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                  <text>Classificação Decimal de Direito: estudos para a quinta edição
Osmar Arouck (Senado Federal) - osmar.arouck@senado.leg.br
Maria de Fátima Pereira Jaegger (Senado Federal (SF)) - jaegger@senado.leg.br
Stelina Maria Martins Pinha (Senado Federal) - spinha@yahoo.com
Resumo:
Propõe a revisão da quarta edição (2002) da Classificação Decimal de Direito (CDDir), de
autoria de Doris de Queiroz Carvalho. Trata-se de iniciativa da Biblioteca do Senado Federal,
que coordena a Rede Virtual de Bibliotecas – RVBI, que utiliza a CDDir como padrão de seu
catálogo coletivo e na Bibliografia Brasileira de Direito (BBD); além de ser adotada na
taxonomia do Portal LexML. Apresenta metodologia baseada nos princípios do plano verbal e
do plano notacional; indica os tipos de alterações; procedimentos para validação e crítica;
distribuição das grandes áreas do Direito em grupos de especialização.
Palavras-chave: Classificação bibliográfica; Classificação Decimal de Direito.
Eixo temático: Eixo 10: 5º Seminário Nacional de Documentação e Informação Jurídicas.

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�1

Introdução
O sistema de classificação bibliográfica de Direito idealizado e desenvolvido

pela bibliotecária brasileira Dóris de Queiroz Carvalho 1 , surge em 1948, com
subsequentes edições em 1953, 1977 e 2002 (CARVALHO, 1948, 1953, 1977,
2002). O sistema ficou conhecido como Classificação Decimal de Direito (CDDir), ou
ainda como Classificação da Dóris.
A quarta edição, realizada em 2002 pela Casa Civil da Presidência da
República, deu-se após 25 anos da terceira edição. Apesar de ter incorporado as
alterações oriundas da Constituição de 1988, a última revisão não responde,
adequadamente,

às

necessidades

das

bibliotecas

jurídicas

brasileiras

especializadas em Direito. Nesses 15 anos, ocorreram significativas alterações no
ordenamento jurídico pátrio, com destaque para 56 emendas à Constituição; novo
Código Civil (2002); Estatuto de Defesa do Torcedor (2003); Estatuto do
Desarmamento (2003); Estatuto do Idoso (2003); Estatuto da Igualdade Racial
(2010); Código Florestal (2012); Estatuto da Juventude (2013); novo Código de
Processo Civil (2015); Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015).
Esse sistema de classificação é adotado por diversas bibliotecas jurídicas
brasileiras, públicas e privadas, no tratamento de seus acervos bibliográficos da área
do Direito (RIBEIRO, 2016, p. 99-121). A Rede Virtual de Bibliotecas – RVBI,
gerenciada pela Biblioteca do Senado Federal, formada por 12 bibliotecas sediadas
em Brasília, de órgãos dos poderes legislativo, executivo e judiciário federal e
distrital, também adota a CDDir na organização de seu catálogo coletivo e na
Bibliografia Brasileira de Direito (BBD). De igual modo, a CDDir é usada para indicar
a hierarquia da classificação dos documentos da RVBI no Portal LexML (LEXML,
2017).
A Library of Congress, por solicitação da Biblioteca do Senado, criou, no início
de 2015, o código da Classificação Decimal de Direito na lista de fontes de

1

Bacharela em Biblioteconomia e em Ciências Jurídicas e Sociais. Servidora pública, auditora fiscal da Receita
Federal. Falecida em 6 de junho de 2005. (DOU, n. 156, 15/8/2005, p. 19).

�esquemas de classificação para o campo 084, constantes do Source codes for
vocabularies, rules, and schemes2.
Em janeiro de 2015 a família da autora autorizou a Biblioteca do Senado
Federal a revisar a CDDir e publicar sua quinta edição. A proposta de atualização
envolve a preservação da autoria original, disponibilização livre e gratuita na internet,
além de possibilidade de impressão em papel.
Constituiu-se, assim, na Biblioteca do Senado, um grupo de trabalho cujo
objetivo é propor uma metodologia que oriente o desenvolvimento das atividades
que, neste trabalho, são indicadas em suas linhas principais.
2

Estrutura notacional
A notação decimal adotada pela CDDir reflete tanto a estrutura da

Classificação Decimal de Dewey (CDD), como a Classificação Decimal Universal
(CDU); hierarquizando os assuntos em classes gerais, divisões e subdivisões. O
esquema utiliza apenas quatro subdivisões para Direito: 341 - Direito Público; 342 Direito Privado; 343 - Direito Canônico; 344 - Direito Romano. Em uma eventual
ampliação do esquema classificatório, as subdivisões vagas (345, 346, 347, 348 e
349) poderão ser utilizadas para ramos do Direito que necessitem de inserção.
3

Princípios metodológicos da revisão
Registrando a necessidade de atualização da classificação bibliográfica para

a área de Direito, algumas autoras propuseram um novo esquema (HOLANDA,
2002; ROCHA; CELERE, 2013), outros indicam a necessidade de atualizações da
CDDir (MARTINEZ, 2005; FOGAÇA; CERVANTES, 2013; RIBEIRO, 2016). Este
trabalho propõe a atualização do esquema proposto por Dóris de Queiroz Carvalho,
respeitando-se princípios oriundos da teoria da classificação (BARBOSA, 1969;
LENTINO, 1971; PIEDADE, 1977; SPITERI, 1998; CAMPOS, 2001; LIMA, 2004) e
outros referenciais teóricos que possam nortear o trabalho de revisão.
Apresentam-se a seguir algumas orientações metodológicas que possam
servir de guia para o trabalho dos diversos grupos de trabalho a serem constituídos
para a revisão proposta. Pretende-se seguir a delimitação em três planos para a
classificação, conforme proposto por Ranganathan: plano ideacional, plano verbal e

2

Classification Scheme Source Codes. Disponível em:
https://www.loc.gov/standards/sourcelist/classification.html. Acesso em: 4 jul. 2017.

