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                  <text>Biblioteca digital da Fundação Casa de Rui Barbosa: implantação
do software DSpace

Ana Ligia Silva Medeiros (FCRB/IBICT) - analigiabb@gmail.com
Stella Moreira Dourado (FCRB) - sdourado1@gmail.com
Clea Mara Barradas Reis (FCRB) - cleamara2009@gmail.com
Resumo:
Diante das mudanças ocasionadas pela cultura digital na sociedade, houve uma ruptura do
modelo tradicional de bibliotecas através da inserção do formato digital como suporte
informacional, ocasionando o surgimento das Bibliotecas Digitais. O artigo trata da
implantação da Biblioteca Digital da Fundação Casa de Rui Barbosa através do software
DSpace, com o objetivo de armazenar, gerir, preservar e divulgar sua produção a nível
nacional e internacional. O projeto da Biblioteca Digital da FCRB encontra-se em fase inicial
de implantação com a instalação do DSpace, bem como sua customização, elaboração dos
metadados, da tipologia documental e alimentação do repositório com os documentos que
compõem os acervos da FCRB. Apesar de algumas dificuldades encontradas, sobretudo em
relação à infraestrutura tecnológica, acredita-se que a Biblioteca Digital permitirá que a FCRB
alcance seus objetivos e possa divulgar e promover a pesquisa da sua produção literária,
cultural e humanística para a sociedade.
Palavras-chave: Biblioteca digital. Fundação Casa de Rui Barbosa. DSpace. Tecnologias
digitais.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Biblioteca digital da Fundação Casa de Rui Barbosa: implantação do software
DSpace

Resumo:
Diante das mudanças ocasionadas pela cultura digital na sociedade, houve uma
ruptura do modelo tradicional de bibliotecas através da inserção do formato digital
como suporte informacional, ocasionando o surgimento das Bibliotecas Digitais. O
artigo trata da implantação da Biblioteca Digital da Fundação Casa de Rui Barbosa
através do software DSpace, com o objetivo de armazenar, gerir, preservar e
divulgar sua produção a nível nacional e internacional. O projeto da Biblioteca Digital
da FCRB encontra-se em fase inicial de implantação com a instalação do DSpace,
bem como sua customização, elaboração dos metadados, da tipologia documental e
alimentação do repositório com os documentos que compõem os acervos da FCRB.
Apesar de algumas dificuldades encontradas, sobretudo em relação à infraestrutura
tecnológica, acredita-se que a Biblioteca Digital permitirá que a FCRB alcance seus
objetivos e possa divulgar e promover a pesquisa da sua produção literária, cultural
e humanística para a sociedade.
Palavras-chave: Biblioteca digital. Fundação Casa de Rui Barbosa. DSpace.
Tecnologias digitais.
Área Temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo
a frente

1 INTRODUÇÃO

A cultura digital vem mudando radicalmente as formas de armazenamento e
transmissão da informação. Com as tecnologias digitais a informação circula de
forma rápida em qualquer espaço e lugar. Essas mudanças atingiram a
Biblioteconomia por meio da inserção do formato digital como suporte informacional.
Com isso, há uma ruptura do modelo tradicional de Biblioteca e exige que seus
profissionais se adequem aos novos formatos e adquiram novas competências e
habilidades para o desenvolvimento dos serviços informacionais.
A Fundação Casa de Rui Barbosa - FCRB está atenta a essas mudanças e
com isso, está desenvolvendo sua Biblioteca Digital através da plataforma DSpace,
com o objetivo de armazenar, gerir, preservar e divulgar sua produção a nível
nacional e internacional. Com a Biblioteca Digital, a FCRB pretende contribuir para a

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proteção e valorização da memória intelectual da instituição e para o aumento da
visibilidade, acessibilidade e impacto do seu valor científico e cultural.
Contudo, a Biblioteca Digital da FCRB encontra-se em fase inicial. O software
DSpace já foi instalado e está sendo customizado e implementado através da
elaboração dos metadados, da tipologia documental e alimentação do repositório
com os documentos que compõem os acervos da FCRB. Apesar de algumas
dificuldades encontradas, sobretudo em relação à infraestrutura tecnológica,
acredita-se que a Biblioteca Digital permitirá que a FCRB alcance seus objetivos e
possa divulgar e promover a pesquisa da sua produção literária, cultural e
humanística para a sociedade.

