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                  <text>XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO JURIDICO BRASILEIRO: um
caso de historiografia biblioteconômica
Luciana Maria Napoleone
Tribunal Regional Federal da 3ª Região
Av. Paulista, 1842, 7º andar – Bela Vista
São Paulo, SP, Brasil, CEP 01310-936
lnapoleo@trf3.jus.br

Maria Lucia Beffa
Faculdade de Direito da USP
Largo São Francisco, 95 – Centro
São Paulo, SP, Brasil, CEP 01005-010
beffa@usp.br

RESUMO
O conhecimento jurídico no Brasil é estudado a partir de um recorte de três
momentos históricos de uma das mais antigas bibliotecas jurídicas brasileiras, com
sua respectiva contextualização. O primeiro momento engloba a discussão de
criação dos cursos jurídicos, a fundação da Primeira Biblioteca Pública Oficial da
Província de São Paulo e a instalação da Academia de São Paulo na década de
1820. Representa o esforço de construção de uma soberania nacional no âmbito
intelectual e político e de formação de quadros de bacharéis para a administração do
país, poucos anos após a Declaração da Independência. O primeiro inventário do
acervo e a elaboração do primeiro catálogo constituem uma primeira iniciativa de
organização do conhecimento jurídico. Passa-se para o segundo momento na
década de 1930 com a reconstrução física da Faculdade de Direito e reestruturação
da Biblioteca sob influência das mais modernas técnicas biblioteconômicas à época.
Destaca-se a catalogação, classificação e indexação de livros e artigos de
periódicos em fichas. Insere-se num momento de criação de cursos de
Biblioteconomia no Estado de São Paulo, e de construção do estado moderno
brasileiro no âmbito político. O último momento refere-se à implementação de novas
tecnologias e serviços e iniciativas de controle bibliográfico em nível interno, entre o
final da década de 1980 e a década de 1990, com destaque para a implementação
de serviços de alerta e disponibilização de bancos de dados na Internet. Finalmente,
apontam-se as perspectivas e desafios da organização do conhecimento jurídico no
Brasil do início do século 21.
Palavras-chaves: Biblioteconomia Jurídica - Brasil. Organização do Conhecimento.
Historiografia Biblioteconômica. Direito - Brasil.

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

BRAZILIAN LEGAL KNOWLEDGE ORGANIZATION: A CASE OF LIBRARY
HISTORIOGRAPHY
ABSTRACT
The legal knowledge in Brazil is studied from a clipping of three historical moments of
one of the oldest Brazilian law libraries, with their respective context. The first stage
involves the discussion of creation of legal courses, the foundation of the First Official
Public Library of the Province of São Paulo and installation of São Paulo Academy in
the 1820s. It represents the effort of building a national sovereignty in the intellectual
and political frameworks and training of graduates for the administration of the
country, a few years after the Declaration of Independence. The first inventory of the
collection and preparation of the first printed catalogue are the first initiatives of
organizing legal knowledge. It passes up for the second moment in the 1930s with
the physical reconstruction of the Law School and the restructure of its Library under
the influence of the most modern librarian techniques at that time. It is highlighted the
cataloging, classification and indexing books and journal articles in bibliographic
records. It belongs to a moment of creation Librarianship courses in the State of São
Paulo, and construction of the modern Brazilian state. The last moment refers to the
implementation of new technologies and services, and the internal initiatives of
bibliographic control , between the late 1980s and 1990s, with emphasis on the
implementation of alert services and availability of databases in Internet. Finally, it is
approached the prospects and challenges of legal knowledge organization in Brazil in
the first decades of the 21st century.
Keywords: Brazilian Legal
historiography. Brazilian Law.

Librarianship.

Knowledge

Organization.

