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                  <text>XVI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
22 a 24 de julho de 2015

O LUGAR DO BIBLIOTECÁRIO

Ilemar Christina Lansoni Wey Berti
Universidade Federal de Minas Gerais
ilemar.berti@gmail.com

O lugar parece comum, estantes, livros, periódicos, alguns computadores
e o vai e vem de leitores. O bibliotecário, está ali! Mas para quê? Certamente, a
primeira resposta logo intervém, para gerenciar os processos informacionais do
lugar – biblioteca. A preservação, organização e a disseminação dos registros
de informação, rapidamente ocupam o lugar. No entanto, a retórica à luz das
mudanças do mundo atual, provoca o deslocamento do espaço para as mesmas
e outras necessárias ações, que está além do visível da unidade de informação
e coloca o bibliotecário em outros tempos e espaços que indicia as
transformações.
Para compreender a mudança do lugar do bibliotecário, Castells (1999)
destaca que, os tempos e espaços foram modificados por meio das redes de
internet, capazes de se reconfigurarem constantemente, permitindo uma
organização diferente nas esferas sociais que extrapolam os limites do registro.
Essa reconfiguração impacta diretamente o conhecimento produzido pela
humanidade, tendo em vista que a tônica está na preponderância do indivíduo
coletivo, produtor do conhecimento e não pode passar despercebido pelos
profissionais bibliotecários.
O lugar incomum do bibliotecário, seja na biblioteca e para além dela
anuncia a necessidade de não limitar a informação aos saberes registrados. Para
compreender a complexidade do lugar incomum e das mudanças que provoca,
é necessário desencadear reflexões em virtude da fluidez das informações do
mundo atual, no espaço invisível ou virtual em que a circulação da informação
necessita dos processos convencionais manipulados pelo bibliotecário, que
perpassam a historicidade dos usuários, para ser organizada, etnografada e

�compreensível para suas necessidades. A vanguarda eminente da profissão
demanda posturas desafiadores num novo tempo, com características
diferentes, conforme anuncia Latour (2000):
“Em vez de considerar a biblioteca como uma fortaleza isolada ou
como um tigre de papel, pretendo pintá-la como um nó de uma vasta
rede onde circulam os signos, não matérias, e sim matérias tornandose signos. A biblioteca não se ergue como o palácio dos ventos,
isolado numa paisagem real, excessivamente real, que lhe serviria de
moldura. Ela curva o espaço e o tempo ao redor de si, e serve de
receptáculo provisório, de dispatcher, de transformador e de agulha
a fluxos bem concretos que ele movimenta continuamente.”

Em corroboração com o lugar incomum, Latour (2000) discorre sobre o
risco de limitar os lugares do saber, dos signos ou a simples matéria do escrito,
estimulado pelas disciplinas como a história e a sociologia que em suas análises,
apontam para a impossível dissociação do corpo do conhecimento registrado
aos fenômenos da vida real, evidenciado nos movimentos das redes sociais e
provocando a reflexão do profissional bibliotecário. O desafio refere-se ao
conhecimento reconhecido como não estático, com vida e movimento, que
dimensiona num aspecto reducionismo e outro de ampliação por tudo que
anuncia.
Nessa perspectiva, o conhecimento reduzido, categorizado para fins
didáticos referentes a forma, ocupou o lugar de importância relacionado as ações
do bibliotecário, relacionados a conservação. Porém, traduziram um limite físico,
vivenciados nas práticas bibliotecárias que apesar de considerar a história da
humanidade, não conectava grande número de pessoas a tempos e espaços
diferentes. No aspecto de ampliação do conhecimento é o fator mais desafiador
nesse novo lugar incomum, por evidenciar o poder de alcance da apropriação
que anuncia a força do conhecimento promovido por esses novos espaços.
Sobre essa perspectiva, sem limitar qual o aspecto tem mais importância,
tem-se a necessidade de reforçar os três tempos do “verbo” conhecimento em
ação, ou seja, o antes, o agora e o anuncio do que produz para os que o
encontra, e aí está o movimento que não pode ser limitado ainda que reduzido
para o registro. Compreendendo-o, o bibliotecário encontra o lugar incomum,
sem limites, por se tratar de um movimento, de uma relação entre tempos
infinitos.

�PALAVRAS-CHAVE
Biblioteca; Bibliotecário; Conhecimento Registrado

REFERÊNCIAS

CASTELLS.M. A Sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

LATOUR, BRUNO. Redes que a razão desconhece: laboratórios, bibliotecas,
coleções. In: BARATIN, Marc, JACOB, Christian. O Poder das Bibliotecas: A memória
dos livros no ocidente. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2000.

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