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                  <text>XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

CURTIU? : A EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA DO SENADO
FEDERAL NO USO DAS MÍDIAS SOCIAIS
Clara Bessa da Costa
Analista Legislativo – Bibliotecária .Atua no Serviço
de Biblioteca Digital da Biblioteca do Senado Federal,
sendo também responsável pela gerência dos perfis
da
Biblioteca
nas
mídias
sociais.
Email:
clara@senado.leg.br
Biblioteca do Senado Federal. Palácio do Congresso,
anexo 2, bloco A, térreo. CEP 70165-900 – Brasília,
Brasil. http://www.senado.gov.br/senado/biblioteca/

RESUMO
A partir de 2011 a Biblioteca do Senado Federal passou a utilizar ferramentas de
mídias sociais a fim de promover seus produtos e serviços. Esse trabalho busca
mostrar um pouco dessa trajetória, apresentando alguns dos caminhos e decisões
tomadas para consolidar sua atuação nesse novo contexto.
Palavras-chave: Mídia social. Comunicação da informação. Políticas de
biblioteca
ABSTRACT
Since 2011 the Brazilian Senate Library started using social media to promote
their products and services. This paper intends to show some aspects of this
journey, ways and decisions taken during the years in order to consolidate their
presence in this new context.
Keywords - Social media. Information communication. Library policies
1 INTRODUÇÃO

Em 1993, a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear - CERN
colocou oficialmente o software W3 (World Wide Web) de Berners-Lee em
domínio público. O software tornou-se gratuito, permitindo a qualquer pessoa criar
conteúdos na web. A aceitação da nova tecnologia foi imediata, e hoje estima-se
que existam 630 milhões de websites online. (CERN, 2013).

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Rolf Heuer, diretor-geral da CERN, declarou por ocasião da
comemoração dos vinte anos da web que
Não houve nenhum setor da sociedade que não tenha sido
transformado pela invenção, em um laboratório de física, da web. De
pesquisas ao mercado e educação, a web tem remodelado o modo como
nos comunicamos, inovamos e vivemos. A web é um grande exemplo de
como simples pesquisas beneficiam a humanidade. (FOX NEWS, 2013,
tradução nossa)

A evolução da web gerou ambientes mais interativos, abrindo espaço para
trabalhos colaborativos. Essa nova dinâmica foi denominada por Dale Dougherty
como Web 2.0, para diferencia-la dos aplicativos e sites “ponto com”1 que
predominaram até 2001. (O’REILLY, 2005).
Tim O’Reilly estabeleceu a seguinte definição para a Web 2.0:
Web 2.0 é a rede como plataforma, abrangendo todos os dispositivos
conectados; As aplicações da Web 2.0 são aquelas que realizam a
maioria das vantagens intrínsecas dessa plataforma: distribui o software
como um serviço atualizado continuamente que fica melhor quanto mais
pessoas o utilizarem, consomem e reordenam dados de múltiplas fontes,
incluindo usuários individuais, oferecendo seus próprios dados e serviços
em um formato que permita sua reordenação por outros, criando efeitos
de rede através de uma "arquitetura de participação", e indo além da
metáfora da página da Web 1.0 para proporcionar experiências valiosas
aos usuários. (O’REILLY, 2005a, tradução nossa).

As mídias sociais são umas das representantes desse novo contexto. Elas
“consomem e reordenam dados de múltiplas fontes” em uma "arquitetura de
participação" (ibidem) através de ferramentas que possibilitam a criação de canais
rápidos, democráticos e segmentados, permitindo que as pessoas compartilhem
projetos, gostos pessoais, ideologias e diversos outros tipos de informações
utilizando fotos, vídeos e mensagens através de redes sociais, blogs,
bookmarkings entre outros.
No relatório da American Library Association sobre o estado das bibliotecas
americanas, Walt Crawford destaca que as bibliotecas têm sido líderes na adoção
e uso de novas tecnologias por décadas. Portanto, elas estão preparadas para

