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                  <text>Biblioterapia e a Recepção da Literatura
Miriam Lúcia de Almeida (UEL) - miriam10_almeida@hotmail.com
Sueli Bortolin (UEL) - bortolin@uel.br
Resumo:
A biblioterapia é uma proposta de trabalho multidisciplinar que tem uma relação com o bem
estar de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Ela é composta por narrativas ou
leituras terapêuticas, que ao serem desenvolvidas, em geral, propiciam a reabilitação
emocional dos indivíduos. O bibliotecário precisa perceber que a biblioterapia é um campo de
atuação de grande valia que pode auxiliá-lo nas atividades de leitura.
Palavras-chave: Biblioterapia. 2. Contação de histórias. 3. Recepção da literatura
Área temática: Bibliotecas Escolares

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis,
SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Biblioterapia e a Recepção da Literatura

RESUMO
A biblioterapia é uma proposta de trabalho multidisciplinar que tem uma relação com
o bem estar de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Ela é composta por
narrativas ou leituras terapêuticas, que ao serem desenvolvidas, em geral, propiciam
a reabilitação emocional dos indivíduos. O bibliotecário precisa perceber que a
biblioterapia é um campo de atuação de grande valia que pode auxiliá-lo nas
atividades de leitura.
Palavras-chave: 1. Biblioterapia. 2. Contação de histórias. 3. Recepção da literatura.
Área Temática V: Bibliotecas Escolares
1 INTRODUÇÃO
Os projetos de leitura no Brasil nesses últimos anos vêm se ampliando
consideravelmente, mas os investimentos e ações ainda estão enfraquecidos,
acarretando ao cidadão muitas perdas no seu conhecimento.
O baixo índice de acesso à leitura é um dos pontos que agravam a nossa
educação que é tão debilitada. O livro com seu preço alto, não possibilita que a
maioria das pessoas o compre isso faz com que elas se distanciem da leitura
podendo dificultar o desenvolvimento do seu senso crítico, tornando-o incapaz de
mudar o contexto ao seu redor e ampliar sua percepção da leitura como um todo,
impedindo sua formação como cidadão que conhece seus direitos e deveres.
Para que os alunos comecem a gostar da leitura, os livros a eles destinados
têm que cativá-los, para que, além de despertar uma identificação, desperte neles o
prazer, o interesse, o gosto por ler obras literárias.
O bibliotecário é o profissional que em projetos de leituras nas bibliotecas,
escolas, creches, centros comunitários, hospitais, asilos e presídios, pode ser o
mediador da leitura, e assim proporcionar uma melhoria de vida e de bem-estar aos
leitores.
Para aplicar a Biblioterapia usam-se como instrumento de mediação as
leituras literárias, narrativas e contação como: contos de fábulas e de mistérios,
músicas, teatros, fantoches e filmes.

�Na Biblioterapia a leitura é uma conversa com o autor, leitor e o narrador de
textos, escrito ou falado, fazendo com que o leitor sinta-se emocionalmente motivado
às mudanças que façam a diferença na sua vida.
A contação de histórias é uma atividade significativa, quando bem narrada e
interpretada, assim suscita no ouvinte, criança, jovem ou adulto, que ele pense sobre
o que acontece na história.
Acreditamos que com a Biblioterapia, por meio da contação de história seja
possível influenciar positivamente as crianças, em especial, aquelas que passam
praticamente o dia todo longe do seu ambiente familiar; nesse grupo incluímos
aquelas que estão matriculadas nos primeiros anos da Educação Infantil.
Com esse trabalho esperamos provocar no bibliotecário escolar o interesse
em ampliar as pesquisas nessa área. Sabemos que esse profissional possui
competência diante de atividades técnicas, e exercer o papel de mediador da
informação e o usuário. Atualmente os profissionais de várias áreas têm uma
preocupação social, e a Biblioterapia pode ser esse elo entre o bibliotecário e o
indivíduo.

