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                  <text>Acesso à informação na web: relato de pesquisa no Laboratório de
Tecnologias Intelectuais ─ LTi

Gustavo Henrique de Araujo Freire (UFPB) - ghafreire@gmail.com
Isa Maria Freire (UFPB) - isafreire@globo.com
Jéssica Oliveira da Silva Mirella (UFPB) - jeh.mymy@gmail.com
Roselaine Gomes Ferreira (UFPB) - roselainegferreira@hotmail.com
Janaina Mylenne Oliveira da Silva (UFPB) - janainamyllenne@hotmail.com
Resumo:
Relata o resultado do trabalho científico no âmbito do Laboratório de Tecnologias Intelectuais
(LTi) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com apoio do Programa Interinstitucional
de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), em parceria com o Lyceu Paraibano, escola estadual
de nível média localizada em João Pessoa (PB) e o Projeto Na trilha do futuro (CNPq – Capes).
Apresenta o quadro teórico que fundamenta as ações no campo da pesquisa, bem como os
resultados das atividades de busca de informação, no suporte vídeo, de interesse do ensino
médio e sua organização para acesso no Portal do LTi. Reporta aos 85 links de acesso a vídeos
de apoio didático, categorizados em 11 disciplinas do ensino médio, e aos 24 links para acesso
a sites de interesse para educação.
Palavras-chave: Informação – Busca e organização. Web – Busca. Pesquisa – Relato de
experiência. Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis,
SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

Acesso à informação na web: relato de pesquisa no Laboratório de
Tecnologias Intelectuais ─ LTi

RESUMO
Relata o resultado do trabalho científico no âmbito do Laboratório de Tecnologias
Intelectuais (LTi) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com apoio do
Programa Interinstitucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), em parceria
com o Lyceu Paraibano, escola estadual de nível média localizada em João Pessoa
(PB) e o Projeto Na trilha do futuro (CNPq – Capes). Apresenta o quadro teórico que
fundamenta as ações no campo da pesquisa, bem como os resultados das
atividades de busca de informação, no suporte vídeo, de interesse do ensino médio
e sua organização para acesso no Portal do LTi. Reporta aos 85 links de acesso a
vídeos de apoio didático, categorizados em 11 disciplinas do ensino médio, e aos 24
links para acesso a sites de interesse para educação.
Palavras Chave: Informação – Busca e organização. Web – Busca. Pesquisa –
Relato de experiência. Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi.
Área temática:
Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

1 INTRODUÇÃO
Desde o inicio da humanidade a informação sempre esteve presente,
representada de diferentes formas, como as pinturas nas cavernas, os contos,
mapas, canções... Mas é inegável que somente após a Segunda Guerra Mundial a
informação passou a ser percebida como um campo de estudo e pesquisa, uma
área que esconde um tesouro de inovações tecnológicas e produção científica.
É inegável que o fenômeno da informação foi se tornando cada vez mais
presente em nossas vidas, que sua área de ação e intervenção foi crescendo
exponencialmente, até sua identificação com a sociedade contemporânea
qualificada como “sociedade da informação” (FREIRE; FREIRE, 2009). E com o
advento das tecnologias digitais de informação e comunicação, torna-se possível
considerar as ações de informação como instrumentos de políticas de inclusão
social, visando produzir e divulgar informações de interesse para diferentes grupos
sociais, como propõe Freire (2001) sobre a responsabilidade social da Ciência da
Informação.
1

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis,
SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

Nesse contexto, com o propósito de desenvolver produtos e serviços para
facilitar o acesso à informação mediante tecnologias intelectuais, foi criado, em 2009,
o Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi, um projeto do Departamento de
Ciência da Informação (DCI) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), apoiado
pelo CNPq (Edital Universal e Programa Interinstitucional de Bolsas de Iniciação
Científica - PIBIC/CNPq/UFPB).
Nesta comunicação, nosso propósito é relatar as ações de pesquisa
desenvolvidas nesse espaço institucional de trabalho científico, esperando que esta
narrativa das ações e dos seus fundamentos possa revelar, aos leitores, trilhas para
seu próprio entendimento das atividades de pesquisa e responsabilidade social, nas
áreas de Ciência da Informação e Biblioteconomia.
2 SOBRE O ESPAÇO INSTITUCIONAL DA PESQUISA
Este item do trabalho descreve os fundamentos teóricos e metodológicos que
orientam e aproximam as propostas de pesquisa, ensino, extensão na rede de
projetos do LTi.

