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                  <text>Proposta para criação da rede estadual de bibliotecas escolares do
estado de Goiás

Janaina Ferreira Fialho (UFG) - jajafialho@gmail.com
Suely Gomes (UFG) - suelyhenriquegomes@gmail.com
Lívia Ferreira Carvalho (UFG) - liviaf.carvalho@yahoo.com.br
Andréa Pereira Santos (UFG) - andreabiblio@gmail.com
Kelley Cristine Gonçalves Dias Gasque (UnB) - kelleycristinegasque@hotmail.com
Resumo:
Este trabalho apresenta a proposta para a criação da rede estadual de bibliotecas escolares do
estado Goiás, com o objetivo principal de melhorar a qualidade da
educação básica. É uma iniciativa do curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal de Goiás (UFG) e possui duas etapas principais: diagnóstico e proposição
da rede, com previsão de duração de dois anos. Os indicadores a serem trabalhados
são os parâmetros do Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar (GEBE/UFMG), que
incluem acervo, espaço físico, computadores com acesso à Internet, organização do
acervo, pessoal e serviços e atividades; bem como pretende indicar programas de
letramento informacional para as bibliotecas. Ao final, pretende-se fazer seminários
envolvendo a comunidade escolar e lançar o e-book com o apoio da Secretaria de Estado da
Educação de Goiás (Seduc).
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Letramento informacional. Educação básica- Goiás
Área temática: Bibliotecas Escolares

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis, SC,
Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Proposta para criação da rede estadual de bibliotecas escolares do estado de
Goiás

Resumo
Este trabalho apresenta a proposta para a criação da rede estadual de bibliotecas
escolares do estado Goiás, com o objetivo principal de melhorar a qualidade da
educação básica. É uma iniciativa do curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal de Goiás (UFG) e possui duas etapas principais: diagnóstico e proposição
da rede, com previsão de duração de dois anos. Os indicadores a serem trabalhados
são os parâmetros do Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar (GEBE/UFMG), que
incluem acervo, espaço físico, computadores com acesso à Internet, organização do
acervo, pessoal e serviços e atividades; bem como pretende indicar programas de
letramento informacional para as bibliotecas. Ao final, pretende-se fazer seminários
envolvendo a comunidade escolar e lançar o e-book com o apoio da Secretaria de
Estado da Educação de Goiás (Seduc).
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Rede estadual- Goiás (Brasil) Letramento
informacional.
Área Temática: Bibliotecas escolares.

1 INTRODUÇÃO

O projeto de criação da rede estadual de bibliotecas escolares se insere no
âmbito de duas áreas do conhecimento: Educação e Biblioteconomia. Um dos
campos de estudo mais proeminentes em nossa área é o do letramento
informacional (information literacy), que diz respeito a como os estudantes buscam,
acessam e usam informação nos mais diversificados contextos (CAMPELLO, 2009;
GASQUE, 2010).
No âmbito da escola, estudos no mundo inteiro sugerem que a biblioteca da
escola exerce um papel fundamental nesse processo, principalmente através do
ensino das habilidades de pesquisa e do incentivo ao hábito de leitura (FIALHO;
ANDRADE, 2007). Precisamos, portanto, de bibliotecas escolares com boa
infraestrutura e profissionais qualificados atuando nas mesmas. Países como
Estados Unidos, Austrália, Escócia e Portugal têm desenvolvido importantes
trabalhos nesse sentido, ao demonstrarem a relação profícua entre o processo de
ensino/aprendizagem e as bibliotecas escolares através da atuação colaborativa
1

