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                  <text>Comportamento informacional: um estudo do acesso, da busca e do
uso da informação pelos usuários com deficiência auditiva

Linete Bartalo (UEL) - linete@uel.br
Thais Batista Zaninelli (UEL) - tbz@uel.br
Resumo:
A análise do comportamento informacional de usuários surdos foi o principal objetivo
deste estudo. Nesse contexto, realizou-se uma pesquisa cujos objetivos específicos
foram: (1) identificar como essa classe de usuários reconhece suas necessidades
informacionais, (2) identificar as fontes de informações utilizadas, (3) analisar os
procedimentos para busca da informação e (4) de que forma essas informações são
utilizadas. Os dados foram coletados por meio de um questionário estruturado com
14 questões que contemplam os objetivos propostos. O questionário foi administrado
em 22 particiantes, todos eles surdos, de uma escola para surdos. Os resultados
indicam que, se por um lado, para os alunos a deficiência auditiva dificulta algumas
atividades, por outro lado, o trabalho do profissional bibliotecário pode minimizar tais
dificuldades por intermédio do atendimento especializado aos usuários portadores
de deficiência auditiva. O estudo mostrou que a maioria dos participantes identifica
em si necessidade de informação, dentro da sala de aula, no momento em que o
professor está explicando algum conteúdo, sendo que nem sempre essa
identificação apresenta-se claramente. A fonte de informação mais utilizada é a
Internet e os documentos disponilizados na biblioteca da escola. Para buscar a
informação, a maioria dos usuários pede ajuda ao auxiliar de biblioteca e, além de
materiais educacionais, eles procuram informações sobre curiosidades, redes
sociais e notícias. A maioria dos participantes reúne e compara as informações
coletadas/recuperadas para utilizá-las.
Palavras-chave: Comportamento informacional. Usuários da informação surdos. Unidades de
informação - surdos.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013
Comportamento informacional: um estudo do acesso, da busca e do uso da
informação pelos usuários com deficiência auditiva

RESUMO

A análise do comportamento informacional de usuários surdos foi o principal objetivo
deste estudo. Nesse contexto, realizou-se uma pesquisa cujos objetivos específicos
foram: (1) identificar como essa classe de usuários reconhece suas necessidades
informacionais, (2) identificar as fontes de informações utilizadas, (3) analisar os
procedimentos para busca da informação e (4) de que forma essas informações são
utilizadas. Os dados foram coletados por meio de um questionário estruturado com
14 questões que contemplam os objetivos propostos. O questionário foi administrado
em 22 particiantes, todos eles surdos, de uma escola para surdos. Os resultados
indicam que, se por um lado, para os alunos a deficiência auditiva dificulta algumas
atividades, por outro lado, o trabalho do profissional bibliotecário pode minimizar tais
dificuldades por intermédio do atendimento especializado aos usuários portadores
de deficiência auditiva. O estudo mostrou que a maioria dos participantes identifica
em si necessidade de informação, dentro da sala de aula, no momento em que o
professor está explicando algum conteúdo, sendo que nem sempre essa
identificação apresenta-se claramente. A fonte de informação mais utilizada é a
Internet e os documentos disponilizados na biblioteca da escola. Para buscar a
informação, a maioria dos usuários pede ajuda ao auxiliar de biblioteca e, além de
materiais educacionais, eles procuram informações sobre curiosidades, redes
sociais e notícias. A maioria dos participantes reúne e compara as informações
coletadas/recuperadas para utilizá-las.
Palavras-Chave: Comportamento informacional. Usuários da informação surdos. Unidades
de informação - surdos.

Temática II - Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

1 INTRODUÇÃO
A dificuldade de integração do portador de necessidades especiais na
sociedade localiza-se, muitas vezes, no ceticismo sobre a sua capacidade, é preciso
postura de credibilidade frente a esta questão. As dificuldades se fazem presentes a
todo instante e em todos os ambientes, e um dos papéis do profissional da
informação, no âmbito de suas atividades, é trabalhar para minimizar essas
dificuldades e melhor atender aos usuários portadores de deficiência.
É importante ressaltar que a burocracia ainda afeta algumas atividades
específicas relacionadas ao portador não só de deficiência auditiva, mas também
usuários com outros tipos de deficiência como de mobilidade. Essas burocracias
envolvem aspectos como: (1) a movimentação no espaço físico, (2) o acesso à

