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                  <text>Dia da Leitura SESI
Luciana Kramer Müller (SESI-RS /IFRS /CRB10) - lucianakramer@gmail.com
Neli Miotto (Banco de Livros) - neli.miotto@bancossociais.org.br
Karin ZANONA CASELLI (SESI RS) - karin.caselli@sesirs.org.br
Resumo:
O Dia da Leitura SESI é um projeto de promoção e incentivo à leitura que ocorre anualmente,
em abril, no Rio Grande do Sul por iniciativa do SESI-RS. O projeto tem o objetivo de motivar
as pessoas para leitura de literatura, a intenção é que todos parem para ler algo que não
esteja diretamente ligado ao trabalho ou escola. O projeto é realizado por meio de mobilização
e diversos parceiros que, juntamente com o SESI, desenvolvem atividades tais como: troca de
livros, contação de histórias, saraus literários, declamação de poesia, leituras em grupo,
exposições, distribuição de material de leitura (flyers e folhetos com textos selecionados). O
projeto ocorreu pela terceira vez em 2017 e alguns resultados observados são o aumento da
procura pelas bibliotecas do SESI além do estabelecimento de projetos permanentes de leitura
entre o SESI e parceiros.
Palavras-chave: Leitura. Literatura. Incentivo à Leitura. Dia Internacional do Livro.
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

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�ODS: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover
oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.

O Dia da Leitura SESI é um projeto de promoção e incentivo à leitura que ocorre
anualmente no Estado do Rio Grande do Sul, sendo iniciativa do Serviço Social da
Indústria deste Departamento Regional (SESI-RS). Em 2017 houve sua terceira edição.
O projeto tem o objetivo de motivar as pessoas para leitura de literatura, contribuindo
para o conhecimento e para a elevação dos índices de Leitura no Estado. Em alusão
ao Dia Internacional do Livro, comemorado em 23 de abril, o projeto ocorre na mesma
data. A intenção é que neste dia todos parem para ler algo que não esteja diretamente
ligado ao trabalho ou escola, seja romance, crônica, poesia, jornal, revista, etc.
Como forma de amparar nosso projeto nos reportamos, primeiramente, às reflexões de
Soares (2009, p. 22). A autora discorre acerca de três possíveis tipos de leitura: “[...] a
leitura funcional – aquela por meio da qual conseguimos as informações e os
conhecimentos necessários para que participemos de forma plena dos eventos de
letramento que ocorrem na vida cotidiana [...]”, em segundo lugar a “[...] leitura de
entretenimento – aquela que representa uma forma de lazer [...]” e, por fim, a “[...]
leitura literária – aquela que questiona a significação, que busca sentido, que persegue
o valor mutante e mutável da palavra, que é dirigida pelo estético [...]”. A autora afirma,
ainda, que não são leituras excludentes, uma vez que podem se relacionar e
interseccionar, por exemplo: em dado momento e para determinado sujeito, a leitura
funcional também é um momento de lazer. Assim como o texto literário é, sem dúvida,
um texto de entretenimento. Por outro lado, o texto literário pode ser uma leitura
funcional, quando o lemos com objetivos acadêmicos. A autora conclui então,
afirmando que “A diferença fundamental não está propriamente no texto, está em quem
lê, em para que lê, e, consequentemente, no modo de ler. Os três tipos de leitura são
os modos de ler.”
Pode-se inferir, a partir das afirmações da autora, que a literatura funcional, por
princípio, estaria a serviço de determinada situação prática da vida: pegar um ônibus,
compreender um contrato, realizar uma pesquisa acadêmica, etc. Portanto, uma leitura
utilitária. E a leitura de entretenimento, aliada e talvez evoluindo para a leitura literária,
estão a serviço do ser humano, são uma fonte de lazer e prazer. Mas, afinal:
Para que serve a [literatura de] ficção? Tem alguma utilidade, alguma
funcionalidade na formação de uma pessoa [...]? Todos nós, homens
e mulheres, vamos ao dicionário para saber sobre as palavras, aos
livros de ciência para saber ciência, aos jornais e às revistas para ler
notícias da atualidade e aos cartazes de cinema para saber os filmes
que estão passando. Mas onde vamos quando queremos saber de
nós mesmos? Nós, os leitores, vamos à ficção para tentar
compreender, para conhecer algo mais acerca de nossas

�contradições, nossas misérias e nossas grandezas, ou seja, acerca do
mais profundamente humano. (ANDRUETTO, 2012, p. 53-54).

