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                  <text>Qualidade percebida em serviços de bibliotecas: uma avaliação sob
a ótica do cliente

Merabe Carvalho Ferreira da Gama (UFRA) - paeme_1820@yahoo.com.br
Carlos André Corrêa de Mattos (UFRA) - carlosacmattos@hotmail.com
Resumo:
Apresenta a avaliação de serviços de uma biblioteca universitária com base na qualidade
percebida por seus clientes, por meio da investigação de suas expectativas, anterior à
experiência com o serviço e a satisfação após a prestação do mesmo. Observou-se que a
qualidade percebida pelos clientes em relação aos aspectos intangíveis da biblioteca, é
superior à percebida nos aspectos tangíveis.
Palavras-chave: Avaliação de serviços. Biblioteca Universitária. Qualidade de serviços
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

Qualidade percebida em serviços de bibliotecas: uma avaliação sob a ótica do
cliente

Resumo:
Apresenta a avaliação de serviços de uma biblioteca universitária com base na
qualidade percebida por seus clientes, por meio da investigação de suas
expectativas, anterior à experiência com o serviço e a satisfação após a prestação
do mesmo. Observou-se que a qualidade percebida pelos clientes em relação aos
aspectos intangíveis da biblioteca, é superior à percebida nos aspectos tangíveis.
Palavras-chave: Avaliação de serviços. Biblioteca Universitária. Qualidade de
serviços.
Área Temática: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade.

1 INTRODUÇÃO

As bibliotecas universitárias são visualizadas como um dos principais canais
de disseminação da informação científica, embora, as transformações tecnológicas
tenham impulsionado novos meios de acesso ao conhecimento e impactado os
serviços de bibliotecas, inclusive com a possibilidade de terceirização de suas
atividades (CUNHA, 2010).
Neste cenário, é indispensável que as bibliotecas universitárias, consideradas
como organizações provedoras de serviços, realizem avaliações periódicas, uma vez
que a avaliação é uma ferramenta de gestão, que permite conhecer a real situação
da organização, gerando dados, que possibilitam aos gestores o planejamento e a
tomada de decisões, buscando melhorias e a correção de possíveis erros. Ademais,
conhecer as expectativas dos clientes quanto ao serviço oferecido, é essencial às
bibliotecas, pois permite o desenvolvimento de ações direcionadas às necessidades
dos mesmos.
Desse modo, o presente estudo se propõe a avaliar a qualidade dos serviços
de uma biblioteca universitária, sob a ótica de seus clientes, investigando suas
expectativas em relação ao serviço, anterior à experiência de consumo e a
satisfação após a prestação do serviço, uma vez que, conforme Denton (1990) a
qualidade pode ser medida pela diferença entre as expectativas dos clientes e pela
percepção do cliente após o recebimento do serviço.

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2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

A instituição biblioteca não é um organismo recente e ao longo da história,
passou por transformações. Deixou de ser vista apenas como um espaço de
armazenamento do conhecimento registrado, para ser um lugar que além de apoiar
e inspirar, também forma os que estão em busca de conhecimento (LEITÃO, 2005).
Cunha e Cavalcanti (2008, p.53), define biblioteca universitária como aquela
que “é mantida por uma instituição de ensino superior e que atende às necessidades
de informação dos corpos docente, discente e administrativo, tanto para apoiar as
atividades de ensino, quanto de pesquisa e extensão [...]”.
Desta forma, a razão de ser da biblioteca universitária fundamenta-se no
auxílio que ela presta à universidade no desenvolvimento e na produção do
conhecimento (LEITÃO, 2005), já que a função principal das bibliotecas
universitárias é propiciar o acesso ao conhecimento (CUNHA, 2010); o que permitirá
aos estudantes, professores e pesquisadores realizarem pesquisas que contribuirão
com a produção do conhecimento da universidade e por conseguinte do país, pois
as bibliotecas universitárias contribuem no desenvolvimento da sociedade, em
conjunto com a universidade (DIB; SILVA, 2006).
Portanto, é fundamental que as bibliotecas universitárias se preocupem com
a qualidade dos serviços oferecidos, uma vez que possuem estreita relação com a
sua universidade, interagindo na tríade ensino, pesquisa e extensão, promovendo a
preservação e disseminação do conhecimento. Milanesi (1995) destaca que a
universidade e a biblioteca são refletidas uma na outra. Ainda de acordo com o autor
é a excelência da biblioteca que mede a qualidade da universidade. Desse modo,
uma instituição de alto nível deve procurar manter uma biblioteca com um acervo
excelente, funcionários competentes, prontos a prestar um serviço eficiente e um
ambiente adequado ás necessidades dos usuários.
Cumpre ressaltar que no mundo contemporâneo, onde a terminologia da
informática tem sido incorporada ao nosso vocabulário, a universidade pode ser
observada como um “servidor de conhecimentos”, que o produz, preserva e repassa
independente da forma que foi solicitado (CUNHA, 2010). Nesse sentido,
compreende-se que a biblioteca universitária é crucial para a universidade cumprir o
papel de “servidor de conhecimentos”, pois as bibliotecas em articulação com as
universidades são fontes de conhecimento.