2.1 AÇÕES NO LABORATÓRIO DE TECNOLOGIAS INTELECTUAIS - LTi
A informação é um conhecimento inscrito (registrado) em forma escrita
(impressa ou digital), oral ou audiovisual, em um suporte material ou virtual. E, sem
dúvida,

esse

conhecimento

inscrito

comporta

um poderoso

elemento

de

transformação, como esclarece Barreto (1994, p.2), quando qualifica a informação
como “instrumento modificador da consciência do homem e do seu grupo”. Pois,
continua o autor,
A informação, quando adequadamente assimilada, produz
conhecimento, modifica o estoque mental de informações do
indivíduo e traz benefícios ao seu desenvolvimento e ao
desenvolvimento da sociedade onde vive.
Assim, como agente mediador na produção do conhecimento, a
informação qualifica-se, em forma e substância, como estruturas
significantes com a competência de gerar conhecimento para o
indivíduo e seu grupo. (BARRETO, 1994, p.2)

2

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Assim, a informação se constitui em agente para as possibilidades de
transformações que ocorrem no ambiente social, trazendo consigo o propósito de
gerar conhecimento e contribuir para o desenvolvimento humano.
Nesse sentido, o LTi

busca desenvolver ações com vistas a promover o

acesso à Internet e a formação de competências em informação para um públicoalvo constituído, a princípio, por docentes e discentes de cursos de graduação e
pós-graduação da UFPB na área de Ciência da Informação, e depois também por
docentes e discentes do Lyceu Paraibano 1 . O Projeto LTi desenvolve ações de
ensino, pesquisa e extensão, de modo presencial e mediadas pela web, com o
propósito de contribuir para elaboração de modelo de ação de informação para
competências em informação. Nos três níveis de atividades das ações do LTi, a rede
de projetos visa alcançar os seguintes objetivos:
a) na pesquisa – propor, experimentar e avaliar um modelo de ação de
informação para promover o compartilhamento de recursos de informação
e a comunicação científica sobre a proposta e resultados (eventos,
publicações);
b) no ensino – contribuir, de forma propositiva, para qualidade do
trabalho acadêmico nas disciplinas curriculares da graduação e pósgraduação;
c) na extensão – promover oportunidades para transferência de
tecnologias intelectuais, mediante oficinas presenciais e tutoriais on line
para competências em informação, bem como prestação de serviços de
referência na web.
No quadro referencial teórico utiliza-se uma rede conceitual 2 (Wersig, 1993;
Freire, 2001) tecida a partir da responsabilidade social da Ciência da Informação
(Wersig; Neveling, 1975; Freire, 2001)3, considerando os conceitos de regime de

1

O Lyceu Provincial Paraibano surgiu em 1836. É importante destacar que esta instituição nunca
fechou suas portas ao longo dos últimos 175 anos. Em 2005, o Governo do Estado promoveu ampla
reforma nas instalações e reinaugurou a escola. Com cerca de 3 mil alunos, o Lyceu tem turmas do
Ensino Médio pela manhã e à tarde, o que faz com que grande parte dos seus alunos já estejam
próximos de tentar entrar em uma universidade ou ser inserido no mercado de trabalho.
2
Sugerida por Wersig (1993) como modelo para a Ciência da Informação, consistindo de uma
estrutura teórica que considera menos a formulação de leis gerais do que a de estratégias de ação,
mediante uma abordagem de entrelaçamento de conceitos científicos. Neste modelo, os conceitos
fundamentais "se constituem semelhantemente a ímãs, ou ‘atratores’, atraindo os materiais [teóricos
ou empíricos] para fora [dos seus respectivos campos científicos] e reestruturando-os dentro da
estrutura científica da informação" (p.238).
3
Proposta por Wersig e Neveling (1975), tal como demonstrado por Freire (2001).

