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                  <text>Projeto Criança: Ler e Escrever com prazer
Alice Alves da Silva (EMEB) - alice.silva@pbh.gov.br
Marília Lúcia de Paiva Andrade (EMEB) - marilia.andrade@pbh.gov.br
Maria das Dores Rodrigues Maciel (EMEB) - maria.maciel@pbh.gov.br
Adeilde Aparecida Peres (EMEB) - de.peres@pbh.gov.br
Rosiane Maura Candida Nascimento (EMEB) - rosianemaura@hotmail.com
Resumo:
A associação entre leitura e escrita é uma das grandes preocupações dos
educadores que trabalham no ensino fundamental. Ora enfatiza-se um dos
aspectos, ora outro. Há sim, uma certa ansiedade em se exigir da criança uma boa leitura e
uma grafia correta. A proposta do presente trabalho é não só aliar o ensino da leitura e escrita
de forma concomitante e em sintonia, como também utilizar-se dos recursos do teatro como
facilitador do processo. Nesta perspectiva a criança foi
se apropriando das habilidades de leitura e escrita de forma lúdica e prazerosa, permitindo ao
professor resultados mais atraentes para o desenvolvimento do seu trabalho.
Palavras-chave: Leitura. Escrita. Arte e educação. Teatro no fazer pedagógico.
Área temática: Bibliotecas Escolares

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis, SC,
Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

Projeto Criança: Ler e Escrever com prazer
Resumo:
A associação entre leitura e escrita é uma das grandes preocupações dos
educadores que trabalham no ensino fundamental. Ora enfatiza-se um dos
aspectos, ora outro. Há sim, uma certa ansiedade em se exigir da criança uma boa
leitura e uma grafia correta. A proposta do presente trabalho é não só aliar o ensino
da leitura e escrita de forma concomitante e em sintonia, como também utilizar-se
dos recursos do teatro como facilitador do processo. Nesta perspectiva a criança foi
se apropriando das habilidades de leitura e escrita de forma lúdica e prazerosa,
permitindo ao professor resultados mais atraentes para o desenvolvimento do seu
trabalho.
Palavras-chave: Leitura. Escrita. Arte e educação. Teatro no fazer pedagógico.
Área Temática V: Bibliotecas Escolares

1 – INTRODUÇÃO
Nossa escola está situada na região de Venda Nova, periferia da cidade de
Belo Horizonte – MG. Atende alunos do 1º e 2º Ciclos do Ensino Fundamental, com
idades entre 6 e 12 anos. A escola tem um histórico de preparar bem seus alunos,
pois se preocupa não só com a formação, mas acima de tudo com a inserção destes
na sociedade como sujeitos modificados.
Fomos convidadas para participar do Projeto Criança. Na proposta encontros
de formadores, multiplicadores e lideranças fora de Belo Horizonte. Duas
professoras foram sorteadas e se prepararam para a viagem.
No retorno fizeram o repasse. O espaço estava preparado: mesas enfeitadas,
projeção de filme, música, muita motivação. As palavras de ordem do dia eram
Clube de Leitura, Diário de Bordo, Arte e Educação, Leitura de Clássicos.
As informações foram recebidas com uma certa reserva, o que é perfeitamente
normal, pois segundo Lerner (2002) “coordenar as perspectivas dos participantes de

1

�uma capacitação docente está longe de ser simples”

1

mas sem deixar de levar em

conta os objetivos do Projeto, que na verdade eram os objetivos da escola, construir
junto com os alunos caminhos para uma leitura prazerosa e sistemática e para a
elaboração de textos próprios ou baseados em textos lidos.
Mas como inserir este projeto dentro do Currículo? Como criar novos tempos
e espaços? Como envolver o grupo de professoras como um todo? A coordenação e
as professoras do projeto, buscavam uma resposta. Muitas diziam: “ dentro da
minha aula não cabe tudo isso”; “ eu já trabalho assim nas minhas aulas”....
Nesse momento foi necessário uma parada para refletir sobre qual era de fato
o desejo da escola e quanto e como cada um dos envolvidos poderia contribuir para
a efetivação do Projeto. Sair do lugar comum era mister, pois como afirma Lerner,
Articular a teoria da aprendizagem com as regras e
exigênciasinstitucionais está longe de ser fácil: é preciso
encontrar outra maneira de administrar o tempo, é preciso criar
novos modos de controlar a aprendizagem, é preciso
transformar a distribuição de papéis do professor e do aluno
em relação à leitura, é preciso conciliar os objetivos
institucionais com os objetivos pessoais dos alunos... 2
Assim, aproveitando a organização flexível já desenvolvida com uma turma da
escola, aula geminada com duas horas de duração, determinou-se estender a
experiência a todas as turmas do segundo ciclo. Dessa forma estavam resolvidos
os impasses quando e onde. Em uma equipe de quatro professoras uma assumiu
a arte educação e outra língua portuguesa - resolvendo o problema quem. O
suporte do trabalho coube à direção/coordenação, à equipe da biblioteca
-bibliotecária, auxiliares de biblioteca e estagiárias e à secretaria.
2 – PROJETO CRIANÇA - DO QUE SE TRATA?
Necessário se faz que, antes do relato específico da experiência vivida ,
esclareçamos que o referencial e a formação do corpo docente que implantou o
projeto na escola foi desenvolvido por uma equipe do Cenpec - Centro de Estudos e
1
2

