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                  <text>Obras raras: definição de critérios de raridade para o Acervo de
Escritores Mineiros da UFMG

Nina C. Mendonça Campos de Miranda (UFMG) - ninacm40@yahoo.com.br
Flávia Silvestre Oliveira (UFMG) - fsilvestre.oliveira@gmail.com
Maria da Conceição Carvalho (UFMG) - mccarv@eci.ufmg.br
Resumo:
O trabalho apresenta a definição dos critérios de raridade que deverão orientar a composição
da “Coleção de obras raras" do Acervo de Escritores Mineiros da UFMG.
Palavras-chave: Livros raros
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
lorianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Obras raras:
definição de critérios de raridade para o Acervo de Escritores Mineiros da UFMG

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INTRODUÇÃO

O Acervo de Escritores Mineiros – AEM – é parte integrante do Centro de
Estudos Literários e Culturais – CELC – órgão complementar da Faculdade de
Letras da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Criado em 1989 tem
como objetivo principal acolher, tratar, conservar e divulgar acervos de escritores
mineiros, assim como promover investigações e publicações no campo dos
estudos literários e culturais. Desenvolve, ainda, projetos de pesquisa e
intercâmbio científicos, envolvendo docentes e discentes de graduação e pósgraduação da UFMG e de outras instituições do Brasil e do exterior (UFMG, 2012).
Idealizado como espaço de natureza múltipla – museu, biblioteca e arquivo
- merecem destaque as salas construídas que recria o ambiente de trabalho de
alguns escritores, a partir de doação de seus herdeiros. Acolhe a Coleção
bibliográfica (livros e coleções de periódicos) e a Coleção documental (originais
manuscritos e datiloscritos, documentos pessoais, correspondência, fotografias,
recortes de jornais) dos escritores titulares, além de mobiliário original, objetos
pessoais, iconografia e obras de arte. O AEM abriga os fundos documentais de 11
escritores: Henriqueta Lisboa (1901-1985), Abgar Renault (1901-1995), Cyro dos
Anjos (1906-1994), Murilo Rubião (1916 -1991), Fernando Sabino (1923-2004),
Octavio Dias Leite (1914-1970), Wander Piroli (191-2006), José Maria Cançado
(1952-2006), Lúcia Machado de Almeida (1910-2005), Carlos Herculano (1956- )
e Frei Betto (1944-

). Além de coleções especiais constituídas por conjuntos

parciais de documentos (cartas, fotografias, manuscritos autógrafos), periódicos e
livros de outros escritores. O AEM é considerado patrimônio de inegável valor
literário e cultural, merecendo especial atenção exemplares raros e autografados
de obras do modernismo brasileiro.
Assim, há mais ou menos um ano, começou a ser pensado e elaborado
pela bibliotecária do AEM, com aprovação da Diretoria, um projeto no sentido de
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definir, identificar e conservar documentos dos diferentes fundos (livros impresso,
datiloscritos e manuscritos) com características de raridade. O primeiro passo foi a
definição e criação de um espaço físico para abrigar tais obras especiais e raras,
respeitando-se as condições ambientais previstas pelos princípios teórico-práticos
da área de Preservação de Acervos. Em seguida, iniciou-se o processo de
definição dos critérios de raridade que deverão orientar a composição da “Coleção
de obras raras do AEM”.