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entre professores e bibliotecários (LANCE; RODNEY; HAMILTON-PENNELL, 2002;
KUHLTHAU, 2010; LONSDALE, 2003; WILLIANS; WAVELL, 2001; CONDE et al,
2012) .
No estado de Goiás, a situação é precária e urgente, pois temos salas de
leitura funcionando em espaços inadequados, sem profissionais qualificados e
recursos materiais, muitas vezes depósitos de livros sujos e mofados debaixo de
escadas, conforme demonstra o estudo de Silveira (2010); um dos poucos a fazer
um levantamento mais detalhado do assunto no estado.
Não há o cargo do profissional bacharel em Biblioteconomia nas bibliotecas
das escolas estaduais, mas sim os professores dinamizadores de biblioteca. O
estudo de Silveira (2010) apontou que o primeiro programa para bibliotecas
escolares estaduais foi criado em 2001, denominado Programa de Bibliotecas das
Escolas Estaduais (PBEE). O mesmo visava atender aos estudantes do 5º ao 8º ano
do ensino fundamental, ensino médio e às próprias necessidades de atualização dos
professores. O autor prossegue em seu delineamento histórico, verificando que, em
2009, foram criadas ações voltadas para a capacitação de professores
dinamizadores de biblioteca, que deveriam ser professores leitores, responsáveis
por metodologias e ambientes propícios ao desenvolvimento do hábito de leitura nas
bibliotecas/escolas.
No dia 18 de novembro de 2009 foi realizada a primeira audiência pública
sobre biblioteca escolar do estado de Goiás, na qual foi discutida a importância da
biblioteca escolar como instrumento de ensino-aprendizagem na formação de
estudantes da rede pública e privada. Foi uma audiência bastante produtiva, na qual
as autoridades que ganharam vozes reconheceram a importância desse espaço no
cotidiano da escola. Ainda no mesmo ano, a Secretaria de Estado da Educação
(Seduc) publicou a obra “Biblioteca escolar: uma ponte para o conhecimento”1,
oferecendo diretrizes para os professores dinamizadores em relação à organização,
conservação, leitura e dinamização do espaço da biblioteca escolar.

1

Disponível
em:&lt;
http://www.educacao.go.gov.br/documentos/reorientacaocurricular/fundamental/Biblioteca%20Escolar
.pdf&gt;. Acesso em: 19 mar. 2013.

2

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No ano de 2010, dois eventos significativos ocorreram no que diz respeito à
biblioteca escolar no Brasil: a sanção da Lei Federal 12.244 (BRASIL, 2010)
referente à universalização das bibliotecas escolares, que obriga todas as escolas
da rede pública e privada do país a contarem com bibliotecas com infraestrutura
mínima e profissional bibliotecário formado e a publicação dos Padrões para Criação
e Avaliação de Bibliotecas Escolares pelo Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar
(GEBE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O mais recente texto da Resolução do Conselho Estadual de Educação de
Goiás CEE/CP nº. 5, de 10 de junho de 20112, prevê que uma escola só pode pedir
licença para funcionamento se contar com biblioteca e bibliotecário formado, bem
como padrões mínimos para o funcionamento da mesma, assim como o
desenvolvimento de programas de letramento informacional.
A inclusão do texto na resolução constituiu uma grande conquista da
sociedade, ao esclarecer o papel da biblioteca e do bibliotecário no contexto
educacional, enfatizando a importância do letramento informacional. Todas essas
ações foram possíveis a partir de uma articulação política entre o curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), profissionais bibliotecários
e representantes do Conselho Estadual de Educação. Apesar desse reconhecimento
na legislação, as escolas estaduais atualmente ainda não contam com bibliotecários
atuando em suas funções. Portanto, não é qualquer espaço da escola que pode ser
chamado de biblioteca e há uma necessidade urgente que desenvolvamos um plano
para a construção da rede estadual de bibliotecas escolares.
Diante desse cenário, fazemos a reflexão: como propiciar a inserção de
nossas crianças e jovens na sociedade da informação? Como ensiná-las sobre o
uso ético da informação e que pesquisar não é um ato de "copiar" e "colar"
informação da Internet? Os estudos mencionados na introdução demonstram que o
professor, juntamente com o bibliotecário, são os profissionais responsáveis por
ajudar a desenvolver as competências de busca e uso da informação com os
estudantes e que as mesmas dizem respeito a: reconhecimento da necessidade de
informação, formulação de questões, localização de informações, uso das fontes de
2

Resolução do Conselho Estadual de Educação de Goiás. Disponível em:
http://www.cee.go.gov.br/wp-content/uploads/Resolu%C3%A7%C3%A3o-CEE-CP-N.-5-de-10-dejunho-de-2011-rev-13-07.pdf&gt;. Acesso em: 10 jan. 2013.

