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                  <text>ATUAÇÃO BIBLIOTECÁRIA NA ÁREA DA SAÚDE: A IMPORTÂNCIA DO
BIBLIOTECÁRIO NOS CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO HOSPITALAR – UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA
1 INTRODUÇÃO
No mundo moderno, o bibliotecário está acostumado a limitar seus ambientes
de trabalho a bibliotecas, mas a literatura da área deixa claro que o profissional da
informação está apto a atuar em outros espaços de informação, como por exemplo,
nos mais diversos centros de documentação. De acordo com a Classificação
Brasileira de Ocupações (CBO), o bibliotecário é considerado, por excelência, como
profissional da informação, podendo ele
[...] trabalhar em bibliotecas e centros de documentação e informação na
administração pública e privada, nas mais variadas atividades do governo,
do comércio, da indústria e dos serviços, com predominância nas áreas de
educação e pesquisa. Pode ser um trabalhador assalariado, com carteira
assinada ou como autônomo, trabalhar de forma individual ou em equipe e
executar suas funções tanto de forma presencial como a distância
(MTE/CBO, 2002, não paginado, grifo nosso).

Fica claro que o bibliotecário possui competências para atuar em várias áreas,
pois a Biblioteconomia é interdisciplinar, estando em sintonia com diversos campos
do conhecimento, logo, o bibliotecário não se deve ater a bibliotecas como seu único
meio de atuação. Ao adquirir novas experiências, o bibliotecário inova na realização
de suas atividades, ampliando, assim, sua atuação em ambientes que extrapolam os
limites físicos da biblioteca (SANTA ANNA; GREGÓRIO; GERLIN, 2014).
Os centros de documentação são considerados verdadeiras bibliotecas
especializadas, podendo abranger as áreas de ciência e tecnologia, como outros
segmentos empresariais (LEMOS, 2008). Dentre os vários centros de
documentação, assim categorizados pelas empresas mantenedoras, existentes no
Brasil, destacam-se os centros de documentação hospitalares.
Esses centros caracterizam-se, de modo geral, como espaços reservados para
armazenar, tratar, recuperar e disseminar as informações produzidas nos serviços
médicos (prontuários), de modo a facilitar o trabalho dos profissionais da saúde que
ali atuam. Por possuir semelhanças com outros centros de documentação inseridos
em empresas, entendemos que o bibliotecário poderá atuar no gerenciamento da
informação existente no meio hospitalar.
A atuação do bibliotecário em centros de documentação, sobretudo os
empresarias, é uma temática que ganhou força nos últimos anos. No que se refere à
atuação do bibliotecário no contexto hospitalar, algumas pesquisas também
sinalizam a presença desse profissional no campo da saúde (BERAQUET; CIOL,
2010).
Assim, este relato de experiência objetiva divulgar as principais atividades e
serviços bibliotecários realizados e requeridos em um centro de documentação,
vinculado a um hospital particular.
Serão descritos no relato, os principais serviços biblioteconômicos realizados
com os documentos gerados na instituição hospitalar, o fluxo da informação
documental, as técnicas de tratamento, armazenamento e disseminação da
informação. De acordo com a realidade vivenciada, reflete-se acerca da necessidade
e importância de se contratar bibliotecário, haja vista garantir resultados satisfatórios
e excelência nos serviços prestados pelo setor. Ao final, apresentam-se os pontos

�positivos e negativos oriundos com a experiência, recomendando ações que possam
acarretar melhoria em toda a ambiência do centro de documentação.
2 RELATO DA EXPERIÊNCIA
Esta experiência teve duração de seis meses, com início em setembro de 2014
e com término em março de 2015. Os serviços foram estabelecidos através de
contrato pré-estipulado, com aviso antecipado que não haveria renovação de
contrato.
O centro de documentação, no qual foi realizado esta experiência, está
vinculado a um hospital privado de grande porte, situado em município pertencente à
região metropolitana. O hospital reúne em sua infraestrutura 74 leitos de
apartamento de enfermaria; 95 leitos de apartamento individual; 06 leitos de UTI
infantil; 18 leitos de neonatal; 32 leitos de UTI Geral de adulto; 09 leitos de UTI
coronariana; 02 leitos de isolamento; 05 leitos de Centro de Tratamento de
Queimados (CTQ); Consultórios médicos; Laboratório de análises clínicas e
Laboratório de análises patológicas. A unidade hospitalar possui capacidade para
atender mensalmente 18 mil pacientes. O corpo funcional do hospital é composto
por 1000 colaboradores, estando dividido em diferentes setores que se encarregam
de atividades adversas, como: recursos humanos, almoxarifado, tesouraria,
enfermarias, consultórios, copa, manutenção e um centro de documentação.
O centro de documentação, também denominado pela instituição de serviço de
arquivo médico e estatístico (SAME), está situado no subsolo da instituição
hospitalar, sendo dividido em três repartições: a sala de recebimento dos prontuários
médicos, denominada como SAME temporário, o arquivo local do hospital intitulado
SAME externo e um arquivo externo que se encontra em um espaço alugado fora
dos limites do hospital, pois o interno não comporta a demanda da instituição.
Trabalham nesse centro cinco colaboradores, sendo: um coordenador, três
administradores e um gestor de sistemas e estatística. O referido setor possui em
seu corpo de funcionários um profissional graduado em Biblioteconomia, no entanto
está contratado como coordenador de setor.
No que se refere aos serviços realizados no referido centro de documentação,
destaca-se que no primeiro setor é realizado o tratamento da informação, ou seja, o
prontuário é recebido, organizado, analisado e despachado para o arquivo local; o
segundo setor tem a finalidade de guarda e preservação do prontuário; já o terceiro
exerce a mesma função do segundo.
O primeiro procedimento do tratamento da informação é o recebimento; os
prontuários são enviados ao SAME pelo setor de faturamento; eles chegam em
lotes, divididos por convênio e setor de internação. No ato de recebimento é
realizada a conferência dos documentos, e então, esses são lançados em armários
identificados como recebimento um, dois e três. Esse lançamento é feito de forma
eletrônica em um software integrado do hospital.
O segundo procedimento a ser realizado é a organização e análise dos
prontuários médicos, sendo eles organizados de forma hierárquica, e assim que
organizados eles passam por um ato de checagem, em que um profissional analisa
as assinaturas dos atendentes do paciente. Esses atendentes englobam médicos,
enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas dentre outros. Se for constatada
pendência de assinatura nos prontuários, eles são retirados dos armários de
recebimento e lançados nos armários de análise.