2

CONSTRUINDO A COLEÇÃO DE OBRAS RARAS

O critério puramente cronológico para atribuição de valor de raridade a uma
obra foi, há muito, relativizado pelos estudiosos do tema, considerando-se, em
contrapartida, os diferentes aspectos da história cultural e material do livro e da
leitura. De qualquer maneira, as curiosidades que um grande e diversificado
acervo literário como o do AEM pode oferecer ao ser examinado do ponto de vista
bibliográfico/bibliológico, a obra Que é livro raro? (PINHEIRO, 1989, p. 29-32)
apresenta critérios gerais que podem ser adaptadas por cada instituição.
Os critérios desenvolvidos e divulgados pela Biblioteca Nacional do Rio de
Janeiro, serviram de fonte inicial. Entretanto, cada instituição que já mantenha
uma coleção de obras raras ou pretenda identificar esse tipo de obras no seu
acervo deve elaborar uma política própria para a definição do que será
considerado raro ou especial tendo em vista os elementos históricos, literários e
culturais que se quer. (SANT´ANA, 2001, p. 8).
Nesta primeira etapa alguns critérios desenvolvidos pela bibliotecária foram
determinantes para a pré-seleção. Pretende-se que as discussões sobre os
critérios de raridade seja ainda discutida e aprovada pelo Conselho Diretor do
CELC,

constituído

por

professores/pesquisadores

de

diferentes

campos

disciplinares, inclusive da Escola de Belas Artes, Ciência da Informação e Letras,
mais próximos da problemática que envolve a avaliação de coleção a ser feita,
além da bibliotecária gestora do projeto.

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RESULTADOS PARCIAIS

Até o momento estão assim definidas as seguintes indicações, que deverão
resultar em critérios mais fechados:
•

Serão consideradas obras raras ou especiais:
livros manuscritos ou impressos até o século XVIII
livros impressos de 1808 a 1822 pela Imprensa Régia
“incunábulos” locais, isto é, primeiros livros impressos numa
determinada cidade do Estado
primeiras edições dos escritores que compõem o AEM
edições críticas sobre as obras dos autores
primeiras edições de escritores brasileiros, com destaque para
os modernistas
primeiras edições das primeiras obras sobre Belo Horizonte
livros publicados pelas editoras Os Amigos do Livro, Sabiá e
Hipocampo.
edições comemorativas, críticas, especiais, esgotadas/não
reeditadas, clandestinas apreendidas ou censuradas (pelo
Estado Novo e Ditadura Militar)
obras premiadas
obras traduzidas pelos escritores que compõem o AEM
obras que tenham sido ilustradas por artistas renomados
edições em formatos pouco usuais (miniaturas, outros)
livros com dedicatórias manuscritas dos autores
com dedicatórias de personalidades conhecidas
com anotações e marginalias escritas pelo escritor (titular da
coleção)

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com marcas de propriedade do escritor titular da coleção ou
de outras personalidades mineiras/brasileiras importantes:
assinaturas, ex-libris, carimbos, brasões
com encadernações de luxo ou curiosas
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CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
A definição e aplicação dos critérios acima apresentados deve levar em

conta a historicidade do AEM e de seu acervo documental, sempre em
movimento, seja pelo gesto curioso e irrequieto dos pesquisadores, seja pelo fluxo
constante de novas coleções ou fragmentos de coleções que chegam pela
iniciativa de familiares, ou pelas mãos do próprio escritor que quer negociar para
ele as melhores condições na passagem, inevitável, do espaço privado para o
espaço público.
A política de desenvolvimento de critérios de raridade vai resguardar seus
“tesouros” permitindo que um número maior de pesquisadores tenham acesso a
estes documentos, salvaguardando a integridade física das obras como patrimônio
cultural.
REFERÊNCIAS
CARVALHO, M. C.; FERNANDES, C. A. Conservação de livros raros: relato de
uma experiência pedagógica. An. Bibl. Nac. v. 123, p. 77-85, 2003.
PINHEIRO, Ana Virgínia. Que é livro raro?; uma metodologia para o
estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de janeiro: Presença,
1989.
PINHEIRO, Ana Virginia. Metodologia para inventário de acervo raro. An. Bibl.
Nac., Rio de Janeiro, v.123, p.9-31.
RODRIGUES, M. Carvalho. Como definir e identificar obras raras? Critérios
adotados pela Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul. Ci. Inf.,
Brasilia, v.35, n. 1, p. 115-121, jan./abr. 2006.
SANT´ANA, Rizio B. Critérios para a definição de obras raras. Ver. Online Bibl.
Joel Martins. Campinas, v.2, n.3, p.1-18, jun. 2001.

4

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