2 MARCO TEÓRICO
2.1 Criança: surgimento e desaparecimento de seu conceito

Buscando entender o indivíduo na fase infantil, procuramos a concepção do
conceito de criança em diferentes fases da história da humanidade. Apoiados em
Philippe Ariès na obra História Social da Criança e da Família, observamos que
houve muitos avanços no significado de infância, mas isto aconteceu muito
lentamente. Na Idade Média a criança era tida como um objeto, um ser que não era
considerado capaz de ter seus próprios pensamentos, sentimentos e ações.
Em sua obra Ariès (1981), diz não existir o sentimento de infância no período
da Idade Média na França Medieval. E é a partir dos elementos iconográficos que
ele faz uma análise dos diferentes sentimentos de infância. Neste período as
crianças estão inseridas no mundo dos adultos e participam das mesmas atividades,
inclusive orgias, enforcamentos públicos, trabalhos forçados nos campos, sendo
alvos de vários tipos de brutalidades pelos adultos, não havendo assim quase
nenhuma diferença entre elas e os mais velhos.

�A descoberta da infância começou sem dúvida no século XIII, e sua
evolução pode ser acompanhada na história da arte e na iconografia dos
séculos XV e XVI. Mas os sinais de seu desenvolvimento tornaram-se
particularmente numerosos e significativos a partir do fim do século XVI, e
durante o século XVII. (ARIÈS, 1981, p. 65).

Na busca da descoberta do que é infância nestes séculos, percebemos toda
a trajetória e o significado dessa faixa etária. As famílias tinham costume de retratar
as crianças em obras de arte e isso ocorria de diversas formas, algumas tinham o
semblante de adultos, mas com o tamanho reduzido. Outras eram pintadas como
modelos. Tinham também crianças com outras crianças e em família. Algumas
famílias as retratavam em seus quadros mesmo se elas já estivessem mortas.
Em seu livro Ariès (1981) destaca duas teses principais. Primeiramente,
afirma que na Idade Média a sociedade tradicional não via diferença entre a criança
e o adulto. Posteriormente ele mostra a transformação que a família e a criança
tiveram e quando estas passam a ocupar um lugar mais respeitoso na sociedade. O
afeto, nesse período, não era exposto entre a família, posteriormente, tornou-se
muito evidente a afeição, entre os cônjuges e entre pais e filhos.
Assim a criança passa a ser o centro da família saindo do lugar que lhe era
posto em tempos passados. É a partir deste momento que o conceito de infância se
confirma pela estima que a família dá a criança quando ela passa dos cuidados das
amas para os cuidados dos pais e, em seguida, da escola.
Outro momento típico na descoberta da infância são os trajes que elas
usavam. Nesta época, não havia um traje específico para as crianças, a
preocupação era mostrar a que classe elas pertenciam. Analisando as roupas que
elas usavam, o autor percebeu que não havia diferença entre as delas com as dos
adultos. Os trajes só foram se modificando conforme essas crianças eram
percebidas como diferentes dos adultos.
A adoção de um traje peculiar à infância, que se tornou geral nas classes
altas a partir do fim do século XVI, marca uma data muito importante na
formação do sentimento da infância, esse sentimento que constitui as
crianças numa sociedade separada dos adultos. (ARIÈS, 1981, p. 77).

É no momento desta mudança que as crianças começaram a ser percebidas
como “[...] pessoas que falavam de modo diferente dos adultos, que passavam seus
dias de modo diferente, vestiam-se de modo diferente, aprendiam de modo diferente
e no fim das contas pensavam de modo diferente” (POSTMAN, 1999, p. 59), e
assim, a diferença no trato com os adultos passa a ser grande.

