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                  <text>Leitura juvenil e a socidade da pressa
Andréa Pereira dos Santos (UFG) - andreabiblio@gmail.com
Resumo:
Vive-se na chamada sociedade da pressa. Entretanto, além da pressa, esse mundo é carregado
de imagens, informações, leituras. Em meio a esse turbilhão chamado de globalização, existe a
juventude. Dessa forma, propõe-se a discutir a relação do jovem com a leitura na sociedade da
pressa a partir de algumas entrevistas feitas no Colégio Estadual Genesco Ferreira Bretas.
Conclui-se que apesar das falas não mostrar claramente suas práticas de leitura, percebe-se
que elas podem estar presentes, mas em outros formatos diferentes do livro.
Palavras-chave: Práticas de leitura. Juventude e leitura
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017
Eixo Temático: 1 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
ODS: 4
Resumo expandido
Introdução
A leitura é, numa visão semiológica, um imperativo. Todos os sujeitos
deste mundo, rodeado de coisas por todos os lados, compelidos a se defender
dos diferentes impulsos provenientes de artefatos materiais e simbólicos da
propaganda, da publicidade e do marketing; lançados em espaços cheios de
sinais são sugeridos a interpretar, a cada minuto, um sem-fim de informações
conforme havia ponderado Barthes (1987). Ler é, assim, um mecanismo da ação
social.
Todavia, um paradoxo se coloca: quanto mais o sujeito contemporâneo
se vê na obrigação de interpretar coisas e situações mais a pressa, como
característica central deste tempo, impede que o faça com esmero e com
profundidade. Ao vislumbrar este paradoxo, poder-se-ia perguntar: como formar o
leitor na sociedade da pressa?
Dessa forma, propõe-se a discutir a relação do jovem com a leitura na
sociedade da pressa a partir de algumas entrevistas feitas no Colégio Estadual
Genesco Ferreira Bretas em Goiânia-Goiás.
Método da pesquisa:
Para a efetivação deste trabalho, partindo dos pressupostos de que “a
leitura do texto produz o texto da leitura” - e de que “todo dizer é um trânsito entre
o simbólico e o político” – serão apreciados, por meio da metodologia História de
Vida, textos que revelam a leitura de jovens alunos da periferia proletária de
Goiânia, mais precisamente alunos adolescentes na faixa etária de 11 a 16 anos
do Colégio Estadual Professor Genesco Ferreira Bretas em Goiás.
Pediu-se para que esses sujeitos escrevessem o modo como vêem a sua
vida a partir do seu lugar na escola. Os textos foram feitos com a sua inteira
disposição e liberdade para que, posteriormente, pudéssemos avaliar a sua
postura de leitor de si mesmo e do mundo radicados no ambiente escolar.
Para aprofundar a interpretação da leitura feita pelo jovem aluno
apresentaremos motes que estão presentes na produção da subjetividade
contemporânea. Serão apresentados também princípios sobre o mundo da
juventude atual, seus impasses e suas possibilidades.
Resultados