3

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informação4 (González de Gómez, 1999, 2002, 2004), tecnologia intelectual (Lèvy,
1993) e competências em informação (Hatschbach, 2002; Belluzzo, 2001). Em nível
metodológico, utilizamos a pesquisa ação (Thiollent, 1997; Freire, 2004) e uma rede
de projetos (Lücky, 2003; Freire, I.M., 2004), considerando a interdependência das
ações em desenvolvimento e sua necessária sinergia no âmbito do LT i. Nossa rede
conceitual está descrita na Figura 1, a seguir:
Figura 1 – Rede conceitual do Projeto LTi
Campo científico
Ciência da Informação
Cultura informacional
[competências]
– ALA

Rede conceitual
[atrator conceitual]
– Wersig

Responsabilidade social CI
– Wersig, Neveling; Freire
Regime de informação
[ações de informação]
– González de Gómez

Tecnologias intelectuais
[conceito operacional]
– Lèvy

Inteligência coletiva
[rede de projetos]
– Lèvy, Lück, Freire

Pesquisa-ação
[procedimentos]
– Thiollent, Freire

Produção e compartilhamento de informação e
conhecimento
—— Regime de informação ——

Fonte: Adaptado de Wersig, 1993. FREIRE, 2012.

Como atrator conceitual da rede de ações de pesquisa – ensino – extensão
do LTi, adotamos o construto de Pierre Lèvy (1993, p.42) para tecnologias
intelectuais, as quais representam
[...] tanto as formas de expressão simbólica (que, p.ex., evoluíram
das narrativas míticas às equações quânticas) quanto as tecnologias
de informação em si mesmas (p.ex., a escrita em tabuinhas de barro,
as iluminuras medievais, a imprensa e os computadores). Podemos
chamá-las, também, de ‘tecnologias soft’ em contraponto às

4

Definido por González de Gómez (1999, p.69) como o “conjunto mais ou menos estável de redes
sociocomunicacionais formais e informais nas quais informações podem ser geradas, organizadas e
transferidas de diferentes produtores, através de muitos e diversos meios, canais e organizações, a
diferentes destinatários ou receptores, sejam estes usuários específicos ou públicos amplos”.

4

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tecnologias de produção material (que evoluíram, p.ex., desde o
machado de pedra até os satélites de comunicação).

Ainda de acordo com Lévy (1993, p.42. Negrito nosso), as tecnologias
intelectuais
[...] situam-se fora dos sujeitos cognitivos, como este computador
sobre minha mesa ou este [texto] em suas mãos. Mas elas também
estão entre os sujeitos como códigos compartilhados, textos que
circulam, programas que copiamos, imagens que imprimimos e
transmitimos por via hertziana. (...) As tecnologias intelectuais estão
ainda nos sujeitos, através da imaginação e da aprendizagem.

O autor destaca as tecnologias intelectuais em suporte digital, as quais
“favorece(m), ainda, o desenvolvimento e manutenção da inteligência coletiva, pois
exteriorizando uma parte de nossas operações coletivas as tornam [...] públicas e
partilháveis”; destarte, as tecnologias intelectuais “aumentam e modificam nossas
capacidades cognitivas” (LÉVY, 2000 citado por GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2004,
p.55). Nesse sentido, Assmann (2000, p.52) destaca que as tecnologias digitais são
“feixes de propriedades ativas” e nesse contexto existe a possibilidade “de uma
incorporação ativa no processo todo de produção, compartilhamento e criação
cultural [...], os chamados conteúdos” (LAZARTE, 2000, p.51). São esses conteúdos,
representados por arquivos de projetos, relatórios, tutoriais em tecnologias
intelectuais, biblioteca digital e outros tipos de informação em suporte digital, que
constituem o tesouro disponível no Portal do LT i e para o qual tivemos a
oportunidade de contribuir. A rede de projetos do Laboratório pode ser observada
na Figura 2, a seguir:
Figura 2 – Rede de projetos do LTi

