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                  <text>Avaliação qualitativa - sociocognitiva do processo de gestão de
linguagens documentárias de bibliotecas universitárias

Anderson das Neves Moreira (UFSCar) - anderson.ufscar@gmail.com
Vera Regina Casari Boccato (UFSCar) - vboccato@ufscar.br
Resumo:
Avaliou-se o processo de gestão de linguagens documentárias em catálogos on-line, com
enfoque na sistematização das atividades de manutenção e atualização dessas linguagens, no
contexto sociocognitivo dos bibliotecários indexadores e dos usuários de bibliotecas
universitárias. O universo de pesquisa é o Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da
Universidade de São Paulo, Brasil, tendo como o objeto de estudo empírico o SIBIX 653 v4.3 Sistema de Sugestões do Vocabulário Controlado do SIBi/USP, linguagem de indexação e
recuperação da informação do catálogo on-line DEDALUS. A metodologia qualitativa com
abordagem sociocognitiva é composta por duas etapas: 1) aplicação de questionário de
diagnóstico situacional com o bibliotecário dirigente da biblioteca do ICMC-USP; 2) aplicação
da técnica de coleta de dados do protocolo verbal em grupo com o bibliotecário dirigente,
bibliotecário indexador, bibliotecário de referência, usuário pesquisador e um usuário discente
de graduação e um de pós-graduação. Os resultados, a partir das análises dos dados coletados
pelas aplicações do questionário e do protocolo verbal demonstraram, principalmente, que o
usuário não participa do processo de atualização do Vocabulário Controlado do SIBi/USP.
Conclui-se ser fundamental a participação conjunta de bibliotecários e usuários no processo de
gestão e atualização de linguagens documentárias, pois as áreas científicas especialistas vêm
criando e modificando termos diante do dinamismo que a ciência possui.
Palavras-chave: Sistema de gestão de linguagens documentárias – Avaliação. Catálogo
on-line. Bibliotecas universitárias. Metodologia qualitativa - sociocognitiva
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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07 a 10 de julho de 2013

Avaliação qualitativa - sociocognitiva do processo de gestão de linguagens
documentárias de bibliotecas universitárias

Resumo:

Avaliou-se o processo de gestão de linguagens documentárias em catálogos on-line,
com enfoque na sistematização das atividades de manutenção e atualização dessas
linguagens, no contexto sociocognitivo dos bibliotecários indexadores e dos usuários
de bibliotecas universitárias. O universo de pesquisa é o Instituto de Ciências
Matemáticas e Computação da Universidade de São Paulo, Brasil, tendo como o
objeto de estudo empírico o SIBIX 653 v4.3 - Sistema de Sugestões do Vocabulário
Controlado do SIBi/USP, linguagem de indexação e recuperação da informação do
catálogo on-line DEDALUS. A metodologia qualitativa com abordagem
sociocognitiva é composta por duas etapas: 1) aplicação de questionário de
diagnóstico situacional com o bibliotecário dirigente da biblioteca do ICMC-USP; 2)
aplicação da técnica de coleta de dados do protocolo verbal em grupo com o
bibliotecário dirigente, bibliotecário indexador, bibliotecário de referência, usuário
pesquisador e um usuário discente de graduação e um de pós-graduação. Os
resultados, a partir das análises dos dados coletados pelas aplicações do
questionário e do protocolo verbal demonstraram, principalmente, que o usuário não
participa do processo de atualização do Vocabulário Controlado do SIBi/USP.
Conclui-se ser fundamental a participação conjunta de bibliotecários e usuários no
processo de gestão e atualização de linguagens documentárias, pois as áreas
científicas especialistas vêm criando e modificando termos diante do dinamismo que
a ciência possui.
Palavras-chave: Sistema de gestão de linguagens documentárias – Avaliação.
Catálogo on-line. Bibliotecas universitárias. Metodologia qualitativa - sociocognitiva.
Área Temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo
a frente.
1 INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos ocorridos entre as décadas de 1980 e 1990 que
atingiram diversos segmentos produtivos do país possibilitam às bibliotecas
automatizarem seus serviços e produtos tornando, assim, mais ágil o acesso e a
recuperação da informação.
Esse

cenário

também

é

presenciado

no

contexto

das

bibliotecas

universitárias. Segundo Figueiredo (1979), elas são mediadoras da informação que
possuem como público alvo os docentes e discentes de ensino superior, que, por
sua vez, comunica-se com o profissional bibliotecário que lhes apresentará as
coleções que a biblioteca fornece. Estas unidades de informação são responsáveis
por exercerem funções básicas como o armazenamento e a organização do
conhecimento, tendo em vista o seu acesso e uso.
Na contemporaneidade, López Yepes (2000) nos mostra que a biblioteca
1

