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                  <text>Bibliotecários e o movimento advocacy: juntando forças para
consolidação das iniciativas de acesso livre à literatura técnico
científica

Renato Reis Nunes (IFRJ) - tatonunes@yahoo.com.br
Resumo:
Descreve os Repositórios Institucionais como fonte de disseminação das informações
técnico-científicas. Contextualiza o surgimento dos Repositórios Institucionais e sua inserção
nas Iniciativas de Arquivos Abertos e Acesso Livre a Informação. Apresenta os conceitos e
funções dos Repositórios Institucionais. Analisa o papel do bibliotecário neste novo conceito de
gestão e disseminação da informação. Disserta acerta da importância das estratégias de
advocacy para consolidação dos repositórios institucionais. Conclui expondo algumas
considerações que acarretarão na ampla consolidação dos Repositórios Institucionais.
Palavras-chave: Acesso Livre a Informação. Comunicação
Institucionais.Papel do Bibliotecário. Advocacy.

Científica.

Repositórios

Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Bibliotecários e o movimento advocacy:
juntando forças para consolidação das iniciativas
de acesso livre à literatura técnico científica

Resumo: Descreve os Repositórios Institucionais como fonte de disseminação das
informações técnico-científicas. Contextualiza o surgimento dos Repositórios
Institucionais e sua inserção nas Iniciativas de Arquivos Abertos e Acesso Livre a
Informação. Apresenta os conceitos e funções dos Repositórios Institucionais.
Analisa o papel do bibliotecário neste novo conceito de gestão e disseminação da
informação. Disserta acerta da importância das estratégias de advocacy para
consolidação dos repositórios institucionais. Conclui expondo algumas
considerações que acarretarão na ampla consolidação dos Repositórios
Institucionais
Palavras-chave: Acesso Livre a Informação. Comunicação Científica. Repositórios
Institucionais.Papel do Bibliotecário. Advocacy.
Área Temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do
profissional da informação

1 INTRODUÇÃO
Desde que o conceito do movimento de Acesso Livre à informação científica
foi consagrado no Budapest Open Access Initiative (2002), na Bethesda Statement
on Open Access Publishing (2003) e na Declaração de Berlin sobre Acesso Aberto
ao Conhecimento nas Ciências e Humanidades (2003), diversas iniciativas tem
surgido no âmbito da comunicação científica. Recentemente, um número substancial
de projetos baseados nas iniciativas de acesso livre tem proporcionado a criação e o
apoio

de

repositórios

institucionais

(RIs)

ou

disciplinares,

nos

quais

os

pesquisadores são encorajados a depositarem seus preprints e postprints (versões
de artigos pré e pós-revisão por pares e subsequente publicação). Este modo de
publicação em acesso livre, centrado em repositórios, é conhecido como a via verde
(green road).
Apesar dos Repositórios Institucionais terem sido alvo de grande atenção por
parte de instituições de fomento da comunicação técnico-científica, a discussão
acerca desta ferramenta tem sido em pequena escala, contexto mais agravante em
termos de Brasil. São poucos os profissionais da informação que realmente tem se
preocupado ou questionado sobre seu papel frente a estas novas ferramentas de
disseminação da informação técnico-científica (RODRIGUES, 2004a).

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Sabe-se que no que tange o uso de repositórios de acesso aberto com o
objetivo de ampla divulgação dos resultados da investigação exige-se, acima de
tudo, uma alteração no comportamento dos investigadores da comunidade científica,
juntamente com apoio e procedimentos normativos institucionais existentes, como
por exemplo mandatos de acesso aberto. O conjunto de atividades que tem como
objetivo promover as iniciativas do acesso livre e incentivar os investigadores e
outras partes interessadas relevantes a incorporar essas formas nos fluxos de
trabalho existentes é designado geralmente de “advocacy” ou promoção.
Sendo assim, o objetivo deste trabalho é, portanto, destacar o papel do
Bibliotecário Brasileiro neste contínuo processo de mudança que está ocorrendo na
comunicação científica, cujas demandas exigirão sua inserção nos movimentos e
iniciativas surgidas em todo o mundo, no intuito de um amplo acesso à literatura
técnico-científica. Para isso, é premente que o bibliotecário conheça o panorama
atual e recente das alterações que as tecnologias da informação e comunicação
trouxeram para a ciência.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O advento da Internet vem causando um impacto muito grande em várias
áreas da sociedade. Atualmente, a informação, o conhecimento e a inteligência
social produzida por um país são mais significativos que as matérias-primas,
recursos naturais e capacidade industrial, que eram tidas como riqueza das nações.
Em seus primórdios, a biblioteca era tida como um armazém de documentos,
sem separar a informação do seu suporte documental. Segundo Marcondes e
Gomes (2000), com a explosão informacional, nasceu um novo conceito de
informação, onde esta encontra-se separada do seu suporte tradicional. Porém, para
isso, tornou-se necessário a criação de novas tecnologias que tratassem desta gama
documental e recuperasse, de forma eficiente e eficaz, as informações relevantes
para cada tipo de usuário.
Com o surgimento de novas tecnologias da informação e da comunicação,
diversos paradigmas no âmbito da comunicação científica foram revistos. A
facilidade de acesso e disseminação da informação científica passa a acontecer em
meio digital através da rede mundial de computadores, popularmente conhecida