Library

1 INTRODUÇÃO
O conhecimento jurídico no Brasil é estudado a partir de um recorte de três
momentos históricos da Biblioteca da Faculdade de Direito da USP, Biblioteca da
FDUSP, uma das mais antigas bibliotecas jurídicas brasileiras, com sua respectiva
contextualização.
Conceitos básicos da organização do conhecimento e da historiografia
biblioteconômica foram combinados para este estudo.
Hjørland (2008) considera a organização do conhecimento no sentido mais amplo e
no mais restrito. No sentido amplo, a organização do conhecimento aborda "a
divisão social do trabalho mental, ou seja, a organização das universidades e outras
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instituições de pesquisa e ensino superior, a estrutura de disciplinas e profissões, a
organização social dos meios de comunicação, a produção e a difusão de
„conhecimento‟, etc", distinguindo a organização social do conhecimento bem como
a sua organização intelectual ou cognitiva. No sentido restrito, é um campo de
estudo que trata da organização de processos de conhecimento (KOS - knowledge
organizing processes), bem como os sistemas de organização do conhecimento
(KOP - knowledge organizing processes), atividades de estudos de descrição,
indexação e classificação realizados por bibliotecários, arquivistas e algoritmos de
computador.
Dentre as abordagens teóricas para a organização do conhecimento
apresentadas por Hjørland (2008), este trabalho pode ser incluído na abordagem
tradicional, que inclui a análise de esquemas de classificação e vocabulários
controlados. O princípio de que a classificação da biblioteca deve refletir a
organização científica, a qual tende a refletir a ordem da natureza fundamenta um
dos objetos de estudo sobre esta abordagem. A categorização de assunto e o uso
de esquemas de classificação na Biblioteca da FDUSP serão focados nesses três
momentos selecionados.
Para Krzys (2003), a historiografia biblioteconômica é um ramo da história que
investiga as pessoas, agências, ou movimentos sociais "dentro ou contribuindo para
o desenvolvimento da biblioteconomia por causa da consciência profissional". A
justificativa para o estudo da história de bibliotecas é baseada em algumas razões:
"1) lições a serem derivadas, 2) senso de comunidade com a profissão, e 3) valor de
inspiração". A metodologia de historiografia biblioteconômica distingue seis tipos de
fontes primárias de evidência: artefatos, inscrições, registros públicos oficiais,
registros privados oficiais, jornais e fontes pessoais. Neste trabalho, registros
públicos oficiais, publicações periódicas, as fontes pessoais e literatura sobre
bibliotecas foram utilizados como fontes de evidência.

2 PRIMEIROS SINAIS DE ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO JURÍDICO
BRASILEIRO, SÉCULO 19
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O ensino jurídico no Brasil foi instituído pela famosa Lei de 11 de agosto de
1827, que criou os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais no país, em
Olinda e em São Paulo. O primeiro momento de organização do conhecimento
jurídico selecionado engloba a discussão de criação dos cursos jurídicos, a fundação
da Primeira Biblioteca Pública Oficial da Província de São Paulo e a instalação da
Academia de São Paulo na década de 1820.
A implementação dos cursos jurídicos representou o esforço de construção
de uma soberania nacional no âmbito intelectual e político e de formação de quadros
de bacharéis para a administração do país, logo após a Declaração da
Independência em relação ao domínio português, em 1822.
A Primeira Biblioteca Pública Oficial da Província de São Paulo foi fundada
pelo Decreto de 24 de abril de 1825. Sua criação compunha um projeto mais
ambicioso, o de criação de uma universidade na cidade de São Paulo, concretizado
parcialmente em 1827 com a criação do curso jurídico, após extensos debates na
Assembléia Constituinte de 1823. Com a instalação da curso de direito de São Paulo
em 1828, a Biblioteca Pública foi incorporada à Academia (BEFFA; NAPOLEONE,
2002, 2003, 2011).
O primeiro inventário do acervo e a elaboração do primeiro catálogo impresso
são evidências da mais antiga iniciativa de organização do conhecimento jurídico
acadêmico em São Paulo.
Ellis (1957) relata que o Pe. José Antonio dos Reis, primeiro bibliotecário da
Biblioteca Pública Oficial, organizou um inventário dos livros e enviou uma cópia ao
Presidente da Província em dezembro de 1826. O manuscrito elaborado por D. José
Antonio dos Reis é precioso por ser um documento oficial que relaciona as obras
existentes no acervo da Primeira Biblioteca Pública de São Paulo, recuperado
através de pesquisa junto ao Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. O antigo
bibliotecário faleceu em 1876, como Bispo de Cuiabá, anos antes da primeira edição
impressa do catálogo.
O inventário foi escrito sem ordem alfabética de autor ou de título. A lista de
4.221 livros foi dividida em grandes assuntos identificando as obras que
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pertenceram ao fundo bibliográfico do Bispo D. Mateus de Abreu Pereira (1.059
volumes) e da Biblioteca Pública da Província (3.162 volumes). A categorização foi
estruturada em 13 grandes classes, privilegiando o conhecimento religioso: “1)
Escritura Sagrada e Santos Padres; 2) Liturgia; 3) Teologia Natural Dogmática e
Moral; 4) Direito canônico; 5) Direito Natural e Civil; 6) Teologia Mística; 7)
Sermonários; 8) Filosofia Matemática, História Natural e Física; 9) Retórica e
Poética; 10) Geografia; 11) Dicionários e Artigos das Línguas; 12) História Universal
e Particular e 13) Miscelâneas”.
Outro inventário, manuscrito, data de 1844, registrado em livro, o mais antigo
localizado até o presente na Biblioteca da Faculdade de Direito da USP. O termo de
abertura foi assinado por Avelar Brotero: “Este livro há de servir para o inventário da
Bibliotheca do Curso Jurídico da Cidade de São Paulo, São Paulo, 3 de setembro de
1844.” O livro foi confeccionado a partir de outras listas, sem divisão de assunto. A
relação de obras apresenta autor, título, formato, número de volumes e data; numa
coluna em separado repete o número de volumes com a somatória parcial, ao final
de de cada folha. Inclui a relação histórica feita pelo Pe José Antonio dos Reis com
28 folhas, uma outra lista feita pelo D. José com 8 folhas, uma terceira relação feita
pelo oficial maior do Governo de 18 de julho de 1837 com 4 folhas, uma quarta
relação assinada por D. Maria Benedicta de Toledo Arouxe [sic] (filha natural de
Arouche Rendon, Diretor da Academia à época) com 5 folhas, uma quinta relação de
37 folhas feitas pelos bacharéis João Carlos da Silva Telles e Marcelino Ferreira
Bueno. Na elaboração do livro havia a orientação de descrever os títulos por
extenso, o que nem sempre foi observado. Há uma relação das obras do Salão da
Livraria dos Frades, totalizando 1.211 volumes. No final da listagem há uma
somatória de documentos existentes na biblioteca, apontando o total de 7.178
volumes.

