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                  <text>Políticas públicas para população LGBT: proposição de uma ação
de informação no Laboratório de Tecnologias Intelectuais - LTi

Raimundo Nonato Ribeiro dos Santos (UFC) - nonatobiblio@gmail.com
Isa Maria Freire (UFPB) - isafreire@globo.com
Resumo:
Esta comunicação faz parte de pesquisa com o objetivo de investigar a existência de políticas
públicas voltadas para a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros
(LGBT) no âmbito do Poder Executivo das unidades federativas que compõem o Brasil (26
estados mais o Distrito Federal), bem como identificar os órgãos responsáveis e, a partir dos
resultados, propor uma ação de informação no âmbito do Laboratório de Tecnologias
Intelectuais (LTi).
Palavras-chave: Diversidade sexual. Políticas públicas. Informação.
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�ODS 10: Redução das desigualdades
Introdução
Esta comunicação faz parte de pesquisa com o objetivo de investigar a existência de
políticas públicas voltadas para a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transgêneros (LGBT) no âmbito do Poder Executivo das unidades federativas que
compõem o Brasil (26 estados mais o Distrito Federal), bem como identificar os órgãos
responsáveis e, a partir dos resultados, propor uma ação de informação no âmbito do
Laboratório de Tecnologias Intelectuais (LTi).
A priori, consideram-se as reflexões epistemológicas de Freire (2001) e Wersig e
Nevelling (1975) acerca da responsabilidade social da Ciência da Informação. Nesse
sentido, seu objeto de estudo ‒ a informação ‒ consiste em fator essencial de
empoderamento, identidade e cidadania para todos os grupos de sujeitos sociais, com
ênfase para as minorias sociais que estão à mercê do preconceito e da discriminação.
A sociedade contemporânea tem presenciado rupturas de paradigmas e o repensar das
concepções normativas, inclusive àquelas ligadas às identidades de gênero e
sexualidade. Um desses momentos históricos situa-se em 28 de junho de 1969, quando
se inicia a Revolta de Stonewall em Nova York (EUA), onde grupos de lésbicas, gays,
bissexuais, travestis e transgêneros entraram em confronto com a força policial da
cidade. A década de 1970 se caracteriza pela organização do movimento homossexual,
tendo como bandeira de luta a despatologização e a descriminalização das sexualidades
não normativas. Percebeu-se a necessidade imperiosa de reconfigurar visões
hegemônicas, as quais, por tanto tempo, vinham perpetuando desigualdade,
discriminação, ódio e até mesmo mortes. Segundo palavras de Espíndola (2015, p.2), é
o momento de instauração da possibilidade de “diversidade de pensamentos e a
pluralidade de atores incluindo as minorias sociais, políticas e sexuais”.
Adiante, os anos 1980 são marcados pela expansão da AIDS e sua incidência
significativa entre os homossexuais, resultando, de um lado, em mais preconceito e ódio,
e, de outro, no surgimento de políticas públicas específicas para essa categoria de
sujeitos, no que diz respeito à saúde, ao desenvolvimento de pesquisas científicas e à
disseminação de informações visando à prevenção de doenças sexuais transmissíveis.
Resulta, entretanto, que o reconhecimento da diversidade sexual distinta da norma
heterossexual acaba por dar maior visibilidade à “LGBTfobia”, expressão que, apesar de
pequenas variações, refere-se, em geral, ao preconceito, ao ódio, à aversão e a ações
discriminatórias.
Por
exemplo,
em
reportagem
relativamente
recente
(http://glo.bo/1Y3lts3), de junho de 2016, o Grupo Gay da Bahia (GGB) informa que uma
pessoa LGBT é morta a cada 28 horas no Brasil. Vai além e acrescenta que, ao longo do
ano de 2015, o Disque 100 recebeu quase duas mil denúncias de agressões contra

�pessoas LGBT. É possível que os dados sejam ainda mais elevados, porquanto muitas
ações de discriminação e violência não são contabilizadas porque as práticas de
LGBTfobia não são tipificadas como crime de ódio pelo Código Penal Brasileiro, aliadas
ao fato de que, com certa frequência, muitas vítimas silenciam por pudor ou temor frente
aos agressores e mesmo diante dos agentes públicos. Diante desta necessidade da
organização de movimentos sociais, Espíndola (2015, p. 5) contextualiza
epistemologicamente tais fenômenos sociais:
A luta dos movimentos sociais em rede converge elementos políticos, como a
luta pela eliminação de desigualdades, e elementos sócio-culturais, como a
busca pela liberdade de escolha de um estilo de vida diferente do propagado
como “correto”, construindo, assim, noções de identidade, representação,
democracia e cidadania.