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Extensão presencial
 Criatividade Científica na CI
 Parceria com Biblioteca Virtual Paulo Freire

Extensão na web
 LTi Sítio Virtual
http://dci.ccsa.ufpb.br/lti
 Competências em informação
 Vídeos Educativos
 Observatório Bibliográfico
 Disseminação da informação relevante:
Acesso a legislação interna da UFPB
 Ensino Virtual [cursos estruturantes]
 Parceria com Biblioteca Virtual Paulo Freire
 Apoio à Gestão da Informação em
organizações sociais de mulheres negras
 Centro de Referência Da Mulher “Ednalva
Bezerra”: Digitalização das informações e
criação de ambiente virtual

Pesquisa
LT i

LTi

AÇÕES

[CNPq/PIBIC]
Na Trilha do futuro
[CNPq – Capes]
Competências em informação
[CNPq/PIBIC Graduação]
[CNPq/PIBIC Ensino Médio]

Ensino on line
Ensino Virtual
[cursos curriculares]

Fonte: FREIRE, 2012.

Nesse contexto, e a nosso ver, o Projeto LTi representa uma oportunidade de
contribuir para concretização da possibilidade de acesso à informação por um grupo
significativo de usuários, no ambiente de ensino universitário e médio. Por isso
mesmo, escolhemos uma metodologia de trabalho que incentiva a criatividade e
favorece o trabalho colaborativo: a metodologia da pesquisa-ação.
A escolha da pesquisa-ação traduz a tentativa de abordar a comunicação da
informação como ação transformadora, no sentido que lhe atribui Araújo (1994),
criando espaço para intervenção empírica em uma dada situação. Segundo Thiollent
(1997, p.15), a pesquisa-ação “consiste essencialmente em acoplar pesquisa e ação
em um processo no qual os atores implicados participam, junto com os
pesquisadores, para chegarem interativamente a elucidar a realidade em que estão
inseridos”. Buscando uma visão sintética, Dubost (1987) examinou várias
concepções de pesquisa-ação vinculadas à tradições norte-americanas e européias,
formulando sua própria definição como “ação deliberada visando a uma mudança no
mundo real, realizada em escala restrita, inserida em um projeto mais geral e
submetida a certas disciplinas para obter efeitos de conhecimento e de sentido”
(1987 citado por THIOLLENT, 1997, p.35). Dentre essas concepções, adotamos, no
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Projeto LTi a visão cooperativa de Desroche (1990), conforme Thiollent (1997, p.36),
que entende a pesquisa-ação como uma pesquisa
[...] na qual os autores de pesquisa e os atores sociais se encontram
reciprocamente implicados: os atores na pesquisa e os autores na
ação. [...] na pesquisa-ação os atores deixam de ser simplesmente
objeto de observação, de explicação ou de interpretação. Eles
tornam-se sujeitos e parte integrante da pesquisa, de sua concepção,
de seu desenrolar, de sua redação e de seu acompanhamento.