2 CULTURA DIGITAL

O artefato livro permitiu a materialização e disseminação do conhecimento
produzido ao longo do tempo pela humanidade. Desde a idade média, quando
surgiu a imprensa de Gutenberg, o paradigma tem sido o modelo impresso, que
desenvolveu em torno dele, toda uma cultura impressa. (ODDONE, 1998) Ao
decorrer da história o livro sofreu mudanças, tanto na sua forma física, quanto na
sua concepção e nos modos de uso. Segundo Chartier,
Somos herdeiros dessa história tanto para a definição do livro, isto é,
ao mesmo tempo um objeto material e uma obra intelectual ou
estética identificada pelo nome do seu autor, como para a percepção
da cultura escrita e impressa que se baseia em diferenças
imediatamente visíveis entre os objetos (cartas, documentos, diários,
livros, etc.). (2002, p. 22)

Essas transformações ocorreram devido à busca do homem por tecnologias
que lhe facilitassem a vida. Desenvolveram tecnologias que pudessem registrar sua
realidade, observações, experiências e conhecimentos, a fim de transmiti-los para as
gerações futuras. Desde os primórdios da vida em sociedade até os dias atuais,
passou-se pelo “verbo, logo, a escrita em pedra, argila, madeira, peles, papel,
ciberespaço, códigos e modelos que representam a maneira de se transmitir a
informação”. (GARCIA, SOUSA, 2011, p. 79)
A cultura impressa, atualmente, está passando por uma revolução. Essa
revolução

informacional

afeta

a

sociedade

de

várias

formas,

desde

os

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relacionamentos sociais, o espaço, o tempo, o trabalho até a economia. Estão sendo
introduzidos novos padrões, novos modelos alicerçados na tecnologia digital e
eletrônica que modificam a cultura e impulsionam à sociedade para adentrar numa
nova cultura, a cultura digital.
A transição da cultura impressa para a cultura digital tornou-se possível
devido ao desenvolvimento e à evolução das tecnologias da informação e da
internet, intensificada a partir do final do século XX.
As grandes tendências da evolução das técnicas contemporâneas
vieram acompanhadas das mutações sociais e culturais geradas no
final dos anos 80 e início dos anos 90, dando visibilidade a um
movimento sociocultural de superação da invenção do computador
pessoal que instaurou um desenvolvimento tecnoeconômico sem
precedentes na história do conhecimento e da informação. (AQUINO,
2004. p. 9-10).

A internet, desde o seu surgimento, vem permitindo o rompimento de
barreiras geográficas, a livre circulação da informação e o surgimento do suporte
digital, dos livros eletrônicos e das bibliotecas digitais. Esta auxilia na comunicação,
na elaboração de novos conhecimentos e na estruturação de nosso pensamento,
disponibilizando ao usuário uma quantidade infinita de informações, bem como a
liberdade de selecioná-la e usá-la, gerando novas possibilidades cognitivas
(BENÍCIO; SILVA, 2005). A Internet permite extrapolar a informação impressa,
disponibilizando-a em suportes informacionais digitais e, com isso, ocasionando uma
cultura digital.
Cultura digital é um termo emergente e vem sendo apropriado por diferentes
setores, e incorpora perspectivas diversas sobre o impacto das tecnologias digitais e
da conexão em rede na sociedade. (CARVALHO JÚNIOR, 2009) Ao se tratar da
cultura digital, deve-se considerar o termo digitalizar que consiste em traduzir uma
informação em números, através da linguagem binária. Ou seja, através da
digitalização, todas as informações podem ser codificadas, englobando textos,
imagens e sons, tornando-se objetos digitais. O digital é uma matéria pronta a
suportar todas as metamorfoses, todos os revestimentos, todas as deformações.
(LÈVY, 1999).
A digitalização é um processo que engloba todas as técnicas de comunicação
e processamento de informações. A digitalização foi um processo que evoluiu

