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                  <text>Necessidades informacionais dos alunos do curso de letras libras
quanto à realização de pesquisas acadêmicas: um olhar inicial ao
desenvolvimento da competência informacional dos alunos surdos

Daniela dos Santos Amadeo (UFSC) - daniela.amadeo@gmail.com
Elizete Vieira Vitorino (UFSC) - elizete@cin.ufsc.br
Resumo:
Pesquisa que trata do tema Competência Informacional dos alunos surdos, trazendo um breve
histórico sobre a Competência Informacional, desenvolvimento de Necessidades
Informacionais, Educação e Surdez. Aborda o letramento e aspectos de desenvolvimento da
comunicação do aluno surdo. A pesquisa teve como objetivo analisar as necessidades
informacionais dos alunos surdos do curso de letras Libras da UFSC na realização de
pesquisas acadêmicas. Para o desenvolvimento da pesquisa foi aplicado um questionário com
20 alunos surdos do curso de Letras Libras presencial da UFSC. Os resultados demonstram
que muitos, entre os alunos pesquisados, apresentam dificuldades em realizar pesquisas
acadêmicas utilizando fontes de informação e mecanismos de busca adequados à pesquisa.
Palavras-chave: Competência Informacional. Surdez. Necessidades Informacionais.
Área temática: Temática I: Tecnologias de informação e comunicação – um passo a frente

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Necessidades informacionais dos alunos do curso de letras Libras quanto à
realização de pesquisas acadêmicas: um olhar inicial ao desenvolvimento da
Competência Informacional dos alunos surdos
Resumo:
Pesquisa que trata do tema Competência Informacional dos alunos surdos, trazendo
um breve histórico sobre a Competência Informacional, desenvolvimento de
Necessidades Informacionais, Educação e Surdez. Aborda o letramento e aspectos
de desenvolvimento da comunicação do aluno surdo. A pesquisa teve como objetivo
analisar as necessidades informacionais dos alunos surdos do curso de letras Libras
da UFSC na realização de pesquisas acadêmicas. Para o desenvolvimento da
pesquisa foi aplicado um questionário com 20 alunos surdos do curso de Letras
Libras presencial da UFSC. Os resultados demonstram que muitos, entre os alunos
pesquisados, apresentam dificuldades em realizar pesquisas acadêmicas utilizando
fontes de informação e mecanismos de busca adequados à pesquisa.
Palavras-chave: Competência Informacional. Surdez. Necessidades Informacionais.
Área Temática: Tecnologias de Informação e comunicação – um passo a frente
1 INTRODUÇÃO
Discussões em torno do significado de Letramento Informacional (Information
Literacy) tem se tornado cada vez mais frequentes pelos profissionais da
informação.

Especialmente

pesquisadores

e

bibliotecários

percebem

seu

compromisso de auxiliar as pessoas a aprenderem com a informação.
Para dar conta da aprendizagem do universo informacional, surgiu nos anos de
1970, a expressão Information Literacy. Esta expressão foi utilizada inicialmente em
1974 nos Estados Unidos por Paul Zurkowski, que previa mudanças relacionadas
aos produtos e serviços providos por instituições privadas e suas relações com as
bibliotecas, e recomendava que se iniciasse um movimento nacional em direção à
Information Literacy (DUDZIAK, 2003, p.24). Depois de Zurkowski, o estudo sobre a
informação passou a ser mais explorada pelos educadores, passando a ser um
importante fator de inserção social, pois ter afinidade e conhecimento das
tecnologias facilita o uso da informação na resolução de problemas cotidianos.
Tendo em vista os estudos realizados por Vitorino e Piantola (2009), bem como
outros critérios de pesquisa a serem detalhados na fundamentação conceitual,
optou-se nesta pesquisa pela utilização do termo em português Competência
Informacional como a tradução mais adequada ao contexto brasileiro para
Information Literacy, e que será utilizado no decorrer deste trabalho.

