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                  <text>A biblioteca como mediadora nas questões sociais: o tráfico de
mulheres no Mato Grosso do Sul. No que podemos colaborar?

Lilian Aguilar Teixeira (UFMS) - teixeiralili@gmail.com
Gleibson José da Silva (UFPE) - gleibson.jose@gmail.com
Rogério Ferreira Marques (UFPB) - rogerioferreiramarques1@gmail.com
Resumo:
A biblioteca deve propiciar sua expansão realizando o seu papel social, diante da globalização
e das desigualdades sociais algumas situações mundiais ficaram mais evidentes, um exemplo é
o crime de tráfico de pessoas que submete os seres humanos a diversas formas de exploração,
onde suas principais vítimas são mulheres e foi constatado que o Mato Grosso do Sul é o
estado em terceiro lugar no Brasil em número de tráfico interno para fins de exploração
sexual. A biblioteca pode colaborar sendo o meio de divulgação e local de aperfeiçoamento
para a sociedade, buscando realizar atividades em conjunto com órgãos governamentais e com
o Programa Escola de Conselhos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, um projeto
de extensão universitária desenvolvido pela UFMS que realiza formações continuadas na área
de direitos humanos. Desse modo, busca-se a construção de uma sociedade com mais acesso a
informação sobre a temática, rompendo com o modelo convencional da biblioteca fornecedora
de informações físicas e buscando contribuir com um dos objetivos da Agenda 2030 de
desenvolvimento sustentável, que é eliminar todas as formas de violência contra todas as
mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e
de outros tipos.
Palavras-chave: Biblioteconomia social. Tráfico de pessoas. Mulheres. Exploração sexual
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.
Eixo Temático:Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)
ODS: 5- Igualdade de gênero
Introdução:
A biblioteca deve procurar quebrar paradigmas, auxiliando nas demandas
informais de vários segmentos da sociedade, há repercussões frequentes de
notícias de exploração do ser humano, no qual há privações dos seus direitos,
utilizando-os como mercadoria humana, esse fato é denominado tráfico de
pessoas e não se trata de um crime novo, porém com novas modalidades de
exploração ao ser humano e com um maior índice de mulheres como vítimas.
O Brasil acaba sendo local de rota de tráfico de pessoas, tendo facilidade
pela grande faixa fronteiriça com outros países, no qual o estado de Mato Grosso
do Sul possui 79 municípios e 44 deles na região de faixa de fronteira.
Especificamente é considerada rota de tráfico de pessoas as fronteiras localizadas
nos municípios de Corumbá, que faz fronteira com a Bolívia e Ponta Porã, que faz
fronteira com Paraguai, com agravante de que esses países fazem “fronteira seca”
com o Brasil, fato que dificulta a fiscalização e a tipificação dessa prática
criminosa, tornando-se assim silenciosa e difícil de mensurar.
Desse modo, também cabe a biblioteca o objetivo de promover o acesso e
mediação da informação, abordando a promoção de direitos humanos, com o
intuito de que a sociedade reflita e desenvolva um senso crítico em relação ao
exercício dos seus direitos.
Possuímos atualmente diversos meios informacionais (televisão, internet),
porém, não são todos que tem a possibilidade de adquirir informação, por outro
lado, para grande parte da população ocorrem as aproximações mundiais através
de redes sociais e em alguns casos são aceitas proposta de trabalho no exterior,
sem saber que poderão ser vítimas de tráfico de pessoas.
Almeida Júnior (1997, p.100) afirma “[...] que a ‘democratização da
informação’ deve deixar de ser um slogan para converter-se em compromisso,

�compromisso do bibliotecário para com a sociedade, para com a comunidade a
quem deve atender”
Dessa forma, a biblioteca deve buscar disseminar informação através de
vários métodos, sua missão mais importante é fornecer informações, dar
respostas.

Devemos

colocar

explicitamente,

aberta

e

publicamente

a

aprendizagem recíproca como mediação das relações entre as pessoas
disseminando informações.” (CUNHA, 2013, p.45)
Método da pesquisa:
Busca-se entrar em contato com órgãos relacionados com a temática de
tráfico de pessoas, através de seus coordenadores e lideranças para rodas
temáticas do assunto na biblioteca, desenvolvendo o intercâmbio informacional
com a comunidade, principalmente entre as mulheres, que são as principais
vítimas desse crime.
Os órgãos governamentais que trabalham com a questão de tráfico de
pessoas são: Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de
Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CAM), Centros de Referência
Especializado de Assistência Social (CREAS) e muitos outros órgãos de
atendimento, como o Ministério Público, a Defensoria Pública, as diversas polícias
e também a participação de Organizaçãonão governamental que realiza o
atendimento das vítimas de tráfico de pessoas.
Um Projeto de Extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul,
que possui experiência no assunto é o “Programa Escola de Conselhos”, que atua
em qualificações de políticas públicas e defesa dos direitos humanos. Esse projeto
será responsável por realizar as palestras na temática e a biblioteca será
responsável em realizar a divulgação no site, informativo, TV, cartazes.
A biblioteca será uma colaboradora com as ações governamentais,
auxiliando no II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que
possui uma linha de atuação em: Produção, gestão e disseminação de informação
e conhecimento sobre tráfico de pessoas. Além, de fornecer sua sede, sendo um
ponto cultural, contribui com subsídios informacionais para inclusão do assunto

�com a sociedade, seja diante de uma roda de diálogo, exposições ou filmes que
coloquem a temática em debate reflexivo das impressões que tiveram e dúvidas
existentes.

