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                  <text>AS BIBLIOTECAS E SUAS QUESTÕES E PRESSÕES ATUAIS
Adriana Ornellas (UFRJ) - adriana.ornellas@gmail.com
Camila da Silva Antunes (UFRJ) - camilabiblio@gmail.com
Carina Volotão (UFRJ) - cvolotao@hotmail.com
Margarete Gomes Borba (UFRJ) - margareteborba@gmail.com
Nadia Bernuci Santos (UFRJ) - nadiabernuci@yahoo.com.br
Resumo:
Aborda as bibliotecas em face das questões e pressões atuais que estão implicando
em mudanças nos seus conceitos de serviços e produtos desembocando numa
mudança de paradigma da posse do livro para o acesso à informação onde quer que
ela esteja. Caracteriza o contexto que está provocando essas alterações e insere a
biblioteca na realidade do uso das ferramentas da Web 2.0 para atender às novas
necessidades que são exigidas dela. Busca teorizar sobre a necessidade do balcão
de referência nesse momento em que os serviços ao usuário são oferecidos através
da internet.
Palavras-chave: Biblioteca sem paredes. Serviço de referência. Web 2.0.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

As Bibliotecas e suas questões e pressões atuais

Resumo:
Aborda as bibliotecas em face das questões e pressões atuais que estão implicando
em mudanças nos seus conceitos de serviços e produtos desembocando numa
mudança de paradigma da posse do livro para o acesso à informação onde quer que
ela esteja. Caracteriza o contexto que está provocando essas alterações e insere a
biblioteca na realidade do uso das ferramentas da Web 2.0 para atender às novas
necessidades que são exigidas dela. Busca teorizar sobre a necessidade do balcão
de referência nesse momento em que os serviços ao usuário são oferecidos através
da internet.
Palavras-chave: Biblioteca sem paredes. Serviço de referência. Web 2.0.
Área Temática: Selecionar uma dentre as áreas temáticas do Congresso.

1 INTRODUÇÃO
A pergunta que inquieta a Biblioteconomia e seus profissionais
atualmente é se as bibliotecas, seu lugar tradicional de trabalho, irão acabar. Não é
um pergunta retórica ou um eufemismo para a grande quantidade de mudanças
vividas a partir dos usos da tecnologia: a biblioteca como conhecemos realmente
pode acabar.
A grande questão é se ela somente irá se metamorfosear e criar novos
modelos de existência ou se ela irá acabar para dar lugar a algo totalmente
diferente.
Essa interrogação não se deve somente a entrada das ferramentas
tecnológicas no cotidiano biblioteconômico, mas também há uma mudança na forma
de pensar da nova geração que possui novos hábitos informacionais, os nativos
digitais que, no momento, são apenas consumidores de informação, mas que,
brevemente, serão os tomadores de decisão no futuro.
Todos esses questionamentos trazem mudanças de paradigmas em que é
preciso se adaptar e criar novos serviços e produtos para atender à demanda da
sociedade e dos novos usuários.
. Dziekaniak e Rover (2011) realizam uma contextualização histórica a
respeito de como essa nova sociedade é definida e trabalham com os conceitos de
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento onde, em todas as
definições fornecidas, possuir ou não informação (ou conhecimento) é o que define o

