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                  <text>A Literatura de Cordel como recurso didático na orientação de
usuários em uma biblioteca universitária

Raimundo Muniz Oliveira (UFRN) - raimundo@bczm.ufrn.br
Resumo:
A Literatura de Cordel consiste numa forma de conhecimento que produz conteúdos
importantes para serem inseridos nos mais diversos contextos educacionais. Através de sua
linguagem simples, o cordel versa sobre os mais variados temas, proporcionando uma leitura
prazerosa. Assim, o objetivo geral desse trabalho é utilizar-se do cordel, com sua característica
lúdica, para educar usuários e funcionários de bibliotecas, promovendo um espaço de
formadores de habilidades e competências no uso consciente do acervo. A metodologia
constou de abordagem aos alunos durante a visita guiada à Biblioteca Central da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, onde são prestadas informações dos serviços oferecidos e da
importância do acervo de uma biblioteca na sua vida acadêmica, bem como de sua
preservação. Ao final da visita, cada aluno recebe um folheto de cordel contendo informações
sobre o uso consciente do acervo, além da recomendação de que após a leitura do cordel, o
mesmo seja repassado sucessivamente para outros membros da comunidade, de forma a
alcançar uma maior parcela de leitores. Os resultados apontam que o cordel destaca-se como
um poderoso instrumento didático-pedagógico e disseminador de informações. Ademais, ele
tem a facilidade de alcançar desde os mercados e feiras, que divulgam a ciência e a arte, bem
como as tradições populares. Conclui-se que o uso do cordel, numa perspectiva educativa,
permite transmitir para os usuários de uma biblioteca, bem como à comunidade em geral, as
boas maneiras de utilização dos suportes informacionais.
Palavras-chave: Preservação de acervo. Literatura de cordel. Suporte informacional.
Conservação de acervos.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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07 a 10 de julho de 2013

A Literatura de Cordel como recurso didático na orientação de usuários em
uma biblioteca universitária

Resumo
A Literatura de Cordel consiste numa forma de conhecimento que produz conteúdos
importantes para serem inseridos nos mais diversos contextos educacionais. Através
de sua linguagem simples, o cordel versa sobre os mais variados temas,
proporcionando uma leitura prazerosa. Assim,
o objetivo geral desse trabalho é
utilizar-se do cordel, com sua característica lúdica, para educar usuários e
funcionários de bibliotecas, promovendo um espaço de formadores de habilidades e
competências no uso consciente do acervo. A metodologia constou de abordagem
aos alunos durante a visita guiada à Biblioteca Central da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, onde são prestadas informações dos serviços oferecidos e da
importância do acervo de uma biblioteca na sua vida acadêmica, bem como de sua
preservação. Ao final da visita, cada aluno recebe um folheto de cordel contendo
informações sobre o uso consciente do acervo, além da recomendação de que após
a leitura do cordel, o mesmo seja repassado sucessivamente para outros membros
da comunidade, de forma a alcançar uma maior parcela de leitores. Os resultados
apontam que o cordel destaca-se como um poderoso instrumento didáticopedagógico e disseminador de informações. Ademais, ele tem a facilidade de
alcançar desde os mercados e feiras, que divulgam a ciência e a arte, bem como as
tradições populares. Conclui-se que o uso do cordel, numa perspectiva educativa,
permite transmitir para os usuários de uma biblioteca, bem como à comunidade em
geral, as boas maneiras de utilização dos suportes informacionais.
Palavras-chave: Literatura de cordel.
informacional. Conservação de acervos.

Preservação

de

acervo.

Suporte

Área Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação.
1 INTRODUÇÃO
A biblioteca sempre foi um local de armazenamento do conhecimento, no qual
as informações ali existentes eram disponibilizadas nos mais variados suportes que
compunham o acervo, dentre eles os livros, as revistas e os folhetos.
Entretanto,

para

que

o

uso

destas

informações

sejam

utilizadas

adequadamente, esforços foram somados na implementação de novas políticas,
principalmente às que referem à orientação de usuários, visto que a demanda aumenta
a cada ano.