Discussão:
As difíceis situações econômicas e as frequentes crises no Brasil
transformam o imaginário das pessoas, iludindo-as de que países mais ricos são
mais prósperos, com chances de obter mais recursos financeiros e na tentativa de
uma melhor condição de vida. Essas circunstâncias colaboram com as redes de
tráfico humano favorecendo o deslumbramento das pessoas que se tornam alvos
fáceis para os criminosos, ou seja, essas circunstâncias tornam as vítimas mais
vulneráveis à exploração do homem pelo homem. Como afirma Bauman (2007,
p.44) “o desejo humano de estabilidade deve se transformar, e de fato se
transforma, de principal ativo do sistema em seu maior risco.” Nesse caso, o
desejo de estabilidade faz as pessoas correrem risco para a busca de condições
de subsistência.
No Brasil, uma grande chaga nacional é o tráfico interno de pessoas, que
recai principalmente em crianças e adolescentes do gênero feminino (SIQUEIRA,
2013, p.44).
Na pesquisa de dissertação realizada por Teixeira (2015) foi constatada que
há carência de informação sobre o assunto e a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul
(2013), divulgou que o estado está em terceiro lugar no número de tráfico interno
para fins de exploração sexual.
A Organização Internacional do Trabalho fez uma análise do perfil das
vítimas de tráfico de pessoas, sendo constatado que são em sua maioria,
mulheres jovens, de baixa renda, pouca escolaridade, provenientes de lugares e
de regiões pobres. (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, 2010,p.23).
A função social da biblioteca é democratizar informação, Almeida Júnior
(1997) afirma que a biblioteca precisa atingir a população carente de informações
para deixar de ser vista como o templo dos eleitos.

�A Biblioteconomia é uma profissão de mediação e de contato, de “fazer com
o outro” de fazer para o outro, o bibliotecário só tem a ganhar com a colaboração
com outros profissionais. Esta tendência de trabalho interdisciplinar é uma
tendência mundial. (CUNHA, 2013, p. 43)
A biblioteca não deve se contentar em ser somente uma guardiã das
informações, de acordo com Valentim (1995, p.4) “a grande mudança na área de
biblioteconomia é a mudança do paradigma do acervo para o paradigma da
informação”.

Considerações Finais:
A biblioteca deve estar preparada para a interação com o seu usuário, com
o objetivo de procurar manter uma dinâmica permanente de orientação e
informação para a sociedade, por meio de campanhas, debates, materiais
informativos, com essa temática e muitas outras envolvendo os direitos humanos.
Pretende-se expandir esse projeto para atingir outros municípios do Estado,
realizando uma articulação interinstitucional com as prefeituras e com as
associações de moradores, principalmente da região de fronteira, dessa forma
exerceremos a democratização da informação para os diversos segmentos da
sociedade, principalmente os mais vulneráveis.
Salientamos também a importância de realizar parcerias com os países
vizinhos (Bolívia e Paraguai), fortalecendo o diálogo e ações, pois há vários
registros de entrada e saída de estrangeiros vindo dessas regiões para o MS.
Esse papel social também faz parte dos objetivos da biblioteca, que é de
ser um agente facilitador, um elo de informação, um organismo que causa um
impacto social, atingindo as comunidades locais, pois a gestão de políticas
públicas não se faz de forma isolada, depende de vários segmentos da sociedade
para troca de experiência e conhecimento, dessa forma a biblioteca promove o
exercício da construção coletiva da Agenda 2030.

�Referências:
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Sociedade e Biblioteconomia. São
Paulo: Polis, 1997.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em
mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2007.

BRASIL. Ministério da Justiça. Relatório Final de Execução do Plano Nacional
de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Brasília: Secretaria da Justiça, 2010.
Disponível em: &lt;http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/32/docs/relatoriopnet.pdf &gt;.
Acesso em: 16 de abr. 2013.

CUNHA, Miriam Vieira da. O papel social do bibliotecário. R. Eletr. Bibliotecon.
Ci. Inf., Florianópolis, n. 15, 2003.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Transformando nosso mundo:
a
Agenda
2030.
ONU:
Nova
Iorque,
2015.
Disponível
em:
&lt;https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf&gt;.
Acesso em: 26 abr. 2017.

SIQUEIRA, Priscila. Tráfico de pessoas: comércio infamante num mundo
globalizado. In: Brasil. Secretaria Nacional de Justiça. Tráfico de pessoas: uma
abordagem para os direitos humanos. Brasília : Ministério da Justiça, 2013.
Disponível em: &lt;https://pt.scribd.com/doc/209267094/Cartilha-TSH&gt;. Acesso em:
27 de set. de 2014.

TEIXEIRA, Lilian Aguilar. O tráfico de pessoas na fronteira Brasil, Paraguai e
Bolívia e o atendimento às vítimas: o olhar dos profissionais dos SUAS. 2015.
(Dissertação) Mestrado em Psicologia. Universidade Católica Dom Bosco, Campo
Grande, 2015.

VALENTIM, M. L. P. Assumindo um novo paradigma na biblioteconomia.
Informação &amp; Informação, Londrina, p. 2-6, jul./dez. 1995.

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