Figura 1 - Livro para inventário da Bibliotheca (1844)
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A Biblioteca possui outros livros manuscritos, destinados à correspondência
do bibliotecário com o diretor da Escola, sendo o de 1857 o mais antigo existente:
"Livro para correspondência dos Bibliotecários com o Director, 1857, n. 5". Em 27 de
novembro de 1865, o bibliotecário em cumprimento ao Estatuto da Faculdade, dá
ciência ao diretor sobre o catálogo:
[...] envidamos todos os esforços para que o catálogo fosse o mais bem
organisado possível [...]
[...] Quanto ao méthodo de organização do catálogo seguimos o [mesmo].
Depois em falta de outro guia, e nos pontos em que esse não nos não
serviu dexamo-nos guiar pelo que mais razoável nos pareceu. Se a
classificação não merecer a aprovação de V.Excia., um novo catálogo, que
havemos de faser, nos guiaremos exclusivamente pelas instrucções, que
V.Excia approuver dar-nos, e que receberemos com praser.

Em 19 de dezembro de 1875, o novo bibliotecário que toma posse dá ciência
ao diretor sobre o estado da biblioteca e ciência de sua responsabilidade em fazer a
organização do catálogo e sua impressão, e salienta que, na sua opinião, só os
livros “dignos de conservação” devem entrar no catálogo.
Em 18 de julho de 1878, dá notícias do início da organização de um novo
catálogo, considerando deficiente o que existia, relata já ter arrolado as obras
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existentes e que seria necessário classificá-las segundo o “systema ultimamente
adoptado em estabelecimento de tal natureza,” mas infelizmente não especifica qual
seria esse sistema.
Em 16 de dezembro de 1880, depois de dois anos e meio de trabalho, o
bibliotecário informa que o novo catálogo está quase concluído faltando somente
revê-lo para ser copiado.
O primeiro Catálogo impresso foi publicado em 1887, em São Paulo, por uma
tipografia de reconhecida importância na edição de livros. A organização do
conteúdo foi dividida de acordo com o método de Brunet, em cinco classes:
Teologia, Jurisprudência, Ciências e Artes, Belas Artes e História e Geografia.
Como primeira classe está Teologia que se subdivide em outros assuntos: Escritura
Santa, Liturgia, Concílios, Santos Padres, Teólogos, que por sua vez vão se
subdividindo. Na segunda classe está Jurisprudência subdividida em Introdução,
Direito Natural e das Gentes, Direito Civil e Criminal, Direito Canônico e Eclesiástico.
Na terceira classe temos as Ciências Sociais subdivididas em Ciências filosóficas,
Ciências Físicas e Químicas, Ciências Naturais, Ciências Médicas, Ciências
Matemáticas, Apêndice às Ciências, Artes e Artes Mecânicas e Ofícios. Na quarta
classe vêm as Belas Letras subdivididas em Linguística, Retórica, Oradores, Poesia,
Poesia 2ª. Parte: poesia dramática, Ficção em Prosa, Apêndice ao Título IV:
Facecias e peças burlescas, Filologia, Diálogos, Epistolares, Poligrafia, Coleção de
Obras e Extractos de Diversos Autores. Na quinta classe temos História e Geografia
subdividida em Prolegômenos Históricos, História Universal Antiga e Moderna,
História das Religiões e das Superstições, História Antiga, Historia da Idade Média,
História Moderna: Europa, Ásia, África, América Septentrional e Paralipômenos
Históricos.

