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                  <text>Competência em informação e competência científica - um estudo
de caso apoiado em construção metodológica qualitativa

Marcia Rosetto (USP) - mrosetto@usp.br
Resumo:
A partir de pesquisa realizada junto ao Programa de História da Ciência da PUCSP, buscou-se
identificar a Competência em Informação, na vertente Competência Científica, como fator de
interação entre a Ciência da Informação com a História da Ciência quando considerados os
aspectos de acesso e uso de documentos e fontes de informação, contribuindo com a
consolidação de parâmetros de avaliação com vistas à transposição e aplicabilidade desses
princípios junto aos pesquisadores dessa área. Por meio de procedimentos metodológicos que
envolveram pesquisa bibliográfica, elaboração de padrões básicos e indicadores de
performance em Competência em Informação, realização de estudo de caso, a partir de
pesquisa de campo no Centro Simão Mathias de Estudos em História da Ciência da PUC/SP
(CESIMA), através de oficina de trabalho e entrevista estruturada com os pesquisadores desse
Centro, foi possível levantar dados e obter conclusões que refletem as relações entre a teoria e
a prática, tendo como fator primordial a Competência em Informação, conforme proposta
inicial de pesquisa.
Palavras-chave: Competência em informação. Competência científica. Ciência da Informação.
História da Ciência.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�1
XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

Competência em informação e competência científica - um estudo de
caso apoiado em construção metodológica qualitativa

Resumo: A partir de pesquisa realizada junto ao Programa de História da Ciência da
PUCSP, buscou-se identificar a Competência em Informação, na vertente
Competência Científica, como fator de interação entre a Ciência da Informação com a
História da Ciência quando considerados os aspectos de acesso e uso de documentos
e fontes de informação, contribuindo com a consolidação de parâmetros de avaliação
com vistas à transposição e aplicabilidade desses princípios junto aos pesquisadores
dessa área. Por meio de procedimentos metodológicos que envolveram pesquisa
bibliográfica, elaboração de padrões básicos e indicadores de performance em
Competência em Informação, realização de estudo de caso, a partir de pesquisa de
campo no Centro Simão Mathias de Estudos em História da Ciência da PUC/SP
(CESIMA), através de oficina de trabalho e entrevista estruturada com os
pesquisadores desse Centro, foi possível levantar dados e obter conclusões que
refletem as relações entre a teoria e a prática, tendo como fator primordial a
Competência em Informação, conforme proposta inicial de pesquisa.
Palavras-chave: Competência em informação. Competência científica. Ciência da
Informação. História da Ciência.
Área Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

1 INTRODUÇÃO
Dentre os temas que integram estudos e pesquisas na área da Ciência
da Informação (CI) encontra-se a Competência em Informação,

1

considerada

como um assunto estratégico para a construção de habilidades no uso da
informação em ambiências tradicionais e virtuais. Conforme Zins (2007, p.526),
a área de CI está em constante mudança e necessita de revisões periódicas
para redefinir as categorias do seu campo de atuação. Nesse sentido, o autor
realizou, entre 2003 a 2005, um estudo exploratório com o objetivo de verificar
os fundamentos teóricos e construir um Mapa do Conhecimento em Ciência da
Informação para contemplar um perfil mais contemporâneo. Os resultados
1

Verifica-se na literatura brasileira que o termo Information literacy, adotado na literatura internacional,
vem sendo traduzido como competência informacional, alfabetização informacional, letramento
informacional e competência em informação, expressão que está sendo adotada para o presente trabalho
e em conformidade com o documento da UNESCO “Overview of Information Literacy Resources
Worldwide” (HORTON, 2013, p.31).

�2
alcançados foram consolidados em categorias, sendo que 25% dos
participantes assinalaram formalmente a inserção da Competência em
Informação como uma nova disciplina a ser considerada nos programas dos
cursos e pesquisas. No Quadro 1 encontram-se identificadas as diferentes
denominações indicadas nessa disciplina.
Quadro 1 – Ciência da informação e Competência em Informação 2
Nome da Categoria
Information/Learning society
Training
Information use &amp; users
Information Literacy &amp; Education
Societal Issues
Societal Dimensions
Socio – Cultural disciplines

Nome da disciplina
Information literacy
Information skills
Info &amp; IT literacy
Information literacy
Information literacy, lifelong learning
Educational information/Scientific information
Information literacy

