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                  <text>PROJETO CÁPSULA DO TEMPO: BIBLIOTECA ESCOLAR COMO
LUGAR DE CONSTRUÇÃO DE MEMÓRIA

Ana Carolina Cardoso (CP2) - anaccardoso@cp2.g12.br
Cristiane Lopes Carvalho da Silva (CPII) - cristianelopes@cp2.g12.br
Nayara Peluffo Nascimento (UFF) - nanapeluffo@gmail.com
Vinícius Ribeiro Soares dos Santos (CP2) - viniciusrsds@id.uff.br
Resumo:
Relata a experiência do Projeto Cápsula do Tempo, realizado pela biblioteca do campus Niterói
do Colégio Pedro II no momento em que a Instituição comemora 180 anos de sua fundação.
São apresentadas as ideias de biblioteca escolar como um espaço de estudo e construção do
conhecimento, que coopera com a dinâmica da escola, desperta o interesse intelectual,
favorece o enriquecimento cultural e incentiva a formação do hábito de leitura. Reflete sobre a
função educativa e cultural da biblioteca, que trabalha auxiliando o processo de
ensino-aprendizagem como instrumento integrado a escola, como local de guarda e
disseminação de memória e mostra que a biblioteca também possibilita a construção da
mesma. O Projeto Cápsula do Tempo tem a intenção de fazer com que a comunidade escolar,
em especial os alunos do campus, conheçam a história do colégio e possam se identificar como
pertencentes a esse meio. Para isto a proposta inclui uma visita ao primeiro campus da
Instituição centenária, encontros com os participantes para discutir a questão da memória,
identidade, cidadania e a apresentação do livro “Cápsula do Tempo”. O livro convida toda a
comunidade escolar a registrar sua memória individual e coletiva, além de incentivar a
preservação de sua vivência no decorrer de sua passagem no Colégio Pedro II. Assim, a
biblioteca é vista não apenas como uma guardiã de memórias, mas também como produtora
das mesmas.
Palavras-chave: Colégio Pedro II. Biblioteca escolar. Memória. Identidade. Cidadania.
Eixo temático: Eixo 11: IX Seminário Brasileiro de Bibliotecas das Instituições da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

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�1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência do Projeto Cápsula do
Tempo, realizado pela Biblioteca Professor Gilmar Luiz Novaes, do campus Niterói, do Colégio
Pedro II em parceria com a disciplina de História da instituição, no ano de 2017.
Tendo em mente o papel da biblioteca como auxiliar no processo de ensino-aprendizagem
na vida dos estudantes e como incentivadora na formação de leitores questionadores, criativos e
cidadãos responsáveis, é importante que ela atue não apenas na disseminação e guarda de
memória, mas também na construção das mesmas, junto à comunidade. O Projeto Cápsula do
Tempo apresenta a sua relevância ao focar na questão da memória, seja ela individual ou coletiva
e abordar questões como identidade, cidadania e memórias. A Biblioteca tem papel ativo ao
apresentar o projeto para a comunidade escolar e convidá-la a criar um registro e deixar sua
marca na história do Colégio.
O Colégio Pedro II
O Colégio Pedro II é uma instituição pública federal de ensino básico e técnico (a
primeira instituição de ensino básico público do Brasil) que tem como missão e visão,
respectivamente, “promover a educação de excelência, pública, gratuita e laica, por meio da
indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão, formando pessoas capazes de intervir
de forma responsável na sociedade” e “ser uma instituição pública de excelência em educação
integral e inclusiva, consoante com o mundo contemporâneo” (COLÉGIO PEDRO II, 2011).
Desde 2012, foi equiparado aos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e possui
a mesma estrutura organizacional (BRASIL, 2012). Já conta com quase 13 mil alunos espalhados
em 14 campi. Fundado em 2 de dezembro de 1837, o Colégio fundamenta suas bases em sua
tradição centenária e vivenciou momentos de grande relevância na história nacional: o período
do Império e o surgimento da República. Seu quadro de alunos egressos possui presidentes da
República, músicos, médicos, juristas, professores, jornalistas, dentre outros.
Breve apresentação da Biblioteca Professor Gilmar Luiz Novaes
O campus Niterói surge em 2006 como resultado do plano de expansão do Colégio Pedro
II fora da cidade do Rio de Janeiro, através de um convênio com a Prefeitura de Niterói, usando
o espaço cedido por esta no bairro do Barreto para abrigar as suas instalações. Em 2016, o colégio
recebe o novo prédio e a biblioteca é nomeada como Professor Gilmar Luiz Novaes. O campus
conta atualmente com aproximadamente 550 alunos compondo seu quadro discente.