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Figura 2 – Catálogo da Biblioteca, 1887, Classe de Jurisprudência

Analisando a classe de Jurisprudência, considerada no método Brunet como
a ciência do direito, no primeiro item temos a Introdução que sistematiza a história
da legislação dos tribunais, estudo do direito, da filosofia do direito, dicionários e
tratados gerais. Na subdivisão Direito Natural e das Gentes temos: Tratados Gerais;
Direito Internacional e Direito Público. E a grande classe de direito está dividida em
Civil e Criminal decrescendo as classes de Generalidades; Direito Romano que está
subdividido em outros tantos assuntos; Direito Brasileiro ou Pátrio; Direito Português;
Direito Francês (antigo); Direito Marítimo e Direito de Outras Nações. E por último o
Direito Canônico e eclesiástico temos: introdução; tratados elementares

e

dicionários, Cartas apostólicas, cânones, decretaes e bullas; Tratados Gerais sobre
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o Direito Eclesiástico, tratados particulares sobre matérias canônicas e processos
heréticos; Jurisdição eclesiástica da Corte de Roma; Tratados particulares sobre a
hierarquia, ou da autoridade do Papa, dos bispos e dos Padres, do clero em geral e
do governo da igreja; Igreja Brasileira; Direito eclesiástico estrangeiro e estatutos de
ordens religiosas; Apêndice: Direito das igrejas católicas.
Dentro de cada classe e subitem a relação das obras está em ordem
alfabética pelo sobrenome do autor, título, local de publicação, editor, data de
publicação, formato do exemplar (In 4º, por exemplo), tipo de encadernação
(brochura ou encadernado) e o número de exemplares. Quando há duplicata há uma
nova citação com a expressão IDEM, data (duplicata). No final do registro em alguns
casos há a indicação de “raro”. Sobre a completeza da coleção traz a informação
das lacunas de volumes e partes.
Segundo o prefácio escrito pelo então diretor Pádua Fleury a coleção da
biblioteca contava com 751 livros de teologia; 1018 obras de jurisprudência; 1100
obras de Ciências e Artes; 510 de Belas Artes; 1237 de História e Geografia. Total
de 4.616 dos quais já “estragados em grande parte”.
Em 3 de agosto de 1882, foi registrada informação de compra do exemplar do
método de Brunet: o bibliotecário Fernando Mendes de Almeida comunicou ao
Diretor, Conselheiro Vicente Pires da Mota, a entrega da obra Manuel du Libraire,
par Jacques-Charles Brunet, comprada em Paris.

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Figura 3 - Livro para Correspondência dos Bibliotecários, 1857, Comunicação da Compra do Método
de Brunet

O catálogo de 1920 foi o último catálogo impresso, obedecendo ao critério
onomástico e não mais ao método de Brunet, organizado pelo docente Spencer
Vampré, com a ajuda do bibliotecário Luiz de Andrade Vasconcellos Júnior e do
amanuense Alfredo Dias do Rosário. O prefácio do catálogo explica que sua
elaboração foi determinada pela Congregação da Faculdade, designando o
professor Vampré para a tarefa. Com mais de 33.000 volumes, o catálogo foi
organizado pela ordem alfabética de autor, com informações de título, local de
publicação, ano, encadernado ou brochura, e número de volumes. Antecedendo o
autor aparece um número, talvez a localização da obra na estante ou o número de
tombo. Ex.
- 2230
AARÃO REIS. A Electrologia em 1886. Rio de Janeiro 1888.
Encad. 1 vol.
- 8056 AARÃO REIS. Economia Política, Financeira e Contabilidade. Vol.
1o. Rio de Janeiro, 1918. Broch. 1 vol.
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Figura 4 - Catálogo da Biblioteca (1920)