A questão da competência, desde a década de 1970, é foco de análises
acadêmicas e empresariais em diferentes instâncias de compreensão, em
termos da pessoa (as competências do indivíduo), das organizações (as core
competences)

e

dos

países

(sistemas educacionais

e

competências) (FLEURY; OLIVEIRA JUNIOR, 2001, p. 190).

formação

de

Seguindo as

perspectivas propostas por esses estudos, Fleury e Fleury (2001, p. 183-196)
destacam que “O conceito de competência é pensado como um conjunto de
conhecimentos, habilidades e atitudes (...) das pessoas. Em outras palavras, a
competência é percebida como estoque de recursos que o indivíduo detém”.
Na esfera da educação e da pesquisa, esses requisitos são
estabelecidos como de capital importância para os docentes, pesquisadores e
alunos que necessitam ter competências específicas no trato da informação.
Incluem-se nesse processo os próprios documentos e repositórios de
informação onde estão disponíveis, e também as formas de articulação
construídas quanto ao tratamento e a organização das informações e do
corpus documental produzido durante os estudos e pesquisas. Machado (2002,
p. 137-154) assinala que numa sociedade em que o conhecimento se
transformou no principal fator de produção, é natural que muitos conceitos

2

ZINS, 2007. Síntese elaborada pela autora.

�3
transitem entre os universos da economia e da educação. Dessa forma,
competência vem aparecendo tanto no discurso dos administradores da
chamada “economia do conhecimento”, como no contexto educacional em que
a noção de competência é mais abrangente mantendo, com a ideia de
disciplina, um importante vínculo com os currículos que se constituem num
mapeamento do conhecimento. Nesse cenário, foram constituídos padrões e
indicadores internacionais sobre as realizações acadêmicas e como exemplo
pode-se citar os estabelecidos pelo Programme for International Student
Assessment (PISA): Competência em leitura;

Competência matemática;

Competência científica (PROGRAMME FOR INTERNATIONAL STUDENT
ASSESSMENT, 2000).
Segundo Belluzzo (200, p.1-5), tais competências fornecem a condição
de se exercer a autonomia intelectual, condição essencial para as exigências
das capacidades de iniciativa, decisão, domínio cultural, domínio lógico e
psicológico, permitindo o aprimoramento da ciência e da tecnologia. Para tanto,
a fluência científica e tecnológica, como vertente da Competência em
Informação, devem estar presentes em todos os estágios de uma pesquisa
científica. Hatschbach e Olinto (2008, p. 27), destacam que para o
desenvolvimento de habilidades para o melhor uso da informação a
Competência em Informação faz parte da agenda da área de educação e
informação, resultante da interação da Ciência da Informação com as teorias
educacionais vinculadas às novas abordagens adotadas, pressupondo que:
“A habilidade em solucionar problemas, a aprender
criticamente, com autonomia e continuamente
(aprender a aprender), são princípios educacionais
contemporâneos incorporados à área da Ciência da
Informação (...) sendo que a habilidade em definir,
planejar e desenvolver um determinado tema de
pesquisa, de forma crítica, analítica, ética, é um
destaque da pedagogia atual para todos os níveis de
ensino”.
Presente nas diversas agendas de conferências e encontros promovidos
por entidades associativas e cursos da área, esse tema também está em
crescimento quanto à participação de profissionais na configuração de
instruções e como consultores na organização de currículos (ELMBORG, 2006,

�4
p. 192-199). A expressão Competência em Informação (Information Literacy)
foi empregada por Paul G. Zurkowski em 1974, que delineava a necessidade
de “ajudar os alunos e cidadãos de modo geral a manejar rapidamente o
volume enorme de informação e de dados no contexto das tecnologias”
(GIBSON, 2008, p. 195). Posteriormente, Doyle (1994, p. 15-25) estabelece
um conjunto de atributos para que uma pessoa pudesse ser competente no uso
da informação, e que estão relacionados no Quadro 2.
Quadro 2 – Atributos da Competência em Informação 3
Atributos da Competência em Informação











Reconhecer uma informação com apuro e completude é a base para se efetuar uma
decisão com inteligência.
Reconhecer a necessidade de informação.
Formular questões com base nas necessidades de informação.
Identificar fontes potenciais de informação.
Desenvolver com sucesso estratégias para busca de informação.
Acessar fontes de informação incluindo o uso de computadores e outras tecnologias.
Avaliar a informação recuperada.
Organizar a informação para a aplicação prática.
Integrar novas informações num conjunto de conhecimentos já existentes.
Usar a informação de forma crítica para resolução de problemas.

