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                  <text>O ACESSO A INFORMAÇÃO A COMUNIDADE QUILOMBOLA DE
SÃO JOSÉ: a metodologia participativa do Instituto de Politicas
Relacionais

Dayane Cristina Souza Guimarães (UFPA) - dayane_dbv@yahoo.com.br
Resumo:
Relata a experiência do mapeamento sociocultural do Projeto Tô na Rede no estado do Pará,
potencializando a metodologia participativa do Instituto de Politicas relacionais, apontando a
experiência vivenciada pelo grupo de funcionários e servidores da biblioteca Pública Arthur
Vianna na comunidade quilombola de São José, o que possibilitou o acesso ao livro e a leitura,
que posteriormente fez com que trinta quilombolas ingressassem na Universidade Federal do
Pará.
Palavras-chave: Acesso. Informação. Projeto Tô na Rede.
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

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�XVI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
17 a 20 de Outubro de 2017

Modelo 2: resumo expandido de relato de experiência
Eixo 1: Desenvolvimento Sustentável

Resumo:
Relata a experiência do mapeamento sociocultural do Projeto Tô na Rede no estado do
Pará, potencializando a metodologia participativa desenvolvida pelo Instituto de Politicas
relacionais, apontando a experiência vivenciada pelo grupo de funcionários e servidores
da biblioteca Pública Arthur Vianna na comunidade quilombola de São José, o que
possibilitou o acesso ao livro e a leitura, que posteriormente resultou em que trinta
quilombolas ingressassem na Universidade Federal do Pará.

Introdução
O Projeto Tô na Rede se iniciou em 2014 no estado do Pará, com a parceria entre
o Sistema Nacional de Bibliotecas, Fundação Bill e Melinda Gates e realização do Instituto
de Políticas Relacionais (Organização da Sociedade Civil de interesse público) que tem
como base essencial de trabalho a identificação das necessidades das comunidades,
órgãos públicos e empresas privadas a fim de transformar em projetos e programas de
cunho culturais e sociais, disseminando e democratizando os direitos humanos através da
inclusão e fortalecimento das comunidades. O módulo Conhecer e Transformar:
mapeamento sociocultural, proporcionou uma série de encontros e a produção de novos
conhecimentos entre pesquisadores e pesquisados. Tendo o questionário utilizado no
mapeamento sociocultural do SESC de São Paulo na comunidade de Santo Amaro como
modelo para a entrevista, foi sendo analisada a dinâmica de cada grupo, suas
peculiaridades, identidades únicas e diferentes visões do território ao qual estavam
inseridos. Na comunidade quilombola de São José os desdobramentos dessa pesquisa se
deram de forma a possibilitar o acesso a informação através do acervo doado pelo
Sistema Estadual de Bibliotecas do estado do Pará, a mediação do Projeto Tô na Rede
pela metodologia participativa, proporcionou o ingresso de trinta quilombolas a
Universidade Federal do Pará.

�Relato de Experiência
O módulo de mapeamento sociocultural do Projeto Tô na Rede no estado do Pará,
fez parte da formação de seu projeto piloto de 2014 na Biblioteca Pública Arthur Vianna,
essa etapa potencializou a metodologia participativa do projeto. Construindo uma
cartografia social do modo como cada integrante da biblioteca via o território ao qual
estavam inseridos, apontando com isso grupos de artistas culturais, mestres de cultura,
ongs, Comunidades quilombolas, povos de terreiro, associações dentre outros. As
dinâmicas identitárias, sociais e culturais de cada grupo eram diferentes e ao mesmo
tempo singulares, essa formação trouxe a tona a importância da metodologia participativa
para as bibliotecas públicas, apontado a ferramenta de mapeamento como uma prática de
pesquisação, que possibilita olhar a comunidade do entorno de forma a entender suas
necessidades informacionais para além dos muros da biblioteca.
Mapas são a representação e simplificação do espaço, ele por si é a representação
cultural de um determinado lugar, estudando o universo simbólico de uma determinada
cultura e a sua relação espacial, tendo a sua representação contida sobre a ótica da
realidade e compreensão de seu idealizador. Um mapa torna dado de pesquisa aquilo que
é dinamizado na sociedade, assim como suas manifestações em seus vários aspectos. A
definição de mapa encontrada por Castro (2004,p.96) é a representação plana, numa
determinada escala, dos aspectos geográficos, naturais e artificiais de uma área tomada
na superfície de uma figura planetária, delimitada por elementos físicos e políticoadministrativos destinados aos mais variados usos temáticos, culturais e/ou ilustrativos.
O mapeamento sociocultural é a ação que visa possibilitar a compreensão de como
as pessoas ou grupos socialmente se articulam, vivem, produzem informação e se
organizam, permitindo o levantamento de informações relevantes daquilo que se quer
mapear de forma sistemática através da pesquisa da comunidade. Para a biblioteconomia
o mapeamento é uma ferramenta de mediação da informação, pois serve de instrumento
de acervo e memória, levantamento de dados relevantes para o planejamento das
atividades da biblioteca, atualiza dados de usuários potenciais, comunidades e fontes de
informação através de descrição de termos específicos de determinados grupos e na
construção de inventários. Em cada tipo de pesquisa com mapeamento a diferentes
questões a serem levantadas, cabe ao profissional mediar aquelas que possibilitaram a
melhor qualidade dos dados coletados, a objetividade da pesquisa e uma boa avaliação
dos resultados dela.
A comunidade é a principal parte do processo de mapeamento, sua prática
possibilita entender como esses grupos de usuários usam efetivamente os serviços e
produtos da biblioteca, se de modo geral ou apenas alguns deles, levantado dados
estatísticos de nível de satisfação no atendimento ao público, traçar o perfil de usuários
potenciais e a avaliação do acervo. Esses dados permitem por exemplo, visualizar
questões sócio-econômicas e demográficas das comunidades do entorno das bibliotecas
públicas. Segundo a professora Ida Regina Chitto Stumpf (1988, p.20) ''Todo serviço
criado para a comunidade deve basear-se em um estudo prévio da mesma para agir com
conhecimento de causa e garantir sua plena utilização''.