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informação escrita por meio da leitura, (3) o atendimento, e (4) o processo de
comunicação, que muitas vezes torna-se mais desafiadora. Neste contexto, uma vez
que a biblioteca é uma unidade de informação voltada para suprir as necessidades
informacionais da comunidade, é fundamental que os profissionais que nela atuam
não se omitam perante esta realidade, procurando desenvolver práticas diárias com
o objetivo de estruturar seus produtos e serviços de modo a estendê-los aos
usuários com necessidades especiais, participando do processo de inclusão do
portador de deficiência na sociedade. Com base no que foi exposto, este trabalho
apresenta um estudo realizado com os usuários surdos que se utilizam de uma
linguagem própria, que difere das utilizadas pelos que não possuem tal limitação.
Apesar da deficiência apresentada por esta classe de usuários, de modo geral, eles
conseguem aprender, com relativa facilidade, a decodificar os símbolos gráficos,
entretanto, devido às limitações de exposição à linguagem oral, apresentam
dificuldades na compreensão dos textos (TENOR, 2008, p.24).
É nessa linha que o profissional da informação pode e deve melhorar suas
capacidades para lidar com esse tipo de usuário, por meio da qualificação e da
adaptação das suas atividades diárias que envolvem uma unidade de informação,
para que os usuários surdos tenham suas necessidades informacionais supridas.
Esta pesquisa analisou o comportamento informacional dos alunos de uma
escola para surdos, e para isso identificou a forma com que a informação é
resgatada por eles, pois utilizam-se de uma linguagem própria para se comunicarem
e nem sempre os profissionais atuantes na biblioteca estão preparados para
trabalhar com esta língua, dificultando, assim, o desenvolvimento pleno de suas
atividades de forma eficaz, em uma unidade de informação, no atendimento aos
surdos.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Acesso à informação

Com a aprovação da lei 12.244/2010, de maio de 2010, que determina que
todas as instituições de ensino do país, sejam elas públicas ou privadas, tenham um
acervo de, no mínimo, um título por aluno matriculado e, entendendo a inclusão

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como direito, destaca-se a importância de considerar o usuário, em suas
necessidades, e conhecer seu comportamento informacional, arrolado às suas
diversas realidades e particularidades (BRASIL, 2010).
O acesso irrestrito ao conhecimento, defendido pelo Manifesto da
IFLA/UNESCO sobre bibliotecas públicas (1994) em que “[...] o desenvolvimento da
sociedade e dos indivíduos [...] só será atingido quando os cidadãos estiverem na
posse da informação que lhes permita exercer os seus direitos democráticos e ter
um papel ativo na sociedade”, deve ser respeitado e defendido.
A biblioteca é uma organização social moldada de acordo com os padrões,
ideologias e valores culturais que regem os modelos de sociedade vigentes, é uma
unidade de informação que visa suprir as necessidades informacionais da
comunidade onde está inserida, portanto, é fundamental que ela não se omita
perante o problema, procurando estruturar seus produtos e serviços e estendê-los
aos usuários com necessidades especiais, participando, então, do processo de
inclusão do portador de deficiência na sociedade.
Nesse contexto, os bibliotecários – enquanto gestores das unidades de
informação - devem estar conscientes de que o problema maior não é prover a
informação para o portador de deficiência, sejam elas visual, auditiva ou motora e
sim criar condições acessíveis para que eles se interessem e utilizem os serviços e
produtos oferecidos pelas bibliotecas. Portanto, a postura dos bibliotecários frente
aos portadores de deficiência não deve ser de realizar ações isoladas, mas envolver
a participação de outros organismos que lidam com a problemática da deficiência,
seja ela qual for, para fortalecer o trabalho das bibliotecas.1

2.2 Portador de necessidades especiais: a caracterização do surdo

O termo “surdo” é uma forma das pessoas que não ouvem individualizarem a
si e a seus pares. O indivíduo surdo é, portanto, aquele que, de forma padrão, não
aprende a linguagem oral/auditiva, utilizada pela maioria da população. Entretanto,
segundo estudos realizados, os surdos formam de um grupo não apenas
1

A revisão de literatura foi feita, em parte, pela acadêmica de Biblioteconomia Tatiana Cristina da
Silva.

