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                  <text>Gestão do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de
Uberlândia: tecnologias da informação e da comunicação na
construção da biblioteca do futuro

Maira Nani França (UFU) - mairanani@hotmail.com
Adriana Cristina Omena dos Santos (UFU) - adriomena@gmail.com
Resumo:
O trabalho apresenta as reflexões iniciais de um estudo crítico sobre a evolução histórica dos
processos informacionais e comunicacionais aplicados pelo Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU). Destaca as transformações advindas dos
avanços tecnológicos hoje disponíveis, sobretudo no ambiente universitário, que impactaram
no pensar e agir das bibliotecas. Propõe o desenvolvimento de uma pesquisa para melhor
conhecer e analisar historicamente as tecnologias da informação e da comunicação utilizadas
pelo SISBI/UFU como suporte aos processos educativos buscando identificar os desafios e as
possibilidades, bem como, elaborar uma proposta de construção da biblioteca de 2020.
Espera-se que o estudo em questão, permita diagnosticar e mudar a realidade criando novos
paradigmas e aponte possíveis caminhos relacionados ao tema em questão, aos profissionais
da informação de outras bibliotecas universitárias no país
Palavras-chave: Tecnologia da informação. Biblioteca universitária. Biblioteca do futuro.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação eCiência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

Gestão do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia:
tecnologias da informação e da comunicação
na construção da biblioteca do futuro

Resumo:
O trabalho apresenta as reflexões iniciais de um estudo crítico sobre a evolução
histórica dos processos informacionais e comunicacionais aplicados pelo Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU). Destaca as
transformações advindas dos avanços tecnológicos hoje disponíveis, sobretudo no
ambiente universitário, que impactaram no pensar e agir das bibliotecas. Propõe o
desenvolvimento de uma pesquisa para melhor conhecer e analisar historicamente
as tecnologias da informação e da comunicação utilizadas pelo SISBI/UFU como
suporte aos processos educativos buscando identificar os desafios e as
possibilidades, bem como, elaborar uma proposta de construção da biblioteca de
2020. Espera-se que o estudo em questão, permita diagnosticar e mudar a realidade
criando novos paradigmas e aponte possíveis caminhos relacionados ao tema em
questão, aos profissionais da informação de outras bibliotecas universitárias no país.
Palavras-chave: Tecnologia da informação. Biblioteca universitária. Biblioteca do
futuro.
Área temática: I - Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

1 PENSANDO A BIBLIOTECA NA ATUALIDADE

O trabalho apresenta as reflexões iniciais de um estudo crítico sobre a
evolução histórica dos processos informacionais e comunicacionais aplicados pelo
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU), como
agente ativo de transformação social no processo de ensino e aprendizagem 1, com
objetivo de fornecer subsídios para construção das novas configurações necessárias
ao atendimento dos usuários da chamada “sociedade da informação”, que se
consolida no interior das universidades.

1

John Daniel (2003, p. 39-40) ao refletir sobre os métodos de educação afirma que a aprendizagem
independente, adquirida ao se ler um livro, assistir a um programa de TV ou realizar alguma pesquisa
na internet, não basta para conduzir os “alunos ao conhecimento e à compreensão”; é necessário
também a aprendizagem interativa, ou seja, a construção de uma “ponte que os ligue a alguém”. Este
é o caso que ocorre quando o profissional da informação atua como agente ativo no processo de
educação do indivíduo.