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No cotidiano acadêmico, saber utilizar as fontes de informação auxilia o aluno a
alcançar melhores resultados e se manter informado. A disponibilização de
informações via internet e o número ilimitado de fontes podem auxiliar na busca,
mas por vezes tornam-se barreiras devido ao desconhecimento de certos
mecanismos de filtragem, organização e busca da informação.
Nesse

contexto,

diversos

tipos

de

recursos

de

ajuda

podem

ser

disponibilizados pelas fontes de informação afim de auxiliar os alunos na busca da
informação desejada. Para alunos surdos, os recursos visuais auxiliam melhor na
compreensão das informações.
2 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL
Para denominar as habilidades que se referem a utilização efetiva da
informação na revolução informacional, surgiu na década de 1970, nos Estados
Unidos, uma expressão denominada Information Literacy. O mentor da idéia de
habilidades informacionais e também criador da expressão foi o bibliotecário Paul
Zurkowski, segundo Campello (2003), a expressão criada pelo bibliotecário
americano era utilizada para designar habilidades ligadas ao uso da informação em
meio eletrônico.
Para muitos autores, as noções de Information Literacy e de competências nos
mais variados recursos tecnológicos se equivalem. De acordo com esses pontos de
vista, a Competência Informacional estaria ligada a uma série de habilidades
técnicas ou cognitivas em acessar conteúdos informacionais em meio digital.
No decorrer do desenvolvimento de pesquisas sobre Information Literacy,
pesquisadores brasileiros iniciaram suas pesquisas sobre esta temática, e,
inicialmente, este termo não foi traduzido para o português, utilizado apenas como
adotado na língua inglesa, como é o caso da pesquisa sobre os princípios da
Information Literacy cunhado por Dudziak (2002). Esta autora, em seu trabalho de
2003, afirma que o conceito deste termo permanece um pouco indefinido, ainda,
alguns autores afirmam que a Information Literacy é apenas um exercício de
relações

públicas,

um

nome

mais

atual

para

práticas

biblioteconômicas

consolidadas.
No entanto, para questões de padronização, houve a necessidade de traduzir
este termo para o Português, e até os dias de hoje, o termo ainda se encontra em

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definição para o Português. Os termos mais utilizados pelos pesquisadores
brasileiros para traduzir a expressão Information Literacy são: Competência
Informacional e Competência em Informação. Realizando uma reflexão a partir dos
estudos de Vitorino e Piantola (2009) e analisando o site ALFIN Ibero América1, que
apresenta as pesquisas em torno da temática em toda a América Latina, definiu-se,
para a pesquisa em questão, a adoção do termo Competência Informacional, por
entender-se que este termo carrega um significado ligado ao sentido de
internalização das habilidades, e não simples técnicas para lidar com a informação.
Estudos têm sido realizados sobre a definição, características, diferentes
concepções, casos e análise da expressão. Porém, diversas pesquisas sobre
Competência Informacional ainda estão em andamento, um território ainda
indefinido. Sendo um conceito dinâmico, constantemente é repensado.
Há por parte dos bibliotecários uma preocupação sócio-educativa, relativa à
educação de usuários, porém, apesar dessas iniciativas, constata-se falta de uma
política integradora junto à comunidade acadêmica, com relação aos processos de
ensino aprendizagem. (DUDZIAK, 2003, p.28).
O desenvolvimento de Competências Informacionais pode tornar o trabalho de
qualquer profissional mais produtivo, principalmente nas atividades ligadas à
informação. Segundo Agrasso Neto; Abreu (2009, p.114) “a identificação das
competências informacionais em atividades que usam intensivamente a informação
torna-se importante ferramenta para o gerenciamento da oferta e da demanda de
informação.”
Todas

as

práticas,

dentro

deste

campo,

estão

orientadas

para

o

desenvolvimento da competência informacional, pois este é um atributo da cidadania
que não deve ser ensinado, e sim desenvolvido nas pessoas.
Para Takahashi (2000, p.45):
Formar o cidadão não significa “preparar o consumidor”. Significa capacitar
as pessoas para a tomada de decisões e para a escolha informada acerca
de todos os aspectos na vida em sociedade que as afetam, o que exige
acesso à informação e ao conhecimento e capacidade de processá-los
judiciosamente, sem se deixar levar cegamente pelo poder econômico ou
político.

