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                  <text>CDD - 028.5
CDU - 027.6
A BIBLIOTECA NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO NUMA UNIDADE DE INTERNAÇÃO PEDIATRICA.
TERNAÇSO
PEDIÄTRICA.

Anna Francisca Martinez Passos
CRB-10/375
Bibliotecária Chefe do Serviço de
Biblioteca, Documentação e Infor
mação Científica do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre.

RESUMO
O trabalho apresenta uma das atividades

desenvolvidas

pela Biblioteca do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, junto a
Unidade de Internação Pediátrica, servindo de elo entre a Biblio
teca e o paciente, visando facilitar a sua recuperação.

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�1 - INTRODUÇÃO
A fábula e o conto surgiram como as primeiras manifestações do psiquismo social, como animadores da vida e, assim, ca
minharam ao longo da evolução dos povos.
Através dos tempos, foram se expandindo; através da di
dJL
vulgação oral, foram enriquecidos pela imaginação, na busca

de

realismos simbólicos.
Paralelamente aos contos, fábulas e outras

formas

de

literatura, a sociedade cresceu numa evolução que acompanhou uma
a outra.
Sempre que se fala em fábulas, contos, automaticamente,
surge, ã nossa frente, a imagem infantil, ou seja,
criança.

a

imagem

da

Daquela que, através da sua imaginação limitada,se tor

nou a razão maior da existência desta expressão literária.
A criança dá crédito ã história e ao mito. Nas asas da
fantasia, ela viaja por mundos misteriosos.

E, mais tarde,

se familiarizando até o ponto de alcançar o equilíbrio

vai

completo

de suas faculdades.
A história nasceu da necessidade de fantasia.

Na sua

fase didática, a história éê necessária para a criança, pois vem
a ser o sonhar acordado;
de fantasia;

o encontro da criança com o seu mundo

a busca do equilíbrio.

As histórias são, para o psiquismo infantil, como o alimento êé para o organismo;
ê:
é:

como o ar é para os pulmões.

Isto

"coisa vital".
Por tudo isso, se deve dar ã criança a história cuida-

dosamente preparada, principalmente para a criança doente.
As restrições impostas pela doença e pelo ambiente hos
180

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^

11

12

13

�pitalar, levam a criança doente a uma necessidade básica de car^
cari
nho e atenção, por parte dos adultos, a fim de sua pronta recupe
ração.
A recuperação estâ
está relacionada ao cimbiente onde a cri^
criM
ça se encontra.

Uma criança enferma que desfruta de um local de

prazer e lazer, associados ã ventura, onde possa ver coisas, falar com pessoas, perguntar e obter respostas ãâ altura de sua com
preensão, ler, cantar, contar, fazer projetos e, muitas

vezes,

torná-los realidade, dependendo de cada caso clínico específico,
tornã-los
e assim terá amenizadas suas limitações que as condições de

en-

ferma lhe impõe.
As restrições impostas pela doença e pelo ambiente hos
pitalar, devem ser previstas em um planejamento de programa.
Um traualho desta natureza exige seriedade e deve ser
desenvolvido num clima de harmonia, despreocupação, entretimento
e alegria entre os participantes do programa.
AÄ criança que se encontra hospitalizada e usa os servi
serv^
ços da Biblioteca, chamamos de paciente e leitor.

Daí, a termi-

nologia leitor-paciente que iremos aplicar no desenvolver deste
trabalho.
O sucesso desse programa depende da observação da seguinte formação:
- Respeitar a sua própria personalidade e a do leitor
-paciente;
- Reconhecer suas limitações;
- Conhecer o desenvolvimento intelectual

e

emocional

do leitor-paciente;
- Ter sensibilidade aos elementos sutis de comunicação;
- Suportar hostilidades, sem reagir;
181

cm

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�Ser bom observador.

2 - OBJETIVO
Pensando em tudo Isso,
isso, foi que a Unidade de Internação
Pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre,juntamente com
a equipe de profissionais que trabalham nessa Unidade,

criou o

Serviço de Recreação.
Sendo a Biblioteca do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, integrante do Grupo de Apoio Assistencial, dividimos

as

nossas atividades com o Serviço de Recreação.
O0 nosso objetivo a esse Serviço é educar, instruir, atender as dificuldades individuais, desenvolver e despertar o gos
to pela leitura e principalmente, preencher as horas ociosas com
amor e carinho, oferecer um pouco de alegria, ao leitor-paciente,
que passa seus dias dentro de um hospital.
Não são contadas, ao leitor-paciente, histórias que ve
nham, de alguma forma identificá-lo
identificâ-lo a alguns de seus problemas,
de seus complexos, bem como história onde se possa transmitir me
do, ou impor determinados tipos de condutas, como punir a curiosidade,, a desobediência, impor horário de comer ou de dormir. Tam
sidade,,a
bém não são recomendadas histórias com enredos e finais tristes.