�Em seguida, os profissionais que deixaram pendências nos prontuários são
informados via e-mail, sendo ele enviado ao profissional e com cópia para o seu
coordenador e para o diretor do SAME. Assim que informada a pendência o
profissional que a fez vai ao SAME a fim de corrigi-las; quando corrigidas as
pendências os prontuários são liberados para serem arquivados.
O terceiro procedimento consiste em colocar os prontuários em pastas e lançálos nos armários rolantes no SAME externo. Se por algum motivo esse se encontrar
lotado, os prontuários são lançados em caixas e enviados ao espaço alugado fora
dos limites do hospital.
No SAME também é realizado o serviço de atendimento ao usuário, onde o
paciente e o setor jurídico do hospital podem ter acesso à cópia de prontuários, e os
médicos têm o direito de visualizar os prontuários, mas não podem em nenhuma
hipótese fazer qualquer alteração no documento.
Todos esses processos se dão pela necessidade de se criar um método de
rastreamento dos prontuários, onde é necessário criar um registro de mapeamento,
para que os documentos possam ser recuperados, caso ele seja solicitado para
cópia ou visualização.
A partir da vivência no SAME, analisando os procedimentos adotados para
organização, controle e recuperação dos prontuários gerados a partir da atividade
médica, é possível elencar alguns pontos positivos como negativos.
Em linhas gerais, destacam-se como pontos fortes os recursos tecnológicos, o
feedback através de indicadores, a criação de procedimento operacional padrão
(POPs) para a realização das atividades do setor, e, por fim, um espaço físico
adequado para desempenho das atividades.
No que se refere aos pontos fracos destaque especial pode ser conferido à
perda de informações pertinentes, por falta de conhecimento sobre a importância da
informação, pouco engajamento no exercício das atividades, degradação física do
ambiente de trabalho, falta de inovações e projetos que acarretam na escassez de
recursos financeiros para o setor. Além desses pontos negativos, soma-se a
causa/origem desses problemas que é a falta de contratação de um bibliotecário que
possa agir com suas competências e habilidades no gerenciamento da informação
produzida e na gestão de todo o espaço informacional.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS OU CONCLUSÕES
A partir da experiência relatada, pode-se concluir que é notável a necessidade
de um profissional da informação para atuar nos centros de documentação
hospitalares, pois os serviços prestados no SAME são os mesmos serviços que o
bibliotecário recebe capacitação para realizar durante toda sua formação acadêmica,
desde a organização da informação até o atendimento ao usuário. Torna-se claro o
fato do hospital não possuir um profissional da informação legalizado e registrado,
pois o mesmo se torna omisso às vezes e menospreza suas próprias habilidades e
competências.
Conforme a literatura menciona, o profissional da informação está habilitado a
atuar em ambientes de informação hospitalar, pois ele possui uma visão diferenciada
quando se trata do tratamento da informação, e no mais, para criar políticas e
projetos de inovação para esses setores, que, por falta da contratação,
reconhecimento e valorização desse profissional, esses setores acabam sendo
postos em últimos planos pelos investidores das instituições, pois se não há

�bibliotecário, não há projetos, logo não haverá disponibilização de verba para esses
setores.
Palavras-chave: Centro de Documentação. Centro de Documentação Hospitalar.
Atuação bibliotecária.
REFERÊNCIAS
BERAQUET, Vera Silvia; CIOL, Renata. Atuação do bibliotecário em ambientes não
tradicionais: o campo da saúde. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência
da Informação, Brasília, v. 3, n. 1, p. 127-137, jan./dez. 2010. Disponível em:&lt;
http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci/article/view/31/76&gt;. Acesso em: 10 mar.
2015.
LEMOS, Agernor Briquet de. Bibliotecas. In: CAMPELLO, Bernadete; CALDEIRA,
Paulo da Terra. Introdução às fontes de informação. Belo Horizonte: Autêntica,
2008.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. CBO, 2002. Disponível em:&lt;
http://www.mtecbo.gov.br/buscaResultado.asp?tituloavancado=bibliotec%E1rio&amp;S
ubmit=+Procurar+&amp;familias=1&amp;ocupacoes=1&amp;sinonimos=1&gt; Acesso em: 25 marc.
2015.
SANTA ANNA, Jorge; GREGÓRIO, Elaine; GERLIN, Meri Nadia. Atuação
bibliotecária além da biblioteca: o espaço de leitura do Hospital Universitário
Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM). Revista ACB, Florianópolis, v.19, n.1, p. 7788, jan./jun., 2014.

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