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                  <text>Considerações sobre o estágio obrigatório e a formação do
profissional da informação

Maria da Conceição Calmon Arruda (Fiocruz) - conceicaoarruda2010@hotmail.com
Resumo:
A partir da reflexão sobre os elementos que contribuíram para a reconfiguração e
ampliação do ensino superior do Brasil, o presente texto propõe uma reflexão teórica
sobre a importância do estágio obrigatório na formação do profissional da
informação, especificamente dos bibliotecários. O exame da área de
Biblioteconomia, Informação e Arquivo nos dados estatísticos do Inep, anos 2001 e
2011, revela um crescimento da área de Biblioteconomia, tanto no que diz respeito
ao número de cursos ofertados, quanto ao número de alunos matrículas. A área de
Arquivologia também teve um desempenho significativo. O número de concluintes
destas áreas praticamente dobrou no período analisado. Como a nova lei propõe um
envolvimento maior das instituições concedentes no processo de acompanhamento
e avaliação do estágio, destacamos que essa configuração abre espaço para uma
maior articulação entre teoria e prática. A titulo de considerações finais asseveramos
que dificilmente conseguiremos transformar a prática biblioteconômica sem atuar na
formação dos profissionais e que dentro dessa dinâmica o estágio obrigatório
assume papel de destaque na formação do futuro profissional da informação.
Palavras-chave: Formação Profissional. Estágio Obrigatório. Biblioteconomia.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

Considerações sobre o estágio obrigatório e a formação do profissional da
informação
Resumo:
A partir da reflexão sobre os elementos que contribuíram para a reconfiguração e
ampliação do ensino superior do Brasil, o presente texto propõe uma reflexão teórica
sobre a importância do estágio obrigatório na formação do profissional da
informação, especificamente dos bibliotecários. O exame da área de
Biblioteconomia, Informação e Arquivo nos dados estatísticos do Inep, anos 2001 e
2011, revela um crescimento da área de Biblioteconomia, tanto no que diz respeito
ao número de cursos ofertados, quanto ao número de alunos matrículas. A área de
Arquivologia também teve um desempenho significativo. O número de concluintes
destas áreas praticamente dobrou no período analisado. Como a nova lei propõe um
envolvimento maior das instituições concedentes no processo de acompanhamento
e avaliação do estágio, destacamos que essa configuração abre espaço para uma
maior articulação entre teoria e prática. A titulo de considerações finais asseveramos
que dificilmente conseguiremos transformar a prática biblioteconômica sem atuar na
formação dos profissionais e que dentro dessa dinâmica o estágio obrigatório
assume papel de destaque na formação do futuro profissional da informação.
Palavras-chave: Formação Profissional. Estágio Obrigatório. Biblioteconomia.
Área Temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do
profissional da informação
INTRODUÇÃO

O presente texto propõe uma reflexão teórica sobre Lei do Estágio (Lei 11.788
de 11 de setembro de 2008) e sobre a importância do estágio obrigatório na
formação do profissional da informação. Não temos a pretensão de esgotar o tema,
mas sim contribuir para o debate, destacando que além da nova lei ter sido
sancionada em um contexto sócio histórico e econômico diverso da anterior, ela é
pensada em um momento de expansão do sistema público de ensino.
A fim de atender a demanda da população e do empresariado por mais
escolarização, desde os anos 1990 o governo brasileiro vem implementando uma
série de medidas visando a ampliar o acesso e a permanência da população no
sistema público de ensino. Se, em um primeiro momento, o foco foi a
universalização do ensino fundamental, na última década identifica-se um

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direcionamento para a expansão e para a interiorização da educação profissional e
do ensino superior (ARRUDA&amp;PAULA, 2012).
Entre as ações de incentivo à ampliação do ensino superior, destacamos: a
adoção do Enem como forma de acesso ao ensino superior em substituição ao
exame vestibular, a expansão e interiorização das Instituições Federais de Ensino
Superior (IFES), o apoio às Instituições de Ensino Superior Privadas via PROUNI, o
incentivo à Educação a Distância etc.
Uma das resultantes das políticas de educação supra é que atores sociais
antes excluídos do ensino superior veem redimensionadas suas perspectivas de
acesso a este nível de ensino, seja pelo ingresso em uma Instituição pública, seja
amparado por uma bolsa do PROUNI.
De par em par com estas ações, novos cursos de nível superior são criados,
outros reformulados, na tentativa de responder às mudanças sócio econômicas,
tecnológicas e culturais.
É dentro dessa dinâmica que a lei de estágio anterior, de 1977, já não
consegue corresponder movimento real da sociedade contemporânea. Mas apesar
da nova Lei do Estágio normatizar o estágio em todos os níveis1 e modalidades de
ensino, neste texto vamos nos debruçar especificamente os novos parâmetros do
estágio obrigatório no ensino superior, destacando sua dimensão pedagógica e seu
papel na formação do futuro profissional da informação.
Para dar conta de nosso objetivo, dividimos este artigo em 6 partes, após a
presente, de caráter introdutório, discorremos sobre as mudanças no capitalismo
tardio e como que a demanda por um perfil de trabalhador diverso do que imperou
durante o fordismo contribuiu para a transformação do sistema de ensino brasileiro
em um sistema de massa e abriu espaço para implementação de políticas visando a
ampliação e reconfiguração do ensino superior no país. Na terceira parte nos
debruçamos sobre o processo de expansão do ensino superior, destacando o
crescimento dos cursos da área de biblioteconomia, informação e arquivologia a
partir do exame dos dados estatísticos do Inep sobre o ensino superior (anos de
1