1

O site ALFIN Iberoamérica é coordenado pelo pesquisador Alejando Uribe Tirado, que desenvolve
pesquisas sobre Competência Informacional em toda a Iberomérica. A Iberoamérica compreende
toda a América Latina, Portugal e Espanha. O site pode ser visitado a partir da URL
http://alfiniberoamerica.blogspot.com.br/.

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Portanto, os bibliotecários devem ocupar a sua posição na tentativa de definir
e desenvolver a competência informacional no ambiente educacional, em todas as
escolas e universidades. A capacitação para a aprendizagem ao longo da vida é
obrigação das instituições de ensino. Também é missão das escolas formar alunos
para a investigação acadêmica eficaz (FAZZIONI, 2011, p. 91).
3 NECESSIDADES INFORMACIONAIS
As necessidades de informação são o ponto de partida para o desenvolvimento
da Competência Informacional. Campello (2003, p. 35) já destaca que, para que a
Competência Informacional se desenvolva, é preciso que a necessidade de
informação seja reconhecida, para a tomada de decisões no uso da informação.
Para isso, desenvolve-se um apanhado conceitual sobre as necessidades de
informação.

Interpretando

a

citação

anterior,

pode-se

entender

que

o

reconhecimento de uma necessidade de informação é o ponto de partida para o
processo de busca da informação.
Primeiramente, busca-se na literatura o significado da palavra necessidade.
Segundo Paisley (1968 apud BETTIOL, 1990, p. 62), necessidade é:
O que um indivíduo deve ter para o seu trabalho, pesquisa, instrução,
recreação. No caso de um pesquisador, um item necessário é aquele que
levará adiante sua pesquisa. Pode haver um julgamento de valor implícito
na maneira como o termo é utilizado. Necessidade é usualmente concebida
como uma contribuição para uma finalidade séria, não frívola [...] o conceito
da necessidade é inseparável dos valores da sociedade. Uma necessidade
identificada como um desejo: uma necessidade identificada de pesquisa
poderia ser reconhecida como um desejo, enquanto que uma necessidade
identificada de "instrução" poderia muito bem conflitar com um desejo
expresso. Uma necessidade é uma demanda em potencial.

Nesse sentido, pode-se entender, de acordo com a citação apresentada, que
uma necessidade é uma demanda, nesse caso, uma demanda de informação
originada de uma situação. Essas necessidades informacionais podem ser geradas
por diversos fatores sociais, tais como a comunicação ou o simples fato de saber. A
necessidade de informação é diferente das necessidades físicas que se originam de
exigências resultantes da natureza, como comer, dormir, etc. (LE COADIC, 2004,
p.39). O que leva uma pessoa a procurar uma informação, na maioria das vezes, é a
existência de um problema a resolver.

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Porém, ainda segundo Le Coadic (2004, p.39) o fato de ela não ser partilhada
igualmente por todos os seres humanos deixa algumas dúvidas sobre se há
realmente uma necessidade de informação bem definida que pode ser considerada
fundamental ou se a necessidade de informação é uma necessidade derivada.
A informação é a seiva da ciência. Sem informação, a ciência não pode se
desenvolver e viver. Sem informação a pesquisa seria inútil e não haveria o
conhecimento. Fluido precioso, continuamente produzido e renovado, a
informação só interessa se circula, e, sobretudo, se circula livremente. (LE
COADIC, 2004, p. 26).