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universitária deve desempenhar o papel de um sistema de informação integrado as
redes locais, regionais e mundiais, via Internet, para suprir as necessidades de
informação da comunidade científica a que se destina.
Nessa perspectiva, Boccato (2009b, p. 132) expõe que
[...] a biblioteca universitária inserida num universo de conhecimento
necessita de produtos e instrumentos que demonstrem essa realidade. A
linguagem documentária, como um componente do catálogo, deve
representar esse conteúdo científico de alta especialização promovendo a
mediação e a comunicação entre a indexação e a recuperação da
informação para sua comunidade usuária [...]. [Grifos nossos].

O processo de indexação refere-se à identificação do assunto de que trata o
documento que conduz a preparação de uma representação do conteúdo temático
desse documento.

Dessa forma, ele compreende duas etapas: 1) a análise

conceitual; e 2) a tradução dos conceitos (Lancaster, 2004, p, 1, 6).
Na concepção de Araújo (2007, p. 45), a indexação exerce um papel
fundamental no processo de busca e recuperação da informação, a partir da análise
e representação temática do conteúdo dos documentos. Notamos que a
representação da informação é realizada pela “tradução” dos conceitos identificados e selecionados na etapa de análise de assunto - por termos da
linguagem documentária1 adotada pelo sistema de recuperação da informação,
exemplificado pelos catálogos on-line.
Sobre a recuperação da informação, Araújo (2007, p. 19), expõe que este
processo envolve a atividade de indexação, pois as etapas de análise e
representação temática do conteúdo dos documentos são capitais para a busca por
assunto. Outros fatores colaboram com ele: o sistema de recuperação da
informação que acolhe os conteúdos dos documentos e a linguagem controlada
utilizada pelo sistema.

O uso de uma linguagem documentária consistente e

atualizada possibilitará a “tradução” das perguntas dos usuários, por meio de
termos, que conduzirão à recuperação de informações úteis.
A manutenção e a atualização de linguagens documentárias são tarefas
presentes nos estudos der Schallier (2005), Hearn (2009) e, Boccato (2009b) que,
mediante

a avaliação

de linguagens

em

catálogos

on-line,

nos

trazem,

1

As linguagem documentárias são linguagens estruturadas e controladas, construídas a partir de
princípios e de significados advindos de termos constituintes da linguagem de especialidade e da
linguagem natural (linguagem do discurso comum), com a proposta de representar para recuperar a
informação documentária (BOCCATO, 2009b, p. 119).

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respectivamente, resultados significativos, a saber: a) recomendação sobre a
necessidade de atualização e a ampliação da linguagem documentária adotada pelo
catálogo on-line da biblioteca da Katholieke da Universiteit Leuven; b) necessidade
constante de atualização e manutenção dos cabeçalhos de assunto utilizados pelo
catálogo coletivo das doze bibliotecas integrantes do Committee on Institutional
Cooperation da University of Minnesota; c) falta de vocabulário especializado e
atualizado da Lista de Cabeçalhos de Assunto da Rede Bibliodata, linguagem
documentária utilizada no catálogo coletivo da Rede de Bibliotecas da Universidade
Estadual Paulista (UNESP).
Diante de tais constatações, a nossa problemática de pesquisa versa sobre a
necessidade de avaliação do processo de gestão de linguagens documentárias e a
verificação dos procedimentos e das dificuldades que envolvem a manutenção e a
atualização do repertório terminológico que compõem esses sistemas de
organização do conhecimento, considerando a prática da indexação e da
recuperação da informação de áreas científicas especializadas.
A manutenção e a atualização constante “[...] da linguagem deve ser um
procedimento que a biblioteca deve adotar, visando à atualização do vocabulário em
consonância com o progresso e o vanguardismo que a ciência possui” (BOCCATO,
2009b, p. 133).
Nesse sentido, “[...] as opiniões e as observações dos bibliotecários e dos
usuários são colaborativas para a consolidação [...]” do processo de manutenção e
atualização de linguagens documentárias, pois numa perspectiva sociocognitiva eles
são “[...] vistos como indivíduos que interagem, compreendem e interpretam o seu
meio e, ao mesmo tempo, compartilham os seus conhecimentos adquiridos com
uma comunidade de intérpretes” (PINTO, 2005).
Para tanto, o objetivo desta pesquisa é avaliar o processo de gestão de
linguagens documentárias em catálogos coletivos, com enfoque na sistematização
das atividades de manutenção e atualização dessas linguagens, no contexto
sociocognitivo dos bibliotecários indexadores e dos usuários e pela perspectiva de
bibliotecas universitárias.
2 SIBIX 653: SISTEMA DE SUGESTÕES DO VOCABULÁRIO CONTROLADO
DO SIBI/USP
O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi-USP)
3