&lt;

3

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informação, solução de problemas, pensamento crítico, comunicação de ideias,
respeito à propriedade intelectual, capacidade de inovação e estímulo à leitura
(AASL, 1998).
Diante da realidade apresentada, acreditando que a melhoria das bibliotecas
significa também um acréscimo de qualidade à educação básica do estado, a
proposta para a criação da rede foi submetida ao Edital Universal n. 005/2012, da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), tendo sido
aprovada em fevereiro de 2013. O projeto possui um montante de recursos no valor
de R$47.320,00, e é constituído de duas fases principais: o diagnóstico das
bibliotecas estaduais e a proposição do sistema em rede, que deverá atender a
aproximadamente 1200 escolas de ensino fundamental e médio.
Vislumbrando inúmeras possibilidades de atuação, o projeto possui os
seguintes objetivos: 1) Geral: melhorar a qualidade da educação básica no estado
através da estruturação das bibliotecas escolares; 2) Específicos: estruturar a rede
estadual de bibliotecas escolares do estado de Goiás; demonstrar a importância do
profissional bibliotecário para atuar no espaço da biblioteca escolar; auxiliar os
estudantes no desenvolvimento do processo de letramento informacional através de
produtos e serviços de informação.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

O processo do letramento informacional é continuado e deve se iniciar desde
a educação básica, conforme aponta Fialho (2004, 2009). Portanto, é um processo
de formação, e o estudante deveria chegar ao ensino superior com conhecimentos
amadurecidos de leitura e prática de pesquisa. Fialho (2004), ao pesquisar
estudantes de ensino médio na prática da pesquisa escolar, apontou cinco
elementos que fazem parte do preparo de pesquisador na educação básica: o uso
das fontes de informação, o papel da família, o professor, o projeto políticopedagógico da escola e a ação do bibliotecário.
O comportamento informacional de adolescentes e jovens está inserido num
campo mais amplo de pesquisa, que é o comportamento informacional humano.
Este perpassa diferentes instâncias como a orientação e aprendizado de letramento
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informacional e o design da tecnologia (CHELTON; COOL, 2004). Os padrões de
desenvolvimento do letramento informacional no contexto educacional foram
estabelecidos em 1998 nos Estados Unidos, os quais se orientam por três eixos: o
aprendizado do aluno; o aprendizado independente e a responsabilidade social.
As primeiras competências ressaltadas dizem respeito a uma conduta mais
consciente em relação à localização e ao acesso à informação durante a busca,
como a formulação de boas questões de pesquisa, o reconhecimento da
necessidade de informação precisa e completa, o conhecimento da organização e a
disponibilização das fontes de informação, a formulação de estratégias de busca
adequadas e a identificação de fontes confiáveis.
A definição da Associação Americana de Biblioteconomia (ALA) é uma das
mais referenciadas na literatura:

Para possuir letramento informacional, uma pessoa deve ser
capaz de reconhecer quando uma informação é necessária e
deve ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a
informação [...] Resumindo, as pessoas que possuem
letramento informacional são aquelas que aprenderam a
aprender. Elas sabem como aprender, pois sabem como o
conhecimento é organizado, como encontrar a informação e
como usá-la de modo que outras pessoas aprendam a partir
dela (ALA, 1989, p. 1, tradução nossa).
A partir das informações encontradas, a expectativa é de que os estudantes
trabalhem de forma reflexiva sobre as mesmas, relacionando-as à questão a ser
resolvida, integrando-as aos conhecimentos prévios, discernindo a diversidade de
ideias e abordagens, bem como a diferença entre textos opinativos e informativos.
Envolve-se aí também a habilidade de trabalhar coletivamente e de suscitar debates
e trocas de ideias e a comunicação das mesmas em formatos apropriados. Todo
esse procedimento pode conduzir o estudante a um uso ético da informação,
incluindo o respeito à propriedade intelectual. O pressuposto é que, à medida que
adquirem essas habilidades, eles demonstrem certa autonomia em relação à
construção do próprio aprendizado.
Para o contexto da era da informação, Todd e Kuhlthau (2005) têm proposto
uma abordagem orientada para a busca de informação, como uma forma produtiva
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de aprendizado para os estudantes. “Busca Orientada”3 é uma estrutura de
aprendizado para as escolas contemporâneas, através das bibliotecas escolares.
Essa atividade de busca ou questionamento não é uma ideia nova para os
bibliotecários escolares. O aprendizado a partir de uma variedade de recursos tem
sido o conceito básico de programas de biblioteca desde a década de 60, segundo
Chelton e Cool (2004).
Compreender os comportamentos de busca e uso de informação de
estudantes é fundamental tanto para aspectos que dizem respeito à teoria quanto
para a prática profissional. Bibliotecários precisam conhecer melhor como eles
buscam e usam informação, para desenvolver programas e políticas mais focados e
bem sucedidos. Desde 1990, um corpo substancial de pesquisa mostra um
relacionamento positivo entre bibliotecas escolares e o aprendizado estudantil. Os
estudos apresentam a biblioteca escolar como um mediador formal no processo de
busca e uso de informação, um elemento indispensável para o aprendizado e para
as atividades escolares de maneira em geral.
Todd e Kuhlthau (2005) desenvolveram o modelo que apresenta a biblioteca
escolar como agente dinâmico do aprendizado, concebido através de pesquisa no
estado americano de Ohio, com 13.123 estudantes de ensino fundamental e médio e
899 funcionários escolares, como bibliotecários, diretores, assistentes de diretores,
professores e especialistas de tecnologia da informação. Os dados foram coletados
em 39 escolas, através de dois questionários: “Influências sobre o Aprendizado”
para os estudantes e “Percepções de Aprendizado” para os funcionários das
escolas.
A pesquisa buscou conhecer como os estudantes se beneficiam das
bibliotecas escolares através de elaborações de concepções de ajuda, a natureza e
extensão do auxílio fornecido pelas bibliotecas em relação ao aprendizado, como
essa ajuda é percebida pelos estudantes e pelos próprios funcionários das escolas,
principalmente os professores. Foram explorados tópicos como o uso da biblioteca
para localizar e usar informação nas atividades escolares; o uso dos computadores
na biblioteca, na escola como um todo e em casa; o interesse por atividades de

3

Guided
Inquiry
em
inglês,
seus
fundamentos
estão
apresentados
http://cissl.scils.rutgers.edu/guided_inquiry/introduction.html. Acesso em: 27 abr. 2007.

em:

6

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leitura; a utilidade da biblioteca quando os estudantes se encontravam fora do
ambiente escolar e como ela contribuía para o sucesso escolar dos estudantes de
uma maneira em geral. A análise e interpretação dos dados apontaram para a
construção do modelo e sugerem a biblioteca como agente dinâmico do
aprendizado, segundo a figura abaixo:

Figura 1- Biblioteca escolar como agente dinâmico do aprendizado

Fonte: TODD; KUHLTHAU (2005)

