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                  <text>O grau de satisfação dos usuários deficientes visuais com os
serviços prestados pela Biblioteca Central da Ufes (BC/UFES)

Christian Cleyton Silva (Ufes) - christian@buteri.com.br
Lucileide Andrade de Lima do Nascimento (UFES) - lucileidelima@gmail.com
Eugenia Magna Broseguini Keys (Ales) - ebroseguini@gmail.com
Isabela Correa Ribeiro Alves (UFES) - ribeiroisabela26@yahoo.com.br
Resumo:
Avalia o grau de satisfação dos alunos com deficiência visual em relação aos serviços
prestados pela Biblioteca Central da UFES. Utiliza além da pesquisa bibliográfica, a pesquisa
de campo orientado pelo método grupo focal com dois usuários da Biblioteca Central e alunos
de Pós Graduação. Confirma a partir dos resultados que existem muitos benefícios no que se
refere à disposição de serviços bibliotecários direcionados aos cegos. Porém, ainda não se
atingiu a excelência dos serviços, o que evidencia a necessidade de intervenção do gestor no
aprimoramento dos serviços especiais para os deficientes visuais.
Palavras-chave: Deficientes visuais. Usuários de informação. Acessibilidade. Bibliotecas
universitárias. Serviços bibliotecários.
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

O grau de satisfação dos usuários deficientes visuais com os serviços
prestados pela Biblioteca Central da Ufes (BC/UFES)
Resumo: Avalia o grau de satisfação dos alunos com deficiência visual em relação
aos serviços prestados pela Biblioteca Central da UFES. Utiliza além da pesquisa
bibliográfica, a pesquisa de campo orientado pelo método grupo focal com dois
usuários da Biblioteca Central e alunos de Pós Graduação. Confirma a partir dos
resultados que existem muitos benefícios no que se refere à disposição de serviços
bibliotecários direcionados aos cegos. Porém, ainda não se atingiu a excelência dos
serviços, o que evidencia a necessidade de intervenção do gestor no aprimoramento
dos serviços especiais para os deficientes visuais.
Palavras-chave: Deficientes visuais. Usuários de informação. Acessibilidade.
Bibliotecas universitárias. Serviços bibliotecários.
Área Temática: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade
1 Introdução
O acesso à educação é um direito de todos, independe da origem étnica,
social ou religiosa. Neste aspecto, não podem ser esquecidos os deficientes1, sejam
eles quais forem, e na especificidade do presente estudo, nos referimos aos
deficientes visuais. É, portanto, uma obrigação das universidades brasileiras se
estruturarem para receber essas pessoas que precisam contar com soluções que
facilitem suas necessidades. Com esta obrigatoriedade, o acesso ao ensino superior
torna-se uniforme e sem discriminação, conforme prevê a Portaria nº 3.284, de 2003
do Ministério da Educação (MEC), que desde 2003 assegura aos deficientes os
direitos de acessibilidade à educação em todos os níveis (BRASIL, 2003b).
Às bibliotecas universitárias, além das exigências legais, acrescentam-se as
recomendações propostas pela Federação Internacional de Associações de
Bibliotecas e Instituições (IFLA) que fornece por meio de recomendações, padrões
nacionais de serviços de bibliotecas para cegos (IFLA, 2009). Estas diretrizes, se
bem

implementadas,

propiciam

grandes

conquistas

para

os

cegos

e,

consequentemente subsidiam a adequação das bibliotecas e demais unidades de
informação sob o eixo informação e tecnologia da informação.
Neste aspecto o papel da biblioteca torna-se relevante porque, o ambiente
1

A deficiência, segundo a organização Mundial da Saúde (OMS) refere-se a “[...] alguma restrição ou
perda, resultante do impedimento, para desenvolver habilidades consideradas normais para o ser
humano” (DEFICIÊNCIA..., 2002, p.23).