1

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bolha_da_Internet
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enfrentar o desafio de manter contato com sua comunidade, à medida que essa
comunidade passa a adotar novas redes e tecnologias (ALA, 2013, p. 39)
MANESS (2007) considera que
De todos os aspectos sociais da Web 2.0, pode ser que as redes sociais
e seus sucessores espelhem-se mais na biblioteca tradicional. Redes
sociais, em vários sentidos, é Biblioteca 2.0. A face da presença da
biblioteca na web no futuro pode parecer muito mais com uma interface
de rede social. (MANESS, 2007, p.48)

Por tanto, as bibliotecas devem analisar o novo contexto que se apresenta
buscando descobrir novas formas de levar a informação a seus usuários. Se o
comportamento dos usuários na busca por informação mudou, também as
bibliotecas devem mudar a abordagem da disseminação da informação.
Burkhardt (2009) apresenta quatro razões principais para que as
bibliotecas aproveitarem as vantagens das mídias sociais. Eis alguns de seus
aspectos:


Comunicação – Deve-se reconhecer que a dinâmica da comunicação está
mudando. As mídias sociais são um novo meio de se comunicar com os
usuários, uma vez que eles, cada vez mais, possuem perfis nesses canais
de comunicação.



Resposta aos feedbacks positivos / negativos - Os usuários falam sobre
a biblioteca na web, bem ou mal, e é importante que eles saibam que suas
opiniões são ouvidas.



Marketing/Divulgação – Um público consideravelmente maior pode ser
atingido. Se a biblioteca já divulgava seus produtos e serviços, as mídias
sociais contribuirão para que a mensagem chegue até o usuário de forma
efetiva.



Melhor compreensão dos usuários – Possibilita o diálogo direto com os
usuários, para que eles sejam conhecidos e, consequentemente, suas
demandas sejam mais bem atendidas.

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A Biblioteca do Senado Federal Acadêmico Luiz Viana Filho, reconhecendo
as vantagens de uma atuação online, buscou inserir-se nesse meio criando perfis
que possibilitassem a melhor divulgação de seus produtos e serviços e um
contato mais próximo com seus usuários.
2 CONTEXTO
A Biblioteca do Senado tem como missão “fornecer o suporte informacional
necessário às atividades desenvolvidas no âmbito do Senado Federal e do
Congresso Nacional” (SENADO FEDERAL, 2013), atendendo aos senadores,
consultores, e demais funcionários da instituição, assim como as demandas de
grupos de trabalho, comissões permanentes e temporárias. Trata-se, portanto, de
um trabalho que exige atenção e dedicação da equipe do atendimento, para
fornecer informações precisas e atuais, e da equipe de processamento técnico e
desenvolvimento do acervo, para que os usuários possam contar com um acervo
altamente especializado e completo.
Como em toda organização, a informação é também o insumo mais
estratégico e critico para o Senado. BRYANT (2001) destaca como base para os
serviços de informação parlamentares os princípios de oportunidade, exatidão,
objetividade, adequação e confiabilidade, e acrescenta que:
Num ambiente moderno, caracterizado pela rapidez de informações, os
serviços de informações parlamentares mais eficazes caracterizam-se
ainda pelo seu alto nível de iniciativa pela existência de pessoal bem
preparado e qualificado, capaz de tirar partido de todos os tipos de
recursos e tecnologias de informação, e pela avaliação e revisão
sistemáticas da qualidade dos serviços, concebidos de forma específica
para se adequarem às necessidades do usuário. (BRYANT, 2001, p.76)

Mas assim como os parlamentares necessitam de informações precisas,
oportunas e imparciais para a realização de seus trabalhos (BRYANT, 2001) ,
também os cidadãos necessitam de informações sobre o Senado e seus