Exceto a Educação Infantil.

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2001 e 2011). Na quarta parte destacamos o papel pedagógico do estágio e sua
importância para a formação do futuro profissional. Na quinta parte analisamos a
nova a nova Lei de Estágio, destacando suas inovações. A titulo de considerações
finais

afirmamos

que

dificilmente

conseguiremos

transformar

a

prática

biblioteconômica sem atuar na formação dos profissionais e que dentro dessa
dinâmica o estágio obrigatório assume papel de destaque na formação do futuro
profissional da informação.

1 O CENÁRIO

A crise do sistema capitalista da década de 1970 é apontada por diversos
teóricos como o marco inicial da adoção, pelas organizações, de uma série
inovações técnicas e organizacionais a fim de manterem sua taxa de lucro
(LOJKINE, 1995; MÉSZÁROS, 2002; SANTOS). Essas inovações tiveram impacto
significativo na reorganização do trabalho a nível mundial, e na própria noção de
trabalho, posto que conseguiram aliar aumento de produtividade à redução do
trabalho vivo (MÉSZÁROS, 2002).
No que tange às inovações técnicas, o impacto das tecnologias de
comunicação e informação (TICs) no cotidiano dos atores sociais pode ser
mensurado pelas denominações que o período atual tem recebido: Revolução da
Informação,

Revolução

Informacional,

Era

da

Informação,

Sociedade

do

Conhecimento etc.
Não é proposito deste texto desenvolver uma análise conceitual destas
denominações, mas destacar que não se trata de uma revolução no sentido stricto
senso do termo como bem desta Kumar (1997), muito menos do meio técnico, da
informática, uma vez que seu foco central não está na capacidade de
processamento e armazenamento de grandes estoques de dados/informações, mas
sim na análise e síntese de informações específicas, especializadas, que possam
assumir valor estratégico para a organização (LOJKINE, 1995).
.A informação especializada passa a se um elemento primordial nas relações
capitalistas

de

produção

porque

sua

resultante

(inovação/produto/serviço)

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potencialmente pode se tornar uma fonte de lucro. A fusão da ciência com a
produção propicia a intensificação do processo de inovação tecnológica e o
acirramento da competitividade (LOJKINE, 1995; SANTOS, 1997). O papel da
técnica é viabilizar os meios para a geração, o acesso e o monitoramento dessas
informações.
Santos (1997) assevera a importância da compreensão das mediações que
permeiam o meio técnico-científico e informacional e das relações que o determinam
a fim de que se possa atuar como sujeito no processo de globalização. Sustenta,
ainda, que a informação especializada pode provocar entropia naqueles que não
possuem os requisitos cognitivos e informacionais para descodificá-la.
A nova base técnica tem um alcance único na história ao possibilitar a
compressão do tempo-espaço, a transmissão de informações aos mais diversos
pontos do globo e o alcance de audiências completamente heterogêneas. Some-se
a isto o fato de provocar uma ruptura com o modelo de registro do conhecimento
precedente ao fornecer alternativas de fusão dos demais suportes (escrita, imagem,
audio etc.).
Apesar de teoricamente o aumento da capacidade de circulação e
comunicação viabiliza o acesso de todas as camadas sociais ao mosaico
informacional, a realidade mostra que se estabelece uma simultaneidade não
simultânea e que o acesso à informação especializada permanece restrito a alguns
atores sociais. Não é por acaso que o debate em torno da proteção aos direitos
autorais, de patentes e marcas tenha se intensificado de par em par com o
acirramento da competitividade intercapitalista, já que a técnica é exposta a um
processo constante de inovação e obsolescência, que exclui ou inclui os atores
sociais e as sociedades de acordo com seu grau de domínio sobre ela.
Não queremos olvidar os ganhos que o processo de inovação proporcionou
às sociedades em diversos campos do conhecimento; como saúde, educação,
comunicação etc., mas destacar que as tecnologias não são neutras e que nem
sempre são os interesses sociais/coletivos que orientam seu uso.
A incorporação de inovações organizacionais e técnicas ao ambiente de
trabalho tiveram como norte a redução do custo das empresas e a manutenção de