Outras evidências de divisão das obras por assunto referem-se à aquisição e
estatística de consulta.
Em 1 de abril de 1860, é encaminhada ao diretor a lista de obras e
publicações periódicas de que a biblioteca precisa, bem como a de obras que
necessitam de encadernação. Na lista de livros para aquisição estão indicados
autor, título, número de volumes e preço, separados pelos assuntos: Legislação,
Direito Natural Público, Direito Marítimo e das Gentes, Direito Eclesiástico, Direito
Romano, Direito Civil Pátrio, Direito Administrativo, Direito Criminal, Compêndios de
Preparatórios, Jornais nacionais e estrangeiros.
Na primeira estatística identificada, referente ao período de 7 de janeiro a 20
de dezembro de 1878, descreveu-se a consulta das obras: Biblioteca frequentada
por 1716 pessoas que consultaram 2.810 obras sendo Jurisprudência 1.201; Belas
Letras 96; Teologia 72; Ciências e artes 30; Historia, Geografia e Viagens 51;
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Jornais, Revistas etc. 1.360. As mesmas categorias foram indicadas na estatística
de uso de 16 de dezembro de 1880: a Biblioteca foi frequentada por 1389 pessoas;
consultaram 3364 obras, sendo Jurisprudência 1009; Belas Letras 74; Teologia 60;
Ciências e Artes 41; História, Geografia e Viagens 89; Jornais, Revistas, etc. 2091.
3 NOVA ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO, DÉCADA DE 1930
O segundo momento destacado na organização do conhecimento é marcado
por diversas transformações significativas na década de 1930: a criação da
Universidade de São Paulo em 1934, a reforma do prédio da Faculdade de Direito
entre 1930 e 1934, a incorporação da Velha Academia à Universidade recém-criada,
e a reestruturação da Biblioteca sob a influência das mais modernas técnicas
biblioteconômicas à época. Insere-se num momento de criação de cursos de
Biblioteconomia no Estado de São Paulo, e de construção do estado moderno
brasileiro no âmbito político.
Com a reforma do prédio, a Biblioteca da agora Faculdade de Direito da
Universidade de São Paulo ganhou novas instalações físicas: um salão com
estantes de aço para o depósito de livros e uma ampla sala de leitura (A
BIBLIOTECA, 1934).
Além da reforma física e novas instalações da Faculdade e de sua Biblioteca,
realizou-se também uma reestruturação dos serviços bibliotecários, destacando-se a
catalogação, classificação e indexação de livros e artigos de periódicos em fichas.
Figura 5 - Catálogo Decimal, Alfabético de Autor

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Figura 6 - Fichas rosas, Catálogo Decimal

O catálogo impresso em 1921 foi substituído em 1932 por dois fichários, um
onomástico, com 18.000 fichas, e outro decimal, com mais de 100.000 fichas, que
registrava as obras, os artigos publicados nas revistas jurídicas nacionais e
estrangeiras, e outros materiais como artigos de revistas não especializadas
(OLIVEIRA, 1933; CONSTANTINO, 1937; A BIBLIOTÉCA…, 1933).
Docentes da Faculdade estiveram envolvidos na elaboração do novo
catálogo, como Spencer Vampré e Alcântara Machado, diretor da Faculdade de
1931 a 1935. Spencer Vampré (1925), diretor da Faculdade de Direito em 1938,
destacado memorialista da instituição com a obra Memórias para a história da
Academia de São Paulo, frisava já quando da comemoração do centenário da
biblioteca em 1925, a necessidade de adoção da classificação decimal.
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Os trabalhos definitivos para a composição do Catálogo Decimal tiveram
início com a nomeação de Sergio Milliet da Costa e Silva para o cargo de Diretortécnico. Com formação em universidade suíça, escritor, sociólogo, crítico de arte,
professor e tradutor, Milliet foi estreitamente ligado ao grupo de intelectuais que
organizou a Semana de Arte Moderna e idealizou a criação do Departamento de
Cultura da Prefeitura de São Paulo.
Em 1936, o fichário onomástico, integralmente refeito, contava com mais de
200 mil fichas em cartolina cor de rosa, e o catálogo decimal, agora denominado
methodico, segundo o sistema de classificação decimal de Dewey, excedia 250.000
fichas em cartolina branca. Ainda hoje este fichário, sob o nome de Fichário Velho,
mantém-se como importante fonte de pesquisa com muitas das suas características
originais.
Cabe esclarecer que o acervo era organizado com localização fixa, estando
os livros arranjados por tamanho e ordem de chegada. A classificação decimal foi
utilizada para a organização do conhecimento nos registros bibliográficos mas não
no arranjo das obras nas estantes. Daí a importância do trabalho de elaboração dos
catálogos onomástico e ideográfico, pelo sistema decimal, que levaram em conta a
orientação do método Dewey e do Instituto Internacional de Bibliografia. Igual
destaque merece a catalogação e classificação dos artigos de periódicos em fichas
permitindo a multiplicação dos pontos de acesso ao conhecimento jurídico registrado
nos periódicos da área.
Outra iniciativa de destaque foram os trabalhos para elaborar o Catálogo das
Obras dos Antigos Alunos em 1932, num esforço de reunir a produção intelectual da
Faculdade de Direito de São Paulo com o escopo de unir gerações antigas e atuais
através do conhecimento produzido. Esperava-se desde então "mais estímulo pelos
estudos, mais perfeita coordenação do espírito universitário", a mesma preocupação
que se revela no presente com o cadastro da produção acadêmica da Universidade
(BIBLIOTECA…, 1932; A CONTRIBUIÇÃO..., 1934). Para além dos novos espaços
físicos e dos catálogos remodelados, a biblioteca colocava-se como depositária e ao

