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                  <text>Mediação e Ação Cultural: o jogo de xadrez nas práticas culturais
em bibliotecas

Marcos Paulo de Passos (PMSP) - marcos_epistemologicos@yahoo.com.br
Resumo:
Trata-se de uma experiência profissional com intuito de explicitar um processo de
mediação e ação cultural em biblioteca pública e escolar alocada no CEU Três Pontes,
na cidade de São Paulo. Para tanto, foi utilizado um dispositivo informacional de caráter
lúdico: o jogo de xadrez. A metodologia, constituída por revisão de literatura e
empírico/exploratória advinda da prática profissional cotidiana, está pautada pela
interação dialógica entre os praticantes do enxadrismo. Concluiu-se que as práticas
profissionais podem ser repensadas em favor da criação conjunta, ou seja, por meio de
interações dialógicas, que o xadrez pode conduzir uma nova forma de mediação e de
prática profissional e possibilita criação de novos conteúdos informacionais. Ressalta-se
ainda, que o xadrez, se constitui, ele próprio, em suporte informacional, portanto, ligado
à leitura em sentido amplo.
Palavras-chave: Mediação. Ação cultural. Xadrez. Bibliotecas. Atuação profissional.
Área temática: Bibliotecas Públicas

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�xxv Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Mediação e Ação Cultural: o jogo de xadrez nas práticas culturais em bibliotecas

RESUMO
Trata-se de uma experiência profissional com intuito de explicitar um processo de
mediação e ação cultural em biblioteca pública e escolar alocada no CEU Três Pontes,
na cidade de São Paulo. Para tanto, foi utilizado um dispositivo informacional de caráter
lúdico: o jogo de xadrez. A metodologia, constituída por revisão de literatura e
empírico/exploratória advinda da prática profissional cotidiana, está pautada pela
interação dialógica entre os praticantes do enxadrismo. Concluiu-se que as práticas
profissionais podem ser repensadas em favor da criação conjunta, ou seja, por meio de
interações dialógicas, que o xadrez pode conduzir uma nova forma de mediação e de
prática profissional e possibilita criação de novos conteúdos informacionais. Ressalta-se
ainda, que o xadrez, se constitui, ele próprio, em suporte informacional, portanto, ligado
à leitura em sentido amplo.
Palavras-chave: Mediação. Ação cultural. Xadrez. Bibliotecas. Atuação profissional.
Área temática: IV Bibliotecas Públicas

1. INTRODUÇÂO

A propósito do “Programa Xadrez Movimento Educativo”, promovido pela
Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP), procura-se explicitar como a viabilização
do projeto, para além do que determina sua portaria interna de regulamentação, pode
ampliar e modificar as atribuições profissionais atinentes ao cargo de “Especialistas em
Biblioteconomia”1, especialmente, em relação às práticas realizadas em bibliotecas
alocadas nos Centros Educacionais Unificados (CEUs).
Nesse sentido, apresentam-se linhas gerais de um trabalho, e estudo seminal,
realizado entre os anos de 2009 e 2011 na Biblioteca Pública e Escolar do Centro
Educacional Unificado Três Pontes, Professora Nilzete Letícia Bispo dos Santos Lima,
1

Especialista em informações técnicas, culturais e desportivas – Bibliotecário, é a designação adotada
pela PMSP para servidores públicos bacharelados nas carreiras de Biblioteconomia, Documentação e
Ciência da Informação.

1

�(CEU Três Pontes), inaugurada em agosto de 2008 e situada no bairro Jardim Romano,
extremo leste da cidade, em São Paulo. (PASSOS, 2010; 2011).
No período em que lá atuava como bibliotecário, duas abordagens correntes no
campo da Ciência da Informação (CI), Mediação e Ação Cultural, forneceram o aporte
teórico para dar curso às práticas formuladas e desenvolvidas em torno do enxadrismo
em bibliotecas.
Assim, foi possível reconhecer no enxadrismo, uma nova possibilidade para
práticas de Mediação e de Ação Cultural, atributos da atuação profissional, tendo
implicada a reflexão acerca de interações dialógicas no desenvolvimento e realização
de atividades plurais em bibliotecas, bem como na constituição e produção de novos
conteúdos informacionais, entre outros aspectos, como a ampliação da noção de
leitura, de suporte informacional etc.
2. Os Centros Educacionais Unificados e seus agentes: diálogos (in)comuns