Na observação prática cotidiana, na Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM),
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), procurou-se identificar o
comportamento

dos

usuários

e

funcionários

com

relação

à

utilização

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adequadamente dos suportes informacionais. Provavelmente, por não conhecerem
plenamente as prática de uma utilização adequada dos acervos documentais, os
usuários e funcionários podem estar utilizando inadequadamente os materiais
informacionais. Para essa hipótese existem vários pressupostos, dentre eles, em
relação aos usuários, pode-se inferir que os mesmos estão habituados às práticas
advindas, quando fizeram uso das bibliotecas escolares, e por que não dizer, a falta
de uso destas, ou até mesmo por decisão própria. Quanto aos funcionários, pode-se
inferir que há necessidade de programas de qualificação profissional.
Considerando estes aspectos, somados à necessidade prioritária de
implementações de novas práticas e políticas educativas para intensificar o processo
de orientação de usuários, buscou-se uma solução inovadora em Bibliotecas
Universitárias, propôs-se a utilização da Literatura de Cordel como instrumento
didático-pedagógico, como um novo aliado na educação de usuários e de
funcionários de bibliotecas universitárias.
O Cordel por ser uma expressão da cultura, são informações retratadas em
versos e estrofes escritos em forma rimada. Todavia, este tipo de literatura
apresenta vários aspectos interessantes e dignos de destaque: são vendidos em
mercados e feiras; divulga a arte, a ciência e as tradições populares; ajudam na
formação e oreintação de leitores.
Vários escritores brasileiros foram influenciados pela Literatura de Cordel,
dentre eles podemos citar: Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Carlos
Drummond, Guimarães Rosa, dentre outros.

2 LITERATURA DE CORDEL
Literatura de cordel é um gênero literário popular escrito na forma rimada,
normalmente impresso na forma de folhetos de 8,16 ou 32 páginas geralmente
ilustrados com o processo de xilogravura.
No século dezenove
Deu-se a primeira impressão,
E recebeu este nome
Por ser exposto em cordão.
Vindo para o Ocidente
Transmitindo informação.

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A Literatura de Cordel tem a característica de alcançar, tanto o público
alfabetizados, semialfabetizados e analfabetos. Desta forma o cordel sempre
desempenhou a importante tarefa de disseminar informações, tanto impresa quanto
oral, além de exercer um importante papel educacional no incentivo à leitura. Como
afirma o escritor BarulioTavares,
Onde quer que existam populações que não sabem nem escrever,
existirá poesia oral, conto oral, narrativa oral, porque as pessoas não
acham que o analfabetismo pode impedi-las de praticar a poesia e a
narrativa. A literatura nasceu oral e foi assim durante milênios.
(TAVARES apud GEORGINO, 2011, p. 42).

No Brasil, a literatura de cordel “deve ter existido em forma embrionária e em
pequena escala desde oséculo XVI e XVII com as folhas volantes trazidas pelos
portugueses”. (CURRAN, 1991, p. 570). A partir da segunda metade do sec. XIX,
foram impressos os primeiros folhetos de cordel com temas variados que retratavem
o cotidiano, lendas, temas religiosos, dentre outros. Não há limites para criação de
temas no folheto de cordel, pois o teor da literatura de cordel jamais parou de se
desenvolver, como diz Mark Curran, “o cordel se revelou uma fonte de ‘história não
oficial’ do século 20, narradas pelos poetas nordestinos”.(CURRAN apud
GEORGINO, 2011, p. 44).

O livreto de cordel
É recurso didático
Para ser utilizado
Por ser muito prático.
Versando diversos temas
Num estilo catedrático.
Esse estilo popular
Do século passado,
Que brilhou no Nordeste,
Onde foi bem implantado,
Trazendo conhecimento
Ao culto ou iletrado.
O cordel é um veículo
De grande penetração
Nas camadas populares
Possui grande aceitação
Se a métrica não quebra o pé,
Tem contribuição até
Para a alfabetização.

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Falar a língua do povo
Porém de forma correta.
É assim que o folheto
Deve cumprir sua meta
Usando temas diversos
Pretendo, pois, nesses versos,
Dar a receita completa.
O cordel contém ciência,
Matemática, astrologia,
Noções de física, gramática,
De história e geografia.
Em linguagem popular,
O cordel pode narrar
Tudo isso em poesia.
(VIANA, 2010, p. 9-10).

