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                  <text>BOAS PRÁTICAS DO GERENCIAMENTO DAS BIBLIOTECAS
ESCOLARES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE VILA VELHA-ES

Eliana Terra Barbosa' (PMVV) - elianaterra@hotmail.com
Resumo:
O presente relato retrata uma trajetória profissional nos anos de 2013 a 2017, em que,
durante esse tempo estivemos gerenciando o Sistema de Bibliotecas da rede municipal de
ensino de Vila Velha-ES. Os desafios encontrados não foram obstáculos para execução de
inúmeros projetos, ampliação do quadro de bibliotecários do município e parceria de sucesso
com os setores da Secretaria de Educação e profissionais das escolas. Concluímos que essas
ações foram primordiais na visibilidade das bibliotecas escolares do município e o papel
educador do bibliotecário está sendo fortalecido, tornando o trabalho colaborativo entre a
equipe escolar e bibliotecários um sucesso para o aprendizado dos alunos e formação do leitor.
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Gerenciamento de sistema de bibliotecas escolares. Boas
práticas em biblioteca escolar.
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

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�INTRODUÇÃO

A temática sobre o trabalho em sistemas de bibliotecas escolares não é recente e
tornou-se um desafio para quem sente necessidade em trabalhar em prol da
educação. Assim, percepciona o campo com várias possibilidades, desde sair da
letargia histórica muito relatada na literatura da área, até acreditar em um campo
que pode assumir uma postura de protagonista em especial na educação e no
campo de políticas públicas.

Na prática profissional, percebe-se que municípios que revitalizaram os espaços das
escolas que deveriam funcionar como bibliotecas, mas que no cotidiano das escolas
eram espaços de multi uso, sem uma devida função, ou muitas vezes bibliotecas
improvisadas tanto do ponto de vista do acervo quanto dos recursos humanos.

Pesquisadores na área de bibliotecas escolar (CAMPELLO, 2003; CASTRO FILHO,
2016; MORO, ESTABEL, 2011) ressaltam a lacuna na preparação pedagógica, nas
competências do profissional bibliotecário, na falta de políticas públicas e o descaso
dos órgãos competentes para solução dos problemas.
São inúmeras as “lamúrias”, sejam elas no meio acadêmico ou nos eventos da área,
que permitem constatar que as bibliotecas escolares convivem em um território que
não lhes pertencem. A complexidade de tudo aquilo que envolve a teckne
biblioteconômica são fatores velados que devem ser devidamente conhecidos,
analisados e trabalhados, em busca de soluções entre os interlocutores envolvidos.

O objetivo desse artigo é relatar a experiência do trabalho desenvolvido no
gerenciamento de bibliotecas escolares da rede municipal de ensino da Prefeitura de
Vila Velha - ES, desde o ano 2013, quando assumimos a coordenação de
bibliotecas da Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Neste setor, trabalha o
bibliotecário-gestor, também professores e pedagogos, dando o suporte pedagógico
necessário.

�METODOLOGIA
A experiência relatada foi iniciada ao assumir a coordenação das bibliotecas no ano
de 2013, num universo de 61 Unidades de Ensino, quando as bibliotecas estavam
em sua maioria, fechadas e/ou funcionando como depósito de livros e outros
materiais pedagógicos.
O primeiro momento foi realizar o levantamento dos recursos humanos que atuavam
na biblioteca. Havia 13 bibliotecários e 48 servidores atuando como auxiliares de
biblioteca (professores em readaptação funcional). A partir daí, realizamos um
diagnóstico de todas as bibliotecas. Verificamos que as escolas onde atuavam os
bibliotecários, as bibliotecas funcionavam bem, com execução de projetos de leitura
e acervo organizado. Já em algumas escolas com auxiliares, até era realizado
alguns projetos e atendimento ao usuário, porém não havia orientações por parte da
SEMED, ficando a cargo da escola sistematizar suas ações; além disso, a
organização do acervo estava aquém do ideal.
Dos espaços que atuavam como bibliotecas, podemos detectar que não existia um
padrão de serviços e normas de atendimento, o qual era feito de forma precária.
Observamos que o empréstimo não atendia um padrão mínimo de controle, o
processamento técnico era realizado somente nas escolas que possuíam
bibliotecários, ficando as demais sem o serviço de catalogação e classificação. O
horário de atendimento também deixava a desejar, pois os profissionais que
estavam em readaptação funcional, tiravam muitas licenças médicas, não dando
sequência às atividades da biblioteca. Assim, confeccionamos o documento “Guia
para organização das bibliotecas escolares”, com o objetivo de orientar, detalhar e
especificar todas as demandas e procedimentos técnicos que uma biblioteca escolar
precisa ter para seu bom funcionamento, inclusive diferenciando as funções de um
auxiliar de biblioteca e de um bibliotecário.
Produzimos também anualmente o Projeto Institucional da SEMED construído
juntamente com todos bibliotecários da rede, desde 2013, quando iniciamos as
atividades de coordenação com 13 bibliotecários, até o ano de 2017, que já
contamos com 37 bibliotecários. Esse documento norteia as práticas pedagógicas e

