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                  <text>A influência do open access nas comunidades acadêmicas da area
de biblioteconomia no nordeste do Brasil

Virginia Barbara Aguiar Alves (UFAL) - virginiabarbara@ua.pt
Resumo:
A influência do Open Access (OA) nas comunidades acadêmicas da área de
biblioteconomia das Universidades Federais da Região Nordeste do Brasil. Tem
como objetivo geral identificar e discutir a influência do movimento OA. A
metodologia adotada consiste na combinação da abordagem qualitativa e
quantitativa; os instrumentos de recolha de dados utilizados foram questionários e
entrevista. A entrevista foi aplicada ao tecnólogo sênior do Instituto Brasileiro de
Informação, Ciência e Tecnologia (IBICT) com a finalidade de obter informações
sobre o movimento OA no Brasil. Os questionários aplicados aos professores e
alunos dos cursos de Biblioteconomia com a finalidade de verificar os efeitos e as
consequências do movimento OA sobre essas comunidades visavam responder a
seguinte questão: Que efeitos/consequências a “via verde” e a “via dourada” de
disseminação da informação trazem para a comunicação científica nas comunidades
acadêmicas da área de biblioteconomia da Região Nordeste do Brasil? Os
resultados dos inquéritos apontam vários indicadores positivos da influência do
movimento OA sobre essas comunidades acadêmicas, entre os quais podemos
citar: a existência de repositórios institucionais em Universidades Federais
Nordestinas; um alto percentual de utilização de repositórios institucionais; o elevado
percentual de utilização e produção de publicações bibliográficas em AO; o
conhecimento e a concordância com o movimento OA demonstram o impacto desse
movimento nas comunidades acadêmicas da Região Nordeste do Brasil.
Palavras-chave: Acesso livre. Acesso livre – influência. Acesso livre - Região Nordeste do
Brasil.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

A influência do open access nas comunidades acadêmicas da área de
biblioteconomia no nordeste do Brasil

Resumo:
A influência do Open Access (OA) nas comunidades acadêmicas da área de
biblioteconomia das Universidades Federais da Região Nordeste do Brasil. Tem
como objetivo geral identificar e discutir a influência do movimento OA. A
metodologia adotada consiste na combinação da abordagem qualitativa e
quantitativa; os instrumentos de recolha de dados utilizados foram questionários e
entrevista. A entrevista foi aplicada ao tecnólogo sênior do Instituto Brasileiro de
Informação, Ciência e Tecnologia (IBICT) com a finalidade de obter informações
sobre o movimento OA no Brasil. Os questionários aplicados aos professores e
alunos dos cursos de Biblioteconomia com a finalidade de verificar os efeitos e as
consequências do movimento OA sobre essas comunidades visavam responder a
seguinte questão: Que efeitos/consequências a “via verde” e a “via dourada” de
disseminação da informação trazem para a comunicação científica nas comunidades
acadêmicas da área de biblioteconomia da Região Nordeste do Brasil? Os
resultados dos inquéritos apontam vários indicadores positivos da influência do
movimento OA sobre essas comunidades acadêmicas, entre os quais podemos
citar: a existência de repositórios institucionais em Universidades Federais
Nordestinas; um alto percentual de utilização de repositórios institucionais; o elevado
percentual de utilização e produção de publicações bibliográficas em AO; o
conhecimento e a concordância com o movimento OA demonstram o impacto desse
movimento nas comunidades acadêmicas da Região Nordeste do Brasil.
Palavras-chave: Acesso livre. Acesso livre – influência. Acesso livre - Região
Nordeste do Brasil.
Área temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente.