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“[...] oferece prioritariamente suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão
de docentes, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação da USP. O
SIBi-USP integra quarenta e cinco bibliotecas de faculdades distribuídas em seis
campi universitários, com acervo total de mais de seis milhões de volumes”. Esse
suporte é realizado a partir da cooperação e do compartilhamento de informações
disponibilizadas pelo catálogo coletivo on-line denominado de Banco de Dados
Bibliográficos da USP - DEDALUS. A linguagem documentária utilizada para a
indexação e recuperação da informação é o Vocabulário Controlado do SIBi/USP
(VocaUSP)2, conforme figura 1. (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2012).
FIGURA 1 - Parte da categoria de Ciência da Computação do Vocabulário
Controlado do SIBi/USP

Fonte: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (2012)

Para a gestão do VocaUSP foi constituído um Grupo formado por
bibliotecários representantes das bibliotecas das três áreas do conhecimento –
Ciências Humanas, Ciências Exatas e Ciências Biológicas - responsável pela
manutenção e atualização do Vocabulário Controlado com a assessoria de uma
docente do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Tal Grupo,
denominado de Grupo de Gerenciamento do Vocabulário Controlado do SIBi-USP
(GRVocaUSP), formado por quatro instâncias - Grupo de Bibliotecas, Grupo de
Manutenção do Vocabulário, Coordenação de Conteúdo, Coordenação do Processo
- tem a finalidade de manter o Vocabulário USP atualizado, dinâmico e
representativo das áreas do conhecimento que envolvem as atividades de ensino,
pesquisa e extensão realizadas pela Universidade .
Sobre isso, Lima et al. (2006, p. 19), expõem que
O processo de manutenção e aprimoramento do “Vocabulário Controlado do
SIBi/USP”demanda participação de todas as Bibliotecas do Sistema, das
quais se espera a apresentação de novas sugestões baseadas em estudos
2

Vocabulário controlado do SIBi/USP. Disponível em: http://143.107.73.99/Vocab/Sibix652.dll

4

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da terminologia das áreas específicas do conhecimento. Requer, também,
intenso trabalho de desenvolvimento de aplicativos para dar suporte ao
gerenciamento do Vocabulário.

Para a viabilidade e agilização do processo de gestão, o SIBi-USP
desenvolveu um software denominado de Sistema de Sugestões do Vocabulário
Controlado do SIBi/USP, também conhecido por Base de Sugestões ou SIBIX 653,
estando atualmente na versão 4.33, dividido em dois módulos principais: 1) Módulo
de Usuários do sistema (usuários profissionais); 2)

Módulo de Sugestões ou

pedidos propriamente ditos.
- Módulo de usuários do sistema: permite o cadastramento dos usuários,
suas respectivas senhas e níveis de segurança. Possui, também, interface
de listagens/relatórios e manutenção deste cadastro. O nível de segurança
estabelece a restrição de acesso às diversas etapas operacionais do
sistema; - Módulo de Sugestões: controla o fluxo de apresentação e
validação de sugestões até a sua inclusão na base de dados [banco de
termos] do Vocabulário – SIBIX 650 (LIMA et al., 2006, p. 22).

Dessa maneira, o SIBIX 653 permite aos bibliotecários indexadores sugerirem
termos a serem inseridos no sistema em que [...] “por meio de formulários próprios,
as bibliotecas podem sugerir novos termos nas diferentes áreas do conhecimento,
assim

como

solicitar

alterações

ou

remoções

de

termos

já

existentes”

(UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2002, p. 1), sendo que cada biblioteca possui
um bibliotecário responsável para facilitar a administração do pedido (Figura 2).
FIGURA 2 - Parte do formulário de inclusão de termos no SIBIX 653

Fonte: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (2007, p. 8)
3

O SIBIX 653 v4.3 está disponível na Área Técnica do Portal do SIBiNet. Disponível em:
ttp://143.107.73.69/sugest/login.php. Acesso regulamentado.