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sua taxa de lucro. E diversamente da Revolução Industrial, quando se culpou as
máquinas pelos problemas e reacomodações socioeconômicos e culturais
resultantes de seu emprego e utilização, percebe-se hoje, que a relação de
inclusão/exclusão ao novo modelo econômico não é um subproduto das máquinas,
mas sim das relações político e econômicas que determinam sua utilização e o
processo de hierarquização e exclusão que se desencadeia.
O redimensionamento do processo do trabalho teve como uma de suas
consequências a emergência de um perfil de trabalhador diverso daquele requerido
pelo fordismo. Capacidade de iniciativa e de comunicação, flexibilidade, disposição
para o trabalho em equipe e para o aperfeiçoamento contínuo são alguns dos
requisitos exigidos pelo mercado de trabalho.
A nova base técnica demanda trabalhadores e consumidores com um
patamar educacional mais elevado do que o trabalhador fordista, assim como
disposição para a educação continuada.
É dentro dessa dinâmica que se insere a pressão do empresariado nacional
para que o governo promova mudanças no sistema de ensino de modo a adequá-lo
à dinamica da produção.
Um dos pontos positivos desta demanda é que o sistema de ensino brasileiro
finalmente se torna um sistema de ensino de massa ao final do século XX. O ensino
fundamental está praticamente universalizado e o ensino superior, desde os anos
1990, vem sendo submetido a uma série de ações que visam a ampliar o número de
profissonais graduados como veremos a seguir.

2 A EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR

Nossa análise sobre a expansão do ensino superior tem como fio condutor as
políticas públicas de educação direcionadas para a ampliação do acesso às
Insituições de Ensino Superior (IESs) públicas e privadas que vêm sendo
implementadas desde a sanção da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
- LDB (Lei 9634 de 20/12/1996).

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Entendemos que uma das principais metas governamentais é a elevação da
escolaridade média da população de modo a prover o país com uma força de
trabalho mais integrada ao sistema produtivo e que tais políticas se articulam com
uma concepção de educação que dialoga com a reedição da teoria do capital
humano sob uma nova base técnica, microeletrônica, mas determinada pelas
mesmas relações de produção capitalista.
A educação é apresentada como um componente importante para o
desempenho econômico das empresas e do país e para a inserção dos atores
sociais no mercado de trabalho, apesar dos estudos mostrarem que muitas vezes a
qualificação de empregados e desempregados se eqüivalem e que há uma
tendência ao uso decrescente da força de trabalho.
É importante salientar que a ampliação da escolaridade média da população é
uma conquista a ser celebrada por toda a sociedade, mas é importante destacar o
contexto político e socioeconômico em que estas políticas foram/são engendradas e
que no cenário contemporâneo trabalho e educação se imbricam de uma forma
singular.
Estudos indicam que não há como garantir um futuro melhor para aqueles
que estudam mais. Aqui se instala uma contradição; já que para se concretizar o
capitalismo tardio necessita que os atores socias mantenham seus saberes
atualizados. É como se fosse necessário aplicar aos indivíduos a mesma atualização
que é exigida da produção (CASTEL, 1998; MÉSZÁROS,2002).
Isto ocorre em um cenário de utilização decrescente da força de trabalho e
que tem os jovens como o segmento etário mais atingido pelo desemprego.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho o desemprego entre os jovens no
Brasil é 3,3 vezes maior do que o verificado entre os adultos (OIT, 2009). Some-se a
isto o fato de que nosso país possuiu “a quinta maior juventude no mundo, sendo
que aproximadamente apenas 50% estudam e destes, 56% apresentam defasagem
idade/série” (SETEC, 2008, p. 33).
Apesar do ensino fundamental estar praticamente universalizada, o ensino
médio permanece como o nó gordio a ser desatado, embora o governo venha
promovendo ações privilegiando a expansão e o acesso ao ensino superior.

