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                  <text>A ética dos bibliotecários e a administração discursiva das
bibliotecas orientada ao desenvolvimento sustentável

Clovis Ricardo Montenegro de Lima (IBICT) - clovismlima@gmail.com
Fátima Santana Silva (UVA) - fatsilvarj@hotmail.com
Resumo:
Neste artigo discute-se o agir ético dos bibliotecários para o desenvolvimento sustentável,
particularmente na administração das bibliotecas. As bibliotecas são usualmente subsistemas
de organizações complexas. Os sistemas são espaços de complexidade reduzida em relação ao
seu entorno, para a execução de atividades orientadas a fins. O que se observa é que o entorno
dos sistemas e os próprios sistemas constituem um mundo da vida ameaçado. As ameaças vêm
de sobrecargas causadas pelos sistemas ou por outras incapacidades e insuficiências do
ambiente em sustentar a dinâmica dos sistemas. Assim, cabe à sociedade enfrentar estas
ameaças que a racionalidade funcional lhe traz, sob a forma de um desenvolvimento de
sistemas que podem ter atritos, causar dano ou mesmo destruir o seu entorno. Neste sentido
cabe ampliar a racionalidade dos sistemas e discutir de modo crítico na esfera pública esta
racionalidade. A ampliação da racionalidade têm duas faces: a inclusão dos participantes dos
sistemas no discurso e a inclusão da sustentabilidade na perspectiva dos seus dirigentes. Ao
mesmo tempo, o discurso crítico na esfera pública pode informar participantes e tensionar
dirigentes. Os participantes dos sistemas bibliotecas têm escolhas éticas a fazer em relação às
finalidades e atividades das mesmas. Conclui-se que a incorporação do desenvolvimento
sustentável na agenda das bibliotecas faz parte da aprendizagem moral dos bibliotecários,
cabendo então a coragem da verdade. Espera-se que os bibliotecários interfiram como
participantes destes sistemas na constituição da sua agenda.
Palavras-chave: Habermas.
Teoria
do
Sustentabilidade ambiental.

agir

comunicativo.

Discurso.

Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

Sistemas.

�Eixo 1 – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Objetivo 16
Introdução
A sustentabilidade é um tema contemporâneo da maior importância, pois
implica em harmonizar os sistemas ao seu entorno, e tem sido discutido nas
diversas áreas. Uma das características dos sistemas atuais é
sobrecarregarem seu entorno com a produção de desigualdade e pobreza, os
déficits de dignidade moral e direitos sociais e a corrosão do ambiente natural.
Parece-nos oportuno pensar na inclusão da sustentabilidade na agenda das
bibliotecas, sendo necessária a adequação destas ao esforço por bem estar
presente e futuro. Isto decorre não apenas de recomendações normativas, mas
principalmente por necessidades de equilibrar sistemas e entornos em bases
complexas que proporcionem socialização e integração social harmônicas e
justas.
Os sistemas bibliotecas tem déficit de sentido se não correspondem às
demandas do entorno. A redução funcional da sua complexidade não pode
acontecer num modo que implique em sobrecarregar o seu entorno e ao
entorno dos demais sistemas aos quais está integrada.
O que se quer é evidenciar necessidade e possibilidade de mudanças na
administração das bibliotecas e propor a reconstrução da sua racionalidade
prática. Assim, espera-se a participação efetiva dos sujeitos bibliotecários,
comprometidos com éticas e políticas vocacionadas para a sustentabilidade.
Método da pesquisa
Usa-se como referências teóricas as Teorias do Agir Comunicativo e do
Discurso de Habermas, e a crítica deste a Teoria de Sistemas de Luhmann.
Na visão de Habermas as normas se fundamentam em um contexto de
interação cooperativa onde todos os concernidos possuem possibilidades
iguais de argumentação em busca de um entendimento. Habermas advoga que
este discurso deve ser livre de dominação, e todos devem possuir os mesmo
direitos e deveres.
Neste processo discursivo o que se almeja é defender ou refutar as normas
existentes e corrigi-las moralmente a partir da qualidade dos argumentos
válidos. Isso ocorre no ambiente em que Habermas define como espaço de
possibilidades para um processo discursivo em busca de entendimento. Lima e
Lima (2016) acrescentam que o ambiente da esfera pública é o espaço onde as
demandas da esfera privada são colocadas em debate público em busca de
novas possibilidades incluindo assim a ideia de sustentabilidade.
Luhmann descreve a sociedade como um sistema fechado, onde tudo a sua
volta é meio e sua reestruturação é autorreferente, com origem nele mesmo, e
não considera o seu entorno assim como também as mudanças ocorridas no
mundo da vida. Lima e Lima (2016) afirmam que “o auto-fechamento acaba por
desenvolver uma “insensibilidade” dos sistemas”.