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trabalhos. Muito antes da Lei de Acesso à Informação2 de 2011, a Biblioteca do
Senado já disponibilizava reportagens e para livre acesso e download gratuito.
Por meio da Biblioteca Digital do Senado Federal – BDSF, a Biblioteca do Senado
pôde atuar na democratização do acesso das informações produzidas pelo
Senado, sendo a fonte precisa e imparcial sobre as atividades parlamentares
exercidas pela instituição.
Em 2011, ciente do grande crescimento das mídias sociais e de seu
alcance para a disseminação da informação, a Biblioteca do Senado lançou seu
perfil social por meio de uma página no Facebook. A escolha desse canal
específico deveu-se à sua grande popularidade à época, às perspectivas de
crescimento de seu alcance entre os brasileiros e pela possibilidade de integrar
vídeos e imagens ao texto facilitando a divulgação de diversos tipos de materiais.
A perspectiva de crescimento provou-se correta. O Brasil alcançou em
2012 mais de 65 milhões de pessoas cadastradas no Facebook, ocupando a
segunda posição no ranking dos países com maior presença na rede social, atrás
apenas dos Estados Unidos, que possuem 166 milhões de pessoas cadastradas.
De acordo com o vice-presidente do Facebook para a América Latina, Alexandre
Hohagen, a quantidade de usuários brasileiros cresceu 460% em apenas dois
anos.(CANAL TECH, 2013)
O novo perfil online permitiu que a Biblioteca divulgasse mais amplamente
seus produtos e serviços, os eventos que ocorriam em seu espaço e seu acervo.
Até o dia 15 de março de 2013 o perfil contava com 4.143 (quatro mil centro e
quarenta e três) “curtidas”, que representam o quantitativo de usuários que
aderiram à pagina para receber os conteúdos publicados pela biblioteca.
O gráfico abaixo representa o percentual trimestral de “curtidas” à página
da Biblioteca do Senado. A opção de exportação de dados do Facebook só
permite obter dados a partir da data de 19 de julho de 2011, motivo pelo qual o
gráfico se inicia pelo trimestre de julho a setembro de 2011.
2

Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, com o propósito de regulamentar o direito
constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas dos três Poderes da União,
Estados, Distrito Federal e Municípios.
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Gráfico 1 – Adesão de novos usuários - Opção "Curtir"
4500
4259
4000
3500
3473
3000
2864
2500
2257
2000
1686
1500
1215
1000 830
500
0
jul/set
out/dez
jan/mar
abr/jun
jul/set
out/dez
jan/mar
2011
2011
2012
2012
2012
2012
2013
Curtir (valor absoluto)

Comparando-se os primeiros trimestres de 2012 e 2013 observa-se um
crescimento de 66% no número de novas adesões à página, demonstrando a boa
aceitação por parte dos usuários quanto aos conteúdos publicados pela equipe da
Biblioteca.
3 HISTÓRICO DO PERFIL
A ideia de criar o perfil da Biblioteca do Senado no Facebook surgiu
durante uma reunião com a equipe da Biblioteca. De acordo com depoimentos de
bibliotecários que estiveram presente nessa reunião, a aceitação foi imediata.
Alguns viram como uma evolução natural – “Já tínhamos o site na Internet, faltava
colocar a Biblioteca nas redes sociais” – outros como uma demanda que a
Biblioteca não poderia negligenciar – “A verdade é que a Biblioteca demorou a
entrar no Facebook. Todo mundo já tinha um perfil, era hora de termos um
também” – e todos foram unânimes em afirmar que a entrada na rede social foi
uma proposta válida de promoção e divulgação da Biblioteca.

