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                  <text>O FUTURO DA BIBLIOTECA À LUZ DA FUNÇÃO SOCIAL: TRANSFIGURAÇÃO DE
AMBIENTES DE INFORMAÇÃO A ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA
1 INTRODUÇÃO
A biblioteca é uma das instituições mais antigas do mundo. Embora tenha sido
estruturada, utilizada e gerida de forma diferente ao longo dos tempos, sua capacidade de
adaptação em face das transformações sociais torna-a um organismo mutante, o qual
acompanha as mudanças e se renova constantemente, garantindo sua perpetuação.
Das páginas em argila às páginas da internet, a biblioteca vem servindo o ser humano,
principalmente à atividade de organização, tratamento, preservação e disseminação da
informação produzida na sociedade.
É claro que o modelo de biblioteca na qual o concebemos na modernidade muito se
distancia da concepção adotada nos diferentes períodos históricos, sobretudo diante de
sistemas ideológicos e hegemônicos. No entanto, percebe-se no decorrer dos tempos, que a
biblioteca sempre se colocou a serviço de alguém, logo, ela torna-se uma instituição auxiliar,
que contribui, que oferece, que acolhe, que tenta solucionar problemas, que transforma.
A literatura apresenta grande quantidade de discussões a respeito das diversas funções
exercidas pela biblioteca. No mundo contemporâneo, diversos estudos confirmam sua função
informacional e educativa, mas também reconhecem o seu papel social, de modo que
biblioteca e sociedade sejam cúmplices na produção de conhecimento e na melhoria da
qualidade de vida dos indivíduos.
Com a chegada do século XXI, diante das transformações socais, com o aumento da
produção bibliográfica e com a utilização das tecnologias contemporâneas, parece que a
biblioteca perde, para alguns, essa parceria e reciprocidade que possui com o ser humano.
De forma equivocada e até exagerada, muitos se arriscam a afirmar que ela poderá ser
extinta da sociedade do futuro.
É evidente que a evolução tecnológica viabilizou novas formas de gerenciamento da
informação. De forma estratégica, a biblioteca utiliza dessas tecnologias, permitindo que as
práticas bibliotecárias presentes nas bibliotecas físicas sejam transferidas para a realidade
virtual, sem, contudo, dispensar as práticas biblioteconômicas.
Não se pretende neste texto discorrer acerca dessa nova realidade que se afora para a
biblioteca moderna, pois muitos estudos já versam sobre essa temática. Nem, tampouco,
discutir a realidade atual, em que muitas bibliotecas estão se tornando ambientes híbridos,
oferecendo produtos e serviços em diferentes formatos, tecnologias e recursos de acesso.
Mas, convém destacar que, as tecnologias contemporâneas não excluem as práticas
bibliotecárias, ao contrário, ampliam a cada dia as possibilidades da atuação bibliotecária.
Por conseguinte, pode-se afirmar que a biblioteca do futuro não será extinta, como
consideram alguns, mas, ao contrário, será disponibilizada no novo ambiente de
socialização: o ciberespaço. Sendo assim, as bibliotecas físicas, certamente deixarão de
existir ou transformar-se-ão em verdadeiros “museus”. Essa constatação, embora esteja
provado que exigirá muito tempo para ser concretizada, vem sendo bastante discutida.
Este estudo traz à baila fundamentos teóricos e reflexões que refutam a constatação
acima descrita. Ora, pensemos: se há consenso, na atualidade, de que a biblioteca possui
uma dupla função, ou seja, função informacional e função social, logo, através das
bibliotecas virtuais, a função informacional passará a ser desempenha por essas
modalidades de biblioteca. Porém, ainda restará às unidades tradicionais (bibliotecas físicas)
a realização da função social, de modo que a função social caracterizará a biblioteca como
ambientes de socialização, de trocas de ideias, experiências, um verdadeiro espaço de
convivência.

