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SISTEMAS DE INFORMAÇAO NO PLANEJAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO

MURILO BASTOS DA CUNHA-CRB-1/180
Presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia
Bibliotecário do Ministério das Minas e Energia (Brasília)

RESUMO
A necessidade de informação como uma das características do mundo
moderno. O impacto da explosão bibliográfica ea
e a transformação da informação como um dos elementos impulsionadores do desenvolvimento sócio-econômico. Diretrizes que poderão ser seguidas pelo Brasil no tocante à informação científica e tecnológica: 1 — implantação de uma política nacional de
informação, 2 — fortalecimento dos organismos de informação, 3 — utilização
da automação bibliográfica e 4 — formação de mão-de-obra qualificada. O
sistema de informação como instrumento de utilização racional de recursos
humanos, financeiros e bibliográficos.

"Conhecimento é poder" (Bacon)
"Informação é dinheiro" (Azgaldov)

1 — A necessidade de informação
À medida que o homem foi evoluindo ao longo de sua história ele foi acumulando
suas experiências e descobertas através de registros que continham parte ou a íntegra de
informação relacionada com tais eventos. Dos primitivos tabletes de barro ao^
aoí modernos
discos magnéticos mais dé
de 4.000 anos transcorreram. Entretanto, com o passar dos anos,
uma característica no homem é cada vez mais enfatizada: a necessidade de informação.
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�Hoje se produz e se consome incessantemente a informação. Toda a atividade do momento — seja industrial, científica, comercial, educacional ou outra — está inserida num meio
ambiente cada vez mais complexo e baseada num fluxo crescente de informação, entramos na era da informação.
Essa necessidade é provocada por uma série de fatores tais como:
como;
a) o número de cientistas existente na atualidade é talvez semelhante ao número
que existiu em toda a história da humanidade. Especialistas em história da ciência, como
Solla Price', afirmam que 80 a 90% do total de cientistas da humanidade estão vivos no
momento;
b) a multiplicação das áreas científicas e especialidades técnicas que se iniciou com
a revolução industrial, continua nos nossos dias, acarretando o incremento da produtividade intelectual;
c) o crescimento do número de estabelecimentos de ensino em todos os níveis, bem
como a melhoria do nível de qualificação dos recursos humanos, aumentando sobremaneira a força produtiva da humanidade;
d) a ampliação e rápida evolução tecnológica dos meios de comunicação, possibilitando cada vez mais a "aldeia global";
e) a competividade acirrada no comércio internacional obrigando as empresas a
manterem complexos sistemas de informação processados por computador. Como por
exemplo, podemos citar as dinâmicas empresas japonesas que possuindo "escritórios espalhados pelos cinco continentes tem possibilidade de apresentar, sempre que necessário,
um conjunto de dados capazes de situar com margem de erro inferior a 15%, qual será o
comportamento de um determinado produto num certo mercado nos próximos seis meses
ou um ano"^.
ano"*.
Todos estes fatores — além de tantos outros — causaram grandes impactos na nossa
área. É por demais conhecido o fenômeno do crescimento da literatura científica e
tecnológica, também chamada de "explosão bibliográfica" e, talvez muito mais difícil de
controlar do que a sua irmã "explosão demográfica, termo que se consagrou a partir de
1948 quando foi apresentado pela primeira vez na Royal Society Conference on Scientific
Information realizada em Londres.
Em termos quantitativos a explosão bibliográfica realmente impressiona, pois desde
o aparecimento dos primeiros periódicos científicos em 1665 — Journal des Savants, em
Paris, e Philosophical Transactions of the Royal Society, em Londres — e do primeiro
periódico de resumos em 1830 — o Pharmaceutical Zentralblatt — o número de documentos científicos tem crescido de forma exponencial.
Na área de Química, por exemplo, o tempo para a produção de um milhão de
resumos pelo Chemical Abstracts vem sendo reduzido a uma alta velocidade (quadro n.°
1).

