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                  <text>Vocabulário controlado e palavras-chave em repositórios digitais:
relato de experiência do repositório institucional da FGV

Márcia Nunes Bacha (FGV) - marcia.bacha@fgv.br
Maria do Socorro G. de Almeida (FGV) - Maria.Socorro@fgv.br
Resumo:
Este estudo propõe a utilização das linguagens natural e controlada como forma de melhoria
da pesquisa por assunto dentro de um repositório digital. Foi traçado um paralelo entre as
atribuições de assuntos feitas em bibliotecas tradicionais e repositórios digitais. Estas últimas,
disponíveis na web, requerem uma descrição informal do assunto. Em contrapartida, a
hierarquização dos assuntos é também de extrema importância. O fato mais importante
observado neste estudo é que práticas emergentes de melhoria na criação e descrição de
metadados de assunto, usando mutuamente as duas linguagens, enriquece as pesquisas e
facilita o acesso a objetos digitais.
Palavras-chave: Linguagem natural. Linguagem controlada. Bibliotecas digitais
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

Vocabulário controlado e palavras-chave em repositórios digitais: relato de
experiência do repositório institucional da FGV

Resumo:
Este estudo propõe a utilização das linguagens natural e controlada como forma de
melhoria da pesquisa por assunto dentro de um repositório digital. Foi traçado um
paralelo entre as atribuições de assuntos feitas em bibliotecas tradicionais e
repositórios digitais. Estas últimas, disponíveis na web, requerem uma descrição
informal do assunto. Em contrapartida, a hierarquização dos assuntos é também de
extrema importância. O fato mais importante observado neste estudo é que práticas
emergentes de melhoria na criação e descrição de metadados de assunto, usando
mutuamente as duas linguagens, enriquece as pesquisas e facilita o acesso a
objetos digitais.
Palavras-chave: Linguagem natural. Linguagem controlada. Repositórios digitais.
Área temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

1 INTRODUÇÃO

Comparando com as bibliotecas tradicionais, os repositórios digitais estão
disponíveis através da web para que qualquer usuário acesse. Muitas vezes, uma
atribuição informal do assunto satisfaz uma busca. Porém, como num repositório
digital o enriquecimento dos metadados permite uma maior recuperação do
documento, a ideia de que palavra-chave e vocabulário controlado devem andar
juntos, foi o desafio na criação do repositório digital da FGV.
Tendo em mente que o acesso físico a um documento digital não se faz
possível, a recuperação da informação por assunto é crucial para um repositório
digital de sucesso.
Para Greenberg (2005), metadados são dados estruturados sobre um objeto
que suporta funções associadas do objeto designado. São usados em bibliotecas
digitais para organizar a informação e sua recuperação efetiva através das
pesquisas.
Para o controle de terminologia de assuntos, o Repositório Institucional da
FGV se baseou no Catálogo de Autoridades da Rede Bibliodata, que utiliza
vocabulário controlado, e tem como parâmetro a LCSH (Lista de Cabeçalhos de
Assunto da Library of Congress), mas permite também que seus usuários utilizem a
palavra-chave, ou texto livre, conforme vemos abaixo:
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a) Vocabulário controlado – que consiste em uma lista formalmente mantida
de termos;
b) Palavra-chave, ou, texto livre – que se baseiam em termos numa
linguagem natural.
A alta qualidade na descrição dos metadados de assunto é fundamental para
organizar o acesso. Observa-se que as práticas emergentes para melhoria na
criação de metadados de assunto relevam que uns documentos devem ser descritos
com valores mutuamente complementares em campos de metadados de vocabulário
controlado e texto livre de assunto. (ZAVALINA, 2008, tradução nossa).