�Historicamente o sentimento pela infância, passa a ter dois momentos, no
primeiro quando a criança ainda era paparicada pela sua família e no segundo
quando a sua formação passa pela educação, bem estar físico e saúde. Assim a
infância é percebida como uma fase da vida que exige cuidados específicos da
idade. Na Idade Média os fundadores de colégios conseguiram prolongar a infância
com suas orientações e disciplinas. No começo não foram feitas distinções a idade,
pois essas instituições não eram dirigidas especificamente a educação da infância.
As escolas eram frequentadas por diversas crianças de várias faixas etárias,
a idade não era um fator que pudesse dizer a que classe pertencia.
A escolaridade ainda não era tida como necessária e muitos dos jovens
preferiam partir para as tropas de guerra, como afirma Ariès (1981, p. 188) “[...]
jovens nobres ignoravam o colégio, evitavam a academia e se uniam sem delonga
às tropas em campanha”. Como não eram todos que iam para as escolas muitos
deles permaneciam livremente com comportamentos de adultos.
Se os meninos eram encaminhados às escolas, as meninas por sua vez,
não tinham escolha, eram excluídas. Na infância iniciava-se o preparo para o
casamento para a maioria das meninas. Elas não tinham quem lhes ensinassem
educação, para elas eram passadas as aprendizagens domésticas. A orientação era
feita por suas mães ou outras mulheres; conforme afirma Ariès (1981, p.190) elas
“[...] mal sabiam ler e escrever”. Eram ensinadas a estas meninas as virtudes que
deviam ter para constituir família.
Vale destacar que a escolarização não foi somente na família burguesa, mas
também entre os artesãos e camponeses. Com este ciclo escolar a linguagem da
infância passou a se diferenciar da fala dos adultos. As crianças começaram a
expressar os seus desejos por meio da escrita e da leitura.
Para que houvesse uma mudança na relação e no tratamento da criança, o
adulto, primeiramente, teve que alterar seu pensamento e seu conceito a respeito
dela. Nestes séculos houve muitas transformações sociais, com invenções que
mudariam o cotidiano dos adultos. Uma das invenções que foi um marco na história
foi a prensa tipográfica, quando começou a proliferação dos livros. Com isso os
adultos passam a ser leitor e, deixam a oralidade natural e se isolam no seu mundo
pessoal.
Podemos afirmar que com o avanço na leitura as crianças formam-se
leitores, podendo fazer suas próprias análises dos símbolos. Assim nas escolas é

�imposta uma disciplina bastante rigorosa, pais e professores começam a perceber
as diferentes expressões destas crianças.
É através desta evolução que surge a infância, a criança deixa de ser um
adulto em miniatura e passa a ser indivíduo, tendo seus direitos e deveres. Seus
trajes agora são apropriados ao seu tamanho, sendo mais confortáveis.
No entanto, com a revolução tecnológica as crianças começam a obter
conhecimentos que só dizia respeito aos adultos. Este novo conhecimento fez com
que as crianças intensificassem a própria personalidade. E é com esta mesma
revolução que “[...] à infância começou a ser desmontada vagarosa e
imperceptivelmente”. (POSTMAN, 1999, p. 82).
No livro O Desaparecimento da Infância o autor nos apresenta que a
tecnologia fez com que a infância tomasse o seu caminho, mas também fez com que
ela desaparecesse. “A percepção de que a linha divisória entre a infância e a idade
adulta está se apagando rapidamente é bastante comum entre os que estão atentos
e até pressentida pelos desatentos”. (POSTMAN, 1999, p. 12).
No mundo moderno os meios de comunicação funcionam como veículos que
trazem rapidamente informações à sociedade. Para a criança as mensagens
comunicacionais vêm primeiramente através da televisão que é um canal rápido que
pode transformar uma infância, em especial, a TV aberta que tem uma programação
voltada prioritariamente aos adultos, sendo muito raro programas com assuntos
infantis. Os programas que se denominam infantis são mais parecidos com os de
adultos, assim a mídia hoje retrata uma criança como na Idade Média, isto é,
pequenos adultos.
Numa sociedade em que a informação é importante e veiculada com
rapidez, duas instituições são de muita importância para que o desaparecimento da
infância não aconteça: a família e a escola.
A família atualmente vem sofrendo com o desaparecimento da infância, com
crianças que vivem um “mundo adulto”, com roupas não apropriadas, tanto meninos
quanto meninas começam a trabalhar cedo, sendo modelos, manequins, jogadores
de futebol ou vivendo no mundo do computador. Assim a família perde uma
conquista da Idade Média - o momento de paparicação e “[...] possivelmente como
resultado da ampliação da supremacia da mídia, muitos pais e mães perderam a
confiança de criar seus filhos porque acreditam que a informação e as aptidões que
têm para essa tarefa não são confiáveis.” (POSTMAN, 1999, p. 164).