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�Quadro n.° 1 — Produção de resumos no Chemical Abstracts
Resumos indexados

Tempo decorrido
°
milhão de re
32 anos
(1907-1938)
° milhão de re
18 anos
° milhão de res
8 anos
°
milhão de res
4 anos
e 7 meses
3 anos e 2 meses

1.
2.
3.
4.
5i° milhão de resumos

fonte: dados coligidos por Russel Rollet editor do Chemical Abstracts

Em 1975 foram indexados no Chemical Abstracts 392.234 resumos; em 1976,
390.095 e, em 1977 (até 7 de março), cerca de 65.148, demonstrando que é possível que
sejam ultrapassados os 400.000 resumos.
O número de revistas científicas deve girar hoje em torno de 100.000 títulos.
Quanto aos livros, apesar do conceito já enraizado de que a leitura está ameaçada pelos
meios de comunicação eletrônica de massa (principalmente pela televisão) também tem
apresentado bons índices de crescimento no que tange à produção mundial de novos
títulos. A Bolsa do Livro de Frankfurt informa que "em 1974 foram editados 571 mil
livros novos, contra 426 em meados dos anos 60 e 269 mil em 1955"^.
Na metade desta década é provável que a produção de artigos científicos e tecnológicos sobre todos os assuntos seja, segundo Anderla“*,
Anderla^, da ordem de 2.000.000 por ano, ou,
em outras palavras, cerca de 6.000 a 7.000 itens por dia de trabalho", ou 250 a 290 por
hora, ou 4 a 5 documentos por segundo.
Com a recente crise do petróleo, com o aumento do preço do papel e das tarifas
postais, com o surto inflacionário comum a quase todos os países, é possível que o
percentual de crescimento dos artigos científicos reduza um pouco. É interessante mencionar os estudos que estão sendo elaborados pela Chemical Society da Inglaterra sobre
novos formatos para apresentação dos periódicos futuros. Qs resultados, ainda em fase
experimental, nos mostram que o periódico científico dos próximos anos, poderá/talvez,
poderá, talvez,
ser editado sob a forma de sinopse acompanhada de microfiches
microfichas ou de redução tipográfica
("miniprint").
2 — Informação e desenvolvimento nacional
Para poder fazer frente à "poluição informacional" e ser possível o acesso a essa
enorme quantidade de documentos, a informação precisa ser organizada, isto é: seleciona- &gt;
da, analisada, armazenada, difundida e avaliada.
"À semelhança da energia e das matérias primas, a informação científica e tecnológica é um recurso nacional e, como tal, é crucial para o desenvolvimento econômico e
social de uma nação"^. Diferentes grupos de pessoas estão interessados neste tipo de
informação, cada um sob seu próprio ponto de vista, mas todos tipicamente motivados
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�pelo desejo consciente ou inconsciente de obter algum proveito, algumas vezes até mesmo
sob o aspecto econômico. "Pesquisadores, técnicos, homens de empresa ou de governo e
demais interessados estão todos, de certa forma, a par dos atributos econômicos da
informação"*. Este novo conceito — introduzido nos últimos anos — faz com que a
informação"®.
informação seja vista como uma mercadoria; para adquiri-la é necessário dispender dinheiro. Assim, o controle do acesso às fontes de informação transformou-se numa nova forma
de colonização das nações e das organizações, tendo, por conseguinte, enormes reflexos
na segurança nacional.
Se concordamos com a afirmação de que o governo é responsável pelas infra-estruturas nacionais, ele também é responsável pela estrutura informacional. "Portanto, cabe
aos governos colocar a informação a serviço da sociedade, com o fim de:
I — facilitar sua utilização por todos os habitantes do país, sejam quais forem seu
nível cultural, grau de escolaridade, formação acadêmica ou profissão;
II — instruir adequadamente os usuários para que obtenham os maiores benefícios
dessa informação;
III — fazer com que a informação se converta em um dos apoios da educação em
todos os níveis e especialmente da pesquisa e da educação permanente;
IV — dispor de dados, informes, estudos e avaliações necessários ao próprio governo
para enfrentar seus problemas e projetos"’.
Embora com freqüência se pense em termos de desenvolvimento sócio-econômico
sócio-econòmico
sem se atinar para a idéia de que esse desenvolvimento deverá ser baseado numa informação relevante e rápida, o certo é que ela constitui, nos dias de hoje, um elemento impulsionador — permanente e seguro — em todos os setores de um país. Assim, a informação
científica e tecnológica surge como importante elemento para que um governo possa
permitir-se ao luxo de deixá-la entregue aos caprichos de uma maturação histórica muitas
vezes não tão dinâmica.
A informação, como um dos suportes para o desenvolvimento harmônico de todos
os setores da vida nacional exige do governo e das organizações a adoção de uma série de
medidas que possibilitem sua existência normal e dinâmica. O incentivo da estrutura
informacional por parte do governo e das organizações, especialmente nos países em
desenvolvimento não é simplesmente aconselhável, mas, acima de tudo, uma obrigação
irrefutável.
Numa época onde a rapidez é a tônica, é preciso ter-se em mente que uma progressão lenta irá acumulando um atraso crescente e cada vez mais irreversível em relação ao
pequeno grupo de países desenvolvidos. Portanto, para diminuir esta lacuna é preciso
ressaltar que se faz necessária uma urgente tomada de decisão governamental na área da
informação.
Em reunião realizada em junho de 1970, os ministros europeus encarregados da
política científica mencionaram no documento final® que "os sistemas de informação
científica e tecnológica têm uma importância capital para o potencial nacional de pesquisa, notoriamente para a aplicação eficaz dos resultados da pesquisa". Assim, os países em
desenvolvimento precisam se conscientizar de que, se não preocuparem e agirem agora
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�com maior grau de seriedade na montagem dos sistemas de informação, a lacuna tecnoló-p
tecnológica (“technological
("technological gap") será acrescida de outra, a informacional ("informational gap"),
de matizes diferenciais tão dramáticas quanto a primeira.
As regras para a manutenção do "status quo" do subdesenvolvimento de um país
por parte dos desenvolvidos, segundo Vidal^, poderá ser feita de duas maneiras:
I — nunca dar aos subdesenvolvidos os meios de pesquisa científica e formação de
tecnologia própria;
II — impedir o aparecimento de pesquisa científica e tecnológica próprias, oferecendo a esse país, moderada e seletivamente os resultados da pesquisa ("know-how") e nunca
os métodos e processos de pesquisa ("know-why").

