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                  <text>Impacto dos e-books em bibliotecas e o modelo de assinatura de
publicações

Liliana Giusti Serra (PRIMA) - lgiustiserra@gmail.com
José Fernando Modesto da Silva (USP) - fmodesto@usp.br
Resumo:
Este trabalho discorre sobre os impactos que os e-books apresentam às bibliotecas,
estabelecendo uma urgência premente de adaptações e mudanças na gestão bibliotecária.
Após um breve relato histórico do advento do livro eletrônico, são apresentados os impactos
das obras digitais nos acervos, enfocando os processos de aquisição, desenvolvimento da
coleção, acesso e empréstimo digital, analisando o modelo de assinatura de publicações
digitais. A análise se fundamenta em revisão de literatura que introduzem a questão no
ambiente da biblioteca. Nas considerações finais observa-se que a entrada dos e-books nos
acervos impacta profundamente as atividades bibliotecárias desenvolvidas e os serviços
ofertados aos usuários. Contudo sua inclusão na rotina das bibliotecas é inevitável e
irrevogável, sem a possibilidade de não inclusão destes suportes de informação na oferta de
fontes existentes.
Palavras-chave: E-books. Assinatura de publicações eletrônicas. Empréstimo digital
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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07 a 10 de julho de 2013

Impacto dos e-books em bibliotecas e o modelo de assinatura de publicações

Resumo: Este trabalho discorre sobre os impactos que os e-books apresentam às
bibliotecas, estabelecendo uma urgência premente de adaptações e mudanças na
gestão bibliotecária. Após um breve relato histórico do advento do livro eletrônico,
são apresentados os impactos das obras digitais nos acervos, enfocando os
processos de aquisição, desenvolvimento da coleção, acesso e empréstimo digital,
analisando o modelo de assinatura de publicações digitais. A análise se fundamenta
em revisão de literatura que introduzem a questão no ambiente da biblioteca. Nas
considerações finais observa-se que a entrada dos e-books nos acervos impacta
profundamente as atividades bibliotecárias desenvolvidas e os serviços ofertados
aos usuários. Contudo sua inclusão na rotina das bibliotecas é inevitável e
irrevogável, sem a possibilidade de não inclusão destes suportes de informação na
oferta de fontes existentes.
Palavras-chave: E-books. Assinatura de publicações eletrônicas. Empréstimo digital
Área Temática: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

1 INTRODUÇÃO
A maçante relação confortável entre bibliotecas e editoras passa por um
período conturbado de discussão. O motivo que “apimenta” o discutir a relação
denomina-se E-books. As bibliotecas sabem que precisam desta mercadoria digital,
para a continuidade de sua relevância como espaço de promoção da leitura e
circulação de informações registradas. Editores, entretanto, são cautelosos com a
questão da pirataria e da perda nas vendas do produto com o modelo de gestão
adotado pelas bibliotecas.
O empréstimo eletrônico parece ser muito conveniente. Ao contrário dos livros
impressos, que devem ser retirados e devolvidos nas bibliotecas, muitas vezes
localizadas distante do leitor, os livros eletrônicos permite um acesso remoto.
Catálogos e muitos serviços de biblioteca são agora acessíveis, confortavelmente,
por usuários acomodados em seus sofás. Com o empréstimo eletrônico são
ampliadas as alternativas aos usuários de bibliotecas. Há maior tranquilidade para
evitar multas por atraso na devolução, e menos angústia com a perda ou dano ao
material emprestado. Portanto, nesta relação em discussão há muitas variáveis
envolvidas que precisam ser visualizadas e debatidas.
Este trabalho objetiva apresentar uma reflexão sobre o advento do livro
eletrônico (e-book), e a sua consequente oferta na biblioteca, acompanhada de