�A comunidade quilombola de São José fica localizada no quilometro 24 da estrada
da alça viária, em Belém do Pará, sendo reconhecida como comunidade Remanescente
Quilombola em 13 de Maio de 2008. O mapeamento se deu na comunidade para
entender as dinâmicas locais, as atividades desenvolvidas pela comunidade e a relação
com o espaço da Biblioteca Pública Arthur Vianna, o encontro com o grupo de servidores
e funcionários da biblioteca foi marcado pela troca de vivências e conhecimento. A
comunidade possui uma grande organização em todos os seus aspectos, logo o grupo em
formação percebeu o grande potencial da comunidade em questões como; educação,
politica, religião e meio ambiente.
A comunidade manifestou o desejo de construir um ponto de leitura para atender
as escolas, a igreja local e os outros doze quilombos de seu entorno, o diálogo com o
grupo de servidores e funcionários se deram de forma a planejar como seria a mediação
entre a biblioteca e os lideres quilombolas, para a construção desse espaço na
comunidade. Nesse contexto o grupo de pesquisadores logo pode refletir quanto a missão
da biblioteca pública de estender o mais democraticamente seus serviços e produtos, de
forma a atuar ativamente como equipamento público capaz de melhorar a qualidade de
vida da comunidade a qual está inserida. Assim sendo, os profissionais que nela atuam
devem ter em vista a importância de suas práticas mediadoras no acesso à informação,
pois elas impactam de forma direta no desenvolvimento social nos temas relevantes
comuns à comunidade como: moradia, trabalho, economia, politica, cidadania, educação,
direito, acessibilidade e cultura. De acordo com Varela (2007, p.29),
“A informação é fator vital tanto para a subsistência do individuo como da
sociedade. O grau de desenvolvimento de uma sociedade pode ser evidenciado
pela qualidade de informação disponível para a sua comunidade.”

Em 2015 o Sistema Estadual de Bibliotecas do Pará foi a comunidade para uma
visita técnica, buscando entender suas reais demandas e articular de que forma poderia
estar mediando a construção desse espaço para a comunidade. Posteriormente foi
entregue a comunidade pelo Sistema estadual dois mil títulos, para iniciar seu acervo,
todos selecionados de acordo com as necessidades informacionais vistas no modulo de
mapeamento do Projeto Tô na Rede. Em 2016 jovens da comunidade prestaram
vestibular, utilizando para estudos o acervo doado, o que possibilitou trinta aprovações no
vestibular da Universidade Federal do Pará

�Considerações Finais ou Conclusões:
As bibliotecas públicas enquanto organismos públicos de prestação de serviços
e produtos a comunidade, tem passado por grandes desafios com relação aos
paradigmas que permeiam o uso das novas tecnologias da informação e comunicação.
Tendo os profissionais das bibliotecas como mediadores da liberdade de acesso a
informação, cabe a eles entender qual a tecnologia que melhor atenderá seus usuários.
Novas ferramentas e metodologias de mediação de informação, possibilitam novas
posturas e formas de trabalho para os profissionais de bibliotecas.

Palavras-chave: Acesso. Informação. Projeto Tô na Rede.

Referências:
CASTRO, F.V. Instituto de Geociências. Cartografia Temática. Minas Gerais:
Universidade Federal de Minas Gerais, 2004.
DO VAL, Ana Paula; GREEB, Daniela; LABIGALINI, Vanessa. Tô Na Rede: Metodologia
Participativa para Bibliotecas Públicas. São Paulo : Instituto de Politicas Relacionais,
2015.
VARELA, Aida. Informação e construção da cidadania. Brasília: Thesaurus, 2007.
STUMPF, Ida Regina Chitto. Estudos de Comunidades visando à criação de
bibliotecas. Revista Biblitecon &amp; Comun, n.3, p. 17-24, jan / dez.1988.

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