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                  <text>Análise do processo de elaboração e implementação do novo
Regimento Interno do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal da Paraíba

Antonio Genésio de Sousa Filho (UFPB) - tonigenesio@gmail.com
Emeide Nóbrega Duarte (UFPB) - emeide@hotmail.com
Resumo:
Analisa o processo de elaboração e implementação do Regimento Interno do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal da Paraíba, aprovado em 2009. A
abordagem metodológica consistiu em um estudo de caso de caráter exploratório e descritivo
com base numa amostra não probabilística e intencional, constituída de dezessete gestores do
Sistema. Os dados foram obtidos junto a fontes primárias e secundárias, por intermédio de
entrevistas estruturadas e pela análise documental. Os dados coletados nas entrevistas foram
analisados segundo a técnica de análise
de conteúdo. Os resultados alertam para a necessidade de criação de um contexto adequado
para a gestão do conhecimento, principalmente por meio de um reexame na estrutura
organizacional, de forma que esta venha a fomentar iniciativas de
caráter integrado e sistêmico que estimulem a participação e o comprometimento dos sujeitos
envolvidos nas atividades do sistema. Dentre as diretrizes
organizacionais necessárias para mitigar as barreiras que dificultam a
implementação do Regimento Interno, propõe: institucionalização de espaços de participação
no processo de tomada de decisões; desenvolvimento de um plano
sistemático e integrado de aperfeiçoamento do sistema de comunicação; redimensionamento
do quadro funcional; contratação de pessoal; investimento no preparo dos ocupantes dos
cargos gerenciais; criação de uma assessoria intermediária, ligada à direção do Sistema, com
atuação específica para a coordenação técnica e supervisão das Bibliotecas Setoriais;
implementação de gratificação para os responsáveis pelas Bibliotecas Setoriais;
desenvolvimento de estudos visando à melhoria contínua dos processos administrativos; e
criação de
um programa de endomarketing.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Sistema de bibliotecas - UFPB. Regimento Interno.
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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Análise do processo de elaboração e implementação do novo Regimento
Interno do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Paraíba

Resumo:
Analisa o processo de elaboração e implementação do Regimento Interno do
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Paraíba, aprovado em 2009. A
abordagem metodológica consistiu em um estudo de caso de caráter exploratório e
descritivo com base numa amostra não probabilística e intencional, constituída de
dezessete gestores do Sistema. Os dados foram obtidos junto a fontes primárias e
secundárias, por intermédio de entrevistas estruturadas e pela análise documental.
Os dados coletados nas entrevistas foram analisados segundo a técnica de análise
de conteúdo. Os resultados alertam para a necessidade de criação de um contexto
adequado para a gestão do conhecimento, principalmente por meio de um reexame
na estrutura organizacional, de forma que esta venha a fomentar iniciativas de
caráter integrado e sistêmico que estimulem a participação e o comprometimento
dos sujeitos envolvidos nas atividades do sistema. Dentre as diretrizes
organizacionais necessárias para mitigar as barreiras que dificultam a
implementação do Regimento Interno, propõe: institucionalização de espaços de
participação no processo de tomada de decisões; desenvolvimento de um plano
sistemático e integrado de aperfeiçoamento do sistema de comunicação;
redimensionamento do quadro funcional; contratação de pessoal; investimento no
preparo dos ocupantes dos cargos gerenciais; criação de uma assessoria
intermediária, ligada à direção do Sistema, com atuação específica para a
coordenação técnica e supervisão das Bibliotecas Setoriais; implementação de
gratificação para os responsáveis pelas Bibliotecas Setoriais; desenvolvimento de
estudos visando à melhoria contínua dos processos administrativos; e criação de
um programa de endomarketing.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Sistema de bibliotecas - UFPB. Regimento
Interno.
Área Temática: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

1 INTRODUÇÃO

A base para esta pesquisa partiu dos elementos constituintes e dos fatores que
implicaram na elaboração do Regimento Interno do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal da Paraíba (Sistemoteca), principalmente, nas questões
relacionadas à sua implementação e aos processos organizacionais, que incorrem
em empecilhos de natureza administrativa e funcional.
O estudo se insere numa perspectiva organizacional, contemplando várias
teorias da administração, porém, diante da natureza pública e burocrática da