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como Internet, iniciando o aparecimento de novas alternativas para a comunicação
científica (INSTITUTO..., 2005).
É neste cenário que surgem novas ferramentas voltadas para disseminação
da informação em meio digital, como a Biblioteca Virtual, a Biblioteca Digital e suas
ramificações, aqui pontuada pelos Repositórios Institucionais. Os Repositórios
Institucionais (RI) são uma espécie de Biblioteca Digital que permite a gestão e
disseminação de documentos administrativos, acadêmicos e, principalmente,
científicos de uma instituição (RODRIGUES ET AL, 2004).

2.1 Os Repositórios Institucionais

A informação científica é a base do desenvolvimento científico e tecnológico
mundial, sendo este um processo contínuo em que a informação científica contribui
para o desenvolvimento científico que, por sua vez, gera novos conteúdos
reiniciando todo o processo.
Entretanto, a comunidade científica encontra dificuldades no que tange o
acesso à informação científica pois, tradicionalmente, os artigos ou trabalhos
científicos são publicados em revistas especializadas, e a forma de acesso a esses
trabalhos dá-se mediante assinatura das mesmas (RODRIGUES ET AL, 2004).
A partir dos avanços nas áreas de comunicação e informação, diversos
paradigmas foram revistos, principalmente no que tange disseminação da
informação científica através da Internet (INSTITUTO..., 2005).
Neste contexto, surgiram os Repositórios Institucionais (RI), ou seja, uma
espécie de Biblioteca Digital que permite o armazenamento, descrição, recuperação,
disseminação e, principalmente, preservação e acesso a longo prazo aos
documentos administrativos, acadêmicos e, principalmente, científicos de uma
instituição (RODRIGUES ET AL, 2004).
Os Repositórios Institucionais inserem-se nos movimentos conhecidos por
Iniciativa dos Arquivos Abertos (Open Archives Initiative – OAI) e Acesso Livre a
Informação (Open Access). Estas ferramentas visam promover o acesso livre e
irrestrito à literatura científica e acadêmica, favorecendo o aumento do impacto do
trabalho desenvolvido pelos pesquisadores e instituições. Também contribuem para
a reforma do sistema de comunicação científica, reassumindo o controle acadêmico
sobre a publicação, aumentando a competição e reduzindo o monopólio das revistas
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das editoras comerciais, reforçando a idéia de que o conhecimento não é algo
comercial (RODRIGUES ET AL, 2004).
Com a disseminação e ampla adoção da Iniciativa dos Arquivos Abertos,
abriu-se novos horizontes para que ferramentas de divulgação do conhecimento
científico, como os repositórios, fossem construídos tendo como base a filosofia
empregada na OAI.
Primeiramente estes repositórios foram denominados temáticos, formados por
grupos de pesquisa de uma área específica. Com o seu crescimento, surgiram os
Repositórios Institucionais (CAFÉ ET AL, 2003).
O movimento de criação de Repositórios Institucionais consolidou-se de forma
significativa a partir de 2002. Segundo Lynch (apud RODRIGUES, 2004b, p. 46):
no outono de 2002, aconteceu algo de extraordinário na contínua
revolução da informação em rede (...). O desenvolvimento de
Repositórios Institucionais emergiu como uma nova estratégia que
permite às universidades aplicar uma forte pressão para acelerar as
mudanças que estão a ocorrer no mundo acadêmico e na
comunicação científica.