Essas habilidades passaram a ser base de inúmeros estudos com o
propósito de construir um conceito sobre Competência em Informação. Dentre
elas, encontra-se da The Association of College and Research Libraries (2000),
que estabelece a Competência em Informação como sendo “um conjunto de
habilidades requeridas das pessoas para reconhecer quando a informação é
necessária e para localizar, avaliar, e usar com efetividade a informação
recuperada.” Para Belluzzo (2005, p.50), o termo Competência em Informação
vem sendo utilizado com diferentes significados, e também como sinônimo de
habilidades, capacidades, conhecimento e saber. A partir das análises e
pesquisas, propõe que:
“Competência em informação constitui-se em
processo contínuo de interação e internalização de
fundamentos
conceituais,
atitudinais
e
de
habilidades específicas como referenciais à
compreensão da informação e sua abrangência, em
busca da fluência e das capacidades necessárias à
3

DOYLE, 1994, p. 15-25.

�5
geração do conhecimento novo e sua aplicabilidade
ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao
longo da vida“.
Verifica-se, portanto, que a Competência em Informação tem múltiplos
olhares e uma extensão estratégica para as pessoas em todas facetas da
sociedade. É um processo que envolve um conjunto de demandas complexas,
incluindo aptidões, habilidades e atitudes para a avaliação, acesso e uso da
informação em contextos genéricos e particulares.

Esse cenário levou a

United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO),
durante a década de 2000, estabelecer o programa The Information for All
Programme (IFAP),

4

e integrar a Competência em Informação como elemento

fundamental nesse processo. Para isso, elaborou um logo como marco legal
de difusão, Figura 1, e apoiou eventos que propuseram declarações como
subsídio para a criação de políticas e programas na área. 5
Figura 1 – Logo para difusão da Competência em Informação

4

O IFAP publica documentos sobre políticas da sociedade da informação, manuais de como operar
programas nessa temática, e conduz website com um observatório. As prioridades estabelecidas pelo
programa são: Informação para o desenvolvimento, Acessibilidade à informação, Competência em
informação, Ética no uso da informação, Preservação da informação, Estabelecimento de políticas
nacionais para a sociedade da informação. Destacam-se as publicações editadas, a saber: 1) Towards
information literacy indicators, 2008; 2) Undestanding information literacy: a primer, 2008. Disponível em:
http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/intergovernmentalprogrammes/information-for-all-programme-ifap/ (Acessado em 15 de fevereiro de 2013).
5
As declarações fazem parte de um conjunto de documentos que vem sendo propostos nos últimos dez
anos em encontros internacionais com o objetivo de analisar e divulgar o tema/escopo sobre
Competência em Informação como as de: Praga (2003), Alexandria (2005), Ljubjana (2006), Toledo
(2006), Lima (2009), Paramillo (2010), Murcia (2010), Maceió e Fez (2011), Havana e Moscou (2012).

�6
Essa instituição identifica que atualmente as pessoas vivem num mundo
onde a qualidade da informação determina as escolhas e ações, e usar
tecnologias, os vários tipos de mídias

e provedores de informação são

variáveis que devem ser consideradas para o acesso à informação e
conhecimento.

Dessa forma, propôs um conjunto de competências, com

ênfase na Competência em Informação, incluindo nesse processo todos os
tipos de recursos de informação – orais, impressos e digitais (WILSON, 2011,
p.16-20).
Em continuidade aos inúmeros estudos e ações realizadas, modelos
para o desenvolvimento de aprendizagem de Competências em Informação
surgiram para apoiar professores, bibliotecários e gestores de ensino.

6

Além

disso, também foram elaborados padrões e indicadores de performance em
Competência em Informação para dar sustentabilidade aos programas de
ensino e às práticas de capacitação nos procedimentos de busca, recuperação
e uso da informação.