1

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Embora tenha obtido os melhores índices de avaliação interna dentre as
diferentes unidades administrativas e acadêmicas da UFU nas pesquisas realizadas
pela Comissão Própria de Avaliação (CPA) nos anos de 2010, 2011 e 20122, a
biblioteca representa uma potencialidade, como apontam os relatórios da
comissão, a ser desenvolvida frente ao novo cenário que se configura em razão do
aumento do número de cursos e de vagas, advindos do Projeto Reuni3 aliado aos
novos processos de ingresso ao ensino superior, adotados pela UFU nos últimos
anos – o que resulta em um novo perfil de usuário. Estes fatores apontam para o
aumento de uma demanda qualitativa e quantitativa por parte dos usuários das
bibliotecas em relação aos produtos e serviços oferecidos, o que leva à necessidade
de uma reflexão crítica sobre os desafios e possibilidades do SISBI/UFU, para os
próximos anos.
Deste modo vale destacar os seguintes questionamentos: Que biblioteca
queremos para o futuro? Quais são os obstáculos que nos impedem de acompanhar
as mudanças? Conhecemos a nossa realidade? Como construir esta biblioteca
universitária de 2020? Quais são os nossos maiores desafios?
Neste sentido, um dos desafios cotidianamente enfrentados é o fato de não
existir um padrão definido para gestão de bibliotecas universitárias, sobretudo nesta
era de grandes e rápidas mudanças no campo das tecnologias da comunicação e da
informação

aplicadas

à

educação.

Fato

este

evidenciado

por

recentes

implementações administrativas no SISBI/UFU – com adoção de novas tecnologias
– realizadas sem um planejamento prévio, em razão de demandas pontuais de curto
Conforme o relatório da Comissão Própria de Avaliação da UFU (CPA) - 2010: “Apenas na avaliação
do item Biblioteca, considerando os três segmentos simultaneamente, obteve-se um percentual
superior a 75% em relação aos conceitos indicadores Bom ou Ótimo. Isto significa que a comunidade
universitária se mostrou ALTAMENTE SATISFEITA em relação à Biblioteca (instalações físicas,
atendimento ao usuário, equipamentos, automação do sistema, horário de atendimento)” (UFU,
[2011], p. 9, grifo do autor). De acordo com o relatório da CPA - 2011: “A comunidade universitária se
mostrou altamente satisfeita em relação: à BIBLIOTECA (instalações físicas, atendimento ao usuário,
automação do sistema, horário de atendimento) [...] (UFU, [2012], p. 44, grifo do autor). “A Biblioteca
continua sendo considerada como uma potencialidade pela comunidade universitária, sendo os
resultados da avaliação bastante semelhantes aos computados na avaliação de 2010” (UFU, [2012],
p. 92, grifo nosso). No último relatório da CPA – 2012: “Na apreciação dos segmentos [discentes e
docentes], vários itens foram destacados como potencialidades (percentual do indicador Ótimo/Bom
superior a 70%) podendo-se citar: a iluminação; o atendimento ao usuário; a automação do sistema e
o horário de atendimento.” (UFU, [2013], p. 130, grifo do autor). “A avaliação global sobre as
bibliotecas foi de excelência, pois 80% dos técnico-administrativos optaram pelo indicar Ótimo/Bom.”
(UFU, [2013], p. 120, grifo do autor).
3
Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais,
implementado pelo Governo Federal, iniciado em 2003 e com previsão de conclusão até 2012, com
objetivo principal de ampliar o acesso e a permanência na educação superior no Brasil (BRASIL,
2010).
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prazo e de projetos isolados, que, embora representem avanços significativos,
impactaram desfavoravelmente em áreas fundamentais, tais como:
a) gestão

de

pessoas:

comprometimento

e

engajamento

profissional,

treinamento e motivação;
b) planejamento de ações internas de médio e longo prazos;
c) utilização adequada dos recursos públicos;
d) aproveitamento dos talentos da própria universidade, especificamente na área
de Tecnologia da Informação (TI), para apoio às ações da biblioteca;
e) comunicação interna e externa
Questões como as acima elencadas indicam a inexistência de uma política
institucional definida para o setor que permita ao SISBI agir, a médio e longo prazos,
integrado às demais unidades administrativas e acadêmicas da UFU no atendimento
das demandas atuais e futuras, com o olhar voltado para as comunidades interna e
externa à UFU, além de sobre si mesmo – enquanto agente de transformação social
em permanente mudança –, que exige tanto pesquisas quanto ações práticas
imediatas.