O marco deste acontecimento deu-se com a criação do Repositório do
Massachusetts Institute of Technology (MIT), juntamente com a disponibilização de
sua plataforma para criação de Repositórios Institucionais, o DSpace.
Basicamente, os Repositórios Institucionais são coleções digitais de
documentos que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à produção
intelectual de uma ou mais universidades e/ou instituições de pesquisa. Essas
coleções podem ser produzidas por pesquisadores, docentes, discentes e demais
membros da instituição. Os RI são responsáveis por divulgar e preservar
informações científicas da instituição que os abrange (RODRIGUES ET AL, 2004).
Segundo o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2005),
“os Repositórios Institucionais incentivam o gerenciamento e a publicação pelo
pesquisador (através do auto-arquivamento), utilizando a tecnologia da OAI e
podendo ser acessados por diversos provedores de serviços on-line nacionais e
internacionais”.
No que tange as funções dos Repositórios Institucionais, podemos destacar
que eles agregam um conjunto de serviços relativos à organização, tratamento,
acesso e disseminação das informações digitais produzidas por uma instituição e
sua comunidade acadêmica e de pesquisa (CAFÉ ET AL, 2003).
Dentre outras funções dos Repositórios Institucionais, podemos destacar:
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� Contribuição para o aumento da visibilidade da instituição, servindo
como indicador tangível da qualidade e demonstrando a relevância
científica, econômica, cultural e social das suas atividades de pesquisa,
ensino e extensão (RODRIGUES ET AL, 2004);
� Os RI favorecem o aumento da visibilidade (nacional e internacional) e
o impacto das pesquisas desenvolvidas pelas universidades, assim
como dos pesquisadores individualmente. Há de se destacar que hoje
em dia os artigos disponíveis livremente na Internet têm maior impacto
do que os outros, conforme relata Rodrigues et al (2004, p. 9):
Uma análise de 119.924 artigos de conferência em informática e
áreas relacionadas concluiu que o número médio de citações para
artigos offline é de 2.74%, enquanto a média de citações de artigos
online é de 7.03%, um aumento de 336%. Outros estudos, na área
de física, confirmam esta tendência. Está a ser desenvolvido
atualmente um estudo em larga escala sobre o impacto dos artigos
disponíveis de acordo com o Open Acess.

� Contribuição para a reforma do sistema de comunicação científica,
expandindo o acesso aos resultados da pesquisa, reassumindo o
controle acadêmico sobre a publicação científica, aumentando a
competição

e

reduzindo

o

monopólio

das

revistas

científicas

(RODRIGUES ET AL, 2004);
� Em grupos de pesquisa, os RI estimulam e aprimoram as discussões
de entre os pares, o que acaba enriquecendo as pesquisas e/ou
trabalhos para uma posterior publicação (CAFÉ ET AL, 2003);
� Incrementar o ciclo de geração de novos conhecimentos;
� Destaca-se também que uma das motivações para a criação de um
Repositório Institucional é à procura de uma solução para o
armazenamento,

disponibilização

e

preservação

das

teses

e

dissertações em formato digital (RODRIGUES ET AL, 2004).

2.2 A Importância do Bibliotecário na Participação das Iniciativas de Acesso
Livre à Literatura Científica

Segundo Costa (1996, p. 231) “(...) as novas tecnologias de informação estão
modificando o modo como os cientistas disseminam informação a respeito de seus
trabalhos, tanto na comunidade científica quanto para o público em geral”.
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As novas tecnologias da informação, neste contexto caracterizada pela
Internet, trazem um avanço, bem como o fortalecimento para as comunidades
científicas e suas produções intelectuais, possibilitando um maior fluxo informacional
e o contínuo desenvolvimento de suas pesquisas (VIDOTTI; OLIVEIRA; SOUZA,
2004).
Porém, qual é o papel do profissional da informação, aqui representado pela
figura do Bibliotecário, nesta nova era da comunicação científica?
O Bibliotecário possui um papel muito importante nesta nova era, tanto na
aplicação de técnicas para o processo de desenvolvimento e manutenção dessas
novas “Unidades Virtuais de Informações” (Repositórios Institucionais), atuando na
forma de descrição dos conteúdos informacionais, verificações de compatibilidade
de formatos, de responsabilidade, de área de pesquisa, de segurança, de definição
de metadados, etc.; quanto na posição de “profissional da informação” que deve
exercer o papel de mediador entre o conteúdo informacional e o pesquisador
(RODRIGUES, 1995).
Como bem ressalta Marcondes e Sayão (2002, p. 45):
Os padrões de tecnologia da informação utilizados ou derivados da
Open Archives Initiative tem um impacto potencial muito grande
sobre os sistemas de informação em C&amp;T, afetando
substancialmente a maneira como bibliotecas e centros de
documentação desempenham suas funções tradicionais como
seleção,
aquisição, registro/tratamento técnico,
indexação,
classificação e disseminação.