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desenvolvimento dessa nova sociedade e que as Tecnologias da informação e
comunicação (TICs) são os pilares que permitem sua ampla disseminação. Assim,
estudar a relação da disseminação da informação com as TICs é observar o
“desenvolvimento exponencial das relações sociais, culturais, mercantis e políticas,
pelas potencialidades de comunicação proporcionada pelo uso das tecnologias de
informação e comunicação, atuando diretamente em aspectos importantes da
sociedade (...)” (DZIEKANIAK; ROVER, 2011).
As bibliotecas são instituições que, tradicionalmente, por serem, em si
mesmas, um produto social, estão sempre sofrendo mudanças em seus princípios
devido às mudanças sociais, culturais, políticas e econômicas do momento histórico
em que estão inseridas, por exemplo, a invenção da imprensa por Gutenberg alterou
permanentemente todos os seus processos pois ela provocou a mudança do
paradigma da preservação dos livros para o paradigma do acesso. Evidente, que
essa mudança não ocorreu de maneira rápida, mas foi um processo longo que
ocorreu através de outras transformações sociais que a guiou para a sua trajetória
como conhecemos hoje.
A transformação que as TICs estão provocando nas bibliotecas pode
parecer, conceitualmente, parecida com esse antigo paradigma do acesso, porém,
nessa revolução anterior, as bibliotecas precisaram investir em seus acervos para
garantir que os usuários tivessem acesso aos livros e pudessem encontrar o que
precisavam, o que não é o caso das mudanças provocadas pelas TICs que possuem
ferramentas que disponibilizam o acesso de maneira diferenciada da maneira como
acontecia nesse período.
Não se pode falar das mudanças provocadas pelas TICs sem mencionar a
internet, pois foi ela que possibilitou sua incorporação ao cotidiano da forma como
temos hoje. Não que antes da explosão do uso da internet as TICs não tenham
modificado os serviços da biblioteca, um exemplo disso é o uso dos computadores
mesmo sem acesso à world wide web como auxiliar nas tarefas da biblioteca. Podese citar a existência de bibliotecas eletrônicas que, apesar de disponibilizarem o
acesso à informação em diversos suportes, incluindo o digital, ainda estavam presas
às instalações físicas (ROWLEY, 2002). Essas ferramentas tecnológicas repetiram o
modo como os processos eram realizados anteriormente e apenas facilitaram sua
realização, não implicando em nenhuma transformação na essência de sua
realização.

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Desse modo, o uso das tecnologias não deve somente ser adquirido para
agilizar serviços e realizar produtos que já existiam antes, em todo tipo de biblioteca
as TICs estão provocando mudanças no interior delas. Drabenstott e Burman (1997)
dividem as fases de aplicação da tecnologia nas bibliotecas em: modernização,
quando o “uso de novas tecnologias continua o que se está fazendo, porém de
modo mais eficiente e a menor custo, como, por exemplo, o uso do computador para
automatizar os processos de circulação e as verificações nos seriados”; e em fase
de transformação que é “quando há mudanças fundamentais nos processos”. Esse é
o período que estamos vivendo, onde muitos modelos estão sendo revistos e/ou
alterados, onde se “vislumbram futuros serviços e produtos de biblioteca que
incorporam novas filosofias, tecnologias e espaços para atender às necessidades de
todos os utilizadores de forma mais eficaz, rápida e barata” (CUNHA, 2000).
Ainda segundo Cunha (2010), em um artigo em que trata das mudanças
sociais atuais nas bibliotecas universitárias causadas pelo uso da tecnologia, ele
explica que
estas mudanças vão além da mera incorporação de avanços
tecnológicos. Elas incluem o repensar da essência do que define
uma biblioteca universitária, o seu sentido de lugar, de produtos e
serviços para a comunidade acadêmica, coisas que, todos
concordam, têm caracterizado a biblioteca ao longo dos séculos
passados.

Para Cunha (2000), nessa questão reside o elemento chave da existência
das bibliotecas no futuro: será preciso assimilar os novos paradigmas que a
sociedade apresenta.
Atualmente, o paradigma não se encontra mais na questão da biblioteca ter
a posse do livro, ou melhor dizendo, ter o registro informacional que o usuário
precisará, ela necessita ter os recursos adequados para promover o acesso a essa
informação, mesmo que não fisicamente, fundamentando, assim, o novo paradigma
da biblioteca - acess over ownership (DRABENSTOTT, BURMAN, 1997) - acesso
em vez de posse.
Essa mudança está produzindo um efeito dominó que altera todos os outros
serviços da biblioteca, pois eles atuam como a base que permitirá que essa
mudança ocorra, ou seja, para atingir o objetivo de conseguir atender a esse novo
paradigma, as bibliotecas precisam modificar a dinâmica de todos os seus processos
internos. Esse conjunto de serviços e produtos que favorecem ao acesso em

