ações posteriores, quando necessitam atender pessoas com deficiência
e que podem precisar de algo específico durante o acesso e uso da informação (MALHEIROS;
CUNHA, 2017).
A BBT não possui um colaborador qualificado para guiar usuários que apresentam deficiência
visual, física ou auditiva, não discute com a administração superior aspectos relacionados a
acessibilidade do seu espaço e no seu entorno e não realiza qualquer tipo de ação, parceria com outros
órgãos governamentais, municipais, estaduais ou federais, ou da iniciativa privada. Entende-se que, a
falta de um profissional da biblioteca que possua um conhecimento aprofundado sobre a
acessibilidade, Tecnologia Assistiva e os seus aspectos relacionados com o usuário com deficiência
colabora com a invisibilidade desse público. Conhecer as formas adequadas para realizar um
atendimento a uma pessoa com deficiência significa incluir esse indivíduo no ambiente da biblioteca e
tratá-lo como cidadão atentando-se ao cumprimento dos seus direitos.
A atuação de um bibliotecário que coordene ações voltadas para os usuários com deficiência
torna-se imprescindível no contexto atual (SAMSON, 2011), uma vez que esse público tem crescido
substancialmente nos últimos anos.

Ainda que, a acessibilidade e inclusão seja um interesse

institucional, sempre haverá um profissional com maior envolvimento, sensibilidade e liderança nesse
processo e isso está relacionado nas funções administrativas da biblioteca (MIGLIOLI; SANTOS,
2017; SAMSON, 2011).

�CONSIDERAÇÕES FINAIS
A transformação da sociedade ao decorrer das décadas permitiu que houvesse uma mudança
da concepção referente ao papel das pessoas com deficiência e suas formas de interação com outros
indivíduos e nos ambientes os quais exerce suas atividades laborais, estudo, lazer entre outros. No
início do século XX eram considerados indivíduos incapazes, por serem avaliados de acordo com os
princípios do modelo médico da deficiência, no entanto, na contemporaneidade são atores que buscam
ser protagonistas das suas vidas, ações e que reivindicam pelos seus direitos e consequentemente pela
sua inclusão social.
Para que as pessoas com deficiência possam atingir a sua independência e autonomia, elas
precisam de determinadas adaptações dos espaços em que transitam, como rampas, elevadores, pisos
táteis garantindo a sua mobilidade. No entanto, é preciso evidenciar que outras ações são necessárias
para contribuir com a sua inserção nos ambientes. Conhecer como se comportar adequadamente com
uma pessoa com deficiência durante um atendimento é permitir a sua inclusão como cidadão na
sociedade em que vive. Nesse sentido, identificou-se a necessidade de realizar um diagnóstico de
acessibilidade atitudinal com os bibliotecários e os demais colaboradores da Biblioteca Central da
Universidade Federal de Viçosa.
Observou-se que, a gestão da BBT é omissa nos aspectos de cursos e treinamentos para a
capacitação da sua equipe de colaboradores para atendimento com pessoas com deficiência. Ainda
que isso ocorra, os servidores são prestativos e disponíveis quando solicitados, mesmo que não
apresentem a orientação adequada de como devem proceder. Não há propostas de projetos de
parcerias com outras entidades, em relação ao uso de recursos de Tecnologia Assistiva e empréstimo
de materiais adaptados. A ausência de iniciativa, pró-atividade, liderança e formação profissional
contínua dos bibliotecários também dificultam na disseminação da acessibilidade atitudinal, visto que
esses profissionais realizam atendimentos presenciais e deveriam ser instruídos e preparados para
compartilharem a forma adequada.

O desconhecimento é a base para o avanço das barreiras atitudinais e falta muito para que as
bibliotecas universitárias, foco deste estudo, se tornem inclusivas e acessíveis. Isto requer
muito da acessibilidade atitudinal dos diretores e dos bibliotecários da biblioteca, pois
profissionais apáticos, sem iniciativa e conhecimento necessário para atuarem com todos os
tipos de acessibilidade perpetuarão a imagem da biblioteca como uma instituição fracassada
neste domínio (DINIZ; ALMEIDA; FURTADO, 2019, p. [6]).

A mudança de comportamento das instituições, a conscientização dos colaboradores e da
sociedade como um todo e a disseminação de práticas corretas no atendimento para a pessoa com

�deficiência podem ser ações efetivas para a consolidação da acessibilidade atitudinal. Os
bibliotecários precisam investir na educação continuada sobre acessibilidade e inclusão, de modo a
garantir condições aos usuários com deficiência usufruírem da biblioteca universitária em todo seu
potencial. Distinguir os tipos de deficiências dos seus usuários e conhecer a maneira adequada em
como atendê-los é uma forma de contribuir para a sua permanência no ensino superior, reconhecendoo como membro da comunidade acadêmica e assim, auxiliar na sua interação social.
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http://www.bbt.ufv.br/?page_id=143. Acesso em: 24 mar. 2020.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Newsroom. Disponível em:
https://www.who.int/immunization/newsroom/new-measles-data-august-2019/en/. Acesso em: 24
mar. 2020.