A reflexão acima nos dá conta da convicção de que a literatura/ficção não tem sentido
prático em nossas vidas, como o faz a leitura funcional ou utilitária, mas tem função
fundamental na formação do humano. Se até aqui é possível estabelecer que a
leitura então proporciona uma maior compreensão de nossa própria existência e
subjetividade, também já é sabido que a leitura nos fará entender melhor também o
outro e o mundo. Ler torna as pessoas mais empáticas. É o que afirma pesquisa
publicada em 2013, pelos autores Kidd e Castano na revista Science. Eles afirmam que
“A capacidade de identificar e entender o estado subjetivo do outro é um dos mais
impressionantes produtos da evolução humana [...]” e que uma forma de aprimorar esta
capacidade é ler literatura de ficção. (KIDD; CASTANO, 2013, p. 377, tradução nossa).
Ainda, como forma de justificar a relevância do projeto, também nos reportamos à
Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que em 2015 teve sua quarta edição. Nesta
edição da pesquisa foi constatado que “[...] 56% da população brasileira com 5 anos ou
mais é considerada leitora de acordo com os critérios da pesquisa (ter lido ao menos
um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores à pesquisa).” (INSTITUTO
PRÓ-LIVRO, 2016, p. 128, grifo nosso). Destacamos a expressão “em partes”, pois
acreditamos que o critério figure distorcido quando pensamos em leitura de literatura,
retomando nosso objetivo de promoção da leitura e formação de leitores. A leitura em
partes nos parece muito mais pertinente a livros didáticos, técnicos, em outras
palavras: leitura funcional.
Nesta perspectiva, nossa atenção se volta para a média de livros lidos nos últimos 12
meses pelo brasileiro: 4,96, no entanto, destes, somente 2,43 são livros inteiros. O
índice fica ainda menor quando questionados os livros de literatura: em relação àqueles
lidos por vontade própria, a média não perfaz dois livros (1,26) e quando
recomendados pela escola, não se alcança sequer um livro (0,42). (INSTITUTO PRÓLIVRO, 2016). Assim, partindo da perspectiva de que a leitura literária, bem como a de
entretenimento (no entendimento de que ambas teriam potencial de humanização e
subjetivação do indivíduo) a realidade da pesquisa torna-se potencialmente
preocupante.
Outro dado apontado pela pesquisa reflete a realidade das bibliotecas brasileiras:
quando questionados sobre onde buscam por seus livros, somente 7% dos
respondentes afirmam retirar livros emprestados em bibliotecas públicas ou
comunitárias e 18% nas bibliotecas escolares. Não nos deteremos a situação das
bibliotecas escolares brasileiras, mas apontamos que, segundo dados do Sistema
Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), em 2015 apurou-se que existiriam “[...] 6102
bibliotecas públicas municipais, distritais, estaduais e federais, nos 26 estados e no
Distrito Federal”. (SNBP. [2015], online). Portanto, com média de 1,09 bibliotecas

�públicas por município brasileiro, não nos causa surpresa o fato de o leitor procurar
suas leituras primeiramente em livrarias, internet, empréstimo com outras pessoas, etc.
(INSTITUTO PRÓ-LIVRO, 2016).
É na expectativa de contribuir na mudança desta realidade que o Dia da Leitura SESI
nasce, em 2015, como um projeto anual, mas que busca estabelecer redes de leitura
permanentes. Já em sua primeira edição foi possível realizar o engajamento de mais de
190 mil pessoas, em todo o Estado. Sua segunda edição, em 2016 alcançou o total de
331 mil pessoas e, finalmente em 2017, foram aproximadamente 280 mil.
Para a realização do projeto a equipe de Bibliotecárias e Assistentes de Biblioteca da
rede de Bibliotecas do SESI (que hoje estão presentes em 25 municípios gaúchos)
realizam o planejamento das ações e a promoção do evento cerca de cinco meses
antes de sua realização. Como parceiros-chave, buscam-se todas a Secretarias
Municipais de Educação, Secretaria Estadual de Educação, Sistema de Bibliotecas
Públicas Estaduais, além de indústrias com sede no RS, uma vez que nosso público
alvo é o industriário e seus dependentes. A partir de 2016 também foram inseridos
como parceiros algumas empresas de Transporte, dentre elas os Trens Urbanos
(TRENSURB) que circulam na Região Metropolitana de Porto Alegre, interligando seis
cidades; o Catamarã (que faz ligação da capital com a cidade de Guaíba); além de
ônibus de circulação urbana da capital e algumas empresas intermunicipais, com saída
da rodoviária de Porto Alegre. Em 2017 os novos parceiros foram os dois times de
futebol mais tradicionais do estado (Grêmio e Internacional), uma estação de Pedágio e
a Superintendência dos Serviços Penitenciários do RS.
Além de parceiros-chave, cada unidade do SESI que conta com Biblioteca faz a
articulação do projeto em sua comunidade, proporcionando programações das mais
variadas, cujas principais atividades são: troca de livros, contação de histórias, saraus
literários, declamação de poesia, leituras em grupo, exposições, distribuição de material
de leitura (flyers e folhetos com textos selecionados).
O material de leitura para distribuição é elaborado com base em seleção de textos
literários voltados ao público envolvido. A seleção é feita por bibliotecárias, com
critérios de faixa etária, qualidade do texto e pertinência ao público: há uma
preocupação que o texto literário converse com a realidade do leitor, sobretudo quando
se pensa no industriário “chão de fábrica”. O design gráfico é elaborado por agência de
publicidade e é feita impressão de tiragem que atenderá as Unidades do SESI-RS e as
indústrias que aderirem ao projeto. Aos demais parceiros são enviados materiais
digitais de leitura, com conteúdo praticamente igual ao impresso, porém com maior
quantidade de textos. O material distribuído é totalmente gratuito.