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gradativamente, “penetrou primeiro na produção e gravação de músicas, mas os
microprocessadores e as memórias digitais tendiam a tornar-se a infraestrutura de
produção de todo domínio de comunicação”. (LÈVY, 1999, p. 32)
A convergência das tecnologias da informação com a internet vem eliminando
os limites entre os meios de comunicação e informação. Estreita as fronteiras entre
diferentes tipos de artefatos intelectuais e serviços informativos e culturais,
agregando recursos de som, vídeo, texto, imagens, ampliando assim, as
possibilidades de acesso à informação.
A cultura digital vem, a cada dia, substituindo as práticas tradicionais de
educar, pensar e interagir com a informação e o conhecimento. A visão da cultura
impressa, onde era necessário um suporte material, físico para o armazenamento e
transmissão da informação, muda radicalmente à medida que a informação digital
circula na rede em tempo real e em qualquer espaço e lugar.

3 BIBLIOTECAS DIGITAIS

A passagem da cultura impressa para a cultura digital afetou não só os
ambientes do papel, exigindo-lhes não só sua adequação aos novos formatos, mas
impondo a aquisição de novas competências e habilidades para o desenvolvimento
dos serviços informacionais. O formato digital estabelece mudanças no contexto da
Biblioteconomia através da ruptura com o modelo tradicional de biblioteca que a
caracteriza como um espaço onde diversos itens do acervo são constituídos de
documentos impressos.
Ao derrubar as paredes que isolavam a biblioteca de seus leitores,
expandiram-se a cultura e o saber, inserindo-se nas práticas biblioteconômicas
novas ferramentas de busca, recuperação e estratégias de acesso à informação,
possibilitando, assim, aos indivíduos, um contato mais rápido e direto com o objeto
do conhecimento em qualquer lugar e tempo real. A biblioteca digital estabelece um
link com as tecnologias da informação e comunicação, no qual o conceito de
biblioteca se expande, podendo-se falar da biblioteca digital, em que a informação é
armazenada de forma eletrônica e disseminada, independentemente de sua
localização física ou de tempo. Essas bibliotecas transformam-se em portão de
entrada para os recursos mundiais de informação, trazendo significativas

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implicações para usuários de bibliotecas, provedores de informação, pesquisadores
de todas as áreas do conhecimento. (AQUINO, 2004).
A definição de biblioteca digital que vem sendo mais difundida foi formulada
pela Digital Library Federation (DLF) e traduzida por Sayão (2009) e afirma que
bibliotecas digitais são organizações que disponibilizam os recursos, incluindo
pessoal especializado, para selecionar, estruturar, oferecer acesso intelectual,
interpretar, distribuir, preservar a integridade e assegurar a persistência ao longo do
tempo de coleções de trabalhos digitais, de forma que eles estejam prontos e
economicamente disponíveis para uso de uma comunidade definida ou um conjunto
de comunidades.
As bibliotecas digitais possuem o objetivo precípuo de atender as
necessidades de informação dos usuários. De acordo com Cunha as bibliotecas,
cada vez mais, “estão ampliando suas coleções locais com documentos originais e
únicos e, quando possível, digitalizando-os para prover de forma imediata, o acesso
em linha ao texto completo aumentando sua visibilidade e utilização”. (2010, p. 09)
De acordo com Sayão (2009), a aplicação da biblioteca digital é diversificada
dependendo do entendimento de grupos distintos. Esse entendimento é obtido
através das práticas pessoais e/ou profissionais dos usuários potenciais de
bibliotecas digitais.
Os bibliotecários veem como uma evolução das bibliotecas tradicionais, cuja
função precípua é adquirir, organizar e disseminar o conhecimento, utilizando a
tecnologia. Os analistas de sistema e outros profissionais da computação veem
como uma extensão dos sistemas de computadores em rede, similar a uma ampla
base de dados. Políticos e administradores encaram como um recurso para a
inclusão digital. Os arquivistas priorizam uma visão de preservação de originais,
quase uma alternativa ao microfilme. Os pesquisadores pensam nas bibliotecas
digitais como uma fonte importante para a disseminação do conhecimento.
Professores e educadores visualizam um novo recurso de aprendizado. Os editores
veem como um modo de distribuição de conteúdos, representando um novo
mercado para as vendas. (SAYÃO, 2009)
Sobre o gerenciamento dos livros digitais e eletrônicos em bibliotecas, Renner
(2009) realizou uma pesquisa em 2007 sobre o uso e aquisição de e-books,
entrevistando bibliotecários de seis universidades de países diferentes. A autora