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Biblioteconomia&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Acessibilidade atitudinal na Biblioteca Central da Universidade de Viçosa: um diagnóstico.</text>
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                <text>As mudanças estruturais nos espaços físicos são necessárias para a inclusão das pessoas com deficiência, o que inclui o ambiente das bibliotecas universitárias. As bibliotecas universitárias precisam avaliar aspectos, não somente aqueles restritos a mobilidade, mas também identificar se os seus colaboradores estão capacitados para a realização do atendimento às pessoas com deficiência e se estão aptos em promoverem a acessibilidade atitudinal. Essa pesquisa tem como objetivo realizar, um diagnóstico de acessibilidade atitudinal praticado pelos bibliotecários e demais colaboradores da Biblioteca Central da Universidade Federal de Viçosa às pessoas com deficiência, que utilizam os seus produtos e serviços. A metodologia utilizada foi o uso de um instrumento norteador denominado Check list, que consiste em verificar, como os bibliotecários e demais colaboradores realizam os seus atendimentos quando são solicitados por usuários que apresentam algum tipo de deficiência. Concluiu-se que, a equipe da biblioteca apresenta um conhecimento limitado sobre os usuários com deficiência, nos aspectos relacionados a produtos e serviços direcionados a esse público. A ausência de capacitação e treinamentos promovidos pela gestão dessa biblioteca é um fator determinante, que contribui para a falta de criação e desenvolvimento de produtos e serviços que contemplem todos os tipos de usuários. Sugere-se o investimento dos bibliotecários na educação continuada sobre acessibilidade e inclusão, de modo a garantir condições aos usuários com deficiência usufruírem da biblioteca universitária em todo seu potencial.</text>
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                    <text>Eixo 1: Tradição
CAPACITAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL NO USO DO SISTEMA
PERGAMUM
TRAINING LIBRARIES OF THE LIBRARY SYSTEM OF UNIVERSIDADE FEDERAL DE
MATO GROSSO DO SUL IN THE USE OF THE PERGAMUM SYSTEM
Wanderlice da Silva Assis1
Jaziel Vasconcelos Dorneles2
Resumo: Trata-se de um estudo de caso de caráter exploratório qualitativo baseado em fatores de uso que
delineou como objetivo analisar as práticas de capacitação de bibliotecários das bibliotecas que compõem o
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul especificamente no uso do Sistema
Pergamum. As ações de capacitação foram oferecidas pela Biblioteca Central de 2008 a 2017. A população
para o estudo foi composta de nove bibliotecários das bibliotecas da instituição do interior do estado. Os
resultados demonstraram que a representatividade das atividades de capacitação supre as necessidades
desses bibliotecários na modalidade informal, em orientação por e-mail e/ou por telefone. O uso dessa
forma de capacitação pode ter sido impulsionado pela dificuldade de deslocamento dos profissionais até o
campus de Campo Grande, onde grande parte das ações foram realizadas. Essas práticas de capacitação
carecem de ajustes para que venham a satisfazer as expectativas e necessidades informacionais dos
bibliotecários, e, com a implantação de políticas de gestão, melhor direcionar os serviços de todas as
bibliotecas da instituição.
Palavras-chave: Capacitação. Pergamum Sistema Integrado de Bibliotecas. Bibliotecários. Automação de
bibliotecas. Biblioteca universitária.
Abstract: It is a case study of character qualitative exploratory based on factors of use that outlined as
objective to analyze the training practices of librarians of libraries that comprise the Libraries System of the
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul specifically in the use of the Pergamum System. The training
actions were offered by the Central Library from 2008 to 2017. The population studied was composed of
nine librarians from the libraries of the state's interior institution. The results showed that the
representativeness of the training activities caters to the needs of the librarians researched in modalities of
informal form, guidance by e-mail and/or by telephone. The use of this form of training may have been
caused by the difficulty of displacement of the professionals to the campus of large field where much of the
actions were carried out. These training practices lack adjustments to achieve the informational desires of
librarians with the need to deploy gestational policies better to direct to the services of all libraries of the
institution.
Keywords: Training. Integrated Pergamum System of Libraries. Librarians. Library automation. University
library.
1

Doutora e Mestre em Educação (UFMS). Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. E-mail:
wanderlice.assis@ufms.br
2
Doutorando em Ciência da Informação (Universidade de Coimbra), Mestre em Psicologia (UCDB).
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. E-mail: jaziel.dorneles@ufms.br