Na atualidade, os Centros Educacionais Unificados (CEUs) da Prefeitura de São
Paulo representam 45 equipamentos públicos distribuídos na cidade. Nesses
equipamentos, estão presentes diversas estruturas físicas como as unidades
educacionais: Centro de Ensino Infantil (CEI), a Escola Municipal de Ensino Infantil
(EMEI) e a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), blocos culturais: teatro,
biblioteca e telecentro; e os complexos esportivos: quadras, piscinas e áreas livres.
Ainda que o equipamento suscite inspirações de projetos anteriores, como por
exemplo, as “Praças de Equipamentos”, de Mário de Andrade (1930) em São Paulo, a
“Escola Parque” de Anísio Teixeira, na Bahia (1950), os “Centros Integrados de
Educação Pública”, de Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro (1983-1987), os “Programas de
Formação Integral da Criança”, do Estado de São Paulo (1986), os “Centros Integrados
de Atendimento à Criança” e os “Centros de Atenção Integral à Criança e ao
Adolescente”, criados em 1994 pelo governo federal, entre outros (GADOTTI, PEREZ,
2004, p.14), suas políticas públicas, questionáveis, ou não, são apresentadas e têm
contribuído para as dinâmicas de produção ou de consumo educativo-culturais em
vários pontos da cidade. Nesse sentido, cabe destacar que há desenvolvimento e
realização de projetos diversos: projetos transversais como os “Programas de Iniciação
2

�Artística”, “Vocacionais” e “Aldeias” (todos priorizando linguagens artísticas e realizados
por artistas-educadores em artes plásticas, artes cênicas, música e dança), “Programa
para a Valorização de Iniciativas Culturais”, e outros, de ação direta, empreendidos
pelos servidores públicos como os Programas “Xadrez Movimento Educativo” e o
“Ampliar”, ambos destinados ao público jovem, com intuito de acréscimo à permanência
e ampliação de repertórios culturais, por meio de práticas educativas “não formais”.
Dos projetos mencionados, o “Programa Xadrez Movimento Educativo”, instituído
na municipalidade pelas Portarias nº 3.111, de 05/06/09 e Portaria nº 1.305, de
12/02/10, pela Secretaria Municipal de Educação (SME), é o objeto dessa
comunicação. Cabe destacar que os documentos oficiais indicam apenas as escolas de
Educação Infantil (EMEI), Ensino Fundamental (EMEF, EMEBS e CIEJA) e Médio
(EMEFM) da Rede Municipal de Ensino, como locais privilegiados para as ações
determinadas nas respectivas publicações, atualizadas ano a ano desde sua
implementação.
Contudo, nem todos os CEUs, apresentam quadro de servidores públicos
completo, ou ainda, interessados em dar curso aos programas propostos e, isto, por
razões diversas: remanejamento de pessoal, pedidos de exonerações pelo quadro de
funcionários efetivos, baixa remuneração, etc. Assim, as gestões públicas, em
exercício, negociam funções junto aos agentes culturais, presentes em cada
equipamento, a busca de alternativas para viabilidade dos projetos dirigidos pela
Secretaria. Diante do postulado, cabe aos servidores públicos, em exercício nas
unidades, concordarem, ou não, com o acréscimo de suas atribuições funcionais2.
Em 2009, atuava como Especialista em Informações Técnicas, Culturais e
Desportivas - Bibliotecário na Biblioteca alocada no CEU Três Pontes, e optei pela
possibilidade de levar a curso o Programa Xadrez Movimento Educativo na unidade,
2

