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                  <text>AS CONTRIBUIÇÕES DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NO PROCESSO DE
REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO: VIABILIZANDO NOVOS FORMATOS NA
RECUPERAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
A prática da Representação da Informação tem se constituído um dos principais fazeres
desenvolvidos em unidades de informação, sobretudo no âmbito das bibliotecas. Mesmo
sendo praticada de diferentes formas ao longo dos séculos, o objetivo principal da
representação tem sido o mesmo, qual seja, estabelecer pontos de acesso entre o item
informacional e as características que o particularize em um catálogo. Genericamente,
representar a informação em um catálogo, individualizando as características referentes à
forma de um objeto de modo que elas o represente, constitui a prática da Catalogação.
A história mostra-nos que catalogar livros é uma prática que data de tempos
imemoriais, embora não praticada com instrumentos, técnicas e métodos padronizados como
presenciamos no mundo moderno. Na Biblioteca de Alexandria, por exemplo, existiram
instrumentos de localização das obras, como o Catálogo de Calímaco. Também herdamos
dos gregos o conceito de autor de uma obra, servindo como ponto de acesso na recuperação
(MEY; SILVEIRA, 2009).
No decorrer dos séculos, inúmeras tentativas são realizadas, tendo em vista gerar uma
ferramenta de busca e recuperação da informação que atendesse as solicitações de busca
dos usuários, facilitasse a localização dos itens, reduzindo desgaste pessoal e tempo
desnecessários. Mey e Silveira (2009) cita a contribuição de diversos pensadores que
dedicaram-se à organização do conhecimento, principalmente a partir do século XIX, como:
Charles Cutter, Melvil Dewey, Paul Otlet, Henri La Fontaine, dentre outros.
Esses pensadores acreditavam na possibilidade de criação de um sistema que
favorecesse o controle bibliográfico não apenas dos materiais existentes no acervo, mas que
contemplasse toda a produção bibliográfica mundial. Estava evidente para eles que isso só
seria possível através da padronização dos processos, da unificação dos instrumentos de
representação, facilitando, dessa forma, o compartilhamento de registros entre diferentes
instâncias.
No decorrer do século XX até os dias atuais, a partir do desenvolvimento tecnológico
inserido nas bibliotecas, sistemas e serviços de informação, percebemos que o sonho do
controle bibliográfico universal está para ser consolidado. Segundo Barbosa (1978), os
grandes eventos que se realizaram a partir de meados do século XX representaram um
divisor de águas na história da Catalogação. De acordo com a referida autora, a Conferência
de Paris, juntamente com a Reunião Internacional de Especialistas em Catalogação (RIEC),
dentre outros encontros que se sucederam, viabilizaram novos rumos ao processo de
Representação da Informação Documentária.
Como produtos desses encontros, no sentido de favorecer que as práticas e
instrumentos de Catalogação fossem padronizados, citam-se a estruturação da Descrição
Bibliográfica Internacional Normalizada (ISBD) e dos Requisitos Funcionais para Registros
Bibliográficos (FRBR). A esses produtos, para uma melhor prática e apresentação da
descrição bibliográfica, somam-se as contribuições da tecnologia na construção de
catálogos, sendo os registros catalográficos dispostos de forma a facilitar a visibilidade e o
entendimento do usuário da informação.
A respeito dos catálogos como ferramentas de busca e recuperação da informação,
Ferraz (1991, p. 91) menciona que, no catálogo o usuário poderá “[...] encontrar duas
importantes peças de informação: se a biblioteca possui o item desejado, e, se tem, onde ele