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De sua criação até os dias atuais, a página da Biblioteca no Facebook
passou por momentos distintos que impactaram na foram como ela era gerida e
nos conteúdos publicados.
Quando a página foi criada, em 2011, ela ficou a cargo de um dos
funcionários da equipe de apoio da direção da Biblioteca. O acesso ao Facebook
era bloqueado para os funcionários do Senado em geral, sendo permitido
somente a pessoas previamente cadastradas. As publicações eram feitas por
demanda, a pedido da direção e dos demais setores. Durante esse primeiro
momento identifica-se pouca diversidade em relação ao conteúdo publicado,
concentrado quase que unicamente na divulgação de novas aquisições.
Em 2012, o acesso ao Facebook já estava liberado para todos os
funcionários do Senado, a fim de que eles pudessem acompanhar as publicações
dos canais oficiais de comunicação da Casa. A página da Biblioteca passa a ficar
sob a responsabilidade da Subsecretaria de Pesquisa e Recuperação de
Informações Bibliográficas – SSPES, a cargo de um bibliotecário. Ganha-se mais
autonomia no desenvolvimento dos conteúdos, o que dá ao perfil uma nova
dinâmica, passando-se a dar mais cobertura aos eventos ocorridos no espaço da
Biblioteca.
A partir de 2013, a manutenção do perfil passou para o Serviço de
Biblioteca Digital. No contexto da Biblioteca Digital, iniciaram-se os trabalhos de
estruturação do perfil e a formalização do seu gerenciamento. Ressaltou-se a
importância de um bibliotecário gerenciar os perfis da Biblioteca nas mídias
sociais e ampliou-se o enfoque dos conteúdos a serem publicados, buscando em
outros setores do Senado produtos e informações que pudessem ser de interesse
dos usuários.
4 ESTRUTURAÇÃO DO PERFIL
Para estruturar o perfil, o primeiro passo foi o aprofundamento das relações
com a Secretaria de Comunicação Social - SECS.

Essa Secretaria é a

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responsável pelos canais de comunicação oficiais da instituição (Agência Senado,
Jornal do Senado, Rádio Senado, TV Senado entre outros) e tem como missão:
Contribuir para o exercício pleno da cidadania por meio de uma
comunicação inovadora, interativa, democrática e transparente do
Senado e do Congresso Nacional com a sociedade. (SENADO
FEDERAL, 2013a).

O contato entre os setores trouxe grandes benefícios para a Biblioteca. Ele
tornou possível a troca de experiências com jornalistas atuantes nas mídias
sociais, contribuiu para a rápida resolução de dúvidas pontuais e garantiu o apoio
de outros perfis institucionais na divulgação dos produtos e serviços da Biblioteca.
Também

sob

a

orientação

SECS,

iniciou-se

a

formalização

do

gerenciamento do perfil, com o desenvolvimento de políticas para o uso das
mídias sociais pela Biblioteca. A primeira versão do documento está em fase de
análise e, apesar de ainda não ter sido aprovado, alguns resultados já podem ser
percebidos.
O debate e o aprofundamento de cada um dos tópicos da política de uso
das mídias sociais e o reconhecimento da necessidade do estabelecimento de
determinados padrões de atuação contribuíram para uma atitude mais consciente
na produção do conteúdo a ser divulgado no perfil da Biblioteca.
As políticas elaboradas pela biblioteca estão divididas em três áreas no
documento:
1. Foco do perfil – identifica a responsabilidade sobre o perfil e suas
publicações, define o público-alvo, os objetivos pretendidos com a
utilização da ferramenta e o tipo de conteúdo a ser publicado.
2. Política de Uso – define a frequência de monitoramento e das publicações,
os parâmetros a serem utilizados na elaboração de estatísticas,
comportamentos em relação a senhas e outras questões de segurança da
informação e nível de interação permitido ao usuário.