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dificuldades inerentes. São dificuldades marcadas em parte pela indefinição de um
modelo de gestão bibliotecário, que por sua vez, é impactado por um modelo de
negócio imposto pelo mercado editorial. Ao buscar levantar as dificuldades
estabelecidas pelo modelo editorial criador de óbices ao serviço bibliotecário e,
consequentemente, aos usuários, é que se situa a justificativa deste estudo.
Inicialmente, com uma revisão de literatura elucidam-se a origem histórica, os
conceitos e os modelos de gestão do livro eletrônico. A entrada destes suportes e os
impactos que estas fontes apresentam são elencados, visando proporcionar um
quadro reflexivo das mudanças advindas com este novo recurso, assim como os
ajustes e controles necessários para a manutenção do controle bibliográfico, gestão
dos acervos e serviços ofertados aos usuários. Em seguida, se descrevem
proposições que permitem analisar o cenário do recurso digital nos processo
bibliotecários de aquisição e de circulação, enfocando o modelo de assinatura. O
texto não esgota o tema, mas pretende apresentar a questão à comunidade
bibliotecária. Assim, desenvolve um estudo descritivo que analisa a entrada do ebook na biblioteca, e as possibilidades de sua gestão nos processos bibliográficos.
Nas considerações finais é observado que o e-book, enquanto plataforma de
comunicação do conhecimento torna-se irrevogável para a tradição bibliotecária de
organização dos registros humanos.

2 Origens dos e-books
O surgimento dos e-books é uma questão que propicia algumas discussões.
Segundo Kaplan (2012), o advento do livro eletrônico iniciou-se em 1931, por
iniciativa do Talking Book Program (Programa dos livros sonoros, tradução livre),
desenvolvido pela American Foundation for the Blind (Fundação Americana para os
Cegos, tradução livre). As obras não eram exatamente digitais, porém consistiam de
livros em formato de áudio, em gravações em fitas cassetes, reconhecidamente
fontes não impressas. O mercado do áudio-livro expandiu fortemente nas décadas
de 1960 e 1970, passando a ser importante nas bibliotecas, principalmente por
ampliar o acesso à informação a usuários com deficiência visual ou como uma
alternativa de atualização ou entretenimento. Este mercado foi novamente

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impactado com o desenvolvimento tecnológico com a oferta de cds e arquivos no
formato MP3 ou AVI.
Em 1945 Vannevar Bush, militar e engenheiro norte-americano, publicou um
artigo na revista Atlantic Magazine onde apresentava a ideia do Memex (Memória
Expandida). Segundo Bush, o Memex seria um mecanismo onde informações
poderiam ser acessadas em qualquer local, a qualquer momento. A ferramenta
abrangeria uma gama variada de suportes documentais, em formatos variados como
textos, sons ou imagens, como se fosse um reservatório multimídia de documentos.
Uma máquina capaz de armazenar uma quantidade infinita de documentos deveria
suportar a miniaturização dos objetos em microfilmes e fitas magnéticas – mídias
recém-desenvolvidas na época. Outra condição era a possibilidade de incluir
anotações aos textos, transformando o processo da leitura em uma experiência
dinâmica e

ativa, alterando a forma como os

textos eram produzidos,

proporcionando a virtualização dos mesmos (DIAS, 2013). Muitos autores
consideram que Vannevar Bush idealizou as bibliotecas digitais, ao imaginar uma
ferramenta que permitisse a guarda e acesso de documentos em formatos variados,
de acordo com a necessidade de informação do usuário. Ele também é conhecido
como o pai do hiperlink.
Figura 1: Protótipo do Memex

Fonte: FLATSCHART (2012)

Segundo Ardito (2000), o termo livro eletrônico é atribuído a Andries Van
Dam, professor da Brown University, que entre 1967 e 1968 coordenou uma