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A LDB abriu espaço para a substituição dos exames vestibulares por
processo seletivos como forma de seleção ao ensino superior. O que contribuiu
significativamente não só para a ampliação do acesso aos cursos de graduação,
como também para a ampliação das IESs privadas e o atendimento de uma
demanda reprimida – indivíduos que já haviam concluído o ensino médio mas que
não haviam conseguido passar no vestibular ou se classificar para o número de
vagas disponíveis.
Vale destacar que algumas IES privadas passaram a adotar a elaboração de
uma redação como forma de acesso ao ensino superior e a promover inúmeros
processos de seleção ao longo do semestre visando o preenchimento de vagas
ociosas. É só em 2006, quase 10 anos depois da sanção da LDB, que o governo vai
determinar que as IESs publicizem seus processos seletivos aos cursos de
graduação, divulgando a lista de aprovados e a ordem de classificação dos mesmos
(CUNHA, 2003; CUNHA, 2004) .
Mas se em um primento momento o atendimento à demanda reprimida por
acesso ao ensino superior vai contribuir para o boom das IES privadas, em um
segundo momento a atividade privada já não consegue captar alunos suficientes
para ocupar o espaço físico instalado. Um percentual significativo de alunos desiste
dos cursos ou se mantém no mesmo em situação de inadimplência.
Em sua análise sobre o ensino superior nos dois mandatos do presidente
Fernando Henrique Cardoso (FHC), Cunha (2003) associa a omissão sobre os
exames vestibulares à opção governamental pelo Enem como principal instrumento
de seleção ao ensino superior. Em 2009 o governo Lula consolida esta opção ao
privilegiar a nota do Enem na arquitetura de ingresso nas Instituições Federais de
Ensino Superior (Ifes). Um dos argumentos em prol da mudança é que sem
necessidade de deslocamento geográfico, os alunos poderiam concorrer por vagas
nas Ifes de todo o território nacional.
Se por um lado o governo FHC contribui para a expansão das IES privadas, o
governo Lula vai privilegiar as duas faces da moeda (público e privado). Isto porque
se o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI) viabilizou a expanção da capacidade instalada das Ifes, a

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promoção de concursos e a contratação de professores de 3º Grau, o aumento do
número de vagas no ensino superior público etc; o Programa Universidade para
Todos (PROUNI) propicia o financiamento indireto das IESs privadas através da
concessão de bolsas de estudos aos dicentes2. Outra característica do periodo é o
incentivo à Educação à distância (EAD) e o fortalecimento e interiorização dos
Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifs) e a destinação de 20%
de suas vagas para cursos de licenciatura.
A fim de identificar se houve reflexo do processo de expansão dos cursos de
graduação na área de informação, análisamos os dados estatístivos do Inep do
ensino superior dos anos de 2001 e 2011, especificamente os referentes aos cursos
de graduação da área de Biblioteconomia, informação, arquivos; a qual engloba,
atualmente, os cursos de Arquivologia, Biblioteconomia e Ciência da Informaçao.
A opção pelo ano de 2011 se deu por se tratar da Sinopse Estatística mais
recente disponibilizada pelo Inep. Por outro lado consideramos o exame dos dados
estatísticos referentes ao ano 2001 profícuo pois estes nos retratam um quadro
histórico anterior ao processo de expansão das Ifes.
Os dados mostram que as IESs públicas predominam na oferta dos cursos de
graduação na área de informação (77%) e que houve uma retração no número de
instituições que ofertam cursos de graduação, tanto no setor público, quanto no
privado, conforme podemos observar na tabela a seguir.

2

O Programa criado pela Lei nº 11.096 de 13/01/2005, tem como finalidade a concessão de bolsas de estudos
integrais e parciais a estudantes de baixa renda, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica,
em instituições privadas de educação superior, oferecendo, em contrapartida, isenção fiscal às instituições
participantes do PROUNI. De acordo com Carvalho (2006) a adesão ao PROUNI propicia às IES privadas com
fins lucrativos a isenção de vários tributos federais (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), as IES privadas sem fins
lucrativos confessionais e comunitárias, que por lei são isentas de IRPJ e CSLL, com a adesão ao PROUNI se
tornam isentas do CONFINS e do PIS. As IES filantrópicas que só recolhem o PIS, com a adesão ao PROUNI
isentam-se de todos os tributos federais. “Desde sua criação até o processo seletivo do primeiro semestre de
2011, mais de um milhão e duzentas mil bolsas foram oferecidas, sendo que 70% dos candidatos foram
contemplados com bolsas integrais. Dentre as bolsas ofertadas, foram matriculados 748.754 estudantes”
(AMARAL&amp;OLIVEIRA, 2011, p. 865).

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Tabela 1: Número de Instituições que oferecem Cursos de Graduação Presenciais na área de
Biblioteconomia, informação, arquivos nos anos de 2001 e 2011
2001

2011

Total

Pública

Privada

Total

Pública

Privada

48

36

12

39

30

9

8

8

-

15

15

-

36

26

10

36

27

9

3

1

2

3

2

1

1

1

-

-

-

-

Arquivologia
Biblioteconomia
Ciência da informação
Documentação
museológica
Fonte: Inep (2001, 2011).