�As teorias de Habermas e Luhmann servem de reflexão para pensar em uma
ética dos bibliotecários que oriente a administração discursiva das bibliotecas.
Visa inserir ações comunicativas no sistema e deste com seu entorno,
contribuindo para inclusão da sustentabilidade na agenda das bibliotecas.
A reconstrução da organização a partir de uma visão sustentável requer que os
diversos envolvidos se disponham a participar do discurso, objetivando a
cooperação para melhoria de processos, inovação e bem estar social.
Discussão
Podemos entender sustentabilidade ambiental como a preocupação em reduzir
os impactos das ações humanas sobre o ambiente natural (LIMA e LIMA,
2016). Para que isso seja possível Sachs (2009) descreve que é necessário a
harmonização entre as dimensões: social, cultural, ecológica, ambiental,
territorial, econômica, política nacional e política internacional.
Em 2002 a IFLA cria a “Declaração sore bibliotecas e desenvolvimento
sustentável” e chama a atenção das bibliotecas para a necessidade de
comprometimento com o desenvolvimento sustentável de modo que se ofereça
um ambiente adequado à saúde e bem estar, atendendo as necessidades do
presente sem comprometer o futuro, acrescenta ainda que deve ser
compromisso da biblioteca assegurar liberdade de acesso à informação (IFLA,
2002).
Esta discussão pode contribuir na construção de caminhos que possibilitem
uma administração de bibliotecas com maior interação e participação dos
bibliotecários, uma vez que vá de encontro às necessidades reais de sua
comunidade e não atendendo apenas ao mínimo exigido pelo sistema. “As
bibliotecas universitárias seguem as diretrizes e as políticas de sua
universidade mantenedora e, por isso, sua autonomia é limitada.”(DIB 2013, p.
98).
Isso acontece com a maioria das bibliotecas, que sobrevivem para atender as
demandas do sistema, mantendo assim seu entorno desconhecido. Caberá a
cada profissional bibliotecário se posicionar eticamente em busca de uma
biblioteca mais sustentável na oferta de seus serviços.
Partindo do princípio em que a biblioteca é um subsistema em organizações
complexas, quer se pensar em uma administração discursiva por bibliotecários
de modo que este subsistema tenha maior eficácia social.
O papel da administração discursiva é ampliar os espaços de comunicação,
com uma dinâmica colaborativa em que os indivíduos possam ter
possibilidades de interação. Silva Lima e Chaves (2013) enfatizam que, com o
objetivo de suprir as deficiências na administração tradicional, surge a
abordagem discursiva da administração como alternativa a partir de uma
perspectiva dialógica objetivando recuperar o real sentido da biblioteca a partir
da interação com seu entorno a fim de atender as diferentes demandas
emergentes da comunidade em questão.

�Lima e Carvalho (2011) corroboram quando afirmam que a abordagem
discursiva da administração possibilita enfrentar os problemas de redução da
dinâmica comunicacional que ocorrem nos sistemas, incluindo as perspectivas
dos participantes, que serve não apenas para evidenciar valores internos, mas
também para ampliar interações com o entorno.
Gutierrez complementa quando diz: “A diferença e originalidade do modelo
comunicativo de gestão está na percepção das organizações como sistemas
onde imperam as relações estratégicas, o que limita e condiciona o alcance de
qualquer tentativa de mudança”. (GUTIERREZ, 1996, p. 66)
Há uma fragilidade na administração de bibliotecas e cabe aos bibliotecários
agirem eticamente em prol do bem estar de seus usuários, Pizzi (2011, p.72)
acrescenta quando diz que “O objetivo está em conseguir legitimidade social e,
com isso garantir o seu espaço a partir de um serviço de qualidade.”, diz
também que “... a gestão ética indica um compromisso diante dos diferentes
públicos, isto é dos grupos de interesse” e este compromisso que deve ser
assumido pelos bibliotecários, a fim oferecerem um serviço de qualidade que
vá de encontro às necessidades de quem utiliza os serviços da biblioteca.
A biblioteca precisa assumir seu papel social e de caráter sustentável na
disponibilização de informações para exercício dos direitos democráticos dos
cidadãos.
Considerações Finais
As bibliotecas devem se orientar para a sustentabilidade ambiental dos
sistemas nos quais incluídas, como parte do esforço para proteção do seu
entorno de sobrecargas e de destruição da natureza.
A questão não é mero recurso retórico ou adequação normativa, mas é sim
uma demanda objetiva para a vitalidade da democracia política e a
manutenção da capacidade de produção dos sistemas. Sustentabilidade
ambiental é requisito fundamental para a própria existência dos sistemas.
O que esta demanda traz é quem e como. Quem são os sujeitos da
sustentabilidade ambiental? Como estes sujeitos podem agir por esta
demanda?
Os sujeitos privilegiados para mudanças organizacionais nas bibliotecas são os
bibliotecários, participantes destes sistemas. O discurso nas organizações
pode incluir seus usuários, particularmente os seus leitores.
Existem dois elementos importantes neste processo. Um deles é a autonomia
profissional dos bibliotecários, que devem reclamar da sua liberdade de
escolha e fazer valer uma ética de compromisso com a dignidade humana e de
proteção da natureza.
O outro elemento é a interação discursiva com atores externos em defesa da
sustentabilidade ambiental, que incluem organizações não governamentais,
ministério público, órgãos da administração pública e instituições de pesquisa.
Este coletivo compõe uma esfera pública ambientalista.