�está localizado na coleção”. Acreditamos que, com o uso das tecnologias, como o papel e os
recursos informáticos, o catálogo passa a adquirir uma tripla função, qual seja: verificar se a
biblioteca possui o item, se o item está localizado no acervo e, também, quais as
características dos documentos. Percebemos através das novas tecnologias que as
características dos itens tornam-se cada dia mais visíveis e entendíveis, graças ao uso de
novos formatos de representação que, estando normalizados, ampliam as possibilidades de
percepção do usuário quanto ao item procurado e o provável acesso a esse material.
Com base nas transformações acometidas ao universo da Catalogação e cientes da
importância da padronização e apresentação da descrição bibliográfica, este estudo objetiva
refletir as principais possibilidades de apresentação do registro bibliográfico, focando,
especificamente, no módulo impresso, proposto pela ISBD e dos módulos eletrônicos,
presentes no catálogo em linha (OPAC) e por meio do formato internacional Marc 21.
2 MÉTODO DA PESQUISA
Como metodologia, utilizaram-se, neste estudo, duas modalidades de pesquisa:
pesquisa exploratória sobre a temática em apreço, que é Catalogação e os formatos de
representação, destacando o que vem sendo discutido por teóricos e pesquisadores sobre
esse assunto; além dessa modalidade de pesquisa, utilizou-se estudo de observação em três
formatos de descrição bibliográfica: formato presente nos catálogos manuais (em fichas),
formato em catálogos do tipo OPAC e a disponibilização dos registros bibliográficos
conforme o formato Marc 21.
A análise entre os três formatos objetivou verificar a representação e disponibilização
dos dados catalográficos, enfatizando as contribuições da Catalogação e da padronização,
sobretudo quando se refere à percepção do usuário ao recuperar a informação solicitada.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A história da Catalogação foi marcada com o auxílio do catálogo que, no decorrer dos
tempos, foi adquirindo novas interfaces, novos recursos de busca e recuperação e novas
formas de representação da informação. Devido às múltiplas formas de estruturação, os
catálogos podem ser categorizados como catálogos de autor, de assunto, alfabético,
cronológico, dicionário, dentre outras formas.
No entanto, as tentativas de padronização da informação, no decorrer do século XX,
trouxeram inúmeras conquistas para as atividades de Catalogação. Transcorrido esse
período, os dados retirados dos itens passaram a ser registrados em fichas, devidamente
disponibilizados em áreas específicas para cada característica do documento. Sousa e Fujita
(2012) descrevem que essas fichas devem ser confeccionadas com base no elemento que
serve de entrada principal do item, com os devidos pontos de acesso.
De acordo com Ribeiro (1995), cada registro bibliográfico (entidade) identificado pelo
catalogador como pertinente para a recuperação deve ser alocado para oito áreas,
contemplando cada uma dessas áreas, diferentes elementos, que, por sua vez, podem sofrer
atributos específicos. As áreas e seus respectivos elementos são assim apresentadas: área
1 – contempla o título e indicações de responsabilidade; área 2 – refere-se à área de edição;
área 3 – apresenta os detalhes específicos do material (somente para música, materiais
cartográficos, publicações seriadas, etc); área 4 – área da imprenta (local, editora e ano);
área 5 – área de descrição física; área 6 – área da série; área 7 – área dedicada à
apresentação de notas; e, ao final, a área 8 descrevendo o número normalizado (Figura 1).

�Área 5 –
Descrição Física

Área 1: título e
indicação
responsabilida
de

Área 4: Imprenta

Área 2: Edição
Figura 1 – Ficha catalográfica impressa apresentando as principais áreas da descrição bibliográfica
Fonte: o autor.

Vê-se que a maneira como os registros são devidamente disponibilizados favorece o
entendimento do usuário, demonstrando para ele, mesmo que o material não esteja em suas
mãos, as características principais dos materiais representados no catálogo. Assim, o
catálogo corresponde a uma ferramenta de busca e recuperação da informação (SOUZA;
FUJITA, 2012), tendo como um de seus objetivos tornar as coleções mais visíveis.
As fichas catalográficas impressas tiveram grandes importâncias nas bibliotecas. No
entanto, com a adesão da Biblioteconomia às novas tecnologias, o século XXI iniciou-se com
um rápido processo de automatização e virtualização de produtos e serviços
biblioteconômicos. Surgem, assim, os catálogos eletrônicos, os quais substituem o formato
em ficha, mostrando-se na forma de catálogo automatizado quanto em linha (OPAC).
O catálogo eletrônico é aquele que mediado pelo computador, expõe para o usuário as
mesmas informações da ficha, no entanto, a rapidez na localização e disponibilização da
informação tornam-no fundamentais para otimizar a busca e recuperação da informação pelo
usuário (MEY; SILVEIRA, 2009). A sistematização/normalização dos registros bibliográfico
representam uma das contribuições dos catálogos bibliográficos (Figura 2)
Área 1: título e
indicação
responsabilida
de

Área 4:
Imprent
a

Área 5 –
Descrição Física

Figura 2 – Catálogo eletrônico demonstrando a interface de recuperação da informação e a disponibilização das
principais áreas da descrição, visíveis ao usuário
Fonte: o autor (2015).

