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                  <text>LETRAMENTO INFORMACIONAL: O ENSINO-APRENDIZAGEM DE
SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO AOS USUÁRIOS DE BIBLIOTECAS
ESCOLARES.

Andreza Santos dos Reis (UNIRIO) - andrezasreis@gmail.com
Yanne Araújo Valério de Souza (UNIRIO) - yannesaraujo@gmail.com
Resumo:
O objetivo deste trabalho foi abordar o letramento informacional de sistemas de classificação
em bibliotecas escolares, através dos relatos de atividades realizadas no ano letivo de 2015 na
Biblioteca Eliete Lopes, do Centro Educacional da Lagoa. A metodologia utilizada foi a
exploração de literatura e estudo de caso. Percebeu-se ao longo das atividades, que os alunos
evoluíram no aprendizado dos recursos informacionais que é disposto pela biblioteca,
ampliando suas competências informacionais e refletindo até mesmo na valorização da
imagem do bibliotecário, no aumento da leitura e criação de autonomia na utilização da
biblioteca.
Palavras-chave: Bibliotecas escolares. Letramento informacional. Sistemas de Classificações
Bibliográficas.
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

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�1 INTRODUÇÃO
Quando aconteceu a “explosão informacional” após a Segunda Guerra Mundial,
os profissionais da informação necessitaram se adaptar para o enorme número de
informação. Os usuários, por sua vez, foram bombardeados pelo excesso de informação
necessitando cada vez mais dos instrumentos auxiliares e dos profissionais para realizar
suas buscas em fontes confiáveis de informação.
O letramento informacional vem para trabalhar as habilidades individuais,
tornando os usuários independentes e críticos dentro e principalmente, fora das unidades
de informação. Gasque e Tescarolo (2010, p. 44) definiram o letramento informacional
como:
Estruturação sistêmica de um conjunto de competências que permite integrar as
ações de localizar, selecionar, acessar, organizar, usar informação e gerar
conhecimento, objeto da aprendizagem, visando à tomada de decisão e
resolução de problemas. (GASQUE; TESCAROLO, 2010, p. 44).

Com o objetivo de trabalhar a autonomia dos usuários da Biblioteca Eliete Lopes
(BEL), do Centro Educacional da Lagoa (CEL), foram realizadas atividades para
desenvolver as habilidades de: organização da informação, como acessá-las, selecionálas e usá-las, com os alunos que integram o horário americano da instituição. O horário
americano é uma turma, de alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental, com
horário especial para a realização de atividades extracurriculares na escola. A idade dos
alunos é entre 12 e 16 anos. E assim fomentar e desenvolver a competência
informacional definida por Gasque (2013, p.5) como a habilidade que o indivíduo
possui de mobilizar o próprio conhecimento para que com isso, tenha a capacidade de
lidar com diversas situações.
Podem-se utilizar esses recursos em várias áreas de conhecimento e vivência na
sociedade atual. Um sujeito que aprende um sistema de categorias, é capaz de navegar
melhor por vários sites e serviços da internet, por exemplo. Para Campello (2012, p.7),
boas bibliotecas escolares, adequadamente exploradas, ajudam os estudantes a aprender
com os livros e com as informações, além de possibilitar o desenvolvimento de
inúmeras outras capacidades importantes para o desenvolvimento cognitivo.
Estas atividades foram criadas pelas estudantes de biblioteconomia Andreza Reis
e Yanne Araújo, gradualmente uma vez por semana, onde era trabalhado o

�conhecimento dos sistemas de classificação de assuntos, categorização, classificação
utilizadas para autores e localização de materiais na biblioteca.
Este trabalho tem o objetivo de abordar o letramento informacional em
bibliotecas escolares através do relato de atividades pedagógicas do ensinoaprendizagem dos sistemas de organização de conhecimento na BEL.
As metodologias utilizadas são as de exploração de literatura científica sobre o
tema e relatos e descrições das atividades realizadas com os alunos.

2 PROPOSTA DE ATIVIDADE SOBRE NAVEGAÇÃO NO ACERVO: CAÇA
AO TESOURO.
A primeira atividade trabalhada com a turma foi um caça ao tesouro. O objetivo
foi fazer com que os alunos tivessem um maior conhecimento a cerca da disposição dos
livros dentro da BEL, e que futuramente possam vir a achar um livro na estante sem a
ajuda da bibliotecária. Criando, portanto independência na hora de buscar informação
dentro da biblioteca.
Nesta atividade, os alunos receberam uma primeira pista que apontou para a
localização de um livro, e dentro desse livro tinha outra pista levando-o a um segundo
livro, e assim foi até o aluno encontrar o terceiro livro, o livro final. O último livro, de
cada aluno, foi selecionado especialmente para o mesmo, para que pegasse o livro
emprestado. Cada pista foi desmembrada em três outras pistas menores que informaram
o tipo de literatura, classificação do livro e nome do autor ou título. Como podemos
observar nestes exemplos:
Figura 1: Caça ao tesouro
DIGA AOS DETETIVES QUE
SOU UM LIVRO

DIGA AOS DETETIVES QUE
SOU UM LIVRO

1. Sou considerado uma literaturainfanto-juvenil.

1. Estou classificado
literatura geral.

2. A primeira letra do sobrenome
da minha autora é a primeira
consoante do alfabeto.

2. O nome do pai do autor do meu
livro é Luis Carlos de Morais. Meu
autor tem o mesmo nome do pai.

3. A soma dos algarismos do
cutter da minha autora é igual a
13.

3. O meu titulo se inicia com o
nome da estrela central do
sistema solar.

como

�Fonte: Criado pela autora.

