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                  <text>BIBLIOTECA ESCOLAR RUI BARBOSA: ANÁLISE SOBRE A
FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

Emerson Pereira da Silva (UFRN) - emersonpereira@tjrn.jus.br
Gesiele Farias da Silva (UFRN) - gesielefarias@tjrn.jus.br
Resumo:
Apresenta uma análise da formação e desenvolvimento de coleções na Biblioteca Escolar Rui
Barbosa do Colégio Nossa Senhora das Neves no Bairro do Alecrim em Natal-RN. Objetiva
verificar as ações estratégicas pela bibliotecária na ausência de uma política formalizada para
tal gestão das coleções. Possui como metodologia uma explanação qualitativa com
fundamentos em levantamento bibliográfico sobre o assunto e diagnóstico da unidade
informacional através de entrevista com a gestora e observação do acervo. Aponta os
referentes dados da análise em uma “Matriz SWOT”. Conclui destacando as necessidades de
formalização de uma Política de Desenvolvimento de Coleções para a biblioteca de modo a
reverter os diferentes empecilhos constatados no diagnóstico.
Palavras-chave: Biblioteca Escolar. Formação e Desenvolvimento de Coleções. Gestão de
Biblioteca Escolar.
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

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�Introdução
Apresentaremos a seguir o resultado de uma avaliação proposta por meio da disciplina
de Formação e Desenvolvimento de Coleções, no curso de Biblioteconomia – UFRN, que
consistiu em analisar a Biblioteca Escolar Rui Barbosa, localizada no Colégio Nossa Senhora
das Neves, Bairro - Alecrim, Natal-RN, em novembro de 2016. Para tanto, a pesquisa teve
como objetivo conhecer os aspectos sobre as políticas da instituição que são direcionadas à
unidade de informação, a estrutura e ações relacionadas à biblioteca a fim de entendermos e
evidenciarmos sobre a “Formação de Desenvolvimento de Coleções na unidade”.
Para a pesquisa de campo, contamos com o auxílio de um pequeno levantamento
bibliográfico na área de Biblioteca Escolar. Para obtenção dos dados foi empregado uma
metodologia qualitativa, aplicando a entrevista como instrumento de coleta dos dados, e para
avaliação dos dados utilizou-se a “Matriz Swot”.
Relato de experiência
A pesquisa sobre Formação e Desenvolvimento de coleções em Biblioteca Escolar se
deu por meio de visita técnica. A bibliotecária responsável pela unidade de informação foi
solícita e prontamente forneceu todas as informações necessárias para análise tanto do espaço,
como também das políticas e os regimentos da instituição que conduzem a Formação e
Desenvolvimento de Coleções do acervo.
De acordo com o Regimento interno da Biblioteca Central Rui Barbosa, a unidade de
informação está diretamente subordinado à Direção-Geral do Colégio Nossa Senhora das
Neves (CNSN) e tem por finalidade oferecer suporte informacional aos programas de ensino,
pesquisa e extensão e destina-se, primordialmente a alunos, regularmente matriculados em
todos os níveis de ensino da Instituição, e a funcionários. Tem por missão educar contribuindo
para a formação de cidadãos íntegros, conscientes e comprometidos com o desenvolvimento
da ciência e da cultura; promover os valores éticos e cristãos inspirados no carisma de Madre
Francisca Lechner, mantendo o compromisso com a disseminação da informação de forma
eficiente. Objetiva reunir, organizar e disseminar informações contidas em seu acervo
bibliográfico e audiovisual nos diferentes formatos: materiais de referência, periódicos e
Multimeios. Ela oferece serviços de consulta (local, on-line e em bases de dados),
empréstimo, levantamento e orientação bibliográfica, orientação na normatização de trabalhos
científicos, cooperação entre bibliotecas, comutação bibliográfica, visitas orientadas, e
atendimento aos usuários com necessidades educativas específicas de acordo com a estrutura
disponível pelo setor.

�Figura 1 – Acervo da Biblioteca Escolar Rui Barbosa.