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instituição, vislumbramos a abordagem estruturalista, pois a dinâmica dos
processos impõe uma ação permanente de mudança na estrutura e no
comportamento das organizações, como condição imprescindível à sobrevivência.
Além disso, consideram-se aspectos relacionados ao planejamento de ações para a
implementação de processos de gestão e inovação administrativa, abordados pela
disciplina Organização, Sistemas e Métodos.
Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a expansão da atividade
bibliotecária, aliada à reestruturação a que foi compelida a instituição, desencadeou
um processo de mudança e inovação, que levou, inevitavelmente, à busca por um
funcionamento melhor do Sistema de Bibliotecas da Instituição, que é formado por
um conjunto de bibliotecas integradas, sob o aspecto funcional e operacional,
compreendendo a Biblioteca Central, sediada no Campus I, e quinze Bibliotecas
Setoriais.
A

alteração

do Regimento Interno do

Sistemoteca, decorrente

da

necessidade de adequação à nova estrutura organizacional da UFPB, ocasionada
pelo seu desmembramento, ocorrido em 2002, que culminou com a criação da
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), vem provocando impacto
administrativo

e

operacional

em todas as

unidades

de informação que

compreendem formal ou informalmente o Sistemoteca, sendo estas compelidas a se
adequarem ao novo Sistema que as integram.
Era de se esperar que o Regimento Interno acompanhasse as alterações
estruturais, adequando-se às mudanças ocorridas, de modo que se alinhasse às
ações administrativas inovadoras e necessárias ao desenvolvimento da instituição.
No entanto, percebe-se que as alterações ocorridas na estrutura organizacional da
UFPB, em especial no que se refere ao Sistemoteca, foram propostas e aprovadas
formalmente, porém, até o momento, não se concretizaram integralmente, motivo
pelo qual emergiram as seguintes perguntas de pesquisa: Como se configura o
processo de elaboração e implementação do novo Regimento Interno do
Sistemoteca? Quais as principais barreiras à implementação do Regimento Interno?
Nesse

âmbito,

o

estudo

examinou

o

processo

de

elaboração

e

implementação do Regimento Interno do Sistemoteca, aprovado pelo Conselho
Superior Universitário (Consuni), em 2009, apontando as barreiras e as causas e os

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efeitos de possíveis disfunções nesse processo, bem como, propõe diretrizes para
viabilização de um modelo de instrumento que venha atender às necessidades da
instituição em sua amplitude.
Da base teórica que ancorou esta pesquisa, destacam-se alguns aspectos
relacionados à Teoria Geral dos Sistemas e suas implicações para os estudos
organizacionais, bem como elementos da burocracia weberiana e algumas
discussões a respeito do Pensamento Complexo nas organizações, da Teoria do
Caos, da Teoria da Ação.
Diante da amplitude de correntes, merece destaque o pensamento complexo
nas organizações, que Thompson (1976, p. 20 apud SILVA e REBELO, 2007, p.2)
procura explicar como sendo “um conjunto de partes interdependentes que, juntas,
formam um todo, porque cada uma delas contribui com alguma coisa e recebe
alguma coisa do todo que, por sua vez, é interdependente com algum ambiente
maior”. Silva e Rebelo (2007, p. 2), inclusive, acrescentam que as evidências de
troca entre as partes e o todo contribuem para a busca da sobrevivência, num
processo marcado pelos relacionamentos e pela evolução constante.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A pesquisa caracteriza-se como um estudo descritivo adotando o método do
estudo de caso, segundo a ótica de Yin (2001) e de Richardson (1985). O campo de
estudo abrangeu as dezesseis unidades de informação que compõem o
Sistemoteca, com enfoque especial na sua nova estrutura organizacional, sob a
perspectiva de uma análise da sua constituição e implementação.
Os dados coletados no desenvolvimento desta pesquisa são de natureza
primária e secundária, onde a coleta de informações primárias se deu por meio de
entrevistas aos dirigentes daquelas unidades de informação. A coleta de dados e de
informações de natureza secundária apoiou-se em documentos, entre os quais se
destacaram: regimentos internos, atos normativos, relatórios, processos, atas de
reuniões, pareceres técnicos, portarias e outros documentos que tratam de assuntos
correlatos ao da pesquisa.