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De acordo com Lima et. al. (2006, p. 20). “[...] A política de manutenção e
atualização de uma linguagem documentária, na prática deve prever dois aspectos:
o gerenciamento do processo e o controle terminológico”. Para isso requer-se a
atuação de uma equipe multiespecializada - gestores de bibliotecas, bibliotecários,
especialistas de áreas, analistas de sistemas, usuários - para manter atualizado o
vocabulário, levando em conta a necessidade da representação documentária e a
linguagem utilizada pelo usuário na busca por assunto. Com isso, evitar-se-á a
duplicidades de sentidos e a não recuperação de documentos pelos usuários já que
“as linguagens documentárias devem tornar possível a comunicação usuáriosistema” (CINTRA et. al. 2002, p. 34).
A norma ANSI/NISO Z39-19 (2005) orienta que os vocabulários controlados4
são reflexos das linguagens do sistema e do usuário, e são, portanto, dinâmicos
instrumentos. Políticas e procedimentos devem ser estabelecidos para a revisão
periódica da terminologia; o estabelecimento de novos termos e a substituição de
termos obsoletos deve ser realizado, especialmente em áreas onde ocorrem
mudanças terminológicas rapidamente. A norma apresenta as diretrizes para o
desenvolvimento dessa política e os procedimentos que serão utilizados no
processo de gestão – manutenção e atualização de vocabulários controlados.
Entretanto, uma vez que o processo de gestão não ocorre satisfatoriamente e,
portanto, a manutenção e atualização da linguagem não são realizadas
adequadamente, tanto no âmbito do gerenciamento do processo, quanto do controle
terminológico, isso compromete o fluxo do trabalho, ocasionando a morosidade na
realização do processo e a desatualização da linguagem, que refletirá na indexação
não representativa da informação documentária e na insatisfação da busca e
recuperação por assunto pelo usuário.
Dessa forma e subsidiado por Boccato (2009b, p. 133), acreditamos que a
manutenção e a atualização constante “[...] da linguagem deve ser um procedimento
que a biblioteca deve adotar, visando à atualização do vocabulário em consonância
com o progresso e o vanguardismo que a ciência possui”.
O desenvolvimento contínuo e o avanço da ciência conduzem ao incremento
4

A norma ANSI-NISO Z39-19 (2005, p. iii, 5) consideram os vocabulários controlados como listas de
termos organizados explicitamente. Todos os termos não podem ser ambíguos e redundantes e
devem ser controlados por uma Autoridade Registrada.

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do repertório terminológico das áreas científicas especializadas a partir da
construção do conhecimento e socializadas por meio da produção de artigos
científicos, trabalhos acadêmicos, entre outros produtos científicos. Por sua vez, as
bibliotecas universitárias, vistas como organizações de disseminação do saber,
tratam esses produtos científicos mediante a realização do processo de indexação,
com o uso de linguagens documentárias atualizadas, condizente com o perfil
investigativo das comunidades científicas e de seus usuários pesquisadores.
3 METODOLOGIA
O universo de pesquisa foi a Biblioteca Prof. Achille Bassi do Instituto de
Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP) da Universidade de São Paulo
(USP), campus São Carlos, com destaque para o curso de Ciências da
Computação.
A metodologia desta pesquisa5 é a qualitativa com abordagem sociocognitiva
composta por duas partes: 1) realização de diagnóstico situacional; 2) aplicação da
técnica do Protocolo Verbal em Grupo (PVG).
Sobre a primeira parte, diagnóstico situacional, este foi efetuado por meio da
aplicação de questionário enviado ao bibliotecário dirigente da biblioteca do ICMCUSP, elaborado a partir dos subsídios teóricos de Almeida (2005) e de Boccato
(2009a), contendo dezesseis questões entre abertas, fechadas e mistas. O envio foi
realizado por e-mail em fevereiro de 2012, com devolução estipulada em vinte dias.
Ele foi recebido no prazo determinado, devidamente respondido e posteriormente
organizado para a análise dos dados coletados.
questionário

foi

caracterizar

os

contextos

O objetivo da aplicação do

organizacional

e

acadêmico,

respectivamente, do bibliotecário indexador e do usuário na referida biblioteca
universitária da USP.
A segunda parte foi a aplicação do protocolo verbal, identificado como uma
técnica introspectiva de coleta de dados que possibilita o acesso ao processo de
pensamento do indivíduo que executa uma determinada atividade com objetivo prédeterminado. São duas as modalidades de protocolo verbal: 1) individual; 2) em
5