Fonte: Elaborado pelos autores.
A Biblioteca possui alguns regulamentos que estipulam multas por atraso e danos
causados por mau uso do material. Essa arrecadação é convertida em recursos para compra de
materiais bibliográficos (um dos poucos recursos para o desenvolvimento da coleção).
A unidade de informação tem parceria com outro espaço de leitura denominado de
“Livraria” que consiste em materiais e dinâmicas voltadas ao público infantil e a outras
turmas do Fundamental I. Nesse espaço há a promoção de leituras compartilhadas e
discussões sobre os enredos por meio de linguagens mais específicas e atrativas a esses
alunos. De acordo com Salcedo e Stanford (2016, p. 31):
O desenvolvimento do caráter infantil depende de vários fatores e um dos
mais importantes é a questão da leitura. Seu costume produz consequências
por toda a vida do indivíduo. A leitura traz benefícios para a sociedade,
estimulando o desenvolvimento de um olhar reflexivo, permitindo a
produção e intensificando cada vez mais a elaboração de ideias e ações, a
ampliação de seu vocabulário além de profissionais habilitados e
competentes.

Figura 2 – Livraria.

Fonte: Elaborado pelos autores.
A cada ano letivo, para um maior controle de empréstimo na livraria, os alunos
ingressantes no Colégio das Neves, adquirem um cartão para empréstimo, e no ato de
recebimento do cartão os alunos são convidados a doarem um livro à livraria. Essa foi mais
uma estratégia da Bibliotecária para crescimento do acervo, e já que não dispõe de muitos
recursos financeiros usa desses meios para que haja a colaboração e participação, sabendo da
relevância em ter um acervo não somente atrativo mas que desperte novos conhecimentos no

�aluno por meio da leitura para a formação de habilidades e competência.
A leitura está presente em todas as disciplinas curriculares e em todos os
momentos, sendo importante que possa cumprir a sua função social de
forma competente, que sua passagem resulte na apropriação de
conhecimentos e habilidades significantes para o indivíduo inserido na
sociedade. (NOVELLETTO; VIANNA; DUTRA, 2016, p. 61)

Deve-se destacar aqui o fato de que o colégio não costuma disponibilizar recursos para
compras de novos materiais para o acervo, resultando nos últimos anos em coleções formadas
na maior parte por doações de professores, pais dos estudantes e por poucas compras feitas
pela bibliotecária, provenientes das multas que são convertidas em recursos financeiros para
aquisição de novos materiais bibliográficos. Essas são as principais formas de aquisição e
formação de coleções, no entanto predominando o sistema de doação. Esse fator dificulta a
formação da coleção, pois na maioria das vezes os materiais doados são livros didáticos e
redundantes para o acervo, e a quantidade de materiais resultantes das compras feitas pela
biblioteca é insuficiente devido à inexistência de direcionamento de maiores recursos para
essa finalidade.
Portanto, de acordo com a Bibliotecária, a unidade de informação não possui uma
Política de Desenvolvimento de Coleções regulamentada e sim apenas um regimento interno
com as normas regidas pela instituição para funcionamento da Unidade de Informação.
Foi verificado também que os planos e ações estratégicas aplicadas para formação e
desenvolvimento de coleções na biblioteca ocorrem conforme as observações das
necessidades do usuário, o que inclui pesquisas com os alunos mais assíduos na leitura por
meio de diálogos em que citam as sugestões de compras de materiais. Com os dados coletados
é realizado um levantamento de orçamento e consultas em meios comerciais de livros,
analisando os títulos que estão em destaque na literatura infantojuvenil a fim de selecionar
novas aquisições de acordo com aquelas preferências sugeridas pelos alunos.
Com relação às dificuldades e obstáculos encontrados sobre a formação e
desenvolvimento de coleções foi notado que a hierarquia institucional e a centralização de
autoridade na direção não permitem autonomia absoluta à Bibliotecária na tomada de decisão
com relação à gestão de coleções. Revisões e alterações nas estratégias da unidade de
informação são dificultosas, estando a direção do colégio tradicionalmente com a palavra final
em novas mudanças.
Dentre os responsáveis pelos processos de seleção e a aquisição há uma coordenadora
da escola que fica à frente da “Academia de Leitores”, que reúne estudantes que se mobilizam

