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                  <text>"Faróis de Alexandria: Informação, Ciência e Cultura na
Biblioteca": um movimento pela competência em informação na
escola

Carlos Robson Souza da Silva (IFCE) - crobsonss@gmail.com
Resumo:
Trata-se de uma proposta de projeto para a realização do I Faróis de Alexandria, que deverá
ocorrer dos dias 5 a 9 de junho de 2017, durante o início do período de 2017.1, promovido
pela Biblioteca José Luciano Pimentel do IFCE, campus Cedro. O evento visa trabalhar o
desenvolvimento de Competência em Informação, baseando-se nos três pilares (busca,
avaliação e acesso à informação de maneira independente, competente e responsável),
baseado no documento Faróis da Sociedade da Informação. Objetiva apresentar a necessidade
de que sejam abertos espaços nas bibliotecas para que ações de desenvolvimento de
Competência em Informação sejam realizados no contexto escolar e, especificamente, nos
Institutos Federais. Tem como objetivos específicos propor meios para que se instiguem os
alunos a desenvolverem sua competência em informação, indicar a necessidade de abrir a
biblioteca como espaço de discussão para temas relevantes para a sociedade e para a
formação do indivíduo e socializar o termo de Competência em Informação no ambiente
escolar. Teve como resultados: socialização do termo Competência em Informação no IFCE,
campus Cedro, participação de professores, alunos e técnico-administrativos na compreensão
dos processos informacionais de acordo com o disposto no documento Faróis da Sociedade da
Informação da IFLA/ONU. Conclui que as ações voltadas para a promoção e socialização da
Competência em Informação nas bibliotecas escolares devem ser continuamente realizadas,
visando mostrar o papel educativo da biblioteca e a necessidade dessa unidade de informação
na formação profissional, educacional e pessoal do aluno.
Palavras-chave: Biblioteca. Competência em Informação. Faróis da Sociedade da Informação.
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.
Eixo Temático: 1
ODS: 4 – Educação de Qualidade

1 Competência em Informação: uma introdução
O processo de aquisição da informação habilita todo ser humano a se
comunicar com o outro, utilizando-se dos mais variados meios. Entretanto o uso
ponderado e crítico da informação adquirida só é possível mediante uma vivência
baseada em relações mútuas, em conversas, em situações de esperança, trauma e
superação. na validação de verdades e na desconsideração de mentiras.
O estado ideal de maturidade que se dá ao ser humano que sabe lidar de
forma responsável com a informação tem, entre outras variantes, o nome de
Competência em Informação. No documento Information Power: building
partnerships for learning produzido pela American Association of School
Librarians e pela Association for Educational Communications and Technology
em 1998, as duas instituições, segundo Campello (2003, p. 31), listaram “[...] nove
habilidades informacionais, divididas em três grupos que abrangem: 1)
competência para lidar com a informação; 2) informação para a aprendizagem
independente; 3) informação para responsabilidade social [...].”
A competência para lidar com a informação delineiam-se na habilidade de
acessar a informação de forma eficiente e efetiva, avaliar a informação de forma
crítica e competente e usar a informação com precisão e criatividade (CAMPELLO,
2003). As três atividades (acessar, avaliar e usar) são sinais de um indivíduo que
sabe onde encontrar informação, como identificar se as informações com as quais
lida são verdadeiras ou falsas e como usá-las para proveito próprio e em prol da
sociedade.
Compreendendo o fato de que a discussão sobre Competência em
Informação tem se intensificado nos últimos anos, mas apesar disso poucas ações