7

Esses padrões servem de parâmetros norteadores à

consecução de ações voltadas à inserção, desenvolvimento e avaliação de
Competência em Informação em situações de pesquisa e em atividades
realizadas pelas pessoas de modo geral (CATTS; LAU, 2008, p. 16). Devido a
essas características sociais e educacionais, estudos e projetos vêm se
expandindo, estabelecendo proposições sobre competências específicas dos
indivíduos e grupos como parte dos esforços e práticas realizadas pelas
bibliotecas, no sentido de organizar procedimentos que propiciem a
capacitação quanto ao acesso e apropriação da informação. 8

6

Exemplos de modelos: Taxonomies of the School Library Media Program e The Organized Investigator
(Circular Model), ambos de David Loertscher; The Big6 Skills Information Problem-Solving Approach to
Information Skills Instruction de Michael B. Eisenberg e Robert E. Berkowitz; INFOZONE de Assiniboine
South School Division of Winnipeg, Canada; Pathways to Knowledg Follett’s Information Skills Models de
Marjorie Pappas e Ann Tepe; The Research Cycle de Jamie Makenzie; Information Literacy: Dan’s
Generic Model de Dan Barron. (MACKENZIE, 1999; BOND, 2013; LOERTSCHER; WOOLLS, 2005).
7

Exemplos de padrões: The Association of College and Research Libraries (ACRL), Information Literacy
Competency Standards of Higher Education da ACRL/ALA; The SCONUL seven pillars of information
literacy; The Council of Australian University Librarians (CUAL), CUAL’s Australian and New Zealand
Information Literacy Framework. (VIRKUS, 2003, p. 2-56).
8

Essa temática, na região Ibero-Americana, faz parte de vários estudos e partir da análise realizada por
Alejandro Uribe Tirado foi elaborada uma linha de tempo com os trabalhos provenientes dos países desse
universo e que está disponível no website Alfabetización Informacional en Iberoamérica. Estado del Arte.
Disponível
no
site
http://www.ifla.org/files/assets/informationliteracy/publications/Declaration/Compet.Declara-de-Havana.2012.Portu-Brasil.pdf

�7
Em estudos realizados por pesquisadores, o desenvolvimento de uma
fluência científica (Competência Científica) 9, se faz presente em todas as
etapas da pesquisa, sendo compreendida como o domínio de conteúdos, de
métodos, das técnicas, das várias ciências, e das habilidades específicas de
cada área de formação e de cada forma de saber e de cultura, incluindo nesse
conjunto a Competência em Informação (BELLUZZO, 2001, p. 1-5). Embora
não exista até o presente momento uma conceituação de forma consensual,
pode-se entender a Competência Científica como a compreensão sobre
ciência, o domínio e uso de conhecimentos científicos, e seus desdobramentos
e aplicações em diferentes esferas da sociedade. Estudos realizados nessa
área tratam sobre as origens do conhecimento científico e como é utilizado e
destacado, incluindo a comunicação científica (LAUGKSH, 2000, p. 71-84).
Para melhor compreensão sobre o processo dessa competência, como
uma das vertentes da Competência em Informação, Loertscher (2003, p.1-21)
elaborou o “Modelo Circular de Pesquisa” composto de sete etapas, com uma
infraestrutura que propiciasse o reconhecimento dos caminhos a serem
percorridos. Ao transpor tais princípios para as condições de acesso e uso da
informação, Belluzzo (2005, p.29-53) assinala que esse modelo propicia às
pessoas a visualização do ciclo de ensino e aprendizagem durante o processo
de estudo e pesquisa. Com base nos princípios expostos sobre a Competência
em Informação e Competência Científica, foi elaborado o projeto de pesquisa
com foco nas possíveis inter-relações constitutivas entre a Ciência da
Informação e História da Ciência, contemplando a Competência de Informação
como elo de interação e que se encontra descrito no item 2.
2 CONSTRUÇÃO METODOLÓGICA: UMA ABORDAGEM INOVADORA
Sendo a área Competência em Informação um tópico estratégico para a
pesquisa científica, e a partir de trabalhos realizados nessa temática desde
9

Devido a pluralidade semântica, esse tema vem sendo identificado por diferentes expressões como:
letramento científico, alfabetização científica, esculturação científica (SASSERON; CARVALHO, 2011,
p.59-77). Embora não tenha sido encontrada a expressão competência científica na literatura analisada,
neste trabalho está sendo adotada dessa forma para a compatibilização com a expressão adotada para
competência em informação. Esse termo foi adotado por Paul Hurd nos anos 1950, época em que se
verificou maior preocupação quanto ao ensino na área das ciências, de suas dimensões sócio-culturais,
das práticas e os impactos econômicos e políticos, além da influência no modo de vida das pessoas
(LAUGKSCH, 2000, p. 71-84).