�1 INTRODUÇÃO
As práticas biblioteconômicas para o tratamento da informação têm sofrido
consideráveis mudanças, conforme a Sociedade da Informação evolui, modificando as
necessidades informacionais dos diferentes usuários. Os recursos tecnológicos já constituem
parte integrante das bibliotecas e da atuação cotidiana do profissional bibliotecário; em
decorrência desse fato, surge a necessidade de constante especialização na área tecnológica
por parte desse profissional.
Esta comunicação, parte de uma pesquisa em andamento, aborda a formação
continuada de bibliotecários que atuam em bibliotecas universitárias do estado de Mato
Grosso do Sul. Trata-se de um estudo de caso, de caráter exploratório qualitativo, baseado em
fatores de uso, com o objetivo de analisar as práticas de capacitação de bibliotecários das
bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Mato Grosso
do Sul, especificamente no uso do Sistema Pergamum - Sistema Integrado de Bibliotecas, no
período de 2008 a 2017.
Os resultados demonstraram que a representatividade das atividades de capacitação
supre as necessidades dos bibliotecários pesquisados de modo informal, orientação por e-mail
e/ou por telefone. Esse modo de fornecer capacitação pode ter sido impulsionado pela
dificuldade de deslocamento dos profissionais até o campus de Campo Grande, onde parte das
ações foram realizadas. Essas práticas de capacitação carecem de ajustes para que se atinjam
as expectativas informacionais dos bibliotecários por meio da implantação de políticas de
gestão que melhor direcionem os serviços de todas as bibliotecas da instituição.
2 SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO
GROSSO DO SUL (Sibi/UFMS)
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) foi criada em 1962 a partir da
Faculdade de Farmácia e Odontologia de Campo Grande, na cidade de Campo Grande, e o
Sistema de Bibliotecas, através de regimento interno, em 1965.

�O Sistema passou por várias mudanças, desde os processos de criação e de ascensão
do status quo da Instituição, que, em 1969, passou de Faculdade para Universidade Estadual e
Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FUFMS), em 1979, em decorrência
da divisão do estado de Mato Grosso e criação do estado de Mato Grosso do Sul, em 11 de
outubro de 1977.
Com a federalização da Universidade, a Biblioteca Central foi transformada em Órgão
Suplementar, subordinada à Pró-Reitoria de Órgãos Suplementares, conforme o estatuto da
FUFMS. Na época, foi implantada a estrutura para o Sistema de Bibliotecas da UFMS,
composta pela Biblioteca Central (BIC) localizada na capital Campo Grande e as demais
bibliotecas setoriais sediadas em Aquidauana, Corumbá, Dourados e Três Lagoas.
Em 1986 foi aprovada uma nova estrutura para as bibliotecas; a Biblioteca Central
passou a se denominar Núcleo de Biblioteca Central, continuando, as outras bibliotecas, como
setoriais.
Em virtude de uma nova reestruturação organizacional da Universidade, o Núcleo de
Biblioteca Central transformou-se, no ano de 1990, em Coordenadoria de Biblioteca Central
(CBC), subordinada à Pró-Reitoria de Ensino de Graduação. As bibliotecas setoriais do
interior do estado passaram a se constituir em Seções de Bibliotecas de Aquidauana, Bonito,
Chapadão do Sul, Corumbá, Coxim, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta
Porã e Três Lagoas.
Em 2006, após a criação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a
Biblioteca Setorial de Dourados e todo o seu acervo passam a não mais integrar o Sistema de
Bibliotecas da UFMS.
A Resolução nº 146, de 28 de dezembro de 2018, estabelece as novas regras de
funcionamento do Sistema de Bibliotecas no âmbito da UFMS (Sibi/UFMS), composto por
10 bibliotecas com 21 bibliotecários lotados no seu quadro de servidores - dez bibliotecários
na Biblioteca Central em Campo Grande e onze nas nove bibliotecas setoriais dos campi do
interior.

�O acervo do Sibi/UFMS3 conta com 130.943 títulos e 377.321 exemplares, incluindo
livros impressos, e-books, periódicos, artigos de periódicos, mapas, CD-ROM, DVD, teses e
dissertações, dentre outros. Oferece estrutura adequada para organizar, armazenar e
disseminar informações à comunidade acadêmica (docentes, discentes e servidores técnicoadministrativos) e à comunidade em geral; permite o livre acesso a materiais bibliográficos
e/ou audiovisuais e informações para o desenvolvimento cultural e científico da UFMS e
comunidade externa, de forma sustentável e inclusiva.
3 IMPLANTAÇÃO DA AUTOMAÇÃO NOS SERVIÇOS DAS BIBLIOTECAS DO
Sibi/UFMS
A automação das bibliotecas do Sibi/UFMS teve início em 1995, com a criação e
implantação das bases de dados bibliográfica e de usuário no MicroIsis, pela equipe de
bibliotecários da Biblioteca Central. Conforme eram solicitados, os bibliotecários e a equipe
técnica de informática da UFMS trabalhavam na instalação e treinamento dos bibliotecários e
servidores das bibliotecas dos campi do interior do estado.
Embora o MicroIsis tenha como característica principal a função de base de dados
com opções para a inserção de dados multiusuário, implementação em rede e consultas a
catálogos nas bibliotecas, a UFMS não dispunha de condições financeiras e técnicas para a
implantação de uma rede entre suas bibliotecas. Desse modo, cada biblioteca possuía as bases
de dados bibliográficas, de usuários, e o registro de exemplares separadamente, o que não
permitia a padronização dos serviços e o empréstimo entre as bibliotecas.
Em 1997, o MicroIsis passou para versão Windows - WinIsis, e as bibliotecas
passaram a implantar, nas rotinas das bibliotecas, os produtos desenvolvidos pela Bireme:
EMP - gerenciamento de serviços de empréstimos de bibliotecas e o Catálogo SeCS –, que
registra dados bibliográficos de revistas científicas da área de ciências da saúde indexadas nas
bases de dados LILACS e MEDLINE.