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3. Orientações para interação com os usuários – estabelece um padrão para
a interação com o usuário, trazendo quatorze orientações para guiar o
bibliotecário sobre como agir diante de comentários ofensivos, tempo de
resposta, como lidar com temas polêmicos, entre outras.
Todo o documento foi baseado nas orientações gerais da SECS,
adequando-as para a realidade da Biblioteca, a fim de garantir a uniformidade e
qualidade no atendimento ao usuário dentro dos padrões determinados pelo
Senado Federal.
O cuidado com o desenvolvimento das políticas é uma resposta ao novo
contexto em que a biblioteca se insere ao assumir uma identidade virtual. A
atuação da Biblioteca nas mídias sociais repercute na instituição como um todo,
de modo que ela deve estar pronta para prestar contas de todas as informações
publicadas.
Os bibliotecários não devem se sentir inibidos pela existência de um
mecanismo de controle. Ao contrário, as políticas são antes a base de sua
atuação e uma garantia em caso de questionamentos internos e externos. Do
mesmo modo, a interação com os usuários deve ser estimulada na certeza de
que os excessos serão pronta e devidamente controlados, seguindo orientações
previamente estabelecidas.
O papel do bibliotecário no gerenciamento das mídias sociais é
fundamental. Ele deve ser uma pessoa comprometida com a instituição em que
atua, capaz de visualizar o impacto de suas publicações dentro de um contexto
mais amplo e com o espírito inovador de sempre buscar novos conteúdos e
aplicativos que venham a contribuir com seu trabalho. Não é recomendado, por
tanto, que esse papel seja exercido por pessoas sem vínculo com a instituição,
para garantir a qualidade, continuidade e preservar a confiabilidade do perfil.
.

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5 CONTEÚDO PUBLICADO
Inicialmente focado quase que exclusivamente na divulgação das novas
aquisições da biblioteca, a pauta adotada para o Facebook passou por algumas
mudanças ao logo do tempo para se adequar às demandas dos usuários.
Dentro de uma ótica centrada no usuário, é importante que os serviços
de disseminação seletiva de informações tenham uma atitude proativa
no sentido de identificar os diferentes contextos em que os indivíduos
que os utilizam estão inseridos e acompanhar a alteração de suas
necessidades de informação. Assim, pressupõe-se que existe um
movimento dinâmico tanto em relação à informação quanto em relação
às necessidades e contextos dos usuários. (SOUTO, 2010, p.6)

A primeira mudança foi garantir a cobertura dos eventos da Biblioteca.
Alguns dos eventos realizados não eram registrados nem disponibilizavam
material de divulgação. Como é de interesse tanto da Biblioteca quanto dos
organizadores do evento a sua ampla divulgação, passou-se a promover os
eventos pelo Facebook e a fotografar sua realização como parte da estratégia de
promoção do espaço da Biblioteca.
A segunda mudança foi buscar, em outros canais de comunicação e nos
diversos setores da instituição, conteúdos que se julgassem de interesse dos
usuários. Descobriu-se que vários setores poderiam contribuir para a elaboração
de uma pauta específica da Biblioteca. Tanto a Rádio quanto a TV Senado
possuem programas na área de livro e leitura (figura 1), a Comissão Permanente
de Educação, Cultura e Esporte possui a Subcomissão Permanente do Livro, a
Subsecretaria de Edições Técnicas publica diversos tipos de obras e a Equipe de
Visitação Institucional possui publicações sobre a instituição, como uma cartilha
do Ziraldo com o Menino Maluquinho explicando o processo legislativo para o
público infantil.

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Figura 1 - Programa Leituras - TV Senado

Fonte: Facebook (2013).

Esse olhar para fora da biblioteca gerou um movimento inverso,
despertando a atenção para o valor e a riqueza do próprio acervo da Biblioteca,
configurando uma terceira mudança de abordagem na produção de conteúdos. A
Biblioteca Digital do Senado Federal –BDSF, por exemplo, possui mais de 220 mil
documentos, de obras raras (figura 2) à legislação em áudio, todas de livre
acesso e download gratuito.
Essa nova abordagem deu aos usuários a chance de conhecerem melhor
aquelas obras que estavam “escondidas” no meio do acervo, facilitando seu uso e
compartilhamento, uma vez que elas passaram a ser apresentadas de forma
contextualizada. Observa-se na figura 2 o “Manifesto da Sociedade Brasileira
contra a Escravidão”, documento que faz parte do acervo de obras raras da
Biblioteca, também disponível na íntegra na BDSF, e que foi divulgado em
comemoração ao Dia da Abolição da Escravatura.

