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                  <text>Incursão na Biblioteca Escolar :Relato de Experiência
Lucilia Maria LIMA VIEIRA (UNEB) - luciliav@gmail.com
Rita de Cássia Vivas (Sec) - ritacvivas@hotmail.com
Resumo:
Relato de experiência de um deslocamento da atuação em biblioteca universitária para a
Secretaria de Educação do Estado da Bahia, onde foram desenvolvidas atividades de
organização e dinamização em algumas Bibliotecas da Rede Pública Estadual de Ensino Básico
do estado da Bahia e elaboração de projeto visando a implantação da Rede de Bibliotecas
Escolares em todas as escolas
Palavras-chave: Biblioteca Escolar; Projeto de Biblioteca Escolar;
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

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�Introdução
As questões referentes à biblioteca escolar vêm sido debatidas com frequência por
entidades acadêmicas e de outras esferas da sociedade preocupadas, sobretudo,
com a formação de pessoas proficientes em leitura.
A aprovação da Lei 12.244/2010 que trata da universalização da biblioteca escolar
determina no seu artigo 3º que os sistemas de ensino do país deverão desenvolver
esforços progressivos para que os termos previstos na lei sejam efetivados no prazo
máximo de dez anos, respeitada a legislação da profissão de bibliotecário. Faltando
pouco mais de dois anos para findar esse prazo, que será alcançado no ano de
2020, as bibliotecas escolares não se tornaram realidade na maioria das cidades do
país.
Na Bahia, algumas iniciativas foram desenvolvidas de forma a fazer cumprir a
referida lei, porém de modo incipiente. Registra-se que durante o período em que
participamos de projetos pedagógicos realizados pela gestão da Superintendência
de Desenvolvimento da Educação Básica (SUDEB) órgão vinculado à Secretaria de
Educação do Estado da Bahia (SEC), algumas bibliotecas escolares da rede pública
de ensino passaram por significativa dinamização dos seus serviços.
Tal movimento ocorreu a partir do empenho de um grupo de profissionais da
biblioteconomia, história e letras que reunidos na SUDEB/ SEC se mostraram
sensíveis à necessidade de organizar as bibliotecas escolares que estão sob a
responsabilidade do governo estadual. Desse modo, foi idealizado um projeto
voltado para a criação de uma Rede de Bibliotecas Escolares da Bahia.
Relato de experiência
O marco inicial da elaboração do projeto da rede deu-se a partir da cessão
promovida pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) para que uma das autoras
desse relato assumisse um cargo de gestão em uma unidade da SEC/BA, no ano de
2011.
Diante da realidade encontrada, em que poucas informações sobre as bibliotecas
estavam disponíveis e organizadas iniciou-se ao final de 2012 a nossa incursão por
algumas escolas da Rede Pública Estadual de Ensino Básico. Por meio dessas
visitas, foi possível verificar que algumas iniciativas voltadas para a organização das
bibliotecas já estavam em curso. A referida rede de ensino era constituída à época
por 2.174 unidades escolares e 1.108.000 alunos matriculados, distribuídas por trinta
e três Diretorias Regionais de Educação (DIREC), com abrangência em todo
território baiano. Nossa experiência foi circunscrita à DIREC 1 - A e 1-B (escolas
localizadas em Salvador e Região Metropolitana), momento em realizamos um
diagnóstico, com constatações estarrecedoras.
Não fugindo à realidade brasileira, as bibliotecas escolares da Rede Pública
Estadual não estavam estruturadas, a saber: não existia órgão coordenador que
definisse políticas para esse segmento; careciam de todo tipo de recurso para o
funcionamento dos espaços chamados de “biblioteca”, assim denominados
estrategicamente, sobretudo pela necessidade das unidades de ensino em
responder a uma questão do Censo Escolar: a escola possui biblioteca?