Descrevendo as ciências,
Das Letras à Matemática.
Através dos seus versos
Investiga a problemática.
Divertindo e Informando,
Respeitando a gramática.
A origem está ligado a forma pela qual eram expostos os folhetos no momento
da comercialização, pendurados em cordéis ou barbantes.
Inicialmente Introduzido no

Nordeste brasileiro, sobretudo na Paraíba,

Pernabuco, Rio Grande do Norte e Ceará, hoje se faz presente nos mais longínquo
recantos brasileiros. Custuma ser vendidos em feiras, mercados e pelo próprio
cordelista. Hoje, o cordel é vendido em grandes eventos culturais e em boa parte
das livrarias, aumentando asim sua visibilidade.
A poesia de cordel é uma das manifestações mais puras do espírito
inventivo, do senso de humor e da capacidade crítica do povo
brasileiro, em suas camadas modestas do interior. O poeta cordelista
exprime com felicidade aquilo que seus companheiros de vida e de
classe econômica sentem realmente. A espontaneidade e graça
dessas criações fazem com que o leitor urbano, mais sofisticado,
lhes dedique interesse, despertando ainda a pesquisa e análise de
eruditos universitários. É esta, pois, uma poesia de confraternização
social que alcança uma grande área de sensibilidade. (DRUMMOND
apud SLATER, 1984, p. 2).

Vários escritores nordestinos foram influenciados pela literatura de cordel,
dentre eles, Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e José
Lins do Rego.
“Luís da Câmara Cascudo, mestre dos folcloristas brasileiro atribui em ‘cinco
livros do povo’ o nome à literatura de cordel portuguesa que se vendia exposta em

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cordéis ou barbantes,também conhecida como literatura dos ciegos. (CURRAN, 991,
p. 570).
Dois ilustres folcloristas brasileiros, Luís da Cãmara Cascudo e
Manoel Diégues Junior, trouxeram, inicialmente, contribuição
ao problema da origem da nossa literatura de cordel. Cascudo
em vários ensaios e livros, sobretudo no seu ‘vaqueiros e
cantadores’ e ‘cinco livros do povo’, e Manoel Diégues Junior
especialmente no ensaio ‘ciclos temáticos na literatura de
cordel’. (LOPES, 1982, p. 10).
Estes pesquisadores afirmam que o cordel no Brasil passou a circular nas
feiras do nordeste em folhas volantes ou folhas soltas a partir do século XVII, no
ambiente agreste, nas caatingas, praças feiras, alpendres, os poetas cordelistas
retratavam a realidade do Nordeste.
Outros nomes da literatura de cordel, Tais como: Raimundo Santa Helena,
Eugênio Dantas de Medeiros e Edmilson Santini, Gonçalo Ferreira da Silva, Marcos
Antônio de Andrade Medeiros e Manoel Monteiro e Marcos Medeiros tem utilizada
do cordel como espaço para discutir temas relacionados à ciência à saúde, bem
como para escrever biografias de cientistas e filósofos famosos.
Um dos poetas da literatura de cordel que fez mais sucesso até hoje foi
Leandro Gomes de Barros (1865-1918), juntamente com João Martins de thayde
(1880-1959), eles estão entre os principais autores do passado.

2.1 A LITERATURA DE CORDEL COMO FONTE DE INFORMAÇÃO

O folheto de cordel é um recurso que apresenta várias vantagens. Dentre elas
está sua estrutura com estrofes que facilita a leitura, tornando-a prazerosa. Com
linguagem simples, o cordel facilita a compreensão do texto. Assim, acredita-se que
o folheto de cordel seja um excelente instrumento para ser utilizado como fonte de
informação e como recurso didático-pedagógico com possibilidades na educação de
usuários, conscientizando-os sobre o uso correto do acervo informacional de uma
biblioteca.
Esse gênero popular tem despertado o interesse aos mais variados
seguimentos da sociedade, utilizando-o como fonte informacional e até mesmo
como recurso didático-pedagógico. Muitos professores, do ensino médio ao superior,
escritores e pesquisadores propõem o uso do cordel como prática educativa, pois há