1

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universitário, configura-se como protagonista das mediações para prestação de
serviços de informação e apoio educativo ao processo de aprendizagem. Do ponto
de vista da Biblioteconomia podemos caracterizar esta pesquisa nos conteúdos que
privilegiam os estudos de usuários de serviços de informação.
Considerando a ambiência da biblioteca universitária, o problema de pesquisa
se orienta aos alunos deficientes visuais com a seguinte questão problema: os
alunos deficientes visuais estão satisfeitos com os recursos e serviços que a
Biblioteca Central da UFES (BC/UFES) oferece atualmente? O desenvolvimento
deste estudo desmembrou objetivos de natureza geral e específica. Desta forma o
objetivo geral foi assim formalizado: avaliar o grau de satisfação dos alunos com
deficiência visual em relação aos serviços que lhe estão sendo prestados pela
BC/UFES.
A realização de uma pesquisa com usuários sobre esse tema tem como
relevância contribuir para o processo de melhoria continua dos serviços oferecidos
pela BC/UFES, com a participação do usuário.
Acreditamos que a pesquisa apontará eventuais problemas relatados pelos
próprios usuários e que precisam ser resolvidos para melhoria dos níveis de
satisfação, como também da virtuosidade de boas práticas, espera-se, em
desenvolvimento pela referida instituição.
2 O deficiente visual e a acessibilidade nas unidades de informação
As necessidades informacionais dos mais diferenciados usuários chegam às
bibliotecas de inúmeras formas. Porém, a necessidade que permeia esse contexto
ora retratado pode não ser apenas a informacional, mas além desta, pode haver
uma necessidade de natureza fisiológica no indivíduo, que o impeça de realizar a
busca e recuperação da informação com conforto e bem estar.
Referimo-nos ao usuário com níveis de deficiência, seja ela de qualquer
natureza, mas que, por limitações físicas ou psicológicas, a atividade no espaço da
biblioteca fica prejudicada.

2

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Neste contexto surgiu a preocupação com a acessibilidade2, ou seja, fornecer
aos indivíduos com deficiências a devida adequação do ambiente a que se faz
presente a fim de auxiliá-los durante sua permanência no local. Com o passar dos
tempos, o assunto ganhou maior destaque, quando arquitetos elaboraram projetos
de construção, contendo especificidades a fim de atender aos deficientes,
garantindo aconchego no ambiente, seja este um meio hospitalar, estudantil ou até
mesmo em unidades de informação (SILVA; BARBOSA, 2011). Partindo deste breve
panorama histórico, nos parece necessário trazer um conceito para o termo
acessibilidade. Para Mazzoni et al. (2001, p. 30) a acessibilidade é um fator que
engloba todos os aspectos do mundo físico (edificações, espaços urbanos,
transportes, saúde, lazer) e também do digital (redes de computadores e sistemas
de comunicações) sem barreiras de acesso.
Notadamente quando se estuda o deficiente visual e o cego, em consonância
com as reflexões de Silva e Barbosa (2011) detectamos que os deficientes visuais
possuem muitas dificuldades para garantir o acesso à informação. Para minimizar
estas dificuldades as primeiras alternativas eficientes que surgiram foram os livros
em Braille e os ampliados, sendo que o Braille é utilizado por deficientes visuais com
cegueira total e os tipos ampliados são utilizados por deficientes visuais com baixa
visão. O acesso à informação escrita constitui, para o deficiente visual, um dos
recursos de aprendizagem, aperfeiçoamento e lazer, favorecendo o seu processo
educacional e cultural.
No âmbito das bibliotecas, deve ocorrer tratamento diferenciado para os
deficientes visuais, conforme afirma Silva e Barbosa (2011, p. 15) de que o papel da
biblioteca é oferecer "[...] acesso à informação, a qualquer tipo de usuário. O que é
necessário é repensar o papel que a universidade e as bibliotecas universitárias e
bibliotecas setoriais têm nesse contexto de garantir o acesso pleno a informação ao
deficiente visual [...]".

2

O termo acessibilidade tem origem no final da década de 40 do século passado, por meio dos
serviços de reabilitação física e profissional das pessoas com necessidades especiais nos Estados
Unidos e na Europa. Durante os anos 50 a prática de integração dos deficientes visuais e físicos
ocorria em diversas esferas: na família, no mercado de trabalho e na comunidade em geral, mas ela
era muitas vezes dificultada e até impedida pela existência de barreiras arquitetônicas nos espaços
urbanos, edifícios e meios de transporte coletivos (SILVA; BARBOSA, 2011, p. 4).

