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                  <text>Biobancos e Unidades de Informação uma discussão sobre a Gestão
da Informação Genética.

Rodrigo Porto Bozzetti (UNIRIO) - rbozzetti90@gmail.com
Lidiane dos Santos Carvalho (Unirio) - carvalho.ldn@gmail.com
Resumo:
Apresenta uma discussão dos conceitos relacionados a gestão da
informação em bibliotecas e da gestão de locais de armazenamento de amostras de
DNA, denominados biobancos. Utiliza dos aportes da bibliometria para identificar a produção
cientifica sobre o assunto no campo da Library Information Science ( LIS)
seguido de uma revisão bibliográfica sobre os conceitos e práticas que envolvem a
gestão de unidades de informação.Discute a contribuição prática dos aportes
teóricos da biblioteconomia para a gestão da informação genética em biobancos.
Palavras-chave: Unidades de informação. Biobancos. Gestão da informação
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Biobancos e Unidades de Informação uma discussão sobre a Gestão da
Informação Genética.

Resumo: Apresenta uma discussão dos conceitos relacionados a gestão da
informação em bibliotecas e da gestão de locais de armazenamento de amostras de
DNA, denominados biobancos. Utiliza dos aportes da bibliometria para identificar a
produção cientifica sobre o assunto no campo da Library Information Science ( LIS)
seguido de uma revisão bibliográfica sobre os conceitos e práticas que envolvem a
gestão de unidades de informação.Discute a contribuição prática dos aportes
teóricos da biblioteconomia para a gestão da informação genética em biobancos.
Palavras chave: Unidades de informação. Biobancos. Gestão da informação.
Área Temática: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

1 INTRODUÇÃO
As investigações presentes no trabalho estão situadas entre o campo da
Biblioteconomia e ciências afins e as ciências biológicas e da saúde, tendo por
objetivo investigar as similaridades dos conceitos e práticas desenvolvidas no campo
biblioteconômico bem como aquelas relacionadas aos biobancos.
Os profissionais da área de Biblioteconomia possuem um ofício estreitamente
ligado ao trato da informação, principalmente em relação a sua disseminação e
processamento, devido a isto os principais locais de trabalho destes profissionais,
são as unidades de informação, espaços onde entre outras tarefas ocorre a
intermediação entre o usuário e as informações contidas nos mais diversos itens do
acervo (OLIVEIRA, 2005).
Desta maneira, a Biblioteconomia pelo seu cunho humanístico possui um
grande potencial em aproximar-se das questões normativas da informação que
emergem a partir da produção de novos conhecimentos. Sendo assim, faz se
necessário que a produção acadêmica da área de Biblioteconomia contemple áreas
do conhecimento que ocupem um papel estratégico, como aquelas relacionadas
com a Genética humana estudando especialmente as formas de organização desta
informação/conhecimento.
A Genética estuda as formas de organização, desenvolvimento e a
transmissão de características físicas em todos os seres vivos. Trata-se de um
campo de estudos relativamente novo, onde seus primeiros trabalhos foram
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publicados há pouco mais de 100 anos. Empresas de biotecnologia, governos e
universidades investem bilhões de dólares por ano em diversas pesquisas nesta
área. Durante a segunda metade do século XX a maior parte das pesquisas em
genética, estavam voltadas para a área da agricultura e pecuária no intuito de
aumentar a produtividade de gêneros alimentícios, no entanto, nos últimos anos os
investimentos nas pesquisas genéticas também estão intrinsecamente relacionados
à pesquisas de prevenção, tratamento e cura de doenças em seres humanos
(WATSON, 2003, cap. 5).
Isto evidencia que a genética é um campo do conhecimento que vem
ganhando exponencialmente destaque no cenário científico e político internacional e
que cada vez mais são publicadas produções nesta área deixando clara a
necessidade da participação de profissionais da área de Biblioteconomia na gestão
dessa crescente quantidade de informações genéticas (KAYE, 2012, p. 170).
Nesse sentido, esta investigação parte de uma revisão bibliográfica sobre o
conceito de unidades de informação utilizado no campo biblioteconômico, em seus
usos práticos, para representar espaços sociais que trabalham com algum modo de
organização da informação e do conhecimento para um determinado fim. Em
seguida, a revisão bibliográfica se estende para o campo das ciências da saúde e de
campos complementares como a biomedicina, bioinformática e o biodireito para
investigar os usos e apropriações do conceito-finalidade do termo biobancos.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
O conceito de unidades de informação é utilizado comumente como um termo
capaz de denominar Bibliotecas, Arquivos e Museus ao mesmo tempo, já que
existem muitas semelhanças entre estes três tipos de instituição. A expressão
unidades de informação de acordo com Tarapanoff (2000) pode ser considerada
como uma biblioteca e/ou unidade informacional que se apoia nas bases da
organização social, “servindo a sociedade através do indivíduo que a procura em
busca da informação”.
As unidades de informação (bibliotecas, centros e sistemas de
informação e de documentação) foram e são, tradicionalmente,
organizações sociais sem fins lucrativos, cuja característica como
unidade de negócio é a prestação de serviços, para os indivíduos e a
sociedade, de forma tangível (produtos impressos), ou intangível
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(prestação de serviços personalizados, pessoais, e hoje, cada vez
mais, de forma virtual – em linha, pela Internet). (Tarapanoff; Araújo
Júnior; Cormier, 2000).