Nesse contexto, e para fins deste trabalho, o treinamento dos
pesquisadores participantes em tecnologias intelectuais

virtuais de busca,

recuperação, organização e comunicação da informação para um dado grupo de
usuários, no caso os docentes e discentes universitários e do ensino médio foi
considerado o principal instrumento da ação, no campo da pesquisa.
2.2 COMPETÊNCIAS INTELECTUAIS – NA TRILHA DO FUTURO
O Projeto Na Trilha do Futuro foi criado no âmbito do Programa de PósGraduação em Ciência da Informação da UFPB, com a finalidade de desenvolver
ações para competências em informação na rede de ensino público de João Pessoa,
PB, e recebeu apoio do Edital de Ciências Humanas 2010 do CNPq e Capes.
No contexto da rede de projetos do LT i, Na trilha do futuro estabeleceu
parceria com o Projeto Competências em Informação para a Inclusão Social: uma
ação informativa na perspectiva do regime de informação, de modo a produzir, de
forma participativa, no âmbito da Escola Estadual Lyceu Paraibano, em João Pessoa,
PB, ambientes virtuais de apoio ao ensino e aprendizagem em nível do ensino
médio. Dessa forma, foi possível propor uma ação para integração de ações de
informação em um dado espaço social, de modo a promover a inclusão de grupos
na sociedade em rede. Destarte, a perspectiva das competências em informação
traz a escola para campo de atuação da Ciência da Informação, pois no contexto
atual
[...] a escola é aquele lugar por onde todos almejam passar
para encontra o seu lugar [...] um espaço de informação ou de
exercício da comunicação e de acesso às informações
produzidas socialmente. [...] o campo social escola é assim um
lócus privilegiado para o estudo das praticas informacionais e
por aí para uma visão da institucionalização e funcionamento
do nosso mundo cultural (MARTELETO, 1992).

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A autora contextualiza a ação de informação na escola como um
entrelaçamento teórico-metodológico entre os campos da Educação e da Ciência da
Informação. Nesse sentido, Pereira (1998) observa que os profissionais envolvidos
no processo educacional podem ser vistos na perspectiva da “transmissão de
conhecimento para aqueles que dele necessitam", atividade que suscita a
responsabilidade social que Wersig e Neveling sugerem ser "o fundamento em si
para a ciência da informação" (1975, citado por FREIRE, 1995, p.23). É na escola,
essa intersecção entre os campos de estudo da Educação e da Ciência da
Informação, como destaca Freire (2007), que se coloca a questão das competências
em informação.
Credita-se a introdução da expressão Information Literacyy, ou Competências
em informação, a Paul Zurkowski, bibliotecário norte-americano, presidente da
Information Industry Association, que em 1974 apresentou um relatório à National
Commission on Libraries and Information Science, recomendando aos Estados
Unidos um programa nacional para aquisição de ‘competências em informação’ em
uma década. Em 1989, o Comitê Presidencial da American Library Association
(ALA) publicou um Relatório sobre Information Literacy, reconhecendo a importância
da Information Literacy desta área para a manutenção de uma sociedade
democrática. Neste documento, são definidas como “competentes em informação”
as pessoas capazes
[...] de reconhecer quando a informação é necessária e [têm] a
habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente esta
informação [Essas pessoas] aprenderam como aprender. Elas
sabem como aprender porque sabem como a informação é
organizada, como encontrá-la e como usar a informação de
forma que os outros também possam aprender com ela. (ALA,
1989)
A nosso ver, a abordagem de competências em informação expande a noção
da educação de usuários, até então restrita à formação para a utilização da
informação em ambientes formais de estudo e pesquisa, como escolas,
universidades, bibliotecas, centros de informação. Nessa perspectiva, é possível
abordar, além das habilidades para o uso de bibliotecas, as habilidades de estudo e
as possibilidades cognitivas e tecnológicas para manipulação da informação.
Nesse sentido, Belluzzo (2001), em seu trabalho sobre a questão da
educação na Sociedade da Informação, afirma que a “gestão da informação — nos
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diferentes níveis: pessoais, organizacionais e sociais — é o grande desafio dos
tempos atuais, constituindo-se no próximo estágio de alfabetização do homem”
(BELLUZZO, 2001). A autora também destaca, dentre as competências em que o
processo de ensino-aprendizagem deveria