3 - POPULAÇÃO - ALVO
Crianças baixadas em uma Unidade Pediátrica.
Estamos realizando este trabalho, que não chega a com182

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^

11

12

13

�pletar 2 (dois) anos de funcionamento.

Neste período foram in-

ternados 1.900 pacientes.
Em uma Unidade de Internação Pediátrica, a faixa
ria dos pacientes é de zero aos 12 (doze) anos.
no hospital é muito variável.
torze) dias.

etá-

Sua permanência

A média é de 4 (quatro) a 14 (qua

Há porém, casos excepcionais, em que os

pacientes

permanecem por longos meses.
O leitor-paciente que é baixado nessa Unidade, ele vem
em média de um nível sócio-econômico
sõcio-econômico baixo.
ciência de alfabetização.

Crianças com

defi-

Elas são oriundas da periferia da ci-

dade ou do interior do Estado.

4 - METODOLOGIA
Quando se tem um público certo para ouvir, ler e

con-

tar história, pode7se
pode-se fazer uma introdução que antecede ã narração, cantando uma música, batendo palmas, etc.
As crianças, no caso os leitores-pacientes,ficam ãâ von
tade, sentadas no chão, ou num colchão, em circulo,
círculo, ou semi-cir
semi-cír
culo, ou, ainda, em
era torno de mesinhas especiais

para

crianças,

de modo que elas possam se sentir confortáveis e possam ver a pe£
soa que irá lhes contar a história.
Na hora do conto, ilustramos a história
bem coloridos.

com

cartazes

Eles têm uma seqüência de exposição semelhante a

de uma história em quadrinhos.

Estes cartazes são colocados mm
num

flanelógrafo, a fim de despertar maior interesse no leitor-pacien
te.
Todas as histórias devem atingir o final esperado.

É
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*

�preciso observar a expressão dos olhos da criança, para que possamos captar suas expectativas.
Um conto infantil é considerado bom, quando

a

reação

da criança é positiva.
0O ideal é contar história simples, curta, de no máximo
5 (cinco) minutos de duração.
COS em gravuras.

Os livros utilizados devem ser ri
ri^

Seus temas devem versar sobre palhaços,animais

domésticos, tais como:

patinhos, pintinhos, gatinhos, burrinhos,

porquinhos, etc.
Segundo Doris Hasler, "As crianças enfermas gostam de
histórias rimadas e humorísticas".

Gostam de rir dos

aconteci-

mentos cômicos.
Não são contadas, ao leitor-paciente, histórias que ve
nham, de alguma forma, identificá-lo a alguns de seus problemas,
de seus complexos.

Bem como história onde se possa

transmitir

medo ou impor determinados tipos de condutas, como punir a curio
sidade, a desobediência, impor horário de comer ou de dormir. Tam
bém não são recomendadas histórias com enredos e finais tristes.
Para crianças alfabetizadas, emprestam-se livros.
tes empréstimos seguem também um certo critério, quanto ã

Esrela-

ção história e leitor-paciente.
As principais características que uma história

infan-

til deve ter são as seguintes:
- repetir - esta característica da história infantil,vi
sa levar o auditório a intervir e participar;
- ficção - humanização dos personagens;
- imaginação - constitui todo o enredo da história, detalhes e o final.

EÉ a história em si;

- clareza-o
clareza - o enredo deve ser simples e claro;
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♦

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�- rapidez de ação - quando não há descrição. A

histó-

ria ritmada tem mais ação;
- alegria - deve caraterizar sobretudo no final.
Aos leitores-pacientes, residentes na cidade, que freqüentam a escola, a Biblioteca empresta livros didáticos,

para

que possam fazer seus trabalhos escolares, trazidos por seus pais.
Uma vez feitas as lições, estas são devolvidas ã escola.
Realizamos também atendimentos individuais com
res-pacientes em isolamento.

Esse atendimento consiste

leitoem

em-

préstimos de livros didáticos e leitura infanto-juvenil. Para os
menores emprestamos livros para que seus familiares
as histórias.

lhes

leiam

Estes também participam da hora do conto.

Todos os materiais utilizados imprescindem de um trata
mento especial.

Para isolamento protetor, o material éê estiril^
estirili

zado antes do seu uso e depois que foi utilizado, quando se trata de material contaminado.
Os livros que vão para o isolamento devem
uma encadernação resistente.
grampeados ou com tima

ser

livros

Pois,como já foi

exposto acima, após o seu uso, eles são recolhidos e encaminhados, devidamente preparados ao Centro de Esterilização.
Tendo em vista a pequena permanência do paciente hospi_
hosp^
talizado não êé necessário'
talizadp
necessário’um
um acervo tão grande e que pode perfe^
tamente satisfazer a demanda.
Vimos, com a nossa experiência a falta do hábito
hãbito de le^
lej.
tura familiar, e de formação cultural.