Assim, sociedade, movimentos sociais e poderes públicos, tem dialogado sobre temas
que perpassam a questão dos direitos LGBT e políticas públicas que garantam o
exercício efetivo da cidadania para tal grupo social, como por exemplo direitos civis como
o casamento, adoção, herança e previdência, livre expressão de sua orientação sexual
e/ou identidade de gênero em espaços públicos, nome social, redesignação do “sexo”
pelo Sistema Único de Saúde, e , até mesmo, a proteção do Estado contra o preconceito
e violência.
Nesse contexto, a informação é, sempre, elemento-chave para a inclusão,
conscientização e qualidade de vida dos cidadãos, rompendo com conceitos
preestabelecidos, sejam eles advindos da cultura machista ou do conservadorismo. A
falta de informação ou a disseminação de informações errôneas favorece a ignorância, o
preconceito, a aversão e a negação do que é diferente.
Método da pesquisa
A pesquisa caracteriza-se como documental, quanto ao seu delineamento, e aplicada,
quanto à sua natureza. A pesquisa documental é aquela realizada a partir de documentos
de natureza diversa e se constitui em técnica importante na pesquisa qualitativa,
complementando informações obtidas por outras técnicas e desvendando aspectos
essenciais dos fenômenos estudados (LUDKE; ANDRÉ, 1986). Trata-se de pesquisa
aplicada que objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de
problemas específicos (DALBERIO; DALBERIO, 2009). A partir dos dados coletados,
pretende-se elaborar uma proposta de ação de informação que contemple a
disseminação das informações coletadas. A pesquisa foi realizada nos sites institucionais
de todos os governos estaduais do país, buscando identificar os órgãos responsáveis
pelo desenvolvimento de políticas públicas específicas para a população LGBT.
Em nível operacional, a pesquisa se articula com a rede de projetos em desenvolvimento
no Laboratório de Tecnologias Intelectuais (LTi) do Departamento de Ciência da
Informação da Universidade Federal da Paraíba. Constitui-se em um espaço para a

�produção e disseminação de ações de informação com vistas à gestão de recursos e
tecnologias para promover competências em informação na comunidade acadêmica de
Ciência da Informação e sua inclusão na sociedade em rede, contribuindo para que a
Ciência da Informação cumpra sua função de responsabilidade social enquanto campo
científico. O Projeto disponibiliza produtos e serviços no Portal LTi (Figura 1), que se
constitui no principal estoque e serviço de informação do Projeto.
Figura 1 – Homepage do Portal LTi

Fonte: http://www.lti.pro.br

A partir desta pesquisa, será aberta uma página no Portal LTi para disponibilizar os links
para páginas que reúnam informações de órgãos dos governos estaduais (serviços,
publicações, legislação), e posteriormente incluir as ações do governo federal e também
das capitais estaduais.
Resultados e Discussão
Para fins de apresentação nessa comunicação, analisaremos os dados da Região
Sudeste do país, disponíveis no Quadro 1:
Quadro 1 – Região Sudeste
Estado

Espírito Santo

Órgãos
Secretaria de Direitos Humanos
Gerência de Promoção, Proteção e Defesa de Direitos
Humanos
https://sedh.es.gov.br

Observações
- Não possui órgão específico para
população LGBT;
- Menciona o Conselho Estadual
LGBT

�Minas Gerais

Rio de Janeiro

São Paulo

Secretaria de Direitos Humanos, Participação Social e
Cidadania
Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos
Humanos
Coordenadoria Especial de Políticas de Diversidade
Sexual
http://www.direitoshumanos.mg.gov.br/#
Secretaria de Direitos Humanos e Políticas para
Mulheres e Idosos
Programa Rio Sem Homofobia
https://www.facebook.com/rshoficialrj/

Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania[
Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual
Site: http://www.justica.sp
.gov.br/portal/site/SJDC/menuitem.bffb88220a0efda8e34
5f391390f8ca0/?vgnextoid=dfcdcc533f73e310VgnVCM1
0000093f0c80aRCRD
Facebook: https://www.facebook.com/CPDSSP/

- Possui órgão específico para
população LGBT;
- Menciona que a criação do
Conselho Estadual de Cidadania
LGBT está em análise na Assembleia
de Deputados
- Possui órgão específico para
população LGBT;
- Site da Secretaria fora do ar;
- Menciona o Conselho Estadual dos
Direitos da População LGBT
(CELGBT)
- Possui órgão específico para
população LGBT;

Fonte: Dados da pesquisa.