Para tais empreendimentos pessoais, a PMSP dispõe de legislação própria para bônus salariais e
progressões em nível dos planos de carreiras dos servidores municipais. Cabe ressaltar que os
Especialistas em Biblioteconomia, cujos cargos efetivos estão lotados em SME-PMSP, não possuem
planos de carreira, pois não pertencem ao QPE (Quadro de Profissionais de Educação) e, portanto,
atuam desprovidos dos demais benefícios previstos no estatuto interno. Em nível de ilustração, o mesmo
não ocorre com Especialistas em Biblioteconomia, cujos cargos estão lotados na SMC-PMSP, onde todos
os aparatos legais vigoram tal como para o QPE, em SME-PMSP. Para maior aprofundamento da
questão, indico a leitura da dissertação de Lemos (2012), que realizou estudo recente acerca dos
Centros Educacionais Unificados da Prefeitura do Município de São Paulo.

3

�uma vez que me incomodava sobremaneira, a biblioteca estar ausente das portarias
reguladoras do projeto em questão. Antevia no enxadrismo, uma prática cultural
extensa, sobretudo pela linguagem que articula. Para tal assunção de atribuição
profissional, me pautei pelas linhas teóricas correntes na CI, tais como a Mediação e a
Ação Cultural.
3. O Profissional da Informação: recriando a mediação e a atuação

Assumir a Mediação e a Ação cultural, dentro de uma perspectiva que introduz
um objeto lúdico: o xadrez, em suas dinâmicas, implica uma arbitrariedade nas práticas
profissionais correntes e, ao mesmo passo, um desafio profissional em repensar os
conceitos vigentes num determinado campo. Corre-se o risco de instituir uma prática
cultural dirigida, fabricada (TEIXEIRA COELHO, 2001), mas ao mesmo tempo, de
superação de políticas culturais confinadas e avanço no sentido da apropriação cultural
(PERROTTI, PIERUCCINI, 2007).
É consensual no campo da CI, que o profissional da informação, em suas ações,
deva primar por uma atuação diferenciada e comprometida com a comunidade que
atende e, para além disso, buscar soluções criativas e orientação cidadã, mesmo a
contrapelo das normas correntes e hegemonicamente instituídas nos serviços de
biblioteca.
Conforme Almeida Júnior (2005, p.6), a mediação ocorre de diferentes formas no
interior de uma biblioteca: “[...] na seleção, na escolha dos materiais que farão parte do
acervo, em todo trabalho de processamento técnico, nas atividades de desenvolvimento
de coleções e, também, no serviço de referência e informação”. Para o autor, esta é a
concepção de mediação implícita na atuação profissional, ficando a mediação explícita,
indicada, por exemplo, nas práticas culturais realizadas em bibliotecas. O autor defende
que o “[...] espaço da biblioteca permite trabalhos de mediação e de ação cultural, não
com base unicamente na leitura do texto escrito, mas também na interação com outras
linguagens [...]”, quais sejam: dos suportes multimídia, imagens fixas ou em movimento,
sons etc. (ALMEIDA JÚNIOR, 2009).
Para Costa, Pinheiro e Costa (2009, p. 49), o “[...] bibliotecário deve promover
4