Portanto, mostramos aos

pais, o quanto ê importante a formação do hábito
hãbito de leitura. De£
de cedo, deve-se lèvar
levar a criança a ter contato direto com os livros e procurar desenvolver o hábito
hãbito de ler.
senvolvimento de pensar,

Isto permite o de-

leva a tima
uma reflexão rápida do que leu.
leu,
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cm

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♦

�desenvolve o raciocínio e estimula a imaginação.
Os interesses pela leitura devem ser estimulados

con-

forme a idade que pode ser:
2 a 4 anos - Gostam de ficar folhando

as

páginas

de

qualquer livro bem ilustrado. Seu interesse prin
cipal nos livros são reconhecer os objetos
lhe são familiares.

que

Gostam de animais, de olhar

gravuras sobre trem, automóveis, avião, isto

é,

coisas que tenham movimentos.

Repetição das i-

déias mesmo mudando a imagem.

Nessa fase gostam

de um companheiro imaginário, por isso

apreciam
aprecicim

histórias de animais que se comportam como gente.
Possuem interesse por outras crianças e pessoas
de fora de sua casa.
5 a 7 anos - Adoram histórias em que a criança, como e
la, tem aventura imaginária.
fasia.

São ávidas por fan

Está ainda mais interessada no que se pa£
pas

sa a sua volta.
7 a 9 anos - Nessa faixa de idade inicia-se a diversificação de interesses entre os meninos e as men^
nas.

As meninas preferem histórias de fadas, de

reinos encantados, princesas, etc.

Os

meninos,

ação, heroísmo, aventuras emocionantes.
10 a 12 anos - Os meninos preferem fatos,histórias ver
dadeiras, ficção científica, como Tarzan,
rix, Lucy Luche, Júlio Verne, etc.

As

Astemeninas

tendem para o lirismo, novelas românticas, sent^
mentais, e ainda aventura policial.
186

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Q0

II
11

12

13

�5 - IMPLEMENTAÇÃO
Os leitores-pacientes recebem desde o início,até o fim
de sua permanência, uma carga de conhecimentos, que nem
nemoo seu lar
e nem a sua escola podem proporcionar.
Paralelamente ao trabalho que realizamos com os nossos
leitores, pacientes recebem outras atividades, que vão desde cinema, teatro de fantoches, jogos, discos, etc.
Além da Bibliotecária, essas atividades envolvem um grji
grja
po de multi-profissionais, tais como, psicólogas, assistentes so
ciais, grupo de enfermagem, recreacionistas, etc.

6 - CONCLUSÃO
Um dos principais fatores para a recuperação de crianças doentes êé mantê-las ocupadas e alegres.
Ociosidade e tristeza, são os maiores aliados da doença.

Daí a importância do trabalho da Biblioteca, numa

Unidade

de Internação Pediátrica.
Aos pais, cabe o importante papel de colaborar
esforço de recuperação.

neste

Por isso, mostramos aos pais quanto é im

portante a continuação do hábito da leitura.

Importa desde cedo,

levar a criança a ter contato direto com os livros e a

procurar

desenvolver o gosto de ler.
Que cada resultado de nossa experiência, onde todos aprendem e crescem, seja uma constante, e a criança hospitalizada,
a beneficiada.
Com o decorrer do tempo, muitas coisas poderão

sofrer
187

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gentilmente por:

�modificações, novos programas, trabalhos, métodos, surgirão.
Ê muito importante salientar que o nosso processo

de

desenvolvimento cultural, numa Unidade de Internação Pediátrica,
não é esporádico, mas, um trabalho diário.
Achamos que uma Biblioteca Hospitalar, além de atender
a seu corpo médico, como também a administração e funcionários,
pode dedicar algumas horas a pacientes, entretanto, sem intervir
nas atividades médico-enfermagem, ou outros serviços prestados.
Por mais simples e despretencioso que seja o que possa
mos oferecer, poderá se tornar um grande benefício a um ser huma
no hospitalizado.
Pelo exposto, fica evidente, que a Biblioteca Hospitalar êé um setor que exerce grande influência na vida do hospital,
quer se considere a Biblioteca médica, quer se considera

a

Bi-

blioteca dos pacientes.
Muitos hospitais poderiam oferecer uma assistência mais
duradoura se na sua organização dessem ã Biblioteca o seu valor
real.

ABSTRACT
The work
Work presents one of the activities
activlties developed by
the Hospital de Clínicas de Porto Alegre Library, along with
the Pediatric Internation Unit, working as a bond between the
Library and the patient aiming to make faster his recuperation.

188

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189

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gentilmente por:

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12

13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação</text>
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