Pesquisa aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal
de São Carlos (CEP-UFSCar), em reunião realizada no dia 23 de dezembro de 2011, sob o parecer
no 478.

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grupo.

Especificamente sobre o Protocolo Verbal na modalidade em Grupo,

modalidade adotada nesta pesquisa, ele
consiste na reunião de pessoas (sujeitos participantes e pesquisador) para
a leitura de um texto e discussão de temas suscitados pelo mesmo. Nesse
caso, o pesquisador interage como um dos sujeitos participantes com uma
única função a mais, controlar o gravador (RUBI; FUJITA, 2010, p. 138).

Essa ação permite “extrair” os processos mentais dos sujeitos, procedimento
este denominado de “pensar alto” (think aloud). As falas dos sujeitos são gravadas e
transcritas literalmente, para a realização, posteriormente, da análise dos dados
coletados. A participação do pesquisador foi moderada, interagindo com os sujeitos
participantes quando necessário e controlando o gravador.
Os sujeitos de pesquisa foram o bibliotecário dirigente, bibliotecário
indexador, bibliotecário de referência, um usuário pesquisador e dois usuários
discentes, sendo um de graduação e um de pós-graduação, do curso de Ciências
da Computação do ICMC-USP - campus São Carlos, totalizando seis sujeitos de
pesquisa, para a análise das opiniões de bibliotecários e usuários participantes
sobre a sistematização do processo de gestão de linguagens documentárias e sobre
a importância da manutenção e atualização de linguagens documentárias.
Portanto, foi solicitado aos sujeitos participantes que fizessem a leitura do
texto base6 e que “externalizassem” os seus pensamentos durante a realização
dessa tarefa. Com isso, pudemos observar os aspectos cognitivos dos sujeitos
participantes a respeito do assunto tratado. O “pensar alto” dos participantes foi
gravado para, em seguida, ser realizada a sua transcrição na íntegra.
Ressaltamos que a escolha da biblioteca do ICMC-USP deu-se pela
pertinência temática da área de atuação da biblioteca, pois o avanço e o
desenvolvimento de pesquisas, de softwares, de instrumentos e de técnicas
ocorridos no meio tecnológico e, consequentemente, na área de Ciência da
Computação

são

significativamente

presenciados

em

todos

os

ambientes

produtivos, científicos e da sociedade, ocasionando, dessa maneira, uma ampliação
do repertório terminológico empregado.
Com isso, justificamos, também, a seleção do usuário discente de pósgraduação do curso de Ciência da Computação na participação da aplicação do
6

LIMA,et. al. (2006).Trecho compreendido entre as páginas 20 a 23 do artigo.

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PVG, pois é na pós-graduação e nos grupos de pesquisas, dentre outros no
ambientes, que verificamos acentuadamente a produção de novos conhecimentos
explicitados por meio da elaboração, principalmente, de teses de doutorado, tendo
em vista o caráter inovador que ela deve possuir. Diante disso, é inegável o
surgimento, por muitas vezes, de termos novos e, consequentemente, a
necessidade de que se faz do uso de uma linguagem documentária atualizada no
momento da representação desses conteúdos documentários para a recuperação.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados apresentados são referentes à análise interpretativa do
questionário de diagnóstico situacional e do PVG aplicados com os sujeitos
participantes desta pesquisa vinculados a biblioteca do ICMC-USP.
O diagnóstico situacional revelou-nos, entre outras ocorrências, que o
VocaUSP atende as necessidades de indexação, porém é notado a necessidade de
atualização/inserção de novos termos quando novas subáreas da Ciência da
Computação