1 INTRODUÇÃO
A procura da informação e a sua disseminação atravessaram gerações e, entre o
final do século XX e o início do século XXI, surgiu o movimento do Open Access
(OA), um modelo alternativo para a comunicação científica, que vem contribuindo
para a consolidação desse sonho. O modelo estabeleceu padrões para a
interoperabilidade entre bibliotecas digitais e repositórios temáticos e institucionais,
desencadeando uma verdadeira rede de eventos, com o objetivo de apoiar o
movimento para o acesso aberto ao conhecimento científico.
Exemplos do impacto do modelo implementado são: a Declaração Sobre a
Ciência no Século XXI (1999) e a Budapest Open Access Initiative (2002); a reunião
promovida pelo Open Society Institute (OSI), a qual estabeleceu duas estratégias - a
via verde (auto-arquivamento em repositórios institucionais e temáticos) e a via
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dourada (publicação em revistas de acesso livre); a Bethesda Statement on Open
Access Publishing (2003), visando estabelecer princípios para obter apoio formal
das agências de financiamento e de todos os atores do fluxo da comunicação
científica para a publicação de resultados de pesquisa científica; a Berlin Declaration
on Open Access to Knowledge in Sciencies &amp; Humanities (2003) que recomenda o
uso consistente da Internet para divulgação e publicação das pesquisas científicas,
encorajando os pesquisadores a publicarem os seus trabalhos em revistas de
acesso livre, além de endossar as declarações anteriores; a International Federation
of Library Associations and Institutions (IFLA) on Open Access for Scholarly
Literature (2003) - que afirma que abrir o acesso à literatura científica e a resultados
de pesquisa é fundamental para compreensão do mundo e para identificação de
solução aos desafios globais e, em particular, a redução da desigualdade de
informação; a Declaração de Salvador para Acesso Aberto (2005) – conclama a
todos os parceiros da comunidade científica internacional para, conjuntamente,
assegurar que a informação científica seja de livre acesso e disponível para todos. o
Manifesto Brasileiro Sobre Acesso Livre – Brasil (2005) – chama a comunidade
científica brasileira a apoiar o movimento mundial em favor do acesso livre à
informação científica.
A pesquisa que apresentamos se insere na área da Ciência da Informação e
a temática compreende questões relativas à comunicação científica e de uma forma
específica ao Movimento do Acesso Livre. O estudo pretende, concomitantemente,
identificar e discutir a influência do movimento OA nas comunidades acadêmicas da
área de Biblioteconomia nas Universidades Federais da Região Nordeste do Brasil.
Nesse sentido, a metodologia empregue na construção desta investigação envolve:
a recolha de dados, nomeadamente, através de entrevistas e questionários, com
pessoas que têm experiências e práticas com as questões relativas à produção, à
disseminação e ao uso da informação científica, fazendo, neste contexto, a análise
de exemplos que estimulem a compreensão do tema.
Tem como objetivo geral identificar e discutir a influência do movimento OA,
nas comunidades acadêmicas da área de Biblioteconomia das Universidades
Federais da Região Nordeste do Brasil, nomeadamente nas Universidades Federais
da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e do
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Maranhão, com ênfase sobre as questões relativas à “via verde” e à “via dourada”.
As duas vias enquanto estratégias básicas do Movimento, do OA foram
estabelecidas com a finalidade de acelerar a disseminação do conhecimento
científico. Como objetivos específicos, a investigação pretendeu: estabelecer um
paralelo entre as duas estratégicas básicas, definidas em Budapeste, sendo a
primeira estratégia o autoarquivamento, que constitui a via verde (Green Road) - e a
segunda estratégia os periódicos eletrônicos de acesso aberto, que constituem a via
dourada (Golden Road); verificar a importância da utilização das vias verde e
dourada para a disseminação da informação, como uma alternativa aos mecanismos
tradicionais de comunicação científica no meio acadêmico; relacionar a diferença
entre legitimação e legitimidade das publicações eletrônicas de acesso aberto, com
o uso da via verde e da via dourada; discutir a importância da Open Archives
Initiative (OAI) na implementação do movimento do OA.
Como questão de investigação apresentamos: quais os efeitos/consequências
que a via verde e a via dourada de disseminação da informação trazem para a
comunicação científica? Tendo como hipótese a afirmação abaixo descrita: o
Movimento do OA, que utiliza as via verde e dourada, como estratégias de ação na
disseminação da informação, proporciona um novo modelo, mais vantajoso, para
comunicação científica nas comunidades acadêmicas, localizadas na Região
Nordeste do Brasil.
O movimento do acesso livre vem procurando tornar possível a comunicação
científica entre milhares de pesquisadores espalhados pelo mundo, quebrando,
assim, as barreiras geográficas e facilitando a disseminação da literatura científica,
constituindo-se como meio essencial para a construção do conhecimento, que
compreende a produção, a comunicação (disseminação do conhecimento) e a
aplicação do conhecimento gerado na criação de novos conceitos.