3 — Informação no ambiente brasileiro
Vimos no item anterior que a informação vem crescendo de importância, transformando-se num verdadeiro insumo econômico. Georges Anderla*®
Anderla* ° afirma que o conceito
de informação científica pode ter três diferentes abordagens, a saber:
iI — Tradicional
informação = entrada e saída da pesquisa e desenvolvimento (R &amp; D)
— a informação científica e tecnológica, exclusivamente a serviço de algumas comunidades científicas e tecnológicas e, principalmente, informações em surgimento nestas
comunidades.
II — Sócio-cultural
informação = conhecimento
— portanto, a transferência de informação equivale a transferência de conhecimento
a serviço de uma variedade de atividades, provendo novos conhecimentos.
III - Global
in-Global
informação = recurso básico
— reunindo a duas abordagens anteriores, a informação pode ser considerada como
recurso básico ao mesmo tempo que é ligação entre uma série de atividades, estando a
serviço de todos: sociedade, organizações e indivíduos.
Como se observa, qualquer uma das abordagens acima está impregnada de características relevantes que extrapolam as quatro paredes de uma biblioteca e se transformam
em real responsabilidade dos dirigentes nacionais. Entretanto, quais serão as ações do
governo — a nível federal e estadual — na aceitação das responsabilidades que lhe são
inerentes na promoção da informação científica e tecnológica? No caso brasileiro, quais
seriam estas diretrizes? Apresentamos a seguir, aquelas que, ao nosso ver seriam as mais
importantes, a saber:
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�3.1 — Política nacional de informação
Há necessidade urgente de uma definição e implantação de fato de uma política
nacional de informação.
Em 1970 a administração federal incluiu no proqtama
proqrama áe Metas e bases para a ação
governamental^ * a criação do Sistema Nacional de Informações sobre Ciência e Tecnologia (SICT), que contaria com a colaboração dos ministérios do Planejamento (hoje, Secretaria do Planejamento), Relações Exteriores, Indústria e Comércio, Aeronáutica e do
Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq). Um ano depois (1971), com a introdução do /
Plano Nacional de Desenvolvimento^
Desenvolvimento^^^ estava prevista a implantação do Sistema Nacional
de Informação Científica e Tecnológica (SNICT), evolução natural do SICT). Conforme
relata João Frank da Costa^
Costa* ^ o CNPq criou um grupo para estudar a implantação do
SNICT e que, após quase dois anos de estudos, apresentou suas conclusões e uma minuta
de decreto que foram encaminhadas à Presidência da República, onde certamente foram
engavetadas por algum burocrata.
Em dezembro de 1974 é aprovado o // Plano Nacional de Desenvolvimento^que
não mencionava explicitamente um sistema nacional de informação, mas informava que o
CNPq iria sofrer transformações no sentido de ser dotado de "flexibilidade administrativa
e financeira" — isto é, tentar amenizar as disfunções burocráticas — o que realmente vem
acontecendo, transformando-se em fundação com a denominação de Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (mantendo a sigla CNPq). Nestas alturas, o
SNICT tal como foi planejado em 1973 não teria condições de surgir ofiçialmente.
oficialmente. Isto
foi confirmado, pois, com a aprovação em março de 1976 do // Plano Básico de Desenvolvimento Cientifico
Científico e Tecnológico^^ a idéia sistêmica unitária foi abandonada, com o
surgimento de dois grupos;
grupos:
I — Informações centralizadas
A serem elaboradas dentro do CNPq sob a coordenação do Sistema Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDCT);
II — Informações descentralizadas
De responsabilidade de bibliotecas, redes e sistemas de informação de alguns organismos, tais como: Ministério da Indústria
indústria e Comércio, Instituto Nacional da Propriedade
Industrial, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Ministério das Relações Exteriores, Secretaria Especial do Meio Ambiente, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
Serviço Federal de Processamento de Dados, Petrobrás, Financiadora de Estudos e Projetos, Centro Técnico de Aeronáutica, Instituto de Pesquisas Rodoviárias, Superintendência
de Desenvolvimento da Pesca, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia, Instituto de Matemática Pura e Aplicada e do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Bahia.
O antigo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), criado em
1954, após ter contribuído enormemente com uma série de realizações apesar de todas as
crises, em 1976, foi transformado no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT) através da Resolução CNPq n.° 30, de 15 de março de 1976. "Uma
nova política como a proposta pelo IBICT implica que os atuais serviços bibliográficos e
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�de informação deverão operar em níveis mais funcionais e pragmáticos, requerendo crescentes e substanciais investimentos. Recursos financeiros para a informação científica e
tecnológica deveriam fazer parte de todos e de cada programa de pesquisa no país; isso
implicando que as instituições deveriam trabalhar em forma mais cooperativa mediante
deveres e direitos mais definidos no compartilhamento das atribuições das redes e sistemas
de informação"*
informação"'
Entretanto, pelo que temos observado o novo ideário planejado pelo IBICT ainda
não se concretizou. Será que o "fazejamento" é tão difícil? Será que após sete anos de
planos, discussões, marchas e contra-marchas, o sistema nacional de informação (ex-SICT,
ex-SNICT e o atual SNDCT) ainda é uma miragem? Será que, à semelhança da passagem
bíblica, ultrapassamos os sete anos de vacas magras e entraremos no período de vacas
gordas?
Tais perguntas são angustiantes. Demonstram uma preocupação quanto à mudança
de comportamento do governo quanto ao problema da informação. Acreditamos ter
chegado a hora de serem mostradas aos interessados pelo problema da informação científica e tecnológica as dificuldades existentes, ser adotado um diálogo mais aberto, onde se
apresentem críticas e sugestões sobre tão relevante tema para o atual estágio de desenvolvimento brasileiro.