Porém, tantos autores acreditam que a necessidade de informação é uma
necessidade derivada, Wilson (1981 apud BETTIOL, 1990, p. 66), sugeriu que este
termo seja reformulado de „necessidade de informação‟ para „busca de informação
para a satisfação de necessidades‟. Isso porque este autor acredita que essas
necessidades são originadas do papel que um indivíduo desempenha na sua vida
social.
Corroborando com Wilson e Le Coadic, resgata-se Martinez-Silveira e
Oddone (2007, p.120, p. 66), que afirmam que as necessidades informacionais
geralmente se originam de situações relacionadas às atividades de cada indivíduo,
ou seja, a necessidade de informação é oriunda de alguma situação que exigiu um
grau de conhecimento maior.
Para Silva e Cunha (2002 apud FAZZIONI, 2011, p. 91), “a educação no século
XXI deverá ser uma educação ao longo da vida”. O que implica em aceitar que o
conhecimento específico logo fica obsoleto ou que, de maneira geral, não há
conhecimento que esteja isento de erros ou ilusões.

4 SURDEZ
Quando se trata sobre a surdez e a educação de surdos, deve-se considerar
a maneira como o surdo tem sido visto e educado ao longo dos anos.
Antigamente, para os gregos e romanos os surdos não eram considerados
seres humanos competentes, pois acreditava-se que o pensamento não podia se
desenvolver sem a linguagem, e esta sem a fala. Logo, quem não ouvia não
desenvolvia a fala e não pensava, não podendo receber nenhum tipo de educação.
Essa regra aplicava-se apenas às pessoas que nasciam surdas, as que ficavam

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surdas após os primeiros anos de vida, por terem tido algum contato com a
linguagem e conseguirem se comunicar, não eram considerados incapazes
(MOURA, 2000, p.16).
Ainda na antiguidade, os surdos eram privados de todos os seus direitos
legais, eram confundidos com “retardados” e até o século XII eles não podiam se
casar. Sofriam também alguns impedimentos religiosos por não poder falar os
sacramentos.
Os primeiros estudos que mostraram a possibilidade de o surdo aprender
através da Libras ou da Língua oral foram feitos por Bartolo della Marca d‟Ancona,
advogado e escritor do século XIV. Ele considerava a possibilidade de os surdos
poderem se expressar pelos sinais ou por outras formas (MOURA, 2000, p.17).
Com o passar dos anos, esta visão de que os surdos eram seres humanos
“incompetentes” foi sendo deixada de lado, a educação de surdos tem suas
especificidades, exigindo que os profissionais da área em se profissionalizem cada
vez mais.
Segundo Guesueli (2003, p.147) a Libras está mais popular nos dias de hoje,
passou a ser aceita pelos ouvintes e considerada importante no processo
educacional dos surdos. Porém a língua de sinais ainda é utilizada como instrumento
para se atingir a oralização ou a escrita do surdo, transformando-o em ouvinte, o que
demonstra certo fracasso. Para a autora os ouvintes ainda não entenderam que
aceitar a Língua de Sinais é também aceitar a surdez como diferença.
4.1 CULTURA SURDA
A surdez pode ser interpretada sob dois aspectos, o sociocultural e o médico.
Do ponto de vista médico ela geralmente é tida como uma deficiência física a ser
curada, para que o surdo possa tornar-se parte da sociedade em que vive sem ser
um indivíduo diferente dos demais. Socioculturalmente é considerado o fato de o
surdo ter autonomia para se comunicar por meio da sua língua materna, que é a
Língua Brasileira de Sinais a Libras com aspectos linguísticos e culturais próprios.
Segundo Gesser (2009, p.63):
Há duas grandes formas de conceber a surdez: patologicamente ou
culturalmente. [...] contrária à medicalização, concepção segundo a qual o
surdo é visto como portador de uma deficiência física, que precisa de

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recursos ou intervenções cirúrgicas para se tornar “normal” e fazer parte do
grupo majoritário na sociedade em que vive. Ver a surdez como um
problema está diretamente relacionado à visão patológica. É importante
frisar, todavia, que os surdos e ouvintes que usam e valorizam a língua de
sinais assumem uma postura positiva diante da surdez.