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detrimento da posse cria a chamada biblioteca sem paredes, onde “a biblioteca do
século XXI – vem a ser uma potente, transparente e universal provedora de
informação” (DRABENSTOTT, BURMAN, 1997) e seu objetivo principal passa a ser
garantir o acesso global ao conhecimento (CARRATO-MENA, 2010).
Drabenstott e Burman em 1997 já se preocupavam em arrolar as ideias
acerca de como seria a biblioteca em um futuro próximo e em um artigo sobre como
seria a biblioteca do futuro, fizeram um apanhado de conceitos que abrangiam o que
hoje chamamos de biblioteca sem paredes e chamaram as bibliotecas digitais de
bibliotecas do futuro, pois, naquele momento, esse tipo de biblioteca era o que
conjugava a maior quantidade de inovações e simbolizavam a concretização de um
futuro onde a “atenção deve estar voltada à criação de novas formas de acesso, sem
restrições a espaços geográfico e temporal, como também à experimentação de
novos meios de recuperação e administração da informação” (DRABENSTOOT;
BURMAN, 1997).
A tradutora do referido artigo (DRABENSTOOT; BURMAN, 1997), Neusa
Dias de Macedo, apresenta uma condensação própria do que seria uma biblioteca
digital para clarear o entendimento dos leitores do artigo sobre a visão das
bibliotecárias norte-americanas que o escreveram:
A biblioteca digital, biônica, transmitida eletronicamente em rede – a
biblioteca do século XXI – vem a ser uma potente, transparente e
universal provedora de informação, também chamada de biblioteca
sem paredes. Não deixa de ser uma máquina: a máquina virtual, que,
utilizando a informática e as telecomunicações, possibilita acesso a
um reservatório diversificado e infinito de dados e conhecimento.
Cerca vários tipos de recursos informacionais, como bibliotecas
formais/convencionais, bases de dados, textos ou fontes eletrônicas,
arquivos e ou mais dinâmicos artefatos digitais, que, de modo formal
ou informal, ultrapassam os materiais convencionais impressos,
vindos das mais diversas partes do mundo. Um grande número de
usuários, tanto em nível pessoal, comercial ou acadêmico, pode
acessá-la em terminais simultaneamente por conexão a redes
eletrônicas internacionais, utilizando endereços eletrônicos e senhas
(DRABENSTOOT; BURMAN, 1997).

Esse é o mote de um novo paradigma que está alterando os processos
biblioteconômicos: a mudança do acesso aos recursos informacionais que a
biblioteca possui, para o acesso aos recursos informacionais seja onde ele estiver.
Drabenstott e Burman (1997) apontam o novo objetivo da biblioteca baseada no
acesso em detrimento da posse:
diante da mudança de paradigma e no sentido de emprestar maior

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relevância ao papel da biblioteca, necessário se faz formular políticas
que visem à cooperação para tornar o acesso cada vez mais aberto
e levado aos locais mais longínquos, tendo como base o uso de
novas tecnologias sob comando de componentes humanos.

Entretanto, essa mudança de paradigma é uma consequência da mudança
de paradigma da comunicação científica.
Para Rocha (2009)
na contemporaneidade há uma série de novas situações que estão a
exigir re(exames) de abordagens, pontos de vista, reflexões, a partir
do convívio com novas tecnologias trazidas pelos avanço acelerado
da tecnociência. Os paradigmas convencionais que serviam de base
estrutural para posicionamento diante da rica fenomenologia que a
vida apresenta, não mais tem serventia.