�2 BIBLIOTECA COMO LOCAL DE MEMÓRIA
A biblioteca escolar tem a importante missão de auxiliar no processo de ensinoaprendizagem como instrumento integrado, oferecendo aos seus alunos serviços de informação
que complementem a prática pedagógica. É pensando na construção intelectual do aluno que a
biblioteca se desenvolve, levando-o em consideração no que diz respeito ao espaço, acervo e
serviços. Conforme dito por Côrte e Bandeira:
A biblioteca escolar é um espaço de estudo e construção do conhecimento, coopera com
a dinâmica da escola, desperta o interesse intelectual, favorece o enriquecimento
cultural e incentiva a formação do hábito de leitura. Jamais será uma instituição
independente, porque sua atuação reflete as diretrizes de outra instituição que é a escola.
Essa situação de dependência faz com que a biblioteca, para cumprir o seu papel, esteja
em estreita sintonia com a concepção educacional e as diretrizes político-pedagógicas
da escola à qual se integra. (2011, p.8)

A missão da biblioteca dentro da escola também é destacada pela IFLA. De acordo com
as Diretrizes da IFLA/UNESCO para a biblioteca escolar:
A biblioteca escolar propicia informação e ideias que são fundamentais para o sucesso
de seu funcionamento na sociedade atual, cada vez mais baseada na informação e no
conhecimento. A biblioteca escolar habilita os alunos para a aprendizagem ao longo da
vida e desenvolve sua imaginação, preparando-os para viver como cidadãos
responsáveis. (2005, p.4)

A missão de trabalhar com os alunos para que se tornem cidadãos responsáveis,
questionadores, críticos e curiosos, traz em si a necessidade de enxergar a própria história e
identidade, compreendendo seu lugar no mundo. A noção de pertencimento em determinado
grupo e da sua própria identidade evoca a ideia de cidadania, desde que se perceba como parte
de um grupo. Pierre Nora (1993) pondera que para entender a cultura contemporânea deve-se
analisar uma questão que diga respeito ao passado e ao sentimento de pertencimento a um
determinado grupo social, isto é, entre a consciência coletiva e a individualidade, entre a
memória e a identidade.
[...] A memória emerge de um grupo que ela une, o que quer dizer que há tantas
memórias quantos grupos existem; que ela é por natureza, múltipla e desacelerada,
coletiva, plural e individualizada. A memória se enraíza no concreto, no gesto, na
imagem, no objeto. (NORA, 1993, p. 9)

Maurice Halbwachs (1990) desenvolve o conceito de memória coletiva e diz que a
memória é adquirida à medida que o indivíduo toma como suas as lembranças do grupo com o
qual se relaciona, ou seja, há um processo de apropriação de representações coletivas pelo sujeito
em interação com outros. Ele também afirma que de cada época de nossas vidas guardamos
memórias, por meio das quais se perpetua o sentimento da nossa identidade. Porém, por se
tratarem de memórias de outras épocas, estas perdem sua forma e seu aspecto original. Assim,
quanto maior for o número de testemunhos escritos e orais aos quais tivermos acesso, mais
próximo chegaremos da reconstituição do passado original, já que para rememorar efetivamente