3.2 — Fortalecimento dos organismos de informação
Grande parte das críticas que se fazem quanto ao funcionamento das bibliotecas,
centros de documentação e informação são derivadas da falta de apoio dentro das próprias organizações onde eles se localizam. A limitada capacidade operativa resulta de
condicionamentos, sejam financeiros ou administrativos, que provocam redução no nível
qualitativo dos serviços fornecidos.
É comum, quando ocorrem cortes nos orçamentos das instituições, reduzir primeiramente, recursos alocados para material bibliográfico. Livros, periódicos e demais materiais imprescindíveis deixam de ser comprados, absurdos entraves burocráticos são introduzidos para dificultar a importação desses materiais. Como um leitor, pesquisador ou
qualquer outro tipo de usuário da informação poderá acompanhar a evolução da literatura
de sua área?
Assim, os responsáveis pela disseminação da informação ficam impedidos de fornecê-la de forma atualizada e relevante. A área da informação — devido ao seu grande efeito
multiplicador — necessita e deve ser olhada como setor prioritário por parte dos dirigentes. É necessário que os organismos de informação sejam encarados não como meros
setores improdutivos, de despesas supérfluas, mas, como setores onde os gastos sejam
encarados como investimento.
É importante também que haja um mínimo de continuidade administrativa a fim de
evitar que os organismos de informação, alguns deles assessorados por peritos estrangeiros,
como o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Instituto Nacional de Propriedade
Industrial (INPI), tenham suas atividades reduzidas drasticamente.
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�3.3 — Utilização da automação
Tendo em vista o acentuado volume da literatura científica e tecnológica e a impossibilidade, em alguns casos, de continuar com a utilização dos processos tradicionais de
recuperação da informação, é mister pensar na aplicação das modernas técnicas de automação. Entretanto, apesar da visível importância da automação na área dos registros
políJca cautelosa pois, devido aos altos custos
bibliográficos há necessidade de uma políüica
envolvidos, a^
a automação — se fôr utilizada indiscriminadamente — poderá acarretar prejuízos incalculáveis. São conhecidos no Brasil alguns exemplos em que bibliotecas isoladas
e despreparadas embarcaram na aventura da automação. Num país onde a pobreza bibliográfica, em termos qualitativos e quantitativos, é quase regra geral, a automação não pode
ser o objetivo prioritário, da maioria dos organismos de informação.
Contudo, a automação não pode ser marginalizada. Precisamos e devemos fazer uso
dela dentro de nossas instituições. É necessário incentivar a pesquisa de "software" aplicado aos problemas bibliográficos, a exemplo do projeto SIRI (Sistema de Recuperação da
Informação) desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a operacionalização do formato catalográfico CALCO ora em curso na Biblioteca Nacional/Centro de
Informática do Ministério da Educação e Cultura (ClMEC).
(CIMEC). É vital aproveitar a experiência brasileira adquirida dentro de algumas instituições na área de automação, tais como da
Escola de Engenharia de São Carlos, do Centro de Informações Nucleares (CIN), do
PRODASEN e do Ministério do Interior.
Porém, como já afirmava Alfredo Hamar em 1975, "vem se tornando muito necessária a intensificação da comunicação entre os que adotam a automação. Se justifica a
implantação de grupo de trabalho pelo menos com a função de incrementar o intercâmbio
de experiências e tecnologia"*
Com o incremento do nível de cooperação entre os
diversos especialistas na área da automação, acreditamos que possa haver um desenvolvimento mais racional do setor.
A participação em sistemas de informação, seja a nível internacional (como o INIS
ou AGRIS)
AG RIS) ou a nível nacional (como o Ministério do Interior, o PRODASEN e EMBRAEMB RAPA) é uma fórmula que deve ser utilizada com maior freqüência pelas bibliotecas brasileiras como meio de se ter acesso mais rápido à informação armazenada em arquivos magnéticos. A automação para uso em processos técnicos cooperativos, semelhante ao Ohio
College Library Center (OCLC), ou para usos variados como ocorre na British Library
Automated Information Service (BLAISE), são modalidades que, em futuro não muito
distante, deverão ser implantadas no Brasil com intuito de se evitar a duplicação de
esforços.