�Em consequência disso, no relacionamento pai-filho, o pai e a mãe sentemse inseguros e procuram ajuda de profissionais que supostamente podem ensiná-los
a relacionar-se com os seus filhos.
A escola é uma instituição que aparentemente não deixará que a infância
desapareça. É na escola que podemos ver a diferença entre crianças e adultos, e
que estes adultos são os educadores. Postman (1999, p. 166) ressalta que “De uma
forma ou de outra, por mais diluído que seja o esforço, a escola permanecerá como
a última defesa contra o desaparecimento da infância”.
Escola e família devem fazer uma parceria, na intenção de não permitir a
redução do tempo de infância. Certamente crianças que usufruírem dessa parceria
terão um futuro mais favorecido, serão adultos com mais perspectivas de vida.
Postman (1999, p. 167) ao final de seu livro faz um alerta: a sociedade “está
a caminho de esquecer que as crianças precisam de infância. Aqueles que insistem
em lembrar prestam um nobre serviço.”
A sociedade ao reconhecer que as crianças precisam de infância,
possivelmente fará que o futuro delas seja promissor. Numa infância vivida com
respeito aos seus sentimentos é possível diferenciá-la dos adultos.
O Brasil atualmente possui uma população superior a 190 milhões de
habitantes, sendo que aproximadamente 71 milhões (32%) estão entre 0 e 19 anos
de idade. Essas crianças, adolescentes e jovens há muito tempo vem sofrendo
discriminações na sociedade, tanto racial, social e economicamente.
Essas discriminações são impostas pelas diferentes culturas que existem no
Brasil, um país formado por várias etnias ao longo de seus anos de Colônia e
República. A característica dessas crianças está ligada ao contexto social e
geográfico em que elas vivem.
Crianças vivem de forma diferente, em função de habitar na ribeirinha de
rios, ou no mundo rural, na floresta, ou na zona urbana. Somadas a essas,
há as infâncias marcadas pelas diferenças de classe, idade, gênero e as
particularidades específicas, como o tipo de família ou escola, os
equipamentos de lazer e cultura em geral aos quais a criança tem acesso
ou, pela forma como organiza politicamente a comunidade de origem, entre
tantos outros. (MÜLLER; MAGER; MORELLI, 2011, p. 69).

A partir de meados do século XIX, no Brasil, os juristas começam a pensar
em leis para proteger os abandonados, que se passou a denominar – menor. Esses
menores, sem assistência familiar, começam a receber atenção das igrejas e

�posteriormente do judiciário. São entregues às instituições para que lá sejam
reformados, pois, para a sociedade eles eram tidos como “seres tortos”.
Em 1990 entra em vigor uma legislação para as crianças e os adolescentes
brasileiros: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que lhes garante absoluta
prioridade nas políticas públicas.
Merece destaque alguns princípios básicos da filosofia do ECA:
O princípio básico exige um posicionamento claro e determinado a favor dos
direitos humanos. Exige a coerência com os valores de justiça, equidade,
dignidade, participação - significa a garantia da coautoria - nas decisões das
pessoas sobre os rumos de suas vidas. Assim, tanto a violação quanto a
observância das garantias dos direitos humanos podem ser encontrados
nos espaços públicos ou privados, na família, na escola, dentro de qualquer
instituição, ou de qualquer outro espaço que abriga, por algum tipo de
vínculo, uma pessoa, um grupo ou uma comunidade. (MÜLLER; MAGER;
MORELLI, 2011, p. 86).

Grandes

mudanças

ocorreram

no

tratamento

com

as

crianças

e

adolescentes com a implantação do ECA. Essas crianças não são vistas mais com
diferenças entre as classes. Todas são portadoras de direitos, com necessidades de
atenção, boa escola, alimentação e atendimento à saúde. Mas infelizmente, nem
tudo condiz com a realidade das crianças, muitas delas “[...] estão na escola porque
para suas famílias a escola é o caminho tradicional de socialização e formação
profissional”. (MÜLLER; MAGER; MORELLI, 2011, p. 95).
São numerosas as dificuldades para o pleno cumprimento do ECA. As
obstruções sociais e geográficas, muitas vezes impedem as crianças de usufruírem
seus direitos. Há por exemplo a dificuldade de locomoção e, dependendo do local é
muito difícil de chegar às instituições que lhes prestam serviços e amparo.
Nas escolas e centros de projetos, os recursos são passados pela Secretaria
da Educação do Estado e do Município, mas não correspondem às necessidades
para a execução dos programas.
Após 22 anos de vigência, o ECA, é responsável pelas mudanças positivas
na conduta dos adultos com as crianças e adolescentes. “Com certeza, estamos
diante de um projeto inacabado, mas prenhe de perspectivas auspiciosas para um
futuro [...] de convivência social mais justa e aprazível do que a que enfrentamos
hoje.” (MÜLLER; MAGER; MORELLI, 2011, p. 95).