2 DISCUSSÃO
De acordo com Carvalho e Kaniski (2000 apud BINOTTO, 2007), a história da
ciência vem se modificando, configurando períodos de normalidade e períodos de
revolução, com a invenção da escrita e da imprensa: a escrita possibilitou a
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preservação dos registros do conhecimento, o que proporcionou a difusão cultural, e
a imprensa tornou possível o acesso a esse mesmo conhecimento em uma área
obsoleta e separada de outros debates, onde manifestam tendências de
democratização e universalização da cultura geral e científica.
A introdução de novas tecnologias de informação, com suas possibilidades
de interatividade, hipertextualidade (liberdade na criação de textos
provendo interconexões entre informações vinculadas) e hipermediação,
provocou uma mudança rápida do ambiente e no aumento de publicações
eletrônicas. O atual desenvolvimento de tecnologias de informação e da
Rede Internet gerou mudanças nos conceitos de canais formais e informais
de comunicação e introduziu inovações no que diz respeito à interação no
processo de construção do conhecimento científico (MORENO;
ARELLANO, 2005).

Com a Internet, e muito particularmente a World Wide Web, houve uma
mudança de paradigma do modelo tradicional de comunicação, facilitando a troca de
informação entre pesquisadores. A rede passa a ser um instrumento de
comunicação de fácil acesso que possibilita a rapidez e a visibilidade no intercâmbio
de informações (SENA, 2006, p.72). A rapidez alcançada na disseminação de
informações gerou um contraste entre a produção e a distribuição de revistas
científicas impressas com a agilidade das publicações eletrônicas.
Num período “anterior ao surgimento da Rede, toda a publicação científica era
produzida em papel a um custo alto. Ainda hoje, devido a fatores econômicos ou por
problemas de distribuição os pesquisadores enfrentam sérias dificuldades de
acessar grande parcela da literatura científica” (CAFÉ; LAGE, 2002).
As editoras comerciais criam barreiras para a obtenção de informação e para
a sua divulgação. Os altos custos das publicações científicas, em formato impresso
e também em formato eletrônico, são obstáculos para vários pesquisadores,
bibliotecas e instituições de ensino e pesquisa - mesmo as instituições que possuem
grandes recursos não têm como acessar todas as publicações científicas.
Tradicionalmente, o principal veículo de divulgação dos resultados de
pesquisas em ciência e tecnologia é o periódico científico. O artigo científico
se torna o elemento indicador primeiro da produção científica, integrando o
sistema de reconhecimento científico (Cronin e Overfelt, 1995), concedendo
visibilidade, contribuindo para a promoção da carreira acadêmica e
científica e facilitando a obtenção de financiamentos junto a órgãos de
fomento a pesquisa (MEADOWS, 1999 e ZIMAN, 1979 apud FERREIRA;
MUNIZ, [2005]).