Os catálogos eletrônicos tornam-se ainda mais valiosos à medida que são
disponibilizados no ambiente virtual, podendo ser acessados de qualquer local pelo usuário.
A internet contribui nessa empreitada, pois ela viabiliza o acesso a uma imensa massa de
documentos, em vários locais do mundo, de forma instantânea. Os catálogos em linha

�(OPAC) permitem essa socialização, contribuindo também no compartilhamento ou
intercâmbio de informações entre diversas organizações do mundo (SOUZA; FUJITA, 2012).
O formato de apresentação dos registros bibliográficos nos catálogos em linha (OPAC)
difere-se um pouco no que se refere ao catálogo impresso e no automatizado. O que muda é
o formato (MARC 21) que além de tornar visível os dados, apresenta-os em campos e
subcampos, podendo serem relacionados entre si, através de diferentes vínculos
estruturados (Figura 3)

Campos e
subcampos

da
descrição

Área 1: título e
indicação
responsabilida
de
Área 4:
Imprenta

Área 5 –
Descrição Física
Figura 3 – Catálogo eletrônico disponibilizando a descrição das áreas em formato Marc 21
Fonte: o autor (2015).

Vê-se que o referido formato de representação assemelha-se aos modelos analisados,
sendo trabalhado detalhes estéticos quanto à interface que disponibiliza os dados. Assim, é
preciso considerar, outrossim, que a essência do processo é a mesma, ou seja, os tipos de
dados extraídos das obras e a disponibilização nas oito área permanecem os mesmos.
Constata-se que o OPAC, através da criação de formatos para disponibilização dos
dados, como exemplo, o formato Marc 21, inovam na capacidade de tornar os dados
relacionados entre si e não isolados. Esse processo permite maior visibilidade dos registros;
assim, o catálogo, conforme defendido por Rubi (2008), exerce a função de vitrine da
biblioteca.
Ora, através desta normalização dos registros, não resta dúvida de que, eles podem ser
conectados a outros registros, facilitando, assim, o processo de recuperação. Também é
através desse formato que se facilita o compartilhamento de informações, tornando as
bibliotecas mais integradas a caminho de um legítimo controle bibliográfico universal.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da pesquisa exploratória na literatura e do estudo de observação em três
formatos de descrição bibliográficos, presentes na atualidade, conclui-se que o formato Marc
21 facilita a cooperação bibliográfica, uma vez que padroniza e fornece maior visibilidade e
relacionamentos entre os registros bibliográficos representados.
Com isso, abrem-se as possibilidades de construção de padrões internacionais, tendo
em vista efetivar o controle das obras produzidas mundialmente. Através da disponibilização
dos dados, entende-se que o compartilhamento é facilitado, além de aproximar o catálogo
das reais necessidades demandadas pelos usuários. Assim, confirmam-se as valiosas
contribuições dos FRBR na elaboração dos padrões e instrumentos catalográficos. Por
conseguinte, diante das grandes descobertas da Catalogação nas últimas décadas,
presume-se que o sonho do controle bibliográfico universal, idealizado por Paul Otlet e La
Fontaine, está com os dias contados para tornar-se realidade.

�Palavras-chave: Catalogação. Catálogos. Recuperação da informação. Formato Marc 21.
FRBR.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Alce Príncipe. Novos rumos da catalogação. Rio de Janeiro: BNG/Brasilart,
1978.
MEY, Eliane Serrão Alves; SILVEIRA, Naira Christofoletti. Catalogação no plural. Brasília,
DF: Briquet de Lemos, 2009.
RIBEIRO, Antônia Motta de Castro Memória. AACR2: Anglo-American cataloguing rules, 2nd
edition: descrição e pontos de acesso. Brasília: Editora do autor, 1995.
RUBI, M. P. Políticas de indexação para construção de catálogos coletivos em
bibliotecas universitárias. 2008. 169 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) –
Programa de |Pós-Graduação em Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista,
Marília, 2008.
SOUZA, Brisa Possi de; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes. Do catálogo impresso ao on-line:
algumas considerações e desafios para o bibliotecário. Revista ACB, Florianópolis, v. 17, n.
1, p. 59-75, jan./jun., 2012.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
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