No novo paradigma da comunicação científica é pregado o acesso livre ao
conhecimento, no que foi denominado de acesso livre ou acesso aberto.
Acesso livre/aberto e acesso gratuito são conceitos diferentes, como aponta
Rocha (2009)
Pode parecer sutil a diferença que pontuo agora. Mas há o open
acess (livre acesso, acesso aberto e o free access (acesso gratuito).
Neste último caso, o/a autor/a cede seus direitos autorais à editora
que publica seus artigos; esta pode decidir proporcionar acesso
gratuito total ou parcial. No caso de recursos de acesso aberto não
se produz esta situação de transferência do ‘copyright’, ou pelo
menos não de forma exclusiva. Ocorre sessão de uso por parte do/a
autor ou da editora, e esta determina as condições de uso do
trabalho, a exemplo do Creative commons, que permitem estabelecer
claramente ao/à proprietário /a dos direitos o uso que se pode fazer
dos objetos. (ROCHA, 2009)

Com o acesso aberto, a questão dos direitos autorais se torna um problema
da atualidade, pois a ideologia do acesso aberto é exatamente o oposto da lei de
direitos autorais que prevê que um texto permaneça ligado a seu autor por 70 anos
após a morte dele.
No que tange ao ambiente atual, Lemos (2005) esclarece:
vivencia-se portanto, um paradoxo: tecnologias propiciam criar e
compartilhar e, consequentemente, alteram o fluxo de produção
intelectual, aumentando-o significativamente e transformando-o
também em um bem passível de ser mais democraticamente
alcançado, por outro, a criatividade e o compartilhamento são
cerceados por uma legislação estabelecida para uma realidade social
diferente. Apesar do desenvolvimento tecnológico que fez surgir, por
exemplo, a tecnologia digital e a internet, as principais instituições do
direito de propriedade intelectual, forjadas no século XIX com base

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em uma realidade social completamente distinta da que hoje
presenciamos, permanecem praticamente inalteradas.

Para remediar essa situação, foi criada a licença Creative commons que
permite que as obras sejam classificadas em modelos diferentes de uso e tenham
respaldo legal para distribuição e uso. Em maio de 2011, está licença era usada por
70 países, incluindo o Brasil, onde vários órgãos governamentais já a adotaram:
Banco Internacional de Objetos Educacionais, do Ministério da Educação e Cultura,
Ministério da Cultura, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, Cultura Digital,
Programa de Pesquisa (BDJur) do Superior Tribuanl de Justiça, LexML, Casa Brasil,
Radiobrás/Agência Brasil entre outros (ARAYA; VIDOTTI, 2011)
A existência do creative commons é importante porque permite que o acesso
e uso da produção científica ocorram no âmbito da internet de maneira legal e
garante que a biblioteca ofereça acesso aos registros informacionais de maneira
correta e sem impedimentos.
Em 1997, Drabenstoot e Burman já pregoavam que deveria haver uma
mudança nesse sentido que viabilizasse o fluxo do acesso aos documentos:
Embora haja opinião em ser inadequada a existência de copiright
para a ‘biblioteca sem paredes’, aponta-se que é quase impossível
um controle generalizado. Sente-se a necessidade de
compensações, sob um sistema de gerenciamento desses direitos.
Uma das linhas requer regulamentação de todo tipo de uso da
informação de todo tipo de uso da informação por meio de contrato e
controle tecnológico, com exceção de alguns casos que exigem uso
livre da informação.

Oferecer um conteúdo de acesso livre não é a única ação para se chegar a
ser uma biblioteca sem paredes, é preciso disponibilizar o que já se possui. Mas as
bibliotecas já não possuem seu catálogo on line e disponível via internet para
consulta em qualquer terminal com acesso à internet? Sim, porém isso já não basta
mais.
Todos esses novos produtos são resultantes das possibilidades decorrentes
do uso das TICs, entretanto, outros usos sociais estão sendo realizados com elas.
Esse uso deu origem a uma fase da internet onde todos os usuários estão
conectados e colaborando para a criação de novos conteúdos e ficou conhecida
como Web 2.0.
Como observa Cunha (2010), muitos produtos derivados do aparecimento
da web 2.0

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não constituem um objetivo fundamental para a biblioteca do futuro, e
eles não tem a clareza do toque da missão histórica bem conhecida.
No entanto, de forma individual eles podem ser considerados e
analisados mais de perto e, mesmo alguns deles podem, realmente,
provar ser a chave para o futuro da biblioteca (...)