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A crise no setor dos periódicos de acordo com Moraes (2006, p.25), foi
marcada por fatores, como: a) a fusão das editoras comerciais; b) o aumento dos
preços das revistas, que em pouco tempo abalou a continuidade das assinaturas e,
por isso, muitas bibliotecas excluíram vários títulos; c) as vendas de assinaturas por
pacotes onde os custos diminuíam e neles eram incluídas revistas que não
interessavam às bibliotecas, sendo que também passavam a ter títulos que antes
não podiam pagar; d) consórcios de bibliotecas para auxiliar a negociação com as
grandes editoras, as bibliotecas se agregaram em consórcio para comprar material
científico e disponibilizá-lo ao usuário através de intercâmbio ou pela Comutação
Bibliográfica (COMUT). Toda essa situação foi agravada pela inexistência de
concorrência, o que monopolizou o mercado deixando as instituições sem opção,
porque a “ciência não existe sem comunicação” (MORAES, 2006, p.25).
De acordo com Soares (2004, p. 13), o aumento dos custos das revistas
acima do índice geral de preços não é recente, e os bibliotecários foram os primeiros
a enfrentar esse problema, juntamente com os administradores universitários. Os
pesquisadores só tiveram conhecimento do problema quando foi solicitado para
suprimirem algumas assinaturas. O aumento dos custou intensificou-se nas últimas
décadas e estes inviabilizaram os orçamento das universidades e institutos de
pesquisas, abalando o funcionamento das universidades americanas, especialmente
as que tinham menos recursos. Ainda de Acordo com o autor supracitado (2004,
p.15), o resultado foi desastroso mesmo para grandes universidades com
reconhecido valor e, inclusive, algumas bibliotecas decidiram cancelar mais de 500
assinaturas de revistas.
De acordo com Sena (2006, p.72), torna-se evidente a discrepância entre a
morosidade do processo da comunicação científica tradicional e a rapidez com que algumas
áreas do conhecimento se desenvolvem e promovem a divulgação dos seus trabalhos.
Nesse contexto, surge a questão da transferência dos direitos autorais para os editores, o
que nem sempre atende aos interesses dos autores. Além disso, a importância do processo
de revisão feita pelos autores e o tempo despendido limitam o processo de disseminação de
novas ideias facilitando a promoção de grupos restritos de editores e autores. Segundo
Jacobs (2006, p.1), as preocupações relativas ao tenso sistema de comunicação acadêmica
levaram à proliferação de um movimento para a mudança.
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O movimento do acesso livre acredita ter a resposta para esta questão crítica:
os líderes desse movimento não estão tão interessados em reformar o sistema de
comunicação investigacional já existente, mas, sim, em transformá-lo para que
possa funcionar com eficácia num ambiente tecnológico em rápida mudança.
De acordo com Borges (2006, p. 81), o movimento do acesso livre começou
em 1994, quando Stevan Harnad dá início a sua proposta “subversiva” numa lista de
discussão disponível na internet dedicada ao tema das revistas eletrônicas
(OKERSON; O’ DONNEL 1995 apud BORGES, 2006). Na resposta a essa proposta,
esteve presente Paul Ginsparg, o criador do arquivo de Los Alamos, atualmente
conhecido Arxiv, um arquivo de preprints na área da física e da alta energia, cujo
sucesso permitiu todo novo horizonte na partilha da Informação Cientifica.
Rodrigues (2006), após a publicação da “Proposta Subversiva”, assim
denominada pelo seu próprio autor, Stevan Harnad, sublinha que várias iniciativas
foram ocorrendo em favor do movimento do acesso livre em todo o mundo,
nomeadamente: a criação da Scholarly Publishing and Academic Resources
Coalition (SPARC); a Declaração de Santo Domingo; a Conferência Mundial Sobre A
Ciência para o Século XX; a Declaração sobre a Ciência e o Uso do Conhecimento
Científico; a Agenda para a Ciência; a Convenção de Santa Fé – a Iniciativa de
Arquivos Aberto; o Lançamento da Pubmed Central.
Na origem do movimento de Acesso Livre estão os problemas, limitações e
contradições do sistema de comunicação da ciência, em particular os
relacionados com as revistas científicas. De facto, nas últimas décadas do
século XX o crescimento acentuado da literatura científica, nos mais
diversos ramos do saber, foi acompanhado pela “comercialização”, e pela
perda de controlo por parte do mundo académico, do sistema de
comunicação da ciência (RODRIGUES, 2006).

Existe uma multiplicidade de definições do que vem a ser Acesso Livre, mas o
“Acesso Livre diz respeito à acessibilidade ampla e irrestrita a conteúdos disponíveis
em formato digital, no sentido em que remove barreiras de preço e de permissão,
tornando a literatura científica disponível com o mínimo de restrições de uso”
(SUBER, 2003 apud BATISTA; COSTA; KURAMOTO; RODRIGUES 2007, p.5).
Swan (2006, p.1) descreve o movimento do acesso livre como resultado de
uma longa história de comunicação acadêmica, que sempre esteve ligada às
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mudanças tecnológicas e econômicas. Artigos científicos e monografias têm estado
implicados nas recentes mudanças, mas são talvez os desenvolvimentos recentes
na disseminação de artigos científicos, que mais têm exercitado as mentes dos
investigadores, livreiros e editores.
O OA não é mais do que a vontade expressa de um autor oferecer – o que
já acontece com os meios tradicionais de publicação – os resultados
validados da sua pesquisa a um conjunto ilimitado de pessoas (pares ou
público em geral) para maximimizar o seu uso e impacto e é este, na
verdade, o objetivo. Mas não é apenas o autor quem beneficia do impacto
de citação também a unidade de investigação e a universidade onde está
inserido são co-beneficiários do sistema (BORGES, 2006, p.75).