�2 MÉTODO DA PESQUISA
Devido ao aspecto teórico desta pesquisa, a metodologia será sustentada na pesquisa
bibliográfica, realizada por meio de levantamentos bibliográficos em livros, artigos e trabalhos
acadêmicos que descrevem a função social da biblioteca. Por meio do embasamento à
função social da biblioteca, será discorrido acerca da importância dessa função e sua
contribuição para assegurar a existência da biblioteca no futuro.
Também serão utilizados como fundamentos teóricos para garantir alcance do objetivo
proposto, reflexões propostas por alguns autores brasileiros da área que também concordam
com essa visão, considerando a transformação da biblioteca em ambientes de convivência,
garantindo, assim, sua permanência por longas gerações.
Os livros utilizados na pesquisa referem-se a publicações renomadas da área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação. Os artigos e trabalhos acadêmicos foram
recuperados do portal de periódicos da Capes e do acervo da biblioteca virtual Scielo.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
As sociedades modernas trazem como principal fator de inovação no comparativo com
as sociedades antigas, a preocupação com alguns conceitos, como: cidadania, igualdade,
democracia, diversidades, cultura, multiculturalismo, dentre outros.
O Estado democrático possui em sua essência, o dever de garantir o pleno respeito
pelas diferenças, tornando possível que indivíduos usufruem de seus direitos e deveres,
comportando-se como cidadãos vinculados a uma nação. Ao analisarmos esses conceitos,
percebemos o quanto a função social do Estado vem à tona, sobretudo em uma sociedade
diversificada, considerada como multicultural. E, garantir a concretização dessa função é um
dever que compete a governantes e instituições.
O conceito “biblioteca multicultural” foi proposto pela IFLA e Unesco, em 2008 e, referese, sobremaneira, às bibliotecas públicas que devem disponibilizar acesso a todos de forma
igualitária. Segundo esse manifesto, a igualdade e o respeito devem prevalecer nesses
ambientes, configurando-os como legítimo espaço público, cujo objeto principal seja
[...] atender as demandas sociais, oferecendo oportunidade igualitária e democrática a
todo cidadão que faz uso do seu espaço, não apenas para buscar conhecimento ou
cultura, mas também para fazer deste espaço, palco para as reflexões diárias, para
o debate participativo de todos os problemas sociais e necessidades de cada
cidadão (BARROS, 2002, p. 133, grifo nosso).

Observa-se que as bibliotecas ao exercerem a função social, estão cumprindo o dever
de serem instituições sociais que se colocam a serviço de acolher os indivíduos que estão
inseridos no multiculturalismo. A função cultural atribuída às bibliotecas há muito tempo vem
sendo tratada pela literatura. Aquino (2004) considera que as mutações sofridas pelas
bibliotecas caracterizaram-nas como espaços de informação, saber, conhecimento e cultura.
Mey e Silveira (2009) defendem que as bibliotecas existem para viabilizar alternativa,
possibilidade e oportunidade às pessoas. Ainda discutem que as bibliotecas são espaços de
liberdade, capazes de mudar a história da humanidade.
De acordo com Ribas e Ziviani (2007), as bibliotecas devem se tornar ambientes de
convivência, oferecendo diversas atividades culturais, recreação, entretenimento e lazer,
dentre outras atividades procuradas pelos cidadãos da comunidade. No entendimento
dessas autoras, o papel social do profissional da informação, juntamente com a biblioteca
moderna é de extrema utilidade, atuando de forma estratégica na disseminação da
informação e utilizando-a como instrumento e recurso de mobilização nas lutas por melhores
condições de vida da sociedade.
As bibliotecas tendem a se tornar centros de referência, um papel que, segundo
Almeida Junior (1997) já deveria caber à biblioteca pública. Segundo esse autor, as