2 Revisão de Literatura

Inúmeros estudos sobre o uso da linguagem controlada e natural na
recuperação da informação têm se concentrado na utilização conjunta das duas
linguagens na estratégia de busca, comprovando que o uso simultâneo dessas
linguagens proporciona melhor desempenho nos resultados. (LOPES, 2002)
Neste relato de experiência é necessário conceituar a linguagem natural e
controlada e demonstrar que estas podem e devem caminhar juntas dentro de um
repositório digital.
A linguagem natural é aquela que o próprio usuário define sem intervenção de
um indexador.
Para Lancaster (1993, p.200). “a expressão normalmente se refere às
palavras que ocorrem em textos impressos, considerando-se como seu sinônimo a
expressão “texto livre”.
Num repositório digital, os metadados mais importantes são aqueles
fornecidos pelos próprios autores e incluem informações detalhadas dos
documentos. (TERRA, et al., 2005).
A linguagem controlada ou mais especificamente vocabulário controlado é
uma lista de termos pré-definidos, autorizados e que foram pré-selecionados para
organizar o conhecimento, visando a precisão na recuperação posterior ao
documento.
Segundo Lancaster (2004), um vocabulário controlado é essencialmente uma
lista de termos autorizados. Em geral o indexador somente pode atribuir a um
documento termos que constem na lista adotada pela instituição.
Assim, os campos de resumo, de títulos, de identificadores, de descritores ou
cabeçalhos de assunto e de códigos de classificação podem ser amplamente
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utilizados visando à obtenção de um resultado mais satisfatório, independentemente
da verificação, no momento de operação da busca, de qual dessas linguagens terá
melhor desempenho. O foco, portanto, está na obtenção de resultados satisfatórios,
e não no instrumento utilizado para alcançar esses resultados.

3 Metodologia

Dentro dos processos técnicos de uma biblioteca, a indexação é uma das
tarefas que exige maior cuidado e análise, isto serve também para um repositório
digital. A metodologia para criação da linguagem documentária foi dividida em duas
etapas. A primeira etapa consiste em uma revisão de literatura e análise, baseada
em artigos e livros que tratassem da temática indexação e vocabulário controlado,
inicialmente foi acertado o uso do vocabulário controlado por ser utilizado no
processamento técnico da FGV e é a instrumentalização que contribui efetivamente
para melhor aproveitamento das possibilidades da representação dos conteúdos dos
documentos. Numa segunda etapa, foi definido que além do vocabulário controlado
a linguagem natural, utilizada pelos autores, também seria adotada.
A combinação das duas abordagens (vocabulário controlado e linguagem
natural) veio resolver questões importantes: uma era atender as reivindicações dos
autores que sentiam a necessidade de reconhecer os termos utilizados por eles,
outra, era melhorar a eficácia dos sistemas de recuperação, sistemas de navegação
Web, e outros ambientes que buscam identificar e localizar o conteúdo desejado
através de algum tipo de descrição utilizando uma linguagem de armazenamento e
informação.
A Biblioteca da Fundação Getulio Vargas (FGV), utiliza o vocabulário
controlado da Rede Bibliodata para indexar seus documentos em seu catálogo
físico.
Para implantar o repositório digital foi necessário desenvolver um estudo que
fizesse a correlação dos campos MARC, já utilizados na biblioteca tradicional, com
DUBLIN CORE, que é esquema de dados que descreve os objetos digitais.
Ao montar o workflow a ser utilizado no repositório digital, a FGV optou pelo
auto-arquivamento dos documentos. Assim, neste fluxo de trabalho, as palavraschave inseridas pelo autor no ato da submissão seriam trocadas, pelo indexador, por
assuntos autorizados.
Alguns autores, com razão, questionaram este procedimento, pois o Dublin
Core, embora tenha campo específico para informar os assuntos da LCSH, não
permite uma relação entre os termos, como acontece com os softwares de
bibliotecas tradicionais,
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O Dublin Core é uma descrição simples e muito restrita que não permite
hierarquizações de assuntos, utilização de remissivas, etc. Sendo assim, a utilização
de uma linguagem natural viria para sanar esta lacuna.
Para solucionar este problema, foi realizada uma estratégia, onde foi instalado
no DSpace o Dublin Core não somente com os 15 principais identificadores, mas
sim com seus qualificadores também. Isso significa dizer que o metadado dc.suject
que anteriormente era preenchido para designar um assunto, agora podia ser
subdividido.
Houve então uma mudança no workflow. Palavras-chave descritas pelos
autores seriam preservadas, mesmo em outras línguas, preenchidas no formulário
no ato da submissão do autor, estas designadas “subject”. Na parte do workflow em
que os indexadores estivessem padronizando os metadados, os assuntos
controlados seriam inseridos em “subject LCSH”, uma vez que a FGV utiliza a
Library of Congress para padronização de autoridades de nomes e assuntos.
Assim uma lista geral de assuntos foi sendo alimentada com assuntos em
linguagem controlada e texto livre.
No que diz respeito à recuperação da informação, isso é perfeito, pois o
acesso a informação fica assegurado. Numa pesquisa por assunto, por exemplo,
não é necessário que um pesquisador leigo tenha conhecimentos sobre os assuntos
autorizados e utilizados, como numa biblioteca tradicional. Tanto o termo livre
quanto o vocabulário controlado terão o mesmo peso na hora da busca.
Como estas modificações foram feitas para melhoria das buscas, o repositório
digital da FGV implantou um diferencial dentro do DSpace. A separação das listas
de palavras-chave e assuntos controlados.
Numa pesquisa em todo o repositório, na opção “Buscar”, aparecem os
resultados em todas as listas existentes, sejam elas: título, autor, assuntos,
palavras-chave, etc (ver Figura 1).