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muito tempo ele se revelou como uma ferramenta pedagógica muito significativa
como meio de disseminação de informações, servindo de inspiração também no
meio acadêmico. Dessa forma, Galvão (2001), assinala que “vários estudos [...]
apontam a função informativa como uma das mais importantes desempenhadas pela
literatura de cordel”.
O escritor cearense Gustavo Barroso, em sua obra “Ao som da viola” ,de
1921, já assinalava sobre a importância desste suporte informacional, quando relata
que “o ensino das crianças da Grécia antiga começava pela poesia, por ser o meio
mais fácil de guardar de memória ,nessa época em que os livros era raro”.
(BARROSO apud VIANA, 2010, p. 12). Corroborando com Barroso, Viana (2010)
afirma que “cresce cada vez mais ointeresse de estudantes e educadores de todo o
Brasil, em especial das escolas públicas da Região Nordeste, pela Literatura de
Cordel.
Por sua forma atuante no que diz respeito à educar e informar, a literatura de
cordel é vista como instrumento de folkcomunicação, termo cunhado por Luiz Beltrão
de Andrade Lima (1918-1986), ainda em 1967, em sua tese de doutorado na
Universidade de Brasilia (UNB),definindo que “folkcomunicação é, assim, o processo
de intercâmbio de informações e manifestações de opiniões, ideias e atitudes de
massa através de agentes e meios ligados direta ou indiretamente ao folclore”.
Portanto, ocordel é visto, de fato, como uma fonte de informação de
credibilidade que vem insistentemente contribuído para ajudar no processo de
educar e informar.

3 USO ADEQUADO DO ACERVO INFORMACIONAL DE UMA BIBLIOTECA
A educação de usuários em bibliotecas universitárias propõe cuidar dos
assuntos relacionados ao uso qualificado do acervo informacional na tentativa de
minimizar a deterioração dos documentos.
Um dos aspectos é ser ressaltado é a ação dos usuários e funcionários de
bibliotecas que interfere extrinsecamente na degradação do acervo informacional,
através do uso incorreto e acondicionamento inadequado.
Conforme Seripierri (1995), o manusear incorretamente o documento é
colocar clips como marcador; [...] inserir no livro pétalas ou folhas de
plantas; recortes de jornais e papeis ou papelão de baixa qualidade;
[...] retirar o volume da prateleira, puxando-o pela borda superior da

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lombada, danificando a encadernação; [...] fazer refeições junto ao
livro; [...] fazer orelhas para marcar páginas, pois provocam o
rompimento fibras do papel; [...] fazer anotações nos livros utilizando
canetas; [...] debruçar-se em cima dos livros para leitura; [...] virar as
páginas do livro com os dedos umedecidos com saliva; [...] folhear
livros com as mãos sujas; [...] acomodar nas prateleiras livros
volumosos, grandes e pesados na posição vertical. O correto é
acomoda-los horizontalmente e no máximo 2 volumes. (SARIPIERRI,
1995, p. 31-32).

Livros não devem ser utilizados juntamente com alimentos, marcarem suas
páginas com canetas, marca-textos, tão pouco dobrarem suas páginas. Há até quem
usem-os como protetores do sol, da chuva e até de travesseiros. Os livros são de
papeis, por isso, o cuidado com seu manuseio é fundamental para sua vida útil.
Ainda em Sarapierri (1995), outro fator que interfere na degradação do acervo
é a condição construtiva, pois “a biblioteca deve ficar afastada de copa, cozinha,
lanchonete, poço de elevadores e banheiros, a fim de se evitar infestação de insetos
e roedores; [...] planejar a localização da área do acervo de modo que não receba
luz solar direta”. (SARAPIERRI, 1995, p. 32).
Essa medida consiste em definir políticas e medidas preventivas necessárias
na conservação e preservação do acervo informacional.
Em textos preparados pela National Preservation Office da British Libarry
encontra-se afirmativa, na qual relata que:
A principal causa dos danos que ocorrem nos materiais de um
acervo documental é o seu manuseio indevido, tanto pelos usuários
quanto pelos funcionários. Estes últimos devem receber um
treinamento básico sobre os cuidados a serem observados ao lidar
com os documentos. Deverão ser capazes de transferir aos usuários
as práticas correntes, evitando-se, assim, as causas da grande parte
de danificação dos acervos. Uma maneira de difundir a importância
do saber manusear e conservar os documentos é a entrega aos
usuários de instruções em forma de folhetos, cartazes ou outros
recursos escritos e visuais que transmitam o sentido de causa e
efeito. (THE BRITISH..., 2003, p. 25).

Qualificar os usuários e funcionários de uma biblioteca cria novas
possibilidades de formação de desenvolvimento de competências e habilidades
Informacionais.

