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                  <text>A ANÁLISE DE REDES SOCIAIS APLICADA À ARQUITETURA DA
INFORMAÇÃO: ESTUDO DE CASO
Autor: Camila da Silva Teixeira. Universidade Federal do Rio de Janeiro.
milarine.teix@gmail.com
Josimara
Dias
Brumatti.
Universidade
Federal
Fluminense.
josimara_uff@yahoo.com.br
Introdução: As redes sociais constituem num grande fenômeno atual em virtude
da internet, estando inserida em várias áreas do conhecimento. No entanto, ela
surgiu muito antes deste fenômeno que a popularizou. Both nos anos 70 em seu
livro “Família e rede social” já conceituava rede social, assim como Barnes nos
anos 80, em seu artigo "Redes sociais e processo político", sendo atrelada a uma
perspectiva de estudo que é demarcada pelo conjunto de trabalhos que vai
fundamentar o próprio paradigma da Análise de Redes Sociais (ARS)
(RECUEIRO, 2014).
Uma rede social é qualquer conjunto de indivíduos que possuem
característica ou atividades em comum e em função disto se relacionam entre si,
formando uma rede de relacionamento, construindo assim como diz Tomaél e
Marteleto (2009) uma estrutura social.
Buscou-se averiguar se a Análise de Redes Sociais (ARS) pode ser
utilizada para estudar a navegabilidade. Objetivou-se verificar o acesso dos
usuários ao blog a partir dos hiperlinks visitados, adotando ARS para mostrar as
páginas centrais, sua direção e as páginas isoladas. A pesquisa foi ambientada na
Biblioteca do Centro de Filosofias e Ciências Humanas da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (BT CFCH/UFRJ) e visa auxiliar na criação de um site para a
biblioteca.
A partir desta demanda foi realizado um estudo no blog da BT CFCH/UFRJ
(http://btcfchufrjbr.blogspot.com.br/), baseado nos conceitos de medida de
centralidade empregados por Tomaél e Marteleto (2009) e no sistema de
navegabilidade citado por Morville e Rosenfeld (c2007), com isso pretende-se
responder as seguintes questões: Que tipo de informação o usuário procura?
Quais são as páginas mais e/ou menos acessadas? Analisando assim, o fluxo de
informação e de navegação, no período estudado.
Método da pesquisa: O corpo de análise, ou seja, os atores da rede são
representados pelas páginas/abas que compões o blog. Para cada página, que
corresponde a uma aba no blog, foi atribuído um código: Início (P1); Sobre a
Biblioteca (P2); Consulta (P3); Publicações (P4); Bases de Dados (P5); Serviços
(P6); Portal CAPES (P7); Contatos (P8); Espaço Anísio Teixeira (P9); Obras Raras
(P10); Vitrine da Memória (P11); Ferramentas (P12). Fazendo um paralelo com a
Arquitetura da Informação, correspondem aos itens presentes na navegação
global (menus fixos). Através dos links presentes no texto de cada uma destas
páginas (navegação ad hoc) foi monitorado o caminho percorrido pelo usuário
durante o processo de navegação.
O período estudado foi o primeiro semestre de 2014, na cidade do Rio de
Janeiro, restringindo-se aos usuários de com idade entre 18 e 35. A partir disso foi
gerada uma matriz que apontou a frequência que a interação entre as páginas