Segundo Todd e Kuhlthau (2005), este modelo sugere a biblioteca escolar
como agente dinâmico do aprendizado dos estudantes, sua infraestrutura física e
intelectual

centra-se

informacional

sobre

(recursos

três

componentes

informacionais

e

interativos:

tecnológicos),

o

o

componente

componente

de

transformação (mediação através de instrução/orientação) e o de formação
(resultados de aprendizado).
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O primeiro componente, relativo aos recursos informacionais e tecnológicos,
sugere que a biblioteca deve possuir um acervo atualizado, de conteúdo abrangente
e alinhado com o currículo local, oferecendo suporte aos padrões estabelecidos pela
escola. Ela deve possuir tecnologia para adquirir, organizar, criar e disseminar
informação, além de materiais de leitura que extrapolem as necessidades
curriculares, as atividades pessoais e o prazer pela leitura, objetivando formar
cidadãos informados e conscientes do mundo que os cerca (TODD; KUHLTHAU,
2005).
O componente de transformação diz respeito às mediações no processo de
aprendizagem, através das orientações fornecidas aos estudantes. A biblioteca deve
propiciar o desenvolvimento do letramento informacional no contexto das
necessidades curriculares e a viabilidade de processos de criação de conhecimento
para envolvimento e uso efetivos da informação. Torna-se necessário desenvolver
habilidades tecnológicas que incluam as competências do pensamento crítico e da
comunicação, bem como o uso apropriado e ético da tecnologia para o acesso,
recuperação, produção e disseminação da informação. Além disso, torna-se
fundamental a promoção de atividades de leitura, tanto para atender às atividades
escolares quanto para o aprendizado ao longo da vida. A biblioteca escolar deve
promover atividades de leitura, eventos literários, reforço das habilidades de leitura e
fomentar

nos

estudantes

o

gosto

ou

prazer

permanente

pela

leitura

(TODD;KUHLTHAU, 2005).
O componente de formação diz respeito aos resultados de aprendizado
alcançados pelos estudantes, especialmente uma maior habilidade de leitura e de
criação, uso, produção, disseminação e valorização do conhecimento. Eles se
tornam mais hábeis para definir problemas; formular questões; formular um foco
para suas buscas; explorar, investigar, analisar e sintetizar ideias para criar seus
próprios pontos de vista; avaliar soluções e fazer a atividade de reflexão. Os
estudantes desenvolvem habilidades para a construção de um conhecimento que se
estende para o ambiente extraescolar. Eles podem usar as ferramentas tecnológicas
para produzir novo conhecimento e demonstrá-lo de forma oral, escrita, visual e
tecnológica. Estudantes devem ser usuários éticos e responsáveis no uso da

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informação e possuir níveis elevados de habilidades de leitura, uma prática
sustentável e contínua em suas vidas (TODD; KUHLTHAU, 2005).
O estudo de Ohio demonstrou que a biblioteca escolar auxilia os estudantes
com seus interesses de leitura, de diversas maneiras. Seus comentários sugerem
que o conhecimento de seus interesses de leitura, a disponibilidade de uma
variedade de livros e o acesso a uma literatura de best-sellers atualizada os
motivava a conservar o hábito de leitura. Na percepção dos estudantes, a atuação
da biblioteca torna-se frutífera quando a leitura torna-se um hábito divertido e
desfrutável, quando há melhoria de vocabulário e quando recebem orientação de um
bibliotecário escolar. Eles também reconheceram o valor da mediação da biblioteca
em seus processos de escrita (TODD; KUHLTHAU, 2005).
A biblioteca escolar assume função relevante na formação de aprendizes ao
longo da vida; os estudantes indicaram que ela os têm auxiliado a descobrir
assuntos interessantes além daqueles escolares, como esporte; eventos históricos,
cívicos e mundiais; animais; questões sociais e computadores, incluindo a Internet.
A variedade de assuntos indica que as bibliotecas escolares fornecem uma base
diversificada para uma ampla gama de interesses pessoais, fora daqueles imediatos
do currículo escolar (TODD; KUHLTHAU, 2005).
Em relação à biblioteca escolar e sua contribuição no processo de
ensino/aprendizagem, pode-se destacar no Brasil o trabalho desenvolvido pelo
Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar (GEBE)4 localizado na Escola de Ciência
da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O grupo é
responsável pela publicação dos Parâmetros para Criação e Avaliação das
Bibliotecas Escolares, no ano de 2010 (CAMPELLO, 2010).
Em face da Lei 12.244, os parâmetros oferecem suporte para criação e
avaliação de bibliotecas escolares contemplando bem a realidade/diversidade
educacional do país, recomendando indicadores ao nível básico e exemplar (ideal),
em relação a: acervo; computadores ligados à internet; espaço físico; organização
do

acervo;

pessoal;

serviços

e

atividades

informacionais.