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3 A adaptabilidade do deficiente visual e a escrita em Braille: alternativas
encontradas
Diante das dificuldades encontradas pelos deficientes visuais, visando a sua
melhor socialização, a Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou um
documento sobre os direitos e garantias que estes usuários têm diante da sociedade
em que convivem. Este documento traça as linhas gerais das ações que podem e/ou
devem ser realizadas para que medidas favoráveis aos deficientes sejam
efetivamente postas em prática, mas também leva em conta a realidade de cada
país (DECLARAÇÃO..., 1975; ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2008).
O Brasil já regulamentou algumas medidas preventivas e de prescrição,
especificando as exigências da ONU, como o Artigo 5º, alínea C, do Decreto Federal
nº 5.296, de 2004, que regulamenta as Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000,
que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica (BRASIL, 2004). O
referido decreto também dispõe a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que
estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade de
pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, além de outras providências.
Percebe-se que existem medidas significativas que podem ser adotadas pelas
unidades de informação a fim de condicionar o deficiente visual à adaptabilidade
ambiental e ao usufruto dos serviços oferecidos:
[...] quando a biblioteca pública adapta toda sua estrutura para atender aos
deficientes, ela está viabilizando o exercício dos direitos dessa minoria.
Construir rampas, instalar corrimões nos prédios ou comprar livro em Braille
são ações que a biblioteca pública pode realizar para possibilitar a
diminuição das diferenças causadas pelo isolamento que a própria
sociedade impõe ao deficiente (JACINTO, 2008, p. 98).

Para a referida autora é crescente a ideia de acessibilidade no ambiente
urbano, conceito que pode ser ampliado também para pessoas que não possuam
nenhum tipo de deficiência, mas que tem limitações, como em relação aos idosos,
por exemplo. Apesar de ainda insuficiente, as cidades estão em processo de
modificação. As novas construções, em grande parte, já nascem acessíveis, e as
antigas passam, aos poucos, por reformas que garantam o acesso de deficientes.
Interessante destacar que as mudanças foram e continuam lentas, mas já
comprovam o movimento de evolução das concepções atuais. Os prédios estão
mais acessíveis e os funcionários já pensam na acessibilidade como algo
indispensável, mesmo que ainda não seja uma realidade concreta na instituição. O
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bibliotecário tem consciência da necessidade da adaptação das instalações para os
deficientes (JACINTO, 2008, p. 99).
4 A questão ergonômica: o conforto ambiental proporcionado ao deficiente
visual
Os aspectos ergonômicos referem-se ao conforto proporcionado pelo
ambiente, de forma que o indivíduo sinta-se acomodado para desempenhar suas
atividades, sem esforços físicos ou mentais. A ergonomia não trata apenas de
problemas físicos, mas, de um modo geral, preocupa-se com a acomodação
intelectual eliminando fatores interferentes na concentração psicológica.
Especificamente, em ambientes de informação e orientados às práticas da
leitura, esta atividade de cunho intelectual exige além do silêncio, outros fatores que
devem ser gerenciados eficazmente, como a luminosidade, a ventilação e a
umidade. Além do desconforto e insatisfação do usuário no ambiente da biblioteca,
estes fatores geram doenças, derivadas da inadequação do mobiliário, falta de
equipamentos bem estruturados no ambiente, bem como da permanência contínua
em um mesmo local desenvolvendo as mesmas atividades em períodos
prolongados. Neste aspecto é imprescindível que no local de estudo se preze pelo
conforto ambiental e aquisição de recursos de informação visando o bem-estar do
usuário. É neste contexto que surge a ciência ergonômica3. Para Laville (1977, p. 45,
apud MARTINS NETO, 1999, p. 5) ergonomia é "[...] o conjunto de conhecimentos
relativos ao comportamento do homem em atividade, a fim de aplicá-los à
concepção das tarefas, dos instrumentos, das, das máquinas e dos sistemas de
produção".
5 Percurso metodológico
A metodologia utilizada foi pesquisa bibliográfica e de campo, utilizando-se
como métodos para coleta de dados o Grupo Focal (GF) e Entrevista semi3

O termo ergonomia é derivado das palavras gregas ergon (trabalho) e monos (regras). De fato, na
Grécia antiga o trabalho tinha um duplo sentido: ponos que significava o trabalho escravo de
sofrimento e sem nenhuma criatividade e, ergon, que designava arte, o trabalho de criação,
satisfação e motivação. Tal é o objetivo da ergonomia, transformar o trabalho ponos em trabalho
ergon (MARTINS NETO, 1999, p. 4).