�8
2004, decidiu-se realizar em 2008 um projeto de Pós-Graduação para o
Programa de História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC SP), tendo como base de estudos e pesquisa o Centro Simão
Mathias de Estudos em História da Ciência, CESIMA,

10

por ser um espaço de

reflexão e contextualização das Ciências Exatas e Naturais, e de estabelecer
interface com as múltiplas áreas do conhecimento, incluindo as Ciências
Humanas.

Em mapeamento da Ciência da Informação (CI) realizado por

Pinheiro e Loureiro (1995, p. 42-53), foram identificadas doze disciplinas
científicas e tecnológicas dentre elas a História da Ciência. Os temas
identificados que manteriam uma interação entre as duas

áreas seriam:

Bibliometria, Comunicação científica e tecnológica e Divulgação científica.
Nesse sentido, com o objetivo de complementar esse estudo, a proposta de
pesquisa a ser realizada estaria introduzindo a Competência em Informação
como mais um fator de interação entre as áreas.
A ciência é uma atividade social e nesse contexto a História da Ciência
desempenha

um

papel

significativo

para

realizar

a

reflexão

e

a

contextualização dos seus resultados, com o intuito de analisar os caminhos do
conhecimento gerado no passado e os modelos constituídos para melhor
compreensão de seus processos, mantendo uma estreita relação com o ensino
e a educação científica (ALFONSO-GOLDFARB; FERRAZ; BELTRAN, 2004,
p.49-73). Assim, a pesquisa realizada junto ao CESIMA teve como propósito
oferecer uma contribuição na perspectiva de construção de metodologia
teórico-prática, e a aplicabilidade e validação de padrões de Competência em
Informação adequados ao contexto brasileiro e estabelecidos como parâmetros
norteadores e essenciais à formação de alunos, professores e pesquisadores
da área da História da Ciência.

O foco central foi a identificação da

Competência em Informação na vertente Competência Científica, e sendo fator
de interação nessa ambiência de pesquisa e estudos com vistas à
transferência e aplicabilidade desses princípios à área da História da Ciência.
A pesquisa foi realizada a partir das etapas identificadas a seguir.

10

Informações disponíveis em: http://www.pucsp.br/pos/cesima

�9


Construção de um referencial bibliográfico e teórico de apoio, com o
propósito de complementar as informações referentes à pesquisa e
análise de interações existentes entre a Ciência da Informação e História
da Ciência.



Estabelecimento e transposição de Padrões básicos e Indicadores de
performance em Competência em Informação para a História da
Ciência, a partir dos padrões estabelecidos por Belluzzo (2007, p.95103), para o reconhecimento das percepções dos pesquisadores quanto
ao acesso e uso de documentos e fontes de informação e suas formas
de articulação com a construção do conhecimento nessa área.



Realização de pesquisa de campo, compreendendo um estudo
exploratório, descritivo e qualitativo, e através de estudo de caso no
CESIMA, contemplando as seguintes fases:
a) Pesquisa documental sobre as atividades e projetos do CESIMA;
b) Realização de Oficina de Trabalho, com a participação de
pesquisadores desse Centro, com o uso de diagrama construído a
partir dos princípios de mapa conceitual,

11

com o intuito de

caracterizar os sujeitos participantes da pesquisa;
c) Entrevista Estruturada com o uso de roteiro base com perguntas
abertas e fechadas, aplicado junto ao universo estabelecido.