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pesquisa sobre sistemas de hipertextos. Os resultados desta pesquisa, apoiada pela
IBM, foram oferecidos ao Houston Manned Spacecraft Center, que os utilizou na
produção de documentação do programa espacial Apollo. Nos anos 1970 o sistema
FRESS (File Retrieval and Editing System, Sistema de Recuperação e Edição de
Arquivos, tradução livre), utilizado por professores e alunos da Brown University
permitia a criação dinâmica de hierarquia bidirecional nos textos, entre capítulos e
seções, além de marcações em notas, palavras-chave e gráficos, permitindo
navegação no texto e criação de relacionamento entre termos e referencias.
No mesmo período, Alan Kay trabalhava no desenvolvimento de um
dispositivo chamado Dynabook, que seria uma espécie de notebook, porém com
aplicação exclusiva para leitura de livros. Em 1971 Michael Hart digitou o texto da
Declaração da Independência dos Estados Unidos. Ao querer enviar o texto
eletrônico para outros computadores fora alertado de que a tecnologia para este fim
ainda era nascente. Desta iniciativa, ele criou o Projeto Gutenberg para facilitar o
acesso aos títulos em domínio público.
Com o avanço da internet nos anos 1990, a distribuição de informação
através de redes aumentou consideravelmente e, consequentemente, a oferta e
utilização de livros eletrônicos. Paralelamente ao lançamento de livros digitais, o
mercado de dispositivos para leitura encontrou um grande crescimento no ano de
1998 quando duas empresas lançaram produtos impactantes: a SoftBook Press
lançou o Softbook Reader e a NuevoMedia Inc, o Rocket eBook. Ambos dispositivos
eram capazes de armazenar em formato digital cerca de 3.000 mil páginas com
textos, gráficos e imagens. Outras iniciativas haviam sido desenvolvidas antes deste
período como os projetos Victorian Laptop, o XLibris e o Dynabook, da Sony
(PROCÓPIO, 2010). Em 1999 o projeto netLibrary ofereceu o serviço de consulta a
publicações eletrônicas para bibliotecas através da internet. Em 2004 iniciou-se o
projeto Google Books, permitindo o acesso a milhares publicações. Em 2007 a
Amazon lançou o primeiro leitor digital de livros, o Kindle, com oferta de cerca de
90.000 títulos. Em 2010 a Apple lançou o tablet iPad, constituindo-se uma outra
possibilidade de consumo de livros eletrônicos. Atualmente a diversidade de
aparelhos disponíveis para leitura eletrônica é crescente, com o mercado dividindose principalmente entre o Kindle, da Amazon e o Nook, da Barnes &amp; Noble, porém
com outras ofertas como o Kobo e o Sony Reader. Com a possibilidade de leitura
em outros dispositivos não exclusivos para este fim, destacam-se os produtos que

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se utilizam dos sistemas da Apple, BlackBerry, Android ou Google. Diferentemente
dos e-readers, os smartphones e tablets contam com outros recursos além da leitura
digital, como Wi-Fi, acesso à internet e uso de aplicativos diversos (KAPLAN, 2012,
p.8). Como se pode observar, o mercado de livros eletrônicos está completamente
relacionado com o lançamento de aparelhos que permitam a leitura de mídias
digitais, e o aumento da oferta dos dispositivos impacta diretamente a
disponibilidade de livros no formato não impresso.

3 E-books em bibliotecas

Com o advento da produção de e-books pelas editoras e, consequentemente
sua oferta nas bibliotecas, os agentes envolvidos – editores, livreiros, distribuidores,
bibliotecários e leitores - ressentem-se da falta de definição de um modelo de
negócio para disponibilização de livros eletrônicos através de empréstimos nas
bibliotecas. Segundo Reding (2005), as bibliotecas enfrentam um desafio na
transição entre o tradicional e o digital. Consequentemente, são necessárias
adaptações e mudanças na forma como o bibliotecário realiza a gestão das
unidades de informação, atraindo os usuários através de modelos de negócios que
suportem as tecnologias vigentes. Com as mudanças nas relações de aquisição de
conteúdo e sua disponibilização ao usuário – tendências observadas na utilização de
e-books nas bibliotecas – é necessário repensar o papel do bibliotecário no
desenvolvimento da coleção, de forma a garantir a continuidade de títulos nos
acervos, mensurar o uso que é feito das obras adquiridas, aferir o controle de
acesso aos conteúdos para evitar utilizações não autorizadas e oferecer novas
possibilidades de consultas e serviços. As modalidades de aquisição e as formas de
acesso aos e-books não apresentam uma forma estabelecida, deixando o
bibliotecário sem grande controle sobre o desenvolvimento da coleção, a
permanência dos itens no acervo e sua disponibilização aos usuários. Vários
modelos estão em uso e discussão, porém o impacto destas mudanças não foi
avaliado plenamente. Com a entrada de objetos digitais nos acervos nos deparamos
com as dificuldades impostas por editores, distribuidores e demais agregadores de
conteúdo para oferecer estes recursos às bibliotecas e, consequentemente, aos
usuários. Ao analisar as possibilidades de aquisição e acesso, observamos que

