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                  <text>Modelos de Competência em Informação: pressupostos teóricos
para um projeto de pesquisa

Carlos Robson Souza da Silva (IFCE) - crobsonss@gmail.com
Resumo:
Com o advento da internet e a inauguração da sociedade da informação, novas competências e
habilidades têm sido requeridas dos indivíduos para buscarem, avaliarem e usarem
informação para tomada de decisão e resolução de problemas. O objetivo geral é estudar os
modelos de Competência em Informação em nível internacional e nacional e, como objetivos
específicos, compreender as aplicabilidades e pressupostos teóricos dos modelos de
competência em informação existentes e apresentar a necessidade de serem realizados
esforços para a criação de modelos aplicados a contextos específicos
Apresenta o desenvolvimento teórico e metodológico do termo internacional e nacionalmente,
assim como a necessidade de serem delineados modelos contextuais de competência em
informação. Conclui abordando a necessidade de se estudarem possiblidades de criação de
modelos de Competência em Informação aplicadas a contextos específicos.
Palavras-chave: Competência em Informação. Comportamento de busca por informação.
Modelos de competência em Informação.
Eixo temático: Eixo 11: IX Seminário Brasileiro de Bibliotecas das Instituições da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.
Eixo Temático: 11
1 INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea está imersa em um contexto tecnológico que
demanda de seus habitantes uma abertura social e cognitiva para o relacionamento,
apreensão, uso e criação da informação e do conhecimento.
Esse novo conjunto de habilidades que se requer do indivíduo na sociedade
pode ser identificado com o termo Information Literacy, que foi mencionado pela
primeira vez em 1974 por Paul Zurkowski “[...] no relatório intitulado The
information servisse relationship and priorities.” (ALVES; ALCARÁ, 2014, p. 85).
O termo, que no Brasil já foi chamado de alfabetização informacional,
letramento informacional, competência informacional, literacia e competência em
informação, é definido, de acordo com a American Library Association (ALA), como
“um conjunto de habilidades que requerem que o indivíduo reconheça ‘quando
necessita de informação e tenha a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente
a informação’” (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 2000, p. 2, tradução nossa).
Deve-se reconhecer, portanto, a necessidade de criação e implementação de
modelos que permitam aos indivíduos adquirirem e/ou desenvolverem sua
competência em informação nos diversos níveis educacionais (do jardim de infância
aos estágios pós-doutorais) e no mercado de trabalho.
Dessa forma, presente trabalho nasce da necessidade de responder a seguinte
pergunta: que metodologias devem ser usadas para criar e implementar um modelo
de desenvolvimento de competência em informação em contextos específicos.
O objetivo geral é estudar os modelos de Competência em Informação em nível
internacional

e

nacional

e,

como

objetivos

específicos,

compreender

as

aplicabilidades e pressupostos teóricos dos modelos de competência em informação
existentes e apresentar a necessidade de serem realizados esforços para a criação de
modelos aplicados a contextos específicos

�2

COMPETÊNCIA

EM

INFORMAÇÃO:

HISTÓRIA,

CONCEITO

E

MODELOS
A primeira vez em que o termo em inglês information literacy, como já
afirmado anteriormente, apareceu na literatura especializada foi no relatório de Paul
Zurkowski “The information services relationships and priorities”, no ano de 1974
(ALVES, ALCARÁ, 2014, p. 85). O seu desenvolvimento desde então se deu da
necessidade de as instituições de ensino, bibliotecas e serviços de informação de
definirem meios para que os usuários/alunos viessem a adquirir e desenvolver
habilidades e competência em informação.
Em 2000, a Federação Internacional de Associações Bibliotecárias (2000, p. 2)
publicou o documento “Information literacy compentency standards for higher
education”, no qual afirmou que
“[...] o indivíduo competente é informação é capaz de […] determinar o grau
de informação que precisa, [acessar, avaliar, incorporar à sua base de
conhecimento, usar a informação e compreender as implicações]
econômicas, legais e sociais que cerca o uso da informação e acessa e usa a
informação ética e legalmente.”

