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                  <text>POLÍTICAS DE INCLUSÃO DE ACESSIBILIDADE PARA A
PROMOÇÃO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: UM OLHAR
PARA A BIBLIOTECA CENTRAL DA UFMS

Lilian Aguilar Teixeira (UFMS) - teixeiralili@gmail.com
Tânia Regina de Brito (UFMS/UFSC) - taniacgms@gmail.com
Jaziel Vasconcelos Dorneles (UFMS) - jvdorneles@gmail.com
Rogério Ferreira Marques (UFPB) - rogerioferreiramarques1@gmail.com
Resumo:
Aborda questões de acessibilidade de pessoas com deficiência na biblioteca central da
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), realiza um levantamento das políticas
existentes no Brasil, com um check list considerando como referência a NBR 9050/ 2015,
visando identificar o que está implantado na biblioteca. Faz uma reflexão sobre como o
atendimento à lei pode contribuir para a promoção da competência em informação. Os
resultados apontam que deve existir uma parceria da biblioteca com a Divisão de Acesso as
Ações Afirmativas (DIAAF) e que algumas adequações devem ser realizadas para permitir que
as pessoas com deficiência realizem seus estudos e pesquisas com maior autonomia e
independência.
Palavras-chave: Acessibilidade. Biblioteca
Pessoas com deficiência.

Universitária.

Competência

Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

em

Informação.

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.
Eixo temático: 1

ODS: 4

Introdução:
A política de inclusão das pessoas com deficiência no Brasil existe desde a
Constituição de 1988. Desde então, inúmeras leis, decretos e normas foram
criados para regulamentar, integrar e promover a igualdade e a acessibilidade das
pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Mas é a Lei Nº 13.146 de 6
de julho de 2015 que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência, conhecida também como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a
qual foi “[...] destinada assegurar e a promover, em condições de igualdade, o
exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência,
visando à sua inclusão social e cidadania.” (BRASIL, 2015, art. 1º, p. 2).
Desde 2013 a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vem
planejando ações que foram implementadas pelo Plano de Desenvolvimento
Institucional 2015-2019, que instituiu políticas de acessibilidade que garantissem
aos alunos o ingresso, a permanência e conclusão dos seus cursos de graduação
e de pós-graduação. Tais políticas abrangem estudantes com “[…] impedimento
físico, sensorial, mental/intelectual, deficiências múltiplas, transtornos mentais,
bem como aqueles com altas habilidades/superdotação”. (UFMS, 2016, p. 214).
Dentre as 11 diretrizes gerais para as políticas de inclusão da UFMS, uma
delas contempla a “adequação das bibliotecas da UFMS às normas de
acessibilidade.” (UFMS, 2016, p.214). Tal indicativo instigou os autores a propor
ações que visem adequar as bibliotecas da UFMS às políticas de acessibilidade
vigentes no Brasil, refletindo sobre a influência que podem exercer na promoção
da competência em informação.
Atualmente, a UFMS possui em torno de 18.691 alunos regularmente
matriculados, abrangendo a unidade de Campo Grande e os 10 campi do interior.
Deste total de alunos, 667 possuem alguma deficiência: deficientes auditivos (74),
surdez (5), deficiente visual /baixa visão (547) 1, deficiente visual /cegueira (1),
deficiente física (31), deficiente intelectual /mental (3), deficiência múltipla (1), altas
habilidades /superdotação (5).
Destacamos que só em Campo Grande são 392 casos de alunos que
possuem alguma deficiência, sendo que todos eles são usuários potenciais da
1 Estes dados devem ser considerados com ressalvas, pois muitos alunos que se autodeclararam
deficientes visuais e com baixa visão não foram confirmados com essa deficiência em entrevista
realizada pela DIAF. (UFMS, 2016, p.211).