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caracterizado pela falta de audição, pois esta concepção passa mais por uma
identificação do grupo do que por uma característica física (SÁ, 2002).
A surdez é caracterizada pela perda auditiva em decibéis (dc), e assim
definida como surdez leve (perda auditiva entre 20 e 40 dc), moderada (entre 40 e
70 dc), severa (entre 70 e 90 dc) e profunda (acima de 90 dc) (PORTELA;
PORTELA, 2011).
Com a evolução da sociedade, o surdo vem ganhando espaço e se
estabelecendo como cidadão, pois a história conta que pessoas surdas eram
consideradas incompetentes e, até a Idade Média, tidas como seres sem alma pela
igreja por não poderem falar os sacramentos (MOURA, 2000, p.46).
Segundo a autora, a primeira alusão a linguagens de sinais ocorreu na Idade
Moderna por Bartolo della Marca d’Ancona, que considerava a possibilidade do
surdo se expressar por meio de sinais ou outras formas. Ainda na Idade Moderna,
século XV, segundo o médico italiano Girolamo Cardamo, os surdos podiam e
deviam receber instruções.
No começo do século XX, é possível encontrar insucessos do oralismo
quando todos aqueles que não progredissem oralmente eram considerados
deficientes mentais com necessidades especiais. Segundo Monteiro (2006, p. 29),
“existiam famílias ouvintes que ‘escondiam’ os filhos surdos pela ‘vergonha’ de ter
concebido uma criança fora dos padrões considerados normais; e por isso os surdos
quase não saíam de casa ou sempre ficavam acompanhados dos pais”. Para esta
autora, nem mesmo os surdos entendiam o valor da linguagem de sinais,
bloqueando, assim, a aprendizagem desta Língua, o que desencadeou diversos
problemas sociais, emocionais e intelectuais.
Com a aprovação da Lei de LIBRAS n° 10.436 de 24 de abril de 2002 e o
decreto n° 5626 de 22 de dezembro de 2005 que a reg ulamenta, o surdo ganhou
visibilidade, mas é aos poucos que ele tem conquistado espaço na sociedade.
Atualmente, os trabalhos com surdos estão se intensificado, e minimizando as
barreiras vividas por eles, visto que, como cidadãos, apesar de uma cultura
diferenciada dos ouvintes, possuem os mesmos direitos e deveres assegurados na
Constituição, e como lembram Gouveia Junior e Cunha (2011, p. 77),
[...] a linguagem e o ato de se comunicar são a base das relações sociais.
[...] por mais que a linguagem não esteja restrita à fala e à sua percepção,

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não se pode ignorar as dificuldades que o deficiente auditivo enfrenta por
não ser capaz de entender e se fazer entender.

Todo cidadão tem direito à educação, porém ela deve ir além de uma sala de
aula, a educação é consolidada pelos cidadãos em seu dia a dia com base em
vários aspectos, dentre eles, a busca, o acesso e o uso da informação.

2.3 Necessidades informacionais dos usuários surdos

A informação é imprescindível para o desenvolvimento da sociedade, seja
essa sociedade composta de usuários com algum tipo de necessidade especial ou
não. Nesse sentido, de acordo com Schweitzer (2007, p. 274), a noção de acesso à
informação relaciona-se também a dispositivos políticos, culturais, materiais e
intelectuais que garantem a esses usuários o direito à informação, pois “No Brasil,
praticamente inexiste uma reflexão mais aprofundada sobre o dever institucional de
contribuir para a acessibilidade da informação às pessoas com deficiência”.
A garantia ao acesso à informação e inclusão a usuários com necessidades
especiais tem por base a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que
“estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das
pessoas com necessidades especiais ou com mobilidade reduzida”. (BRASIL, 2000).
Schweitzer (2007) enfatiza a importância da criação de uma nova sociedade
na igualdade das oportunidades que favoreçam a criação de uma inclusão, pois o
acesso à informação é de fundamental importância para a transformação da vida do
cidadão, independente de ter ou não alguma limitação.
Todavia, as unidades de informação são portais para o conhecimento e têm
como função essencial disponibilizar de maneira organizada a informação. Segundo
Gil (2005), para que elas sejam acessíveis às pessoas com deficiência, faz-se
necessário atentar para acessibilidade arquitetônica (acesso físico sem desnível ou
catraca), comunicacional (libras e Braille) e tecnológica (DVD, CD-ROM, entre
outros).
A Declaração dos Direitos da Pessoa Usuária dos Serviços Prestados por
Profissionais da Informação, da Federação Internacional das Associações de
Bibliotecários- IFLA, em 29 de março de 1999, afirma e aconselha aos bibliotecários
que