A internet tem sido a base das modificações na comunicação e na forma de
se compartilhar informações, essas características da internet categoriza a chamada
Web 2.0. Cunha (2010) explica bem a questão da web 1.0, fase anterior da internet,
e da 2.0:
na primeira fase da internet, os usuários da web 1.0 apenas
consumiam informação, eram incapazes de alterá-la ou produzir
novas versões. A informação fluía em apenas um sentido, do
produtor para o consumidor. No momento atual, o objetivo principal
da web 2.0 é a construção do conteúdo, ou seja, todos os usuários
podem contribuir para o desenvolvimento e expansão da internet,
criando e editando o conteúdo de forma coletiva.

Ao formular um modelo conceitual do uso das ferramentas da web 2.0 para
bibliotecas, Xu, Ouyang e Xu (2009) sugeriram cinco aspectos essenciais que a
biblioteca deve possuir para se tornar uma Biblioteca 2.0: aberta, interativa,
convergente, colaborativa e participativa:
1) Biblioteca 2.0 deve estar aberta para permitir e disponibilizar um
desenvolvimento maior para suas operações e serviços. 2) Biblioteca
2.0 que deva ser interativa para que os usuários tenham a
oportunidade de contribuir às bibliolteas e reagir a elas através das
ferramentes da web 2.0. 3) A Biblioteca 2,0 deve ser convergente
para acomodar as ferramentas Web 2.0 e realizar suas missões. 4)
Biblioteca 2.0 deve ser colaborativa para tornar bibliotecários e
usuários em colaboradores em vez de disseminadores e
receptáculos, respectivamente, no final da comunicação da
biblioteca. 5) A Biblioteca 2.0 deve ser participativa e estar no centro
das atividades, a biblioteca que não estiver no centro, inviabiliza a
Biblioteca 2.0

Uma das primeiras obviedades que a Web 2.0 traz é a necessidade da
presença da biblioteca na internet. Desse modo, não só levar o catalogo impresso
para o meio digital e permitir sua busca através de OPACs é definir a presença da
biblioteca on line, a biblioteca precisa estabelecer interação com o usuário através
das ferramentas que a internet oferece.
Burkhardt (2012) faz um desabafo sobre a importância de centralizar todos
os serviços da biblioteca no usuário e chamou essa tendência de Biblioteconômia
antropocêntrica. Ele justifica essa abordagem dizendo que a biblioteca só existe para

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os usuários, para as pessoas, que toda a razão da existência de qualquer serviço na
biblioteca é o seu uso pelas pessoas:
nós criamos esses espaços porque acreditamos que as pessoas
devem ser capazes de se conectar umas com as outras. Nós
promovemos eventos literários porque acreditamos que as pessoas
devem ser capazes de melhorar a si mesmas por meio da
aprendizagem e do conhecimento. Nós oferecemos acesso aos
computadores porque nós acreditamos que as pessoas merecem
chances e oportunidades igualitárias. Nós acreditamos que os
membros da nossa comunidade merecem um espaço de
pertencimento, em que se sintam seguros, explorem sua curiosidade
e têm acesso ao conhecimento. É por isso que todas essas coisas
importam. (BURKHARDT, 2012)

Com a web 2.0, a internet passou a ser um terreno colaborativo, onde os
usuários podem criar e personalizar o que consomem. No que diz respeito à
classificação de informação na internet, é possível o próprio usuário atribuir termos
para um determinado objeto. Assim,
Ao mesmo tempo em que a internet traz desafios para as técnicas
tradicionais de classificação e recuperação da informação, traz,
também, soluções próprias para lidar com a classificação da
informação num ambiente caótico e em constante modificação como
é a Web. As ferramentas tecnológicas se mesclam com fenômenos
humanos como a colaboração espontânea dos usuários por meio das
redes sociais e de relacionamento. É certo que a cooperação, o
trabalho colaborativo são comportamentos humanos anteriores às
Tecnologias da Informação e Comunicação, mas tomam uma
dimensão global com a Internet, rompendo barreiras geográficas,
linguísticas e independem de uma coordenação centralizada”
(GALDO; GODOY; RODRIGUES, 2009)