3

Dados atualizados em 3 maio 2020.

�O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI), instituído pelo Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007, tinha como
objetivo criar condições para que o acesso e permanência na educação superior, no nível de
graduação fosse ampliado por meio do melhor aproveitamento da estrutura física e de
recursos humanos existentes nas universidades federais; esse Programa também era
responsável pelo desenvolvimento e promoção das bibliotecas das Instituições Federais de
Ensino Superior (IFES).
Com as diretrizes do Reuni, de possibilidade de crescimento de acervos, contratação
de novos profissionais e expansão das instalações físicas, iniciou-se uma nova e positiva etapa
na história das bibliotecas das IFES (BRASIL, 2007).
No âmbito da UFMS, para comportar os novos cursos de graduação e pós-graduação
como abertura na oferta de educação superior, foi necessária a expansão das instalações
físicas da instituição - um novo prédio da Biblioteca Central, inaugurado em 2008, e a
ampliação do espaço físico das bibliotecas dos campi.
Em decorrência da expansão da estrutura física das bibliotecas e ampliação do acervo
bibliográfico, a UFMS autorizou a contratação de novos bibliotecários e a implantação de um
sistema de automação que melhor atendesse às necessidades das bibliotecas do Sibi na
operacionalização dos serviços oferecidos. Em dezembro de 2007, a UFMS celebrou o
contrato com a Associação Paranaense de Cultura para a aquisição, instalação e manutenção
do software Pergamum - Sistema Integrado de Bibliotecas para a automatização e integração
das Bibliotecas do Sibi (FUFMS, 2008).
No começo de 2008, deu-se início à migração das bases de dados bibliográfica e de
usuários do WinIsis de todas as bibliotecas da UFMS para o Sistema Pergamum. Após a fase
de implantação desse sistema, o passo seguinte foi a capacitação operacional e técnica dos
bibliotecários. O objetivo foi aprimorar conhecimentos e agregar valor aos serviços e produtos
prestados aos usuários - utilização do sistema Pergamum (empréstimo, consulta, aquisição,
relatórios, parâmetros do sistema, catalogação) e noções de Formato MARC 21 e MARC
Autoridade.

�A capacitação operacional e técnica tornou-se parte da formação continuada oferecida
pela Biblioteca Central aos bibliotecários da UFMS lotados nos campi do interior do estado,
com o objetivo de manter a padronização nos processos de catalogação, empréstimo,
aquisição, relatórios, dentre outros, e atualização quanto ao uso das novas funcionalidades do
Pergamum.
4 DA CAPACITAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS NO SISTEMA PERGAMUM
Nos termos do Decreto nº 5.707, de 23 de fevereiro de 2006, que norteia a Política e as
Diretrizes para o Desenvolvimento de Pessoal da administração pública federal, a capacitação
é entendida como um processo contínuo de aprendizagem, objetiva o desenvolvimento de
competências individuais e pode ser viabilizada por meio de eventos, entendidos como cursos
presenciais e a distância, aprendizagem em serviço, grupos formais de estudos, intercâmbios,
estágios, seminários e congressos, que contribuam para o desenvolvimento do servidor e que
atendam aos interesses da administração pública federal. (BRASIL, 2006).
A Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal (PNDP), ainda segundo o Decreto
nº 5.707/2006, tem como finalidades a melhoria da eficiência, eficácia e qualidade dos
serviços públicos prestados ao cidadão; o desenvolvimento permanente do servidor público; a
adequação das competências requeridas dos servidores aos objetivos das instituições, tendo
como referência o plano plurianual; a divulgação e gerenciamento das ações de capacitação; e
a racionalização e efetividade dos gastos com capacitação. (BRASIL, 2006).
Para alcançar a melhoria da eficiência, as instituições devem investir no capital
humano, uma vez que o talento e a capacidade são fatores concorrentes no mercado de
trabalho. Por conseguinte, os gestores devem estimular ações que promovam a capacitação
dos profissionais colaboradores, a fim de torná-los competentes para exercer suas atividades.
Frente à PNDP, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul regulamentou o
Programa de Capacitação, Aperfeiçoamento e Qualificação dos Integrantes do Plano de
Carreira dos Cargos Técnico Administrativos por meio da Resolução CD n° 73, de 5 de
agosto de 2015, como forma de consolidar institucionalmente a sua política de gestão de
pessoas por competências, com foco nas ações de capacitação no âmbito da organização.
(FUFMS, 2015).