3.4 — Formação de mão-de-obra
Um dos elementos primordiais em qualquer tipo de atividade é o elemento humano.
Nesta área não se pode improvisar ou adotar medidas paliativas de efeitos precários ou
temporários. É necessário pois, formar especialistas que possam entender e resolver os
problemas da informação bibliográfica da atualidade brasileira.
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�É sabido que a carência de recursos humanos capacitados é um problema comum a
todos os setores, sendo uma característica peculiar dos paises em desenvolvimento. Em
1974, já estávamos preocupados com o grande déficit de bibliotecários, que à época,
atingia a 19.022 profissionais*^.
profissionais^^. Hoje, apesar de já existirem 28 escolas de graduação em
Biblioteconomia e 4 de pós-graduação, acreditamos que o déficit ainda continue bastante
assustador.
Podemos dizer mesmo que o déficit de recursos humanos na Biblioteconomia é
crônico em todos os seus três níveis. Não temos escolas de ensino profissionalizante em
número suficiente para a formação do técnico de nível médio necessário à consecução das
tarefas rotineiras da biblioteca. As escolas de graduação — 21% delas fundadas nos últimos
três anos — necessitam aumentar o percentual de professores com tempo integral, introdução de pesquisa teórica e prática, adoção de novos conceitos biblioteconômicos e reduzir
a ênfase em disciplinas técnicas tradicionais. Na parte de pós-graduação o déficit é também tremendo, o número de mestres não ultrapassa a 60 e temos somente um profissional
com a habilitação a nível de doutorado.
Com este quadro desolador, cumpre às instituições públicas e privadas incentivar o
desenvolvimento qualitativo do seu pessoal da área de informação, melhorar a escala
salarial e, principalmente, eliminar dos postos-chave os amadores que não possuem
nenhum tipo de formação relacionado com a Ciência da Informação.