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2.1 SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS: CARACTERÍSTICAS

A biblioteca universitária, em busca de cumprir seu papel como provedora do
suporte informacional às atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade
é uma legítima prestadora de serviços (SCHWEITZER, 2007), que ao longo do
tempo precisou desenvolver novos procedimentos e aprimorar produtos e serviços
(CUNHA, 2010).
Destarte, por ser uma instituição voltada para a área de serviços, avaliar a
qualidade de uma biblioteca pode ser algo complexo em razão das características
dos serviços, que tornam complexa a sua mensuração.
Kotler e Keller (2006, p.397) define serviço como “qualquer ato ou
desempenho, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer a outra e que
não resulta na propriedade de nada.”
Parasuraman, Zeithaml e Berry (1988), afirmam que os serviços possuem três
características: são simultâneos, intangíveis e heterogêneos. Serviços são
simultâneos porque são consumidos ao mesmo tempo em que são produzidos,
dificultando a correção de falhas antes deste chegar ao cliente. São intangíveis
porque não podem ser armazenados ou transportados, como um produto físico, não
sendo possível o cliente atestar a qualidade do serviço, antes de sua completa
execução. Cumpre destacar que embora o cliente não tenha como conhecer o
resultado do serviço, antes de haver sido prestado, estará sempre buscando deduzir
a qualidade por meio dos aspectos tangíveis. (KOTLER; KELLER, 2006).
Os serviços são ainda heterogêneos porque possuem uma tendência à nãopadronização, em virtude de serem prestados por pessoas, com pensamentos,
emoções e convicções distintas.

Assim, a maneira como um atendente trata o

cliente é muito pessoal e diferente, dos demais atendentes.
Além das características apresentadas por Parasuraman, Zeithaml e Berry
(1988), Kotler e Keller (2006) acrescentam mais uma: perecibilidade. Essa
característica revela que os serviços não podem ser armazenados ou estocados.

3 QUALIDADE DE SERVIÇOS

Definir qualidade de serviço não é uma tarefa simples. No entanto, após
diversos

estudos,

pesquisadores

de

mercado,

sugerem

cinco

grandezas

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(confiabilidade, responsabilidade, segurança, empatia e aspectos tangíveis), que
agem como critério de julgamento do cliente sobre a qualidade de determinado
serviço, comparando o serviço esperado e o obtido (FITZSIMMONS, 2005).
A confiabilidade diz respeito à prestação do serviço de forma confiável e
exata, isto é, o cliente possui confiança de que a empresa atenderá suas
expectativas, entregando um serviço sem erros e sem modificações dentro do prazo
estabelecido; já a responsabilidade é a determinação de auxiliar os clientes,
efetuando o serviço rapidamente, com o objetivo de evitar que o cliente espere além
do necessário, enquanto que a segurança está ligada diretamente a interação dos
funcionários com os clientes, ou seja, os funcionários devem repassar confiança aos
clientes, demonstrando competência, conhecimento e respeito. Por sua vez, a
empatia está relacionada com a disposição que os funcionários possuem em
solucionar os problemas dos clientes como se lhes pertencessem, propondo
alternativas até que o problema seja solucionado. Aspectos tangíveis é a parte física
do ambiente. Itens como limpeza, iluminação, infraestrutura do espaço, a
conservação de equipamentos e mobiliários, refletem para os clientes se o serviço
possui ou não qualidade (GRÔNROOS, 1999; LOVELOCK; WRIGHT, 2003;
FITZSIMMONS, 2005).
Para Fitzsimmons (2005), a qualidade deve ser um aspecto básico da
prestação de serviços. Assim, as bibliotecas universitárias devem primar pela
prestação de um serviço de qualidade, evitando que haja diferenças entre o serviço
prestado e o que é desejado (RIBEIRO, SILVA, MARCONDES, 2007 apud
BAPTISTA; LEONARDT, 2011). Nota-se ainda que a qualidade dos serviços em
bibliotecas é uma preocupação de diversos pesquisadores (ROCHA; GOMES, 1993;
LEITÃO, 2005; FREITAS; BOLSANELLO; VIANA, 2008; BEZERRA, 2010; LONGO;
VERGUEIRO, 2003; BAPTISTA; LEONARDT, 2011).
É importante destacar que segundo Gronroos (2004), deve-se levar em conta
como a qualidade é percebida pelos clientes, pois ela consiste em um fator crucial
que garante vantagem competitiva à empresa. Ademais, a qualidade de um serviço
possui estreita relação com a satisfação dos clientes, o que também é válido para os
serviços de informação, nos quais a qualidade não é expressa apenas pelo
desempenho (ALMEIDA, 2005), mas também está pautada na percepção que o
usuário possui sobre o serviço.