Las universidades han estado com frecuencia más atentas a sus
propios problemas internos que a las demandas de la sociedade,
más preocupadas de la autonomia como reinvidicación que de la
responsabilidade social consigusente. La situación del entorno social
externo, al que la universidad sirve há cambiado mucho. La situación
de finales de los setenta no es la misma que la del fin del milênio y la
de las décadas venideras. (ORTEGA, 1999, c. 3).

Mais que as transformações significativas nas Instituições de Ensino Superior
(IES) preconizadas por Cunha (2000) para o período de 2000 a 2010, vive-se nesta
segunda década do milênio, com mais intensidade e mais rapidez, os reflexos das
mudanças de paradigmas conceituais e estruturais relacionados à educação, frente
às novas configurações das universidades – e de suas bibliotecas em particular –
resultantes das políticas governamentais de reestruturação e ampliação do ensino
superior implementadas no país.

3

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2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NAS BIBLIOTECAS

Nos últimos anos, temos acompanhado inúmeras reflexões relacionadas às
rápidas mudanças nas áreas científica, tecnológica, informacional, política,
educacional e social resultantes das inovações tecnológicas.
No início de dezembro de 2012, o Horizon Report Brasil (As 12..., 2012)
divulgou resultado de um estudo que aponta as 12 tendências tecnológicas da
educação brasileira até 2017, subdivididas em três grupos:
a) polarização de dispositivos: ambientes colaborativos, aprendizagem baseada
em jogos, celulares, tablets (1 ano ou menos);
b) uso dos softwares: redes, geolocalização, aplicativos móveis, conteúdo aberto
(2 a 3 anos);
c) apropriação

dos

softwares:

inteligência

coletiva,

laboratórios

móveis,

ambiente pessoal de aprendizagem, aplicações semânticas (4 a 5 anos)4.
Em conformidade com as políticas de ampliação do acesso ao ensino
superior empreendidas no país, citadas anteriormente, têm-se a necessidade de
criar meios e condições que permitam aos novos ingressantes permanecerem na
universidade e concluírem seus cursos. Neste sentido, além da função de produzir o
conhecimento e torná-lo acessível, dentre outras atribuições, a UFU tem o
compromisso de ampliar seus programas de tecnologia de informação e de
comunicação, setores estes apontados pela nova gestão como os dois grandes
desafios para o quadriênio 2013/2016 a serem superados pela universidade
(informação verbal)5.
Neste cenário, ao se observar a administração do Sistema de Bibliotecas
(SISBI) da UFU, percebem-se, nos diversos segmentos, as transformações advindas
dos avanços tecnológicos hoje disponíveis, sobretudo no ambiente universitário, que
impactaram no pensar e agir das bibliotecas.
Ao refletir sobre esta questão, é possível recorrer ao pensamento de Cunha
(2000) que, no início deste século, prenunciava que as tecnologias da informação

4

Considerando que muitos destes termos são novos, para melhor compreensão consultar infográfico
explicativo disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-12-08/as-12-tendenciastecnologicas-da-educacao-brasileira-ate-2017.html.
5
Trecho retirado do diálogo realizado entre o professor Eduardo Nunes Guimarães, vice-reitor da
UFU eleito e os servidores do Sistema de Bibliotecas, em 14 de dezembro de 2012, visando a
indicação dos melhores caminhos para construção da universidade.

4

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afetariam

as

atividades

acadêmicas

e,

consequentemente,

as

bibliotecas

universitárias, que além de assimilarem estas inovações, deveriam estar preparadas
para atender as exigências da globalização dos mercados.
Cunha (2000), em seu artigo Construindo o futuro discutiu as principais
questões que provavelmente teriam impactos maiores nas bibliotecas universitárias
de 2010, como aspectos relativos à estrutura (atendimento ao público e terceirização
de alguns serviços), tecnologia, ensino à distância, biblioteca digital, instalações
físicas, acervo informacional, organização deste acervo, aspectos relacionados a
financiamento (consolidação de consórcios visando a redução de custos), a serviços
e produtos (periódicos e referência) e ao público. Os questionamentos apresentados
pelo autor e a realidade presenciada na universidade – e na biblioteca, de modo
específico – sobre os possíveis cenários da biblioteca de 2020, motivaram um
estudo a ser desenvolvido na linha de pesquisa “Mídias, Educação e Comunicação”,
do Mestrado em Tecnologia, Comunicação e Educação, da Faculdade de Educação
(FACED) da UFU.