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estruturada. A pesquisa bibliográfica ofereceu uma gama de informações
necessárias à fundamentação e argumentação da problemática formulada, além de
tornar a pesquisa mais autêntica e com maior confiabilidade. A pesquisa de campo
sustentou-se pela coleta de informações sobre a necessidade do deficiente visual e
seu grau de satisfação diante dos serviços oferecidos pela BC/UFES. O estudo visa
o usuário da BC/UFES com deficiência visual como prioridade, e ele, fator
determinante do nosso problema, necessita de avaliações que melhor destaquem a
satisfação quanto aos serviços prestados pela Biblioteca.
No que concerne à coleta dos dados em campo, percebeu-se que, o contexto
atual da BC/UFES é permeado por uma parcela minúscula de usuários deficientes
visuais, o que justificou a adoção do Grupo Focal. Segundo Morgan (1997), a marca
registrada do grupo focal é a utilização explícita da interação grupal para produzir
dados que seriam menos acessíveis sem a interação produzida em grupo. A
principal vantagem do grupo focal é a oportunidade de observar uma grande
quantidade de interação a respeito de um tema em um período de tempo limitado.
No grupo focal, não se busca o consenso e sim a pluralidade de ideias. Assim, a
ênfase se manteve na interação dentro do grupo, baseada em questões oferecidas
pelo pesquisador, que assumiu o papel de moderador. A intenção foi criar, durante o
encontro do grupo, um contexto ou ambiente social propício à interação para
defender, rever, ratificar as opiniões ou influenciar as opiniões dos demais. Essa
abordagem possibilita também ao pesquisador aprofundar sua compreensão das
respostas obtidas (GUI, 2012; LEITÃO, 2005).
5.1 Formação do grupo focal: o interesse e as dificuldades encontradas
Antes de se pensar na metodologia de pesquisa, uma incógnita envolvia o
contexto, já que não se sabia se existia um público com necessidades visuais que
frequentasse a BC/UFES. Após inúmeras dificuldades para identificação desse
público recebemos a contribuição valiosa da Pró-Reitoria de Graduação, a partir da
qual realizamos os contatos telefônicos com este público, consultando sobre a
disponibilidade em participar da pesquisa conforme o Termo de consentimento livre
e esclarecido proposto.
A pesquisa de campo foi realizada, tendo os pesquisadores, previamente,
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construído um roteiro com várias temáticas a serem dialogadas. Assim, reuniu-se no
dia 31 de maio de 2012, na sala 12, do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas
da Ufes (CCJE) no horário de 18:00 h, tendo como elementos participantes do grupo
entrevistados, dois usuários da BC/UFES com deficiência visual. Os pesquisadores
compuseram a mediação das entrevistas, sendo um na função de condutor e o outro
na condição de observador. Além dos usuários respondentes e dos mediadores,
fizeram-se presentes um docente, orientador da pesquisa, e um pesquisador
colaborador, discente do mesmo curso em que a pesquisa será submetida à
validação. O grupo de respondentes foi composto por dois usuários que possuem as
seguintes características: ambos de sexo masculino sendo que um possui formação
em Biblioteconomia pela UFES, e atualmente cursa especialização em Gestão de
Projetos. Este usuário é casado e reside no município de Vitória e no momento não
exerce nenhuma função no mercado de trabalho (respondente 1). Já o outro usuário,
também graduou-se e fez mestrado na UFES em Ciências Biológicas, e no atual
momento está em fase de conclusão do doutorado; reside com os pais no município
de Cariacica e não atua profissionalmente no mercado de trabalho (respondente 2).
5.2 Análise das questões propostas
As respostas foram coletadas por meio de dois procedimentos: transcrição e
gravação das falas. A primeira foi realizada por todos os quatro observadores
através dos registros em papel e a segunda foi feita para posterior conferência e
possíveis ajustes, caso se verificasse inconsistências nos registros escritos. O
quadro abaixo expõe as perguntas apresentadas e fragmentos das respostas
obtidas:
Quadro 1: Transcrição de fragmentos da entrevista realizada com usuários cegos
Questões formuladas

1 - Para que fins vocês utilizam a BC
da Ufes?
2 - Vocês necessitam de algum tipo
de tratamento diferenciado ou
específico de auxílio à localização
das obras no acervo? Ou o
procedimento é feito de forma
autônoma?
3 - Encontram alguma dificuldade ao
adentrarem ao espaço, ou seja, aos