�têm sido tomadas para o alcance de uma sociedade mais letrada, a International
Federation of Library Associations and Institutions, na cidade de Alexandria, em
2005, produziu o documento que é o fundador da presente ação: Faróis da
Sociedade da Informação.
Segundo Dudziak (2008), no Colóquio de Altos Especialistas em
Competência em Informação e Aprendizado ao Longo da Vida, ocorrido também
em 2005, na Biblioteca de Alexandria, as estratégias de ação propostas envolviam
por um lado perspectivas regionais de atuação e por outro lado ações baseadas em
eixos temáticos.
Os eixos temáticos definidos no Colóquio procuraram atender a uma
demanda informacional específica no viver em sociedade e sanar uma necessidade
urgente de atender a esta demanda: “[...] competência informacional para o
desenvolvimento econômico, para saúde e serviços, para governança e cidadania, e
competência informacional para a educação.” (HIGH-LEVEL, 2006

apud

DUDZIAK, 2008).
Portanto o que se requisitou na Proclamação de Alexandria foi um alerta
para que se pudesse compreender o indivíduo holisticamente, em sua inteireza,
desde as necessidades mais básicas e íntimas (saúde e serviços, por exemplo), às
suas necessidades coletivas e sociais (como economia, cidadania e educação).
O papel da biblioteca e do bibliotecário, nesse sentido, dá um salto além do
trabalho histórico de disponibilizar um acervo, um espaço físico e um sistema
automatizado, e assume uma posição mais pedagógica. Segundo Stripling (1996
apud CAMPELLO, 2003), o bibliotecário passa a ser: caregiver, orientador,
elo e catalisador.
Levando em conta, portanto, os conceitos de Competência em Informação e
de Biblioteca e Bibliotecário no processo de desenvolvimento de Competência em
Informação, a Biblioteca José Luciano Pimentel, do Instituto Federal de Ciência,
Educação e Tecnologia do Ceará, campus Cedro, lança o projeto “Faróis de
Alexandria” surge como uma necessidade de serem dados os primeiros passos no
desenvolvimento de alunos competentes em informação.
Esse trabalho tem como objetivo geral apresentar a necessidade de que
sejam abertos espaços nas bibliotecas para que ações de desenvolvimento de

�Competência em Informação sejam realizadas no contexto escolar. Tem como
objetivos específicos: propor meios para que se instiguem os alunos a
desenvolverem sua Competência em Informação, indicar a necessidade de abrir a
biblioteca como espaço de discussão para temas relevantes para a sociedade e para
a formação do indivíduo e socializar o termo Competência em Informação no
contexto escolar.
2 Faróis de Alexandria: um relato de experiência
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)
possui atualmente 32 campi em todo o território cearense. Dentre esses campi, está
o de Cedro, que é um dos polos responsáveis por oferecer educação pública e de
qualidade em nível médio, técnico e superior no contexto da Região Centro-Sul do
Ceará.
Diante disso, a Biblioteca José Luciano Pimentel, atuante no referido
campus, vendo a necessidade de oferecer produtos e serviços de informação de
qualidade e o desafio de fazer com que os alunos do campus relacionem-se
intimamente com tais produtos e serviços, optou pela promoção da Competência
em Informação, como recurso indispensável na formação discente.
Para isso foi criado o evento “Faróis de Alexandria: Informação, Ciência e
Cultura na Biblioteca”, em que fora trazidas rodas de conversas, minicursos e
oficinas relacionadas aos eixos do documento “Faróis da Sociedade da Informação:
Declaração de Alexandria sobre a Competência em Informação e Aprendizado ao
Longo da Vida”. Todas as ações, que aconteceram no ambiente da biblioteca, foram
divididas em dois eixos: Buscar e Avaliar para rodas de conversa e Usar e
Produzir para oficinas e minicursos.
2.1 Buscar e Avaliar
No evento, realizaram-se 8 rodas de conversas relacionadas diretamente aos
quatro eixos da Declaração