Para Norbie (apud MARCHIORI, 1997, p. 8),
os Bibliotecários continuam a representar um fator de ligação entre
as demandas dos usuários e as soluções técnicas, gerenciado e
provendo acesso à informação. Talvez o papel do Bibliotecário, que
tradicionalmente tem sido o de encontrar, analisar e disponibilizar
informação, possa se desenvolver para a função de um gerente de
informação em rede.

As competências “tradicionais” dos profissionais da informação são, talvez, a
sua mais importante riqueza, o seu seguro de vida num ambiente em profunda
mudança. O excesso de informação, a desorganização, as dificuldades em
identificar e localizar recursos entre outros, que caracterizam atualmente o ambiente
virtual, abrem um caminho para o estabelecimento e utilização de princípios e
técnicas de organização e identificação, catalogação, classificação e indexação dos
recursos

informacionais.

Tais

competências

podem

acrescentar

valor

aos

documentos eletrônicos disponíveis na rede, colocando alguma “ordem no caos” do
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ambiente virtual. A implantação de Repositórios Institucionais é identificada na
literatura como um caminho, sendo esta uma função da alçada dos Bibliotecários.
Promover e facilitar a utilização de Repositórios Institucionais pela comunidade
científica e acadêmica será uma atividade apreciada e reconhecida.

2.3 O Bibliotecário como difusor do Advocacy no Movimento de Acesso Livre

Primeiramente, iremos definir o termo Advocacy. O termo ainda não possui
uma tradução em português, e por isso ainda temos dificuldade em esclarecer seu
conceito, mas em parâmetros gerais, o termo advocacy se aproxima da definição de
“defender” ou “advogar” por uma causa. No entanto, o termo abriga uma noção mais
ampla que confere caráter de atitude pública e política, que propõe mudanças e
ações

estratégicas

(distante

da

confrontação,

mas

fortemente

apoiadas

na mobilização para transformação). Neste sentido, o termo Advocacy pode ser
definido como apoio público em defesa de uma causa ou proposta.
A estratégia em Advocacy pode ser realizada por apenas uma pessoa, mas
se fortalece pela formação de uma rede de pessoas e parcerias identificadas com a
causa. Por exemplo, a formação de um grupo de apoio para Bibliotecas Públicas
tem a intenção de influenciar o ambiente político, assim como programas e
orçamentos

municipais,

construindo

ações

eficazes

de

impacto

social

e

favorecimento da comunidade local.
Os participantes das estratégias de advocacy tentam reestruturar questões,
reconfigurar o discurso atual, introduzir novas ideias e ao fazê-lo “atrair a atenção e
incentivar a ação” (Keck e Sikkink, 1998).
Resumidamente, podemos dizer que por advocacy entendemos o ato de
identificar, adotar e promover uma causa.
E qual o papel do Bibliotecário na aplicação de estratégias de advocacy no
intuito de promover os movimentos de acesso livre à informação técnico científica?
Além de fazer parte da ética dos Profissionais da Informação, é imperativa a
esta classe profissional a promoção de um acesso livre à informação. Para tal,
existem diversos níveis de participação e envolvimento por parte dos profissionais da
informação. O nível mais elementar é o do conhecimento e acompanhamento das
intensas discussões e debates acerca das iniciativas relacionadas com a informação
de ciência e tecnologia (ROGRIGUES, 2004a).
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Há de se salientar que, conforme destaca Rodrigues (2004a), há três níveis
de envolvimentos possíveis para o profissional da informação, tido como o tripé da
disseminação das iniciativas de promoção ao Acesso Livre à literatura que podem
ser

aliadas

às

estratégias

de

advocacy.

São

eles:

Conhecer,

Divulgar,

Promover/Apoiar.
� Conhecer: O profissional da informação deve tomar conhecimento das
problemáticas do atual sistema de comunicação técnico-científica,
pontuada pela dificuldade das instituições de fomento a pesquisas em dar
continuidade a assinatura de bons periódicos científicos por falta de verba,
bem como os benefícios proporcionados pelas Iniciativas de Acesso Livre
à informação. Para tal, há inúmeros documentos na Internet sobre estes
assuntos, com informações úteis para pesquisadores, órgãos de pesquisa,
bibliotecas e seus profissionais.
� Divulgar: Outra forma de disseminação das iniciativas de promoção ao
acesso livre à literatura é incluir revistas e outras fontes de informação de
Acesso Livre nos catálogos das Bibliotecas, assim como nos portais,
alertas, materiais

de

promoção,

etc.