�biblioteca, justificando a importância de um estudo mais abrangente com essa
comunidade para identificar suas necessidades de acessibilidade.
Em ambientes educacionais, principalmente em órgãos públicos como a
Biblioteca Central da UFMS, a acessibilidade é uma questão sobre a qual deve-se
ter extrema atenção. É preciso que seja um espaço que contribua para a redução
da desigualdade, proporcionando ambientes de aprendizagem seguros e abertos,
com infraestrutura, mobiliários, sistemas e equipamentos adequados para
utilização por pessoas com deficiência (PcD) ou com mobilidade reduzida, com
segurança e autonomia. Além disso, a lei prevê que a concepção de produtos,
ambientes, programas e serviços devem atender aos princípios do desenho
universal, que permite “serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de
adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva”.
(BRASIL, 2015, artigo 8º, §1º). Deste modo, o objetivo do trabalho é contribuir
para o fortalecimento da política de inclusão da biblioteca da UFMS.
Método da pesquisa:
O presente trabalho caracteriza-se por um estudo de caso com enfoque
qualitativo, realizado por meio de um levantamento dos aportes legais sobre o
assunto, consultando leis, portarias, resoluções, decretos e relatórios, bem como
sites das bibliotecas da UNICAMP e UFSC, modelos de bibliotecas com políticas
de acessibilidade, a fim de verificar as políticas existentes na questão da
acessibilidade no ambiente da biblioteca da UFMS.
Também foi utilizada a observação direta pelos autores a partir das
exigências da NBR 9050/2015.
Resultados e discussão:
O Estatuto da Pessoa com Deficiência considera como PcD, “[…] aquela
que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou
sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as
demais pessoas.” (BRASIL, 2015, art. 2º, p. 2).
O fato de incluir alunos com deficiência na educação superior torna-se um
desafio. Chauí (2003) lembra que a universidade tem a obrigação de realizar um
papel democrático junto à sociedade e sempre posicionar-se contra a exclusão
social e a privatização dos conhecimentos. Nesta percepção, as bibliotecas
universitárias, devem estar alinhadas a esta realidade.
Seguindo orientações da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas
(ONU), para o desenvolvimento sustentável, é necessária uma educação inclusiva

�e de qualidade, destacando a aprendizagem ao longo da vida como mecanismo
para sistemas equitativos de educação.
O documento da ONU (2015, p. 23) ainda prevê no item 4.5 que as
disparidades de gênero na educação deverão ser para todos os níveis de
educação e formação profissional, incluindo os mais vulneráveis, como pessoas
com deficiência, povos indígenas e crianças em situação de vulnerabilidade. Ainda
neste sentido, o tópico 4a declara que é necessária a construção e melhorias das
instalações físicas que sejam, dentre outros aspectos, apropriadas e sensíveis às
deficiências e ao gênero, proporcionando ambientes de aprendizagem seguros e
inclusivos para todos.
Por outro lado, e parte da mesma cadeia e pensamento global de
desenvolvimento da humanidade e do indivíduo enquanto cidadão livre, crítico e
capaz de se posicionar perante o ambiente em que vive, lembra-se que a
competência em informação é ferramenta imprescindível de enfrentamento contra
a vulnerabilidade social, sendo considerada um direito humano básico,
promovendo a inclusão social em todas as nações (IFLA, 2005)
As limitações de quaisquer naturezas, das consideradas neste artigo, em
geral influenciam a maneira como os sujeitos têm acesso à informação. A estes
não se pode negar, dificultar ou negligenciar que tenham as suas necessidades
informacionais sanadas. Ao contrário, a sociedade como um todo, e em especial
as universidades e mais especificamente as bibliotecas devem ter um plano de
ação para que estejam equipadas e preparadas, tanto fisicamente quanto às
questões que envolvam o atendimento especializado deste usuário, para que se
exerça o direito de cidadania, evitando um sistema de reprodução de
desigualdades e desvantagens sociais.
No Brasil citamos como modelos de referência o Laboratório de
Acessibilidade da UNICAMP, criado em 2002, com uma sala de acesso à
informação, coordenada por uma Bibliotecária e o laboratório de apoio didático e
tecnológico, coordenado por uma pedagoga, ambos localizados no espaço da
biblioteca. (UNICAMP, 2016). Também na biblioteca central da UFSC, o Ambiente
de Acessibilidade Informacional criado em 2010, tem o objetivo de atender de
forma exclusiva os estudantes da instituição que apresentam alguma deficiência.
(UFSC, 2016)
Em ambos os exemplos, os serviços oferecidos são: leituras e digitalização
de material didático, disponibilização de tecnologia assistiva, áudio-books e livros
em braile, realização de impressões e computadores com softwares específicos.
A NBR 9050 estabelece critérios a serem observados para que se tenham
condições de acessibilidade. A partir de uma análise de alguns itens constantes na
referida norma, percebe-se que alguns espaços na biblioteca da UFMS foram
projetados a fim de atender as pessoas com deficiência e outros precisam de
adaptação:

�Quadro 1 - Acessibilidade na Biblioteca Central conforme NBR 9050/2015
NBR 9050
Sim
Acesso a internet (10.16.6)
x
Balcão (9.2)
Bebedouro (8.5)
x
Parcial (falta distância para
Corredores entre estantes (10.16.3)
manobra)
Elevador (6.10.2)
x
Mesas acessíveis (10.16.2)
x
Piso tátil externo (5.4.6.4)
x
Porta nos padrões (6.11.2)
Publicações em Braille (10.16.5)
Parcial
Terminais de consulta e autoempréstimo (10.16.1)
x
Fonte: Elaboração própria (2017)

Não
x

x

Considerações Finais ou Conclusões:
Os resultados apontam que a UFMS possui a Divisão de Acessibilidade e
Ações Afirmativas (DIAAF), unidade responsável pelo desenvolvimento de ações
que promovem a acessibilidade e a política afirmativa, porém há a necessidade de
desenvolver parcerias com a biblioteca para permitir que as necessidades
educacionais especiais sejam garantidas, sendo possível que a PcD possa
realizar seus estudos e pesquisas com maior autonomia e independência.
Sendo assim, a biblioteca precisa estar preparada em todos os aspectos
para promover a tecnologia assistiva dentro dos padrões do desenho universal,
principalmente em relação aos produtos e serviços oferecidos aos seus usuários,
de forma que contemple a todos, sem distinção ou diferenciação que impeça ou
limite a participação social de qualquer pessoa, eliminando todo tipo de barreira,
seja atitudinal, comportamental, tecnológica ou nas comunicações e na
informação (BRASIL, 2015, art. 3º, IV).
Propomos então, a criação de um grupo de acessibilidade para articular as
ações de implantação na biblioteca, podendo esse ser coordenado por um
servidor da DIAAF, que também fará a capacitação dos servidores, atendendo ao
Decreto 3298/99, que prevê além da integração da PcD, a formação de recursos
humanos para atendê-la.
Portanto, justificam-se investimentos em treinamento, adequações na
infraestrutura, mobiliários e equipamentos acessíveis visando a eliminação de
barreiras, sobretudo a atitudinal, em consonância com o Estatuto da Pessoa com
Deficiência, que se destina a assegurar e a promover, em condições de igualdade,
o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência,
visando a sua inclusão social.
Também apontamos a necessidade das bibliotecas da rede da UFMS em
atualizar seus acervos com livros e outros materiais bibliográficos em formatos
acessíveis, oferecendo com isso, maiores condições para que esses usuários
utilizem dados e informações para gerar novos conhecimentos.

�Entendemos que as ações propostas contribuem para a promoção da
competência em informação, como parte de ações educativas de uma biblioteca,
constituindo-se em instrumento de resistência pacífica contra toda ordem de
mazelas que possam colocar em xeque a existência de equilíbrio de um indivíduo
e o seu convívio em paz perante a sociedade.
Referências:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 3. ed. Rio de Janeiro, 2015.
BRASIL. Decreto 3298 de 20 de dezembro de 1999. Dispõe sobre a Política Nacional
para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Disponível em: &lt;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm&gt;. Acesso em: 03 maio 2017.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da
Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 7 jul. 2015. Disponível em:
&lt;http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?
data=07/07/2015&amp;jornal=1&amp;pagina=2&amp;totalArquivos=72&gt;. Acesso em: 10 jun. 2017.
CHAUÍ, M. A universidade pública sob nova perspectiva. In: Conferência de abertura da
26 reunião anual da ANPED, Poços de Caldas, 5 de outubro de 2003.
IFLA – International Federation of Libraries Associations and Institutions. Declaração de
Alexandria sobre competência Informacional e aprendizado ao longo da vida. In:
National Fórum on Information Literacy, 2005. Disponível em:
&lt;www.ifla.org/III/wsis/BeaconInfSoc-pt.html&gt;.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Transformando nosso mundo: a
Agenda 2030. ONU: Nova Iorque, 2015. Disponível em: &lt;https://nacoesunidas.org/wpcontent/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf&gt;. Acesso em: 26 abr. 2017.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS . Disponível em:
&lt;http://www.todosnos.unicamp.br:8080/lab/&gt;. Acesso em: 02 maio 2017.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Relatório de Gestão do
exercício de 2016. Campo Grande, 2017.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Disponível em:
&lt;http://portal.bu.ufsc.br/conheca-a-bu/administrativo/estrutura-organizacional/dau/aaiacessibilidade/&gt;. Acesso em: 02 maio 2017.

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