Respostas obtidas
Respondente 1: "[...] Usei a biblioteca durante o curso de graduação e
no pré-vestibular para estudar e empréstimos de livros [...]";
Respondente 2: "[...] Usei para estudar alemão em grupo e durante a
graduação para empréstimo de livro e durante a pós para obter artigos
[..]. Não é possível autonomia para obter materiais por falta de
ferramentas [...]".
Respondente 1: "[...] não há tratamento diferenciado, o que me leva a ter
autonomia em busca do que quero [...]" "[...] falta material passível de
leitura, com letras maiores (ampliadas) [...]";
Respondente 2: "[...] não há diferenciação, tenho que ser autônomo [...]"
"[...] O deficiente fica constrangido em ter que pedir ajuda [...]".
Respondente 1: "[...] Não. A escuridão atrapalha os cegos de baixa visão
[...]";

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equipamentos, mobiliário e estrutura
em geral dificultam a mobilidade
física?
4 - Quais as tecnologias que
proporcionam melhor uso da BC?
5 - Em que atividade desempenhada
no espaço da BC seria de suma
importância a dedicação exclusiva de
um funcionário ou bibliotecário?

6 - Que tipo de atividade você
desenvolve nas dependências da BC
com sucesso? Acham que falta
preparação de funcionários?
7 - Você tem conhecimento de
publicações em Braille no acervo da
BC?
8 - No que concerne à localização de
obras em Braille, como vocês são
condicionados
à
recuperação/localização das obras?
9 - O que vocês sugerem para a
melhoria da adaptabilidade dos
serviços e espaço da BC diante das
dificuldades de um deficiente visual?

10 - Vocês possuem relatos de
alguma experiência significativa,
positiva ou negativa no espaço da
BC?

Respondente 2: "[...] Não é meu maior problema. Sinto falta de uma
referência, de um guia, para auxiliar em chegar até na roleta [...]"
Respondente 1: Poderia ter pelo menos uma máquina com leitor de tela
para busca no acervo [...]";
Respondente 2: [...] O pergamum não oferece acessibilidade [...]".
Respondente 1: "Na busca de livros [...] o bibliotecário ajuda muito na
localização do acervo. Facilitaria no estudo se o acervo fosse também
em formato digital".
Respondente 2: Eu faço tudo sozinho [...] seria muito bom se o acervo
estivesse em formato digital [...]".
Respondente 1: "Fazia todo o processo de empréstimo, desde a
pesquisa no pergamum até levar o material ao balcão de empréstimo [...]
Quanto aos funcionários atualmente vejo que houve melhoras [...]".
Respondente 2: É complicado ter que toda vez explicar para uma
pessoa diferente o seu procedimento para obter o material. Mesmo
conseguindo achar o livro, seria muito bom se houvesse a possibilidade
de renovar as obras em casa [...]. Muitos funcionários já me conhecem,
o que facilita o processo [...]".
Respondente 1: "Nunca ouvi falar [...]".
Respondente 2: "Não!"
Respondente 1: "Nenhuma".
Respondente 2: "Não há esta possibilidade".
Respondente 1: "Acho que deve melhorar a luminosidade do local,
acervo deve ser digitalizado, atendimento mais rápido, reconhecer e
acolher o cego [...]".
Respondente 2: "Um guia para facilitar nosso acesso. O número das
chaves dos armários em Braille, acervo digital, mediador de voz no
sistema, além de um funcionário exclusivo em oferecer atendimento
diferenciado [...]".
Respondente 1: "Sempre fui muito bem atendido/tratado na BC,
principalmente quando funcionários se disponibilizam em buscar o
material nas estantes. [...] nunca tive experiências negativas [...]".
Respondente 2: "O atendimento é bom [...] negativo, foi quando, ao tirar
um livro emprestado, o funcionário disse que havia pendência na
devolução e ela já havia sido devolvida".

Fonte: produzido durante a pesquisa.