LERNER, 2002, p.17.
LERNER, 2002, p.69.
2

�Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária e financiado pelo Instituto
Algar/CTBC de Responsabilidade Social.
De fato, o projeto foi realmente tomando forma com o decorrer das ações e
atividades propostas e realizadas pelo grupo das escolas selecionadas para o
projeto piloto, pois como afirma Lerner (2002) “elaborar uma boa versão( de um
projeto ou ação) necessita não só de muitos ensaios, como também de uma
reflexão critica e profunda sobre o que se está realizando”. 3
Em síntese, o projeto pode ser assim explicado:
Projeto Criança é uma iniciativa do Instituto Algar de
Responsabilidade Social que tem como foco o ensino e a
aprendizagem da leitura e escrita da língua portuguesa. O
Cenpec foi responsável pelo desenvolvimento de uma proposta
curricular que articulasse a língua portuguesa e a arte
educação. Adequando-se à realidade local, o projeto trabalhava
a leitura dos clássicos da literatura aliados a festas e folguedos
populares da localidade (festas locais como folia de reis e
cavalgada) combinados à utilização do teatro como ferramenta
para melhorar as competências leitoras.(...) algumas das
escolas participantes tiveram resultados expressivos no Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB. 4
Em sua gênese o Projeto Criança partiu da ideia de que fosse possível uma
articulação entre o ensino da língua e a arte educação. Para tanto apresentava
quatro subprojetos: O Clube de Leitura, O Diário de Bordo, o Teatro na Língua
Portuguesa e o Teatro no fazer artístico.
3 – CLUBES DE LEITURA - NOVIDADE OU REEDIÇÃO?
Como o primeiro subprojeto os Clubes de Leitura foram implantados em
todas as turmas do segundo ciclo e em algumas do primeiro. O processo não foi
complicado pois qual de nós, dentro da faixa dos 40 anos, não se lembra dos
famosos “Clubes de Leitura”? As lembranças são sempre gostosas. Será que
alguém ainda se lembra do formato? Como era constituído? Quais eram as
atribuições dos membros? Que atividades eram realizadas pelos clubes?
3
4

LERNER,2002, p.79.
(http://www.cenpec.org.br/modules/home, consultado em 31/07/09).
3

�No Projeto Criança o eixo norteador é o mesmo: um grupo fixo de alunos, um
deles é escolhido como presidente e outro como secretário. O diferencial dessa nova
versão é a inclusão da escrita como uma das habilidades a ser desenvolvida.
Sistematicamente, na maioria das turmas o Clube funciona assim: semanalmente,
os alunos pegam emprestado livros na Biblioteca, leem e na semana posterior,
registram os dados (título, autor,etc), fazem a avaliação da obra e resumem o
enredo no caderno de literatura. Cada componente do clube de leitura, lê em voz
alta seu resumo para os demais do grupo, que escolhem a melhor história. Esse
resumo escolhido é registrado pelo secretário do grupo no caderno do Clube.
Outra atividade também realizada dentro do Clube é a leitura em voz alta feita
pela professora, em capítulos, de um livro por ela escolhido ou sugerido pelos
alunos. Os alunos fazem os registros necessários para a compreensão da história.
No final a professora relaciona algumas perguntas que deverão ser respondidas
usando-se a memória e alguns recursos dos registros do caderno. Essa atividade
encontra respaldo na teoria de Lerner (2002), que afirma
Participar da cultura escrita supõe apropriar-se de uma tradição
de leitura e escrita, supõe assumir uma herança cultural que
envolve o exercício de diversas operações como os textos e a
colocação em ação de conhecimentos sobre os textos; entre
eles e seus autores; entre os próprios autores entre os autores,
os textos e seu contexto... 5
É importante frisar que essa sistematização do processo da leitura é deveras
enriquecedora e contemplada por vários autores em seus estudos como Jolibert
(1994) que afirma que ler para nutrir e estimular o imaginário pressupõe a leitura
individual, em duplas, silenciosa.
4 – DIÁRIO DE BORDO - COMO USAR ESSE INSTRUMENTO?
O segundo subprojeto contemplado dentro da proposta é o Diário de Bordo.
Para a aproximação com o gênero houve a leitura do livro Diário escondido de
Serafina, da escritora Cristina Porto. A leitura foi inicialmente feita pelas professoras,
depois em duplas, coletiva e individualmente de forma a chamar a atenção dos
5