�plano notacional. Deste modo, conforme Campos (2001), no plano ideacional temos
o pensar, onde se originam as ideias, sem estar ainda vinculadas aos termos (plano
verbal) ou símbolos (plano notacional) que podem refletir sua organização num
esquema de classificação.
No plano verbal algumas orientações de base devem ser seguidas: princípio
do contexto, que assegura a clareza dos termos utilizados em sistemas de
classificação; princípio da terminologia usual (uso geral), que mantém a relevância
dos termos usados em um sistema de classificação e a harmonização com
terminologias especializadas (tesauros, dicionários especializados etc.).
No plano notacional, propõe-se a conservação da codificação atual da
CDDir, com os necessários ajustes, respeitando-se os princípios propostos no
Modelo Simplificado de Spiteri (1998), com especial ênfase no princípio de
hospitalidade, que assegura a habilidade do sistema notacional de estar aberto
às mudanças e adições de assuntos que precisam ser feitos em sistemas de
classificações.
No processo de validação e crítica dos trabalhos de revisão, serão
necessárias consultas a especialistas; realização de seminários abertos à
comunidade; utilização de ambiente colaborativo de consulta pública. É desejável
que na formação dos grupos de trabalho, a distribuição das grandes áreas do Direito
reflita a vocação institucional dos participantes, e.g. Direito Eleitoral, orientado pelo
Tribunal Superior Eleitoral; Direito Constitucional, sob a coordenação do Supremo
Tribunal Federal.

4

Conclusão
A concepção de um sistema de classificação bibliográfica é uma tarefa de

grande monta; sua atualização e adequação à dinâmica da expansão de novas
áreas do saber não é empreendimento de menor importância. A tarefa que se
pretende empreender deverá envolver uma rede de cooperação que, por certo, trará
significativa contribuição à metodologia de desenvolvimento de sistemas de
classificação bibliográfica.

Referências

�BARBOSA, Alice Príncipe. Teoria e prática dos sistemas de classificação
bibliográfica. Rio de Janeiro: IBBD, 1969. 441 p.
CAMPOS, M. L. de A. Linguagem documentária: teorias que fundamentam sua
elaboração. Niterói: EdUFF, 2001. 133 p.
CARVALHO, Doris de Queiroz. Classificação decimal de direito. Rio de Janeiro:
Ministério da Fazenda, 1948. 83 f.
______. Classificação decimal de direito. 2. ed. Rio de Janeiro: Ministério da
Fazenda, 1953. 121 p.
______. Classificação decimal de direito. 3. ed., rev. e aum. Rio de Janeiro:
Ministério da Fazenda, 1977. 188 p.
______. Classificação decimal de direito. 4. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência
da República, 2002. 174 p.
FOGAÇA, Maria Giovane; CERVANTES, Brígida Maria Nogueira. Estudo de
terminologias da área jurídica em sistemas de organização do conhecimento à luz
do Código de Processo Civil Brasileiro: com ênfase na Classificação Decimal
Universal e Classificação Decimal de Direito. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis. Anais. p. 5320-5340. Disponível em:
&lt;https://portal.febab.org.br/anais/article/view/388/388&gt;. Acesso em: 10 jul. 2017.
HOLANDA, Mirian Elizabeth Albuquerque de. Classificação de Direito. 3. ed.
Fortaleza: Indexar, 2002. 76 p.
LENTINO, Noemia. Guia teórico, prático e comparado dos principais sistemas
de classificação bibliográfica. São Paulo: Polígono, 1971. 409 p.
LEXML: rede de informação legislativa e jurídica. Disponível em: &lt;
http://www.lexml.gov.br&gt;. Acesso em: 23 jun. 2017.
LIMA, Gercina Ângela Borém. O modelo simplificado para análise facetada de Spiteri
a partir de Ranganathan e do Classification Research Group (CRG). Información,
cultura y sociedad, Buenos Aires, n. 11, p. 57-72, 2004.
MARTINEZ, Marisa Luvizutti Coiado. Classificação de recursos trabalhistas: uma
análise crítica da classificação decimal de direito com vistas a uma proposta
metodológica de extensão. 2005. 145 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade
Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências, 2005. Disponível em:
&lt;http://hdl.handle.net/11449/93687&gt;.
PIEDADE, M. A. R. Introdução à teoria da classificação. Rio de Janeiro:
Interciência, 1977. 185 p.
RIBEIRO, Maria Cristina de Paiva. Subsídios para a atualização e/ou expansão
colaborativas da Classificação Decimal de Direito – CDDir. 2016. 243 f.
Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro,
Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia, 2016.
ROCHA, Ednéia Silva Santos; CELERE, Milena. Construção da tabela de
classificação jurídica: relato de experiência da biblioteca da faculdade de direito de
Ribeirão Preto – USP. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação,
São Paulo, v. 9, n. 1, p. 17-27, jan./dez. 2013.

�SPITERI, Louise. A Simplified model for facet analysis. Canadian Journal of
Information and Library Science, v. 23, p. 1-30, 1998.

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