A partir do referencial teórico construído, foram elaborados instrumentos
os quais proporcionaram as condições necessárias para as análises dos dados
coletados durante a pesquisa de campo, o que se constituiu em uma
metodologia de natureza teórico - prática e que poderá ser aplicada em outros
ambientes de pesquisa similares. A partir dos resultados obtidos e dos
parâmetros do Modelo Circular de Pesquisa de Loertscher, foi desenvolvida a
adaptação ao contexto que envolve o CESIMA, utilizando-se dos estágios
preconizados pelo modelo e que permitiram visualizar as etapas inerentes
quando da realização de estudos e pesquisas desenvolvidas na área de
História da Ciência. Esse modelo também propiciou, através de seus princípios,
conhecer como realizar a construção da fluência científica (Competência
Científica), enquanto vertente da Competência em Informação, em seus
11

Mapa conceitual, um dos tipos de mapa cognitivo, é uma representação e comunicação gráfica que
facilita a representação de ideias que emergem de palavras-chave e suas associações envolvendo texto,
imagem, cores e conexões espaciais com objetivo de visualizar, classificar e gerar ideias, ou estudo,
resolução de problemas e tomada de decisão ( OKADA, 2008, p. 37-45).

�10
diferentes estágios ou estados cognitivos como conhecimento, compreensão,
aplicação, análise, síntese, e avaliação. O modelo desenvolvido encontra-se na
Figura 2.
Figura 2 – Modelo Circular de Pesquisa como subsídio para o desenvolvimento
da Competência Científica em História da Ciência, como vertente da
Competência em Informação 12

1
7

Formular/apresentar
um problema em HC

2

Discernir entre o que
foi realizado e o ideal
para subsidiar novas
pesquisas em HC

Identificar/localizar
espaços de informação
em HC

CESIMA
PUC/SP

6

3

Comunicar em todas
as mídias possíveis
os resultados das
pesquisas

Ler/observar/ouvir/coletar
/organizar as informações
obtidas nos
documentos/fontes

5

4

Concluir baseado na
melhor informação
obtida nos
documentos/fontes

Comparar/contrastar/julgar
/testar as informações
obtidas dos documentos/
fontes

Complementarmente, foi elaborada também uma síntese com relação
aos princípios da Competência Científica, sob o enfoque das concepções e
dimensões que envolvem a Competência em Informação, e que subsidiaram a
organização de um perfil para a realização de pesquisa na área da História da
Ciência, cuja descrição se apresenta no Quadro 3.

12

Modelo Circular de Pesquisa de Loertscher (2003, p. 1-21). Tradução e adaptação à História da Ciência
elaborado pela autora.

�11
Quadro 3 – Síntese de princípios da Competência Cientifica, sob o enfoque das
concepções e dimensões da Competência em Informação para a realização de
pesquisa em História da Ciência
Síntese de princípios da competência científica, na vertente da competência em
informação, para realizar pesquisa em História da Ciência

















Familiaridade com o conhecimento científico e a terminologia que constituem o tópico
de estudo.
Conhecimento das diferentes formas de produção do conhecimento, diferentes
modelos de investigação e de argumentação.
Conhecimento do método científico e a metodologia adotada pela história da ciência.
Conhecimento dos modelos de análise histórico-epistemológicos da ciência.
Conhecimento da abordagem conceitual do tema em estudo.
Conhecimento e avaliação criticamente do contexto histórico, político, econômico,
social e cultural do período referente aos assuntos contidos nos documentos em
estudo.
Conhecimento das formas de acesso e uso dos documentos e fontes de informação,
bases de dados, portais eletrônicos e os processos de tratamento envolvidos.
Seleção de documentos e fontes e analisá-los criticamente com foco na exposição e
discussão do conteúdo apresentado pelos autores.
Conhecimento dos paradigmas que nortearam pensadores e pesquisadores quando
da realização de seus estudos/experimentos e revelações de seus resultados.
Identificação dos pressupostos que se inserem na base de teorias, argumentos e
posições presentes em discursos e no cotidiano.
Capacidade para observar e analisar problemas, situações e ações.
Domínio de diferentes idiomas (leitura, escrita e oralidade).
Capacidade para organizar e conduzir projetos e desenvolver estratégias para a
realização de estudos/pesquisas.
Capacidade para atuar com o uso de regras e normas, utilizando-as e elaborando-as.
Capacidade para organizar e divulgar os novos conhecimentos decorrentes dos
estudos e pesquisas em História da Ciência.