�atividades que desenvolvam os conhecimentos de seus usuários, procurando incluí-los
em atividades culturais diversas”. As autoras mencionam como meios, a hora do conto,
as dramatizações, o teatro de fantoches, palestras, recitais de música, teatro, oficinas
de arte, estantes circulantes etc. Nesse sentido, afirmam que este espaço informacional
tem a função de educar e, portanto, constitui-se como um “[...] centro ativo de
aprendizagem imprescindível ao processo educacional e ao desenvolvimento de
aptidões de leitura e escrita, ao uso da informação no ensino e aprendizagem”. (2009,
p. 42).
Costa e Hillesheim (2004), afirmam que é no ambiente de biblioteca que crianças
e jovens complementam sua aprendizagem e desenvolvem a criatividade, a imaginação
e o senso-crítico, reconhecendo a complexidade do mundo que os rodeiam adquirindo
novos conhecimentos. Antunes (1993, p. 69) aponta que as atividades culturais e
recreativas devem ser previstas nesses locais, pois “[...] além de aumentarem a
bagagem de informação dos alunos, elas servem para atrair à biblioteca os usuários
potenciais, que, aos serem estimulados, passam a frequentá-la com regularidade”.
No que concerne às práticas de leitura, Almeida Júnior (2007), em consonância
ao que postula Teixeira Coelho (2001), destaca que a Ação Cultural pretende levar as
pessoas a produzirem cultura e não apenas a consumir cultura, pois pressupõe uma
alteração, uma transformação, uma modificação do conhecimento no indivíduo, que
caracteriza um processo resultante da apropriação da informação.
É, portanto, nessa linha de pensamento que chegamos ao enfoque e propósito
dessa comunicação, pois o xadrez, sempre esteve atrelado ao ensino/aprendizagem no
curso de sua história. (LAUAND, 1988).
A seguir, explicitam-se processos de mediação com o uso de um dispositivo
informacional3 (PIERUCCINI, 2004) de caráter lúdico, no caso, o jogo de xadrez, nos
quais, aspectos como as interações dialógicas e a constituição e produção de novos
conteúdos informacionais foram primordiais no desenvolvimento e realização das
atividades empreendidas em um ambiente demarcado: a Biblioteca Pública e Escolar
do Centro Educacional Unificado Três Pontes.
3

O conceito de dispositivo informacional tem sua laboração debatida e desenvolvida na abordagem da
Infoeducação (PERROTTI, PIERUCCINI, 2007). O aprofundamento de sua noção pode ser conferido na
tese de Pieruccini (2004).

5

�Cabe ressaltar que fui idealizador e coordenador do projeto cujo título
institucional foi inscrito como “Mediação da Leitura e da Informação com a utilização de
um dispositivo informacional de caráter lúdico: o jogo de xadrez”, sendo este, portanto,
componente do quadro político-pedagógico adotado pela instituição como projeto de
Mediação e de Ação Cultural permanente da Biblioteca, bem como do quadro geral de
projetos do Núcleo de Ação Cultural do equipamento educacional CEU Três Pontes, em
específico, bem como, atendimento, também, ao solicitado no “Programa Xadrez
Movimento Educativo”, promovido pela Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP).
4. Pressupostos teóricos da metodologia e os desdobramentos das atividades

Essa comunicação, além de uma revisão de literatura, de reflexão e discussão
teórica, trata-se de um relato de experiência profissional realizado com uso de um
dispositivo lúdico na Biblioteca Pública e Escolar do CEU Três Pontes nos anos de
2009 a 2011, período em que lá atuei como Bibliotecário.
Apresenta, portanto, o jogo de xadrez como dispositivo informacional privilegiado
para práticas de Mediação e de Ação Cultural e, ainda, como objeto lúdico para práticas
profissionais cotidianas em torno da leitura, considerando seus processos intrínsecos e
extrínsecos que envolveram e se desenvolveram, também, a partir de relações
dialógicas entre o bibliotecário e os praticantes do enxadrismo: alunos da EMEF do
CEU Três Pontes e comunidade do entorno. Nesse sentido, o trabalho desenvolvido e
realizado em conjunto com os grupos de jovens fundamentou-se na acepção da
metodologia e pesquisa colaborativa.
Cabe ressaltar que a pesquisa colaborativa permite que se passe de uma
interação sujeito-objeto para uma relação entre sujeitos (DESGAGNÉ, 1997;
PERROTTI, PIERUCCINI, 2007), portanto, derivação de um trabalho de análise sobre
modos de fazer pesquisa com e não sobre sujeitos (GEERTZ, 1995, p.34), ou seja,
buscando a superação de modelos pautados pela ordem monológica em favorecimento
ao processo dialógico no percurso.
Acrescente-se que diferentemente do que é observado em outras aplicações
dessa metodologia, mormente, nos estudos ligados à pesquisa-ação (PIMENTA, 2005;
6