�Espelhada em espaços fluídicos, determinada pela aceleração do
tempo, efetivada sob o suporte de meios que alteram o conteúdo da comunicação
em forma de simultaneidade; exemplificada no financeirismo da bolsa de valores
e gestada pelos sistemas abstratos e impessoais dos meios tecnocêntricos, essa
sociedade transforma os atributos que produzem a subjetividade do sujeito – e
lhes fazem perplexos. Geralmente, comandado pelo ritmo das metrópoles,
obrigado a se inserir em padrões moduláveis e flexíveis do trabalho, entregue a
imposição do mercado organizado em nível mundial, o sujeito é cada vez mais
complexo como é o objeto de sua leitura: o mundo atual.
Em se tratando da juventude, sujeito que, pela etariedade e pelo grau de
socialização em que se situa, necessita de formar gostos, hábitos, princípios e
métodos de leitura, essa complexidade parece brutalizar mais os conflitos.
Irradiados pela cultura juvenil – ou pelo que se tem denominado juvenilização do
mundo – o jovem é taxado de indisciplinado, ansioso, inconsistente. Apedrejado
no campo das representações sofre impulsos de toda sorte. É chamado a
consumir coisas e símbolos que são voláteis, assim como lhe é exigido para obter
trabalho, emprego ou profissão, uma qualificação que seja capaz de enfrentar as
tramas de um mundo globalizado.
Essas assertivas, por certo, declaram que há um novo sujeito com outro
dispositivo perceptivo e mental. Da mesma maneira, que há outros tipos de
objetos de leitura e outras situações em que ocorrem – e devem ocorrer. O sentido
histórico do leitor e do mundo que se lhe apresenta à leitura é patente e seiva para
dirimir os meios de refletir o assunto diante dos desafios contemporâneos.
Pode-se dizer que entre o sujeito que lê e o objeto que é lido há um
atravessamento histórico-espacial. Se a essência da leitura é a produção de
sentido conforme declara Orlandi (1988) a multiplicidade de objetos correspondem
a variedade de sujeitos que lê, como há, também, uma multiplicidade de modos de
leitura. Pode-se dizer que há leitores e leituras, interpretações e resultados – no
plural.
A LEITURA DA VIDA NA ESCOLA DA PERIFERIA
A partir do grupo de estudo “Espaço, Sujeito e Existência” várias pesquisas
e estudos foram feitos. Muitos desses estudos e das pesquisas tiveram apoio em
trabalhos de componentes que participam direta ou indiretamente do grupo. Para
efeito desse trabalho foram selecionados 5 (cinco) textos de jovens de 11 a 17
anos da região noroeste de Goiânia, conhecida como um território de população
com baixa renda.
O resultado do trabalho foi utilizado na disciplina Demografia, inserida no
curso de Geografia do Instituto de Estudos Socioambientais, da Universidade
Federal de Goiás. Parte dos estudos serviu para que fizesse um evento de
formação de leitores juntamente com profissionais do curso de Biblioteconomia da
Universidade Federal de Goiás, em que se promoveu, até o presente momento, 8
(oito) eventos mirando questões de leitura.
A partir dos relatos de história de vida dos alunos do Colégio Genesco
Ferreira Bretas, podemos perceber que a leitura (pelo menos a ideia que eles tem

�de leitura) não está incluída na história de vida deles. Entretanto devemos analisar
a questão “leitura” por vários focos.
A primeira questão é a leitura praticada na escola ou para a escola. Na
história de vida não ficou claro qual é a relação das atividades extra-classe com o
dia a dia dos alunos. Eles focaram muito em atividades que eles fazem quando
não estão na escola e em nenhuma dessas atividades falaram sobre as atividades
extra-classe. Eles focam sua participação da escola nas relações de amizade que
possuem.
Seria preciso ir mais a fundo na tentativa de tentar perceber qual é a
relação dos alunos com as leituras extra-classe. O “não falar” da leitura nos relatos
acima não quer dizer que há uma total falta dessa atividade na vida dos alunos.
Talvez a leitura que eles pratiquem não é a mesma leitura requerida pela escola,
como atividade escolar.
O “mexer no computador” é leitura. A partir do momento em que eles
atualizam e leem os perfiz deles próprios e dos outros, consultam a Internet para
alguma curiosidade, conversam com os outros pelos chats e navegam por outros
caminhos, eles estão de fato lendo. Talvez não aquilo que a escola impõe como
leitura, mas aquela leitura que os agrada.
Por serem estudantes financeiramente desfavorecidos, percebemos que o
acesso à leitura e até mesmo à bibliotecas fica comprometido. Para se ter uma
ideia, Goiânia possui apenas 3 bibliotecas públicas para atender a uma população
de um milhão e meio de pessoas. Além disso, as bibliotecas escolares também
não são realidade conforme pesquisa em andamento realizada pelo curso de
biblioteconomia da UFG1.
Ser cidadão de baixa renda, compromete também a aquisição de livros,
pois conforme a Pesquisa Retratos de Leitura no Brasil de 2016 2, quanto mais
poder aquisitivo maior o número de pessoas consideradas leitoras3.
Além disso, segundo Abreu (2001), a leitura no Brasil já surge com
diversos preconceitos por certos gêneros literários como o romance, a novela e as
demais histórias de ficção que não eram valorizados pelos letrados e eruditos da
época, que consideravam só os clássicos da antiguidade como leitura válida. Pelo
que podemos entender dos estudos de Abreu, o mesmo acontece nos dias de
hoje.
O preconceito de alguns gêneros literários se arrasta até os dias de hoje. A
esse respeito Abreu (2001) relata que as atividades escolares canonizam certas
leituras como ideiais e não consideram as outras leituras praticadas pelos alunos,
como por exemplo, as leituras que fazem dos blogs, sites de relacionamento e até
mesmo o youtube as quais foram citadas por esses estudantes.
Para Abreu (2001) os livros populares, a leitura de massa não é bem vista
pela escola. Bons são os de difícil entendimento, os canonizados. Esse receio por
1

Pesquisa em andamento. Nos resultados dessa pesquisa, os dados mostram que quase 80% das escolas
tem bibliotecas, porém 90% não possuem estrutura física, em termos de m², condizente com os parâmetros
propostos para essas instituições.
2
Disponível em: http://prolivro.org.br/home/confirme
3
Para Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil é leitor aquele que leu um livro ou parte de um livros nos
últimos 3 meses.