5.3 Discussão dos resultados coletados
Na questão 1, tratando dos objetivos de uso as respostas em geral
evidenciaram: a) a utilização dos serviços para fins preparatórios para o vestibular e
recursos/serviços de apoio acadêmicos (graduação e pós) como o empréstimo de
livros; b) como ambiente para estudo independente, estudos de língua e em grupos.
Na verdade a maioria dos acervos de bibliotecas possuem variedades de
materiais com fins didáticos. Nas palavras de Broseguini; Nascimento; Pinel (2007a,
p. 2): "[...] Podemos dizer que as bibliotecas facilitam os processos escolares e não
escolares (formais e/ou informais) de inclusão social (e pedagógica)". Interessante
mencionar que para o respondente 2, há alguns entraves na circulação dos
materiais bibliográficos "[...] Não é possível autonomia para obter materiais por falta
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de ferramentas [...]". Esta grave situação já fora discutida por Silva (2005, apud
BROSEGUINI; NASCIMENTO; PINEL, 2007a, p. 1) "[...] o fato de as pessoas serem
cegas não lhe dariam tantas limitações (não enxergar) quanto o preconceito e a
piedade das pessoas que são responsáveis pelo seu processo de formação
educacional".
Na questão 2 foram investigados os entraves que limitam o acesso à
informação pelos cegos à BC/UFES. As respostas são coincidentes já que, ambos
os entrevistados, conseguem usufruir do acesso informacional de forma autônoma,
sem a necessidade de terceiros, porém existem alguns pormenores que dificultam o
percurso e a acessibilidade. Todavia, mesmo acessando informações de forma mais
autônoma, os usuários percebem

aspectos de serviços que poderiam ser

melhorados. Nas palavras do respondente 1: "[...] acho que precisa melhorar o tipo
de tratamento com o livro, com letras mais ampliadas ou em Braille", desta forma, é
imprescindível que as bibliotecas perfilem aquisições específicas para atendimento
dessas demandas diferenciadas.
Os entrevistados foram unânimes quando afirmaram certo constrangimento
em solicitar ajuda. Este sentimento negativo poderia ser superado se as unidades de
informação treinassem e disponibilizassem profissionais especializados para atender
este tipo de público e realizando um acompanhamento durante a visita à biblioteca.
Como por exemplo, disponibilizando ledores: "O ledor é - de longe - o mais imediato
e afetivo instrumental revelado pelo humano vidente para o humano não vidente.
Nesse sentido, ter este recurso instrumental e humano disponível significa incluir o
cego no mundo dos videntes, na sua cultura, na sua educação, etc. [...]"
(BROSEGUINI; NASCIMENTO; PINEL, 2007b, p. 7).
Contraditoriamente, a presença de indivíduos/profissionais especializados
para atender o cego, nem sempre resolve o cerne da problemática. Quando os
respondentes foram investigados, na questão 3, sobre a capacidade de locomoção
no

ambiente,

estes

se

mostraram

autossuficientes,

indicando

algumas

recomendações na melhoria do espaço físico. Para o respondente 1: "[...] [...] A
escuridão atrapalha os cegos de baixa visão [...]"; na opinião do respondente 2: "[...]
Não é meu maior problema. Sinto falta de uma referência, de um guia, para auxiliar
em chegar até na roleta [...]". Nota-se um esforço do usuário na tentativa de se
tornar independente, visto que a superproteção pode gerar percepção de
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invalidez/incapacidade destes, o que só atrapalhará o seu estado emocional.
Com estas reflexões acima demonstradas, pode-se inferir que, às unidades
informacionais, ao prepararem seus espaços e serviços de forma a atender o
usuário cego, deve ter estes pormenores em mente, tratando o assunto com total
delicadeza. O que se percebe, é que as unidades devem dispor toda sua estrutura
de forma a proporcionar facilidade de acesso, adequando o espaço e os recursos às
capacidades limitadas dos usuários com necessidades visuais, evitando