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Figura 2 – Obras raras - contextualização das obras da BDSF

Fonte: Facebook (2013)

A quarta mudança foi o reconhecimento de que a construção da pauta para
as mídias digitais é, em sua essência, um trabalho colaborativo. Por isso, é
importante que exista diálogo entre os setores de dentro e fora da biblioteca,
incentivando o trabalho colaborativo na produção de conteúdos.
A figura 3 é um exemplo dessa colaboração. A imagem foi elaborada pelo
bibliotecário André Lopes, do Serviço de Biblioteca Digital, para a divulgação da
Constituição em áudio do acervo da BDSF. O texto da divulgação e a postagem
original foram da Agência Senado. Esse trabalho conjunto beneficiou tanto a
Agência, que divulgou um conteúdo de grande interesse aos usuários, quanto a
Biblioteca, que teve um de seus produtos divulgados pelo canal de maior alcance
da instituição.

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Figura 3 - Divulgação colaborativa - Agência Senado

Fonte: Facebook (2013a)

Um destaque da figura 3 é a mensagem de resposta da Agência Senado à
reclamação de um usuário de que o link divulgado não estava funcionando. Às
vezes, falhas de sistema podem ocorrer. A melhor forma de lidar com esse ou
qualquer outro tipo de problema que venha a surgir, é agir de forma rápida e
objetiva, sempre fornecendo um feedback aos usuários.
A quinta mudança, demonstrada na figura 4, foi o aspecto informal adotado
no perfil da Biblioteca. De uma forma lúdica, mas sem perder o profissionalismo,
realizou-se uma “intervenção artística” na logomarca utilizada no perfil da
Biblioteca na época, para homenagear o Dia do Índio.

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Figura 4 - Logomarca do perfil - Dia do Índio

Fonte: Facebook (2013)

Essas cinco mudanças ajudaram a definir a nova visão adotada para a
seleção e elaboração de conteúdos a serem divulgados pelo perfil da Biblioteca.
6 INVESTIMENTO
Os principais recursos disponibilizados para alcançar esses resultados
foram o tempo e os conhecimentos da bibliotecária responsável pela manutenção
do perfil.
A gestão das mídias sociais não é uma atribuição exclusiva e deve ser
realizada paralelamente a diversas outras atividades do Serviço de Biblioteca
Digital. A forma encontrada para que não houvesse sobrecarga de atividades foi a
elaboração prévia de pautas e a contribuição dos diversos setores da Biblioteca
na produção de conteúdos.
Como investimentos futuros estão previstos treinamentos e cursos sobre
mídias sociais para que a Biblioteca mantenha-se atualizada quanto novas prática
e ferramentas de comunicação.

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7 AVALIANDO O IMPACTO
A administração pública precisa zelar pela correta aplicação de seus
recursos. Também as bibliotecas, quando implantam um novo produto ou serviço,
precisam ser capazes de avaliar se os resultados alcançados justificam o
investimento. Para esse fim foram definidos parâmetros para avaliar a adequação
e aceitação do perfil da Biblioteca e dos conteúdos que divulga.
Desde 2007, com a criação da categoria Facebook Pages, voltada para
empresas e instituições de diversos tipos, estão disponíveis métricas que
permitem avaliar os impactos da utilização da ferramenta. (INSIDE FACEBOOK,
2007) Inicialmente adotavam-se somente três indicadores para mensuração do
alcance do perfil: quantidade de novas adesões ao perfil (curtidas à página);
número de acessos ao conteúdo postado e número de curtidas às postagens.
Atualmente são analisados mensalmente quatorze indicadores:
-

Número de pessoas que compartilharam história sobre a página;

-

Número de histórias criadas sobre a página;

-

Total de pessoas que curtiram a página;

-

Número de pessoas novas que curtiram a página;

-

Número de “Curtir (desfazer)”;

-

Número de pessoas que interagiram com a página;

-

Número de pessoas que viram qualquer conteúdo associado à
página;

-

Número de pessoas que visitaram a página ou visualizaram uma das
publicações;

-

Número de impressões vistas de todos os conteúdos associados à
página;

-

Número de pessoas que viram qualquer uma das publicações da
página;

-

Número de pessoas que clicaram em qualquer conteúdo;

-

Número de cliques em qualquer conteúdo;

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-

Número de pessoas que fizeram comentários negativos sobre a
página.