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[...] As bibliotecas têm a responsabilidade de garantir e facilitar o acesso às
expressões do conhecimento e da atividade intelectual. Com este fim, as
bibliotecas devem adquirir preservar e disponibilizar a mais ampla variedade
de documentos, refletindo a pluralidade e a diversidade da sociedade; [...]
As bibliotecas deverão disponibilizar os seus documentos, instalações e
serviços a todos os utilizadores, de forma eqüitativa. Não deve haver
nenhuma discriminação com base na raça, credo, sexo, idade ou em
qualquer outro motivo [...] (FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DAS
ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS E DE BIBLIOTECAS - IFLA, 1999,
p.1).

De acordo com os documentos e pesquisas citados anteriormente, percebese a importância e alcance das leis gerais e específicas sobre a acessibilidade e a
inclusão de pessoas com necessidades especiais.
Segundo Coneglian e Silva (2006), a biblioteca inclusiva não é aquela
biblioteca específica, por exemplo, para deficientes visuais, com todo o acervo
disponível em Braille, mas, sim, aquela que atende a toda a demanda da população
de maneira igualitária, onde seus usuários possam acessar e utilizar os produtos e
serviços, conforme suas especificidades.
Diante do exposto, é razoável considerar que bibliotecas devam atender a
todos os tipos de usuários, inclusive aqueles com deficiência auditiva – os surdos. A
Resolução nº 112 CEE/SC, em seu inciso I do parágrafo primeiro do Artigo 2°, define
deficiência auditiva como sendo
a perda parcial ou total, congênita ou adquirida, da capacidade de
compreender a fala através do ouvido. A mensuração é feita através de
avaliações que comprovem perda bilateral de 25 decibéis (dB) ou mais,
resultante da média aritmética do audiograma, aferida nas freqüências de
500 Hertz (Hz), 1.000 Hz, 2.000 Hz, 3.000 Hz, 4.000 Hz; variando de acordo
com o nível ou acuidade auditiva. (SANTA CATARINA, 2006, p. 1).

Dessa forma, a comunicação com os usuários surdos se dá pela língua
brasileira de sinais (libras), sendo obrigação do profissional da informação que atua
no contexto das bibliotecas aprender a linguagem de LIBRAS, para atender com
qualidade essa classe de usuários.

2.4 Libras: uma opção de linguagem para os surdos
A libras é reconhecida pela Lei nº 10.436/2002 (BRASIL, 2002) e pelo Decreto
nº 5.626/2005 (BRASIL, 2005). Essa língua é visual-espacial, ou seja, se expressa

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no espaço com articuladores visuais: as mãos, o corpo, os movimentos e o espaço
de sinalização.
Segundo Quadros e Karnopp (2004, p. 30), “as línguas de sinais são,
portanto, consideradas pela lingüística como línguas naturais ou como um sistema
lingüístico legítimo e não como um problema do surdo ou como uma patologia da
linguagem”. Os surdos possuem língua e cultura próprias, a linguagem, para o
surdo, também se constitui pela aquisição espontânea da sua língua materna.
Quadros (1997) e Quadros e Karnopp (2004) concordam que as línguas de
sinais não são sistemas linguísticos universais, utilizam a modalidade espaço-visual
que se diferencia da modalidade oral-auditiva usada pelas línguas orais, ou seja, as
línguas de sinais utilizam-se da visão e do espaço, enquanto as línguas orais valemse da fala e da audição. E, da mesma forma que as línguas faladas, as línguas de
sinais apresentam variação linguística, portanto a linguagem de sinais – LIBRAS surgiu de forma espontânea, da necessidade da comunicação entre os surdos,
assim como as línguas orais.
Tendo em vista que hoje a presença dos usuários surdos é uma realidade do
dia a dia das unidades de informação, o presente estudo investiga, por um lado, o
comportamento informacional dessa classe de usuário e, por outro lado, apresenta a
necessidade de conscientização dos profissionais da informação em se capacitarem
para entender e suprir tais necessidades. Ressalta-se que o comportamento
informacional compõe-se do conjunto de ações para lidar com a informação, desde a
identificação de uma necessidade de informação, da busca por ela, passando pelo
seu acesso, avaliação e uso.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este estudo investigou o comportamento informacional de usuários surdos do
Instituto Londrinense de Educação de Surdos – ILES, criado em 15 de agosto de
1959, dentro de uma escola pública regular, o “Grupo Escolar Benjamim Constant de
Londrina-Pr”, iniciando suas atividades com cinco alunos. Nos anos seguintes, novos
alunos foram recebidos e, em 1998, implantou-se o ensino médio. Atualmente, o
atendimento educacional dos alunos tem início na educação infantil (0 a 6 anos),