�culturais das bibliotecas durante o ano letivo, como os projetos e atividades a serem
executadas.
Outro fator de fundamental importância para o sucesso dos projetos a serem
executados nas bibliotecas foi buscar o envolvimento e a parceria com os setores
pedagógicos da SEMED e os atores das escolas, como professores, diretores,
pedagogos, dentre outros. No entanto, deparamos com uma situação bem comum
no panorama das escolas brasileiras: esses profissionais não conheciam a profissão
do bibliotecário e o seu papel na escola. Assim, visando fomentar e incentivar a
interação com os profissionais da educação, focamos em várias ações: enquanto
coordenadora, passamos a frequentar os encontros de Formação Continuada dos
professores por área de conhecimento, reuniões de diretores e também de
pedagogos. Realizamos palestras explicando a profissão; apresentamos propostas
de trabalho e atividades para o uso da biblioteca e o incentivo à leitura.
Ainda coordenamos o Programa “A Gazeta na Sala de Aula”, Projeto da SEMED em
parceria com a Rede Gazeta (empresa de TV e comunicação no Espírito Santo,
filiada à Rede Globo) que viabilizou oficinas pedagógicas, nas quais o professor da
Educação Básica e os bibliotecários podiam discutir temas educacionais e
sistematizar a utilização da informação veiculada por diferentes veículos de
comunicação como ferramenta de trabalho, com foco na leitura crítica e na formação
para a cidadania. Dessa forma, o Programa aproximou e estreitou muito a relação e
parceria entre os profissionais, facilitando assim a execução e sucesso do Projeto
Institucional.
Como plano de ação do ano de 2015, promovemos o concurso literário e publicação
de livro através do projeto multidisciplinar “Entre versos, rimas e outras histórias”,
sendo um mergulho literário dentro das unidades escolares, numa busca por
talentos adormecidos e ocultos no âmbito da leitura e da produção de textos
literários (poema, memória literária, crônica, artigo de opinião) e desenho. O objetivo
é o de promover o prazer de ler e de escrever, bem como desenvolver habilidades e
competências necessárias para este fim. Envolvemos todos os alunos da Educação
Básica (1º ao 9º ano e EJA), além de servidores que também podem expressar seus
sentimentos e emoções. Todos os participantes selecionados ganham medalha e
exemplares do livro. Os textos dos alunos e servidores são selecionados por uma