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explica que o “gerenciamento de e-books é o mesmo de livros impressos. A maioria
procura integrar tanto os livros impressos quanto os e-books num mesmo OPAC
(Online Public Access Cataloguing)” (RENNER, 2009, p. 05). Cunha faz algumas
prospectivas em relação ao processo da introdução das tecnologias eletrônicas nas
bibliotecas, sobretudo em relação aos livros digitais:
As bibliotecas continuarão a selecionar e adquirir conteúdo digital
para atender as necessidades de seus usuários como já faziam na
época do livro impresso. Cada vez mais, elas vão adquirir conteúdo
de livro eletrônico e a seguir o caminho já trilhado pelo periódico
eletrônico [e-journal]. A mudança nos hábitos de leitura será muito
mais gradual em áreas como as obras de ficção, mas o número e a
engenhosidade dos dispositivos de leitura disponíveis para o livro
eletrônico vão ajudar na adaptação e aceitação desse novo formato
para o livro (CUNHA, 2010, p. 10).

Portanto,

as

bibliotecas

digitais

são

instrumentos

para

atender

as

necessidades informacionais do usuário que preza pela rapidez e facilidade do
acesso à informação. Possuem grande valor para a preservação e difusão da
informação e, consequentemente, do conhecimento e da cultura para a humanidade.
Até o momento não há consenso quanto ao termo biblioteca digital que muitas
vezes é confundido com bibliotecas virtuais e/ou eletrônicas. Recentemente, com o
surgimento dos repositórios digitais esta confusão se tornou ainda mais evidente.
O conceito de Repositório Digital surge em 2003 com a finalidade de possibilitar
o acesso livre a produção intelectual das comunidades científicas. Uma das definições

mais aceitas é de que um repositório digital é aquele onde conteúdo digital e
recursos estão armazenados e podem ser pesquisados e recuperados para uso
posterior. Um repositório suporta mecanismos de importação, exportação,
identificação, armazenamento e recuperação de recursos digitais. (Joint Information
Systems Committee, 2005) Para Shintaku e Meirelles,
Repositórios são sistemas disponíveis na WEB que fornecem,
principalmente, facilidades de depósito e acesso aos objetos digitais.
[...] os repositórios, além de gerenciar os documentos digitais,
possuem facilidades relacionadas à preservação destes e são
sistemas flexíveis que podem se adequar a várias finalidades. (2010,
p. 17)

Os repositórios podem abrigar diversos tipos de conteúdos e formatos de
arquivos digitais. Existem algumas plataformas como o Fedora, E-Prints e DSpace.
O

DSpace que é um software desenvolvido pelo Massachusetts Institute of

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Technology (MIT) e pelos Laboratórios Hewlett-Packard Company, foi criado para
atender a uma nova demanda de gerenciamento da produção digital, voltado para as
informações científicas, especialmente as produzidas pelas instituições de pesquisa.
Baseia-se no acesso livre à informação, considerada um bem comum e direito de
todos. Seu uso, no início, voltou-se para organizar e divulgar a produção científica
produzida pela própria instituição (repositórios institucionais), mais tarde ampliou seu
uso para outras formas de acervos (repositórios temáticos). Segundo o Instituto
Brasileiro de Informação:
O sistema Dspace foi desenvolvido para possibilitar a criação de
repositórios digitais com funções de captura, distribuição e
preservação da produção intelectual, permitindo sua adoção por
outras instituições em forma consorciada federada. O sistema desde
seu início teve a característica de ser facilmente adaptado a outras
instituições. Os repositórios DSpace permitem o gerenciamento da
produção científica em qualquer tipo de material digital, dando-lhe
maior visibilidade e garantindo a sua acessibilidade ao longo do
tempo. [...] é um software livre que, ao ser adotado pelas
organizações, transfere a estas a responsabilidade e os custos com
as atividades de arquivamento e publicação da sua produção
institucional. O DSpace possui uma natureza operacional específica
de preservar os objetos digitais que é de interesse da comunidade
científica. (IBICT, 2013)