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algumas editoras impõem os modelos existentes, oferecendo pouco ou nenhum
espaço para negociação, muitas vezes valendo-se do uso de plataformas
proprietárias.
A entrada de e-books nas bibliotecas apresenta mudanças significativas no
papel desempenhado pelos usuários e bibliotecários. A consulta aos acervos passa
a ser realizada em maior escala pelos OPACs (Online Public Access Catalog –
terminais de consulta ao acervo na internet, tradução livre), deixando a visualização
das estantes em segundo plano. Em termos de atualização e formação dos acervos,
parte da verba existente foi destinada à aquisição de livros eletrônicos. Isto decorre
da solicitação dos usuários para que as bibliotecas aumentem a oferta deste tipo de
material. De acordo com pesquisas realizadas, muitos bibliotecários informaram que
a entrada de publicações eletrônicas nos acervos tem contribuído para alterar o
serviço de referencia oferecido, visto que as demandas sobre uso da tecnologia
foram ampliadas, obrigando os profissionais a atualizarem-se sobre tecnologia e
dispositivos de leitura. Existem muitas dúvidas sobre como será o futuro das
bibliotecas com as alterações na forma de leitura que os e-books proporcionam e a
diminuição da oferta de obras impressas. Estas incertezas têm contribuído com um
cenário misto de preocupação e antecipação tanto para bibliotecários como para
usuários. (ZICKUHR et al., 2012, p.8).
Dentre as questões que geram impacto nas bibliotecas, observam-se algumas
questões, destacadas abaixo:
Tabela 1 - Fatores impactantes da utilização de e-books em bibliotecas

Situação
Desenvolvimento da coleção

Impacto
Perda de controle, com oferta de obras variantes, de
acordo com disponibilidade e/ou interesse dos
fornecedores.

Manutenção da coleção

Perda de controle da oferta das obras e de edições
antigas quando novas substituem o catálogo
assinado.

Descredenciamento de editores e
autores

Os pacotes oferecidos pelos fornecedores sofrem
alterações com entrada e saída de editores e
autores dos contratos estabelecidos.

Aquisição

Biblioteca não é a proprietária da obra, mas adquire
licença de uso da publicação. Diversos fornecedores
recusam-se a vender livros eletrônicos para

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bibliotecas.
Renovações periódicas

É necessário renovar constantemente o acesso às
publicações, com diversos fornecedores, visando a
manutenção da oferta das obras no acervo.

Custos

Preços das publicações eletrônicas são altos,
representando investimento constante das
bibliotecas para manter um acervo sem,
necessariamente, amplia-lo.

Oferta de títulos

Ainda observa-se baixa quantidade de obras no
formato digital, principalmente em português.

Concorrência entre obras

Controle da oferta de obras dos fornecedores,
visando evitar ou minimizar a presença de obras
repetidas.

Acesso controlado

E-books apresentam, recorrentemente, a aplicação
de ferramentas de gestão de direitos digitais, DRM,
que dificultam (ou podem impedir) o acesso às
publicações.

Acesso por interface do fornecedor

Muitos fornecedores condicionam o acesso às
publicações através de plataformas proprietárias.

Acesso simultâneo

Nem todos fornecedores oferecem a possibilidade
de acesso simultâneo aos e-books assinados. Esta
possibilidade, quando existente, impacta no valor
final da assinatura.

Empréstimo digital

Perda de autonomia da biblioteca para realizar
empréstimos, com serviço controlado pelos
fornecedores e seus recursos tecnológicos.

Metadados

Falta de oferta e padrão de qualidade dos
metadados disponibilizados pelos fornecedores para
inclusão dos registros no acervo para consulta pelo
OPAC.