�No entanto, o projeto busca ser muito mais do que meramente um dia para ler e,
sobretudo, não é nossa intenção que a leitura esteja restrita ao material distribuído pelo
SESI-RS. Muito mais que um mobilizador para leitura no dia “D”, a intenção é que a
leitura se torne parte do cotidiano do gaúcho, conforme afirma o diretor superintendente
do SESI-RS:
Acreditamos que a leitura é prática sociocultural que deve estar
inserida em um conjunto de ações sociais e culturais e não
exclusivamente escolarizadas e restritas ao ambiente escolar. Neste
sentido, tentamos construir oportunidades para ampliar o encontro
entre leitores e livros. (SESI, 2015, online).

Neste sentido, os resultados têm aparecido por meio de alguns relatos. Escolas estão
incorporando “momentos” de leitura no seu dia a dia. Mais industriários procuram se
associar em nossas bibliotecas. Alguns municípios se tornaram parceiros permanentes,
como no caso de Rio Grande, ao sul do estado, que realiza mensalmente atividades de
troca-troca de livros na praça municipal, em ação conjunta da prefeitura e SESI. A partir
do Dia da Leitura SESI, também, o SESI celebrou termo de parceria com a
TRENSURB, estabelecendo que uma vez ao mês, em todas as cidades em que circula
o trem, haverá uma sessão de contação de histórias para crianças de escolas públicas.
Confiante com a repercussão do projeto até o momento, mas, comprometido em fazê-lo
crescer ainda mais é que o SESI permanecerá investindo e realizando o Dia da Leitura
SESI, bem como seus demais projetos relativos ao incentivo à leitura.

Referências
ANDRUETTO, María Teresa. Por uma leitura sem adjetivos. São Paulo: Pulo do
Gato, 2013.
INSTITUTO PRÓ-LIVRO. Retratos da Leitura no Brasil. 4ª ed. São Paulo, 2016.
Disponível em:
&lt;http://prolivro.org.br/home/images/2016/Pesquisa_Retratos_da_Leitura_no_Brasil__2015.pdf&gt;. Acesso em: 30 maio 2017.
KIDD, David Comer; CASTANO, Emanuele. Reading Literary Fiction Improves Theory
of Mind. Science, Washington, DC, v. 342, n. 6156, Oct. 3 2013, p. 377-380.
SESI-RS. Sesi promove Dia da Leitura. 2015. Disponível em:
&lt;http://www.sesirs.org.br/pt-br/noticia/sesi-promove-dia-da-leitura&gt;. Acesso em 10 jun.
2017.
SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS – SNBP. Dados das Bibliotecas
Públicas no Brasil. [2015]. &lt;http://snbp.culturadigital.br/informacao/dados-dasbibliotecas-publicas/&gt;. Acesso em 10 jul. 2017.

�SOARES, Magda. O jogo das escolhas. In: MACHADO, Maria Zélia Versiani; PAIVA,
Aparecida; MARTINS, Aracy Alves; PAULINO, Graça (Org). Escolhas (literárias) em
jogo. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. p. 19-34

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