As

seguintes

recomendações para os níveis básico e exemplar são representadas no quadro a
seguir:
4

Disponível em:&lt;gebe.eci.ufmg.br&gt;. Acesso em: 10 jan. 2013.

9

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Quadro 1- Parâmetros do GEBE

Indicador
Acervo

Computadores
internet

Nível Básico
A partir de um título por
aluno

ligados

à Pelo menos um computador
ligado à internet para uso
exclusivo de professores e
alunos em atividades de
ensino/aprendizagem

Nível Exemplar
A partir de quatro títulos por
aluno, não sendo necessário
mais
do
que
cinco
exemplares de cada título
O acervo contempla a
diversidade
de
gêneros
textuais e de fontes de
informação destinadas aos
variados usos escolares.
Além de livros a biblioteca
conta com revistas e outros
materiais não impressos,
como documentos sonoros,
visuais e digitais
Computadores ligados à
internet para uso exclusivo
de professores e alunos em
atividades
de
ensino/aprendizagem,
em
número suficiente para uma
classe inteira
Acima de 300 m²; assentos
suficientes para acomodar
simultaneamente uma classe
inteira, usuários avulsos e
grupos de alunos; um balcão
de atendimento e ambiente
específico para atividades
técnicas, com uma mesa,
uma
cadeira
e
um
computador com acesso à
internet, para uso exclusivo
de cada um dos funcionários
O catálogo da biblioteca é
informatizado e possibilita o
acesso remoto a todos os
itens do acervo, permite
recuperação
por
outros
pontos de acesso além de
autor, título e assunto
Um bibliotecário responsável
pela biblioteca e pessoal
auxiliar em cada turno, de
acordo com o número de
alunos da escola

Espaço Físico

50 m² a 100 m²; assentos
suficientes para acomodar
simultaneamente uma classe
inteira, além de usuários
avulsos; um balcão de
atendimento, uma mesa,
uma
cadeira
e
um
computador com acesso à
internet, para uso exclusivo
do funcionário (s)

Organização do Acervo

O catálogo da biblioteca
inclui pelo menos os livros
do
acervo,
permitindo
recuperação por autor, título
e assunto

Pessoal

Um bibliotecário-supervisor,
responsável por um grupo
de bibliotecas (nos casos em
que a biblioteca faz parte de
um sistema/rede que reúne
várias bibliotecas), além de
pessoal auxiliar em cada
uma das bibliotecas, em
cada turno
Consulta
no
local, Consulta

Serviços e Atividades

no

local,
10

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empréstimo
domiciliar,
atividades de incentivo à
leitura e orientação à
pesquisa

empréstimo
domiciliar,
atividades de incentivo à
leitura e orientação à
pesquisa, além de serviço de
divulgação
de
novas
aquisições, exposições e
serviços específicos para os
professores,
tais
como
levantamento bibliográfico e
boletim de alerta

Fonte: CAMPELLO (2010).

Os parâmetros também servem como instrumentos de avaliação e de
planejamento da biblioteca escolar, considerando as especificidades de cada escola
e sugerindo metas para cada um dos itens especificado, os quais incluem horário de
funcionamento, espaço físico, mobiliário e equipamentos, acervo, organização do
acervo, computadores, serviços e atividades; detalhando para cada um desses
diversas condições de atendimento.