A retração no número de instituições não inibiu o crescimento da oferta de
cursos de graduação, que teve um aumento de quase 50%. (Tabela 2).
Embora o curso de de Biblioteconomia detenha a maior oferta de cursos e
alunos matrículas na área, a Arquivologia se destaca tanto por ter dobrado a oferta
de cursos no período e o número de matrículas, como também por ter quase que
duplicado sua presença nas IES públicas. O curso não é ofertado pelo setor privado
de ensino.
O curso de Documentação museológica não consta dos dados de 2011 e o de
Ciência da Informação não teve variação significativa no período, tendo inclusive
uma redução de matrículas em torno de 25%.

Tabela 2: Dados Gerais dos Cursos de Graduação e Matrículas por Categoria Administrativa
das IES na área de Informação nos anos de 2001 e 2011.
2001

2011

Número de Cursos

Área de Biblioteconomia,
informação, arquivos

Matrículas

Número de Cursos

Matrículas

Total

Pública

Privada

Total

Pública

Privada

Total

Pública

Privada

Total

Pública

Privada

41

36

5

8.231

7.162

1.069

60

50

10

12.047

10.963

1.084

Arquivologia

8

8

-

1.465

1.465

-

16

16

-

3.119

3.119

-

Biblioteconomia

29

26

3

6.153

5.292

861

41

32

9

8.635

7.555

1.080

3

1

2

392

184

208

3

2

1

293

289

4

1

1

-

221

221

-

-

-

-

-

-

-

Ciência da informação
Documentação
museológica

Fonte: Inep (2001, 2011).

As informações referentes aos concluíntes da área revelam um crescimento

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em torno de 70%. Elevação do número de egressos é um fator comum a todos os
cursos, exceto o de Documentação Museológica.
Tabela 3: Concluintes da Área de Biblioteconomia, informação e arquivos nos anos de 2001
e 2011
Concluintes 2001
Total

Pública

Concluintes 2011
Priv ada

Total

Pública

Priv ada

Área de Biblioteconomia,
informação, arquiv os

1.001

887

Arquiv ologia

126

126

-

370

370

-

Biblioteconomia

844

730

114

1.377

1.107

270

1

1

-

36

32

4

30

30

-

Ciência da informação
Documentação museológica

114

1.783

-

1.509

-

274

-

Fonte: Inep (2001, 2011).

É inegável o efeito que as políticas de expansão do ensino superior tiveram
sobre os dados supra, um exemplo disto é que o número total de concluintes dos
cursos de graduação presenciais no Brasil mais que dobrou de 2001 (352.305) para
2011 (865.161)., sem contar os egressos dos cursos de EAD.
É frente a este horizonte de alargamento do ensino superior, especificamente
dos cursos de biblioteconomia, que propomos pensar as potencialidades e
possibilidades do estágio na formação dos futuros profissionais da informação.

3

O PAPEL PEDAGÓGICO DO ESTÁGIO

No final da década de 1990, Kira Tarapanoff (1997) foi responsável pelo
desdobramento, no Brasil, de pesquisa coordenada pela Federação Internacional de
Informação e Documentação (FID) sobre o perfil do moderno profissional da
informação.
O estudo foi realizado de acordo com as recomendações da FID e teve o
patrocínio do Instituto Euvaldo Lodi do Distrito Federal (IEL/DF) e do Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Entre os objetivos da
pesquisa estava a identificação dos diversos papéis assumidos pelo profissional da

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informação no Brasil e o delineamento de novas características no perfil profissional
(TARAPANOFF 1997).
Apesar de a pesquisa ter restrito seu campo de investigação aos profissionais
vinculados à área de ciência e tecnologia, o diagnóstico sobre a necessidade de
educação continuada e de maior envolvimento com os objetivos da organização é
concorrente com o que emerge da literatura do período sobre mudança no perfil dos
profissionais da informação (ARRUDA et. al, 2000).
Um dado interessante que emerge do estudo é a aparente defasagem entre
os cursos de graduação e a realidade do mercado de trabalho, o que leva a uma
avaliação negativa das instituições formadoras, visto que “seu currículo é
considerado

inadequado

às

necessidades

de

treinamento

profissional”