�Assim está se instalando um novo jeito de convivência digna entre as
pessoas. Onde crianças e adolescentes possam conviver com os adultos, tendo
respeitados os seus direitos.
2.2 Biblioterapia

A leitura, além de proporcionar momentos de descontração, pode também
servir como remédio “para a alma”. Para abordarmos essa temática pesquisamos o
método de Biblioterapia.
A técnica é antiga, mas pouco conhecida ainda no Brasil. Essa técnica
estimula tanto enfermos, presidiários, idosos e crianças, cada qual em ambientes e
situações diferentes, através de leituras de livros, jornais e revistas a estabilizarem
suas emoções, frustrações, medos e angústias.
Ouaknin (1996, p. 11-12) ressalta que “A palavra „biblioterapia‟ é composta
de dois termos de origem grega, Biblio e Terapéia, „livro‟ e „terapia‟. Deste modo, a
„biblioterapia‟ é a „terapia por meio de livros‟”. O autor complementa que “[...]
biblioterapia é o uso dos materiais de leitura selecionados como auxiliares
terapêuticos em medicina e psiquiatria. Também: auxílio na solução de problemas
por meio de leitura dirigida”.
A técnica da Biblioterapia pode ser aplicada para fins de diagnósticos, pois
um de seus objetivos é encorajar o leitor a encarar a realidade do momento vivido,
de forma que este possa conduzir suas ações.
Alves (1982, p. 55) diz que a palavra Biblioterapia é:
[...] recente e derivada de dois termos gregos: biblion – livro – e therapeia –
tratamento. Mas as práticas de leitura associadas ao processo de cura
remontam da época dos faraós. No Egito Antigo, Ramsés II já chamava o
hábito da leitura de “cura para a alma”. Na Roma Antiga Aulus Cornelius
Celsus também utilizou de palavras semelhantes: “Tesouro dos remédios da
alma”.

A Biblioterapia, apesar da palavra de origem grega significar (biblio=livro e
therapia=tratamento), não utiliza somente livros. Para sua prática, podem ser
utilizados material audiovisual, fantoches, músicas, brinquedos, contação de
histórias e a leitura.
Ferreira (2003, p. 1) percebe a Biblioterapia como “[...] um processo
interativo, resultando em uma integração bem sucedida de valores e ações. O

�conceito de leitura empregado neste processo interativo é amplo. E incluem todo tipo
de material inclusive os nãos convencionais”.
Para a Biblioterapia a leitura funciona como um coadjuvante no tratamento
de pessoas com alguma dificuldade emocional. Lendo, a pessoa se distancia de
momentos vividos com alguma dificuldade, sai um pouco da sua realidade e se
transporta ao que está lendo. Para quem está em um hospital, asilo ou creche esse
efeito não é diferente. Ao invés de sentimentos de ansiedade, agressividade,
angústia, tristeza, medo e outras reações devido à doença ou mesmo ao
afastamento de casa, com a Biblioterapia o paciente pode entrar em um ambiente de
bem-estar físico, mental e espiritual.
Pereira (1996, p. 37) aponta que: “as primeiras experiências em Biblioterapia
foram feitas por médicos americanos no período de 1802 a 1853, que receitavam [...]
leituras de livros cuidadosamente selecionados e adaptados às necessidades individuais.”