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Para a orientação das análises dos resultados, foi adotada a técnica de
análise de conteúdo defendida por Bardin (1979) e, em consonância com os
objetivos pretendidos, descritos no Quadro 1, foram feitas inferências, à partir da
significação, compreensão e explicação dos resultados obtidos.
Quadro 1- Objetivos específicos e instrumentos de coleta de dados
INSTRUMENTOS DE
COLETA DE DADOS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conhecer a percepção dos gestores das bibliotecas que
compõem o Sistemoteca em relação ao processo de
elaboração do seu Regimento Interno.

Entrevista com análise de conteúdo.

Identificar as barreiras à implementação da nova
estrutura do Sistemoteca;

Entrevista com análise de conteúdo.

Propor diretrizes que viabilizem a implementação do
Regimento Interno do Sistemoteca.

Inferências por meio dos dados
coletados nos instrumentos adotados entrevista e documentos.

Fonte: Elaboração própria, 2012

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

As categorias abordadas nesta Seção tratam da abordagem qualitativoquantitativa que caracteriza a pesquisa. Os dados coletados originaram-se de dois
grupos de categorias: o primeiro grupo contempla percepções organizacionais, a
partir da indução de temas que, posteriormente, se transformaram em categorias, e
o segundo grupo proporciona a categorização a partir percepção espontânea dos
entrevistados, ou seja, sem o pré-estabelecimento de temas.

3.1 CATEGORIAS PRÉ-DETERMINADAS
As categorias a seguir contemplam percepções organizacionais, a partir da
indução de temas que, posteriormente, se transformaram em categorias, ou seja, as
categorias foram pré-determinadas, a partir de temas específicos pré-determinados
pelo pesquisador.

3.1.1 Categoria: conhecimento sobre o Regimento Interno.

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A amostra estudada evidenciou que 52,9% dos entrevistados não conhecem
o Regimento Interno do Sistemoteca. Já 29,4% afirmaram conhecê-lo, no entanto,
60% destes, somente tiveram conhecimento após o início desta pesquisa, que
coincidiu com o momento de divulgação dos resultados da pesquisa de Silva (2012),
que identificou problemas relacionados à cultura informacional no âmbito do
Sistemoteca. Ademais, os 17,7% dos entrevistados que afirmaram conhecê-lo,
parcialmente, demonstraram pouco conhecimento sobre o seu conteúdo, quando
indagados a respeito do tema.

3.1.2 Categoria: conhecimento sobre o processo de elaboração do Regimento
Interno.
A classificação das categorias, nesta questão, indicou que apenas 23,5% dos
entrevistados sabem como se deu o processo de elaboração do Regimento Interno
do Sistemoteca, em vigor desde 2009. O desconhecimento desse processo
abrangeu 70,6% da amostra pesquisada, o que reflete o nível crítico em que se
encontra a gestão do conhecimento no âmbito organizacional. Os 5,9% que
demonstraram conhecer parcialmente o processo de elaboração, somente vem
atestar essa situação preocupante explicitada nos dados que se referem ao
desconhecimento de um ato normativo da natureza de um Regimento Interno.
3.1.3 Categoria: participação no processo de elaboração do Regimento
Interno.
Em relação à participação dos entrevistados na elaboração do Regimento
Interno, apenas um indivíduo pesquisado, que representa 5,9%, declarou ter
participado do seu processo de elaboração, enquanto 94,1% dos entrevistados
declarou não ter participado daquele processo. A princípio, esta discrepância
permitiu-nos inferir que o Regimento Interno do Sistemoteca foi exarado sem a
participação dos bibliotecários gestores das unidades que compõem o sistema, e
que o nível baixo de participação dificulta a sua implementação.
Vale ponderar, nesta análise, que, de acordo com os dados referentes ao
tempo de serviço, seis gestores começaram a prestar serviço à instituição nos
últimos três anos, sendo, dessa maneira, extemporâneos ao processo de