Assim, como afirmam Xu, Ouyang e Xu (2009, p. 328), “(...) usuários
também seriam contribuidores das bibliotecas em vez de meramente receptores do
produto final. Um outro significado para esse recurso, seria que bibliotecários e
usuários juntos trariam inovação para o ambiente da biblioteca” e dá a eles “o
controle por seus próprios dados” (XU, OUYANG; XU, 2009, p. 328)
Desse modo, muitas ferramentas da Web 2.0 estão fazendo parte das
mudanças que estão acontecendo com as bibliotecas. A seguir, listamos algumas
com breves explanações do que elas são:
a) folkonomia: é um novo conceito de organização de recursos digitais
na web produzido pelo próprio usuário. Na folksonomia, o usuário atribui
tags (etiquetas) e as usa para recuperar aquele site ou página
posteriormente. Essas tags formam as chamadas tags clouds que são

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constituídas pelos termos utilizados e os diferenciam graficamente: as mais
usadas são maiores e tem cores mais fortes. Desse modo, é possível medir
a popularidade dos termos;
b) ferramentas de compartilhamento de informações: a web 2.0
oferece plataformas onde o usuário cria seu próprio conteúdo e disponibiliza
online. Uma enorme gama de sites de compartilhamento existente
atualmente: flickr (fotos), you tube (vídeos), tumblr (imagens), pinterest
(imagens) entre muitos outros;
c) redes sociais virtuais: as redes sociais disponibilizam uma
plataforma de criação de perfil e interação com amigos. A rede mais popular
atualmente é o Facebook que possui alta adesão no Brasil. E temos também
as redes sócias virtuais temáticas: Linked In (para profissionais), Skoob
(sobre livros) Filmow (sobre filmes), Orangotag (sobre séries de TV);
d) Wikis: são plataformas que permitem a edição por parte dos
usuários. Um grande.
Atualmente, à web 2.0 soma-se a possibilidade de estarmos conectados a
todo momento através de tecnologia móvel (smartphones, tablets). Essa conexão
total está causando profundas mudanças de comportamento e cria o conceito de
ubiquidade que é ser onipresente a todo momento e, ainda assim, continuar com
sua mobilidade intacta. “Trata-se de transformações nas práticas sociais, na vivência
do espaço urbano e na forma de produzir e consumir informação.” (LEMOS, 2004)
A era da conexão é a era da mobilidade. A internet sem fio, os objetos
sencientes e a telefonia celular de última geração trazem novas questões em
relação ao espaço público e espaço privado, como a privatização do espaço público
(onde estamos quando nos conectamos à internet em uma praça ou quando falamos
no celular em meio à multidão das ruas?), a privacidade (cada vez mais deixaremos
rastros dos nossos percursos pelo quotidiano), a relação social em grupo com as
smart mobs, etc. (LEMOS, 2004)
As novas tecnologias digitais sem fio trazem à tona a era da
ubiquidade (...). A idéia da computação ubíqua é de agir de forma
oposta à tecnologia de realidade virtual (RV), que necessita da
imersão do usuário no mundo simulado em 3D por computadores. Na
“Ubicomp” (...) é o computador que desaparece nos objetos. (...) Esta
é, verdadeiramente, a computação do século XXI, da era da
conexão. Trata-se de colocar as máquinas e objetos computacionais
imersos no quotidiano de forma onipresente. (LEMOS, 2004)