No ano de 1939, a Biblioterapia foi reconhecida oficialmente como um ramo
da Biblioteconomia pela Division of the American Library Association, quando esta
associação estabeleceu a primeira comissão sobre Biblioterapia. (SEITZ, 2006, p.
22).
No Brasil as primeiras pesquisas aconteceram no século XX, durante a
década de 80. De acordo com Seitz (2006) em 1989 surgiu um trabalho a respeito
da Biblioterapia para idosos e outro a respeito de sua aplicação para deficientes
visuais.
Alves (1982, p. 55) defende a Biblioterapia como “[...] uma forma de
tratamento bastante recente, mas eficaz na recuperação de pessoas psiquicamente
doentes ou portadoras de problemas”.
Orsini (1982) acredita que outra forma de definir a Biblioterapia é
dimensioná-la no universo da leitura:
[...] como uma atividade de lazer. Assim, verifica-se que ela supõe certas
propriedades terapêuticas, uma vez que ocorre uma fuga, uma evasão, isto
é, a criação de um universo independente da rotina cotidiana. Nessa
escapada, há um mergulho em um mundo cheio de aventura, romance,
fantasia, etc. Nesse sentido, podemos afirmar que uma das funções da
literatura é a de aliviar as tensões da vida diária.

A terapia, por meio da leitura, está sendo utilizada em asilos, hospitais,
prisão, escolas, especialmente no tratamento de problemas psicológicos de
crianças, jovens, idosos, deficientes físicos e viciados em substâncias ilícitas.

�Assim, a leitura é uma ferramenta de auxílio no tratamento das pessoas com
dificuldades emocionais, pois faz com que as emoções sejam expressas oralmente
ou com reações corporais.
Conforme Caldin (2001), a Biblioterapia se constitui de uma:
[...] atividade interdisciplinar, podendo ser desenvolvida em conjunto com a
Biblioteconomia, a Literatura, a Educação, a Medicina, a Psicologia e a
Enfermagem. Tal interdisciplinaridade confere-lhe um lugar de destaque no
cenário dos estudos culturais. É um lugar estratégico que permite buscar
aliados em vários campos e um exercício aberto a críticas, contribuições e
parcerias.

Sendo a Biblioterapia um programa de atividades que envolve leituras e
outros métodos de reflexões, planejados e conduzidos para um tratamento, pode ser
acompanhada por uma orientação médica, e também ser mediada por um
bibliotecário e outros profissionais preparados para as finalidades prescritas e
propostas pela equipe médica.
Direcionando a Biblioterapia para a infância, Caldin (2001) “[...] apresentou
como objetivos básicos da função terapêutica da leitura, proporcionar uma forma de
as crianças comunicarem-se, de perderem a timidez, de exporem seus problemas
emocionais e quiçá físicos”.
De acordo com Cruz (1995, p. 14) “[...] biblioterapia é um campo de
produção científica e de atuação profissional que envolve médicos, psicólogos,
educadores, bibliotecários, assistentes sociais, psiquiatras e terapeutas de diversas
correntes”.
Pinto (2005) destaca também que: “[...] biblioterapia é uma nova área a ser
trabalhada, ou melhor, uma área a ser assumida pela biblioteconomia, pois „não se
pode pensar a biblioteconomia como uma disciplina estática, mas sim como um
campo dinâmico da sociedade‟”.
Sendo o curso de Biblioteconomia multidisciplinar, fazer da biblioterapia uma
técnica para ser usada na mediação de literatura com os leitores, é uma ajuda de
grande valia a todos.
2.3 Recepção da Literatura

Para observar a recepção e os efeitos que a literatura produz e provoca nos
leitores: crianças e adultos, abordaremos algumas definições de Estética da
Recepção, ditada por alguns autores.

�Zilberman em seu livro Estética da Recepção e História da Literatura aborda
que:
A entrada da estética da recepção no palco da teoria da literatura é
assinada pela conferência ministrada por Jauss na Universidade de
Constança, em 13 de abril de 1967 [...]. Desde o título original (“O que é e
com que fim se estuda história da literatura”) ao que veio a ter depois (“A
história da literatura como provocação da ciência literária”) e passando pelo
foco dado ao problema, o Autor parece ter a intenção de polemizar com as
concepções vigentes de história da literatura. Investe contra seu ensino e
propõe outros caminhos, assumindo uma atitude radical que confere ao
texto a marca da ruptura e baliza o começo de uma nova era. (ZILBERMAN,
1989, p. 29).