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elaboração do Regimento Interno. Registra-se que quatro gestores contabilizaram
apenas quatro anos de ingresso na instituição. Condição que não os permitiu
participarem da elaboração da proposta regimental de 2006. Ademais, 52,9% dos
gestores atuais não ocupavam essa função em 2006. Dessa forma, os escores
tabulados podem distorcer os índices reais de participação, já que o projeto
regimental elaborado em 2006 teve a participação de alguns gestores das
bibliotecas setoriais em exercício, naquela época.
Entretanto, no entendimento de Popper (1989), instrumentos da natureza de
um regimento interno estão sujeitos a alterações e a ampliações decorrentes das
influências externas. Segundo o autor, pode-se incorrer em insistir em normas
delineadas, sem dar-se conta que estas não representam mais aquilo que seria
conveniente e interessante para a organização, pois as condições que a regeram
podem não se achar mais presentes. Inclusive, Popper (1989, p. 1) alerta que um
instrumento dessa natureza “só cumpre satisfatoriamente a sua finalidade se for
submetido, constantemente, a análise e avaliação daqueles que são responsáveis
por sua elaboração e daqueles que o utilizam”.
Portanto, aquela proposta de Regimento de 2006, resgatada tal como foi
redigida naquele ano, deveria ter sido revisada pelos gestores que se encontravam
em exercício no ano da sua submissão ao Consuni, até porque, além de apresentar
disfunções estruturais, apresenta elementos inconsistentes e/ou extemporâneos.
3.1.4 Categoria: definição formal das atividades.

De acordo com as apreciações de 70,6% dos sujeitos da pesquisa, não
existem normas formalizadas que explicitem as atividades a serem executadas.
Apenas 11,8 % dos entrevistados confirmaram a existência de documentos formais
que regulem as atividades laborais. Outros 11,8% afirmaram existir regras, porém,
alertaram que estas se encontram desatualizadas. Somente um respondente, que
corresponde a 5,9%, asseverou existirem normas, no entanto, ele destacou que
essas normas contemplam apenas algumas atividades.
Vale registrar que um desses gestores, apesar de mencionar a inexistência
de instrumentos formais de instrução procedimental no âmbito do sistema, informou

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que, em seu setor, especificamente, algumas ferramentas têm sido desenvolvidas
no sentido de orientar a execução das tarefas e atividades.
Para explicar esses dados, recorreremos aos autores Nonaka e Takeuchi
(1997, p. 67-68) que consideram que um trabalho efetivo com o conhecimento
somente é possível em um ambiente em que possa ocorrer a contínua conversão
entre os conhecimentos tácitos e os explícitos. Portanto, diante dos dados obtidos,
inferiu-se que as atividades, no âmbito do Sistemoteca, têm se caracterizado pela
informalidade. A evidência, quase que soberana, da conversão do conhecimento
por socialização é percebida pela carência de ações que favoreçam a
externalização do conhecimento no âmbito organizacional.
3.1.5 Categoria: (in)satisfação com a equipe de trabalho.

De maneira geral, a equipe de trabalho é considerada uma barreira à
implementação de ações, pois, a maioria (94,1%) dos entrevistados considerou que
a quantidade de pessoal é insuficiente para o desenvolvimento das atividades. No
entanto, quando se refere à qualificação, três vertentes caracterizadoras mereceram
destaque: uma que vincula a baixa qualificação ao tempo de serviço, ou seja,
àqueles servidores que se encontram perto de se aposentarem, e aí não têm mais
motivação ou demonstram resistência para acompanhar os avanços nos métodos de
trabalho, como aqueles fomentados pelas novas tecnologias.
A segunda vertente caracteriza como desqualificados aqueles servidores que
se dizem em “desvio de função” e que, mesmo lotados em bibliotecas, resistem à
execução de algumas tarefas ou atividades relacionadas a esse tipo de ambiente. A
terceira e última vertente evidencia uma cultura organizacional de acomodação e
resistência às mudanças e às inovações.