a

superproteção.
Na questão 4 quando os entrevistados foram interrogados sobre as
tecnologias que proporcionam melhor uso da biblioteca, as respostas indiciaram
para a falta de estruturas de mediação entre o catálogo e o acervo. Para o
respondente 1: "Poderia ter pelo menos uma máquina com leitor de tela para busca
no acervo [...]", enquanto que para o outro usuário investigado "[...] O pergamum
[sistema de gerenciamento da informação utilizado pela unidade] não oferece
acessibilidade [...]". Além disso, foi mencionada a oferta de coleções em formato
digital para os deficientes com baixa visão, além da presença e acompanhamento do
profissional bibliotecário.
Na questão 5 tratando da necessidade indispensável de um atendente para o
melhor uso dos serviços pelos deficientes visuais, ficou evidenciado que o
profissional bibliotecário seria um excelente colaborador na localização das obras
junto ao acervo. Na opinião do respondente 1: "Na busca de livros [...] o bibliotecário
ajuda muito na localização do acervo. Facilitaria no estudo se o acervo fosse
também em formato digital". Para o respondente 2 "Eu faço tudo sozinho [...] seria
muito bom se o acervo estivesse em formato digital [...]".
A partir destas falas, é possível perceber o valor, a contribuição que o serviço
de referência, independentemente do tipo de organização, ou em qual tipo de
atividade ele se desenvolve dentro da ambiência organizacional. É louvável, para as
unidades de informação, disponibilizar profissionais especializados em oferecer
atendimento individual aos usuários já que as intervenções humanas "[...]
complementam e reforçam a ajuda ministrada pelos sistemas de catalogação e
classificação da biblioteca, ao proporcionarem assistência individual aos usuários
que buscam informações" (GROGAN, 2007, p. 8).
A educação de usuários, geralmente proposta pelo serviço de referência, e a
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devida adequação do espaço e dos instrumentos mediadores de informação ficaram
evidenciadas como estratégias viáveis para este grupo de usuários, considerando as
respostas obtidas dos entrevistados. É evidente que eles precisam de um
atendimento diferenciado, mas este deve ser realizado com equilíbrio, assumindo o
atendente a função de educar a pessoas com necessidade especial, mostrando-lhe
os caminhos, as ferramentas e o modo de utilização dos diferentes recursos
existentes.
A questão 6 complementa a discussão sobre a autonomia desse usuário,
quando consultado sobre as atividades que realiza com maior sucesso na biblioteca
responderam que conseguem e compreendem o fluxo de serviços, porém acham
complicado mobilizar pessoas para cada etapa do percurso.
As questões 7 e 8 evidenciaram desconhecimento do grupo quanto à
existência de publicações em Braille disponíveis no acervo da BC/UFES conforme
demonstrado pela totalidade dos respondentes. Do mesmo modo quando se
pergunta sobre o uso e localização de tais obras.
Partindo destes dados até então coletados, a fim de remeter ao desfecho da
pesquisa, formalizamos as duas últimas questões (9 e 10) de cunho sugestivo,
franqueando um momento de compartilhamento das expectativas, experiências,
impressões e sugestões de melhoria. Foram apresentadas as seguintes sugestões
de melhorias da adaptabilidade dos serviços e espaços da BC/UFES: guias para os
setores e serviços, melhoria da luminosidade local, digitalização de contingentes
demandados do acervo por este público, número das chaves do armário em relevo,
mediadores de voz no sistema Pergamum e funcionário exclusivo para atendimento
dessa clientela.
Os aspectos pontuados pelos respondentes convergem para uma adequação
mais favorável ao cego objetivando proporcionar melhorias na acessibilidade. Nesse
contexto, a ideia de Silva (apud MOREIRA, 2006, p. 4, grifo nosso) é corroborada
quando afirma:
[...] o processo de inclusão social da pessoa com deficiência não deve
excluir serviços especializados de atendimento a esta pessoa, enquanto
forem necessários. Pelo contrário, os serviços devem ser melhorados, para
prestar atendimento cada vez melhor funcionando como facilitadores de um
processo saudável de inclusão.

Desta forma, aproveitando o ensejo, foram ouvidos dos entrevistados relatos
de experiências que eles vivenciaram e que, segundo relato pessoal, foram
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experiências positivas ou negativas, no que se refere ao tratamento a eles conferido.
Indagou-se: Vocês possuem relatos de alguma experiência significativa, positiva ou
negativa no espaço da BC? Para o respondente 1 somente houve casos positivos:
"Sempre fui muito bem atendido/tratado na BC, principalmente quando funcionários
se disponibilizam em buscar o material nas estantes. [...] nunca tive experiências
negativas [...]". De acordo com a experiência do respondente 2, um ponto negativo
foi levantado: "O atendimento é bom [...] negativo, foi quando, ao tirar um livro
emprestado, o funcionário disse que havia pendência na devolução e ela já havia
sido devolvida".
Na finalização dessa discussão compreendemos que estudar o uso e o
usuário da informação, seja ele em diferentes instâncias, como alunos,
pesquisadores, colaboradores, respeitando-se os diferentes perfis e limitações,
típicas de cada indivíduo em particular, se torna um método válido. Constitui,
outrossim, a forma mais precisa de gerenciar toda a ambiência da unidade de
informação, tornando-a um espaço de referência e excelência para toda a
comunidade.
6 Considerações finais
De acordo com os levantamentos realizados ao longo deste estudo, foi
possível concluir, em linhas gerais, que o usuário cego tem o direito amparado por
lei de atendimento especializado nas unidades de informação. Esse direito se
estende em todos os aspectos: seja na estruturação física do espaço, seja na
assistência personalizada e/ou