Dos 4 estados da Região Sudeste, apenas o Espírito Santo não conta com órgão
específico em seu organograma. Analisando o site do Governo Estadual do Espírito
Santo, foi localizado na página da Secretaria de Direitos Humanos uma menção ao
Conselho Estadual LGBT. Contudo, sugerimos a necessidade de ser criado na hierarquia
do governo órgão específico para a execução de ações voltadas para a população LGBT,
já que Conselhos Estaduais tem caráter consultivo e propositivo.
Os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, apesar de possuírem órgãos específicos,
apresentam problemas em seus sites. No Rio, o próprio site da Secretaria de Direitos
Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos está todo fora do ar. Foi localizado a página
no Facebook do Programa Rio Sem Homofobia, sendo atualizada e divulgando ações.
Em Minas, a Coordenadoria Especial de Políticas de Diversidade Sexual não tem seção
específica para seus conteúdos, sendo apenas mencionada telefone e email.
Dentre os 4 Estados, destacamos São Paulo, que possui a Coordenação de Políticas
para a Diversidade Sexual, com um site em que disponibiliza várias informações, como
denúncia de homofobia, além de publicações, legislação, notícias e inclusive um curso
online. Também possui página no Facebook, que divulga as ações e serviços
desenvolvidos pela Coordenação.
Assim, reuniremos informações de todos os Estados brasileiros, e posteriormente das
capitais estaduais, e também do Governo Federal. A ação de informação se propõe a
disponibilizar no LTi um catálogo nacional dos órgãos específicos voltados para a
população LGBT, indicando os serviços disponíveis, contato, legislação etc.
Considerações Finais

�O ponto de partida desta pesquisa é a possibilidade de promover uma ação de
informação que promova o “conhecimento em ação” (WERSIG, 1993) na Ciência da
Informação de modo a divulgar ações de informação que remetem a atores sociais e aos
contextos onde vivenciam suas respectivas formas de vida (GONZÁLEZ DE GÓMEZ,
2004). A população LGBT tem lutado contra o discurso tradicional da sociedade e o
descaso do Estado que, apesar de ter avançado em vários aspectos, precisa garantir o
reconhecimento da cidadania, os direitos civis e a identidade desse grupo social. Nesse
sentido, são imprescindíveis pesquisas na Ciência da Informação que acolham o grupo
social LGBT, revelando os fluxos, os regimes, as fontes e as políticas de informação
vigentes em relação ao tema em pauta.
Acreditamos que a informação pode proporcionar empoderamento aos indivíduos LGBT
e contribuir para o conhecimento sobre seus direitos e deveres na condição de cidadãos.
Esperamos que a ação de informação aqui proposta contribua para a Ciência da
Informação agir com responsabilidade social no sentido de propor ações que solucionem
questões de informação atreladas às demandas de grupos sociais minoritários e
excluídos, discutindo e propondo estratégias que possam promover sua inserção na
sociedade em rede.
Referências
DALBERIO, Osvaldo. DALBERIO, Maria Célia Borges. Metodologia científica:
desafios e caminhos. São Paulo: Paulus, 2009.
ESPÍNDOLA, Carolina Bonoto. Cidadania na sociedade em rede: o ciberativismo e o
combate à LGBTfobia. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE DIREITO E
CONTEMPORANEIDADE, 3. 2015, Santa Maria. Anais... Santa Maria: UFSM, 2015.
FREIRE, Isa Maria. A responsabilidade social da Ciência da Informação e/ou O
olhar da consciência possível sobre o campo científico. 2001. Tese (Doutorado em
Ciência da Informação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001.
GONZÁLEZ DE GÓMEZ, M. N. Novas fronteiras tecnológicas das ações de informação:
questões e abordagens. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 1, 2004.
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas.
São Paulo: EPU, 1986.
WERSIG, Gernot. Information science: the study of postmodern knowledge usage.
Information Processing &amp; Management, [S. l.], v. 29, n. 2, 1993.
WERSIG, Gernot; NEVELING, U. The phenomena of interest to information science.
The Information Scientist. [S. l.], v. 9, n. 4, 1975.

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Documentação&#13;
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