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4 CORDEL E CIÊNCIA

O cordel no Brasil passou a circular nas feiras do nordeste em folhas volantes
ou folhas soltas a partir do século XVII, no ambiente agreste, nas caatingas, praças
feiras, alpendres, os poetas cordelistas retratavam a realidade do Nordeste,
“Percorrendo os caminhos mais distantes [...] certeza da quebra das fronteiras na
difusão de novos conhecimentos, na ampliação de um universo informativo pouco
acessível às populações marginalizadas em sua rede de progresso e cultura”.
(MAGALHÃES, 1982, p. XI). No entanto, por causa da falta de documentação e de
catalogação, existe um fosso isolando a literatura de cordel no país.
Por ser uma leitura prazerosa, com linguagem simples, o cordel facilita a
compreensão do texto, assim, é possível divulgar a ciência para estudantes do
ensino médio e fundamental e pesquisadores em geral. Como enfatiza Oliveira
Junior (2010, p. 29), os cordéis tem sido poucos utilizados em pesquisas, mas eles
“representam lugares de fala, sentimento, formas e contam histórias para públicos
variados”.
Este rico suporte didático-social é bastante significativo, pois circulam em
diferentes meios sociais permitindo o resgate da cidadania entre as camadas mais
populares. Nas palavras de Grilo (2008, p. 2), “o cordel que através de sua narrativa
conta os acontecimentos de um dado período e de um dado lugar se transforma em
memória, documento [...]”. Nesse sentido, o cordel pode ser considerado um
documento popular , “ora, constitui-se, pois, em um rico material de divulgação e
disseminação da informação.

4.1 O CORDEL INFORMANDO E EDUCANDO USUÁRIOS E FUNCIONÁRIOS EM
UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Palavras são palavras
Que diminui a distância
O corpo de sua alma
Têm muita relevância
Não importando suportes
É de suma importância

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Histórias do tempo
No papiro e pergaminho
Por não haver a impressão
Procurou outro caminho
Contou mil e uma histórias
Com amor e carinho
Reunião de cadernos
Cosidos ou colados
Manuscritos ou impressos
Brochados, encadernados
São chamados de livros
Que devem ser usados
Fatos novos e antigos
Não precisa ter idade
Eles são como crianças
Que gostam de liberdade
Informa a cada leitor
No campo e na cidade
No início é só palavras
Depois vem a emoção
Caracteres móveis
Que transmite informação
Veloz como o tempo
Trazendo a solução
Livros falam de fadas
Há quem goste de sonhar
Vai cumprindo sua missão
De fazer rir e chorar
É fiel companheiro
Independente do lugar
Livro é para se usar
Com o direito de reler
Pode ser em voz alta
Ou não falar o que vê
É direito do leitor
Ler, não importa o quê
Como diz o ditado
Livro é pra quem quer ler

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Há diversos formatos
Basta você escolher
Em cada conteúdo
Há algo a fornecer
Livro pode ajudar
É pura informação
Conforme o desejo
Pede localização
Basta você procurar
Com determinação
Desde o surgimento
Ajudou as gerações
Trouxe à modernidade
Através das coleções
Seguindo o destino
Entre guerras e invasões
Foi no século quinze
A mais nova invenção
Veio mudar para sempre
O método de impressão
Produzindo os livros
Com rapidez e precisão
Dentro destas mudanças
Tem nova plataforma
Com mais capacidade
O mundo se transforma
São as tecnologias
Que todo dia renova
Livros revigorados
Tende a perpetuar
Independe do suporte
Sua missão é informar
Compromisso do leitor
È conservar e preservar

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É tempo de transformar
E ter conscientização
Faça o uso correto
Preserve a informação
Conservando o suporte
Em prol da educação
Qualquer dano causado
Não há comunicação
Impossibilitando-o
Da reutilização
Sem falar do prejuízo
Que traz a população
A falta de cuidado
É nossa preocupação
Aqui faço um apelo
Reverter à situação
Utilizando o Cordel
Com dicas de conservação
Sempre com as mãos limpas
Nunca pensar em dobrar
O papel é sensível
Pode deteriorar
Nem fazer anotações
E tampouco sublinhar
Se precisares destacar
Utilizem marcadores
São pedaços de papeis
Orientando setores
Usando do bom senso
Ajuda novos leitores
O uso adequado
Mantêm sua estrutura
Dando direito a outro
Fazer nova leitura
E através das páginas
Viver nova aventura