Com

isto,

garantimos

que

pesquisadores, estudantes e outros usuários tomem conhecimento e
façam uso destas fontes de informação além das tradicionais, que
geralmente são de acesso restrito e dependem de assinatura.
� Apoiar e promover: O último e mais importante nível de envolvimento do
profissional da informação nas iniciativas de acesso livre a literatura é o
apoio e promoção. A criação e manutenção de Repositórios Institucionais,
assim como o incentivo e ajuda ao auto-arquivamento pelos membros da
instituição, deve ser de caráter imprescindível. Elaborar meios que
facilitem e torne imediato o auto-arquivamento pelos membros da
instituição no repositório, criando e certificando a qualidade dos
metadados associados aos documentos, são funções que podem e devem
ser realizadas pelos profissionais de informação (ROGRIGUES, 2004a).
Outro aspecto relativo ao papel do profissional da informação como mediador
entre o conteúdo informacional e o pesquisador se refere, principalmente, aos
aspectos comerciais encontrados no meio eletrônico. A cobrança de acesso e a
obrigatoriedade de assinaturas a importantes periódicos científicos impressos e
eletrônicos, disponíveis somente por meio de acesso restrito, acaba provocando nos
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cientistas uma reação de inquietação, pois estas informações tornam-se acessíveis
somente a uma parcela mínima da comunidade científica.
Neste sentido, há uma grande procura às novas alternativas de expressão e,
consequentemente, publicação de suas ideias em prol de um ciclo do conhecimento
científico mais abrangente (ROGRIGUES, 2004a).
A tarefa de localizar informações que a princípio estariam subutilizadas,
elitizadas ou até mesmo de difícil identificação é de responsabilidade do profissional
da informação, assim como a procura de meios e mecanismos que facilitem o
acesso a estes conteúdos, como os Repositórios Institucionais.
Sendo assim, podemos destacar como um meio a Internet e como mecanismo
a Iniciativa dos Arquivos Abertos disponíveis para estes profissionais, que dispõe de
uma estrutura de mediação entre as instituições científicas e os usuários de forma
mais “democrática” e com custos relativamente baixos.
Torna-se,

portanto,

indispensável

a

tarefa

de

realizar,

em

equipe

multidisciplinar, a manutenção destes novos sistemas de disseminação da
informação, como os Repositórios Institucionais, garantindo assim a organização, a
preservação, o acesso, a divulgação, a disseminação e a observância dos direitos
autorais das produções intelectuais de um sociedade (ROGRIGUES, 2004a).
É, portanto, premente a tarefa dos Bibliotecários que atuam em instituições de
ensino e pesquisa estimular a criação e implementação de Repositórios
Institucionais, lançando-se no grande movimento mundial de acesso livre e
contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico de seu país.
Ressalta-se que atualmente a aceitação das opções de disseminação de
informações científicas em acesso livre e o uso dos repositórios requerem,
sobretudo, de uma mudança no comportamento de pesquisadores e da comunidade
científica, assim com a existência de procedimentos institucionais normativos, como
mandatos para o autoarquivamento em RIs, além de outros que favoreçam
condições para uma aceitação de acesso livre de modo mais “voluntário”.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme visto no decorrer do presente trabalho, atualmente a produção
intelectual da comunidade científica encontra-se dispersa por milhares de periódicos,
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anais de congressos, capítulos de livros, teses e dissertações, entre outros tipos de
fontes primárias.
Assim, ao encorajar os seus pesquisadores a depositarem seus trabalhos no
Repositório Institucional, a Universidade/Instituição contribui para reunir num único
sitio o conjunto das publicações científicas produzidas por seus centros de pesquisa,
cooperando, assim, com o aumento da sua visibilidade e impacto, garantindo a
preservação da memória da instituição, além de resolver o problema da preservação
digital e divulgação de sua produção em formato digital. Outro fator importante na
implementação de Repositórios Institucionais é a inserção da instituição na
promoção da Iniciativa de Acesso Livre, o que acarreta na distribuição da produção
científica irrestrita, a interoperabilidade e a preservação a longo prazo, além da
possibilidade de consultas integradas com a produção científica internacional
(RODRIGUES ET AL, 2004).
Porém, apesar do significativo crescimento dos Repositórios Institucionais nos
últimos anos, o número de documentos e a porcentagem da produção científica
mundial armazenada neles estão longe de corresponder às expectativas mais
otimistas, estando numa escala inferior a 15% (RODRIGUES, 2004a).
Este quadro somente mudará quando as instituições tornarem o autoarquivamento das publicações científicas nos Repositório um hábito por parte de
seus pesquisadores.
Conforme relata Rodrigues (2004a, p.31),
As tradições instaladas na maioria das comunidades científicas, o
receio que o auto-arquivo se traduza em mais uma fonte de trabalho
que irá gastar tempo que já escasseia, as dúvidas e dificuldades dos
autores relacionadas com os direitos de autor, a falta de consciência
dos problemas e contradições do sistema de comunicação científica
tradicional e das vantagens do modelo de acesso livre, são
obstáculos que necessitarão de tempo, e da demonstração prática
das vantagens dos RI, para ser ultrapassados.