Para descrever os itens existentes na biblioteca digital, o DSpace utiliza o
padrão metadados Dublin Core Resource Description (DC), que propicia um
conjunto mínimo de 15 elementos padrão utilizados para descrever uma variedade
de recursos, permitindo, também, a inclusão de elementos adicionais para atender
às particularidades de cada usuário, com isso, possibilitando a coleta automática e
a interoperabilidade entre os sistemas.
O DSpace é a plataforma mais utilizada mundialmente em 1421 instituições,
sendo

recomendado pelo IBICT. O Senado Federal, Brasiliana/USP, Fundação

Getúlio Vargas e Museu Imperial são exemplos de instituições que utilizam o
DSpace, no Brasil.

4 A BIBLIOTECA DIGITAL DA FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA

A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) tem sua origem no museubiblioteca instituído em 1928 pelo presidente Washington Luís, a Casa de Rui
Barbosa. Tem por missão promover a preservação e a pesquisa da memória e da

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produção literária e humanística, bem como congregar iniciativas de reflexão e
debate acerca da cultura brasileira. Através disso, a instituição pode contribuir para o
conhecimento de diversidade cultural e para o fortalecimento da cidadania,
assegurando a implementação das demais políticas do Ministério da Cultura, a qual
é subordinada.
Está dividida em dois grandes departamentos: o Centro de Memória e
Informação (CMI) e o Centro de Pesquisa. O CMI compreende o Museu, o Arquivo
Histórico, o Arquivo Museu de Literatura Brasileira, as Bibliotecas (Rui Barbosa, São
Clemente e Infantil Maria Mazetti), além dos laboratórios de microfilmagem e
conservação e restauração de documentos gráficos.
Ao longo de anos os dois Centros produziram documentos em mídias
eletrônicas, que tanto podem ter sido nascidos ou migrados digitais, formando o
embrião da Biblioteca Digital. Buscando reunir, registrar e preservar essa memória,
está sendo implantado o projeto da Biblioteca Digital da Fundação Casa de Rui
Barbosa, utilizando a plataforma DSpace, com intuito de armazenar, gerir, preservar
e divulgar essa produção a nível nacional e internacional via internet. Pretende-se,
com esse projeto, contribuir para a proteção e valorização da memória intelectual da
FCRB e para o aumento da visibilidade, acessibilidade e impacto do seu valor
científico e cultural.

4.1 O ACERVO DIGITAL DA FCRB

Os documentos digitais existentes na Fundação Casa de Rui Barbosa podem
ser divididos em duas grandes naturezas: a produção técnico-científica da instituição
e o acervo documental. No primeiro caso encontra-se a produção intelectual da
FCRB. É composto por uma grande variedade de produtos de pesquisa gerados
pelos pesquisadores e técnicos da instituição, tais como artigos de periódicos, livros,
capítulos de livros, apresentações de trabalhos, relatórios, inventários de arquivos e
sites temáticos. Além de palestras, seminários, exposições e outros eventos que
podem se apresentar em documentos textuais, sonoros ou visuais. Estes
documentos caracterizam-se como repositório institucional.
Já o rico acervo adquirido pela instituição, seja por compra, doação ou
permuta, e são provenientes de diversas fontes e compõem-se por diversas