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seguido de ensino fundamental e médio, além de outros programas como a
alfabetização de adultos e classes especiais de dupla deficiência.
Os objetivos específicos deste estudo foram: (1) identificar como essa classe
de usuários reconhece suas necessidades informacionais, (2) identificar as fontes de
informações utilizadas, (3) analisar os procedimentos para busca da informação, e
(4) de que forma essas informações são utilizadas. Para que se alcançasse com
êxito estes objetivos, o estudo foi de natureza exploratória-descritiva com
abordagem quantitativa.
Para a coleta dos dados2, formulou-se um questionário que, além de duas
questões de caracterização dos participantes; apresentava quatro questões para
identificar o reconhecimento das necessidades informacionais; duas para verificar as
fontes de informações utilizadas; seis para analisar os procedimentos de busca da
informação; e duas para verificar como as informações são utilizadas, totalizando 16
questões. A aplicação do questionário ocorreu nas salas de aulas dos participantes,
em horário regular de aula. Antecipadamente, foi solicitada e concedida autorização
oficial da direção da escola e da professora de cada turma.
Participaram da pesquisa os alunos que portavam os Termos de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) devidamente assinados por eles, no caso
dos maiores de idade, e pelos pais ou responsáveis, no caso dos menores de idade.
Vinte e dois alunos responderam ao questionário, sendo 12 do sexo feminino e 10
do masculino, com idades entre 15 e 23 anos. Ressalta-se que, inicialmente, os
participantes seriam 26 alunos, entretanto quatro deles não apresentaram o referido
termo devidamente assinado, inviabilizando sua participação no presente estudo.
O processo de análise ocorreu em duas fases: a primeira envolveu a
tabulação dos dados com base no software de gestão de dados Excel, e a segunda
fase, a análise dos resultados.

4 RESULTADOS
Os resultados levaram em consideração os objetivos incialmente propostos, e
estão apresentados da seguinte forma: necessidades de Informação em diferentes
contextos, em seguida, apresentam-se os resultados relacionados tanto com as
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Os dados foram coletados pela bibliotecária Carolina Paola Furlanetto Correia.

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fontes de informação mais utilizadas pelos usuários surdos, quanto ao seu processo
de busca de informação, finalizando com o uso da informação.

4.1 Necessidades de Informação

A necessidade de informação surge em diferentes contextos, entretanto 45%
dos participantes revelaram que essa necessidade aparece no momento em que o
professor está explicando algum conteúdo; seguidos por 32% que sentem esta
necessidade quando estão fazendo uma prova; 14% quando elaboram um trabalho;
e 9 % dos respondentes salientam que sentem necessidade informacional quando
estão estudando.
As necessidades de informação nem sempre são claras para a maior parte
dos respondentes, 64% deles, porém 23% percebem nestas necessidades com um
pouco de confusão na hora de interpretá-las e ainda 9% consideram-nas sempre
confusas. Apenas um participante (4%) salientou tê-las sempre claras. No que diz
respeito à frequência com que esta necessidade é percebida, 59% apontaram que
sempre a percebem; 32% às vezes; e 9% raramente.
Para identificar a disciplina que os participantes mais necessitam de
informação, foi solicitado que eles as categorizassem da primeira (1- a que mais
necessitam de informação) até a oitava (8 – a que menos necessitam de
informação).
A disciplina apontada como a que mais necessita de informação foi a de
português com 55% dos participantes atribuindo-lhe número 1, ou seja, primeiro
lugar em necessidade de informação. Também em primeiro lugar aparecem
matemática para 18% dos participantes; sociologia e educação física para 14%;
ciências para 9%; e filosofia e história para 4%.
Como segunda colocada em necessidade de informação, constatou-se
português e matemática para 27% dos participantes; história e sociologia para 14%;
geografia para 9%; e educação física para 5%.
História e matemática foram apontadas como terceira necessidade de
informação por 27% dos respondentes; geografia por 14%; e filosofia, sociologia e
educação física por 9%. No quarto lugar de frequência de necessidade de
informação, aparecem filosofia para 32% dos participantes; geografia para 18%; e

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sociologia para 14%.
Na oitava colocação, ou seja, a de menor necessidade de informação ficou
educação física para 68%; as disciplinas de ciências, matemática e sociologia para
9,09%; e ainda geografia para 5%.