Identificação do fornecedor

Dificuldade para identificar o fornecedor de uma
obra através dos metadados. Sem esta informação
é complexo o estabelecimento da relação de custo x
benefício ou aferir a utilização dos recursos
contratados.

Comunicação com fornecedores

A comunicação sobre obras que entraram ou saíram
do pacote de assinaturas pode ser inexistente, falho
ou desatualizado.

Serviços oferecidos aos usuários

Variedade na oferta de serviços oferecidos aos

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usuários – impressão, gravação, compartilhamento
etc. – de e-books, total ou parcial – de acordo com
os contratos estabelecidos com cada fornecedor.
Indicadores

Irregularidade na oferta de estatísticas de acesso,
obras consultadas, tipo de usuário, perfil do usuário,
quantidade de downloads, área do conhecimento e
demais indicadores, comprometendo a gestão
bibliotecária.

Nas bibliotecas universitárias norte-americanas a aquisição, utilização e
empréstimo de e-books encontram-se pré-estabelecidos, com alguns modelos de
negócios em andamento. As principais formas de aquisição identificadas neste
mercado são: assinatura, aquisição perpétua, pay-per-view e patron driven
acquisition (PDA, Aquisição Direcionada pelo Usuário, tradução livre). Nas
bibliotecas norte-americanas o acesso simultâneo aos e-books normalmente não
está disponível, pois 68% das bibliotecas utilizam o modelo de empréstimo de um ebook por pessoa (O'BRIEN; GASSER; PALFREY, 2012).
Um livro eletrônico pode ser emprestado de acordo com a política de
circulação definida pela biblioteca, que contempla a quantidade de obras que podem
ser utilizadas simultaneamente e o período de uso, alinhados com o perfil do
usuário. A maioria das bibliotecas franqueia o acesso às publicações eletrônicas aos
usuários registrados em seus sistemas através de reconhecimento por login e
senha. Uma vez identificado o usuário, seu perfil e ausência de restrições (atrasos
na devolução, multas em aberto ou demais sanções), o empréstimo digital pode ser
realizado diretamente do terminal de consulta OPAC da biblioteca. A forma que
representa maiores avanços prevê a realização de download do arquivo eletrônico
no equipamento do usuário (desktop, notebook, netbook ou dispositivos móveis).
Este arquivo, uma vez baixado pelo usuário (check out), ficará disponível para
consulta/leitura em seu computador enquanto perdurar o período de circulação
definido para este título, de forma off line, ou seja, sem necessidade de conexão
com a internet. Após este prazo, o arquivo apaga-se automaticamente do
computador do usuário, sendo permitido a ele renovar o empréstimo, de acordo com
a política de circulação estabelecida. Caso o usuário deseje devolver o livro
eletrônico emprestado antes do prazo de vencimento, o mesmo pode realizar o
check in da obra no OPAC. Este procedimento apaga o arquivo digital do