na facilidade de acesso às diversas fontes de

informação em seus diferentes suportes, existentes nos acervos bibliográficos.
A adequação estrutural das bibliotecas e dos serviços de informação ao
usuário deficiente visual está previsto na Lei 10.753, de 30 de outubro de 2003, que
instituiu a Política Nacional do Livro. Essa Lei dispõe em seu capítulo X que é papel
das unidades informacionais oferecer as melhores condições de acessibilidade às
pessoas com deficiência visual, visando viabilizar o acesso à informação e à leitura
(BRASIL, 2003a) . Outro regulamento legal que prevê direitos de acessibilidade ao
usuário com deficiência visual em bibliotecas, é o Relatório Profissional n.º 86,
instituído pela IFLA, pela qual oferece um conjunto de recomendações sobre os
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Padrões Nacionais de Serviço de Biblioteca para Cegos. Este regimento trouxe
grandes conquistas para os cegos e, consequentemente a necessidade de
adequação das bibliotecas e demais unidades de informação. Essas disposições
legais já vêm gerando frutos, pois proporcionam a sinergia entre informação e
tecnologia da informação às pessoas incapazes de utilizar material impresso em
acessar mais informações de maneiras mais fáceis e mais rápidas.
Neste sentido, a literatura é unânime ao confirmar o valor que o usuário cego
possui para a unidade de informação, independente de sua necessidade ou
deficiência. Os avanços na engenharia e nas tecnologias sofisticadas têm permitido
que as bibliotecas adequem os espaços e serviços de forma a atender as limitações
dos usuários cegos. A escrita em Braille, a formação de ledores, o atendimento
especializado, as adaptações físicas, todos são condicionantes que constituem
preocupações primordiais a serem consideradas pelas unidades de informação na
atualidade.
Partindo destas recomendações legais recorreu-se a campo a fim de verificar
o grau de satisfação dos deficientes visuais, usuários da BC/UFES. Em
conformidade com o estudo focal realizado com estes usuários, ficou confirmado que
os consulentes, mesmo diante de uma legislação em vigor, não usufruem de
condições especiais para o acesso à informação. Baseado nos resultados obtidos é
importante enfatizar que os serviços oferecidos que agradam ao usuário e atendem
às recomendações legais devem ser mantidos e disseminados, serviços estes tais
como: o atendimento particular, o acompanhamento do cego, a adequação física do
espaço. No que tange aos serviços ainda não oferecidos, o qual constitui
insatisfação e empecilho à frequência deste público na biblioteca, recomenda-se a
elaboração de projetos que visem, em conjunto com outros setores da universidade,
adentrar o espaço com máxima precisão no atendimento e receptividade dos cegos.
As investigações advindas desta pesquisa, confirmam que os usuários cegos
da BC/UFES não estão devidamente satisfeitos com o que lhes é oferecido pela
unidade de informação. Existem muitos pontos positivos por eles levantados, porém,
se forem consideradas as legislações em vigor no atual contexto, a biblioteca deverá
implementar ações de adequação mais incisivas para garantir melhorias no
atendimento a estes grupos de usuários.

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7 Referências
BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nos 10.048, de
8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e
10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para
a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida,
e
dá
outras
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Livro. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/leis/2003/lei10753.htm.
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              <text>Lucileide Andrade de Lima do Nascimento</text>
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              <text>Eugenia Magna Broseguini Keys</text>
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              <text>Isabela Correa Ribeiro Alves</text>
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              <text>Avalia o grau de satisfação dos alunos com deficiência visual em relação aos serviços prestados pela Biblioteca Central da UFES. Utiliza além da pesquisa bibliográfica, a pesquisa de campo orientado pelo método grupo focal com dois usuários da Biblioteca Central e alunos de Pós Graduação. Confirma a partir dos resultados que existem muitos benefícios no que se refere à disposição de serviços bibliotecários direcionados aos cegos. Porém, ainda não se atingiu a excelência dos serviços, o que evidencia a necessidade de intervenção do gestor no aprimoramento dos serviços especiais para os deficientes visuais. </text>
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