surgem

e,

consequentemente,

os

termos

ainda

não

estão

contemplados no Vocabulário. Sobre isso, observamos que biblioteca possui uma
política de atualização do Vocabulário Controlado referente a sugestão e
implementação de um novo termo. Todavia, não há um período determinado para tal
inclusão e nem sobre as áreas de assuntos que são prioritárias. A inserção de novos
termos e as alterações podem ocorrer a qualquer momento e para todas as áreas
que compõem o acervo disponibilizado no catálogo DEDALUS.
Sobre os resultados obtidos a partir da aplicação da técnica do Protocolo
Verbal em Grupo, eles foram obtidos mediante a análise das falas dos sujeitos
participantes, demonstradas sob a forma de Exemplos, selecionando-se as
declarações mais significativas a partir de oito categorias de análise estabelecidas,
conforme demonstrados no Quadro, a seguir:
Quadro – Sistematização dos resultados da pesquisa
Categorias de análise
1) Procedimentos
relacionados à indexação

Exemplos das
falas/declarações dos
sujeitos participantes
80 Usuário pesquisador
E aí imagino que vocês
usam, por exemplo, o
resumo, as palavraschaves.
81
Bibliotecário
de

Síntese dos resultados
- O usuário desconhece o
processo de indexação;
- o profissional bibliotecário
indexador
admite
que
os
usuários podem sugerir termos
para inserção no Vocabulário;
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referência
Exato, para eu poder
indexar a gente tem que
ler o resumo do paper,
entendeu?

- o Vocabulário muitas vezes
não possui o termo ao qual o
usuário
pesquisa,
e
sim
variações próximas dele.

2) Conhecimento/Importância 110
Bibliotecário
da linguagem do sistema
indexador
Talvez um caminho e a
gente tem falado isso no
SIBi, é o seguinte: o
Vocabulário tinha que ser
mais divulgado e ele
deveria ser [...] mostrado
antes da pessoa entrar
no DEDALUS.
3) Desempenho da linguagem 90 Usuário discente de
na indexação e recuperação da pós-graduação
informação
Porque já aconteceu de
eu procurar no DEDALUS
e não ter a palavra que
eu estou procurando [...].

- O bibliotecário indexador se
preocupa com a linguagem do
sistema;
- o usuário deve familiarizar-se
com a linguagem do sistema.

- ao realizar a busca, o usuário
não encontra no sistema as
próprias palavras-chave que o
documento fornece;
- o bibliotecário de referência
afirma que não é simples a
inserção de termos no sistema;
- é importante que o usuário
utilize a linguagem do sistema,
porém, ao mesmo tempo, é
importante que essa linguagem
contemple, também, termos da
linguagem de busca do usuário.
4) Avaliação do sistema de 159
Usuário - O usuário necessita de uma
recuperação da informação
pesquisador
interface de busca fácil e flexível
[...] de vez em quando para a recuperação precisa no
ele [o sistema] não traz catálogo on-line.
exatamente o que a
gente procura ou aquela
interface principal é um
pouco confusa, aparece
um monte de link com um
monte de números, né?
[...].
5) Procedimentos de coleta de 60 Usuário discente de - O usuário sente a necessidade
de participar da atualização do
termos par a atualização da pós-graduação
linguagem
Porque, por exemplo, VocaUSP.
hoje
em
dia
em
Computação,
né?
O
termo novo, Nuvem, né?
“Computação
nas
nuvens”
e
aí
fica
dependendo
do
bibliotecário entender que
esse é um termo novo,
que é usado, nos últimos
cinco anos, para
indexação. Porque é
10

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6)
Procedimentos
de
atualização e manutenção da
linguagem no sistema de
gestão da linguagem

7) Avaliação do sistema de
gestão
da Informação da
linguagem

importante inserir esse
termo [no Vocabulário].
33 Usuário discente de
graduação
Existe, não sei se você
tem conhecimento de
algum processo que seja
mais enxuto? [...]
Porque eu
acho o
processo muito longo;
passar por três Grupos e
tal.
123
Bibliotecário
dirigente
[O SIBIX] Funciona. A
gente
entende
que
funciona, mas a gente
entende também que já
está na hora de melhorar,
porque ele é um banco
de dados que foi feito em
2000 e [...], ele hoje tem
uma interface [...] que
poderia ser melhor, mais
amigável
poderia
ter
vários tipos de pesquisa
para o termo, né? [...]