�O Programa de Capacitação, Aperfeiçoamento e Qualificação tem como objetivo
identificar as necessidades de capacitação e qualificação do servidor para o exercício de
ações, articuladas à função social da UFMS, e proporcionar a aquisição de conhecimentos e
habilidades para o seu desempenho, possibilitando a melhoria intelectual, educacional e da
qualidade dos serviços. São seis, as linhas de desenvolvimento: 1) iniciação ao serviço
público - visa ao conhecimento da função do Estado, das especificidades do serviço público,
da missão da Universidade e da conduta do servidor público e sua integração no ambiente
institucional; 2) desenvolvimento profissional geral - visa à melhoria da qualidade dos
serviços prestados e da produtividade dentro do respectivo ambiente de trabalho,
possibilitando o cumprimento dos objetivos institucionais e o desenvolvimento das
potencialidades do servidor, por meio da conscientização sobre seu papel social e funcional;
3) educação formal - visa ao desenvolvimento integral do servidor, mediante apoio e
incentivo para a frequência do ensino em todos os níveis, da alfabetização à pós-graduação; 4)
capacitação para formação de gestores - visa ao conjunto de atividades e ações que
proporcionem a preparação e atualização do servidor para o desempenho de funções de gestão
e coordenação; 5) capacitação interambientes - visa às atividades relacionadas e
desenvolvidas em mais de um ambiente e/ou unidade organizacional; e 6) capacitação
específica - visa à constante capacitação e aperfeiçoamento do servidor em áreas específicas,
vinculadas ao seu ambiente de trabalho, cargo, setor e/ou projeto de atuação. (FUFMS, 2015).
O Sibi/UFMS, com o objetivo de capacitar, aperfeiçoar e padronizar seus serviços
junto aos bibliotecários, desenvolve ações em duas das linhas de desenvolvimento do
Programa de Capacitação, Aperfeiçoamento e Qualificação - a capacitação específica e a
capacitação interambientes -, através de encontros, treinamentos presenciais ou vídeo
conferência, orientações por e-mail e/ou telefone, manuais e normas de procedimentos
elaborados e adotados pelo Sibi/UFMS, visitas em missão de trabalho de bibliotecário(s) nas
bibliotecas dos campi do interior, dentre outras.
De 2008 a 2017 foram realizadas diversas ações de capacitação em prol da formação
contínua dos bibliotecários do Sibi/UFMS, a saber: Treinamento Sistema Pergamum – 1ª Fase
e Treinamento Sistema Pergamum – 2ª Fase (2008); Encontro Regional do Pergamum em
Mato Grosso do Sul (2014); Treinamento Pergamum através de vídeo-aula (2014 e 2015);

�Atualização do Módulo de Catalogação Pergamum (2016) e Treinamento Pergamum Web
(2017).
A primeira ação de capacitação do Sistema Pergamum, promovida pela Biblioteca
Central, ocorreu em 2008, quando da migração dos dados bibliográficos e de usuários do
WinIsis para o Pergamum. Foram realizados dois eventos: o Treinamento Sistema Pergamum
– 1ª Fase e o Treinamento Sistema Pergamum – 2ª Fase, oferecidos tanto para os
bibliotecários do campus de Campo Grande como dos campi do interior do estado. Esses
treinamentos foram ministrados por pessoal técnico do Pergamum, com o objetivo de
apresentar e capacitar os bibliotecários no novo sistema.
No âmbito da UFMS, a contratação de novos profissionais ocorreu em 2008 através de
concurso público de provas, com oito vagas para bibliotecários, cargos distribuídos no
campus de Campo Grande e nos campi do interior. Cabe destacar que a contratação de
bibliotecários pela UFMS não ocorria desde 1994.
Com o ingresso dos novos bibliotecários e com a implantação do Pergamum foi
necessário que a equipe de profissionais da Biblioteca Central oferecesse, em 2008, um
treinamento com a missão de ambientar os novos servidores, desenvolver comportamentos
necessários para o bom andamento do trabalho e fornecer, a esses profissionais,
conhecimentos a respeito do software.
No ano de 2010 ocorreu o Treinamento de Atualização do Pergamum, com o objetivo
de apresentar novas funcionalidades do software e propiciar a troca de experiências entre os
bibliotecários.
Em 2014, o Encontro Regional do Pergamum em Mato Grosso do Sul reuniu
bibliotecários de instituições usuárias do software e teve como objetivo esclarecer as
principais dúvidas relacionadas à sua utilização e a migração do Pergamum Delphi para o
Pergamum Web.
Nesse evento foram discutidos e relatados problemas e anseios dos bibliotecários com
relação à utilização do sistema. A participação do Sibi/UFMS teve destaque pelo fato de, na
época do evento, ela ser a única instituição do estado que utilizava em todos os serviços de
suas bibliotecas o Sistema Pergamum (catalogação, circulação, relatórios, aquisição, dentre
outros) e usava os padrões Marc 21 e Marc Autoridade.