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4 AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS
No contexto das organizações, a avaliação é observada como uma atividade
indispensável aos gestores. Os diversos setores da economia se preocupam em
avaliar seus serviços e produtos, pois a avaliação é um elemento essencial de
gestão que possibilita à organização conhecer as áreas em que precisa investir e
dedicar mais atenção, alocando recursos de forma mais eficiente (LANCASTER,
2004).
A avaliação de serviços possui uma atenção especial em estudos
biblioteconômicos. Conforme Leitão (2005), esses estudos iniciaram na década de
30, nos Estados Unidos. Na época, as pesquisas em sua maioria eram voltadas para
a avaliação do acervo. De acordo com Lancaster (2004), isso ocorre porque, além
do acervo ser um componente importante para todas as atividades da biblioteca, é
também mais concreto, o que poderia ser julgado como algo mais simples de avaliar.
Contudo, Freitas, Bolsanello e Viana (2008) citam pesquisas mais recentes que
priorizam a eficácia dos serviços prestados pelas bibliotecas e não somente do
acervos.
Nesse aspecto, a avaliação de serviços em bibliotecas exerce uma influência
direta no planejamento bibliotecário, atuando como um instrumento do processo de
planejamento ao produzir informações sobre a unidade de informação, que servirão
de subsídio ao bibliotecário no momento da elaboração de planos e implementação
das ações. Por possuir importância estratégica, a avaliação garante que o
bibliotecário possua em suas mãos uma ferramenta que o auxiliará no
desenvolvimento da eficácia e eficiência dos serviços (ALMEIDA, 2005).
Cumpre ressaltar a importância da avaliação dos serviços nas bibliotecas,
pois até o serviço bibliotecário mais simples é influenciado por diversos fatores que
determinam se ele será capaz ou não de satisfazer as necessidades de um usuário
(LANCASTER, 2004), o que impactará na qualidade percebida pelo cliente.

5 METODOLOGIA

A pesquisa se classifica como um estudo aplicado, com características
exploratórias e descritivas. O estudo foi baseado na avaliação pelos clientes de uma
biblioteca de uma instituição de ensino superior quanto a qualidade dos serviços