�parte dos educadores perdura até os dias atuais dificultando a circulação das
ideias e o aprendizado dos alunos que começam a pensar que não são leitores,
por que não lêem os livros devidos. A leitura dos brasileiros é diversificada em
relação aos conteúdos e ao suporte. De acordo com Abreu, ‘‘talvez tivéssemos
muito a ganhar se considerássemos que leituras são diferentes e não piores ou
melhores; se entendêssemos que diferença não precisa ser sinônimo de
desigualdade’’ (2001, p.156).
A partir dessas reflexões, seria interessante aprofundar melhor na
problematização das práticas de leitura praticada pela juventude hoje em dia e não
apenas considerar que essa juventude é uma geração de não leitores.
Considerações Finais ou Conclusões
Como já disse Paulo Freire, a leitura de mundo antecede a leitura do
escrito. Assim sendo é importante considerar que antes mesmo da alfabetização o
sujeito já praticava sua leitura de mundo. Essa leitura de mundo, nada mais é a
história cultural de cada um do nascimento até sua morte.
É fato que a lição vista em casa contribui para formação do sujeito desde
sua intelectualidade até seu caráter.
Entretanto, a vida muda. As tecnologias mudam e mudam também certos
pontos de vista. Com relação as tecnologias, percebemos que elas tem mudado
com uma velocidade cada vez maior e atraído bastante os jovens.
Essa atração dos jovens pelas tecnologias, em especial a Internet, tem
confundido os pais e educadores e deixando-os desconfiados. Foi o mesmo que
aconteceu quando a leitura deixou de ser feita em voz alta e passou a ser
silenciosa. Os padres naquela época ficaram bastante desconfiados (MANGUEL,
1997).
Da mesma forma como no passado com a passagem da leitura oralizada
para a silenciosa, percebeu-se uma “liberdade” maior do leitor, podendo agora,
longe dos ouvidos de quem controlava as leituras, ler o que quiser.
O mesmo acontece com a Internet. Lá pode-se navegar por diferentes
mundos e passar por diferentes caminhos, diferentes leituras.
Por fim, precisamos estudar melhor e compreender as “novas leituras” e
essas leituras dentro do espaço de pertencimento do jovem.
Referências:
ABREU, Márcia. Diferenças e Desigualdade: Preconceitos em Leitura. In:
MARINHO, Marildes (Org.). Ler e navegar: espaços e percursos da leitura. Belo
Horizonte, MG: Ceale, 2001, p.139-157.
BARTHES, Roland. A aventura semiológica. São Paulo: Ed. Martins Fontes,
1987.
CAVALCANTI, Mônica Lima. Leitura, prazer e a formação do sujeito leitor na
realidade escolar brasileira. In: V EPEAL: PESQUISA EM EDUCAÇÃO:

�DESENVOLVIMENTO, ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL. Anais.... ISSN:
19813031. Alagoas, 2010.
JOUVE, Vicent. A leitura. São Paulo: Fundação editora da UNESP, 1993.
MACHADO, Leila Domingues. Psicologia: questões contemporâneas, Vitória,
1999. Disponível em
&lt;http://www.ufes.br/ppgpsi/files/livros/Subjetividades%20contempor%C3%A2neas.
pdf&gt;. Acesso em outubro de 2012.
MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras,
1997
ORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso e Leitura. São Paulo: Ed. Cortez, 1988.
RÔSING, T. M. K.; BRISTOTT, M. I. Reflexões sobre leitura, literatura e
constituição do sujeito (leitor): as dimensões da leitura e a constituição do sujeito
(leitor). In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE LEITURA E LITERATURA
INFANTIL E JUVENIL. Anais..... Porto Alegre: PUCRS, 2009.
ROLNIK, Suely. Toxicômanos de identidade subjetividade em tempo de
globalização (1997). In: Revista eletrônica do Núcleo de Estudos da Subjetividade
– pós-graduação em psicologia clínica da PUC-SP. Disponível em: &lt;
http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/suely%20rolnik.htm&gt;.
SANTORI, Andreia et al. Leitura processo de aprendizagem. Revista Voz das
Letras, Concórdia, n. 02, jan./jul, 2005.
TAKEUTI, N. Subjetividades e vínculos sociais. In: SOUZA, I.M. Café Filosófico:
filosofia, cultura, e subjetividade. Natal: EDUFRN, 2004.

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