�A migração da versão Delphi para a versão Web do Pergamum proporcionou
melhorias em todos os processos desenvolvidos pelas bibliotecas do Sibi/UFMS. Esta versão
apresenta diferenças em relação à versão Delphi, por esse motivo foi necessário treinamento
dos bibliotecários de forma contínua através das trocas de experiências, discussões, leituras de
manuais e, principalmente, na familiarização com o sistema Pergamum nas rotinas das
bibliotecas.
Nesse período, o processo de catalogação era centralizado na Biblioteca Central; aos
bibliotecários dos campi cabia apenas promover as adequações referentes às necessidades das
bibliotecas. Com o aumento da demanda de novas aquisições de materiais bibliográficos e a
facilidade de interação da versão Web, descentralizaram-se os serviços e os bibliotecários
passaram a atuar em todas as atividades inerentes à catalogação.
No ano de 2015, o Sibi/UFMS adquiriu o Treinamento Pergamum através de vídeoaula, um conjunto de vídeos que tem como objetivo realizar treinamentos e manter os usuários
operadores do sistema atualizados nas atividades do software. Os vídeos podiam ser acessados
pelos bibliotecários a qualquer hora e permitiam que eles atualizassem o conhecimento
sempre que tivessem necessidades ou dúvidas dos módulos do Pergamum, exceto de
Aquisição. Os vídeos ficaram disponíveis também durante 2016.
Ainda nesse ano, a equipe de bibliotecários da Divisão de Processamento Técnico
(DIPT) da Biblioteca Central, com o objetivo de informar e orientar as mudanças ocorridas
com as atualizações do Pergamum e padronizar os serviços referentes à catalogação dos
acervos do Sibi/UFMS, promoveu o Encontro de Atualização do Módulo de Catalogação com
palestras e atividades práticas executadas pelos bibliotecários dos campi da UFMS com
tutoria de bibliotecários da DIPT.
Diante das mudanças administrativas ocorridas em 2017 no Sibi/UFMS – alteração na
coordenação e aumento nos serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas do Sistema – foi
ministrado um Treinamento de Atualização Pergamum Web por profissional técnico do
Sistema Pergamum, teve como objetivo esclarecer as principais dúvidas na utilização do
software, englobando todos os módulos.
Além de promover esses eventos, a equipe de bibliotecários da Biblioteca Central
auxilia na formação continuada dos profissionais das bibliotecas dos campi da UFMS por
meio de orientação técnica, via e-mail e/ou por telefone; por meio da elaboração de

�manuais/normas de procedimentos adotados pelo Sibi/UFMS; também com treinamento por
vídeo conferência, treinamento presencial na Biblioteca Central, este destinado a novos
bibliotecários; também são oferecidas visitas técnicas em missão de trabalho, in loco, sempre
que são solicitadas.
5 METODOLOGIA
Os dados analisados neste estudo fazem parte de uma pesquisa em andamento, que
aborda a formação continuada de bibliotecários de bibliotecas universitárias do estado de
Mato Grosso do Sul. Nessa fase inicial, optou-se por abordar a capacitação, especificamente
do sistema Pergamum, oferecida pela Biblioteca Central da UFMS aos bibliotecários dos
campi do interior do estado. Dos 12 bibliotecários que fazem parte do quadro de profissionais
dessas bibliotecas, somente nove participaram dessa pesquisa, os demais se encontravam
afastados da instituição para participação em curso stricto sensu e/ou tratamento de saúde.
Utilizou-se uma metodologia de caráter exploratório qualitativo baseada em fatores de
uso. O instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário com cinco questões
voltadas à capacitação no sistema Pergamum, oferecida pela Biblioteca Central aos
bibliotecários dos campi da UFMS desde a implantação do software no Sibi/UFMS.
Os questionários foram enviados por correio eletrônico, estabelecido um prazo de
cinco dias para o retorno das respostas. Dos nove bibliotecários convidados a participar da
pesquisa, dois não deram devolutiva.
6 RESULTADOS
Os resultados da pesquisa com os bibliotecários dos campi das bibliotecas da UFMS
do interior do estado revelam o seguinte:
. Quanto ao ano de ingresso na UFMS - os bibliotecários dos campi das bibliotecas
do interior do estado, sujeitos da pesquisa, ingressaram na instituição por meio de concurso
público de prova, no período correspondente aos anos de 2008 a 2017.

�. Quanto aos eventos oferecidos pela Biblioteca Central:
a) Treinamentos Pergamum – 1ª Fase (2008) - nenhum bibliotecário respondeu que
tivesse participado desse treinamento. Esse fato pode ser comprovado, uma vez que esse
treinamento foi realizado no momento da implantação do Sistema no Sibi/UFMS e as
devolutivas analisadas foram de bibliotecários que ainda não haviam ingressado na UFMS na
época (transferências e vacância de cargos).
b) Treinamentos Pergamum – 2ª Fase (2008) – pelo mesmo motivo do treinamento
anterior, nenhum bibliotecário informou ter participado.
c) Treinamento de Atualização do Pergamum versão 7.4.5 (2010) – 43% dos
bibliotecários que responderam à pesquisa participaram desse evento; os demais ingressaram
na UFMS depois de 2010.
d) Encontro Regional do Pergamum no Mato Grosso do Sul (2014) – o evento contou
com a participação de 29% dos bibliotecários.
e) Treinamento Pergamum através de vídeo-aula (2015 e 2016) – 29% dos
pesquisados afirmaram ter utilizado os vídeos adquiridos pela Biblioteca Central de
treinamento no Pergamum, lembrando que os vídeos foram disponibilizados a todos os
bibliotecários do Sibi/UFMS, com acesso pela internet, durante 24 horas.
f) Atualização do Módulo de Catalogação Pergamum (2016) – dos sete bibliotecários
pesquisados, somente um não participou do evento, uma vez que ainda não havia ingressado
na UFMS, portando o resultado aponta 100% de participação.
g) Treinamento Atualização Pergamum Web (2017) – 86% dos pesquisados
informaram ter participado do treinamento.
.