3 AS TICS NAS BIBLIOTECAS: PRIMEIRAS REFLEXÕES
Na “Sociedade da Informação”, responsável pela criação do conhecimento, o
capitalismo se impõe imperativamente e a demanda de mercado determina a
economia e as relações socioculturais. Acompanhamos diariamente o crescimento
vertiginoso do setor quaternário da economia, responsável pela produção,
processamento e distribuição de mercadorias da informação, ou seja, serviço
altamente intelectual incluindo investigação, desenvolvimento e inovação. A
informação é a matéria prima, elemento de competição política e econômica, de
emancipação e dominação, é recurso estratégico para tomada de decisão e
produção do conhecimento.
A universidade é considerada um ambiente propício e privilegiado para a
produção e difusão deste conhecimento, pois segundo Ohira (1998, p. 66) “por
intermédio das atividades de ensino, pesquisa e extensão, as universidades se
voltam para a criação, a produção de conhecimento, e a busca do saber”. O
conhecimento constituído na universidade segue uma linha de pensamento, que
deve ser criteriosamente observada para que não ocorram desvios, permitindo
5

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assim a produção intelectual do indivíduo dentro deste ambiente. Um fator que
determina o status da universidade é a sua produção científica. Neste sentido é
essencial que a universidade, com apoio da biblioteca, incentive a iniciativa, estimule
a liderança e desperte a capacidade empreendedora dos pesquisadores
(SCHWARZMAN, 1985).
A estrutura universitária em nosso país surgiu por iniciativa do Estado, porém
temos acompanhado um crescimento explosivo de universidades privadas, conforme
apontado pela revista Economist, no segundo semestre de 20126, apesar de não
apresentar a mesma qualidade oferecida pelas instituições públicas 7. Mesmo assim,
a quantidade de universidades ofertadas no Brasil ainda é muito pequena diante da
demanda de uma população com quase 200 milhões de pessoas. “A educação
superior é fundamental para um país” (VONBUN; MENDONÇA, 2012, p. 7).
“Adicionalmente, a educação significa um investimento em capital humano, o que
naturalmente apresenta retornos em termos de crescimento econômico e bem-estar
social, e deve ser incentivada.” (VONBUN; MENDONÇA, 2012, p. 7). John Daniel
aponta o capital humano8 e o capital social9 como objetivos para se medir o nível de
segurança da qualidade da educação.
Werthein (2000, p. 73) destaca que o Estado está à frente de iniciativas que
visam o desenvolvimento da “sociedade da informação”, interagindo com as forças
sociais locais, gerando assim um processo de transformação social. Neste sentido é
possível afirmar que as universidades federais representam um referencial para se
discutir a qualidade do ensino no país. “No ranking da Webometrics, por exemplo, o
Brasil ficou em primeiro lugar em qualidade, em relação aos países em
desenvolvimento” (VONBUN; MENDONÇA, 2012, p. 92). A universidade, para
atender as demandas e expectativas informacionais da comunidade interna e
externa, precisa oferecer a melhor infraestrutura e os melhores serviços; que estão
relacionados diretamente com a qualidade da equipe, ou seja, à qualificação do
6

Cf. BBC. Brasil vive crescimento explosivo de universidades privadas, diz ‘Economist’. 14 set.
2012. Disponível em: &lt;http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/09/brasil-vive-crescimento-explosivo-deuniversidades-privadas-diz-economist.html&gt;. Acesso em: 28 dez. 2012.
7
Cf. VONBUN, Christian; MENDONÇA, João Luís de Oliveira. Educação superior uma
comparação internacional e suas lições para o Brasil. Brasília, DF: IPEA, 2012. (Texto para
discussão, 1720).
8
Definido como “o conhecimento e as habilidades do indivíduo que tornam a pessoa mais autônoma,
mais flexível e mais produtiva” (DANIEL, 2003, p. 56).
9
Indicado como “a confiança nas outras pessoas, redes ou contatos, a união dos indivíduos para
alcançar uma meta comum, que cria uma comunidade” (DANIEL, 2003, p. 56).