(TARAPANOFF, 1997, p. 57).
Não vamos nos debruçar sobre o debate sobre currículo e adequação dos
cursos ao mercado de trabalho, mas destacar as potencialidades da nova lei de
estágio para o aprofundamento da relação teoria x prática a partir da interação que
esta propõe entre a instituição formadora e a instituição concedente de estágio.
Scorsolini-Comin et al (2009) destaca que frente a demanda pela formação de
um perfil multiprofissional, um programa de estágio bem direcionado pode contribuir,
a um só tempo, para que o discente vivencie práticas de atuação profissional
diversificadas e que desenvolva a “maturidade pessoal e a identidade profissional
necessárias para agir em situação de imprevisibilidade, realidade a que estão
sujeitas as organizações atuais (SCORSOLINI-COMIN ET AL, 2009,p. 144).
Será que estagiar em vários locais amplia a aprendizagem do aluno? Na
realidade não acreditamos que haja uma resposta simples para esta questão, posto
que, a nosso ver, a potencialidade do estágio reside mais na organização
pedagógica que lhe é anterior, do que na empiria que este proporciona.
Nesse sentido nos alinhamos com Cardoso de Oliveira (1998) que sustenta
que o pesquisador antes de chegar ao campo já construiu um conhecimento que irá
influenciar a construção de seu objeto da pesquisa. A seu ver esta influência se faz

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presente ao longo do processo de construção do conhecimento, mas prepondera no
olhar do pesquisador sobre o objeto da pesquisa.
É o domínio teórico do pesquisador sobre o tema que lhe permite, pelo olhar,
perceber mudanças no ambiente a ser pesquisado, elaborar comparações entre o
ambiente “olhado” e o que foi visto e relatado no passado.
Não queremos aqui comparar o estágio a um estudo etnográfico, mas
destacar a oportunidade que este proporciona ao alunado para que este estabeleça
relações entre a experiência empírica e seu acervo teórico. Nesse sentido, o estágio
é um período frutífero que permite ao discente elaborar sua própria síntese a partir
da realidade vivenciada.

4 LEI DE ESTÁGIO (Lei 11.788/2008)

A Lei de Estágio normatiza o estágio em âmbito nacional, discorrendo sobre a
atuação dos estagiários nas instituições concedentes de estágios e asseverando a
competência dos sistemas de ensino no estabelecimento das “normas de realização
de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a matéria” (BRASIL,
1996).
Em seu artigo 1º define e delimita o estágio como um ato educativo
supervisionado que integra o projeto pedagógico do curso (art. 1º, § 1º) e prevê duas
modalidades de estágio: o obrigatório e o não obrigatório, conceituando as duas
modalidades (art. 2º, §1 e §2).
Podemos dizer que a sanção da Lei do Estágio veio, a um só tempo,
responder a críticas sobre a utilização de estagiários como mão de obra de baixo
custo e garantir o cumprimento da finalidade pedagógica do estágio, que é
proporcionar ao estudante experiência prática em seu campo de formação.
A possibilidade de que as atividades de extensão, de monitoria e de iniciação
científica sejam equiparadas a estágio (art. 2º, §3) - quando tal previsão constar do
projeto pedagógico do curso - enfatiza a dimensão pedagógica do estágio. Do

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mesmo modo como as sanções previstas para o caso de descumprimento da
legislação pelas instituições cedentes de estágio.
Embora o artigo 3º da Lei de Estágio destaque que o estágio “não cria vínculo
empregatício de qualquer natureza”, são estabelecidos uma série de parâmetros a
serem observados para o reconhecimento da condição de estagiário: matricula e
frequência a uma instituição de ensino (art. 3º, inc. I); (b) assinatura de termo de
compromisso de estágio entre as partes envolvidas (art. 3º, inc. II) e “compatibilidade
entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de
compromisso” (art. 3º, inc. III).
O descumprimento, por parte da empresa/instituição concedente do estágio,
do artigo 3º e/ou das obrigações especificadas no termo de compromisso faz com
que se caracterize “vínculo de emprego do educando com a parte concedente do
estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária” (art. 3º, §2).
Como consequência da Lei do Estágio identifica-se, no CIEE, uma mudança
no perfil das vagas destinadas a estagiários. A preferência é por estagiários oriundos
de cursos “mais generalistas”, como direito, administração de empresas e economia,
os quais, por conta da formação, podem atuar em diversas funções (MARCONDES,
2009).
Observa-se, também, uma ampliação dos requisitos para estágio. Além de
apresentar perfil pluralista, os candidatos devem dominar mais um idioma, além do
português e da língua inglesa, ter excelente domínio de informática, indo além do
conhecimento de processadores de texto, planilhas e acesso a Internet. Uma base
cultural sólida também emerge deste perfil, posto que se exige deles uma leitura
atualizada do mundo contemporâneo (MARCONDES, 2009).
A opção por este perfil de estagiário faz com que as empresas tenham maior
liberdade para direcioná-lo para diferentes atividades, sem ferir o art. 3º, inc. III, que
determina que a empresa assegurará a “compatibilidade entre as atividades
desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso”. Caso isto
não ocorra, a empresa será penalizada com o reconhecimento da relação de estágio
como uma relação empregatícia (art. 3º, § 2º) e a consequente penalização da parte
concedente do estágio (art. 15º e parágrafos).