Para a maioria das pessoas é normal utilizar os termos mudo, surdo-mudo e
deficiente auditivo, porém a grande maioria dos surdos não aceita essa
denominação. Para pessoas que desconhecem a discussão sobre a surdez e não
estão envolvidas de alguma maneira com a comunidade surda, isso pode parecer
“normal”.
Segundo Strobel (2008, p.33) o “povo surdo” não se isola da comunidade
ouvinte. Os sujeitos surdos quando se identificam com a comunidade surda sentemse motivados a valorizar a sua condição cultural, ficando autoconfiantes para serem
respeitados como sujeitos diferentes e não deficientes.

4.2 LETRAMENTO DO ALUNO SURDO
Designa-se por letramento o resultado da ação de ensinar a ler e escrever. É o
estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como
consequência de ter-se apropriado da escrita (SOARES, 2003).
Os estudos realizados por Soares (2003) e Dionísio (2007) apontam para o fato
da palavra letramento não estar dicionarizada, mesmo sendo uma palavra antiga em
outra sociedade. Destacam o surgimento da palavra letramento, no início dos anos
80, como uma necessidade de uma nova realidade social na qual não basta apenas
ler e escrever, é preciso saber responder as novas exigências de leitura e escrita
que a sociedade faz continuamente.
Neste cenário,o indivíduo que nasce surdo, em uma família de surdos tem
acesso a Libras desde os primeiros anos de vida, o que facilita o seu aprendizado e
torna a Libras sua língua materna. Os surdos que nascem em famílias ouvintes,
muitas vezes não tem acesso á Libras desde os primeiros anos de vida,
desenvolvendo uma comunicação gestual caseira.

Segundo

Lodi,

Harrison

e

Campos (2002, p. 37) esses mesmos sujeitos, ao serem expostos a ela, não a
diferenciam, inicialmente, do português, tratando-a como uma representação gestual
da língua falada:

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A língua de sinais é uma língua visuogestual, criada pela comunidade de
surdos. Ela é composta de movimentos e formatos específicos de mãos,
braços, olhos, face, cabeça e postura corporal, que combinados fornecem
as características gramaticais necessárias para a formação de uma língua
(fonológicas, sintáticas, semânticas e pragmáticas). É o meio natural de
comunicação entre os surdos, e a criança deve ser exposta a ela o mais
cedo possível por meio do contato com adulto surdo fluente em situações
significativas e contextualizadas (LIMA; BOECHAT; TEGA, 2003, p.46).

Nachman (2002 apud SANTOS; LIMA; ROSSI, 2003, p. 17) aponta que o
desenvolvimento de linguagem e o educacional não estão relacionados ao grau da
perda auditiva, mas sim à idade de identificação da deficiência auditiva.
No Brasil, o diagnóstico dos problemas auditivos ocorre tardiamente, por volta
dos três ou quatro anos de idade, o que prejudica o desenvolvimento intelectual da
criança, pois é nos primeiros anos de vida que a criança necessita de informações
para aquisição da linguagem.
Segundo Pereira (2003, p.47) estudos sobre crianças surdas, filhas de pais
surdos, demonstram que estas apresentam desenvolvimento linguístico, cognitivo e
acadêmico comparáveis ao de crianças filhas de pais ouvintes, o que sugere que,
quanto antes a criança surda for exposta à Libras, melhor será o seu
desenvolvimento educacional.
Diante disso, os alunos surdos chegam à graduação na UFSC apresentando
diferentes níveis de domínio e conhecimento da Libras e do português.
Para Lodi, Harrison e Campos (2002, p. 36) o letramento não pode ser
reduzido à aprendizagem da escrita como código de representação da fala: ser
letrado é participar ativamente de práticas discursivas letradas, orais e escritas.
O desenvolvimento pleno da leitura e escrita são essenciais para a realização
de pesquisas. Lodi, Harrison e Campos (2002, p. 38-39) salientam que todos os
estudos que, de certa maneira desvalorizam as culturas de grupos sociais sem
escrita, partem da ótica de um pesquisador letrado.
Ainda sob este foco e segundo os autores, para o sujeito surdo a aquisição do
português não se restringe somente aos surdos, envolve as políticas educacionais
em desenvolvimento, sendo que as minorias tem sua situação agravada devido as
especificidades linguísticas e culturais destes grupos sociais (LODI; HARRISON;
CAMPOS, 2002, p.13).
4.3 EDUCAÇÃO DE SURDOS E NOVAS TECNOLOGIAS