focalizar na “fluência científica e

tecnológica e no saber utilizar a informação, criando novo conhecimento”
(BELLUZZO, 2001). Por sua vez, baseada na literatura especializada, Hattschbach
(2002) propõe que as competências em informação sejam vistas como habilidades e
capacidades em utilizar a informação e o conhecimento sobre a sistemática, o
movimento da informação. Além da capacitação no uso das ferramentas para a
recuperação da informação, a autora inclui nesse conjunto o conhecimento de
fontes, o pensamento crítico, a formulação de questões, a avaliação, a organização
e a utilização da informação.
Esta perspectiva nos permitiu abordar o processo de compartilhamento de
tecnologias intelectuais e digitais como possibilidade para promover competências
em informação para busca e organização da informação de interesse para a prática
educativa

no

âmbito

de

ensino.

Esse

processo

foi

experienciado

pelos

pesquisadores participantes da rede de projetos do LT i, em especial pelos
pesquisadores-aprendizes.

3 RELATO DA PESQUISA
Para alcançar os objetivos propostos, foram treinados três bolsistas de
Iniciação Científica do CNPq, sendo dois discentes em processo de graduação nos
cursos de Arquivologia e Biblioteconomia da UFPB e bolsistas de Iniciação Científica,
e uma discente do Lyceu Paraibano, bolsista de Iniciação Científica – Ensino Médio.5
Utilizando vídeos educativos, disponíveis gratuitamente na internet, organizamos um
banco de dados com os links para estes documentos, de modo a serem consultados
por docentes e discentes, no Portal do LTi, como suporte para aulas e revisão de
conteúdos.

Os

documentos

audiovisuais

foram

selecionados

a

partir

do

levantamento dos programas de disciplinas lecionadas no Lyceu Paraibano, no
período da pesquisa, bem como nos programas de disciplinas previstas, mas ainda
não ministradas.
5

Trata-se de uma modalidade do Programa Interinstitucional de Bolsas de Iniciação Científica,
recentemente implementada na UFPB.

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A pesquisa foi desenvolvida no período de maio a outubro de 2012,
envolvendo a seleção e descrição de vídeos educativos, posteriormente
disponibilizados para os estudantes do Lyceu Paraibano e também usuários na
sociedade, em geral. O principal equipamento utilizado na pesquisa foram os
computadores, tanto para trabalhar com os repositórios digitais quanto para o
planejamento de aulas virtuais e pesquisa de documentos audiovisuais. Para a
pesquisa dos vídeos educativos, com os quais elaboramos o banco de dados,
utilizamos principalmente o site You Tube6. Pesquisamos os vídeos de interesse da
pesquisa por palavras-chave, cada vídeo foi assistido antes de ser selecionado para
fazer parte do banco de dados e depois indexado, classificado e catalogado.
A descrição do conteúdo do documento audiovisual foi realizada por quem
assistiu ao vídeo, com palavras que representam o conteúdo do documento. No
caso dos vídeos e sites de interesse para o ensino médio, buscamos e organizamos
o conteúdo com o auxílio da bolsista de Iniciação Científica do Lyceu Paraibano,
que estava cursando o segundo ano do ensino médio. Para cada vídeo foi realizada
uma ficha catalográfica com as seguintes informações:
A.
B.
C.
D.
E.
F.

Titulo do vídeo.
Pequeno resumo do seu conteúdo.
Palavras-Chave.
Link de acesso direto na internet.
Data da postagem.
Tempo de duração do documento.

Em novembro de 2012 contabilizamos 85 vídeos selecionados e catalogados.
A seguir, no Quadro 1, apresentamos a quantidade de links para vídeos educativos,
selecionados por disciplina do ensino médio.
Quadro 1 –Links para vídeos, por disciplina
DISCIPLINAS
Português (gramática,
literatura, redação)
Matemática
História
Geografia
Química
6

Qtde.
links

21
11
6
5
10

Disponível em http://www.youtube.com/?gl=BR&amp;hl=pt.