4.2 Fontes de informação

Para identificar as fontes de informação mais utilizadas pelos participantes,
solicitou-se que eles as classificassem por frequência de utilização. Conforme
resultados apresentados no Gráfico 1, a fonte de informação mais utilizada é a
internet (68%). Para 18% dos participantes, que usam outras fontes, discriminaramnas como sendo apostilas, revistas e livros didáticos.
Gráfico 1: Fontes de Informação

Fonte: Dados da pesquisa.

As fontes de informação utilizadas para localizar informações para as
disciplinas cursadas para 73% dos participantes é a televisão; para 18%, os jornais;
e para 9% são outras fontes, tais como as revistas.

4.3 Busca da informação

No que se refere ao momento de busca pela informação para trabalhos
escolares na biblioteca, 50% dos respondentes afirmaram que falam o tema a ser
pesquisado e o auxiliar de biblioteca lhes traz o livro; 32% relataram que os livros já
estão separados; aqueles que vão direto à estante porque sabem encontrar o
material que precisam perfazem 14% dos participantes, sendo que 5% ao

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informarem o tema da pesquisa, o auxiliar de biblioteca indica onde fica o material
solicitado.
Ao iniciar uma busca de informação na biblioteca para encontrar materiais
compatíveis com o tema procurado, 64% pedem a ajuda ao auxiliar de biblioteca;
18% aos colegas e aos professores; e outros 18% não pedem ajuda a ninguém.
Fora do âmbito educacional, 36% dos participantes buscam informações
sobre curiosidades, 27% sobre as redes sociais, 23% sobre as notícias, 9% sobre
esportes, e 5% buscam informação por outros motivos.

4.4 Uso da informação

Para usar as informações acessadas, 41% dos participantes as reúne para
compará-las, enquanto 36% não pegam mais de uma informação e 18,% selecionam
as informações apenas na hora de utilizá-las, sendo que 5% apontaram a opção
“outros”.
A forma de uso da informação para 27% dos participantes resume-se a
copiá-la como a encontra; outros 27% copiam aleatoriamente; 18% copiam
complementando; 14% criam texto com as informações encontradas e 14%
compararam as informações encontradas, conforme resultados apresentados no
Gráfico 2.
Gráfico 2 - Uso da Informação

Fonte: Dados da pesquisa.

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5 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA
Os resultados encontrados nesta pesquisa revelam o dinamismo com que
esta comunidade escolar busca as informações para satisfazer suas necessidades
informacionais acadêmicas, cujo teor orienta-se no sentido de realizar a
aprendizagem de uma forma efetiva. As dificuldades apontadas, tanto no aspecto de
clareza na definição de uma necessidade informacional, como na busca por
informação pelos estudantes surdos podem e devem receber maior atenção por
parte do profissional bibliotecário, sendo de importância fundamental para a
superação de barreiras porventura existentes.
De acordo com o Manisfesto da International Federation of Library
Associations and Institutions (IFLA), a biblioteca escolar deve ter as seguintes
funções:
Informativa: fornecer informação viável, acesso rápido, recuperação e
transferência de informação. Nesta função, a biblioteca deverá integrar as
redes de informação regionais e nacionais;
Educativa: assegurar a educação ao longo da vida, promovendo meios e
equipamentos e um ambiente favorável à aprendizagem, tais como:
orientação presencial, seleção e uso de materiais formativos em
competências de informação, sempre através da integração com o ensino
na sala de aula e a promoção da liberdade intelectual;
Cultural: melhorar a qualidade de vida mediante a apresentação e apoio a
experiências de natureza estética, orientação na apreciação das artes,
encorajamento à criatividade e desenvolvimento de relações positivas;
Recreativa: suportar e melhorar uma vida equilibrada em encorajar uma
ocupação útil dos tempos livres mediante o fornecimento de informação
recreativa, materiais e programas de valor recreativo e orientação na
utilização dos tempos livres. (MANIFESTO…, 2000).