Para Mueller (2006, p.1), o movimento para o acesso livre ao conhecimento
científico pode ser considerado o evento mais significativo da nossa época, no que
se refere à comunicação científica, e, neste sentido, se torna um grande desafio
para a comunidade acadêmica. Quanto mais sucesso obtiver o movimento, maior
será o impacto sob as mudanças provocadas no sistema tradicional. Segundo Foster
(2008), o acesso livre tornou-se num assunto importante para determinados
pesquisadores e numa oportunidade de exploração para universidades, no que
concerne à troca de impressões acerca de novidades e mudanças na comunicação
acadêmica, capacidade de pesquisa e modelos para edição.
Suber (2006 apud BAILEY, 2006) caracteriza assim o cerne do conceito do
acesso livre: o acesso livre elimina as “barreiras de preço” (por exemplo, as taxas de
subscrição) e as “barreiras de permissão” (tais como, os direitos de autor e as
restrição de licença) à “literatura realmente livre” (ou seja, os trabalhos de
investigação criados sem fins lucrativos pelos autores), tornando-se disponíveis
balizados por “restrições de utilização mínimas” (por exemplo, a atribuição de autor).
O Brasil vem distinguindo-se quanto às políticas de acesso à informação. Tem
realizado diferentes iniciativas em favor do acesso livre. De acordo com Melo,
Sampaio e Pires (2007) o Brasil, devido à dimensão do seu território e,
consequentemente, às desigualdades regionais, não se desenvolve de maneira
semelhante nas diversas regiões, pelo que especificamente no contexto educativo,
ainda convive com diferenças na educação das classes mais abastadas, por um
lado, e das classes menos favorecidas, por outro lado. Nesse seguimento, os
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autores supracitados destacam o impacto das diferenças regionais e do investimento
na disseminação do conhecimento, defendendo que as regiões que possuem mais
conhecimento podem partilhar os seus recursos informacionais com as regiões
menos beneficiadas, cooperando para o desenvolvimento geral da nação.
A partir de 2005, com a elaboração do Manifesto Brasileiro de apoio ao
Acesso Livre à Informação Científica, e segundo Kuramoto (2008), o Brasil vem
realizando, através do IBICT, várias inciativas em favor desse movimento, entre as
quais podemos mencionar: a assinatura da Declaração de Berlim (2003); a
submissão, a aprovação e o desenvolvimento do Projeto de Publicações Periódicas
de Acesso Livre (PCAL), junto a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP); a
prospecção, a identificação, a absorção, a customização o aperfeiçoamento e a
distribuição de tecnologias para o tratamento e disseminação da informação, que
sustentem as ações de acesso livre a exemplo do Sistema Eletrônico de Editoração
de Revistas (SEER); a construção de repositórios institucionais e temáticos de
acesso livre; Projeto de Lei (PL) 1120/2007 - que dispõe sobre o processo de
disseminação da produção científica; a implantação da Biblioteca Digital Brasileira
de Teses e Dissertações (BDTD). Para além dessas iniciativas, foram publicados,
em 2006, um número especial da revista Ciência da Informação (35:2), e, em 2008,
da Revista LIINC (4:2) ambas com artigos de pesquisadores brasileiros e
estrangeiros sobre o tema do acesso livre.
E salientamos também a participação brasileira na Iniciativa ALEMPLUS
(2006), no Compromisso do Minho (2006) e a Cooperação Luso-brasileira (2009).
Esta última foi realizada com a finalidade de aumentar a difusão do conhecimento
científico em língua portuguesa nos países lusófonos e no mundo.

3 RESULTADOS

A pesquisa efetuada procurou identificar os efeitos e/ou as consequências
desse movimento sobre a comunidade acadêmica da área de Biblioteconomia na
Região Nordeste do Brasil e, como podemos verificar, através dos indicativos
apresentados, nomeadamente dos inquéritos aplicados aos professores e alunos
dos cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste do Brasil, é possível concluir o
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impacto do OA nas comunidades acadêmicas da área de Biblioteconomia no
Nordeste do Brasil
Verificamos que a maioria dos professores respondentes (67,3%) informou
que a universidade onde trabalha possui repositório institucional de acordo com a
tabela 1.
Tabela 1 – A universidade onde trabalha possui repositório

A universidade onde trabalha
possui repositório institucional

Frequência
(N)

Percentual
(%)

Sim

33

67,3

Não

16

32,7

A maior parte dos professores respondentes possui produção bibliográfica em
OA (74,3%). De fato, os docentes respondentes possuem um elevado número de
publicações em OA, conforme a tabela 2
Tabela 2 - Possui produção bibliográfica em OA