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computador do usuário visto que finaliza o período de empréstimo antes do prazo
pré-estabelecido. Esta tecnologia é utilizada atualmente em lojas virtuais como a
Apple Store, relacionadas à locação de filmes, no mercado norte-americano. Alguns
provedores de conteúdo já disponibilizam este serviço para e-books no Brasil,
mediante assinatura de pacote de publicações.
O mercado de venda de e-books não está completamente alinhado com as
demandas das bibliotecas. Observa-se certa relutância de algumas editoras em
fornecer obras em formato digital, motivação derivada do temor de que as bibliotecas
permitam o download indiscriminado dos arquivos e estes, uma vez em poder dos
usuários, possam ser distribuídos livremente, caracterizando a pirataria.
Segundo Moody (2012), a posição de grupos de editores de recusarem-se a
vender e-books para bibliotecas mediante o argumento que por ter a publicação
acessível por um clique de forma gratuita, o leitor não comprará mais livros, é tão
irreal quanto a afirmação que, por ter o livro impresso na biblioteca os consumidores
não irão adquirir seus próprios exemplares. A prática demonstra que as bibliotecas
sempre representaram bons clientes aos livreiros e editores exatamente por
realizarem compras em larga escala com frequência. Também pesa o fato que
muitos usuários tomam conhecimento de publicações exatamente através das
bibliotecas o que representa, consequentemente, aumento nas vendas.
Alguns editores também sugeriram que as bibliotecas repassassem aos
usuários finais os custos de disponibilização das publicações eletrônicas, alugando e
não emprestando suas obras (DANIELS, 2012). Esta decisão, porém, fere os
princípios das bibliotecas públicas. Dentre as restrições impostas por editores consta
o estabelecimento de uma quantidade máxima de acessos que um e-book poderia
ter na biblioteca e, depois de atingida esta marca, a instituição deveria comprar um
novo exemplar. O número de acessos de empréstimos digitais possíveis seria um
valor alcançado através de cálculo de média de empréstimos realizados em livros
impressos atrelados a durabilidade do papel e a expectativa de vida útil de um livro
tradicional. Este argumento tampouco tem aderência nas bibliotecas, pois o
consumo e a durabilidade de um exemplar físico são determinados por diversos
fatores como qualidade do papel, manipulação correta e frequência de utilização dos
usuários, não sendo possível definir um número específico de empréstimos para
determinar a durabilidade do exemplar. Também foi cogitada a restrição da

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comercialização de lançamentos em formato eletrônico para bibliotecas, que ficariam
restritos a aquisição no formato impresso (MOODY, 2012).
A oferta de e-books para bibliotecas ainda apresenta limitações por parte dos
editores. Num primeiro momento apenas os títulos com maior vendagem são
oferecidos no formato digital, uma vez que estes títulos atingem marcas expressivas
de comercialização. As obras nascidas no ambiente digital também são oferecidas
com maior frequência, porém o mesmo não é visto com regularidade nos títulos
antigos. Recentemente as editoras passaram a oferecer publicações já consagradas,
frequentemente presentes nos acervos físicos, visto que as bibliotecas demonstram
interesse não apenas em fornecer a seus usuários as obras em papel, mas
proporcionar o acesso a estas publicações em outros formatos. Este movimento
pode vir a consolidar-se como a substituição dos acervos físicos pelos eletrônicos,
impactando a ocupação do espaço da biblioteca. A disponibilização de uma mesma
obra em formatos variados representa um desafio às bibliotecas ao definir como a
mesma será apresentada nos terminais de consulta. O consumo de informação é
distinto de acordo com a demanda do usuário, visto que ele pode desejar a
publicação em seu formato físico tradicional, ou então acessá-lo através de
dispositivos móveis ou ainda realizar anotações e comentários para que possa, caso
seja de seu interesse, compartilhar seus achados com outros usuários. Cabe à
biblioteca definir a distinção que será aplicada para diferenciar os formatos de uma
mesma obra. Uma alternativa para permitir a diferenciação dos formatos é a
utilização de ícones para distinguir o formato do livro eletrônico do impresso. Esta
solução, contudo, está condicionada com a forma como os metadados são
acrescidos ao acervo, se através de realização da catalogação das obras digitais de
forma manual, através de inclusão por importação de registros a partir da oferta de
metadados por parte dos fornecedores ou através de integração com o OPAC, uma
vez que alguns fornecedores não oferecem os metadados, mas a integração com
suas plataformas proprietárias onde as obras podem ser pesquisadas e acessadas
(KAPLAN, 2012).
Os metadados das publicações em formato MARC muitas vezes são
oferecidos por editores ou agregadores de conteúdo, porém com a qualidade e
profundidade descritiva definida por cada fornecedor, o que nem sempre está
alinhado com o padrão estabelecido pelas bibliotecas, comprometendo o controle
bibliográfico. Alguns editores permitem a aquisição por múltiplas visualizações

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simultâneas, porém os custos desta modalidade de assinatura são bem superiores,
representando um acréscimo de cerca de 50% do custo da assinatura (POLANKA,
2012).
A seguir será apresentado o modelo de aquisição de e-book por assinaturas.