�Os referidos espaços, em quase sua totalidade não funcionavam: estavam com
suas portas fechadas ou servindo de depósito. As bibliotecas “abertas” funcionavam
com as precariedades já conhecidas: locais adaptados, sem acessibilidade, carência
de recursos humanos e materiais. Apesar do quadro descrito, havia uma tentativa
embrionária de promover uma estruturação mínima às Bibliotecas Escolares.
Nesse sentido, foram selecionadas inicialmente trinta bibliotecas de Salvador
(DIREC 1 A e 1B), que seriam organizadas e dinamizadas. O principal requisito que
definiu a escolha das trinta bibliotecas foi a existência de bibliotecário na escola. A
SEC enviou para essas escolas os recursos destinados à melhoria das instalações
físicas (reformas e adequações), compra de equipamentos de informática
(computadores, impressoras, leitores de código de barras) e aparelhos de ar
condicionado.
Como já havia sido adquirida a licença do software PHL, para gerenciamento do
acervo em um momento que antecedeu a nossa chegada à SEC, buscamos
contribuir para a execução de algumas ações propostas ou em desenvolvimento e
assim fomos a campo.
Inicialmente visitamos as escolas, estabelecendo diálogo com o diretor e
bibliotecário da escola, ressaltando a importância da nossa atuação visando
melhorar o funcionamento da biblioteca e que se converteria em ganho para a
comunidade escolar. Também mantivemos com a consultora responsável pela
implantação do software PHL visando a resolução dos problemas apresentados pelo
sistema e que inviabilizavam o processamento do acervo.
Em seguida, foi elaborado um roteiro para compor o texto do diagnóstico de cada
biblioteca visitada. No momento seguinte, foi efetuado o treinamento dos
bibliotecários para utilização do PHL. Também realizamos a análise do acervo e
procedemos a seleção e descarte de material, obedecendo aos seguintes critérios:
pertinência, obsolescência e estado de conservação. Todo o acervo do PNBE
(Programa Nacional de Biblioteca na Escola) foi mantido. Ressalta-se que em
algumas escolas, parte do acervo desse programa se encontrava encaixotado por
período considerável.
Conseguimos que fosse disponibilizado pela SEC o número de dez vagas para a
contratação de estagiários do curso de biblioteconomia, para atuarem no projeto. No
entanto, apenas duas estagiárias se propuseram participar das atividades.
Quanto ao serviço de processamento técnico do acervo, destaca-se que onde
realizamos o trabalho, tudo começou do “zero”. Nessa ação, contamos com a
colaboração de uma bibliotecária lotada na SEC, as duas estagiárias de
biblioteconomia e os auxiliares (quando existentes). O número reduzido de pessoas
envolvidas nessa ação fez com que o trabalho ocorresse em maior tempo do que o
ideal, levando em média quatro meses para a finalização em cada biblioteca.
Após a conclusão do processamento técnico, realizamos o inventário do acervo,
além da implantação do módulo de circulação do usuário. Ao final dessa investida,
no ano de 2014, registramos um total de 27.559 exemplares incluídos na base de
dados. Das treze bibliotecas em que as atividades foram iniciadas, atingimos a meta
total em cinco unidades, pelo fato de que nelas encontramos melhores condições de