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mesmo tempo disseminadora da ciência jurídica, como disse o docente Jorge
Americano:
A Escola vale pelo que produz. Se o homem é aquilo que resulta da
conjugação dos fatores bio-psiquicos hereditários, morais e culturais,
nenhuma biografia exata prescindirá da investigação da influência escolar
na formação da inteligência e do caráter. Mas também não se afere do valor
da Escola, sem o estudo dos homens que ela forma e das obras que
produzem.

Os resultados destes esforços continuados ficaram registrados através das
notas elogiosas à biblioteca e da sua indicação como importante fonte de pesquisa
por personalidades da época como Francisco Pontes de Miranda, Bento de Faria e
Clovis Bevilaqua. Registrou-se um aumento da frequência e de consultas
bibliográficas e a organização dos catálogos como instrumento de informação
sistematizada voltada para o ambiente jurídico e acadêmico.
4 NOVAS TECNOLOGIAS NA ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO JURÍDICO,
DÉCADAS DE 1980 E 1990
Para Beffa e Napoleone (2002, 2003), depois da sua incorporação à
Universidade, a Biblioteca da FDUSP empreendeu outras inovações seja em
atendimento de necessidades surgidas do seu público interno, como a instalação da
Biblioteca Circulante em 1951 para empréstimo domiciliar aos estudantes, seja para
atendimento de mudanças de âmbito geral como a reforma Universitária na década
de 1960, com criação de Departamentos da Faculdade e respectivas Bibliotecas
Departamentais.
Nestes dois momentos foram criados acervos bibliográficos e serviços de
consulta e pesquisa com organização diversa daquela já existente na Biblioteca
original, denominada Biblioteca Central. Os novos acervos são de acesso livre,
arranjo relativo das obras nas estantes com utilização da Classificação Decimal
Universal e quase todos especializados em algum ramo do direito. As informações
dos acervos da Biblioteca Circulante e Bibliotecas Departamentais foram registrados
também num catálogo coletivo, na Sala do Fichário e Serviço de Referência, anexo
aos catálogos da Biblioteca Central, elaborados na década de 1930.
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Figura 7 - Catálogo Coletivo da Biblioteca da FDUSP

Na área jurídica, a década de 1990 foi marcada pela proliferação de cursos
jurídicos no Brasil, a conseqüente explosão da produção editorial comercial e
acadêmica e a dificuldade de seleção e atualização dos acervos de bibliotecas
nessa área. Simultaneamente, em virtude das novas tecnologias, as bibliotecas
foram forçadas a modernizar sua infraestrutura, informatizar seus acervos e
serviços, adquirir e disponibilizar recursos eletrônicos e adaptar-se às novas
demandas surgidas em virtude da visibilidade decorrente da Internet.