As habilidades acima descritas apontam para um indivíduo consciente de suas
necessidades de informacionais e que sabe como buscar, avaliar, organizar, usar e
produzir informação ética e legalmente para supri-las, sendo assim apto para a
tomada de decisão e resolução de problemas em uma sociedade cada vez mais
mediada pelas tecnologias da informação e da comunicação.
O

mesmo

documento

ainda

apresenta,

baseada

nessas

habilidades

(denominadas padrões – standards), indicadores de performance (performance
indicators) e os resultados ( esperados (outcomes) da sua aplicação como modelo de
desenvolvimento progressivo de competência em informação (AMERICAN LIBRARY
ASSOCIATION, 2000).
Alves e Alcará (2014) também apresentam outros documentos que fazem parte
da discussão sobre competência em informação a nível mundial como “The
Alexandria Proclamation on Information Literacy and Lifelong Learning”,
produzidos pela Unesco juntamente com a IFLA, em 2005, o “Guidelines on
information literacy for lifelong learning” (2006), da IFLA e as
[...] orientações da UNESCO (2008) e da IFLA (2008) para a formação de
competência em informação e midiática [...], destinadas a promovera
igualdade de acesso à informação e ao conhecimento, à mídia e aos sistemas

�de informação livres, independentes e pluralistas [...] (ALVES; ALCARÁ,
2014, p. 86).

As autoras também trazem, como no quadro abaixo, alguns modelos de
desenvolvimento de competência em informação utilizados no mundo, tendo em
vista a grande proliferação internacional de interesse nos estudos sobre o assunto.

Quadro 1. Modelos de competência em informação e suas aplicações.

Modelo
Information Search Process de Carol Kulthau
(1993). EUA.
The Seven Pillars of Information Literacy de
SCONUL (1999). Reino Unido.
Information Literacy Compentency Standards
for Higher Education da ACRL (2000). Estados
Unidos.
(CI2)
Competencias
informáticas
e
informacionales (2014). Espanha.
Empowering 8 do National Institute of Library
and Information Sciences (2004). Sri Lanka.

Aplicação
Brasil. Estudantes. Realizado no Curso de
Biblioteconomia da Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas
Gerais.
Reino Unido. Estudantes. Realizado nas
universidades: Abertay em Dundee; Cardiff;
Southampton; Wales em Newport; Bradford;
York (ILIAD Project).
China. Estudantes. Realizado na Hong Kong
Baptist University.
Espanha.
Estudantes.
Realizado
nas
universidades espanholas.
Indonésia. Estudantes. Realizado na Faculty of
Languages and Arts, State University of Jakarta.

Fonte: ALVES; ALCARÁ, 2014, p. 89.

O estudo feito por Alves e Alcará (2014) apontam para o fato de que o
movimento pela competência em informação é crescente, tanto no contexto teórico,
como na publicação de manifestos e declarações internacionais e no desenvolvimento
de metodologias que permitam a sua aplicação.
2.1 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NO BRASIL
Os estudos em competência em informação remontam ao início dos anos
2000, quando o termo “[...] foi mencionado pela primeira vez por Caregnato (2000 p.
50) que o traduziu como ‘alfabetização informacional’ […]” (CAMPELLO, 2003, p.
28). Campello ainda afirma que Caregnato propôs a utilização do information
literacy como meio de “[...] desenvolver habilidades informacionais necessárias para
interagir no ambiente digital” (2003, p. 28).
Campello (2003, p. 29), por outro lado, aponta que Dudziak (2003) entendeu
a competência em informação não apenas como um conjunto de habilidades