3 METODOLOGIA

3.1 Características da Pesquisa

A presente proposta pode ser definida como uma pesquisa descritivoexploratória e o método de abordagem é qualitativo. Segundo Vergara (1998), a
pesquisa descritiva tem como objetivo principal a elucidação das características de
determinada população ou fenômeno, podendo estabelecer correlações entre
variáveis e definir sua natureza. A pesquisa descritiva visa observar, registrar,
analisar, classificar e interpretar os fatos, sem que o pesquisador interfira sobre eles.
A pesquisa é exploratória, uma vez que busca “proporcionar maior familiaridade com
o problema, com vistas a torná-lo mais explícito” (GIL, 1991, p. 45).
Os instrumentos de coleta de dados serão a consulta a documentos
informativos de âmbito do estado e a realização de entrevistas com os
subsecretários de educação. A entrevista é uma técnica privilegiada de interação
social, que tem a fala como expressão das representações sociais de comunicação
dos sujeitos e seus mundos, marcados pelos contextos sociopolíticos, históricos,
11

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culturais e ideológicos em que vivem. A discussão sobre seu uso é ampla na
literatura e compreende aspectos como o lugar social do pesquisador, a
fidedignidade do informante, o jogo das representações e o controle das
informações (MINAYO, 1996).
Em alguns casos, pode-se fazer necessária uma visita in loco nas escolas,
com o objetivo de averiguar a real situação da biblioteca. As categorias de análise a
serem trabalhadas em relação às bibliotecas escolares são: Funcionamento, Espaço
Físico, Mobiliário e Equipamentos, Acervo, Computadores, Organização do Acervo,
Serviços e Atividades Oferecidos e Pessoal. Tais categorias estão representadas no
instrumento do Gebe, conforme Quadro 1, que será utilizado para o diagnóstico e
avaliação das bibliotecas do estado. A opção metodológica por esse instrumento
deve-se à sua flexibilidade e possibilidade de maior adaptação à realidade das
bibliotecas brasileiras, pois os padrões estrangeiros muitas vezes se distanciam
muito de nosso cenário.
Pretende-se trabalhar com o total de 40 subsecretarias de educação no
âmbito do estado de Goiás, pois julgamos que dessa forma teremos mais
completude e fidedignidade da população, e que há tempo suficiente (um ano) para
o diagnóstico a ser desempenhado. São elas: Águas Limpas, Anápolis, Aparecida de
Goiânia, Campos Belos, Catalão, Ceres, Formosa, Goianésia, Cidade de Goiás,
Goiânia, Goiatuba, Inhumas, Iporá, Itapací, Itaberaí, Itapuranga, Itumbiara, Jataí,
Jussara, Luziânia, Minaçu, Mineiros, Morrinhos, Novo Gama, Palmeiras de Goiás,
Piracanjuba, Piranhas, Pires do Rio, Planaltina de Goiás, Porangatu, Posse,
Quirinópolis, Rio Verde, Rubiataba, Santa Helena de Goiás, São Luiz de Montes
Belos, São Miguel do Araguaia, Silvânia, Trindade e Uruaçu.
As viagens para o interior do estado serão feitas de ônibus, a hospedagem e
alimentação serão custeadas com recurso da pesquisa. Pretende-se fazer uma
escala para as viagens e agendamento prévio das visitas com o intuito de agilizar o
processo de coleta de dados. Serão garantidas a privacidade e a confidencialidade
dos sujeitos envolvidos na pesquisa, através do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido. O termo de consentimento será obtido no momento da entrevista com
os subsecretários regionais e todo o material coletado será supervisionado pelos
professores participantes.
12

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A equipe é composta por cinco professores; a princípio não há bolsistas, pois
o edital não permite nenhum tipo de pagamento a envolvidos na pesquisa. É
interessante ressaltar também que a proposta já foi aprovada pelo Comitê de Ética
da Universidade Federal de Goiás (UFG) e está cadastrada como projeto de
pesquisa e extensão do curso, bem como a emissão do termo de anuência da
pesquisa, já concedida pela Secretaria de Estado de Educação de Goiás (Seduc).