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Se for livro antigo
De algum outro valor
De sensibilidade
Através do monitor
Merecem os cuidados
Do caríssimo leitor
Os microrganismos
Causadores de danos
Insetos e roedores
Agem como os insanos
Agentes biológicos
Dentre eles os humanos
Existem diferenças
Entre estes animais
Uns agem inconscientes
Outros são racionais
Iguais comportamentos
Atitudes ancestrais
Não perco a esperança
De tudo isso mudar
Faço aqui meu apelo
Precisamos preservar
Este bem precioso
Feito para educar
Nada é impossível
Basta você querer
Compartilhe a ideia
Todos irão entender
Mais cedo ou mais tarde
Tende-se a resolver
Façamos a campanha
Até nas redes sociais
Utilizando o suporte
Das mídias atuais
Clamando conservação
Dos acervos documentais

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Sempre ameaçado
Veio rádio, televisão
Chegando a internet
Trazendo informação
Novos paradigmas
Promovem evolução
Estes novos suportes
Poder da comunicação
Que podem ser usados
Na conscientização
Do uso solidário
De toda informação
São novos aliados
Ferramenta de extensão
São tecnologias
Dessa nova geração
De letras bits e bytes
Mundo da informação
Na durabilidade
Existem soluções
Na fragilidade
Evitando agressões
Reservando os livros
À futuras gerações
O presente assunto
É responsabilidade
No Brasil e no mundo
No campo e na cidade
Para qualquer cidadão
Na reciprocidade
Soluções e medidas
Condição primordial
Pede-se ao indivíduo
Atitude racional
No uso consciente
Do acervo documental

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Preservar e conservar
Evita degradação
Intervenções diretas
Dando estabilização
Na reversão dos danos
Resta-nos a restauração
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por se tratar de uma fonte informacional de qualidade e credibilidade, não há
como negar que o cordel seja uma poderosa ferramenta de comunicação e
disseminação de informação. Pois considerado pelos pares como tal, este deve ser
utilizado com mais frequência em todos os seguimentos da sociedade, despertando
interesse da comunidade com esse tipo de suporte.
Portanto, espera-se que a aplicabilidade do cordel na educação de usuários
minimize o problema da mutilação do acervo informacional, além da possibilidade de
despertar o interesse do público leigo por esse tipo de literatura.
É sempre bom lembrar que o acervo de uma biblioteca é um direito de todos e
seu uso deve ser democrático e responsável.
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Média,mas muitas inovações brasileiras ajudaram a dar cara própria a esse
patrimônio unico. (VIDA PRIVADA).(Texto em Portuguese). Aventuras na História,
n. 6, p. 40, mar. 2011.
GRILLO, Maria Ângela de Faria. A literatura de cordel e o ensino da história. In:
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OLIVEIRA JUNIOR, Rômulo Francisco José de. Antonio Silvino: de governador
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A Literatura de Cordel como recurso didático na orientação de usuários em uma biblioteca universitária</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>A Literatura de Cordel consiste numa forma de conhecimento que produz conteúdos importantes para serem inseridos nos mais diversos contextos educacionais. Através de sua linguagem simples, o cordel versa sobre os mais variados temas, proporcionando uma leitura prazerosa. Assim, o objetivo geral desse trabalho é utilizar-se do cordel, com sua característica lúdica, para educar usuários e funcionários de bibliotecas, promovendo um espaço de formadores de habilidades e competências no uso consciente do acervo. A metodologia constou de abordagem aos alunos durante a visita guiada à Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde são prestadas informações dos serviços oferecidos e da importância do acervo de uma biblioteca na sua vida acadêmica, bem como de sua preservação. Ao final da visita, cada aluno recebe um folheto de cordel contendo informações sobre o uso consciente do acervo, além da recomendação de que após a leitura do cordel, o mesmo seja repassado sucessivamente para outros membros da comunidade, de forma a alcançar uma maior parcela de leitores. Os resultados apontam que o cordel destaca-se como um poderoso instrumento didático-pedagógico e disseminador de informações. Ademais, ele tem a facilidade de alcançar desde os mercados e feiras, que divulgam a ciência e a arte, bem como as tradições populares. Conclui-se que o uso do cordel, numa perspectiva educativa, permite transmitir para os usuários de uma biblioteca, bem como à comunidade em geral, as boas maneiras de utilização dos suportes informacionais. </text>
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