�bibliotecas devem estar abertas para fornecer informação utilitária para a sociedade, ou seja,
um centro de acolhimento que fornece informações sobre emprego, saúde, cultura, lazer,
dentre inúmeras necessidades existentes no cotidiano das pessoas.
Além de fornecer serviços utilitários à comunidade, ao caracterizar-se como ambientes
de convivência, a biblioteca torna-se espaços abertos para a comunidade, permitindo que os
objetivos da biblioteca “[...] sejam moldados conforme as necessidades e desejos deste
grupo, incluindo os referentes ao lazer” (GONÇALVES, 2011, p. 134-135). Ainda discutindo
acerca do lazer, entretenimento e ações culturais, é importante mencionar, segundo proferido
no manifesto da Ifla e Unesco (2013), a respeito do papel das bibliotecas públicas que deve
fornecer recursos e serviços em diversos suportes, de modo a ir ao encontro das
necessidades individuais ou coletivas, no domínio da educação, informação e
desenvolvimento pessoal, e também de recreação e lazer. Conforme disposto nesse mesmo
documento, as bibliotecas desempenham “[...] um papel importante no desenvolvimento e
manutenção de uma sociedade democrática, ao dar aos indivíduos acesso a um vasto
campo de conhecimento, ideias e opiniões (IFLA, 2013, p. 13, não paginado, grifo nosso).
Discutindo acerca do papel do bibliotecário no futuro, dissertam que esse profissional
poderá atuar em vários segmentos onde demande informação, cultura e lazer
(DARABENSTOTT; BURMAN, 1997).
Proferem ainda que as bibliotecas e seus profissionais deverão oferecer serviços
voltados à capacitação dos usuários e o mais importante a esse profissional será saber “[...]
trabalhar com indivíduos e grupos em vários tipos de disciplinas e, mais ainda, estar
habilitado ao manejo de bens culturais, intelectuais” (DARABENSTOTT; BURMAN, 1997,
p. 12, grifo nosso).
A função social da biblioteca está intensamente imbricada nas questões culturais. Santa
Anna, Gregório e Gerlin (2014) evidenciam que o bibliotecário deve atuar de forma social,
preocupado com a formação cidadã dos indivíduos, inserindo-se no contexto cultural,
atuando como agente que dissemina e preserva a cultura de uma localidade.
Por fim, vê-se que na atualidade, pelo menos na realidade brasileira, as bibliotecas
exercem com mais intensidade as funções informacionais do que sociais. Se a sociedade
passasse a perceber a função social da biblioteca, certamente novas percepções seriam
construídas a respeito do futuro da biblioteca. Na realidade brasileira ainda estamos presos à
função informacional apenas, no entanto, como exemplifica Lemos (2008), no contexto
europeu, essa realidade já vem sendo percebida, garantindo a permanência da biblioteca
nas sociedades vindouras.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através dos argumentos propostos neste estudo, percebe-se a importância que a
biblioteca exerce na sociedade, extravasando as atividades puramente informacionais e
institucionalizadas, como consideram muitos. Constata-se que, a trajetória evolutiva
demonstra o quanto a biblioteca é adaptativa e estratégica ao buscar novas formas de
intervenção na sociedade. Acredita-se, com base nessas considerações, que a função social
da biblioteca abrirá novos espaços de trabalho, tornando-as centros de convivências, o que
garantirá sua permanência no futuro, refutando, assim, previsões exageradas e equivocadas.
Palavras-chave: Novas tecnologias. Biblioteca. Função social – Biblioteca. Cidadania.
REFERÊNCIAS
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de informação. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 33, n. 2, p. 7-14, maio/ago. 2004.
BARROS, P. A biblioteca pública e sua contribuição social para a educação do cidadão. Ijuí: UNIJUÍ,
2002.

�DRABENSTOTT, Karen; BURMAN, Celeste. Revisão analítica da biblioteca do futuro. Ci. Inf., v. 26, n. 2, 1997.
GONÇALVES, Maria da Graça Simão. A Biblioteca Pública do Paraná como instrumento de ação cultural:
atividades e mediação da informação. Londrina: UEL, 2011.
IFLA; UNESCO. Manifiesto IFLA por la Biblioteca multicultural: la biblioteca multicultural: portal de acceso a
una sociedad de culturas diversas en diálogo. 2008. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2015.
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LEMOS, Agernor Briquet de. Bibliotecas. In: CAMPELLO, Bernadete; CALDEIRA, Paulo da Terra. Introdução
às fontes de informação. Belo Horizonte: Autêntica, 2008
RIBAS, Claudia; ZIVIANI, Paula. O profissional da informação: rumos e desafios para uma sociedade inclusiva.
Informação &amp; Sociedade: Estudos. João Pessoa, v.17, n.3, p.47-57, set./dez. 2007.
SANTA ANNA, Jorge; GREGÓRIO, Elaine; GERLIN, Meri Nadia. Atuação bibliotecária além da biblioteca: o
espaço de leitura do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM). Revista ACB, Florianópolis,
v.19, n.1, p. 77-88, jan./jun., 2014.

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