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prestados. Vergara (2009) ao definir pesquisas exploratórias e descritivas, esclarece
que esse tipo de estudo possibilita a compreensão inicial do fenômeno e a
exposição de suas características principais. Contudo, não tem a pretensão de
explicá-lo. O universo da pesquisa foi composto por estudantes, professores,
pesquisadores e servidores públicos, que utilizam os serviços da biblioteca local da
pesquisa.
Marconi e Lakatos (2009, p. 41) definem universo como “um conjunto de
seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em
comum”. Nesse caso, os elos que unem a população são utilizar os serviços da
biblioteca e pertencer a comunidade acadêmica. O instrumento de coleta de dados
foi elaborado com base no questionário de qualidade na prestação de serviços
(LOPES; HERNANDEZ; NOHARA, 2009) que foram respondidos pelos clientes da
biblioteca, que se propuseram livremente a participar da pesquisa. A técnica de
amostragem foi não probabilística por acessibilidade, realizada por meio de pesquisa
de campo e contou ao final do estudo com 198 questionários válidos.
O questionário foi estruturado em 2 seções com perguntas fechadas e
intervalares. A primeira parte do questionário teve por finalidade descrever as
características gerais dos entrevistados, considerando aspectos como: sexo, idade,
curso, frequência que visita a biblioteca, entre outros. A segunda parte envolveu
questões relativas a avaliação dos serviços em si, segundo o modelo de avaliação
escolhido. Essa parte do questionário foi subdividida em 5 subseções, sendo
composto por: aspectos físicos, confiança, relações pessoais, soluções de
problemas e políticas internas, perfazendo 32 afirmativas em avaliação.
As afirmativas foram elaboradas com respostas em escala de Licket para
possibilitar a verificação da intensidade da influência das variáveis. A escala foi
elaborada com 6 opções de resposta, variando de 1 para menor intensidade a 6 com
maior intensidade. As variáveis foram avaliadas, tanto pela expectativa quanto ao
serviço, a priori, quanto pela satisfação posterior a experiência de consumo. O
tratamento dos dados foi quantitativo e possibilitou calcular o gap entre as
expectativas pelo serviço e os resultados finais obtidos.
A intensidade das variáveis foi avaliada com base no cálculo de indicadores.
Os indicadores poderiam assumir valores entre 0 e 1 e foram calculados de forma a
expressar a intensidade da variável. A interpretação dos índices ocorreu com base
nos valores obtidos, sendo considerados baixos os índices menores que 0,4000,

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intermediários os índices entre 0,4001 e 0, 6999 e altos os índices com valores
iguais ou superiores a 0,7000. A diferença entre a expectativa e a avaliação do
serviço foi denominada de gap e foi utilizada para mensurar o quanto a satisfação
com o serviço aproximou-se da expectativa dos clientes.
A utilização dos índices destaca-se pela capacidade de transformar atributos
qualitativos em quantitativos, favorecendo a interpretação dos resultados por
possibilitar a análise da variável na dimensão e da dimensão no construto. A forma
de cálculo do indicador está expressa na Fórmula 1.
Índice = (∑1*0)+(∑2*0,20)+(∑3*0,40)+(∑4*0,60)+(∑5*0,80)+(∑6*1)
Número de entrevistados

(1)

4. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

Os resultados da pesquisa foram organizados em duas subseções. A primeira
reuniu aspectos tangíveis dos serviços oferecidos pela biblioteca. Assim,
compreendeu questões como acervo, edificações, mobiliários, equipamentos, entre
outros, que conforme Silva e Rodos (2002) são aspectos verificados pelos clientes
no momento de avaliarem os serviços das bibliotecas. A segunda subseção reuniu
aspectos intangíveis como atendimento, segurança nas informações, correção nos
serviços, políticas institucionais, entre outros.

4.1 ASPECTOS TANGÍVEIS DOS SERVIÇOS OFERECIDOS PELA BIBLIOTECA

A avaliação do acervo da biblioteca apresentada neste estudo concentra-se
na opinião dos usuários. Desta forma, busca entender essa dimensão do trabalho da
biblioteca segundo seus clientes. Destaca-se que a avaliação de acervos pode ser
realizada segundo uma compreensão mais tecnicista (visão do bibliotecário) que
adota métodos específicos como os apresentados por Lancaster (2004) e
Krzyzanowski e Monteiro (1986).
Considerando esses aspectos, a Tabela 1, revela que o índice de satisfação
dos clientes da biblioteca em relação ao acervo, apresenta-se em maior
conformidade na variável “Conservação dos livros”, que apresentou o menor gap
(0,3010) da dimensão. Parasuraman, Zeithaml e Berry (1988), na avaliação de
qualidade em serviços destaca que a qualidade esperada é menos flexível, que a

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avaliação posterior a experiência de consumo, representada pelo índice obtido.
Assim, compreender o gap representado entre o serviço esperado e o obtido
possibilita, antes de tudo, uma forma de desenvolver políticas que promovam a
satisfação dos clientes com os serviços oferecidos pelas bibliotecas.
Tabela 1 – Acervo da biblioteca

Conservação dos livros
Atualização das obras (edições recentes e atuais)
Quantidade de livros
Variedade de livros no acervo
Fonte: pesquisa de campo.