Nessa época os estudantes se mobilizaram para uma mudança nos
currículos, principalmente nas universidades, pois o ensino da história da literatura
oferecido a eles era muito clássico e não os estimulavam à leitura.
Zilberman (1989, p. 10) fala que “[...] a estética da recepção apresenta-se
como uma teoria em que a investigação muda de foco: do texto enquanto estrutura
imutável, ele passa para o leitor, [...]”. Assim a abordagem que a estética da
recepção faz, não é no texto que o autor expôs, mas sim o que essa recepção
provoca no leitor.
Para a estética da recepção, todo texto é uma obra em potencial, que se
realiza através da ação do leitor e dos efeitos que nele provoca. [...] O autor,
ao invés de impor uma ótica única ao leitor, deve despertar diferentes
pontos de vista e deixar perspectivas em aberto. A tarefa do autor é
despertar no leitor o desejo de ler. Já a tarefa do leitor é a de formar a partir
do texto uma interpretação original que não é necessariamente aquela
formulada pelo autor da obra. (VENTURELLA, 2012).

Para que haja essa interpretação Zilberman considera que existem algumas
convenções existentes no comportamento e decisões dos leitores que são na
seguinte ordem:
- social, pois o indivíduo ocupa uma posição na hierarquia da sociedade;
- intelectual, porque ele detém uma visão de mundo compatível, na maior
parte das vezes, com seu lugar no espectro social, mas que atinge após
completar o ciclo de sua educação formal;
- ideológica, corresponde aos valores circulantes no meio, de que se imbuiu
e dos quais não consegue fugir;
- lingüística, pois emprega um certo padrão expressivo, mais ou menos
coincidente com a norma gramatical privilegiada, o que decorre tanto de sua
educação, como do espaço social em que transita;
- literária, proveniente das leituras que fez, de suas preferências e da oferta
artística que a tradição, a atualidade e os meios de comunicação, incluindose aí a própria escola, lhe concedem. (ZILBERMAN, 1986, p. 103).

�Assim o conhecimento, isto é, o acervo de experiências e memória que o
leitor tem, pode interferir na recepção da literatura.
Caldin em seu conto Era uma vez... Sartre X Merleau-Ponty narra, que o
leitor tem a função imaginante:
[...] você é, por direito, o regente do Texto Literário. Não há como questionar
sua realeza: você é quem cria o sentido para ver uma frase como objeto
estético. O Escritor, na verdade, é seu servo: ele trabalha para você. Pois o
objeto literário é um estranho pião, que só existe em movimento. Para fazêlo surgir é necessário um ato concreto que se chama leitura, ele só dura
enquanto essa leitura durar. Fora daí, há apenas traços negros sobre o
papel. Lembre-se: você transcende as palavras, como um ser imaginante,
você começa a criar, a dar vida às personagens. [...]. Seja paciente: ler
implica prever, esperar. Prever o fim da frase, a frase seguinte, a outra
página; esperar que elas confirmem ou infirmem essas previsões, a leitura
se compõe de uma quantidade de hipóteses, de sonhos seguidos de
despertar, de esperanças e decepções. Assim, você tem a função mais bela
e mais agradável no reino: a função imaginante! Você pode lançar-se para
um futuro desconhecido! (2007, p. 344).

O leitor enriquece sua leitura com o conhecimento que tem de outros textos.
Ao pegar um novo conteúdo, sua bagagem de leitura o conduz as novas
expectativas

de

sonhos,

e

assim

aumenta

essa

bagagem

com

novos

conhecimentos.
Para Fernandes (2009, p. 36) um ponto positivo em relação ao leitor é que
ele: “[...] é visto como peça chave do processo de recepção. O diálogo com o texto
permite a emancipação e liberação do indivíduo [...].” Pois, como leitor, ele pode se
posicionar diante do seu conhecimento de mundo e defender, perante outras
pessoas, suas ideias.
[...] o receptor não é neutro no contato com qualquer gênero de texto
(impresso, oral, fílmico etc), mas [...] que na recepção oral isso difere um
pouco, pois o leitor-narrador não é isento e interfere substancialmente na
condução da história, dando mais cor em determinados trechos,
evidenciando características de um ou de outro personagem e destacando
alguns aspectos do texto em detrimento de outros. (BORTOLIN, 2010, p.
159).