3.1.6 Categoria: percepção sobre cargo comissionado.
Nesta categoria, os entrevistados apresentaram as suas percepções a
respeito da importância de incentivo financeiro (função gratificada) aos ocupantes
de cargos de direção das unidades do Sistemoteca.

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Pelos números apresentados, quatorze participantes, ou seja, 88,2% da
amostra, consideraram como ponto desfavorável a ausência de incentivo financeiro
para o exercício da função de chefia, inclusive, apontaram ser este um dos
principais elementos desmotivadores na organização. Apenas um respondente, que
representa 5,9%, considerou irrelevante este incentivo; e outro gestor (5,9%)
preferiu não opinar a respeito.
O escore acima apresentado demonstrou que não existe uma cultura de
valorização do capital humano no sentido de incentivá-lo, cada vez mais, a prestar
melhores serviços, especialmente, aqueles que se encontram exercendo funções
gerenciais nas unidades do Sistema, com exceção da Direção Central do Sistema
que se encontra contemplada com incentivo considerável. Esta situação termina por
prejudicar a efetividade de ações no âmbito organizacional, pois está diretamente
relacionada à motivação e ao comprometimento organizacional.
Esta inferência corrobora o pensamento de Sousa (1979, p. 208), quando
este afirma que, “no desempenho de suas funções, o homem precisa de
compensações intrínsecas, através de tarefas significativas, e de estimulantes
extrínsecos, isto é, remuneração adequada”.

3.2 CATEGORIAS PÓS-DETERMINADAS
Neste item, a definição das categorias se deu com base nas respostas a
respeito das barreiras à implementação do Regimento Interno na percepção dos
gestores. Ao contrário das categorias anteriores, onde foram pré-determinados
temas específicos, aqui, os entrevistados puderam expor as suas preferências,
naturalmente, sem qualquer indução temática, para, a partir daí, serem construídas
as categorias, ou seja, a análise do conteúdo das falas dos entrevistados é que
possibilitou a criação das categorias.
Para essa sistematização, recorremos a Richardson (1985, p. 197) que, assim
como Bardin (1979), indica que a técnica mais utilizada para o método de análise de
conteúdo é a análise por categorias, que se traduz pelo desmembramento do texto
em diversos elementos, de forma a extrair partes do conteúdo das entrevistas e
categorizá-las tematicamente, de acordo com o problema pesquisado.

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Funciona por operações de desmembramento do texto em unidades, em
categorias segundo reagrupamentos analógicos. Entre as diferentes
possibilidades de categorização, a investigação de temas, ou análise
temática, é rápida e eficaz na condição de se aplicar a discursos diretos e
(significações manifestas) e simples. (BARDIN, 1979, p.153).

Dessa forma, o processo de priorização das barreiras se deu através da
análise das falas, que possibilitou a categorização à partir do maior número de
respostas dadas a seguinte indagação: Quais os principais barreiras que você julga
dificultar a implementação do Regimento Interno do Sistemoteca?
O ranking foi elaborado de acordo com uma análise quantitativa simples,
tendo como base de cálculo os 17 gestores constituintes da amostra pesquisada.

3.2.1 Categoria: visão sistêmica.

A subcategoria “visão sistêmica” esteve presente nas respostas de oito
gestores, representando 47,1% da amostra pesquisada. Este percentual evidencia a
carência de uma maior interação entre as unidades que compõem o sistema, pois
as ações desenvolvidas por essas unidades se encontram dissociadas. Vale
salientar que a abordagem sistêmica inclui a análise de vários outros elementos,
pois uma parte do sistema pode influenciar todas as outras.

3.2.2 Categoria: (in)eficiência do processo de comunicação.

Para 41,2% dos gestores entrevistados, uma das barreiras se refere à
“ineficiência do processo de comunicação”. Diante dos escores, pode-se inferir que
falta estabelecer diretrizes e ações para que o Sistemoteca incorpore aquela
característica essencial, definida por Ackoff (1981. p.28), de que um sistema se
compõe de partes que interagem, cada uma delas com seus interesses, mas que
contribuem, presumivelmente, para a consecução dos objetivos globais.
Percebe-se também que a ineficiência do processo de comunicação termina
provocando entraves na conversão do conhecimento organizacional. Por isso, a
cultura que facilita o compartilhamento do conhecimento necessita fazer parte do

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dia-a-dia do sistema, para que o processo de conversão do conhecimento ocorra de
forma sistêmica.