�comissão julgadora composta por escritores membros da Academia de Letras de
Vila Velha. Os primeiros colocados ganham tablete como prêmio e o professor
orientador recebe um HD externo. O projeto deu certo e ganhou repercussão no
município. Então, repetimos o concurso nos anos de 2016 e 2017, quando
aumentamos muito o número de inscritos, passando de 120 inscritos, no ano de
2015 para 680, em 2017.
Outra função da coordenação de bibliotecas que tem potencializado muito o
trabalho, são visitas técnicas inloco às unidades de ensino com o objetivo de
acompanhar e monitorar o trabalho desenvolvido pelos bibliotecários e auxiliares,
solucionar problemas, detectar falhas, apontar melhorias e ações preventivas.
Contribuímos também no fortalecimento da categoria e das bibliotecas através da
ampliação de 38 vagas para o cargo de bibliotecário no município de Vila Velha, por
meio da Lei municipal de nº 5677/2015, saindo de 20 vagas para 58. Participamos
da construção da Resolução nº 04 do Conselho Municipal de Educação, que dispõe
sobre as Diretrizes para o Ensino Fundamental, onde no capítulo X, seção II,art. 45
a 50, tratam sobre as bibliotecas escolares do município. Contribuímos também na
construção do Plano Municipal de Educação e Documento Curricular de Vila Velha,
garantindo o funcionamento das bibliotecas com o profissional bibliotecário.
Nesses anos de atuação como gestora, podemos observar que grande parte dos
bibliotecários precisavam aprofundar nos temas relacionados à educação. Partindo
dessa necessidade, com intuito de aproximar as questões pedagógicas à prática do
bibliotecário, realizamos cursos com certificação através da Plataforma Eproinfo
MEC para capacitar os bibliotecários, facilitando sua atuação nas bibliotecas. O
tema do ano de 2017 foi desenvolvido com foco na atuação do bibliotecário como
educador, tendo os seguintes módulos: Tecnologia Educacional na biblioteca;
Gêneros literários; Atendimento ao aluno de Educação Especial na biblioteca;
Gestão escolar; Projeto Político Pedagógico; Projeto Normas ABNT para alunos de
5º ao 9º ano. Os profissionais da SEMED são os mediadores dos módulos,
proporcionando uma interação e parceria ainda mais consolidada.
É possível afirmar que os resultados apresentados de todo trabalho são excelentes,
pois a qualidade dos projetos e o atendimento aos usuários melhoraram bastante.

�Podemos observar também que os profissionais estão mais integrados e motivados.
Realizamos também Seminário anual interno, quando temos relatos de experiências
e boas práticas, minicursos ministrados pelos próprios colegas de profissão e
confraternização.
Após quatro anos na gestão, obtém-se a referência do setor para todas as ações e
promoções relacionadas à leitura, livro, biblioteca e áreas afins, inclusive eventos
externos. Podemos citar como exemplo, a Semana “Arte na Vila”, promovido pela
SEMED, setor Arte e Cultura, quando são apresentadas várias atividades das
escolas. Neste evento temos uma tenda da leitura (espaço voltado para ações
culturais, contação de história, lançamento de livros, etc). Participamos também da
Feira Literária Capixaba (FLIC-ES) com ações dos bibliotecários e contadores de
histórias. Verificamos nesse período que o papel educador do bibliotecário está
sendo fortalecido, tornando o trabalho colaborativo entre a equipe escolar um
sucesso para o aprendizado do aluno e formação do leitor.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ainda temos muitos desafios e metas a serem atingidas, como a necessidade
urgente de concurso público, a melhoria nas condições de trabalho, melhoria dos
espaços das bibliotecas. Acreditamos na possibilidade de avanço nas políticas
públicas e temos deixado o legado, almejando que seremos profissionais com
excelência quando fizermos o melhor mesmo em condições desfavoráveis até ter
condições melhores para fazer melhor ainda.
REFERÊNCIAS
CAMPELLO, Bernadete Santos. A competência informacional na educação para o
século XXI. In: ________ et al. A Biblioteca escolar: temas para uma prática
pedagógica. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. 62 p.
CASTRO FILHO, Marcondes Claudio de. As competências, os perfis e os aspectos
sociais do bibliotecário na educação. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência
da Informação, Campinas-SP, vol 14, n.2, maio/ago. 2016. Disponível em:
&lt;https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8643650/pdf&gt;.
Acesso em: 10 de jul. 2017.
MORO, Elaine Lourdes da Silva; ESTABEL, Lizandra Brasil. Bibliotecas escolares:
uma trajetória de luta, de paixão e de construção da cidadania. In: ______ . (Org.).
Biblioteca escolar: presente! Porto Alegre: Evangraf, 2011. 232 p.

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