Frequência
(N)

Percentual
(%)

Sim

26

74,3

Não

9

25,7

Possui produção bibliográfica
em OA

A grande maioria dos professores respondentes (90,0%) utiliza produção
bibliográfica em OA para realização de seus trabalhos acadêmicos, de acordo com a
tabela 3
Tabela 3 - Utiliza produção bibliográfica em OA

Utiliza produção
bibliográfica em OA

Frequência
(N)

Percentual
(%)

9

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Sim

36

90,0

Não

4

10,0

E como mostra a tabela seguinte, podemos constatar mais um indicador
positivo do movimento OA no Brasil: uma grande parte dos professores inquiridos
(83,3%) conhece o movimento do OA, de acordo com a tabela 4.
Tabela 4 – Conhece o OA

Frequência
(N )

Percentual
(%)

Sim

40

83,3

Não

8

16,7

Conhecimento do OA

Para comprovar esta abertura, a maioria dos inquiridos (97,5%) concordam
com o movimento do OA, como demonstra a tabela 5.
Tabela 5 – Concorda com o OA

Concordância com o movimento OA

Concorda com o
Movimento do
OA

Frequência
(N)

Percentual
(%)

Sim

39

97,5

Não

1

2,5

A realização desta pesquisa permitiu adquirir informações sobre o movimento
OA no mundo e, de uma forma muito especial, no Brasil.
Como fator bastante positivo para o movimento do OA no Brasil, a maior parte
das Universidades inquiridas possui repositórios institucionais (RI): o RI da
Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
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Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Federal do
Maranhão (UFMA) encontram-se instalados; o RI da Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) está em fase de testes; o RI da Universidade Federal do Ceará
(UFC) já possui um link e publicações depositadas e será lançado oficialmente no
segundo semestres de 2011; só o RI da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
ainda não foi implantado, mas o Departamento de Ciência da Informação onde
funciona o curso de Biblioteconomia nesta universidade possui um repositório.
Todos os RI acima citados fazem parte da Relação dos Repositórios Brasileiros que
utilizam o Dspace e o RI da UFRN e UFMA estão registrados no Directório Lusobrasileiro – repositórios e revistas de acesso aberto, todos foram implantados a partir
dos recursos oriundos da FINEP. Mas, comprovadamente, pelo baixo percentual de
produção bibliográfica e produção técnica de docentes e discentes respondentes
depositadas em RI, não existe ainda uma política estabelecida para divulgar e
incentivar o autoarquivamento (via verde) e a disponibilização da produção científica
de professores e alunos nesses RI. Apesar de existir um alto percentual de utilização
de RI entre os docentes respondentes, enquanto os alunos não o utilizam, mas
estes, como os professores, usam periódicos eletrônicos em OA.
Apesar de a maioria das universidades da região inquirida possuir RI, ainda é
significativamente baixo o número de produção bibliográfica de docentes, e
principalmente de discentes, depositada nesses repositórios;
A maioria dos professores e alunos respondentes utiliza produção
bibliográfica em OA nos seus mais variados tipos, sobretudo artigos publicados em
periódicos eletrônicos em OA, mas só os docentes possuem um número significativo
de produção bibliográfica publicada em OA;
Comprovadamente, a maioria dos docentes conhece e concorda com o
movimento do OA, outro fator de impacto do movimento do OA no Brasil. Ao
contrário dos discentes respondentes, cuja maioria desconhece o OA, a minoria que
conhece também concorda com o movimento do OA
Os docentes respondentes assim como os discentes possuem uma opinião
formada sobre o OA, mas ainda não asseguram que “o movimento do OA promove o
aumento de citações da produção bibliográfica de professores e pesquisadores",
apesar de inúmeros estudos comprovarem essa afirmação e de uma forma mais
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bem acentuada, também não afirmam que “as publicações bibliográficas em OA têm
a mesma importância das publicações bibliográficas em revistas impressas com
avaliação prévia feita pelos pares conforme o modelo tradicional”.
Apesar de a maioria das universidades da região inquirida possuir RI, ainda é
significativamente baixo o número de produção bibliográfica de docentes e
principalmente de discente depositada nesses repositórios. Isso justifica-se pelo fato
dos referidos repositórios terem sido recentemente implantados e, sendo assim,
reafirma-se a falta de incentivo ao autoarquivamento e a promoção da
disponibilização da produção bibliográfica produzida nas IES da região nordeste do
Brasil;
A produção técnica de docentes e discentes publicada em OA, em RI e em RI
da instituição onde lecionam ou estudam é irrelevante, se comparada ao número de
produção bibliográfica de docentes em OA, em RI e em RI da instituição onde
lecionam. Justifica-se isso pelo fato de a produção técnica ser relativamente baixa
nas chamadas ciências sociais e, principalmente, na Ciência da Informação, além da
falta de incentivo ao autoarquivamento nas Instituições de Ensino Superior (IES) do
nordeste do Brasil, mas a maioria dos docentes e alunos respondentes utilizam
produção técnica em AO, principalmente de material didático e instrucional e de
software;
Independentemente da instituição onde lecionam e estudam, a maioria dos
professores e alunos respondentes concorda totalmente e concorda com as
afirmações apresentadas sobre o OA, com relação ao acesso, à disseminação e à
visibilidade, mas existe uma dispersão entre os professores e alunos respondentes
com relação às afirmações "o movimento do OA promove o aumento do número de
citações de professores pesquisadores" e "as publicações bibliográficas em OA têm
a mesma importância das publicações bibliográficas em revistas impressas com
avaliação prévia feitas pelos pares";
A maior parte dos professores e alunos respondentes que lecionam e
estudam em instituições que possuem repositórios concorda totalmente com as
afirmações sobre o OA, com relação ao acesso, à disseminação e à visibilidade,
mas, independentemente de a instituição onde lecionam ou estudam possuir
repositórios, existe uma distribuição entre os professores e alunos respondentes
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com relação às afirmações "o movimento do OA promove o aumento do número de
citações de professores pesquisadores" e "as publicações bibliográficas em OA têm
a mesma importância das publicações bibliográficas em revistas impressas com
avaliação prévia feitas pelos pares";
Como verificamos, através da revisão de literatura e dos resultados dos
inquéritos aplicados, podemos afirmar que a comunidade acadêmica da área de
Biblioteconomia na Região Nordeste do Brasil concorda e aceita o acesso livre,
sendo que já se torna visível o impacto ou a influência do movimento do acesso livre
no Brasil e, especificamente, na Região Nordeste.
Contudo, dever-se-á continuar a investir na divulgação do movimento em prol
do acesso livre e a implementar programas e projetos, de forma a ampliar e
estimular a utilização do autoarquivamento (via verde) e a criação de periódicos de
acesso livre (via dourada). Esse impulso não deverá ser proporcionado só através
do governo brasileiro, só através do IBCT, mas também através do envolvimento
direto das próprias comunidades acadêmicas com os seus pares, nas suas
instituições, para que o acesso livre se torne de fato uma alternativa para a
disseminação do conhecimento científico e para que o Brasil e, especificamente, a
Região Nordeste tenham a possibilidade de aumentar a visibilidade da sua produção
científica no Brasil e no mundo.