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT
conceitua Unidade de Informação (UI), ainda de acordo com Tarapanoff e
colaboradores (2000), como “instituições voltadas para a aquisição, processamento,
armazenamento e disseminação de informações”. Cunha e Cavalcanti (2008)
corroboram que a unidade de informação é uma, entidade encarregada de adquirir,
processar, armazenar e disseminar informações, com o objetivo de satisfazer as
necessidades de informação dos usuários. Em muitos casos é sinônimo de
biblioteca, centro, serviço e sistema de informação (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Embora parte da literatura se refira à unidades de informação como conceitos
associados a biblioteconomia, museologia e arquivologia, cabe considerar que
unidades de informação se constituem em espaços para trabalhar com informação.
Nesse sentido, os biobancos trabalham com informações sobre material genético no
sentido amplo da biologia, por sua vez, cabe discutir sobre a função do material
biológico enquanto objeto capaz de gerar informações que contém sentido na esfera
social.
Podemos neste momento refletir sobre a variedade de tipologias documentais
que compõem o que entendemos por unidade de informação na biblioteconomia e
ciências afins, entre eles peças de museus, documentos digitais, materiais
microfilmados, arquivos sonoros e as instituições que os organizam como, por
exemplo,

as

bibliotecas

digitais

e

suas

diversas

tipologias

documentais

(documentos, música, leis) etc.
Nos casos mencionados até o momento é possível considerar que os aportes
especializados para o trabalho com informação demandam diferentes formações
profissionais: bibliotecários, arquivistas ou museólogos em conjunto com cientistas
da computação, historiadores, psicólogos, administradores, museólogos entre outros
profissionais.
Nesse sentido, os biobancos, que podem ser compreendidos de maneira
simples como locais de armazenamento de DNA humano, emergem na
contemporaneidade como locais que requerem a atuação de diversos profissionais
para que sua gestão seja efetivamente bem sucedida. A “gestão da vida” envolve
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aspectos éticos de cunho informacional imbricados em cada processo, o que requer
profissionais que compreendam a complexidade destas questões.
Os biobancos surgiram na segunda metade do século XX e inicialmente o
termo era utilizado para designar qualquer instituição que armazenasse amostras de
animais. Contudo é possível perceber que houve uma significativa alteração no uso
do termo, na maioria das definições identificadas nos últimos anos afirmam que
biobancos são instituições que armazenam e processam material genético
exclusivamente humano (DE ROBBIO; CORRADI, 2010, p.311).
Nesse sentido empreendemos a investigação de modo a apresentar uma
revisão sobre as definições e particularidades do trabalho com informação em
biobancos ao redor do mundo e das possíveis contribuições da ciência da
informação e biblioteconomia, assim como de seus profissionais, para o
desenvolvimento destes tipos de instituição.