3 CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES
A partir dos resultados e da interpretação dos dados coletados nas fases
delineadas na primeira etapa da pesquisa foi possível evidenciar que, mediante
a análise de documentos localizados e obtidos de Paul Otlet e George Sarton,
13

e complementados por fontes de informação, as duas áreas em foco

possuem elos de interação em dimensões, tais como: na intersecção
recuperação e uso de documentos e fontes de informação, nas perspectivas de
13

Paul Otlet (1868-1944) , nascido na Bélgica, foi advogado, pacifista e criador de significativos projetos

iniciados no final do século XIX e início do século XX com o propósito de criar redes de informação para
promover o intercâmbio de conhecimento científico. George Sarton (1884-1956), nascido na Bélgica,
filósofo e matemático, é o principal articulador da sistematização e divulgação do conhecimento em
história da ciência a partir de 1912.

�12
estudos cientométricos/bibliométricos, em pesquisas na área da comunicação
científica

e

na

construção

de

árvores

do

conhecimento

científico

(representação e classificação). Para a História da Ciência, os documentos e
fontes de informação são a base para a realização de estudos e pesquisas
sobre o fazer científico, inserido em diferentes épocas e em seu próprio
contexto. Quanto à Ciência da Informação, trata-se do próprio objeto de sua
estruturação como campo científico, alinhado às perspectivas da comunicação
humana, ao registro do conhecimento e à memória intelectual da civilização,
necessidades e uso da informação, contexto social e institucional e tecnologias
da informação.
Na segunda etapa, através de realização de oficinas de trabalho e
entrevistas, foi possível sistematizar e

reconstruir significados do que se

constitui a Competência em Informação e como essa nova disciplina poderia se
tornar um elo de interação entre a História da Ciência e Ciência da Informação.
Considerou-se ser um instrumental necessário para a acessibilidade e
usabilidade de documentos e fontes em pesquisas no processo de construção
do conhecimento e inovação em História da Ciência e no fortalecimento das
inter-relações com a Ciência da Informação. Nesse sentido, pode-se identificar
a possibilidade de se estabelecer uma continuidade e fortalecimento de
programas de formação que permitam complementar aqueles que já são
realizados pelo CESIMA, destacando-se o desenvolvimento, de modo
curricular, da Competência Científica como vertente da Competência em
Informação, enquanto fator de interação entre as duas áreas, bem como as
atividades relacionadas com a organização, representação e uso da
informação/conhecimento, quanto às formas de acesso aos repositórios de
informação, em meios tradicionais e eletrônicos (digitais e virtuais), às
metodologias de pesquisa, produção de textos científicos, e as habilidades
destacadas pelos sujeitos/interagentes participantes do estudo.
Uma proposta conceitual foi efetiva para a organização de forma mais
explicitada dessa interação, que se encontra na Figura 3, tendo como eixo
central o acesso e uso de documentos e fontes de informação, com interrelação entre as perspectivas de estudos e pesquisas em História da Ciência, e

�13
a Competência em Informação, elo de intersecção com a Ciência da
Informação.
Figura 3 – Mapa conceitual para a construção da Competência em Informação
para acesso e uso de documentos e fontes em História da Ciência

Com os resultados alcançados, pretendeu-se contribuir e fornecer
subsídios

para

continuidade

de

pesquisas

e

estudos

nessa

área,

proporcionando desdobramentos à construção de instrumentos que propiciem
a consolidação de competências no acesso e uso de documentos e

�14
informações, e possibilitando a construção do conhecimento científico in
continuum na sociedade.
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Competência em informação e competência científica -  um estudo de caso apoiado em construção metodológica qualitativa</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>A partir de pesquisa realizada junto ao Programa de História da Ciência da PUCSP, buscou-se identificar a Competência em Informação, na vertente Competência Científica, como fator de interação entre a Ciência da Informação com a História da Ciência quando considerados os aspectos de acesso e uso de documentos e fontes de informação, contribuindo com a consolidação de parâmetros de avaliação com vistas à transposição e aplicabilidade desses princípios junto aos pesquisadores dessa área. Por meio de procedimentos metodológicos que envolveram pesquisa bibliográfica, elaboração de padrões básicos e indicadores de performance em Competência em Informação, realização de estudo de caso, a partir de pesquisa de campo no Centro Simão Mathias de Estudos em História da Ciência da PUC/SP (CESIMA), através de oficina de trabalho e entrevista estruturada com os pesquisadores desse Centro, foi possível levantar dados e obter conclusões que refletem as relações entre a teoria e a prática, tendo como fator primordial a Competência em Informação, conforme proposta inicial de pesquisa.</text>
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