4 — Conclusão
Para enfrentar os problemas da explosão documental, dos altos custos da automação, da dispersão da informação pelos diversos veículos uma das soluções mais viáveis, no
momento, é a utilização de sistema de informação. Numa época de recursos financeiros
escassos é impossível continuar com a política de desperdício, de catalogar novamente um
documento idêntico existente em bibliotecas da mesma cidade ou região; de duplicar
assinaturas caríssimas de periódicos estrangeiros onerando o país com a evasão de divisas;
de duplicar a indexação, para uso restrito, de revistas nacionais e estrangeiras; e de
adquirir documentos nem sempre relevantes para com os objetivos da organização.
Assim, o enfoque sistêmico é a forma aplicável também aos organismos da informação. É claro que a estrutura sistêmica não é uma panacéia que possa resolver todos os
nossos problemas; há necessidade de que, indivíduos e autoridades, aumentem o grau de
cooperação e pensem na otimização do sistema como um todo e não parte dele.
Os marcos conceituais do NATIS/UNISIST precisam ser encarados em toda a plenitude no sentido de fazer com que os "que trabalham em atividades políticas, econômicas,
científicas, educativas, sociais e culturais recebam a informação necessária que lhes permita prestar a toda a comunidade a sua máxima contribuição"*^.
contribuição"* ’.
Os sistemas de informação, bem estruturados e dinâmicos, providos de recursos e
imunes ao perigo da falta de continuidade administrativa dos programas planejados, poderão dar grandes contribuições no planejamento para o’
o desenvolvimento harmônico das
Nações. Compete pois, a todos, incentivar e colaborar para a implantação dos sistemas de
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�informação a fim de que a informação transforme, de fato, num recurso vital que possa
ser utilizado no tempo, na quantidade e com a precisão exigida por necessidades específicas.

ABSTRACT
Information needs as an important characteristic of modern world. The impact of
bibliographic explosion and the transformation of information
Information as an estimulating element
of social and economic development Suggestions of a guidelines which may be adopted
by Brazil in terms of scientific and technological information:
Information: 1 — improvement of a
national information
Information policy, 2 — encouragement of information
Information organizations, 3 — use of
bibliographical automation and 4 — education of qualified manpower. The information
Information
system as a tool for rational use of human, financial and bibliographical resources.
System

5 — Referências
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Janeiro, IBGE, 1970. p. 118
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\JJ

�12. BRASIL.
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n.°211.
211.
13. COSTA, J.F. da. O Sistema Nacional de Informação Científica e Tecnológica
Bibiiot Brasília
Brasilia 1(2):97, jul./dez. 1973.
(SNICT). R. Bibliot
14. BRASIL Leis, decretos, etc. Lei n.° 6.151, de 4 de dez. de 1974. II Plano Nacional
de Desenvolvimento. Diário Oficiai, 17 dez. 1974, retificado em 31 de dez. 1974.
15. BRASIL Leis, decretos, etc. Decreto n.° 77.355, de 31 de março de 1976. ii
// Piano
(ii PBDCT). São Paulo, SuBásico de Desenvolvimento científico e tecnológico (II
gestões Literárias, 1976. p. 192-6.
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Brasil. Rio de Janeiro, 1977. § 238 (em fase de publicação)
17. HAMAR, A.A. Automação dos serviços de bibliotecas e documentação no Brasil.
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2(11:15-24, jan./jun. 1974.
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29(3): 122-3, mayo/junio 1975.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>CBBD - Edição: 09 - Ano: 1977 (Porto Alegre/RS)</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
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                <text>Inclui também os anais da V Jornada Sul-Rio-Grandense de&#13;
Biblioteconomia e Documentação</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>A necessidade de informação como uma das características do mundo moderno. O impacto da explosão bibliográfica e a transformação da informação como um dos elementos impulsionadores do desenvolvimento socioeconômico. Diretrizes que poderão ser seguidas pelo Brasil no tocante à informação científica e tecnológica: 1 — implantação de uma política nacional de informação, 2 — fortalecimento dos organismos de informação, 3 — utilização da automação bibliográfica e 4 — formação de mão-de-obra qualificada. O sistema de informação como instrumento de utilização racional de recursos humanos, financeiros e bibliográficos.</text>
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