Índice
Esperado
Obtido
0,8273
0,5263
0,8242
0,4909
0,8131
0,4758
0,8283
0,4859

GAP
0,3010
0,3333
0,3373
0,3424

Ao avaliar as outras variáveis da dimensão observa-se que apresentam
índices de conformidade menores, apesar de posicionarem-se abaixo do gap médio
da pesquisa, que em uma avaliação geral foi de 0,3416. A exceção coube para a
variável “Variedade de livros no acervo” que apresentou gap de 0,3424, pouco acima
da média da pesquisa. O acervo compõem os aspectos tangíveis da biblioteca,
essenciais para a satisfação e consequente qualidade percebida do serviço, uma
vez que a tangibilidade reduz a incerteza presente em serviços (KOTLER; KELLER,
2006; PARASURAMAN, ZEITHAML; BERRY, 1988).
Nota-se que resultados semelhantes foram obtidos por Bezerra (2010), ao
identificar elevados índices de insatisfação dos clientes principalmente na
atualização e quantidade das obras da biblioteca da Universidade Federal do Ceará.
Dessa forma, os esforços para manter os acervos atualizados e em quantidade
necessárias devem ser aspectos centrais das estratégias de gestão de bibliotecas.
A outra dimensão que compõe os aspectos tangíveis da pesquisa são as instalações
da biblioteca. A Tabela 2 demonstra que nessa dimensão o índice de expectativa
dos clientes é alto, pois se manteve acima de 0,8061. Por outro lado, o índice de
satisfação obtido, posicionou-se entre 0,3273 e 0,5182. Portanto, observa-se que a
diferença entre a expectativa antes da prestação do serviço e após o recebimento
permaneceu acima do gap médio da pesquisa (0,3416), em todas as variáveis dessa
dimensão.
Tabela 2 – Instalações da biblioteca

Quantidade de computadores no laboratório de informática
Layout (distribuição dos espaços físicos) da biblioteca
Sinalização da biblioteca
Conservação dos computadores do laboratório de

Índice
Esperado
Obtido
0,8727
0,5182
0,8343
0,4505
0,8273
0,4364
0,8631
0,4677

GAP
0,3545
0,3838
0,3909
0,3954

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informática
Limpeza e conservação das instalações da biblioteca
Qualidade dos equipamentos e mobiliário da biblioteca
Quantidade dos equipamentos e mobiliário da biblioteca
Quantidade de salas de estudos individuais e em grupo
Conforto das instalações
Fonte: pesquisa de campo.

0,8682
0,8535
0,8652
0,8061
0,8500

0,4576
0,4081
0,4111
0,3273
0,3636

0,4106
0,4454
0,4541
0,4788
0,4864

Destaca-se ainda que a variável “quantidade de salas de estudos individuais e
em grupo”, apresentou o maior gap da pesquisa (0,4788) revelando-se como um
aspecto básico da biblioteca, o oferecimento de um ambiente de estudo adequado
as necessidades de seus clientes.
Nota-se

que,

clientes

de

outras

bibliotecas,

também

apresentaram

insatisfação quanto às instalações, equipamentos e mobiliários, além da quantidade
de salas de estudo em grupo, como se observa em diversos estudos anteriores
(FREITAS; BOLSANELLO; VIANA, 2008; BEZERRA, 2010; BAPTISTA, LEONARDT,
2011; VIEIRA et al., 2012). Assim constata-se que, essa é ainda uma deficiência de
outras bibliotecas universitárias e que os aspectos tangíveis, além de apresentarem
conformidade com a teoria pesquisada, apresentaram impactos negativos nos
serviços oferecidos pela biblioteca, local da pesquisa.

4.2 ASPECTOS INTANGÍVEIS DOS SERVIÇOS OFERECIDOS PELA BIBLIOTECA

A confiança nos serviços é essencial aos prestadores de serviços, em razão
da simultaneidade dos mesmos, o que não permite ao cliente fazer uma avaliação
prévia antes de recebê-los. Nessa pesquisa, a confiança nos serviços prestados pela
biblioteca antes da experiência de consumo, apresentou resultados (Tabela 3) nos
quais o índice de satisfação esperado variou entre 0,8813 e 0,9227, ou seja, em
patamar elevado. Por sua vez, o índice de satisfação obtido posicionou-se com
índices entre 0,5430 e 0,7182.
Tabela 3 – Confiança nos serviços prestados pela biblioteca

Registros e controles de empréstimos e devoluções corretos
Informações corretas desde a primeira vez
Segurança que os serviços são corretos
Serviços prestados de maneira correta
Certeza de qualidade nos treinamentos
Fonte: pesquisa de campo.