3 METODOLOGIA
Através da uma busca no portal de periódicos da CAPES1, utilizando o termo
biobank, foram encontrados 3860 resultados, deste total, apenas quatro artigos
foram publicados antes de 1996 (CAPES, 2012). A investigação neste portal parte
da busca de documentos indexados a partir do termo “biobank” a fim de mapear a
evolução da pesquisa científica relacionada a este assunto. A pesquisa retornou três
mil oitocentos e sessenta (3.860) resultados distribuídos em todos os campos do
conhecimento. Os resultados foram obtidos nas seguintes bases de dados
disponibilizadas pelo portal de periódicos da Capes : OneFile (GALE), Science
Citation

Index

Expanded

(Web

of

Science),

MEDLINE

(NLM),

SciVerse

ScienceDirect (Elsevier), SpringerLink, nature.com (Nature Publishing Group), Social
Sciences Citation Index (Web of Science), Nature Publishing Group (CrossRef) ,
Oxford Journals (Oxford University Press), IngentaConnect, PLoS , Wiley Online
Library , Directory of Open Access Journals (DOAJ), Cambridge Journals
(Cambridge University Press), American Association for the Advancement of Science
(CrossRef).
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O Portal Capes, consiste em uma biblioteca virtual que reúne base de dados de todas as áreas do
conhecimento e disponibiliza nas instituições de ensino brasileiras parte significativa da produção
científica de relevância a nível nacional e internacional.

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Já para analisar a produção da área de Biblioteconomia e ciências afins foi
realizado um levantamento bibliográfico na Library Informations Science (LISA). A
escolha justifica-se porque a esta é uma base de dados voltada para publicação de
conhecimentos no campo da Biblioteconomia e ciências afins. A investigação com o
termo Biobanks na lisa retornou seis (6) resultados.
Além disso, com o objetivo de analisar não somente o discurso científico
gerado na academia, mas também aqueles conceitos produzidos oficialmente pelos
biobancos, mapeamos os sites oficiais dos principais biobancos ao redor do mundo
bem como as definições fornecidas por eles a fim de compreendermos sua estrutura
e missão.

4 RESULTADOS / CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após o Projeto Genoma Humano (PGH), esforço científico no qual pela
primeira vez foi decodificado com êxito um código de DNA humano (U. S
DEPARTMEMNT OF ENERGY’S, 2012) o número de biobancos aumentou
consideravelmente. Podemos observar que dos 3860 artigos apenas 48 foram
publicados em 2002 ou antes do PGH. Cabe destacar que a curva em declínio ao
final de 2012 refere-se ao fato do ano de 2013 estar em curso, ou seja, as
publicações deste ano serão contabilizadas na base ao término do mesmo.
Figura 1: Representação gráfica do crescimento da produção científica com o termo
“Biobanks” no Portal Capes ( 2001-2012).

Fonte: Portal Capes (2013).

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Quadro 1: Distribuição de artigos com o termo “Biobank” por ano
Ano
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012

Distribuição de artigos
9
37
61
95
127
188
219
332
442
633
896
748

Fonte: Portal Capes (2013).

Já sobre o conceito de biobancos, o Biobanco da Hungria especifica
biobancos como “Coleções de espécies originadas de organismos vivos [...]. Sendo
assim existem biobancos humanos, animais, vegetais e microbiológicos”. De acordo
com outra definição fornecida pelo site do Hungarian Biobank “biobanco é uma
coleção de espécimes que contém espécimes genéticos e uma base de dados com
os registros genéticos no intuito de auxiliar a pesquisas em Genética humana”
(HUNGARYAN BIOBANK, 2006, tradução nossa).
No Brasil há somente uma instituição que se denomina como biobanco que é
o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto ou ELSA-Brasil, esta instituição está
alocada na Universidade de São Paulo (USP) e funciona com recursos desta
universidade e do Governo Federal através do Ministério da Saúde. O site da Elsa
informa que “O termo “biobanco” ou “bioteca” é utilizado cada vez mais para
denominar o acervo de material biológico. Podem-se ser conservados tecidos,
células, sangue, urina, liquor e, no caso de animais, toxinas” (ELSA, 2012).
Nesta definição é possível verificar que o ELSA-Brasil considera que existem
biobancos humanos e não humanos, além disso, a definição apresenta o termo
bioteca, que é bastante valioso para este trabalho, pois, aproxima biobancos de
bibliotecas, no entanto não foram encontradas nas pesquisas realizadas por este
trabalho, sobretudo naquelas realizadas no Portal de Periódicos da Capes trabalhos
científicos que utilizassem o termo bioteca.
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Embora só exista um biobanco no país, a definição da legislação brasileira é
uma das mais detalhadas sobre o assunto e objetiva criar claras delimitações para o
conceito:
Biobanco é uma coleção organizada de material biológico humano e
informações associadas, coletado e armazenado para fins de
pesquisa, conforme regulamento ou normas técnicas, éticas e
operacionais pré-definidas, sob responsabilidade e gerenciamento
institucional dos materiais armazenados, sem fins comerciais.
(BRASIL, 2011)