4 Assinaturas de publicações eletrônicas

As assinaturas são realizadas por pacotes de publicações e permitem que as
bibliotecas adquiram grandes quantidades de títulos por um período de tempo
(POLANKA, 2011). Normalmente os pacotes são formados por títulos que são
definidos pelos editores, onde as obras na versão impressa já apresentaram
vendagem significativa, porém encontram-se estabilizadas, representando um baixo
risco no montante das vendas. Desta forma, a versão do livro no formato digital não
causará impacto negativo na receita da editora, caso as vendas eletrônicas não se
confirmem. Ao selecionar obras com baixa procura dos editores, os provedores de
conteúdo oferecem preços convidativos para que as bibliotecas efetivem a
assinatura. Infelizmente nem sempre a biblioteca tem autonomia para escolher os
títulos e muitas vezes as obras ofertadas são substituídas do pacote, o que
desagrada aos bibliotecários, pois o controle da coleção disponível a seus usuários
passa a ser gerenciado pelos editores e provedores de conteúdo. A renovação das
assinaturas também é complexa. Além do constante investimento de manutenção do
acervo, ao renovar os pacotes, a biblioteca está efetuando um pagamento contínuo
para garantir o acesso aos e-books que já possui, na forma de um aluguel
permanente – paga-se para utilizar a obra, porém ela não pertence ao acervo e pode
ser retirada da coleção caso não seja concretizada a renovação ou fique indisponível
pelo distribuidor. Algumas instituições podem considerar esta prática não
interessante, pois o investimento anual será alto, não representando um crescimento
do patrimônio da biblioteca ou aumento no volume de títulos ofertados aos usuários.
Em cada renovação novos títulos são incluídos e por serem recentes têm preços
elevados em comparação às publicações já lançadas, representando custos
adicionais. Assim, na renovação são oferecidos títulos antigos e novos e o cálculo do
valor final será definido pela quantidade de obras assinadas. Ao usuário é prejudicial
não ter a garantia que sempre poderá consultar determinada obra, pois esta pode, a

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revelia da biblioteca, não ser renovada, tanto por interesse do distribuidor como por
contenção de despesas da instituição.
Nas renovações pode ocorrer também de obras serem oferecidas em suas
edições mais recentes – o que é interessante para atualização do acervo, porém a
biblioteca perde acesso às edições anteriores, o que compromete a qualidade do
serviço prestado. Ao manter em suas coleções as diversas edições de uma
publicação, a biblioteca está garantindo ao usuário a opção de fazer um estudo
retrospectivo, estabelecendo uma linha do tempo em sua pesquisa. Este
procedimento fere o conceito da biblioteca como local de guarda e preservação do
conhecimento, pois, por mais que uma obra esteja desatualizada, as bibliotecas
mantém ao menos um exemplar das edições anteriores, assegurando a manutenção
de sua história. Acresce-se a isto o fato que nem sempre as edições atuais
apresentam as mesmas características e qualidade das anteriores, dependendo do
trabalho editorial desenvolvido em cada edição.
Para os fornecedores, esta modalidade é desafiadora, pois as bibliotecas
podem encontrar dificuldades para assegurar o pagamento das renovações. Além
disso, o investimento na disponibilização de títulos ainda é alto, com custos de
armazenamento e licenciamento com as editoras. Como os valores por títulos são
baixos nos pacotes de assinatura, algo em torno de US$ 4 por obra, são necessários
ao menos 10 anos para que os provedores de conteúdo comecem a aferir lucro por
título comercializado. Por este motivo, algumas editoras são relutantes em incluir
títulos que apresentam boas vendas nos pacotes (POLANKA, 2011). Outro fator
preocupante é que editores podem descredenciar-se de distribuidores ou
agregadores de conteúdo. Recentemente observou-se o desligamento da Penguin
Books do provedor OverDrive, uma das maiores distribuidoras de livros eletrônicos
do mundo (DAUER, 2012). Com a saída de editoras significativas, a biblioteca
analisará se manterá a assinatura com os provedores ou se mudarão de
fornecedores, visando garantir o acesso às obras das editoras participantes.
Na modalidade de aquisição por assinatura, por normalmente reunirem um
volume extenso de publicações, recomenda-se que o distribuidor forneça à
biblioteca os metadados dos títulos adquiridos em um formato pré-estabelecido
(MARC, ISO2709, Z39.50 etc.) para que a biblioteca possa fazer importação dos
metadados e disponibilize as publicações com a maior brevidade possível. Além dos
dados necessários para identificação da publicação, os metadados também