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Todas essas ferramentas da web 2.0 e a nova atmosfera que ela cria – de
convergência digital e de ubiquidade) alteram a forma como a biblioteca deve
disponibilizar serviços e produtos. Isso não acontece apenas por ser isso uma
inovação tecnológica ou provocar facilidades, mas também por essas novas
tecnologias estão constituindo uma nova forma de pensar e se relacionar o que
marca como característica como serão todos os usuários das bibliotecas no futuro.
Em 1997, Drabenstott e Burman, já previram a desinstitucionalização do
serviço de referência fazendo com que o usuário acesse a informação do lugar que
seja mais pertinente a ele: “tecnologias de conversão liberarão o usuário final, sem
que este careça ir a locais particulares para solicitar assistência às suas
necessidades de informação”
Em uma pesquisa para conhecer as opiniões de especialistas sobre como
deverão ser as bibliotecas brasileiras em 2018, Costa (2012, p. 83), utilizando a
técnica de delfos, apurou que é consenso para os bibliotecários que participaram da
pesquisa que “as bibliotecas brasileiras, em 2018, oferecerão aos usuários acesso
remoto, diminuindo (mas não eliminando) o atendimento presencial”, “em 2018,
serviços de informação serão projetados e concebidos pelas bibliotecas brasileiras
para ir ao encontro do usuário, suprimindo a necessidade de deslocamento à
biblioteca física” e que “mesmo com a consolidação do atendimento remoto, a figura
do bibliotecário, em 2018, continuará a existir para atender o usuário”. Todas essas
premissas nos mostram que a importância dos serviços disponibilizados pelas TICs
já foram plenamente assimilados pelos bibliotecários e a mudança no modo de
atender aos usuários é inevitável.
Cunha (2010) observa que
o atendimento presencial tenderá a decrescer à medida que
os usuários passem a utilizar, de forma intensa e variada as
inúmeras ferramentas disponíveis na chamada Web 2.0. (...) A nova
biblioteca 2.0 é centrada e dirigida para o usuário com aplicações de
interação, colaboração e tecnologias multimídias baseadas na
internet.

Dagger (2008) conta como Steven Bell, bibliotecário da Universidade de
Columbia, disse em uma palestra que o balcão do serviço de referência estaria
abolido das bibliotecas em 2012, mas também explica que essa opinião não advoga
contra o Serviço de referência, pelo contrário:
essa posição não é tão radical como parece. Ele não estava pedindo

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que a sua plateia se retirasse e procurasse outros empregos. Pelo
contrário, ele disse que acreditava que seus serviços são mais
importantes agora do que nunca. Mas com a internet mudando não
apenas o jeito das pessoas – estudantes, acadêmicos e mesmo
bibliotecários – conduzir suas pesquisas, mas também como se
comunicar, ele acredita que o antigo modelo do balcão de referência
com bibliotecários de referências altamente treinados está se no
caminho de se tornar obsoleto e talvez até extinto.

O serviço de referência se faz necessário, também, porque apesar de muito
material está on line, nem tudo está e nem tudo é de graça, além disso há a questão
da internet ter muitas informações que não são confiáveis. Nesse momento, a
biblioteca existe como ponto fundamental de filtro entre quais são as fontes
realmente necessárias para determinada pesquisa e para realizar a assinatura de
bases de dados e seus respectivos treinamentos. Abordando o caso da Biblioteca de
Fergunson (Universidade de Stamfor, EUA), Dagger (2008) conta que
a biblioteca possui a assinatura de mais de 400 bases de dados,
muitas dos quais são mais produtivas e tem resultados mais
especializado e completos do que aqueles disponíveis através de
pesquisas na web em geral. Bibliotecários de referência continuam a
desempenhar um papel importante no desenvolvimento de coleção
da biblioteca de bases de dados, bem como elementos das suas
colecções, tanto em versão impressa e on-line

Não possuir o registro informacional no acervo da biblioteca não significa
apenas tê-lo em como arquivo digital ou saber indicar onde ele se encontra. Isso
tudo é uma mudança, também, cognitiva pois as tecnologias da informação não
estão apenas proporcionando novas formas de se fazer o que se fazia antes, mas
novas ferramentas para criação de novos meios de nos comunicarmos e nos
relacionarmos.
Sobre isso, Costa (2012) completa:
no epicentro da revolução tecnológica, as bibliotecas continuam a
prestar serviços e disponibilizar produtos de informação, oferecendo
um espaço democrático de acesso ao conhecimento, ao estudo e ao
lazer. Por outro lado, os mecanismos de busca passaram a oferecer
acesso a bases de dados com texto integral e, por consequência, o
usuário começou a ser mais crítico quanto à necessidade de ir ou
não à biblioteca, afinal, a informação sem a mediação do
bibliotecário. Neste contexto surgem questionamentos sobre o futuro
das bibliotecas (...)