3.2.3 Categoria: (des)conhecimento das normas regimentais.

Em relação ao “desconhecimento das normas regimentais”, 35,3% dos
gestores indicaram esse fator como uma importante barreira ao processo de
implementação do Regimento Interno, porém, esse índice sobe para 52,9% quando
se pré-estabelece a linha temática.

3.2.4 Categoria: participação.

A falta de participação, enquanto barreira ao processo de elaboração e
implementação do Regimento Interno do Sistemoteca, esteve presente nas
respostas de 35,3% dos gestores inquiridos. Observa-se que os índices baixos de
participação dos entrevistados nos processos de elaboração dos instrumentos
reguladores das atividades, bem como nos processos de tomada de decisão,
representam um ponto negativo para a organização, pois estes interferem no grau
de comprometimento dos servidores. Esta percepção é ancorada na inferência de
Santos (2007, p. 65), que afirma que “os índices de motivação tendem a se
elevarem em organizações que estimulam o processo participativo, pois os
colaboradores se sentem co-responsáveis pela organização”.
Ademais, a falta de participação da Direção da Biblioteca Central nos órgãos
deliberativos superiores da instituição é um entrave à defesa dos interesses do
Sistemoteca. Lemos e Macedo (1975, p. 49) já reivindicavam essa participação
quando defendiam, em 1975, que, para melhor integração dos planos da biblioteca
com o planejamento e funcionamento global da universidade, o bibliotecário da
universidade, isto é, o Diretor da Biblioteca Central, deveria ter status acadêmico e
participar dos órgãos colegiados.
Daquilo que foi relacionado, pode-se inferir que são vários os fatores que
dificultam a implementação do Regimento Interno, entretanto, uma das condições
indispensáveis e necessárias para que se obtenha êxito no processo de
implementação das ações previstas no Regimento Interno é o engajamento de todos

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os profissionais que atuam nas unidades do sistema, principalmente aqueles que se
encontram na sua cúpula. Nesse sentido, vale resgatar o entendimento de Sousa
(1979, p. 209) de que a participação e o comprometimento dos mais altos escalões
da organização são condições indispensáveis na administração de qualquer
1

programa de desenvolvimento organizacional .
Desta forma, pode-se inferir que a ausência dos gestores das unidades
pesquisadas nos processos de elaboração dos atos normativos, de tomada de
decisões e de implementação do sistema se constitui em obstáculo para a
consecução dos objetivos propostos pela organização.

3.2.5 Categoria: (des)comprometimento
Na subcategoria “ (des)comprometimento”, os dados mostraram que 29,4%
dos gestores pesquisados alegaram, sem prévia incitação ao tema, ser a falta deste
elemento uma barreira à implementação das ações inerentes ao objeto em estudo.
Muitas vezes, os gestores atribuem os problemas da instituição à falta de
comprometimento dos seus recursos humanos, porém, os resultados desta pesquisa
mostram a necessidade de alterações no âmbito gerencial, pois as práticas atuais
não motivam os servidores, nem tampouco estimulam o desenvolvimento natural do
comprometimento. Sendo assim, pode-se inferir que uma das mais graves
disfunções passa a ser a falta de consciência de que as causas do processo de
deterioração estão embutidas em concepções e práticas gerenciais inadequadas.

2.2.6 Categoria: resistência às mudanças.
Acredita-se ser relevante para o resultado desta pesquisa, ressaltar que
embora o sentimento de resistência às mudanças tenha sido mencionado por
apenas 23,5% dos entrevistados, percebe-se que essa conduta é extremamente
reveladora de indivíduos arraigados à cultura institucional que demonstram

1

Desenvolvimento organizacional é o nome dado aos esforços planejados para ajudar a organização
a responder mais rapidamente às pressões internas e externas resultantes das mudanças culturais,
sociais e tecnológicas. Usa intervenções planejadas que abrangem o sistema total sendo
administradas do alto. (SOUSA, 1979, p. 209).