8) O papel do usuário na 492 Usuário discente de
atualização e manutenção da pós-graduação
linguagem
E aí eu comecei a
sugerir, e então mais
essa, do indexador eu
não sabia que era um
processo
dos
bibliotecários,
que fazia, e aí por isso
que eu falei, se houvesse
algo na interface com o
usuário, dizendo assim,
ah! sugira um
termo, eu sei, entendo
que é, que também tem o
problema de vir muita
informação.
Fonte: Elaboração nossa.

- O processo de atualização e
manutenção do vocabulário no
sistema é longo, demorado e
exaustivo;
- não há um tempo prédeterminado para a validação de
termos
pelo
Grupo
de
Gerenciamento do VocaUSP.
- O sistema, mesmo possuindo
algumas deficiências, satisfaz os
usuários;
- o sistema precisa ser
atualizado e possuir ferramentas
de buscas modernas em relação
as que já possui.

- O usuário tem interesse em
participar da manutenção e
atualização
do
Vocabulário
Controlado;
- a interface do sistema deveria
ter um campo para sugestão de
termos pelos usuários.
- a única forma que o usuário
pode sugerir termos, até o
momento, é por meio de uma
caixa
de
sugestões
da
biblioteca;
- deve-se criar uma política para
a participação do usuário no
processo de manutenção e
atualização do VocaUSP.

Segundo Boccato (2009b, p. 120) as linguagens documentárias possuem um
papel fundamental nos processos de indexação e recuperação da informação,
possibilitando a representação dos conteúdos documentários e facilitando a busca

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por assunto por usuários que necessitam realizar pesquisas com rapidez e precisão
informacional.
Ratificado por Lima et. al. (2006, p. 20) vimos, ser indispensável a
participação

do usuário, numa equipe multiespecializada, na

construção,

manutenção e atualização de linguagens documentárias utilizadas em sistemas de
recuperação da informação, caracterizados aqui, respectivamente, pelo Vocabulário
Controlado do SIBi/USP e pelo catálogo coletivo on-line DEDALUS.
Todavia, uma vez que isso não ocorre e que o próprio bibliotecário reconhece
ser importante tal participação, observamos que o tem sido feito, no momento, na
biblioteca do ICMC-USP é apenas uma “checagem” no catálogo DEDALUS
(consulta ao histórico de buscas) dos termos que os usuários mais utilizam para
buscarem as informações para que, em seguida, ele (o bibliotecário) possa sugerilos e, iniciando-se, assim, o longo processo de análise e validação de termos até o
estágio final de implementação no próprio VocaUSP.
Vale ressaltar que, muitas vezes, um termo que se apresenta no histórico de
busca não necessariamente representa a realidade sob a forma/termo que o usuário
procura o assunto. No caso, muitos desses termos empregados por ele não se
aproximam de sua real necessidade informacional, ocasionando a revocação na
recuperação da informação, ou seja, a recuperação de um grande número de
documentos que pode não responder exatamente às perguntas de busca do usuário.
Segundo Lancaster (2004, p. 4), a revocação (recall) é a “[...] capacidade [do
sistema] de recuperar documentos úteis”. Em contraposição, a precisão (precision) é
“[...] a capacidade de evitar documentos inúteis”.
Para facilitar a recuperação da informação é de suma importância a
disponibilidade e acessibilidade da linguagem documentária, como ocorre em
relação ao VocaUSP, porém educando o usuário à utilizá-la e bem empregá-la na
busca por assunto no catálogo DEDALUS.
Sobre isso, Boccato (2009a, p. 193) relata que o
desempenho de uma linguagem documentária para a representação da
informação está condicionado ao uso adequado que se faz dela, da sua
construção inicial, no que se refere a sua configuração externa e interna, da
acessibilidade e da política de atualização e manutenção que toda
linguagem documentária exige.

Dessa maneira, entendemos que a biblioteca universitária deve desenvolver e
disponibilizar políticas, produtos e serviços que propiciem condições à comunidade
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de usuários especialistas desenvolverem a construção para a disseminação do
conhecimento científico e tecnológico.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A manutenção e atualização de linguagem documentária são atividades de
importância no fazer do bibliotecário indexador, pois garante a qualidade da
indexação para a recuperação precisa da informação pela comunidade usuária local
e remota em catálogos coletivos on-line de bibliotecas universitárias.
A comunicação usuário-sistema é efetivada no momento em que a linguagem
documentária adotada pelo catálogo promove a compatibilidade com linguagem de
busca do usuário. A ausência de tal compatibilidade e a desatualização do seu
repertório terminológico condicionam a recuperação irrelevante da informação.
Dessa forma, acreditamos que a manutenção e atualização da linguagem é de suma
importância e requer não só participação efetiva do bibliotecário indexador, como
também do bibliotecário de referência, do usuário e demais sujeitos envolvidos
nesse processo.
Sobre isso, Boccato (2009a, p. 221) afirma que
Essa colaboração/compartilhamento (bibliotecário indexador – bibliotecário
de referência - usuário) propiciará o desenvolvimento e o aperfeiçoamento
de uma linguagem documentária condizente com a necessidade de
representação e recuperação da informação em catálogos coletivos online
de áreas científicas especializadas de bibliotecas universitárias.

