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                  <text>O PANORAMA DO ENSINO A DISTÂNCIA NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO
EM BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
Helen Beatriz Frota Rozados. Profa. Dra. da Faculdade de Biblioteconomia e
Comunicação(UFRGS). Conselheira Federal do Conselho Federal de
Biblioteconomia – CRB-10/368. E-mail: hrozados@gmail.com
Andreza Lemke de Souza Estudante da Faculdade de Biblioteconomia e
Comunicação/UFRGS. Bolsista da Secretaria de Educação a Distância
(SEAD/UFRGS). E-mail: andreza24hotmail.com
1 Introdução
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) alteraram a forma
de comunicação, trabalho, pesquisa e, certamente, a de ensinar e de aprender.
A popularização dos computadores e o desenvolvimento de redes
interconectadas, aliadas às possibilidades cada vez maiores de interação entre
os atores, permitiu que o ensino-aprendizagem ocorresse de forma não
presencial, sem fronteiras geográficas e limitações temporais. Essa modalidade
de ensino, chamada de ensino a distância (EAD) vem crescendo
sistematicamente e ocupando os diferentes níveis da educação formal (e
informal), indo do ciclo básico à pós-graduação.
A Unesco entende a educação a distância como educação sem
fronteiras, definindo-a como “[...] um ambiente de ensino aberto, flexível,
adaptado às diversas necessidades de aprendizagem e facilmente acessível a
todos em distintas situações” (s.d., p.1). Este tipo de ensino, que inicia na
Inglaterra expande-se pela Europa, Estados Unidos tendo seu grande impulso
na década de 1960 (RUSSO, 2014; RUBIO CARBÓ, [1998?]).
No Brasil, os primeiros registros da EaD datam da década de 20, na
busca de mão de obra mais qualificada. A partir dos anos 90, a popularização
da Internet impulsiona os cursos a distância e os ambiente virtuais de
aprendizagem (AVA) passam a incrementar e valorizar a EaD. (BELLONI,
2003). O decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005 define a educação a
distância como a “[...] modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização
de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e
professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos
diversos.”. E Niskier (1999, p.16) aposta na EaD como “[...] um dos únicos
mecanismos com o qual o País pode lançar mão para diminuir as diferenças
sociais e dar dignidade a seu povo”. Uriarte (2003) complementa que a
importância deste modo de ensino preenche dificuldades relacionadas ao
ensino presencial, como o número de alunos por sala de aula, números de
vagas reduzidas, além de transpassar barreiras geográficas, permitindo o
acesso a localidades longínquas, assim como a cursos não existentes na localidade.
A criação de cursos de Biblioteconomia em nosso País, ao longo dos
anos, não tem sido muito frequente. No entanto, estes cursos tem buscado
manter seus currículos alinhados com as expectativas do mercado, as
indicações do Ministério de Educação (MEC) e atualizados com a tecnologia.
Neste sentido, a inserção de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) foi um
caminho natural como apoio às disciplinas e atividades pedagógicas dos
mesmos. Percebe-se que seu uso difunde-se e se ousa afirmar que hoje é
utilizado em larga escala nos cursos de Biblioteconomia brasileiros. A

�Universidade de Brasília possuía convênio com a Open University e ofereceu
cerca de 14 cursos a distância no período de 1979 a 1989. Também tiveram
experiências no ensino a distância a Universidade de São Paulo (USP), a
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCampinas). A criação em
2006, da Universidade Aberta do Brasil (UAB), vem impulsionar o ensino de
qualidade a distância no Brasil e, em 2009 um Acordo de Cooperação Técnica
entre o Conselho Regional de Biblioteconomia (CFB) e a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) torna-se um marco
com a criação do curso de graduação em Biblioteconomia a distância.
No entanto, esta modalidade já era adotada de forma parcial em cursos
de graduação em Biblioteconomia, que oferecem disciplinas (obrigatórias ou
optativas) totalmente nesta modalidade ou utilizando os AVAs em disciplinas presenciais.
Esse trabalho apresenta os resultados da pesquisa realizada sob os
auspícios da Secretaria de Educação a Distância (SEAD) da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Edital 20, cujo objetivo foi mapear o
estado de arte do ensino a distância no Brasil, relacionado à área da
Biblioteconomia, em nível de graduação. Os dados foram coletados entre
janeiro e fevereiro de 2015, através de formulário eletrônico. Essa investigação
visa contribuir para o melhor entendimento da educação a distância da
Biblioteconomia no Brasil e incentivar a ampliação do uso desta modalidade de
ensino nos cursos da área.
2 Método da pesquisa
Pesquisa quanti-qualitativa, de cunho exploratório, envolvendo os cursos
de Biblioteconomia existentes e em funcionamento no Brasil, levantados com
base em informações coletadas através do Google, da Associação Brasileira
de Educação em Ciência da Informação (ABECIN), da Associação RioGrandense de Biblioteconomia (ARB) e do Conselho Federal de
Biblioteconomia (CFB). Através destes mesmos canais foram levantados outros
dados que subsidiaram a pesquisa, como endereços eletrônicos, currículos e
informações referentes aos cursos e suas disciplinas. Chegou-se ao total de
trinta e cinco (35) instituições de ensino superior (IES) com curso de graduação
presencial em Biblioteconomia e uma (1) com curso totalmente a distancia, em
funcionamento. O instrumento de coleta de dados consistiu em um
questionário online, produzido através da ferramenta Google Docs, com
questões abertas e fechadas, encaminhado a todos os cursos presenciais.
3 Resultados e análise dos dados
Das 35 instituições contatadas, 15 preencheram o instrumento,
totalizando cerca de 43% do total. Dos 15 cursos respondentes, 13 estão
ligados à instituições de ensino públicas e 2 a privadas. Juntas as Regiões
Sudeste e Sul somaram 12 cursos, ou seja, representaram 80% dos
respondentes, sendo que as demais regiões representaram 1curso cada uma.
Quando questionadas se no curso de Biblioteconomia da instituição era
utilizada alguma plataforma para ensino a distância, mesmo sendo apenas
como auxiliar ao ensino presencial, 12 cursos responderam afirmativamente e
3 não utilizam. Estes estão localizados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e
Sul. Para complementar esta questão questionou-se quais plataformas eram
utilizadas. Dez dos doze cursos que utilizam essas plataformas adotam o
Moodle. As duas outras citadas foram o SIGAA e o Quantum.