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A lei prevê, ainda, a possibilidade de que se contrate, para a intermediação de
estágio, “serviços de agentes de integração públicos e privados, mediante condições
acordadas em instrumento jurídico apropriado”, contudo destaca, em seu artigo 5º §
3º, que estes agentes poderão ser responsabilizados civilmente caso indiquem
estagiários para atuarem em atividades desvinculadas de sua grade curricular.
art. 5º § 3 – Os agentes de integração serão responsabilizados
civilmente se indicarem estagiários para a realização de
atividades não compatíveis com a programação curricular
estabelecida para cada curso, assim como estagiários
matriculados em cursos ou instituições para as quais não há
previsão de estágio curricular.
No artigo supra podemos identificar, mais uma vez, a preocupação do
legislador quanto a orientação pedagógica do estágio, ao fazer constar da lei a
impossibilidade de que se contrate estagiários vinculados a cursos nos quais não há
previsão legal ou pedagógica de estágio.
Amplia-se, do mesmo modo, as obrigações das instituições de ensino, tanto
no que denominamos de âmbito administrativo do estágio, quanto em seu âmbito
pedagógico.
No que diz respeito ao âmbito administrativa a norma legal determina como
responsabilidade das instituições de ensino: a articulação do termo de compromisso
de estágio com o projeto pedagógico do curso (art. 7º, inc. I), a responsabilidade em
“avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação
cultural e profissional do educando” (art. 7º, inc. II), o zelo “pelo cumprimento do
termo de compromisso, reorientando o estagiário para outro local em caso de
descumprimento de suas normas” (art. 7º, inc. V) e informar as datas previstas para
avaliação dos alunos à parte concedente do estágio, no início do período letivo (art.
7º, inc. VII).
Na esfera pedagógica consideramos que a previsão legal para que o
professor orientador do estágio seja da mesma área em que o orientando
desenvolverá seu estágio (art. 7º, inc. III) amplia a possibilidade de aprofundamento

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teórico do aluno. Outra inovação interessante é a obrigatoriedade de que a
instituição concedente indique um funcionário responsável pelo estágio. O que
potencialmente pode proporcionar ao discente maior orientação técnica no ambiente
de estágio.
A exigência da apresentação periódica de relatórios de atividades (art. 7º, inc.
IV) e a possibilidade de que a avaliação do estágio e do aluno não se restrinja aos
relatórios de atividades, mas que esta seja ampliada a partir da elaboração de outros
instrumentos de avaliação (art. 7º, inc. VI).
Se implementados em sua totalidade, estes elementos podem proporcionar
uma maior aproximação entre a instituição de ensino e o ambiente do estágio,
proporcionando subsídios não só para a avaliação do alunado, como também da
instituição concedente. Isto é, de que modo esta contribui para a aprendizagem do
discente e para o enriquecimento de se plano de atividades.
De mais a mais, a abertura para alterações no plano de atividades de estágio
em sintonia com a avaliação do desempenho do estudante imprime um caráter
dinâmico ao estágio, assim como um acompanhamento do desenvolvimento do
aluno através da revisão periódica de seu plano de atividades e a incorporação
destas revisões ao termo de compromisso original (art. 7º, parágrafo único).
No que tange ao estagiário a lei prevê uma série de proteções, entre as quais
salientamos: a limitação da jornada de estágio (art. 10°), obrigatoriedade de
concessão de bolsa ou outra forma de contraprestação e de vale transporte nos
casos de estágio não obrigatório (art. 12°) e recesso remunerado (art. 13°).
É facultado ao estagiário a inscrição e a contribuição como segurado
facultativo do Regime Geral de Previdência Social (art. 12° §2).
A publicação da Lei de Estágio não alcançou consenso imediato entre os
atores envolvidos no processo, no entanto o principal ponto de dissenso entre
instituições concedentes e representantes estudantis parece ter sido a limitação da
carga horária de estágio para 6 horas diárias/30 horas semanais (art. 10, inc. I e II).
Outros elementos foram alvo de questionamentos e posterior ajustamento nas
empresas, como por exemplo o estabelecimento de um tempo limite de estágio de 2