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dificuldades de embarcar em comportamentos inovadores. Desta forma, recomendase envidar esforços no sentido de se diminuir essa resistência, buscando atitudes e
comportamentos que os estimulem a uma participação ativa em todas as etapas de
elaboração e implementação das ações regimentais.

3.2.7 Categoria: estrutura organizacional.

A indicação de 23,5% dos entrevistados de que a estrutura organizacional se
configura como uma barreira no âmbito deste estudo corrobora o pensamento de
Angeloni (2008) que afirma não existirem dúvidas de que a estrutura organizacional
exerce impacto considerável sobre o trabalho das pessoas, influenciando seus
comportamentos e a interação no contexto organizacional.
Vale destacar que as relações de poder se estabelecem fundadas numa
estrutura organizacional tradicional de linha/staff. No entanto, o Sistema de
Bibliotecas da UFPB apresenta um processo decisório no qual há uma dependência
externa acentuada sobre vários aspectos, principalmente político, em decorrência
de seu status de órgão suplementar da Universidade. Ademais, a própria estrutura é
discriminadora, pois não contempla os diretores das Bibliotecas Setoriais com
funções gratificadas para o exercício do cargo, com exceção das duas unidades
remanescentes da estrutura da UFPB anterior ao desmembramento ocorrido em
2002, que percebem tal incentivo, mas com valores muito abaixo da gratificação
paga ao gestor do sistema, que recebe incentivo financeiro condizente com o cargo
que ocupa.
Além das categorias apresentadas e analisadas, outras foram identificadas.
No entanto, pelas limitações estruturais deste trabalho, elas não puderam ser
discutidas. Entretanto, pela relevância de seus conteúdos, as mesmas devem ser
consideradas como elementos importantes no processo de elaboração e
implementação das estratégias organizacionais, no âmbito do Sistemoteca, tais
como: falta de padronização, falta de motivação, falta de liderança, falta de
proatividade, falta de funcionários e falta de instrumentos administrativos, tais como
fluxogramas, funcionogramas, organogramas e manuais de serviços.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os objetivos pretendidos foram alcançados, pois, além do conhecimento da
percepção dos gestores em relação ao processo de elaboração do Regimento
Interno, foram identificadas diversas barreiras à sua implementação.
Foram colocadas algumas oportunidades de ações que poderão viabilizar a
implementação do instrumento em questão, seja partindo de uma revisão no seu
processo de elaboração, que, como a pesquisa mostrou, apresentou vários vícios,
até a formulação de estratégias que auxiliem um plano de implementação de um
modelo regimental que atenda aos anseios da comunidade acadêmica e fomente
um comprometimento formal de todos os envolvidos no Sistemoteca.
Neste sentido, ações devem ser planejadas para provocar mudanças nas
relações internas visando à integração, à participação e ao comprometimento dos
sujeitos envolvidos nas atividades do sistema. É necessário criar um contexto
adequado para a gestão do conhecimento, principalmente por meio de um reexame
na estrutura organizacional, de forma que esta venha a fomentar iniciativas de
caráter integrado e sistêmico.
Considerando

os

resultados

obtidos,

propõe-se

algumas

diretrizes

organizacionais que podem contribuir para mitigar as barreiras que dificultam a
implementação do Regimento Interno do Sistemoteca. Dentre as linhas de ações,
destaca-se, inicialmente, a institucionalização de espaços de participação no
processo de tomada de decisões, partindo da concepção de estimular a discussão a
respeito da estrutura organizacional, sobretudo, na reflexão aprofundada de seu
organograma, considerando, inclusive, um estudo comparativo com a estrutura dos
órgãos da universidade que contemplam fóruns de decisões colegiadas, pois a
ausência dos gestores das unidades pesquisadas nos processos de elaboração dos
atos normativos, de tomada de decisões e de implementação do sistema se constitui
em obstáculo para a consecução dos objetivos propostos pela organização.
No tocante aos problemas de tramitação da informação, sugere-se o
desenvolvimento de um plano sistemático e integrado de aperfeiçoamento do
processo de comunicação, podendo, inclusive, desenvolver projetos conjuntos com
outros órgãos da universidade. Nessa questão recomenda-se, ainda, a criação de