Quanto

às

modalidades

oferecidas

pela

Biblioteca

Central

para

complementarem à capacitação:
a) Orientação por e-mail – todos informaram que recebem esse tipo de orientação;
b) Orientação por telefone – todos utilizam esse tipo de orientação;
c) Manuais/Normas de procedimentos adotadas pelo Sibi/UFMS - todos informaram
que utilizam os manuais/normas elaborados e disponibilizados por e-mail pela Biblioteca
Central a todos os bibliotecários;
d) Treinamento por vídeo conferência – dos sete pesquisados, 86% participaram das
conferências por vídeos realizadas pela Biblioteca Central;

�e) Treinamento presencial na Biblioteca Central – todos informaram ter participado;
f) Visitas em missão de trabalho de bibliotecário(s) nas bibliotecas dos campi –
somente dois bibliotecários confirmaram a visita em missão de trabalho na biblioteca, um
percentual de 29%.
. Quanto à busca de outras formas de capacitação além das oferecidas pela
Biblioteca Central e quais seriam essas modalidades - 43% assinalaram afirmativamente.
As capacitações indicadas foram: Curso Online do Catálogo do Pergamum, RDA: Resource
Description and Access; Formato Marc 21; leitura de livros e manuais do Pergamum,
disponíveis no próprio software; e vídeos “Live Pergamum” disponíveis no Youtube.
. Quanto a terem necessidades de capacitação em áreas específicas vinculadas ao
ambiente de trabalho - todos os bibliotecários afirmaram sentir necessidade de capacitação e
indicaram: capacitação em catalogação (71%), classificação (58%) e base de dados (29%).
Com uma ocorrência foram destacadas: restauração de materiais bibliográficos, orientações de
preparadores para avaliação do MEC, controle de autoridades (entidades, títulos uniformes,
pessoas etc.), repositório institucional, Formato MARC 21 e gestão de pessoas.
7 DISCUSSÃO
Diante das respostas obtidas, foi possível fazer as seguintes inferências:
1) o período de ingresso dos bibliotecários que participaram da pesquisa ocorreu de
2008 a 2017. Cabe salientar que nesse período, com a proposta do Reuni de contratação de
novos profissionais, foram realizados quatro concursos públicos com 23 bibliotecários
empossados. Desses, quatro foram transferidos para a Biblioteca Central, um para outra
biblioteca de campi e quatro aprovados em concurso de outras instituições federais. Essa
rotatividade de bibliotecários nos campi fez com que a capacitação inicial para novos
ingressantes ocorresse com grande frequência, fato que será retomado em seguida.
2) a participação dos bibliotecários nos eventos de capacitação do Sistema Pergamum
oferecidos pela Biblioteca Centra, teve um índice inferior a 50%, pois muitos eventos
ocorreram em período anterior ao ingresso de alguns bibliotecários. Esse fato pode ser
comprovado pela quase totalidade de presença nas duas capacitações nos anos de 2016 e 2017

�3) atualização do Módulo de Catalogação e Treinamento Atualização Pergamum Web.
No Encontro Regional do Pergamum em Mato Grosso do Sul, pôde-se aferir que não houve
uma participação expressiva, por se tratar de um evento promovido pela Biblioteca Central e
por outra instituição; a oferta de subsídios para o deslocamento e diárias para esse tipo de
evento não é sempre disponibilizada pelas instituições. Quanto ao baixo número de
participantes no Treinamento Pergamum realizado através de vídeo-aula, entende-se, como
razão para o fato, a não institucionalização desse tipo de treinamento, além de constituir um
tipo de capacitação livre, em que os bibliotecários não sentem necessidade de participação.
Além disso, o conteúdo das vídeo-aulas focava na utilização do Sistema Pergamum
propriamente dito; os resultados dessa pesquisa apontam, entretanto, que os bibliotecários
sentem necessidade de se capacitar principalmente nos processos técnicos de catalogação e
classificação, conforme se descreve a seguir.
4) além dos eventos de capacitação, a Biblioteca Central ainda promove treinamentos
e auxilia no esclarecimento de dúvidas por diversas modalidades. Todos os bibliotecários
pesquisados informaram que buscam orientações por e-mail e/ou telefone, nos
manuais/normas de procedimentos adotados pelo Sibi/UFMS e treinamento presencial na
Biblioteca Central, este último oferecido no momento do ingresso do novo profissional ou
quando algum bibliotecário sente necessidade. Quanto ao treinamento por vídeo conferência,
focado aos procedimentos dos serviços das bibliotecas do Sibi/UFMS, o resultado de
participação foi expressivo. As visitas em missão de trabalho in loco de bibliotecário(s) se
explicam por conta de que essa capacitação somente ocorre quando da solicitação da
biblioteca dos campi.
5) as formas de capacitação que os bibliotecários buscam, além das que são oferecidas
pela Biblioteca Central, demonstram o interesse em buscar soluções para suas necessidades,
conforme se verifica nas respostas obtidas.
6) as necessidades de capacitação dos bibliotecários pesquisados, conforme apontado
por eles, dizem respeito, principalmente, a atualizações nos serviços realizados no
processamento técnico (catalogação, classificação, tabela Cutter, cabeçalhos de autoridade) e
a alguns assuntos de especialização mais específica, restauração de materiais bibliográficos,
MARC 21 e conservação de acervos.