�A integração dos participantes dos sistemas e destes com atores do entorno
não acontecem por inércia ou imposição normativa. Ela deve ser tematizada e
problematizada. Esta coalizão não é uma substancia, mas uma mobilização
pragmática a partir do discurso.
O discurso é uma interação mediada pela linguagem e orientada para o
entendimento. Trata-se de esforço de busca cooperativa da verdade a partir do
confronto de argumentos em torno de temas e problemas escolhidos. A
sustentabilidade ambiental pode assim emergir da agenda dos bibliotecários.

Referências
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universitárias brasileiras. Orientador: Clóvis Montenegro de Lima. Rio de
Janeiro, 2013. 107f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Escola
de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro
de Informação Ciência e tecnologia, Rio de Janeiro, 2013.
GUTIERREZ, Gustavo Luis. Gestão comunicativa: maximixando criatividade e
racionalidade: uma política de recursos humanos a partir da teoria de
Habermas. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999
HABERMAS, Jurgen. Cosciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro:
Tempo Brasileiro, 2003.
IFLA. Declaración acerca de las Bibliotecas y el Desarrollo Sostenible, 2002.
Disponivel em: https://www.ifla.org/ES/publications/declaraci-n-acerca-de-lasbibliotecas-y-el-desarrollo-sostenible. Acesso em:10/07/2017.
LIMA, Clóvis Ricardo Montenegro de; LIMA, José Rodolfo Tenório. A inclusão
da sustentabilidade ambiental nas organizações: um olhar Habermasiano
sobre a relação sistema e mundo da vida. Organizações e Sustentabilidade,
Londrina, v.4, n. 1, p. 142-174, jan./jun. 2016. Disponível em:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/ros/article/view/26831/0. Acesso em 20
jun. 2017.
LIMA, Clóvis Ricardo Montenegro de; CARVALHO, Lidiane dos Santos; LIMA,
José Rodolfo Tenório. Notas para uma administração discursiva das
organizações.DataGramaZero, Rio de Janeiro, v. 11, n. 6, p. 1-14, dez. 2010.
Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000009509&amp;dd1=87c0f&gt;.
Acesso em: 17 jun. 2017.
LUHMANN, Niklas. Introdução à teoria de sistemas. Petropolis: Vozes, 2010.
PIZZI, Jovino; COUTO, Dilnéia Rochana Tavares do. Ensinar ética e assumir
responsabilidades: os novos desafios para as empresas informativas. Conexão
- Comunicação e Cultura (UCS), Caxias do Sul, v. 10, n. 19, jan./jun. 2011.
Disponível em:

�http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/view/523. Acesso em:
10 de jun. 2017.
SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de
Janeiro: Garamond, 2009.
SILVA, Fátima Santana; FERNANDES, Geni; LIMA, Clóvis. Administração de
bibliotecas em instituições privadas de ensino superior: uma abordagem
discursiva a partir das novas demandas de acesso e uso da informação. Inf.
Prof., Londrina, v. 2, n. 2, p. 66 – 91, 2013. Disponível em:
http:www.uel.br/revistas/infoprof/. Acesso em: 20 jun. 2017.
SILVA, Fátima Santana. Administração de bibliotecas em instituições
privadas de ensino superior: uma abordagem discursiva a partir das novas
demandas de acesso e uso da informação. Orientador: Clóvis Montenegro de
Lima, Co-Orientadora: Geni Chaves Fernandes. Rio de Janeiro, 2013. 105f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Escola de Comunicação,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Informação
Ciência e tecnologia, Rio de Janeiro, 2013.

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