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

uma assessoria intermediária, ligada à Direção do Sistemoteca, com atuação
específica para a coordenação técnica e supervisão das Bibliotecas Setoriais;
Os problemas relacionados ao quadro de recursos humanos podem ser
minimizados com o redimensionamento funcional, para adequar, qualitativa e
quantitativamente, o pessoal às necessidades das unidades de trabalho, além da
contratação de bibliotecários e de auxiliares de biblioteca, em decorrência das
iminentes aposentadorias e da expansão universitária, que tem requerido, inclusive,
o incremento de novos serviços.
Além disso, recomenda-se investir no preparo dos ocupantes dos cargos de
direção, principalmente, em aspectos relacionados às modernas técnicas de gestão
institucional, bem como o estímulo a estudos visando à melhoria contínua dos
processos administrativos. Outra atitude que pode contribuir para melhorar os níveis
de motivação e de comprometimento diz respeito ao estabelecimento de chefias
remuneradas para os responsáveis pelas Bibliotecas Setoriais, obedecendo a
critérios e a parâmetros quantitativos, a fim de estabelecer níveis coerentes com as
dimensões dessas unidades de informação.
A respeito da legalidade do instrumento regimental analisado, recomenda-se
a elaboração de um novo documento, de maneira que este venha a ficar em
conformidade como ordenamento jurídico que regulamenta a constituição dos atos
normativos.
O estudo demonstrou também que iniciativas de cunho interno, como a
criação de um programa de endomarketing, podem ajudar a remover ou a atenuar
muitas das barreiras apresentadas. Ademais, a gestão do conhecimento precisa
ancorar uma nova gestão pública, assegurando a melhoria contínua da qualidade
dos procedimentos organizacionais e, consequentemente, a eficiência, a eficácia e
a efetividade dos serviços.
O reconhecimento da complexidade do tema e, portanto, da impossibilidade
de precisão permitiu reflexões que se caracterizaram pela serenidade que o assunto
requer. Outros estudos podem e devem ser complementares a este, o que
contribuirá para ampliar o conhecimento organizacional, tanto em nível teórico
quanto prático, pois, as mudanças estão acontecendo em ritmo acelerado e um
ajustamento constante às novas situações se faz necessário.

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Análise do processo de elaboração e implementação do novo Regimento Interno do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Paraíba </text>
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              <text>Antonio Genésio de Sousa Filho</text>
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              <text>Emeide Nóbrega Duarte</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade - Trabalho científico</text>
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              <text>Analisa o processo de elaboração e implementação do Regimento Interno do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Paraíba, aprovado em 2009. Aabordagem metodológica consistiu em um estudo de caso de caráter exploratório e descritivo com base numa amostra não probabilística e intencional, constituída de dezessete gestores do Sistema. Os dados foram obtidos junto a fontes primárias e secundárias, por intermédio de entrevistas estruturadas e pela análise documental. Os dados coletados nas entrevistas foram analisados segundo a técnica de análisede conteúdo. Os resultados alertam para a necessidade de criação de um contexto adequado para a gestão do conhecimento, principalmente por meio de um reexame na estrutura organizacional, de forma que esta venha a fomentar iniciativas decaráter integrado e sistêmico que estimulem a participação e o comprometimento dos sujeitos envolvidos nas atividades do sistema. Dentre as diretrizesorganizacionais necessárias para mitigar as barreiras que dificultam aimplementação do Regimento Interno, propõe: institucionalização de espaços de participação no processo de tomada de decisões; desenvolvimento de um planosistemático e integrado de aperfeiçoamento do sistema de comunicação; redimensionamento do quadro funcional; contratação de pessoal; investimento no preparo dos ocupantes dos cargos gerenciais; criação de uma assessoria intermediária, ligada à direção do Sistema, com atuação específica para a coordenação técnica e supervisão das Bibliotecas Setoriais; implementação de gratificação para os responsáveis pelas Bibliotecas Setoriais; desenvolvimento de estudos visando à melhoria contínua dos processos administrativos; e criação deum programa de endomarketing.</text>
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