O empenho do profissional bibliotecário em cada uma destas funções em
uma escola, principalmente em escola de educação para surdos, como é o caso do
ILES, minimiza dificuldades originadas desta deficiência. Há de se destacar a função
educativa dentre as quatro definidas no referido Manifesto, junto à qual este
empenho pode ser mais produtivo no sentido do apoio que pode ser dado pela
biblioteca aos educadores, como suporte nas diversas atividades pedagógicas
realizadas no intuito de um processo ensino-aprendizagem mais eficaz.
Dessa forma, o profissional bibliotecário deve ter qualificação profissional
especializada no atendimento a esta comunidade de usuários para promover a

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inclusão social no que tange à informação. Nesse sentido, as contribuições trazidas
com os resultados desta pesquisa servem de subsídios para embasar possíveis
planejamentos que visem à melhoria das condições de bibliotecas escolares e
principalmente daquelas inseridas em escolas especializadas no atendimento de
pessoas com alguma forma de deficiência.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presença dos usuários com deficiência em todos os ambientes, sejam
acadêmicos, profissionais ou de lazer, propõe uma nova tendência na relação
humana, à medida que tenta superar preconceitos e disseminar o conceito de
inclusão, em que todos os indivíduos são iguais no acesso à informação,
independente das suas limitações, pois o direito à informação precisa e deve ser
respeitado.
O comportamento informacional, essencial ao exercício da cidadania e
inclusão social foi o foco deste estudo que, por um lado realizou uma pesquisa
empírica junto aos alunos e, por outro lado, refletiu sobre o profissional bibliotecário,
levando em conta a estrutura social que tem como base a informação que provoca a
ação do indivíduo em situações do cotidiano.
Com base no exposto, conclui-se que é fundamental que o profissional
bibliotecário reconheça a importância de todas as fases do comportamento
informacional (identificação de uma necessidade de informação, sua busca,
avaliação e uso), uma vez que o sucesso, em cada uma destas fases,
principalmente no que diz respeito às informações para fins de aprendizagem
escolar depende, em alguma medida da capacidade do profissional que atua na
biblioteca da escola.
Tendo como objeto de estudo os usuários com necessidades especiais – os
surdos – e considerando que eles necessitam de tecnologias e atenção específicas
por parte dos profissionais de informação e dos ambientes informativos, os
resultados obtidos embasam a sugestão para que futuras pesquisas envolvam, de
forma mais efetiva, a avaliação da capacitação dos profissionais que atendem a este
público em especifico, inclusive a estrutura do ambiente de atendimento desta classe
de usuários da informação.

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>Comportamento informacional: um estudo do acesso, da busca e do uso da informação pelos usuários com deficiência auditiva</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>A análise do comportamento informacional de usuários surdos foi o principal objetivodeste estudo. Nesse contexto, realizou-se uma pesquisa cujos objetivos específicosforam: (1) identificar como essa classe de usuários reconhece suas necessidadesinformacionais, (2) identificar as fontes de informações utilizadas, (3) analisar osprocedimentos para busca da informação e (4) de que forma essas informações sãoutilizadas. Os dados foram coletados por meio de um questionário estruturado com14 questões que contemplam os objetivos propostos. O questionário foi administradoem 22 particiantes, todos eles surdos, de uma escola para surdos. Os resultadosindicam que, se por um lado, para os alunos a deficiência auditiva dificulta algumasatividades, por outro lado, o trabalho do profissional bibliotecário pode minimizar taisdificuldades por intermédio do atendimento especializado aos usuários portadoresde deficiência auditiva. O estudo mostrou que a maioria dos participantes identificaem si necessidade de informação, dentro da sala de aula, no momento em que oprofessor está explicando algum conteúdo, sendo que nem sempre essaidentificação apresenta-se claramente. A fonte de informação mais utilizada é aInternet e os documentos disponilizados na biblioteca da escola. Para buscar ainformação, a maioria dos usuários pede ajuda ao auxiliar de biblioteca e, além demateriais educacionais, eles procuram informações sobre curiosidades, redessociais e notícias. A maioria dos participantes reúne e compara as informaçõescoletadas/recuperadas para utilizá-las.</text>
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