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agregam a URL necessária para acesso ao e-book, direcionando o usuário para o
ambiente do fornecedor. O controle de acesso e utilização das publicações é do
distribuidor do conteúdo, prática que é confortável às bibliotecas.
Finalizando as possibilidades desta forma de aquisição, observa-se que o
reconhecimento da instituição assinante e consequentemente de seus usuários seja
realizada por login e senha e não por range de IP. Ao restringir o acesso às
publicações pelo número do IP, se por um lado favorece um controle efetivo que
apenas os usuários identificados como pertencentes à biblioteca e presentes no
espaço da instituição possam acessar as obras, por outro compromete as
modalidades de ensino à distancia, facultando a presença física do usuário na
instituição para que possa ter acesso a determinado e-book. Ao identificar o usuário
pertencente a uma instituição por seu login e senha, a biblioteca garante que todos
seus leitores ativos possam acessar os conteúdos contratados, independente da
localização física em que se encontram.
5 Considerações finais
A entrada dos e-books nos acervos impacta profundamente as atividades
bibliotecárias desenvolvidas e os serviços ofertados aos usuários. Contudo sua
inclusão na rotina das bibliotecas é inevitável e irrevogável, sem a possibilidade de
não inclusão destes suportes de informação na oferta de fontes existentes. Este
recurso propicia discussões não apenas culturais relacionadas à leitura impressa ou
na forma digital, mas nas descobertas e modificações na gestão das unidades de
informação que o bibliotecário deve proporcionar. As discussões envolvem o modelo
comercial adotado no mercado editorial e em como as bibliotecas estão adaptandose a este cenário. O advento da produção de e-books pelas editoras e,
consequentemente sua oferta nas bibliotecas, os agentes envolvidos – editores,
livreiros, distribuidores, bibliotecários e leitores - ressentem-se da falta de definição
de um modelo de negócio para disponibilização de livros eletrônicos através de
empréstimos nas bibliotecas ou ajustados aos processos bibliotecários de
disseminação da informação. A participação do bibliotecário no estabelecimento de
políticas e modelos de uso é premente, porém observa-se atualmente um mercado
editorial relutante e reticente, dificultando a comercialização de livros eletrônicos

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

pelas bibliotecas ou definindo, de forma unilateral, a disponibilização destes recursos
aos acervos.
Compreende-se que o e-book, enquanto plataforma de comunicação do
conhecimento é uma alternativa importante que não pode estar alheio à tradição
bibliotecária de organização dos registros humanos. Ademais, relevando a
significativa questão do modelo de negócio e seus aspectos comerciais e legais, o
recurso propicia ao trabalho bibliotecário uma reflexão quanto à sua missão, e da
inovação de suas práticas.

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              <text>Impacto dos e-books em bibliotecas e o modelo de assinatura de publicações</text>
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              <text>Este trabalho discorre sobre os impactos que os e-books apresentam às bibliotecas, estabelecendo uma urgência premente de adaptações e mudanças na gestão bibliotecária. Após um breve relato histórico do advento do livro eletrônico, são apresentados os impactos das obras digitais nos acervos, enfocando os processos de aquisição, desenvolvimento da coleção, acesso e empréstimo digital, analisando o modelo de assinatura de publicações digitais. A análise se fundamenta em revisão de literatura que introduzem a questão no ambiente da biblioteca. Nas considerações finais observa-se que a entrada dos e-books nos acervos impacta profundamente as atividades bibliotecárias desenvolvidas e os serviços ofertados aos usuários. Contudo sua inclusão na rotina das bibliotecas é inevitável e irrevogável, sem a possibilidade de não inclusão destes suportes de informação na oferta de fontes existentes.</text>
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