3 PROPOSTAS DE ATIVIDADES SOBRE SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO:
CUTTER E CDD
Para as atividades sobre sistemas de classificação, foi definido e explicado para
os alunos sobre o conceito de Piedade (1983, p.60) “Os sistemas de classificação são,
basicamente, sistemas pré-coordenados, são linguagens de indexação artificiais,
variando quanto à especificidade que possibilitam.” e também “Um mapa completo de
qualquer área do conhecimento, mostrando todos os seus conceitos e suas relações.”
(LANGRIDGE, 1977 apud PIEDADE, 1983, p.66).
A primeira atividade foi sobre sistemas de classificação por autor, a Tabela de
Cutter, definida como “uma tabela de códigos que indicam a autoria de uma obra
literária [...] e é utilizada para classificar livros em bibliotecas.” (CATIVO, 2011, p.?).
Foi realizado então um Bingo Literário, onde os alunos receberam cartelas de bingo
com notações do Cutter de alguns autores, juntamente com a tabela de bingo receberam
também a tabela de Cutter. Foram sorteados nomes de diferentes autores e os alunos
marcaram em suas tabelas os seus respectivos Cutter sorteados. Por exemplo, se fosse
sorteado o nome do autor Pedro Bandeira, os alunos deveriam procurar a notação na
tabela impressa equivalente ao nome do autor, no caso B214. Abaixo uma ilustração de
uma das cartelas distribuídas para os alunos:
Figura 3. Bingo literário.

A848

Z81

K52

P644

C555

R883
Fonte: Criado pela autora.

Os objetivos do Bingo Literário são familiarizar os alunos, de forma interativa e
divertida, com a tabela de Classificação de Cutter, identificar o funcionamento do

�código e proporcionar uma interação entre eles e um dos sistemas de classificação da
biblioteca.
E em seguida, foram desenvolvidas duas atividades para exemplificar o uso da
Classificação Decimal de Dewey, previamente definido como “um sistema de
classificação utilizado nacional e internacionalmente por bibliotecas de todo o mundo,
que tem por objetivo organizar hierarquicamente a totalidade do conhecimento em
classes decimais.” (SANTOS, 2012, p.?). Consequentemente foram abordados as
principais classes da CDD e como utilizá-las.
A primeira parte da atividade consistiu em expor sobre uma mesa um conjunto
de livros de diferentes classificações, foram entregues aos alunos fichas com diferentes
tipos de classificação. Os alunos deveriam descobrir a qual classe pertencia os livros
sobre a mesa. E a segunda parte, foi produzido um QUIZ on-line para os alunos, através
da plataforma GoConqr, onde eles deveriam responder 10 questões sobre classificação
de livros.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo de todo o ano letivo de 2015, foram executados na BEL esses
trabalhos descritos e analisados acima, com o objetivo de explorar as competências
informacionais dos alunos.
Ao compartilhar essas atividades, foi de pretensão inicial divulgar formas
divertidas e dinâmicas no processo de aprendizagem dos alunos quanto à utilização dos
recursos informacionais. E criar a autonomia dos alunos perante os recursos
informacionais.
Percebeu-se então, a evolução desses alunos no ambiente da biblioteca, desde a
localização de material, conhecimento sobre os sistemas que são utilizados, pesquisas
para trabalhos acadêmicos e independência na utilização do espaço. Alguns alunos
passaram a frequentar a biblioteca para realizar leituras, pois ao longo deste precioso
período, foi percebido o tesouro que há na escola. E essas atividades refletiram até
mesmo na valorização das profissionais, que passam da figura de “tias da biblioteca”
para “bibliotecárias” e agentes de mediação da informação.

�Referências

CAMPELLO, Bernadete. Introdução: Prática baseada em evidência: sustentando a ação
da biblioteca escolar por meio da pesquisa. In: CAMPELLO, Bernadete. Biblioteca
escolar: Conhecimentos que sustentam a prática. Belo Horizonte: Autênitca, 2012. Cap.
1. p. 7. (Ciência da informação/Biblioteca Escolar). Disponível em:
&lt;http://grupoautentica.com.br/autentica/livros/biblioteca-escolar-conhecimentos-quesustentam-a-pratica/724&gt;. Acesso em: 27 jun. 2017.
CATIVO, Jorge. Tabela de Cutter Online. 2010. Disponível em:
&lt;http://www.biblioteconomiadigital.com.br/2011/01/tabela-de-cutter-online.html&gt;.
Acesso em: 27 jun. 2017.
GASQUE, Kelley Cristine Gonçalves Dias; TESCAROLO, Ricardo. Desafios para
implementar o letramento informacional na educação básica. Educação em Revista,
Belo Horizonte, v. 26, n. 1, abr. 2010.
GASQUE, Kelley Cristine Gonçalves Dias. Competência em Informação: conceitos,
características e desafios. Atoz: novas práticas em informação e conhecimento,
Curitiba, v. 2, n. 1, p. 5-9, jan./jun. 2013.
PIEDADE, M. A. Requião. Introdução à teoria da classificação. Rio de Janeiro:
Interciência, 1983.
SANTOS, Daniel Ribeiro dos. Sistemas de classificação bibliográfica: perspectivas da
biblioteconomia contemporânea. [Projeção visual]. 61. Disponível em:
&lt;https://pt.slideshare.net/danielrdossantos/sistemas-de-classificao-bibliogrficaperspectivas-da-biblioteconomia-contempornea&gt;. Acesso em: 27 jun. 2017.

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