LERNER, 2002, p.17.
4

�alunos para as marcas características do gênero: data, subjetividade, registro de
uma situação definida, dirigir-se a um leitor interessado e a produzir individualmente.
Quando o diário é trazido e apresentado para a turma mostrando qual é o seu
sentido e significado, é possível construir e estabelecer uma relação de grande
proximidade com a leitura e escrita porque nele se registrará fatos, acontecimentos
importantes ou corriqueiros que a turma julgar pertinente naquele momento. E, isso,
independe do nível de compreensão com o domínio da escrita pois é possível
construir um diário com turma onde o professor no primeiro momento é o escriba.
Adotar essa prática, no cotidiano escolar, foi e tem sido motivo de grande
incentivo para as crianças, independente do ano no ciclo, pois elas afetivamente
criam um laço muito forte de amizade com seu diário e registram com tanta
autonomia e propriedade que mesmo ainda em processo de alfabetização e
letramento, demonstram durante a leitura em voz alta, a preocupação com o ouvinte
entoando bem a voz e pontuando corretamente, mesmo quando se percebe que na
escrita não houve esse cuidado. Essa assertiva nos remete a Scheneuwly (2004)
quando afirma que “os textos escritos ou orais que produzimos diferenciam-se uns
dos outros e isso porque são produzidos em condições diferentes.”6
Às vezes, durante o processo, surgem dificuldades em controlar a ansiedade
em relação à escrita das crianças que apresentam muitos “erros” ortográficos, de
concordância e pouco domínio em relação à pontuação. Mas com o tempo a
percepção se aguça e os avanços se tornam perceptíveis a quem acompanha de
perto a classe e até mesmo àqueles que, esporadicamente, vivenciam a prática.
5 – O TEATRO NA LÍNGUA PORTUGUESA E O TEATRO NO FAZER ARTÍSTICO
Até esse ponto o Projeto fluía bem,mas havia um certo descompasso na hora
de incorporar à prática os outros dois subprojetos - O Teatro na Língua Portuguesa e
o Teatro no Fazer Artístico. Aquele deveria ser incorporado ao Clube de Leitura, com
a iniciação da leitura de obras literárias para o teatro. O segundo consistia no
desenvolvimento de jogos teatrais para aumentar a expressividade dos alunos.
A leitura dos textos dramáticos mostrou-se complexa para a compreensão das
6

SCHENEUWLY, 2004, p.97.
5

�crianças, pois as marcas do gênero - diálogos, rubricas, indicação de fala sobrepunham-se à compreensão delas. Sabemos que não é lendo textos fáceis que
se chega à leitura dos mais difíceis, mas devido à pouca idade das crianças , houve
um ajuste ao formato inicial, respaldo encontrado nas teorias de Lerner (2002),
quando ela afirma que
A escola é uma instituição que tem a responsabilidade de
adequar os saberes às possibilidades cognitivas e aos
conhecimentos prévios que as crianças têm em determinado
momento.7
Trechos de textos narrativos eram reescritos e dramatizados nas aulas de arte
e educação. Dessa forma o teatro perdeu um pouco de espaço mas o novo formato
mostrava resultados bastante significativos.
A utilização da modalidade leitura em voz alta nesse processo é o grande
diferencial. Durante os “ensaios” toda a dramaticidade e entonação é vivenciada
com essa prática. As correções e os acertos são efetivados nesse momento. E é
perfeitamente visível a evolução na leitura das crianças, principalmente no que tange
à desinibição, socialização, preocupação com a pontuação, entonação apropriada,
expressão facial e corporal, atenção, etc.
Outro ponto de relevância a ser destacado foi que esse formato eliminou da
Escola o “teatro” somente como um fim em si mesmo, passando a fazer parte da
rotina no aprendizado da língua portuguesa, tanto na leitura quanto na escrita.
Nesse aspecto é bom lembrar as palavras de Scheneuwly (2004) que afirma ser
possível ensinar a escrever textos e exprimir- se oralmente em diferentes situações.
6 – LEITURA DE UM CLÁSSICO - UM GRAN FINALE?
Como então amarrar todos esse alinhavos de atividades em uma estrutura de
rotina para a leitura dos grandes clássicos da literatura mundial? A proposta é a
elaboração de uma sequência de atividades, divididas em ateliês. Como sugestão
das formadoras do Projeto Criança parte-se de uma festa popular (Carnaval,
congadas, Folia de Reis, Páscoa...) até a leitura do livro escolhido passando por
7