A questão sobre a necessidade de o usuário ir ou não à biblioteca pode estar
no centro da existência futura da biblioteca. Para tanto, a biblioteca, está se tornando

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não mais apenas um lugar que centraliza a distribuição dos recursos informacionais,
mas um ponto de encontro onde se pode compartilhar conhecimento e socializar
com outras pessoas com interesses em comum.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
A literatura sobre essa questão se apresenta diluída em artigos científicos e
blogs de profissionais, todos, sempre, tratando de aspectos em separado dessas
mudanças ou de questões mais voltadas para o dia-a-dia de uma determinada
biblioteca. A metodologia utilizada para a pesquisa da confecção do artigo foi a
leitura e pesquisa de artigos científicos e livros da área em questão.
O presente trabalho se propõe a abarcar a questão das mudanças e
pressões que as bibliotecas estão atravessando devido às mudanças sociais,
culturais e tecnológicas da sociedade.
O objetivo desse trabalho é reunir algumas dessas transformações e pontuar
o que realmente está construindo um novo modelo de biblioteca ou a destruindo
como o conceito que conhecemos.

3 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Apesar dos vários questionamentos sobre a existência da biblioteca no
futuro, uma certeza é unanime: as bibliotecas estão se mobilizando para se
adequarem a essas mudanças.
Evidentemente, a realidade não é a mesma para todas, essas mudanças
ocorrem de maneira diferente dependendo do país onde essa biblioteca existe, do
nível dos profissionais que trabalham nela e, principalmente, da instituição a que ela
se liga.
Um grande exemplo de mudanças devido ao impacto das TICs na maneira
de disponibilizar seu acervo são as bibliotecas da USP que possuem um sistema de
pesquisa que amálgama os catálogos de suas 44 bibliotecas, o do portal CAPES, os
periódicos editados pela instituição e os integrada. A biblioteca da PUC-Rio também
já possui esse tipo de pesquisa
Outro exemplo de grande mudança que teve grande repercussão é a obra
na Biblioteca Pública de Nova York que prevê a remoção de 3 milhões de obras para

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a inclusão de áreas para computadores e locais com acesso livre à internet. Essa
obra é justificada por seu presidente Anthony Marx como sendo inevitável, pois as
bibliotecas não tem escolha nos dias de hoje a não ser mudar (ELOY, 2012)
As bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul são pioneiras na
disponibilização de um aplicativo com sistema operacional Android para celulares ou
tablets onde é possível realizar a renovação de materiais por ele.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como se vê, grandes mudanças estão sempre empreendidas para aliar as
TICs aos processos tradicionais das bibliotecas e torná-los mais assimiláveis através
de uma nova roupagem de facilidade e mobilidade.
Mesmo com a impressão inicial de destruição da biblioteca, as novas
tecnologias estão agregando novos produtos e serviços e novas maneiras de fazer o
antigo, o que não resulta no fim da biblioteca. Obviamente, como os diferentes tipos
de bibliotecas incorporarão essas mudanças só poderá ser observado à medida que
for acontecendo, de resto, podemos apenas fazer conjeturas.
Desse modo, acreditamos que a biblioteca como conhecemos talvez não
existir no futuro, mas isso não significa que a instituição biblioteca acabará, ela com
certeza sofrerá muitas modificações e se metamorfoseará e a consequência poderá
ser algo muito diferente do conceito que estamos acostumados a conhecer, mas a
biblioteca não acabará, somente mudará para ter outros contornos e outras funções.

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              <text>Aborda as bibliotecas em face das questões e pressões atuais que estão implicandoem mudanças nos seus conceitos de serviços e produtos desembocando numamudança de paradigma da posse do livro para o acesso à informação onde quer queela esteja. Caracteriza o contexto que está provocando essas alterações e insere abiblioteca na realidade do uso das ferramentas da Web 2.0 para atender às novasnecessidades que são exigidas dela. Busca teorizar sobre a necessidade do balcãode referência nesse momento em que os serviços ao usuário são oferecidos atravésda internet. </text>
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