Esta definição é bastante abrangente já que trata de diversos conceitos como
a finalidade dos biobancos, que deve ser sem fins lucrativos e voltados para o
desenvolvimento de pesquisas, é apontada também a necessidade de se precaver
para com problemas de ordem ética, demonstra que há uma rigorosa
regulamentação sobre todas as atividades desenvolvidas pelos biobancos e ainda
agrega um aspecto pouco observado pelas definições internacionais ao evidenciar
que biobancos consistem em coleções de acervo organizado, mais um fator que
contribui significativamente para este tipo de instituição ser considerada como
unidade de informação.
Por sua vez a definição do Ethikrat, o Conselho Nacional de Ética da
Alemanha associa claramente biobancos com informação.
Biobancos são definidos como coleções de amostras de substâncias
humanas (por exemplo: células, tecidos, sangue, ou DNA) que são
ou podem associados com dados pessoais e informações dos
doadores. Biobancos possuem um caráter duplo, de coleções de
amostras e informações. (ETHIKRAT, 2004, tradução nossa)

Podemos considerar por meio dos conceitos levantados que a informação é
elemento constitutivo do funcionamento dos biobancos. Biobancos além de se
constituírem como instituições que possuem acervo físico têm por finalidade
salvaguardar informações, podendo também ser considerados como uma coleção
de informações. Ou seja, não é finalidade dos biobancos apenas armazenar as
amostras de material humano e realizar o processamento técnico, mas preservar
diversas informações sobre os doadores, sobre as amostras e sobre as pesquisas
realizadas com seus acervos.
Desse modo fica clara a necessidade dos profissionais da Biblioteconomia e
Ciência da Informação em investigarem melhores práticas de gestão da informação
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genética, uma vez que a demanda social para esta atividade vem crescendo
exponencialmente e ao que tudo indica continuará em ascensão. Além disso,
podemos verificar que as definições que se propuseram a tratar sobre o tema
concordaram que a coleta, processamento e armazenagem de amostras de DNA
humano têm por objetivo auxiliar em pesquisas que possam trazer benefícios para o
tratamento medicinal de seres humanos.
Desta maneira, é possível entender biobancos como instituições que
armazenam amostras de DNA humano, fios de cabelo, saliva, sangue, ossos ou
qualquer outra parte de um corpo, com o objetivo de promover a pesquisa na área
da genética no intuito de gerar curas ou tratamento para as mais diversas doenças.
Além disso, é necessário considerar que biobancos são produtores de diversos tipos
de informação, sendo a científica apenas uma delas. O grande volume de dados
gerados por um único gene requer melhores práticas e gestão de modo a assegurar
não