�um fato do passado precisaríamos ter condições de evocar todas as influências sobre nós
exercidas na época do acontecimento.
De acordo com Halbwachs (1990), a memória individual é apenas uma parte e um aspecto
da memória do grupo. Mesmo quando esta é, aparentemente, mais íntima, se preserva uma
lembrança duradoura na medida em que se refletiu sobre ela, ou seja, esta foi vinculada com os
pensamentos do meio social. O autor conclui que rememorar não é reviver, mas refazer,
reconstruir, repensar experiências passadas com imagens e ideias contemporâneas.
3 COLÉGIO PEDRO II – 180 ANOS: MEMÓRIA, PATRIMÔNIO E CIDADANIA
O Projeto da Cápsula do Tempo é realizado em parceria com a professora de História do
campus, Marisa Simões de Albuquerque. O Departamento de História aprovou como tema
“Colégio Pedro II – 180 anos: memória, patrimônio e cidadania” que tem sido trabalhado pelos
professores da disciplina em sala de aula no ano letivo de 2017. Com isso foi possível a
integração com a Biblioteca para a realização do projeto Cápsula do Tempo onde ambos
participaram desta atividade pela memória, identidade e cidadania do Colégio Pedro II.
4 PROJETO CÁPSULA DO TEMPO
O Projeto Cápsula do Tempo surgiu através da curiosidade dos alunos do campus Niterói
em conhecer as outras unidades do colégio. Eles perguntavam sempre como eram os prédios, as
bibliotecas e até os costumes nos outros campi do colégio. Como o campus está localizado na
cidade de Niterói, longe dos outros campi vinculados à instituição, percebemos a importância de
se conhecer o local e a história de onde pertencem.
Entendendo o papel da biblioteca como lugar de disseminação e guarda de memória, a
biblioteca do campus decidiu provocar as lembranças dos alunos e funcionários em relação à
memória afetiva e histórica junto ao colégio. Nos referimos à memória afetiva e histórica como
acontecimentos ocorridos, indicando a ideia de pertencimento da comunidade escolar quanto à
história do colégio. Dentro dessa identificação, alguns princípios como cidadania e memória são
levantados de forma experimental ao visitar o campus histórico do colégio e reconhecer a sua
própria história dentro dele.
O projeto tem a intenção de fazer com que deixem de ver a biblioteca apenas como uma
guardiã de memórias e passem a enxergá-la como uma produtora das mesmas. Sua proposta é
incentivar a comunidade escolar a preservar sua vivência no decorrer de sua passagem no
Colégio Pedro II.

�Visita ao Campus Histórico
Como um dos objetivos do projeto é conhecer a história do Colégio Pedro II, levamos os
alunos para o campus Histórico do Centro, local de fundação da instituição. Realizamos a
primeira etapa - uma visita guiada - nos dias 26 de maio e 02 de junho de 2017, onde conhecemos
o prédio e suas instalações originais, o museu e seus objetos históricos, a biblioteca de obras
raras e a escolar e alguns dos personagens ilustres que fizeram parte da história da instituição. A
visita contou também com funcionários do campus Niterói que se interessaram em saber mais
sobre a história do Colégio e que, de certa forma, queriam encontrar uma identificação com a
escola vendo o outro campus em funcionamento.
Diário de Bordo - Relatos
Além da visita guiada, montamos um Diário de Bordo, onde havia um Questionário que
foi aplicado para saber qual a opinião sobre o papel do Colégio Pedro II e da Biblioteca enquanto
lugar de memória, patrimônio e espaço de construção de cidadania. O mesmo foi recolhido ao
final e as respostas foram analisadas e compiladas para que pudéssemos entender a opinião deles
sobre o assunto. Em seguida, realizamos um evento de culminância, onde apresentamos um
relato dos Diários de Bordo com as respostas fornecidas. Junto com as leituras e debates sobre
as questões discutidas anteriormente e que já aconteciam em sala de aula, nessa etapa foi possível
propagar a ideia do Colégio como parte importante e necessária na vida de toda a comunidade
escolar.
O livro da Cápsula do Tempo
A partir do que foi dito anteriormente, buscamos provocar a memória dos alunos e, para
isso, apresentamos o livro da Cápsula do Tempo. Essa é a segunda etapa do projeto, aberta a toda
comunidade escolar onde eles mesmos farão o registro dos momentos passados dentro do
campus. Essa etapa foi apresentada ao final da visita guiada e ainda está em andamento.
Para fazer o registro no livro o usuário deve vir à biblioteca e solicitá-lo e só poderá
consultá-lo novamente após o período de um ano. Dessa forma, quem participa será capaz de ver
algo que registrou no ano anterior, bem como acrescentar novas memórias. Pode ser escrito
lembrança, independente da sua natureza, não sendo necessário que a mesma seja atrelada à
visita, mas sim ao Colégio. A intenção é que o livro se torne um registro direto e efetivo das
memórias individual e coletiva e de sua vivência no tempo que ficou no Colégio.
5 CONSIDERAÇÕES
A chamada para o passeio mostrou que haviam muitos interessados: em dois dias tivemos
cerca de 140 inscritos, incluindo alunos e funcionários. Pudemos observar que os alunos se