�8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A capacitação no sistema Pergamum realizada pela Biblioteca Central aos
bibliotecários dos campi do Sibi/UFMS, enquanto formação continuada, é de fundamental
importância, pois possibilita a padronização dos procedimentos de todos os serviços
oferecidos aos usuários, bem como permite troca de experiências entre os bibliotecários, uma
vez que a realidade de cada biblioteca é considerada na tomada de decisões no Sistema de
Bibliotecas da UFMS.
Os encontros promovidos pelo Sibi/UFMS permitem a apreensão dos conteúdos de
forma mais eficaz, visto que o formato adotado nesses encontros não consistia apenas em
palestras ou conteúdos teóricos, mas principalmente em metodologias aplicadas, como
oficinas, que permitem, aos bibliotecários, a aplicação prática durante os treinamentos e no
dia a dia nas bibliotecas.
Os resultados demonstraram que a representatividade das atividades de capacitação
supre as necessidades dos bibliotecários pesquisados através das modalidades informais,
como orientação por e-mail e/ou por telefone. A utilização dessa forma de capacitação pode
ser decorrente da dificuldade de deslocamento dos profissionais até a Biblioteca Central em
Campo Grande, onde grande parte das ações foram realizadas, ou também podem ser
entendidas como maneiras mais rápidas e práticas para resolver um problema ou dúvida muito
específica. Essas práticas de capacitação carecem de ajustes para que atendam aos anseios
informacionais dos bibliotecários por meio da implantação de políticas que melhor
direcionem e padronizem os serviços de todas as bibliotecas da instituição.
Contudo, é fundamental que os bibliotecários sejam conscientes da importância da
capacitação e do aperfeiçoamento de suas práticas profissionais e busquem a continuação de
sua formação e não se considerem capacitados apenas por meio das iniciativas oferecidas pela
Biblioteca Central.
Pelo exposto e com base nos resultados encontrados, cabe à Biblioteca Central
sistematizar e planejar treinamentos presenciais com foco em práticas técnicas específicas que
visem garantir maior interesse e participação, conforme análise das necessidades relatadas
pelos bibliotecários.

�REFERÊNCIAS
BRASIL. Decreto nº 5.707, de 23 de fevereiro de 2006. Institui a Política e as Diretrizes para
o Desenvolvimento de Pessoal da administração pública federal direta, autárquica e
fundacional, e regulamenta dispositivos da Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 24 fev. 2006. Seção 1, p. 3-4. Disponível em:
https://www.jusbrasil.com.br/diarios/479720/pg-3-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de24-02-2006. Acesso em: 12 dez. 2020.
BRASIL. Ministério da Educação. Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007. Institui o
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais –
REUNI. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 abr. 2007. Seção 1, p. 7. Disponível em:
https://www.jusbrasil.com.br/diarios/544223/pg-7-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-2504-2007. Acesso em: 12 dez. 2020.
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Contrato de
prestação de serviço e licença de uso de software nº 184/2007-UFMS. Boletim de Serviço,
Campo Grande, MS, ano 20, n. 4231, 8 jan. 2008. p. 23.
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Resolução CD
n° 73, de 5 de agosto de 2015. Regulamenta o Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento
dos Integrantes do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação da
UFMS. Boletim de Serviço, Campo Grande, MS, ano 27, n. 6097, 6 ago. 2015. p. 4-12.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 21 - Ano: 2020 (UFG - Goiânia/GO)</text>
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                  <text>&#13;
Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                <text>Trata-se de um estudo de caso de caráter exploratório qualitativo baseado em fatores de uso que delineou como objetivo analisar as práticas de capacitação de bibliotecários das bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul especificamente no uso do Sistema Pergamum. As ações de capacitação foram oferecidas pela Biblioteca Central de 2008 a 2017. A população para o estudo foi composta de nove bibliotecários das bibliotecas da instituição do interior do estado. Os resultados demonstraram que a representatividade das atividades de capacitação supre as necessidades desses bibliotecários na modalidade informal, em orientação por e-mail e/ou por telefone. O uso dessa forma de capacitação pode ter sido impulsionado pela dificuldade de deslocamento dos profissionais até o campus de Campo Grande, onde grande parte das ações foram realizadas. Essas práticas de capacitação carecem de ajustes para que venham a satisfazer as expectativas e necessidades informacionais dos bibliotecários, e, com a implantação de políticas de gestão, melhor direcionar os serviços de todas as bibliotecas da instituição.</text>
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