Índice
Esperado Obtido
0,9227
0,7182
0,8929
0,6394
0,8980
0,6192
0,8813
0,5848
0,8878
0,5430

GAP
0,2045
0,2535
0,2788
0,2965
0,3448

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Nesse aspecto, percebe-se que os clientes apresentam alta satisfação com a
variável “Registros e controles de empréstimos e devoluções corretos”, pois o gap
nessa variável atingiu o menor valor da pesquisa como um todo (0,2045).
Os resultados sugerem que a equipe de trabalho da biblioteca está bem
treinada e que transmite conhecimento sobre o serviço (0,2535), demonstrando
comprometimento com o trabalho e habilidade para realizar os processos
necessários (0,2965). Outro aspecto que obteve aceitação dos clientes foi a
segurança que os serviços são corretos (0,2788). Nessa dimensão, apenas a
variável “certeza de qualidade dos treinamentos” apresentou gap pouco acima da
média da pesquisa (0,3448), merecendo atenção para melhorar sua performance.
Atualmente, o impacto da tecnologia digital, contribuiu para que as bibliotecas
deixem de ser a principal fonte de busca do conhecimento. Uma vez que, as
pessoas passaram a ter acesso à informação de inúmeras outras fontes (CUNHA,
2010). Assim, a biblioteca universitária deve ser um exemplo em priorizar ações que
estabeleçam uma relação de confiança com seus clientes, objetivando manter sua
competitividade frente a outras fontes de informação. Uma vez que, como Brei e
Rossi (2005) concluíram a confiança exerce forte impacto no valor percebido
influenciando na lealdade pelos serviços dos prestadores.
Baptista e Leonardt (2011), afirmam que o principal desafio das bibliotecas
atualmente é a prestação de um atendimento de qualidade. Essa compreensão foi
destacada anteriormente por Prado (2003) ao considerar que o bom atendimento é
um elemento que promove a biblioteca dotando-a de alto conceito na comunidade
acadêmica. Os resultados da pesquisa mostraram que as diferenças na dimensão
Relações pessoais e atendimento dos profissionais da biblioteca (Tabela 4), entre os
índices de expectativa e a experiência obtida após o consumo (gap) foi a segunda
menor dentre todas as dimensões estudadas, revelando que essa dimensão é um
dos pontos fortes da biblioteca.
Tabela 4 – Relações pessoais e atendimento dos profissionais da biblioteca
Índice
GAP
Esperado Obtido
Atendimento cortez e educado
0,9212
0,6545
0,2667
Interação com o usuário na presteza do atendimento
0,9157
0,6364
0,2793
Capacidade dos servidores em prestar informações
0,9177
0,6333
0,2844
Rapidez nos serviços
0,9010
0,6101
0,2909
Fonte: pesquisa de campo.

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Outro aspecto importante na avaliação de serviços é a capacidade de
solucionar problemas. Para Silva e Voss ([200-]), descobrir as necessidades dos
clientes, representa um dos principais desafios para qualquer organização e,
associado a ele, a busca pela solução de eventuais problemas são uma das formas
de manter os clientes satisfeitos. Essa circunstância possibilita que os clientes
procurem pelos serviços novamente.
Nessa direção, os resultados da pesquisa (Tabela 5) indicaram que os
clientes perceberam a capacidade de solucionar problemas pelos profissionais da
biblioteca, considerando que a resolução de problemas de forma prática obteve o
menor gap entre as variáveis relacionadas (0,3232). Nota-se ainda que há uma
disposição (0,3308) e conhecimento (0,3424) dos profissionais em solucionar
problemas. No geral o gap obtido entre as variáveis da Tabela 5, posicionou-se
próximo da média geral da pesquisa (0,3416).
Tabela 5 – Capacidade de solucionar problemas pelos profissionais da biblioteca

Resolução de problemas de forma prática

Índice
Esperado Obtido
0,8949
0,5717

GAP
0,3232

Disposição dos servidores em solucionar problemas

0,8894

0,5586

0,3308

Conhecimento dos servidores para solucionar problemas
Fonte: pesquisa de campo.