Sendo assim, a ampla consolidação dos Repositórios Institucionais se dará
através da generalização do hábito de auto-arquivamento e seus serviços de apoio
(como esclarecimentos de direitos autorais), o que acarretará na criação de serviços
de valor acrescentado para os pesquisadores, como geração de relatórios de
avaliação, citações e estatísticas que recompensarão os “minutos adicionais gastos
no ato de auto-arquivar” (ROGRIGUES, 2004a).

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Destacamos que é de fundamental importância a adoção formal por parte das
instituições

(universidades,

departamentos,

centros

de

pesquisa

e

órgãos

financiadores) políticas que permitam ou até mesmo tornem obrigatório o depósito
da produção científica nos Repositórios Institucionais ou em outros sistemas de
acesso livre (RODRIGUES, 2004a).
Com esta conscientização, os próprios autores, sejam como produtores ou
como “consumidores de informação”, serão os primeiros interessados nos
Repositórios

Institucionais,

podendo

retirar

benefícios

mais

que

imediatos

(RODRIGUES, 2004a).
Neste sentido, o conjunto de atividades que tem como objetivo a promoção de
modos de disseminação em acesso livre e o encorajamento de pesquisadores a
incorporarem tais modos em seus fluxos de trabalho existentes é usualmente
denominado “advocacy” – termo que se assemelha a “promoção” no português, mas
que abrange atividades que podem apoiar a divulgação e instrução “da causa”. O
trabalho de advocacy visa a eventual incorporação não problemática das práticas de
acesso livre de disseminação nos fluxos de trabalho acadêmico já existentes e, por
isso, os esforços de advocacy também englobam a necessidade de recrutar o apoio
de administradores acadêmicos, como, por exemplo, pró-reitores de pesquisa e de
profissionais em cargos de direção e gestão de instituições de ensino e pesquisa.
Além dos esforços de advocacy, também cabe aos profissionais de
informação o apoio técnico na fase de implementação do RI, assim como definição
de políticas editoriais, treinamento da comunidade ao auto-arquivamento e
conscientização

da

importância

do

freqüente

uso.

Sobretudo,

está

na

responsabilidade destes profissionais a inserção da instituição ao qual está
vinculado no movimento de Acesso Livre à literatura científica, de modo a dar
visibilidade aos pesquisadores da instituição em nível nacional e internacional.

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handle/1822/670&gt;. Acesso em: 17 fev. 2013.

____. Acesso livre ao conhecimento: imperativos éticos e desafios técnicos para os
profissionais da informação: o contributo da OAI. Universidade do Minho, Braga
(Portugal), 2004b. Disponível em: &lt;http://hdl.handle.net/1822/416&gt;. Acesso em: 17
fev. 2013.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Bibliotecários e o movimento advocacy:  juntando forças para consolidação das iniciativas  de acesso livre à literatura técnico científica</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>Descreve os Repositórios Institucionais como fonte de disseminação das informações técnico-científicas. Contextualiza o surgimento dos Repositórios Institucionais e sua inserção nas Iniciativas de Arquivos Abertos e Acesso Livre a Informação. Apresenta os conceitos e funções dos Repositórios Institucionais. Analisa o papel do bibliotecário neste novo conceito de gestão e disseminação da informação. Disserta acerta da importância das estratégias de advocacy para consolidação dos repositórios institucionais. Conclui expondo algumas considerações que acarretarão na ampla consolidação dos Repositórios Institucionais.</text>
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