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naturezas documentais, formando um dos mais importantes patrimônios da área de
cultura e da memória do país. Como exemplo pode-se citar centenas de Obras
Raras das bibliotecas de Rui Barbosa e da coleção Plínio Doyle. Deste também, é
uma expressiva coleção de revistas e jornais do século XIX e começo do XX, que
muitas vezes representam exemplares únicos que sobreviveram ao tempo. Outro
acervo expressivo é composto pela coleção de cordel, que abriga a produção dos
mais antigos cordelistas brasileiros.
Além do acervo bibliográfico, os acervos arquivísticos possuem documentos
de grande valor cultural e vem sendo aos poucos digitalizados tanto para a
preservação quanto para um a ampla divulgação através da internet. Pode-se citar
os documentos históricos do arquivo Rui Barbosa, mas também, os arquivos de
escritores recentes como os de Cruz e Souza, Vinícius de Morais, Pedro Nava,
Clarice Lispector, Rubem Braga, entre tantos outros.
Esta diversidade de conteúdos, formatos e tipos de documentos formam um
micro cosmos das questões ligadas à organização e à recuperação das informações
encontradas em boa parte das instituições culturais. Por este motivo, o cuidado na
organização dos objetos digitais deve obedecer à natureza da natureza diversa dos
documentos.
O tratamento do material bibliográfico difere do arquivístico, pois necessita
outro tipo de normas e cuidados. Os arquivos, segundo a definição de Marilene Leite
Paes (1977, p.16) correspondem “a acumulação ordenada dos documentos, em sua
maioria textuais, criados por uma instituição ou pessoa, no curso de sua atividade, e
preservados para a consecução de seus objetivos, visando a utilidade que poderão
oferecer no futuro”. Assim, o trabalho de organização deve respeitar a integridade do
fundo documental, sendo ordenados em fundos, séries e subséries, por exemplo.
Estas diferenças impactam na seleção dos metadados, sendo que cada
conjunto documental necessita de uma reflexão para definir os campos a serem
trabalhados. Além da organização, a questão dos direitos autorais se impõe como
fundamental, em obediência a Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, pois não é
todo o material digitalizado que poderá estar disponível para consulta através da
Internet.
O acesso ao conteúdo dos itens inseridos nos repositórios e/ou bibliotecas
digitais pode ser viabilizado aos usuários finais, tanto internos quanto externos à

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instituição. O conteúdo é passível a barreiras de acesso, porque pode haver razões
para não estar disponíveis publicamente, como por exemplo, trabalhos que
envolvem pesquisas que estão em processo de análise, artigos publicados em
periódicos com acesso restrito por período acordado entre as partes, etc. Alguns
desses documentos podem ser distribuídos na íntegra ou em partes dentro da
instituição, mas seu conteúdo e seus metadados associados não estarão disponíveis
para usuários externos. Segundo Crow (2002, p. 16) “[...] os repositórios necessitam
da definição de níveis de acesso diferenciados, ou seja, mecanismos para controlar
o acesso aos documentos restritos, enquanto assegura acesso àqueles que podem
ser compartilhados amplamente”.
Finalmente, e não menos importante, além de prover solução para
preservação digital e possibilidade para disseminação da memória, a solução da
Biblioteca Digital é parte de um processo de gestão documental, o que deve gerar
ganhos na perspectiva de gestão de pesquisa, de processos organizacionais e de
tomada de decisão. Além disso, na medida em que o conteúdo possa ser
disponibilizado para a sociedade, o acervo coloca-se como mais uma fonte de
disseminação de informação científica, criando novos caminhos para a comunicação
e fortalecendo o processo de produção de novos conhecimentos.

4.2 A IMPLANTAÇÃO DO DSPACE NA FCRB

O projeto de implantação da Biblioteca Digital da FCRB foi iniciado em 2010 e
num primeiro momento teve por objetivos analisar as principais dificuldades na
concepção e implantação de uma biblioteca digital, levantamento da bibliografia e da
situação em instituições similares à FCRB, levantamento das mais importantes
bibliotecas digitais existentes no país em 2010, análise e escolha do software a ser
utilizado e análise das principais tendências na área. Esboçou-se a política de
gerenciamento da Biblioteca Digital, incluindo sua primeira estrutura.
Em 2012 deu-se início à segunda fase do projeto, através da análise do
acervo, elaboração dos metadados para descrição, identificação e recuperação de
informações no repositório, desenvolvimento da tipologia documental do repositório
da FCRB, utilizando os tipos de documentos da base da FCRB, a AACR2, Normas
da ABNT, Dicionário enciclopédico Larousse, Dicionário de Biblioteconomia e

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Arquivologia e outras fontes e finalmente a instalação do DSpace, software
escolhido, e o início da implantação do repositório.
Atualmente a FCRB conta com aproximadamente 118 mil páginas
digitalizadas englobando livros, periódicos, obras raras, periódicos raros, textos e
documentos arquivístivos, disponibilizadas para o público no Portal da Fundação
Casa de Rui Barbosa. Esses documentos digitais serão inseridos na Biblioteca
Digital da FCRB através do repositório DSpace que está no início de sua
implantação. Vale ressaltar, que a Fundação possui ainda uma gama de
documentos que estão em processo de digitalização e preparação para serem
inseridos na Biblioteca Digital posteriormente.
Gráfico 1 – Documentos digitais da Fundação Casa de Rui Barbosa

Fonte: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2013.