Para tanto, recomendamos à biblioteca do ICMC-USP e, por sua vez, ao SIBiUSP que realizem a coleta de termos a serem incluídos, alterados e excluídos a
partir, também das sugestões do usuário. Tal medida requer a implantação de um
formulário on-line no próprio Sistema de Sugestão (SIBIX653) que permita ao
usuário registrar/cadastrar termos que retratem as suas necessidades investigativas
e expressos por sua linguagem de busca. Isso possibilitará o incremento das
relações de equivalência do VocaUSP, e, também, a implantação necessária das
relações associativas, viabilizando uma aproximação entre a linguagem do sistema e
do uso cotidiano do usuário.
Tais ações propiciarão a indexação mais condizente com a demanda
informacional do usuário para a recuperação exata da informação, conferindo,
assim, credibilidade ao catálogo DEDALUS. Deve-se, portanto, a construção e o
estabelecimento de uma política de gestão para a manutenção e atualização de
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linguagem documentária, ou seja, do VocaUSP, com diretrizes condutoras à
participação do usuário na tarefa de coleta/sugestões de

termos, entre outros

sujeitos, numa ação cooperativa, colaborativa, multidisciplinar e multiespecializada,
com destaque nos âmbitos profissional bibliotecário – acadêmico usuário.
Em complementação e diante dos resultados obtidos nesta pesquisa,
sugerimos, também, que a avaliação do Sistema de Gestão deva ser uma prática
constante e prevista no Planejamento Estratégico definido pelo SIBi-USP e por suas
respectivas bibliotecas integrantes, visto que novas ferramentas (softwares) surgem
e propiciam inovações e agilidade

nos processos documentários e na gestão

informacional. Além disso, permitem o aprimoramento do fluxo de trabalho/etapas
que envolvem

o processo

de manutenção e

atualização

de

linguagens

documentárias desempenhado pelos profissionais bibliotecários.
Essas sugestões são pertinentes e aplicáveis também à outros contextos
sócio-organizacionais/unidades de informação reais, digitais e virtuais que dispõem
de sistemas de recuperação da informação flexíveis e que promovam a manutenção
e atualização permanente e o uso de linguagens documentárias acessíveis à suas
comunidades usuárias local e remota.
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              <text>Avaliou-se o processo de gestão de linguagens documentárias em catálogos on-line, com enfoque na sistematização das atividades de manutenção e atualização dessas linguagens, no contexto sociocognitivo dos bibliotecários indexadores e dos usuários de bibliotecas universitárias. O universo de pesquisa é o Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da Universidade de São Paulo, Brasil, tendo como o objeto de estudo empírico o SIBIX 653 v4.3 - Sistema de Sugestões do Vocabulário Controlado do SIBi/USP, linguagem de indexação e recuperação da informação do catálogo on-line DEDALUS. A metodologia qualitativa com abordagem sociocognitiva é composta por duas etapas: 1) aplicação de questionário de diagnóstico situacional com o bibliotecário dirigente da biblioteca do ICMC-USP; 2) aplicação da técnica de coleta de dados do protocolo verbal em grupo com o bibliotecário dirigente, bibliotecário indexador, bibliotecário de referência, usuário pesquisador e um usuário discente de graduação e um de pós-graduação. Os resultados, a partir das análises dos dados coletados pelas aplicações do questionário e do protocolo verbal demonstraram, principalmente, que o usuário não participa do processo de atualização do Vocabulário Controlado do SIBi/USP. Conclui-se ser fundamental a participação conjunta de bibliotecários e usuários no processo de gestão e atualização de linguagens documentárias, pois as áreas científicas especialistas vêm criando e modificando termos diante do dinamismo que a ciência possui.</text>
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