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Os avanços tecnológicos trazem consigo novas necessidades. A introdução dos
alunos na era digital, as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação
(TIC), tanto na educação de ouvintes quanto na educação de surdos fez com que
aulas de informática surgissem nas escolas e em outros espaços de ensino.
Segundo Stumpf (2010, p.2) as novas tecnologias revolucionaram o mundo das
comunicações e podem fazer com que ele seja mais acolhedor para os surdos,
porém permanecem grandes dificuldades quanto à incorporação desses avanços à
vida da maioria deles. O acesso aos equipamentos é uma dessas dificuldades.
As novas tecnologias são visuais, porém em sua grande maioria demandam
sujeitos alfabetizados, o que dificulta totalmente a acessibilidade de pessoas surdas.
Conforme aponta Stumpf (2010, p.2):
A população surda, em nosso país e na maioria dos países, é em grande
parte, composta de analfabetos funcionais na escrita da língua oral do
próprio país e as produções em Libras exigem a disponibilidade de vários
artefatos de cultura como câmeras, vídeos, tradutores, intérpretes etc.

Neste sentido, existe o Grupo de Pesquisa Vídeo Registro em Libras, na UFSC,
que lançou recentemente a “Revista Brasileira de Vídeo Registros em Libras”,
Coordenada pelo Professor Dr. Rodrigo Rosso Marques. Nesta revista os artigos são
publicados em formato de vídeo em Libras. As normas de publicação, assim como o
“sobre a revista” e condições de submissão da revista estão todos em formato de
vídeo em Libras. O layout do site é bem parecido com o das revistas eletrônicas do
Portal de Periódicos da UFSC (criado pelo Departamento de Ciência da Informação
da UFSC e coordenado pela Biblioteca Universitária da mesma instituição).
A regulamentação da Libras é um grande passo para que se caminho rumo à
solução da dificuldade de acessibilidade aos conteúdos digitais por pessoas surdas.
O acesso a uma língua plena, aliada ao uso das novas tecnologias, aponta para
reais possibilidades de um grande salto de qualidade nessa educação cujo principal
objetivo é a inclusão do sujeito surdo na escola e na sociedade (STUMPF, 2010, p.3)
De acordo com o capítulo IV, artigo 14 do Decreto nº5.626 de 22 de dezembro
de 2005 que regulamenta a Lei nº10.436, de 24 de abril de 2002,que dispõe sobre a
Língua Brasileira de Sinais – Libras:
Art. 14. As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente,
às pessoas surdas acesso à comunicação, à informação e à educação nos
processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares

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desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação,
desde a educação infantil até à superior (BRASIL, 2005).

De acordo com a referida Lei cabe ao governo, obrigatoriamente desde a
educação infantil, ofertar além do ensino da Libras e da Língua Portuguesa como
segunda Língua, ainda: “disponibilizar equipamentos, acesso às novas tecnologias
de informação e comunicação, bem como recursos didáticos para apoiar a educação
de alunos surdos ou com deficiência auditiva”.
Porém segundo Stumpf (2010, p.3) utilizar as novas tecnologias não garante
a escola um avanço de qualidade se esta continuar com os antigos processos de
aprendizagem tradicionais de transmissão de informações. É preciso utilizá-las como
ferramentas de trocas cognitivas. E, no caso dos surdos, a língua a ancorar essas
práticas precisa ser a Libras.
5 METODOLOGIA
Elemento decisivo para a realização dessa pesquisa é o fato de o Curso
Graduação em Letras Libras ser oferecido pela Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC) nas modalidades à distância desde 2006 e presencial desde 2009.
Sendo assim, esses dois novos cursos em fase de implantação e crescente
desenvolvimento necessitam de constantes ajustes devido às suas especificidades.
Sob este aspecto, foram criadas recentemente no Brasil a lei 10.098/2000 que
estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das
pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, a lei 10.436/2002
que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), e o decreto 5.626/2005
que regulamenta as leis 10.436 e 10.098, que também dispõe sobre a Libras e
regulamenta a sua inclusão como disciplina curricular obrigatória nos cursos de
Licenciatura, Magistério e Fonoaudiologia de instituições públicas e privadas. A
legislação garante a essas pessoas o direito à inclusão social, e despertam na
sociedade uma reflexão sobre a temática da inclusão.
Segundo o projeto político pedagógico do Curso de Libras; as modalidades à
distância e presencial são uma proposição para atender às demandas impostas pela
inclusão dos surdos na educação e a inclusão da Libras nos cursos de Pedagogia,
Licenciaturas e Fonoaudiologia, conforme previsto no Decreto 5.626/2005. São