�ocorre, gerando uma matriz de modo 1. Estes dados foram então inseridos no
software UCINET1 que através do NetDraw permitiu a visualização da rede.
Resultados: Através da figura 1 se verifica que P1 e P3 movimentam a maior
parte do fluxo de direcionamento de páginas, estes atores são responsáveis por
encaminhar os usuários para todos os conteúdos disponíveis no blog. Identifica-se
P1 como a página mais acessada, com 1650 usuários e P9 como a menos
acessada com 47 usuários. Destaca-se ainda, que nenhum ator apareceu isolado
na rede.
No que tange a centralidade da informação, P1 têm maior probabilidade de
transferir e receber informações de toda a rede, detendo o maior número de
caminhos nela. Observou-se, durante a coletada de dados, que esse ator possui a
maior quantidade de conteúdo.
Quanto à centralidade do grau o ator que mais recebeu direcionamentos na
rede foi P6, indicando a importância deste para complementar as informações não
localizadas nos outros atores.
Observou-se que dez páginas da rede não possuem nenhum poder para
intermediar a informação que flui pela rede (P2, P4, P6, P7, P8, P9, P10, P11 e
P12). Dois atores alcançaram índices de intermediação de 37.879 (P1 e P3) e um
ator (P5) obteve 0.605. Considerando esses fatores podemos afirmar que o poder
de intermediação está concentrado em cerca três atores que possuem os únicos
índices de intermediação.
Centralidade de Proximidade, os atores mais centrais em relação à
proximidade são P2, P9, P10, P11, P12 que possuem um pequeno índice (0.875)
de diferença de P4, P6, P7 e P8. Seguidos de P5, P1 e P3, estes dois últimos com
uma diferença relevante em relação aos demais (em torno de 40%).
Esta medida traduz a independência dos atores, indicando a possibilidade
de comunicação com muitas páginas uma rede, com um número mínimo de
intermediários. Sendo assim quanto menor o índice, maior a proximidade. No caso
do blog, indica as páginas nas quais os usuários precisam fazer um caminho
menor para chegarem ao conteúdo que desejam a partir da página principal,
menos cliques, maior a facilidade de navegar.
Figura 1- Centralidade

Fonte: Autoras, 2015.
1

UCINET é um pacote de software para análise de dados de rede social. Ele foi desenvolvido por Lin
Freeman, Martin Everett e Steve Borgatti e vem com a ferramenta de visualização de rede
NetDraw. (UCINET, 2014)

�Discussão: A ARS mostrou-se um instrumento importante para estudar a
navegabilidade e a assim testar o fluxo da informação. Comprovou-se através dela
que o ator P1 é o mais acessado, justificado pelo seu conteúdo – postagens com
assuntos atuais, revelaram-se as informações mais procuradas pelos usuários – o
que aponta a necessidade deste tipo de conteúdo ser adotada no futuro site da BT
CFCH. Outra página que obteve grade número de acessos foi P3, enfatizando a
questão da consulta ao Catalogo Bibliográfico Online da UFRJ, que pode indicar a
necessidade da criação de um ícone evidenciando ainda mais sua localização no
site. P9 por sua vez obteve o menor índice de acesso, correspondendo à página
“Espaço Anísio Teixeira”, aqui pode ter ocorrido um problema de rotulagem, talvez
a terminologia a adotada não seja de fácil compressão para usuário, identifica-se
aqui a necessidade de estudos futuros, como pesquisas de campo para tentar
validar esta hipótese e, caso seja confirmada, averiguar juntos os usuários qual
rótulo seria mais adequado.
Considerações Finais: Observou-se que a Análise de Redes Sociais constituiuse em uma importante ferramenta para mapear o fluxo de informações digital
dentro do blog da BT CFCH/UFRJ. Os dados obtidos neste mapeamento serão
utilizados no processo de construção da Arquitetura da Informação do site da
biblioteca, direcionando-o assim, as necessidades dos usuários.
Palavras-chave: Fluxo de Informação; Ciência da Informação; Arquitetura da
Informação; Navegabilidade; Análise de Redes Sociais.
Referências:
BARNES, J. A. Redes sociais e processo político. ln: FELDMAN-BIANCO, Bela
(org.). Antropologia das Sociedades Contemporâneas. São Paulo, Global,
1987. p. 159-193.
BOTH, Elizabeth. Família e rede social. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
MARTELETO, Regina M. A pesquisa em Ciência da Informação no Brasil: marcos
institucionais, cenários e perspectivas. Perspectivas em Ciência da Informação,
Belo Horizonte, v. 14, n. especial, p. 19-40, 2009. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/915/605&gt;. Acesso
em: 09 mar. 2015.
RECUERO, Raquel. Contribuições da Análise de Redes Sociais para o Estudo das
Redes Sociais na Internet: o caso da hashtag #tamojuntodilma e
#calaabocaDilma. Revista Fronteiras (Online), v, 16, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.raquelrecuero.com/fronteirasrecuero2014.pdf&gt;. Acesso em: 11 mar.
2015.
MORVILLE, Peter; ROSENFELD, Louis. Information architecture for the world
wide web. 3th ed. Sebastopol, CA: O’Reilly Media, c2007
UCINET
Software.
Versão
6.535.
Disponível
em:
&lt;https://sites.google.com/site/ucinetsoftware/home&gt;. Acesso em 30 dez. 2014.

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