Na implantação do DSpace foram aplicados os metadados e a tipologia
documental elaborados anteriormente para a criação das comunidades e
subcomunidades. Além desse material, a implantação requer o estabelecimento uma
política de acervos digitais que está sendo desenvolvida junto aos gestores da
FCRB. Essa política consiste em determinar o gerenciamento dos documentos
digitais atendendo a especificidade de cada setor: biblioteca, arquivo e pesquisa.
A Biblioteca Digital ainda está na fase inicial de customização e
desenvolvimento do layout. Abaixo seguem os prints da página inicial e da página de

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comunidades e coleções da Biblioteca Digital em seu atual estágio de
desenvolvimento.
Figura 1 – Página inicial da Biblioteca Digital da FCRB

Fonte: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2013.

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Figura 2 – Página de Comunidades e Coleções da Biblioteca Digital da FCRB

Fonte: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2013.

5 CONCLUSÕES

Com o início da implantação do DSpace para o desenvolvimento do projeto
da Biblioteca Digital da FCRB, percebeu-se que este é uma ferramenta adequada
para organizar, gerir, preservar e disseminar a demanda documental da Fundação.
Foram encontradas algumas dificuldades para a implantação do DSpace,
sobretudo em relação à tecnologia. Necessita-se de mais investimento na
infraestrutura tecnológica (hardware) e de profissionais de informática para auxiliar o
desenvolvimento e manutenção do DSpace. Outra dificuldade foi em relação à
elaboração da política, pois a Biblioteca Digital irá disponibilizar documentos digitais
das áreas de Biblioteconomia, Arquivologia, além dos produtos da pesquisa
científica e cultural produzida pela FCRB, todos com especificidades distintas no
tratamento e na organização da documentação.

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A implantação da Biblioteca Digital da FCRB ainda está em fase inicial. A
cada dia há aprendizado e superação de dificuldades à medida que o projeto é
desenvolvido. Contudo, com os resultados preliminares obtidos, constatou-se que a
utilização do DSpace como softawe da Biblioteca Digital da FCRB, permitirá que a
Fundação cumpra seu objetivo de promover a preservação e a pesquisa da memória
e da produção literária, cultural e humanística para a sociedade.

REFERÊNCIAS
AQUINO, Mirian de Albuquerque. Metamorfoses da cultura: do impresso ao digital,
criando novos formatos e papéis em ambientes de informação. In: Ci. Inf., Brasília,
v. 33, n. 2, p. 7-14, maio/ago. 2004. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v33n2/a01v33n2.pdf&gt;. Acesso em: 22 mar. 2013.
BENÍCIO, C. D.; SILVA, A. K. A. Do livro impresso ao e-book: o paradigma do
suporte na biblitoeca eletrônica. Biblionline, v. 1, n. 2, 2005, v. 1, n. 2, 2005.
Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/viewFile/580/418&gt;. Acesso em:
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              <text>Diante das mudanças ocasionadas pela cultura digital na sociedade, houve uma ruptura do modelo tradicional de bibliotecas através da inserção do formato digital como suporte informacional, ocasionando o surgimento das Bibliotecas Digitais. O artigo trata da implantação da Biblioteca Digital da Fundação Casa de Rui Barbosa através do software DSpace, com o objetivo de armazenar, gerir, preservar e divulgar sua produção a nível nacional e internacional. O projeto da Biblioteca Digital da FCRB encontra-se em fase inicial de implantação com a instalação do DSpace, bem como sua customização, elaboração dos metadados, da tipologia documental e alimentação do repositório com os documentos que compõem os acervos da FCRB. Apesar de algumas dificuldades encontradas, sobretudo em relação à infraestrutura tecnológica, acredita-se que a Biblioteca Digital permitirá que a FCRB alcance seus objetivos e possa divulgar e promover a pesquisa da sua produção literária, cultural e humanística para a sociedade.</text>
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