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O último momento de organização do conhecimento destacado refere-se à
implementação de novas tecnologias e serviços e iniciativas de controle bibliográfico
em nível interno, entre o final da década de 1980 e a década de 1990.
Criado o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo SIBi/USP, em 1981, a atuação da Biblioteca da Faculdade de Direito se aproximou
das políticas sistêmicas, conforme Beffa e Napoleone (2002, 2003). Integrou-se ao
SIBi em 1982, e, em 1986, passou por uma outra reestruturação, culminando na
atual estrutura organizacional do Serviço de Biblioteca e Documentação – SBD/FD.
O Banco de Dados Bibliográficos da USP - DEDALUS, criado em 1985, constituiu
um importante instrumento aglutinador dos esforços sistêmicos pois reuniu os
registros dos acervos das 39 bibliotecas da Universidade no período (hoje são 43),
incluso o acervo do SBD/FD, os quais foram disponibilizados na Internet em 1993,
via Telnet, e, em 1997, com nova interface pelo software Aleph.
Com o auxílio financeiro da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de
São Paulo - FAPESP, o SBD/FD, bem como várias outras bibliotecas paulistas,
modernizou radicalmente sua infraestrutura a partir de 1995, particularmente no
tocante à informática (AGOSTINHO et al., 1999). A modernização incluiu a
instalação física de uma rede local de microcomputadores e a disponibilização dos
bancos de dados locais para consulta na rede da biblioteca. A construção do website
do SBD e a disponibilização do banco de dados de artigos de periódicos - IusData
na Internet em 1999 avançou no processo de modernização e ampliou o acesso à
biblioteca.
Além da disponibilização de bancos de dados bibliográficos do acervo na
Internet, merece destaque a implementação de serviços de alerta. O Serviço de
Disseminação Seletiva da Informação – SDI surgiu em meados de 1985 para
divulgar aos docentes da Faculdade os artigos doutrinários contidos em mais de
1500 títulos de periódicos da Biblioteca. Para Fialdini et al. (1989), a medida inicial
de divulgação foi um serviço de DSI, criado a partir de perfis pré-definidos para
manter o corpo docente atualizado com a literatura publicada nos periódicos
nacionais e estrangeiros. Conforme Beffa et al. (2007), o IusData – Banco de Dados
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de Artigos de Periódicos foi um desdobramento do serviço de alerta, formado com o
armazenamento dos registros dos artigos de periódicos cadastrados para o SDI. O
banco de dados IusData foi disponibilizado no sítio da Biblioteca na Internet em 1999
e consolidou-se no Brasil como fonte de pesquisa doutrinária referencial em artigos
de periódicos jurídicos nacionais e estrangeiros, incorporados ao acervo da
Biblioteca nos últimos 25 anos. Observou-se que o registro de artigos de periódicos
em fichas foi interrompido na década de 1960. O SDI e o IusData constituem um
retomada do trabalho realizado na década de 1930.
As iniciativas de controle bibliográfico em nível interno bem como o
mapeamento de coleções raras e especiais também são ações de relevância para a
organização do conhecimento jurídico, algumas delas desenvolvidas já no início do
século 21. No âmbito de controle bibliográfico interno estão o registro e divulgação
de teses, dissertações e produção docente em bancos de dados bibliográficos
(DEDALUS) e em bibliotecas digitais (Biblioteca Digital de Teses e Dissertações BDTD). Este controle traduz uma política geral da Universidade de registro e
divulgação do conhecimento nela produzido, como um retorno do investimento
público.
A participação na elaboração do Vocabulário Controlado do SIBi/USP, no
tocante à área de direito, ao longo da década de 1990, é outra iniciativa de destaque
no âmbito da organização do conhecimento. O Vocabulário Controlado do SIBi/USP
é uma lista de assuntos utilizada para a indexação da informação no Banco de
Dados Bibliográficos da USP – DEDALUS e abrange as áreas do conhecimento
relativas às atividades de ensino, pesquisa e extensão da USP. Na Biblioteca da
FDUSP, contou com a participação de bibliotecários e colaboração de docentes na
sua estruturação e revisão, incorporando a experiência de instrumentos de
indexação já utilizados (UNIVERSIDADE..., 2006-2013).
O mapeamento de coleções raras e especiais foi outra tendência nas
bibliotecas da Universidade. Depositária de um dos maiores acervos raros e
especiais da USP, a Biblioteca da FDUSP integrou a Biblioteca Digital de Obras
Raras e a publicação dos volumes do catálogo Bibliotheca Universitatis, com registro
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das obras raras do século 15 ao 17 do acervo da USP. No âmbito da Faculdade de
Direito, pormenorizou a descrição de coleções especiais em bancos de dados locais
como os jornais antigos e acadêmicos produzidos por grupos e entidades estudantis
ligadas à Escola (BEFFA et al., 2006), e os artigos da Revista da Faculdade de
Direito da USP, primeiro periódico acadêmico jurídico, desde seu primeiro fascículo,
de 1893.
Na década de 2000, registra-se a intensificação de atividades voltadas para a
visibilidade da Biblioteca, os recursos informacionais existentes e a aproximação
com seu público usuário (docentes e estudantes), de forma a divulgar o
conhecimento jurídico organizado e disponível na Biblioteca. Eventos, palestras,
exposições do acervo, visitas monitoradas e treinamentos, publicação e distribuição
de material informativo são exemplos destas ações.
5 CONCLUSÕES
Uma das conclusões de Krzys (2003) a respeito da historiografia
biblioteconômica refere-se ao predomínio do pragmatismo entre os bibliotecários.
Entre 1876 e 1930, os bibliotecários concentraram suas preocupações nas questões
práticas e negligenciaram a escrita da história de suas bibliotecas. A mesma
conclusão aplica-se à Biblioteca da FDUSP, independentemente do período. Muitas
informações foram extraídas de registros públicos oficiais como os livros manuscritos
da Biblioteca do século 19 e publicações periódicas como a Revista da Faculdade
de Direito da USP. Outra fonte relevante foram artigos técnicos sobre os serviços
bibliotecários com enfoque no relato de experiência da Biblioteca, dos quais foram
extraídos elementos para análise.
Outra das conclusões de Krzys (2003) é que atualmente a história das
bibliotecas é escrita por instituições acadêmicas na forma de dissertações de
mestrado e teses de doutorado. Observa-se que a abordagem da Biblioteca da
FDUSP foi feita da mesma forma: Carneiro (2007) e Daecto (2001) são exemplos do
estudo da história da Biblioteca no âmbito acadêmico sob o aspecto da prática da
leitura. No tocante às questões técnicas e profissionais da biblioteconomia
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relacionadas à Biblioteca da FDUSP, não foram localizados documentos na forma
de teses e dissertações, mas trabalhos apresentados em eventos.
Para recuperar a memória das bibliotecas e permitir o estudo da organização
do conhecimento é indispensável a preservação dos registros históricos das práticas
profissionais biblioteconômicas. No estudo em questão destacam-se os documentos
manuscritos (livros de correspondência e inventário), catálogos impressos, trabalhos
que resgatam estes documentos originais (ELLIS, 1952), bem como os relatórios de
atividades que embasaram vários dos trabalhos apresentados em eventos.
Butler (1933) apresenta a biblioteca como um aparelho social para transmitir a
memória preservada da humanidade ao inconsciente dos indivíduos, “criada para
atender a necessidades reais da civilização moderna.” O bibliotecário, além de
organizador do conhecimento registrado, para atender à finalidade da biblioteca de
preservação e transmissão do conhecimento, pode atuar como estudioso, historiador
de sua instituição. Em suma, pode atuar na organização do conhecimento em duas
frentes: a prática e a teórica.
No caminho do seu bicentenário em 2025, a Biblioteca da FDUSP enfrenta os
desafios da organização do conhecimento jurídico nas primeiras décadas no Brasil
do século 21, marcadas pelo constante crescimento da produção editorial, pela
multiplicidade e dispersão de fontes de informação e pelo perfil multigeracional dos
usuários.
Considerando o papel desempenhado pela Biblioteca nos primeiros dois
momentos selecionados, no século 19 e década de 1930, quando foi marco na
organização do conhecimento jurídico no período, seu maior desafio presente
repousa na continuidade de sua capacidade de adaptação e resposta à sociedade
da informação e do conhecimento.
REFERÊNCIAS
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bibliotecas universitárias: avaliação do impacto dos projetos financiados pela
FAPESP para o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo
(SIBi/USP). São Paulo: SIBi/USP, 1999.
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BEFFA, M. L.; NAPOLEONE, L. M. Da Biblioteca das Arcadas ao SBD Online: o
impacto da demanda de usuários por e-mail numa biblioteca jurídica tradicional. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTEÇÃO, 20.,
2002, Fortaleza. Anais. Publicado em CD-ROM.
BEFFA, M. L.; NAPOLEONE, L. M. Da primeira Biblioteca Pública Oficial da
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biblioteca de suas origens até a criação da USP. In: BITTAR, E. C. B. (Org.). História
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de S. Paulo, 4 de Fevereiro de 1857.