6

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pessoal. “O futuro da humanidade deve ser determinado pelos seres humanos –
pelas pessoas – e não pelas máquinas que fabricamos.” (DANIEL, 2003, p. 49).
É possível assim, afirmar que o capital humano é o maior ativo de uma
empresa, pois são as pessoas que detêm o conhecimento tácito. Tanto Belluzzo
quanto Choo alertam que nesta nova era, a valorização das pessoas é essencial na
política de gestão da informação, através do estímulo e da oferta de um ambiente
propício para o desenvolvimento do processo criativo. Belluzzo (2003) defende que
o homem e sua capacidade de acumular e gerar conhecimento é elemento essencial
neste processo produtivo e Choo (2006) afirma que a capacidade do pensamento
humano é insubstituível.
A criação do conhecimento resulta da interação dinâmica e constante entre
conhecimentos tácito10 (individualizado, subjetivo) e explícito11 (coletivo, objetivo).
Pela vivência e experiência de um grupo, surgem grandes descobertas.
Grandes projetos são gerados através do envolvimento de diversas áreas. O
trabalho em equipe é essencial para uma organização que aprende. “A educação
precisa construir ponte entre os indivíduos e as comunidades. Precisa ajudar-nos a
aprender a viver em conjunto, a criar redes de relações sociais e a trabalhar juntos
nas comunidades visando o bem comum.” (DANIEL, 2003, p. 39).
Para Delors um dos maiores desafios da educação, nos dias de hoje, é o
aprender a viver com os outros. “A educação tem por missão, por um lado, transmitir
conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e, por outro, levar as
pessoas a tomar consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os
seres humanos do planeta.” (DELORS, 1996, p. 97).
Neste sentido, o compartilhamento é uma tendência. Todo conhecimento
compartilhado passa a ser instrumento de transformação da realidade. A
convivência, interação com o grupo de trabalho e o contato direto com as pessoas
proporciona contínuo aperfeiçoamento intelectual e técnico.

10

Adquirido ao longo da vida, que está inserido nas pessoas, não mensurado, mais valioso por ser
ligado diretamente ao indivíduo, verdadeiro conhecimento, parte de experiência e experimentação
das pessoas.
11
Formal, claro, regrado (escrito ou representado).

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A educação ao longo de toda a vida [...] deve fazer com que cada
indivíduo saiba conduzir o seu destino, num mundo onde a rapidez
das mudanças se conjuga com o fenômeno da globalização para
modificar a relação que homens e mulheres mantêm com o espaço e
o tempo. As alterações que afetam a natureza do emprego, ainda
circunscritas a uma parte do mundo, vão, com certeza, generalizarse e levar a uma reorganização dos ritmos de vida. A educação ao
longo de toda a vida torna-se assim, para nós, o meio de chegar a
um equilíbrio mais perfeito entre trabalho e aprendizagem bem como
ao exercício de uma cidadania ativa (DELORS, 1996, p. 105).