�Também a pesquisa procurou saber que percentual aproximado de
disciplinas presenciais (obrigatórias ou optativas) utilizavam, como apoio
acadêmico, as referidas plataformas. A faixa de 100% só foi preenchida por um
dos cursos, localizado na Região Sul. Quatro outros questionados o utilizam
em 10% das disciplinas e 3 outros em 20%. Os percentuais de 40%, 60% e
80% foram indicados cada um por um respondente.
Dois cursos de bacharelado oferecem disciplinas de forma totalmente a
distancia nos cursos presenciais. Em uma das instituições é a disciplina
obrigatória Sistemas de Organização do Conhecimento II, nos turnos manhã e
noite. A mesma instituição apontou que também foi ministrado conteúdo teórico
da disciplina de Estágio Supervisionado, componente obrigatório. Ambas
oferecidas apenas para o curso de Biblioteconomia. Na outra instituição, 5 são
as disciplinas oferecidas: Gestão do Conhecimento, de cunho obrigatório;
Bibliotecas Digitais, Informação em Mídias Digitais, Organização de Bibliotecas
Escolares e Organização de Bibliotecas Públicas, optativas. As três primeiras
são oferecidas também para os cursos de Museologia e/ou Arquivologia.
4 Considerações Finais ou Conclusões:
Rabello e Haguenauer (2011) constatam que o aprendizado eletrônico
(e-learning) e, mais recentemente, a aprendizagem móvel (m-learning), estão
mudando de forma expressiva os ambientes e contextos de aprendizagem. No
ensino a distância, as plataformas de ensino virtual têm proliferado, mas o
Moodle vem se impondo, no mundo todo, como uma das preferidas, utilizado
por grande parte de nossas universidades e a adotada pela UAB para todos
seus cursos. A pesquisa comprova estas preferências, bem como mostra que,
mesmo de forma tímida, a Biblioteconomia está se abrindo para o ensino a
distância. Espera-se que esta investigação incentive outras nesta mesma linha,
que possam levar a um efetivo mapeamento desta modalidade de ensino na área.
Palavras-chave: Ensino a distância. Biblioteconomia. EAD.
Referências:
BELLONI, Maria. Luiza. Educação a distância. 3. ed. Campinas: Autores
Associados, 2003.
NISKIER, Arnaldo. Educação à distância: tecnologia da esperança – políticas
e estratégias para a implantação de um sistema nacional de educação aberta e
à distância. São Paulo: Loyola, 1999.
RABELLO, Cinta R. L.; HAGUENAUER, Cristina. Sites de Redes Sociais e
Aprendizagem: potencialidades e limitações. EducaOnline, v. 5, n. 3, 2011.
RUBIO CARBÓ, Anna. Educação a Distância em Espanha. [1998?]. Disponível
em: &lt;http://www.lmi.ub.es/teeode/thebook/files/portugue/html/6spain.htm&gt;.
Acesso em: 25 mar. 2015.
RUSSO, Mariza et al. Formação em Biblioteconomia a Distância: a
implantação do modelo no Brasil e as perspectivas para o mercado de
trabalho do bibliotecário. Informação &amp; Sociedade, João Pessoa, v.22, n.3, 2012.
URIARTE, Luiz Ricardo. Modelo de ambiente para orientação a distância.
2003. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pósgraduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2003.
Agência financiadora: SEAD/UFRGS

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