só

a

confidencialidade dos

dados,

mas

também

as

condições

de

armazenamento.
Kaye (2012) enfatiza que é necessário o estabelecimento de uma equipe
interdisciplinar capaz de fazer um gerenciamento adequado destas informações,
tanto no âmbito científico ao reduzir as distâncias entre os dados gerados no meio
acadêmico e aquele conhecimento que pode ser utilizado diretamente na cura de
pacientes, quanto no gerenciamento de informações sigilosas dos doadores. Este
processo de gestão de unidades de informação se desdobra em atividades comuns
ao cotidiano da prática profissional em biblioteconomia, como aquisição, seleção, e
acesso (por meio da formação de redes de compartilhamento de informação).
Por exemplo, o conjunto de biobancos suecos recebe mais de uma amostra
por pessoa. Os biobancos da Suécia estão organizados em um tipo de estrutura
muito familiar a Biblioteconomia, ou seja, uma rede de bibliotecas ou sistema de
bibliotecas. Existem vários biobancos na Suécia, reunidos sob um programa que
objetiva garantir a qualidade das amostras e das atividades do biobancos, organizar
e compilar as informações produzidas, aumentar uso dos biobancos por parte da
comunidade científica e promover discussões sobre como biobancos devem ser
idealizados e instalados (SWEDISH BIOBANKS, 2012).
Também é possível identificar semelhanças na definição das práticas em
gestão da informação. Pode-se observar que ambos necessitam de uma política de
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formação e desenvolvimento de coleções adequadas. O procedimento da seleção
acaba por ocorrer de forma entrelaçada ao da avaliação “a etapa da avaliação está
sempre voltada em avaliar a etapa de seleção” e algo muito semelhante ocorre em
biobancos onde sempre há o interesse de adquirir amostras de acordo com o seu
perfil (WEITZEL2006, p.36). As unidades de informação também possuem cuidados
específicos para a manutenção de seu acervo, como medidas de segurança,
procedimentos de manutenção e limpeza. Embora sejam mais perceptíveis em
unidades de informação, que possuam acervo raro ou especial isto ocorre em todas
as unidades de informação e com biobancos não é diferente.
Por se tratar de um material muito frágil, as amostras devem ser manuseadas
com a utilização de equipamentos especiais, por pessoas qualificadas e
armazenadas em condições especiais, contudo enquanto que em bibliotecas
recomenda-se que os livros sejam guardados em locais com condições climáticas
em torno de 21° C e entre 50% e 60% de umidade (OGDEN, 2001, p.8), as amostras
de DNA devem ser guardadas a -196° C, temperatura necessária para manter
células vivas (BAKER, 2012, p.145).
As recomendações para a melhor preservação das informações contidas nas
amostras garantem a qualidade das mesmas, o que é fundamental para que este
material tenha o aproveitamento adequando ao fim que se destina (genética
reprodutiva, tratamento de doenças, pesquisa cientifica entre outros) (BAKER, 2012,
p.145).
Segundo a norma NBR6023 (2002), não são apenas os documentos
bibliográficos, iconográficos e sonoros que podem ser referenciados, os tópicos
7.16., 7.16.1 e 7.16.2 tratam de como se fazer referências de documentos
tridimensionais e segundo especificado no tópico 7.16 estes documentos incluem
esculturas, maquetes, objetos e suas representações (fósseis, esqueletos, objetos
de museu, animais empalhados, monumentos entre outros) (ABNT, 2002, p.12).
Elementos naturais, como fósseis, ossos humanos e animais inteiros podem ser
referenciados é possível perceber que de acordo com parte da literatura de
Biblioteconomia

e

Ciência

da

Informação

cabe

investigarmos

melhor

as

possibilidades da articulação teórica e prática da gestão da informação genética.
No entanto mesmo com a clara importância sob diversos âmbitos da genética e
dos biobancos a comunidade científica na área de Biblioteconomia e Ciência da
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Informação trabalha de maneira incipiente estes temas. Isto pode ser evidenciado
através de uma análise bibliométrica em uma base de dados de destaque na área
de Biblioteconomia e Ciência da Informação, a Library and Information Science
abstracts (LISA), onde ao realizar uma pesquisa livre com o termo biobank, foram
recuperados apenas seis resultados.
Dois dos resultados não possuem ligação alguma com medicina já os outros
quatro tratam de Genética e trazem referências à biobancos. Destes quatro artigos,
um trata sobre os dados genealógicos que podem ser advindos da pesquisa em
Genética (NOLSOE, 2009), tema que possui profundas ligações com as discussões
de cunho ético, devido ao fato de que qualquer tipo de rastreamento genealógico
pode gerar julgamentos preconceituosos contra o indivíduo estudado, no entanto
não é um estudo de muito valor para a medicina que busca com a maior parte dos
estudos em genética prevenirem e curar doenças.
Outros dois artigos tratam sobre o gerenciamento de informações em biobancos
com o auxílio das tecnologias de informática e tecnologia da informação (KIM, 2011)
e (WALPORT, 2006). O primeiro consiste em um estudo de caso sobre o biobanco
da Coréia, onde foi implementado um sistema de TI que objetivava a melhor
circulação de informações entre o biobanco e os hospitais conveniados, e o segundo
autor trata da necessidade do estabelecimento de uma equipe interdisciplinar para
realizar a gestão de informações nos biobancos.
O último artigo trata sobre a definição de biobancos, algumas questões éticas e
sobre propriedade física e intelectual em biobancos (DE ROBBIO; CORRADI, 2010).
Entretanto, dos seis artigos identificados somente quatro tratam sobre a relação
biobancos e informações e apenas um foi produzido por profissionais da informação.
Nesse sentido, cabe destacar a relevância social que os profissionais da informação
do campo da biblioteconomia e ciências afins podem agregar na elaboração de
melhores práticas na informação genômica.
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