3.2 Etapas da Pesquisa

Esta pesquisa está dividida em sete etapas: 1) Elaboração do diagnóstico:
mapeamento das regiões, visitas in loco, consulta a documentos do governo/escolas
e entrevistas com subsecretários, com previsão de um ano. O diagnóstico será feito
com base nos padrões sugeridos pelo Gebe; 2) Consulta a programas de rede de
bibliotecas escolares de outras regiões do país, com o objetivo de conhecer
experiências

bem-sucedidas;

3)

Participação

no

1º

Fórum

Brasileiro

de

Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática5; em Florianópolis; 4) Realização do I
Encontro de Biblioteca Escolar do Estado de Goiás, após o diagnóstico concluído; 5)
Estruturação do sistema em rede; 6) Apresentação dos resultados parciais nos
futuros fóruns anuais de biblioteca escolar, em locais a serem definidos; 7)
Publicação do e-book sobre os resultados da pesquisa, com o apoio da Seduc.

3.3. Cronograma de Execução

Quadro 2- Cronograma para a Realização da Pesquisa

Ação
Elaboração do Diagnóstico
Consulta a Programas de Redes de
Bibliotecas Escolares
I Encontro de Biblioteca Escolar do
Estado de Goiás
Estruturação da Proposta para Rede
Estadual de Bibliotecas Escolares do
Estado de Goiás
Apresentação dos resultados no Fórum
5

Período Previsto
Abril/2013 a Abril/2014
Abril/2013 a Abril/2014
Maio/2014
Maio/2014 a Novembro/2014

2014 e 2015

Disponível em: &lt;http://xxvcbbd.febab.org.br/eventos-simultaneos-2/&gt;. Acesso em: 01 maio 2013.

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis, SC,
Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Anual
Preparação do E-Book

Dezembro/2014 a Abril/2015

Fonte: Elaboração própria. 2013.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente proposta soma-se a um conjunto de iniciativas que vêm ocorrendo
no estado de Goiás, com o objetivo de articular forças políticas em prol da qualidade
da educação básica na rede pública, buscando a consolidação da relação profícua
entre a academia e a sociedade goianiense. O fortalecimento das bibliotecas
escolares na rede estadual de ensino não se dará apenas pelo ideal do curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), mas dependerá também
do comprometimento de todos os profissionais envolvidos nas escolas: professores,
pedagogos, auxiliares de biblioteca e diretores.
Espera-se contribuir para a discussão de futuros empreendimentos de redes
de bibliotecas em todo o país, que considerem nossa pluralidade sociocultural; além
de sensibilizar as autoridades competentes sobre a importância da biblioteca escolar
nas políticas públicas de educação, principalmente no que tange aos investimentos
financeiros e em recursos humanos. Acreditamos piamente que bibliotecas bem
estruturadas, com profissionais qualificados, são espaços fertilizadores de
excelentes programas de letramento informacional nas escolas e que nossas
crianças e jovens merecem dignidade e respeito para superarem desafios e serem
cidadãos bem sucedidos na sociedade da informação e do conhecimento.

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EDUCATIONAL COMMUNICATIONS AND TECHNOLOGY. Information Literacy
Standards for Student Learning. Chicago: American Library Association, 1998.
Disponível em: &lt;
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16

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Este trabalho apresenta a proposta para a criação da rede estadual de bibliotecas escolares do estado Goiás, com o objetivo principal de melhorar a qualidade daeducação básica. É uma iniciativa do curso de Biblioteconomia da UniversidadeFederal de Goiás (UFG) e possui duas etapas principais: diagnóstico e proposiçãoda rede, com previsão de duração de dois anos. Os indicadores a serem trabalhadossão os parâmetros do Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar (GEBE/UFMG), queincluem acervo, espaço físico, computadores com acesso à Internet, organização doacervo, pessoal e serviços e atividades; bem como pretende indicar programas deletramento informacional para as bibliotecas. Ao final, pretende-se fazer seminários envolvendo a comunidade escolar e lançar o e-book com o apoio da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc).</text>
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