�espaço físico, infraestrutura tecnológica (equipamentos, rede elétrica e lógica e
acesso á internet).
Nesse périplo por essas escolas, encontramos entraves e dificuldades: a
inexistência de órgão da Secretaria para coordenar as bibliotecas; falta de motivação
e atualização dos bibliotecários atuantes nas escolas; carência de profissionais
bibliotecários na rede escolar (o último concurso foi realizado há mais de 20 anos);
Em algumas escolas não obtivemos diálogo proveitoso e, consequente, ausência de
apoio efetivo da direção da escola. A deficiência nos recursos tecnológicos de
algumas bibliotecas, como dificuldades no acesso à internet e as falhas nos
computadores impactaram no andamento das atividades. Salienta-se também as
interrupções no calendário escolar, outro fator de atraso nos trabalhos.
A partir de relatos enviados aos gestores da SEC associado ao nosso constante
diálogo sobre a situação das bibliotecas, chegou-se ao consenso da necessidade de
concepção de um projeto para as bibliotecas da Rede Pública Estadual de Ensino
Básico, considerando as diversidades regionais, o número de escolas, a ausência de
bibliotecários, dentre outros fatores. Nesse sentido a SEC contratou consultoria para
elaborar o referido projeto que teve como pressuposto básico qualificar o Sistema
Estadual de Ensino na Bahia, na perspectiva da melhoria do desempenho dos
estudantes, por meio da oferta de oportunidades de acesso à informação, em
ambiente especialmente preparado para este fim, considerando a variedade de
recursos disponíveis e o envolvimento do professor, do aluno e do bibliotecário. O
projeto teve como objetivos específicos:
1. Inventariar todos os estabelecimentos de Educação Básica do Estado Bahia,
discernindo os que dispõem (e não) de biblioteca em atividade, bem como as
condições de funcionamento (estrutura física, tecnológica, de acervo, etc),
estabelecendo portes das unidades escolares e situação de pessoal (avaliação
diagnóstica);
2.Definir um conjunto de padrões mínimos de área física, estrutura, acervo e pessoal
para as bibliotecas da Rede, segundo porte da unidade escolar;
3.Compor uma comissão de educadores para auxiliar a implementação do projeto;
4.Aperfeiçoar o software que gestiona as coleções, em todas suas etapas, isto é,
desde as demandas para aquisição, até chegar à mão do usuário por consulta e
empréstimo;
5.Fixar mecanismos técnico-administrativos que regulem o funcionamento da rede
integrada.
Tendo em vista o tamanho da rede escolar, optou-se pela seguinte estratégia:
implantação de bibliotecas no período de dois anos em 160 escolas, sendo 30 com
biblioteca e bibliotecário, 30 unidades de grande porte localizadas em sede de
DIREC (Diretoria Regional de Educação) e mais 100 de diferentes portes e de
diferentes IDEB. As bibliotecas foram categorizadas por portes de acordo com o
número de alunos matriculados: pequeno (até 500) médio (de 501 a 1400) e grande
(de1401 a 2500). As unidades localizadas na sede de cada DIREC seriam
bibliotecas de referência para a região, implantadas em uma escola de grande porte
no município, possibilitando o atendimento á alunos de outras escolas da cidade.

�Atingido esse objetivo, as bibliotecas seriam “semeadas” para todas as escolas
constituindo uma rede integrada com padrões mínimos definidos segundo os portes
das unidades escolares. Foi desafiante colaborar com a concepção do projeto;
tivemos dificuldades na obtenção de dados sobre a rede escolar, necessários para
categorizar as escolas e bibliotecas. O projeto não foi implantado, o que corrobora a
não valorização e ausência de políticas públicas para biblioteca escolar. Em 2014,
com a mudança do governo estadual, fomos desligadas da SEC, retornando à
UNEB, voltado a atuar na biblioteca universitária.
Considerações Finais
Essa vivência na biblioteca escolar nos causou reflexões acerca dessa questão
debatida no âmbito acadêmico, e que resulta em artigos, teses, dissertações e
outros trabalhos, mas que necessitam reverberar na escola, através do Plano
Nacional de Educação (PNE) e outros instrumentos de concepção, planejamento e
avaliação escolar existentes. A lei que determina a universalização da biblioteca
escolar é fruto de lutas de entidades pela valorização da BE, no entanto não parece
ter sensibilizado fortemente os órgãos gestores da educação. A Biblioteca escolar é
debatida nos cursos de pedagogia e licenciaturas? E nos cursos de formação dos
bibliotecários? Em que nível essa discussão ocorre? È necessário promover a
afetividade dos futuros e atuais bibliotecários, professores e gestores em relação à
biblioteca escolar, sensibilizando-os para sua importância como elemento propulsor
para a processo formativo do educando, através do aperfeiçoamento da leitura e
busca de informação qualificada. A Biblioteca escolar deve ser potencializadora de
aprendizados, descobertas, debates e empoderamentos, proporcionando ao aluno a
abertura de horizontes em direção a uma educação de qualidade
e formação
cidadã.

Referências:
BRASIL. Lei nº 12.224, de 24 de maio de 2010. Dispõe sobre a universalização das
bibliotecas escolares nas instituições de ensino do país. Brasília: 2010. Disponível
em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12244.htm Acesso
em: jul. 2017.

�Resumo
Relato de experiência de um deslocamento da atuação em biblioteca universitária
para a Secretaria de Educação do Estado da Bahia, onde foram desenvolvidas
atividades de organização em algumas Bibliotecas da Rede Pública Estadual de
Ensino Básico do estado da Bahia e elaboração de projeto visando a implantação
da Rede de Bibliotecas Escolares em todas as escolas.

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