LERNER, 2002, p.69.
6

�várias atividades de leitura, escrita, jogos teatrais, pesquisa. O desenvolvimento de
uma sequência envolve todo o coletivo da escola, pois nela são propostas atividades
interdisciplinares (multidisciplinares).
No organograma apresentamos um esquema com a síntese de atividades
para a leitura de alguns clássicos. É apenas um esboço, pois a montagem completa
de uma sequência de atividades, depende da realidade pedagógica e organizacional
de cada escola.
Quadro 1 – Síntese do organograma de atividades

Ponto de
partida

Livro

Técnicas de
Leitura

Produção Textual

Festa Junina

Romeu e Julieta

Em voz alta pela
professora
Em dupla pelos
alunos
Em voz alta pelos
alunos

Convite
Recado
Carta

Cavalhada,
congada

Robin Hood

Em voz alta pela
professora
Em voz alta pelos
alunos
Dramatizada

Contos (narrativas) de
aventura

Movimento Hip
Hop

Corcunda de
Notre Dame

Em voz alta pela
professora e
pelos alunos.
Silenciosa

Reescrita e produção
de Rap’s

7 – A BIBLIOTECA DA ESCOLA - QUAL O SEU PAPEL NO DESENVOLVIMENTO
DO PROJETO?
O papel desempenhado pela biblioteca nesse projeto foi aquele que de
direito, lhe cabe: ser a mola propulsora da leitura, ser a grande articuladora das
ações desenvolvidas.
A biblioteca escolar como lugar de formação de leitores deve estar sempre
aberta e ser interativa com seus usuários. “O leitor não é formado somente dentro
da sala de aula, mas a partir de toda uma bagagem cultural herdado do grupo

7

�familiar, da comunidade”8. Uma biblioteca com acervo de qualidade, por si só, não
garante o seu bom funcionamento, é preciso que o acervo seja bem trabalhado
usando-se atividades diversificadas de modo a propiciar a vontade e o gosto pela
leitura. Dessa forma a biblioteca desenvolveu as seguintes atividades de acordo com
a leitura dos livros propostos:
Romeu e Julieta: Pesquisa de corredor – (Festa junina) Quadrilha; Além da
dança; Tradições e crendices; Comidas típicas; Apresentação do filme Romeu e
Julieta com “ A turma da Mônica “.
Hobin Hood: Pesquisa de corredor – História dos calendários; Origem da festa
da Semana Santa; Congada; Cavalhada; Símbolos Pascais. Exposição de figuras de
heróis desenhadas pelas crianças.
Corcunda de Notre Dame: Pesquisa de corredor – Cultura do Hip Hop nos
EUA e no Brasil; Elementos da cultura Hip Hop; Dança e cultura ciganas; Danças
tradicionais brasileiras (catira, samba, congada). Museu de imagens: gravuras,
livros, desenhos, mapas relacionados à França no período em que se passa a
história. Apresentação, em Power Point, da biografia e bibliografia do autor Victor
Hugo.
Nesta proposta de trabalho a biblioteca fez uma boa interação com a sala de
aula, no que diz respeito ao projeto criança. Junto ao clube de leitura pode garantir a
circulação de livros dos mais diversos gêneros, propiciando a oportunidade de
conhecê-los, apreciá-los e produzir novos textos.
Segundo Silva (2005) a leitura mais produtiva é aquela capaz de gerar a
reorganização das experiências do leitor em nível individual e coletivo, aquela capaz
de gerar o máximo de conflito entre as interpretações.
Já o diário de bordo garantiu o registro das experiências com a leitura, com a
produção de textos e com os jogos. “Mais do que mera atividade lúdica, o jogo
constitui-se como o cerne da manifestação da inteligência no ser humano” 9
O conhecimento de outros gêneros textuais dá embasamento para o aluno
transformar um texto narrativo em um texto dramático. Isto só se tornou possível
graças às diversas leituras feitas anteriormente nos clubes de leitura. Este trabalho
foi garantido pela diversidade do acervo da biblioteca que abriga vários gêneros. A
8
9