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Figura 1 – Busca em todo repositório

Fonte: Repositório DSpace@FGV (2013)

Com a separação das listas (ver Figura 2), o pesquisador pode navegar pela
lista de palavras-chave (ver Figura 3) ou pela lista de assuntos (ver Figura 4),
conforme for mais interessante para suas pesquisas. Na lista de palavras-chave não
há interferência dos indexadores, não são alteradas a forma de escrita, são aceitas
palavras em outras línguas, as palavras são descritas exatamente como os autores
a submeteram. Na lista por assunto, são aquelas atribuídas pela lista de Autoridades
de Assunto da Rede Bibliodata.

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Figura 2 - Busca por palavras-chave e assuntos

Fonte: Repositório DSpace@FGV (2013)

Figura 3 – Índice de palavras-chave

Fonte: Repositório DSpace@FGV (2013)

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Figura 4 – Índice de vocabulário controlado

Fonte: Repositório DSpace@FGV (2013)

3 Considerações Finais

Os resultados apresentados neste estudo mostram o esforço para tirar
proveito da riqueza inerente à semântica, a fim de proporcionar uma recuperação da
informação mais eficiente dentro de repositórios digitais.
A experiência de utilizar a linguagem natural e linguagem controlada
simultaneamente dentro do repositório digital da FGV, demonstrou que quanto mais
detalhado o conjunto de metadados de assunto mais completa a representação de
conteúdo intelectual dos objetos digitais, e finalmente, a melhoria do acesso por
assunto para os usuários.
Deve-se ressaltar que numa instituição como a FGV tradicional por tratar seus
registros de autoridades no catálogo convencional de forma hierarquizada, os
desafios com a implantação do repositório digital foram grandes. A nova forma em
descrever os documentos digitais, a reflexão sobre as formas de recuperação, só
vieram a acrescentar conhecimento aos indexadores.
Em um catálogo tradicional há também a preocupação com a recuperação e o
fácil acesso às informações. Porém num repositório digital isto se potencializa, pois
as limitações do Dublin Core fazem perceber que a linguagem natural e a controlada
podem e devem caminhar juntas, uma completando a outra, visando única e
exclusivamente o acesso à informação, mantendo a simplicidade e facilidade de uso.
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Em linhas gerais, podemos concluir que uma recuperação da informação por
assunto eficiente é crucial para um repositório digital de sucesso.

REFERÊNCIAS

GREENBERG, J. Metadata and the World Wide Web. In: Encyclopedia of Library
and Information Science. New York: Marcel Dekker, 2005. p. 1876-1888.
Disponível em &lt; http://www.ils.unc.edu/mrc/pdf/greenberg03metadata.pdf&gt; Acesso
em: 12 mar. 2013.
LANCASTER, F.W. Indexação e resumos: teoria e prática. Brasília: Briquet de
Lemos, 1993.
____. ____ 2. ed. rev. atual. Brasília: Briquet de. Lemos, 2004.
LOPES, I.L. Uso das linguagens controlada e natural em bases de dados: revisão de
literatura. Ci. Inf., Brasília, v. 31, n. 1, p. 41-52, jan./abr. 2002. Disponível em
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v31n1/a05v31n1.pdf&gt; Acesso em: 02 mar. 2013.
TERRA, J.C.C.; et al. Taxonomia: elemento fundamental para a gestão do
conhecimento. 2005. Disponível em &lt;http://www.terraforum.com.br&gt; Acesso em: 17
de mar. 2013.
ZAVALINA, O.L. Collection-level metadata and its role in subject access to
digital libraries. 2008. 84f. Dissertação (mestrado) – University of Illinois at UrbanaChampaign. Disponível em &lt;http://www.academia.edu/467441/COLLECTIONLEVEL_SUBJECT_ACCESS_METADATA_APPLICATION_AND_USERS&gt; Acesso
em: 20 mar. 2013.

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