de Alexandria: Ansiedade por Informação,

Empreendedorismo (voltado para os alunos dos cursos técnicos), Notícias Falsas

�na Internet, Informação Nutricional, O professor e o uso da biblioteca no processo
de ensino e aprendizagem (voltado para os alunos de Licenciatura), Juventude,
Direitos Humanos e Cidadania, Saúde Bucal na Internet e Música e Informação.
As rodas de conversa foram ministradas pelos servidores técnicoadministrativos do campus (menos a de Juventude, Direitos Humanos e Cidadania,
que se realizou por meio de uma parceria com o Centro de Referência Especializado
da Assistência Social – CREAS – local) e tiveram como grande intuito refletir como
os alunos sobre o mundo informacional que os cerca e como lidar com o
bombardeio de informações que sofrem todos os dias de maneira competente,
independente e responsável.
2.2 Usar e Produzir
Neste eixo, o evento trouxe cerca doze de ações, entre minicursos e oficinas.
As 7 oficinas ministradas foram voltadas para o lidar prático com a informação do
dia a dia, preocupando-se principalmente com a capacidade do aluno em trabalhar
a informação de maneira competente, foram elas: Introdução à Pesquisa Escolar
(voltada para alunos do ensino técnico), Criação de Slides, Leitura e Interpretação
de Plantas para Projetos de Instalações Elétricas (voltadas para os alunos do EJA),
Periódicos da CAPES, Email e Armazenamento em Nuvem (voltado para alunos do
ensino médio integrado), Marketing em Mídias Digitais e Currículo Lattes.
Os 5 minicursos ofertados foram todos referentes às normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), voltando-nos principalmente para as
referentes à normalização bibliográfica. Todos ministrados pelos bibliotecários da
instituição, os minicursos incluíram as normas sobre Trabalhos Acadêmicos,
Resumos, Sumário e Citações, Referências, e Pôsteres Científicos.
3 Considerações Finais
A Biblioteca José Luciano Pimentel tem entrado em grande renovação de
gestão nos últimos anos. Em 2015, ela foi reinaugurada e, em 2016, teve a sua I
Semana do Livro e da Biblioteca. As ações do Faróis de Alexandria vieram para

�somar como o propósito máximo de seus gestores e profissionais que é envolver os
alunos o mundo de informação e literatura encontrada nela e em outros meios e
educá-los a se tornarem competentes, independentes e responsáveis.
Entre os resultados obtidos durante o Faróis de Alexandria tivemos:
participação em todas as atividades dos alunos do campus (nenhuma atividade foi
cancelada), socialização do termo Competência em Informação e busca dos alunos,
por interesse próprio (e não sob a orientação de professores diretamente), por
participar das atividades oferecidas.
Entende-se, portanto, que as bibliotecas devem ser voltadas a se
manifestarem em favor da escolarização da Competência em Informação, por meio
de ações como eventos para que a comunidade acadêmico saiba da importância
desse recurso para os dias atuais de internet e explosão informacional.
REFERÊNCIAS
AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOOL LIBR ARIANS/ ASSOCIATION FOR
EDUCATIONAL COMMUNICATIONS AND TECHNOLOGY. Information
power: building partnerships for learning. Chicago: ALA, 1998.
CAMPELLO, Bernadete. O movimento da competência informacional: uma
perspectiva para o letramento informacional. Ci. Inf., Brasília, v. 32, n. 3, p. 28-37,
set./dez. 2003. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v32n3/19021&gt;.
Acesso em 21 mar. 2017.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana. Os Faróis da Sociedade de Informação: uma análise
crítica sobre a situação da competência em informação no Brasil. Inf. &amp; Soc.: Est.,
João Pessoa, v. 18, n. 2, p. 41-53, maio/ago. 2008. Disponível em:
&lt;http://search.proquest.com/docview/1493901306?pq-origsite=gscholar&gt;. Acesso
em 21 mar. 2017.
INTERNATIONAL FEDERAL OF LIBRARY ASSOCIATION AND INSTITUTIONS.
Faróis da Sociedade da Informação: Declaração de Alexandria sobre
Competência Informacional e Aprendizado ao Longo da Vida. Alexandria: National
Forum on Information Literacy, 2005. Disponível em:
&lt;https://www.ifla.org/files/assets/wsis/Documents/beaconinfsoc-pt.pdf&gt;. Acesso
em 21 mar. 2017.
HIGH-LEVEL on Information Literacy and Lifelong Learning Final Report.
Alexandria: UNESCO, NFIL, IFLA, 2006. Disponível em:
&lt;https://www.ifla.org/files/assets/information-literacy/publications/high-levelcolloquium-2005.pdf&gt;. Acesso em 21 mar. 2017.

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