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cursos de licenciatura e de bacharelado para formar professores e tradutores
intérpretes de Libras, respectivamente.
Estes cursos foram oferecidos pela Universidade Federal de Santa Catarina, na
modalidade a distância, como projeto especial, com o aporte financeiro da Secretaria
de Educação a Distância (SEED), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(FNDE) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Nessa modalidade, a titulação da primeira turma foi da UFSC em 2010 e da segunda
turma em 2012. O curso na modalidade presencial é um curso regular da UFSC.
A pesquisa teve como finalidade a análise de necessidades informacionais
dos alunos surdos do Curso de Libras na modalidade presencial da UFSC. Portanto
o universo da pesquisa são os alunos do referido curso.
O curso de Letras Libras possui duas habilitações: Licenciatura e
Bacharelado. A Licenciatura forma um profissional apto para atuar como professor
de Libras nos diferentes níveis de ensino. O campo de atuação do licenciado é no
ensino de Libras como primeira língua (para surdos que desejam aprender ou se
aperfeiçoar na Libras) e segunda língua (para ouvintes que desejam aprender a
Libras).
O

Bacharelado

forma

um

profissional

apto

para

atuar

como

Tradutor/Intérprete de Libras em diferentes contextos, com foco na área da
educação. Portanto, a maioria dos alunos surdos encontra-se matriculada na
Licenciatura.
O Curso de Letras Libras da UFSC possui duas modalidades, o Ensino à
Distância (EaD), com 15 pólos distribuídos pelo Brasil somando um total de 700
alunos. E o curso presencial, com 89 alunos, sendo que destes 34 são do
bacharelado e 55 da Licenciatura.
A seleção da amostra foi realizada de maneira não aleatória e por
conveniência, foi necessário delimitar a amostra da pesquisa aos alunos que
estudam no curso presencial na UFSC. A amostra desta pesquisa é formada por 20
alunos surdos da licenciatura, que na época da realização da pesquisa cursavam a
4ª fase do curso de Letras Libras da UFSC.
Nesta pesquisa, o instrumento de coleta de dados foi o questionário, por ser o
instrumento de pesquisa mais adequado a este estudo, o qual foi aplicado aos
alunos do Curso de Letras Libras da UFSC.

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Foi solicitada a autorização para realização da pesquisa à coordenadora do
curso de Libras presencial Professora Aline Lemos Pizzio, a qual assinou o termo de
conhecimento da pesquisa.
O questionário aplicado foi elaborado com 10 questões fechadas. Realizou-se
um pré-teste com 5 alunos do curso de Letras Libras. Os alunos que responderam
ao pré-teste não participaram da coleta de dados da pesquisa. A aplicação do préteste foi realizada pela pesquisadora no dia 19 de junho de 2012 no horário de aula
cedido pela Professora Aline Lemos Pizzio, em sala de aula, com o auxílio da
monitora da disciplina.
Após a aplicação do pré-teste, foi acrescentada uma questão ao instrumento
de coleta, levando em consideração as sugestões dos entrevistados.
A aplicação do questionário foi realizada pela pesquisadora nos dias 20 e 22
de junho de 2012, com 20 alunos surdos da licenciatura, novamente no horário de
aula cedido pela Professora Aline Lemos Pizzio, o questionário foi aplicado em sala
de aula, com o auxílio da professora, pois os intérpretes estavam em greve neste
período.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prática da inclusão de pessoas que apresentam especificidades quanto à
audição, em ambientes digitais, requer a criação de ferramentas que auxiliem a
acessibilidade