�informáticas, mas como um propício “[…] momento de se ampliar a função
pedagógica da biblioteca (ou, em outras palavras, construir um novo paradigma
educacional para a biblioteca) e de se repensar o papel do bibliotecário)”.
A importância do conceito de Competência em Informação, desde então,
passou a ser alvo de inúmeras pesquisas e encontros, como no caso do Seminário de
Competência em Informação, que em suas reuniões em 2011, 2013 e 2014 publicaram
respectivamente

os

documentos

“Declaração

de

Maceió”,

“Manifesto

de

Florianópolis” e a “Carta de Marília”, criando assim um “[...] momento de reflexão e
discussão de diretrizes e implementação de ações estratégicas envolvendo a
competência em informação (CoInfo) no contexto brasileiro (SEMINÁRIO DE
COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO, 2014).
Entre os grandes feitos no Brasil em relação à Competência em Informação
está o já mencionado modelo Information Search Process (ISP), criado por Carol
Kulthau. De acordo com o site da pesquisadora, o modelo “[...] é articulado sob uma
visão holística da busca por informação do ponto de vista do usuário em sei estágios.”
(KULTHAU, 200?, online, tradução nossa).
É importante ressaltar que, apesar de ser anterior ao documento publicado
pela ALA, os seis estágios do ISP já reuniam o que posteriormente seriam chamados
de standards: compreensão de necessidade de informação e do tipo de informação
necessitada (iniciação e seleção no ISP), busca e avaliação de fontes de informação
(exploração e formulação) e uso da informação (coleção e apresentação).
Os exemplos citados mostram o grande interesse brasileiro no estudo e até
mesmo na criação e implementação de metodologias que visem o desenvolvimento de
competências em informação e a sua assimilação pelas políticas públicas.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dudziak (2008, p. 42) afirmou que apesar da dimensão internacional que o
termo competência em informação possui “[…] há que se observar os contextos e
trajetórias particulares bem como os processos regionais e nacionais […]”, visto que
as experiências coletivas vividos pelos grupos existentes na sociedade contemporânea
são de natureza diversa.
Dessa forma, existe uma necessidade primeira de explanação, compreensão e
apropriação das/a partir das comunidades locais da proposta dos modelos de

�competência em informação e que beneficiais tais modelos trarão para a sua
formação social e profissional, assim como para o desenvolvimento local.
A proposta aqui presente é, portanto, longe de estar na contramão daquilo que
está sendo produzido a nível nacional e internacional, apresentar discussões para que
sejam criados modelos aplicáveis a contextos locais, respeitando a identidade cultural
e informacional de cada região, visando desenvolver mais pessoas competentes em
informação.
REFERÊNCIAS
ALVES, Fernanda Maria Melo; ALCARÁ, Adriana Rosecler. Modelos e experiências
de competência em informação em contexto universitário. Encontros Bibli: revista
eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, v. 19, n.41, p. 83-104,
set./dez., 2014. Disponível em: &lt;
https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2014v19n41p83&gt;.
Acesso em 12 jan. 2017.
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Information Literacy Competency
Standards for Higher Education. Illinois (EUA): ALA, 2000. Disponível em: &lt;
http://www.ala.org/acrl/sites/ala.org.acrl/files/content/standards/standards.pdf&gt;.
Acesso em 12 jan. 2017.
CAMPELLO, Bernadete. O movimento da competência em informação: uma
perspectiva para o letramento informacional. Ciência da Informação, Brasília, v. 32,
n. 3, p. 28-37, set./dez. 2003. Disponível em: &lt;
http://bogliolo.eci.ufmg.br/downloads/CAMPELO%20Competencia%20Informacion
al.pdf&gt;. Acesso em 12 jan. 2016.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana. Os faróis da sociedade da informação: uma análise
crítica sobre a situação da competência em informação no Brasil. Informação &amp;
Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 18, n. 2, p. 41-53, maio/ago 2008. Disponível
em: &lt; http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/1704/2109&gt;. Acesso
em 12 jan. 2016.
KUHLTHAU, C. Information Search Process. 200?. Disponível em: &lt;
http://wp.comminfo.rutgers.edu/ckuhlthau/information-search-process/&gt;. Acesso
em 12 jan. 2017.
SEMINÁRIO DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO, 3., 2014. Carta de Marília.
Marília, SP: UNESP, UNB, IBICT, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.lti.pro.br/userfiles/downloads/CARTA_de_Marilia.pdf&gt;. Acesso em 12
jan. 2017.
Agradecimento:
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.

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