�IBIAPINA, FERREIRA, 2005), o enfoque dado, permitiu interação entre o profissional
bibliotecário e os jovens, tendo como pressuposto o convívio entre os diferentes grupos
sociais e faixas-etárias.
Para o andamento das atividades recorreu-se à avaliação de bibliografia a partir
das práticas, bem como das questões surgidas no processo de mediação e de
apropriação da informação pelos participantes.
O procedimento norteador das atividades constitui-se de uma linguagem própria,
a escrita notacional do jogo de xadrez, presente em materiais bibliográficos específicos
que permitiram no correr dos encontros, assinalações, leituras pontuais e releituras.
As atividades com o jogo de xadrez ocorreram simultaneamente ao aprendizado
de sua linguagem específica, somada ao uso do tabuleiro, peças e relógios
componentes de sua prática. Isso se justifica na medida em que a realização das
partidas entre os alunos acompanhava todas as atividades propostas (leitura e escrita
notacional), em que a participação do bibliotecário primou pelo esclarecimento de
dúvidas acerca do conteúdo apresentado acerca da prática de leitura do enxadrismo,
bem como pela verificação da aplicabilidade do conhecimento adquirido no que
concernia as estratégias de desenvolvimento de jogo e produção de registros próprios,
advindos das práticas realizadas in loco, e da ampliação de repertórios, explorando
acervos físicos e/ ou digitais, plataformas específicas na web para interação virtual.
As atividades foram desenvolvidas de forma semiestruturada, ou seja, não houve
um roteiro ou pré-agendamento com os praticantes do enxadrismo que como sujeitos
frequentadores do espaço puderam requerer orientações ao bibliotecário, algo análogo
ao serviço de referência e informação, ou seja, prática e pesquisa acerca do jogo em
meio a outras atividades que vinham realizar no interior da Biblioteca. Assim, procurouse também evitar a “fabricação cultural” em favorecimento da Ação Cultural.
Foram contempladas leituras e exploração informacional acerca da: 1) História
do Xadrez desde suas origens; Circuitos culturais de xadrez em São Paulo; Regras
medievais: diferenças entre o xadrez de hoje e o de ontem; Regras atuais: o tabuleiro;
as peças e seus valores relativos; movimentos comuns e capturas de peças; o xeque e
o xeque-mate; Movimentos Especiais: a promoção do peão, o roque, a captura “en
passant”; casos de empate; construção estética de uma estratégia de finalização; 2)
7

�Leitura e escrita (Notação enxadrística): Sistema Algébrico Abreviado e Completo;
Sistema Descritivo; Navegação por sites específicos na web; 3) Análise semiótica:
signos, significantes e significados; Arranjo das peças no tabuleiro no curso de uma
partida, leitura de uma proto-informação (ALMEIDA JÚNIOR, 2009, 4) Concepção de
Autoria: Noções básicas de Abertura; Noções de registros da memória, como por
exemplo, a leitura e a escrita notacional de uma partida do século XIX: 1. P4R, P4R. 2.
C3BR, P3D. 3. P4D, B5C. 4. PxP, BxC. 5.CxB, PxP. 6.B4BD, C3BR. 7.D3CD, D2R.
8.C3B, P3B. 9.B5CR, P4C. 10.CxP, PxC. 11.BxPC+, CD2D. 12. 0-0-0, T1D, TxC, TxT.
14.T1D, D3R. 15.BxT+, CxB. 16.D8C+, CxD. 17.T8D#4. Partida realizada por Paul
Morphy, Duque de Brunswick e Conde Isouard em Paris no ano de 1858. (DOUBEK,
1982). 5) Dinâmicas práticas: Produção autoral (incentivo criativo); Simultâneas de
xadrez; Xadrez em duplas; Promoção de piões; Aprendizado por assimilação (para os
menores, 6 e 7 anos); Encontro com os enxadristas (uma espécie de roda de leitura e
apreciação de partidas registradas pelos Grandes Mestres Internacionais).
5. Considerações finais

