<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="2072" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/2072?output=omeka-xml" accessDate="2026-06-21T20:32:10-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="1152">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/21/2072/Febab_C_B_B_D_V_I_Joao_Pessoa_18.pdf</src>
      <authentication>06fd2f3800620d0dabe1337f9818bce8</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="25703">
                  <text>CDD 027.481
CDU 021:027.4(81)
BIBLIOTECA PÚBLICA BPASILEIRA : OBJETIVO E WISSÃO
I^ISSÃO SOCIAL

Carolina Angélica Barbosa Saliba CRB-6/482
CHB-6/482
Márcia fâlton
Milton Vianna
\'ianna Dunont
Dumont
CRB-6/407
CFB-6/407
Mônica
Pônica Cardoso Pittella
Pitbella
CFB-6/256.
CRB-6/256
Professores da Escola de Biblioteoononia
Biblioteoonania
da U.F.M.G.
Marta Pinheiro Aun
Aluna do Curso de PÓs-Graduação
Pós-Graduação em Administração de Bibliotecas da Escola de Bi
blioteconçnáa da U.F.M.G.
blioteconoida
RESUrt'
Os fatores que
coje determinaram a origem e o de
senvDlvimento da Biblioteca Pública nos E^
senvolvimento
Es
tados Unidos, Inglaterra e Brasil no século
XIX. Discussão sctore os ctojetivos
ciijetivos estabe
lecidos pela Unesoo
Unesco para a biblioteca públi
ca e sua aplicabilidade às bibliotecas pu
blicas brasileiras.

1 - INTRODUÇÃO
INTRODÜCÃO
O século XIX marca a introdução da biblioteca pública
nbs Estados Unidos, Inglaterra e também no Brasil.
Nos Estados Unidos diversos fatores contribuiram para
a implantação desta Instituição.
instituição. Supridas as necessidades bá
sicas, como alimentação,saúde e educação, os novos americanos
273

Digitalizado
gentilmente por:

♦

�partiram para a obtenção de vantagens culturais assegurados por
condições econômicas favoráveis. 'Esta
Esta folga econômica além de
favorecer a criação de bibliotecas, despertou para a necessidade da existência de recursos bibliotecários que fossem acessíveis e gratuitos a todos da comunidade que deles necessitassem.
Para uma terra nova a necessidade de preservação juntamente com a importância de pesquisas históricas, decorrente do
surgimento de uma classe de acadêmicos, fizeram com que os homens se unissem para a criação de uma instituição que pudesse
preservar os registros de sua história e formação cultural. Ou
insti^
tro fator importante para o desenvolvimento deste tipo de inst^
tuição foram as disputas regionais pelo prestlgió
prestigiô e liderança e
conômica, o que levou o povo a procurar na realização cultural,
conómica,
uma forma de positivar tal domínio, através da criação de biblio
tecas cada vez maiores e com coleções cada vez melhores. A b^
bi
blioteca era assim um meio através do qual os homens de recur sos e de cultura exibiam suas realizações ou garantiam o supor
te cultural que supriria suas necessidades profissionais.
Também o crescimento da importância social da educação
pública universal, para a formação de uma sociedade democrática,
valorizou a biblioteca como uma agência que possibilitaria
ao
povo a auto-educação.
A igreja e as bibliotecas paroquiais também contribui ram de certa forma para a demanda de bibliotecas públicas. A re
es
ligião sedimentou a idéia de que a moral e os bons costumes e£
tariam preservados através de leituras adequadas.
E o crescimento industrial e social criou a necessidade
de novas agências sociais, que viessem auxiliar e complementar
a educação.
Observando-se as origens da biblioteca pública na Inglaterra, vamos encontrar fatores comuns que foram importantes
no desenvolvimento desta instituição, também
tõimbêm na América. 0 de
senvolvimento da biblioteca pública na Inglaterra foi inicialmente uma atitude filantrópica. Os homens de classe mais alta,
viam nas bibliotecas, uma forma de aliviar ou atenuar os pro 274

Digitalizado
gentilmente por:

♦

�blemas sociais. Vemos então que as bibliotecas foram criadas co
mo iniciativa de pessoas de altas camadas sociais e políticas ,
e de membros da classe bibliotecária, e dessa forma foram impin
gidas ao povo, sem terem sido resultado de uma demanda pública
espontânea. Na inglaterra deve-se destacar a lei de criação de
bibliotecas públicas, de 1850, que impulsionou o aparecimento
de muitas destas agências, que eram consideradas elemento impor
tante para a educação e recreação.
Os movimentos industriais passavam também a exigir uma
mão-de-obra mais especializada. Assim o trabalhador inglês, já
distante da escola, teria na biblioteca uma forma de se aprimorar técnicamente
tecnicamente e melhorar seu nível cultural.
Na Inglaterra assim como nos Estados Unidos, a religião
teve um papel importante na criação de bibliotecas. As bibliotecas paroquiais organizadas por preceitos morais e religiosos
tinham por objetivo manter ocupados os cidadãos, para que estes
não se tornassem ociosos ou entregues a vícios.
Uma das características marcantes do desenvolvimento de
bibliotecas públicas, tanto na Inglaterra como nos Estados Un^
dos, e que foi refletida posteriormente no Brasil, é a de seu
desenvolvimento em benefício de determinadas classes de pessoas
e seus interesses, e consequentemente a característica erudita
de sua coleção. Se as bibliotecas eram produto do desejo de uma
classe, o óbvio é que suas coleções refletissem o interesse
e
as necessidades de tais classes.
No Brasil, país importador de idéias, dominava um interesse pela cultura estrangeira, sem que houvesse um questiona mento a respeito da validade de tal cultura adaptada ã nossa re
alidade. Nossa elite social, de formação estrangeira, procurou
então buscar no exterior modelos de cultura, o que fez com que
nossas bibliotecas se tornassem uma réplica das de outros países, com uma coleção formada por livros clássicos e edições fran
cesas.
Uma diferença deve ser notada no desenvolvimento de bi^
bi
bliotecas ao se confrontar a formação brasileira com a dos Esta
dos Unidos e Inglaterra. Pois se nestes dois paises a bibliote275
Digitalizado
gentilmente por:

�ca era defasada dos interesses sociais, privilégio e produto de
uma minoria, por outro lado era fundamentada em objetivos que ,
embora não utilitários, correspondiam a características destes
paises. E no Brasil não só
s5 a estrutura de biblioteca foi trans
plantada, mas também os seus objetivos importados. E como o de
sempenho destas bibliotecas sempre estivesse voltado para uma
minoria, a verdade é que não satisfez as necessidades da sociedade em geral, o que resultou num desenvolvimento lento das mes
mas.
Partiu-se então para a adoção de objetivos baseados nas
necessidades e aspirações do público em geral, que jresponderia
ã condição básica de uma biblioteca pública.
0 Brasil, novamente aproveitando idéias estrangeiras ,
assimilou tais objetivos para uso numa sociedade completamente
diferente, com um nível cultural, social e econômico bem divergentes daquelas sociedades para as quais estes objetivos foram
estabelecidos.
Examinando-se os objetivos de bibliotecas públicas numa
perspectiva histórica, vemos que cada sociedade em seus diferen
tes momentos deve mostrar divergências quanto ao uso da leitura
e às funções de suas bibliotecas não dentro dé moldes ideais e
abstratos, e sim de razões concretas.

2 - OBJETIVOS GERAIS DAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS
A Unesco em seu"Manifesto sobre a Biblioteca Pública" ,
afirma que esta deve ser uma instituição democrática de educa ção, cultura e informação, cujo valor reside no livre acesso a
todos os conhecimentos e idéias dos homens e ás
às criações de sua
imaginação. Ela tem como missão a renovação do espírito do ho
mem, a ajuda aos estudantes através do conhecimento da informação atualizada e oferecimento da oportunidade de lazer.
Deve
ser promotora da difusão do conhecimento, educação e cultura pa
ra todas as categorias da população, de acordo com as suas ne 276
Digitalizado
gentilmente por:

�cessidades. Para atingir tais realizações, ela deve desenvolver recursos e serviços capazes de promover o auto-didatismo
de seus usuários para que estes possam se integrar na sociedade e no ritmo da época com opiniões próprias, espírito crítico
e criatividade. Terá de oferecer a informação sob quaisquer
formas atendendo a todos os gostos, ideologias, crenças, neces
sidades e diferenças culturais. A Biblioteca Pública pode a£
as
sim contribuir para a solução de problemas sociais como a soli
dão, desemprego, deficiências físicas e mentais. Deve estar
sempre a serviço da comunidade, coordenando suas atividades com
oom
as de outras instituições educativas, sociais e culturais, ao
promover, as artes e trabalhando conjuntamente com a escola.
Estas diretrizes estabelecidas pela UNESCO, são universais, e
não consideram as características de cada povo e num sentido
mais restrito, de cada comunidade.
0O destino da biblioteca pública tem sido colocado
em
questão. Martim (1) afirma que a posição desta agência nunca
foi verdadeiramente segura em termos de uso geral ou manuten ção pública, exceto nas grandes cidades e por pequenos perío
perlo dos de marcante progresso nacional.
Também os aumentos populacionais, a diversificação pro
Também'OS
fissional, o desenvolvimento das técnicas, dificultam o trabalho dos bibliotecários na elaboração de objetivos que respon dam ás verdadeiras necessidades da sociedade e da época a que
a Biblioteca deve servir. Tanto assim que estes objetivos
e
linhas de desempenho estabelecidos universalmente para as bibliotecas públicas acabam por ficar em defasagem com as expectativas da sociedade. Parece então haver uma disparidade entre os papéis
estabelecidos para o desenvolvimento de biblio
tecas públicas e a prestação de serviços desta instituição. E^
Es
te desencontro éê sentido mesmo nos países de cultura e econo mia desenvolvidas. Destacamos também que estes objetivos que
estão sendo questionados nos países desenvolvidos são muito
mais utópicos quando os enquadramos ã realidade brasileira.

277

Digitalizado
gentilmente por:

�3 - TRANSPOSIÇÃO DOS OBJETIVOS GERAIS DE BIBLIOTECA POBLICA
PARA A REALIDADE BRASILEIRA
Quando se questiona o problema da biblioteca pública ou
do papel que ela desempenha em uma sociedade, não podemos
des
vinculá-la de todo um contexto social, econômico, político e cul
tural dessa mesma sociedade.
Analisando a situação brasileira percebemos que todos
os aspectos sociais e culturais estão dependentes da política e
conômica do governo que se encontra em fase de recuperação
da
economia nacional, visando o desenvolvimento do país. E inte ressante destacar que este "desenvolvimento" não passa de um de
senvolvimento dependente, já que o nosso país continua importan
satisfe^
do modelos de países que tem suas necessidades básicas satisfei
tas e onde o desenvolvimento econômico éê um segmento natural ,
xima
uma exigência social de conforto e melhores condições de vida.
Parece que o nosso país está se transformando em uma "potência",
sem a menor consciência de que para tal ê necessário uma aten ção especial voltada para a educação brasileira como um todo.
Como afirma Lauro de Oliveira Lima (6), no mundo atual não há
potências sem cientistas e não há cientistas sem educação popu
lar. A ciência ê,
é, por outro lado, o resultado intelectual
da
liberdade política.
A educação tem funcionado principalmente como suporte ã
formação de indivíduos que garantam a expansão industrial, que
êé o interesse primordial da "política de desenvolvimento".
uma potência apoia-se num sistema escolar ca
No entanto xima
paz de fornecer um ensino, não voltado para a quantidade, como
ê o caso do Mobral - Movimento Brasileiro de Alfabetização- mas
para a homogeneidade e qualidade que garantam o desenvolvimento
de todos.
Dados fornecidos pelo Mobral indicam que de 1971 a
1975 o índice de analfabetismo da população brasileira na faixa
de 15 anos foi reduzido de 33 para 20%. Sabemos entretanto que
estes dados não são representativos já que o Mobral tem se preo
cupado com o número de alfabetizados e não com a qualidade
do
ensino fornecido. Se formos analisar o processo de populariza278

cm

Digitalizado
gentilmente por:

�ção do ensino, torna-se claro que esta massa que está sendo oan
om
siderada "instruída", não apresenta de modo algum, o índice ml
nimo necessário ao desenvolvimento individual e consequente de
senvolvimento da nação.
Outra das características marcantes do ensino brasile^
brasilei
ro é a sua elitização. Sabe-se que, da grande massa de pessoas
que tem ingresso no ensino primário, é muito reduzido o número
que conclui as quatro primeiras séries e mais reduzido ainda
os que tem acesso aos cursos secundário e superior. O produto
êé uma mão de obra relativamente qualificada e barata, um "exér
"exêr
cito de reserva" formado por aqueles que concluem cursos superiores para os quais não existe demanda, e como resultado mais
importante, cidadãos sem consciência democrática. O0 ensino
brasileiro não desenvolve a opinião pessoal, o espírito
espirito críticritico e a formação do hábito de leitura, essencial ao autodidatis
autodidati£
mo.
Por outro lado, sentimos uma ausência de definição po
lltica no país,
pais, o que vem refletir na falta de objetivos sociais
sodais
lítica
e educacionais de aplicação concreta. O reflexo desta indefinição éê uma descontinuidade política que não aponta responsã
responsá veis pela ausência de metas realizáveis que venham favorecer o
desenvolvimento individual e consequentemente social da popula
ção. E mesmo quando algumas metas são estabelecidas não há uma
vnna
preocupação com a continuidade das mesmas. O bem geral perde
terreno para a vaidade dos homens de poder.
A biblioteca pública brasileira que deveria ser uma a
gência atuante no desenvolvimento social, torna-se inoperante
em tal sentido, já que, como outras agências, transplanta obje
tivos que não respondem ã demanda da sociedade a qual serve.
Assim os objetivos clássicos e universalmente estabele
cidos para a biblioteca pública nos parecem abrangentes demais
completamente inadequados, quando nos deparamos com uma realidade tão distante de sua concretização.
Os bibliotecários como parte do sistema, junto a outros
profissionais, estão enquadrados nessa falta de definição
de

Z79
279

Digitalizado
gentilmente por:

�objetivos aplicáveis, alienados da sociedade a qual devem servir. Por isso formam imagens teóricas de usuários que não cor
respondem aos nossos usuários potenciais, e com isso, cada vez
mais, a biblioteca vai perdendo terreno, prestígio
prestigio e reconhec^
reconhecí^
mento político e de toda sociedade.
Miranda (7) afirma que se a biblioteca for útil, ela
será estimada, apoiada e prestigiada,e
prestigiada e que se ao contrário, ela
for uma "avis rara", alienada dos interesses locais, existir
ou não existir, não fará a menor diferença para o cidadão
co
mum (grande parte de nossa população) e Ortega e Gasset, citado por Miranda (6) completa dizendo que a sociedade pune com a
bandono os que não a servem devidamente...
Esta parece a situação das bibliotecas brasileiras.
Pesquisas realizadas junto a usuários de bibliotecas públicas,
demonstram que ela é quase que exclusivamente utilizada por e£
es
mas
tudantes de 19 e 29 graus. Não que isto seja uma falha,
demonstra que é ..ma minoria de pessoas - já que a classe estudantil é uma pequena parte de nossa população - que utiliza a
biblioteca, uma instituição que poderia ser explorada e ter
participação ativa na vida de nosso país. Na verdade esses fre
quentadores assíduos da biblioteca são a ela levados por obrigação escolar e apesar de muitos já terem um grau de escolaridade satisfatório, parece que não têm desenvolvido o hábito
de leitura, fator importante para formação de uma sociedade es
clarecida, voltada para a integração do homem em seu meio.

4 - A MISSÃO SOCIAL DA BIBLIOTECA PÚBLICA
POBLICA NO BRASIL
E fato comprovado que a biblioteca pública tem sido
frequentada em grande parte por estudantes. Briquet de Lemos
(4) afirma que os estudos realizados mostraram que elas corres
pondem a cerca de 90% do total de frequentadores da biblioteca,
e que os outros 10% dos leitores de bibliotecas públicas
são
constituídos de adultos que a utilizam para leitura recreativa
280

Digitalizado
gentilmente por:

�ou cultural. Esta é uma demanda real que a biblioteca não de£
des
conhece e que tem tentado atender. E de uma certa forma pode
mos dizer que a biblioteca se acostumou a esta situação, e na
bibli
da tem feito para popularizar-se. Para popularizar-se a bibM
oteca precisa conhecer não só estes usuários que jã
já utilizam
seus serviços com certa regularidade, mas também aqueles
que
por motivos que ela própria não questiona, não demonstram necessidade de frequentá-la. Esta fhlta
falta de questionamento êé ge
de
neralizada, mas ainda torna-se mais óbvia quando se trata
frequência às bibliotecas públicas brasileiras. Parece que a
biblioteca ainda não se conscientizou de que estes 100%
não
são nada significativos quando comparados ã população total de
nosso pais.
As bibliotecas públicas há muito vêm assumindo o papel
de escolares, mas este tem sido desempenhado inadequadamente.
Analisando criticamente podemos afirmar que o desempenho da b^
blioteca assemelha-se ao de um coadjuvante improvisado.
Ela
tem sido chamada de escolar por atender escolares, mas na ver
dade não desempenha o papel que caberia a uma instituição
Instituição
de
tal tipo. Os escolares que a frequentam representam uma classe estudantil privilegiada, com um bom nível de escolaridade ,
que se limitam'a
limitam a utilizar a coleção da biblioteca jã
já seleciona
da de acordo com suas necessidades. Mesmo em relação ao desen
volvlmento do hábito de leitura destes usuários, não existe,
volvimento
por parte da biblioteca pública, uma atenção ou mesmo uma preo
cupação neste sentido. Tanto assim que as "pesquisas" escolares se limitam a cópias fiéis de textos prontamente localiza dos pelos bibliotecários.
E os usuários que não frequentam a biblioteca e já
jâ são
alfabetizados? Onde estão? Figuram fazendo número nas listas
das Secretarias de Educação mas na verdade são semi-analfabe tos. Não sabem o que ler depois de decorada a cartilha.
Não
há uma coleção apropriada para eles. E não havendo material
de leitura para esta faixa da população tão significativa, não
há portanto leitores nesta mesma faixa. ÉE um circulo vicioso.
seleção de um material adequado, de voccúduNecessário seria a seleçáo
vocabu281

Digitalizado
gentilmente por:

-li/ 0

11

12

13

�lário'graduado, para atender a uma escolaridade média de dois a
lãrio'graduado,
três anos de curso primário, e que este material fosse baseado
na linguagem corrente deste povo com inclusão gradual de vocabu
lário novo. Para ser leitor não basta ser alfabetizado. É ne
lãrio
cessário que se conheça e se desenvolva o seu nível de leitura.
cessãrio
0O conteúdo deste material deve ser útil. Informações sobre seus
direitos, conhecimento e utilização dos serviços sociais e méd^
médi
COS, horários e localização de meios de transporte, cursos noturnos, aproveitamento de horas livres e etc., quando se tratar
de alfabetizados adultos. Para tanto a biblioteca precisaria
se envolver com as outras entidades educacionais responsáveis
pela alfabetização de adultos. Este contato permitiçia ã blblio
biblio
teca conhecer melhor as necessidades da população. Poderia en
tão programar seus serviços e atividades, selecionar seu material e sua coleção com base na necessidade e futura demanda so
ciai.
E necessário também que a biblioteca não descuide
das
crianças. E nessa fase que o hábito de leitura pode ser mais
facilmente adquirido e também nela que a criança pode melhor se
adaptar ã biblioteca como uma agência social que teria utilidade durante toda sua vida. Mais uma vez a importância do material e das atividades que motivarão este tipo de usuário
são
muito importantes. Para atender a essas prioridades que pare cem ser*mais
ser-mais emergentes na sociedade brasileira, ela não pode
negligenciar os seguintes papéis: o de biblioteca escolar que
lhe tem sido atribuído pela sociedade, e a verdadeira função de
biblioteca pública (do povo) inserida totalmente na comunidade
para a qual foi criada. No
Ho papel de biblioteca escolar ela não
pode limitar-se a fornecer livros e material de pesquisa a estu
dantes, devendo atuar ativamente no processo educativo.
Para se popularizar ela tem que primeiramente ir ao po
vo. Distribuir-se pela comunidade através de sucursais e carros biblioteca, pois préxima
próxima do povo ela terá melhores condições
de acompanhar o seu desenvolvimento e as mudanças sociais
que
ocorrem. E necessário que ela popularize a cultura, atuando
junto com as entidades culturais no oferecimento gratuito de
shows, cinemas, espetáculos de dança, promoções musicais e de
282

Digitalizado
gentilmente por:

�lazer. A biblioteca é pública pois é sustentada pelo dinheiro
do povo, mas até agora não tem sido uma exigência desse mesmo
povo que paga para que ela exista, desconhecendo seus próprios
direitos e o valor que ela terla
teria para o seu auto-crescimento e
desenvolvimento da nação. A biblioteca pública tem sidcprodu
sido produ
to da vaidade de políticos, e muitas vezes marcada pela descon
tinuidade política que caracteriza o nosso país. Podemos ver
isto pela criação de algumas bibliotecas, que tiveram seus mo
mentos de glória e logo a seguir sua decadência, marcada
mentps
por
troca de governo. A Biblioteca Pública do Paranã
Paraná seria um exemplo evidente. E estes altos e baixos da biblioteca a enfre
quecem junto ao povo. Se a biblioteca fosse um reflexo da von
tade social, haveria reciprocidade: ela atuaria no desenvolvimento da consciência da sociedade e esta a valorizaria, sentin
do-a útil, o que aumentaria suas forças.
Isto facilitaria a
formação da sua coleção dentro dos aspectos e exigências
sociais, pois não tendo material disponível no mercado, ela teria condições ue pressionar o sistema editorial a atendê-la.
Ainda submissa às
ãs verbas orçamentárias, a biblioteca pública
hoje corre o risco de tomar o caminho mais fácil: seguir
as
inclinações da classe média, restringindo seu público, e desse
modo quase se isolando totalmente da população urbana. Se atingir, no entanto, o papel social que lhe cabe, o governo não
terá outra opção senão apoiá-la, ao senti-la uma força social
viva.

5 - CONCLUSÃO
O0 papel social da biblioteca pública êé muito complexo
o que dificulta uma definição exata do mesmo. Isto porque ca
da biblioteca é única - não existindo duas bibliotecas iguais.
E ela deve existir em função dos grupos a que vai servir,
e
tais grupos são sempre diferentes.
Em decorrência disto, as atribuições que a sociedade
dá âã biblioteca são às
ãs vezes muito pesadas, o que dificulta sua
283

Digitalizado
gentilmente por:

�realização de uma maneira completa e satisfatória. Além disto ,
um único tipo de biblioteca não será o suficiente para atingir
uma sociedade em todas as suas camadas, muito menos uma única bi
b^
blioteca pública para-atender
para.atender a todo um munícipio, composto de
diferentes camadas sociais.
Isto porque a biblioteca deve ser um reflexo da demanda
da sociedade indenpendente de sua qualidade, e tal demanda irá
ser diferente de acordo com o meio no qual nasce. Quando nos re
ferimos ao problema de qualidade é porque na maioria das vezes,
aos bibliotecários e administradores, interessa uma coleção "boa"complexa, clássica, não sujeita ãâ criticas por seu conteúdo - e
não uma coleção que vã atender ao povo como um todo. E apegados
a isso não se conscientizam que tais coleções não têm interesse
na medida que não respondem ã necessidade da sociedade a que ser
vem.
Esta falta de conscientização já
jâ nasce da própria forma
ção do bibliotecário, voltada para a instituição biblioteca alie
nada da força e importância do conhecimento do usuário. Somente
conhecendo o usuário o bibliotecário será capaz de definir a de
manda real para sua biblioteca, desenvolvendo assim habilidades
no envolvimento com a comunidade. E necessário que os bibliotecários estejam conscientes do papel do usuário, pois é para ele
que a biblioteca existe, e tentem desenvolver objetivos e progra
mas que estejam completamente
completcunente centrados no usuário e em suas ne
cessidades. Mas para isto ele precisa conhecer também a socieda
de na qual este usuário está inserido.
Não se pode moldar as bibliotecas sem se considerar os
condicionamentos políticos, sociais e econômicos que envolvem u
ma sociedade em todos os tempos e lugares.
Como diz Briquet de Lemos (4) a biblioteca não pode e£
tar acima dos interesses de classe, intocável na sua imparcialidade cultural, protegida pela aura de uma cultura universal, des
de£
comprometida, sublime e quase angelical.
A biblioteca pública que foi durante muito tempo uma
instituição fechada deve agora, mais do que nunca se envolver
tivamente com a comunidade.
284

Digitalizado
gentilmente por:

♦

a

�De modo geral podemos atribuir ã biblioteca funções divididas em duas áreas : de um lado a função educativa, informat^
informati
va e de pesquisa e de outro a função cultural, social e recreate
recreati
va.
Por serem áreas interrelacionadas é importante que não se
estabeleça uma linha divisória rígida isolando-as.
Atendendo a
todas essas funções ela estará cobrindo as necessidades da comu
nidade a que serve.
Para isso deve preocupar-se não só com os
usuários que a frequentam como também com aqueles que a evitam .
A biblioteca pública deve procurar levantar os motivos que levam
as pessoas a não encontrarem utilidade nela, a não sentirem nela
uma resposta ãâ sua necessidade de crescimento.
A partir
daí
dal
então, e de uma determinação de suas características a bibliote
ca deve procurar as respostas necessárias que correspondam às de
mandas da comunidade. Pois só respondendo ã comunidade é que e
la se torna útil e realmente necessária.

ABSTRACT
The factors that determined the origin and
developitEnt
develofment of the publica library in the
United States, England and Brazil, in the
19th century. DÍscussion
Discussion about the general objectives established by Unesco for
the public library and its applicability
^plicability
to Brazilian public libraries.
BIBLI0(3®FIA
BIBLIOGRAFIA
1.

AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Public Library Association.
A strategy for public library change : proposed public 1^
brary goals - feasibility study. Allie Beth Martin project coordinator. Chicago, ALA, 1972. Cap. 1-3.

2.

THE BRANCH library in the City
city ... options for the future.
Library Journal, 102 (1) : 161-173, Jan. 1977.

3.

HARVEY, G. Public library impact ; breaking down the barriers. Assistant Librarian, 66 (7) : 110-113, July ,
't
1973 :; ^
66 (8) : 128-130, Aug. 1973.
285

Digitalizado
gentilmente por:

4^
.0

11

12

13

�4.
5.

LEMOS, A.Ã.Briquet
A.A.Briquet de. A biblioteca pública era
em face da deraanda social brasileira. llp.
manda
lip. (Apostila)
. A função da biblioteca pública.
7 jan. 1979. Supleraento
Suplemento literário.

Estado de São Paulo,

6.

LIMA, Lauro de Oliveira.
s.n.t., p.166-167.

7.

MIRANDA, Antonlo.
Antonio. A missão da biblioteca pública no Brasil.
Brasilia, Capes, 197Ô. 7p.
Brasília,

8.

PAIVA, Vanilda.
p.167-168.

9.

SHERA, Jesse H. Foundations
public llbrary.
library.
Foundatlons of the publlc
go, The Shoe String, 1974.

10.

Com medo da democracia.

Pais de fraca memória.

Veja,

Veja,

s.n.t.,
Chica-

SUAIDEN, Emir. Perspectiva das bibliotecas públicas no
Brasil. R.Bibliotecon.Brasília,
R.Bibliotecon.Brasilia, 6 (1): 77-82, jan./jun.
1978

286

Digitalizado
gentilmente por;
por:

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="21">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="23669">
                <text>CBBD - Edição: 11 - Ano: 1982 (João Pessoa/PB)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="23670">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="23671">
                <text>FEBAB &amp; Associação Profissional de Bibliotecários da Paraíba</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="23672">
                <text>1982</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="23673">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="23674">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="23675">
                <text>João Pessoa (Paraíba)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25691">
              <text>Biblioteca pública brasileira: objetivo e missão social</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25692">
              <text>Saliba, Carolina Angélica Barbosa </text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="25693">
              <text> Dumont, Márcia Milton </text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="25694">
              <text> Pittella, Mônica Cardoso </text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="25695">
              <text> Aun, Marta Pinheiro</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25696">
              <text>João Pessoa</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25697">
              <text>FEBAB &amp; Associação Profissional de Bibliotecários da Paraíba</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25698">
              <text>1982</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25700">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="49">
          <name>Subject</name>
          <description>The topic of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25701">
              <text>Bibliotecas Públicas</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="25702">
              <text>Os fatores que determinaram a origem e o desenvolvimento da Biblioteca Pública nos Estados Unidos, Inglaterra e Brasil no século XIX. Discussão sobre os objetivos estabelecidos pela Unesco para a biblioteca pública e sua aplicabilidade às bibliotecas públicas brasileiras.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="66036">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