�para a solicitação de compras de novos materiais, descentralizando a gestão da biblioteca
nessa atividade.
No que diz respeito à forma de avaliação do acervo a Bibliotecária informou que fez
um grande desbaste assim que assumiu a biblioteca. Relatou que se deparou com um vasto
material antigo, de muitas décadas atrás. Enfrentou alguns dilemas quanto ao descarte, pois
enquanto o colégio mantenedor e seus representantes atribuíam grandes valores à
solidariedade de quem havia doado os materiais, a Bibliotecária priorizava mais a análise da
relevância do conteúdo, da demanda e do espaço a ser desocupado. Com insistência conseguiu
convencer a direção da importância no descarte desse material do acervo e aquilo que foi
considerado relevante foi separado para uma “coleção de obras raras” que não existia
anteriormente, enquanto que as obras de menor relevância para a instituição foram
descartadas ou doadas para outras unidades.
Foi verificado também que devido à falta de recursos para adquirir novos materiais,
assim como a formação das coleções ocorrer com mais frequência via doações, tais fatores
resultam no envelhecimento do acervo e desatualização de conteúdo. São poucos os recursos
para formação de coleções, mesmo com os métodos de arrecadação através das multas e
incentivos de doações pelos alunos e professores. Sendo assim é evidente que tais meios não
são suficientes para a continuidade da formação de coleções que satisfaçam devidamente as
necessidades dos usuários. A partir dos dados coletados foi esquematizado a seguinte Matriz:
Quadro 1 - Matriz SWOT.














INTERNO
FORÇAS
FRAQUEZAS

Pouco recurso financeiro para aquisição;
Disponibiliza acesso à internet.

Não possui Política de Desenvolvimento de
Possui ambiente de estudo coletivo.
Coleções;
Sistema automatizado (SIABI);
Processo de seleção de materiais;
Possui o espaço para leitura infantojuventil 

Estudo de usuário limitado;
(Livraria) além do espaço da Biblioteca;
Período de empréstimo curto.
A estrutura do ambiente é agradável 
(confortável).

Não possui sala de estudo individual
EXTERNO
OPORTUNIDADES

AMEAÇAS
Com a criação da Política de Formação e
Desenvolvimento de Coleções: maior
eficiência e eficácia operacional;

Ausência de frequentes ações culturais;
Obras que são tendências literárias
infantojuvenis e que alcançam uma boa

Não possui novos recursos tecnológicos
receptividade dos usuários da biblioteca,
interativos (Ebooks, Jogos educativos);
poderiam ser adquiridas em parcerias com

Envelhecimento e desatualização do acervo;
editoras e/ou livrarias.
Novas parcerias com outros colaboradores da
instituição mantenedora;
Maior visibilidade da escola e da biblioteca.

Fonte: Elaborado pelos autores.

�Considerações Finais
O processo de elaboração dessa atividade de pesquisa possibilitou maior entendimento
acerca dos diferentes critérios e contextos sociais apresentados em sala de aula na explanação
da formação e desenvolvimento de coleções. Foi evidente a reflexão de que as unidades
informacionais tendem a conduzir projetos conforme as condições que circundam seu meio,
sejam econômicas ou de submissão às políticas dos órgãos mantenedores. Tais condições
tanto promovem um bom diálogo entre os colaboradores e a produtividade dos projetos,
quanto também podem acarretar negativamente nos planos dos profissionais da informação.
Para melhor ilustrar essas realidades, por exemplo, tendo a 5º lei de Ranganathan que
fundamenta a ideia de que a biblioteca é um organismo em crescimento, notamos nessa
instituição, alvo do nosso estudo, que diferentes empecilhos desses mencionados
impossibilitam que a lei desenvolva com sucesso seu objetivo.
Verificou-se que o regimento do Colégio e os recursos financeiros mostraram-se fatos
implicantes na formação da coleção, e o resultado obtido é uma situação inversamente
proporcional e distante do idealizado e recomendado na Biblioteconomia, e isto é constatado
através do material grandemente desatualizado ao mesmo tempo em que há grandes demandas
de sugestões dos usuários.
Obstáculos como esses tendem a serem recorrentes em várias bibliotecas do estado do
Rio Grande do Norte. Diante desse fato é perceptível a necessidade de uma maior abertura das
instituições mantenedoras em relação à maiores investimentos financeiros e à autonomia dos
gestores da biblioteca. Tal necessidade ao ser sanada possibilitaria grandes contribuições,
como por exemplo, a construção de uma boa Política de Desenvolvimento de Coleções que
por consequência enriqueceria a diversidade do acervo e, logo também alcançaria as
expectativas dos usuários.
Referências
NOVELLETTO, D. G. G.; VIANNA, W. B.; DUTRA, M. S. L. Gestão da informação por
meio físico e digital em biblioteca escolar: identificação de interesses dos usuários e tomada
de decisão. Biblioteca Escolar em Revista, v. 4, n. 2, 2016. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/a/21368&gt;. Acesso em: 26 de outubro de 2016.
SALCEDO, D.; STANFORD, J. O incentivo da leitura na biblioteca escolar. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 12, n. 1, 2016. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/a/20844&gt;. Acesso em: 03 de novembro de 2016.

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