Com a recepção dos textos, as crianças tentam entender, do seu ponto de
vista, os contos que lhe são contados e passam a apropriar-se deles em suas
próprias histórias.
Para que o seu aprendizado faça o leitor um protagonista de suas histórias,
ele deve ter um contato com os livros o quanto antes, através de seu manuseio, da

�leitura individual ou das histórias contadas por alguém. “É com o auxílio do livro,
particularmente do livro infantil, que poderemos influir sobre a vida afectiva e estética
da criança, já que o livro infantil ocupa um lugar privilegiado, pois é o ponto de
encontro entre duas artes, a da palavra (texto) e a da forma (ilustração) [...]”
(MESQUITA, 2012).
Assim

a

desenvolvimento

recepção
de

da

literatura

pensamento

e

dá

as

linguagem,

crianças

capacidade

dependendo

do

grau

de
de

intelectualidade e afetivo de cada uma.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A motivação para esse estudo deu-se por ser um campo na área da
Biblioteconomia pouco explorado pelos acadêmicos e bibliotecários, e também por
proporcionar a eles um direcionamento a novos estudos, que visem aprimorar as
atividades socioculturais da profissão e assim atuarem como colaboradores na vida
psicossocial e cultural dos leitores; em especial, na escola.
A pesquisa feita com vários autores no decorrer desse estudo nos
fez perceber que Biblioterapia é um diálogo entre o texto e o leitor, e esse diálogo
pode ser através de: gestos, expressões faciais, risos, aplausos, desenhos e outras
manifestações que demonstrem se gostaram ou não do que foi lido, contado ou
dramatizado, através das atividades biblioterapêuticas. As várias teses e livros
estudados nos mostram que a Biblioterapia é usada em vários ambientes: escolas,
creches,

asilos,

presídios

e

hospitais,

todas

elas

com

bons

resultados

biblioterapêuticos.
A Biblioterapia pode ser confundida com Contação de Histórias, por
também promover a leitura, a exibição de filmes e teatros em grupos, mas o que
diferencia as duas atividades são as ações terapêuticas que a Biblioterapia propicia.
Uma atividade biblioterapêutica tem que ser envolvida com muito
encanto, deixar o grupo participante na expectativa do que vai acontecer. Eles
devem se sentir livre para decidirem se vão ou não participar da atividade.
Por intermédio das atividades biblioterapêuticas os adultos e
crianças são estimulados à leitura e a socialização com seus parceiros de atividade
e demonstram criatividade permitindo momentos de lazer e descontração no período
em que estão fora de seu convívio familiar.

�A contação de histórias possibilita à recepção da literatura, e através
dessas histórias as crianças podem demonstrar seus sentimentos, permitindo que as
ações biblioterapêuticas tragam relaxamento e descontração.
Podemos dizer que a leitura é um meio de envolver a criança em
atmosferas diferentes do seu dia a dia, fazendo com que sua imaginação a leve a
um caminho que possa transformar seus sentimentos de incertezas.
Ao finalizar acrescentamos que a Biblioterapia e as atividades
biblioterapêuticas podem fazer parte da vida profissional do bibliotecário. Auxiliar
projetos multidisciplinares com a formação de grupos de leituras para as finalidades
terapêuticas é uma função que o bibliotecário engajado com o bem social da
comunidade é capaz de exercer. Sabemos que o profissional tem que estar
informado sobre as leituras pertinentes a essa atividade e não podemos nos calar,
devemos colocar em prática, pois só assim ficaremos seguros ao desenvolver a
leitura como atividade terapêutica. Portanto, temos muito estudo ainda pela frente e
precisamos mostrar os benefícios que a Biblioterapia produz nas pessoas.
E foi assim... Entrou por uma porta saiu pela outra quem quiser que
conte outra...
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                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Sueli Bortolin</text>
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              <text>A biblioterapia é uma proposta de trabalho multidisciplinar que tem uma relação com o bem estar de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Ela é composta por narrativas ou leituras terapêuticas, que ao serem desenvolvidas, em geral, propiciam a reabilitação emocional dos indivíduos. O bibliotecário precisa perceber que a biblioterapia é um campo de atuação de grande valia que pode auxiliá-lo nas atividades de leitura. </text>
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