à

mecanismos

de

pesquisa,

facilitando

a

formação

e

o

desenvolvimento da Competência Informacional desses indivíduos.Tendo em vista
que a UFSC promove cursos denominados de inclusão social, procuramos identificar
dentre os alunos surdos algumas características que auxiliassem a universidade a
incluir nas suas políticas, práticas que facilitem o acesso a dados disponíveis na
internet, principalmente as utilizadas para pesquisas acadêmicas, pelos alunos
surdos.
Portanto, percebe-se que a dificuldade de acesso aos portais de periódicos
disponibilizados pela UFSC, poderia ser minimizada com um vídeo tutorial em
Libras, que pode ser produzido pela própria universidade e incorporado ao site da
Biblioteca Universitária.

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

Durante a investigação foi possível analisar as necessidades informacionais
dos alunos surdos do curso de Libras da UFSC na realização de pesquisas
acadêmicas, identificando quais os mecanismos de busca mais utilizados pelos
mesmos, bem como as dificuldades informacionais por eles apresentadas nas
respostas do questionário.
Para que a aprendizagem do aluno surdo aconteça, ele precisa ser o sujeito
da ação e se conscientizar da necessidade de uma atitude favorável ao aprendizado
contínuo na utilização das técnicas de pesquisa, com a mediação, em maior ou
menor grau, do profissional da informação.
Para ser competente em informação, de acordo com a American Library
Association, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando a informação é
necessária e ter a habilidade para localizar, avaliar e usar efetivamente a
informação. Pessoas competentes informacionais são aquelas que aprenderam a
aprender.
A Libras é a forma de comunicação mais utilizada pelos surdos e reconhecida
oficialmente. Os recursos visuais que estão presentes na língua de sinais contribuem
no processo cognitivo do surdo e no entendimento da realidade que o cerca.
Como resultado deste trabalho, sugere-se que as capacitações, ofertadas na
Biblioteca Central da UFSC possam ter, em alguns horários, intérpretes de Libras.
Percebeu-se também através das respostas analisadas que, as dificuldades
de acesso ao Portal de Periódicos da UFSC e da CAPES poderiam ser minimizadas
com o auxílio de um vídeo tutorial em Libras, que pode ser produzido pela própria
universidade e incorporado ao site da Biblioteca Universitária.
A Competência Informacional é um novo paradigma a ser alcançado pelas
pessoas que buscam a cidadania, emancipação, qualidade de vida, saúde, lazer e
principalmente o desenvolvimento profissional. Mais importante do que a informação
é saber buscar e trabalhar com ela.

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gestão de serviços de referência e informação. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2009,
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Necessidades informacionais dos alunos do curso de letras libras quanto à realização de pesquisas acadêmicas: um olhar inicial ao desenvolvimento da competência informacional dos alunos surdos</text>
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              <text>Elizete Vieira Vitorino</text>
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              <text>Pesquisa que trata do tema Competência Informacional dos alunos surdos, trazendo um breve histórico sobre a Competência Informacional, desenvolvimento de Necessidades Informacionais, Educação e Surdez. Aborda o letramento e aspectos de desenvolvimento da comunicação do aluno surdo. A pesquisa teve como objetivo analisar as necessidades informacionais dos alunos surdos do curso de letras Libras da UFSC na realização de pesquisas acadêmicas. Para o desenvolvimento da pesquisa foi aplicado um questionário com 20 alunos surdos do curso de Letras Libras presencial da UFSC. Os resultados demonstram que muitos, entre os alunos pesquisados, apresentam dificuldades em realizar pesquisas acadêmicas utilizando fontes de informação e mecanismos de busca adequados à pesquisa. </text>
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