É preciso comprometimento com as ideias e os ideais para o crescimento
pessoal e profissional, enfrentar desafios e assumir compromissos de maneira
inovadora. A flexibilidade incorpora a ideia de aprendizagem. Muitas ações têm sido
realizadas principalmente no campo da aplicação das novas tecnologias à
educação, como educação a distância, bibliotecas digitais, webconferências, fóruns
eletrônicos, chats, entre outros.
Para Bingemer (2004) “as novas tecnologias trouxeram à humanidade um
sem número de mudanças comportamentais, físicas, mentais e existenciais.” O
avanço tecnológico acelerou o processo de mudança nas relações sociais. Neste
novo campo de produção do conhecimento, o saber ocupa lugar central. Peter
Drucker (2002, p. 158) afirma que na sociedade, o conhecimento é recurso-chave,
as

pessoas

instruídas

enfrentam

“novas

demandas,

novos

desafios

e

responsabilidades”.
Além do grande desafio, alertado por Werthein (2000), de identificar o papel
que as novas tecnologias podem desenvolver no processo educacional e definir
como utilizá-las para facilitar uma efetiva aceleração do processo de educação para
todos; o fator-chave do futuro será a capacidade de a universidade, e em especial,
sua biblioteca, assimilar os novos paradigmas, remover os obstáculos que as
impedem de atender as necessidades e expectativas de seus usuários (CUNHA,
2000), buscar a melhoria continuada e criar novos meios de aprendizagem e
conhecimento. A mudança deve ser encarada como uma oportunidade de evolução,
onde novos meios substituirão as velhas práticas e novos bens e serviços serão
implementados a fim de minimizar as diferenças globais quanto ao acesso à
informação e construir uma sociedade de informação mais global e justa.
Neste sentido a proposta da pesquisa é justamente conhecer e analisar
historicamente as tecnologias da informação e da comunicação utilizadas pelo
SISBI/UFU como suporte aos processos educativos buscando identificar os desafios
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e as possibilidades, bem como, elaborar uma proposta de construção da biblioteca
de 2020. Para atingir tal objetivo será necessário, também, realizar levantamento
bibliográfico sobre a gestão de bibliotecas no país e as novas tendências no âmbito
universitário, referentes às novas tecnologias de informação e comunicação; realizar
pesquisa documental sobre a evolução histórica das tecnologias da informação e da
comunicação utilizadas pelo SISBI; levantar a percepção dos servidores quanto aos
aspectos tais como: facilidade/dificuldade de uso das ferramentas comunicacionais,
eficiência no atendimento as demandas dos usuários, adequação dos serviços às
tecnologias; identificar os desafios e a possibilidades para construção da biblioteca
universitária da UFU em 2020 a fim de construir uma proposta de intervenção a ser
implementada pela administração do SISBI/UFU para construção da biblioteca do
futuro.

4 DESCREVENDO A PROPOSTA

A fim de desenvolver a proposta supracitada é adotada uma metodologia que
fundamenta-se nos pressupostos da pesquisa qualitativa, de viés exploratório. Este
processo englobará levantamentos bibliográfico e documental pertinentes ao tema,
observações, aplicação de questionário, análise dos dados que serão apresentados
de forma descritiva e apresentação de proposta de intervenção.
Os investigadores qualitativos frequentam os locais de estudos porque se
preocupam com o contexto. Entendem que as ações podem ser mais bem
compreendidas quando são observadas no seu ambiente habitual de ocorrência
(BOGDAN; BIKLEN, 1994).
A metodologia se justifica, considerando que a pesquisa qualitativa é
entendida como um processo de reflexão e análise da realidade, através da adoção
de técnicas para melhor compreensão do objeto de estudo em seu contexto histórico
ou segundo a sua estruturação.
O objetivo da pesquisa exploratória é definido por Marconi e Lakatos (1990, p.
77) como
a formulação de questões ou de um problema, com tripla finalidade:
desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador
com o ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma
pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conceitos.
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Quanto ao levantamento bibliográfico e documental e análise dos dados
coletados, Oliveira afirma que:

A metodologia interativa é um processo hermenêutico dialético que
facilita entender e interpretar a fala e depoimentos dos atores sociais
em seu contexto e analisar em textos, livros e documentos, em
direção a uma visão sistêmica da temática em estudo (OLIVEIRA,
2007, p. 124).