�mostraram bastante impressionados com a riqueza de história do colégio quando conheceram e
perguntaram algumas curiosidades sobre personalidades famosas e do seu histórico escolar, e
alguns objetos de época, diferentes costumes/regulamentos da escola e interessados também em
conhecer outros campi do Colégio. Os funcionários ficaram impressionados, pois não tinham
noção da riqueza histórica e beleza arquitetônica do Colégio e se viram representados com fotos
de servidores na mesma função de anos atrás. Muitos deles tiraram fotos em determinados
espaços que já haviam sido ocupados pelo próprio Dom Pedro II, revivendo a própria “posição”
do imperador e fotos entre eles nos espaços que chamavam a atenção.
A proposta é dar continuidade às visitas ao longo do ano e encontros com os participantes
e, no mês de dezembro, quando o Colégio completará 180 anos de história, apresentaremos o
retorno do projeto para toda a comunidade escolar. O projeto ainda está em andamento e o livro
da Cápsula do Tempo está disponível na biblioteca da qual fará parte como acervo permanente.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 12.677, de 25 de junho de 2012. Dispõe sobre a criação de cargos efetivos,
cargos de direção e funções gratificadas no âmbito do Ministério da Educação, destinados às
instituições federais de ensino e dá outras providências. Brasília, DF, 25 jun. 2012. Disponível
em: &lt;http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/L12677.htm&gt;. Acesso em:
31 mai. 2017.
COLÉGIO PEDRO II. Campus Niterói. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em:
&lt;http://www.cp2.g12.br/campi/niteroi.html&gt; Acesso em: 31 mai 2017.
COLÉGIO PEDRO II. Missão, visão e valores. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em:
&lt;http://www.cp2.g12. br/cpii/missao.html&gt;. Acesso em: 31 mai. 2017.
CÔRTE, Adelaide Ramos e; BANDEIRA, Suelena Pinto. Biblioteca escolar. Brasília, DF:
Briquet de Lemos, 2011.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.
IFLA, FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS E
INSTITUIÇÕES. Diretrizes da IFLA/UNESCO para a biblioteca escolar. Tradução Neusa
Dias
de
Macedo.
São
Paulo:
IFLA,
2005.
Disponível
em:
&lt;http://www.ifla.org/files/assets/school-libraries-resource-centers/publications/school-libraryguidelines/school-library-guidelines-pt_br.pdf&gt;. Acesso em: 15 mai. 2017.
IFLA, FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS E
INSTITUIÇÕES. Manifesto IFLA/UNESCO para biblioteca escolar. Tradução Neusa Dias
de
Macedo.
São
Paulo:
IFLA,
2002.
Disponível
em:
&lt;
http://www.rbal.com.pt/Documentos%20RBAL%20pdf/Manifesto%20Unesco%20para%20Bi
bliotecas%20Escolares.pdf&gt;. Acesso em: 16 mai. 2017.
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História. Revista
do Programa de Estudos Pós-Graduados de História. [S.l.], v. 10, out. 2012. Disponível em:
&lt;https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/12101/8763&gt;. Acesso em: 05 jun. 2017.

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