-

Número de vezes que as pessoas fizeram comentários negativos
sobre a página.

Esses foram os indicadores considerados relevantes, entre os oitenta e
nove disponibilizados pelo Facebook, para a análise da Biblioteca. A possibilidade
de trabalhar com um número maior de informações sobre o comportamento dos
usuários em relação ao nosso conteúdo, possibilitou uma visão mais precisa
sobre o real impacto do perfil nos usuários.
8 ANÁLISE E PREVISÕES FUTURAS
Marketing é comunicação, e a web é um excelente canal para promover de
forma ampla a biblioteca. O marketing através das mídias sociais é uma forma de
divulgar a biblioteca, sua marca, seus produtos e serviços via web 2.0. Não é
competir com o que a internet oferece, mas beneficiar-se dela para poder se
diferenciar nesse meio. A Biblioteca pode oferecer serviços únicos que os
motores de busca genéricos não oferecem. Por tanto, as mídias sociais não
devem ser vistas como um fim em si mesmas, mas como um canal entre a
biblioteca e seus usuários.
A Biblioteca do Senado, ao decidir pela adoção de um perfil online,
buscava alcançar os usuários mais distantes para torná-los agentes na busca e
compartilhamento de informações, trazendo-os para um ambiente informacional
estruturado, ao mesmo tempos em que dava publicidade à produção intelectual
do órgão público do qual faz parte e é depositária.
Com a experiência desses últimos dois anos, o perfil aumentou a
visibilidade interna e externa da Biblioteca, facilitou o encaminhamento de
usuários para sua página oficial na Internet e deu maior destaque para o acervo
da Biblioteca Digital alcançando todos os objetivos inicialmente propostos.

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Observou-se pela repercussão dos últimos conteúdos divulgados no perfil
da Biblioteca que o seu alcance está crescendo nas redes sociais. Os usuários
aumentaram o nível de interação, fazendo mais perguntas, comentários e
cobrando fotos dos eventos ocorridos na Biblioteca.
Durante o mês de abril de 2013, as contas do Twitter, Facebook e Youtube
da Biblioteca do Senado foram integradas. Espera-se com isso aumentar a
diversidade de conteúdos divulgados. Essa integração também gerou novos
desafios, como a definição de uma estratégia individual para cada perfil, a
padronização de identidade visual entre eles e a produção de conteúdos já
prevendo que eles serão divulgados em canais diferentes ao mesmo tempo.
Algumas soluções já foram definidas e outras ainda estão em fase de estudo e
adaptação. Esperamos poder compartilhar essa experiência em breve.
REFERÊNCIAS
AGUIARI, Vinicius. Brasil lidera em crescimento no Facebook em 2012. INFO
Online. 23 jan. 2013. Disponível em: &lt;
http://info.abril.com.br/noticias/internet/brasil-lidera-em-crescimento-no-facebookem-2012-23012013-33.shl&gt;. Acesso em: 22 abr. 2013.
ALA. American Library Association. The State of America’s Libraries: a report from
the American Library Association. American Libraries: the magazine of the
American Library Association. Edição especial, 2013. Disponível em: &lt;
http://www.ala.org/news/state-americas-libraries-report-2013&gt;. Acesso em: 19
mai. 2013.
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              <text>A partir de 2011 a Biblioteca do Senado Federal passou a utilizar ferramentas de mídias sociais a fim de promover seus produtos e serviços. Esse trabalho busca mostrar um pouco dessa trajetória, apresentando alguns dos caminhos e decisões tomadas para consolidar sua atuação nesse novo contexto. </text>
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