A pesquisa bibliográfica fornecerá subsídios para a análise acerca do que
vem sendo publicado por outros autores em livros, artigos científicos, textos
disponíveis na internet a respeito da biblioteca universitária, biblioteca digital,
biblioteca híbrida, inovações tecnológicas, tecnologia da informação, tecnologia da
comunicação, educação, e outros assuntos afins, buscando compreender como as
novas tendências estão sendo implementadas e vivenciadas pelos atores sociais
nelas envolvidos.
A pesquisa documental, também será essencial para o desenvolvimento
deste plano de trabalho uma vez que possibilitará o registro histórico da evolução
das tecnologias da informação e da comunicação utilizadas pelo SISBI/UFU desde
sua automação.
Para conhecer as ações dos atores em seu contexto natural, a partir de seu
ponto de vista e de sua perspectiva, Chizzotti defende a observação direta ou
participante através do contato do pesquisador com o fenômeno observado.
A observação direta pode visar uma descrição “fina” dos
componentes de uma situação: os sujeitos em seus aspectos
pessoais e particulares, o local e suas circunstâncias, o tempo e suas
variações, as ações e suas significações, os conflitos e a sintonia de
relações interpessoais e sociais, e as atitudes e os comportamentos
diante da realidade (CHIZZOTTI, 2005, p. 90, grifos do autor).

O universo da pesquisa será compreendido pelos servidores das oito
bibliotecas do SISBI/UFU uma vez que, de acordo com Daniel (2003), o capital
humano permite medir o nível de qualidade dos serviços oferecidos. Os sujeitos
pesquisados responderão a um questionário on-line construído a partir das questões
indicadas por Cunha que provavelmente teriam maiores impactos nas bibliotecas
universitárias de 2010, como discutido anteriormente.
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Pretende-se elaborar a proposta de intervenção, por meio de pesquisa-ação
que, além de integrar o plano de trabalho, será apresentada à administração do
SISBI/UFU e à administração superior da universidade como proposta a ser
implementada para construção da biblioteca do futuro.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Espera-se que o estudo em questão, além de nos permitir diagnosticar e
mudar a realidade criando novos paradigmas, possa também apontar possíveis
caminhos relacionados ao tema em questão, aos profissionais da informação de
outras bibliotecas universitárias no país.

REFERÊNCIAS

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do Rio Preto, 8 dez. 2012. Disponível em:
&lt;http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-12-08/as-12-tendenciastecnologicas-da-educacao-brasileira-ate-2017.html&gt;. Acesso em: 20 dez. 2012
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‘Economist’. 14 set. 2012. Disponível em:
&lt;http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/09/brasil-vive-crescimento-explosivo-deuniversidades-privadas-diz-economist.html&gt;. Acesso em: 28 dez. 2012.
BELLUZZO, Regina Célia Baptista. A gestão de pessoas em sistemas de informação
na sociedade do conhecimento. In: FADEL, Bárbara (Org.). A informação nas
organizações sociais: desafios face a multiplicidade de enfoques. Marília:
FUNDEPE, 2003. 1 CD-ROM.
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2004. Disponível em:
&lt;http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&amp;cod=13608&gt;. Acesso em: 10
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BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari. Investigação qualitativa em educação: uma
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O trabalho apresenta as reflexões iniciais de um estudo crítico sobre a evolução histórica dos processos informacionais e comunicacionais aplicados pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU). Destaca as transformações advindas dos avanços tecnológicos hoje disponíveis, sobretudo no ambiente universitário, que impactaram no pensar e agir das bibliotecas. Propõe o desenvolvimento de uma pesquisa para melhor conhecer e analisar historicamente as tecnologias da informação e da comunicação utilizadas pelo SISBI/UFU como suporte aos processos educativos buscando identificar os desafios e as possibilidades, bem como, elaborar uma proposta de construção da biblioteca de 2020. Espera-se que o estudo em questão, permita diagnosticar e mudar a realidade criando novos paradigmas e aponte possíveis caminhos relacionados ao tema em questão, aos profissionais da informação de outras bibliotecas universitárias no país </text>
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