5384

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              <text>Organização do conhecimento juridico brasileiro: um caso de historiografia biblioteconômica</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>O conhecimento jurídico no Brasil é estudado a partir de um recorte de três momentos históricos de uma das mais antigas bibliotecas jurídicas brasileiras, com sua respectiva contextualização. O primeiro momento engloba a discussão de criação dos cursos jurídicos, a fundação da Primeira Biblioteca Pública Oficial da Província de São Paulo e a instalação da Academia de São Paulo na década de 1820. Representa o esforço de construção de uma soberania nacional no âmbito intelectual e político e de formação de quadros de bacharéis para a administração do país, poucos anos após a Declaração da Independência. O primeiro inventário do acervo e a elaboração do primeiro catálogo constituem uma primeira iniciativa de organização do conhecimento jurídico. Passa-se para o segundo momento na década de 1930 com a reconstrução física da Faculdade de Direito e reestruturação da Biblioteca sob influência das mais modernas técnicas biblioteconômicas à época. Destaca-se a catalogação, classificação e indexação de livros e artigos de periódicos em fichas. Insere-se num momento de criação de cursos de Biblioteconomia no Estado de São Paulo, e de construção do estado moderno brasileiro no âmbito político. O último momento refere-se à implementação de novas tecnologias e serviços e iniciativas de controle  bibliográfico em nível interno, entre o final da década de 1980 e a década de 1990, com destaque para a implementação de serviços de alerta e disponibilização de bancos de dados na Internet. Finalmente, apontam-se as perspectivas e desafios da organização do conhecimento jurídico no Brasil do início do século 21.</text>
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