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Cap.1.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A influência do Open Access (OA) nas comunidades acadêmicas da área debiblioteconomia das Universidades Federais da Região Nordeste do Brasil. Temcomo objetivo geral identificar e discutir a influência do movimento OA. Ametodologia adotada consiste na combinação da abordagem qualitativa equantitativa; os instrumentos de recolha de dados utilizados foram questionários eentrevista. A entrevista foi aplicada ao tecnólogo sênior do Instituto Brasileiro deInformação, Ciência e Tecnologia (IBICT) com a finalidade de obter informaçõessobre o movimento OA no Brasil. Os questionários aplicados aos professores ealunos dos cursos de Biblioteconomia com a finalidade de verificar os efeitos e asconsequências do movimento OA sobre essas comunidades visavam responder aseguinte questão: Que efeitos/consequências a “via verde” e a “via dourada” dedisseminação da informação trazem para a comunicação científica nas comunidadesacadêmicas da área de biblioteconomia da Região Nordeste do Brasil? Osresultados dos inquéritos apontam vários indicadores positivos da influência domovimento OA sobre essas comunidades acadêmicas, entre os quais podemoscitar: a existência de repositórios institucionais em Universidades FederaisNordestinas; um alto percentual de utilização de repositórios institucionais; o elevadopercentual de utilização e produção de publicações bibliográficas em AO; oconhecimento e a concordância com o movimento OA demonstram o impacto dessemovimento nas comunidades acadêmicas da Região Nordeste do Brasil. </text>
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