0,8970

0,5546

0,3424

Observa-se também que na biblioteca a equipe desenvolve habilidade para
proativamente atuar na resolução de problemas. Essa característica destacada por
Sertek e Reis ([200-]) é um fator competitivo importante. Ademais, como destaca
Kotler (2000) essa habilidade é uma das atitudes que fidelizam o cliente. Santos e
Fernandes (2008) destacam ainda que o modo como as reclamações são sanadas
possui relação direta para a formação de conﬁança e lealdade dos clientes.
Desse modo, a política de tratamento do cliente praticada pela biblioteca, no
que se refere ao empréstimo de obras (prazo, quantidade, tipos de obras liberadas
para empréstimo, etc.), acesso ao acervo, comunicação com o cliente, dentre outras
questões, impacta na satisfação, uma vez que as bibliotecas atendem um público
diferenciado, que em sua essência a procuram porque possuem uma necessidade
de informação que precisa ser suprida, seja para estudos, seja para pesquisas ou
extensão.
O acesso á coleção possui um índice elevado de expectativa por parte dos
clientes, conforme observado pelo índice da variável “Facilidade de acesso aos

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livros”, que obteve valor acima de 0,9000. Destarte, resguardados os cuidados com
segurança e conservação do acervo é fundamental que o acesso à informação não
seja frustrado. Contudo, a biblioteca deve facilitar o acesso à informação, mediante
acervos com acesso livre, programas de comutação bibliográfica, catálogos on-line e
divulgação de serviços.
Nesse aspecto, os resultados da pesquisa (Tabela 6) demonstram que os
clientes da biblioteca estão mais satisfeitos nessa dimensão, com o prazo para
devolução dos empréstimos (0,2606), com a possibilidade de consulta do catálogo,
pela internet e terminais na biblioteca (0,3141) e com a facilidade de acesso aos
livros (0,3222), já que estas variáveis foram as que apresentaram maiores índices de
conformidade e manteve média inferior a média geral da pesquisa (0,3416).
Tabela 6 – Política interna da biblioteca

Prazo para devolução dos empréstimos
Consulta pela internet e terminais na biblioteca
Facilidade de acesso aos livros
Divulgação das regras e normas de uso dos serviços
Soluções alternativas as necessidades dos clientes
Divulgação dos serviços da biblioteca em geral
Comutação bibliográfica
Fonte: pesquisa de campo.

Índice
Esperado Obtido
0,9263
0,6657
0,8525
0,5384
0,9131
0,5909
0,8687
0,5182
0,8646
0,4758
0,8636
0,4727
0,7652
0,3672

GAP
0,2606
0,3141
0,3222
0,3505
0,3888
0,3909
0,3980

No entanto, o índice de desconformidade é maior nas variáveis que tratam
sobre a política de comunicação da biblioteca, que compreende a divulgação das
regras e normas de uso dos serviços (0,3505), divulgação dos serviços da biblioteca
em geral (0,3909) e no oferecimento de soluções alternativas as necessidades dos
clientes (0,3888). Essas variáveis atingiram gap acima da média da pesquisa.
É importante destacar que a variável “comutação bibliográfica” atingiu o maior
gap da dimensão (0,3980), embora possua o menor índice de expectativa do cliente,
ao considerar a pesquisa como um todo. Esse resultado sugere que o cliente pode
desconhecer o serviço e por esse motivo demonstrou expectativa baixa. Assim, uma
melhor política de divulgação dos serviços da biblioteca torna-se necessária.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observou-se ao final da pesquisa que a qualidade percebida pelos clientes
em relação aos aspectos intangíveis da biblioteca, é superior à percebida nos
aspectos tangíveis. Portanto, a biblioteca deve estar atenta a esses resultados, pois

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a competitividade do mundo corporativo atinge também as bibliotecas, em especial
as universitárias.
Conforme Kotler, Hayes e Bloom, (2002) um serviço aquém da expectativa do
cliente, gera insatisfação e consequente perda do cliente. Contudo, quando o serviço
é igual à expectativa, o cliente está satisfeito, porém vulnerável. No entanto, quando
o serviço supera as expectativas, ocorre um encantamento por parte do cliente
gerando lealdade, representada pela repetição na experiência de consumo. Desse
modo, as bibliotecas devem concentrar esforços para que a prestação do serviço
seja sempre superior à expectativa de seus clientes.

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