Foi possível constatar que é a partir dos processos de Mediação e de Ação
Cultural, que os indivíduos significam e se apropriam da informação, fator primordial e
imperativo à produção de novos conhecimentos e de novos conteúdos informacionais,
bem como outra forma, contribuinte para apropriação simbólica de bibliotecas.
Se, por um lado, essa prerrogativa de produção de novos conhecimentos, de
imediato nos remete à ideologização impressa pela Sociedade Capitalista, por outro, é
necessário afirmar que o norte de estudos, de ação e atuação profissional, esteve
pautado pela experiência de sentidos e envolveram sujeitos e operações cognitivas
complexas mobilizando afetos, emoções, memória, imaginação, linguagem, reflexão.
No que concerne o enxadrismo, cabe ressaltar que este possui linguagem
própria, e que a possibilidade de registro das partidas permite estudos posteriores
acerca de novos desenvolvimentos/ estratégias empregadas nas atividades com o jogo
de xadrez, além de enfatizar a prática de registros informacionais como fator

4

Escrita notacional descritiva.

8

�determinante para o aprendizado pessoal e para a noção de memória documentada.
De outro modo, uma vez que cada partida é única, resulta em novos conteúdos
informacionais e autorais, pois a prática do jogo de xadrez gera informações, seja
concretizando a movimentação

de peças

ou

numa leitura de

antecipação.

Consequentemente à interação, gera um fluxo entre os praticantes, não apenas quanto
à geração de conhecimento, mas quanto ao estímulo intelectual, sociabilidade, noções
de alteridade, compreensão de regras, valorização da imaginação e da criatividade,
autodisciplina, autonomia, estímulo ao pensamento abstrato, conexões lógicas, juízo
crítico e espírito investigativo.
Possibilita, ainda, estabelecer um elo interdisciplinar ligado ao ensino escolar,
uma vez que existem especificidades de sua prática: xadrez lúdico, xadrez técnico e
xadrez pedagógico. Assim, o xadrez lúdico centra foco no lazer e na diversão; o xadrez
técnico está ligado às competições; o xadrez pedagógico, focando o ensino, a partir de
uma correlação com outros materiais de estudo, tais como os livros específicos de
estratégias, disciplinas escolares ou uma ordem cultural (OLIVEIRA; CASTILHO, 2001).
Conforme relatado, é preciso atentar que a linguagem especifica do xadrez não
se limita apenas aos registros, uma vez que sua prática transcende a concretização de
um conhecimento explícito, pois se edifica a partir de uma série de trocas simbólicas
advindas da experiência vivida, ou seja, interações dialógicas e não competitivas. Em
relação com a área de CI, um outro ponto a ser destacado relaciona-se ao fato de que
sua análise e estudo escapam aos suportes informacionais tradicionais de leitura, como
por exemplo, os materiais impressos ou as multimídias, ampliando uma discussão para
modos diversificados de geração, mediação e leitura da informação. Propõe-se com
isto, a ampliação dos horizontes de investigação no campo com relação aos suportes
informacionais.
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10

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                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
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                <text>Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação</text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>7-10 de Julho de 2013</text>
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            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Florianópolis/SC</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Mediação e Ação Cultural: o jogo de xadrez nas práticas culturais em bibliotecas</text>
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          <name>Creator</name>
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              <text>Marcos Paulo de Passos</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
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          <name>Publisher</name>
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          <name>Date</name>
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          <name>Description</name>
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              <text>Trata-se de uma experiência profissional com intuito de explicitar um processo demediação e ação cultural em biblioteca pública e escolar alocada no CEU Três Pontes,na cidade de São Paulo. Para tanto, foi utilizado um dispositivo informacional de caráterlúdico: o jogo de xadrez. A metodologia, constituída por revisão de literatura eempírico/exploratória advinda da prática profissional cotidiana, está pautada pelainteração dialógica entre os praticantes do enxadrismo. Concluiu-se que as práticasprofissionais podem ser repensadas em favor da criação conjunta, ou seja, por meio deinterações dialógicas, que o xadrez pode conduzir uma nova forma de mediação e deprática profissional e possibilita criação de novos conteúdos informacionais. Ressalta-seainda, que o xadrez, se constitui, ele próprio, em suporte informacional, portanto, ligadoà leitura em sentido amplo. </text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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      <name>cbbd2013</name>
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