HIGINO, 2007, p.118.
SPOLIN, 2008, p.29.
8

�parceria das professoras com as profissionais da biblioteca garantiram o bom
andamento do projeto, pois além do suporte e acesso ao acervo estes profissionais
participaram ativamente do processo.
8 – E AS PEDRAS NO CAMINHO...
Sabemos que alterar rotinas não agrada a todos, principalmente levando-se
em consideração espaço tão plural como a escola de 1º e 2º Ciclos. Dificuldades
foram enfrentadas, mas deixaremos registradas aqui as três mais significativas e
que mais comumente são enfrentadas. A primeira é, sem dúvida, a cultura escolar
ainda se ater à ideia primária de que a leitura literária é de responsabilidade da
disciplina Língua Portuguesa (Literatura); a segunda, e mais significativa no nosso
caso, é o sistema de avaliações frequentes – internas, municipal (Avalia BH),
estadual (Simave) e federal (Prova Brasil). O tempo gasto para o processo das
avaliações tornou-se um dificultador, uma vez que havia um conteúdo curricular a
ser respeitado; ainda nos cabe registrar uma terceira: a biblioteca escolar não dispõe
de um espaço específico na grade curricular, pois como salienta Campello (2010) “a
biblioteca escolar é bastante conhecida como estoque de livros e informações”.
Cabe, portanto, aos profissionais em atuação nas bibliotecas escolares driblarem
esse conceito e transformar a biblioteca em um lugar de ensino e aprendizagem
equivalente às salas de aulas. O desafio foi lançado e, apesar dos desencontros
curriculares, a biblioteca escolar se fez presente, não como coadjuvante mas como
parte atuante no desenvolvimento do Projeto.
9 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
A aventura dessa experiência teve um poder de transformação na rotina de
trabalho na nossa escola. Em nenhum outro momento temos a oportunidade de ver
uma interação e uma integração tão grande entre todos os funcionários, que são
transformados de uma hora para outra em um agente do Projeto: o porteiro afixa a
cortina, a auxiliar de serviço prepara as roupas, a mecanógrafa prepara as cópias do
texto,

os

profissionais

da

secretaria

gerenciam

a

materialidade,

a

9

�direção/coordenação viabiliza o onde, o quando e o como, as profissionais da
biblioteca se multiplicam para atender a todas as demandas, e as professoras?
Essas, “arregaçam as mangas” e fazem a festa acontecer.
10 – REFERÊNCIAS
CAMPELLO, Bernadete. A competência informacional na educação para o século
XXI. In.: A biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica. 2. ed. Belo
Horizonte: Autêntica, 2003.
HIGINO, Anderson, BARBOSA, Clarisse, PEREIRA, Maria Antonieta. Formando
leitores de telas e textos. Belo Horizonte: Linha Editorial Tela e Texto, FALE/UFMG,
2007.
JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras. Porto Alegre. Artmed. 1994.
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário;
tradução Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2002.
MATE, Alexandre. Um olhar sobre a história e o fazer teatral. In.: Educação com
arte / ideias. São Paulo: FDE, 2004.
PROJETO CRIANÇA. Disponível
.Acesso em: 31 de julho de 2009.

em

http://www.cenpec.org.br/modules/home

RIBEIRO, Jonas. Colcha de leituras: unindo amores. Alinhavando leitores... São
Paulo: Elementar, 2002
SCHENEUWLY, Dolz ET al. Gêneros orais e escritos na escola. São Paulo: Mercado
de letras. 2004.
SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura na escola e na biblioteca. Campinas, SP:
Papirus, 2005.
SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula. São Paulo: Perspectiva, 2008.

10

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              <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
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              <text>A associação entre leitura e escrita é uma das grandes preocupações doseducadores que trabalham no ensino fundamental. Ora enfatiza-se um dosaspectos, ora outro. Há sim, uma certa ansiedade em se exigir da criança uma boa leitura e uma grafia correta. A proposta do presente trabalho é não só aliar o ensino da leitura e escrita de forma concomitante e em sintonia, como também utilizar-se dos recursos do teatro como facilitador do processo. Nesta perspectiva a criança foise apropriando das habilidades de leitura e escrita de forma lúdica e prazerosa, permitindo ao professor resultados mais atraentes para o desenvolvimento do seu trabalho.</text>
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      <name>cbbd2013</name>
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