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anos em uma mesma empresa (art. 11). Enquanto as empresas propõe um
relacionamento de longo prazo com os estagiários, o legislador entendeu que o
limite de 2 anos permite ao estudante expandir seu aprendizado;
Entre as inovações introduzidas pela Lei do estágio, destacamos a permissão
para que profissionais liberais de nível superior concedam estágio (art. 9º) e a
determinação do “número máximo de estagiários em relação ao quadro de pessoal
das entidades concedentes de estágio” (art. 17º). Vale ressaltar que esta
determinação numérica não se aplica aos “estágios de nível superior e de nível
médio profissional” (art. 17º, §4).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A nova lei pressupõe uma participação da instituição de ensino e da
instituição concedente do estágio que vai além de celebrar convênios e zelar pelo
cumprimento do termo de compromisso de estágio. A dimensão pedagógica do
estágio permeia o texto legal, assim como o papel a ser desempenhado por estes
dois atores sociais para que a relação teoria x prática se estabeleça.
O estágio é o momento em que o estudante entra em contato direto não só
com a prática biblioteconômica, como também com o mercado de trabalho. Isto lhe
possibilita não só articular competências profissionais e pessoais, como também
sedimentar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso.
Um plano de estágio bem estruturado e supervisionado permite que o aluno
articule o conhecimento aprendido/apreendido no curso (teoria), com a realidade
vivenciada no estágio (prática). E mais do que o cumprimento de uma etapa do
curso, o estágio deve ser visto como uma oportunidade para que o futuro
profissional construa sua própria síntese.
É nesta etapa de sua trajetória acadêmica que o olhar do discente, saturado
pela teoria, vai se deparar com a empiria e elaborar sua própria crítica. Esta crítica
pode ser tanto dirigida à teoria aprendida/apreendida, quanto à prática, ou a ambas.
Não importa. O essencial é que desta crítica emerja uma prática biblioteconômica
mais consciente, mais sintonizada com a necessidade social.

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Dificilmente conseguiremos transformar a prática biblioteconômica sem atuar
na formação dos profissionais. É dentro dessa dinâmica que o estágio obrigatório
assume papel de destaque na formação do futuro profissional.
Some-se a isto um termo de compromisso de estágio afinado com a proposta
de formação do curso, orientação adequada (tanto na instituição de ensino, quanto
na instituição concedente) e avaliação continuada e teremos um conjunto de fatores
que seguramente potencializarão a aprendizagem do alunado.
É importante deixar claro para o discente de que o estágio é um espaço de
aprendizagem e que apesar dele se realizar, na maioria das vezes, em espaços
desvinculados da instituição de ensino, seu caráter pedagógico não é afetado uma
vez que ele integra o projeto pedagógico do curso e está sujeito à supervisão e
avaliação constantes.
No caso específico do estágio obrigatório do curso de Biblioteconomia, a
diversificação pode se configurar em uma oportunidade para que os discentes
entrem em contanto com a realidade de diferentes tipos e concepções de bibliotecas
e de unidades de informação.
É importante destacar que apesar da pujança econômica dos últimos anos, o
Brasil ainda vivencia tempos históricos desiguais. Enquanto uma parte da população
convive e interage com artefatos tecnológicos, usufruindo de produtos e serviços
informacionais, para um contingente expressivo de brasileiros a contemporaneidade
permanece como um vir a ser. Um exemplo disto é que ainda temos regiões do país
sem acesso a luz elétrica e rede de esgoto. E mesmo na cidade mais rica do país
identificam-se bolsões de pobreza.
A formação de um profissional consciente da realidade socioeconômica e
cultural do país abre espaço para que o processo de transformação não ocorra de
forma compartimentalizada, mas abarque o fazer e o pensar biblioteconômico.
De mais a mais, pensar o estágio em outros tipos de bibliotecas/unidades de
informação que não as vinculadas a organizações, permite ao aluno não só perceber
outros nichos profissionais, como articular suas competências e habilidades em
diferentes situações de trabalho.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Considerações sobre o estágio obrigatório e a formação do profissional da informação</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>A partir da reflexão sobre os elementos que contribuíram para a reconfiguração eampliação do ensino superior do Brasil, o presente texto propõe uma reflexão teóricasobre a importância do estágio obrigatório na formação do profissional dainformação, especificamente dos bibliotecários. O exame da área deBiblioteconomia, Informação e Arquivo nos dados estatísticos do Inep, anos 2001 e2011, revela um crescimento da área de Biblioteconomia, tanto no que diz respeitoao número de cursos ofertados, quanto ao número de alunos matrículas. A área deArquivologia também teve um desempenho significativo. O número de concluintesdestas áreas praticamente dobrou no período analisado. Como a nova lei propõe umenvolvimento maior das instituições concedentes no processo de acompanhamentoe avaliação do estágio, destacamos que essa configuração abre espaço para umamaior articulação entre teoria e prática. A titulo de considerações finais asseveramosque dificilmente conseguiremos transformar a prática biblioteconômica sem atuar naformação dos profissionais e que dentro dessa dinâmica o estágio obrigatórioassume papel de destaque na formação do futuro profissional da informação. </text>
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