10

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Biologia
Física
Inglês
Espanhol
Filosofia

7
8
6
7
4

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

Também foram pesquisados sites de interesse para educação, em geral,
totalizando 24 links, utilizando o site de busca Google e tendo como critério de
avaliação e seleção o conteúdo divulgado nos sites.
Destarte, em se tratando de ação de pesquisa para acesso á informação na
web, e considerando a transparência necessária a projetos desenvolvidos com
recursos públicos, os projetos, planos de trabalho e relatórios da pesquisa de campo
e relatórios aqui mencionados estão disponíveis no Portal do LTi. Os quadros com
os resultados da pesquisa, organizados na categoria sites e nas disciplinas
consideradas no projeto também estão disponíveis no Portal.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A nosso ver, a proposta do Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi
representa uma contribuição à política de inclusão digital da Universidade Federal da
Paraíba, que tem como finalidade promover o acesso de docentes e discentes à
informação disponível na web. Nesse sentido, propiciamos à comunidade acadêmica
de discentes oportunidades de adquirir competências para buscar, organizar e
utilizar a informação científica.
Tecendo uma rede de pesquisas no LTi, conseguimos reunir projetos cujos
interesses recaem sobre tecnologias intelectuais e competências em informação
para a rede pública de ensino. Nesse contexto, a dinâmica de desenvolvimento da
rede de projetos possibilitou a busca e produção de estoques virtuais de
informações sobre de temas de interesse para a comunidade acadêmica, para o
ensino médio e para a sociedade, além de evidenciar a presença de diferentes áreas
do conhecimento no processo, promovendo a interdisciplinaridade existente na
própria Ciência da Informação.
O LTi se propõe a informar para o uso dos meios digitais segundo aspectos
éticos e morais, priorizando a concepção de que tais recursos tecnológicos devem
dar suporte a um processo de ensino e aprendizagem comprometido com a
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educação para a cidadania. Para isto, deve-se lançar mão de ações e projetos
orientados para fomentar o trabalho colaborativo, capaz de suscitar o planejamento
e a produção coletiva. Somente assim será possível atingir o objetivo de formar
competências

em informação

e

desenvolver

tecnologias intelectuais,

algo

extremamente necessário para lidar com o excesso, dispersão e superficialidade dos
conteúdos informacionais disponíveis na web.
O Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi representa, assim, uma
oportunidade e um espaço de trabalho onde pesquisadores e aprendizes tecem, no
tear da Ciência da Informação, uma rede cujo padrão (re)une informação,
comunicação e computação em nível da integração entre pesquisa, ensino e
extensão, na práxis acadêmica e na área de ensino em geral.
REFERÊNCIAS
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Presidential Committee on Information
Literacy. Chicago: ALA, 1989. Final report. Disponível em:
http://www.ala.org/acrl/nili/ilit1st.html. Acesso em 2001. Acesso em: 26 agos. 2006.
ASSMANN, H. A metamorfose do aprender na sociedade da informação. Ciência da
Informação, v. 29, n. 2, p. 7-15, maio/ago. 2000.
BARRETO, A. de A. A questão da informação. Revista SP em Perspectiva, v.8,
n.4, 1994.
BELLUZZO, R.C.B. A information literacy como competência necessária à fluência
centífica e tecnológica na sociedade da informação: uma questão de educação. In:
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Relata o resultado do trabalho científico no âmbito do Laboratório de Tecnologias Intelectuais (LTi) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com apoio do Programa Interinstitucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), em parceria com o Lyceu Paraibano, escola estadual de nível média localizada em João Pessoa (PB) e o Projeto Na trilha do futuro (CNPq – Capes). Apresenta o quadro teórico que fundamenta as ações no campo da pesquisa, bem como os resultados das atividades de busca de informação, no suporte vídeo, de interesse do ensino médio e sua organização para acesso no Portal do LTi. Reporta aos 85 links de acesso a vídeos de apoio didático, categorizados em 11 disciplinas do ensino médio, e aos 24 links para acesso a sites de interesse para educação.</text>
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